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ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Luciana de Souza Código de Ética Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Aplicar as normas previstas no Código de Ética profissional. Identificar enquadramentos de conflitos éticos. Discutir a ética na atuação profissional envolvendo a publicidade de alimentos. Introdução Estima-se que, no ano de 2050, a população mundial vai exceder os 9 bilhões de pessoas. Essa tendência exige que seja dada cada vez mais atenção aos recursos hídricos e alimentares, de forma a garantir uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos e contaminantes, para a popu- lação. Esse crescente desafio faz com que nutricionistas de todo o mundo trabalhem para buscar alternativas para uma alimentação saudável e segura, conforme afirmam Tagtow et al. (2014). A evolução tecnológica vem impulsionando o mercado de trabalho do profissional nutricionista, que antigamente exercia um trabalho local e, atualmente, atinge o mercado internacional. Hoje, a prática da Nutrição vai desde a assistência sobre informações nutricionais até a recente possibilidade de oferecer atendimento nutricional on-line. Nesse sentido, o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) aprovou um novo Código de Ética e de Conduta do Nutricionista no ano de 2018, incluindo questões relacionadas à influência do avanço tecnológico na profissão. Neste capítulo, você vai estudar as normas previstas no Código de Ética profissional, identificando os enquadramentos de conflitos éticos e analisando a ética na atuação profissional no que tange à publicidade de alimentos. Normas previstas no Código de Ética profissional A palavra ética está relacionada à refl exão fi losófi ca sobre a moral, sendo a moral constituída por normas impostas pela sociedade para regular o compor- tamento das pessoas. Muitas vezes, o que é ético para um determinado grupo pode não o ser para outro, gerando, muitas vezes, polêmicas e discussões a esse respeito, conforme leciona Aguilar (2005). No ambiente profissional, o Código de Ética é um instrumento delineador da atuação profissional, consistindo em um conjunto de normas que o profis- sional deve seguir para que não infrinja o direito do outro e para que tenha ciência dos seus direitos perante a lei. Esse instrumento norteia a conduta do nutricionista em todas as áreas de atuação. Para o Conselho Regional De Nutricionistas 8ª REGIÃO (2016), os códigos de ética devem ser utilizados como instrumentos de orientação e aprendizado ético, por meio dos quais se evitam as punições decorrentes de infrações às suas normas. A apropriação do Código de Ética do Nutricionista deve ocorrer durante a for- mação acadêmica, devendo este ser consultado em todas as ações do nutricionista. O Código de Ética do Nutricionista foi publicado em 2004 e recentemente revisitado, devido à necessidade de atualização frente às mudanças tecnológicas que vêm inovando o modo de comunicação entre as pessoas e, consequente- mente, o modo de divulgação de produtos e trabalhos. A publicação do novo Código de Ética ocorreu em 25 de fevereiro de 2018, por meio da Resolução CFN nº. 599. Esse “novo” Código de Ética e de Conduta do Nutricionista inclui as responsabilidades profissionais, as relações interpessoais, as condutas e práticas profissionais, os meios de comunicação e informação, a associação a produtos, marcas de produtos, serviços, empresas ou indústrias, a formação profissional, a pesquisa, a relação com as entidades de categoria e as infrações e penalidades (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). A profissão nutricionista integra um dos campos mais promissores do futuro, e a sua prática abrange aspectos sociais, culturais, políticos, religiosos e de estilo de vida. Inclui, também, algumas atividades que transitam de maneira muito sutil entre o ético e o não ético, conforme sugerem Kohlmeier et al. (2016). O profissional precisa exercer a sua atividade com ética, evitando induzir a decisão dos seus pacientes em questões relacionadas aos seus valores morais. Código de Ética2 Princípios fundamentais do Código de Ética e de Conduta do Nutricionista O Código de Ética e de Conduta do Nutricionista dispõe, no item “Princípios funda- mentais”, oito artigos, os quais falam da necessidade de o profi ssional nutricionista não somente conhecer os princípios universais dos direitos humanos e da bioética, previstos na Constituição Federal e no próprio Código de Ética profi ssional, mas também pautar a sua atuação profi ssional com base nesses princípios. O direito à saúde e o direito à alimentação adequada e à segurança alimentar e nutricional de indivíduos e coletividades deve ser uma das bandeiras que o profissional deve levar consigo, para a sua atuação, desempenhando todas as suas atribuições previstas por lei pautadas no respeito. Esse respeito na conduta profissional deve abranger a “[...] vida, a singularidade e a pluralidade, as dimensões culturais e religiosas, de gênero, de classe social, raça e etnia, a liberdade e a diversidade das práticas alimentares, de forma dialógica, sem discriminação de qualquer natureza em suas relações profissionais” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Outro item importante e considerado como princípio fundamental é a cons- tante atualização técnico-científica do profissional, visto que a ciência evolui constantemente, e essa atualização deve fortalecer a atuação na “[...] promoção da saúde e da alimentação adequada e saudável de indivíduos e coletividades” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Com isso, o profissional tem condições de realizar atendimentos integrais ao indivíduo e à coletividade, fazendo uso de todos os recursos tecnológicos e científicos disponíveis. O profissional nutricionista deve reconhecer que a atenção nutricional deve ultrapassar o significado biológico da alimentação, devendo considerar as dimensões ambientais, culturais, políticas, econômicas, sociais e psicoafetivas, bem como as dimensões simbólicas do alimento e da nutrição. A participação do profissional em espaços de discussão e decisões, tanto na categoria profissional como em órgãos governamentais ou outros, é in- centivada, visando ao “[...] exercício da profissão e o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a preservação da biodiversidade, a proteção à saúde e a valorização profissional” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIO- NISTAS, 2018, documento on-line). O profissional deve exercer a profissão de “[...] forma crítica e proativa, com autonomia, liberdade, justiça, honestidade, imparcialidade e responsabilidade, ciente de seus direitos e deveres, não contrariando os preceitos técnicos e éticos” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). 3Código de Ética Capítulo I — Responsabilidades profissionais O Capítulo I do Código de Ética do Nutricionista trata sobre as responsabili- dades profi ssionais e possui 18 artigos. Nestes, estão descritos os deveres e direitos do nutricionista, assim como o que é vedado ao profi ssional. O nutricionista, no exercício profissional, tem direito à “[...] garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, conforme estabelecido na legislação de regulamentação da profissão e nos princípios firmados neste Código” (CON- SELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Deve pleitear remuneração adequada às atividades que exerce, tendo como base o valor mínimo definido pela entidade sindical da região em que atua, ou pela legislação vigente. Pode prestar serviços profissionais gratuitos e voluntários que tenham fins sociais e, também, humanos. Em caso de trabalho voluntário, é dever do profissional assumir e executar as atribuições e responsabilidades profissionais que são inerentes à função executada. O profissional tem direito de se recusar a trabalhar em locais em que as condições de trabalho não sejam dignas e adequadas, ou que possam prejudicarindivíduos, coletividades ou mesmo o próprio profissional, devendo sempre co- municar o Conselho de sua jurisdição ou o sindicato da categoria. Deve também recusar propostas e situações nas quais as atribuições sejam incompatíveis com as do nutricionista, o que configura desvio de função do contrato de trabalho. É dever do nutricionista atuar em todas as suas atribuições com transparência, dignidade e decoro, sem violar os princípios fundamentais do Código de Ética e a ciência da Nutrição. Deve, portanto, declarar conflitos de interesses, caso existam, tendo ciência dos seus deveres e direitos, mantendo-se atualizado em relação às legislações profis- sionais e normativas e aos posicionamentos do Conselho. A atualização também deve ser em relação ao conhecimento científico do profissional e às práticas profissionais que auxiliem na melhoria contínua do processo de trabalho e possibilitem orientar e supervisionar profissionais que estejam sob sua supervisão, para que exerçam suas atividades conforme a necessidade (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). É dever do profissional, no exercício das suas atribuições, assumir respon- sabilidade por todas as suas ações profissionais, mesmo quando solicitadas por terceiros. Deve também comunicar aos órgãos competentes e ao Conselho Código de Ética4 falhas em “[...] regulamentos, processos, recursos e estruturas dos locais em que atue profissionalmente quando as considerar incompatíveis com o exercício profissional ou prejudiciais aos indivíduos e às coletividades” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Todo indivíduo ou coletividade que estiver sob a responsabilidade de um profissional nutricionista deve sempre ser informado sobre todos os “[...] objetivos, procedimentos, benefícios e riscos” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line) a que estão sendo submeti- dos durante a atuação do profissional. O profissional deve manter sigilo e confidencialidade sobre as informações dos seus pacientes e deve sempre se identificar no exercício de sua profissão, apresentando seu nome e número da inscrição no Conselho Regional de Nutricionistas. É vedado ao profissional nutricionista praticar atos danosos, a indivíduos ou a coletividades, que possam caracterizar imperícia ou negligência. Assim como é vedado ao profissional instrumentalizar e ensinar técnicas que são privativas do profissional nutricionista a outros profissionais, com a exceção dos estudantes de graduação em Nutrição. É também vedado ao nutricionista “[...] permitir a utilização do seu nome e título profissional por estabelecimento ou instituição em que não exerça atividades próprias da profissão” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIO- NISTAS, 2018, documento on-line). Também é vedado emitir declarações falsas ou adulterar informações, para seu benefício próprio ou de terceiros, bem como em prejuízo de outras pessoas. Capítulo II — Relações interpessoais O profi ssional nutricionista, durante a sua atuação profi ssional, interage com outros profi ssionais, tanto nutricionistas como profi ssionais de outras catego- rias, além de usuários, funcionários, empregadores, representantes de classe, órgãos governamentais, entre outros. Com isso, o Código de Ética prevê, como direito do nutricionista, denunciar nos órgãos competentes os atos que se caracterizarem como “[...] agressão, assédio, humilhação, discrimina- ção, intimidação, perseguição ou exclusão por qualquer motivo, contra si ou qualquer pessoa” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). É também vedado ao profi ssional que pratique tais atos. O nutricionista pode fazer uso do poder ou de sua posição hierárquica, desde que de forma justa, respeitosa e que não cause situações opressoras ou conflitos nas relações. É também vedado ao profissional realizar manifestações públicas que depreciem ou difamem outros profissionais ou suas condutas. 5Código de Ética Capítulo III — Condutas e práticas profissionais O Código de Ética da profi ssão dispõe de 22 artigos sobre as condutas e práticas profi ssionais que devem ser desenvolvidas no exercício das atribuições do profi ssional. O nutricionista deve exercer suas atribuições de forma adequada, justa e digna, sem interferência de outras pessoas ou profi ssionais, devendo ter acesso às informações sufi cientes e necessárias que garantam uma conduta técnica adequada. Deve sempre respeitar o limite de seu campo de atuação e não exercer atividades que não sejam compatíveis com as suas atribuições. É dever do nutricionista encaminhar a outros profissionais indivíduos ou coletividades quando houver necessidade de ações que não são consideradas como competência do nutricionista. Deve-se fornecer todas as informações necessárias a outros profissionais habilitados para a continuidade do tratamento, ou para outro nutricionista, quando o profissional precisar se afastar de suas funções. Caso o profissional assista algum indivíduo ou coletividade em instituição da qual não faz parte do quadro funcional, deve respeitar as normas técnico- -administrativas da instituição, além de informar o profissional responsável. O profissional tem direito de alterar uma conduta técnica definida por outro nutricionista, caso essa mudança seja em benefício de “[...] indivíduos, co- letividades ou serviços, registrando as alterações e justificativas de acordo com as normas da instituição, e sempre que possível informar ao responsável pela conduta” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). O nutricionista deve realizar sempre a consulta presencial para que seja possível avaliar e diagnosticar os indivíduos, podendo as consultas de acompa- nhamento e orientação nutricional ser realizadas de forma não presencial. Para uma avaliação adequada e a tomada de decisão em relação à melhor conduta nutricional, é dever do nutricionista considerar todos os fatores envolvidos, como as condições alimentares, nutricionais, de saúde e de vida dos indivíduos, coletividades e serviços. Essas ações devem ter como objetivo promover saúde, sem que haja interferência de modismos, pressões mercadológicas ou práticas que atendam a interesses financeiros para si ou para terceiros. A Figura 1 demonstra o atendimento presencial realizado pelo nutricionista. Código de Ética6 Figura 1. Atendimento presencial a ser realizado pelo nutricionista. Fonte: Adaptada de Photographee.eu/Shutterstock.com. O profissional deve estar constantemente se atualizando, analisando critica- mente questões que envolvem a sua conduta profissional, como metodologias atualizadas de práticas, protocolos e pesquisas divulgadas na literatura. Deve colaborar com as autoridades sanitárias e de fiscalização profissional, prestando todas as informações que lhe forem solicitadas, sendo este um dever do profissional. O profissional não pode atribuir benefícios ou propriedades a alimentos, suplementos ou fitoterápicos que não os possuam, devendo qualquer infor- mação ser pautada em conhecimento científico. É vedado ao profissional obter vantagens de qualquer natureza decorrente da relação com indivíduos ou coletividades. É também vedado ao profissional incentivar indivíduos a migrarem para outro local da mesma natureza com o qual tenha vínculo, com vistas a obter vantagem pessoal ou financeira, ou utilizar-se de instituição ou bem público como forma de obter vantagens pessoais ou para terceiros. Agir de forma desleal, pleiteando vagas para si ou terceiros, é uma atitude vedada ao profissional nutricionista, assim como “[...] receber comissão, remuneração, gratificação ou benefício que não corresponda a serviços pres- tados” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Ainda, é vedado cobrar ou receber honorários de “[...] indivíduos e de coletividades assistidos em instituições que se destinam à prestação de serviços públicos, em qualquer área de atuação”, ou cobrar por procedimentos já remuneradosno plano de saúde em que o indivíduo está sendo atendido (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). 7Código de Ética Capítulo VI — Formação profissional A formação do profi ssional envolve condutas, práticas e situações que devem seguir o Código de Ética. Este dispõe que é direito do profi ssional a atividade de supervisão e preceptoria de estágios no seu local de trabalho, bem como delegar funções privativas do nutricionista ao estagiário, desde que se cumpra a legislação de estágio vigente. Quando na atividade de supervisão e preceptoria de estágio, deve ser abordada a ética como conteúdo e atitude, transpassando todos os mo- mentos do estágio, estando paralelamente comprometido com a “[...] formação técnica, científi ca, ética, humanista e social do discente, em todos os níveis de formação profi ssional” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). O nutricionista deve proporcionar ao aluno espaços e condições adequadas para que se dê de maneira eficiente o processo de ensino e aprendizagem, comu- nicando aos responsáveis qualquer inadequação observada. Durante o período de estágio, o supervisor ou preceptor deve informar aos pacientes, clientes ou usuários a participação do discente nas atividades rotineiras do profissional, podendo o paciente recusar a presença do estagiário durante o atendimento. É proibido ao nutricionista supervisor, preceptor ou orientador de estágio permitir que este seja desenvolvido em local que não disponibilize um profissional nutricionista. Por fim, é vedado ao profissional, na sua função de coordenador ou docente, induzir que os estagiários sejam assistidos por outra instituição. Capítulo VII — Pesquisa A pesquisa científi ca, os estudos e as práticas podem ser realizadas por profi ssio- nais nutricionistas, gerando novos conhecimentos, desde que tenham o objetivo de benefi ciar à saúde de indivíduos ou coletividades e estejam autorizadas pelo Comitê de Ética da instituição responsável, obtendo sempre a autorização dos indivíduos envolvidos na pesquisa. Quando a pesquisa for fi nanciada ou tiver algum tipo de apoio, essa informação deve ser declarada na divulgação do tra- balho, declarando, assim, o confl ito de interesses. Toda pesquisa deve respeitar “[...] o meio ambiente, os seres humanos e animais envolvidos, de acordo com as normas da legislação vigente” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). A Figura 2 mostra um nutricionista realizando uma pesquisa científi ca. Código de Ética8 Figura 2. Nutricionista realizando uma pesquisa científica. Fonte: Adaptada de Africa Studio/Shutterstock.com. Capítulo VIII — Relação com as entidades da categoria O nutricionista deve obedecer a alguns itens quanto à sua relação com as entidades da categoria, sendo dever do profi ssional estar regularmente inscrito no Conselho Regional de Nutricionistas da sua jurisdição, ou outra, caso tenha uma inscrição secundária. Deve manter seus dados atualizados junto ao Conselho, inclusive comunicando afastamentos, exoneração, demissão de cargo ou emprego. É direito do nutricionista “[...] associar-se, exercer cargos e participar das atividades de entidades da categoria que tenham por finalidade o aprimora- mento técnico-científico, a melhoria das condições de trabalho, a fiscalização do exercício profissional e a garantia dos direitos profissionais e trabalhistas” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). O profissional deve requerer desagravo público ao Conselho quando ofendido no exercício da profissão. O nutricionista deve cumprir as “[...] normas definidas pelos Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas e atender, nos prazos e con- dições indicadas, às convocações, intimações ou notificações” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). Além desses capítulos, o Código de Ética traz o Capítulo IV, sobre meios de comunicação e informação, o Capítulo V, sobre a associação a produtos, marcas, serviços, empresas ou indústrias, e o Capítulo IX, sobre infrações e penalidades, que serão discutidos na sequência deste capítulo. 9Código de Ética Enquadramento de conflitos éticos As infrações e penalidades estão dispostas no Código de Ética no capítulo IX. Quando o profi ssional comete uma infração, deve saber que pode acarretar danos à saúde de indivíduos e da coletividade. Aos profi ssionais que infringirem as disposições e os preceitos do referido Código, serão aplicadas as seguintes penalidades (em conformidade com as disposições da Lei nº. 6.583, de 20 de outubro de 1978, e do Decreto nº. 84.444, de 30 de janeiro de 1980): 1. Advertência. 2. Repreensão. 3. Multa. 4. Suspensão do exercício profissional. 5. Cancelamento da inscrição e proibição do exercício profissional. - Salvo os casos de gravidade manifesta ou reincidência, a imposição de penalidades obedecerá à gradação fixada na lei, observadas as normas bai- xadas pelo CFN. - Na fixação de penalidades, serão considerados os antecedentes do profissional infrator, o seu grau de culpa, as circunstâncias atenuantes e agravantes, bem como as consequências da infração (BRASIL, 1978; 1980, documento on-line). A apuração e o julgamento para quem infringir o Código de Ética do Nutricionista seguem o princípio universal da responsabilidade ética individual e pública. Este se refere à garantia dos direitos fundamentais instituídos na Constituição Federal, que assegura o contraditório, a ampla defesa ao denunciado e que ninguém será considerado culpado até a sentença condenatória (CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS 8ª REGIÃO, 2016). Você ficou sabendo do caso de um nutricionista que foi condenado por receitar anabolizantes a um paciente? Saiba mais sobre o caso acessando o link ou código a seguir. https://goo.gl/NA57oM No contexto das responsabilidades profissionais do nutricionista, as se- guintes condutas são vedadas pelo Código de Ética do Nutricionista: Realizar manifestações públicas sobre posições depreciativas ou mesmo difamatórias referentes à conduta/atuação de outros profissionais. É vedado pleitear vaga de emprego ou cargo para si ou outro de forma desleal. Código de Ética10 Receber comissão, remuneração, gratificação ou benefício provenientes de serviços não prestados. Também é vedado ao profissional “[...] cobrar ou receber honorários e benefícios de indivíduos e de coletividades assistidos em instituições que se destinam à prestação de serviços públicos, em qualquer área de atuação” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). A prática de atos danosos por profissionais nutricionistas a indivíduos e coletividades pode ser caracterizada como imperícia, imprudência ou negligência. Você sabe a diferença entre imperícia, imprudência e negligência? A imperícia é agir com inaptidão, falta de qualificação técnica, teórica ou prática — ou seja, é a ausência de conhecimentos elementares e básicos da profissão, a incapacidade e/ou a falta de habilidade específica para a realização de uma atividade técnica ou científica. Já a imprudência é o ato de agir perigosamente, com falta de moderação ou precaução, violando regras e/ou leis. Ou seja, é o comportamento de precipitação. Por sua vez, a negligência é a ausência deliberada de cuidado ou de aplicação dos conhecimentos em determinada situação, tarefa ou ocorrência. É também considerada como conflito ético a interferência de outros pro- fissionais ou pessoas não habilitadas nas atribuições do profissional. Quando o profissional nutricionista se afastar de suas funções, deverá sempre deixar informações suficientes para a continuidade dos trabalhos, independentemente do profissional que vai substituí-lo. É vedado ao nutricionista o recebimento de vantagens pessoais oferecidas por empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação e nutrição, quando configurar conflito de interesses, com a exceção do profissional que for con- tratado pela própria empresa ou indústria que fez a concessão do benefício. Gera conflito de interesse:[...] prescrever, indicar, manifestar preferência ou associar sua imagem in- tencionalmente para divulgar marcas de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios, equipamentos, serviços, laboratórios, farmácias, empresas ou indústrias ligadas às atividades de alimentação e nutrição de modo a não direcionar escolhas (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). 11Código de Ética Esse artigo, disposto no Código de Ética, visa a “preservar a autonomia dos indivíduos e coletividades e a idoneidade dos serviços”. De acordo com a Resolução CFN nº. 599: I. Inclui-se como formas de divulgação a utilização de vestimentas, adereços, materiais e instrumentos de trabalho com a marca de produtos ou empresas ligadas à área de alimentação e nutrição. Excetuam-se profissionais contratados por empresa ou indústria durante o desem- penho de atividade profissional por esta contratante. II. Caso o nutricionista seja contratado pela empresa ou indústria para desempenhar a função de divulgação de serviços ou produtos de uma única marca, empresa ou indústria, esta deve ser voltada apenas a profissionais que prescrevam ou comercializem os produtos e vedada aos demais públicos. III. Quando da prescrição dietética, orientação para consumo ou com- pra institucional, havendo necessidade de mencionar aos indivíduos e coletividades as marcas de produtos, empresas ou indústrias, o nutri- cionista deverá apresentar mais de uma opção, quando disponível. Não havendo outra opção que tenha a mesma composição ou que atenda a mesma finalidade, é permitido indicar o único existente (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). O profissional nutricionista não “[...] deve utilizar-se de instituição ou bem público para executar serviços provenientes de demandas de instituição ou de in- teresse privado, sem autorização, como forma de obter vantagens pessoais ou para terceiros” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). Assim como o profissional não pode “[...] exercer ou associar atividades de consulta nutricional e prescrição dietética em locais cuja atividade-fim seja a comercialização de alimentos, produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de alimentação e nutrição” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). É também vedado ao nutricionista “[...] condicionar, subordinar ou sujeitar sua atividade profissional à venda casada de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de alimen- tação e nutrição” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). O profissional também não deve prescrever, indicar ou Código de Ética12 manifestar preferência sobre determinados produtos, pois o indivíduo deve ser autônomo em suas decisões. O profissional também não deve induzir indivíduos a migrarem para outros locais de atendimento, visando a benefícios financeiros. A divulgação de imagens de resultados de pacientes (mesmo com autorização) é vedada ao nutricionista por caracterizar conflito de interesse, considerando indu- zir os indivíduos a buscarem o tratamento com o profissional que obteve o resultado. Deve ser considerado que tratamentos podem ter resultados diferentes, conforme cada organismo. As imagens com autorização de indivíduos ou coletividades podem ser divulgadas em eventos científicos ou publicações técnico-científicas. O profissional não deve permitir que outra pessoa não habilitada execute as suas atribuições de nutricionista, com exceção aos estagiários de nutrição, desde que com supervisão do profissional. Além disso, “[...] é vedado ao nutricionista praticar atos que caracterizem agressão, assédio, humilhação, discriminação, intimidação ou perseguição por qualquer motivo contra qualquer pessoa” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). O profissional não deve fazer uso de estratégias desleais que possam colocar em risco a saúde da população. O uso de sorteios, divulgação de honorários e promoções é vedado ao profissional. Em publicações técnico-científicas, é vedado ao profissional omitir ter- ceiros que participaram da elaboração de materiais. Declarar autoria sobre um trabalho que não teve participação ativa também é vedado ao profissional. Por fim, o profissional com posição em entidades de categoria não deve fazer uso desta para conseguir benefícios e vantagens, sejam elas pessoais ou financeiras (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018). O CFN, como autarquia federal, e os CRNs, como autarquia regionais, normatizam, fiscalizam, orientam, disciplinam e, ainda, atuam como o Tribunal de Ética Profissional em processos administrativos e disciplinares relacionados com o exercício e as ati- vidades profissionais nas áreas de alimentação e nutrição. Eles são fundamentados, sobretudo, no Código de Ética do Nutricionista, processando e decidindo os casos que lhes forem submetidos. As denúncias referentes às infrações ao Código de Ética do Nutricionista devem ser feitas aos respectivos CRNs, que representam diversos Estados brasileiros. Cada CRN tem a sua própria forma de orientar os denunciantes, bem como meios específicos para a denúncia. As denúncias podem ser feitas por telefone, e-mail, carta ou pelo próprio site do CRN, devendo o denunciante ler atentamente as instruções. 13Código de Ética Ética na atuação profissional envolvendo a publicidade de alimentos A divulgação de informações por meio da internet, especialmente pelas redes sociais, vem sendo bastante utilizada, já que é uma forma rápida e efi caz de comunicação. Se utilizada com ética e responsabilidade, pode ser um impor- tante diferencial competitivo para o profi ssional. No entanto, os nutricionistas, ao disseminarem informações, independentemente do meio pelo qual o fazem, devem basear a sua conduta nas premissas do Código de Ética e de Conduta do Nutricionista. O Código de Ética dispõe de dois capítulos que tratam do uso de meios de comunicação e informação e da associação a produtos, marcas de produtos, serviços, empresas ou indústrias. Esses dois capítulos, IV e V, serão abordados nesta seção. Capítulo IV — Meios de comunicação e informação O uso da mídia para a divulgação de qualquer tipo de informação pelo pro- fi ssional nutricionista deve atender ao disposto no Código de Ética, o qual considera como direito do nutricionista fazer uso dos meios de comunicação, desde que esteja pautado em princípios fundamentais e valores da profi ssão. O profi ssional pode divulgar dados como “[...] qualifi cação profi ssional, técnica, métodos, protocolos, diretrizes” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIO- NISTAS, 2018, documento on-line), resultados de pesquisas (citando sempre a fonte) e materiais informativos que tenham como objetivo a educação alimen- tar e nutricional e também a promoção da saúde. Sempre que o profi ssional fi zer uso das mídias, deve contextualizar com respaldo técnico-científi co, informando que os resultados informados podem não acontecer para todos da mesma maneira. O profissional não pode usar as mídias para promover mensagens enganosas ou sensacionalistas (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018), como a alegação de que um determinado resultado só pode ser obtido com o tra- tamento divulgado. É vedado ao profissional fazer promoções, sorteios e divulgar valores de honorários para se beneficiar ou beneficiar o seu local de trabalho. O uso da imagem corporal de pacientes nas mídias é totalmente vedado ao profissional, mesmo que este tenha autorização por escrito do paciente. A divulgação da imagem só pode ocorrer em eventos científicos ou publicações técnico-científicas, desde que se tenha a autorização por escrito do paciente ou coletividade. A Figura 3 mostra uma situação proibida ao nutricionista. Código de Ética14 Figura 3. O uso de fotos de “antes e depois” de pacientes é vedadoao nutricionista. Fonte: Adaptada de Africa Studio/Shutterstock.com. Capítulo V — Associação a produtos, marcas de produtos, serviços, empresas ou indústrias O nutricionista deve observar o disposto no Código de Ética quando da associa- ção, divulgação, indicação ou venda de produtos, marcas, serviços, empresas ou indústrias. Quando o profi ssional estiver desenvolvendo atividades de orien- tação, educação alimentar e nutricional ou atividades de formação profi ssional, ele pode fazer uso de embalagens de alimentos, desde que utilize mais de uma marca e indústria do mesmo tipo de alimento ou suplemento nutricional ou fi toterápico; assim, não confi gurará confl ito de interesses. O profi ssional não deve, portanto, manifestar preferências ou indicar determinados produtos, nem associar a sua imagem intencionalmente com a fi nalidade de divulgar marcas de produtos relacionados à nutrição. A escolha alimentar deve ser sempre do indivíduo, respeitando, assim, a sua autonomia. O profissional não deve realizar atendimentos nutricionais em locais cuja atividade-fim seja a comercialização de produtos alimentares, suplementos ou qualquer item relacionado. Também não deve realizar venda casada de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos à sua atividade profissional. 15Código de Ética O art. 61 do Código de Ética destaca: “O nutricionista pode exercer atividade de consulta nutricional e prescrição dietética em locais cuja atividade-fim seja a comercialização de alimentos ou produto alimentício de fabricação e marca próprias de nutricionista, desde que respeitado o inciso III do Art. 60” (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2018, documento on-line). É vedado ao profissional fazer publicidade/propaganda de marcas ou pro- dutos relacionados à nutrição nos meios de comunicação que tenham fins comerciais. É também vedado ao profissional receber patrocínios ou mesmo vantagens financeiras de empresas que estejam ligadas à área de alimentação e nutrição, quando essa ação configurar conflito de interesse, com exceção de se o profissional for contratado da empresa que o beneficia. Por fim, o profissional não deve organizar eventos técnico-científicos com patrocínio, apoio ou remuneração de empresas do ramo de alimentação e nutrição que não atendam aos critérios estabelecidos em lei, exceto quando o nutricionista participar de eventos multiprofissionais. AGUILAR, M. C. R. Sobre ética y moral. Revista del Hospital Interzonal de Agudos Eva Perón, Si, v. 3, n. 6, p.142–144, 2005. Disponível em: <http://ppct.caicyt.gov.ar/index. php/inmanencia/article/view/12703>. Acesso em: 18 jan. 2019. BRASIL. Decreto nº. 84.444, de 30 de janeiro de 1980. Regulamenta a Lei nº. 6.583, de 20 de outubro de 1978, que cria os Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas, regula o seu funcionamento e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 jan. 1980. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1980-1987/ decreto-84444-30-janeiro-1980-433856-norma-pe.html>. Acesso em: 18 jan. 2019. BRASIL. Lei nº. 6.583, de 20 de outubro de 1978. Cria os Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas, regula o seu funcionamento, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 out. 1978. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/ lei/1970-1979/lei-6583-20-outubro-1978-357051-norma-pl.html>. Acesso em: 6 jan. 2019. CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução CFN nº. 599, de 25 de fevereiro de 2018. Aprova o Código de ética e de Conduta do nutricionista e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 abr. 2018. 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