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Osteoporose Doença de atenção primária • Pico de massa óssea -Pico: 18-20 anos • Fatores que influenciam o pico de massa óssea ➢ Ingestão de cálcio – adolescência e adulto jovem ➢ Genética ➢ Hormonal – amenorreia (aumenta o risco de OP) ➢ Peso corporal (menor massa magra) ➢ Exercício físico • Metabolismo do cálcio • Remodelação óssea • Osteoporose – conceito*** ➢ A osteoporose é uma doença caracterizada pela fragilidade óssea e alterações na sua microarquitetura, tem como desfecho clínico mais importante a ocorrência de fraturas por baixo impacto e afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. *Não dói ➢ Primária ➢ Secundária – causada por outras doenças • Osteoporose primária ➢ Tipo I: osteoporose pós-menopausa → alta reabsorção óssea, decorrente de uma atividade osteoclástica acelerada – geralmente apresentada por mulheres mais jovens, a partir dos 50 anos. ➢ Tipo II: osteoporose senil ou de involução → reabsorção óssea normal ou ligeiramente aumentada, associada a uma atividade osteoblástica diminuída, com formação óssea diminuída – mais frequente nas mulheres mais idosas, a partir dos 70 anos, e também no homem. • OP primária -Densitometria óssea: a partir de 65 anos (de acordo com a OMS). -Entrou na menopausa → densitometria óssea. • Osteoporose secundária ➢ Hipercortisolismo (endógeno ou exógeno) – corticoide ➢ Hiperparatireoidismo primário ou secundário ➢ Hipertireoidismo ➢ Acromegalia ➢ Neoplasias do sistema hematopoiético ➢ Cirrose biliar primária ➢ Doenças inflamatórias intestinais ➢ Doença celíaca ➢ Pós-gastrectomia ➢ Homocistinúria ➢ Hemocromatose ➢ Doenças reumáticas inflamatórias – AR, EPA, Lúpus • OP secundária ao corticoide -Aumenta reabsorção óssea e diminui formação óssea. *Primeiros 3 meses de uso. • Epidemiologia ➢ Doença óssea mais comum ➢ A partir dos 50 anos, 30% das mulheres e 13% dos homens poderão sofrer algum tipo de fratura por osteoporose ao longo da vida ➢ Mulheres caucasianas – 1 a cada 2 terão uma fratura relacionada a osteoporose ➢ Após fratura de fêmur – apenas 40% voltam ao nível de independência pré-fratura ➢ Custo alto para sociedade • Complicações – fratura de fêmur ➢ Mortalidade 8-36% em 1 ano, mais em homens ➢ Aumenta 2,5x a chance de outras fraturas ➢ Infecções ➢ TVP e TEP ➢ Falha de fixação ➢ Necrose avascular ➢ Luxação da prótese • Propedêutica ➢ História clínica e exame físico ✓ Identificar fatores de risco ✓ Avaliar cifose e perda de estatura ➢ Laboratório ✓ Ex. metabolismo ósseo ✓ Ex. gerais ➢ Exames de imagem ✓ Densitometria ✓ Radiografia de coluna toracolombar (perfil) • Fatores de risco para osteoporose e fraturas ➢ História pessoal de fratura na vida adulta ➢ História de fratura em parente de 1° grau ➢ História atual de tabagismo, etilismo ➢ Baixo peso (< 57 kg) ou IMC <18,5 ➢ Uso de glicocorticoides (>5mg/dia, 3 meses) ➢ Idade avançada ➢ Deficiência de estrógeno (menopausa < 40a) ➢ Baixa ingestão de cálcio durante a vida ➢ Atividade física inadequada ➢ Alcoolismo (> 3 doses álcool/dia) ➢ Quedas recentes (90% fratura quadril – quedas) ➢ Demência, déficit de visão, saúde fragilizada • Medicações – fatores de risco ➢ Inibidores da aromatase (Anastrozol) ➢ Análogos de GnRH ➢ Terapia antirretroviral ➢ Medroxiprogesterona ➢ Anticonvulsivantes ➢ Anticoagulantes (heparina) ➢ Tamoxifeno ➢ Inibidores seletivos da receptação de serotonina ➢ Inibidores da bomba de próton • Propedêutica ➢ História clínica e exame físico – avaliar: ✓ IMC ✓ Cifose ✓ Perda de estatura a. >4cm COMPARANDO com 25 anos b. >2cm no último ano ➢ Laboratório – avaliar e excluir outras patologias ➢ Laboratório – seguimento e resposta ao tratamento ➢ Exames de imagem • Densitometria óssea Z-score: pacientes mais jovens T-score: pacientes mais velhos ➔Osteoporose: T-score ≤ -2,5. ➔Para cada desvio-padrão abaixo da média: eleva-se 1,5-3 vezes o risco de fraturas osteoporóticas, dependendo do sítio ósseo analisado. ➔Coluna, colo do fêmur e fêmur total. ➔Diagnóstico: imagem ou fratura típica. • Fraturas vertebrais – análise semiquantitativa • RX coluna dorsal e lombar – perfil ➢ T12: Grau 3 – grave ➢ L1: Grau 2 – moderada ➔Após a 1ª. fratura vertebral, o risco de ter fraturas vertebrais subsequentes aumenta de duas a quatro vezes. • Indicações de tratamento: farmacológico pós-menopausadas e ≥ 50 anos ➢ Fraturas vertebrais (clínica ou morfométrica) ou de quadril ➢ DMO T-scores < -2.5 no colo de fêmur, coluna lombar e quadril total Osteoporose - OMS, 1994 Mulheres pós-menopausa ➢ Osteopenia – usar FRAX (T-score: -1 a -2.5 DP colo de fêmur, fêmur total, coluna lombar) ✓ Probabilidade de fratura relacionada a OP ≥ 20%, ou ✓ Probabilidade de fratura de quadril em 10 anos ≥3% (baseado no modelo da OMS do risco absoluto de fratura adaptado pelo país) • FRAX BRASIL https://www.sheffield.ac.uk/FRAX/tool.aspx?lang=pr • Terapêutica – Guidelines: recomendações da terapia farmacológica de acordo com T-score (AACE) • Intervenção não farmacológica e modificação de fator de risco ➢ Modificar estilo de vida ✓ Parar de fumar ✓ Limitar o consumo de álcool ✓ Dieta com restrição de sódio (hipercalciúria) ✓ Ingestão adequada de cálcio e vit. D ✓ Programa de exercícios • Atividade física ➢ Exercícios físicos resistidos, supervisionados, principalmente que envolvam fortalecimento de quadríceps e exercícios com suporte do próprio peso devem ser recomendados para pacientes na pós- menopausa com diagnóstico de osteoporose ou osteopenia, uma vez que se encontram associados com redução do número de quedas. ➢ Evitar sedativos de longa duração ➢ Atentar para hipotensão ➢ Orientação – postura, evitar quedas • Orientações simples na prevenção das quedas ➢ Não encerar o assoalho ➢ Evitar tapetes e fios soltos, preferir pisos antiderrapantes ➢ Instalar luzes nos corredores junto ao chão para andar à noite ➢ Evitar pequenos degraus entre os ambientes ➢ Não guardar objetos em prateleiras altas ➢ Não colocar carpetes ou pisos lisos nas escadas e usar corrimão dos dois lados ➢ Colocar barras de segurança no banheiro • Exercícios vs. Fraturas relacionadas a quedas -Revisão sistemática →Conclusão: ➢ Exercícios (em indivíduos com baixa DMO) podem reduzir: ✓ Quedas ✓ Fraturas relacionadas a quedas ✓ Fatores de risco para quedas e fraturas ➢ Exercícios para pacientes com OP: ✓ Exercícios de equilíbrio ✓ Exercícios resistidos ✓ Atividade com peso • Drogas utilizadas na prevenção e tratamento da osteoporose A. Drogas anti-catabólicas ou antirreabsortivas ➢ Bisfosfonatos, Denosumbe, Terapia hormonal, SERM**, Calcitonina. B. Drogas anabólicas ou pró-formadoras ➢ Teriparatida, abaloparatida* e romosozumabe *Não disponível no Brasil. **Moduladores seletivos de receptor de estrogênio. • Prevenção e tratamento ➢ Necessidades diárias de cálcio -Mulheres sadias > de 50 anos ➔ 1200mg -Mulheres https://www.sheffield.ac.uk/FRAX/tool.aspx?lang=pr ✓ com osteoporose ✓ Em uso de GC ✓ Grávidas ✓ Amamentando ✓ Acima de 65 anos ➔1500 mg. ➢ Cálcio ✓ 1000-1500 mg/dia cálcio elementar ✓ Dieta (se necessário – suplementação) ✓ Risco cardiovascular com suplementação ✓ Dieta, só suplementar se necessário: -Leite: 1 xícara (200 ml) 246 mg/cálcio -Leite suplementado (200 ml) 500 mg/cálcio -Iogurte: 1 copo (200 ml) 240 mg/cálcio -Queijo: 30g 250 mg/cálcio ➢ Cálcio – calculadora https://www.iofbonehealth.org/calcium-calculator ➢ Cálcio ✓ Carbonato e o fosfato tribásico de cálcio são os que contêm a maior biodisponibilidade de cálcio, cerca de 40%. ✓ O citrato de cálcio apresenta menor biodisponibilidadede cálcio (21%) e são necessários mais comprimidos para se atingir a dose desejada. É uma opção aos pacientes com nefrolitíase ou com antecedentes de cirurgia gástrica (gastrectomias) ou bariátrica. • Meta-análise – vitamina D -Resultados: ➢ Grupo 800 UI vitamina D: ✓ 26% RR fratura quadril ✓ 23% RR qualquer fratura não vertebral ➢ Grupo 400 UI vitamina D: ✓ Sem redução significativa fraturas ➔Diminuição das fraturas não vertebrais foi mais importante no grupo que alcançou os >> níveis de 25 OH vit D. ➢ Vitamina D ✓ 250HD: > 30ng/ml ➢ < 20ng/ml pessoas não doentes ✓ 50.000 U colecalciferol/sem por 3 meses, após ✓ 1000 U/dia *Cuidados na prescrição de cálcio de Vit. D ➢ Hipercalciúria (> 4mg/kg/24hs) ➢ História de litíase renal ➔Tiazídicos. • Tratamento farmacológico: antirreabsortivos ➢ Bifosfonatos ➔Jejum, com água, comer após 30 minutos, não deitar. ➔Indicações: intolerância gastrointestinal, má absorção; ➔Comprometimento esofágico; ➔Fratura com outros bisfosfonatos. ➢ ANTI-RANKL (anticorpo monoclonal humano) ➔Indicações: Intolerância gastrointestinal, má absorção; ➔Comprometimento esofágico; ➔Fratura com outros bisfosfonatos; ➔Clearance creatinina < 30ml/min (140 - idade) X Peso/ (72 X creatinina) sexo feminino = clearance x 0,85. ✓ Denosumabe se liga ao RANK-L e inibe a formação, atividade e sobrevida do osteoclasto. https://www.iofbonehealth.org/calcium-calculator • Eventos adversos – Bisfosfonatos/Denosumabe ➢ Fratura fêmur atípica Características MAIORES Diáfise fêmur ou abaixo do trocanter menor Configuração transversal ou oblíqua curta Fratura não cominutiva Fratura completa – ambas corticais, espículas, ou Fratura incompleta – córtex lateral Características MENORES ✓ Reação periosteal localizada no córtex lateral ✓ Aumento generalizado na espessura cortical diáfise ✓ Bilateral ✓ Cicatrização retardada ✓ Comorbidades ✓ Medicações ➢ Comorbidades ✓ AR ✓ DM ✓ Vit. D deficiente ✓ Hipofosfatasia ➢ Drogas ✓ Bisfosfonatos ✓ Glicocorticoides ✓ Inibidores da bomba prótons ➢ Biópsia óssea: ✓ Baixo turnover ✓ Ausência de dupla marcação com tetraciclina ✓ Ausência de osteoclastos ➢ Tratamento ✓ Parar BP ✓ Adequar cálcio e vit. D ✓ Teriparatida ✓ Fixação intramedular profilática ➢ Rara na população geral ➢ Mais comum em pacientes usando BP oral longo prazo ➢ Risco de FFA <<< Fratura Quadril ➢ Osteonecrose de mandibula – área de osso exposto na região maxilofacial ✓ Evolui sem cicatrização, período de 8 semanas ou mais ✓ Sintomática ou assintomática ✓ Uso de bisfosfonato EV ou denosumabe ✓ Evitar manipulação dentária • Eventos adversos: Bisfosfonatos ➢ Sintomas gripais: febre, mialgia, artralgia, náuseas ➔Bloqueio da via Farnesil pirofosfato (FPP). ✓ Induz expansão de cels T : ➔Produção de citocinas inflamatórias (INF-, TNF-α). ✓ Menos frequentes em infusões subsequentes ✓ Contornados com analgésicos e antipiréticos • Tratamento farmacológico: antirreabsortivos • Tratamento farmacológico: antirreabsortivos ➔Mulher na pós-menopausa sem sintomas de climatério com OP de coluna, história de displasia ou CA de mama. • Tratamento farmacológico: pró-formadores ➔OP grave (T-score < -3,0) ➔Múltiplas fraturas vertebrais ➔Resposta inadequada com bisfosfonatos ➔OPIG grave ➔Fratura atípica ➔OP grave (T-score < -3,0) ➔Múltiplas fraturas vertebrais ➔Resposta inadequada com bisfosfonatos ➔OPIG grave • Romosuzomab ➢ Anticorpo monoclonal contra a esclerotina ➢ Esclerotina: ✓ Inibe a ativação da Via Wnt e consequentemente suprime a formação, inibindo os osteoblastos. ✓ Aumenta a reabsorção óssea ao estimular a produção do RANKL. • Resumo • Algoritmo 2017 SBR • Muito alto risco de fraturas ➢ Fratura por fragilidade ✓ Coluna e fêmur ✓ Úmero, antebraço e pelve (osteopenia) ➢ Fratura <12 meses ➢ Múltiplas fraturas vertebrais ➢ Idade avançada ➢ T score < -3,0 ➢ Fratura em vigência de glicocorticoide ➢ Alto risco de quedas ➢ FRAX com risco muito elevado • Duração da terapia ➢ Terapia hormonal: usar < tempo possível, para obter menor efeito colateral ➢ Raloxifeno: dados de eficácia de tratamento – 5 anos. ➢ Bisfosfonatos (5-10 anos?). Questionamento: supressão excessiva do turnover ósseo. ➢ Denosumabe – 5 anos - 10 anos ➢ Teriparatida: 18 a 24 meses ➢ Ranelato de estrôncio: 5-8 anos • Seguimento ➢ Fatores de risco (fratura, quedas) – anual ➢ Ex. físico (altura) – anual ➢ Laboratório – Ca, P, vitamina D, PTH, FALC – anual ✓ Calciúria – se hipercalciúria ➢ Densitometria – anual ✓ Se estável, sem mudança medicação – cada 2 anos ✓ Mulher a partir dos 65 anos ou antes se fator de risco ✓ Homem a partir dos 70 anos ➢ RX coluna torácica (T7) e lombar (L2) – perfil – anual ➢ RX de quadril – se bisfosfonato por mais de 2 anos • Eventos Adversos – Bisfosfonatos • Fibrilação atrial ✓ Horizon – Ac Zol – mulheres pós-menopusadas – (1.3% vs. 0.3%) ✓ Horizon – Ac Zol – fraturas quadril – (1.1% vs. 1.4%) ✓ Estudo longo prazo > 47.000 pacientes ▪ Sem associação entre terapia bisfosfonatos e FA ▪ Mas, pacientes em uso BP mais velhos e mais doença CV – arritmia • Seguimento • Laboratório – P1NP – 3-6 meses e depois anual ✓ CTX – 6 meses e depois anual • Laboratório – seguimento e resposta ao tratamento • Paratormônio X Alendronato ➢ Associação concomitante? ✓ PTH e ALD não mostrou sinergismo ✓ Uso concomitante ALD pode reduzir os efeitos anabólicos do PTH • Paratormônio X outros antirreabsortivos ➢ Ação sinérgica? ✓ PTH e Raloxifeno parece mostrar sinergismo ▪ Uso concomitante Raloxifeno pode melhorar os efeitos anabólicos do PTH ✓ PTH e ácido Zoledrônico – efeito benéfico