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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR FRANCISCANO – IESF Recredenciado pela Portaria do MEC Nº 725, de 20 de julho de 2016 publicado no D.O.U de 21 de julho de 2016 Curso: Direito Período: 2º Disciplina: Data: 12/09/2020 Docente: Prof. Aluno (a): RESUMO O objetivo da pena, suja finalidade que alcance tem sido uma grande inquietação por tempos. A pena deve tão somente reprovar o agente pelo mal que ele praticou mediante o cometimento da infração penal, ou deve ir adiante, buscando, além da efetiva reprovação, se tem uma finalidade utilitária. Além-claro de tentar impedir delitos futuros. Segundo Manuel de Lardizábal "O direito de impor penas é tão próprio e peculiar da sociedade, que nasceu com ela mesma, e sem ele não podia subsistir. Como o primeiro e o principal fim de toda sociedade é a segurança dos cidadãos e a saúde da república, segue-se, por consequência necessária, que este é também o primeiro e geral fim das penas. A saúde da república é a suprema lei." Desta forma, nascem as teorias, entre elas as Absolutistas, voltadas para o que se passou, tendo enfoque na retribuição, no que o agente cometeu e sua penalidade. E as Relativas, onde sua visão se estende para o futuro, com o olhar mais amplo, buscando como resultado a prevenção. A sociedade em geral se satisfaz e, na verdade, busca tão somente fazer com que a pena tenha essa finalidade retribuía, pois tende a fazer com ela uma espécie de "pagamento", entretanto, sem pensar no que virá após esse processo. É importante frisar que essa concepção retribuía, principalmente no pensamento de Kant, surgiu em um Estado Liberal, onde se pressupunha que todos eram iguais perante a lei. No entanto, esse conceito de igualdade formal não é suficiente. Existe uma grande diferença entre uma pessoa criada em meio à pobreza e outro em meio às riquezas, com uma parcela mais favorecida, em detrimento de outra menos favorecida. Do embate entre as duas teorias - retribuías e preventivas -, surgiu uma terceira, como não poderia deixar de ser, chamada de mista ou unificadora da pena, tal como ocorre com a teoria adotada pelo art. 59 do Código Penal, que funde as necessidades retribuía e preventiva da pena. Assim, as Escolas Penais, são as diversas correntes filosófica-jurídicas em matéria penal, que surge através dos tempos. Das Escolas Clássicas A Escola Clássica surgiu no século XVIII, um dos seus contribuintes foram Beccaria (1764), com sua obra "Dos delitos e das penas" e Bentham (1789) em "Introdução aos princípios da moral e da legislação". Desta partida, inúmeros princípios começaram a ganhar corpo, a exemplo dos princípios da necessidade e da suficiência da pena, proporcionalidade, utilidade, prevenção geral e especial, in dubio pro reo, publicidade dos julgamentos, presunção de inocência, culpabilidade. Entretanto, a partir de então surgiu um dos maiores princípios para a humanidade que é o princípio da dignidade da pessoa humana. Segundo as lições de Foucault, "a prisão, peça essencial no conjunto das punições, marca certamente um momento importante na história da justiça penal: seu acesso à humanidade". A Escola Clássica estava fundamentada, resumidamente, nos seguintes postulados: a) livre-arbítrio; b) dissuasão, c) prevenção e d) retribuição. A pena, ainda segundo a Escola Clássica, sob o enfoque teórico-filosófico, deveria servir a uma função preventiva, tanto geral quanto especial. Beccaria já dizia que "o fim da pena, pois, é apenas o de impedir que o réu cause novos danos aos seus concidadãos e demover os outros de agir desse modo." Embora tivesse tido um mérito inegável, a Escola Clássica começou a receber críticas contundentes em razão de alguns de seus fundamentos. Em 1913, Viveiros de Castro, enfaticamente dizia: "Os juristas, os escritores da escola clássica definem o crime como violação voluntária e livre de um princípio da justiça absoluta sancionado na legislação positiva. Há nesta definição dois princípios que a caracterizam- a eternidade de uma justiça imutável, pairando sobre o tempo e as sociedades, e o livre-arbítrio como guia da conduta humana. Ambos estes alicerces em que os juristas repousam seu conceito de crime são falsos. Nem a justiça é absoluta e imutável, nem o livre-arbítrio, a faculdade de querer ou deixar de querer, é verdadeiro. " Para a Escola Clássica, a pena é um mal imposto que o sujeito é merecedor, por ter cometido uma falta (crime). Assim, a finalidade é o restabelecimento da ordem na sociedade. A pena é tutela jurídica. Desta forma, se o crime é uma violação do direito, a defesa contra este crime deverá se encontrar no seu próprio seio. Não pode ser arbitrária, e nem tão pouco desproporcional; deverá ser do tamanho exato do dano sofrido, em caráter retributivo, onde não é importante a figura do delinquente. A pena, ainda segundo a Escola Clássica, sob o enfoque teórico-filosófico, deveria servir a uma função preventiva, tanto geral quanto especial. Beccaria já dizia que "o fim da pena, pois, é apenas o de impedir que o réu cause novos danos aos seus concidadãos e demover os outros de agir desse modo." Foi uma escola importantíssima para a evolução do Direito Penal na medida em que defendeu o indivíduo contra o arbítrio do Estado. Da Escola Positiva O movimento foi iniciado pelo médico Cesare Lombroso com sua obra L’Uomo delinquent (O Homem Delinquente - 1875). Na concepção deste médico existia a ideia de um criminoso nato, que seria aquele que já nascia com esta predisposição orgânica. Era um ser atávico, uma regressão ao homem primitivo. Sendo o introdutor do positivismo, método científico utilizado nas ciências naturais, ã exemplo da Física, da Botânica, da Medicina ou da Biologia Para Lombroso, a observação e a medição deviam constituir as estratégias habituais do conhecimento criminológico, além da racionalidade e da especulação do mundo jurídico. Suas ideias deram origem à Escola Biológica da Criminologia, que também ficou conhecida como Escola Italiana. Lombroso apregoava que o criminoso nato tinha um regresso atávico, pois que muitas das características por ele apontadas também eram próprias das formas primitivas dos seres humanos. Assim, também aderiu ao pensamento de Lombroso, Enrico Ferri, o criminoso era NATO, ou seja, com atrofia dos sensos morais. E além disso, descreveu outras características e posicionamentos: LOUCOS: também se incluíam os matóides, que são aqueles indivíduos que estão na linha entre a sanidade e a insanidade (atualmente a psicologia utiliza o termo “border line” para classificar esse tipo de disfunção); HABITUAL: é aquele indivíduo que sofreu a influência de aspectos externos, de um meio social inadequado, e com isso acabou corrompido; OCASIONAL: é aquele ser fraco de espírito, sem nenhuma firmeza de caráter; PASSIONAL: (sob o efeito da paixão): ser de bom caráter, mas de temperamento nervoso e com sensibilidade exagerada. Normalmente o crime acontece na juventude, vindo o indivíduo a confessar e arrepender-se depois. Expoente e adepto Rafael Garafalo (1851-1934). Em sua obra Criminologia (1891) insiste que o crime está no indivíduo, pois é um ser temível, um degenerado. O delinquente é um ser anormal portador de anomalia de sentido moral. Outros pensadores, nomes de relevo engrossaram as fileiras da Escola Positiva, a exemplo de Garofalo, Puglia, Altavilla, Florian, Grispigni etc. Na atualidade, sabe-se que a genética especificamente não repercute na possibilidade de serem cometidas infrações penais, podendo-se concluir, portanto, que a delinquência não possui natureza hereditária. Pode-se concluir com Heleno Fragoso que alguns dos princípios básicos da Escola Positiva relata que "o crime é fenômeno natural e social, estando sujeito às influências do meio e aos múltiplos fatores que atuam sobre o comportamento" e continua afirmando que "a responsabilidade penal é responsabilidade social (resultado do simples fato de viver· o homem em sociedade), tendo por base a periculosidade doagente". Por fim, esta escola nega o livre-arbítrio, e em consequência abomina a ideia da Escola Clássica que afirmava que o crime era o resultado da vontade livre do homem. Defendendo que a responsabilidade criminal é social por fatores endógenos e a pena não poderia ser retribuía, uma vez que o indivíduo age sem liberdade, o que leva ao desaparecimento da culpa voluntária. Referências BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. CASTRO, Viveiros de. A nova escola penal, p. 26-28 FOUCAULT, Michel. Vigiare punir, p.195. LARDIZÁBAL Y URIBE, Manuel de. Discurso sobre las penas. Cádiz: Servido de Publicaciones Universidad de Cádiz, 2001.