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Questões resolvidas

O que é vedado ao nutricionista de acordo com o Código de Ética?

a) Prescrever, indicar ou manifestar preferência sobre determinados produtos.
b) Permitir que outra pessoa não habilitada execute suas atribuições.
c) Fazer uso de estratégias desleais que possam colocar em risco a saúde da população.
d) Todas as alternativas anteriores estão corretas.

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Questões resolvidas

O que é vedado ao nutricionista de acordo com o Código de Ética?

a) Prescrever, indicar ou manifestar preferência sobre determinados produtos.
b) Permitir que outra pessoa não habilitada execute suas atribuições.
c) Fazer uso de estratégias desleais que possam colocar em risco a saúde da população.
d) Todas as alternativas anteriores estão corretas.

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ORIENTAÇÃO 
PROFISSIONAL
Luciana de Souza
Código de Ética 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Aplicar as normas previstas no Código de Ética profissional.
  Identificar enquadramentos de conflitos éticos.
  Discutir a ética na atuação profissional envolvendo a publicidade de 
alimentos.
Introdução
Estima-se que, no ano de 2050, a população mundial vai exceder os 9 
bilhões de pessoas. Essa tendência exige que seja dada cada vez mais 
atenção aos recursos hídricos e alimentares, de forma a garantir uma 
alimentação saudável, livre de agrotóxicos e contaminantes, para a popu-
lação. Esse crescente desafio faz com que nutricionistas de todo o mundo 
trabalhem para buscar alternativas para uma alimentação saudável e 
segura, conforme afirmam Tagtow et al. (2014).
A evolução tecnológica vem impulsionando o mercado de trabalho 
do profissional nutricionista, que antigamente exercia um trabalho 
local e, atualmente, atinge o mercado internacional. Hoje, a prática 
da Nutrição vai desde a assistência sobre informações nutricionais até 
a recente possibilidade de oferecer atendimento nutricional on-line. 
Nesse sentido, o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) aprovou um 
novo Código de Ética e de Conduta do Nutricionista no ano de 2018, 
incluindo questões relacionadas à influência do avanço tecnológico 
na profissão. 
Neste capítulo, você vai estudar as normas previstas no Código de 
Ética profissional, identificando os enquadramentos de conflitos éticos 
e analisando a ética na atuação profissional no que tange à publicidade 
de alimentos. 
Normas previstas no Código de Ética profissional 
A palavra ética está relacionada à refl exão fi losófi ca sobre a moral, sendo a 
moral constituída por normas impostas pela sociedade para regular o compor-
tamento das pessoas. Muitas vezes, o que é ético para um determinado grupo 
pode não o ser para outro, gerando, muitas vezes, polêmicas e discussões a 
esse respeito, conforme leciona Aguilar (2005). 
No ambiente profissional, o Código de Ética é um instrumento delineador 
da atuação profissional, consistindo em um conjunto de normas que o profis-
sional deve seguir para que não infrinja o direito do outro e para que tenha 
ciência dos seus direitos perante a lei. Esse instrumento norteia a conduta do 
nutricionista em todas as áreas de atuação. 
Para o Conselho Regional De Nutricionistas 8ª REGIÃO (2016), os códigos de 
ética devem ser utilizados como instrumentos de orientação e aprendizado ético, 
por meio dos quais se evitam as punições decorrentes de infrações às suas normas. 
A apropriação do Código de Ética do Nutricionista deve ocorrer durante a for-
mação acadêmica, devendo este ser consultado em todas as ações do nutricionista.
O Código de Ética do Nutricionista foi publicado em 2004 e recentemente 
revisitado, devido à necessidade de atualização frente às mudanças tecnológicas 
que vêm inovando o modo de comunicação entre as pessoas e, consequente-
mente, o modo de divulgação de produtos e trabalhos. A publicação do novo 
Código de Ética ocorreu em 25 de fevereiro de 2018, por meio da Resolução 
CFN nº. 599. Esse “novo” Código de Ética e de Conduta do Nutricionista inclui 
as responsabilidades profissionais, as relações interpessoais, as condutas e 
práticas profissionais, os meios de comunicação e informação, a associação 
a produtos, marcas de produtos, serviços, empresas ou indústrias, a formação 
profissional, a pesquisa, a relação com as entidades de categoria e as infrações 
e penalidades (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018).
A profissão nutricionista integra um dos campos mais promissores do futuro, e a sua 
prática abrange aspectos sociais, culturais, políticos, religiosos e de estilo de vida. Inclui, 
também, algumas atividades que transitam de maneira muito sutil entre o ético e o 
não ético, conforme sugerem Kohlmeier et al. (2016). O profissional precisa exercer a 
sua atividade com ética, evitando induzir a decisão dos seus pacientes em questões 
relacionadas aos seus valores morais.
Código de Ética2
Princípios fundamentais do Código de Ética 
e de Conduta do Nutricionista
O Código de Ética e de Conduta do Nutricionista dispõe, no item “Princípios funda-
mentais”, oito artigos, os quais falam da necessidade de o profi ssional nutricionista 
não somente conhecer os princípios universais dos direitos humanos e da bioética, 
previstos na Constituição Federal e no próprio Código de Ética profi ssional, mas 
também pautar a sua atuação profi ssional com base nesses princípios. 
O direito à saúde e o direito à alimentação adequada e à segurança alimentar 
e nutricional de indivíduos e coletividades deve ser uma das bandeiras que 
o profissional deve levar consigo, para a sua atuação, desempenhando todas 
as suas atribuições previstas por lei pautadas no respeito. Esse respeito na 
conduta profissional deve abranger a “[...] vida, a singularidade e a pluralidade, 
as dimensões culturais e religiosas, de gênero, de classe social, raça e etnia, 
a liberdade e a diversidade das práticas alimentares, de forma dialógica, 
sem discriminação de qualquer natureza em suas relações profissionais” 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
Outro item importante e considerado como princípio fundamental é a cons-
tante atualização técnico-científica do profissional, visto que a ciência evolui 
constantemente, e essa atualização deve fortalecer a atuação na “[...] promoção 
da saúde e da alimentação adequada e saudável de indivíduos e coletividades” 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). 
Com isso, o profissional tem condições de realizar atendimentos integrais ao 
indivíduo e à coletividade, fazendo uso de todos os recursos tecnológicos e 
científicos disponíveis. 
O profissional nutricionista deve reconhecer que a atenção nutricional deve 
ultrapassar o significado biológico da alimentação, devendo considerar as 
dimensões ambientais, culturais, políticas, econômicas, sociais e psicoafetivas, 
bem como as dimensões simbólicas do alimento e da nutrição. 
A participação do profissional em espaços de discussão e decisões, tanto 
na categoria profissional como em órgãos governamentais ou outros, é in-
centivada, visando ao “[...] exercício da profissão e o compromisso com o 
desenvolvimento sustentável e a preservação da biodiversidade, a proteção à 
saúde e a valorização profissional” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIO-
NISTAS, 2018, documento on-line). O profissional deve exercer a profissão de 
“[...] forma crítica e proativa, com autonomia, liberdade, justiça, honestidade, 
imparcialidade e responsabilidade, ciente de seus direitos e deveres, não 
contrariando os preceitos técnicos e éticos” (CONSELHO FEDERAL DE 
NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
3Código de Ética
Capítulo I — Responsabilidades profissionais
O Capítulo I do Código de Ética do Nutricionista trata sobre as responsabili-
dades profi ssionais e possui 18 artigos. Nestes, estão descritos os deveres e 
direitos do nutricionista, assim como o que é vedado ao profi ssional. 
O nutricionista, no exercício profissional, tem direito à “[...] garantia e defesa 
de suas atribuições e prerrogativas, conforme estabelecido na legislação de 
regulamentação da profissão e nos princípios firmados neste Código” (CON-
SELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Deve 
pleitear remuneração adequada às atividades que exerce, tendo como base o 
valor mínimo definido pela entidade sindical da região em que atua, ou pela 
legislação vigente. Pode prestar serviços profissionais gratuitos e voluntários 
que tenham fins sociais e, também, humanos. Em caso de trabalho voluntário, 
é dever do profissional assumir e executar as atribuições e responsabilidades 
profissionais que são inerentes à função executada. 
O profissional tem direito de se recusar a trabalhar em locais em que as 
condições de trabalho não sejam dignas e adequadas, ou que possam prejudicarindivíduos, coletividades ou mesmo o próprio profissional, devendo sempre co-
municar o Conselho de sua jurisdição ou o sindicato da categoria. Deve também 
recusar propostas e situações nas quais as atribuições sejam incompatíveis com 
as do nutricionista, o que configura desvio de função do contrato de trabalho.
É dever do nutricionista atuar em todas as suas atribuições com transparência, dignidade 
e decoro, sem violar os princípios fundamentais do Código de Ética e a ciência da 
Nutrição. Deve, portanto, declarar conflitos de interesses, caso existam, tendo ciência 
dos seus deveres e direitos, mantendo-se atualizado em relação às legislações profis-
sionais e normativas e aos posicionamentos do Conselho. A atualização também deve 
ser em relação ao conhecimento científico do profissional e às práticas profissionais 
que auxiliem na melhoria contínua do processo de trabalho e possibilitem orientar 
e supervisionar profissionais que estejam sob sua supervisão, para que exerçam suas 
atividades conforme a necessidade (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018).
É dever do profissional, no exercício das suas atribuições, assumir respon-
sabilidade por todas as suas ações profissionais, mesmo quando solicitadas 
por terceiros. Deve também comunicar aos órgãos competentes e ao Conselho 
Código de Ética4
falhas em “[...] regulamentos, processos, recursos e estruturas dos locais em 
que atue profissionalmente quando as considerar incompatíveis com o exercício 
profissional ou prejudiciais aos indivíduos e às coletividades” (CONSELHO 
FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
Todo indivíduo ou coletividade que estiver sob a responsabilidade de um 
profissional nutricionista deve sempre ser informado sobre todos os “[...] 
objetivos, procedimentos, benefícios e riscos” (CONSELHO FEDERAL DE 
NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line) a que estão sendo submeti-
dos durante a atuação do profissional. O profissional deve manter sigilo e 
confidencialidade sobre as informações dos seus pacientes e deve sempre se 
identificar no exercício de sua profissão, apresentando seu nome e número da 
inscrição no Conselho Regional de Nutricionistas.
É vedado ao profissional nutricionista praticar atos danosos, a indivíduos 
ou a coletividades, que possam caracterizar imperícia ou negligência. Assim 
como é vedado ao profissional instrumentalizar e ensinar técnicas que são 
privativas do profissional nutricionista a outros profissionais, com a exceção 
dos estudantes de graduação em Nutrição.
É também vedado ao nutricionista “[...] permitir a utilização do seu nome 
e título profissional por estabelecimento ou instituição em que não exerça 
atividades próprias da profissão” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIO-
NISTAS, 2018, documento on-line). Também é vedado emitir declarações 
falsas ou adulterar informações, para seu benefício próprio ou de terceiros, 
bem como em prejuízo de outras pessoas. 
Capítulo II — Relações interpessoais 
O profi ssional nutricionista, durante a sua atuação profi ssional, interage com 
outros profi ssionais, tanto nutricionistas como profi ssionais de outras catego-
rias, além de usuários, funcionários, empregadores, representantes de classe, 
órgãos governamentais, entre outros. Com isso, o Código de Ética prevê, 
como direito do nutricionista, denunciar nos órgãos competentes os atos que 
se caracterizarem como “[...] agressão, assédio, humilhação, discrimina-
ção, intimidação, perseguição ou exclusão por qualquer motivo, contra si ou 
qualquer pessoa” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, 
documento on-line). É também vedado ao profi ssional que pratique tais atos.
O nutricionista pode fazer uso do poder ou de sua posição hierárquica, 
desde que de forma justa, respeitosa e que não cause situações opressoras ou 
conflitos nas relações. É também vedado ao profissional realizar manifestações 
públicas que depreciem ou difamem outros profissionais ou suas condutas. 
5Código de Ética
Capítulo III — Condutas e práticas profissionais
O Código de Ética da profi ssão dispõe de 22 artigos sobre as condutas e práticas 
profi ssionais que devem ser desenvolvidas no exercício das atribuições do 
profi ssional. O nutricionista deve exercer suas atribuições de forma adequada, 
justa e digna, sem interferência de outras pessoas ou profi ssionais, devendo 
ter acesso às informações sufi cientes e necessárias que garantam uma conduta 
técnica adequada. Deve sempre respeitar o limite de seu campo de atuação 
e não exercer atividades que não sejam compatíveis com as suas atribuições. 
É dever do nutricionista encaminhar a outros profissionais indivíduos ou coletividades 
quando houver necessidade de ações que não são consideradas como competência do 
nutricionista. Deve-se fornecer todas as informações necessárias a outros profissionais 
habilitados para a continuidade do tratamento, ou para outro nutricionista, quando o 
profissional precisar se afastar de suas funções.
Caso o profissional assista algum indivíduo ou coletividade em instituição 
da qual não faz parte do quadro funcional, deve respeitar as normas técnico-
-administrativas da instituição, além de informar o profissional responsável. 
O profissional tem direito de alterar uma conduta técnica definida por outro 
nutricionista, caso essa mudança seja em benefício de “[...] indivíduos, co-
letividades ou serviços, registrando as alterações e justificativas de acordo 
com as normas da instituição, e sempre que possível informar ao responsável 
pela conduta” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, 
documento on-line). 
O nutricionista deve realizar sempre a consulta presencial para que seja 
possível avaliar e diagnosticar os indivíduos, podendo as consultas de acompa-
nhamento e orientação nutricional ser realizadas de forma não presencial. Para 
uma avaliação adequada e a tomada de decisão em relação à melhor conduta 
nutricional, é dever do nutricionista considerar todos os fatores envolvidos, 
como as condições alimentares, nutricionais, de saúde e de vida dos indivíduos, 
coletividades e serviços. Essas ações devem ter como objetivo promover saúde, 
sem que haja interferência de modismos, pressões mercadológicas ou práticas 
que atendam a interesses financeiros para si ou para terceiros. A Figura 1 
demonstra o atendimento presencial realizado pelo nutricionista.
Código de Ética6
Figura 1. Atendimento presencial a ser realizado pelo nutricionista.
Fonte: Adaptada de Photographee.eu/Shutterstock.com.
O profissional deve estar constantemente se atualizando, analisando critica-
mente questões que envolvem a sua conduta profissional, como metodologias 
atualizadas de práticas, protocolos e pesquisas divulgadas na literatura. Deve 
colaborar com as autoridades sanitárias e de fiscalização profissional, prestando 
todas as informações que lhe forem solicitadas, sendo este um dever do profissional. 
O profissional não pode atribuir benefícios ou propriedades a alimentos, 
suplementos ou fitoterápicos que não os possuam, devendo qualquer infor-
mação ser pautada em conhecimento científico. É vedado ao profissional 
obter vantagens de qualquer natureza decorrente da relação com indivíduos 
ou coletividades. É também vedado ao profissional incentivar indivíduos a 
migrarem para outro local da mesma natureza com o qual tenha vínculo, com 
vistas a obter vantagem pessoal ou financeira, ou utilizar-se de instituição 
ou bem público como forma de obter vantagens pessoais ou para terceiros. 
Agir de forma desleal, pleiteando vagas para si ou terceiros, é uma atitude 
vedada ao profissional nutricionista, assim como “[...] receber comissão, 
remuneração, gratificação ou benefício que não corresponda a serviços pres-
tados” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento 
on-line). Ainda, é vedado cobrar ou receber honorários de “[...] indivíduos e 
de coletividades assistidos em instituições que se destinam à prestação de 
serviços públicos, em qualquer área de atuação”, ou cobrar por procedimentos 
já remuneradosno plano de saúde em que o indivíduo está sendo atendido 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
7Código de Ética
Capítulo VI — Formação profissional 
A formação do profi ssional envolve condutas, práticas e situações que devem 
seguir o Código de Ética. Este dispõe que é direito do profi ssional a atividade de 
supervisão e preceptoria de estágios no seu local de trabalho, bem como delegar 
funções privativas do nutricionista ao estagiário, desde que se cumpra a legislação 
de estágio vigente. Quando na atividade de supervisão e preceptoria de estágio, 
deve ser abordada a ética como conteúdo e atitude, transpassando todos os mo-
mentos do estágio, estando paralelamente comprometido com a “[...] formação 
técnica, científi ca, ética, humanista e social do discente, em todos os níveis de 
formação profi ssional” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). 
O nutricionista deve proporcionar ao aluno espaços e condições adequadas 
para que se dê de maneira eficiente o processo de ensino e aprendizagem, comu-
nicando aos responsáveis qualquer inadequação observada. Durante o período 
de estágio, o supervisor ou preceptor deve informar aos pacientes, clientes ou 
usuários a participação do discente nas atividades rotineiras do profissional, 
podendo o paciente recusar a presença do estagiário durante o atendimento. 
É proibido ao nutricionista supervisor, preceptor ou orientador de estágio permitir que 
este seja desenvolvido em local que não disponibilize um profissional nutricionista. 
Por fim, é vedado ao profissional, na sua função de coordenador ou docente, induzir 
que os estagiários sejam assistidos por outra instituição.
Capítulo VII — Pesquisa 
A pesquisa científi ca, os estudos e as práticas podem ser realizadas por profi ssio-
nais nutricionistas, gerando novos conhecimentos, desde que tenham o objetivo 
de benefi ciar à saúde de indivíduos ou coletividades e estejam autorizadas pelo 
Comitê de Ética da instituição responsável, obtendo sempre a autorização dos 
indivíduos envolvidos na pesquisa. Quando a pesquisa for fi nanciada ou tiver 
algum tipo de apoio, essa informação deve ser declarada na divulgação do tra-
balho, declarando, assim, o confl ito de interesses. Toda pesquisa deve respeitar 
“[...] o meio ambiente, os seres humanos e animais envolvidos, de acordo com as 
normas da legislação vigente” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 
2018). A Figura 2 mostra um nutricionista realizando uma pesquisa científi ca. 
Código de Ética8
Figura 2. Nutricionista realizando uma pesquisa científica.
Fonte: Adaptada de Africa Studio/Shutterstock.com.
Capítulo VIII — Relação com as entidades da categoria 
O nutricionista deve obedecer a alguns itens quanto à sua relação com as entidades 
da categoria, sendo dever do profi ssional estar regularmente inscrito no Conselho 
Regional de Nutricionistas da sua jurisdição, ou outra, caso tenha uma inscrição 
secundária. Deve manter seus dados atualizados junto ao Conselho, inclusive 
comunicando afastamentos, exoneração, demissão de cargo ou emprego.
É direito do nutricionista “[...] associar-se, exercer cargos e participar das 
atividades de entidades da categoria que tenham por finalidade o aprimora-
mento técnico-científico, a melhoria das condições de trabalho, a fiscalização 
do exercício profissional e a garantia dos direitos profissionais e trabalhistas” 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). O profissional 
deve requerer desagravo público ao Conselho quando ofendido no exercício 
da profissão. O nutricionista deve cumprir as “[...] normas definidas pelos 
Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas e atender, nos prazos e con-
dições indicadas, às convocações, intimações ou notificações” (CONSELHO 
FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018).
Além desses capítulos, o Código de Ética traz o Capítulo IV, sobre meios 
de comunicação e informação, o Capítulo V, sobre a associação a produtos, 
marcas, serviços, empresas ou indústrias, e o Capítulo IX, sobre infrações e 
penalidades, que serão discutidos na sequência deste capítulo.
9Código de Ética
Enquadramento de conflitos éticos 
As infrações e penalidades estão dispostas no Código de Ética no capítulo 
IX. Quando o profi ssional comete uma infração, deve saber que pode acarretar 
danos à saúde de indivíduos e da coletividade. Aos profi ssionais que infringirem 
as disposições e os preceitos do referido Código, serão aplicadas as seguintes 
penalidades (em conformidade com as disposições da Lei nº. 6.583, de 20 de 
outubro de 1978, e do Decreto nº. 84.444, de 30 de janeiro de 1980):
1. Advertência.
2. Repreensão.
3. Multa.
4. Suspensão do exercício profissional.
5. Cancelamento da inscrição e proibição do exercício profissional. 
- Salvo os casos de gravidade manifesta ou reincidência, a imposição de 
penalidades obedecerá à gradação fixada na lei, observadas as normas bai-
xadas pelo CFN.
- Na fixação de penalidades, serão considerados os antecedentes do profissional 
infrator, o seu grau de culpa, as circunstâncias atenuantes e agravantes, bem 
como as consequências da infração (BRASIL, 1978; 1980, documento on-line).
A apuração e o julgamento para quem infringir o Código de Ética do Nutricionista 
seguem o princípio universal da responsabilidade ética individual e pública. Este se refere 
à garantia dos direitos fundamentais instituídos na Constituição Federal, que assegura o 
contraditório, a ampla defesa ao denunciado e que ninguém será considerado culpado 
até a sentença condenatória (CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS 8ª REGIÃO, 2016).
Você ficou sabendo do caso de um nutricionista que foi condenado por receitar 
anabolizantes a um paciente? Saiba mais sobre o caso acessando o link ou código a seguir.
https://goo.gl/NA57oM
No contexto das responsabilidades profissionais do nutricionista, as se-
guintes condutas são vedadas pelo Código de Ética do Nutricionista:
  Realizar manifestações públicas sobre posições depreciativas ou mesmo 
difamatórias referentes à conduta/atuação de outros profissionais.
  É vedado pleitear vaga de emprego ou cargo para si ou outro de forma 
desleal. 
Código de Ética10
  Receber comissão, remuneração, gratificação ou benefício provenientes 
de serviços não prestados. Também é vedado ao profissional “[...] cobrar 
ou receber honorários e benefícios de indivíduos e de coletividades 
assistidos em instituições que se destinam à prestação de serviços 
públicos, em qualquer área de atuação” (CONSELHO FEDERAL DE 
NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
  A prática de atos danosos por profissionais nutricionistas a indivíduos 
e coletividades pode ser caracterizada como imperícia, imprudência 
ou negligência.
Você sabe a diferença entre imperícia, imprudência e negligência? A imperícia é agir 
com inaptidão, falta de qualificação técnica, teórica ou prática — ou seja, é a ausência 
de conhecimentos elementares e básicos da profissão, a incapacidade e/ou a falta 
de habilidade específica para a realização de uma atividade técnica ou científica. Já a 
imprudência é o ato de agir perigosamente, com falta de moderação ou precaução, 
violando regras e/ou leis. Ou seja, é o comportamento de precipitação. Por sua vez, a 
negligência é a ausência deliberada de cuidado ou de aplicação dos conhecimentos 
em determinada situação, tarefa ou ocorrência.
É também considerada como conflito ético a interferência de outros pro-
fissionais ou pessoas não habilitadas nas atribuições do profissional. Quando 
o profissional nutricionista se afastar de suas funções, deverá sempre deixar 
informações suficientes para a continuidade dos trabalhos, independentemente 
do profissional que vai substituí-lo. 
É vedado ao nutricionista o recebimento de vantagens pessoais oferecidas 
por empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação e nutrição, quando 
configurar conflito de interesses, com a exceção do profissional que for con-
tratado pela própria empresa ou indústria que fez a concessão do benefício. 
Gera conflito de interesse:[...] prescrever, indicar, manifestar preferência ou associar sua imagem in-
tencionalmente para divulgar marcas de produtos alimentícios, suplementos 
nutricionais, fitoterápicos, utensílios, equipamentos, serviços, laboratórios, 
farmácias, empresas ou indústrias ligadas às atividades de alimentação e 
nutrição de modo a não direcionar escolhas (CONSELHO FEDERAL DE 
NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
11Código de Ética
Esse artigo, disposto no Código de Ética, visa a “preservar a autonomia 
dos indivíduos e coletividades e a idoneidade dos serviços”. 
De acordo com a Resolução CFN nº. 599:
I. Inclui-se como formas de divulgação a utilização de vestimentas, 
adereços, materiais e instrumentos de trabalho com a marca de produtos 
ou empresas ligadas à área de alimentação e nutrição. Excetuam-se 
profissionais contratados por empresa ou indústria durante o desem-
penho de atividade profissional por esta contratante.
II. Caso o nutricionista seja contratado pela empresa ou indústria para 
desempenhar a função de divulgação de serviços ou produtos de uma 
única marca, empresa ou indústria, esta deve ser voltada apenas a 
profissionais que prescrevam ou comercializem os produtos e vedada 
aos demais públicos.
III. Quando da prescrição dietética, orientação para consumo ou com-
pra institucional, havendo necessidade de mencionar aos indivíduos e 
coletividades as marcas de produtos, empresas ou indústrias, o nutri-
cionista deverá apresentar mais de uma opção, quando disponível. Não 
havendo outra opção que tenha a mesma composição ou que atenda a 
mesma finalidade, é permitido indicar o único existente (CONSELHO 
FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line).
O profissional nutricionista não “[...] deve utilizar-se de instituição ou bem 
público para executar serviços provenientes de demandas de instituição ou de in-
teresse privado, sem autorização, como forma de obter vantagens pessoais ou para 
terceiros” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento 
on-line). Assim como o profissional não pode “[...] exercer ou associar atividades 
de consulta nutricional e prescrição dietética em locais cuja atividade-fim seja a 
comercialização de alimentos, produtos alimentícios, suplementos nutricionais, 
fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de alimentação e nutrição” 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). 
É também vedado ao nutricionista “[...] condicionar, subordinar ou sujeitar sua 
atividade profissional à venda casada de produtos alimentícios, suplementos 
nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de alimen-
tação e nutrição” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, 
documento on-line). O profissional também não deve prescrever, indicar ou 
Código de Ética12
manifestar preferência sobre determinados produtos, pois o indivíduo deve ser 
autônomo em suas decisões. O profissional também não deve induzir indivíduos 
a migrarem para outros locais de atendimento, visando a benefícios financeiros. 
A divulgação de imagens de resultados de pacientes (mesmo com autorização) 
é vedada ao nutricionista por caracterizar conflito de interesse, considerando indu-
zir os indivíduos a buscarem o tratamento com o profissional que obteve o resultado. 
Deve ser considerado que tratamentos podem ter resultados diferentes, conforme 
cada organismo. As imagens com autorização de indivíduos ou coletividades 
podem ser divulgadas em eventos científicos ou publicações técnico-científicas. 
O profissional não deve permitir que outra pessoa não habilitada execute as 
suas atribuições de nutricionista, com exceção aos estagiários de nutrição, desde 
que com supervisão do profissional. Além disso, “[...] é vedado ao nutricionista 
praticar atos que caracterizem agressão, assédio, humilhação, discriminação, 
intimidação ou perseguição por qualquer motivo contra qualquer pessoa” 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). 
O profissional não deve fazer uso de estratégias desleais que possam colocar 
em risco a saúde da população. O uso de sorteios, divulgação de honorários 
e promoções é vedado ao profissional. 
Em publicações técnico-científicas, é vedado ao profissional omitir ter-
ceiros que participaram da elaboração de materiais. Declarar autoria sobre um 
trabalho que não teve participação ativa também é vedado ao profissional. Por 
fim, o profissional com posição em entidades de categoria não deve fazer uso 
desta para conseguir benefícios e vantagens, sejam elas pessoais ou financeiras 
(CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018).
O CFN, como autarquia federal, e os CRNs, como autarquia regionais, normatizam, 
fiscalizam, orientam, disciplinam e, ainda, atuam como o Tribunal de Ética Profissional 
em processos administrativos e disciplinares relacionados com o exercício e as ati-
vidades profissionais nas áreas de alimentação e nutrição. Eles são fundamentados, 
sobretudo, no Código de Ética do Nutricionista, processando e decidindo os casos 
que lhes forem submetidos. 
As denúncias referentes às infrações ao Código de Ética do Nutricionista devem ser 
feitas aos respectivos CRNs, que representam diversos Estados brasileiros. Cada CRN 
tem a sua própria forma de orientar os denunciantes, bem como meios específicos 
para a denúncia. As denúncias podem ser feitas por telefone, e-mail, carta ou pelo 
próprio site do CRN, devendo o denunciante ler atentamente as instruções. 
13Código de Ética
Ética na atuação profissional envolvendo 
a publicidade de alimentos 
A divulgação de informações por meio da internet, especialmente pelas redes 
sociais, vem sendo bastante utilizada, já que é uma forma rápida e efi caz de 
comunicação. Se utilizada com ética e responsabilidade, pode ser um impor-
tante diferencial competitivo para o profi ssional. No entanto, os nutricionistas, 
ao disseminarem informações, independentemente do meio pelo qual o fazem, 
devem basear a sua conduta nas premissas do Código de Ética e de Conduta 
do Nutricionista. 
O Código de Ética dispõe de dois capítulos que tratam do uso de meios de 
comunicação e informação e da associação a produtos, marcas de produtos, 
serviços, empresas ou indústrias. Esses dois capítulos, IV e V, serão abordados 
nesta seção. 
Capítulo IV — Meios de comunicação e informação
O uso da mídia para a divulgação de qualquer tipo de informação pelo pro-
fi ssional nutricionista deve atender ao disposto no Código de Ética, o qual 
considera como direito do nutricionista fazer uso dos meios de comunicação, 
desde que esteja pautado em princípios fundamentais e valores da profi ssão. O 
profi ssional pode divulgar dados como “[...] qualifi cação profi ssional, técnica, 
métodos, protocolos, diretrizes” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIO-
NISTAS, 2018, documento on-line), resultados de pesquisas (citando sempre a 
fonte) e materiais informativos que tenham como objetivo a educação alimen-
tar e nutricional e também a promoção da saúde. Sempre que o profi ssional 
fi zer uso das mídias, deve contextualizar com respaldo técnico-científi co, 
informando que os resultados informados podem não acontecer para todos 
da mesma maneira. 
O profissional não pode usar as mídias para promover mensagens enganosas 
ou sensacionalistas (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018), 
como a alegação de que um determinado resultado só pode ser obtido com o tra-
tamento divulgado. É vedado ao profissional fazer promoções, sorteios e divulgar 
valores de honorários para se beneficiar ou beneficiar o seu local de trabalho.
O uso da imagem corporal de pacientes nas mídias é totalmente vedado 
ao profissional, mesmo que este tenha autorização por escrito do paciente. A 
divulgação da imagem só pode ocorrer em eventos científicos ou publicações 
técnico-científicas, desde que se tenha a autorização por escrito do paciente 
ou coletividade. A Figura 3 mostra uma situação proibida ao nutricionista. 
Código de Ética14
Figura 3. O uso de fotos de “antes e depois” de pacientes é vedadoao nutricionista.
Fonte: Adaptada de Africa Studio/Shutterstock.com.
Capítulo V — Associação a produtos, marcas 
de produtos, serviços, empresas ou indústrias
O nutricionista deve observar o disposto no Código de Ética quando da associa-
ção, divulgação, indicação ou venda de produtos, marcas, serviços, empresas 
ou indústrias. Quando o profi ssional estiver desenvolvendo atividades de orien-
tação, educação alimentar e nutricional ou atividades de formação profi ssional, 
ele pode fazer uso de embalagens de alimentos, desde que utilize mais de uma 
marca e indústria do mesmo tipo de alimento ou suplemento nutricional ou 
fi toterápico; assim, não confi gurará confl ito de interesses. O profi ssional não 
deve, portanto, manifestar preferências ou indicar determinados produtos, 
nem associar a sua imagem intencionalmente com a fi nalidade de divulgar 
marcas de produtos relacionados à nutrição. A escolha alimentar deve ser 
sempre do indivíduo, respeitando, assim, a sua autonomia. 
O profissional não deve realizar atendimentos nutricionais em locais cuja 
atividade-fim seja a comercialização de produtos alimentares, suplementos 
ou qualquer item relacionado. Também não deve realizar venda casada de 
produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou 
equipamentos à sua atividade profissional. 
15Código de Ética
O art. 61 do Código de Ética destaca: “O nutricionista pode exercer atividade de consulta 
nutricional e prescrição dietética em locais cuja atividade-fim seja a comercialização 
de alimentos ou produto alimentício de fabricação e marca próprias de nutricionista, 
desde que respeitado o inciso III do Art. 60” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 
2018, documento on-line).
É vedado ao profissional fazer publicidade/propaganda de marcas ou pro-
dutos relacionados à nutrição nos meios de comunicação que tenham fins 
comerciais. É também vedado ao profissional receber patrocínios ou mesmo 
vantagens financeiras de empresas que estejam ligadas à área de alimentação 
e nutrição, quando essa ação configurar conflito de interesse, com exceção 
de se o profissional for contratado da empresa que o beneficia. 
Por fim, o profissional não deve organizar eventos técnico-científicos 
com patrocínio, apoio ou remuneração de empresas do ramo de alimentação 
e nutrição que não atendam aos critérios estabelecidos em lei, exceto quando 
o nutricionista participar de eventos multiprofissionais. 
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17Código de Ética
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