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RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS NA UTI 
DRAMATURGIA 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
2 
Sumário 
DRAMATURGIA .............................................................................................. 1 
DRAMATURGIA .............................................................................................. 4 
Introdução ........................................................................................................ 4 
Histórico da arte teatral .................................................................................... 6 
O Teatro ..................................................................................................... 12 
Pedagogia da Dramaturgia ............................................................................ 15 
Pedagogia do teatro: Educação do olhar e a produção da autonomia .......... 17 
Dramatização como instrumento de ensino ................................................... 19 
6 vantagens da dramatização infantil e da prática do teatro ...................... 21 
Trabalha a postura e a apresentação corporal ....................................... 22 
Traz autoconfiança para falar em público ............................................... 23 
Melhora a memória ................................................................................. 23 
Reforça o interesse pela literatura .......................................................... 24 
Estimula o trabalho em grupo ................................................................. 24 
Incentiva uma vida mais saudável .......................................................... 25 
Elementos da linguagem teatral .................................................................... 25 
Conclusão ...................................................................................................... 29 
Referências ................................................................................................... 30 
 
 
 
 
file:///C:/Users/Carolina.silva/Desktop/DRAMATURGIA.docx%23_Toc48216678
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
3 
FACUMINAS 
 
A história do Instituto Facuminas, inicia com a realização do sonho de um grupo 
de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a Facuminas, como entidade 
oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A Facuminas tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
4 
DRAMATURGIA 
 
 
 
Introdução 
 
O teatro trabalha uma linguagem que oportuniza formas de manifestação que 
permite que a criança utilize as diferentes formas de linguagem da sociedade como a 
corporal, a verbal, a plástica, a escrita, entre outras expressando suas próprias 
vivências e experiências de maneira mais crítica e com isso, a criança analisa e avalia 
o resultado de suas ações interagindo de maneira mais eficaz no meio social em que 
vive. 
Muitos acreditam que o teatro é voltado para a cultura erudita, mas nos dias 
atuais foram criados teatros para as camadas populares. 
O teatro popular contém a linguagem simplificada, o teatro em escolas de 
comunidades é um bom exemplo disso, tendo duas funções divertir e educar, jogos 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
5 
de imaginação, tendo como subclasses as metamorfoses de objetos, as vivificações 
de brinquedos, as criações de brinquedos, as criações de brinquedos imaginários, as 
transformações de personagens e a representação em ato de estórias e contos 
(PIAGET, 2009 p.141). 
Para o autor as crianças desde quando aprendem a imitar, elas imaginam e 
recriam de forma a absorverem as cenas do cotidiano em brincadeiras com bonecas, 
com outras crianças, representando estórias e contos que ouviram. Começaram 
então a interpretar em suas brincadeiras, criando improvisadamente um pequeno 
teatro. 
Então, o tema tem importância pelo teatro desenvolver a capacidade da criança 
em entrosar com outras pessoas, improvisar, a oralidade, expressão corporal, 
impostação da voz, vocabulário, habilidades para artes plásticas (pintura corporal, 
confecção de figurino, montagem de cenário). 
Ele também oportuniza pesquisa, redação, cidadania e religiosidade, ética, 
sentimentos, interdisciplinaridade, leitura, contato com as diversas obras clássicas, 
fábulas, reportagens, as crianças adquirirem autoconfiança e imaginação e 
organização do pensamento. Mais o teatro somente proporciona para a criança 
aprendizado se estiver direcionando para a área pedagógica. 
A criança é um ser ativo e traz consigo necessidade de se movimentar, de se 
comunicar, seja através da linguagem, ou seja, através do lúdico. A 
interdisciplinaridade está intrínseca na educação, onde professor e aluno devem 
buscar meios que entrelacem o conhecimento. 
O teatro como uma das manifestações culturais engloba as expressões e 
comunicação, também ligada ao desenvolvimento e a aprendizagem das crianças 
nesta faixa etária possibilitando o desenvolvimento de sua identidade e autonomia. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
6 
O ensino do teatro nas escolas é recente. Com o movimento surgido a partir 
da LBD 5692 de 1971 que incluiu a obrigatoriedade do ensino das artes na educação 
básica, passou por diversas mudanças e aos poucos vem ganhando espaço no 
currículo escolar brasileiro. As práticas pedagógicas para as aulas de teatro são 
diversas, dependendo da faixa etária da turma, da formação do professor e do 
currículo escolar vigente. 
 
Histórico da arte teatral 
 
 
 
O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A 
cultura é um sistema de ritos, símbolos e valores compartilhados com que se 
interpreta a realidade e que confere sentido à vida dos seres humanos. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
7 
 Em síntese, organiza e expressa tudo o que é aprendido e partilhado pelos 
indivíduos de um determinado grupo, criando uma identidade psicológica e social a 
partir do grupo ao qual pertença. Os homens colocam questões e buscam respostas 
para melhor satisfazer suas necessidades e desejos, atitude essa que estrutura uma 
prática cultural. (COURTNEY, 1980). 
 Segundo Marx diferentemente dos outros animais que têm sua existência 
garantida pela natureza bastando-lhes adaptar-se a ela para sobreviver, o homem 
necessita fazer o contrário. Precisa agir sobre a natureza transformando-a e 
ajustando-a as suas necessidades. Em lugar de adaptar-se à natureza, tem de 
adaptá-la a si. 
Neste sentido, cultura é criação, mais do que herança genética, e determina o 
comportamento do homem, justificando as suas realizações: o homem age de acordo 
com os seus padrões culturais. Os seus instintos biológicos – sua primeira natureza 
–foram enfraquecidos pelo longo processo evolutivo por que passou, e a vida em 
sociedade – sua segunda natureza – assume a primazia sobre o pensamento e 
comportamento dos homens. (COURTNEY, 1980). 
A maneira como o indivíduo repassa para seus descendentes os 
conhecimentos que aprendeu é cultural, assim como os instrumentos e ferramentas 
que criou para melhorar suas possibilidades de sobrevivência. Não apenas a vida 
material, no entanto, se dá no âmbito deuma cultura, mas também a intelectual e, 
nesse caso, o lugar por excelência onde se alojou é a aprendizagem. Assim, a cultura 
também engendra seus modos de transmissão e circulação, base para a 
aprendizagem, e a arte ocupa um espaço de destaque aqui. (COURTNEY, 1980). 
A necessidade de ser criativa nos mostra que o homem sempre foi arteiro, que 
o teatro é uma necessidade para a humanidade. A arte é uma criação humana com 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
8 
valores estéticos (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta) que sintetiza as suas 
emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura. (COURTNEY, 1980). 
É um conjunto de procedimentos utilizados para realizar obras, nas quais 
desenvolvemos nossos conhecimentos, mesmo quando o questionamos. 
Apresenta-se sob variadas formas, como a plástica, a música, a escultura, o 
cinema, o teatro, a literatura, a dança, a arquitetura etc. Pode ser percebida pelo 
homem de várias maneiras, entre as quais o teatro visualizado. 
Entre os principais autores do gênero dramático (tragédia e comédia) na 
Grécia antiga estão: Sófocles (496-406 a.C.), Eurípedes (480-406 a.C.) e Ésquilo 
(524-456 a.C.). A encenação dos textos de gênero dramático tinha o objetivo de 
despertar emoções na plateia, fenômeno chamado de "catarse". 
Para Aristóteles (1986) o teatro provoca os sentidos, questiona os valores mais 
arraigados, leva ao prazer, desenvolve possibilidades sensitivas no homem, numa 
palavra, estrutura numa obra as questões da vida humana num determinado contexto 
que, via de regra, passa despercebidas diante de nossos olhos: isso deixa o homem 
mais suscetível a transformações e, sendo assim, podemos afirmar que o teatro 
contribui para o desenvolvimento humano. 
O teatro não espelha a vida, ou a reproduz mecanicamente, ou foge dela (arte 
pela arte), ou se submete a ela (arte como mera mercadoria), mas discute, organiza, 
comenta, ironiza, parodia, explica, questiona, numa palavra, produz e constrói novos 
ângulos e, assim, cria a vida, pela reflexão que exige do leitor/espectador. 
De acordo com Boschi (1999) essa função social da arte teatral, tantas vezes 
conspurcada ao longo da história em diversos momentos, deve ser sempre repisada 
e renovada, especialmente quando se pensa na arte como parte integrante e 
produtiva da sociedade, pano de fundo para o exercício da cidadania. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
9 
O teatro é uma das formas de arte mais afeitas a essas perspectivas, por se 
colocar diretamente contra o isolamento do indivíduo na sociedade contemporânea – 
onde uma luta por si – por ser uma arte da presença física e do espírito coletivo. 
Soma-se a isso o necessário trabalho com o corpo, quase ausente das preocupações 
didáticas e formativas até pouco tempo atrás, com a prioridade total e irrestrita voltada 
às matérias escritas, e o corpo às atividades unicamente esportivas. Mas o corpo fala, 
tanto quanto a entonação de uma frase é fundamental 
O teatro surgiu a partir do desenvolvimento do homem em sociedade, através 
das suas necessidades. Os primeiros grupos humanos de caçadores coletores já 
sentiam a necessidade de melhor conhecer a natureza em sua volta, com isso ele dá 
seus primeiros passos no sentido de suprir essas carências com invenções como o 
desenho e o teatro, nas suas formas primitivas. (MACEDO, 2000). 
Nos seus primórdios, o teatro era uma espécie de dança dramática coletiva 
que abordava as questões do dia a dia da comunidade, numa espécie de rito de 
celebração, agradecimento ou perda. Estas pequenas evoluções deram-se com o 
passar de várias gerações, talvez séculos.Com o tempo, o homem passou a realizar 
rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se 
com ela. 
Este é o espaço onde os mitos evoluem e surgem danças miméticas 
(compostas por mímica e música). Com a ascensão e consolidação da civilização 
egípcia, os pequenos ritos se arvoram em grandes rituais formalizados e baseados 
em mitos sedimentados. Cada mito conta como uma realidade veio a existir. 
Os mitos expressavam os valores de uma dada sociedade, e suas regras eram 
concebidas em consonância com as concepções caras ao estado e à religião, pois 
assumiam funções políticas e religiosas. (COURTNEY, 1980). 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
10 
Não havia a separação moderna entre as esferas da vida em sociedade. Estes 
rituais difundiam-se, de certo modo, criavam – as tradições e serviam para o 
divertimento e a honra dos nobres. 
Entretanto, o berço do teatro ocidental, como o conhecemos, remonta à Grécia. 
Lá surge o “ditirambo”, um tipo de procissão informal que servia para homenagear o 
Deus Dioniso (Deus do Vinho). Em seu processo evolutivo, o “ditirambo” ganha um 
coro, formado por Coreutas e pelo Corifeu, que cantavam, dançavam, contavam 
histórias e mitos relacionados aos Deuses, especialmente a Dioniso. (COURTNEY, 
1980). 
Segundo o autor a grande inovação ocorre quando se criou o diálogo entre 
Coreutas e o Corifeu. Esse diálogo engendra a ação na história, que agora não são 
apenas contadas (como narrativas), mas é mostrado ao público (dramática), momento 
em que surgem os primeiros textos teatrais. 
No início essa atividade era praticada nas ruas, mas depois se tornou 
necessário um espaço próprio para isso, com o que aparecem as primeiras 
edificações conhecidas como teatros. 
Como se viu até aqui, a história do teatro se confunde com a própria história 
da humanidade. Transmitir ou modificar a herança cultural é uma atitude educativa. 
Nas comunidades tribais as crianças aprendiam imitando os gestos dos adultos nas 
atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. 
As crianças aprendiam "para a vida e por meio da vida", sem que alguém 
estivesse especialmente destinado à tarefa de ensinar. A capacidade mimética da 
criança, como disse Walter Benjamin, é a base para a primeira aprendizagem pelos 
jogos infantis. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
11 
A Grécia Clássica pode ser considerada o berço da pedagogia. A palavra 
pedagogos significa aquele que conduz a criança, no caso o escravo que acompanha 
a criança à escola. Como tempo, o sentido se amplia para designar toda a teoria da 
educação. (BOSCHI, 1999). 
 De modo geral, a educação grega está constantemente centrada na formação 
integral – corpo e espírito – mesmo que, de fato, a ênfase se deslocasse ora mais 
para o preparo esportivo ora para o debate intelectual, conforme a época ou lugar. 
Nos primeiros tempos, quando não existia a escrita, a educação era ministrada 
pela própria família, conforme a tradição religiosa. Apenas com o advento das póleis 
começam a aparecer as primeiras escolas, visando a atender a demanda crescente. 
De acordo com Boschi (1999) o Teatro foi utilizado pelos gregos como uma 
importante ferramenta pedagógica no ato de ensinar. Por ser uma obra de arte social 
e comunal, isso nunca foi mais verdadeiro do que na Grécia Antiga. A multidão 
reunida no teatro não era meramente espectadora, mas participante, no sentido literal. 
O público participava ativamente do ritual teatral, religioso. A grande 
transformação na comemoração Dionisíaca se deu com o surgimento da tragédia. 
Téspis, um solista do coro, foi quem teve a nova e criativa ideia de se colocar à parte 
do coro, como solista, criando o papel das hipócritas, “o respondedor”, e, mais tarde, 
concebeu o ator, que apresentava o espetáculo e se envolvia num diálogo com o 
condutor do coro. 
Desta forma os gregos iniciaram a organização teatral, por esse caminho 
estruturava-se a dramaturgia. Esses são os primeiros passos da tragédia. Ao lado da 
tragédia, outras formas teatrais como a comédia e os Mimos (este, mais popular) se 
desenvolveram e servirão como ponto de partida para toda uma tradição artística e 
cultural que chega aos nossos dias, reconfiguradas e atualizadas. O peso social 
dessa arte, no entanto, está longe de seu papel no mundo grego.O teatro, em todos 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
12 
os seus aspectos, foi uma decisiva força unificadora e educacional em Atenas. 
(BOSCHI, 1999). 
Inicia-se o século XXI com objetivos e metas traçadas a partir de uma 
convenção mundial de que as sociedades se encontram diante de um tesouro a 
descobrir, vendo na educação um triunfo indispensável à humanidade na construção 
dos ideais de paz, de liberdade e de justiça social, e demonstrando um 
posicionamento perante os desafios, as incertezas e as esperanças deste século. 
Essa constatação encontra-se registrada no relatório organizado por Delors (2000), 
produzido para a UNESCO. 
Visualizar a educação como protagonista das transformações e dos 
investimentos necessários a um mundo melhor implica a criação de estratégias e 
políticas que construam projetos e práticas pedagógicas que se aproximem desse 
objetivo. 
A presença efetiva das artes teatrais nos currículos escolares pode significar, 
além de uma disciplina curricular que contribua para a compreensão do mundo e do 
sujeito, uma ferramenta que contribua para o sucesso do aprendizado. A arte da 
escrita verbal para o teatro chama-se Dramaturgia. 
 
O Teatro 
 
O teatro é uma arte cênica, ou seja, de movimento, do desempenho, uma 
manifestação na qual um ser humano se metamorfoseia diante de outro ser humano 
por meio da utilização de seu próprio corpo e voz, tendo como matéria-prima as mais 
puras emoções. O teatro é caracterizado pela relação entre ator e plateia na qual 
alguém conta uma história para que alguém a interprete, constituindo a essência do 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
13 
teatro, uma manifestação cultural milenar originada de cerimônias religiosas em 
reverencia ao deus grego Dionisius, responsável pela fertilidade, o vinho e a 
embriaguez. 
Segundo Duarte Júnior (1981), o homem não vive, simplesmente, mas existe. 
Neste contexto pode-se entender que o autor coloca o homem como centro da vida, 
e por isso tenta ao máximo buscar entendimento do mundo baseando-se em suas 
criações e fugas de si mesmo, levando-se ao encontro das Expressões que o coloca 
como ser mútuo de vida e morte. 
O teatro como qualquer outra prática educativa precisa de um espaço próprio 
para que possa ser evidenciado pedagogicamente e respeitado como forma 
educativa. Para Reverbel (1997, p. 168) “é preciso lutar para que o teatro tenha seu 
lugar na educação, porque se ele existe na sociedade, deve existir na escola”. Neste 
sentido é relevante observar como a sociedade é influenciada pelo teatro, mas a 
maioria das escolas ainda é relutante quanto ao ensino desta modalidade artística, 
com isso a própria escola exclui seus alunos do contexto social, e com isso cria um 
ambiente de exclusão e defende a inclusão, situação conflitante e complexa demais 
para ser entendida. 
O teatro, no processo de formação da criança, cumpre não só função 
integradora, mas dá oportunidades para que ela se aproprie crítica e 
construtivamente dos conteúdos sociais e culturais de sua comunidade 
mediante troca com os seus grupos. No dinamismo da experimentação, da 
fluência criativa propiciada pela liberdade e segurança, a criança pode 
transitar livremente por todas as emergências internas integrando 
imaginação, percepção, intuição, memória e raciocínio. As propostas 
educacionais devem compreender a atividade teatral como uma combinação 
de atividades para o desenvolvimento global do indivíduo, um processo de 
socialização consciente e crítico, um exercício de convivência democrática, 
uma atividade artística com preocupações de organização estética e uma 
experiência que faz parte das culturas humanas. (Parâmetros Curriculares 
Nacionais). 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
14 
Para Augusto Boal (2008), o fazer teatro no espaço educativo, não se deve 
perder a compreensão de que teatro é uma linguagem artística e, como qualquer 
outra disciplina, deve ser trabalhada na escola sem deixar de lado suas concepções 
históricas e metodologias que sejam adequadas a ponto de não deturpar o sentido do 
ensino do teatro. Enfatizar conteúdos e traçar objetivos como é feito com outras áreas 
do conhecimento é levar este método de ensino a fazer parte do cotidiano da escola, 
e em decorrência, dos alunos. O teatro possibilita o crescimento intelectual e sensível 
da criança, pois ajuda na expressão de suas emoções e sentimentos num processo 
de interação com os outros e consigo mesmo. 
Boal ainda defende o teatro como um jogo lúdico que envolve a capacidade de 
interpretar e representar, neste sentido o homem depara-se com uma atividade que 
traduz liberdade e valorização dos sentidos aumentando seu conhecimento e sua 
forma de entender o mundo com o qual se relaciona interior ou exteriormente, mas 
que sempre o leva a um ponto especial, o ápice do conhecimento e dos mistérios que 
envolvem a mente humana e seu relacionamento com o corpo – a educação. 
Todo ser humano precisa ampliar seus horizontes, estar mais aberto para a 
compreensão do mundo, entender a diversidade de conhecimentos e preparar-se 
para o mundo de trabalho, e para tudo isso ele precisa comunicar-se, e através do 
teatro esta comunicação torna-se mais tátil e explorada, pois há nele uma 
compreensão diferenciada das coisas; o teatro leva o homem a entender-se sobre 
vários prismas da realidade e do inconsciente, criar novos mundos e fazer parte deles 
escolhendo aquele que mais lhe adéqua de acordo com sua personalidade e 
personagem possível em seu contexto de vivência social. 
O teatro deve estar a serviço da educação, sem restrições ou preconceito, pois 
nos dias atuais o mundo vive uma forma comunicativa extensa e leva os problemas 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
15 
e as disparidades sociais aos palcos como forma de conscientização da problemática 
mundial. 
 
Pedagogia da Dramaturgia 
 
Dentre tantas possibilidades metodológicas para o ensino do teatro nas 
escolas, a que me interessa nesta pesquisa é a Pedagogia da Dramaturgia, que parte 
do estudo do texto dramático (criação e estrutura) para depois alcançar outras áreas 
da arte teatral. Biange Cabral no artigo Presença e Processos de Subjetivação 
pontua: 
A dimensão sensorial da arte, a matéria como possibilidade de ressonâncias, 
a imaterialidade como seu potencial expressivo, permitem refletir sobre o 
texto, quer como representação ou como pré-texto, enquanto espaço 
privilegiado para a diferença e, portanto, para a subjetivação (CABRAL, 
2011, p. 04). 
 
A subjetivação permite o desenvolvimento da autonomia, uma vez que coloca 
o indivíduo como criador e espectador da sua realidade. A criação é possível a partir 
da observação, do preencher-se de substância interpessoal, humana. E qualquer um 
pode criar, mas pelos processos históricos de institucionalização, a arte parece 
sempre algo longínquo, matéria de mentes inspiradas e intelectuais. 
Existem diversas metodologias para se trabalhar a Pedagogia da Dramaturgia 
na sala de aula. Pode-se utilizar a dinâmica dos Jogos para a produção de textos, há 
exercícios de produção colaborativa, improviso e produção textual, observação e 
escrita. Em meio a essa diversidade metodológica há um ponto em comum: o 
desenvolvimento das capacidades de produção estética pelos alunos. Graça Veloso, 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
16 
no campo das artes teatrais, questiona o “fazer arte” e abre espaço para que todos 
sejam “fazedores”: 
Com a ideia de que é imprescindível o fazer, adotou-se a imposição de que 
a aprendizagem nas artes do corpo e do espetáculo só se completa com a 
experiência da representação, no sentido de se estar do lado simbólico de 
palco. Não se leva em consideração que a experiência da “expectação”, tão 
importante quanto a do fazer a cena, pode ser vivida plenamente sem a 
necessidade de se assumir o papel de artista. Até porque, assim 
compreendo, assistir também é “fazer” teatro (VELOSO, 2016, p. 35). 
 
Em meioa tantos fazeres, na Pedagogia da Dramaturgia, o fazer não está 
diretamente ligado com o fazer do ator, mas sim com o fazer do dramaturgo. Partindo 
dos princípios para a criação de uma história, os exercícios são realizados com 
perguntas norteadoras, como por exemplo: quem? Onde? Como? O quê? E assim, 
os alunos podem ser sujeitos criadores de uma diversidade imensa de personagens, 
cenários, cenas e histórias. 
É importante delinear as diferenças e semelhanças entre está pedagogia, e a 
Contação de Histórias. Quando utilizadas como metodologia, elas apresentam em 
comum o drama como método de ensino do teatro, ao colocar os alunos como 
personagens em situações e ambientes irreais. Biange Cabral no artigo Drama como 
método de ensino, pontua: 
Algumas características básicas são associadas ao drama como atividade 
de ensino: contexto e circunstância em ficção, que tenham alguma 
ressonância com o contexto real, ou com os interesses específicos dos 
participantes; processo em desenvolvimento através de episódios, um pré-
texto que delimite e potencialize a construção da narrativa em grupo; e a 
mediação de um professor-personagem, que permite focalizar a situação sob 
perspectivas e obstáculos diversos. Entre as estratégias que articulam essas 
características, algumas são fundamentais: as convenções teatrais que 
identificam formas distintas de ação dramática, a quantidade e qualidade do 
material oferecido aos participantes, a delimitação e ambientação cênica 
(CABRAL, 2006, p.12). 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
17 
Apesar desta semelhança, a Pedagogia da Dramaturgia foca no 
desenvolvimento e análise da história (quase sempre um texto teatral), enquanto que 
a Contação de Histórias está ligada ao resgate e compartilhamento de histórias, reais 
ou fantásticas. Há ainda a Contação de Causos, uma linha mais voltada para as 
histórias reais e de saberes tradicionais. 
A educação do olhar ou educação estética, acontece com diálogo e escuta, 
gerando como consequência, a autonomia. Talvez o papel do professor de teatro na 
contemporaneidade, seja expandir a curiosidade dos alunos sobre a cena, trazendo 
novas referências e discussões. Desvencilhando o fazer teatral da ideia apenas do 
fazer do ator e ampliando a percepção dos alunos para além do palco, para que todos 
sejam fazedores. 
Pedagogia do teatro: Educação do olhar e a produção 
da autonomia 
 
Acredito que o ensino da arte nas escolas é de fundamental importância para 
a formação de indivíduos críticos e sensíveis ao que está a sua volta. Reagindo e 
agindo a favor do crescimento individual e coletivo. Afinal, vivemos na coletividade e 
multiplicidade de relações a todo momento e em todas as áreas da nossa vida. Como 
matéria, o ensino do teatro abarca questões inerentes às relações humanas. 
Como pedagogia, o ensino dos princípios teatrais pode promover a educação 
do olhar, a escuta sensível e como consequência desses dois primeiros 
aprendizados, a produção da autonomia. Luciana Hartman, no artigo Interfaces entre 
a Pedagogia do Teatro e os Estudos da Performance, discorre sobre o termo 
Pedagogia do Teatro: 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
18 
A adoção do termo Pedagogia do Teatro, como vimos, insere o binômio 
ensino-aprendizagem em teatro, tanto dentro, quanto fora da sala de aula, 
num novo enquadramento epistemológico que contempla e enfatiza os 
contextos históricos-políticos-sociais nos quais estes processos estão 
inseridos (HARTMAN, 2014, p. 525). 
 
Como nos esclarece Hartman, o termo Pedagogia do Teatro é amplo e 
possibilita o diálogo direto com diversas metodologias, dependendo do contexto, 
região, indivíduos. Os processos de ensino-aprendizagens em teatro são vastos e 
tem como ponto de contato a oportunidade de experiência o saber, tanto o educador, 
quanto os educandos. Todos estão em um processo mútuo de aprendizagem. Paulo 
Freire no livro Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, 
comenta sobre o “saber ensinado”: 
Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a 
pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou 
continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não 
podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos. Pelo contrário, 
nas condições da verdadeira aprendizagem os educandos vão se 
transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber 
ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim 
podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é 
aprendido na sua razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos 
(FREIRE, 1996, p.13). 
 
Esses saberes ensinados são apropriados pelos alunos, que se tornam 
sujeitos de seu processo de aprendizagem, passando a ter atitudes críticas, 
colaborativas e engajadas em sala de aula. A autonomia assim, é decorrência de um 
processo entre professor-aluno, de escuta sensível e apurada. As várias pedagogias 
teatrais realizadas na contemporaneidade permitem tal desenvolvimento, dando 
espaço para a educação do olhar (uma vez que podem discorrer sobre todos os 
parâmetros da cena) e gerando autonomia entre os indivíduos. 
 
 
 
 
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Dramatização como instrumento de ensino 
 
 
O teatro na escola promove a socialização dos alunos. No mundo globalizado 
e repleto de informações, a escola deve disponibilizar atrativos aos alunos de modo 
que os mesmos consigam assimilar os conteúdos propostos. 
Hoje existem dezenas de teorias, metodologias, estratégias de ensino, todas 
bem-intencionadas, porém nem todas eficazes. Dentre as inúmeras estratégias 
podemos destacar uma que contribui não somente no sentido de aprendizagem, mas 
também na socialização dos alunos, estamos referindo à dramatização. 
A dramatização na escola tem como finalidade buscar a participação, o 
estimulo, convívio social, além do crescimento cultural e da linguagem oral e corporal. 
Esse tipo de atividade pode ser usado em todas as etapas do ensino e disciplinas 
curriculares. Na maioria dos casos geram bons e satisfatórios resultados, desde que 
tenha um bom acompanhamento. 
Para a consolidação desse tipo de trabalho é necessário percorrer algumas 
etapas, dessa forma, as principais são: 
 
 
 
 
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 Escolha do tema e sua viabilidade de inserção na modalidade de trabalho. 
 Composição dos grupos. 
 Estabelecer um objetivo a ser alcançado com a apresentação da 
dramatização. 
 Formação e elaboração do roteiro de acordo com cada grupo, tais como 
definição do tipo da peça, produção de textos, fala dos personagens, 
diálogos entre outros componentes relacionados. 
 Confecção do cenário, das roupas, instalação de som, luz dentre outros 
recursos audiovisuais que se julgam necessários. 
 Ensaio/Apresentação. 
 Apresentação do teatro com a participação de todos os alunos e 
preferencialmente com a presença de pessoas de outras salas e 
professores. 
A dramatização ou apresentação teatral na escola é de grande valia, isso 
porque possibilita uma melhor compreensão dos conteúdos, além de promover uma 
socialização, aumento da criatividade, memorização entre outros fatores positivos na 
construção do conhecimento. 
Ao recorrer a esse tipo de trabalho o professor terá a oportunidade de avaliar 
a postura de cada aluno, especialmente ligados ao comportamento desenvolvido 
coletivamente ou individual. Atividade com essa atrai os “alunos problemas”, pois 
muitos deles possuem potenciais nesse seguimento, e que devem ser explorados. 
 
 
 
 
 
 
 
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6 vantagens da dramatização infantil e da prática do teatro 
 
Nos bastidores — e também dentro e fora das aulas —, os benefícios da 
dramatização infantil vão além, sendo uma ferramenta excelente para o 
autoconhecimento desde cedo, a diversão, o desenvolvimento social, a organização, 
a memória e o aperfeiçoamento na forma comoo indivíduo se expressa. Ou seja, são 
inúmeros os proveitos obtidos por aqueles que se praticam a atividade. 
E assim como todas as demais experiências, começar a fazer teatro quando 
criança é muito importante para o desenvolvimento cognitivo do pequeno em vários 
âmbitos da vida — como já citado acima — e para que tal hobby traga uma rotina 
saudável que pode se estender até a fase adulta, já que é nessa idade que as 
memórias se tornam base principais para a formação do caráter e dos hábitos que 
nos acompanham no futuro. 
Engana-se quem pensa que o teatro para crianças não envolve preparo tanto 
físico quanto psicológico, afinal, assim como qualquer atividade extracurricular, a 
dramatização infantil possui diversos fatores importantes para o crescimento do 
pequeno, tornando-se um ser único, criativo, com consciência corporal e multicultural. 
E caso você ainda esteja em dúvida se vale a pena inserir essa técnica no dia 
a dia do seu filhote, já podemos adiantar que os benefícios do teatro para crianças 
incluem diversas autonomias que você verá ao longo dos anos. Quer saber quais são 
elas? Então, olha só: 
 
 
 
 
 
 
 
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Trabalha a postura e a apresentação corporal 
 
Durante as aulas de teatro, o pequeno aprenderá que falar com o corpo é 
extremamente necessário para que a história tenha sentido. Afinal, na vida real 
quando estamos com raiva, tristeza ou apaixonados, por exemplo, nosso físico 
também se comunica, e para que a atuação funcione, é necessário consciência e 
expressão corporal para a atuação funcionar. 
Ou seja, quando falamos de teatro para crianças, sabemos que este ponto 
acrescentará desenvoltura para conhecerem novos ambientes, socializar e até 
mesmo vencer a vergonha, tópico que falaremos em detalhes mais adiante. 
 
 
 
 
 
 
 
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Traz autoconfiança para falar em público 
 
Além de incentivar as crianças a falarem no tom certo e na altura adequada, a 
dramatização infantil também trará muita confiança para conversas em público. 
Quem foi uma pessoa tímida — que mesmo com muito conhecimento sobre 
uma causa não tinha trejeito social para se posicionar — sabe como é importante 
dispor de métodos para se comunicar bem. Afinal, todo indivíduo precisa acreditar no 
que fala, colocar as palavras da forma correta e até mesmo contar uma história 
envolvente para prender a atenção, seja em uma roda de amigos ou para se dar bem 
em uma entrevista de emprego. 
 
Melhora a memória 
 
Sabemos que guardar falas longas para serem reproduzidas na frente de um 
número grande de pessoas é algo extremamente difícil. O nervosismo pode ser um 
vilão e apagar as memórias naquele momento, por exemplo, e por esse motivo o 
teatro para crianças ensina como armazenar as informações de maneira adequada 
no cérebro e expandir o campo de recordações. 
Além disso, a dramatização infantil reforça técnicas para driblar a ansiedade e 
o medo perante os espectadores — algo que será levado por toda a vida, inclusive 
na hora das provas escolares e do vestibular. 
Ah, e os ganhos não param por aí, pois quando adulto, o “ator mirim” 
conseguirá assimilar informações de um projeto facilmente e apresentá-lo de uma 
maneira bem mais simples e dinâmica para chefes, parceiros de trabalho ou 
funcionários. 
 
 
 
 
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Reforça o interesse pela literatura 
 
Muitas peças e ensaios protagonizados por crianças são adaptações de livros 
infantis famosos, como aqueles eternos clássicos de princesas, bruxas e jovens 
perdidos em reinos mágicos. E dentro de uma prática de dramatização infantil, a 
criança deve se aprofundar no papel em sua dramatização, o que significa ler ou 
conhecer obras que falem sobre o cenário e a personalidade a serem abordados. 
O resultado? Um aumento no número de histórias que seu filho irá ler por ano, 
além de poder preencher a bagagem do pequeno com muito mais conhecimento 
cultural e social — e o melhor: tudo isso por vontade própria, graças aos estímulos 
dados pelos professores de um curso de teatro para crianças. 
 
Estimula o trabalho em grupo 
 
Mesmo que um espetáculo seja feito apenas em monólogos, ele envolve toda 
uma produção atrás dos panos. Tratando-se de dramatização infantil, pouquíssimas 
peças serão apresentadas dessa forma, ou seja, o trabalho junto com muitas crianças 
e mentores é necessário para que tudo corra bem e com harmonia. 
Isso estimulará que o seu filho — desde cedo — trabalhe em grupo de uma 
maneira profissional e com empatia. Além de, é claro, ser um método divertido de 
assimilação ao lado dos amigos, o que nem parecerá um aprendizado e sim 
um hobby. 
 
 
 
 
 
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Incentiva uma vida mais saudável 
 
É comprovado que a garotada que gosta de fazer teatro e aprecia todas as 
tarefas que ele engloba, desenvolvem-se melhor nas áreas da cognição e da 
comunicação, além de aperfeiçoarem aspectos físicos e psicológicos. Sim, a atividade 
motora e o teatro para crianças são interligados, já que exercícios teatrais e ensaios 
podem muitas vezes ser mais físicos e, diferente do que muita gente imagina, dá pra 
suar muito em uma aula de teatro! 
Essa prática estimula a preocupação com a imagem no sentido de criação de 
personagens, figurinos, maquiagem… As crianças adquirem essa consciência 
corporal ao longo dos ensaios e criação de personagens e cenas. 
Vale frisar também que praticando a dramatização infantil os pequenos 
ganham muita consciência corporal e ficam mais ativos, pois os ensaios e as peças 
fazem com que os baixinhos passem mais tempo em pé, longe dos games e do sofá, 
e em constante movimentação das mãos, braços e pernas. 
 
Elementos da linguagem teatral 
 
Com o objetivo de facilitar melhor a compreensão sobre a linguagem teatral, é 
importante recordarmos sobre as três modalidades pertencentes aos gêneros da 
literatura. Entre eles, destacam-se: 
Gênero Dramático: Refere-se à linguagem encenada, representada pela 
linguagem teatral, contando com a participação de elementos extra verbais, como 
cenário, figurino, iluminação e sonoplastia. Especificamente, a linguagem teatral, 
 
 
 
 
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como já detectamos, pertence ao gênero dramático, e tem a Dramaturgia como 
elemento primordial. A palavra Drama originasse do grego, que significa “ação”. 
O texto teatral teve seu papel de destaque na Grécia antiga, por volta do século 
V a.C., as peças apresentadas baseavam-se nas Tragédias, uma vez que as mesmas 
tinham o objetivo de levar aos espectadores à catarse, isto é, à purificação da alma 
por meio da libertação das emoções. Os conflitos envolviam problemas de poder e 
honra e eram vividos por personagens representados pela classe social privilegiada. 
Com as tragédias surgiram outras modalidades do gênero dramático, as quais se 
definem como: 
Comédia: Representação de situações do cotidiano, com personagens 
representadas pelas classes populares. A intenção era provocar riso através da crítica 
aos costumes. 
Auto: Peça curta apresentada em festas religiosas, tendo como personagens, 
verdadeiros representantes de entidades abstratas, tais como a bondade, o pecado, 
a hipocrisia e a virtude. 
Farsa: Peça curta que satiriza os costumes, dando ênfase ao grotesco. 
A linguagem teatral é aquela utilizada nos textos teatrais (ou dramáticos), os 
quais são escritos para serem representados. Os gêneros teatrais mais conhecidos 
são a comédia, a tragédia e a tragicomédia. A dramaturgia é o nome utilizado para as 
representações teatrais e os dramaturgos são aqueles que escrevem os textos para 
serem encenados por atores. Os textos teatrais são geralmente divididos em atos e 
cenas, apresentam diálogos e ausência de narrador. 
Em cada encenação teatral podemos considerar alguns elementos essenciais, 
a saber: 
 
 
 
 
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 Tempo: é classificado de trêsmaneiras segundo a função que exercem: 
tempo real, em que decorre a narrativa; tempo dramático, tempo em 
que acontecem os fatos da narrativa; e tempo da escrita, ou seja, 
quando a obra foi produzida. Nesse sentido, a obra teatral pode ter sido 
escrita no século XX (tempo da escrita), mas abordar fatos do século 
XVII (tempo dramático). 
 Espaço: corresponde ao local ou locais em que decorrem os fatos. 
Nesse caso, podemos considerar o espaço real (cênico) e o espaço 
psicológico. Assim, o real seria o espaço físico que se desenvolvem os 
fatos, por exemplo, uma igreja, uma casa noturna, uma praça. Já o 
espaço psicológico refere-se aos pensamentos dos personagens que 
envolvem a trama. 
 Personagens: são as pessoas que envolvem a história, podendo ser 
protagonistas (principais) ou coadjuvantes (secundárias). Além disso, 
há os figurantes, que possuem um papel terciário, ou seja, somente 
aparecem para preencher uma lacuna no espaço, por exemplo, as 
pessoas que estão sentadas num restaurante, porém não participam 
da encenação. 
 Plateia: quando ocorrem as dramatizações teatrais há sempre uma 
plateia, ou seja, o público que assiste à peça. Observe que os 
interlocutores são um dos elementos fundamentais da linguagem 
teatral. 
 Cenário: o cenário corresponde ao conjunto de elementos que 
transformam o espaço que acontecerá a representação, por exemplo, 
a cozinha de uma casa, a rua, a igreja. As pessoas especialistas em 
cenografia, são os cenógrafos. 
 
 
 
 
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 Figurino: são as vestimentas utilizadas pelas personagens em 
determinadas cenas. Os figurinistas são especialistas em compor os 
figurinos dos artistas envolvidos. Por isso, os figuristas estudam a 
história da trama, os quais possuem muitos conhecimentos históricos e 
culturais. Isso porque eles precisam conhecer os elementos da moda 
no tempo da peça, por exemplo, numa peça em que o tempo dramático 
é o século XIX. 
 Iluminação: como parte do cenário, tem-se a iluminação cênica. É um 
elemento essencial realizados pelos produtores (iluminadores) 
responsáveis por projetaram as luzes nos espaços e nas personagens, 
além de criarem efeitos de luz, desde contrastes de luz e sombra. 
 Sonoplastia: além da iluminação, as encenações teatrais envolvem a 
sonoplastia, ou seja, o uso de sons, seja uma música, um ruído, as 
falas, dentre outros. O sonorizado é a pessoa responsável pela 
sonoplastia cênica. 
 
O profissional que atua apresentando um ponto de vista provocador e 
questionador a respeito da própria prática junto ao professor responsável pelo grupo 
é o diretor artístico. A visita do diretor acontece quinzenalmente, oferecendo 
interlocução crítica, apoio técnico para dinâmicas de ensaio, construção de cenas, 
preparação de atores, percepção dos contextos dramáticos, análise de textos e 
também articulação institucional. 
A participação dos estudantes no processo deve ser criativa; deve fornecer ao 
aluno uma noção de pertencimento, de contextualização. Além de atores e técnicos, 
eles participam das decisões e interferem positivamente na dramaturgia e no estilo 
da encenação. Suas referências pessoais artísticas – forma e conteúdo – são 
acolhidas, processadas e relidas em um processo crítico pelo grupo como um todo. 
 
 
 
 
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Conclusão 
 
Considerando que através do teatro a criança se expressa, comunica-se e 
sociabiliza-se, o professor tem o importante papel que é a mediação da relação da 
criança com o conhecimento, assim como na constituição da sua identidade e 
autonomia. As atividades com modelagem, sucatas, desenho, pintura, etc., é 
indispensável desde cedo, podendo ser apresentada as crianças como forma de 
observar, refletir, atuar sobre a sua aprendizagem. 
A arte de imitar está presente em tudo e cabe ao educador utilizar recursos 
didáticos adequados para apresentar variadas informações nos momentos certos a 
estas crianças. Ao imitar pessoas de seu convívio, a criança está representando. Esta 
representação de seu cotidiano se dá a partir de desenhos, conversas, 
dramatizações, etc. Nestes casos, o professor deve estar atento como está ou se dará 
o desenvolvimento das habilidades de seu aluno, sua inserção social. 
No nosso dia-a-dia as formas de comunicação e expressão humana são 
ferramentas eficientes para planejar ações e transformações em uma Educação 
Infantil de qualidade, consolidada no respeito à criança que aprende. Neste projeto, 
o primordial é que a arte do teatro desenvolva amplamente na criança habilidades 
como a autoestima, formulação de ideias, resolução de problemas, criticidade, etc., 
tudo ludicamente. Cabe então, a todos os profissionais que atuam direta ou 
indiretamente com o ensino da arte, uma reflexão não somente dos processos de sala 
de aula, mas também do seu papel como cidadãos, protagonistas de uma história. 
 
 
 
 
 
 
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