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Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Embriologia O broto pulmonar (divertículo respiratório) surge na porção ventral da parte caudal do intestino primitivo por volta da 4ª semana. O endoderma (que reveste o broto pulmonar) origina: Epitélio de revestimento: presente na laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos. Glândulas: laringe, traqueia e brônquios. Já o mesoderma esplâncnico adjacente origina o tecido conjuntivo, cartilagens, músculos lisos e vascularização da traqueia, dos brônquios, dos bronquíolos e dos alvéolos pulmonares. O septo traqueoesofágico separa o broto pulmonar do intestino anterior. Dessa forma, o sistema respiratório mantém sua comunicação com a faringe pelo orifício laríngeo (onde está localizada a epiglote). OBS: malformações ocorrem devido a anormalidades na divisão da traqueia e esôfago pelo septo traqueoesofágico. No assoalho da boca, entre o 4 e o 6 arcos faríngeos, está localizado o suco laríngeo. A laringe é originada da porção mais cranial do broto pulmonar. Através do orifício laríngeo, a laringe mantém o contato entre esôfago e traqueia. O epitélio de revestimento e glandular é originado do endoderma e as cartilagens, os músculos e a vascularização dessa Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Embriologia região tem origem mesenquimal dos arcos faríngeos. Orifício da laringe é obliterado por proliferação de células epiteliais e posteriormente sofre recanalização para o estabelecimento do epitélio de revestimento e glandular, assim como formação das cordas vocais. Erros no processo de recanalização podem causar: Estenose da laringe; Atresia laríngea (síndrome da obstrução congênita das vias respiratórias superiores). A traqueia se forma pelo alongamento da porção média do broto pulmonar. Seu epitélio de revestimento e glandular são derivados do endoderma e as cartilagens, tecido conjuntivo e musculatura lisa são derivados do mesoderma esplâncnico. Em sua porção mais caudal, a traqueia se divide em dois brotos brônquicos primitivos (ou primários), direito e esquerdo, por volta da 5ª semana. Os brotos brônquicos secundários e terciários logo se desenvolvem a partir dos brotos brônquicos primários (3 brotos direito e 2 brotos esquerdos). As ramificações sucessivas dos brônquios formam os pulmões, por meio dos bronquíolos terminais, bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolos. Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Embriologia Os brotos pulmonares se expandem para a cavidade pericardioperitoneal (celoma). Além disso, o mesoderma esplâncnico da origem a pleura visceral, enquanto o mesoderma somático, origina a pleura parietal. As ramificações dos brotos pulmonares são dependentes de interações entre o endoderma do broto e mesoderma esplâncnico que o cerca. A interação entre o endoderma e o mesoderma se chama indução recíproca, na qual o mesoderma esplâncnico produz fatores indutores e inibidores que promovem o crescimento/alongamento do broto pulmonar, por meio da sinalização enviada pelo endoderma dos brotos pulmonares. Com frequência, o desenvolvimento do pulmão durante a vida fetal e pós‑natal é subdividido em quatro fases. A fase pseudoglandular (5ª a 17ª semana) caracteriza pela presença de brônquios terminais, os quais consistem em tubos de paredes espessas circundados por um mesênquima denso. OBS: nesse período, a respiração não é possível e, por isso, fetos nascidos durante este período são incapazes de sobreviver. A fase canalicular (16ª a 25ª semana) é caracterizada pelo adelgaçamento das paredes dos tubos à medida que os lumens dos brônquios aumentam. Durante a fase canalicular, o pulmão se torna altamente vascularizado e ocorre o desenvolvimento de brônquios respiratórios. Por conta disso, a respiração se torna possível e fetos nascidos durante este período podem sobreviver com cuidados intensivos. A fase sacular (saco terminal) começa aproximadamente no início da 24ª semana de gestação e vai até o nascimento. Ela se Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Embriologia caracteriza pelo adelgaçamento adicional dos tubos para formar numerosos sáculos revestidos por células alveolares, ou pneumócitos, dos tipos I e II. Além disso, é nesse período que se forma a barreira hematoaérea, que possibilita de forma eficiente as trocas gasosas. A fase alveolar começa um pouco antes do nascimento, normalmente em torno do início do 9º mês de gestação, e prossegue na vida pós‑natal, por volta dos 8 anos de idade. Ela se caracteriza pela formação de alvéolos maduros. Com o desenvolvimento dos pulmões, os pneumócitos tipo II começam a secretar o surfactante, substancia que impede o colabamento dos alvéolos. Durante a amniocentese, pode-se detectar a presença de substancias do surfactante, como do fosfatidilglicerol, indicando a maturidade pulmonar. Além disso, após a 34ª semana, as altas concentrações de surfactante ativam macrófagos amnióticos que migram para o útero e induz a produção de prostaglandinas que levam a contrações uterinas. Antes do nascimento, os pulmões estão cheios de líquido com alta concentração de cloreto, muco e surfactante. Além disso, as trocas gasosas são realizadas pela placenta. Após o nascimento, ocorre o estabelecimento das circulações sistêmicas e pulmonar em paralelo com uma troca gasosa autônoma. Esses movimentos se iniciam antes do nascimento, com aspiração do líquido amniótico. Isso faz com que ocorra a estimulação do desenvolvimento pulmonar e o condicionamento dos músculos respiratórios. Após o nascimento, o líquido amniótico é absorvido por capilares sanguíneos e linfáticos e remoção pela traqueia durante a passagem pelo canal do parto. A síndrome da angustia respiratória do neonato ou do recém-nascido é uma doença respiratória que ocorre nas primeiras horas de vida em bebês prematuros devido à imaturidade pulmonar que leva à deficiência de surfactante. O surfactante auxilia na expansão dos pulmões e permite o mecanismo da respiração. Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Embriologia