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Embriologia do Sistema Respiratório Embriologia Clínica - Moore 10ed ● Primórdio respiratório - Início com um crescimento mediano: sulco laringotraqueal (assoalho da extremidade caudal do intestino anterior primitivo/faringe primitiva) - Endoderma do sulco laringotraqueal: epitélio pulmonar e glândulas da laringe, traqueia e brônquios. - Primórdio da árvore traqueobrônquica → caudal ao quarto par de bolsas faríngeas - Mesoderma esplâncnico do intestino anterior → tecido conjuntivo, cartilagem e músculo liso dessas estruturas ● Final da 4° semana - Sulco laringotraqueal → divertículo laringotraqueal (broto pulmonar) - ventral à parte caudal do intestino anterior → alonga-se → revestido pelo mesênquima esplâncnico → dilatação da extremidade distal → broto respiratório globular (broto único que origina a árvore respiratória) - Divertículo laringotraqueal se separa da laringe primitiva, mantendo sua comunicação através do canal laríngeo primitivo - Aproximação das pregas traqueoesofágicas longitudinais desenvolvidas no divertículo → septo traqueoesofágico = divisão da porção cranial do intestino anterior = parte ventral, tubo laringotraqueal (primórdio da laringe, traqueia, brônquios e pulmões) e parte dorsal (orofaringe e esôfago) - Divisão da parte ventral do intestino anterior: traqueia e esôfago, a partir de um processo complexo de vias de transcrição. - Abertura do tubo laringotraqueal: canal laríngeo primitivo ● Desenvolvimento da laringe - Endoderma da extremidade cranial do tubo laringotraqueal → epitélio de revestimento da laringe - Quarto e sexto pares dos arcos faríngeos → cartilagens da laringe mesênquima derivado das células da crista neural → cartilagens da laringe Bruna Bergamo - 57 - Mesênquima da extremidade cranial do tubo laringotraqueal → proliferação → par de brotos aritenoides → crescem em direção da língua → convertem a abertura em forma de fenda (glote primitiva) → canal laríngeo em formato de T - Oclusão temporária da luz da laringe: proliferação rápida do epitélio, recanalizado por volta da 10° semana, delimitados por pregas da membrana mucosa → pregas vocais e vestibulares. - Proliferação do mesênquima na extremidade ventral do terceiro e quarto arcos → parte caudal da eminência hipofaríngea → epiglote / parte dorsal → parte faríngea ou terço posterior da língua - Mioblastos do quarto e sexto pares de arcos → músculos da laringe → inervados pelos ramos laríngeos do nervo vago (X) - Em neonatos: laringe em posição alta, epiglote fica em contato com palato mole, com uma separação quase completa do respiratório e digestivo, dificultando a respiração pela boca. A descida ocorre perto dos 2 anos. ● Desenvolvimento da traqueia - Separação do intestino anterior → divertículo laringotraqueal → traqueia + brotos brônquicos primários (duas evaginações laterais) - Revestimento endodérmico do tubo laringotraqueal distal à laringe → epitélio + glândulas da traqueia + epitélio pulmonar - Mesênquima esplâncnico que envolve o tubo laringotraqueal → cartilagem + tecido conjuntivo + músculos da traqueia Bruna Bergamo - 57 ● Desenvolvimento dos brônquios e pulmões - Broto respiratório/pulmonar → na extremidade caudal do divertículo laringotraqueal durante a 4° semana → duas evaginações → brotos brônquicos primários → crescem para dentro dos canais pericardioperitoneais (primórdio das cavidades pleurais) + desenvolvimento dos brotos brônquicos secundários e terciários - Mesênquima esplâncnico + brotos brônquios → brônquio e ramificações - Aumento das conexões dos brotos brônquicos com a traqueia → primórdio do brônquio principal (5° semana) - Brônquios segmentares (7° semana) + massa de mesênquima circundante → segmentos broncopulmonares - 24° semana → 17 ordens de segmentos + desenvolvimento final dos bronquíolos respiratórios Mesênquima esplâncnico → camada de pleura visceral Mesoderma somático → pleura parietal (após crescimento caudal dos pulmões e pleura visceral) → cavidade pleural ● Maturação dos pulmões - Quatro estágios histologicamente distintos 1. Estágio pseudoglandular (5° a 17° semana) - Glândulas exócrinas - 16° semana: todos os principais componentes pulmonares formados, exceto das trocas gasosas (respiração impossível, fetos não sobrevivem) Bruna Bergamo - 57 2. Estágio canalicular (16° a 26° semana) - Desenvolvimento cranial mais rápido do que o caudal nos pulmões - Luz dos brônquios e bronquíolos terminais maiores - Maior vascularização do tecido pulmonar - 24° semana: bronquíolos terminais → 2 ou mais bronquíolos respiratórios → ductos alveolares primitivos → antes do nascimento → pequenas projeções nas paredes dos sacos terminais (alvéolos primitivos) + bronquíolos respiratórios → alvéolos primordiais - Respiração possível ao final deste período (26 semanas), devido ao desenvolvimento dos bronquíolos respiratórios e maior vascularização 3. Saco terminal (24° semana até final do período fetal) - Desenvolvimento de mais sacos terminais (alvéolos primitivos) desenvolvidos e com epitélios mais finos e capilares protuberantes → barreira hematoaérea - Pneumócitos tipo I: células pavimentosas de origem endodérmica que envolvem os sacos terminais (troca gasosa) - Pneumócitos tipo II: substância surfactante (fosfolipídeos e proteínas, neutraliza as forças de tensão superficial, permitindo a expansão e prevenindo a atelectasia), aumenta durante as últimas duas semanas de gestação - Corticosteroides para fetos com 24 a 26 semanas → produção do surfactante deficiente 4. Estágio alveolar (final do período fetal até 8 anos) - 32 semanas: sacos terminais análogos aos alvéolos - 32 semanas: bronquíolos respiratórios terminam em um aglomerado de sacos alveolares ( futuros ductos alveolares) - 38 semanas: pulmões capazes de realizar respiração (membrana alveolocapilar delgada suficiente para troca gasosa) - Antes do nascimento: pequenas projeções nas paredes dos sacos terminais (alvéolos primitivos) + bronquíolos respiratórios → alvéolos primordiais - Após nascimento: alvéolos primitivos ampliam, junto com o bronquíolos respiratórios. - Desenvolvimento alveolar completo até os 3 anos, mas novos são acrescentados até 8 anos, desenvolvidos pelos alvéolos imaturos, divididos pelos septos secundários de tecido conjuntivo. - Meses pós nascimento: aumento exponencial na superfície da barreira hematoaérea através da multiplicação de alvéolos e capilares. ● Nascimento - MRF: movimentos respiratórios fetais → ocorrem antes do nascimento, causam uma força suficiente para aspirar líquido amniótico pelos pulmões, aumentam a medida da aproximação do parto, fortalecendo os músculos respiratórios e criando um gradiente de pressão. - Pulmões com metade do volume preenchido por líquido da cavidade amniótica, substituído pelo ar ao nascer. - O líquido é retirado por 3 rotas: pela boca e nariz devido a pressão externa no tórax fetal durante o parto vaginal; pelos vasos sanguíneos e linfáticos locais (maiores em um feto a termo) Bruna Bergamo - 57 ● Resumo 4° semana → divertículo laringo traqueal desenvolvido no assoalho da faringe primitiva → pregas traqueoesofágicas separam-o do intestino interior → pregas se fusionam para formar o septo traqueoesofágico = esôfago + tubo laringotraqueal Tubo laringotraqueal → epitélio dos órgãos respiratórios inferiores e glândulas traqueobrônquicas / mesênquima esplâncnico ao redor → tecido conjuntivo + cartilagem + músculos + vasos da região Mesênquima do arco faríngeo → epiglote e tecido conjuntivo da laringe, sendo: arcos faríngeos caudais → músculos da laringe células da crista neural → cartilagens da laringe Extremidade distal do divertículo laringotraqueal → broto respiratório → dois brotos brônquicos → expande → brônquio principal → ramos lobares, segmentares e subsegmentares. Broto brônquico segmentar + mesênquima circundante → segmento broncopulmonar 20 a 22 semanas: pneumócito tipo II libera surfactante pulmonar Bruna Bergamo - 57