Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

OAB
EXAME DE ORDEM
DIREITO
CIVIL
Capítulo 07
 
1 
CAPÍTULOS 
 
Capítulo 1- – Direito Civil e Constituição. LINDB. Pessoa natural e 
Direitos da personalidade. Pessoa jurídica. 
  
Capítulo 2 – Bens. Fatos, Atos e Negócios Jurídicos. Prescrição e 
Decadência 
 
Capítulo 3 – Teoria Geral das Obrigações. Atos Unilaterais  
Capítulo 4 –Teoria do Contrato. Contratos em espécie.     
Capítulo 5 – Teoria da Responsabilidade civil.  
Capítulo 6 – Posse. Direitos Reais       
Capítulo 7 (você está aqui!) – Casamento, União Estável e 
Monoparentalidade. Dissolução do Casamento e da União Estável. 
Parentesco. Poder Familiar. Regimes de Bens e outros Direitos 
Patrimoniais nas relações familiares. Alimentos. 
 
Capítulo 8– Sucessão legítima. Sucessão testamentária e disposições 
de última vontade. 
    
 
 
2 
SOBRE ESTE CAPÍTULO 
 
A apostila de número 07 do nosso curso de Direito Civil tratou sobre Direito de Família, matéria 
que é extremamente cobrada no Exame de ordem! De acordo com a nossa equipe de 
inteligência, esse assunto esteve presente impressionante 13 VEZES nos últimos 3 anos! Não 
precisamos falar que o estudo desse conteúdo é primordial, não é? 
Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta 
é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei, 
dos enunciados, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha. 
E o mais importante, responda questões! A resolução de questões é a chave para a aprovação! 
Vamos juntos! 
 
 
3 
SUMÁRIO 
DIREITO CIVIL ........................................................................................................................................... 7 
Capítulo 7 .................................................................................................................................................. 7 
15. Casamento, União Estável e Monoparentalidade ...................................................................... 7 
15.1 A família na Constituição Federal de 1988 ................................................................................................ 7 
15.1.1 Princípios Fundamentais ................................................................................................................................... 7 
15.2 Conceito de Direito de Família ....................................................................................................................... 9 
15.3 Direito Matrimonial (Entidades Familiares) ................................................................................................ 9 
15.3.1 Casamento............................................................................................................................................................ 10 
15.3.2 União Estável ....................................................................................................................................................... 20 
15.3.3 Monoparentalidade .......................................................................................................................................... 24 
16. Dissolução do Casamento e da União Estável ......................................................................... 25 
16.1 Morte ....................................................................................................................................................................... 25 
16.2 Divórcio .................................................................................................................................................................. 25 
16.2.1 Divórcio Consensual (Amigável) ................................................................................................................. 26 
16.2.2 Divórcio litigioso ................................................................................................................................................ 27 
16.3 Separação Judicial .............................................................................................................................................. 28 
16.3.1 Separação de fato ............................................................................................................................................. 29 
16.4 Invalidade do Casamento ............................................................................................................................... 30 
16.4.1 Casamento inexistente .................................................................................................................................... 30 
16.4.2 Casamento Nulo (art. 1548 e 15499, CC) ............................................................................................... 30 
16.4.3 Anulável (art. 1550 a 1560, CC)................................................................................................................... 30 
16.4.4 Casamento putativo (art. 1561, CC) .......................................................................................................... 33 
17. Regimes de Bens ............................................................................................................................ 34 
 
4 
17.1 Conceito ................................................................................................................................................................. 34 
17.2 Princípios ................................................................................................................................................................ 34 
17.2.1 Variedade de regime de bens ..................................................................................................................... 34 
17.2.2 Princípio da Livre Estipulação ou Liberdade dos pactos antenupciais ...................................... 34 
17.2.3 Princípio da Indivisibilidade .......................................................................................................................... 35 
17.2.4 Princípio da Mutabilidade Justificada ....................................................................................................... 35 
17.3 Pacto Antenupcial (Art. 1653 a 1657 do CC) e o Regime Legal ................................................... 37 
17.4 Espécies .................................................................................................................................................................. 37 
17.4.1 Regime da Comunhão Parcial ..................................................................................................................... 37 
17.4.2 Regime da Comunhão Universal ................................................................................................................ 39 
17.4.3 Regime da Participação Final nos Aquestos ......................................................................................... 40 
17.4.4 Regime da Separação de Bens ................................................................................................................... 42 
18. Parentesco ........................................................................................................................................ 44 
18.1 Espécies de parentesco ................................................................................................................................... 44 
18.1.1 Natural ou Consanguíneo ............................................................................................................................. 44 
18.1.2 Afinidade ............................................................................................................................................................... 45 
18.1.3 Civil ..........................................................................................................................................................................45 
18.2 Filiação .................................................................................................................................................................... 46 
18.2.1 Natureza Jurídica ............................................................................................................................................... 46 
18.2.2 Reconhecimento de filhos (arts. 1601 a 1617, CC) ............................................................................ 49 
18.2.3 Pluriparentalidade ............................................................................................................................................. 50 
18.2.4 Adoção ................................................................................................................................................................... 50 
18.2.5 Ação Investigatória de Paternidade/Maternidade .............................................................................. 54 
18.2.6 Prova da Filiação ............................................................................................................................................... 55 
19 Poder Familiar ................................................................................................................................. 57 
 
5 
19.1 Características ...................................................................................................................................................... 57 
19.2 Direitos e Deveres .............................................................................................................................................. 58 
19.3 Administração ...................................................................................................................................................... 58 
19.3.1 Vedação (art. 1691, CC) .................................................................................................................................. 59 
19.3.2 Exclusão (art. 1693, CC) .................................................................................................................................. 59 
19.4 Usufruto .................................................................................................................................................................. 59 
19.5 Extinção, Suspensão e Perda ........................................................................................................................ 60 
19.6 Guarda (arts. 1583 a 1590 do CC) .............................................................................................................. 63 
19.6.1 Espécies de guarda........................................................................................................................................... 63 
19.7 Direito assistencial de família ....................................................................................................................... 65 
19.7.1 Tutela (arts. 1728 a 1766 do CC) ............................................................................................................... 65 
19.7.2 Curatela (arts. 1767 a 1783 do CC) ........................................................................................................... 68 
19.7.3 Tomada de decisão apoiada (art. 1783-A do CC) .............................................................................. 69 
20 Alimentos ......................................................................................................................................... 71 
20.1 Conceito e pressupostos................................................................................................................................. 71 
20.2 Características ...................................................................................................................................................... 71 
20.3 Classificação dos alimentos ........................................................................................................................... 75 
20.3.1 Quanto à fonte ................................................................................................................................................... 75 
20.3.2 Quanto à extensão ........................................................................................................................................... 75 
20.3.3 Quanto ao tempo ............................................................................................................................................. 76 
20.3.4 Quanto à forma de pagamento ................................................................................................................. 76 
20.3.5 Quanto à finalidade ......................................................................................................................................... 76 
20.4 Exoneração ............................................................................................................................................................ 78 
20.5 Alimentos Gravídicos ........................................................................................................................................ 79 
20.6 Ações de alimentos ........................................................................................................................................... 80 
 
6 
20.6.1 Procedimento especial concentrado sumaríssimo (Lei n. 5.478/68) ........................................... 81 
20.6.2 Execução de alimentos ................................................................................................................................... 82 
QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 85 
QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................ 109 
GABARITO ............................................................................................................................................ 122 
QUESTÃO DESAFIO ............................................................................................................................. 123 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................ 124 
LEGISLAÇÃO COMPILADA ................................................................................................................. 126 
JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................ 129 
MAPA MENTAL ................................................................................................................................... 144 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................... 150 
 
 
 
7 
DIREITO CIVIL 
Capítulo 7 
15. Casamento, União Estável e Monoparentalidade 
 
15.1 A família na Constituição Federal de 1988 
 Vamos trazer um enfoque constitucional nesse momento para que possamos 
compreender alguns conceitos e princípios decorrentes da nossa Carta Magna. 
Com a Constituição de 1988 e a superação da perspectiva individualista do Direito Civil, 
a família deixou de ser um fim em si mesma e passou a ser instrumental, isto é, deve servir ao 
desenvolvimento da personalidade, felicidade e dignidade de seus membros. 
Por isso, a família deixou de ser casamentária e passou a ser plural; deixou de ser 
patriarcal e passou a ser igualitária. A família é baseada no afeto, na ética, dignidade e 
solidariedade. A família é eudemonista. 
15.1.1 Princípios Fundamentais 
 Proteção da dignidade da pessoa humana (art.1º, III, CF/88): deve ser analisada a 
partir da realidade do ser humano em seu contexto social; 
 Solidariedadefamiliar (art. 3º, I, CF/88): é objetivo fundamental prevista na CF/88, 
assim, nas relações familiares, há a responsabilidade solidária, tanto em âmbito 
afetivo, quanto social, moral, patrimonial, etc; ex.: alimentos necessários (art. 1694, 
§2º, CC) 
 Igualdade: 
 
8 
 Entre filhos (art. 227, §6º, CF/88 c/c art. 1596, CC): juridicamente, todos os 
filhos são iguais perante a lei, mesmo que decorrentes de relações matrimoniais 
ou não. Esse regramento se difere do previsto no ordenamento anterior, que 
privilegiada aqueles havidos dentro do casamento; 
 Entre cônjuges e companheiros (art. 226, §5º, CF/88 c/c art. 1511, CC): há 
igualdade em relação à sociedade conjugal e à convivência. Assim, é equivocado 
falar em pátrio poder, devendo ser chamado de poder familiar, pois a chefia da 
família pode ser de qualquer uma das partes; 
 Não intervenção ou liberdade familiar (art. 1513, CC): o planejamento familiar é 
de livre decisão do casal, sendo vedado qualquer forma de coerção ou interferência 
estatal nesse sentido; 
 Maior interesse da criança/adolescente (art. 227, CF/88 c/c art; 1538 e 1584, CC): 
deve-se haver a proteção integral dos menores, com vistas a favorecer o seu melhor 
interesse. A exemplo disso, pode-se citar o instituto da guarda compartilhada em que 
o filho convive com ambos os pais, sem qualquer restrição a direito de visita, etc; 
 Afetividade: sob a ótica contemporânea, e como bem explica Maria Berenice Dias, 
deve-se ser levado, cada vez mais, o afeto nas relações familiares, em vez de 
critérios biológicos ou patrimonialistas. Ex.: parentalidade socioafetiva, pela qual se 
considerada existente o vínculo de filiação através do afeto de um indivíduo por outro 
e não simplesmente por ser filho biológico; 
 Função social da família (art. 226, CF/88): as relações familiares devem ser analisadas 
em relação ao contexto social de cada região ou local. Assim, a família deixou de 
ser um fim em si mesmo; 
 Boa-fé objetiva: pois não basta a mera intenção das partes (boa-fé subjetiva), 
devendo haver a lealdade entre as partes; 
 Família plural: nas sociedades contemporâneas, é equivocado dizer que a família só 
é constituída por homem e mulher através do casamento. Em razão da evolução 
social, ao longo do tempo, foram surgindo novas concepções de família. Assim, 
prevalece na doutrina e jurisprudência do STF e STJ que o rol constitucional familiar 
é exemplificativo. Isso sugere que são admitidas outras formas de manifestações 
 
9 
familiares, a exemplo da união estável, concubinato, homoafetiva1, monoparental, 
anaparental (família sem pais, só entre irmãos, por exemplo), pluriparental 
(decorrentes de vários casamentos, relacionamentos afetivos, uniões estáveis), 
eudemonista, etc. 
15.2 Conceito de Direito de Família 
 É o complexo de normas de ordem pública que regulam a celebração do casamento, 
sua validade, seus efeitos, relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, união estável, 
dissolução, relação entre pais e filhos, vínculo de parentesco, alimentos e os institutos 
complementares da tutela, curatela e ausência. 
15.3 Direito Matrimonial (Entidades Familiares) 
 A Constituição Federal de 1988 reconhece expressamente três modelos de entidades 
familiares: 
 Casamento (art. 226, §§1º e 2º): conjunto de pessoas unidas pelo casamento (cônjuges 
e filhos). 
 União estável entre o homem e a mulher (art. 226, §3º): trata-se da chamada entidade 
familiar. 
 Famílias monoparentais (art. 226, §4º): conjunto de pessoas formado por um só dos 
pais e sua prole (descendentes), também chamadas de famílias unilineares. 
 Esse rol de entidades familiares trazidos pela CF é, segundo a doutrina e a jurisprudência, 
inclusive do STF e STJ, é meramente exemplificativo. Desse modo, são admitidas outras formas 
de manifestação das entidades familiares. Vejamos algumas delas: 
 Família anaparental: quer dizer família sem pais. Ex: o STJ entendeu que o imóvel em 
que residem duas irmãs solteiras constitui bem de família, pelo fato delas formarem 
uma família. 
 Família homoafetiva: constituída por pessoas do mesmo sexo. 
 
1 Informativo n. 625, ADPF 132/RJ e AI 4277/DF. 
 
10 
 Família mosaico ou pluriparental: aquela decorrente de vários casamentos, uniões 
estáveis ou mesmo simples relacionamentos afetivos de seus membros. 
15.3.1 Casamento 
 É a união legal, o vínculo jurídico, entre homem e mulher que visa o auxílio mútuo, 
material e espiritual, criando a família legítima. 
Trata-se de um negócio jurídico gerador de direitos e deveres entre o homem e a mulher. 
É vinculado a normas de ordem pública e a observância das formalidades legais. Trata-se de 
um ato complexo (depende de celebração e inúmeras formalidades previstas na lei, como o 
processo de habilitação, publicidade, etc.), intuitu personae, dissolúvel, realizado entre duas 
pessoas exigindo a livre manifestação de vontade. É um ato privativo do representante do 
Estado (Juiz de casamento), sendo que a falta de competência da autoridade celebrante pode 
ser causa de anulação (art. 1.550, VI, CC). 
Assim, o casamento é o ato que estabelece entre as partes comunhão plena de vida, 
com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (teoria contratualista). 
 Apesar do conceito clássico de casamento trazer que o casamento se dará apenas entre 
pessoas de sexos distintos, o Brasil admite, na atualidade, o casamento entre pessoas do 
mesmo sexo. 
15.3.1.1 Teorias e Princípios 
 Teoria Contratualista: o casamento tem natureza de contrato, um negócio jurídico 
entre as partes, fundado na vontade (natureza negocial). 
 Teoria Institucionalista: o casamento não seria negocial, pois não é de interesse 
privado, e sim de interesse público. Para essa teoria o casamento é uma instituição 
jurídica e social. 
 Teoria Mista ou Eclética: para essa teoria o casamento seria a um só tempo contrato 
e instituição. Contrato na sua formação, mas os efeitos do casamento seriam 
institucionais. 
 
11 
O casamento é celebrado e desfeito com base única e exclusivamente pela vontade das 
partes. Assim, adota-se a Teoria Mista ou Eclética pela qual o casamento é uma instituição 
quando ao conteúdo e um contrato especial quanto à formação, com regras e princípios 
próprios. 
 Desse modo, o casamento está baseado no princípio da monogamia (art. 1521, VI, CC), 
liberdade de escolha (exceto em caso de impedimento matrimoniais que veremos a seguir) e 
comunhão plena de vida. 
15.3.1.2 Finalidade 
 Dentre os fins principais do casamento temos: 
 Instituição da família matrimonial. 
 Satisfação do desejo sexual: integração fisiopsíquica. 
 Legalização das relações sexuais (ligado também ao dever de fidelidade) ou do 
estado de fato. 
 Procriação (não é essencial), proteção e educação dos filhos. 
 Prestação de auxílio mútuo. 
 Estabelecimento de deveres entre os cônjuges. 
15.3.1.3 Direitos e Deveres 
 Fidelidade recíproca. 
 Coabitação (relativa): o que caracteriza o abandono é a intenção de não mais 
retornar ao lar. E não um afastamento temporário por motivo de serviço. 
 Mútua assistência (material, moral e espiritual), respeito e consideração. 
 Proteção da prole: sustento, guarda e educação dos filhos. 
15.3.1.4 Igualdade de Direitos e Deveres 
 Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo 
homem e pela mulher (art. 226, 5°, CF). O art. 1.511, CC prevê que: “O casamento estabelece 
comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”. 
 
12 
 Ambos podem exercer a direção da sociedade conjugal, fixando o domicílio, 
representando a família, etc. 
 Qualquer um pode adotar, se quiser, o sobrenome do consorte, bem como 
conservar seu nome de solteiro, consignando-se na certidão de casamento. 
 Ambos devem proteger o consorte física e moralmente. 
 Ambosdevem colaborar nos encargos da família. 
 Ambos podem exercer livremente profissão lucrativa. 
15.3.1.5 Proibições 
 Nenhum dos cônjuges pode, sem autorização (escrita e expressa) do outro, exceto no 
regime da separação total de bens (art. 1.647, CC):2 
Vejamos um exemplo de como esse assunto foi cobrado no Exame de ordem: 
XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, 
sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana sempre considerou diversificar sua atividade 
profissional e pensa em se tornar sócia de uma sociedade empresária do ramo de tecnologia. 
Para realizar esse investimento, pretende vender um apartamento adquirido antes de seu 
casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não concorda com a venda 
do bem para empreender. 
Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. 
A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se 
ao incremento da renda familiar. 
B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da 
comunhão parcial de bens. 
C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de 
bem particular. 
 
2 Vide questão 03 e 05 
 
13 
D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, 
independentemente do regime de bens. 
Observação: A questão acima transcrita e seu respectivo comentário estão dispostos no 
final desta apostila! Não deixe de respondê-la, ok? 😉 
 
 Alienar, hipotecar ou gravar de ônus real os bens imóveis, ou direitos reais sobre 
imóveis alheios: trata-se de falta de legitimação (e não de incapacidade); Concedida 
a anuência o cônjuge fica legitimado a praticar tais atos. 
 Pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens e direitos. 
 Prestar fiança ou aval: procura-se evitar o comprometimento dos bens do casal. 
 Fazer doação, não sendo remuneratória, de bens ou rendimentos comuns ou dos 
que possam integrar futura meação.3 
15.3.1.6 Princípios do Casamento 
 Liberdade de escolha: decorre da autonomia privada, onde, salvo os impedimentos 
matrimoniais, as pessoas são livres para escolher os futuros cônjuges. 
 Monogamia: não podem casar as pessoas ainda casadas. 
 Comunhão plena da vida: trata-se da igualdade entre os cônjuges. 
 Solenidade do ato nupcial: normas de ordem pública. 
15.3.1.7 Condições 
 Há duas espécies de condições: de existência do casamento e de sua validade. Vejamos: 
 Existência jurídica do casamento: além da celebração na forma da lei (não há 
casamento por instrumento particular) e do consentimento (não há casamento na 
ausência absoluta de consenso). Havendo transgressões a estas exigências mínimas, 
o casamento é considerado inexistente; ou seja, simplesmente não houve matrimônio 
algum. 
 
3 Vide questão 09 
 
14 
 Validade do ato nupcial: exige-se a aptidão física (puberdade e sanidade) e 
intelectual (grau de maturidade e consentimento íntegro). 
15.3.1.8 Formalidades para o Casamento 
 O casamento é cercado de um ritual, exigindo diversas formalidades. 
 Habilitação 
O primeiro passo é requerer a instauração do processo de habilitação no Cartório de 
Registro Civil para constatar a existência ou não de impedimentos matrimonias e dar publicidade 
ao ato. Trata-se de uma atitude preventiva, a fim de se evitar que pessoas impedidas se casem. 
A habilitação será feita pessoalmente perante o oficial do Registro Civil, com a audiência 
do Ministério Público. Caso haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou de terceiros, a 
habilitação será submetida ao Juiz. 
 Edital de proclamas 
 Os proclamas (edital que comunica ao público em geral a intenção dos noivos de contrair 
núpcias) são afixados nos Cartórios de ambos os nubentes. Decorridos 15 dias, o oficial entrega 
aos nubentes uma certidão de que estão habilitados a se casar dentro de 90 dias, sob pena de 
decadência. Se não houver casamento neste prazo, deve-se renovar todo o processo de 
habilitação. Em casos excepcionais pode haver dispensa da publicação (art. 1.527, parágrafo 
único, CC). Ex: grave enfermidade, parto iminente, viagem inadiável, etc. Na verdade é o Juiz 
quem irá apreciar o “motivo urgente”. 
 Celebração do casamento 
 A celebração do casamento ocorrerá no dia, hora e lugar previamente designados pelo 
Juiz de paz, mediante petição dos contraentes, que se mostrem habilitados com a certidão de 
habilitação. 
Será realizado na sede do cartório, com toda publicidade, a portas abertas, presentes pelo 
menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes. Se as partes quiserem, e 
consentindo a autoridade celebrante, o casamento poderá ser celebrado em outro edifício, 
público ou particular. 
 
15 
 Após ouvir dos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea 
vontade, declarará efetuado o casamento. Após a celebração do casamento, será lavrado o 
assento no livro de registro. 
 Aperfeiçoamento 
 O momento de aperfeiçoamento do casamento se dará no momento em que os cônjuges 
manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara 
casados. O registro do ato está no plano da eficácia do casamento. 
15.3.1.9 Idade Núbil 
 Tanto o homem como a mulher atingem a idade núbil aos 16 anos. Todavia os menores 
púberes (maiores de 16 e menores de 18 anos), para casar, devem ser autorizados por seus 
pais ou representantes legais. Caso os pais não consintam com o casamento ou em havendo 
divergência entre eles, quando a razão para a denegação for injusta, poderá a autorização ser 
suprida pelo Juiz (art. 1.631, parágrafo único, CC). 
 
 
 
Importante destacar que, antes da Lei n.º 13.811/2019 permitia-se, excepcionalmente, o 
casamento de pessoa que ainda não houvesse alcançado a idade núbil, em caso de gravidez. 
Atualmente, contudo, com a alteração da redação do art. 1.520 do CC, “não será permitido, 
em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil”. Na hipótese de 
realização de casamento de pessoa menor de 16 (dezesseis) anos, tem-se, então, casamento 
anulável, nos termos do art. 1.550, I, do CC. 
15.3.1.10 Impedimentos e Causas Suspensivas 
 Impedimentos dirimentes absolutos (ou públicos). 
 
16 
Trata-se de rol taxativo que impossibilita a realização de casamento, acarretando, em 
caso de sua ocorrência, a NULIDADE do matrimônio. Ainda, são questões de interesse público 
e, em razão disso, podem ser arguidos por qualquer pessoa interessada ou pelo Ministério 
Público, sendo uma ação imprescritível; 
 Impedimentos de Parentesco: consanguinidade, afinidade, adoção. 
 Impedimento de Vínculo: pessoas casadas. 
 Impedimento de Crime: homicídio ou tentativa de homicídio. 
 
No caso dos impedimentos, eles podem ser opostos, até o momento da celebração do 
casamento, por qualquer pessoa capaz. 
Assim, são causas impeditivas: 
Art. 1.521. Não podem casar: 
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; 
II - os afins em linha reta; 
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do 
adotante; 
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; 
V - o adotado com o filho do adotante; 
VI - as pessoas casadas; 
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio 
contra o seu consorte. 
 Causas Suspensivas ou Impedimentos Impedientes 
São situações em que, apesar de a lei apenas recomenda a não realização do casamento, 
porém, se assim o fizer, acarretará mero ônus legal: adoção do regime legal obrigatório, o 
Regime de Separação Legal/Obrigatória (art. 1641, I, CC). Diferentemente do que ocorre nos 
impedimentos matrimoniais, por não se tratarem de questões deinteresse público, os 
legitimados para arguir a existência de causas suspensivas são apenas os parentes em linha reta 
 
17 
de um dos cônjuges, consanguíneos ou afins, e colaterais em segundo grau, consanguíneos ou 
afins; 
 O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer 
inventário. 
 A viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, 
até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade 
conjugal. 
 O divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos 
bens. 
 O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou 
sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela 
ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. 
 
As causas suspensivas só podem ser arguidas pelos parentes em linha reta de um dos 
nubentes e pelos colaterais em segundo grau. 
São considerados nulo de pleno de direito. 
 
 
 
Importante alteração, trazida com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, se refere ao 
direito de casar. Não há qualquer impedimento de se realizar casamento com pessoas com 
deficiência, tendo em vista que são absolutamente capazes de exercer os atos da vida civil, 
 
18 
salvo incapacidade relativa, excepcionalmente decretada, que também não impede o 
casamento. 
15.3.1.11 Espécies de casamento: 
Quanto à celebração, as regras estão previstas nos arts. 1533 a 1542 do CC. Porém, há 
casos em que ocorre formas especiais de celebração em razão de alguma situação específica 
dos nubentes. 
Vejamos: 
 Moléstia grave (art. 1539, CC): 
O casamento será celebrado onde se encontrar a pessoa impedida perante duas 
testemunhas. Assim, um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o 
impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e 
escrever. 
A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-se-
á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc, 
nomeado pelo presidente do ato. 
O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no respectivo registro dentro 
em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado. 
 Nuncupativo (art. 1540, CC): 
Também denominado de em viva voz, in extremis vitae momentis ou in articulo mortis 
(do latim nuncupare = “dizer de viva voz”), trata-se de situação em que um dos nubentes se 
encontra em iminente risco de vida ou à beira da morte (art. 1.540, CC), não havendo, portanto, 
tempo para a celebração do casamento conforme as solenidades, não estando presente a 
autoridade competente para presidir o ato. 
 Dispensam-se as formalidades legais para o ato (processo de habilitação, proclamas e 
até mesmo a presença da autoridade competente, pois os contraentes não a localizaram). 
 
19 
 Basta que os contraentes manifestem o propósito de se casar e, de viva voz, recebam 
um ao outro. É necessária a presença de seis testemunhas sem parentesco (na linha reta e 
colateral até 2° grau) e posterior habilitação e homologação judicial. 
Após a morte do enfermo devem comparecer diante da autoridade judicial competente, 
declarando por termo que foram convocadas pela pessoa que corria perigo de morte, mas 
estava consciente da sua vontade e que os contraentes, de forma livre e espontânea, aceitaram 
o casamento. 
Se a pessoa convalescer antes do casamento bastará ratificar o casamento na presença 
da autoridade competente (não é necessário um novo casamento). Se não ratificar, o casamento 
não terá valor algum. 
 Por procuração (art. 1542, CC): 
Deve ser realizada por instrumento público com poderes especiais, possuindo, a 
procuração, eficácia de 90 dias, sendo revogável até o momento da celebração. Embora seja 
imprescindível a presença real e simultânea dos contraentes, o Código Civil permite o casamento 
por procuração, desde que um dos nubentes não possa estar presente. 
A procuração deve ser por instrumento público, com poderes especiais para contrair 
casamento, mencionando o regime de bens. Se ambos não puderem comparecer, deverão 
nomear procuradores diversos. O prazo do mandato não poderá exceder a 90 dias. 
A procuração pode ser revogada a qualquer tempo antes da celebração do casamento, 
mas também será exigido o instrumento público para a revogação (princípio da atração das 
formas – a mesma forma exigida para o ato deverá ser usada para a revogação). 
 Diplomático ou consular (art. 7º, §2º, LINDB): 
O casamento dos estrangeiros poderá ser celebrado perante autoridades diplomáticas ou 
consulares do país de ambos os nubentes. 
 Religioso com efeitos civis (art. 1515 e 1516, CC): 
Se precedido de processo de habilitação, deve ser registrado em 90 dias, após esse prazo, 
necessitará de nova habilitação. Em contrapartida, se não foi precedido de habilitação, terá 
 
20 
efeitos civis apenas se for registrado no registro civil a requerimento do casal por meio de 
prévia habilitação à autoridade competente, respeitando-se, também, o prazo de 90 dias 
(efeito ex tunc), 
15.3.1.12 Prova e Efeitos do Casamento 
 Prova do casamento (art. 1543 a 1547, CC): 
 Direta: 
o No Brasil: certidão do registro; 
o Exterior: registro em 180 dias no cartório do respectivo domicílio ou no 1º 
ofício da capital do Estado que forem residir; 
 Complementares/supletórios: quando ocorrer a falta ou perda do registro civil, 
sendo admissível qualquer outro tipo de prova; 
 Indireta: posse do estado de casado, demonstrando a efetiva situação de 
casados no mundo dos fatos. Nesse sentido, aplica-se sempre o princípio in 
dubio pro matrimonio; 
 Efeitos do casamento: 
 Pessoais: é a comunhão plena de vida, adotar o sobrenome do outro, 
planejamento familiar e os deveres matrimoniais previstos no art. 1566, CC; 
 Patrimoniais: são os direitos patrimoniais dos nubentes que se consubstanciam 
no regime de bens deles. Sobre esse tema, trataremos especificamente no tópico 
específico. 
15.3.2 União Estável 
 É uma união duradoura de pessoas livres e que não estão ligadas entre si por 
casamento. O Código Civil permite a união estável entre pessoas solteiras, viúvas, divorciadas, 
separadas judicialmente ou separadas de fato. 
15.3.2.1 Elementos 
 Dualidade de pessoas 
 Publicidade 
 Durabilidade 
 
21 
 Continuidade 
 Constituição de família 
 Não haver impedimentos matrimoniais: exceto quanto aos separados (judicialmente 
ou de fato). 
 
 
 
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo. A partir 
daí os casais homossexuais terão os mesmos direitos e deveres que a legislação estabelece 
para os casais heterossexuais, sendo tratados como um novo tipo familiar. A decisão compara 
a união homoafetiva à união estável, para todos os fins jurídicos, tendo efeito vinculante e 
erga omnes. 
15.3.2.2 Meação 
 Se não houver pacto entre os conviventes o regime da comunhão parcial prevalecerá e o 
convivente terá direito à metade dos bens por ocasião da dissolução da união estável 
(separação ou morte) se adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Não se 
comunicam os bens advindos de herança, legado ou doação. 
15.3.2.3 Sucessão 
 O companheiro supérstite, além da meação participará da sucessão do outro, nas mesmas 
condições que o cônjuge sobrevivente. 
 
 
22 
O STF reconheceu, em regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 1.790 do 
CC (que disciplinava a participação do companheiro supérstite na sucessão do outro), devendo 
ser aplicado ao regime sucessório entre companheiros as mesmas regras estabelecidas no art. 
1.829 do CC para os cônjuges (STF RE 646.721/RS e RE 878.694/MG). No mesmo sentido 
entende o STJ (REsp 1.332.773/MS). 
15.3.2.4 Deveres 
 Em relação ao companheiro, lealdade, respeito e assistência. 
 Em relação aos filhos: guarda, sustento e educação.Nota-se que o legislador não colocou os mesmos deveres para o casamento. A lei é 
omissa em relação: ao dever de fidelidade e ao da coabitação. 
 No entanto a doutrina aponta que a fidelidade seria uma espécie de lealdade (esta seria 
o gênero). Portanto é evidente que a “traição” pode causar repulsa de tal ordem que torne 
insuportável a convivência ao companheiro inocente. 
 Já em relação à coabitação entende-se que a vida em comum sob o mesmo teto não é 
imprescindível para a caracterização da união estável. A propósito, diz a Súmula 382 do 
Supremo Tribunal Federal: “A vida em comum sob o mesmo teto, more uxorio, não é 
indispensável à caracterização do concubinato”. 
15.3.2.5 Separação de Corpos 
 Esta medida cautelar é manejável tanto na hipótese do casamento como na de união 
estável (nesta hipótese, antes de se promover a ação de reconhecimento e extinção da própria 
união estável - art. 1.562, CC), porque nos dois casos há conflitos de interesses que merecem 
tutela jurídica. 
Trata-se de medida prudente, uma vez que evita ocorrência de danos irreparáveis ou de 
difícil reparação, regularizando uma situação de fato, quando as partes já se encontram 
separadas. 
 
23 
15.3.2.6 Conversão em Casamento 
 Determina o art. 1.726, CC que a união estável poderá converter-se em casamento, 
mediante pedido dos conviventes ao Juiz e assento no Registro Civil (a conversão de união 
estável em casamento pode se operar pela via judicial ou extrajudicial, à escolha do casal – STJ 
REsp 1.685.937-RJ, Info 609). 
 
O art. 8º da Lei nº 9.278/96 prevê a possibilidade de que a conversão da união estável em 
casamento seja feita pela via extrajudicial. No entanto, este dispositivo não impõe a 
obrigatoriedade de que se formule o pedido de conversão na via administrativa antes de 
se ingressar com a ação judicial. O art. 8º da Lei nº 9.278/96 deve ser interpretado como 
sendo uma faculdade das partes. Dessa forma, o ordenamento jurídico oferece duas opções 
ao casal: a) pode fazer a conversão extrajudicial, nos termos do art. 8º da Lei 9.278/96; ou b) 
pode optar pela conversão judicial, conforme preconiza o art. 1.726 do CC. STJ. 3ª Turma. 
REsp 1.685.937-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/8/2017 (Info 609). 
15.3.2.7 Nome do Companheiro 
 A lei permite que se utilize o patronímico do companheiro, se houver a concordância 
deste, vida em comum por mais de cinco anos ou filho da união. Não podem ser casados em 
núpcias anteriores. 
15.3.2.8 Previdência Social 
 Havendo união estável, os conviventes são beneficiários do segurado. Também têm 
direito à pensão deixada pelo servidor civil ou militar. Permite-se o abatimento no Imposto de 
Renda como encargo de família (dependente). 
 
24 
15.3.2.9 Responsabilidade Civil 
 Assim como o cônjuge, a companheira ou companheiro pode pleitear indenização por 
morte do companheiro motivada por ato ilícito. 
 
NAMORO QUALIFICADO: O fato de namorados projetarem constituir família no futuro não 
caracteriza união estável, ainda que haja coabitação, visto que a União Estável exige a 
vontade de constituição de família naquele momento. 
EFEITOS EX-NUNC DA UNIÃO ESTÁVEL: O contrato de União Estável não possui efeitos 
retroativos à data de sua celebração, para prestigiar período anterior à sua assinatura. 
15.3.3 Monoparentalidade 
 São as famílias formadas por um só dos pais e sua prole (descendentes). Também 
chamadas de famílias unilineares. 
 
 
25 
 
16. Dissolução do Casamento e da União Estável 
Em razão da EC 66/2010, em tese, não é mais viável juridicamente a separação de 
direito (judicial ou extrajudicial), apesar de os dispositivos legais respectivos no Código Civil 
não terem sido expressamente revogados. 
Assim, de acordo com o art. 1571 do CC, o casamento poderá ser dissolvido: morte, 
invalidade do casamento e pelo divórcio (Lei nº 6515/77), que pode ser consensual ou litigioso 
ou, ainda, extrajudicial por meio de cartório. 
Porém, apesar do entendimento acima, conforme Informativo 604 do STJ, a sua 4ª Turma 
decidiu que a EC 66/2010 não revogou os artigos do Código Civil que tratam da separação 
judicial, assim, define que separação judicial ainda é opção à disposição dos cônjuges. 
Portanto, fique atento à pergunta de sua prova, se for uma questão objetiva que pergunte 
se houve revogação expressa de tais dispositivos, a resposta é NÃO! Se a pergunta for relativa 
ao entendimento do STJ, siga o explicado alhures e se for em uma prova discursiva, trata-se de 
divergência interessante para agregar à sua resposta. 
16.1 Morte 
 A morte pode ser real ou presumida com ou sem decretação de ausência. 
16.2 Divórcio 
O divórcio pode ser consensual ou litigioso. 
Quais os efeitos da sentença do divórcio? Ela dissolve definitivamente o vínculo 
matrimonial, põe fim aos deveres conjugais, extingue o regime de bens, acarretando sua 
partilha, faz cessar o direito sucessório, não admite reconciliação (devendo casar novamente, 
se for o caso), novo casamento dos divorciados e mantém inalterados os direitos e deveres 
 
26 
dos pais em relação aos seus filhos (guarda), possibilidade de alimentos, possibilidade de 
manter o nome de casado ou não, inexistindo qualquer necessidade de comprovação de culpa. 
16.2.1 Divórcio Consensual (Amigável) 
 Pode ser obtido em cartório (procedimento administrativo) ou em juízo (procedimento 
de jurisdição voluntária); 
 O CPC no divórcio consensual judicial exige um requisito objetivo: consenso, vontade 
das partes, independentemente da existência de filhos menores incapazes. Se as partes 
chegaram a um consenso sobre as cláusulas do divórcio, mesmo que exista interesse de 
incapazes, o procedimento de jurisdição voluntária poderá ser utilizado. Havendo a possibilidade 
de existência de incapazes e cláusulas obrigatórias da petição inicial 
 As disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; 
 As disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; 
 O acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e 
 O valor da contribuição para criar e educar os filhos. 
Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, far-se-á esta depois de 
homologado o divórcio, na forma estabelecida nos arts. 647 a 658. 
 Por sua vez, a Lei nº 11.441/07 concebeu a possibilidade de divórcio consensual em 
cartório, através de um procedimento administrativo, sendo decretado por meio de escritura 
pública e não por sentença. Essa escritura pública independe de intervenção do MP e 
homologação judicial. O próprio tabelião lavrará a escritura pública quando presentes os 
requisitos do art. 1.124-A. 
 O uso da via cartorária é facultativo e não obrigatório, porém não pode haver interesse 
de incapaz. O casal sempre pode optar pelo uso da via judicial. Havendo interesse de incapaz 
o uso da via judicial é obrigatório. 
 
27 
16.2.2 Divórcio litigioso 
 Sempre será em juízo e, no CPC/73 tratava-se de um procedimento comum ordinário, 
contudo, atualmente, trata-se de um procedimento especial previsto nos artigos 693 a 699 do 
CPC/15. 
Assim, de acordo com o art. 693 do CPC, as normas previstas no capítulo das Ações de 
Família, aplicam-se aos processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e 
extinção de união estável, guarda, visitação e filiação. 
Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual 
da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de 
conhecimento para a mediação e conciliação. 
A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo enquanto 
os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar. 
Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à tutela 
provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e 
conciliação, observado o disposto no art. 694. 
Omandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar 
desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu 
conteúdo a qualquer tempo. 
A citação ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data designada 
para a audiência, sendo realizada na pessoa do réu. Na audiência, as partes deverão 
(obrigatório) estar acompanhadas de seus advogados ou de defensores públicos. 
A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas sessões quantas sejam 
necessárias para viabilizar a solução consensual, sem prejuízo de providências jurisdicionais para 
evitar o perecimento do direito. 
Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as normas do procedimento 
comum, observado o art. 335. Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá 
 
28 
quando houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação de 
acordo. 
Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação 
parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista. 
Assim, é possível a cumulação de pedidos (guarda; alimentos, visitas de filhos, indenização; 
partilha de bens, etc.) Assim, o juiz julga o pedido de divórcio, de imediato, e o processo 
continua para decidir os demais pedidos. O divórcio é direito potestativo, não pode ser 
contestado. 
 
COMUNICABILIDADE DOS BENS: Diante do divórcio, não deve ser reconhecida a meação 
dos valores depositadas em conta vinculada ao FGTS em datas anteriores à constância do 
casamento, se realizado no regime de separação parcial de bens, e que tenham sido utilizados 
para a aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação conjugal. 
16.3 Separação Judicial 
 A separação apenas desconstitui o casamento, mas não dissolve. Assim, a separação 
seria causa terminativa, não dissolutiva. A maioria da doutrina entende que com o advento da 
EC 66 não mais existe separação. 
Assim, é majoritário que a separação judicial não dissolve o casamento, apenas põe fim 
a determinados deveres, contudo, em entendimento contrário a doutrina, a jurisprudência do 
STJ4 entende que a EC 66/2010 não revogou, expressa ou tacitamente, a legislação ordinária 
que trata da separação judicial. 
 
4 STJ. 3ª Turma. REsp 1.431.370-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/8/2017 (Info 610). STJ. 4ª Turma. REsp 
1.247.098-MS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2017 (Info 604). 
 
29 
16.3.1 Separação de fato 
A separação de fato acarreta uma ruptura da convivência entre os consortes, havendo 
bastante relevância para o sistema jurídico brasileiro, acarretando a cessação da base afetiva 
da relação. 
Apesar de não constar no CC como causa terminativa nem como causa dissolutiva, não 
afetando o casamento a princípio, o STJ equipara a separação de fato à separação judicial, de 
modo a por fim aos deveres conjugais. 
Assim, os efeitos da separação de fato são: 
 Possibilidade de caracterização de união estável por conta da cessação dos deveres 
de fidelidade e coabitação; 
 Cessação do regime de bens5 
 
 
 
Para o CC/02, cessará o regime de bens após a separação de fato por mais de 5 anos. O STJ 
ignora essa disposição do CC ao considerar que o regime de bens cessa com a separação de 
fato (2 anos), harmonizando o sistema. Ora, se a pessoa está separada de fato, pode 
constituir união estável e essa união estará submetida à comunhão parcial. Se for aplicado o 
art. 1642, V, ele já tem companheira em regime de comunhão parcial e o regime de bens do 
casamento. 
 Cessação do direito à herança; 
 Sub-rogação locatícia (Lei n.8.245/91, art. 12); 
 Permissão para a contagem do prazo para o usucapião conjugal (CC, art. 1.240-A). 
 
5 Posição do STJ, REsp. 555.771/SP 
 
30 
16.4 Invalidade do Casamento 
As causas de invalidade do casamento são causas desconstitutivas e não dissolutivas (as 
pessoas voltam ao estado anterior). Podem ser divididas em casamento inexistente, casamento 
nulo, casamento anulável e casamento putativo 
16.4.1 Casamento inexistente 
São os casamentos que não deveriam ter acontecidos. A doutrina traz duas hipóteses: 
ausência de vontade e celebrado por autoridade totalmente incompetente. 
16.4.2 Casamento Nulo (art. 1548 e 15499, CC) 
Após o advento do Estatuto da Deficiência, o único caso em que implicará a nulidade, 
de acordo com a lei, será com o infringência das regras de impedimento. A decretação de 
nulidade de casamento, pelos motivos previstos no artigo antecedente, pode ser promovida 
mediante ação direta, por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público. 
16.4.3 Anulável (art. 1550 a 1560, CC) 
São hipóteses taxativas em que acarretará a nulidade relativa do casamento, 
dependendo da arguição dentro dos prazos decadenciais legais. São elas: 
 Quem não completou a idade mínima para casar; 
A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair 
matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador. 
Assim, como já explicado anteriormente, não há qualquer nulidade nesses casos. 
Ademais, não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou gravidez e 
a anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: 
 
31 
 
O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de completá-la, confirmar seu 
casamento, com a autorização de seus representantes legais, se necessária, ou com suprimento 
judicial. 
 Menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal; 
O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante 
legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do 
incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. 
O prazo será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir 
do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz. Não se anulará o casamento 
quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, 
por qualquer modo, manifestado sua aprovação. 
 Por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558; 
O casamento pode ser anulado por vício da vontade, se houve por parte de um dos 
nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro. 
Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: 
 O que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro 
tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao 
cônjuge enganado; 
 A ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne 
insuportável a vida conjugal; 
 A ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não 
caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou 
pelo próprio cônjuge menor
por seus representantes legais
por seus ascendentes
 
32 
por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua 
descendência; 
É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de 
ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e 
iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares. 
Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode demandar a anulação 
do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato, ressalvadas as hipóteses 
dos incisos III e IV do art. 1.557. 
 Incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; 
 Realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da 
revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges; 
 Por incompetência da autoridade celebrante. 
Subsisteo casamento celebrado por aquele que, sem possuir a competência exigida na 
lei, exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado 
o ato no Registro Civil. 
 
O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, 
é de: 
 Cento e oitenta dias, no caso de o incapaz de consentir ou manifestar, de modo 
inequívoco, o consentimento; 
 Dois anos, se incompetente a autoridade celebrante; 
 Três anos, nos casos de erro essencial 
 Quatro anos, se houver coação. 
 
33 
Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de 
dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data 
do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes. Na hipótese de casamento 
realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do 
mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges, o prazo para anulação do casamento 
é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da 
celebração. 
16.4.4 Casamento putativo (art. 1561, CC) 
Embora nulo/anulável, foi contraído de boa-fé por ambos os cônjuges ou só um deles, 
reconhecendo-lhes efeitos legais. Porém, ainda que de má-fé, se por apenas um dos cônjuges, 
o de boa-fé e os filhos estarão sujeitos aos efeitos legais, e, inclusive, se ambos estiverem de 
má-fé, os efeitos recairão apenas nos filhos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
17. Regimes de Bens 
17.1 Conceito 
Trata-se do estatuto patrimonial dos cônjuges, aplicável a outras entidades familiares, a 
exemplo da união estável. É regido pela autonomia privada, pela indivisibilidade (regime único 
para ambos), pela variedade de regimes e mutabilidade justificada (é possível a alteração de 
regime de bens, desde que por meio judicial, de forma motivada por ambos os cônjuges, 
ressalvado direito de terceiros). 
 Existem três formas de incidência do regime de bens: em primeiro lugar, em razão da 
autonomia privada, os cônjuges estão livres para escolher o regime que lhe bem entenderem, 
porém, caso são haja escolha, que deve ocorrer através do pacto antenupcial, estarão sujeitos 
ao regime legal (comunhão parcial de bens). Ainda, caso estejam sujeitos a uma das regras de 
causas suspensivas ou entre outras hipóteses, serão submetidos ao regime obrigatório legal, o 
da separação total de bens obrigatória. 
17.2 Princípios 
17.2.1 Variedade de regime de bens 
A lei oferece quatro espécies de regimes: comunhão universal, comunhão parcial, 
separação e participação final dos aquestos. 
17.2.2 Princípio da Livre Estipulação ou Liberdade dos pactos 
antenupciais 
Pacto antenupcial é um contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual 
os nubentes escolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. Os nubentes 
podem estipular cláusulas, atinentes às relações econômicas, desde que respeitados os princípios 
da ordem pública; devem ser feitos por escritura pública (sob pena de nulidade) e seguido do 
casamento (sob pena de ineficácia). 
 
35 
Se os nubentes nada convencionarem ou sendo nula a convenção, vigorará o regime 
da comunhão parcial (art. 1.640, CC). Se optarem por qualquer outro regime, será obrigatório 
o pacto antenupcial por escritura pública, sob pena de nulidade. 
É também conhecido como princípio da autonomia privada (autonomia da vontade), é a 
regra que permite a livre escolha do regime de bens pelos nubentes. Está prevista no caput do 
art. 1639, CC6. A liberdade de pactuar o regime de bens não é absoluta, pois o pacto não pode 
conter cláusulas que violem as normas de ordem pública a respeito da matéria. 
Regime legal (ou supletório) é aquele que será aplicado ao casamento na hipótese de 
omissão de vontade dos nubentes. Também deve ser aplicado nos casos de vícios que conduzam 
à nulidade do pacto. Antes do advento da Lei n. 6.515/77 (Lei do Divórcio), o regime legal era 
o da comunhão universal de bens. Com a entrada em vigor do referido diploma, o regime legal 
passou a ser o da comunhão parcial, regra mantida pelo CC/2002. 
17.2.3 Princípio da Indivisibilidade 
 É o princípio que proíbe a celebração de casamento com regimes distintos para cada um 
dos cônjuges, visto que o regime é uno. Contudo, isso não impede disposições especiais no 
pacto antenupcial de doação de bens de um cônjuge ao outro. O princípio da indivisibilidade é 
excepcionado na hipótese de casamento nulo ou anulável em que apenas um dos cônjuges 
agiu de boa-fé. 
17.2.4 Princípio da Mutabilidade Justificada 
Atualmente a lei permite a mutabilidade do regime adotado, desde que haja uma 
autorização judicial, atendendo a pedido motivado de ambos os cônjuges, após apuração de 
procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros (art. 1639, §2º, CC). 
 
6 Vide questão 12 
 
36 
Assim, o entendimento pacificado na jurisprudência do STJ é no sentido de que é possível 
(atualmente) a alteração do regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do CC/1916. 
O art. 2.039, do CC/2002, não impede a mudança. 
 Requisitos para alteração do regime 
 Ação judicial: a alteração só é possível mediante ação de alteração do regime 
de bens, assim, em regra, esta ação deve ser distribuída na Vara de Família, ou 
na sua ausência, deve ser distribuída na Vara Cível. 
 Absoluto consenso entre os cônjuges; 
 Justo motivo: o pedido de alteração do regime de bens deverá ser motivado e 
o juiz analisará a procedência das razões invocadas. 
 Ressalva de direitos de terceiros; 
Assim, de acordo com o art. 734 do CPC, a alteração do regime de bens do casamento, 
observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição assinada 
por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a alteração, ressalvados 
os direitos de terceiros. 
Ao receber a petição inicial, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e a 
publicação de edital que divulgue a pretendida alteração de bens, somente podendo decidir 
depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias da publicação do edital. 
Os cônjuges, na petição inicial ou em petição avulsa, podem propor ao juiz meio 
alternativo de divulgação da alteração do regime de bens, a fim de resguardar direitos de 
terceiros. 
Após o trânsito em julgado da sentença, serão expedidos mandados de averbação aos 
cartórios de registro civil e de imóveis e, caso qualquer dos cônjuges seja empresário, ao Registro 
Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. 
 
37 
17.3 Pacto Antenupcial (Art. 1653 a 1657 do CC) e o Regime 
Legal7 
 É um negócio jurídico pessoal, solene (escritura pública), nominado e típico, que 
regulamenta as questões patrimoniais do matrimonio. 
Assim, deve existir sempre que os nubentes adotarem regime de bens diversos do regime 
legal e desde que não seja o obrigatório, visto que, nesse caso, não se leva em consideração 
a vontade deles. A sua nulidade de alguma cláusula não atinge o todo o pacto, em razão 
princípio da conservação dos negócios jurídicos. 
O regime legal de bens, é aquele estabelecido sem pacto antenupcial, assim, se não 
houver disposição em sentido contrário, o casamento e a união estável serão realizados sobre 
o regime de comunhão parcial de bens. 
17.4 Espécies 
17.4.1 Regime da Comunhão Parcial 
Trata-se do regime legal aplicado sempre que os cônjuges não escolherem outro por 
meio do pacto antenupcial, assim, é o que vigora no silêncio das partes ou nulidade do pacto 
antenupcial. Nesse regime, regra geral, comunicam-se todos os bens (bens comuns) havidos 
durante o casamento, exceto se forem incomunicáveis. Assim, forma-se duas massas 
patrimoniais: bens comuns e bens particulares. 
Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam. Ficam excluídos da comunhão de 
bens que cada cônjuge possuíaantes de casar, bem como os que vierem depois, por doação 
ou sucessão (e os sub-rogados em seu lugar). Por outro lado, cada consorte responde pelos 
próprios débitos anteriores ao casamento. 
 
7 Questão 08 
 
38 
 Em caso de divórcio, cada um ficará com sua parte e será repartida apenas a parte 
comum. Já em caso de morte, o cônjuge ou companheiro sobrevivente também ficará com sua 
parte exclusiva, herdará a parte exclusiva do de cujus, e será meeiro da parte em conjunto. 
 
 
 
 
Não confundir meação com herança. Isso sempre é um tema de prova e possui um altíssimo 
índice de erro por conta dessa confusão. 
 
 
 
BENS COMUNS (art. 1658, 1660, 1662, 
CC)8 
BENS PARTICULARES (art. 1659 e 1661, 
CC) 
 Durante o casamento 
 Constituídos durante o casamento, à 
título oneroso, ainda que em nome de 
um dos cônjuges; 
 Bens adquiridos por fato eventual 
mesmo que sem a colaboração do 
outro; ex.: loteria 
 Doação, herança ou legado em favor 
de ambos os cônjuges; 
 Benfeitorias necessárias, úteis e 
voluptuárias dos bens particulares; 
 Os bens particulares que já possuíam 
ao casar e aqueles recebidos por 
doação ou herança ou sub-rogados 
em seu lugar; 
 Bens adquiridos com valores 
exclusivos de um dos cônjuges ou 
sub-rogados de bens particulares; 
 Obrigações anteriores ao casamento, 
ou seja, dívidas que não foram 
constituídas para pagar encargos 
familiares; 
 
8 Vide Questão 02 e 11 
 
39 
 Frutos civis (rendimentos) ou 
naturais de bens comuns ou 
particulares, desde que recebidos 
durante o casamento ou, se 
pendentes, quando cessar; 
 Os bens móveis (presunção relativa); 
 Bens de uso pessoal de casa cônjuge, 
inclusive instrumento de profissão; 
 Proventos do trabalho pessoal; 
 Pensões, meios-soldos e montepios; 
 Bens adquiridos por causa anterior ao 
casamento; 
 
 
A administração dos bens cabe a qualquer dos cônjuges, exceto se houver malversação 
dos bens, caso em que o juiz irá determinar a administração à apenas um deles. Ademais, as 
dívidas contraídas em relação aos bens particulares em benefício destes, não obrigam os bens 
comuns. Por fim, deve-se ressaltar o teor do Enunciado n. 340 do CJF/STJ: “No regime da 
comunhão parcial de bens é sempre indispensável a autorização do cônjuge, ou seu suprimento 
judicial, para atos de disposição sobre bens imóveis”. 
17.4.2 Regime da Comunhão Universal 
Nesse regime, comunicam-se todos os bens do casal, independentemente da aquisição 
anterior à celebração do casamento. Assim, forma-se uma única massa patrimonial. Contudo, 
apesar de tal regra geral, o Código Civil elencou hipóteses em que tal comunicabilidade não é 
absoluta, havendo bens que não se comunicam. 
Assim, é aquele em que todos os bens dos cônjuges, presentes ou futuros, adquiridos 
antes ou depois do casamento (ainda que em nome de um só deles), tornam-se comuns, 
constituindo uma só massa, tendo cada cônjuge o direito à metade ideal do patrimônio comum 
(são meeiros), havendo comunicação do ativo e do passivo. Em princípio só há um só patrimônio, 
instaurando-se o estado de indivisão. É necessário o pacto antenupcial. 
 
 
 
 
40 
BENS COMUNS 
 Todos os bens do casal, inclusive recebidos por doação ou herança; 
 Frutos, ainda que de bens incomunicáveis; 
BENS INCOMUNICÁVEIS 
 Doados/herdados com cláusula de incomunicabilidade ou sub-rogados; 
 Gravados com fideicomisso; 
 Dívidas anteriores ao casamento, salvo se com este relacionadas ou de proveito 
comum; 
 Doações antenupciais com cláusula de incomunicabilidade; 
 Bens de uso pessoal, livros, profissão, pensão; 
 
 Em caso de divórcio, será repartida a parte comum, ficando cada um com metade do 
patrimônio. Já em caso de morte, o cônjuge ou companheiro sobrevivente será apenas meeiro 
do patrimônio total do casal, já que não existe parte exclusiva do de cujos. 
Quanto à administração, aplica-se as regras do regime legal, cabendo a ambos e, findo 
a comunhão, encerra-se a responsabilidade solidária. 
17.4.3 Regime da Participação Final nos Aquestos 
 Trata-se de regime inspirado em ordenamento jurídico de outros países e bastante 
complexo, que possibilita a formação de até 5 massas patrimoniais, em dois momentos 
distintos do regime: na constância do casamento e na sua dissolução, cada um possuindo 
seu regramento específico. 
 Assim, é um misto de dois regimes: durante a constância do casamento vigoram as 
regras semelhantes ao regime da separação total de bens; dissolvida a sociedade conjugal, 
em tese, vigoram as regras da comunhão parcial. 
 Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos cônjuges na constância do 
casamento. Há dois patrimônios: 
 
41 
 Inicial: conjunto de bens que cada cônjuge possuía antes de se casar e os que 
foram por ele adquiridos, a qualquer título, durante o casamento. A administração 
dos bens é exclusiva de cada cônjuge, podendo aliená-los livremente se forem móveis. 
Em se tratando de bens imóveis um não poderá sem a autorização do outro realizar 
os atos previstos no art. 1.647, CC (alienar, hipotecar, prestar fiança, etc.) No entanto, 
no pacto antenupcial pode-se convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde 
que particulares. 
 Final: com a dissolução da sociedade conjugal apura-se o montante dos aquestos, 
excluindo-se da soma o patrimônio próprio (ex: bens anteriores ao casamento e os 
sub-rogados em seu lugar, obtidos por herança, legado ou doação, etc.), efetuando-
se a partilha e conferindo a cada consorte, metade dos bens amealhados pelo casal. 
Se os bens forem adquiridos pelo trabalho conjunto, cada um dos cônjuges terá 
direito a uma quota igual no condomínio. Como se percebe, trata-se mais de uma 
compensação dos bens adquiridos e não propriamente de uma divisão. Repetindo, se 
assemelha com o regime de comunhão parcial. 
 
 
 
 
 
 
BENS 
PARTICULARES
antes
durante
BENS 
PARTICULARES
BENS COMUNS
dissolução
 
42 
Assim, durante o casamento, haverá uma separação convencional dos bens, com bens 
particulares de cada cônjuge, e no momento da sua dissolução, uma comunhão parcial de 
bens em que se extrairá os aquestos (participação/esforço) da colaboração de cada um dos 
cônjuges nos bens onerosos adquiridos durante a união. 
 Nesse sentido, os aquestos não se confundem com a meação, pois este independe da 
comprovação do esforço comum. Ora, na dissolução, os bens adquiridos durante o casamento, 
que eram considerados particulares, se tornarão comuns, fazendo cada cônjuge jus aos bens 
particulares + aquestos daqueles bens, excluindo aqueles anteriores ao casamento ou sub-
rogados, herdados ou doados ou as dívidas destes. 
17.4.4 Regime da Separação de Bens 
O regime de separação de bens pode ser tanto convencional quanto legal. No primeiro 
caso, os nubentes escolhem por adotar tal regime e, no segundo caso, é obrigatório por 
determinação legal. Nesse regime, só há bens particulares, pois não ocorre comunicabilidade 
dos bens. 
Cada cônjuge conserva, com exclusividade, o domínio, posse e administração de seus 
bens, presentes e futuros, havendo incomunicabilidade dos mesmos, não só dos que cada 
um possuía ao se casar, mas também dos que vierem a adquirir na constância do casamento. 
Existem dois patrimônios distintos: o do marido e o da mulher. 
 Assim, mantém-se a responsabilidade pelos débitos anteriores e posteriores ao 
casamento. Qualquer dos consortes poderá, sem autorização do outro, prestar fiança ou aval 
e fazer doação, etc. 
 O regime de separação de bens pode ser dividido em: 
 Convencional: nubentes adotam, por convenção antenupcial; podem estipular a 
comunicabilidade de alguns bens, normas sobre a administração, colaboração da 
mulher, etc.; É o único regime em que existe verdadeira separação absoluta de bens. 
Nestecaso não se aplica a Súmula 377, STF. 
 
43 
 Legal ou Obrigatório: a lei impõe, por razões de ordem pública ou como sanção, 
não havendo comunhão de aquestos (art. 1.641, CC), nem necessidade de pacto (ex.: 
pessoa maior de 70 anos – redação dada pela Lei no 12.344/10) ou que contraiu 
casamento com inobservância das causas de suspensão, ou dependerem de 
suprimento judicial para casar). 
 
Ainda, incide o teor da Súmula 377 do STF a qual determina que “No regime de 
separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”, formando, 
assim, duas massas patrimoniais no mesmo sentido que no regime de comunhão parcial. 
A partir desse entendimento, conclui-se que só existe um regime de separação absoluta: 
o regime de separação convencional. Na separação legal não há separação absoluta, pois a 
Súmula n. 377 determina a comunicação dos bens. 
 
 
44 
18. Parentesco 
 Devido à evolução social, atualmente, fala-se em multiparentalidade, ou seja, admite-se 
o estabelecimento simultâneo de dois vínculos de parentesco: biológico e o socioafetivo. 
Assim, parentesco é a relação que existente entre pessoas que descendem uma das 
outras ou de um mesmo tronco comum, entre um dos cônjuges e os parentes do outro, e 
entre pessoas que possuem algum vínculo civil. 
Assim, a relação por parentesco pode ser: 
 Consanguíneo ou natural; 
 Por afinidade; 
 Civil; 
18.1 Espécies de parentesco 
18.1.1 Natural ou Consanguíneo 
 Pessoas ligadas por um mesmo tronco ancestral. Possuem um vínculo biológico ou de 
sangue, originados de um mesmo tronco comum. 
 
 
 
GRAUS DE PARENTESCO: inicialmente, a contagem dos graus de parentesco é imprescindível 
para o conhecimento das relações delas decorrentes e para fins sucessórios. E como é feita 
essa contagem? Bom, os parentes em linha reta sempre serão os ascendentes seus ou 
descentes, não havendo limites, ou seja: 1º, 2º, 3º, etc. Enquanto que os colaterais sempre 
serão os irmãos, tios, sobrinhos e por aí em diante, assim, deverá subir ao ancestral comum e 
depois descer até a pessoa com a qual grau de parentesco quer-se descobrir. Em relação ao 
 
45 
cônjuge, entre eles não há parentesco, mas sim sociedade conjugal, aplicando-se, portanto, 
estas regras nas relações de afinidade. 
18.1.2 Afinidade 
 É o que se estabelece entre cada cônjuge e os parentes do outro (CC, 1.595), na linha 
reta ou colateral. Assim, é o resultante do casamento ou união estável, gerando a relação entre 
um cônjuge/companheiro e os parentes do outro, comportando a linha reta (infinita e 
permanente) e a colateral, que se extingue com o término do casamento; 
 
 
 
O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, descendentes e aos irmãos. Apenas! 
Não há parentesco por afinidade, por exemplo, de tios ou sobrinhos do cônjuge ou 
companheiro. 
 O parentesco por afinidade na linha reta não dissolve nunca, nem pelo divórcio, nem 
pela morte (o impedimento matrimonial se mantém sempre). Na linha colateral se dissolve, 
sendo possível o casamento com “ex-cunhado/a”. O parentesco por afinidade também é 
aplicável para a união estável. 
18.1.3 Civil 
É aquele resultante de outra origem que não seja as anteriores, sendo, normalmente, 
decorrente do processo de adoção. Atualmente, em razão da evolução tecnológica, a 
jurisprudência vem admitindo mais duas espécies desse tipo de parentesco: reprodução 
heteróloga (material genético de terceiro) e a socioafetiva. 
Tradicionalmente, esse parentesco civil ocorrerá pela adoção. No entanto, a doutrina e a 
jurisprudência trazem duas outras formas de parentesco civil: 
 
46 
 Uma por força da reprodução assistida heteróloga, onde é feito uma reprodução 
com material genético de um terceiro, sem qualquer vínculo com a pessoa. 
 A segunda forma é admitida por força da parentalidade socioafetiva. Inclusive esse 
foi o entendimento do STF: “a paternidade socioafetiva declarada ou não em registro, 
não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante, baseada na 
origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios” (STF. Plenário. RE 898060/SC, Rel. 
Min. Luiz Fux, julgado em 21 e 22/09/2016 (Info 840). 
 
 
 
 
 
Enunciado n. 256 do CJF/STJ, III Jornada de Direito Civil: “A posse do estado de filho 
(parentalidade socioafetiva) constitui modalidade de parentesco civil”; 
18.2 Filiação 
Conforme preceitua Tartuce, trata-se de “relação jurídica existente entre ascendentes e 
descendentes de primeiro grau, ou seja, entre pais e filhos”. Ademais, como já tratamos 
anteriormente, rege-se pelo Princípio da igualdade de filiação. 
A filiação pode decorrer de dois laços: biológico e afetivo. O reconhecimento da filiação 
socioafetiva vem ganhando grande incentivo da doutrina e jurisprudência, tendo em vista a 
preservação do princípio da felicidade e da reciprocidade. Não há hierarquia entre esses 
vínculos e a jurisprudência tem reconhecido a possibilidade de multiparentalidade. 
18.2.1 Natureza Jurídica 
18.2.1.1 Biológico 
É a genética ou por consanguinidade 
 
47 
 Reprodução humana natural: ocorre pela fecundação; 
 Reprodução humana assistida: substitui a concepção natural por métodos clínicos; 
 Concepção homóloga: manipulação de gametas masculinos e femininos do 
próprio casal, sem necessidade de autorização pelos genitores, exceto se 
falecidos; 
 Concepção heteróloga: doação de sêmen de um terceiro, desde que tenha 
concordância do cônjuge, de modo que o doador é anônimo e se afasta da 
paternidade. Assim, gera uma presunção iure et de iure de filiação. 
 
 
 
CESSÃO DE ÓVULO X CESSÃO DE ÚTERO – no primeiro caso, ocorre uma doação de óvulo, 
regendo-se nos mesmos moldes da doação de sêmen, porém, no segundo caso, ocorre a 
gestação sub-rogada, caso em que não haverá o anonimato, contudo, de acordo com o 
Conselho Regional de Medicina e pelo Provimento 52 do CNJ deve ser temporária e sem 
fins lucrativos, desde que a cedente seja parente até o segundo grau da mãe genética. 
EMBRIÃO CRIOPRESERVADO X EXCEDENTÁRIO – no primeiro caso, é considerado, de 
acordo com a jurisprudência no julgamento da ADI 3510 que declarou constitucional o art. 5º 
da Lei de Biossegurança, como coisa; no segundo caso, são aqueles embriões concebidos por 
manipulação genética e que não foram implantados no ventre da mulher, permanecendo 
armazenados e sem ser sujeitos de direitos. 
18.2.1.2 Socioafetivo (critério não biológico) 
Corresponde à verdade aparente decorre do próprio direito de filiação; 
 Posse do Estado de filiação: a aparência faz com que todos acreditem na existência 
de uma filiação, assim, independe do critério biológico, de modo que é necessário a 
verificação de alguns requisitos: 
 Estado (tractatus): quando o filho é tratado como tal pelos pais; 
 
48 
 Nome (nominativo): usa o nome de família e assim se apresenta perante a 
sociedade; 
 Fama (respeitatio): é assim conhecido notoriamente 
 Adoção: é uma relação de parentesco civil que decorre da socioafetividade visto que, 
por ser um ato jurídico em sentido estrito, se constitui como um parentesco eletivo 
mediante um ato de vontade. Sobre a adoção, em razão de sua importância, vamos 
tratar detalhadamente em tópico próprio; 
18.2.1.3 Presunções jurídicas 
Têm por finalidade de atribuir a paternidade ou maternidade a alguém em razão de 
alguns indícios determinados pela lei; 
 Concebidos na constância do casamento (art. 1597, CC): cabem prova em contrário 
(regra: juris tantum) 
 180 dias após o início da convivência; 
 300 dias após a dissolução da sociedade conjugal 
 Fecundação artificial homóloga (RHA); 
 Embriões excedentários decorrentes de RHA; 
 Inseminação artificial heteróloga – presunção iure et de iure 
 Impotência para gerar (art. 1599, CC): à época da concepção, afasta a presunção de 
paternidade; 
 Presunção de paternidade e adultério da mulher (art. 1600, CC): a quebra do deverde fidelidade não é suficiente para impedir o vínculo de paternidade; 
 Imprescritibilidade da ação negatória de paternidade (pater es est) pelo marido 
(art. 1601, CC): despreza a teoria da socioafetividade e conforme o Enunciado n. 339 
do CJF/STJ, aprovado na IV Jornada de Direito Civil, deve ser vedado o rompimento 
da paternidade socioafetiva em detrimento do melhor interesse do filho. Ainda, 
conforme o art. 1602, não basta a confissão da mulher para excluir a paternidade; 
 
49 
 
A ação negatória de paternidade é personalíssima, sendo imprescritível o direito. Contudo, é 
imprescritível o pedido de reconhecimento de paternidade, mas não o é o de petição de 
herança (prescritível). Neste sentido, por não haver expressa previsão legal sobre o prazo 
prescricional, aplica-se a regra geral de 10 anos, para a petição de herança. O prazo de um 
ano para o pedido de anulação de partilha, começa a contar da data do trânsito em julgado 
da decisão que reconheceu a filiação, e não da decisão que resolveu a partilha. 
 Mater in jure semper certa est (art. 1608, CC): a mãe registral tem legitimidade para 
impugnar a maternidade desde que comprovado a falsidade da declaração registral; 
18.2.2 Reconhecimento de filhos (arts. 1601 a 1617, CC) 
O filho havido fora do casamento (filiação extramatrimonial) poderá ser reconhecido 
pelos pais, antes do nascimento ou post mortem, de forma conjunta ou separada, inexistindo 
a expressão filho ilegítimo/legítimo. Ademais, é irrevogável, podendo ser realizado por: 
 Registro de nascimento; 
 Escritura pública ou particular; 
 Testamento, legado ou codicilo, ainda que incidentalmente; 
 Manifestação direta e expressa em processo judicial, podendo ser ação investigatória 
de paternidade/maternidade, ou então, em qualquer outro tipo de processo judicial, 
mesmo que sem a intenção de constituir estado de filiação; 
 
 
 
 
50 
O reconhecimento de filho não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em 
testamento. Mas, importante destacar que, excepcionalmente será permitida a revogação ao 
reconhecimento de filho se o registro resultou de erro, ou seja, o pai registral de fato 
acreditava que registrava seu filho. 
Neste caso, de acordo com o STJ, será autorizada a desconstituição do registro, desde que 
seja imediatamente após a descoberta da fraude e que haja o rompimento instantâneo do 
vínculo afetivo com o filho putativo. 
18.2.3 Pluriparentalidade 
É possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de 
nascimento na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme prática 
conhecida como “adoção à brasileira”. O reconhecimento da paternidade socioafetiva não 
exime o pai biológico da obrigação decorrente dos alimentos. 
A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o 
reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com efeitos 
jurídicos próprios. Neste caso, materializa-se o reconhecimento da multiparentalidade. É 
possível, ainda, o reconhecimento de paternidade socioafetiva pós-mortem. 
18.2.4 Adoção 
 Trata-se de forma tradicional de parentesco civil cujos regramentos estão dispostos no 
ECA, que se constitui como um ato jurídico em sentido estrito, de natureza complexa, 
dependendo de homologação judicial, independentemente se for adoção de menores ou de 
maiores. 
 Ademais, trata-se de medida excepcional, irrevogável e definitiva, pois se deve adotar 
apenas quando estiverem esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente 
na família natural (comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes) ou 
extensa (se estende para além da unidade pais e filhos/casal, formada por parentes próximos 
com os quais a criança ou adolescente conviva e mantém vínculos de afinidade e afetividade). 
 
51 
Aos adotados, estão assegurados os mesmos direitos e qualificações dos filhos havidos 
ou não durante o matrimônio, pois a origem da filiação é única e se apaga quando do processo 
de adoção. Desse modo, desliga-se de qualquer vínculo com os pais biológicos, salvo quanto 
aos impedimentos para casamento. 
 Quanto aos requisitos para a adoção, existem: 
 Idade: maior de 18 anos; 
 Diferença de idade entre o adotante e o adotado: 16 anos; 
 Oitiva do menor: a partir dos 12 anos, sendo obrigatória; 
 Irmãos: devem ser colocados para adoção na mesma família, priorizando a 
manutenção do convívio familiar pré-estabelecido. 
 Tipos de adoção: 
 Unilateral: feita pelo cônjuge ou companheiro com relação ao filho de seu par. 
(padrasto/madrasta); 
 Conjunta: realizada por duas pessoas, casadas civilmente ou que mantenham 
união estável, comprovando a estabilidade familiar e podendo ser, inclusive, 
decorrente de relação homoafetiva conforme o Informativo n. 432 do STJ; 
 Divorciados: é excepcional, desde que o processo de adoção já tenha sido 
instaurado antes do divórcio, assim, o adotado já se encontrava integrado à 
convivência familiar. Portanto, a lei é clara ao determinar que já tenha tido 
estágio de convivência prévio ou já houver criado vínculos afetivos e de 
afinidade; 
 Póstuma: por ser concebida desde que o adotante venha a falecer no curso do 
processo de adoção, desde que tenha manifestado inequívoca vontade, assim, 
o efeito da sentença retroagirá à data do óbito, excepcionalmente, já que a 
regra é que a sentença produza efeitos a partir do seu trânsito em julgado 
(ex nunc). O adotado, nesse caso, deverá ser totalmente integrado à família do 
de cujus. 
 
52 
 
Adoção post mortem mesmo que não iniciado o procedimento formal enquanto vivo. Pelo 
texto do ECA, a adoção post mortem (após a morte do adotante) somente poderá ocorrer se 
o adotante, em vida, manifestou inequivocamente a vontade de adotar e iniciou o 
procedimento de adoção, vindo a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a 
sentença. Se o adotante, ainda em vida, manifestou inequivocamente a vontade de adotar 
o menor, poderá ocorrer a adoção post mortem mesmo que não tenha iniciado o 
procedimento de adoção quando vivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1217415-RS, Rel. Min. Nancy 
Andrighi, julgado em 19/6/2012. 
 Veda-se a adoção por procuração, pois se trata de ato de caráter personalíssimo, e, 
também, adoção por irmãos ou por ascendentes. Sobre esse último aspecto, vide Informativo n. 
551 do STJ/14 que, por situações excepcionais do caso concreto, permitiu a adoção de 
descendentes por ascendentes (ex.: avó que quer adotar o neto). 
 
Adoção à brasileira: trata-se da situação em que uma pessoa registra filho alheio como próprio. 
Não é uma modalidade legítima de adoção, pelo contrário, configura o crime do at. 242 do 
Código Penal. De acordo com o STJ9, é possível a desconstituição da paternidade registral, se 
o marido ou companheiro descobre que foi induzido em erro no momento de registrar a 
criança e que não é pai biológico do seu filho registral, ele poderá contestar a paternidade, 
 
9 STJ. 3ª Turma. REsp 1.330.404-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 5/2/2015 (Info 555). 
 
53 
pedindo a retificação do registro (arts. 1.601 e 1.604 do CC). Não se pode obrigar o pai registral, 
induzido a erro substancial, a manter uma relação de afeto, igualmente calcada no vício de 
consentimento originário, impondo-lhe os deveres daí advindos, sem que, voluntária e 
conscientemente, o queira. Vale ressaltar, no entanto, que, para que o pai registral enganado 
consiga desconstituir a paternidade, é indispensável que tão logo ele tenha sabido da verdade 
(da traição), ele tenha se afastado do suposto filho, rompendo imediatamente o vínculo 
afetivo. Se o pai registral enganado, mesmo quando descobriu a verdade, ainda manteve 
vínculos afetivos com o filho registral, neste caso ele não mais poderá desconstituir a 
paternidade. A situação acimadescrita é diferente da chamada “adoção à brasileira”, que 
ocorre quando o homem e/ou a mulher declara, para fins de registro civil, o menor como sendo 
seu filho biológico sem que isso seja verdade. No caso de adoção à brasileira, o pai sabe que 
não é genitor biológico (ele não foi enganado). Caso o pai registral se arrependa da “adoção 
à brasileira” realizada, ele NÃO poderá pleitear a sua anulação. O pai que questiona a 
paternidade de seu filho registral (não biológico), que ele próprio registrou conscientemente, 
está violando a boa-fé objetiva, mais especificamente a regra da "venire contra factum proprium" 
(proibição de comportamento contraditório). Para que seja possível a anulação do registro, é 
indispensável que fique provado que o pai registrou o filho enganado (induzido em erro), 
ou seja, é imprescindível que tenha havido vício de consentimento. Em contrapartida, o STJ10 já 
decidiu que é possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro 
de nascimento na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme 
prática conhecida como “adoção à brasileira”. Caracteriza violação ao princípio da dignidade 
da pessoa humana cercear o direito de conhecimento da origem genética, respeitando-se, por 
conseguinte, a necessidade psicológica de se conhecer a verdade biológica. Se o exame de DNA 
provar que o adotado não é filho biológico do pai registral, o juiz NÃO terá que, 
obrigatoriamente, julgar procedente o pedido, declarar/desconstituir a paternidade e anular o 
registro, pois, segundo já decidiu o STJ11, o êxito em ação negatória de paternidade, consoante 
os princípios do CC/2002 e da CF/1988, depende da demonstração, a um só tempo, de dois 
requisitos: a) Inexistência da origem biológica; b) Não ter sido construída uma relação 
 
10 STJ. 4ª Turma. REsp 1.167.993-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/12/2012. 
11 STJ. 4ª Turma. REsp 1059214-RS, Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/2/2012. 
 
54 
socioafetiva entre pai e filho registrais. Assim, para que a ação negatória de paternidade seja 
julgada procedente, não basta apenas que o DNA prove que o “pai registral” não é o “pai 
biológico”. É necessário também que fique provado que o “pai registral” não é “pai 
socioafetivo”, ou seja, que não existe relação socioafetiva entre pai e filho. 
18.2.5 Ação Investigatória de Paternidade/Maternidade 
 A ação investigatória de paternidade ou maternidade é uma forma de reconhecimento 
judicial de filhos, cujo procedimento, de acordo com o NCPC é comum. Visa-se, mediante tal 
processo, a comprovação da verdade real ou biológica da parentalidade. 
 Possui natureza declaratória e envolve o estado de pessoas e a dignidade humana, assim, 
é imprescritível (art. 27, ECA c/c Súmula 149, STF). O foro competente dependerá se foi proposta 
isoladamente ou cumulada com outros pedidos, devendo ser observado o regramento de 
competências do NCPC. 
Quanto à legitimidade ativa para a ação, ela é personalíssima do filho, em regra, porém, 
se ele for menor de idade, poderá haver o instituto da representação, se menor de 16 anos, ou, 
assistência, se possuir entre 16 e 18 anos. 
Ademais, o Ministério Público possui legitimidade extraordinária e pode atuar como 
substituto processual. Quanto à legitimidade passiva, em regra, será contra o suposto pai/mãe, 
porém, em caso de falecimento destes, poderá ser proposta contra os herdeiros (não é contra 
o espólio, pois é uma ação de caráter pessoal) ou, caso não existam, contra o Estado que 
receberá os bens vagos, ou, ainda, contra o avô/avó, caso em que a ação se denominará ação 
avoenga. 
 
 
55 
Sobre essa ação, duas súmulas são muito importantes: Súmula 301 do STJ: “Em ação 
investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção 
juris tantum de paternidade” e Súmula 277 do STJ que “Julgada procedente a investigação 
de paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação”. 
O adotado não possui legitimidade para ingressar com a ação de investigação, visto que a 
ação tem o condão de constituir o estado de filiação através do critério biológico. Assim, 
caso o adotado tenha a necessidade de conhecer suma origem genética, deve-se pretendê-la 
por meio de outra ação ordinária. Essa situação se aplica, também, àquele que possui pai 
registral, pois, como sabemos, havendo o registro e ciência de que não é seu filho, presume-
se a parentalidade e, mesmo que não tivesse esse conhecimento, aplicar-se-ia a parentalidade 
socioafetiva no caso concreto. 
Assim, o direito ao reconhecimento de paternidade é personalíssimo. Neste sentido, o 
filho não tem legitimidade para pedir pessoalmente que seja reconhecida a filiação de sua 
mãe. Porém, poderá, em nome próprio, pedir o reconhecimento do vínculo ascendente, em 
ação proposta em face de seus avós. 
18.2.6 Prova da Filiação 
 Ocorre através do registro de nascimento, que, em regra, não cabe quebra, exceto 
quando o registro tiver sido realizado por meio de erro ou falsidade. Contudo, não poderá 
afastar a parentalidade socioafetiva, incluindo-se, inclusive, o pai biológico no registro de 
nascimento, para todos os fins jurídicos, em virtude da possibilidade da multiparentalidade. 
 
 
 
56 
 
O abandono afetivo decorrente da omissão do genitor no dever de cuidar da prole constitui 
elemento suficiente para caracterizar dano moral compensável.12 
 
 
 
 
 
12 REsp 1.159.242-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/4/2012. 
 
57 
 
19 Poder Familiar 
Anteriormente, o poder familiar era denominado de pátrio poder, o que remonta à era 
da família patriarcal, hoje, totalmente superada. Nesse sentido, o poder familiar decorre do 
vínculo jurídico de filiação, sendo exercido por ambos os pais quanto aos filhos (colaboração 
familiar). 
Assim, é o conjunto de direitos e deveres instituído para a proteção do filho menor 
não emancipado. Trata-se de um múnus público, ou seja, um encargo, um dever. É um poder-
dever irrenunciável, intransferível (delegável para terceiros), inalienável, imprescritível de 
obrigações personalíssimas. 
Ademais, é exercido em igualdade de condições pelo pai ou pela mãe. Devem os pais 
cuidar da educação e bem-estar dos filhos e zelar por seus bens. Apenas na falta ou 
impedimento de um dos pais (morte, declaração de ausência, incapacidade, etc.) é que ele será 
exercido de forma exclusiva por um deles. 
Assegura-se a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade 
judiciária competente para a solução da divergência. A separação judicial, o divórcio e a 
dissolução da união estável não alteram o poder familiar. No entanto, o exercício de ambos 
fica prejudicado, havendo um lógico enfraquecimento dos poderes de quem ficou privado da 
guarda dos filhos. 
19.1 Características 
 Sujeitos (art. 1630, CC): se submetem ao poder familiar todos filhos menores e 
incapazes (0-18 anos); 
 Exercício (art. 1634, CC), extinção (art. 1635, CC), suspensão (art. 1636, CC) e 
destituição (art. 1638, CC);13 
 Efeitos patrimoniais (arts. 1689 a 1693, CC); 
 
13 Vide questão 04 
 
58 
 
O poder familiar é incompatível com a tutela, pois esta só ocorre quando há uma ausência 
do poder familiar (morte, destituição, etc.). 
19.2 Direitos e Deveres 
 O art. 1.634, CC enumera os direitos e deveres: 
 Dirigir-lhes a criação e educação; 
 Tê-los em sua companhia e guarda; 
 Conceder-lhes, ou negar-lhes consentimento para casarem; 
 Nomear-lhes tutor, por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais lhe 
não sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercitar o poder familiar; 
 Representá-los, até aos 16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após 
essa idade,nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; 
 Reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; 
 Exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e 
condição. 
19.3 Administração 
Trata-se de efeito patrimonial do poder familiar, determinando o CC que cabem aos pais 
o uso e administração dos bens do menor, sendo desnecessária a prestação de contas. Os 
pais, em igualdade de condições, são os administradores legais dos bens dos filhos. Para alienar 
ou gravar de ônus reais os bens imóveis dos filhos (ex: hipotecar) precisam obter autorização 
judicial, mediante a demonstração da necessidade. Deve sempre se levar em conta os 
interesses dos menores. Se a venda se efetivar sem a autorização judicial, padecerá de nulidade. 
 
59 
Porém, apesar disso, não poderão se apropriar de todos os rendimentos do filho, a não 
ser que necessária para despesas comuns da família em prol do melhor interesse do filho. 
Ainda, é um direito concedido a ambos os pais, em conjunto, e, em caso de divergência de 
vontade, será possível o suprimento judicial. 
Ressalta-se que os valores recebidos e os bens adquiridos pelo filho maior de 16 anos 
são reservados, ou seja, caso tenham sido obtidos por meio de atividade laboral adequada, não 
se sujeitarão à administração dos genitores. Dessa forma, atingindo a maioridade, os bens lhe 
serão entregues, juntamente com os acréscimos respectivos, não sendo exigida qualquer 
prestação de contas ou remuneração. 
19.3.1 Vedação (art. 1691, CC) 
Os pais não poderão alienar ou gravar ônus os imóveis dos filhos, nem contrair, em 
nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo se interesse 
da prole através de autorização judicial. 
19.3.2 Exclusão (art. 1693, CC) 
Os bens adquiridos pelos filhos extramatrimoniais antes do reconhecimento, valores 
aferidos pelos filhos maiores de 16 anos, no exercício da atividade profissional e bens deles 
decorrentes, os bens que foram deixados ou doados ao filho, sob a condição de não serem 
usufruídos ou administrados pelos pais e os bens que cabem aos filhos por herança, quando os 
pais tiverem sido excluídos (atos de indignação ou deserdação) da sucessão. 
19.4 Usufruto 
 Enquanto estiverem no exercício do poder familiar cabe aos pais a administração dos 
bens dos filhos menores, bem como o direito ao usufruto e as rendas desses bens. Trata-se do 
chamado usufruto legal. No entanto, caso ocorra alguma divergência na administração, caberá 
ao Juiz resolver a situação. 
 
60 
19.5 Extinção, Suspensão e Perda 
 O art. 1.635, CC menciona as causas de extinção do poder familiar: 
 Morte dos pais ou do filho; 
 Emancipação; 
 Maioridade; 
 Adoção; 
 Decisão judicial. 
O caput do art. 1.637, CC e seu parágrafo único mencionam as causas de suspensão do 
poder familiar. A suspenção ocorre quando os pais são afastados temporariamente do 
exercício, podendo posteriormente retomá-lo: 
 Se o pai, ou mãe, abusar da sua autoridade, faltando aos seus deveres ou arruinando 
os bens dos filhos; 
 Se o pai ou a mãe forem condenados por sentença irrecorrível, em crime cuja pena 
exceda a dois anos de prisão. 
 
 
 
Se a suspensão for de apenas um dos pais, subsiste a do outro. 
 Já o art. 1.638, CC menciona as causas de perda ou destituição do poder familiar, por 
ato judicial, do pai, ou da mãe, por infrações graves: 
 Castigar imoderadamente o filho; 
 Deixá-lo em abandono; 
 Praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; 
 Incidir reiteradamente nas faltas previstas no artigo 1.367 do CC; 
 Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. 
 
61 
 
 
 
A lei 13.715/18 trouxe o parágrafo único do art. 1.638 do CC, acrescentando mais algumas 
formas de perda do poder familiar. 
 Praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, 
feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se 
tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou 
discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade 
sexual sujeito à pena de reclusão; 
 Praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão 
corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso 
envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à 
condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a 
dignidade sexual sujeito à pena de reclusão. 
 A perda é definitiva, embora em alguns casos seja possível o restabelecimento, se for 
provada a regeneração do genitor ou desaparecida a causa da perda. Além disso, a falta ou a 
carência de recursos não é motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. 
 Em casos de suspensão ou perda do poder familiar de ambos os pais, será nomeado 
um tutor para o menor. A suspensão ou a perda do poder familiar não desobriga o genitor 
de continuar sustentando o filho. 
 A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram o poder 
familiar (com exceção da guarda, que representa parte desse poder e enfraquece o poder 
familiar de quem não ficou com os filhos). 
 
 
 
62 
 
 
 
CONTEÚDO E EXERCÍCIO 
 Criação e a educação; 
 Guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584; 
 Conceder ou negar consentimento para casarem; 
 Conceder ou negar consentimento para viajarem ao exterior; 
 Conceder ou negar consentimento para mudarem sua residência permanente para outro 
Município; 
 Nomear tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe 
sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; 
 Representação dos absolutamente incapazes e assistência dos relativamente incapazes, 
judicial e extrajudicialmente; 
 Reclamá-los de daquele que o tem poder posse ilegal (sem guarda); 
 Obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição; 
EXTINÇÃO 
Tem caráter efetivo e não quebra o vínculo de parentesco: 
 Morte dos pais ou do filho; 
 Emancipação; 
 Maioridade; 
 Adoção (poder familiar derivado); 
 Decisão judicial, na forma do artigo 1.638 (destituição do poder familiar); 
SUSPENSÃO 
Trata-se de medida menos grave e, inclusive, facultativa, podendo o juiz deixar de aplicá-las 
ou, se superadas as caudas que a provocaram, cancelá-las, sempre observando o melhor 
interesse da criança. São legitimados qualquer parente ou o próprio Ministério Público. 
Assim, se: 
 Abusar de autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos 
filhos, 
 
63 
 Condenação por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos 
de prisão; 
DESTITUIÇÃO/PERDA 
Tem caráter temporário e não tem o condão de, por si só, quebrar a relação de parentesco. 
É imposta por sentença judicial de forma imperativa: 
 Castigar imoderadamente o filho; 
 Deixar o filho em abandono; 
 Praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; 
 Incidir, reiteradamente, nas faltas previstas nos casos de suspensão do poder familiar; 
 Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção; 
 Praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, 
feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar 
de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou 
discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual 
sujeito à pena de reclusão; 
 Praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão 
corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso 
envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição 
de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexualsujeito à pena de reclusão. 
19.6 Guarda (arts. 1583 a 1590 do CC) 
 Trata-se de direito-dever dos pais de terem consigo seus filhos a fim de garantir-lhes 
pleno desenvolvimento. Ela poderá ser deferida a ambos, a um deles ou a alguém que os 
substituam, verificando, sempre, o melhor interesse do menor. 
19.6.1 Espécies de guarda 
 Unilateral: apenas um dos genitores exerce a guarda, enquanto que ao outro, 
permanece o direito de visita, a ser acordado por meio do processo judicial, sem 
perder o poder familiar em razão disso; 
 Alternada: o tempo de convivência do filho é divido entre os pais, passando a viver 
alternadamente, de acordo com o que for ajustado, residindo juntamente com um e 
 
64 
com o outro (residências alternadas). Nesse caso, a melhor doutrina afirma que deve 
ser excepcional, pois não preenche os requisitos essenciais da guarda compartilhada, 
que deve ser fomentada; 
 Compartilhada: é a guarda conjunta por meio da convivência simultânea, 
corresponsabilidade do exercício do poder familiar e com definição da residência 
preferencial do filho, sendo a regra no ordenamento jurídico. Nesse caso, ocorre a 
participação plena no processo de desenvolvimento dos filhos, visando minorar os 
efeitos do divórcio. Assim, deve ser preferencial às demais, mesmo que não tiver 
acordo entre os pais sobre isso, exceto em alguns casos legais.14 
 De fato: consolidada pela convivência e cuidado do responsável para com o menor. 
 Ademais, outro aspecto a ser ressaltado é que quando a guarda for deferida a terceiros, 
ou enquanto a criança for colocada em família substituta, não se extingue o poder familiar dos 
pais, que não ficam livres de outras responsabilidades, a exemplo da prestação de alimentos. 
Assim, a espécie de guarda que será aplicada é definida da seguinte forma: 
 A guarda será definida por consenso entre o pai e a mãe; ou 
 Se não houver acordo, será decretada pelo juiz. 
Quando o magistrado for fixar a guarda, deverá levar em consideração as necessidades 
específicas do filho e a distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e a 
mãe, e sempre que possível, deve ser tentada a conciliação. 
Caso não tenha havido acordo, a espécie de guarda que o juiz deverá preferencialmente 
determinar aplicar a guarda compartilhada. Contudo, não será aplicada a guarda compartilhada 
se: um dos genitores não estiver apto a exercer o poder familiar; ou um dos genitores declarar 
ao magistrado que não deseja a guarda do menor. 
 
14 Vide questão 10 
 
 
65 
19.7 Direito assistencial de família 
 Visa-se, através dos institutos da tutela e curatela, a defesa dos interesses 
dos incapazes, possibilitando a realização de atos civis em seu nome. 
A tutela objetiva resguardar interesses de menores não emancipados, não sujeitos ao 
poder familiar e a curatela, por sua vez, dá assistência nos interesses de maiores incapazes, 
interditados. Ambos possuem dever de prestação de contas, ao contrário do que ocorre com 
os pais no uso e administração dos bens do filho. 
19.7.1 Tutela (arts. 1728 a 1766 do CC) 
 A tutela pode ser realizada através da representação ou da assistência, desde que não 
estejam submetidos ao poder familiar, premissa principal desse instituto. 
Ela pode ser: 
 Testamentária: por testamento ou codicilo; 
 Legítima: na falta de tutor nomeado pelos pais; ou15 
 Dativa: na falta das anteriores, aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo 
ao mais remoto ou aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos 
aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer 
dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do 
menor, por meio de nomeação do juiz. 
 Quando houver irmãos órfãos, apenas um tutor será nomeado, em razão do Princípio da 
unicidade da tutela. Quanto aos demais regramentos, é imprescindível a leitura da legislação 
civilista. 
 
 
 
 
15 Questão 06 
 
66 
O Relativamente Incapaz é Assistido (Bizu: RIA), já o Absolutamente Incapaz é Representado 
(Bizu: AIR - o contrário de RIA). 
 São incapazes de exercer a tutela (art. 1.735), não podendo ser tutores e sendo 
exonerados da tutela, caso a exerçam: 
 Aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; 
 Aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídos 
em obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra 
este, e aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; 
 Os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes 
expressamente excluídos da tutela; 
 Os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a 
família ou os costumes, tenham ou não cumprido pena; 
 As pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas de 
abuso em tutorias anteriores; 
 Aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa administração 
da tutela. 
 Podem escusar-se da tutela (art. 1.736 e 1737): 
 Mulheres casadas; 
 Maiores de sessenta anos; 
 Aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; 
 Os impossibilitados por enfermidade; 
 Aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela; 
 Aqueles que já exercerem tutela ou curatela; 
 Militares em serviço; 
 Quem não for parente do menor não poderá ser obrigado a aceitar a tutela, se 
houver no lugar parente idôneo, consanguíneo ou afim, em condições de exercê-
la. 
 
67 
A escusa deverá ser apresentada nos dez dias subsequentes à designação, sob pena de 
entender-se renunciado o direito de alegá-la, contudo, se o motivo escusatório ocorrer depois 
de aceita a tutela, os dez dias serão contados do em que ele sobrevier. 
Se o juiz não admitir a escusa, exercerá o nomeado a tutela, enquanto o recurso interposto 
não tiver provimento, e responderá desde logo pelas perdas e danos que o menor venha a 
sofrer. 
Os tutores são obrigações a realizar prestação de contas, ainda que ao contrário tivessem 
disposto os pais dos tutelados. No fim de cada ano de administração, os tutores submeterão 
ao juiz o balanço respectivo, que, depois de aprovado, se anexará aos autos do inventário. 
Os tutores prestarão contas de dois em dois anos, e também quando, por qualquer 
motivo, deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente. As contas 
serão prestadas em juízo, e julgadas depois da audiência dos interessados, recolhendo o tutor 
imediatamente a estabelecimento bancário oficial os saldos, ou adquirindo bens imóveis, ou 
títulos, obrigações ou letras. 
Caso a tutela seja finalizada pela emancipação ou maioridade, a quitação do menor não 
produzirá efeito antes de aprovadas as contas pelo juiz, subsistindo inteira, até então, a 
responsabilidade do tutor. Ainda, nos casos de morte, ausência, ou interdição do tutor, as contas 
serão prestadas por seus herdeiros ou representantes. 
Serão levadas a crédito do tutor todas as despesas justificadas e reconhecidamente 
proveitosas ao menor e as despesas com a prestação das contas serão pagas pelo tutelado. O 
alcance do tutor, bem como o saldo contra o tutelado, são dívidas de valor e vencem juros 
desde o julgamento definitivo das contas. 
 Cessa a condição de tutelado (art. 1.763): 
 Com a maioridade ou a emancipação do menor; 
 Ao cair o menor sob o poder familiar, no caso de reconhecimento ou adoção. 
 Cessam as funções do tutor (art. 1.764): 
 Ao expirar o termo, em que era obrigado a servir; 
 
68 
 Ao sobrevir escusa legítima; 
 Ao ser removido. 
O tutor é obrigado a servir por espaço de dois anos, podendo continuar no exercício da 
tutela, além do prazo previsto neste artigo, se o quiser e o juiz julgar conveniente ao menor. 
Será destituído o tutor, de acordo com o art. 1.766, quando negligente,prevaricador 
ou incurso em incapacidade. 
19.7.2 Curatela (arts. 1767 a 1783 do CC) 
 Com o advento do Estado da Pessoa com Deficiência, não existe mais absolutamente 
incapazes maiores, assim, esse instituto incide apenas em relação aos maiores relativamente 
incapazes, sendo esse rol taxativo (art. 1767, CC): 
 Ébrios habituais; 
 Viciados em tóxicos; 
 As pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir vontade; 
 Os pródigos: a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, 
transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, 
em geral, os atos que não sejam de mera administração. (Atos patrimoniais) 
 A incapacidade não se presume, portanto, deve ser declarada judicialmente e assim, o 
curador, em ordem de preferência, serão o cônjuge/companheiro, pai/mãe, descendente 
mais apto ou, então, curador dativo. 
É possível, ainda, determinar curador ao nascituro, quando o pai falecer e a mulher 
estiver grávida, mas não tiver mais o poder familiar e, ainda, se ela já estiver interditada, o 
curador dela será o mesmo para o nascituro. 
Quando o curador for o cônjuge e o regime de bens do casamento for de comunhão 
universal, não será obrigado à prestação de contas, salvo determinação judicial. 
 
69 
19.7.3 Tomada de decisão apoiada (art. 1783-A do CC) 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, marco no Brasil por ter sido junto ao seu 
protocolo facultativo, o primeiro tratado internacional de Direitos Humanos, a ter status de 
Emenda Constitucional, trouxe uma inegável evolução para a promoção da dignidade humana, 
inerente a todos os cidadãos, sem discriminação. 
Neste sentido, ao alterar os artigos 3º e 4º, do Código Civil, foi conferida plena 
capacidade aos portadores de deficiência, para o desenvolvimento de todos os atos da vida 
civil. Assim, a deficiência não afeta a plena capacidade civil, tendo o indivíduo direito de casar, 
exercer os direitos sexuais e reprodutivos, ter filhos e conservar sua fertilidade, usufruir do 
convício familiar, bem como exercer guarda, tutela, curatela e adoção. 
Como medida de proteção e preservação dos direitos, foi criado o instituto da tomada 
de decisão apoiada (artigo 1.783 – A CC), que consiste em ato unilateral de vontade da pessoa 
com deficiência que nomeia, ao menos, duas outras pessoas idôneas para apoiá-lo nas decisões 
sobre a vida civil. 
O pedido será feito ao juiz, que, junto com medida multidisciplinar, após a oitiva do 
Ministério Público, e das pessoas que serão apoiadoras, decidirá sobre a pretensão. 
Após a autorização, em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo 
relevante, havendo discordância de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, 
deverá o juiz, ouvindo o Ministério Público, decidir sobre a questão. 
A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar ao juiz sua exclusão de sua 
participação em processo de tomada de decisão apoiada, sendo o desligamento condicionado 
a autorização judicial. 
Diante da evolução do ordenamento jurídico, o instituto da curatela (artigos 1.767 e 
seguintes do CC) passou a ser medida excepcional, aplicada em último caso, porém, 
desvinculada da deficiência em si, sendo o procedimento hoje mais aplicado aos idosos em 
idade avançada, que demandam apoio especial. 
 
70 
Em que pese o erro no termo trazido pelo novo Código de Processo Civil (artigos 747 
a 758), há entendimento é que o antigo instituto da interdição não existe mais, sendo que o 
título deveria ser “curatela”, já que as limitações estão ligadas a questões patrimoniais, de forma 
que o curatelado exerce todos os outros direitos de forma livre. No entanto, existe forte corrente 
no sentido de ainda existir a interdição. 
 
Sobre o tema, importante verificar o seguinte julgado: 
O motivo que levou o juiz a decretar a curatela pode deixar de existir. Neste caso, deverá ser 
ajuizada uma ação para levantamento da curatela. É o que prevê o art. 756 do Código Civil: Art. 
756. Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a determinou. § 1º O pedido de 
levantamento da curatela poderá ser feito pelo interdito, pelo curador ou pelo Ministério Público 
e será apensado aos autos da interdição. O rol de legitimados para propor a ação de 
levantamento de curatela, previsto no art. 756, § 1º do CPC/2015, não é taxativo. Exemplo: João 
foi atropelado por um veículo conduzido por funcionário da empresa “X”. Em razão das sequelas 
sofridas, João foi interditado. Em ação de indenização movida por João contra a empresa, a ré 
foi condenada a pagar pensão mensal vitalícia em virtude de, supostamente, o autor não poder 
mais trabalhar. Passados alguns anos, a empresa “X” ajuizou ação de levantamento da curatela 
em face de João ao fundamento de que há prova, posterior à sentença de interdição, que 
atestaria que o interdito não possui mais a enfermidade que justificou a sua interdição. Por 
entender que existem elementos probatórios suficientes para demonstrar que o interdito não 
possui mais a patologia que resultou em sua interdição, o que poderia gerar também a cessação 
da pensão vitalícia, o STJ concluiu que a empresa, mesmo não estando no rol do art. 756, § 1º 
do CPC/2015, possui legitimidade para o ajuizamento da ação de levantamento da curatela. STJ. 
3ª Turma. REsp 1.735.668-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info 640). 
 
71 
20 Alimentos 
20.1 Conceito e pressupostos 
 São prestações devidas pelo alimentante para a satisfação das necessidades pessoais 
daquele alimentado, que não pode provê-las por meio do trabalho próprio, em razão do dever 
de mútua assistência, que existe durante a convivência e persiste mesmo com a sua dissolução. 
Nesse sentido, são pressupostos da prestação de alimentos: 
 Vínculo de parentesco, casamento/união estável; 
 Necessidade do alimentando; 
 Possibilidade do alimentante; 
Assim, são prestações para a satisfação das necessidades vitais de quem não pode 
provê-las por si, de modo a propiciar-lhe uma vida digna16. 
20.2 Características 
 Personalíssimo: em razão do caráter intuito personae, não se transmitindo aos 
herdeiros do credor; 
 Reciprocidade: entre cônjuges e companheiros, pais e filhos, estendendo-se a todos 
os ascendentes. Nesse sentido, há uma ordem sucessória: ascendente do grau mais 
próximo que exclui o mais remoto, os descendentes nesse mesmo sentido e os 
irmãos, com preferência aos bilaterais e, depois, unilaterais; 
 Irrenunciabilidade: veda-se a renúncia de alimentos, porém, a doutrina e 
jurisprudência majoritárias entendem possível a renunciá-los em caso de 
separação/divórcio (Enunciado n. 263 do CJF/STJ, da III Jornada de Direito Civil); 
Preceitua o art. 1.707, CC que: “Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado 
renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação 
ou penhora.” 
 
16 Questão 3 
 
72 
A não postulação em juízo é interpretada como falta de exercício e não significa 
renúncia. A Súmula 379 do Supremo Tribunal Federal prevê, no tocante à mulher, que “no 
acordo de desquite não se admite renúncia aos alimentos, que poderão ser pleiteados 
ulteriormente, verificados os pressupostos legais”. 
No entanto, atualmente a jurisprudência vem se posicionando no sentido de ser possível 
a renúncia por não se tratar de alimentos em razão de parentesco (estes sim irrenunciáveis). 
Como marido e mulher não são parentes, há quem sustente que o princípio da irrenunciabilidade 
não se aplica aos cônjuges (o tema ainda é muito controvertido – para provas objetivas 
aconselhamos continuar afirmando a irrenunciabilidade). 
 Obrigação divisível (complementariedade/responsabilidade subsidiária): sendo 
várias pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção 
de seus recursos. Ex.: alimentos avoengos.Como exceção, há a solidariedade em 
caso do idoso, em razão do que dispõe o Estatuto do Idoso, em seu art 12. 
Assim, a obrigação alimentar é divisível e não solidária. Havendo quatro filhos em 
condições de pensionar o ascendente, não se pode exigir de um só deles o cumprimento da 
obrigação por inteiro. O ascendente deve acionar todos os filhos. 
É possível, desta forma, exigir os alimentos, simultaneamente de parentes de classes 
diferentes, quando verificada a impossibilidade dos mais próximos suportarem totalmente o 
encargo. 
 Imprescritibilidade: pois envolve estado de pessoas e dignidade humana, porém, se 
foi fixada em sentença ou em ato voluntário, prescreverá a execução em 2 anos a 
partir da data de vencimento, conforme regra específica de prescrição prevista no art. 
206, § 2º do CC; 
 Inalienabilidade: não pode ser objeto de cessão gratuita ou onerosa, nem de 
crédito, não podendo, também, alienados de qualquer forma; 
 Incompensáveis: veda-se que os alimentos sejam objetos de compensação; 
 Impenhoráveis: em razão de ser personalíssima e inalienável; 
 Irrepetível: é uma obrigação moral, assim não é passível de repetição. Isso significa 
dizer que se trata de obrigação satisfativa pela qual não cabe pedir a devolução do 
 
73 
que se prestou caso não sejam mais devidas. Assim, a exemplo dos alimentos 
provisórios, caso, ao final do processo o juiz determine que os alimentos não são 
mais cabíveis, não podem ser devolvidos, pois, à época, eram legítimos. Contudo, em 
se tratando de má-fé do credor, evitar-se-á o enriquecimento ilícito, podendo haver 
a sua devolução; 
 Não admite transação: pois não se trata de um direito patrimonial de caráter privado, 
não podendo ser objeto de compromisso ou arbitragem; 
 Transmissível: aos herdeiros do devedor, prevalecendo o entendimento de que 
ocorre nos limites da herança (Enunciado n. 343 do CJF/STJ, da IV Jornada de Direito 
Civil); 
 Mutabilidade: é a principal característica dos alimentos, pois pode ser alterado a 
qualquer tempo em razão da alteração fática do binômio necessidade x 
disponibilidade, fazendo apenas coisa julgada formal. 
O direito se transforma em obrigação legal diante do binômio 
necessidade/possibilidade: necessidade de quem pede e possibilidade de quem deverá 
pagar. Ou seja, quando quem os pretende não tens bens suficientes, nem pode prover, pelo 
seu trabalho, a própria subsistência e aquele de quem se reclamam pode fornecê-los, sem 
desfalque do necessário ao seu sustento. Há uma relação de proporcionalidade (art. 1.694, §1º, 
CC). 
 O dever de prestar alimentos é imposto por lei para que se possam garantir as 
necessidades vitais do alimentado. Trata-se de uma norma de ordem pública, cogente e que 
não pode ser alterada pela vontade das partes. 
 O direito aos alimentos é um direito personalíssimo; portanto não pode ser cedido a 
outrem. Além disso, é imprescritível e impenhorável. O credor até pode abrir mão do seu 
exercício, mas nunca do direito aos alimentos em si. 
 A expressão “alimentos” compreende: alimentação propriamente dita, vestuário, 
habitação, tratamento médico etc. Se o alimentando for menor, incluem-se as verbas de 
educação. 
 
74 
 A obrigação de prestar alimentos abrange, reciprocamente, descendentes, 
ascendentes e irmãos germanos (bilaterais) ou unilaterais, conforme os arts. 1.694, 1.696 e 
1.69717, CC, além do art. 229, CF/88. O direito brasileiro só admite os alimentos atuais e futuros, 
visto que os referentes ao período anterior à propositura da ação não são devidos. 
 
 
 
 
Quanto aos alimentos avoengos (obrigação alimentar dos avós em relação aos netos), esses 
têm natureza complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de 
impossibilidade de cumprimento, total ou parcial, pelos pais (Súmula n.º 596 do STJ). 
 A obrigação alimentar entre cônjuges decorre do dever de ambos à mútua assistência, 
que permanece mesmo após a separação e mesmo que seja em ação judicial litigiosa. Não é 
fruto da relação de parentesco, mas sim da mútua assistência em decorrência da dissolução da 
sociedade conjugal. 
Assim, o ex-cônjuge ou o ex-convivente também pode ser beneficiário de alimentos. 
Observe o rigor da atual legislação quanto ao tema: o art. 1.704, parágrafo único, CC, estabelece 
que “Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em 
condições de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a 
assegurá-los, fixando o Juiz o valor indispensável à sobrevivência”. 
Assim, os alimentos podem ser supridos: 
 Por meio de pensão ao alimentando (geralmente mensais, mas nada impede que 
sejam fixados de outra forma); ou 
 
17 Vide Questão 01 
 
75 
 Por meio de hospedagem e sustento (sem prejuízo ao necessário à educação, se for 
menor). 
 O dever de prestar alimentos cessa se a pessoa que recebe os alimentos passar a viver 
maritalmente com outra pessoa (novo casamento, união estável ou concubinato), bem como no 
caso de procedimento indigno para com o devedor. Os alimentos fixados ou acordados podem 
ser revistos (exoneração, redução ou majoração) sempre que sobrevier mudança na situação 
econômica do alimentando ou do alimentante. 
 O não cumprimento da obrigação sujeita o alimentante a sanções civis e penais. 
20.3 Classificação dos alimentos 
20.3.1 Quanto à fonte 
 Legais: também denominados de familiares, são aqueles que decorrem da disposição 
legal, relativamente ao casamento, união estável ou das relações de parentesco. Em 
caso de não pagamento, cabe prisão civil do devedor (art. 5º, LXVII, CF/88) nos 
moldes do NCPC; 
 Convencionais: decorrem de norma contratual, testamento ou legado; 
 Indenizatórios: são devidos em razão da prática de um ato ilícito que acarretou dano 
para o credor; 
20.3.2 Quanto à extensão 
 Civis (regra): destinados a manter a qualidade de vida do credor, de modo a 
preservar o mesmo padrão e status social do alimentante. Assim, afirma-se que os 
alimentos devem, na verdade, ter o condão de manter o padrão de vida (art. 1694, 
CC); 
 Naturais (exceção): visa a mera subsistência (art. 1694, § 2º c/c art. 1695, CC) e 
ocorre quando o cônjuge por culpado da própria penúria ou em caso de separação 
judicial quando houver o binômio legal, não houver nenhum outro parente para 
prestar e tiver inaptidão para o trabalho; 
 
76 
20.3.3 Quanto ao tempo 
 Pretéritos: já prestados, não podendo ser mais pleiteados em razão do princípio da 
atualidade que rege o instituto dos alimentos 
 Presentes: estabelecido naquele momento e que podem ser pleiteados; 
 Futuros: estão pendentes mas poderão, em momento oportuno, ser pleiteados; 
20.3.4 Quanto à forma de pagamento 
 Próprios: também conhecido como in natura, são pagos em espécie através de 
alimentos, sustento, hospedagem, entre outros. 
 
 
 
De acordo com a premissa 7, publicada na Edição 65 da ferramenta Jurisprudência em 
Teses do STJ: “é possível a modificação da forma da prestação alimentar (em espécie ou in 
natura), desde que demonstrada a razão pela qual a modalidade anterior não mais atende à 
finalidade da obrigação, ainda que não haja alteração na condição financeira das partes nem 
pretensão de modificação do valor da pensão; 
 Impróprios: decorrentes da pensão alimentícia, que vai ser determinada de acordo 
com o caso concreto, pelo juiz, variante entre 10-40% com base no salário do 
devedor ou então em salários mínimos; 
20.3.5 Quanto à finalidade 
 Definitivos: por meio de acordo das partes ou por sentença judicial transitada em 
julgado. Contudo, conforme visto anteriormente, não formam coisa julgada material, 
mas sim formal, podendo ser alterado a qualquer tempo, a depender do binômio 
legal; 
 Provisórios: são aqueles fixados antes da sentença de alimentos, conforme Lei. 
5478/68 (Lei de Alimentos). Assim, exigeprova pré-constituída do parentesco 
 
77 
(certidão de nascimento) ou casamento e tem natureza de tutela de urgência 
satisfativa, pois antecipada os efeitos da sentença; 
 Provisionais: decorrem de outras ações que não sejam regidas pela Lei de Alimentos, 
com objetivo de manutenção do padrão de vida da parte que os pleiteia. Ocorre 
por meio de tutela antecipada, antecipando os efeitos finais do processo, ou liminar, 
em caso de medida cautelar de separação de corpos, e, ao contrário da anterior, não 
precisa ser através de prova pré-constituída; 
 Compensatórios: é a divisão dos frutos e rendimentos dos bens do casal, a título 
de ressarcimento pela não imissão imediata dos bens da meação a que o cônjuge 
faz jus, com fim de restabelecer uma igualdade na relação familiar em razão do 
desequilíbrio no momento da partilha dos bens; 
 Transitórios: de acordo com recente entendimento jurisprudencial do STJ, são os 
fixados por determinado período de tempo, a favor de ex-cônjuge/companheiro, 
antes do termo final (até que obtenha autonomia financeira). 
 
 
 
Sobre o tema, vide premissa 14, edição 65 da ferramenta Jurisprudência em Teses do STJ: “os 
alimentos devidos entre ex cônjuges devem ter caráter excepcional, transitório e devem ser 
fixados por prazo determinado, exceto quando um dos cônjuges não possua mais condições 
de reinserção no mercado do trabalho ou de readquirir sua autonomia financeira” e 
Informativo 444, STJ. 
 
 
 
78 
 
SÚMULA 309, STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que 
compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem 
no curso do processo”. 
Premissa 6, Jurisprudência em Teses do STJ/16: “o atraso de uma só prestação alimentícia, 
compreendida entre as três últimas atuais devidas, já é hábil a autorizar o pedido de prisão 
do devedor, nos termos do art. 528, §3º do NCPC”, e, em caso de devedor contumaz, também 
não há necessidade de completar os três meses de inadimplemento. 
20.4 Exoneração 
 Morte do credor: pois, como anteriormente visto, trata-se de obrigação intuito 
personae; 
 Alteração substancial ou desaparecimento do binômio legal: nesse caso, deve-se 
ingressar com ação revisional ou exoneração de alimentos a depender do caso; 
 Atingimento da maioridade, se for menor: contudo, não ocorre de forma automática, 
sendo necessário o ingresso da ação de exoneração de alimentos, pois, acaba o 
poder familiar mas permanece o dever de mútua assistência. 
 
Assim, conforme preceitua a Súmula 358 do STJ “o cancelamento de pensão alimentícia de 
filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda 
que nos próprios atos”. Ainda sobre o tema, conforme entendimento consolidado deste 
 
79 
mesmo Tribunal, caso seja filho universitário, os alimentos se estendem até o término dos 
estudos (Informativo n. 484; STJ/11, premissa 4 da Edição 65, Jurisprudência em teses; 
Enunciado n.344 do CJF/STJ) 
 Dissolução do casamento/união estável: porém, de acordo com o art. 1709, CC, 
admite-se que haja a fixação de alimentos após o divórcio e, portanto, o novo 
casamento do cônjuge devedor não extingue a obrigação estabelecida por sentença. 
Porém, poderá haver alteração do binômio legal, caso em que ensejará ação de 
alteração de alimentos. No mesmo sentido, caso o devedor obtenha novo 
casamento, união estável ou concubinato, dar-se-á por encerrada a obrigação, 
desde que, neste último caso, se demonstre a possibilidade de assistência material 
pelo concubino (Enunciado n.256, CJF/STJ); 
 Comportamento indigno do credor: conforme o Enunciado n.264, CJF/STJ, aplica-se 
as mesmas regras do art. 1814, incisos I e II do CC. Em contrapartida, ressalte-se o 
Enunciado n.345 do CJF/STJ que estabeleceu que pode ensejar exoneração ou mera 
redução se, nesse último caso, permanecer a necessidade do devedor em receber 
os alimentos, que serão reduzidos à quantidade indispensável à sobrevivência dele. 
20.5 Alimentos Gravídicos 
É previsto na Lei nº 11.804/08, tratando-se do direito concedido à gestante de buscar 
alimentos durante a gravidez, tratando-se de subsídios gestacionais. A lei enumerada as 
despesas que precisam ser atendidas pelo devedor, porém, não se trata de um rol taxativo, 
devendo ser considerada toda e qualquer despesa com a gravidez ensejadora de alimentos 
gravídicos. 
 Assim, presume-se a paternidade e determina-se o pagamento dos alimentos em favor 
da gestante, que pode perdurar até após o nascimento, momento em que a verba se 
transformará em alimentos em favor do filho. Por fim, o indeferimento de tais alimentos ou em 
caso de nascimento durante a demanda não leva à extinção do processo, diversamente se 
ocorrer a interrupção da gravidez. 
 
80 
Portanto, são devidos ao nascituro, e, percebidos pela gestante, ao longo da gravidez, 
abrangendo os valores suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de gravidez 
e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes a alimentação 
especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, 
medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, 
além de outras que o juiz considere pertinentes. 
De acordo com o art. 1o, o sujeito ativo seria a gestante. Porém, segundo o art. 6o, 
sobrevindo nascimento com vida, sem impugnação de sua paternidade, os gravídicos se 
convertem, automaticamente, em pensão alimentícia. A jurisprudência, desta forma, vem 
admitindo a legitimidade de ambos. 
São devidos desde a concepção e são irrepetíveis, sendo concedidos com base em 
meros indícios. Não se exige prova efetiva do parentesco, assim: 
 Fixação com base em meros indícios; 
 Devidos desde a concepção; 
 Irrepetíveis; 
 Conversão automática em pensão alimentícia, se não houver impugnação quando 
do nascimento; 
20.6 Ações de alimentos 
 A ação de alimentos é imprescritível. Na verdade, o que não prescreve é o direito de 
postular em juízo, o pagamento de pensões alimentícias. Mas as parcelas devidas, o direito de 
cobrar as pensões já fixadas em sentença ou estabelecidas em acordo e não pagas prescrevem 
em dois anos (art. 206, §2o, CC). A prescrição dessas parcelas ocorre mensalmente. 
O devedor de alimentos que não fizer o seu pagamento estará sujeito à chamada prisão 
civil. Determina a Constituição Federal (art. 5º, inciso LXVII) que “não haverá prisão civil por 
dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação 
alimentícia (...)”. 
Existem diversos ritos para a ação de alimentos, vejamos. 
 
81 
20.6.1 Procedimento especial concentrado sumaríssimo (Lei n. 
5.478/68) 
É aquela prevista na Lei de Alimentos, constituída a partir de prova pré-constituída, 
ademais, outras ações submetidas ao mesmo rito é de oferta de alimentos (art. 24) e revisão 
(art. 13). Por sua vez, a exoneração de alimentos não se submete a este procedimento, pois 
trata-se de procedimento comum do CPC. 
É necessário que haja a petição inicial com seus requisitos, havendo possibilidade de 
ajuizamento sem advogado, excepcionalmente. Ainda, a o MP possui legitimidade envolvendo 
criança e adolescente conforme dispõe o ECA, em seu art. 201. 
Ao despachar a inicial, o juiz fixará os alimentos provisórios mesmo que a parte não 
tenha requerido. O juiz só deixará de fixar se a parte expressamente disser que deles não 
necessita. A citação para audiência para conciliação instrução e julgamento é pela via postal. 
O Ministério Público apresentará parecer, de modo que o STJ vem entendendo que o 
MP não está obrigado a patrocinar os interesses do incapaz, sendo de atuação livre, podendo 
interpor recursos contra o incapaz. 
Será prolatada uma sentença cujos efeitos retroagem à citação, cabendo recurso que 
será recebido no efeito meramente devolutivo, permitindoa execução imediata desses 
alimentos. Aqui, forma-se coisa julgada material com cláusula rebus sic stantibus, não sendo, 
portanto, coisa julgada formal. 
 
 
 
Súmula 594-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos 
em proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar 
dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no artigo 98 
 
82 
do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da 
existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca.STJ. 2ª Seção. Aprovada em 
25/10/2017, DJe 06/11/2017. 
20.6.2 Execução de alimentos 
Trata-se de procedimento especial previsto art. 16 da Lei nº 5.478/68 e CPC. Assim, no 
cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de 
decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará 
intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou 
justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 
Caso o executado, no prazo referido não efetue o pagamento, não prove que o efetuou 
ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o 
pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. Somente a 
comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento. 
Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de 
mandar protestar o pronunciamento judicial, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 
(três) meses. A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos 
presos comuns. O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações 
vencidas e vincendas. 
Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. 
O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 
(três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do 
processo. 
O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde 
logo, caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora em dinheiro, 
a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante 
mensalmente a importância da prestação. 
 
83 
Este procedimento se aplica aos alimentos definitivos ou provisórios. A execução dos 
alimentos provisórios, bem como a dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada em 
julgado, se processa em autos apartados. O cumprimento definitivo da obrigação de prestar 
alimentos será processado nos mesmos autos em que tenha sido proferida a sentença. 
Verificada a conduta procrastinatória do executado, o juiz deverá, se for o caso, dar ciência ao 
Ministério Público dos indícios da prática do crime de abandono material. 
Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, caberá ao executado, 
a requerimento do exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento do valor 
mensal da pensão. O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente 
em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade econômica ou, a 
requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de 
imediato pelo juiz. A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário-
mínimo. 
Assim, pode ser executado por: 
 Desconto em folha ou em outros rendimentos (apenas para os vincendos); 
 Patrimonial (penhora); 
 Pessoal (prisão civil). 
Vejam as características da execução de alimentos com prisão: 
 Possibilidade de prisão civil com natureza coercitiva (não punitiva), 
decorrente de acordo extrajudicial, mesmo que não homologado judicialmente18; 
 Atualidade da dívida19 (prazo de três meses): sendo possível apenas para os 
alimentos que se vencerem a 3 meses e os que vencerem dentro do processo. 
Não é cabível prisão civil para alimentos pretéritos; 
 Prazo máximo (60 dias): há entendimento jurisprudencial sobre o prazo máximo 
de 60 dias, apesar da controvérsia legislativa20 do NCPC prever o prazo de 1 a 
3 meses; 
 
18 STJ, RESP 1.117.639/MG 
19 STJ, S. 309 
20 STJ, RHC 17.541/RJ 
 
84 
 Não exoneração da dívida alimentícia e possibilidade de repetição da medida 
prisional21; 
 Prisão especial em casos excepcionais22: não cabe prisão especial, em regra. 
 
 
21 STJ, HC 39.902/MG 
22 STJ, AGRGHC 272.034/SC 
 
85 
QUADRO SINÓTICO 
CASAMENTO, UNIÃO ESTÁVEL E MONOPARENTALIDADE 
 
FAMÍLIA NA 
CF/88 
Com a Constituição de 1988 e a superação da perspectiva individualista do Direito Civil, a 
família deixou de ser um fim em si mesma e passou a ser instrumental, isto é, deve servir 
ao desenvolvimento da personalidade, felicidade e dignidade de seus membros. Por isso, 
a família deixou de ser casamentária e passou a ser plural; deixou de ser patriarcal e 
passou a ser igualitária. A família é baseada no afeto, na ética, dignidade e solidariedade. 
A família é eudemonista. 
 
 
PRINCÍPIOS 
FUNDAMENTAIS 
 Proteção da dignidade da pessoa humana (art.1º, III, CF/88) 
 Solidariedade familiar (art. 3º, I, CF/88) 
 Igualdade: Entre filhos (art. 227, §6º, CF/88 c/c art. 1596, CC); e entre cônjuges e 
companheiros (art. 226, §5º, CF/88 c/c art. 1511, CC) 
 Não intervenção ou liberdade familiar (art. 1513, CC) 
 Maior interesse da criança/adolescente (art. 227, CF/88 c/c art; 1538 e 1584, CC) 
 Afetividade 
 Função social da família (art. 226, CF/88) 
 Boa-fé objetiva 
 Família plural 
CONCEITO DE 
DIREITO DE 
FAMÍLIA 
É o complexo de normas de ordem pública que regulam a celebração do casamento, 
sua validade, seus efeitos, relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, união 
estável, dissolução, relação entre pais e filhos, vínculo de parentesco, alimentos e os 
institutos complementares da tutela, curatela e ausência. 
 
DIREITO 
MATRIMONIAL 
A Constituição Federal de 1988 reconhece expressamente três modelos de entidades 
familiares: casamento (art. 226, §§1º e 2º), união estável e famílias monoparentais. Esse rol 
de entidades familiares trazidos pela CF é, segundo a doutrina e a jurisprudência, inclusive 
do STF e STJ, é meramente exemplificativo, havendo outras espécies, tais quais: família 
anaparental, família homoafetiva e família mosaico ou pluriparental. 
CASAMENTO 
 
 
CONCEIT
O E 
TEORIA 
ADOTAD
A 
É a união legal, o vínculo jurídico, entre homem e mulher que visa o auxílio 
mútuo, material e espiritual, criando a família legítima. Assim, o casamento 
é o ato que estabelece entre as partes comunhão plena de vida, com base 
na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (teoria contratualista). O 
casamento é celebrado e desfeito com base única e exclusivamente pela 
vontade das partes. Assim, adota-se a Teoria Mista ou Eclética pela qual o 
casamento é uma instituição quando ao conteúdo e um contrato especial 
quanto à formação, com regras e princípios próprios. 
 
86 
 
 
FINALIDA
-DE 
 
 Instituição da família 
 Satisfação do desejo sexual: 
 Legalização das relações sexuais 
 Procriação (não é essencial), proteção e educação dos filhos. 
 Prestação de auxílio mútuo. 
 Estabelecimento de deveres entre os cônjuges. 
 
 
 
DIREITOS 
E 
DEVERES 
 
 Fidelidade recíproca. 
 Coabitação (relativa): 
 Mútua assistência (material, moral e espiritual), respeito e 
consideração 
 Proteção da prole: 
 Igualdade de Direitos e Deveres: Os direitos e deveres referentes à 
sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela 
mulher (art. 226, 5°, CF). 
 
 
PROIBI-
ÇÕES 
Nenhum dos cônjuges pode, sem autorização (escrita e expressa) dooutro, exceto no regime da separação total de bens: 
 Alienar, hipotecar ou gravar de ônus real os bens imóveis, ou 
direitos reais sobre imóveis alheios 
 Pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens e direitos. 
 Prestar fiança ou aval: 
 Fazer doação, não sendo remuneratória, de bens ou rendimentos 
comuns ou dos que possam integrar futura meação. 
PRINCÍPI
OS DO 
CASAME
N-TO 
 Liberdade de escolha: 
 Monogamia: 
 Comunhão plena da vida 
 Solenidade do ato nupcial 
FORMALI
-DADES 
PARA O 
CASAME
N-TO 
 
 
HABILITA-
ÇÃO 
O primeiro passo é requerer a instauração do processo de 
habilitação no Cartório de Registro Civil para constatar a 
existência ou não de impedimentos matrimonias e dar 
publicidade ao ato. Trata-se de uma atitude preventiva, a 
fim de se evitar que pessoas impedidas se casem. 
EDITAL DE 
PROCLAMAS 
 
Os proclamas (edital que comunica ao público em geral a 
intenção dos noivos de contrair núpcias) são afixados nos 
Cartórios de ambos os nubentes. Decorridos 15 dias, o 
oficial entrega aos nubentes uma certidão de que estão 
habilitados a se casar dentro de 90 dias, sob pena de 
decadência. Se não houver casamento neste prazo, deve-
se renovar todo o processo de habilitação. Em casos 
 
87 
excepcionais pode haver dispensa da publicação (art. 
1.527, parágrafo único, CC). 
CELEBRAÇÃO 
DO 
CASAMENTO 
 
A celebração do casamento ocorrerá no dia, hora e lugar 
previamente designados pelo Juiz de paz, mediante 
petição dos contraentes, que se mostrem habilitados com 
a certidão de habilitação. 
 
APERFEIÇOA-
MENTO 
 
 
O momento de aperfeiçoamento do casamento se dará 
no momento em que os cônjuges manifestam, perante o 
juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o 
juiz os declara casados. O registro do ato está no plano 
da eficácia do casamento 
 
IDADE 
NÚBIL 
Tanto o homem como a mulher atingem a idade núbil aos 16 anos. 
Todavia os menores púberes (maiores de 16 e menores de 18 anos), 
para casar, devem ser autorizados por seus pais ou representantes 
legais. Com a alteração da redação do art. 1.520 do CC, “não será 
permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade 
núbil”. 
IMPEDI-
MENTOS 
E 
CAUSAS 
SUSPENSI
-VAS 
 
IMPEDIMENTOS DIRIMENTES ABSOLUTOS (OU PÚBLICOS) 
Trata-se de rol taxativo que impossibilita a realização de casamento, 
acarretando, em caso de sua ocorrência, a NULIDADE do matrimônio. 
Ainda, são questões de interesse público e, em razão disso, podem ser 
arguidos por qualquer pessoa interessada ou pelo Ministério Público, 
sendo uma ação imprescritível. No caso dos impedimentos, eles podem 
ser opostos, até o momento da celebração do casamento, por qualquer 
pessoa capaz. 
São causas impeditivas: 
 Os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou 
civil; 
 Os afins em linha reta; 
 O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com 
quem o foi do adotante; 
 Os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro 
grau inclusive; 
 O adotado com o filho do adotante; 
 
88 
 as pessoas casadas; 
 O cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou 
tentativa de homicídio contra o seu consorte. 
CAUSAS SUSPENSIVAS OU IMPEDIMENTOS IMPEDIENTES 
São situações em que, apesar de a lei apenas recomenda a não realização 
do casamento, porém, se assim o fizer, acarretará mero ônus legal: adoção 
do regime legal obrigatório, o Regime de Separação Legal/Obrigatória 
(art. 1641, I, CC). Os legitimados para arguir a existência de causas 
suspensivas são apenas os parentes em linha reta de um dos cônjuges, 
consanguíneos ou afins, e colaterais em segundo grau, consanguíneos ou 
afins. 
 O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não 
fizer inventário. 
 A viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter 
sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da 
dissolução da sociedade conjugal. 
 O divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a 
partilha dos bens. 
 O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, 
cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, 
enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas 
as respectivas contas. 
As causas suspensivas só podem ser arguidas pelos parentes em linha 
reta de um dos nubentes e pelos colaterais em segundo grau 
 
 
 
ESPÉCIES 
DE 
CASAME
N-TO 
 
 
 
 
MOLÉSTIA 
GRAVE (ART. 
1539, CC) 
O casamento será celebrado onde se encontrar a pessoa 
impedida perante duas testemunhas. Assim, um dos 
nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se 
encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, 
perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. A 
falta ou impedimento da autoridade competente para 
presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus 
substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro 
ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. 
 
 
 
 
NUNCUPA-
TIVO (ART. 
1540, CC) 
Também denominado de em viva voz, in extremis vitae 
momentis ou in articulo mortis (do latim nuncupare = 
“dizer de viva voz”), trata-se de situação em que um dos 
nubentes se encontra em iminente risco de vida ou à 
beira da morte (art. 1.540, CC), não havendo, portanto, 
tempo para a celebração do casamento conforme as 
solenidades, não estando presente a autoridade 
 
89 
 competente para presidir o ato. Dispensam-se as 
formalidades legais para o ato (processo de habilitação, 
proclamas e até mesmo a presença da autoridade 
competente, pois os contraentes não a localizaram). 
Basta que os contraentes manifestem o propósito de se 
casar e, de viva voz, recebam um ao outro. É necessária a 
presença de seis testemunhas sem parentesco (na linha 
reta e colateral até 2° grau) e posterior habilitação e 
homologação judicial. 
 
 
POR 
PROCURA-
ÇÃO (ART. 
1542, CC) 
Deve ser realizada por instrumento público com poderes 
especiais, possuindo, a procuração, eficácia de 90 dias, 
sendo revogável até o momento da celebração. Embora 
seja imprescindível a presença real e simultânea dos 
contraentes, o Código Civil permite o casamento por 
procuração, desde que um dos nubentes não possa estar 
presente. A procuração deve ser por instrumento público, 
com poderes especiais para contrair casamento, 
mencionando o regime de bens. Se ambos não puderem 
comparecer, deverão nomear procuradores diversos 
DIPLOMÁTI-
CO OU 
CONSULAR 
(ART. 7º, §2º, 
LINDB) 
 
O casamento dos estrangeiros poderá ser celebrado 
perante autoridades diplomáticas ou consulares do país 
de ambos os nubentes. 
RELIGIOSO 
COM 
EFEITOS 
CIVIS (ART. 
1515 E 1516, 
CC) 
Se precedido de processo de habilitação, deve ser 
registrado em 90 dias, após esse prazo, necessitará de 
nova habilitação. Em contrapartida, se não foi precedido 
de habilitação, terá efeitos civis apenas se for registrado 
no registro civil a requerimento do casal por meio de 
prévia habilitação à autoridade competente, respeitando-
se, também, o prazo de 90 dias (efeito ex tunc), 
PROVA E 
EFEITOS 
DO 
CASAME
N-TO 
 
PROVA DO CASAMENTO (ART. 1543 A 1547, CC) 
 
DIRETA 
 
 No Brasil: certidão do registro; 
 Exterior: registro em 180 dias no cartório do 
respectivo domicílio ou no 1º ofício da capital do 
Estado que forem residir; 
COMPLEMEN
TARES/SUPLE
-TÓRIOS 
Quando ocorrer a falta ou perda do registro civil, sendo 
admissível qualquer outro tipo de prova; 
 
90 
 
INDIRETA 
Posse do estado de casado, demonstrando a efetiva 
situação de casados no mundo dos fatos. Nesse sentido, 
aplica-se sempre o princípio in dubio pro matrimonio; 
EFEITOS DO CASAMENTO 
 
PESSOAIS 
É a comunhão plena de vida, adotar o sobrenome do 
outro, planejamento familiar e os deveres matrimoniais 
previstos no art. 1566, CC; 
PATRIMO-
NIAIS 
São os direitos patrimoniais dosnubentes que se 
consubstanciam no regime de bens deles. Sobre esse 
tema, trataremos especificamente no tópico específico 
UNIÃO ESTÁVEL 
ELEMENT
OS 
 Dualidade de pessoas 
 Publicidade 
 Durabilidade 
 Continuidade 
 Constituição de família 
 Não haver impedimentos matrimoniais: exceto quanto aos 
separados (judicialmente ou de fato). 
MEAÇÃO Se não houver pacto entre os conviventes o regime da comunhão parcial 
prevalecerá e o convivente terá direito à metade dos bens por ocasião da 
dissolução da união estável (separação ou morte) se adquiridos 
onerosamente na vigência da união estável. Não se comunicam os bens 
advindos de herança, legado ou doação. 
SUCESSÃ
O 
O companheiro supérstite, além da meação participará da sucessão do 
outro, nas mesmas condições que o cônjuge sobrevivente. 
DEVERES 
 
 Em relação ao companheiro, lealdade, respeito e assistência. 
 Em relação aos filhos: guarda, sustento e educação. 
SEPARA-
ÇÃO DE 
CORPOS 
Esta medida cautelar é manejável tanto na hipótese do casamento como 
na de união estável (nesta hipótese, antes de se promover a ação de 
reconhecimento e extinção da própria união estável - art. 1.562, CC), 
porque nos dois casos há conflitos de interesses que merecem tutela 
jurídica. 
CONVER-
SÃO EM 
CASAME
N-TO 
 
Determina o art. 1.726, CC que a união estável poderá converter-se em 
casamento, mediante pedido dos conviventes ao Juiz e assento no 
Registro Civil (a conversão de união estável em casamento pode se operar 
pela via judicial ou extrajudicial, à escolha do casal – STJ REsp 1.685.937-RJ, 
Info 609). 
 
91 
NOME 
DO 
COMPA-
NHEIRO 
A lei permite que se utilize o patronímico do companheiro, se houver a 
concordância deste, vida em comum por mais de cinco anos ou filho da 
união. Não podem ser casados em núpcias anteriores. 
 
PREVIDÊ
N-CIA 
SOCIAL 
 
Havendo união estável, os conviventes são beneficiários do segurado. 
Também têm direito à pensão deixada pelo servidor civil ou militar. 
Permite-se o abatimento no Imposto de Renda como encargo de família 
(dependente). 
RESPONS
A-
BILIDADE 
CIVIL 
Assim como o cônjuge, a companheira ou companheiro pode pleitear 
indenização por morte do companheiro motivada por ato ilícito. 
MONOPARENTALIDADE 
São as famílias formadas por um só dos pais e sua prole (descendentes). Também 
chamadas de famílias unilineares. 
 
DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO E UNIÃO ESTÁVEL 
MORTE A morte pode ser real ou presumida com ou sem decretação de ausência. 
DIVÓRCIO Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial, põe fim aos deveres conjugais, extingue o 
regime de bens, acarretando sua partilha, faz cessar o direito sucessório, não admite 
reconciliação (devendo casar novamente, se for o caso), novo casamento dos divorciados e 
mantém inalterados os direitos e deveres dos pais em relação aos seus filhos (guarda), 
possibilidade de alimentos, possibilidade de manter o nome de casado ou não, inexistindo 
qualquer necessidade de comprovação de culpa. 
ESPÉCIES 
 Pode ser obtido em cartório (procedimento administrativo) ou em juízo 
(procedimento de jurisdição voluntária); 
 
92 
DIVÓRCIO 
CONSENSUAL 
(AMIGÁVEL) 
 
 
 
 
DIVÓRCIO 
CONSENSUAL 
JUDICIAL 
No divórcio consensual judicial exige um requisito 
objetivo: consenso, vontade das partes, 
independentemente da existência de filhos menores 
incapazes. Havendo a possibilidade de existência de 
incapazes e cláusulas obrigatórias da petição inicial: 
 As disposições relativas à descrição e à partilha 
dos bens comuns; 
 As disposições relativas à pensão alimentícia entre 
os cônjuges; 
 O acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e 
ao regime de visitas; e 
 O valor da contribuição para criar e educar os 
filhos. 
 
 
 
DIVÓRCIO 
CONSENSUAL 
ADMINISTRA-
TIVO 
Por sua vez, a Lei nº 11.441/07 concebeu a possibilidade de 
divórcio consensual em cartório, através de um 
procedimento administrativo, sendo decretado por meio de 
escritura pública e não por sentença. Essa escritura pública 
independe de intervenção do MP e homologação 
judicial. O próprio tabelião lavrará a escritura pública 
quando presentes os requisitos do art. 1.124-A. O uso da 
via cartorária é facultativo e não obrigatório, porém não 
pode haver interesse de incapaz. O casal sempre pode 
optar pelo uso da via judicial. Havendo interesse de 
incapaz o uso da via judicial é obrigatório. 
 
 
 
 
 
DIVÓRCIO 
LITIGIOSO 
 
 
Sempre será em juízo e, no CPC/73 tratava-se de um procedimento comum ordinário, 
contudo, atualmente, trata-se de um procedimento especial previsto nos artigos 693 
a 699 do CPC/15. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências 
referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à 
audiência de mediação e conciliação, observado o disposto no art. 694. O mandado 
de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar 
desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar 
seu conteúdo a qualquer tempo. Assim, é possível a cumulação de pedidos (guarda; 
alimentos, visitas de filhos, indenização; partilha de bens, etc.). Assim, o juiz julga o 
pedido de divórcio, de imediato, e o processo continua para decidir os demais 
pedidos. O divórcio é direito potestativo, não pode ser contestado. 
SEPARAÇÃO 
JUDICIAL 
A separação apenas desconstitui o casamento, mas não dissolve. Assim, a separação seria causa 
terminativa, não dissolutiva. A maioria da doutrina entende que com o advento da EC 66 não mais existe 
separação. Assim, é majoritário que a separação judicial não dissolve o casamento, apenas põe fim a 
 
93 
determinados deveres, contudo, em entendimento contrário a doutrina, a jurisprudência do STJ23 entende 
que a EC 66/2010 não revogou, expressa ou tacitamente, a legislação ordinária que trata da separação 
judicial. 
SEPARAÇÃO DE 
FATO 
A separação de fato acarreta uma ruptura da convivência entre os consortes, 
havendo bastante relevância para o sistema jurídico brasileiro, acarretando a 
cessação da base afetiva da relação. Apesar de não constar no CC como causa 
terminativa nem como causa dissolutiva, não afetando o casamento a princípio, o STJ 
equipara a separação de fato à separação judicial, de modo a por fim aos deveres 
conjugais. 
Assim, os efeitos da separação de fato são: 
 Possibilidade de caracterização de união estável por conta da cessação dos 
deveres de fidelidade e coabitação; 
 Cessação do regime de bens 
 Cessação do direito à herança; 
 Sub-rogação locatícia (Lei n.8.245/91, art. 12); 
 Permissão para a contagem do prazo para o usucapião conjugal (CC, art. 
1.240-A). 
 
INVALIDADE 
DO 
CASAMENTO 
 
INEXISTENTE 
São os casamentos que não deveriam ter acontecidos. A doutrina traz duas 
hipóteses: ausência de vontade e celebrado por autoridade totalmente 
incompetente. 
 
 
NULO 
Após o advento do Estatuto da Deficiência, o único caso em que implicará a nulidade, 
de acordo com a lei, será com o infringência das regras de impedimento. A 
decretação de nulidade de casamento, pelos motivos previstos no artigo antecedente, 
pode ser promovida mediante ação direta, por qualquer interessado, ou pelo 
Ministério Público. 
ANULÁVEL São hipóteses taxativas em que acarretará a nulidade relativa do casamento, 
dependendo da arguição dentro dos prazos decadenciais legais. São elas: 
 Quem não completou a idade mínima para casar: A pessoa com deficiência 
mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, 
expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou 
curador. Assim, como já explicado anteriormente, não há qualquer nulidade 
nesses casos. 
O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de completá-la, 
confirmar seu casamento, com a autorização de seus representantes legais, se 
necessária, ou com suprimento judicial. 
Menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante 
legal: O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por 
seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em 
cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus 
representantes legais ou de seus herdeiros necessários. 
 
23 STJ. 3ª Turma. REsp 1.431.370-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/8/2017 (Info 610). STJ. 4ª Turma. REsp 
1.247.098-MS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2017 (Info 604). 
 
94 
 Por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558: O casamento 
pode ser anulado por vício da vontade, se houve por parte de um dos 
nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro. 
É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um 
ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal 
considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares. 
 Incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o 
consentimento; 
 Realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse 
da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os 
cônjuges; 
 Por incompetência da autoridade celebrante: Subsiste o casamento 
celebrado por aquele que, sem possuir a competência exigida na lei, exercer 
publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade, tiver 
registrado o ato no Registro Civil. 
 CASAMENTO 
PUTATIVO 
(ART. 1561, CC) 
Embora nulo/anulável, foi contraído de boa-fé por ambos os cônjuges ou só um 
deles, reconhecendo-lhes efeitos legais. Porém, ainda que de má-fé, se por apenas 
um dos cônjuges, o de boa-fé e os filhos estarão sujeitos aos efeitos legais, e, 
inclusive, se ambos estiverem de má-fé, os efeitos recairão apenas nos filhos. 
 
REGIME DE BENS 
 
CONCEITO 
Trata-se do estatuto patrimonial dos cônjuges, aplicável a outras entidades familiares, a 
exemplo da união estável. É regido pela autonomia privada, pela indivisibilidade (regime 
único para ambos), pela variedade de regimes e mutabilidade justificada (é possível a 
alteração de regime de bens, desde que por meio judicial, de forma motivada por ambos 
os cônjuges, ressalvado direito de terceiros). 
PRINCÍPIOS VARIEDADE DE 
REGIME DE BENS 
A lei oferece quatro espécies de regimes: comunhão universal, 
comunhão parcial, separação e participação final dos aquestos. 
PRINCÍPIO DA 
LIVRE 
ESTIPULAÇÃO 
OU LIBERDADE 
DOS PACTOS 
ANTENUPCIAIS 
Pacto antenupcial é um contrato solene, realizado antes do casamento, 
por meio do qual os nubentes escolhem o regime de bens que 
vigorará durante o matrimônio. Os nubentes podem estipular 
cláusulas, atinentes às relações econômicas, desde que respeitados os 
princípios da ordem pública; devem ser feitos por escritura pública 
(sob pena de nulidade) e seguido do casamento (sob pena de 
ineficácia). 
 
 
PRINCÍPIO DA 
INDIVISIBILIDADE 
 
É o princípio que proíbe a celebração de casamento com regimes 
distintos para cada um dos cônjuges, visto que o o regime é uno. 
Contudo, isso não impede disposições especiais no pacto antenupcial 
de doação de bens de um cônjuge ao outro. O princípio da 
indivisibilidade é excepcionado na hipótese de casamento nulo ou 
anulável em que apenas um dos cônjuges agiu de boa-fé. 
 
95 
PRINCÍPIO DA 
MUTABILIDADE 
JUSTIFICADA 
 
Atualmente a lei permite a mutabilidade do regime adotado, desde 
que haja uma autorização judicial, atendendo a pedido motivado de 
ambos os cônjuges, após apuração de procedência das razões 
invocadas e ressalvados os direitos de terceiros (art. 1639, §2º, CC). 
 
 Requisitos para alteração do regime 
 Ação judicial: a alteração só é possível mediante ação de 
alteração do regime de bens, assim, em regra, esta ação 
deve ser distribuída na Vara de Família, ou na sua ausência, 
deve ser distribuída na Vara Cível. 
 Absoluto consenso entre os cônjuges; 
 Justo motivo: o pedido de alteração do regime de bens 
deverá ser motivado e o juiz analisará a procedência das 
razões invocadas. 
 Ressalva de direitos de terceiros; 
PACTO 
ANTENUPCIAL 
É um negócio jurídico pessoal, solene (escritura pública), nominado e típico, que 
regulamenta as questões patrimoniais do matrimonio. Assim, deve existir sempre que os 
nubentes adotarem regime de bens diversos do regime legal e desde que não seja o 
obrigatório, visto que, nesse caso, não se leva em consideração a vontade deles. A sua 
nulidade de alguma cláusula não atinge o todo o pacto, em razão princípio da 
conservação dos negócios jurídicos. 
ESPÉCIES 
 
 
REGIME DA 
COMUNHÃO 
PARCIAL 
Trata-se do regime legal aplicado sempre que os cônjuges não 
escolherem outro por meio do pacto antenupcial, assim, é o que 
vigora no silêncio das partes ou nulidade do pacto antenupcial. Nesse 
regime, regra geral, comunicam-se todos os bens (bens comuns) 
havidos durante o casamento, exceto se forem incomunicáveis. Assim, 
forma-se duas massas patrimoniais: bens comuns e bens particulares. 
Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam. Ficam excluídos 
da comunhão de bens que cada cônjuge possuía antes de casar, bem 
como os que vierem depois, por doação ou sucessão (e os sub-
rogados em seu lugar). Por outro lado, cada consorte responde pelos 
próprios débitos anteriores ao casamento. 
 
REGIME DA 
COMUNHÃO 
UNIVERSAL 
Nesse regime, comunicam-se todos os bens do casal, 
independentemente da aquisição anterior à celebração do casamento. 
Assim, forma-se uma única massa patrimonial. Contudo, apesar de 
tal regra geral, o Código Civil elencou hipóteses em que tal 
comunicabilidade não é absoluta, havendo bens que não se 
comunicam. 
 
96 
 
 
REGIME DA 
PARTICIPAÇÃO 
FINAL NOS 
AQUESTOS 
 
 
Trata-se de regime inspirado em ordenamento jurídico de outros 
países e bastante complexo, que possibilita a formação de até 5 
massas patrimoniais, em dois momentos distintos do regime: na 
constância do casamento e na sua dissolução, cada um possuindo 
seu regramento específico. 
 
Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos 
cônjuges na constância do casamento. Há dois patrimônios: 
 Inicial: conjunto de bens que cada cônjuge possuía antes de 
se casar e os que foram por ele adquiridos, a qualquer título, 
durante o casamento. 
 Final: com a dissolução da sociedade conjugal apura-se o 
montante dos aquestos, excluindo-se da soma o patrimônio 
próprio 
REGIME DA 
SEPARAÇÃO DE 
BENS 
O regime de separação de bens pode ser tanto convencional quanto 
legal. No primeiro caso, os nubentes escolhem por adotar tal regime 
e, no segundo caso, é obrigatório por determinação legal. Nesse 
regime, só há bens particulares, pois não ocorre comunicabilidade 
dos bens. 
O regime de separação de bens pode ser dividido em: 
 Convencional: nubentes adotam, por convenção antenupcial; 
podem estipular a comunicabilidade de alguns bens, normas 
sobre a administração, colaboração da mulher, etc.; É o único 
regime em que existe verdadeira separação absoluta de bens. 
Neste caso não se aplica a Súmula 377, STF. 
 Legal ou Obrigatório: a lei impõe, por razões de ordem 
pública ou como sanção, não havendo comunhão de aquestos 
(art. 1.641, CC), nem necessidade de pacto (ex.: pessoa maior 
de 70 anos – redação dada pela Lei no 12.344/10) ou que 
contraiu casamento com inobservância das causas de 
suspensão, ou dependerem de suprimento judicial para 
casar). 
 
PARENTESCO 
CONCEITO Conforme preceitua Tartuce, trata-se de “relação jurídica existente entre ascendentes e 
descendentes de primeiro grau, ou seja, entre pais e filhos”. Ademais, como já tratamos 
anteriormente, rege-se pelo Princípio da igualdade de filiação. Não há hierarquia entre 
esses vínculos e a jurisprudência tem reconhecido a possibilidade demultiparentalidade. 
 
97 
ESPÉCIES NATURAL OU 
CONSANGUÍ-
NEO 
Pessoas ligadas por um mesmo tronco ancestral. Possuem um vínculo 
biológico ou de sangue, originados de um mesmo tronco comum. 
 
 
AFINIDADE 
É o que se estabelece entre cada cônjuge e os parentes do outro (CC, 
1.595), na linha reta ou colateral. Assim, é o resultante do casamento ou 
união estável, gerando a relação entre um cônjuge/companheiro e os 
parentes do outro, comportando a linha reta (infinita e permanente) e a 
colateral, que se extingue com o término do casamento 
 
 
CIVIL 
É aquele resultante de outra origem que não seja as anteriores, sendo, 
normalmente, decorrente do processo de adoção. Atualmente, em razão 
da evolução tecnológica, a jurisprudência vem admitindo mais duas 
espécies desse tipo de parentesco: reprodução heteróloga (material 
genético de terceiro) e a socioafetiva. 
FILIAÇÃO 
 
 
 
BIOLÓGICO 
 
É a genética ou por consanguinidade 
Reprodução humana natural: 
Reprodução humana assistida: 
Concepção homóloga: 
manipulação de gametas masculinos e femininos do próprio casal, sem 
necessidade de autorização pelos genitores, exceto se falecidos; 
Concepção heteróloga: 
doação de sêmen de um terceiro, desde que tenha concordância do 
cônjuge, de modo que o doador é anônimo e se afasta da paternidade. 
Assim, gera uma presunção iure et de iure de filiação. 
 
 
 
 
SOCIOAFETIVO 
(CRITÉRIO NÃO 
BIOLÓGICO) 
 
Corresponde à verdade aparente decorre do próprio direito de filiação; 
POSSE DO 
ESTADO 
DE 
FILIAÇÃO 
A aparência faz com que todos acreditem na existência de 
uma filiação, assim, independe do critério biológico 
 
 
ADOÇÃO 
É uma relação de parentesco civil que decorre da 
socioafetividade visto que, por ser um ato jurídico em 
sentido estrito, se constitui como um parentesco eletivo 
mediante um ato de vontade. Sobre a adoção, em razão de 
sua importância, vamos tratar detalhadamente em tópico 
próprio; 
 
98 
 
 
PRESUNÇÕES 
JURÍDICAS 
 
Têm por finalidade de atribuir a paternidade ou maternidade a alguém 
em razão de alguns indícios determinados pela lei; 
 Concebidos na constância do casamento (art. 1597, CC): cabem 
prova em contrário (regra: juris tantum) 
 180 dias após o início da convivência; 
 300 dias após a dissolução da sociedade conjugal 
 Fecundação artificial homóloga (RHA); 
 Embriões excedentários decorrentes de RHA; 
 Inseminação artificial heteróloga – presunção iure et de iure 
 Impotência para gerar (art. 1599, CC): à época da concepção, 
afasta a presunção de paternidade; 
 Presunção de paternidade e adultério da mulher (art. 1600, 
CC): a quebra do dever de fidelidade não é suficiente para 
impedir o vínculo de paternidade; 
 Imprescritibilidade da ação negatória de paternidade (pater es 
est) pelo marido (art. 1601, CC): 
 Mater in jure semper certa est (art. 1608, CC): a mãe registral 
tem legitimidade para impugnar a maternidade desde que 
comprovado a falsidade da declaração registral; 
RECONHECIME
NTO DE 
FILHOS 
O filho havido fora do casamento (filiação extramatrimonial) poderá ser reconhecido pelos 
pais, antes do nascimento ou post mortem, de forma conjunta ou separada, inexistindo a 
expressão filho ilegítimo/legítimo. 
Ademais, é irrevogável, podendo ser realizado por: 
 Registro de nascimento; 
 Escritura pública ou particular; 
 Testamento, legado ou codicilo, ainda que incidentalmente; 
 Manifestação direta e expressa em processo judicial 
PLURIPAREN-
TALIDADE 
É possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de 
nascimento na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme 
prática conhecida como “adoção à brasileira”. O reconhecimento da paternidade socioafetiva 
não exime o pai biológico da obrigação decorrente dos alimentos. 
ADOÇÃO Trata-se de forma tradicional de parentesco civil cujos regramentos estão dispostos no 
ECA, que se constitui como um ato jurídico em sentido estrito, de natureza complexa, 
dependendo de homologação judicial, independentemente se for adoção de menores ou 
de maiores. 
Ademais, trata-se de medida excepcional, irrevogável e definitiva, pois se deve adotar 
apenas quando estiverem esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente 
na família natural (comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes) 
ou extensa (se estende para além da unidade pais e filhos/casal, formada por parentes 
 
99 
próximos com os quais a criança ou adolescente conviva e mantém vínculos de afinidade e 
afetividade). 
TIPOS DE ADOÇÃO 
UNILATERAL Feita pelo cônjuge ou companheiro com relação ao filho de seu par. 
(padrasto/madrasta); 
CONJUNTA Realizada por duas pessoas, casadas civilmente ou que mantenham união 
estável, comprovando a estabilidade familiar 
 
DIVORCIADOS 
É excepcional, desde que o processo de adoção já tenha sido instaurado 
antes do divórcio, assim, o adotado já se encontrava integrado à 
convivência familiar. 
 
 
PÓSTUMA 
Por ser concebida desde que o adotante venha a falecer no curso do 
processo de adoção, desde que tenha manifestado inequívoca vontade, 
assim, o efeito da sentença retroagirá à data do óbito, excepcionalmente, 
já que a regra é que a sentença produza efeitos a partir do seu trânsito 
em julgado (ex nunc). 
ADOÇÃO À 
BRASILEIRA 
Trata-se da situação em que uma pessoa registra filho alheio como próprio. 
Não é uma modalidade legítima de adoção, pelo contrário, configura o 
crime do at. 242 do Código Penal. 
AÇÃO 
INVESTIGATÓ-
RIA DE 
PATERNIDADE
/MATERNIDA-
DE 
A ação investigatória de paternidade ou maternidade é uma forma de reconhecimento 
judicial de filhos, cujo procedimento, de acordo com o NCPC é comum. Visa-se, mediante 
tal processo, a comprovação da verdade real ou biológica da parentalidade. Possui natureza 
declaratória e envolve o estado de pessoas e a dignidade humana, assim, é imprescritível 
(art. 27, ECA c/c Súmula 149, STF). 
Quanto à legitimidade ativa para a ação, ela é personalíssima do filho, em regra, 
porém, se ele for menor de idade, poderá haver o instituto da representação, se menor de 16 
anos, ou, assistência, se possuir entre 16 e 18 anos. 
Ademais, o Ministério Público possui legitimidade extraordinária e pode atuar como 
substituto processual. Quanto à legitimidade passiva, em regra, será contra o suposto 
pai/mãe. 
PROVA DA 
FILIAÇÃO 
Ocorre através do registro de nascimento, que, em regra, não cabe quebra, exceto quando 
o registro tiver sido realizado por meio de erro ou falsidade. Contudo, não poderá afastar a 
parentalidade socioafetiva, incluindo-se, inclusive, o pai biológico no registro de nascimento, 
para todos os fins jurídicos, em virtude da possibilidade da multiparentalidade. 
 
 
100 
PODER FAMILIAR 
 
CONCEITO 
é o conjunto de direitos e deveres instituído para a proteção do filho menor não 
emancipado. Trata-se de um múnus público, ou seja, um encargo, um dever. São um 
poder-dever irrenunciável, intransferível (delegável para terceiros), inalienável, 
imprescritível de obrigações personalíssimas. Ademais, é exercido em igualdade de 
condições pelo pai ou pela mãe. 
 
CARACTERÍSTICAS 
 Sujeitos (art. 1630, CC): se submetem ao poder familiar todos filhos menores e 
incapazes (0-18 anos); 
 Exercício (art. 1634, CC), extinção (art. 1635, CC), suspensão (art. 1636, CC) e 
destituição (art. 1638, CC); 
 Efeitos patrimoniais (arts. 1689 a 1693, CC); 
 
 
 
DIREITOS E 
DEVERES 
O art. 1.634, CC enumera os direitos e deveres: 
 Dirigir-lhes a criação e educação; 
 Tê-los em sua companhia e guarda; 
 Conceder-lhes, ou negar-lhes consentimento para casarem; 
 Nomear-lhes tutor, por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais 
lhe não sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercitar o poder familiar; 
 Representá-los, até aos 16 (dezesseis) anos, nosatos da vida civil, e assisti-los, 
após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; 
 Reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; 
 Exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade 
e condição. 
ADMINISTRAÇÃO Trata-se de efeito patrimonial do poder familiar, determinando o CC que cabem aos pais 
o uso e administração dos bens do menor, sendo desnecessária a prestação de contas. 
Os pais, em igualdade de condições, são os administradores legais dos bens dos filhos. 
Para alienar ou gravar de ônus reais os bens imóveis dos filhos (ex: hipotecar) precisam 
obter autorização judicial, mediante a demonstração da necessidade. Deve sempre se 
levar em conta os interesses dos menores. Se a venda se efetivar sem a autorização 
judicial, padecerá de nulidade. 
 
VEDAÇÃO 
(ART. 1691, 
CC) 
Os pais não poderão alienar ou gravar ônus os imóveis dos filhos, nem 
contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da 
simples administração, salvo se interesse da prole através de autorização 
judicial. 
 
 
EXCLUSÃO 
(ART. 1693, 
CC) 
 
Os bens adquiridos pelos filhos extramatrimoniais antes do 
reconhecimento, valores aferidos pelos filhos maiores de 16 anos, no 
exercício da atividade profissional e bens deles decorrentes, os bens que 
foram deixados ou doados ao filho, sob a condição de não serem 
usufruídos ou administrados pelos pais e os bens que cabem aos filhos 
por herança, quando os pais tiverem sido excluídos (atos de indignação 
ou deserdação) da sucessão. 
 
101 
USUFRUTO Enquanto estiverem no exercício do poder familiar cabe aos pais a administração dos 
bens dos filhos menores, bem como o direito ao usufruto e as rendas desses bens. Trata-
se do chamado usufruto legal. No entanto, caso ocorra alguma divergência na 
administração, caberá ao Juiz resolver a situação. 
EXTINÇÃO, 
SUSPENSÃO E 
PERDA DO 
PODER FAMILIAR 
 
 
EXTINÇÃO 
O art. 1.635, CC menciona as causas de extinção do poder familiar: 
 Morte dos pais ou do filho; 
 Emancipação; 
 Maioridade; 
 Adoção; 
 Decisão judicial. 
 
SUSPENÇÃO 
 
A suspenção ocorre quando os pais são afastados temporariamente do 
exercício, podendo posteriormente retomá-lo: 
 Se o pai, ou mãe, abusar da sua autoridade, faltando aos seus 
deveres ou arruinando os bens dos filhos; 
 Se o pai ou a mãe forem condenados por sentença irrecorrível, 
em crime cuja pena exceda a dois anos de prisão. 
PERDA OU 
DESTITUI-
ÇÃO 
 
Já o art. 1.638, CC menciona as causas de perda ou destituição do 
poder familiar, por ato judicial, do pai, ou da mãe, por infrações 
graves: 
 Castigar imoderadamente o filho; 
 Deixá-lo em abandono; 
 Praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; 
 Incidir reiteradamente nas faltas previstas no artigo 1.367 do CC; 
 Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. 
 Praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder 
familiar: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza 
grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso 
envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou 
discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime 
contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; 
 Praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, 
feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de 
morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência 
doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à 
condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro 
crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão. 
A perda é definitiva, embora em alguns casos seja possível o 
restabelecimento, se for provada a regeneração do genitor ou 
desaparecida a causa da perda. 
 
102 
GUARDA Trata-se de direito-dever dos pais de terem consigo seus filhos a fim de garantir-lhes 
pleno desenvolvimento. Ela poderá ser deferida a ambos, a um deles ou a alguém que os 
substituam, verificando, sempre, o melhor interesse do menor. 
ESPÉCIES DE GUARDA 
 
UNILATERAL 
Apenas um dos genitores exerce a guarda, enquanto que ao outro, 
permanece o direito de visita, a ser acordado por meio do processo 
judicial, sem perder o poder familiar em razão disso; 
 
 
 
ALTERNADA 
O tempo de convivência do filho é divido entre os pais, passando a 
viver alternadamente, de acordo com o que for ajustado, residindo 
juntamente com um e com o outro (residências alternadas). Nesse caso, 
a melhor doutrina afirma que deve ser excepcional, pois não preenche 
os requisitos essenciais da guarda compartilhada, que deve ser 
fomentada; 
 
COMPARTI-
LHADA 
É a guarda conjunta por meio da convivência simultânea, 
corresponsabilidade do exercício do poder familiar e com definição da 
residência preferencial do filho, sendo a regra no ordenamento jurídico. 
Nesse caso, ocorre a participação plena no processo de desenvolvimento 
dos filhos, visando minorar os efeitos do divórcio. Assim, deve ser 
preferencial às demais, mesmo que não tiver acordo entre os pais sobre 
isso, exceto em alguns casos legais. 
DE FATO Consolidada pela convivência e cuidado do responsável para com o 
menor. 
DIREITO 
ASSISTENCIAL DE 
FAMÍLIA 
Visa-se, através dos institutos da tutela e curatela, a defesa dos interesses dos incapazes, 
possibilitando a realização de atos civis em seu nome. A tutela objetiva resguardar 
interesses de menores não emancipados, não sujeitos ao poder familiar e a curatela, 
por sua vez, dá assistência nos interesses de maiores incapazes, interditados. Ambos 
possuem dever de prestação de contas, ao contrário do que ocorre com os pais no uso 
e administração dos bens do filho. 
TUTELA (ARTS. 1728 A 1766 DO CC) 
A tutela pode ser realizada através da representação ou da assistência, desde que não 
estejam submetidos ao poder familiar, premissa principal desse instituto. 
Ela pode ser: 
 Testamentária: por testamento ou codicilo; 
 Legítima: na falta de tutor nomeado pelos pais; ou 
 Dativa: na falta das anteriores, aos ascendentes, preferindo o de grau mais 
próximo ao mais remoto ou aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os 
mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais 
moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer 
a tutela em benefício do menor, por meio de nomeação do juiz. 
 
103 
INCAPAZES 
DE EXERCER 
A TUTELA 
(ART. 1.735), 
Não podendo ser tutores e sendo exonerados da tutela, caso a exerçam: 
 Aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; 
 Aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se 
acharem constituídos em obrigação para com o menor, ou 
tiverem que fazer valer direitos contra este, e aqueles cujos pais, 
filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; 
 Os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por 
estes expressamente excluídos da tutela; 
 Os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, 
falsidade, contra a família ou os costumes, tenham ou não 
cumprido pena; 
 As pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e 
as culpadas de abuso em tutorias anteriores; 
 Aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa 
administração da tutela. 
 
 
 
ESCUSAR-SE 
DA TUTELA 
(ART. 1.736 
E 1737) 
 
 Mulheres casadas; 
 Maiores de sessenta anos; 
 Aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; 
 Os impossibilitados por enfermidade; 
 Aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer 
a tutela; 
 Aqueles que já exercerem tutela ou curatela; 
 Militares em serviço; 
 Quem não for parente do menor não poderá ser obrigado a 
aceitar a tutela, se houver no lugar parente idôneo, consanguíneo 
ou afim, em condições de exercê-la. 
 
 
CESSAÇÃO E 
EXTINÇÃO 
 Cessa a condição de tutelado (art. 1.763): 
 Com a maioridade ou a emancipaçãodo menor; 
 Ao cair o menor sob o poder familiar, no caso de 
reconhecimento ou adoção. 
 Cessam as funções do tutor (art. 1.764): 
 Ao expirar o termo, em que era obrigado a servir; 
 Ao sobrevir escusa legítima; 
 Ao ser removido. 
 
O tutor é obrigado a servir por espaço de dois anos, podendo continuar 
no exercício da tutela, além do prazo previsto neste artigo, se o quiser e 
o juiz julgar conveniente ao menor. 
 
 
104 
 Será destituído o tutor, de acordo com o art. 1.766, quando 
negligente, prevaricador ou incurso em incapacidade. 
CURATELA (ARTS. 1767 A 1783 DO CC) 
Com o advento do Estado da Pessoa com Deficiência, não existe mais absolutamente 
incapazes maiores, assim, esse instituto incide apenas em relação aos maiores 
relativamente incapazes, sendo esse rol taxativo (art. 1767, CC): 
 Ébrios habituais; 
 Viciados em tóxicos; 
 As pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir 
vontade; 
 Os pródigos: a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, 
transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e 
praticar, em geral, os atos que não sejam de mera administração. (atos 
patrimoniais) 
 A incapacidade não se presume, portanto, deve ser declarada judicialmente e 
assim, o curador, em ordem de preferência, serão o cônjuge/companheiro, 
pai/mãe, descendente mais apto ou, então, curador dativo. 
TOMADA DE DECISÃO APOIADA (ART. 1783-A DO CC) 
Ao alterar os artigos 3º e 4º, do Código Civil, foi conferida plena capacidade aos 
portadores de deficiência, para o desenvolvimento de todos os atos da vida civil. Assim, 
a deficiência não afeta a plena capacidade civil, tendo o indivíduo direito de casar, 
exercer os direitos sexuais e reprodutivos, ter filhos e conservar sua fertilidade, usufruir 
do convício familiar, bem como exercer guarda, tutela, curatela e adoção. 
Como medida de proteção e preservação dos direitos, foi criado o instituto da tomada 
de decisão apoiada (artigo 1.783 – A CC), que consiste em ato unilateral de vontade da 
pessoa com deficiência que nomeia, ao menos, duas outras pessoas idôneas para apoiá-
lo nas decisões sobre a vida civil. 
 
ALIMENTOS 
 
CONCEITO 
São prestações devidas pelo alimentante para a satisfação das necessidades pessoais 
daquele alimentado, que não pode provê-las por meio do trabalho próprio, em razão do 
dever de mútua assistência, que existe durante a convivência e persiste mesmo com a sua 
dissolução. 
PRESSUPOSTOS  Vínculo de parentesco, casamento/união estável; 
 Necessidade do alimentando; 
 Possibilidade do alimentante; 
 PERSONALÍSSIMO Em razão do caráter intuito personae, não se transmitindo aos 
herdeiros do credor; 
 
105 
 
CARACTERÍSTICAS 
 
 
RECIPROCIDADE 
Entre cônjuges e companheiros, pais e filhos, estendendo-se a 
todos os ascendentes. Nesse sentido, há uma ordem sucessória: 
ascendente do grau mais próximo que exclui o mais remoto, os 
descendentes nesse mesmo sentido e os irmãos, com preferência 
aos bilaterais e, depois, unilaterais; 
IRRENUNCIABILI-
DADE 
Veda-se a renúncia de alimentos, porém, a doutrina e 
jurisprudência majoritárias entendem possível a renunciá-los em 
caso de separação/divórcio 
OBRIGAÇÃO 
DIVISÍVEL 
(COMPLEMENTA-
RIEDADE/RESPON-
SABILIDADE 
SUBSIDIÁRIA) 
 
Sendo várias pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem 
concorrer na proporção de seus recursos. Ex.: alimentos avoengos. 
Como exceção, há a solidariedade em caso do idoso, em razão 
do que dispõe o Estatuto do Idoso, em seu art 12. 
 
IMPRESCRITIBILI-
DADE 
Pois envolve estado de pessoas e dignidade humana, porém, se foi 
fixada em sentença ou em ato voluntário, prescreverá a execução 
em 2 anos a partir da data de vencimento, conforme regra 
específica de prescrição prevista no art. 206, § 2º do CC; 
INALIENABILIDA-
DE 
Não pode ser objeto de cessão gratuita ou onerosa, nem de 
crédito, não podendo, também, alienados de qualquer forma; 
INCOMPENSÁVEIS Veda-se que os alimentos sejam objetos de compensação; 
IMPENHORÁVEIS Em razão de ser personalíssima e inalienável; 
 
 
 
IRREPETÍVEL 
 
É uma obrigação moral, assim não é passível de repetição. Isso 
significa dizer que se trata de obrigação satisfativa pela qual não 
cabe pedir a devolução que se prestou caso não sejam mais 
devidas. Assim, a exemplo dos alimentos provisórios, caso, ao final 
do processo o juiz determine que os alimentos não são mais 
cabíveis, não podem ser devolvidos, pois, à época, eram legítimos. 
Contudo, em se tratando de má-fé do credor, evitar-se-á o 
enriquecimento ilícito, podendo haver a sua devolução; 
NÃO ADMITE 
TRANSAÇÃO 
Pois não se trata de um direito patrimonial de caráter privado, não 
podendo ser objeto de compromisso ou arbitragem; 
 
TRANSMISSÍVEL 
Aos herdeiros do devedor, prevalecendo o entendimento de que 
ocorre nos limites da herança (Enunciado n. 343 do CJF/STJ, da IV 
Jornada de Direito Civil) 
 
 
 
 
É a principal característica dos alimentos, pois pode ser alterado a 
qualquer tempo em razão da alteração fática do binômio 
necessidade x disponibilidade, fazendo apenas coisa julgada 
formal. O direito se transforma em obrigação legal diante do 
 
106 
MUTABILIDADE 
 
binômio necessidade/possibilidade: necessidade de quem pede 
e possibilidade de quem deverá pagar. Ou seja, quando quem os 
pretende não tens bens suficientes, nem pode prover, pelo seu 
trabalho, a própria subsistência e aquele de quem se reclamam 
pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Há 
uma relação de proporcionalidade (art. 1.694, §1º, CC). 
 
 
CLASSIFICAÇÃO 
QUANTO À FONTE 
 
 
LEGAIS 
Também denominados de familiares, são aqueles que decorrem da 
disposição legal, relativamente ao casamento, união estável ou das 
relações de parentesco. Em caso de não pagamento, cabe prisão 
civil do devedor (art. 5º, LXVII, CF/88) nos moldes do NCPC; 
CONVENCIONAIS Decorrem de norma contratual, testamento ou legado; 
INDENIZATÓRIOS São devidos em razão da prática de um ato ilícito que acarretou 
dano para o credor; 
QUANTO À EXTENSÃO 
 
CIVIS (REGRA) 
Destinados a manter a qualidade de vida do credor, de modo a 
preservar o mesmo padrão e status social do alimentante. 
 
NATURAIS 
(EXCEÇÃO) 
Visa a mera subsistência (art. 1694, § 2º c/c art. 1695, CC) e ocorre 
quando o cônjuge por culpado da própria penúria ou em caso de 
separação judicial quando houver o binômio legal, não houver 
nenhum outro parente para prestar e tiver inaptidão para o 
trabalho; 
QUANTO AO TEMPO 
PRETÉRITOS Já prestados, não podendo ser mais pleiteados em razão do 
princípio da atualidade que rege o instituto dos alimentos 
PRESENTES Estabelecido naquele momento e que podem ser pleiteados; 
FUTUROS Estão pendentes mas poderão, em momento oportuno, ser 
pleiteados; 
QUANTO À FORMA DE PAGAMENTO 
PRÓPRIOS Também conhecido como in natura, são pagos em espécie através 
de alimentos, sustento, hospedagem, entre outros. 
 
IMPRÓPRIOS 
Decorrentes da pensão alimentícia, que vai ser determinada de 
acordo com o caso concreto, pelo juiz, variante entre 10-40% com 
base no salário do devedor ou então em salários mínimos; 
QUANTO À FINALIDADE 
 
DEFINITIVOS 
Por meio de acordo das partes ou por sentença judicial 
transitada em julgado. Contudo, conforme visto anteriormente, 
não formam coisa julgada material, mas sim formal, podendo ser 
alterado a qualquer tempo, a depender do binômio legal; 
 
107 
 
 
PROVISÓRIOS 
São aqueles fixados antes da sentença de alimentos, conforme 
Lei. 5478/68 (Lei de Alimentos). Assim, exige prova pré-constituída 
do parentesco (certidão de nascimento) ou casamento e tem 
natureza de tutela de urgência satisfativa, pois antecipada os efeitos 
da sentença; 
 
 
PROVISIONAIS 
Decorrem de outras ações que não sejam regidas pela Lei de 
Alimentos, com objetivo de manutenção do padrão de vidada 
parte que os pleiteia. Ocorre por meio de tutela antecipada, 
antecipando os efeitos finais do processo, ou liminar, em caso de 
medida cautelar de separação de corpos, e, ao contrário da anterior, 
não precisa ser através de prova pré-constituída; 
 
COMPENSATÓ-
RIOS 
É a divisão dos frutos e rendimentos dos bens do casal, a título 
de ressarcimento pela não imissão imediata dos bens da meação 
a que o cônjuge faz jus, com fim de restabelecer uma igualdade na 
relação familiar em razão do desequilíbrio no momento da partilha 
dos bens; 
 
TRANSITÓRIOS 
De acordo com recente entendimento jurisprudencial do STJ, são 
os fixados por determinado período de tempo, a favor de ex-
cônjuge/companheiro, antes do termo final (até que obtenha 
autonomia financeira). 
EXONERAÇÃO  Morte do credor 
 Alteração substancial ou desaparecimento do binômio legal 
 Atingimento da maioridade, se for menor 
 Dissolução do casamento/união estável 
 Comportamento indigno do credor 
 
 
 
ALIMENTOS 
GRAVÍDICOS 
É previsto na Lei nº 11.804/08, tratando-se do direito concedido à gestante de buscar 
alimentos durante a gravidez, tratando-se de subsídios gestacionais. A lei enumerada 
as despesas que precisam ser atendidas pelo devedor, porém, não se trata de um rol 
taxativo, devendo ser considerada toda e qualquer despesa com a gravidez ensejadora 
de alimentos gravídicos. São devidos desde a concepção e são irrepetíveis, sendo 
concedidos com base em meros indícios. Não se exige prova efetiva do parentesco, assim: 
 Fixação com base em meros indícios; 
 Devidos desde a concepção; 
 Irrepetíveis; 
 Conversão automática em pensão alimentícia, se não houver impugnação 
quando do nascimento; 
 
108 
AÇÕES DE 
ALIMENTOS 
A ação de alimentos é imprescritível. Na verdade, o que não prescreve é o direito de 
postular em juízo, o pagamento de pensões alimentícias. Mas as parcelas devidas, o 
direito de cobrar as pensões já fixadas em sentença ou estabelecidas em acordo e não 
pagas prescrevem em dois anos (art. 206, §2o, CC). A prescrição dessas parcelas ocorre 
mensalmente. O devedor de alimentos que não fizer o seu pagamento estará sujeito à 
chamada prisão civil. Determina a Constituição Federal (art. 5º, inciso LXVII) que “não 
haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e 
inescusável de obrigação alimentícia (...)”. 
PROCEDIMENTO 
ESPECIAL 
CONCENTRADO 
SUMARÍSSIMO 
(LEI N. 5.478/68) 
É aquela prevista na Lei de Alimentos, constituída a partir de prova 
pré-constituída, ademais, outras ações submetidas ao mesmo rito 
é de oferta de alimentos (art. 24) e revisão (art. 13). Por sua vez, a 
exoneração de alimentos não se submete a este procedimento, 
pois trata-se de procedimento comum do CPC. 
 
 
EXECUÇÃO DE 
ALIMENTOS 
Trata-se de procedimento especial previsto art. 16 da Lei nº 
5.478/68 e CPC. Assim, no cumprimento de sentença que 
condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão 
interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do 
exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 
3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a 
impossibilidade de efetuá-lo 
 
 
109 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
XXXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2020: Salomão, solteiro, sem filhos, 65 anos, é filho de Lígia 
e Célio, que faleceram recentemente e eram divorciados. Ele é irmão de Bernardo, 35 anos, 
médico bem-sucedido, filho único do segundo casamento de Lígia. Salomão, por circunstâncias 
sociais, não mantinha contato com Bernardo. 
Em razão de uma deficiência física, Salomão nunca exerceu atividade laborativa e sempre morou 
com o pai, Célio, até o falecimento deste. Com frequência, seu primo Marcos, comerciante e 
grande amigo, o visita. 
Com base no caso apresentado, assinale a opção que indica quem tem obrigação de pagar 
alimento a Salomão. 
 
A) Marcos é obrigado a pagar alimentos a Salomão, no caso de necessidade deste. 
B) Por ser irmão unilateral, Bernardo não deve, em hipótese alguma, alimentos a Salomão. 
C) Bernardo, no caso de necessidade de Salomão, deve arcar com alimentos. 
D) Bernardo e Marcos deverão dividir alimentos, entre ambos, de forma igualitária. 
 
Comentário: 
De acordo com o art. 1697 do CC, na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos 
descendentes, guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim 
germanos como unilaterais. 
 
 
110 
Questão 2 
XXXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2020: Aldo e Mariane são casados sob o regime da comunhão 
parcial de bens, desde setembro de 2013. Em momento anterior ao casamento, Rubens, pai de 
Mariane, realizou a doação de um imóvel à filha. Desde então, a nova proprietária acumula os 
valores que lhe foram pagos pelos locatários do imóvel. 
No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que Mariane pretendesse se divorciar 
de Aldo. Para tal finalidade, procurou um advogado, informando que a soma dos aluguéis que 
lhe foram pagos desde a doação do imóvel totalizava R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil 
reais), sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) foram auferidos antes do casamento e o 
restante, após. Mariane relatou, ainda, que atualmente o imóvel se encontra vazio, sem 
locatários. 
Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o total dos valores. 
B) Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu bem particular, os aluguéis por ela 
auferidos não se comunicam com Aldo. 
C) Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título 
de aluguel. 
D) Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do imóvel doado a Mariane por Rubens, 
quanto sobre os valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na constância do casamento. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
 
Art. 1.660. Entram na comunhão: 
 
111 
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na 
constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. 
 
Questão 3 
XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, 
sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana sempre considerou diversificar sua atividade 
profissional e pensa em se tornar sócia de uma sociedade empresária do ramo de tecnologia. 
Para realizar esse investimento, pretende vender um apartamento adquirido antes de seu 
casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não concorda com a venda 
do bem para empreender. 
Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se 
ao incremento da renda familiar. 
B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da 
comunhão parcial de bens. 
C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de 
bem particular. 
D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, 
independentemente do regime de bens. 
 
 
 
 
 
112 
Comentário: 
a autorização de Arnaldo é necessária, conforme o art. 1.647, inc. I: “Ressalvado o disposto 
no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da 
separação absoluta: I – alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis”. 
Questão 4 
XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Asdrúbal praticou feminicídio contra sua esposa 
Ermingarda, com quem tinha três filhos, dois menores de 18 anos e um maior. 
Nesse caso, quanto aos filhos, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Asdrúbal terá suspenso o poder familiar sobre os três filhos, por ato de autoridade policial. 
B) Asdrúbal perderá o poder familiar sobre os filhos menores, por ato judicial. 
C) Asdrúbal terá suspenso o poder familiar sobre os filhos menores, por ato judicial. 
D)Asdrúbal perderá o poder familiar sobre os três filhos, por ato de autoridade policial. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
Art. 1.638. Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que: 
(Incluído pela Lei nº 13.715, de 2018) 
I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: (Incluído pela Lei 
nº 13.715, de 2018) 
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando 
se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou 
discriminação à condição de mulher; (Incluído pela Lei nº 13.715, de 2018) 
 
113 
Questão 5 
XXVIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Mônica, casada pelo regime da comunhão total de 
bens, descobre que seu marido, Geraldo, alienou um imóvel pertencente ao patrimônio comum 
do casal, sem a devida vênia conjugal. A descoberta agrava a crise conjugal entre ambos e acaba 
conduzindo ao divórcio do casal. 
Tempos depois, Mônica ajuíza ação em face de seu ex-marido, objetivando a invalidação da 
alienação do imóvel. 
Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O juiz pode conhecer de ofício do vício decorrente do fato de Mônica não ter anuído com a 
alienação do bem. 
B) O fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem representa um vício que convalesce 
com o decurso do tempo. 
C) O vício decorrente da ausência de vênia conjugal não pode ser sanado pela posterior 
confirmação do ato por Mônica. 
D) Para que a pretensão de Mônica seja acolhida, ela deveria ter observado o prazo prescricional 
de dois anos, a contar da data do divórcio. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
De acordo com art. 1.647, inc. I do Código Civil/2002, diz que: 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem 
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
 
114 
No mesmo sentido, o art. 1.649 do CC/02, leciona que: 
Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 1.647), 
tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação, até 
dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. 
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio 
jurídico, contado: 
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se 
realizou o negócio jurídico; 
O fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem representa um vício que 
convalesce com o decurso do tempo. Monica possui o prazo decadencial de quatro anos 
para pedir a anulação do negócio jurídico, passado tal prazo, o negócio (alienação do bem) 
se convalesce com o tempo. 
Questão 6 
XXVII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Ana, que sofre de grave doença, possui um filho, Davi, 
com 11 anos de idade. Ante o falecimento precoce de seu pai, Davi apenas possui Ana como 
sua representante legal. 
De forma a prevenir o amparo de Davi em razão de seu eventual falecimento, Ana pretende 
que, na sua ausência, seu irmão, João, seja o tutor da criança 
Para tanto, Ana, em vida, poderá nomear João por meio de 
A) escritura pública de constituição de tutela. 
B) testamento ou qualquer outro documento autêntico. 
C) ajuizamento de ação de tutela. 
D) diretiva antecipada de vontade. 
 
 
115 
Comentário: 
De acordo com o art. 1.729 CC: 
Art. 1.729.O direito de nomear tutor compete aos pais, em conjunto. 
Parágrafo único. A nomeação deve constar de testamento ou de qualquer outro 
documento autêntico. 
Questão 7 
XXIV EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: João e Carla foram casados por cinco anos, mas, com 
o passar dos anos, o casamento se desgastou e eles se divorciaram. As três filhas do casal, 
menores impúberes, ficaram sob a guarda exclusiva da mãe, que trabalha em uma escola como 
professora, mas que está com os salários atrasados há quatro meses, sem previsão de 
recebimento. 
João vinha contribuindo para o sustento das crianças, mas, estranhamente, deixou de fazê-lo no 
último mês. Carla, ao procurá-lo, foi informada pelos pais de João que ele sofreu um 
atropelamento e está em estado grave na UTI do Hospital Boa Sorte. Como João é autônomo, 
não pode contribuir, justificadamente, com o sustento das filhas. 
Sobre a possibilidade de os avós participarem do sustento das crianças, assinale a afirmativa 
correta. 
A) Em razão do divórcio, os sogros de Carla são ex-sogros, não são mais parentes, não podendo 
ser compelidos judicialmente a contribuir com o pagamento de alimentos para o sustento das 
netas. 
B) As filhas podem requerer alimentos avoengos, se comprovada a impossibilidade de Carla e 
de João garantirem o sustento das filhas. 
C) Os alimentos avoengos não podem ser requeridos, porque os avós só podem ser réus em 
ação de alimentos no caso de falecimento dos responsáveis pelo sustento das filhas. 
 
116 
D) Carla não pode representar as filhas em ação de alimentos avoengos, porque apenas os 
genitores são responsáveis pelo sustento dos filhos. 
 
 
Comentário: 
C.C/02 
 
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições 
de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo 
várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos 
respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas 
a integrar a lide. 
Questão 8 
XXXIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: Arlindo e Berta firmam pacto antenupcial, 
preenchendo todos os requisitos legais, no qual estabelecem o regime de separação absoluta 
de bens. No entanto, por motivo de saúde de um dos nubentes, a celebração civil do casamento 
não ocorreu na data estabelecida. 
Diante disso, Arlindo e Berta decidem não se casar e passam a conviver maritalmente. Após 
cinco anos de união estável, Arlindo pretende dissolver a relação familiar e aplicar o pacto 
antenupcial, com o objetivo de não dividir os bens adquiridos na constância dessa união. 
Nessas circunstâncias, o pacto antenupcial é 
A) válido e ineficaz. 
B) válido e eficaz. 
C) inválido e ineficaz. 
 
117 
D) inválido e eficaz. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não 
lhe seguir o casamento. 
 
Questão 9 
XXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: João e Maria casaram-se, no regime de comunhão parcial 
de bens, em 2004. Contudo, em 2008, João conheceu Vânia e eles passaram a ter um 
relacionamento amoroso. Separando-se de fato de Maria, João saiu da casa em que morava 
com Maria e foi viver com Vânia, apesar de continuar casado com Maria. 
Em 2016, João, muito feliz em seu novo relacionamento, resolve dar de presente um carro 0 km 
da marca X para Vânia. Considerando a narrativa apresentada, sobre o contrato de doação 
celebrado entre João, doador, e Vânia, donatária, assinale a afirmativa correta. 
A) É nulo, pois é hipótese de doação de cônjuge adúltero ao seu cúmplice. 
B) Poderá ser anulado, desde que Maria pleiteie a anulação até dois anos depois da assinatura 
do contrato. 
C) É plenamente válido, porém João deverá pagar perdas e danos à Maria. 
D) É plenamente válido, pois João e Maria já estavam separados de fato no momento da doação. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
 
118 
Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro 
cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade 
conjugal. 
O contrato de doação é plenamente válido, pois João e Maria já estavam separados de 
fato no momento da doação 
 
Questão 10 
XXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: Augusto e Raquel casam-se bem jovens, ambos com 22 
anos. Um ano depois, nascem os filhos do casal: dois meninos gêmeos. A despeito da ajuda dos 
avós das crianças, o casamento não resiste à dura rotina de criação dos dois recém-nascidos. 
Augustoe Raquel separam-se ainda com os filhos em tenra idade, indo as crianças residir com 
a mãe. 
Raquel, em pouco tempo, contrai novas núpcias. Augusto, em busca de um melhor emprego, 
muda-se para uma cidade próxima. 
A respeito da guarda dos filhos, com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. 
A) A guarda dos filhos de tenra idade será atribuída preferencialmente, de forma unilateral, à 
mãe. 
B) Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos será dividido de forma 
matemática entre o pai e a mãe. 
C) O pai ou a mãe que contrair novas núpcias perderá o direito de ter consigo os filhos. 
D) Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será a que melhor 
atender aos interesses dos filhos. 
 
Comentário: 
 
119 
Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será a que 
melhor atender aos interesses dos filhos. 
Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada. 
§ 3º Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será 
aquela que melhor atender aos interesses dos filhos. 
 
Questão 11 
XX EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: Em maio de 2005, Sérgio e Lúcia casaram-se pelo regime 
da comunhão parcial de bens. Antes de se casar, ele já era proprietário de dois imóveis. Em 
2006, Sérgio alugou seus dois imóveis e os aluguéis auferidos, mês a mês, foram depositados 
em conta corrente aberta por ele, um mês depois da celebração dos contratos de locação. Em 
2010, Sérgio recebeu o prêmio máximo da loteria, em dinheiro, que foi imediatamente aplicado 
em uma conta poupança aberta por ele naquele momento. 
Em 2013, Lúcia e Sérgio se separaram. Lúcia procurou um advogado para saber se tinha direito 
à partilha do prêmio que Sérgio recebeu na loteria, bem como aos valores oriundos dos aluguéis 
dos imóveis adquiridos por ele antes do casamento e, mensalmente, depositados na conta 
corrente de Sérgio. 
Com base na hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Ela não tem direito à partilha do prêmio e aos valores depositados na conta corrente de 
Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis, uma vez que se constituem como bens 
particulares de Sérgio. 
B) Ela tem direito à partilha dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos 
aluguéis de seus imóveis, mas não tem direito à partilha do prêmio obtido na loteria. 
 
120 
C) Ela tem direito à partilha do prêmio, mas não poderá pleitear a partilha dos valores 
depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis. 
D) Ela tem direito à partilha do prêmio e dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, 
oriundos dos aluguéis dos imóveis de Sérgio, uma vez que ambos constituem-se bens comuns 
do casal. 
 
 
Comentário: 
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao 
casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes. 
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do 
casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; 
Art. 1.660. Entram na comunhão: 
II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa 
anterior; 
V - os frutos [alugueres são frutos civis] dos bens comuns, ou dos particulares de cada 
cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a 
comunhão. 
Questão 12 
XX EXAME DE ORDEM – FGV - 2016: Juliana é sócia de uma sociedade empresária que produz 
bens que exigem alto investimento, por meio de financiamento significativo. Casada com Mário 
pelo regime da comunhão universal de bens, desde 1998, e sem filhos, decide o casal alterar o 
regime de casamento para o de separação de bens, sem prejudicar direitos de terceiros, e com 
a intenção de evitar a colocação do patrimônio já adquirido em risco. 
 
121 
Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A alteração do regime de bens mediante escritura pública, realizada pelos cônjuges e 
averbada no Registro Civil, é possível. 
B) A alteração do regime de bens, tendo em vista que o casamento foi realizado antes da 
vigência do Código Civil de 2002, não é possível. 
C) A alteração do regime de bens mediante autorização judicial, com pedido motivado de ambos 
os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros, 
é possível. 
D) Não é possível a alteração para o regime da separação de bens, tão somente para o regime 
de bens legal, qual seja, o da comunhão parcial de bens. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
Art. 1.639.§ 2º É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em 
pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e 
ressalvados os direitos de terceiros. 
Art. 2.035. A validade dos negócios e demais atos jurídicos, constituídos antes da entrada 
em vigor deste Código, obedece ao disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045, 
mas os seus efeitos, produzidos após a vigência deste Código, aos preceitos dele se 
subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução. 
 
 
 
122 
GABARITO 
 
Questão 1 - C 
Questão 2 - C 
Questão 3 - B 
Questão 4 - B 
Questão 5 - B 
Questão 6 - B 
Questão 7 - B 
Questão 8 - A 
Questão 9 – D 
Questão 10 - D 
Questão 11 - D 
Questão 12 - C 
 
 
 
123 
QUESTÃO DESAFIO 
A fixação de alimentos em percentual do salário mínimo ofende a 
Constituição Federal? 
Responda em até 5 linhas 
 
124 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO 
Não ofende. A natureza especial dos alimentos justifica o tratamento diferenciado, 
sobretudo porque ambos – salário mínimo e alimentos – possuem a mesma finalidade: 
garantir a subsistência do credor. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Não ofende (CF, artigo 7º, IV) 
Ao tratar do salário mínimo, o constituinte originário proibiu sua “vinculação para qualquer fim” 
(artigo 7º, IV). O objetivo era evitar a indexação econômica desse importante direito social. É 
por isso que, de acordo com a súmula vinculante nº 4, STF, “salvo nos casos previstos na 
Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de 
vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial”. Os 
alimentos, porém, revestem-se de características excepcionais que, segundo a jurisprudência, 
permitem tratamento jurídico diferente. Afinal, segundo a própria Constituição Federal, o débito 
alimentar é o único que admite a prisão civil (CF, artigo 5 º LXVII) e justifica uma ordem própria 
de pagamento dos precatórios e das requisições de pequeno valor (CF, artigo 100, §§ 1º e 2º; 
ADCT, artigos 33, 78 e 86, § 3º). É inegável, outrossim, que tanto os alimentos quanto o salário 
mínimo são destinados às mesmas finalidades, qual seja, a de garantir a subsistência do credor. 
 STF, repercussão geral 
Foi observando todas essas peculiaridades que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, por 
ocasião do julgamento do ARE nº 842157 RG/DF, rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. em 4/6/2015, decidiu, 
em repercussão geral, que a fixação de alimentos em percentual do salário mínimo não ofende 
a Constituição Federal. Observe interessante trecho do acórdão: “Tenho, quanto ao debate que 
se instaurou, que a vedação da vinculação ao salário mínimo insculpida no art. 7º, inciso IV da 
Constituição visa impossibilitar a utilização do mencionado parâmetro como fator de indexação 
para as obrigações não dotadas de caráter alimentar. Conforme precedentes desta Suprema 
Corte, a utilização do salário mínimo como base de cálculo do valor da pensão alimentícia não 
ofende o dispositivo constitucional invocado, dada a premissa de que a prestação tem por 
 
125 
objetivo a preservação da subsistência humana e o resguardo do padrão de vida daqueleque 
a percebe, o qual é hipossuficiente e, por isso mesmo, dependente do alimentante, seja por 
vínculo de parentesco, seja por vínculo familiar”. Importante lembrar, também, que o artigo 
1.710 do Código Civil determina que “as prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão 
atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido”. Logo, considerando a política 
brasileira de valorização do salário mínimo (Lei nº 13.152/2015), tem-se por automaticamente 
satisfeita a exigência legal de atualização da pensão alimentícia, quando fixada em salário 
mínimo. 
 
 
126 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
Casamento, União Estável e Monoparentalidade 
 CC: Arts. 1511 a 1547 e 1723 a 1727; 
Dissolução do Casamento e da União Estável 
 CC: Arts. 1548 a 1582; 
Regimes de Bens 
 CC: Arts. 1639 a 1688; 
Parentesco 
 CC: Arts. 1591 a 1629; 
Poder Familiar 
 CC: Arts. 1630 a 1638 e 1728 a 1783; 
Alimentos 
 CC: Arts. 1694 a 17 10. 
 
Casamento e Divórcio 
 Súmula 377 do STF 
No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. 
 Súmula 197 do STJ 
O divórcio direto pode ser concedido sem que haja prévia partilha dos bens. 
 Súmula 305 do STF 
Acordo de desquite ratificado por ambos os cônjuges não é retratável unilateralmente. 
União estável 
 Súmula 38 do STF 
 
127 
A vida em comum sob o mesmo teto, more uxorio, não é indispensável à caracterização do concubinato. 
Ação de investigação de paternidade 
 Súmula 1 do STJ 
O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o competente para a ação de investigação de paternidade, 
quando cumulada com a de alimentos. 
 Súmula 149 do STF 
É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de herança. 
 Súmula 301 do STJ 
Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de 
paternidade. 
 Súmula 277 STJ 
Julgada procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação. 
Alimentos 
 Súmula 594 do STJ 
O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de criança ou adolescente 
independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de 
risco descritas no artigo 98 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos 
acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. 
 Súmula 596 do STJ 
A obrigação alimentar dos avós tem natureza complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de 
impossibilidade total ou parcial de seu cumprimento pelos pais. 
 Súmula 226 do STF 
Na ação de desquite, os alimentos são devidos desde a inicial e não da data da decisão que os concede. 
 Súmula 379, STF 
No acordo de desquite não se admite renúncia aos alimentos, que poderão ser pleiteados ulteriormente, verificados 
os pressupostos legais. 
 Súmula 336 do STJ 
A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-
marido, comprovada a necessidade econômica superveniente. 
 
128 
 Súmula 358 do STJ 
O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante 
contraditório, ainda que nos próprios autos. 
 Súmula 309 do STJ 
O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao 
ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. 
 Súmula 621 do STJ 
Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do pagamento retroagem à data da citação, 
vedadas a compensação e a repetibilidade. 
 
 
129 
JURISPRUDÊNCIA 
Casamento, União Estável e Monoparentalidade 
 Info 625, STF 
A norma constante do art. 1.723 do Código Civil — CC (“É reconhecida como entidade familiar a união estável 
entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo 
de constituição de família”) não obsta que a união de pessoas do mesmo sexo possa ser reconhecida como entidade 
familiar apta a merecer proteção estatal. 
 STJ, REsp 1.183.378/RS, 2011 
O Supremo Tribunal Federal entendeu que todas as regras previstas para a união estável são aplicáveis, por analogia, 
à união homoafetiva. Resolução nº 175/2013 do CNJ: os registradores são obrigados a fazer a conversão da união 
estável em casamento das relações homoafetivas. Se é possível converter a união estável homoafetiva em 
casamento homoafetivo, também é possível o casamento homoafetivo diretamente no Cartório de Registro Civil 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.332.773-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/6/2017 (Info 
609). 
No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e 
companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do Código Civil. STF. 
Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso e RE 878694/MG, Rel. Min. 
Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864). O STJ acompanhou o entendimento do 
Supremo e também decidiu de forma similar: É inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges 
e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do CC/2002. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.383.624-MG, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 2/6/2015 (Info 563). 
Não é lícito aos conviventes atribuírem efeitos retroativos ao contrato de união estável, a fim de eleger o regime 
de bens aplicável ao período de convivência anterior à sua assinatura. 
 
 Informativo 581, STJ: 
O companheiro faz jus à cobertura de cláusula de remissão por morte de titular de plano de saúde na hipótese 
em que a referida disposição contratual faça referência a cônjuge, sendo omissa quanto a companheiro. 
 Informativo 595, STJ: 
 
130 
Contrato de convivência não exige escritura pública. É válido, desde que escrito, o pacto de convivência formulado 
pelo casal no qual se opta pela adoção da regulação patrimonial da futura relação como símil (igual) ao regime de 
comunhão universal, ainda que não tenha sido feito por meio de escritura pública. Em outras palavras, um casal 
que vive (ou viverá) em união estável pode celebrar contrato de convivência dizendo que aquela relação será regida 
por um regime de bens igual ao regime da comunhão universal. Esse contrato, para ser válido, precisa ser feito por 
escrito, mas não é necessário que seja realizado por escritura pública. 
 Informativo 609, STJ: 
O STF fixou a seguinte tese: No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes 
sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no 
art. 1.829 do Código Civil. STF. Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso 
e RE 878694/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864). O STJ 
acompanhou o entendimento do Supremo e também decidiu de forma similar: É inconstitucional a distinção de 
regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime 
estabelecido no art. 1.829 do CC/2002. 
Dissolução do Casamento e da União Estável 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.494.302-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13/6/2017 (Info 609) 
Na dissolução de união estável, é possível a partilha dos direitos de concessão de uso para moradia de imóvel 
público. Ex: João e Maria viviam em união estável. No curso dessa união eles passaram a residir em uma casa 
pertencente ao Governo do Distrito Federal sobre o qual receberam a concessão de uso para fins de moradia. 
Depois de algum tempo decidem por fim à relação. Deverá haver uma partilha sobre os direitos relacionados com 
a concessãode uso. 
 Informativo 597, STJ: 
É possível, em processo de dissolução de casamento em curso no país, que se disponha sobre direitos patrimoniais 
decorrentes do regime de bens da sociedade conjugal aqui estabelecida, ainda que a decisão tenha reflexos sobre 
bens situados no exterior para efeitos da referida partilha. 
 
 Informativo 604, STJ: 
A EC 66/2010 não revogou os artigos do Código Civil que tratam da separação judicial. 
 Informativo 631, STJ: 
A revelia em ação de divórcio na qual se pretende, também, a exclusão do patronímico adotado por ocasião do 
casamento não significa concordância tácita com a modificação do nome civil. Ex: João da Silva Maier casou-se 
com Gabriela Ferreira. Gabriela adotou o patronímico de João e passou a se chamar Gabriela Ferreira Maier. O 
 
131 
relacionamento chegou ao fim e João ajuizou ação de divórcio contra Gabriela pedindo: a) que fosse decretado o 
divórcio; b) que Gabriela fosse condenada a retirar o patronímico “Maier” de seu nome. Gabriela foi devidamente 
citada, mas não respondeu a ação. Correta a decisão do juiz que julga o pedido parcialmente procedente 
decretando o divórcio, mas mantendo o sobrenome da ré. Principais argumentos: • o fato de o réu ter sido revel 
não significa, necessariamente, que o juiz tenha que acolher o pedido do autor; • o nome é considerado direito 
indisponível, tendo em vista ser direito da personalidade; • para que houvesse a retirada do sobrenome, seria 
necessária a manifestação expressa da vontade da mulher; • a utilização do sobrenome do ex-marido por mais de 
30 trinta anos pela ex-mulher demonstra que há tempo ele está incorporado ao nome dela, de modo que não 
mais se pode retirá-lo, sem que cause evidente prejuízo para a sua identificação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.732.807-RJ, 
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/08/2018 
 Informativo 637, STJ: 
Em regra, a ação de dissolução de vínculo conjugal tem natureza personalíssima, de modo que o legitimado ativo 
para o seu ajuizamento é, por excelência, o próprio cônjuge. Excepcionalmente, admite-se que o divórcio seja 
proposto pelo curador, na qualidade de representante processual do cônjuge. Justamente por ser excepcional o 
ajuizamento da ação de dissolução de vínculo conjugal por terceiro em representação do cônjuge, deve ser restritiva 
a interpretação da norma jurídica que indica os representantes processuais habilitados a fazê-lo, não se admitindo, 
em regra, o ajuizamento da referida ação por quem possui apenas a curatela provisória. Assim, em regra, a ação 
de divórcio não pode ser ajuizada por curador provisório. Isso pode ser admitido em situações excepcionais, quando 
houver prévia autorização judicial e oitiva do Ministério Público. STJ. 3ª Turma. REsp 1.645.612-SP, Rel. Min. Nancy 
Andrighi, julgado em 16/10/2018 
 Informativo 634, STJ: 
UNIÃO ESTÁVEL. Na dissolução de entidade familiar, é possível o reconhecimento do direito de visita a animal de 
estimação adquirido na constância da união, demonstrada a relação de afeto com o animal. Na dissolução da 
entidade familiar em que haja algum conflito em relação ao animal de estimação, independentemente da 
qualificação jurídica a ser adotada, a resolução deverá buscar atender, sempre a depender do caso em concreto, 
aos fins sociais, atentando para a própria evolução da sociedade, com a proteção do ser humano e do seu vínculo 
afetivo com o animal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.713.167-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/06/2018 
 Informativo 643, STJ: 
A incapacidade superveniente de uma das partes, após a decretação do divórcio, não tem o condão de alterar a 
competência funcional do juízo prevento. Assim, a ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo 
que decretou o divórcio, mesmo que um dos ex-cônjuges tenha mudado de domicílio e se tornado incapaz. Não 
se aplica, no caso a regra do art. 50 do CPC/2015, que prevê a competência do domicílio do incapaz (competência 
territorial especial). Isso porque a competência funcional, decorrente da acessoriedade entre as ações de divórcio 
e partilha, possui natureza absoluta. Por outro lado, a competência territorial especial conferida ao autor incapaz, 
 
132 
apesar de ter como efeito o afastamento das normas gerais previstas no diploma processual, possui natureza 
relativa. As regras de competência absoluta preponderam em relação às das de competência relativa. STJ. 2ª Seção. 
CC 160.329-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/02/2019 
 Informativo 656, STJ: 
PROVA DOCUMENTAL. A prova documental é o único meio apto a demonstrar a existência da sociedade de fato 
entre os sócios. A prova escrita constitui requisito indispensável para a configuração da sociedade de fato perante 
os sócios entre si. 
Regimes de Bens 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1.171.488-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 4/4/2017 (Info 603). 
O bem imóvel adquirido a título oneroso na constância da união estável regida pelo estatuto da comunhão parcial, 
mas recebido individualmente por um dos companheiros, através de doação pura e simples realizada pelo outro, 
deve ser excluído do monte partilhável, nos termos do art. 1.659, I, do CC/2002: Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação 
ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; Ex: João e Maria vivem em união estável. Durante este relacionamento, 
João comprou um apartamento. Embora adquirido pelo esforço comum do casal, na constância da união estável, 
o imóvel foi doado por João, de forma graciosa, à Maria. Isso significa que, no momento que for feita a dissolução 
da união estável, este bem não irá integrar o montante partilhável. João, quando doou o imóvel, o fez quanto à 
sua metade sobre o bem, que antes pertencia a ambos. 
 STJ. 2ª Seção. REsp 1.399.199-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 9/3/2016 (Info 581). 
Diante do divórcio de cônjuges que viviam sob o regime da comunhão parcial de bens, não deve ser reconhecido 
o direito à meação dos valores que foram depositados em conta vinculada ao FGTS em datas anteriores à constância 
do casamento e que tenham sido utilizados para aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação 
conjugal. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.477.937-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/4/2017 
(Info 606). 
O benefício de previdência privada fechada é excluído da partilha em dissolução de união estável regida pela 
comunhão parcial de bens. 
 STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães, julgado em 23/05/2018 (Info 628). 
No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que 
comprovado o esforço comum para sua aquisição. Esse esforço comum não pode ser presumido. Deve ser 
comprovado. O regime de separação legal de bens (também chamado de separação obrigatória de bens) é aquele 
previsto no art. 1.641 do Código Civil. 
 
133 
 Informativo 588, STJ: 
Algumas vezes, uma empresa apura lucro, mas decide que não irá distribuí-los aos acionistas, retendo esses lucros 
com o objetivo de incrementar o seu capital social. O lucro destinado à conta de reserva, ou seja, que não é 
distribuído aos sócios, continua pertencendo à sociedade empresária (e não ao sócio). Em razão disso, essa quantia 
não será partilhada caso um dos sócios termine a união estável que mantinha. Em outras palavras, os lucros de 
sociedade empresária destinados a sua própria conta de reserva não são partilháveis entre o casal no caso de 
dissolução de união estável de sócio. 
 Informativo 591, STJ: 
Segundo a redação literal da súmula 486-STJ, “é impenhorável o único imóvel RESIDENCIAL do devedor que esteja 
locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua 
família.” A 2ª Turma do STJ, contudo,ampliou esta proteção e decidiu que também é impenhorável o único imóvel 
COMERCIAL do devedor que esteja alugado quando o valor do aluguel é destinado unicamente ao pagamento de 
locação residencial por sua entidade familiar. 
 Informativo 594, STJ: 
Cotas sociais que serão partilhadas após mancomunhão deverão ser calculadas no momento efetivo da partilha. 
Verificada a existência de mancomunhão, o pagamento da expressão patrimonial das cotas societárias à ex-cônjuge, 
não sócia, deve corresponder ao momento efetivo da partilha, e não àquele em que estabelecido acordo prévio 
sobre os bens que fariam parte do acervo patrimonial. 
 Informativo 606, STJ: 
A sócia da empresa, cuja personalidade jurídica se pretende desconsiderar, que teria sido beneficiada por suposta 
transferência fraudulenta de cotas sociais por um dos cônjuges, tem legitimidade passiva para integrar a ação de 
divórcio cumulada com partilha de bens, no bojo da qual se requereu a declaração de ineficácia do negócio jurídico 
que teve por propósito transferir a participação do sócio/ex-marido à sócia remanescente, dias antes da consecução 
da separação de fato. 
 Informativo 606, STJ: 
O benefício de previdência privada fechada é excluído da partilha em dissolução de união estável regida pela 
comunhão parcial de bens. 
 Informativo 616, STJ: 
Partilha de prêmio da loteria mesmo que se trate de relacionamento regulado pelo regime da separação obrigatória 
(art. 1.641, II, do CC). Se a pessoa inicia uma união estável possuindo mais de 70 anos, o regime patrimonial é o 
da separação obrigatória de bens (art. 1.641, II, do CC). Apesar disso, se um dos companheiros ganhar na loteria, 
o valor do prêmio integra a massa de bens comuns do casal (art. 1.660, II, do CC). Assim, havendo dissolução da 
união estável, o valor desse prêmio deverá ser partilhado igualmente entre os consortes. (Info 616). Art. 1.660. 
Entram na comunhão: (...) II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa 
 
134 
anterior; Se a pessoa inicia uma união estável possuindo mais de 70 anos, o regime patrimonial que irá regular 
essa relação é o da separação obrigatória de bens (art. 1.641, II, do CC). Apesar disso, se, durante essa relação, um 
dos companheiros ganhar na loteria, o valor do prêmio integra a massa de bens comuns do casal (art. 1.660, II, do 
CC), de forma que pertence a ambos. Assim, havendo dissolução da união estável, o valor desse prêmio deverá ser 
partilhado igualmente entre os consortes. Em suma, o prêmio de loteria, recebido por excompanheiro septuagenário 
durante a relação de união estável, deve ser objeto de meação entre o casal em caso de dissolução do 
relacionamento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.689.152-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/10/2017 
 Informativo 628, STJ: 
No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que 
comprovado o esforço comum para sua aquisição. Esse esforço comum não pode ser presumido. Deve ser 
comprovado. O regime de separação legal de bens (também chamado de separação obrigatória de bens) é aquele 
previsto no art. 1.641 do Código Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães 
(Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), julgado em 23/05/2018 (recurso repetitivo) 
 Informativo 624, STJ: 
A coisa julgada material formada em virtude de acordo celebrado por partes maiores e capazes, versando sobre a 
partilha de bens imóveis privados e disponíveis e que fora homologado judicialmente por ocasião de divórcio 
consensual, não impede que haja um novo acordo sobre o destino dos referidos bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1623475-
PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 
 
Parentesco 
 STF. Plenário. AR 1244 EI/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016 (Info 840). 
O filho tem direito de ter reconhecida sua verdadeira filiação. Assim, mesmo que ele tenha nascido durante a 
constância do casamento de sua mãe e de seu pai registrais, ele poderá ingressar com ação de investigação de 
paternidade contra o suposto pai biológico. A presunção legal de que os filhos nascidos durante o casamento são 
filhos do marido não pode servir como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade. 
 Informativo 581, STJ: 
É possível o reconhecimento da paternidade socioafetiva post mortem, ou seja, mesmo após a morte do suposto 
pai socioafetivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.500.999-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/4/2016 
 Informativo 578, STJ: 
Mesmo nas hipóteses em que não ostente a condição de herdeira, a viúva poderá impugnar ação de investigação 
de paternidade post mortem, devendo receber o processo no estado em que este se encontra. STJ. 4ª Turma. REsp 
1.466.423- GO, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 23/2/2016 
 
135 
 Informativo 577, STJ: 
O filho tem direito de desconstituir a denominada “adoção à brasileira” para fazer constar o nome de seu pai 
biológico em seu registro de nascimento, ainda que preexista vínculo socioafetivo de filiação com o pai registral. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.417.598-CE, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 17/12/2015 
 Informativo 588, STJ: 
O filho, em nome próprio, não tem legitimidade para deduzir em juízo pretensão declaratória de filiação socioafetiva 
entre sua mãe - que era maior, capaz e, ao tempo do ajuizamento da ação, pré-morta (já falecida) - e os supostos 
pais socioafetivos dela. Obs: o filho teria legitimidade para propor ação pedindo o reconhecimento de sua relação 
de parentesco socioafetivo com os pretensos avós. Aí, contudo, seria outra ação, na qual se buscaria um direito 
próprio (e não de sua mãe). STJ. 3ª Turma. REsp 1.492.861-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 2/8/2016 
 Informativo 840, STF: 
A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de 
filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios. Ex: Lucas foi registrado e 
criado como filho por João; vários anos depois, Lucas descobre que seu pai biológico é Pedro; Lucas poderá buscar 
o reconhecimento da paternidade biológica de Pedro sem que tenha que perder a filiação socioafetiva que 
construiu com João; ele terá dois pais; será um caso de pluriparentalidade; o filho terá direitos decorrentes de 
ambos os vínculos, inclusive no campo sucessório. STF. Plenário. RE 898060/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21 
e 22/09/2016 
 Informativo 840, STF: 
 O filho tem direito de ter reconhecida sua verdadeira filiação. Assim, mesmo que ele tenha nascido durante a 
constância do casamento de sua mãe e de seu pai registrais, ele poderá ingressar com ação de investigação de 
paternidade contra o suposto pai biológico. A presunção legal de que os filhos nascidos durante o casamento são 
filhos do marido não pode servir como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade. 
STF. Plenário. AR 1244 EI/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016 
 Informativo 604, STJ: 
A coisa julgada estabelecida em ações de investigação de paternidade deve ser relativizada nos casos em que, no 
processo, não houve a realização de exame de DNA e, portanto, não foi possível ter-se certeza sobre o vínculo 
genético (STF. Plenário. RE 363889, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 02/06/2011. Repercussão geral). O STJ 
entendeu, contudo, que essa relativização da coisa julgada não se aplica às hipóteses em que o magistrado 
reconheceu o vínculo pelo fato de o investigado (ou seus herdeiros) terem se recusado a comparecer ao laboratório 
para a coleta do material biológico. Ex: Lucas ajuizou ação de investigação de paternidade contra João; este se 
recusou a fazer o DNA, razão pela qual o juiz julgou a demanda procedente e reconheceu que Lucas é filho de 
João (Súmula 301-STJ: Em ação investigatória, a recusa dosuposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz 
presunção juris tantum de paternidade). Depois que esta sentença transitou em julgado, João ingressou com ação 
 
136 
negatória de paternidade pedindo a relativização da coisa julgada e a realização de exame de DNA. Esta ação 
deverá ser extinta sem resolução do mérito pela coisa julgada (art. 485, V, do CPC). Em suma, a relativização da 
coisa julgada estabelecida em ação de investigação de paternidade – em que não foi possível determinar-se a 
efetiva existência de vínculo genético a unir as partes – não se aplica às hipóteses em que o reconhecimento do 
vínculo se deu, exclusivamente, pela recusa do investigado ou seus herdeiros em comparecer ao laboratório para 
a coleta do material biológico. 
 Informativo 623, STJ: 
É imprescindível o consentimento de pessoa maior para o reconhecimento de filiação post mortem. STJ. 3ª Turma. 
REsp 1.688.470-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/04/2018 
 Informativo 649, STJ: 
É possível a inclusão de dupla paternidade em assento de nascimento de criança concebida mediante as técnicas 
de reprodução assistida heteróloga e com gestação por substituição, não configurando violação ao instituto da 
adoção unilateral. Vale ressaltar que não se trata de adoção, pois não se pretende o desligamento do vínculo com 
o pai biológico, que reconheceu a paternidade no registro civil de nascimento da criança. 
 
 Informativo 656, STJ: 
INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. Determinada pessoa ajuizou ação de investigação de paternidade contra o 
suposto pai e esta foi julgada improcedente; transitou em julgado; o suposto pai morreu; eventual ação rescisória 
contra esta sentença deve ser proposta contra os herdeiros (e não contra o espólio). A ação rescisória de sentença 
proferida em ação de investigação de paternidade cujo genitor é pré-morto deve ser ajuizada em face dos herdeiros, 
e não do espólio 
Poder Familiar 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.629.994-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/12/2016 (Info 595). 
Aplicação obrigatória da guarda compartilhada. A guarda compartilhada somente deixará de ser aplicada quando 
houver inaptidão de um dos ascendentes para o exercício do poder familiar, fato que deverá ser declarado, prévia 
ou incidentalmente à ação de guarda, por meio de decisão judicial. 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1.087.561-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/6/2017 (Info 609). 
A omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo material do filho gera danos morais, passíveis de 
compensação pecuniária. O descumprimento da obrigação pelo pai, que, apesar de dispor de recursos, deixa de 
prestar assistência MATERIAL ao filho, não proporcionando a este condições dignas de sobrevivência e causando 
danos à sua integridade física, moral, intelectual e psicológica, configura ilícito civil, nos termos do art. 186 do 
Código Civil. 
 
137 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/03/2018 (Info 
622) 
O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos (usufruto legal), bem 
como têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade, nos termos do art. 1.689, incisos I e 
II, do Código Civil. Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar contas acerca dos valores recebidos 
pelos pais em nome do menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há presunção de que as verbas 
recebidas tenham sido utilizadas para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o custeio de alimentação, 
saúde, vestuário, educação, lazer, entre outros. Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de ação de prestação 
de contas pelo filho, sempre que a causa de pedir estiver fundada na suspeita de abuso de direito no exercício 
desse poder. Assim, a ação de prestação de contas ajuizada pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a 
causa de pedir estiver relacionada com suposto abuso do direito ao usufruto legal e à administração dos bens dos 
filhos. 
 Informativo 637, STJ: 
PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO CÔNJUGE CURADOR. O art. 1.783 do CC prevê que se o curador for o cônjuge do 
curatelado e eles forem casados sob o regime da comunhão universal, em regra, ele não será obrigado à prestação 
de contas dos bens administrados durante a curatela, “salvo determinação judicial” que o obrigue a prestar. O STJ 
identificou duas situações nas quais o juiz poderá determinar a prestação de contas. Assim, o magistrado poderá 
(deverá) decretar a prestação de contas pelo cônjuge curador, resguardando o interesse prevalente do curatelado 
e a proteção especial do interdito quando: a) houver qualquer indício ou dúvida de malversação dos bens do 
incapaz, com a periclitação de prejuízo ou desvio de seu patrimônio, no caso de bens comuns; e b) se tratarem de 
bens incomunicáveis, excluídos da comunhão, ressalvadas situações excepcionais. 
 Informativo 640, STJ: 
ROL DE LEGITIMADOS. EXEMPLIFICATIVO. O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela, 
previsto no art. 756, § 1º do CPC/2015, não é taxativo. (INTERDIÇÃO É DIFERENTE DE SEU LEVANTAMENTO) 
Alimentos 
 REsp 997.515/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18/10/2011, 
DJe 26/10/2011. 
EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. DÉBITO VENCIDO NO CURSO DA AÇÃO DE ALIMENTOS. VERBA 
QUE MANTÉM O CARÁTER ALIMENTAR. DESCONTO EM FOLHA. POSSIBILIDADE. 1. Os alimentos decorrem da 
solidariedade que deve haver entre os membros da família ou parentes, visando garantir a subsistência do 
alimentando, observadas sua necessidade e a possibilidade do alimentante. Desse modo, a obrigação alimentar 
tem a finalidade de preservar a vida humana, provendo-a dos meios materiais necessários à sua digna manutenção, 
ressaindo nítido o evidente interesse público no seu regular adimplemento. 2. Por um lado, a Súmula 309/STJ, ao 
 
138 
orientar que "o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações 
anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo", deixa límpido que os alimentos 
vencidos no curso da ação de alimentos ostentam também a natureza de crédito alimentar. 3. Por outro lado, os 
artigos 16 da Lei 5.478/1968 e 734 do Código de Processo Civil prevêem, preferencialmente, o desconto em folha 
para satisfação do crédito alimentar. Destarte, não havendo ressalva quanto ao tempo em que perdura o débito 
para a efetivação da medida, não é razoável restringir-se o alcance dos comandos normativos para conferir proteção 
ao devedor de alimentos. Precedente do STJ. 4. É possível, portanto, o desconto em folha de pagamento do devedor 
de alimentos, inclusive quanto a débito pretérito, contanto que o seja em montante razoável e que não impeça 
sua própria subsistência. 5. Recurso especial parcialmente provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1501992-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 20/03/2018 
(Info 624). 
É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia 
das despesas pagas "in natura" com o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel 
onde residia o exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a incompensabilidade da dívida alimentar (art. 1.707 
do CC e eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo-se examinar se houve o consentimento, 
ainda que tácito do credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente, ao atendimento de necessidade 
essencial do alimentado e não se configurou como mera liberalidade do alimentante. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.063-AC, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 20/6/2017 (Info 607). 
O prazo prescricional para o cumprimento de sentença que condenou ao pagamento de verba alimentícia retroativa 
se inicia tão somente com o trânsito em julgado da decisão que reconheceu a paternidade. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.323-MG,Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/3/2017 (Info 601) 
É presumida a necessidade de percepção de alimentos do portador de doença mental incapacitante, devendo ser 
suprida nos mesmos moldes dos alimentos prestados em razão do poder familiar, independentemente da 
maioridade civil do alimentado. 
 Informativo 579, STJ: 
Em execução de alimentos devidos a filho menor de idade, é possível o protesto e a inscrição do nome do devedor 
em cadastros de proteção ao crédito. Mostra-se juridicamente possível o pedido do credor para que seja realizado 
protesto e inclusão do nome do devedor de alimentos nos cadastros de proteção ao crédito (SPC e Serasa), como 
medida executiva a ser adotada pelo magistrado para garantir a efetivação dos direitos fundamentais da criança e 
do adolescente. No CPC 2015 existe previsão expressa nesse sentido (art. 528, § 1º e art. 782, §§ 3º e 4º). STJ. 3ª 
Turma. REsp 1.469.102-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 8/3/2016 (Info 579). STJ. 4ª Turma. REsp 
1.533.206-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17⁄11⁄2015. 
 Informativo 587, STJ: 
 
139 
A obrigação dos avós de prestar alimentos tem natureza complementar e subsidiária e somente exsurge se 
ficar demonstrada a impossibilidade de os dois genitores proverem os alimentos dos filhos, ou de os proverem 
de forma suficiente. Assim, morrendo o pai que pagava os alimentos, só se poderá cobrar alimentos dos avós 
se ficar demonstrado que nem a mãe nem o espólio do falecido têm condições de sustentar o filho. Não 
tendo ficado demonstrada a impossibilidade ou a insuficiência do cumprimento da obrigação alimentar pela 
mãe, como também pelo espólio do pai falecido, não há como reconhecer a obrigação do avô de prestar 
alimentos. O falecimento do pai do alimentante não implica a automática transmissão do dever alimentar aos 
avós. 
 Informativo 607, STJ: 
O prazo prescricional para o cumprimento de sentença que condenou ao pagamento de verba alimentícia retroativa 
se inicia tão somente com o trânsito em julgado da decisão que reconheceu a paternidade. 
 
 Informativo 621, STJ: 
O valor recebido pelo alimentante (devedor) a título de participação nos lucros e resultados deve ser incorporado 
à prestação alimentar devida? Os valores recebidos a título de “participação nos lucros e resultados” são incluídos 
no percentual que é devido a título de pensão alimentícia? Em suma, toda vez que o devedor receber participação 
nos lucros e resultados, o valor da pensão deverá ser, automaticamente, pago a mais? 
1ª corrente: NÃO. Os valores recebidos a título de participação nos lucros e resultados não se incorporam à verba 
alimentar devida ao menor. É a posição da 3ª Turma do STJ. REsp 1.465.679-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado 
em 09/11/2017 (Info 615). 
2ª corrente: SIM. As parcelas percebidas a título de participação nos lucros configuram rendimento, devendo 
integrar a base de cálculo da pensão fixada em percentual, uma vez que o conceito de rendimentos é amplo, 
especialmente para fins de cálculo de alimentos. É a corrente adotada pela 4ª Turma do STJ. AgInt no AREsp 
1070204/SE, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/09/2017. STJ. 4ª Turma. REsp 1.561.097-RJ, Rel. Min. 
Lázaro Guimarães (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, julgado em 
06/02/2018 (Info 620). Lei 5.478/68, Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios 
a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que deles não necessita. (alimentos 
provisórios de ofício). 
É possível a aplicação imediata do art. 528, § 7º, do CPC/2015 em execução de alimentos iniciada e processada, 
em parte, na vigência do CPC/1973. A regra do art. 528, §7º, do CPC/2015, apenas incorpora ao direito positivo o 
conteúdo da pré-existente Súmula 309/STJ, editada na vigência do CPC/1973, tratando-se assim, de 
pseudonovidade normativa que não impede a aplicação imediata da nova legislação processual como determinam 
os arts. 14 e 1.046 do CPC/2015. STJ. 3ª Turma. RHC 92.211-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi julgado em 27/02/2018 
 
140 
 Informativo 622, STJ: 
Discussão sobre a possibilidade de o filho ajuizar ação de exigir contas em relação aos valores recebidos pelos pais 
em nome do menor O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos 
(usufruto legal), bem como têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade, nos termos do 
art. 1.689, incisos I e II, do Código Civil. 
Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar contas acerca dos valores recebidos pelos pais em nome 
do menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há presunção de que as verbas recebidas tenham 
sido utilizadas para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o custeio de alimentação, saúde, vestuário, 
educação, lazer, entre outros. 
Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de ação de prestação de contas pelo filho, sempre que a causa de 
pedir estiver fundada na suspeita de abuso de direito no exercício desse poder. 
Assim, a ação de prestação de contas ajuizada pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a causa de pedir 
estiver relacionada com suposto abuso do direito ao usufruto legal e à administração dos bens dos filhos. STJ. 3ª 
Turma. REsp 1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/03/2018 
 Informativo 617, STJ: 
Havendo meios executivos mais adequados e igualmente eficazes para a satisfação da dívida alimentar dos avós, 
é admissível a conversão da execução para o rito da penhora e da expropriação, a fim de afastar o decreto prisional 
em desfavor dos executados. STJ. 3ª Turma. HC 416.886-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/12/2017 
 Informativo 624, STJ: 
É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia 
das despesas pagas "in natura" com o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel 
onde residia o exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a incompensabilidade da dívida alimentar (art. 1.707 
do CC e eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo-se examinar se houve o consentimento, 
ainda que tácito do credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente, ao atendimento de necessidade 
essencial do alimentado e não se configurou como mera liberalidade do alimentante. STJ. 3ª Turma. REsp 1501992-
RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 20/03/2018 
 Informativo 628, STJ: 
Em regra, não deverá haver diferença no valor ou no percentual dos alimentos destinados a prole pois se presume 
que, em tese, os filhos - indistintamente - possuem as mesmas demandas vitais, tenham as mesmas condições 
dignas de sobrevivência e igual acesso às necessidades mais elementares da pessoa humana. A igualdade entre os 
filhos, todavia, não tem natureza absoluta e inflexível, de modo que é admissível a fixação de alimentos em valor 
ou percentual distinto entre os filhos se demonstrada a existência de necessidades diferenciadas entre eles ou, 
ainda, de capacidades contributivas diferenciadas dos genitores Exemplo: João possui dois filhos, com mulheres 
 
141 
diferentes. Para o filho 1, paga 20% de seu salário e para o filho 2, 15%. O STJ admitiu que essas pensões sejam 
em valores diferentes porque a capacidade financeira da mãe do filho 2 é muito maior do que a genitora do filho 
1. STJ. 3ª Turma. REsp 1.624.050/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/06/2018 
 Informativo 632, STJ: 
 A teoria do adimplemento substancial não tem incidência nos vínculos jurídicos amiliares, revelando-se inadequada 
para solver controvérsias relacionadas a obrigações de natureza alimentar. STJ. 4ª Turma. HC 439.973-MG, Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 16/08/2018 
 
 Informativo 634, STJ: 
Os embargosde terceiro não são cabíveis para o fim de declarar, em sede de ação de exoneração de alimentos, a 
natureza familiar da prestação alimentícia, de forma a alterar a relação jurídica posta e discutida na demanda 
principal. Ex: João e Maria, ao se divorciarem, firmaram um acordo por meio do qual João iria pagar 30% de seu 
salário, a título de alimentos, para Maria e o filho do casal (Vitor). Quando Vitor completou a maioridade, João 
propôs ação de exoneração de alimentos contra ele. O juiz deferiu o pedido e determinou que os descontos fossem 
reduzidos pela metade (15%), já que Vitor não seria mais credor de alimentos. Maria opôs embargos de terceiro 
contra essa decisão, tendo o STJ considerado um instrumento jurídico inadequado. STJ. 4ª Turma. REsp 1.560.093-
SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 18/09/2018 
 Informativo 638, STJ: 
O Código Civil prevê o seguinte: Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em 
condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as 
pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada 
ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Neste julgado, o STJ entendeu que este 
artigo possui natureza jurídica de “litisconsórcio facultativo ulterior simples”. Trata-se, contudo, de litisconsórcio 
com uma particularidade: em regra, a sua formação pode ocorrer não apenas por iniciativa do autor, mas também 
por provocação do réu ou do Ministério Público. Vale ressaltar, contudo, uma exceção: se o credor dos alimentos 
(autor da ação) for menor emancipado, possuir capacidade processual plena e optar livremente por ajuizar a 
demanda somente em face do genitor, não pode o réu provocar o chamamento ao processo da genitora do autor 
(codevedora). Em ação de alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade processual, cabe 
exclusivamente a ele provocar a integração posterior no polo passivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.715.438-RS, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 
 Informativo 640, STJ: 
 
142 
É admissível o uso da técnica executiva de desconto em folha de dívida de natureza alimentar ainda que haja 
anterior penhora de bens do devedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.733.697-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
11/12/2018 
 Informativo 642, STJ: 
O acordo que estabelece a obrigação alimentar entre ex-cônjuges possui natureza consensual e, portanto, a 
incidência de correção monetária para atualização da obrigação ao longo do tempo deve estar expressamente 
prevista no contrato. Os alimentos acordados voluntariamente entre ex-cônjuges, por se encontrarem na esfera de 
sua estrita disponibilidade, devem ser considerados como verdadeiro contrato, cuja validade e eficácia dependem 
exclusivamente da higidez da manifestação de vontade das partes apostas no acordo. 
Não confundir: 
• acordo de alimentos entre ex-cônjuges não prevê atualização monetária da pensão alimentícia ao longo do 
tempo: o valor da obrigação se mantém pelo valor histórico (valor original). 
• decisão judicial não prevê atualização monetária da pensão alimentícia: mesmo assim a prestação deverá ser 
corrigida, atualizando-se o valor historicamente fixado. 
Observação: a correção monetária explicada acima diz respeito à atualização da obrigação original fixada no 
contrato e paga na data do vencimento. Não se estava tratando sobre correção monetária de parcelas pagas em 
atraso. Mesmo que o contrato não preveja, haveráincidência de correção monetária caso o alimentante pague a 
pensão alimentícia após a data do vencimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.705.669-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 
julgado em 12/02/2019. 
 Informativo 646, STJ: 
RECURSO ORDINÁRIO. HABEAS CORPUS. O prazo para interposição de recurso ordinário em 
habeas corpus, ainda que se trate de matéria não criminal, continua sendo de 5 dias, nos termos 
do art. 30 da Lei nº 8.038/90, não se aplicando à hipótese os arts. 1.003, §5º, e 994, V, do 
CPC/2015. 
 Informativo 654, STJ: 
SURRECTIO. No acordo ficou ajustado que o devedor pagaria a pensão durante certo tempo; passado esse período, 
o indivíduo, por mera liberalidade, continuou pagando; isso não significa, contudo, que ele passou a ter o dever 
de pagar para sempre a pensão. Obrigação alimentar extinta, mas mantida por longo período de tempo por mera 
liberalidade do alimentante, não pode ser perpetuada com fundamento no instituto da surrectio. 
 Informativo 654, STJ: 
 
143 
LEGITIMIDADE DA GENITORA PARA CONTINUAR NO PROCESSO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS APÓS 
TRANSGERÊNCIA DE GUARDA DA CRIANÇA. A mãe tem legitimidade para prosseguir na execução de pensão 
alimentícia proposta à época em que era guardiã do filho menor, ainda que depois disso a guarda tenha sido 
transferida ao pai executado? 4ª Turma do STJ: SIM. A genitora que, ao tempo em que exercia a guarda judicial do 
filho, representou-o em ação de execução de débitos alimentares possui legitimidade para prosseguir no processo 
executivo com intuito de ser ressarcida, ainda que, no curso da cobrança judicial, a guarda tenha sido transferida 
ao genitor (executado). STJ. 4ª Turma. REsp 1.410.815-SC, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 9/8/2016 (Info 590). 
3ª Turma do STJ: NÃO. A genitora do alimentando não pode prosseguir na execução de alimentos, em nome 
próprio, a fim de perceber os valores referentes aos débitos alimentares vencidos, após a transferência da 
titularidade da guarda do menor ao executado. Não se pode falar em sub-rogação no caso, considerando que o 
direito aos alimentos possui caráter personalíssimo. 
 
 
144 
MAPA MENTAL 
 
 
 
145 
 
146 
 
147 
 
148 
 
149 
 
 
150 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes – VADE MECUM DE JURISPRUDÊNCIA DIZER O DIREITO. Juspodvim. 2017. 
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral do Direito. V. 1. 2018. Saraiva: São Paulo. 
GOUVEIA, Mila. INFORMATIVOS EM FRASE. Juspodvim. Salvador, 2017. 
TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil: volume único – 8. ed. rev, atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São 
Paulo: MÉTODO, 2018. 
 
	DIREITO CIVIL
	Capítulo 7
	15. Casamento, União Estável e Monoparentalidade
	15.1 A família na Constituição Federal de 1988
	15.1.1 Princípios Fundamentais
	15.2 Conceito de Direito de Família
	15.3 Direito Matrimonial (Entidades Familiares)
	15.3.1 Casamento
	15.3.1.1 Teorias e Princípios
	15.3.1.2 Finalidade
	15.3.1.3 Direitos e Deveres
	15.3.1.4 Igualdade de Direitos e Deveres
	15.3.1.5 Proibições
	15.3.1.6 Princípios do Casamento
	15.3.1.7 Condições
	15.3.1.8 Formalidades para o Casamento
	15.3.1.9 Idade Núbil
	15.3.1.10 Impedimentos e Causas Suspensivas
	15.3.1.11 Espécies de casamento:
	15.3.1.12 Prova e Efeitos do Casamento
	15.3.2 União Estável
	15.3.2.1 Elementos
	15.3.2.2 Meação
	15.3.2.3 Sucessão
	15.3.2.4 Deveres
	15.3.2.5 Separação de Corpos
	15.3.2.6 Conversão em Casamento
	15.3.2.7 Nome do Companheiro
	15.3.2.8 Previdência Social
	15.3.2.9 Responsabilidade Civil
	15.3.3 Monoparentalidade
	16. Dissolução do Casamento e da União Estável
	16
	16.1 Morte
	16.2 Divórcio
	16.2.1 Divórcio Consensual (Amigável)
	16.2.2 Divórcio litigioso
	16.3 Separação Judicial
	16.3.1 Separação de fato
	16.4 Invalidade do Casamento
	16.4.1 Casamento inexistente
	16.4.2 Casamento Nulo (art. 1548 e 15499, CC)
	16.4.3 Anulável (art. 1550 a 1560, CC)
	16.4.4 Casamento putativo (art. 1561, CC)
	17. Regimes de Bens
	17.1 Conceito
	17.2 Princípios
	17.2.1 Variedade de regime de bens
	17.2.2 Princípio da Livre Estipulação ou Liberdade dos pactos antenupciais
	17.2.3 Princípio da Indivisibilidade
	17.2.4 Princípio da Mutabilidade Justificada
	17.3 Pacto Antenupcial (Art. 1653 a 1657 do CC) e o Regime Legal
	17.4 Espécies
	17.4.1 Regime da Comunhão Parcial
	17.4.2 Regime da Comunhão Universal
	17.4.3 Regime daParticipação Final nos Aquestos
	17.4.4 Regime da Separação de Bens
	18. Parentesco
	17
	18
	19
	20
	18.1 Espécies de parentesco
	19.
	19.1
	18.1.1 Natural ou Consanguíneo
	18.1.2 Afinidade
	18.1.3 Civil
	18.2 Filiação
	18.3
	18.4
	18.2.1 Natureza Jurídica
	16
	17
	18
	18.1
	18.2
	18.3
	18.3.1
	18.2.1.1 Biológico
	18.2.1.2 Socioafetivo (critério não biológico)
	18.2.1.3 Presunções jurídicas
	18.2.2 Reconhecimento de filhos (arts. 1601 a 1617, CC)
	18.2.3 Pluriparentalidade
	18.2.4 Adoção
	18.2.5 Ação Investigatória de Paternidade/Maternidade
	18.2.6 Prova da Filiação
	19 Poder Familiar
	18
	19
	20
	21
	19.1 Características
	19.2 Direitos e Deveres
	19.3 Administração
	20
	20.2
	20.3
	20.4
	19.3.1 Vedação (art. 1691, CC)
	19.3.2 Exclusão (art. 1693, CC)
	19.4 Usufruto
	19.5 Extinção, Suspensão e Perda
	19.6 Guarda (arts. 1583 a 1590 do CC)
	19.7
	19.8
	19.9
	19.6.1 Espécies de guarda
	19.7 Direito assistencial de família
	19.7.1 Tutela (arts. 1728 a 1766 do CC)
	19.7.2 Curatela (arts. 1767 a 1783 do CC)
	19.7.3 Tomada de decisão apoiada (art. 1783-A do CC)
	20 Alimentos
	20
	21
	22
	20.1 Conceito e pressupostos
	20.2 Características
	20.3 Classificação dos alimentos
	21
	21.6
	21.7
	21.8
	20.3.1 Quanto à fonte
	20.3.2 Quanto à extensão
	20.3.3 Quanto ao tempo
	20.3.4 Quanto à forma de pagamento
	20.3.5 Quanto à finalidade
	20.4 Exoneração
	20.5 Alimentos Gravídicos
	20.6 Ações de alimentos
	20.7
	20.8
	20.9
	20.6.1 Procedimento especial concentrado sumaríssimo (Lei n. 5.478/68)
	20.6.2 Execução de alimentos
	QUADRO SINÓTICO
	QUESTÕES COMENTADAS
	GABARITO
	QUESTÃO DESAFIO
	GABARITO QUESTÃO DESAFIO
	LEGISLAÇÃO COMPILADA
	JURISPRUDÊNCIA
	MAPA MENTAL
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Mais conteúdos dessa disciplina