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Cascavel 2015 33333 CLEIA MORO DE LARA FACULDADE ANHANGUERA DE CASCAVEL TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O teatro como Práxis Pedagógica e subsídio de aprendizagem Cascavel 2015 TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O teatro como Práxis Pedagógica e subsídio de aprendizagem Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera de Cascavel/PRm como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciatura em Artes. Orientador: Prof. Patrick Furlan Shultz CLEIA MORO DE LARA LARA, Cleia Moro. Teatro na Educação Infantil: O Teatro como Práxis Pedagógica e subsidio na aprendizagem. 2015. 80 Folhas. Trabalho de Conclusão de Curso Faculdade Anhanguera, Cascavel/PR, 2015. RESUMO O tema abordado neste trabalho é a abordagem do teatro no âmbito da educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental. Inicia-se com uma analise da história do teatro permeado pelo conceito pedagógico que é o foco em questão. Apresenta ainda uma breve consideração sobre a legislação pertinente e posteriormente a abordagem do teatro no âmbito da educação infantil, a nível de ensino básico, educação inclusiva e ainda como atividade extracurricular. Por fim são apresentadas algumas atividades extraídas de autores conceituados como sugestão para os professores e estudantes de licenciatura que buscam subsídios para estágios e estudos. Os principais autores utilizados foram Berthold(2001), Reverbel(1979), Spolin(2006) e legislação pertinente, além de sites conceituados como Portal do Professor. O objetivo deste trabalho é apresentar uma abordagem demonstrando as possibilidades e perspectivas do teatro como práxis pedagógica na educação infantil. A metodologia utilizada foi a pesquisa e estudo tanto em documentos físicos como online. O resultado desse estudo é um trabalho permeado de informações baseado em ampla pesquisa sob várias perspectivas e a conclusão é que o teatro é um poderoso mecanismo no processo de aprendizagem e no desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos. Palavras-chave: Teatro. Educação. Crianças. Pedagógico. Práxis. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Pintura na rocha na área de Cogul, sul de Lérida, Espanha; cena de dança ritual. Período Paleolítico, segundo H. Breuil. ........................................................... 15 Figura 2 - O Teatro de Dioniso, visto do alto da Acrópole. ........................................ 16 Figura 3 - Dançarino - "pássaro" maia, com chocalho e estandarte, Pintura na parede do templo de Bonampak, México, c. 800 d. C. .......................................................... 17 Figura 4 - Cortejo dionisíaco (pintura em vaso grego). ............................................. 19 Figura 5 - Estátua romana do Século II representando Dioniso de acordo com um modelo helenístico, exposta no Louvre. .................................................................... 20 Figura 6 - Téspis o primeiro ator grego e do mundo. ................................................ 22 Figura 7 – Cartaz da Peça de Teatro “O Auto da Compadecida”. ............................. 26 Figura 8 – Teatro na Educação Infantil ..................................................................... 33 Figura 09 - Teatro Especial ....................................................................................... 43 Figura 10 – Exemplo de Parlenda. ............................................................................ 49 Figura 11 – Exemplo de Parlenda. ............................................................................ 50 Figura 12 – Convite Alice. ......................................................................................... 54 Figura 13 – Sugestão de atividade. ........................................................................... 56 Figura 14 – Sugestão de atividade. ........................................................................... 56 Figura 15 – Imagem do vídeo “Chapeuzinho Vermelho Surda”. ............................... 70 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CMEI Centro Municipal de Educação Infantil LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) LDBEN Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº PCN Parâmetros Curriculares Nacionais RCN – EI Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 12 2 O TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ............................................................. 14 2.1 Conhecendo As Origens Do Teatro ................................................................ 14 2.2 Teatro na Educação Infantil sob a Perspectiva da Legislação Pertinente ...... 27 2.3 Teatro na Educação Infantil: uma perspectiva pedagógica. ........................... 31 2.3.1 Aula de Teatro como atividade extracurricular para crianças ..................... 39 2.3.2 Teatro no âmbito da Educação Inclusiva .................................................... 42 2.4 Sugestão de Atividades: Teatro na Educação Infantil .................................... 45 2.4.1 Eu vou Para a Lua ..................................................................................... 45 2.4.2 Jogo de Observação .................................................................................. 46 2.4.3 Tela de Televisão ....................................................................................... 46 2.4.4 Teatro de Sombras .................................................................................... 48 2.4.5 Contos de fadas: histórias atrapalhadas .................................................... 52 2.4.6 Teatro De Máscaras .................................................................................... 59 2.4.7 O teatro na sala de aula .............................................................................. 61 2.4.8 Sugestões de Atividades que promovem a Educação Inclusiva ................. 68 2.4.8.1 O som do silêncio - Educação Especial ...................................................... 68 2.4.8.2 Aprendendo A Incluir Por Meio Do Teatro ................................................. 72 3 CONCLUSÃO .................................................................................................... 78 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 79 12 1 INTRODUÇÃO O tema escolhido para desenvolver este trabalho é a uma profunda abordagem da importância do teatro no âmbito da educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental. E para bem desenvolver os conteúdos a serem considerados, é imprescindível que os conceitos que permeiam esta análise sejam claramente definidos que modo que possam servir como base para o enfoque em todo o seu contexto. Iniciando este estudo serão definidos os conceitos pertinentes a história do teatro e sua significância, o qual poderá ser utilizado tanto para o professor que deseja obter informações sintetizadas sobre a “história do teatro”, bem como utilizar como subsídio para trabalhar o conteúdo com as crianças da Educação Infantil e Ensino fundamental. Em seguida, será elaborada uma análise quanto a legislação que aborda a questão curricular do teatro no âmbito escolar. Posteriormente serão desenvolvidas reflexões sobre a abordagem do teatro na educação infantil, sua aplicabilidade, métodos e contribuição para a formação das crianças. Serão dedicados capítulos para a reflexão sobre o teatro como atividade extracurricular e também no âmbito da educaçãoinclusiva. Por fim serão descritas algumas sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas com crianças da educação infantil, séries iniciais do ensino fundamental envolvendo iniciativas das próprias crianças com o teatro, abrangendo desde a produção textual até expressão corporal. O objetivo deste trabalho de pesquisa e análise é apresentar uma abordagem demonstrando as possibilidades e perspectivas da utilização do teatro como práxis pedagógica na Educação Infantil, onde será demonstrada ampla reflexão justificando a possível viabilidade desta iniciativa. A justificativa para delimitação dessa faixa etária (educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental) nesta abordagem é o entendimento de que esse é o período mais importante e propício para estimular a criatividade, espontaneidade, cognição e afetividade da criança. O uso do teatro vem atender, portanto, as necessidades do “brincar” próprias da idade, ao tempo em que é uma ferramenta imprescindível e muito válida para o professor alcançar seus objetivos de modo bem abrangente e multidisciplinar. 13 A metodologia utilizada para o desenvolvimento desta abordagem foi vasta pesquisa e estudo, entre renomados autores que versam sobre o tema, o que certamente é fator imprescindível para garantir a complexidade e a fundamentação teórica para o desenvolvimento satisfatório desta abordagem Este trabalho certamente será de muita valia para professores e futuros professores que queiram conhecer a temática ou aprofundarem seus conhecimentos quanto ao amplo conceito de teatro e sua adaptação e utilização como ferramenta pedagógica multidisciplinar na Educação Infantil. 14 2 O TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 2.1 CONHECENDO AS ORIGENS DO TEATRO Para abordar a questão do teatro no âmbito da educação infantil, é imprescindível que se tenha bem claro, a significação dos conceitos envolvidos, os quais serão fundamentos para a presente reflexão e estudo. Afinal, o que é teatro? Para elucidar esta dúvida, foram pesquisadas diversas fontes bibliográficas em livros e documentos físicos e ainda busca na Rede Mundial de Computadores: a internet, onde foram encontradas diversas definições provenientes de fontes confiáveis que possibilitou serem utilizadas. Ao realizar essa pesquisa, percebe-se de imediato que esse conceito é muito amplo e abrangente e remonta à própria história da humanidade. O teatro é tão velho quanto a humanidade. Existem formas primitivas desde os primórdios do homem. A transformação numa outra pessoa é uma das formas arquetípicas da expressão humana. O raio de ação do teatro, portanto, inclui a pantomima de caça dos povos da idade do gelo e as categorias dramáticas diferenciadas dos tempos modernos. (BERTHOLD, 2001,p XII) Analisando-se as pinturas rupestres, arte nas cavernas constata-se que o homem sempre sentiu necessidade de representar suas emoções, seus feitos e seu cotidiano de alguma forma, seja para representar seus deuses a quem cultuava ou para encenar cenas relembrando seus ancestrais. Pode-se deduzir que o teatro faz parte da cultura e da história do Homem. Vários autores relatam indícios que remetem a ideia de teatro, já no período paleolítico, onde foram encontradas pinturas que representavam danças e rituais, insinuando representações. O palco do teatro primitivo é uma área aberta de terra batida. Seus equipamentos de palco podem incluir um totem fixo no centro, um feixe de lanças espetadas no chão, um animal abatido, um monte de trigo, milho, arroz ou cana-de-açúcar. Da mesma forma, as nove mulheres da pintura rupestre paleolítica de Cogul dançam em torno da figura de um homem; ou o povo de Israel dançava em torno de bezerro de ouro; [...] ou, atualmente, os dançarinos totêmicos1 australianos se reúnem quando o espírito ancestral faz sentir sua presença (quando soam os mugidos do touro). [...] vestígios do teatro primitivo sobrevivem nos costumes populares, na dança em volta [...]da fogueira de São João. (BERTHOLD, 2001, p. 4) 1 Totêmico: Relativos a totem, ou seja, símbolo para uma família, uma tribo. Disponível em ,http://www.dicionarioinformal.com.br/tot%C3%AAmicos/. Acesso em 11/10/2015. 15 Percebe-se a didática utilizada por Berthold (2001) quando faz suas analogias entre o teatro primitivo e atual, sempre enaltecendo os detalhes e a historicidade presente nos vestígios da pré-história que contribuem para que a sociedade atual possa entender seu passado e suas ações presentes. Figura 1 - Pintura na rocha na área de Cogul, sul de Lérida, Espanha; cena de dança ritual. Período Paleolítico, segundo H. Breuil. Fonte: BERTHOLD, 2001, p.2. Entretanto, esse conceito de teatro, o da representatividade, é o significado mais comum. Se for considerado o que descreve o dicionário Michaelis2 percebe-se que o significado é bem mais amplo: "Teatro". te.a.tro. sm (lat theatru) 1 Casa ou lugar destinado à representação de obras dramáticas, óperas ou outros espetáculos públicos. 2 Circo, anfiteatro. 3 Conjunto das obras dramáticas de um autor. 4 Coletânea das obras dramáticas de uma nação. 5 Literatura ou arte dramática. 6 A arte de compor obras dramáticas ou de representá-las. 7 A profissão de ator ou de atriz. 8 Lugar onde se verifica qualquer acontecimento notável. 9 Aparência vã, miragem, ilusão. 10 Obra escrita para instruir sobre certos princípios; exemplo, modelo, regra. T. de arena: teatro sem palco e sem cenários, onde o espetáculo se realiza numa pequena arena. T. de bonecos: forma de teatro que se utiliza de bonecos de vários tipos e tamanhos, apresentando peças infantis ou mesmo adultas. T. do mundo: o mundo, o público. T. lírico: teatro em que se representam óperas ou composições dramáticas postas em música. Abrir o teatro: começar a época teatral. Fechar o teatro: cessarem temporária ou definitivamente as representações teatrais. (MICHAELIS, 2008) 2"TEATRO". In: DICIONÁRIO Michaelis. (2008). Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues- portugues&palavra=teatro. (Acesso em: 08 out. 2015). 16 Para Teixeira (2005), em Dicionário de Teatro, o termo é definido de modo mais específico: teatro. 1. Como expressão estética, a arte específica transmitida de um palco para uma platéia, por um ator ou atriz; a arte de representar. 2. Como expressão arquitetônica, é o edifício com características específicas, dotado basicamente de um palco, de onde são representadas para uma platéia obras dramáticas – óperas, comédias, balés, revistas musicais, dramas, etc. 3. O conjunto das obras dramáticas de uma época (o teatro elisabetano), de um país (o teatro brasileiro), de uma corrente estética (o teatro romântico), de um autor (o teatro de Nelson Rodrigues). Entendido como drama, o teatro pressupõe uma síntese de vários elementos estéticos, pois se vale da contribuição de outras artes, tais como a arquitetura e as artes plásticas, na cenografia e na iluminação, ademais da música, da dança e da literatura. Como gênero literário ou forma dramática, traduzida em gestos e sons, o teatro tem sido reconhecido por diversos nomes, obedecendo à voga política, os hábitos sociais ou à escola literária em moda, bem como o estilo de sua representação. (TEIXEIRA, 2005, p 254) Esse autor complementa ainda, que a definição do termo "teatro" possui diversas variantes, dentre eles: Teatro do Absurdo (concepção filosófica do existencialismo que retrata a existência humana sob a prisma da incomunicabilidade e da irracionalidade); Teatro Amador (feito por atores que não tem o teatro como profissão principal); Teatro de Arena (o palco fica no centro da plateia); Teatro de Bolso (Sala de espetáculos de pequenas dimensões); Teatro de Bonecos (protagonizado por bonecos na forma de marionetes ou fantoches); Teatro de Dionísio (Santuário de Dionísio Eleutério fundado no século V a.C). Figura 2 - O Teatro de Dioniso,visto do alto da Acrópole. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_de_Dion%C3%ADsio 17 Percebe-se assim, que este conceito é muito abrangente, referindo- se desde a casa de espetáculos onde acontecem as peças de teatro, até o evento propriamente dito, com os acontecimentos pertinentes. Entretanto, ao analisar a bibliografia alusiva ao tema, constata-se realmente que os autores se referem a "teatro" normalmente mencionando a representação, isso levando em conta inclusive a história primitiva envolvendo essa questão. Na literatura encontramos informações sintetizadas conceituando o tema. Sabe-se que a palavra "teatro" deriva de verbos gregos "ver, enxergar", então pode-se dizer que "teatro" é o lugar de ver, ver o mundo, se ver no mundo, se perceber, perceber o outro e a sua relação com o outro. Sob a perspectiva pedagógica conclui-se que o teatro busca mostrar o comportamento social e moral, por meio do aprendizado de valores e pela interação entre as pessoas. Para Berthold (2001), o que diferencia essencialmente as formas de teatro primitivas e mais avançadas é a quantidade de acessórios cênicos utilizados pelos atores para expressar-se. Enquanto o artista de culturas primitivas apresenta- se com chocalho de cabaça e pele de animal, a ópera barroca exibe uma verdadeira parafernália. Já a arte do século XX tem como característica a redução, sendo marcada por espetáculos de mímica, onde “o corpo do ator torna-se um instrumento que substitui uma orquestra inteira, uma modalidade para expressar a mais pessoal e, ao mesmo tempo, a mais universal mensagem “(2001, p.1). Figura 3 - Dançarino - "pássaro" maia, com chocalho e estandarte, Pintura na parede do templo de Bonampak, México, c. 800 d. C. Fonte. BERTHOLD, 2001, p 5. 18 Segundo Silva e Azevedo (2013), para pensar a essência pedagógica do Teatro é preciso basear-se na análise da utilização de peças gregas escritas no século V a.C., considerando o contexto em que estavam inseridas e qual a finalidade das mesmas, inclusive levando em conta qual a percepção destas enquanto fazer artístico. A tendência à imitação é natural ao ser humano, bem como o gosto pela harmonia e pelo ritmo. Nos primórdios da humanidade, os homens foram aos poucos, mesmo sem perceber, provavelmente, criando a poesia e o teatro, fazendo rituais e invocando deuses que eram na verdade, para eles, as forças da natureza. (SILVA; AZEVEDO, 2013, p.65) É fato que em tempos remotos, as sociedades primitivas utilizavam o teatro com caráter ritualístico, ou seja, a crença no uso de danças e expressões corporais na forma de danças imitativas visando atrair as forças sobrenaturais as quais acreditavam que controlavam todos os eventos fundamentais para a sobrevivência, tais como fertilidade da terra, o sucesso nas batalhas e como meio de exorcizar os maus espíritos que acreditavam serem os causadores das doenças e desgraças que acometiam as comunidades. O teatro era em suma, uma espécie de ritual de celebração, agradecimento ou perda. O drama da Antigüidade nasceria da ampla arena do Teatro de Dioniso em Atenas, totalmente a vista dos cidadãos reunidos, não no crepúsculo místico do santuário de Deméter em Elêusis. O teatro primitivo utilizava acessórios exteriores, exatamente como seu sucessor altamente desenvolvido o faz. Máscaras e figurinos, acessórios de contra-regragern. cenários e orquestras eram comuns, embora na mais simples forma concebível. Os caçadores da Idade do Gelo que se reuniam na caverna de Montespan em torno de urna figura estática de um urso estavam eles próprios mascarados como ursos. Em um ritual alegórico-mágico, matavam a imagem do urso para assegurar seu sucesso na caçada. (BERTHOLD, 2001, p. 3) Assim, a representatividade é a alusão direta ao conceito de teatro em toda a sua história, sendo que através da observação dos registros históricos desde o homem primitivo é possível desvendar a historicidade de cada época, os costumes locais, as tradições, através destes rituais, danças e expressões corporais. Ou seja, o teatro é responsável por manter e resgatar a história da humanidade, desde os seus primórdios. Levando em consideração esses rituais como expressão poética e teatral, e tornando essa poesia algo com formas definidas, o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), escreveu no séc. III a.C. na Poética, que foi o primeiro 19 escrito a conceituar poesia, entender o teatro como expressão poética, e dividir os chamados gêneros poéticos. Pode-se dizer que ele criou uma taxonomia do Teatro pelo desejo de diferenciar as artes. [...] Em sua obra, Aristóteles vê a arte como sendo uma imitação; sendo estes os primeiros escritos conhecidos que procuraram analisar as formas de arte e da literatura. (SILVA; AZEVEDO, 2013, p.65) Com a origem da civilização egípcia estes pequenos ritos tornaram- se grandes rituais formalizados e sempre baseados em mitos. Estes mitos eram fundamentados em regras conforme o que propunham o estado e a religião. Basicamente era a história do mito em ação, ou seja, em movimento. Segundo a literatura pesquisada, na Grécia estes rituais tinham o objetivo de propagar as tradições e animar os nobres. Nesse sentido, segundo Moura (2011), pode-se dizer que o teatro no padrão que hoje conhecemos, teve sua origem no século VI a.C., na Grécia, surgindo "das festas dionisíacas realizadas em homenagem ao deus Dionísio, deus do vinho, do teatro e da fertilidade". Essas festas consistiam em rituais sagrados, procissões e recitais que continuavam duravam vários dias e eram realizadas uma vez ao ano sempre na primavera, época da colheita da uva e fabricação do vinho na região. Figura 4 - Cortejo dionisíaco (pintura em vaso grego). Fonte: http://12-efe.blogspot.com.br/2014_10_01_archive.html Estas procissões eram chamadas de “ditirambo”, um tipo de procissão que servia para homenagear o Deus Dionísio (Deus do vinho). Com o 20 tempo o “ditirambo” evoluiu, dando origem a um coro formado por coreutas3 e pelo corifeu4, onde cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionadas a Deuses. Destaca-se a grande inovação quando se originou o diálogo entre coreutas e o corifeu, criando-se a ação na história e assim surgem os primeiros textos teatrais. Figura 5 - Estátua romana do Século II representando Dioniso de acordo com um modelo helenístico, exposta no Louvre. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dioniso O tirano de Atenas chamado Psístrato, promoveu o comércio e as artes e foi o fundador das Panatenéias5 e das Grandes Dionisíacas6, e fazia o 3 Coreuta(s). 1. No antigo teatro grego, as personagens introduzidas na cena com a função de dialogar com os participantes do coro. 2. Cada um dos membros do coro. Fonte: TEIXEIRA, Ubiratã. Dicionário de Teatro. 4 Corifeu. 1. Mestre do coro na antiga tragédia grega, exercendo a função de principal representante do povo e de intermediário entre os coreutas e as personagens principais; o chefe do coro; o narrador. 2. Poeta e cantor imaginoso e eloqüente que contava as cenas da vida dos deuses. Fonte: TEIXEIRA, Ubiratã. Dicionário de Teatro. 5 As panateneias eram festas realizadas em homenagem à deusa grega Atena. Eram realizadas as pequenas (anuais) e as grandes panateneias (a cada quatro anos).Acredita-se que essas festas tinham como objetivo agradar à sábia deusa, para que ela protegesse as colheitas. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Panateneias. Acesso em 25/10/2015. 21 possível para tornar esplendorosas essas festividades públicas. No mês de março do ano de 534 a.c.. esse idealizador à frente de sua época, trouxe de Icária para Atenas o ator Téspis para participar da Grande Dionisíaca. Considerado o primeiro ator, Téspis teve uma nova e criativa ideia que marcou a história, ao se colocar à parte do coro7 como solista, criando assim o papel do hypokrites8 que apresentavao espetáculo e se envolvia num diálogo com o condutor do coro. (BERTHOLD, 2001) [...] Téspis se apresentou na Dionisíaca de Atenas, usando uma máscara de linho com o s traços de um rosto humano, visível a distância por destacar-se do coro de sátiros, com suas tangas felpudas e cauda de cavalo. O local da Dionisíaca de Atenas era a encosta da colina do santuário de Dioniso, ao sul da Acrópole9 . Ali erguia-se o templo com a velha imagem de madeira do deus, trazida de Eleutera: um pouco mais abaixo ficava o círculo da dança, e então, num terraço plano, a orchestra. Em seu centro, sobre um pedestal baixo. erguia-se o altar sacrificial (thumelê10) A presença do deus tornava- se real para os espectadores; Dioniso estava ali com todos eles, centro e animador de uma cerimônia solene, religiosa, teatral. Como todas as grandes peças cultuais do mundo, esta começou com um sacrifício de purificação. (BERTHOLD, 2001, p.105). Segundo a literatura, Téspis registrou seu nome na história, ao participar de um ritual sagrado vestido com uma máscara humana, ornada com cachos de uvas, e subir no tablado em praça pública afirmando: “Eu sou Dionísio!”. Certamente todos ficaram espantados com a audácia deste homem que colocou-se no lugar de um deus, ou seja, representando ser um deus, fato inédito até então, 6 Com origem na época de Péricles, as Grandes Dionisíacas constituíam um ponto culminante e festivo na vida religiosa, intelectual e artística da cidade-estado de Atenas. Eram festividades que duravam seis dias. Disponível em: http://pequenahistoriadoteatro.blogspot.com.br/2009/04/as- grandes-dionisiacas.html. Acesso em 21/10/2015. 7 Coro. 1. Conjunto de atores que representavam o povo no teatro clássico. 2. Parte de uma obra dramática, declamada ou cantada por vários atores. – Na sua origem histórica, na tragédia e na comédia grega, o coro narrava ou comentava a ação, cantando ou declamando. Na sua forma organizada mais primitiva, formava um conjunto de quinze coreutas dirigidos pelo corifeu, competindo a eles apresentar ou comentar a ação dramática, declamar a parte lírica da obra, cantar e dançar. Os movimentos dos coros eram realizados na orchestra, espaço do edifício teatral especialmente reservado às suas evoluções. Fonte: Dicionário de Teatro. 8 Ao mencionar qualquer artista que exercia o ofício de ator, os gregos empregavam a palavra “hypokrités” que simbolizava, artisticamente, a pessoa que representava, utilizando-se de várias faces, por conta do uso de máscaras diferentes. Disponível em http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=1480. Acesso em 15/10/2015. 9 Acrópole (do grego ἀκρόπολις, composto de ἄκρος, "extremo, alto", e πόλις, "cidade") é a parte da cidade construída nas partes mais altas do relevo da região. A posição tem tanto valor simbólico (elevar e enobrecer os valores humanos) como estratégico, pois dali podia ser melhor defendida. Era na acrópole das diversas cidades que se construíam as estruturas mais nobres, tais os templos e os palácios dos governantes. Disponivel em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Acr%C3%B3pole>. Acesso em 09/10/2015. 10 O thumelê era uma pedra fincada no centro da orquestra destinada as oferendas para o deus Dionísio. 22 pois na época a perspectiva da sociedade é que um deus era para ser louvado pois era considerado intocável. Figura 6 - Téspis o primeiro ator grego e do mundo. Fonte: http://maxdanielartes.blogspot.com.br/2013/05/atores-e-protagonistas.html Téspis, certamente se arriscou ao transformar o sagrado em profano e o ritual em teatro. Pela primeira vez na história, um ser Humano apresenta-se diante de uma platéia representando outro Ser, no caso, um deus. Este fato foi considerado o marco inicial da ação dramática e Téspis ficou conhecido como o primeiro ator do mundo ocidental, e também como o primeiro produtor teatral. Entretanto, não há registros literários detalhados sobre a vida de Téspis. Sabe-se apenas que ele teria começado a representar em um Coro, tornando-se líder de um deles. Viajou pela Grécia, numa carroça que mais tarde ficaria conhecida como "carro de Téspis" que lhe servia de transporte e de palco para as suas representações. Berthold (2001) ao citar esse fato de Téspis, descreve em detalhes o local onde o mesmo se apresentou, notadamente percebendo-se que a apresentação acontecia no centro da plateia, ou teatro de Arena. O autor Patrice Pavis (2005) define o Teatro de Arena como aquele no qual os espectadores são 23 dispostos em torno da área de atuação, como no circo ou numa manifestação esportiva não apenas pensando na unificação do público, mas proporcionar aos espectadores a participação de um rito em que todos se envolvem emocionalmente. Comentando sobre essa relação entre teatro e público, Berthold (2001) afirma que “não podemos nos esquecer de que a tragédia antiga em Atenas era uma ação ritual e, por essa razão, acontecia não tanto no palco quanto na mente das pessoas. O teatro e o público eram circuncidados por uma atmosfera extrapoética, a religião” (2001, p. 114). "A finalidade de representar, tanto no princípio quanto agora, era e é oferecer um espelho à natureza; mostrar à virtude seus próprios traços, à infâmia sua própria imagem, e dar à própria época sua forma e aparência". (SHAKESPEARE, 1984, Ato III, cena II) Heluy (2013) descreve que num estágio de maior desenvolvimento, o conceito de teatro foi modificando e passou a ser lugar de representação de lendas relacionadas aos heróis e deuses. Na Grécia antiga, por exemplo, os festivais anuais em honra ao Deus do Vinho), que para os gregos era deus Dionísio, era comum a representação de tragédias e comédias. E como decorrência destes eventos nasceu a peça satírica, onde os papéis eram representados por homens, pois na época, era proibida a participação de mulheres. Segundo este autor, foi nesse mesmo período, que os romanos construíram seu teatro, sob influencia do teatro grego, mas apresentando suas próprias inovações, dentre elas a pantomima11. Percebe-se assim que propositalmente, ou não, o legado deixado para a posteridade pelos gregos, foi um Teatro com cunho essencialmente pedagógico, e que se estende da Antiguidade, passando pela Idade Média, até os dias da atualidade, quando trabalhos são realizados sob a perspectiva do Teatro enquanto meio formador. Constata-se que a Civilização mais conhecida por seu Teatro é a Grega, e não é por acaso pois as peças teatrais gregas tinham um cunho formador, pedagógico, permeado a elas e que é detalhe marcante nos escritos teatrais da Antiguidade. Berthold (2001) destaca em sua obra que em nenhum outro lugar uma arte teve um papel tão social, e foi tão importante como para os gregos, que participavam massivamente dos espetáculos nas arenas. Ressalta-se que a 11 "Pantomima": espécie de teatro em que apenas um ator representava todos os papéis, com a utilização de máscara para cada personagem interpretado. 24 disposição de atores e público do teatro em forma de arena, possui um significado peculiar que não era apenas uma questão de propagação de som12 mas uma forma de organizar a plateia em forma de círculo, fazendo com que todos se sentissem participantes do que estava acontecendo. Entretanto, todo o sucesso do teatro de multidões foi ofuscado e limitado, quando o Cristianismo considerou o teatro como rito pagão e foi responsável pela extinção das representações teatrais, inviabilizando as produções por falta de patrocinadores. Entretanto a própria Igreja propiciou o renascimento do teatro, na Era medieval quanto foram realizadas encenações da ressurreição de Cristo. Segundo Silva e Azevedo (2013) a partir dessa iniciativa, o teatro foi utilizado como veículo de propagação de conteúdos bíblicos. Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer parte das atuações teatrais na Inglaterra a na França. No Brasil, oteatro tem sua origem com as representações de catequização dos índios. As peças eram escritas com intenções didáticas, procurando sempre encontrar meios de traduzir a crença cristã para a cultura indígena. Ao cabo do século XVIII, as mudanças na estrutura dramática da peças foram reflexo de acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. (HELUY, 2013, p. 4) Segundo a literatura, no final século XVIII, as mudanças na estrutura dramática das peças refletiram os acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Nessa época surgiram formas como o melodrama, que atendia ao gosto do grande público. No século XIX as inovações cênicas e infra estruturais do teatro tiveram prosseguimento. Ao cabo do século XIX vários autores passaram a assumir uma postura de criação bastante diversa da de seus precursores românticos, enfatizando arte sob a perspectiva de veiculo de denúncia da realidade. Silva & Azevedo (2013) destaca que a característica básica do teatro do século XX é o ecletismo e a quebra de antigas tradições, sem vinculação a um único padrão predominante. O teatro deve ser apresentado sob perspectiva formal e consciente da sua representatividade vivido por atores unicamente personagens, mas desvinculados da vida real. Todas as inovações pelas quais o teatro foi passando exigiram o surgimento da figura do diretor, que trata de todos os estágios artísticos de uma produção. Entretanto, pode-se dizer que as ideias de Bertolt Brecht 12 As arenas eram construídas próximo a montanhas para que o som batesse nas rochas e voltasse 25 foram as que mais influenciaram o teatro moderno. Segundo dizia Brecht, o ator deve manter-se consciente do fato que esta atuando e que jamais pode emprestar sua personalidade ao personagem interpretado. No que se refere a história do teatro no Brasil, sabe-se que uma das primeiras manifestações do teatro no Brasil ocorreu no século XVI quando o teatro era utilizado pelos jesuítas para instruir religiosamente os índios e colonos. Destaca- se o padre Anchieta como um dos principais jesuítas que utilizou estes tipos de representações que eram chamadas de teatro de catequese, o qual possuía uma preocupação muito mais religiosa do que artística. Os atores eram amadores e não existiam espaços destinados à atividade teatral, as peças eram encenadas em praças, ruas, colégios entre outros. Durante o século XVII além do teatro de catequese surgem outros tipos de teatros visando a celebração de festas populares e acontecimentos políticos, inclusive alguns lembram muito o carnaval como conhecemos hoje, onde as pessoas saíam às ruas para comemorações vestidas com adereços, desfilando mascaradas, dançando, cantando e tocando instrumentos (SEED, 2011). Com a chegada da família real no Brasil, em 1808, o teatro dá um grande salto. D. João VI assina um decreto de 28 de maio de 1810 que reconhece a necessidade da construção de "teatros decentes" para a nobreza que necessitava de diversão. Grandes espetáculos começaram a chegar no Brasil, porém, além de serem estrangeiros e refletirem os gostos europeus da época eram somente para os aristocratas e o povo não tinha qualquer participação, o teatro não tinha uma identidade brasileira. (SEED, 2011) Segundo Batista (2014) foi durante o século XIX que o teatro brasileiro começa a se configurar e um grande marco foi a representação da tragédia Antônio José ou O Poeta e a Inquisição de Gonçalves Magalhães no dia 13 de março de 1838. Segundo a literatura, essa peça foi encenada por uma companhia brasileira, com atores e finalidade nacionalistas integrado pelo ator João Caetano. No ano de 1855 surge o teatro realista no Brasil, deixando de lado a tragédia e objetivando o debate de temas atuais, problemas sociais e conflitos psicológicos com o intuito de mostrar e revelar o cotidiano da sociedade, o amor adúltero, a falsidade e o egoísmo humanos. Joaquim Manoel de Macedo, autor da obra-prima A Moreninha, de Arthur Azevedo é um dos mais importantes autores dessa época. A para o público, não se propagasse além daquele local. (N.T.) 26 renovação do teatro brasileiro aconteceu a partir de 1943, com a estreia de Vestido de Noiva, de Gian Francesco Guarnieri e Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembinski, que escandalizou a plateia e promoveu a modernização do palco brasileiro. Vestido de Noiva fez um grande sucesso assim como o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. O golpe militar em 1964 implantou a censura e muitas peças de teatro foram proibidas. Somente a partir dos anos 70 o teatro novamente ressurge mostrando produções constantes. (SEED, 2011) Figura 7 – Cartaz da Peça de Teatro “O Auto da Compadecida”. Fonte: http://www.teatros.art.br/teatro-fashion-mall-rj/peca/o-auto-da-compadecida/ Embora nem sempre valorizado, o teatro pode ser considerado fundamental na formação cultural de qualquer pessoa pois ele proporciona o conhecimento da própria cultura. No que tange às crianças, o teatro ajuda no seu desenvolvimento e formação, despertando o desejo pelo conhecimento. Diante disso pode ser um complemento na educação básica de todo o jovem, pois auxilia trazendo informação e entretenimento de uma forma mais prazerosa e divertida. É importante que os pais se conscientizem dessa importância e sempre que possível levem os filhos a uma peça teatral, adequada para a faixa etária, pois o teatro é importante para todos na busca por mais conhecimento. O teatro, mais do que uma simples apresentação pode trazer muito conhecimento para o público, independente de idade. Devido a sua importância fundamental para as crianças, o teatro deve ser incluído nas grades curriculares proporcionando uma aula descontraída e divertida, 27 que ao mesmo tempo abordasse o conteúdo proposto, ao tempo em que pode oferecer a oportunidade de apreciar as diferentes culturas, desenvolvendo a interatividade e a oratória. (KANZAKI, 2011) 2.2 TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL SOB A PERSPECTIVA DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE Para abordar a questão do teatro como ferramenta pedagógica na educação infantil, é imprescindível que se esclareçam quais são os eixos norteadores da legislação pertinente e de que forma o teatro foi tratado ao longo da história reconhecidamente como importante para a formação do indivíduo em seu contexto global. Sabe-se que desde os tempos de Platão o teatro é utilizado com a intenção de educar, sendo objeto de estudo e permeado de valores didáticos, visando formar a personalidade do homem. No Brasil, a primeira iniciativa do uso do teatro para fins educacionais foi como método artístico de catequização dos índios e foi considerado por muitos autores como uma das formas mais completas de catequização Jesuítica. O método utilizado era reunir grupos, normalmente de crianças indígenas, para ensaiar as peças escritas pelos missionários que tematizavam o cotidiano dos índios, inserindo seu conceito de censura através da moral e bons costumes europeus cristãos. D´Araújo (2000, p 28) destaca que o teatro foi utilizado antes mesmo de se ensinar a ler, escrever e contar, a fim de se ter mais aceitação dos nativos, tendo em 1530 o primeiro teatro com missa na Bahia. Entretanto, não obstante essa iniciativa tão marcante na história de nosso país, em que o teatro teve um papel fundamental durante o processo do Colonização, constata-se que o teatro foi praticamente ignorado no currículo escolar durante muitos anos, em detrimento de temas específicos que sempre foram abordados. A legislação não contemplava o teatro como conteúdo a ser incluído no cotidiano dos alunos. As primeiras noções de arte no âmbito escolar, não passavam de singelas atividades ligadas ao desenho geométrico, trabalhos manuais e canto 28 orfeônico13. Esta realidade começou a mudar com a promulgação da Lei de Diretrizes e Basesno ano de 1961, a LDBEN, que inseriu no currículo da escola fundamental as práticas educativas, entre elas a arte dramática. Em nosso país, as tentativas de utilização do teatro como instrumento no processo educativo acumularam-se através da história, mas sua vertente escolarizada consolidou-se progressivamente somente nos últimos 50 anos, graças a muitos fatores, dentre eles o reconhecimento crescente da importância do teatro na aprendizagem, assim como os movimentos de educadores que contribuíram para sua inserção na educação básica. ” (SANTANA e PEREGRINO, 2001, p. 97) Constata-se a presença efetiva do teatro na escola a partir da lei 5692/71, com a obrigatoriedade da Educação Artística impulsionando o ensino das artes cênicas em todos os níveis da escolaridade. Pode-se afirmar que a consolidação dessas conquistas foi reafirmada pela Lei nº 9394/96, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) de 20 de dezembro de 1996, que reza em seu artigo 26, parágrafo 2º que “o ensino da arte especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos"(BRASIL, 1996, p. 19). O teatro começa então a ser abordado na disciplina de artes, como forma de expressão corporal e desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Várias discussões envolvendo inclusive a Unesco, buscaram a valorização do teatro no âmbito escolar como práxis educativa e pedagógica. [...] a área de teatro é importante para o desenvolvimento da criatividade e da capacidade simbólica de crianças, jovens e adultos, sendo também uma forma de abrir as portas da escola para a entrada dos valores da comunidade e suas tradições artísticas e culturais. (UNESCO, 2002) Importante ressaltar que o verdadeiro reconhecimento do teatro como conteúdo importante para o ambiente escolar, foi a concretização proporcionada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Fundamental (PCN) a qual, instituiu o Teatro como uma das linguagens da área de 13 “Orfeônico”: Relativo ao Deus Grego Orpheu. Sistema de canto, coral surgido na Europa na metade do Século XIX. Participação de Grupos discentes de instituições de ensino regular que faziam apresentações públicas.. Disponível em http://www.dicionarioinformal.com.br/orfe%C3%B4nico/ Acesso em 28/10/2015. 29 Arte. Vale ressaltar que na proposta dos PCN de-Arte referente as séries finais do ensino fundamental, a nomenclatura Artes Cênicas foi substituída por Teatro e Dança, possivelmente com a intenção de delimitar melhor esses campos. Ao efetuar a leitura desses parâmetros, percebe-se de imediato que nesse documento o Teatro na escola aparece como “uma combinação de atividade para o desenvolvimento global do indivíduo, consciente e crítico, um exercício de convivência democrática”, (BRASIL, 1997, p.84). Segundo Brasil(1997), o ato de dramatizar faz parte do potencial de cada pessoa, necessário para a compressão e representação de uma realidade. A dramatização dessa forma, permeia o desenvolvimento da criança manifestando-se espontaneamente ao assumir feições e funções diversas, promovendo a evolução do jogo espontâneo para o jogo de regras, do individual para o coletivo. Nesse sentido, ao trabalhar o teatro com a criança, cria-se a oportunidade de desenvolver nela o crescimento dentro do grupo social de modo responsável, estabelecendo relações entre o individual e o coletivo, e promovendo a interação dentro do grupo, criando situações que gerem o acolher e o ordenamento de opiniões, o respeito as diferentes manifestações, com o objetivo de organizar a expressão de um grupo. Ressalta-se que de modo geral, os conteúdos propostos pelo b para as séries iniciais são bem formulados, adequados e objetivos. O primeiro bloco, que trata da produção, permite vislumbrar a prática na sala de aula: [...]Reconhecimento e utilização dos elementos da linguagem dramática: espaço cênico, personagem e ação dramática. [...] Experimentação na improvisação a partir de estímulos diversos — temas, textos dramáticos, poéticos, jornalísticos, objetos, máscaras, situações físicas, imagens e sons (BRASIL, 1997, p. 86). Percebe-se assim, que o subsidio oferecido ao professor é bem útil e objetivo. Complementar à LDB (1996) e a estas iniciativas, é de imprescindível importância para a consolidação do uso do teatro como mecanismo pedagógico, o PL 7032/2010, ainda em trâmite durante a execução deste estudo. Este projeto de Lei altera os §§ 2º e 6º do art. 26 da citada Lei nº 9.394/96 a qual fixa as diretrizes e bases da educação nacional, para instituir, como conteúdo obrigatório no ensino de Artes, a música, as artes plásticas e as artes cênicas. 30 “Art. 26. ................................. § 2º O ensino de Artes, compreendendo obrigatoriamente a música, as artes plásticas e as artes cênicas, constitui componente curricular de todas as etapas e modalidades da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos estudantes. ................................................................................................................. § 6º A música, as artes plásticas e as artes cênicas constituem conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2º.” (NR) (SENADO, 2010)14 Em suma, o que esta alteração na LDB está propondo, é a obrigatoriedade da inclusão da dança e teatro na educação básica. A justificativa do relator do projeto Alessandro Molon é que “o incentivo ao ensino dessas linguagens artísticas propicia, simultaneamente, o desenvolvimento pessoal do indivíduo e a preservação da cultura nacional"15. Esta alteração na LDB certamente será um motivo valioso para que o ensino de teatro ocupe o merecido lugar de importância no currículo da educação básica, haja visto a sua extrema importância no desenvolvimento global das crianças. Entretanto, sabe-se que ainda há um longo caminho a percorrer até a concretização do teatro na educação com todos os benefícios que ele pode oferecer. Para que no futuro o teatro na educação assuma o seu verdadeiro papel, que é o de contribuir para o desenvolvimento emocional, intelectual e moral da criança, correspondendo fielmente aos seus anseios e desejos, respeitando-lhe as etapas do pensamento que evolui do concreto para o formal, para dar-lhe uma visão de mundo a partir da marcha gradativa das suas próprias descobertas é preciso que se atendam dois pontos essenciais: - a preparação dos professores - o apoio governamental, isso é, uma efetiva ação do Ministério da Educação e da Cultura. (REVERBEL, 1979, p. 155) É nítida a preocupação dos autores envolvidos com essa questão quanto ao comprometimento dos governantes quanto ao assunto, pois estão cientes que o estimulo promovido pelo uso do teatro como ferramenta pedagógica é imprescindível para que se possa atingir os objetivos que as novas metodologias que permeiam a educação exigem para formar o cidadão preparado para a sociedade, colocando em prática todo seu potencial que o teatro ajudou a exteriorizar. 14 Disponível em <http://www.senado.leg.br/atividade/rotinas/materia/getPDF.asp?t=177988&tp=1> (2015). Acesso em 01/11/2015). 15 Disponível em http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E- CULTURA/493165-CAMARA-APROVA-DANCA-E-TEATRO-COMO-DISCIPLINAS-OBRIGATORIAS- DA-EDUCACAO-BASICA.html (2015). Acesso em 01/11/2015. 31 2.3 TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA PERSPECTIVA PEDAGÓGICA. Para iniciar esta análise do teatro, no âmbito da Educação Infantil sob a perspectiva pedagógica, foi realizado amplo estudo baseado nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCN–EI), obviamente focando no que se refere às possibilidades com o teatro. Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia.O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. (BRASIL, 1998, p 22) Assim, nas séries iniciais do ensino fundamental, o ensino do teatro pode ser implementado a partir desta perspectiva de brincadeiras características de cada idade, através da diferenciação de papéis, no faz-de-conta, quando as crianças brincam como se fossem outras pessoas do seu cotidiano como o pai, a mãe, o filhinho, o médico, o paciente, heróis e vilões etc., imitando e recriando personagens observados ou imaginados nas suas vivências. Esse processo de fantasia e a imaginação são elementos fundamentais para que a criança aprenda mais sobre a relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro, e é nessas circunstâncias que o uso do teatro vem de encontro a estas aspirações das crianças sendo utilizado como práxis pedagógica. Segundo Brasil (1998), no faz-de-conta, as crianças representam e aprendem a agir em função da imagem de uma pessoa, de uma personagem, de um objeto e de situações, evocando emoções, sentimentos e significados vivenciados em outras circunstâncias. Nessa faixa etária, brincar funciona como um cenário no qual as crianças tornam-se capazes não só de imitar a vida como também de transformá-la. Os heróis, por exemplo, lutam contra seus inimigos, mas também podem ter filhos, cozinhar e ir ao circo, ou seja, total liberdade para imaginar e criar. No faz-de-conta, as crianças buscam imitar, imaginar, comunicar e representar que uma coisa pode ser outra, uma pessoa pode ser uma personagem, uma criança 32 pode ser um objeto ou um animal, que um lugar “faz-de-conta” que é outro. Brincar constitui-se, dessa forma, em uma atividade interna das crianças, baseada no desenvolvimento da imaginação e na interpretação da realidade, sem ser ilusão ou mentira. Também tornam-se autoras de seus papéis, escolhendo, elaborando e colocando em prática suas fantasias e conhecimentos, sem a intervenção direta do adulto, podendo pensar e solucionar problemas de forma livre das pressões situacionais da realidade imediata. (BRASIL, 1998, p 23) Constata-se assim, que ao utilizar o teatro, o professor tem um campo fértil e propício para o desenvolvimento das atividades pedagógicas propostas, inserindo os conteúdos de forma gradativa e sequencial, à medida que para as crianças elas estão apenas brincando e desempenhando papéis. Dentro desta proposta, inúmeras atividades podem ser desenvolvidas, de modo a propiciar a satisfação das crianças em sistematizar o conhecimento através de atividades prazerosas e interdisciplinares. Outro ponto positivo ao promover atividades do faz-de-conta é a constatação de que as crianças enriquecem sua identidade, ao experimentar outras formas de ser e pensar, ampliando suas concepções sobre as coisas e pessoas ao desempenhar vários papéis sociais ou personagens. Durante essas brincadeiras, as crianças promovem a elaboração e negociação de regras de convivência, representando sentimentos, emoções e construções humanas. Por meio da repetição de determinadas ações imaginadas que se baseiam nas polaridades presença/ausência, bom/mau, prazer/desprazer, passividade/ atividade, dentro/fora, grande/pequeno, feio/bonito etc., as crianças também podem internalizar e elaborar suas emoções e sentimentos, desenvolvendo um sentido próprio de moral e de justiça. ( BRASIL, 1998, p 23). Percebe-se assim, que o RCN-EI não se refere a implantação do teatro propriamente dito na educação infantil, mas indiretamente demonstra as vantagens de inclui-lo como práxis pedagógica enumerando as possibilidades a serem envolvidas nessa abordagem. Certamente, ao seguir o proposto nesses referenciais, o professor criativo será tentado a utilizar o teatro como recurso pedagógico muito útil para atingir os objetivos propostos nos CMEIs (Centro Municipal de Educação Infantil) e séries iniciais da educação infantil. Quando se refere a CMEIs a pergunta é: é possível trabalhar noções de teatro com crianças bem pequenas? A resposta é sim, mas exige muita 33 criatividade e conhecimento por parte do professor, que deve organizar situações de interação em que panos, fraldas ou anteparos como caixas e biombos possam ser utilizados para esconder o rosto ou o corpo todo da criança e do parceiro, num jogo de esconder e aparecer, pois nessa faixa etária, o faz-de-conta é baseado principalmente da imitação. Podem ser realizadas atividades em que as crianças imitem ações representando diferentes pessoas, personagens ou animais, reproduzindo ambientes como casinha, trem, posto de gasolina, fazenda etc. O principal é sempre promover a interação entre as crianças compartilhando um mesmo objeto, tal como empurrar o berço como se fosse um meio de transporte, levar bonecas para passear ou dar de mamar, cuidar de cachorrinhos etc. Assim, a representação que é a essência do teatro está permeando as atividades pedagógicas, contribuindo para o crescimento social e educacional dessas crianças. Figura 8 – Teatro na Educação Infantil Fonte: http://www.portaldecanoinhas.com.br/noticias/7912 RCN-EF sugere como subsídio para facilitar o trabalho do professor ao implantar o teatro como práxis, adotar o faz-de-conta na prática cotidiana das crianças da educação infantil. A ideia é organizar na sala um espaço separado por uma cortina, no qual as crianças poderão se esconder, fantasiar-se, brincar de casinha, construir. Nesse espaço estarão disponíveis diversos materiais sugestivos como panos coloridos, cordas, caixas de papelão, espelho, um baú de objetos, brinquedos e roupas ou fantasias. A representação será o eixo norteador para a 34 aprendizagem, podendo o professor implantar desde a alfabetização, conhecimento de cores, formas geográficas, tudo explorando as possibilidades do teatro. Aliás, no que se refere ao “aprender brincando”, autores renomados como Olga Reverbel (1979) defendem o teatro como a arte de manipular os problemas humanos, expondo-os e equacionando-os. Para ela, o teatro tem a função educativa nata, e o processo de aprendizagem ocorre através da diversão, culminando no desenvolvimento emocional, intelectual e moral da criança, ao adequar-se aos seus desejos e anseios e proporcionando a descoberta de suas próprias experiências e descobertas. Ao desenvolver a auto expressão, permite o desenvolvimento global das potencialidades da criança. Nesse sentido a diversão é de suma importância pois ao imitar a realidade brincando a criança aprofunda a descoberta e isso é subsidio imprescindível para o processo de eclosão da personalidade e do imaginário que constitui uma forma de expressão privilegiada da criança. A criança tem a necessidade de brincar, jogar, pensar, comparar, compreender, perceber, sentir, desenvolver e conhecer seu espaço, descobrindo o mundo e integrando-se com o meio à medida que constrói o conhecimento e concretiza-se a socialização. Sob esta perspectiva o teatro no contexto da educação possui a função de mobilização global das capacidades criadoras e o aprimoramento da relação vital da criança com o mundo casual, pois as atividades dramáticas trabalhadas através do teatro, liberam a criatividade e humanizam a criança, à medida que ela é capaz de aplicar e integrar o conhecimento adquirido nas demais disciplinas da escola e, especialmente, na vida, implicando no desenvolvimento gradual nas áreas cognitiva e afetiva do ser humano. Nosso objetivo na escola não é ter um aluno-autor, um aluno-pintor ou um aluno compositor,mas sim dar oportunidades a cada um de descobrir o mundo, a si próprio e a importância da arte na vida humana. (REVERBEL, 1989). Ao trabalhar com o teatro em sala de aula, o professor deve estar ciente que teatro é instrução, mas possui múltiplas manifestações. O teatro tem a função de prazer, alegria, algo que é agradável. Não deve passar a impressão de algo direcionado a regras de conduta, mas oportunidade de imitar, de realizar, transformar-se e transformar. A criança deve ter prazer em participar da construção de cenários, figurinos, enfim, seguindo a essência do teatro na escola que é aprender brincando. O trabalho cenográfico, pela sua complexidade, permite o 35 desenvolvimento do pensamento reflexivo sobre a obra ou história encenada, podendo o professor trabalhar perfeitamente a interdisciplinaridade ao criar com as crianças o cenário representando o lugar onde será realizada a cena: lugar geográfico e social, época histórica, estações do ano, horários, condições meteorológicas... assim, através desse contexto de construção do cenário, a criança para a entender os acontecimentos que permearão a cena. Ao interpretar ela dará vida a palavras que se revestirão de significado e possuirão funções variadas, conforme o gênero abordado, seja ele dramático, literário ou outro. Ao observar depoimentos de professores que afirmam estar implantando o teatro como práxis pedagógica, o que se constata é que muitas vezes o que está sendo feito é a utilização do teatro como forma de “lição de moral” e não de divertimento ou aprendizagem num contexto mais amplo. Ainda predomina a ideia que tudo o que permeia o processo de educação da criança deve ter algum ensinamento, imposição de valor moral e ético. Dessa forma, o que se observa é que no teatro reproduzem-se peças que ao invés de divertir ou promover a espontaneidade das crianças, tornam-se um simples repasse de valores considerados importantes para a sociedade, como respeitar os mais velhos, estudar, ser educado, etc. Um exemplo disso foi observado no “Dia da Família” promovido por uma escola de séries iniciais do ensino fundamental situada num município do interior do Paraná, que para preservar a identidade dos envolvidos será tratada aqui como MM. A direção juntamente com os professores promove sempre no mês de setembro, um dia onde os alunos fazem apresentações artísticas, muitas vezes peças de teatro as quais são idealizadas e ensaiadas pelos educadores. Um desses eventos foi observado e analisado como subsidio para este trabalho. Não obstante a presença maciça dos familiares e a animação das crianças, o que se constatou foram longas e repetidas histórias baseadas em lição de moral, conscientizando os pais a valorizar os filhos e os filhos a obedecer aos pais. Atividades que já não eram novidade há duas décadas. Percebe-se assim, que o teatro ainda não está sendo explorado em todo o seu potencial que pode ser oferecido ás crianças, limitando-se a meras imitações quase que robóticas, muitas vezes esquecendo-se do desenvolvimento da criança, seja intelectual, cognitivo, até mesmo o seu desenvolvimento corporal. Esta visão arcaica que ainda permanece, talvez seja provocada pela 36 falta de políticas educacionais que promovam a formação continuada dos docentes, adaptando-os para os novos conceitos e exigências que a nova metodologia educacional exige. As crianças cada vez mais estão interagindo com a farta tecnologia disponível na atualidade, e as atividades oferecidas na escola devem ser dinâmicas e inovadoras para competir com o mundo digital e despertar o interesse da criança. O teatro vem de encontro a esta necessidade, quando bem utilizado pelo professor, pois além de oferecer algo diferente e atraente para o aluno, promove a criatividade e serve como válvula de escape para crianças com a “síndrome do pensamento acelerado”16, um mal que atinge praticamente todas as crianças da sociedade atual, viciadas nos meios que a tecnologia oferece, seja celular, jogos, computador e similares. Esse tipo de atividade a medida que torna o brinca cada vez mais individualizado, formando indivíduos fechados em si mesmo, sem capacidade de interação, refletindo negativamente no comportamento social e emocional. Nós estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância. Nossas crianças estão realizando um trabalho intelectual escravo legalizado, são colocadas em mil cursos mais televisão, internet, celular, smartphone. Elas não têm tempo de desenvolver o processo de elaboração, de experimentar- se nas dificuldades, não têm tempo para a arte da contemplação, capacidade de estruturar-se, trabalhar as perdas e frustrações. Com certeza, a melhor época para formar as funções da inteligência socioemocional está sendo perdida, e a infância perdida gera consequências graves. (Cury, 2015)17 Nesta perspectiva, diversos autores fizeram estudos e publicaram obras visando oferecer subsídios para os professores para utilizar o teatro como ferramenta pedagógica, ao tempo em que resgata antigas brincadeiras que promovam a interação entre as crianças e o seu desenvolvimento, promovendo o processo chamado de “desaceleração” e a consequente oportunidade para as crianças vivenciarem as experiências recomendadas para cada faixa etária. Essas 16 Augusto Cury, psiquiatra e cientista da mente fala em seu livro Nunca desista de seus Sonhos, Ed. Sextante, p.120, da SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado) cujos sintomas são mente agitada, sofrimento por antecipação, sobrecarga do córtex cerebral, fadiga excessiva, déficit de concentração, esquecimento, irritabilidade, dificuldade de contemplar o belo nos pequenos estímulos da rotina, sintomas psicossomáticos, etc. Os reflexos dessa síndrome em sala de aula são crianças e jovens que não conseguem se concentrar, tem conversas paralelas e tumultuam o ambiente. A SPA é decorrente do aumento exagerado da construção de pensamentos gerado pelo excesso de informações, do excesso de estímulo da TV e outros meios. (N.T.) 17 Disponível em http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida- urbana/2015/05/05/interna_vidaurbana,574737/para-livrar-as-criancas-do-pensamento- acelerado.shtml. Acesso em 01/10/2015. 37 sugestões podem ser encontradas fartamente na rede mundial de computadores que atualmente é uma fonte riquíssima de pesquisa, trazendo conteúdos de renomados autores e ainda, vasto material copiado de documentos físicos (e-books) disponível para download, materiais estes que a maioria das pessoas não teria acesso se dependesse de adquirir o documento físico ou procurar numa biblioteca. Um destes autores merece destaque pela sua importância nessa questão é a autora e diretora de teatro Viola Spolin18. Autora a frente do seu tempo, escreveu diversas obras ainda muito utilizadas pelas escolas e educadores do mundo todo, inclusive no Brasil. Sua perspectiva quanto ao teatro na educação é inovador e constitui-se de conteúdos importantíssimos para o êxito da implantação do teatro como práxis pedagógica. Todas as pessoas são capazes de improvisar. [...] Aprendemos através da experiência, e ninguém ensina nada a ninguém. Isto é válido tanto para a criança que se movimenta inicialmente chutando o ar, engatinhando e depois andando, como para o cientista em suas equações. Se o ambiente permitir, pode-se aprender qualquer coisa, e se o indivíduo permitir, o ambiente lhe ensinará tudo o que ele tem para ensinar. (SPOLIN, 2006, p.3) Spolin (2006) defende que se criança for incentivada a externar suas emoções, seu potencial artístico através da representação, isso consequentemente implicará em aprendizagem. Em suas obras, ela enaltece a aprendizagem através de Jogos Teatrais, apresentando diversas sugestões para os professores utilizarem como subsídio, justificando a importância desta práxis para a formação integral da criança. Na literatura de Spolinhá uma preocupação em mostrar que os jogos teatrais, direcionados por ela para o ambiente da sala de aula19, não são meros “passatempos do currículo”, pois por meio deles é possível abordar conteúdos interdisciplinares. Sua aplicação não se restringe a esta possibilidade e a extensão do ato de “brincar”, conceito este que permeia quase toda a obra da autora é baseada nos princípios que ela julga fundamentais para o processo de aprendizagem através do teatro: a liberdade, a intuição e a transformação. 18 Viola Spolin é considerada a avó norte-americana do teatro improvisacional. Spolin sistematiza os Jogos Teatrais, metodologia de atuação e conhecimento da prática teatral, que está presente em todos os fundamentos da atual comédia norte-americana, inclusive no Stand-up comedy. (N.T.) 19Os Jogos teatrais vêm sendo objeto de várias publicações e pesquisas brasileiras, realizadas principalmente em nível de pós-graduação em Artes. Os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem 38 Percebe-se assim, que a discussão envolvendo a contribuição do teatro-infantil no desenvolvimento da criança e como as escolas devem concretizar a efetiva implantação no sentido de ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades, tanto na perspectiva artística como pedagógica, é ampla e certamente será tema de muitos futuros trabalhos de pesquisa e análise. O campo de trabalho envolvendo essa problemática é extenso e abrangente pois ao implantar o teatro como práxis pedagógica, já na Educação Infantil, o professor estará levando seus alunos a desenvolver seu potencial de expressão e comunicação, favorecendo a produção coletiva de conhecimento da cultura, seja ele sob a ótica do valor estético ou educativo. O teatro precisa ser levado à sala de aula como arte, assumindo o seu papel como obra de arte. Através dele, a criança vai se deparar com uma das mais antigas manifestações culturais, e diante dessa manifestação cultural, aprenderá e verá que o teatro discute sempre as questões existenciais do homem no mundo. É dentro dessa perspectiva que o teatro tem a sua função estética, catártica, questionadora, transformadora, política e social – uma obra de arte enquanto atividade artística que expressa o homem e os seus sentimentos. (ARCOVERDE, P.608) Assim, é imprescindível que o professor, tenha plena ciência da importância que o teatro tem na formação e no desenvolvimento da criança, considerando-a como um ser que pensa, sente e faz. É preciso levar em conta todos os aspectos, seja pedagógico, artístico, assistido ou encenado, pois de todas as formas e aspectos, o teatro auxilia a criança no seu crescimento cultural e na sua formação como indivíduo. Em suma, a escola é um espaço de conhecimento e aprendizagem, e todas as disciplinas e conteúdos em especial o teatro, passam a ser fundamentais para o desenvolvimento perceptivo da criança. Segundo Gripp (1990), o teatro contribui para o crescimento pessoal de cada um, mobilizando inclusive as famílias nesta experiência alternativa, trabalhando nos alunos a motricidade, a expressão corporal e a socialização do grupo, além da proximidade com o trabalho em relação com os indivíduos da família que acompanhavam as atividades. Obviamente que a abordagem do teatro como conteúdo integrante no dia a dia escolar e da práxis pedagógica, exige muito estudo e preparo por parte do professor, e principalmente apoio da direção e equipe pedagógica, em todos os indicadores para sua utilização em sala de aula. 39 aspectos, seja de compreensão e subsídios de informação para a realização das aulas, seja na parte financeira para aquisição de materiais e adereços que certamente serão fundamentais para o sucesso do processo de aprendizagem. Imprescindível também que os dirigentes de setores, sejam eles a nível municipal ou estadual, estejam conscientes da importância dessa iniciativa, pois a medida que novas ideias vão sendo implantadas é de imensurável importância que todos os envolvidos estejam cientes de sua responsabilidade frente ao projeto, seja diretamente ou indiretamente e aqui deve-se citar sem dúvida, o papel da família, em especial dos pais, que devem estar envolvidos ou no mínimo informados do que vem ocorrendo na escola do filho, e assim, possam dar sua contribuição, fundamental para que a criança realmente usufrua plenamente de todas as vantagens que o teatro pode oferecer para o seu crescimento global, seja acontecendo dentro da sala de aula, em casa nas brincadeiras infantis, ou a nível profissional quando é oportunizado e acessível. 2.3.1 Aula de Teatro como atividade extracurricular para crianças Uma opção disponível em muitas cidades, são as aulas de teatro extracurriculares, que certamente contribuem muito para o desenvolvimento da criança em todos os sentidos, em especial na formação da personalidade. Além de promover o autoconhecimento e desenvolver a autoconfiança, essa atividade faz com que a criança tenha uma percepção melhor do mundo. Obviamente estes conceitos deveriam fazer parte do cotidiano escolar, mas como isso muitas vezes não acontece na prática, a aula de teatro extracurricular vem de encontro a este anseio. Muitas escolas de maior porte já oferecem esta opção à parte. E em algumas cidades são oferecidas oficinas de teatro com o mesmo intuito. Chain (2014) analisa depoimentos de psicólogos, professores de artes e coordenadores de casas de teatro e a partir deste contexto enumera 10 importantes motivos para a criança fazer aulas de teatro. Estes motivos abaixo elencados certamente podem ser considerados muito úteis tanto no contexto escolar como extracurricular: 1. Aumenta autoestima: Ser aplaudido é uma situação perfeita que traduz o sentimento de bem-estar que envolve os praticantes da arte teatral. Isso se 40 reflete na autoestima da criança, à medida que ela faz parte de um trabalho que é apreciado pelas pessoas. A criança fica contente em representar e sentir-se importante, refletindo na autoafirmação, auto estima e sentimento de valorização. Quando a criança é convidada a expor suas próprias ideias que serão transformadas em comunicação artística, ela fica mais segura e confiante. 2. Melhora a timidez: Se a criança é tímida e sente-se constrangida ao falar diante de muitas pessoas, como na exposição de um trabalho escolar, o teatro pode ajudá-la a libertar-se e sentir-se mais segura. Quando estão representando personagens, as crianças perdem a timidez porque a sensação é que não estão sendo julgadas. Os exercícios de aquecimento vocal melhoram a impostação da voz e proporcionam confiança para falar em público. 3. Aprimora habilidade de relacionar-se com os outros: Ao exercer a ação de representar a criança precisa tentar entender como o personagem pensa e o que sente. Esse exercício de imaginação reflete-se no desenvolvimento da empatia, habilidade imprescindível para o relacionamento social. A medida que desenvolve essa compreensão do outro, a criança aprende a tolerar as diferenças e a respeitar os outros indivíduos. Outro aspecto é que por ser uma atividade coletiva, na atividade teatral a criança precisa aprender a se relacionar com diversas pessoas, inclusive aquelas com quem não tem afinidade. Este exercício promove a integração facilitando o convívio com colegas e familiares. 4. Faz com que a criança se conheça mais: O teatro auxilia no processo de conhecer o outro, o que ajuda a criança a conhecer a si mesma, definindo sua identidade, pois possibilita a elaboração interna de questões pessoais e coletivas através da metáfora, da poesia, do lúdico, do criativo. Mesmo sem perceber, as crianças manifestam suas inquietações através do trabalho teatral, deixando-as mais serenas. 5. Desenvolve consciência corporal e coordenação motora: o teatro oferece ampla opção de exercícios visando estimular a percepção dos sentidos, comodançar de olhos vendados. Por consequência a criança desenvolve melhor coordenação motora, percepção espacial e consciência de seu corpo, e ampliação de sua habilidade de expressão. 6. Ensina a trabalhar em grupo: Como atividade coletiva, o teatro aprimora a convivência em grupo, à medida que a criança percebe que o sucesso de todos depende do trabalho individual. Diante disso, ela descobre que é importante 41 aprender a lidar com os colegas, saber expor ideias e críticas e a respeitar a opinião dos outros. Além disso, ao participar da encenação de uma peça de teatro aprenderá que isso exige comprometimento, dedicação e responsabilidade ao participar dos ensaios por exemplo, percebendo que deve ser pontual, pois seu atraso atrapalha o progresso de todo grupo. 7. Desenvolve habilidades cognitivas como memória e raciocínio: Sabe-se que o teatro é uma arte multidisciplinar, pois envolve literatura, artes plásticas, música, dança, entre outros, portanto a prática proporciona o desenvolvimento de diferentes habilidades. Ao realizar uma atividade de montagem teatral, será explorada a criatividade montando o cenário, desenhando o figurino, compondo músicas e escrevendo peças. As crianças ainda terão que refletir e discutir sobre as escolhas na construção do espetáculo e isso envolve a criatividade e o raciocínio para a solução de problemas. Para encenar uma peça é preciso lembrar-se de um monte de coisas: sua fala, sua posição em cena, a ordem de entrada no palco. Para não errar [...] vai se esforçar para não esquecer nadinha. O cérebro agradece o exercício e retribuirá com uma memória mais eficiente. (CHAN, 2014) Percebe-se assim, que o desenvolvimento do raciocínio lógico, a disciplina, e a autoconfiança são contribuições do teatro para as crianças. 8. Expande o repertório cultural: Ao fazer aulas de teatro, consequentemente a criança passa a fazer parte do mundo das artes. O conteúdo abordado a aproxima da literatura, enquanto que a trilha sonora a leva para a conhecer mais sobre música. Há ainda o envolvimento com os figurinos, com a construção de cenários que promovem o conhecimento sobre arquitetura e artes plásticas. A consequência disso é a expansão do horizonte cultural da criança e a natural vontade de conhecer mais. Isso certamente se refletirá positivamente no comportamento da criança a medida que essa curiosidade a levará a estudar mais, querer viajar, contar histórias, ou seja, afastando-a do individualismo que muitas crianças estão bitoladas devido à falta de atividades extracurriculares. 9. Melhora desempenho escolar: Sabe-se que os benefícios do teatro se refletem também em sala de aula, à medida que a capacidade de concentração e o exercício de memorização serão muito uteis na hora da prova e na assimilação e compreensão dos conteúdos. Ressalta-se ainda a relação direta com a literatura que promove o melhoramento do vocabulário, da escrita e interpretação 42 de textos. Além disso, a criança desenvolve o espírito investigativo e curioso, ao buscar soluções criativas para os jogos teatrais propostos. A criança percebe que tem potencial para solucionar os problemas e aceitar as sugestões dos colegas, aprendendo com eles e promovendo interação com o diverso. 10. Propicia o fazer poético: Além das habilidades descritas nos itens anteriores, consequências da prática teatral, soma-se a importância do próprio fazer teatro, que promove o desenvolvimento do imaginário das crianças, recriando mundos e relações. A montagem teatral promove o diálogo da criança com o contexto em que vive, propiciando uma autonomia que a estimula para a expressão artística. 2.3.2 Teatro no âmbito da Educação Inclusiva A Educação Inclusiva conquista seu espaço a cada dia nas salas de aula e o teatro vem de encontro a esta proposta pedagógica, a medida que oferece uma gama infinita de oportunidades para promover esta inclusão, ao permitir a socialização entre alunos e professores e entre os próprios alunos, proporcionando a todos um aprendizado significativo, já que cada criança participa das etapas da representação teatral e a compreensão de cada atividade fica mais simples através da dramatização. O teatro aparece como uma possibilidade de acesso e potencialidade da criança com necessidades educativas especiais, pois é inerente à arte a liberdade e a autoria da criação e expressão. Pode-se afirmar que o teatro seria uma disciplina “por natureza interdisciplinar e inclusiva, porque nela não há limites e nem regras a serem seguidas com rigor científico e, nisso, há uma possibilidade de expressão que extrapola os padrões convencionais de aprendizagem” (TAMIOZZO, 2012. p,23). No caso de Crianças Surdas, elas têm a possibilidade de utilizar as expressões faciais e corporais, somadas aos sinais em LIBRAS, como requisitos essenciais para a comunicação com surdos e ou ouvintes. Entretanto o trabalho coletivo sempre é imprescindível para resultados satisfatórios e cabe aos professores serem os autores das conquistas destas crianças, pesquisando, 43 analisando, inovando e buscando sempre o melhor desenvolvimento para os seus alunos, principalmente se apresentarem necessidades especiais. A criança quando está no palco, está no centro das atenções e se sente incluída em meio a todas as pessoas que estão ao seu redor. Quando é portadora de necessidades especiais, esse significado é ainda mais amplo, pois ao representar ela está em igualdade com as demais, todas são personagens. Sentindo-se uma criança como qualquer outra, com qualidades e defeitos, esquecendo-se completamente de suas limitações. Através da representação as crianças especiais fortalecem sua autoestima e passam a viver mais integrada à sociedade. No teatro, a criança, com deficiência ou não, tem a oportunidade de exercer o papel de ator, criador, diretor, espectador e crítico, ou seja, quando ele assume todos esses papéis na apresentação de um teatro, sente-se completo, consegue mudar as situações que o deixam desconfortável, juntamente com os colegas sejam eles com necessidades especiais ou não. Em suma, a criança sente- se satisfeita e útil por contribuir com melhorias durante a montagem e a apresentação da peça. O trabalho de teatro na escola deve ser “vivo”, buscando o auto- conhecimento, já que para representar “os outros” devo antes conhecer minhas limitações e possibilidades; fortalecer a autoconfiança, quebrando bloqueios e inibições. O contato com canções, poesias, contos, história, dramaturgia, fatos da atualidade e do cotidiano, os quais representamos, permitem dar vida e sentido às suas personagens. (OLIVEIRA, 2005. p. 25). Pode-se constatar que o teatro é uma linguagem artística permeada de potencialidade autotransformadora que permite a transformação social, face a amplitude das questões por ela contempladas. É perceptível que as atividades das aulas de teatro para sujeitos com deficiência exigem a mobilização da atenção, memória, percepção espacial e corporal, expressividade, criatividade e imaginação, dentro dos seus limites. Figura 09 - Teatro Especial 44 Fonte: http://educacaoespecialediversidade.blogspot.com.br/ Certamente, o teatro traz contribuições notáveis neste aspecto educacional: a Inclusão de crianças com deficiência no ambiente escolar. A medida que oferece oportunidades em igualdade de condições a todos os envolvidos no processo. Por ter essa característica básica de ser baseado na imaginação e na representação, o teatro abre as portas a todos, acolhe e é adaptável a todas as realidades, sendo instrumento de imensurável importância para o processo de aprendizagem, inclusão, crescimento e desenvolvimento em todos os sentidos. O ensino de teatro, como disciplina essencialmente inclusiva, oferece a experiência de criar e se arriscar, contribuindo para autonomia dos sujeitos. Desta forma, não importaquais metodologias sejam aplicadas em sala, pois o processo de inclusão vai depender de como o professor trabalh. Pois de nada serve eleger uma metodologia de ensino de teatro inclusiva para pessoas com deficiência se o professor não está preparado ou se a escola não está pronta para receber esses sujeitos. (OMAR, 2015, p. 8) Assim, pode-se afirmar sem dúvidas, que o teatro é a opção multidisciplinar que mais oferece oportunidades de adaptação e inclusão, trazendo benefícios que se estendem muito além das apresentações e representações, pois refletem-se no cotidiano dessas crianças através da sua interação com amigos e família, mas como qualquer outra inovação depende de comprometimento criança- família-escola para o êxito do processo. 45 2.4 SUGESTÃO DE ATIVIDADES: TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL A intenção deste trabalho, ao apresentar sugestões de atividades, é inovar ao fugir do tradicional “teatro de dia dos pais, das mães e similares”. O intuito foi selecionar após ampla pesquisa, atividades que se destinem a subsidiar o trabalho do professor em suas iniciativas de utilizar o teatro como práxis pedagógica com as crianças da educação infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. Nesse sentido foram destacadas duas fontes confiáveis que a seguir serão abordadas: sugestões extraídas do site “Portal do Professor” e outras extraídas da renomada autora Viola. As sugestões de atividades a seguir, foram extraídas do livro “Jogos teatrais na sala de aula, de Viola Spolin. 2.4.1 Eu vou Para a Lua 20 Objetivo: Desenvolver memória e observação. Foco: Em lembrar de uma série em sequência. Descrição: Grupos de dez a doze jogadores formam um círculo. Parte 1: (o jogo tradicional Eu Vou para a Lua(: O primeiro jogador diz: “Quando eu for à Luz vou levar um baú (ou qualquer outro objeto)”. O segundo jogador diz: “ Quando eu for à Lua, vou levar um baú e uma caixa de chapéu”. O terceiro jogador repete a frase até este ponto e acrescenta algo novo. Cada jogador repete a frase na sequência correta e acrescenta algo. Se um jogador errar a sequencia ou esquecer algum item, ele sai do jogo. O jogo prossegue até que reste apenas um jogador. Parte 2: A mesma estrutura do jogo acima (com uma nova série de objetos, se for desejado), porém, agora cada jogador realiza uma ação com o objeto. O próximo jogador repete as ações do primeiro e acrescenta uma nova. Dessa forma, o jogador pode, por exemplo, vestir sapatos e tocar flauta. Cada jogador repete, na ordem, 46 tudo aquilo que precedeu e acrescenta novas ações. Parte 3: O mesmo time joga novamente da mesma forma como na parte 1, mas com uma nova série de objetos. Dessa vez, no entanto, os jogadores tomam o tempo para ver cada objeto enquanto estão ouvindo. Notas: 1. Na parte 1, o jogador poderá sempre lembrar-se de todos os objetos ou ações na série, mas inacreditavelmente irá esquecer o último objeto mencionado. Esse jogador terá provavelmente se desligado do último jogador na ordem para planejar previamente o objeto a ser acrescentado. 2. Contudo, quando os objetos são mostrados por meio de ações, os jogadores raramente esquecem o objeto anterior. Repetir a parte 1 enquanto se “ve” os objetos mencionados facilitam a lembrança. 2.4.2 Jogo de Observação 21 Objetivo: Melhorar a memória. Foco: Em observar atentamente uma série de objetos. Descrição: Qualquer número de jogadores. Uma dúzia ou mais de objetos reais são colocados em uma bandeja, que é colocada no centro do círculo de jogadores. Depois de dez ou quinze minutos, a bandeja é coberta ou removida. Os jogadores escrevem listas individuais, mencionando quantos objetos forem possíveis lembrar. As listas são, então, comparadas com a bandeja de objetos. Notas: 1. Dependendo da idade do grupo, acrescente ou diminua o número de objetos a serem descritos. 2. Naturalmente, este jogo também é útil para desenvolver habilidades de estudo. 2.4.3 Tela de Televisão 22 Objetivo: Para a plateia – introduzir os alunos as convenções da televisão. Foco: Para os jogadores – na agilidade na troca de personagens, figurinos e conteúdo. 20 SPOLIN, Viola. Jogos teatrais em sala de aula. Jogos sensoriais. P 101. 21 SPOLIN, Viola. Jogos teatrais em sala de aula. Jogos sensoriais. P104 22 SPOLIN, Viola. Jogos teatrais em sala de aula. Jogos sensoriais. P. 210 47 Descrição: Faça uma abertura grande em uma caixa de papelão ou construa uma tela de TV enorme dentro da qual os atuantes possam trabalhar. Organize uma vara com figurinos e uma mesa com adereços. Um grupo será composto de atuantes e o outro será a família (plateia). Os atuantes vão para detrás da tela. Os membros da família permanecem sentados em uma “sala”, olhando para a tela, em torno da qual se reuniram. Cada membro da família enuncia o seu programa preferido, vai até a tela de TV e “liga o botão”. Os atuantes devem mostrar o programa escolhido. Este jogo pode tornar-se mais divertido (e mais difícil) se os membros da família sussurrarem o nome do programa para os atores e o resto da família for obrigado a adivinhar qual é o programa. A família pode “mudar de canal” ou pedir um novo programa a qualquer momento. Os atuantes nunca sabem quando vão sair de cena. Notas. 1. A parte técnica deve ser muito bem organizada de forma que os atores de TV possam utilizar seus figurinos e adereços. 2. Depois de um tempo, troque os grupos para que todos os atuantes tenham a oportunidade de ser tanto atores como família. 3. As cenas, em sua maior parte, estarão centradas em momentos de programas de TV correntes. 4. O maior valor deste jogo é dar continuidade às discussões que aparecem a partir das questões de avaliação. Avaliação: Platéia, como os autores fizeram com que vocês soubessem qual programa estavam assistindo? Eles mostraram quem eles eram com o corpo todo? Vocês conseguiram ver mais do que o rosto dos atores? Como aparece a maior parte das pessoas na tela? Como eles mortraram onde estavam? O horário do dia? O tempo? Você sabe a hora do dia e a temperatura em um programa de TV? Jogadores, vocês se sentiram intimidados pelo tamanho da tela? Em qual parte do corpo estava o seu foco? 48 As sugestões de atividades a seguir descritas, foram extraídas do site “Portal do Professor”23. 2.4.4 Teatro de Sombras 24 Autor e Coautor (es) Autor: Elba Rosa Cavalcante de Vasconcelos NATAL - RN NUCLEO EDUCACIONAL INFANTIL - NEI Coautor(es): Maria da Conceição de Oliveira Andrade ESTRUTURA CURRICULAR Modalidade / nível de ensino Componente curricular Tema Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Gêneros de texto Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de produção de textos Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como produto histórico-cultural Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de leitura Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação DADOS DA AULA O que o aluno poderá aprender com esta aula Conhecer a história do teatro de sombra. Identificar obras artísticas em diferentes acervos. Vivenciar uma apresentação teatral. Duração das atividades 3 aulas com duração de 40/50 minutos; Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: História do Teatro. 23 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/buscarAulas.html. 24 Fonte: Portal do Professor. (18/11/2014). Disponível em <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=20264>. Acesso em out 2015. 49 Estratégias e recursos da aula ATIVIDADE 1: O professor deve organizar uma exibição de vídeos para que os alunos possam apreciar o teatro de sombras. Após a apreciação dos vídeos o professor inicia uma conversa sobre o que assistiram. Depois, orienta os alunos a escreverem e desenharem o que chamou maissua atenção. Sugestão de vídeos: A Lenda do Teatro de Sombra. Disponível em http://www.youtube.com/user/Artebrincante#p/a/u/2/QXMlVgNquNs O professor deve pesquisar informações sobre a origem do teatro de sombras para contextualizar com a leitura de um texto. O professor ler para a turma o texto disponível no endereço: http://www.lenderbook.com/sombras/index.asp ATIVIDADE 2: O professor irá propor a turma a leitura de parlendas, ditos populares. Com esses textos desenvolver uma dinâmica na qual as crianças irão fazer mímicas para os colegas descobrirem o que estão representando. Depois o professor sugere a mesma brincadeira usando as mãos. Para esse momento o professor monta o palco com um lençol/cortina branco(a). As crianças que irão representar ficarão atrás do palco e o professor acenderá uma lanterna por trás delas para dá o efeito de luz e sombra. O professor poderá propor outra forma de fazer o teatro utilizando o datashow para projetar as sombras. Segue algumas parlendas: Figura 10 – Exemplo de Parlenda. Fonte: www.suapesquisa.com/.../parlendas.htm 50 Figura 11 – Exemplo de Parlenda. Fonte: http://www.pedagogia.com.br/atividade.php?id=58 ATIVIDADE 3 O professor propõe a montagem de um teatro de sombras. As crianças deverão criar coletivamente um texto. O professor deverá lembrar as crianças de pensar no cenário, nos personagens e nas ações. Assim, elas terão elementos para fazer os movimentos dos personagens. Depois, as crianças desenharão os personagens e o cenário em cartolina guache. Elas deverão recortar e colar em palito de picolé ou churrasco. Sugestão para montar um teatro TEATRO DE SOMBRAS 25 Você vai precisar de: - caixa de papelão - 1 folha grande de papel transparente 25 Fonte:http://plimplimhistorias.blogspot.com/2009/02/teatro-de-sombras.html. 51 - cartolina ou papelão - 1 lanterna - 1 tesoura sem ponta - varetas finas de madeira - cola ou fita adesiva - pincel Como fazer: - Tire o fundo da caixa, a tampa e o lado de trás. Faça um recorte no formato de uma tela de TV, na frente da caixa. - Recorte e cole quadradinhos de papelão e pinte a caixa com cores escuras para não vazar luz. Depois cole a folha de papel fino, por trás, tapando o buraco da frente. - Agora, faça duas aberturas de 15cm nos dois lados da caixa. Para contar a sua história, recorte seus personagens em cartolina e cole na vareta com a fita adesiva. É só passar pelo buraco com as suas “sombras”, acender a lanterna por trás de tudo para as sombras aparecerem e fazer a sua apresentação! ATIVIDADE 4 Cada grupo irá apresentar o teatro de sombra que criaram. O Professor providencia um teatrinho de caixa/madeira ou lençol branco e lanterna. As crianças irão se organizar em dois grupos: apresentadores e plateia. Depois, as crianças que apresentaram o teatro irão sentar e o outro grupo irá fazer a sua apresentação. Combine com as crianças de fazer em outro dia uma apresentação para as turmas da escola. Exponha o texto de cada grupo e fotos da apresentação no mural da escola, socializando os trabalhos das crianças. Sugestão: O professor poderá propor uma visita ao teatro ou convidar algum grupo, artista de teatro de sombra para fazer uma apresentação na escola. Após essa atividade os alunos irão fazer o registro através do desenho e escrita. Recursos Complementares Sugestão de links para pesquisa: www.canalkids.com.br/arte/teatro/sombras.htm http://plimplimhistorias.blogspot.com/2009/02/teatro-de-sombras.html 52 Avaliação: O professor deverá considerar a participação, contribuição na elaboração da escrita do texto e colaboração do aluno na organização do teatro de sombras. 2.4.5 Contos de fadas: histórias atrapalhadas 26 Autor e Coautor(es) Autor: PRISCILA GERVASIO TEIXEIRA (Uberlândia/MG Esc Educação Básica) Coautor(es): Ana Maria Ferola da Silva Nunes, Eliana Aparecida Carleto, Luciana Soares Muniz e Mariane Éllen da Silva ESTRUTURA CURRICULAR Modalidade / Nível De Ensino Componente Curricular Tema Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação Ensino Fundamental Inicial História Localidade Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Papel da interação entre alunos Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura Ensino Fundamental Inicial Ética Diálogo DADOS DA AULA O que o aluno poderá aprender com esta aula • Ouvir histórias lidas e ou contadas pelo professor, de forma interativa, interpretando-as. • Ampliar o vocabulário. • Identificar vários contos de fadas, através de imagens. • Reconhecer as características próprias de cada história. • Criar, oralmente e ou por escrito, histórias completas ou outros inícios, desdobramentos e finais para as histórias apresentadas pelo professor. 26 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31308 . (2011) Acesso em out 2015. 53 • Reconhecer quantidades. • Realizar trabalhos artísticos (desenhos e apresentações teatrais) utilizando os conteúdos das histórias. • Utilizar os recursos existentes no computador, visando construir conhecimentos novos relativos ao tema da aula. Duração das atividades Aproximadamente 300 minutos –5 atividades de 60 minutos cada uma. Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno Para a realização desta aula é necessário que já tenham sido trabalhadas com os alunos várias histórias lidas ou contadas e que os mesmos saibam utilizar recursos de edição básica de figuras no computador. Estratégias e recursos da aula 1ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. RODA DE CONVERSA Professor, utilize o espaço da “rodinha” para motivar os alunos, para isso organize-os em um círculo, afaste as carteiras da sala de aula, assim o espaço será suficiente para que todos possam assentar um ao lado do outro. Neste momento, leve um baú cheio de livros de histórias infantis, por exemplo: Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, João e Maria, Cinderela, O Gato de Botas, A Bela Adormecida, dentre outras. Questione os alunos: 1) Quais histórias conhecem? 2) De qual mais gostam? 3) Por quê? Professor, deixe os alunos manusearem os livros de histórias dentro do baú. Depois, leia a história: “Uma História Atrapalhada”, os alunos deverão acompanhar a contação por meio do computador/ internet no seguinte endereço: http://silviarpc.blogspot.com/2011/04/conto-de-fadas.html Professor, faça intervenções quando necessário, por meio de questionamentos sobre cada etapa vivenciada, instrua os alunos que têm dúvida 54 sobre a utilização da ferramenta de trabalho (Mozilla Firefox). Após a contação da história faça questionamentos: 1) O que vocês acharam do convite feito por Alice? 2) Vocês já fizeram algo parecido? 3) Quais os personagens dos contos de fadas Alice convidou? 4) Quantos são os personagens que Alice convidou? 5) De onde vieram os convidados? Na história “Uma História Atrapalhada” Alice convidou seus amigos dos contos de fadas para passarem um fim de semana com ela. Com a ajuda dos seus colegas e do professor escreva abaixo, o que vocês acham que estava escrito no convite. Figura 12 – Convite Alice. Fonte: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/alice-no-pais-das-maravilhas 2ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. DESCOBRINDO OS CONTOS DE FADAS Explorar com os alunos quais personagens dos contos de fadas foram convidados por Alice para passarem o fim de semana em sua casa. Procure imagens dos personagens na internet. Oriente os alunos para escolherem algumas imagens e salvarem no computador em uma pasta criada para essa atividade. Faça uma lista com os nomes dos personagens pesquisados no caderno de Língua Portuguesa: 55 1. Alice no País das Maravilhas 2. Gato de Botas 3.Branca de Neve e os Sete Anões 4. Chapeuzinho Vermelho 5. João e Maria 6. Cinderela 7. A Bela Adormecida 8. A Bela e a Fera Professor, proponha uma votação para a escolha de uma dessas histórias para contar na sala de aula. Registre os resultados da votação na tabela: CONTOS DE FADAS VOTAÇÃO Alice no País das Maravilhas 2 Gato de Botas 1 Branca de Neve e os Sete Anões 7 Chapeuzinho Vermelho 2 João e Maria 3 Cinderela 1 A Bela Adormecida 2 A Bela e a Fera 1 Professor, leve o baú de histórias e coloque dentro alguns objetos que aparecem na história, por exemplo: espelho, maçãs, nariz de bruxa, cesta e outros. Questione com os alunos: em qual história aparecem esses objetos? Conte a história utilizando o datashow. Professor, converse com os alunos sobre essa história: 1) Branca de Neve ficou perdida na floresta, você já se perdeu? 2). Ficou com medo de ficar sozinho? 3). Você conversa com estranhos? 4) E com espelho, você conversa? Se conversa conte para os colegas? Agora, faça o registro escrito identificando os nomes dos personagens. 56 BRINCANDO COM LETRAS E PALAVRAS 1. Encontre as letras que faltam nos nomes dos personagens e complete nos espaços: Figura 13 – Sugestão de atividade. Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31308 2.Copie os nomes das figuras que completam as rimas: Soneca toma leite na _______________________ Atchim rega as flores do _____________________ Zangado conserta o ________________________ Feliz coça o ______________________________ Figura 14 – Sugestão de atividade. Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31308 57 3. Leia o título da história e faça o que se pede: Brancadeneveeosseteanões Reescreva o título da história de forma correta. ___________________________________________________________________ De quantas palavras o título é formado? ___________________________________________________________________ Qual é a palavra maior? ___________________________________________________________________ E a menor? ___________________________________________________________________ Fonte: TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A aventura da Linguagem. Letramento e Alfabetização Linguística, 2º Ano do Ensino Fundamental. Editora Dimensão. Belo Horizonte, 2008 (pág.13-15) Professor, proponha como atividade de casa a leitura de outros contos de fadas. Deixe cada aluno escolher um livro de literatura infantil dentro do baú para fazer a leitura em casa. Peça aos pais que ajudem seus filhos na escrita de um pequeno texto contando sobre a história (Onde acontece. Quem são os personagens. O que aconteceu com eles. Etc...). Também é interessante propor que criem um final diferente para sua história. 3ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. Professor, organize uma roda de conversa e deixe os alunos à vontade para lerem e comentarem sua produção de texto sobre o livro de história que levaram para casa. Liste no quadro os nomes das histórias que os alunos comentaram. Logo após, peça aos alunos para utilizarem o computador a fim de desenharem no Paint ou programa similar. Explique para a turma que a atividade terá como objetivo fazer desenhos que representem os personagens da história. Depois peça para que os alunos imprimam as imagens para fixá-las no mural da sala de aula para futuras observações. 58 4º Atividade: aproximadamente 60 minutos. ASSISTINDO O CONTO DE FADA Professor, solicite que os alunos que acessem o site http://www.youtube.com/watch?v=ogEEkiwLVHM&feature=related para assistirem ao vídeo da história: A Branca de Neve e os Sete Anões. Depois se achar interessante, organize a turma em grupos de quatro ou cinco alunos. Cada grupo deverá continuar a história e construir um final diferente. Após aproximadamente, vinte minutos, os grupos deverão apresentar para a turma a sua versão da história. 5ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. DRAMATIZANDO A HISTÓRIA Professor, dramatize o fim de semana na casa de Alice. Para isso, providencie com antecedência roupas para os personagens, divida a sala em grupos para representarem os personagens das histórias dos diferentes contos de fadas, peça aos alunos que também tragam de casa acessórios para usarem. Professor, utilize uma câmara, que pode ser um celular, para filmagem da dramatização. Avaliação: Professor, é de suma importância observar se os alunos estão participando e realizando as atividades propostas, a fim de poder auxiliá-los no processo de aprendizagem. A avaliação poderá ser feita em todos os momentos da aula verificando se os alunos conseguiram: ouvir histórias lidas e ou contadas pelo professor, de forma interativa, interpretando-as, identificar vários contos de fadas, através de imagens, reconhecer as características próprias de cada história, criar, oralmente e ou por escrito, histórias completas ou outros inícios, desdobramentos e finais para as histórias apresentadas pelo professor, reconhecer quantidades, realizar trabalhos artísticos (desenhos e apresentações teatrais) utilizando os conteúdos das histórias, utilizar os recursos existentes no computador, visando construir conhecimentos novos relativos ao tema da aula. É também importante observar as considerações individuais ou grupais dos alunos, quanto ao resultado das atividades realizadas. 59 2.4.6 Teatro De Máscaras Autor e Coautor(es) Autor: Elba Rosa Cavalcante de Vasconcelos Natal - Rn Nucleo Educacional Infantil - Nei Coautor(es): Maria da Conceição de Oliveira Andrade Estrutura Curricular Modalidade / Nível De Ensino Componente Curricular Tema Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como comunicação e produção coletiva Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação Ensino Fundamental Inicial Artes Arte Visual: Apreciação significativa em arte visual DADOS DA AULA O que o aluno poderá aprender com esta aula Contextualizar a história do Teatro. Confeccionar máscaras. Ler e interpretar imagens. Duração das atividades: 1 semana - aulas com duração de 40 /50 minutos Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: Não é necessário. Estratégias e recursos da aula ATIVIDADE 127: O professor deve levar para sala de aula máscaras, imagens com cenas de teatro na qual os atores usem máscaras. A partir da exploração desses materiais o professor conta para os alunos a história do teatro na antiguidade, por exemplo, na Grécia. Após, essa atividade combinar com os alunos a encenação de um teatro de máscara. Para isso, deve-se orientar os alunos a produzirem um texto 27 Fonte:Crédito/Arquivo 94FM 60 coletivo. O professor organiza a turma em pequenos grupos. Cada grupo irá construir um texto teatral, depois os alunos irão escolher entre eles quem irá representar os personagens. ATIVIDADE 2 O professor deve tirar cópia do texto produzido e entregar para cada componente do grupo. Os alunos irão ler o texto entre eles e depois fazer a encenação do teatro. Após essa atividade, os alunos irão desenhar suas máscaras. Em seguida, o professor deve reunir os grupos para discutirem como irão fazer suas máscaras. As máscaras poderão ser confeccionadas com papel, material reciclável, gesso ou outros materiais. ATIVIDADE 3: O professor distribui com o grupo o material solicitado para a confecção das máscaras. Uma sugestão, é o professor propor a confecção das máscaras em dupla. O professor pode reutilizar folhas de papel ofício, A4, cola branca. As crianças cortam o papel em tiras, o professor deve ajudar as crianças a fazer o esboço do rosto. Uma das crianças senta numa cadeira e a outra irá colar tiras de papel, na testa, lateral, queixo, olhos e nariz, para fazer o esboço da face. As crianças irãopassar cola com um pincel e em seguida colam a tira de papel. Deve-se repetir essa colagem até formar a máscara. Retira do rosto da criança, coloca o seu nome no verso e deixa secar. Após, a secagem deve-se fazer a pintura da máscara com tinta guache ou acrílica. ATIVIDADE 4: Os grupos se apresentam em sala de aula ou em e outro espaço da escola. Enquanto um grupo se apresenta os demais grupos deverão observar e apreciar o espetáculo. Após a avaliação coletiva dessa atividade o professor deverá propor ao grupo uma apresentação das peças produzidas para as outras turmas da escola. Recursos Complementares: http://www.canalkids.com.br/arte/teatro/tragedia.htm Avaliação: Avaliar a participação e envolvimento dos alunos na produção da peça teatral. 61 2.4.7 O teatro na sala de aula28 Autor e Coautor(es) Autor: Fernanda Maurício Simões Belo Horizonte - Mg Escola De Educação Básica E Profissional Da UFMG - Centro Pedagógico Coautor(es): Clenice Griffo ESTRUTURA CURRICULAR Modalidade / nível de ensino Componente curricular Tema Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Concepção de texto Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Gêneros de texto DADOS DA AULA O que o aluno poderá aprender com esta aula Ao final dessas atividades, esperamos que o aluno: • Compreenda o modo de organização e a função social do gênero textual: “peças teatrais”; • Compreenda globalmente o texto lido; • Use a língua de acordo com a situação focalizada, empregando os recursos linguísticos adequados. Duração das atividades As atividades terão duração de 05 a 06 aulas de 50 minutos. Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno Essa sequência didática é indicada para as crianças que dominam o sistema alfabético. Esse aprendizado ocorre quando o aluno compreende que cada letra (grafema), geralmente, é representada por um som (fonema) e, por isso, já é capaz 28 Fonte: Portal do Professor. (16/11/2010) disponível em < http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23556>. Acesso em out 2015. 62 de ler e de escrever de forma autônoma. Estratégias e recursos da aula ATIVIDADE 1: Aproximando-se da história "A gata borralheira" (Cinderela) Objetivo: Ler e compreender o texto globalmente. Faça a proposta às crianças de conhecer melhor a história da “Cinderela” e, depois, preparar um teatro da trama para outros estudantes da escola. Para essa aproximação, sugerimos três estratégias: 1.1 Leitura coletiva do livro: “Cinderela”. Leve os alunos à biblioteca e faça a leitura coletiva da história. Como essa é uma história conhecida por muitas crianças, convide-as a terem uma participação diferente Peça que explorem o título e a capa do livro e digam qual deverá ser o conteúdo da história. À medida que você ler a trama, solicite aos alunos que levantem hipóteses sobre o seu conteúdo, com base nas informações a que já tiveram acesso. Em outros momentos, deixe uma criança contar uma parte da história a partir do texto escrito e das ilustrações. 1.2 Leitura em duplas da história. Leve as crianças para a sala de computação e peça que sentem em duplas. Elas deverão acessar o site: http://www.contandohistoria.com/cinderela.htm e ler a história da Cinderela. Em seguida, peça que recontem o enredo com suas palavras e pontuem as semelhanças e diferenças em relação à primeira versão da história, lida no item 1.1. 1.3. Outras leituras da mesma história. Em outro dia, entregue para cada criança toda a história, dividida em partes (como apresentamos abaixo). Inicie a sua leitura. Os estudantes deverão acompanhá-la silenciosamente. Em alguns momentos, você poderá interromper a leitura e pedir que um aprendiz leia a próxima tira da história. Em seguida, solicite que cada aluno colora uma tira da história (você pode orientar qual parte cada um deverá colorir, cuidando para que todas as tiras sejam coloridas, por pelo menos um aluno). Peça, então, que cada um leia a parte da história que coloriram, obedecendo a ordem do enredo. Para isso, todos deverão acompanhar a leitura do texto. (Caso tenha mais de um estudante com a mesma tira colorida, eles deverão lê-la juntos). 63 Era uma vez no tempo dos reis e rainhas, uma linda menina que se chamava Cinderela. Ela morava com uma madrasta, muito má! A madrasta de Cinderela tinha duas filhas. Essas irmãs de Cinderela eram duas moças muito egoístas e que não gostavam de trabalhar. Em casa, era Cinderela que tinha de fazer tudo. Um dia Cinderela ajudou as irmãs a se vestirem para um grande baile. Mas sua madrasta havia impedido Cinderela de ir ao baile, pois tinha afazeres domésticos para terminar. Delegou tanta coisa à Cinderela que ela jamais terminaria em tempo de ir ao baile. Seus amiguinhos, inconformados com a situação, se puseram a trabalhar, para confeccionar um lindo vestido para que Cinderela, pudesse ir ao baile também. Sim, o vestido estava pronto e Cinderela podia ir ao baile, como suas irmãs. Ela estava linda! Mas, Cinderela não conseguiu terminar o seu serviço, portanto não iria ao baile tão esperado! De repente, do azul aparece sua madrinha para ajudá-la. A madrinha de Cinderela agitou a varinha de condão. Olhou para Cinderela, escolheu o vestido mais bonito e com sua varinha mágica, transformou-a numa princesa! Uma abóbora que havia na cozinha logo se transformou numa bela carruagem. Seus amiguinhos, a fada madrinha os transformou em cocheiro e mordomo. Todos queriam colaborar e levar Cinderela ao baile. A roupa velha de Cinderela virou um vestido de cetim. - Vá e se divirta - disse a velhinha. Mas trate de voltar para casa antes de bater meia-noite. Logo o príncipe se encanta e a tira para dançar. No palácio, a beleza e a simpatia de Cinderela conquistaram a todos. O príncipe dançou com ela muitas vezes. O tempo passou depressa e, para surpresa dela, o relógio do palácio começou a bater meia-noite. Cinderela logo se lembrou do aviso da madrinha. Assustada, Cinderela fugiu correndo, mas deixou cair um pequenino sapato de vidro. O príncipe pegou o sapato e decidiu que havia de casar com a sua dona que havia 64 conquistado o seu coração. O príncipe procurou por todo o reino. Finalmente chegou à casa onde morava Cinderela. As irmãs experimentaram calçar o sapato, mas seus pés eram grandes demais. Até que chegou a vez de Cinderela, depois de muito custo, pois a madrasta havia trancado a pobre moça. Mas com a ajuda de seus amiguinhos, ela consegue chegar a tempo de poder provar o sapatinho. O sapato deu certinho no pé de Cinderela. Vibrando de alegria, o príncipe pediu Cinderela em casamento. O rei estava feliz porque seu filho havia encontrado uma linda moça que se tornaria a mais linda princesa de seu reino. Portanto, viveram felizes para sempre. 1.4 Reelaboração da história por meio de desenhos. Distribua folha de papel ofício para os estudantes. Peça que copiem o trecho da história que coloriram e façam sua ilustração. Chame atenção para o tamanho da letra e o espaçamento entre as palavras. Em seguida, os estudantes deverão montar a história no mural da sala, na sequência adequada. Se necessário, deixe a história completa escrita em um cartaz e fixada na sala. Assim, eles poderão consultar a sua ordem correta. Enfatize que, para a execução desta atividade, eles precisarão trabalhar em conjunto e em cooperação. Ao final, peça às crianças que leiam a história e apreciem o mural. ATIVIDADE 2 - Estudo do texto de teatro Objetivo: Conhecer a estrutura e a função social do gênero textual: teatro Usar a língua de acordo com a situação vivenciada . 2.1. Explorando o que é teatro. Escreva no quadro a palavra TEATRO. Explore os significados que os aprendizes 65 têmem relação a esse termo. Você pode orientar a discussão por meio das seguintes perguntas: • O que lhes vem à cabeça ao lerem essa palavra? • O que é necessário para uma peça de teatro acontecer? • Como uma peça de teatro é montada? • Como os atores sabem o que têm que dizer e a hora certa de fazê-lo? Registre no quadro os apontamentos feitos pelos estudantes e em seu caderno pessoal. 2.2. Primeira leitura do texto. Convide a turma a estudar o texto teatral “Cinderela” e a preparar sua encenação para ser apresentada à escola. Divida a sala em duplas e distribua o texto abaixo. Proponha a sua leitura coletiva, de modo que todos os alunos leiam pelo menos uma fala. Durante a leitura, enfatize qual deve ser o tom de voz dos personagens e chame atenção para necessidade de expressarmos facialmente as emoções vivenciadas por cada um. No momento em que os parênteses são abertos para instruir sobre a constituição da cena, explique à turma a função dessa parte do texto. Ao final, instigue os aprendizes a pensarem sobre as diferenças entre a estrutura do texto “Cinderela”, lido na atividade 1 e o texto teatral que estudaram. Eles deverão perceber que o texto teatral é estruturado pelas falas dos personagens e as explicações de como deverão ser constituídas as cenas. 2.3. Organizando os atores. O texto que aqui apresentamos está divido em quatro partes. Dessa forma, cada parte da história poderá ser interpretada por alunos diferentes. A madrasta, por exemplo, poderá ser interpretada por quatro crianças. Cada uma terá essa responsabilidade em uma parte da história. Nesse momento, sugerimos que você divida os personagens entre as crianças, de modo que a maioria participe (se necessário, divida o texto em mais partes para contemplar mais crianças). Cada aluno deverá marcar com um símbolo as falas de sua responsabilidade. Em seguida, proponha nova leitura do texto, em que cada atuante diga a fala da sua personagem. Chame atenção, novamente, para o tom de voz 66 adequado e para a necessidade de expressar as emoções vivenciadas pelos personagens. Ao final, os aprendizes deverão levar o texto para casa para que possam decorar a sua fala. 2.4 Ida ao teatro. Sugerimos também que você leve seus alunos ao teatro para que possam conhecer esse espaço, suas funções e as pessoas que lá trabalham. Se possível, combine com algum profissional de realizar jogos teatrais com os aprendizes. Para isso, desenvolva com a turma a aula: “O teatro na infância: conhecendo este espaço”, sugerida pelo Portal do Professor e localizada no site: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6850. 2.4 Ensaio da peça. Em outra aula, os alunos deverão ensaiar a peça. Você poderá ficar responsável por orientá-los a seguirem as instruções dadas para a constituição da cena. Repita o ensaio quantas vezes forem necessárias. A peça pode ser adaptada utilizando modelos e instruções do site: http://meustrabalhospedagogicos.blogspot.com/2008/04/pea-teatro-trs-contos-que- vou-te-contar.html Atividade 3 - Apresentação da peça. Objetivos: Elaborar convite, obedecendo a estrutura desse gênero textual Usar a língua de acordo com as características dos personagens interpretados na peça teatral. 3.1. Convite para peça de teatro. Proponha aos estudantes a elaboração de um convite para outros colegas e professores da escola assistirem a peça. Lembre-os das características desse gênero textual. Ele deverá ser curto, convincente e ter o nome dos convidados em destaque. Após a elaboração coletiva do texto, leia-o para os estudantes e peça que avaliem se desejam modificar ou incluir mais alguma informação no texto. Uma sugestão é que algumas crianças passem nas outras salas de aula, na coordenação e na direção para entregá-los. 3.2. Encenação. Antes da apresentação, chame atenção das crianças para os 67 aspectos trabalhados nos ensaios, como o tom de voz e o modo de falar dos personagens. Durante a encenação, observe a atuação dos aprendizes para a realização da avaliação final. Atividade 4 Avaliando a experiência e sistematizando conhecimentos Objetivos: Identificar os aprendizados proporcionados pela experiência teatral. Sistematizar os conhecimentos sobre a estrutura e a função social desse gênero textual 4.1 Roda de debate. Inicie a conversa com os aprendizes fazendo a seguinte pergunta: “O que nós fizemos para encenar a peça de teatro? ” Registre em tópicos os apontamentos feitos pelos estudantes. Você também pode acrescentar as seguintes questões: a) Qual a importância do estudo do texto teatral para encenação da peça? b) Como os atores devem proceder para a construção de uma boa encenação? E vocês como fizeram? c) Pontue com os aprendizes os aspectos positivos da apresentação e aqueles que precisarão ser mais trabalhados em uma próxima vez. 4.1 O texto teatral. Leia para os aprendizes as ideias iniciais que eles levantaram sobre o termo teatro, na atividade 1, e deixe-as registradas no quadro. A partir desse levantamento e da experiência com o texto teatral, eles deverão elaborar um texto complementando a definição desse gênero textual. Avaliação: Para verificar se os aprendizes avançaram na compreensão do texto teatral, sugerimos que você trabalhe outra peça e observe o modo como desenvolvem as atividades propostas. Você também pode fazer a seguinte atividade: Entregue, em uma folha, a narração de uma história infantil e o texto de uma peça teatral. Peça aos alunos que identifiquem o gênero de cada um dos textos e pontuem, pelo menos, uma diferença entre eles. 68 2.4.8 Sugestões de Atividades que promovem a Educação Inclusiva 2.4.8.1 O som do silêncio - Educação Especial29 Autor e Coautor(es) Autor: Juliana Gomes de Souza Dias Curitiba - Pr Secretaria Estadual De Educação Coautor(es): Eziquiel Menta, Rosangela Menta Estrutura Curricular MODALIDADE / NÍVEL DE ENSINO COMPONENTE CURRICULAR TEMA Educação Infantil Arte Visual O fazer artístico Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como comunicação e produção coletiva Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como produto histórico-cultural DADOS DA AULA O que o aluno poderá aprender com esta aula • Apresentar aos alunos a possibilidade de se contar histórias usando o próprio corpo como ferramenta. • Recortar trechos dos textos escolhidos para criar o roteiro da peça de teatro. • Propiciar aos alunos um melhor entendimento das diferenças que os alunos com necessidades especiais, principalmente os surdos, tem com relação a sua percepção do mundo. Duração das atividades: 2 aulas de 50 min. cada 29 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5145. (2009. 69 Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: A aula deve partir das narrativas do folclore brasileiro. Pode-se utilizar essa aula como continuação do conteúdo da aula Folclore para menores30 que tratou do folclore brasileiro. Estratégias e recursos da aula PROBLEMATIZAÇÃO: O objetivo dessa aula é propor aos alunos maneiras diferentes de se comunicar, aproximando os alunos ouvintes dos alunos surdos por meio da linguagem corporal. A inclusão dos alunos surdos não depende apenas do bom preparo do professor para atender às necessidades especiais do aluno, mas também o professor deve despertar nos alunos ouvintes o interesse pela linguagem utilizada pelos surdos. Professor, você poderia convidar um ou mais alunos a virem na frente da turma para expressar sua opinião sobre o tema teatro, utilizando somente a linguagemcorporal. Diante desta dificuldade, questione junto a turma: • Como podemos nos expressar? • Que linguagem podemos usar? • É possível se contar histórias usando o próprio corpo como ferramenta? INSTRUMENTALIZAÇÃO: Aula 01: O professor deverá iniciar a aula questionando os alunos se eles conhecem a história da Chapeuzinho Vermelho. Questione os alunos sobre as várias formas de contar essa história: gestos, desenhos, som, sinais, voz, etc. Para contextualizar a discussão apresente o vídeo do Google Vídeos: Chapeuzinho Vermelho surda - http://video.google.com/videoplay?docid=- 1185384280730964074 acessada em out 2015. Acesso em out 2015. 30 Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1967>Acesso em out 2015 70 Figura 15 – Imagem do vídeo “Chapeuzinho Vermelho Surda”. Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5145 Agora questione os alunos: Quais eram os personagens? Que linguagem eles utilizaram? Qual foi a história contada? Vocês têm amigos surdos, seja na escola, na comunidade, ou mesmo familiares que tenham essa necessidade especial? Atenção professor! Se na sala houver alunos surdos, essa etapa pode ser adaptada, questionando os alunos de que maneira eles se relacionam e se comunicam. Como os ouvintes se comunicam com os surdos? De que maneira os surdos se fazem entender pelos ouvintes? Depois dessa primeira discussão, apresente o recurso do Portal do Professor: Telelibras - O SOM DO SILÊNCIO. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=14697 acessado outubro/2015. A animação é a reprodução do livro "O som do silêncio", que relata a vida de uma menina com surdez, sua inclusão escolar e exprime como os alunos lidam com as diferenças, mostrando-os a capacidade inerente a cada indivíduo. Esse recurso trata justamente da diferença da percepção do mundo pelos ouvintes e 71 pelos surdos. Depois da apresentação do filme, o professor deve pedir para que os alunos, em grupos de 5 ou 6, escolham uma história do folclore brasileiro. No site da UOL, na seção dicas, procure o Folclore Brasileiro Ilustrado, disponível em: http://sitededicas.uol.com.br/cfolc.htm acessado em 20/10/2015, existem vários exemplos de textos que podem ser utilizados pelos alunos. Cabe ao professor escolher alguns para apresentar à turma como opções, e os grupos escolhem as histórias que mais se identificarem. Essas histórias serão encenadas na aula seguinte, utilizando apenas linguagem não verbal, ou seja, gestos, dança, imagens, etc. Atenção professor! Reserve o restante dessa aula para que os alunos se organizem, leiam as histórias e preparem seus papéis na apresentação da lenda para a turma. No caso de histórias com poucos personagens, instigue os alunos para que cada um conte uma parte da história, ou que sejam inseridos mais personagens para ajudar a contar a história. Aula 02 : Retomando as histórias escolhidas na aula anterior, o professor deve organizar as apresentações, que podem ser abertas para a comunidade escolar, para isso deve- se reservar um anfiteatro ou um auditório disponível para a turma realizar as apresentações. CATARSE: Depois das atividades encerradas, o professor deve enfatizar a todos que os alunos portadores de necessidades especiais têm as mesmas potencialidades, mas sua percepção do mundo é um pouco diferente, portanto a maneira como esses alunos especiais se relacionam com o mundo também é diferente. Com essas aulas, espera-se que os alunos compreendam melhor as diferentes formas de comunicação que o ser humano é capaz de desenvolver e aprender. Com base em todo o conhecimento construído nessas discussões, o professor deverá propor aos alunos que façam um texto individual sobre o que mais interessou nessas aulas, instigando que sejam críticos com relação à sua produção intelectual. 72 Um texto curto de uma lauda é suficiente para que o aluno reflita sobre sua condição em relação ao assunto abordado. PRÁTICA SOCIAL FINAL DO CONTEÚDO: Depois das atividades encerradas, o professor deve reunir a turma para que expressem como eles compreenderam as diferentes formas de comunicação que o ser humano é capaz de desenvolver e aprender. Faça duas colunas no quadro de giz, onde as crianças vão listar na primeira coluna suas intenções e na segunda coluna suas ações. Desta forma poderemos perceber como este tema é importante no contexto em que a criança vive, pois nas ações perceberemos se ela passou a valorizar os vários tipos de linguagens e detectou a importância que todos nós temos em aprender a linguagem dos outros, como a de libras, do braile, assim como uma lingua estrangeira, etc. Recursos Complementares Materiais para montar os cenários, caso sejam necessários. Avaliação: O professor deverá definir em conjunto com a turma os critérios a serem avaliados, para que os alunos tenham consciência das competências e habilidades a serem desenvolvidas durante a atividade. Sugerimos alguns critérios: Aula 1: capacidade de sintetizar o conteúdo dos contos; capacidade de trabalhar em grupo. Aula 2: composição; coesão na narrativa; participação no projeto do grupo; comprometimento com o grupo; respeito com o trabalho dos outros grupos. 2.4.8.2 Aprendendo A Incluir Por Meio Do Teatro 31 Autor e Coautor(es) Autor: Liliane Dos Guimaraes Alvim Nunes Araujo Uberlândia - Mg Esc De Educação Básica 31 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19138. (2010) acesso em 28/10/2015. 73 Coautor(es): Lucianna Ribeiro De Lima; Fátima Rezende Naves Dias; Gláucia Costa Abdala Diniz. Estrutura Curricular MODALIDADE / NÍVEL DE ENSINO COMPONENTE CURRICULAR TEMA Ensino Fundamental Inicial Ética Respeito mútuo Ensino Fundamental Inicial Ética Solidariedade Ensino Fundamental Inicial Ética Justiça Ensino Fundamental Inicial Ética Diálogo DADOS DA AULA O que o aluno poderá aprender com esta aula • Expressar seus sentimentos e idéias por meio da representação de papéis. • Valorizar as diversas manifestações artísticas, dentre elas o teatro, enquanto um recurso importante para a formação humana. • Usar a imaginação para criar histórias curtas, porém com sentido, passíveis de serem representadas por meio de uma peça de teatro. • Conhecer projetos sociais em que o teatro é utilizado como ferramenta para a inclusão social. Duração das atividades Duas ou mais aulas de 50 minutos Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno Não há necessidade de se trabalhar conhecimentos prévios. Estratégias e recursos da aula Comentários ao/a professor/a: Professor/a não restam dúvidas sobre o quanto o teatro (enquanto uma manifestação artística) vivenciado nas escolas pode contribuir para a formação humana dos/as alunos/as, uma vez que promove a sensibilização dos/as mesmos/as, despertando sentimentos diversos, provocando reflexões sobre a sua própria vida e da sociedade de uma maneira geral. Nesse sentido, dar 74 oportunidade as crianças de encenarem peças de teatro no ambiente escolar e/ou em outros ambientes contribui para que as mesmas aprendam a refletir sobre temáticas do cotidiano, entrem em contato com a emoção, tornando-as mais sensíveis e possivelmente mais conscientes de sua participação na vida em sociedade. Referendamos a fala de Amaral (2010) ao escrever: “Se o teatro é a imagem do homem e da vida em cena, ele pode sim trazer as mais diversas questões para o debate. E quando essas questões são colocadas diante de crianças e adolescentes, você faz com que eles adquiram uma determinada consciência. Dessa forma, o teatro pode ser um instrumento de transformação na medida em que faz refletir, por exemplo, as condições de vida de determinada comunidade apartir de conteúdos e temáticas propícios a reflexões”. Assim essa aula tem o propósito de auxiliar os/as alunos/as na percepção do teatro enquanto uma importante ferramenta de aprendizagem no âmbito da educação e na inclusão social das pessoas. Atividade 1: 1º Momento: Professor/a, inicie sua aula esclarecendo que essa será uma aula diferente em que todos os presentes experimentarão o lugar de “Artistas por um dia”. Dizer que cada um terá a oportunidade de representar um papel de um personagem de uma história. Para isso, professor/a você precisará levar para a sala vários livros infantis e uma caixa com vários objetos, a saber: fantasias, acessórios, máscaras, maquiagem, peças de cenário, calçados, dentre outros. 2º Momento: Dividir o grupo em 4 sub-grupos e solicitar aos alunos que escolham uma história infantil para representar. Professor/a você poderá disponibilizar os clássicos infantis (Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, Cinderela, O Patinho Feio, dentre outros) que são conhecidos, praticamente, por todas as crianças. 3º Momento: Após essa etapa cada grupo deverá dirigir-se até o centro da roda para buscar dentro da caixa alguns acessórios que os auxiliem para a encenação da história. Professor, no site “Livros Infantis” você verá opções de trabalhar com os/as alunos/as a representação de papéis por meios de histórias infantis. Acesse o endereço e confira: http://www.livrosinfantis.com.br/historias.html 4º Momento: Explorar com os/as alunos/as: Como foi participar 75 desse teatro? O que vocês aprenderam por meio dessa atividade? Como foi "fazer de conta" que era um animal, ou outra pessoa? será que quando as pessoas fazem de conta que são personagens elas se transformam nos mesmos? Atividade 2: 1º Momento: Professor/a, para essa atividade é necessário que você leve duas folhas de papel sulfite emendadas e dobradas como se fosse uma sanfona. As dobras poderão medir cerca de 3 centímetros cada. Convide os /as alunos/as para se sentarem em círculo no chão e explicar que a atividade que irão realizar vai exigir muita atenção, concentração e criatividade. Oriente os/as alunos/as que a folha juntamente com uma caneta hidrocor irão passar de mão em mão para que cada aluno/a dê continuidade ou complete a idéia da frase anterior. À medida que a “sanfona” for passando os/as alunos/as só poderão ler o que estiver escrito na dobra anterior. Ex: O professor inicia com a seguinte frase: “Era uma vez uma menina chamada”... O aluno que estiver na seqüência fará a leitura em voz baixa dessa primeira frase e completará a mesma com: “Juliana. Juliana gostava muito de brincar de boneca...” O próximo aluno poderá ler apenas a frase que estiver na segunda dobra e assim por diante até perpassar todos os alunos. 2º Momento: Após finalizar essa etapa o/a professor/a convidará inicialmente uma criança para fazer a leitura do texto completo em voz alta e depois duas ou três crianças para representarem a cena criada/construída pelo grupo. Professor/a torna-se fundamental abrir possibilidade para os próprios alunos/as manifestarem o interesse em participar, evitando criar situações de constrangimento ao indicar alguém. 3º Momento: Explorar com os/as alunos/as: Como foi participar dessa atividade? A atividade apresentou grau de dificuldade? Exigiu muito dos/das alunos/as? Em que sentido? O que foi possível perceber por meio dessa atividade? Professor/a, faz-se necessário incentivar os/as alunos/as a vivenciarem o improviso, uma vez que o nosso cotidiano atual tem exigido cada vez mais das pessoas que tenham habilidade para lidar (de forma equilibrada e tranquila) com as situações emergenciais que lhes acontecem. Nesse sentido dar oportunidade as crianças de representar papéis, improvisar, vivenciar diferentes emoções pode contribuir para prepará-las para os imprevistos e improvisos da vida. 76 Atividade 3: 1º Momento: Assistir ao vídeo: “Projeto usa teatro para a Inclusão social de deficientes físicos”, disponível em: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM304571-7823,00.html 2º Momento: Dividir o grupo em duplas para que respondam as seguintes questões: 1) Vocês consideram que o teatro emociona as pessoas? De que forma? 2) Quais são os sentimentos que uma peça de teatro pode provocar em seu público? E nos próprios atores? 3) Na sua percepção, quando as pessoas se colocam no lugar do outro é possível vivenciar os sentimentos e a emoção do outro? Justifique sua resposta. 4) Vocês acreditam que a experiência de representar papéis auxilia as pessoas? Em caso afirmativo, exemplifique. Em caso negativo, justifique. 3º Momento: Socializar a tarefa, sendo que cada dupla apresentará as suas respostas. A partir disso, o professor deverá promover um debate sobre o tema: “A inclusão por meio do Teatro” Recursos Complementares Referência bibliográfica: Entrevista com Lindolfo Amaral, disponível em: http://www.institutorecriando.org.br/ler.asp?id=12560&titulo=Entrevista Livro digital: “Arte e responsabilidade social- inclusão pelo teatro e pela música”- Viviane Louro. Disponível em: http://www.musicaeinclusao.com.br/?/Livros/Livro-Digital-Arte-e-Responsabilidade- social-inclusao-pelo-teatro-e-pela-musica Vídeo Youtube: “Projeto Oferece Oficinas” . Disponível em: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1227811-7823- PROJETO+OFERECE+OFICINAS,00.html Professor/a, no endereço abaixo você encontrará várias sugestões 77 de livros que abordam sobre teatro e teatro-educação para serem trabalhados com crianças e jovens. http://www.cbtij.org.br/ponto_encontro/bibliografia.htm Avaliação: Professor/a procure perceber se os/as alunos/as conseguiram se envolver nas atividades de interpretação, mesmo aquelas crianças que se apresentam mais retraídas no dia a dia da sala de aula. Observe se os/as alunos/as tiveram respeito pela fala dos colegas e pela participação dos mesmos nas atividades propostas. Se possível, professor/a, é fundamental que você tenha registrado, no decorrer das atividades, as escolhas das histórias, dos personagens, dentre outras escolhas feitas pelas crianças que revelam questões subjetivas das mesmas, importantes de serem conhecidas pelos/as professores/as para que sejam mediadas e cuidadas. Identifique os sentimentos despertados nas crianças no momento das atividades, incentivando que os colegas sejam solidários aos mesmos. Solicite aos/as alunos/as que avaliem por meio de três expressões: "Que bom!", "Que pena!" e "Que tal!" o que sentiram em relação as atividades desenvolvidas nessa aula. Por fim, peça que os/as alunos/as respondam por escrito individualmente as seguintes questões: 1) O que é inclusão para você? 2) De que forma o teatro pode auxiliar a inclusão social das pessoas? 78 3 CONCLUSÃO O teatro como práxis pedagógica na educação infantil, pode ser considerado um instrumento de aprendizagem. Percebe-se que a representação teatral no âmbito educacional é diferente da abordagem teatral vista em outros espaços, pois não tem objetivo de promover espetáculo ou formar atores, mas sim, utilizá-lo como forma de promover o desenvolvimento da criança de modo global e sistematizado. Atualmente, a legislação pertinente ao assunto é cada vez mais abrangente e direcionada, no sentido de realmente efetivar o teatro como conteúdo obrigatório no currículo escolar. Entretanto, só a legislação não garante o êxito dessa tendência, é preciso que os professores realmente estejam preparados para adequar seus conteúdos e inserir o teatro como ferramenta multidisciplinar que vem trazer vitalidade às aulas cujos conteúdos tendem ao tédio. O estudo apresentado demonstra claramente que utilizando o teatro enquanto didática de ensino, comprovadamente a escola terá resultados muito satisfatóriosno processo de aprendizagem das crianças, promovendo o conhecimento através do brincar, despertando a criatividade e a iniciativa nos alunos seja da educação infantil, seja do ensino fundamental. Em suma, entende-se que o professor tem papel fundamental ao utilizar o teatro como práxis pedagógica, entretanto deve compreender a importância da ludicidade, do jogo, da expressão dramática e corporais no sentido de desenvolver a criança em sua totalidade. É imprescindível que o educador conheça seus alunos e entenda a expectativa dos mesmos, a fim de que através do teatro possa realmente promover o conhecimento e o desenvolvimento, respeitando os limites de cada um, mas desenvolvendo toda a potencialidade latente nas crianças. 79 REFERÊNCIAS ARCOVERDE, Silmara L. M. A Importância do Teatro na Formação da Criança. (2008). 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LISTA DE FIGURAS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 O TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 2.1 Conhecendo As Origens Do Teatro 2.2 Teatro na Educação Infantil sob a Perspectiva da Legislação Pertinente 2.3 Teatro na Educação Infantil: uma perspectiva pedagógica. 2.3.1 Aula de Teatro como atividade extracurricular para crianças 2.3.2 Teatro no âmbito da Educação Inclusiva 2.4 Sugestão de Atividades: Teatro na Educação Infantil 2.4.1 Eu vou Para a Lua 2.4.2 Jogo de Observação 2.4.3 Tela de Televisão 2.4.4 Teatro de Sombras 2.4.5 Contos de fadas: histórias atrapalhadas 2.4.6 Teatro De Máscaras 2.4.7 O teatro na sala de aula 2.4.8 Sugestões de Atividades que promovem a Educação Inclusiva 2.4.8.1 O som do silêncio - Educação Especial 2.4.8.2 Aprendendo A Incluir Por Meio Do Teatro 3 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS