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UNIP – Direito de Família 2023/1 – Prof. Lister Albernaz
Direito de Família
Prof. Lister Albernaz
Direito de Família – Livro IV – Arts. 1511 a 1783-A do CC
1. Conceito de direito de família: 
Complexo de normas que regulam a celebração do casamento, sua validade, efeitos que dele resultam, as
relações pessoais, econômicas da sociedade conjugal, a dissolução desta, as relações entre pais e filhos,
o vínculo de parentesco e os institutos complementares da tutela, curatela e ausência. – Clóvis Beviláqua.
(incompleto)
Ramo do direito civil que rege relações entre as pessoas unidas por matrimônio, união estável ou
parentesco e aos institutos complementares de direito protetivo ou assistencial, tutela e curatela. – André
Ricardo Blanco.
Prevalecem normas cogentes, de ordem pública, mas regulam relações de direito privado. O Estado não
pode intervir nas famílias (art. 1513).
- FORÇA DO CONTEÚDO MORAL E ÉTICO, pois a família é a base das instruções morais e éticas dos
cidadãos.
2. Conceito de família: a) entidade decorrente de matrimônio (legítima ou matrimonial); b) entidade
resultante de união estável (natural ou não-matrimonial); c) comunidade formada por qualquer um dos pais
e seus filhos (monoparental). Atualmente tem prevalecido na doutrina e na jurisprudência pátria que o rol
constitucional familiar é meramente exemplificativo (numerus apertus) e não taxativo (numerus clausus).
2.1 Aspectos Históricos : Hierarquia e amplitude da entidade nas civilizações antigas X restrição da
entidade nos tempos modernos.
2.1.1- Origem da Familia – Friedeich Engels (SEC XIX): Endogamia (acasalamentos entre indivíduos
aparentados); Relações coletivas; Caráter matriarcal 
2.1.2 - Sociedades Primitivas: Exogamia – guerras e manifestações contra o incesto; Procura do homem
por relações individuais – Poligamia x Monogamia
2.1.2.1- O Desempenho da Monogamia no Impulso Social: Benefício da prole; Exercício do poder
paterno - Sociedade Patriarcal; Fator econômico de produção- pequenas oficinas; Revolução Industrial.
Assim temos o Caráter fraterno, Deixa de existir o vinculo apenas patrimonial e surgem os vínculos
espirituais e o Desenvolvimento dos valores éticos, afetivos e de reciprocidade.
2.2 Babilônia: Casamento monogâmico, mas com autorização para escolha de outras esposas
secundárias; Semelhança com os atuais “úteros de aluguel”; Casamentos escolhidos.
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2.3 Roma Antiga: Poder patriarcal quase absoluto; Família: grupo essencial para a perpetuação dos
cultos aos deuses e antepassados; Vínculos estritamente relacionados aos cultos; Não havia elos de
afeição; Necessidade de manutenção da família sob risco de ausência de cultos aos antepassados;
Importância da adoção: filhos do sexo masculino para continuidade dos cultos;
2.4 Cristianismo: Condenação aos cultos pagãos e das uniões livres; Instituição do casamento como
sacramento; Cultos realizados apenas por filhos havidos do casamento.
2.5 Idade Média: Manutenção dos casamentos pelo dogma da religião doméstica nas classes nobres;
Casamento de viúvas sem filhos com parentes do marido: filhos considerados deste; Necessidade de
procriação para culto ao pai falecido; Origem histórica dos direitos mais amplos: atribuição ao primogênito
do dever de manutenção do patrimônio em prol da unidade religioso familiar. 
2.6 Conceitos de Família Moderna: Manutenção da célula pais e filhos; Ausência de transferência de
ofícios; Educação exercida pelos pais e mães com o auxílio da escola; Alteração do papel da mulher -
sensíveis alterações nas famílias; Aumento do número de divórcios - simbioses de proles; Estruturação da
família através do casamento ou uniões estáveis; Controle da natalidade; Mudanças no paradigma do
Direito de Família – divórcio e reconhecimento de filhos havidos fora do casamento; aumento das uniões
estáveis; Famílias monoparentais; Uniões homoafetivas e múltiplas; Multiparentalidade; Contratos de
namoro; etc.
De modo que são admitidas em atenção aos princípios constitucionais diversas manifestações familiares:
a) Família anaparental: família sem pais.
b) Família homoafetiva: constituída por pessoas do mesmo sexo.
c) Família mosaico ou pluriparental: aquela decorrente de vários casamentos, uniões estáveis ou mesmo
simples relacionamentos afetivos de seus membros.
d) Família Matrimonial: união entre homem e mulher e seus filhos.
e) Família Informal: uniões de fato que ganharam relevo passando o Estado a reconhecer mais e mais
direitos decorrentes desta união
f) Família Monoparental: Família constituída por só um dos genitores e sua prole 
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g) Família Paralela: As famílias paralelas também denominadas como famílias simultâneas, plúrimas,
múltiplas ou por poliamorismo, consistem em circunstâncias em que alguém se coloca concomitantemente
como componente de duas ou mais entidades familiares diversas entre si. 
h) Família Eudemonista: Família baseada no afeto.
Ainda temos conceitos na Lei Maria da Penha, que entende como família a comunidade formada por
indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade
expressa. 
E a Nova Lei de Adoção consagra o conceito de família extensa ou ampliada, que vem a ser aquela que se
estende para além da unidade de pais e filhos ou unidade de casal, formada por parentes próximos com os
quais a criança ou adolescente, convive e mantêm vínculos de afinidade e afetividade. 
Assim, Direito das Famílias se preocupa com o status ocupado pela pessoa dentro do quadro familiar,
defendendo os interesses não apenas do indivíduo, mas também do grupo. Como dependem do status da
pessoa, pode tal estado na família ser modificado, ou adquirido, seja por um fato jurídico (nascimento),
seja por ato jurídico (adoção, casamento). Em sua maioria é composto de direitos intransmissíveis,
irrevogáveis, irrenunciáveis e indisponíveis.
3. Características das normas de direito de família: a) heterogêneas (direitos patrimoniais, pessoais,
obrigacionais, pátrio poder, adoção etc.); b) são normas cogentes (direitos-deveres); c) irrenunciáveis; d)
intransmissíveis; e) não admitem condição ou termo; f) imprescritíveis, mas sujeitas à decadência (direitos
potestativos – arts. 189-211, CC). g) Três ordens de vínculos conjugais estabelecidos pelo casamento, o
conjugal: existe entre os cônjuges; o de parentesco: reúne os integrantes em torno de um tronco comum,
descendendo uns dos outros ou não; o de Afinidade: estabelecidos entre os cônjuges e os parentes dos
outros; h) de Caráter Extrapatrimonial: são Personalíssimos e não admitem condição
3.1 Natureza Jurídica da Família: Institucional: União associativa de pessoas da qual se vale a
sociedade para regular a procriação e educação dos filhos. Legal: Ramo do Direito Privado, mas com
permanência de normas de ordem pública, fixando os interesses do Estado no direcionamento da família
como sua célula básica, dedicando-lhe atenção especial. (art. 226, caput, CF).
4. Divisão do direito de família: a) direito matrimonial (casamento), b) direito convivencial (união estável);
c) direito parental (parentesco, afinamento, adoção); d) direito assistencial (guarda, tutela e curatela). As
normas estão contidas nos arts. 1511 a 1783-A, CC.
5. Objeto do direito de família: a) sentido amplo - todos ligados pela consanguinidade ou afinidade; b)
sentido lato - cônjuges e filhos, parentes afins ou naturais (Cf. arts. 1591 a 1617, CC); c) sentido restrito –
cônjuges ou conviventes e filhos ou comunidade formada por qualquer dos pais e descendentes (art. 226 e
seguintes, CF) - (Maria Helena Diniz). Atualmente, estabelecer igualdade completa entre todos os
conviventes, independentemente da opção sexual, bem como igualdade jurídicade todos os filhos,
inclusive os adotados em famílias homoafetivas (STF);
6. Princípios do direito de família:
a) Princípio da família como base da sociedade ou Princípio da Função Social da Família (art. 226, da CF):
Há algum tempo se afirmava, nas antigas aulas de Educação Moral e Cívica, que “a família é a célula
mater da sociedade”. Apesar de as aulas serem herança do período militar ditatorial, a frase ainda serve
como luva no atual contexto, até porque a Constituição Federal dispõe que a família é a base da
sociedade, tendo especial proteção do Estado; 
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b) Princípio da Igualdade entre homens e mulheres na sociedade conjugal (art. 226, § 5 º e art. 1511, CC),
afastando a ideia de supremacia de determinados membros, mas com permanência do poder de
supremacia do chefe familiar (PODER FAMILIAR); 
c) Princípio da Dissolubilidade do vínculo matrimonial (arts. 1571 e ss.);
d) Princípio da Igualdade jurídica entre filhos (art. 227, § 6º, CF e arts. 1596 a 1629, CC);
e) Princípio da Liberdade: Poder de escolha de seus parceiros; Poder de constituir uma família através do
casamento ou união estável (Arts. 226, §7º, CF- e Arts 1513, 1565, 1634, 1639, 1642, 1643 CC), inclusive
do mesmo sexo atualmente, pois o STF reconheceu, em decisão unânime, a equiparação da união
homossexual à heterossexual no julgamento conjunto da ADI n.º 4277 e a ADPF n.º 132; Temos com
subprincípio o da não-intervenção ou da liberdade, pois é defeso a qualquer pessoa de direito público ou
direito privado interferir na comunhão de vida instituída pela família.
f) Principio do Respeito à dignidade humana (art. 1º, III, da CF): Base da comunidade familiar através do
afeto, desenvolvimento e a realização de todos os seus membros, principalmente da criança e do
adolescente. Outros aspectos como o sentido de que o imóvel em que reside pessoa solteira é bem de
família, relativização ou mitigação da culpa nas ações de separação judicial, e a mais relevante tese do
abandono paterno-filial ou teoria do desamor. Em mais de um julgado, a jurisprudência pátria condenou
pais a pagar indenização aos filhos pelo abandono afetivo, por clara lesão à dignidade humana.
g) Princípios da Publicidade - Registro público de qualquer das entidades familiares: No dia 14 de maio de
2013 o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou resolução que obriga todos os cartórios do país a
celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, para remover obstáculos administrativos à efetivação
da decisão do Supremo em 2011; 
h) Princípio da Solidariedade Familiar (arts. 3º, I, e 226. §8º, da CF): a solidariedade social é reconhecida
como objetivo fundamental da República, no sentido de buscar a construção de uma sociedade livre, justa
e solidária. O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que integram, criando
mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações, o que consagra também a solidariedade
social na ótica familiar. 
i) Princípio do Melhor Interesse da Criança (art. 227, caput, da CF e arts. 1.583 e 1.584 do CC): no caso de
dissolução da sociedade conjugal, a culpa não mais influencia quanto à guarda de filhos, devendo ser
aplicado o princípio que busca a proteção integral ou o melhor interesse do menor, conforme o resguardo
do manto constitucional.
j) Princípio da Afetividade: O afeto talvez seja apontado, atualmente, como o principal fundamento das
relações familiares. Mesmo não constando a palavra afeto na Carta Magna como um direito fundamental,
podemos dizer que o afeto decorre da valorização constante da dignidade humana.
7. O direito de família e outros ramos do direito:
7.1. No direito civil em geral: a) obrigações: arts. 1647, 544, 546, 550, 551, parágrafo único, 496 e 932, I
e II; b) coisas: art. 1489; c) sucessões: art. 1829.
7.2 No direito público: a) constitucional : arts. 205 a 214, 226 a 230, CF; b) tributário: isenção para
cônjuge, prole e dependentes; c) administrativo: união de cônjuges é matéria de preferência para remoção
– previsão na lei 8.112; d) previdenciário: pensões alimentícias a que têm direitos viúvos, filhos e
dependentes; e) processual civil: arts. 135 a 138 e 787; f) processual penal: arts. 254, 255 e 258; g) penal:
arts. 235 a 246, 247 e 249, CP.
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II - Do Casamento (CC/02, arts. 1511 a 1570)
"Pedro Terra pôs-se de pé e gritou:
- Bibiana!
A moça apareceu.
- É verdade que vosmecê gosta desse tal Capitão Rodrigo? (...)
Sem erguer a cabeça, balbuciou:
- Gosto, papai.
Eu não sei se ele quer casar comigo...(...)
- E assim mesmo quer casar com ele?
- Se ele quiser eu quero.
O padre via na moça a decisão de Ana Terra: o mesmo jeito de falar , quase a mesma voz.." (VERÍSSIMO, Érico. Um 
certo capitão Rodrigo. 34.ed. São Paulo: Globo, 1997, p. 126-127).
1. Conceito : 
O casamento pode ser conceituado como a união de duas pessoas, reconhecida e regulamentada pelo
Estado, formada com o objetivo de constituição de uma família baseada no afeto. 
Na doutrina temos os seguintes conceitos: 
“O casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher, livre, que se unem, segundo
as formalidades legais, para obter o auxílio mútuo e espiritual, de modo que haja uma
integração fisiopsíquica, e a constituição de uma família”(DINIZ, 2014).
“O casamento é um ato jurídico negocial, solene, público e complexo, mediante o qual um
homem e uma mulher constituem família por livre manifestação da vontade e pelo
reconhecimento do Estado” (LOBO, 2012).
"Ato solene pelo qual um homem e uma mulher se unem, de conformidade com a lei, a fim
de legitimarem suas relações sexuais, prestarem mútuo auxílio espiritual e material,
procriarem e educaram a prole comum" (Arnold Wald).
"União legal de homem e mulher, com o objetivo de constituírem família legítima" (Carlos
Roberto Gonçalves).
Observações:
- Considerar que o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RESP 1.183.378/RS,
decidiu inexistir óbices legais à celebração de casamento entre pessoas de mesmo sexo;
- Considerar a Resolução Nº 175, de 14 de Maio de 2013, do CNJ, que dispõe sobre a
habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em
casamento, entre pessoas de mesmo sexo, após o Supremo Tribunal Federal, nos acórdãos
prolatados em julgamento da ADPF 132/RJ e da ADI 4277/DF, reconheceu a
inconstitucionalidade de distinção de tratamento legal às uniões estáveis constituídas por
pessoas de mesmo sexo.
2. Finalidades: 
2.1 Instituição da família matrimonial (art. 1513, CC);
2.2 Faculdade na geração e criação de filhos (art. 226, § 7º, CF): é uma consequência lógico natural e
NÃO essencial do matrimônio vez que a lei permite a união de pessoas que não podem ou não querem ter
filhos;
2.3 A legalização das relações sexuais entre os cônjuges: satisfação dos desejos sexuais. A
aproximação dos sexos e o convívio natural entre marido e mulher desenvolvem sentimentos afetivos
recíprocos;
2.4 A prestação do auxilio mútuo: não só financeiro, mas também moral, afetivo e psicológico.
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2.5 O estabelecimento de deveres (patrimoniais ou não): que seriam de fidelidade, respeito e
consideração mútuos (Art. 1566, I e V. do CC)- entre os cônjuges, como consequência necessária do
auxílio mútuo e recíproco.
2.6 Educação da prole: dever de criar e educar os filhos, impondo aos pais o dever de lhes prestar
assistência. (Art. 1634 CC e Art. 22 da Lei 8069/90-ECA);
2.7 A atribuição do nome do cônjuge e aos filhos: Possibilidade de um cônjuge passar a assinar o
sobrenome do outro (Art. 1565, § 1º, CC) 
3. Princípios do casamento:
3.1 Livre união dos futuros cônjuges - consentimento dos próprios nubentes (capacidade paraexpressá-las);
3.2 Monogamia - Arts. 1521,VI, 1548, II do CC.
3.3 Comunhão indivisa de direitos e deveres (Art. 1511-CC) - criação de plena comunhão entre os
cônjuges, que pretendem passar juntos as alegrias e dissabores da vida.
4. Natureza jurídica:
4.1. Teoria contratualista ou individualista: considera o casamento como um contrato civil, regido pelas
normas comuns dos contratos. Como tem efeitos especiais, alguns civilistas já o veem como contrato sui
generis.
4.2. Teoria institucionalista ou supraindividualista: considera o casamento como instituição social, que
surge da vontade dos nubentes dentro de alguns parâmetros estabelecidos por lei (Maria Helena Diniz e
Arnold Wald).
4.3. Teoria eclética ou mista: o casamento é ato complexo, caracterizado como contrato em sua
formação e instituição em seu conteúdo (Sílvio Rodrigues).
Critica-se a ideia de contrato pura pois não é meramente patrimonial. Então, o entendimento do casamento
como instituição, se daria pelo fato de que não possui apenas aspectos patrimoniais. Nele há o affectio
maritalis, o que abrange a personalidade humana no que diz respeito à família. Seriam contratos
temporários e com interesses materiais privados, sendo o casamento matéria de ordem pública, pois a
legislação que versa sobre o matrimônio está acima da vontade e das convenções particulares.
No entanto, tal tese não merece prosperar. Os contratos atuais também não interessam apenas aos
particulares, devido aos princípios da função social e boa-fé. Os contratos também sofrem interferência
externa e normas de ordem pública, sem que percam sua natureza volitiva e negocial entre os nubentes.
A prevalência no momento é que o casamento é um contrato especial de direito de família, portanto misto.
É negócio jurídico bilateral, pois formado e guiado pela vontade das partes, mesmo que com normas e
contornos legais/externos que não desconstituem sua junção de acordo entre os dois, como dito. O que
não podemos é equipar tal contrato especial de direito de família à compra e venda, locação, leasing ou
alienação fiduciária. Ainda mais em tempo de constitucionalização, boa-fé e função social.
5. Características: a) liberdade de escolha do nubente (não mais necessário que seja do sexo oposto
conforme visto supra); b) solenidade do ato nupcial; c) caráter público da legislação respectiva; d)
durabilidade da união (não é celebrado por tempo determinado); e) exclusividade de união (arts. 1521, VI,
1548, II, 1566, I, CC e art. 235 e 240, CP); f) Pessoalidade (só cabe aos nubentes manifestarem sua
vontade), exceto casamento por procuração; g) União exclusiva (a fidelidade conjugal é exigida por lei –
Art. 1566, I do CC); h) Negócio puro e simples; i) Não se admite termo ou condição; j) Para o Direito
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Brasileiro é negócio eminentemente civil.
6. Condições de existência, regularidade e validade do casamento: 
a) capacidade para casar (arts. 1517 a 1520, CC);
b) ausência de impedimentos e consequências na presença de causas suspensivas (arts. 1521 a 1524,
CC);
b) procedimento de habilitação (arts. 1525 a 1532, CC);
c) atendimento dos requisitos da celebração (arts. 1533 a 1535, CC); 
d) consentimento dos nubentes sem existência de vícios;
Sem eles, o casamento é inexistente. 
Outros requisitos, no entanto, devem ser observados para sua validade e regularidade, para evitar uniões
que possam, de algum modo, ameaçar a ordem pública.
Esclareça-se que a necessidade de os nubentes serem do sexo oposto não é mais necessário, conforme
visto supra (revogação tácita do art. 1514, CC).
OBS.: Veremos estas condições mais a frente.
8. Casamento Civil e Religioso.
A instituição do Casamento Civil se deu para possibilitar casamentos entre pessoas de religiões diversas.
Ademais, pela ruptura entre o Estado e a Igreja pelo Decreto 181 de 24-01-1890 (Período de Império no
Brasil) – BRASIL ESTADO LAICO.
Dificuldade de assimilação por parte do clero e da sociedade, o que gerou o costume do casamento
religioso e civil.
Atualmente, o casamento religioso tem efeitos civis, desde que os cônjuges tenham promovido o devido
processo de habilitação perante o oficial de registro civil.
Possibilidade de habilitação posterior ao casamento religioso se dá no prazo 90 dias a partir da
celebração.
Casamento religioso com efeitos civis tem eficácia a partir de sua celebração.
9. Corretagem Matrimonial - Agências de Casamento
O contrato de corretagem é negócio em que uma pessoa não ligada a outra por qualquer relação de
dependência, seja em contrato de trabalho, prestação de serviço, ou mandato, compromete-se a obter
para uma outra, certo e determinado ato jurídico (CC art. 722).
A corretagem matrimonial foi admitida como a atividade de pessoas naturais ou jurídicas, que se dedicam
a aproximação de casais para fins de casamento; são as denominadas agências matrimoniais. 
Nada existe em lei que proíba esse negócio. Não é regulada pelo Direito de Família, mas, como visto,
possui relações com o Direito das Obrigações. 
Assemelha-se à corretagem normal, de aproximação útil entre as partes. A comissão é paga pela procura,
e não pelo resultado.
Existem divergências doutrinárias. A desfavorável é no sentido que a atividade é imoral. 
A favorável denota a utilidade social por favorecer o casamento, desde que o corretor se limite a transferir
as informações e promover o contato entre os interessados. É socialmente útil. A finalidade é a simples
aproximação, fazendo o corretor jus ao preço (comissão), independentemente da realização do
casamento.
São vedadas cláusulas que contrariem a essência do instituto, à lei, à moral e aos bons costumes, como,
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por exemplo, uma disposição que estabelecesse uma remuneração periódica ad exitum por tempo de
manutenção do estado de casado.
Existem várias empresas atuando no mercado nacional, inclusive no Centro-Oeste, até consultoria no
SEBRAE para os interessados que queiram atuar neste ramo.
10. Contrato de Namoro. Esponsais, Promessa de Casamento e Noivado.
10. 1 Introdução. 
Há alguns anos, desde que ingressei no magistério do Direito das Famílias, tenho questões me
perseguem: Como é possível falar-se na imposição de uma união estável, ao revés de um namoro? 
Como diferenciar tais institutos? Como podem duas pessoas realizar um contrato, afirmarem em um
Cartório de Registros Públicos, perante um agente estatal e de forma livre e desembaraçada, sua intenção
de um mero namoro e, ainda assim, restar configurada uma união estável, com todas as suas
consequências legais?
A priori o raciocínio deveria ser simples: em havendo uma declaração de vontade em desfavor da união
estável, esta deveria ser considerada como apta a afastar o animus de sua configuração, não sendo
possível falar-se em pleito de alimentos, regime de bens, herança e demais consequências da união
estabilizada.
Demais disso, sendo inexistente tal declaração, em regra dever-se-ia estar diante de um namoro, apenas
falando-se de união estável em situações cujos requisitos fossem cristalinos. Parece que o sistema foi
invertido... A linha da quase presunção de uma união estável funda-se, inicialmente, em uma equivocada
visão do paradigma constitucional do direito civil, o qual conduz a uma publicização extrema, falando-se na
incidência de normas cogentes em temas de índole eminentemente privada, a exemplo das escolhas
afetivas, formas de relacionamentos interpessoais e questões familiares.
A publicização, inadvertidamente, adentra a privacidade, tema tão íntimo que elevado a cláusula pétrea
dos direitos e garantias fundamentais, bem como um direito da personalidade.
Soma-se a isso a percepção de um segundo equívoco: o direito civil, progressivamente, perde o que há
tanto tempo, suor e sangue construiu: a liberdadede ação. A autonomia, antes festejada e celebrada como
um dos principais sustentáculos do direito privado, perde seu espaço para as supostas questões de ordem
pública, tendo seu espaço de atuação diminuído.
10.2. O que é Namoro nos dias atuais?
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Uma das principais dificuldades enfrentadas no estudo da união estável é a sua diferenciação para o
namoro. Eis um grave problema!
Isso ocorre porque os namoros dos dias de hoje tendem a ter requisitos muitos próximos, para não dizer
idênticos, aos da união estável, com intimidade ímpar. 
Ademais, a legislação não veicula parâmetros de diferenciação entre a união estável e o namoro, cabendo
a doutrina e jurisprudência a construção de tais elementos distintivos.
A doutrina e a jurisprudência, ao realizar a diferenciação, se apegam ao elemento subjetivo, na medida em
que, repisa-se, boa parte dos namoros atuais possui os requisitos objetivos da união estável a convivência
pública, contínua e duradoura, entre homem e mulher, desimpedidos para casar ou separados.
Conforme relatado pelo Ministro Sálvio de Figueiredo (REsp 474.962/SP, 4ª Turma, julgado em
23/09/2003, DJ 01.03.2004 p. 186), em julgado histórico e paradigmático do Superior Tribunal de Justiça,
sobre o tema, asseverou o relator que: "Seria indispensável nova análise do acervo fático-probatório para
concluir que o envolvimento entre os interessados se tratava de mero passatempo, ou namoro, não
havendo a intenção de constituir família." 
A distinção entre a união estável e o namoro é justamente o tênue objetivo de constituição de família,
também denominado de animus de constituir família, intuito familiae ou affectio maritalis. Porém, como
saber se há, ou não, o animus de constituir família?
Afirma MARIA BERENICE DIAS (2011, p. 172), que, na busca da intenção, deve ser analisado o nível de
comprometimento do casal. Lembram NELSON ROSENVALD e CRISTIANO FARIAS (Op. Cit, p. 449) que
o affectio maritalis relaciona- se à intenção do casal de viver como se casados fossem, havendo
tratamento recíproco como esposos e objetivos traçados em comum. Na prática, o que se busca é verificar
se o casal convivente é reconhecido no meio social como marido e mulher, configurando núcleo familiar
próprio.
O desafiador, porém, é que os autores afirmam que tal união estabilizada há de ser reconhecida mesmo
que inexista uma declarada intenção das partes nesse sentido, desde que possa o Poder Judiciário
evidenciar os requisitos legais de sua incidência. Vão além. Afirmam que, ainda existindo declaração
expressa das partes que não vivem uma união estável (contrato de namoro), esta (união estável) poderá
ser reconhecida pelo Poder Judiciário, acaso presentes os seus elementos de configuração, inclusive o
subjetivo.
Nessa esteira de pensamento, retiram tais autores qualquer função às declarações de vontade, realizada
pelo casal, com o intuito de afastar o requisito subjetivo da união estável, coloquialmente denominadas de
contrato de namoro.
Como afirmar a presença de um requisito subjetivo quando as próprias partes o afastam no caso concreto,
através de uma vontade livre e desembaraçada, mediante um instrumento contratual?
Na própria análise do contrato de namoro, alguns autores afirmam a sua invalidade, por ilicitude do objeto;
outros falam em sua ineficácia, por ser a união estável um estado de fato; havendo ainda aqueles que
mencionam apenas seu não reconhecimento pelo direito, sequer adentrando a problemática de ser defeito
de validade ou eficácia.
NELSON ROSENVALD e CRISTIANO FARIAS (Op. Cit, p. 479) defendem que, malgrado a licitude do
contrato de namoro – haja vista inexistência de vedação legal -, ele não é instrumento apto a afastar a
eventual configuração de união estável, a qual é uma situação de fato. Logo, seria um pacto ineficaz.
PABLO STOLZE GAGLIANO (2005) assevera ser de questionável validade o que usualmente vem sendo
denominado de contrato de namoro. Arremata o autor que seria um contrato nulo, por invalidade de seu
objeto, o qual seria ilícito. Funda-se na noção de ser a união estável uma situação de fato, reconhecida
pelo direito, não sendo apta de ser afastada por uma mera declaração das partes.
Certo, porém, que a defesa da ineficácia e/ou invalidade do contrato em comento não seria inédita para o
direito, tendo em vista que é justamente essa a linha aplicada às hipóteses nas quais o Juiz do Trabalho
desconsidera o contrato de prestação de serviços - o que seria o namoro, por analogia – e aplica às
normas relativas à relação de emprego – o que seria a união estável, por analogia -, curvando-se ao
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princípio da primazia da realidade.
10.3. Conceito de Contrato de Namoro. 
O contrato de namoro é um documento, registrado no tabelião de notas como escritura pública, sendo uma
forma de proteger o patrimônio do casal, para que comprove a relação que as partes possuem, não
abrangendo possibilidade alguma de futuramente solicitarem separação de bens, pensão, herança ou
qualquer outro direito que a união estável ou o casamento proporcionam.
PABLO STOLZE GAGLIANO (2005) descreve o contrato de namoro como um negócio celebrado por duas
pessoas que mantêm relação amorosa, e que pretendem por meio da assinatura de um documento, a ser
arquivado em cartório, afastar os efeitos da união estável.
MARIA BERENICE DIAS (2011, p. 178), o denominado “contrato de namoro”, possui como objetivo evitar a
incomunicabilidade do patrimônio presente e futuro e assegurar a ausência de comprometimento
recíproco. 
Para formalizar esse respectivo contrato, é preciso que o casal manifeste sua vontade e procure um
Tabelião de Notas para registrar a estrutura pública, com seus documentos, e que preencha os requisitos
básicos.
É preciso deixar claro que, embora seja usado o termo “contrato”, sua verdadeira natureza é de
declaração, como expresso no seu registro.
Vale ressaltar que, legalmente, uma pessoa não está impedida de possuir mais de um contrato de namoro
com pessoas diversas, haja vista que conforme o tópico dois deste artigo, o namoro não possui dever de
lealdade e de fidelidade. No entanto, por se tratar de contrato, nada impede as partes de estabelecerem o
que bem desejarem, seja viagens, horários ou passeios.
Outro assunto muito discutido quando se fala de contrato de namoro é seu objetivo, o qual no decorrer do
artigo poderá ser melhor compreendido. Todavia nesse tópico, deve ser esclarecido que o objetivo do
contrato de namoro divide-se em muitas opiniões quando observado pela doutrina, onde para alguns a
função do contrato é apenas se proteger e para outros até para “burlar” a lei, como no caso do Juiz
supracitado que no mesmo artigo acima mencionado, declara que o objetivo do contrato de namoro é tão
somente, uma tentativa de evitar o inevitável.
É claro que apesar de possuir extrema validade, se provado tamanha má-fé o contrato perde sua eficácia e
poderá a relação das partes ser considerada união estável, ainda que tenham elaborado o contrato de
namoro.
10.4. Tipos de Namoro
Apesar de o ato de namorar não ser legislado em nosso ordenamento jurídico, e diante de um costume
social, como visto no tópico acima, ha doutrinadores como a Ministra Nancy Andrighi na Resp.
1263015/RN e o Ministro Marco Aurélio Bizelli no Resp 1454643/RJ, que classificam o ato de namorar em
duas categorias: namoro simples e namoro qualificado.
Namoro Simples: seria aquele tipo de namoro casual, não divulgado, às escondidas. Onde muitos dos
pais, ou parentes mal sabem da relação; não possui nem se quer um requisito da união estável na maior
parte das vezes.
Namoro Qualificado: é quase uma união estável, onde até parece ser. Neste tipo de namoro as partes têm
uma relação contínua, duradoura, com exibição à família e até status nas redes sociais, porém sem
expectativa de constituiruma família.
Por esse motivo é tão difícil, na prática, encontrar as diferenças entre a união estável e o namoro
qualificado. Muito embora as semelhanças existentes entre ambos, o que os diferencia é o objetivo
precípuo de constituir família – presente na união estável e ausente no namoro qualificado. (Resp.
1454643/RJ – Min. BIZELLI).
Ressalta-se que “no namoro qualificado, por outro lado, embora possa existir um objetivo futuro de
constituir família, não há ainda essa comunhão de vida. Apesar de se estabelecer uma convivência
amorosa pública, contínua e duradoura” (MALUF, 2013).
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Devido a esse maior grau de intimidade, relações mais duradouras, aparente fidelidade e a convivência
contínua do casal, em que há uma publicidade social dessa relação, surgem confusão entre o namoro e a
união estável, pois podem ser encontrados cada vez mais nos atuais namoros, requisitos pertencentes às
uniões estáveis.
Por isso, o namoro qualificado é defendido na jurisprudência, como forma de afastamento de união
estável, pois apesar de haver uma linha muito tênue entre a união estável e o namoro qualificado, o
magistrado tem julgado se há elementos que demonstrem o propósito de constituir uma família, a fim de
averiguar qual a relação às partes que deseja reconhecer uma relação de união estável
Assim, quando o relacionamento amoroso se alonga no tempo, um contrato de namoro pode ser
providenciado, para interditar qualquer pretensão ao reconhecimento desta situação em união estável.
10.5. Requisitos e validade do Contrato de Namoro
Conforme bem explica a professora REGINA BEATRIZ TAVARES DA SILVA, tem gerado muita polêmica o
contrato de namoro, muito embora com crescente aceitação pela população, em especial porque o ato
pelo qual duas pessoas querem dizer que apenas namoram e não constituem família, chama-se mera
"Declaração de vontade", podendo ser por declaração pública ou particular, na presença de testemunhas,
previsão do art. 186 do CC/2002, desde que retrate a verdade dos fatos e não cause danos a nenhuma
das partes, e não um contrato propriamente dito.
De igual sorte, há afirmativas de que o contrato de namoro é inexistente no mundo jurídico, eis que,
contrato é negócio jurídico delimitado pelas premissas vigentes do art. 421 e seguintes do Código Civil de
2002, devendo criar, modificar ou extinguir direitos, muito embora, o namoro possa ter reflexos emocionais
motivados pela afetividade ou no término da relação possa ser motivado pelo ódio ou vingança, não
encontra guarida no ordenamento jurídico, pois está embasado nos fatos sociais e não constitui entidade
familiar, podendo até ser fonte de enriquecimento ilícito.
Com a finalidade de evitar qualquer interpretação em sentido diverso, o Projeto de Lei 6.960 de 2002,
consta sugestão legislativa de inserção de parágrafo único no art. 1.727 do Código Civil, nos seguintes
termos: "As relações meramente afetivas e sexuais, entre o homem e a mulher não geram efeitos
patrimoniais, nem assistenciais", além de outra sugestão de que conste expressamente do art. 1.723,
caput, do mesmo diploma legal, a constituição de família como requisito da união estável.
Outrossim, o instrumento, quer seja uma mera declaração de vontade, ou um contrato de namoro, pode
ser feito entre duas pessoas que querem deixar claro que a relação é apenas um namoro, afastando a
possibilidade de que seja considerada uma união estável que possa gerar efeitos patrimoniais. 
Assinando uma escritura pública de namoro, o casal pode evitar os efeitos da união estável, por exemplo,
a possibilidade de partilha de bens adquiridos durante a vigência da relação, pensão, direitos sucessórios
em caso de falecimento, entre outros.
Assim, os que defendem a sua validade, apontam que o contrato de namoro constitui prova robusta para
que o relacionamento não seja atingido pelos efeitos gerados pela união estável (partilha de bens, pensão,
direitos sucessórios em caso de falecimento, entre outros). Aduzem que a constitucionalização do direito
civil, ou à sua publicização, seria um retrocesso, pois os institutos privados, sob a ótica do existencialismo
constitucional, tem importância ímpar para o direito privado, no momento em que celebra a legalidade
constitucional e confere logicidade ao sistema.
Como permitir afastar tal manifestação de vontade, em um tema privado e blindado pela inviolabilidade da
privacidade, com o escopo de reconhecer uma união estável, não desejada pelas partes? Ao fazer isso,
porém, a sociedade deve ter extremo cuidado. As sucessivas reduções de liberdades podem tornar os
cidadãos meros objetos do direito, ao revés de agentes. A ladeira escorregadia das limitações do poder de
autorregulamentação pode gerar progressivas, ilegítimas e indevidas reduções no espaço de ação,
restando pouco, ou quase nada, para se decidir.
Hoje, existem vários sítios na internet que permitem aos interessados lavrar o contrato de namoro
preenchendo seus dados, sendo posteriormente emitindo automaticamente.
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Entretanto, como costumo dizer em sala de aula, o casal já possui roupas íntimas no mesmo guarda-
roupas, um vai para casa do outro e ficam o final de semana juntos, postando livremente em redes sociais
elementos que caracterizem uma união com intenção de formar família, com animais de estimação,
programação para compra de bens e viagens a longo prazo, como se estivessem em uma relação estável
e duradoura, é sinal que a relação já está ficando séria, e existem fortes indícios de estabilidade na união,
portanto e pense em casar, mesmo que em regime de separação total de bens, é mais seguro!
10.6. Esponsais, Promessa de Casamento e Noivado.
Normalmente, um casamento é precedido do noivado, esponsais ou promessa de núpcias, ou seja, de
compromisso de casamento entre um homem e uma mulher, de forma que se conheçam melhor. 
O instituto que perdeu muito a sua natureza devido a modernização das relações de afeto, como o namoro
qualificado.
Deve-se esclarecer que os esponsais diferem do namoro, pois em se tratando do noivado há que se falar
em promessa de casamento, enquanto o mero namoro é apenas uma relação amorosa sem maiores
comprometimentos.
Não há, no Código Civil de 2002, assim como não havia no de 1916, qualquer previsão legal em relação
ao noivado. O que se tinha era apenas a possibilidade da mulher agravada em sua honra, pedir uma
indenização pelo mal que lhe foi causado.
Desta forma, em caso de rompimento de namoro, a priori, não se cogita o dever de reparação de danos,
sejam estes morais ou materiais, muito embora, em alguns casos, a separação importe em dor, sofrimento
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ou mesmo em humilhação.
Muitos afirmam que tal promessa de casamento não cria vínculo entre os noivos e suas famílias, mas gera
responsabilidade extracontratual, aquiliana, ensejando indenização pela ruptura injustificada, se a
perspectiva de casamento fez o pretendente efetuar despesas com esse fim. 
É cediço que uma pessoa não pode obrigar outrem a contrair o matrimônio, mesmo que o rompimento do
compromisso gere sofrimento, dor e frustração. Todavia, é possível que em casos excepcionais, o
rompimento injustificado do noivado acarrete danos morais à parte abandonada.
Toda promessa de contratar frustrada, gera, em princípio, efeitos no caso de inexecução culposa. É fato
gerador do dever de indenizar, com base nos princípios gerais da responsabilidade civil subjetiva.
Como a promessa de casamento não pertence ao campo obrigacional, por ser ato pessoal de direito das
famílias, não é possível a execução específica da promessa de emissão da vontade, pois entraria em
conflito com a liberdade individual.
Para Maria Helena Diniz, para quese configure tal responsabilidade, é necessária a ocorrência dos
seguintes requisitos: a) livre formalização da promessa de casamento pelos noivos, independente de
escritura pública ou particular, feita livremente pelos noivos, e não por seus pais; b) recusa de um dos
noivos em cumprir a promessa, de forma clara e expressa ou tácita; c) ausência de motivo justo (erro
essencial, infidelidade, injúria grave, abandono, prodigalidade, condenação por crime desonroso, aversão
ao trabalho, falta de honestidade, mudança de religião, grave enfermidade etc.); e) ocorrência de dano
(psicológico, pecuniário ou moral).
A ruptura deve ser clara e expressa, mas nada impede que seja tácita, quando o comportamento de um
leva o outro a crer que não se quer mais o compromisso (ex: sumir)
O desfazimento de compromisso pode acarretar em devolução de presentes trocados (por ser doação com
condição - Propter nuptias, pois fica condicionada à realização do casamento - art. 546 do CC), fotos,
cartas e indenização por danos morais e materiais ao não responsável pelo cumprimento dos esponsais.
Exemplo: despesas gastas com a festa de casamento e com a lua de mel, despesas com o apartamento
novo ou reformado.
Pode-se acarretar em uma indenização por dano moral, que não exige, especificamente, humilhação
pública, basta que a lesão tenha causado dor e sofrimento, ainda que de forma sutil (ex: traição). Os
Tribunais tem relutância em reconhecer o dano moral, sob o fundamento de que a indenização só se
justifica em situações excepcionais, quando fica cabalmente demonstrado que as circunstâncias da ruptura
feriram a honra ou a dignidade do nubente. 
Por outro lado, existem alguns casos em que é evidente a configuração do dano moral pela forma que
ocorreu a ruptura dos esponsais, e não meramente pelo rompimento. Em algumas situações, o nubente
arrependido expõe de forma vexatória e causa extremo constrangimento à parte ofendida pelo modo que
desfaz o noivado. 
Um exemplo presente na jurisprudência (TJSC) ocorreu com o rompimento súbito do noivado cumulado
com a situação de total desamparo material e emocional a qual a noiva gestante foi deixada, enquanto
fazia uma viagem ao exterior, além de ser submetida a acusações injuriosas pelo noivo. Tais aspectos,
foram determinantes para a caracterização de ato ilícito por parte dele, o que ensejou o dano moral. 
Em outro caso (TJMG), houve contribuição financeira da noiva na reforma da casa. Após o fim do
relacionamento, a noiva passou a ser ameaçada, solicitando, inclusive, medidas protetivas de urgência.
Dessa forma, entendeu-se que as circunstâncias demonstram plenamente o cabimento de reparação por
danos materiais e morais. 
Dessa forma, a grande problemática é que a configuração do dano moral não busca compelir o nubente a
casar, mas conscientizar que se o mesmo não quiser efetivar o matrimônio, que desfaça o noivado de
forma discreta, não vexatória, de modo a causar o mínimo de sofrimento possível à outra parte
Ainda se verificar a perda de uma chance (lucro cessante), como no caso do noivo recusar uma proposta
de emprego em outro país pelo fato de estar com o casamento marcado, sua noiva ser funcionária pública
e terem comprado um apartamento novo para morar e, após um tempo, a noiva terminar com ele.
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Dessa forma, dada a atual omissão legislativa no ordenamento jurídico brasileiro, conclui-se que não se
deve haver uma regra genérica, a ser adotada pelos magistrados, sobre o cabimento ou não de
indenização por danos morais e materiais em casos de rompimento de noivado. 
Cada situação precisa ser analisada isoladamente para se identificar se é possível a responsabilização
civil do noivo arrependido. Ressalta-se que é necessário um estudo cauteloso das circunstâncias em que
se deu a ruptura, a fim de se evitar uma maior banalização do instituto do dano moral, e também para que
não haja injustiças decorrentes de um posicionamento geral e taxativo sobre o assunto.
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III - Do Parentesco: 
1. Conceito: Vínculo que liga pessoas de uma família por descenderem umas das outras ou de um tronco
comum (consanguinidade); entre o cônjuge ou companheiro e os parentes do outro (afinidade); e por
vínculo decorrente de adoção ou outra origem - inseminação artificial heteróloga (civil). 
2. Classificação: dividem-se em três planos: 
2.1 Natural ou consanguíneo: É o vínculo entre pessoas descendestes de um mesmo troco ancestral.
São ligadas, umas às outras, pelo mesmo sangue. Existe tanto na linha reta como na colateral. Pode ser
matrimonial, se oriundo de casamento. Ou extra-matrimonial, se por vivencia de união estável, relações
sexuais eventuais ou concubinária.
Portanto, podem ser:
 matrimonial ou extramatrimonial; 
 em linha reta – art. 1591, CC (ascendente ou descendente, tanto pelo lado feminino, como pelo
masculino – pai, avô, bisavô, filho neto), infinitamente;
 em linha colateral ou transversal - art. 1592, CC (pessoas que provém de um só tronco, até o quarto
grau, sem descenderem uma da outra – irmão, tio, sobrinho, primo).
OBS 1: Os irmãos podem ser bilaterais ou germanos (filhos do mesmo pai e da mesma mãe);
unilaterais consanguíneos (mesmo pai, mães diversas); unilaterais uterinos (mesma mãe, pais
diversos).
OBS 2: O antigo Código estipulava o parentesco colateral até o sexto grau.
OBS 3: A afinidade em linha reta não se extingue nem com a dissolução do casamento.
2.2 Afinidade: Estabelece-se por determinação legal (art. 1595, CC), sendo o liame jurídico estabelecido
entre um consorte, companheiro e os parentes consanguíneos, ou civis, do outro nos limites estabelecidos
na lei, desde que decorra de matrimônio valido, e união estável (CF/88, art. 226, § 3º).
O concubinato impuro ou mesmo casamento putativo não têm poder de gerar afinidade. 
O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou
companheira (CC, art. 1.595, § 1º). 
Pode se dar em linha reta (sogro, genro, padrasto, enteado) e em linha colateral (cunhado) até o segundo
grau (art. 1521, CC).
A afinidade é um vinculo pessoal, portanto os afins de um cônjuge, ou conviventes, não são afins entre si;
logo, não há afinidade entre concunhados.
O direito brasileiro constitui impedimento matrimonial a afinidade em linha reta (CC, art.1.521, II).
Na linha colateral, cessa a afinidade com o óbito do cônjuge ou companheiro; por conseguinte, não está
vedado o casamento entre cunhados.
2.3 Civil: resultante da adoção (arts. 1593 e 1626, CC) estabelecendo um vinculo entre adotante e
adotado, que se estende aos parentes de um e de outro.
Pai e filho adotivo são parentes civis em virtude de lei (CC, art. 1.626). 
O parentesco civil abrange o socioafetivo (CC, art. 1.593, in fine, e 1.597, V), alusivo ao liame entre pai
institucional e filho advindo de inseminação artificial heteróloga, gerando relação paterno filial apesar de
não haver vinculo biológico entre o filho e o marido de sua mãe, que anuiu na reprodução assistida.
3. Contagem de Graus de Parentesco Consanguíneo: Divide –se em:
3.1 LINHA RETA: Assim serão parentes de linha reta as pessoas que estão ligadas uma às outras por um
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vínculo de ascendência e descendência (CC, art.1.591). 
Não há limitação para o parentesco em linha reta;
São parentes na linha ascendente o pai, o avô, o bisavô etc.. Na linha descendente o filho, o neto, o
bisneto etc.
3.2 LINHA COLATERAL OU TRANSVERSAL: São parentes em linha colateral aquelas pessoas que,
providas de tronco comum, não descendem umas das outras (CC, art. 1.592). 
A linha colateral pode ser, ainda dúplice; quando dois irmãos se casam com duas irmãs, os filhos dessas
uniões serão parentes colaterais em linha duplicada, ou seja, duplamenteprimos.
O parentesco em linha transversal não é infinito, ou seja, não vai, perante nosso direito, além do 4º grau,
pois há presunção de que, após esse limite, o afastamento é tão grande que o afeto e a solidariedade não
mais servem de apoio às relações de direito.
OBS: O parentesco conta-se por graus que constituem a distancia que vai de uma geração a outra.
4. SIMETRIA ENTRE AFINIDADE E PARENTESCO NATURAL: A afinidade é o liame jurídico que se
estabelece entre cada consorte ou companheiro e os parentes do outro, mantendo certa analogia com o
parentesco consanguíneo no que concerne à determinação das linhas e graus. (cc, art. 1.595, § § 1º e 2º )
Na linha reta tem-se, então, a finalidade entre sogro e nora, sogro e genro, padrasto e enteada, madrasta e
enteado. São, portanto, afins em primeiro grau.
Na linha reta, a finalidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável (CC, art.
1.595, § 2º), daí ser impedimento matrimonial (CC, art. 1.521, II).
Em segundo grau, na linha reta, o cônjuge, ou companheiro, será afim com os avós do outro e este com os
avós daquele, por que na linha reta não há limite de grau.
Na linha colateral, o parentesco por afinidade não vai além do segundo grau, existindo tão-somente como
os irmãos do cônjuge ou companheiro (CC, art. 1.595, § 1º, 2º parte); 
Cunhados serão parentes por afinidade em segundo grau, mas entre consortes e companheiros não há
parentesco, nem afinidade. “O cunhado é reputado parente em segundo grau, nele esbarrando a
afinidade”.
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5. EXEMPLO: A partir deste conceito faremos alguns exemplos para fixação. Tomarei como apoio a árvore
genealógica de um dos desenhos mais conhecidos de todos.
Qual o grau de parentesco entre a Lisa e o Bart?
A primeira etapa é subir ao tronco comum entre o Bart e a Lisa sempre contando um grau. Neste caso, o
tronco comum são os pais deles, ou seja, Homer e a Marge. Portanto, Homer e a Marge são parentes de
primeiro grau do Bart. Após, descerei até chegar ao destinatário (Lisa) e contarei mais grau. Conclusão:
Lisa é parente de segundo grau do Bart (IRMÃOS).
Qual o grau de parentesco entre o Bart e Herb?
Primeira etapa é chegar ao tronco comum entre Bart e Herb. Neste caso são os avós paternos de Bart,
Abraham e Mona. Neste sentido eu passo pelo Homer (primeiro grau) e chego aos avós (segundo grau).
Após, desço ao destinatário (Herb), contando mais um grau (terceiro grau). Conclusão: Bart (SOBRINHO)
é parente de terceiro grau do Herb (TIO).
Qual o grau de parentesco entre Lisa e Ling?
Primeira etapa é chegar ao tronco comum entre Lisa e Ling que são os avós maternos de Marge e Selma,
Clancy e Jackie. Neste sentido eu passo pela Marge (primeiro grau) e chego aos avós maternos (segundo
grau). Após, percorro pelos pais de Ling, Selma (terceiro grau) e termino no destinatário (Ling), contando
mais um grau (quarto grau). Conclusão: Ling é parente de quarto grau de Lisa (PRIMOS).
Qual o grau de parentesco entre a Homer e o Jackie? São por afinidade GENRO E SOGRA
Qual o grau de parentesco entre a Homer e o Selma ? São por afinidade CUNHADOS
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IV - Do Casamento – (Continuação) 
1. Processo de habilitação para o casamento (arts. 1525 a 1532, CC);
O casamento, por se tratar de um negócio jurídico, formal e solene, está relacionada com um
procedimento de habilitação prévio cheio de detalhes e solenidades, em que se dá publicidade ao ato e se
verifica a existência de impedimentos matrimoniais. 
De início, temos que o requerimento de habilitação para o casamento será firmado por ambos os
nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador, instruído com os seguintes documentos: 
a) certidão de nascimento dos noivos ou documento equivalente; 
 O CC de 2002 instituiu a necessidade de idade superior a 16 anos para ambos.
b) autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal estiverem (16-18 anos), ou ato
judicial que a supra (-16 ou havendo divergência – procedimento de jurisdição voluntária); 
 Necessidade de autorização expressa de ambos os pais, quando os nubentes forem
maiores de 16 anos e menores de 18 (relativamente incapazes).
 Caso um dos pais esteja em lugar incerto e não sabido, poderá haver a autorização
unilateral do pai ou da mãe.
 Se houve divergência entre os pais acerca de tal autorização, o caso deverá ser
levado ao conhecimento do juiz competente para apreciação e decisão.
 As pessoas que se encontram sob tutela ou curatela necessitam da autorização de
seu tutor ou curador;
 A autorização pode ser revogada a qualquer momento, antes da celebração do
casamento;
c) declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecê-los e afirmem
não existir impedimento que os iniba de casar;
 Declaração necessária para fins de comprovar a idoneidade dos nubentes
 Documento de valor relativo, vez que pode ser facilmente conseguido entre os
parentes.
d) declaração de estado civil, domicílio ou residência atual dos contraentes e de seus pais, se forem
conhecidos (memorial), sendo que o Ministério Público pode exigir a apresentação de atestado de
residência firmado pela autoridade policial ou outro elemento de convicção admitido em direito;
 Declaração denominada memorial, vez que faz um relato sobre as vidas dos
nubentes e de seus pais.
 Necessidade de declaração do domicílio, vez que se os nubentes residirem em
comarcas diversas, haverá a necessidade de publicação de editais em ambas.
 Não pode ser exigido do estrangeiro prova de situação regular no Brasil
e) certidão de óbito de cônjuge falecido, de sentença declaratória de nulidade ou anulação de
casamento, transitada em julgado, ou do registro da sentença de divórcio; 
 Estes documentos visam evitar o casamento de pessoas já casadas.
 É considerada idônea a certidão de divorcio proferida pela Justiça de país
estrangeiro que o admita, ficando, porém, subordinada doravante à respectiva
homologação por parte do STJ.
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f) certificado de exame pré-nupcial, na hipótese de casamento entre colaterais de 3º grau.
Deve ser dirigido ao Cartório do Registro Civil do domicílio dos nubentes ou, se domiciliados em
municípios ou distritos diversos, perante o Cartório de qualquer deles, publicando-se, entretanto, o edital
em ambos. 
É dever do oficial do registro esclarecer os nubentes a respeito dos fatos que podem ocasionar a
invalidade do casamento, bem como sobre os diversos regimes de bens.
Ressalte-se os requisitos são os mesmos para casais homoafetivos.
O estrangeiro que pretende-se casar no Brasil deverá comprovar a idoneidade e boa-fé, principalmente, no
que concerne a monogamia, acostando os mesmos documentos do nacional, com carimbo do Consulado
no Brasil. Todas as certidões deverão ser traduzidas por tradutor público juramentado aqui no Brasil, para
depois serem registrados no Cartório de Registro de Títulos e documentos. 
Se o noivo ou a noiva não vierem para o Brasil darem entrada no casamento, será necessário fazer uma
Procuração, onde o noivo(a) estrangeiros autorizam outra pessoa aqui no Brasil a dar entrada no
casamento (habilitação) junto com o noivo(a) brasileiro(a), desta forma, o noivo ou a noiva, vem somente
para a cerimônia. 
Esta Procuração precisa ser feita pelo Notário no País onde mora o noivo ou a noiva para depois ser
legalizada no Consulado do Brasil onde o noivo ou a noiva estiverem e precisará ser traduzida por tradutor
público juramentado aqui no Brasil, para depois ser registrado no Cartório de Registro de Títulos e
Documentos (precisam ser registradas as traduções e os originais). 
Se o estrangeiro não souber falar português, deverá estar presente,na cerimônia e em todas as fases do
processo, um tradutor juramentado munido da nomeação pela Junta Comercial. Este nome deverá ser
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fornecido quando da marcação do casamento, pois deverá constar no Livro. 
Apresentada a documentação e estando em ordem, o oficial extrairá o edital (proclamas), que se afixará,
durante quinze dias, nas circunscrições do Registro Civil de ambos os nubentes e, obrigatoriamente, se
publicará na imprensa local, se houver. Somente em casos extremos, quando houver urgência na
realização do casamento por prática de crime contra os costumes, poderá haver a dispensa dos
proclamas. O juiz decidirá de acordo com cada caso isolado.
Após as demais formalidades necessárias, dentre as quais se incluem a oitiva do MP, o decurso do prazo
de 15 dias a contar da expedição dos editais, o julgamento de eventuais impugnações e oposições de
impedimentos, o juiz, se for o caso, homologará a habilitação. 
Se não houver fato obstativo, o oficial de registro extrairá o certificado de habilitação, que terá eficácia de
90 dias.
Se o casamento não se realizar em tal prazo, o processo de habilitação deve ser renovado, para que seja
possível a celebração posterior.
Importante ressaltar que há gratuidade de habilitação para casamento para pessoas declaradamente
pobres, conforme art. 1512, CC. 
Observação: A jurisprudência tem entendido que a existência de irregularidades no processo de
habilitação, realizadas pelo oficial do cartório, NÃO gera a anulação do casamento.
1.1 Capacidade para Casamento (arts. 1517 a 1520, CC).
A incapacidade jurídica para o casamento não pode ser confundida com os impedimentos matrimonias
(aos quais veremos a seguir).
A incapacidade refere-se que a pessoa não pode casar com qualquer que seja a outra pessoa. Os
impedimentos atingem determinadas pessoas ou situações. 
A capacidade, então, refere-se a capacidade especial de celebrar ou não o negócio jurídico.
Doutrinariamente, tal aspecto sempre sofreu críticas já que o CC/2002 não trouxe um rol de pessoas
capazes ou não, somente normatizando acerca da idade. Por tal razão, o Projeto de Lei 470/2013
(Estatuto da Família) tem trabalhado no sentido de normatizar tal rol. 
Assim, para discorrer e aprofundar sobre o tema, é necessário recorrer a Teoria das incapacidades que
sofreu grande alteração com a Lei n. 13.146 de 2015 que instituiu o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Então com a mudança da Lei anteriormente não poderiam casar os casos do inciso II e II, permanecendo
somente a incapacidade para os menores de 16 (dezesseis anos). Assim, o Estatuto da Pessoa com
Deficiência também retirou do sistema a possibilidade de nulidade absoluta do casamento da pessoa
enferma mental, tendo sido revogado também o 1.548, I, CC. Assim, as pessoas com deficiência tiveram
uma inclusão familiar plena com o Estatuto (art. 6º da Lei 13.146/2015).
Voltando as capacidades para o casamento, temos que nos termos do 1.517, caput do CC que homem e
mulher em idade núbil, com 16 anos completos, podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais,
ou de seus representantes legais, quanto não atingida a maioridade civil. 
Em havendo divergência entre os pais, a questão será leva ao judiciário, que decidirá conforme o caso
concreto, sempre buscando ponderação de princípios entre a proteção do menor e da família, com
exceção do emancipado. No caso de negativa de consentimento por ambos os pais, não é possível o
suprimento judicial.
Ação de Suprimento do Consentimento segue o rito ordinário. Todavia, para Silvio Rodrigues, deveria
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ter natureza cautelar vez que é anterior ao pedido de habilitação. Tal ação não permite pedido de
antecipação de tutela, vez que realizado o casamento não poderá mais ser modificada. O juiz deve
verificar os motivos apresentados pelos pais ou representantes para negarem a autorização para a
realização do casamento e analisar cada caso isolado (Ex: caso de toxicomaníacos, ébrios, vida pregressa
irregular, imposição de crimes). Sentença passível de recursos para a instâncias superiores. O legitimado
para a ação será o nubente que teve a autorização denegada. A doutrina entende que o MP ou qualquer
parente pode ingressar com tal pedido em favor do menor. Nos casos de suprimento judicial, o regime de
bens será obrigatoriamente o da separação total.
Havia uma polêmica sobre a possibilidade de casamento de menores de 16 anos (art. 1520, CC), porém
tal questão resta superada, conforme Lei 13.811, de 12 de março de 2019, sendo que "Não será permitido,
em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil, observado o disposto no art. 1.517
deste Código."
1.2 Dispensa dos Proclamas: Somente em casos extremos, quando houver urgência na realização do
casamento por prática de crime contra os costumes. O juiz decidirá de acordo com cada caso isolado.
2. Impedimentos matrimoniais (art. 1521, CC): 
Correspondem aos anteriormente denominados impedimentos dirimentes públicos ou absolutos. Têm
razões éticas, baseadas no interesse público. Sua inobservância acarreta a nulidade do casamento. 
IMPORTANTE: Não confundir incapacidade e impedimento/causa suspensiva. Incapacidade é a proibição
de a pessoa casar-se com quem quer que seja, ao passo que impedimento e causas suspensivas
consistem na proibição de casar-se com determinada ou determinadas pessoas, por falta de legitimação. 
Os impedimentos visam preservar a eugenia e moral familiar, obstando a realização de casamento entre
parentes consanguíneos, por afinidade e adoção (1521, I a V, CC), a monogamia (art. 1521, VI) e evitar
uniões que tenham origem no crime (art. 1521, VII).
São os seguintes casos:
2.1. Resultantes de parentesco (incisos I a V):
a) Impedimento de consanguinidade (incisos I e IV) – ascendentes com descendentes, no caso de
parentesco natural; os irmãos, bilaterais ou unilaterais, e demais colaterais até terceiro grau, inclusive. No
último caso, admite-se o casamento se dois médicos os examinarem e atestarem a sanidade, afirmando
não ser inconveniente, sob o ponto de vista da saúde dos nubentes e da prole, a realização do casamento;
 Lembrem-se, parentesco natural é o decorrente das uniões estáveis. 
 Parentesco civil é o decorrente de adoção
 Impedimento de casamento entre cunhados até perdurar a união anterior.
 É possível o casamento entre primos (4º grau na linha dos colaterais).
b) Impedimento de afinidade (inciso II)– os afins em linha reta (viúvo – enteada – sogra); 
 O vinculo de afinidade conta-se a partir do esposo ou esposa, atingindo os sogros.
 A afinidade se limita ao primeiro grau, e NUNCA SE EXTINGUE, sendo impedidos de se
casarem apenas sogros e noras e sogras e genros.
 A afinidade se estende também às uniões estáveis. 
 É possível o casamento entre cunhados (Ex: o viúvo com a irmã da esposa falecida).
c) Impedimento de adoção (incisos III e V): ascendentes com descendentes, no caso de parentesco
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civil; o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem foi cônjuge do adotante.
 Existente a adoção (legal), prevalece o impedimento.
 Em relações de mera convivência de fato com a pessoa, como se filho adotivo fosse, não
existe o impedimento.
 Por serem vistos como irmãos.
2.1.2. Impedimento de vínculo (inciso VI): as pessoas casadas.
 Enquanto persistir válido o casamento anterior persistirá o impedimento.
 A separação judicial (antigo desquite) não libera o impedimento, porque não extingue o
vinculo conjugal, mas apenas a sociedade conjugal.
2.1.3. Impedimento de crime (inciso VII): o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio
(doloso) outentativa de homicídio contra seu consorte.
 É exigida a condenação criminal, não sendo suficiente a mera alegação no processo;
 Atinge tanto o autor material como o intelectual do delito.
 Impedimento estendido à união estável.
OBS.: Não há mais impedimento para o casamento do cônjuge adúltero com seu corréu, por tal
condenado. 
3. Causas suspensivas do casamento (art. 1523 e 1524, CC): Correspondem aos anteriormente
denominados impedimentos impedientes ou proibitivos, estabelecidas pelo interesse da prole do leito
anterior (evitando a confusão de patrimônio e sangue), do ex-cônjuge e da pessoa influenciada pelo abuso
de confiança de autoridade exercido pelo outro (tutela e curatela). A inobservância dessas causas gera
apenas alguns efeitos, como, por exemplo, a obrigatoriedade do regime de separação de bens e hipoteca
legal em conformidade com o art. 1489, II, CC. O casamento é apenas considerado irregular. 
As hipóteses são as seguintes (incisos I a IV do art. 1523 do CC): 
a) a viúva ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou por ter sido anulado, até dez
meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal, salvo se provar o
nascimento de filho ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo; 
b) o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer o inventário dos bens do
casal e der partilha aos herdeiros; 
c) o divorciado, enquanto não tiver sido homologada ou decidida a partilha de bens do casal; o tutor
ou curador e seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou
curatelada, e não estiverem saldadas as respectivas contas.
Nos três últimos casos, os nubentes podem solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as
causas suspensivas, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, o ex-
cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada.
4. Casamento Nulo e Anulável. Defeitos no Casamento (arts. 1548 a 1564 CC).
4.1 Causas: Antes caracterizadas como impedimentos dirimentes relativos ou privados, tornam o
casamento nulo ou passível de anulação, conforme disposições dos arts. 1548, 1550, 1556, 1558, CC.
4.2. O casamento é nulo (arts. 1548 e 1549, CC): a) se contraído pelo enfermo mental sem o necessário
discernimento para os atos da vida civil (art. 1548, I, CC) – PORÉM ESTE DISPOSITIVO FOI REVOGADO
PELO ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, passando a ser anulável; b) se contraído com
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infringência de impedimento, como já visto (art. 1521, CC). c) se qualquer dos nubentes não completou a
idade mínima de 16 anos (art. 1520, CC) - alterado pela Lei 13.811, de 12 de março de 2019.
O casamento nulo apresenta-se como existente apesar de eivado de inúmeros vícios. As nulidades são
apenas as constantes no Código Civil, não podendo ser estendidas por analogia. Não pode ser declarado
de ofício, havendo a necessidade de interposição de Ação de Nulidade pelos próprios cônjuges ou por
seus representantes legais, qualquer pessoa interessada (apenas pessoas que tenham vínculos diretos ou
indiretos com o casal e não qualquer pessoa do povo), ou Ministério Público. Após a edição da Lei do
divórcio as Ações de nulidade de casamento diminuíram consideravelmente já que a Ação de divórcio tem
procedimento mais simples que a de Nulidade de casamento e gera os mesmos efeitos.
Como a nulidade do casamento irá acarretar a dissolução da família, vigora no direito os princípios “favor
matrimonii” e “in dubio pro mantrimonio”, ou seja, deve-se favorecer mais o matrimônio do que a lei em si. 
Analisando a natureza dos impedimentos que tornam nulo o casamento, tem-se como causas: o incesto
(incisos I a V), bigamia (inciso VI) e homicídio (inciso VII).
A nulidade do casamento só produz efeitos após o transito em julgado da sentença que o declarar. A
nulidade do casamento é questão de interesse público.
A legitimidade para arguir a nulidade está no art. 1549 do CC: I - Os cônjuges ou seus representantes
legais; II- Pessoas interessadas, desde que tenham vínculos diretos ou indiretos com os cônjuges; III-
Ministério Publico
Obs: O Ministério Público pode arguir a nulidade do casamento em qualquer situação, mesmo que um dos
cônjuges já tenha falecido.
4.3 O casamento é anulável (art. 1550 a 1560, CC):
Observação: a hipótese do casamento ser anulável se qualquer dos nubentes não completou a idade
mínima de 16 anos (art. 1550, I, CC), não existe mais, pela alteração do artigo 1.520 do CC, ante a Lei
13.811, de 12 de março de 2019. Diante disso, menores de 16 anos de idade não podem mais casar,
porque suprimidas as exceções legais permissivas do casamento infantil, deixando de ser anulável e
passado a ser NULO.
b) Do menor em idade núbil não autorizado pelo seu representante legal (art. 1550, II); São os casos
das pessoas que se encontram sob tutela ou curatela; Os menores emancipados não necessitam de
autorização; A ação de anulação tem prazo decadencial de 180 dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de
sê-lo de seus representantes legais ou seus herdeiros necessários; O silêncio do representante do menor
presente no ato do casamento gerará, em princípio, salvo prova em contrário a aprovação do ato.
c) por vício de vontade, se o casamento for contraído em virtude de coação (art. 1550, III); Quando
os cônjuges não manifestam livremente as suas vontades, vez que o casamento é pressuposto intrínseco
do casamento. O artigo 1558 do CC dispõe que o casamento sob coação pode ser anulado pelo cônjuge
que a sofreu. A anulação só pode ser requerida pelo próprio cônjuge. Tendo havido a coabitação entre os
cônjuges extingue-se a possibilidade de anulação do casamento. O Ministério Publico participará da ação
apenas como fiscal da lei. Prazo para interposição da ação de anulação quando o vicio for de coação é de
4 anos contados a partir da data da celebração. (art. 1560,IV). Quando se tratar de casamento de menor
em idade núbil, sem o consentimento dos responsáveis legais, a Ação de Anulação pode ser proposta pelo
próprio cônjuge, seus representantes legais ou herdeiros necessários. Se os representantes dos incapazes
assistirem a cerimônia, a anulação se torna impossível. Se o tutor ou curador de alguma forma manifestou
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sua concordância ao casamento, também não poderá ser argüida a anulação. (art 1555, §2º). Destaque
para o posicionamento de Paulo Lins e Silva: “é infantil crermos que um menor entre 16 e 18 anos possa
de forma simples e fácil providenciar a habilitação para o seu casamento frente a autoridade do registro
civil”. O casamento pode ser ratificado pelos cônjuges quando atingirem a maioridade, sendo que os seus
efeitos retroagirão desde a data da celebração. O casamento não será anulado por motivo de idade se
dele resultou gravidez.
d) do incapaz de consentir o manifestar, de modo inequívoco, o consentimento (art. 1550, IV); Será
anulável o casamento das pessoas que no momento de manifestar seu consentimento, não tinha o devido
discernimento, estando, por exemplo, sob efeitos de drogas ou inconscientes; O prazo para anulação é
decadencial de 180 dias contados a partir da celebração.
e) realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do
mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges (art. 1550, V); Hipóteses de casamento por
procuração; A revogação do mandato retira a legitimidade do mandatário e deve ser comunicada ao
mesmo, bem como ao outro nubente; Caso tenha havido a coabitação entre os cônjuges, NÃO é possível
a anulação do ato.
f) por incompetência da autoridade celebrante (art. 1550, VI): Será anulado o casamento quando
realizado por juiz que não está em exercício de suas funções, ou que o celebra fora dos limites doseu
distrito (princípio da territorialidade); Se o casamento, apesar de realizado por autoridade incompetente,
tiver sido registrado no cartório competente, é necessário a propositura de Ação anulatória; Se os cônjuges
estiverem de boa-fé no momento da celebração e tudo leva a crer a existência do casamento, o mesmo
será válido.
g) por vício da vontade qualificado, se houver, por parte do nubente, erro essencial quanto à
pessoa do outro (arts. 1556 e 1557, incisos I a III, CC) - honestidade, identidade, honra, boa fama;
ignorância de crime anterior ao casamento; impotência couendi, ou seja, incapacidade de efetivar a
conjunção carnal, mas não por esterilidade sanidade física; existência de doença contagiosa ou
transmissível, anterior ou matrimônio, ou seja, a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico
irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por
herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência). 
Outros erros essenciais, considerados pela jurisprudência, que merecem ser apontados, são: (impotência,
coitofobia, toxicomania, alcoolismo, esterilização voluntária, cometimento de crime, anomalia psíquica,
filhos anteriores, homossexualismo e epilepsia, desde que ignorados na ocasião do enlace, Recusa da
esposa ao debito conjugal; Esposa que não compareceu à cerimônia religiosa do casamento; Casamento
não consumado, tendo o marido deixado o lar conjugal poucos dias após a celebração; Nubente
estelionatário, ausência de vontade de contrair núpcias, simples artifício para se apossar dos bens da
esposa com posterior desaparecimento; Induzimento ao casamento pela afirmação da paternidade, frente
à gravidez da mulher; paternidade afastada por prova pericial; erro essencial reconhecido; Atividade de
meretriz da esposa antes do casamento e que era desconhecida pelo marido.); 
Obs: - Situações Que Afastam o Erro Essencial: (Varão que estando no exterior, casa por procuração, com
mulher que conheceu há pouco menos de 30 dias; alegação de desconhecimento de filhos dela; fato que,
se devera desconhecido, não terá importância na decisão do casamento; Varão que se precipitou em
casar com mulher que mal conhecia, sem dar ouvidos a informações que desabonasse a sua conduta;
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Crença religiosa não constitui qualidade essencial da pessoa quando não atentatória à moral da sociedade
dominante, não constitui defeito da honra e boa fama).
Ainda temos a Ignorância da prática de Crime: tem que ser previsto na lei penal; Sua ocorrência antes do
casamento (O CC 2002 não fala em julgamento definitivo por sentença condenatória- a sentença pode ser
posterior ao casamento); Que o fato seja ignorado pelo outro cônjuge ao se casar. 
Obs.: A lei não se refere a contravenções penais. Se o crime ocorreu quando a pessoa era menor de 18
anos, e, portanto, inimputável criminalmente, não se aperfeiçoa essa hipótese legal- neste caso a anulação
pode ser baseada no erro quanto à honra e a boa fama.
Ainda Defeito Físico Irremediável : O defeito físico irremediável é o que impede a consumação do
casamento através do ato sexual- casos de impotência sexual. A impotência que gera a anulação é aquela
em relação ao cônjuge, não necessitando que seja absoluta. É NECESSÁRIO que seja um estado
permanente e não uma eventualidade. A esterilidade não é causa de anulação do casamento. 
Por fim, temos as mudanças causadas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, que alterou os parágrafos
no artigo 1550 do CC, pois agora se equipara à revogação a invalidade do mandato judicialmente
decretada. (§1º) e a pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair
matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador (§2º).
Como já lançado supra a Moléstia Grave ou Doença Mental: A moléstia deve colocar em risco a vida do
cônjuge bem como dos descendentes (Ex: AIDS, sífilis, esquizofrenia, psicose, etc), era necessário que
fosse preexistente ao casamento, e desconhecida do outro cônjuge, com produção de prova pericial.
Porém tal questão agora tem outro enfoque pois somente de aplica quando a ignorância, anterior ao
casamento, é de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e
transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua
descendência. Redação muito ruim do novo inciso III do artigo 1557.
Havia o Defloramento Da Mulher: Extinto do atual Código Civil, em razão da evolução da sociedade e
modificação dos padrões de comportamento em todo o mundo ocidental. Questão protegida pelo princípio
constitucional da igualdade entre homens e mulheres.
Na ação de anulação são admitidas todas as formas de prova previstas em direito, desde que não
impliquem coação ou violência contra a pessoa, todavia a principal será a perícia medica. (Ao contrário dos
Tribunais da Idade Media, em que uma simples denúncia, as vezes sem fundamento, levaria ao homem à
situação de imposição de provas de potência perante o tribunal, na presença dos juízes).
Prazo para ingresso da Ação de Anulação: Decadencial de 3 anos a contar da data da celebração do
casamento. Possibilidade de ingressar com pedido de danos morais em alguns casos.
A anulabilidade pode ser alegada apenas por algumas pessoas. O casamento anulável encontra-se sujeito
a prazos decadenciais exíguos, podendo ser confirmado, tacitamente, pelo decurso do tempo. Admite a
declaração de putatividade. Requer pronunciamento judicial para sua invalidação, não podendo ser
decretada de ofício pelo juiz. Produz efeitos ex nunc; é decretada no interesse da vítima ou grupo de
pessoas. Os efeitos civis se aproveitam aos filhos comuns, independente de presença de boa-fé. No caso
de má-fé, há perda de vantagens havidas do cônjuge inocente.
4.4 O casamento é inexistente: Não há previsão no Código Civil. No entanto, podemos citar: a)
inexistência da celebração; b) inexistência da celebração de vontade dos nubentes. 
Neste caso, não há o que desconstituir. Não se convalida pela ratificação ou pela prescrição, nem admite
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declaração de putatividade. Caso ocorra a lavratura do assento, poderá ser proposta ação de
cancelamento do registro civil.
Temos como características: a) Relatividade: o casamento inexistente é relativo vez que caso tenha
gerado efeitos materiais, há necessidade de interposição de Ação de Nulidade para extinção daquele ato.
b) Inexistência: o casamento inexistente é considerado um nada jurídico. c) Imprescritibilidade: o prazo
para sua arguição é imprescritível. d) Pode ser declarado de ofício pelo juiz. e) Qualquer pessoa pode
arguí-lo.
Obs: Os efeitos de tais causas serão abordados posteriormente, quando tratarmos de defeitos do
casamento.
4.5 Ações de Nulidade e Anulação do Casamento: As sentenças só produzirão efeitos depois de
transitadas em julgado.
Sentenças produzem efeitos ex tunc, retroagem à data da celebração do casamento.
A sentença de nulidade ou anulação do casamento não prejudicará a aquisição de direitos, a título
oneroso, por terceiros de boa fé, nem a resultante de sentença transitada em julgado.
Os atos de disposição do patrimônio a título gratuito, voltando os mesmos ao estado anterior ao
casamento declarado nulo – Há de se analisar a boa ou má fé do terceiro em relação ao trato com o casal,
devendo o juiz analisar caso por caso.
Nos casos de nulidade são legítimos para interporem a Ação: I- O cônjuge, ou seus representantes legais.
II- Terceiros interessados. III- Ministério Publico.
Nos casos deanulação apenas o cônjuge interessado tem legitimidade para interpor a Ação
A ação de nulidade é imprescritível, podendo ser arguida a qualquer momento. 
Os prazos para interposição da Ação de Anulação do casamento são decadenciais (art. 1560), contados a
partir da data da celebração do casamento: I – 180 dias no caso do incapaz de consentir ou manifestar sua
vontade; II – 2 anos no caso de incompetência da autoridade celebrante; III- 3 anos nas hipóteses de erro
essencial contra a pessoa ou do cônjuge; IV- 4 anos no caso de coação.
Obs: Nos casos de anulação por idade, o prazo de 180 dias começará a contar da data da realização do
casamento quando proposta pelos representantes legais do cônjuge, e da data do falecimento quando
proposta por seus herdeiros necessários.
Em todos os casos há necessidade de intervenção do Ministério Publico como fiscal da lei.
4.6 Dolo: Não é causa de anulação do casamento, uma vez que traria insegurança jurídica ao mesmo;
Pode ser configurado pelas desilusões e dissabores do dia a dia.
Em alguns países como Argentina, Alemanha e Suíça o admitem como causa de anulação do casamento
em algumas situações, o que não se estende à lei brasileira.
5. Oposição de impedimentos e causas suspensivas:
5.1 Conceito: A oposição é um ato praticado por certa pessoa legitimada, antes da realização do
casamento, que leva ao conhecimento do oficial perante o qual processa-se a habilitação, ou do juiz que
celebra a solenidade, a existência de alguns impedimentos matrimoniais ou causas suspensivas.
 Caso seja realizado casamento desrespeitando as causas impeditivas, é possível a interposição de
Ação de nulidade ou anulação.
Os impedimentos absolutos (art. 1521) podem ser opostos até o momento da celebração do
casamento, por qualquer pessoa capaz. Se o juiz ou oficial de registro tiverem conhecimento de algum
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impedimento, serão obrigados a declará-lo.
Os impedimentos e causas suspensivas devem ser opostos em declaração escrita e assinada,
instruída com provas da alegação ou com indicação do local onde podem ser obtidas (art. 1529, CC).
Com a oposição, a habilitação ou a celebração devem ser suspensos imediatamente, continuando
apenas após decisão favorável em favor dos cônjuges. O oficial do registro dará aos nubentes ou seus
representantes nota da oposição, indicando fundamentos, provas e nome de quem ofereceu (art. 1530,
caput, CC). Os nubentes farão prova contrária aos fatos alegados. Em seguida, os autos serão remetidos a
juízo. Produzidas as provas pelo oponente e nubentes, no prazo de 10 dias e ouvidos os interessados e o
MP em 5 dias, o juiz decidirá em igual prazo.
O procedimento é sumário, devendo haver obrigatoriamente a manifestação do Ministério Publico.
A decisão será de índole correcional, com procedimento sumário, não fazendo coisa julgada.
Se o oponente fizer alegação de má-fé, poderá sofrer ação civil ou penal, além de ter que indenizar
o dano causado. 
6. Celebração do casamento (arts. 1533 a 1542, CC): O casamento é um ato solene especial,
fundamentalmente público. Preenchidos os requisitos da habilitação, o casamento será celebrado em dia
(inclusive sábados, domingos e feriados – Lei n. 1408/51, art. 5º), hora e local determinados pelos
nubentes, perante a autoridade competente do lugar onde se processou a habilitação. A solenidade será
realizada na sede do cartório, com publicidade, portas abertas, presentes pelo menos duas testemunhas,
parentes ou não dos contraentes, ou, querendo as partes e consentido a autoridade celebrante, noutro
edifício público ou particular (art. 1534, CC).
Presentes os contraentes, em pessoa ou por procurador especial, conjuntamente as testemunhas e
o oficial do registro, o presidente do ato, ouvida dos nubentes a afirmação de que pretendem se casar por
livre e espontânea vontade, declarará efetuado o casamento, nos termos do art. 1535, CC.
De tal forma, as formalidades essenciais são:
a) petição dos nubentes dirigida à autoridade que houver de presidir o ato, acompanhada a certidão
de habilitação, a fim de que designe data, hora e local para o ato (art. 1533, CC); 
b) publicidade do ato nupcial (art. 1534 e par. único, CC); 
c) presença simultânea dos nubentes, em presença ou por procurador especial, das testemunhas,
do oficial do registro e do presidente do ato (art. 1535, CC);
d) afirmação dos nubentes que pretendem se casar por livre e espontânea vontade, sob pena de
suspensão da cerimônia (art. 1538, CC – não há possibilidade de retratação no mesmo dia) ;
e) presença da autoridade competente;
f) lavratura do assento do matrimônio no livro de registro, assinado pelo presidente do ato,
cônjuges, testemunhas e oficial de registro (objetivo meramente probatório - art. 1536, CC, c/c art.
70, Lei n. 601/73).
6.1. Casos de suspensão da celebração (art. 1538):
a) se algum dos contraentes recusar solenemente a afirmação de sua vontade, declarar que esta não é
livre e espontânea ou se manifestar arrependido;
b) oposição séria de impedimento; 
c) retratação de consentimento dos pais, tutor ou curador, cuja autorização for necessária;
d) revogação da procuração, no caso de o casamento ser realizado mediante sua apresentação.
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6.2. Número de testemunhas:
a) se o casamento for realizado no cartório – duas testemunhas (parentes ou não dos contraentes; 
b) se o casamento for realizado em casa particular e se algum dos contraentes não souber ou não puder
escrever – quatro testemunhas; 
c) se o casamento for realizado no local onde se encontrar um dos nubentes, por estar acometido de
moléstia grave – duas testemunhas que saibam ler e escrever;
d) casamento nuncupativo – seis testemunhas que com os nubentes não tenha parentesco em linha reta,
ou, na colateral, até segundo grau. 
6.3. Espécies de casamento:
6.3.1. Casamento civil comum: Celebrado perante o juiz de casamento, com toda a publicidade, com
portas abertas (art. 1533 a 1542, CC). Agora permitido para qualquer forma de relacionamento, inclusive
homoafetivos (Resolução nº 175/2013 do CNJ).
6.3.2. Casamento religioso de efeitos civis (matrimônio) - arts. 1515 e 1516, CC: Celebração realizada
perante ministro de qualquer confissão religioso que não contrarie a ordem pública ou os bons costumes.
Deve ser inscrito no Cartório de Registro Civil (Lei 1110/50). Está disciplinado nos arts. 71 e 75 da Lei
6015/73 e arts. 1515 e 1516, CC.
A divergência doutrinaria que traz-se à baila neste caso, concerne a definição de religião e a linha tênue
com filosofia. O legislador não conceituou religião no ordenamento jurídico pátrio, e seno um Estado laico e
plural, embora não laicizado advoga a doutrina majoritária pela extensão e cedência a cultura, filosofia e
religião desde que respeitados os preceitos legais e principiológico que abraçam a família e o casamento.
Neste caso o efeito será ex tunc da data da celebração. Portanto, temos duas situações possíveis de
casamento religioso com efeitos civis (art. 1.516, CC/2002):
a) com prévia habilitação (art. 1516, § 1º, CC), ocasião em que os nubentes, além de se aterem aos
arts. 1525 a 1527 e 1531, deverão solicitar certidão que autorize o ministro religioso a celebrar o
casamento, que deverá ser inscrito no registro civil em noventa dias, sob pena de não produzir
efeitos civis; 
b) com habilitação posterior à celebração (art. 1516, § 2º, CC), em que, além da documentação
exigida pelo art. 1525, os consortes também deverão juntar certidão exarada pelo ministro religioso,
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no prazo de noventa dias. Sendo homologada a habilitação e certificada a inexistência de
impedimento, o oficial fará o registro do casamento religioso, o que tem efeito ex tunc, à
celebração.
Se um dos nubentesfalecer antes da inscrição do casamento religioso no registro civil, tal fato não obsta a
concessão dos feitos civis ao casamento, salvo se qualquer dos consorciados tiver contraído com outrem
casamento civil (art. 1516, § 3º).
Pode-se incluir na última hipótese, a validade do casamento realizado no exterior. No entanto, para que
produza efeitos jurídicos no Brasil, o casamento deve ser registrado em Repartição Consular brasileira e
trasladado em Cartório de Primeiro Ofício do Registro Civil brasileiro. O casamento realizado no exterior,
mesmo que não tenha sido trasladado no Brasil, constitui impedimento legal para a celebração ou para o
registro de novo casamento. Na impossibilidade do comparecimento de um ou ambos "os cônjuges", pode-
se se registrar o casamento aqui no Brasil, através de uma Procuração com este fim específico.
Existem duas maneiras de se apresentar a certidão de casamento para fazer o registro (transcrição) no
Brasil: I) Certidão expedida pelo Consulado ou Embaixada do Brasil: É quando a certidão foi registrada no
Consulado do Brasil onde a pessoa se casou e constará o regime de bens e o nome adotado pelos noivos
depois do casamento; II) Certidão expedida por repartição estrangeira (cartório): É quando você tem
somente a certidão original na língua estrangeira com o carimbo do Consulado do Brasil (consularizada).
No caso de casamento entre estrangeiros no Brasil, todos os documentos que já elencamos anteriormente,
e das devidas traduções e carimbos consulares, deverão ambos os estrangeiros conterem visto de
permanência no Brasil, e serem alertados/orientados dos efeitos civis no Brasil e da eficácia internacional
de reconhecimento da comunhão, tais como regime de bens e questões patrimoniais advindas de herança.
Para o registro de visto, deverá ser solicitado junto a polícia federal e passará por diferentes
procedimentos dependendo da nacionalidade de origem (há nacionalidades que tem acordo com o Brasil e
seu procedimento é mais facilitado Ex. Portugal). Havendo dependentes oriundas dessa comunhão/
relação o processo será facilitado. Serão reconhecidas também as certidões de casamento feitas no
exterior para domiciliados no Brasil como efeito meramente declaratório.
Celebração realizada perante ministro de qualquer confissão religioso que não contrarie a ordem pública
ou os bons costumes. Deve ser inscrito no Cartório de Registro Civil (Lei 1110/50). Está disciplinado nos
arts. 71 e 75 da Lei 6015/73 e arts. 1515 e 1516, CC. Pode ocorrer de duas formas: a) com prévia
habilitação (art. 1516, § 1º, CC), ocasião em que os nubentes, além de se aterem aos arts. 1525 a 1527 e
1531, deverão solicitar certidão que autorize o ministro religioso a celebrar o casamento, que deverá ser
inscrito no registro civil em noventa dias, sob pena de não produzir efeitos civis; b) com habilitação
posterior ä celebração (art. 1516, par. 2º, CC), em que, além da documentação exigida pelo art. 1525, os
consortes também deverão juntar certidão exarada pelo ministro religioso, no prazo de noventa dias.
OBS.: Se um dos nubentes falecer antes da inscrição do casamento religioso no registro civil, tal fato não
obsta a concessão dos feitos civis ao casamento, salvo se qualquer dos consorciados tiver contraído com
outrem casamento civil (art. 1516, par. 3º).
6.3.3. Casamento por procuração (art. 1.542, CC): Pode celebrar-se mediante procuração, por
instrumento público, que outorgue poderes especiais ao mandatário para receber, em nome do outorgante,
o outro contraente. A eficácia do mandato não pode ultrapassar noventa dias. Pode o mandato ser
revogado apenas por instrumento público e, neste caso, não necessita chegar ao conhecimento do
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mandatário.
Entretanto, se houver revogação e o casamento mesmo assim for celebrado sem que o mandatário ou o
contraente dela tenham tomado ciência, responde o mandante por perdas e danos, além de se tornar
anulável o matrimônio (art. 1550, V), salvo se tiver sobrevindo coabitação entre os cônjuges.
Se o nubente mandante falecer antes do casamento, há extinção do mandato, não revogação, e,
consequentemente, o ato é inexistente, devido à ausência de consentimento (Maria Helena Diniz).
6.3.4. Casamento consular: E regra é que o casamento de estrangeiros pode celebrar-se perante
autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes, no próprio consulado ou fora dele
(art. 7º, § 2º, LINDB). 
No caso de casais brasileiros, o Cônsul só poderá celebrar essa cerimônia se os contraentes forem co-
nacionais, seguindo todas as formalidades da lei nacional (habilitação, certidão e celebração). Cessa sua
competência se um deles for de nacionalidade diversa, ou seja, é válido para o brasileiro no estrangeiro,
diante de autoridade consular brasileira. 
Devem ser observadas as regras do art. 1544, CC. Deve ser realizado somente perante o cônsul de
carreira, não sendo permitida a realização perante o cônsul honorário. 
A certidão emitida pelo consulado deve ser registrada no cartório de domicílio de um dos cônjuges ou no
1o Oficio da Capital do Estado onde forem residir, no prazo de 180 dias a contar da data do retorno de um
ou de ambos ao Brasil.
As Repartições Consulares em determinados países (aqueles que permitem essa prática) estão
autorizadas a celebrar o divórcio consensual de casais brasileiros que não tenham filhos menores ou
incapazes, desde que a legislação do país de residência reconheça a validade do divórcio extrajudicial
consular.
Porém temos, ainda, casamento dos servidores do Serviço Exterior Brasileiro, quando está na atividade de
um chanceler e do diplomata percebe-se a necessidade do legislador impor regras próprias e restritivas ao
casamento dos servidores do Serviço Exterior Brasileiro. A Lei 11.440/2006 que dispõe sobre o Regime
Jurídico dos Servidores do Serviço Exterior Brasil determina que o servidor, bem como o aluno do Instituto
Rio Branco, devem solicitar autorização do Ministro do Estado das Relações Exteriores para casar com
pessoa de nacionalidade estrangeira, que trabalhe para Governo estrangeiro ou que dele receba pensão
ou comissão. A infração dessas normas não torna o ato nulo ou anulável, as consequências são
administrativas tais como perda e demissão do cargo, denegação de matrícula, desligamento do aluno no
curso.
6.3.5. Casamento nuncupativo ou in extremis vitae momentis ou inarticulo mortis (art. 1.540, CC):
Quando um dos nubentes encontrar-se em iminente risco de vida, mas em condições de manifestar a sua
vontade, não obtendo a presença de autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto, ou
não havendo tempo para a habilitação, poderá o casamento ser celebrado na presença de 06 (seis)
testemunhas, com que os nubentes não tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, em segundo
grau.
Realizado o casamento, pelo Código Civil, as testemunhas deverão comparecer perante a autoridade
judicial mais próxima (vara de família e sucessões), dentro de 10 (dez) dias, pedindo que lhes tome por
termo as seguintes declarações: a que forma convocadas por parte do enfermo; que este parecia em risco
de vida, mas em seu juízo, e que em sua presença declararam os contraentes, livre e espontaneamente,
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receber-se por marido e mulher (art. 1541, I, II e III, CC).
Outrossim, hoje as testemunhas devem ir, previamente, no cartório do Registro Civil. Assim, após o
registro o oficial competente averiguará a veracidade dos fatos, em especial a condição do enfermo, para
posterior envio a autoridade judiciaria e validação do ato em juízo.
Se alguma das testemunhas não comparecer a esse ato, pode o interessado requerer sua intimação.
Autuadoo pedido e tomadas as declarações, procede-se às diligências necessárias para verificar se os
contraentes poderiam Ter se habilitado para o casamento. Se preencherem os requisitos ou não
afrontarem nenhuma disposição legal, homologa-se o ato.
Serão dispensadas as referidas formalidades se o enfermo convalescer e puder ratificar o casamento na
presença da autoridade competente e do oficial do registro. Não é novo casamento, mas confirmação do
realizado.
Consigne-se que essa forma de casamento não poderá ser utilizada com o intuito de enriquecimento sem
causa, o que pode motivar a decretação da sua nulidade absoluta, por fraude a lei imperativa. Igualmente
não prevalecerá se decorrer de simulação absoluta, o que de igual modo gera a sua nulidade. Ainda, se
não forem cumpridos os requisitos determinados tais como ratificação das testemunhas ou do enfermo
caso possível dentro do prazo, intervenção do MP ou magistrado por meio de jurisdição voluntária, o
casamento poderá ser considerado ineficaz. O efeito da declaração oficial será ex tunc, retroagindo para o
momento da celebração.
6.3.6. Casamento em caso de moléstia grave (art. 1.539, CC): Se um dos nubentes estiver acometido
por moléstia grave, o presidente do ato celebrará o casamento onde se encontrar a pessoa impedida, e
sendo urgente ainda que à noite. O ato será celebrado perante duas testemunhas que saibam ler e
escrever. Segundo a jurisprudência, ante a urgência da necessidade do ato, dispensa-se a habilitação. 
Na ocorrência de eventual falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento será
suprida por quaisquer de seus substitutos legais. O termo avulso de registro, deverá ser registrado no
Cartório oficial em até 05 (cinco) dias. Se verificado a incidência de simulação para a realização às pressas
do casamento, o ato será nulo.
6.3.7. Casamento putativo (art. 1561, CC): Casamento que, embora nulo ou anulável, foi contraído de
boa-fé (ignorância da existência de impedimentos à união) por um ou ambos os cônjuges. A ignorância da
existência de impedimentos decorre de erro de fato (irmãos que ignoram a existência do parentesco) ou de
direito (tios e sobrinhos que ignoram a necessidade de exame pré-nupcial). 
Na sentença de invalidade do casamento, o juiz declara a putatividade de ofício ou a requerimento das
partes. Os efeitos são os mesmos de um válido, para o cônjuge de boa-fé, produzidos até a data que lhe
ponha termo. A eficácia da decisão é ex nunc, não afeta direitos até então adquiridos, os efeitos só
cessam para o futuro.
Quanto aos cônjuges, produzem-se os efeitos do regime de bens, nas mesmas regras previstas para a
separação judicial. Os filhos em comum terão seus direitos civis aproveitados (art. 1561, § 2º, CC).
6.3.8. Casamento de militares: Há exigência de características singulares ao lado das regras do
procedimento de habilitação para o casamento. A Lei 6.880/1980 que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares, estabelece limitações para as núpcias dos membros das Forças Armadas, com o proposito de
resguardar os interesses da soberania nacional. Assim sendo, em regra, o militar da ativa é livre para
contrair matrimônio respeitados os preceitos do CC/2002. Entrementes, o guardas-marinha e os aspirantes
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a Oficial não podem casar, exceto em situações excepcionais com autorização do Ministro do Estado e
respectiva Força (Marinha, Aeronáutica...). Por igual, é proibido o casamento das praças especiais com
qualquer idade enquanto estiverem submetidos aos regulamentos dos órgãos de formação de oficiais, de
graduados e de praças cujo o requisito para admissão exijam a condição de solteiro. No que tange o
casamento de militar com estrangeiro somente será possível mediante a anuência do Ministro respectivo.
Sob o prisma civil, a violação de tais normas jurídicas não implica a nulidade ou anulabilidade do ato. Não
obstante, sob o prisma militar, haverá a exclusão do militar do serviço ativo sem direito a remuneração ou
indenização conforme o art. 145 da Lei 6.880/80.
7. Das Provas do casamento (arts. 1543 a 1547 CC): 
7.1. Provas diretas específicas: certidão de registro (art. 1543, CC) ou, no caso de casamento celebrado
fora do Brasil, documento do país onde se celebrou, autenticado segundo as leis consulares, para produzir
efeitos no Brasil.
Se realizado perante autoridade consular, a prova é feita pela certidão do assento no registro do
consulado. O art. 1.544 dispõe que o casamento de brasileiro, celebrado no estrangeiro perante as
autoridades ou cônsules brasileiros, deverá ser registrado em 180 dias, a contar da volta de um ou de
ambos os cônjuges ao Brasil, no cartório do respectivo domicílio, ou, em sua falta, no 1º Ofício da capital
do Estado em que passarem a residir. Esse retorno de um ou de ambos os cônjuges ao território nacional
implica em volta definitiva com residência e não em simples passagem pelo país.
7.2. Provas diretas supletórias: na impossibilidade de se provar documentalmente o casamento, se
justificada pela falta ou perda do registro civil, será admissível qualquer outro tipo de prova (art. 1543, par.
único), como a certidão de proclamas, passaporte, testemunhas do ato e documentos.
Primeiramente, o interessado deve provar que o registro não mais existe ou nunca existiu. A prova do
casamento pode decorrer também de sentença judicial em processo movido para esse fim. Nesse caso, a
ação declaratória é o meio hábil. A sentença daí decorrente deverá ser inscrita no Registro. Esse registro
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produzirá, tanto no que toca aos cônjuges como no que respeita aos filhos, todos os efeitos desde a data
do casamento (art. 1.546).
7.3. Provas indiretas: é prova de posse do estado de casados (casamento que foi celebrado, mas não
registrado ou não se sabe onde o registro se encontra); reflete a situação de duas pessoas, que vivem ou
viveram publicamente como casadas e, como tal, reconhecidas pela comunidade.
A posse de estado de casado é a melhor prova do casamento, na ausência de registro, embora não seja
peremptória, pois deve ir cercada de circunstâncias que induzem a existência do matrimônio. Sua
utilização, contudo, é excepcional na lei. 
O ordenamento protege o estado de casado na hipótese de cônjuges que não possam manifestar sua
vontade e de falecimento dos cônjuges nesse estado, em benefício da prole comum. A presunção de
casamento somente não ocorrerá mediante certidão do registro civil, provando que algum dos cônjuges
falecidos já era casado quando contraiu o matrimônio impugnado (art. 1.545). A finalidade do dispositivo é
beneficiar a prole comum. 
Nessa situação, presume-se o casamento, impedindo-se sua contestação se há filhos do casal falecido.
Para que essa presunção opere, há necessidade de quatro requisitos: (1) que os pais tenham falecido ou
que possam manifestar sua vontade; (2) que tenham vivido na posse de estado de casados; (3) a
existência de prole comum e (4) a inexistência de certidão do registro que ateste ter algum dos pais já
contraído casamento anteriormente. 
Desse modo, não há que se admitir a presunção, se não há filhos e se um dos cônjuges ainda sobrevive
ou pode validamente manifestar sua vontade. Interessante notar que o art. 203 não exige que os
interessados aleguem perda ou falta do registro. A intenção do legislador foi proteger a prole comum,
favorecendo a legitimidade da filiação. Somente os filhos podem alegar essa posse de estado, depois da
morte dos pais. 
Trata-se, no entanto, de exceção à regra geral, somente aplicável na hipótese descrita: pela regra geral,
casamento se prova por sua realização, e, mais que isso, pela certidão respectiva. Lembramos que a
doutrina equiparava analogicamente as situações de alienação mental dospais e ausência à sua morte,
para fins de permitir o uso dessa prova. O atual Código preencheu a lacuna ao mencionar, nessa
hipótese, também as pessoas que não possam manifestar sua vontade. Por outro lado, o legislador adota
ainda o princípio in dubio pro matrimonio no art. 1.547, ao estatuir: “Na dúvida entre as provas favoráveis e
contrárias, julgar-se-á pelo casamento, se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou tiverem
vivido na posse do estado de casados.”
A regra é dirigida ao juiz. Trata-se de mais uma possibilidade de aplicação da posse do estado de
casados.
A doutrina estabelece requisitos para caracterizar a situação: a) nominatio – a mulher usava o nome do
marido; b) tractatus – ambos se tratavam como marido e mulher; c) fama – a sociedade os reconhecia
como casados. Usado na prova do casamento de pessoas falecidas ou que não possam manifestar
vontade ou como elemento saneador de eventuais defeitos de forma.
Assim, o casal deve ter um comportamento social, público e notório, de casados, assim se tratando
reciprocamente. Quem assim se comporta, presumivelmente encontra -se no estado de casado. No
entanto, a prova cada vez mais deve ser vista com restrições, porque a união estável, com mais ou menos
profundidade, também traduz uma posse nesse sentido. 
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Casamento não se presume. Impõe-se, nesse sentido, que se prove que efetivamente ocorreu a
celebração do casamento, sob pena de se abrir margem a fraudes.
Obs1.: Havendo dúvidas entre as provas favoráveis e contrárias, deve-se julgar pela existência do
casamento (art. 1547, CC).
Obs2: Hoje não mais de aponta como necessário a questão do nominatio, pois não é mais obrigatória a
inclusão do sobrenome do cônjuge 
8. Defeitos do Casamento e seus Efeitos Jurídicos: 
8.1. Casamento inexistente: Não há previsão no Código Civil. No entanto, podemos citar: a) inexistência
da celebração; b) inexistência da celebração de vontade dos nubentes. Afastada a questão do casamento
entre pessoas do mesmo sexo; 
Efeitos: Não há o que desconstituir. Não se convalida pela ratificação ou pela prescrição, nem admite
declaração de putatividade. Caso ocorra a lavratura do assento, poderá ser proposta ação de
cancelamento do registro civil.
8.2. Casamento nulo: a) contraído pelo enfermo mental sem discernimento para atos da vida civil; b)
contraído com a existência de impedimento. 
Efeitos: a) podem requerer a declaração de nulidade, através de ação direta, qualquer interessado e o
MP; b) não se encontra sujeito ao prazo prescricional ou decadencial, não podendo ser suprido ou
ratificado; c) admite declaração de putatividade; d) requer pronunciamento judicial para sua invalidação
(não pode ser decretada de ofício pelo juiz); e) a sentença que decretar a nulidade do casamento
retroagirá à data da celebração, sem prejudicar aquisição de direitos, a título oneroso, por terceiros de boa-
fé, nem resultantes de sentença transitada em julgado; f) é decretada no interesse da coletividade; g) os
efeitos civis serão aproveitados aos filhos comuns; h) havendo culpa de um dos cônjuges na anulação,
este incorre na perda das vantagens havidas e na obrigação de cumprir a promessa do contrato
antenupcial; i) admite prévia separação de corpos.
8.3. Casamento anulável: 
a) De quem não completou idade mínima para casar, mas não se anulará o casamento se sobrevier
gravidez. 
Prazo decadencial – (art. 1555, CC) 180 dias, a contar, para o menor, do dia em que completar 16 anos
e, para seus representantes legais ou ascendentes, da data do casamento. 
b) Do menor, em idade núbil, quando não autorizado pelo seu representante legal.
Prazo decadencial – 180 dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo; 180 dias, a contar da
celebração do casamento, se proposta por representantes legais;
180 dias da morte do incapaz, se proposta por herdeiros necessários.
c) Erro essencial quanto à pessoa do outro e coação.
Erro essencial – identidade, honra e boa fama (aspecto financeiro não é levado em consideração);
ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal;
ignorância anterior ao casamento, de defeito físico irremediável ou moléstia grave e transmissível, pelo
contágio ou herança, capaz de por em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência; ignorância,
anterior ao casamento, de doença mental grave que, por sua natureza, torne insuportável a convivência
com o cônjuge.
Prazo decadencial – três anos, a contar da celebração do casamento (ver art. 1560, CC).
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Vício de vontade – O consentimento de um ou ambos os cônjuges foi captado mediante fundado temor de
mal considerável e iminente para a vida, saúde e honra de familiares.
Prazo decadencial – quatro anos, a contar da celebração.
d) Do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento.
Prazo decadencial – 180 dias, a contar do casamento.
e) Realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e
não sobrevindo coabitação entre os cônjuges.
Prazo decadencial – 180 dias, a partir da data que o mandante tiver conhecimento da celebração.
f) Por incompetência da autoridade celebrante.
Prazo decadencial – dois anos, a contar da celebração.
Efeitos: a) a anulabilidade pode ser alegada apenas por algumas pessoas; b) o casamento anulável
encontra-se sujeito a prazos decadenciais exíguos, podendo ser confirmado, tacitamente, pelo decurso do
tempo; c) admite a declaração de putatividade; d) requer pronunciamento judicial para sua invalidação, não
podendo ser decretada de ofício pelo juiz; e) produz efeitos ex nunc; é decretada no interesse da vítima ou
grupo de pessoas; g) os efeitos civis se aproveitam aos filhos comuns, independente de presença de boa-
fé; h) no caso de má-fé, há perda de vantagens havidas do cônjuge inocente.
8.4. Casamento irregular: Contraído com infração a causa suspensiva.
Efeitos: a) não acarreta a nulidade ou anulabilidade, mas apenas obrigatoriedade de regime de separação
de bens
OBS.: Ação de anulação ou de nulidade – Sujeita-se ao procedimento ordinário, com intervenção do MP. È
admissível separação de corpos e arbitramento de alimentos provisionais. A sentença transitada em
julgado deve ser averbada no livro de casamento. Não há mais reexame necessário. 
9. Efeitos Jurídicos do Casamento:
9.1. Sociais: Cria a família legítima (art. 226, par. 1º e 2º da CF); emancipa o cônjuge menor (art. 5o, II,
CC); estabelece vínculo de afinidade entre cônjuges e parentes do outro (art. 1595, CC).
9.2. Pessoais: direitos e deveres próprios e recíprocos entre os cônjuges e dos pais em relação aos filhos,
sem valor econômico (fidelidade recíproca, vida em comum no domicílio conjugal, mútua assistência,
respeito, consideração, direção conjunta da sociedade conjugal, no interesse do casal e dos filhos,
sustento, guarda e educação dos filhos, fixação conjunta de domicílio conjugal, proteção do outro cônjuge
em sua integridade física e moral, possibilidade de qualquer dos nubentes acrescentar o sobrenome do
outro, guarda e educação dos filhos).
OBS.: Não há mais a expressão pátrio poder – PODER FAMILIAR.
9.3. Patrimoniais (veremos adiante): decorrentes de regime de bens, atos que não podem ser praticados
na ausência do cônjuge (art. 1647, CC), impenhorabilidade do bem de família, dever recíproco de sustento
e prestação de alimentos, direito sucessório do cônjuge sobrevivente, ralações econômicas entre pais e
filhos (decorrentes mais de parentesco do que do casamento), tais como dever de sustentar filhos
menores, prestação de alimentos, administração e bens de filho menor,usufruto dos bens dos filhos que
estiverem sob o poder familiar.
9.4. Direitos e Deveres dos cônjuges (art. 1566 a 1570):
Conforme art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: I – fidelidade recíproca; II – vida em comum, no
domicílio conjugal; III – mútua assistência; IV – sustento, guarda e educação dos filhos; V – respeito e
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consideração mútuos.
As imposições contidas no presente artigo são deveres cuja inobservância poderá acarretar sanção ao
cônjuge, tanto que, eventualmente, resultará na propositura de ação de separação judicial por iniciativa do
outro (art. 1.572, caput).
A despeito de o novo Código Civil não contemplar expressamente a possibilidade de tal sanção, esta pode
vir a ser imposta com fundamento nos arts. 186 e 927 do mesmo Diploma Legal, uma vez que o
descumprimento dos deveres conjugais previstos no artigo 1.566, como deveres legais, constitui ato ilícito,
ensejador, ao menos, de dano moral.
- Fidelidade recíproca. A fidelidade é expressão natural do caráter monogâmico do casamento, sendo a
norma revestida da intenção de ditar o procedimento do casal. Pelos nossos costumes e desenvolvimento
histórico, assim como o casamento consolida vínculo afetivo e espiritual entre os cônjuges, deve fazê-lo
também quanto ao vínculo físico. Para a plenitude deste último, mister exclusiva e recíproca dedicação,
pelos cônjuges, de seus corpos. A fidelidade é, desse modo, consequência natural do casamento.
Duas são as modalidades de infidelidade: material e moral. A primeira ocorre com o adultério, que importa
em estabelecer relacionamento sexual com outro parceiro. O conceito de infidelidade moral foi elaborado
pela doutrina para representar qualquer ato de um dos cônjuges ofensivo à integridade moral do outro,
constituindo injúria, mas deixou de ser crime específico com a revogação do art. 240 do Código Penal.
Vida em comum, no domicílio conjugal. A lei impõe aos cônjuges a unidade de domicílio, conhecida como
coabitação, cabendo ao marido e à mulher o dever de compartilhar o mesmo teto – que é o domicílio
conjugal.
Além disso, prevê a Lei o dever de vida em comum, que é o debitum conjugale. 
As relações sexuais constituem uma das primeiras razões da vida conjugal e, em sintonia com o dever de
fidelidade, um cônjuge há de dispor do corpo do outro.Mútua assistência. A expressão revela a origem e o
fundamento da obrigação alimentar entre os cônjuges, não sendo, entretanto, seu único significado, pois a
palavra assistência deve ser interpretada em sentido amplo, para compreender, não só o dever de auxílio
material, mas também o moral e afetivo. Inclui todo o tipo de comportamento que demonstre apoio, socorro
e auxílio durante a vida conjugal.
- Sustento, guarda e educação dos filhos. O Código Civil considerou como de ambos os cônjuges tal
obrigação, de modo a não ensejar qualquer dúvida de que aquela deve ser compartilhada entre o marido e
a mulher. Outra não pode ser a conclusão, diante do disposto no art. 1.631 do Código Civil, que
expressamente outorga o exercício do poder familiar a ambos os pais. Os deveres de sustento, guarda e
educação dos filhos formam o conteúdo do poder familiar, nos termos do art. 22 do Estatuto da Criança e
do Adolescente (Lei 8.069/90).
- Respeito e consideração mútuos. O Código Civil exige, expressamente, que um cônjuge se abstenha de
praticar comportamento injurioso em relação ao outro, já que deve guardar respeito e consideração para
com ele. O descumprimento desse dever, portanto, corresponde à injúria grave ou à infidelidade moral
criada pela doutrina.
9.5. PODER FAMILIAR (art. 1.568 e 1630 a 1638, CC): Decidir o planejamento familiar. Esta previsão
legal tem sede constitucional e conforme art. 1.568, os cônjuges são obrigados a concorrer, na proporção
de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer
que seja o regime patrimonial. Tem-se aqui mais uma decorrência da isonomia constitucional entre o
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homem e a mulher. Obs.: Lembre-se agora também se aplica aos casamentos homoafetivos.
O Novo Código Civil obriga o marido e a mulher a concorrerem para o sustento da família e para a
educação dos filhos com seus bens e rendimentos, de forma proporcional a estes e não igualitária.
Independentemente do regime de bens adotado, a obrigação opera para ambos os cônjuges.
Conforme art. 1.567, a direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela
mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos. Havendo divergência, qualquer dos cônjuges poderá
recorrer ao juiz, que decidirá tendo em consideração aqueles interesses.
A direção da sociedade conjugal cabe conjuntamente aos cônjuges, como não poderia deixar de ser, em
face da previsão constitucional de isonomia entre eles. Passam ambos a exercer a função de
colaboradores mútuos, deixando de existir o papel de chefia.
Torna evidente a lei que o interesse de um dos cônjuges não se sobrepõe ao do outro. Logicamente, a
atividade de direção exercida em conjunto não é simples e conflitos podem surgir entre os consortes.
Ciente de tal fato, a lei possibilita que qualquer dos cônjuges se socorra do juiz, a fim de dirimir eventuais
impasses. 
- Domicílio – O art. 1.569. O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges, mas um e outro
podem se ausentar do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão,
ou a interesses particulares relevantes. O casamento impõe aos cônjuges o dever de coabitação no
mesmo domicílio. No Código Civil, a igualdade entre os cônjuges, decorrente da própria isonomia
constitucional entre homem e mulher, torna compartilhável entre ambos os cônjuges o exercício da direção
da sociedade conjugal. Neste diapasão, a eleição do domicílio comum cabe aos cônjuges, devendo
observar-se em tal escolha os parâmetros do citado artigo, a fim de atender ao interesse do casal e dos
filhos. Divergindo os cônjuges, deverão recorrer ao juiz, nos termos do parágrafo único do artigo
comentado. Temos uma inovação do Código Civil, da faculdade concedida ao cônjuge de afastar-se do
domicílio conjugal. O presente artigo não cria exceção ao cumprimento deste dever, permitindo, no
entanto, que os cônjuges, em situação excepcional, adotem, durante o casamento, domicílios diversos. A
exceção legal aqui apontada permite, tão-somente, o afastamento de um cônjuge em relação ao outro,
para fins específicos, circunstância que traz em si implícita e ideia da transitoriedade em tal afastamento.
Três os motivos que permitem a ausência do lar conjugal: encargos públicos, exercício da profissão e
interesses particulares relevantes.
- Fixação de Ausência: Temos no art. 1.570 que se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto ou
não sabido, encarcerado por mais de cento e oitenta dias, interditado judicialmente ou privado,
episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou de acidente, o outro exercerá com
exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a administração dos bens. A chefia da sociedade conjugal
pertence a ambos os cônjuges que zelarão pelo interesse do casal e dos filhos. Todavia, em situações
excepcionais taxativamente previstas aqui, será a chefia da sociedade conjugal exercida exclusivamente
por um deles, sem a necessidade de suprimento judicial. Cônjuge em lugar remoto ou não sabido. Não é
preciso que tenha sido declarada a ausência do cônjuge. Se um dos cônjuges está em lugar que o outro
ignora, não poderia a direção da sociedade conjugal ficar obstada. Justifica-se a investida, pleno iures do
cônjuge presente no domicílio conjugal no papel de chefe e administrador. Encarcerado por mais de cento
e oitenta dias. Não exige a lei que o encarceramentodecorra de sentença condenatória. Desde que haja
decisão judicial estabelecendo o encarceramento pelo prazo superior a cento e oitenta dias, o cônjuge
assume a chefia da sociedade conjugal. Se não houver decisão judicial estabelecendo o prazo, o cônjuge
só assumirá a chefia após o encarceramento completar o prazo legal. Antes dessa data, o cônjuge
precisará, para os atos decisórios da chefia da sociedade conjugal, do suprimento judicial. 
- Interdição judicial. Após a interdição, o cônjuge tem sua capacidade de fato limitada. Não pode mais
praticar os atos da vida civil sozinho, exercendo-os através de seu curador. Sendo os atos de direção da
sociedade conjugal atos da vida civil, o cônjuge interditado judicialmente não pode praticá-los.
Independentemente do cônjuge sadio ter promovido a interdição ou exercer a curatela de seu consorte,
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passará a exercer a chefia da sociedade conjugal, com a decretação da interdição de seu consorte. 
- Privado, episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou de acidente. Aqueles que
estão privados da consciência, por enfermidade ou acidente, estão sujeitos à interdição, pois não podem
expressar sua vontade. Mas, se não fosse criada a presente hipótese, seria necessário, para que o
cônjuge exercesse a chefia da conjugal, que o outro fosse interditado e a sentença transitasse em julgado.
Em estando expressamente prevista a situação, um cônjuge, diante de doença ou fato acidental que retire
do outro a consciência, assumirá, de pleno direito, o papel de chefe da sociedade conjugal.
OBSERVAÇÃO: Lembre-se que toda a redação do artigo 1634 do CC, que trata do Exercício do Poder
Familiar foi alterado pela Lei 13.058, de 2014, devendo ser apreciado os seguintes poderes, competindo a
ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que
consiste em, quanto aos filhos: 
“I - dirigir-lhes a criação e a educação; 
II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584; 
III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; 
IV - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior; 
V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua residência permanente para outro
Município; 
VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe sobreviver,
ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; 
VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e
assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; 
VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; 
IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição.”
- Extinção do Poder Familiar :(art. 1.635 a 1.638 do CC). Extingue-se o poder familiar pela morte dos
pais ou do filho, pela emancipação, nos termos do art. 5º, parágrafo único, pela maioridade, pela adoção e
por decisão judicial, na forma do artigo 1.638.
O pai ou a mãe que contrai novas núpcias, ou estabelece união estável, não perde, quanto aos filhos do
relacionamento anterior, os direitos ao poder familiar, exercendo-os sem qualquer interferência do novo
cônjuge ou companheiro. Igual preceito aplica-se ao pai ou à mãe solteiros que casarem ou estabelecerem
união estável.
Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os
bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente, ou o Ministério Público, adotar a medida que lhe
pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando
convenha. Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por
sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão.
Por fim, perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que castigar imoderadamente o filho,
deixar o filho em abandono, praticar atos contrários à moral e aos bons costumes e incidir, reiteradamente,
nas faltas previstas no artigo 1637.
Importante: A Lei 13.715, de 24 de setembro de 2018, alterou o Código Penal, a Lei 8.069/1990 (Estatuto
da Criança e do Adolescente), e o Código Civil, para dispor sobre hipóteses de perda do poder familiar
pelo autor de determinados crimes contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra
filho, filha ou outro descendente.
Em relação a nossa disciplina, inseriu-se um parágrafo único no art. 1.638 com a seguinte redação: 
Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que:
I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar:
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar
de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à
condição de mulher;
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b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão;
II – praticar contra filho, filha ou outro descendente:
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar
de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à
condição de mulher;
b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão.
Diante disso, podemos traçar um paralelo com a condição de indignidade que exclui da sucessão os
herdeiros que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso contra a pessoa de cuja
sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente. 
Portanto, não será exigida a condenação penal para a perda do Poder Familiar em virtude do cometimento
dos crimes elencados no novo parágrafo único do artigo 1.638, CC, que, destaque-se, é composto pelo
verbo praticar, sem nenhuma referência à necessidade de condenação.
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VII - Do Regime de bens (art. 1639 a 1688, CC): 
1. Conceito: É o estatuto que regula os interesses patrimoniais dos cônjuges durante o casamento.
Começa a vigorar na data do casamento e só termina com a dissolução da união (morte de um dos
cônjuges, separação, divórcio, anulação, declaração de nulidade) ou alteração justificada.
É o conjunto de normas aplicáveis às relações e interesses econômicos resultantes do casamento, que
regem as relações patrimoniais entre os cônjuges durante o matrimônio, que começa a vigorar desde a
data do casamento. Nenhum regime matrimonial pode ter inicio em data anterior ou posterior à do
casamento.
A escolha do regime de bens é feita antes do casamento, estipulando-se por meio de pacto antenupcial,
quando se escolhe um dos regimes preestabelecidos em lei, ou um regime personalizado que melhor
atenda às necessidades do casal.
O regime de bens dos casamentos celebrados na vigência do CC de 1916, isto é, até 12/01/2003, devem
observar as regras por ele estabelecida (art. 2.036, CC – Disposições transitórias).
Na união estável, pode-se estabelecer o regime de bens antes ou durante a relação, deixando claro os
efeitos retroativos que se faz pelo contrato ou pacto de união estável.
2. Princípios: variedade de regimes (art. 1672 a 1686); liberdade de pactos antenupciais (exceto se
obrigatória a separação de bens – arts. 1639, 1640 e 1655), imutabilidade relativa do regime adotado
(deve ser justificada a necessidade - art. 1639, § 2º) e da imediata vigência do regime de bens (art. 1639,
§ 1º).
2.1. Principio da variedade de regime de bens.
O Direito brasileiro oferece quatro tipos de regime bens: o da comunhão universal; o da comunhão parcial;
o da separação; o da participação final dos aquestos (regime que substitui o regime dotal).
2.2 Liberdade dos pactos antenupciais: Permite aos nubentes a livre escolha do regime que lhes convier
 Para Sílvio Rodrigues é um contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual as
partes dispõem sobre o regime de bens que vigorará entre elas desde a data do matrimônio (CC,
art 1639, §1º)
 Ato personalíssimo: só pode ser praticado pelos nubentes, desde que considerados aptos a praticá-
lo.
 Necessidade de aprovação dos representantes legais, no caso de um dos nubentes ser menor,
salvo nos casos em que será obrigatório o regime da separação de bens;
 A intervenção do representante legal do menor se limita apenas à aprovação do pacto, não
podendo fazer qualquer exigência ou condição.
 Instrumento público: será nulo o pacto antenupcial que não se fizer por escritura publica.
 Necessidade de registro no Cartório de Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges para que
tenha validade perante terceiros.
 Necessidade de averbação do pacto nos Cartórios de Registros Públicos de Empresas Mercantis,
no caso de um dos nubentes ser empresário.
 A ausência de registro do pacto nos Cartórios de Registros de Imóveis e de Empresas Mercantis,
não invalida o ato, o qual passará a ter validade apenas entre os cônjuges e seus herdeiros mas
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não perante terceiros, vez que terá efeito erga omnes somente com a aludida averbação.
 Em caso de nulidade do pacto, vigorará o regime legal, ou seja, o da comunhão parcial de bens.
 Casamento como causa suspensiva do ato: a eficácia do pacto subordina-se à ocorrência das
núpcias;
 É termo acessório vez que necessita da celebração do casamento para ter validade. Uma vez que
se não houver o casamento, o pacto torna-se sem qualquer efeito.
 Devem se ater somente às questões patrimoniais.
 Serão nulas as cláusulas que nele contidas que contravenham disposição legal absoluta,
prejudiciais aos direitos conjugais, materno ou paterno;
 Não pode ser visto como um contrato idêntico aos elencados nos direitos das obrigações, vez que
após a celebração do casamento se tornam imutáveis.
 Tem natureza institucional vez que os cônjuges não podem alterá-lo ao seu bel prazer, salvo se
houver autorização judicial, com pedido motivado e plausível e assinado por ambos os cônjuges,
2.3 Principio da mutabilidade justificada do regime adotado
 Só é possível em casos devidamente motivados.
 Deve ser requerido por ambos os cônjuges.
 Conforme o Novo CPC é exigido o uso da via judicial para a alteração do regime de bens do
casamento (art. 734). Ora, se os cônjuges, antes do casamento, podem livremente eleger o regime
de bens, via escritura pública, descabido que a sua alteração, durante o casamento, necessite de
justificativa para obter a mudança. Curiosamente é necessária a intimação do Ministério Público
quando do recebimento da inicial (art. 734, § 1º). Além de as partes serem maiores e capazes, o
objeto da demanda é exclusivamente de natureza patrimonial. 
 É necessária a publicação de edital e, somente após o decurso de 30 dias, o juiz profere a
sentença, determinando sua averbação nos cartórios do Registro Civil e no de Imóveis. No caso de
um dos cônjuges ser empresário, deve ocorrer a averbação também no Registro Público de
Empresas Mercantis e Atividades Afins. As precauções são exacerbadas, pois expressamente a
alteração ressalva interesse de terceiros, mas só assim passa a ter efeitos erga omnes. 
 Curiosamente sabe-se que na união estável, a alteração do regime de bens pode ocorrer
extrajudicialmente, a qualquer tempo, mediante simples alteração no contrato de convivência. Além
disso, nada impede que os cônjuges se divorciem e casem novamente, elegendo o regime de bens
que desejarem, sem a necessidade de se submeterem à ação judicial.
 Casamentos realizados sob a vigência do Código Civil de 1916 Há divergência doutrinária:
 Para uma corrente tal beneficio não se estende aos casamentos realizados antes da
vigência do atual Código Civil vez que a lei que rege o Direito de Família é irretroativa, afim
de assegurar os direitos de terceiros.
 Há outra corrente entende que por se tratar apenas de questões patrimoniais dos cônjuges,
ou seja, direitos disponíveis, o beneficio pode retroagir aos casamentos realizados sob a
vigência do código anterior, todavia a alteração do regime produzirá efeitos ex nunc em
relação a terceiros.
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2.4 Principio da imediata vigência do regime de bens.
O regime de bens entre os cônjuges terá vigência a partir da data do casamento, não se admitindo
qualquer disposição em contrário.
3. Pacto antenupcial (arts. 1653 a 1657, CC): 
É um contrato solene, feito por escritura pública, realizado antes do casamento, cuja eficácia subordina-se
à sua celebração, por meio do qual as partes dispõem sobre o regime de bens que vigorará entre eles
durante o matrimônio (art. 1653, CC), e também trata das questões patrimoniais do casal.
Só é necessário no caso de adoção de regime diverso do legal, que é o da comunhão parcial de bens (art.
1640, CC). 
Não existe um prazo específico para sua pactuação, o que geralmente ocorre durante o processo de
habilitação para o casamento, podendo inclusive ser firmado ou modificado até o dia da cerimônia, sendo
obrigatório apenas antecedê-la. 
Para sua validade os pactos antenupciais devem revestir-se de algumas formalidades legais e sua
ausência acarretará a nulidade do instrumento. Considerando sua natureza contratual deverá atender a
alguns requisitos considerados essenciais neste cenário jurídico, quais sejam, ser o agente capaz, ter um
objeto lícito, possível e determinável ou determinado, forma prescrita e não defesa em lei. 
Neste contexto a lavratura de escritura pública deve ocorrer perante o Cartório de Notas, com sua
remessa ao Serviço Registral de Pessoas Naturais onde se deu a habilitação para o casamento, é um dos
requisitos fundamentais para validar o pacto. Porém quando é realizado durante o processo de
habilitação, tem-se efetivado no próprio Cartório de Registro de Pessoas Naturais.
A presença dos nubentes é outro requisito para validação do pacto, porém, poderá ser nomeado
representante legal para representar as partes, no entanto, para ser válida referida nomeação deve ser
seguida de procuração pública com poderes específicos para o ato. No caso de menores de idade,
entendidos aqui como os relativamente incapazes, com idade entre 16 e 18 anos, poderá haver a
celebração de pacto antenupcial, mas o menor deverá estar assistido por seu representante legal para
que este participe e convalide o ato.
Na seara patrimonial também poderão ser pactuadas cláusulas atinentes a doações entre os cônjuges,
destes para terceiros, compra e venda ou promessa, cessão de direitos, permutas, usufruto, comodato,
uso e destinação de frutos decorrentes da aquisição de bens ou daqueles já existentes. 
Questões de ordem pessoal também poderão ser redigidas no pacto, podendo ser exemplificadas nas
renúncias aos deveres de fidelidade, necessidade de coabitação, livre escolha religiosa das partes.
Poderão ainda ser eleitas cláusulas que contemplem reconhecimento de filhos e nomeação de tutores
para estes.
Não podem ser dispostos no pacto antenupcial situações contrárias às normas legais, como aquelas que
ferem direta ou indiretamente a dignidade, os direitos e garantias fundamentais de um ou ambos os
nubentes. Cláusulas que impõe renúncia ao dever de mútua assistência, guarda dos filhos ou que obste
eventual pedido de divórcio e até mesmo cláusulas que modifiquem normas de ordem sucessória e que
disponham sobre herança de pessoa viva.
O pacto antenupcial, apesar da inexistência de legislação específica, poderá formar regimes de
casamento mistos, outambém conhecidos como regimes híbridos. A estes regimes, interpretados como
um regime de bens secundário, as partes podem, a partir da eleição de um dos quatro regimes primários
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de bens (comunhão universal de bens, comunhão parcial de bens, separação de bens e participação final
nos aquestos), acrescentar aos pactos antenupciais cláusulas que contemplem regras e benefícios
específicos entre os nubentes.
Diante da possibilidade de contemplar questões de diversas naturezas, o pacto antenupcial não produzirá
efeitos somente entre os cônjuges. No que se refere a constituição patrimonial deverá produzir efeitos em
relação a terceiros, visando a proteção do acervo bem como evitar prejuízos ou até práticas fraudulentas
em relação aos demais envolvidos.
Assim, o pacto antenupcial torna-se válido perante terceiros a partir de seu registro, que ocorrerá perante
o oficial do Registro de Imóveis no domicílio do casal em livro especial (art. 1657). 
A averbação do pacto antenupcial também deverá acontecer no Registro de Imóveis de cada um dos
bens já existentes, garantindo assim, a oponibilidade das disposições pactuadas entre o casal perante
terceiros. 
As disposições contempladas também podem abranger as relações profissionais dos cônjuges, mais
especificamente quando um ou ambos exercer a função empresária, ocasião em que o pacto antenupcial
deverá ser averbado e arquivado junto ao Registro Público de Empresas Mercantis.
Enfatiza-se ainda que, não havendo a observância dos procedimentos prescritos em lei, o pacto
antenupcial não será nulo, porém, suas disposições somente terão validade entre os nubentes, não
alcançando qualquer direito perante terceiros. 
Por fim, em relação aos bens móveis, estes dispensam todas as formalidades exigidas em lei em relação
aos imóveis, bastando a simples apresentação do pacto devidamente registrado quando a situação assim
o exigir.
Qualquer cláusula que contravenha disposição absoluta de lei é nula.
"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE
FAMÍLIA. CASAMENTO. SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS (ARTS. 258, II, DO CC/1916 E 1.641, II,
DO CC/2002). PARTILHA. PATRIMÔNIO. ESFORÇO COMUM. PROVA. INDISPENSABILIDADE. SÚMULA
Nº 377/STF. INTERPRETAÇÃO. ART. 1.829, I, DO CÓDIGO CIVIL. HERANÇA. CÔNJUGE.
DESCENDENTES. CONCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. LEGISLAÇÃO. APLICABILIDADE.
USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. REVOLVIMENTO PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº
7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de
1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. A jurisprudência desta Corte encontra-se consolidada no
sentido de que, no regime de separação obrigatória de bens, comunicam-se aqueles adquiridos na
constância do casamento desde que comprovado o esforço comum para sua aquisição, consoante
interpretação conferida à Súmula nº 377/STF. 3. O regime da separação convencional de bens, escolhido
livremente pelos nubentes, à luz do princípio da autonomia de vontade (por meio do pacto antenupcial), não
se confunde com o regime da separação legal ou obrigatória de bens, que é imposto de forma cogente pela
legislação (arts. 1.641 do Código Civil de 2002 e 258 do Código Civil de 1916) e no qual efetivamente não há
concorrência do cônjuge com o descendente. 4. Eventual direito à divisão de bens objeto de esforço comum
depende de prova, o que não pode ser avaliado nesta fase processual por ensejar usurpação de
competência e pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo interno não provido." (AgInt no AgRg no AREsp
233.788/MG, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/11/2018,
DJe 21/11/2018)
4. Doações Antenupciais (arts. 546 e 1668, IV CC).
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Dentre as modalidades contratuais, a doação, é o contrato que tem na liberalidade e gratuidade, requisitos
indispensáveis a sua caracterização. É nobre ato de uma pessoa, se desfazendo de coisa de sua
propriedade, em favor de outra, despretensiosamente. Esse instituto contratual existe desde os tempos
mais remotos, sendo sua origem tão antiga, que remonta a existência da própria civilização.
No sistema jurídico pátrio, a doação está classificada como contrato bilateral, faz parte do ramo privado do
direito, estando sua constituição, forma, e efeitos, precisamente delineados no direito civil (arts. 538 a 564
do CC). 
Definir o que seja doação, não é tarefa simples, doar é algo intrínseco da pessoa que doa, uma vez que,
desse "animus donandi", resulta seu empobrecimento, com o consequente enriquecimento do donatário.
Por doação antenupcial, entende-se que são doações recíprocas, ou de um ao outro nubente, ou por
terceiro, mesmo feitas por pacto antenupcial, ou por escritura pública se relativas a imóveis, ou por
instrumento particular, se alusiva a móveis, desde que não excedam à metade dos bens do doador, com
exceção dos casos de separação obrigatória de bens, em que não se admite nem mesmo doação causa
mortis (RT, 130:668; CC, arts. 546, 1.668, IV, 541, 544 e 1.845).
Tem como pressupostos: Realização de evento futuro e incerto: casamento (CC, arts. 546, 1.647,
parágrafo único, e 1.668, IV); Não requer aceitação expressa do donatário; Não revogam por ingratidão
(CC, art. 564, IV); Não pode ser subordinada à condição de valerem após a morte do doador (CC, arts.
426 e 1.655).
Podem ser: I- recíprocas; II- de um nubente ao outro; III- por terceiros
 Podem ser realizadas através dos pactos antenupciais, mediante escritura publica, desde que não
excedam a metade dos bens do doador.
 São nulas as doações entre os cônjuges, se casados sob o regime de separação de bens;
 A eficácia das doações subordina-se à realização do casamento, funcionando, este, como causa
suspensiva.
 São negócios jurídicos negociais e solenes.
 A lei não obriga que sejam realizadas nos pactos antenupciais, podendo ser realizadas sob
escritura publica nos casos dos bens imóveis, por instrumento particular ou até mesmo
verbalmente, nos casos dos bens moveis (desde que sejam de pequeno valor) seguindo-lhes a
tradição.
 Não precisam se valer de aceitação expressa do donatário, já que a própria realização do
matrimônio implica aceitação.
 Não se revogam por ingratidão vez que se realizam propter nuptias
 Caso o casamento venha a ser declarado nulo ou anulado, os efeitos civis das doações se
manterão até o transito em julgado da sentença declaratória.
 Proferida sentença anulatória de um casamento, por culpa de um dos cônjuges, responderá o
vencido pelas promessas feitas ao outro no contrato antenupcial.
 Podem ser realizadas pelos cônjuges, durante a vigência do casamento, entendendo-se, neste
caso, antecipação de herança, salvo se o regime for o da separação obrigatória ou da comunhão
universal, ou se prejudicar a legitima do herdeiro necessário.
5. Administração e disponibilidade de bens (arts. 1642 a 1650, CC): 
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A entidade conjugal deve prover sustento à família, não mais apenas o marido, como era previsto no
Código de 1916 (art. 1642), em especial o inciso V.
O artigo 1.642, inciso I, do Código Civil disciplina que "qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido
quanto a mulher podem livremente: praticar todos os atos de disposição e de administração necessários
ao desempenho de sua profissão, com as limitações estabelecidas no inciso I do art. 1.647". 
Os incisos do artigo 1.647 do CC, por sua vez, determinam que nenhum dos cônjuges pode, sem
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: "I - alienar ou gravar de ônus real os bens
imóveis; II - pleitear, comoautor ou réu, acerca desses bens ou direitos; III - prestar fiança ou aval; IV -
fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação".
Conforme prevê o artigo 1.642, inciso V, do CC, tanto o marido quanto a mulher podem livremente
"reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos pelo outro cônjuge ao concubino,
desde que provado que os bens não foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver
separado de fato por mais de cinco anos". 
Sendo que compete ao cônjuge prejudicado e aos seus herdeiros demandar pelo dano causado nas
hipóteses do artigo 1.642, III, IV e V, do CC. Expressa no artigo 1.646, por sua vez, está a determinação
de que poderá reclamar pelo dano sofrido o terceiro prejudicado com a sentença favorável ao autor, tendo
direito regressivo contra o cônjuge que realizou o negócio jurídico, ou seus herdeiros.
Por fim, de acordo com os artigos 1.649 e 1.650 do CC, "a falta de autorização, não suprida pelo juiz,
quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a
anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal" e "a decretação de invalidade dos
atos praticados sem outorga, sem consentimento, ou sem suprimento do juiz, só poderá ser demandada
pelo cônjuge a quem cabia concedê-la, ou por seus herdeiros".
Este instituto chama-se outorga conjugal, outorga uxória, vênia conjugal, vênia matrimonial entre outros
sinônimos.
5.1. Outorga Uxória no Casamento.
O Código Civil determina a necessidade de outorga conjugal, que é a anuência do cônjuge, para a
validade de determinados atos e negócios jurídicos, restando como anulável o ato que a outorga faltar e
não for suprida judicialmente.
A outorga uxória existe no ordenamento jurídico com a finalidade de controle patrimonial, isto é, a fim de
evitar prejuízo pela disposição imobiliária por um dos cônjuges ao outro que não é titular do bem. Tal
preocupação se dá considerando que em eventual dissolução da sociedade conjugal, terá que ser
preservada a meação do cônjuge.
Da leitura do artigo 1.647 do CC, podemos notar que a exigência da outorga conjugal se faz em negócios
de maior expressão econômica, tais como venda, doação, troca, alienação em geral, oneração ou gravame
imobiliário, como usufruto, servidão, superfície, hipoteca ou alienação fiduciária. Tudo isso em vista da
importância que o sistema confere ao bem de raiz e à sua proteção.
Com relação a Promessa de Compra e Venda, embora haja divergência nos Tribunais em diversas
decisões, nos filiamos ao entendimento do professor Luiz Antônio Scavone Junior, de que nos contratos
preliminares de compromisso de compra e venda, ainda que seja exigido ao fim, para a efetiva
transferência da propriedade, a escritura pública, a outorga conjugal é necessária ao promitente vendedor.
Da leitura do artigo anterior também é possível notar que a regra não aplica a todos os regimes de bens.
Isto é, a outorga conjugal é dispensada nos casos de separação total de bens (convencional ou legal, já
que a lei não distingue), e também no regime da participação final nos aquestos, quanto aos bens
particulares, desde que haja pacto antenupcial neste sentido (art. 1.656 CC).
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Assim, a outorga uxória será inafastável nos regimes da comunhão universal, comunhão parcial e
participação final dos aquestos, quando não houver pacto antenupcial dispondo em contrário.
Relativamente aos bens particulares dos cônjuges, embora não estejam, sujeitos à comunicabilidade, seus
reflexos patrimoniais implicam no controle exercido mediante a outorga conjugal. 
Conforme disposto pelo artigo 1.660, incisos IV e V, entram na comunhão as benfeitorias em bens
particulares e os frutos dos bens particulares. Assim, todo o ato de disposição deste bem, embora
particular, tende a desfalcar, onerar ou reduzir o patrimônio do casal, ainda que de titularidade exclusiva de
apenas um dos consortes, necessitando do consentimento do cônjuge não titular.
Outra dúvida bastante comum relativamente a necessidade ou dispensa de outorga conjugal é no que
tange à renúncia de herança ou na cessão de direitos hereditários. Inicialmente vale lembrar que até a
partilha, a herança é considerada bem indivisível e imóvel (artigo 80, inciso II do Código Civil).
Assim, temos que na renúncia abdicativa (renúncia propriamente dita), onde o herdeiro não aceita a
herança, não há transmissão de patrimônio nem qualquer alienação por parte do renunciante, e, deste
modo não há que se falar em outorga conjugal qualquer que seja o regime de bens adotado. Neste caso, o
outro cônjuge tem uma mera expectativa de direito, mas tal está condicionada à aceitação do herdeiro.
Diversamente ocorre na renúncia translativa (cessão), pois aqui ocorre a transmissão da herança, sua
aceitação pelo herdeiro e posterior determinação de terceiro cessionário. Neste caso, a herança passou a
fazer parte do patrimônio do herdeiro e assim deve se avaliar, conforme o regime de bens, a necessidade
da outorga conjugal.
Por fim, necessário se faz abordar as consequências da ausência da outorga quando imprescindível para o
ato.
Excetuados os regimes em que é dispensada, a ausência de outorga conjugal implica em nulidade relativa
(ou anulabilidade). A anulabilidade pode ser confirmada no prazo de dois anos a contar da dissolução da
sociedade conjugal (e não do ato) e pode ser movida pelo cônjuge ou seus herdeiros (artigos 1.649 e
1.650).
Há ainda a possibilidade de suprimento judicial da outorga conjugal, isto é, nos casos que um dos
cônjuges se recusa a consentir (por mero capricho) com o negócio ou esteja impossibilitado em razão de
doença, por exemplo, a lei coloca à disposição do cônjuge que se sentir prejudicado a possibilidade de
suprimento da outorga conjugal pela via judicial.
Ainda com relação ao tema, importante destacar que outorga conjugal trata-se de uma anuência, quando o
bem é de propriedade exclusiva de um dos cônjuges. Não confundir com os casos em que o bem pertence
a ambos, caso em que o cônjuge não deve anuir e sim manifestar sua própria vontade em vender. Não há
suprimento judicial para o proprietário que se recusa a vender (o que pode haver é a ação de extinção de
condomínio, fundamentada no artigo 1.322 do Código Civil).
Na anuência o cônjuge pratica o ato por si só, sendo este avalizado pelo cônjuge anuente, mas a carga
volitiva (a vontade de praticar o ato) é exclusiva daquele que o faz, cabendo ao outorgante apenas a
autorização da prática. Já no caso em que ambos são proprietários, devem figurar como partes.
Vale ressaltar que é interessante, para quem adotar o Regime de Participação Final nos Aquestos, a sua
dispensabilidade quando o pacto antenupcial, uma vez que em tal regime cada conjugue tem
administração total de seus bens particulares, sendo, por sua vez, partilhado e ou comunicado apenas o
que fora de fato adquirido por ambos os nubentes, de forma conjunta.
Logo, entende-se que se no pacto antenupcial deve haver previsão expressa para venda de bens imóveis
particulares sem a outorga do outro. Deve-se deixar claro que o bem a ser onerado sem a outorga são os
bens particulares, ou seja, os bens que já compunham o patrimônio de um dos conjugues e que na
verdade não integraria o patrimônio comum do casal, não fazendo, portanto parte do patrimônio comum
passível de partilha.
Nesse contexto, se houver previsão expressa no pacto antenupcial que os bens comuns serão onerados
sem outorga, a mesma será considerada nula, conforme determina o artigo 1.655 do Código Civil: “É nula
a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta de lei”.
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Outrossim, cumpre salientar que quando o casal escolhe outroregime de bens, que não seja o de
participação final nos aquestos ou separação de bens, nula será a cláusula do pacto antenupcial que
estipular a dispensa da outorga uxória, uma vez que nos demais casos, o legislador entende que há de
fato uma comunicação de todos os bens, seja antes ou depois do casamento, mesmo que sejam bens
particulares, daí a vedação expressa.
Assim, observa-se que a lei é clara ao estabelecer que tal dispensa tocará apenas os bens particulares de
cada conjugue e não aos comuns adquiridos pelo casal.
Ainda nesse sentido, outro regime de bens que dispensa a outorga uxória, é o da Separação Total de
Bens, que nesse caso, segue a mesma lógica do regime de participação final nos aquestos, pois, os bens
comuns ao casal necessitam de outorga, mais os bens particulares de cada um não compõe tal patrimônio,
não sendo, portanto um bem comum ao casal.
Temos, ainda, que conforme a Súmula 332 do STJ, “A fiança prestada sem autorização de um dos
cônjuges implica a ineficácia total da garantia.” 
O contrato de fiança é um contrato acessório em relação ao contrato principal firmado entre o credor e o
afiançado, haja vista que para a sua existência pressupõe-se a existência de um contrato principal. Desta
forma, via de regra, o fiador sempre responde subsidiariamente pela obrigação, isto é, somente após a
insolvência do devedor afiançado, é que o fiador será demandado.
Desta forma, em se tratando de fiador com estado civil casado, um dos requisitos que deve ser observado
é o seu regime de bens deste, uma vez que com a exceção do regime da separação de bens (art. 1687 do
CC), a autorização expressa do cônjuge no contrato de fiança é obrigatória, sob pena de ineficácia da
garantia pessoal.
Tal obrigação possui previsão legal para salvaguardar os direitos inerentes do regime de bens do outro
cônjuge, evitando a eventual perda de bens do casal sem o consentimento do outro.
No caso do aval, que é a garantia pessoal nos títulos de crédito, a disposição seria a mesma, nenhum dos
cônjuges, salvo o caso de regime de casamento de separação absoluta, pode conceder aval sem
autorização do outro, que pode demandar a invalidação do aval nos termos do artigo 1.642, IV do CC.
Entretanto, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 1.644.334/SC, relatora Ministra
Nancy Andrighi, julgou válido o aval prestado por uma dupla de empresários sem a assinatura da esposa e
da companheira, lançado em uma nota promissória. A relatora ressaltou que, embora a ausência de
outorga não tenha o efeito de invalidar o aval, o cônjuge e a companheira não podem suportar com seus
bens a garantia dada sem o seu consentimento, e deve ser protegida a meação quanto ao patrimônio
comum do casal, quando afirmou que “a exigência da autorização prévia do cônjuge para que, o outro
possa dar aval afeta a função primordial dos títulos de crédito que é a dinamicidade e a rapidez de sua
circulação, baseada em princípios como a literalidade, autonomia, abstratividade, bem como as
características eminentemente cambiárias do aval (...) Convém ressaltar que os títulos de crédito são o
principal instrumento de circulação de riquezas, em virtude do regime jurídico-cambial que lhes confere o
atributo da negociabilidade, a partir da possibilidade de transferência do crédito neles inscrito”.
Assim, a conclusão que se tem do julgado, diante do Código Civil de 2002, é de que o aval em nota
promissória sem outorga conjugal é válido, mas é ineficaz com relação ao cônjuge que não o consentiu.
Tal posicionamento foi positivado pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, REsp 1526560/MG,
relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, ocorrido em 16/03/2017, que decidiu ser válido o aval dado
como garantia em título de crédito, independe da outorga de cônjuge. Tal conclusão, apresentada no
julgamento, conforma a relativização da regra trazida no artigo 1.647, III, do Código Civil, aduzindo que o
disposto, no referido inciso, se restringe aos avais prestados nos títulos regidos pelo próprio Código Civil
(títulos atípicos ou inominados), não alcançando os títulos de crédito nominados (títulos típicos, como a
letra de câmbio, a nota promissória, o cheque e a duplicata), que são regidos por leis especiais, nas quais
não há previsão de outorga uxória ou marital.
Portanto, com as recentes decisões aqui apresentadas, passou a vigorar em ambas as Turmas
responsáveis pelas matérias de Direito Privado do Superior Tribunal de Justiça, o entendimento de que o
aval que garante título de crédito típico não perde sua validade pela ausência de autorização do cônjuge
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do avalista, ficando protegida dos efeitos da garantia, apenas, a meação do cônjuge em relação aos bens
comuns, desde que o regime do casamento seja o da comunhão parcial de bens.
6.3. Outorga Uxória na União Estável.
Os efeitos patrimoniais da união estável são de uma forma geral, os direitos que os conviventes adquirem
em relação aos bens conquistados durante a relação.
Comparando as regras da união estável com a do casamento, pode-se dizer que a principal diferença
entre ambos é a legal, ou seja, apenas para as decisões jurídicas. Sobre as diferenças, tem-se em
primeiro ponto, a informalidade da união estável e a formalidade do casamento. 
Flávio Tartuce trata de outras diferenças entre ambas com uma maestria singular: “Primeira diferença: O
casamento exige expressamente a fidelidade; a união estável exige lealdade. Pelo senso comum, a
lealdade engloba a fidelidade, mas não necessariamente. Isso demonstra que na união estável há uma
liberdade maior aos companheiros do que no casamento, o que diferencia substancialmente os institutos,
mormente se a conclusão for pela persistência do dever de fidelidade no último. Segunda diferença: O
casamento exige expressamente ida em comum no domicílio conjugal; a união estável não, por não exigir
convivência sob o mesmo teto, conforme a remota Súmula382 do STF.” (2014, p. 42)
Em regra, o regime na união estável é de comunhão parcial de bens. A partir do momento em que a união
estável é reconhecida, por ato voluntário ou judicialmente, submete-se o terceiro aos seus efeitos. 
Como exemplo disso, pode-se citar o fato da escritura de um determinado imóvel, onde consta somente o
nome de um dos companheiros; o documento gozará de validade, porém, não há nada que comprove que
este bem pertence ao outro companheiro. Vale ressaltar que o documento é valido, sem vícios quanto seu
registro. Agora, analisando o lado do terceiro de boa-fé, este não poderá ser prejudicado, uma vez que o
companheiro que fez a reclamação não possui o nome inserido no registro do bem.
Nessa linha de raciocínio, Maria Helena Diniz afirma que: “Se o bem estiver em nome de um dos
conviventes, pois a venda poderá vir a ser anulada pelo outro, se reconhecido for o direito à meação.
Afirma ainda o artigo 5º do Projeto de Lei nº 2686 requer que, no instrumento firmado com terceiro, os
conviventes mencionem a existência de união estável, sob pena de pagar perdas e danos a terceiro de
boa-fé e de sofrer sanção penal por falsidade ideológica.” (2014, p.399)
Portanto, é imprescindível a boa-fé, tanto do terceiro como do companheiro que fará alienação de imóvel
ou prestará o aval ou fiança, é essencial para que nenhuma das partes sofram prejuízos causados pela
falta da outorga uxória. 
A matéria foi sedimentada no Informativo nº 554 do STJ, de 25 de fevereiro de 2015.
"TERCEIRA TURMA. DIREITO CIVIL. ALIENAÇÃO, SEM CONSENTIMENTO DO COMPANHEIRO,
DE BEM IMÓVEL ADQUIRIDO NA CONSTÂNCIA DA UNIÃO ESTÁVEL. A invalidação da alienação
de imóvel comum, fundada na falta de consentimento do companheiro, dependerá da publicidade
conferida à união estável, mediante a averbação de contrato de convivência ou da decisão
declaratória da existência de união estável no Ofício do Registro de Imóveis emque cadastrados os
bens comuns, ou da demonstração de má-fé do adquirente. A Lei 9.278/1996, em seu art. 5º, ao
dispor acerca dos bens adquiridos na constância da união estável, estabeleceu serem eles
considerados fruto do trabalho e da colaboração comum, passando a pertencer a ambos os
conviventes, em condomínio e em partes iguais, salvo estipulação contrária em contrato escrito.
Dispôs, ainda, que a administração do patrimônio comum dos conviventes compete a ambos, questão
também submetida ao poder de disposição dos conviventes. Nessa perspectiva, conforme
entendimento doutrinário, a alienação de bem co-titularizado por ambos os conviventes, na esteira do
citado artigo, sem a anuência de um dos condôminos, representaria alienação - pelo menos em parte
- de coisa alheia, caracterizando uma venda "a non domino", ou seja, um ato ilícito. Por outro lado,
inolvidável a aplicabilidade, em regra, da comunhão parcial de bens à união estável, consoante o
disposto no caput do art. 1.725 do CC. E, especialmente acerca da disponibilidade dos bens, em se
tratando de regime que não o da separação absoluta, consoante disciplinou o CC no seu art. 1.647,
nenhum dos cônjuges poderá, sem autorização do outro, alienar ou gravar de ônus real os bens
imóveis. A interpretação dessas normas, ou seja, do art. 5º da Lei 9.278/1996 e dos já referidos arts.
1.725 e 1.647 do CC, fazendo-as alcançar a união estável, não fosse pela subsunção mesma, esteia-
se, ainda, no fato de que a mesma ratio - que indisfarçavelmente imbuiu o legislador a estabelecer a
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outorga uxória e marital em relação ao casamento - mostra-se presente em relação à união estável;
ou seja, a proteção da família (com a qual, aliás, compromete-se o Estado, seja legal, seja
constitucionalmente). Todavia, levando-se em consideração os interesses de terceiros de boa-fé, bem
como a segurança jurídica necessária para o fomento do comércio jurídico, os efeitos da
inobservância da autorização conjugal em sede de união estável dependerão, para a sua produção
(ou seja, para a eventual anulação da alienação do imóvel que integra o patrimônio comum) da
existência de uma prévia e ampla notoriedade dessa união estável. No casamento, ante a sua
peculiar conformação registral, até mesmo porque dele decorre a automática alteração de estado de
pessoa e, assim, dos documentos de identificação dos indivíduos, é ínsita essa ampla e irrestrita
publicidade. Projetando-se tal publicidade à união estável, a anulação da alienação do imóvel
dependerá da averbação do contrato de convivência ou do ato decisório que declara a união no
Registro Imobiliário em que inscritos os imóveis adquiridos na constância da união. A necessidade de
segurança jurídica, tão cara à dinâmica dos negócios na sociedade contemporânea, exige que os
atos jurídicos celebrados de boa-fé sejam preservados. Em outras palavras, nas hipóteses em que os
conviventes tornem pública e notória a sua relação, mediante averbação, no registro de imóveis em
que cadastrados os bens comuns, do contrato de convivência ou da decisão declaratória da
existência da união estável, não se poderá considerar o terceiro adquirente do bem como de boa-fé,
assim como não seria considerado caso se estivesse diante da venda de bem imóvel no curso do
casamento. Contrariamente, não havendo o referido registro da relação na matrícula dos imóveis
comuns, ou não se demonstrando a má-fé do adquirente, deve-se presumir a sua boa-fé, não sendo
possível a invalidação do negócio que, à aparência, foi higidamente celebrado. Por fim, não se olvide
que o direito do companheiro prejudicado pela alienação de bem que integrava o patrimônio comum
remanesce sobre o valor obtido com a alienação, o que deverá ser objeto de análise em ação própria
em que se discuta acerca da partilha do patrimônio do casal. REsp 1.424.275-MT, Rel. Min. Paulo de
Tarso Sanseverino, julgado em 4/12/2014, DJe 16/12/2014."
Ressalte-se que tal medida é relevante porque ainda é muito difícil o credor saber se o
alienante/fiador/avalista vive ou não em união estável com alguém. Seria interessante uma maior
regulamentação, não gerando situações conflituosas entre os companheiros e o terceiro de boa-fé, em
especial pela mencionada falta de publicidade. Não deve ser caracterizada válida a alienação, fiança ou o
aval prestado sem a outorga uxória se o patrimônio pertencer a ambos os conviventes, mesmo que
somente em nome de um deles, caso tenha ocorrido a contribuição onerosa para tal fim, conforme
Informativo nº 535 do STJ, de 12 de março de 2014: .
"QUARTA TURMA. DIREITO CIVIL. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 332 DO STJ À UNIÃO
ESTÁVEL. Ainda que a união estável esteja formalizada por meio de escritura pública, é válida a
fiança prestada por um dos conviventes sem a autorização do outro. Isso porque o entendimento de
que a "fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia"
(Súmula 332 do STJ), conquanto seja aplicável ao casamento, não tem aplicabilidade em relação à
união estável. De fato, o casamento representa, por um lado, uma entidade familiar protegida pela CF
e, por outro lado, um ato jurídico formal e solene do qual decorre uma relação jurídica com efeitos
tipificados pelo ordenamento jurídico. A união estável, por sua vez, embora também represente uma
entidade familiar amparada pela CF - uma vez que não há, sob o atual regime constitucional, famílias
estigmatizadas como de "segunda classe" -, difere-se do casamento no tocante à concepção deste
como um ato jurídico formal e solene. Aliás, nunca se afirmou a completa e inexorável coincidência
entre os institutos da união estável e do casamento, mas apenas a inexistência de predileção
constitucional ou de superioridade familiar do casamento em relação a outra espécie de entidade
familiar. Sendo assim, apenas o casamento (e não a união estável) representa ato jurídico cartorário
e solene que gera presunção de publicidade do estado civil dos contratantes, atributo que parece ser
a forma de assegurar a terceiros interessados ciência quanto a regime de bens, estatuto pessoa,
patrimônio sucessório, etc. Nesse contexto, como a outorga uxória para a prestação de fiança
demanda absoluta certeza por parte dos interessados quanto à disciplina dos bens vigente, e como
essa segurança só é obtida por meio de ato solene e público (como no caso do casamento), deve-se
concluir que o entendimento presente na Súmula 332 do STJ - segundo a qual a "fiança prestada
sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia" -, conquanto seja aplicável
ao casamento, não tem aplicabilidade em relação à união estável. Além disso, essa conclusão não é
afastada diante da celebração de escritura pública entre os consortes, haja vista que a escritura
pública serve apenas como prova relativa de uma união fática, que não se sabe ao certo quando
começa nem quando termina, não sendo ela própria o ato constitutivo da união estável. Ademais, por
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não alterar o estado civil dos conviventes, para que dela o contratante tivesse conhecimento, ele teria
que percorrer todos os cartórios de notas do Brasil, o que seria inviável e inexigível. REsp 1.299.866-
DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 25/2/2014."
6. Instituição do bem de família (Arts. 1711 a 1722, CC e Lei 8009/90).
6.1. Conceito: Bem de família é a propriedade destinada à residência e moradia da família que recebe o
benefício da impenhorabilidade, ou seja, não pode ser penhorado e não pode sofrer nenhuma forma de
apreensão. E assim não responde por dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza,
contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam – art. 1712,CC. Tem por escopo assegurar um lar à família ou meio para que seu sustento.
6.2. Involuntário: Resulta da lei, que tornou impenhorável o imóvel residencial, próprio do casal ou da
entidade familiar, que não responderá por qualquer dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra
natureza, contraídas pelos cônjuges, pais ou filhos que sejam proprietários e nele residam, salvo hipóteses
previstas no art. 3º, II a VII da Lei 8009/90. É a casa, a residência, ou moradia onde vive o núcleo familiar,
que goza do benefício da impenhorabilidade, independentemente de sua inscrição no cartório de registro
imobiliário. A casa, além de asilo inviolável, integra o mínimo existencial ou Patrimônio Mínimo, expressão
criada pelo Ministro Edson Fachin, não pode ser retirada do núcleo familiar para pagamento de dívida.
6.3. Voluntário, convencional ou facultativo: Só haverá necessidade de sua instituição quando o casal
ou entidade familiar possuir vários imóveis, utilizados como residência, e não desejar que a
impenhorabilidade recaia sobre o de menor valor, com a fixação da propriedade escolhida para ser a
residência e moradia da família e recebe a benesse. A entidade familiar opta por não obter a proteção
prevista em lei, que é assegurado a todos, instituindo um bem de família de sua escolha, com conteúdo de
proteção mais amplo que aquele. Diferente do bem de família legal, que é reconhecido com o intuito de
imunizar o patrimônio de penhora por dívida já constituída, o bem de família voluntário oferece proteção
futura contra qualquer dívida. Ao instituir um bem de família voluntário é necessário observar a exigência
trazida pelo Código Civil que limita a escolha do imóvel. Deve ser realizado por escritura pública, e
constitui-se pelo registro de seu título no Registro de Imóveis (art. 1.714, CC). Nos termos do art. 1.711, a
instituição do bem de família convencional não pode ultrapassar 1/3 (um terço) do patrimônio líquido
existente ao tempo da instituição. Um terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou
doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da
entidade familiar beneficiada
6.4. Características:
 São impenhoráveis para pagamento de dividas posteriores à sua instituição, (salvo exceções).
 Podem ser penhorados para pagamento de débitos fiscais pertinentes ao próprio imóvel (IPTU) ou
despesas condominiais, visto que, por sua natureza proper rem, decorrem da titularidade do
domínio ou da posse sobre a coisa não podendo deixar de serem pagas, sob pena de execução do
bem que as gerou, mesmo sendo um bem de família.
 Na execução do bem para pagamento desses débitos o saldo existente será aplicado em outro
prédio, como bem de família, ou se tal saldo for insuficiente para a aquisição de imóveis, em títulos
da divida publica para a manutenção da família, ou depositados em conta poupança, que passará
as ser movimentada por ordem judicial, no interesse da família, originalmente beneficiada pela
instituição.
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 Tal isenção perdurará enquanto viver um dos cônjuges ou companheiros, ou na falta destes até
que os filhos atinjam a maioridade.
 O estado de solvente do instituidor é requisito necessário para instituição do bem;
 Os cônjuges ou a entidade familiar, podem destinar parte de seus bens para instituição do bem de
família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio.
 Se os cônjuges ou companheiros o instituírem por testamento, com o óbito, os filhos ficarão
beneficiados com a herança, podendo os credores se habilitarem no inventário para receberem o
credito ANTERIOR à instituição daquele bem como sendo de família.
 Não terá eficácia para fraudar credores, mediante o inadimplemento de dividas contraídas
anteriormente à sua instituição.
 Pode ser instituído pelos cônjuges, companheiros, integrante-chefe de família monoparental, ou por
terceiros por ato inter vivos ou causa mortis desde que ambos os cônjuges beneficiados aceitem
expressamente a liberalidade e haja assento no Registro de Imóveis, para que tenha eficácia erga
omnes.
 Pode constituir em prédio RESIDENCIAL rural, urbano, incluindo as suas pertenças e acessórios.
 Os valores mobiliários podem ser instituídos como bens de família, devendo ser revertido para a
conservação do imóvel e sustento da mesma.
 O prédio e os valores mobiliários, constituídos como bem de família, formam um patrimônio familiar
separado, cuja renda destina-se à salva guarda da família.
 Só podem ser alienados com o consentimento dos interessados e após manifestação do Ministério
Publico. 
 Não podem, mesmo que a requerimento dos credores, integrarem Massa creditícia, nem mesmo
em caso de falência.
 Se comprovar a manutenção do bem de família nas condições em que foi instituída (Ex: para
pagamento de uma UTI) o bem poderá ser alienado, desde que autorizado judicialmente e com
manifestação do MP.
 O ato de instituição e administração do bem de família caberá a ambos os cônjuges, salvo
disposição em contrário.
 A inalienabilidade do bem de família, é relativa, vez que somente subsiste enquanto viverem os
cônjuges, ou na falta destes até que os filhos atinjam a maioridade.
 Caso um dos filhos seja regido pela curatela, a instituição do bem prevalecerá até que a causa da
incapacidade seja superada.
 Se um dos cônjuges falecer, o prédio não entrará em inventário desde que o supérstite, ou algum
dos seus filhos menores, permaneçam residindo no local
6.5. Impenhorabilidade do único imóvel residencial da família: Instituída pela Lei 8009/90. Visa preservar o
patrimônio familiar. É uma norma protetiva da família e não do devedor.
São impenhoráveis:
 O único imóvel rural ou urbano destinado à moradia permanente da família;
 O Box de garagem não matriculado no Registro de Imóveis. 
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 Os equipamentos de uso profissional 
 Os moveis que guarnecem o bem, desde que quitados.
Tais bens não responderão por debito civil, fiscal, comercial, ou previdenciário contraídos pela entidade
familiar.
Se a entidade familiar possuir vários imóveis utilizados como residência, a impenhorabilidade recairá sobre o
de menor valor, salvo se outro tiver sido registrado para esta finalidade no Registro de Imóveis.
Se a família residir em imóvel alugado, haverá a impenhorabilidade apenas dos móveis quitados que
guarnecerem a residência, desde que pertencentes ao locatário.
OBS: A impenhorabilidade alcança o imóvel de devedor solteiro, que reside solitário, conforme Súmula 364 do
STJ “O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas
solteiras, separadas e viúvas” de 03/11/2008. Tal conceito foi ampliado não somente para Single-person
family, mas às moradias das famílias binucleares, isto é, a duas moradias do ex-casal e seus filhos,
independentemente da guarda ser compartilhada.
6.5.1 Exceções à regra da Impenhorabilidade do bem de família.
 Será penhorável em caso de pagamento de fiança (Lei 8009/90, art 3º, VII), em contrato de locação
 Haverá a penhora não só sobre o único imóvel da família, como também sobre os moveis quitados,
se o processo de execução:
1. For movido por titular de crédito decorrente de contrato de financiamento destinado à
construção ou aquisição do imóvel, nos limites dos créditos e acréscimos constituídos em
função daquele contrato.
2. Se referir a créditos de pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu
coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as
hipóteses em que ambos responderão pela dívida
3. Se der para cobrança de IPTU, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar.
4. Disser respeito a hipotecaque recaia sobre o imóvel oferecido como garantia real pela
entidade familiar, ou pelo casal.
5. For movido por ter sido aquele imóvel adquirido com produto de crime;
6. Advier em razão de sentença penal condenatória para ressarcimento, indenização ou perda
de bens.
Importante: A Medida Provisória 871, de 18 de janeiro de 2019, já em vigor, foi editada com fins de
combater fraudes no sistema previdenciário, estabelecendo novas regras na concessão de benefícios e
revisão daqueles com suspeitas de irregularidades. 
Para nós temos um aspecto um tanto controverso, possibilidade de penhora de bem de família para
pagamento de dívidas previdenciárias decorrentes de fraudes. 
O artigo 22 da MP inclui o inciso VIII no artigo 3º da 8009/90, possibilitando a penhora de bem de família
“para cobrança de crédito constituído pela Procuradoria-Geral Federal em decorrência de benefício
previdenciário ou assistencial recebido indevidamente por dolo, fraude ou coação, inclusive por terceiro
que sabia ou deveria saber da origem ilícita dos recursos”.
Assim, diferentemente do regime anterior, não mais será necessária a comprovação da prática de um ato
ilícito para a realização de penhora sobre o bem de família, bastando ser demonstrada o recebimento
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indevido de um benefício previdenciário, o que vai de encontro aos princípios da razoabilidade e
proporcionalidade.
Nesse sentido, independentemente do bem não ter sido adquirido pelo objeto do recebimento indevido, o
mesmo poderá ser penhorado, devendo-se ressaltar, ainda, a presunção de conhecimento do ato ilícito por
aquele que recebeu o benefício de forma indevida, independentemente se a fraude, por exemplo, tenha
sido realizada por terceiro.
6.6 Julgados do STJ sobre bem de família.
"AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE IMÓVEL.
BEM DE FAMÍLIA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO MANIFESTA A NORMA JURÍDICA. 1. É presumido o
benefício gerado à entidade familiar nas hipóteses em que a dívida for contraída por empresa cujos únicos
sócios são marido e mulher, ou quando se tratar de firma individual. Precedentes. 2. A alienação fiduciária
implica a transmissão condicional da propriedade do devedor (fiduciante) para o credor (fiduciário). Vencida e
não paga a dívida, consolidar-se-á a propriedade do bem em nome do fiduciário. 3. "Sendo a alienante
pessoa dotada de capacidade civil, que livremente optou por dar seu único imóvel, residencial, em garantia a
um contrato de mútuo favorecedor de pessoa diversa, empresa jurídica da qual é única sócia, não se admite
a proteção irrestrita do bem de família se esse amparo significar o alijamento da garantia após o
inadimplemento do débito, contrariando a ética e a boa-fé, indispensáveis em todas as relações negociais"
(REsp 1559348/DF, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 5/8/2019). 4. Ausente
a violação manifesta de norma jurídica, por parte do acórdão rescindendo, não merece reparo o julgado
estadual que julgou improcedente a ação rescisória. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no
REsp 1823055/MG, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 11/02/2020, DJe
18/02/2020)
"DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL.
BEM IMÓVEL RECONHECIDO COMO BEM DE FAMÍLIA DADO EM GARANTIA DO CUMPRIMENTO DE
ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. POSSIBILIDADE. CONDUTA QUE FERE A ÉTICA E A BOA-
FÉ. 1. Ação de execução de título executivo extrajudicial - nota promissória. 2. Ação ajuizada em 11/06/2010.
Recurso especial concluso ao gabinete em 07/05/2018. Julgamento: CPC/2015. 3. O propósito recursal é
dizer se é válido o oferecimento de bem de família como garantia ao cumprimento de acordo pactuado e
homologado judicialmente nos autos de ação de execução por quantia certa. 4. A questão da proteção
indiscriminada do bem de família ganha novas luzes quando confrontada com condutas que vão de encontro
à própria ética e à boa-fé, que devem permear todas as relações negociais. 5. Não pode o devedor ofertar
bem em garantia que é sabidamente residência familiar para, posteriormente, vir a informar que tal garantia
não encontra respaldo legal, pugnando pela sua exclusão (vedação ao comportamento contraditório). 6. Tem-
se, assim, a ponderação da proteção irrestrita ao bem de família, tendo em vista a necessidade de se vedar,
também, as atitudes que atentem contra a boa-fé e a eticidade, ínsitas às relações negociais. 7. Recurso
especial conhecido e não provido." (REsp 1782227/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA
TURMA, julgado em 27/08/2019, DJe 29/08/2019)
7. Regime de bens propriamente ditos: São quatro as espécies de regime de bens previstos no Código
Civil: Comunhão parcial ou comunhão limitada (regime legal); Comunhão universal; Participação final nos
aquestos; e Separação de bens, dividida em voluntária ou obrigatória.
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7.1. Comunhão parcial ou comunhão limitada (arts. 1658 a 1666 do CC):
É aquele em que, basicamente, se excluem da comunhão os bens que os cônjuges possuem ao casar ou
que venham a adquirir por causa anterior e alheia ao casamento, como as doações e sucessões; e em
que entram na comunhão os bens adquiridos posteriormente (art. 1658). É um regime de separação
quanto aos bens existentes no passado do casal e de comunhão quanto ao futuro, sendo o marco
divisório, o casamento.
É tido como o regime oficial, também chamado de “regime legal de bens”, conforme art. 1.640. Advém da
falta, ineficácia ou nulidade de pacto antenupcial, que determina o regime preferencial dos nubentes, caso
em que a lei intervém, fazendo prevalecer a sua vontade.
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7.1.1. Características
Exclui-se da comunhão os bens que os consortes possuem ao casar ou que venham a adquirir por causa
anterior alheia ao casamento.
Inclui-se na comunhão os bens adquiridos posteriormente ao casamento.
Prevalece se os consortes não fizerem pacto antenupcial, ou o fizerem mas for nulo ou ineficaz (art.
1640). 
Formam-se três massas: os bens do marido, os bens da mulher e os bens comuns.
7.1.2 Bens excluídos da comunhão (incomunicáveis). (Art. 1659 e 1661) 
I- Os que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem, na constância do matrimônio por
sucessão ou doação, e os sub- rogados em seu lugar.
• Quando a doação é feita a apenas um dos cônjuges o bem não se comunicará. Quando feita ao
casal, o bem entrará para a comunhão.
• A valorização natural do patrimônio é tida como bem particular, ou seja, não é partilhável.
• Caso um bem adquirido por doação ou sucessão, e vendido, durante o casamento, para aquisição
de outro bem, este novo não se comunicará, pois foi adquirido com o valor da venda do bem doado
ou herdado.
• No entanto, se o bem for vendido e com recurso da venda for adquirido outro patrimônio, sem
nenhuma ressalva em relação à origem do dinheiro, o bem passará a integrar a massa patrimonial
comum.
II- Os adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges, em sub rogação dos bens
particulares. 
 Quando um dos cônjuges vende um bem particular, para aquisição de outro, este novo não se
comunicará, mesmo que a aquisição seja posterior ao casamento.
III- As obrigações anteriores ao casamento.
 A responsabilidade de quitação da dívida será do cônjuge que a contraiu e apenas os seus bens
particulares responderão pela mesma.
IV- As obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal.
 A responsabilidade pelas obrigações decorrentes de atos ilícitos, mesmo que praticados durante a
vigência do casamento, será do cônjuge que a contraiu.
 Na hipótese dos proventos advindos de atos ilícitos beneficiarem o casal, ambos os cônjuges
responderãopela divida.
 Sumula 251do STJ- “a meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução fiscal,
provar o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal”.
V- Os bens de uso pessoal, os livros e os instrumentos de profissão: 
• Quando os livros se destinarem a negócio, ou constituírem, por sua quantidade, parcela apreciável
do ativo, deverão ser comunicáveis.
• Quando os livros se destinarem ao exercício da profissão, serão incomunicáveis.
• Livros, roupas, sapatos, relógios, joias, bicicletas, telefone celular, computador, todos os bens que
se vincularem a necessidade pessoal do seu titular são de propriedade exclusiva. No entanto, se
possuem significativo conteúdo econômico, relevantes diante de toda a massa patrimonial comum,
serão partilháveis (por exemplo, automóveis, joias e relógios marcas notórias de valores
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consideráveis).
VI- Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge.
 O salário de cada cônjuge não entra para a meação, todavia, os bens adquiridos com o mesmo,
serão comunicáveis quando adquiridos posteriormente à data do casamento. 
 Há precedente no Superior Tribunal de Justiça no sentido de serem partilháveis as verbas
trabalhistas pleiteadas judicialmente, desde que o período aquisitivo coincida com o período do
matrimônio: "Ao cônjuge casado pelo regime de comunhão parcial de bens é devida à meação das
verbas trabalhistas pleiteadas judicialmente durante a constância do casamento. As verbas
indenizatórias decorrentes da rescisão de contrato de trabalho só devem ser excluídas da
comunhão quando o direito trabalhista tenha nascido ou tenha sido pleiteado após a separação do
casal" (REsp 646.529/SP, Ministra Nancy Andrighi, 21/08/2005).
 FGTS: O STJ já se posicionou no sentido de ser partilhável o saldo de conta vinculada do FGTS,
formado na constância do matrimônio "Assim, deve ser reconhecido o direito à meação dos valores
do FGTS auferidos durante a constância do casamento, ainda que o saque daqueles valores não
seja realizado imediatamente à separação do casal. A fim de viabilizar a realização daquele direito
reconhecido, nos casos em que ocorrer, a CEF deverá ser comunicada para que providencie a
reserva do montante referente à meação, para que, num momento futuro, quando da realização de
qualquer das hipóteses legais de saque, seja possível a retirada do numerário." REsp 1.399.199-
RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
9/3/2016, DJe 22/4/2016.. 
VII- As pensões, meio-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.
 Por se tratarem de bens personalíssimos não entram na meação.
 Os bens adquiridos com os valores advindos de tais rendas entrarão para a comunhão.
 OBS: Pensão: é o quantum pago, periodicamente, por força de sentença judicial, ou ato inter vivos
ou causa mortis a uma pessoa com a finalidade de prover a sua subsistência. Meio-soldo: é a
metade do soldo paga pelo Estado a militar reformado. Montepio: é a pensão que o Estado paga a
herdeiros de funcionários falecidos, em atividade ou não. 
VIII- São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento.
 Quando um dos cônjuges vende a credito um bem de sua propriedade, cujo valor só lhe é pago
após o casamento, não se comunica ao outro cônjuge, pois o recebimento do preço é advindo de
negocio realizado antes das núpcias.
 O mesmo se aplica a títulos onerosos ou bens subordinados a condição, quando o contrato é
realizado antes do casamento, mas a condição só é extinta após a celebração do mesmo.
 Bens ou indenizações advindos de ações judiciais interpostas antes do casamento também não se
comunicam
7.1.3 Bens que entram na comunhão (Art. 1660).
I- Adquiridos na constância do casamento por titulo oneroso (troca, venda, etc) ainda que só em nome de
um dos cônjuges.
 A aquisição dos bens imóveis se provará com o registro da escritura no Cartório de Registros de
Imóveis.
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 Os bens móveis, no regime da comunhão parcial, há presunção legal de que foram adquiridos na
vigência do casamento, quando não pude comprovar mediante documento autentico que fora
adquirido em data anterior ao casamento.
 Se houver convenção antenupcial relacionando os bens móveis de cada cônjuges, haverá também,
a incomunicabilidade desses bens.
 Ações e bônus devem ser partilhadas cujo período aquisitivo tenha se dado na constância do
casamento.
 Cotas Sociais e a valorização da participação societária decorrente dos lucros reinvestidos são
partilháveis. Contudo, o cônjuge não se torna sócio da sociedade, mas sim titular do valor
patrimonial da quota.
II- Os adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior:
• São os casos de compra de bilhetes premiados de rifas, jogos, loterias, etc.
III- Os adquiridos por doação, herança ou legado em favor de ambos os cônjuges.
IV- As benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge.
 As benfeitorias só se comunicarão desde que comprovado que foram feitas com o produto do
esforço comum.
 Visa evitar o enriquecimento indevido.
 Se estende às acessões advindas de plantio e construção.
V- Os frutos (civis ou naturais) dos bens comuns ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na
constância do casamento, ou pendentes ao tempo em que cessar a comunhão.
 Nos casos de um dos cônjuges ter um bem particular, que se encontra alugado a terceiros, o bem
em si não se comunica, todavia, os valores advindos dos alugueis serão de ambos os cônjuges
enquanto durar o matrimônio.
 Extinguindo-se o matrimônio, extingue-se também a comunhão entre os cônjuges sobre tais
valores, passando, os mesmos a pertencerem apenas ao cônjuge proprietário do bem.
VI- Os rendimentos resultantes da exploração dos direitos patrimoniais do autor.
• Verificação do tema encontra-se na Lei 9610/98 e Lei 9.609/98 (programa de computador). Não há
comunhão quanto aos direitos, pois somente o autor pode explorar economicamente a sua obra,
no entanto, os lucros resultantes da exploração dos direitos autorais e da propriedade intelectual
ingressam na comunhão.
Segue julgado:
“Na hipótese, o prêmio da lotomania, recebido pelo ex-companheiro, sexagenário, deve ser objeto
de partilha, haja vista que: i) se trata de bem comum que ingressa no patrimônio do casal,
independentemente da aferição do esforço de cada um; ii) foi o próprio legislador quem
estabeleceu a referida comunicabilidade; iii) como se trata de regime obrigatório imposto pela
norma, permitir a comunhão dos aquestos acaba sendo a melhor forma de se realizar maior justiça
social e tratamento igualitário, tendo em vista que o referido regime não adveio da vontade livre e
expressa das partes; iv) a partilha dos referidos ganhos com a loteria não ofenderia o desiderato
da lei, já que o prêmio foi ganho durante a relação, não havendo falar em matrimônio realizado por
interesse ou em união meramente especulativa” (REsp 1689152/SC, Rel. Ministro LUIS FELIPE
SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 22/11/2017).
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7.1.4 Bens móveis – Presumem-se adquiridos na constância do casamento, quando não se provar com
documento autêntico que o foram em data anterior. 
7.1.5 Administração – Qualquer dos cônjuges (cogestão). Detalhes nos arts. 1663 a 1666.
Cada consorte responde pelos próprios débitos, desde que anteriores ao casamento, pelo fato dos
patrimônios continuarem separados.
Quanto às dividas contraídas no exercício da administração do patrimônio comum, obrigam aos bens
comuns e aos particulares de cada cônjuge que o administra e ao outro na proporção do proveito que
houver auferido. 
As dividas contraídas por qualquerdos cônjuges, na administração de seus bens particulares em proveito
destes, não se comunicam ao outro cônjuge.
Os débitos advindos de encargos em prol da família (contas de água, luz, telefone, alimentação...), as
despesas de administração (consertos para manutenção dos bens), e as decorrentes de imposição lega
(tributos) serão comunicados entre os cônjuges.
OBS: se o debito NÃO se deu para atender as necessidades da família, o consorte lesado poderá
defender sua meação, no caso de cobrança de terceiros.
7.2. Comunhão universal de bens (arts. 1667 a 1671, CC): 
É o regime de bens, estipulado mediante pacto antenupcial, através do qual todos os bens dos nubentes,
presentes ou futuros, adquiridos antes ou depois do casamento, bem como suas dívidas passivas tornam-
se comuns, constituindo uma só massa. Todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas
passivas comunicam-se, com algumas exceções previstas em lei (Art. 1667). 
7.2.1 Características:
• O regime da comunhão universal instaura o regime de indivisão do patrimônio comum, não
podendo, mesmo que de interesse de ambos contratarem sociedade entre si.
• Antes da dissolução e da partilha não há meação, mas tão-somente metade ideal de bens e
dividas comuns.
• Há comunicação tanto do ativo como do passivo.
• Os bens do outro cônjuge só responderão se comprovar que o mesmo obteve algum lucro.
• No caso de morte de um dos cônjuges, o acervo será partilhado em duas partes, uma para o
cônjuge sobrevivente e outra para os filhos do de cujus 
• Os bens incomunicáveis não serão partilhados.
• Se houver declaração de nulidade ou anulação do casamento, não se tem a comunhão de bens,
em razão do fato de não se ter casamento. Neste caso, cada consorte ficará com os bens que
possuía antes do casamento, não havendo o que se falar em partilha dos mesmos. 
• No caso de declaração de nulidade ou anulação do casamento, os bens adquiridos depois da sua
realização serão partilhados entre os consortes, meio a meio.
• Se o casamento for reconhecido como putativo, por reconhecer a boa –fé de um ou de ambos os
consortes, os bens serão partilhados meio a meio.
7.2.3. Princípios: Em regra, tudo que entra para o acervo de bens do casal fica subordinado à lei da
comunhão. 
Torna-se comum tudo o que cada consorte adquire, no momento em que se opera a aquisição.
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Os cônjuges são meeiros de todos os bens do casal, ainda que um deles nada tenha trazido ou nada
adquiriu na constância do matrimônio.
Necessita de pacto antenupcial.
7.2.4. Bens excluídos da comunhão universal. (Art. 1668) São os casos dos bens personalíssimos.
I- Os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar.
II- Os bens doados com cláusula de reversão.
 Com a morte do donatário os bens retornam para o doador, não se comunicando aos bens do
cônjuge do falecido.
III- Os bens doados ou herdados com cláusula de inalienabilidade
 Uma vez que a comunicação é vista como alienação da metade do bem ao outro cônjuge, os que
são inalienáveis serão ,portanto, incomunicáveis.
IV- As dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou
reverterem em proveito comum.
 Pelas dividas contraídas antes da celebração do casamento, serão de responsabilidade exclusiva
do cônjuge que a contraiu, respondendo pelas mesmas os seus bens particulares, ou os bens que
ele trouxe para a comunhão.
 Só com a dissolução do casamento, a meação do devedor responde pelos débitos contraídos antes
das núpcias. 
 OBS: as dividas contraídas antes do casamento, oriundas de despesas para a realização do
mesmo (como enxoval, buffet, festa) serão comunicáveis.
V- As doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com clausula de incomunicabilidade.
 Visa proteger o donatário ainda que o doador seja o outro consorte.
VI- Os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão devida ao seu cunho estritamente
pessoal.
 Quando os livros se destinarem a negócio, ou constituírem, por sua quantidade, parcela apreciável
do ativo, deverão ser comunicáveis.
 Quando os livros se destinarem ao exercício da profissão, serão incomunicáveis.
VII- Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge.
 Neste caso o salário em si não se comunica, todavia os bens adquiridos com o mesmo são
comunicáveis.
VIII- As pensões, meio soldos, montepios, e outras rendas semelhantes.
 Neste caso as rendas em si não se comunicam, todavia os bens adquiridos com o mesmo são
comunicáveis.
IX- O usufruto de certos bens oriundos de doação ou deixa testamentária.
X- Os bens de herança necessária que se impuser clÁusula de incomunicabilidade.
XI- Os direitos patrimoniais do autor, excetuados os rendimentos resultantes de sua exploração, salvo
pacto antenupcial em contrário.
A incomunicabilidade dos bens descritos no artigo 1668, não se estende aos frutos (civis, naturais ou
industriais), 
Frutos percebidos durante o casamento se comunicam (Art. 1669), quando se percebem ou se vencem
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durante o matrimônio. Ex: se um dos nubentes, antes de se casar, tinha direito a uma pensão, esse direito
não se comunica à pensão, mas os frutos advindos da mesma durante o casamento são comunicáveis.
7.2.5. Administração do patrimônio:
Do mesmo modo que a comunhão parcial – art. 1663. Pode ser exercida por qualquer dos cônjuges,
sendo que as dividas contraídas na gestão terão seus pagamentos garantidos tanto pelos bens comuns
como pelos particulares do administrador. 
7.3. Regime de participação final nos aquestos (Arts. 1672 a 1686 do CC): É um regime misto, pois
durante o casamento aplicam-se as regras da separação total e, após a dissolução, as da comunhão
parcial.
No regime da participação final nos aqüestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante disposto
no artigo seguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens
adquiridos pelo casal, a titulo oneroso, na constância do casamento.
Precisa de pacto antenupcial (Art. 1672).
7.3.1 Características:
É um regime inovador do Código de 2002.
Suprimiu o regime dotal e introduziu o regime da participação final nos aquestos.
É visto com maus olhos pelos doutrinadores, vez que o entendem como um negócio patrimonial que
suplanta o cunho afetivo que deve conter o casamento.
Consideram-se aquestos não apenas os que restarem no momento da dissolução da sociedade conjugal,
mas todos os bens adquiridos durante o tempo em que durou o casamento e os respectivos valores se
tiverem sido alienados. 
O casamento precisa ter uma contabilidade permanente, sob pena de não ser possível efetuar a
comunhão de aquestos final.
A regra é a formação de dois patrimônios distintos, o do marido e o da mulher (os bens adquiridos antes
ou depois do casamento constituem patrimônio particular). Quando da dissolução da sociedade conjugal,
os bens são considerados de acordo com o modelo da comunhão parcial.
Durante o período em que perdurar o casamento, não haverá nenhuma comunhão de bens, ainda que
parcial. Existe apenas uma expectativa de direito, que será constituído no momento em que a sociedade
conjugal chegar ao fim. Marido e mulher comportam-se como se estivessem submetidos ao regime da
separação de bens.
Cada cônjuge conserva seu patrimônio pessoal, inclusive a livre administração. Exige-se, porém, para a
venda de imóveis a autorização do outro.
É um regime pouco escolhido, mas é o que rege o patrimônio do casal Luciano Huck e Angélica.
7.3.2 Princípios e Regras 
• Durante o matrimônio, cada cônjuge é proprietário exclusivo de seus bens, sendo que somente no
caso de separação o outro terá direitos sobre a metade das vantagens que cada cônjuge teve com
os seus bens particulares.
• Os cônjuges conduzem-sedurante o casamento como se estivessem sob o regime da separação
parcial de bens, mantendo apenas uma expectativa na meação ao final do casamento. 
• Não há meação entre os cônjuges durante o casamento, sendo que esta somente persistirá no
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caso de separação judicial ou de fato.
• Os bens móveis, quando não houver qualquer disposição em contrário, presumem-se adquiridos
durante o casamento.
• Alienação de bens imóveis de cada cônjuge: No pacto antenupcial que o determinar, os cônjuges
poderão convencionar, expressamente, a livre disposição de bens imóveis, desde que particulares
(art. 1656).
• Alienação de bens moveis de cada cônjuge: Durante a vigência do casamento, cada cônjuge
poderá dispor de seus bens móveis particulares, sem a anuência e autorização do outro.
• No silencio do pacto antenupcial: Se no pacto antenupcial os cônjuges não convencionarem,
expressamente, acerca da alienação dos bens particulares, a mesma se restringirá apenas aos
bens móveis.
• Massas de bens: Neste regime existem duas massas de bens, a do marido e a da mulher. (Art.
1673 CC) Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por eles
adquiridos, a qualquer título, na constância do casamento (Entenda por patrimônio próprio, o
patrimônio pessoal de cada cônjuge).
• Direito de preferência do cônjuge: Ao se alienar um bem, o cônjuge deve dar preferência ao seu
consorte, sob pena de o mesmo o reivindicar perante terceiros.
• Incorporação do valor do bem alienado: Se qualquer dos cônjuges alienar um de seus bens,
adquiridos após o casamento, o valor deve ser integralizado ao monte a ser partilhado.
• Meação: irrenunciável, cessível, impenhorável na vigência do regime conjugal. É impenhorável,
mas não os bens que a compõem.
7.3.3 Bens excluídos da apuração dos aquestos: Exclusão do seguinte patrimônio (art. 1674)
I- os bens anteriores ao casamento, e os que em seu lugar se sub-rogarem;
II- os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade;
III- as dívidas, relativas a estes bens.
7.3.4. Doações realizadas por um dos cônjuges sem a anuência do outro: Apesar de cada cônjuge
ser titular do seu próprio patrimônio, o mesmo não poderá fazer doá-los sem a autorização do outro.
Caso um dos cônjuges faça a doação de parte de seus bens, sem a autorização do outro, no momento da
apuração dos aquestos, o valor da doação desautorizada deve ser computado no monte partível. 
O bem doado sem autorização de um dos cônjuges pode ser reivindicado, ao terceiro, pelo cônjuge
prejudicado ou por seus herdeiros. 
Obs: tal preceito é demasiadamente criticado pelos doutrinadores vez que gera uma enorme insegurança
jurídica, e prejudica até mesmo terceiro de boa-fé.
7.3.5. Dividas contraídas pelos cônjuges durante o casamento.
• Dividas anteriores ao casamento: Como acima demonstrado, as dívidas anteriores ao casamento,
não entram para a massa a ser partilhada.
• Dívidas posteriores ao casamento: Serão de responsabilidade exclusiva do cônjuge que a contraiu,
salvo se comprovar que as mesmas reverteram, parcial ou totalmente, em beneficio do outro.
No caso de falecimento de um dos cônjuges: Caso um dos cônjuges venha a falecer e o valor de suas
dívidas for maior que o de sua meação, as mesmas não se obrigam ao cônjuge sobrevivente, nem
tampouco aos seus herdeiros.
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7.3.6. Balanço contábil no momento da partilha dos aquestos: Exigência do artigo 1678 do CC. Se um
dos cônjuges, solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio, o valor deve ser atualizado e
amortizado na meação do outro no momento da separação.
Caso os cônjuges tenham, na constância do casamento, adquiridos bens pelo trabalho conjunto, o bem
será dividido em quotas igual a um condomínio, ou no valor do crédito disponibilizado por cada um.
7.3.7. Apuração dos aquestos: No caso de separação judicial ou divórcio direto, o montante dos
aquestos devem ser considerados os existentes à época em que cessou a convivência e não o da data
que decretou a separação judicial ou divórcio.
A divisão dos bens - reposição em dinheiro ao outro cônjuge: Quando não for possível a divisão dos bens
em natureza, deverá ser calculado o valor de uns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge não
proprietário.
No caso de falecimento de um dos cônjuges: Caso um dos cônjuges venha a falecer durante a relação
matrimonial, a meação do cônjuge sobrevivente deverá obedecer a mesma forma da separação judicial ou
divorcio e a outra meação partilhada entre os herdeiros do de cujus. 
7.4. Separação de bens (arts. 1687 a 1688, CC): 
Neste regime, cada cônjuge conserva, com exclusividade, o domínio, posse e administração dos bens
presentes e futuros e a responsabilidade pelos débitos anteriores e posteriores ao casamento.
É o regime de bens através do qual, nenhum bem e seus respectivos frutos, nem tampouco as dívidas se
comunicam com a do outro..
7.4.1. Características
• A principal característica é a completa distinção de patrimônios dos dois cônjuges (Art. 1687).
• Nem os frutos, nem as aquisições advindos após o casamento se comunicam.
• Cada cônjuge permanece na posse, propriedade e administração de seus bens.
• Cada cônjuge poderá alienar ou gravar com ônus real os seus próprios bens, móveis ou imóveis,
sem que haja necessidade de ciência e autorização do outro. 
• Os cônjuges são obrigados a contribuírem com as despesas do casal na proporção dos
rendimentos de seu trabalho e de seus bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. 
• Possibilidade dos cônjuges estabelecerem, através do pacto antenupcial, a comunhão de
determinados bens e sua administração.
• Obs: no silêncio do pacto, cada cônjuge conserva a administração e fruição de seus bens.
• Não há comunhão dos bens adquiridos, se há pacto antenupcial prevendo tal forma (RTJ 776/176).
• Não se faz necessária a outorga uxória ou concordância marital para alienação de bens imóveis.
7.4.2. Hipóteses:
Separação Voluntária: fixada pela vontade dos nubentes, consubstanciada através de pacto
antenupcial..Admite modificação de regras no pacto antenupcial.
Separação de bens obrigatória: imposição legal, nos casos já estudados de casamento de um dos
cônjuges enquanto houver causa suspensiva a ser dirimida (art. 1523) ou para proteger menores (que
dependem de suprimento judicial – menores de 18 ou, excepcionalmente, também menores de 16) e
maior de 70 anos – Ver art. 1641. Não permite qualquer modificação.
Observação: conforme decisão unânime da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, em
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15/12/2016, o regime de separação de bens deixa de ser obrigatório no casamento de idosos se o casal já
vivia um relacionamento em união estável, iniciado quando os cônjuges não tinham restrição legal à
escolha do regime de bens. Nesse caso, de acordo com o entendimento dos ministros, não há
necessidade de proteger o idoso de “relacionamentos fugazes por interesse exclusivamente econômico”,
interpretação que “melhor compatibiliza” com o sentido da Constituição Federal, segundo o qual a lei deve
facilitar a conversão da união estável em casamento. A decisão colegiada foi tomada no julgamento de
processo que envolvia um casal que viveu em união estável por 15 anos, até 1999, quando se casaram
pelo regime de comunhão total de bens. Na época do matrimônio, o marido tinha 61 anos e filhos de outro
relacionamento. A Ministra Relatora, Isabel Gallotti, destacou ainda que aceitar os argumentos do recurso
acarretaria “incoerência jurídica”. Isso porque, durante a união estável, o regime era o de comunhão
parcial. Ao optar pelo casamento, “não faria sentido impor regime mais gravoso”, ou seja, o da separação,“sob pena de estimular a permanência na relação informal e penalizar aqueles que buscassem maior
reconhecimento e proteção por parte do Estado, impossibilitando a oficialização do matrimônio”. A relatora
ressaltou que a lei ordinária deve merecer interpretação compatível com a Constituição. “No caso, decidir
de modo diverso contrariaria o sentido da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 226, parágrafo 3°, a
qual privilegia, incentiva e, principalmente, facilita a conversão da união estável em casamento”, concluiu.
Observação 2: Súmula 377, STF: no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na
constância do casamento. 
Há um entendimento no sentido que tal súmula ainda estaria em vigor, para mitigar os efeitos da
separação obrigatória, em especial aos maiores de 70 anos que contraiam núpcias.
Segundo entendimento de Carlos Roberto Gonçalves: “A súmula 377 do Supremo Tribunal Federal abriu a
possibilidade de amenizar o princípio da imutabilidade do regime legal do casamento, ao proclamar que
“no regime de separação legal de bens comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”.
Permitiu, desse modo, que sejam reconhecidos, no aludido regime, a colaboração esforço comum dos
cônjuges" (2016, p. 440)”.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de ser aplicável a
obrigatoriedade do regime de separação de bens no casamento da pessoa maior de 70 anos, ser devida a
partilha igualitária dos bens adquiridos onerosamente e desde que comprovado o esforço comum na sua
aquisição, observando o disposto na Súmula 377: "APELAÇÕES CÍVEIS – RECONHECIMENTO E
DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL C/C COM PARTILHA DE BENS E ALIMENTOS – UNIÃO ESTÁVEL –
REQUISITOS PREENCHIDOS – SEXAGENÁRIO – APLICAÇÃO DO REGIME DE SEPARAÇÃO TOTAL DE BENS –
RECURSOS NÃO PROVIDOS. Deverá ser reconhecida a existência de união estável se as provas produzidas nos
autos demonstram a convivência pública, continua, duradoura, e estabelecida com “animus definitivo”. A
jurisprudência do col. Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de ser aplicável a obrigatoriedade
do regime de separação de bens no casamento da pessoa maior de 60 (sessenta) anos, nos termos do art. 1.641,
inc. II, do Código Civil, alterado para 70 (setenta) anos pela Lei n° 12.344/2010, às uniões estáveis, observado,
porém, o disposto na Súmula 377 do exc. Supremo Tribunal Federal.” (REsp 1.653.890/MG. REL: MINISTRO
LÁZARO GUIMARÃES, Data de Julgamento: 21/09/2015. Data de publicação: DJe de 04/04/2018, fl. 1031).
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE FAMÍLIA. RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE
UNIÃO ESTÁVEL. COMPANHEIRO SEXAGENÁRIO. REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 1.641, II, DO CC/2002.
APLICAÇÃO. REGIME DE SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS. PARTILHA. BENS ADQUIRIDOS
ONEROSAMENTE. NECESSIDADE DE PROVA DO ESFORÇO COMUM. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1.
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De acordo com a redação originária do art. 1.641, II, do Código Civil de 2002, vigente à época do início da união
estável, impõe-se ao nubente ou companheiro sexagenário o regime de separação obrigatória de bens. 2. "No regime
de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que comprovado o
esforço comum para sua aquisição" (EREsp 1.623.858/MG, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES -
DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO -, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 23/05/2018, DJe de
30/05/2018). 3. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp 1637695/MG, Rel. Ministro RAUL
ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 10/10/2019, DJe 24/10/2019).
"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE FAMÍLIA.
CASAMENTO. SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS (ARTS. 258, II, DO CC/1916 E 1.641, II, DO CC/2002).
PARTILHA. PATRIMÔNIO. ESFORÇO COMUM. PROVA. INDISPENSABILIDADE. SÚMULA Nº 377/STF. (...) 2. A
jurisprudência desta Corte encontra-se consolidada no sentido de que, no regime de separação obrigatória de bens,
comunicam-se aqueles adquiridos na constância do casamento desde que comprovado o esforço comum para sua
aquisição, consoante interpretação conferida à Súmula nº 377/STF. 3. O regime da separação convencional de bens,
escolhido livremente pelos nubentes, à luz do princípio da autonomia de vontade (por meio do pacto antenupcial), não
se confunde com o regime da separação legal ou obrigatória de bens, que é imposto de forma cogente pela
legislação (arts. 1.641 do Código Civil de 2002 e 258 do Código Civil de 1916).." (AgInt no AgRg no AREsp
233.788/MG, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/11/2018, DJe
21/11/2018)
Assim fica notório com a aplicabilidade da Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal, abriu-se para os
cônjuges maiores de 70 anos de idade, a possibilidade de após a dissolução do casamento, tanto pela
morte, quanto pelo divórcio, haver a possibilidade de comunicação dos bens, desde que estes bens sejam
adquiridos por ambos, de forma onerosa, na constância do casamento, de forma bem documentada. 
Outrossim, existem julgados que, mesmo que o cônjuge não tenha ajudado na aquisição, pode-se ser
presumido, comunicando. Tenho ressalvas a este entendimento, pois aí teríamos o regime da Comunhão
Parcial de Bens, perdendo a razão de ser a separação obrigatória. Para mim, não basta a mera suposição.
Explico, à medida que o esforço é presumido, o enriquecimento ilícito na verdade é incentivado e não
coibido, sem contar que essa nova aplicação difere frontalmente do ideal do regime em si, sendo melhor
que fosse aplicado de antemão a esses casos, o parcial de bens, evitando assim tanta confusão e
distorção do conceito em si.
Ressalte-se que "O aludido verbete sumular não tem aplicação quando as partes livremente convencionam
a separação absoluta dos bens, por meio de contrato antenupcial. Precedentes." (STJ, 4ª Turma, REsp
1481888/SP, Relator: Ministro MARCO BUZZI, Data de Julgamento: 10/04/2018, DJe 17/04/2018).
Portanto, quanto à separação total convencional, tendo pacto definindo as regras, apenas será meado o
que for provado esforço comum, com participação onerosa, ou dívidas em benefício do casal. Fora essas
exceções à proteção ainda se mantém, ao menos no divórcio, pois na sucessão não. Mas isso é matéria
para outro módulo.
7.5 Mutabilidade do regime de bens. Casamento e União Estável
A mutabilidade do regime de bens, no casamento, pode ser considerada uma das matérias mais
impactantes no Direito de Família dos últimos tempos, pois trouxe a possibilidade dos cônjuges exercerem
a autonomia quanto aos pactos matrimoniais não somente antes, mas também após a celebração do
casamento. Com isso o ordenamento brasileiro pôs fim à tradição de que as partes somente poderiam
escolher o regime de bens antes de celebrado o casamento.
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Durante o processo de tramitação do que agora é o Código Civil, a matéria foi objeto de amplo debate no
cenário nacional, estando na mira de muitas críticas, sendo inclusive considerada como um dispositivo que
conspirava contra o casamento, porque colocaria em risco a segurança dos cônjuges.
Embora polêmica, a matéria ganhou força no Direito brasileiro em virtude da constatação de que os
motivos que impediam sua viabilidade não se mostravam mais presentes. Não se podia mais falar em
parte débil da relação matrimonial, em virtude do princípio da isonomia conjugal consagrado pela
Constituição Federal. E mesmo na vigência do CC de 1916, se vislumbrava que o regime da imutabilidade
não era satisfatório porque ainda que a imutabilidade fosse uma regra, essa regra acabava sendo
relativizada.
O Código Civil de 2002 subverteo sistema anterior, e passa a admitir a alteração do regime de bens no
curso do casamento, nas condições postas pelo artigo 1.639, § 2º. 
Desta forma, o ordenamento jurídico nacional, na linha das legislações mais recentes, faz com que a
autonomia de vontade dos cônjuges, no que diz com o ajuste dos efeitos patrimoniais do casamento,
amplie-se consideravelmente, não se manifestando apenas no momento anterior ao matrimônio, através
da pactuação do regime de bens que adotarão ao casar – momento em que, pelo consagrado princípio da
livre estipulação (art. 1.639, CC), poderão escolher (salvante as hipóteses em que é obrigatório o regime
da separação de bens – art. 1.641, CC) o regime de bens que melhor lhes aprouver – como podendo vir a
modificar, ante circunstâncias que a extraordinária dinâmica da vida venha a lhes apresentar, a escolha
feita naquele momento precedente.
Entretanto, para que se viabilize tal modificação, diversos requisitos estão postos na lei.
O Código de Processo Civil de 2015 trouxe uma previsão específica na legislação processual referente a
alteração do regime de bens, devendo ser feita por meio de ação, o pedido, devidamente justificado, é
proposto por ambos os cônjuges, representados por advogado, por meio de Jurisdição Voluntária,
conforme preceitua o art. 734 e seus parágrafos: "a alteração do regime de bens do casamento,
observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição assinada por ambos os
cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a alteração, ressalvados os direitos de
terceiros”.
Primeiro, o pedido deve ser formalizado em juízo, cautela que se mostra adequada, ante a relevância da
medida, uma vez que visa resguardar tanto os interesses dos próprios cônjuges como de terceiros,
evitando, quanto possível, possíveis abusos que, de outra forma, teriam melhor chance de prosperar.
Nessa perspectiva, de todo recomendável que seja realizada audiência para fins de ratificação do pedido,
ocasião em que o magistrado terá a oportunidade de, em contato direto com as partes, melhor aferir as
verdadeiras razões do pedido, esclarecendo o casal sobre as consequências de sua nova opção.
No que diz com a intervenção do Ministério Público, embora admita controvertido o tema, considero-a
necessária, considerando que se trata de causa atinente ao casamento, não obstante de conteúdo
meramente patrimonial. Ocorre que os dispositivos em foco não operam tal distinção, determinando que a
intervenção se dê em atenção à natureza do instituto.
Deferida a alteração por sentença, isso basta para todos os fins, não sendo necessário lavrar escritura
pública posterior, o que se caracterizaria como absurda superfetação, tendo em vista que a petição onde
for postulada a modificação do regime de bens deverá conter todas as cláusulas do novo ajuste
patrimonial, não sendo demais lembrar que o processo judicial, em sentido amplo, constitui um escrito
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público.
Ressalta-se que, nos termos do artigo 734, § 3º do CPC/2015, a eficácia da sentença da alteração do
regime de bens perante terceiros depende da averbação nos Cartórios de Registro Civil e de Imóveis,
conforme determina o artigo 1.657 do Código Civil, somente passando a produzir tais efeitos a partir da
data desse assento. Caso qualquer dos cônjuges seja empresário, ao Registro Público de Empresas
Mercantis e Atividades Afins. Se já tiver ocorrido o registro de um pacto antenupcial no álbum imobiliário –
o que, segundo remansosa doutrina, deve ocorrer no primeiro domicílio conjugal –, e se encontre o casal
agora em outro domicílio, impositivo novo registro, agora no domicílio atual, além de averbar-se no registro
original a alteração levada a efeito, como também na matrícula de cada imóvel de titularidade do casal.
Esclareça-se não haveria nenhuma partilha de bens em razão da modificação do regime de bens. Pois
esta só poderá ocorrer caso seja requerida a separação ou o divórcio. O simples pedido de alteração do
regime de bens, outrora eleito pelos envolvidos, não ocasiona ou resulta na partilha dos bens já existentes.
Entretanto, diante das inúmeras possibilidades de combinação e alteração do regime de bens, melhor
entendimento ou regra é quando o novo regime determinar a substituição de maior para menor
comunicabilidade haverá necessidade de uma "partilha", ou melhor dizendo uma modulação patrimonial,
por exemplo, quando se muda da comunhão parcial ou comunhão universal, para o regime da separação
de bens. Na mudança de um regime com menor para um de maior comunicação não haverá necessidade
de "partilha", por exemplo, a alteração de qualquer regime para o regime da comunhão universal de bens,
onde tudo se comunica.
Os efeitos do novo regime de bens seguiriam a regra natural que norteia os princípios do regime de bens;
ou seja: os efeitos são ex nunc. O que significa dizer que o regime de bens alterado passaria a vigorar da
data do trânsito em julgado da sentença que concedeu a modificação para aquele patrimônio que será
adquirido ou recebido daquela data para frente; e o patrimônio já existente seria regulado pelo regime
anterior.
Entretanto, já podemos encontrar algumas decisões nos Tribunais que divergem totalmente, possibilitando
que os efeitos do novo regime de bens sejam ex tunc, ressalvado o direito de terceiros.
Como segundo requisito, dispõe a norma que o pedido deverá ser formulado por ambos os cônjuges.
Assim, inadmissível postulação unilateral, que, se formulada, deverá ser de pronto rejeitada, por carência
de ação. Sinale-se que não é cabível pedido de suprimento judicial de consentimento para a alteração de
que se trata.
A motivação e sua prova constituem a terceira condição do pleito, cabendo à jurisprudência, na análise dos
casos concretos, fixar as hipóteses em que se permitirá a modificação pretendida. Penso, no entanto, que
não deva ser rígida a exigência quanto aos motivos que sirvam para justificar o pedido, caso contrário
ficará esvaziada a própria finalidade da norma. Ademais, não há que ter receio quanto a possíveis
prejuízos que venham a ser causados a terceiros que já sejam detentores de direitos com relação ao
casal, ou a qualquer dos cônjuges, uma vez que estão expressamente ressalvados os respectivos direitos. 
Logo, nenhuma eficácia terá contra eles a alteração produzida. Neste contexto, parece-me sem razão –
por desnecessária a providência – o enunciado aprovado ao ensejo da Jornada sobre o Código Civil,
levada a efeito no Superior Tribunal de Justiça de 11 a 13 de junho de 2002, no sentido de que a
autorização judicial para alteração do regime de bens deva ser precedida de comprovação acerca da
inexistência de dívida de qualquer natureza, inclusive junto aos entes públicos, exigindo-se ampla
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publicidade.
Deve-se guardar reserva com relação a atribuir efeito ex tunc ao regime de bens, pois em alguns casos
não seria possível alcançar os acontecimentos negociais pretéritos ocorridos entre as partes; além do
mais, se estes acontecimentos devem ser respeitados quer seja os ocorridos entre as partes e com
terceiros, em uma primeira visão só se justifica mesmo o regime retroagir para modificar a dissolução e
consequentemente o direito na partilha de bens e as regras do direito sucessório, vez que não haverá
possibilidade de modificações aos acontecimentos negociais já realizados em razão do envolvimento de
terceiros.
Há posicionamentos no sentido que a cautela deverá ser tomada pelo julgador ao atribuir efeitos ex tunc a
modificação do regime de bens, exigindo dos peticionários uma justificativa legal deste efeito, sob pena de
ocasionar um malefício futuro maior aos próprios requerentes e a terceiros que forampartes em negócios
já concretizados no passado e que devem, sem dúvida alguma, serem respeitados.
Porém, parece-me claro que toda e qualquer alteração relativamente ao regime de bens que rege a vida
conjugal, seja no casamento, seja na união estável, não tem efeito retroativo. Ou seja, o estabelecimento
de um regime de bens projeta-se sempre para o futuro. Lembro que a exceção se dá apenas no
casamento, na hipótese em que o casal passar do regime da comunhão parcial ou da separação
convencional de bens para o regime da comunhão universal. Nesse caso, todos os bens particulares e
também todos os bens adquiridos na constância do casamento de comunicam, sejam eles adquiridos a
título oneroso ou gratuito, não existindo nenhum prejuízo.
Não será possível a modificação do regime de bens daqueles casais que celebraram o matrimônio nas
circunstâncias do artigo 1.641, incisos I, II e III, do CC, estando sujeitos, assim, ao regime obrigatório da
separação de bens, salvante a hipótese de terem obtido a não aplicação das causas suspensivas,
conforme previsão do parágrafo único do artigo 1.523, caso em que não se submeterão obrigatoriamente a
esse regime, podendo, portanto, vir a alterar aquele que houverem escolhido. Interessante hipótese, no
entanto, ocorrerá quando o casamento for celebrado com infração a causa suspensiva (art. 1.523) sem
que tenha sido obtido beneplácito judicial (portanto, com adoção obrigatória do regime da separação de
bens), vindo, mais tarde, ao longo do casamento, a desaparecer a causa suspensiva (v.g., um divorciado
que não realizara a partilha e que venha depois a completá-la). Nesse caso, tenho que nenhuma razão
haverá que impeça a mudança do regime de bens, uma vez desaparecido, por circunstância
superveniente, qualquer potencial prejuízo a terceiro, o que é a justificativa que impõe aquele regime.
Em relação à mutabilidade na União Estável, se, no casamento, a alteração do regime é recebida com
reservas e se destina a regular situação futura, obviamente não é possível alterar o regime de bens na
união estável com efeito retroativo. O pacto é, em regar, destinado para regular situações futuras.
No caso, a adoção de um regime mais restritivo ao legal, no caso a separação total de bens pelo par,
implicaria dizer que todo o patrimônio que for adquirido onerosamente na constância da vida conjugal não
se comunicará. Mas não pode afetar as relações pretéritas, pois os bens que já haviam se comunicado
não vão se tornar incomunicáveis, já que o regime vigente era o da comunhão parcial. Ou seja, os bens
que eram do casal, pelo pacto, passariam a pertencer apenas ao varão.
Precisamente pela informalidade da União Estável, onde os contornos geralmente não são bem claros,
onde não há exigência de alteração formal e motivada a ser submetida ao crivo do Poder Judiciário e do
Ministério Público, há que se ter maior cautela. A finalidade é respeitar e proteger o direito de cada um, daí
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a necessidade de se afastar a retroatividade do novo regime adotado.
Portanto, no caso da lavratura da escritura pública, esta será válida e terá eficácia em relação ao regime
de bens que passou a regular a união estável, mas não terá e não pode ter efeito retroativo, devendo
sempre ser ex nunc.
Concluindo, diante da possibilidade de alteração do regime de bens no casamento e na união estável por
ampla liberdade de estipulação dos cônjuges, reconhece-se também a liberdade de escolha nos seus
efeitos, seja a substituição do regime de bens de menor comunicabilidade para maior comunicabilidade,
seja a substituição de um de maior comunicabilidade para o de menor comunicabilidade. Mas sempre
deve-se evitar a ascendência de um membro do casal sobre o outro, bem como prejuízos a terceiros.
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VIII - Da Dissolução da Sociedade e do Vínculo Conjugal: Art. 1571 a 1582 CC 
Conceito: Pode se dar pela morte de um dos cônjuges (real ou presumida); pela nulidade ou anulação do
casamento; pela separação judicial; pelo divórcio. 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Pelo Novo CPC, a competência para processamento e julgamento de
"divórcio, separação, anulação de casamento, reconhecimento ou dissolução de união estável" (art. 53, I)
passa a ser do juízo cujo foro englobar o local do domicílio do "guardião de filho incapaz" (art. 53,
I, "a"), ou, caso não haja filho incapaz, do juízo cujo foro abranger o lugar do "último domicílio do
casal" (art. 53, I, "b"). Na hipótese de nenhuma das partes residir no lugar do último domicílio do
casal, a competência será do juízo cujo foro abranger o local do domicílio do réu (art. 53, I, “c")".
A consagração de critérios que levem em conta o domicílio do guardião ou o último domicílio do casal
afigura-se, sem dúvida, mais justa e objetiva.
A IGUALDADE DE TRATAMENTO ENTRE HOMENS E MULHERES E ENTRE CÔNJUGES E
COMPANHEIROS É O QUE SE DESTACA NO NOVO CPC.
Espécies: 
1. Pela morte de um dos cônjuges: Acarreta a dissolução da sociedade conjugal e do casamento,
mesmo na hipótese de ser presumida.
2. Nulidade e anulabilidades do casamento: Já analisadas anteriormente.
3. Separação judicial: (Sem eficácia pela Emenda Constitucional nº 66/2010) 
Acarreta a dissolução apenas da sociedade conjugal. Era medida provisória e preparatória de um futuro
divórcio. (Obs.: Ver Emenda Constitucional nº 66/2010).
Põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens, nos termos do art.
1576. No entanto, permanecem os deveres (art. 1566) de mútua assistência, sustento, guarda e educação
dos filhos, respeito e consideração mútuos.
Procedimento: Cabe tão-somente aos cônjuges (art. 1576); no caso de incapacidade, podem ser
representados por curador, descendente ou irmão (par. único). Se um deles morrer, será extinta a ação. 
Curiosamente o Novo CPC presou pela manutenção do instituto da separação.
Durante o processo legislativo do Novo CPC, após ampla discussão sobre manter ou não a separação no
texto legal, a qual durou alguns meses, em audiência realizada em 29 de novembro de 2011 na Câmara
dos Deputados, uma advogada paulistana defendeu que o novo diploma deveria manter uma disciplina
especial para o procedimento da separação e o resultado final foi neste sentido, o Novo CPC manteve em
seu texto (artigos 23, III; 53, I; 189, II; 693; 731; 732 e 733) a presença do instituto da separação, mas
somente um deles fala em separação judicial (23 III). Todos os demais usam somente a expressão
separação. Deste modo, para não rotular de inconstitucionais tais dispositivos o melhor é reconhecer que
a referência diz com a separação de fato ou a separação de corpos, quando é decretada judicialmente.
Não há outra leitura possível de tais dispositivos. 
A tese aceita é, sumariamente, que a Emenda Constitucional 66/2010 não revogou expressamente a
separação, que se trata de em um instituto autônomo e ainda útil, mas tão somente dispensou seu uso
para o alcance do divórcio. 
Em sentido contrário, defende-se que tais dispositivos são inconstitucionais, uma vez que a EC 66/2010
expurgou do sistema jurídico a separação, que não é um instituto autônomo, mas singelo procedimento
legal e necessário para o divórcio em sistema vigente até a EC 66/2010. Entendo que a medida teria
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cabimento em situações muito sui generis, que poderiam ser facilmente supridas por procedimentos
criminais, com base na Lei Maria da Penha em caso de agressões, ou o Divórcio Direito para efeitos civis.
3.1. Separação judicial por mútuo consentimento: Requer casamento com mais de um ano e
manifestação da vontade dos cônjuges (art. 1574). Não precisa ser acompanhada de motivação e requer
homologação judicial depois de ouvido o Ministério Público para que produza efeitos.O juiz não está
obrigado a homologar essa separação se perceber insinceridade dos cônjuges, mas se for o caso, deverá
fundamentar as razões da recusa (art. 1574, par. único).
Realiza-se por um requerimento conjunto assinado pelas partes e advogado (s), comunicando a intenção
de colocar termo à sociedade conjugal, convencionando as cláusulas e condições em que o fazem, com a
descrição de bens do casal, certidão de casamento, pacto antenupcial se houver, partilha, alimento aos
filhos (irrenunciável) e de uma ao outro cônjuge, se necessário, ditando ainda sobre o regime de visitar
(inclusive repartição de férias e dias festivos), além de esclarecimento quanto ao nome dos cônjuges.
3.2. Separação Litigiosa: Dá-se pela vontade unilateral de um dos cônjuges, qualquer que seja o tempo
do casamento, diante das causas previstas em lei, exigindo sentença decisória. A tentativa de conciliação
é obrigatória. São três as espécies:
a) Separação sanção: ocorre quando um dos consortes imputar ao outro conduta desonrosa
(elemento subjetivo de comportamento que indique o menosprezo de ambiente familiar ou no meio social
em que vive o casal) e violação dos deveres matrimoniais, tornando insuportável a vida em comum (arts.
1572 e 1573).
b) Separação falência: ocorre quando há ruptura da vida em comum por mais de um ano, sem
possibilidade de reconciliação, sendo irrelevante a culpa e o motivo (art. 1572, §1o.)
c) Separação remédio: decorre de doença mental de um dos consortes, manifestada após o
casamento, sem possibilidade de cura e continuação da vida em comum, podendo ser requerida somente
após dois anos de duração. Pode ser indeferida pelo juiz diante do interesse dos filhos menores e
agravamento da doença (art. 1572, § 2o.).
A separação litigiosa obedece ao rito ordinário e pode ser precedida de medida cautelar de separação de
corpos que destitui o dever de coabitação e determina prestação de alimentos provisionais.
3.4 Efeitos da separação: a) põe termo aos deveres recíprocos do casamento, inclusive a coabitação;
b)impede a realização de novas núpcias; c) autoriza a conversão em divórcio após um ano de vigência da
separação; d) quanto ao patrimônio, põe fim ao regime de bens, substituindo o dever de sustento pela
obrigação alimentar.
4. Divórcio: Dissolução de um casamento válido, permitindo a convolação de novas núpcias, após
proferida a sentença judicial. Caracteriza-se por ser uma permissão jurídica colocada a disposição dos
consortes. Pode ser de forma direta ou indireta.
4.1 Prazos antes da EC nº 66/2010 (art. 1580 do CC)
- Divórcio indireto: após um ano do transito em julgado da sentença que decretou a separação judicial;
- Divórcio direto: após dois anos de separação de fato;
Obs.: Ambos poderiam ser nas formas consensual ou litigioso.
NOTA: Com a Emenda Constitucional nº 66/2010, extinguiu-se o prazo para interposição da ação de
divorcio pelos cônjuges pela nova redação do § 6º do art. 226 da Constituição Federal “§ 6º O casamento
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civil pode ser dissolvido pelo divórcio." 
Consequentemente, atualmente não há mais razão para separação judicial, mas apenas divórcio
direto.
a) Divórcio indireto: (Sem eficácia, tão somente para os já separados antes da EC nº 66/2010 ainda
não divorciados) 
- Consensual: um dos cônjuges, com o consentimento do outro, pede a conversão da prévia separação
judicial (consensual ou litigiosa), em ação de divórcio (art. 35 da Lei 6515/77). Mas agora com a nova
redação do art. 226, §6º, CF, perdeu-se totalmente a eficácia o disposto no art. 1580, § 1 º, do CC. (Obs.:
Ver Emenda Constitucional nº 66/2010).
- Procedimento: Decretado a pedido de ambos; pedido será apensado aos autos da separação judicial,
salvo se os autos houverem se extraviado ou se encontrarem em outra circunscrição judiciária. Neste
caso, o pedido deve ser instruído com a certidão da sentença, ou de sua averbação no assento do
casamento; o juiz conhecerá do pedido, após oitiva do MP, proferindo sentença no prazo de dez dias; a
sentença limitar-se-á à conversão da separação em divórcio.
- Litigioso: ocorre quando um dos cônjuges, judicialmente separado do outro há mais de um ano,
recusa-se a conceder a conversão da separação judicial em divórcio; há necessidade de sentença judicial
proferida em sede de jurisdição contenciosa.
- Procedimento: Será decretado a pedido de um dos cônjuges; o pedido será apensado aos autos da
separação judicial, salvo se os autos houverem se extraviado ou se encontrarem em outra circunscrição
judiciária. Neste caso, o pedido deve ser instruído com a certidão da sentença, ou de sua averbação no
assento do casamento; o foro competente é o de domicílio da mulher; o outro cônjuge será citado e não
caberá reconvenção na resposta. A contestação somente pode se fundar em falta de decurso do prazo de
um ano da separação judicial; não havendo contestação ou necessidade de produção de provas, o juiz
conhecerá do pedido, após oitiva do MP; a sentença limitar-se-á à conversão da separação em divórcio. 
b) Divórcio direto: 
- Consensual: decorre de mútuo consentimento do casal que se encontra separado de fato, sem prazo
para tal desiderato, (art. 226, § 6º, CF). Não há mais a necessidade do lapso de dois anos, conforme art.
1580, § 2º, do CC. (Obs.: Ver Emenda Constitucional nº 66/2010). 
Rito: Seguia-se o rito dos arts. 1120 a 1124 do antigo CPC, agora disposto nas Ações de Direito de
Família, concentradas a partir do art. 693 no NCPC, verbis: “Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-
se aos processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável,
guarda, visitação e filiação. Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de
criança ou de adolescente observarão o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no
que couber, as disposições deste Capítulo.”
Observação: Vigora no sistema jurídico atual regras procedimentais esparsas disciplinadas em algumas
normas específicas, como a Lei de Alimentos (5.478/68), Lei da Alienação Parental (12.318/2010),
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - 8.069/90)
Mais do que nunca as Ações de Direito de Família estão caracterizados pela “plasticidade” e por um
menor rigor formalista, com uma incidência preponderante do princípio da conciliabilidade (ou do estímulo
estatal à autocomposição), os processos atinentes a questões de Direito de Família careciam de um
regramento procedimental mínimo. Portanto, o Código de Processo Civil de 2015 cuidou de dedicar-lhes
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normatização própria, nos arts. 693 a 699.
- Procedimento: Novidade trouxe o Novo CPC relativamente à alteração do procedimento para as ações
de família de propositura consensual (amigável), inseridas no procedimento da jurisdição voluntária,
artigos 731 a 734. Tais procedimentos dizem respeito à obrigatória intervenção do Estado na autonomia
privada, necessários para a obtenção de determinado fim (divórcio, separação, extinção de união estável
e alteração de regime de bens), apesar da consensualidade, razão pela qual o legislador foi preciso ao
incluir tais medidas nos procedimentos de jurisdição voluntária.
A normatização é das mais enxutas. Limita-se a exigir que a petição seja assinada por ambos os cônjuges
ou companheiros, na qual deve constar a descrição dos bens e a deliberação sobre a partilha, a
disposição sobre pensão alimentícia entre as partes e com relação aos filhos, bem como o acordo relativo
à guarda e ao regime de visitas. 
A partilha não precisa ser definida, podendo ocorrer posteriormente, de forma amigável ou litigiosa,
obedecendo o procedimento de partilha no processo de inventário (art. 647 a 658).
Não há a determinação de que seja ouvido o casal e muito menos que ocorra audiênciade ratificação,
como previa a legislação pretérita, a evidenciar que a solenidade foi dispensada. A solução é bem-vinda
diante da possibilidade de ser utilizada a via extrajudicial. 
A falta de previsão do procedimento de conversão da separação em divórcio, não permite que seja
buscada judicialmente. As partes somente poderão fazê-lo pela via extrajudicial. Em juízo somente podem
requerer o divórcio, de forma amigável ou litigiosa.
A faculdade de ocorrer a dissolução do casamento por escritura pública não atentou aos apelos da
doutrina, que sempre questionou a exigência do uso da via judicial pelo fato de existirem filhos incapazes.
Estando solvidas as questões referentes à prole, nada justifica a necessidade da chancela judicial, até
porque não mais é realizada audiência em juízo para a decretação do divórcio.
A via extrajudicial é facultativa, mas é proibida se houver nascituro ou filhos incapazes (art. 733). Sem a
necessidade de homologação judicial, é título hábil para todos os atos: registros e levantamento de
importâncias depositadas em instituições financeiras (art. 733, § 1º). Às claras que o rol não é exaustivo,
valendo para todos os fins. 
- Litigioso: um dos consortes pede o divórcio, sem prazo para tal desiderato, (art. 226, § 6 º, CF), por
um dos motivos elencados para a separação litigiosa.
- Procedimento: Segue-se o menor rigor formalista, com uma incidência preponderante do princípio da
conciliabilidade (ou do estímulo estatal à autocomposição), conforme arts. 693 a 699 do NCPC. Merece
referência, nessa nova ambiência normativa, o fato de que o mandado de citação deverá apenas conter
os dados necessários à audiência, sem estar acompanhado de cópia da petição inicial, o que favorece o
esforço conciliatório, na medida em que o réu - salvo na hipótese de desejar ir ao cartório tomar ciência do
teor da peça exordial (direito que lhe é assegurado) - comparecerá à assentada conciliatória sem
necessariamente saber as razões - muitas vezes agressivas e belicosas - do ajuizamento da demanda (§
1º , art. 695).
O ponto polêmico é o disposto no parágrafo 1º, do artigo 694, o qual determina que o mandado de citação
não conterá cópia da petição inicial (contrafé) e citará o réu para comparecer à audiência de conciliação,
em vez de citá-lo para defender-se no prazo legal. Para muitos o dispositivo é inconstitucional, pois
ofende o princípio da ampla defesa, vez que, com isso, dificulta ao réu conhecer os termos da ação contra
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si proposta. Em sentido contrário, há aqueles que defendem o dispositivo, pois a intenção do legislador foi
favorecer a conciliação a qual, certamente, seria frustrada pela leitura das alegações trazidas pelo autor
na petição inicial, alegações estas de cunho pessoal capazes de gerar sentimentos de raiva e indignação.
Ainda, não haveria tal ofensa, pois o réu, ou seu advogado, terá pleno acesso à petição inicial diretamente
no fórum, além do prazo de defesa iniciar-se após realização da audiência.
Sempre se busca uma solução consensual. Aliás, nos processos de família, a audiência de mediação e
conciliação poderá dividir-se em tantas sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução
consensual, sem prejuízo da adoção de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito, a
teor do que dispõe o art. 696, sendo possível a suspensão do processo, enquanto as partes se submetem
a mediação extrajudicial ou atendimento multidisciplinar, sem limitação de prazo (art. 694, § único).
Trata-se de dispositivo que vai ao encontro do princípio da conciliabilidade - o qual, elevado ao grau de
política que deve ser implementada pelo Estado em seu sentido mais amplo (art. 3º, § 2º, NCPC), se
projeta com suprema força nas ações de família -, mas que deve ser aplicado com equilíbrio, a fim de
evitar que uma parte mal-intencionada pretenda prolongar o desfecho do processo, em manifesto abuso
de direito processual.
Não realizado o acordo, a partir daí passa a incidir as normas do procedimento comum (art. 697), devendo
ser observado o art. 335, ou seja, o réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 dias
úteis, contadas da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando
qualquer da parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição.
Há outras peculiaridades. No processo de conhecimento o réu deve ser citado com 20 dias de
antecedência (art. 334), enquanto para a audiência de família, o prazo é de 15 dias (art. 695, § 2º). 
Não é possível a qualquer das partes manifestar desinteresse em sua realização, como é facultado ao
autor e ao réu nas demais ações (art. 334, §§ 4º e 5º). 
Do mesmo modo não há limitação de tempo para a suspensão do processo, como ocorre nas ações de
conhecimento, cujo prazo para a conciliação ou mediação não pode exceder a dois meses (art. 334, § 2º).
Para os processos em geral, a citação é feita, preferencialmente, pelo correio (art. 247), mas nas ações
de família a citação precisa ser pessoal (art. 247, I, e 695, § 3º). A diferença de tratamento é para lá de
injustificável. Com certeza o correio é mais ágil do que a diligência a ser realizada por oficial de justiça.
A intervenção do Ministério Público está limitada às causas em que há interesse público ou social e
quando existir interesse de incapaz (art. 178). A repetição da limitação no âmbito das ações de família
evidencia que não há como alegar que exista eventual interesse público a justificar sua participação. 
Finalmente, vale destacar ainda a importante previsão contida no art. 699 do novo Código: “Art. 699.
Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação parental, o juiz, ao
tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista.”
Ao estabelecer que o magistrado - em processos que envolvam abuso ou alienação parental - deverá se
fazer acompanhar por especialista para a colheita do depoimento do incapaz, o legislador colabora com o
aperfeiçoamento da atividade judicante, ao impor o diálogo com outros ramos do conhecimento e com
outros profissionais.
Com isso, deverá o magistrado se fazer acompanhar por especialista, sob pena de nulidade do
depoimento prestado.
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5. Efeitos: A sentença do divórcio que o homologa ou decreta, possui eficácia ex nunc não atingindo ou
suprimindo os efeitos produzidos pelo casamento antes do seu pronunciamento.
A sentença do divórcio depois de registrada no Registro Público competente, portanto, produz os
seguintes efeitos:
I- Dissolve definitivamente o vinculo matrimonial civil e faz cessar os efeitos civis dos casamentos
religiosos que estiverem obviamente transcritos no Registro Publico.
II- Põe fim aos deveres recíprocos dos cônjuges. 
III- Extingue o regime matrimonial de bens, procedendo a partilha conforme o regime.
Assim, é possível que o divórcio seja concedido sem que haja previa partilha de bens, que poderá se dar
ulteriormente em ação ordinária ajuizada para este fim, dividindo o patrimônio dos ex-cônjuges conforme o
regime de bens.
IV- Faz cessar o direito sucessório dos cônjuges, que deixam de ser herdeiros um do outro, em
concorrência ou na falta de descendentes ou ascendentes.
V- Possibilita o novo casamento aos que se divorciaram.
VI- Não admite a reconciliação entre os cônjuges divorciados, de modo que se quiserem restabelecer a
união conjugal só poderão fazê-la mediante novo casamento.
VII- Permite que uma pessoa se divorcie infinitas vezes.
VIII- Põe termo ao regime de separação de fato caso se trate de divórcio direto.
IX- Substitui a separação judicial pelo divórcio, se indireto, alterando o estado civil das partes que
separadas passam a serem divorciadas.
X- Permite queex-cônjuges, embora divorciados, possam adotar conjuntamente uma criança desde que
concordem com o regime de guarda e a convivência tenha se iniciado durante o casamento.
XI- Mantém inalterados os deveres dos pais em relação aos filhos menores ou maiores incapazes.
Obs: O abandono moral ou afetivo do filho menor, por pai ou mãe, que apesar de cumprir o
encargo alimentar, não lhe dá assistência imaterial, permanecendo ausente ou indiferente por
deixar de cumprir o dever de visita, não demonstrando afeto, gera responsabilidade civil por dano
moral.
XII- Mantém o dever de assistência por parte do cônjuge que teve a iniciativa da ação do divórcio por
ruptura da vida em comum por mais de um ano e por grave doença mental.
XIII- Subsiste a obrigação alimentícia para atender às necessidades de subsistência do ex-consorte. 
Obs.: Extingue a obrigação do ex-consorte em prestar alimentos se houver renuncia, ao exercício
do direito a alimentos; procedimento indigno; união estável, concubinato ou novo casamento do ex-
consorte credor.
XIV- Não faz perder o direito ao uso do nome do cônjuge, salvo se, no divórcio indireto, o contrário estiver
disposto em sentença de separação judicial.
Obs.: O que for deliberado na separação judicial sobre o nome do ex-cônjuge deverá ser mantido
no divórcio.
XV- Outorga ao ex-cônjuge o direito a um terço do FGTS, na hipótese ou outro ser demitido ou se
aposentar, se assegurado em sentença de divórcio.
Obs.: Neste caso, há intensa divergência doutrinária e jurisprudencial, haja vista que há juristas
com entendimento contrário por entenderem que tal fundo não é patrimônio do empregado, uma
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vez que não entra na declaração de Imposto de Renda, não devendo por isso ser entregue
qualquer percentual ao ex-cônjuge.
6. Separação, Divórcio e Inventário por via administrativa - Divórcio Cartorário ou Notarial
A Lei 11.441/2007 possibilita aos cônjuges, o desfazimento do casamento, sem a intervenção judicial, de
forma singela, através de escritura pública, reconhece um novo estado civil: separados juridicamente,
espécie do gênero separação judicial. Portanto, desde a promulgação da Lei em comento, o ordenamento
jurídico brasileiro reconhece as seguintes formas de dissolução da sociedade conjugal:
1. separação judicial (pela via judicial);
2. separação jurídica (pela via notarial); e
3. o divórcio (judicial ou notarial).
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Não tenho dúvida em afirmar, o reconhecimento dessas novas formas de se dissolver a sociedade
conjugal. E, a possibilidade do casal optar pelo procedimento extrajudicial, sem a intervenção do juiz e da
promotoria de justiça, nos termos da nova Legislação, deixa claro que o processo necessário (a
dissolução do vínculo matrimonial, somente através da intervenção do judiciário), não contempla as novas
formas de dissolução da sociedade conjugal, “nascendo pois um novo estado civil”, e de consequência,
nova modalidade de dissolução da sociedade conjugal: separados juridicamente e divorciados
juridicamente.
Ouso ir além: as discussões doutrinárias acerca da natureza jurídica do casamento, teoria institucionalista,
teoria eclética, e outras, foram sepultadas pela Lei 11.441/2007. O reconhecimento da forma simplificada
para por fim á união do casal, (sem porém desnaturar, a importância do ato; ao contrário, prestigiando o
casal, na sua intimidade, no momento do fim da comunhão plena de vida), reconhece o casamento, como
um “contrato de direito de família, de trato sucessivo, onde predomina a autonomia das partes, ao início
do processo de habilitação e celebração do matrimônio, como no momento da dissolução”.
E, sob a ótica constitucional, quem dita as normas para o início e o fim do relacionamento conjugal, são os
cônjuges (obviamente seguindo o procedimento determinado na Lei). 
Portanto, casamento, é contrato de direito de família, onde preponderam relações de ordem privada,
negociais. A tutela jurisdicional, somente há de ser invocada, em caso de litígio entre os cônjuges.
Considero também relevante ressaltar, que o artigo 108 do Código Civil, reconhece a obrigatoriedade da
escritura pública, “nos negócios jurídicos, que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia
de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no
País”, E, doravante, podemos afirmar que o citado artigo é exemplificativo; também para dissolver a
sociedade conjugal, consensualmente, e para o inventário e a partilha o ordenamento jurídico reconhece
nova forma: escritura pública, antigo artigo 982 e 1.124-A, do CPC, com redação dada pela Lei
11.441/2007.
6.1 Procedimento
A separação e o divórcio consensuais, desde que não haja filhos menores ou incapazes, podem, com a
entrada em vigor da Lei n. 11.441/07, ser realizados pela via administrativa. Com efeito, o art. 733 do Novo
CPC, inserido pela reforma, dispõe que:
“Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção consensual de união estável, não
havendo nascituro ou filhos incapazes e observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura
pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731.
§ 1º A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para qualquer ato de registro,
bem como para levantamento de importância depositada em instituições financeiras.
§ 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os interessados estiverem assistidos por advogado ou por
defensor público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial.”
O dispositivo mantém no Direito Brasileiro a dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal por meio de
escritura pública, prescindindo-se de pronunciamento jurisdicional. Por outras palavras: o preceito
autorizou a realização do divórcio e da separação consensuais pela via administrativa.
A primeira observação a ser registrada é que a redação final do novo código prevê a possibilidade de que
as separações, os divórcios e as extinções de uniões estáveis consensuais, uma vez preenchidos os
requisitos legais, sejam realizados extrajudicialmente, respeitando o princípio da inafastabilidade de
jurisdição.
Um olhar singelo para nossa realidade permite-nos concluir:
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 O instituto da separação ainda existe e o novo código alarga nossa fundamentação para validar as
escrituras públicas de separação consensual;
 O Código de Processo Civil de 2015 assegura a força da escritura pública de inventário e partilha
como documento hábil para qualquer ato de registro, bem assim para levantamento de importância
depositada em instituições financeiras;
 Não nos é permitido lavrar escritura pública de divórcio consensual, separação consensual e
extinção consensual de união estável e, ousamos dizer, de inventário e partilha, diante da
existência de nascituro envolvido;
 Por fim, ausência de fundamento legal para lavratura de escrituras públicas de inventários,
separações e divórcios consensuais gratuitos, mas sendo concedida após decisão do CNJ.
Para realização da separação ou do divórcio pela via administrativa, o Legislador exigiu o preenchimento
de alguns requisitos. O primeiro deles é que os interessados estejam de comum acordo quanto às
condições da dissolução, ou seja, somente admite-se a utilização da via administrativa quando a
dissolução for consensual. Qualquer divergência entre os cônjuges obstará a utilização da via
administrativa.
Outro requisito é que os cônjuges não tenham filhos menores ou incapazes. Havendo filhos, salvo se todos
capazes, a dissolução por meio da via administrativa é vedada. Note-se que, mesmo que umfilho seja
maior, mas sendo ele incapaz, por qualquer outro motivo, não haverá possibilidade de ser realizada a
dissolução administrativa do enlace matrimonial.
Ressaltando-se que, desde a Emenda à Constituição 66/2010, suprimiu-se o prazo temporal de 02 anos
como pré-requisito para o divórcio, mas não eliminou do ordenamento jurídico o instituto da separação
judicial
Da mesma forma, extinguiu-se o prazo para interposição da ação de divórcio pelos cônjuges pela nova
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redação do § 6º do art. 226 da Constituição Federal “§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo
divórcio.”, revogado o disposto no art. 1580, § 2º do Código Civil.
Mas para a separação consensual, por exemplo, ainda exige-se que o conúbio tenha sido realizado há,
pelo menos, um ano, conforme previsto no art. 1574 do Código Civil. Consequentemente, atualmente não
há mais razão para separação, mas apenas divórcio direto. Porém, caso seja necessário, a conversão da
separação em divórcio, a seu turno, demandará, para sua realização, o transcurso do prazo de um ano,
conforme art. 1580, caput da Lei civil.
Feitas essas considerações, cumpre destacar que na escritura pública de separação ou de divórcio
consensuais deverão constar algumas disposições. A primeira delas é a relativa à descrição e à partilha
dos bens comuns. Por outras palavras: os interessados deverão anuir quanto à partilha dos bens. 
Da mesma forma, na escritura de dissolução deverá constar disposição sobre a pensão alimentícia. Essa
cláusula deverá ser bem detalhada para evitar estorvos no futuro. O valor da pensão alimentícia, a forma
de atualização, a data de seu vencimento, o termo ad quem deverão constar no instrumento público. 
Destaque-se, ainda, que, na escritura de dissolução, não poderá constar disposição no sentido da renúncia
aos alimentos. Se os interessados entenderem que os alimentos são prescindíveis, deverá ser inserida
disposição no sentido de seu não exercício. Tal conclusão decorre do art. 1707 do Código Civil.
Por fim, deverá constar na escritura pública disposição referente à retomada pelo cônjuge de seu nome de
solteiro ou mesmo pela manutenção do nome adotado quando do enlace matrimonial. Nesse particular, os
interessados têm plena autonomia para definir pela manutenção ou não do nome adotado quando do
casamento.
A escritura pública somente poderá ser lavrada pelo Tabelião se os advogados dos interessados estiverem
presentes, conforme o art. 733, §2º, do Novo CPC. É possível que apenas um único advogado assista
ambos os consortes. De qualquer modo, deverá constar do instrumento público a qualificação do
causídico, assim como a sua respectiva assinatura.
Uma vez lavrada a escritura pública, não haverá necessidade de homologação judicial. Ademais, a
escritura pública constituirá título hábil para o registro civil e para o imobiliário, conforme previsto no art.
733, § 1º do Novo CPC.
OBSERVAÇÃO: O Provimento nº 42/2019, editado pela Corregedoria-Geral de Justiça do Estado de
Goiás – CGJGO, em 17 de dezembro de 20-19, entra em vigor no dia 16 de fevereiro de 2020, medida
permite que casais com filhos menores ou incapazes realizem divórcio consensual em cartórios,
com ou sem partilha de bens, desde que comprovado o prévio ajuizamento de ação judicial
tratando das questões referentes à guarda, visitação e alimentos, consignando-se no ato notarial
respectivo o juízo onde tramita o processo e o número de protocolo correspondente. Lavrada a
escritura, o Tabelião responsável deverá comunicar o ato ao juízo da causa mencionado no caput,
no prazo de 05 (cinco) dias úteis, sem ônus para as partes, conforme redação do artigo 84-A do
Código de Normas e Procedimentos do Foro Extrajudicial da Corregedoria-Geral da Justiça do
Estado de Goiás. Tal medida foi implementada após proposta apresentada pela seção Goiás do
Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM. Segundo as determinações do CGJGO, a
proposição está em harmonia com a orientação normativa já adotada por outras Corregedorias
Gerais da Justiça. Nessas condições, atualmente, o processo só poderia seguir por via judicial.
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6.2 Conversão da separação consensual em divórcio
Realizada a separação consensual por meio de escritura pública e decorrido o prazo para ser requerido o
divórcio, poderão os interessados, por meio de outra escritura pública, comparecer perante o Tabelião para
realização do divórcio administrativo. Embora a lei não discipline expressamente essa situação – isto é, de
conversão da separação em divórcio por meio de escritura pública– nada obsta a sua realização. Se a
finalidade da Lei n. 11.441/07 é reduzir a atividade jurisdicional de somenos importância, outra
interpretação não deve preponderar.
Assim, decorrido o prazo de um ano da realização da separação administrativa, poderão os interessados
comparecer em Cartório e solicitar a realização da conversão da separação em divórcio, pela via
administrativa.
E se a separação for realizada na via judicial, os interessados poderão, uma vez decorrido o prazo de um
ano e desde que estejam de comum acordo, solicitar a realização da conversão da separação em
divórcio? Nenhum óbice há na lei. Ao revés, essa exegese se coaduna in totum com a própria mens legis
oriunda da Lei n. 11.441/07, que é afastar do Judiciário questões de exígua relevância.
Por esse motivo, deve ser autorizada a realização da conversão da separação em divórcio na via
administrativa, ainda que aquela tenha sido realizada pela judicial. Havendo consenso entre os
interessados, nada obsta a realização da conversão por intermédio do Tabelião.
6.3. Dissolução da união estável pela via administrativa
O Legislador da reforma processual oriunda da Lei n. 11.441/07 não se reportou à união estável. Por
outras palavras: o Legislador reformista reportou-se apenas à separação e ao divórcio, que são,
respectivamente, meios de dissolução da sociedade e do vínculo conjugal. Ambos estão relacionados ao
enlace matrimonial.
7. Extinção do direito ao Divórcio.
O direito ao divórcio extingue-se:
I- Pelo seu exercício, ou seja, se o casamento for dissolvido por sentença que homologa ou decreta o
divórcio ou se o pedido de divórcio for negado.
II- Pelo perdão, que deverá ocorrer antes da propositura ou no curso da ação de divórcio.
III- Pela renúncia ou desistência da ação de divórcio, que atingirá o próprio direito.
IV- Pela morte de um dos cônjuges, no curso da ação antes do registro da sentença.
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IX - Da União Estável ou União de Fato: 
9.1 Conceito: Não é matrimônio; consiste de uma união livre e estável de pessoas de sexos diferentes
que não estão ligadas entre si pelo casamento; é direito convivencial.
Art. 226, § 3o, CF/88 – reconhece como entidade familiar a união estável notória de um homem com
uma mulher sem vínculo matrimonial, desde que tenha condições de ser convertida em casamento, por
não haver qualquer impedimento legal (solteiros, viúvos, separados judicialmente – ver art. 1723, § 1o,
divorciados ou que tiverem o casamento anulado).
Anteriormente chamado de concubinato puro.
9.2 Aspectos Gerais:
Trata-se de união livre entre os cônjuges que também geram efeitos jurídicos patrimoniais, conforme
posição sintetizada na Sumula 380 do STF: “Comprovada a existência da sociedade de fato entre os
concubinos, é cabível a sua dissolução judicial com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço
comum”.
A regulamentação constitucional que trata da união estável ocorreu, primeiramente, com a Lei 8.971, de 29
de dezembro de 1994, que definiu como “companheiros” o homem e a mulher que mantenham união
comprovada, na qualidade de solteiros,separados judicialmente, divorciados ou viúvos, por mais de cinco
anos, ou com prole.
Depois, tivemos a Lei 9.278, de 10 de maio de 1996, que alterou o conceito anterior, omitindo os requisitos
de natureza pessoal, tempo mínimo de convivência e existência de prole. O art. 1º considera entidade
familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com o
objetivo de constituição de família. Não mais se fala em ”companheiros”; são “conviventes”. 
Por fim, o Código Civil de 2002 inseriu o título referente à União Estável no Livro de Família, baseando-se
nos princípios básicos das Leis mencionadas acima. Os arts. 1723 a 1727 tratam de direitos pessoais e
patrimoniais, deixando para o direito das sucessões o efeito patrimonial sucessório.
Para que se configure a união estável, será imprescindível que haja: 
a) ausência de matrimônio civil válido e de impedimento matrimonial (art. 1723, §§ 1º e 2º e 1521); 
b) notoriedade de afeições recíprocas (parentes, vizinhos e amigos); 
c) honorabilidade, que é elemento que revela uma união respeitável entre homem e mulher pautada na
affectio, fidelidade ou lealdade.
d) Não concomitância com outra união estável: Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF)
considerou ilegítima a existência paralela de duas uniões estáveis, ou de um casamento e uma união
estável, inclusive para efeitos previdenciários. O Plenário negou provimento ao Recurso Extraordinário
(RE) 1045273, com repercussão geral reconhecida, que envolve a divisão da pensão por morte de um
homem que tinha união estável reconhecida judicialmente com uma mulher, com a qual tinha um filho, e,
ao mesmo tempo, manteve uma relação homoafetiva durante 12 anos. Prevaleceu, no julgamento em
sessão virtual encerrada no dia 18/12/2020, a corrente liderada pelo relator, ministro Alexandre de Moraes
(relator), para quem o reconhecimento do rateio da pensão acabaria caracterizando a existência de
bigamia, situação proibida pela lei brasileira. O ARE 1045273 foi interposto pelo companheiro do falecido,
contra decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE) que, embora reconhecendo a existência da união
homoafetiva, negou o direito à metade da pensão por morte, por considerar a impossibilidade jurídica de
dupla união estável, com base no princípio da monogamia, que não admite a existência simultânea de
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mais de uma entidade familiar, independentemente da orientação sexual das partes. A tese de
repercussão geral fixada foi a seguinte: "A preexistência de casamento ou de união estável de um dos
conviventes, ressalvada a exceção do artigo 1.723, parágrafo 1º, do Código Civil, impede o
reconhecimento de novo vínculo referente ao mesmo período, inclusive para fins previdenciários,
em virtude da consagração do dever de fidelidade e da monogamia pelo ordenamento jurídico-
constitucional brasileiro".
Lembrando-se, a diversidade de sexos não existe mais como requisitos para sua validade, pelo
reconhecimento das uniões homoafetivas - STF/CNJ/STJ; 
E a moradia única não é necessária para configuração, pois a vida em comum sob o mesmo teto não é
indispensável à caracterização do companheirismo – SÚMULA 382, STF. 
9.3 Natureza Jurídica
Fato social ou fato jurídico, vez que se trata de fato humano que gera efeitos no ordenamento jurídico.
Obs: Ao contrário do casamento a união estável é vista como fato jurídico, e não como um negócio
jurídico. 
9.4 Diferenças com outros institutos:
A união estável é diferente de:
Concubinato (ou concubinato impuro) – Relacionamento amoroso envolvendo pessoas casadas, que
infringem o dever de fidelidade. Segundo o novo Código, configura-se quando ocorrem relações não
eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar (art. 1727).
Posse de estado de casado – Casal unido pelos laços do matrimônio, mas a prova tornou-se difícil por
questões adversas. Admite-se como prova: certidão de nascimento de filho comum; certidão de celebração
de casamento religioso sem efeito civil; certidão de núpcias contraídas no exterior; declaração de
dependência no INSS ou no IR, correspondências, fotos de casamento, recibos etc.
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9.5 Reconhecimento da união estável.
Antes de adentrarmos às vantagens da formalização da União Estável é preciso consignar que o art. 1.725
do CCB/2002 fala apenas em “contrato escrito”. Não exige Escritura Pública ou reconhecimento judicial.
9.5.1 Por contrato particular: Ainda que sem registro público, os contratos de convivência em regime de
união estável e relações patrimoniais são válidos - inclusive aqueles que se assemelham ao regime de
comunhão universal de bens.
A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reconheceu a dissolução de uma união estável e determinar a
partilha de bens pelo regime da comunhão universal, conforme contrato estabelecido entre os conviventes.
A relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, reafirmou seu entendimento de que as regulações
restritivas próprias do casamento não podem atingir indistintamente as uniões estáveis, caso não haja
razão baseada em princípios jurídicos ou na “proteção de valores socialmente benquistos”.
A liberdade conferida aos conviventes para definir questões patrimoniais deve se pautar apenas nos
requisitos de validade dos negócios jurídicos, conforme regula o artigo 104 do Código Civil, “é de se anotar
que, diferentemente do que ocorreu na regulação do regime de bens dentro do casamento, o Código Civil,
no que toca aos conviventes, laconicamente fixou a exigência de contrato escrito para fazer a vontade dos
conviventes, ou a incidência do regime da comunhão parcial de bens, na hipótese de se quedarem silentes
quanto à regulação das relações patrimoniais”.
Em que pese a válida preocupação de se acautelar, via escritura pública, tanto a própria manifestação de
vontade dos conviventes quanto possíveis interesses de terceiros, é certo que o julgador não pode criar
condições onde a lei estabeleceu o singelo rito do contrato escrito.
Assim, o pacto de convivência formulado em particular, pelo casal, na qual se opta pela adoção da
regulação patrimonial da futura relação como símil ao regime de comunhão universal, é válido, desde que
escrito.
9.5.2 Por Escritura Pública: Desde já é importante ressaltar que confecção de uma Escritura Pública,
dotada de fé pública, produzida por Oficial de Tabelionato de Notas, ostenta oponibilidade e constituindo
desde já prova plena (art. 215, CC).
Dito isto, então quais seriam as vantagens de formalizar a União Estável por Escritura Pública?
Segurança: Formalizada a União Estável por Escritura Pública o casal possui agora segurança,
tranquilidade e certeza de que o relacionamento encontra-se publicizado e oponível já que
constante das notas de Tabelionato de Notas. O relacionamento agora tornado público passa a
estar consubstanciado em documento público, sendo prova pública a embasar e assegurar todos
os direitos dos companheiros definidos no ordenamento jurídico pátrio. A partir do momento que o
fato foi registrado nas Notas do Oficial Público mesmo que em algum momento se perca o original a
qualquer momento as partes ou qualquer outro interessado poderá reaver por certidão a prova
plena da união estável (e isso é importante nos diversos casos de pensão por morte, inventário
etc);
A possibilidade de regulamentar as questões patrimoniais do relacionamento: Somente através de
contrato escrito o casal poderá, observados as ressalvas legais, modificar a presunção legal do
regime da comunhão parcial de bens. Note-se que não haverá nenhuma hierarquia entre união
estável e casamento. Esta é o norte constitucional como indica a mais abalizada doutrina. Dessa
forma, podendo no casamento haver opção pelos diversos regimes de bens, na União Estávelessa
opção também estará disponível para os companheiros – desde que o façam através da forma
escrita (art. 1.725 do CC). Os regimes já disponibilizados pelo Código Civil (Comunhão Universal de
Bens, Comunhão Parcial de Bens, Separação de Bens, Participação Final nos Aquestos e Regimes
Mistos) poderão ser adotados por meio do contrato escrito – sendo certo que, uma vez feitos por
Escritura Pública contarão com todo o assessoramento imparcial do Tabelião de Notas que possui
também essa função. Preciso destacar também que embora não seja obrigatória é por demais
recomendada a assistência de advogado também no contrato de união estável ainda que elaborado
por Escritura Pública: segurança e assessoramentos jurídicos nunca são demais!
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Segurança e comprovação para fins de partilha (herança e meação) em casos de dissolução de
união estável seja em vida seja em caso de falecimento: Ao definir todo o regramento da União
Estável o casal desde já afasta de dúvidas e questionamentos a forma pela qual querem regular as
questões patrimoniais. Isso é muito importante em momentos como eventual separação do casal
onde a partilha dos bens amealhados durante o relacionamento será necessária bem como nos
casos de falecimento quando o procedimento de sucessão deverá ser resolvido destacando-se do
monte o que é meação e o que é herança.
Segurança e comprovação para fins de recebimento de pensão por morte do companheiro:
Entabulada a União Estável por Escritura Pública o casal terá formada prova plena, com expressa
presunção de veracidade, que servirá especialmente para comprovação nos casos de pensão.
Recentemente a Medida Provisória 871/2019 salientou a importância da comprovação da União
Estável para fins de pensão. A pessoa que convive em União Estável também terá o mesmo direito
de habitação que é assegurado por Lei (art. 1.831 do CCB/2002) a cônjuge sobrevivente que tinha
vínculo estabelecido por casamento. Essa é a posição firmada na doutrina e na jurisprudência e
para tanto será necessário comprovar o vínculo de união estável.
Possibilidade de modificar o sobrenome: Muita gente ainda não sabe mas o STJ e os tribunais já
tiveram oportunidade de se manifestar acerca da possibilidade de, através de Escritura Pública, o
casal poder modificar o sobrenome – tal como ocorre tradicionalmente no casamento! – passando a
adotar formalmente o sobrenome do(a) companheiro(a) em todos os documentos.
Possibilidade de averbar nos assentos dos Cartórios do Registro de Pessoas Naturais e do
Registro de Imóveis a união estável: Uma vez realizada por Escritura Pública o Provimento nº
37/2014 do CNJ garante a e a possibilidade de averbação da Escritura de União Estável
diretamente nos assentos do Registro de Pessoais Naturais dos interessados. Da mesma forma,
vale aqui para garante a possibilidade de registro e averbação da Escritura Pública de União
Estável nos assentos do Registro de Imóveis, para fixação do bem de família
Fixação da data do início do convívio: Um dos problemas comuns nos relacionamentos de União
Estável é a correta identificação do marco inicial da união estável. Diferentemente do casamento
que possui data certa da sua celebração que é a partir de onde irradiam-se por exemplo os efeitos
patrimoniais do regime de bens escolhidos na União Estável pode ocorrer de não se saber ao certo
a data de quando o relacionamento que era, p.ex., um namoro passou a ser considerado uma
União Estável com todos os requisitos exigidos pelo art. 1.723 do CCB. Através da Escritura
Pública o casal poderá afastar as dúvidas com relação as datas assinalando claramente os marcos
cronológicos: a data a partir de quando se conheceram e a data a partir de quando o
relacionamento transformou-se em união estável reunindo todos os caracteres legais. É
extremamente importante afixar tais datas já que, por definição legal, somente a partir da
caracterização de união estável é que valerá a presunção legal do regime da comunhão parcial de
bens no que couber (enquanto era mero namoro, ainda que qualificado não há que se falar em
regime de bens); com a assinatura do contrato escrito poderão os companheiros afastar a
presunção legal e optar por algum regime de bens que passa a valer a partir dali, não retroagindo a
data do início da união estável, sublinhe-se.
Segurança, tranquilidade e comprovação também para relacionamentos homoafetivos: Os tribunais
pátrios já decidiram pacificamente sobre a possibilidade do reconhecimento da união estável em
relacionamentos homoafetivos e os casais assim caracterizados usufruirão de todos os benefícios e
vantagens assegurados aos casais heteroafetivos desde que comprovem os requisitos
caracterizadores da união estável exigidos pelo art. 1.723 do CC. Assegura-se assim direitos a
herança, partilha, pensão e tudo mais que está sendo dito aqui não devendo haver qualquer
distinção pelo fato de ser um relacionamento homoafetivo.
Possibilidade de modificação do regime de bens: Como dito, não deve haver hierarquia entre união
estável e casamento. Dessa forma é autorizado o entendimento de que as relações patrimoniais
uma vez definidas por contrato escrito poderão ser modificadas observados os requisitos prescritos
em lei para a modificação do regime de bens no casamento, pela via judicial.
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Permite a comprovação do relacionamento sem maiores dificuldades: Como dito durante todo este
ensaio, considerando inexistir entre união estável e casamento qualquer hierarquia com relação a
direitos, não há que se considerar a união estável como “família” de menor grau ou menor
importância pelo simples fato de não ser constituída sob através de casamento. Neste contexto a
comprovação por Escritura serve também para garantir, onde já for garantido para os casados, a
extensão de eventuais benefícios aos companheiros como direito de ser incluído em planos de
saúde, planos odontológicos, clubes etc. De forma geral a comprovação do status de companheiro
garantirá a este os mesmos direitos que teria se casados fossem porque na verdade são todas
famílias: só mudam as formas pelas quais se constituíram.
Para ser obter a Escritura Pública de União Estável o casal deve se dirigir até um Cartório de Notas
munido da sua documentação pessoal. Importante observar que aqueles que ainda sejam casados porém
separados de fato poderão ainda assim pactuar a Escritura de União Estável. Na maioria das vezes o
documento fica pronto na mesma hora e na Serventia Extrajudicial os interessados poderão sanar
eventuais dúvidas com o Tabelião no momento da elaboração da Escritura.
9.5.3 Por via judicial: A ação de reconhecimento de união estável é uma espécie e ação de família (arts.
693 a 699, CPC/2015), verbis: “Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos processos contenciosos
de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação. Parágrafo
único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de adolescente observarão o
procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no que couber, as disposições deste
Capítulo.”
Portanto, segue o rito especial em uma primeira fase, com uma incidência preponderante do princípio da
conciliabilidade (ou do estímulo estatal à autocomposição). É o que está disposto no parágrafo 1º, do artigo
694, o qual determina que o mandado de citação não conterá cópia da petição inicial (contrafé) e citará o
réu para comparecer à audiência de conciliação, em vez de citá-lo para defender-se no prazo legal.
Merece referência, nessa nova ambiência normativa, o fato de que o mandado de citação deverá apenas
conter os dados necessários à audiência, sem estar acompanhado de cópia da petição inicial, o que
favorece o esforço conciliatório,na medida em que o réu - salvo na hipótese de desejar ir ao cartório tomar
ciência do teor da peça exordial (direito que lhe é assegurado) - comparecerá à assentada conciliatória
sem necessariamente saber as razões - muitas vezes agressivas e belicosas - do ajuizamento da
demanda (§ 1º , art. 695). Há outras peculiaridades. No processo de conhecimento o réu deve ser citado
com 20 dias de antecedência (art. 334), enquanto para a audiência de família, o prazo é de 15 dias (art.
695, § 2º). 
Passa ao rito ordinário, após a abertura de prazo para contestação (art. 697), devendo ser observado o art.
335, ou seja, o réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 dias úteis, contadas da
audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer da parte
não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição.
São provas para reconhecimento de uma união estável em juízo: Certidão de nascimento de filho havido
em comum; Certidão de casamento Religioso; Declaração do imposto de renda do segurado, em que
conste o interessado como seu dependente; Disposições testamentárias; Declaração especial feita perante
tabelião (escritura pública declaratória de dependência econômica); Prova de mesmo domicílio; Prova de
encargos domésticos evidentes e existência de sociedade ou comunhão nos atos da vida civil; Procuração
ou fiança reciprocamente outorgada; Conta bancária conjunta; Registro em associação de qualquer
natureza onde conste o interessado como dependente do segurado; Anotação constante de ficha ou Livro
de Registro de empregados; Apólice de seguro da qual conste o segurado como instituidor do seguro e a
pessoa interessada como sua beneficiária; Ficha de tratamento em instituição de assistência médica da
qual conste o segurado como responsável; Escritura de compra e venda de imóvel pelo segurado em
nome do dependente; Declaração de não emancipação do dependente menor de vinte e um anos;
Quaisquer outros documentos que possam levar à convicção do fato a comprovar.
9.6. Conversão da união estável em casamento.
Com expressa previsão legal no Código Civil em seu art. 1726, são exigidas as mesmas documentações
para dar entrada no casamento, só o prazo que é menor, são 16 dias corridos para estar casado, a única
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diferença é que os noivos não precisam ir ao cartório para dizer o “sim” perante o juiz de paz. 
Depois desse prazo, os noivos poderão retirar a certidão de casamento no cartório. A outra diferença
importante é que na conversão de união estável em casamento, pode retroagir a data da união, apesar de
alguns cartórios não fazerem este apontamento durante o procedimento de conversão.
Importante mencionar que não é só pela via administrativa que um casal pode converter sua união estável
em casamento. O Judiciário também é competente para conceder a mudança, de acordo com
entendimento do Superior Tribunal de Justiça.
9.7 Direitos dos Companheiros:
• Indenizações pelo falecimento do companheiro em acidente de trabalho;
• Direitos previdenciários; tornar o companheiro beneficiário de todos os favores da legislação social
e previdenciária; direito a perceber a renda auferida pelo companheiro preso; exigir pensão deixada
pelo servidor congressista, civil ou militar e, ainda, do advogado (Lei 4103-A/62, art. 5o);
• Alimentos (art. 1694 e 1798);
• Planos de saúde;
• Adoção do nome do companheiro, após cinco anos de vida em comum ou na existência de prole
(Lei 6015/73, art 57, §§ 2º e 3º com redação dada pela Lei nº 6216/75) ver (STJ-REsp 1206656);
• Permissão de continuidade de contrato de locação (na condição de locatário), após o falecimento
do companheiro (Lei 8245/91- Lei do Inquilinato).
• legitimidade ativa para propor ações imobiliárias com o companheiro ou sozinho, na falta deste;
• O direito real de habitação sobre o imóvel que servia de residência do casal deve ser conferido ao
companheiro sobrevivente não apenas quando houver descendentes comuns, mas também quando
concorrerem filhos exclusivos do de cujus.
• Regime patrimonial – Comunhão parcial de bens – art. 1725, CC, com participação no patrimônio
conseguido com o esforço comum durante a união;
• reconhecimento da filiação;
• possibilidade de companheiros adotarem menor (art. 1622, CC);
• constituir bem de família (art. 1711, CC);
• direito à sucessão (art. 1790, CC);
• ser administrador provisório do espólio do companheiro morto (art. 1797) até o inventariante
prestar compromisso, mas pode requerer a abertura do inventário quando estiver na posse e
administração dos bens;
• legitimidade do companheiro para a sua abertura e para ser nomeado como inventariante (arts.
616 e 617 do Novo CPC);
• legitimado expressamente a opor embargos de terceiro para a tutela da sua meação pelo art. 674
do Novo CPC;
• a necessidade de vênia ou outorga convivencial para as ações reais imobiliárias, constante do
último parágrafo do art. 73 do CPC/2015;
• direito sucessório equipado ao convivente sobrevivente às mesmas condições ao cônjuge viúvo,
concorrendo os descendentes, ante a declaração da inconstitucionalidade do artigo 1790 do CC,
como será visto no Módulo de Direito Sucessório.
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9.7. Elementos Constitutivos: Art. 1º da Lei 9278/96- “É reconhecida como entidade familiar à
convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e de uma mulher, estabelecida com o objetivo
de constituição de família”. Conceito reproduzido no artigo 1723 do CC/2002.
 Estabilidade: Os relacionamentos fugazes e transitórios não podem ser considerados como união
estável e nem tampouco protegidas pelo Ordenamento Jurídico.
 União duradoura: O decurso de tempo é extremamente importante vez que a Constituição Federal
não estipula lapsos temporais para configuração da união estável. A questão tempo não é
absoluta, mas os conviventes devem unir-se com o animus de constituir vida em comum bem
como família.
Obs: O posicionamento do STJ é no sentido de que o prazo de cinco anos previsto na Lei 8971/94,
estaria confinado exclusivamente para concessão dos benefícios previstos na Lei nº 5478/68 (Alimentos) e
aos direitos sucessórios, mas a Lei nº 9.278/96, além de legitimar a união estável, esta desmerece o lapso
temporal de 5 anos. 
 Continuidade da relação: Trata-se de complemento da estabilidade. A união deve ser continua,
todavia, tal preceito não é absoluto vez que nem sempre a interrupção no relacionamento afastará
o conceito de união estável.
 Diversidade de sexo: caiu com a inovação da legalização das uniões homoafetivas, mas era
preceito disposto tanto no texto constitucional como na Lei 9278/96
 Publicidade da relação: A relação de fato que ganhará proteção é aquela em que o casal se
apresenta socialmente como marido e mulher e são vistos no âmbito social desta mesma forma.
Obs: As relações clandestinas, ainda que públicas, não são consideradas uniões estáveis, não
merecendo proteção jurídica.
 Objetivo de constituição da família: Não há necessidade de prole em comum, mas a presença
do animus de constituição de uma comunhão de vida e de interesses.
Obs: A ausência de interesse na constituição da família, a entidade poderá ser apenas um
relacionamento afetivo entre as partes, gerando, no máximo, sociedade de fato em relação aos bens
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adquiridos por esforço efetivo de ambos, mas não direitos em relação a indenizações ou previdenciários.
 Ausência de necessidade de coabitação sobre o mesmo teto: É admitida a união estável de
pessoas que não residem sobre o mesmo teto, desde que comprovada sua solidez, durabilidade e
notoriedade. 
Obs: Súmula 382 do STF: “a vida em comum sob o mesmo teto, more uxório, não é indispensável à
caracterização do concubinato”.
 Unicidade decompanheiro ou companheira: a pluralidade de relações pressupõe imoralidade e
instabilidade, o que contraria os demais elementos constitutivos da união estável.
 Existência de casamento religioso: Como o Direito brasileiro só é considerado o casamento civil,
a benção religiosa define a relação com moralidade e respeito que auxilia a tipificação da união
estável.
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X - Da Filiação (arts. 1596 a 1606) e Guarda de Filhos (arts. 1.583 a 1.590): 
1. Conceito: Vínculo de parentesco partindo dos filhos para os pais. Não há mais a distinção entre
legítimos e ilegítimos. A doutrina hoje adota a classificação de filhos reconhecidos (voluntário e forçado) e
não reconhecidos.
Art. 1597 – Presunção juris tantum – a prova contrária é limitada aos pais; logo, a presunção é absoluta
perante terceiros, já que ninguém pode contestar a filiação de alguém. A ação é privativa do pai, nos
termos do art. 1601
1.1 Espécies: Pode decorrer de:
I- Relações sexuais;
II- de inseminação artificial homóloga (CC, art. 1.597, III). – ocorre quando a manipulação de gametas
masculinos e femininos do próprio casal. Ocorre, por exemplo, quando a fecundação ocorre in vitro, o
óvulo é implantado na mulher, que leva a gestação a termo. 
III- Heteróloga (adultério casto) - ocorre quando se utiliza o esperma ou o óvulo de doadores férteis. Assim,
temos que a concepção se dá mediante a manipulação de material genético de outrem. Caso a mulher
seja casada, o marido então será considerado o pai, por presunção legal, caso tenha consentido na
realização da inseminação, e, obviamente, vice-versa. Ressalto que a maioria dos doutrinadores só analisa
a parte relativa do material ser masculino. Deixou-se de acompanhar a evolução da medicina genética e
não regulamentou outras hipóteses de reprodução assistida, em especial com relação às mulheres, dentre
as quais a fertilização in vitro por gestação de substituição, a chamada barriga de aluguel, desde que
devidamente aferido a compatibilidade genética entre a doadora do óvulo e a mulher que fará a gestação. 
OBS 1: Fecundação heteróloga – o esperma foi colhido de alguém que não é o marido ou companheiro,
mas apenas o “doador”, que pode ser conhecido ou anônimo.
Embrião excedentário – os embriões que foram concebidos por manipulação genética e que não foram
implantados no ventre de uma mulher são denominados de embriões excedentários. Como no
procedimento de fertilização são gerados diversos embriões, em decorrência da necessidade de realizar
diversas tentativas para que a implantação e a gestação transcorra normalmente. Os embriões que não
foram utilizados ficam armazenados nas clínicas que realizaram o procedimento. 
OBS 2: A barriga de aluguel, ou doação temporária de útero, pode dar-se, no Brasil, no âmbito familiar,
num parentesco até colateral de segundo grau, vedado qualquer tipo de pagamento (Res. 1358/92).
OBS 3: Inseminação heteróloga não consentida enseja separação judicial por injúria grave.
A filiação ainda pode ser classificada apenas didaticamente em:
I- Matrimonial, se oriunda da união de pessoas ligadas por matrimônio válido ao tempo da concepção, se
resultante de união matrimonial que veio a ser anulada, posteriormente, estando ou não de boa-fé os
cônjuges, ou se decorrente de uma união de pessoas que, após o nascimento do filho, vieram a convolar
núpcias.
II- Extramatrimonial, provida de pessoas que estão impedidas de casar ou que não querem contrair
casamento, podendo ser ”espúria” (adulterina ou incestuosa) ou natural.
1.2. Presunção Legal Juris Tantum da Paternidade: Presume-se que no matrimônio os filhos
concebidos na constância do casamento dos pais. O CC/02 foi extremamente tímido ao abordar esses
temas, e podemos afirmar que não trata da reprodução assistida, apenas trata da paternidade, entre
casados, e, assim mesmo, não o fez de forma plena, regulamentado algumas situações no artigo 1.597,
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em que a lei material estabelece a presunção pater is est. “Art. 1.597 Presumem-se concebidos na
constância do casamento os filhos: III- Havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o
marido. IV – havidos a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de
concepção artificial homóloga. V – havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia
autorização do marido.”
Esta presunção é relativa ou juris tantum, pois a prova contrária é limitada, porém, em relação a terceiros é
absoluta, pois ninguém pode contestar a filiação de alguém. É ação personalíssima do pai da criança. Pai,
até prova em contrário por ele próprio produzida, é o marido.
Estabelece a presunção de que foram concebidos na constância do casamento.
I- Os filhos nascidos 180 dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência conjugal e não do
dia da celebração do ato nupcial, por há casos de casamento por procuração. 
II- Os filhos nascidos dentro dos 300 dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal por
morte, separação, nulidade ou anulação, porque a gestão humana vai além desse prazo.
Se a mulher, antes do prazo de 10 meses vier a contrair novas núpcias, pois está viúva ou se primeiro
casamento foi invalidado, e lhe nascer algum filho, este se presume do primeiro marido, se nascido dentro
de 300 dias a contar da data do falecimento deste, e do segundo se o nascimento se der após esse
período e já decorrido o prazo e 180 dias depois de estabelecida a convivência conjugal.
Salta aos olhos é que o legislador civil não regulou qualquer hipótese de utilização de óvulos doados e
deixou várias questões em aberto, como a utilização das técnicas que menciona por pessoas não casadas,
o destino dos embriões excedentários, a solução em casos de separação e divórcio, porque o inciso III se
refere à hipótese de morte etc. 
1.2.1 Presunção de Paternidade no caso de Fecundação Artificial Homóloga: Na hipótese de reprodução
medicamente assistida na modalidade homóloga, a presunção legal que nos deparamos é de que o
marido, ou companheiro, é o pai da criança que foi concebida. Assim, para que seja possível afastar essa
presunção, já que a participação do marido é ativa é necessário que venha a demonstrar que o sêmen que
foi utilizado não é o seu, ou seja, estaríamos diante de uma hipótese de erro médico.
1.2.2 Fecundação homóloga após o falecimento do marido: com a possibilidade de que a fecundação
venha a ocorrer após o falecimento do marido. Se a fecundação ocorrer após o prazo 300 dias após a
morte do marido ou companheiro, irá persistir a presunção da paternidade do falecido, desde que se prove
ter sido utilizado seu gameta, por parte da entidade que se incumbiu do armazenamento. O objetivo não
é estimular a prática de inseminação ou fertilização in vitro após a morte, mas preservar a escolha
realizada pelo casal, e especificamente pelo marido falecido. 
A I Jornada de Direito Civil do CJF nos trouxe o Enunciado 106 com o seguinte conteúdo: 106 – Art.
1.597, inc. III: para que seja presumida a paternidade do marido falecido, será obrigatório que a mulher, ao
se submeter a uma das técnicas de reprodução assistida com o material genético do falecido, esteja na
condição de viúva, sendo obrigatório, ainda, que haja autorização escrita do marido para que se utilize seu
material genético após sua morte. Permitir o uso do material genético do próprio morto, sem a sua
expressa autorização manifestada em vida, representaria violação a direito da personalidade.
No entendimento do Conselho de Justiça Federal, é necessário que a esposa esteja viúva e que haja
uma prévia autorização do marido para que ela possa realizar a inseminação após o seu falecimento. Esse
entendimento é também defendido por nossos doutrinadores e dentre eles podemosdestacar a
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posição de Maria Berenice Dias (Op. Cit, p. 334). Apesar do marido ter fornecido o sêmen em vida não
significa que ele queria consentir que essa fecundação viesse a ser realizada após o seu falecimento. Tal
posição encontra-se fundamentada no princípio da autonomia da vontade, posto que para esse princípio é
necessário o expresso consentimento para a utilização desse sêmen. Entende-se assim, que a viúva não
tem direito de requerer que a clínica realize o procedimento caso não haja a autorização para esse
procedimento.
Posição essa compartilhada por Paulo Lôbo (2009, p. 201), haja vista que o princípio da autonomia dos
sujeitos, que é um dos fundamentos do biodireito, condiciona que a utilização do material genético deixado
pelo falecido deve necessariamente ter um consentimento expresso para que realize a inseminação após o
seu falecimento.
Buscando sanar essas discordâncias foi proposto o Projeto de Lei 7701/2010, que se encontra apensado
ao Projeto de Lei 1184/2003, cujo objetivo é estabelecer o prazo máximo para a realização da fecundação
e a obrigatoriedade da autorização expressa do marido para a realização da fecundação pós mortem,
apresentando assim, a introdução do seguinte artigo: “Art. 1.597-A. A utilização de sêmen, depositado em
banco de esperma, para a inseminação artificial após a morte do marido ou companheiro falecido, somente
poderá ser feita pela viúva ou ex-companheira com a expressa anuência do marido ou companheiro
quando em vida, e até trezentos dias após o óbito.”
Cumpre ressaltar que apesar de não ter a expressa autorização do marido que faleceu para a realização
da fecundação, e caso tenha ocorrido o nascimento da criança, não há incidência da presunção da
paternidade, mas será caso de determinação biológica da filiação, sendo assim, apesar de não incidir
nessa hipótese de presunção legal, faz-se assim, necessário ingressar com a ação de
reconhecimento de paternidade post mortem e requerer que se proceda a análise do exame de DNA.
Dessa forma, essa criança não ficará sem pai. O Conselho Federal de Medicina, ao regulamentar o
assunto, se posiciona no sentido da possibilidade da reprodução assistida post mortem desde que haja
prévia autorização do marido. 
1.2.3 Presunção de Paternidade no caso de Fecundação Artificial Heteróloga: o inciso V do artigo 1.597
prevê a inseminação artificial heteróloga com prévia autorização do marido, sendo a única hipótese em
que as paternidades biológica e legal não coincidirão. A autorização prévia é considerada reconhecimento
expresso da paternidade, na forma do art. 1.609, § único do CC, configurando caso de paternidade
socioafetiva a ensejar presunção absoluta.
Segundo Maria Berenice Dias, a situação corresponde a uma “adoção antenatal”, mas, por outro lado, se
não houver a autorização do marido ou do companheiro, situação que a doutrina denomina de “adultério
casto”, poderá ele ajuizar ação negatória da paternidade que lhe tenha sido atribuída.
Assim, a I Jornada de Direito Civil do CJF nos traz o Enunciado 104 com o objetivo de nortear essa
possibilidade. ”104 – Art. 1.597: no âmbito das técnicas de reprodução assistida envolvendo o
emprego de material fecundante de terceiros, o pressuposto fático da relação sexual é substituído pela
vontade (ou eventualmente pelo risco da situação jurídica matrimonial) juridicamente qualificada,
gerando presunção absoluta ou relativa de paternidade no que tange ao marido da mãe da criança
concebida, dependendo da manifestação expressa (ou implícita) da vontade no curso do casamento.”
1.2.4 Fecundação heteróloga após o falecimento do marido: o legislador só fez referência à autorização no
inciso V do artigo 1.597, que trata da reprodução assistida heteróloga, ou seja, com o uso de material
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genético de terceiro. Na verdade, os incisos III, IV e V do artigo 1.597 devem ser interpretados de forma
sistêmica e harmônica, de modo a que, em qualquer situação de reprodução assistida post mortem,
homóloga, heteróloga ou com o uso de embriões excedentários, não se prescinda da autorização
expressa, manifestada em vida, pelo cônjuge ou companheiro.
1.2.5. Barriga de Aluguel x Contrato de Cessão Gratuita de Útero: conforme a definição do Conselho
Federal de Medicina, sempre partindo do pressuposto de que o recurso à técnica é feito por um casal, com
a utilização de seus gametas. É importante chamar a atenção para a diversidade de nomenclatura para
identificar a técnica: é vulgarmente conhecida como barriga de aluguel, além das referências a
maternidade de substituição, maternidade por sub-rogação, gestação por outrem, gestação de
substituição, entre outras.
A terminologia barriga de aluguel, apesar de ser a mais conhecida, é um termo pejorativo e, demais disso,
a disposição onerosa de qualquer parte do corpo humano é crime. Maternidade de substituição e
maternidade por sub-rogação também não nos parecem denominações ideais, pois não há a figura da
substituição ou da sub-rogação daquela que desempenha a função materna.
A melhor terminologia é a utilizada na Resolução 1.358/92 do CFM, já que a gestação é feita por terceira
pessoa, podendo se usar, aí sim, a adjetivação “de substituição”. Gestação por outrem também é uma
denominação bastante adequada. A gestação de substituição acontece quando há a fertilização in vitro e a
mulher doadora do material genético possui algum problema que faz com que seu útero não seja apto a
gerar o embrião. Assim, o embrião se desenvolverá no útero de uma “mãe hospedeira”. 
O caso é daqueles que mais podem gerar conflito e, embora o Código Civil não tenha regulamentado a
hipótese, também não a proíbe. Tanto assim, que há algum tempo foi amplamente noticiado o caso de
uma avó que gerou o seu neto porque a filha não tinha condições de fazer a gestação do embrião em seu
ventre. É classificada como técnica extracorpórea, posto que o primeiro passo é a fertilização in vitro, com
a posterior implantação do embrião no útero da hospedeira, podendo ser homóloga ou heteróloga. Ocorre
porém, que faz-se necessário analisar outros direitos fundamentais que também estão em choque como
por exemplo o caso da necessidade de que mulher não venha a engravidar no caso de isso vir a
comprometer o seu desempenho profissional, como no caso dos esportistas e das modelos. O direito ao
trabalho também deve ser preservado.
Primeiramente, será considerada sempre a homóloga, ou seja, com material fecundante do casal.
Como não há regramento legal a respeito, o que se usa como parâmetro moral e ético aos procedimentos
deste tipo é Resolução nº 1.358/92 do Conselho Federal de Medicina, que trata especificamente da
gestação de substituição no inciso VII, estabelecendo: “que a técnica pode ser usada quando exista um
problema médico que impeça ou contraindique a gestação na doadora genética; que as doadoras
temporárias do útero devem pertencer à família da doadora genética num parentesco de até 2º grau; e que
tal doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial.” 
A comercialização do corpo ou parte dele é proibida constitucionalmente pelo §4º do art. 199,
regulamentado pela Lei 9.434/97, cujo art. 9º, referindo-se à pessoa viva, estabelece que a pessoa pode
dispor gratuitamente de tecidos, órgãos e partes do próprio corpo vivo. Frise-se que a Resolução
mencionada é uma norma a ser obedecida pelos médicos, não possuindo força de lei (daí que uma mulher
que não seja parente da doadora genética poderá hospedar o embrião). Na prática, pode-se resumir a
situação ao fato de duas mulheres proporcionarem o nascimento de uma criança. 
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Obviamente, alguns problemas quanto ao estabelecimento da filiação poderão surgir exatamente em razão
da ausência de norma legal a respeito. Assim, ao fim da gestação, aquela mulher que por nove meses
carregou em seu ventre filho que sabe ser de outrem, pode recusar-se a entregar o bebê, uma vez que o
registro de nascimento será feito no nome da hospedeira e que o hospital fornece a declaração de nascido
vivo com os dados da parturiente. Nesse caso, os pais biológicos terão que ajuizar uma ação para reverter
essa situação. O que deverá decidir o juiz? Mãe é aquela que doou o óvulo para fecundação ou a que
gerou o embrião? Seria possível, quanto à paternidade, aplicar-se o que dispõe o art. 1.597 do CC em
seus incisos III e V?
Em relação à paternidade, é possível aplicar a presunção na situação do inciso III do artigo 1.597 para o
estabelecimento da paternidade, desde que haja concordância expressa do marido com a utilização de
útero de terceira pessoa e que seja considerada mãe a que forneceu o material fecundante. Quanto ao
inciso V, que trata da inseminação artificial heteróloga, cremos não ser possível aplicar a presunção
quanto à paternidade, porque o inciso prevê, expressamente, a técnica da inseminação artificial, que não é
a utilizada na gestação por outrem.
Contudo, a questão da relação paterno filial facilmente se resolve com o exame de DNA (já que estamos
tratando de técnica homóloga) e, como se pode constatar, problema maior será o da maternidade, que
poderá suscitar dúvida, como antes referido, já que a adoção da prática acarreta necessariamente uma
cisão das etapas do processo de procriar, redundando numa desestruturação do conceito de maternidade.
Vale lembrar que, em decorrência da estrutura da sociedade, em que havia uma hierarquização entre
homens e mulheres, na qual imperava o patriarcalismo e a família legítima se constituía apenas pelo
casamento, que tinha como uma das funções primordiais a procriação, mãe era sempre certa, posto que
às esposas impunha-se um dever jurídico absoluto de fidelidade, além da ostensividade da maternidade. 
Hodiernamente, com a evolução da medicina genética, que possibilitou fecundar o óvulo fora do útero
materno ou transplantá-lo em outra pessoa, não mais se pode conferir caráter absoluto ao dogma mater
semper certa est (mãe pode ser a que está gerando o filho, a que forneceu o óvulo em banco de
reprodução, a que recebeu o óvulo de uma terceira pessoa em banco de reprodução humana, ou a que
forneceu o óvulo para fertilização in vitro com gestação de substituição).
Obviamente, pelo critério biológico, também é possível resolver a questão da maternidade com o exame
de DNA, assim como é ele utilizado para indicar o pai biológico, porque o exame apontará quem forneceu
o material genético para a criança. 
Contudo, a solução do problema não é simples assim, porque envolve uma terceira pessoa, a mãe
hospedeira, que gerou e pariu a criança, havendo divergência doutrinária quanto à atribuição da
maternidade: à mãe biológica ou à mãe gestacional? Estão em jogo noções legais, morais e éticas, ao lado
do necessário alargamento do conceito de maternidade, não sendo demais dizer que, diante das novas
técnicas de reprodução, especialmente com a participação de terceira pessoa, e da nova concepção da
família como união de afetos, mãe pode ser a doadora do material genético, a que hospeda o embrião (no
caso da barriga de aluguel), a que amamenta (antigamente conhecida como “mãe de leite”) e a que dá
amor, educa e conduz o crescimento da criança, que é a mãe socioafetiva.
No caso em análise, ou seja, quando apenas as duas primeiras etapas estão em jogo (fecundação e
gestação), entendemos que a razão está com aqueles que solucionam a questão atribuindo a maternidade
à mãe biológica, por refletir a verdadeira filiação, com a correta inserção da ascendência genética no
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registro de nascimento. A mãe gestacional apenas hospedou o embrião para que ele pudesse ser gerado
e, num primeiro momento, inclusive, não espera nem pretende ter qualquer responsabilidade em relação à
criança após o nascimento. 
Não se pode olvidar, em qualquer caso, que a solução deve se adequar ao melhor interesse do menor,
princípio norteador de todas as querelas envolvendo menores. A tomada de decisão numa disputa deste
gênero não é fácil e está longe de ser pacífica, se pensarmos que nos deparamos com uma situação
delicadíssima, na qual, de um lado, há uma mãe biológica, que durante nove meses aguarda ansiosa a
chegada do filho, e, do outro, a mãe substituta, que pelos mesmos nove meses, vê seu ventre aumentar e
uma vida nele se desenvolver, podendo, inclusive, estabelecer uma ligação afetiva com o bebê.
Nosso entendimento é de que mãe é aquela que forneceu o material fecundante, ou seja, a mãe biológica
(porque a hospedeira sempre soube que deveria entregar o bebê a ela), a não ser que se evidencie, de
forma robusta, que tal decisão não atenderá ao melhor interesse da criança. Um conflito negativo (quando
a mãe biológica e a gestacional não têm interesse na maternidade – o que pode ocorrer, por exemplo,
quando a criança nasce com algum problema, alguma má formação) é ainda pior, porque, via de regra, a
guarda da criança deverá ser conferida a uma terceira pessoa, até que a questão da maternidade seja
resolvida.
Consequência das novas técnicas de reprodução humana e do reconhecimento do afeto como valor
fundante da parentalidade, o princípio mater semper certa est não mais pode ser encarado como absoluta,
ou seja, o conceito de que mãe é a que gerou e deu à luz não mais satisfaz, pois, em determinadas
situações, é mesmo inaplicável. A maternidade sempre foi ostensiva e a certeza exsurgia de provas
diretas, como a gestação e o parto, que, hoje, não mais sustentam o princípio “a maternidade é sempre
certa”, colocado em dúvida pelas novas técnicas de reprodução assistida, especialmente a que ora é
tratada.
O ideal é que os pais biológicos façam com a hospedeira um contrato de cessão gratuita do útero, onde
todos expressem o seu consentimento com o procedimento. Acompanhamento psicológico é sempre
aconselhável e pode até evitar futura disputa judicial. Outra providência que também pode evitar futuras
demandas é o parentesco entre a mãe biológica e a mãe gestacional, exigido na Resolução do CFM. 
A única certeza para o juiz é que sempre será um caso de difícil decisão, por envolver questões éticas,
morais e jurídicas, estas últimas em razão mesmo da falta de legislação a respeito, além dos sentimentos
e expectativas das partes e de seus problemas psicológicos. A mãe substituta, que passará por todas as
transformações físicas e psíquicas de uma gravidez, tende a fazer a representação de um aborto
psicológico e, se mantinha contato com os pais biológicos, com a entrega do bebê e consequente
separação, será tomada por um sentimento de abandono. A mãe biológica, por seu turno, poderá
protagonizar uma gravidez psicológica, chegando mesmo a desenvolver sintomas de uma gravidez, como
poderá, ainda, ser tomada pelo sentimento de que realizou a maternidade pela metade, além da sensação
de impotência que poderá recair sobre o casal e abalar a relação, entre outros problemas. Tem-se, ainda,
a inusitada situação do filho, que terá duas mães, a biológica e a geratriz.
Diante das dificuldades quanto ao estabelecimento da paternidade e da maternidade, a ausência de
regulamentação específica acarreta um grave problema, que volta e meia é noticiado na mídia: a oferta de
barriga de aluguel na Internet. Mesmo sendo ilegal a cobrança de qualquer valor pela cessão do útero
(como de qualquer parte do corpo), os anúncios na web fornecem até o preço, que variam deR$
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30.000,00 a R$ 450.000,00.
É importante salientar que há controvérsia quanto à tipificação da conduta como crime, sustentando os
adeptos da posição de que o aluguel temporário do útero não é crime “que não há conduta típica a
incriminar”, já que a ação “alugar útero” não é abrangida pela legislação específica, que é a Lei 9.434/97
(Lei dos Transplantes), nos seus arts. 14 e seguintes.
Há controvérsia, ainda, quanto à possibilidade ou não de se fazer um contrato para regular a situação. E
se feito um contrato, seria ele válido juridicamente? Deveria o contrato ser gratuito ou poderia ser oneroso?
Há os que entendem que não é possível, sob o argumento de que as pessoas não podem ser objeto de
contrato. Outros atribuem validade jurídica ao contrato gratuito com base nas normas da Resolução nº
1.358/92 do CFM. Em menor número, doutrinadores há que admitem o contrato oneroso, entendendo que
não há conduta típica, como também não há falar em coisificação da hospedeira ou da criança, já que o
objeto do contrato é a cessão temporária do útero, seja de forma onerosa ou gratuita. 
Por uma questão de coerência com o espírito (ética, solidariedade) da legislação em vigor (Código Civil e
Lei 9.434/97), o contrato de cessão gratuita do útero deve ser tido como juridicamente válido, com todas as
implicações daí decorrentes, até que venha a legislação a regulamentar o uso desta técnica de reprodução
assistida.
O Projeto de Lei 1184/2003 veda toda e qualquer forma de gestação de substituição. O Enunciado
129 da Jornada de direito Civil propõe uma nova redação para o art. 1.597-A do Código Civil: “a
maternidade será presumida pela gestação. Parágrafo único. Nos casos de utilização das técnicas de
reprodução assistida, a maternidade será estabelecida em favor daquela que forneceu o material
genético, ou que, tendo planejado a gestação, valeu-se da técnica de reprodução assistida heteróloga.”
 Nas demais hipóteses, heterólogas, ou seja, com material fecundante de terceiros, existem outras
possibilidades e que trazem maior dificuldade ainda na determinação da maternidade e até da paternidade.
Partindo-se de um casal e de uma mulher que vão gerar um filho, podemos ter: óvulo doado, sêmen do
parceiro e gestação de substituição; óvulo da parceira, sêmen doado e gestação por outrem; ambos os
gametas doados e gestação de substituição, hipótese problemática em razão da inexistência de vínculo
genético entre o casal e o filho; e, por último, as hipóteses que, a nosso sentir, são as mais complicadas e,
a rigor, não retratam a gestação de substituição tal como entendida atualmente, que acontecem quando o
óvulo é da própria hospedeira e nela é feita inseminação artificial com sêmen do marido ou de doador (a
hospedeira será também a mãe biológica). Cremos que, sendo a hospedeira também a mãe biológica,
todos aqueles problemas, especialmente os de natureza psíquica, se agravam, e será extremamente
penoso, de dificílima solução, esse confronto entre a maternidade biológica e a socioafetiva. Talvez esse
seja o único caso que deva ser proibido pela legislação vindoura.
A técnica em comento, como visto, amplifica o conceito de maternidade, que, necessariamente, em futuro
não muito distante, estenderá o seu manto sobre os casais homoafetivos masculinos que optarem por ter
um filho com a utilização do gameta de um deles, fato que tem ocorrido com grande número atualmente.
Há um caso ocorrido aqui no Brasil (em uma cidade de São Paulo) de um casal homoafetivo feminino, em
que uma das conviventes doou o óvulo, para fecundação in vitro, com esperma de banco, e a outra
recebeu o zigoto para a gestação. Elas entraram na justiça com um pedido para registrar os gêmeos no
nome das duas, como mães, sem registro de pai, sendo o pedido deferido. No Rio Grande do Sul, outro
casal homoafetivo feminino conseguiu o reconhecimento de que viviam em união estável e a autorização
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para registrar o casal de gêmeos no nome das duas.
A gestação de substituição e as demais técnicas de reprodução assistida estão aí, cada vez mais
largamente utilizadas, inexistindo caminho de volta para os avanços tecnológicos que, ao contrário,
seguem em velocidade avançada, e o Direito não pode se acanhar e se amedrontar, optando pelo caminho
mais fácil da proibição, em vez de enfrentar e solucionar os problemas que poderão surgir.
Apesar do Projeto de Lei apresentado pelo Senado Federal que se encontra em tramitação na Câmara dos
Deputados não abranger todas as hipóteses é preferível do que não termos nenhuma legislação sobre o
assunto. E diante da omissão legislativa acaba o judiciário tendo que decidir as questões que são
submetidas a ele. E muitas vezes, o que temos de parâmetro não é suficiente para termos uma decisão
que seja segura e justa.
Precisamos nos posicionar informando quais são os efetivos direitos das pessoas que queiram se
submeter a reprodução assistida e ainda as implicações decorrentes desses direitos. Afinal, se nos
posicionarmos como favoráveis à inseminação artificial faz-se necessário permitir que todas as pessoas
tenham acesso a essa possibilidade, inclusive casais de baixa renda, o que nos leva que o Sistema Único
de Saúde também deverá participar dessa discussão.
É urgente que se crie uma legislação específica, não só que regulamente a gestação de substituição,
como também todas as técnicas de reprodução medicamente assistida, para conferir segurança às
pessoas que delas se utilizarem para realizarem um sonho; o sonho de terem um filho.
2. Reconhecimento dos filhos (arts. 1607 a 1617):Os filhos de pais casados não precisam ser
reconhecidos, pois a paternidade decorre do casamento dos pais, de acordo com o Código Civil. No
entanto, o filho havido fora do casamento não é beneficiado por aquela presunção e, portanto, deve ser
expressamente reconhecido.
2.1. Modos de reconhecimento dos filhos:
1. Reconhecimento voluntário: Dá-se pela declaração de paternidade no assento de nascimento. Se os
pais não são casados, há a necessidade de comparecerem juntos ao Cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais; se não são, basta que um compareça (art. 1607, CC); 
 É ato pessoal dos genitores, não podendo ser feito por avô ou tutor, sucessores do pai ou herdeiros
do filho.
 Só é permitido reconhecer filhos já falecido quando ele deixa descendentes, caso em que cabe a
eles consentir o ato de reconhecimento.
 Uma vez declarada a vontade de reconhecer, o ato passa a ser irretratável ou irrevogável, inclusive
se feito em testamento (CC, art. 1.610).
 Poder vir a ser anulado se inquinado de vício de vontade como erro, coação (AJ, 97:145) ou não
observar certas formalidades legais.
 Não pode comportar condições ou termo (CC, art. 1.613). 
 Tanto o filho ”natural” como o “incestuoso” ou “adulterino” podem hodiernamente ser reconhecido
pelos pais, conjunta ou separadamente (CC, art. 1.607). 
 O reconhecimento, qualquer que seja a origem da filiação, é ato solene e irrevogável 
 Registro de nascimento feito por quem sabia não ser o verdadeiro pai é tido como adoção
simulada.
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2. Reconhecimento por escritura pública: Processa-se perante o oficial do cartório de Notas, quando o
homem alega ser o pai e, com anuência da mãe, lavra-se uma escritura que será levada ao Registro
Civil para averbação no assento de casamento;
3. Reconhecimento por testamento; manifestação expressa em testamento a ser apreciado após a morte
do pai em manifestação de vontade por escrito. Ainda que incidentalmente manifestado (CC, art. 1.609,
III) e até por testamento especial, e mesmo sendo nulo ou revogado, o reconhecimento nele exaradovale de per si, inclusive se tratar de simples alusão incidental à filiação, a menos que decorra de fato
que acarrete sua nulidade, como, p. ex. demência do testamento.
4. Reconhecimento por sentença judicial via ação de investigação de paternidade (art. 1606): Proferida
em investigação de paternidade, proposta pelo filho, se capaz, ou representado pela mãe e,
excepcionalmente, pelo MP (ver Lei 8560/92).
OBS: Reconhecimento é irrevogável (art. 1610); produz efeitos ex tunc. 
O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento. O filho menor pode impugnar o
reconhecimento até quatro anos após a maioridade ou emancipação (art. 1614).
2.2 Registro de Filiação em Reprodução Assistida: em qualquer hipótese de reprodução assistida post
mortem, a presunção da paternidade dos filhos havidos em decorrência do uso dessa técnica exige a
prévia autorização do morto. A dicção legal é expressa, quando estabelece que esses filhos presumem-se
concebidos na constância do casamento (ou da união estável), se o procedimento foi autorizado pelo
marido (ou companheiro) enquanto vivo.
O problema que emerge da aplicação prática das novas presunções centra-se, agora, na forma dessa
autorização, eis que o Código Civil se limitou a fixar o momento em que a autorização deve ser prestada
(prévia - antecedente ao procedimento), mas não a forma de que deve revestir-se (se escrita ou verbal, por
instrumento público ou particular, por negócio jurídico inter vivos ou causa mortis).
O Provimento 63/2017 do CNJ, que dispõe sobre o registro de nascimento e emissão da respectiva
certidão dos filhos havidos por reprodução assistida, exige que a autorização prévia específica do morto ou
morta para o uso do seu material genético seja expressa em “instrumento público ou particular com firma
reconhecida”. O Provimento anterior (52/2016) somente admitia a autorização por escritura pública. Em
outras palavras, as normas administrativas do CNJ, órgão que tem sido pródigo em legislar, impõem a
forma escrita.
Como não há forma prescrita em lei no que diz respeito à autorização, entende-se que a sua forma é livre,
não sendo restrita à forma escrita como pretende impor o Provimento 63/2017 do CNJ. É, inclusive, a
posição de Maria Berenice Dias (Op. cit, p. 402), no sentido de que o consentimento do marido não precisa
ser, necessariamente, por escrito, mas apenas têm de ser prévio. Na mesma linha, é a doutrina de Paulo
Lôbo, entendendo que a autorização marital poderá ser dada, até mesmo, na forma verbal e comprovada
em juízo como tal. (Op. cit, p. 53), 
Ressalve-se que a manifestação de vontade do cônjuge ou companheiro deve ser prévia e expressa,
sendo que manifestação expressa não significa manifestação escrita. Significa que a declaração de
vontade foi manifestada de modo conclusivo, concludente, categórico, taxativo ou literal. Expresso é o que
é explícito, evidente, conhecido ou ostensivo. Portanto a autorização será “expressa” ainda que se realize
verbalmente ou por meio de gestos, sinais ou mímicas, desde que se faça de modo explícito, possibilitando
o conhecimento imediato da intenção do agente, na lição de Carlos Roberto.Gonçalves (Op. Cit, p. 351).
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 O Enunciado 104 da I Jornada de Direito Civil promovida Conselho da Justiça Federal admitiu a
autorização implícita para o uso da técnica de reprodução assistida heteróloga: “No âmbito das técnicas de
reprodução assistida envolvendo o emprego de material fecundante de terceiros, o pressuposto fático da
relação sexual é substituído pela vontade (ou eventualmente pelo risco da situação jurídica matrimonial)
juridicamente qualificada, gerando presunção absoluta ou relativa de paternidade no que tange ao marido
da mãe da criança concebida, dependendo da manifestação expressa (ou implícita) da vontade no curso
do casamento”. 
No mesmo sentido os termos do Enunciado 258, da III Jornada de Direito Civil: “Não cabe a ação revista
no art. 1.601 do Código Civil se a filiação tiver origem em procriação assistida heteróloga, autorizada pelo
marido nos termos do inc. V do art. 1.597, cuja paternidade configura presunção absoluta.” 
Acrescente-se, ainda, o disposto no Enunciado 633 da VIII Jornada, que também não alude à exigência de
forma escrita para a autorização, quando dispõe: “É possível ao viúvo ou ao companheiro sobrevivente, o
acesso à técnica de reprodução assistida póstuma - por meio da maternidade de substituição, desde que
haja expresso consentimento manifestado em vida pela sua esposa ou companheira” 
Diante disso, há ressalvas ao entendimento da restrição posta no Provimento 63/2017 do CNJ, com a
“prévia autorização” a que se refere o inciso V do artigo 1.597 do Código Civil, para fins de se estabelecer
a presunção de paternidade do marido ou do companheiro, independer de forma especial. Pode ser
exteriorizada por escrito, sem forma especial, por exemplo: testamento particular com um legado com essa
finalidade.
Tenho ressalvas a outros tipos de manifestação, como bilhetes, dedicatórias em livros, cartões de natal ou
de aniversário, conversas com médicos, funcionários da clínica de reprodução ou outras testemunhas, ou
ainda, outros tipos de condutas, como continuar pagando o tratamento de Reprodução Assistida ou a
criopreservação de material genético, porque a prova se faria essencialmente, por meio de testemunhas,
necessitando de outros indícios para sua validação em juízo, pois administrativamente não seria possível
Observo, finalmente, que a restrição posta no Provimento 63/2017 não obsta o estabelecimento da
presunção de paternidade a partir da prévia autorização verbal ou implícita da pessoa morta, mas apenas
impede, nesses casos, que o registro de nascimento e a emissão da respectiva certidão se faça
administrativamente, independentemente de ordem judicial.
2.3 Ação de investigação de paternidade: Permite ao filho “natural” e ao “adulterino”, mesmo se não
dissolvida à sociedade conjugal, obter a declaração de seu respectivo status familie. 
Ao filho “incestuoso” a nossa Lei não mais nega legitimatio ad causam para intentar ação investigatória.
A investigação de paternidade processa-se mediante ação ordinária promovida pelo filho, ou representante
legal, se incapaz, contra o genitor ou seus herdeiros ou legatários, podendo ser cumulada com a de
petição de herança. 
Com a de alimentos e com a de retificação ou anulação de registro civil. 
Se citado o réu por mandato, vier a contestar o fato e a qualidade de pai, o juiz designa data para a
audiência preliminar, para obter o acordo das partes. 
Obtido tal acordo, o juiz o homologa por sentença. Se o acordo não se der, o órgão judicial devera sanear
o processo, determinando produção de provas. 
É imprescritível, podendo ser proposta a qualquer tempo. 
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2.4 Consequência do Reconhecimento de Filho: 
 O reconhecimento voluntário ou judicial de filho havido fora do matrimônio produz efeitos ex tunc,
pois retroagem até o dia do nascimento do filho ou mesmo de sua concepção se isso for seu
interesse.
 Estabelecer o liame de parentesco entre o filho e seus pais, atribuindo-lhe um status familiar,
constar o fato no Registro Civil, sem qualquer referencia familiar à filiação ilegítima.
 Impedir que o filho havido fora do casamento, reconhecido por um dos cônjuges, resida no lar
conjugal sem a anuência do outro (CC, art. 1.611).
 Dar ao filho o direito à assistência e alimentos, correspondentes à condição social em que viva,
iguais aos que seu genitor prestar a filho matrimonial, mesmo que não resida com o genitor que o
reconheceu.
 Sujeitar o filho, enquanto menor, ao poder familiar do genitor que o reconheceu, e, se ambos o
reconheceram, e não houve sob o poder de quem melhor atender aos interesses do menor.Logo,
aquele que não for o guardião, terá o direito de visitar o filho e de fiscalizar sua educação.
 Conceder direito à prestação alimentícia tanto ao genitor que reconhece como ao filho reconhecido,
pois os parentes devem alimentos uns aos outros, sendo a obrigação alimentar recíproca entre pais
e filhos.
 (Equiparar, para efeito sucessório, os filhos de qualquer natureza, (Lei n. 6.515/77, que deu nova
redação ao art. 2º da Lei n. 883/49); CF, art. 227, § 6º), estabelecendo assim direito sucessório
recíproco entre pais e filhos reconhecidos, pois tanto os ascendentes como os descendentes são
herdeiros necessários; se o descendente reconhecido tem direito de herdar do ascendente, o
ascendente também tem direito de suceder o descendente, já que o reconheceu.
 Autorizar o filho reconhecido a propor Ação de repartição de herança e de nulidade de partilha,
devido a sua condição de herdeiro. Se vier a falecer antes do autor da herança, seus herdeiros o
representarão e reconhecerão os bens, por direito de transmissão, se o óbito se der antes da
partilha.
 Equiparar a prole reconhecida, tanto para efeito de clausulação de legitimidade (CC, art. 1.814) ou
deserdação (CC, art. 1.962) ao descendente oriundo de relação matrimonial.
2.5 Ação negatória de paternidade: É pessoal, pode ser proposta a qualquer tempo (art. 1601, CC). Se o
autor falecer no curso da ação, seus herdeiros podem continuá-la (parágrafo único).
O pai poderá fazê-lo dentro de umas das circunstâncias dos arts. 1599, 1600, 1602 e 1597, V, provando
que houve adultério ou que não havia possibilidade de inseminação homóloga nem fertilização in vitro,
visto não ter doado qualquer material genético para esse fim, que é estéril, ou que fez vasectomia, ou,
ainda, que se encontra acometido de doença grave que impediria relações sexuais.
Legitimidade passiva: filho; a mãe também pode integrar a lide na condição de ré, já que ela efetuou o
registro.
A sentença proferida deverá ser averbada à margem do registro de nascimento, para competente
ratificação; sendo oponível erga omnes. 
2.6 Da Prova da Condição de Filho
 Certidão de nascimento inscrita no Registro Civil.
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 Por qualquer modo admissível em direito, se o registro faltar, por que os pais não o fizeram ou
porque se perdeu o livre ou se o tempo de nascimento for defeituoso. 
 Estribada na posse do estado de filho, a pessoa educada e criada pelo casal poderá vindicar em
juízo o reconhecimento da legitimidade da filiação, se não se fez, oportunamente, no termo de
nascimento, menção com reserva, desde que se façam presentes três elementos; o nomen ou
nominatio, ou seja, que a pessoa traga o nome paterno; o tractatus, isto é, que a pessoa seja
tratada na família como filha, e a fama ou reputatio, ou seja, que tenha sido constantemente
reconhecido pelos presumidos pais, pela família e pela sociedade como filha. Havendo essa
circunstância, ter-se-á presunção juris tantum de filiação.
 A ação de prova da filiação é pessoal, pois compete ao filho, enquanto viver, passando aos
herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz.
 Se proposta pelo filho maior e capaz, e se, porventura, este vier a morrer, seus herdeiros poderão
continuá-la por terem interesse moral e material.
2.7 Multiparentalidade e Paternidade/Maternidade Afetiva
2.7.1. Conceito de Multiparentalidade: Trata-se da possibilidade jurídica conferida ao genitor biológico
e/ou do genitor afetivo de invocarem os princípios da dignidade humana e da afetividade para ver
garantida a manutenção ou o estabelecimento de vínculos parentais.
Sabe-se que a família estrutura-se e constitui-se das mais variadas formas e padrões, tornando a noção
que a família é baseada apenas por liames genéticos, biológicos e decorrentes do casamento civil,
ultrapassada. Em vez de proteger-se o patrimônio, passou a prevalecer o direito dos indivíduos, iniciando,
assim, o reconhecimento de relações interpessoais existentes na sociedade. Isso decorre da mudança da
estrutura familiar e do conceito e critério de paternidade – é possível, portanto, reconhecer um vínculo
estabelecido a partir de relação afetiva, ao invés da puramente biológica.
Além disso, a coexistência de vínculos biológicos e afetivos é perfeitamente viável, mostrando-se não
apenas como direito, e sim como obrigação, de forma a preservar os direitos fundamentais de todos os
envolvidos.
Apresentamos o conceito de paternidade não somente considerando o liame genético – há de ser levado
em consideração “a paternidade como aquela que, fruto do nascimento mais emocional e menos
fisiológico” e que “reside antes no serviço e amor que na procriação”.
Com há o reconhecimento de que o afeto é um princípio do direito de família e faz as vezes de direito
fundamental, há uma quebra de paradigmas, dando-se valor e lugar para o afeto, para o que permeia cada
uma das relações familiares. É por esta razão que se diz que as relações de consanguinidade são menos
importantes que as oriundas de laços de afetividade e convivência familiar. A afetividade é o elemento
nuclear e definidor da união familiar.
Neste contexto, a multiparentalidade significa a legitimação da paternidade/maternidade do padrasto ou
madrasta que ama, cria e cuida de seu enteado (a) como se seu filho fosse, enquanto que ao mesmo
tempo o enteado (a) o ama e o (a) tem como pai/mãe, sem que para isso, se desconsidere o pai ou mãe
biológicos. A proposta é a inclusão no registro de nascimento do pai ou mãe socioafetivo permanecendo o
nome de ambos os pais biológicos.
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A multiparentalidade é uma forma de reconhecer no campo jurídico o que ocorre no mundo dos fatos.
Afirma a existência do direito a convivência familiar que a criança e o adolescente exercem por meio da
paternidade biológica em conjunto com a paternidade socioafetiva.
Segue jurisprudência:
"RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE FAMÍLIA. SOCIOAFETIVIDADE. ART. 1.593 DO CÓDIGO CIVIL.
PATERNIDADE. MULTIPARENTALIDADE. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. INDIGNIDADE. AÇÃO
AUTÔNOMA. ARTS. 1.814 E 1.816 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. (...) 3. Na hipótese, a primeira demanda
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não foi proposta pelo filho, mas por sua genitora, que buscava justamente anular o registro de filiação na
ação declaratória que não debateu a socioafetividade buscada na presente demanda. 4. Não há falar em
ilegitimidade das partes no caso dos autos, visto que o apontado erro material de grafia foi objeto de
retificação. 5. À luz do art. 1.593 do Código Civil, as instâncias de origem assentaram a posse de estado de
filho, que consiste no desfrute público e contínuo dessa condição, além do preenchimento dos requisitos de
afeto, carinho e amor, essenciais à configuração da relação socioafetiva de paternidade ao longo da vida,
elementos insindicáveis nesta instância especial ante o óbice da Súmula nº 7/STJ. 6. A paternidade
socioafetiva realiza a própria dignidade da pessoa humana por permitir que um indivíduo tenha reconhecido
seu histórico de vida e a condição social ostentada, valorizando, além dos aspectos formais, como a regular
adoção, a verdade real dos fatos. 7. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº
898.060, com repercussão geral reconhecida, admitiu a coexistência entre as paternidades biológica e a
socioafetiva, afastando qualquer interpretação apta a ensejar a hierarquização dos vínculos. 8. Aquele que
atenta contra os princípios basilares de justiça e da moral, nas hipóteses taxativamente previstas em lei, fica
impedido de receber determinado acervo patrimonial por herança. 9. A indignidade deve ser objeto de ação
autônoma e seus efeitos se restringem aos aspectos pessoais, não atingindo osdescendentes do herdeiro
excluído (arts. 1.814 e 1.816 do Código Civil de 2002). 10. Recurso especial não provido." (REsp
1704972/CE, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/10/2018,
DJe 15/10/2018)
2.7.2. Procedimento para registro: 
O Provimento 63/2017 do Conselho Nacional de Justiça pretende modificar, considerando a ampla
aceitação doutrinária e jurisprudencial da paternidade e maternidade socioafetiva, os princípios da
afetividade e da dignidade da pessoa humana como fundamento da filiação civil e a possibilidade do
parentesco resultar de outra origem que não a consanguinidade.
O provimento unifica no território nacional a autorização do reconhecimento voluntário da parentalidade
socioafetiva perante os oficiais de registro civil das pessoas naturais, ou seja, extrajudicialmente, tornando
desnecessária a provocação das varas de família e da infância e juventude.
Para o CNJ, quaisquer pessoas maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, poderão
reconhecer a paternidade e a maternidade socioafetiva, salvo irmãos e ascendentes e desde que sejam 16
anos mais velhas do que o filho a ser reconhecido. Para tanto, basta que se dirijam a qualquer cartório de
registro de pessoas naturais — ainda que diverso daquele em que lavrada a certidão de nascimento —, na
posse de seus documentos pessoais, sendo ainda necessária a anuência dos genitores registrais e o
consentimento do filho, se maior de 12 anos de idade.
O Conselho Nacional de Justiça foi ainda mais longe ao admitir, expressamente, a multiparentalidade,
exigindo apenas o respeito ao limite registral de dois pais e de duas mães no campo da filiação. 
2.7.3 Efeitos: O principal efeito jurídico da multiparentalidade é a filiação. A mesma defende a tese de que
não há justificativas plausíveis que impeçam o reconhecimento da paternidade biológica e socioafetiva.
A Constituição Federal de 1988 vedou qualquer discriminação na filiação entre os filhos e a filiação
biológica ou socioafetiva, diante disso, a multiparentalidade trata da igualdade de direitos e deveres na
paternidade/maternidade.
É importante salientar, que a filiação multiparental traz consigo integralmente os direitos que abrangem os
filhos, como os sucessórios e de alimentos, tanto na paternidade biológica quanto na socioafetiva, de
maneira igual para todos os filhos, não havendo prioridade para nenhum deles.
O conhecimento da origem biológica é um direito de todos, a multiparentalidade assegura que ele seja
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respeitado. A inserção na certidão de nascimento daqueles que são conhecidos como pais, não influencia
na retirada dos biológicos. Assegura, ainda, o princípio da paternidade responsável como efeito dessa
filiação.
Na filiação multiparental, ambos os pais participam de maneira efetiva na vida do filho, contribuindo por
igual no sustento e educação. 
Nesse sentido, Emanuelle Araújo Correia (2017, p. 80) afirma: “Assim, caberá aos pais socioafetivos tanto
quanto os biológicos, em relação aos filhos menores, dirigir-lhes a criação e educação; tê-los em sua
companhia e guarda; conceder ou negar a eles consentimento para casar; nomear tutor por testamento ou
documento autêntico, representá-los, até aos dezesseis anos, nos atos da vida civil, e assisti-lo, após essa
idade, nos atos em que for parte.”
Importante salientar, que os filhos socioafetivos tem exatamente o mesmo direito sucessório que os
biológicos, todas as normas sucessórias são aplicadas de maneira igual aos filhos, sem discriminação
entre a biológica e a socioafetiva. O direito por igual à herança pode ser considerado como o cumprimento
ao princípio da dignidade da pessoa e aos direitos fundamentais do indivíduo.
Ainda no que tange sobre os efeitos, aplica-se o disposto na Constituição Federal nos artigos 229 e 230,
com o nascimento do o dever de assistir, criar e educar os filhos menores. E estes filhos afetivos, quando
maiores, tem o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. 
Diante do exposto, necessário se faz esclarecer que da mesma maneira na qual os filhos socioafetivos
estão idênticos em direitos com os filhos biológicos, é possível afirmar que em obrigações também. É
dever do filho cuidar dos pais, assegurar a eles uma vida digna com todos os direitos garantidos.
É vedado pela Constituição Federal qualquer tratamento distinto entre os filhos, dessa maneira, entende-
se que os deveres também são estendidos aos pais afetivos. Tendo os filhos a responsabilidade de cuidar
igualmente de ambos os filiados, sem qualquer distinção.
2.7.4. Conclusão e Necessária Reflexão: A multiparentalidade é uma alternativa de família que já
acontecia, podendo ser notada nas décadas de 80 e 90, porém, não era reconhecida juridicamente. É uma
realidade na qual o Estado e, até mesmo, a sociedade tem evitado enxergar e aceitar que funciona,
trazendo benefícios para quem assim vive. A grande verdade é que ela se faz presente em muitas famílias,
devendo ser concedido os devidos efeitos de uma relação.
Nessa época, quem adentrava à família era padrasto/madrasta, que por sua vez, eram sempre pintados
como más pessoas e que até não ligavam para os filhos dos companheiros ou cônjuge. Não se falava em
“afetivo” ou “afetividade”.
Pais/mães afetivos podem sim ajudar seus filhos com amor, carinho, dedicação, pois o afetivo jamais
excluirá o biológico e, sim, irá agregar e respeitar.
Fica claro que a parentalidade socioafetiva não exclui os deveres determinados ao vínculo biológico, não
podendo, dessa maneira, o direito excluir ou exercer qualquer discriminação entre o vínculo afetivo e
biológico.
Há que se lembrar que pai é aquele que cuida, cria, educa, tendo assim o significado pai (liame afetivo) e
genitor (liame biológico). Não se pode esquecer na multiparentalidade que, além do amor, carinho, zelo,
ainda existem os fatores jurídicos a serem respeitados como o registro de nascimento, alimentos, guarda
compartilhada, direito de visita, direitos sucessórios, tanto entre os afetivos quantos os biológicos.
Esclareça-se que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 898.060 e da
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análise da Repercussão Geral 622, aprovou tese revolucionária. A corte decidiu, por maioria, que “a
paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro, não impede o reconhecimento do vínculo de
filiação concomitante, baseada na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios”. A redação foi
proposta pelo relator, Ministro Luiz Fux, vencidos os Ministros Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello.
O STF reconheceu o instituto da paternidade socioafetiva mesmo à falta de registro – tema que ainda
encontrava resistência em parte da doutrina de direito de família –; (b) afirmou que a paternidade
socioafetiva não representa uma paternidade de segunda categoria diante da paternidade biológica; e (c)
abriu as portas do sistema jurídico brasileiro para a chamada “multiparentalidade”.
Assim, a conclusão alcançada, pela maioria, foi ousada, na medida em que exprimiu uma clara ruptura
com o dogma, segundo o qual cada pessoa tem apenas um pai e uma mãe. Em um campo tão delicado
como o da família, cercado de preconceitos de origem religiosa, social e moral, o STF adotou um
posicionamento claro e objetivo, em sentido diametralmente oposto ao modelo da dualidade parental,
consolidado na tradição civilista e construído à luz da chamada “verdade” biológica.
É um assunto interessante a se aprofundar, tendo reconhecimento em doutrinas e jurisprudências, mas o
que se ressalta é que, além do afetivo jamais substituir o biológico, é uma modalidade familiar a ser
considerada, onde pessoas viúvas e divorciadas com filhosde seus relacionamentos anteriores podem
conviver tranquilamente com seus novos companheiros, criando assim, laços afetivos como casos já
mencionados.
Teremos muitos impasses, em especial do Direito Sucessório e no Direito Previdenciário. Por exemplo, se
uma pessoa pode receber herança de dois pais, é preciso recordar que também pode ocorrer o contrário,
pois a tese aprovada produz efeitos em ambas as direções: direito do filho em relação aos múltiplos pais
ou mães, mas também direitos dos múltiplos pais ou mães em relação ao filho. 
Assim, o que ocorre caso o filho venha a falecer antes dos pais, sem deixar descendentes? A resposta da
lei brasileira sempre foi a de que “os ascendentes da linha paterna herdam a metade, cabendo a outra
metade aos da linha materna” (art. 1.836, CC). Em primeiro grau, isso significava que o pai recebia a
metade dos bens, e a mãe, a outra metade. Agora, indaga-se como será feita a distribuição nessa
hipótese: a mãe recebe metade e cada pai recebe um quarto da herança? Ou se divide a herança
igualmente entre os três, para que a posição de pai não seja “diminuída” em relação à posição de mãe (ou
vice-versa)? Outra pergunta que se impõe, na mesma direção, é a seguinte: o que ocorre se os múltiplos
pais vierem a necessitar de alimentos? O filho, a rigor, deve ser chamado a prestar alimentos aos seus
múltiplos pais, podendo a multiparentalidade vir a se converter em ônus elevado àquele personagem que
costuma ser visto como “beneficiado” nas decisões judiciais que reconhecem a multiparentalidade.
Entendo que deve ser visto com receio de que a posição adotada pelo STF possa gerar demandas
mercenárias, baseadas em puro interesse patrimonial. Argumenta-se que a corte teria aberto as portas do
Judiciário para filhos que somente se interessam pelos pais biológicos no momento de necessidade ou ao
se descobrirem como potenciais herdeiros de fortunas. 
Nesse particular, competirá aos juízes e tribunais separar, como sempre, o joio do trigo, empregando os
mecanismos disponíveis na ordem jurídica brasileira para se evitar o exercício de uma situação jurídica
subjetiva em descompasso com seu fim axiológico normativo. 
O abuso do direito e a violação à boa-fé objetiva têm plena aplicação nesse campo, sendo de se lembrar
que são instrumentos que atuam não apenas no interesse particular, mas também no interesse público de
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evitar a manipulação de remédios que são concedidos pelo ordenamento não de modo puramente
estrutural, mas sempre à luz de uma finalidade que se destinam a realizar.
Outra dúvida importante que também terá de ser respondida é se o entendimento do STF produzirá algum
efeito sobre a adoção, em que pese a convicção exposta por alguns Ministros de que o instituto da adoção
não sofreria nenhuma alteração. 
Como se sabe, por expressa disposição do artigo 41 do Estatuto da Criança e do Adolescente, a adoção
rompe o vínculo do menor com a família biológica, contrariamente ao que ocorre, como decidiu o STF, no
caso da paternidade socioafetiva. Haveria aí uma incoerência do sistema jurídico? Deve a disciplina da
adoção ser alterada? A indagação é relevante especialmente quando se pensa naquelas “adoções” feitas
sem atos jurídicos formais, por meio do simples acolhimento no lar – situação que é tão frequente no Brasil
que foi batizada pelos juristas com o nome sintomático de adoção “à brasileira”. Nesses casos, adoção e
paternidade socioafetiva, embora correspondam a institutos jurídicos distintos, confundem-se na realidade
dos fatos, de modo que disciplinas jurídicas diversas podem gerar inconsistências injustificadas no que
tange aos efeitos produzidos sobre o dado real.
O importante aqui é que, na linha do que já havia feito com o reconhecimento das uniões homoafetivas, o
STF reitera seu papel no campo do direito de família: não fechar os olhos para realidade, acolhendo todas
as diferentes formas de família que já existem na prática e que não se enquadram necessariamente nos
modelos fechados que constam das nossas leis e dos nossos códigos. A tese aprovada na análise da
Repercussão Geral 622 representa à consagração de um direito de família efetivamente plural e
democrático no Brasil.
A propósito, convém registrar que à corte suprema do país não compete redesenhar, em cada decisão,
todo o sistema jurídico. Ao STF cumpre dar o norte, fixar paradigmas, como fez na análise da Repercussão
Geral 622 com a consagração da relevância jurídica da socioafetividade, não do afeto em si, que é
sentimento íntimo e pessoal, mas da sua manifestação exterior na vida social, apesar da insistência de
alguns em confundir os conceitos. o reconhecimento da inexistência de hierarquia entre a paternidade
socioafetiva e a biológica. E, finalmente, o acolhimento da multiparentalidade. As respostas mais
específicas a repercussões que a tese possa ter em diferentes setores jurídicos virão pouco a pouco, pelas
boas mãos da doutrina e da jurisprudência.
2.7.5. Resumindo
A multiparentalidade é uma alternativa de família que já acontecia, podendo ser notada nas décadas de 80
e 90, porém, não era reconhecida juridicamente.
Nessa época, quem adentrava à família era padrasto/madrasta, que por sua vez, eram sempre pintados
como más pessoas e que até não ligavam para os filhos dos companheiros ou cônjuge. Não se falava em
“afetivo” ou “afetividade”.
Pais/mães afetivos podem sim ajudar seus filhos com amor, carinho, dedicação, pois o afetivo jamais irá
excluir o biológico e, sim, irá agregar e respeitar.
Há que se lembrar que pai é aquele que cuida, cria, educa, tendo assim o significado pai (liame afetivo) e
genitor (liame biológico).
Não se pode esquecer na multiparentalidade que, além do amor, carinho, zelo, ainda existem os fatores
jurídicos a serem respeitados como o registro de nascimento, alimentos, guarda compartilhada, direito de
visita, direitos sucessórios, tanto entre os afetivos quantos os biológicos.
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É um assunto interessante a se aprofundar, tendo reconhecimento em doutrinas e jurisprudências, mas o
que este trabalho ressalta é que, além do afetivo jamais substituir o biológico, é uma modalidade familiar a
ser considerada, onde pessoas viúvas e divorciadas com filhos de seus relacionamentos anteriores podem
conviver tranquilamente com seus novos companheiros, criando assim, laços afetivos como casos já
mencionados.
Teremos muitos impasses, em especial do Direito Sucessório.
3. Da Guarda dos Filhos (arts. 1.583 a 1.590):
3.1 Conceito: A guarda, decorrência do poder parental, traduz um plexo de obrigações e direitos em face 
do menor, especialmente de assistência material e moral.
Guarda é um dever de assistência educacional, material e imaterial a ser comprido no interesse do filho
menor e do maior incapaz, garantindo-lhes a sobrevivência física e o pleno desenvolvimento psíquico.
Historicamente, no direito brasileiro, a guarda sempre fora deferida unilateralmente, prevalecendo o direito
da mãe, em caso de culpa de ambos os cônjuges.
Cabe aqui ressaltar um dos pais qual tem a guarda dos filhos possui o pater poder em toda a sua
extensão. Esse conceito está baseado no artigo 33 da Lei n º 8.069 de 1990, conhecido como Estatuto da
Criança e do Adolescente.
Entende-se então, a guarda dos filhos é um direito ou dever de quem permanece em poder dos filhos com
o intuito de protegê-los, garantindo-lhes um crescimento saudável, dentro de princípio morais e éticos,
harmônico com a nossa sociedade.
Essa proteção está prevista na legislação brasileira nos artigos 1.583 à 1.590 do Código Civil Brasileiro,
nos artigos 33 à 35 do Estatuto da Criança e do Adolescente e também na Lei do Divórcio, Lei 6.615/1977,
nos artigos 9º ao 16º.
Conforme o Novo CPC, as ações de guarda e visitação, expressõesinclusive já em desuso, pois hoje se
fala em direito de convivência, bem como as ações de filiação, são prevista agora pelo Estatuto da Criança
e do Adolescente. Porém, inúmeros conflitos de competência vão ocorrer, pois não têm como serem
regidas por lei que diz com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade (ECA, art. 98). 
3 .1.1 Características
 Destina-se à prestação de assistência moral, material e educacional do menor.
 Não importa em previa suspensão do poder familiar.
 O detentor do menor tem o direito de se opor a terceiros, inclusive aos pais.
 Uma vez conferida a guarda a alguém tido como idôneo, não se admite a transferência do menor a
terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais sem autorização judicial.
 A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, e com
manifestação do MP.
 A perda ou a modificação da guarda poderá ser decretada nos mesmos autos do procedimento.
 É a modalidade mais simples de colocação em família substituta.
 A guarda, tratada no ECA, é deferida à criança ou ao adolescente que, por abandono dos pais ou
orfandade, necessitam de colocação em família substituta.
3.2. Tipos de guarda no Direito Brasileiro
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Grande parte dos doutrinadores ensinam vários tipos de guarda no ordenamento jurídico brasileiro. Como
objeto deste estudo, falam dos tipos de guarda, até para diferenciar do tema principal que é a guarda
compartilhada.
3.2.1 Provisória: pode ser concedida através de medida liminar ou incidentalmente nos processos de
adoção. Não é possível nas adoções por estrangeiros.
3.2.2 Permanente: Destina-se a atender a situação nas quais, por qualquer razão, não se logrou a adoção
ou tutela. Objetiva, também regularizar a guarda de fato.
3.2.3 Peculiar: É destinada a atender situações excepcionais ou eventuais, permitindo ao juiz outorgar
representação ao guardião para a prática de determinados atos em beneficio do menor.
* Obs: O fato de o menor estar sob guarda não exime os pais da obrigação de prestar alimentos.
3.2.4. Guarda comum
A guarda comum os pais exercem em conjunto, quando existe a unidade familiar, ou seja, na constância
do casamento ou da união estável, com o intuito de atender ao interesse do menor, conduzindo-o para
uma vida digna. Waldyr Griasrd Filho ensina que: “É a chamada guarda comum, consistente na
convivência e na comunicação diário entre os pais e filhos, pressupostos essenciais para educar e formar
o menor. A guarda integrada assim ao pátrio poder não corresponde aos pais por concessão do Estado ou
da Lei, senão preexiste ao ordenamento positivo, que apenas a regula para o seu correto exercício.”
Continua ensinando Waldyr Grisard Filho sobre a guarda comum: “sua origem, pois, não é legal nem
judicial, antes natural, decorrente do fato da paternidade e da maternidade.”
3.2.5. Guarda de Fato
É chamado de guarda de fato o tipo de guarda em uma pessoa traz para si a responsabilidade da
educação e assistência de um menor ou maior incapaz, independente de ser essa uma atribuição legal ou
de uma decisão judicial. Não é necessário ser o pai ou mãe do menor, mas de ter junto consigo o exercício
do poder de educação e de assistência do mesmo. Grisard Filho define a guarda de fato como sentido:
“Aquela que se estabelecer por decisão própria de uma pessoa que toma o menor a seu cargo, sem
qualquer atribuição legal (reconhecida aos pais e tutores) ou judicial, não tenho sobre ele nenhum direito
de autoridade, porém todas as obrigações à guarda desmembrada, como assistência e educação.”
Esse tipo de guarda ocorre nos casos de menor abandonado ou quando os avós, parentes e até terceiros,
acabam por assumir a criação, sem se importar com a legalidade da situação.
3.2.6. Guarda por Terceiro
A guarda por terceiro tem a sua previsão legal no artigo 1.584, parágrafo único , do Código Civil Brasileiro.
Quando o juiz entender que nenhum dos pais tem condições de permanecer com a guarda dos filhos,
poderá definir a guarda para terceiros se este, no qual tenham condições de exercê-la, dando preferência
ao grau de parentesco e a relação de afinidade e afetividade, buscando sempre o interesse do menor.
Não havendo parentes ou sendo eles afastados da indicação por motivos graves, excepcionalmente o juiz
deferirá a guarda em favor de uma pessoa não integrada a família. Poderia a guarda ser concedida em
favor de pessoa jurídica, se não havendo outra pessoa disponível, para o seu exercício, de forma
excepcional, seria de se admitir a situação jurídico em questão.
Esse tipo de guarda somente deverá ser indicado em casos extremos. Silvio de Sálvio Venosa esclarecer
o magistrado deve: “valer-se dos profissionais auxiliares para ter diante de si um quadro claro da situação
do lar dos cônjuges, ao tomar a decisão de separar os filhos de seus pais legais.”
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3.2.7. Guarda Unilateral
Chama-se de guarda unilateral aquela exercida por somente um dos dois pais, após a dissolução do
casamento ou da união estável.
Após o transito em julgado da sentença proferida nos autos de separação ou divórcio, o juiz poderá
determinar a guarda dos filhos para somente um dos cônjuges. Sendo determinada a guarda do filho
incapaz em favor de apenas um dos cônjuges, há guarda unilateral.
Com a decretação da guarda unilateral, o cônjuge não for o guardião, passa a ter o direito de visita,
conforme o artigo 1.589 do Código Civil Brasileiro, podendo ainda fiscalizar a educação e manutenção do
filho.
3.2.8. Guarda Alternada
Entende-se por guarda alternada a criança fica um período de tempo com o pai e um outro período com a
mãe alternadamente.
Este modelo de guarda, tanto a jurídica como a material, é atribuída a um e a outro dos pais, o que implica
a alternância no período do menor morar com cada um dos pais. Desta forma cada um dos pais, no
período de tempo preestabelecido a eles, exerce de forma exclusiva a totalidade dos direitos e deveres
que integram o poder parental.
Fica claro, então, durante no processo de separação, o casal deixa estabelecido os períodos em que o
menor deverá permanecer com cada um deles, assumindo assim todas as responsabilidades em relação
ao menor, durante o período em que este estiver com aquele.
3.2.9. Guarda Compartilhada
A guarda compartilhada mantém a guarda a ambos os cônjuges por força de sentença judicial de
separação ou divórcio.
É um dos meios de exercício da autoridade parental, os pais desejam continuar exercendo em comum,
quando fragmentada a família. É modalidade especial em que pais e mães dividem a responsabilidade de
condução da vida do filho, conjuntamente, sem prevalência de qualquer dos genitores. A doutrina sugere a
adoção deste arranjo familiar, com fundamento no art. 226, § 5°, da CF, que estabelece a igualdade entre
os cônjuges
Antes da legislação especifica sobre o tema de guarda compartilhada, os juízes vinham adotando a letra
do artigo 1.583 do Código Civil, onde os pais acordam sobre a guarda dos filhos, podendo do juiz somente
negar, se essa guarda causar prejuízo ao menor.
Com a Lei nº 11.698/08, em vigor desde 13 de agosto de 2008, os arts. 1.583 a 1.585 do CC, passou a
vigorar com a seguinte redação, com alterações posteriores ocorrendo pela Lei 13.058, de 2015:
“Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada.
§ 1º Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua
(art. 1.584, § 5o) e, por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres
do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns.
§ 2º Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de forma equilibrada com
a mãe e com o pai, sempre tendo em vistaas condições fáticas e os interesses dos filhos
§ 3º Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que melhor
atender aos interesses dos filhos.
§ 4o VETADO
§ 5o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos, e,
para possibilitar tal supervisão, qualquer dos genitores sempre será parte legítima para solicitar informações
e/ou prestação de contas, objetivas ou subjetivas, em assuntos ou situações que direta ou indiretamente
afetem a saúde física e psicológica e a educação de seus filhos. 
 “Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser:
I – requerida, por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer deles, em ação autônoma de separação, de
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divórcio, de dissolução de união estável ou em medida cautelar;
II – decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou em razão da distribuição de
tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe.
§ 1o Na audiência de conciliação, o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada, a
sua importância, a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo
descumprimento de suas cláusulas.
§ 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, encontrando-se ambos os
genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda compartilhada, salvo se um dos genitores
declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor. 
§ 3o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda
compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá basear-se em orientação
técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar, que deverá visar à divisão equilibrada do tempo com o pai e
com a mãe.
§ 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda unilateral ou
compartilhada poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor.
§ 5o Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe, deferirá a guarda a
pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida, considerados, de preferência, o grau de
parentesco e as relações de afinidade e afetividade.
§ 6o Qualquer estabelecimento público ou privado é obrigado a prestar informações a qualquer dos genitores
sobre os filhos destes, sob pena de multa de R$ 200,00 (duzentos reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) por
dia pelo não atendimento da solicitação.
Art. 1.585. Em sede de medida cautelar de separação de corpos, em sede de medida cautelar de guarda ou
em outra sede de fixação liminar de guarda, a decisão sobre guarda de filhos, mesmo que provisória, será
proferida preferencialmente após a oitiva de ambas as partes perante o juiz, salvo se a proteção aos
interesses dos filhos exigir a concessão de liminar sem a oitiva da outra parte, aplicando-se as disposições do
art. 1.584. ” 
Claro está que se trata de uma salutar modalidade de guarda a ser adotada quando os pais mantêm bom
relacionamento, e segundo sempre o interesse existencial da criança ou do adolescente. 
3.2.9.1 Características da Guarda Compartilhada
II- Promoveu alteração radical no modelo de guarda dos filhos, ate então dominante no direito brasileiro, ou
seja, da guarda unilateral conjugada com o direito de visita.
III- Só deve ser afastada quando o melhor interesse dos filhos recomendar a guarda unilateral.
IV- A guarda compartilhada não é mais subordinada ao interesse dos genitores quando se separam, ao
contrário, quando não houve acordo será fixada pelo juiz, sempre que possível.
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V- A guarda compartilhada pode ser requerida por um dos pais ou por ambos, ou em medidas cautelares
preparatórias das ações de separação judicial ou divórcio.
VI- O juiz pode fixar a guarda compartilhada, ainda que não requerida pelos pais, quando perceber que ela
se impõe para atender as necessidades específicas do filho.
VII- A guarda compartilhada é exercida em conjunto pelos pais separados, de modo a assegura ao filho a
convivência e o acesso livres a ambos e os pais exercem em plenitude o poder familiar.
VIII- Nessa modalidade, a guarda é substituída pelo direito a convivência dos filhos em relação aos pais.
IX- Na guarda compartilhada é definida a residência de um dos pais, onde viverá ou permanecerá, visando
garantir-lhe a referencia de um lar, para suas relações de vida, ainda que tenha liberdade de frequentar a
do outro; ou mesmo de viver alternadamente em uma ou outra.
X- A guarda compartilhada tem por finalidade essencial a igualdade na decisão em relação ao filho ou
corresponsabilidade, em todas as situações existenciais e patrimoniais.
XI- A guarda compartilhada é caracterizada pela manutenção responsável e solidária dos direitos e
deveres inerentes ao poder familiar, minimizando-se os efeitos da separação dos pais.
XII- Os períodos de convivência do filho com seus pais não necessitam de ser rigorosamente iguais, para
que o filho não tenha uma existência partida.
3.2.9.2 Procedimento de Guarda Compartilhada (CPC-2015, art. 53, I, a): Ao estabelecer, no art. 53, I,
a, do Novo CPC, que o juízo competente para o processamento e o julgamento de "divórcio, separação,
anulação de casamento, reconhecimento ou dissolução de união estável" é aquele cujo foro abrange o
lugar em que tem domicílio o "guardião de filho incapaz", o legislador manifestou, claramente, a sua opção:
havendo, entre as partes, uma que é guardiã de filho incapaz e outra que não é, a proteção deve recair
sobre aquela que tem a guarda. Este painel fático, todavia, não pode ser confundido com a situação em
que ambas as partes têm a guarda, que é o que se dá quando a guarda é compartilhada (CC, arts. 1.583,
1.584, 1.585 e 1.634). Assim, havendo guarda compartilhada, a situação fática não se subsome à previsão
do inciso I, a, do art. 53 do CPC-2015, o que deve remeter o intérprete para a norma a ser subsidiária e
imediatamente aplicada: é competente o juízo cujo foro abranger o lugar do último domicílio do casal (art.
53, I, b).
3.3. Políticas Públicas para a Primeira Infância (alterações no ECA)
A Lei 13.257/2016, ao dispor sobre as políticas públicas especificamente destinadas à primeira infância,
alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Por primeira infância, assim, passam a ser legalmente entendidos os primeiros anos de vida no
desenvolvimento infantil e do desenvolvimento do ser humano; inclusive, tendo-se em conta a doutrina da
proteção integral, a garantia fundamental da absoluta prioridade, e a emancipação subjetiva da criança, do
adolescente e do jovem enquanto sujeitos de Direito, os quais se encontram na condição humana peculiar
de desenvolvimento da personalidade, nos termos do art. 6º da Lei 8.069/90.
A infância é uma das fases da existência humana, então, datada no ordenamento jurídico brasileiro, a
partir do nascimento com vida até alcançar a idade de 12 (doze) anos incompletos, nos termos do art. 2º
da Lei 8.069/90.
As políticas sociais públicas específicas tem, por objetividade, a atenção à especificidade e à relevância do
desenvolvimento infantil (primeira infância) e do desenvolvimento do ser humano.
A primeira infância cronologicamente (quantitativamente) foi legalmente identificada como o “período que
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abrange os primeiros 6 (seis) anos completos ou 72 (setenta e dois) meses de vida da criança”, nos termos
do art. 2º da Lei 13.257/2016 (Lei da Primeira Infância); isto é, guarda referência à metade do tempo
legalmente reconhecido ao período destinado à infância, uma vez que se considera criança a pessoa com
idade de 0 (zero) a 12 (doze) anos incompletos, conforme o art. 2º do Estatutoda Criança e do
Adolescente.
Portanto, para fins de formulação e execução – destacadamente, orçamentária – das políticas sociais
públicas específicas, considera-se legalmente primeira infância os primeiros 6 (seis) anos de vida da
criança.
A Lei 13.257/2016 (Lei da Primeira Infância), de igual maneira, contempla a garantia fundamental da
absoluta prioridade – em seu art. 3º – como estratégia legal, de viés político-social, destinada ao
asseguramento da plena efetivação dos direitos individuais da criança, do adolescente e do jovem,
alinhando-se, assim, ao que se encontra constitucional – art. 227 da Constituição da República de 1988 –
e estatutariamente – art. 4º da Lei 8.069/90 – consignado como expressão de liberdades públicas
especificamente destinadas à emancipação subjetiva desses novos sujeitos de Direito.
A atenção integral especificamente destinada à primeira infância, por sua vez, deve ser compreendida
como a possibilidade de adoção de todos os meios e facilidades que se afigurem indispensáveis ao
atendimento das condições, circunstâncias, peculiaridades e especificidades que são inerentes, e,
portanto, particularmente, próprias às intercorrências dessa faixa etária, visando a garantir o integral
desenvolvimento da criança.
Em decorrência disto, impõe-se aos Poderes Públicos – em todos os níveis de governo – o dever legal de
estabelecer, isto é, de formular e executar orçamentariamente políticas sociais públicas específicas, bem
como planos, programas e serviços (projetos sociais) que se destinem ao atendimento especial e integral
de tudo aquilo que for essencial à garantia da qualidade de vida digna na primeira infância.
Neste sentido, é dever legal do Estado – assim como correlatamente é dever jurídico da família e da
sociedade (comunidades) exigir, acompanhar e fiscalizar – o estabelecimento de políticas sociais públicas
específicas que estrutural, funcional e orçamentariamente contemplem planos, programas e serviços
destinados à atenção integral da primeira infância, por exemplo:
- É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de
planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e
ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde.
- A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um) acompanhante de sua preferência durante o período do
pré-natal, do trabalho de parto e do pós-parto imediato.
- Incumbe ao poder público garantir, à gestante e à mulher com filho na primeira infância que se encontrem
sob custódia em unidade de privação de liberdade, ambiência que atenda às normas sanitárias e
assistenciais do Sistema Único de Saúde para o acolhimento do filho, em articulação com o sistema de
ensino competente, visando ao desenvolvimento integral da criança.
- Os profissionais das unidades primárias de saúde desenvolverão ações sistemáticas, individuais ou
coletivas, visando ao planejamento, à implementação e à avaliação de ações de promoção, proteção e
apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar saudável, de forma contínua.
 -Os serviços de unidades de terapia intensiva neonatal deverão dispor de banco de leite humano ou
unidade de coleta de leite humano.
110
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- É assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do adolescente, por
intermédio do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da equidade no acesso a ações e serviços
para promoção, proteção e recuperação da saúde.
- A criança e o adolescente com deficiência serão atendidos, sem discriminação ou segregação, em suas
necessidades gerais de saúde e específicas de habilitação e reabilitação.
- Incumbe ao poder público fornecer gratuitamente, àqueles que necessitarem, medicamentos, órteses,
próteses e outras tecnologias assistivas relativas ao tratamento, habilitação ou reabilitação para crianças e
adolescentes, de acordo com as linhas de cuidado voltadas às suas necessidades específicas.
- Os profissionais que atuam no cuidado diário ou frequente de crianças na primeira infância receberão
formação específica e permanente para a detecção de sinais de risco para o desenvolvimento psíquico,
bem como para o acompanhamento que se fizer necessário.
- Os estabelecimentos de atendimento à saúde, inclusive as unidades neonatais, de terapia intensiva e de
cuidados intermediários, deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um
dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente.
- As gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão
obrigatoriamente encaminhadas, sem constrangimento, à Justiça da Infância e da Juventude.
- Os serviços de saúde em suas diferentes portas de entrada, os serviços de assistência social em seu
componente especializado, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e os
demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente deverão conferir máxima
prioridade ao atendimento das crianças na faixa etária da primeira infância com suspeita ou confirmação
de violência de qualquer natureza, formulando projeto terapêutico singular que inclua intervenção em rede
e, se necessário, acompanhamento domiciliar.
- O Sistema Único de Saúde promoverá a atenção à saúde bucal das crianças e das gestantes, de forma
transversal, integral e intersetorial com as demais linhas de cuidado direcionadas à mulher e à criança.
- A atenção odontológica à criança terá função educativa protetiva e será prestada, inicialmente, antes de o
bebê nascer, por meio de aconselhamento pré-natal, e, posteriormente, no sexto e no décimo segundo
anos de vida, com orientações sobre saúde bucal.
- A criança com necessidade de cuidados odontológicos especiais será atendida pelo Sistema Único de
Saúde.
- As políticas públicas criarão condições e meios para que, desde a primeira infância, a criança tenha
acesso à produção cultural e seja reconhecida como produtora de cultura.
- O art. 34 do ECA, consta, sobre a adoção, que a União apoiará a implementação de serviços de
acolhimento em família acolhedora como política pública, os quais deverão dispor de equipe que organize
o acolhimento temporário de crianças e de adolescentes em residências de famílias selecionadas,
capacitadas e acompanhadas que não estejam no cadastro de adoção.
- Poderão ser utilizados recursos federais, estaduais, distritais e municipais para a manutenção dos
serviços de acolhimento em família acolhedora, facultando-se o repasse de recursos para a própria família
acolhedora.
- A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão organizar e estimular a criação de
espaços lúdicos que propiciem o bem-estar, o brincar e o exercício da criatividade em locais públicos e
privados onde haja circulação de crianças, bem como a fruição de ambientes livres e seguros em suas
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comunidades.
112
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XI - Dos Alimentos (art. 1694 a 1710 CC): 
1. Conceito: Parentes, cônjuges ou companheiros podem pedir uns dos outros os alimentos de que
necessitam para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender as
necessidades de sua educação (art. 1694), devendo ser fixados de acordo com as necessidades do
reclamante e dos recursos da pessoa obrigada (§1o).
Alimentos são prestações para satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. 
1.1 Características
 Compreende o que é imprescindível à vida da pessoa com alimentação, vestuário, habitação,
tratamentomédico, transporte, diversão, e, se a pessoa alimentada for menos de idade, ainda
verbas para sua instituição e educação, incluindo parcelas despendidas com sepultamento, por
parentes legalmente responsáveis pelos alimentos. 
 Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da
pessoa obrigada. 
 Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade
resultar de culpa de quem os pleiteia, exigindo averiguação de culpabilidade (p. ex., vadiagem,
gastos excessivos com viagens recreativas; dívidas de jogo, etc) na ação de alimentos. 
 Atenderá pretensão à formação educacional, bem como à do maior cursando faculdade ou escola
técnico-profissionalizante, exceto se possuir rendimento próprio.
 Não havendo culpa, a prestação alimentícia abrangerá não só o quantum destinado à
sobrevivência do alimento, mas também a verba para vestuário, lazer, educação etc., devendo ser
compatível com a condição social.
 Porém a maioridade, por si só, não basta para exonerar os pais desse dever, porque filhos maiores,
até 24 anos, que não trabalham e cursam estabelecimento de ensino superior, podem pleitear
alimentos, alegando que se isso lhe for negado prejudicará sua formação profissional.
 Imprescindível será a prova da necessidade de sua manutenção pelo genitor. 
 “Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros alimentos de que
necessitem para viver com dignidade”. Elimina-se, assim, a exigência de o alimento ser compatível
coma a condição social do alimentado, visto que isso levaria à interpretação de que seria
impossível diminuir seu padrão de vida. E, além disso, muitas vezes, seria difícil ao alimentante
manter o status social do alimentado. 
 São cabíveis nas dissoluções de sociedade conjugal. Neste caso, o dever de sustentação
prescinde da necessidade do filho menor não emancipado, medindo-se na proporção dos haveres
do pai e da mãe. Logo, essas duas obrigações não são idênticas na índole e na estrutura.
1.2 Pressupostos Essenciais 
1.2.1. Existência de companheirismos, vínculo de parentesco ou conjugal entre o alimento e o alimentante.
São obrigadas a suprir alimentos, mas somente ascendentes, descendentes maiores, ou adultos, irmãos
germanos ou unilaterais e o ex-cônjuge, sendo que este último, apesar de não ser parentes, é devedor de
alimentos ante o dever legal de assistência em ração do vinculo matrimonial. 
Dissolvida a união estável por rescisão, o ex-companheiro, enquanto tiver procedimento digno e não vier a
constituir nova união sendo o concubinato puro, poderá pleitear alimentos ao outros, desde que com ele
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tenha vivido ou dele tenha prole, provando sua necessidade por não poder prover sua subsistência. 
Se terceiros prestarem alimentos, voluntariamente, sobrestando o estado de miserabilidade do alimentário,
esse fato não exonera o devedor de alimentos, nem mesmo o auxilio da assistência pública.
1.2.2. Necessidade do alimentado.
Além de não possuir bens, está impossibilitando de prover, pelo seu trabalho, à própria subsistência, por
estar desempregado dente, inválido, velho.
1.2.3. Possibilidade econômica do alimentante,
Deverá cumprir seu dever, fornecendo verba alimentícia, sem que haja desfalque do necessário ao seu
próprio sustento.
É preciso verificar sua capacidade financeira, porque, se tiver apenas o indispensável à própria mantença,
injusto será obrigá-lo a sacrificar-se a passar provações para socorrer parente necessitado, tanto mais que
pode existir parente mais afastado que esteja em condição de cumprir tal obrigação alimentar, sem
grandes sacrifícios.
1.2.4. Proporcionalidade, na sua fixação, entre as necessidades do alimentário e os recursos econômico-
financeiros do alimentante
A equação desses dois fatores deverá ser feita em cada caso.
1.3. Natureza Jurídica
1. É um direito personalíssimo por ter por escopo tutelar a integridade física do individuo, logo, sua
titularidade não passa a outrem.
2. É intransmissível, pois o art. 1.700, pode reclamá-los de quem estiver obrigado a pagá-los, podendo
exigi-los dos herdeiros do devedor, se este falecer, por que a estes se transmitem a obrigação alimentar,
passando, assim, os alimentos a serem considerados como divida do falecido, cabendo aos seus herdeiros
a respectiva solução até as forças da herança, no limite do quinhão que a cada um deles couber. Se
inexistir herança, inviável será a transmissão da obrigação alimentar. Os herdeiros do devedor só terão a
obrigação de prestar alimentos limitada às forças da herança (CC, art. 1.997 c/c o art. 1.792) e não
conforme sua própria possibilidades econômicas.
3. É incessível em relação ao credor, pois o crédito não pode ser cedido a outrem, por se inseparável da
pessoa do credor. (arts. 286 e 1707, CC – Alguns autores entendem que o crédito, no entanto, pode ser
cedido)
4. É irrenunciável, uma vez que permite que se deixe de exercer, mas não que se renuncie o direito de
alimentos. Pode-se renunciar o exercício e não o direito. O direito advindo de vínculo matrimonial pode ser
renunciado.
5. É imprescritível, ainda que não o exercite por longo tempo, enquanto vivo tem o alimentado direito a
demandar do alimentante recursos materiais indispensável e sua sobrevivência. Porem se seu quantum foi
fixado, judicialmente, prescreve em 2 anos (art. 206, § 2o) a pretensão para cobrar as prestações de
pensões alimentícias vencidas e não pagas.
6. É impenhorável, (art. 1707, CC) em razão da finalidade do instituto; Uma vez que se destina a prover a
mantença do necessitado, não pode, de modo algum, responder pelas suas dívidas, estando a pensão
alimentícia isenta de penhora.
7. È incompensável (arts. 373 e 1707, CC), pois se se admitisse a extinção da obrigação por meio de
compensação, privar-se-ia o alimentado dos meios de sobrevivência.
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8. É não transacionável (art. 841, CC) não podendo ser objeto de transação o direito de pedir alimentos,
mas o quantum das prestações vencidas ou vincendas é transacionável.
9. É atual, por que o direito aos alimentos visa a satisfazer necessidades atuais ou futuras e não as
passadas do alimentado; Jamais poderá requerer que se lhe conceda pensão alimentícia relativa às
dificuldades que teve no passado.
10. É irrestituível, pois, uma vez pagos, os alimentos não devem ser devolvidos, mesmo que a ação do
beneficiário seja julgada improcedente.
11. É variável, por permitir revisão, redução, majoração ou exoneração da obrigação alimentar, conforme
haja alteração da situação econômica e da necessidade dos envolvidos.
12. È divisível, entre os parentes do necessitado, encarregado da prestação alimentícia, salvo se o
alimento for idoso.
2. Espécies: 
a) Quanto à natureza: naturais (indispensáveis à satisfação das necessidades primárias da vida) ou civis
(manter a condição social, o status da família).
b) Quanto à causa jurídica: a) legais ou legítimos (devidos por obrigação legal, decorrente do parentesco,
casamento ou companheirismo – art. 1694); b) voluntários (que emanam da declaração de vontade inter
vivos, por quem não tinha a obrigação de pagar alimentos ou causa mortis, por testamento, com previsão
no art. 1920); c) indenizatórios (resultantes da prática de ato ilícito, indenização do dano ex delicto).
3. Classificação quanto às finalidades:
a) Definitivos: São de caráter permanente, estabelecidos por juiz, em sentença, ou acordo das partes
devidamente homologados. Podem ser revistos por outra ação (art. 1699).
b) Provisórios: Fixados liminarmente no despacho inicial proferido em uma ação de alimentos de rito
especial estabelecido pela Lei de Alimentos (Lei n. 5478/68). Devem ter prova pré-constituídade
parentesco.
c) Provisionais, “adlitem”, “expensa litis” ou acautelatórios: Determinados em medida cautelar,
preparatória ou incidental, de ação de separação judicial, divórcio, nulidade ou anulação de casamento ou
de alimentos. Destinam-se a manter o suplicante e a prole, durante a tramitação da lide principal, e ao
pagamento das despesas judiciais, inclusive honorários advocatícios. Dependem da presença do fumus
boni juris e periculum in mora. Podem ser fixados em ação de alimentos cumulada com investigação de
paternidade, por exemplo. Podendo ser concedidos liminarmente e revogados a qualquer tempo e deverão
ser pagos até o momento em que passar em julgado a sentença final de nulidade absoluta ou relativa e de
separação judicial.
d) Gravídicos: instituída pela lei nº 11.804, de 5 de novembro de 2008, disciplina o direito de alimentos da
mulher gestante e a forma como será exercido. 
Os alimentos de que trata esta Lei compreenderão os valores suficientes para cobrir as despesas
adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as
referentes a alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares,
internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo
do médico, além de outras que o juiz considere pertinentes. Referem-se à parte das despesas que deverá
ser custeada pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que também deverá ser dada pela mulher
grávida, na proporção dos recursos de ambos. Convencido da existência de indícios da paternidade, o juiz
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fixará alimentos gravídicos que perdurarão até o nascimento da criança, sopesando as necessidades da
parte autora e as possibilidades da parte ré. Após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam
convertidos em pensão alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão. O réu
será citado para apresentar resposta em 5 (cinco) dias. 
Em regra são prestados por soma em dinheiro, mas, excepcionalmente, podem ser prestados in natura, no
próprio fornecimento de gêneros alimentícios e outras utilidades indispensáveis ao alimentado. 
4. Classificação quanto a causa jurídica: 
a) Voluntários, se resultantes de declaração de vontade, intervivos ou causa mortis, caso em que se
inserem no direito das obrigações ou no direito das sucessões.
b) Ressarcimento ou indenizatórios, se destinados a indenizar vítimas de ato ilícito.
c) Legítimos ou legais, se imposto por lei em virtude do fato de existir entre as pessoas um vínculo de
família.
5. Classificação quanto ao momento de reclamação:
a) Atuais, se os alimentos pleiteados forem a partir do ajuizamento da ação.
b) Futuros, se devidos após prolatada a decisão: os alimentos pretéritos, como observa Carlos Roberto
Gonçalves não são devidos.
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6. Direito à prestação: Art. 1696, 1697, 1698, CC.
Os alimentos fixados ou acordados podem ser revistos sempre que sobrevier mudança na situação
econômica do alimentado ou alimentante (art. 1699, CC; art. 22 da Lei 6515/77). A ação revisional terá o
mesmo rito da ação de alimentos. Na revisional, não cabe a fixação de alimentos provisórios.
A vida sob o mesmo teto não impede a propositura de ação de alimentos, pois, apesar de coabitação,
pode haver separação de fato ou descumprimento da obrigação de sustentar.
O art. 1.701 do Código Civil permite que o alimentante satisfaça sua obrigação por dois modos; dando uma
pensão pecuniária ao alimentando, efetuando depósito periódico em conta bancária ou judicial, ou lhe
dando em sua própria casa (mesmo alugada), hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o
necessário à sua educação (pagamento de matrícula, mensalidade; aquisição de livros, material escolar,
uniforme, etc). 
A obrigação de prestar alimentos é recíproca entre ascendentes, descendentes e colaterais de 2º grau.
Assim somente pessoas que procedem do mesmo tronco ancestral devem alimentos, excluindo-se os fins,
por mais próximos que seja o grau de afinidade.
A obrigação alimentar recai nos parentes mais próximos em grau, passando aos mais remotos na falta um
dos outros, há uma ordem sucessiva ao chamamento à responsabilidade de prestar alimentos. 
O alimentado não poderá, a seu bel-prazer, escolher o parente que deverá prover seu sustento.
Ter-se-á, portanto, uma responsabilidade subsidiária, pois somente caberá ação de alimentos contra avó
se o pai estiver ausente, impossibilitando de exercer atividade laborativa ou não tiver recursos econômicos.
Não havendo ascendentes, compete a prestação de alimentos aos descendentes, ou seja, aos filhos
maiores, independentes da qualidade de filiação.
Se aquele não tiver condições de fornecê-la, ou, não tiver meio para suportar totalmente o encargo
alimentício, será possível pleitear alimentos complementares de parentes de grau imediato. 
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O reclamante poderá p. ex., investir contra avô pleiteando alimentos complementares. Se o pai pode arca
com 30% do quantum, o avô contribuirá com 70%.
Para corroborar isto, temos a Súmula 596 do STJ, “A obrigação alimentar dos avós tem natureza
complementar e subsidiária, somente se configurando no caso da impossibilidade total ou parcial de seu
cumprimento pelos pais.”
7. Meios de assegurar o pagamento da pensão:
 Ação de alimentos (Lei n. 5478/68);
 Execução por quantia certa por dois ritos
 Penhora em vencimento de magistrados, professores, funcionários públicos, soldo de militares e
salários em geral, inclusive subsídios de parlamentares 
 Desconto em folha de pagamento de pessoa obrigada 
 Reserva de aluguéis de prédios do alimentante (art. 17, Lei 5478/98)
 Entrega mensal ao cônjuge de parte da renda líquida de bens comuns, administrados pelo devedor, se
o regime de casamento for o de comunhão universal de bens, para assegurar o pagamento de
alimentos provisórios (art. 4o, § único, Lei 5478/68)
 Protesto da decisão judicial 
 Inscrição do alimentante no Cadastro de Inadimplentes (SPC, SERASA)
 Prisão do devedor de 1 a 3 meses
 Processo criminal por abandono material (artigo 244 do Código Penal).
8. Ação de alimentos: Rito especial, concentrado e mais célere. Previsto na Lei 5478/68. Pois no Novo
CPC perdeu a oportunidade de atualizá-la e agilizar o seu procedimento, que se encontra absolutamente
fora do contexto atual e ainda gera inúmeras dificuldades interpretativas.
Apesar de emprestar sobrevida à Lei de Alimentos, a execução do encargo alimentar está regulado na lei
processual, revogando assim, parte de seus dispositivos. Melhor teria agido se sepultasse de vez a
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referida lei. Finalmente, cabe lembrar que não há como decidir as questões da guarda sem estabelecer a
obrigação alimentar. Vai dar confusão, pois o processamento da Guarda agora está no ECA.
Na ação de alimentos, o foro competente é o do domicílio do alimentando. 
Requer, ainda, a intervenção do representante do Ministério Público.
Pode valer-se quem apresentar prova pré-constituída do parentesco (certidão de nascimento) ou do dever
alimentar (certidão de casamento ou comprovante do companheirismo). De outra forma, deve ser usado o
rito ordinário.
Ao despachar a inicial, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios (a lei não estabelece critérios
objetivos para fixação). Essa fixação não deve ser de ofício, mas tão-somente se o interessado requerer.
Cabe pedido de revisão de alimentos provisórios, que será sempre processado em apartado, bem como a
execução.
Na sentença, o juiz fixa alimentos segundo seu convencimento, não estando adstrito ao quantum pleiteadona inicial. A pensão deve ser estipulada em percentual sobre rendimentos do devedor, de caráter
permanente.
A sentença que conceder alimentos retroage nos seus efeitos à data da citação inicial, a partir de quando
as prestações serão exigidas ou devidas, não transitando em julgado, pode a qualquer tempo ser revista,
se houve modificação da situação econômico-financeira dos interessados ou deterioração monetária
provocada pela filiação.
O cumprimento da pena não exime o dever de prestar alimentos
9. Execução dos Alimentos:
De forma para lá de inusitada é conferida sobrevivência à lei de Alimentos (5.478/1968), que já se
encontrava em estado terminal (CPC 693 parágrafo único). Basta atentar que permite à parte dirigir-se
diretamente ao juiz, propondo a ação verbalmente e sem representação de advogado.
A lei processual toma para si tão só a execução dos alimentos, revogando os artigos 16 a 18 da lei de
Alimentos (CPC 1.072 V). Dedica um capítulo ao cumprimento de sentença e de decisão interlocutória
(CPC 528 a 533) e outro para a execução de título executivo extrajudicial (CPC 911 a 913).
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Com o Novo CPC, sabemos que agora o rito da execução terá precisão especial, e com ressalte ao
parágrafo 1º do artigo 528. “Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de
prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente,
mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou
justificar a impossibilidade de efetuá-lo. § 1º Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o
pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz
mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517.”
Dispondo o credor de um título executivo – quer judicial, quer extrajudicial – pode buscar sua execução
pelo rito da prisão (CPC 528 e 911) ou da expropriação (CPC 528 § 8º e 530), bem como pode pleitear o
desconto na folha de pagamento do devedor (CPC 529 e 912).
A execução de alimentos mediante coação pessoal (CPC 528 § 3º e 911 parágrafo único) é a única das
hipóteses de prisão por dívida admitida pela Constituição Federal que subsiste (CF 5.º LXVII). A
jurisprudência acabou com a possibilidade da prisão do depositário infiel.
Pela nova sistemática é possível buscar a cobrança de alimentos por meio de quatro procedimentos:
a) de título executivo extrajudicial, mediante ação judicial visando a cobrança pelo rito da prisão (CPC
911);
b) de título executivo extrajudicial, pelo rito da expropriação (CPC 913);
c) cumprimento de sentença ou decisão interlocutória para a cobrança de alimentos pelo rito da prisão
(CPC 528);
d) cumprimento de sentença ou decisão interlocutória para a cobrança dos alimentos pelo rito da
expropriação (CPC 530).
A eleição da modalidade de cobrança depende tanto da sede em que os alimentos estão estabelecidos
(título judicial ou extrajudicial) como do período que está sendo cobrado (se superior ou inferior a três
meses).
Não há como restringir o uso da via executiva pelo rito da prisão aos alimentos estabelecidos em título
executivo extrajudicial e aos fixados em sentença definitiva ou em decisão interlocutória irrecorrível. De
todo equivocada a tentativa restringir a cobrança de alimentos sujeitos a recurso à via expropriatório (CPC
528 § 8º).
O cumprimento da sentença definitiva ou de acordo judicial deve ser promovido nos mesmos autos da
ação de alimentos (CPC 531 § 2º). A execução dos alimentos provisórios e da sentença sujeita a recurso,
se processa em autos apartados (CPC 531§ 1º). Já para executar acordo extrajudicial é necessário o uso
do processo executório autônomo (CPC 911).
Havendo parcelas antigas e atuais, não conseguiu o legislador encontrar uma saída. Parece que continua
a ser indispensável que o credor proponha dupla execuções, o que só onera as partes e afoga a justiça. A
não ser que a cobrança seja feita em sequência. Frustrada a via da prisão, a execução segue pelo rito da
expropriação (CPC 530).
A lei dá preferência ao pagamento feito por terceiro: retenção diretamente de rendimentos ou da
remuneração do executado, mediante desconto em folha. Tal gera a obrigação do empregador ou do ente
público, para quem o alimentante trabalha, de proceder ao desconto, a partir da primeira remuneração do
executado, percebida depois de protocolado o ofício do juiz, sob pena de crime de desobediência (CPC
912 § 1º), além de poder ser demandado por perdas e danos.
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Ainda que tenha o demandado bens para garantir a execução, é possível o pagamento mediante desconto
em folha (CPC 529). Não se trata de modalidade mais gravosa ao devedor (CPC 805) e atende, com
vantagem, à necessidade do alimentado, não se justificando que aguarde a alienação de bens em hasta
pública para receber o crédito.
Além das parcelas mensais pode ser abatido dos ganhos do alimentante, o débito executado, de forma
parcelada, contanto que não ultrapasse 50% de seus ganhos líquidos (CPC 529 § 3º). Apesar de o salário
ser impenhorável (CPC 833 IV), a restrição não existe em se tratando de dívida alimentar (CPC 833 § 2.º).
Buscado o cumprimento da sentença ou de decisão interlocutória, se o devedor não pagar e nem justificar
o inadimplemento, cabe ao juiz, de ofício, determinar o protesto do procedimento judicial (CPC 528 § 1º). A
falta de expressa remissão a tal providência, não impede o protesto quando da execução de alimentos
estabelecidos em título executivo extrajudicial (CPC 911 parágrafo único).
Em qualquer hipótese de cobrança o credor pode obter certidão comprobatória da dívida alimentar para
averbar no registro de imóveis, no registro de veículos ou no registro de outros bens sujeitos a penhora,
arresto ou indisponibilidade (CPC 828). Também é possível ser a dívida inscrita nos serviços de proteção
ao crédito, como SPC e SERASA.
9.1 Rito da coação pessoal – Alimentos Novos
O uso da forma mais eficaz para garantir o pagamento dos alimentos – a ameaça de prisão – é acessível
tanto para a cobrança de alimentos fixados judicialmente (CPC 528 § 3º) como em título executivo
extrajudicial (CPC 911).
Esta via é restrita à cobrança das três últimas prestações vencidas antes do ajuizamento da execução e
mais as que se vencerem no curso do processo (CPC 528 § 7º e 911 parágrafo único).
Não há necessidade que estejam vencidas três prestações para o credor buscar a cobrança. O
inadimplemento de uma única parcela já autoriza o uso da via executória. Também podem ser cobradas
parcelas alternadas. Como os alimentos se destinam a garantir a sobrevivência do credor, o vencimento é
antecipado. A dívida precisa ser paga de pronto, e qualquer atraso autoriza sua cobrança. Ressalte-se que
entendimento do STJ que o atraso de somente uma das três últimas parcelas já autoriza o pedido de
prisão do devedor (AgRg no AREsp 561453/SC, 4ª Turma, Julgado em 20/10/2015).
Promovida a execução referente a um número superior de parcelas, cabe ao juiz limitar a demanda,
sinalizando ao credor para que faça uso da via expropriatória quanto às parcelas pretéritas. Quando em
vez, é relativizado o número das parcelas vencidas, admitindo-se a execução de quantidade maior de
prestações. Basta a alegação de que a demora decorreu de manobra procrastinatória do devedor.
Diz a lei que, se o exequente optar pela cobrança “desde logo” (CPC 528 § 8º), somente pode fazê-lo pelo
rito da expropriação (CPC 523), não sendo admissível a prisão do executado. Ou seja, alimentos não
definitivos, estabelecidos em sentença ou em decisão interlocutória ainda sujeitas a recurso, não poderiam
sujeitar o devedor à prisão. No entanto,

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