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Módulo Controle da Incidência Tributária RESPOSTAS . Questões 1. Que é norma jurídica? E regra-matriz de incidência tributária (RMIT)? Qual a função do consequente normativo? · Que é norma jurídica? De acordo com Paulo Nader “norma jurídica é a conduta ou o modelo imposto de organização social”, Pode-se estabelecer norma jurídica como um conjunto de normas que integram o nosso ordenamenro jurídico, e é responsável por regulamentar as ações e/ou conduta dos individuos (pessoas) dentro da sociedade. É uma regra de contuda imposta, é a presunção normativa introduzida através de leis ou regulamentos, garantida pelo poder público ou até mesmo por organizações internacionais (a exemplo os tratados). A principal tarefa é impor aos individuos/pessoas, a realizarem condutas de acordo com o que está prescrito e da forma por ela esperada. O objetivo principal da norma jurídica é manter a paz e o equilibrio dentro da sociedade, para que haja equilibrio dentro das relações, sejam elas jurídicas ou não. Geralmente as normas juridicas disciplina condutas, além de que, ela antevê uma condição, que se caso ocorrer, irá produzir um efeito jurídico. Paulo de Carvalho Barros chama de “minímo irredutível de manifestação deôntico”, ou seja, esta composição miníma a que mencionamos, geralmente apresenta um antecedente, que é a conduta no mundo social, qualificando como hipotese, e essa conduta se efetivando (ocorrendo no contexto fático) , ensejará uma consequência que, sistematicamante, será uma relação jurídica que irá vincular os sujeitos de direito. Ainda Paulo de Carvalho Barros define como: As normas jurídicas têm a organização interna das proposições condicionais, em que se enlaça determinada consequência à realização de um fato. Dentro desse arcabouço, a hipótese refere-se a um fato de possível ocorrência, enquanto o consequente prescreve a relação jurídica que se vai instaurar, onde e quando acontecer o fato cogitado no suposto normativo. · E regra-matriz de incidência tributária (RMIT), e a função do consequente normativo? A regra matriz de incidencia tributária (RMIT), é uma norma jurídica, que define o “fato jurídico tributário, delimita as hipoteses de aplicação e identifica a obrigação tributária. Ou seja a RMIT é uma norma elaborada para estabelecer caracteristicas básicas, que necessariamente precisam estar presentes no texto normativo que elabora os tributos. A função da RMIT é designar criterios do “fato gerador Tributário”, com a intenção de, identificar no âmbito na incidencia normativa e possibilitar o controle da legalidade desta. Na sua estrutura a RMIT tem os elementos antecedentes e consequentes. Os critérios antecedentes são denominados como: material, temporal e espacial. E os critérios consequentes s e definem pelo: pessoal e quantitativo. De uma forma singela há 5 perguntas que devem ser respondidas: Como? – Material; Onde? – Espacial; Quando? – Temporal; Quem? – Pessoal; Quanto? – Quantitativo A primeira pergunta que devemos fazer é “como”, que é o critério material, sendo a situação estabelecida em lei, se executada no plano fático, irá das ensejo a obrigação tributária. Sempre haverá o “verbo” mais o “complemento”, a exemplo: ser proprietário de veículo automotor, verbo é “ser” e o complemento é “proprietário de veículo automotor”, ou seja, quem for proprietário de veículo automotor deverá pagar o IPVA. A segunda pergunta é “onde”, que é o critério espacial. Por meio deste critério é possível definir o local do “fato gerador”, para simplificar, onde será devido o tributo, é o espaço físico onde o tributo é devido. No caso do IPVA, ele é devido no Estado que o veículo automotor esteja matriculado . A terceira pergunta é “quando” , que se identifica como critério temporal. Ela estabelece o momento em que em que passamos a ser sujeitos passivos da obrigação tributária, o momento exato do fato imponível. Ressalta-se que este momento é diferente para cada tributo. Há casos que começa a valer no primeiro dia do ano, momento da prestação de serviço e assim por diante. Esses três critérios “Material, Espacial e Temporal” formam o grupo e/ou conjunto dos critérios para a incidência de hipóteses tributaria. Se for identificado esses 3 elementos, nascerá a obrigação tributária, necessitando apenas definir quem será tributado e o valor do tributos, definindo o critério consequente. A partir de agora passaremos a analisar o criterio consequnte da norma de RMIT. A quarta pergunta é “quem”, ou criterio pessoal, que definirá quem são as partes envolvidas na relação juridica tributária. Como sujeito passivo tem-se o contribuinte que é quem deve pagar o tributo, e o fisco como sujeito ativo, que é credor da obrigação tributária. A exemplo, quem é proprietario de veiculo automotor é devedor do IPVA, e quem o cobra é o Estado que o veículo esteja matriculado. Por fim, a última pergunta que deve-se fazer é “quanto”, ou critério quantitativo. Por meio deste é posssivel calcular o valor a ser pago ao fisco, através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo. Novamente o exemplo do IPVA, a aliquota classificada em lei, deve ser aplicada sobre a base de cálculo, a qual em regra equilave ao preço da tabela fipe do veiculo (preço de mercado). 2. Distinguir: obrigação tributária e deveres instrumentais. Multa pelo não pagamento caracteriza-se como obrigação tributária? Justifique analisando criticamente o art. 113 do CTN. De acordo com o artigo 113 do CTN a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal de acordo com o §1° do referido artigo, surge com a ocorrência do “fato gerador”, ou seja, o sujeito passivo direto “contribuinte” pratica a materialidade da regra matriz de incidência tributária, e esta se extingue com o pagamento do tributo. Exemplo: como já sabemos a obrigação é principal quando o contribuinte tem por obrigação o pagamento do tributo ou penalidade – Fato gerador: Auferir Renda, sujeito ao Imposto de Renda. Evidencia-se que a obrigação principal só irá se extinguir com o recolhimento “total” do valor devido ao fisco, se o recolhimento ocorrer de maneira parcial o crédito não será extinto. As Obrigações tributárias acessórias estão inseridas no §2° do art.113 do CTN. A obrigação é acessória no momento em que, por força de lei, a prestação a ser executada é de fazer ou não fazer, ou autorizar que o fisco a faça, tudo por interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo (113, §2° CTN). Em síntese, a obrigação principal é definida no momento em que tiver por objeto um pagamento seja ele de tributo ou penalidade, a obrigação principal sempre decorre de lei. Já a obrigação acessória tem por objeto o “fazer” ou “não fazer” alguma coisa, e o descumprimento desta, conforme o §3° do art.113 nascerá uma obrigação principal, porque a inobservância dela gerará uma multa pecuniária. Esta obrigação decorre da própria legislação tributária. Caso ocorra a inobservância do §2° e incorrendo a multa será devido tanto a obrigação acessória, quanto a multa pela sua inobservância que se torna uma obrigação principal. Os deveres instrumentais recaem geralmente sobre as “pessoas” a exemplo as descritas no art. 197 do CTN, conforme o professor Henrique Mello, o termo “pessoas” pode ser qualquer terceiro (pessoa física, jurídica de direito público ou privado, entes de personalidade jurídica, entre outras situações), ele é muito amplo. O termo terceiro não faz nenhuma referencia a uma figura especifica. Os deveres instrumentais de uma forma simples é a aplicação de uma multa pela falta de prestação de informações ao fisco, seria uma obrigação incumbida a determinadas pessoas, porém estas não há fazem. Maria Rita Ferragut, afirma que é uma norma primaria de natureza jurídica não-tributária, impondo aos responsáveis a realização de certos atos não dotados de caráter pecuniário, a exemplo: escrituração de livros, emissão de notas fiscais, etc. As relações tributarias instrumentais, referem-se principalmente a relações jurídicas alheias. Um dever de prestar informaçõesou realizar atos, e a não realização de suas atribuições os “deveres instrumentais”, fará surgir um débito, que será uma penalidade pecuniária exclusivamente pelo descumprimento do dever instrumental. Ou seja, as hipóteses de pagamento pecuniária por faltar com a obrigação de seus deveres instrumentais se limitara as hipóteses de penalidade pecuniária 3. Que é sujeição passiva? Definir os conceitos de: (i) sujeito passivo; (ii) contribuinte; (iii) responsável tributário; e (iv) substituto tributário – distinguindo: substituição tributária para trás, para frente e convencional (concomitante); agente de retenção e substituição para frente. O responsável (art. 121, II, do CTN) é: (i) sujeito passivo da relação jurídica tributária; (ii) de relação de dever instrumental; ou (iii) de relação jurídica sancionatória? A sujeição passiva são todas as pessoas ou terceiros que integram o polo passivo da obrigação tributária, ou seja, são os indivíduos que o estado (fisco) pode cobrar os tributos devidos. De acordo com Henrique Mello, não é somente contribuinte e responsáveis tributários que compõe o gênero de sujeição passiva, da sujeição passiva também fazem parte os “terceiros”, nos artigos 121 e 122 do CTN está elencados quem são aqueles a compor o polo passivo das relações tributarias e os motivos do porque eles estarem lá. O sujeito passivo é o devedor da obrigação tributária, é o individuo que tem o dever de prestar/entregar ao credor e/ou sujeito ativo (estado/fisco), o objeto da obrigação tributária. Contribuinte é aquele que pratica a materialidade da RMIT, e quem realiza o “fato gerador”, de acordo como professor Henrique Mello é o sujeito passivo da obrigação principal, e este deve ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o “fato gerador”, incumbindo a ele realizar o pagamento. O responsável tributário conforme Henrique Mello é quem tem “o dever jurídico de cumprir prestação de dar valor pecuniário, nos moldes como esperada pelo titular do direito correspondente, não tendo ele mesmo praticado o fato tributário”, em outras palavras o responsável tributário deve adimplir não por ter praticado a materialidade da RMIT, mas sim por uma imposição legal (prevista em lei), é conhecido ainda conforme Carraza como sujeito passivo indireto substituto tributário – distinguindo: substituição tributária para trás, para frente e convencional (concomitante); agente de retenção e substituição para frente Em relação ao substituto tributário há uma divisão doutrinaria, para boa parte da doutrina o substituto tributário seria como o responsável tributário, sendo a pessoa obrigada a realizar o pagamento do débito próprio por imposição de lei no polo passivo da relação tributaria obrigacional mesmo não tendo realizado o fato gerador na regra matriz de incidência tributaria (MELLO apud DE SOUSA). Outra parte da doutrina discorda com o mencionado acima, e vislumbra a substituição como um dever instrumental, geralmente atribuídos a terceiros, conforme Henrique Mello as substituições tributárias estruturadas nos regimes de retenção e reembolso antecipado, e não são verdadeiras substituições , já que não configura a obrigação de pagamento para o responsável tributário, mas sim, dever de recolhimento de valores alheios ao fisco. Ou seja, a substituição tributária é baseada nos ditames de retenção e reembolso antecipado, o ICMS no estado de São Paulo é um exempli de substituição Tributaria. Há na doutrina Brasileira 3 formas de substituições tributarias: concomitante, retrospectiva e prospectiva, para explicar cada qual, utilizarei o os exemplos de Henrique Mello: A doutrina brasileira costuma considerar três formas de substituição tributária: concomitante (ou substituição tributaria propriamente dita), retrospectiva (ou para trás) e prospectiva (ou para frente) . Exemplo do primeiro caso seria o da tributação exclusiva da fonte, em que o imposto sobre a renda da pessoa que recebeu rendimentos tributáveis é calculado e recolhido pela fonte pagadora de renda no momento da remuneração ao beneficiário, sem possibilidade de ajustes posteriores. Exemplo do segundo caso seria o do diferimento do lançamento do ICMS em determinadas operações, devendo o tributo em tese devido por pessoa no inicio da cadeia de comercialização ser constítuido do apenas nas etapas finais, calculando o recolhido pelos últimos contribuintes da cadeia econômica. E exemplo do terceiro caso seria o do ICMS substituição tributaria, calculado e recolhido por contribuinte no inicio da cadeia de comercialização em referência ao tributo que presumidamente virá a ser devido pelos demais contribuintes até a venda ao consumidor final. (MELLO, P. 170). O agente de retenção ele é como um sujeito passivo na relação tributária, incumbindo-lhe a reter a pecúnia (dinheiro) do contribuinte, para entregar/recolher ao fisco. O responsável tributário mencionado no art1 121, Inciso II do CTN, é sim sujeito passivo da obrigação tributária, conhecido também como sujeito passivo indireta, dado que não praticou a materialidade da Regra Matriz de Incidência Tributária – RMIT, porém por uma imposição legal ele é responsável a adimplir em sentido estrito a obrigação tributária ou a penalidade pecuniária.