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Profª Drª Maria Teresa de Souza Barboza 
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA 
Procedimentos Especiais: Separação e Divórcio Consensual, 
extinção consensual de União Estável e alteração do Regime de 
Bens do Matrimônio. Interdição. 
 Os processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união 
estável, guarda, visitação e filiação, que observam-se os procedimentos especiais de 
jurisdição contenciosa, estão regulados no CPC, arts. 693 e ss. 
Objetivo: o juiz profere sentença solucionando o conflito, concedendo o direito à quem o 
tem. 
 
 Os processo consensuais de divórcio, separação, reconhecimento e extinção união estável e 
da alteração do regime de bens do matrimônio (CC, art. 1.639, §2º), que observam-se os 
procedimentos especiais de jurisdição voluntária, estão regulados no CPC, arts. 731 e ss. 
Objetivo: homologação judicial por sentença do divórcio, separação, reconhecimento e 
extinção união estável e da alteração do regime de bens do matrimônio. 
EC n. 66/2010 alterou as regras para a separação. 
A intervenção do juiz se faz com o fito de fiscalizar a regularidade do ajuste de vontade 
operado entre os consortes. 
Introdução 
Separação contenciosa ou 
litigiosa ou judicial 
Separação consensual ou 
graciosa 
Observância dos procedimentos especiais de 
jurisdição contenciosa, estão regulados no 
CPC, arts. 693 e ss. 
Observância dos procedimentos especiais de 
jurisdição voluntária, estão regulados no CPC, 
arts. 731 e ss. 
Há imputação de culpa de um ao outro 
cônjuge pela dissolução do casamento ou a 
causa da separação. 
Não há imputação de culpa de um ao outro 
cônjuge pela dissolução do casamento, nem a 
causa da separação. 
Ação constitutiva, com rito comum, em que a 
sentença põe a ruptura forçada da sociedade 
conjugal, reconhecendo a procedência do 
pedido do cônjuge. 
Não há lide a ser composta por sentença, é a 
vontade dos cônjuges que põe fim à 
sociedade conjugal, cabendo ao juiz a 
homologação do ato bilateral. 
Diferença entre separação contenciosa e consensual 
Separação Divórcio 
São formas de dissolução da sociedade conjugal. 
Mantém o vínculo conjugal. Não mantém o vínculo conjugal. 
Após a ruptura da sociedade conjugal entre 
os cônjuges, permanecem eles no estado de 
casado, impedidos de convolar novas 
núpcias com outra pessoa (CC, art. 1.521, 
VI). 
A ruptura da sociedade conjugal entre os 
cônjuges põe termo ao casamento e aos 
efeitos civis do matrimônio religioso. 
Na reconciliação, restabelece a sociedade 
conjugal sem novo casamento. 
Na reconciliação, necessário novo 
casamento. 
Diferença entre separação e divórcio 
 O CC, art. 1.723, reconheceu como entidade familiar a união estável entre o homem e a 
mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o 
objetivo de constituição de família. 
 Facilitou a conversão da união estável em casamento, mediante simples pedido dos 
companheiros ao juiz e assento no Registro Civil (CC, art. 1.726). 
 O STJ e STF reconheceram a união estável e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 
 O STF, ao interpretar o CC, art. 1.723, afirmou dever ser excluído “qualquer significado que 
impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo 
sexo como família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as 
mesmas consequências da união estável heteroafetiva”. 
 CPC, art. 732, adota para a união estável o mesmo trâmite referente ao procedimento de 
jurisdição voluntária que estabelece o rito de homologação da separação e divórcio 
consensuais (CPC, art. 731). 
União estável 
 Marcus Vinicius Rios Gonçalves define separação consensual como “o mecanismo pelo qual 
os cônjuges, de mútuo acordo, põem fim à sociedade conjugal, sem dissolverem o vínculo do 
casamento”. (Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 778) 
Cessam os deveres e obrigações conjugais, mas não o vínculo do casamento, razão pela 
qual não podem os cônjuges contrair novo matrimônio. 
Neste caso, a dissolução do casamento ocorre com a morte de um dos cônjuges ou com o 
divórcio. 
 Na separação consensual, o encerramento da sociedade conjugal se dá com a concordância 
dos cônjuges e ocorre nos termos ajustados por ambos. 
Não há imputação de culpa de um ao outro cônjuge pela dissolução do casamento, nem a 
causa da separação. 
 A ação de separação consensual ou litigiosa é pessoal e intransferível, eis que em caso de 
morte de um dos cônjuges, extingue-se o processo, não transmitindo aos herdeiros ou 
sucessores. 
Com a morte não há mais interesse na causa, dissolvendo-se o vínculo matrimonial. 
 
 
 
Separação consensual 
 O divórcio, a separação e a extinção de união estável consensuais podem se realizar pela via 
administrativa, no modo extrajudicial, por escritura pública a ser lavrada perante um Tabelionato de 
Notas, de livre escolha do casal (CPC, art. 733). 
 Os termos do pedido deve observar os requisitos e termos da petição inicial. 
 Eventualmente, pode ocorrer perante o Registro Civil das Pessoas Naturais, que possui atribuição 
notarial, como por exemplo em municípios pequenos que não são sede de comarca. 
 Não há necessidade de homologação judicial (CPC, art. 733, §1º). 
 Não será extrajudicial, se houver filhos menores ou incapazes e que nascituro (ser humano já 
concebido, cujo nascimento é dado como certo). 
 Ambos os cônjuges ou companheiros devem estar assistidos por advogado, que pode ser comum ou 
de cada um, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. 
 Na hipossuficiência, o casal poderá estar assistidos pela defensoria pública (CPC, art. 377, § 2º). 
 Na escritura pública, poderão constar as regras sobre a partilha de bens, alimentos e o nome que os 
cônjuges adotarão após extinção da sociedade conjugal. 
 Escritura pública é título hábil para o registro civil e o registro de imóveis. 
 O tabelião pode recusar a lavratura da escritura se houver indícios de prejuízo a um dos cônjuges ou 
companheiros(as) ou em caso de dúvida sobre a declaração de vontade (Res. 35/2007 do CNJ, art. 
46). 
Realização extrajudicial do divórcio, separação, extinção de união estável 
 Os requisitos para que o juiz homologue o acordo de divórcio, separação, extinção de união 
estável ou alteração do regime do matrimônio são: 
 
 ambos os cônjuges manifestem o consentimento, perante o juízo; 
 
 ambos estejam de acordo com o término do casamento, da sociedade conjugal, da união 
estável ou com a alteração do regime; 
 
 o acordo preserve adequadamente os interesses dos filhos ou de um dos cônjuges. 
 
 Deverá ser judicial o divórcio, a separação e a extinção de união estável consensuais, se 
houver filhos menores ou incapazes ou nascituro, exigindo-se a fiscalização judicial do MP. 
 
Requisitos para o divórcio, separação, extinção de união estável ou 
alteração do regime do matrimônio 
Petição inicial (CPC, art. 731): 
 Pedido formulado em conjunto, por ambos os cônjuges ou companheiros(as), devendo constar 
expressamente a concordância de ambos aos termos do acordo, e assinatura dos cônjuges ou 
companheiros(as) e seus advogados. 
 Se os cônjuges ou companheiros(as) não souberem assinar ou não puderem fazê-lo, deve se dar por 
meio de procuração por instrumento público ou o expediente da assinatura por terceiro a rogo deles. 
 Não havendo acordo, não será procedida pela jurisdição voluntário consensual, mas sim pela jurisdição 
contenciosa, por haver litígio. 
 Indicação de bens do casal e a forma da partilha. 
 Se não houver consenso sobre partilha, os cônjuges ou companheiros(as) pode relegar para outro 
momento, mas na petição inicial deverá constar a indicação dos bens a partilhar (CPC, art. 731, § único). 
• Partilha posterior seguirá ao procedimento da partilhahereditária (CPC, art. 647 a 658). 
 Não há necessidade de a partilha seja igual a ambos, mas o juiz pode não homologar se entender que 
não preserva suficientemente os interesses de algum deles ou filho(s). 
 Acordo sobre a guarda de filhos menores e ao regime de visitas; valor da pensão alimentícia ou do valor da 
contribuição para a alimentação, criação e educação de fillho(s); e valor da pensão alimentícia de um 
cônjuge ou companheiro(a), que não possuir condições de prover o seu sustento próprio. 
Procedimento judicial do divórcio, separação, extinção de união estável (1/2) 
 Indicação do nome a adotar após, se o nome de casado(a) ou de solteiro(a). 
No silêncio, presume-se o nome de casado(a). 
Após a homologação do acordo, é possível requerimento unilateral da alteração do nome 
para o de solteiro(a), sem a concordância da outra parte. 
• Única cláusula do acordo que pode ser alterada após a homologação judicial. 
 A regulamentação de visita de filho(s) pode ocorrer posteriormente. 
 A pensão de alimentos deve constar na petição inicial, sob pena de presumir-se a sua 
desnecessidade. 
 Documentos necessários a juntada: 
Certidão de casamento ou de pacto antenupcial. 
Certidão de nascimento de filho(s). 
Comprovantes de propriedade de bens, móveis ou imóveis. 
 
Procedimento judicial do divórcio, separação, extinção de união estável (2/2) 
 Na ação de divórcio, separação ou dissolução de união estável, a competência (CPC, art. 53, 
I e alíneas): 
 se houver filho incapaz: foro do domicílio do guardião do filho. 
 caso não haja filho incapaz: competente o juízo do último domicílio do casal. 
 se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal: competente o foro do domicílio 
do réu. 
 caso se trate de vítima de violência doméstica e familiar: competência do domicílio da 
vítima. 
 
 O foro especial para o casal que possui filho menor ou incapaz, não se trata de competência 
absoluta e improrrogável, podendo haver prorrogação quando 
 o próprio guardião do menor abra mão do privilégio e proponha a ação no foro comum do 
outro cônjuge ou companheiro, ou 
 o réu deixar de alegar a incompetência em preliminar de contestação (CPC, art. 65). 
Procedimento judicial do divórcio, separação, extinção de união estável - 
Competência 
 Petição inicial em termos, juiz homologa o pedido e decreta o divórcio, separação, extinção 
de união estável, sem a designação de audiência prévia. 
 Se houver filho(s) menor(es) ou incapaz(es), deverá ser ouvido o MP antes da homologação 
judicial. 
 Homologação judicial poderá ser indeferida pelo juiz se verificar que não estão preenchidos 
os requisitos necessários ou se o acordo firmado não preserva suficientemente os interesses 
de um dos cônjuges ou companheiros(as) ou de filho(s). 
Essas disposições são aplicáveis à extinção consensual de união estável, incluindo as 
homoafetivas, devendo a homologação da sua extinção ser requerida por ambos os 
companheiros (CPC, art. 732). 
 Da sentença que nega a homologação judicial do acordo cabe recurso de apelação. 
 A sentença de homologação será averbada à margem do assento de casamento no Registro 
Civil e, se houver partilha de imóveis, haverá a averbação desta no Registro Imobiliário, após 
o que se torna oponível perante terceiros. 
 No tocante aos alimentos e à partilha, a sentença é título executivo judicial, sendo que no 
inadimplemento voluntário cabe a ação de execução por quantia certa ou para entrega de 
coisa (CPC, arts. 513 e 515, I e IV). 
Homologação judicial do acordo do divórcio, separação, extinção de união 
estável 
Fluxograma – Divórcio e separação consensuais, extinção consensual da 
união estável (arts. 731 a 733) (Jr, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.II. Disponível em: Minha Biblioteca, (56th edição). 
Grupo GEN, 2022. p. 456. 
 Alteração do regime de bens do casamento está previsto no CC, art. 1.639, § 2º, e segue o 
procedimento de jurisdição voluntária previsto no CPC, art. 734. 
 Petição inicial: 
 Pedido formulado em conjunto, por ambos os cônjuges, devendo constar expressamente a 
concordância de ambos aos termos do acordo, e a assinatura de ambos os cônjuges. 
 Deve constar a fundamentação (motivo) da alteração do regime de bens, vez que o CC exige a 
preservação dos direitos de terceiros. 
• Exemplo: não será deferida a alteração se prejudicar direitos dos credores. 
 Petição inicial em termos, o juiz deve mandar 
 Ouvir o MP (participação obrigatória). 
 Publicar edital que divulgue a alteração do regime de bens do casamento do casal. 
 O juiz decidirá, por meio de sentença, após 30 dias da publicação do edital. 
 Contra a decisão judicial, cabe apelação. 
 Efeito “ex nunc”, a partir do trânsito em julgado da sentença de modificação do regime de bens. 
 Transitada em julgado a sentença que defere a alteração de regime de bens, será expedido mandado 
para averbação do novo regime de bens junto ao Cartório de Registro Civil e de Imóveis, e no Registro 
Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, se um dos cônjuges for empresário. 
 
 
Alteração do regime de bens do casamento 
Fluxograma – Alteração do regime de bens do matrimônio (art. 734) (1/2) 
(Jr, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.II. Disponível em: Minha Biblioteca, (56th edição). Grupo GEN, 2022. p. 456. 
Fluxograma – Alteração do regime de bens do matrimônio (art. 734) (2/2) 
(Jr, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.II. Disponível em: Minha Biblioteca, (56th edição). Grupo GEN, 2022. p. 456-457. 
 As pessoas naturais adquirem capacidade para a prática dos atos da vida civil aos 18 anos de idade. 
 Pode ocorrer que, apesar da maioridade, circunstâncias impeçam que a pessoa natural tenha 
condições de gerir os atos da sua vida civil, vez que presentes causas de incapacidade absoluta ou 
relativa. 
 Causas de incapacidade absoluta e relativa, bem como a capacidade absoluta, previstas no CC, arts. 
3º a 5º, a seguir: 
“Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 
(dezesseis) anos. 
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. 
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de 
todos os atos da vida civil.” 
 
 
 
 
 
Interdição – Introdução (1/2) 
 Se a pessoa natural é maior, mas não é capaz, deve ser afastada pela interdição a 
presunção de capacidade absoluta. 
 O objetivo da interdição é declarar a incapacidade da pessoa natural para que passe a 
praticar os atos da civil representado ou assistido, conforme o caso de declaração de 
incapacidade absoluta ou relativa, respectivamente. 
 Marcus Vinicius Rios Gonçalves explica que o “processo de interdição tem por finalidade 
declarar a incapacidade, absoluta ou relativa, daquele que está privado do discernimento 
necessário para praticar sozinho os atos da vida social, ou exprimir a sua vontade”. (Gonçalves, 
Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 781) 
 A sentença que declarar a interdição, especificará se se trata de incapacidade absoluta ou 
relativa (limites da prática dos atos da vida civil) e os da curatela. 
 
 
Interdição – Introdução (2/2) 
 CPC, arts. 747 a 758, trata do procedimento da interdição e da nomeação de curador. 
 Competência relativa: foro do domicílio do interditando, vara de família, se houver, ou vara 
cível comum. 
 Legitimidade: CC, art. 747: 
“Art. 747. A interdição pode ser promovida: 
I - pelocônjuge ou companheiro; 
II - pelos parentes ou tutores; 
III - pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o interditando; 
IV - pelo Ministério Público. 
Parágrafo único. A legitimidade deverá ser comprovada por documentação que acompanhe a 
petição inicial.” 
 A legitimidade do MP limita-se aos casos 
De deficiência mental ou intelectual (CC, art. 1.769) e 
De inexistência ou inércia dos demais legitimados; ou 
Se os demais legitimados forem também incapazes. 
 
 
Interdição – Procedimento: competência e legitimidade 
 Petição inicial deve observar os requisitos do CPC, art. 319, devendo o requerente : 
 Provar por documentos sua legitimidade ativa e sua relação com o interditando. 
 Especificar com clareza os fatos que demonstram a incapacidade do interditando. 
 Esclarecer por que o interditando não tem condições ou discernimento para administrar seus bens e/ou 
para praticar atos da vida civil. 
 Indicar o momento em que a incapacidade se revelou. 
 Juntar laudo médico que comprove as alegações ou de informação sobre a impossibilidade de fazê-lo. 
 Se houver urgência, possível requerer ao juiz a nomeação de curador provisório ao interditando para a 
prática de determinados atos. 
 Se a petição inicial estiver em termos, o juiz designará data para entrevistar o interditando, determinando 
que sua citação e intimação para comparecer à audiência. 
 A entrevista é fundamental para o juiz ter contato direto com o interditando, examiná-lo, tentar apurar o 
grau de seu discernimento, e extrair impressões a respeito de sua conduta, e de sua capacidade. 
 A entrevista é obrigatória, exceto nos casos excepcionais em que não há condições de ser ouvido o 
interditando. 
 Na impossibilidade do interditando deslocar-se à audiência, deve o juiz e o promotor se deslocarem até 
onde ele se encontra. 
 A entrevista pode ser acompanhada por especialista. 
 
 
 
Interdição – Procedimento: petição inicial, citação e entrevista 
 Na audiência em que se realizará a entrevista, o juiz deverá indagar o interditando, de forma 
minuciosa, a respeito de sua vida, negócios, bens, vontades, preferências e laços familiares 
e afetivos, e sobre o que mais lhe parecer necessário para convencer-se a respeito de sua 
capacidade para a prática dos atos da vida civil. 
As perguntas e respostas serão reduzidas a termo. 
A audiência se realiza antes do início do prazo que o interditando tem para impugnar o 
pedido. 
O autor não participa da entrevista. 
O MP deve ser intimado para participar como fiscal da lei, caso não seja autor. 
 O interditando terá prazo de 15 dias após a entrevista, constituindo advogado, para impugnar 
o pedido de interdição. 
Se o interditando não constituir advogado, o juiz nomeará curador especial, caso em que 
seu cônjuge, companheiro ou qualquer parente sucessível poderá ingressar como 
assistente. 
O curador especial poderá apresentar impugnação à pretensão por negativa geral. 
Interdição – Procedimento: audiência de entrevista e impugnação 
 Decorrido o prazo de impugnação, o juiz determinará prova pericial, nomeando especialista 
que examine o interditando e verifique se ele é incapaz e em que grau. 
A perícia pode ser realizada por equipe composta por diversos peritos com formação 
multidisciplinar, quando necessário. 
As partes e o MP podem formular seus quesitos. 
A perícia indicará, de forma específica, os atos para os quais haverá necessidade de 
curatela. 
Outras provas poderão ser produzidas para formar o convencimento do juiz, podendo 
designar audiência de instrução e julgamento, quando da oitiva de testemunhas. 
o O juiz de ofício ou a requerimento dos interessados ou do MP, poderá ouvir o 
interditando novamente. 
 No processo de interdição, vigora o princípio do livre convencimento motivado, razão pela 
qual o juiz pode afastar as conclusões do perito, desde que existam nos autos outros 
elementos de convicção. 
 
Interdição – Procedimento: provas 
 Concluída a instrução, o juiz proferirá sentença, meramente declaratória, fundamentada em 
alguma das causas previstas em lei, pois se limita a declarar uma incapacidade que já 
existia. 
Não é a sentença que torna o interditando incapaz. 
Deve constar na sentença o grau de incapacidade e os limites da curatela, designando o 
curador, preferindo-se que a nomeação recaia sobre quem melhor possa atender os 
interesses do curatelado (CPC, art. 755, § 1º). 
 Objetivo da sentença é declarar a existência do estado de incapacidade do interditando para 
com terceiros de boa-fé em negociar. 
Para dar publicidade à sentença de interdição e à eficácia “erga omnes” (para todos): deve 
ser registrada no Oficial de Registro Civil de Pessoas Naturais e publicada na rede mundial 
de computadores, no sítio do tribunal a que estiver vinculado o juízo e na plataforma de 
editais do CNJ, onde permanecerá por 6 meses, e na imprensa local, bem como pelo 
órgão oficial por 3 vezes, com intervalo de 10 dias, devendo constar do edital o nome do 
interditado, o do curador, a causa da interdição e os limites da curatela. 
 
 
 
 
 
 
 
Interdição – Procedimento: sentença e recursos (1/2) 
 A eficácia da sentença declaratória de interdição é “ex tunc”, retroagindo à data em que se 
manifestou a causa de incapacidade. 
Presunção de incapacidade se já a sentença de interdição já tiver registrada, dispensando 
provas, de forma que o terceiro que negociou com o incapaz não pode alegar boa-fé. 
Se não tiver sido registrada a sentença de interdição, cumpre demonstrar que o terceiro 
que negociou com o incapaz tinha condições de conhecer a incapacidade, seja porque era 
notória, seja porque poderia ser constatada com razoável diligência. 
 Contra a sentença, cabe o recurso de apelação, que se processará sem efeito suspensivo 
(CPC, art. 1.012, VI). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Interdição – Procedimento: sentença e recursos (2/2) 
 A qualquer tempo pode ser requerido o levantamento da interdição, desde que demonstre 
que cessou a causa de incapacidade. 
 Legitimidade para requerer o levantamento da interdição: 
 ao próprio interditando, mesmo se incapaz; 
 ao seu curador; e 
 ao Ministério Público. 
 Procedimento (CPC, art. 756, §§ 1º a 4º): 
Pedido autuado em apenso aos autos do processo de interdição. 
 Juiz nomeia perito ou equipe multidisciplinar para proceder a novo exame do interditando. 
Se necessário, designa audiência de instrução e julgamento. 
o Recomendável que o juiz ouça o interditando, para melhor avaliação. 
Acolhido pedido, a interdição é levantada. 
Sentença será publicada, após o trânsito em julgado (CPC, art. 755, § 3º) 
Averbação no Registro de Pessoas Naturais. 
 
 Caso o 
Interdição – Procedimento: levantamento da interdição 
Fluxograma– Interdição (CPC, arts. 747 a 758) (1/3) 
(Jr, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.II. Disponível em: Minha Biblioteca, (56th edição). Grupo GEN, 2022. p. 502) 
Fluxograma– Interdição (CPC, arts. 747 a 758) (2/3) 
(Jr, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.II. Disponível em: Minha Biblioteca, (56th edição). Grupo GEN, 2022. p. 502) 
Fluxograma– Interdição (CPC, arts. 747 a 758) (3/3) 
(Jr, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.II. Disponível em: Minha Biblioteca, (56th edição). Grupo GEN, 2022. p. 502) 
OBRIGADA 
E 
ATÉ A PRÓXIMA!

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