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Serviço Social - Fundamentos e 
instrumentos 
 
ESTUDO SOCIAL, RELATÓRIOS, 
LAUDOS E PARECERES 
 
 Assistente social, Profª Dra. Eunice Fávero 
e-mail: eunice.favero@cruzeirodosul.edu.br 
NEPPSF- UNICSUL/SP 
São Paulo – 2012 
 
OBS: Este material foi organizado exclusivamente para fins didáticos. Em caso 
de reprodução, solicitamos que seja feita referência à fonte. 
 
ESTUDO SOCIAL, RELATÓRIOS, LAUDOS E PARECERES 
 
 
Por que e para que o debate sobre essa temática? 
 
 
- De qual lugar falamos/pensamos ao realizarmos o estudo social? 
 
- Qual a demanda/expectativa institucional [pública ou privada] - ao Serviço Social, 
na realização desse estudo? 
 
- Qual a demanda/expectativas dos sujeitos sociais atendidos pelo assistente 
social? 
 
- E qual a direção social que norteia o trabalho do assistente social nesse espaço 
sociocupacional? 
 
- Que estratégias estabelece para materializar suas ações? 
 
De que lugar falamos? [lugar institucional, profissional...] 
 
 
- Como, no cotidiano da intervenção , conhecemos a 
realidade social dos sujeitos que atendemos, e como 
estabelecemos a relação do imediato com o mediato, numa 
perspectiva que materialize a teoria social crítica em cada 
situação que relatamos/analisamos? 
 
- Como nossa visão de mundo se expressa nos diversos 
procedimentos que desenvolvemos na operacionalidade de 
nossa ação e como incide na vida dos sujeitos sociais com os 
quais trabalhamos? 
 
 
 
Serviço Social: Fundamentos e instrumentos 
 
 
 
Instrumentos - intervenção 
 
 
Intervenção na realidade social - que envolve indivíduos, famílias, 
grupos sociais, com semelhanças e diferenças na condução da vida; 
 
 
Intervenção a partir de diferentes expressões da questão social. 
 
 
Projeto Profissional: 
- compromisso com a defesa e a garantia dos direitos humanos e 
sociais 
 
 
O Estudo Social 
 
Instrumentos X Instrumentalidade 
 
Efetivação dessas dimensões do projeto da profissão requer: 
 
A dimensão e a postura investigativa: 
 
Que implica: - na possibilidade de captar e explicar o 
significado das demandas; - o conhecimento e o desvelamento 
da realidade possibilita planejar ações criativas, propositivas. 
 
Implica em desenvolver no cotidiano o exercício profissional 
“interventivo” e o exercício profissional da “pesquisa/produção 
de conhecimentos”. 
A análise/reflexão sobre as várias dimensões do trabalho 
profissional, para realimentá-lo. 
O estudo social 
 
A dimensão investigativa pressupõe: 
 
. “uma visão global da dinâmica social concreta” 
 
. o encontro das “principais mediações que vinculam o 
problema específico com que se ocupa [violência doméstica; 
rompimento de vínculos sociais, parentais; ausência de 
saúde; ausência de trabalho/trabalho precário; moradia 
inadequada; violação dos mais variados direitos sociais...] 
com as expressões gerais assumidas pela ‘questão social’ 
no Brasil contemporâneo e com as várias políticas sociais 
(...) que se propõem a enfrentá-las”; 
 
. a apropriação crítica “do conhecimento existente sobre o 
problema específico com o qual se ocupa” (NETTO, 2009, p. 695). 
O estudo social 
 
A apropriação crítica do conhecimento existente, implica em: 
 
. “dominar a bibliografia teórica (em suas diversas tendências e correntes, as 
suas principais polêmicas) 
 
. a documentação legal 
 
. a sistematização de experiências 
 
. as modalidades de intervenções institucionais e instituintes 
 
. as formas e organizações de controle social 
 
. o papel e o interesse dos usuários e dos sujeitos coletivos envolvidos etc. 
 
. ampliar o conhecimento sobre a instituição/organização na qual o próprio 
profissional se insere.” (ibid.). 
 
O estudo social 
 
Na perspectiva de trabalho que pressupõe a postura 
investigativa, apenas a descrição da realidade imediata, 
exposta pelos sujeitos atendidos, ou a “aparência” do 
problema específico, não efetiva a prática crítica e com 
qualidade – técnica, política e ética. 
 
A análise crítica, com base nessas atitudes investigativas, 
é que tornará possível essa prática. (FÁVERO, 2012) 
 
 
O estudo social 
 
 
 
Por que o Estudo social, laudos, relatórios, pareceres são 
instrumentos tão presentes hoje nos mais variados espaços 
de trabalho do assistente social? 
 
O Estudo social seria um instrumento que, no trabalho 
cotidiano, pode oferecer ampla possibilidade de 
desenvolvimento da dimensão e postura investigativa? 
 
Afinal, como entender hoje o estudo social? 
 
 
ESTUDO SOCIAL OU ESTUDO SOCIOECONÔMICO 
 
- É um “Processo metodológico específico do Serviço Social. 
 
Finalidade: conhecer com profundidade e criticamente, uma 
situação ou expressão da questão social, objeto da intervenção 
profissional, 
- Com ênfase em aspectos socioeconômicos e culturais. 
(FÁVERO, 2010) 
 
De sua fundamentação rigorosa - teórica, ética e técnica: 
contribui para o acesso, garantia e efetivação de direitos dos 
sujeitos/usuários.” (FÁVERO, 2010) 
 
Para ALÉM do conhecimento em si – INTERVENÇÃO (direta e 
indiretamente). 
O estudo social 
 
 
Finalidade imediata: emissão de parecer – formal ou não – 
sobre a situação, do qual o usuário depende p/ acessar 
benefícios, serviços e/ou resolver litígios.” (MIOTO, 2009). 
 
Perspectiva: 
No âmbito do trabalho profissional, as necessidades dos sujeitos 
singulares não são problemas individuais. Não decorrem de 
competências ou incompetências individuais. 
Se inserem no processo de “produção e reprodução das 
relações sociais” – enquanto produção e enquanto possibilidade 
de satisfação dessas necessidades, no interior de uma 
sociedade que tem como inerente a desigualdade social. 
 
O estudo social, laudos e pareceres 
 
 
Como “operacionalizar” o ESTUDO SOCIAL, levando em 
conta a perspectiva teórica metodológica e ético política 
do Serviço Social? 
 
 
- Que conteúdos são essenciais ao “estudo social” ou 
“socioeconômico”? 
 
O estudo social 
 
 
 
O que é trabalho precário? O que é trabalho decente? 
 
Qual o parâmetro para afirmações sobre baixa renda, 
miséria, pobreza, classe média, média alta? 
 
O que é moradia adequada? 
 
Quais parâmetros norteiam nossas análises sobre família? 
De qual ‘família’ falamos? 
 
O que estas questões têm a ver com o Estudo Social? 
 
O estudo social, laudos e pareceres 
 
 
Alguns Fundamentos para o estudo social: 
trabalho, políticas sociais/território, famílias 
 
Trabalho: Direito social. 
Entendido como direito ao “trabalho decente”. 
 
Parâmetro: a Declaração Relativa aos Princípios e Direitos 
Fundamentais do Trabalho, estabelecidos pela OIT: 
-O “trabalho adequadamente remunerado, exercido em 
condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de 
garantir uma vida digna.” (AGENDA, 2006) 
 
“Implica em segurança e renda – enquanto elementos 
fundamentais para a efetivação da capacidade protetiva das 
famílias”. (SPOSATI, A. 2012) 
O estudo social 
 
- Qual o significado do trabalho e como está distribuído na 
localidade vivida pelo sujeito/s que atendemos, no território 
vivido, no município, e na realidade mais ampla, em termos 
de postos de trabalho, exigências técnicas, proteção? 
 
- Como se dá o acesso ao direito ao trabalho e em que 
condições? 
 
- Quais as possibilidades e impossibilidades de trabalho 
decente? 
 
- Quais os indicadores sociais de trabalho e renda – locais, 
estaduais, nacionais, internacionais? 
 
- Ao realizar esse estudo, estamos atentos/as aos vínculos 
estabelecidos (ou não) pelos sujeitos com o trabalho? 
O estudo social 
 
A Constituição Federal prevê (além do direito ao trabalho e 
demais direitos sociais), o ‘direito à moradia’ como direito 
social que deve ser válido para todos os brasileiros. 
 
 “O direito à moradia integra o direitoa um padrão de vida 
adequado. 
Não se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas ao 
direito de toda pessoa ter acesso a um lar e a uma 
comunidade seguros para viver em paz, com dignidade e 
saúde física e mental.” (RELATORIA, 2010) 
 
Implica: “na segurança da habitação, segurança ambiental e 
integração urbana, qualidade de vida e participação”. (SPOSATI, 
A. 2012) 
Implica: no acesso os direitos sociais no território. 
O estudo social 
 
O conhecimento do território: da infra estrutura urbana; de 
indicadores sociais locais; vínculos sociais; (des)enraizamentos. 
- A visita domiciliar: necessária nesse processo - sempre que o 
profissional avaliar que estar na localidade onde vivem os 
sujeitos é importante p/ conhecer suas relações e seus 
vínculos, a concretização local de direitos sociais e o uso 
possível a ser feito dele [relações sócio familiares / relações 
sócio territoriais]. 
Para: fundamentar a interpretação dessa realidade, revelar 
descumprimentos constitucionais de acesso a direitos, e 
contribuir para provocar ações com o objetivo de acessá-los e 
garanti-los. 
Ou, quando efetivados, para ampliar a possibilidade de 
compreensão de outros fatores relacionais geradores da 
demanda de atendimento. 
- Fontes: primárias e secundárias. 
 
O estudo social 
 
Quais os padrões que pautam o conhecimento e o exercício 
profissional com famílias? 
 
- Será que “ainda se movimenta através de processos pautados 
nos padrões de normatividade e estabilidade”? “Na perspectiva 
da funcionalidade e relacionadas aos processos de integração e 
controle social”? (MIOTO, 2004) 
- Será que “a relação provedor x dependentes”, “provisão de 
cuidados x demandas de cuidados” (SPOSATI, 2012), por exemplo, 
tem sido levadas em conta? 
- O contexto de “uma sociedade desigual e excludente” tem sido 
considerado?; a visão da “família como produtora de patologia” 
tem sido fortalecida ou está superada?; o assistente social 
continua buscando a “ ‘pacificação artificial’ das famílias”? 
(MIOTO, 2004). Ou a moralização de suas relações e vínculos? 
Abordagem da realidade familiar 
 
- exige capacitação e informação a respeito da realidade e da 
diversidade das famílias na contemporaneidade: 
- das famílias chefiadas por mulheres, muitas delas avós; 
- do crescente número de homens chefiando famílias 
sozinhos; 
- das uniões consensuais sem vínculo legal, das uniões 
homoafetivas, das famílias extensas, das famílias unidas por 
laços consanguíneos e das famílias unidas por laços de 
afetividade etc.; 
- da circulação de crianças decorrente de elementos culturais 
ou enquanto estratégia de sobrevivência; 
- da solidariedade interna e com a rede social, muitas vezes 
no limite (ou além do limite) do lícito e do ilícito 
- do desenraizamento familiar provocado por separações, 
distâncias geográficas, migrações, violências etc. 
 
O estudo social, laudos e pareceres 
 
- O que particulariza o trabalho do assistente social em cada 
situação em relação a qual elabora ‘diagnósticos’, relatórios, 
laudos, pareceres? 
 
- Como as condições gerais de trabalho rebatem nesse cotidiano - 
em termos técnico e ético? 
 
- Como a visão de mundo do profissional se expressa nos 
relatórios, laudos, pareceres - que servem para subsidiar decisões 
sobre a vida / futuro dos sujeitos sociais – incluindo manutenção ou 
rompimento de vínculos; acesso ou não a direitos sociais; 
acolhimento institucional; medida socioeducativa, por exemplo? 
 
- Como a ‘consciência’ profissional se coloca no cotidiano, lá ‘na 
ponta’, na materialização do trabalho cotidiano? 
O estudo social 
 
A “consciência cotidiana” é “complexa e 
contraditória”: 
- ela necessita, de um lado, “simplificar seus critérios 
e suas motivações, sob o signo do imediato” e, de 
outro, “se serve da linguagem, isto é, de um sistema 
cheio de mediações complicadas”. 
 
O conhecimento científico (e também o filosófico e o 
artístico) enriquece a compreensão do mundo e de si 
próprio, possibilitando, assim, a superação “dos 
limites da consciência cotidiana” e, por 
consequência, a “efetivação de transformações 
históricas” (LUKÁCS, apud KONDER, 2002). 
Considerando que: 
- em muitos dos espaços sociocupacionais em que o assistente 
social atua, a maioria dos sujeitos atendidos são colocados, na 
ótica do Estado e dos demais prestadores de serviços, entre as 
que historicamente têm sido incapazes de suprir suas 
necessidades e cuidar de seus membros, 
 
. Como fundamentar os documentos que elaboramos – laudos, 
relatórios, pareceres -, considerando os sujeitos sociais e 
políticos, deixando de focalizar suas “demandas” somente como 
decorrentes de problemas individuais? 
 
. Como fazê-lo, deixando de centrar a atenção do trabalho em 
“indivíduos-problema”, como “a criança, o adolescente, a 
mulher, o idoso, a partir de situações específicas, como a 
doença, a delinquência, o abandono, os maus-tratos, a 
exploração”, de maneira a levar em conta “os processos 
relacionais como um todo”? (MIOTO, 2004, p. 55). 
O estudo social 
 
No exercício do trabalho cotidiano são estabelecidas relações 
de poder x saber – mais ou menos explícitas 
 
- O poder institucional / poder-saber profissional: relacionado a 
avaliações, condicionalidades, decisões quanto ao acesso ou 
não a direitos 
 
- Nesse exercício do trabalho cotidiano é recorrente o suporte 
ao ‘saber’ científico para dar base a análises, conclusões, 
pareceres? Ou o senso comum se faz mais presente do que a 
‘ciência’? 
 
 
O estudo social 
 
Quais os fundamentos do ‘saber’ que registramos em um 
relatório social, em um laudo social? 
 
Temos consciência do ‘poder’ do ‘saber’ que sistematizamos 
nesses documentos? 
 
Desenvolvemos capacidade argumentativa para não nos 
intimidarmos frente a autoritarismos por parte de superiores 
administrativos que, eventualmente, querem impor seu ponto 
de vista em relação a um parecer social ou a um projeto de 
trabalho, contrariando nosso conhecimento e nossa ética 
profissional? 
 
Nossa ‘comunicação’ verbal e escrita tem sido clara, concisa, 
consistente? E tem revelado a particularidade do Serviço 
Social? 
O estudo social 
 
Toda intervenção na realidade tem uma intencionalidade - 
uma dimensão teleológica. 
 
O resultado a ser alcançado é projetado. Ao fazer isto, o 
profissional confere uma direção social à finalidade do trabalho - 
condicionada pela visão de mundo, por valores, crenças, 
hábitos, fundamentos teóricos e princípios éticos do agir 
profissional (FÁVERO, 2010). 
 
 
Estudo Social: 
 
A clareza da finalidade ilumina a escolha dos instrumentos e 
das técnicas necessárias ao desenvolvimento do trabalho, em 
particular, aqui, do estudo social: 
 
Quais conhecimentos são necessários? 
 
Desde técnicas de entrevista, por ex., mas, sobretudo, os que 
envolvem o foco da situação (violência doméstica, violência 
urbana, pobreza, conflitos geracionais, rompimento de 
vínculos parentais e sociais, desenraizamento social etc.), as 
políticas e os programas sociais que poderão ser acionados 
para o acesso e a efetivação de direitos, a conjuntura social, 
política e econômica, a realidade e dinâmica sociocultural dos 
sujeitos - para subsidiar o estabelecimento da compreensão e 
explicação da situação vivida. 
Relatório social, Laudo social, Parecer social são 
classificados como instrumentais técnicos: são MEIOS 
para atingir algum fim. 
 
MEIOS: necessário pensá-los para além da técnica ou do 
instrumental operativo: conhecer técnicas e normas de 
redação para registros (…), é fundamental no trabalho do 
assistente social. 
Porém o domínio das técnicas não garante por si só a 
competência profissional. 
 
Os conteúdos históricos, teórico-metodológicos e ético-
políticos que constituem o projeto do Serviço Social, 
articulados ao domínio da técnica,é que distinguem o 
trabalho profissional competente: o trabalho que efetivamente 
compete ao assistente social (FÁVERO, 2003). 
Relatório social: 
 
“Como documento específico elaborado por assistente social, 
decorrente de estudo social, via de regra se traduz na 
apresentação descritiva e interpretativa de uma situação ou 
expressão da questão social, enquanto objeto da intervenção 
desse profissional. 
 
Apresentação: com maior ou menor nível de detalhamento, 
dependendo de sua finalidade - pode conter apenas 
parcialidades da situação em estudo, que será conhecida de 
forma mais completa no conjunto de relatórios sequenciais (se 
for o caso). 
Geralmente esse documento apresenta o objeto de estudo, 
os sujeitos envolvidos e finalidade à qual se destina, 
os procedimentos utilizados, um breve histórico, 
desenvolvimento abordando a realidade social que envolve a 
situação e análise.” (FÁVERO, 2003) 
 
Laudo Social: 
 
“Utilizado, geralmente no meio judiciário, como mais um 
elemento de ‘prova’, com a finalidade de dar suporte à 
decisão judicial, a partir de uma determinada área do 
conhecimento [no caso, o Serviço Social]. 
Na maioria da vezes, contribui para a formação de um juízo 
por parte do magistrado. Isto é, para que ele tenha 
elementos que possibilitem o exercício da faculdade de 
julgar: ‘avaliar, escolher, decidir’”. (FÁVERO, 2003) 
Seu conteúdo decorre da sistematização do estudo social. 
 
Parecer social: 
 
Esclarecimentos e análise, com base em conhecimentos de 
Serviço Social, de uma questão ou questões relacionadas a 
decisões a serem tomadas. 
Exposição e manifestação sucinta, com enfoque objetivo: 
sobre a questão/situação social analisada, e os objetivos do 
trabalho; a análise da situação, referenciada em 
fundamentos teóricos, éticos e técnicos, inerentes ao Serviço 
Social – portanto, com base em estudo rigoroso e 
fundamentado – e uma finalização, de caráter conclusivo ou 
indicativo. 
Pode ser emitido como parte final ou conclusão de um 
relatório ou laudo social ou como enquanto resposta a 
consulta de outros profissionais/organizações da 
rede/instituições diversas etc., a respeito de alguma questão 
atendida e/ou em acompanhamento. 
ESTUDO SOCIAL 
 
Conteúdos (ex. síntese): 
 
 
- Situação apresentada / demanda 
- Histórico de Vida - contextualizado 
- Processo de socialização 
- Inserção / relações-vínculos familiares 
- Inserção / relações-vínculos de trabalho 
- Inserção / relações-vínculos com o meio ambiente, com a 
cidade 
- A dimensão cultural 
- Políticas sociais / rede de apoio 
- Projeto de vida 
- Projeto de intervenção/encaminhamentos 
 
Estudo social: 
 
Laudo e Relatório Social 
 
“Estrutura (em exemplo): geralmente constituída por 
 
. introdução que indica a demanda e objetivos, 
. identificação breve dos sujeitos envolvidos, 
. a metodologia para construí-lo (deixando claro a 
especificidade da profissão e os objetivos do estudo), 
. um relato analítico da construção histórica da questão 
estudada e do estado social atual da mesma, 
. conclusão ou parecer social, que sintetiza a situação, 
contém uma breve análise crítica e aponta conclusões ou 
indicativos de alternativas, do ponto de vista do Serviço 
Social. 
Isto é, que expresse o posicionamento profissional frente à 
questão em estudo.” (FÁVERO, 2003) 
 
REGISTROS (Relatório, laudo, parecer...) 
 
Informar em Serviço Social: 
 
Não significa simplesmente relatar ou copiar dados ou fatos 
 
Significa relacionar e interpretar os dados 
 
Essa relação e interpretação das informações coletadas 
necessita ser de cunho social, político, econômico e 
cultural. 
 
Necessário: “definir claramente a natureza do fenômeno, 
sua relação com outros fenômenos da vida social, bem 
como as bases do seu surgimento.” 
(MARTINELLI, M. L., 1993) 
 
 
REGISTROS (Relatório, laudo, parecer...) 
 
O que deve ser dito e a maneira de interpretação dos dados 
empíricos devem ser objeto de preocupação constante por 
parte do profissional. 
 
É necessário ter o suporte não apenas das disciplinas 
fundamentais à área profissional, mas de outras disciplinas das 
ciências humanas e sociais, que irão permitir “a análise das 
contradições sociais numa perspectiva de totalidade”. 
 
O que evita que se caia na rotina de avaliações meramente 
descritivas, “sem uma elaboração mental sobre os dados 
coletados nas entrevistas ou em qualquer outro instrumento 
necessário ao conhecimento da situação” em relação à qual o 
profissional se pronuncia. 
(DHAMER PEREIRA ET AL., sobre exames criminológicos, 2003). 
 
A comunicação via laudos, relatórios e pareceres: 
 
- Geralmente implica uma continuidade da ‘intervenção’, de 
forma indireta: 
. a mensagem enunciada nesses documentos subsidiará 
decisões a respeito de litígios que envolvem um indivíduo ou 
grupo social, e/ou o acesso a direitos/benefícios sociais; 
. o documento elaborado pelo assistente social irá 
intermediar o ‘diálogo’ entre a realidade do usuário e de 
demais profissionais que terão acesso a ele: juiz, defensor, 
médico, gestor etc. 
. e essa comunicação será interpretada “à luz de objetivos 
profissionais que lhe são específicos.” 
(MAGALHÃES, S., 2006) 
 
COMUNICAÇÃO ESCRITA 
 
 A comunicação escrita é passiva: 
. não há possibilidade de interrupção ou clarificação caso se 
perceba contradições, distorções, equívocos ou falta de clareza; 
 
- Um texto pode ser interpretado de várias formas, dependendo 
da ótica de leitura e de análise do leitor; 
 
- Interações profissionais por meio da escrita exigem: 
. linguagem formal e técnica; 
. uso da norma culta da língua; 
. não utilização de linguagem coloquial ou do senso comum; 
. ter identidade com uma atuação e um saber: de determinada 
área do conhecimento / de determinada competência 
profissional 
(MAGALHÃES, S., 2006) 
 
 
REGISTROS - COERÊNCIA E CONSISTÊNCIA 
 
 
O autor necessita se comportar como leitor, 
verificando se o texto está: 
 
. Resumido/conciso – conteúdo e objetivo 
. Claro/compreensível 
. Preciso - excluir informações irrelevantes 
. Simples – em vez de complexo ou ‘enrolado’ 
. Composto por uma estrutura lógica 
. Numa linguagem técnica compreensível 
(FORSYTH, 1997) 
 
Sugestões/questões para avaliar a coerência e consistência 
de um registro: 
 
- “O texto que escrevi está claro, coerente, completo? 
- As informações e os relatos são precisos e necessários ou, 
ao contrário,dizem respeito à minha tendência à prolixidade? 
- Tudo o que escrevi é essencial à compreensão do texto, 
ou alguns dados interessariam apenas a mim, como 
subsídios para a avaliação? 
- A linguagem que utilizei está adequada? 
- A forma de expressão condiz com a linguagem escrita? 
- Os pronomes e as expressões de tratamento foram usados 
adequadamente? 
- Ao me referir à análise que fiz, utilizei a mesma pessoa em 
todo o texto, isto é, usei sempre o impessoal [percebeu-se...] 
ou a primeira pessoa do plural [percebemos...]?” 
(MAGALHÃES, S., 2003) 
 
Serviço Social - 
Fundamentos e instrumentos: 
O estudo social 
Relatórios, laudos e pareceres ... 
 
 
Como afirmamos no nosso cotidiano de trabalho o projeto 
profissional do Serviço Social 
na atual conjuntura? 
 
- Nos âmbitos teórico metodológico, ético e político? - 
 
 
E numa conjuntura marcada pela ampliação da 
judicialização da questão social 
e das relações familiares? 
 
Bibliografia: 
 
AGENDA Nacional de Trabalho Decente. Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.oit.org.br/info/downloadfile.php?fileId=237>. 
Acesso em: 1o fev. 2011. 
BAPTISTA, M. Prática social e prática profissional. São Paulo. Digitado, s/d. 
DAHMER PEREIRA, Tânia M. et al. O exame criminológico – notas para sua construção. In: CFESS (Org.). O estudo social em 
perícias, laudos e pareceres técnicos..São Paulo: Cortez, 2003. 
FÁVERO, E. Instruções sociais de processos, sentenças e decisões. In CFESS/ABEPSS (org.) Serviço Social: direitos sociais e 
competências profissionais. Brasília, 2009. 
CFESS. Resolução nº 557/09 - emissão de pareceres, laudos, opiniões técnicas conjuntos entre o assistente social e outros 
profissionais”. Brasília, 2009. 
__________. O estudo social – fundamentos e particularidades de sua construção na área judiciária. In Cfess (org.). O estudo 
social em perícias, laudos e pareceres técnicos. São Paulo: Cortez, 2003 e 2010. 
________.Serviço Social e Proteção de Direitos de Crianças Vítimas de Violência Sexual. In AASPTJ-SP/CRESS-SP (org.) 
Violência sexual e escuta judicial de crianças vítimas de violência. São Paulo: AASPTJSP/CRESS-SP, 2012. 
FORSYTH, Patrik. 30 minutos para redigir um relatório. São Paulo : Clio Editora, 1997. 
KONDER, L. A questão da ideologia. São Paulo: Cia. das Letras, 2002. 
MAGALHÃES, S. Avaliação e Linguagem. São Paulo: Veras, 2006. 
MARTINELLI, M. L. Notas sobre mediações: alguns elementos para sistematização da reflexão sobre o tema. Revista serviço 
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MIOTO, R. C. T. Estudos Socioeconômicos. In Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: 
CFESS/ABEPSS, 2009. 
MIOTO, R. C. T. Trabalho com famílias: um desafio para os assistentes sociais. Revista Virtual Textos & Contextos, Porto Alegre, 
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SPOSATI, A. (coord.). Primeira aproximação aos resultados da pesquisa “Capacidade protetiva das famílias”. Anotações de aula 
magna do mestrado em Políticas Sociais/UNICSUL, 2012. 
 
São Paulo, 2012.

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