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vvv GTS_9ANO_PNLD2019_CAPA_PR.indd 3 11/22/18 5:36 PM ELIAN ALABI LUCCI Bacharel e licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Professor em escolas particulares do estado de São Paulo Diretor da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) – seção local Bauru-SP ANSELMO LÁZARO BRANCO Licenciado em Geografia pelas Faculdades Associadas Ipiranga (FAI-SP) Professor em escolas particulares do estado de São Paulo Ex-professor da rede estadual de ensino de São Paulo WILLIAM FUGII Bacharel em Geografia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) Licenciado em Geografia pela Faculdade de Educação da USP Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP Professor em escolas particulares do estado de São Paulo 1a edição – 2018 São Paulo vvv MANUAL DO PROFESSOR PV_GTS_9ANO_PNLD2019_FRONTIS_PR.indd 1 11/22/18 6:32 PM II MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Wagner Nicaretta Coordenação: Jaqueline Paiva Cesar Edição: Cassia Yuka de Andrade Tamura, Beatriz de Almeida Francisco e Mariana Renó Faria (assist. editorial) Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula C. Malfa, Arali Gomes, Brenda T. M. Morais, Carlos Eduardo Sigrist, Claudia Virgilio, Diego Carbone, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Heloísa Schiavo, Luciana B. Azevedo, Marília Lima, Maura Loria, Patricia Cordeiro, Patrícia Travanca, Sandra Fernandez, Vanessa P. Santos; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), Claudio Faustino (coord.) e Filipe Dias (edição de arte) Diagramação: Select Editoração Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Denise Durand Kremer (coord.), Evelyn Torrecilla e Fernando Cambetas (pesquisa iconográfica) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso Sousa e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Aurélio Camilo (proj. gráfico), Flavia Dutra (capa), Gustavo Vanini e Tatiane Porusselli (assist. arte) Foto de capa: EyeEm/Getty Images Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A – Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902 SAC 0800 011 7875 www.editorasaraiva.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento – Bibliotecária – CRB-8/010142 2018 Código da obra CL 820667 CAE 631636 (AL) / 631728 (PR) 1a edição 1a impressão Impressão e acabamento GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 2 11/22/18 6:24 PM IIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Professor, Este livro é dedicado a você. Com ele, você conhecerá melhor a Cole- ção e poderá desfrutar mais dela junto a seus alunos. Mais do que um ma- nual ou guia, ele foi feito para ser seu aliado, servindo como um dentre os diversos materiais e recursos que podem apoiá-lo em sua prática escolar cotidiana. Aqui, você encontrará informações sobre os fundamentos e os prin- cípios que nortearam esta Coleção, seus pressupostos e as metodologias adotadas. Conhecerá a sua estrutura e os recursos que ela oferece para que você possa trabalhar com seus alunos, tendo em vista os diferentes objetivos de aprendizagem. Este livro também oferece recursos para o pla- nejamento, a organização de projetos e pesquisas com os alunos e ava- liações, além de propostas de atividades complementares, textos para o enriquecimento de sua formação e o trabalho com os conteúdos e, sempre que possível, sugestões de leitura (livros e revistas), filmes e sites. Nosso objetivo é oferecer a você um amplo material de apoio, mas sem enrijecer seu trabalho em sala de aula. Dessa forma, esperamos que este livro possa ser um instrumento para apoiar sua prática pedagógica e faci- litar o seu dia a dia na desafiadora tarefa de ensinar, mas que ele também ofereça flexibilidade para que você, sempre que necessário, possa adaptar as propostas e sugestões aqui oferecidas às necessidades e característi- cas de seus alunos. Os autores Apresenta•‹o GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 3 11/22/18 6:24 PM IV MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL ESTRUTURA DO MANUAL DO PROFESSOR ........................................ V ORIENTAÇÕES GERAIS ..........................VII As correntes de pensamento e a Geografia na escola ..............................VII A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o ensino de Geografia no Ensino Fundamental ............................XII Apresentação da Coleção ...................... XVIII Proposta da Coleção .................................XIX Estrutura da Coleção............................... XXII Sugestões metodológicas ................... XXXV A avaliação ............................................ XXXIX Educação inclusiva ....................................XLI Textos de apoio .........................................XLII BIBLIOGRAFIA ................................... XLVII Sum‡rio GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 4 11/22/18 6:24 PM VMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Este Manual do Professor está organizado em três partes. A primeira, Orientações gerais, compreende os aspectos co- muns a todos os volumes da Coleção. A segunda, Orientações específicas, apresenta orientações didáticas e materiais com- plementares para cada volume. A terceira, Material Digital, ofe- rece subsídios para o desenvolvimento das aulas. Convidamos você a ler cautelosamente as Orientações gerais, de modo a fazer o uso mais proveitoso possível da Coleção, e a utilizar as Orientações específicas para planejar suas aulas e projetos, e enriquecer as sugestões propostas nos livros da Coleção. Orientações gerais Nesta parte, são oferecidos os subsídios essenciais para a compreensão dos fundamentos, princípios e estrutura da Co- leção. As informações estão organizadas nos seguintes itens: • As correntes de pensamento e a Geografia na escola – apresenta um breve histórico sobre as bases em que se fundamenta o ensino da Geografia no Brasil, desde o po- sitivismo até a tendência pós-moderna, tendo as contri- buições, por exemplo, da Escola Francesa, da Geografia Crítica e da Humanista. Com esse histórico, esperamos poder auxiliá-lo na compreensão do ensino da Geografia ao longo do tempo, chegando até os dias atuais, em que, na perspectiva de uma sociedade democrática, o domínio de conhecimentos geográficos é fundamental para o exercício da cidadania, de modo consciente e crítico. • A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o ensino de Geografia no Ensino Fundamental – traz uma apresentação desse documento normativo, previsto pela Lei de Diretri- zes e Bases da Educação de 1996. Nessa apresentação, analisamos a ênfase que, em Geografia, o documento dá ao desenvolvimento do raciocínio geográfico, delineamos as Unidades Temáticas e os respectivos Objetos de Co- nhecimento, que, em seu conjunto e com as habilidades, sinalizam a distribuição dos temas de Geografia nos Anos Finais do Ensino Fundamental e apontam, no caso específico das habilidades, os processos cognitivos que devem ser desenvolvidos, de acordo com os verbos presentes em cada habilidade. Além disso, delineamos as Competências Gerais da Educação Básica, das Ciências Humanas e da Geografia, contextualizadas à proposta dos livros desta Coleção. • Apresentação da Coleção – contém informações sobre as principais concepções atreladas ao ensino de Geografia adotadas na obra e a proposta daColeção para que se al- cancem os objetivos definidos na BNCC para os Anos Finais do Ensino Fundamental. • Proposta da Coleção – apresenta os conteúdos trabalha- dos e seus objetivos de aprendizagem, em convergência com as habilidades e competências da BNCC, por meio de temas que permeiam a relação sociedade-natureza e questões globais ocorridas nas últimas décadas. Dá-se destaque, ainda, à integração dos conhecimentos, diante da importância da conexão entre disciplinas e com a reali- dade dos estudantes, bem como à abordagem dos temas contemporâneos, de modo a favorecer a formação crítica e cidadã dos alunos. • Estrutura da Coleção – oferece um panorama da Cole- ção para você conhecer sua organização, com base na estrutura geral e na estrutura dos volumes (por meio de descrição das seções e sugestões de como utilizá-las), além de apresentar os principais conteúdos abordados. • Sugestões metodológicas e A avaliação – contêm ideias para o planejamento das aulas de Geografia e orientações sobre possíveis estratégias para serem usadas por você, para melhor aproveitar os livros desta Coleção, além de uma reflexão sobre formas de avaliação. Orientações específicas As Orientações específicas desta Coleção foram desen- volvidas com o objetivo de apoiá-lo no planejamento e no de- senvolvimento do trabalho com cada um dos volumes. Nela, você encontrará uma descrição detalhada dos objetivos e dos conteúdos das unidades e dos capítulos, além de orientações e sugestões pedagógicas alternativas àquelas apresentadas no Livro do Aluno, auxiliando-o a desenvolver as habilidades e competências da BNCC, estimular o protagonismo dos alunos na aprendizagem, diagnosticar defasagens de aprendizagem dos alunos e também conduzir estratégias de apoio a estes. São fornecidas também sugestões de leitura, filmes e sites pertinentes aos temas, além de textos e atividades comple- mentares. Com isso, você poderá adaptar as propostas à rea- lidade do aluno, seu lugar de vivência e seus interesses. As Orientações específicas desse material estão estruturadas do seguinte modo: • Objetivos da unidade – os objetivos de aprendizagem são apresentados de forma detalhada para que, no dia a dia, as- sim como no momento da avaliação, você possa ter clareza do que se espera dos alunos e da relevância dos conteúdos abordados na obra. Lembre-se sempre da importância de fazer as devidas adaptações para tornar a proposta do livro mais coerente com a realidade local e os diferentes níveis de aprendizagem dos alunos e da escola. ESTRUTURA DO MANUAL DO PROFESSOR GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 5 11/22/18 6:24 PM VI MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL • Apresentação dos conteúdos – você encontrará a descri- ção dos conteúdos, objetivos e habilidades desenvolvidas em cada capítulo. Para facilitar seu planejamento, acom- panhamento e avaliação dos alunos, estarão indicadas as competências desenvolvidas em cada unidade. • Comentários sobre o conteúdo e as atividades – são ex- postos comentários sobre o conteúdo abordado página a página e as atividades de cada seção ou boxe, visando facilitar a organização de seu planejamento e tendo em vista as etapas de desenvolvimento das habilidades e com- petências previstas na BNCC. Muitas vezes, são apresenta- das também reflexões um pouco mais teóricas que podem auxiliá-lo na abordagem do assunto. • Propostas de atividades complementares e de problemati- zação dos conteúdos – para potencializar os conhecimen- tos da turma sobre os assuntos tratados em cada unidade, são apresentadas sugestões de atividades problematiza- doras sobre os principais temas e conceitos abordados. O objetivo dessas atividades é ampliar o trabalho proposto no Livro do Aluno, adaptando-o às necessidades e reali- dades dos alunos. Elas podem ser realizadas em grupo ou individualmente, conforme sua decisão. • Leituras complementares – para ampliar ou sistematizar a compreensão dos assuntos trabalhados, são apresen- tados excertos de textos que podem auxiliá-lo na reflexão, atualização e aprimoramento dos principais temas, catego- rias de análise geográficas e conceitos trabalhados na Edu- cação Básica. Em alguns casos, eles podem ser utilizados para suscitar discussões e debates em sala, ampliando o trabalho com o tema abordado no Livro do Aluno. • Sugestões de material complementar – nessa parte indi- camos sugestões de onde você pode realizar pesquisas complementares (livros, revistas, filmes e sites), visando aprimorar a sua formação e atuação. As indicações aqui fornecidas, de fontes oficiais e autores renomados e con- fiáveis, poderão, sempre que possível, ser incorporadas ao acervo da escola, compondo um conjunto de materiais destinados ao estudo de Geografia. Além disso, nas aberturas de capítulo, no centro do manual em U, ou seja, no conteúdo que corresponde ao Livro do Aluno, são dispostos breves comentários que esclarecem o nexo entre os conhecimentos previamente adquiridos e os novos conhecimentos a serem trabalhados no capítulo, de modo a facilitar o planejamento das aulas. Material Digital O Material Digital é oferecido como um complemento ao trabalho desenvolvido no livro impresso. Este material pre- tende enriquecer o trabalho docente, oferecendo subsídios para o planejamento e o desenvolvimento das aulas, por meio de diferentes recursos pedagógicos. No Material Digital, você vai encontrar: • Planos de desenvolvimento – recurso que tem por obje- tivo explicitar os objetos de conhecimento e habilidades trabalhados em cada bimestre, por meio de sugestões de práticas de sala de aula que corroborem a metodologia adotada pela coleção. • Sequências didáticas – contempla três propostas de se- quências didáticas para cada bimestre, que abordam al- guns dos objetos de conhecimento e habilidades previstos para o período. • Proposta de acompanhamento da aprendizagem – a partir dos conteúdos previstos para cada bimestre, é sugerida uma avaliação, em conformidade com a proposta da co- leção, composta de 10 questões abertas e de múltipla escolha, bem como um gabarito. • Material audiovisual – este material, composto de vi- deoaulas, pretende favorecer a compreensão dos alunos sobre processos, conceitos e princípios e pode servir para o aprofundamento dos estudos, para a síntese de conteúdos estudados no livro impresso e para o estabele- cimento de relações com o contexto de vida do estudante. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 6 11/22/18 6:24 PM VIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL As correntes de pensamento e a Geografia na escola A ciência geográfica, assim como toda ciência, apresenta seu desenvolvimento histórico, tendo ganhado forte impulso a partir do século XIX, quando, após muitos séculos integrando a Ciência e a Filosofia, passou a constituir-se como disciplina. A seguir, procuramos apresentar resumidamente algumas tendências surgidas na disciplina de Geografia e adotadas nos contextos históricos do Brasil. As tendências dominantes no ensino da Geografia no Brasil – breve histórico Um início positivista A Geografia foi introduzida no Brasil como disciplina es- colar em 1837. Foi o Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, então capital federal, a primeira instituição de ensino a adotá-la. Sua difusão pelas escolas brasileiras ocorreu no início do século XX. Recebendo influência de fontes europeias, era dominada pelo positivismo e, dentro dos propósitos políticos do contexto de início do período republicano, disseminava concepções patrióticas. O ensino da Geografia apoiava-se então em livros didáticos voltados ao estudo das regiões que, assumindo a visão lablachiana, eram vistas como espaços que se explica- vam por si mesmos. A Escola Francesa Em 1934, a criação da Universidade de São Paulo (USP), que se deu com a reunião da recém-fundada Faculdade de Filosofia,Ciências e Letras com as demais instituições de ensino superior do estado, abriu lugar no espaço acadêmico para a Geografia. O quadro de docentes dessa faculdade ca- racterizava-se por suas tendências tradicionais, com forte influência da Ecole Française de Géographie (Escola Francesa de Geografia), encabeçada por Paul Vidal de La Blache. Este se opunha ao pensamento do geógrafo alemão Friedrich Ratzel, de cuja linha de pensamento vale aqui fazer uma síntese. Em sua obra Völkerkunde (Etnologia), publicada em 1894, Ratzel defende que, na medida em que habita a Terra, o ser humano está preso a uma dependência essencial em relação à natureza, da qual tem de extrair seus meios de existência 1 Leipzig/Wien: Bibliographisches Institut, 1894. t. 1, p. 100-106. 2 L’année sociologique, Paris, 1898-1899, 1900. p. 3-4. 3 Völkerkunde, cit., t. 1, p. 82. Apud MERCIER, Guy. A região e o Estado segundo Friedrich Ratzel e Paul Vidal de La Blache. Annales de Géographie, n. 583, 1995. Tradução de Guilherme Ribeiro, revisão técnica de Rogério Haesbaert. 4 Paris: Albin Michel, 1998. Edição brasileira: Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990. para se manter e se desenvolver1. Mais tarde, em 1900, Ratzel publicou “Le sol, la société et ĺ Etat” (O solo, a sociedade e o Estado), estudo no qual confirma sua tese de submissão per- manente dos seres humanos ao solo por suas necessidades de sustento e habitação, de modo a modelar suas sociedades em função das condições naturais do meio em que evoluem2. Apesar de ter sido classificado como determinista ambien- tal, o pensamento ratzeliano não estabelece que as condições naturais determinam por si só os modos de vida e de formação das sociedades humanas. Na verdade, Ratzel levava em conta o esforço dos indivíduos e sua maneira de explorar a natureza, além do nível de desenvolvimento dos diferentes grupos que habitam o planeta. Ou seja, para ele, mesmo o ser humano de antigamente, que dependia dos dons da natureza, “certamen- te não asseguraria a alimentação, a casa, a vida, sem esforço”. De todo modo, ele tinha de “dar prova de outra habilidade que propriamente a física”3. Contra essa argumentação, as concepções da chamada École Française de Géographie foram reunidas por Lucien Febvre em sua obra La Terre et l’évolution humaine (A Terra e a evolução humana)4. Deu-se com isso o estabelecimento da chamada teoria possibilista, de acordo com a qual a natureza apenas fornece um conjunto de possibilidades de transforma- ção das paisagens e de evolução dos seres humanos e das sociedades. Assim, o modo de vida das sociedades não resulta das condições oferecidas pelo ambiente, mas do conjunto de técnicas, hábitos e organismos sociais que tornam possível o uso dos recursos naturais que a natureza de determinado lugar disponibiliza. Para essa escola, embora o meio ambiente influencie os seres humanos, é a racionalidade destes que os torna ativos, dando-lhes condições de fazer as modificações e adaptações do meio a fim de satisfazer suas necessidades. A crítica essencial de La Blache e da Ecole Française ao pensamento ratzeliano (Geografia alemã) vai contra o suposto determinismo ambiental nele presente, ou seja, a tese de que a natureza determina as condições sociais, econômicas e tecnológicas de um povo. La Blache realizou profundas descrições regionais, em que procurou demonstrar que as paisagens de uma região refle- tem a intervenção humana e a superposição dos aspectos ORIENTAÇÕES GERAIS GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 7 11/22/18 6:24 PM VIII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL naturais e humanos ao longo da história. Ele defendia que os seres humanos podem interferir na natureza, modificando-a, e vencer os obstáculos impostos pelas condições naturais em determinadas regiões, como uma cordilheira, um deserto, um solo pobre etc. Não obstante, vale observar que, na volumosa obra de La Blache, não são mencionados os já grandes núcleos urba- nos, salvo no que se refere à localização e à topografia, e à presença da indústria, já bastante significativa na paisagem em sua época. Naquele tempo, os estudos da Geografia bus- cavam explicações objetivas e quantitativas da realidade, sob o argumento da neutralidade do discurso científico, portanto distantes de uma politização. Lacoste e a Geografia Crítica Após terem reinado na academia internacional por um bom tempo, os postulados da Ecole Française passaram a ser rigo- rosamente discutidos por outro geógrafo francês. Nos meados da década de 1970, Yves Lacoste dedicou-se a demonstrar o caráter político da Geografia, dando revivescência, na França, ao uso do termo geopolítica. A revista Hérodote, fundada por ele próprio em 1976 e que permanece em circulação até hoje, teve como objetivo em seu início revelar a “face política” da Geografia. Poucos anos antes, Lacoste havia publicado Geografia do subdesenvolvimento5. Essa obra teve, desde então, grande influência nos estudos e no ensino da disciplina no Brasil. Dela resultaram as propostas de tendência marxista que configura- ram a chamada Geografia Crítica, cuja proposta é romper com a ideia da neutralidade da ciência e dar à Geografia o caráter de uma ciência capaz de elaborar uma crítica fundamental à sociedade capitalista por meio do estudo do espaço e das formas de apropriação da natureza, colocando ênfase no en- gajamento político dos geógrafos e defendendo a diminuição das disparidades socioeconômicas e regionais6. Vale ressaltar, no entanto, que os geógrafos Pierre George, Bernard Kayser e Jean Tricart também tiveram uma importância significativa na introdução de uma abordagem crítica na Geografia. O enfoque da Geografia Crítica está nas relações entre a sociedade, o trabalho e a natureza e suas influências na transformação do espaço geográfico. Desse modo, conteúdos políticos relevantes para a formação do cidadão ganharam espaço na Geografia, introduzindo em seu ensino uma nova maneira de interpretar os conceitos de espaço geográfico, lugar, território e paisagem. 5 São Paulo: Difel, 1966. 6 DINIZ FILHO, Luis Lopes. Fundamentos epistemológicos da Geografia. Curitiba: IBPEX, 2009. 7 In: Caminhos da História ensinada. 5. ed. Campinas: Papirus, 1993. p. 37. As ideias marxistas foram amplamente difundidas no Brasil, assim como no resto do mundo, entre fins da década de 1940 e meados da década de 1970, com a revolução Chinesa (1949), a revolução Cubana (1959) e a Guerra do Vietnã (1959-1975). No Brasil, possibilidades de propostas de reformas de nível go- vernamental que, consideradas de caráter socialista, feriam o conservadorismo político, tiveram como reação a implantação do regime militar (1964-1984). Na esfera educacional, viu-se, no período, a valorização de uma abordagem nacionalista voltada à sustentação do governo, que, excluindo conteúdos de Histó- ria e Geografia, juntou as duas disciplinas sob a denominação Estudos Sociais e criou as de Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política Brasileira (OSPB). A “revolução na educação” proposta pelo governo militar visava formar profis- sionais para atender à demanda do mercado. Desse modo, o ensino, a economia e as práticas políticas e culturais ficaram submetidos ao controle centralizador do governo federal. A propósito da ideologia contida na EMC, a educadora Selva G. Fonseca pontua: [...] A nação, a pátria, a integração nacional, a tradição, a lei, o trabalho, os heróis: esses conceitos passaram a ser o centro dos programas da disciplina Educação Moral e Cívica, como também deviam ‘marcar’ o trabalho de todas as outras áreas específicas e das atividades extraclasse com a participação dos professores e das famílias imbuídas dos mesmos ideais e responsabilidades cívicas.7 [...] No início da década de 1980, portanto ainda sob a ditadura, profissionais brasileiros das áreas deGeografia e de História empreenderam uma luta pela reposição de ambas as discipli- nas no currículo escolar em todo o Brasil. A Geografia Crítica, presente em expressivo número de trabalhos acadêmicos do período, fazia parte, no Brasil, do ambiente de luta pela redemocratização do país e pela justiça social. Aos poucos se verificou, no entanto, que, assim como a Geografia Tradicional, ela não levava em conta o aspecto subjetivo da relação humana e da sociedade com a natureza, pois considerava alienante esse ponto de vista. A crise do socialismo real também colocou em xeque essa tendência. De acordo com Márcio Piñon de Oliveira, no final da década de 1980, a Geografia Crítica: [...] começou a apresentar seus primeiros sinais de esgota- mento diante da realidade em transformação, expondo seus limites teórico-metodológicos. A queda do muro de Berlim, o fim da URSS, aliados à crise do marxismo e à falência dos paradigmas da modernidade na explicação da nova realidade GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 8 11/22/18 6:24 PM IXMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL em mudança, inclusive o da teoria social crítica, revolucionam o pensamento e a produção geográfica em todos os sentidos e direções.8 [...] A ênfase sobre um entendimento historicista da sociedade, que se deu a partir da configuração do pensamento marxista na Geografia, trazia a dificuldade de se adequar a linguagem da temporalidade com a da espacialidade (da História com a Geo- grafia). Josefina Gómez de Mendoza, catedrática de Geografia da Universidade Autônoma de Madri, pontua que o próprio Yves Lacoste indicava a dificuldade de apoiar a Geografia em Marx: [...] o raciocínio marxista não basta, em particular, para ga- rantir um fecundo entendimento das estratégias diferenciais sobre o espaço. Aceite-se ou não em toda a sua dimensão a crítica lacostiana ao discurso geográfico marxista, parece indubitável que este supõe um modo de entendimento que, ao centrar toda a sua argumentação nas capacidades de determinação que se atri- buem aos processos historicamente atuantes, está condenado a negar de fato – explícita ou implicitamente – a espacialidade.9 [...] Ainda na interpretação dessa mesma autora, Lacoste as- sinala que: [...] com o enfoque marxista os problemas básicos do en- tendimento geográfico ficam diluídos e não resolvidos em um discurso articulado por – e para – outros domínios do conhe- cimento social, de forma que frequentemente não faz mais que extrapolar, para as estruturas espaciais, interpretações que remetem a estruturas econômicas e sociais, a reflexões da história e da economia política.10 [...] Josefina Gómez observa outra lacuna na concepção dos geógrafos marxistas: a ausência de uma melhor elaboração dos aspectos ecológicos e energéticos dos pontos de vista conceitual e analítico11. Todavia, é perceptível uma evolução da Geografia Crítica, ao notar-se que, sem perder suas carac- terísticas, há uma superação dessa lacuna. Em termos de produção acadêmica, observa-se que uma das características fundamentais nas últimas décadas, na área da Geografia, é a preocupação com as dimensões sub- jetivas da relação humana com a natureza, em que se consi- deram as culturas das sociedades e, desse modo, se diver- sificam as percepções do espaço geográfico e as formas de sua construção. Desse modo, o espaço geográfico passa a ser explicado em sua pluralidade, abrangendo outros campos do 8 Geografia e epistemologia: meandros e possibilidades metodológicas. Revista de Geografia. São Paulo: Unesp, 1997. v. 14. p. 155. 9 MENDOZA, Josefina Gómez. Los radicalismos geográficos. In: MENDOZA, Josefina Gómez et al (Org.). El pensamento geográfico: estúdio interpretativo y antología de textos (de Hum- boldt a las tendencias radicales). Madrid: Alianza, 1982. p. 152-153. 10 Idem, ibidem. 11 Idem, p. 153. 12 São Paulo: Difel, 1980. 13 Geopolítica na virada do milênio: logística e desenvolvimento sustentável. In: GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L.; CASTRO, I. E. (Org.). Geografia: conceitos e temas. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 287. saber, principalmente a Antropologia, a Sociologia, a Biologia e as Ciências Políticas. Geografia Humanista A consideração que o indivíduo tem de suas experiências, seu lugar, suas percepções sobre o espaço de vivência, le- vando em conta as relações pessoais e com a paisagem, é tema central das pesquisas que desenvolveram a Geografia Humanista, principalmente a partir dos anos 1960. Essa pers- pectiva foi influenciada por outros campos do conhecimento, como Psicologia, Antropologia, Sociologia, História, Filosofia, considerando, sobretudo, a fenomenologia. O geógrafo brasileiro Eduardo Marandola Jr., um dos princi- pais estudiosos da Geografia Humanista na atualidade, desta- ca a importância do lugar nos estudos da Ciência Geográfica. Na obra Qual o espaço do lugar?: geografia, epistemologia, fenomenologia, de 2012, enraizamento, identidade, experiên- cia e percepção são termos que perpassam as ideias centrais da Geografia Humanista. Um dos principais pensadores da perspectiva Humanista em todo o mundo é o geógrafo sino-estadunidense Yi-Fu Tuan, autor de Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente12, que tem como foco o estudo das relações, inclusive psicológicas, das pessoas com o ambiente natural ou construído (a topofilia). A tendência pós-moderna Considerando-se o fim da Guerra Fria e o acelerado proces- so de globalização econômica no qual se incluem, em maior ou menor grau, dependendo da região do planeta, as recentes transformações na organização espacial e a nova configura- ção geopolítica, a Geografia carece de uma atualização que dê conta do espaço geográfico da chamada pós-modernidade. Diversos estudos têm surgido nas últimas décadas na tentativa de gerar o que podemos chamar de Geografia da pós-modernidade. A geógrafa brasileira Bertha K. Becker observa que, já des- de a Segunda Guerra Mundial, a ciência e a tecnologia passa- ram a constituir o fundamento do poder, valorizando o espaço a partir de suas diferenças. Esse processo, representado pelas redes transnacionais de circulação e comunicação, permite tanto a globalização como a diferenciação espacial13. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 9 7/6/19 4:39 PM X MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Outro geógrafo brasileiro, Rogério Haesbaert, aponta para vastas áreas do planeta nas quais se verificam graves consequências desse processo modernizador. Ele evidencia a existência de uma massa de despossuídos sem condições de acesso às redes mundiais e sem a menor autonomia para definir seus “circuitos de vida”14. Haesbaert diz, ainda, a propósito, que a desordem dessas massas de excluídos deve-se ao fato de que, em seus aglomerados, se cruza uma multiplicidade de redes e territórios que não permitem definições ou identidades claras, como se o “vazio de sen- tido” contemporâneo reproduzido no sentido sociológico pela polêmica noção de “massa” tivesse sua contrapartida geográfica na noção de “aglomerados humanos de exclu- são”15. Em sua obra Condição pós-moderna16, o geógrafo marxista britânico David Harvey assinala que a compressão do espaço-tempo vivido pela humanidade desde a década de 1970 exige uma mudança em nossos mapas mentais, atitudes e instituições. Todavia, segundo ele, essa transfor- mação não se dá na mesma velocidade das empreendidas no espaço pelo vetor técnico-científico, de modo que há uma defasagem que implica a possibilidade de haver sé- rias consequências no âmbito das mais diversas decisões (financeiras, militares etc.)17. Na referida obra, Harvey explora a contribuição das novas tecnologias, o surgimento da prática da descartabilidade das coisas, o papel do consumo e da moda e a manipulação da opinião e do gosto, apoiada na construção de novos sistemas de signos e imagens18. Os autores mencionados neste item são representativosde uma tendência na qual se inferem novas formas de gestão do espaço geográfico. Os espaços militarizados da Guerra Fria são agora territórios onde impera a competitividade e cujo poder depende do domínio de recursos tecnológicos, e os embates se dão entre locais, além de se verificarem con- flitos entre nações. Desse modo, verifica-se, em nível global, um processo de coesão, de fusão de empresas, de criação de blocos econômicos que geram a ideia de uma unificação, enquanto, em nível local, o que se percebe é um processo de fragmentação em que cada local conta com suas próprias condições para crescer. 14 Desterritorialização: entre as redes e os aglomerados de exclusão. In: GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L.; CASTRO, I. E. (Org.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 166. 15 Idem, p. 186. 16 São Paulo: Loyola, 1993. 17 Idem, p. 275-278. 18 Idem, capítulo 17. 19 In: Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico internacional. São Paulo: Hucitec, 1994. p. 48-49. 20 Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993. Esse novo padrão espacial, de polarização em nível global e de pulverização em nível local, coloca hoje para a Geogra- fia o desafio de analisar a complexa organização espacial presente. Para a definição do espaço geográfico em tempos de globalização, encontramos contribuições de diversos ou- tros autores, entre os quais podemos citar Milton Santos e Edward Soja. Para Milton Santos, o espaço geográfico é produzido de acordo com as demandas de quem o idealiza, para permitir fluir suas necessidades. É um “conjunto indissociável de sistemas de objetos naturais ou fabricados e de ações, deliberadas ou não”. Ao materializar três dos pressupostos da globalização – “a unicidade técnica, a convergência dos momentos e a unicidade do motor” –, o espaço geográfico viabiliza a glo- balização19. O geógrafo estadunidense Edward Soja, analisando a força do historicismo para as ciências modernas, em Geografias pós-modernas: a reafirmação do espaço na teoria social crítica, busca contribuir para a discussão de autores que tentaram fazer o resgate da categoria espaço e para a elaboração de um método que seja, ao mesmo tempo, materialista histórico e geográfico, na medida em que, para ele, espaço e tempo são inseparáveis. Nesse sentido, abrange a dialética socioespacial gramsciana e a noção de espacialidade, tomando o espaço como socialmente produzido, ao mesmo tempo físico, mental e social20. O ensino de Geografia na sociedade democrática No processo de redemocratização do país, o esforço go- vernamental pela democratização na área da educação se consubstancia nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), publicados em 1997, com os quais se propõe a “desideologi- zação” do ensino, mas principalmente a desmistificação da manipulação realizada pelos meios de comunicação de massa. A proposta coaduna-se com o entendimento de uma educação nos diversos níveis de ensino voltada ao objetivo básico, que é claramente a formação de crianças e jovens capacitados para o exercício da cidadania. Sobre o conceito de cidadania, propomos uma reflexão, conforme orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN): GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 10 11/22/18 6:24 PM XIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL [...] a forma como a ideia de cidadania foi tratada no Brasil e, em muitos casos, ainda o é [reveste-se] de uma característica – para usar os termos de Hannah Arendt – essencialmente “so- cial”. Quer dizer: algo ainda derivado e circunscrito ao âmbito da pura necessidade. É comum ouvir ou ler algo que sugere uma noção de cidadania, como “acesso aos bens e serviços de uma sociedade moderna”, discurso contemporâneo de uma época em que os inúmeros movimentos sociais brasileiros lu- tavam, essencialmente, para obter do Estado condições de exis- tência mais digna, do ponto de vista dominantemente material. Mesmo quando esse discurso se modificou num sentido mais “político” e menos “social”, quer dizer, uma cidadania agora compreendida como a participação ativa dos indivíduos nas decisões pertinentes à sua vida cotidiana, esta não deixou de ser uma reivindicação que situava o político na precedência do social: participar de decisões públicas significava obter direitos e assumir deveres, solicitar ou assegurar certas condições de vida minimamente civilizadas. Em um contexto marcado pelo desenvolvimento de formas de exclusão cada vez mais sutis e humilhantes, a cidadania aparece hoje como uma promessa de sociabilidade, em que a escola precisa ampliar parte de suas funções, solicitando de seus agentes a função de mantenedores da paz nas relações sociais, diante das formas cada vez mais amplas e destrutivas de violência. Nessa perspectiva e no cenário em que a escola de Educação Básica se insere e em que o professor e o estu- dante atuam, há que se perguntar: de que tipo de educação os homens e as mulheres dos próximos 20 anos necessitam, para participarem da construção desse mundo tão diverso? A que trabalho e a que cidadania se refere? Em outras palavras, que 21 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC/SEB/Dicei, 2013. p. 18-19 [grifos nossos]. 22 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. 5a a 8a séries. Geografia. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 23-24. 23 Idem, p. 24. sociedade florescerá? Por isso mesmo, a educação brasileira deve assumir o desafio de propor uma escola emancipadora e libertadora. [...]21 No tocante ao ensino de Geografia, as posturas adotadas nos PCN deram conta da necessidade de, aproveitando-se as contribuições da Geografia Tradicional (positivista) e da Geografia Crítica (marxista), introduzir os avanços al- cançados na disciplina, destacando-se as contribuições da Geografia Humanista ou Geografia da Percepção. Segundo o documento: Uma das características fundamentais da produção acadê- mica da Geografia dos últimos tempos foi o surgimento de abordagens que consideram as dimensões subjetivas e, por- tanto, singulares dos homens em sociedade, rompendo, assim, tanto com o positivismo como com o marxismo ortodoxo. [...]22 Para o mencionado rompimento, os PCN propuseram, pou- co adiante, que o professor desenvolvesse com o aluno: Uma Geografia que não seja apenas centrada na explicação empírica das paisagens, tampouco pautada exclusivamente pela explicação política e econômica do mundo; que trabalhe tanto as relações socioculturais da paisagem como os elemen- tos físicos e biológicos que dela fazem parte, investigando as múltiplas interações, entre eles estabelecidas na constituição dos lugares e dos territórios. [...]23 Foi com esses pressupostos que iniciamos nossa reflexão sobre o papel da Geografia na escola, em especial, neste caso, no Ensino Fundamental. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 11 11/22/18 6:24 PM XII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o ensino de Geografia no Ensino Fundamental Homologada em dezembro de 2017, a Base Nacional Co- mum Curricular é um documento normativo, que já estava previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, e que define um conjunto de aprendizagens essenciais pro- gressivas a serem alcançadas pelos estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental no Brasil. Orientada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Edu- cação Básica (DCN), a BNCC visa, sobretudo, a uma formação integral dos estudantes, que contribua para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Esse documen- to passa a alicerçar a produção de currículos e as práticas pedagógicas dos componentes curriculares. No que se refere ao ensino de Geografia, ao enfatizar a im- portância e acentralidade do desenvolvimento do raciocínio geográfico para a análise das interações entre sociedade e natureza em diferentes escalas, contextos e épocas, a BNCC contribui para o debate e o movimento de renovação da Geo- grafia escolar, estimulando cada vez mais as práticas peda- gógicas cuja finalidade seja superar a aprendizagem baseada em memorização e simples descrição de aspectos físicos e sociais de realidades distantes daquela que o aluno vive. Ao proporcionar aos alunos contextos, discussões e prá- ticas que favorecem a aplicação do raciocínio geográfico, o desenvolvimento do pensamento espacial, a capacidade de resolução de problemas, a construção de argumentos, a aná- lise de processos e da relação entre sociedade e natureza em tempos e espaços distintos, a Geografia pode contribuir com a formação de cidadãos conscientes da diversidade e dos desafios existentes no mundo, estimulando-os a agir com au- tonomia e responsabilidade, de modo a tomar decisões éticas para solucionar problemas cotidianos. Descrição dos princípios do raciocínio geográfico para a análise dos fenômenos geográficos PRINCÍPIOS DO RACIOCÍNIO GEOGRÁFICO PARA A ANÁLISE DOS FENÔMENOS LOCALIZAÇÃO Posição, absoluta ou relativa, de um objeto na superfície terrestre. DISTRIBUIÇÃO Disposição de objetos e fenômenos pelo espaço. ANALOGIA Comparação de fenômenos e processos e identificação de semelhanças e diferenças entre eles. ORDEM Estruturação ou ordenamento do espaço conforme determinações da sociedade que o produziu. EXTENSÃO Dimensão ou proporção de um fenômeno no espaço. DIFERENCIAÇÃO Variação de atributos de um fenômeno em diferentes áreas. CONEXÃO Interação e articulação entre fenômenos geográficos próximos ou distantes. Fonte: elaborado com base em BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 358. Visando atender aos objetivos do ensino da Geografia, a BNCC estabelece um conjunto de habilidades que os es- tudantes devem desenvolver ao longo de cada etapa da Educação Básica. Essas habilidades apresentam uma pro- gressão de complexidade e estão vinculadas a objetos de conhecimento, organizados em cinco unidades temáticas para os Anos Finais do Ensino Fundamental apresentadas a seguir. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 12 11/22/18 6:24 PM XIIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL A unidade temática o sujeito e seu lugar no mundo se es- trutura ao longo dos quatro anos de modo a ampliar as noções dos alunos sobre o lugar onde vivem (identidade), os modos de vida de diferentes sociedades (alteridade), as características e dinâmicas da população mundial e a hegemonia cultural europeia. Por sua vez, conexões e escalas intitulam outra unidade temática, cujo objetivo é assegurar, durante os Anos Finais do Ensino Fundamental de Geografia, a análise e a articulação de fatos, situações e processos naturais, sociais, políticos, econômicos e culturais nas escalas local, regional e global para explicar as intervenções do ser humano na natureza e na sociedade. Já a unidade temática mundo do trabalho visa estimular a compreensão sobre como as atividades e o trabalho humano transformam o espaço geográfico e exploram os recursos naturais, reconhecendo diferentes processos produtivos e a importância dos objetos técnicos e do desenvolvimento tec- nológico na dinâmica socioeconômica e nas condições de vida e trabalho da população. As formas de representação e pensamento espacial tam- bém se constituem como uma unidade temática e estabele- cem um feixe de objetos do conhecimento e habilidades que visam desenvolver o raciocínio espaço-temporal pela lingua- gem cartográfica e gráfica, além de estimular a interpretação e a elaboração de representações diversas, reconhecendo-as como instrumentos de análise de dados e informações para a produção do conhecimento geográfico. Por fim, a unidade temática natureza, ambientes e qua- lidade de vida organiza objetos de conhecimento e habili- dades que objetivam identificar e explicar componentes e processos físico-naturais, reconhecendo diferentes modos de apropriação dos recursos naturais e impactos socioam- bientais observados nesse processo. Nesta coleção, contemplamos na proposta teórico- -metodológica as habilidades descritas pela BNCC para cada um dos Anos Finais do Ensino Fundamental, buscando abor- dar os objetos de conhecimento, os processos cognitivos previstos em cada verbo, bem como os contextos e as espe- cificações contidas na redação de cada habilidade, de modo a favorecer a apreensão de conhecimentos, a capacidade de aprender a partir do raciocínio geográfico, a formação de atitu- des e valores e a promoção de reflexões e o estímulo a práticas de intervenção nos lugares de vivência do aluno. A proposta teórico-metodológica desta Coleção também articula o desenvolvimento de habilidades ao trabalho com as Competências Gerais da Educação Básica, das Ciências Humanas e da Geografia. Segundo o documento: [...] Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades O sujeito e seu lugar no mundo Conexões e escalas Mundo do trabalho Formas de representação e pensamento espacial Natureza, ambiente e qualidade de vida Fonte: elaborado com base em: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 382-393. Objetos de conhecimento: 6o ano: identidade sociocultural. 7o ano: ideias e concepções sobre a formação territorial do Brasil. 8o ano: distribuição da população mundial e deslocamentos populacionais; diversidade e dinâmica da população mundial e local. 9o ano: a hegemonia europeia na economia, na política e na cultura; corporações e organismos internacionais; as manifestações culturais na formação populacional. Objetos de conhecimento: 6o ano: relações entre os componentes físico- -naturais. 7o ano: formação territorial do Brasil; características da população brasileira. 8o ano: corporações e organismos internacionais e do Brasil na ordem econômica mundial. 9o ano: integração mundial e suas interpretações: globalização e mundialização; a divisão do mundo em Ocidente e Oriente; intercâmbios históricos e culturais entre Europa, Ásia e Oceania. Objetos de conhecimento: 6o ano: transformação das paisagens naturais e antrópicas. 7o ano: produção, circulação e consumo de mercadorias; desigualdade social e trabalho. 8o ano: os diferentes contextos e os meios técnico e tecnológico na produção; transformações do espaço na sociedade urbano-industrial na América Latina. 9o ano: transformações do espaço na sociedade urbano- -industrial; cadeias industriais e inovação no uso dos recursos naturais e matérias- -primas. Objetos de conhecimento: 6o ano: fenômenos naturais e sociais representados de diferentes maneiras. 7o ano: mapas temáticos do Brasil. 8o ano: cartografia: anamorfose, croquis e mapas temáticos da América e África. 9o ano: leitura e elaboração de mapas temáticos, croquis e outras formas de representação para analisar informações geográficas. Objetos de conhecimento: 6o ano: biodiversidade e ciclo hidrológico; atividades humanas e dinâmica climática. 7o ano: biodiversidade brasileira. 8o ano: identidade e interculturalidades regionais: Estados Unidos da América, América espanhola e portuguesa e África; diversidade ambiental e as transformações nas paisagens na América Latina. 9o ano: diversidade ambiental e as transformações nas paisagens na Europa, na Ásia e na Oceania. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 13 11/22/18 6:24 PM XIV MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercícioda cidadania e do mundo do trabalho.24 [...] Vale destacar também outro trecho do documento que explicita a importância do desenvolvimento das competências: O conceito de competência, adotado pela BNCC, marca a discussão pedagógica e social das últimas décadas e pode ser inferido no texto da LDB, especialmente quando se estabele- cem as finalidades gerais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio (Artigos 32 e 35). [...] 24 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 8. 25 Idem, p. 13. Ao adotar esse enfoque, a BNCC indica que as decisões pe- dagógicas devem estar orientadas para o desenvolvimento de competências. Por meio da indicação clara do que os alunos devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, sobretudo, do que devem “sa- ber fazer” (considerando a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas com- plexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho), a explicitação das competências oferece referências para o fortalecimento de ações que assegurem as aprendizagens essenciais definidas na BNCC.25 As Competências anteriormente mencionadas são repro- duzidas nos quadros a seguir. COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA (CGEB) 1. Conhecimento Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Pensamento científico, crítico e criativo Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Repertório cultural Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também parti- cipar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Comunicação Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Cultura digital Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significa- tiva, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Trabalho e projeto de vida Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentação Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência so- cioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Autoconhecimento e autocuidado Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Empatia e cooperação Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Responsabilidade e cidadania Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 9-10./Movimento pela Base e Center for Curriculum Redesign. Dimensões e Desenvolvimento das Competências Gerais da BNCC. Disponível em: <http://movimentopelabase.org.br/biblioteca>. Acesso em: 13 set. 2018. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 14 11/22/18 6:24 PM XVMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (CECHEF) 1. Identidade e alteridade Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 2. Mundo social, cultural e digital Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhe- cimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo. 3. Responsabilidade e cidadania Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social. 4. Pensamento crítico e científico e empatia Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 5. Fenômenos no tempo e no espaço Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocor- ridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados. 6. Argumentação Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 7. Raciocínio espaço-temporal Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão. Elaborado com base em: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 355. COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (CEGEF) 1. Conhecimento geográfico Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas. 2. Conexões temáticas Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história. 3. Raciocínio geográfico Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípiosde analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem. 4. Pensamento espacial Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de dife- rentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas. 5. Investigação e conhecimento científico Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia. 6. Argumentação Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza. 7. Responsabilidade e cidadania Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determi- nação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. Elaborado com base em: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 364. Os principais aspectos destas Competências podem ser desenvolvidos nas diversas propostas de atividades da Cole- ção. Também é possível articular o trabalho com as Competên- cias Gerais e Específicas de Ciências Humanas e de Geografia nas seções Projeto especial, Geografia e Arte, Para integrar, Para conhecer mais e Contraponto, que propõem, dependendo da abordagem de cada uma, atividades em grupo, elaboração de seminários, expressão de opiniões, contato com diferentes linguagens, atividades interdisciplinares, pesquisa e amplia- ção do conhecimento. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 15 11/22/18 6:24 PM XVI MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Em relação às Competências Gerais 1 e 2 e à Competência Específica de Geografia 1, ligadas ao processo de aquisição do conhecimento, a organização da obra favorece a articulação dos conhecimentos prévios do aluno, mobilizados na abertura de unidade e de capítulo (seção Para começar), com os conhe- cimentos adquiridos (seção Para sistematizar e também Para fechar), propiciando a retomada do percurso de aprendizagem e a reflexão sobre como ocorre a construção do conhecimento, ampliando a consciência do aluno sobre o processo de estudar e aprender. Além disso, as atividades do boxe Explore, que aparece ao longo dos capítulos, estimulam o protagonismo do aluno no processo de aquisição do conhecimento ao explora- rem a análise, a leitura e a interpretação dos recursos visuais e de aspectos importantes desenvolvidos no texto teórico. A Competência Geral 3, que estabelece a importância da construção do repertório cultural dos alunos, pode ser de- senvolvida principalmente a partir da seção Geografia e Arte, a qual articula relações entre manifestação cultural, socieda- de e as artes com base na leitura de obras de arte, poemas, imagens e outros recursos relacionados ao tema principal e ao conhecimento geográfico abordado na unidade. O trabalho com essa Competência Geral pode ser vinculado ao desenvol- vimento das Competências Específicas de Ciências Humanas 1 e 4, tendo em vista que o aumento do repertório cultural dos alunos favorece atitudes de respeito à pluralidade de culturas, promoção dos direitos humanos e valorização dos saberes, das potencialidades e identidades de grupos sociais. O desenvolvimento da Competência Geral 5, relacionada à compreensão, uso e criação de tecnologias de informação e comunicação também é favorecido na proposta teórico-meto- dológica desta Coleção, tendo em vista que, segundo a BNCC: [...] As experiências das crianças em seu contexto fami- liar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas. O estímulo ao pen- samento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comu- nicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza [...]26. Em vários momentos do desenvolvimento do conteúdo, especialmente em atividades das seções Para sistematizar e Projeto especial, o aluno é convidado a pesquisar e acessar 26 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 56 [grifo nosso]. informações na internet, além de debater, na seção Contra- ponto, mudanças sociais promovidas ou estimuladas pelos avanços tecnológicos e pelas dinâmicas do meio técnico-cien- tífico e informacional. A construção da argumentação é uma competência que se apresenta nas três listas de competências: Gerais da BNCC 7; Específicas de Ciências Humanas 6; e Específicas de Geografia 6. A principal diferença entre elas reside na fonte de conhecimentos a serem mobilizados na argumentação: de modo mais abrangente, espera-se que o estudante argumente com base em fatos, dados e informações confiáveis; assim como construa argumentos com base nos conhecimentos de Ciências Humanas e também utilize informações geográficas. Nesta Coleção, a seção Contraponto, presente em todas as unidades, privilegia o desenvolvimento dessas Competên- cias, apresentando recursos textuais e visuais diversificados como apoio para a seleção e classificação de informações, o reconhecimento, a análise e a inferência de pontos de vista sobre o assunto em estudo e, por fim, a elaboração ou defesa de uma opinião, a tomada de decisão ou ainda a formulação de uma proposta decisória. Ao longo das etapas de estudo dos Anos Finais, o aluno é estimulado a desenvolver a argumenta- ção para se posicionar diante de questões globais relevantes debatidas na atualidade, como deslocamentos populacionais no mundo, igualdade de gênero e de oportunidades, mudança climática, erradicação da pobreza, ampliando sua consciência socioambiental e de direitos humanos. O desenvolvimento do protagonismo do aluno e de suas ati- tudes cidadãs, expresso na redação da Competência Geral 4, na de Ciências Humanas 3 e na Competência Específica de Geografia 7, é incentivado, sobretudo, nas atividades práti- cas das seções Para sistematizar e Projeto especial e Geo- grafia e Arte. Entendemos que o estudo da Geografia e a construção do conhecimento geográfico requer a observação e a inves- tigação constante da realidade construída cotidianamente, tendo em mente que as paisagens resultam da dinâmica da vida em sociedade, da busca dos seres humanos pela sobre- vivência e satisfação de suas necessidades, explorando os recursos naturais. A celeridade e a profundidade das mudanças ocorridas no mundo no final do século XX e início deste século obrigam a uma análise que leve à compreensão destas mudanças e da configuração da realidade e à construção de outra relação do ser humano com o meio natural e de outra postura no meio social. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 16 11/22/18 6:24 PM XVIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Nesse processo, alteraram-se as noções de tempo e espaço e intensificou-se o ritmo de transformação das paisagens. Durante algum tempo, acreditou-se que o desenvolvimento científico e tecnológico seria suficiente para elevar as con- dições de vida de toda a humanidade a novos patamares de bem-estar. Essa crença foi destruída pelo panorama de um mundo em que as desigualdades, tantoentre as camadas de uma população quanto entre países ou continentes, tornam-se cada vez mais profundas. Em decorrência da globalização, a vida das pessoas passou a ser afetada por decisões e fatos ocorridos no mundo todo. Cresce a complexidade das relações, seja entre o ser humano e a natureza ou entre Estados-nação. Por ser a área do conhecimento que estuda e investiga essas relações, a Geografia tem lugar privilegiado na constru- ção, pelo aluno, do conhecimento do espaço historicamente produzido. E o estudo da Geografia é fator fundamental na formação de um aluno cidadão, na medida em que lhe permite apropriar-se desse conhecimento e compreender criticamente sua realidade, com suas diferenças, semelhanças e desigual- dades, bem como agir pela construção de um mundo mais ético, justo e solidário. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 17 11/22/18 6:24 PM XVIII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Apresentação da Coleção Os quatro volumes desta Coleção são resultado de muitos anos de magistério, de várias conversas com colegas profes- sores, de inúmeros contatos durante palestras proferidas por todo o Brasil, de diversas sugestões e estímulos recebidos de professores pelos correios tradicional e eletrônico. Neles também procuramos incorporar propostas para o ensino de Geografia nos Anos Finais do Ensino Fundamental, apresen- tadas nas DCN e na BNCC e estar atualizado quanto a termos pedagógicos, conceituais e de informação. Apesar de elaborada a partir dessa ampla experiência, é importante ressaltar que esta Coleção reflete as vivên- cias, as concepções e o posicionamento dos autores sobre o ensino de Geografia. Isso significa que nenhum educador pode prescindir da sua experiência e de seu conhecimento sobre a realidade local, individual e particular de sua turma e aluno. A Coleção visa, portanto, ser um instrumento de auxílio ao professor, mas não descarta – e tampouco desme- rece – a atuação ativa dos educadores e estudantes. Nesse sentido, os textos, orientações, dicas e encaminhamentos aqui apresentados visam ser um auxílio para que o colega professor possa traçar um percurso de aprendizagem para seus alunos. A ideia da Coleção é proporcionar o conhecimento do es- paço geográfico como um espaço dinâmico, fruto tanto dos fenômenos naturais quanto das intervenções humanas (po- líticas, sociais, econômicas e culturais). Com esse intuito, procuramos realizar uma abordagem analítica dos processos que organizam e transformam o espaço geográfico e estrutu- ram novas territorialidades. Buscamos, também, oferecer uma visão ampla dos temas, sem, contudo, pretender esgotá-los, e respeitar a cognição dos alunos desse segmento e dessa faixa etária. Nesse sentido, é o professor quem deve fazer a seleção dos conteúdos que deverão ser mais explorados, pela atualidade ou proximidade com o cotidiano dos alunos. Essa ampliação pode ser feita a partir das inúmeras seções ofere- cidas nos volumes do aluno ou das dicas e complementos ofe- recidos nas Orientações específicas do Manual do Professor. Com a preocupação de oferecer ao aluno instrumentos que o ajudem a compreender o mundo em que vive e suas transformações, pressuposto para o exercício da cidadania, exploramos as principais categorias de análise geográfica – paisagem, lugar, espaço geográfico, território, região –, além de outros conceitos importantes para a análise espacial, como tecnologia, relações sociais, poder, política, Estado e trabalho. Na Coleção também privilegiamos o estudo cartográfico, por meio de propostas de leitura, interpretação, compreensão, comparação, análise, crítica e elaboração de diferentes tipos de representação cartográfica. Essas categorias e conceitos são abordados ao longo dos quatro volumes da Coleção e trabalhados de modo a aproxi- má-los da realidade vivida pelos alunos. Realidade esta que pode ser tanto a vivida presencialmente, no que diz respeito, por exemplo, a sua rua, a seu bairro ou a seu município, como aquela de que os estudantes tomam conhecimento pelos inúmeros meios de comunicação e mídias existentes, como a televisão, a internet, os jornais, as revistas, entre outros, podendo, nestes momentos, questionar ideias e estereótipos veiculados por estes. Buscando outras possibilidades de análise e compreensão que possam auxiliar a dar conta da complexidade dos assun- tos discutidos, utilizamos conhecimentos e contribuições de outras ciências, como a História, a Economia, a Biologia, a Antropologia, a Sociologia, a Matemática e a Arte. Além disso, diversos temas e conteúdos geográficos são trabalhados com a preocupação de ampliar e mostrar para o aluno suas relações com outras disciplinas e áreas do conhecimento. Quanto aos aspectos visuais da obra, privilegiamos uma diagramação em que o texto principal é acompanhado de bo- xes, atividades e imagens de diversas tipologias (fotografias, mapas, gráficos, tabelas, infográficos, obras de arte). Esses elementos foram distribuídos de forma equilibrada, visando propiciar leveza e estimular a leitura e os estudos. Nosso objetivo final é que, com a seleção dos temas, com o tratamento dado aos conteúdos e a maneira como foram abordados e com as reflexões e atividades propostas, o aluno se torne capaz de adquirir e elaborar conhecimentos de modo a atuar no mundo, visando dar sua contribuição para o desen- volvimento de relações mais justas e solidárias entre os seres humanos e de práticas sustentáveis para o meio ambiente. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 18 11/22/18 6:24 PM XIXMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Proposta da Coleção Nas Orientações específicas deste Manual, explicitamos os conteúdos trabalhados e seus respectivos objetivos. É im- portante destacar que esses conteúdos, assim como seus objetivos, são abordados considerando também as habilida- des e competências a serem desenvolvidas, de acordo com a BNCC. Dessa forma, você terá as ferramentas necessárias para o planejamento, o acompanhamento e a avaliação do processo ensino-aprendizagem. Ao final do curso de Geografia do Ensino Fundamental, espera-se que o aluno seja capaz de: • reconhecer o mundo contemporâneo em sua diversidade, aplicando o raciocínio geográfico para explicar as dinâmi- cas de construção e transformação das paisagens, dos lugares e dos territórios; • identificar e avaliar as ações das pessoas em sociedade e suas consequências em diferentes espaços e tempos, de modo a construir referenciais que possibilitem uma partici- pação propositiva e reativa nas questões socioambientais locais e também regionais; • analisar a dinâmica da natureza em suas múltiplas rela- ções, reconhecendo a importância da biodiversidade; • compreender a espacialidade e a temporalidade dos fenô- menos geográficos estudados em suas múltiplas dinâmi- cas e interações; • compreender que as melhorias nas condições de vida, os direitos políticos, os avanços tecnológicos e as transforma- ções socioculturais são conquistas ainda não usufruídas por todos os seres humanos e, dentro de suas possibilida- des, empenhar-se em democratizá-las; • reconhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para compreender a paisagem, o território e o lugar, identificando relações, problemas e contradições dos processos sociais, econômicos, políticos e culturais; • compreender a importância das diferentes linguagens na leitura da paisagem, como as imagens, a música e a lite- ratura de dados e de documentos de diferentes fontes de informação, de modo a interpretar, analisar e relacionar conhecimentos sobre o espaço; • utilizar a linguagem cartográfica e gráfica para obter in- formações e representar a espacialidade dos fenômenos geográficos; • valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a socio- diversidade, reconhecendo-os como direitos dos povos e indivíduos e como elementos de fortalecimentoda de- mocracia27. 27 Idem, p. 35. Por entendermos que o estudante não é um mero receptor de conhecimentos, tomados como definitivos, e considerando a dinâmica intrínseca da Geografia como ciência e disciplina escolar, a Coleção visa proporcionar momentos em que o alu- no possa refletir e externar opiniões e comparações entre o aprendido e o vivido. As relações sociedade-natureza, aspecto fundamental do estudo e da pesquisa na Geografia, são trabalhadas ao longo da abordagem de diversos conteúdos, com destaque para os tópicos que tratam da Geografia física, da sustentabilidade e da urbanização, sobre os quais os alunos podem começar a refletir desde muito cedo. Para orientá-los no estabelecimento dessas relações entre sociedade e natureza e na reflexão sobre elas, ao longo do texto explicativo e, sobretudo, junto a mapas, fotogra- fias, tabelas e gráficos, são propostas algumas reflexões. Dessa maneira, visamos também tornar mais dinâmico o processo de aprendizagem, instigando os alunos a participar mais ativa e criticamente da construção dos conhecimentos. Temas relativos à revolução técnico-científica, aos blocos econômicos, às relações internacionais e à globalização são desenvolvidos ao longo da Coleção, incorporando as transfor- mações pelas quais nossa sociedade tem passado nas últimas décadas e apoiando o estudante na compreensão acerca das questões globais e do espaço em que ele vive e atua. Nas seções que iniciam cada unidade e cada capítulo, pro- curamos despertar a atenção e a curiosidade do aluno para o assunto que será estudado. Recursos textuais e visuais são utilizados para introduzir o tema de cada capítulo. Eles são acom- panhados de questões que podem ser utilizadas em sala de aula, para verificar conhecimentos prévios ou complementar problematizações, ou ser resolvidas em casa pelos alunos, de- pendendo das necessidades específicas deles e do professor. Ao final de cada unidade, encaminhamos uma reflexão a respeito das discussões e dos conhecimentos levantados no início dos estudos, levando alunos e professores a reconhecer os avan- ços obtidos e, se for o caso, as defasagens ainda existentes, dando-lhes a oportunidade de retomá-las para serem sanadas. Embora o trabalho interdisciplinar, com temas transversais e com textos e imagens de diferentes tipologias (canções, poemas, textos jornalísticos, mapas, gráficos, fotografias, charges), perpasse a obra como um todo, na Coleção criamos seções especiais (Para integrar, Para compreender, Geogra- fia e Arte e Projeto especial) para esse trabalho. Ao destacar alguns procedimentos e temas em seções, nosso objetivo é fazer um trabalho sistematizado que garanta a formação ne- cessária aos alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 19 11/22/18 6:24 PM XX MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Quanto à organização das unidades e dos capítulos, sua sequência foi estruturada de modo a possibilitar uma me- lhor integração dos conteúdos, permitindo ao aluno ampliar e aplicar conceitos desenvolvidos anteriormente. Além disso, quando julgamos necessário e oportuno, sugerimos retomar conteúdos já trabalhados antes, frequentemente com recados para o professor. Integração dos conhecimentos Para priorizar a formação integral do estudante, os edu- cadores defrontam-se com a necessidade de desenvolver um trabalho pautado na integração dos conhecimentos. Com isso, procura-se evitar um mero acúmulo de informações des- conectadas da realidade dos estudantes, privilegiando-se a construção de uma visão crítica dos eventos, fenômenos e processos e dando-lhes condições de atuar local, regional e globalmente embasados em valores éticos e socioambientais. Trans, pluri, inter ou disciplinaridade? O que esses conceitos têm a nos ensinar? [...] Para Basarab Nicolescu (2000, p. 17)28, em seu artigo “Um novo tipo de conhecimento: transdisciplinaridade”, a disci- plinaridade, a pluridisciplinaridade, a transdisciplinaridade e a interdisciplinaridade são as quatro flechas de um único e mesmo arco: o do conhecimento. Enquanto a multidisciplinaridade expressa frações do co- nhecimento e o hierarquiza, a pluridisciplinaridade estuda um objeto de uma disciplina pelo ângulo de várias outras ao mesmo tempo. Segundo Nicolescu, a pesquisa pluridisciplinar traz algo a mais a uma disciplina, mas restringe-se a ela, está a serviço dela. A transdisciplinaridade refere-se ao conhecimento próprio da disciplina, mas está para além dela. O conhecimento situa- -se na disciplina, nas diferentes disciplinas e além delas, tanto no espaço quanto no tempo. Busca a unidade do conhecimento na relação entre a parte e o todo, entre o todo e a parte. Adota atitude de abertura sobre as culturas do presente e do passado, uma assimilação da cultura e da arte. O desenvolvimento da capacidade de articular diferentes referências de dimensões da pessoa humana, de seus direitos, e do mundo é fundamento básico da transdisciplinaridade. De acordo com Nicolescu (p. 15), para os adeptos da transdisciplinaridade, o pensamento clássico é o seu campo de aplicação, por isso é complementar à pesquisa pluri e interdisciplinar. A interdisciplinaridade pressupõe a transferência de mé- todos de uma disciplina para outra. Ultrapassa-a, mas sua 28 In: NICOLESCU, Basarab et al. (Orgs.). Educação e transdisciplinaridade. Brasília: Unesco, 2001. p. 13-29. 29 NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das múltiplas inteligências. São Paulo: Érica, 2001. 30 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC/SEB/Dicei, 2013. p. 28. finalidade inscreve-se no estudo disciplinar. Pela abordagem interdisciplinar ocorre a transversalidade do conhecimento constitutivo de diferentes disciplinas, por meio da ação didá- tico-pedagógica mediada pela pedagogia dos projetos temá- ticos. Estes facilitam a organização coletiva e cooperativa do trabalho pedagógico, embora sejam ainda recursos que vêm sendo utilizados de modo restrito e, às vezes, equivocados. A interdisciplinaridade é, portanto, entendida aqui como abor- dagem teórico-metodológica em que a ênfase incide sobre o trabalho de integração das diferentes áreas do conhecimento, um real trabalho de cooperação e troca, aberto ao diálogo e ao planejamento (Nogueira, 2001, p. 27)29. Essa orientação deve ser enriquecida, por meio de proposta temática trabalhada transversalmente ou em redes de conhecimento e de apren- dizagem, e se expressa por meio de uma atitude que pressu- põe planejamento sistemático e integrado e disposição para o diálogo.30 [...] No contexto da educação dos ensinos fundamental e mé- dio, a interdisciplinaridade constitui um dos desafios mais importantes. Embora ela norteie as novas propostas educa- cionais em todo o mundo, existe ainda, na prática, certa difi- culdade em sua aplicação. De um lado, concordamos que o ensino disciplinar didatiza, organiza e se faz necessário. Isso porque os conhecimentos produzidos por diversos grupos humanos ao longo de séculos (em diferentes momentos e espaços) são amplos, diversos e específicos. De outro lado, porém, sabemos que não existe uma área ou disciplina capaz de abarcar toda a gama de co- nhecimentos e informações sobre determinado assunto e que somente a interpenetração de conhecimentos das diversas áreas possibilita compreender a realidade e a forma como um evento, fenômeno, processo ou assunto se apresenta, o que torna o ensino interdisciplinar fundamental. O conhecimento integrado e contextualizado permite que os alunos estabe- leçam conexões com suas experiências de vida, evitando a transmissão mecânica e desprovida de sentido, o que leva os alunos, no geral, à falta de envolvimentoe ao desinteres- se. Faz-se, portanto, necessário aplicar diversas abordagens integradoras dos conhecimentos, de modo a tornar os co- nhecimentos escolares mais interessantes e desafiadores aos alunos. Reproduzir um modelo interdisciplinar, sobretudo nos Anos Finais do Ensino Fundamental, todavia, envolve inúmeros de- safios e requer mudanças. Apesar disso, não podemos ficar re- féns das dificuldades. Concordamos com Heloísa Luck, quando afirma que a interdisciplinaridade no contexto do ensino é: GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 20 11/22/18 6:24 PM XXIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL [...] o processo que envolve a integração e engajamento de educadores, num trabalho conjunto, de integração das disci- plinas do currículo escolar entre si e com a realidade, de modo a superar a fragmentação do ensino, objetivando a formação integral dos alunos, a fim de que possam exercer criticamente a cidadania, mediante uma visão global de mundo e serem capazes de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual.31 [...] No ensino da Geografia, as possibilidades para a realização de estudos e trabalhos interdisciplinares são frequentes. Po- demos afirmar, em certa medida, que a interdisciplinaridade é a essência da Geografia, já que esta se ocupa de uma con- vergência dialética de perspectivas, na relação natureza-so- ciedade que produz o espaço geográfico. No desenvolvimento histórico da ciência, o conhecimento viu-se compartimentado, gerando discussões exaustivas sobre o objeto de estudo de cada um de seus compartimentos. Nesse processo, a ciência geográfica não só abrangia os conhecimentos das chamadas ciências naturais e ciências sociais como também enveredou pelos mais diversos caminhos relacionados à sua gênese. Nesta Coleção, como pressupõe sua própria essência, a Geo- grafia lança mão dos conhecimentos produzidos nas demais disciplinas no tratamento de seus diversos temas. Conteúdos da Economia, da Antropologia, da Sociologia, da História e de outras áreas se articulam no texto principal. Além disso, tanto no Livro do Aluno como nas Orientações específicas do Manual do Professor, são oferecidas sugestões de atividades e uma seção (Para integrar) em que são apresentadas as relações da Geografia com outras áreas do conhecimento e disciplinas, como Ciências, Língua Portuguesa, Matemática, Arte e Inglês. Dessa forma, ao estudante explicitam-se a complementarida- de e a importância de outras áreas para a compreensão das dinâ- micas naturais, sociais, econômicas e políticas em seu espaço de vivência; ao educador descortinam-se caminhos e possibilidades para um planejamento de ensino envolvendo colegas de outras áreas, o que em última instância pode contribuir para a elaboração do projeto pedagógico da escola, em que se preze o propósito de trabalhar a descompartimentação do conhecimento. Temas contemporâneos Lidar com questões concernentes à vida do aluno e à so- ciedade em que ele está inserido é uma das funções sociais da escola, de modo que cabe a ela vincular os conteúdos às necessidades da sociedade, seja em contextos locais ou mais amplos, tornando a aprendizagem significativa. De acordo com a BNCC: 31 Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológicos. 6. ed. São Paulo: Vozes, 1994. p. 64. 32 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 19-20. [...] cabe aos sistemas e redes de ensino, assim como às esco- las, em suas respectivas esferas de autonomia e competência, incorporar aos currículos e às propostas pedagógicas a abor- dagem de temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma transversal e integradora. [...] Na BNCC essas temáticas são contempladas em habilidades dos componentes curriculares cabendo aos sistemas de ensi- no e escolas, de acordo com suas especificidades, tratá-las de forma contextualizada.32 [...] Vale salientar que a abordagem dos temas contemporâ- neos perpassa todo o ensino, do Fundamental ao Médio, em todas as disciplinas. Não há, portanto, um momento específico para introduzi-los como tópico do texto principal. Ao contrário, deve-se integrar, sempre que possível, as diversas áreas entre si nas mais diversas práticas e vivências educativas, de modo a favorecer a formação de atitudes cidadãs e conscientes da complexidade da vida em sociedade. A BNCC destaca os seguintes temas contemporâneos: direitos da criança e do adolescente, educação para o trânsito, educação ambiental, educação alimentar e nutricional, processo de enve- lhecimento, respeito e valorização do idoso, educação em direi- tos humanos, educação das relações étnico-raciais e ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, saúde, vida familiar e social, educação para o consumo, educação financeira e fiscal, trabalho, ciência e tecnologia, e diversidade cultural. Nesta Coleção, esses temas contemporâneos são traba- lhados de modo contextualizado ao longo dos conteúdos e estão presentes em diversos momentos (texto principal, lei- turas complementares, seções e atividades). Eles aparecem, ainda, nas Orientações específicas deste Manual, como base para a realização de atividades complementares e projetos de pesquisa. Nesses momentos, você poderá oferecer condições para os alunos construírem uma postura mais propositiva diante desses temas, ou seja, passando de uma atitude in- teiramente reflexiva para outra, prática, com base em expe- riências e desafios que vivenciam no cotidiano. Em diversos momentos, as atividades e os projetos propostos estimulam a discussão de temas contemporâneos e a participação ativa dos estudantes em exposições, campanhas e outros tipos de evento, possibilitando também o envolvimento de colegas das outras turmas e de toda a comunidade escolar (funcionários da escola, familiares, moradores e comerciantes locais etc.). Estimulam, ainda, o bom uso dos equipamentos dos espaços públicos, como museus, praças, bibliotecas, entre outros. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 21 11/22/18 6:24 PM XXII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Estrutura da Coleção A seguir, mostramos como os livros estão organizados (sua estrutura, seções e objetivos) e apresentamos em linhas gerais as características básicas de cada um dos quatro volumes da Coleção. Com esse panorama, você poderá fazer um planejamento mais adequado para cada ano letivo, bem como para a área de Geografia dos Anos Finais do Ensino Fundamental. Como os livros estão organizados Os livros da Coleção estão organizados em unidades temáticas (seis unidades por volume), que se subdividem em capítulos. As unidades e os capítulos são organizados em seções com objetivos específicos. A seguir, descrevemos essa organização e os objetivos de modo a orientá-lo no planejamento das aulas e no uso dos livros da Coleção. As unidades Abertura No início de cada unidade temática, imagens de grande impacto visual relacionadas ao tema central da unidade são apresen- tadas em uma dupla de páginas. É apresentada uma breve introdução, junto a um levantamento dos principais conteúdos que serão abordados e de questões de interpretação e, principalmente, de verificação dos conhecimentos prévios dos alunos. Com isso, estes podem compartilhar o que sabem sobre os principais temas da unidade e você pode ampliar os conhecimentos sobre o repertório de sua turma, favorecendo o processo de aprendizagem. As atividades desta seção podem ser feitas em casa e depois retomadas em sala de aula ou ser totalmente realizadas du- rante as aulas, ficando a decisão a seu critério. O importante é que os conhecimentos e as impressões iniciais dos alunos sejam socializados em classe. Uma sugestão pedagógica é fazer um mural na sala de aula, onde serão anotados as ideias e os conhe- cimentos iniciais dos alunos.Desse modo, durante o estudo da unidade, eles vão revendo e complementando o mural, conforme os conhecimentos adquiridos. Essa estratégia, simples e visual, possibilita montar um tipo de “mapa do conhecimento” para cada tema, orientando os alunos na conscientização de seu aprendizado, bem como da importância dos estudos para melhor compreensão do mundo. 156 157 Nesta unidade você vai estudar Ásia: diversidade, desenvolvimento e conflitos 4UNIDADE Muçulmanos visitam a Mesquita do Profeta, Masjid al Nabawi, segunda mais sagrada do Islã, na cidade de Medina (Arábia Saudita), 2017. Todos os anos, milhares de fiéis de todo o mundo peregrinam até essa cidade. A peregrinação a Meca e a Medina, durante o mês sagrado de Dhu al-Hija, é um dos pilares do islamismo. Vista de Varanasi, uma das cidades mais antigas e religiosas do mundo, às margens do rio Ganges (Índia), 2018. Os rios, em geral, são considerados sagrados para os hindus, praticantes do hinduísmo. Paisagens e características fí sico-naturais da Ásia Modos de vida e formas de ocu- pação e uso da Terra na Ásia Aspectos populacionais, políticos, econômicos e am- bientais de países asiáticos Tensão, confl itos e disputas territoriais no continente A Ásia é o continente mais extenso e mais populoso do planeta e corresponde quase à terça parte das terras emersas. Abriga cerca de 60% da população mundial. O extenso território – do Mediterrâneo ao Pacífi co e do Índico ao mar Glacial Ártico – e a grande população, com diferentes culturas e religiões, explicam os varia- dos contrastes e as diferentes realidades encontrados no continente. 1. A Ásia é um continente bastante rico em termos de variedade de paisagens humanizadas e elementos da natureza. O que você sabe sobre esses aspectos? 2. Que informações você tem sobre os contrastes sociais e econômicos no continente asiático? 3. Quais confl itos e disputas territoriais atuais na Ásia você conhece? A B De Visu/Shutterstock F it ri a R a m li /S h u tt e rs to c k GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 22 11/22/18 6:24 PM XXIIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Para fechar Ao final da unidade, questionamentos e propostas de reflexão ligadas aos temas da abertura são apresentados. Dessa forma, os alunos têm a oportunidade de rever concepções e ideias iniciais, reforçando-as ou re- visando-as. Esse tipo de exercício é um recurso eficaz para mostrar aos estudantes o seu crescimento e o valor do aprendizado, constituindo um importante reforço para o processo ensino-aprendizagem. Além disso, pode ser uma ferramenta ao professor, como um dos possíveis instrumentos de avaliação dos alunos. É importante lembrar que as atividades propostas ao final de cada capítulo, as que estão entremeadas ao texto principal e as que acompanham mapas, tabelas, imagens, histogramas, gráficos e textos, além das presentes nas diversas seções, também permitem a avaliação da evolução do aluno. Contraponto Presente em todas as unidades, esta seção tem como objetivo o desen- volvimento da argumentação dos alunos. Ela apresenta textos opinativos e recursos visuais com diferentes abordagens ou opiniões sobre determinado tema para análise e interpretação. Essa abordagem estimula os estudantes a reconhecerem diferentes pontos de vista sobre um assunto, fazerem infe- rências e a se posicionarem diante de questões relacionadas à temática em discussão, estimulando a formação de opinião individual e a construção de argumentos. O encaminhamento das atividades pode favorecer debates e discussões em sala de aula, também associados aos temas contemporâneos, alguns presentes na BNCC (entre eles: educação ambiental; educação em direitos humanos; educação das relações étnico-raciais; e ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena), possibilitando ao professor avaliar o desenvolvimento de habilidades e competências dos estudantes. 153Capítulo 9 A Rússia e a CEI Para sistematizar Retomar 1. Responda às questões a seguir sobre a Rússia. a) Há vários conflitos dispersos no país. Quais são os principais motivos desses conflitos? b) Quais foram as principais mudanças provocadas pela transição da economia planificada (socialis- ta) para a economia de mercado (capitalista)? 2. A desintegração política e econômica da antiga União Soviética resultou na formação de 15 no- vos países, que acabaram herdando os velhos problemas do socialismo soviético. Sobre esse fato, responda às questões a seguir. a) Quais são as condições sociais e econômicas dos novos países? b) Se considerarmos o excessivo controle esta- tal sobre a economia no período do socialismo, como essas novas repúblicas poderiam sobre- viver com a economia independente, ou seja, descentralizada? 3. Imagine que você esteja viajando pela ferrovia Tran- siberiana, indicada no mapa da página 150. Com base nas informações deste capítulo sobre o rele- vo, a indústria e a distribuição da população dessa área, escreva um relato de viagem, lembrando-se de que o percurso de Moscou até Krasnoyarsk dura sete dias. Para fechar • No início desta unidade você analisou fotografias sobre a sociedade e a economia da Europa, além de uma característica de sua natureza. Com os colegas e o professor, fez também análises sobre as reali- dades socioeconômicas e ambientais do continente europeu. Agora, faça o que se pede. a) Indique o tipo climático predominante na Europa, as suas duas variações e as principais diferenças entre essas variações. b) Cite e explique dois exemplos de relação sociedade-natureza no continente europeu, nos quais os impactos ambientais são minimizados e a sociedade acaba se beneficiando economicamente. c) Apresente dois problemas ambientais na Europa e explique o que tem sido feito para remediá-los. d) Por meio de um breve texto, caracterize o nível de desenvolvimento dos países da Europa, conside- rando, inclusive, as suas diferenças e particularidades, sobretudo em relação à industrialização. Exercitar 4. Observe o cartum. • Na sua opinião, o que o cartunista quis expressar? 5. Pesquise em jornais e revistas notícias sobre a si- tuação socioeconômica e a questão das minorias étnicas na Rússia. Compartilhe as informações com os colegas. © S a n ti a g o /A c e rv o d o c a rt u n is ta Cartum do artista Santiago. 232 Unidade 5 Ásia: Japão, Tigres, China e Índia Atividades Contraponto Índia × China Leia o trecho do texto a seguir. China vai passar bastão do crescimento para Índia (e isso é bom) O crescimento econômico da China passou dos 14% em 2007, mas já era a metade disso em 2016: 6,7%, o mais baixo em 26 anos. Já a Índia ultrapassou a marca dos 7% também em 2016 e se tornou a grande economia do mundo que mais cresce, posto onde deve continuar. “O polo econômico do crescimento global se moveu nos últimos anos da China para a vizinha Índia, onde provavelmente ficará ao longo da próxima década”, diz uma publicação recente do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard. [...] A previsão atual é de crescimento médio anual de 4,41% na China e 7,72% na Índia até 2025. Só Ugan- da cresceria mais (7,7%), só que partindo de uma base bem mais baixa. O Brasil não está tão mal: subiu 5 posições no ranking de complexidade e tem projeção de crescimento médio anual de 4,23% até 2025. [...] Os pesquisadores de Harvard notam que a perspectiva positiva da Índia vem do potencial de diversi- ficar sua base de exportação para setores mais complexos como químicos, veículos e eletrônicos. Além disso, a Índia tem a maior população rural e o maior setor informal entre as grandes econo- mias, e a urbanização e formalização devem multiplicar oportunidades (especialmente com um governo reformista como o atual). A Índia também tem um mercado de 1 bilhão de pessoas com um perfil demográfico relativamente favorável comparado a um mundo que envelhece rapidamente. A consultoria [...] previurecentemente que em 2050 os Estados Unidos terão sido desbancados pela Índia, hoje em terceiro, no ranking das maiores economias do mundo em paridade de poder de compra. No caso da China, a decadência relativa não é uma má notícia – afinal, o país já tem a segunda maior economia do mundo em dólares [...]. “A taxa de crescimento chinesa precisa desacelerar porque ela já tem uma base enorme, e a física torna simplesmente impossível crescer mais, a não ser que todos os países em desenvolvimento subita- mente comecem a crescer de forma tão robusta quanto ela”, diz [...] Ann Lee, ex-professora da Universi- dade de Pequim [...] A questão é, basicamente, crescer melhor ao invés de crescer mais. [...] “Os objetivos reais devem ser crescimento mais lento e garantir maior consumo e melhor distribuição de renda, tanto por classe quanto por região. O gasto em bem-estar social precisa crescer mais rápido do que a economia como um todo. A questão chave é como financiar isso”, diz [...] David Goodman, diretor de Estudos Chineses na Universidade de Xi’an Jiaotong-Liverpool em Suzhouo. CALEIRO, João Pedro. China vai passar bastão do crescimento para Índia (e isso é bom), 23 jul. 2017. Exame. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/economia/china-vai-passar-bastao-do-crescimento-para-india-e-isso-e-bom>. Acesso em: 3 out. 2018. 1. Quais são as evidências utilizadas pelos pesquisadores para projetar a Índia como polo econômico do crescimento global pelas próximas décadas? 2. Qual é o argumento utilizado no texto para a defesa da perspectiva positiva em relação à desaceleração do crescimento econômico chinês? GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 23 11/22/18 6:24 PM XXIV MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Geografia e Arte Ao final das unidades pares, há uma seção que associa a Arte (nas suas mais diferentes manifestações) aos temas trabalhados pela ciência geográfica. Além do desenvolvimento de habilidades de observação, interpretação e análise dos diferentes recursos artísticos propostos, esta seção possibilita o aumento do repertório cultural dos alunos, o que é o primeiro passo para o respeito e a valorização da cultura dos diferentes povos. A exploração dessa seção fica mais interessante se feita em grupos, promovendo uma maior troca entre os estudantes e o desen- volvimento da responsabilidade e das habilidades de trabalho em equipe, entre outras. Outra sugestão é que ela seja feita como tarefa para casa e apenas sua síntese apresentada em sala de aula. No entanto, você é livre para decidir o melhor encaminhamento dela. Projeto especial Presente no final das unidades ímpares, esta seção traz projetos que estimulam a aquisição de conhecimentos, de métodos de estudo, de estratégias cognitivas, além de promover o trabalho cooperativo e a transposição de conhecimentos. O estudante também poderá ampliar suas fontes de referência para pesquisa e estudo do tema tratado na unidade. Da mesma forma que a seção Geografia e Arte, sugerimos que ela seja feita em grupos e como trabalho para casa, sendo finalizada com uma apresen- tação dos trabalhos dos grupos para a turma ou para a comunidade escolar. 81Geografia e Arte Manifestações artísticas e do poder mundial80 Unidade 2 Geopolítica mundial Geografia e Arte Manifestações artísticas e do poder mundial Mestres da guerra Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam 1. Relacione a canção “Rosa de Hiroshima” aos efeitos da exposição do ser humano à radiação nuclear. 2. Muitas ameaças e disputas relativas ao desenvolvimento nuclear ainda existem. Cite exemplos de países cujos programas nucleares configuram ameaças estratégicas inseridas na geopolítica atual. 3. Em sua opinião, quem são os “mestres da guerra” mencionados na segunda canção? 4. Interprete os seguintes versos: “Vocês apertam os gatilhos / Para os outros atirarem” e “Vocês inci- taram o pior medo / Que pode ser lançado / Medo de trazer crianças / Ao mundo”. Atividades A partir de meados do século XX, o mundo passou por diversas transformações políticas, econômi- cas, tecnológicas, entre outras, que modificaram as paisagens dos territórios dos países e as relações entre a sociedade e a natureza e entre as pessoas e a configuração do espaço geográfico em diferentes escalas – da local à global. Nesse contexto, diversas manifestações artísticas despontaram denunciando vários aspectos desse jogo de forças, que acaba afetando, direta ou indiretamente, milhões de seres humanos. Nesta seção, são apresentadas duas letras de canções que exemplificam esse cenário. A primeira delas é um poema de Vinicius de Moraes, relativo ao ataque nuclear na cidade de Hiroshi- ma, no Japão, em 1945 (observe as fotografias desta página). Muitos historiadores afirmam que, mais do que um marco do fim da Segunda Guerra, a bomba de Hiroshima assinalou o início das ameaças nucleares e disputas armamentistas que se concentraram entre os Estados Unidos e a União Soviética no período da Guerra Fria. A segunda letra é de autoria do músico estadunidense Bob Dylan e faz parte do álbum The Freewheelin, de 1963. O título original, em inglês, é “Masters of War”. A letra foi composta no contexto geopolítico da bipolarização do poder mundial – a Guerra Fria –, mas sua mensagem continua apropriada ao período subsequente, como crítica permanente aos interesses das grandes potências e aos demais países que se confrontam por diferentes motivos no atual cenário político-militar internacional. Rosa de Hiroshima Venham vocês, mestres da guerra Vocês que constroem todas as armas Vocês que constroem os aviões mortais Vocês que constroem todas as bombas Vocês que se escondem atrás de paredes Vocês que se escondem atrás de mesas Eu só quero que saibam Que sou capaz de ver através de suas máscaras Vocês que nunca fizeram outra coisa A não ser construir para destruir Vocês se divertem com o meu mundo Como se ele fosse seu brinquedinho Vocês colocam uma arma na minha mão E se escondem de vista E se viram e correm para longe Quando as balas rápidas voam Como Judas no passado Vocês mentem e enganam Uma guerra mundial pode ser vencida Vocês querem que eu acredite Mas eu vejo pelos seus olhos Eu vejo pelos seus cérebros Como eu vejo através da água Que escorre pelo ralo Vocês apertam os gatilhos Para os outros atirarem Então, vocês se sentam e assistem Quando a contagem de mortos aumenta Vocês se escondem em suas mansões Enquanto o sangue de jovens Jorra de seus corpos E é enterrado na lama Vocês incitaram o pior medo Que pode ser lançado Medo de trazer crianças Ao mundo Por ameaçarem meu bebê Que ainda não nasceu e não tem nome Vocês não valem o sangue Que corre em suas veias [...] DYLAN, Bob. Masters of War. In:______. The Freewheelin. Warner/Chappell Music, Blossom Music, Kinney Music Ltd., 1963. 1 CD. (Tradução feita pelos autores especialmente para esta obra.) MORAES, Vinicius. Vinicius de Moraes: poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976. p. 265. Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A antirrosa atômica Sem cor, sem perfume Sem rosa sem nada Cidade de Hiroshima, em 2018, mostrando o mesmo local da imagem acima, onde foi mantida a estrutura da prefeitura e construído o Parque Memorial da Paz. U n iv e rs a l H is to ry A rc h iv e /G e tt y I m a g e s Cidade de Hiroshima destruída após o lançamento da bomba atômica pelos Estados Unidos, em agosto de 1945. Nessa estrutura bastante danificada funcionava a prefeitura da cidade. b e e b o y s /S h u tt e rs to c k Projeto especial 51Projeto especial Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)50 Unidade 1 O espaço mundial Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) A tecnologia desempenha papel decisivo no sucesso ou no fracassode uma região dentro da concorrência da economia global. Segundo o sociólogo Manuel Castells, a capacidade tecnológica de um país, uma região ou uma área econômica deve ser considerada a partir da base científica do processo pro- dutivo, das vantagens em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), da utilização adequada das novas técnicas, da eficiente gestão administrativa, dos recursos humanos necessários à inovação tecnológica e da difusão das inovações por toda a rede de interação econômica. Em razão dos custos elevados, os centros de pesquisa estão concentrados em algu- mas áreas e no interior de algumas grandes empresas. Outra fonte de competitividade na economia global é a capacidade política dos Esta- dos ou de blocos supranacionais de criar vantagens para as empresas sediadas em seus territórios. Observe as duas tabelas a seguir. A primeira mostra os quinze países do mundo que mais solicitaram registro de patentes entre 2014 e 2016. A segunda mostra as vinte empre- sas que mais registraram patentes em 2016. Depois, faça as atividades propostas. Mundo: os quinze países que mais solicitaram registro de patentes – 2014-2016 Posição País Número de registros 2016 (% em relação ao total) 2014 2015 2016 1 China 928.177 1.101.864 1.338.503 42,8 2 Estados Unidos 578.802 589.410 605.571 19,4 3 Japão 325.989 318.721 318.381 10,2 4 Coreia do Sul 210.292 213.694 208.830 6,7 5 Alemanha 65.965 66.893 67.899 2,2 6 Índia 42.854 45.658 45.057 1,4 7 Rússia 40.308 45.517 41.587 1,3 8 Canadá 35.481 36.964 34.745 1,1 9 Austrália 25.956 28.605 28.394 0,9 10 Brasil 30.342 30.219 28.010 0,9 11 Reino Unido 23.040 22.801 22.059 0,7 12 México 16.135 18.071 17.413 0,5 13 França 16.533 16.300 16.218 0,5 14 Irã 13.802 14.279 15.632 0,5 15 Hong Kong, China 12.542 12.212 14.092 0,4 Total 2.366.218 2.561.208 2.802.391 89,5 Fonte: WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION (WIPO). World Intellectual Property Indicators 2015; World Intellectual Property Indicators 2016; World Intellectual Property Indicators 2017. Disponível em: <http://www.wipo.int/publications/en/series/index.jsp?id=37>. Acesso em: 20 set. 2018. Mundo: vinte empresas que mais registraram patentes – 2016 Posição Empresas País de origem Quantidade de registros 1 ZTE Corporation China 4.123 2 Huawei Technologies Co., Ltd. China 3.692 3 Qualcomm Incorporated Estados Unidos 2.466 4 Mitsubishi Electric Corporation Japão 2.053 5 LG Electronics Inc. Coreia do Sul 1.888 6 Hewlett-Packard Development Co. Estados Unidos 1.742 7 Intel Corporation Estados Unidos 1.692 8 BOE Technology Group Co., Ltd. China 1.673 9 Samsung Electronics Co., Ltd. Coreia do Sul 1.672 10 Sony Corporation Japão 1.665 11 Telefonaktiebolaget LM Ericsson Suécia 1.608 12 Microsoft Technology Licensing, LLC Estados Unidos 1.528 13 Robert Bosch Corporation Alemanha 1.274 14 Sharp Kabushiki Kaisha Japão 1.205 15 Panasonic Intellectual Property M. Japão 1.175 16 Shenzhen China Star Optoelectronics Technology Co., Ltd. China 1.163 17 Siemens Aktiengesellschaft Alemanha 1.138 18 Koninklijke Philips Electronics N.V. Holanda 1.137 19 Halliburton Energy Services, Inc Estados Unidos 1.097 20 Olympus Corporation Japão 1.077 Fonte: WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION (WIPO). World Intellectual Property Indicators, 2017. Disponível em: <http://www.wipo.int/branddb/en/#>. Acesso em: 28 jun. 2018. Atividades 1. Segundo o sociólogo Manuel Castells, o que é a capacidade tecnológica de um país? 2. Qual é a outra fonte de competitividade na economia global? 3. Analisando a primeira tabela, é possível avaliar a evolução dos países no período considerado. Que país apresentou o maior crescimento? 4. Em relação ao item anterior, considerando seus conhecimentos sobre o assunto, apresente justificati- vas para a evolução desse país. 5. Analisando e comparando as informações das duas tabelas, a quais conclusões é possível chegar? 6. Em grupo, pesquisem em livros, revistas, jornais e na internet alguns dos avanços nas áreas de ciência e tecnologia obtidos pelos primeiros cinco países da segunda tabela. Vocês poderão pesquisar projetos científicos ou produtos inovadores e diferenciados desenvolvidos nas áreas de saúde, educação, comu- nicação e tecnologia. Escrevam um texto explicando a procedência e a importância desses avanços. Se possível, insiram imagens (fotografias ou desenhos). Leiam os textos produzidos para todos na sala e conversem sobre eles. 7. Que tal usar o mesmo procedimento para pesquisar a capacidade tecnológica do nosso país? Produza um painel sobre avanços nas áreas de ciência e tecnologia obtidos pelos Brasil. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 24 11/22/18 6:24 PM XXVMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Os capítulos Além do texto básico, os capítulos são compostos de diferentes recursos. Isso possibilita um ensino mais dinâmico e orien- tado, além de oferecer-lhe uma maior autonomia na adaptação do material à realidade e à necessidade de sua turma. Ao longo do texto, elaboramos comentários que poderão auxiliá-lo nas discussões e no trabalho com as atividades, além de, em alguns casos, fornecer informações complementares ou sugestões de pesquisa. Abertura Os capítulos são iniciados com uma seção intitulada Para começar, em que combinamos recursos visuais (fotografias, mapas, gráficos, tabelas, infográfi- cos, charges) e/ou textuais (trechos de livros, revistas, jornais, poemas, letras de música) com atividades a serem desenvolvidas em sala, ficando a seu crité- rio realizá-las oralmente ou por escrito. Por meio delas, e tomando por base as orientações oferecidas, você poderá conduzir reflexões sobre os conteúdos que serão tratados no capítulo e, ao mesmo tempo, verificar os conhecimentos prévios dos alunos. Vale lembrar que é importante deixá-los opinar, argumentar e trocar ideias, criando condições para que desenvolvam habilidades como observação, comparação, reflexão, discussão, análise e interpretação. Com isso, procuramos propor situações didáticas voltadas para o levantamento de hipóteses dos alunos, permitindo que eles mobilizem aquilo que já sabem e, posteriormente, confrontem esse conhecimento com os conteúdos tratados no capítulo. Texto principal Com linguagem e abordagem adequadas à faixa etária a que se destina, o texto principal desenvolve os temas e conceitos em seus vários aspectos, de forma analítica e gradativa. Dele fazem parte: • recursos visuais variados – ilustrações, fotografias, tabelas, gráficos, mapas, esquemas, acompanhados, sempre que necessário, de legenda explicativa e que contextualiza ou articula o recurso ao texto; • boxe Explore – questionamentos ao longo do capítulo que visam a análise, leitura e interpretação de recursos visuais ou de algum aspecto importante abordado no texto. Dessa maneira, busca-se tornar o aluno um participante ativo do processo ensino-aprendizagem, em vez de um mero receptor de conteúdos; • Boxe glossário – explicações e definições que facilitam a compreensão de termos técnicos ou de pouca familiaridade do estudante, próximas às pa- lavras destacadas no texto, sem que seja necessário interromper a leitura; • indicações de materiais complementares – sugestões de livros, sites e filmes relacionados aos temas tratados para que o aluno amplie seu conhecimento sobre eles. Você pode usar essas indicações para aprofundar o trabalho com temas de maior interesse e/ou para ajudar os estudantes a superar dificuldades específicas, personalizando os estudos. É importante destacar que a lista de indicações, embora abrangente, não cobre, obviamente, toda a gama de recursos existentes para complementar os temas tratados. Nesse sentido, pode ser interessante que os próprios estudantes, com sua ajuda, complementem as sugestões apresentadas na Coleção. 225Capítulo 14 Índia CAPÍTULO Índia14 Leia o trecho da reportagem e observe a fotografia. [...] Atualmente, a Índia é a terceira maior economia do mundo, com pretensões de alcançar o segundolugar em poucos anos. [...] o modelo voltado para o con- sumo agrada ao povo indiano e por isso, ao invés de vez de adotar a estratégia asiática clássica de crescimento, isto é, exportação de bens manufaturados de baixo custo e mão de obra intensiva para o Ocidente, o país resolveu concentrar- -se em seu mercado interno, e em serviços e produtos de alta tecnologia. Isso ajudou o país a se isolar das crises financeiras internacionais e manter um grau de estabilidade em sua economia. Em 2014, a Índia vivenciou uma das melhores taxas de crescimento dos fluxos de investimentos es- trangeiros diretos e melhorou sua posição no índice global das economias mais competitivas do mundo, conforme o Fórum Econômico Mundial. No entanto, o país ainda precisa enfrentar alguns fatores proble- máticos que dificultam a possibilidade de se realizar negócios na Índia como a corrupção, a instabilidade política, a inflação e o acesso ao financiamento. [...] CAMPOS, André S. A dimensão global da política externa indiana. Mundorama – Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais. Disponível em: <https://www. mundorama.net/?p=19184>. Acesso em: 8 ago. 2018. Converse com os colegas e o professor. 1. De acordo com o texto, como o modelo de crescimento econômico da Índia se diferencia da estratégia asiática clássica? 2. A abordagem do texto e os aspectos sociais retratados na fotografia carac- terizam a Índia como uma terra de contrastes? Explique, retomando seus co- nhecimentos sobre as características dos países em desenvolvimento. 3. Na sua opinião e considerando seus conhecimentos sobre nível de desenvol- vimento dos países, para manter seu ritmo de crescimento econômico eleva- do, a Índia tem de estender os benefícios da prosperidade a todas as camadas da sociedade? Por quê? Para começar Barracos e arranha-céus em Mumbai (Índia), em 2018. Grande parte da população urbana da Índia vive em favelas, sem acesso a condições básicas de vida, como água potável e rede de esgoto. b o d o m /S h u tt e rs to c k 132 Unidade 3 Europa Os países mais industrializados Entre os países europeus de elevado nível de desenvolvimento e economia diversificada, destacamos grandes exportadores de produtos industrializados, especialmente de bens de alta tecnologia, como Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Suíça, Dinamarca, Espanha e Finlândia. O setor das tecnologias ambientais merece destaque, crescendo cerca de 8% ao ano na última década. Portugal e Grécia, países também desenvolvidos, não têm a mesma expres- sividade em termos de produção e diversificação da atividade industrial do que os listados no parágrafo anterior. Reino Unido: onde a atividade industrial teve início O Reino Unido é o mais antigo país industrializado do mundo. Com a Revolu- ção Industrial, passou por transformações que o elevaram à condição de mais importante potência mundial no século XIX, detentora de vasto império colonial. No entanto, principalmente a partir do início do século XX, a economia britâ- nica passou a enfrentar a concorrência de outros países que se industrializaram, como Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e Japão. Desde os anos 1980/1990, para tentar se manter entre as principais potên- cias do mundo, o Reino Unido vem procurando modernizar seu parque industrial. Para isso, tem se associado a outros países, buscando novos ramos industriais, principalmente de tecnologia de ponta, a fim de criar condições de competir com grandes potências, como Estados Unidos, Japão e Alemanha. Londres, capital da Inglaterra e do Reino Unido, é considerada a cidade mais importante da Europa e a terceira do mundo, superada apenas por Nova York e Tóquio — sedes de grandes empresas multinacionais e de grandes instituições financeiras (figura 34). Essa cidade reúne à sua volta o mais importan- te parque industrial do Reino Unido, como também o principal centro comercial, financeiro e portuário do território. Observe essa distribuição no mapa da figura 35, na próxima página. O país vem se especializando em atividades li- gadas ao setor terciário, em particular aos setores fi- nanceiro, de turismo e de entretenimento, com des- taque para a música pop (um dos principais itens da pauta de exportações britânicas), o cinema e os jogos de computador. Figura 34. No centro de Londres há uma região que congrega as principais instituições financeiras do Reino Unido — a City. Também chamada de Square Mile, comparável a Wall Street (Nova York), esse centro financeiro reúne o Banco da Inglaterra, importantes bancos comerciais e as principais casas de câmbio e de comércio internacionais. Fotografia de 2018. R ic h a rd B a k e r/ In P ic tu re s /G e tt y I m a g e s GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 25 11/22/18 6:24 PM XXVI MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Para conhecer mais Entremeada ao texto principal, essa seção apresenta textos de fontes e autorias variadas, com informações que ampliam ou problematizam alguns dos temas tra- tados no capítulo. Como se trata de uma ampliação do conteúdo, essa seção pode ser indicada para toda a classe ou apenas para determinados grupos de alunos, ficando a decisão a seu critério. Para compreender Além de ampliar o conteúdo abordado, esta seção oferece oportunidades para se trabalhar diferentes habilidades nos es- tudantes, como observação, leitura, análise, comparação e síntese. Para isso, são apresentados diferentes recursos, como mapas, gráficos, infográficos, charges, tabelas, poemas, textos narrativos, canções, entre outros, todos atrelados ao tema em questão e seguidos de atividades de exploração. Você pode personalizar o uso da seção, indicando-a a toda a classe ou a apenas alguns estudantes. 97Capítulo 6 Europa: dinâmicas da natureza Nas áreas de elevada altitude, ocorre o clima Frio de Montanha. Nessas áreas, a vegetação modifica-se de acordo com a altitude e a consequente queda de temperatura nas partes mais altas. Nas áreas mais baixas, é comum a pre- sença de coníferas; nas áreas mais elevadas, de campos alpinos (vegetação rasteira, geralmente aproveitada para a atividade criatória nas encostas mais ensolaradas). O clima Mediterrâneo Nas proximidades do mar Mediterrâneo, ocorre o clima Mediterrâneo. Graças à influência das massas de ar oriundas do deserto do Saara (África), esse tipo de clima caracteriza-se por verões quentes e secos. A época das chuvas é o inverno. As coberturas vegetais que correspondem ao clima Mediterrâneo são o ma- qui (vegetação densa e espessa de árvores e arbustos) e o garrigue (arbustos e vegetação rasteira). Para conhecer mais As massas de ar O ar que compõe a atmosfera está em constante movimento, principalmente em função das dife- renças de pressão e do movimento de rotação da Terra. Apesar de ocorrerem variações nos valores da pressão em uma mesma região, sobretudo em razão das mudanças de estações do ano, podem ser delimitadas, em geral, algumas áreas com predominância de altas pressões e outras onde predomi- nam as baixas pressões, o que, por sua vez, vai determinar a circulação geral da atmosfera. É no interior dessa circulação geral que se estabelece a dinâmica das massas de ar, que contri- buem para a determinação dos diferentes tipos climáticos. Dessa forma, a caracterização e mes- mo a compreensão do tipo climático de uma área têm como elemento principal a atuação das massas de ar. A massa de ar é uma grande porção da atmosfera, com milhares de quilômetros quadrados de ex- tensão. Ela se forma quando um grande volume de ar permanece em repouso ou se move lentamente sobre superfícies continentais ou oceânicas. A área onde a massa de ar se forma recebe o nome de região de origem. É nela que a massa de ar adquire as características de temperatura, pressão e umi- dade, que serão praticamente as mesmas em toda a sua extensão. Assim, uma massa de ar que se formasobre uma superfície gelada, como a Antártida, adquirirá em toda a sua extensão características típicas dessa região: temperatura baixa, alta pressão e pouca umidade. Por isso, o estado do tempo em toda a área abrangida pela massa de ar é praticamente o mesmo, só ocorrendo modificações onde existem montanhas, vales ou grandes extensões de água (lagos, por exemplo) e nas zonas de contato entre duas massas de ar. Conforme as massas de ar se deslocam, verificam-se alterações do estado do tempo nas regiões afetadas por elas. Ao se deslocarem, as massas de ar vão, aos poucos, perdendo as suas característi- cas de temperatura, pressão e umidade. Por exemplo: uma massa de ar frio e úmido, formada, por- tanto, em altas latitudes, vai se aquecendo e perdendo sua umidade conforme se dirige para latitudes mais baixas (áreas mais quentes). 44 Unidade 1 O espaço mundial Atividades Leia o texto a seguir. Um novo conceito de nação Muitas pessoas veem a globalização como um processo de homogeneização cultural que, em vez de aproximar povos distintos pelas suas diferenças, destrói justamente essas particula- ridades. Essa é uma interpretação correta? Sim e não. Sim, se nos referimos à globalização de empresas de mercados consumidores que, nor- malmente, se originam em poucos países, mais notadamente nos Estados Unidos, e espalham, ou tentam disseminar seu poder pelo globo. Há certos produtos de consumo em quase todos os países [...] cujas empresas costumam destruir firmas locais ou nacionais que produzem bens ou serviços equivalentes. Não, porque preci- samente em razão da globalização, da mídia global, da internet, as pessoas podem se tor- nar conscientes de suas diferenças e das dos outros; podem ser mais inquisitivas e curiosas sobre outras culturas. O risco aqui é que essas outras culturas, se não forem ocidentais, sejam transformadas em produto, sejam comerciali- zadas. Mas as evidências disponíveis mostram, por exemplo, que houve um acentuado aumento no uso de línguas, que não o inglês, na internet, como se as pessoas estivessem recuperando par- te de sua herança, de sua cultura nativa. Alguns dos blogs que não são escritos em inglês estão se tornando um veículo para questões locais ou nacionais que não fazem parte do foco da mídia global. Tudo isso reforça a especificidade e a di- versidade culturais. Entrevista com a socióloga holandesa naturalizada estadunidense Saskia Sassen. Ciência Hoje. Rio de Janeiro, n. 231, 15 out. 2006. 1. De acordo com o texto, de que forma a globalização pode favorecer as culturas locais? 2. No lugar onde você vive é possível notar a influência ou a presença da cultura global e também a resis- tência ou a manutenção dos valores culturais locais? Dê exemplos. 3. Podemos dizer que a fotografia acima ilustra o fenômeno da globalização? Por quê? Para compreender Texto Unidade de uma rede mundial de lanchonetes de origem estadunidense em Beijing (China), 2018. V in c e n t Is o re /I P 3 /G e tt y I m a g e s 99Capítulo 6 Europa: dinâmicas da natureza Atividades 1. Compare os climogramas das cidades de Kiruna, na Suécia, e Atenas, na Grécia, e, considerando o outo- no europeu, elabore um pequeno texto conclusivo sobre essa comparação. 2. Quais fatores determinam a maior pluviosidade e a temperatura amena na cidade de Kerry? Para res- ponder, consulte também o mapa Europa: fatores climáticos, na página 94. 3. Atenas apresenta a temperatura mais elevada das quatro cidades. Por quê? Observe o mapa e os climogramas da Europa a seguir. Para compreender Mapa e climogramas Berlim Kiruna Kerry Atenas OCEANO GLACIAL ÁRTICO Mar do Norte Mar Negro M ar Cáspio Mar Mediterrâneo Ma r B ál tic o OCEANO ATLÂNTICO Círculo Polar Ártico 50º N Est reito de Gibraltar Canal da M an ch a 0ºÁFRICA ÁSIA M er id ia n o d e G re en w ic h Temperado Mediterrâneo Tipos de clima (adaptado da classificação de Köpen) Semiárido Frio Polar Frio de montanha Capital de país Cidade 0 790 km N S LO Europa: climas Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 58. Fonte: elaborado com base em WORLD METEOROGICAL ORGANIZATION. Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/home.html>. Acesso em: 2 out. 2018. O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra Climogramas de quatro cidades europeias Precipitação (mm) 0 50 100 150 200 350 300 250 Temperatura (¼C) 20 15 10 5 0 25 30 35 J F M A M Kerry J J A S O N D Precipitação (mm) 0 50 100 150 200 350 300 250 Temperatura (¼C) 20 15 10 5 0 25 30 35 Atenas J F M A M J J A S O N D Precipitação (mm) 0 50 100 150 200 350 300 250 Temperatura (¼C) 20 15 10 5 0 25 30 35 Berlim J F M A M J J A S O N D Precipitação (mm) 0 50 100 150 200 350 300 250 Temperatura (¼C) 20 15 10 5 0 –5 –10 –15 25 30 35 Kiruna J F M A M J J A S O N D E ri c s o n G u il h e rm e L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 26 11/22/18 6:24 PM XXVIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Para compreender Cartografia Presente em todos os volumes da Coleção, essa seção foi criada com o objetivo de desenvolver um trabalho de alfabetiza- ção cartográfica. Para isso, são exploradas desde noções cartográficas elementares, como tipos de visão e croquis (dando sequência aos estudos iniciados nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e aprofundando-os), até a leitura, interpretação e comparação de diferentes tipos de mapas, representações cartográficas e gráficos. Esse trabalho cartográfico é feito de maneira sistematizada, buscando o desenvolvimento do pensamento espacial e levando em consideração o estágio cognitivo dos alunos. Dessa maneira, várias habilidades são retomadas a partir de diferentes temas e em variados graus de complexi- dade e de aprofundamento. Outro aspecto fundamental da seção é que o trabalho com as representações cartográficas é feito de modo articulado aos temas abordados no capítulo. Desse modo, estimula-se a aprendizagem do mapa e por meio do mapa, conduzindo os alunos a uma compreensão mais clara da organização e do funcionamento do espaço geográfico e, por conseguinte, levando-os a exercitar o pensamento espacial e a aplicar os princípios do raciocínio geográfico. Com isso, visamos mostrar aos estudantes a importância da cartografia como instrumento para a leitura, compreensão crítica do território e das territorialidades, e, consequentemente, intervenção e atuação conscientes no mundo em diferentes escalas de análise. Embora tenha grande destaque no processo de alfabetização cartográfica, o trabalho sugerido nessa seção se complementa com a leitura e o estudo dos outros diversos mapas e gráficos presentes ao longo do texto principal e nas demais seções. Muitas dessas representações são exploradas por meio de atividades, que também contribuem para ampliar nos alunos a capacidade interpretativa da linguagem cartográfica e uma melhor compreensão da relação entre o espaço e suas formas de representa- ção, tendo em vista as distintas intencionalidades, subjetividades e propósitos que envolvem o processo de elaboração dessas representações. Sugerimos que você dê atenção especial a essa seção, explorando-a com toda a turma e complementando-a, se necessário, com exemplos de mapas e representações do lugar onde os alunos vivem, como mapas turísticos, de panfletos de sites e programas de mapeamento, entre outros. Desse modo, os estudantes acostumam-se às particularidades das diferentes representações cartográficas existentes. 35Capítulo 2 A revolução técnico-científica e as redes Atividades 1. Observando as distorções do mapa, que retrato podemos fazer do uso de internet nos continentes? 2. O que podemos concluir sobre os países com maior porcentagem de conexão à internet?3. Quais são os prejuízos para uma nação cuja população tem pouco acesso aos recursos oferecidos pela internet? Observe a representação acima. Você percebe algo diferente da maioria dos mapas? Compare-a com um mapa-múndi político. Você perceberá diferenças nas dimensões e na forma do território dos países. Quando pensamos em um mapa-múndi ou planisfério, logo nos vem à mente o modelo que mos- tra o território dos países convencionalmente, ou seja, com dimensões e forma do território que es- tamos acostumados a ver. Nesses mapas, os dados que eles apresentam, como população, índice de natalidade ou PIB de uma área, são indicados principalmente por meio de cores, cujo significado (quantidade) é informado na legenda. No entanto, há outras formas de representar um fenômeno quantitativo em mapas. Uma delas é a anamorfose. A anamorfose geográfica representa algum dado ou informação por meio de uma propor- ção predefinida. Nesse tipo de representação, o mais importante é indicar a proporção do fenômeno representado, e não a proporção entre os territórios dos países. Assim, quanto maior o valor dos dados quantitativos, maior dimensão a área terá. A anamorfose aqui apresentada traz duas informações diferentes ao mesmo tempo. Os dados são visualizados com um cartograma em forma de hexágono, em que as dimensões de cada país estão re- lacionadas à sua população com acesso à internet. Cada hexágono representa pouco mais de 300 mil usuários de internet. Países com menos de 300 mil internautas não foram representados no mapa. A cor dos países revela o percentual de acesso da população à internet em cada um deles: tons mais escuros indicam níveis percentuais mais elevados. Um mapa diferente Para compreender Cartografia Fonte: elaborado com base em WORLD DEVELOPMENT INDICATORS. Internet Users by Country, 2016. Disponível em: <http:// www.internetlivestats. com/internet-users-by- country/>. Acesso em: 19 set. 2018. EUA CANEUA MEX CUB DOM PRI NICGUA ELS CRA PAN HON TTOVEN COL EQU PER BRA BOL PAR URU CHI ARG RAS MOÇ MAD MWI ANG ZAM NAM ZIM TAN QUE UGA ETI SUD EGI ARL TUN MAR SEN CMA GAN NIG CAM RDC POR ESP FRA ALE PBSRUN IRL ISL BEL SUI ITA POL DIN NOR SUE FIN TCH AUT TUR UCR RUSBIE ROM HUN GRE IRA PAQ IND ARS ISR IEM OMA EAU JOR SIR NEP BAN SRI CHN MON CAZ UZB AZE COR JAP HKG FILVIETAI MAL CGP INS AUS NZL SER De 20,1 a 40 Até 20 Conexão à internet (%) De 40,1 a 60 De 60,1 a 80 Acima de 80 Cerca de 1 milhão de usuários Mundo: número de usuários e percentual da população com acesso à internet – 2016 O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra 177Capítulo 11 Oriente MŽdio Atividades 1. Identifique a principal região exportadora de petróleo. 2. Com base em um mapa-múndi político, cite os principais países para onde o petróleo dessa região foi enviado no ano de 2017 e em que quantidades. 3. Considerando os dados apresentados no mapa acima e a hegemonia econômica, política e militar esta- dunidense, explique o posicionamento dos Estados Unidos em relação a questões internas de países da principal região exportadora de petróleo. Nos últimos anos, a Rússia e a China também têm assegurado influência nos países do Oriente Médio e da Ásia Central. Países como Irã, Casaquistão, Quirguis- tão, Tajiquistão e Usbequistão estreitaram os laços comerciais e de cooperação tecnológica e militar com esses países. Os fluxos e refluxos do petróleo pelo mundo Em 2017, foram comercializadas centenas de milhões de toneladas de petróleo entre diversos paí- ses do mundo. Veja no mapa abaixo os principais fluxos do petróleo. Para compreender Cartografia OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar Ártico 199,2 40,8 38,4 33,8 83,8 79,1 87,4 27,3 55,0 24,2 36,2 63,5 42,5 36,9 26,4 74,0 24,7 58,5 21,1 276,4 153,8 44,9 67,0 23,0 45,2 27,260,8 201,3 154,9 61,9 28,970,9 166,3 254,9 Américas Central e do Sul México Canadá Estados Unidos Europa Comunidade dos Estados Independentes (CEI) Oriente Médio África Ásia do Pacífico Fluxo de petróleo 0 2 475 km N S LO Mundo: principais fluxos comerciais de petróleo (em milhões de toneladas) − 2017 Fonte: BP. BP statistical review of world energy, jun. 2018, p. 24. Disponível em: <https://www.bp.com/content/dam/bp/en/corporate/pdf/energy- economics/statistical-review/bp-stats-review-2018-oil.pdf>. Acesso em: 14 jul. 2018. O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 27 11/22/18 6:24 PM XXVIII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Para integrar Na seção Para integrar são feitas propostas para trabalhar alguns temas dos capítulos com a colaboração de conteúdos de outras áreas do conhecimento e disciplinas escolares. São propostas orientadas para um trabalho interdisciplinar com Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Inglês e Arte que, mais do que indicarem a possibilidade ou a necessidade de um trabalho conjunto, apontam caminhos e sugestões para que esse trabalho seja realizado considerando-se a realidade da escola brasileira. Caso julgue adequado e viável, sugerimos que convide os professores de outras disciplinas para trabalhar conjuntamente os conteúdos dessa seção com os estu- dantes. Desse modo, a exploração dos temas da seção é incrementada, ficando mais instigante e significativa para a turma. Para sistematizar Ao final de cada capítulo, propomos uma seção de atividades variadas, que se organizam em dois tipos: Retomar e Exercitar. É uma oportunidade de você e dos estudantes avaliarem os conhecimentos apreendidos e diagnosticarem possíveis defasagens de aprendizagem, se necessário retomando os conteúdos ou dando sequência aos estudos. As atividades desta seção podem ser feitas em casa ou em sala de aula. Características básicas de cada volume Os volumes da Coleção estão pautados nos objetivos de aprendizagem dos Anos Finais do Ensino Fundamental, presentes na BNCC. Os temas abordados estão alinhados às habilidades, aos objetos de conhecimento e às unidades temáticas da BNCC, respeitando a cognição dos estudantes e desafiando-os para um aprendizado gradual. Alguns dos temas e conceitos são reiteradamente retomados, em níveis de complexidade e contextos diversos, promovendo uma arti- culação entre os volumes e possibilitando o desenvolvimento das habilidades a cada ano. A seguir, listamos, de modo geral, os principais temas e conceitos abordados em cada um dos anos, de modo que você possa, juntamente com outros colegas professores e coor- denadores pedagógicos, organizar o ano letivo, bem como a área de Geografia de sua escola para os Anos Finais do Ensino Fundamental. 209Capítulo 12 Japão e Tigres Asiáticos Atividades A divisão das Coreias Leia os trechos do texto a seguir, sobre a separação das Coreias. Nos últimos dias da Segunda Guerra, quando se tornou claro que o Japão se renderia às potên- cias aliadas, a questão sobre o que aconteceria com a Coreia se tornava mais urgente do que nun- ca. Depois de décadas ocupando a península corea- na, os japoneses estavam recuando. EUA e União Soviética concordaram em divi- dir a Coreia no 38o paralelo em agosto de 1945: os americanos ocupariam a parte sul, os soviéticos, a norte. O plano era devolver o controle aos corea- nos e se retirar. E em 1948 várias tentativas foram feitas para levar à reunificação. Mas a desconfiança gerada por apenas alguns anos de ideologias opostas já havia se tornado pro- funda demais. O que começou como uma divisão quase acidental deu origem a uma das fronteiras mais hostis e pesadamente militarizadas do mun- do. Um povo foi dividido em dois. A Coreia do Norte é hoje [...] acusadade manter centenas de milhares de cidadãos – incluindo crian- ças – em campos de prisioneiros políticos e outros centros de detenção em todo o país. Também recebe as classificações mais baixas quando se trata de li- berdade de imprensa e responsabilidade do governo. Anos de isolamento afetaram seriamente a economia da Coreia do Norte, e a população do país sofreu por muito tempo com a pobreza e a fome. As Nações Unidas relatam que mais de um terço da população é desnutrida. Muitos não têm acesso a cuidados de saúde adequados. [...] A Coreia do Sul é tida como a “Hollywood do Oriente”, produzindo entretenimento consumido por milhões de fãs, que vão do Japão à Indonésia. Existem também cerca de 400 estúdios indepen- dentes, que produzem conteúdo para o mercado de entretenimento, ajudando a Coreia do Sul a exportar seu “k-pop” (gênero musical próprio de música), dramas de televisão e videogames para países da Ásia. Já a Coreia do Norte é praticamente ausente da parada de sucessos asiática. [...] A Coreia do Norte tem sua própria intranet, chamada Kwangmyong. Ela não está conectada ao resto do mundo e foi construída originalmente para abrigar páginas sobre a dinastia Kim, a famí- lia dominante da Coreia do Norte. [...] 1. Quais fatos históricos provocaram a separação das Coreias? 2. De acordo com o texto, quais aspectos socias e econômicos caracterizam a Coreia do Norte? Os líderes da Coreia do Norte, Kim Jong-un, à esquerda, e da Coreia do Sul, Moon Jae-in, à direita, participam de encontro histórico e fazem ato simbólico de reaproximação, em Panmunjom (Coreia do Sul), 2018. Para integrar Hist—ria SCHMITT, Caroline. O que une – e separa – as duas Coreias. DW. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/o-que-une-e-separa-as-duas-coreias/a-43563632>. Acesso em: 4 out. 2018 K o re a S u m m it P re s s P o o l/ R e u te rs /F o to a re n a Para sistematizar 100 Unidade 3 Europa Retomar 1. Observe a localização dos Países Baixos no mapa da Europa: divisão política – 2016, na página 84, e o mapa Europa: físico, na página 86. Em seguida, explique a seguinte afirmação: Um dos maiores desafios dos Países Baixos, em relação à manutenção do território, é controlar a invasão das águas marinhas. 2. Responda às questões. a) O que é a energia geotérmica? b) Como é gerada a energia a partir dessa fonte energética? c) Qual é a vantagem, do ponto de vista ambiental, de aproveitar essa fonte energética? 3. Considere o que você aprendeu sobre o rio Reno e responda às questões. a) Qual é a importância econômica da bacia do rio Reno? b) Como a presença desse rio contribui para o desenvolvimento dessa região? Exercitar 4. O mapa ao lado destaca diferentes trajetos que po- dem ser percorridos por avião. Observe-o e respon- da às questões. a) O avião sobrevoará quais países se seguir o tra- jeto AB? b) Em relação às formas de relevo, considere o tra- jeto CD e descreva-o a partir de C. 5. Observe novamente o mapa Europa: climas, da pági- na 99, e indique um país com predomínio de clima: a) Temperado; b) Mediterrâneo; c) Frio; d) Polar. 6. Por que o setor de transportes marítimos da Rús- sia é bastante afetado no período do inverno? Dis- cuta essa questão com o professor e registre sua conclusão. 7. Atualmente, o rio Danúbio tem uma posição de destaque no cenário econômico e político da Europa. Justifi- que a afirmação, considerando o quadro político europeu. 8. A Europa apresenta uma enorme variedade de paisagens em razão da diversidade de condições climá- ticas e geológicas. Em grupos, façam uma pesquisa em jornais, revistas, livros e na internet sobre as características naturais dos países europeus e as possibilidades de seu aproveitamento em atividades sustentáveis, como o turismo. Cada grupo poderá escolher um país e elaborar um cartaz para apresentar em sala de aula, com imagens e as principais informações que conseguir sobre o assunto. 0ºCírculo Polar Ártico M e ri d ia n o d e G re e n w ic h OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO ATLÂNTICO A D B C 0 615 km N S LO Europa Ð 2016 O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 43. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 28 11/22/18 6:24 PM XXIXMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL 6o ano Este volume é composto de 18 capítulos. Nele apresenta- mos categorias de análise, conceitos e temas estruturantes para a compreensão do espaço geográfico, como lugar, paisa- gem, grupos sociais, sociedade, trabalho, recursos naturais e atividades econômicas (extrativismo, agropecuária, indús- tria, comércio e serviços), além dos que estão relacionados à Geografia da natureza (formação da Terra, relevo, atmosfera, clima, vegetação, hidrosfera) e aos movimentos da Terra. As categorias, conceitos, temas desenvolvidos introdutoriamen- te nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, assim como as habilidades mobilizadas nesses anos, são a base para a apro- priação de noções acerca das categorias, conceitos, fenôme- nos e processos neste 6o ano. Neste volume, dedicamos, ainda, um capítulo específi- co à cartografia, apresentando noções elementares para a compreensão e leitura das representações cartográficas. As categorias de análise, conceitos e temas estruturantes, assim como as noções relativas à cartografia e as habilidades de- senvolvidas neste ano são pré-requisitos para a mobilização das habilidades e para o estudo de fenômenos, processos e acontecimentos analisados nos anos subsequentes. A categoria de análise espaço geográfico é trabalhada na primeira unidade e retomada em outros momentos do livro. Ao tratar de temas relativos às características naturais das pai- sagens (clima, relevo, hidrografia e vegetação), procuramos abordá-los na perspectiva da interação dos seres humanos com a natureza, por meio do trabalho. Dessa forma, damos destaque às questões socioambientais e de cidadania. As habilidades e competências foram definidas tendo em vista a melhor integração entre os temas do volume. Para a escolha dos temas e conceitos trabalhados, optamos por aquilo que julgamos ser imprescindível ao desenvolvimento de análises sobre o espa- ço brasileiro, regional e mundial, que são tratados de forma mais aprofundada nos volumes seguintes, quando realizado o estudo do território brasileiro e do espaço geográfico mundial. 6o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos Identidade sociocultural (EF06GE01) Comparar modificações das paisagens nos lugares de vivência e os usos desses lugares em diferentes tempos. 1 e 2 (EF06GE02) Analisar modificações de paisagens por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos originários. 1 Relações entre os componentes físico-naturais (EF06GE03) Descrever os movimentos do planeta e sua relação com a circulação geral da atmosfera, o tempo atmosférico e os padrões climáticos. 3 e 8 (EF06GE04) Descrever o ciclo da água, comparando o escoamento superficial no ambiente urbano e rural, reconhecendo os principais componentes da morfologia das bacias e das redes hidrográficas e a sua localização no modelado da superfície terrestre e da cobertura vegetal. 11, 12 e 13 (EF06GE05) Relacionar padrões climáticos, tipos de solo, relevo e formações vegetais. 7, 9 e 10 Transformação das paisagens naturais e antrópicas (EF06GE06) Identificar as características das paisagens transformadas pelo trabalho humano a partir do desenvolvimento da agropecuária e do processo de industrialização. 1, 16 e 17 (EF06GE07) Explicar as mudanças na interação humana com a natureza a partir do surgi- mento das cidades. 8 Fenômenos naturais e sociais representados de diferentes maneiras (EF06GE08) Medir distâncias na superfície pelas escalas gráficas e numéricas dos mapas. 5 (EF06GE09) Elaborar modelos tridimensionais, blocos-diagramas e perfis topográficose de vegetação, visando à representação de elementos e estruturas da superfície terrestre. 6, 7 e 10 Biodiversidade e ciclo hidrológico (EF06GE10) Explicar as diferentes formas de uso do solo (rotação de terras, terraceamento, aterros etc.) e de apropriação dos recursos hídricos (sistema de irrigação, tratamento e redes de distribuição), bem como suas vantagens e desvantagens em diferentes épocas e lugares. 6, 11 e 16 (EF06GE11) Analisar distintas interações das sociedades com a natureza, com base na distribuição dos componentes físico-naturais, incluindo as transformações da biodiver- sidade local e do mundo. 7, 10 e 14 (EF06GE12) Identificar o consumo dos recursos hídricos e o uso das principais bacias hi- drográficas no Brasil e no mundo, enfatizando as transformações nos ambientes urbanos. 11 e 13 Atividades humanas e dinâmica climática (EF06GE13) Analisar consequências, vantagens e desvantagens das práticas humanas na dinâmica climática (ilha de calor etc.). 8 e 9 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 29 11/22/18 6:24 PM XXX MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL 7o ano Neste volume, composto de 17 capítulos, trabalhamos algumas categorias importantes para a elaboração do conhe- cimento geográfico, como território e região, e analisamos o espaço geográfico brasileiro mais detidamente. A categoria espaço geográfico, trabalhada no volume de 6o ano, é am- pliada quando abordamos o conceito de Estado, que, por sua atuação, constitui um importante elemento na organização/ estruturação do espaço. São trabalhadas também as noções de poder político, governo e nação, sendo que, para isso, é pré- -requisito a apropriação do conceito de sociedade, abordado no volume de 6o ano. Alguns temas apresentados neste volume, como capita- lismo e as relações entre os Estados-nação, são retomados e ampliados nos volumes dos anos seguintes (8o e 9o). O tema da urbanização no Brasil, que foi analisado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, é tratado de maneira que os estudantes compreendam esse processo a partir da realidade brasileira, porém atrelada ao contexto mundial, alternando diferentes escalas de análise. Para o desenvolvimento dessa temática, é necessário recorrer às noções relativas às atividades eco- nômicas e ao trabalho exploradas no volume de 6o ano. Essas noções e aquelas que estão no arcabouço da Geografia Física, e que foram estudadas no 6o ano, são fundamentais também para a mobilização das habilidades que permitem análises a respeito das características do espaço geográfico brasileiro, objeto de estudo deste 7o ano. As análises sobre urbanização serão retomadas no volume de 8o ano, ao serem abordados alguns processos da industria- lização dos países atualmente chamados desenvolvidos e as características dos territórios dos países africanos e latino- -americanos; e também no volume de 9o ano, ao tratar das reper- cussões territoriais e socioeconômicas da Revolução Industrial. A fim de possibilitar maior compreensão do espaço geo- gráfico brasileiro, procuramos ainda desenvolver análises e reflexões sobre a formação do território, a paisagem natural, os problemas ambientais, a industrialização e a modernização do país, as desigualdades sociais e a dinâmica demográfica. A consideração do modelo de desenvolvimento excludente e concentrador – uma marca da sociedade e da economia brasileiras – permeia a análise desses temas, assim como a contextualização do Brasil nos espaços continental e mundial. Em diferentes momentos, ressaltamos a importância e a necessidade de respeito e valorização à diversidade cultural do Brasil e às diferenças tanto entre as regiões brasileiras como em relação a culturas de outras partes do mundo. Ao trabalhar a regionalização, além de desenvolver o con- ceito, optamos pelo trabalho com a divisão regional brasileira em três complexos: Nordeste, Centro-Sul e Amazônia. As ca- racterísticas físicas e humanas dessas regiões são apresen- tadas de modo amplo e integrado, visando dar aos estudantes uma noção particular de cada uma delas, mas sempre consi- derando o contexto nacional e demonstrando a importância das redes de transporte e comunicação no território. 7o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos Ideias e concepções sobre a for- mação territorial do Brasil (EF07GE01) Avaliar, por meio de exemplos extraídos dos meios de comunicação, ideias e estereótipos acerca das paisagens e da formação territorial do Brasil. 1, 2 e 9 Formação territorial do Brasil (EF07GE02) Analisar a influência dos fluxos econômicos e populacionais na formação socioeconômica e territorial do Brasil, compreendendo os conflitos e as tensões históricas e contemporâneas. 2, 5, 6, 7, 8, 9, 11, 12 e 15 (EF07GE03) Selecionar argumentos que reconheçam as territorialidades dos povos indí- genas originários, das comunidades remanescentes de quilombos, de povos das florestas e do cerrado, de ribeirinhos e caiçaras, entre outros grupos sociais do campo e da cidade, como direitos legais dessas comunidades. 5, 7, 8, 11, 13, 14, 15, 16 e 17 Características da população brasileira (EF07GE04) Analisar a distribuição territorial da população brasileira, considerando a di- versidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática), assim como aspectos de renda, sexo e idade nas regiões brasileiras. 6, 8 e 12 Produção, circulação e consumo de mercadorias (EF07GE05) Analisar fatos e situações representativas das alterações ocorridas entre o período mercantilista e o advento do capitalismo. 2, 9 e 12 (EF07GE06) Discutir em que medida a produção, a circulação e o consumo de mercado- rias provocam impactos ambientais, assim como influem na distribuição de riquezas, em diferentes lugares. 4, 6, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17 Desigualdade social e o trabalho (EF07GE07) Analisar a influência e o papel das redes de transporte e comunicação na configuração do território brasileiro. 7, 11, 12 e 17 (EF07GE08) Estabelecer relações entre os processos de industrialização e inovação tec- nológica com as transformações socioeconômicas do território brasileiro. 4, 5, 7, 10, 11, 12, 14 e 17 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 30 23/11/18 19:28 XXXIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL 7o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos Mapas temáticos do Brasil (EF07GE09) Interpretar e elaborar mapas temáticos e históricos, inclusive utilizando tec- nologias digitais, com informações demográficas e econômicas do Brasil (cartogramas), identificando padrões espaciais, regionalizações e analogias espaciais. 2, 3, 4, 5, 8, 11, 13, 14, 15 e 17 (EF07GE10) Elaborar e interpretar gráficos de barras, gráficos de setores e histogramas, com base em dados socioeconômicos das regiões brasileiras. 5, 6, 8, 11 e 16 Biodiversidade brasileira (EF07GE11) Caracterizar dinâmicas dos componentes físico-naturais no território nacional, bem como sua distribuição e biodiversidade (Florestas Tropicais, Cerrados, Caatingas, Campos Sulinos e Matas de Araucária). 4, 10, 13 e 16 (EF07GE12) Comparar unidades de conservação existentes no Município de residência e em outras localidades brasileiras, com base na organização do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). 4 e 17 8o ano Este volume é composto de 20 capítulos. Nele analisamos a Antártida e os espaços americano e africano e ampliamos as noções sobre o sistema socioeconômico capitalista (inclusive numa perspectiva histórica), trabalhadas introdutoriamente no volume de 7o ano, as organizações internacionais e as re- lações entre os Estados-nação. Isso é feito de modo a permitir ao estudante compreender que a formação do espaço geográfico mundial é resultado de processos históricos repletos de conflitos, disputas territo- riais, exploração de recursos naturais em diferentes territórios, submissão de povos, descobertas científicas e avanços tec- nológicos que conferem a esseespaço um caráter dinâmico. Nessa perspectiva, no que se refere à compreensão de que a formação do espaço geográfico mundial é resultado de pro- cessos históricos, as noções sobre a formação do território brasileiro, tratadas no volume de 7o ano, servem de base ao encaminhamento das análises. Procuramos dar ênfase à Terceira Revolução Industrial e suas consequências socioespaciais e na estruturação de dife- rentes paisagens nos territórios, à formação de organizações e blocos econômicos regionais, à globalização, aos diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico (características e causas), tratados introdutoriamente no volume de 7o ano, e à situação dos países emergentes na economia global. Essas temáticas são retomadas e analisadas, sob outras perspec- tivas, no volume de 9o ano, uma vez que diversas habilidades desenvolvidas neste volume possibilitam a compreensão de fenômenos e processos estudados no 9o ano, tais como: a he- gemonia europeia, a atuação das corporações internacionais e das organizações econômicas mundiais, as mudanças técni- cas e científicas decorrentes do processo de industrialização. A regionalização do continente americano é feita consi- derando-se o nível de desenvolvimento de cada país, seu papel na Divisão Internacional do Trabalho (DIT) e sua forma de organização política, social e econômica. Isso nos leva a estabelecer quatro grupos: países desenvolvidos; países em desenvolvimento com atividade industrial diversificada; países em desenvolvimento com atividade industrial pouco ou relativamente diversificada; e país socialista. Além disso, desenvolvemos análises relativas ao espaço do continente africano, considerando a influência externa, as condições so- cioeconômicas (levando-se em conta, entre outros índices, o IDH) e as relações externas dos países africanos no contexto da economia globalizada, particularmente no que se refere à ascensão da China frente aos Estados Unidos no cenário econômico e geopolítico mundial. O papel da China no contexto global será retomado no volume de 9o ano. No estudo da América Latina, destacamos as análises so- bre as recentes transformações políticas e socioeconômicas implementadas pelos governos da região. Ao tratarmos do espaço geográfico estadunidense, desenvolvemos uma aná- lise do poderio político-militar, econômico e cultural do país e sua influência no restante do continente e no mundo. Essa análise também é fundamental para o desenvolvimento de habilidades no ano seguinte (9o ano). Ao abordar a Antártida, damos destaque para as questões ambientais que afetam esse continente. 8o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos Distribuição da população mun- dial e deslocamentos popula- cionais (EF08GE01) Descrever as rotas de dispersão da população humana pelo planeta e os principais fluxos migratórios em diferentes períodos da história, discutindo os fatores históricos e condicionantes físico-naturais associados à distribuição da população humana pelos continentes. 6 e 7 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 31 11/22/18 6:24 PM XXXII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL 8o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos Diversidade e dinâmica da popu- lação mundial e local (EF08GE02) Relacionar fatos e situações representativas da história das famílias do Mu- nicípio em que se localiza a escola, considerando a diversidade e os fluxos migratórios da população mundial. 6 e 7 (EF08GE03) Analisar aspectos representativos da dinâmica demográfica, considerando características da população (perfil etário, crescimento vegetativo e mobilidade espacial). 5 (EF08GE04) Compreender os fluxos de migração na América Latina (movimentos voluntá- rios e forçados, assim como fatores e áreas de expulsão e atração) e as principais políticas migratórias da região. 6 e 7 Corporações e organismos inter- nacionais e do Brasil na ordem econômica mundial (EF08GE05) Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o enten- dimento de conflitos e tensões na contemporaneidade, com destaque para as situações geopolíticas na América e na África e suas múltiplas regionalizações a partir do pós-guerra. 1, 8, 16 e 19 (EF08GE06) Analisar a atuação das organizações mundiais nos processos de integração cultural e econômica nos contextos americano e africano, reconhecendo, em seus lugares de vivência, marcas desses processos. 8 e 18 (EF08GE07) Analisar os impactos geoeconômicos, geoestratégicos e geopolíticos da ascen- são dos Estados Unidos da América no cenário internacional em sua posição de liderança global e na relação com a China e o Brasil. 16 e 19 (EF08GE08) Analisar a situação do Brasil e de outros países da América Latina e da África, assim como da potência estadunidense na ordem mundial do pós-guerra. 2, 8, 16 e 19 (EF08GE09) Analisar os padrões econômicos mundiais de produção, distribuição e inter- câmbio dos produtos agrícolas e industrializados, tendo como referência os Estados Unidos da América e os países denominados de Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). 2, 3 e 4 (EF08GE10) Distinguir e analisar conflitos e ações dos movimentos sociais brasileiros, no campo e na cidade, comparando com outros movimentos sociais existentes nos países latino-americanos. 19 (EF08GE11) Analisar áreas de conflito e tensões nas regiões de fronteira do continente latino-americano e o papel de organismos internacionais e regionais de cooperação nesses cenários. 18 e 19 (EF08GE12) Compreender os objetivos e analisar a importância dos organismos de integra- ção do território americano (Mercosul, OEA, OEI, Nafta, Unasul, Alba, Comunidade Andina, Aladi, entre outros). 3, 17 e 18 Os diferentes contextos e os meios técnico e tecnológico na produção (EF08GE13) Analisar a influência do desenvolvimento científico e tecnológico na carac- terização dos tipos de trabalho e na economia dos espaços urbanos e rurais da América e da África. 4, 8, 16 e 17 (EF08GE14) Analisar os processos de desconcentração, descentralização e recentralização das atividades econômicas a partir do capital estadunidense e chinês em diferentes regiões no mundo, com destaque para o Brasil. 2, 16 e 18 Transformações do espaço na sociedade urbano-industrial na América Latina (EF08GE15) Analisar a importância dos principais recursos hídricos da America Latina (Aquífero Guarani, Bacias do rio da Prata, do Amazonas e do Orinoco, sistemas de nuvens na Amazônia e nos Andes, entre outros) e discutir os desafios relacionados à gestão e comercialização da água. 13 e 14 (EF08GE16) Analisar as principais problemáticas comuns às grandes cidades latino- -americanas, particularmente aquelas relacionadas à distribuição, estrutura e dinâmica da população e às condições de vida e trabalho. 18 (EF08GE17) Analisar a segregação socioespacial em ambientes urbanos da América Latina, com atenção especial ao estudo de favelas, alagados e zona de riscos. 18 Cartografia: anamorfose, cro- quis e mapas temáticos da Amé- rica e África (EF08GE18) Elaborar mapas ou outras formas de representação cartográfica para analisar as redes e as dinâmicas urbanas e rurais, ordenamento territorial, contextos culturais, modo de vida e usos e ocupação de solos da África e América. 13, 14 e 16 (EF08GE19) Interpretar cartogramas, mapas esquemáticos (croquis) e anamorfoses geo- gráficas com informações geográficas acerca da África e América. 5, 8, 10, 12 e 13 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 32 11/22/18 6:24 PM XXXIIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL 8o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos Identidades e interculturalida- des regionais: Estados Unidos da América, América espanhola e portuguesa e África (EF08GE20) Analisar características de países e grupos de países da América e da África no que se refere aos aspectos populacionais, urbanos, políticos e econômicos, e discutir as desigualdades sociaise econômicas e as pressões sobre a natureza e suas riquezas (sua apropriação e valoração na produção e circulação), o que resulta na espoliação desses povos. 8, 9, 10, 11 e 19 (EF08GE21) Analisar o papel ambiental e territorial da Antártica no contexto geopolítico, sua relevância para os países da América do Sul e seu valor como área destinada à pesquisa e à compreensão do ambiente global. 15 Diversidade ambiental e as trans- formações nas paisagens na Amé- rica Latina (EF08GE22) Identificar os principais recursos naturais dos países da América Latina, analisando seu uso para a produção de matéria-prima e energia e sua relevância para a cooperação entre os países do Mercosul. 13 e 18 (EF08GE23) Identificar paisagens da América Latina e associá-las, por meio da cartografia, aos diferentes povos da região, com base em aspectos da geomorfologia, da biogeografia e da climatologia. 12 e 14 (EF08GE24) Analisar as principais características produtivas dos países latino-americanos (como exploração mineral na Venezuela; agricultura de alta especialização e exploração mineira no Chile; circuito da carne nos pampas argentinos e no Brasil; circuito da cana-de- -açúcar em Cuba; polígono industrial do sudeste brasileiro e plantações de soja no centro- -oeste; maquiladoras mexicanas, entre outros). 18, 19 e 20 9o ano O último volume da Coleção é composto de 16 capítulos. Nele analisamos os conflitos e as disputas que determinaram aspectos relativos à configuração do atual espaço geográfico mundial, com destaque para a Guerra Fria. Ressaltamos tam- bém a importância da queda dos regimes socialistas e suas consequências territoriais e socioespaciais, tratada introdu- toriamente no volume de 8o ano. A chamada Nova Ordem Mundial, marcada, entre outros as- pectos, pelo processo de globalização, é analisada consideran- do-se suas características principais: as novas tecnologias; o aumento dos fluxos financeiros internacionais; a expansão das empresas transnacionais ou multinacionais; e o aumento das desigualdades sociais. Nessa análise, torna-se necessário retomar conhecimentos atrelados a habilidades mobilizadas no volume de 8o ano, como a atuação das organizações mun- diais nos processos de integração cultural e econômica, e os padrões econômicos mundiais de produção, distribuição e intercâmbio de produtos agrícolas e industrializados. Além disso, consideramos os desdobramentos político- -militares – o jogo de forças entre Estados-nação –, materia- lizados na atuação desses Estados, sobretudo dos Estados Unidos da América, nos conflitos no início do século XXI e na recente ascensão da China, que já se constitui uma grande potência mundial. Nesse sentido, é necessário retomar o co- nhecimento sobre os impactos geoeconômicos, geoestra- tégicos e geopolíticos da ascensão dos Estados Unidos da América no cenário internacional em sua posição de liderança global e na relação com a China e o Brasil, conforme habilidade EF08GE07 do 8o ano. Nesse contexto, trabalhamos o papel desempenhado pela Otan e a chamada “guerra contra o terror” empreendida pelos Estados Unidos e por outras grandes potências, sobretudo do continente europeu. As principais questões ambientais globais também são analisadas na perspectiva das relações internacionais. Retomamos neste volume o tema da formação dos blocos econômicos, relacionado ao conhecimento dos organismos de integração, mobilizado no ano anterior, abordando a União Europeia. Durante os estudos da Europa, fazemos uma análise da realidade socioeconômica e política desse continente, pro- curando oferecer uma visão do contexto recente da crise na zona do euro e da União Europeia em geral (inclusive com a decisão de saída do Reino Unido – Brexit), com as implicações nos diversos aspectos das sociedades que a compõem. Além do desenvolvimento de temas relativos aos espaços dos continentes (Europa, Ásia, Oceania), procuramos apro- fundar as considerações e análises sobre o espaço natural e socioeconômico dos países dinamizadores da Terceira Revo- lução Industrial – alguns Estados-nação europeus (Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Holanda), o Japão e, de certa for- ma, os Tigres Asiáticos e a China. Rússia, China e Índia também são trabalhados em capítulos exclusivos por sua importância em termos geopolíticos e econômicos. Outro capítulo especí- GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 33 11/22/18 6:24 PM XXXIV MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL fico é o que trata do Oriente Médio, região que exerce grande influência no mundo atual por suas características políticas e socioeconômicas peculiares. No decorrer deste volume, são feitas algumas análises, considerando aspectos relativos à DIT e ao nível de desen- volvimento socioeconômico dos países, cujos conhecimentos também foram mobilizados no volume anterior (8o ano). Ao longo das unidades e dos capítulos, quando oportuno, procuramos analisar o aspecto religioso e os conflitos étnico- -nacionalistas na configuração territorial. 9o ano Objetos de conhecimento Habilidades Capítulos A hegemonia europeia na econo- mia, na política e na cultura (EF09GE01) Analisar criticamente de que forma a hegemonia europeia foi exercida em várias regiões do planeta, notadamente em situações de conflito, intervenções militares e/ou influência cultural em diferentes tempos e lugares. 1 Corporações e organismos inter- nacionais (EF09GE02) Analisar a atuação das corporações internacionais e das organizações eco- nômicas mundiais na vida da população em relação ao consumo, à cultura e à mobilidade. 2, 3 e 4 As manifestações culturais na formação populacional (EF09GE03) Identificar diferentes manifestações culturais de minorias étnicas como forma de compreender a multiplicidade cultural na escala mundial, defendendo o princípio do respeito às diferenças. 7 e 11 (EF09GE04) Relacionar diferenças de paisagens aos modos de viver de diferentes povos na Europa, Ásia e Oceania, valorizando identidades e interculturalidades regionais. 9, 10 e 11 Integração mundial e suas inter- pretações: globalização e mun- dialização (EF09GE05) Analisar fatos e situações para compreender a integração mundial (econômica, política e cultural), comparando as diferentes interpretações: globalização e mundialização. 1 e 3 A divisão do mundo em Ocidente e Oriente (EF09GE06) Associar o critério de divisão do mundo em Ocidente e Oriente com o Sistema Colonial implantado pelas potências europeias. 5 e 11 Intercâmbios históricos e cultu- rais entre Europa, Ásia e Oceania (EF09GE07) Analisar os componentes físico-naturais da Eurásia e os determinantes his- tórico-geográficos de sua divisão em Europa e Ásia. 6 e 10 (EF09GE08) Analisar transformações territoriais, considerando o movimento de fronteiras, tensões, conflitos e múltiplas regionalidades na Europa, na Ásia e na Oceania. 7, 11 e 14 (EF09GE09) Analisar características de países e grupos de países europeus, asiáticos e da Oceania em seus aspectos populacionais, urbanos, políticos e econômicos, e discutir suas desigualdades sociais e econômicas e pressões sobre seus ambientes físico-naturais. 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 e 16 Transformações do espaço na sociedade urbano-industrial (EF09GE10) Analisar os impactos do processo de industrialização na produção e circulação de produtos e culturas na Europa, na Ásia e na Oceania. 8, 12, 13, 16 (EF09GE11) Relacionar as mudanças técnicas e científicas decorrentes do processo de industrialização com as transformações no trabalho em diferentes regiões do mundo e suas consequências no Brasil. 1, 2 e 3 Cadeias industriais e inovação no uso dos recursos naturais e matérias-primas (EF09GE12) Relacionar o processo de urbanização às transformações da produção agro- pecuária, à expansão do desemprego estrutural e ao papel crescente do capital financeiro em diferentes países, com destaque para o Brasil. 1 (EF09GE13) Analisar aimportância da produção agropecuária na sociedade urbano- -industrial ante o problema da desigualdade mundial de acesso aos recursos alimentares e à matéria-prima. 1 Leitura e elaboração de mapas temáticos, croquis e outras for- mas de representação para ana- lisar informações geográficas (EF09GE14) Elaborar e interpretar gráficos de barras e de setores, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e anamorfoses geográficas para analisar, sintetizar e apresentar dados e informações sobre diversidade, diferenças e desigualdades sociopolíticas e geo- políticas mundiais. 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9 e 11 (EF09GE15) Comparar e classificar diferentes regiões do mundo com base em informações populacionais, econômicas e socioambientais representadas em mapas temáticos e com diferentes projeções cartográficas. 5, 6, 7, 8, 14 e 16 Diversidade ambiental e as trans- formações nas paisagens na Eu- ropa, na Ásia e na Oceania (EF09GE16) Identificar e comparar diferentes domínios morfoclimáticos da Europa, da Ásia e da Oceania. 10 e 15 (EF09GE17) Explicar as características físico-naturais e a forma de ocupação e usos da terra em diferentes regiões da Europa, da Ásia e da Oceania. 10, 11, 13, 15 e 16 (EF09GE18) Identificar e analisar as cadeias industriais e de inovação e as consequências dos usos de recursos naturais e das diferentes fontes de energia (tais como termoelétrica, hidrelétrica, eólica e nuclear) em diferentes países. 1, 2, 12 e 13 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 34 11/22/18 6:24 PM XXXVMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Sugestões metodológicas Nesta parte, compartilhamos ideias, sugestões e reflexões sobre algumas estratégias que podem ser incorporadas a par- tir do uso desta Coleção. Nosso objetivo é apoiar o trabalho em sala de aula. No entanto, entendemos que você é o melhor conhecedor de sua turma e da realidade local, devendo por isso definir as melhores estratégias e metodologias tendo em vista a formação de seus alunos. Planejamento A elaboração de um planejamento didático é essencial para que se consiga atingir os objetivos determinados. Ele pode ser constituído por itens como número de aulas previstas, o tema de cada aula, os objetivos e as estratégias a serem utilizadas para desenvolver cada tema, competência e habilidade. Den- tre as estratégias possíveis, está a utilização dos recursos disponíveis e mais adequados ao tema, como slides, vídeos, fotografias, jornais, animações, charges, materiais lúdicos etc., além do trabalho com projetos. Importante salientar que o planejamento não deve se cons- tituir em uma proposta rígida, mas em um instrumento flexível, que pode ser alterado para atender a outras demandas, como o surgimento de novos temas, a partir da realidade da escola, da comunidade, do país e do mundo. Além disso, o trabalho docente deve levar em conta que os alunos têm ritmos de aprendizagem diferentes e que isso precisa ser respeitado. Assim, é fundamental uma constante avaliação do planeja- mento e sua readequação, quando necessário. A seguir, disponibilizamos algumas sugestões gerais de estratégias que poderão ajudá-lo no planejamento de suas aulas a partir do uso desta Coleção. Nas Orientações espe- cíficas deste Manual, essas sugestões são apresentadas de modo mais detalhado e específico. Encaminhando a leitura do livro Ao iniciar a unidade, é importante que você tenha conheci- mento do conteúdo que será abordado e das habilidades que são abordadas, estudando formas alternativas de encaminhar o estudo com os alunos. Com isso, você poderá elaborar es- tratégias criativas que contextualizem e problematizem as temáticas e instiguem os jovens a ler, aprender e desenvolver competências. Para isso, você poderá recorrer a filmes, livros paradidáti- cos, artigos de jornais, charges, animações, estudos do meio e até mesmo a debates. Visando apoiar seu trabalho, disponibi- lizamos, ao longo do Livro do Aluno e também nas Orientações específicas deste Manual, diversas indicações de livros, sites, vídeos, atividades e outros recursos. Propondo a problematização dos conteúdos com atividades Promover atividades de pesquisa e leitura em classe favorece a concentração e a atenção. É interessante, po- rém, abrir espaço para reflexão e discussão, expondo o aluno a situações que exijam propostas distintas, como debates, seminários, confecção de artigos, organização de murais e exposições, entre outras atividades. Esses trabalhos devem fomentar a autonomia e o protagonismo dos estudantes, tendo o professor o papel de acompanhá- -los e orientá-los conforme a necessidade da turma. O que a prática mostra é que, à medida que se estimula a auto- nomia dos estudantes, o acompanhamento do professor se torna menos direto com o tempo. As diferentes seções e boxes presentes ao longo do Livro do Aluno e as suges- tões complementares nas Orientações específicas deste Manual oferecem diferentes oportunidades para esse tipo de trabalho. No trabalho com atividades diferenciadas, como projetos, algumas considerações devem ser observadas em seu plane- jamento. São elas: • o envolvimento dos alunos, que precisam identificar sua relevância intelectual ou social; • a participação dos alunos, pois um projeto envolve a busca de informações, a troca de ideias, a discussão e a tomada de decisões. Determinar com eles as etapas que serão de- senvolvidas, definir prazos e tarefas, combinar a função de cada aluno ou grupo de alunos (bem como a do professor) são outros aspectos a serem considerados; • a necessidade de um “fechamento” ou conclusão, que pode ser materializado por meio de um produto final, cuja elaboração deve ser decidida com os alunos e, sempre que possível, apoiada no uso de novas tecno- logias. Desse modo, eles poderão aprender a definir funções, a dividir o trabalho e também a compartilhar os conhecimentos apreendidos durante o estudo com os demais colegas da sala, da escola ou mesmo com seus familiares. O material elaborado nos diversos projetos poderá, após uma seleção feita pelos alunos, ajudar a compor um labora- tório de Geografia ou fazer parte do acervo da biblioteca da escola ou da sala de aula, valorizando a participação de cada um na construção do conhecimento e também a sua identifi- cação com a escola e o grupo. Trabalhando com fotografias e filmes A observação é um procedimento essencial no estudo da Geografia. No entanto, conforme afirma Rubem Alves, “O ato GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 35 11/22/18 6:24 PM XXXVI MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL de ver não é coisa natural, precisa ser aprendido”33. Os alunos poderão aprender a observar diferentes paisagens a partir de imagens, realizando aquilo que chamamos observação indireta. As fotografias, os croquis, as imagens de satélite e os filmes representam valiosas fontes de informação. Ao utilizá-los, você pode convidar os estudantes a expor suas impressões sobre aquilo que veem e também questioná-los sobre o que aparece explícita ou implicitamente na paisagem observada. Será uma boa ocasião para promover a aprendi- zagem de outros procedimentos, como a descrição, a proble- matização, a comparação e a análise, igualmente importantes para a construção do saber geográfico34. Você pode utilizar as diversas imagens presentes na Coleção e os vídeos sugeridos no Livro do Aluno e neste Manual, bem como obter materiais de outras fontes. Cultura digital A digitalização da informação e da comunicação nas úl- timas décadas gerou questões cruciais e desafiadoras em permanente debate na sociedade contemporânea: quais serão os impactos das tecnologias de informação e comunicação nas relações sociais e na vida em comunidade? De que modo as TICs estabelecem influências e tendências de comporta- mentos, transformando as culturas? Quais são os limites da ética no mundo virtual? As mídias digitais substituirão defi- nitivamente as tradicionais? Adeptos das novas tecnologias certificama “aposenta- doria” do papel. Ambientalistas comemoram, árvores serão salvas; conservadores apostam que nada substituirá a ex- periência sensorial do impresso. A despeito dessas questões, o papel continua a ser utilizado, e segue convivendo com gadgets, como e-readers, smartphones... e o que mais nestes últimos segundos? A questão da substituição definitiva das mídias tradicio- nais é polêmica, e a conclusão continua distante. Estamos numa fase de transição acelerada dos meios de comunicação e transmissão de informações. Cabem aqui breves conside- rações sobre essas questões que envolvem a utilização dos meios digitais e dos analógicos nas escolas. Não há dúvida de que as escolas, em muitos locais do mundo, vivem atualmente uma contradição lógica: elas per- manecem atadas ao papel (ao analógico em última instân- cia), enquanto os alunos, em boa parte, já dominam a cultura digital. Muitos professores ainda não fizeram a transição, mantendo-se em um padrão “analógico” na relação ensino- 33 ALVES, Rubem. A complicada arte de ver. Folha Online. Sinapse online. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u947.shtml>. Acesso em: 28 ago. 2018. 34 Para um aprofundamento sobre o assunto, sugerimos a leitura da obra Salto para o futuro: educação do olhar. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto/Secretaria de Educação à Distância, 1998. Série de Estudos Educação à Distância. Vol. 1 e 2. -aprendizagem, o que não deixa de criar um descompasso entre o tipo de educação que se oferece e o público-alvo que, em grande parte, tem acesso a TV a cabo e programação via streaming, celulares, computadores e outros recursos digitais com acesso à internet. Será possível ainda motivar os alunos apenas com lousa, livros e cadernos? A internet faz parte do cotidiano de muitos estudantes, mesmo em localidades distantes dos grandes centros urba- nos. Em geral, em suas casas ou em lan houses, eles fazem uso de sites de busca, das redes sociais, de site de vídeos, dos blogs, de diversos games, entre outras ferramentas, recursos e programas disponíveis na rede. Professores também fazem uso de muitos desses recur- sos, aproximando-se de seus alunos e motivando-os para o aprendizado. Recursos e equipamentos tecnológicos estão, muitas vezes, disponíveis nas escolas, constituindo poten- cialmente meios de criar situações motivadoras de apren- dizagem, promovendo o desenvolvimento de habilidades e mobilizando a busca da ampliação do conhecimento pelos docentes/discentes. Os professores das diversas disciplinas encontram na web ferramentas e recursos capazes de despertar o interesse dos alunos, dinamizando suas aulas e potencializando a motiva- ção. Alguns destes oferecem boas possibilidades de assimilação mais significativa de conceitos, processos, fenômenos, fatos e temas, além do desenvolvimento de habilidades e competências, implicando o poder da imagem, da visualização e da interação. No caso específico da Geografia, estão disponibilizados na internet, por exemplo: sites de vídeos, sites que disponibi- lizam imagens diversas, entre elas ferramentas de mapas e as imagens de satélite, como o do Cptec/Inpe <http://satelite. cptec.inpe.br> e o do CdBrasil Embrapa <http://www.cdbrasil. cnpm.embrapa.br> (acesso em: 24 set. 2018). Com o desen- volvimento progressivo da rede mundial de computadores e das ferramentas, dos recursos e programas, vão surgindo novas possibilidades, de modo que é essencial que você as acompanhe, para ampliar seu aproveitamento. Visando apoiar o seu trabalho com o desenvolvimento de competências para lidar com essas tecnologias, em diversos pontos do material indicamos sites com vídeos, animações e outros recursos que podem ser usados em sala de aula com os alunos. No entanto, sugerimos que você amplie as possi- bilidades. Acessando sites de vídeos, você pode encontrar material útil, afinado com o tema a ser trabalhado na sala de GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 36 11/22/18 6:24 PM XXXVIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL aula e com a proposta que deseja desenvolver. Por exemplo, breves documentários nesses sites de vídeos (de cerca de 5 minutos), considerando a maior parte dos temas da Geogra- fia, podem ser exibidos na classe para sensibilizar, comple- mentar ou mostrar outra visão sobre os assuntos; esquemas e infográficos animados podem ser usados para explicar o que, em palavras, textos ou mesmo fotografias, é bem mais complicado e exige maior abstração dos alunos, por exemplo, o funcionamento de uma eclusa, o carregamento de contêi- neres em navios, a erupção vulcânica, o terremoto, o sistema de irrigação, o funcionamento de uma usina hidrelétrica etc. Entre os vídeos disponíveis na internet, de modo geral, encontram-se também aqueles nos quais são documenta- dos diversos fenômenos, processos e acontecimentos re- lacionados à ciência geográfica. Por exemplo: a devastação da vegetação brasileira e os fatores responsáveis por esse processo, como a ocupação do Cerrado pela agricultura; a complexidade do Grand Canyon (escavado pelo rio Colorado, no estado do Arizona, Estados Unidos), da Floresta Amazônica, de uma grande cidade; o processo de desertificação em várias partes do Brasil e do mundo; os efeitos da intensificação do efeito estufa; as diversas formas e processos do relevo etc. Além de utilizar ferramentas e recursos disponíveis em sites e inúmeras plataformas de compartilhamento de conteú- dos, um dos desafios de abordar a cultura digital em sala de aula também é favorecer a produção de conteúdo multimídia pelos alunos, estimulando-os a fazer uso dos inúmeros recur- sos digitais para produzir conhecimento, resolver problemas e agir de maneira ética exercendo protagonismo também em meio digital. De acordo com a BNCC: [...] os estudantes estão dinamicamente inseridos nessa cul- tura [digital], não somente como consumidores. Os jovens têm se engajado cada vez mais como protagonistas da cultura digital, envolvendo-se diretamente em novas formas de intera- ção multimidiática e multimodal e de atuação social em rede, que se realizam de modo cada vez mais ágil. Por sua vez, essa cultura também apresenta forte apelo emocional e induz ao imediatismo de respostas e à efemeridade das informações, privilegiando análises superficiais e o uso de imagens e formas de expressão mais sintéticas, diferentes dos modos de dizer e argumentar característicos da vida escolar. Todo esse quadro impõe à escola desafios ao cumprimento do seu papel em relação à formação das novas gerações. É im- portante que a instituição escolar preserve seu compromisso de estimular a reflexão e a análise aprofundada e contribua para o desenvolvimento, no estudante de uma atitude crítica em relação ao conteúdo e à multiplicidade de ofertas midiáticas e digitais. [...]35 35 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/SEB, 2017. p. 59. Vale lembrar que todo trabalho desenvolvido com recursos e ferramentas da internet deve ser previamente analisado e ponderado por você, considerando o conjunto de dinâmicas de aula. Esses recursos e ferramentas devem ser oferecidos de modo a motivar o aluno, criar situações desafiadoras de aprendizagem, contextualizar informações (integrando co- nhecimento científico e realidade/espaço vivido) e relacionar conhecimentos das diferentes disciplinas, contemplando o aspecto fundamental da interdisciplinaridade do ensino. Ou- tro aspecto a ser destacado é a seleção criteriosa dos sites a serem consultados pelos estudantes e das ferramentas a serem utilizadas por eles, na medida em que a internet, sendo um “território livre”, exige cuidados, cabendo a você indicar páginas de pesquisa confiáveis e com fontes seguras. O ensino do mapa e por meio do mapa Revistas, jornais, panfletos, internet, quadros, televisão, capas de cadernos, estampas de mochilas e bolsas... Sãovários os canais de comunicação e os dispositivos em que uma criança pode se deparar com mapas. É, no entanto, nos livros, sobretudo os escolares, que ela vai se deter nessa forma de comunicação. Mas para compreendê-la – e decodificá-la –, é necessário que se faça um trabalho de alfabetização cartográfica com crianças e adolescentes. Dessa forma, inicia-se um processo no qual os alunos irão fazer a passagem do desenho (lingua- gem gráfica) para o mapa (linguagem cartográfica). Esse pro- cesso deve respeitar o desenvolvimento cognitivo da criança, de modo semelhante ao que se faz em um processo de alfabe- tização. Assim, mais do que “mapas interessantes”, no Ensino Fundamental é preciso que os mapas sejam adequados ao estágio de desenvolvimento intelectual dos alunos. O trabalho com mapas, no entanto, deve ser mais do que decodificação e representação, isto é, deve ser realizado em função do desenvolvimento do pensamento espacial para a aplicação dos princípios do raciocínio geográfico na análise dos processos de produção do espaço. Dessa forma, entende-se ser necessário o ensino do mapa e por meio do mapa. Isso significa dizer que o mapa também deve ser utilizado como instrumento pedagógico para o estudo de determinado tema ou conceito, tendo como finalidade úl- tima a ampliação da compreensão do mundo. O ensino car- tográfico, portanto, deve ser feito considerando que o mapa, muito além de ser visto como um instrumento didático de representação, deve ser considerado um instrumento de pes- quisa, por meio do qual é possível obter informações sobre a realidade local, que está inserida num contexto mais amplo – espacial e temporal. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 37 11/22/18 6:24 PM XXXVIIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Pelos mapas, os alunos vão se apropriando da própria rea- lidade – sem perder de vista outras escalas espaço-temporais –, assimilando fenômenos, situando-se no espaço e no tempo, compreendendo os jogos de poder e as consequências da ação humana – tanto sociais quanto ambientais. Com essa compreensão, o aluno se percebe parte do processo, o que contribui para sua formação cidadã. Estudo do meio O estudo do meio é uma das estratégias que possibilitam a realização de um trabalho interdisciplinar, envolvendo profes- sores de diferentes áreas, bem como a aplicação dos temas estudados em sala de aula à realidade dos alunos. Dessa for- ma, eles podem compreender melhor a paisagem cultural do lugar onde vivem, estabelecendo relações entre os elementos naturais e as ações dos seres humanos e percebendo suas consequências para a sociedade e o ambiente. Por entender sua importância nos estudos de Geografia, uma vez que estimula nos alunos habilidades de observar, investigar, comparar, interpretar e analisar, entre outras, in- cluímos nas Orientações específicas do Manual do Professor sugestões de estudos do meio para serem realizados com seus estudantes. O estudo do meio, no entanto, é muito mais do que a saída dos alunos e a visita ao local escolhido. Ele exige um planeja- mento minucioso, que deve envolver os alunos, os professo- res, a direção da escola e os familiares. Comumente, essas etapas acontecem antes, durante e depois da saída propria- mente dita. Sempre que pertinente, incluímos orientações específicas a cada proposta de estudo do meio, apresentada no Livro do Aluno ou nas Orientações específicas do Manual do Professor. Abaixo seguem as etapas gerais necessárias ao bom desenvolvimento de um estudo do meio: • Antes da saída: defina quais são os objetivos da atividade de campo e de que maneira professores de outras dis- ciplinas podem ser envolvidos. Convide seus colegas e tracem juntos essa etapa do planejamento. Vocês poderão elaborar materiais que serão entregues previamente aos alunos, nos quais eles irão fazer os registros que servirão de apoio à pesquisa e que orientarão a observação do lo- cal visitado, conforme os objetivos traçados. Nessa etapa também é preciso definir o local a ser visitado, conhecendo seus horários, regras, como e quando ocorrem as visitas de grupos de alunos, o modo de deslocamento mais seguro, entre outros cuidados. • Durante a visita: nessa etapa, o fundamental é você e os outros professores acompanharem os alunos de modo que os objetivos traçados sejam cumpridos. Cuidados com a segurança dos alunos e o cumprimento de horários e combinados também devem ser observados. Caso julgue necessário, você pode dividir a turma em grupos, deixando cada um deles responsável pela observação e pelo registro de determinado(s) aspecto(s). • Após a visita: essa etapa também é fundamental e não deve ser esquecida. É o momento em que os alunos pode- rão trocar suas impressões e descobertas em relação ao local visitado, relacionando-as aos estudos. Além disso, eles deverão identificar o que ainda é necessário pesquisar para que os objetivos do estudo do meio sejam cumpridos e elaborar a síntese e a conclusão da atividade. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 38 11/22/18 6:24 PM XXXIXMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL A avaliação A avaliação é parte integrante do processo de ensino e aprendizagem. Se entendemos que o papel da escola é a educação de todos os alunos, e não uma seleção dos “melho- res”, compreendemos que a avaliação deve ser um processo contínuo, não só o momento de culminância do processo de aprendizagem. Segundo Fernandes e Freitas (2007): [...] Tradicionalmente, nossas experiências em avaliação são marcadas por uma concepção que classifica as aprendizagens em certas ou erradas e, dessa forma, termina por separar aque- les estudantes que aprenderam os conteúdos programados para a série em que se encontram daqueles que não aprenderam. Essa perspectiva de avaliação classificatória e seletiva, muitas vezes, torna-se um fator de exclusão escolar. Entretanto, é possível concebermos uma perspectiva de ava- liação cuja vivência seja marcada pela lógica da inclusão, do diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da par- ticipação, da construção da responsabilidade com o coletivo. Tal perspectiva de avaliação alinha-se com a proposta de uma escola mais democrática, inclusiva, que considera as infin- dáveis possibilidades de realização de aprendizagens por parte dos estudantes. Essa concepção de avaliação parte do princípio de que todas as pessoas são capazes de aprender e de que as ações educativas, as estratégias de ensino [e] os conteúdos das disciplinas devem ser planejados a partir dessas infinitas possibilidades de aprender dos estudantes. [...]36 Assim, entendemos que, além de ser feita de modo contí- nuo e processual, a avaliação deve, em termos de conteúdo, abranger as ações didáticas ocorridas durante o processo e ser planejada de acordo com os objetivos de aprendizagem e com a aquisição de habilidades para o desenvolvimento de competências. Esses objetivos são, de modo geral, voltados à compreensão e operacionalização de conceitos, princípios, procedimentos, valores e atitudes. É importante salientar que não se trata simplesmente de avaliar o desenvolvimento do aluno, mas o próprio processo de ensino-aprendizagem, de modo que a avaliação deve ser capaz de indicar as alterações necessárias nesse processo para tornar mais eficaz o trabalho do professor e mais sig- nificativa a experiência do estudante com a construção do conhecimento. Ela deve constituir um instrumento dinâmico de retroalimentação sistêmica para o professor, de modo a otimizar, durante o processo, as estratégias para favorecer o desenvolvimento de habilidades e competências. 36 Fernandes, Cláudia de Oliveira; Freitas, Luiz Carlos de. Indagações sobre currículo: currículo e avaliação. Brasília: MEC/SEB, 2007. p. 20. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/ arquivos/pdf/Ensfund/indag5.pdf>. Acesso em: 21 set. 2018. 37 BRASIL. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. lei nº 9.394,de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/lei9394.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2018. Por representar um processo contínuo, espera-se que a avaliação considere a interação dos diversos níveis de apren- dizagem, como são os de conhecimentos implícitos que, após serem aprofundados e refletidos, são convertidos em teorias ou conhecimentos explícitos passíveis de aplicação em outros contextos. Da mesma forma, deve refletir os resultados tanto das aprendizagens mais simples, como são os conhecimentos adquiridos por associação, como aqueles mais complexos, que exigem da parte do aluno uma reelaboração do seu próprio conhecimento. De acordo com a LDB, número 9.394/96, no inciso V do artigo 24: [...] a verificação do rendimento escolar observará os se- guintes critérios: [...] avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; [...]”.37 É importante destacar que a avaliação determinada pela LDB passou a ter um caráter político e social, contrapondo-se à prática educacional antiga, que a supunha puramente téc- nica. Desse modo, o caráter formativo da avaliação passou a predominar sobre o quantitativo e o classificatório, sendo necessário adotar estratégias avaliativas para medir o pro- gresso individual e contínuo, favorecendo o desenvolvimento intelectual dos alunos e preservando a qualidade necessária para sua formação escolar. O monitoramento contínuo das atividades realizadas em sala, a observação atenta do pro- fessor, os canais de comunicação e discussão com os alunos são meios de conduzir a avaliação formativa. Assim entendida, a avaliação deve orientar e regular o pro- cesso ensino-aprendizagem no qual o aluno obtém subsídios para compreender seu próprio processo de aprendizagem e o aprimoramento de suas habilidades cognitivas na resolução de problemas, ou seja, deve mensurar suas competências. Dessa forma, entende-se cada aluno como um indivíduo singular, evi- tando-se padronizações e respeitando e valorizando suas par- ticularidades e sua formação integral. Nesse mesmo processo, o professor obtém orientação e a possibilidade de regular sua prática pedagógica com a identificação da adequação do ensino oferecido com o verdadeiro aprendizado dos alunos. Quanto ao conteúdo, os critérios da avaliação devem con- templar tanto a operacionalização de conceitos, quanto a mo- bilização de processos cognitivos, procedimentos, valores e GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 39 11/22/18 6:24 PM XL MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL atitudes. Isso significa que, além do desenvolvimento das capacidades de conhecer, aplicar e comparar os conceitos de Geografia, é importante avaliar os procedimentos necessários para seu estudo e as atitudes e os valores construídos pelos alunos. Em geral, tais atitudes e valores estão relacionados aos temas contemporâneos, como a postura crítica diante da realidade, o discernimento quanto às ações adequadas para a preservação do patrimônio sociocultural e a adoção de valores éticos nas relações sociais e com a natureza. Para que possa espelhar os resultados obtidos pelo aluno nos vários momentos e desafios da aprendizagem, é impor- tante que a avaliação seja feita com instrumentos variados. A observação constante permite verificar o grau de comprome- timento de cada aluno com as tarefas propostas, sua partici- pação ativa, não para comparar os alunos entre si e atribuir valores, mas para verificar o desenvolvimento individual. Algumas estratégias e procedimentos em sala de aula também podem contribuir para a construção de uma rotina de aulas que crie um ambiente de convívio proveitoso, favo- recendo o protagonismo dos alunos no processo de ensino- -aprendizagem. Estimular um ambiente agradável em sala de aula, forne- cendo aos estudantes exemplos de como agir com respeito, solidariedade, tolerância e compreensão é uma estratégia que, combinada com a atribuição de responsabilidades em relação ao ambiente e às atividades em sala de aula, pode potenciali- zar o envolvimento e o aproveitamento nas atividades, além de contribuir para a motivação dos estudantes. Outro aspecto importante da prática pedagógica é garantir clareza em relação aos objetivos esperados em cada ativi- dade e aos critérios considerados em sua avaliação. Além disso, valorizar a participação dos estudantes, respeitar suas particularidades, considerando o desenvolvimento de suas competências socioemocionais, encarar dúvidas e erros como momentos de avaliação do processo de aquisição do conhe- cimento e construir com os estudantes a noção de que esses momentos são fundamentais para a aprendizagem também são práticas que estimulam a queda de barreiras afetivas, a autoconfiança, a superação de dificuldades e a valorização das conquistas. No repertório de vivências educativas, é importante favo- recer as atividades em dupla e em grupo, estimulando a troca de conhecimentos, o debate e a construção de argumentos, fortalecendo o vínculo entre eles e o desenvolvimento da ca- pacidade de aprender, de ouvir atentamente os colegas com respeito à manifestação de opiniões, dúvidas e sugestões durante a aula. Além disso, faz-se necessário fomentar os canais de co- municação em que os alunos se sintam à vontade para inte- ragir, de modo propositivo, nas dinâmicas conduzidas pelo professor e, ao mesmo tempo, sintam-se apoiados por ele, fornecendo suporte para que desenvolvam a autonomia e a responsabilidade. Assim, instrumentos como a autoavaliação, individual ou em grupo, a avaliação recíproca e o trabalho com projetos são importantes porque favorecem a observação crítica e a reflexão de cada um sobre seu próprio envolvimento no tra- balho. Desse modo, sugerimos que as avaliações por meio de testes e trabalhos, por serem mais pontuais, tenham seus resultados sempre integrados a outras formas de avaliação mais abrangentes e comprometidas com a formação integral dos estudantes. Sistematizando aquilo que foi aprendido As situações de avaliação representam geralmente um grande desafio para os alunos. Entendendo e assumindo que a avaliação é um processo permanente e contínuo, ela será parte do cotidiano dos alunos nas aulas de Geografia. Assim, é importante que eles sejam habituados às avaliações pon- tuais e que você compartilhe com a turma o que espera que aprendam. Retomar o que os alunos sabiam sobre os temas trabalhados antes de o estudo ser realizado, e observar o que sabem agora, rever e sistematizar os principais conteúdos tratados são algumas sugestões. Aqui, o caderno de anota- ções tem papel fundamental. Nele, você poderá solicitar aos alunos que: • registrem aquilo que já sabem sobre o tema a ser estudado, suas hipóteses e explicações prévias; registrem as dúvidas e curiosidades com relação ao tema de estudo; • façam anotações sobre o que foi visto em cada unidade ou debatido em cada uma das aulas, criando uma espécie de resumo do assunto discutido e das conclusões às quais a turma chegou; • escrevam textos pessoais sobre aquilo que mais gostaram de aprender ou sobre aquilo que ainda sentem dificuldade de compreender. Podem recorrer a desenhos e mapas con- ceituais como forma de ilustrar suas produções. Outra al- ternativa é que esses textos sejam produzidos em duplas ou grupos, como se fosse um diário de estudo da turma. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 40 11/22/18 6:24 PM XLIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Educação Inclusiva A perspectiva de uma educação inclusiva é fundamentada nas ideias que combatem, pelo prisma dos Direitos Humanos e do exercício da cidadania, a reprodução da exclusão social no ambiente escolar, e também fora dele, buscando a equidade e o atendimento às especificidades dos estudantes.Possui como marcos históricos sucessivos dispositivos de legislação que regulamentam a educação especial como uma modalidade de ensino, além de políticas públicas, que remontam ao final do século XIX. O texto da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva esclarece que: [...] tem como objetivo assegurar a inclusão escolar de alu- nos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para garantir: acesso ao ensino regular, com participa- ção, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; formação de profes- sores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão; participação da família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas comunicações e informa- ção; e articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.38 [...] Desse modo, pensamos que os estudantes no ensino regular e especial têm direito a uma educação de qualidade que garanta as condições de aprenderem juntos, tendo suas diferenças e particularidades respeitadas. Essa perspectiva de uma educação inclusiva influencia, portanto, na visão pedagógica do desenvolvimento dos estu- dantes e nas estratégias e recursos adotados para favorecer a aprendizagem e a expressão das potencialidades individuais. No entanto, às vezes o professor, em suas vivências educa- tivas, pode não saber como proceder diante do desafio da primeira acolhida dos alunos com necessidades educativas especiais (NEEs), situação que pode causar certa insegurança em sua prática pedagógica. Como apoio a você, indicamos a seguir algumas fontes de consulta, além de uma breve definição dos tipos de deficiência: • Deficiências visual e/ou auditiva: refere-se à insuficiên- cia ou limitação da resposta visual e à perda auditiva. 38 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. p. 14. As causas dessas deficiências podem ser congênitas, he- reditárias ou adquiridas (acidentes). A cegueira e a surdez são casos clínicos de ausência completa da capacidade dos órgãos. • Deficiência física: relaciona-se à disfunção ou interrup- ção dos movimentos dos membros do corpo, levando à paralisia parcial ou total. A limitação do funcionamento motor pode atingir um membro apenas (monoplegia), os membros superiores (diplegia), membros localizados no mesmo lado do corpo (hemiplegia), ou ainda três membros (triplegia), sendo decorrente de traumas, paralisia ou lesão cerebral, malformação congênita ou amputação. • Deficiência intelectual: está relacionada à limitação do fun- cionamento cognitivo, que é comprometido por causas genéticas ou distúrbios durante a gestação. Manifesta-se antes dos 18 anos e pode influenciar as interações sociais, o desenvolvimento do pensamento abstrato e da fala, en- tre outros aspectos. • Deficiências múltiplas: caracteriza-se pela associação de deficiências, gerando os seguintes quadros: deficiência física e psíquica; sensorial e psíquica; e física, psíquica e sensorial. Obras de consulta sugeridas BASIL, Carmen. Os alunos com paralisia cerebral: desenvol- vimento e educação. In: COLL, C.; PALÁCIOS, J. e MARCHESI, A. (Org.). Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: ArtMed, 1995. v. 3. p. 252-271. . Câmara Legislativa. Escola Virtual de Cidada- nia. Inclusão, Educação e trabalho. Disponível em: <https:// escolavirtualdecidadania.camara.leg.br/flux/inclusao_edu cacao_e_trabalho>. Acesso em: 13 set. 2018. MAZZOTTA, M. J. S. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2003. MOVIMENTO DOWN. Dicas práticas para professores: crian- do uma sala de aula inclusiva. Disponível em: <http://www. movimentodown.org.br/2017/01/criando-uma-sala-de-aula- inclusiva>. Acesso em: 13 set. 2018. VALLE, Jan W.; CONNOR, David J. Ressignificando a defici- ência: da abordagem social às práticas inclusivas na escola. Porto Alegre: AMGH, 2014. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 41 11/22/18 6:24 PM XLII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Textos de apoio O texto a seguir, de Iná Elias de Castro, subsidia reflexões e discussões que envolvem o conceito de escala, presentes no volume de 6o ano. O problema da escala A análise geográfica dos fenômenos requer objetivar os es- paços na escala em que eles são percebidos. Este pode ser um enunciado ou um ponto de partida para considerar, de modo explícito ou subsumido, que o fenômeno observado, articulado a uma escala, ganha um sentido particular. Esta consideração poderia ser absolutamente banal se a prática geográfica não tratasse a escala a partir de um raciocínio analógico com a cartografia, cuja representação de um real reduzido se faz a partir de um raciocínio matemático. Este, que possibilita a operação, através da qual a escala dá visibilidade ao espaço mediante sua representação, muitas vezes se impõe, substi- tuindo o próprio fenômeno. E verdade que para os geógrafos as perspectivas da grande e da pequena escala ainda se fazem por analogia àquelas dos mapas, fruto da confusão entre os raciocínios espacial e matemático, ou como afirma BRUNET (1992), tomando o mapa pelo território. O problema do tamanho é, na realidade, intrínseco à análise espacial e os recortes escolhidos são aqueles dos fenômenos que são privilegiados por ela. Na geografia humana os recortes utilizados têm sido o lugar (e seus diversos desdobramentos – cidade, bairro, rua, aldeia etc.), a região, a nação e o mundo. Na geografia física os recortes não são necessariamente estes. Na geomorfologia, por exemplo, são aqueles das ordens de grandeza espaço-temporal diferenciadas para os fenômenos a serem estudados, na climatologia a escala pertinente é basi- camente continental ou planetária. Portanto, tão importante como saber que as coisas mudam com o tamanho, é saber exatamente o que muda e como. É preciso ser justo. A escala enquanto problema epistemoló- gico e metodológico tem sido tema de reflexão de alguns geó- grafos, embora em número menor do que seria esperado, tendo em vista sua importância para a compreensão da essência de algumas questões com as quais se defrontam os estudiosos da organização espacial. Discutindo a escala como um problema crucial na geografia, LACOSTE (1976) explicou que diferenças de tamanho da su- perfície implicavam diferenças quantitativas e qualitativas dos fenômenos. Para ele, a complexidade das configurações do espaço terrestre decorre das múltiplas interseções entre as configurações precisas destes diferentes fenômenos e que a sua visibilidade de- pende da escala cartográfica de representação adequada. Pois “a realidade aparece diferente de acordo com a escala dos mapas, de acordo com os níveis de análise” (LACOSTE, 1976, p. 61). [...] 39 CASTRO, Iná Elias de. O problema da escala. In: CASTRO, I. E. de; Gomes, P. C. C.; CORRÊA, R. L. Geografia: Conceitos e temas. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. p. 120-123. A escala é, na realidade, a medida que confere visibilidade ao fenômeno. Ela não define, portanto, o nível de análise, nem pode ser confundida com ele, estas são noções independen- tes conceitual e empiricamente. Em síntese, a escala só é um problema epistemológico enquanto definidora de espaços de pertinência da medida dos fenômenos, porque enquanto me- dida de proporção ela é um problema matemático. Ao definir a priori as ordens de grandeza significativas para análise, Lacoste aprisionou o conceito de escala e transformou-o numa fórmu- la prévia, aliás já bastante utilizada, para recortaro espaço geográfico. Sua reflexão sobre a escala, apesar de oportuna e importante, introduziu um truísmo, ou seja, o tamanho na relação entre o território e a sua representação cartográfica. [...]39 O texto abaixo, de Milton Santos, subsidia a abordagem de temas presentes no volume de 7o ano relacionados às dinâmi- cas do território e do processo de urbanização. A transformação do papel das metrópoles Houve, ao longo da história brasileira, quatro momentos do ponto de vista do papel e da significação das metrópoles. Quando o Brasil urbano era um arquipélago, com a ausência de comunicações fáceis entre as metrópoles, estas apenas coman- davam uma fração do território, sua chamada zona de influên- cia. Num segundo momento, há esforços pela formação de um mercado único, mas a integração territorial é, praticamente, limitada ao Sudeste e ao Sul. Um terceiro momento é quando conhece um ajustamento: primeiro à expansão e, depois, à crise desse mercado, que é um mercado único, mas segmentado; único e diferenciado; um mercado hierarquizado e articula- do pelas firmas hegemônicas, nacionais e estrangeiras, que comandam o território com apoio do Estado. Não é demais lembrar que mercado e espaço, ou ainda melhor, mercado e território, são sinônimos. Um não se entende sem o outro. O movimento de concentração-dispersão, próprio da dinâ- mica territorial em todos os tempos, ganha, todavia, expressões particulares segundo os períodos históricos. Pode-se dizer, no caso do Brasil, que, ao longo de sua história territorial, as ten- dências concentradoras atingiam número maior de variáveis, presentes somente em poucos pontos do espaço. Recentemente, as tendências à dispersão começam a se impor e atingem par- cela cada vez mais importantes dos fatores, distribuídos em áreas mais vastas e lugares mais numerosos. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a integração do espaço brasileiro e a modernização capitalista ensejam, em primeiro lugar, uma difusão social e geográfica do consumo em suas diversas mo- dalidades e, posteriormente, a desconcentração da produção moderna, tanto agrícola quanto industrial. [...] Em outro sentido, todavia, há um movimento de concen- tração das formas de intercâmbio, no nível nacional e estadual ou regional, tanto no âmbito matéria quanto no intelectual. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 42 11/22/18 6:24 PM XLIIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL A comercialização tende a se concentrar, economicamente e geograficamente, ainda que a pobreza persistente da população assegure a permanência de pequenos comércios e serviços, com estabelecimentos dispersos. As novas formas de um trabalho intelectual mais sofisticado, de que dependem a concepção e o controle da produção, são, também, concentradas, ainda que outras formas de trabalho intelectual, cada vez mais numero- sas, ligadas ao processo direto da produção mas também à sua circulação, sejam objeto de dispersão geográfica, atribuindo novas funções às cidades de todos os tamanhos. A nova divisão do trabalho territorial atinge, também, a pró- pria região concentrada, privilegiando a cidade de São Paulo, a respectiva Região Metropolitana e seu entorno, onde a acu- mulação de atividades intelectuais ligadas à nova modernidade assegura a possibilidade de criação de numerosas atividades produtivas de ponta, ambos esses fatos garantindo-lhe pree- minência em relação às demais áreas e lhe atribuindo, por isso mesmo, novas condições de polarização. Atividades modernas presentes em diversos pontos do País necessitam de se apoiar em São Paulo para um número crescente de tarefas. São Paulo fica presente em todo o território brasileiro, graças a esses novos nexos, geradores de fluxos de informação indispensá- veis ao trabalho produtivo. Se muitas variáveis modernas se difundem amplamente sobre o território, parte considerável de sua operação depende de outras variáveis geograficamente concentradas. Dispersão e concentração dão-se, uma vez mais, de modo dialético, de modo complementar e contraditório. É desse modo que São Paulo se impõe como metrópole onipre- sente e, por isso mesmo, e ao mesmo tempo, como metrópole irrecusável para todo o território brasileiro.40 [...] Professor, o texto a seguir, de Leandro Bruno Santos e Cássio Antunes de Oliveira, explora o conceito de desenvolvi- mento, contribuindo para reflexões e discussões realizadas nos volumes de 8o e 9o anos. Desenvolvimento As abordagens sobre o desenvolvimento comparecem em obras de economistas clássicos (François Quesnay, Adam Smith, David Ricardo e Stuart Mill), neoclássicos (Carl Menger, Leon Walras, Vilfredo Pareto, William Jevons), de Karl Marx (o desenvolvimento ocorre de maneria cíclica e, ao mesmo tempo, através do conflito distributivo entre ca- pitalistas e trabalhadores) e nas obras de Joseph Schumpeter, defensor da ideia de que o desenvolvimento ocorre a partir de mudanças revolucionárias (com alterações irreversíveis em relação à situação anterior) e de novas combinações dos fatores de produção. Mas é apenas a partir da década de 1950 que o desenvol- vimento adquire notoriedade e se torna um tema especifica- mente novo na Economia, quanto alvo de políticas públicas internacionais e nacionais. Em linhas gerais, os economistas clássicos compreendiam o desenvolvimento no longo prazo. 40 SANTOS, Milton. A urbaniza•‹o brasileira. São Paulo: Edusp, 2008. p. 89-90. [...] Os neoclássicos, ao priorizarem os elementos da microecono- mia, buscavam a contemplação do desenvolvimento econômico, que ocorreria de maneira “harmoniosa e contínua”, isto é, não haveria conflito entre os agentes econômicos. A eficiência alo- cativa levaria à justiça distributiva ou, em outras palavras, ao equilíbrio social e espacial. Por isso, o termo desenvolvimento tornou-se o grande slogan do século XX, podendo ser identi- ficado tanto como ideologia quanto como objeto de políticas de governos. Fundiu-se, nesse século, a ideia de progresso e de desenvolvimento, de modo que este último passou a ser utiliza- do como sinônimo de crescimento, pois progresso e expansão não eram, na verdade, virtudes intrínsecas a todos os países do mundo. Em outras palavras, o desenvolvimento era algo intrínseco às sociedades ocidentais. Em princípio, as políticas desenvolvimentistas dos governos estavam ligadas diretamente aos elementos macroeconômicos, como a geração de emprego de renda per capita. É com o aumento das desigualdades inter-re- gionais que surgem proposições de desenvolvimento que visam uma maior equalização entre as regiões. O relativo atraso entre os países é visto pela existência de obstáculos ao crescimen- to, e a “etapa de decolagem”, ou a passagem de uma sociedade tradicional para uma sociedade moderna, seria marcada pelo crescimento da indústria e pelo aumento do consumo de massa. Caberia aos países desenvolvidos a criação de programas que beneficiassem a passagem do “subdesenvolvimento” ao “desen- volvimento”, sobretudo com os avanços tecnológicos ligados à indústria, os quais, invariavelmente, proporcionariam o cres- cimento econômico e, em consequência, o desenvolvimento. Essa visão simplista e linear de superação de estágios esqueceu o espaço nos seus aspectos naturais e humanos, ao mesmo tempo que desconsiderou o fato de que, de modo inevitável, o mundo implodiria se os países “subdesenvolvidos” chegassem ao estágio dos países desenvolvidos. Assim, cada país deveria passar pelas mesmas etapas de transformação histórica e o subdesenvolvido seria explicado pelo fato de alguns países não crescerem econo- micamente, enquanto outros o faziam. No entanto, essa corrente teórica deixava uma lacuna na passagem das formas tradicionais de produção às formas industriais. Discutir as interpretações do subdesenvolvimento latino-americano é um caminho para debater essa problemática. Em 1949 nasce a Comissão Econômica para América La- tina (Cepal), com a publicação do livro Estudo econômico daAmérica Latina, propondo a conscientização de que ocorreu um processo de industrialização em alguns países, entre 1914 e 1945. Os pressupostos cepalinos estavam assentados na ideia do desenvolvimento desigual do progresso técnico: de um lado, a existência de economias industriais compreendidas pelo centro dinâmico e, de outro, economias periféricas ex- portadoras de produtos primários. A relação de troca entre centro e periferia, mais tarde, passaria a ser denominada de etapa do desenvolvimento para fora, uma vez que, em primeira GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 43 11/22/18 6:24 PM XLIV MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL instância, o crescimento interno era dependente do mercado externo, sobretudo quando se tratava de exportação de produ- tos primários. Diferentemente dessa etapa de criação de uma renda interna dependente, os desequilíbrios engendrados pela Primeira Guerra Mundial, pela depressão na década de 1930 e pela Segunda Guerra Mundial ocasionaram uma nova etapa de desenvolvimento industrial brasileiro e latino-americano (teoria dos choques adversos), denominada etapa do desen- volvimento para dentro. Isso porque o pensamento cepalino caracterizava-se pela periodização histórica, isto é, num pri- meiro momento a economia colonial/nacional era dependente do crescimento para fora e, num segundo momento, com a industrialização ocorrida por meio do processo de substituição das importações, há uma industrialização extensiva/intensiva. Essa interpretação foi criada com ênfase pela sobrevalorização de fatores puramente econômicos em detrimento dos condi- cionantes sociais e políticos. Como resposta, surge a teoria da dependência, assentada na interpretação global do desenvolvi- mento, isto é, no estabelecimento de conexões entre o sistema econômico e a organização social e política das sociedades subdesenvolvidas. Para os seus defensores, a análise global permite perceber que não existe um nexo indissociável entre a diferenciação do sistema econômico e a formação de centros de decisão. Em outras palavras, o forte crescimento industrial que ocorreu em alguns países latino-americanos na década de 1960 (Brasil, México e Argentina), paradoxalmente, reiterava a condição de dependência estrutural. [...] O desenvolvimento sustentável, por sua vez, está ligado à relação dos homens com a natureza, pois preconiza a utili- zação racionalizada dos estoques de recursos naturais, bem como a preocupação com as gerações futuras e a necessidade de um desenvolvimento com equidade entre a sociedade e a natureza.41 [...] Professor, o texto a seguir, de Cássio Eduardo Viana Hissa, aborda os conceitos de fronteiras e limites, auxiliando os es- tudos realizados nos volumes de 7o, 8o e 9o anos. Fronteiras e limites – A distância e o contato Fronteiras e limites, em princípio, fornecem imagens concei- tuais equivalentes. Entretanto, aproximações e distanciamen- tos podem ser percebidos entre fronteiras e limites. Focaliza-se o limite: ele parece consistir de uma linha abstrata, fina o suficiente para ser incorporada pela fronteira. A fronteira, por sua vez, parece ser feita de um espaço abstrato, areal, por onde passa o limite. O marco de fronteira, reivindicando o caráter de símbolo visual do limite, define por onde passa a linha imaginária que divide territórios. Fronteiras e limites ainda parecem dar-se as costas. A fronteira coloca-se à frente (front), como se ousasse representar o começo de tudo onde exatamente parece terminar; o limite, de outra parte, parece 41 SANTOS, Leandro B.; OLIVEIRA, Cássio A. Desenvolvimento. In: SPÓSITO, Eliseu S. (Org.). Gloss‡rio de Geografia Humana e econ™mica. São Paulo: Editora Unesp, 2017. p. 119-126. significar o fim do que estabelece a coesão do território. O limite, visto do território, está voltado para dentro, enquanto a fronteira, imaginada do mesmo lugar, está voltada para fora como se pretendesse a expansão daquilo que lhe deu origem. O limite estimula a ideia sobre a distância e a separação, en- quanto a fronteira movimenta a reflexão sobre o contato e a integração. Entretanto, a linha que separa os conceitos é o espaço vago e abstrato. [...] Os significados de fronteira sempre podem ser compreen- didos como associados ao conceito básico que, inclusive, re- fere-se à utilização mais frequente da palavra: extremidade de um país ou região do lado onde confina com outro. Tal noção parece ser equivalente à de limite: linha de demarcação, sepa- rando terrenos ou territórios contíguos. A similitude entre tais conceitos pode, contudo, ser questionada. Entretanto, as duas noções possuem uma conotação política. Raffestin observa que “é particularmente estranho que só a fronteira tenha uma conotação política enquanto, de fato, todo limite possui uma...” Fronteiras e limites: o seu significado convencional, especial- mente trabalhado pelo senso comum, é o de delimitação polí- tico-administrativa. Limitar é partilhar para governar. Limites ou fronteiras são manifestações de exercícios de poder. Limitar é dividir. E, seguramente, o ato de dividir está associado à inten- ção de controlar. Outros significados estão associados à ideia, decorrendo do conceito básico: extremo, fim, contorno, separação. Os geógrafos, corretamente, avaliam com ressalvas o sig- nificado e a retidão das fronteiras e dos limites. Questionam a sua natureza e os próprios critérios que os originaram. A trajetória das fronteiras, passeando pelos terrenos e territórios, parece aleatória diante de tantos possíveis critérios objetivos e científicos. Claval auxilia: “Mas não se trata disso: a finali- dade das delimitações não é científica, é permitir o controle das pessoas...” Os limites são de diversas naturezas. A natureza dos limites também remete ao caráter dos campos em que atua. Mesmo os limites projetados para as dimensões do espaço e do território diversificam-se como decorrência da multiplicidade de pro- cessos associados a diversas manifestações de poder. Espaço e território são termos atualizados, frequentemente, para designar equivocadamente apenas o chão ou o terreno das coisas e a vida, mas não são termos equivalentes. Uma transição ou uma fronteira espraia-se entre os dois conceitos. O território é subsequente ao espaço e se estabelece a partir dele. [...] A mutação da própria natureza dos limites e das fronteiras é uma resposta às transformações políticas, econômicas, cul- turais. Quase todas as mudanças estão mais ou menos inte- GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 44 11/22/18 6:24 PM XLVMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL gradas aos processos de modernização que, progressivamente, estabelecem cenários para a crítica dos próprios limites e para a inserção de ambientes integrados. Percebe-se, assim, a mu- tabilidade histórica da noção de limite: ...desde o cercado original, a noção de limite sofreu muta- ções que dizem respeito tanto à fachada quanto ao aspecto de confrontação. Da paliçada à tela, passando pelas mu- ralhas da fortaleza, a superfície limite não parou de sofrer transformações, perceptíveis ou não, das quais a última é provavelmente a da interface. Do “cercado original” à noção contemporânea de “interface”, a superfície limite transformou-se, embora seu significado se mantivesse preso a algumas de suas origens. Estando associa- dos às estruturas de poder, os limites também se vinculam às ideologias, à ética, às normas de comportamento. [...] O poder, a fronteira e o governo. Mas o que se governa? Foucault responde: “Governam-se coisas.” Para ele, o território e a propriedade não são fundamentais, mas apenas variáveis. Sublinha-se: “...aquilo a que o governo se refere é não um territó- rio e sim um conjunto de homens e coisas”. Controlar, governar coisas e pessoas: é sobre elas que de fato, incide o poder. Mas se pessoas, coisas e suas relações são objeto de controle,elas não exteriorizam sua existência na desconsideração do território. Mais do que isso, as sociedades constroem o seu mundo e a sua cultura através do território e não exatamente sobre o território, como parece pensar Foucault. Assim, o território não é apenas um dado circunstancial. Ele é vital e parte integrante da dinâ- mica das coletividades. A vida não é um movimento desterri- torializado. Entendido como espaço produzido pela sociedade, o território é obra coletiva e, em si mesmo, manifestação de poderes. A construção do território, através de relações sociais, por si só, passa a significar o estabelecimento de fronteiras de natureza variada – entre pessoas e coisas.42 [...] Professor, o texto a seguir, de Claude Raffestin, aborda a relação entre recursos naturais e poder, auxiliando problema- tizações presentes nos volumes de 8o e 9o anos. Os recursos como armas políticas Hoje o petróleo, amanhã o trigo. Quem sabe? Todos os re- cursos são ou podem ser instrumentos de poder. Se é verdade que certos recursos – conforme a sua capacidade de satisfazer as necessidades fundamentais – manifestam uma grande per- manência no papel que podem desempenhar, eles não deixam de se ligar ao contexto sócio-econômico e sócio-político quanto à sua significação como instrumento de poder. Não existem mais bens livres. Só há bens “políticos”, exa- tamente porque respondem a necessidades coletivas e ainda mais porque as necessidades não são exógenas, mas endó- genas aos sistemas técnico-econômicos. A partir daí, se é 42 HISSA, Cássio E. V. A mobilidade das fronteiras: inserções da Geografia na crise da modernidade. Belo Horizonte: UFMG, 2002. p. 34-40. possível colocar em evidência os recursos que hoje são objeto de tensas relações de poder, não é mais possível dizer quais recursos determinarão as lutas e os conflitos dentro de dez ou vinte anos. A História está recheada de recursos, ou melhor, de matérias que não têm mais interesse para a época atual. É que tanto os sistemas técnicos como os sistemas econômicos, indissoluvelmente ligados, não encontram mais o interesse que já encontraram durante tanto tempo. A utilidade de uma matéria, como elemento básico de um recurso, é função da estrutura técnico-econômica e das sucessivas conjunturas. Observação banal, sem dúvida, mas na qual ainda não pene- tramos o bastante para compreender as mudanças de situação que sobrevêm para as populações territorializadas. [...] [...] Todo recurso pode ser objeto de uma análise, em termos de poder: quer seja de uso corrente, quer seja de pouco uso. Com relação ao poder, não há nenhuma diferença, a não ser na intensidade dos conflitos e das lutas desencadeadas, pois os recursos são instrumentos de poder. Esses instrumentos de poder dependem, quanto à sua eficiência, das estruturas e das conjunturas. Sempre foi assim, mesmo quando o fenô- meno não era percebido como tal. A luta pelos recursos é tão antiga quanto a humanidade. Desde que os homens existem há conflitos pelas “coisas úteis” ou assim consideradas. A história dos recursos não foi feita nessa perspectiva, o que é uma pena. Ainda que todas as formas de mercantilismo tenham, implicitamente, colocado o problema em termos de relações de poder e de lutas para a obtenção dos recursos. Se insistirmos nesse fato é porque fomos por demais marcados pela “psicose petrolífera”, o que poderia nos fazer pensar que o fenômeno é recente. É verdade que, de uns dez anos pra cá, tanto para os recursos renováveis como para os não renováveis manifestaram-se fenômenos de rarefação absoluta ou relativa, de tal forma que um vocabulário de tipo militar parece ser de uso apropriado. Fala-se de recursos como de uma arma: “O alimento é uma arma”, constatou Earl Butz em 1974, quando era secretário da agricultura dos Estados Unidos. Não há dúvida de que os americanos, estimulados pelo exem- plo da OPEP, pensaram em utilizar os recursos alimentares como instrumento de poder. Falando cinicamente, a arma econômica é mesmo mais “vantajosa”, visto que ela dá um tom menos dramático à luta e ao conflito: “O cerco de uma cidade é muito menos dramático do que um ataque: os meios econômicos agem através de efeitos indiretos e a longo prazo (em relação aos meios militares)”. É ainda possível, sempre na mesma perspectiva cínica, dissimular aos olhos da opinião internacional o caráter conflitual da ação, dando crédito à tese da raridade absoluta enquanto se trata de uma raridade artificial e relativa. É claro, já o vimos, que para os recursos se transformarem em “armas” é preciso que certas condições sejam realizadas. Antes, porém, eles sempre podem construir instrumentos de pressão. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 45 11/22/18 6:24 PM XLVI MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Os atores submetidos a essas pressões têm as seguintes pos- sibilidades, sejam elas escolhidas isoladamente ou em com- binações: 1. Adotar uma política de diversificação das fontes de im- portação; 2. Reduzir ou estabilizar as importações explorando mais intensamente as reservas, utilizando uma tecnologia para de- senvolver substitutos ou reduzindo a demanda; 3. Continuar a contar com as importações das fontes tradi- cionais, mas aumentar a segurança fazendo acordos bilaterais com os fornecedores; 43 RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. S‹o Paulo: çtica, 1993. p. 251-252. 4. Procurar uma solução multilateral em acordo com outros países importadores. É evidente que essas possibilidades não são de uma mesma natureza pois 1, 3 e 4 são de natureza comercial, enquanto 2 é de natureza técnico-econômica e só é viável para atores que dispõem de uma infra-estrutura científica desenvolvida. De qualquer forma uma certa concepção econômica interna- cional fez esquecer, voluntariamente ou não, que todo mercado era, além de um lugar ou de uma relação de troca, uma relação de poder no sentido mais puro. Isso é verdadeiro para todos os recursos, sejam renováveis ou não renováveis.43 [...] GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 46 11/22/18 6:24 PM XLVIIMANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL Bibliografia AB’SABER, Aziz Nacib. Os domínios de natureza no Brasil: po- tencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê, 2012. ALBUQUERQUE, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2009. ALENCAR JR., José Sydrião de (Org.). Celso Furtado e o desen- volvimento regional. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2005. ALVES, Júlia Falivene. A invasão cultural norte-americana. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. ANDRADE, Manuel Correia de. Uma geografia para o século XXI. 4. ed. Campinas: Papirus, 2002. ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. BACELAR, Tânia. Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro: heranças e urgências. Rio de Janeiro: Revan, 2000. BANCO do Nordeste do Brasil. Nordeste 2022: Estudos pros- pectivos – documento síntese. Fortaleza, 2014. BARROS, Alexandre Rands Barros. Desigualdades regionais no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 2009. BEAUD, Michel. História do capitalismo. 5. ed. São Paulo: Bra- siliense, 2005. BECKER, Bertha K. Amazônia. 3. ed. São Paulo: Ática, 1998. BENKO, Georges. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI. 3. ed. São Paulo: Annablume, 2002. BRANCO, Samuel Murgel. Água: origem, uso e preservação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2003. BRASIL. ENAP. Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência. Brasília, 2017. . Câmara Legislativa. Escola Virtual de Cidadania. Inclusão, Educação e trabalho. Disponível em: <https:// escolavirtualdecidadania.camara.leg.br/flux/inclusao_ educacao_e_trabalho>. Acesso em: 13 set. 2018. CARLOS, Ana Fani A. et al. Novos caminhos da Geografia. São Paulo: Contexto, 1999. CARR, Nicholas. A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros. São Paulo: Agir, 2011.CARVALHO, Maria Inez. Fim de século: a escola e a Geografia. 3. ed. Ijuí: Unijuí, 2007. CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 10. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2007. CASTRO, Iná Elias de et al. (Org.). Geografia: conceitos e temas. 10. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos et al. Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 4. ed. Porto Alegre: UFGRS/AGB, 2004. CHANG, Jung. Cisnes selvagens: três filhas da China. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. COLL, C. Qualidade, equidade e reformas no ensino. Madri: OEI-Fundação Santillana, 2009. COSTA, Wanderley Messias da. O Estado e as políticas territo- riais no Brasil. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2007. COX, Barry C.; MOORE, Peter D. Biogeografia. Rio de Janeiro: LTC, 2009. DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos humanos e cidadania. São Paulo: Moderna, 2004. DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel. 21. ed. São Paulo: Ática, 2005. DINIZ, Débora. O que é deficiência. 2. reimpressão. São Paulo: Brasiliense, 2012. FREIRE, Genebaldo. Atividades interdisciplinares de educação ambiental. 2. ed. São Paulo: Global, 2006. GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. 48. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010. HARVEY, David. O novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2012. HOBSBAWM, Eric. A era dos impérios. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007. IANNI, Octavio. Teorias da globalização. 11. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. LEPSCH. IGO F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2005. MARTIN, André Roberto. Fronteiras e nações. São Paulo: Con- texto, 2000. MARTINELLI, Marcello. Gráficos e mapas: construa-os você mesmo. São Paulo: Moderna, 1998. MELLO, Patrícia Campos. Índia: da miséria à potência. São Paulo: Planeta, 2008. MENDONÇA, Francisco. Geografia e meio ambiente. São Paulo: Contexto, 2012. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 47 11/22/18 6:24 PM XLVIII MANUAL DO PROFESSOR – PARTE GERAL MORAES, Antonio Carlos Robert; COSTA, Wanderley Messias da. A valorização do espaço. 4. ed. São Paulo: Hucitec, 1999. MOREIRA. Ruy. Para onde vai o pensamento geográfico? São Paulo: Contexto, 2012. NICOLESCU, Basarab et al. (Org.). Educação e transdisciplina- ridade. Brasília: Unesco, 2001. PONTUSCHKA, Nídia Nacib; PAGANELLI, Tomoko Iyda; CACETE, Núria Hanglei. Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo: Cortez, 2007. PONTUSCHKA, Nídia Nacib; OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de (Org.). Geografia em perspectiva. São Paulo: Contexto, 2002. PORTELA, Fernando; SCARLATO, Francisco Capuano. África do Sul: o apartheid – como era e como ficou. São Paulo: Ática, 2004. PRADO JR., Caio. História econômica do Brasil. São Paulo: Bra- siliense, 2006. REGO, Nelson; SUERTEGARAY, Dirce; HEIDRICH, Álvaro (Org.). Geografia e educação: geração de ambiências. Porto Alegre: UFRGS, 2001. ROSS, Jurandyr (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2011. SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. 6. ed. São Paulo: Hucitec, 2008. ; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2011. SILVA, Edilson Adão C. Oriente Médio: a gênese das fronteiras. São Paulo: Zouk, 2003. TEIXEIRA, Wilson; FAIRCHILD, Thomas Rich; TOLEDO, M. Cristi- na Mota D.; TVIOLI, Fábio (Org.). Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Nacional, 2009. VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável. Rio de Janei- ro: Garamond, 2009. VENTURI, Luis Antonio Bittar. Praticando Geografia: técnicas de campo e laboratório. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. VILLA, Rafael Duarte. A Antártida no sistema internacional. São Paulo: Hucitec, 2004. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Geral_002_048.indd 48 11/22/18 6:24 PM 1MANUAL DO PROFESSOR ELIAN ALABI LUCCI Bacharel e licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Professor em escolas particulares do estado de São Paulo Diretor da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) – seção local Bauru-SP ANSELMO LÁZARO BRANCO Licenciado em Geografia pelas Faculdades Associadas Ipiranga (FAI-SP) Professor em escolas particulares do estado de São Paulo Ex-professor da rede estadual de ensino de São Paulo WILLIAM FUGII Bacharel em Geografia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) Licenciado em Geografia pela Faculdade de Educação da USP Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP Professor em escolas particulares do estado de São Paulo 1a edição – 2018 São Paulo vvv GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 1 11/22/18 5:47 PM 2 MANUAL DO PROFESSOR Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Wagner Nicaretta Coordenação: Jaqueline Paiva Cesar Edição: Cassia Yuka de Andrade Tamura, Beatriz de Almeida Francisco e Mariana Renó Faria (assist. editorial) Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula C. Malfa, Arali Gomes, Brenda T. M. Morais, Carlos Eduardo Sigrist, Claudia Virgilio, Diego Carbone, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Heloísa Schiavo, Luciana B. Azevedo, Marília Lima, Maura Loria, Patricia Cordeiro, Patrícia Travanca, Sandra Fernandez, Vanessa P. Santos; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), Claudio Faustino (coord.) e Filipe Dias (edição de arte) Diagramação: Select Editoração Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Denise Durand Kremer (coord.), Evelyn Torrecilla e Fernando Cambetas (pesquisa iconográ�ca) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso Sousa e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Tratamento de imagem: Cesar Wolf e Fernanda Crevin Ilustrações: Ericson Guilherme Luciano, Lápis 13b, Luis Moura Cartografia: Eric Fuzii (coord.), Alexandre Bueno (edição de arte), Mouses Sagiorato (edição de arte) e O�cina de Mapas Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Aurélio Camilo (proj. grá�co), Flavia Dutra (capa), Gustavo Vanini e Tatiane Porusselli (assist. arte) Foto de capa: EyeEm/Getty Images Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A – Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902 SAC 0800 011 7875 www.editorasaraiva.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento – Bibliotecária – CRB-8/010142 2018 Código da obra CL 820667 CAE 631636 (AL) / 631728 (PR) 1a edição 1a impressão Impressão e acabamento 2 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 2 11/22/18 5:47 PM 3MANUAL DO PROFESSOR Ao observarmos as paisagens do lugar em que vivemos e aquelas que conhece- mos pelos diferentes meios de comunicação, ao tomarmos contato com as informa- ções sobre acontecimentos, fenômenos e processos verificados no espaço geográfico, muitos questionamentos podem surgir: Por quê? Como? Para quê? Essas indagações ou reflexões, junto com seu conhecimento, serão o ponto de partida para o estudo de Geografia neste livro. Assim, ao utilizá-lo, em um trabalho conjunto com o professor e os colegas, você será capaz de desenvolver muitas noções e encontrar respostas para várias perguntas. No decorrer do curso, porém, surgirão outros questionamentos, pois a busca pelo conhecimento, pela compreensão do mundo em toda a sua complexida- de, é tarefa que nunca termina. Esse é um dos motivos que fizeram a humanidade ter conquistado tantos avanços tecnológicos, estruturado diferentes usos do território e desenvolvido amplas possibilidades de sobrevivência em diversos locais da Terra. E é tambémpor meio do conhecimento que podemos encontrar caminhos para estender os benefícios conquistados a um número cada vez maior de pessoas, reduzindo as de- sigualdades sociais materializadas nas paisagens dos territórios de diversos países. Vivemos em um mundo complexo e que se transforma em ritmo acelerado. Modifi- cações nos modos de se comunicar, de produzir, de se divertir e de obter informações vão se processando rapidamente. Abrem-se novas possibilidades de conhecer, com- preender e analisar o território e suas paisagens, particularmente com o desenvolvi- mento da era digital. Neste mundo em mudança, são múltiplas as possibilidades de comunicação, e o volume de informações veiculadas é enorme. Nesse contexto, a Geografia, ciência que estuda o espaço organizado pela socie- dade e, portanto, a própria sociedade, pode colaborar para a formação de cidadãos capazes de compreender o mundo em que vivem e nele atuar de modo consciente, contribuindo para a conservação do ambiente e para que as desigualdades, a exclu- são, a discriminação e o preconceito não sejam marcas de nossa sociedade. Bom trabalho! Os autores 3 Apresenta•‹o GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 3 11/22/18 5:47 PM 4 MANUAL DO PROFESSOR 4 Cada livro da coleção está dividido em 6 unidades que, por sua vez, subdividem-se em capítulos. Abertura do capítulo Na abertura de cada capítulo, você encontra a seção Para come•ar, com atividades que serão o ponto de partida para o estudo dos conteúdos abordados. Propomos questões para você ler, interpretar e analisar imagens e textos variados. Explore Ao longo do texto principal, sugerimos alguns exercícios que poderão auxiliá-lo na leitura, interpretação e análise de imagens ou de algum aspecto importante do texto. Conhe•a seu livro 1514 Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicasUnidade 1 O espaço mundial Industrialização e urbanização Observe o mapa da figura 3. As consequências da Revolução Industrial A Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII na Inglaterra, deu início ao processo de industrialização, com a produção de mercadorias em larga escala, o trabalho especializado, as fortes demandas de matérias-primas e fontes de ener- gia. Esse processo teve significativas repercussões nos territórios dos países e mesmo nas nações que não tinham como forma de organização o moderno Esta- do nacional, estruturado inicialmente na Europa, entre os séculos XI e XVI. A partir da Revolução Industrial, a exploração de recursos naturais nos diver- sos continentes, inclusive naqueles onde os Estados-nações europeus estrutura- ram colônias, intensificou-se expressivamente. O fluxo de transporte marítimo se multiplicou em razão da ampliação da produção de mercadorias: dos territórios das colônias eram levados para os países europeus recursos minerais, vegetais e animais; as colônias, por sua vez, adquiriam mercadorias industrializadas. A colonização, que já estava presente desde o final do século XV na América e na África, intensificou-se neste continente na segunda metade do século XIX (em uma nova etapa da Revolução Industrial). A expansão da colonização ocorreu tam- bém na Ásia e na Oceania, no processo que ficou conhecido como neocolonialismo. As potências europeias formaram verdadeiros impérios coloniais, impondo sua cultura, sua forma de organização territorial e seu modo de produzir e incor- porando amplas porções territoriais ao capitalismo mundial. Em função disso, esse contexto de domínio de diversas nações e de controle de territórios foi mar- cado pela estruturação de novas territorialidades nos continentes submetidos ao processo neocolonialista. No século XIX, países como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Estados Unidos e Japão passaram pelo processo de industrialização, co- nhecido como Segunda Revolução Industrial. Esse processo foi marcado por uma série de mudanças: expansão dos espaços urbanos, que passaram a ter novas configurações; estruturação de redes ferroviárias; utilização de novas fontes de energia e ampliação do uso das já existentes, com a construção de redes elétri- cas; ampliação de portos; mecanização do processo de produção agrícola e au- mento expressivo do número de unidades fabris. A partir dessa etapa de industrialização, um nú- mero maior de trabalhadores passou a se dedicar à atividade industrial, e as mercadorias produzidas nas indústrias foram incorporadas ao cotidiano das pes- soas e ao espaço geográfico, tanto no campo como na cidade. Tudo isso implicou novas organizações territoriais nesses países e levou à estruturação de uma sociedade urbano-industrial (figura 2). Figura 2. Vista de Paris (França) em 1889, com destaque para a Torre Eiffel. No final do século XIX, a cidade já tinha quase dois milhões de habitantes. Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS/DESA/POPULATION DIVISION. World Urbanization Prospects 2018. Disponível em: <https://population.un.org/wup/Download/>. Acesso em: 17 set. 2018. O espaço geográfico é construído pela sociedade e modificado constante- mente. Nenhuma transformação nesse espaço se igualou à estruturação e à ex- pansão das cidades ocorridas a partir da Revolução Industrial. O desenvolvimento da atividade industrial consolidou o papel da cidade como centro do comando da economia capitalista. O crescimento da população urbana num ritmo maior que o da população rural caracteriza o processo de urbanização que altera a paisagem, mas esse é apenas seu componente numérico. Esse processo é caracterizado também por significativas transformações nos territórios dos países, como o aumento do número de cidades e a expansão das áreas ocupadas por elas; a concentração de grande quantidade de atividades econômicas diversas em diferentes setores (industriais, comerciais e de servi- ços) no espaço urbano; a estruturação de redes de transportes, de comunicação e de energia elétrica; e a ampliação dos fluxos de mercadorias, pessoas, capitais e informações entre as cidades e entre estas e o campo. 1. Os percentuais de população urbana são homogêneos no espaço mundial? Explique. 2. É possível afirmar que os elevados índices de população urbana são um fe- nômeno restrito aos países desenvolvidos? Por quê? Explore 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar ÁrticoCírculo Polar Ártico OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0 2 670 km N S LODe 20,1 a 40 Até 20 População residente em área urbana (%) De 40,1 a 60 De 60,1 a 80 Acima de 80 Figura 3. Mundo: popula•‹o urbana Ð 2018 O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra C o rb is /V C G /G e tt y I m a g e s 10 11 Nesta unidade você vai estudar O espaço mundial 1UNIDADE Xangai, na China, é uma cidade densamente urbanizada, com uma das maiores bolsas de valores do mundo, o que revela a ampliação do poder econômico chinês na atualidade. Foto de 2018. As etapas da Revolução Industrial e suas consequências territoriais e socioeconômicas As redes geográ� cas A globalização econômica e � nanceira e os movimentos contrários à globalização neoliberal Os fusos horários e a globalização O espaço mundial apresenta paisagens complexas, como as grandes cidades, que, por se constituírem nos pontos mais dinâmicos de seus territórios, centralizam a economia dos países. O espaço rural é marcado pela alta tecnologia de máquinas e produtos, que garan- te elevada produtividade. A construção desse espaço mundial é resultado de processos históricos, como a Revolução Industrial, e do avanço do sistema capita- lista, que, em sua fase atual, é marcado pela forte inte- gração entre empresas e países, com fl uxos de pessoas, capitais, mercadorias e informações cada vez mais in- tensos e contínuos. 1. Porque a Revolução Industrial contribuiu para a estrutura- ção de paisagens complexas como as mostradas nas foto- gra� as? 2. É possível considerar que Xangai é uma cidade conectada com o exterior? Por quê? A B zh a n g y u q iu /S h u tt e rs to c k P e te r A d a m s /A la m y /F o to a re n a Campos de tulipas com aerogeradores nos Países Baixos, 2016. Abertura de unidade Na seção que inicia as unidades, há imagens relacionadas à temática que será desenvolvida nos capítulos. Por meio das questões de exploração das imagens, você descobre o que já sabe sobre aqueles temas. 101Capítulo 7 Europa: movimentos populacionais e questões étnicas CAPÍTULO Europa: movimentos populacionais e questões étnicas7 Observe a imagem e leia a reportagem. Europeus barram imigrantes agora, mas precisarão deles Não importa muito o que [diz] a extrema- -direita xenófoba. O fato é que, no futuro, os países euro- peus vão precisar trazer consideráveis con- tingentes de imigrantes, se quiserem manter seu sistema de aposentadorias e seus níveis de riqueza. […] […] menos pessoas contribuindo para a Previdência e mais gente dela sacando por períodos mais longos é sinônimo de encren- ca, não só para as contas públicas como tam- bém para a economia do país como um todo. […] a única forma de equilibrar o sistema é agregando mais trabalhadores à população. Como os europeus não parecem dispos- tos a ter filhos, a única saída é a importação de mão de obra. […] SCHWARTSMAN, Hélio. Europeus barram imigrantes agora, mas precisarão deles. Folha de S.Paulo, 27 abr. 2011. Mundo, p. A14. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ ft2704201103.htm>. Acesso em: 23 jul. 2018. Converse com os colegas e o professor. 1. Considerando a data de publicação e o título da revista, além de seus conhe- cimentos sobre o assunto, a que processo da história do Brasil a revista pode ser relacionada? Explique. 2. Você tem antepassados que vieram da Europa como imigrantes? Se não, co- nhece alguém que tenha? De qual (quais) país (países)? 3. O primeiro parágrafo da reportagem menciona a extrema-direita xenófoba da Europa. Consulte no dicionário o significado de xenofobia e discuta com o pro- fessor suas repercussões na Europa. 4. Diferencie a realidade apresentada na imagem da realidade exposta na re- portagem. Para começar R e p ro d u ç ã o /A rq u iv o p ú b li c o d o e s ta d o d e S ã o P a u lo , S ã o P a u lo , S P Primeira edição da revista O Immigrante, publicada em São Paulo (SP), em 1907. Texto principal Para que você possa ler e compreender com facilidade os aspectos fundamentais do conteúdo, escrevemos um texto com linguagem objetiva e fluente, unindo recursos visuais variados que irão ajudá-lo a analisar e compreender melhor o que foi explicado. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 4 11/22/18 5:47 PM 5MANUAL DO PROFESSOR 5 Para integrar Nesta seção, promovemos a integração de algum tema abordado no capítulo com outras disciplinas. Esses temas interdisciplinares são trabalhados em questões que envolvem a exploração de diferentes linguagens e habilidades. 176 Unidade 4 Ásia: diversidade, desenvolvimento e confl itos Interesses externos Na atual política de “guerra contra o terrorismo”, os Estados Unidos e outros países europeus (particularmente o Reino Unido) acentuaram sua presença no Oriente Médio e na Ásia Central e promoveram o apoio a governos pró-ocidentais. Dessa forma, garante-se certo controle sobre reservas de petróleo e gás natural, oleodutos e gasodutos existentes ou que estão em projeto e em construção nos países da região. As relações do Ocidente com os governos do Oriente Médio e os interesses econômicos das grandes potências ficam claros quando consideramos que os Estados Unidos, apesar de se declararem defensores da democracia e da liber- dade de expressão, apoiam governos que não prezam esses valores, como os da Arábia Saudita e do Kuwait. Para conhecer mais A formação do petróleo O petróleo é uma substância composta de car- bono e hidrogênio. Encontrado quase sempre no estado líquido, sua formação se dá em ambien- tes marinhos com grandes quantidades de fito- plâncton. Esse fitoplâncton deve ficar enterrado sob espessas camadas de rochas sedimentares sob a ação de muito calor, por um longo tempo, para permitir a transformação da matéria orgâ- nica em óleo. Assim, o petróleo é encontrado nos subsolos oceânicos ou em locais que estiveram cobertos por mares. Além dessas condições, os geólogos apontam que as maiores reservas estão em estruturas geo- lógicas conhecidas como anticlinais, que se for- mam nas áreas onde ocorrem choques entre as placas tectônicas, cujos efeitos mais visíveis são os grandes terremotos, os vulcões e a formação das cordilheiras montanhosas. As grandes reservas do Oriente Médio encontram-se próximas à zona de colisão das placas árabe e eurasiana. LEINZ, Viktor; AMARAL, Sérgio Estanislau de. Geologia geral. São Paulo: Nacional, 1989. p. 222. A forma•‹o do petr—leo Mar Embasamento Pressão PressãoPressão Rocha geradora Petróleo Plâncton Rocha protetora Rocha reservatório Embasamento Detritos orgânicos Detritos inorgânicos L á p is 1 3 b /A rq u iv o d a e d it o ra PressãoPressão Petróleo gerado e migrado Fonte: elaborado com base em LEINZ, Viktor; AMARAL, Sérgio Estanislau de. Geologia geral. São Paulo: Nacional, 1989. p. 222. Para conhecer mais Seção composta de textos e, em alguns casos, imagens, que propiciam o contato com informações complementares ou que reforçam os conteúdos trabalhados no texto principal. Os textos apresentados têm origens diversas – livros, jornais, revistas e meios eletrônicos. 58 Unidade 2 Geopolítica mundial Como funciona uma bomba atômica A detonação de bombas atômicas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, inau- gurou uma nova era nos conflitos mundiais. Durante todo o período da Guerra Fria, o mundo viveu sob a tensão de uma possível Terceira Guer- ra Mundial, que poderia ser a última, considerando o potencial destrutivo das bombas atômicas. Vamos conhecer como funciona a bomba atômica. A bomba atômica geralmente usa urânio ou plutônio como combustível. Isso porque esses ele- mentos possuem átomos mais instáveis. O urânio é um minério existente na natureza e o plutônio é produzido a partir dele. O urânio bruto é processado e misturado a outros componentes para ser transformado em gás. Uma vez convertido em gás, o urânio é colocado em uma centrífuga e acelerado a altas velocida- des para se obter o urânio-235, que constitui o combustível da bomba atômica. Para integrar Ci•ncias Urânio extraído da mina já na forma conhecida como bolo amarelo, livre de impurezas, em Jadugoda (Índia), 2017. Tudo o que existe no mundo é composto de átomos, que são uma das menores partículas existentes. O átomo é formado pelo núcleo e pela eletrosfera. No núcleo estão os prótons (de carga elétrica positiva) e os nêutrons (sem carga elétrica). Na eletrosfera, encontram-se os elétrons (de carga negativa). Cargas iguais (positivo com positivo e nega- tivo com negativo) se repelem; cargas elétricas opostas (negativo com positivo) se atraem. No núcleo do átomo, os nêutrons diminuem a ins- tabilidade causada pela repulsão entre os pró- tons, mantendo-os contidos no núcleo. L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra Elétron Próton Nêutron P a ll a v a B a g la /C o rb is /G e tt y I m a g e s 20 Unidade 1 O espaço mundial Industrialização e agropecuária Observe a figura 8. O desenvolvimento da atividade industrial possibilitou transformações nas técnicas agrícolas, com a introdução de máquinas e outros equipamentos no es- paço rural. Tal fato contribuiu para o aumento da produção, sem ser necessário ampliar a área de cultivo, caracterizando um aumentode produtividade. No entanto, já no século XIX, a crescente população urbana, o aumento da po- pulação em geral, as novas mercadorias produzidas com matérias-primas agríco- las e as demandas geradas pela alimentação para abastecer a atividade pecuária exigiram também a ampliação das áreas agrícolas nos diversos continentes. O desenvolvimento tecnológico aplicado à agricultura e as significativas transfor- mações no modo de produção rural e nas relações de trabalho no campo ficaram conhecidos como Revolução Agrícola. As bases técnicas da Revolução Agrícola foram propiciadas, sobretudo, pelas indústrias fornecedoras de insumos para a agricultura (máquinas, sementes se- lecionadas, agrotóxicos, adubos e fertilizantes químicos, por exemplo). Os períodos de expansão colonial constituíram fases importantes da ex- pansão agrícola. Nas terras colonizadas pelos europeus na América e, posterior- mente, naquelas tomadas durante a expansão imperialista na África e na Ásia, no século XIX, foi implantado o sistema de plantation, responsável por abastecer o mercado europeu. 1. Relacione o que é retratado na fotografia com o desenvolvimento da ativida- de industrial. 2. Explique as consequências dessa forma de produção para o ambiente, a economia, a distribuição da população pelo território e o nível de emprego no campo. Explore Plantation: sistema agrícola baseado na produção monocultora de gêneros tropicais para fins de exportação, praticada em grandes propriedades (latifúndios), com mão de obra barata ou escrava. Figura 8. Colheita de milho em Hamburgo (Alemanha), 2018. S h D ro h n e n F ly /S h u tt e rs to c k Glossário Palavras ou termos que talvez você não conheça são explicados junto ao texto principal do capítulo, no boxe Glossário. 25Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Para sistematizar Retomar 1. Considerando o processo de globalização, que aspecto da urbanização apresentado no capítulo pode ser relacionado ao papel do capital financeiro? Exercitar 2. Leia a charge a seguir. a) Que problema social é criticado na charge? b) Com base na charge, é possível perceber uma característica im- portante da sociedade urbano- -industrial, que exige constante retirada de recursos naturais. Que característica é essa? • Compare as informações presentes nesse gráfico com as que aparecem no gráfico da figura 7, na página 19. Considerando o uso de combustíveis fósseis e a presença de fontes renováveis, a que con- clusão é possível chegar? Fonte: elaborado com base em MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA/EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Anuário Estatístico de Energia Elétrica, 2017. p. 36. Disponível em: <http://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/ publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-160/topico-168/Anuario2017vf.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018. Mundo: percentual de geração de energia elétrica por fonte – 1980 E ri cs o n G u ilh e rm e L u ci an o /A rq u iv o d a e d it o ra © A n g e li/ A ce rv o d o ca rt u n is ta Nuclear 8,5% Combustíveis fósseis 69,6% Hidrelétrica 21,5% Geotérmica 0,2% Biomassa e resíduos sólidos 0,2% Outras renováveis 0,4% 3. Interprete as informações do gráfico a seguir. Charge do cartunista Angeli. Para sistematizar Para encerrar cada capítulo, sugerimos uma seção de atividades variadas agrupadas em duas subseções – Retomar e Exercitar. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 5 11/22/18 5:48 PM 6 MANUAL DO PROFESSOR 6 45Capítulo 3 Um mundo mais interligado Atividades 1. Qual outra reflexão sobre a globalização é proporcionada pela leitura da fotografia e do texto? 2. Quais outros exemplos você conhece de muros que funcionam como fronteiras entre países? Os movimentos contra a globalização neoliberal A nova organização do sistema econômico internacional, apoiada no neoli- beralismo, também gerou formas de resistência. Vários movimentos sociais pas- saram a se posicionar contra essa nova realidade da economia internacional e a denunciar os problemas dela decorrentes. Em geral, esses movimentos estão ligados a organizações não governamen- tais (ONGs). Essas manifestações vêm mostrando a necessidade de reestrutura- ção das políticas adotadas pelos organismos internacionais, que contribuem para acentuar as desigualdades entre os países ricos e pobres. É interessante notar que esses movimentos e as ONGs são estruturados por pessoas de diferentes países, formando redes internacionais. Eles se articulam com o apoio de recursos tecnológicos que são, por sua vez, marca do processo de globalização, como a internet. Sem a rede mundial de computadores seria difícil mobilizar tantas pessoas, difundir ideias para diferentes locais do mundo e orga- nizar protestos e manifestações contrários à globalização. Globalização, violência ou diálogo? Dir. Patrice Barrat França, 2002. (52 min) Retrata uma profunda reflexão sobre o início do século XXI, relatando confrontos que se enquadram no âmbito da globalização. Filme Contraponto Observe a fotografia e leia o texto a seguir. O fator desencadeador, o gatilho para a multi- plicação de muros, foi essa reação contra a globa- lização e a crise de identidade ligada a isso. Há uma crise econômica, com aumento da desigualdade de renda e uma sensação de impo- tência das pessoas. É menos uma questão de in- segurança no sentido militar e mais uma insegu- rança social. Trata-se de uma percepção de que a cooperação internacional que se expandiu nos anos 1990 não é a maneira ideal para navegar as relações internacionais. MELLO, Patrícia Campos. Globalização gerou insegurança e, ao invés de derrubar, reforçou fronteiras. Folha de S.Paulo, 17 set. 2017. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/09/1918764-globalizacao-gerou- inseguranca-e-ao-inves-de-derrubar-reforcou-fronteiras.shtml>. Acesso em: 20 set. 2018. A globalização é, muitas vezes, relacionada à supressão de fronteiras, sejam físicas, como a queda do muro de Berlim, em 1989, sejam econômicas, como a entrada de capital de empresas transnacionais em outros países, ou mesmo culturais, como a incorporação de novos hábitos e valores. Entretanto, a fotografia e o texto acima ainda nos permitem outra reflexão sobre esse fenômeno. Cercas na fronteira entre Sérvia e Hungria, 2017. A tt il a K is b e n e d e k /A g ê n c ia F ra n c e -P re s s e 42 Unidade 1 O espaço mundial © U b e rt i/ A c e rv o d o c a rt u n is ta Atividades 1. De modo geral, o que ocorreu com os percentuais de pobres entre 1993 e 2013? 2. Em quais regiões houve redução mais significativa do número de pobres? 3. O que aponta o texto quanto à distribuição de riqueza no mundo? 4. Em sua opinião, o que o chargista quis expressar? Analise o gráfico, leia o texto e observe a charge. Para compreender Gráfico, texto e charge Fonte: elaborado com base em WORLD BANK. World Development Indicators. Disponível em: <http://databank.worldbank.org/data/reports. aspx?source=2&series=SI.POV.DDAY&country=#>. Acesso em: 20 set. 2018. Cerca de 7 milhões de pessoas que compõem o grupo dos 1% mais ricos do mundo ficaram com 82% de toda riqueza global gerada em 2017, aponta um estudo divulgado [...] pela organização não go- vernamental britânica Oxfam antes do Fórum Eco- nômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça. [...] De acordo com cálculos da entidade britânica, dois terços da riqueza dos bilionários é oriunda de heranças, rendimentos vindos da atuação empre- sarial em setores monopolizados e de vantagens adquiridas por meio de relações com os governos. Super-ricos × superpobres Citando dados do banco Credit Suisse, o estudo mostra que a distância entre os muito ricos e os muito pobres continua aumentando. E diminuí-la exigiria um crescimento da economia que é insus- tentável para o meio ambiente. Entre 1980 e 2016, o grupo 1% mais rico ficoucom 27% do crescimento da renda global. No mes- mo período, a metade mais pobre do mundo ficou com 13% da riqueza gerada. Caso esse nível de desigualdade se mantenha, fazer todos passarem a ganhar US$ 5 a mais por dia necessitaria que a economia crescesse 175 ve- zes. [...] GOMES, Helton Simões. Super-ricos ficam com 82% da riqueza gerada no mundo em 2017, diz estudo. G1, 22 jan. 2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/ noticia/super-ricos-ficam-com-82-da-riqueza- gerada-no-mundo-em-2017-diz-estudo.ghtml>. Acesso em: 1o out. 2018. Percentual da população que vive com menos de 1,9 dólar por dia – 1993-2013 0 1993 1996 2002 2008 2013 10 20 30 40 50 60 % Período 54 44,9 13,2 13,8 11,8 6,9 38,6 29,5 16,2 40,3 6,7 5,8 3,2 2,6 58,9 58,2 56,4 47,8 42,5 5 7,2 5,9 2,8 1,6 41,1 29,9 15,1 3,6 4,6 América Latina e Caribe Regi›es Sul da Ásia Oriente Médio e Norte da África África Subsaariana Europa e Ásia Central Sudeste Asiático e Pací�co2,7 E ri c s o n G u il h e rm e L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 115Capítulo 7 Europa: movimentos populacionais e questões étnicas Irlanda do Norte Gales Cornualha Normandia Bretanha Cantábria Astúrias Galiza Schleswig do Sul Frísia Flandres Terra da Escânia Sápmi Karelia Ingria Latgale Samogitia PrússiaBornholm Comunidade de Língua Alemã Valônia León Castela Andaluzia CartagenaGilbraltar* Países Catalães Provença Occitânia Épiro do Norte República da Bósnia Ligúria Padania Rússia Ístria República Sérvia Sanjaco Voivodina Terra de Székely Gagauzia Transnístria Crimeia Donbass Adiguésia Minorias Húngaras Silésia Morávia Caríntia Friuli-Venezia Giulia Veneto Bavaria Tirol do Sul Lombardia Insúbria Alsácia Savoia Aragão País Basco Escócia Chipre do Norte Is. Faroé Is. Shetland Is. Ocidentais Is. Orkney I. do Homem Is. Aland Is. Baleares Sardenha Córsega Sicília ÁFRICA ÁSIA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0° 50° N Círculo Polar Ártico M er id ia n o d e G re en w ic h Mar Mediterrâneo Mar do Norte Mar Negro Mar da Noruega0 370 km N S LO Movimentos que pedem mais autonomia Movimentos que pedem independência *Movimento que pede independência Atividades Contraponto Leia o título e o olho da notícia abaixo e interprete o mapa para responder às questões. União Europeia: o maior projeto de integração regional em seus piores momentos Criado para unir a Europa pós-guerra, o bloco cresceu, ficou complexo e hoje luta para sobreviver em meio a uma instabilidade econômica e identitária. IANDOLI, Rafael. União Europeia: o maior projeto de integração regional em seus piores momentos. Nexo, 3 mar. 2017. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/explicado/2017/03/03/Uni%C3%A3o-Europeia-o-maior-projeto-de- integra%C3%A7%C3%A3o-regional-em-seus-piores-momentos>. Acesso em: 29 set. 2018. 1. O título da notícia se refere à União Europeia, um dos maiores blocos regionais do mundo, tanto em ter- mos econômicos como políticos. Atualmente, quais são as finalidades desse bloco? 2. Embora o projeto da União Europeia tenha obtido avanços significativos, observa-se que o bloco pas- sa por uma delicada situação político-econômica. Explique o que significa a “instabilidade econômica e identitária” mencionada no texto. É possível dizer que o mapa contrapõe-se a essa finalidade de integra- ção do bloco? Explique. 3. Compare um mapa político europeu com o mapa acima. Quais são os países com mais movimentos se- paratistas ou em busca por autonomia? Quais desses movimentos você conhece? Europa: movimentos separatistas ou busca por autonomia Ð in’cio do sŽculo XXI O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra Fonte: elaborado com base em MAULDIN ECONOMICS. In: MARTIN, Will. This map shows the European regions fighting to achieve independence. Disponível em: <http://uk.businessinsider.com/map-of-european-independence-movements-2017-6>. Acesso em: 29 set. 2018. Para compreender Nesta seção, apresentamos questões que desenvolvem habilidades de compreensão, comparação, diferenciação, identificação, análise, entre outras, de variados recursos, com textos de livros, jornais, revistas e de meios eletrônicos. 28 Unidade 1 O espaço mundial A ciência, a pesquisa e a produção Ao tratar da Terceira Revolução Industrial, é fundamental entender a forte integração entre ciência, pesquisa e produção e sua importância socioeconômi- ca e, portanto, espacial no mundo contemporâneo. Essa integração tem conse- quências significativas na organização do território dos países, nas relações que se estabelecem entre a sociedade e a natureza e no espaço geográfico mundial. A ciência está estreitamente ligada à atividade industrial e a outras ativida- des econômicas: agricultura, pecuária, comércio e serviços. Para as empresas, o desenvolvimento científico e tecnológico possibilita a criação de novos produtos e o aperfeiçoamento de outros, além de reduzir custos, permitindo-lhes maior competitividade num mercado mundial cada vez mais disputado. Em relação ao conjunto de toda atividade produtiva dos países, o investimen- to científico tem sido crescente, pois as grandes multinacionais possuem seus próprios centros de pesquisa. Também o Estado, por meio de suas universidades e de outras instituições, estimula o crescimento econômico, preparando e capacitando pessoas ao exercí- cio de funções de pesquisa na área industrial ou agrícola e no desenvolvimento de tecnologias, transferidas ou adaptadas às novas mercadorias de consumo, aos novos equipamentos e processos de produção e às novas fontes energéticas. A energia eólica, por exemplo, é considerada uma fonte energética não po- luente, renovável e abundante. A Alemanha é um país que pretende abandonar gradativamente o uso de energia nuclear e que investe bastante em fontes ener- géticas renováveis (figura 13). Esse é um exemplo, entre muitos, de como os in- vestimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) podem priorizar uma relação entre a sociedade e a natureza que traga menos prejuízos ao ambiente. Os investimentos em P&D podem ser realizados pelo Estado e por empresas privadas. Em diversos países, os investimentos em pesquisas nas universidades são realizados principalmente com recursos públicos, como são os casos dos Es- tados Unidos, da China e do Brasil. Assim, a pesquisa científica aplicada à criação e ao desenvolvimento de no- vos produtos tornou-se parte do planejamento estratégico do Estado, visando à expansão econômica. Essa contribuição do Estado ao desenvolvimento científico e tecnológico é uma característica marcante nos países desenvolvidos. Indústria: um só mundo Pierre Beckouche São Paulo: Ática, 1998. Aborda a fase atual de industrialização mundial e as estratégias de localização industrial nas diversas regiões do planeta. Livro Figura 13. Central eólica em Kodersdorf (Alemanha), 2018. F lo ri a n G a e rt n e r/ P h o to th e k /G e tt y I m a g e s Indicações de materiais complementares Boxes distribuídos ao longo do texto principal, com indicações e comentários de livros, filmes e sites que tratam de temas discutidos ao longo dos capítulos. 190 Unidade 4 Ásia: diversidade, desenvolvimento e conflitos Atividades 1. Qual é a principal questão discutida no texto? 2. Quais são os determinantes físico-naturais levados em consideração na divisão entre Europa e Ásia e presentes no território da Turquia? 3. Quais aspectos histórico-geográficos caracterizam a Turquia como país do Oriente Médio? 4. Quais aspectos sociais e econômicos se tornaram argumentos contrários à entrada da Turquia na União Europeia? 5. Apesar da recusa recorrente da União Europeia à entrada da Turquia no grupo, como a posição geográfica do país proporciona condições favoráveis à economia desse país? Contraponto Leia o texto a seguir. [...] Os turcos nunca foram realmentere- conhecidos como parte da Europa por seus vizinhos ao norte e a noroeste. Se a Turquia é europeia, então as fronteiras da Europa estão do outro lado da vasta planície da Anatólia, significando que param na Síria, no Iraque e no Irã. Esse é um conceito que poucos acei- tam. Se a Turquia não é parte da Europa, onde está ela? Sua maior cidade, Istambul, foi Cida- de Europeia da Cultura em 2010, compete no Festival Eurovisão da Canção e no Campeo- nato Europeu Uefa, requereu inclusão no que é agora a União Europeia nos anos 1970; no entanto, menos de 5% de seu território está na Europa. A maioria dos geógrafos considera europeia a pequena área da Turquia que está a oeste de Bósforo, e o resto do país, a sul e a sudeste de Bósforo, estão situadas no Oriente Médio (no sentido mais amplo). Essa é uma razão por que a Turquia nunca foi aceita na União Europeia. Outros fatores são seus anais relativos a direitos humanos, especialmente no que se refere aos curdos, e sua economia. A população turca é de 75 milhões de habitantes, e os países europeus temem que, dada a disparidade em termos de padrão de vida, a filiação à União Europeia resultasse num influxo em mão de obra. Outro fator, embora tácito dentro da União Europeia, é que a Turquia é um país de maioria muçulmana (98%). A União Europeia não é uma organização secular nem cristã, mas houve um difícil debate sobre “valores”. Para cada argumento favorável ao ingresso da Turquia na União Europeia, há um argumento contrário, e na década passada as perspectivas desse ingresso diminuíram. Isso levou o país a refletir sobre outras opções. [...] Dada a sua massa de terra, pouco se imagina a Turquia como uma potência marítima, mas o país confina com três mares, e o seu controle dessas águas sempre fez dela uma força a ser levada em conta; é também uma ponte comercial de transporte ligando a Europa ao Oriente Médio, ao Cáucaso e até aos países da Ásia Central, com os quais compartilha a história e, em algumas regiões, os laços étnicos. MARSHALL, Tim. Prisioneiros da geografia. Rio de Janeiro: Zahar: 2018. p. 171-172. Vista da cidade de Istambul (Turquia), 2018. A lv a ro G e rm a n V il e la /S h u tt e rs to c k Contraponto Nesta seção, são apresentados temas para você trabalhar a competência de argumentação por meio de imagens, textos e atividades. 35Capítulo 2 A revolução técnico-cientí�ca e as redes Atividades 1. Observando as distorções do mapa, que retrato podemos fazer do uso de internet nos continentes? 2. O que podemos concluir sobre os países com maior porcentagem de conexão à internet? 3. Quais são os prejuízos para uma nação cuja população tem pouco acesso aos recursos oferecidos pela internet? Observe a representação acima. Você percebe algo diferente da maioria dos mapas? Compare-a com um mapa-múndi político. Você perceberá diferenças nas dimensões e na forma do território dos países. Quando pensamos em um mapa-múndi ou planisfério, logo nos vem à mente o modelo que mos- tra o território dos países convencionalmente, ou seja, com dimensões e forma do território que es- tamos acostumados a ver. Nesses mapas, os dados que eles apresentam, como população, índice de natalidade ou PIB de uma área, são indicados principalmente por meio de cores, cujo significado (quantidade) é informado na legenda. No entanto, há outras formas de representar um fenômeno quantitativo em mapas. Uma delas é a anamorfose. A anamorfose geográfica representa algum dado ou informação por meio de uma propor- ção predefinida. Nesse tipo de representação, o mais importante é indicar a proporção do fenômeno representado, e não a proporção entre os territórios dos países. Assim, quanto maior o valor dos dados quantitativos, maior dimensão a área terá. A anamorfose aqui apresentada traz duas informações diferentes ao mesmo tempo. Os dados são visualizados com um cartograma em forma de hexágono, em que as dimensões de cada país estão re- lacionadas à sua população com acesso à internet. Cada hexágono representa pouco mais de 300 mil usuários de internet. Países com menos de 300 mil internautas não foram representados no mapa. A cor dos países revela o percentual de acesso da população à internet em cada um deles: tons mais escuros indicam níveis percentuais mais elevados. Um mapa diferente Para compreender Cartografia Fonte: elaborado com base em WORLD DEVELOPMENT INDICATORS. Internet Users by Country, 2016. Disponível em: <http:// www.internetlivestats. com/internet-users-by- country/>. Acesso em: 19 set. 2018. EUA CANEUA MEX CUB DOM PRI NICGUA ELS CRA PAN HON TTOVEN COL EQU PER BRA BOL PAR URU CHI ARG RAS MOÇ MAD MWI ANG ZAM NAM ZIM TAN QUE UGA ETI SUD EGI ARL TUN MAR SEN CMA GAN NIG CAM RDC POR ESP FRA ALE PBSRUN IRL ISL BEL SUI ITA POL DIN NOR SUE FIN TCH AUT TUR UCR RUSBIE ROM HUN GRE IRA PAQ IND ARS ISR IEM OMA EAU JOR SIR NEP BAN SRI CHN MON CAZ UZB AZE COR JAP HKG FILVIETAI MAL CGP INS AUS NZL SER De 20,1 a 40 Até 20 Conexão à internet (%) De 40,1 a 60 De 60,1 a 80 Acima de 80 Cerca de 1 milhão de usuários Mundo: número de usuários e percentual da população com acesso à internet – 2016 O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 6 11/22/18 5:48 PM 7MANUAL DO PROFESSOR 7 233Capítulo 14 Índia Para sistematizar Retomar 1. Explique o significado de “desobediência civil” e quem defendeu esse princípio na luta pela independência da Índia. 2. Como ficou dividida a Índia após a independência? 3. Qual é o principal motivo da rivalidade entre a Índia e o Paquistão? 4. Entre as atividades econômicas de destaque na Índia atual, cite quais dependeram dos recursos técnicos e das características da economia globalizada. 5. Cite três setores industriais em evidência na Índia que têm projeção internacional. 6. Quais são os dois principais conflitos que desestabilizam a Índia na atualidade? Exercitar 7. Observe o mapa a seguir para responder às questões. Para fechar • Na abertura desta unidade, você analisou imagens com paisagens de dois países do sudeste asiático. No decorrer dos capítulos, estudou contrastes socioeconômicos, dados e fatos históricos da integração desses países à economia mundial. Agora, com base em seus conhecimentos sobre o conjunto de países desta unidade, redija um breve texto sobre o processo de urbanização e o desenvolvimento industrial e tecnológico nos países do Extremo Oriente, apresentando exemplos. Fonte: elaborado com base em UNITED Nations. World Economic Situation and Prospects, 2018. Disponível em: <https://www.un.org/ development/desa/dpad/ wp-content/uploads/sites/45/ publication/WESP2018_Full_ Web-1.pdf>. Acesso em: 8 ago. 2018 a) É possível afirmar que as economias dos países do sudeste asiático em desenvolvimento apresentam situação semelhante? b) Em comparação com os países em desenvolvimento da América Latina, o sudeste asiático é uma região com maior ou menor número de economias cujas receitas nacionais dependem muito da exportação de commodities? Trópico de Capricórnio 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar Ártico OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0 3 340 km N S LO 20% a 40% 0% a 20% 40% a 60% 60% a 80% 80% a 100% Sem dados Planisfério: dependência da exportação de commodities na receita dos países em desenvolvimento – 2014-2015 O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra Projeto especial 235Projeto especial Patrimônio Cultural da Humanidade234 Unidade 5 Ásia: Japão, Tigres, China e Índia Patrimônio Cultural da Humanidade Em uma das imagens de abertura desta unidade você conheceu um dos recém-declarados Patrimô- nios CulturaisMundiais da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultu- ra) no Japão. A Unesco é um organismo da ONU e tem como um dos principais objetivos a promoção do diálogo intercultural entre os países, promovendo a ampliação da educação, da cultura e da informação. O texto a seguir, retirado do site da instituição, apresenta informações sobre a importância da preserva- ção dos patrimônios da humanidade. Leia com os colegas e o professor. Associando o patrimônio cultural e o patrimônio natural A ideia de combinar a conservação dos sítios culturais com a dos sítios naturais foi dos Esta- dos Unidos. Uma conferência na Casa Branca, em Washington, pediu em 1965 que se criasse uma ‘Fundação do Patrimônio Mundial’ que estimulasse a cooperação internacional para proteger as ‘ma- ravilhosas áreas naturais e paisagísticas do mun- do e os sítios históricos para o presente e para o futuro de toda a humanidade’. Em 1968, a União Internacional para a Conservação da Natureza e seus Recursos (IUCN) elaborou propostas similares para seus membros, as quais foram apresentadas à Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Am- biente Humano organizada pelas Nações Unidas em Estocolmo em 1972. Por último, todas as partes interessadas se puse- ram de acordo quanto à adoção de um único texto. Assim, a Conferência Geral da Unesco aprovou, em 16 de novembro de 1972, a Convenção sobre a Pro- teção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural. Considerando o patrimônio em seu duplo as- pecto cultural e natural, a Convenção nos lembra as formas pelas quais o homem interage com a na- tureza e, ao mesmo tempo, a necessidade funda- mental de preservar o equilíbrio entre ambos. Representação da Unesco no Brasil. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/culture/world- heritage/heritage-legacy-from-past-to-the-future/>. Acesso em: 8 ago. 2016. Atividades 1. Explique a importância da preservação dos patrimônios da humanidade. 2. Em grupos, façam um levantamento dos patrimônios da humanidade do continente asiático. 3. Depois, cada grupo vai eleger três patrimônios que considere mais expressivos, de acordo com critérios estabelecidos pelo próprio grupo. É importante que os patrimônios não se repitam nos grupos. Os critérios podem ser tempo de existência, beleza, representatividade para a cultura e a religião do país, significado histórico para a humanidade ou outros. Façam uma pesquisa para obter informações e imagens desses patrimônios. 4. Cada grupo apresentará, em forma de seminário, imagens e informações sobre os patrimônios pesquisados. 5. Ao final, pode ser feita uma votação para eleger os cinco patrimônios da humanidade mais representati- vos localizados na Ásia. O patrimônio: legado do passado ao futuro O patrimônio é o legado que recebemos do pas- sado, vivemos no presente e transmitimos às futu- ras gerações. Nosso patrimônio cultural e natural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade. O que faz com que o conceito de Patrimônio Mundial seja excepcional é sua aplicação universal. Os sítios do Patrimônio Mundial pertencem a todos os povos do mundo, independentemente do territó- rio em que estejam localizados. Os países reconhecem que os sítios localizados em seu território nacional e inscritos na Lista do Pa- trimônio Mundial, sem prejuízo da soberania ou da propriedade nacionais, constituem um patrimônio universal ‘com cuja proteção a comunidade interna- cional inteira tem o dever de cooperar’. Todos os países possuem sítios de interesse local ou nacional que constituem verdadeiros motivos de orgulho nacional e a Convenção os estimula a iden- tificar e proteger seu patrimônio, esteja ou não in- cluído na Lista do Patrimônio Mundial. História sucinta Preservação do patrimônio cultural O evento que suscitou especial preocupação in- ternacional foi a decisão de construir a grande re- presa da Assuan no Egito, com a qual se inundaria o vale em que se encontravam os templos de Abu Simbel, um tesouro da antiga civilização egípcia. Em 1959, a Unesco decidiu lançar uma campanha internacional a partir de uma solicitação dos gover- nos do Egito e Sudão. Acelerou-se a pesquisa arqueológica nas áreas que seriam inundadas. Sobretudo os templos de Abu Simbel e Filae foram então completamente des- montados, transportados a um terreno a salvo da inundação e lá montados novamente. O sucesso dessa campanha conduziu a outras campanhas de salvamento, tais como a de Veneza, na Itália, a de Moenjodaro, no Paquistão, e a de Borobo- dur, na Indonésia, para citar apenas alguns exemplos. Em seguida, a Unesco iniciou, com a ajuda do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a elaboração de um projeto de Convenção sobre a proteção do patrimônio cultural. Palácio de Potala, em Lhasa (Tibete), 2017. Foi a residência principal do Dalai Lama até 1959. Hoje abriga um museu chinês. Foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1994. Taj Mahal (Índia), 2017. O grande mausoléu de mármore branco foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1983. Ruínas do templo de Wat Phra Ram na antiga cidade de Ayutthaya, na Tailândia, 2017, declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1991. M e iq ia n b a o /S h u tt e rs to c k H w a C h o Y i/ S h u tt e rs to c k R o o p _ D e y /S h u tt e rs to c k 255Geogra�a e Arte Artes performáticas maori254 Geografia e Arte Unidade 6 Oceania Artes performáticas maori Kapa haka (ou artes performáticas tradicionais maori) constitui uma parte poderosa e extremamente visual da experiência cultural da Nova Zelândia Kapa haka é o termo para as artes performáti- cas maori e significa literalmente formar uma li- nha (kapa) e dançar (haka). Trata-se de uma com- binação emocional e poderosa de música, dança e canto. A kapa haka é realizada por grupos culturais [...] nas escolas, e durante eventos especiais e fes- tivais. [...]. Durante uma apresentação de kapa haka, você ouvirá uma variedade de composições, cantos e co- rais, e elegantes músicas de movimento, além de intensas danças de guerra. Muitas apresentações incluem demonstrações habilidosas de armamento tradicional. Haka Haka são danças de guerra com cânticos altos, movimentos bruscos com as mãos, fortes pisadas no chão e tapas nas cochas. Os dançarinos podem incorporar armas tradicionais, como taiaha (armas parecidas com lança) e patu (tacos), ao haka. O time de rugby All Blacks é famoso por apresentar o haka antes de todos os jogos. [...] Pukana Pukana, ou expressões faciais, são um importante aspecto em apresentações maori. Ela ajuda a enfati- zar um ponto da música ou do haka, e demonstra a ferocidade ou paixão do performista. Para as mulhe- res, pukana envolve abrir bem os olhos e salientar seu queixo tatuado. Para os homens, significa abrir bem os olhos e esticar a língua para fora ou apertar os dentes. Embora sejam intimidadoras, essas expres- sões não são necessariamente um sinal de agressão, mas podem simplesmente demonstrar força e emo- ções profundas. NEW ZELAND TURISM. Kapa haka: apresentação maori. Disponível em: <https://www.newzealand.com/br/feature/ kapa-haka-maori-performance/>. Acesso em: 5 out. 2018. Observe, agora, as fotografias a seguir. Atividades Dança maori (Nova Zelândia), 2018. All Blacks dançam haka em partida de rúgbi contra a Austrália em Yokohama (Japão), 2018. H a n n a h P e te rs /G e tt y I m a g e s M a tt R o b e rt s /G e tt y I m a g e s 1. O que caracteriza as artes performáticas do povo maori? 2. Quais aspectos das artes performáticas maoris mais chamaram sua atenção? Por quê? 3. Faça uma pesquisa sobre os modos de vida de povos originários da Oceania e monte um painel para mostrar costumes. Siga as instruções: • Escolha o povo originário de um dos países da Oceania. • Procure textos e imagens em livros, revistas, jornaise na internet sobre os costumes, as caracte- rísticas naturais do lugar em que vivem, os objetos mais utilizados pelo povo escolhido e também aspectos das artes performáticas desse povo, se houver. • Organize as informações obtidas na pesquisa. • Inclua um mapa do país e identifique a região em que o povo originário vive. • Elabore um painel para apresentar ao professor e aos colegas. Nesse painel, valorize as imagens, não se esquecendo de criar legendas informativas. Este livro não é consumível. Faça todas as atividades em seu caderno. Geografia e Arte Ao final das unidades pares, propomos uma seção que associa Arte à ciência geográfica. O objetivo é desenvolver habilidades de observação, interpretação e análise de obras de arte, poemas, fotografias e outros recursos relacionados com temas trabalhados em Geografia. Sem proporção de tamanho e de distância. Cores fantasia. Indica que há material audiovisual relacionado ao tema ou ao conteúdo abordado. Projeto especial Ao final das unidades ímpares, você encontra projetos, com textos, imagens e atividades que estimulam a aquisição de conhecimentos, de métodos de estudo, de estratégias de aprendizado, além de promoverem o trabalho cooperativo. Para fechar Ao final de cada unidade, retomam-se pontos trabalhados na Abertura de unidade. As atividades têm o objetivo de ajudar você a rever, melhor compreender e desenvolver diferentes habilidades a partir dos conhecimentos obtidos, além de propor, em alguns casos, pesquisas, entrevistas e observação de paisagens. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 7 11/22/18 5:48 PM 8 MANUAL DO PROFESSOR Sum‡rio 8 Hans B los se y/A la m y/ F o to a re n a South Kor ea n D ef en se M in is tr y /G e tt y I m a g e s zhangy uqi u/S hu tte rs to ck Unidade 1 Unidade 2 Unidade 3 O espaço mundial, 10 Capítulo 1: Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas, 12 Revolução Industrial e transformações territoriais, 13 Industrialização e urbanização, 15 Industrialização e fontes de energia, 18 Industrialização e agropecuária, 20 A modernização das atividades e o desemprego estrutural, 23 Capítulo 2: A revolução técnico-científica e as redes, 26 O capitalismo e a Terceira Revolução Industrial, 27 Tecnologia nos sistemas e processos de produção, 29 As redes geográficas, 30 Telecomunicações, redes e internet, 33 Capítulo 3: Um mundo mais interligado, 37 Uma economia globalizada, 38 As corporações multinacionais, 39 A Organização Mundial do Comércio, 43 Os movimentos contra a globalização neoliberal, 45 Os fusos horários e a globalização, 46 Projeto especial: Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), 50 Geopolítica mundial, 52 Europa, 82 Capítulo 4: A Guerra Fria e o fim da URSS, 54 Relações políticas e econômicas no espaço mundial, 55 Mundo pós-1945: a Guerra Fria, 56 Fontes de poder: um breve panorama atual, 64 Capítulo 6: Europa: dinâmicas da natureza, 84 O continente europeu, 85 O relevo e a hidrografia, 86 O clima e a vegetação, 94 Capítulo 7: Europa: movimentos populacionais e questões étnicas, 101 A composição étnica e a religião, 102 Movimentos populacionais e racismo, 102 A pobreza na Europa desenvolvida, 108 Alguns conflitos no continente europeu, 109 Capítulo 8: Europa: realidade socioeconômica, 117 O elevado nível de desenvolvimento da Europa ocidental, 118 Capítulo 5: Geopolítica atual, 68 As relações internacionais no início do século XXI, 69 Principais questões ambientais e relações internacionais, 75 Geografia e Arte: Manifestações artísticas e do poder mundial, 80 A União Europeia (UE), 121 Os países da Europa oriental, 127 Atividades agropecuária e extrativa na Europa, 128 Os países mais industrializados, 132 Outros países fortemente industrializados da Europa, 137 Capítulo 9: A Rússia e a CEI, 141 Rússia: potência geopolítica, 142 A grande extensão territorial da Rússia, 147 A população russa e as questões étnicas, 148 Principais atividades econômicas da Rússia, 151 Projeto especial: A arte imita a vida, 154 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 8 11/22/18 5:48 PM 9MANUAL DO PROFESSOR 9 feathe rco lle cto r/ i St oc kp h o to /G e tt y I m a g e s De Visu /Sh utt er st oc k Unidade 4 Unidade 6 Ásia: diversidade, desenvolvimento e conflitos, 156 Capítulo 10: Ásia: diversidade natural e questões ambientais, 158 Localização e algumas características, 159 O relevo e a atividade sísmica, 161 A hidrografia, 164 O clima e a vegetação, 166 Problemas ambientais, 170 Capítulo 11: Oriente Médio, 172 Posição estratégica, 173 Atividades econômicas, 174 Israel: desenvolvimento econômico, 178 O islamismo e o fundamentalismo islâmico, 179 A questão Palestina e o Estado de Israel, 181 Irã: Revolução Islâmica, oposição ao Ocidente e transformações recentes, 184 Iraque e Afeganistão: guerras e ocupação, 185 Geografia e Arte: O Oriente Médio em histórias em quadrinhos: Persépolis, 192 Oceania, 236 Capítulo 15: Oceania: colonização e dinâmicas da natureza, 238 Arquipélagos e ilhas, 239 A colonização e o povoamento, 240 Dinâmicas da natureza, 241 Capítulo 16: Oceania: espaço socioeconômico, 246 Um continente de contrastes socioeconômicos, 247 A população, 247 Atividades econômicas, 249 Geografia e Arte: Artes performáticas maori, 254 Jihun S im / Sh ut te rs to ck Unidade 5 Ásia: Japão, Tigres, China e Índia,194 Capítulo 12: Japão e Tigres Asiáticos, 196 Aspectos socioeconômicos do Japão e dos Tigres Asiáticos, 197 Japão: grande potência industrial, 199 Atividades econômicas, 203 Tigres Asiáticos, 207 Os Novos Tigres, 211 Capítulo 13: China, 213 O território, 214 Mudanças econômicas e espaciais, 216 Reformas capitalistas e controle comunista, 217 Atividades econômicas, 217 Transformações sociais e demográficas na China, 222 Capítulo 14: Índia, 225 A formação da República da Índia, 226 Economia indiana, 227 A sociedade, 229 Conflitos na Índia, 230 Projeto especial: Patrimônio Cultural da Humanidade, 234 Bibliografia, 256 GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Iniciais_001a009.indd 9 11/22/18 5:48 PM 10 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 10 Nesta unidade você vai estudar O espa•o mundial 1UNIDADE Xangai, na China, é uma cidade densamente urbanizada, com uma das maiores bolsas de valores do mundo, o que revela a ampliação do poder econômico chinês na atualidade. Foto de 2018. As etapas da Revolução Industrial e suas consequências territoriais e socioeconômicas As redes geográfi cas A globalização econômica e fi nanceira e os movimentos contrários à globalização neoliberal Os fusos horários e a globalização A zh a n g y u q iu /S h u tt e rs to c k Objetivos da unidade Ao final do trabalho, espera- -se que o aluno seja capaz de: • identificar as etapas da Revo- lução Industrial e reconhecer os processos de industriali- zação e de intensificação da urbanização como algumas de suas consequências ter- ritoriais e socioeconômicas; • analisar os usos de diferen- tes fontes de energia e recur- sos naturais envolvidos no processo de industrialização; • relacionar os impactos da industrialização na produ- ção agropecuária, como o aumento da produtividade, mudanças nas relações de trabalho e os fatores relacio- nados ao problema da fome; • compreender as caracterís- ticas e consequências da re- volução técnico-científica, como a mudança nos pro- cessos de produção ( just in time) e a estruturação de redes geográficas que favo- recem o fluxo de pessoas, mercadorias e capitais; • analisar a importância da atuação da Organização Mun- dial do Comércio e de outros organismos internacionais; • compreender e aplicar os conceitos de mundialização e globalização para inter- pretar a integração político- -econômica mundial; • compreender aspectos re- lacionados à globalização econômica e financeira e os movimentos contrários à globalização neoliberal;• relacionar os fusos horários e a globalização. Nesta unidade serão estuda- dos os processos de construção e de transformação do espaço mundial. Retome as característi- cas da Revolução Industrial vis- tas no volume do 8o ano. Serão aprofundados os entendimentos relativos à Terceira Revolução Industrial, também denomina- da técnico-científica, e os seus impactos no mundo do trabalho e na estruturação de um siste- ma de informações em rede. Por fim, será abordado o fenômeno da globalização e seus impac- tos na economia. Habilidades da BNCC trabalhadas na unidade EF09GE01 Analisar criticamente de que forma a hegemonia euro- peia foi exercida em várias regiões do planeta, notadamente em situações de conflito, intervenções militares e/ou influência cul- tural em diferentes tempos e lugares. EF09GE02 Analisar a atuação das corporações internacionais e das organizações econômicas mundiais na vida da população em relação ao consumo, à cultura e à mobilidade. EF09GE05 Analisar fatos e situações para compreender a integra- ção mundial (econômica, política e cultural), comparando as dife- rentes interpretações: globalização e mundialização. EF09GE11 Relacionar as mudanças técnicas e científicas decorrentes do processo de industrialização com as transformações no trabalho em diferentes regiões do mundo e suas consequências no Brasil. EF09GE12 Relacionar o processo de urbanização às transfor- mações da produção agropecuária, à expansão do desemprego GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 10 11/22/18 5:46 PM 11 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 11 O espaço mundial apresenta paisagens complexas, como as grandes cidades, que, por se constituírem nos pontos mais dinâmicos de seus territórios, centralizam a economia dos países. O espaço rural é marcado pela alta tecnologia de máquinas e produtos, que garan- te elevada produtividade. A construção desse espaço mundial é resultado de processos históricos, como a Revolução Industrial, e do avanço do sistema capita- lista, que, em sua fase atual, é marcado pela forte inte- gração entre empresas e países, com fl uxos de pessoas, capitais, mercadorias e informações cada vez mais in- tensos e contínuos. 1. Por que a Revolução Industrial contribuiu para a estrutura- ção de paisagens complexas como as mostradas nas foto- grafi as? 2. É possível considerar que Xangai é uma cidade conectada com o exterior? Por quê? 1. Espera-se que os alunos comentem o fato de a atividade industrial ter contribuído para a expansão das cidades, para a estruturação do transporte rodoviário, o qual exige vias de acesso, como as grandes avenidas e os viadutos mostrados na fotografia A. No caso do espaço rural, a atividade industrial propiciou a mecanização, resultando no aumento da produtividade. B P e te r A d a m s /A la m y /F o to a re n a Campos de tulipas com aerogeradores nos Países Baixos, 2016. Na fotografia B, a mecanização contribui para a formação de extensas áreas agrícolas com estruturas em formas geométricas. Os aerogeradores, por sua vez, revelam a crescente demanda de energia pelas sociedades industrializadas. Resgate as análises desenvolvidas no volume do 8o ano, em que foram trabalhadas as etapas do desenvolvimento da atividade industrial, assim como algumas de suas consequências. Possibilite que os alunos expressem suas opiniões livremente. 2. Sim, pois a legenda da fotografia A informa que há na cidade uma das principais bolsas de valores do mundo. Dessa forma, trata-se de uma cidade que se caracteriza como um centro financeiro global importante, estando em conexão com os demais centros financeiros mundiais. Aproveite o momento para consultar o plano de desenvolvi- mento do material digital. Inicie a abordagem da uni- dade apresentando aos alunos os conteúdos que serão estu- dados. Em seguida, pergunte a eles o que sabem sobre o es- paço mundial. Esta verificação retoma conhecimentos prévios trabalhados no volume do 8o ano. É possível realizar uma roda de conversa para que os alunos mencionem quais con- ceitos estão relacionados com o tema. Aproveite para escrever esses conceitos na lousa e pos- teriormente compará-los com o que será estudado no decorrer da unidade. Em seguida, peça aos alunos que observem as fotografias das páginas 10 e 11. Relacione a primeira fotografia, de Xangai, com algumas características do processo de urbanização. Comente que se trata de uma das maiores metrópoles do mundo e peça aos alunos que mencionem outras metrópoles que eles conheçam. No caso da segunda fotografia, explique o que são os pôlderes e comen- te que, além da Holanda, ou- tros países também utilizam esta técnica. Atividades 1. A realização dessa ativida- de envolve a articulação de conhecimentos históricos e geográficos, o que contribui para o desenvolvimento da CECHEF 6. 2. Comente que a existência de uma das principais bolsas de va- lores em Xangai indica uma po- sição de destaque da cidade no cenário financeiro global. Essa abordagem favorece o desenvol- vimento da competência CEGEF 6 e da habilidade EF09GE05. Competências da BNCC na unidade Competências gerais • 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 Competências específ icas de Ciências Humanas • 2, 5, 6 e 7 Competências específicas de Geografia • 1, 2, 3, 4, 5 e 6 estrutural e ao papel crescente do capital financeiro em diferen- tes países, com destaque para o Brasil. EF09GE13 Analisar a importância da produção agropecuá- ria na sociedade urbano-industrial ante o problema da de- sigualdade mundial de acesso aos recursos alimentares e à matéria-prima. EF09GE14 Elaborar e interpretar gráficos de barras e de setores, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e anamorfoses geo- gráficas para analisar, sintetizar e apresentar dados e informa- ções sobre diversidade, diferenças e desigualdades sociopolíticas e geopolíticas mundiais. EF09GE18 Identificar e analisar as cadeias industriais e de inova- ção e as consequências dos usos de recursos naturais e das di- ferentes fontes de energia (tais como termoelétrica, hidrelétrica, eólica e nuclear) em diferentes países. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 11 11/22/18 5:46 PM 12 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 12 Unidade 1 O espaço mundial CAPÍTULO Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas1 Observe a imagem a seguir. Converse com os colegas e o professor. 1. Você acha que nas proximidades desse complexo portuário existe uma cida- de? Por quê? 2. Considerando seus conhecimentos, avalie quais elementos da paisagem re- tratada na fotografia revelam características da industrialização. 3. Além de mercadorias produzidas pelas indústrias e recursos minerais, que ou- tros tipos de mercadorias circulam pelos complexos portuários? 4. Qual fonte de energia aparece na paisagem dessa fotografia? Qual recurso mineral essa fonte utiliza? Quais outras fontes de energia você já estudou e quais recursos naturais são utilizados por elas? Para começar Vista de um dos vários terminais do porto de Antuérpia (Bélgica), segundo maior porto da Europa, 2017. Ao fundo, centrais de energia nuclear. D ru id 0 0 7 /S h u tt e rs to c k Neste capítulo, serão estu- dadas algumas características e consequências da industria- lização no tempo e no espaço. Dessa forma, será possível co- nhecer e analisar criticamente as repercussões da Revolu- ção Industrial, em especial no que se refere ao processo de urbanização. Será estudado também o fenômeno das cida- des globais, que concentram grande fluxo de mercadorias, informações, pessoas e capi- tais e exercem influência eco- nômica em escala mundial. Por fim, o capítulo aborda as relações entre fontes de ener- gia e industrialização e entre a industrialização e a agrope- cuária, com destaque para os problemas relativos à fome. Para começar Inicie a conversa pedindo aos alunos que descrevam os obje- tos técnicos que eles observam na imagem (porto, centralde energia nuclear) e suas funções para viabilizar o uso de recur- sos naturais (como o minério de ferro) em grande escala. Essa abordagem possibilita o desenvolvimento da compe- tência CEGEF 2. Se preferir, desenvolva as atividades da seção oralmente. É importante que todos os alunos participem e façam relações entre este conteúdo e os conhecimentos adquiridos em anos escolares anteriores. Habilidades da BNCC trabalhadas no capítulo EF09GE01 EF09GE05 EF09GE11 EF09GE12 EF09GE13 EF09GE14 EF09GE18 1. Espera-se que os alunos respondam que sim. É importante considerar que uma estrutura portuária como essa requer uma quantida- de grande de trabalhadores e exige uma série de outros serviços. Essa abordagem estimula o desenvolvimento das competências CEGEF 3 e 6, devido à análise da lógica da ocupação humana do espaço e à construção de argumentos com base em conhecimen- tos geográficos. 2. Os alunos devem fazer referência às diversas estruturas metálicas, aos contêineres, às centrais de energia nuclear. 3. As mercadorias que têm origem na produção agropecuária. 4. A fotografia mostra centrais de energia nuclear, que utilizam o urânio e o tório como fontes de energia. Os alunos podem citar que já fizeram estudos sobre as energias termelétrica (petróleo, carvão mineral e gás natural), hidrelétrica (água dos rios) e sobre os bio- combustíveis (cana-de-açúcar, milho, soja, etc.). Auxilie-os a retomarem os conhecimentos sobre fontes de energia, sistematizados nos anos anteriores. Essa abordagem estimula o desenvolvimento da habilidade EF09GE18. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 12 11/22/18 5:46 PM 13 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 13Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Revolução Industrial e transformações territoriais Desde a crise nos países socialistas e a derrocada desse sistema entre o final da década de 1980 e o início dos anos 1990, inclusive com a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o principal processo de estruturação do espaço mundial vem sendo a mundialização do capitalismo, ca- racterizado pela disputa por mercados entre as grandes potências econômicas e suas empresas multinacionais ou transnacionais e pela assimilação dos hábitos de consumo, próprios dos países desenvolvidos, por parcela das sociedades de diversos países em desenvolvimento. Como você estudou no 8o ano, no capitalis- mo, a produção de mercadorias e a geração de serviços destinam-se ao mercado, ou seja, à comercialização. Nesse contexto, o desenvolvimento científico e tecnológico, com pesquisas em diversos setores, é fundamental para ampliar a competitividade das empre- sas e dos países. Com efeito, esse desenvolvimento proporcionou e vem propor- cionando o lançamento de novas mercadorias, inovações nos sistemas produti- vos (tanto na agropecuária como na indústria), a ampliação e a diversificação na capacidade de geração de energia (inclusive renovável e menos poluente), e a invenção de novas modalidades de serviços e o aprimoramento dos já existentes, como o acesso à internet, ao sistema de telefonia celular e à televisão a cabo, fibra óptica ou via satélite. As transformações decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico repercutem nas paisagens dos territórios dos países em diferentes escalas: local, regional e nacional. Repercutem também em escala mundial, como se constata na estruturação de redes de telefonia, de internet, de produção e distribuição de mercadorias em nível global, interligando os países, como será estudado no próximo capítulo. Em decorrência disso, a presença de antenas, por exemplo, é algo recorrente nas paisagens urbanas e rurais (figura 1). D e lf im M a rt in s /P u ls a r Im a g e n s Figura 1. Antenas na avenida Paulista, em São Paulo (SP), 2017. O tema desta página introduz aspectos da mundialização do capitalismo, explicando a inte- gração dos mercados interna- cionais e o desenvolvimento científico e tecnológico, o que favorece o desenvolvimento da habilidade EF09GE05, que demanda a análise de fatos e situações para compreender a integração mundial, em seus aspectos econômico e cultural. Retome as noções sobre a derrocada do socialismo desen- volvidas no volume do 8o ano e, se julgar adequado, retome al- gumas análises sobre o siste- ma capitalista, sinalizando para a turma que a maior parte dos meios de produção (fábricas, bancos, comércio e unidades produtivas rurais) é privada, ou seja, pertence a indivíduos ou empresas particulares. Nesse sistema, a sociedade está or- ganizada em classes sociais e os que não detêm os meios de produção trabalham para aque- les que os detêm, em troca de um salário. Comente que a estruturação de polos de desenvolvimento tecnológico e científico geral- mente é planejada, e que o Es- tado pode ser o responsável por estimular essa estruturação. Um exemplo no Brasil é a imple- mentação do Porto Digital, em Recife, criado em 2000 para es- timular a pesquisa em inovação, economia criativa e tecnologia da informação e comunicação. O recurso empregado pelo Es- tado para a criação desse par- que tecnológico foi oriundo da venda de uma empresa esta- tal. Entretanto, é importante destacar que os recursos que o Estado emprega nesses tipos de desenvolvimento também são oriundos da arrecadação de impostos. Sobre este assunto, é possível acessar o Portal da Transparência (disponível em: <www.portaltransparencia.gov. br/>. Acesso em: 29 out. 2018) e conversar com os alunos sobre o tema contemporâneo educa- ção financeira e fiscal. Se julgar adequado, solici- te aos alunos que pesquisem informações sobre os gastos orçamentários do governo fe- deral brasileiro e que realizem posteriormente uma pesquisa referente ao orçamento do mu- nicípio onde vivem. Aproveite o momento para trabalhar com o audiovisual “Revolução Industrial” do material digital. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 13 11/22/18 5:47 PM 14 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 14 Unidade 1 O espaço mundial As consequências da Revolução Industrial A Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII na Inglaterra, deu início ao processo de industrialização, com a produção de mercadorias em larga escala, o trabalho especializado, as fortes demandas de matérias-primas e fontes de ener- gia. Esse processo teve significativas repercussões nos territórios dos países e mesmo nas nações que não tinham como forma de organização o moderno Esta- do nacional, estruturado inicialmente na Europa, entre os séculos XI e XVI. A partir da Revolução Industrial, a exploração de recursos naturais nos diver- sos continentes, inclusive naqueles onde os Estados-nações europeus estrutura- ram colônias, intensificou-se expressivamente. O fluxo de transporte marítimo se multiplicou em razão da ampliação da produção de mercadorias: dos territórios das colônias eram levados para os países europeus recursos minerais, vegetais e animais; as colônias, por sua vez, adquiriam mercadorias industrializadas. A colonização, que já estava presente desde o final do século XV na América e na África, intensificou-se neste continente na segunda metade do século XIX (em uma nova etapa da Revolução Industrial). A expansão da colonização ocorreu tam- bém na Ásia e na Oceania, no processo que ficou conhecido como neocolonialismo. As potências europeias formaram verdadeiros impérios coloniais, impondo sua cultura, sua forma de organização territorial e seu modo de produzir e incor- porando amplas porções territoriais ao capitalismo mundial. Em função disso, esse contexto de domínio de diversas nações e de controle de territórios foi mar- cado pela estruturação de novas territorialidades nos continentes submetidos ao processo neocolonialista. No século XIX, países como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Estados Unidos e Japão passaram pelo processo de industrialização,co- nhecido como Segunda Revolução Industrial. Esse processo foi marcado por uma série de mudanças: expansão dos espaços urbanos, que passaram a ter novas configurações; estruturação de redes ferroviárias; utilização de novas fontes de energia e ampliação do uso das já existentes, com a construção de redes elétri- cas; ampliação de portos; mecanização do processo de produção agrícola e au- mento expressivo do número de unidades fabris. A partir dessa etapa de industrialização, um nú- mero maior de trabalhadores passou a se dedicar à atividade industrial, e as mercadorias produzidas nas indústrias foram incorporadas ao cotidiano das pes- soas e ao espaço geográfico, tanto no campo como na cidade. Tudo isso implicou novas organizações territoriais nesses países e levou à estruturação de uma sociedade urbano-industrial (figura 2). Figura 2. Vista de Paris (França) em 1889, com destaque para a Torre Eiffel. No final do século XIX, a cidade já tinha quase dois milhões de habitantes. C o rb is /V C G /G e tt y I m a g e s O tópico desta página aborda questões históricas que con- tribuíram para a hegemonia europeia em várias regiões do mundo, com destaque para a in- fluência do processo de indus- trialização iniciado na Inglaterra e o neocolonialismo. O trabalho com essa temática favorece o desenvolvimento da habilida- de EF09GE01, que demanda a análise da forma como a he- gemonia europeia foi exercida especialmente em situações de conflito e a influência cultural e econômica exercidas por esse continente em diferentes tem- pos e lugares. Ao pensar na Revolução In- dustrial, é importante que os alunos entendam que ela se deu de modo gradativo, diverso e desigual em diferentes partes do mundo, e não teve, neces- sariamente, um marco inicial isolado, pois foi caracterizada por um conjunto de mudanças. Se necessário, retome os conteúdos sobre a Revolução Industrial desenvolvidos no vo- lume do 8o ano. Texto complementar A Revolução Industrial Hoje em dia, é amplamente aceita a ideia de que a Revo- lução Industrial começou na Inglaterra, no século XVIII. Portanto, talvez o leitor se surpreenda ao saber que a expressão foi cunhada, em 1799, em Berlim, por um di- plomata francês para designar o que vinha acontecendo na França. A explicação para es- se aparente paradoxo é que a “revolução” foi um processo muito gradual. No início, foi imperceptível; espalhou-se muito lentamente, partindo de numerosos começos diferen- tes e regionais, de várias par- tes da Inglaterra, até prosperar em toda a Europa. Somente no fim do século, seu caráter revolucionário foi reconheci- do. Conforme observado pelo historiador Eric Hobsbawm: A Revolução Industrial “não foi um episódio com início e fim [...], pois sua essência era que, dali por diante, transfor- mações revolucionárias se tor- naram a regra”. MORTIMER, Ian. Séculos de Transformações: em mil anos de história, qual século passou por mais transformações e qual a importância disso. Rio de Janei- ro: Difel, 2018. p. 256. Sugestão de vídeo • As consequências da Revolução Industrial Dir: Jonathan Hassid, Simon Backer. Reino Unido: BBC, 2003. (90 min) Dividida em três episódios, esta série de documentários re- trata as mudanças ocorridas na sociedade no século XVIII, após a introdução da máquina a vapor e dos conceitos relativos à li- nha de produção e divisão do trabalho. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 14 11/22/18 5:47 PM 15 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 15Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Industrialização e urbanização Observe o mapa da figura 3. Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS/DESA/POPULATION DIVISION. World Urbanization Prospects 2018. Disponível em: <https://population.un.org/wup/Download/>. Acesso em: 17 set. 2018. O espaço geográfico é construído pela sociedade e modificado constante- mente. Nenhuma transformação nesse espaço se igualou à estruturação e à ex- pansão das cidades ocorridas a partir da Revolução Industrial. O desenvolvimento da atividade industrial consolidou o papel da cidade como centro do comando da economia capitalista. O crescimento da população urbana num ritmo maior que o da população rural caracteriza o processo de urbaniza•ão que altera a paisagem, mas esse é apenas seu componente numérico. Esse processo é caracterizado também por significativas transformações nos territórios dos países, como o aumento do número de cidades e a expansão das áreas ocupadas por elas; a concentração de grande quantidade de atividades econômicas diversas em diferentes setores (industriais, comerciais e de servi- ços) no espaço urbano; a estruturação de redes de transportes, de comunicação e de energia elétrica; e a ampliação dos fluxos de mercadorias, pessoas, capitais e informações entre as cidades e entre estas e o campo. 1. Os percentuais de população urbana são homogêneos no espaço mundial? Explique. 2. É possível afirmar que os elevados índices de população urbana são um fe- nômeno restrito aos países desenvolvidos? Por quê? Explore 2. Não, pois há vários países em desenvolvimento, como o México e o Chile, que apresentam índices de população urbana semelhantes aos dos países desenvolvidos. 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar ÁrticoCírculo Polar Ártico OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0 2 670 km N S LODe 20,1 a 40 Até 20 População residente em área urbana (%) De 40,1 a 60 De 60,1 a 80 Acima de 80 Figura 3. Mundo: popula•ão urbana Ð 2018 1. Não, pois há países com elevados percentuais de população urbana, superiores a 80%, e outros com percentuais baixos, inferiores a 20%. Há continentes bastante urbanizados, caso da Europa e da América, e outros menos urbanizados, como a África. O fi ci n a d e M ap as /A rq u iv o d a e d it o ra Auxilie os alunos na leitura e interpretação do mapa da figura 3. É importante que eles relacio- nem o crescimento urbano com a industrialização e que identi- fiquem as áreas mais e menos urbanizadas do planeta. Essa abordagem favorece o desenvolvi- mento da habilidade EF09GE14 e da competência CEGEF 4. Explore 1. Explique aos alunos que a distribuição da população é desigual, pois o processo de industrialização não ocorreu da mesma forma em todos os locais do mundo. Ressalte que muitos países foram alvo de exploração de recursos natu- rais e de demanda de merca- do para estados-nações que estavam se desenvolvendo industrialmente. Desse modo, pode ser retomado o conteúdo relativo ao neocolonialismo, o que favorece o desenvolvimen- to da competência CECHEF 2. 2. Se possível, procure mos- trar aos alunos que o índice de população urbana não é carac- terística necessária de países desenvolvidos, uma vez que este índice não indica a qua- lidade e o desenvolvimento de serviços e infraestrutura no espaço urbano. Comente ainda que outros fatores de- vem ser considerados na dis- tribuição da população urbana, como o clima e o relevo das re- giões. Desse modo, eles serão estimulados a desenvolver a competência CEGEF 6. Sugestão de livro • Capitalismo e urbanização Maria Encarnação B. Sposito. São Paulo: Contexto, 1988. O livro analisa o histórico dos aglomerados humanos desde a Antiguidade até os aglomerados urbanos con- temporâneos. Ilustrado com tabelas, gráficos e plantas, esse material fornece um re- trato da urbanização para es- tudantes e pesquisadores da área de Geografia, além de interessados em geral. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 15 11/22/18 5:47 PM 16 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 16 Unidade 1 O espaço mundial No entanto, é preciso ressaltar que o fenômeno da urbanização não é decorrên- cia apenas do aumento da atividade industrial. Mesmoos Estados-nação que não passaram por um intenso processo de industrialização, como a maior parte dos pa- íses em desenvolvimento, vêm apresentando uma ampliação da população urbana em ritmo maior que a rural, com concentração cada vez maior de população nas cidades (reveja o mapa da figura 3, na página 15). Nesses países, de modo geral, a mecanização das atividades no campo e a concentração da propriedade rural nas mãos de poucas pessoas, aliadas à ampliação e à diversificação de atividades eco- nômicas no espaço urbano (sobretudo no setor terciário), são fatores, entre outros, que vêm contribuindo para a urbanização. Na maioria dos países em desenvolvimento, o processo de urbanização vem ocorrendo de forma intensa, caracterizado pelo crescimento significativo e quase imediato das atividades ligadas ao setor terciário. Mesmo em países industriali- zados como Brasil, México e Argentina, a transferência da População Economica- mente Ativa (PEA) do setor primário para o setor secundário ocorreu em menor escala que nos países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, parcela considerável das pessoas que mi- gram para as cidades não encontra emprego e passa a realizar trabalhos informais. Cidades globais Uma característica importante do processo de urbanização, e particularmente da globalização, é a constituição de uma rede de cidades globais ou mundiais. Es- sas cidades são responsáveis por grande parte dos fluxos de mercadorias, pesso- as, informações e capitais em âmbito mundial (figura 4). Elas formam o principal elo do país com o exterior, em razão da sua força econômica – concentrada princi- palmente no setor de serviços, com destaque para os de ordem financeira – e da sua infraestrutura diversificada e modernizada – especialmente nas telecomuni- cações e nos transportes (equipamentos de telemática, portos e aeroportos). As cidades globais concentram as principais bol- sas de valores do sistema financeiro internacional, as sedes de grandes empresas ou escritórios de filiais de transnacionais, as sedes de grupos financeiros, além dos principais centros universitários e de pesquisas do planeta. A interligação entre elas forma uma rede de cidades globais, um fenômeno ao mesmo tempo resultante da urbanização mundial e do processo de globalização. Figura 4. A população de Frankfurt (Alemanha), cidade global, é de aproximadamente 700 mil habitantes, muito menor, portanto, que a de muitas cidades brasileiras. O que confere o título de “global” a essa cidade é sua importância e influência no espaço da economia globalizada, decorrentes da concentração de fluxos de capitais e de informações. Ao lado, vista geral da cidade, com destaque para os prédios altos do centro financeiro, 2018. O lg a P G a lk in a /S h u tt e rs to c k Ao estudar a urbanização, é importante destacar alguns dos fatores que contribuem para o crescimento da população nas cidades, como a mecanização das atividades no campo e a diversificação de atividades econômicas no espaço urbano. No tópico de cidades globais, estimule os alunos a reconhecer que elas concentram as indús- trias de tecnologia avançada e as cadeias de inovação. Desse modo, será desenvolvida a ha- bilidade EF09GE18. Se julgar adequado, utilize os textos e as questões propostas a seguir para embasar discus- sões acerca da vida social, das experiências do cotidiano e das atividades humanas realizadas nas cidades, além de abordar os elementos simbólicos des- se espaço. Atividade complementar Leia o texto e responda às perguntas a seguir. Cidades globais Na atual fase da economia mundial, é precisamente a com- binação da dispersão global das atividades econômicas e da in- tegração global, mediante uma concentração contínua do con- trole econômico e da proprieda- de, que tem contribuído para o papel estratégico desempenha- do por certas grandes cidades, que denomino cidades globais […]. Algumas têm sido centros do comércio mundial e da ativi- dade bancária durante séculos, mas, além dessas funções de lon- ga duração, as cidades globais da atualidade são: (1) pontos de comando na organização da economia mundial; (2) lugares e mercados fundamentais para as indústrias de destaque do atual período, isto é, as finanças e os serviços especializados desti- nados às empresas; (3) lugares de produção fundamentais pa- ra essas indústrias, incluindo a produção de inovações. SASSEN, Saskia. As cidades na eco- nomia mundial. São Paulo: Studio Nobel, 1998. p. 16-17. 1. É possível dizer que outras cidades, que não sejam glo- bais, também exercem as funções citadas? Sim. Muitas exercem todas essas funções ou algumas delas em nível regional ou nacional. 2. Por que a dispersão mundial das atividades econômicas re- força a importância das cidades globais? Porque as cidades globais têm a capacidade de concentrar diversas atividades, funcionado como centros de referência em diferentes escalas. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 16 11/22/18 5:47 PM 17 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 17Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Essas cidades se diferenciam das demais metrópoles justamente porque es- tabelecem a conexão do território do país com as finanças e a economia mundiais, por meio de complexas redes de transportes e telecomunicações que para elas convergem, possibilitando enormes fluxos de informações, capitais, mercadorias e pessoas. Apesar de muitas dessas cidades serem populosas, o que determina a classificação delas em “global” não é a quantidade de população, mas justamente a qualidade e a representatividade de suas atividades econômicas. Principalmente a partir dos anos 1970/1980, as cidades globais iniciaram um processo de relativo esvaziamento industrial, especialmente nas atividades indus- triais mais tradicionais – alimentícia, têxtil, metalúrgica, mecânica e petroquímica. Nessas cidades, o setor secundário passou a concentrar sobretudo indústrias de tec- nologia avançada – telecomunicações, informática, biotecnologia e microeletrônica. Nessa rede de cidades globais, o papel que cada metrópole ocupa varia de acordo com o volume de fluxos, sobretudo de circulação de capitais. Esses fluxos, por sua vez, se estabelecem em boa parte nessa rede e estão condicionados ao nível de concentração de sedes ou filiais de grandes empresas de serviços, in- dustriais, comerciais e financeiras e ao porte de suas bolsas de valores. Esses fa- tores determinam a capacidade de influência dessas metrópoles em nível global. Algumas classificações diferenciam as cidades globais por categorias. De modo geral, é possível destacar algumas cidades que têm grande relevância na economia globalizada, particularmente no sistema financeiro internacional (fi- gura 5), com expressiva representatividade na circulação de capitais (presentes também no mercado aberto, onde são negociados títulos do tesouro, os CDBs, etc.) e na presença de grandes empresas. Algumas dessas cidades são: Nova York, Los Angeles, Chicago, Londres, Tóquio, Paris, Frankfurt, Milão, Madri, Zurique, Xangai, Hong Kong, e outras também importantes, porém com menor relevância, como São Paulo, Cidade do México e Johannesburgo. Fonte: elaborado com base em STOCKS TO TRADE. Major Stock Exchanges In The World. Disponível em: <https://stockstotrade.com/major-stock- exchanges-in-the-world-infographic/>. Acesso em: 17 set. 2018. 1 2 3 8 20 18 7 16 10 13 17 11 12 4 19 15 5 6 9 14 OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar Ártico New York Stock Exchange (Estados Unidos) NASDAQ (Estados Unidos) London Stock Exchange (Reino Unido) Tokyo Stock Exchange (Japão) Shangai Stock Exchange (China) Hong Kong Stock Exchange(Hong Kong) Euronext (Países Baixos) Toronto Stock Exchange (Canadá) Shenzhen Stock Exchange (China) Frankfurt Stock Exchange (Alemanha) Bombay Stock Exchange (Índia) National Stock Exchange (Índia) SIX Swiss Exchange (Suíça) Australian Securities Exchange (Austrália) Korea Exchange (Coreia do Sul) NASDAQ Nordic (Suécia) JSE Limited (África do Sul) Madrid Stock Exchange (Espanha) Taiwan Stock Exchange (Taiwan) BM&F Bovespa (Brasil) 1 2 3 8 20 18 7 16 10 13 17 11 12 4 19 15 5 6 9 14 0 3 180 km N S LO Figura 5. Mundo: as maiores bolsas de valores do mundo Ð 2017 O fi c in a d e M a p a s /A rq u iv o d a e d it o ra Para complementar o con- teúdo desta página proponha à turma a atividade complemen- tar a seguir. Atividade complementar Leia o texto e responda às perguntas a seguir. Significados da cidade A cidade é o lugar do trabalho (da máquina sendo operada, da caixa registradora funcionando, da rua sendo varrida), mas tam- bém do lazer (a praça do interior, o clube, o espaço dos esportes [...]). A cidade é o lugar da pro- dução (a fábrica, a chaminé e mais poluição), e do consumo (o shopping, o calçadão, e imagens de outdoors que nos informam, nos estimulam, nos invadem). A cidade é o lugar do ir e vir (ruas, avenidas, viadutos, ônibus cheio, trânsito parado), e do estar (pré- dios, casas, barracões, e até pa- rece que não há lugar para todo mundo...). É o lugar da ordem (horários para sair e para chegar, filas, normas, policiamento) e da contraordem (o supermercado saqueado, o trem depredado ou o piquete para a greve). SPOSITO, Maria Encarnação B. A urbanização no Brasil. CENP, Secretaria de Educação de São Paulo, Série Argumento, s.d. p. 63. 1. Além dos elementos apon- tados no texto, quais outros você acrescentaria para ca- racterizar uma cidade? Jus- tifique. Os elementos podem variar de acordo com as especificida- des do espaço urbano do muni- cípio onde o aluno vive. 2. Tomando por base o texto, caracterize a cidade onde você vive ou o centro urba- no mais próximo. Comente também as possibilidades que ela oferece para o exer- cício da cidadania. Espera-se que os alunos re- lacionem o lugar (espaços vivi- dos, em que realizamos nossas atividades e com os quais esta- belecemos relações afetivas) à questão de pertencimento e, con- sequentemente, de cidadania. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 17 11/22/18 5:47 PM 18 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 18 Unidade 1 O espaço mundial Industrialização e fontes de energia Observe a figura 6. O modo de produção, pautado, inclusive, na estruturação de cadeias globais industriais, como as que processam petróleo e gás natural, produzindo combus- tíveis e diversas mercadorias (como plásticos, borrachas, tintas e vernizes) e o modelo de consumo da sociedade urbano-industrial requerem grande variedade e enorme quantidade de recursos naturais. A exploração desses recursos acar- reta diversos problemas ambientais, como a derrubada de formações vegetais nativas; a degradação de ecossistemas terrestres e aquáticos; a erosão do solo; a formação de imensas crateras no relevo; a poluição e a contaminação de len- çóis freáticos, cursos d’água, mares e oceanos; e o assoreamento de rios. Como a produção está estruturada em cadeias, há necessidade de transporte e arma- zenamento, implicando o consumo e a queima de combustíveis, incluindo a de combustíveis fósseis, que poluem o ambiente. Os energéticos formam um conjunto importante de recursos naturais utiliza- do atualmente, como os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás na- tural); o urânio e o tório (energia nuclear); a água dos rios (energia hidrelétrica); o vento (energia eólica); o Sol (energia solar); a água dos mares (energia mare- motriz); o calor do interior da Terra (energia geotérmica). No caso dos biocombus- tíveis, também utilizados como fonte energética, sobretudo nos transportes, sua produção é resultado da prática da agricultura (cana-de-açúcar, milho, soja, entre outros), e, no caso do biogás, a fonte é o gás metano, resultante de processos que utilizam matéria orgânica (lixo, esterco e folhas de árvores, por exemplo). Os bio- combustíveis e o biogás fazem parte da categoria denominada fonte energética biomassa, e, no primeiro caso, os recursos naturais utilizados para produção são principalmente o solo e a água. Observe o gráfico da figura 7, na página ao lado. • A figura 6 retrata o resultado de um processo explicado no item Industrialização e urbanização. Esse processo se relaciona a uma característica da sociedade urbano-industrial. Explique que processo e que característica são esses. Explore Figura 6. Composição de imagens de satélite de 2016 em visão noturna. No item anterior foi estudado o processo de urbanização que se intensificou a partir da Revolução Industrial, levando à ampliação das áreas urbanas, que correspondem aos diversos pontos luminosos presentes na imagem. A característica relacionada a esse processo é o intenso uso de fontes energéticas, que possibilitam a geração de energia elétrica, sem a qual não haveria os pontos luminosos na imagem. J o s h u a S te v e n s /G o d d a rd S p a c e F li g h t C e n te r/ N A S A Oriente os alunos a refletirem quanto à importância da energia elétrica para a intensificação dos processos de industriali- zação e urbanização. Comente sobre a relevância desse tipo de energia para o desenvolvimen- to dos processos industriais, da rede de informações, trans- porte, etc. Fale também sobre a questão das diferentes fontes de energia, comentando que, quan- to maior a industrialização e a urbanização de um país, maior será a necessidade de fontes de energia. Desse modo, eles serão estimulados a desenvolver a competência CEGEF 6. Para aprofundar o estudo re- lativo às hidrelétricas, comente com os alunos sobre os pro- blemas e conflitos provenien- tes da instalação de usinas hidrelétricas. Sugestão de livro • Energia e Meio Ambiente Samuel Murgel Branco. São Paulo: Moderna, 1990. O livro aborda uma das mais controvertidas ques- tões ambientais: a geração e o uso de energia. O autor faz um balanço da disponibi- lidade energética no Brasil e das alternativas para o apro- veitamento desse potencial, sem deixar de considerar o ponto de vista ambiental. Texto complementar Novas hidrelétricas na Amazônia podem prejudicar clima e ecossistemas Se forem em frente os atuais planos de construir centenas de hi- drelétricas na Amazônia nas próximas décadas, o efeito dominó so- bre todas as regiões banhadas pelo Amazonas e seus afluentes será imenso: muito menos nutrientes para os peixes e a floresta, um li- toral menos produtivo e possíveis alterações climáticas que alcan- çariam até a América do Norte. Esse prognóstico nada animador vem da primeira análise integra- da do impacto das usinas no maior rio do mundo, conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores e publicada na revista científica “Nature”. O grupo, [...], formulou um índice de vulnerabilidade dos rios amazônicos diante das obras atuais e futuras e concluiu que dois importantes afluentes que atravessam o território brasileiro, o Ma- deira e o Tapajós, estão entre os que mais sofrerão (e, aliás, já estão sofrendo) com a febre das novas hidrelétricas. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 18 11/22/18 5:47 PM 19 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 19Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Como você observou no gráfico da figura 7, os combustíveis fósseis (não re- nováveis e poluentes) são responsáveis pela geração de aproximadamente 66% da energia elétrica no mundo. A utilização desses combustíveis também é responsá- vel, em boa parte, pela intensificação do efeito estufa. Desse modo, a substituição dessas fontes energéticas é fundamentalpara combater as consequências nocivas do aquecimento global. Isso exige mudanças nos hábitos de consumo e no estilo de vida de boa parte da sociedade. No caso da energia nuclear, os principais problemas ambientais são o aqueci- mento da água do mar utilizada na refrigeração das usinas, afetando a fauna e a flora, e os resíduos dos reatores onde ocorre a reação nuclear, que contêm radia- ção que permanece ativa por milhares de anos. Há também o risco de acidente nos reatores, com a liberação de material radioativo, contaminando o ambiente e trazendo sérias consequências para todos os seres vivos. A energia hidrelétrica oferece vantagens em termos de geração de energia, pois é renovável, tem custo baixo de manutenção se comparada com outras fon- tes, e o tempo de vida das usinas é longo. No entanto, os reservatórios, ao serem formados, inundam locais onde há matéria orgânica, cuja decomposição forma o metano, um dos gases de efeito estufa. Além disso, muitos países não têm rios com grande volume de água e características de relevo que possibilitem a cons- trução de usinas hidrelétricas. Outro problema na construção de hidrelétricas é a necessidade de deslocamen- to de pessoas que moram na região onde a usina é construída. Com o represamento da água, há elevação no seu nível, e as populações do entorno, como ribeirinhos, povos indígenas e da floresta, além de produtores rurais, acabam desabrigadas. Também pode ser necessário deslocar vilas, povoados e pequenas cidades. Fonte: MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA/EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Anuário Estatístico de Energia Elétrica, 2017. p. 37. Disponível em: <http://www. epe.gov.br/sites-pt/publicacoes- dados-abertos/publicacoes/ PublicacoesArquivos/publicacao-160/ topico-168/Anuario2017vf.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018. 2. Ainda é grande o uso de fontes de energia obtidas de recursos não renováveis. No futuro, esses recursos poderão se esgotar. No entanto, a situação é agravada pelo fato de os combustíveis fósseis serem poluentes, lançando gases estufa na atmosfera. Tal fato exige que a sociedade urbano-industrial utilize menos fontes energéticas não renováveis e poluidoras e que desenvolva outras fontes, que sejam renováveis e não poluam, ou que poluam menos. É preciso também modificar os padrões atuais de consumo dessa sociedade. Figura 7. Mundo: percentual de geração de energia elétrica por fonte – 2014 1. Classifique as fontes de energia representadas no gráfico em renováveis e não renováveis. Quais são os percentuais de cada uma? 2. Considerando as fontes de energia mais utilizadas, quais as consequências ambientais causadas pelo uso delas? Quais desafios a sociedade urbano-industrial tem diante disso? Explore 1. Não renováveis: combustíveis fósseis, nuclear. Renováveis: hidrelétrica, biomassa e resíduos sólidos, geotérmica, solar, maremotriz, eólica. Aproximadamente 76% das fontes energéticas empregadas para geração de energia elétrica utilizam recursos não renováveis, e somente cerca de 24% são renováveis. Nuclear 10,6% Combustíveis fósseis 65,9% Hidrelétrica 17,0% Geotérmica 0,3% Solar 0,9% Eólica 3,2% Biomassa e resíduos sólidos 2,1% Outras renováveis 6,5% E ri c s o n G u il h e rm e L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra GeoTerSoc_9ano_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 19 11/20/18 10:01 AM 18 Unidade 1 O espaço mundial Industrialização e fontes de energia Observe a figura 6. O modo de produção, pautado, inclusive, na estruturação de cadeias globais industriais, como as que processam petróleo e gás natural, produzindo combus- tíveis e diversas mercadorias (como plásticos, borrachas, tintas e vernizes) e o modelo de consumo da sociedade urbano-industrial requerem grande variedade e enorme quantidade de recursos naturais. A exploração desses recursos acar- reta diversos problemas ambientais, como a derrubada de formações vegetais nativas; a degradação de ecossistemas terrestres e aquáticos; a erosão do solo; a formação de imensas crateras no relevo; a poluição e a contaminação de len- çóis freáticos, cursos d’água, mares e oceanos; e o assoreamento de rios. Como a produção está estruturada em cadeias, há necessidade de transporte e arma- zenamento, implicando o consumo e a queima de combustíveis, incluindo a de combustíveis fósseis, que poluem o ambiente. Os energéticos formam um conjunto importante de recursos naturais utiliza- do atualmente, como os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás na- tural); o urânio e o tório (energia nuclear); a água dos rios (energia hidrelétrica); o vento (energia eólica); o Sol (energia solar); a água dos mares (energia mare- motriz); o calor do interior da Terra (energia geotérmica). No caso dos biocombus- tíveis, também utilizados como fonte energética, sobretudo nos transportes, sua produção é resultado da prática da agricultura (cana-de-açúcar, milho, soja, entre outros), e, no caso do biogás, a fonte é o gás metano, resultante de processos que utilizam matéria orgânica (lixo, esterco e folhas de árvores, por exemplo). Os bio- combustíveis e o biogás fazem parte da categoria denominada fonte energética biomassa, e, no primeiro caso, os recursos naturais utilizados para produção são principalmente o solo e a água. Observe o gráfico da figura 7, na página ao lado. • A figura 6 retrata o resultado de um processo explicado no item Industrialização e urbanização. Esse processo se relaciona a uma característica da sociedade urbano-industrial. Explique que processo e que característica são esses. Explore Figura 6. Composição de imagens de satélite de 2016 em visão noturna. No item anterior foi estudado o processo de urbanização que se intensificou a partir da Revolução Industrial, levando à ampliação das áreas urbanas, que correspondem aos diversos pontos luminosos presentes na imagem. A característica relacionada a esse processo é o intenso uso de fontes energéticas, que possibilitam a geração de energia elétrica, sem a qual não haveria os pontos luminosos na imagem. J o s h u a S te v e n s /G o d d a rd S p a c e F li g h t C e n te r/ N A S A GeoTerSoc_9ano_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 18 11/20/18 10:01 AM Explore 1. A interpretação do gráfico reforça o desenvolvimento da habilidade EF09GE14. Retome os conceitos trabalhados nos volumes do 6o e 7o anos, re- ferentes à classificação dos tipos de fontes de energia. Espera-se que os alunos re- conheçam a importância do uso de recursos renováveis na produção de energia. Se possí- vel, converse com eles sobre os países que mais produzem energia elétrica e relacione es- se fator à industrialização e à urbanização. Mencione tam- bém que países muito populo- sos demandam maior geração de energia elétrica, como é o caso da China e da Índia. Es- sa abordagem favorece o de- senvolvimento da habilidade EF09GE18. Converse com os alunos sobre o conceito de pegada ecológica; esse também é um momento oportuno para tratar do tema contemporâneo edu- cação ambiental. Explique que este conceito está relacionado às consequências das ativida- des humanas no planeta e à quantidade de recursos naturais necessária para sustentar as demandas da população mun- dial que ainda está por vir. Há diversos sites que determinam, conforme os fatores relativos ao consumo de cada indivíduo, o valor da pegada ecológica de cada um, ou seja, qual a quan- tia de recursos necessária para a manutenção do estilo de vida de determinada pessoa (por meio de critérios como trans- porte, moradia e alimentação, por exemplo). Pesquise com os alunos alguns desses sites e peça a eles que calculem a sua pegada ecológica, cons- cientizando-os da importân- cia de se utilizar os recursos de forma racional. Sugestão de texto • Pegada Brasileira WWF Brasil. Disponível em: <www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/ pegada_ecologica/pegada_brasileira/>.Acesso em: 30. out. 2018. O texto aborda a pegada ecológica brasileira, que corresponde a 2,9 hectares globais por habitante. Além disso, apresenta gráfi- cos que relacionam a pegada ecológica brasileira à biocapacidade. Para o coordenador do estudo, o geólogo argentino Edgardo Latrubesse, da Universidade do Texas, não se trata de impedir a geração de energia na região, mas de levar em conta os impactos dela e pensar em modelos alternativos para a Amazônia. LOPES, Reinaldo José. Novas hidrelétricas na Amazônia podem prejudicar clima e ecossistemas. Folha de S.Paulo, 14 jun. 2017. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/06/1892979-novas -hidreletricas-na-amazonia-podem-prejudicar-clima-e-ecossistemas.shtml>. Acesso em: 4 jul. 2019. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 19 7/10/19 16:52 20 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 20 Unidade 1 O espaço mundial Industrialização e agropecuária Observe a figura 8. 1. O desenvolvimento industrial possibilitou a fabricação de máquinas e outros equipamentos incorporados à produção agropecuária. 2. A produção mecanizada implica a utilização de maquinário pesado, que pode compactar o solo e, dependendo de como é praticada, pode acarretar erosão. Em uma perspectiva mais ampla, que considere todo o processo de modernização da agropecuária, é possível pensar também na utilização de agrotóxicos e outros produtos químicos, como fertilizantes e adubos, que contaminam o solo, os lençóis freáticos e os cursos d’água. Para a economia, essa O desenvolvimento da atividade industrial possibilitou transformações nas técnicas agrícolas, com a introdução de máquinas e outros equipamentos no es- paço rural. Tal fato contribuiu para o aumento da produção, sem ser necessário ampliar a área de cultivo, caracterizando um aumento de produtividade. No entanto, já no século XIX, a crescente população urbana, o aumento da po- pulação em geral, as novas mercadorias produzidas com matérias-primas agríco- las e as demandas geradas pela alimentação para abastecer a atividade pecuária exigiram também a ampliação das áreas agrícolas nos diversos continentes. O desenvolvimento tecnológico aplicado à agricultura e as significativas transfor- mações no modo de produção rural e nas relações de trabalho no campo ficaram conhecidos como Revolução Agrícola. As bases técnicas da Revolução Agrícola foram propiciadas, sobretudo, pelas indústrias fornecedoras de insumos para a agricultura (máquinas, sementes se- lecionadas, agrotóxicos, adubos e fertilizantes químicos, por exemplo). Os períodos de expansão colonial constituíram fases importantes da ex- pansão agrícola. Nas terras colonizadas pelos europeus na América e, posterior- mente, naquelas tomadas durante a expansão imperialista na África e na Ásia, no século XIX, foi implantado o sistema de plantation, responsável por abastecer o mercado europeu. 1. Relacione o que é retratado na fotografia com o desenvolvimento da ativida- de industrial. 2. Explique as consequências dessa forma de produção para o ambiente, a economia, a distribuição da população pelo território e o nível de emprego no campo. Explore Plantation: sistema agrícola baseado na produção monocultora de gêneros tropicais para fins de exportação, praticada em grandes propriedades (latifúndios), com mão de obra barata ou escrava. Figura 8. Colheita de milho em Hamburgo (Alemanha), 2018. forma de produção traz aumento da capacidade produtiva na agricultura e a necessidade de diversos maquinários e outros insumos agrícolas, como agrotóxicos, fertilizantes e adubos, por exemplo, produzidos por indústrias, sendo muitas delas instaladas no espaço urbano. A mecanização intensifica a migração campo-cidade, levando a uma concentração cada vez maior de pessoas nos espaços urbanos dos territórios dos países. O processo de mecanização diminui os postos de trabalho no campo, e muitos dos trabalhadores que perdem o emprego não têm qualificação para operar o maquinário introduzido no espaço rural. S h D ro h n e n F ly /S h u tt e rs to c k Aproveite o momento pa- ra trabalhar com a sequência didática “Fome e produção agro- pecuária mundial”do material digital. Explore 1. Retome os conteúdos abor- dados no início do capítulo re- ferentes às características da industrialização. Peça aos alu- nos que descrevam a figura 8 em conjunto e sigam as instru- ções da atividade, relacionan- do a fotografia com os avanços técnicos no campo. Essa abor- dagem contribui para retomar o trabalho com a competência CEGEF 2, estabelecendo cone- xões entre processos econô- micos de produção industrial e agropecuária e retomando a compreensão das diferentes maneiras de utilizar os recur- sos naturais. 2. É interessante construir a resposta em conjunto com os alunos. Uma análise minuciosa dessa questão irá possibilitar o desenvolvimento da habili- dade EF09GE13 e da compe- tência CEGEF 2. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 20 11/22/18 5:48 PM 21 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 21Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Após a Segunda Guerra Mundial, com o processo de descolonização em an- damento, os países desenvolvidos criaram uma estratégia de incremento da pro- dução agrícola mundial: era o início da Revolução Verde. Concebida nos Estados Unidos, objetivava combater a fome e a miséria nos países então considerados subdesenvolvidos, por meio da introdução de um “pacote tecnológico”, que con- sistia em novas técnicas de cultivo, equipamentos para mecanização, fertilizan- tes, defensivos agrícolas e sementes selecionadas. Embora a Revolução Verde tenha contribuído para o aumento da produtivi- dade em escala mundial, ela acarretou problemas de concentração da proprieda- de rural, pois apenas os grandes proprietários rurais tiveram acesso ao “pacote tecnológico”. Desse modo, a competição nos novos parâmetros de produtividade ocorreu em detrimento dos pequenos produtores. A fome A Revolução Agrícola e a Revolução Verde proporcionaram o aumento expressivo da produtividade agrícola global, resultando em uma produção total de alimentos ca- paz de abastecer toda a população mundial. No entanto, esses processos não foram suficientes para resolver o problema da fome no mundo, e suas causas são múltiplas. A modernização da agropecuária foi marcada também por uma ampliação das terras destinadas a gêneros de exportação nos territórios dos países em de- senvolvimento, com consequente redução das áreas agricultáveis destinadas à produção de alimentos consumidos pela própria população do país. Desse modo, a concentração da renda e da terra nas mãos de poucos proprietários e a pobreza que afeta parcela expressiva da população mundial correspondem a outro con- junto de fatores que contribuiu para a intensificação da fome. É preciso ressaltar que, em muitos países em desenvolvimento com eleva- das dívidas externas, os governantes desenvolvem estratégias para o aumento da produção interna de gêneros agrícolas de exportação, a fim de obterem saldos positivos na balança comercial, de modo a gerar recursos financeiros, geralmente destinados ao pagamento dos juros das dívidas. Além disso, questões de ordem natural (seca ou inundações) e conflitos arma- dos, inclusive guerras civis e entre países, ocasionam desestruturação da produ- ção agrícola nos territórios de muitos países, com redução da oferta de alimentos. É preciso levar em conta, ainda, a questão do desperdício nos países mais desenvolvidos. Confor- me dados da Organização das Nações Unidas para Ali- mentação e Agricultura (FAO), por pessoa, em média, os habitantes da Europa e dos Estados Unidos des- cartam de 95 a 115 quilos de comida todo ano. Atualmente, também de acordo com a FAO, 10,8% da população do planeta encontra-se sob condições precárias de alimentação, sem acesso a uma dieta que forneça o mínimo necessário de caloriase nutrientes por dia (figura 9). Além disso, aproximadamente 21 mil pessoas morrem a cada dia por problemas decorrentes da escassez de alimentos. Figura 9. Ações humanitárias, como a doação de alimentos, amenizam a fome a curto prazo. Na fotografia, refugiados sul-sudaneses recebem alimentos em assentamento em Yumbe (Uganda), 2018. A ld a T s a n g /S O P A I m a g e s /L ig h tR o c k e t/ G e tt y I m a g e s Aproveite o conteúdo desta página para desenvolver o te- ma contemporâneo educação alimentar e nutricional, con- jugado ao desenvolvimento da habilidade EF09GE13, em es- pecial o aspecto relacionado ao acesso aos recursos alimenta- res. É possível mostrar aos alu- nos que a Revolução Verde não solucionou o problema da fome no mundo e acarretou alguns problemas, como a utilização em larga escala de produtos fi- tossanitários (agrotóxicos) que, embora auxiliem a combater de- terminadas pragas e a aumentar a produtividade, podem consistir em perigo para a saúde humana. Comente com os alunos so- bre a importância da FAO, uma organização para agricultura e alimentação que se caracteriza como uma agência especializa- da das Nações Unidas destinada a combater a fome mundial. Se- gundo dados da FAO, em 2016, aproximadamente 815 milhões de pessoas no mundo sofriam com o problema da fome, sendo que 520 milhões estão na Ásia e outros 243 milhões no continen- te africano. Essas informações possibilitam o trabalho com a questão da desigualdade mun- dial de acesso aos recursos ali- mentares, e consequentemente, para o desenvolvimento da ha- bilidade EF09GE13. Ao abordar a questão da fo- me, é importante comentar sobre o papel dos organismos financeiros internacionais no ciclo vicioso de muitos países em desenvolvimento (dívida externa – pagamento de juros – necessidade de recursos fi- nanceiros externos – aumento da produção de gêneros para exportação – redução na pro- dução de alimentos – fome). A percepção desses proces- sos econômicos, que refletem lógicas de ocupação humana, favorece o desenvolvimento da competência CEGEF 3. Sugestão de filme • O veneno está na mesa Dir. Silvio Tendler. Brasil: Caliban, 2011. (50 min) Esse documentário critica o amplo uso de agrotóxicos no terri- tório brasileiro, procurando alertar para os perigos dessa prática tanto para os trabalhadores, que manipulam os materiais, quan- to para toda a população consumidora no campo e nas cidades. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 21 11/22/18 5:48 PM 22 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 22 Unidade 1 O espaço mundial Atividades 1. Considerando as informações do gráfico, em qual conjunto de países seriam necessárias ações no modo de produção agropecuária para eliminar o problema da fome? Que tipos de ações poderiam ser realiza- das? Somente essas ações resolveriam esse problema? Explique. 2. Em quais porções continentais o problema da fome é particularmente grave? O que provoca tal situa- ção? Isso está relacionado à maior ocorrência da mortalidade infantil? Explique. Fome no mundo Leia as informações do gráfico e do mapa a seguir. Para compreender Gr‡fico e mapa 1. Nos países em desenvolvimento, realizando, por exemplo, ações voltadas para o aumento da produção de alimentos consumidos pelas populações e a diminuição das áreas destinadas aos gêneros de exportação. No entanto, somente essas ações não resolveriam o problema, pois há outras causas para a fome, como as fortes desigualdades sociais, a concentração da propriedade rural nas mãos de poucas pessoas, a pobreza, as guerras e os conflitos. Fonte: elaborado com base em WORLD DATA BANK. World Development Indicators. Disponível em: <http://databank.worldbank.org/data/reports. aspx?source=2&series=SP.DYN.IMRT.IN&country=#>. Acesso em: 18 set. 2018. 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar Ártico OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0 2 585 km N S LO De 10,1 a 25 Até 10 Taxa de mortalidade infantil (‰ nascidos vivos) De 25,1 a 45 De 45,1 a 65 De 65,1 a 100 Sem dados Mundo: mortalidade infantil – 2017 Fonte: elaborado com base em FAO STAT. Disponível em: <http:// www.fao.org/faostat/en/#data/ FS>. Acesso em: 18 set. 2018. 2. Na África e no sul da Ásia. Essas porções foram submetidas ao neocolonialismo, com a estruturação de plantations. A produção voltada para o mercado externo desestruturou a produção interna, voltada para a obtenção de alimentos para seus habitantes. Além disso, a África é um continente afetado por muitos conflitos e guerras. Essa situação está relacionada à maior ocorrência da mortalidade infantil, pois justamente os países com maiores índices de subnutridos apresentam também elevadas taxas de mortalidade infantil. O fi ci n a d e M ap as /A rq u iv o d a e d it o ra Mundo: popula•‹o desnutrida – 2000-2017 E ri cs o n G u ilh e rm e L u ci an o /A rq u iv o d a e d it o ra 2000-2002 2005-2007 2010-2012 2015-2017 0 200 400 600 800 1000 P o p u la çã o ( e m m il h õ e s ) Período Desenvolvidos Em desenvolvimentoMundo Para compreender Auxilie os alunos na com- preensão do gráfico e do mapa apresentados nesta seção, o que contribui para o desenvolvimen- to da competência CECHEF 7 e da habilidade EF09GE14. Questione-os sobre as possí- veis relações que podem ser estabelecidas entre as informa- ções expostas. Retome o tema relativo à industrialização e à agropecuária e discuta com os alunos a insuficiência da Re- volução Verde no combate aos problemas representados no gráfico e mapa desta página. Desse modo, eles também se- rão estimulados a desenvolver a habilidade EF09GE13 e a com- petência CECHEF 5. Atividades 1. Converse com os alunos so- bre a importância do aumento da produtividade nos países em questão, e, portanto, a re- levância do desenvolvimento técnico nas atividades agrope- cuárias. Entretanto, é impor- tante que os alunos percebam que o problema vai muito além da questão da produtividade, uma vez que o desperdício de comida, a desigualdade na dis- tribuição de renda, entre ou- tras questões políticas são fatores que muitas vezes de- terminam ou agravam o proble- ma da fome e da mortalidade infantil. Essa atividade contri- bui para o desenvolvimento da habilidade EF09GE13. 2. Retome os conteúdos rela- cionados ao neocolonialismo, trabalhados no início do capí- tulo. Comente que a denomi- nada partilha da África gerou fronteiras artificiais que am- pliaram as tensões e as guerras no continente. Essa atividade reforça o trabalho com a ques- tão da desigualdade mundial de acesso aos recursos alimenta- res, o que contribui para o de- senvolvimento da habilidade EF09GE13. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 22 11/22/18 5:48 PM 23 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 23Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas A modernização das atividades e o desemprego estrutural Uma das consequências da modernização da agropecuária é o desemprego es- trutural. Esse processo resulta da mecanização das atividades rurais, que acarreta a substituição de trabalhadores por maquinários e aqueles dificilmente conseguem reinserção no mercado de trabalho rural, a não ser que se qualifiquem para desen- volver outras habilidades, aumentando suas chances de recolocação. Isso porque as atividades que antes eram realizadas por muitas pessoas passam a ser executa- das por máquinas, geralmente controladas apenas por um operador. O desemprego estrutural ocorre, portanto, em decorrência da implementa- ção de inovações tecnológicas que substituem a mão de obra, reduzindo a neces- sidade de trabalhadores (figura 10). A substituição por máquinas é uma opção, já que em muitos casos, como no espaço rural, gera o aumento da produtividade.Com o processo de urbanização decorrente da modernização econômica dos países, como foi o caso dos países desenvolvidos e de diversos países em desen- volvimento que se industrializaram, como o Brasil, a Argentina e o México, no es- paço urbano, em vários setores, como na indústria e nos serviços, muitas tarefas já são automatizadas, não requerendo trabalhadores. No comércio, há estabeleci- mentos, como supermercados, que fazem uso de caixas sem operadores (figura 11). No setor financeiro, vários procedimentos bancários, como pagamento de contas e transferências, podem ser realizados a distância desde que a pessoa tenha acesso à internet e a um smartphone. É preciso ressaltar, no entanto, que, como aconteceu em outras etapas do desenvolvimento da atividade industrial, assim como há a eliminação de deter- minados tipos de trabalho, outras atividades surgem e pode haver ampliação na oferta de postos de trabalho nessas atividades. Figura 10. Fábrica de bebida em Kyoto (Japão), 2018. Figura 11. Caixa de supermercado em Nea Moudania (Grécia) que funciona sem operadores. Foto de 2018. T o m o h ir o O h s u m i/ B lo o m b e rg /G e tt y I m a g e s fr a n ti c 0 0 /S h u tt e rs to c k O conteúdo abordado neste tópico estimula o desenvolvi- mento da habilidade EF09GE12. Comente com os alunos que o desemprego estrutural também é chamado de desemprego tec- nológico. Peça-lhes que levan- tem hipóteses para explicar o porquê dessa outra denomina- ção. É esperado que indiquem as inovações tecnológicas, im- plantadas em diversos setores (de produção de mercadorias, de serviços, etc.). Essas ino- vações, ao mesmo tempo que provocam o aumento da produti- vidade, reduzem a necessidade de trabalhadores e criam postos que exigem maior qualificação profissional. Além da diminuição dos pos- tos de trabalho (desemprego estrutural no campo) mesmo em um cenário de aumento da produtividade (possibilitado pelo capital financeiro), outras consequências para o mercado de trabalho rural podem ocorrer, como o aumento da rotativida- de dos trabalhadores – acar- retada pela adoção de novas modalidades de contrato – e a diminuição da remuneração de trabalhadores, sobretudo daqueles com baixa escolari- dade formal. Essa abordagem estimula o desenvolvimento da competência CGEB 6. Texto complementar Mudanças estruturais, mercado de trabalho e rotatividade no emprego agropecuário no Brasil [...] O processo de expansão da fronteira agrícola brasileira, somado ao processo de inovação tecnológica no setor agropecuário, é responsável pelo desempenho da par- ticipação do país no comércio internacional de commodities e no desempenho assisti- do no setor em todas as dimensões. Acoplada a isso, a abertura econômica contribuiu para o resultado que tem alcançado o setor na produção nacional, desde meados do século XX e início do século XXI. Se, por um lado, a atual conjuntura do setor agropecuário brasileiro é motivo de exaltação, de que é prova o sucesso alcançado pelo setor no país e em todo o mundo, por outro, há uma parte fragilizada no contexto agropecuário que não ficou incólu- me aos efeitos da modernização e que foi acentuadamente afetada pelas externalida- des negativas do processo. A força de trabalho rural do país foi [...] excluída por força do avanço de uma modernização marginalizadora [...], sobretudo pela ausência de políticas de efeito compensatório em favor da força de trabalho rural brasileira. [...] FILHO, Luís Abel da Silva. Mudanças estruturais, mercado de trabalho e rotatividade no emprego agropecuário no Brasil. Revista de Desenvolvimento Econômico. v. 15, n. 27 (2013). Disponível em: <https://revistas.unifacs.br/index.php/rde/article/view/2557/1983>. Acesso em: 22 out. 2018. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 23 11/22/18 5:48 PM 24 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 24 Unidade 1 O espaço mundial Atividades 1. A modernização da agricultura mencionada no texto trouxe um expressivo aumento da produtividade, tendo em vista que o Brasil foi um dos países que adotaram o “pacote tecnológico” da Revolução Verde. Entretanto, esse modelo implementado favoreceu, em grande parte, apenas uma parcela dos agriculto- res. Identifique qual é essa parcela e quais foram as consequências para outros agricultores. 2. O desenvolvimento desse modelo de mecanização da agricultura trouxe transformações no trabalho do espaço rural brasileiro. Identifique quais foram essas modificações. Contraponto O texto a seguir relaciona a estruturação de uma sociedade urbano-industrial no Brasil e seus im- pactos. Leia-o, com os colegas e o professor e, depois, faça o que se pede. Evolução do espaço rural brasileiro Nos anos 1960, época de fortes mudanças so- ciais e políticas no país, o projeto da industriali- zação com base na substituição de importações se esgota. Isso se deveu, por um lado, pela incapaci- dade estrutural da própria indústria nacional em atender a sua crescente demanda interna por bens de capital e matérias-primas e, por outro lado, pela incapacidade da agricultura em financiar e abas- tecer as necessidades de um setor urbano e um parque industrial em expansão. [...] Esse projeto, que tinha a intenção de moder- nizar a agricultura, aumentando e diversificando a sua produção, pela introdução e disseminação de tecnologias de ponta, apresentava dois grandes eixos para a sua concretização: primeiro expan- dir e ocupar os espaços ainda não integrados ao mercado nacional, por meio da criação de incen- tivos fiscais em favor do grande empreendimento agropecuário capitalista nacional ou estrangeiro; e segundo ampliar a concessão de créditos subsi- diados, direcionados para a grande monocultura de alto valor comercial destinada à exportação. Graças a essas políticas, o desempenho da agri- cultura nos anos 1960 foi superior ao verificado na década de 1950. Isso se traduz pelo aumento superior a 170% no número de tratores utilizados no setor, naquele decênio, onde foram empregados principalmente nas áreas de lavouras da região Sul e do estado de São Paulo. Foi nesse espaço contínuo que a agricultura moderna mais se desenvolveu nos anos 1960, no contexto nacional. Além das tradicionais mono- culturas de exportação do algodão e do café, nele se intensificaram e se expandiram as lavouras do milho e da soja, em caráter empresarial A expansão do grande empreendimento agro- pecuário moderno afetou muitas áreas de peque- na produção agrícola, estando estas em áreas já colonizadas ou em áreas de expansão da fronteira. Isso porque o modelo de modernização conserva- dor, ao direcionar sua política de crédito subsidia- do para a mecanização, a utilização de insumos e os implementos industriais, fez com que o desen- volvimento da agricultura dependesse cada vez mais de investimentos de capital. Nesse sentido, o alto custo da utilização de insumos modernos inviabilizava os pequenos agricultores, uma vez que a eles foram impostas condições de produção semelhantes às dos grandes proprietários. [...] Até mesmo espaços rurais de pequena produ- ção, distantes da principal área de agricultura mo- derna formada pela região Sul e o estado de São Paulo, sofreram modificações em seu processo de produção tradicional. Este é o caso do Maranhão, onde, nos anos 1960, projetos governamentais fa- voreciam a apropriação da terra por grandes em- preendimentos pecuários. Com a pecuarização e a privatização das terras, extensas áreas de mata e capoeira foram transformadas em pastagens, destruindo, desse modo, o sistema agroextrativo prevalecente nesta área, ao qual estavam ligados os pequenos produtores estabelecidos há décadas nos vales dos rios Grajaú e Pindaré. GUIMARÃES, Luiz Sérgio Pires. Evolução do espaço rural brasileiro. In: FIGUEIREDO, Adma Hamam de (Org.). Brasil: uma visão geográfica e ambiental no início do século XXI. Rio de Janeiro: IBGE, Coordenação de Geografia, 2016. p. 126-127. ContrapontoEsta seção favorece o desen- volvimento da análise crítica. Por meio da valorização de conceitos abordados ao longo do capítulo e do incentivo à argumentação baseada em conhecimentos his- tóricos e geográficos, espera-se que os alunos reconheçam algu- mas transformações na ativi- dade agrícola brasileira. Desse modo, os alunos serão estimu- lados a desenvolver a habilida- de EF09GE11 e a competência CECHEF 6. Atividades 1. A modernização da agricultu- ra por meio da implementação de novas técnicas fez com que surgissem e se firmassem no campo brasileiro grandes em- preendimentos agropecuários, em detrimento dos pequenos agricultores, que, por sua vez, não puderam competir com os grandes latifundiários. Dessa forma, muitos desses agricul- tores com pequenas proprie- dades e pouco ou nenhum investimento do Estado, aca- baram migrando para outras regiões e até mesmo para as cidades, em busca de outras formas de trabalho. Essa atividade contribui pa- ra desenvolver a habilidade EF09GE11, reforçando a com- preensão das consequências das transformações científicas e tecnológicas para o trabalho na agricultura no Brasil em mea- dos do século XX. 2. Com a mecanização da agri- cultura, muitos postos de tra- balho no espaço rural foram substituídos por máquinas, contribuindo para o êxodo ru- ral (migração de muitos tra- balhadores, que passaram a desenvolver atividades de trabalho nos setores secun- dário e terciário, principalmen- te). As atividades rurais, por sua vez, passaram a reque- rer mão de obra especializa- da, como: técnicos agrícolas, agrônomos, tratoristas, ope- radores de semeadeiras e co- lheitadeiras. É possível aprofundar um pou- co mais a questão do êxodo rural, perguntando aos alunos o que eles sabem sobre o tema. Men- cione que este movimento faz parte das migrações internas, ou seja, aquelas que ocorrem dentro do próprio país, entre regiões. A dificuldade ou impossibilidade de acesso e permanência na terra é um importante fator motivador desse processo. Essa abordagem estimula o desenvolvimento da habilidade EF09GE11 e da compe- tência CGEB 6. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 24 11/22/18 5:48 PM 25 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR 25Capítulo 1 Revolução Industrial: repercussões territoriais e socioeconômicas Para sistematizar Retomar 1. Considerando o processo de globalização, que aspecto da urbanização apresentado no capítulo pode ser relacionado ao papel do capital financeiro? Exercitar 2. Leia a charge a seguir. 1. Uma característica da urbanização mundial atual é o fenômeno das cidades globais, que concentram as principais bolsas de valores do sistema financeiro internacional, além das sedes de grandes empresas ou escritórios de filiais de transnacionais, e as sedes de grupos financeiros. Isso confere a essas cidades um papel protagonista nos fluxos de capitais ao redor do globo e, no atual período, esses fluxos são intensos e os volumes de capital que passam pelas cidades globais são maiores do que em qualquer outra cidade do país. a) Que problema social é criticado na charge? b) Com base na charge, é possível perceber uma característica im- portante da sociedade urbano- -industrial, que exige constante retirada de recursos naturais. Que característica é essa? • Compare as informações presentes nesse gráfico com as que aparecem no gráfico da figura 7, na página 19. Considerando o uso de combustíveis fósseis e a presença de fontes renováveis, a que con- clusão é possível chegar? Que a utilização desses combustíveis continua significativa no conjunto das fontes para geração de eletricidade e que as fontes renováveis, apesar de terem apresentado crescimento, continuam com uma participação pequena. 2. a) O problema social apresentado pela charge é a falta de moradia. 2. b) É possível perceber na charge uma crítica ao modelo de transporte na cidade, pautado pela grande utilização dos automóveis como meio de locomoção. Para isso, são necessárias diversas obras viárias, as quais demandam a retirada de recursos naturais. O uso do automóvel, por sua vez, exige a retirada de recursos energéticos ou a produção de biocombustíveis. Fonte: elaborado com base em MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA/EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Anuário Estatístico de Energia Elétrica, 2017. p. 36. Disponível em: <http://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/ publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-160/topico-168/Anuario2017vf.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018. Mundo: percentual de geração de energia elétrica por fonte – 1980 E ri cs o n G u ilh e rm e L u ci an o /A rq u iv o d a e d it o ra © A n g e li/ A ce rv o d o ca rt u n is ta Nuclear 8,5% Combustíveis fósseis 69,6% Hidrelétrica 21,5% Geotérmica 0,2% Biomassa e resíduos sólidos 0,2% Outras renováveis 0,4% 3. Interprete as informações do gráfico a seguir. Charge do cartunista Angeli. Para sistematizar Retomar 1. Essa atividade favorece o desenvolvimento da habilidade EF09GE05. Se julgar adequa- do, retome com os alunos al- guns itens abordados no tópico Cidades globais. Exercitar 2. a) A leitura desse tipo de imagem amplia o repertório cultural dos alunos e a inter- pretação de diferentes ma- nifestações artísticas, o que favorece o desenvolvimento da competência CGEB 3. 2. b) Essa atividade propicia a análise da importância da produção agrícola para a ma- nutenção das condições de reprodução da sociedade ur- bano-industrial, o que contri- bui para o desenvolvimento da habilidade EF09GE13. 3. Essa atividade contribui para o desenvolvimento da habilida- de EF09GE18, bem como das competências CECHEF 2 e 7. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap01_010a025.indd 25 11/22/18 5:48 PM 26 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR D e A g o s ti n i/ G e tt y I m a g e s 26 Unidade 1 O espaço mundial CAPÍTULO A revolução técnico- -científica e as redes2 Leia o texto e observe as fotografias a seguir. O fantástico nível técnico alcançado pela humanidade é o marco mais im- pressionante da atualidade. Ele dá continuidade a uma aceleração iniciada com os esforços de guerra, quando foram inventados o avião a jato, o radar, o compu- tador eletrônico, o balístico, a utilização da energia atômica, o antibiótico, entre outros. Antes de surgir o termo globalização, Manuel Castells propusera defi- nir uma Era da informação e um conceito de modo de desenvolvimento, identificado como modo da informatização. GEIGER, Pedro Pinchas. O mundo no qual o Brasil se insere hoje: capitalismo, internacionalismo, socialismo. GEOgraphia – Revista do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense, v. 11, n. 21, 2009. p. 48. Converse com os colegas e o professor. 1. Quais fatores permitem a invenção de tantos produtos e de novas fontes de energia? 2. Ao tratar de um conceito identificado como modo da informatização, a que o autor está se referindo? Explique a importância disso no mundo atual. 3. Considerando seus conhecimentos, explique: Quais interesses estão envolvi- dos na evolução de equipamentos como os apresentados nas fotografias? 4. Você sabe de que maneira a voz de uma pessoa em um aparelho de telefonia celular ou fixa chega até o celular ou telefone fixo de outra pessoa? Quais ele- mentos tecnológicos possibilitam essa “circulação” da voz? Para começar Telefone do século XIX. Smartphone do século XXI. O le k s iy M a rk /S h u tt e rs to c k Neste capítulo, os estudos estão voltados para a com- preensão das principais carac- terísticas da Terceira Revolução Industrial, a qual também é de- nominada técnico-científica. Será abordado o histórico de criação de determinados orga- nismos internacionais e propos- ta a análise da atuação destes organismos quanto ao estímu- lo e ao controle da economia e do comércio internacional. O capítulo objetiva estimular os alunos a compreender a inte- gração entreciência, pesquisa e produção e seus desdobra- mentos em novos sistemas de produção (como o toyotismo) e na criação de polos de alta tec- nologia. A isto relacionam-se al- gumas mudanças ocorridas no mundo do trabalho. Ao final, se- rá analisada a estruturação de redes geográficas, bem como o sistema de telecomunicações, o advento da internet e suas consequências. Para começar Leia o texto com os alunos e incentive-os a pensar em como será o futuro das comunicações no mundo. Assim eles serão estimulados a desenvolver a competência CGEB 2. 1. Os alunos devem fazer re- ferência às pesquisas rea- lizadas nas universidades, nas empresas e aos investi- mentos realizados por em- presas e pelo Estado. Se julgar adequado, acrescente outros questionamentos. Por exem- plo, se falam em pesquisa, vo- cê pode completar com “Quem realiza a pesquisa?” ou “Onde são feitas essas pesquisas?”. Se citarem investimentos, da mesma forma. 2.O autor está se referindo à informática, ou seja, aos com- putadores, que têm capacida- de para processar, transmitir e armazenar informações im- portantes para a economia e para a sociedade, além de co- nectar instantaneamente di- versas partes do globo. Essa percepção favorece o desen- Habilidades da BNCC trabalhadas no capítulo EF09GE02 EF09GE11 EF09GE14 EF09GE18 volvimento da competência CGEB 5, auxiliando os alunos a com- preender a importância das tecnologias digitais de informação e comunicação nas dinâmicas do mundo atual. 3. É importante que os alunos reconheçam o interesse no de- senvolvimento tecnológico e científico para a facilitação da vida das pessoas, mas que também percebam o interesse mer- cadológico de empresas produtoras desses equipamentos, que lançam novos produtos no mercado a cada ano com o objetivo de conquistar cada vez mais consumidores, principalmente no contexto da concorrência, própria do sistema capitalista. Esses conhecimentos são fundamentais à compreensão das análises desenvolvidas no capítulo, que exploram as características da Terceira Revolução Industrial e suas consequências, importan- tes para o desenvolvimento da competência CGEB 5. 4. É possível que os alunos façam referência aos satélites arti- ficiais, aos cabos de telefonia (há os de fibra óptica), às ante- nas de celulares. É importante considerar também a emissão dos sinais de ondas. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap02_026a036.indd 26 11/22/18 5:46 PM 27 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR 27Capítulo 2 A revolução técnico-científica e as redes O capitalismo e a Terceira Revolução Industrial Logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos transformaram-se no princi- pal expoente do desenvolvimento capitalista. O país tinha necessidade de ampliar o comér- cio mundial de suas mercadorias, e para isso era necessário fortalecer a economia capitalis- ta em seu conjunto. Em 1944, na Conferência de Bretton Woods (figura 12), nos Estados Unidos, os países capi- talistas definiram uma nova ordem econômica que estimulava a retomada do desenvolvimen- to capitalista e a maior integração da economia mundial. Para garantir, executar e regulamentar as políticas definidas na Conferência, foram criados o Banco Mundial, o Fundo Monetário In- ternacional (FMI) e o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (sigla em inglês, Gatt), substituído em 1994 pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Essas organizações fortaleceram o sistema de trocas de mercadorias e de serviços e contribuíram para um relativo aumento nos fluxos de investimen- tos entre os países capitalistas, ou seja, na circulação de capitais que estão em um país e são destinados para outro. Foi principalmente a partir dos anos 1970 que esses fluxos aumentaram significativamente. Esse fenômeno foi con- sequência, em parte, da abertura das fronteiras nacionais para a entrada de mercadorias, serviços e capitais (investimentos estrangeiros) e dos avanços tecnológicos. A aplicação de diversas tecnologias ligadas à informática, às telecomunica- ções e à microeletrônica nas atividades econômicas possibilita às empresas o aumento da produtividade. Outros fatores que marcam a revolução técnico-cien- tífica ou Terceira Revolução Industrial são a engenharia genética, o desenvolvi- mento da microeletrônica e a utilização da energia nuclear em larga escala em alguns países. A modernização, em vários setores de atividades, elimina muitos postos de trabalho, pois a mão de obra é substituída por máquinas ou sistemas informatiza- dos, o que, além de aumentar a produtividade, pode gerar mais riquezas, ampliar taxas de lucros de empresas, viabilizar a produção de novas mercadorias, facilitar a vida de muitas pessoas e possibilitar a criação de novas atividades e profissões. No entanto, a revolução técnico-científica também traz novas exigências em ter- mos de qualificação profissional e domínio de habilidades. Se as condições socio- econômicas dos países não forem estáveis, a eliminação de milhares de postos de trabalho pode contribuir para a elevação dos índices de desemprego. A lf re d E is e n s ta e d t/ T h e L IF E P ic tu re C o ll e c ti o n /G e tt y I m a g e s Figura 12. Conferência de Bretton Woods, Estados Unidos, 1944. Aproveite o momento para trabalhar com a sequência di- dática “A revolução técnico-cien- tífica e mundo do trabalho” do material digital. Se julgar adequado, retome com os alunos alguns dos fato- res que possibilitaram a estrutu- ração dos Estados Unidos como grande potência, trabalhados no volume do 8o ano. Ao identificar os organismos internacionais mencionados neste tópico, é interessante ana- lisar o papel deles na circulação de capitais e investimentos em escala mundial, o que criou as bases para a revolução técnico- -científica que alterou progres- sivamente os padrões de vida, de consumo e de mobilidade das sociedades urbano-industriais. Assim, os alunos serão estimu- lados a desenvolver a habilidade EF09GE02. Comente que, após a insti- tuição do FMI, os países asso- ciados converteram o valor de suas moedas ao dólar ou ao ouro. Por meio desse mecanis- mo, houve uma valorização da moeda dos Estados Unidos em relação às demais. Se julgar adequado, retome com os alunos os conteúdos referentes ao desemprego es- trutural, vistos no Capítulo 1, en- fatizando que a modernização do setor agropecuário eliminou diversos postos de trabalho e criou novos com a exigência de novas qualificações. Dessa for- ma, acentuou-se o processo de êxodo rural, com consequente aumento da população urbana e intensificação do processo de urbanização em muitos locais. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap02_026a036.indd 27 11/22/18 5:46 PM 28 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 28 Unidade 1 O espaço mundial A ciência, a pesquisa e a produção Ao tratar da Terceira Revolução Industrial, é fundamental entender a forte integração entre ciência, pesquisa e produção e sua importância socioeconômi- ca e, portanto, espacial no mundo contemporâneo. Essa integração tem conse- quências significativas na organização do território dos países, nas relações que se estabelecem entre a sociedade e a natureza e no espaço geográfico mundial. A ciência está estreitamente ligada à atividade industrial e a outras ativida- des econômicas: agricultura, pecuária, comércio e serviços. Para as empresas, o desenvolvimento científico e tecnológico possibilita a criação de novos produtos e o aperfeiçoamento de outros, além de reduzir custos, permitindo-lhes maior competitividade num mercado mundial cada vez mais disputado. Em relação ao conjunto de toda atividade produtiva dos países, o investimen- to científico tem sido crescente, pois as grandes multinacionais possuem seus próprios centros de pesquisa. Também o Estado, por meio de suas universidades e de outras instituições, estimula o crescimento econômico, preparando e capacitando pessoasao exercí- cio de funções de pesquisa na área industrial ou agrícola e no desenvolvimento de tecnologias, transferidas ou adaptadas às novas mercadorias de consumo, aos novos equipamentos e processos de produção e às novas fontes energéticas. A energia eólica, por exemplo, é considerada uma fonte energética não po- luente, renovável e abundante. A Alemanha é um país que pretende abandonar gradativamente o uso de energia nuclear e que investe bastante em fontes ener- géticas renováveis (figura 13). Esse é um exemplo, entre muitos, de como os in- vestimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) podem priorizar uma relação entre a sociedade e a natureza que traga menos prejuízos ao ambiente. Os investimentos em P&D podem ser realizados pelo Estado e por empresas privadas. Em diversos países, os investimentos em pesquisas nas universidades são realizados principalmente com recursos públicos, como são os casos dos Es- tados Unidos, da China e do Brasil. Assim, a pesquisa científica aplicada à criação e ao desenvolvimento de no- vos produtos tornou-se parte do planejamento estratégico do Estado, visando à expansão econômica. Essa contribuição do Estado ao desenvolvimento científico e tecnológico é uma característica marcante nos países desenvolvidos. Indústria: um só mundo Pierre Beckouche São Paulo: Ática, 1998. Aborda a fase atual de industrialização mundial e as estratégias de localização industrial nas diversas regiões do planeta. Livro Figura 13. Central eólica em Kodersdorf (Alemanha), 2018. F lo ri a n G a e rt n e r/ P h o to th e k /G e tt y I m a g e s Ao abordar o investimento de países em P&D, o conteúdo desta página contribui para o desenvolvimento da habilida- de EF09GE18. Se julgar adequado, aborde o tema contemporâneo ciên- cia e tecnologia, comentando e analisando com os alunos a posição do Brasil no Índice Glo- bal de Inovação. Se possível, reproduza os dados das tabe- las abaixo na lousa e peça aos alunos que analisem as infor- mações apresentadas: Evolução do Brasil (total de 126 países) Ano Colocação 2016 69o 2017 69o 2018 64o Elaborado com base em: Índice Global de Inovação. Disponível em: <https://www.globalinnovationindex. org/gii-2018-report#>. Acesso em: 31 out. 2018. Onde o Brasil está nas 7 áreas consideradas pelo índice Sofisticação de negócios 38o Capital humano e pesquisa 52o Conhecimento e tecnologia 64o Infraestrutura 64o Criatividade 78o Sofisticação de mercado 82o Instituições 82o Elaborado com base em: Índice Global de Inovação. Disponível em: <https:// www.globalinnovationindex.org/ gii-2018-report#>. Acesso em: 31 out. 2018. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap02_026a036.indd 28 11/22/18 5:46 PM 29 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR 29Capítulo 2 A revolução técnico-científica e as redes Tecnologia nos sistemas e processos de produção No contexto da Terceira Revolução Industrial surgiu no Japão um novo siste- ma de produção que ficou mundialmente conhecido como just-in-time (no tempo justo, na hora certa), totalmente adaptado às necessidades do mercado. Esse sis- tema de produção também é conhecido como toyotismo. No interior da fábrica, as diferentes etapas de produção, desde a entrada das matérias-primas até a saída do produto, são realizadas de forma combinada entre fornecedores, produtores e compradores. A quantidade de matérias-primas que entra na fábrica corresponde exatamente à exigida para a fabricação de produtos. As mercadorias são feitas dentro do prazo estipulado e de acordo com a exigência dos compradores. Além da eficiência, o sistema just-in-time permite a diminuição do custo de estocagem, e o volume da produção fica diretamente relacionado à capacidade de mercado, evitando-se perdas de estoque ou diminuição do preço caso ocorra uma defasagem tecnológica do produto. As indústrias automobilísticas passaram a uti- lizar intensamente esse sistema, cuja eficiência de- pende da instalação dos fornecedores de autopeças ao lado da própria fábrica de automóveis – são as empresas subcontratadas (figura 14). Junto com a empresa principal, no caso da indústria automobilís- tica, a montadora e as subcontratadas formam uma rede de produção, como veremos também a seguir, neste capítulo. Entre os diversos processos de automação in- dustrial, a robotização é o mais avançado. Os países que mais a utilizam são, respectivamente, o Japão (figura 15) e os Estados Unidos. O setor automobilís- tico apresenta o maior número de robôs da indústria em geral. Na Alemanha e na Itália, por exemplo, há um robô para cada dez trabalhadores empregados na indústria automobilística. A introdução de novas tecnologias na produção industrial é também responsável pelo desemprego nos serviços, no comércio, no extrativismo e na agricultura. No entanto, possibilita a criação de vagas em outros setores que, muitas vezes, não absorvem toda a mão de obra que fica desempregada. É imprescindível que governos e empresas criem condições para que os de- sempregados possam fazer cursos de aprimoramen- to ou reciclagem profissional para se recolocarem no mercado de trabalho, em setores que exigem qualifi- cação específica. Defasagem: no texto, refere-se a desatualizado, ou seja, quando um produto fica ultrapassado, dentro da economia capitalista. Figura 14. Complexo industrial automotivo em Camaçari (BA), estruturado de acordo com os padrões do sistema just-in-time. Foto de 2017. Figura 15. Linha de montagem automatizada, na província de Aichi (Japão), 2017. R u b e n s C h a v e s /P u ls a r Im a g e n s N o ri k o H a y a s h i/ B lo o m b e rg /G e tt y I m a g e s Se achar oportuno, estimu- le o resgate de conhecimentos sobre o fordismo, sistema de produção que predominou em grande parte do século XX. Pe- ça aos alunos que elaborem um texto comparando o toyotismo e o fordismo, as principais mu- danças técnicas e científicas na transição de um sistema para o outro e quais as principais vantagens para a produção ca- pitalista do sistema just-in-time. Se julgar adequado, apresente o texto complementar a seguir para aprofundar a abordagem sobre as mudanças técnicas nas formas de trabalho, o que contribui para o desenvolvimen- to da habilidade EF09GE11. Texto complementar A organização do trabalho no século XX [...] Em termos objetivos, no sistema taylorista/fordista, a capacidade produtiva era fi- xada no nível do trabalhador em seu posto e, dada a rigidez da hierarquia na divisão do trabalho, a solução para picos de variação de demanda era a manutenção de estoques, su- jeitando a força de trabalho a altos níveis de rotatividade e os produtos à estandardiza- ção. No sistema toyotista, a automação, a polivalência e a organização celular permi- tiram que a capacidade pro- dutiva dos postos de trabalho passasse a ser flexível, absor- vendo variações quantitativas e qualitativas na demanda dos produtos, sem manutenção de estoques e contando com um número idealmente fixo de trabalhadores, dos quais podem ser exigidas jornadas flexíveis, com aumento signi- ficativo de horas extras. PINTO, Geraldo Augusto. A organização do trabalho no século XX: taylorismo, fordismo e toyotismo. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2013. p. 70. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap02_026a036.indd 29 11/22/18 5:46 PM 30 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 30 Unidade 1 O espaço mundial Polos mundiais de alta tecnologia Os polos de alta tecnologia (tecnopolos) con- centram, num mesmo local, atividades ligadas ao de- senvolvimento de novas tecnologias, como empre- sas, centros de pesquisa e universidades. Esse novo conceito de produção e desenvolvimento surgiu nos laboratórios da Universidade de Stanford, que deu origem ao Vale do Silício, na Califórnia (figura 16). Várias empresas do ramo da informática conhecidas mundialmente surgiram nessa região. A partir da décadade 1970, diversos tecnopolos foram criados dentro e fora da fronteira dos Estados Unidos. As redes geográficas As redes são sistemas que interligam e estruturam relações entre diversos pontos dos territórios dos países e entre os países, portanto, em nível mundial. Elas contribuem para a circulação ou o fluxo de mercadorias, capitais, informa- ções e pessoas entre os diferentes pontos do planeta. No caso das informações e dos capitais, podemos considerar que o fluxo é virtual, pois não vemos as informações ou o capital circulando de um local para outro. Quando, por exemplo, uma pessoa paga um serviço ou compra uma merca- doria usando cartão de débito, o valor correspondente a esse serviço ou compra sai de modo instantâneo de sua conta-corrente e é creditado na conta-corrente do vendedor. Nesse caso, não há circulação de dinheiro físico. Em cada etapa do desenvolvimento industrial, e mesmo antes, estrutura- ram-se diferentes redes, que foram sendo incorporadas ao espaço geográfico e provocaram diversos tipos de alteração nas paisagens dos territórios dos países e nas relações entre a sociedade e a natureza. Assim, no mundo atual, temos diversas redes: redes viárias ou de transpor- tes de vários tipos (aéreas; rodoviárias; ferroviárias; de metrôs e trens urbanos; rodoviária municipal; navegação marítima, fluvial e lacustre); elétricas, de comu- nicação por satélite artificial; de cabos de fibra óptica; de antenas para celulares; de produção de empresas multinacionais; de circulação de capitais entre bolsas de valores; de telefonia móvel; de telefonia fixa. Umas dependem do suporte ma- terial, que outras proporcionam: por exemplo, para que haja circulação de capitais entre bolsas de valores, é necessário que existam satélites artificiais de comuni- cação e cabos de fibra óptica. Vale do Silício (Silicon Valley): região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se instalou um conjunto de empresas científica e tecnologicamente inovadoras, destacando-se na produção de chips para computadores. Um chip é um circuito integrado, fabricado com uma lâmina em miniatura (em geral, de silício), capaz de realizar diversas funções em equipamentos de informática. Virtual: palavra usada para designar o que diz respeito às comunicações via internet. Informações e dados transmitidos pelos computadores fazem parte do “ambiente virtual”, ou seja, são reais, mas não têm existência física que nos permita vê-los ou tocá-los. Figura 16. Vista da sede de uma grande indústria de smartphone, tablets e computadores na cidade de Cupertino, na Califórnia (Estados Unidos), 2018. D ro n e a n d y /S h u tt e rs to c k A lógica de concentração de atividades produtivas e de pes- quisa científica na configuração espacial dos polos de alta tecno- logia é um importante aspecto a ser sistematizado para o de- senvolvimento do raciocínio geo- gráfico. Se possível, estimule os alunos a pensar exemplos de tec- nopolos em diferentes escalas, como o município de São José dos Campos, em São Paulo, on- de está sediado o Instituto Tec- nológico de Aeronáutica (ITA). Essa reflexão contribui para o desenvolvimento da competên- cia CEGEF 3. No texto complementar suge- rido abaixo, o sociólogo Manuel Castells apresenta o conceito de redes, caracterizando-as como sistemas dinâmicos que permitem o fluxo de informa- ções, capitais e pessoas, que, por sua vez, determinam trans- formações nos sistemas de pro- dução, economia, transportes e comunicações. Se possível, apresente-o para os alunos a fim de estimular a aplicação dos princípios de analogia, di- ferenciação, conexão e dis- tribuição, importantes para a análise de informações geo- gráficas. Essa abordagem fa- vorece o desenvolvimento da competência CGEB 1. Texto complementar A sociedade em rede Rede é um conjunto de nós interconectados. Nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta. Concretamente, o que um nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos. São mercados de bolsas de valores e suas centrais de serviços auxilia- res avançados na rede dos fluxos financeiros globais. São conselhos nacionais de ministros e comissários europeus da rede política que governa a União Europeia. São campos de coca e de papoula, laboratórios clandestinos, pistas de aterrissagem se- cretas, gangues de rua e instituições financeiras para lavagem de dinheiro, na rede de tráfico de drogas que invade as economias, sociedades e Estados no mundo inteiro. São sistemas de televisão, estúdios de entretenimento, meios de computação gráfica, equi- pes para cobertura jornalística e equipamentos móveis gerando, transmitindo e recebendo sinais na rede global da nova mídia no âmago da expressão cultural e da opinião pública, na era da in- formação. [...] A inclusão/exclusão em redes e a arquitetura das relações entre redes, possibilitadas por tecnologias da informação que operam à velocidade da luz, configuram os processos e fun- ções predominantes em nossas sociedades. [...] As conexões que ligam as redes (por exemplo, fluxos financei- ros assumindo o controle de impérios da mídia que influenciam os processos políticos) representam os instrumentos privilegiados do poder. Assim, os conectores são os detentores do poder. CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2007. p. 497-499. GeoTerSoc_9ano_MP_PNLD2020Sa_Cap02_026a036.indd 30 11/22/18 5:46 PM 31 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR 31Capítulo 2 A revolução técnico-científica e as redes Atividades 1. A partir do momento em que as redes são estruturadas, formam-se o que se denomina nós e linhas. Con- siderando que estas últimas são responsáveis pelos fluxos, identifique e perceba, nas duas fotografias e no mapa, quais são os nós e quais são as linhas. 2. Quais redes estão presentes no mapa? 3. Quando um cliente de um banco realiza uma retirada de dinheiro numa agência bancária que não é a sua, imediatamente o saldo de sua conta bancária fica menor. Que tipo de fluxo ocorre? Explique. 4. De acordo com o mapa, procure indicar uma região de intensos fluxos de linhas aéreas e de navegação marítima, argumentando a sua escolha. Nós: caixas eletrônicos, agência bancária, portos e aeroportos. Linhas: os cabos de fibra óptica, as rodovias, as rotas dos aviões e dos navios, que não estão traçadas nos mapas, mas sabemos que existem. Uso de caixa eletrônico em Joinville (SC), 2017. Regiões de intensos fluxos de linhas aéreas e navegação marítima: o Atlântico Norte, pois há grande quantidade de aeroportos e portos movimentados tanto na Europa como nos Estados Unidos; no Pacífico Norte também ocorre o mesmo, pois há, sobretudo, portos com grande movimento de carga na região da Ásia-Pacífico e nos Estados Unidos. Fluxos Observe as fotografias e o mapa a seguir. Para compreender Fotografias e mapa Fonte: elaborado com base em WORLD SHIPPING COUNCIL. Top 50 World Container Ports. Disponível em: <http://www.worldshipping.org/about- the-industry/global-trade/top-50-world-container-ports>; AIRPORTS COUNCIL INTERNATIONAL. Passenger Summary. Disponível em: <https://aci. aero/data-centre/annual-traffic-data/passengers/2016-final-summary/>. Acesso em: 2 out. 2018. Tóquio Atlanta Beijing Dubai Los Angeles Chicago Londres Hong Kong Xangai Paris Dallas/ Fort Worth Amsterdã Rotterdã Frankfurt Istambul Guangzhou Nova York Cingapura Denver Jacarta Incheon Shenzhen Ningbo-Zhoushan Busan Qingdao Tianjin Port Klang Kaohsiung Antuérpia Dalian Xiamen Hamburgo Tanjung Pelepas Keihin Ports 0° 0° M er id ia n o d e G re en w ic h Equador Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Círculo Polar Antártico Círculo Polar Ártico OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0 2 900 km N S LO Movimentação de passageiros nos aeroportos (em milhões) Até 60 De 60,1 a 75 De 75,1 a 90 Acima de 90 Movimentação