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Cascavel 
2015 
 
 
 
 
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CLEIA MORO DE LARA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FACULDADE ANHANGUERA DE CASCAVEL 
 
TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: 
O teatro como Práxis Pedagógica e subsídio de aprendizagem 
 
 
Cascavel 
2015 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: 
O teatro como Práxis Pedagógica e subsídio de aprendizagem 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Faculdade Anhanguera de Cascavel/PRm como requisito 
parcial para a obtenção do título de Licenciatura em 
Artes. 
 
Orientador: Prof. Patrick Furlan Shultz 
 
CLEIA MORO DE LARA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LARA, Cleia Moro. Teatro na Educação Infantil: O Teatro como Práxis Pedagógica 
e subsidio na aprendizagem. 2015. 80 Folhas. Trabalho de Conclusão de Curso 
Faculdade Anhanguera, Cascavel/PR, 2015. 
 
RESUMO 
O tema abordado neste trabalho é a abordagem do teatro no âmbito da educação 
infantil e séries iniciais do ensino fundamental. Inicia-se com uma analise da história 
do teatro permeado pelo conceito pedagógico que é o foco em questão. Apresenta 
ainda uma breve consideração sobre a legislação pertinente e posteriormente a 
abordagem do teatro no âmbito da educação infantil, a nível de ensino básico, 
educação inclusiva e ainda como atividade extracurricular. Por fim são apresentadas 
algumas atividades extraídas de autores conceituados como sugestão para os 
professores e estudantes de licenciatura que buscam subsídios para estágios e 
estudos. Os principais autores utilizados foram Berthold(2001), Reverbel(1979), 
Spolin(2006) e legislação pertinente, além de sites conceituados como Portal do 
Professor. O objetivo deste trabalho é apresentar uma abordagem demonstrando as 
possibilidades e perspectivas do teatro como práxis pedagógica na educação 
infantil. A metodologia utilizada foi a pesquisa e estudo tanto em documentos físicos 
como online. O resultado desse estudo é um trabalho permeado de informações 
baseado em ampla pesquisa sob várias perspectivas e a conclusão é que o teatro é 
um poderoso mecanismo no processo de aprendizagem e no desenvolvimento da 
criança em todos os seus aspectos. 
 
 
 
Palavras-chave: Teatro. Educação. Crianças. Pedagógico. Práxis. 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 - Pintura na rocha na área de Cogul, sul de Lérida, Espanha; cena de dança 
ritual. Período Paleolítico, segundo H. Breuil. ........................................................... 15 
Figura 2 - O Teatro de Dioniso, visto do alto da Acrópole. ........................................ 16 
Figura 3 - Dançarino - "pássaro" maia, com chocalho e estandarte, Pintura na parede 
do templo de Bonampak, México, c. 800 d. C. .......................................................... 17 
Figura 4 - Cortejo dionisíaco (pintura em vaso grego). ............................................. 19 
Figura 5 - Estátua romana do Século II representando Dioniso de acordo com um 
modelo helenístico, exposta no Louvre. .................................................................... 20 
Figura 6 - Téspis o primeiro ator grego e do mundo. ................................................ 22 
Figura 7 – Cartaz da Peça de Teatro “O Auto da Compadecida”. ............................. 26 
Figura 8 – Teatro na Educação Infantil ..................................................................... 33 
Figura 09 - Teatro Especial ....................................................................................... 43 
Figura 10 – Exemplo de Parlenda. ............................................................................ 49 
Figura 11 – Exemplo de Parlenda. ............................................................................ 50 
Figura 12 – Convite Alice. ......................................................................................... 54 
Figura 13 – Sugestão de atividade. ........................................................................... 56 
Figura 14 – Sugestão de atividade. ........................................................................... 56 
Figura 15 – Imagem do vídeo “Chapeuzinho Vermelho Surda”. ............................... 70 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
CMEI Centro Municipal de Educação Infantil 
LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) 
LDBEN Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 
PCN Parâmetros Curriculares Nacionais 
RCN – EI Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 12 
2 O TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ............................................................. 14 
2.1 Conhecendo As Origens Do Teatro ................................................................ 14 
2.2 Teatro na Educação Infantil sob a Perspectiva da Legislação Pertinente ...... 27 
2.3 Teatro na Educação Infantil: uma perspectiva pedagógica. ........................... 31 
2.3.1 Aula de Teatro como atividade extracurricular para crianças ..................... 39 
2.3.2 Teatro no âmbito da Educação Inclusiva .................................................... 42 
2.4 Sugestão de Atividades: Teatro na Educação Infantil .................................... 45 
2.4.1 Eu vou Para a Lua ..................................................................................... 45 
2.4.2 Jogo de Observação .................................................................................. 46 
2.4.3 Tela de Televisão ....................................................................................... 46 
2.4.4 Teatro de Sombras .................................................................................... 48 
2.4.5 Contos de fadas: histórias atrapalhadas .................................................... 52 
2.4.6 Teatro De Máscaras .................................................................................... 59 
2.4.7 O teatro na sala de aula .............................................................................. 61 
2.4.8 Sugestões de Atividades que promovem a Educação Inclusiva ................. 68 
2.4.8.1 O som do silêncio - Educação Especial ...................................................... 68 
2.4.8.2 Aprendendo A Incluir Por Meio Do Teatro ................................................. 72 
3 CONCLUSÃO .................................................................................................... 78 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 79 
 12 
1 INTRODUÇÃO 
O tema escolhido para desenvolver este trabalho é a uma profunda 
abordagem da importância do teatro no âmbito da educação infantil e séries iniciais 
do ensino fundamental. 
E para bem desenvolver os conteúdos a serem considerados, é 
imprescindível que os conceitos que permeiam esta análise sejam claramente 
definidos que modo que possam servir como base para o enfoque em todo o seu 
contexto. 
Iniciando este estudo serão definidos os conceitos pertinentes a 
história do teatro e sua significância, o qual poderá ser utilizado tanto para o 
professor que deseja obter informações sintetizadas sobre a “história do teatro”, bem 
como utilizar como subsídio para trabalhar o conteúdo com as crianças da Educação 
Infantil e Ensino fundamental. Em seguida, será elaborada uma análise quanto a 
legislação que aborda a questão curricular do teatro no âmbito escolar. 
Posteriormente serão desenvolvidas reflexões sobre a abordagem do teatro na 
educação infantil, sua aplicabilidade, métodos e contribuição para a formação das 
crianças. Serão dedicados capítulos para a reflexão sobre o teatro como atividade 
extracurricular e também no âmbito da educaçãoinclusiva. Por fim serão descritas 
algumas sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas com crianças da 
educação infantil, séries iniciais do ensino fundamental envolvendo iniciativas das 
próprias crianças com o teatro, abrangendo desde a produção textual até expressão 
corporal. 
O objetivo deste trabalho de pesquisa e análise é apresentar uma 
abordagem demonstrando as possibilidades e perspectivas da utilização do teatro 
como práxis pedagógica na Educação Infantil, onde será demonstrada ampla 
reflexão justificando a possível viabilidade desta iniciativa. 
A justificativa para delimitação dessa faixa etária (educação infantil e 
séries iniciais do ensino fundamental) nesta abordagem é o entendimento de que 
esse é o período mais importante e propício para estimular a criatividade, 
espontaneidade, cognição e afetividade da criança. O uso do teatro vem atender, 
portanto, as necessidades do “brincar” próprias da idade, ao tempo em que é uma 
ferramenta imprescindível e muito válida para o professor alcançar seus objetivos de 
modo bem abrangente e multidisciplinar. 
 13 
A metodologia utilizada para o desenvolvimento desta abordagem foi 
vasta pesquisa e estudo, entre renomados autores que versam sobre o tema, o que 
certamente é fator imprescindível para garantir a complexidade e a fundamentação 
teórica para o desenvolvimento satisfatório desta abordagem 
Este trabalho certamente será de muita valia para professores e 
futuros professores que queiram conhecer a temática ou aprofundarem seus 
conhecimentos quanto ao amplo conceito de teatro e sua adaptação e utilização 
como ferramenta pedagógica multidisciplinar na Educação Infantil. 
 14 
2 O TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
2.1 CONHECENDO AS ORIGENS DO TEATRO 
Para abordar a questão do teatro no âmbito da educação infantil, é 
imprescindível que se tenha bem claro, a significação dos conceitos envolvidos, os 
quais serão fundamentos para a presente reflexão e estudo. Afinal, o que é teatro? 
Para elucidar esta dúvida, foram pesquisadas diversas fontes 
bibliográficas em livros e documentos físicos e ainda busca na Rede Mundial de 
Computadores: a internet, onde foram encontradas diversas definições provenientes 
de fontes confiáveis que possibilitou serem utilizadas. 
Ao realizar essa pesquisa, percebe-se de imediato que esse 
conceito é muito amplo e abrangente e remonta à própria história da humanidade. 
O teatro é tão velho quanto a humanidade. Existem formas primitivas desde 
os primórdios do homem. A transformação numa outra pessoa é uma das 
formas arquetípicas da expressão humana. O raio de ação do teatro, 
portanto, inclui a pantomima de caça dos povos da idade do gelo e as 
categorias dramáticas diferenciadas dos tempos modernos. (BERTHOLD, 
2001,p XII) 
Analisando-se as pinturas rupestres, arte nas cavernas constata-se 
que o homem sempre sentiu necessidade de representar suas emoções, seus feitos 
e seu cotidiano de alguma forma, seja para representar seus deuses a quem 
cultuava ou para encenar cenas relembrando seus ancestrais. Pode-se deduzir que 
o teatro faz parte da cultura e da história do Homem. Vários autores relatam indícios 
que remetem a ideia de teatro, já no período paleolítico, onde foram encontradas 
pinturas que representavam danças e rituais, insinuando representações. 
O palco do teatro primitivo é uma área aberta de terra batida. Seus 
equipamentos de palco podem incluir um totem fixo no centro, um feixe de 
lanças espetadas no chão, um animal abatido, um monte de trigo, milho, 
arroz ou cana-de-açúcar. Da mesma forma, as nove mulheres da pintura 
rupestre paleolítica de Cogul dançam em torno da figura de um homem; ou 
o povo de Israel dançava em torno de bezerro de ouro; [...] ou, atualmente, 
os dançarinos totêmicos1 australianos se reúnem quando o espírito 
ancestral faz sentir sua presença (quando soam os mugidos do touro). [...] 
vestígios do teatro primitivo sobrevivem nos costumes populares, na dança 
em volta [...]da fogueira de São João. (BERTHOLD, 2001, p. 4) 
 
1 Totêmico: Relativos a totem, ou seja, símbolo para uma família, uma tribo. Disponível em 
,http://www.dicionarioinformal.com.br/tot%C3%AAmicos/. Acesso em 11/10/2015. 
 15 
Percebe-se a didática utilizada por Berthold (2001) quando faz suas 
analogias entre o teatro primitivo e atual, sempre enaltecendo os detalhes e a 
historicidade presente nos vestígios da pré-história que contribuem para que a 
sociedade atual possa entender seu passado e suas ações presentes. 
Figura 1 - Pintura na rocha na área de Cogul, sul de Lérida, Espanha; cena de 
dança ritual. Período Paleolítico, segundo H. Breuil. 
 
Fonte: BERTHOLD, 2001, p.2. 
 Entretanto, esse conceito de teatro, o da representatividade, é o 
significado mais comum. Se for considerado o que descreve o dicionário Michaelis2 
percebe-se que o significado é bem mais amplo: 
"Teatro". te.a.tro. sm (lat theatru) 1 Casa ou lugar destinado à representação 
de obras dramáticas, óperas ou outros espetáculos públicos. 2 Circo, 
anfiteatro. 3 Conjunto das obras dramáticas de um autor. 4 Coletânea das 
obras dramáticas de uma nação. 5 Literatura ou arte dramática. 6 A arte de 
compor obras dramáticas ou de representá-las. 7 A profissão de ator ou de 
atriz. 8 Lugar onde se verifica qualquer acontecimento notável. 9 Aparência 
vã, miragem, ilusão. 10 Obra escrita para instruir sobre certos princípios; 
exemplo, modelo, regra. T. de arena: teatro sem palco e sem cenários, onde 
o espetáculo se realiza numa pequena arena. T. de bonecos: forma de 
teatro que se utiliza de bonecos de vários tipos e tamanhos, apresentando 
peças infantis ou mesmo adultas. T. do mundo: o mundo, o público. T. lírico: 
teatro em que se representam óperas ou composições dramáticas postas 
em música. Abrir o teatro: começar a época teatral. Fechar o teatro: 
cessarem temporária ou definitivamente as representações teatrais. 
(MICHAELIS, 2008) 
 
2"TEATRO". In: DICIONÁRIO Michaelis. (2008). Disponível em: 
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-
portugues&palavra=teatro. (Acesso em: 08 out. 2015). 
 16 
Para Teixeira (2005), em Dicionário de Teatro, o termo é definido de 
modo mais específico: 
teatro. 1. Como expressão estética, a arte específica transmitida de um 
palco para uma platéia, por um ator ou atriz; a arte de representar. 2. Como 
expressão arquitetônica, é o edifício com características específicas, dotado 
basicamente de um palco, de onde são representadas para uma platéia 
obras dramáticas – óperas, comédias, balés, revistas musicais, dramas, etc. 
3. O conjunto das obras dramáticas de uma época (o teatro elisabetano), de 
um país (o teatro brasileiro), de uma corrente estética (o teatro romântico), 
de um autor (o teatro de Nelson Rodrigues). Entendido como drama, o 
teatro pressupõe uma síntese de vários elementos estéticos, pois se vale da 
contribuição de outras artes, tais como a arquitetura e as artes plásticas, na 
cenografia e na iluminação, ademais da música, da dança e da literatura. 
Como gênero literário ou forma dramática, traduzida em gestos e sons, o 
teatro tem sido reconhecido por diversos nomes, obedecendo à voga 
política, os hábitos sociais ou à escola literária em moda, bem como o estilo 
de sua representação. (TEIXEIRA, 2005, p 254) 
Esse autor complementa ainda, que a definição do termo "teatro" 
possui diversas variantes, dentre eles: Teatro do Absurdo (concepção filosófica do 
existencialismo que retrata a existência humana sob a prisma da incomunicabilidade 
e da irracionalidade); Teatro Amador (feito por atores que não tem o teatro como 
profissão principal); Teatro de Arena (o palco fica no centro da plateia); Teatro de 
Bolso (Sala de espetáculos de pequenas dimensões); Teatro de Bonecos 
(protagonizado por bonecos na forma de marionetes ou fantoches); Teatro de 
Dionísio (Santuário de Dionísio Eleutério fundado no século V a.C). 
Figura 2 - O Teatro de Dioniso,visto do alto da Acrópole. 
 
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_de_Dion%C3%ADsio 
 17 
Percebe-se assim, que este conceito é muito abrangente, referindo-
se desde a casa de espetáculos onde acontecem as peças de teatro, até o evento 
propriamente dito, com os acontecimentos pertinentes. Entretanto, ao analisar a 
bibliografia alusiva ao tema, constata-se realmente que os autores se referem a 
"teatro" normalmente mencionando a representação, isso levando em conta inclusive 
a história primitiva envolvendo essa questão. 
Na literatura encontramos informações sintetizadas conceituando o 
tema. Sabe-se que a palavra "teatro" deriva de verbos gregos "ver, enxergar", então 
pode-se dizer que "teatro" é o lugar de ver, ver o mundo, se ver no mundo, se 
perceber, perceber o outro e a sua relação com o outro. Sob a perspectiva 
pedagógica conclui-se que o teatro busca mostrar o comportamento social e moral, 
por meio do aprendizado de valores e pela interação entre as pessoas. 
Para Berthold (2001), o que diferencia essencialmente as formas de 
teatro primitivas e mais avançadas é a quantidade de acessórios cênicos utilizados 
pelos atores para expressar-se. Enquanto o artista de culturas primitivas apresenta-
se com chocalho de cabaça e pele de animal, a ópera barroca exibe uma verdadeira 
parafernália. Já a arte do século XX tem como característica a redução, sendo 
marcada por espetáculos de mímica, onde “o corpo do ator torna-se um instrumento 
que substitui uma orquestra inteira, uma modalidade para expressar a mais pessoal 
e, ao mesmo tempo, a mais universal mensagem “(2001, p.1). 
Figura 3 - Dançarino - "pássaro" maia, com chocalho e estandarte, Pintura na parede 
do templo de Bonampak, México, c. 800 d. C. 
 
Fonte. BERTHOLD, 2001, p 5. 
 18 
Segundo Silva e Azevedo (2013), para pensar a essência 
pedagógica do Teatro é preciso basear-se na análise da utilização de peças gregas 
escritas no século V a.C., considerando o contexto em que estavam inseridas e qual 
a finalidade das mesmas, inclusive levando em conta qual a percepção destas 
enquanto fazer artístico. 
A tendência à imitação é natural ao ser humano, bem como o gosto pela 
harmonia e pelo ritmo. Nos primórdios da humanidade, os homens foram 
aos poucos, mesmo sem perceber, provavelmente, criando a poesia e o 
teatro, fazendo rituais e invocando deuses que eram na verdade, para eles, 
as forças da natureza. (SILVA; AZEVEDO, 2013, p.65) 
É fato que em tempos remotos, as sociedades primitivas utilizavam o 
teatro com caráter ritualístico, ou seja, a crença no uso de danças e expressões 
corporais na forma de danças imitativas visando atrair as forças sobrenaturais as 
quais acreditavam que controlavam todos os eventos fundamentais para a 
sobrevivência, tais como fertilidade da terra, o sucesso nas batalhas e como meio de 
exorcizar os maus espíritos que acreditavam serem os causadores das doenças e 
desgraças que acometiam as comunidades. O teatro era em suma, uma espécie de 
ritual de celebração, agradecimento ou perda. 
O drama da Antigüidade nasceria da ampla arena do Teatro de Dioniso em 
Atenas, totalmente a vista dos cidadãos reunidos, não no crepúsculo místico 
do santuário de Deméter em Elêusis. O teatro primitivo utilizava acessórios 
exteriores, exatamente como seu sucessor altamente desenvolvido o faz. 
Máscaras e figurinos, acessórios de contra-regragern. cenários e orquestras 
eram comuns, embora na mais simples forma concebível. Os caçadores da 
Idade do Gelo que se reuniam na caverna de Montespan em torno de urna 
figura estática de um urso estavam eles próprios mascarados como ursos. 
Em um ritual alegórico-mágico, matavam a imagem do urso para assegurar 
seu sucesso na caçada. (BERTHOLD, 2001, p. 3) 
Assim, a representatividade é a alusão direta ao conceito de teatro 
em toda a sua história, sendo que através da observação dos registros históricos 
desde o homem primitivo é possível desvendar a historicidade de cada época, os 
costumes locais, as tradições, através destes rituais, danças e expressões corporais. 
Ou seja, o teatro é responsável por manter e resgatar a história da humanidade, 
desde os seus primórdios. 
Levando em consideração esses rituais como expressão poética e teatral, e 
tornando essa poesia algo com formas definidas, o filósofo grego Aristóteles 
(384 a.C. – 322 a.C.), escreveu no séc. III a.C. na Poética, que foi o primeiro 
 19 
escrito a conceituar poesia, entender o teatro como expressão poética, e 
dividir os chamados gêneros poéticos. Pode-se dizer que ele criou uma 
taxonomia do Teatro pelo desejo de diferenciar as artes. [...] Em sua obra, 
Aristóteles vê a arte como sendo uma imitação; sendo estes os primeiros 
escritos conhecidos que procuraram analisar as formas de arte e da 
literatura. (SILVA; AZEVEDO, 2013, p.65) 
Com a origem da civilização egípcia estes pequenos ritos tornaram-
se grandes rituais formalizados e sempre baseados em mitos. Estes mitos eram 
fundamentados em regras conforme o que propunham o estado e a religião. 
Basicamente era a história do mito em ação, ou seja, em movimento. 
Segundo a literatura pesquisada, na Grécia estes rituais tinham o 
objetivo de propagar as tradições e animar os nobres. Nesse sentido, segundo 
Moura (2011), pode-se dizer que o teatro no padrão que hoje conhecemos, teve sua 
origem no século VI a.C., na Grécia, surgindo "das festas dionisíacas realizadas em 
homenagem ao deus Dionísio, deus do vinho, do teatro e da fertilidade". Essas 
festas consistiam em rituais sagrados, procissões e recitais que continuavam 
duravam vários dias e eram realizadas uma vez ao ano sempre na primavera, época 
da colheita da uva e fabricação do vinho na região. 
Figura 4 - Cortejo dionisíaco (pintura em vaso grego). 
 
Fonte: http://12-efe.blogspot.com.br/2014_10_01_archive.html 
 
Estas procissões eram chamadas de “ditirambo”, um tipo de 
procissão que servia para homenagear o Deus Dionísio (Deus do vinho). Com o 
 20 
tempo o “ditirambo” evoluiu, dando origem a um coro formado por coreutas3 e pelo 
corifeu4, onde cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionadas a 
Deuses. Destaca-se a grande inovação quando se originou o diálogo entre coreutas 
e o corifeu, criando-se a ação na história e assim surgem os primeiros textos 
teatrais. 
Figura 5 - Estátua romana do Século II representando Dioniso de acordo com um 
modelo helenístico, exposta no Louvre. 
 
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dioniso 
O tirano de Atenas chamado Psístrato, promoveu o comércio e as 
artes e foi o fundador das Panatenéias5 e das Grandes Dionisíacas6, e fazia o 
 
3 Coreuta(s). 1. No antigo teatro grego, as personagens introduzidas na cena com a função de 
dialogar com os participantes do coro. 2. Cada um dos membros do coro. Fonte: TEIXEIRA, Ubiratã. 
Dicionário de Teatro. 
4 Corifeu. 1. Mestre do coro na antiga tragédia grega, exercendo a função de principal representante 
do povo e de intermediário entre os coreutas e as personagens principais; o chefe do coro; o 
narrador. 2. Poeta e cantor imaginoso e eloqüente que contava as cenas da vida dos deuses. Fonte: 
TEIXEIRA, Ubiratã. Dicionário de Teatro. 
5 As panateneias eram festas realizadas em homenagem à deusa grega Atena. Eram realizadas as 
pequenas (anuais) e as grandes panateneias (a cada quatro anos).Acredita-se que essas festas 
tinham como objetivo agradar à sábia deusa, para que ela protegesse as colheitas. Disponível em 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Panateneias. Acesso em 25/10/2015. 
 21 
possível para tornar esplendorosas essas festividades públicas. No mês de março 
do ano de 534 a.c.. esse idealizador à frente de sua época, trouxe de Icária para 
Atenas o ator Téspis para participar da Grande Dionisíaca. Considerado o primeiro 
ator, Téspis teve uma nova e criativa ideia que marcou a história, ao se colocar à 
parte do coro7 como solista, criando assim o papel do hypokrites8 que apresentavao 
espetáculo e se envolvia num diálogo com o condutor do coro. (BERTHOLD, 2001) 
[...] Téspis se apresentou na Dionisíaca de Atenas, usando uma máscara de 
linho com o s traços de um rosto humano, visível a distância por destacar-se 
do coro de sátiros, com suas tangas felpudas e cauda de cavalo. O local da 
Dionisíaca de Atenas era a encosta da colina do santuário de Dioniso, ao 
sul da Acrópole9 . Ali erguia-se o templo com a velha imagem de madeira do 
deus, trazida de Eleutera: um pouco mais abaixo ficava o círculo da dança, 
e então, num terraço plano, a orchestra. Em seu centro, sobre um pedestal 
baixo. erguia-se o altar sacrificial (thumelê10) A presença do deus tornava-
se real para os espectadores; Dioniso estava ali com todos eles, centro e 
animador de uma cerimônia solene, religiosa, teatral. Como todas as 
grandes peças cultuais do mundo, esta começou com um sacrifício de 
purificação. (BERTHOLD, 2001, p.105). 
Segundo a literatura, Téspis registrou seu nome na história, ao 
participar de um ritual sagrado vestido com uma máscara humana, ornada com 
cachos de uvas, e subir no tablado em praça pública afirmando: “Eu sou Dionísio!”. 
Certamente todos ficaram espantados com a audácia deste homem que colocou-se 
no lugar de um deus, ou seja, representando ser um deus, fato inédito até então, 
 
6 Com origem na época de Péricles, as Grandes Dionisíacas constituíam um ponto culminante e 
festivo na vida religiosa, intelectual e artística da cidade-estado de Atenas. Eram festividades que 
duravam seis dias. Disponível em: http://pequenahistoriadoteatro.blogspot.com.br/2009/04/as-
grandes-dionisiacas.html. Acesso em 21/10/2015. 
7 Coro. 1. Conjunto de atores que representavam o povo no teatro clássico. 2. Parte de uma obra 
dramática, declamada ou cantada por vários atores. – Na sua origem histórica, na tragédia e na 
comédia grega, o coro narrava ou comentava a ação, cantando ou declamando. Na sua forma 
organizada mais primitiva, formava um conjunto de quinze coreutas dirigidos pelo corifeu, competindo 
a eles apresentar ou comentar a ação dramática, declamar a parte lírica da obra, cantar e dançar. Os 
movimentos dos coros eram realizados na orchestra, espaço do edifício teatral especialmente 
reservado às suas evoluções. Fonte: Dicionário de Teatro. 
8 Ao mencionar qualquer artista que exercia o ofício de ator, os gregos empregavam a palavra 
“hypokrités” que simbolizava, artisticamente, a pessoa que representava, utilizando-se de várias 
faces, por conta do uso de máscaras diferentes. Disponível em 
http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=1480. Acesso em 15/10/2015. 
9 Acrópole (do grego ἀκρόπολις, composto de ἄκρος, "extremo, alto", e πόλις, "cidade") é a parte da 
cidade construída nas partes mais altas do relevo da região. A posição tem tanto valor simbólico 
(elevar e enobrecer os valores humanos) como estratégico, pois dali podia ser melhor defendida. Era 
na acrópole das diversas cidades que se construíam as estruturas mais nobres, tais os templos e os 
palácios dos governantes. Disponivel em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Acr%C3%B3pole>. Acesso em 
09/10/2015. 
10 O thumelê era uma pedra fincada no centro da orquestra destinada as oferendas para o deus 
Dionísio. 
 22 
pois na época a perspectiva da sociedade é que um deus era para ser louvado pois 
era considerado intocável. 
Figura 6 - Téspis o primeiro ator grego e do mundo. 
 
 
Fonte: http://maxdanielartes.blogspot.com.br/2013/05/atores-e-protagonistas.html 
Téspis, certamente se arriscou ao transformar o sagrado em 
profano e o ritual em teatro. Pela primeira vez na história, um ser Humano 
apresenta-se diante de uma platéia representando outro Ser, no caso, um deus. 
Este fato foi considerado o marco inicial da ação dramática e Téspis ficou conhecido 
como o primeiro ator do mundo ocidental, e também como o primeiro produtor 
teatral. Entretanto, não há registros literários detalhados sobre a vida de Téspis. 
Sabe-se apenas que ele teria começado a representar em um Coro, tornando-se 
líder de um deles. Viajou pela Grécia, numa carroça que mais tarde ficaria conhecida 
como "carro de Téspis" que lhe servia de transporte e de palco para as suas 
representações. 
Berthold (2001) ao citar esse fato de Téspis, descreve em detalhes o 
local onde o mesmo se apresentou, notadamente percebendo-se que a 
apresentação acontecia no centro da plateia, ou teatro de Arena. O autor Patrice 
Pavis (2005) define o Teatro de Arena como aquele no qual os espectadores são 
 23 
dispostos em torno da área de atuação, como no circo ou numa manifestação 
esportiva não apenas pensando na unificação do público, mas proporcionar aos 
espectadores a participação de um rito em que todos se envolvem emocionalmente. 
Comentando sobre essa relação entre teatro e público, Berthold 
(2001) afirma que “não podemos nos esquecer de que a tragédia antiga em Atenas 
era uma ação ritual e, por essa razão, acontecia não tanto no palco quanto na mente 
das pessoas. O teatro e o público eram circuncidados por uma atmosfera 
extrapoética, a religião” (2001, p. 114). 
"A finalidade de representar, tanto no princípio quanto agora, era e é 
oferecer um espelho à natureza; mostrar à virtude seus próprios traços, à 
infâmia sua própria imagem, e dar à própria época sua forma e aparência". 
(SHAKESPEARE, 1984, Ato III, cena II) 
Heluy (2013) descreve que num estágio de maior desenvolvimento, 
o conceito de teatro foi modificando e passou a ser lugar de representação de 
lendas relacionadas aos heróis e deuses. Na Grécia antiga, por exemplo, os festivais 
anuais em honra ao Deus do Vinho), que para os gregos era deus Dionísio, era 
comum a representação de tragédias e comédias. E como decorrência destes 
eventos nasceu a peça satírica, onde os papéis eram representados por homens, 
pois na época, era proibida a participação de mulheres. Segundo este autor, foi 
nesse mesmo período, que os romanos construíram seu teatro, sob influencia do 
teatro grego, mas apresentando suas próprias inovações, dentre elas a 
pantomima11. 
Percebe-se assim que propositalmente, ou não, o legado deixado 
para a posteridade pelos gregos, foi um Teatro com cunho essencialmente 
pedagógico, e que se estende da Antiguidade, passando pela Idade Média, até os 
dias da atualidade, quando trabalhos são realizados sob a perspectiva do Teatro 
enquanto meio formador. Constata-se que a Civilização mais conhecida por seu 
Teatro é a Grega, e não é por acaso pois as peças teatrais gregas tinham um cunho 
formador, pedagógico, permeado a elas e que é detalhe marcante nos escritos 
teatrais da Antiguidade. Berthold (2001) destaca em sua obra que em nenhum outro 
lugar uma arte teve um papel tão social, e foi tão importante como para os gregos, 
que participavam massivamente dos espetáculos nas arenas. Ressalta-se que a 
 
11 "Pantomima": espécie de teatro em que apenas um ator representava todos os papéis, com a 
utilização de máscara para cada personagem interpretado. 
 24 
disposição de atores e público do teatro em forma de arena, possui um significado 
peculiar que não era apenas uma questão de propagação de som12 mas uma forma 
de organizar a plateia em forma de círculo, fazendo com que todos se sentissem 
participantes do que estava acontecendo. 
Entretanto, todo o sucesso do teatro de multidões foi ofuscado e 
limitado, quando o Cristianismo considerou o teatro como rito pagão e foi 
responsável pela extinção das representações teatrais, inviabilizando as produções 
por falta de patrocinadores. Entretanto a própria Igreja propiciou o renascimento do 
teatro, na Era medieval quanto foram realizadas encenações da ressurreição de 
Cristo. Segundo Silva e Azevedo (2013) a partir dessa iniciativa, o teatro foi utilizado 
como veículo de propagação de conteúdos bíblicos. 
Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer parte das 
atuações teatrais na Inglaterra a na França. No Brasil, oteatro tem sua 
origem com as representações de catequização dos índios. As peças eram 
escritas com intenções didáticas, procurando sempre encontrar meios de 
traduzir a crença cristã para a cultura indígena. Ao cabo do século XVIII, as 
mudanças na estrutura dramática da peças foram reflexo de 
acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução 
Francesa. (HELUY, 2013, p. 4) 
Segundo a literatura, no final século XVIII, as mudanças na estrutura 
dramática das peças refletiram os acontecimentos históricos como a Revolução 
Industrial e a Revolução Francesa. Nessa época surgiram formas como o 
melodrama, que atendia ao gosto do grande público. No século XIX as inovações 
cênicas e infra estruturais do teatro tiveram prosseguimento. Ao cabo do século XIX 
vários autores passaram a assumir uma postura de criação bastante diversa da de 
seus precursores românticos, enfatizando arte sob a perspectiva de veiculo de 
denúncia da realidade. 
Silva & Azevedo (2013) destaca que a característica básica do teatro 
do século XX é o ecletismo e a quebra de antigas tradições, sem vinculação a um 
único padrão predominante. O teatro deve ser apresentado sob perspectiva formal e 
consciente da sua representatividade vivido por atores unicamente personagens, 
mas desvinculados da vida real. Todas as inovações pelas quais o teatro foi 
passando exigiram o surgimento da figura do diretor, que trata de todos os estágios 
artísticos de uma produção. Entretanto, pode-se dizer que as ideias de Bertolt Brecht 
 
12 As arenas eram construídas próximo a montanhas para que o som batesse nas rochas e voltasse 
 25 
foram as que mais influenciaram o teatro moderno. Segundo dizia Brecht, o ator 
deve manter-se consciente do fato que esta atuando e que jamais pode emprestar 
sua personalidade ao personagem interpretado. 
No que se refere a história do teatro no Brasil, sabe-se que uma das 
primeiras manifestações do teatro no Brasil ocorreu no século XVI quando o teatro 
era utilizado pelos jesuítas para instruir religiosamente os índios e colonos. Destaca-
se o padre Anchieta como um dos principais jesuítas que utilizou estes tipos de 
representações que eram chamadas de teatro de catequese, o qual possuía uma 
preocupação muito mais religiosa do que artística. Os atores eram amadores e não 
existiam espaços destinados à atividade teatral, as peças eram encenadas em 
praças, ruas, colégios entre outros. Durante o século XVII além do teatro de 
catequese surgem outros tipos de teatros visando a celebração de festas populares 
e acontecimentos políticos, inclusive alguns lembram muito o carnaval como 
conhecemos hoje, onde as pessoas saíam às ruas para comemorações vestidas 
com adereços, desfilando mascaradas, dançando, cantando e tocando instrumentos 
(SEED, 2011). 
Com a chegada da família real no Brasil, em 1808, o teatro dá um grande 
salto. D. João VI assina um decreto de 28 de maio de 1810 que reconhece 
a necessidade da construção de "teatros decentes" para a nobreza que 
necessitava de diversão. Grandes espetáculos começaram a chegar no 
Brasil, porém, além de serem estrangeiros e refletirem os gostos europeus 
da época eram somente para os aristocratas e o povo não tinha qualquer 
participação, o teatro não tinha uma identidade brasileira. (SEED, 2011) 
Segundo Batista (2014) foi durante o século XIX que o teatro 
brasileiro começa a se configurar e um grande marco foi a representação da 
tragédia Antônio José ou O Poeta e a Inquisição de Gonçalves Magalhães no dia 13 
de março de 1838. 
Segundo a literatura, essa peça foi encenada por uma companhia 
brasileira, com atores e finalidade nacionalistas integrado pelo ator João Caetano. 
No ano de 1855 surge o teatro realista no Brasil, deixando de lado a tragédia e 
objetivando o debate de temas atuais, problemas sociais e conflitos psicológicos 
com o intuito de mostrar e revelar o cotidiano da sociedade, o amor adúltero, a 
falsidade e o egoísmo humanos. Joaquim Manoel de Macedo, autor da obra-prima A 
Moreninha, de Arthur Azevedo é um dos mais importantes autores dessa época. A 
 
para o público, não se propagasse além daquele local. (N.T.) 
 26 
renovação do teatro brasileiro aconteceu a partir de 1943, com a estreia de Vestido 
de Noiva, de Gian Francesco Guarnieri e Nelson Rodrigues, sob a direção de 
Ziembinski, que escandalizou a plateia e promoveu a modernização do palco 
brasileiro. Vestido de Noiva fez um grande sucesso assim como o Auto da 
Compadecida, de Ariano Suassuna. O golpe militar em 1964 implantou a censura e 
muitas peças de teatro foram proibidas. Somente a partir dos anos 70 o teatro 
novamente ressurge mostrando produções constantes. (SEED, 2011) 
Figura 7 – Cartaz da Peça de Teatro “O Auto da Compadecida”. 
 
 
Fonte: http://www.teatros.art.br/teatro-fashion-mall-rj/peca/o-auto-da-compadecida/ 
 
Embora nem sempre valorizado, o teatro pode ser considerado 
fundamental na formação cultural de qualquer pessoa pois ele proporciona o 
conhecimento da própria cultura. No que tange às crianças, o teatro ajuda no seu 
desenvolvimento e formação, despertando o desejo pelo conhecimento. Diante disso 
pode ser um complemento na educação básica de todo o jovem, pois auxilia 
trazendo informação e entretenimento de uma forma mais prazerosa e divertida. É 
importante que os pais se conscientizem dessa importância e sempre que possível 
levem os filhos a uma peça teatral, adequada para a faixa etária, pois o teatro é 
importante para todos na busca por mais conhecimento. O teatro, mais do que uma 
simples apresentação pode trazer muito conhecimento para o público, independente 
de idade. Devido a sua importância fundamental para as crianças, o teatro deve ser 
incluído nas grades curriculares proporcionando uma aula descontraída e divertida, 
 27 
que ao mesmo tempo abordasse o conteúdo proposto, ao tempo em que pode 
oferecer a oportunidade de apreciar as diferentes culturas, desenvolvendo a 
interatividade e a oratória. (KANZAKI, 2011) 
 
 
2.2 TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL SOB A PERSPECTIVA DA LEGISLAÇÃO 
PERTINENTE 
Para abordar a questão do teatro como ferramenta pedagógica na 
educação infantil, é imprescindível que se esclareçam quais são os eixos 
norteadores da legislação pertinente e de que forma o teatro foi tratado ao longo da 
história reconhecidamente como importante para a formação do indivíduo em seu 
contexto global. 
Sabe-se que desde os tempos de Platão o teatro é utilizado com a 
intenção de educar, sendo objeto de estudo e permeado de valores didáticos, 
visando formar a personalidade do homem. 
No Brasil, a primeira iniciativa do uso do teatro para fins 
educacionais foi como método artístico de catequização dos índios e foi considerado 
por muitos autores como uma das formas mais completas de catequização Jesuítica. 
O método utilizado era reunir grupos, normalmente de crianças indígenas, para 
ensaiar as peças escritas pelos missionários que tematizavam o cotidiano dos 
índios, inserindo seu conceito de censura através da moral e bons costumes 
europeus cristãos. D´Araújo (2000, p 28) destaca que o teatro foi utilizado antes 
mesmo de se ensinar a ler, escrever e contar, a fim de se ter mais aceitação dos 
nativos, tendo em 1530 o primeiro teatro com missa na Bahia. 
Entretanto, não obstante essa iniciativa tão marcante na história de 
nosso país, em que o teatro teve um papel fundamental durante o processo do 
Colonização, constata-se que o teatro foi praticamente ignorado no currículo escolar 
durante muitos anos, em detrimento de temas específicos que sempre foram 
abordados. A legislação não contemplava o teatro como conteúdo a ser incluído no 
cotidiano dos alunos. As primeiras noções de arte no âmbito escolar, não passavam 
de singelas atividades ligadas ao desenho geométrico, trabalhos manuais e canto 
 28 
orfeônico13. Esta realidade começou a mudar com a promulgação da Lei de 
Diretrizes e Basesno ano de 1961, a LDBEN, que inseriu no currículo da escola 
fundamental as práticas educativas, entre elas a arte dramática. 
Em nosso país, as tentativas de utilização do teatro como instrumento no 
processo educativo acumularam-se através da história, mas sua vertente 
escolarizada consolidou-se progressivamente somente nos últimos 50 anos, 
graças a muitos fatores, dentre eles o reconhecimento crescente da 
importância do teatro na aprendizagem, assim como os movimentos de 
educadores que contribuíram para sua inserção na educação básica. ” 
(SANTANA e PEREGRINO, 2001, p. 97) 
Constata-se a presença efetiva do teatro na escola a partir da lei 
5692/71, com a obrigatoriedade da Educação Artística impulsionando o ensino das 
artes cênicas em todos os níveis da escolaridade. 
Pode-se afirmar que a consolidação dessas conquistas foi 
reafirmada pela Lei nº 9394/96, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) de 
20 de dezembro de 1996, que reza em seu artigo 26, parágrafo 2º que “o ensino da 
arte especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular 
obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o 
desenvolvimento cultural dos alunos"(BRASIL, 1996, p. 19). O teatro começa então 
a ser abordado na disciplina de artes, como forma de expressão corporal e 
desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Várias discussões envolvendo 
inclusive a Unesco, buscaram a valorização do teatro no âmbito escolar como práxis 
educativa e pedagógica. 
[...] a área de teatro é importante para o desenvolvimento da criatividade e 
da capacidade simbólica de crianças, jovens e adultos, sendo também uma 
forma de abrir as portas da escola para a entrada dos valores da 
comunidade e suas tradições artísticas e culturais. (UNESCO, 2002) 
Importante ressaltar que o verdadeiro reconhecimento do teatro 
como conteúdo importante para o ambiente escolar, foi a concretização 
proporcionada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação 
Fundamental (PCN) a qual, instituiu o Teatro como uma das linguagens da área de 
 
13 “Orfeônico”: Relativo ao Deus Grego Orpheu. Sistema de canto, coral surgido na Europa na metade 
do Século XIX. Participação de Grupos discentes de instituições de ensino regular que faziam 
apresentações públicas.. Disponível em http://www.dicionarioinformal.com.br/orfe%C3%B4nico/ 
Acesso em 28/10/2015. 
 29 
Arte. Vale ressaltar que na proposta dos PCN de-Arte referente as séries finais do 
ensino fundamental, a nomenclatura Artes Cênicas foi substituída por Teatro e 
Dança, possivelmente com a intenção de delimitar melhor esses campos. 
Ao efetuar a leitura desses parâmetros, percebe-se de imediato que 
nesse documento o Teatro na escola aparece como “uma combinação de atividade 
para o desenvolvimento global do indivíduo, consciente e crítico, um exercício de 
convivência democrática”, (BRASIL, 1997, p.84). 
Segundo Brasil(1997), o ato de dramatizar faz parte do potencial de 
cada pessoa, necessário para a compressão e representação de uma realidade. A 
dramatização dessa forma, permeia o desenvolvimento da criança manifestando-se 
espontaneamente ao assumir feições e funções diversas, promovendo a evolução 
do jogo espontâneo para o jogo de regras, do individual para o coletivo. Nesse 
sentido, ao trabalhar o teatro com a criança, cria-se a oportunidade de desenvolver 
nela o crescimento dentro do grupo social de modo responsável, estabelecendo 
relações entre o individual e o coletivo, e promovendo a interação dentro do grupo, 
criando situações que gerem o acolher e o ordenamento de opiniões, o respeito as 
diferentes manifestações, com o objetivo de organizar a expressão de um grupo. 
Ressalta-se que de modo geral, os conteúdos propostos pelo b para 
as séries iniciais são bem formulados, adequados e objetivos. O primeiro bloco, que 
trata da produção, permite vislumbrar a prática na sala de aula: 
[...]Reconhecimento e utilização dos elementos da linguagem dramática: 
espaço cênico, personagem e ação dramática. [...] Experimentação na 
improvisação a partir de estímulos diversos — temas, textos dramáticos, 
poéticos, jornalísticos, objetos, máscaras, situações físicas, imagens e sons 
(BRASIL, 1997, p. 86). 
Percebe-se assim, que o subsidio oferecido ao professor é bem útil e 
objetivo. 
Complementar à LDB (1996) e a estas iniciativas, é de 
imprescindível importância para a consolidação do uso do teatro como mecanismo 
pedagógico, o PL 7032/2010, ainda em trâmite durante a execução deste estudo. 
Este projeto de Lei altera os §§ 2º e 6º do art. 26 da citada Lei nº 9.394/96 a qual fixa 
as diretrizes e bases da educação nacional, para instituir, como conteúdo obrigatório 
no ensino de Artes, a música, as artes plásticas e as artes cênicas. 
 30 
“Art. 26. ................................. 
§ 2º O ensino de Artes, compreendendo obrigatoriamente a música, as artes 
plásticas e as artes cênicas, constitui componente curricular de todas as 
etapas e modalidades da educação básica, de forma a promover o 
desenvolvimento cultural dos estudantes. 
................................................................................................................. 
§ 6º A música, as artes plásticas e as artes cênicas constituem conteúdo 
obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 
2º.” (NR) (SENADO, 2010)14 
Em suma, o que esta alteração na LDB está propondo, é a 
obrigatoriedade da inclusão da dança e teatro na educação básica. A justificativa do 
relator do projeto Alessandro Molon é que “o incentivo ao ensino dessas linguagens 
artísticas propicia, simultaneamente, o desenvolvimento pessoal do indivíduo e a 
preservação da cultura nacional"15. 
Esta alteração na LDB certamente será um motivo valioso para que 
o ensino de teatro ocupe o merecido lugar de importância no currículo da educação 
básica, haja visto a sua extrema importância no desenvolvimento global das 
crianças. Entretanto, sabe-se que ainda há um longo caminho a percorrer até a 
concretização do teatro na educação com todos os benefícios que ele pode oferecer. 
Para que no futuro o teatro na educação assuma o seu verdadeiro papel, 
que é o de contribuir para o desenvolvimento emocional, intelectual e moral 
da criança, correspondendo fielmente aos seus anseios e desejos, 
respeitando-lhe as etapas do pensamento que evolui do concreto para o 
formal, para dar-lhe uma visão de mundo a partir da marcha gradativa das 
suas próprias descobertas é preciso que se atendam dois pontos 
essenciais: - a preparação dos professores - o apoio governamental, isso é, 
uma efetiva ação do Ministério da Educação e da Cultura. (REVERBEL, 
1979, p. 155) 
É nítida a preocupação dos autores envolvidos com essa questão 
quanto ao comprometimento dos governantes quanto ao assunto, pois estão cientes 
que o estimulo promovido pelo uso do teatro como ferramenta pedagógica é 
imprescindível para que se possa atingir os objetivos que as novas metodologias 
que permeiam a educação exigem para formar o cidadão preparado para a 
sociedade, colocando em prática todo seu potencial que o teatro ajudou a 
exteriorizar. 
 
 
14 Disponível em <http://www.senado.leg.br/atividade/rotinas/materia/getPDF.asp?t=177988&tp=1> 
(2015). Acesso em 01/11/2015). 
15 Disponível em http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-
CULTURA/493165-CAMARA-APROVA-DANCA-E-TEATRO-COMO-DISCIPLINAS-OBRIGATORIAS-
DA-EDUCACAO-BASICA.html (2015). Acesso em 01/11/2015. 
 31 
 
2.3 TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA PERSPECTIVA PEDAGÓGICA. 
Para iniciar esta análise do teatro, no âmbito da Educação Infantil 
sob a perspectiva pedagógica, foi realizado amplo estudo baseado nos Referenciais 
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCN–EI), obviamente focando no 
que se refere às possibilidades com o teatro. 
Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da 
identidade e da autonomia.O fato de a criança, desde muito cedo, poder se 
comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado 
papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas 
brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades 
importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. 
Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da 
interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. 
(BRASIL, 1998, p 22) 
Assim, nas séries iniciais do ensino fundamental, o ensino do teatro 
pode ser implementado a partir desta perspectiva de brincadeiras características de 
cada idade, através da diferenciação de papéis, no faz-de-conta, quando as crianças 
brincam como se fossem outras pessoas do seu cotidiano como o pai, a mãe, o 
filhinho, o médico, o paciente, heróis e vilões etc., imitando e recriando personagens 
observados ou imaginados nas suas vivências. Esse processo de fantasia e a 
imaginação são elementos fundamentais para que a criança aprenda mais sobre a 
relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro, e é nessas circunstâncias que 
o uso do teatro vem de encontro a estas aspirações das crianças sendo utilizado 
como práxis pedagógica. 
Segundo Brasil (1998), no faz-de-conta, as crianças representam e 
aprendem a agir em função da imagem de uma pessoa, de uma personagem, de um 
objeto e de situações, evocando emoções, sentimentos e significados vivenciados 
em outras circunstâncias. Nessa faixa etária, brincar funciona como um cenário no 
qual as crianças tornam-se capazes não só de imitar a vida como também de 
transformá-la. Os heróis, por exemplo, lutam contra seus inimigos, mas também 
podem ter filhos, cozinhar e ir ao circo, ou seja, total liberdade para imaginar e criar. 
No faz-de-conta, as crianças buscam imitar, imaginar, comunicar e representar que 
uma coisa pode ser outra, uma pessoa pode ser uma personagem, uma criança 
 32 
pode ser um objeto ou um animal, que um lugar “faz-de-conta” que é outro. 
Brincar constitui-se, dessa forma, em uma atividade interna das crianças, 
baseada no desenvolvimento da imaginação e na interpretação da 
realidade, sem ser ilusão ou mentira. Também tornam-se autoras de seus 
papéis, escolhendo, elaborando e colocando em prática suas fantasias e 
conhecimentos, sem a intervenção direta do adulto, podendo pensar e 
solucionar problemas de forma livre das pressões situacionais da realidade 
imediata. (BRASIL, 1998, p 23) 
Constata-se assim, que ao utilizar o teatro, o professor tem um 
campo fértil e propício para o desenvolvimento das atividades pedagógicas 
propostas, inserindo os conteúdos de forma gradativa e sequencial, à medida que 
para as crianças elas estão apenas brincando e desempenhando papéis. Dentro 
desta proposta, inúmeras atividades podem ser desenvolvidas, de modo a propiciar 
a satisfação das crianças em sistematizar o conhecimento através de atividades 
prazerosas e interdisciplinares. 
Outro ponto positivo ao promover atividades do faz-de-conta é a 
constatação de que as crianças enriquecem sua identidade, ao experimentar outras 
formas de ser e pensar, ampliando suas concepções sobre as coisas e pessoas ao 
desempenhar vários papéis sociais ou personagens. Durante essas brincadeiras, as 
crianças promovem a elaboração e negociação de regras de convivência, 
representando sentimentos, emoções e construções humanas. 
Por meio da repetição de determinadas ações imaginadas que se baseiam 
nas polaridades presença/ausência, bom/mau, prazer/desprazer, 
passividade/ atividade, dentro/fora, grande/pequeno, feio/bonito etc., as 
crianças também podem internalizar e elaborar suas emoções e 
sentimentos, desenvolvendo um sentido próprio de moral e de justiça. ( 
BRASIL, 1998, p 23). 
Percebe-se assim, que o RCN-EI não se refere a implantação do 
teatro propriamente dito na educação infantil, mas indiretamente demonstra as 
vantagens de inclui-lo como práxis pedagógica enumerando as possibilidades a 
serem envolvidas nessa abordagem. Certamente, ao seguir o proposto nesses 
referenciais, o professor criativo será tentado a utilizar o teatro como recurso 
pedagógico muito útil para atingir os objetivos propostos nos CMEIs (Centro 
Municipal de Educação Infantil) e séries iniciais da educação infantil. 
Quando se refere a CMEIs a pergunta é: é possível trabalhar noções 
de teatro com crianças bem pequenas? A resposta é sim, mas exige muita 
 33 
criatividade e conhecimento por parte do professor, que deve organizar situações de 
interação em que panos, fraldas ou anteparos como caixas e biombos possam ser 
utilizados para esconder o rosto ou o corpo todo da criança e do parceiro, num jogo 
de esconder e aparecer, pois nessa faixa etária, o faz-de-conta é baseado 
principalmente da imitação. Podem ser realizadas atividades em que as crianças 
imitem ações representando diferentes pessoas, personagens ou animais, 
reproduzindo ambientes como casinha, trem, posto de gasolina, fazenda etc. O 
principal é sempre promover a interação entre as crianças compartilhando um 
mesmo objeto, tal como empurrar o berço como se fosse um meio de transporte, 
levar bonecas para passear ou dar de mamar, cuidar de cachorrinhos etc. Assim, a 
representação que é a essência do teatro está permeando as atividades 
pedagógicas, contribuindo para o crescimento social e educacional dessas crianças. 
Figura 8 – Teatro na Educação Infantil 
 
 
Fonte: http://www.portaldecanoinhas.com.br/noticias/7912 
RCN-EF sugere como subsídio para facilitar o trabalho do professor 
ao implantar o teatro como práxis, adotar o faz-de-conta na prática cotidiana das 
crianças da educação infantil. A ideia é organizar na sala um espaço separado por 
uma cortina, no qual as crianças poderão se esconder, fantasiar-se, brincar de 
casinha, construir. Nesse espaço estarão disponíveis diversos materiais sugestivos 
como panos coloridos, cordas, caixas de papelão, espelho, um baú de objetos, 
brinquedos e roupas ou fantasias. A representação será o eixo norteador para a 
 34 
aprendizagem, podendo o professor implantar desde a alfabetização, conhecimento 
de cores, formas geográficas, tudo explorando as possibilidades do teatro. 
Aliás, no que se refere ao “aprender brincando”, autores renomados 
como Olga Reverbel (1979) defendem o teatro como a arte de manipular os 
problemas humanos, expondo-os e equacionando-os. Para ela, o teatro tem a 
função educativa nata, e o processo de aprendizagem ocorre através da diversão, 
culminando no desenvolvimento emocional, intelectual e moral da criança, ao 
adequar-se aos seus desejos e anseios e proporcionando a descoberta de suas 
próprias experiências e descobertas. Ao desenvolver a auto expressão, permite o 
desenvolvimento global das potencialidades da criança. Nesse sentido a diversão é 
de suma importância pois ao imitar a realidade brincando a criança aprofunda a 
descoberta e isso é subsidio imprescindível para o processo de eclosão da 
personalidade e do imaginário que constitui uma forma de expressão privilegiada da 
criança. A criança tem a necessidade de brincar, jogar, pensar, comparar, 
compreender, perceber, sentir, desenvolver e conhecer seu espaço, descobrindo o 
mundo e integrando-se com o meio à medida que constrói o conhecimento e 
concretiza-se a socialização. Sob esta perspectiva o teatro no contexto da educação 
possui a função de mobilização global das capacidades criadoras e o aprimoramento 
da relação vital da criança com o mundo casual, pois as atividades dramáticas 
trabalhadas através do teatro, liberam a criatividade e humanizam a criança, à 
medida que ela é capaz de aplicar e integrar o conhecimento adquirido nas demais 
disciplinas da escola e, especialmente, na vida, implicando no desenvolvimento 
gradual nas áreas cognitiva e afetiva do ser humano. 
Nosso objetivo na escola não é ter um aluno-autor, um aluno-pintor ou um 
aluno compositor,mas sim dar oportunidades a cada um de descobrir o 
mundo, a si próprio e a importância da arte na vida humana. (REVERBEL, 
1989). 
Ao trabalhar com o teatro em sala de aula, o professor deve estar 
ciente que teatro é instrução, mas possui múltiplas manifestações. O teatro tem a 
função de prazer, alegria, algo que é agradável. Não deve passar a impressão de 
algo direcionado a regras de conduta, mas oportunidade de imitar, de realizar, 
transformar-se e transformar. A criança deve ter prazer em participar da construção 
de cenários, figurinos, enfim, seguindo a essência do teatro na escola que é 
aprender brincando. O trabalho cenográfico, pela sua complexidade, permite o 
 35 
desenvolvimento do pensamento reflexivo sobre a obra ou história encenada, 
podendo o professor trabalhar perfeitamente a interdisciplinaridade ao criar com as 
crianças o cenário representando o lugar onde será realizada a cena: lugar 
geográfico e social, época histórica, estações do ano, horários, condições 
meteorológicas... assim, através desse contexto de construção do cenário, a criança 
para a entender os acontecimentos que permearão a cena. Ao interpretar ela dará 
vida a palavras que se revestirão de significado e possuirão funções variadas, 
conforme o gênero abordado, seja ele dramático, literário ou outro. 
Ao observar depoimentos de professores que afirmam estar 
implantando o teatro como práxis pedagógica, o que se constata é que muitas vezes 
o que está sendo feito é a utilização do teatro como forma de “lição de moral” e não 
de divertimento ou aprendizagem num contexto mais amplo. 
Ainda predomina a ideia que tudo o que permeia o processo de 
educação da criança deve ter algum ensinamento, imposição de valor moral e ético. 
Dessa forma, o que se observa é que no teatro reproduzem-se peças que ao invés 
de divertir ou promover a espontaneidade das crianças, tornam-se um simples 
repasse de valores considerados importantes para a sociedade, como respeitar os 
mais velhos, estudar, ser educado, etc. 
Um exemplo disso foi observado no “Dia da Família” promovido por 
uma escola de séries iniciais do ensino fundamental situada num município do 
interior do Paraná, que para preservar a identidade dos envolvidos será tratada aqui 
como MM. A direção juntamente com os professores promove sempre no mês de 
setembro, um dia onde os alunos fazem apresentações artísticas, muitas vezes 
peças de teatro as quais são idealizadas e ensaiadas pelos educadores. Um desses 
eventos foi observado e analisado como subsidio para este trabalho. Não obstante a 
presença maciça dos familiares e a animação das crianças, o que se constatou 
foram longas e repetidas histórias baseadas em lição de moral, conscientizando os 
pais a valorizar os filhos e os filhos a obedecer aos pais. Atividades que já não eram 
novidade há duas décadas. Percebe-se assim, que o teatro ainda não está sendo 
explorado em todo o seu potencial que pode ser oferecido ás crianças, limitando-se 
a meras imitações quase que robóticas, muitas vezes esquecendo-se do 
desenvolvimento da criança, seja intelectual, cognitivo, até mesmo o seu 
desenvolvimento corporal. 
Esta visão arcaica que ainda permanece, talvez seja provocada pela 
 36 
falta de políticas educacionais que promovam a formação continuada dos docentes, 
adaptando-os para os novos conceitos e exigências que a nova metodologia 
educacional exige. 
As crianças cada vez mais estão interagindo com a farta tecnologia 
disponível na atualidade, e as atividades oferecidas na escola devem ser dinâmicas 
e inovadoras para competir com o mundo digital e despertar o interesse da criança. 
O teatro vem de encontro a esta necessidade, quando bem utilizado pelo professor, 
pois além de oferecer algo diferente e atraente para o aluno, promove a criatividade 
e serve como válvula de escape para crianças com a “síndrome do pensamento 
acelerado”16, um mal que atinge praticamente todas as crianças da sociedade atual, 
viciadas nos meios que a tecnologia oferece, seja celular, jogos, computador e 
similares. Esse tipo de atividade a medida que torna o brinca cada vez mais 
individualizado, formando indivíduos fechados em si mesmo, sem capacidade de 
interação, refletindo negativamente no comportamento social e emocional. 
Nós estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância. Nossas 
crianças estão realizando um trabalho intelectual escravo legalizado, são 
colocadas em mil cursos mais televisão, internet, celular, smartphone. Elas 
não têm tempo de desenvolver o processo de elaboração, de experimentar-
se nas dificuldades, não têm tempo para a arte da contemplação, 
capacidade de estruturar-se, trabalhar as perdas e frustrações. Com 
certeza, a melhor época para formar as funções da inteligência 
socioemocional está sendo perdida, e a infância perdida gera 
consequências graves. (Cury, 2015)17 
Nesta perspectiva, diversos autores fizeram estudos e publicaram 
obras visando oferecer subsídios para os professores para utilizar o teatro como 
ferramenta pedagógica, ao tempo em que resgata antigas brincadeiras que 
promovam a interação entre as crianças e o seu desenvolvimento, promovendo o 
processo chamado de “desaceleração” e a consequente oportunidade para as 
crianças vivenciarem as experiências recomendadas para cada faixa etária. Essas 
 
16 Augusto Cury, psiquiatra e cientista da mente fala em seu livro Nunca desista de seus Sonhos, Ed. 
Sextante, p.120, da SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado) cujos sintomas são mente agitada, 
sofrimento por antecipação, sobrecarga do córtex cerebral, fadiga excessiva, déficit de concentração, 
esquecimento, irritabilidade, dificuldade de contemplar o belo nos pequenos estímulos da rotina, 
sintomas psicossomáticos, etc. Os reflexos dessa síndrome em sala de aula são crianças e jovens 
que não conseguem se concentrar, tem conversas paralelas e tumultuam o ambiente. A SPA é 
decorrente do aumento exagerado da construção de pensamentos gerado pelo excesso de 
informações, do excesso de estímulo da TV e outros meios. (N.T.) 
17 Disponível em http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-
urbana/2015/05/05/interna_vidaurbana,574737/para-livrar-as-criancas-do-pensamento-
acelerado.shtml. Acesso em 01/10/2015. 
 37 
sugestões podem ser encontradas fartamente na rede mundial de computadores 
que atualmente é uma fonte riquíssima de pesquisa, trazendo conteúdos de 
renomados autores e ainda, vasto material copiado de documentos físicos (e-books) 
disponível para download, materiais estes que a maioria das pessoas não teria 
acesso se dependesse de adquirir o documento físico ou procurar numa biblioteca. 
Um destes autores merece destaque pela sua importância nessa 
questão é a autora e diretora de teatro Viola Spolin18. Autora a frente do seu tempo, 
escreveu diversas obras ainda muito utilizadas pelas escolas e educadores do 
mundo todo, inclusive no Brasil. Sua perspectiva quanto ao teatro na educação é 
inovador e constitui-se de conteúdos importantíssimos para o êxito da implantação 
do teatro como práxis pedagógica. 
Todas as pessoas são capazes de improvisar. [...] Aprendemos através da 
experiência, e ninguém ensina nada a ninguém. Isto é válido tanto para a 
criança que se movimenta inicialmente chutando o ar, engatinhando e 
depois andando, como para o cientista em suas equações. Se o ambiente 
permitir, pode-se aprender qualquer coisa, e se o indivíduo permitir, o 
ambiente lhe ensinará tudo o que ele tem para ensinar. (SPOLIN, 2006, p.3) 
Spolin (2006) defende que se criança for incentivada a externar suas 
emoções, seu potencial artístico através da representação, isso consequentemente 
implicará em aprendizagem. Em suas obras, ela enaltece a aprendizagem através 
de Jogos Teatrais, apresentando diversas sugestões para os professores utilizarem 
como subsídio, justificando a importância desta práxis para a formação integral da 
criança. 
Na literatura de Spolinhá uma preocupação em mostrar que os 
jogos teatrais, direcionados por ela para o ambiente da sala de aula19, não são 
meros “passatempos do currículo”, pois por meio deles é possível abordar 
conteúdos interdisciplinares. Sua aplicação não se restringe a esta possibilidade e a 
extensão do ato de “brincar”, conceito este que permeia quase toda a obra da autora 
é baseada nos princípios que ela julga fundamentais para o processo de 
aprendizagem através do teatro: a liberdade, a intuição e a transformação. 
 
18 Viola Spolin é considerada a avó norte-americana do teatro improvisacional. Spolin sistematiza os 
Jogos Teatrais, metodologia de atuação e conhecimento da prática teatral, que está presente em 
todos os fundamentos da atual comédia norte-americana, inclusive no Stand-up comedy. (N.T.) 
19Os Jogos teatrais vêm sendo objeto de várias publicações e pesquisas brasileiras, realizadas 
principalmente em nível de pós-graduação em Artes. Os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem 
 38 
Percebe-se assim, que a discussão envolvendo a contribuição do 
teatro-infantil no desenvolvimento da criança e como as escolas devem concretizar a 
efetiva implantação no sentido de ajudar o aluno a desenvolver suas próprias 
potencialidades, tanto na perspectiva artística como pedagógica, é ampla e 
certamente será tema de muitos futuros trabalhos de pesquisa e análise. O campo 
de trabalho envolvendo essa problemática é extenso e abrangente pois ao implantar 
o teatro como práxis pedagógica, já na Educação Infantil, o professor estará levando 
seus alunos a desenvolver seu potencial de expressão e comunicação, favorecendo 
a produção coletiva de conhecimento da cultura, seja ele sob a ótica do valor 
estético ou educativo. 
O teatro precisa ser levado à sala de aula como arte, assumindo o seu 
papel como obra de arte. Através dele, a criança vai se deparar com uma 
das mais antigas manifestações culturais, e diante dessa manifestação 
cultural, aprenderá e verá que o teatro discute sempre as questões 
existenciais do homem no mundo. É dentro dessa perspectiva que o teatro 
tem a sua função estética, catártica, questionadora, transformadora, política 
e social – uma obra de arte enquanto atividade artística que expressa o 
homem e os seus sentimentos. (ARCOVERDE, P.608) 
Assim, é imprescindível que o professor, tenha plena ciência da 
importância que o teatro tem na formação e no desenvolvimento da criança, 
considerando-a como um ser que pensa, sente e faz. É preciso levar em conta todos 
os aspectos, seja pedagógico, artístico, assistido ou encenado, pois de todas as 
formas e aspectos, o teatro auxilia a criança no seu crescimento cultural e na sua 
formação como indivíduo. Em suma, a escola é um espaço de conhecimento e 
aprendizagem, e todas as disciplinas e conteúdos em especial o teatro, passam a 
ser fundamentais para o desenvolvimento perceptivo da criança. 
Segundo Gripp (1990), o teatro contribui para o crescimento pessoal 
de cada um, mobilizando inclusive as famílias nesta experiência alternativa, 
trabalhando nos alunos a motricidade, a expressão corporal e a socialização do 
grupo, além da proximidade com o trabalho em relação com os indivíduos da família 
que acompanhavam as atividades. 
Obviamente que a abordagem do teatro como conteúdo integrante 
no dia a dia escolar e da práxis pedagógica, exige muito estudo e preparo por parte 
do professor, e principalmente apoio da direção e equipe pedagógica, em todos os 
 
indicadores para sua utilização em sala de aula. 
 39 
aspectos, seja de compreensão e subsídios de informação para a realização das 
aulas, seja na parte financeira para aquisição de materiais e adereços que 
certamente serão fundamentais para o sucesso do processo de aprendizagem. 
Imprescindível também que os dirigentes de setores, sejam eles a nível municipal ou 
estadual, estejam conscientes da importância dessa iniciativa, pois a medida que 
novas ideias vão sendo implantadas é de imensurável importância que todos os 
envolvidos estejam cientes de sua responsabilidade frente ao projeto, seja 
diretamente ou indiretamente e aqui deve-se citar sem dúvida, o papel da família, 
em especial dos pais, que devem estar envolvidos ou no mínimo informados do que 
vem ocorrendo na escola do filho, e assim, possam dar sua contribuição, 
fundamental para que a criança realmente usufrua plenamente de todas as 
vantagens que o teatro pode oferecer para o seu crescimento global, seja 
acontecendo dentro da sala de aula, em casa nas brincadeiras infantis, ou a nível 
profissional quando é oportunizado e acessível. 
 
2.3.1 Aula de Teatro como atividade extracurricular para crianças 
Uma opção disponível em muitas cidades, são as aulas de teatro 
extracurriculares, que certamente contribuem muito para o desenvolvimento da 
criança em todos os sentidos, em especial na formação da personalidade. Além de 
promover o autoconhecimento e desenvolver a autoconfiança, essa atividade faz 
com que a criança tenha uma percepção melhor do mundo. Obviamente estes 
conceitos deveriam fazer parte do cotidiano escolar, mas como isso muitas vezes 
não acontece na prática, a aula de teatro extracurricular vem de encontro a este 
anseio. Muitas escolas de maior porte já oferecem esta opção à parte. E em 
algumas cidades são oferecidas oficinas de teatro com o mesmo intuito. 
Chain (2014) analisa depoimentos de psicólogos, professores de 
artes e coordenadores de casas de teatro e a partir deste contexto enumera 10 
importantes motivos para a criança fazer aulas de teatro. Estes motivos abaixo 
elencados certamente podem ser considerados muito úteis tanto no contexto escolar 
como extracurricular: 
1. Aumenta autoestima: Ser aplaudido é uma situação perfeita que 
traduz o sentimento de bem-estar que envolve os praticantes da arte teatral. Isso se 
 40 
reflete na autoestima da criança, à medida que ela faz parte de um trabalho que é 
apreciado pelas pessoas. A criança fica contente em representar e sentir-se 
importante, refletindo na autoafirmação, auto estima e sentimento de valorização. 
Quando a criança é convidada a expor suas próprias ideias que serão transformadas 
em comunicação artística, ela fica mais segura e confiante. 
2. Melhora a timidez: Se a criança é tímida e sente-se constrangida 
ao falar diante de muitas pessoas, como na exposição de um trabalho escolar, o 
teatro pode ajudá-la a libertar-se e sentir-se mais segura. Quando estão 
representando personagens, as crianças perdem a timidez porque a sensação é que 
não estão sendo julgadas. Os exercícios de aquecimento vocal melhoram a 
impostação da voz e proporcionam confiança para falar em público. 
3. Aprimora habilidade de relacionar-se com os outros: Ao exercer a 
ação de representar a criança precisa tentar entender como o personagem pensa e 
o que sente. Esse exercício de imaginação reflete-se no desenvolvimento da 
empatia, habilidade imprescindível para o relacionamento social. A medida que 
desenvolve essa compreensão do outro, a criança aprende a tolerar as diferenças e 
a respeitar os outros indivíduos. Outro aspecto é que por ser uma atividade coletiva, 
na atividade teatral a criança precisa aprender a se relacionar com diversas 
pessoas, inclusive aquelas com quem não tem afinidade. Este exercício promove a 
integração facilitando o convívio com colegas e familiares. 
4. Faz com que a criança se conheça mais: O teatro auxilia no 
processo de conhecer o outro, o que ajuda a criança a conhecer a si mesma, 
definindo sua identidade, pois possibilita a elaboração interna de questões pessoais 
e coletivas através da metáfora, da poesia, do lúdico, do criativo. Mesmo sem 
perceber, as crianças manifestam suas inquietações através do trabalho teatral, 
deixando-as mais serenas. 
5. Desenvolve consciência corporal e coordenação motora: o teatro 
oferece ampla opção de exercícios visando estimular a percepção dos sentidos, 
comodançar de olhos vendados. Por consequência a criança desenvolve melhor 
coordenação motora, percepção espacial e consciência de seu corpo, e ampliação 
de sua habilidade de expressão. 
6. Ensina a trabalhar em grupo: Como atividade coletiva, o teatro 
aprimora a convivência em grupo, à medida que a criança percebe que o sucesso de 
todos depende do trabalho individual. Diante disso, ela descobre que é importante 
 41 
aprender a lidar com os colegas, saber expor ideias e críticas e a respeitar a opinião 
dos outros. Além disso, ao participar da encenação de uma peça de teatro 
aprenderá que isso exige comprometimento, dedicação e responsabilidade ao 
participar dos ensaios por exemplo, percebendo que deve ser pontual, pois seu 
atraso atrapalha o progresso de todo grupo. 
7. Desenvolve habilidades cognitivas como memória e raciocínio: 
Sabe-se que o teatro é uma arte multidisciplinar, pois envolve literatura, artes 
plásticas, música, dança, entre outros, portanto a prática proporciona o 
desenvolvimento de diferentes habilidades. Ao realizar uma atividade de montagem 
teatral, será explorada a criatividade montando o cenário, desenhando o figurino, 
compondo músicas e escrevendo peças. As crianças ainda terão que refletir e 
discutir sobre as escolhas na construção do espetáculo e isso envolve a criatividade 
e o raciocínio para a solução de problemas. 
Para encenar uma peça é preciso lembrar-se de um monte de coisas: sua 
fala, sua posição em cena, a ordem de entrada no palco. Para não errar [...] 
vai se esforçar para não esquecer nadinha. O cérebro agradece o exercício 
e retribuirá com uma memória mais eficiente. (CHAN, 2014) 
Percebe-se assim, que o desenvolvimento do raciocínio lógico, a 
disciplina, e a autoconfiança são contribuições do teatro para as crianças. 
8. Expande o repertório cultural: Ao fazer aulas de teatro, 
consequentemente a criança passa a fazer parte do mundo das artes. O conteúdo 
abordado a aproxima da literatura, enquanto que a trilha sonora a leva para a 
conhecer mais sobre música. Há ainda o envolvimento com os figurinos, com a 
construção de cenários que promovem o conhecimento sobre arquitetura e artes 
plásticas. A consequência disso é a expansão do horizonte cultural da criança e a 
natural vontade de conhecer mais. Isso certamente se refletirá positivamente no 
comportamento da criança a medida que essa curiosidade a levará a estudar mais, 
querer viajar, contar histórias, ou seja, afastando-a do individualismo que muitas 
crianças estão bitoladas devido à falta de atividades extracurriculares. 
9. Melhora desempenho escolar: Sabe-se que os benefícios do 
teatro se refletem também em sala de aula, à medida que a capacidade de 
concentração e o exercício de memorização serão muito uteis na hora da prova e na 
assimilação e compreensão dos conteúdos. Ressalta-se ainda a relação direta com 
a literatura que promove o melhoramento do vocabulário, da escrita e interpretação 
 42 
de textos. Além disso, a criança desenvolve o espírito investigativo e curioso, ao 
buscar soluções criativas para os jogos teatrais propostos. A criança percebe que 
tem potencial para solucionar os problemas e aceitar as sugestões dos colegas, 
aprendendo com eles e promovendo interação com o diverso. 
10. Propicia o fazer poético: Além das habilidades descritas nos 
itens anteriores, consequências da prática teatral, soma-se a importância do próprio 
fazer teatro, que promove o desenvolvimento do imaginário das crianças, recriando 
mundos e relações. A montagem teatral promove o diálogo da criança com o 
contexto em que vive, propiciando uma autonomia que a estimula para a expressão 
artística. 
 
 
2.3.2 Teatro no âmbito da Educação Inclusiva 
A Educação Inclusiva conquista seu espaço a cada dia nas salas de 
aula e o teatro vem de encontro a esta proposta pedagógica, a medida que oferece 
uma gama infinita de oportunidades para promover esta inclusão, ao permitir a 
socialização entre alunos e professores e entre os próprios alunos, proporcionando a 
todos um aprendizado significativo, já que cada criança participa das etapas da 
representação teatral e a compreensão de cada atividade fica mais simples através 
da dramatização. 
O teatro aparece como uma possibilidade de acesso e 
potencialidade da criança com necessidades educativas especiais, pois é inerente à 
arte a liberdade e a autoria da criação e expressão. Pode-se afirmar que o teatro 
seria uma disciplina “por natureza interdisciplinar e inclusiva, porque nela não há 
limites e nem regras a serem seguidas com rigor científico e, nisso, há uma 
possibilidade de expressão que extrapola os padrões convencionais de 
aprendizagem” (TAMIOZZO, 2012. p,23). 
No caso de Crianças Surdas, elas têm a possibilidade de utilizar as 
expressões faciais e corporais, somadas aos sinais em LIBRAS, como requisitos 
essenciais para a comunicação com surdos e ou ouvintes. Entretanto o trabalho 
coletivo sempre é imprescindível para resultados satisfatórios e cabe aos 
professores serem os autores das conquistas destas crianças, pesquisando, 
 43 
analisando, inovando e buscando sempre o melhor desenvolvimento para os seus 
alunos, principalmente se apresentarem necessidades especiais. 
A criança quando está no palco, está no centro das atenções e se 
sente incluída em meio a todas as pessoas que estão ao seu redor. Quando é 
portadora de necessidades especiais, esse significado é ainda mais amplo, pois ao 
representar ela está em igualdade com as demais, todas são personagens. 
Sentindo-se uma criança como qualquer outra, com qualidades e defeitos, 
esquecendo-se completamente de suas limitações. Através da representação as 
crianças especiais fortalecem sua autoestima e passam a viver mais integrada à 
sociedade. 
No teatro, a criança, com deficiência ou não, tem a oportunidade de 
exercer o papel de ator, criador, diretor, espectador e crítico, ou seja, quando ele 
assume todos esses papéis na apresentação de um teatro, sente-se completo, 
consegue mudar as situações que o deixam desconfortável, juntamente com os 
colegas sejam eles com necessidades especiais ou não. Em suma, a criança sente-
se satisfeita e útil por contribuir com melhorias durante a montagem e a 
apresentação da peça. 
O trabalho de teatro na escola deve ser “vivo”, buscando o auto-
conhecimento, já que para representar “os outros” devo antes conhecer 
minhas limitações e possibilidades; fortalecer a autoconfiança, quebrando 
bloqueios e inibições. O contato com canções, poesias, contos, história, 
dramaturgia, fatos da atualidade e do cotidiano, os quais representamos, 
permitem dar vida e sentido às suas personagens. (OLIVEIRA, 2005. p. 25). 
Pode-se constatar que o teatro é uma linguagem artística permeada 
de potencialidade autotransformadora que permite a transformação social, face a 
amplitude das questões por ela contempladas. 
É perceptível que as atividades das aulas de teatro para sujeitos 
com deficiência exigem a mobilização da atenção, memória, percepção espacial e 
corporal, expressividade, criatividade e imaginação, dentro dos seus limites. 
 
Figura 09 - Teatro Especial 
 44 
 
Fonte: http://educacaoespecialediversidade.blogspot.com.br/ 
Certamente, o teatro traz contribuições notáveis neste aspecto 
educacional: a Inclusão de crianças com deficiência no ambiente escolar. A medida 
que oferece oportunidades em igualdade de condições a todos os envolvidos no 
processo. Por ter essa característica básica de ser baseado na imaginação e na 
representação, o teatro abre as portas a todos, acolhe e é adaptável a todas as 
realidades, sendo instrumento de imensurável importância para o processo de 
aprendizagem, inclusão, crescimento e desenvolvimento em todos os sentidos. 
O ensino de teatro, como disciplina essencialmente inclusiva, oferece a 
experiência de criar e se arriscar, contribuindo para autonomia dos sujeitos. 
Desta forma, não importaquais metodologias sejam aplicadas em sala, pois 
o processo de inclusão vai depender de como o professor trabalh. Pois de 
nada serve eleger uma metodologia de ensino de teatro inclusiva para 
pessoas com deficiência se o professor não está preparado ou se a escola 
não está pronta para receber esses sujeitos. (OMAR, 2015, p. 8) 
Assim, pode-se afirmar sem dúvidas, que o teatro é a opção 
multidisciplinar que mais oferece oportunidades de adaptação e inclusão, trazendo 
benefícios que se estendem muito além das apresentações e representações, pois 
refletem-se no cotidiano dessas crianças através da sua interação com amigos e 
família, mas como qualquer outra inovação depende de comprometimento criança-
família-escola para o êxito do processo. 
 45 
 
2.4 SUGESTÃO DE ATIVIDADES: TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
A intenção deste trabalho, ao apresentar sugestões de atividades, é 
inovar ao fugir do tradicional “teatro de dia dos pais, das mães e similares”. O intuito 
foi selecionar após ampla pesquisa, atividades que se destinem a subsidiar o 
trabalho do professor em suas iniciativas de utilizar o teatro como práxis pedagógica 
com as crianças da educação infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. Nesse 
sentido foram destacadas duas fontes confiáveis que a seguir serão abordadas: 
sugestões extraídas do site “Portal do Professor” e outras extraídas da renomada 
autora Viola. 
As sugestões de atividades a seguir, foram extraídas do livro “Jogos 
teatrais na sala de aula, de Viola Spolin. 
 
 
2.4.1 Eu vou Para a Lua 20 
Objetivo: Desenvolver memória e observação. 
Foco: Em lembrar de uma série em sequência. 
Descrição: Grupos de dez a doze jogadores formam um círculo. 
Parte 1: (o jogo tradicional Eu Vou para a Lua(: O primeiro jogador diz: “Quando eu 
for à Luz vou levar um baú (ou qualquer outro objeto)”. O segundo jogador diz: “ 
Quando eu for à Lua, vou levar um baú e uma caixa de chapéu”. O terceiro jogador 
repete a frase até este ponto e acrescenta algo novo. Cada jogador repete a frase 
na sequência correta e acrescenta algo. Se um jogador errar a sequencia ou 
esquecer algum item, ele sai do jogo. O jogo prossegue até que reste apenas um 
jogador. 
Parte 2: A mesma estrutura do jogo acima (com uma nova série de objetos, se for 
desejado), porém, agora cada jogador realiza uma ação com o objeto. O próximo 
jogador repete as ações do primeiro e acrescenta uma nova. Dessa forma, o jogador 
pode, por exemplo, vestir sapatos e tocar flauta. Cada jogador repete, na ordem, 
 46 
tudo aquilo que precedeu e acrescenta novas ações. 
Parte 3: O mesmo time joga novamente da mesma forma como na parte 1, mas com 
uma nova série de objetos. Dessa vez, no entanto, os jogadores tomam o tempo 
para ver cada objeto enquanto estão ouvindo. 
Notas: 1. Na parte 1, o jogador poderá sempre lembrar-se de todos os objetos ou 
ações na série, mas inacreditavelmente irá esquecer o último objeto mencionado. 
Esse jogador terá provavelmente se desligado do último jogador na ordem para 
planejar previamente o objeto a ser acrescentado. 
2. Contudo, quando os objetos são mostrados por meio de ações, os jogadores 
raramente esquecem o objeto anterior. Repetir a parte 1 enquanto se “ve” os objetos 
mencionados facilitam a lembrança. 
 
2.4.2 Jogo de Observação 21 
Objetivo: Melhorar a memória. 
Foco: Em observar atentamente uma série de objetos. 
Descrição: Qualquer número de jogadores. Uma dúzia ou mais de objetos reais são 
colocados em uma bandeja, que é colocada no centro do círculo de jogadores. 
Depois de dez ou quinze minutos, a bandeja é coberta ou removida. Os jogadores 
escrevem listas individuais, mencionando quantos objetos forem possíveis lembrar. 
As listas são, então, comparadas com a bandeja de objetos. 
Notas: 1. Dependendo da idade do grupo, acrescente ou diminua o número de 
objetos a serem descritos. 
2. Naturalmente, este jogo também é útil para desenvolver habilidades de estudo. 
 
2.4.3 Tela de Televisão 22 
Objetivo: Para a plateia – introduzir os alunos as convenções da televisão. 
Foco: Para os jogadores – na agilidade na troca de personagens, figurinos e 
conteúdo. 
 
20 SPOLIN, Viola. Jogos teatrais em sala de aula. Jogos sensoriais. P 101. 
21 SPOLIN, Viola. Jogos teatrais em sala de aula. Jogos sensoriais. P104 
22 SPOLIN, Viola. Jogos teatrais em sala de aula. Jogos sensoriais. P. 210 
 47 
Descrição: Faça uma abertura grande em uma caixa de papelão ou construa uma 
tela de TV enorme dentro da qual os atuantes possam trabalhar. Organize uma vara 
com figurinos e uma mesa com adereços. Um grupo será composto de atuantes e o 
outro será a família (plateia). Os atuantes vão para detrás da tela. Os membros da 
família permanecem sentados em uma “sala”, olhando para a tela, em torno da qual 
se reuniram. Cada membro da família enuncia o seu programa preferido, vai até a 
tela de TV e “liga o botão”. Os atuantes devem mostrar o programa escolhido. Este 
jogo pode tornar-se mais divertido (e mais difícil) se os membros da família 
sussurrarem o nome do programa para os atores e o resto da família for obrigado a 
adivinhar qual é o programa. A família pode “mudar de canal” ou pedir um novo 
programa a qualquer momento. Os atuantes nunca sabem quando vão sair de cena. 
Notas. 1. A parte técnica deve ser muito bem organizada de forma que os atores de 
TV possam utilizar seus figurinos e adereços. 
2. Depois de um tempo, troque os grupos para que todos os atuantes tenham a 
oportunidade de ser tanto atores como família. 
3. As cenas, em sua maior parte, estarão centradas em momentos de programas de 
TV correntes. 
4. O maior valor deste jogo é dar continuidade às discussões que aparecem a partir 
das questões de avaliação. 
 
Avaliação: Platéia, como os autores fizeram com que vocês soubessem qual 
programa estavam assistindo? Eles mostraram quem eles eram com o corpo todo? 
Vocês conseguiram ver mais do que o rosto dos atores? Como aparece a maior 
parte das pessoas na tela? Como eles mortraram onde estavam? O horário do dia? 
O tempo? Você sabe a hora do dia e a temperatura em um programa de TV? 
Jogadores, vocês se sentiram intimidados pelo tamanho da tela? Em qual parte do 
corpo estava o seu foco? 
 
 
 
 
 
 48 
 
As sugestões de atividades a seguir descritas, foram extraídas do 
site “Portal do Professor”23. 
 
2.4.4 Teatro de Sombras 24 
Autor e Coautor (es) 
Autor: Elba Rosa Cavalcante de Vasconcelos 
NATAL - RN NUCLEO EDUCACIONAL INFANTIL - NEI 
Coautor(es): Maria da Conceição de Oliveira Andrade 
 
ESTRUTURA CURRICULAR 
Modalidade / nível de 
ensino 
Componente 
curricular 
Tema 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Gêneros de texto 
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de produção 
de textos 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como produto 
histórico-cultural 
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de leitura 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação 
 
DADOS DA AULA 
O que o aluno poderá aprender com esta aula 
Conhecer a história do teatro de sombra. 
Identificar obras artísticas em diferentes acervos. 
Vivenciar uma apresentação teatral. 
 
Duração das atividades 
3 aulas com duração de 40/50 minutos; 
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: História do Teatro. 
 
23 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/buscarAulas.html. 
24 Fonte: Portal do Professor. (18/11/2014). Disponível em 
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=20264>. Acesso em out 2015. 
 49 
Estratégias e recursos da aula 
 
ATIVIDADE 1: O professor deve organizar uma exibição de vídeos para que os 
alunos possam apreciar o teatro de sombras. Após a apreciação dos vídeos o 
professor inicia uma conversa sobre o que assistiram. Depois, orienta os alunos a 
escreverem e desenharem o que chamou maissua atenção. 
Sugestão de vídeos: A Lenda do Teatro de Sombra. Disponível em 
http://www.youtube.com/user/Artebrincante#p/a/u/2/QXMlVgNquNs 
O professor deve pesquisar informações sobre a origem do teatro de 
sombras para contextualizar com a leitura de um texto. O professor ler para a turma 
o texto disponível no endereço: http://www.lenderbook.com/sombras/index.asp 
 
ATIVIDADE 2: O professor irá propor a turma a leitura de parlendas, ditos 
populares. Com esses textos desenvolver uma dinâmica na qual as crianças irão 
fazer mímicas para os colegas descobrirem o que estão representando. Depois o 
professor sugere a mesma brincadeira usando as mãos. Para esse momento o 
professor monta o palco com um lençol/cortina branco(a). As crianças que irão 
representar ficarão atrás do palco e o professor acenderá uma lanterna por trás 
delas para dá o efeito de luz e sombra. O professor poderá propor outra forma de 
fazer o teatro utilizando o datashow para projetar as sombras. Segue algumas 
parlendas: 
Figura 10 – Exemplo de Parlenda. 
 
Fonte: www.suapesquisa.com/.../parlendas.htm 
 
 50 
Figura 11 – Exemplo de Parlenda. 
 Fonte: http://www.pedagogia.com.br/atividade.php?id=58 
 
ATIVIDADE 3 
O professor propõe a montagem de um teatro de sombras. As 
crianças deverão criar coletivamente um texto. O professor deverá lembrar as 
crianças de pensar no cenário, nos personagens e nas ações. Assim, elas terão 
elementos para fazer os movimentos dos personagens. Depois, as crianças 
desenharão os personagens e o cenário em cartolina guache. Elas deverão recortar 
e colar em palito de picolé ou churrasco. Sugestão para montar um teatro 
 
TEATRO DE SOMBRAS 25 
Você vai precisar de: 
- caixa de papelão 
- 1 folha grande de papel transparente 
 
25 Fonte:http://plimplimhistorias.blogspot.com/2009/02/teatro-de-sombras.html. 
 51 
- cartolina ou papelão 
- 1 lanterna 
- 1 tesoura sem ponta 
- varetas finas de madeira 
- cola ou fita adesiva 
- pincel 
 
Como fazer: 
- Tire o fundo da caixa, a tampa e o lado de trás. Faça um recorte no formato de 
uma tela de TV, na frente da caixa. 
- Recorte e cole quadradinhos de papelão e pinte a caixa com cores escuras para 
não vazar luz. Depois cole a folha de papel fino, por trás, tapando o buraco da 
frente. 
- Agora, faça duas aberturas de 15cm nos dois lados da caixa. Para contar a sua 
história, recorte seus personagens em cartolina e cole na vareta com a fita adesiva. 
É só passar pelo buraco com as suas “sombras”, acender a lanterna por trás de tudo 
para as sombras aparecerem e fazer a sua apresentação! 
 
ATIVIDADE 4 
Cada grupo irá apresentar o teatro de sombra que criaram. O 
Professor providencia um teatrinho de caixa/madeira ou lençol branco e lanterna. As 
crianças irão se organizar em dois grupos: apresentadores e plateia. Depois, as 
crianças que apresentaram o teatro irão sentar e o outro grupo irá fazer a sua 
apresentação. Combine com as crianças de fazer em outro dia uma apresentação 
para as turmas da escola. Exponha o texto de cada grupo e fotos da apresentação 
no mural da escola, socializando os trabalhos das crianças. 
Sugestão: O professor poderá propor uma visita ao teatro ou 
convidar algum grupo, artista de teatro de sombra para fazer uma apresentação na 
escola. Após essa atividade os alunos irão fazer o registro através do desenho e 
escrita. 
Recursos Complementares 
Sugestão de links para pesquisa: 
www.canalkids.com.br/arte/teatro/sombras.htm 
http://plimplimhistorias.blogspot.com/2009/02/teatro-de-sombras.html 
 52 
 
Avaliação: O professor deverá considerar a participação, contribuição na elaboração 
da escrita do texto e colaboração do aluno na organização do teatro de sombras. 
 
 
2.4.5 Contos de fadas: histórias atrapalhadas 26 
Autor e Coautor(es) 
Autor: PRISCILA GERVASIO TEIXEIRA (Uberlândia/MG Esc Educação 
Básica) 
Coautor(es): Ana Maria Ferola da Silva Nunes, Eliana Aparecida Carleto, 
Luciana Soares Muniz e Mariane Éllen da Silva 
 
ESTRUTURA CURRICULAR 
Modalidade / Nível De 
Ensino 
Componente 
Curricular 
Tema 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação 
Ensino Fundamental Inicial História Localidade 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Papel da interação entre alunos 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura 
Ensino Fundamental Inicial Ética Diálogo 
 
DADOS DA AULA 
O que o aluno poderá aprender com esta aula 
• Ouvir histórias lidas e ou contadas pelo professor, de forma interativa, 
interpretando-as. 
• Ampliar o vocabulário. 
• Identificar vários contos de fadas, através de imagens. 
• Reconhecer as características próprias de cada história. 
• Criar, oralmente e ou por escrito, histórias completas ou outros inícios, 
desdobramentos e finais para as histórias apresentadas pelo professor. 
 
26 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31308 . (2011) 
Acesso em out 2015. 
 53 
• Reconhecer quantidades. 
• Realizar trabalhos artísticos (desenhos e apresentações teatrais) utilizando os 
conteúdos das histórias. 
• Utilizar os recursos existentes no computador, visando construir 
conhecimentos novos relativos ao tema da aula. 
 
Duração das atividades 
Aproximadamente 300 minutos –5 atividades de 60 minutos cada uma. 
 
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno 
Para a realização desta aula é necessário que já tenham sido trabalhadas com os 
alunos várias histórias lidas ou contadas e que os mesmos saibam utilizar recursos 
de edição básica de figuras no computador. 
 
Estratégias e recursos da aula 
 
1ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. 
RODA DE CONVERSA 
Professor, utilize o espaço da “rodinha” para motivar os alunos, para 
isso organize-os em um círculo, afaste as carteiras da sala de aula, assim o espaço 
será suficiente para que todos possam assentar um ao lado do outro. Neste 
momento, leve um baú cheio de livros de histórias infantis, por exemplo: Branca de 
Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, João 
e Maria, Cinderela, O Gato de Botas, A Bela Adormecida, dentre outras. 
 Questione os alunos: 
1) Quais histórias conhecem? 
2) De qual mais gostam? 
3) Por quê? 
Professor, deixe os alunos manusearem os livros de histórias dentro 
do baú. Depois, leia a história: “Uma História Atrapalhada”, os alunos deverão 
acompanhar a contação por meio do computador/ internet no seguinte endereço: 
http://silviarpc.blogspot.com/2011/04/conto-de-fadas.html 
 Professor, faça intervenções quando necessário, por meio de 
questionamentos sobre cada etapa vivenciada, instrua os alunos que têm dúvida 
 54 
sobre a utilização da ferramenta de trabalho (Mozilla Firefox). 
Após a contação da história faça questionamentos: 
1) O que vocês acharam do convite feito por Alice? 
2) Vocês já fizeram algo parecido? 
3) Quais os personagens dos contos de fadas Alice convidou? 
4) Quantos são os personagens que Alice convidou? 
5) De onde vieram os convidados? 
Na história “Uma História Atrapalhada” Alice convidou seus amigos 
dos contos de fadas para passarem um fim de semana com ela. Com a ajuda dos 
seus colegas e do professor escreva abaixo, o que vocês acham que estava escrito 
no convite. 
Figura 12 – Convite Alice. 
 
Fonte: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/alice-no-pais-das-maravilhas 
 
2ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. 
DESCOBRINDO OS CONTOS DE FADAS 
Explorar com os alunos quais personagens dos contos de fadas 
foram convidados por Alice para passarem o fim de semana em sua casa. Procure 
imagens dos personagens na internet. Oriente os alunos para escolherem algumas 
imagens e salvarem no computador em uma pasta criada para essa atividade. 
Faça uma lista com os nomes dos personagens pesquisados no 
caderno de Língua Portuguesa: 
 55 
1. Alice no País das Maravilhas 
2. Gato de Botas 
3.Branca de Neve e os Sete Anões 
4. Chapeuzinho Vermelho 
5. João e Maria 
6. Cinderela 
7. A Bela Adormecida 
8. A Bela e a Fera 
 
Professor, proponha uma votação para a escolha de uma dessas 
histórias para contar na sala de aula. Registre os resultados da votação na tabela: 
 
CONTOS DE FADAS VOTAÇÃO 
Alice no País das Maravilhas 2 
Gato de Botas 1 
Branca de Neve e os Sete Anões 7 
Chapeuzinho Vermelho 2 
João e Maria 3 
Cinderela 1 
A Bela Adormecida 2 
A Bela e a Fera 1 
 
Professor, leve o baú de histórias e coloque dentro alguns objetos 
que aparecem na história, por exemplo: espelho, maçãs, nariz de bruxa, cesta e 
outros. Questione com os alunos: em qual história aparecem esses objetos? Conte a 
história utilizando o datashow. 
Professor, converse com os alunos sobre essa história: 
1) Branca de Neve ficou perdida na floresta, você já se perdeu? 
2). Ficou com medo de ficar sozinho? 
3). Você conversa com estranhos? 
4) E com espelho, você conversa? Se conversa conte para os 
colegas? Agora, faça o registro escrito identificando os nomes dos personagens. 
 
 56 
BRINCANDO COM LETRAS E PALAVRAS 
 
1. Encontre as letras que faltam nos nomes dos personagens e complete nos 
espaços: 
Figura 13 – Sugestão de atividade. 
 
Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31308 
 
2.Copie os nomes das figuras que completam as rimas: 
Soneca toma leite na _______________________ 
Atchim rega as flores do _____________________ 
Zangado conserta o ________________________ 
Feliz coça o ______________________________ 
Figura 14 – Sugestão de atividade. 
 Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31308 
 
 
 57 
3. Leia o título da história e faça o que se pede: 
Brancadeneveeosseteanões 
 
Reescreva o título da história de forma correta. 
___________________________________________________________________ 
 
De quantas palavras o título é formado? 
___________________________________________________________________ 
 
Qual é a palavra maior? 
___________________________________________________________________ 
 
E a menor? 
___________________________________________________________________ 
Fonte: TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A aventura da Linguagem. Letramento e Alfabetização Linguística, 
2º Ano do Ensino Fundamental. Editora Dimensão. Belo Horizonte, 2008 (pág.13-15) 
 
Professor, proponha como atividade de casa a leitura de outros 
contos de fadas. Deixe cada aluno escolher um livro de literatura infantil dentro do 
baú para fazer a leitura em casa. Peça aos pais que ajudem seus filhos na escrita de 
um pequeno texto contando sobre a história (Onde acontece. Quem são os 
personagens. O que aconteceu com eles. Etc...). Também é interessante propor que 
criem um final diferente para sua história. 
 
3ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. 
Professor, organize uma roda de conversa e deixe os alunos à 
vontade para lerem e comentarem sua produção de texto sobre o livro de história 
que levaram para casa. 
Liste no quadro os nomes das histórias que os alunos comentaram. 
Logo após, peça aos alunos para utilizarem o computador a fim de 
desenharem no Paint ou programa similar. Explique para a turma que a atividade 
terá como objetivo fazer desenhos que representem os personagens da história. 
Depois peça para que os alunos imprimam as imagens para fixá-las no mural da 
sala de aula para futuras observações. 
 58 
 
4º Atividade: aproximadamente 60 minutos. 
 
ASSISTINDO O CONTO DE FADA 
Professor, solicite que os alunos que acessem o site 
http://www.youtube.com/watch?v=ogEEkiwLVHM&feature=related para assistirem ao 
vídeo da história: A Branca de Neve e os Sete Anões. 
Depois se achar interessante, organize a turma em grupos de quatro 
ou cinco alunos. Cada grupo deverá continuar a história e construir um final 
diferente. Após aproximadamente, vinte minutos, os grupos deverão apresentar para 
a turma a sua versão da história. 
 
5ª Atividade: aproximadamente 60 minutos. 
DRAMATIZANDO A HISTÓRIA 
Professor, dramatize o fim de semana na casa de Alice. Para isso, 
providencie com antecedência roupas para os personagens, divida a sala em grupos 
para representarem os personagens das histórias dos diferentes contos de fadas, 
peça aos alunos que também tragam de casa acessórios para usarem. 
Professor, utilize uma câmara, que pode ser um celular, para 
filmagem da dramatização. 
 
Avaliação: Professor, é de suma importância observar se os alunos estão 
participando e realizando as atividades propostas, a fim de poder auxiliá-los no 
processo de aprendizagem. A avaliação poderá ser feita em todos os momentos da 
aula verificando se os alunos conseguiram: ouvir histórias lidas e ou contadas pelo 
professor, de forma interativa, interpretando-as, identificar vários contos de fadas, 
através de imagens, reconhecer as características próprias de cada história, criar, 
oralmente e ou por escrito, histórias completas ou outros inícios, desdobramentos e 
finais para as histórias apresentadas pelo professor, reconhecer quantidades, 
realizar trabalhos artísticos (desenhos e apresentações teatrais) utilizando os 
conteúdos das histórias, utilizar os recursos existentes no computador, visando 
construir conhecimentos novos relativos ao tema da aula. É também importante 
observar as considerações individuais ou grupais dos alunos, quanto ao resultado 
das atividades realizadas. 
 59 
2.4.6 Teatro De Máscaras 
Autor e Coautor(es) 
Autor: Elba Rosa Cavalcante de Vasconcelos 
Natal - Rn Nucleo Educacional Infantil - Nei 
Coautor(es): Maria da Conceição de Oliveira Andrade 
 
Estrutura Curricular 
Modalidade / Nível De 
Ensino 
Componente 
Curricular 
Tema 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como comunicação e produção 
coletiva 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação 
Ensino Fundamental Inicial Artes Arte Visual: Apreciação significativa em arte 
visual 
 
DADOS DA AULA 
O que o aluno poderá aprender com esta aula 
 Contextualizar a história do Teatro. 
 Confeccionar máscaras. 
 Ler e interpretar imagens. 
 
Duração das atividades: 1 semana - aulas com duração de 40 /50 minutos 
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: Não é necessário. 
 
Estratégias e recursos da aula 
 
ATIVIDADE 127: 
O professor deve levar para sala de aula máscaras, imagens com 
cenas de teatro na qual os atores usem máscaras. A partir da exploração desses 
materiais o professor conta para os alunos a história do teatro na antiguidade, por 
exemplo, na Grécia. Após, essa atividade combinar com os alunos a encenação de 
um teatro de máscara. Para isso, deve-se orientar os alunos a produzirem um texto 
 
27 Fonte:Crédito/Arquivo 94FM 
 60 
coletivo. O professor organiza a turma em pequenos grupos. Cada grupo irá 
construir um texto teatral, depois os alunos irão escolher entre eles quem irá 
representar os personagens. 
 
ATIVIDADE 2 
 O professor deve tirar cópia do texto produzido e entregar para cada 
componente do grupo. Os alunos irão ler o texto entre eles e depois fazer a 
encenação do teatro. Após essa atividade, os alunos irão desenhar suas máscaras. 
Em seguida, o professor deve reunir os grupos para discutirem como irão fazer suas 
máscaras. As máscaras poderão ser confeccionadas com papel, material reciclável, 
gesso ou outros materiais. 
 
ATIVIDADE 3: O professor distribui com o grupo o material solicitado para a 
confecção das máscaras. Uma sugestão, é o professor propor a confecção das 
máscaras em dupla. O professor pode reutilizar folhas de papel ofício, A4, cola 
branca. As crianças cortam o papel em tiras, o professor deve ajudar as crianças a 
fazer o esboço do rosto. Uma das crianças senta numa cadeira e a outra irá colar 
tiras de papel, na testa, lateral, queixo, olhos e nariz, para fazer o esboço da face. 
As crianças irãopassar cola com um pincel e em seguida colam a tira de papel. 
Deve-se repetir essa colagem até formar a máscara. Retira do rosto da criança, 
coloca o seu nome no verso e deixa secar. Após, a secagem deve-se fazer a pintura 
da máscara com tinta guache ou acrílica. 
 
ATIVIDADE 4: Os grupos se apresentam em sala de aula ou em e outro espaço da 
escola. Enquanto um grupo se apresenta os demais grupos deverão observar e 
apreciar o espetáculo. Após a avaliação coletiva dessa atividade o professor deverá 
propor ao grupo uma apresentação das peças produzidas para as outras turmas da 
escola. 
Recursos Complementares: 
http://www.canalkids.com.br/arte/teatro/tragedia.htm 
 
Avaliação: Avaliar a participação e envolvimento dos alunos na produção da peça 
teatral. 
 61 
2.4.7 O teatro na sala de aula28 
Autor e Coautor(es) 
Autor: Fernanda Maurício Simões 
Belo Horizonte - Mg Escola De Educação Básica E Profissional Da 
UFMG - Centro Pedagógico 
Coautor(es): Clenice Griffo 
 
 
ESTRUTURA CURRICULAR 
Modalidade / nível de ensino Componente curricular Tema 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Concepção de texto 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Gêneros de texto 
 
DADOS DA AULA 
O que o aluno poderá aprender com esta aula 
Ao final dessas atividades, esperamos que o aluno: 
• Compreenda o modo de organização e a função social do gênero textual: 
“peças teatrais”; 
• Compreenda globalmente o texto lido; 
• Use a língua de acordo com a situação focalizada, empregando os recursos 
linguísticos adequados. 
 
Duração das atividades 
As atividades terão duração de 05 a 06 aulas de 50 minutos. 
 
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno 
Essa sequência didática é indicada para as crianças que dominam o sistema 
alfabético. Esse aprendizado ocorre quando o aluno compreende que cada letra 
(grafema), geralmente, é representada por um som (fonema) e, por isso, já é capaz 
 
28 Fonte: Portal do Professor. (16/11/2010) disponível em < 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23556>. Acesso em out 2015. 
 62 
de ler e de escrever de forma autônoma. 
 
Estratégias e recursos da aula 
ATIVIDADE 1: Aproximando-se da história "A gata borralheira" (Cinderela) 
Objetivo: Ler e compreender o texto globalmente. 
Faça a proposta às crianças de conhecer melhor a história da “Cinderela” e, depois, 
preparar um teatro da trama para outros estudantes da escola. Para essa 
aproximação, sugerimos três estratégias: 
 
1.1 Leitura coletiva do livro: “Cinderela”. Leve os alunos à biblioteca e faça a leitura 
coletiva da história. Como essa é uma história conhecida por muitas crianças, 
convide-as a terem uma participação diferente Peça que explorem o título e a capa 
do livro e digam qual deverá ser o conteúdo da história. À medida que você ler a 
trama, solicite aos alunos que levantem hipóteses sobre o seu conteúdo, com base 
nas informações a que já tiveram acesso. Em outros momentos, deixe uma criança 
contar uma parte da história a partir do texto escrito e das ilustrações. 
 
1.2 Leitura em duplas da história. Leve as crianças para a sala de computação e 
peça que sentem em duplas. Elas deverão acessar o site: 
http://www.contandohistoria.com/cinderela.htm e ler a história da Cinderela. Em 
seguida, peça que recontem o enredo com suas palavras e pontuem as 
semelhanças e diferenças em relação à primeira versão da história, lida no item 1.1. 
 
1.3. Outras leituras da mesma história. Em outro dia, entregue para cada criança 
toda a história, dividida em partes (como apresentamos abaixo). Inicie a sua leitura. 
Os estudantes deverão acompanhá-la silenciosamente. Em alguns momentos, você 
poderá interromper a leitura e pedir que um aprendiz leia a próxima tira da história. 
Em seguida, solicite que cada aluno colora uma tira da história (você pode orientar 
qual parte cada um deverá colorir, cuidando para que todas as tiras sejam coloridas, 
por pelo menos um aluno). 
Peça, então, que cada um leia a parte da história que coloriram, 
obedecendo a ordem do enredo. Para isso, todos deverão acompanhar a leitura do 
texto. (Caso tenha mais de um estudante com a mesma tira colorida, eles deverão 
lê-la juntos). 
 63 
Era uma vez no tempo dos reis e rainhas, uma linda menina que se chamava 
Cinderela. Ela morava com uma madrasta, muito má! A madrasta de Cinderela tinha 
duas filhas. 
Essas irmãs de Cinderela eram duas moças muito egoístas e que não gostavam de 
trabalhar. Em casa, era Cinderela que tinha de fazer tudo. 
Um dia Cinderela ajudou as irmãs a se vestirem para um grande baile. 
Mas sua madrasta havia impedido Cinderela de ir ao baile, pois tinha afazeres 
domésticos para terminar. Delegou tanta coisa à Cinderela que ela jamais terminaria 
em tempo de ir ao baile. 
Seus amiguinhos, inconformados com a situação, se puseram a trabalhar, para 
confeccionar um lindo vestido para que Cinderela, pudesse ir ao baile também. 
Sim, o vestido estava pronto e Cinderela podia ir ao baile, como suas irmãs. 
Ela estava linda! 
Mas, Cinderela não conseguiu terminar o seu serviço, portanto não iria ao baile tão 
esperado! 
De repente, do azul aparece sua madrinha para ajudá-la. A madrinha de Cinderela 
agitou a varinha de condão. 
Olhou para Cinderela, escolheu o vestido mais bonito e com sua varinha mágica, 
transformou-a numa princesa! 
Uma abóbora que havia na cozinha logo se transformou numa bela carruagem. 
Seus amiguinhos, a fada madrinha os transformou em cocheiro e mordomo. Todos 
queriam colaborar e levar Cinderela ao baile. 
A roupa velha de Cinderela virou um vestido de cetim. 
- Vá e se divirta - disse a velhinha. Mas trate de voltar para casa antes de bater 
meia-noite. 
Logo o príncipe se encanta e a tira para dançar. No palácio, a beleza e a simpatia de 
Cinderela conquistaram a todos. O príncipe dançou com ela muitas vezes. 
O tempo passou depressa e, para surpresa dela, o relógio do palácio começou a 
bater meia-noite. Cinderela logo se lembrou do aviso da madrinha. 
Assustada, Cinderela fugiu correndo, mas deixou cair um pequenino sapato de vidro. 
O príncipe pegou o sapato e decidiu que havia de casar com a sua dona que havia 
 64 
conquistado o seu coração. 
O príncipe procurou por todo o reino. Finalmente chegou à casa onde morava 
Cinderela. 
As irmãs experimentaram calçar o sapato, mas seus pés eram grandes demais. 
Até que chegou a vez de Cinderela, depois de muito custo, pois a madrasta havia 
trancado a pobre moça. 
Mas com a ajuda de seus amiguinhos, ela consegue chegar a tempo de poder 
provar o sapatinho. 
O sapato deu certinho no pé de Cinderela. Vibrando de alegria, o príncipe pediu 
Cinderela em casamento. 
 
O rei estava feliz porque seu filho havia encontrado uma linda moça que se tornaria 
a mais linda princesa de seu reino. 
Portanto, viveram felizes para sempre. 
 
1.4 Reelaboração da história por meio de desenhos. Distribua folha 
de papel ofício para os estudantes. Peça que copiem o trecho da história que 
coloriram e façam sua ilustração. Chame atenção para o tamanho da letra e o 
espaçamento entre as palavras. 
Em seguida, os estudantes deverão montar a história no mural da 
sala, na sequência adequada. Se necessário, deixe a história completa escrita em 
um cartaz e fixada na sala. Assim, eles poderão consultar a sua ordem correta. 
Enfatize que, para a execução desta atividade, eles precisarão trabalhar em 
conjunto e em cooperação. Ao final, peça às crianças que leiam a história e 
apreciem o mural. 
 
ATIVIDADE 2 - Estudo do texto de teatro 
Objetivo: 
Conhecer a estrutura e a função social do gênero textual: teatro 
Usar a língua de acordo com a situação vivenciada . 
 
2.1. Explorando o que é teatro. 
Escreva no quadro a palavra TEATRO. Explore os significados que os aprendizes 
 65 
têmem relação a esse termo. Você pode orientar a discussão por meio das 
seguintes perguntas: 
• O que lhes vem à cabeça ao lerem essa palavra? 
• O que é necessário para uma peça de teatro acontecer? 
• Como uma peça de teatro é montada? 
• Como os atores sabem o que têm que dizer e a hora certa de fazê-lo? 
 
Registre no quadro os apontamentos feitos pelos estudantes e em seu caderno 
pessoal. 
 
2.2. Primeira leitura do texto. Convide a turma a estudar o texto teatral “Cinderela” e 
a preparar sua encenação para ser apresentada à escola. Divida a sala em duplas 
e distribua o texto abaixo. Proponha a sua leitura coletiva, de modo que todos os 
alunos leiam pelo menos uma fala. 
Durante a leitura, enfatize qual deve ser o tom de voz dos 
personagens e chame atenção para necessidade de expressarmos facialmente as 
emoções vivenciadas por cada um. No momento em que os parênteses são abertos 
para instruir sobre a constituição da cena, explique à turma a função dessa parte do 
texto. 
Ao final, instigue os aprendizes a pensarem sobre as diferenças 
entre a estrutura do texto “Cinderela”, lido na atividade 1 e o texto teatral que 
estudaram. Eles deverão perceber que o texto teatral é estruturado pelas falas dos 
personagens e as explicações de como deverão ser constituídas as cenas. 
 
2.3. Organizando os atores. O texto que aqui apresentamos está divido em quatro 
partes. Dessa forma, cada parte da história poderá ser interpretada por alunos 
diferentes. A madrasta, por exemplo, poderá ser interpretada por quatro crianças. 
Cada uma terá essa responsabilidade em uma parte da história. Nesse momento, 
sugerimos que você divida os personagens entre as crianças, de modo que a 
maioria participe (se necessário, divida o texto em mais partes para contemplar mais 
crianças). 
Cada aluno deverá marcar com um símbolo as falas de sua 
responsabilidade. Em seguida, proponha nova leitura do texto, em que cada atuante 
diga a fala da sua personagem. Chame atenção, novamente, para o tom de voz 
 66 
adequado e para a necessidade de expressar as emoções vivenciadas pelos 
personagens. Ao final, os aprendizes deverão levar o texto para casa para que 
possam decorar a sua fala. 
 
2.4 Ida ao teatro. Sugerimos também que você leve seus alunos ao teatro para que 
possam conhecer esse espaço, suas funções e as pessoas que lá trabalham. Se 
possível, combine com algum profissional de realizar jogos teatrais com os 
aprendizes. Para isso, desenvolva com a turma a aula: “O teatro na infância: 
conhecendo este espaço”, sugerida pelo Portal do Professor e localizada no site: 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6850. 
 
 
2.4 Ensaio da peça. Em outra aula, os alunos deverão ensaiar a peça. Você poderá 
ficar responsável por orientá-los a seguirem as instruções dadas para a constituição 
da cena. Repita o ensaio quantas vezes forem necessárias. 
A peça pode ser adaptada utilizando modelos e instruções do site: 
http://meustrabalhospedagogicos.blogspot.com/2008/04/pea-teatro-trs-contos-que-
vou-te-contar.html 
 
Atividade 3 - Apresentação da peça. 
Objetivos: 
Elaborar convite, obedecendo a estrutura desse gênero textual 
Usar a língua de acordo com as características dos personagens interpretados na 
peça teatral. 
 
3.1. Convite para peça de teatro. Proponha aos estudantes a elaboração de um 
convite para outros colegas e professores da escola assistirem a peça. Lembre-os 
das características desse gênero textual. Ele deverá ser curto, convincente e ter o 
nome dos convidados em destaque. Após a elaboração coletiva do texto, leia-o para 
os estudantes e peça que avaliem se desejam modificar ou incluir mais alguma 
informação no texto. Uma sugestão é que algumas crianças passem nas outras 
salas de aula, na coordenação e na direção para entregá-los. 
 
3.2. Encenação. Antes da apresentação, chame atenção das crianças para os 
 67 
aspectos trabalhados nos ensaios, como o tom de voz e o modo de falar dos 
personagens. Durante a encenação, observe a atuação dos aprendizes para a 
realização da avaliação final. 
 
Atividade 4 Avaliando a experiência e sistematizando conhecimentos 
Objetivos: Identificar os aprendizados proporcionados pela experiência teatral. 
Sistematizar os conhecimentos sobre a estrutura e a função social desse gênero 
textual 
 
 4.1 Roda de debate. Inicie a conversa com os aprendizes fazendo a seguinte 
pergunta: “O que nós fizemos para encenar a peça de teatro? ” Registre em tópicos 
os apontamentos feitos pelos estudantes. Você também pode acrescentar as 
seguintes questões: 
a) Qual a importância do estudo do texto teatral para encenação da peça? 
b) Como os atores devem proceder para a construção de uma boa 
encenação? E vocês como fizeram? 
c) Pontue com os aprendizes os aspectos positivos da apresentação e 
aqueles que precisarão ser mais trabalhados em uma próxima vez. 
 
4.1 O texto teatral. Leia para os aprendizes as ideias iniciais que eles levantaram 
sobre o termo teatro, na atividade 1, e deixe-as registradas no quadro. A partir 
desse levantamento e da experiência com o texto teatral, eles deverão elaborar um 
texto complementando a definição desse gênero textual. 
 
Avaliação: Para verificar se os aprendizes avançaram na compreensão do texto 
teatral, sugerimos que você trabalhe outra peça e observe o modo como 
desenvolvem as atividades propostas. 
Você também pode fazer a seguinte atividade: Entregue, em uma 
folha, a narração de uma história infantil e o texto de uma peça teatral. Peça aos 
alunos que identifiquem o gênero de cada um dos textos e pontuem, pelo menos, 
uma diferença entre eles. 
 68 
2.4.8 Sugestões de Atividades que promovem a Educação Inclusiva 
2.4.8.1 O som do silêncio - Educação Especial29 
Autor e Coautor(es) 
Autor: Juliana Gomes de Souza Dias 
Curitiba - Pr Secretaria Estadual De Educação 
Coautor(es): Eziquiel Menta, Rosangela Menta 
 
Estrutura Curricular 
MODALIDADE / NÍVEL DE 
ENSINO 
COMPONENTE 
CURRICULAR 
TEMA 
Educação Infantil Arte Visual O fazer artístico 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como apreciação 
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como comunicação e 
produção coletiva 
Ensino Fundamental Inicial Artes Teatro: Teatro como produto 
histórico-cultural 
 
DADOS DA AULA 
O que o aluno poderá aprender com esta aula 
• Apresentar aos alunos a possibilidade de se contar histórias usando 
o próprio corpo como ferramenta. 
• Recortar trechos dos textos escolhidos para criar o roteiro da peça 
de teatro. 
• Propiciar aos alunos um melhor entendimento das diferenças que os 
alunos com necessidades especiais, principalmente os surdos, tem com 
relação a sua percepção do mundo. 
 
Duração das atividades: 2 aulas de 50 min. cada 
 
 
29 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5145. (2009. 
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Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: A aula deve partir 
das narrativas do folclore brasileiro. Pode-se utilizar essa aula como continuação do 
conteúdo da aula Folclore para menores30 que tratou do folclore brasileiro. 
 
Estratégias e recursos da aula 
 
PROBLEMATIZAÇÃO: 
O objetivo dessa aula é propor aos alunos maneiras diferentes de se 
comunicar, aproximando os alunos ouvintes dos alunos surdos por meio da 
linguagem corporal. A inclusão dos alunos surdos não depende apenas do bom 
preparo do professor para atender às necessidades especiais do aluno, mas 
também o professor deve despertar nos alunos ouvintes o interesse pela linguagem 
utilizada pelos surdos. Professor, você poderia convidar um ou mais alunos a virem 
na frente da turma para expressar sua opinião sobre o tema teatro, utilizando 
somente a linguagemcorporal. Diante desta dificuldade, questione junto a turma: 
• Como podemos nos expressar? 
• Que linguagem podemos usar? 
• É possível se contar histórias usando o próprio corpo como ferramenta? 
 
 
INSTRUMENTALIZAÇÃO: 
Aula 01: 
O professor deverá iniciar a aula questionando os alunos se eles conhecem a 
história da Chapeuzinho Vermelho. Questione os alunos sobre as várias formas de 
contar essa história: gestos, desenhos, som, sinais, voz, etc. 
Para contextualizar a discussão apresente o vídeo do Google Vídeos: 
Chapeuzinho Vermelho surda - http://video.google.com/videoplay?docid=-
1185384280730964074 acessada em out 2015. 
 
Acesso em out 2015. 
30 Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1967>Acesso em 
out 2015 
 70 
 
Figura 15 – Imagem do vídeo “Chapeuzinho Vermelho Surda”. 
 
 
Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5145 
 
Agora questione os alunos: 
Quais eram os personagens? 
Que linguagem eles utilizaram? 
Qual foi a história contada? 
Vocês têm amigos surdos, seja na escola, na comunidade, ou 
mesmo familiares que tenham essa necessidade especial? 
 Atenção professor! Se na sala houver alunos surdos, essa etapa 
pode ser adaptada, questionando os alunos de que maneira eles se relacionam e se 
comunicam. Como os ouvintes se comunicam com os surdos? De que maneira os 
surdos se fazem entender pelos ouvintes? 
Depois dessa primeira discussão, apresente o recurso do Portal do 
Professor: Telelibras - O SOM DO SILÊNCIO. Disponível em: 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=14697 acessado 
outubro/2015. A animação é a reprodução do livro "O som do silêncio", que relata a 
vida de uma menina com surdez, sua inclusão escolar e exprime como os alunos 
lidam com as diferenças, mostrando-os a capacidade inerente a cada indivíduo. 
Esse recurso trata justamente da diferença da percepção do mundo pelos ouvintes e 
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pelos surdos. 
Depois da apresentação do filme, o professor deve pedir para que os 
alunos, em grupos de 5 ou 6, escolham uma história do folclore brasileiro. No site da 
UOL, na seção dicas, procure o Folclore Brasileiro Ilustrado, disponível em: 
http://sitededicas.uol.com.br/cfolc.htm acessado em 20/10/2015, existem vários 
exemplos de textos que podem ser utilizados pelos alunos. Cabe ao professor 
escolher alguns para apresentar à turma como opções, e os grupos escolhem as 
histórias que mais se identificarem. 
Essas histórias serão encenadas na aula seguinte, utilizando apenas 
linguagem não verbal, ou seja, gestos, dança, imagens, etc. 
Atenção professor! Reserve o restante dessa aula para que os 
alunos se organizem, leiam as histórias e preparem seus papéis na apresentação da 
lenda para a turma. No caso de histórias com poucos personagens, instigue os 
alunos para que cada um conte uma parte da história, ou que sejam inseridos mais 
personagens para ajudar a contar a história. 
 
Aula 02 : 
Retomando as histórias escolhidas na aula anterior, o professor deve organizar as 
apresentações, que podem ser abertas para a comunidade escolar, para isso deve-
se reservar um anfiteatro ou um auditório disponível para a turma realizar as 
apresentações. 
 
CATARSE: 
Depois das atividades encerradas, o professor deve enfatizar a 
todos que os alunos portadores de necessidades especiais têm as mesmas 
potencialidades, mas sua percepção do mundo é um pouco diferente, portanto a 
maneira como esses alunos especiais se relacionam com o mundo também é 
diferente. Com essas aulas, espera-se que os alunos compreendam melhor as 
diferentes formas de comunicação que o ser humano é capaz de desenvolver e 
aprender. 
Com base em todo o conhecimento construído nessas discussões, o 
professor deverá propor aos alunos que façam um texto individual sobre o que mais 
interessou nessas aulas, instigando que sejam críticos com relação à sua produção 
intelectual. 
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Um texto curto de uma lauda é suficiente para que o aluno reflita 
sobre sua condição em relação ao assunto abordado. 
 
PRÁTICA SOCIAL FINAL DO CONTEÚDO: 
Depois das atividades encerradas, o professor deve reunir a turma 
para que expressem como eles compreenderam as diferentes formas de 
comunicação que o ser humano é capaz de desenvolver e aprender. Faça duas 
colunas no quadro de giz, onde as crianças vão listar na primeira coluna suas 
intenções e na segunda coluna suas ações. Desta forma poderemos perceber como 
este tema é importante no contexto em que a criança vive, pois nas ações 
perceberemos se ela passou a valorizar os vários tipos de linguagens e detectou a 
importância que todos nós temos em aprender a linguagem dos outros, como a de 
libras, do braile, assim como uma lingua estrangeira, etc. 
 
Recursos Complementares 
Materiais para montar os cenários, caso sejam necessários. 
 
Avaliação: O professor deverá definir em conjunto com a turma os critérios a serem 
avaliados, para que os alunos tenham consciência das competências e habilidades a 
serem desenvolvidas durante a atividade. Sugerimos alguns critérios: 
Aula 1: capacidade de sintetizar o conteúdo dos contos; capacidade 
de trabalhar em grupo. 
Aula 2: composição; coesão na narrativa; participação no projeto do 
grupo; comprometimento com o grupo; respeito com o trabalho dos outros grupos. 
 
 
2.4.8.2 Aprendendo A Incluir Por Meio Do Teatro 31 
Autor e Coautor(es) 
Autor: Liliane Dos Guimaraes Alvim Nunes Araujo 
Uberlândia - Mg Esc De Educação Básica 
 
31 Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19138. (2010) 
acesso em 28/10/2015. 
 73 
Coautor(es): Lucianna Ribeiro De Lima; Fátima Rezende Naves 
Dias; Gláucia Costa Abdala Diniz. 
 
Estrutura Curricular 
MODALIDADE / NÍVEL DE 
ENSINO 
COMPONENTE 
CURRICULAR 
TEMA 
Ensino Fundamental Inicial Ética Respeito mútuo 
Ensino Fundamental Inicial Ética Solidariedade 
Ensino Fundamental Inicial Ética Justiça 
Ensino Fundamental Inicial Ética Diálogo 
 
DADOS DA AULA 
O que o aluno poderá aprender com esta aula 
• Expressar seus sentimentos e idéias por meio da representação de 
papéis. 
• Valorizar as diversas manifestações artísticas, dentre elas o teatro, 
enquanto um recurso importante para a formação humana. 
• Usar a imaginação para criar histórias curtas, porém com sentido, 
passíveis de serem representadas por meio de uma peça de teatro. 
• Conhecer projetos sociais em que o teatro é utilizado como 
ferramenta para a inclusão social. 
 
Duração das atividades 
Duas ou mais aulas de 50 minutos 
 
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno 
Não há necessidade de se trabalhar conhecimentos prévios. 
 
Estratégias e recursos da aula 
Comentários ao/a professor/a: Professor/a não restam dúvidas sobre o quanto o 
teatro (enquanto uma manifestação artística) vivenciado nas escolas pode contribuir 
para a formação humana dos/as alunos/as, uma vez que promove a sensibilização 
dos/as mesmos/as, despertando sentimentos diversos, provocando reflexões sobre 
a sua própria vida e da sociedade de uma maneira geral. Nesse sentido, dar 
 74 
oportunidade as crianças de encenarem peças de teatro no ambiente escolar e/ou 
em outros ambientes contribui para que as mesmas aprendam a refletir sobre 
temáticas do cotidiano, entrem em contato com a emoção, tornando-as mais 
sensíveis e possivelmente mais conscientes de sua participação na vida em 
sociedade. Referendamos a fala de Amaral (2010) ao escrever: “Se o teatro é a 
imagem do homem e da vida em cena, ele pode sim trazer as mais diversas 
questões para o debate. E quando essas questões são colocadas diante de crianças 
e adolescentes, você faz com que eles adquiram uma determinada consciência. 
Dessa forma, o teatro pode ser um instrumento de transformação na medida em que 
faz refletir, por exemplo, as condições de vida de determinada comunidade apartir 
de conteúdos e temáticas propícios a reflexões”. Assim essa aula tem o propósito de 
auxiliar os/as alunos/as na percepção do teatro enquanto uma importante ferramenta 
de aprendizagem no âmbito da educação e na inclusão social das pessoas. 
 
Atividade 1: 
1º Momento: Professor/a, inicie sua aula esclarecendo que essa 
será uma aula diferente em que todos os presentes experimentarão o lugar de 
“Artistas por um dia”. Dizer que cada um terá a oportunidade de representar um 
papel de um personagem de uma história. Para isso, professor/a você precisará 
levar para a sala vários livros infantis e uma caixa com vários objetos, a saber: 
fantasias, acessórios, máscaras, maquiagem, peças de cenário, calçados, dentre 
outros. 
2º Momento: Dividir o grupo em 4 sub-grupos e solicitar aos alunos 
que escolham uma história infantil para representar. Professor/a você poderá 
disponibilizar os clássicos infantis (Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, 
Cinderela, O Patinho Feio, dentre outros) que são conhecidos, praticamente, por 
todas as crianças. 
3º Momento: Após essa etapa cada grupo deverá dirigir-se até o 
centro da roda para buscar dentro da caixa alguns acessórios que os auxiliem para a 
encenação da história. Professor, no site “Livros Infantis” você verá opções de 
trabalhar com os/as alunos/as a representação de papéis por meios de histórias 
infantis. Acesse o endereço e confira: http://www.livrosinfantis.com.br/historias.html 
 
4º Momento: Explorar com os/as alunos/as: Como foi participar 
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desse teatro? O que vocês aprenderam por meio dessa atividade? Como foi "fazer 
de conta" que era um animal, ou outra pessoa? será que quando as pessoas fazem 
de conta que são personagens elas se transformam nos mesmos? 
 
Atividade 2: 
1º Momento: Professor/a, para essa atividade é necessário que você 
leve duas folhas de papel sulfite emendadas e dobradas como se fosse uma 
sanfona. As dobras poderão medir cerca de 3 centímetros cada. Convide os /as 
alunos/as para se sentarem em círculo no chão e explicar que a atividade que irão 
realizar vai exigir muita atenção, concentração e criatividade. Oriente os/as 
alunos/as que a folha juntamente com uma caneta hidrocor irão passar de mão em 
mão para que cada aluno/a dê continuidade ou complete a idéia da frase anterior. À 
medida que a “sanfona” for passando os/as alunos/as só poderão ler o que estiver 
escrito na dobra anterior. Ex: O professor inicia com a seguinte frase: “Era uma vez 
uma menina chamada”... O aluno que estiver na seqüência fará a leitura em voz 
baixa dessa primeira frase e completará a mesma com: “Juliana. Juliana gostava 
muito de brincar de boneca...” O próximo aluno poderá ler apenas a frase que estiver 
na segunda dobra e assim por diante até perpassar todos os alunos. 
2º Momento: Após finalizar essa etapa o/a professor/a convidará 
inicialmente uma criança para fazer a leitura do texto completo em voz alta e depois 
duas ou três crianças para representarem a cena criada/construída pelo grupo. 
Professor/a torna-se fundamental abrir possibilidade para os próprios alunos/as 
manifestarem o interesse em participar, evitando criar situações de constrangimento 
ao indicar alguém. 
3º Momento: Explorar com os/as alunos/as: Como foi participar 
dessa atividade? A atividade apresentou grau de dificuldade? Exigiu muito dos/das 
alunos/as? Em que sentido? O que foi possível perceber por meio dessa atividade? 
Professor/a, faz-se necessário incentivar os/as alunos/as a vivenciarem o improviso, 
uma vez que o nosso cotidiano atual tem exigido cada vez mais das pessoas que 
tenham habilidade para lidar (de forma equilibrada e tranquila) com as situações 
emergenciais que lhes acontecem. Nesse sentido dar oportunidade as crianças de 
representar papéis, improvisar, vivenciar diferentes emoções pode contribuir para 
prepará-las para os imprevistos e improvisos da vida. 
 
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 Atividade 3: 
1º Momento: Assistir ao vídeo: “Projeto usa teatro para a Inclusão 
social de deficientes físicos”, disponível em: 
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM304571-7823,00.html 
 
2º Momento: 
Dividir o grupo em duplas para que respondam as seguintes 
questões: 
1) Vocês consideram que o teatro emociona as pessoas? De que 
forma? 
2) Quais são os sentimentos que uma peça de teatro pode provocar 
em seu público? E nos próprios atores? 
3) Na sua percepção, quando as pessoas se colocam no lugar do 
outro é possível vivenciar os sentimentos e a emoção do outro? Justifique sua 
resposta. 
4) Vocês acreditam que a experiência de representar papéis auxilia 
as pessoas? Em caso afirmativo, exemplifique. Em caso negativo, justifique. 
 
3º Momento: 
Socializar a tarefa, sendo que cada dupla apresentará as suas 
respostas. A partir disso, o professor deverá promover um debate sobre o tema: “A 
inclusão por meio do Teatro” 
 
Recursos Complementares 
Referência bibliográfica: Entrevista com Lindolfo Amaral, disponível 
em: http://www.institutorecriando.org.br/ler.asp?id=12560&titulo=Entrevista 
Livro digital: “Arte e responsabilidade social- inclusão pelo teatro e 
pela música”- Viviane Louro. Disponível em: 
http://www.musicaeinclusao.com.br/?/Livros/Livro-Digital-Arte-e-Responsabilidade-
social-inclusao-pelo-teatro-e-pela-musica 
Vídeo Youtube: “Projeto Oferece Oficinas” . Disponível em: 
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1227811-7823-
PROJETO+OFERECE+OFICINAS,00.html 
Professor/a, no endereço abaixo você encontrará várias sugestões 
 77 
de livros que abordam sobre teatro e teatro-educação para serem trabalhados com 
crianças e jovens. 
http://www.cbtij.org.br/ponto_encontro/bibliografia.htm 
 
Avaliação: Professor/a procure perceber se os/as alunos/as conseguiram se 
envolver nas atividades de interpretação, mesmo aquelas crianças que se 
apresentam mais retraídas no dia a dia da sala de aula. Observe se os/as alunos/as 
tiveram respeito pela fala dos colegas e pela participação dos mesmos nas 
atividades propostas. Se possível, professor/a, é fundamental que você tenha 
registrado, no decorrer das atividades, as escolhas das histórias, dos personagens, 
dentre outras escolhas feitas pelas crianças que revelam questões subjetivas das 
mesmas, importantes de serem conhecidas pelos/as professores/as para que sejam 
mediadas e cuidadas. Identifique os sentimentos despertados nas crianças no 
momento das atividades, incentivando que os colegas sejam solidários aos mesmos. 
Solicite aos/as alunos/as que avaliem por meio de três expressões: "Que bom!", 
"Que pena!" e "Que tal!" o que sentiram em relação as atividades desenvolvidas 
nessa aula. Por fim, peça que os/as alunos/as respondam por escrito 
individualmente as seguintes questões: 
1) O que é inclusão para você? 
2) De que forma o teatro pode auxiliar a inclusão social das 
pessoas? 
 
 
 78 
3 CONCLUSÃO 
O teatro como práxis pedagógica na educação infantil, pode ser 
considerado um instrumento de aprendizagem. Percebe-se que a representação 
teatral no âmbito educacional é diferente da abordagem teatral vista em outros 
espaços, pois não tem objetivo de promover espetáculo ou formar atores, mas sim, 
utilizá-lo como forma de promover o desenvolvimento da criança de modo global e 
sistematizado. 
Atualmente, a legislação pertinente ao assunto é cada vez mais 
abrangente e direcionada, no sentido de realmente efetivar o teatro como conteúdo 
obrigatório no currículo escolar. Entretanto, só a legislação não garante o êxito 
dessa tendência, é preciso que os professores realmente estejam preparados para 
adequar seus conteúdos e inserir o teatro como ferramenta multidisciplinar que vem 
trazer vitalidade às aulas cujos conteúdos tendem ao tédio. 
O estudo apresentado demonstra claramente que utilizando o teatro 
enquanto didática de ensino, comprovadamente a escola terá resultados muito 
satisfatóriosno processo de aprendizagem das crianças, promovendo o 
conhecimento através do brincar, despertando a criatividade e a iniciativa nos alunos 
seja da educação infantil, seja do ensino fundamental. 
Em suma, entende-se que o professor tem papel fundamental ao 
utilizar o teatro como práxis pedagógica, entretanto deve compreender a importância 
da ludicidade, do jogo, da expressão dramática e corporais no sentido de 
desenvolver a criança em sua totalidade. É imprescindível que o educador conheça 
seus alunos e entenda a expectativa dos mesmos, a fim de que através do teatro 
possa realmente promover o conhecimento e o desenvolvimento, respeitando os 
limites de cada um, mas desenvolvendo toda a potencialidade latente nas crianças. 
 
 
 
 79 
REFERÊNCIAS 
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(2008). Disponível 
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Nacionais: Arte. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 
BRASIL / Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação 
Fundamental. Referencial curricular nacional para a Educação Infantil. Brasília: 
MEC/ SEF, 1998. 
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GRIPP, R. E. & VASCONCELLOS, C. N. Um teatro muito especial. Rio de Janeiro: 
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NEVES, Liberia Rodrigues. O uso dos jogos teatrais na educação: uma prática 
pedagógica e uma prática subjetiva. Dissertação de Mestrado, UFMG, 2006. 
Disponível em: 
<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/FAEC-
85TQGF/1000000613.pdf?sequence=1> Acesso em 02 out. 2015. 
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2005. 141 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Educação, 
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PAVIS, Patrice. Dicionário de teatro. Tradução J. Guinsburg e Maria Lúcia 
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uma análise crítica da proposta dos PCN.In: PENNA, Maura (org.). É este o 
ensino de Arte que queremos? Uma análise dos Parâmetros Curriculares Nacionais. 
É este o ensino de arte que queremos?João Pessoa: Editora Universitára, 2001. 
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	LISTA DE FIGURAS
	LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
	SUMÁRIO
	1 INTRODUÇÃO
	2 O TEATRO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
	2.1 Conhecendo As Origens Do Teatro
	2.2 Teatro na Educação Infantil sob a Perspectiva da Legislação Pertinente
	2.3 Teatro na Educação Infantil: uma perspectiva pedagógica.
	2.3.1 Aula de Teatro como atividade extracurricular para crianças
	2.3.2 Teatro no âmbito da Educação Inclusiva
	2.4 Sugestão de Atividades: Teatro na Educação Infantil
	2.4.1 Eu vou Para a Lua
	2.4.2 Jogo de Observação
	2.4.3 Tela de Televisão
	2.4.4 Teatro de Sombras
	2.4.5 Contos de fadas: histórias atrapalhadas
	2.4.6 Teatro De Máscaras
	2.4.7 O teatro na sala de aula
	2.4.8 Sugestões de Atividades que promovem a Educação Inclusiva
	2.4.8.1 O som do silêncio - Educação Especial
	2.4.8.2 Aprendendo A Incluir Por Meio Do Teatro
	3 CONCLUSÃO
	REFERÊNCIAS