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Serviço Social - Fundamentos e instrumentos ESTUDO SOCIAL, RELATÓRIOS, LAUDOS E PARECERES Assistente social, Profª Dra. Eunice Fávero e-mail: eunice.favero@cruzeirodosul.edu.br NEPPSF- UNICSUL/SP São Paulo – 2012 OBS: Este material foi organizado exclusivamente para fins didáticos. Em caso de reprodução, solicitamos que seja feita referência à fonte. ESTUDO SOCIAL, RELATÓRIOS, LAUDOS E PARECERES Por que e para que o debate sobre essa temática? - De qual lugar falamos/pensamos ao realizarmos o estudo social? - Qual a demanda/expectativa institucional [pública ou privada] - ao Serviço Social, na realização desse estudo? - Qual a demanda/expectativas dos sujeitos sociais atendidos pelo assistente social? - E qual a direção social que norteia o trabalho do assistente social nesse espaço sociocupacional? - Que estratégias estabelece para materializar suas ações? De que lugar falamos? [lugar institucional, profissional...] - Como, no cotidiano da intervenção , conhecemos a realidade social dos sujeitos que atendemos, e como estabelecemos a relação do imediato com o mediato, numa perspectiva que materialize a teoria social crítica em cada situação que relatamos/analisamos? - Como nossa visão de mundo se expressa nos diversos procedimentos que desenvolvemos na operacionalidade de nossa ação e como incide na vida dos sujeitos sociais com os quais trabalhamos? Serviço Social: Fundamentos e instrumentos Instrumentos - intervenção Intervenção na realidade social - que envolve indivíduos, famílias, grupos sociais, com semelhanças e diferenças na condução da vida; Intervenção a partir de diferentes expressões da questão social. Projeto Profissional: - compromisso com a defesa e a garantia dos direitos humanos e sociais O Estudo Social Instrumentos X Instrumentalidade Efetivação dessas dimensões do projeto da profissão requer: A dimensão e a postura investigativa: Que implica: - na possibilidade de captar e explicar o significado das demandas; - o conhecimento e o desvelamento da realidade possibilita planejar ações criativas, propositivas. Implica em desenvolver no cotidiano o exercício profissional “interventivo” e o exercício profissional da “pesquisa/produção de conhecimentos”. A análise/reflexão sobre as várias dimensões do trabalho profissional, para realimentá-lo. O estudo social A dimensão investigativa pressupõe: . “uma visão global da dinâmica social concreta” . o encontro das “principais mediações que vinculam o problema específico com que se ocupa [violência doméstica; rompimento de vínculos sociais, parentais; ausência de saúde; ausência de trabalho/trabalho precário; moradia inadequada; violação dos mais variados direitos sociais...] com as expressões gerais assumidas pela ‘questão social’ no Brasil contemporâneo e com as várias políticas sociais (...) que se propõem a enfrentá-las”; . a apropriação crítica “do conhecimento existente sobre o problema específico com o qual se ocupa” (NETTO, 2009, p. 695). O estudo social A apropriação crítica do conhecimento existente, implica em: . “dominar a bibliografia teórica (em suas diversas tendências e correntes, as suas principais polêmicas) . a documentação legal . a sistematização de experiências . as modalidades de intervenções institucionais e instituintes . as formas e organizações de controle social . o papel e o interesse dos usuários e dos sujeitos coletivos envolvidos etc. . ampliar o conhecimento sobre a instituição/organização na qual o próprio profissional se insere.” (ibid.). O estudo social Na perspectiva de trabalho que pressupõe a postura investigativa, apenas a descrição da realidade imediata, exposta pelos sujeitos atendidos, ou a “aparência” do problema específico, não efetiva a prática crítica e com qualidade – técnica, política e ética. A análise crítica, com base nessas atitudes investigativas, é que tornará possível essa prática. (FÁVERO, 2012) O estudo social Por que o Estudo social, laudos, relatórios, pareceres são instrumentos tão presentes hoje nos mais variados espaços de trabalho do assistente social? O Estudo social seria um instrumento que, no trabalho cotidiano, pode oferecer ampla possibilidade de desenvolvimento da dimensão e postura investigativa? Afinal, como entender hoje o estudo social? ESTUDO SOCIAL OU ESTUDO SOCIOECONÔMICO - É um “Processo metodológico específico do Serviço Social. Finalidade: conhecer com profundidade e criticamente, uma situação ou expressão da questão social, objeto da intervenção profissional, - Com ênfase em aspectos socioeconômicos e culturais. (FÁVERO, 2010) De sua fundamentação rigorosa - teórica, ética e técnica: contribui para o acesso, garantia e efetivação de direitos dos sujeitos/usuários.” (FÁVERO, 2010) Para ALÉM do conhecimento em si – INTERVENÇÃO (direta e indiretamente). O estudo social Finalidade imediata: emissão de parecer – formal ou não – sobre a situação, do qual o usuário depende p/ acessar benefícios, serviços e/ou resolver litígios.” (MIOTO, 2009). Perspectiva: No âmbito do trabalho profissional, as necessidades dos sujeitos singulares não são problemas individuais. Não decorrem de competências ou incompetências individuais. Se inserem no processo de “produção e reprodução das relações sociais” – enquanto produção e enquanto possibilidade de satisfação dessas necessidades, no interior de uma sociedade que tem como inerente a desigualdade social. O estudo social, laudos e pareceres Como “operacionalizar” o ESTUDO SOCIAL, levando em conta a perspectiva teórica metodológica e ético política do Serviço Social? - Que conteúdos são essenciais ao “estudo social” ou “socioeconômico”? O estudo social O que é trabalho precário? O que é trabalho decente? Qual o parâmetro para afirmações sobre baixa renda, miséria, pobreza, classe média, média alta? O que é moradia adequada? Quais parâmetros norteiam nossas análises sobre família? De qual ‘família’ falamos? O que estas questões têm a ver com o Estudo Social? O estudo social, laudos e pareceres Alguns Fundamentos para o estudo social: trabalho, políticas sociais/território, famílias Trabalho: Direito social. Entendido como direito ao “trabalho decente”. Parâmetro: a Declaração Relativa aos Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho, estabelecidos pela OIT: -O “trabalho adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna.” (AGENDA, 2006) “Implica em segurança e renda – enquanto elementos fundamentais para a efetivação da capacidade protetiva das famílias”. (SPOSATI, A. 2012) O estudo social - Qual o significado do trabalho e como está distribuído na localidade vivida pelo sujeito/s que atendemos, no território vivido, no município, e na realidade mais ampla, em termos de postos de trabalho, exigências técnicas, proteção? - Como se dá o acesso ao direito ao trabalho e em que condições? - Quais as possibilidades e impossibilidades de trabalho decente? - Quais os indicadores sociais de trabalho e renda – locais, estaduais, nacionais, internacionais? - Ao realizar esse estudo, estamos atentos/as aos vínculos estabelecidos (ou não) pelos sujeitos com o trabalho? O estudo social A Constituição Federal prevê (além do direito ao trabalho e demais direitos sociais), o ‘direito à moradia’ como direito social que deve ser válido para todos os brasileiros. “O direito à moradia integra o direitoa um padrão de vida adequado. Não se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas ao direito de toda pessoa ter acesso a um lar e a uma comunidade seguros para viver em paz, com dignidade e saúde física e mental.” (RELATORIA, 2010) Implica: “na segurança da habitação, segurança ambiental e integração urbana, qualidade de vida e participação”. (SPOSATI, A. 2012) Implica: no acesso os direitos sociais no território. O estudo social O conhecimento do território: da infra estrutura urbana; de indicadores sociais locais; vínculos sociais; (des)enraizamentos. - A visita domiciliar: necessária nesse processo - sempre que o profissional avaliar que estar na localidade onde vivem os sujeitos é importante p/ conhecer suas relações e seus vínculos, a concretização local de direitos sociais e o uso possível a ser feito dele [relações sócio familiares / relações sócio territoriais]. Para: fundamentar a interpretação dessa realidade, revelar descumprimentos constitucionais de acesso a direitos, e contribuir para provocar ações com o objetivo de acessá-los e garanti-los. Ou, quando efetivados, para ampliar a possibilidade de compreensão de outros fatores relacionais geradores da demanda de atendimento. - Fontes: primárias e secundárias. O estudo social Quais os padrões que pautam o conhecimento e o exercício profissional com famílias? - Será que “ainda se movimenta através de processos pautados nos padrões de normatividade e estabilidade”? “Na perspectiva da funcionalidade e relacionadas aos processos de integração e controle social”? (MIOTO, 2004) - Será que “a relação provedor x dependentes”, “provisão de cuidados x demandas de cuidados” (SPOSATI, 2012), por exemplo, tem sido levadas em conta? - O contexto de “uma sociedade desigual e excludente” tem sido considerado?; a visão da “família como produtora de patologia” tem sido fortalecida ou está superada?; o assistente social continua buscando a “ ‘pacificação artificial’ das famílias”? (MIOTO, 2004). Ou a moralização de suas relações e vínculos? Abordagem da realidade familiar - exige capacitação e informação a respeito da realidade e da diversidade das famílias na contemporaneidade: - das famílias chefiadas por mulheres, muitas delas avós; - do crescente número de homens chefiando famílias sozinhos; - das uniões consensuais sem vínculo legal, das uniões homoafetivas, das famílias extensas, das famílias unidas por laços consanguíneos e das famílias unidas por laços de afetividade etc.; - da circulação de crianças decorrente de elementos culturais ou enquanto estratégia de sobrevivência; - da solidariedade interna e com a rede social, muitas vezes no limite (ou além do limite) do lícito e do ilícito - do desenraizamento familiar provocado por separações, distâncias geográficas, migrações, violências etc. O estudo social, laudos e pareceres - O que particulariza o trabalho do assistente social em cada situação em relação a qual elabora ‘diagnósticos’, relatórios, laudos, pareceres? - Como as condições gerais de trabalho rebatem nesse cotidiano - em termos técnico e ético? - Como a visão de mundo do profissional se expressa nos relatórios, laudos, pareceres - que servem para subsidiar decisões sobre a vida / futuro dos sujeitos sociais – incluindo manutenção ou rompimento de vínculos; acesso ou não a direitos sociais; acolhimento institucional; medida socioeducativa, por exemplo? - Como a ‘consciência’ profissional se coloca no cotidiano, lá ‘na ponta’, na materialização do trabalho cotidiano? O estudo social A “consciência cotidiana” é “complexa e contraditória”: - ela necessita, de um lado, “simplificar seus critérios e suas motivações, sob o signo do imediato” e, de outro, “se serve da linguagem, isto é, de um sistema cheio de mediações complicadas”. O conhecimento científico (e também o filosófico e o artístico) enriquece a compreensão do mundo e de si próprio, possibilitando, assim, a superação “dos limites da consciência cotidiana” e, por consequência, a “efetivação de transformações históricas” (LUKÁCS, apud KONDER, 2002). Considerando que: - em muitos dos espaços sociocupacionais em que o assistente social atua, a maioria dos sujeitos atendidos são colocados, na ótica do Estado e dos demais prestadores de serviços, entre as que historicamente têm sido incapazes de suprir suas necessidades e cuidar de seus membros, . Como fundamentar os documentos que elaboramos – laudos, relatórios, pareceres -, considerando os sujeitos sociais e políticos, deixando de focalizar suas “demandas” somente como decorrentes de problemas individuais? . Como fazê-lo, deixando de centrar a atenção do trabalho em “indivíduos-problema”, como “a criança, o adolescente, a mulher, o idoso, a partir de situações específicas, como a doença, a delinquência, o abandono, os maus-tratos, a exploração”, de maneira a levar em conta “os processos relacionais como um todo”? (MIOTO, 2004, p. 55). O estudo social No exercício do trabalho cotidiano são estabelecidas relações de poder x saber – mais ou menos explícitas - O poder institucional / poder-saber profissional: relacionado a avaliações, condicionalidades, decisões quanto ao acesso ou não a direitos - Nesse exercício do trabalho cotidiano é recorrente o suporte ao ‘saber’ científico para dar base a análises, conclusões, pareceres? Ou o senso comum se faz mais presente do que a ‘ciência’? O estudo social Quais os fundamentos do ‘saber’ que registramos em um relatório social, em um laudo social? Temos consciência do ‘poder’ do ‘saber’ que sistematizamos nesses documentos? Desenvolvemos capacidade argumentativa para não nos intimidarmos frente a autoritarismos por parte de superiores administrativos que, eventualmente, querem impor seu ponto de vista em relação a um parecer social ou a um projeto de trabalho, contrariando nosso conhecimento e nossa ética profissional? Nossa ‘comunicação’ verbal e escrita tem sido clara, concisa, consistente? E tem revelado a particularidade do Serviço Social? O estudo social Toda intervenção na realidade tem uma intencionalidade - uma dimensão teleológica. O resultado a ser alcançado é projetado. Ao fazer isto, o profissional confere uma direção social à finalidade do trabalho - condicionada pela visão de mundo, por valores, crenças, hábitos, fundamentos teóricos e princípios éticos do agir profissional (FÁVERO, 2010). Estudo Social: A clareza da finalidade ilumina a escolha dos instrumentos e das técnicas necessárias ao desenvolvimento do trabalho, em particular, aqui, do estudo social: Quais conhecimentos são necessários? Desde técnicas de entrevista, por ex., mas, sobretudo, os que envolvem o foco da situação (violência doméstica, violência urbana, pobreza, conflitos geracionais, rompimento de vínculos parentais e sociais, desenraizamento social etc.), as políticas e os programas sociais que poderão ser acionados para o acesso e a efetivação de direitos, a conjuntura social, política e econômica, a realidade e dinâmica sociocultural dos sujeitos - para subsidiar o estabelecimento da compreensão e explicação da situação vivida. Relatório social, Laudo social, Parecer social são classificados como instrumentais técnicos: são MEIOS para atingir algum fim. MEIOS: necessário pensá-los para além da técnica ou do instrumental operativo: conhecer técnicas e normas de redação para registros (…), é fundamental no trabalho do assistente social. Porém o domínio das técnicas não garante por si só a competência profissional. Os conteúdos históricos, teórico-metodológicos e ético- políticos que constituem o projeto do Serviço Social, articulados ao domínio da técnica,é que distinguem o trabalho profissional competente: o trabalho que efetivamente compete ao assistente social (FÁVERO, 2003). Relatório social: “Como documento específico elaborado por assistente social, decorrente de estudo social, via de regra se traduz na apresentação descritiva e interpretativa de uma situação ou expressão da questão social, enquanto objeto da intervenção desse profissional. Apresentação: com maior ou menor nível de detalhamento, dependendo de sua finalidade - pode conter apenas parcialidades da situação em estudo, que será conhecida de forma mais completa no conjunto de relatórios sequenciais (se for o caso). Geralmente esse documento apresenta o objeto de estudo, os sujeitos envolvidos e finalidade à qual se destina, os procedimentos utilizados, um breve histórico, desenvolvimento abordando a realidade social que envolve a situação e análise.” (FÁVERO, 2003) Laudo Social: “Utilizado, geralmente no meio judiciário, como mais um elemento de ‘prova’, com a finalidade de dar suporte à decisão judicial, a partir de uma determinada área do conhecimento [no caso, o Serviço Social]. Na maioria da vezes, contribui para a formação de um juízo por parte do magistrado. Isto é, para que ele tenha elementos que possibilitem o exercício da faculdade de julgar: ‘avaliar, escolher, decidir’”. (FÁVERO, 2003) Seu conteúdo decorre da sistematização do estudo social. Parecer social: Esclarecimentos e análise, com base em conhecimentos de Serviço Social, de uma questão ou questões relacionadas a decisões a serem tomadas. Exposição e manifestação sucinta, com enfoque objetivo: sobre a questão/situação social analisada, e os objetivos do trabalho; a análise da situação, referenciada em fundamentos teóricos, éticos e técnicos, inerentes ao Serviço Social – portanto, com base em estudo rigoroso e fundamentado – e uma finalização, de caráter conclusivo ou indicativo. Pode ser emitido como parte final ou conclusão de um relatório ou laudo social ou como enquanto resposta a consulta de outros profissionais/organizações da rede/instituições diversas etc., a respeito de alguma questão atendida e/ou em acompanhamento. ESTUDO SOCIAL Conteúdos (ex. síntese): - Situação apresentada / demanda - Histórico de Vida - contextualizado - Processo de socialização - Inserção / relações-vínculos familiares - Inserção / relações-vínculos de trabalho - Inserção / relações-vínculos com o meio ambiente, com a cidade - A dimensão cultural - Políticas sociais / rede de apoio - Projeto de vida - Projeto de intervenção/encaminhamentos Estudo social: Laudo e Relatório Social “Estrutura (em exemplo): geralmente constituída por . introdução que indica a demanda e objetivos, . identificação breve dos sujeitos envolvidos, . a metodologia para construí-lo (deixando claro a especificidade da profissão e os objetivos do estudo), . um relato analítico da construção histórica da questão estudada e do estado social atual da mesma, . conclusão ou parecer social, que sintetiza a situação, contém uma breve análise crítica e aponta conclusões ou indicativos de alternativas, do ponto de vista do Serviço Social. Isto é, que expresse o posicionamento profissional frente à questão em estudo.” (FÁVERO, 2003) REGISTROS (Relatório, laudo, parecer...) Informar em Serviço Social: Não significa simplesmente relatar ou copiar dados ou fatos Significa relacionar e interpretar os dados Essa relação e interpretação das informações coletadas necessita ser de cunho social, político, econômico e cultural. Necessário: “definir claramente a natureza do fenômeno, sua relação com outros fenômenos da vida social, bem como as bases do seu surgimento.” (MARTINELLI, M. L., 1993) REGISTROS (Relatório, laudo, parecer...) O que deve ser dito e a maneira de interpretação dos dados empíricos devem ser objeto de preocupação constante por parte do profissional. É necessário ter o suporte não apenas das disciplinas fundamentais à área profissional, mas de outras disciplinas das ciências humanas e sociais, que irão permitir “a análise das contradições sociais numa perspectiva de totalidade”. O que evita que se caia na rotina de avaliações meramente descritivas, “sem uma elaboração mental sobre os dados coletados nas entrevistas ou em qualquer outro instrumento necessário ao conhecimento da situação” em relação à qual o profissional se pronuncia. (DHAMER PEREIRA ET AL., sobre exames criminológicos, 2003). A comunicação via laudos, relatórios e pareceres: - Geralmente implica uma continuidade da ‘intervenção’, de forma indireta: . a mensagem enunciada nesses documentos subsidiará decisões a respeito de litígios que envolvem um indivíduo ou grupo social, e/ou o acesso a direitos/benefícios sociais; . o documento elaborado pelo assistente social irá intermediar o ‘diálogo’ entre a realidade do usuário e de demais profissionais que terão acesso a ele: juiz, defensor, médico, gestor etc. . e essa comunicação será interpretada “à luz de objetivos profissionais que lhe são específicos.” (MAGALHÃES, S., 2006) COMUNICAÇÃO ESCRITA A comunicação escrita é passiva: . não há possibilidade de interrupção ou clarificação caso se perceba contradições, distorções, equívocos ou falta de clareza; - Um texto pode ser interpretado de várias formas, dependendo da ótica de leitura e de análise do leitor; - Interações profissionais por meio da escrita exigem: . linguagem formal e técnica; . uso da norma culta da língua; . não utilização de linguagem coloquial ou do senso comum; . ter identidade com uma atuação e um saber: de determinada área do conhecimento / de determinada competência profissional (MAGALHÃES, S., 2006) REGISTROS - COERÊNCIA E CONSISTÊNCIA O autor necessita se comportar como leitor, verificando se o texto está: . Resumido/conciso – conteúdo e objetivo . Claro/compreensível . Preciso - excluir informações irrelevantes . Simples – em vez de complexo ou ‘enrolado’ . Composto por uma estrutura lógica . Numa linguagem técnica compreensível (FORSYTH, 1997) Sugestões/questões para avaliar a coerência e consistência de um registro: - “O texto que escrevi está claro, coerente, completo? - As informações e os relatos são precisos e necessários ou, ao contrário,dizem respeito à minha tendência à prolixidade? - Tudo o que escrevi é essencial à compreensão do texto, ou alguns dados interessariam apenas a mim, como subsídios para a avaliação? - A linguagem que utilizei está adequada? - A forma de expressão condiz com a linguagem escrita? - Os pronomes e as expressões de tratamento foram usados adequadamente? - Ao me referir à análise que fiz, utilizei a mesma pessoa em todo o texto, isto é, usei sempre o impessoal [percebeu-se...] ou a primeira pessoa do plural [percebemos...]?” (MAGALHÃES, S., 2003) Serviço Social - Fundamentos e instrumentos: O estudo social Relatórios, laudos e pareceres ... Como afirmamos no nosso cotidiano de trabalho o projeto profissional do Serviço Social na atual conjuntura? - Nos âmbitos teórico metodológico, ético e político? - E numa conjuntura marcada pela ampliação da judicialização da questão social e das relações familiares? Bibliografia: AGENDA Nacional de Trabalho Decente. Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.oit.org.br/info/downloadfile.php?fileId=237>. Acesso em: 1o fev. 2011. BAPTISTA, M. Prática social e prática profissional. São Paulo. Digitado, s/d. DAHMER PEREIRA, Tânia M. et al. O exame criminológico – notas para sua construção. In: CFESS (Org.). O estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos..São Paulo: Cortez, 2003. FÁVERO, E. Instruções sociais de processos, sentenças e decisões. In CFESS/ABEPSS (org.) Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília, 2009. CFESS. Resolução nº 557/09 - emissão de pareceres, laudos, opiniões técnicas conjuntos entre o assistente social e outros profissionais”. Brasília, 2009. __________. O estudo social – fundamentos e particularidades de sua construção na área judiciária. In Cfess (org.). O estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos. São Paulo: Cortez, 2003 e 2010. ________.Serviço Social e Proteção de Direitos de Crianças Vítimas de Violência Sexual. In AASPTJ-SP/CRESS-SP (org.) Violência sexual e escuta judicial de crianças vítimas de violência. São Paulo: AASPTJSP/CRESS-SP, 2012. FORSYTH, Patrik. 30 minutos para redigir um relatório. São Paulo : Clio Editora, 1997. KONDER, L. A questão da ideologia. São Paulo: Cia. das Letras, 2002. MAGALHÃES, S. Avaliação e Linguagem. São Paulo: Veras, 2006. MARTINELLI, M. L. Notas sobre mediações: alguns elementos para sistematização da reflexão sobre o tema. Revista serviço Social e Sociedade nº 43. São Paulo : Cortez, 1993. MIOTO, R. C. T. 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