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OAB EXAME DE ORDEM DIREITO CIVIL Capítulo 07 1 CAPÍTULOS Capítulo 1- – Direito Civil e Constituição. LINDB. Pessoa natural e Direitos da personalidade. Pessoa jurídica. Capítulo 2 – Bens. Fatos, Atos e Negócios Jurídicos. Prescrição e Decadência Capítulo 3 – Teoria Geral das Obrigações. Atos Unilaterais Capítulo 4 –Teoria do Contrato. Contratos em espécie. Capítulo 5 – Teoria da Responsabilidade civil. Capítulo 6 – Posse. Direitos Reais Capítulo 7 (você está aqui!) – Casamento, União Estável e Monoparentalidade. Dissolução do Casamento e da União Estável. Parentesco. Poder Familiar. Regimes de Bens e outros Direitos Patrimoniais nas relações familiares. Alimentos. Capítulo 8– Sucessão legítima. Sucessão testamentária e disposições de última vontade. 2 SOBRE ESTE CAPÍTULO A apostila de número 07 do nosso curso de Direito Civil tratou sobre Direito de Família, matéria que é extremamente cobrada no Exame de ordem! De acordo com a nossa equipe de inteligência, esse assunto esteve presente impressionante 13 VEZES nos últimos 3 anos! Não precisamos falar que o estudo desse conteúdo é primordial, não é? Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei, dos enunciados, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha. E o mais importante, responda questões! A resolução de questões é a chave para a aprovação! Vamos juntos! 3 SUMÁRIO DIREITO CIVIL ........................................................................................................................................... 7 Capítulo 7 .................................................................................................................................................. 7 15. Casamento, União Estável e Monoparentalidade ...................................................................... 7 15.1 A família na Constituição Federal de 1988 ................................................................................................ 7 15.1.1 Princípios Fundamentais ................................................................................................................................... 7 15.2 Conceito de Direito de Família ....................................................................................................................... 9 15.3 Direito Matrimonial (Entidades Familiares) ................................................................................................ 9 15.3.1 Casamento............................................................................................................................................................ 10 15.3.2 União Estável ....................................................................................................................................................... 20 15.3.3 Monoparentalidade .......................................................................................................................................... 24 16. Dissolução do Casamento e da União Estável ......................................................................... 25 16.1 Morte ....................................................................................................................................................................... 25 16.2 Divórcio .................................................................................................................................................................. 25 16.2.1 Divórcio Consensual (Amigável) ................................................................................................................. 26 16.2.2 Divórcio litigioso ................................................................................................................................................ 27 16.3 Separação Judicial .............................................................................................................................................. 28 16.3.1 Separação de fato ............................................................................................................................................. 29 16.4 Invalidade do Casamento ............................................................................................................................... 30 16.4.1 Casamento inexistente .................................................................................................................................... 30 16.4.2 Casamento Nulo (art. 1548 e 15499, CC) ............................................................................................... 30 16.4.3 Anulável (art. 1550 a 1560, CC)................................................................................................................... 30 16.4.4 Casamento putativo (art. 1561, CC) .......................................................................................................... 33 17. Regimes de Bens ............................................................................................................................ 34 4 17.1 Conceito ................................................................................................................................................................. 34 17.2 Princípios ................................................................................................................................................................ 34 17.2.1 Variedade de regime de bens ..................................................................................................................... 34 17.2.2 Princípio da Livre Estipulação ou Liberdade dos pactos antenupciais ...................................... 34 17.2.3 Princípio da Indivisibilidade .......................................................................................................................... 35 17.2.4 Princípio da Mutabilidade Justificada ....................................................................................................... 35 17.3 Pacto Antenupcial (Art. 1653 a 1657 do CC) e o Regime Legal ................................................... 37 17.4 Espécies .................................................................................................................................................................. 37 17.4.1 Regime da Comunhão Parcial ..................................................................................................................... 37 17.4.2 Regime da Comunhão Universal ................................................................................................................ 39 17.4.3 Regime da Participação Final nos Aquestos ......................................................................................... 40 17.4.4 Regime da Separação de Bens ................................................................................................................... 42 18. Parentesco ........................................................................................................................................ 44 18.1 Espécies de parentesco ................................................................................................................................... 44 18.1.1 Natural ou Consanguíneo ............................................................................................................................. 44 18.1.2 Afinidade ............................................................................................................................................................... 45 18.1.3 Civil ..........................................................................................................................................................................45 18.2 Filiação .................................................................................................................................................................... 46 18.2.1 Natureza Jurídica ............................................................................................................................................... 46 18.2.2 Reconhecimento de filhos (arts. 1601 a 1617, CC) ............................................................................ 49 18.2.3 Pluriparentalidade ............................................................................................................................................. 50 18.2.4 Adoção ................................................................................................................................................................... 50 18.2.5 Ação Investigatória de Paternidade/Maternidade .............................................................................. 54 18.2.6 Prova da Filiação ............................................................................................................................................... 55 19 Poder Familiar ................................................................................................................................. 57 5 19.1 Características ...................................................................................................................................................... 57 19.2 Direitos e Deveres .............................................................................................................................................. 58 19.3 Administração ...................................................................................................................................................... 58 19.3.1 Vedação (art. 1691, CC) .................................................................................................................................. 59 19.3.2 Exclusão (art. 1693, CC) .................................................................................................................................. 59 19.4 Usufruto .................................................................................................................................................................. 59 19.5 Extinção, Suspensão e Perda ........................................................................................................................ 60 19.6 Guarda (arts. 1583 a 1590 do CC) .............................................................................................................. 63 19.6.1 Espécies de guarda........................................................................................................................................... 63 19.7 Direito assistencial de família ....................................................................................................................... 65 19.7.1 Tutela (arts. 1728 a 1766 do CC) ............................................................................................................... 65 19.7.2 Curatela (arts. 1767 a 1783 do CC) ........................................................................................................... 68 19.7.3 Tomada de decisão apoiada (art. 1783-A do CC) .............................................................................. 69 20 Alimentos ......................................................................................................................................... 71 20.1 Conceito e pressupostos................................................................................................................................. 71 20.2 Características ...................................................................................................................................................... 71 20.3 Classificação dos alimentos ........................................................................................................................... 75 20.3.1 Quanto à fonte ................................................................................................................................................... 75 20.3.2 Quanto à extensão ........................................................................................................................................... 75 20.3.3 Quanto ao tempo ............................................................................................................................................. 76 20.3.4 Quanto à forma de pagamento ................................................................................................................. 76 20.3.5 Quanto à finalidade ......................................................................................................................................... 76 20.4 Exoneração ............................................................................................................................................................ 78 20.5 Alimentos Gravídicos ........................................................................................................................................ 79 20.6 Ações de alimentos ........................................................................................................................................... 80 6 20.6.1 Procedimento especial concentrado sumaríssimo (Lei n. 5.478/68) ........................................... 81 20.6.2 Execução de alimentos ................................................................................................................................... 82 QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 85 QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................ 109 GABARITO ............................................................................................................................................ 122 QUESTÃO DESAFIO ............................................................................................................................. 123 GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................ 124 LEGISLAÇÃO COMPILADA ................................................................................................................. 126 JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................ 129 MAPA MENTAL ................................................................................................................................... 144 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................... 150 7 DIREITO CIVIL Capítulo 7 15. Casamento, União Estável e Monoparentalidade 15.1 A família na Constituição Federal de 1988 Vamos trazer um enfoque constitucional nesse momento para que possamos compreender alguns conceitos e princípios decorrentes da nossa Carta Magna. Com a Constituição de 1988 e a superação da perspectiva individualista do Direito Civil, a família deixou de ser um fim em si mesma e passou a ser instrumental, isto é, deve servir ao desenvolvimento da personalidade, felicidade e dignidade de seus membros. Por isso, a família deixou de ser casamentária e passou a ser plural; deixou de ser patriarcal e passou a ser igualitária. A família é baseada no afeto, na ética, dignidade e solidariedade. A família é eudemonista. 15.1.1 Princípios Fundamentais Proteção da dignidade da pessoa humana (art.1º, III, CF/88): deve ser analisada a partir da realidade do ser humano em seu contexto social; Solidariedadefamiliar (art. 3º, I, CF/88): é objetivo fundamental prevista na CF/88, assim, nas relações familiares, há a responsabilidade solidária, tanto em âmbito afetivo, quanto social, moral, patrimonial, etc; ex.: alimentos necessários (art. 1694, §2º, CC) Igualdade: 8 Entre filhos (art. 227, §6º, CF/88 c/c art. 1596, CC): juridicamente, todos os filhos são iguais perante a lei, mesmo que decorrentes de relações matrimoniais ou não. Esse regramento se difere do previsto no ordenamento anterior, que privilegiada aqueles havidos dentro do casamento; Entre cônjuges e companheiros (art. 226, §5º, CF/88 c/c art. 1511, CC): há igualdade em relação à sociedade conjugal e à convivência. Assim, é equivocado falar em pátrio poder, devendo ser chamado de poder familiar, pois a chefia da família pode ser de qualquer uma das partes; Não intervenção ou liberdade familiar (art. 1513, CC): o planejamento familiar é de livre decisão do casal, sendo vedado qualquer forma de coerção ou interferência estatal nesse sentido; Maior interesse da criança/adolescente (art. 227, CF/88 c/c art; 1538 e 1584, CC): deve-se haver a proteção integral dos menores, com vistas a favorecer o seu melhor interesse. A exemplo disso, pode-se citar o instituto da guarda compartilhada em que o filho convive com ambos os pais, sem qualquer restrição a direito de visita, etc; Afetividade: sob a ótica contemporânea, e como bem explica Maria Berenice Dias, deve-se ser levado, cada vez mais, o afeto nas relações familiares, em vez de critérios biológicos ou patrimonialistas. Ex.: parentalidade socioafetiva, pela qual se considerada existente o vínculo de filiação através do afeto de um indivíduo por outro e não simplesmente por ser filho biológico; Função social da família (art. 226, CF/88): as relações familiares devem ser analisadas em relação ao contexto social de cada região ou local. Assim, a família deixou de ser um fim em si mesmo; Boa-fé objetiva: pois não basta a mera intenção das partes (boa-fé subjetiva), devendo haver a lealdade entre as partes; Família plural: nas sociedades contemporâneas, é equivocado dizer que a família só é constituída por homem e mulher através do casamento. Em razão da evolução social, ao longo do tempo, foram surgindo novas concepções de família. Assim, prevalece na doutrina e jurisprudência do STF e STJ que o rol constitucional familiar é exemplificativo. Isso sugere que são admitidas outras formas de manifestações 9 familiares, a exemplo da união estável, concubinato, homoafetiva1, monoparental, anaparental (família sem pais, só entre irmãos, por exemplo), pluriparental (decorrentes de vários casamentos, relacionamentos afetivos, uniões estáveis), eudemonista, etc. 15.2 Conceito de Direito de Família É o complexo de normas de ordem pública que regulam a celebração do casamento, sua validade, seus efeitos, relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, união estável, dissolução, relação entre pais e filhos, vínculo de parentesco, alimentos e os institutos complementares da tutela, curatela e ausência. 15.3 Direito Matrimonial (Entidades Familiares) A Constituição Federal de 1988 reconhece expressamente três modelos de entidades familiares: Casamento (art. 226, §§1º e 2º): conjunto de pessoas unidas pelo casamento (cônjuges e filhos). União estável entre o homem e a mulher (art. 226, §3º): trata-se da chamada entidade familiar. Famílias monoparentais (art. 226, §4º): conjunto de pessoas formado por um só dos pais e sua prole (descendentes), também chamadas de famílias unilineares. Esse rol de entidades familiares trazidos pela CF é, segundo a doutrina e a jurisprudência, inclusive do STF e STJ, é meramente exemplificativo. Desse modo, são admitidas outras formas de manifestação das entidades familiares. Vejamos algumas delas: Família anaparental: quer dizer família sem pais. Ex: o STJ entendeu que o imóvel em que residem duas irmãs solteiras constitui bem de família, pelo fato delas formarem uma família. Família homoafetiva: constituída por pessoas do mesmo sexo. 1 Informativo n. 625, ADPF 132/RJ e AI 4277/DF. 10 Família mosaico ou pluriparental: aquela decorrente de vários casamentos, uniões estáveis ou mesmo simples relacionamentos afetivos de seus membros. 15.3.1 Casamento É a união legal, o vínculo jurídico, entre homem e mulher que visa o auxílio mútuo, material e espiritual, criando a família legítima. Trata-se de um negócio jurídico gerador de direitos e deveres entre o homem e a mulher. É vinculado a normas de ordem pública e a observância das formalidades legais. Trata-se de um ato complexo (depende de celebração e inúmeras formalidades previstas na lei, como o processo de habilitação, publicidade, etc.), intuitu personae, dissolúvel, realizado entre duas pessoas exigindo a livre manifestação de vontade. É um ato privativo do representante do Estado (Juiz de casamento), sendo que a falta de competência da autoridade celebrante pode ser causa de anulação (art. 1.550, VI, CC). Assim, o casamento é o ato que estabelece entre as partes comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (teoria contratualista). Apesar do conceito clássico de casamento trazer que o casamento se dará apenas entre pessoas de sexos distintos, o Brasil admite, na atualidade, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 15.3.1.1 Teorias e Princípios Teoria Contratualista: o casamento tem natureza de contrato, um negócio jurídico entre as partes, fundado na vontade (natureza negocial). Teoria Institucionalista: o casamento não seria negocial, pois não é de interesse privado, e sim de interesse público. Para essa teoria o casamento é uma instituição jurídica e social. Teoria Mista ou Eclética: para essa teoria o casamento seria a um só tempo contrato e instituição. Contrato na sua formação, mas os efeitos do casamento seriam institucionais. 11 O casamento é celebrado e desfeito com base única e exclusivamente pela vontade das partes. Assim, adota-se a Teoria Mista ou Eclética pela qual o casamento é uma instituição quando ao conteúdo e um contrato especial quanto à formação, com regras e princípios próprios. Desse modo, o casamento está baseado no princípio da monogamia (art. 1521, VI, CC), liberdade de escolha (exceto em caso de impedimento matrimoniais que veremos a seguir) e comunhão plena de vida. 15.3.1.2 Finalidade Dentre os fins principais do casamento temos: Instituição da família matrimonial. Satisfação do desejo sexual: integração fisiopsíquica. Legalização das relações sexuais (ligado também ao dever de fidelidade) ou do estado de fato. Procriação (não é essencial), proteção e educação dos filhos. Prestação de auxílio mútuo. Estabelecimento de deveres entre os cônjuges. 15.3.1.3 Direitos e Deveres Fidelidade recíproca. Coabitação (relativa): o que caracteriza o abandono é a intenção de não mais retornar ao lar. E não um afastamento temporário por motivo de serviço. Mútua assistência (material, moral e espiritual), respeito e consideração. Proteção da prole: sustento, guarda e educação dos filhos. 15.3.1.4 Igualdade de Direitos e Deveres Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher (art. 226, 5°, CF). O art. 1.511, CC prevê que: “O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”. 12 Ambos podem exercer a direção da sociedade conjugal, fixando o domicílio, representando a família, etc. Qualquer um pode adotar, se quiser, o sobrenome do consorte, bem como conservar seu nome de solteiro, consignando-se na certidão de casamento. Ambos devem proteger o consorte física e moralmente. Ambosdevem colaborar nos encargos da família. Ambos podem exercer livremente profissão lucrativa. 15.3.1.5 Proibições Nenhum dos cônjuges pode, sem autorização (escrita e expressa) do outro, exceto no regime da separação total de bens (art. 1.647, CC):2 Vejamos um exemplo de como esse assunto foi cobrado no Exame de ordem: XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana sempre considerou diversificar sua atividade profissional e pensa em se tornar sócia de uma sociedade empresária do ramo de tecnologia. Para realizar esse investimento, pretende vender um apartamento adquirido antes de seu casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não concorda com a venda do bem para empreender. Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se ao incremento da renda familiar. B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da comunhão parcial de bens. C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de bem particular. 2 Vide questão 03 e 05 13 D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, independentemente do regime de bens. Observação: A questão acima transcrita e seu respectivo comentário estão dispostos no final desta apostila! Não deixe de respondê-la, ok? 😉 Alienar, hipotecar ou gravar de ônus real os bens imóveis, ou direitos reais sobre imóveis alheios: trata-se de falta de legitimação (e não de incapacidade); Concedida a anuência o cônjuge fica legitimado a praticar tais atos. Pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens e direitos. Prestar fiança ou aval: procura-se evitar o comprometimento dos bens do casal. Fazer doação, não sendo remuneratória, de bens ou rendimentos comuns ou dos que possam integrar futura meação.3 15.3.1.6 Princípios do Casamento Liberdade de escolha: decorre da autonomia privada, onde, salvo os impedimentos matrimoniais, as pessoas são livres para escolher os futuros cônjuges. Monogamia: não podem casar as pessoas ainda casadas. Comunhão plena da vida: trata-se da igualdade entre os cônjuges. Solenidade do ato nupcial: normas de ordem pública. 15.3.1.7 Condições Há duas espécies de condições: de existência do casamento e de sua validade. Vejamos: Existência jurídica do casamento: além da celebração na forma da lei (não há casamento por instrumento particular) e do consentimento (não há casamento na ausência absoluta de consenso). Havendo transgressões a estas exigências mínimas, o casamento é considerado inexistente; ou seja, simplesmente não houve matrimônio algum. 3 Vide questão 09 14 Validade do ato nupcial: exige-se a aptidão física (puberdade e sanidade) e intelectual (grau de maturidade e consentimento íntegro). 15.3.1.8 Formalidades para o Casamento O casamento é cercado de um ritual, exigindo diversas formalidades. Habilitação O primeiro passo é requerer a instauração do processo de habilitação no Cartório de Registro Civil para constatar a existência ou não de impedimentos matrimonias e dar publicidade ao ato. Trata-se de uma atitude preventiva, a fim de se evitar que pessoas impedidas se casem. A habilitação será feita pessoalmente perante o oficial do Registro Civil, com a audiência do Ministério Público. Caso haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou de terceiros, a habilitação será submetida ao Juiz. Edital de proclamas Os proclamas (edital que comunica ao público em geral a intenção dos noivos de contrair núpcias) são afixados nos Cartórios de ambos os nubentes. Decorridos 15 dias, o oficial entrega aos nubentes uma certidão de que estão habilitados a se casar dentro de 90 dias, sob pena de decadência. Se não houver casamento neste prazo, deve-se renovar todo o processo de habilitação. Em casos excepcionais pode haver dispensa da publicação (art. 1.527, parágrafo único, CC). Ex: grave enfermidade, parto iminente, viagem inadiável, etc. Na verdade é o Juiz quem irá apreciar o “motivo urgente”. Celebração do casamento A celebração do casamento ocorrerá no dia, hora e lugar previamente designados pelo Juiz de paz, mediante petição dos contraentes, que se mostrem habilitados com a certidão de habilitação. Será realizado na sede do cartório, com toda publicidade, a portas abertas, presentes pelo menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes. Se as partes quiserem, e consentindo a autoridade celebrante, o casamento poderá ser celebrado em outro edifício, público ou particular. 15 Após ouvir dos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade, declarará efetuado o casamento. Após a celebração do casamento, será lavrado o assento no livro de registro. Aperfeiçoamento O momento de aperfeiçoamento do casamento se dará no momento em que os cônjuges manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados. O registro do ato está no plano da eficácia do casamento. 15.3.1.9 Idade Núbil Tanto o homem como a mulher atingem a idade núbil aos 16 anos. Todavia os menores púberes (maiores de 16 e menores de 18 anos), para casar, devem ser autorizados por seus pais ou representantes legais. Caso os pais não consintam com o casamento ou em havendo divergência entre eles, quando a razão para a denegação for injusta, poderá a autorização ser suprida pelo Juiz (art. 1.631, parágrafo único, CC). Importante destacar que, antes da Lei n.º 13.811/2019 permitia-se, excepcionalmente, o casamento de pessoa que ainda não houvesse alcançado a idade núbil, em caso de gravidez. Atualmente, contudo, com a alteração da redação do art. 1.520 do CC, “não será permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil”. Na hipótese de realização de casamento de pessoa menor de 16 (dezesseis) anos, tem-se, então, casamento anulável, nos termos do art. 1.550, I, do CC. 15.3.1.10 Impedimentos e Causas Suspensivas Impedimentos dirimentes absolutos (ou públicos). 16 Trata-se de rol taxativo que impossibilita a realização de casamento, acarretando, em caso de sua ocorrência, a NULIDADE do matrimônio. Ainda, são questões de interesse público e, em razão disso, podem ser arguidos por qualquer pessoa interessada ou pelo Ministério Público, sendo uma ação imprescritível; Impedimentos de Parentesco: consanguinidade, afinidade, adoção. Impedimento de Vínculo: pessoas casadas. Impedimento de Crime: homicídio ou tentativa de homicídio. No caso dos impedimentos, eles podem ser opostos, até o momento da celebração do casamento, por qualquer pessoa capaz. Assim, são causas impeditivas: Art. 1.521. Não podem casar: I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II - os afins em linha reta; III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; V - o adotado com o filho do adotante; VI - as pessoas casadas; VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. Causas Suspensivas ou Impedimentos Impedientes São situações em que, apesar de a lei apenas recomenda a não realização do casamento, porém, se assim o fizer, acarretará mero ônus legal: adoção do regime legal obrigatório, o Regime de Separação Legal/Obrigatória (art. 1641, I, CC). Diferentemente do que ocorre nos impedimentos matrimoniais, por não se tratarem de questões deinteresse público, os legitimados para arguir a existência de causas suspensivas são apenas os parentes em linha reta 17 de um dos cônjuges, consanguíneos ou afins, e colaterais em segundo grau, consanguíneos ou afins; O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário. A viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal. O divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens. O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. As causas suspensivas só podem ser arguidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes e pelos colaterais em segundo grau. São considerados nulo de pleno de direito. Importante alteração, trazida com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, se refere ao direito de casar. Não há qualquer impedimento de se realizar casamento com pessoas com deficiência, tendo em vista que são absolutamente capazes de exercer os atos da vida civil, 18 salvo incapacidade relativa, excepcionalmente decretada, que também não impede o casamento. 15.3.1.11 Espécies de casamento: Quanto à celebração, as regras estão previstas nos arts. 1533 a 1542 do CC. Porém, há casos em que ocorre formas especiais de celebração em razão de alguma situação específica dos nubentes. Vejamos: Moléstia grave (art. 1539, CC): O casamento será celebrado onde se encontrar a pessoa impedida perante duas testemunhas. Assim, um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-se- á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado. Nuncupativo (art. 1540, CC): Também denominado de em viva voz, in extremis vitae momentis ou in articulo mortis (do latim nuncupare = “dizer de viva voz”), trata-se de situação em que um dos nubentes se encontra em iminente risco de vida ou à beira da morte (art. 1.540, CC), não havendo, portanto, tempo para a celebração do casamento conforme as solenidades, não estando presente a autoridade competente para presidir o ato. Dispensam-se as formalidades legais para o ato (processo de habilitação, proclamas e até mesmo a presença da autoridade competente, pois os contraentes não a localizaram). 19 Basta que os contraentes manifestem o propósito de se casar e, de viva voz, recebam um ao outro. É necessária a presença de seis testemunhas sem parentesco (na linha reta e colateral até 2° grau) e posterior habilitação e homologação judicial. Após a morte do enfermo devem comparecer diante da autoridade judicial competente, declarando por termo que foram convocadas pela pessoa que corria perigo de morte, mas estava consciente da sua vontade e que os contraentes, de forma livre e espontânea, aceitaram o casamento. Se a pessoa convalescer antes do casamento bastará ratificar o casamento na presença da autoridade competente (não é necessário um novo casamento). Se não ratificar, o casamento não terá valor algum. Por procuração (art. 1542, CC): Deve ser realizada por instrumento público com poderes especiais, possuindo, a procuração, eficácia de 90 dias, sendo revogável até o momento da celebração. Embora seja imprescindível a presença real e simultânea dos contraentes, o Código Civil permite o casamento por procuração, desde que um dos nubentes não possa estar presente. A procuração deve ser por instrumento público, com poderes especiais para contrair casamento, mencionando o regime de bens. Se ambos não puderem comparecer, deverão nomear procuradores diversos. O prazo do mandato não poderá exceder a 90 dias. A procuração pode ser revogada a qualquer tempo antes da celebração do casamento, mas também será exigido o instrumento público para a revogação (princípio da atração das formas – a mesma forma exigida para o ato deverá ser usada para a revogação). Diplomático ou consular (art. 7º, §2º, LINDB): O casamento dos estrangeiros poderá ser celebrado perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. Religioso com efeitos civis (art. 1515 e 1516, CC): Se precedido de processo de habilitação, deve ser registrado em 90 dias, após esse prazo, necessitará de nova habilitação. Em contrapartida, se não foi precedido de habilitação, terá 20 efeitos civis apenas se for registrado no registro civil a requerimento do casal por meio de prévia habilitação à autoridade competente, respeitando-se, também, o prazo de 90 dias (efeito ex tunc), 15.3.1.12 Prova e Efeitos do Casamento Prova do casamento (art. 1543 a 1547, CC): Direta: o No Brasil: certidão do registro; o Exterior: registro em 180 dias no cartório do respectivo domicílio ou no 1º ofício da capital do Estado que forem residir; Complementares/supletórios: quando ocorrer a falta ou perda do registro civil, sendo admissível qualquer outro tipo de prova; Indireta: posse do estado de casado, demonstrando a efetiva situação de casados no mundo dos fatos. Nesse sentido, aplica-se sempre o princípio in dubio pro matrimonio; Efeitos do casamento: Pessoais: é a comunhão plena de vida, adotar o sobrenome do outro, planejamento familiar e os deveres matrimoniais previstos no art. 1566, CC; Patrimoniais: são os direitos patrimoniais dos nubentes que se consubstanciam no regime de bens deles. Sobre esse tema, trataremos especificamente no tópico específico. 15.3.2 União Estável É uma união duradoura de pessoas livres e que não estão ligadas entre si por casamento. O Código Civil permite a união estável entre pessoas solteiras, viúvas, divorciadas, separadas judicialmente ou separadas de fato. 15.3.2.1 Elementos Dualidade de pessoas Publicidade Durabilidade 21 Continuidade Constituição de família Não haver impedimentos matrimoniais: exceto quanto aos separados (judicialmente ou de fato). O Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo. A partir daí os casais homossexuais terão os mesmos direitos e deveres que a legislação estabelece para os casais heterossexuais, sendo tratados como um novo tipo familiar. A decisão compara a união homoafetiva à união estável, para todos os fins jurídicos, tendo efeito vinculante e erga omnes. 15.3.2.2 Meação Se não houver pacto entre os conviventes o regime da comunhão parcial prevalecerá e o convivente terá direito à metade dos bens por ocasião da dissolução da união estável (separação ou morte) se adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Não se comunicam os bens advindos de herança, legado ou doação. 15.3.2.3 Sucessão O companheiro supérstite, além da meação participará da sucessão do outro, nas mesmas condições que o cônjuge sobrevivente. 22 O STF reconheceu, em regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 1.790 do CC (que disciplinava a participação do companheiro supérstite na sucessão do outro), devendo ser aplicado ao regime sucessório entre companheiros as mesmas regras estabelecidas no art. 1.829 do CC para os cônjuges (STF RE 646.721/RS e RE 878.694/MG). No mesmo sentido entende o STJ (REsp 1.332.773/MS). 15.3.2.4 Deveres Em relação ao companheiro, lealdade, respeito e assistência. Em relação aos filhos: guarda, sustento e educação.Nota-se que o legislador não colocou os mesmos deveres para o casamento. A lei é omissa em relação: ao dever de fidelidade e ao da coabitação. No entanto a doutrina aponta que a fidelidade seria uma espécie de lealdade (esta seria o gênero). Portanto é evidente que a “traição” pode causar repulsa de tal ordem que torne insuportável a convivência ao companheiro inocente. Já em relação à coabitação entende-se que a vida em comum sob o mesmo teto não é imprescindível para a caracterização da união estável. A propósito, diz a Súmula 382 do Supremo Tribunal Federal: “A vida em comum sob o mesmo teto, more uxorio, não é indispensável à caracterização do concubinato”. 15.3.2.5 Separação de Corpos Esta medida cautelar é manejável tanto na hipótese do casamento como na de união estável (nesta hipótese, antes de se promover a ação de reconhecimento e extinção da própria união estável - art. 1.562, CC), porque nos dois casos há conflitos de interesses que merecem tutela jurídica. Trata-se de medida prudente, uma vez que evita ocorrência de danos irreparáveis ou de difícil reparação, regularizando uma situação de fato, quando as partes já se encontram separadas. 23 15.3.2.6 Conversão em Casamento Determina o art. 1.726, CC que a união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido dos conviventes ao Juiz e assento no Registro Civil (a conversão de união estável em casamento pode se operar pela via judicial ou extrajudicial, à escolha do casal – STJ REsp 1.685.937-RJ, Info 609). O art. 8º da Lei nº 9.278/96 prevê a possibilidade de que a conversão da união estável em casamento seja feita pela via extrajudicial. No entanto, este dispositivo não impõe a obrigatoriedade de que se formule o pedido de conversão na via administrativa antes de se ingressar com a ação judicial. O art. 8º da Lei nº 9.278/96 deve ser interpretado como sendo uma faculdade das partes. Dessa forma, o ordenamento jurídico oferece duas opções ao casal: a) pode fazer a conversão extrajudicial, nos termos do art. 8º da Lei 9.278/96; ou b) pode optar pela conversão judicial, conforme preconiza o art. 1.726 do CC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.685.937-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/8/2017 (Info 609). 15.3.2.7 Nome do Companheiro A lei permite que se utilize o patronímico do companheiro, se houver a concordância deste, vida em comum por mais de cinco anos ou filho da união. Não podem ser casados em núpcias anteriores. 15.3.2.8 Previdência Social Havendo união estável, os conviventes são beneficiários do segurado. Também têm direito à pensão deixada pelo servidor civil ou militar. Permite-se o abatimento no Imposto de Renda como encargo de família (dependente). 24 15.3.2.9 Responsabilidade Civil Assim como o cônjuge, a companheira ou companheiro pode pleitear indenização por morte do companheiro motivada por ato ilícito. NAMORO QUALIFICADO: O fato de namorados projetarem constituir família no futuro não caracteriza união estável, ainda que haja coabitação, visto que a União Estável exige a vontade de constituição de família naquele momento. EFEITOS EX-NUNC DA UNIÃO ESTÁVEL: O contrato de União Estável não possui efeitos retroativos à data de sua celebração, para prestigiar período anterior à sua assinatura. 15.3.3 Monoparentalidade São as famílias formadas por um só dos pais e sua prole (descendentes). Também chamadas de famílias unilineares. 25 16. Dissolução do Casamento e da União Estável Em razão da EC 66/2010, em tese, não é mais viável juridicamente a separação de direito (judicial ou extrajudicial), apesar de os dispositivos legais respectivos no Código Civil não terem sido expressamente revogados. Assim, de acordo com o art. 1571 do CC, o casamento poderá ser dissolvido: morte, invalidade do casamento e pelo divórcio (Lei nº 6515/77), que pode ser consensual ou litigioso ou, ainda, extrajudicial por meio de cartório. Porém, apesar do entendimento acima, conforme Informativo 604 do STJ, a sua 4ª Turma decidiu que a EC 66/2010 não revogou os artigos do Código Civil que tratam da separação judicial, assim, define que separação judicial ainda é opção à disposição dos cônjuges. Portanto, fique atento à pergunta de sua prova, se for uma questão objetiva que pergunte se houve revogação expressa de tais dispositivos, a resposta é NÃO! Se a pergunta for relativa ao entendimento do STJ, siga o explicado alhures e se for em uma prova discursiva, trata-se de divergência interessante para agregar à sua resposta. 16.1 Morte A morte pode ser real ou presumida com ou sem decretação de ausência. 16.2 Divórcio O divórcio pode ser consensual ou litigioso. Quais os efeitos da sentença do divórcio? Ela dissolve definitivamente o vínculo matrimonial, põe fim aos deveres conjugais, extingue o regime de bens, acarretando sua partilha, faz cessar o direito sucessório, não admite reconciliação (devendo casar novamente, se for o caso), novo casamento dos divorciados e mantém inalterados os direitos e deveres 26 dos pais em relação aos seus filhos (guarda), possibilidade de alimentos, possibilidade de manter o nome de casado ou não, inexistindo qualquer necessidade de comprovação de culpa. 16.2.1 Divórcio Consensual (Amigável) Pode ser obtido em cartório (procedimento administrativo) ou em juízo (procedimento de jurisdição voluntária); O CPC no divórcio consensual judicial exige um requisito objetivo: consenso, vontade das partes, independentemente da existência de filhos menores incapazes. Se as partes chegaram a um consenso sobre as cláusulas do divórcio, mesmo que exista interesse de incapazes, o procedimento de jurisdição voluntária poderá ser utilizado. Havendo a possibilidade de existência de incapazes e cláusulas obrigatórias da petição inicial As disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; As disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; O acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e O valor da contribuição para criar e educar os filhos. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, far-se-á esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida nos arts. 647 a 658. Por sua vez, a Lei nº 11.441/07 concebeu a possibilidade de divórcio consensual em cartório, através de um procedimento administrativo, sendo decretado por meio de escritura pública e não por sentença. Essa escritura pública independe de intervenção do MP e homologação judicial. O próprio tabelião lavrará a escritura pública quando presentes os requisitos do art. 1.124-A. O uso da via cartorária é facultativo e não obrigatório, porém não pode haver interesse de incapaz. O casal sempre pode optar pelo uso da via judicial. Havendo interesse de incapaz o uso da via judicial é obrigatório. 27 16.2.2 Divórcio litigioso Sempre será em juízo e, no CPC/73 tratava-se de um procedimento comum ordinário, contudo, atualmente, trata-se de um procedimento especial previsto nos artigos 693 a 699 do CPC/15. Assim, de acordo com o art. 693 do CPC, as normas previstas no capítulo das Ações de Família, aplicam-se aos processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e conciliação. A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e conciliação, observado o disposto no art. 694. Omandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo. A citação ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data designada para a audiência, sendo realizada na pessoa do réu. Na audiência, as partes deverão (obrigatório) estar acompanhadas de seus advogados ou de defensores públicos. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as normas do procedimento comum, observado o art. 335. Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá 28 quando houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação de acordo. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista. Assim, é possível a cumulação de pedidos (guarda; alimentos, visitas de filhos, indenização; partilha de bens, etc.) Assim, o juiz julga o pedido de divórcio, de imediato, e o processo continua para decidir os demais pedidos. O divórcio é direito potestativo, não pode ser contestado. COMUNICABILIDADE DOS BENS: Diante do divórcio, não deve ser reconhecida a meação dos valores depositadas em conta vinculada ao FGTS em datas anteriores à constância do casamento, se realizado no regime de separação parcial de bens, e que tenham sido utilizados para a aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação conjugal. 16.3 Separação Judicial A separação apenas desconstitui o casamento, mas não dissolve. Assim, a separação seria causa terminativa, não dissolutiva. A maioria da doutrina entende que com o advento da EC 66 não mais existe separação. Assim, é majoritário que a separação judicial não dissolve o casamento, apenas põe fim a determinados deveres, contudo, em entendimento contrário a doutrina, a jurisprudência do STJ4 entende que a EC 66/2010 não revogou, expressa ou tacitamente, a legislação ordinária que trata da separação judicial. 4 STJ. 3ª Turma. REsp 1.431.370-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/8/2017 (Info 610). STJ. 4ª Turma. REsp 1.247.098-MS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2017 (Info 604). 29 16.3.1 Separação de fato A separação de fato acarreta uma ruptura da convivência entre os consortes, havendo bastante relevância para o sistema jurídico brasileiro, acarretando a cessação da base afetiva da relação. Apesar de não constar no CC como causa terminativa nem como causa dissolutiva, não afetando o casamento a princípio, o STJ equipara a separação de fato à separação judicial, de modo a por fim aos deveres conjugais. Assim, os efeitos da separação de fato são: Possibilidade de caracterização de união estável por conta da cessação dos deveres de fidelidade e coabitação; Cessação do regime de bens5 Para o CC/02, cessará o regime de bens após a separação de fato por mais de 5 anos. O STJ ignora essa disposição do CC ao considerar que o regime de bens cessa com a separação de fato (2 anos), harmonizando o sistema. Ora, se a pessoa está separada de fato, pode constituir união estável e essa união estará submetida à comunhão parcial. Se for aplicado o art. 1642, V, ele já tem companheira em regime de comunhão parcial e o regime de bens do casamento. Cessação do direito à herança; Sub-rogação locatícia (Lei n.8.245/91, art. 12); Permissão para a contagem do prazo para o usucapião conjugal (CC, art. 1.240-A). 5 Posição do STJ, REsp. 555.771/SP 30 16.4 Invalidade do Casamento As causas de invalidade do casamento são causas desconstitutivas e não dissolutivas (as pessoas voltam ao estado anterior). Podem ser divididas em casamento inexistente, casamento nulo, casamento anulável e casamento putativo 16.4.1 Casamento inexistente São os casamentos que não deveriam ter acontecidos. A doutrina traz duas hipóteses: ausência de vontade e celebrado por autoridade totalmente incompetente. 16.4.2 Casamento Nulo (art. 1548 e 15499, CC) Após o advento do Estatuto da Deficiência, o único caso em que implicará a nulidade, de acordo com a lei, será com o infringência das regras de impedimento. A decretação de nulidade de casamento, pelos motivos previstos no artigo antecedente, pode ser promovida mediante ação direta, por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público. 16.4.3 Anulável (art. 1550 a 1560, CC) São hipóteses taxativas em que acarretará a nulidade relativa do casamento, dependendo da arguição dentro dos prazos decadenciais legais. São elas: Quem não completou a idade mínima para casar; A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador. Assim, como já explicado anteriormente, não há qualquer nulidade nesses casos. Ademais, não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou gravidez e a anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: 31 O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de completá-la, confirmar seu casamento, com a autorização de seus representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial. Menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal; O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. O prazo será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz. Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, por qualquer modo, manifestado sua aprovação. Por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558; O casamento pode ser anulado por vício da vontade, se houve por parte de um dos nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: O que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado; A ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal; A ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou pelo próprio cônjuge menor por seus representantes legais por seus ascendentes 32 por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência; É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares. Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode demandar a anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato, ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557. Incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; Realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges; Por incompetência da autoridade celebrante. Subsisteo casamento celebrado por aquele que, sem possuir a competência exigida na lei, exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado o ato no Registro Civil. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de: Cento e oitenta dias, no caso de o incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; Dois anos, se incompetente a autoridade celebrante; Três anos, nos casos de erro essencial Quatro anos, se houver coação. 33 Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes. Na hipótese de casamento realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges, o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração. 16.4.4 Casamento putativo (art. 1561, CC) Embora nulo/anulável, foi contraído de boa-fé por ambos os cônjuges ou só um deles, reconhecendo-lhes efeitos legais. Porém, ainda que de má-fé, se por apenas um dos cônjuges, o de boa-fé e os filhos estarão sujeitos aos efeitos legais, e, inclusive, se ambos estiverem de má-fé, os efeitos recairão apenas nos filhos; 34 17. Regimes de Bens 17.1 Conceito Trata-se do estatuto patrimonial dos cônjuges, aplicável a outras entidades familiares, a exemplo da união estável. É regido pela autonomia privada, pela indivisibilidade (regime único para ambos), pela variedade de regimes e mutabilidade justificada (é possível a alteração de regime de bens, desde que por meio judicial, de forma motivada por ambos os cônjuges, ressalvado direito de terceiros). Existem três formas de incidência do regime de bens: em primeiro lugar, em razão da autonomia privada, os cônjuges estão livres para escolher o regime que lhe bem entenderem, porém, caso são haja escolha, que deve ocorrer através do pacto antenupcial, estarão sujeitos ao regime legal (comunhão parcial de bens). Ainda, caso estejam sujeitos a uma das regras de causas suspensivas ou entre outras hipóteses, serão submetidos ao regime obrigatório legal, o da separação total de bens obrigatória. 17.2 Princípios 17.2.1 Variedade de regime de bens A lei oferece quatro espécies de regimes: comunhão universal, comunhão parcial, separação e participação final dos aquestos. 17.2.2 Princípio da Livre Estipulação ou Liberdade dos pactos antenupciais Pacto antenupcial é um contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual os nubentes escolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. Os nubentes podem estipular cláusulas, atinentes às relações econômicas, desde que respeitados os princípios da ordem pública; devem ser feitos por escritura pública (sob pena de nulidade) e seguido do casamento (sob pena de ineficácia). 35 Se os nubentes nada convencionarem ou sendo nula a convenção, vigorará o regime da comunhão parcial (art. 1.640, CC). Se optarem por qualquer outro regime, será obrigatório o pacto antenupcial por escritura pública, sob pena de nulidade. É também conhecido como princípio da autonomia privada (autonomia da vontade), é a regra que permite a livre escolha do regime de bens pelos nubentes. Está prevista no caput do art. 1639, CC6. A liberdade de pactuar o regime de bens não é absoluta, pois o pacto não pode conter cláusulas que violem as normas de ordem pública a respeito da matéria. Regime legal (ou supletório) é aquele que será aplicado ao casamento na hipótese de omissão de vontade dos nubentes. Também deve ser aplicado nos casos de vícios que conduzam à nulidade do pacto. Antes do advento da Lei n. 6.515/77 (Lei do Divórcio), o regime legal era o da comunhão universal de bens. Com a entrada em vigor do referido diploma, o regime legal passou a ser o da comunhão parcial, regra mantida pelo CC/2002. 17.2.3 Princípio da Indivisibilidade É o princípio que proíbe a celebração de casamento com regimes distintos para cada um dos cônjuges, visto que o regime é uno. Contudo, isso não impede disposições especiais no pacto antenupcial de doação de bens de um cônjuge ao outro. O princípio da indivisibilidade é excepcionado na hipótese de casamento nulo ou anulável em que apenas um dos cônjuges agiu de boa-fé. 17.2.4 Princípio da Mutabilidade Justificada Atualmente a lei permite a mutabilidade do regime adotado, desde que haja uma autorização judicial, atendendo a pedido motivado de ambos os cônjuges, após apuração de procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros (art. 1639, §2º, CC). 6 Vide questão 12 36 Assim, o entendimento pacificado na jurisprudência do STJ é no sentido de que é possível (atualmente) a alteração do regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do CC/1916. O art. 2.039, do CC/2002, não impede a mudança. Requisitos para alteração do regime Ação judicial: a alteração só é possível mediante ação de alteração do regime de bens, assim, em regra, esta ação deve ser distribuída na Vara de Família, ou na sua ausência, deve ser distribuída na Vara Cível. Absoluto consenso entre os cônjuges; Justo motivo: o pedido de alteração do regime de bens deverá ser motivado e o juiz analisará a procedência das razões invocadas. Ressalva de direitos de terceiros; Assim, de acordo com o art. 734 do CPC, a alteração do regime de bens do casamento, observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a alteração, ressalvados os direitos de terceiros. Ao receber a petição inicial, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e a publicação de edital que divulgue a pretendida alteração de bens, somente podendo decidir depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias da publicação do edital. Os cônjuges, na petição inicial ou em petição avulsa, podem propor ao juiz meio alternativo de divulgação da alteração do regime de bens, a fim de resguardar direitos de terceiros. Após o trânsito em julgado da sentença, serão expedidos mandados de averbação aos cartórios de registro civil e de imóveis e, caso qualquer dos cônjuges seja empresário, ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. 37 17.3 Pacto Antenupcial (Art. 1653 a 1657 do CC) e o Regime Legal7 É um negócio jurídico pessoal, solene (escritura pública), nominado e típico, que regulamenta as questões patrimoniais do matrimonio. Assim, deve existir sempre que os nubentes adotarem regime de bens diversos do regime legal e desde que não seja o obrigatório, visto que, nesse caso, não se leva em consideração a vontade deles. A sua nulidade de alguma cláusula não atinge o todo o pacto, em razão princípio da conservação dos negócios jurídicos. O regime legal de bens, é aquele estabelecido sem pacto antenupcial, assim, se não houver disposição em sentido contrário, o casamento e a união estável serão realizados sobre o regime de comunhão parcial de bens. 17.4 Espécies 17.4.1 Regime da Comunhão Parcial Trata-se do regime legal aplicado sempre que os cônjuges não escolherem outro por meio do pacto antenupcial, assim, é o que vigora no silêncio das partes ou nulidade do pacto antenupcial. Nesse regime, regra geral, comunicam-se todos os bens (bens comuns) havidos durante o casamento, exceto se forem incomunicáveis. Assim, forma-se duas massas patrimoniais: bens comuns e bens particulares. Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam. Ficam excluídos da comunhão de bens que cada cônjuge possuíaantes de casar, bem como os que vierem depois, por doação ou sucessão (e os sub-rogados em seu lugar). Por outro lado, cada consorte responde pelos próprios débitos anteriores ao casamento. 7 Questão 08 38 Em caso de divórcio, cada um ficará com sua parte e será repartida apenas a parte comum. Já em caso de morte, o cônjuge ou companheiro sobrevivente também ficará com sua parte exclusiva, herdará a parte exclusiva do de cujus, e será meeiro da parte em conjunto. Não confundir meação com herança. Isso sempre é um tema de prova e possui um altíssimo índice de erro por conta dessa confusão. BENS COMUNS (art. 1658, 1660, 1662, CC)8 BENS PARTICULARES (art. 1659 e 1661, CC) Durante o casamento Constituídos durante o casamento, à título oneroso, ainda que em nome de um dos cônjuges; Bens adquiridos por fato eventual mesmo que sem a colaboração do outro; ex.: loteria Doação, herança ou legado em favor de ambos os cônjuges; Benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias dos bens particulares; Os bens particulares que já possuíam ao casar e aqueles recebidos por doação ou herança ou sub-rogados em seu lugar; Bens adquiridos com valores exclusivos de um dos cônjuges ou sub-rogados de bens particulares; Obrigações anteriores ao casamento, ou seja, dívidas que não foram constituídas para pagar encargos familiares; 8 Vide Questão 02 e 11 39 Frutos civis (rendimentos) ou naturais de bens comuns ou particulares, desde que recebidos durante o casamento ou, se pendentes, quando cessar; Os bens móveis (presunção relativa); Bens de uso pessoal de casa cônjuge, inclusive instrumento de profissão; Proventos do trabalho pessoal; Pensões, meios-soldos e montepios; Bens adquiridos por causa anterior ao casamento; A administração dos bens cabe a qualquer dos cônjuges, exceto se houver malversação dos bens, caso em que o juiz irá determinar a administração à apenas um deles. Ademais, as dívidas contraídas em relação aos bens particulares em benefício destes, não obrigam os bens comuns. Por fim, deve-se ressaltar o teor do Enunciado n. 340 do CJF/STJ: “No regime da comunhão parcial de bens é sempre indispensável a autorização do cônjuge, ou seu suprimento judicial, para atos de disposição sobre bens imóveis”. 17.4.2 Regime da Comunhão Universal Nesse regime, comunicam-se todos os bens do casal, independentemente da aquisição anterior à celebração do casamento. Assim, forma-se uma única massa patrimonial. Contudo, apesar de tal regra geral, o Código Civil elencou hipóteses em que tal comunicabilidade não é absoluta, havendo bens que não se comunicam. Assim, é aquele em que todos os bens dos cônjuges, presentes ou futuros, adquiridos antes ou depois do casamento (ainda que em nome de um só deles), tornam-se comuns, constituindo uma só massa, tendo cada cônjuge o direito à metade ideal do patrimônio comum (são meeiros), havendo comunicação do ativo e do passivo. Em princípio só há um só patrimônio, instaurando-se o estado de indivisão. É necessário o pacto antenupcial. 40 BENS COMUNS Todos os bens do casal, inclusive recebidos por doação ou herança; Frutos, ainda que de bens incomunicáveis; BENS INCOMUNICÁVEIS Doados/herdados com cláusula de incomunicabilidade ou sub-rogados; Gravados com fideicomisso; Dívidas anteriores ao casamento, salvo se com este relacionadas ou de proveito comum; Doações antenupciais com cláusula de incomunicabilidade; Bens de uso pessoal, livros, profissão, pensão; Em caso de divórcio, será repartida a parte comum, ficando cada um com metade do patrimônio. Já em caso de morte, o cônjuge ou companheiro sobrevivente será apenas meeiro do patrimônio total do casal, já que não existe parte exclusiva do de cujos. Quanto à administração, aplica-se as regras do regime legal, cabendo a ambos e, findo a comunhão, encerra-se a responsabilidade solidária. 17.4.3 Regime da Participação Final nos Aquestos Trata-se de regime inspirado em ordenamento jurídico de outros países e bastante complexo, que possibilita a formação de até 5 massas patrimoniais, em dois momentos distintos do regime: na constância do casamento e na sua dissolução, cada um possuindo seu regramento específico. Assim, é um misto de dois regimes: durante a constância do casamento vigoram as regras semelhantes ao regime da separação total de bens; dissolvida a sociedade conjugal, em tese, vigoram as regras da comunhão parcial. Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos cônjuges na constância do casamento. Há dois patrimônios: 41 Inicial: conjunto de bens que cada cônjuge possuía antes de se casar e os que foram por ele adquiridos, a qualquer título, durante o casamento. A administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge, podendo aliená-los livremente se forem móveis. Em se tratando de bens imóveis um não poderá sem a autorização do outro realizar os atos previstos no art. 1.647, CC (alienar, hipotecar, prestar fiança, etc.) No entanto, no pacto antenupcial pode-se convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares. Final: com a dissolução da sociedade conjugal apura-se o montante dos aquestos, excluindo-se da soma o patrimônio próprio (ex: bens anteriores ao casamento e os sub-rogados em seu lugar, obtidos por herança, legado ou doação, etc.), efetuando- se a partilha e conferindo a cada consorte, metade dos bens amealhados pelo casal. Se os bens forem adquiridos pelo trabalho conjunto, cada um dos cônjuges terá direito a uma quota igual no condomínio. Como se percebe, trata-se mais de uma compensação dos bens adquiridos e não propriamente de uma divisão. Repetindo, se assemelha com o regime de comunhão parcial. BENS PARTICULARES antes durante BENS PARTICULARES BENS COMUNS dissolução 42 Assim, durante o casamento, haverá uma separação convencional dos bens, com bens particulares de cada cônjuge, e no momento da sua dissolução, uma comunhão parcial de bens em que se extrairá os aquestos (participação/esforço) da colaboração de cada um dos cônjuges nos bens onerosos adquiridos durante a união. Nesse sentido, os aquestos não se confundem com a meação, pois este independe da comprovação do esforço comum. Ora, na dissolução, os bens adquiridos durante o casamento, que eram considerados particulares, se tornarão comuns, fazendo cada cônjuge jus aos bens particulares + aquestos daqueles bens, excluindo aqueles anteriores ao casamento ou sub- rogados, herdados ou doados ou as dívidas destes. 17.4.4 Regime da Separação de Bens O regime de separação de bens pode ser tanto convencional quanto legal. No primeiro caso, os nubentes escolhem por adotar tal regime e, no segundo caso, é obrigatório por determinação legal. Nesse regime, só há bens particulares, pois não ocorre comunicabilidade dos bens. Cada cônjuge conserva, com exclusividade, o domínio, posse e administração de seus bens, presentes e futuros, havendo incomunicabilidade dos mesmos, não só dos que cada um possuía ao se casar, mas também dos que vierem a adquirir na constância do casamento. Existem dois patrimônios distintos: o do marido e o da mulher. Assim, mantém-se a responsabilidade pelos débitos anteriores e posteriores ao casamento. Qualquer dos consortes poderá, sem autorização do outro, prestar fiança ou aval e fazer doação, etc. O regime de separação de bens pode ser dividido em: Convencional: nubentes adotam, por convenção antenupcial; podem estipular a comunicabilidade de alguns bens, normas sobre a administração, colaboração da mulher, etc.; É o único regime em que existe verdadeira separação absoluta de bens. Nestecaso não se aplica a Súmula 377, STF. 43 Legal ou Obrigatório: a lei impõe, por razões de ordem pública ou como sanção, não havendo comunhão de aquestos (art. 1.641, CC), nem necessidade de pacto (ex.: pessoa maior de 70 anos – redação dada pela Lei no 12.344/10) ou que contraiu casamento com inobservância das causas de suspensão, ou dependerem de suprimento judicial para casar). Ainda, incide o teor da Súmula 377 do STF a qual determina que “No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”, formando, assim, duas massas patrimoniais no mesmo sentido que no regime de comunhão parcial. A partir desse entendimento, conclui-se que só existe um regime de separação absoluta: o regime de separação convencional. Na separação legal não há separação absoluta, pois a Súmula n. 377 determina a comunicação dos bens. 44 18. Parentesco Devido à evolução social, atualmente, fala-se em multiparentalidade, ou seja, admite-se o estabelecimento simultâneo de dois vínculos de parentesco: biológico e o socioafetivo. Assim, parentesco é a relação que existente entre pessoas que descendem uma das outras ou de um mesmo tronco comum, entre um dos cônjuges e os parentes do outro, e entre pessoas que possuem algum vínculo civil. Assim, a relação por parentesco pode ser: Consanguíneo ou natural; Por afinidade; Civil; 18.1 Espécies de parentesco 18.1.1 Natural ou Consanguíneo Pessoas ligadas por um mesmo tronco ancestral. Possuem um vínculo biológico ou de sangue, originados de um mesmo tronco comum. GRAUS DE PARENTESCO: inicialmente, a contagem dos graus de parentesco é imprescindível para o conhecimento das relações delas decorrentes e para fins sucessórios. E como é feita essa contagem? Bom, os parentes em linha reta sempre serão os ascendentes seus ou descentes, não havendo limites, ou seja: 1º, 2º, 3º, etc. Enquanto que os colaterais sempre serão os irmãos, tios, sobrinhos e por aí em diante, assim, deverá subir ao ancestral comum e depois descer até a pessoa com a qual grau de parentesco quer-se descobrir. Em relação ao 45 cônjuge, entre eles não há parentesco, mas sim sociedade conjugal, aplicando-se, portanto, estas regras nas relações de afinidade. 18.1.2 Afinidade É o que se estabelece entre cada cônjuge e os parentes do outro (CC, 1.595), na linha reta ou colateral. Assim, é o resultante do casamento ou união estável, gerando a relação entre um cônjuge/companheiro e os parentes do outro, comportando a linha reta (infinita e permanente) e a colateral, que se extingue com o término do casamento; O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, descendentes e aos irmãos. Apenas! Não há parentesco por afinidade, por exemplo, de tios ou sobrinhos do cônjuge ou companheiro. O parentesco por afinidade na linha reta não dissolve nunca, nem pelo divórcio, nem pela morte (o impedimento matrimonial se mantém sempre). Na linha colateral se dissolve, sendo possível o casamento com “ex-cunhado/a”. O parentesco por afinidade também é aplicável para a união estável. 18.1.3 Civil É aquele resultante de outra origem que não seja as anteriores, sendo, normalmente, decorrente do processo de adoção. Atualmente, em razão da evolução tecnológica, a jurisprudência vem admitindo mais duas espécies desse tipo de parentesco: reprodução heteróloga (material genético de terceiro) e a socioafetiva. Tradicionalmente, esse parentesco civil ocorrerá pela adoção. No entanto, a doutrina e a jurisprudência trazem duas outras formas de parentesco civil: 46 Uma por força da reprodução assistida heteróloga, onde é feito uma reprodução com material genético de um terceiro, sem qualquer vínculo com a pessoa. A segunda forma é admitida por força da parentalidade socioafetiva. Inclusive esse foi o entendimento do STF: “a paternidade socioafetiva declarada ou não em registro, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante, baseada na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios” (STF. Plenário. RE 898060/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21 e 22/09/2016 (Info 840). Enunciado n. 256 do CJF/STJ, III Jornada de Direito Civil: “A posse do estado de filho (parentalidade socioafetiva) constitui modalidade de parentesco civil”; 18.2 Filiação Conforme preceitua Tartuce, trata-se de “relação jurídica existente entre ascendentes e descendentes de primeiro grau, ou seja, entre pais e filhos”. Ademais, como já tratamos anteriormente, rege-se pelo Princípio da igualdade de filiação. A filiação pode decorrer de dois laços: biológico e afetivo. O reconhecimento da filiação socioafetiva vem ganhando grande incentivo da doutrina e jurisprudência, tendo em vista a preservação do princípio da felicidade e da reciprocidade. Não há hierarquia entre esses vínculos e a jurisprudência tem reconhecido a possibilidade de multiparentalidade. 18.2.1 Natureza Jurídica 18.2.1.1 Biológico É a genética ou por consanguinidade 47 Reprodução humana natural: ocorre pela fecundação; Reprodução humana assistida: substitui a concepção natural por métodos clínicos; Concepção homóloga: manipulação de gametas masculinos e femininos do próprio casal, sem necessidade de autorização pelos genitores, exceto se falecidos; Concepção heteróloga: doação de sêmen de um terceiro, desde que tenha concordância do cônjuge, de modo que o doador é anônimo e se afasta da paternidade. Assim, gera uma presunção iure et de iure de filiação. CESSÃO DE ÓVULO X CESSÃO DE ÚTERO – no primeiro caso, ocorre uma doação de óvulo, regendo-se nos mesmos moldes da doação de sêmen, porém, no segundo caso, ocorre a gestação sub-rogada, caso em que não haverá o anonimato, contudo, de acordo com o Conselho Regional de Medicina e pelo Provimento 52 do CNJ deve ser temporária e sem fins lucrativos, desde que a cedente seja parente até o segundo grau da mãe genética. EMBRIÃO CRIOPRESERVADO X EXCEDENTÁRIO – no primeiro caso, é considerado, de acordo com a jurisprudência no julgamento da ADI 3510 que declarou constitucional o art. 5º da Lei de Biossegurança, como coisa; no segundo caso, são aqueles embriões concebidos por manipulação genética e que não foram implantados no ventre da mulher, permanecendo armazenados e sem ser sujeitos de direitos. 18.2.1.2 Socioafetivo (critério não biológico) Corresponde à verdade aparente decorre do próprio direito de filiação; Posse do Estado de filiação: a aparência faz com que todos acreditem na existência de uma filiação, assim, independe do critério biológico, de modo que é necessário a verificação de alguns requisitos: Estado (tractatus): quando o filho é tratado como tal pelos pais; 48 Nome (nominativo): usa o nome de família e assim se apresenta perante a sociedade; Fama (respeitatio): é assim conhecido notoriamente Adoção: é uma relação de parentesco civil que decorre da socioafetividade visto que, por ser um ato jurídico em sentido estrito, se constitui como um parentesco eletivo mediante um ato de vontade. Sobre a adoção, em razão de sua importância, vamos tratar detalhadamente em tópico próprio; 18.2.1.3 Presunções jurídicas Têm por finalidade de atribuir a paternidade ou maternidade a alguém em razão de alguns indícios determinados pela lei; Concebidos na constância do casamento (art. 1597, CC): cabem prova em contrário (regra: juris tantum) 180 dias após o início da convivência; 300 dias após a dissolução da sociedade conjugal Fecundação artificial homóloga (RHA); Embriões excedentários decorrentes de RHA; Inseminação artificial heteróloga – presunção iure et de iure Impotência para gerar (art. 1599, CC): à época da concepção, afasta a presunção de paternidade; Presunção de paternidade e adultério da mulher (art. 1600, CC): a quebra do deverde fidelidade não é suficiente para impedir o vínculo de paternidade; Imprescritibilidade da ação negatória de paternidade (pater es est) pelo marido (art. 1601, CC): despreza a teoria da socioafetividade e conforme o Enunciado n. 339 do CJF/STJ, aprovado na IV Jornada de Direito Civil, deve ser vedado o rompimento da paternidade socioafetiva em detrimento do melhor interesse do filho. Ainda, conforme o art. 1602, não basta a confissão da mulher para excluir a paternidade; 49 A ação negatória de paternidade é personalíssima, sendo imprescritível o direito. Contudo, é imprescritível o pedido de reconhecimento de paternidade, mas não o é o de petição de herança (prescritível). Neste sentido, por não haver expressa previsão legal sobre o prazo prescricional, aplica-se a regra geral de 10 anos, para a petição de herança. O prazo de um ano para o pedido de anulação de partilha, começa a contar da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu a filiação, e não da decisão que resolveu a partilha. Mater in jure semper certa est (art. 1608, CC): a mãe registral tem legitimidade para impugnar a maternidade desde que comprovado a falsidade da declaração registral; 18.2.2 Reconhecimento de filhos (arts. 1601 a 1617, CC) O filho havido fora do casamento (filiação extramatrimonial) poderá ser reconhecido pelos pais, antes do nascimento ou post mortem, de forma conjunta ou separada, inexistindo a expressão filho ilegítimo/legítimo. Ademais, é irrevogável, podendo ser realizado por: Registro de nascimento; Escritura pública ou particular; Testamento, legado ou codicilo, ainda que incidentalmente; Manifestação direta e expressa em processo judicial, podendo ser ação investigatória de paternidade/maternidade, ou então, em qualquer outro tipo de processo judicial, mesmo que sem a intenção de constituir estado de filiação; 50 O reconhecimento de filho não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em testamento. Mas, importante destacar que, excepcionalmente será permitida a revogação ao reconhecimento de filho se o registro resultou de erro, ou seja, o pai registral de fato acreditava que registrava seu filho. Neste caso, de acordo com o STJ, será autorizada a desconstituição do registro, desde que seja imediatamente após a descoberta da fraude e que haja o rompimento instantâneo do vínculo afetivo com o filho putativo. 18.2.3 Pluriparentalidade É possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de nascimento na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme prática conhecida como “adoção à brasileira”. O reconhecimento da paternidade socioafetiva não exime o pai biológico da obrigação decorrente dos alimentos. A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com efeitos jurídicos próprios. Neste caso, materializa-se o reconhecimento da multiparentalidade. É possível, ainda, o reconhecimento de paternidade socioafetiva pós-mortem. 18.2.4 Adoção Trata-se de forma tradicional de parentesco civil cujos regramentos estão dispostos no ECA, que se constitui como um ato jurídico em sentido estrito, de natureza complexa, dependendo de homologação judicial, independentemente se for adoção de menores ou de maiores. Ademais, trata-se de medida excepcional, irrevogável e definitiva, pois se deve adotar apenas quando estiverem esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural (comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes) ou extensa (se estende para além da unidade pais e filhos/casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente conviva e mantém vínculos de afinidade e afetividade). 51 Aos adotados, estão assegurados os mesmos direitos e qualificações dos filhos havidos ou não durante o matrimônio, pois a origem da filiação é única e se apaga quando do processo de adoção. Desse modo, desliga-se de qualquer vínculo com os pais biológicos, salvo quanto aos impedimentos para casamento. Quanto aos requisitos para a adoção, existem: Idade: maior de 18 anos; Diferença de idade entre o adotante e o adotado: 16 anos; Oitiva do menor: a partir dos 12 anos, sendo obrigatória; Irmãos: devem ser colocados para adoção na mesma família, priorizando a manutenção do convívio familiar pré-estabelecido. Tipos de adoção: Unilateral: feita pelo cônjuge ou companheiro com relação ao filho de seu par. (padrasto/madrasta); Conjunta: realizada por duas pessoas, casadas civilmente ou que mantenham união estável, comprovando a estabilidade familiar e podendo ser, inclusive, decorrente de relação homoafetiva conforme o Informativo n. 432 do STJ; Divorciados: é excepcional, desde que o processo de adoção já tenha sido instaurado antes do divórcio, assim, o adotado já se encontrava integrado à convivência familiar. Portanto, a lei é clara ao determinar que já tenha tido estágio de convivência prévio ou já houver criado vínculos afetivos e de afinidade; Póstuma: por ser concebida desde que o adotante venha a falecer no curso do processo de adoção, desde que tenha manifestado inequívoca vontade, assim, o efeito da sentença retroagirá à data do óbito, excepcionalmente, já que a regra é que a sentença produza efeitos a partir do seu trânsito em julgado (ex nunc). O adotado, nesse caso, deverá ser totalmente integrado à família do de cujus. 52 Adoção post mortem mesmo que não iniciado o procedimento formal enquanto vivo. Pelo texto do ECA, a adoção post mortem (após a morte do adotante) somente poderá ocorrer se o adotante, em vida, manifestou inequivocamente a vontade de adotar e iniciou o procedimento de adoção, vindo a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença. Se o adotante, ainda em vida, manifestou inequivocamente a vontade de adotar o menor, poderá ocorrer a adoção post mortem mesmo que não tenha iniciado o procedimento de adoção quando vivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1217415-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/6/2012. Veda-se a adoção por procuração, pois se trata de ato de caráter personalíssimo, e, também, adoção por irmãos ou por ascendentes. Sobre esse último aspecto, vide Informativo n. 551 do STJ/14 que, por situações excepcionais do caso concreto, permitiu a adoção de descendentes por ascendentes (ex.: avó que quer adotar o neto). Adoção à brasileira: trata-se da situação em que uma pessoa registra filho alheio como próprio. Não é uma modalidade legítima de adoção, pelo contrário, configura o crime do at. 242 do Código Penal. De acordo com o STJ9, é possível a desconstituição da paternidade registral, se o marido ou companheiro descobre que foi induzido em erro no momento de registrar a criança e que não é pai biológico do seu filho registral, ele poderá contestar a paternidade, 9 STJ. 3ª Turma. REsp 1.330.404-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 5/2/2015 (Info 555). 53 pedindo a retificação do registro (arts. 1.601 e 1.604 do CC). Não se pode obrigar o pai registral, induzido a erro substancial, a manter uma relação de afeto, igualmente calcada no vício de consentimento originário, impondo-lhe os deveres daí advindos, sem que, voluntária e conscientemente, o queira. Vale ressaltar, no entanto, que, para que o pai registral enganado consiga desconstituir a paternidade, é indispensável que tão logo ele tenha sabido da verdade (da traição), ele tenha se afastado do suposto filho, rompendo imediatamente o vínculo afetivo. Se o pai registral enganado, mesmo quando descobriu a verdade, ainda manteve vínculos afetivos com o filho registral, neste caso ele não mais poderá desconstituir a paternidade. A situação acimadescrita é diferente da chamada “adoção à brasileira”, que ocorre quando o homem e/ou a mulher declara, para fins de registro civil, o menor como sendo seu filho biológico sem que isso seja verdade. No caso de adoção à brasileira, o pai sabe que não é genitor biológico (ele não foi enganado). Caso o pai registral se arrependa da “adoção à brasileira” realizada, ele NÃO poderá pleitear a sua anulação. O pai que questiona a paternidade de seu filho registral (não biológico), que ele próprio registrou conscientemente, está violando a boa-fé objetiva, mais especificamente a regra da "venire contra factum proprium" (proibição de comportamento contraditório). Para que seja possível a anulação do registro, é indispensável que fique provado que o pai registrou o filho enganado (induzido em erro), ou seja, é imprescindível que tenha havido vício de consentimento. Em contrapartida, o STJ10 já decidiu que é possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de nascimento na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme prática conhecida como “adoção à brasileira”. Caracteriza violação ao princípio da dignidade da pessoa humana cercear o direito de conhecimento da origem genética, respeitando-se, por conseguinte, a necessidade psicológica de se conhecer a verdade biológica. Se o exame de DNA provar que o adotado não é filho biológico do pai registral, o juiz NÃO terá que, obrigatoriamente, julgar procedente o pedido, declarar/desconstituir a paternidade e anular o registro, pois, segundo já decidiu o STJ11, o êxito em ação negatória de paternidade, consoante os princípios do CC/2002 e da CF/1988, depende da demonstração, a um só tempo, de dois requisitos: a) Inexistência da origem biológica; b) Não ter sido construída uma relação 10 STJ. 4ª Turma. REsp 1.167.993-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/12/2012. 11 STJ. 4ª Turma. REsp 1059214-RS, Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/2/2012. 54 socioafetiva entre pai e filho registrais. Assim, para que a ação negatória de paternidade seja julgada procedente, não basta apenas que o DNA prove que o “pai registral” não é o “pai biológico”. É necessário também que fique provado que o “pai registral” não é “pai socioafetivo”, ou seja, que não existe relação socioafetiva entre pai e filho. 18.2.5 Ação Investigatória de Paternidade/Maternidade A ação investigatória de paternidade ou maternidade é uma forma de reconhecimento judicial de filhos, cujo procedimento, de acordo com o NCPC é comum. Visa-se, mediante tal processo, a comprovação da verdade real ou biológica da parentalidade. Possui natureza declaratória e envolve o estado de pessoas e a dignidade humana, assim, é imprescritível (art. 27, ECA c/c Súmula 149, STF). O foro competente dependerá se foi proposta isoladamente ou cumulada com outros pedidos, devendo ser observado o regramento de competências do NCPC. Quanto à legitimidade ativa para a ação, ela é personalíssima do filho, em regra, porém, se ele for menor de idade, poderá haver o instituto da representação, se menor de 16 anos, ou, assistência, se possuir entre 16 e 18 anos. Ademais, o Ministério Público possui legitimidade extraordinária e pode atuar como substituto processual. Quanto à legitimidade passiva, em regra, será contra o suposto pai/mãe, porém, em caso de falecimento destes, poderá ser proposta contra os herdeiros (não é contra o espólio, pois é uma ação de caráter pessoal) ou, caso não existam, contra o Estado que receberá os bens vagos, ou, ainda, contra o avô/avó, caso em que a ação se denominará ação avoenga. 55 Sobre essa ação, duas súmulas são muito importantes: Súmula 301 do STJ: “Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade” e Súmula 277 do STJ que “Julgada procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação”. O adotado não possui legitimidade para ingressar com a ação de investigação, visto que a ação tem o condão de constituir o estado de filiação através do critério biológico. Assim, caso o adotado tenha a necessidade de conhecer suma origem genética, deve-se pretendê-la por meio de outra ação ordinária. Essa situação se aplica, também, àquele que possui pai registral, pois, como sabemos, havendo o registro e ciência de que não é seu filho, presume- se a parentalidade e, mesmo que não tivesse esse conhecimento, aplicar-se-ia a parentalidade socioafetiva no caso concreto. Assim, o direito ao reconhecimento de paternidade é personalíssimo. Neste sentido, o filho não tem legitimidade para pedir pessoalmente que seja reconhecida a filiação de sua mãe. Porém, poderá, em nome próprio, pedir o reconhecimento do vínculo ascendente, em ação proposta em face de seus avós. 18.2.6 Prova da Filiação Ocorre através do registro de nascimento, que, em regra, não cabe quebra, exceto quando o registro tiver sido realizado por meio de erro ou falsidade. Contudo, não poderá afastar a parentalidade socioafetiva, incluindo-se, inclusive, o pai biológico no registro de nascimento, para todos os fins jurídicos, em virtude da possibilidade da multiparentalidade. 56 O abandono afetivo decorrente da omissão do genitor no dever de cuidar da prole constitui elemento suficiente para caracterizar dano moral compensável.12 12 REsp 1.159.242-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/4/2012. 57 19 Poder Familiar Anteriormente, o poder familiar era denominado de pátrio poder, o que remonta à era da família patriarcal, hoje, totalmente superada. Nesse sentido, o poder familiar decorre do vínculo jurídico de filiação, sendo exercido por ambos os pais quanto aos filhos (colaboração familiar). Assim, é o conjunto de direitos e deveres instituído para a proteção do filho menor não emancipado. Trata-se de um múnus público, ou seja, um encargo, um dever. É um poder- dever irrenunciável, intransferível (delegável para terceiros), inalienável, imprescritível de obrigações personalíssimas. Ademais, é exercido em igualdade de condições pelo pai ou pela mãe. Devem os pais cuidar da educação e bem-estar dos filhos e zelar por seus bens. Apenas na falta ou impedimento de um dos pais (morte, declaração de ausência, incapacidade, etc.) é que ele será exercido de forma exclusiva por um deles. Assegura-se a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência. A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram o poder familiar. No entanto, o exercício de ambos fica prejudicado, havendo um lógico enfraquecimento dos poderes de quem ficou privado da guarda dos filhos. 19.1 Características Sujeitos (art. 1630, CC): se submetem ao poder familiar todos filhos menores e incapazes (0-18 anos); Exercício (art. 1634, CC), extinção (art. 1635, CC), suspensão (art. 1636, CC) e destituição (art. 1638, CC);13 Efeitos patrimoniais (arts. 1689 a 1693, CC); 13 Vide questão 04 58 O poder familiar é incompatível com a tutela, pois esta só ocorre quando há uma ausência do poder familiar (morte, destituição, etc.). 19.2 Direitos e Deveres O art. 1.634, CC enumera os direitos e deveres: Dirigir-lhes a criação e educação; Tê-los em sua companhia e guarda; Conceder-lhes, ou negar-lhes consentimento para casarem; Nomear-lhes tutor, por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais lhe não sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercitar o poder familiar; Representá-los, até aos 16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade,nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; Reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; Exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição. 19.3 Administração Trata-se de efeito patrimonial do poder familiar, determinando o CC que cabem aos pais o uso e administração dos bens do menor, sendo desnecessária a prestação de contas. Os pais, em igualdade de condições, são os administradores legais dos bens dos filhos. Para alienar ou gravar de ônus reais os bens imóveis dos filhos (ex: hipotecar) precisam obter autorização judicial, mediante a demonstração da necessidade. Deve sempre se levar em conta os interesses dos menores. Se a venda se efetivar sem a autorização judicial, padecerá de nulidade. 59 Porém, apesar disso, não poderão se apropriar de todos os rendimentos do filho, a não ser que necessária para despesas comuns da família em prol do melhor interesse do filho. Ainda, é um direito concedido a ambos os pais, em conjunto, e, em caso de divergência de vontade, será possível o suprimento judicial. Ressalta-se que os valores recebidos e os bens adquiridos pelo filho maior de 16 anos são reservados, ou seja, caso tenham sido obtidos por meio de atividade laboral adequada, não se sujeitarão à administração dos genitores. Dessa forma, atingindo a maioridade, os bens lhe serão entregues, juntamente com os acréscimos respectivos, não sendo exigida qualquer prestação de contas ou remuneração. 19.3.1 Vedação (art. 1691, CC) Os pais não poderão alienar ou gravar ônus os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo se interesse da prole através de autorização judicial. 19.3.2 Exclusão (art. 1693, CC) Os bens adquiridos pelos filhos extramatrimoniais antes do reconhecimento, valores aferidos pelos filhos maiores de 16 anos, no exercício da atividade profissional e bens deles decorrentes, os bens que foram deixados ou doados ao filho, sob a condição de não serem usufruídos ou administrados pelos pais e os bens que cabem aos filhos por herança, quando os pais tiverem sido excluídos (atos de indignação ou deserdação) da sucessão. 19.4 Usufruto Enquanto estiverem no exercício do poder familiar cabe aos pais a administração dos bens dos filhos menores, bem como o direito ao usufruto e as rendas desses bens. Trata-se do chamado usufruto legal. No entanto, caso ocorra alguma divergência na administração, caberá ao Juiz resolver a situação. 60 19.5 Extinção, Suspensão e Perda O art. 1.635, CC menciona as causas de extinção do poder familiar: Morte dos pais ou do filho; Emancipação; Maioridade; Adoção; Decisão judicial. O caput do art. 1.637, CC e seu parágrafo único mencionam as causas de suspensão do poder familiar. A suspenção ocorre quando os pais são afastados temporariamente do exercício, podendo posteriormente retomá-lo: Se o pai, ou mãe, abusar da sua autoridade, faltando aos seus deveres ou arruinando os bens dos filhos; Se o pai ou a mãe forem condenados por sentença irrecorrível, em crime cuja pena exceda a dois anos de prisão. Se a suspensão for de apenas um dos pais, subsiste a do outro. Já o art. 1.638, CC menciona as causas de perda ou destituição do poder familiar, por ato judicial, do pai, ou da mãe, por infrações graves: Castigar imoderadamente o filho; Deixá-lo em abandono; Praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; Incidir reiteradamente nas faltas previstas no artigo 1.367 do CC; Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. 61 A lei 13.715/18 trouxe o parágrafo único do art. 1.638 do CC, acrescentando mais algumas formas de perda do poder familiar. Praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; Praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão. A perda é definitiva, embora em alguns casos seja possível o restabelecimento, se for provada a regeneração do genitor ou desaparecida a causa da perda. Além disso, a falta ou a carência de recursos não é motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. Em casos de suspensão ou perda do poder familiar de ambos os pais, será nomeado um tutor para o menor. A suspensão ou a perda do poder familiar não desobriga o genitor de continuar sustentando o filho. A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram o poder familiar (com exceção da guarda, que representa parte desse poder e enfraquece o poder familiar de quem não ficou com os filhos). 62 CONTEÚDO E EXERCÍCIO Criação e a educação; Guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584; Conceder ou negar consentimento para casarem; Conceder ou negar consentimento para viajarem ao exterior; Conceder ou negar consentimento para mudarem sua residência permanente para outro Município; Nomear tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; Representação dos absolutamente incapazes e assistência dos relativamente incapazes, judicial e extrajudicialmente; Reclamá-los de daquele que o tem poder posse ilegal (sem guarda); Obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição; EXTINÇÃO Tem caráter efetivo e não quebra o vínculo de parentesco: Morte dos pais ou do filho; Emancipação; Maioridade; Adoção (poder familiar derivado); Decisão judicial, na forma do artigo 1.638 (destituição do poder familiar); SUSPENSÃO Trata-se de medida menos grave e, inclusive, facultativa, podendo o juiz deixar de aplicá-las ou, se superadas as caudas que a provocaram, cancelá-las, sempre observando o melhor interesse da criança. São legitimados qualquer parente ou o próprio Ministério Público. Assim, se: Abusar de autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos, 63 Condenação por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão; DESTITUIÇÃO/PERDA Tem caráter temporário e não tem o condão de, por si só, quebrar a relação de parentesco. É imposta por sentença judicial de forma imperativa: Castigar imoderadamente o filho; Deixar o filho em abandono; Praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; Incidir, reiteradamente, nas faltas previstas nos casos de suspensão do poder familiar; Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção; Praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; Praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexualsujeito à pena de reclusão. 19.6 Guarda (arts. 1583 a 1590 do CC) Trata-se de direito-dever dos pais de terem consigo seus filhos a fim de garantir-lhes pleno desenvolvimento. Ela poderá ser deferida a ambos, a um deles ou a alguém que os substituam, verificando, sempre, o melhor interesse do menor. 19.6.1 Espécies de guarda Unilateral: apenas um dos genitores exerce a guarda, enquanto que ao outro, permanece o direito de visita, a ser acordado por meio do processo judicial, sem perder o poder familiar em razão disso; Alternada: o tempo de convivência do filho é divido entre os pais, passando a viver alternadamente, de acordo com o que for ajustado, residindo juntamente com um e 64 com o outro (residências alternadas). Nesse caso, a melhor doutrina afirma que deve ser excepcional, pois não preenche os requisitos essenciais da guarda compartilhada, que deve ser fomentada; Compartilhada: é a guarda conjunta por meio da convivência simultânea, corresponsabilidade do exercício do poder familiar e com definição da residência preferencial do filho, sendo a regra no ordenamento jurídico. Nesse caso, ocorre a participação plena no processo de desenvolvimento dos filhos, visando minorar os efeitos do divórcio. Assim, deve ser preferencial às demais, mesmo que não tiver acordo entre os pais sobre isso, exceto em alguns casos legais.14 De fato: consolidada pela convivência e cuidado do responsável para com o menor. Ademais, outro aspecto a ser ressaltado é que quando a guarda for deferida a terceiros, ou enquanto a criança for colocada em família substituta, não se extingue o poder familiar dos pais, que não ficam livres de outras responsabilidades, a exemplo da prestação de alimentos. Assim, a espécie de guarda que será aplicada é definida da seguinte forma: A guarda será definida por consenso entre o pai e a mãe; ou Se não houver acordo, será decretada pelo juiz. Quando o magistrado for fixar a guarda, deverá levar em consideração as necessidades específicas do filho e a distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e a mãe, e sempre que possível, deve ser tentada a conciliação. Caso não tenha havido acordo, a espécie de guarda que o juiz deverá preferencialmente determinar aplicar a guarda compartilhada. Contudo, não será aplicada a guarda compartilhada se: um dos genitores não estiver apto a exercer o poder familiar; ou um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor. 14 Vide questão 10 65 19.7 Direito assistencial de família Visa-se, através dos institutos da tutela e curatela, a defesa dos interesses dos incapazes, possibilitando a realização de atos civis em seu nome. A tutela objetiva resguardar interesses de menores não emancipados, não sujeitos ao poder familiar e a curatela, por sua vez, dá assistência nos interesses de maiores incapazes, interditados. Ambos possuem dever de prestação de contas, ao contrário do que ocorre com os pais no uso e administração dos bens do filho. 19.7.1 Tutela (arts. 1728 a 1766 do CC) A tutela pode ser realizada através da representação ou da assistência, desde que não estejam submetidos ao poder familiar, premissa principal desse instituto. Ela pode ser: Testamentária: por testamento ou codicilo; Legítima: na falta de tutor nomeado pelos pais; ou15 Dativa: na falta das anteriores, aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto ou aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor, por meio de nomeação do juiz. Quando houver irmãos órfãos, apenas um tutor será nomeado, em razão do Princípio da unicidade da tutela. Quanto aos demais regramentos, é imprescindível a leitura da legislação civilista. 15 Questão 06 66 O Relativamente Incapaz é Assistido (Bizu: RIA), já o Absolutamente Incapaz é Representado (Bizu: AIR - o contrário de RIA). São incapazes de exercer a tutela (art. 1.735), não podendo ser tutores e sendo exonerados da tutela, caso a exerçam: Aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; Aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídos em obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra este, e aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; Os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes expressamente excluídos da tutela; Os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a família ou os costumes, tenham ou não cumprido pena; As pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas de abuso em tutorias anteriores; Aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa administração da tutela. Podem escusar-se da tutela (art. 1.736 e 1737): Mulheres casadas; Maiores de sessenta anos; Aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; Os impossibilitados por enfermidade; Aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela; Aqueles que já exercerem tutela ou curatela; Militares em serviço; Quem não for parente do menor não poderá ser obrigado a aceitar a tutela, se houver no lugar parente idôneo, consanguíneo ou afim, em condições de exercê- la. 67 A escusa deverá ser apresentada nos dez dias subsequentes à designação, sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la, contudo, se o motivo escusatório ocorrer depois de aceita a tutela, os dez dias serão contados do em que ele sobrevier. Se o juiz não admitir a escusa, exercerá o nomeado a tutela, enquanto o recurso interposto não tiver provimento, e responderá desde logo pelas perdas e danos que o menor venha a sofrer. Os tutores são obrigações a realizar prestação de contas, ainda que ao contrário tivessem disposto os pais dos tutelados. No fim de cada ano de administração, os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo, que, depois de aprovado, se anexará aos autos do inventário. Os tutores prestarão contas de dois em dois anos, e também quando, por qualquer motivo, deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente. As contas serão prestadas em juízo, e julgadas depois da audiência dos interessados, recolhendo o tutor imediatamente a estabelecimento bancário oficial os saldos, ou adquirindo bens imóveis, ou títulos, obrigações ou letras. Caso a tutela seja finalizada pela emancipação ou maioridade, a quitação do menor não produzirá efeito antes de aprovadas as contas pelo juiz, subsistindo inteira, até então, a responsabilidade do tutor. Ainda, nos casos de morte, ausência, ou interdição do tutor, as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes. Serão levadas a crédito do tutor todas as despesas justificadas e reconhecidamente proveitosas ao menor e as despesas com a prestação das contas serão pagas pelo tutelado. O alcance do tutor, bem como o saldo contra o tutelado, são dívidas de valor e vencem juros desde o julgamento definitivo das contas. Cessa a condição de tutelado (art. 1.763): Com a maioridade ou a emancipação do menor; Ao cair o menor sob o poder familiar, no caso de reconhecimento ou adoção. Cessam as funções do tutor (art. 1.764): Ao expirar o termo, em que era obrigado a servir; 68 Ao sobrevir escusa legítima; Ao ser removido. O tutor é obrigado a servir por espaço de dois anos, podendo continuar no exercício da tutela, além do prazo previsto neste artigo, se o quiser e o juiz julgar conveniente ao menor. Será destituído o tutor, de acordo com o art. 1.766, quando negligente,prevaricador ou incurso em incapacidade. 19.7.2 Curatela (arts. 1767 a 1783 do CC) Com o advento do Estado da Pessoa com Deficiência, não existe mais absolutamente incapazes maiores, assim, esse instituto incide apenas em relação aos maiores relativamente incapazes, sendo esse rol taxativo (art. 1767, CC): Ébrios habituais; Viciados em tóxicos; As pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir vontade; Os pródigos: a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não sejam de mera administração. (Atos patrimoniais) A incapacidade não se presume, portanto, deve ser declarada judicialmente e assim, o curador, em ordem de preferência, serão o cônjuge/companheiro, pai/mãe, descendente mais apto ou, então, curador dativo. É possível, ainda, determinar curador ao nascituro, quando o pai falecer e a mulher estiver grávida, mas não tiver mais o poder familiar e, ainda, se ela já estiver interditada, o curador dela será o mesmo para o nascituro. Quando o curador for o cônjuge e o regime de bens do casamento for de comunhão universal, não será obrigado à prestação de contas, salvo determinação judicial. 69 19.7.3 Tomada de decisão apoiada (art. 1783-A do CC) O Estatuto da Pessoa com Deficiência, marco no Brasil por ter sido junto ao seu protocolo facultativo, o primeiro tratado internacional de Direitos Humanos, a ter status de Emenda Constitucional, trouxe uma inegável evolução para a promoção da dignidade humana, inerente a todos os cidadãos, sem discriminação. Neste sentido, ao alterar os artigos 3º e 4º, do Código Civil, foi conferida plena capacidade aos portadores de deficiência, para o desenvolvimento de todos os atos da vida civil. Assim, a deficiência não afeta a plena capacidade civil, tendo o indivíduo direito de casar, exercer os direitos sexuais e reprodutivos, ter filhos e conservar sua fertilidade, usufruir do convício familiar, bem como exercer guarda, tutela, curatela e adoção. Como medida de proteção e preservação dos direitos, foi criado o instituto da tomada de decisão apoiada (artigo 1.783 – A CC), que consiste em ato unilateral de vontade da pessoa com deficiência que nomeia, ao menos, duas outras pessoas idôneas para apoiá-lo nas decisões sobre a vida civil. O pedido será feito ao juiz, que, junto com medida multidisciplinar, após a oitiva do Ministério Público, e das pessoas que serão apoiadoras, decidirá sobre a pretensão. Após a autorização, em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo discordância de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvindo o Ministério Público, decidir sobre a questão. A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar ao juiz sua exclusão de sua participação em processo de tomada de decisão apoiada, sendo o desligamento condicionado a autorização judicial. Diante da evolução do ordenamento jurídico, o instituto da curatela (artigos 1.767 e seguintes do CC) passou a ser medida excepcional, aplicada em último caso, porém, desvinculada da deficiência em si, sendo o procedimento hoje mais aplicado aos idosos em idade avançada, que demandam apoio especial. 70 Em que pese o erro no termo trazido pelo novo Código de Processo Civil (artigos 747 a 758), há entendimento é que o antigo instituto da interdição não existe mais, sendo que o título deveria ser “curatela”, já que as limitações estão ligadas a questões patrimoniais, de forma que o curatelado exerce todos os outros direitos de forma livre. No entanto, existe forte corrente no sentido de ainda existir a interdição. Sobre o tema, importante verificar o seguinte julgado: O motivo que levou o juiz a decretar a curatela pode deixar de existir. Neste caso, deverá ser ajuizada uma ação para levantamento da curatela. É o que prevê o art. 756 do Código Civil: Art. 756. Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a determinou. § 1º O pedido de levantamento da curatela poderá ser feito pelo interdito, pelo curador ou pelo Ministério Público e será apensado aos autos da interdição. O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela, previsto no art. 756, § 1º do CPC/2015, não é taxativo. Exemplo: João foi atropelado por um veículo conduzido por funcionário da empresa “X”. Em razão das sequelas sofridas, João foi interditado. Em ação de indenização movida por João contra a empresa, a ré foi condenada a pagar pensão mensal vitalícia em virtude de, supostamente, o autor não poder mais trabalhar. Passados alguns anos, a empresa “X” ajuizou ação de levantamento da curatela em face de João ao fundamento de que há prova, posterior à sentença de interdição, que atestaria que o interdito não possui mais a enfermidade que justificou a sua interdição. Por entender que existem elementos probatórios suficientes para demonstrar que o interdito não possui mais a patologia que resultou em sua interdição, o que poderia gerar também a cessação da pensão vitalícia, o STJ concluiu que a empresa, mesmo não estando no rol do art. 756, § 1º do CPC/2015, possui legitimidade para o ajuizamento da ação de levantamento da curatela. STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.668-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info 640). 71 20 Alimentos 20.1 Conceito e pressupostos São prestações devidas pelo alimentante para a satisfação das necessidades pessoais daquele alimentado, que não pode provê-las por meio do trabalho próprio, em razão do dever de mútua assistência, que existe durante a convivência e persiste mesmo com a sua dissolução. Nesse sentido, são pressupostos da prestação de alimentos: Vínculo de parentesco, casamento/união estável; Necessidade do alimentando; Possibilidade do alimentante; Assim, são prestações para a satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si, de modo a propiciar-lhe uma vida digna16. 20.2 Características Personalíssimo: em razão do caráter intuito personae, não se transmitindo aos herdeiros do credor; Reciprocidade: entre cônjuges e companheiros, pais e filhos, estendendo-se a todos os ascendentes. Nesse sentido, há uma ordem sucessória: ascendente do grau mais próximo que exclui o mais remoto, os descendentes nesse mesmo sentido e os irmãos, com preferência aos bilaterais e, depois, unilaterais; Irrenunciabilidade: veda-se a renúncia de alimentos, porém, a doutrina e jurisprudência majoritárias entendem possível a renunciá-los em caso de separação/divórcio (Enunciado n. 263 do CJF/STJ, da III Jornada de Direito Civil); Preceitua o art. 1.707, CC que: “Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora.” 16 Questão 3 72 A não postulação em juízo é interpretada como falta de exercício e não significa renúncia. A Súmula 379 do Supremo Tribunal Federal prevê, no tocante à mulher, que “no acordo de desquite não se admite renúncia aos alimentos, que poderão ser pleiteados ulteriormente, verificados os pressupostos legais”. No entanto, atualmente a jurisprudência vem se posicionando no sentido de ser possível a renúncia por não se tratar de alimentos em razão de parentesco (estes sim irrenunciáveis). Como marido e mulher não são parentes, há quem sustente que o princípio da irrenunciabilidade não se aplica aos cônjuges (o tema ainda é muito controvertido – para provas objetivas aconselhamos continuar afirmando a irrenunciabilidade). Obrigação divisível (complementariedade/responsabilidade subsidiária): sendo várias pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção de seus recursos. Ex.: alimentos avoengos.Como exceção, há a solidariedade em caso do idoso, em razão do que dispõe o Estatuto do Idoso, em seu art 12. Assim, a obrigação alimentar é divisível e não solidária. Havendo quatro filhos em condições de pensionar o ascendente, não se pode exigir de um só deles o cumprimento da obrigação por inteiro. O ascendente deve acionar todos os filhos. É possível, desta forma, exigir os alimentos, simultaneamente de parentes de classes diferentes, quando verificada a impossibilidade dos mais próximos suportarem totalmente o encargo. Imprescritibilidade: pois envolve estado de pessoas e dignidade humana, porém, se foi fixada em sentença ou em ato voluntário, prescreverá a execução em 2 anos a partir da data de vencimento, conforme regra específica de prescrição prevista no art. 206, § 2º do CC; Inalienabilidade: não pode ser objeto de cessão gratuita ou onerosa, nem de crédito, não podendo, também, alienados de qualquer forma; Incompensáveis: veda-se que os alimentos sejam objetos de compensação; Impenhoráveis: em razão de ser personalíssima e inalienável; Irrepetível: é uma obrigação moral, assim não é passível de repetição. Isso significa dizer que se trata de obrigação satisfativa pela qual não cabe pedir a devolução do 73 que se prestou caso não sejam mais devidas. Assim, a exemplo dos alimentos provisórios, caso, ao final do processo o juiz determine que os alimentos não são mais cabíveis, não podem ser devolvidos, pois, à época, eram legítimos. Contudo, em se tratando de má-fé do credor, evitar-se-á o enriquecimento ilícito, podendo haver a sua devolução; Não admite transação: pois não se trata de um direito patrimonial de caráter privado, não podendo ser objeto de compromisso ou arbitragem; Transmissível: aos herdeiros do devedor, prevalecendo o entendimento de que ocorre nos limites da herança (Enunciado n. 343 do CJF/STJ, da IV Jornada de Direito Civil); Mutabilidade: é a principal característica dos alimentos, pois pode ser alterado a qualquer tempo em razão da alteração fática do binômio necessidade x disponibilidade, fazendo apenas coisa julgada formal. O direito se transforma em obrigação legal diante do binômio necessidade/possibilidade: necessidade de quem pede e possibilidade de quem deverá pagar. Ou seja, quando quem os pretende não tens bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, a própria subsistência e aquele de quem se reclamam pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Há uma relação de proporcionalidade (art. 1.694, §1º, CC). O dever de prestar alimentos é imposto por lei para que se possam garantir as necessidades vitais do alimentado. Trata-se de uma norma de ordem pública, cogente e que não pode ser alterada pela vontade das partes. O direito aos alimentos é um direito personalíssimo; portanto não pode ser cedido a outrem. Além disso, é imprescritível e impenhorável. O credor até pode abrir mão do seu exercício, mas nunca do direito aos alimentos em si. A expressão “alimentos” compreende: alimentação propriamente dita, vestuário, habitação, tratamento médico etc. Se o alimentando for menor, incluem-se as verbas de educação. 74 A obrigação de prestar alimentos abrange, reciprocamente, descendentes, ascendentes e irmãos germanos (bilaterais) ou unilaterais, conforme os arts. 1.694, 1.696 e 1.69717, CC, além do art. 229, CF/88. O direito brasileiro só admite os alimentos atuais e futuros, visto que os referentes ao período anterior à propositura da ação não são devidos. Quanto aos alimentos avoengos (obrigação alimentar dos avós em relação aos netos), esses têm natureza complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de impossibilidade de cumprimento, total ou parcial, pelos pais (Súmula n.º 596 do STJ). A obrigação alimentar entre cônjuges decorre do dever de ambos à mútua assistência, que permanece mesmo após a separação e mesmo que seja em ação judicial litigiosa. Não é fruto da relação de parentesco, mas sim da mútua assistência em decorrência da dissolução da sociedade conjugal. Assim, o ex-cônjuge ou o ex-convivente também pode ser beneficiário de alimentos. Observe o rigor da atual legislação quanto ao tema: o art. 1.704, parágrafo único, CC, estabelece que “Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o Juiz o valor indispensável à sobrevivência”. Assim, os alimentos podem ser supridos: Por meio de pensão ao alimentando (geralmente mensais, mas nada impede que sejam fixados de outra forma); ou 17 Vide Questão 01 75 Por meio de hospedagem e sustento (sem prejuízo ao necessário à educação, se for menor). O dever de prestar alimentos cessa se a pessoa que recebe os alimentos passar a viver maritalmente com outra pessoa (novo casamento, união estável ou concubinato), bem como no caso de procedimento indigno para com o devedor. Os alimentos fixados ou acordados podem ser revistos (exoneração, redução ou majoração) sempre que sobrevier mudança na situação econômica do alimentando ou do alimentante. O não cumprimento da obrigação sujeita o alimentante a sanções civis e penais. 20.3 Classificação dos alimentos 20.3.1 Quanto à fonte Legais: também denominados de familiares, são aqueles que decorrem da disposição legal, relativamente ao casamento, união estável ou das relações de parentesco. Em caso de não pagamento, cabe prisão civil do devedor (art. 5º, LXVII, CF/88) nos moldes do NCPC; Convencionais: decorrem de norma contratual, testamento ou legado; Indenizatórios: são devidos em razão da prática de um ato ilícito que acarretou dano para o credor; 20.3.2 Quanto à extensão Civis (regra): destinados a manter a qualidade de vida do credor, de modo a preservar o mesmo padrão e status social do alimentante. Assim, afirma-se que os alimentos devem, na verdade, ter o condão de manter o padrão de vida (art. 1694, CC); Naturais (exceção): visa a mera subsistência (art. 1694, § 2º c/c art. 1695, CC) e ocorre quando o cônjuge por culpado da própria penúria ou em caso de separação judicial quando houver o binômio legal, não houver nenhum outro parente para prestar e tiver inaptidão para o trabalho; 76 20.3.3 Quanto ao tempo Pretéritos: já prestados, não podendo ser mais pleiteados em razão do princípio da atualidade que rege o instituto dos alimentos Presentes: estabelecido naquele momento e que podem ser pleiteados; Futuros: estão pendentes mas poderão, em momento oportuno, ser pleiteados; 20.3.4 Quanto à forma de pagamento Próprios: também conhecido como in natura, são pagos em espécie através de alimentos, sustento, hospedagem, entre outros. De acordo com a premissa 7, publicada na Edição 65 da ferramenta Jurisprudência em Teses do STJ: “é possível a modificação da forma da prestação alimentar (em espécie ou in natura), desde que demonstrada a razão pela qual a modalidade anterior não mais atende à finalidade da obrigação, ainda que não haja alteração na condição financeira das partes nem pretensão de modificação do valor da pensão; Impróprios: decorrentes da pensão alimentícia, que vai ser determinada de acordo com o caso concreto, pelo juiz, variante entre 10-40% com base no salário do devedor ou então em salários mínimos; 20.3.5 Quanto à finalidade Definitivos: por meio de acordo das partes ou por sentença judicial transitada em julgado. Contudo, conforme visto anteriormente, não formam coisa julgada material, mas sim formal, podendo ser alterado a qualquer tempo, a depender do binômio legal; Provisórios: são aqueles fixados antes da sentença de alimentos, conforme Lei. 5478/68 (Lei de Alimentos). Assim, exigeprova pré-constituída do parentesco 77 (certidão de nascimento) ou casamento e tem natureza de tutela de urgência satisfativa, pois antecipada os efeitos da sentença; Provisionais: decorrem de outras ações que não sejam regidas pela Lei de Alimentos, com objetivo de manutenção do padrão de vida da parte que os pleiteia. Ocorre por meio de tutela antecipada, antecipando os efeitos finais do processo, ou liminar, em caso de medida cautelar de separação de corpos, e, ao contrário da anterior, não precisa ser através de prova pré-constituída; Compensatórios: é a divisão dos frutos e rendimentos dos bens do casal, a título de ressarcimento pela não imissão imediata dos bens da meação a que o cônjuge faz jus, com fim de restabelecer uma igualdade na relação familiar em razão do desequilíbrio no momento da partilha dos bens; Transitórios: de acordo com recente entendimento jurisprudencial do STJ, são os fixados por determinado período de tempo, a favor de ex-cônjuge/companheiro, antes do termo final (até que obtenha autonomia financeira). Sobre o tema, vide premissa 14, edição 65 da ferramenta Jurisprudência em Teses do STJ: “os alimentos devidos entre ex cônjuges devem ter caráter excepcional, transitório e devem ser fixados por prazo determinado, exceto quando um dos cônjuges não possua mais condições de reinserção no mercado do trabalho ou de readquirir sua autonomia financeira” e Informativo 444, STJ. 78 SÚMULA 309, STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo”. Premissa 6, Jurisprudência em Teses do STJ/16: “o atraso de uma só prestação alimentícia, compreendida entre as três últimas atuais devidas, já é hábil a autorizar o pedido de prisão do devedor, nos termos do art. 528, §3º do NCPC”, e, em caso de devedor contumaz, também não há necessidade de completar os três meses de inadimplemento. 20.4 Exoneração Morte do credor: pois, como anteriormente visto, trata-se de obrigação intuito personae; Alteração substancial ou desaparecimento do binômio legal: nesse caso, deve-se ingressar com ação revisional ou exoneração de alimentos a depender do caso; Atingimento da maioridade, se for menor: contudo, não ocorre de forma automática, sendo necessário o ingresso da ação de exoneração de alimentos, pois, acaba o poder familiar mas permanece o dever de mútua assistência. Assim, conforme preceitua a Súmula 358 do STJ “o cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios atos”. Ainda sobre o tema, conforme entendimento consolidado deste 79 mesmo Tribunal, caso seja filho universitário, os alimentos se estendem até o término dos estudos (Informativo n. 484; STJ/11, premissa 4 da Edição 65, Jurisprudência em teses; Enunciado n.344 do CJF/STJ) Dissolução do casamento/união estável: porém, de acordo com o art. 1709, CC, admite-se que haja a fixação de alimentos após o divórcio e, portanto, o novo casamento do cônjuge devedor não extingue a obrigação estabelecida por sentença. Porém, poderá haver alteração do binômio legal, caso em que ensejará ação de alteração de alimentos. No mesmo sentido, caso o devedor obtenha novo casamento, união estável ou concubinato, dar-se-á por encerrada a obrigação, desde que, neste último caso, se demonstre a possibilidade de assistência material pelo concubino (Enunciado n.256, CJF/STJ); Comportamento indigno do credor: conforme o Enunciado n.264, CJF/STJ, aplica-se as mesmas regras do art. 1814, incisos I e II do CC. Em contrapartida, ressalte-se o Enunciado n.345 do CJF/STJ que estabeleceu que pode ensejar exoneração ou mera redução se, nesse último caso, permanecer a necessidade do devedor em receber os alimentos, que serão reduzidos à quantidade indispensável à sobrevivência dele. 20.5 Alimentos Gravídicos É previsto na Lei nº 11.804/08, tratando-se do direito concedido à gestante de buscar alimentos durante a gravidez, tratando-se de subsídios gestacionais. A lei enumerada as despesas que precisam ser atendidas pelo devedor, porém, não se trata de um rol taxativo, devendo ser considerada toda e qualquer despesa com a gravidez ensejadora de alimentos gravídicos. Assim, presume-se a paternidade e determina-se o pagamento dos alimentos em favor da gestante, que pode perdurar até após o nascimento, momento em que a verba se transformará em alimentos em favor do filho. Por fim, o indeferimento de tais alimentos ou em caso de nascimento durante a demanda não leva à extinção do processo, diversamente se ocorrer a interrupção da gravidez. 80 Portanto, são devidos ao nascituro, e, percebidos pela gestante, ao longo da gravidez, abrangendo os valores suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes a alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere pertinentes. De acordo com o art. 1o, o sujeito ativo seria a gestante. Porém, segundo o art. 6o, sobrevindo nascimento com vida, sem impugnação de sua paternidade, os gravídicos se convertem, automaticamente, em pensão alimentícia. A jurisprudência, desta forma, vem admitindo a legitimidade de ambos. São devidos desde a concepção e são irrepetíveis, sendo concedidos com base em meros indícios. Não se exige prova efetiva do parentesco, assim: Fixação com base em meros indícios; Devidos desde a concepção; Irrepetíveis; Conversão automática em pensão alimentícia, se não houver impugnação quando do nascimento; 20.6 Ações de alimentos A ação de alimentos é imprescritível. Na verdade, o que não prescreve é o direito de postular em juízo, o pagamento de pensões alimentícias. Mas as parcelas devidas, o direito de cobrar as pensões já fixadas em sentença ou estabelecidas em acordo e não pagas prescrevem em dois anos (art. 206, §2o, CC). A prescrição dessas parcelas ocorre mensalmente. O devedor de alimentos que não fizer o seu pagamento estará sujeito à chamada prisão civil. Determina a Constituição Federal (art. 5º, inciso LXVII) que “não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia (...)”. Existem diversos ritos para a ação de alimentos, vejamos. 81 20.6.1 Procedimento especial concentrado sumaríssimo (Lei n. 5.478/68) É aquela prevista na Lei de Alimentos, constituída a partir de prova pré-constituída, ademais, outras ações submetidas ao mesmo rito é de oferta de alimentos (art. 24) e revisão (art. 13). Por sua vez, a exoneração de alimentos não se submete a este procedimento, pois trata-se de procedimento comum do CPC. É necessário que haja a petição inicial com seus requisitos, havendo possibilidade de ajuizamento sem advogado, excepcionalmente. Ainda, a o MP possui legitimidade envolvendo criança e adolescente conforme dispõe o ECA, em seu art. 201. Ao despachar a inicial, o juiz fixará os alimentos provisórios mesmo que a parte não tenha requerido. O juiz só deixará de fixar se a parte expressamente disser que deles não necessita. A citação para audiência para conciliação instrução e julgamento é pela via postal. O Ministério Público apresentará parecer, de modo que o STJ vem entendendo que o MP não está obrigado a patrocinar os interesses do incapaz, sendo de atuação livre, podendo interpor recursos contra o incapaz. Será prolatada uma sentença cujos efeitos retroagem à citação, cabendo recurso que será recebido no efeito meramente devolutivo, permitindoa execução imediata desses alimentos. Aqui, forma-se coisa julgada material com cláusula rebus sic stantibus, não sendo, portanto, coisa julgada formal. Súmula 594-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no artigo 98 82 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca.STJ. 2ª Seção. Aprovada em 25/10/2017, DJe 06/11/2017. 20.6.2 Execução de alimentos Trata-se de procedimento especial previsto art. 16 da Lei nº 5.478/68 e CPC. Assim, no cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. Caso o executado, no prazo referido não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento. Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos comuns. O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas. Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde logo, caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. 83 Este procedimento se aplica aos alimentos definitivos ou provisórios. A execução dos alimentos provisórios, bem como a dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada em julgado, se processa em autos apartados. O cumprimento definitivo da obrigação de prestar alimentos será processado nos mesmos autos em que tenha sido proferida a sentença. Verificada a conduta procrastinatória do executado, o juiz deverá, se for o caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática do crime de abandono material. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário- mínimo. Assim, pode ser executado por: Desconto em folha ou em outros rendimentos (apenas para os vincendos); Patrimonial (penhora); Pessoal (prisão civil). Vejam as características da execução de alimentos com prisão: Possibilidade de prisão civil com natureza coercitiva (não punitiva), decorrente de acordo extrajudicial, mesmo que não homologado judicialmente18; Atualidade da dívida19 (prazo de três meses): sendo possível apenas para os alimentos que se vencerem a 3 meses e os que vencerem dentro do processo. Não é cabível prisão civil para alimentos pretéritos; Prazo máximo (60 dias): há entendimento jurisprudencial sobre o prazo máximo de 60 dias, apesar da controvérsia legislativa20 do NCPC prever o prazo de 1 a 3 meses; 18 STJ, RESP 1.117.639/MG 19 STJ, S. 309 20 STJ, RHC 17.541/RJ 84 Não exoneração da dívida alimentícia e possibilidade de repetição da medida prisional21; Prisão especial em casos excepcionais22: não cabe prisão especial, em regra. 21 STJ, HC 39.902/MG 22 STJ, AGRGHC 272.034/SC 85 QUADRO SINÓTICO CASAMENTO, UNIÃO ESTÁVEL E MONOPARENTALIDADE FAMÍLIA NA CF/88 Com a Constituição de 1988 e a superação da perspectiva individualista do Direito Civil, a família deixou de ser um fim em si mesma e passou a ser instrumental, isto é, deve servir ao desenvolvimento da personalidade, felicidade e dignidade de seus membros. Por isso, a família deixou de ser casamentária e passou a ser plural; deixou de ser patriarcal e passou a ser igualitária. A família é baseada no afeto, na ética, dignidade e solidariedade. A família é eudemonista. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Proteção da dignidade da pessoa humana (art.1º, III, CF/88) Solidariedade familiar (art. 3º, I, CF/88) Igualdade: Entre filhos (art. 227, §6º, CF/88 c/c art. 1596, CC); e entre cônjuges e companheiros (art. 226, §5º, CF/88 c/c art. 1511, CC) Não intervenção ou liberdade familiar (art. 1513, CC) Maior interesse da criança/adolescente (art. 227, CF/88 c/c art; 1538 e 1584, CC) Afetividade Função social da família (art. 226, CF/88) Boa-fé objetiva Família plural CONCEITO DE DIREITO DE FAMÍLIA É o complexo de normas de ordem pública que regulam a celebração do casamento, sua validade, seus efeitos, relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, união estável, dissolução, relação entre pais e filhos, vínculo de parentesco, alimentos e os institutos complementares da tutela, curatela e ausência. DIREITO MATRIMONIAL A Constituição Federal de 1988 reconhece expressamente três modelos de entidades familiares: casamento (art. 226, §§1º e 2º), união estável e famílias monoparentais. Esse rol de entidades familiares trazidos pela CF é, segundo a doutrina e a jurisprudência, inclusive do STF e STJ, é meramente exemplificativo, havendo outras espécies, tais quais: família anaparental, família homoafetiva e família mosaico ou pluriparental. CASAMENTO CONCEIT O E TEORIA ADOTAD A É a união legal, o vínculo jurídico, entre homem e mulher que visa o auxílio mútuo, material e espiritual, criando a família legítima. Assim, o casamento é o ato que estabelece entre as partes comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (teoria contratualista). O casamento é celebrado e desfeito com base única e exclusivamente pela vontade das partes. Assim, adota-se a Teoria Mista ou Eclética pela qual o casamento é uma instituição quando ao conteúdo e um contrato especial quanto à formação, com regras e princípios próprios. 86 FINALIDA -DE Instituição da família Satisfação do desejo sexual: Legalização das relações sexuais Procriação (não é essencial), proteção e educação dos filhos. Prestação de auxílio mútuo. Estabelecimento de deveres entre os cônjuges. DIREITOS E DEVERES Fidelidade recíproca. Coabitação (relativa): Mútua assistência (material, moral e espiritual), respeito e consideração Proteção da prole: Igualdade de Direitos e Deveres: Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher (art. 226, 5°, CF). PROIBI- ÇÕES Nenhum dos cônjuges pode, sem autorização (escrita e expressa) dooutro, exceto no regime da separação total de bens: Alienar, hipotecar ou gravar de ônus real os bens imóveis, ou direitos reais sobre imóveis alheios Pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens e direitos. Prestar fiança ou aval: Fazer doação, não sendo remuneratória, de bens ou rendimentos comuns ou dos que possam integrar futura meação. PRINCÍPI OS DO CASAME N-TO Liberdade de escolha: Monogamia: Comunhão plena da vida Solenidade do ato nupcial FORMALI -DADES PARA O CASAME N-TO HABILITA- ÇÃO O primeiro passo é requerer a instauração do processo de habilitação no Cartório de Registro Civil para constatar a existência ou não de impedimentos matrimonias e dar publicidade ao ato. Trata-se de uma atitude preventiva, a fim de se evitar que pessoas impedidas se casem. EDITAL DE PROCLAMAS Os proclamas (edital que comunica ao público em geral a intenção dos noivos de contrair núpcias) são afixados nos Cartórios de ambos os nubentes. Decorridos 15 dias, o oficial entrega aos nubentes uma certidão de que estão habilitados a se casar dentro de 90 dias, sob pena de decadência. Se não houver casamento neste prazo, deve- se renovar todo o processo de habilitação. Em casos 87 excepcionais pode haver dispensa da publicação (art. 1.527, parágrafo único, CC). CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO A celebração do casamento ocorrerá no dia, hora e lugar previamente designados pelo Juiz de paz, mediante petição dos contraentes, que se mostrem habilitados com a certidão de habilitação. APERFEIÇOA- MENTO O momento de aperfeiçoamento do casamento se dará no momento em que os cônjuges manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados. O registro do ato está no plano da eficácia do casamento IDADE NÚBIL Tanto o homem como a mulher atingem a idade núbil aos 16 anos. Todavia os menores púberes (maiores de 16 e menores de 18 anos), para casar, devem ser autorizados por seus pais ou representantes legais. Com a alteração da redação do art. 1.520 do CC, “não será permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil”. IMPEDI- MENTOS E CAUSAS SUSPENSI -VAS IMPEDIMENTOS DIRIMENTES ABSOLUTOS (OU PÚBLICOS) Trata-se de rol taxativo que impossibilita a realização de casamento, acarretando, em caso de sua ocorrência, a NULIDADE do matrimônio. Ainda, são questões de interesse público e, em razão disso, podem ser arguidos por qualquer pessoa interessada ou pelo Ministério Público, sendo uma ação imprescritível. No caso dos impedimentos, eles podem ser opostos, até o momento da celebração do casamento, por qualquer pessoa capaz. São causas impeditivas: Os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; Os afins em linha reta; O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; Os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; O adotado com o filho do adotante; 88 as pessoas casadas; O cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. CAUSAS SUSPENSIVAS OU IMPEDIMENTOS IMPEDIENTES São situações em que, apesar de a lei apenas recomenda a não realização do casamento, porém, se assim o fizer, acarretará mero ônus legal: adoção do regime legal obrigatório, o Regime de Separação Legal/Obrigatória (art. 1641, I, CC). Os legitimados para arguir a existência de causas suspensivas são apenas os parentes em linha reta de um dos cônjuges, consanguíneos ou afins, e colaterais em segundo grau, consanguíneos ou afins. O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário. A viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal. O divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens. O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. As causas suspensivas só podem ser arguidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes e pelos colaterais em segundo grau ESPÉCIES DE CASAME N-TO MOLÉSTIA GRAVE (ART. 1539, CC) O casamento será celebrado onde se encontrar a pessoa impedida perante duas testemunhas. Assim, um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. NUNCUPA- TIVO (ART. 1540, CC) Também denominado de em viva voz, in extremis vitae momentis ou in articulo mortis (do latim nuncupare = “dizer de viva voz”), trata-se de situação em que um dos nubentes se encontra em iminente risco de vida ou à beira da morte (art. 1.540, CC), não havendo, portanto, tempo para a celebração do casamento conforme as solenidades, não estando presente a autoridade 89 competente para presidir o ato. Dispensam-se as formalidades legais para o ato (processo de habilitação, proclamas e até mesmo a presença da autoridade competente, pois os contraentes não a localizaram). Basta que os contraentes manifestem o propósito de se casar e, de viva voz, recebam um ao outro. É necessária a presença de seis testemunhas sem parentesco (na linha reta e colateral até 2° grau) e posterior habilitação e homologação judicial. POR PROCURA- ÇÃO (ART. 1542, CC) Deve ser realizada por instrumento público com poderes especiais, possuindo, a procuração, eficácia de 90 dias, sendo revogável até o momento da celebração. Embora seja imprescindível a presença real e simultânea dos contraentes, o Código Civil permite o casamento por procuração, desde que um dos nubentes não possa estar presente. A procuração deve ser por instrumento público, com poderes especiais para contrair casamento, mencionando o regime de bens. Se ambos não puderem comparecer, deverão nomear procuradores diversos DIPLOMÁTI- CO OU CONSULAR (ART. 7º, §2º, LINDB) O casamento dos estrangeiros poderá ser celebrado perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. RELIGIOSO COM EFEITOS CIVIS (ART. 1515 E 1516, CC) Se precedido de processo de habilitação, deve ser registrado em 90 dias, após esse prazo, necessitará de nova habilitação. Em contrapartida, se não foi precedido de habilitação, terá efeitos civis apenas se for registrado no registro civil a requerimento do casal por meio de prévia habilitação à autoridade competente, respeitando- se, também, o prazo de 90 dias (efeito ex tunc), PROVA E EFEITOS DO CASAME N-TO PROVA DO CASAMENTO (ART. 1543 A 1547, CC) DIRETA No Brasil: certidão do registro; Exterior: registro em 180 dias no cartório do respectivo domicílio ou no 1º ofício da capital do Estado que forem residir; COMPLEMEN TARES/SUPLE -TÓRIOS Quando ocorrer a falta ou perda do registro civil, sendo admissível qualquer outro tipo de prova; 90 INDIRETA Posse do estado de casado, demonstrando a efetiva situação de casados no mundo dos fatos. Nesse sentido, aplica-se sempre o princípio in dubio pro matrimonio; EFEITOS DO CASAMENTO PESSOAIS É a comunhão plena de vida, adotar o sobrenome do outro, planejamento familiar e os deveres matrimoniais previstos no art. 1566, CC; PATRIMO- NIAIS São os direitos patrimoniais dosnubentes que se consubstanciam no regime de bens deles. Sobre esse tema, trataremos especificamente no tópico específico UNIÃO ESTÁVEL ELEMENT OS Dualidade de pessoas Publicidade Durabilidade Continuidade Constituição de família Não haver impedimentos matrimoniais: exceto quanto aos separados (judicialmente ou de fato). MEAÇÃO Se não houver pacto entre os conviventes o regime da comunhão parcial prevalecerá e o convivente terá direito à metade dos bens por ocasião da dissolução da união estável (separação ou morte) se adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Não se comunicam os bens advindos de herança, legado ou doação. SUCESSÃ O O companheiro supérstite, além da meação participará da sucessão do outro, nas mesmas condições que o cônjuge sobrevivente. DEVERES Em relação ao companheiro, lealdade, respeito e assistência. Em relação aos filhos: guarda, sustento e educação. SEPARA- ÇÃO DE CORPOS Esta medida cautelar é manejável tanto na hipótese do casamento como na de união estável (nesta hipótese, antes de se promover a ação de reconhecimento e extinção da própria união estável - art. 1.562, CC), porque nos dois casos há conflitos de interesses que merecem tutela jurídica. CONVER- SÃO EM CASAME N-TO Determina o art. 1.726, CC que a união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido dos conviventes ao Juiz e assento no Registro Civil (a conversão de união estável em casamento pode se operar pela via judicial ou extrajudicial, à escolha do casal – STJ REsp 1.685.937-RJ, Info 609). 91 NOME DO COMPA- NHEIRO A lei permite que se utilize o patronímico do companheiro, se houver a concordância deste, vida em comum por mais de cinco anos ou filho da união. Não podem ser casados em núpcias anteriores. PREVIDÊ N-CIA SOCIAL Havendo união estável, os conviventes são beneficiários do segurado. Também têm direito à pensão deixada pelo servidor civil ou militar. Permite-se o abatimento no Imposto de Renda como encargo de família (dependente). RESPONS A- BILIDADE CIVIL Assim como o cônjuge, a companheira ou companheiro pode pleitear indenização por morte do companheiro motivada por ato ilícito. MONOPARENTALIDADE São as famílias formadas por um só dos pais e sua prole (descendentes). Também chamadas de famílias unilineares. DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO E UNIÃO ESTÁVEL MORTE A morte pode ser real ou presumida com ou sem decretação de ausência. DIVÓRCIO Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial, põe fim aos deveres conjugais, extingue o regime de bens, acarretando sua partilha, faz cessar o direito sucessório, não admite reconciliação (devendo casar novamente, se for o caso), novo casamento dos divorciados e mantém inalterados os direitos e deveres dos pais em relação aos seus filhos (guarda), possibilidade de alimentos, possibilidade de manter o nome de casado ou não, inexistindo qualquer necessidade de comprovação de culpa. ESPÉCIES Pode ser obtido em cartório (procedimento administrativo) ou em juízo (procedimento de jurisdição voluntária); 92 DIVÓRCIO CONSENSUAL (AMIGÁVEL) DIVÓRCIO CONSENSUAL JUDICIAL No divórcio consensual judicial exige um requisito objetivo: consenso, vontade das partes, independentemente da existência de filhos menores incapazes. Havendo a possibilidade de existência de incapazes e cláusulas obrigatórias da petição inicial: As disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; As disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; O acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e O valor da contribuição para criar e educar os filhos. DIVÓRCIO CONSENSUAL ADMINISTRA- TIVO Por sua vez, a Lei nº 11.441/07 concebeu a possibilidade de divórcio consensual em cartório, através de um procedimento administrativo, sendo decretado por meio de escritura pública e não por sentença. Essa escritura pública independe de intervenção do MP e homologação judicial. O próprio tabelião lavrará a escritura pública quando presentes os requisitos do art. 1.124-A. O uso da via cartorária é facultativo e não obrigatório, porém não pode haver interesse de incapaz. O casal sempre pode optar pelo uso da via judicial. Havendo interesse de incapaz o uso da via judicial é obrigatório. DIVÓRCIO LITIGIOSO Sempre será em juízo e, no CPC/73 tratava-se de um procedimento comum ordinário, contudo, atualmente, trata-se de um procedimento especial previsto nos artigos 693 a 699 do CPC/15. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e conciliação, observado o disposto no art. 694. O mandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo. Assim, é possível a cumulação de pedidos (guarda; alimentos, visitas de filhos, indenização; partilha de bens, etc.). Assim, o juiz julga o pedido de divórcio, de imediato, e o processo continua para decidir os demais pedidos. O divórcio é direito potestativo, não pode ser contestado. SEPARAÇÃO JUDICIAL A separação apenas desconstitui o casamento, mas não dissolve. Assim, a separação seria causa terminativa, não dissolutiva. A maioria da doutrina entende que com o advento da EC 66 não mais existe separação. Assim, é majoritário que a separação judicial não dissolve o casamento, apenas põe fim a 93 determinados deveres, contudo, em entendimento contrário a doutrina, a jurisprudência do STJ23 entende que a EC 66/2010 não revogou, expressa ou tacitamente, a legislação ordinária que trata da separação judicial. SEPARAÇÃO DE FATO A separação de fato acarreta uma ruptura da convivência entre os consortes, havendo bastante relevância para o sistema jurídico brasileiro, acarretando a cessação da base afetiva da relação. Apesar de não constar no CC como causa terminativa nem como causa dissolutiva, não afetando o casamento a princípio, o STJ equipara a separação de fato à separação judicial, de modo a por fim aos deveres conjugais. Assim, os efeitos da separação de fato são: Possibilidade de caracterização de união estável por conta da cessação dos deveres de fidelidade e coabitação; Cessação do regime de bens Cessação do direito à herança; Sub-rogação locatícia (Lei n.8.245/91, art. 12); Permissão para a contagem do prazo para o usucapião conjugal (CC, art. 1.240-A). INVALIDADE DO CASAMENTO INEXISTENTE São os casamentos que não deveriam ter acontecidos. A doutrina traz duas hipóteses: ausência de vontade e celebrado por autoridade totalmente incompetente. NULO Após o advento do Estatuto da Deficiência, o único caso em que implicará a nulidade, de acordo com a lei, será com o infringência das regras de impedimento. A decretação de nulidade de casamento, pelos motivos previstos no artigo antecedente, pode ser promovida mediante ação direta, por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público. ANULÁVEL São hipóteses taxativas em que acarretará a nulidade relativa do casamento, dependendo da arguição dentro dos prazos decadenciais legais. São elas: Quem não completou a idade mínima para casar: A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador. Assim, como já explicado anteriormente, não há qualquer nulidade nesses casos. O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de completá-la, confirmar seu casamento, com a autorização de seus representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial. Menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal: O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. 23 STJ. 3ª Turma. REsp 1.431.370-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/8/2017 (Info 610). STJ. 4ª Turma. REsp 1.247.098-MS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2017 (Info 604). 94 Por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558: O casamento pode ser anulado por vício da vontade, se houve por parte de um dos nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro. É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares. Incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; Realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges; Por incompetência da autoridade celebrante: Subsiste o casamento celebrado por aquele que, sem possuir a competência exigida na lei, exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado o ato no Registro Civil. CASAMENTO PUTATIVO (ART. 1561, CC) Embora nulo/anulável, foi contraído de boa-fé por ambos os cônjuges ou só um deles, reconhecendo-lhes efeitos legais. Porém, ainda que de má-fé, se por apenas um dos cônjuges, o de boa-fé e os filhos estarão sujeitos aos efeitos legais, e, inclusive, se ambos estiverem de má-fé, os efeitos recairão apenas nos filhos. REGIME DE BENS CONCEITO Trata-se do estatuto patrimonial dos cônjuges, aplicável a outras entidades familiares, a exemplo da união estável. É regido pela autonomia privada, pela indivisibilidade (regime único para ambos), pela variedade de regimes e mutabilidade justificada (é possível a alteração de regime de bens, desde que por meio judicial, de forma motivada por ambos os cônjuges, ressalvado direito de terceiros). PRINCÍPIOS VARIEDADE DE REGIME DE BENS A lei oferece quatro espécies de regimes: comunhão universal, comunhão parcial, separação e participação final dos aquestos. PRINCÍPIO DA LIVRE ESTIPULAÇÃO OU LIBERDADE DOS PACTOS ANTENUPCIAIS Pacto antenupcial é um contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual os nubentes escolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. Os nubentes podem estipular cláusulas, atinentes às relações econômicas, desde que respeitados os princípios da ordem pública; devem ser feitos por escritura pública (sob pena de nulidade) e seguido do casamento (sob pena de ineficácia). PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE É o princípio que proíbe a celebração de casamento com regimes distintos para cada um dos cônjuges, visto que o o regime é uno. Contudo, isso não impede disposições especiais no pacto antenupcial de doação de bens de um cônjuge ao outro. O princípio da indivisibilidade é excepcionado na hipótese de casamento nulo ou anulável em que apenas um dos cônjuges agiu de boa-fé. 95 PRINCÍPIO DA MUTABILIDADE JUSTIFICADA Atualmente a lei permite a mutabilidade do regime adotado, desde que haja uma autorização judicial, atendendo a pedido motivado de ambos os cônjuges, após apuração de procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros (art. 1639, §2º, CC). Requisitos para alteração do regime Ação judicial: a alteração só é possível mediante ação de alteração do regime de bens, assim, em regra, esta ação deve ser distribuída na Vara de Família, ou na sua ausência, deve ser distribuída na Vara Cível. Absoluto consenso entre os cônjuges; Justo motivo: o pedido de alteração do regime de bens deverá ser motivado e o juiz analisará a procedência das razões invocadas. Ressalva de direitos de terceiros; PACTO ANTENUPCIAL É um negócio jurídico pessoal, solene (escritura pública), nominado e típico, que regulamenta as questões patrimoniais do matrimonio. Assim, deve existir sempre que os nubentes adotarem regime de bens diversos do regime legal e desde que não seja o obrigatório, visto que, nesse caso, não se leva em consideração a vontade deles. A sua nulidade de alguma cláusula não atinge o todo o pacto, em razão princípio da conservação dos negócios jurídicos. ESPÉCIES REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL Trata-se do regime legal aplicado sempre que os cônjuges não escolherem outro por meio do pacto antenupcial, assim, é o que vigora no silêncio das partes ou nulidade do pacto antenupcial. Nesse regime, regra geral, comunicam-se todos os bens (bens comuns) havidos durante o casamento, exceto se forem incomunicáveis. Assim, forma-se duas massas patrimoniais: bens comuns e bens particulares. Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam. Ficam excluídos da comunhão de bens que cada cônjuge possuía antes de casar, bem como os que vierem depois, por doação ou sucessão (e os sub- rogados em seu lugar). Por outro lado, cada consorte responde pelos próprios débitos anteriores ao casamento. REGIME DA COMUNHÃO UNIVERSAL Nesse regime, comunicam-se todos os bens do casal, independentemente da aquisição anterior à celebração do casamento. Assim, forma-se uma única massa patrimonial. Contudo, apesar de tal regra geral, o Código Civil elencou hipóteses em que tal comunicabilidade não é absoluta, havendo bens que não se comunicam. 96 REGIME DA PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS Trata-se de regime inspirado em ordenamento jurídico de outros países e bastante complexo, que possibilita a formação de até 5 massas patrimoniais, em dois momentos distintos do regime: na constância do casamento e na sua dissolução, cada um possuindo seu regramento específico. Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos cônjuges na constância do casamento. Há dois patrimônios: Inicial: conjunto de bens que cada cônjuge possuía antes de se casar e os que foram por ele adquiridos, a qualquer título, durante o casamento. Final: com a dissolução da sociedade conjugal apura-se o montante dos aquestos, excluindo-se da soma o patrimônio próprio REGIME DA SEPARAÇÃO DE BENS O regime de separação de bens pode ser tanto convencional quanto legal. No primeiro caso, os nubentes escolhem por adotar tal regime e, no segundo caso, é obrigatório por determinação legal. Nesse regime, só há bens particulares, pois não ocorre comunicabilidade dos bens. O regime de separação de bens pode ser dividido em: Convencional: nubentes adotam, por convenção antenupcial; podem estipular a comunicabilidade de alguns bens, normas sobre a administração, colaboração da mulher, etc.; É o único regime em que existe verdadeira separação absoluta de bens. Neste caso não se aplica a Súmula 377, STF. Legal ou Obrigatório: a lei impõe, por razões de ordem pública ou como sanção, não havendo comunhão de aquestos (art. 1.641, CC), nem necessidade de pacto (ex.: pessoa maior de 70 anos – redação dada pela Lei no 12.344/10) ou que contraiu casamento com inobservância das causas de suspensão, ou dependerem de suprimento judicial para casar). PARENTESCO CONCEITO Conforme preceitua Tartuce, trata-se de “relação jurídica existente entre ascendentes e descendentes de primeiro grau, ou seja, entre pais e filhos”. Ademais, como já tratamos anteriormente, rege-se pelo Princípio da igualdade de filiação. Não há hierarquia entre esses vínculos e a jurisprudência tem reconhecido a possibilidade demultiparentalidade. 97 ESPÉCIES NATURAL OU CONSANGUÍ- NEO Pessoas ligadas por um mesmo tronco ancestral. Possuem um vínculo biológico ou de sangue, originados de um mesmo tronco comum. AFINIDADE É o que se estabelece entre cada cônjuge e os parentes do outro (CC, 1.595), na linha reta ou colateral. Assim, é o resultante do casamento ou união estável, gerando a relação entre um cônjuge/companheiro e os parentes do outro, comportando a linha reta (infinita e permanente) e a colateral, que se extingue com o término do casamento CIVIL É aquele resultante de outra origem que não seja as anteriores, sendo, normalmente, decorrente do processo de adoção. Atualmente, em razão da evolução tecnológica, a jurisprudência vem admitindo mais duas espécies desse tipo de parentesco: reprodução heteróloga (material genético de terceiro) e a socioafetiva. FILIAÇÃO BIOLÓGICO É a genética ou por consanguinidade Reprodução humana natural: Reprodução humana assistida: Concepção homóloga: manipulação de gametas masculinos e femininos do próprio casal, sem necessidade de autorização pelos genitores, exceto se falecidos; Concepção heteróloga: doação de sêmen de um terceiro, desde que tenha concordância do cônjuge, de modo que o doador é anônimo e se afasta da paternidade. Assim, gera uma presunção iure et de iure de filiação. SOCIOAFETIVO (CRITÉRIO NÃO BIOLÓGICO) Corresponde à verdade aparente decorre do próprio direito de filiação; POSSE DO ESTADO DE FILIAÇÃO A aparência faz com que todos acreditem na existência de uma filiação, assim, independe do critério biológico ADOÇÃO É uma relação de parentesco civil que decorre da socioafetividade visto que, por ser um ato jurídico em sentido estrito, se constitui como um parentesco eletivo mediante um ato de vontade. Sobre a adoção, em razão de sua importância, vamos tratar detalhadamente em tópico próprio; 98 PRESUNÇÕES JURÍDICAS Têm por finalidade de atribuir a paternidade ou maternidade a alguém em razão de alguns indícios determinados pela lei; Concebidos na constância do casamento (art. 1597, CC): cabem prova em contrário (regra: juris tantum) 180 dias após o início da convivência; 300 dias após a dissolução da sociedade conjugal Fecundação artificial homóloga (RHA); Embriões excedentários decorrentes de RHA; Inseminação artificial heteróloga – presunção iure et de iure Impotência para gerar (art. 1599, CC): à época da concepção, afasta a presunção de paternidade; Presunção de paternidade e adultério da mulher (art. 1600, CC): a quebra do dever de fidelidade não é suficiente para impedir o vínculo de paternidade; Imprescritibilidade da ação negatória de paternidade (pater es est) pelo marido (art. 1601, CC): Mater in jure semper certa est (art. 1608, CC): a mãe registral tem legitimidade para impugnar a maternidade desde que comprovado a falsidade da declaração registral; RECONHECIME NTO DE FILHOS O filho havido fora do casamento (filiação extramatrimonial) poderá ser reconhecido pelos pais, antes do nascimento ou post mortem, de forma conjunta ou separada, inexistindo a expressão filho ilegítimo/legítimo. Ademais, é irrevogável, podendo ser realizado por: Registro de nascimento; Escritura pública ou particular; Testamento, legado ou codicilo, ainda que incidentalmente; Manifestação direta e expressa em processo judicial PLURIPAREN- TALIDADE É possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de nascimento na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme prática conhecida como “adoção à brasileira”. O reconhecimento da paternidade socioafetiva não exime o pai biológico da obrigação decorrente dos alimentos. ADOÇÃO Trata-se de forma tradicional de parentesco civil cujos regramentos estão dispostos no ECA, que se constitui como um ato jurídico em sentido estrito, de natureza complexa, dependendo de homologação judicial, independentemente se for adoção de menores ou de maiores. Ademais, trata-se de medida excepcional, irrevogável e definitiva, pois se deve adotar apenas quando estiverem esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural (comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes) ou extensa (se estende para além da unidade pais e filhos/casal, formada por parentes 99 próximos com os quais a criança ou adolescente conviva e mantém vínculos de afinidade e afetividade). TIPOS DE ADOÇÃO UNILATERAL Feita pelo cônjuge ou companheiro com relação ao filho de seu par. (padrasto/madrasta); CONJUNTA Realizada por duas pessoas, casadas civilmente ou que mantenham união estável, comprovando a estabilidade familiar DIVORCIADOS É excepcional, desde que o processo de adoção já tenha sido instaurado antes do divórcio, assim, o adotado já se encontrava integrado à convivência familiar. PÓSTUMA Por ser concebida desde que o adotante venha a falecer no curso do processo de adoção, desde que tenha manifestado inequívoca vontade, assim, o efeito da sentença retroagirá à data do óbito, excepcionalmente, já que a regra é que a sentença produza efeitos a partir do seu trânsito em julgado (ex nunc). ADOÇÃO À BRASILEIRA Trata-se da situação em que uma pessoa registra filho alheio como próprio. Não é uma modalidade legítima de adoção, pelo contrário, configura o crime do at. 242 do Código Penal. AÇÃO INVESTIGATÓ- RIA DE PATERNIDADE /MATERNIDA- DE A ação investigatória de paternidade ou maternidade é uma forma de reconhecimento judicial de filhos, cujo procedimento, de acordo com o NCPC é comum. Visa-se, mediante tal processo, a comprovação da verdade real ou biológica da parentalidade. Possui natureza declaratória e envolve o estado de pessoas e a dignidade humana, assim, é imprescritível (art. 27, ECA c/c Súmula 149, STF). Quanto à legitimidade ativa para a ação, ela é personalíssima do filho, em regra, porém, se ele for menor de idade, poderá haver o instituto da representação, se menor de 16 anos, ou, assistência, se possuir entre 16 e 18 anos. Ademais, o Ministério Público possui legitimidade extraordinária e pode atuar como substituto processual. Quanto à legitimidade passiva, em regra, será contra o suposto pai/mãe. PROVA DA FILIAÇÃO Ocorre através do registro de nascimento, que, em regra, não cabe quebra, exceto quando o registro tiver sido realizado por meio de erro ou falsidade. Contudo, não poderá afastar a parentalidade socioafetiva, incluindo-se, inclusive, o pai biológico no registro de nascimento, para todos os fins jurídicos, em virtude da possibilidade da multiparentalidade. 100 PODER FAMILIAR CONCEITO é o conjunto de direitos e deveres instituído para a proteção do filho menor não emancipado. Trata-se de um múnus público, ou seja, um encargo, um dever. São um poder-dever irrenunciável, intransferível (delegável para terceiros), inalienável, imprescritível de obrigações personalíssimas. Ademais, é exercido em igualdade de condições pelo pai ou pela mãe. CARACTERÍSTICAS Sujeitos (art. 1630, CC): se submetem ao poder familiar todos filhos menores e incapazes (0-18 anos); Exercício (art. 1634, CC), extinção (art. 1635, CC), suspensão (art. 1636, CC) e destituição (art. 1638, CC); Efeitos patrimoniais (arts. 1689 a 1693, CC); DIREITOS E DEVERES O art. 1.634, CC enumera os direitos e deveres: Dirigir-lhes a criação e educação; Tê-los em sua companhia e guarda; Conceder-lhes, ou negar-lhes consentimento para casarem; Nomear-lhes tutor, por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais lhe não sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercitar o poder familiar; Representá-los, até aos 16 (dezesseis) anos, nosatos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; Reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; Exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição. ADMINISTRAÇÃO Trata-se de efeito patrimonial do poder familiar, determinando o CC que cabem aos pais o uso e administração dos bens do menor, sendo desnecessária a prestação de contas. Os pais, em igualdade de condições, são os administradores legais dos bens dos filhos. Para alienar ou gravar de ônus reais os bens imóveis dos filhos (ex: hipotecar) precisam obter autorização judicial, mediante a demonstração da necessidade. Deve sempre se levar em conta os interesses dos menores. Se a venda se efetivar sem a autorização judicial, padecerá de nulidade. VEDAÇÃO (ART. 1691, CC) Os pais não poderão alienar ou gravar ônus os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo se interesse da prole através de autorização judicial. EXCLUSÃO (ART. 1693, CC) Os bens adquiridos pelos filhos extramatrimoniais antes do reconhecimento, valores aferidos pelos filhos maiores de 16 anos, no exercício da atividade profissional e bens deles decorrentes, os bens que foram deixados ou doados ao filho, sob a condição de não serem usufruídos ou administrados pelos pais e os bens que cabem aos filhos por herança, quando os pais tiverem sido excluídos (atos de indignação ou deserdação) da sucessão. 101 USUFRUTO Enquanto estiverem no exercício do poder familiar cabe aos pais a administração dos bens dos filhos menores, bem como o direito ao usufruto e as rendas desses bens. Trata- se do chamado usufruto legal. No entanto, caso ocorra alguma divergência na administração, caberá ao Juiz resolver a situação. EXTINÇÃO, SUSPENSÃO E PERDA DO PODER FAMILIAR EXTINÇÃO O art. 1.635, CC menciona as causas de extinção do poder familiar: Morte dos pais ou do filho; Emancipação; Maioridade; Adoção; Decisão judicial. SUSPENÇÃO A suspenção ocorre quando os pais são afastados temporariamente do exercício, podendo posteriormente retomá-lo: Se o pai, ou mãe, abusar da sua autoridade, faltando aos seus deveres ou arruinando os bens dos filhos; Se o pai ou a mãe forem condenados por sentença irrecorrível, em crime cuja pena exceda a dois anos de prisão. PERDA OU DESTITUI- ÇÃO Já o art. 1.638, CC menciona as causas de perda ou destituição do poder familiar, por ato judicial, do pai, ou da mãe, por infrações graves: Castigar imoderadamente o filho; Deixá-lo em abandono; Praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; Incidir reiteradamente nas faltas previstas no artigo 1.367 do CC; Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. Praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; Praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão. A perda é definitiva, embora em alguns casos seja possível o restabelecimento, se for provada a regeneração do genitor ou desaparecida a causa da perda. 102 GUARDA Trata-se de direito-dever dos pais de terem consigo seus filhos a fim de garantir-lhes pleno desenvolvimento. Ela poderá ser deferida a ambos, a um deles ou a alguém que os substituam, verificando, sempre, o melhor interesse do menor. ESPÉCIES DE GUARDA UNILATERAL Apenas um dos genitores exerce a guarda, enquanto que ao outro, permanece o direito de visita, a ser acordado por meio do processo judicial, sem perder o poder familiar em razão disso; ALTERNADA O tempo de convivência do filho é divido entre os pais, passando a viver alternadamente, de acordo com o que for ajustado, residindo juntamente com um e com o outro (residências alternadas). Nesse caso, a melhor doutrina afirma que deve ser excepcional, pois não preenche os requisitos essenciais da guarda compartilhada, que deve ser fomentada; COMPARTI- LHADA É a guarda conjunta por meio da convivência simultânea, corresponsabilidade do exercício do poder familiar e com definição da residência preferencial do filho, sendo a regra no ordenamento jurídico. Nesse caso, ocorre a participação plena no processo de desenvolvimento dos filhos, visando minorar os efeitos do divórcio. Assim, deve ser preferencial às demais, mesmo que não tiver acordo entre os pais sobre isso, exceto em alguns casos legais. DE FATO Consolidada pela convivência e cuidado do responsável para com o menor. DIREITO ASSISTENCIAL DE FAMÍLIA Visa-se, através dos institutos da tutela e curatela, a defesa dos interesses dos incapazes, possibilitando a realização de atos civis em seu nome. A tutela objetiva resguardar interesses de menores não emancipados, não sujeitos ao poder familiar e a curatela, por sua vez, dá assistência nos interesses de maiores incapazes, interditados. Ambos possuem dever de prestação de contas, ao contrário do que ocorre com os pais no uso e administração dos bens do filho. TUTELA (ARTS. 1728 A 1766 DO CC) A tutela pode ser realizada através da representação ou da assistência, desde que não estejam submetidos ao poder familiar, premissa principal desse instituto. Ela pode ser: Testamentária: por testamento ou codicilo; Legítima: na falta de tutor nomeado pelos pais; ou Dativa: na falta das anteriores, aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto ou aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor, por meio de nomeação do juiz. 103 INCAPAZES DE EXERCER A TUTELA (ART. 1.735), Não podendo ser tutores e sendo exonerados da tutela, caso a exerçam: Aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; Aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídos em obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra este, e aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; Os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes expressamente excluídos da tutela; Os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a família ou os costumes, tenham ou não cumprido pena; As pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas de abuso em tutorias anteriores; Aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa administração da tutela. ESCUSAR-SE DA TUTELA (ART. 1.736 E 1737) Mulheres casadas; Maiores de sessenta anos; Aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; Os impossibilitados por enfermidade; Aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela; Aqueles que já exercerem tutela ou curatela; Militares em serviço; Quem não for parente do menor não poderá ser obrigado a aceitar a tutela, se houver no lugar parente idôneo, consanguíneo ou afim, em condições de exercê-la. CESSAÇÃO E EXTINÇÃO Cessa a condição de tutelado (art. 1.763): Com a maioridade ou a emancipaçãodo menor; Ao cair o menor sob o poder familiar, no caso de reconhecimento ou adoção. Cessam as funções do tutor (art. 1.764): Ao expirar o termo, em que era obrigado a servir; Ao sobrevir escusa legítima; Ao ser removido. O tutor é obrigado a servir por espaço de dois anos, podendo continuar no exercício da tutela, além do prazo previsto neste artigo, se o quiser e o juiz julgar conveniente ao menor. 104 Será destituído o tutor, de acordo com o art. 1.766, quando negligente, prevaricador ou incurso em incapacidade. CURATELA (ARTS. 1767 A 1783 DO CC) Com o advento do Estado da Pessoa com Deficiência, não existe mais absolutamente incapazes maiores, assim, esse instituto incide apenas em relação aos maiores relativamente incapazes, sendo esse rol taxativo (art. 1767, CC): Ébrios habituais; Viciados em tóxicos; As pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir vontade; Os pródigos: a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não sejam de mera administração. (atos patrimoniais) A incapacidade não se presume, portanto, deve ser declarada judicialmente e assim, o curador, em ordem de preferência, serão o cônjuge/companheiro, pai/mãe, descendente mais apto ou, então, curador dativo. TOMADA DE DECISÃO APOIADA (ART. 1783-A DO CC) Ao alterar os artigos 3º e 4º, do Código Civil, foi conferida plena capacidade aos portadores de deficiência, para o desenvolvimento de todos os atos da vida civil. Assim, a deficiência não afeta a plena capacidade civil, tendo o indivíduo direito de casar, exercer os direitos sexuais e reprodutivos, ter filhos e conservar sua fertilidade, usufruir do convício familiar, bem como exercer guarda, tutela, curatela e adoção. Como medida de proteção e preservação dos direitos, foi criado o instituto da tomada de decisão apoiada (artigo 1.783 – A CC), que consiste em ato unilateral de vontade da pessoa com deficiência que nomeia, ao menos, duas outras pessoas idôneas para apoiá- lo nas decisões sobre a vida civil. ALIMENTOS CONCEITO São prestações devidas pelo alimentante para a satisfação das necessidades pessoais daquele alimentado, que não pode provê-las por meio do trabalho próprio, em razão do dever de mútua assistência, que existe durante a convivência e persiste mesmo com a sua dissolução. PRESSUPOSTOS Vínculo de parentesco, casamento/união estável; Necessidade do alimentando; Possibilidade do alimentante; PERSONALÍSSIMO Em razão do caráter intuito personae, não se transmitindo aos herdeiros do credor; 105 CARACTERÍSTICAS RECIPROCIDADE Entre cônjuges e companheiros, pais e filhos, estendendo-se a todos os ascendentes. Nesse sentido, há uma ordem sucessória: ascendente do grau mais próximo que exclui o mais remoto, os descendentes nesse mesmo sentido e os irmãos, com preferência aos bilaterais e, depois, unilaterais; IRRENUNCIABILI- DADE Veda-se a renúncia de alimentos, porém, a doutrina e jurisprudência majoritárias entendem possível a renunciá-los em caso de separação/divórcio OBRIGAÇÃO DIVISÍVEL (COMPLEMENTA- RIEDADE/RESPON- SABILIDADE SUBSIDIÁRIA) Sendo várias pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção de seus recursos. Ex.: alimentos avoengos. Como exceção, há a solidariedade em caso do idoso, em razão do que dispõe o Estatuto do Idoso, em seu art 12. IMPRESCRITIBILI- DADE Pois envolve estado de pessoas e dignidade humana, porém, se foi fixada em sentença ou em ato voluntário, prescreverá a execução em 2 anos a partir da data de vencimento, conforme regra específica de prescrição prevista no art. 206, § 2º do CC; INALIENABILIDA- DE Não pode ser objeto de cessão gratuita ou onerosa, nem de crédito, não podendo, também, alienados de qualquer forma; INCOMPENSÁVEIS Veda-se que os alimentos sejam objetos de compensação; IMPENHORÁVEIS Em razão de ser personalíssima e inalienável; IRREPETÍVEL É uma obrigação moral, assim não é passível de repetição. Isso significa dizer que se trata de obrigação satisfativa pela qual não cabe pedir a devolução que se prestou caso não sejam mais devidas. Assim, a exemplo dos alimentos provisórios, caso, ao final do processo o juiz determine que os alimentos não são mais cabíveis, não podem ser devolvidos, pois, à época, eram legítimos. Contudo, em se tratando de má-fé do credor, evitar-se-á o enriquecimento ilícito, podendo haver a sua devolução; NÃO ADMITE TRANSAÇÃO Pois não se trata de um direito patrimonial de caráter privado, não podendo ser objeto de compromisso ou arbitragem; TRANSMISSÍVEL Aos herdeiros do devedor, prevalecendo o entendimento de que ocorre nos limites da herança (Enunciado n. 343 do CJF/STJ, da IV Jornada de Direito Civil) É a principal característica dos alimentos, pois pode ser alterado a qualquer tempo em razão da alteração fática do binômio necessidade x disponibilidade, fazendo apenas coisa julgada formal. O direito se transforma em obrigação legal diante do 106 MUTABILIDADE binômio necessidade/possibilidade: necessidade de quem pede e possibilidade de quem deverá pagar. Ou seja, quando quem os pretende não tens bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, a própria subsistência e aquele de quem se reclamam pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Há uma relação de proporcionalidade (art. 1.694, §1º, CC). CLASSIFICAÇÃO QUANTO À FONTE LEGAIS Também denominados de familiares, são aqueles que decorrem da disposição legal, relativamente ao casamento, união estável ou das relações de parentesco. Em caso de não pagamento, cabe prisão civil do devedor (art. 5º, LXVII, CF/88) nos moldes do NCPC; CONVENCIONAIS Decorrem de norma contratual, testamento ou legado; INDENIZATÓRIOS São devidos em razão da prática de um ato ilícito que acarretou dano para o credor; QUANTO À EXTENSÃO CIVIS (REGRA) Destinados a manter a qualidade de vida do credor, de modo a preservar o mesmo padrão e status social do alimentante. NATURAIS (EXCEÇÃO) Visa a mera subsistência (art. 1694, § 2º c/c art. 1695, CC) e ocorre quando o cônjuge por culpado da própria penúria ou em caso de separação judicial quando houver o binômio legal, não houver nenhum outro parente para prestar e tiver inaptidão para o trabalho; QUANTO AO TEMPO PRETÉRITOS Já prestados, não podendo ser mais pleiteados em razão do princípio da atualidade que rege o instituto dos alimentos PRESENTES Estabelecido naquele momento e que podem ser pleiteados; FUTUROS Estão pendentes mas poderão, em momento oportuno, ser pleiteados; QUANTO À FORMA DE PAGAMENTO PRÓPRIOS Também conhecido como in natura, são pagos em espécie através de alimentos, sustento, hospedagem, entre outros. IMPRÓPRIOS Decorrentes da pensão alimentícia, que vai ser determinada de acordo com o caso concreto, pelo juiz, variante entre 10-40% com base no salário do devedor ou então em salários mínimos; QUANTO À FINALIDADE DEFINITIVOS Por meio de acordo das partes ou por sentença judicial transitada em julgado. Contudo, conforme visto anteriormente, não formam coisa julgada material, mas sim formal, podendo ser alterado a qualquer tempo, a depender do binômio legal; 107 PROVISÓRIOS São aqueles fixados antes da sentença de alimentos, conforme Lei. 5478/68 (Lei de Alimentos). Assim, exige prova pré-constituída do parentesco (certidão de nascimento) ou casamento e tem natureza de tutela de urgência satisfativa, pois antecipada os efeitos da sentença; PROVISIONAIS Decorrem de outras ações que não sejam regidas pela Lei de Alimentos, com objetivo de manutenção do padrão de vidada parte que os pleiteia. Ocorre por meio de tutela antecipada, antecipando os efeitos finais do processo, ou liminar, em caso de medida cautelar de separação de corpos, e, ao contrário da anterior, não precisa ser através de prova pré-constituída; COMPENSATÓ- RIOS É a divisão dos frutos e rendimentos dos bens do casal, a título de ressarcimento pela não imissão imediata dos bens da meação a que o cônjuge faz jus, com fim de restabelecer uma igualdade na relação familiar em razão do desequilíbrio no momento da partilha dos bens; TRANSITÓRIOS De acordo com recente entendimento jurisprudencial do STJ, são os fixados por determinado período de tempo, a favor de ex- cônjuge/companheiro, antes do termo final (até que obtenha autonomia financeira). EXONERAÇÃO Morte do credor Alteração substancial ou desaparecimento do binômio legal Atingimento da maioridade, se for menor Dissolução do casamento/união estável Comportamento indigno do credor ALIMENTOS GRAVÍDICOS É previsto na Lei nº 11.804/08, tratando-se do direito concedido à gestante de buscar alimentos durante a gravidez, tratando-se de subsídios gestacionais. A lei enumerada as despesas que precisam ser atendidas pelo devedor, porém, não se trata de um rol taxativo, devendo ser considerada toda e qualquer despesa com a gravidez ensejadora de alimentos gravídicos. São devidos desde a concepção e são irrepetíveis, sendo concedidos com base em meros indícios. Não se exige prova efetiva do parentesco, assim: Fixação com base em meros indícios; Devidos desde a concepção; Irrepetíveis; Conversão automática em pensão alimentícia, se não houver impugnação quando do nascimento; 108 AÇÕES DE ALIMENTOS A ação de alimentos é imprescritível. Na verdade, o que não prescreve é o direito de postular em juízo, o pagamento de pensões alimentícias. Mas as parcelas devidas, o direito de cobrar as pensões já fixadas em sentença ou estabelecidas em acordo e não pagas prescrevem em dois anos (art. 206, §2o, CC). A prescrição dessas parcelas ocorre mensalmente. O devedor de alimentos que não fizer o seu pagamento estará sujeito à chamada prisão civil. Determina a Constituição Federal (art. 5º, inciso LXVII) que “não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia (...)”. PROCEDIMENTO ESPECIAL CONCENTRADO SUMARÍSSIMO (LEI N. 5.478/68) É aquela prevista na Lei de Alimentos, constituída a partir de prova pré-constituída, ademais, outras ações submetidas ao mesmo rito é de oferta de alimentos (art. 24) e revisão (art. 13). Por sua vez, a exoneração de alimentos não se submete a este procedimento, pois trata-se de procedimento comum do CPC. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS Trata-se de procedimento especial previsto art. 16 da Lei nº 5.478/68 e CPC. Assim, no cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo 109 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 XXXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2020: Salomão, solteiro, sem filhos, 65 anos, é filho de Lígia e Célio, que faleceram recentemente e eram divorciados. Ele é irmão de Bernardo, 35 anos, médico bem-sucedido, filho único do segundo casamento de Lígia. Salomão, por circunstâncias sociais, não mantinha contato com Bernardo. Em razão de uma deficiência física, Salomão nunca exerceu atividade laborativa e sempre morou com o pai, Célio, até o falecimento deste. Com frequência, seu primo Marcos, comerciante e grande amigo, o visita. Com base no caso apresentado, assinale a opção que indica quem tem obrigação de pagar alimento a Salomão. A) Marcos é obrigado a pagar alimentos a Salomão, no caso de necessidade deste. B) Por ser irmão unilateral, Bernardo não deve, em hipótese alguma, alimentos a Salomão. C) Bernardo, no caso de necessidade de Salomão, deve arcar com alimentos. D) Bernardo e Marcos deverão dividir alimentos, entre ambos, de forma igualitária. Comentário: De acordo com o art. 1697 do CC, na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais. 110 Questão 2 XXXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2020: Aldo e Mariane são casados sob o regime da comunhão parcial de bens, desde setembro de 2013. Em momento anterior ao casamento, Rubens, pai de Mariane, realizou a doação de um imóvel à filha. Desde então, a nova proprietária acumula os valores que lhe foram pagos pelos locatários do imóvel. No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que Mariane pretendesse se divorciar de Aldo. Para tal finalidade, procurou um advogado, informando que a soma dos aluguéis que lhe foram pagos desde a doação do imóvel totalizava R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) foram auferidos antes do casamento e o restante, após. Mariane relatou, ainda, que atualmente o imóvel se encontra vazio, sem locatários. Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale a afirmativa correta. A) Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o total dos valores. B) Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu bem particular, os aluguéis por ela auferidos não se comunicam com Aldo. C) Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título de aluguel. D) Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do imóvel doado a Mariane por Rubens, quanto sobre os valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na constância do casamento. Comentário: Código Civil: Art. 1.660. Entram na comunhão: 111 V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. Questão 3 XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana sempre considerou diversificar sua atividade profissional e pensa em se tornar sócia de uma sociedade empresária do ramo de tecnologia. Para realizar esse investimento, pretende vender um apartamento adquirido antes de seu casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não concorda com a venda do bem para empreender. Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se ao incremento da renda familiar. B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da comunhão parcial de bens. C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de bem particular. D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, independentemente do regime de bens. 112 Comentário: a autorização de Arnaldo é necessária, conforme o art. 1.647, inc. I: “Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I – alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis”. Questão 4 XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Asdrúbal praticou feminicídio contra sua esposa Ermingarda, com quem tinha três filhos, dois menores de 18 anos e um maior. Nesse caso, quanto aos filhos, assinale a afirmativa correta. A) Asdrúbal terá suspenso o poder familiar sobre os três filhos, por ato de autoridade policial. B) Asdrúbal perderá o poder familiar sobre os filhos menores, por ato judicial. C) Asdrúbal terá suspenso o poder familiar sobre os filhos menores, por ato judicial. D)Asdrúbal perderá o poder familiar sobre os três filhos, por ato de autoridade policial. Comentário: Código Civil: Art. 1.638. Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que: (Incluído pela Lei nº 13.715, de 2018) I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: (Incluído pela Lei nº 13.715, de 2018) a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; (Incluído pela Lei nº 13.715, de 2018) 113 Questão 5 XXVIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Mônica, casada pelo regime da comunhão total de bens, descobre que seu marido, Geraldo, alienou um imóvel pertencente ao patrimônio comum do casal, sem a devida vênia conjugal. A descoberta agrava a crise conjugal entre ambos e acaba conduzindo ao divórcio do casal. Tempos depois, Mônica ajuíza ação em face de seu ex-marido, objetivando a invalidação da alienação do imóvel. Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta. A) O juiz pode conhecer de ofício do vício decorrente do fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem. B) O fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem representa um vício que convalesce com o decurso do tempo. C) O vício decorrente da ausência de vênia conjugal não pode ser sanado pela posterior confirmação do ato por Mônica. D) Para que a pretensão de Mônica seja acolhida, ela deveria ter observado o prazo prescricional de dois anos, a contar da data do divórcio. Comentário: Código Civil: De acordo com art. 1.647, inc. I do Código Civil/2002, diz que: Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 114 No mesmo sentido, o art. 1.649 do CC/02, leciona que: Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; O fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem representa um vício que convalesce com o decurso do tempo. Monica possui o prazo decadencial de quatro anos para pedir a anulação do negócio jurídico, passado tal prazo, o negócio (alienação do bem) se convalesce com o tempo. Questão 6 XXVII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Ana, que sofre de grave doença, possui um filho, Davi, com 11 anos de idade. Ante o falecimento precoce de seu pai, Davi apenas possui Ana como sua representante legal. De forma a prevenir o amparo de Davi em razão de seu eventual falecimento, Ana pretende que, na sua ausência, seu irmão, João, seja o tutor da criança Para tanto, Ana, em vida, poderá nomear João por meio de A) escritura pública de constituição de tutela. B) testamento ou qualquer outro documento autêntico. C) ajuizamento de ação de tutela. D) diretiva antecipada de vontade. 115 Comentário: De acordo com o art. 1.729 CC: Art. 1.729.O direito de nomear tutor compete aos pais, em conjunto. Parágrafo único. A nomeação deve constar de testamento ou de qualquer outro documento autêntico. Questão 7 XXIV EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: João e Carla foram casados por cinco anos, mas, com o passar dos anos, o casamento se desgastou e eles se divorciaram. As três filhas do casal, menores impúberes, ficaram sob a guarda exclusiva da mãe, que trabalha em uma escola como professora, mas que está com os salários atrasados há quatro meses, sem previsão de recebimento. João vinha contribuindo para o sustento das crianças, mas, estranhamente, deixou de fazê-lo no último mês. Carla, ao procurá-lo, foi informada pelos pais de João que ele sofreu um atropelamento e está em estado grave na UTI do Hospital Boa Sorte. Como João é autônomo, não pode contribuir, justificadamente, com o sustento das filhas. Sobre a possibilidade de os avós participarem do sustento das crianças, assinale a afirmativa correta. A) Em razão do divórcio, os sogros de Carla são ex-sogros, não são mais parentes, não podendo ser compelidos judicialmente a contribuir com o pagamento de alimentos para o sustento das netas. B) As filhas podem requerer alimentos avoengos, se comprovada a impossibilidade de Carla e de João garantirem o sustento das filhas. C) Os alimentos avoengos não podem ser requeridos, porque os avós só podem ser réus em ação de alimentos no caso de falecimento dos responsáveis pelo sustento das filhas. 116 D) Carla não pode representar as filhas em ação de alimentos avoengos, porque apenas os genitores são responsáveis pelo sustento dos filhos. Comentário: C.C/02 Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Questão 8 XXXIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: Arlindo e Berta firmam pacto antenupcial, preenchendo todos os requisitos legais, no qual estabelecem o regime de separação absoluta de bens. No entanto, por motivo de saúde de um dos nubentes, a celebração civil do casamento não ocorreu na data estabelecida. Diante disso, Arlindo e Berta decidem não se casar e passam a conviver maritalmente. Após cinco anos de união estável, Arlindo pretende dissolver a relação familiar e aplicar o pacto antenupcial, com o objetivo de não dividir os bens adquiridos na constância dessa união. Nessas circunstâncias, o pacto antenupcial é A) válido e ineficaz. B) válido e eficaz. C) inválido e ineficaz. 117 D) inválido e eficaz. Comentário: Código Civil: Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento. Questão 9 XXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: João e Maria casaram-se, no regime de comunhão parcial de bens, em 2004. Contudo, em 2008, João conheceu Vânia e eles passaram a ter um relacionamento amoroso. Separando-se de fato de Maria, João saiu da casa em que morava com Maria e foi viver com Vânia, apesar de continuar casado com Maria. Em 2016, João, muito feliz em seu novo relacionamento, resolve dar de presente um carro 0 km da marca X para Vânia. Considerando a narrativa apresentada, sobre o contrato de doação celebrado entre João, doador, e Vânia, donatária, assinale a afirmativa correta. A) É nulo, pois é hipótese de doação de cônjuge adúltero ao seu cúmplice. B) Poderá ser anulado, desde que Maria pleiteie a anulação até dois anos depois da assinatura do contrato. C) É plenamente válido, porém João deverá pagar perdas e danos à Maria. D) É plenamente válido, pois João e Maria já estavam separados de fato no momento da doação. Comentário: Código Civil: 118 Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal. O contrato de doação é plenamente válido, pois João e Maria já estavam separados de fato no momento da doação Questão 10 XXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: Augusto e Raquel casam-se bem jovens, ambos com 22 anos. Um ano depois, nascem os filhos do casal: dois meninos gêmeos. A despeito da ajuda dos avós das crianças, o casamento não resiste à dura rotina de criação dos dois recém-nascidos. Augustoe Raquel separam-se ainda com os filhos em tenra idade, indo as crianças residir com a mãe. Raquel, em pouco tempo, contrai novas núpcias. Augusto, em busca de um melhor emprego, muda-se para uma cidade próxima. A respeito da guarda dos filhos, com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. A) A guarda dos filhos de tenra idade será atribuída preferencialmente, de forma unilateral, à mãe. B) Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos será dividido de forma matemática entre o pai e a mãe. C) O pai ou a mãe que contrair novas núpcias perderá o direito de ter consigo os filhos. D) Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será a que melhor atender aos interesses dos filhos. Comentário: 119 Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será a que melhor atender aos interesses dos filhos. Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada. § 3º Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que melhor atender aos interesses dos filhos. Questão 11 XX EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: Em maio de 2005, Sérgio e Lúcia casaram-se pelo regime da comunhão parcial de bens. Antes de se casar, ele já era proprietário de dois imóveis. Em 2006, Sérgio alugou seus dois imóveis e os aluguéis auferidos, mês a mês, foram depositados em conta corrente aberta por ele, um mês depois da celebração dos contratos de locação. Em 2010, Sérgio recebeu o prêmio máximo da loteria, em dinheiro, que foi imediatamente aplicado em uma conta poupança aberta por ele naquele momento. Em 2013, Lúcia e Sérgio se separaram. Lúcia procurou um advogado para saber se tinha direito à partilha do prêmio que Sérgio recebeu na loteria, bem como aos valores oriundos dos aluguéis dos imóveis adquiridos por ele antes do casamento e, mensalmente, depositados na conta corrente de Sérgio. Com base na hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. A) Ela não tem direito à partilha do prêmio e aos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis, uma vez que se constituem como bens particulares de Sérgio. B) Ela tem direito à partilha dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis, mas não tem direito à partilha do prêmio obtido na loteria. 120 C) Ela tem direito à partilha do prêmio, mas não poderá pleitear a partilha dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis. D) Ela tem direito à partilha do prêmio e dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis dos imóveis de Sérgio, uma vez que ambos constituem-se bens comuns do casal. Comentário: Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes. Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; Art. 1.660. Entram na comunhão: II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; V - os frutos [alugueres são frutos civis] dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. Questão 12 XX EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: Juliana é sócia de uma sociedade empresária que produz bens que exigem alto investimento, por meio de financiamento significativo. Casada com Mário pelo regime da comunhão universal de bens, desde 1998, e sem filhos, decide o casal alterar o regime de casamento para o de separação de bens, sem prejudicar direitos de terceiros, e com a intenção de evitar a colocação do patrimônio já adquirido em risco. 121 Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. A) A alteração do regime de bens mediante escritura pública, realizada pelos cônjuges e averbada no Registro Civil, é possível. B) A alteração do regime de bens, tendo em vista que o casamento foi realizado antes da vigência do Código Civil de 2002, não é possível. C) A alteração do regime de bens mediante autorização judicial, com pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros, é possível. D) Não é possível a alteração para o regime da separação de bens, tão somente para o regime de bens legal, qual seja, o da comunhão parcial de bens. Comentário: Código Civil: Art. 1.639.§ 2º É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. Art. 2.035. A validade dos negócios e demais atos jurídicos, constituídos antes da entrada em vigor deste Código, obedece ao disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045, mas os seus efeitos, produzidos após a vigência deste Código, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução. 122 GABARITO Questão 1 - C Questão 2 - C Questão 3 - B Questão 4 - B Questão 5 - B Questão 6 - B Questão 7 - B Questão 8 - A Questão 9 – D Questão 10 - D Questão 11 - D Questão 12 - C 123 QUESTÃO DESAFIO A fixação de alimentos em percentual do salário mínimo ofende a Constituição Federal? Responda em até 5 linhas 124 GABARITO QUESTÃO DESAFIO Não ofende. A natureza especial dos alimentos justifica o tratamento diferenciado, sobretudo porque ambos – salário mínimo e alimentos – possuem a mesma finalidade: garantir a subsistência do credor. Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: Não ofende (CF, artigo 7º, IV) Ao tratar do salário mínimo, o constituinte originário proibiu sua “vinculação para qualquer fim” (artigo 7º, IV). O objetivo era evitar a indexação econômica desse importante direito social. É por isso que, de acordo com a súmula vinculante nº 4, STF, “salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial”. Os alimentos, porém, revestem-se de características excepcionais que, segundo a jurisprudência, permitem tratamento jurídico diferente. Afinal, segundo a própria Constituição Federal, o débito alimentar é o único que admite a prisão civil (CF, artigo 5 º LXVII) e justifica uma ordem própria de pagamento dos precatórios e das requisições de pequeno valor (CF, artigo 100, §§ 1º e 2º; ADCT, artigos 33, 78 e 86, § 3º). É inegável, outrossim, que tanto os alimentos quanto o salário mínimo são destinados às mesmas finalidades, qual seja, a de garantir a subsistência do credor. STF, repercussão geral Foi observando todas essas peculiaridades que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do ARE nº 842157 RG/DF, rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. em 4/6/2015, decidiu, em repercussão geral, que a fixação de alimentos em percentual do salário mínimo não ofende a Constituição Federal. Observe interessante trecho do acórdão: “Tenho, quanto ao debate que se instaurou, que a vedação da vinculação ao salário mínimo insculpida no art. 7º, inciso IV da Constituição visa impossibilitar a utilização do mencionado parâmetro como fator de indexação para as obrigações não dotadas de caráter alimentar. Conforme precedentes desta Suprema Corte, a utilização do salário mínimo como base de cálculo do valor da pensão alimentícia não ofende o dispositivo constitucional invocado, dada a premissa de que a prestação tem por 125 objetivo a preservação da subsistência humana e o resguardo do padrão de vida daqueleque a percebe, o qual é hipossuficiente e, por isso mesmo, dependente do alimentante, seja por vínculo de parentesco, seja por vínculo familiar”. Importante lembrar, também, que o artigo 1.710 do Código Civil determina que “as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido”. Logo, considerando a política brasileira de valorização do salário mínimo (Lei nº 13.152/2015), tem-se por automaticamente satisfeita a exigência legal de atualização da pensão alimentícia, quando fixada em salário mínimo. 126 LEGISLAÇÃO COMPILADA Casamento, União Estável e Monoparentalidade CC: Arts. 1511 a 1547 e 1723 a 1727; Dissolução do Casamento e da União Estável CC: Arts. 1548 a 1582; Regimes de Bens CC: Arts. 1639 a 1688; Parentesco CC: Arts. 1591 a 1629; Poder Familiar CC: Arts. 1630 a 1638 e 1728 a 1783; Alimentos CC: Arts. 1694 a 17 10. Casamento e Divórcio Súmula 377 do STF No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. Súmula 197 do STJ O divórcio direto pode ser concedido sem que haja prévia partilha dos bens. Súmula 305 do STF Acordo de desquite ratificado por ambos os cônjuges não é retratável unilateralmente. União estável Súmula 38 do STF 127 A vida em comum sob o mesmo teto, more uxorio, não é indispensável à caracterização do concubinato. Ação de investigação de paternidade Súmula 1 do STJ O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o competente para a ação de investigação de paternidade, quando cumulada com a de alimentos. Súmula 149 do STF É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de herança. Súmula 301 do STJ Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade. Súmula 277 STJ Julgada procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação. Alimentos Súmula 594 do STJ O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no artigo 98 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. Súmula 596 do STJ A obrigação alimentar dos avós tem natureza complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de impossibilidade total ou parcial de seu cumprimento pelos pais. Súmula 226 do STF Na ação de desquite, os alimentos são devidos desde a inicial e não da data da decisão que os concede. Súmula 379, STF No acordo de desquite não se admite renúncia aos alimentos, que poderão ser pleiteados ulteriormente, verificados os pressupostos legais. Súmula 336 do STJ A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex- marido, comprovada a necessidade econômica superveniente. 128 Súmula 358 do STJ O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. Súmula 309 do STJ O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. Súmula 621 do STJ Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do pagamento retroagem à data da citação, vedadas a compensação e a repetibilidade. 129 JURISPRUDÊNCIA Casamento, União Estável e Monoparentalidade Info 625, STF A norma constante do art. 1.723 do Código Civil — CC (“É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”) não obsta que a união de pessoas do mesmo sexo possa ser reconhecida como entidade familiar apta a merecer proteção estatal. STJ, REsp 1.183.378/RS, 2011 O Supremo Tribunal Federal entendeu que todas as regras previstas para a união estável são aplicáveis, por analogia, à união homoafetiva. Resolução nº 175/2013 do CNJ: os registradores são obrigados a fazer a conversão da união estável em casamento das relações homoafetivas. Se é possível converter a união estável homoafetiva em casamento homoafetivo, também é possível o casamento homoafetivo diretamente no Cartório de Registro Civil STJ. 3ª Turma. REsp 1.332.773-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/6/2017 (Info 609). No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do Código Civil. STF. Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso e RE 878694/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864). O STJ acompanhou o entendimento do Supremo e também decidiu de forma similar: É inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do CC/2002. STJ. 3ª Turma. REsp 1.383.624-MG, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 2/6/2015 (Info 563). Não é lícito aos conviventes atribuírem efeitos retroativos ao contrato de união estável, a fim de eleger o regime de bens aplicável ao período de convivência anterior à sua assinatura. Informativo 581, STJ: O companheiro faz jus à cobertura de cláusula de remissão por morte de titular de plano de saúde na hipótese em que a referida disposição contratual faça referência a cônjuge, sendo omissa quanto a companheiro. Informativo 595, STJ: 130 Contrato de convivência não exige escritura pública. É válido, desde que escrito, o pacto de convivência formulado pelo casal no qual se opta pela adoção da regulação patrimonial da futura relação como símil (igual) ao regime de comunhão universal, ainda que não tenha sido feito por meio de escritura pública. Em outras palavras, um casal que vive (ou viverá) em união estável pode celebrar contrato de convivência dizendo que aquela relação será regida por um regime de bens igual ao regime da comunhão universal. Esse contrato, para ser válido, precisa ser feito por escrito, mas não é necessário que seja realizado por escritura pública. Informativo 609, STJ: O STF fixou a seguinte tese: No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do Código Civil. STF. Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso e RE 878694/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864). O STJ acompanhou o entendimento do Supremo e também decidiu de forma similar: É inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do CC/2002. Dissolução do Casamento e da União Estável STJ. 3ª Turma. REsp 1.494.302-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13/6/2017 (Info 609) Na dissolução de união estável, é possível a partilha dos direitos de concessão de uso para moradia de imóvel público. Ex: João e Maria viviam em união estável. No curso dessa união eles passaram a residir em uma casa pertencente ao Governo do Distrito Federal sobre o qual receberam a concessão de uso para fins de moradia. Depois de algum tempo decidem por fim à relação. Deverá haver uma partilha sobre os direitos relacionados com a concessãode uso. Informativo 597, STJ: É possível, em processo de dissolução de casamento em curso no país, que se disponha sobre direitos patrimoniais decorrentes do regime de bens da sociedade conjugal aqui estabelecida, ainda que a decisão tenha reflexos sobre bens situados no exterior para efeitos da referida partilha. Informativo 604, STJ: A EC 66/2010 não revogou os artigos do Código Civil que tratam da separação judicial. Informativo 631, STJ: A revelia em ação de divórcio na qual se pretende, também, a exclusão do patronímico adotado por ocasião do casamento não significa concordância tácita com a modificação do nome civil. Ex: João da Silva Maier casou-se com Gabriela Ferreira. Gabriela adotou o patronímico de João e passou a se chamar Gabriela Ferreira Maier. O 131 relacionamento chegou ao fim e João ajuizou ação de divórcio contra Gabriela pedindo: a) que fosse decretado o divórcio; b) que Gabriela fosse condenada a retirar o patronímico “Maier” de seu nome. Gabriela foi devidamente citada, mas não respondeu a ação. Correta a decisão do juiz que julga o pedido parcialmente procedente decretando o divórcio, mas mantendo o sobrenome da ré. Principais argumentos: • o fato de o réu ter sido revel não significa, necessariamente, que o juiz tenha que acolher o pedido do autor; • o nome é considerado direito indisponível, tendo em vista ser direito da personalidade; • para que houvesse a retirada do sobrenome, seria necessária a manifestação expressa da vontade da mulher; • a utilização do sobrenome do ex-marido por mais de 30 trinta anos pela ex-mulher demonstra que há tempo ele está incorporado ao nome dela, de modo que não mais se pode retirá-lo, sem que cause evidente prejuízo para a sua identificação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.732.807-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/08/2018 Informativo 637, STJ: Em regra, a ação de dissolução de vínculo conjugal tem natureza personalíssima, de modo que o legitimado ativo para o seu ajuizamento é, por excelência, o próprio cônjuge. Excepcionalmente, admite-se que o divórcio seja proposto pelo curador, na qualidade de representante processual do cônjuge. Justamente por ser excepcional o ajuizamento da ação de dissolução de vínculo conjugal por terceiro em representação do cônjuge, deve ser restritiva a interpretação da norma jurídica que indica os representantes processuais habilitados a fazê-lo, não se admitindo, em regra, o ajuizamento da referida ação por quem possui apenas a curatela provisória. Assim, em regra, a ação de divórcio não pode ser ajuizada por curador provisório. Isso pode ser admitido em situações excepcionais, quando houver prévia autorização judicial e oitiva do Ministério Público. STJ. 3ª Turma. REsp 1.645.612-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/10/2018 Informativo 634, STJ: UNIÃO ESTÁVEL. Na dissolução de entidade familiar, é possível o reconhecimento do direito de visita a animal de estimação adquirido na constância da união, demonstrada a relação de afeto com o animal. Na dissolução da entidade familiar em que haja algum conflito em relação ao animal de estimação, independentemente da qualificação jurídica a ser adotada, a resolução deverá buscar atender, sempre a depender do caso em concreto, aos fins sociais, atentando para a própria evolução da sociedade, com a proteção do ser humano e do seu vínculo afetivo com o animal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.713.167-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/06/2018 Informativo 643, STJ: A incapacidade superveniente de uma das partes, após a decretação do divórcio, não tem o condão de alterar a competência funcional do juízo prevento. Assim, a ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo que decretou o divórcio, mesmo que um dos ex-cônjuges tenha mudado de domicílio e se tornado incapaz. Não se aplica, no caso a regra do art. 50 do CPC/2015, que prevê a competência do domicílio do incapaz (competência territorial especial). Isso porque a competência funcional, decorrente da acessoriedade entre as ações de divórcio e partilha, possui natureza absoluta. Por outro lado, a competência territorial especial conferida ao autor incapaz, 132 apesar de ter como efeito o afastamento das normas gerais previstas no diploma processual, possui natureza relativa. As regras de competência absoluta preponderam em relação às das de competência relativa. STJ. 2ª Seção. CC 160.329-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/02/2019 Informativo 656, STJ: PROVA DOCUMENTAL. A prova documental é o único meio apto a demonstrar a existência da sociedade de fato entre os sócios. A prova escrita constitui requisito indispensável para a configuração da sociedade de fato perante os sócios entre si. Regimes de Bens STJ. 4ª Turma. REsp 1.171.488-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 4/4/2017 (Info 603). O bem imóvel adquirido a título oneroso na constância da união estável regida pelo estatuto da comunhão parcial, mas recebido individualmente por um dos companheiros, através de doação pura e simples realizada pelo outro, deve ser excluído do monte partilhável, nos termos do art. 1.659, I, do CC/2002: Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; Ex: João e Maria vivem em união estável. Durante este relacionamento, João comprou um apartamento. Embora adquirido pelo esforço comum do casal, na constância da união estável, o imóvel foi doado por João, de forma graciosa, à Maria. Isso significa que, no momento que for feita a dissolução da união estável, este bem não irá integrar o montante partilhável. João, quando doou o imóvel, o fez quanto à sua metade sobre o bem, que antes pertencia a ambos. STJ. 2ª Seção. REsp 1.399.199-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 9/3/2016 (Info 581). Diante do divórcio de cônjuges que viviam sob o regime da comunhão parcial de bens, não deve ser reconhecido o direito à meação dos valores que foram depositados em conta vinculada ao FGTS em datas anteriores à constância do casamento e que tenham sido utilizados para aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação conjugal. STJ. 3ª Turma. REsp 1.477.937-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/4/2017 (Info 606). O benefício de previdência privada fechada é excluído da partilha em dissolução de união estável regida pela comunhão parcial de bens. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães, julgado em 23/05/2018 (Info 628). No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que comprovado o esforço comum para sua aquisição. Esse esforço comum não pode ser presumido. Deve ser comprovado. O regime de separação legal de bens (também chamado de separação obrigatória de bens) é aquele previsto no art. 1.641 do Código Civil. 133 Informativo 588, STJ: Algumas vezes, uma empresa apura lucro, mas decide que não irá distribuí-los aos acionistas, retendo esses lucros com o objetivo de incrementar o seu capital social. O lucro destinado à conta de reserva, ou seja, que não é distribuído aos sócios, continua pertencendo à sociedade empresária (e não ao sócio). Em razão disso, essa quantia não será partilhada caso um dos sócios termine a união estável que mantinha. Em outras palavras, os lucros de sociedade empresária destinados a sua própria conta de reserva não são partilháveis entre o casal no caso de dissolução de união estável de sócio. Informativo 591, STJ: Segundo a redação literal da súmula 486-STJ, “é impenhorável o único imóvel RESIDENCIAL do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família.” A 2ª Turma do STJ, contudo,ampliou esta proteção e decidiu que também é impenhorável o único imóvel COMERCIAL do devedor que esteja alugado quando o valor do aluguel é destinado unicamente ao pagamento de locação residencial por sua entidade familiar. Informativo 594, STJ: Cotas sociais que serão partilhadas após mancomunhão deverão ser calculadas no momento efetivo da partilha. Verificada a existência de mancomunhão, o pagamento da expressão patrimonial das cotas societárias à ex-cônjuge, não sócia, deve corresponder ao momento efetivo da partilha, e não àquele em que estabelecido acordo prévio sobre os bens que fariam parte do acervo patrimonial. Informativo 606, STJ: A sócia da empresa, cuja personalidade jurídica se pretende desconsiderar, que teria sido beneficiada por suposta transferência fraudulenta de cotas sociais por um dos cônjuges, tem legitimidade passiva para integrar a ação de divórcio cumulada com partilha de bens, no bojo da qual se requereu a declaração de ineficácia do negócio jurídico que teve por propósito transferir a participação do sócio/ex-marido à sócia remanescente, dias antes da consecução da separação de fato. Informativo 606, STJ: O benefício de previdência privada fechada é excluído da partilha em dissolução de união estável regida pela comunhão parcial de bens. Informativo 616, STJ: Partilha de prêmio da loteria mesmo que se trate de relacionamento regulado pelo regime da separação obrigatória (art. 1.641, II, do CC). Se a pessoa inicia uma união estável possuindo mais de 70 anos, o regime patrimonial é o da separação obrigatória de bens (art. 1.641, II, do CC). Apesar disso, se um dos companheiros ganhar na loteria, o valor do prêmio integra a massa de bens comuns do casal (art. 1.660, II, do CC). Assim, havendo dissolução da união estável, o valor desse prêmio deverá ser partilhado igualmente entre os consortes. (Info 616). Art. 1.660. Entram na comunhão: (...) II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa 134 anterior; Se a pessoa inicia uma união estável possuindo mais de 70 anos, o regime patrimonial que irá regular essa relação é o da separação obrigatória de bens (art. 1.641, II, do CC). Apesar disso, se, durante essa relação, um dos companheiros ganhar na loteria, o valor do prêmio integra a massa de bens comuns do casal (art. 1.660, II, do CC), de forma que pertence a ambos. Assim, havendo dissolução da união estável, o valor desse prêmio deverá ser partilhado igualmente entre os consortes. Em suma, o prêmio de loteria, recebido por excompanheiro septuagenário durante a relação de união estável, deve ser objeto de meação entre o casal em caso de dissolução do relacionamento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.689.152-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/10/2017 Informativo 628, STJ: No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que comprovado o esforço comum para sua aquisição. Esse esforço comum não pode ser presumido. Deve ser comprovado. O regime de separação legal de bens (também chamado de separação obrigatória de bens) é aquele previsto no art. 1.641 do Código Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), julgado em 23/05/2018 (recurso repetitivo) Informativo 624, STJ: A coisa julgada material formada em virtude de acordo celebrado por partes maiores e capazes, versando sobre a partilha de bens imóveis privados e disponíveis e que fora homologado judicialmente por ocasião de divórcio consensual, não impede que haja um novo acordo sobre o destino dos referidos bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1623475- PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 Parentesco STF. Plenário. AR 1244 EI/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016 (Info 840). O filho tem direito de ter reconhecida sua verdadeira filiação. Assim, mesmo que ele tenha nascido durante a constância do casamento de sua mãe e de seu pai registrais, ele poderá ingressar com ação de investigação de paternidade contra o suposto pai biológico. A presunção legal de que os filhos nascidos durante o casamento são filhos do marido não pode servir como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade. Informativo 581, STJ: É possível o reconhecimento da paternidade socioafetiva post mortem, ou seja, mesmo após a morte do suposto pai socioafetivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.500.999-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/4/2016 Informativo 578, STJ: Mesmo nas hipóteses em que não ostente a condição de herdeira, a viúva poderá impugnar ação de investigação de paternidade post mortem, devendo receber o processo no estado em que este se encontra. STJ. 4ª Turma. REsp 1.466.423- GO, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 23/2/2016 135 Informativo 577, STJ: O filho tem direito de desconstituir a denominada “adoção à brasileira” para fazer constar o nome de seu pai biológico em seu registro de nascimento, ainda que preexista vínculo socioafetivo de filiação com o pai registral. STJ. 3ª Turma. REsp 1.417.598-CE, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 17/12/2015 Informativo 588, STJ: O filho, em nome próprio, não tem legitimidade para deduzir em juízo pretensão declaratória de filiação socioafetiva entre sua mãe - que era maior, capaz e, ao tempo do ajuizamento da ação, pré-morta (já falecida) - e os supostos pais socioafetivos dela. Obs: o filho teria legitimidade para propor ação pedindo o reconhecimento de sua relação de parentesco socioafetivo com os pretensos avós. Aí, contudo, seria outra ação, na qual se buscaria um direito próprio (e não de sua mãe). STJ. 3ª Turma. REsp 1.492.861-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 2/8/2016 Informativo 840, STF: A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios. Ex: Lucas foi registrado e criado como filho por João; vários anos depois, Lucas descobre que seu pai biológico é Pedro; Lucas poderá buscar o reconhecimento da paternidade biológica de Pedro sem que tenha que perder a filiação socioafetiva que construiu com João; ele terá dois pais; será um caso de pluriparentalidade; o filho terá direitos decorrentes de ambos os vínculos, inclusive no campo sucessório. STF. Plenário. RE 898060/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21 e 22/09/2016 Informativo 840, STF: O filho tem direito de ter reconhecida sua verdadeira filiação. Assim, mesmo que ele tenha nascido durante a constância do casamento de sua mãe e de seu pai registrais, ele poderá ingressar com ação de investigação de paternidade contra o suposto pai biológico. A presunção legal de que os filhos nascidos durante o casamento são filhos do marido não pode servir como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade. STF. Plenário. AR 1244 EI/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016 Informativo 604, STJ: A coisa julgada estabelecida em ações de investigação de paternidade deve ser relativizada nos casos em que, no processo, não houve a realização de exame de DNA e, portanto, não foi possível ter-se certeza sobre o vínculo genético (STF. Plenário. RE 363889, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 02/06/2011. Repercussão geral). O STJ entendeu, contudo, que essa relativização da coisa julgada não se aplica às hipóteses em que o magistrado reconheceu o vínculo pelo fato de o investigado (ou seus herdeiros) terem se recusado a comparecer ao laboratório para a coleta do material biológico. Ex: Lucas ajuizou ação de investigação de paternidade contra João; este se recusou a fazer o DNA, razão pela qual o juiz julgou a demanda procedente e reconheceu que Lucas é filho de João (Súmula 301-STJ: Em ação investigatória, a recusa dosuposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade). Depois que esta sentença transitou em julgado, João ingressou com ação 136 negatória de paternidade pedindo a relativização da coisa julgada e a realização de exame de DNA. Esta ação deverá ser extinta sem resolução do mérito pela coisa julgada (art. 485, V, do CPC). Em suma, a relativização da coisa julgada estabelecida em ação de investigação de paternidade – em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético a unir as partes – não se aplica às hipóteses em que o reconhecimento do vínculo se deu, exclusivamente, pela recusa do investigado ou seus herdeiros em comparecer ao laboratório para a coleta do material biológico. Informativo 623, STJ: É imprescindível o consentimento de pessoa maior para o reconhecimento de filiação post mortem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.688.470-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/04/2018 Informativo 649, STJ: É possível a inclusão de dupla paternidade em assento de nascimento de criança concebida mediante as técnicas de reprodução assistida heteróloga e com gestação por substituição, não configurando violação ao instituto da adoção unilateral. Vale ressaltar que não se trata de adoção, pois não se pretende o desligamento do vínculo com o pai biológico, que reconheceu a paternidade no registro civil de nascimento da criança. Informativo 656, STJ: INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. Determinada pessoa ajuizou ação de investigação de paternidade contra o suposto pai e esta foi julgada improcedente; transitou em julgado; o suposto pai morreu; eventual ação rescisória contra esta sentença deve ser proposta contra os herdeiros (e não contra o espólio). A ação rescisória de sentença proferida em ação de investigação de paternidade cujo genitor é pré-morto deve ser ajuizada em face dos herdeiros, e não do espólio Poder Familiar STJ. 3ª Turma. REsp 1.629.994-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/12/2016 (Info 595). Aplicação obrigatória da guarda compartilhada. A guarda compartilhada somente deixará de ser aplicada quando houver inaptidão de um dos ascendentes para o exercício do poder familiar, fato que deverá ser declarado, prévia ou incidentalmente à ação de guarda, por meio de decisão judicial. STJ. 4ª Turma. REsp 1.087.561-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/6/2017 (Info 609). A omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo material do filho gera danos morais, passíveis de compensação pecuniária. O descumprimento da obrigação pelo pai, que, apesar de dispor de recursos, deixa de prestar assistência MATERIAL ao filho, não proporcionando a este condições dignas de sobrevivência e causando danos à sua integridade física, moral, intelectual e psicológica, configura ilícito civil, nos termos do art. 186 do Código Civil. 137 STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/03/2018 (Info 622) O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos (usufruto legal), bem como têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade, nos termos do art. 1.689, incisos I e II, do Código Civil. Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar contas acerca dos valores recebidos pelos pais em nome do menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há presunção de que as verbas recebidas tenham sido utilizadas para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o custeio de alimentação, saúde, vestuário, educação, lazer, entre outros. Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de ação de prestação de contas pelo filho, sempre que a causa de pedir estiver fundada na suspeita de abuso de direito no exercício desse poder. Assim, a ação de prestação de contas ajuizada pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a causa de pedir estiver relacionada com suposto abuso do direito ao usufruto legal e à administração dos bens dos filhos. Informativo 637, STJ: PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO CÔNJUGE CURADOR. O art. 1.783 do CC prevê que se o curador for o cônjuge do curatelado e eles forem casados sob o regime da comunhão universal, em regra, ele não será obrigado à prestação de contas dos bens administrados durante a curatela, “salvo determinação judicial” que o obrigue a prestar. O STJ identificou duas situações nas quais o juiz poderá determinar a prestação de contas. Assim, o magistrado poderá (deverá) decretar a prestação de contas pelo cônjuge curador, resguardando o interesse prevalente do curatelado e a proteção especial do interdito quando: a) houver qualquer indício ou dúvida de malversação dos bens do incapaz, com a periclitação de prejuízo ou desvio de seu patrimônio, no caso de bens comuns; e b) se tratarem de bens incomunicáveis, excluídos da comunhão, ressalvadas situações excepcionais. Informativo 640, STJ: ROL DE LEGITIMADOS. EXEMPLIFICATIVO. O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela, previsto no art. 756, § 1º do CPC/2015, não é taxativo. (INTERDIÇÃO É DIFERENTE DE SEU LEVANTAMENTO) Alimentos REsp 997.515/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. DÉBITO VENCIDO NO CURSO DA AÇÃO DE ALIMENTOS. VERBA QUE MANTÉM O CARÁTER ALIMENTAR. DESCONTO EM FOLHA. POSSIBILIDADE. 1. Os alimentos decorrem da solidariedade que deve haver entre os membros da família ou parentes, visando garantir a subsistência do alimentando, observadas sua necessidade e a possibilidade do alimentante. Desse modo, a obrigação alimentar tem a finalidade de preservar a vida humana, provendo-a dos meios materiais necessários à sua digna manutenção, ressaindo nítido o evidente interesse público no seu regular adimplemento. 2. Por um lado, a Súmula 309/STJ, ao 138 orientar que "o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo", deixa límpido que os alimentos vencidos no curso da ação de alimentos ostentam também a natureza de crédito alimentar. 3. Por outro lado, os artigos 16 da Lei 5.478/1968 e 734 do Código de Processo Civil prevêem, preferencialmente, o desconto em folha para satisfação do crédito alimentar. Destarte, não havendo ressalva quanto ao tempo em que perdura o débito para a efetivação da medida, não é razoável restringir-se o alcance dos comandos normativos para conferir proteção ao devedor de alimentos. Precedente do STJ. 4. É possível, portanto, o desconto em folha de pagamento do devedor de alimentos, inclusive quanto a débito pretérito, contanto que o seja em montante razoável e que não impeça sua própria subsistência. 5. Recurso especial parcialmente provido. STJ. 3ª Turma. REsp 1501992-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 20/03/2018 (Info 624). É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia das despesas pagas "in natura" com o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel onde residia o exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a incompensabilidade da dívida alimentar (art. 1.707 do CC e eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo-se examinar se houve o consentimento, ainda que tácito do credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente, ao atendimento de necessidade essencial do alimentado e não se configurou como mera liberalidade do alimentante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.063-AC, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 20/6/2017 (Info 607). O prazo prescricional para o cumprimento de sentença que condenou ao pagamento de verba alimentícia retroativa se inicia tão somente com o trânsito em julgado da decisão que reconheceu a paternidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.323-MG,Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/3/2017 (Info 601) É presumida a necessidade de percepção de alimentos do portador de doença mental incapacitante, devendo ser suprida nos mesmos moldes dos alimentos prestados em razão do poder familiar, independentemente da maioridade civil do alimentado. Informativo 579, STJ: Em execução de alimentos devidos a filho menor de idade, é possível o protesto e a inscrição do nome do devedor em cadastros de proteção ao crédito. Mostra-se juridicamente possível o pedido do credor para que seja realizado protesto e inclusão do nome do devedor de alimentos nos cadastros de proteção ao crédito (SPC e Serasa), como medida executiva a ser adotada pelo magistrado para garantir a efetivação dos direitos fundamentais da criança e do adolescente. No CPC 2015 existe previsão expressa nesse sentido (art. 528, § 1º e art. 782, §§ 3º e 4º). STJ. 3ª Turma. REsp 1.469.102-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 8/3/2016 (Info 579). STJ. 4ª Turma. REsp 1.533.206-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17⁄11⁄2015. Informativo 587, STJ: 139 A obrigação dos avós de prestar alimentos tem natureza complementar e subsidiária e somente exsurge se ficar demonstrada a impossibilidade de os dois genitores proverem os alimentos dos filhos, ou de os proverem de forma suficiente. Assim, morrendo o pai que pagava os alimentos, só se poderá cobrar alimentos dos avós se ficar demonstrado que nem a mãe nem o espólio do falecido têm condições de sustentar o filho. Não tendo ficado demonstrada a impossibilidade ou a insuficiência do cumprimento da obrigação alimentar pela mãe, como também pelo espólio do pai falecido, não há como reconhecer a obrigação do avô de prestar alimentos. O falecimento do pai do alimentante não implica a automática transmissão do dever alimentar aos avós. Informativo 607, STJ: O prazo prescricional para o cumprimento de sentença que condenou ao pagamento de verba alimentícia retroativa se inicia tão somente com o trânsito em julgado da decisão que reconheceu a paternidade. Informativo 621, STJ: O valor recebido pelo alimentante (devedor) a título de participação nos lucros e resultados deve ser incorporado à prestação alimentar devida? Os valores recebidos a título de “participação nos lucros e resultados” são incluídos no percentual que é devido a título de pensão alimentícia? Em suma, toda vez que o devedor receber participação nos lucros e resultados, o valor da pensão deverá ser, automaticamente, pago a mais? 1ª corrente: NÃO. Os valores recebidos a título de participação nos lucros e resultados não se incorporam à verba alimentar devida ao menor. É a posição da 3ª Turma do STJ. REsp 1.465.679-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/11/2017 (Info 615). 2ª corrente: SIM. As parcelas percebidas a título de participação nos lucros configuram rendimento, devendo integrar a base de cálculo da pensão fixada em percentual, uma vez que o conceito de rendimentos é amplo, especialmente para fins de cálculo de alimentos. É a corrente adotada pela 4ª Turma do STJ. AgInt no AREsp 1070204/SE, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/09/2017. STJ. 4ª Turma. REsp 1.561.097-RJ, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/02/2018 (Info 620). Lei 5.478/68, Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que deles não necessita. (alimentos provisórios de ofício). É possível a aplicação imediata do art. 528, § 7º, do CPC/2015 em execução de alimentos iniciada e processada, em parte, na vigência do CPC/1973. A regra do art. 528, §7º, do CPC/2015, apenas incorpora ao direito positivo o conteúdo da pré-existente Súmula 309/STJ, editada na vigência do CPC/1973, tratando-se assim, de pseudonovidade normativa que não impede a aplicação imediata da nova legislação processual como determinam os arts. 14 e 1.046 do CPC/2015. STJ. 3ª Turma. RHC 92.211-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi julgado em 27/02/2018 140 Informativo 622, STJ: Discussão sobre a possibilidade de o filho ajuizar ação de exigir contas em relação aos valores recebidos pelos pais em nome do menor O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos (usufruto legal), bem como têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade, nos termos do art. 1.689, incisos I e II, do Código Civil. Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar contas acerca dos valores recebidos pelos pais em nome do menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há presunção de que as verbas recebidas tenham sido utilizadas para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o custeio de alimentação, saúde, vestuário, educação, lazer, entre outros. Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de ação de prestação de contas pelo filho, sempre que a causa de pedir estiver fundada na suspeita de abuso de direito no exercício desse poder. Assim, a ação de prestação de contas ajuizada pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a causa de pedir estiver relacionada com suposto abuso do direito ao usufruto legal e à administração dos bens dos filhos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/03/2018 Informativo 617, STJ: Havendo meios executivos mais adequados e igualmente eficazes para a satisfação da dívida alimentar dos avós, é admissível a conversão da execução para o rito da penhora e da expropriação, a fim de afastar o decreto prisional em desfavor dos executados. STJ. 3ª Turma. HC 416.886-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/12/2017 Informativo 624, STJ: É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia das despesas pagas "in natura" com o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel onde residia o exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a incompensabilidade da dívida alimentar (art. 1.707 do CC e eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo-se examinar se houve o consentimento, ainda que tácito do credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente, ao atendimento de necessidade essencial do alimentado e não se configurou como mera liberalidade do alimentante. STJ. 3ª Turma. REsp 1501992- RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 20/03/2018 Informativo 628, STJ: Em regra, não deverá haver diferença no valor ou no percentual dos alimentos destinados a prole pois se presume que, em tese, os filhos - indistintamente - possuem as mesmas demandas vitais, tenham as mesmas condições dignas de sobrevivência e igual acesso às necessidades mais elementares da pessoa humana. A igualdade entre os filhos, todavia, não tem natureza absoluta e inflexível, de modo que é admissível a fixação de alimentos em valor ou percentual distinto entre os filhos se demonstrada a existência de necessidades diferenciadas entre eles ou, ainda, de capacidades contributivas diferenciadas dos genitores Exemplo: João possui dois filhos, com mulheres 141 diferentes. Para o filho 1, paga 20% de seu salário e para o filho 2, 15%. O STJ admitiu que essas pensões sejam em valores diferentes porque a capacidade financeira da mãe do filho 2 é muito maior do que a genitora do filho 1. STJ. 3ª Turma. REsp 1.624.050/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/06/2018 Informativo 632, STJ: A teoria do adimplemento substancial não tem incidência nos vínculos jurídicos amiliares, revelando-se inadequada para solver controvérsias relacionadas a obrigações de natureza alimentar. STJ. 4ª Turma. HC 439.973-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 16/08/2018 Informativo 634, STJ: Os embargosde terceiro não são cabíveis para o fim de declarar, em sede de ação de exoneração de alimentos, a natureza familiar da prestação alimentícia, de forma a alterar a relação jurídica posta e discutida na demanda principal. Ex: João e Maria, ao se divorciarem, firmaram um acordo por meio do qual João iria pagar 30% de seu salário, a título de alimentos, para Maria e o filho do casal (Vitor). Quando Vitor completou a maioridade, João propôs ação de exoneração de alimentos contra ele. O juiz deferiu o pedido e determinou que os descontos fossem reduzidos pela metade (15%), já que Vitor não seria mais credor de alimentos. Maria opôs embargos de terceiro contra essa decisão, tendo o STJ considerado um instrumento jurídico inadequado. STJ. 4ª Turma. REsp 1.560.093- SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 18/09/2018 Informativo 638, STJ: O Código Civil prevê o seguinte: Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Neste julgado, o STJ entendeu que este artigo possui natureza jurídica de “litisconsórcio facultativo ulterior simples”. Trata-se, contudo, de litisconsórcio com uma particularidade: em regra, a sua formação pode ocorrer não apenas por iniciativa do autor, mas também por provocação do réu ou do Ministério Público. Vale ressaltar, contudo, uma exceção: se o credor dos alimentos (autor da ação) for menor emancipado, possuir capacidade processual plena e optar livremente por ajuizar a demanda somente em face do genitor, não pode o réu provocar o chamamento ao processo da genitora do autor (codevedora). Em ação de alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade processual, cabe exclusivamente a ele provocar a integração posterior no polo passivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.715.438-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 Informativo 640, STJ: 142 É admissível o uso da técnica executiva de desconto em folha de dívida de natureza alimentar ainda que haja anterior penhora de bens do devedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.733.697-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 Informativo 642, STJ: O acordo que estabelece a obrigação alimentar entre ex-cônjuges possui natureza consensual e, portanto, a incidência de correção monetária para atualização da obrigação ao longo do tempo deve estar expressamente prevista no contrato. Os alimentos acordados voluntariamente entre ex-cônjuges, por se encontrarem na esfera de sua estrita disponibilidade, devem ser considerados como verdadeiro contrato, cuja validade e eficácia dependem exclusivamente da higidez da manifestação de vontade das partes apostas no acordo. Não confundir: • acordo de alimentos entre ex-cônjuges não prevê atualização monetária da pensão alimentícia ao longo do tempo: o valor da obrigação se mantém pelo valor histórico (valor original). • decisão judicial não prevê atualização monetária da pensão alimentícia: mesmo assim a prestação deverá ser corrigida, atualizando-se o valor historicamente fixado. Observação: a correção monetária explicada acima diz respeito à atualização da obrigação original fixada no contrato e paga na data do vencimento. Não se estava tratando sobre correção monetária de parcelas pagas em atraso. Mesmo que o contrato não preveja, haveráincidência de correção monetária caso o alimentante pague a pensão alimentícia após a data do vencimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.705.669-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019. Informativo 646, STJ: RECURSO ORDINÁRIO. HABEAS CORPUS. O prazo para interposição de recurso ordinário em habeas corpus, ainda que se trate de matéria não criminal, continua sendo de 5 dias, nos termos do art. 30 da Lei nº 8.038/90, não se aplicando à hipótese os arts. 1.003, §5º, e 994, V, do CPC/2015. Informativo 654, STJ: SURRECTIO. No acordo ficou ajustado que o devedor pagaria a pensão durante certo tempo; passado esse período, o indivíduo, por mera liberalidade, continuou pagando; isso não significa, contudo, que ele passou a ter o dever de pagar para sempre a pensão. Obrigação alimentar extinta, mas mantida por longo período de tempo por mera liberalidade do alimentante, não pode ser perpetuada com fundamento no instituto da surrectio. Informativo 654, STJ: 143 LEGITIMIDADE DA GENITORA PARA CONTINUAR NO PROCESSO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS APÓS TRANSGERÊNCIA DE GUARDA DA CRIANÇA. A mãe tem legitimidade para prosseguir na execução de pensão alimentícia proposta à época em que era guardiã do filho menor, ainda que depois disso a guarda tenha sido transferida ao pai executado? 4ª Turma do STJ: SIM. A genitora que, ao tempo em que exercia a guarda judicial do filho, representou-o em ação de execução de débitos alimentares possui legitimidade para prosseguir no processo executivo com intuito de ser ressarcida, ainda que, no curso da cobrança judicial, a guarda tenha sido transferida ao genitor (executado). STJ. 4ª Turma. REsp 1.410.815-SC, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 9/8/2016 (Info 590). 3ª Turma do STJ: NÃO. A genitora do alimentando não pode prosseguir na execução de alimentos, em nome próprio, a fim de perceber os valores referentes aos débitos alimentares vencidos, após a transferência da titularidade da guarda do menor ao executado. Não se pode falar em sub-rogação no caso, considerando que o direito aos alimentos possui caráter personalíssimo. 144 MAPA MENTAL 145 146 147 148 149 150 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAVALCANTE, Márcio André Lopes – VADE MECUM DE JURISPRUDÊNCIA DIZER O DIREITO. Juspodvim. 2017. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral do Direito. V. 1. 2018. Saraiva: São Paulo. GOUVEIA, Mila. INFORMATIVOS EM FRASE. Juspodvim. Salvador, 2017. TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil: volume único – 8. ed. rev, atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018. DIREITO CIVIL Capítulo 7 15. Casamento, União Estável e Monoparentalidade 15.1 A família na Constituição Federal de 1988 15.1.1 Princípios Fundamentais 15.2 Conceito de Direito de Família 15.3 Direito Matrimonial (Entidades Familiares) 15.3.1 Casamento 15.3.1.1 Teorias e Princípios 15.3.1.2 Finalidade 15.3.1.3 Direitos e Deveres 15.3.1.4 Igualdade de Direitos e Deveres 15.3.1.5 Proibições 15.3.1.6 Princípios do Casamento 15.3.1.7 Condições 15.3.1.8 Formalidades para o Casamento 15.3.1.9 Idade Núbil 15.3.1.10 Impedimentos e Causas Suspensivas 15.3.1.11 Espécies de casamento: 15.3.1.12 Prova e Efeitos do Casamento 15.3.2 União Estável 15.3.2.1 Elementos 15.3.2.2 Meação 15.3.2.3 Sucessão 15.3.2.4 Deveres 15.3.2.5 Separação de Corpos 15.3.2.6 Conversão em Casamento 15.3.2.7 Nome do Companheiro 15.3.2.8 Previdência Social 15.3.2.9 Responsabilidade Civil 15.3.3 Monoparentalidade 16. Dissolução do Casamento e da União Estável 16 16.1 Morte 16.2 Divórcio 16.2.1 Divórcio Consensual (Amigável) 16.2.2 Divórcio litigioso 16.3 Separação Judicial 16.3.1 Separação de fato 16.4 Invalidade do Casamento 16.4.1 Casamento inexistente 16.4.2 Casamento Nulo (art. 1548 e 15499, CC) 16.4.3 Anulável (art. 1550 a 1560, CC) 16.4.4 Casamento putativo (art. 1561, CC) 17. Regimes de Bens 17.1 Conceito 17.2 Princípios 17.2.1 Variedade de regime de bens 17.2.2 Princípio da Livre Estipulação ou Liberdade dos pactos antenupciais 17.2.3 Princípio da Indivisibilidade 17.2.4 Princípio da Mutabilidade Justificada 17.3 Pacto Antenupcial (Art. 1653 a 1657 do CC) e o Regime Legal 17.4 Espécies 17.4.1 Regime da Comunhão Parcial 17.4.2 Regime da Comunhão Universal 17.4.3 Regime daParticipação Final nos Aquestos 17.4.4 Regime da Separação de Bens 18. Parentesco 17 18 19 20 18.1 Espécies de parentesco 19. 19.1 18.1.1 Natural ou Consanguíneo 18.1.2 Afinidade 18.1.3 Civil 18.2 Filiação 18.3 18.4 18.2.1 Natureza Jurídica 16 17 18 18.1 18.2 18.3 18.3.1 18.2.1.1 Biológico 18.2.1.2 Socioafetivo (critério não biológico) 18.2.1.3 Presunções jurídicas 18.2.2 Reconhecimento de filhos (arts. 1601 a 1617, CC) 18.2.3 Pluriparentalidade 18.2.4 Adoção 18.2.5 Ação Investigatória de Paternidade/Maternidade 18.2.6 Prova da Filiação 19 Poder Familiar 18 19 20 21 19.1 Características 19.2 Direitos e Deveres 19.3 Administração 20 20.2 20.3 20.4 19.3.1 Vedação (art. 1691, CC) 19.3.2 Exclusão (art. 1693, CC) 19.4 Usufruto 19.5 Extinção, Suspensão e Perda 19.6 Guarda (arts. 1583 a 1590 do CC) 19.7 19.8 19.9 19.6.1 Espécies de guarda 19.7 Direito assistencial de família 19.7.1 Tutela (arts. 1728 a 1766 do CC) 19.7.2 Curatela (arts. 1767 a 1783 do CC) 19.7.3 Tomada de decisão apoiada (art. 1783-A do CC) 20 Alimentos 20 21 22 20.1 Conceito e pressupostos 20.2 Características 20.3 Classificação dos alimentos 21 21.6 21.7 21.8 20.3.1 Quanto à fonte 20.3.2 Quanto à extensão 20.3.3 Quanto ao tempo 20.3.4 Quanto à forma de pagamento 20.3.5 Quanto à finalidade 20.4 Exoneração 20.5 Alimentos Gravídicos 20.6 Ações de alimentos 20.7 20.8 20.9 20.6.1 Procedimento especial concentrado sumaríssimo (Lei n. 5.478/68) 20.6.2 Execução de alimentos QUADRO SINÓTICO QUESTÕES COMENTADAS GABARITO QUESTÃO DESAFIO GABARITO QUESTÃO DESAFIO LEGISLAÇÃO COMPILADA JURISPRUDÊNCIA MAPA MENTAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS