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Aula 1
O movimento trabalhista, os sindicatos e a lei
Você já deve ter ouvido falar que “a união faz a força”, não é? Lembra daquela brincadeira chamada cabo de força, onde existe uma única corda e algumas pessoas ficam de um lado puxando a corda e, outras, no outro lado, puxando também, para ver que grupo é o mais forte?
Será que a greve é o único meio para que os trabalhadores consigam adquirir suas reivindicações? Preparado para abordar esse assunto?
Movimentos trabalhistas
Agora, vamos ver como tudo começou, ou seja, como os movimentos trabalhistas surgiram.
Os movimentos trabalhistas surgiram quando os trabalhadores tomaram consciência da precariedade de seu trabalho e da solidariedade dos próprios trabalhadores.
No século XVII, os artesãos sentiram-se ameaçados pelas fábricas e seus maquinários. Se as fábricas podiam fazer seus trabalhos de uma forma melhor e mais rápida, não fazia mais sentido o seu trabalho. Sentindo-se assim, revoltados, eles atacaram as fábricas, e os operários, por sua vez, sentindo já o problema do desemprego, também reagiram. 
No início do século XIX, na Inglaterra, o movimento já tinha um caráter de massas, por meio de motins e petições. Nesse século, surgiram os sindicatos e a primeira conquista dos trabalhadores foi o direito a voto. 
 crescente organização dos trabalhadores alcançou sua força maior entre 1830 e 1840, com o movimento cartista. Entre 1836 e 1848, os cartistas lutaram pelo princípio da formação da Carta do Povo.
Clique no envelope abaixo para conhecer algumas reivindicações da Carta do Povo.
Os cartistas não conseguiram se organizar em nível nacional, e, em 1848, foram derrotados. Contudo, esse movimento foi o pontapé inicial para a organização dos trabalhadores industriais ingleses, contribuindo para grandes conquistas: voto secreto, aprovação de dez horas de trabalho e pleno direito de livre-associações.
Na França, com a Revolução em 1830, o movimento trabalhista teve um grande avanço, e, a partir de 1838, a pauta das reivindicações dos trabalhadores foi ampliada. Na Inglaterra, nessa época, a adesão dos trabalhadores já era maciça e algumas vitórias foram conquistadas, como: limitação da jornada de trabalho, abolição da Lei dos Pobres e o fim das Casas do Trabalho.
Movimento trabalhista no Brasil
E no Brasil, como o movimento trabalhista se desenvolveu?
O movimento trabalhista se fortaleceu no período de 1917 a 1920, quando a maioria das cidades tiveram greves. Esse período estava relacionado diretamente à vitória dos comunistas na Revolução Russa. Os operários de todas as partes consideravam que tinha chegado o momento de extinguir a exploração capitalista e construir uma nova sociedade. Contudo, esse entusiasmo não foi suficiente. Inicialmente, a classe dos trabalhadores brasileiros era predominantemente de imigrantes europeus influenciados por anarquistas e comunistas, com discursos inflamados, que convocavam os trabalhadores fabris para se reunirem em associações, que foram determinantes no aparecimento dos sindicatos.
No início do século XX, no Brasil já havia mais de 100 mil trabalhadores que se concentravam, principalmente, no eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Acompanhe, na linha do tempo a seguir, um resumo dos acontecimentos relacionados aos movimentos trabalhistas do ano de 1903 ao ano de 1922.
Sindicatos
Vamos falar agora um pouco sobre Sindicatos.
O sindicato é uma pessoa jurídica de direito privado. É uma associação civil, sem fins lucrativos. É constituído e administrado por seus membros. Geralmente se organizam por categoria e não por profissão. São exemplos de sindicatos: Sindicato dos Bancários, Sindicatos dos Metalúrgicos etc.
· Você sabia que existem dois tipos de sindicato? Acesse o link e entenda melhor.
Os sindicatos, como você pode ver, em sua própria definição, são para defender os interesses, no caso, dos trabalhadores, e para proteger sua própria existência. Além de lutarem para a classe que estão representando, também lutam para terem grande representatividade nas negociações entre empresa e empregados, pois assim justificam sua existência.
Pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT –, no seu art. 513, são prerrogativas dos sindicatos: 
· Representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou os interesses individuais dos associados relativos à atividade ou profissão exercida;
· Celebrar convenções coletivas de trabalho;
· Eleger ou designar os representantes da respectiva categoria ou profissão liberal;
· Colaborar como o Estado, como órgão técnico e consultivos, no estudo e solução dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal;
· Impor contribuições a todos aqueles que participam das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas.
Também na CLT, art. 514, são deveres dos sindicatos:
· Colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento da solidariedade social;
· Manter serviços de assistência judiciária para os associados;
· Promover a conciliação nos dissídios de trabalho;
· Sempre que possível, e de acordo com as possibilidades, manter no seu Quadro de Pessoal, em convênio com entidades assistenciais ou por conta própria, um assistente social com as atribuições específicas de promover a cooperação operacional na empresa e na integração profissional da Classe.
· O artigo TD 1959 - Dilemas do Trabalho: Sindicatos no Brasil Hoje é uma publicação do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –, realizada por André Gambier Campos, e faz uma explanação sobre os Sindicatos no Brasil atualmente
Você deve estar pensando: Como os sindicatos sobrevivem financeiramente?
Os sindicatos recebem contribuições sindicais, que são as primeiras fontes de custeio. Veja cada uma delas a seguir.
· Para saber mais sobre os sindicatos, vale a pena uma leitura na CLT, Título V – Da Organização Sindical. Neste título, estão englobados os artigos 511 ao 610, e todos referentes ao sindicato. Você pode encontrar estes artigos no Livro CLT e Súmulas do TST, de André Luiz Paes de Almeida (pp. 187 – 211), e no livro Iniciação à Administração de Recursos Humanos, de Idalberto Chiavenato (p.169). Ambos os livros estão disponíveis na Biblioteca Virtual.
Leis trabalhistas brasileiras
Vamos ver agora um pouco mais sobre leis trabalhistas no Brasil.
A legislação trabalhista no Brasil é bastante ampla e complexa. Veja, na imagem a seguir, como se classificam as leis no país:
A hierarquia da legislação brasileira é a seguinte:
Constituição federal
É a norma jurídica máxima. No Brasil, é a nossa Constituição da República Federativa do Brasil DE 1988.
CLT - Consolidação das Leis do Trabalho
A CLT é uma norma legislativa de regulamentação das leis referentes ao Direito do Trabalho e do Direito Processual do Trabalho no Brasil. Como vimos na Unidade 1, foi aprovada pelo Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 e sancionada por Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época.
Ela é o principal instrumento de regulamentação das relações individuais e coletivas do trabalho. A CLT vem sofrendo diversas alterações no sentido de criar uma legislação trabalhista atualizada, observando todas as necessidades de proteção do trabalhador e defesa dos seus direitos.
Doutrina
É um conjunto de pareceres dos juristas (estudiosos do Direito).
Jurisprudência, súmulas e enunciados
São sentenças uniformes proferidas por juízes. Podemos dizer que é o movimento decisório constante e uniforme dos tribunais sobre determinado ponto do Direito.
Norma coletiva de trabalho
Resulta da negociação entre empregados, representados pelos sindicatos, e empregadores.
Regulamento interno da empresa
O Regulamento Interno da empresa integra-se ao contrato individual, contudo o trabalhador é protegido pelo art. 444 da CLT:
"As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratoscoletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes."
O Regulamento Interno da Empresa tem força legal para aplicação no campo de deveres e direitos, tanto dos empregados como dos empregadores. Porém, as cláusulas nunca poderão ferir o que já está estabelecido em normas superiores (Constituição Federal, Leis, Normas Coletivas etc.), referindo-se às condições menos vantajosas aos empregados. Ou seja, a empresa poderá conceder mais do que a legislação previu, e nunca menos. Se isso acontecer, a defesa ao trabalhador está nos artigos 9º e 468, da CLT, tornando-se nula a respectiva cláusula.
Contrato individual de trabalho
Pela Art. 442 da CLT, Contrato Individual de Trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego.
Na Unidade 3, vamos conhecer um pouco mais sobre a caracterização do Contrato de Trabalho.
· Para aprofundar seus conhecimentos sobre Sindicatos, leia o livro CLT e Súmulas do TST, de André Luiz Paes de Almeida (p. 195 e pp. 205-212).
· Para saber mais sobre sindicatos no Brasil, assista ao vídeo Movimento anarquista atuou na conquista dos direitos trabalhistas, que fala sobre a história da origem dos sindicatos brasileiros, quase um século atrás.
Você sabe como funciona a estrutura sindical no Brasil? Então, vamos juntos estudar esse tema!
O sistema sindical brasileiro possui uma organização bastante segmentada, sendo dividido em diversos níveis hierárquicos, com funções que vão desde a proteção dos trabalhadores até a promoção dos setores econômicos do país. Essa hierarquia se divide em sindicatos, federações, confederações nacionais e centrais sindicais. Entenda melhor a diferença entre elas:
· Os sindicatos protegem os direitos dos trabalhadores de uma categoria, negociando diretamente com os empregadores. Seus interesses dizem respeito, sobretudo, à defesa de direitos e negociação salarial, representando a base dentro dessa estrutura.
· As federações são associações criadas para defender interesses comuns aos sindicatos que as compõem. Elas podem ser regionais ou nacionais e só podem ser criadas se reunirem o mínimo de cinco sindicatos de um mesmo setor, conforme o art. 534 da CLT.
· Já as confederações nacionais constituem entidade formada pela reunião de pelo menos três federações, conforme o art. 535 da CLT, que representem um mesmo segmento. Por último, existem ainda as centrais sindicais, com atuação similar à das federações, mas representando os interesses de sindicatos de diferentes segmentos.
· Importante: conforme a CLT - Decreto Lei nº 5.452 de 1º de Maio de 1943: aprova a Consolidação das Leis do Trabalho pelo art. 533 CLT - Constituem associações sindicais de grau superior as federações e confederações organizadas nos termos desta Lei.
Aula 2
O processo de negociação coletiva
O objetivo desta aula é descrever os aspectos e a caracterização do processo de negociação coletiva.
As legislações vigentes, que você pôde ler na aula anterior, têm a finalidade de proteger a relação entre empresa e trabalhador. Na verdade é uma ferramenta que busca o equilíbrio nesta relação.
Negociação
Os trabalhadores são representados por seus sindicatos nas negociações coletivas. Mas o que é uma negociação coletiva?
· A negociação coletiva é uma discussão entre o sindicato, como representante dos funcionários da empresa, e representantes da administração que se reúnem para negociar questões sobre salário, carga horária, condições de trabalho, benefícios etc.
Geralmente, quando se parte para a negociação, os dois lados chegam para negociar já preparados. Os representantes sindicais preparam-se sondando os filiados quanto aos seus desejos e, também, conversam com outros sindicatos. Pelo lado da empresa, são realizadas várias simulações das despesas que podem surgir após uma negociação (% de aumento nas remunerações, % de aumento para os benefícios 
como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-educação etc.). 
· A empresa tem que saber até onde ela pode negociar. Neste momento, a empresa também pode fazer uma pesquisa de mercado para saber se as remunerações que ela oferece estão dentro do praticado no mercado.
A negociação passa por diversos estágios de desenvolvimento:
· No artigo ACT DATAPREV 2014 – Egocentrismo e desrespeito colocam em risco direitos dos trabalhadores, você pode perceber que as negociações salariais, geralmente, não são muito amigáveis.
Muitas vezes, o 1º estágio de uma negociação é longo e demorado. Nesta fase podem existir impasses, mediação, greves, entre outros. Vamos ver um pouco de cada um:
O impasse ocorre quando as partes não conseguem avançar em direção a um acordo. Ninguém parece querer ceder. Às vezes, para ser resolvido têm que existir uma terceira parte, neutra. Existem três tipos de intervenção para resolver os impasses: mediação, elucidação de fatos e arbitragem. 
O impasse ocorre quando as partes não conseguem avançar em direção a um acordo. O mediador ouve as duas partes, suas posições e procura encontrar algo em comum para iniciar uma negociação. 
O elucidador de fato pode ser utilizado quando envolve questões de um âmbito maior, como segurança e emergência nacional. O elucidador vai discutir questões que estão em disputa e faz recomendações públicas da solução mais razoável para o caso.
 A arbitragem é o tipo mais definitivo de intervenção de terceiros, pois o árbitro tem o poder de decidir e ditar os termos de um acordo. O árbitro pode decidir o impasse. A arbitragem é um meio simples e rápido de solução de um conflito. Ele reduz o desgaste emocional e financeiro entre as partes, e está se tornando uma ferramenta útil e eficaz para as empresas e seus trabalhadores.
A arbitragem é regida pela Lei nº 9.307/1996. É um meio privado de solução de disputas, sem o envolvimento do Poder Judiciário. (Constituição Federal art. 114, parágrafos 1º e 2º). A arbitragem somente pode ser adotada em razão da vontade das partes. Dessa forma, a arbitragem não é obrigatória se tomarmos como base que ninguém pode ser obrigado a se submeter a esta forma de solução de conflitos que, por definição, é alternativa. 
As vantagens desse tipo de solução de conflitos são a celeridade, a inexistência de recursos, a grande possibilidade de o árbitro ter uma dimensão real sobre o problema — diferente do juiz — e a possibilidade de uma decisão por equidade.
Existem duas espécies de arbitragem: a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.
Quando se estuda negociação, o termo MACNA, que significa Melhor Alternativa em Caso de Não Acordo, aparece. Podemos dizer que MACNA é o Plano B. Quando a empresa e o empregado sentam para a negociação, é interessante que eles tenham feito este “dever de casa” e desenvolvido alternativas para os casos de impasses, ou mesmo estabelecer os limites máximo e mínimo para que exista um acordo no processo de negociação.
Quando o negociador tem uma MACNA forte, ou seja, boas alternativas e argumentos, ele pode exigir mais durante o processo de negociação. Porém, se ele não consegue construir uma MACNA forte, ele fica fragilizado e muito mais propenso a fazer concessões.
Sempre que o acordo obtido é melhor que a MACNA, podemos dizer que a negociação criou valor.
· Uma negociação deve ser boa para todos.
· Você sabe o significado de ZOPA?
Zopa: significa Zona de possível acordo. Trata-se do intervalo de valores que, caso a negociação seja efetuada (neste valor), ambos sairão satisfeitos.
· No vídeo Negociação, você notará que, em uma negociação, todos devem sair satisfeitos.
· Para aprofundar seus conhecimentos sobre negociação, leia o capítulo 8 do livro Administração de Recursos Humanos,de Gary Dessler (pp.233 – 238).
Quando a negociação ainda não ocorreu, ou ainda não foi finalizada, e os trabalhadores não estão satisfeitos com o rumo que a negociação está seguindo, eles paralisam suas atividades como forma de pressionar os patrões. É a greve!
Greve
A greve caracteriza-se pela paralisação coletiva e voluntária do trabalho. É uma decisão do sindicato,com o aval dos trabalhadores, na intenção de obter ou manter benefícios, ou até mesmo para protestar contra algo. Na verdade, é uma tentativa de pressionar o empregador por meio de perdas financeiras, pois dias paralisados são dias improdutivos e geram prejuízos. A greve demonstra uma força e união dos trabalhadores. Contudo, ela só pode ser utilizada depois de frustrada a negociação e a 
arbitragem. A seguir, você verá os requisitos que devem ser seguidos antes da greve existir.
Os requisitos que devem ser seguidos antes da greve existir são:
Existem algumas restrições ao direito a greve que estão na própria Constituição, na Lei nº 7.783/89. No Art. 10º são considerados serviços ou atividades essenciais que devem ser garantidos, pois são considerados indispensáveis e podem colocar a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população desprotegida. São eles:
· Tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis;
· Assistência médica e hospitalar;
· Distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;
· Funerários;
· Transporte coletivo;
· Captação e tratamento de esgoto e lixo;
· Telecomunicações;
· Guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais nucleares;
· Processamento de dados ligados a serviços essenciais;
· Controle de tráfego aéreo;
· Compensação bancária.
Agora vamos falar sobre Acordo Coletivo de Trabalho e Convenção Coletiva de Trabalho, que é elaborado por meio de negociação.
Convenção coletiva de trabalho - CCT
A CCT, pela CLT. Art. 611, é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais do trabalho. 
Você pode estar em dúvida quanto a diferença entre o ACT e o CCT. Veja as semelhanças e diferenças na tabela a seguir.
Os dois esquemas a seguir traduzem quem são as partes envolvidas no ACT e no CCT:
Acordo Coletivo de Trabalho – ACT
Convenção Coletiva de Trabalho – CCT
Dissídio Coletivo de Trabalho – DCT
 
 
Algumas considerações
· A Convenção Coletiva inclui todas as empresas de um mesmo ramo econômico e todos seus funcionários em uma data igual para todos. Por exemplo, a convenção coletiva dos bancários que acontece em todo mês de setembro.
· As resoluções aprovadas no Acordo e na Convenção Coletiva cobrem tanto os empregados existentes na empresa como também aqueles que faziam parte da empresa naquele momento.
· O Art. 612 da CLT dispõe que os sindicatos só poderão celebrar Convenções ou Acordos por deliberação de Assembleia Geral, especialmente, convocada para este fim. As negociações serão inicializadas pelos sindicatos, que também, se necessário, convocarão as Assembleias.
· Dissídio Coletivo de Trabalho: são ações propostas à Justiça do Trabalho por pessoas jurídicas (sindicatos, federações ou confederações de trabalhadores ou de empregadores) para solucionar questões de conflitos gerados na negociação direta entre os sindicatos (patronais e laborais).
· O Art. 613 da CLT dispõe sobre alguns itens que obrigatoriamente deverão constar das Convenções ou dos Acordos Coletivos de Trabalho:
· Designação dos sindicatos convenentes ou dos sindicatos e empresas acordantes;
· Prazo de vigência;
· Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelas suas normas;
· Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante a sua vigência;
· Normas para a conciliação das divergências surgidas entre os convenentes por motivos da aplicação de seus dispositivos;
· Disposições sobre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus preceitos;
· Direitos e deveres dos empregados e empresas;
· Penalidades para os sindicatos convenentes, os empregados e as empresas em caso de violação de suas prescrições.
Da obrigatoriedade da presença dos sindicatos
O Art. 616 da CLT cita que os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, quando provocados, não podem recusar-se à negociação coletiva.
O § 1º do artigo 616 da CLT diz que, verificando-se a recusa à negociação coletiva, cabe ao sindicato ou às empresas interessadas dar ciência do fato à Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas.
Caso uma cláusula da ACT ou de uma CCT for mais benéfica para o trabalhador do que um artigo, parágrafo ou alínea da própria Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), deve prevalecer a cláusula que se mostrar mais benéfica ao trabalhador.
· No vídeo Saiba Mais - Direito de greve, você poderá ouvir a entrevista de um especialista que aborda pontos relevantes sobre a greve, relacionando-a com as leis vigentes.
Aula 3
Particularidades das Relações Trabalhistas Brasileiras
O objetivo desta aula é identificar as particularidades das Relações Trabalhistas Brasileiras. Vamos focar em Flexibilização do Trabalho.
A flexibilização do trabalho veio para salvar ou para eliminar os benefícios alcançados pelos trabalhadores? Ela é necessária?
Flexibilização do trabalho
Após a crise econômica que o mundo passou, e alguns países ainda passam, novas análises foram realizadas para defesa da flexibilização do trabalho. Alguns estudiosos dizem que esta flexibilização surge para “salvar” as demissões e a carência de emprego. Outros já dizem que os benefícios alcançados pelos trabalhadores tendem a se extinguir. É isto que vamos ver agora!
Bem, pela definição da palavra flexível, nota-se que é uma coisa boa – curvar sem quebrar, maleável, dócil, suave, mas também, uma coisa ruim – submisso, que não mantém a integridade. E aí, o que você acha? A flexibilização é ou não uma coisa boa para o trabalhador?
Ainda não dá para saber? Vamos caminhar mais um pouco.
A partir de 1973, o fenômeno jurídico da flexibilização das normas trabalhistas começou a ser falado na Europa. Nesta época, o mundo enfrentava a grave crise do petróleo. Contudo, foi a globalização da economia aliada às ideias neoliberais que lhe deram força para avançar pelo mundo todo e tornar-se tendência do Direito do Trabalho.
Todas essas crises e mudanças, adicionadas à necessidade de desenvolvimento econômico, à competição entre as empresas no mundo globalizado, à rapidez de surgimento de novas tecnologias capazes de alterar a dinâmica de produção propiciaram alterações que vêm sendo implementadas nas relações de trabalho. 
· O que vemos atualmente é uma maior automação, descentralização e diminuição das empresas, terceirização de mão de obra, modificações no conceito de subordinação diante das diversas formas de prestação de serviços, como é o caso do trabalho em domicílio, teletrabalho, trabalho a distância e tantos outros. Na verdade, a flexibilização, que surgiu diante desse novo cenário, apresenta-se como um fenômeno jurídico ao lado dessas novas relações trabalhistas, que têm como objetivo final mitigar a crise do desemprego.
Mas como fica esta flexibilização do ponto de visto jurídico?
Alguns autores consideram que a flexibilização é desregulamentar, ou seja, inexistência de normas de proteção aos direitos do trabalhador. Outros consideram que é a ampliação das possibilidades de negociar que passa a existir entre patrões e empregados.
Não podemos negar que o que se encontra, nos dias atuais, sendo exercido pelas empresas, é uma nova forma de empregar ou contratar, seja com a ampliação do uso dos contratos por prazo determinado, a terceirização, as empreitadas, as cooperativas, o trabalho em tempo parcial e o trabalho temporário.
Olhando para os direitos do trabalhador, observa-e que a flexibilização recai, principalmente, sobre a compensação de horários de trabalho em parâmetros maiores que o semanal, a supressão de horas extraordinárias e suanão-integração nos cálculos dos demais pagamentos (FGTS, férias); a redução de salários por acordo coletivo; a participação nos lucros desvinculada dos salários; a remuneração variável; a desindexação dos salários, entre outros.
Enfim, a flexibilização é uma realidade atual e pode ser favorável para alguns fins, mas não deve haver perda do sentido do direito do trabalho. É conveniente que essa nova forma de relação seja acompanhada da adoção de outras medidas cada vez mais presentes nos ordenamentos jurídicos e que podem evitar a perda do ponto de equilíbrio na relação jurídica de trabalho.
· São exemplos dessas medidas: a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados em contrapartida à redução temporária salarial nas épocas de crise, a adequada regulamentação da dispensa arbitrária ou sem justa causa, no sentido de impedir dispensas retaliativas, sem vedar as dispensas motivadas por causas econômicas, organizacionais e tecnológicas, e a organização de um sistema eficiente de seguro-desemprego, estatal e não-estatal, manutenção do plano de saúde durante algum tempo após a extinção imotivada do contrato de trabalho.
· A terceirização é vista como um fator negativo nas relações trabalhistas, contudo, parece ser um caminho sem volta. Os vídeos abaixo apresentam opiniões divergentes de especialistas sobre o assunto.
· Terceirização de serviços - Rede TVT
· Terceirização possibilitou crescimento da empresa
Encerramento
Resumo da Unidade
Nesta unidade estudamos o início do movimento trabalhista e como ele se deu no Brasil, como os sindicatos surgiram e qual a sua finalidade, como sobrevivem e como eles estão inseridos na CLT, bem como atuam nas negociações coletivas. Estudamos a hierarquia existente nas leis trabalhista, onde uma lei superior não pode ser contrariada por uma lei inferior. Por fim, estudamos a flexibilização como uma particularidade das relações trabalhistas brasileiras.