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Medicamentospotecialmenteinapropriados-Farias-2021

Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós‑Graduação em Saúde Coletiva (UFRN, 2021) sobre medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, enfocando seleção e prescrição na atenção primária à saúde; orientadora: Prof.ª Dra. Cláudia Helena Soares de Morais Freitas.

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ANDREZZA DUARTE FARIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE 
INAPROPRIADOS PARA IDOSOS: DA SELEÇÃO À 
PRESCRIÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2021 
 
ANDREZZA DUARTE FARIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE 
INAPROPRIADOS PARA IDOSOS: DA SELEÇÃO À 
PRESCRIÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação 
em Saúde Coletiva, Centro de Ciências da Saúde 
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 
como requisito para a obtenção do título de Doutor 
em Saúde Coletiva. 
 
 
Orientadora: Profa. Dra. Cláudia Helena Soares de 
Morais Freitas 
Coorientador: Prof. Dr. Kenio Costa Lima 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Natal/RN 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANDREZZA DUARTE FARIAS 
 
MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE INAPROPRIADOS PARA IDOSOS: DA 
SELEÇÃO À PRESCRIÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação 
em Saúde Coletiva, Centro de Ciências da Saúde 
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 
como requisito para a obtenção do título de Doutor 
em Saúde Coletiva. 
 
Aprovada em ____ de __________ de 2021 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
______________________________________________ 
Prof. Dra. Cláudia Helena Soares de Morais Freitas 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
(Orientadora) 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Dra. Ardigleusa Alves Coelho 
Universidade Estadual da Paraíba 
(Examinador Externo ao Programa) 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Dra. Cláudia Santos Martiniano Sousa 
Universidade Estadual da Paraíba 
(Examinador Externo ao Programa) 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Dra. Mônica de Oliveira da Silva Simões 
Universidade Estadual da Paraíba 
(Examinador Externo ao Programa) 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Dra. Isabelle Ribeiro Barbosa Mirabal 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
(Examinador Interno ao Programa) 
DEDICATÓRIA 
 
Lá no meu pé de serra 
deixei ficar meu coração... 
(No meu pé de serra - Luiz Gonzaga) 
 
 
Dedico a meus avós (in memoriam), vovô 
Hemetério, vovó Nancy e vô Aristides, e à vó 
Licô, 93 anos de sorriso aberto, vitalidade e 
histórias para contar. Com eles, tudo começou: 
meu amor às raízes e respeito aos idosos. Pelo 
exemplo de dedicação à família, de força e 
honradez. 
 
Dedico a papai e mamãe, S. Zé Kininha e D. 
Lola, meu porto e aconchego, de onde venho e 
para onde sempre volto. 
 
Dedico a Débora, Tiago e Helena, meus 
sobrinhos, que me mostram a cada dia que o 
futuro pode ser melhor (e será). 
 
AGRADECIMENTOS 
 
E é tão bonito quando a gente entende 
que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá... 
(Caminhos do coração – Gonzaguinha) 
 
A Deus, porque tudo que é sonhado no nosso coração já foi ‘autorizado’ por Ele. 
A meus pais, por todo apoio e esforço para eu chegar até aqui. Agradeço a eles por 
tudo e por tanto de forma imensurável. 
A meus irmãos, Aluska e Alexsander, e meus cunhados Pedro e Érica, que são 
presentes da Vida, com quem posso contar sempre. 
Às minhas primas-irmãs, Mainara, Anizabel e Carol, juntamente com Lu, formam uma 
comissão de apoio que me escutou, suportou e encorajou nos momentos mais delicados. 
Ao meu povo das Emas e das Minas, pela energia positiva, por sempre torcer por mim 
e me apoiar a cada etapa de vida. 
À Yonara, costumo dizer que amigos são anjos de carne e osso: eu tenho uma ‘anja’ 
potiguar. Durante praticamente todos os dias do doutorado, me acolheu, acompanhou e apoiou, 
de tal forma que até ganhei uma família em Natal. Seguimos amigas-irmãs que iniciou na UFCG 
e o doutorado consolidou. 
À Sueli, com quem nasceu a ideia da tese, por quem tenho grande admiração pela 
maneira como expressa as coisas simples e importantes da vida. 
À Rand, Adriana e Izayana, pela amizade, pelas conversas que enriqueceram minhas 
reflexões e pelas contribuições nos artigos. 
À Luciana e Maria Helena, companheiras de caronas, minhas conterrâneas paraibanas 
da turma. Tantas histórias quantos quilômetros rodados compartilhando os questionamentos da 
vida acadêmica e do mundo. 
À turma do doutorado, em especial, às meninas que me acolheram em Natal: Bruna, 
Ranyelle e Taiana, por quem tenho carinho enorme. 
À minha orientadora, Cláudia Helena, pela presença humana, acolhedora, rara. Tenho 
o exemplo de como orientar e de ter paciência com os alunos quando estiverem estressados. 
Admiração pelo ser humano e gratidão pelo exemplo de orientação. 
A Kenio, pelas inquietações, por ser um exemplo de pesquisador humano e colocar 
energia em tudo o que faz. 
Aos professores do programa, por tudo que acrescentaram na minha formação. 
À banca examinadora, pela disponibilidade e enriquecimento ao trabalho. 
À Universidade Federal de Campina Grande, que possibilitou essa capacitação e para 
onde retornarei mais preparada para formar futuros farmacêuticos mais sensíveis à Saúde 
Coletiva e à Saúde do Idoso. 
À Secretaria de Saúde de Campina Grande, pela autorização para a realização da 
pesquisa. 
Aos participantes da pesquisa, por terem me ensinado sem perceber: conversar com os 
idosos e médicos ampliou minha percepção das questões da pesquisa de forma mais humana. 
A todos os companheiros de jornada, que torceram por mim, que se preocuparam, que 
estiveram presentes durante todo esse período. Foram anos de um processo de crescimento 
pessoal e profissional, que sem ter tantas pessoas por perto seria muito mais difícil e complicado. 
A todos, meu agradecimento de coração! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Não é somente importante acrescentar anos à vida, mas também 
acrescentar vida aos anos.” 
 
Alexandre Kalache 
RESUMO 
O envelhecimento populacional é uma realidade crescente e os idosos apresentam a necessidade 
de utilização de medicamentos, muitas vezes expondo-os a riscos. Os medicamentos 
potencialmente inapropriados (MPI) para idosos são aqueles em que os riscos superam os 
benefícios. Os medicamentos essenciais devem atender as necessidades prioritárias de saúde de 
uma população e a prescrição de medicamentos é considerada um dos aspectos determinantes 
para o uso. O objetivo do estudo foi analisar os medicamentos potencialmente inapropriados 
para idosos, desde a seleção de medicamentos essenciais à prescrição na Atenção Primária à 
Saúde (APS). Foi realizado um estudo descritivo e analítico com abordagem qualitativa e 
quantitativa, de março a dezembro de 2019, na APS em Campina Grande, PB. A pesquisa foi 
desenvolvida através da triangulação de métodos: 1) pesquisa documental, que analisou os 
medicamentos das Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME nas edições 2010 
e 2020 de acordo com as listas AGS/Beers e as Listas de Medicamentos Essenciais (LME) da 
Organização Mundial de Saúde vigentes à época; 2) estudo transversal, realizado através de 
entrevistas com 458 idosos usuários de 71 unidades básicas de saúde. As variáveis 
independentes abrangeram características demográficas e socioeconômicas, condição de saúde 
e utilização de medicamentos e a variável dependente foi o medicamento prescrito ser 
classificado como inapropriado pelo Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente 
Inapropriado. Foi feita análise descritiva dos dados e regressão de Poisson; e, 3) estudo de caso, 
realizado através de entrevistas com 10 prescritores da APS para conhecer a percepção desses 
profissionais sobre a prática prescritiva para idosos. Foram prescritos 1449 medicamentos e 244 
MPI (16,8%), dos quais 91,6% e 70,5% estavam elencados na RENAME, respectivamente. A 
maioria dos MPI atuavamno Sistema Nervoso Central (54,4%) e trato alimentar e metabolismo 
(20,1%). Entre os principais MPI, observou-se ausência de alternativas terapêuticas mais 
seguras disponíveis na RENAME. No estudo transversal, identificou-se uma prevalência de 
prescrição de pelo menos um MPI em 44,8% (IC95% 40,2-49,3) dos idosos. No modelo 
ajustado, depressão (RP=2,01; IC95% 1,59-2,55), utilizar outros medicamentos além dos 
prescritos (RP=1,36; IC95% 1,08-1,72) e polifarmácia (RP=1,80; IC95% 1,40-2,33) 
permaneceram como fator associado ao uso de MPI e autorreferir ser portador de hipertensão 
arterial sistêmica tornou-se fator de proteção (RP=0,65; IC95% 0,49-0,87). Na análise 
qualitativa, emergiram duas categorias: 1) Abordagem dos prescritores no atendimento aos 
idosos na APS; e, 2) Uso de medicamentos por idosos: o olhar dos prescritores. Os médicos 
relataram promover atividades de prevenção, porém enfatizaram o tratamento das doenças 
crônicas prevalentes entre idosos. Também destacaram a polifarmácia e consideraram 
inadequada a utilização de benzodiazepínicos. Constatou-se desconhecimento dos médicos 
sobre as listas de medicamentos inapropriados. A medicalização dos idosos e a disponibilidade 
de medicamentos essenciais foram descritos como desafios. O estudo identificou uma alta 
ocorrência de prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos na 
Atenção Primária à Saúde em conformidade com a lista nacional de medicamentos essenciais 
e escassez de alternativas terapêuticas mais seguras para idosos. Evidencia-se necessidade de 
ações que busquem qualificar o acesso a medicamentos por idosos como a elaboração de uma 
lista de medicamentos específica ou a inserção de alternativas terapêuticas mais seguras para 
idosos na RENAME, juntamente com a capacitação dos profissionais prescritores e o 
acompanhamento dos idosos. Diante do envelhecimento da população brasileira, faz-se 
pertinente garantir acesso a medicamentos aliado à segurança dos idosos. 
 
Palavras-chave: Saúde do Idoso. Medicamentos essenciais. Lista de Medicamentos 
Potencialmente Inapropriados. Prescrições de Medicamentos. Atenção Primária à Saúde. 
ABSTRACT 
Population aging is a growing reality, and the elderly need medications, which often expose 
them to risks. Potentially inappropriate medications (PIMs) in the elderly are those in which 
risks outweigh benefits. Essential medications must meet health needs of a population, and 
medication prescription is one determinant for its use. This study aimed to analyze PIM in the 
elderly from the selection of essential drugs to prescription in primary health care (PHC). A 
descriptive and analytical study with quali-quantitative approach was conducted in PHC in 
Campina Grande (PB) between March and December 2019. The study was developed 
triangulating methods: 1) documentary research, which analyzed medicines of the National 
Essential Medicines List (RENAME) in 2010 and 2020 editions according to AGS/Beers 
criteria and essential medicines lists (EML) of the World Health Organization; 2) cross-
sectional study, conducted using interviews with 458 elderly users of 71 basic health units. 
Independent variables were demographic and socioeconomic characteristics, health condition, 
and use of medication, whereas the dependent variable was prescribed medication classified as 
inappropriate by the Brazilian Consensus on Potentially Inappropriate Medications. Descriptive 
data analysis and Poisson regression were performed; and 3) case study, using interviews 
conducted with 10 PHC prescribers to observe perception of these professionals regarding 
prescription for the elderly. One thousand four hundred and forty-nine medications and 244 
PIM (16.8%) were prescribed; of these, 91.6% and 70.5% were listed in RENAME, 
respectively. Most PIM acted in the central nervous system (54.4%) and gastrointestinal tract 
and metabolism (20.1%). RENAME lacked safer therapeutic alternatives for main PIMs. In the 
cross-sectional study, at least one PIM was prescribed for 44.8% (95%CI 40.2 ˗ 49.3) of the 
elderly. In the adjusted model, depression (PR=2.01; 95%CI 1.59 ˗ 2.55), use of medication 
other than those prescribed (PR=1.36; 95%CI 1.08 ˗ 1.72), and polypharmacy (PR = 1.80; 
95%CI 1.40 ˗ 2.33) were associated with PIM, whereas self-reported hypertension was a 
protective factor (PR=0.65; 95%CI 0.49 ˗ 0.87). Two categories emerged in the qualitative 
analysis: 1) approach of prescribers to assist the elderly in PHC and 2) use of medication by the 
elderly: view of prescribers. Doctors reported preventive activities but emphasized treatment of 
prevalent chronic diseases among the elderly. They also highlighted polypharmacy and 
considered benzodiazepines to be inappropriate. Doctors lacked knowledge about inappropriate 
medication lists. Medicalization of the elderly and availability of essential medication were 
described as challenges. PIMs were highly prescribed for the elderly in PHC according to the 
RENAME and safer therapeutic alternatives were absent. Actions to qualify access of the 
elderly to medication are needed, such as elaborating a specific list of medication, inserting 
safer therapeutic alternatives for the elderly in RENAME, training prescribers, and monitoring 
the elderly. Access to medication and safety of the elderly must be guaranteed because of aging 
of the Brazilian population. 
 
Keywords: Health of the Elderly. Essential Medicines. Potentially Inappropriate Medications 
List. Drug Prescriptions. Primary Health Care 
LISTA DE QUADROS 
 
Quadro 1 – Publicações da RENAME, Critério AGS/ Beers e Lista de 
Medicamentos Essenciais (EML) utilizados para análise dos 
medicamentos........................................................................................... 
 
 
40 
Quadro 2 – Categorias e subcategorias identificadas a partir das entrevistas sobre a 
prescrição para idosos com médicos da Atenção Primária à Saúde. 
Campina Grande, PB, 2019...................................................................... 
 
 
46 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS 
 
AF Assistência Farmacêutica 
ME Medicamentos Essenciais 
LISTA DE SIGLAS 
 
AGS American Geriatrics Society 
AINES Antiinflamatórios não esteroidais 
APIT Australian Prescribing Indicators Tool 
APS Atenção Primária à Saúde 
ATC Anatomical Therapeutic Chemical Classification System 
BVS Biblioteca Virtual em Saúde 
CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior 
CBMPI Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados 
Ceaf Componente Especializado da Assistência Farmacêutica 
CEP Comitê de Ética e Pesquisa com seres humanos 
Cesaf Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica 
Comare Comissão Multidisciplinar de Atualização da Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais 
Conitec Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias 
Dant Doenças e agravos não transmissíveis 
DCNT Doenças Crônicas Não Transmissíveis 
EAM Eventos Adversos a Medicamentos 
eSF Estratégia Saúde da Família 
FORTA Fit For The Aged 
GheOP3S Ghent Olders People’s Prescribing community Pharmacy Screening 
HAS Hipertensão Arterial Sistêmica 
ILPI Instituições de Longa Permanência para Idosos 
iMAP individualized Medication Assessement and Planning 
LME Lista de Medicamentos Essenciais 
LOS Lei Orgânica da Saúde 
MAI Medication Appropriateness Index 
MPI Medicamento Potencialmente Inapropriado 
NASF - AB Núcleo Ampliado de Saúde da Família – Atenção Básica 
NORGEP Norwegian General Practice 
NRS Núcleo Regional de Saúde 
OMS Organização Mundial de Saúde 
PCDT Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas 
PFP Programa Farmácia Popular 
PNAB Política Nacional de Atenção Básica 
PNAF Política Nacional de Assistência Farmacêutica 
PNAUM Pesquisa Nacional de Acesso e Utilização de Medicamentos 
PNCI Programa Nacional de Cuidadores de IdososPNI Política Nacional do Idoso 
PNM Política Nacional de Medicamentos 
PNS Política Nacional de Saúde 
PNSI Política Nacional de Saúde do Idoso 
PNSP Política Nacional de Segurança do Paciente 
PNSPI Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa 
PSF Programa Saúde da Família 
RAM Reações Adversas a Medicamentos 
RAS Redes de Atenção à Saúde 
RENAME Relação Nacional de Medicamentos Essenciais 
RP Razão de Prevalência 
SNC Sistema Nervoso Central 
SPSS Statistical Package for Social Science 
START Screening Tool to Alert doctors to the Right Treatment 
STOPP Screening Tool of Older Persons’ Potentially Inappropriate Prescriptions 
STRIP The Systematic Tool to Reduce Inappropriate Prescribing 
SUS Sistema Único de Saúde 
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 
UAM Uso Apropriado de Medicamentos 
UBS Unidades Básicas de Saúde 
URM Uso Racional de Medicamentos 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 17 
2 REVISÃO DA LITERATURA ...................................................................................... 21 
2.1 Abordagem sobre medicamentos nas políticas de Saúde do Idosos: resgate 
histórico.................................................................................................................................22 
2.2 Medicamentos essenciais: aspectos históricos e sua importância para a utilização de 
medicamentos ....................................................................................................................... 28 
2.3 Envelhecimento populacional e uso de medicamentos potencialmente inapropriados: 
um problema de saúde pública crescente .............................................................................. 31 
3 OBJETIVOS .................................................................................................................... 39 
3.1 Objetivo geral............................................................................................................. 39 
3.2 Objetivos específicos ................................................................................................. 39 
4 MÉTODO ......................................................................................................................... 40 
4.1 Características da pesquisa ........................................................................................ 40 
4.2 Percurso metodológico............................................................................................... 40 
4.2.1 Análise documental .................................................................................................... 40 
4.2.2 Estudo transversal ...................................................................................................... 42 
4.2.3 Estudo de caso............................................................................................................ 45 
4.3 Aspectos éticos........................................................................................................... 48 
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO. ................................................................................... 49 
5.1 Prescrição inapropriada para idosos e a lista de medicamentos essenciais: há 
alternativas? .......................................................................................................................... 49 
5.2 Prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: um estudo na 
Atenção Primária à Saúde ..................................................................................................... 65 
5.1 A prática prescritiva para idosos: perspectivas de médicos na Atenção Primária à Saúde 
.............................................................................................................................................. 85 
6 CONCLUSÕES ...............................................................................................................103 
REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 105 
ANEXOS................................................................................................................................ 113 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 17 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O processo de envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil e vem ocorrendo 
de forma acelerada, com estimativa de um crescimento médio de 4% ao ano no período entre 
2012 e 2022, e estima-se que a população idosa alcance cerca de um terço da população 
brasileira em 2050 (GIACOMIN e MAIO, 2016; BORGES, CAMPOS e SILVA, 2015). Com 
a concretização desse processo no país, há uma necessidade de políticas públicas voltadas para 
as demandas dos idosos, principalmente no que se refere às questões de Saúde e Previdência 
(GIACOMIN e MAIO, 2016). 
Por suas características fisiológicas, os idosos desenvolvem multimorbidades e, 
portanto, fazem uso de vários medicamentos de maneira contínua e demandam atendimentos 
especializados, realização de exames periódicos, internações hospitalares prolongadas, o que 
necessita maior organização do sistema de saúde para atender tais demandas, além de evidenciar 
a importância de práticas de promoção da saúde e prevenção de doenças (VERAS, 2009; 
VERAS e OLIVEIRA, 2018). 
Os medicamentos fazem parte do cotidiano dos idosos, porém o próprio processo de 
senescência do organismo aliado às comorbidades expõem os idosos aos riscos advindos de sua 
utilização (RAMOS et al, 2016). Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) 
estabeleceu o Desafio Global de “Medicação sem dano”, que tem o objetivo de reduzir em 50% 
os danos evitáveis causados pela insegurança no uso de medicamentos no decorrer de cinco 
anos, e recomenda ações em áreas prioritárias (situações de alto risco, polifarmácia e transições 
de cuidado), nas quais os indivíduos idosos encaixam-se e, portanto, configuram um grupo 
estratégico para a prevenção de danos dentro do Desafio Global (WHO, 2019; MORAES, 2018). 
A polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos) é frequente entre idosos, sendo 
considerada um desafio para a saúde pública, pois está associada a eventos adversos, na maioria 
das vezes, preveníveis e ao uso de medicamentos considerados potencialmente inapropriados 
para idosos (MPI) (WHO, 2019; RAMOS et al, 2016). 
Os MPI abrangem medicamentos que causam mais prejuízos do que benefícios para a 
saúde dos idosos e que há opções terapêuticas mais seguras (AGS, 2019; OLIVEIRA et al, 
2016). Estudos mostram que a prevalência de MPI varia de acordo com a complexidade dos 
serviços de saúde: até 84,5% em cuidados agudos/ intensivos (acute care), até 70% nos idosos 
institucionalizados e até 62,4% em idosos com polifarmácia não institucionalizados (FIALOVÁ 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 18 
 
et al., 2019). Na comunidade, estudos realizados em vários países apontam elevada prevalência 
de MPI: na Argentina, 66,3% dos idosos acima de 75 anos atendidos faziam uso (CHIAPELÁ 
et al, 2019); no México, 71,0% das prescrições dos idosos acima de 70 anos continham MPI 
(CORONA-ROJO, 2009); em três países europeus (Irlanda, Suíça e Holanda) encontrou-se que 
75,7% dos idosos utilizavam MPI (RIORDAN et al, 2018). Em revisão sistemática, Opondo e 
colaboradores (2012) identificaram que uma média de 20% dos idosos na APS faziam uso de 
MPI. Esses medicamentos estão associados a desfechos em saúde desfavoráveis, a aumento da 
fragilidade, reações adversas a medicamentos (delirium, sedação, hemorragias gastrintestinais, 
quedas, fraturas), internação hospitalar, maior morbimortalidade entre os idosos e ainda, pior 
qualidade de vida (NASCIMENTO et al.,2017; LIEW et al., 2019). A identificação de MPI é 
uma importante estratégia para a prevenção de problemas de saúde adicionais entre idosos, para 
reduzir reações adversas, problemas relacionados a medicamentos e essencial para a 
manutenção de sua qualidade de vida (AGS, 2019). 
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) é 
elemento coordenador das redes de atenção e responsável pelo desenvolvimento de ações no 
âmbito individual e coletivo, que abrangem desde a promoção, proteção, reabilitação e 
manutenção da saúde, realizado por meio do cuidado integrado, com equipe multiprofissional 
(BRASIL, 2017; BRASIL, 2006c). A partir de 2006, com o Pacto pela Vida (2006) e a Política 
Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), a Saúde do Idoso passou a ser uma das prioridades, 
sendo a APS definida como porta de entrada para a atenção integral e a Assistência 
Farmacêutica como uma das ações estratégicas para a qualificação da dispensação e do acesso 
a medicamentos pela população idosa (BRASIL, 2006a; BRASIL, 2006b). 
Seguindo os princípios do SUS, a Assistência Farmacêutica é garantida de maneira 
integral (Lei 8080/90), tendo como principal objetivo garantir o acesso a medicamentos seguros, 
eficazes e de qualidade e a promoção do seu uso racional (BRASIL, 1998; BRASIL, 2004). 
Reconhece-se que os benefícios do acesso a medicamentos são concretizados quando ocorre o 
uso de maneira adequada (BERMUDEZ et al., 2018) e um importante aspecto que orienta a 
utilização de medicamentos é a lista de medicamentos essenciais. No Brasil, a Relação Nacional 
de Medicamentos Essenciais (RENAME) é considerada como um instrumento norteador para 
a gestão da Assistência Farmacêutica no SUS e, a partir de 2011, passou a ser composta pelos 
medicamentos e insumos a serem disponibilizados para a população (OSÓRIO-DE-CASTRO, 
2014). A utilização de medicamentos abrange a prescrição, a dispensação e o consumo, tendo 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 19 
 
a prescrição médica como um dos seus principais determinantes, resultante de diferentes 
aspectos econômicos, políticos e socioculturais (EV et al., 2014). 
O tema da tese, medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, é bem vasto 
na literatura. Em relação aos medicamentos essenciais, tem-se ampliado o debate sobre o já 
consolidado e crescente problema da judicialização de medicamentos no país, aliada às 
mudanças ocorridas para a seleção/ incorporação de medicamentos no SUS (YAMAUTI et al, 
2017; OSÓRIO-DE-CASTRO, 2017; OSÓRIO-DE-CASTRO et al, 2018), havendo poucos 
estudos que relacionam a presença de MPI na RENAME e a prescrição para idosos. A receita 
médica é elemento decisivo para a utilização de medicamentos na sociedade, sendo pertinente 
conhecer como ocorre a prescrição para idosos a partir da perspectiva dos profissionais 
médicos. Com o envelhecimento populacional, existe ampla pesquisa sobre os riscos do uso de 
MPI por idosos e sua importância para a Saúde Pública e Coletiva, principalmente em 
Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) (VARALLO et al, 2012; VIEIRA DE 
LIMA et al, 2013; NASCIMENTO et al, 2014; MOREIRA et al, 2020) e nos domicílios 
(OLIVEIRA et al, 2012; NEVES et al, 2013; SILVA et al, 2012; SANTOS et al, 2013; 
MARTINS et al, 2015; LUTZ et al, 2017), havendo menor quantidade de estudos oriundos da 
prescrição na APS (ALMEIDA et al, 2018; GOMES et al, 2019). Assim, consideramos 
interessante abordar os medicamentos potencialmente inapropriados em diferentes etapas: a 
presença na RENAME, na prescrição médica na APS e a percepção dos médicos sobre a prática 
prescritiva para idosos. 
A concepção da tese surgiu a partir dos resultados do estudo longitudinal sobre o uso 
de MPI nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) realizado em Natal (RN) 
(MOREIRA et al, 2020) e após debate com o grupo de pesquisa do programa de doutorado 
sobre o que pode contribuir para o uso desses medicamentos por idosos e como esse problema 
ocorre na Atenção Primária à Saúde (APS), que é o início do cuidado ao idoso. Aliado a isso, 
minha experiência profissional como farmacêutica foi na gestão da Assistência Farmacêutica, 
em Campina Grande (PB), quando participei desde o processo de seleção à distribuição de 
medicamentos para os diversos serviços de saúde do município. Em seguida, já na APS, realizei 
serviços farmacêuticos de Dispensação de medicamentos e Educação em Saúde nos chamados 
“grupos de idosos”, experiência em que vivenciei de maneira aproximada a ampla utilização de 
medicamentos pelos idosos atendidos e sua importância no cotidiano dessa população. 
Portanto, considerando a importância do processo de envelhecimento populacional, o 
uso de medicamentos por idosos, sua vulnerabilidade em relação a eventos adversos, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 20 
 
principalmente a partir de MPI, e o papel da RENAME e da prescrição médica como 
fundamentais para a utilização de medicamentos, buscamos nesta tese responder às seguintes 
questões: como importante aspecto para o acesso a medicamentos, a lista de medicamentos 
essenciais disponibiliza MPI e possíveis alternativas mais seguras para os idosos? Qual a 
prevalência da prescrição de MPI e seus fatores associados na Atenção Primária à Saúde? Como 
os profissionais prescritores percebem a prática prescritiva para os idosos? Diante do exposto, 
o estudo teve como objetivo analisar os medicamentos potencialmente inapropriados para 
idosos, desde a seleção de medicamentos essenciais à prescrição na Atenção Primária à Saúde. 
Os resultados da pesquisa estão apresentados em três artigos científicos. O primeiro 
intitulado ‘Prescrição inapropriada para idosos e a lista de medicamentos essenciais: há 
alternativas?’, resultante da pesquisa documental aliada à parte dos resultados do estudo 
transversal, que teve como objetivo identificar a prevalência de MPI prescritos para idosos APS, 
sua concordância com a RENAME e possíveis opções terapêuticas disponíveis. O segundo 
artigo, ‘Prescrição de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos: um estudo na 
Atenção Primária à Saúde’, elaborado a partir dos achados principais do estudo transversal que 
buscou avaliar os MPI prescritos na APS e seus fatores associados. O terceiro manuscrito 
intitulado ‘A prática prescritiva para idosos: perspectivas de médicos na Atenção Primária à 
Saúde’, resultante do estudo de caso que teve como objetivo compreender a prática prescritiva 
para idosos na APS na perspectiva de médicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 21 
 
2 REVISÃO DA LITERATURA 
 
Foi realizada uma revisão da literatura nas principais bases de dados: Pubmed/Medline, 
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scielo e no portal periódicos e catálogos de Teses e 
Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Para 
a busca do material bibliográfico, utilizamos os seguintes termos: “políticas de saúde”, 
“medicamentos essenciais”, “prescrição inapropriada” e/ ou “idosos” em português e em inglês. 
Foi realizada uma revisão narrativa que se constitui na busca na literatura sobre 
determinada temática, segundo a análise crítica pessoal do autor (ROTHER, 2007). Assim, 
foram selecionados teses, dissertações e artigos científicos sem recorte delimitado de tempo de 
publicação que atendessem os objetivos de pesquisa, tendo preferência para bibliografia mais 
recente. 
A fundamentação teórica da tese foi organizada em três tópicos: 1) Abordagem sobre 
medicamentos nas políticas de Saúde do Idoso: resgate histórico, que buscou evidenciar como 
a questão dos medicamentos para idosos foitratada nas políticas de saúde do idoso, inicialmente 
com foco apenas no acesso e provimento e, apenas recentemente, tem abordado os riscos 
advindos da utilização; 2) Medicamentos essenciais: aspectos históricos e sua importância para 
a utilização de medicamentos, em que foram descritos os principais marcos sobre os 
medicamentos essenciais e as mudanças na sua conformação, além de embasar sobre sua 
importância para qualificação do acesso a medicamentos; e, 3) Envelhecimento populacional 
e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados: um problema de saúde pública 
crescente, em que foram expostos alguns problemas do uso de medicamentos por idosos, com 
ênfase nos medicamentos potencialmente inapropriados, apresentando critérios para 
identificação, riscos aos idosos, estudos epidemiológicos e a importância da prescrição médica 
como ferramenta para minimizar a utilização de MPI por idosos. 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 22 
 
2.1 Abordagem sobre medicamentos nas políticas de Saúde do Idoso: 
resgate histórico 
 
A presença crescente de pessoas idosas na sociedade impõe o desafio de inserir o tema 
do envelhecimento populacional na formulação de políticas públicas e de implementar ações 
de prevenção e cuidados às suas necessidades (DUARTE et al., 2016). No Brasil, o 
envelhecimento passou a ser tema de políticas públicas específicas apenas a partir da década de 
1990. Porém, ainda nos anos 70, ocorreram iniciativas pontuais em prol das pessoas idosas, de 
cunho caritativo e de proteção, com destaque para benefícios não contributivos como a 
aposentadoria de trabalhadores rurais e renda mensal vitalícia para desamparados urbanos 
acima de 70 anos (FERNANDES e SOARES, 2012). 
Em 1982, ocorreu a Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento que resulta no Plano 
de Ação Internacional de Viena, com recomendações sobre saúde, nutrição, proteção ao 
consumidor idoso, moradia e meio ambiente, bem-estar social, previdência social, trabalho e 
educação e família. Esse evento constituiu-se como marco mundial e referência para as políticas 
públicas destinadas aos idosos em vários países e tratou o envelhecimento como tema relevante 
para a sociedade no século XXI (VERAS e OLIVEIRA, 2018). Apesar de suas recomendações 
apresentarem como foco o envelhecimento nos países desenvolvidos, o documento influenciou 
a construção do arcabouço jurídico de países em desenvolvimento, como o Brasil (VIEIRA e 
VIEIRA, 2016). 
Assim, em 1988, a Constituição Federal reconheceu o direito ao envelhecimento com 
dignidade como direito humano fundamental e sua proteção como um direito social 
(GIACOMIN e MAIO, 2016). Em vários artigos, a CF/88 garante os direitos dos idosos, como 
irredutibilidade dos salários de aposentadoria e pensões, garantia do amparo pelos filhos, 
gratuidade nos transportes coletivos e benefício de um salário-mínimo para aqueles sem 
condições de sustento (VERAS e OLIVEIRA, 2018). Seguindo a Constituição Cidadã, muitas 
normas infraconstitucionais buscaram implementar políticas destinadas para a pessoa idosa, 
destacando-se a Política Nacional do Idoso (PNI) (1994), o Estatuto do Idoso (2003) e a Política 
Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) (2006) (GIACOMIN e MAIO, 2016). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 23 
 
Publicada em 1994, a Política Nacional do Idoso (PNI) foi uma das primeiras a dar 
visibilidade aos idosos no país. Seguindo o preconizado na Lei Orgânica da Saúde (LOS) (lei 
n° 8.080/90), a PNI, no que concerne à Saúde, afirmou como competências dos entes públicos: 
“a) garantir a assistência à saúde nos diversos níveis de atendimento do 
SUS; 
b) prevenir, promover, proteger e recuperar a saúde da pessoa idosa, 
mediante programas e medidas profiláticas; 
c) adotar e aplicar normas de funcionamento às instituições geriátricas 
e similares, com fiscalização pelos gestores do SUS; 
d) elaborar normas de serviços geriátricos hospitalares; 
e) desenvolver formas de cooperação entre as secretarias de saúde dos 
estados, do Distrito Federal (DF) e dos municípios, e entre os centros 
de referência em geriatria e gerontologia para treinamento de equipes 
interprofissionais; 
f) incluir a geriatria como especialidade clínica, para efeito de 
concursos; 
g) realizar estudos para detectar o caráter epidemiológico de 
determinadas doenças do idoso, com vistas à prevenção, ao tratamento 
e à reabilitação; e 
h) criar serviços alternativos de saúde para o idoso” (BRASIL, 1994, p. 
11). 
 
Ainda nos anos 90, em 1997, foi elaborado o Plano Integrado de Ação Governamental 
para o Desenvolvimento da Política Nacional do Idoso, e em 1999, o Programa Nacional de 
Cuidadores de Idosos (PNCI) e a Política Nacional de Saúde do Idoso (PNSI). Resultante de 
debate intersetorial do Ministério da Saúde, Ministério da Educação, gerontólogos, técnicos e 
pesquisadores, a PNSI propôs a implementação do disposto na PNI de forma que a atenção à 
saúde do idoso promova sua capacidade funcional com objetivo de garantir a realização de suas 
atividades de maneira independente (GIACOMIN e MAIO, 2016; VERAS e OLIVEIRA, 
2018). 
Em 2003, como reflexo da Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em 
Madri (2002), foi publicado o Estatuto do Idoso, um dos mais importantes amparos legais que 
reafirmou e buscou consolidar direitos dos idosos em diversas áreas. Na Saúde, o Estatuto do 
Idoso reforçou a atenção integral seguindo os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e 
ainda enfatizou a importância da formação profissional voltada para o cuidado ao idoso nas 
instituições de saúde e a inserção nos currículos da temática do envelhecimento (BRASIL, 
2003; FERNANDES e SOARES, 2012). Foi a primeira vez em norma específica para o direito 
à saúde do idoso que a questão do acesso aos medicamentos foi abordada: “Art. 15, § 2.º 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 24 
 
Incumbe ao Poder Público fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, especialmente os 
de uso continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, 
habilitação ou reabilitação” (p. 14, BRASIL, 2003). O estatuto do idoso constitui-se como uma 
relevante conquista para a efetivação, proteção e reivindicação de direitos dos idosos 
brasileiros. 
Através da portaria n º 399/GM, em 2006, o Pacto pela Saúde contemplou, no Pacto 
pela Vida, a Saúde do Idoso como uma das prioridades por apresentar impacto sobre a situação 
de saúde da população brasileira e entre suas ações estratégicas, a Assistência Farmacêutica 
para “desenvolver ações que visem qualificar a dispensação e o acesso da população idosa”, 
corroborando com o estipulado no Estatuto do Idoso (p. 10, BRASIL, 2006b). 
Atendendo ao Pacto pela Vida e buscando implementar ações e as responsabilidades 
institucionais, ainda em 2006 foi publicada pela Portaria n° 2.528/GM, a Política Nacional de 
Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) com a finalidade de “recuperar, manter e promover a autonomia 
e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde 
para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde” (p. 
4, BRASIL, 2006a). Nas diretrizes da PNSPI está a pactuação e definição entre os entes 
federados de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa, sendo 
um dos itens prioritários “o provimento de insumos, de suporte em todos os níveis de atenção, 
prioritariamente na atenção domiciliar inclusive medicamentos” (p. 12, BRASIL, 2006b). A 
PNSPI reitera o entendimento de que a capacidade funcional da pessoa idosa deve ser um 
balizador das ações dos serviços de saúde e que é essencial o enfrentamentodas fragilidades do 
SUS e a promoção do envelhecimento ativo (GIACOMIN e MAIO, 2016). 
Em 2010, objetivando superar a fragmentação do cuidado e qualificar a gestão do SUS 
foram estabelecidas as Redes de Atenção à Saúde (RAS) através da Portaria nº 4.279/10 que 
apresentou os fundamentos conceituais e operativos essenciais para a organização, com o 
intuito de atender ao usuário em suas necessidades, com efetividade e eficiência. Nos elementos 
constitutivos das RAS, a Assistência Farmacêutica, descrita como sistema de apoio por prestar 
serviços comuns a todos os pontos da atenção à saúde, abrange a “organização da assistência 
em todas as suas etapas: seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição, 
prescrição, dispensação e promoção do uso racional de medicamentos” (p. 13, BRASIL, 2010). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 25 
 
Assim, buscando contribuir para a organização da atenção e ampliação do acesso 
qualificado da população idosa no âmbito do SUS, em 2014, foi proposto um Modelo de 
Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa em que foram apresentadas as diretrizes e estratégias 
para potencializar ações e serviços existentes dirigidos às pessoas idosas, de forma a articular 
diferentes pontos de atenção e compor a rede de atenção às pessoas idosas (BRASIL, 2014). 
Conforme estabelecido no Pacto pela Saúde, a Saúde do Idoso no SUS tem a Atenção Primária 
à Saúde (APS) como porta de entrada e ordenadora do cuidado responsável pelo 
acompanhamento de forma articulada. Entre o elenco das atividades das equipes nas Unidades 
Básicas de Saúde (UBS) está a identificação e o registro das condições de saúde da população 
idosa, através de uma abordagem multidimensional (BRASIL, 2014). 
Nas Diretrizes para o cuidado das pessoas idosas (BRASIL, 2014), os medicamentos 
foram apresentados como um tema importante para a qualificação do cuidado à pessoa idosa: 
“é importante a inclusão de determinados temas no escopo de atuação 
das referidas equipes, tais como: prevenção da violência, prevenção de 
quedas, alimentação e nutrição, saúde bucal, identificação de condições 
e doenças crônicas, transtornos mentais decorrentes ou não do uso de 
álcool e outras drogas, questões medicamentosas (como polifarmácia 
e interações) (grifo nosso). Esses temas são determinantes na definição 
das condições de saúde da população idosa e na elaboração do 
planejamento do cuidado” (p. 29). 
 
Em 2017, através da Portaria n° 2.436 de 21 de setembro de 2017 que aprova Política 
Nacional de Atenção Básica (PNAB), estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização 
da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), entre as responsabilidades 
das três esferas de governo está “desenvolver as ações de assistência farmacêutica e do uso 
racional de medicamentos, garantindo a disponibilidade e acesso a medicamentos e insumos 
em conformidade com a RENAME, os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, (...) visando 
a integralidade do cuidado” (p.69, BRASIL, 2017). Seguindo as Diretrizes para o cuidado 
integral à pessoa idosa, nas Orientações técnicas para a implementação de uma linha de cuidado, 
publicadas, recentemente, em 2018, os medicamentos foram abordados como sinal de alerta 
para comprometimento da capacidade funcional (uso de 5 ou mais) e também apontou-se a 
necessidade de evitar o uso desnecessário e iatrogenias preveníveis (BRASIL, 2018). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 26 
 
Assim, embora nos documentos mais recentes os riscos do uso de medicamentos tenham 
sido abordados, no decorrer da construção das políticas de Saúde do Idoso o disposto sobre 
medicamentos se voltou à garantia do seu acesso/ provimento para a população idosa, o que é 
consonante com a Política Nacional de Medicamentos (PNM) e a Política Nacional de 
Assistência Farmacêutica (PNAF), nestas voltada para toda a população brasileira (BRASIL, 
1998; BRASIL, 2004). 
A PNM, publicada em 1998 como parte integrante da Política Nacional de Saúde (PNS), 
teve como objetivo “garantir a segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos no país, a 
promoção do uso racional de medicamentos e o acesso àqueles considerados essenciais” (p. 9, 
BRASIL, 1998). Entre as justificativas para a PNM está a preocupação com o envelhecimento 
populacional e a necessidade de adequação do sistema de saúde para essa demanda, tendo em 
vista as características brasileiras do processo de transição epidemiológica, de elevada 
prevalência de doenças crônicas que utilizam medicamentos de uso contínuo, aliada à utilização 
crescente de serviços de saúde especializados e de alto custo (BRASIL, 1998). Foram 
estabelecidas diretrizes e prioridades entre as quais estão a revisão permanente da RENAME, 
a Assistência Farmacêutica, a promoção do uso racional de medicamentos e a organização das 
atividades de Vigilância Sanitária (BRASIL, 1998). 
Resultante da ampliação das discussões sobre a Assistência Farmacêutica (AF) no SUS, 
em 2004, foi publicada a PNAF que definiu a AF como o “conjunto de ações voltadas à 
promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletivo, tendo o 
medicamento como insumo essencial e visando o acesso e ao seu uso racional”. Nos eixos 
estratégicos, está “I - a garantia do acesso e equidade das ações de saúde, inclui, 
necessariamente a Assistência Farmacêutica; e (...) XIII - a promoção do uso racional de 
medicamentos, por intermédio de ações que disciplinem a prescrição, a dispensação e o 
consumo” (p. 1-2, BRASIL, 2004). 
A partir de 2006, a fim de buscar a universalidade e a integralidade nas ações e serviços 
de saúde, a AF passou a ser organizada em três componentes: o Básico, Estratégico e 
Especializado (BRASIL, 2018). O Componente Básico (Cbaf) refere-se àqueles medicamentos 
e insumos a serem utilizados nos principais problemas de saúde e nos programas da Atenção 
Primária à Saúde (APS). O Componente Estratégico (Cesaf) é composto por medicamentos e 
insumos destinados ao controle de doenças e agravos considerados endêmicas no território 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 27 
 
nacional, como tuberculose, hanseníase, malária, doença de Chagas, DST/Aids, tabagismo e 
insulinas. O Componente Especializado (Ceaf) contempla os medicamentos utilizados em 
agravos crônicos, de valor elevado para o indivíduo, devendo-se ser dispensados de acordo com 
o Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde (BRASIL, 
2020). 
Buscando ampliar o acesso a medicamentos, em 2004, foi criado o Programa Farmácia 
Popular (PFP) com o objetivo de propiciar a aquisição a um baixo custo para um maior número 
de pessoas. Originalmente, possuía rede própria do Ministério da Saúde em parceria com os 
municípios e, a partir de 2006, foi ampliado para o “Aqui tem Farmácia Popular” (ATFP), uma 
parceria com a rede privada de farmácias. A rede própria de farmácias do Ministério da Saúde 
em parceria com os municípios foi extinta em 2017. Atualmente, o elenco de medicamentos é 
composto por itens adquiridos na forma de copagamento, que são indicados para o tratamento 
de osteoporose, rinite, doença de Parkinson, glaucoma e ainda a fralda geriátrica. Ainda há 
aqueles totalmente subsidiados pelo governo, distribuídos gratuitamente, que fazem parte da 
campanha “Saúde não tem preço” que abrange os medicamentos destinados ao tratamento de 
hipertensão arterial, diabetes e asma, principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) 
(BRASIL, 2018; ALENCAR et al., 2018; BERMUDEZ et al., 2018). 
Embora destinado à toda população brasileira, os principais beneficiários do PFP tem 
sido os idosos (BRASIL, 2018; ALENCAR et al., 2018). Contudo, diante de cortesno 
orçamento a partir de 2016, da extinção da rede própria em 2017 aliado a mudanças no elenco 
de medicamentos, maior rigor no credenciamento e fiscalização de farmácia privadas do ATFP, 
pode ocorrer uma repercussão no acesso aos medicamentos, principalmente para a população 
mais pobre (ALENCAR et al., 2018). Bermudez e colaboradores (2018) ao analisar a AF 
durante os 30 anos do SUS discute que o PFP tem ênfase no consumo de medicamentos como 
promotor do acesso, não existindo ações de promoção do uso apropriado de medicamentos, o 
que compromete a integralidade da AF, tendo seu foco voltado para ações de abastecimento e 
melhoria do acesso. 
A Pesquisa Nacional de Acesso e Utilização de Medicamentos (PNAUM), realizada em 
2014, em todas as regiões do país investigou o acesso a medicamentos para tratamento de 
DCNT, que se mostrou amplo entre idosos. O estudo verificou que 96,2% das pessoas acima 
de 60 anos tiveram acesso total aos medicamentos prescritos, tendo 72,0% buscado nas 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 28 
 
farmácias do SUS. Em relação à aquisição dos medicamentos, 46,2% dos idosos adquiriram 
gratuitamente nas farmácias das unidades básicas de saúde, 65,5% no PFP e 88,6% nas 
farmácias privadas. Para os autores “as políticas nacionais de medicamentos e de assistência 
farmacêutica implementadas após 1999 parece estar atingindo o seu objetivo de garantir o 
acesso a medicamentos gratuitos ou a preços acessíveis à maioria da população com DCNT”. 
Pesquisas anteriores relatam percentuais maiores de não aquisição de medicamentos prescritos 
(TAVARES et al., 2016). 
Um aspecto fundamental no cuidado ao idoso é o uso de medicamentos para o 
tratamento e controle das múltiplas enfermidades crônicas que desenvolvem. Por problemas 
relacionados à sua utilização, como polifarmácia, vulnerabilidade a reações adversas e o uso 
daqueles considerados potencialmente inapropriados, os medicamentos estão associados ao 
aumento da fragilidade, morbidade e mortalidade entre idosos (MARTIAL et al., 2004; 
FIALOVÁ et al., 2019). A partir da Conferência de Nairobi (BERMUDEZ et al., 2018), houve 
um reconhecimento de que os benefícios do acesso a medicamentos são concretizados quando 
ocorre o uso de maneira adequada. 
Observou-se que as políticas de saúde do idoso tem se voltado principalmente para a 
questão do acesso, ocorrendo de forma incipiente uma visão integral relacionada aos riscos da 
utilização de medicamentos. Portanto, é interessante ampliar a discussão para além do acesso e 
abordar aspectos que podem qualificar o cuidado e o uso de medicamentos por idosos, como a 
seleção e a prescrição apropriada de medicamentos. 
 
2.2 Medicamentos essenciais: aspectos históricos e sua importância para 
a utilização de medicamentos 
 
A Política Nacional de Medicamentos (PNM), publicada em 1998, é resultado das 
mudanças que ocorreram na saúde brasileira a partir da criação do Sistema Único de Saúde 
(SUS). Em consonância com os princípios do SUS, estabeleceu diretrizes e prioridades entre as 
quais está a adoção da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e sua 
permanente atualização, enfatizando assim a relevância dos medicamentos essenciais (ME), 
que conforme definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) são aqueles que buscam 
satisfazer às necessidades prioritárias de saúde da população (BRASIL, 1998; WHO, 2019). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 29 
 
A seleção de medicamentos essenciais constitui-se como uma etapa fundamental das 
políticas de medicamentos e da gestão da Assistência Farmacêutica. Diante da quantidade de 
medicamentos no mercado mundial, a seleção possibilita o acesso, melhoria da qualidade da 
assistência e na utilização, ao evitar medicamentos de qualidade duvidosa, alto índice de risco/ 
benefício e de duplicidade de uso. Torna-se, portanto, uma ferramenta que otimiza recursos, 
eficiência no fornecimento, economia e racionalização (MARIN et al., 2003; PEPE et al., 2008), 
além de estruturar as ações de desenvolvimento, regulação, produção, financiamento, 
fornecimento e garantia do Uso Racional de Medicamentos (URM) (OSORIO-DE-CASTRO, 
2014; OSÓRIO-DE-CASTRO et al., 2018). 
Como estratégia para implementar políticas farmacêuticas em todo o mundo, em 1977, 
a OMS publicou sua primeira lista modelo de medicamentos essenciais (LME), atualmente está 
na sua 21ª edição, e inclui os medicamentos necessários para a Atenção Primária à Saúde (APS) 
e uma lista complementar de medicamentos para serem utilizados em centros de saúde 
especializados (PEPE et al., 2008; BERMUDEZ et al., 2018; WHO, 2019). 
No Brasil, a elaboração de listas de medicamentos começou antes da OMS e esteve 
relacionada aos contextos específicos de desenvolvimento do país em que se buscava estimular 
a produção de medicamentos. A primeira lista nacional foi publicada em 1964, a Relação Básica 
e Prioritária de Produtos Biológicos e Matérias para Uso Farmacêutico e Veterinário tornava 
obrigatória para órgãos governamentais a compra exclusiva de seus componentes (PEPE et al., 
2008; YAMAUTI, 2015). Durante os anos 70, com a criação da Central de Medicamentos 
(CEME) (1971) e o Plano Diretor de Medicamentos (1973), a lista de medicamentos essenciais 
era base para a aquisição e distribuição de medicamentos no país com foco no acesso de 
medicamentos pela população de baixo poder aquisitivo. Também estava relacionada com a 
produção e desenvolvimento de medicamentos, instrumento de educação da prescrição e tinha 
como principal função orientar compras governamentais (PEPE et al., 2008; YAMAUTI et al., 
2015; BERMUDEZ et al., 2018). Em 1977, foi nomeada como Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais (RENAME). 
As décadas de 1980 e 1990 marcaram um período sem revisões importantes na 
RENAME (PEPE et al., 2008; YAMAUTI, 2015). Então, a partir da PNM (1998), a atualização 
e adoção da RENAME se fortaleceu tendo como base o conceito de essencialidade da OMS e 
o paradigma da Saúde baseada em evidência, a fim de garantir transparência e rigor 
metodológico. Em 2001, foi criada a Comissão Multidisciplinar de Atualização da Relação 
Nacional de Medicamentos Essenciais (Comare) responsável pela condução do processo de 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 30 
 
revisão da lista, com definição de critérios explícitos para a inclusão e exclusão de 
medicamentos (PEPE et al., 2008; OSÓRIO-DE-CASTRO, 2014; YAMAUTI, 2015; 
BERMUDEZ et al., 2018). Ainda nos anos 2000, intensificaram-se as pressões por inovação 
no SUS, possibilitando um descompasso entre o conceito de ME e a construção da lista nacional 
(BERMUDEZ et al, 2018). 
Desde a PNM até 2012, a RENAME comungava da definição da OMS, buscando 
garantir a integralidade da assistência terapêutica atrelado ao conceito de essencialidade, isto é, 
medicamentos essenciais como aqueles que satisfazem às necessidades prioritárias de saúde de 
uma população (YAMAUTI et al., 2015; OSÓRIO-DE-CASTRO et al., 2014; BERMUDEZ et 
al., 2018;). De acordo com Bermudez e colaboradores (2018), esse conceito implica em ações 
regulatórias como restrições de registro de medicamentos de valor terapêutico duvidoso, 
capacitação de profissionais prescritores e monitoramento do uso. Porém, diante da 
flexibilização para o registro de medicamentos, pressões por inovação e do mercado, da 
dificuldade de acesso na obtenção de medicamentos especializados e da crescente 
judicialização de medicamentos, ocorreu uma mudança de paradigma no processo de 
construção da RENAME (OSÓRIO-DE-CASTRO, 2018; BERMUDEZ et al., 2018). 
A partir da Lei n° 12.041/2011 e do Decreto nº 7.508/ 2011, a RENAME passou a 
corresponder à lista de medicamentosque devem ser ofertados pelo SUS, contemplando todos 
os medicamentos integrantes dos Componentes Básico, Especializado e Estratégico da 
Assistência Farmacêutica (BRASIL, 2011a; BRASIL, 2011b). Em 2012, a revisão da 
RENAME passou a ser responsabilidade da Comissão Nacional de Incorporação de 
Tecnologias (Conitec), com fluxo, critérios e prazos definidos, representando um importante 
passo para a avaliação e incorporação das tecnologias no SUS (CAETANO et al., 2017). 
Osorio-de-Castro e colaboradores (2017) enfatizam que a RENAME priorizou as 
demandas do sistema de saúde em detrimento das necessidades sanitárias e que, a partir desse 
marco regulatório, tornou-se uma lista de medicamentos positiva do sistema, atendendo a 
questões de gestão, porém dissonante do conceito de essencialidade da OMS. 
No decorrer do tempo, a RENAME passou por mudanças com o intuito de atender às 
demandas e as transformações do SUS, adquirindo progressivamente um caráter norteador na 
seleção, programação de medicamentos, na prescrição médica, além de subsidiar decisões de 
judicialização (BRASIL, 2018). Yamauti (2015) ao descrever a mudança na maneira de se 
selecionar os medicamentos para a RENAME, enfatiza seu papel como norteador da política 
farmacêutica: 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 31 
 
“a Rename representa um elemento estratégico na política de 
medicamentos, sendo a base para a formulação de listas estaduais e 
municipais, as quais devem ser organizadas de acordo com as doenças 
e os agravos mais relevantes e prevalentes de cada região, permitindo a 
uniformização de condutas terapêuticas, por desenvolver e facilitar o 
estabelecimento de ações educativas, o abastecimento e a dispensação 
de medicamentos, no âmbito do SUS.” (p. 26) 
 
Reforça-se, assim, seu caráter como instrumento estratégico e imprescindível para o 
SUS na medida em que contempla os medicamentos necessários para os principais problemas 
de saúde da população, promove o uso racional e orienta o financiamento da Assistência 
Farmacêutica (BRASIL, 2018). 
 
2.3 Envelhecimento populacional e uso de medicamentos potencialmente 
inapropriados: um problema de saúde pública crescente 
 
O envelhecimento populacional é uma realidade brasileira, com taxa de crescimento 
de 4% ao ano entre 2012 e 2022 (ERVATTI et al., 2015) e, de acordo com a projeção do 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas acima de 60 anos 
na população brasileira em 2020 será de 14,6%, chegando a quase um terço (32,2%) em 2060 
(IBGE, 2020). O envelhecimento traz consigo a preocupação com as condições necessárias da 
qualidade de vida e a demanda por políticas públicas, ações de proteção e cuidados específicos 
para idosos. Na assistência à saúde, pelo desenvolvimento de várias doenças crônicas, há uma 
exigência crescente por mais recursos, ocorrendo uma maior utilização de serviços de saúde, 
principalmente do atendimento especializado e a realização de exames periódicos e uso de 
medicamentos de maneira contínua (VERAS, 2009; ERVATTI et al., 2015; DUARTE et al., 
2016). 
Um importante aspecto a ser considerado no cuidado à saúde de idosos é a utilização 
de medicamentos, pois por suas características específicas necessita de um olhar diferenciado, 
em virtude das alterações farmacocinéticas (diminuição da água e aumento da gordura corporal, 
redução das proteínas plasmáticas, diminuição do metabolismo hepático e da excreção renal), 
farmacodinâmicas do envelhecimento (aumento da sensibilidade de receptores no sistema 
nervoso central e diminuição da resposta dos receptores beta adrenérgicos), nas interações dos 
fármacos com patologias existentes e ainda com a não participação de indivíduos idosos em 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 32 
 
ensaios clínicos e no desenvolvimento de medicamentos para o conhecimento de seus efeitos 
em idosos (WHO, 1997; ANATHHANAM et al., 2012). 
As mudanças fisiológicas próprias do envelhecimento e o desenvolvimento de doenças 
crônicas, frequentemente comorbidades, fazem com que os idosos apresentem necessidades 
diversas de saúde e por isso, utilizem vários medicamentos (MARTIAL et al., 2013), o que 
desencadeia alguns problemas como a polifarmácia, o desenvolvimento de eventos adversos e 
o uso daqueles considerados inapropriados. 
A ocorrência de polifarmácia refere-se ao uso de múltiplos medicamentos, não 
havendo consenso na literatura acerca da quantidade mínima, porém a maioria dos estudos 
classifica como sendo a utilização de cinco e/ou mais medicamentos (GOMES et al, 2019). No 
Brasil, a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Uso Racional de Medicamentos 
(PNAUM), realizada em 2013-14, identificou uma prevalência de polifarmácia em 18,1% dos 
idosos, apresentando como principais causas: tratamento não baseados em evidência científica, 
prescrição simultânea por vários médicos especialistas sem que seja realizada a conciliação 
medicamentosa e tratamento de efeitos secundários de medicamentos já utilizados 
(NASCIMENTO et al., 2017). A polifarmácia está associada ao aumento dos custos com 
medicamentos, uso inadequado, diminuição da capacidade funcional e o desenvolvimento de 
síndromes geriátricas (GOMES et al, 2019). Além disso, favorece o surgimento de eventos 
adversos relacionados aos medicamentos: o risco de ocorrência aumenta em 13% com o uso de 
dois agentes, elevando-se para 82% nos casos em que são consumidos sete ou mais 
medicamentos (SECOLI, 2010). 
Portanto, é importante considerar a vulnerabilidade dos idosos para o desenvolvimento 
de eventos adversos a medicamentos (EAM) que se constitui como um efeito prejudicial ou 
indesejável ocorrido após a utilização de medicamentos e engloba reações adversas a 
medicamentos (RAM), erros de medicação, sobredoses e subdoses, sendo na sua maioria 
preveníveis (FIALOVÁ et al., 2019). Por sua vez, as RAM apresentam uma problemática 
adicional entre os idosos, pela dificuldade de diferenciação em relação a um problema de saúde 
pode acarretar na chamada “cascata medicamentosa” quando se adiciona novos medicamentos 
para tratar sintomas de RAM e assim, incrementa-se o desenvolvimento de interações 
medicamentosas e ainda novas RAM (ANATHHANAM et al., 2012). Dessa forma, os idosos 
são mais expostos a problemas advindos da utilização de medicamentos, como: correlação 
inapropriada entre diagnóstico e tratamento prescrito, uso inadequado por perda de doses, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 33 
 
comprometimento da adesão ao tratamento, redução da efetividade terapêutica e risco 
aumentado de interações medicamentosas (NASCIMENTO et al., 2017). 
Além da problemática da polifarmácia quantitativa, ainda existem os denominados 
medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI) por apresentarem riscos que 
superam os benefícios de sua utilização e introduzem maior probabilidade de desenvolver 
evento adverso. O uso de MPI é considerado um EAM prevenível, pois podem ser utilizadas 
opções terapêuticas com evidência científica equivalente mais segura (OPONDO et al., 2012). 
A identificação de MPI é uma importante estratégia para a prevenção de problemas de saúde 
adicionais entre idosos, para reduzir RAM e problemas relacionados a medicamentos (AGS, 
2012). 
Nesse sentido, foram desenvolvidos critérios implícitos, baseado em julgamento 
clínico e envolve uma análise minuciosa da farmacoterapia, e critérios explícitos, que são as 
listas com critérios para identificação de MPI (AGS, 2012). A diferença maior entre os critérios 
é que os explícitos são mais mensuráveis e podem ser consultados de maneira direta, enquanto 
os implícitos dependem de fatores relacionados aos medicamentose às condições clínicas do 
idoso (MORAES et al, 2018; MOTTER et al, 2018). 
A primeira lista no mundo foi a de Beers, desenvolvida nos Estados Unidos (EUA), 
em 1991, baseada em um consenso de experts no cuidado geriátrico, farmacologia clínica e 
psicofarmacologia através da revisão da literatura e utilizando a técnica Delphi, que passou por 
atualizações em 1997, 2003, 2012, 2015 e recentemente em 2019, sendo as três últimas 
realizadas pela American Geriatrics Society (AGS) (FICK et al., 2003; ISMP, 2017). 
Além da lista AGS/ Beers, outras foram desenvolvidas em diversos países para a 
identificação de MPI: 
a) critérios explícitos – STOPP (Screening Tool of Older Persons’ Potentially 
Inappropriate Prescriptions), START (Screening Tool to Alert doctors to the Right Treatment), 
PRISCUS, NORGEP (Norwegian General Practice), critérios canadenses (McLeod e Ipet 
(Improving Prescribing in the Elderly Tool), FORTA (Fit For The Aged), EURO-FORTA, EU 
(7)-PIM List, APIT (Australian Prescribing Indicators Tool), ACOVE, Screening Tool fo 
Older Persons’ Appropriate Prescriptions for Japanese, GheOP3S (Ghent Olders People’s 
Prescribing community Pharmacy Screening) e Taiwan-PIM. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 34 
 
b) critérios implícitos – MAI (Medication Appropriateness Index), MAI modificado, 
iMAP (individualized Medication Assessement and Planning), STRIP (The Systematic Tool to 
Reduce Inappropriate Prescribing) e ARMOR (VARALLO et al., 2014; MORAES et al, 2018). 
No Brasil, foi feita a validação do conteúdo dos critérios de Beers (2012) e do STOPP 
(2006), através do método Delphi, para a construção de critérios nacionais. Publicado em 2016, 
o Consenso Brasileiro de Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (CBMPI) é 
formado por 118 critérios, dos quais 43 são independentes de condição clínica do idoso e 75 
dependentes da condição clínica (OLIVEIRA et al, 2016). 
Os critérios foram desenvolvidos para apoiar, em vez de suplantar, um bom julgamento 
clínico, servindo como um ‘sinal de alerta’ (MORAES et al, 2018). Estudos tem mostrado que 
a utilização desses instrumentos tem sido útil na diminuição de eventos adversos, para a 
educação clínica dos profissionais prescritores, a seleção de medicamentos e como ferramenta 
para avaliação do cuidado, custo e padrão de uso de medicamentos por idosos (FICK et al., 
2003; AGS, 2019). A aplicação de critérios explícitos possibilita identificar o uso de MPI e com 
isso o planejamento de intervenções para diminuir a exposição dos idosos, os custos e 
problemas gerais relacionados a medicamentos (FICK et al., 2003; AGS, 2019). 
São considerados MPI e possui elevada prevalência de uso entre idosos: 
benzodiazepínicos, anticolinérgicos, anti-histamínicos, antiinflamatórios não esteroidais 
(AINES), antidepressivos tricíclicos, medicamentos de estreita faixa terapêutica, inibidores de 
bomba de prótons, entre outros (ISMP, 2017; LUCHETTI e LUCHETTI, 2017). Estudos 
epidemiológicos confirmam uma elevada prevalência de MPI e grande variedade em diferentes 
contextos de atenção à saúde: até 84,5% em cuidados agudos/ intensivos (acute care), até 70% 
nos idosos institucionalizados e até 62,4% em idosos com polifarmácia não institucionalizados 
(FIALOVÁ et al., 2019). 
Revisão sistemática com estudos realizados na Atenção Primária identificou uma média 
de 20,0% no uso de MPI por idosos (OPONDO et al., 2012). No Brasil, a maioria dos estudos 
é de base populacional, sendo observada uma grande variação nas prevalências, de 9,5% em 
Quixadá, CE, (SILVA et al., 2012) a 42,4% em Pelotas, RS (LUTZ et al., 2017). Na APS, 
também ocorre variação entre os resultados. Em Recife, PE, Neves e colaboradores (2013) ao 
investigar a prevalência de MPI entre idosos, em distrito sanitário, identificou que 21,6% 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 35 
 
tinham pelo menos um prescrito. Almeida e colaboradores (2018) observaram que 53,7% dos 
idosos atendidos em unidades básicas de saúde em Belo Horizonte/MG, faziam uso de MPI. 
Os MPI estão fortemente relacionados a desfechos em saúde desfavoráveis, como 
reações adversas a medicamentos (delirium, sedação, hemorragias gastrintestinais, quedas, 
fraturas), internação hospitalar e maior morbimortalidade entre os idosos (NASCIMENTO et 
al., 2017). Meta análise baseada em estudos de coorte realizados na APS identificou que o uso 
de MPI está associado à admissão em emergências, eventos adversos relacionados a 
medicamentos, piora da qualidade de vida e hospitalizações (LIEW et al., 2019). Na Coréia, em 
estudo de coorte restrospectivo, a probabilidade de hospitalização de idosos em uso de pelo 
menos um MPI foi 2,5 maior do que de idosos que não utilizavam (JEON et al, 2018). Além do 
prejuízo para a qualidade de vida dos idosos, estudo acerca do impacto econômico de três MPI 
encontrou que o uso de benzodiazepínicos de longa ação e antiinflamatórios não esteroidais 
está associado ao aumento de custos e pior qualidade de vida entre usuários idosos 
(MORIARTY et al., 2019). 
No entanto, são possíveis intervenções a fim de otimizar a farmacoterapia em idosos. 
Revisão sistemática Cochrane mostrou que intervenções, como revisão da medicação, educação 
em saúde para os pacientes e profissionais de saúde, acompanhamento farmacoterapêutico, 
decisão computadorizada e protocolos de gestão, apresentaram benefícios para a redução do 
uso inapropriado de medicamentos por idosos polimedicados. Porém, os estudos analisados não 
avaliaram desfechos clínicos, como adesão ao tratamento, hospitalizações e qualidade de vida, 
sendo necessário para tanto maior rigor metodológico (COOPER et al., 2015). 
Evidencia-se, portanto, a relevância da prescrição apropriada entre idosos que 
caracteriza-se pelo uso de medicamentos com evidências científicas para determinada indicação, 
boa tolerância e um favorável perfil de custo efetividade (NUNEZ-MONTENEGRO, 2019), 
consonante, portanto, com o contexto da promoção do Uso Racional de Medicamentos (URM), 
o qual é definido como: 
“o processo que compreende a prescrição apropriada; a disponibilidade 
oportuna e a preços acessíveis; a dispensação em condições adequadas; 
e o consumo nas doses indicadas, nos intervalos definidos e no período 
indicado, de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade.” 
(OSÓRIO-DE-CASTRO et al, 2014. p. 59-60) 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 36 
 
Segundo Bermudez e colaboradores (2018), há uma tendência de adotar a designação 
de ‘uso apropriado de medicamentos” (UAM), uma vez que o uso do termo “racional” pode ser 
utilizado com interesses deturpados. No Ciclo da Assistência Farmacêutica, o uso de 
medicamentos envolve a prescrição médica, a dispensação e a utilização propriamente dita. 
A receita médica é um instrumento legal e um meio de comunicação entre o profissional 
e o paciente, compreendendo a prescrição escrita de um plano terapêutico, medicamentoso ou 
não, com o objetivo de orientar o paciente ou seu cuidador (SANTI, 2016). Constitui-se como 
elemento de suma importância no cuidado ao paciente, devido aos desfechos positivos ou 
negativos que pode causar. Além de um tratamento ineficaz e não seguro, maus hábitos 
prescritivos podem exacerbar e prolongar uma enfermidade, causar eventos adversos 
preveníveis, aumentar os custos com saúde e ainda comprometer a qualidade de vida do 
indivíduo (EV et al., 2014). 
Porém, são vários os aspectos que podem influenciar na prática dos prescritores e 
contribuir para o uso indiscriminado de medicamento, como a variedade de produtos 
disponíveis no mercado, a propaganda de medicamentos, o marketing da indústria farmacêutica, 
a formação profissional e,inclusive, fatores socioculturais tanto do profissional quanto dos 
usuários (EV et al., 2014). 
Como estratégias para a promoção da prescrição apropriada, destaca-se a adoção do 
conceito de medicamentos essenciais (ME), pois a lista de itens selecionados deve apresentar a 
melhor opção terapêutica, baseada em evidências científicas e eficácia. Ademais, tem o 
potencial de orientar o registro, a produção, a comercialização e, sobremaneira, a prescrição de 
medicamentos, sendo esta a principal determinante do uso de medicamentos (COELHO et al., 
2014; OSÓRIO-DE-CASTRO et al., 2014). 
Além da definição da lista nacional de medicamentos essenciais, a Organização Mundial 
da Saúde (OMS) propõe a adoção de diretrizes clínicas, a capacitação em farmacoterapia 
baseada em problemas, educação dos profissionais de saúde e informação isenta e fidedigna 
para os usuários de medicamentos (COELHO et al., 2014). No Brasil, foi elaborado o 
Formulário Terapêutico Nacional (1999 e 2008) e os Protocolos Clínicos e Diretrizes 
Terapêuticas (PCDT), com critérios de diagnósticos, algoritmos de tratamento com os 
medicamentos e as doses adequadas, monitoramento de efetividade e supervisão de possíveis 
efeitos adversos, sendo estes mais voltados para o Componente Especializado da Assistência 
Farmacêutica (BRASIL, 2018; BRASIL, 2020). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 37 
 
Diante dos riscos de eventos adversos, em 2017, a OMS estabeleceu o desafio global de 
“Medicação sem dano” que tem o objetivo de reduzir em 50% os danos evitáveis causados pela 
insegurança no uso de medicamentos em cinco anos. Dessa forma, como a polifarmácia é o 
principal fator associado a eventos adversos e ao uso de medicamentos inadequados para idosos, 
a OMS e alguns países tem elaborado orientações para a promoção da segurança no uso de 
medicamentos a partir, principalmente, do processo de prescrição (WHO 2019, GENERAL 
PRACTIONER GUIDELINE GROUP, 2014). Desde 2013, o Brasil possui o Programa 
Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) que tem como objetivo geral contribuir para a 
qualificação do cuidado em saúde e estabeleceu o Protocolo de Segurança na Prescrição e de 
Uso e Administração de Medicamentos, com a finalidade de minimizar a ocorrência de erros 
de medicação em todas as etapas da cadeia terapêutica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014). 
Em relação aos indivíduos idosos, a prescrição médica constitui-se um processo 
complexo e apresenta importantes desafios, como a não participação dessas pessoas em ensaios 
clínicos, a heterogeneidade da fase de senescência entre os idosos, a existência de comorbidades 
e ainda a possível utilização de outros medicamentos, o que incrementa o risco de eventos 
adversos e a prescrição inapropriada (ANATHHANAM et al., 2012; FIALOVÁ et al., 2019; 
ABDULAH et al., 2019). Santi (2016) relata que uma em cada cinco prescrições para idosos 
pode ser considerada inapropriada, evidenciando-se a importância da racionalização da 
terapêutica para evitar o alto risco de eventos adversos através de interações medicamentosas, 
confusão nos horários de administração e não adesão ao tratamento. 
A prescrição apropriada entre idosos deve buscar ser segura, efetiva e centrada no 
paciente (MAXWELL, 2010). É um processo que requer habilidade diagnóstica, conhecimento 
sobre medicamentos e compreensão de princípios de farmacologia, habilidade de comunicação, 
avaliação de riscos e, preferencialmente, experiência (MAXWELL, 2010). 
Para otimizar e garantir segurança e qualidade no tratamento de medicamentos deve-se 
considerar importantes etapas para um processo completo de prescrição (WHO, 2019; 
MULTIMEDICATION GUIDELINES, 2014), sendo eles: 
1. Avaliação inicial do paciente: constitui-se como o início do processo prescritivo e 
requer responsabilidade dos profissionais de saúde após analisar os riscos e 
benefícios; 
2. Revisão da medicação: Atividade multidisciplinar, buscando otimizar o uso de 
medicamentos e prevenir riscos evitáveis, envolvendo a identificação de problemas 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 38 
 
relacionados a medicamentos e recomendação de intervenções. Alguns autores 
utilizam o MAI (Medication Apropriateness Index) que é um instrumento composto 
por questões que identificam a necessidade, segurança e efetividade dos 
medicamentos utilizados; 
3. Comunicação e envolvimento do paciente: enfatiza a importância da comunicação 
adequada entre os provedores dos cuidados e o paciente com o intuito de prevenção 
de erros; 
4. Decisão de prescrição: aborda a decisão do prescritor em acrescentar novos 
medicamentos, modificar o esquema terapêutico, por exemplo, com o aumento/ 
redução de doses, e, continuar ou descontinuar medicamentos em uso; 
5. Dispensação e administração de medicamentos: etapas em que é possível identificar 
falhas no processo de prescrição acerca da adequação da complexidade do regime 
terapêutico; 
6. Monitoramento: processo multidisciplinar realizado por médicos, farmacêuticos, 
enfermeiros e os cuidadores de idosos. Trata-se da oportunidade de identificação dos 
efeitos da farmacoterapia em uso, quando é possível observar o surgimento de 
sintomas inespecíficos como boca seca, confusão, fraqueza, relatos de alterações 
gastrointestinais, entre outros. 
No cuidado ao idoso, a prescrição não deve ser considerada como ponto estático e deve 
estar integrada à avaliação multidimensional da pessoa idosa. Trata-se de um processo dinâmico 
em que os benefícios e malefícios dos medicamentos devem ser monitorados, gerenciados e 
reavaliados em um processo longitudinal e abrangente (MARENGONI et al, 2015). 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 39 
 
3 OBJETIVOS 
 
3.1 Objetivo geral 
Analisar os medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, desde a seleção 
de medicamentos essenciais à prescrição na Atenção Primária à Saúde. 
 
3.2 Objetivos específicos 
 
a) Identificar a prevalência de medicamentos potencialmente inapropriados prescritos para 
idosos na atenção primária presentes na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais 
(RENAME); 
b) Identificar a prevalência e os fatores associados de prescrição de medicamentos 
potencialmente inapropriados para idosos na atenção primária; 
c) Compreender a prática prescritiva para idosos na Atenção Primária à Saúde na 
perspectiva de médicos. 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 40 
 
4 MÉTODO 
 
4.1 Características da pesquisa 
Estudo descritivo e analítico com abordagem quantitativa e qualitativa, realizada através 
da triangulação de métodos que consiste na utilização de diferentes métodos, ambientes e 
perspectivas teóricas distintas para analisar um fenômeno de modo que ocorre uma 
complementação das diferentes perspectivas para a análise de um tema (FLICK, 2008). Neste 
caso, o fenômeno é o uso de medicamentos potencialmente inapropriados por idosos (MPI) em 
diferentes aspectos: das políticas públicas, da efetivação da utilização na atenção primária e a 
percepção dos médicos prescritores. 
Assim, foi desenvolvida apoiando-se em três métodos: 1) análise documental; 2) estudo 
transversal e 3) estudo de caso com abordagem qualitativa. As propostas metodológicas estão 
descritas a seguir. 
 
4.2. Percurso metodológico 
4.2.1. Análise documental: 
4.2.1.1. Caracterização da pesquisa: 
A pesquisa documental propõe-se a compreender um fenômeno e consiste no exame de 
materiais que não foram utilizados ou que podem ser reexaminados, buscando-se outras 
interpretações ou informações complementares (FLICK, 2009). Considera-se documentos 
“quaisquer materiais escritosque possam ser usados como fonte de informação” (KRIPKA, 
2015). 
Foi analisada a presença de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos 
(MPI) em diferentes edições da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (2010, 2013, e 
2020) que se constitui como importante instrumento para a gestão da Assistência Farmacêutica 
no SUS (BRASIL, 2018). Observando-se a alteração no marco regulatório para a elaboração da 
RENAME, que a partir do Decreto n°7508/2011 passou a ser composta por todos os 
medicamentos e insumos a serem disponibilizados pelo SUS para a população brasileira 
(BRASIL, 2011a; BRASIL, 2011b), as edições escolhidas foram aquelas imediatamente 
anterior, posterior e a atual. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 41 
 
Variáveis: 
Em cada edição da RENAME foi observado: a) a classificação dos medicamentos como 
potencialmente inapropriados (MPI) independente da condição clínica do idoso, conforme lista 
de AGS/ Beers vigente; em seguida, foi avaliada para cada MPI: b) sua presença na Lista de 
Medicamentos Essenciais (LME) da Organização Mundial de Saúde (OMS) (LME/OMS); e, c) 
Classe farmacológica, segundo a ATC (Anatomical Therapeutic Chemical Classification 
System). 
4.2.1.2. Coleta de dados: 
Para analisar a presença de MPI e a questão da essencialidade conforme preconizado 
pela Organização Mundial de Saúde (OMS) foram utilizadas, respectivamente, as listas AGS/ 
Beers e as Listas de Medicamentos Essenciais (LME) da OMS vigentes à época das edições da 
RENAME (quadro 1). 
 
Quadro 1. Publicações da RENAME, Critério AGS/ Beers e Lista de Medicamentos Essenciais (LME) 
utilizados para análise dos medicamentos potencialmente inapropriados para idosos. 
RENAME Critério de Beers LME 
2010 2003 2011 
2013 2012 2013 
2020 2019 2019 
 
4.2.1.3. Análise dos dados 
Em cada edição da lista nacional, os princípios ativos foram organizados por ordem 
alfabética com seus respectivos códigos do Sistema de Classificação Anatômica Terapêutica 
Química (ATC) (Anatomical Therapeutic Chemical Classification System), recomendado pela 
OMS. Aqueles encontrados mais de uma vez ou com mais de uma classificação ATC foram 
contabilizados apenas uma vez. Foram excluídos da análise os insumos, os medicamentos 
fitoterápicos, homeopáticos e outros itens, conforme Yamauti e colaboradores (2017). 
A fim de determinar possíveis alternativas terapêuticas para os MPI prescritos, foram 
pesquisadas recomendações em critérios que descrevem alternativas terapêuticas, como o 
GheOP3S, Priscus e EU(7)PIM, e que constavam nas LME/OMS – 2019 e RENAME 2020 
(MOTTER et al, 2018). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 42 
 
Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística descritiva utilizando o SPSS 
(Statistical Package for Social Science) versão 22.0 e apresentados através de frequências 
absolutas e relativas. 
A análise da RENAME em suas diferentes edições permitiu o aprofundamento sobre 
o tema, corroborando com a fundamentação teórica, para posterior desenvolvimentos do estudo 
de campo de abordagem quantitativa e qualitativa. 
 
4.2.2. Estudo transversal 
4.2.2.1. Caracterização da pesquisa 
Os estudos seccionais ou transversais tem como um de seus objetivos descrever de que 
maneira algumas características estão distribuídas em uma população em determinada época, 
assim constitui-se como uma importante estratégia para planejamento e organização de ações 
de saúde (MEDRONHO, 2008). 
Foi realizada uma pesquisa de corte transversal, analítica, no período de março a 
dezembro de 2019, na Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Campina Grande, na 
Paraíba, Nordeste brasileiro. Localizada no Agreste Paraibano, a cidade é sede do 3º Núcleo 
Regional de Saúde (NRS) do estado da Paraíba, considerada uma macrorregional por ser 
referência de serviços de saúde para outras cidades e ainda para o interior de Pernambuco e Rio 
Grande do Norte (LEITE e VELOSO, 2009). Campina Grande foi um dos primeiros municípios 
a adotar a descentralização dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS) e ainda uma das 
pioneiras a implantar o Programa Saúde da Família (PSF) em 1994 (NOGUEIRA, 2020). Em 
2018, o município apresentava uma estimativa populacional de 410.332 habitantes, dos quais 
43.390 eram pessoas acima de 60 anos (IBGE, 2020). A cobertura da Atenção Primária era de 
87,73% da população estimada, organizada em 10 distritos sanitários, com 85 estabelecimentos 
de saúde, sendo 76 Unidades Básicas de Saúde, das quais 07 unidades básicas localizadas na 
Zona Rural e as demais na Zona Urbana. A APS contava ainda com 107 Equipes de Saúde da 
Família, 52 Equipes de Saúde Bucal e 09 Núcleos Ampliados de Saúde da Família – Atenção 
Básica (NASF-AB) (DATASUS, 2018). 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 43 
 
4.2.2.2. Plano amostral 
A população alvo deste estudo foi constituída por idosos, indivíduos com 60 anos ou 
mais, atendidos nas unidades básicas de saúde (UBS) tanto da zona urbana quanto da zona rural 
do município e que buscaram a farmácia para aquisição dos seus medicamentos. Para o cálculo 
do tamanho amostral foi considerada a população como de referência 43.390 idosos, 
prevalência estimada de 50% para a variável dependente (utilização de medicamentos 
potencialmente inapropriados para idosos – MPI), nível de 95% de confiança, erro de 5%, 
acrescentando uma perda de 20%, totalizando assim 458 idosos. Das 76 UBS do município, 
cinco não dispunham de serviços de dispensação de medicamentos e foram excluídas. A 
amostra total foi estratificada entre as UBS restantes de forma proporcional ao quantitativo da 
população idosa cadastrada por unidade de saúde. Os participantes da pesquisa foram 
selecionados consecutivamente por conveniência no momento da obtenção dos medicamentos 
prescritos na farmácia da UBS. 
4.2.2.3. Variáveis 
O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário semiestruturado 
(Apêndice A) dividido em três partes: a) características demográficas e socioeconômicas; b) 
condições de saúde e autopercepção de saúde; c) utilização de medicamentos. As variáveis 
independentes foram: a) características demográficas e socioeconômicas - sexo (masculino e 
feminino), faixa etária (60 a 69 anos, 70 a 79anos, acima de 80 anos), cor autorreferida (branca, 
negra e parda), situação conjugal (com companheiro e sem companheiro), renda mensal 
(inferior a um salário mínimo, um salário mínimo e acima de um salário mínimo, considerando 
o valor de R$998 (2019)) e anos de estudo (0 a 4 anos, 5 a 8 anos, 9 a 11 anos e acima de 12 
anos); b) condições de saúde - doenças crônicas autorreferidas (Hipertensão arterial sistêmica, 
diabetes mellitus, artrite/ artrose, depressão e colesterol alto, conforme a Pesquisa Nacional de 
Acesso e Utilização de Medicamentos – PNAUM) e autopercepção de saúde (muito boa/boa, 
regular, ruim/muito ruim); c) utilização de medicamentos - nome e posologia do medicamento 
prescrito, uso de outros medicamentos além dos prescritos, local de aquisição dos 
medicamentos quando há desabastecimento na UBS, porcentagem de medicamentos prescritos 
presentes na RENAME e a ocorrência de polifarmácia (considerada como o uso de 5 ou mais 
medicamentos) 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 44 
 
A variável dependente foi o medicamento classificado como potencialmente 
inapropriado para idoso (MPI) independente da condição clínica, conforme Consenso Brasileiro 
de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos (CBMPI), que é formado por 118 
critérios, dos quais 43 devem ser evitados independentes de condição clínica do idoso e 75 
dependentesde determinadas condições de saúde (OLIVEIRA et al, 2016). 
4.2.2.4. Coleta de dados 
Realizou-se um estudo piloto em 10 UBS, uma por distrito sanitário, a fim de avaliar o 
instrumento, o tempo de coleta de dados e a viabilidade da pesquisa. Após ajustes, a coleta de 
dados foi realizada nas 71 UBS onde havia dispensação de medicamentos, inclusive naquelas 
integrantes do estudo piloto. A fim de evitar viés de seleção, foram sorteados os dias da semana 
a serem visitados nas unidades e cada uma era visitada pelo entrevistador até alcançar a 
quantidade de idosos necessária para compor a amostra, evitando-se, dessa forma, perdas. 
Foram entrevistados idosos (idade igual ou superior a 60 anos) ou seu responsável que 
buscavam o serviço de saúde e, que no momento da entrevista, portavam documento com 
registro dos medicamentos utilizados pelo idoso (prescrição médica, cartão do usuário do SUS 
ou a caderneta de Saúde do Idoso). As perguntas subjetivas não foram aplicadas aos 
responsáveis pelos idosos entrevistados. 
4.2.2.5. Análise dos dados 
As unidades de análise foram os idosos e os medicamentos. Para análise dos dados foi 
utilizado o SPSS (Statistical Package for Social Science) versão 22.0. Cada medicamento 
analisado também foi classificado de acordo com Anatomical Therapeutic Chemical 
classification system (ATC), recomendada pela OMS, nos níveis 1 (grupo anatômico) e 2 
(subgrupo terapêutico); e de acordo com sua presença na Relação Nacional de Medicamentos 
Essenciais (RENAME) edição 2018. Os resultados foram analisados, inicialmente, por meio da 
análise descritiva. A diferença entre os grupos foi avaliada pelo teste qui-quadrado, 
considerando como nível de significância p <0,05. As variáveis que se associaram ao uso de 
medicamentos potencialmente inadequados com p < 0,20 foram incluídas no modelo 
multivariado. No modelo final, foram mantidas as variáveis que se associaram à variável 
resposta com valor de p < 0,05. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 45 
 
4.2.3. Estudo de caso 
4.2.3.1 Caracterização do estudo 
Trata-se de um estudo de caso de abordagem qualitativa. O estudo de caso, segundo 
concepções de Yin (2015), é definido como a investigação empírica de um fenômeno que 
dificilmente será isolado ou dissociado do seu contexto e possibilita de forma aprofundada, 
capturar e compreender as vivências, percepções e as condições do contexto, considerando as 
particularidades do universo empírico. 
Neste estudo o “caso” foi definido como a prescrição de medicamentos para idosos na 
atenção primária à saúde. Já as unidades de análise são os profissionais prescritores, no caso os 
profissionais médicos. 
A pesquisa qualitativa segundo Yin (2016) permite com maior liberdade de escolha 
explorar o significado, as opiniões e perspectivas que as pessoas atribuem a um problema social 
ou humano, bem como auxiliar a explicar o comportamento social humano. 
4.2.3.2.Cenário e período do estudo 
 A pesquisa foi realizada no período de setembro a dezembro de 2019, tendo como 
cenário as unidades básicas de saúde da zona urbana e rural da Atenção Primária do município 
de Campina Grande, PB. Localizada no Agreste Paraibano, a cidade é sede do 3º Núcleo 
Regional de Saúde (NRS) do estado da Paraíba, considerada uma macrorregional por ser 
referência de serviços de saúde para outras cidades e ainda para o interior de Pernambuco e Rio 
Grande do Norte (LEITE e VELOSO, 2009). Campina Grande foi um dos primeiros municípios 
a adotar a descentralização dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS) e ainda uma das 
pioneiras a implantar o Programa Saúde da Família (PSF) em 1994 (NOGUEIRA, 2020). Em 
2018, o município apresentava uma estimativa populacional de 410.332 habitantes, dos quais 
43.390 eram pessoas acima de 60 anos (IBGE, 2018). A cobertura da Atenção Primária era de 
87,73% da população estimada, organizada em 10 distritos sanitários, com 85 estabelecimentos 
de saúde, sendo 76 Unidades Básicas de Saúde, das quais 07 unidades básicas localizadas na 
Zona Rural e as demais na Zona Urbana. A APS contava ainda com 107 Equipes de Saúde da 
Família, 52 Equipes de Saúde Bucal e 09 Núcleos Ampliados de Saúde da Família – Atenção 
Básica (NASF-AB) (DATASUS, 2018). No período da coleta de dados, havia 118 médicos 
vinculados à Estratégia Saúde da Família (ESF). 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 46 
 
4.2.3.3.Participantes do estudo 
Em pesquisas qualitativas a escolha dos participantes ou das unidades de análise 
geralmente ocorre de forma deliberada, ou seja, a amostra do tipo intencional (YIN, 2016). 
Para escolha dos profissionais médicos da equipe de saúde da família foram 
considerados os seguintes critérios de inclusão: ser do quadro efetivo do município, atuar na 
ESF desenvolvendo ações de assistência à saúde, por no mínimo seis meses, demonstrando 
vivência e experiência na APS. Foram excluídos os profissionais que estavam de férias ou de 
licença no período da coleta de dados. Foi feito o sorteio de uma UBS por distrito sanitário, 
totalizando dez participantes. Em cada UBS, o pesquisador se apresentava à(o) recepcionista e 
este perguntava ao médico acerca da possibilidade da realização da entrevista. Em caso de 
impossibilidade, o pesquisador retornava outro dia. No momento da entrevista, o pesquisador 
se apresentava, explicava os objetivos da pesquisa, entregava para cada participante uma cópia 
do projeto e duas do TCLE para conhecimento e assinatura. Dois prescritores recusaram-se a 
participar da pesquisa, argumentando falta de tempo, assim, foi realizado o sorteio de outra 
UBS do mesmo distrito sanitário. Participaram do estudo 10 profissionais médicos. 
4.2.3.4.Coleta de dados 
Para coleta de dados foi utilizado um instrumento dividido em duas partes. A primeira 
foi um questionário sociodemográfico contendo as seguintes variáveis: idade, sexo, formação, 
nível de escolaridade e tempo de atuação na APS (Apêndice B). A segunda parte foi um roteiro 
de entrevista semiestruturado construído a partir dos objetivos da pesquisa que parte da reflexão 
acerca da prática prescritiva para idosos na APS, contendo três questões norteadoras que 
abordavam a percepção dos médicos sobre a realização do cuidado ao idoso na Atenção 
Primária à Saúde, sobre a prática prescritiva e os desafios para a prescrição de medicamentos 
para esse público (Apêndice B). 
Foi realizado um estudo piloto para avaliar o instrumento, duração da entrevista, 
dificuldades e a viabilidade da pesquisa. O roteiro de entrevista sofreu ajustes nas perguntas de 
forma a minimizar a indução das respostas e responder os objetivos da pesquisa. 
As entrevistas foram gravadas utilizando gravador digital, em espaço restrito, nos 
consultórios médicos com presença apenas do pesquisador e do participante da pesquisa, a fim 
de evitar constrangimento e garantir a confidencialidade. Foram realizadas 10 entrevistas que 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 47 
 
tiveram duração de 10 a 24 minutos. Em cada visita às UBS, o pesquisador também registrou 
em um diário de campo as impressões e observações sobre as entrevistas. 
O encerramento da coleta de dados ocorreu quando da saturação dos dados que consiste 
na suspensão de inclusão de novos participantes quando os dados obtidos passam a apresentar, 
na avaliação do pesquisador, uma certa redundância ou repetição (FLICK, 2008). 
4.2.3.5.Análise dos dados 
As entrevistas com os profissionais prescritores participantes foram transcritas para o 
Microsoft Word (versão Windows 10). A fim de garantir o anonimato dos participantes da 
pesquisa, os médicos entrevistados foram identificados como M1, M2, e assim por diante. Paraanálise dos dados, foi utilizado o método de análise de conteúdo de Bardin (2011). A autora 
define a análise de conteúdo como um conjunto de técnicas de análise das comunicações 
visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das 
mensagens, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de 
produção/recepção dessas mensagens. 
Foi utilizada a modalidade de análise temática que é realizada em três etapas: a 
primeira consiste na pré-análise através de leitura flutuante, constituição do corpus, formulação 
e reformulação de hipóteses e objetivos e a referenciação dos índices e elaboração de 
indicadores, que envolve a determinação de indicadores por meio de recortes de texto nos 
documentos de análise; a segunda etapa abrange a exploração do material, com a definição de 
categorias (sistemas de codificação), a identificação das unidades de registro e das unidades de 
contexto nos documentos; e a terceira etapa que consiste na interpretação dos resultados quando 
ocorre a condensação e o destaque das informações para análise, culminando nas interpretações 
inferenciais; é o momento da intuição, da análise reflexiva e crítica (BARDIN, 2011). 
As categorias para análise foram definidas, considerando os objetivos da pesquisa, o 
referencial teórico e as entrevistas com os participantes. A partir da análise das respostas dos 
prescritores, surgiram duas categorias principais que foram divididas em subcategorias (quadro 
2). A interpretação e análise dos dados foram realizadas a partir da literatura pertinente no que 
concerne à temática. 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 48 
 
Quadro 2. Categorias e subcategorias identificadas a partir das entrevistas sobre a prescrição para 
idosos com médicos da Atenção Primária à Saúde. Campina Grande, PB, 2019. 
Categorias/ subcategorias 
1 - Abordagem dos prescritores no atendimento aos idosos na APS 
1.1. Promoção de hábitos saudáveis e enfoque no diagnóstico, controle 
e tratamento de doenças e agravos não transmissíveis prevalentes 
em idosos 
1.2. Além da consulta médica: a importância do trabalho em equipe e a 
relevância do suporte familiar 
2 - Prescrição de medicamentos para idosos: o olhar dos médicos 
2.1. A problemática da polifarmácia e a importância da orientação sobre 
o uso de medicamentos 
2.2. O uso de benzodiazepínicos como principais medicamentos 
inapropriados para idosos 
2.3. Desafios para a prescrição de medicamentos para idosos: da 
medicalização à lista de medicamentos 
 
4.3. Aspectos éticos 
 
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário 
Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CEP/HUOL/UFRN) (Parecer 
3.130.100/2019) (Anexo A). Os participantes ou responsáveis foram orientados quanto aos 
objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndices 
C, D e E), tendo sido garantida a confidencialidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 49 
 
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
Os resultados deste trabalho estão divididos em três artigos: 
Artigo 1: Prescrição inapropriada para idosos e a lista de medicamentos essenciais: há 
alternativas? (submetido à Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia – anexo B); as normas 
para a publicação encontram-se no link https://www.rbgg.com.br/ ; 
Artigo 2: Prescrição de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos: um 
estudo na Atenção Primária à Saúde (publicado no número temático “Do Mar ao Sertão: a 
Estratégia Saúde da Família no Nordeste Brasileiro” da Revista Ciência & Saúde Coletiva – 
disponível em https://doi.org/10.1590/1413-81232021265.04532021) ; 
Artigo 3: A prática prescritiva para idosos: perspectivas de médicos na Atenção Primária 
à Saúde (artigo a ser submetido à Revista Interface – Comunicação, Saúde e Educação), cujas 
normas para publicação encontram-se no link https://interface.org.br/submissao 
 
5.1 PRESCRIÇÃO INAPROPRIADA PARA IDOSOS E LISTA DE 
MEDICAMENTOS ESSENCIAIS: HÁ ALTERNATIVAS? 
Inappropriate prescribing for elderly and essential medicines list: are there alternatives? 
Prescrição inapropriada para idosos e medicamentos essenciais 
Inappropriate prescribing for elderly and essential medicines list 
 
RESUMO 
 
Objetivos: Identificar a presença de Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI) em 
edições da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), comparar com 
medicamentos prescritos na Atenção Primária à Saúde (APS) e identificar alternativas 
terapêuticas na lista nacional. 
Métodos: Foram realizadas duas etapas: 1) analisou-se os medicamentos das RENAME nas 
edições 2010, 2013 e 2020 de acordo com as listas AGS/Beers e as Listas Modelo de 
Medicamentos Essenciais (LME) vigentes à época; a RENAME 2020 foi analisada conforme o 
https://www.rbgg.com.br/
https://doi.org/10.1590/1413-81232021265.04532021
https://interface.org.br/submissao
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 50 
 
Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos (CBMPI); 2) 
foi realizado um estudo transversal com 458 idosos atendidos na APS em que identificou-se os 
MPI prescritos e buscou-se alternativas seguras na RENAME para os medicamentos 
inapropriados. 
Resultados: Observou-se aumento da presença de MPI de 4,7% (13/277), em 2010, para 8,5% 
(35/411) em 2020 e de 30,8% (4), em 2010, para 37,2% (13), em 2020, daqueles que não 
integravam a EML. A maioria dos MPI faz parte dos Componentes Básico e Especializado da 
Assistência Farmacêutica. Conforme o CBMPI, 11,9% (49) eram MPI. Dos 1449 
medicamentos prescritos, 91,6% compunham a RENAME e 19,3% eram MPI. Destes, 73,5% 
(205) compunham a lista nacional e a maioria atuavam no Sistema Nervoso Central. 
Observaram-se poucas alternativas terapêuticas seguras para idosos na RENAME. 
Conclusões: Evidenciou-se um aumento na presença de MPI nas edições e elevada 
conformidade entre MPI prescritos na APS e a RENAME. Faz-se pertinente garantir acesso 
aliado à segurança de medicamentos para os idosos, através da inclusão de opções mais seguras 
na RENAME e capacitação dos prescritores. 
 
Descritores: Medicamentos essenciais. Lista de Medicamentos Potencialmente Inapropriados. 
Prescrições de Medicamentos. Idoso. 
 
Introdução 
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define medicamentos essenciais como aqueles 
que satisfazem as necessidades prioritárias de saúde de uma população, devendo estar 
disponíveis no contexto dos sistemas de saúde, em quantidades e qualidade adequadas para a 
população1. 
Em 1998, quando a Política Nacional de Medicamentos (PNM) foi publicada, o conceito 
de essencialidade alinhava-se ao da OMS e entre suas diretrizes estava a adoção da Relação 
Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), como eixo norteador para os esforços de 
desenvolvimento, regulação, produção, abastecimento e utilização de medicamentos,2,3. A lista 
de medicamentos essenciais é considerada fundamental para a prescrição racional e sua 
disseminação permite a melhoria do acesso e da qualidade no uso de medicamentos3. Em 2011, 
com a regulamentação da Lei Orgânica da Saúde (LOS) através do Decreto nº 7.508, a 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 51 
 
RENAME passou a ser composta por todos os insumos e medicamentos a serem ofertados pelo 
Sistema Único de Saúde (SUS)5,6. 
A PNM ainda enfatizou o processo de envelhecimento populacional como catalisador 
de novas demandas por maior consumo de medicamentos, além de novos procedimentos 
terapêuticos com a utilização de medicamentosde alto custo o que gera a necessidade de 
adequação na organização dos sistemas de saúde2. Diante do envelhecimento demográfico e da 
transição epidemiológica, deve existir uma preocupação com a manutenção da qualidade de 
vida e a necessidade de políticas públicas e cuidados específicos para os idosos9. É possível 
prever um aumento na utilização de medicamentos para tratamento de doenças crônicas, sendo 
este um importante aspecto a ser considerado na assistência ao idosos9. 
A Pesquisa Nacional de Acesso e Utilização de Medicamentos (PNAUM)9 identificou 
que 93% dos idosos brasileiros utilizavam pelo menos um medicamento e que 18% eram 
polimedicados (uso de 5 medicamentos ou mais), o que acarreta uso inadequado de 
medicamentos com possível menor adesão ao tratamento e maior incidência de efeitos adversos. 
Outro estudo do mesmo inquérito observou que 96,2% dos idosos relataram acesso aos 
medicamentos de uso contínuo, sendo 46% de forma gratuita e a maioria estava incluída na 
RENAME10. 
É necessário, portanto, considerar, a segurança na utilização de medicamentos pelos 
idosos, pois existem aqueles que podem causar mais riscos que benefícios, os denominados 
Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos (MPI)10, cuja utilização está 
associada com maior fragilidade, aumento do risco de hospitalização e utilização dos serviços 
de emergência, além do aumento dos custos com medicamentos e mortalidade11. 
Existem diversas listas que relacionam os MPI com o objetivo de contribuir para o uso 
de medicamentos seguros por idosos, sendo uma das mais utilizadas o Critério de Beers 
(EUA)11. No Brasil, devido às diferenças na disponibilidade de medicamentos e nas condutas 
prescritivas adotadas, em 2016 foi publicado o Consenso Brasileiro de Medicamentos 
Potencialmente Inapropriados para Idosos (CBMPI), uma adaptação de critérios 
internacionais12. 
Nesse sentido, com o intuito de abordar a segurança de medicamentos disponibilizados 
para os idosos no SUS, esse artigo teve como objetivos analisar a presença de MPI no decorrer 
de diferentes edições da lista nacional, comparar com MPI prescritos na APS e identificar 
possíveis alternativas terapêuticas elencadas na RENAME. 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 52 
 
Métodos 
 
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa realizado em 
duas etapas: primeiramente, foi procedida uma análise documental da presença de 
medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) em distintas edições da Relação Nacional 
de Medicamentos Essenciais (RENAME) e em seguida, a partir de estudo transversal que 
identificou MPI prescritos na Atenção Primária à Saúde, foi feita a identificação na lista 
nacional de possíveis alternativas terapêuticas mais seguras para idosos. 
Na análise documental foi verificada a presença de MPI em diferentes edições da 
RENAME (2010, 2013, e 2020)7,13,14. Tais listas foram escolhidas tendo como marco a 
regulamentação da Lei Orgânica da Saúde (LOS) pelo decreto 7.508/2011: a lista 
imediatamente anterior (2010)13, a posterior (2013)14 (publicada em junho/2012) e a atual 
(2020)7. 
Os instrumentos utilizados para analisar a presença de MPI foram as listas de 
Beers11,15,16, e as Listas Modelo de Medicamentos Essenciais (LME)17,18,19 da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) vigentes em cada edição da RENAME7,15,16), por ter homogeneidade 
na sua estruturação e atualizações ao longo do tempo. A lista de Beers foi desenvolvida em 
1991 a partir de consenso de experts no cuidado geriátrico, passando por atualizações em 1997 
e 2003 e a partir de 2012, American Geriatrics Society (AGS) tornou-se responsável pelas 
atualizações13,17,18. A lista de medicamentos essenciais da OMS (LME) atualmente está em sua 
21ª edição e é composta por uma lista principal que inclui os medicamentos necessários para 
um sistema básico de assistência médica, listando os medicamentos mais eficazes, seguros e de 
baixo custo para condições prioritárias, que são selecionadas com base na relevância atual e 
futura estimada da saúde pública e no potencial de tratamento seguro e econômico. 
Em cada edição da RENAME analisada, os princípios ativos foram listados por ordem 
alfabética com seus respectivos códigos do Sistema de Classificação Anatômica Terapêutica 
Química (ATC) (Anatomical Therapeutic Chemical Classification System), recomendado pela 
Organização Mundial da Saúde (OMS). Aqueles encontrados mais de uma vez ou com mais de 
uma classificação ATC foram contabilizados apenas uma vez. Foram excluídos da análise os 
insumos, os medicamentos fitoterápicos, homeopáticos e outros itens, conforme Yamauti et 
al.(2017)20. 
Dessa maneira, para os medicamentos incluídos foi observado: a) sua classificação 
como MPI independente da condição clínica do idoso, conforme Critérios AGS/ Beers vigente, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 53 
 
que são aqueles medicamentos e classes farmacológicas que possuem alto risco de toxicidade, 
eventos adversos em idosos e eficácia limitada e que devem ser evitados em favor de um 
medicamento alternativo mais seguro ou uma abordagem não medicamentosa16; em seguida, 
foi avaliado b) sua presença na Lista de Medicamentos Essenciais (LME) da Organização 
Mundial de Saúde (OMS); c) o Componente do Financiamento da Assistência Farmacêutica ao 
qual pertencia (RENAME edições 2013 e 2020, pois na publicação de 2010 não havia a 
classificação dos medicamentos segundo componentes); e, d) Classe farmacológica, segundo a 
ATC. Os medicamentos da RENAME 2020 ainda foram analisados seguindo o Consenso 
Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos (CBMPI)14. 
A segunda etapa do trabalho faz parte dos resultados de um estudo transversal, realizado 
no período de março a dezembro de 2019, na Atenção Primária à Saúde (APS) no município de 
Campina Grande, PB, que apresentava uma estimativa populacional de 410.332 habitantes, dos 
quais 43.390 eram pessoas acima de 60 anos. A cobertura da Atenção Primária era de 87,73% 
da população estimada, dividida em 10 distritos sanitários, com 76 Unidades Básicas de Saúde. 
A população alvo deste estudo foi constituída por idosos, indivíduos com 60 anos ou 
mais, atendidos nas unidades básicas de saúde (UBS) tanto da zona urbana quanto da zona rural 
do município. Para o cálculo do tamanho amostral foi considerada a população como de 
referência 43.390 idosos, prevalência estimada de 50% para a variável dependente (utilização 
de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos – MPI), nível de 95% de confiança, 
poder estatístico de 95%, acrescentando uma perda de 20%, totalizando assim 458 idosos. Foi 
realizada uma amostragem por conglomerados, nas unidades básicas de saúde, calculando-se 
proporcionalmente de acordo com a população idosa cadastrada por UBS. Os indivíduos 
participantes da pesquisa foram selecionados aleatoriamente. Realizou-se um estudo piloto em 
10 UBS, uma por distrito sanitário, a fim de avaliar o instrumento, o tempo de coleta de dados 
e a viabilidade da pesquisa. Após ajustes, a coleta de dados foi realizada nas 71 UBS onde havia 
dispensação de medicamentos. Foram entrevistados idosos ou seu responsável que buscavam o 
serviço de saúde e, que no momento da entrevista, portavam documento com registro dos 
medicamentos utilizados pelo idoso (prescrição médica, cartão do usuário do SUS ou a 
caderneta de Saúde do Idoso), sendo registrados para cada medicamento o nome e posologia 
prescritos. 
Em uniformidade com a análise documental, cada item foi classificado conforme a 
ATC, classificado se MPI independente de condição clínica, de acordo com o CBMPI, e se 
integrante da RENAME 2020. A fim de determinar possíveis alternativas terapêuticas para os 
 
Medicamentospotencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 54 
 
MPI prescritos, foram pesquisadas recomendações em critérios que descrevem alternativas 
terapêuticas, como o GheOP3S, Priscus e EU(7)PIM, e que constavam nas LME/OMS – 2019 
e RENAME 202021. 
Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística descritiva utilizando o SPSS 
(Statistical Package for Social Science) versão 22.0 e apresentados através de frequências 
absolutas e relativas. 
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário 
Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CEP/HUOL/UFRN) (Parecer 
3.130.100/2019). 
 
Resultados 
 
A partir das análises das edições da RENAME, foi evidenciado um aumento da presença 
dos Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos (MPI) da edição de 2010 para 
2013, mantendo-se estável para a edição de 2020. Considerando os Critérios AGS/Beers, na 
lista de 2010, havia 4,7% (13/277); em 2013, 8,8% (29/328) e em 2020, 8,5% (35/411) (tabela 
1). 
Ao analisar os medicamentos classificados como MPI na RENAME que não 
compunham as Listas Modelo de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde 
(LME) verificou-se um incremento de 30,8% (4), em 2010, para 37,2% (13), em 2020 (tabela 
1). Na RENAME 201017, os MPI fora da LME eram cloridrato de prometazina, 
dexclorfeniramina, óleo mineral e tiopental sódico; acrescentando, em 2013, além dos citados 
acima: clonazepam, estriol, estrogênios conjugados, glibenclamida, mesilato de doxazosina, 
naproxeno, olanzapina, quetiapina e somatropina; e, incorporando ainda na edição 2020, o 
cloridrato de nortriptilina, cloridrato de triexifenidil, ziprasidona. 
A maioria dos MPI identificados tem sido ofertado pelo Componente Básico, seguido 
do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, respectivamente: 82,7% e 17,3%, 
em 2013, e 74,3% e 22,9% em 2020. De acordo com o Consenso Brasileiro de Medicamentos 
Potencialmente Inapropriados (CBMPI), 11,9% (49) eram MPI e apenas 4,1% (02) não eram 
dos componentes básico e especializado da Assistência Farmacêutica (tabela 1). 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 55 
 
Tabela 1. Distribuição dos Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos por edição da RENAME (2010, 2013, 
2020). 
 
Variável 
Critérios AGS/Beers CBMPI*** 
2010 
(n) 
% 
2013 
(n) 
% 
2020 
(n) 
% 
 2020 
 (n) 
% 
Presença de MPI 
 
Sim 13 4,7 29 8,8 35 8,5 
 49 11,9 
Não 265 95,3 299 91,2 376 91,5 
 362 88,1 
Total 277 100,0 328 100,0 411 100,0 
 411 100,0 
MPI presentes na LME* 
 
Sim 09 69,2 17 58,6 22 62,8 
 33 67,3 
Não 04 30,8 12 41,4 13 37,2 
 16 32,7 
Total 13 100,0 29 100,0 35 100,0 
 49 100,0 
Presença de MPI** entre os 
Componentes da Assistência 
Farmacêutica 
 
 
 
Básico - - 24 82,7 26 74,3 
 34 69,4 
Especializado - 05 17,3 08 22,9 
 13 26,5 
Estratégico - - 0 0 01 2,8 
 02 4,1 
Total 29 100,0 35 100,0 
 49 100,0 
* Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS 
** Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos 
*** Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos 
Fonte: Dados da pesquisa, 2020. 
 
Conforme a classificação ATC, os MPI que agem no Sistema Nervoso Central (SNC) 
foram os mais prevalentes nas edições da RENAME: em 2010, eram 30,7% (04/13); em 2013, 
37,9% (11/29) e em 2020, 42,8% (15/35). Segundo o CBMPI, as classes farmacológicas que 
mais apresentaram MPI foram o Sistema Nervoso Central (38,7%) e os preparados Hormonais 
sintéticos (18,4%) e cardiovascular (16,3%) (quadro 1). 
 
Quadro 1. Distribuição por grupo farmacológico dos medicamentos potencialmente inapropriados para idosos presentes por 
edição da RENAME. 
 
Grupo 
farmacológico 
ATC/ 
medicamentos 
Critérios AGS/ Beers CBMPI 
2010 2013 2020 2020 
N – Sistema 
nervoso 
 
04 
Amitriptilina, 
Diazepam, 
Fluoxetina, 
Tiopental sódico 
11 
Amitriptilina1, 
Clonazepam1, 
Clomipramina1, 
Clorpromazina1, 
Clozapina2, 
Diazepam1, 
Fenobarbital1, 
Haloperidol1, 
Olanzapina2, 
Quetiapina2 
Risperidona2 
15 
Amitriptilina1 
Clomipramina1 
Clonazepam1, 
Clorpromazina1, 
Clozapina2, 
Diazepam1, 
Fenobarbital1, 
Haloperidol1, 
Midazolan1, 
Nortriptilina1, 
Olanzapina2, 
19 
Amitriptilina1, 
Biperideno1, 
Clobazam2, 
Clomipramina1 
Clonazepam1, 
Diazepam1, 
Clorpromazina1 
Clozapina1, 
Fenobarbital1, 
Haloperidol 
Metadona2 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 56 
 
Risperidona2, 
Quetiapina2, 
Triexifenidil1, 
Ziprasidona2 
Midazolam, 
Morfina2 
Nortripilina1, 
Olanzapina2, 
Quetiapina2, 
Risperidona2, 
Triexifenidil2, 
Ziprasidona2 
 
C–Sistema 
cardiovascular 
 
04 
Amiodarona, 
Digoxina, 
Metildopa, 
Nifedipino 
05 
Amiodarona 1, 
Digoxina1, 
Doxazosina1, 
Metildopa1, 
Nifedipino2 
05 
Amiodarona1, 
Digoxina1, 
Doxazosina1, 
Metildopa1 
Nifedipino1, 
08 
Amiodarona1 
Doxazosina1, 
Digoxina1*, 
Espironolactona1* 
Furosemida1 
Metildopa1 
Nifedipino1 
Propafenona1 
H - Preparados 
hormonais 
sintéticos 
 
 
- 
01 
Somatropina2 
02 
Somatoprina2, 
Desmopressina3 
09 
Betametasona1* 
Budesonida1*, 
Dexametasona1*, 
Fludrocortisona2* 
Metilprednisolona3*, 
Prednisolona1*, 
Dexametasona1*, 
Prednisona1 
Somatropina2 
G – Sistema 
genitourinário 
 
- 02 
Estriol1, 
Estrogênios 
conjugados1 
02 
Estriol1 
Estrogênios 
conjugados1, 
 
02 
Estriol1, 
Estrogênios 
conjugados1 
R – Sistema 
respiratório 
 
02 
Dexclorfeniramina, 
Prometazina 
02 
Dexclorfeniramina1, 
Prometazina1 
 
02 
Dexclorfeniramina1, 
Prometazina1 
03 
Dexclorfeniramina1, 
Prometazina1 
Codeína 1 
A – Aparelho 
digestório e 
metabolismo 
 
 
- 
03 
Glibenclamida1, 
Metoclopramida1, 
Omeprazol1, 
 
04 
Atropina1, 
Glibenclamida1, 
Metoclopramida1, 
Omeprazol1 
03 
Glibenclamida1 
Metoclopramida1 
Omeprazol1 
 
Demais grupos 03 
Sulfato ferroso* 
Nitrofurantoína, 
Óleo Mineral 
05 
Ácido 
acetilsalicílico1*, 
Ibuprofeno1, 
Naproxeno2, 
Nitrofurantoína1, 
Óleo mineral1 
05 
Ácido 
acetilsalicílico1* 
Ibuprofeno1, 
Naproxeno2, 
Nitrofurantoína1 
Óleo mineral1 
05 
Ácido 
acetilsalicílico1* 
Ibuprofeno1, 
Naproxeno2, 
Nitrofuranoína1 
Óleo mineral1 
Total 13 29 35 49 
Fonte: Dados da pesquisa, 2020. 
1 – medicamento pertencente ao Componente Básico da Assistência Farmacêutica; 
2 – medicamento pertencente ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica; 
3 – medicamento pertencente aos demais componente da Assistência Farmacêutica (estratégico, hospitalar). 
* - medicamentos que devem ser evitados acima de determinadas doses ou período de uso. 
 
A partir das prescrições dos idosos foram identificados 1449 medicamentos prescritos, 
dos quais 91,6% estavam elencados na RENAME 2020 e 19,3% (279) foram classificados 
como MPI. Destes, 73,5% (205) estão presentes na lista nacional e a maioria tem atuação no 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 57 
 
Sistema Nervoso Central e Trato alimentar e metabolismo. As alternativas terapêuticas 
disponibilizadas na RENAME para esses medicamentos estão apresentadas na tabela 2. 
 
Tabela 2. Medicamentos potencialmente inapropriados prescritos para idosos prescritos na Atenção Primária à Saúde presentes 
na RENAME (2020) e suas possíveis alternativas farmacológicas. 
ATC/ Medicamento n % 
Alternativa terapêutica 
na RENAME e LME 
N – Sistema Nervoso 83 40,5 
N05B – Ansiolíticos (Diazepam, Clobazam) 31 15,1 Não 
N06A – Psicoanalépticos (Amitriptilina, Nortriptilina) 31 15,1 Fluoxetina* 
N05A – Psicolépticos (Haloperidol, Clorpromazina,Risperidona, Carbonato de lítio, Quetiapina) 
09 4,4 Não 
N03A – Antiepilépticos (Fenobarbital, Valproato de sódio) 12 5,9 Fenitoína*, 
Carbamazepina*, 
Oxcarbamazepina* 
A – Trato alimentar e metabolismo 52 25,3 
A02B – Drogas para úlcera péptica e refluxo gastroesofágico 
(Omeprazol) 
29 
14,1 Não 
A10B – Drogas redutoras de glicose no sangue 
(Glibenclamida) 
23 11,2 Gliclazida, Metformina 
C – Sistema Cardiovascular 48 23,4 
C03C – Diuréticos de alça (Furosemida) 28 13,7 Não 
C01A – Glicosídios cardíacos (Digoxina) 7 3,4 Não 
C01B – Antiarrítmicos, classes I e III (Amiodarona) 5 2,4 Não 
C02A – Agentes antiadrenérgicos de ação central (Metildopa) 4 2,0 Não 
C08C – Bloqueadores de canal de cálcio com efeito vascular 
princiapal (Nifedipino) 
C02C - Doxazosina 
3 
 
01 
1,5 
 
0,5 
Anlodipino 
 
Não 
M – Sistema musculoesquelético 
M01A – Produtos antiinflamatórios e anti-reumáticos não 
esteróides (Ibuprofeno) 
 
08 
 
3,9 
 
Paracetamol 
R – Sistema Respiratório 07 3,4 
R06A – Antihistamínicos de uso sistêmico (Prometazina, 
Dexclorfeniramina) 
R01A – Descongestionantes e outras preparações nasais de 
origem tópica (Budesonida) 
06 
 
01 
2,9 
 
0,5 
Loratadina 
 
Não 
H – Preparados hormonais sintéticos 
H02A – Corticosteróides de uso sistêmico (Prednisolona, 
Prednisona, Dexametasona, Betametasona) 
 
07 
 
3,4 
 
Não 
Total 205 100,0 
*Medicamentos considerados MPI dependendo de condições clínicas de idosos, como histórico de quedas/ fraturas. 
Fonte: Dados da pesquisa, 2020. 
 
Para os MPI prescritos fora do elenco nacional, buscou-se opções seguras presentes na 
RENAME: apenas Etossuximida e Levetiracetam (escolhas para o Clonazepam) não estavam 
relacionados no CBMPI (tabela 3). 
 
Tabela 3. Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos prescritos na Atenção Primária à Saúde fora da RENAME 
(2020) e suas possíveis alternativas terapêuticas disponibilizadas na lista nacional. 
Medicamento n % 
Alternativas na 
RENAME 
N – Sistema Nervoso Central 61 85,0 
N03A – Antiepilépticos (Clonazepam*) 
49 66,2 
Etossuximidaª, 
Levetiracetamª, Valproato 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 58 
 
de sódio, Carbamazepina, 
Fenitoína, Fenobarbital, 
Gabapentina, 
Lamotrigina, Primidona, 
Topiramato, Vigabatrina 
N05A – Psicolépticos (Alprazolam, 
Bromazepam, Clordiazepóxido, 
Levomepromazina) 
10 15,0 Clorpromazina, 
Ziprasidona, Haloperidol, 
Quetiapina, Olanzapina, 
Risperidona, Carbonato 
de lítio 
N06A – Psicoanalépticos (Escitalopram, 
Venlafaxina) 
2 2,8 Fluoxetinab, Amitriptilina, 
Bupropiona, 
Clomipramina, 
Nortriptilina 
M – Sistema Musculoesquelético 8 10,9 
M01A – Produtos antiinflamatórios e anti-
reumáticos não esteróides (Indometacina, 
Piroxicam, Diclofenaco e associações) 
5 6,8 Ibuprofeno, Naproxeno 
M03B – Relaxantes musculares, agentes de 
ação central (Ciclobenzaprina) 
3 4,1 Não 
A – Trato alimentar e metabolismo 
A02B - Drogas para úlcera péptica e refluxo 
gastroesofágico (Pantoprazol) 
3 4,1 Omeprazol 
C – Sistema Cardiovascular 
C02A – Agentes antiadrenérgicos de ação 
central (Clonidina) 
 
2 
 
2,8 
Metildopa 
Total 74 100,0 
*Medicamento prescrito na forma farmacêutica distinta à presente na RENAME. 
a – medicamento não classificado como MPI no CBMPI 
b – medicamento classificado como MPI dependente da condição clínica do idoso 
 
 
Discussão 
 
O estudo possibilitou evidenciar que, nas edições analisadas da RENAME, houve um 
aumento na presença de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI), 
especialmente de medicamentos que atuam no Sistema Nervoso Central (SNC) e que compõem 
o CBAF. Verificou-se uma elevada conformidade entre os medicamentos prescritos na APS e 
a lista nacional, inclusive dos MPI, e ao analisar alternativas farmacológicas para esses 
medicamentos, observaram-se poucas opções mais seguras na RENAME para uso por idosos. 
Diante das inovações tecnológicas e das pressões do mercado farmacêutico, a seleção 
de medicamentos essenciais tem sofrido mudanças no decorrer do tempo, principalmente no 
que se refere à custo e prioridade22. No Brasil, desde a PNM até 2012, a RENAME comungava 
da definição da OMS, buscando garantir a integralidade da assistência terapêutica atrelado ao 
conceito de essencialidade23. De acordo com Bermudez et al.23, esse conceito implica em ações 
regulatórias como restrições de registro de medicamentos de valor terapêutico duvidoso, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 59 
 
capacitação de profissionais prescritores e monitoramento do uso. Porém, diante da 
flexibilização para o registro de medicamentos, pressões por inovação e do mercado, da 
dificuldade de acesso na obtenção de medicamentos especializados e da crescente 
judicialização de medicamentos, houve um deslocamento do conceito de essencialidade para a 
incorporação de medicamentos em que a RENAME passou a corresponder à lista de 
medicamentos que devem ser ofertados pelo SUS, atendendo a questões de gestão3,23, 
resultando em um significativo aumento do número de medicamentos na lista nacional3, o que 
pode ter contribuído para o incremento de MPI, principalmente no Componente Especializado 
da Assistência Farmacêutica. 
Observou-se também um aumento de MPI que não estão incluídos na LME. Refletindo 
uma tendência mundial, a lista modelo da Organização Mundial de Saúde (OMS) tem 
apresentado algumas contradições na sua construção no decorrer das edições, aumentando o 
número de itens selecionados e incluindo medicamentos caros e/ou de menor prevalência22. No 
entanto, ao considerar a prevalência de doenças, dados sólidos e adequados sobre critérios de 
seleção, a LME corresponde às melhores opções a seguir na elaboração do elenco de 
medicamentos essenciais nos países22. 
Outros estudos que identificaram a presença de MPI em listas de medicamentos 
essenciais também verificaram significativa prevalência23,24. A RENAME deve ser utilizada 
como instrumento norteador para a elaboração de listas de medicamentos em âmbitos estadual, 
municipal e nos serviços de saúde, cabendo aos gestores incluir medicamentos em cada nível 
de atenção à saúde2, que pode favorecer disponibilização de MPI para a Assistência 
Farmacêutica no Sistema Único de Saúde (SUS). 
O Componente Básico da Assistência Farmacêutica (CBAF) abrange os medicamentos 
destinados a tratamento de agravos prevalentes, principalmente, no âmbito da Atenção Primária 
à Saúde7, considerada como porta de entrada para a atenção ao idoso26, porém foi o componente 
que apresentou maior número de MPI. Ao analisar as prescrições para idosos oriundas da APS, 
evidenciou-se grande conformidade com a RENAME, o que pode decorrer da prescrição dos 
medicamentos de acordo com a disponibilidade nas farmácias27. É considerado um aspecto 
positivo pois ao prescrever o que está elencado na RENAME, o profissional de saúde contribui 
para o acesso a medicamentos pelos idosos usuários do SUS e para o controle e tratamento das 
doenças, além de evitar processos judiciais27. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 60 
 
Contudo, também verificou-se uma elevada prescrição de MPI na APS consonante com 
a RENAME, o que deve constituir um alerta, tendo em vista que estudos identificaram que 
visitas a emergências e admissão hospitalar de idosos com uso de pelo menos um MPI é 
frequente, favorecendo internação, exposição dos idosos ao uso de mais medicamentos e 
aumento dos gastos com saúde11,12,13,. A classificação por grupos farmacológicos dos MPI 
reflete que os mais disponibilizados pela RENAME também são os mais utilizados nos estudos 
de prevalência28,29 e nos nossos achados na APS. No entanto, forampoucas as opções mais 
seguras elencados na RENAME para os MPI prescritos. 
Destacaram-se os MPI que atuam no SNC. Estes medicamentos apresentam moderada 
a alta qualidade de evidência científica e forte recomendação para serem evitados independente 
da condição clínica do idoso e são associados a sedação, déficit cognitivo, alto risco de 
dependência, riscos de quedas e aumento de hospitalizações por idosos10,12,. Nesse grupo, os 
benzodiazepínicos têm grande relevância em virtude de seu elevado uso por idosos e a ausência 
de opções não MPI na RENAME. Frequentemente usados para transtornos de ansiedade e 
insônia, os idosos apresentam uma sensibilidade aumentada e diminuição do metabolismo 
desses medicamentos12. Assim, recomenda-se a utilização de dose inferior à adulta, higiene do 
sono11,12 e como alternativa para racionalizar a utilização de benzodiazepínicos e evitar os 
prejuízos causados, alguns trabalhos tem relatado o sucesso da prática de desprescrição, que 
consiste no processo sistemático de identificação e descontinuidade de medicamentos com 
prejuízos existentes ou potenciais superiores aos benefícios30. 
Entre os antidepressivos, diretrizes clínicas tem apontado os inibidores seletivos da 
recaptação da serotonina (ISRS) como primeira opção terapêutica11,12, sendo disponibilizada na 
RENAME 2020 apenas a fluoxetina, a qual não é considerada MPI independente da condição 
clínica, porém deve ser evitada em idosos com histórico de quedas e fraturas12. Seria 
interessante considerar a inclusão de outras opções de antidepressivos na RENAME de forma 
a possibilitar abordar as diferenças de respostas terapêuticas nesse grupo etário bastante 
heterogêneo. 
A presença de MPI na RENAME pode não ser determinante para sua utilização, caso 
sejam observadas as opções terapêuticas mais seguras disponíveis. Por exemplo, a 
Glibenclamida, prevalente na APS e indicada para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2, 
apresenta risco aumentado de hipoglicemia severa, tendo como opções terapêuticas mais 
seguras a Gliclazida e a Metformina11,12. O Nifedipino de liberação rápida apresenta potencial 
para hipotensão e isquemia miocárdica, existindo como alternativas mais seguras, o Anlodipino 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 61 
 
ou outras classes de anti-hipertensivos11,12. Os anti-histamínicos prescritos, Prometazina e 
Dexclorfeniramina, apresentam risco de sedação e efeitos anticolinérgicos e como alternativa a 
RENAME disponibiliza a Loratadina, que não apresenta efeitos sedativos11,12. 
Reforça-se que os MPI relacionados devem ter sua prescrição evitada 
independentemente da condição clínica do idoso ou utilização de alternativas não 
farmacológicas e, quando da real necessidade, é preciso monitorar e acompanhar o possível 
surgimento e a gravidade de reações adversas11,12. Embora existam vários aspectos que 
influenciam na prescrição de MPI, como o marketing da indústria farmacêutica, aspectos 
culturais do uso de medicamentos pela população4, salienta-se a importância da formação e 
capacitação dos profissionais de saúde voltada para o conhecimento acerca da utilização de 
MPI por idosos, desde a existência dos critérios de identificação desses medicamentos para a 
prescrição adequada e monitoramento de reações adversas até o conhecimento das opções 
terapêuticas mais seguras disponíveis no SUS. 
É preciso pontuar também, que a RENAME deveria ser acompanhada pelo Formulário 
Terapêutico Nacional (FTN)5,6 que é uma extensão da lista de medicamentos essenciais e possui 
informações científicas baseadas em evidências e poderia incluir informações sobre uso de 
medicamentos por idosos2. Porém, a última edição do FTN foi em 2010 e ainda não houve 
publicação resultante da nova forma de elaboração da RENAME, apenas em mídias digitais. 
As listas com critérios de MPI tem como intenção contribuir para a seleção de 
medicamentos, educação de clínicos e pacientes, reduzir eventos adversos a medicamentos e 
servir de ferramenta para avaliar a qualidade do cuidado, custo e padrão de uso de 
medicamentos por idosos11,12. Trata-se de uma lista de alerta que não julga as decisões clínicas 
e políticas, porém deve ser utilizada para tomada de decisão do uso e para melhorar o cuidado 
ao idoso11,12. 
Apesar da RENAME ser uma lista de medicamentos destinada à toda população 
brasileira, o envelhecimento é uma realidade crescente no país e os idosos constituem um dos 
principais grupos usuários de medicamentos do SUS e dos serviços de saúde10,30. Pelo seu papel 
como eixo estruturante da Política Nacional de Medicamentos (PNM) e instrumento 
racionalizador da Assistência Farmacêutica, a RENAME torna-se importante elemento para a 
qualificação dos serviços e ações da Assistência Farmacêutica voltadas para os idosos. 
Entre as limitações do estudo destaca-se a utilização de um instrumento norte americano 
(Critérios AGS/Beers) para analisar os elencos nacionais, podendo haver diferença na 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 62 
 
disponibilidade de medicamentos no mercado brasileiro e a não utilização da lista municipal de 
medicamentos, por dificuldade de acesso à mesma. 
 
Conclusões 
 
O presente estudo refletiu sobre a mudança na elaboração da RENAME e o aumento do 
número de MPI disponíveis para idosos e explicitou a carência de alternativas terapêuticas para 
os MPI prevalentes na APS. Considera-se fundamental a formação profissional sobre o uso de 
medicamentos por idosos e a capacitação permanente dos profissionais de saúde sobre os 
instrumentos para identificação, avaliação e redução dos MPI. Diante do envelhecimento 
populacional, é preciso que os gestores e formuladores das políticas considerem esse processo 
e elaborem estratégias, como a incorporação de alternativas terapêuticas seguras e publicação 
de um FTN, a fim de reduzir riscos evitáveis e assim, qualificar a utilização de medicamentos 
por idosos. 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 63 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 65 
 
30. Scott LA, Hilmer SN, Reeve E, Potter K, Couteur DL, Rigby D, et al. Reducing 
inappropriate polypharmacy: the process of deprescribing. JAMA Internal Medicine 
2015;E1-8. 
 
 
5.2 PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE 
INAPROPRIADOS PARA IDOSOS: UM ESTUDO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA 
À SAÚDE 
 
Prescription of potentially inappropriate medications for the elderly: a study in 
Primary Health Care 
 
 
RESUMO 
Os idosos são vulneráveis aos riscos do uso de medicamentos, principalmente daqueles 
considerados potencialmente inapropriados (MPI) em que os riscos superam os benefícios. O 
estudo buscou avaliar os MPI prescritos na Atenção Primária à Saúde (APS) e seus fatores 
associados. Realizou-se um estudo transversal, analítico, de março a dezembro de 2019, na APS 
em Campina Grande, PB, através de entrevistas com 458 idosos. As variáveis independentes 
abrangeram características socioeconômicas, condição de saúde e utilização de medicamentos 
e o desfecho foi medicamento classificado como MPI pelo Consenso Brasileiro de 
Medicamentos Potencialmente Inapropriados. Verificou-se a prescrição de pelo menos um MPI 
para 44,8% dos idosos e a maioria de atuação no Sistema Nervoso Central (54,4%). No modelo 
ajustado, depressão (RP=2,01; IC95% 1,59-2,55), utilizar outros medicamentos além dos 
prescritos (RP=1,36; IC95% 1,08-1,72) e polifarmácia (RP=1,80; IC95% 1,40-2,33) 
permaneceram como fator associado e autorreferir ser portador de hipertensão arterial sistêmica 
tornou-se fator de proteção (RP=0,65; IC95% 0,49-0,87). Evidencia-se necessidade de ações 
que qualifiquem o uso de medicamentos por idosos, de modo a garantir acesso aliado à 
segurança. 
Palavras-chave: Saúde do Idoso. Lista de Medicamentos Potencialmente Inapropriados. Prescrições 
de Medicamentos. Atenção Primária à Saúde. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 66 
 
 
ABSTRACT 
Elderly are vulnerable to the risks of using medications, especially those considered potentially 
inappropriate (PIM) where the risks outweigh the benefits. The study sought to evaluate the 
MPI prescribed in Primary Health Care (PHC) and its associated factors. A cross-sectional, 
analytical study was carried out from March to December 2019 at the PHC in Campina Grande, 
PB, through interviews with 458 elderly. The independent variables covered socioeconomic 
characteristics, health condition and use of medications and the outcome was a medication 
classified as PIM by the Brazilian Consensus on Potentially Inappropriate Medicines. There 
was a prescription of at least one PIM for 44.8% of the elderly and the majority working in the 
Central Nervous System (54.4%). In the adjusted model, depression (PR = 2.01; 95% CI 1.59-
2.55), using other medications in addition to those prescribed(PR = 1.36; 95% CI 1.08-1.72) 
and polypharmacy (PR = 1.80; 95% CI 1.40-2.33) remained as an associated factor and self-
reporting having systemic arterial hypertension became a protective factor (PR = 0.65; 95% CI 
0.49-0.87). There is a need for actions that qualify the use of medicines by the elderly, in order 
to guarantee access combined with safety. 
Keywords: Health of the Elderly. Potentially Inappropriate Medications List. Drug 
Prescriptions. Primary Health Care. 
 
Introdução 
As mudanças demográficas e epidemiológicas do século XX, em que houve 
diminuição da natalidade e aumento da longevidade devido a transformações sociais e ao 
desenvolvimento científico, possibilitou o envelhecimento populacional. No Brasil, esse 
processo tem ocorrido de maneira crescente e acelerada de tal forma que em 2050 os idosos 
constituirão um terço da população, o que demanda políticas públicas, ações de proteção e 
cuidados específicos para idosos. Na assistência à saúde, ocorre uma exigência crescente por 
mais recursos, atendimento especializado, principalmente de média e alta complexidade1. 
Com as alterações fisiológicas próprias da idade e o desenvolvimento de doenças 
crônicas não transmissíveis, há uma necessidade de uso contínuo de medicamentos, principal 
recurso terapêutico para tratamento e controle dessas enfermidades2. O processo de senescência 
do organismo altera as respostas farmacocinéticas e farmacodinâmicas aos medicamentos, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 67 
 
podendo ocorrer a potencialização do efeito e de reações adversas, o que faz com que a 
segurança da utilização de medicamentos ganhe relevância no cuidado à Saúde do Idoso, 
destacando-se o consumo daqueles considerados inadequados3. 
Os Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos (MPI) são fármacos em 
que os riscos superam os benefícios de sua utilização quando há opções terapêuticas com 
evidência científica equivalente mais segura3. Estão fortemente relacionados a desfechos em 
saúde desfavoráveis, como reações adversas a medicamentos (delirium, sedação, hemorragias 
gastrintestinais, quedas, fraturas), internação hospitalar e maior morbimortalidade entre os 
idosos4. 
A identificação desses medicamentos é uma importante estratégia para a prevenção de 
problemas de saúde adicionais entre idosos, para reduzir reações adversas, problemas 
relacionados a medicamentos e essencial para a manutenção de sua qualidade de vida3. Vários 
países desenvolveram seus critérios baseando-se na sua realidade e mercado farmacêutico. Em 
2016, foi publicado o Consenso Brasileiro de Medicamentos potencialmente inapropriados 
(CBMPI) para idosos, a partir da validação utilizando método Delphi do conteúdo dos Critérios 
AGS/Beers (2012) e do STOPP (Screening Tool of Older Persons’ Potentially Inappropriate 
Prescriptions) (2006), as mais utilizadas no mundo6. 
A partir do uso dos critérios para identificação de MPI, estudos epidemiológicos 
confirmam uma elevada prevalência de MPI e grande variedade em diferentes contextos de 
atenção à saúde: até 84,5% em cuidados agudos/ intensivos (acute care), até 70% nos idosos 
institucionalizados e até 62,4% em idosos com polifarmácia não institucionalizados6. 
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) é 
elemento coordenador das redes de atenção e responsável pelo desenvolvimento de ações no 
âmbito individual e coletivo, que abrangem desde a promoção e proteção à reabilitação e 
manutenção da saúde, realizado por meio do cuidado integrado, com equipe multiprofissiona7,8 
A partir de 2006 com o Pacto pela Vida (2006)9e a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa 
(PNSPI)10, a Saúde do Idoso passou a ser uma das prioridades, sendo a APS definida como 
porta de entrada para a atenção integral e a Assistência Farmacêutica como uma das ações 
estratégicas para a qualificação da dispensação e do acesso a medicamentos pela população 
idosa9,10 . 
Em revisão sistemática de estudos realizados na Atenção Primária à Saúde, Opondo e 
colaboradores11 encontraram uma média de 20,5% na prevalência de MPI. Em pesquisa de 
âmbito nacional, Nascimento e colaboradores4 identificaram que 93,0% dos idosos brasileiros 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 68 
 
faziam uso de pelo menos um medicamento e 18,1% consumiam cinco ou mais. Na APS, 
estudos nacionais apontam uma variação de prevalência de 21,6% a 53,7% na utilização de MPI 
1,12,13. 
No Brasil, os estudos que abordam a utilização de medicamentos por idosos são em 
sua maioria de base populacional, sendo escassos aqueles realizados a partir do levantamento 
de prescrições na APS. Assim, diante da importância que o uso de medicamentos possui no 
cotidiano dos idosos e considerando que a APS tem grande importância no cuidado à saúde 
dessa população, o presente estudo teve como objetivo avaliar a utilização de Medicamentos 
Potencialmente Inapropriados para idosos na Atenção Primária à Saúde e seus fatores 
associados. 
 
Métodos 
Foi realizada uma pesquisa de corte transversal, analítica, no período de março a 
dezembro de 2019, na Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Campina Grande, na 
Paraíba, Nordeste brasileiro. Localizada no Agreste Paraibano, a cidade é sede do 3º Núcleo 
Regional de Saúde (NRS) do estado da Paraíba, considerada uma macrorregional por ser 
referência de serviços de saúde para outras cidades e ainda para o interior de Pernambuco e Rio 
Grande do Norte14. Campina Grande foi um dos primeiros municípios a adotar a 
descentralização dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS) e ainda uma das pioneiras a 
implantar o Programa Saúde da Família (PSF) em 199415. O município apresentava uma 
estimativa populacional de 410.332 habitantes, dos quais 43.390 eram pessoas acima de 60 
anos16. A cobertura da Atenção Primária era de 87,73% da população estimada, dividida em 10 
distritos sanitários, com 85 estabelecimentos de saúde, sendo 76 Unidades Básicas de Saúde 
(UBS), das quais 07 unidades básicas localizadas na Zona Rural e as demais na Zona Urbana. 
A APS contava ainda com 107 Equipes de Saúde da Família, 52 Equipes de Saúde Bucal e 09 
Núcleos Ampliados de Saúde da Família – Atenção Básica (NASF-AB)17. 
 A população alvo deste estudo foi constituída por idosos, indivíduos com 60 anos ou 
mais, atendidos nas UBS tanto da zona urbana quanto da zona rural do município. Para o cálculo 
do tamanho amostral foi considerada a população como de referência 43.390 idosos, 
prevalência estimada de 50% para a variável dependente (utilização de medicamentos 
potencialmente inapropriados para idosos – MPI), nível de 95% de confiança, erro de 5%, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 69 
 
acrescentando uma perda de 20%, totalizando assim 458 idosos. Das 76 UBS do município, 
cinco não dispunham de serviços de dispensação de medicamentos e foram excluídas. 
A amostra total foi estratificada entre as UBS restantes de forma proporcional ao 
quantitativo da população idosa cadastrada por unidade de saúde. Os participantes da pesquisa 
foram selecionados consecutivamente por conveniência no momento da obtenção dos 
medicamentos prescritos na farmácia da UBS. A fim de evitar viés de seleção, foram sorteados 
os dias da semana a serem visitados nas unidades e cada uma era visitada pelo entrevistador até 
atingir a quantidade de idosos definida para cada UBS na amostragem, evitando-se dessa forma 
perdas. 
Realizou-se um estudo piloto em 10 UBS, uma por distrito sanitário, a fim de avaliar o 
instrumento e o tempo de coleta de dados e a viabilidade da pesquisa. Foi aplicado um 
questionário semiestruturado com idosos (idade igual ou superior a 60 anos) ou seuresponsável 
que buscavam o serviço de saúde e, que no momento da entrevista, portavam documento com 
registro dos medicamentos utilizados pelo idoso (prescrição médica, cartão do usuário do SUS 
ou a caderneta de Saúde do Idoso). 
As variáveis independentes foram: a) características demográficas e socioeconômicas - 
sexo (masculino e feminino), faixa etária (60 a 69 anos, 70 a 79anos, acima de 80 anos), cor 
(branca, negra e parda), situação conjugal (com companheiro e sem companheiro), renda 
mensal (inferior a um salário mínimo, um salário mínimo e acima de um salário mínimo, 
considerando o valor de R$998 (2019)) e anos de estudo (0 a 4 anos, 5 a 8 anos, 9 a 11 anos e 
acima de 12 anos); b) condições de saúde - doenças crônicas autorreferidas (Hipertensão arterial 
sistêmica, diabetes mellitus, artrite/ artrose, depressão e colesterol alto, conforme a Pesquisa 
Nacional de Acesso e Utilização de Medicamentos – PNAUM)4 e autopercepção de saúde 
(muito boa/boa, regular, ruim/muito ruim); c) utilização de medicamentos - nome e posologia 
do medicamento prescrito, uso de outros medicamentos além dos prescritos, local de aquisição 
dos medicamentos quando há desabastecimento na UBS e a ocorrência de polifarmácia 
(considerada como o uso de 5 ou mais medicamentos). 
A variável dependente foi o medicamento classificado como potencialmente 
inapropriado para idoso (MPI) independente da condição clínica, conforme Consenso Brasileiro 
de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos (CBMPI), que é formado por 118 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 70 
 
critérios, dos quais 43 devem ser evitados independentes de condição clínica do idoso e 75 
dependentes de determinadas condições de saúde5. 
Cada medicamento analisado também foi classificado de acordo com Anatomical 
Therapeutic Chemical classification system (ATC), recomendada pela OMS, nos níveis 1 
(grupo anatômico) e 2 (subgrupo terapêutico) e se era selecionado na Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais (RENAME) edição 201818. 
As unidades de análise foram os idosos e os medicamentos. Para análise dos dados foi 
utilizado o SPSS (Statistical Package for Social Science) versão 22.0. Os resultados foram 
analisados, inicialmente, por meio da análise descritiva. A diferença entre os grupos foi avaliada 
pelo teste qui-quadrado, considerando como nível de significância p <0,05. As variáveis que se 
associaram ao uso de medicamentos potencialmente inadequados com p < 0,20 foram incluídas 
no modelo multivariado. Foi realizada a Regressão de Poisson e, no modelo final, foram 
mantidas as variáveis que se associaram à variável resposta com valor de p < 0,05. 
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário 
Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CEP/HUOL/UFRN) (Parecer 
3.130.100/2019). Os participantes ou responsáveis foram orientados quanto aos objetivos da 
pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, tendo sido garantida a 
confidencialidade. 
 
 
Resultados 
 
A amostra foi composta por 458 idosos, sendo a maioria do sexo feminino (69,0%), com 
uma média de idade de 70,3 anos (± 7,96). Houve predomínio da faixa etária entre 60 e 69 anos 
(48,9%), a situação conjugal com companheiro (50,7%) e a cor parda autodeclarada (62,7%). 
A maioria dos idosos afirmou possuir uma renda mensal de um salário mínimo (72,1%) e 0 a 4 
anos de estudo (75,3%). Em relação às condições de saúde, 42,1% consideraram seu estado de 
saúde regular e 61,8% relataram nenhuma ou apenas uma morbidade, sendo a mais prevalente 
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (37,1%), seguida de diabetes mellitus (18,7%) e artrite 
(8,0%) (tabela 1). 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 71 
 
Foram prescritos 1.449 medicamentos, totalizando uma média de 3,18 (± 1,84) 
medicamento por idoso. Observou-se que 44,8% dos idosos apresentaram pelo menos 01 
medicamento potencialmente inapropriado prescrito. A maioria das receitas médicas contava 
com 2 medicamentos (23,4%) e a polifarmácia ocorreu em 21,4% dos casos. Quando 
questionados sobre onde adquirem seus medicamentos em caso de desabastecimento na 
farmácia da UBS, 58,8% dos idosos relataram procurar as farmácias comunitárias privadas e 
36,0% o Programa Aqui Tem Farmácia Popular. Sobre a utilização de medicamentos além dos 
prescritos, 52,2% negaram fazer uso de outros (tabela 1). Dos medicamentos prescritos, 91,6% 
faziam parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). 
A classe farmacológica mais prescrita foi a dos medicamentos que atuam no Sistema 
Cardiovascular (55,6%), com destaque para hidroclorotiazida e losartana; Trato Alimentar e 
Metabolismo (17,4%), com predominância de metformina e insulina NPH; e Sistema Nervoso 
Central (13,3%), cujo medicamento mais prescrito foi o clonazepam (tabela 2). 
Dos medicamentos prescritos, 19,3% (279) foram considerados MPI, dos quais 54,4% 
(152) tem ação no sistema nervoso central (SNC) e 20,1% (62) no trato alimentar e 
metabolismo, representados pelo Clonazepam (21,9%) e Omeprazol (10,4%), respectivamente 
(tabela 2). 
A tabela 3 mostra as prevalências na análise bruta e ajustada dos fatores associados ao 
uso de MPI. Na análise univariada, sexo, cor e ser portador de hipertensão arterial sistêmica 
(HAS) não apresentaram significância estatística. No modelo ajustado, depressão (RP=2,06; 
IC95% 1,62-2,62), utilizar outros medicamentos além dos prescritos (RP=1,38; IC95% 1,08-
1,74) e polifarmácia (RP=1,79; IC95% 1,38-2,32) permaneceram como fator associado ao uso 
de MPI, entretanto autorreferir ser portador de hipertensão arterial sistêmica tornou-se fator de 
proteção (RP=0,65; IC95% 0,49-0,87). 
 
Discussão 
No nosso estudo, com o diferencial de analisar a prevalência de medicamentos 
potencialmente inapropriados para idosos prescritos na Atenção Primária à Saúde em um 
município de porte médio no interior do Nordeste, foi observada uma elevada prevalência das 
prescrições que apresentaram pelo menos um MPI e os fatores associados ao uso foram idoso 
com diagnóstico autorreferido de depressão, afirmar utilizar outros medicamentos além dos 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 72 
 
prescritos e polifarmácia, enquanto ser portador de hipertensão arterial sistêmica foi fator de 
proteção. 
A elevada prevalência do uso de MPI foi próxima à do estudo realizado na Atenção 
Primária à Saúde (APS) em Belo Horizonte2, o qual também utilizou o Consenso Brasileiro de 
Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos (CBMPI). Outros estudos, realizados 
na APS, identificaram uma prevalência de MPI inferior, porém utilizaram outros instrumentos, 
como Critério AGS/Beers ou STOPP em diferentes edições12,13. Em revisão sistemática com 
meta-análise, Santos e colaboradores19 identificaram uma grande heterogeneidade entre os 
estudos transversais que analisam MPI no que se refere à seleção e estratificação da amostra, 
aos cenários de prática, à coleta de dados e validação de instrumentos e critérios de MPI, o que 
dificulta a comparação dos resultados. 
As características socio demográficas assemelharam-se a da PNAUM20. Diferentemente 
de alguns estudos,21,22,23 na nossa pesquisa não houve permanência da associação estatística 
entre sexo feminino e a utilização de MPI, contudo, não há consenso na literatura sobre esse 
aspecto19 A baixa escolaridade apresentou prevalência superior aos estudos de base 
populacional e realizados na APS 22,23. O predomínio da renda de um salário mínimo deve-se a 
direitos assegurados pela Previdência e Assistência Social, como aposentadoria e ao Benefício 
de Prestação Continuada (BPC). Alerta-se para que cercade 10% dos idosos declararam renda 
inferior ao salário mínimo, o que vai de encontro ao garantido na legislação e pode comprometer 
a qualidade de vida dos idosos24,25. 
A maioria dos idosos referiu buscar as farmácias comunitárias privadas em detrimento 
do Programa Aqui Tem Farmácia Popular em caso de desabastecimento nas farmácias do SUS. 
Além de favorecer o abandono do tratamento e comprometer o estado de saúde, este fato pode 
ter impacto no orçamento familiar, tendo em vista que a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 
2017-18 descreveu que 71,2% dos gastos com saúde das famílias com renda até R$1908,00 
foram com medicamentos26, o que inclui a renda da maioria dos participantes da pesquisa e 
reforça, portanto, a importância da regularidade do abastecimento de medicamentos do 
componente básico da Assistência Farmacêutica (CBAF) no SUS. Ademais, esse resultado 
também explicita o papel das farmácias comunitárias privadas como serviço complementar de 
saúde e da importância da atuação do profissional farmacêutico no cuidado à Saúde do Idoso. 
A legislação exige a presença do farmacêutico durante todo o horário de funcionamento e a 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 73 
 
prestação de serviços de Assistência Farmacêutica para a promoção, proteção e recuperação da 
saúde, objetivando o acesso e o uso racional de medicamentos27. 
Cerca da metade dos participantes informou fazer uso de medicamentos além dos 
prescritos, o que pode refletir na ocorrência da prática da automedicação e/ou fragmentação do 
cuidado ao idoso. Quando questionados sobre quais medicamentos eram, a maioria não soube 
responder e ainda há a possibilidade de viés de memória para as respostas obtidas. Estudos 
mostram que a automedicação é uma prática frequente entre os idosos. Revisão sistemática 
identificou prevalência entre 20% e 60%28 e em estudo de âmbito nacional, 14,3%, sendo uma 
prática associada à frequência de eventos adversos29. 
Um desafio que se apresenta para a Saúde do Idoso é o cuidado integral, conforme 
preconizado na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI)10, pois diante das 
comorbidades há uma busca por diversas especialidades e, assim, várias prescrições, que podem 
resultar em duplicidade medicamentosa, quando há prescrição de dois fármacos que possuem 
ação farmacológica semelhante, interações medicamentosas prejudiciais, além da possibilidade 
de dificultar a adesão ao tratamento8. Como uma maneira de minimizar a fragmentação do 
cuidado destaca-se a efetiva utilização da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa na APS, por 
possibilitar uma avaliação inicial dos medicamentos inapropriados e das reações adversas 
desenvolvidas. Trata-se de um documento que permanece com o idoso e uma ferramenta que 
permite o registro de todas as informações importantes em contextos clínicos, psicossocial e 
funcional, constituindo-se como elemento fundamental para a comunicação efetiva entre os 
profissionais de saúde nos diferentes níveis de atenção e, portanto, para a qualificação do 
cuidado da pessoa idosa8,30. 
Em nosso estudo, assim como em outros trabalhos realizados na APS2, 13 os idosos 
polimedicados apresentaram maior uso de MPI. É consenso na literatura que a polifarmácia é 
um dos principais problemas de utilização de medicamentos entre idosos, sendo considerado 
um importante fator associado ao uso de MPI, aumento dos custos com medicamentos, 
diminuição da capacidade funcional, além de desenvolvimento de síndromes geriátricas, maior 
frequência de eventos adversos e de internações hospitalares13. 
Em consonância com o perfil epidemiológico nacional e com achados de outros estudos, 
a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus foram predominantes, assim como os 
medicamentos que atuam no tratamento e controle dessas enfermidades,21,22,23 Ser portador de 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 74 
 
HAS mostrou-se como fator de proteção associado ao uso de MPI, o que pode ser explicado 
pelo fato dos medicamentos mais prescritos que atuam no sistema cardiovascular - 
hidroclorotiazida, losartana e sinvastatina - não são considerados MPI. São medicamentos 
prevalentes entre idosos31 e, no tratamento da HAS, devem ser escolhidos em detrimento de 
outros das mesmas classes farmacológicas em virtude de menores efeitos adversos 
(hidroclorotiazida), da redução de morbimortalidade cardiovascular (CV) e renal em indivíduos 
com comorbidades e alto risco CV (losartana)32; e por ser primeira opção no tratamento de 
dislipidemias (sinvastatina)33. Além disso, são disponibilizados pelo CBAF tanto nas farmácias 
do SUS quanto na rede de farmácias integrantes do programa Aqui Tem Farmácia Popular31. 
Autorreferir diagnóstico de depressão se mostrou associado ao uso de MPI, o que pode 
ocorrer em virtude do controle e tratamento dessas doenças serem realizados através de 
medicamentos inadequados para idosos. A depressão que necessita de intervenção 
medicamentosa é encontrada em 10% dos idosos e na maioria apresenta sintomas recorrentes, 
sendo, portanto, recomendado o tratamento na APS, devendo ser escolhidos aqueles 
medicamentos com menor potencial de efeitos adversos e interações medicamentosas, devido 
à fragilidade dos idosos, o uso prolongado, a polifarmácia e as comorbidades34 Em relação aos 
MPI utilizados para transtornos de ansiedade como a depressão, a amitriptilina, principal 
medicamento prescrito no nosso estudo, pertence à classe dos antidepressivos tricíclicos e 
possuem efeito anticolinérgico, sedação e hipotensão ortostática, tendo os inibidores seletivos 
da recaptação da serotonina (ISRS) como primeira escolha e alternativa terapêutica7,35, aliado 
a medidas não farmacológicas como psicoterapia34. 
Semelhante a outros trabalhos12,21, os medicamentos de ação no SNC, com destaque 
para os benzodiazepínicos, foram os principais responsáveis pelas prescrições inadequadas, o 
que mostra sua relevância no contexto da Saúde do Idoso. Esses medicamentos tem efeito 
aumentado entre idosos em virtude da redução do metabolismo e incremento da sensibilidade, 
o que acarreta em riscos elevados de déficit cognitivo, delirium, quedas e fraturas em idosos2. 
Markota e colaboradores36 descreveram diferentes razões para a elevada prescrição dos 
benzodiazepínicos na APS: insuficiente reconhecimento dos eventos adversos, convicção de 
que a relação risco/ benefício favorece esse último, não questionamento da lógica de prescrição 
dos outros profissionais e renovação contínua da receita, ausência de alternativas terapêuticas, 
relação médico-paciente fragilizada, dificuldade de acesso a consultas especializadas com 
psiquiatras e resistência do paciente para uma possível mudança de medicamento. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 75 
 
Tommelein e colaboradores37 desenvolveram o GhePo3S, uma ferramenta com critérios 
explícitos e alternativas terapêuticas voltadas para o uso em farmácias comunitárias com o 
objetivo de detecção de MPI e otimização da terapia a fim de reduzir os prejuízos causados 
pelos MPI. No GhePo3S, em casos de prescrição inicial de benzodiazepínicos (BZD) para 
desordens do sono recomenda-se, primeiramente, a abordagem não farmacológica, como a 
higiene do sono. Como segunda escolha, deve-se utilizar benzodiazepínicos de ação 
intermediária ou drogas Z com metade da dose dos adultos; e em casos de uso de 
benzodiazepínicos acima de 30 dias, recomenda-se a elaboração de um plano de retirada com 
apoio do farmacêutico. Para ansiedade, deve-se considerar a abordagem não farmacológica e 
mudança do benzodiazepínico para inibidor seletivo de recaptação da serotonina (ISRS)37. Na 
Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) (2020)38,para ansiedade, o ISRS 
selecionado é a fluoxetina e para insônia, não há representantes das denominadas drogas Z, o 
que pode configurar uma lacuna nas demandas de tratamento dos idosos diante de sua 
heterogeneidade e variabilidade de resposta terapêutica. 
A OMS recomenda que 70% dos medicamentos prescritos siga a lista nacional de 
medicamentos essenciais39. O nosso achado foi superior ao encontrado nas prescrições para 
idosos na APS em Karawang, Indonésia40. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais 
(RENAME) constitui-se como um importante instrumento para as ações de Assistência 
Farmacêutica no país, sendo recomendado que os medicamentos prescritos no SUS estejam 
presentes na lista nacional a fim de garantir acesso e evitar a judicialização41, . 
Entre os principais MPI prescritos, a furosemida e a glibenclamida possuem alternativas 
terapêuticas mais seguras para idosos na RENAME, enquanto o omeprazol e os 
benzodiazepínicos, já abordados e representados pelo clonazepam e diazepam, não possuem 
opções. No tratamento da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) em idosos, deve-se dá 
preferência aos diuréticos tiazídicos (por exemplo, hidroclorotiazida) que apresentam menores 
efeitos colaterais em relação aos de alça (furosemida), pois em virtude da diurese excessiva 
podem ocorrer desidratação e perda eletrolítica em idosos42. A Glibenclamida pode apresentar 
maior risco de hipoglicemia prolongada e severa em idosos, sendo recomendada dieta e a 
metformina ou qualquer sulfonilureia de curta ação, como a gliclazida35,37. Como proposta de 
segurança para o uso de omeprazol, recomenda-se a sua utilização por um período inferior a 8 
semanas ou redução da dose, de modo a evitar que ocorra perda muscular, demência e 
insuficiência renal com o prolongamento da utilização5. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 76 
 
Nesse contexto, é preciso discutir sobre outros aspectos que podem contribuir para a 
prescrição de MPI para idosos. Há a baixa representatividade de idosos no desenvolvimento de 
estudos clínicos e assim da avaliação da efetividade e segurança dos medicamentos nessa 
população6, agravada por um importante fator que é cultural, de que cada consulta médica “deve 
resultar” na prescrição de medicamentos em detrimento da promoção da saúde e prevenção de 
doenças, o que favorece o uso de vários medicamentos43. Podemos assinalar também que é 
comum o início da utilização de fármacos para controle de DCNT na fase adulta e sua 
continuidade sem a devida avaliação diante das alterações fisiológicas com o processo de 
envelhecimento28 e ainda, existe a denominada ‘cascata iatrogênica’ em que se utiliza um 
medicamento para tratar um efeito adverso causado por outro em uso44. 
Dessa maneira, ressalta-se a importância da formação e a atuação dos profissionais de 
saúde voltada para o uso de MPI por idosos na APS, pois há uma escassez de equipes 
multiprofissionais com conhecimento necessário em envelhecimento e saúde da pessoa idosa30. 
Assim, evidencia-se a necessidade de abordar conteúdos de gerontologia nos currículos dos 
cursos da área de saúde. Já na atuação profissional, destacam-se os prescritores, médicos e 
dentistas, que precisam ter conhecimento sobre as opções terapêuticas seguras disponíveis no 
SUS e dos medicamentos presentes nas listas de identificação de MPI a fim de realizar uma 
prática prescritiva mais adequada para os idosos. Também ressalta-se o papel do Agente 
Comunitário de Saúde (ACS), que a partir das visitas domiciliares e do vínculo com as famílias, 
estejam atentos para relatos sobre quedas, ‘desorientação’ e outras características relacionadas 
aos riscos de MPI. Ademais, torna-se necessária a realização de serviços clínicos farmacêuticos, 
como o acompanhamento farmacoterapêutico e a conciliação medicamentosa a fim de 
qualificar o acesso, prevenir e solucionar possíveis problemas relacionados ao uso de 
medicamentos. Portanto, é importante que cada profissional envolvido no cuidado ao idoso 
esteja em alerta para a identificação de possíveis eventos adversos relacionados aos MPI. 
Assim, o uso de MPI a partir da APS ganha relevância e pode tornar-se um grave 
problema de saúde pública. Meta análise baseada em estudos de coorte realizados na APS 
identificou que o uso de MPI está associado à admissão em emergências, eventos adversos 
relacionados a medicamentos, piora da qualidade de vida e hospitalizações44. Portanto, é 
imprescindível que sejam realizadas intervenções que contribuam para uma maior 
racionalidade e segurança na prescrição de medicamentos para idosos, entre as quais podemos 
citar a capacitação dos profissionais das equipes de saúde, a divulgação das listas de 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 77 
 
identificação de MPI para os prescritores e das opções terapêuticas disponíveis na RENAME, 
a incorporação de medicamentos mais seguros para idosos na lista nacional de medicamentos 
essenciais e também a realização de práticas que reduzam os riscos de MPI, como a 
desprescrição de medicamentos. 
Como ponte forte, nosso estudo problematiza a prescrição de MPI oriunda da APS e 
apresentou alguns aspectos relacionados que necessitam ser aprimorados para qualificar o 
cuidado ao idoso na APS, além disso destaca-se a utilização do CBMPI para identificação dos 
MPI que baseia-se na realidade nacional, não sofrendo, portanto, o viés da diferença de 
regulação e do mercado farmacêutico quando são utilizados instrumentos validados de outros 
países. Entre as limitações, destacamos as que são próprias de estudos transversais como a 
limitação da relação de causalidade entre os fatores associados e o desfecho, assim como viés 
de memória pelo fato dos participantes serem os idosos ou seus responsáveis. Outro aspecto 
limitante do estudo foi uma possível subestimação da prevalência do uso de medicamentos 
pelos idosos por utilizar apenas os registrados no momento da busca à farmácia da unidade 
básica de saúde. 
 
Considerações finais 
O nosso estudo observou uma ampla utilização de medicamentos potencialmente 
inapropriados para idosos atendidos na Atenção Primária, porta de entrada para o cuidado à 
Saúde dos Idosos no sistema de saúde, e identificou fatores associados, o que pode contribuir 
para ações de qualificação da Assistência Farmacêutica prestada aos idosos na Atenção 
Primária. Evidencia-se necessidade de ações que busquem melhorar aspectos importantes, 
como a fragmentação do cuidado e o uso dos benzodiazepínicos. 
Como sugestões propomos a realização de estudos longitudinais que avaliem os riscos 
de eventos adversos a partir do uso de MPI e de pesquisas que avaliem o impacto de 
intervenções que buscam reduzir sua utilização, como o processo de desprescrição e 
implantação de ferramentas que apoiam a prescrição. Nesse sentido, também faz-se apropriada 
a capacitação dos profissionais prescritores para promoção do uso de medicamentos mais 
seguros, além do acompanhamento de idosos a fim de identificar e prevenir os problemas 
causados pela utilização de MPI. 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 78 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 82 
 
Tabela 1. Características demográficas, socioeconômicas, de condições de saúde e da utilização de medicamentos dos idosos 
atendidos na Atenção Primária. Campina Grande, PB, 2019. 
Variável 
n 
 
% 
 
IC 
Uso de MPI 
n % IC 
Sexo (n = 458)* 
Masculino 142 31,0 26,76-35,24 55 38,7 34,24-43,16 
Feminino 316 69,0 64,76-73,24 156 49,4 44,82-53,98 
Faixa Etária (n = 458) 
Entre 60 a 69 anos 224 48,9 44,32-53,48 100 44,6 40,05-49,15 
Entre 70 a 79 anos 179 39,1 34,63-43,57 81 45,3 40,74-49,86 
Acima de 80 anos 55 12,0 9,02-14,98 24 43,6 39,06-48,14 
Situação conjugal (n = 458)* 
Com companheiro 232 50,7 46,12-55,28 90 38,8 34,34-43,26 
Sem companheiro 226 49,3 44,72-53,88 115 50,9 46,32-55,48 
Cor (n = 458)* 
Preta 31 6,8 4,49-9,11 11 35,5 31,12-39,88 
Parda 287 62,7 58,27-67,13 69 49,3 44,72-53,88 
Branca 140 30,6 26,38-34,82 125 43,6 39,06-48,14 
Renda (n = 437) 
Inferior a 1SM* 50 10,9 8,05-13,75 21 42,0 37,48-46,52 
1SM* 330 72,1 67,99-76,21 152 46,1 41,53-50,67 
Acima de 1SM* 57 12,4 9,38-15,42 23 40,4 35,91-44,89 
Anos de estudo (n = 442) 
0 a 4 anos 345 75,3 71,35-79,25 158 45,8 41,24-50,36 
Entre 5 e 8 anos 53 11,6 8,67-14,53 24 45,3 40,74-49,86 
Entre 9 e 11 anos 25 5,5 3,41-7,59 07 28,0 23,89-32,11 
Acima de 12 anos 19 4,1 2,28-5,92 08 42,1 37,58-46,62 
Auto percepção de saúde (n = 356) 
Muito boa/ boa 117 25,5 21,51-29,49 49 41,9 37,38-46,42 
Regular 193 42,1 37,58-46,62 77 39,9 35,42-44,38 
Muito ruim/ ruim 46 10,0 7,25-12,75 27 58,7 54,19-63,21 
Número de morbidades 
Nenhuma ou uma 283 61,8 57,35-66,25 115 40,6 36,10-45,10 
Duas ou mais 160 34,9 30,53-39,27 88 55,0 50,44-59,56 
Doenças autorreferidas 
Hipertensão 295 37,2 32,77-41,63 126 42,7 38,17-47,23 
Diabetes 148 18,7 15,13-22,27 74 48,4 43,82-52,98 
Artrite 65 8,0 5,52-10,48 29 46,0 41,44-50,56 
Depressão 45 5,7 3,58-7,82 44 88,0 85,02-90,98 
Colesterol alto 33 4,1 2,28-5,92 11 35,5 31,12-39,88 
Quando há desabastecimento na UBS, 
onde o idoso adquire os medicamentos? 
(n=514) 
 
Farmácia popular 185 36,0 31,60-40,40 72 38,9 34,44-43,36 
Farmácia privada 302 58,8 54,29-63,31 154 51,0 46,42-55,58 
Outros (Componente especializado, vizinho) 27 5,3 3,25-7,35 13 48,1 43,52-52,68 
O idoso utiliza outros medicamentos além 
dos registrados na prescrição? (n = 458)* 
 
Não 239 52,2 47,63-56,77 84 35,5 31,12-39,88 
Sim 219 47,8 43,23-52,37 121 55,3 50,75-59,85 
Número de medicamentos/ prescrição (n = 
458) 
 
1 89 19,4 15,78-23,02 
131 36,7 32,29-41,11 
2 107 23,4 19,52-27,28 
3 93 20,3 16,62-23,98 
4 71 15,5 12,19-18,81 
Mais de 5 (polifarmácia)* 98 21,4 17,64-25,16 73 74,5 70,51-78,49 
SM = Salário-mínimo; * = p<0,2. 
Fonte: dados da pesquisa, 2019. 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 83 
 
Tabela 2. Distribuição por grupos terapêuticos dos medicamentos mais prescritos na Atenção Primária à Saúde e a prevalência 
dos medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI) e presença na Relação Nacional de Medicamentos 
Essenciais (RENAME). Campina Grande, PB, 2019. 
Grupo terapêutico (ATC)/ medicamento 
(n = 1449) 
n % MPI 
(n=279) 
RENAME 
 n % 
C – Sistema Cardiovascular 811 55,9 47 16,8 
Hidroclorotiazida 167 11,6 - - Sim 
Losartana 130 9,0 - - Sim 
Sinvastatina 123 8,5 - - Sim 
Enalapril 87 6,0 - - Sim 
Anlodipino 80 5,5 - - Sim 
Atenolol 46 3,2 - - Sim 
Captopril 36 2,5 - - Sim 
Furosemida 28 1,9 28 10,0 Sim 
Demais 114 7,8 19 6,8 
A – Trato alimentar e metabolismo 252 17,4 62 20,1 
Metformina 137 9,5 - - Sim 
Insulina NPH 34 2,3 - - Sim 
Omeprazol 29 2,0 29 10,4 Sim 
Glibenclamida 23 1,6 23 8,2 Sim 
Demais 29 2,0 10 1,5 
N – Sistema Nervoso Central 193 13,3 152 54,4 
Clonazepam 49 3,4 49 17,6 Não* 
Diazepam 30 2,1 30 10,8 Sim 
Amitriptilina 27 1,8 27 9,7 Sim 
Fluoxetina 14 1,0 - - Sim 
Fenobarbital 10 0,7 10 3,6 Sim 
Carbamazepina 09 0,6 - - Sim 
Levomepromazina 04 0,3 04 1,4 Não 
Nortriptilina 04 0,3 04 1,4 Sim 
Demais 73 5,0 28 10 
Demais classes farmacológicas 193 13,3 18 6,4 
Total 1449 100,0 279 100,0 
Fonte: dados da pesquisa, 2019. 
- Medicamento não classificado como MPI (CBMPI, 2016); *O clonazepam selecionado na RENAME 2018 é na forma 
farmacêutica solução. As prescrições continham clonazepam 0,5mg ou 2mg comprimido. Não foi disponibilizada a REMUME. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 84 
 
Tabela 3. Fatores associados ao uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos atendidos na Atenção 
Primária. Campina Grande, PB, 2019. 
Variável CBMPI, 2016 
RP (IC95%) p RP (aj.) (IC95%) p 
Sexo 
Masculino 1,00(-) - 1,00 - 
Feminino 1,26 (0,99-1,60) 0,062 1,17 (0,88-1,55) 0,286 
Situação conjugal 
Com companheiro 1,00 (-) - 1,00 (-) - 
Sem companheiro 1,57 (1,07 – 1,61) 0,010 1,20 (0,95-1,52) 0,131 
Cor 
Negra 1,00 (-) - 1,00 (-) - 
Branca 1,23 (0,75 - 2,00) 0,415 1,26 (0,77-2,07) 0,363 
Parda 1,18 (0,92 – 1,52) 0,201 1,25 (0,78-1,98) 0,358 
Anos Escolaridade 
0 a 4 anos 1 1 - 
Entre 5 e 8 anos 0,99 (0,72-1,36) 0,944 0,87 (0,62-1,22) 0,422 
Entre 9 e 11 anos 0,61 (0,32-1,16) 0,131 0,66 (0,38-1,15) 0,141 
Acima de 12 0,92 (0,54-1,58) 0,760 0,88 (0,49-1,56) 0,656 
Número de morbidades 
2 ou mais 1,35 (1,11-1,65) 0,003 1,22 (0,91-1,64) 0,192 
Autopercepção de saúde 
Muito boa/ boa 1,00 - 1,00 - 
Regular 0,95 (0,72-1,25) 0,729 0,83 (0,65-1,07) 0,147 
Muito ruim/ ruim 1,40 (1,01 – 1,94) 0,041 1,08 (0,76-1,54) 0,675 
DCNT autorreferidas 
HAS 
Sim 1,22 (0,99 – 1,49) 0,057 0,65 (0,49-0,87) 0,004 
DepressãoSim 2,17 (1,86 – 2,55) < 0,001 2,06 (1,62-2,62) < 0,001 
Utiliza medicamentos além dos 
prescritos na APS? 
 
Sim 1,57 (1,27 – 1,94) < 0,001 1,38 (1,08-1,74) 0,008 
Polifarmácia 
Sim 2,03 (1,70-2,43) < 0,001 1,79 (1,38-2,32) < 0,001 
Fonte: dados da pesquisa, 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 85 
 
5.3. A prática prescritiva para idosos: perspectivas de médicos na Atenção Primária à 
Saúde 
Prescriptive practice for the elderly: physicians perspectives in Primary Health Care 
Práctica prescriptiva para ancianos: perspectivas de los médicos en la Atención 
Primaria de Salud 
 
 
Resumo 
O estudo objetivou compreender a prática prescritiva para idosos na Atenção Primária à Saúde 
na perspectiva de médicos. Trata-se de um estudo de caso, realizado de setembro a dezembro 
de 2019 com 10 profissionais. Para coleta de dados, utilizou-se questionário sociodemográfico 
e entrevista semiestruturada e, para análise dos dados, Análise de Conteúdo, na modalidade 
temática. Os médicos enfatizaram o tratamento das doenças prevalentes entre idosos e pouco 
ressaltaram o trabalho multidisciplinar e a avaliação multidimensional do idoso. Os médicos 
destacaram a polifarmácia e consideraram inadequada a utilização de benzodiazepínicos. 
Constatou-se desconhecimento dos médicos sobre as listas de medicamentos inapropriados. Os 
médicos percebem as demandas dos idosos sobre medicamentos, principalmente em relação à 
polifarmácia e ao uso de benzodiazepínicos. Há predomínio do modelo biomédico e a 
fragmentação do cuidado, demonstrando necessidade de educação permanente em 
gerontologia. 
Descritores: Prescrições. Idosos. Médicos. Atenção Primária à Saúde. 
 
Abstract 
The study claimed to understand the prescriptive practice for the elderly in Primary Health Care 
from the physician’s perspective. This is a case study, carried out from September to December 
2019 with 10 professionals. For data collection, a sociodemographic questionnaire and semi-
structured interview were used, and for data analysis, Content Analysis, in the thematic 
modality. Physicians emphasized the treatment of diseases prevalent among the elderly and 
little emphasized the multidisciplinary work and the multidimensional assessment of the 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 86 
 
elderly. Physicians highlighted polypharmacy and considered the use of benzodiazepines 
inappropriate. It was found that physicians were unaware of the lists of inappropriate 
medications. Physicians perceive the demands of the elderly regarding medication, especially 
in relation to polypharmacy and the use of benzodiazepines. There is a predominance of the 
biomedical model and the fragmentation of care, demonstrating the need for continuing 
education in gerontology. 
Key-words: Prescriptions. Aged. Physicians. Primary Health Care. 
 
Resumen 
El estudio tuvo como objetivo comprender la práctica prescriptiva para los ancianos en 
Atención Primaria de Salud desde la perspectiva de los médicos. Se trata de un caso de estudio, 
realizado de septiembre a diciembre de 2019 con 10 profesionales. Para la recolección de datos 
se utilizó un cuestionario sociodemográfico y entrevista semiestructurada, y para el análisis de 
datos, Análisis de Contenido, en la modalidad temática. Los médicos enfatizaron el tratamiento 
de enfermedades prevalentes entre los ancianos y poco enfatizaron el trabajo multidisciplinario 
y la evaluación multidimensional de los ancianos. Los médicos destacaron la polifarmacia y 
consideraron inapropiado el uso de benzodiazepinas. Se encontró que los médicos desconocían 
las listas de medicamentos inapropiados. Los médicos perciben las demandas de los ancianos 
en cuanto a la medicación, especialmente en relación con la polifarmacia y el uso de 
benzodiazepinas. Predomina el modelo biomédico y la fragmentación de la atención, lo que 
demuestra la necesidad de una formación continua en gerontología. 
Descriptores: Prescripciones. Anciano. Médicos. Atención Primaria de Salud. 
 
Introdução 
Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o 3º Desafio Global para a 
Segurança do Paciente e uma das metas é reduzir em 50% os danos evitáveis relacionados a 
medicamentos, entre as áreas de atuação está a promoção da segurança na polifarmácia1. Por 
ser comum a ocorrência de múltiplas doenças e agravos não transmissíveis (DANT) em idosos 
é frequente o uso de medicamentos e, muitas vezes, a polifarmácia (utilização de cinco ou mais). 
Contudo, esses indivíduos apresentam alterações fisiológicas que os tornam mais vulneráveis a 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 87 
 
eventos adversos relacionados a medicamentos, os quais são incrementados pela não 
participação dos idosos em ensaios clínicos, a heterogeneidade da fase de senescência, a 
existência de comorbidades e a possível utilização de outros medicamentos2. Idosos 
polimedicados estão mais expostos à fragilidade, síndromes geriátricas, visitas a urgências e 
emergências, hospitalizações e ao uso de medicamentos considerados inapropriados, em que os 
riscos de causar prejuízos são superiores aos benefícios2. 
A prescrição médica é um instrumento legal e um meio de comunicação entre o 
profissional e o paciente, compreendendo a determinação escrita de um plano terapêutico, com 
o objetivo de orientar o paciente ou seu cuidador3. É considerada determinante para a utilização 
de medicamentos e um elemento de fundamental no cuidado ao paciente, devido aos desfechos 
positivos ou negativos que pode causar4. Vários aspectos podem influenciar a prática dos 
prescritores e contribuir para o uso indiscriminado de medicamento, como a variedade de 
produtos disponíveis no mercado, a propaganda de medicamentos, o marketing da indústria 
farmacêutica, a formação profissional e fatores socioculturais tanto do profissional quanto dos 
usuários4. 
A prescrição para idosos caracteriza-se como um processo complexo, pois estudos 
mostram que uma em cada cinco prescrições para idosos é considerada inapropriada e associada 
a desfechos negativos, tornando-se um problema de Saúde Pública3,5. A prescrição para idosos 
constitui-se um importante desafio para os profissionais de saúde, principalmente médicos6. 
No Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) possui papel 
fundamental como elemento coordenador das redes de atenção e responsabilidade no 
desenvolvimento de ações de saúde, realizado por meio do cuidado integrado, com equipe 
multiprofissional7,8. A APS é apontada como porta de entrada prioritária para os idosos e 
ordenadora do cuidado responsável pelo acompanhamento de forma articulada e integral8, 
cabendo às equipes de saúde a identificação, a primeira abordagem e avaliação dos idosos no 
território7,8. Em virtude do desenvolvimento das DANT e do aumento de expectativa de vida, 
os idosos tem se constituído como principais usuários8 e o cuidado geriátrico e gerontológico 
tem-se destacado na rotina das equipes de saúde na APS. 
São comuns estudos quantitativos sobre prevalência e fatores associados à prescrição 
inapropriada para idosos, contudo, são escassas pesquisas de abordagem qualitativa, sendo a 
maioria de origem internacional e voltados para avaliar o conhecimento dos médicos sobre 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 88 
 
medicamentos inapropriados5,9-11. Assim, buscando preencher uma lacuna na literatura 
brasileira, o estudo teve como objetivo compreender a prática prescritiva para idosos na 
Atenção Primária à Saúde na perspectiva de médicos. 
 
Metodologia 
Trata-se de umestudo de caso, de abordagem qualitativa. Neste estudo, o “caso” foi 
definido como a prescrição de medicamentos para idosos na atenção primária à saúde. Já as 
unidades de análise são os profissionais prescritores, no caso os profissionais médicos. 
A pesquisa foi realizada de setembro a dezembro de 2019, tendo como cenário as 
unidades básicas de saúde da zona urbana e rural da Atenção Primária do município de Campina 
Grande, PB. A cidade é sede do 3º Núcleo Regional de Saúde (NRS), considerada uma 
macrorregional por ser referência de serviços de saúde para outras cidades e ainda para o interior 
de Pernambuco e Rio Grande do Norte14. Campina Grande foi pioneira na adoção da 
descentralização dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS) e a implantar o Programa 
Saúde da Família, em 199415. Em 2018, o município apresentava uma estimativa populacional 
de 410.332 habitantes, dos quais 43.390 eram pessoas acima de 60 anos16. A cobertura da APS 
era de 87,73% da população estimada, organizada em 10 distritos sanitários, com 85 
estabelecimentos de saúde, sendo 76 Unidades Básicas de Saúde. A APS contava com 107 
Equipes de Saúde da Família (ESF), 52 Equipes de Saúde Bucal e 09 Núcleos de Ampliados de 
Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB)17. No período da coleta de dados, havia 118 
médicos vinculados à ESF. 
Em pesquisas qualitativas a escolha dos participantes ou das unidades de análise 
geralmente ocorre de forma deliberada, ou seja, a amostra do tipo intencional13. Para escolha 
dos médicos da equipe de saúde da família foram considerados os seguintes critérios de 
inclusão: ser do quadro efetivo do município, atuar na ESF desenvolvendo ações de assistência 
à saúde, por no mínimo seis meses, demonstrando vivência e experiência na APS. Foram 
excluídos os profissionais que estavam de férias ou de licença no período da coleta de dados. 
Foi feito o sorteio de uma UBS por distrito sanitário, totalizando dez participantes. Em cada 
UBS, a pesquisadora se apresentava à(o) recepcionista e este perguntava ao médico acerca da 
possibilidade de agendar a entrevista. Em caso de impossibilidade, a pesquisadora retornava 
outro dia. No momento da entrevista com o médico, a pesquisadora se apresentava, explicava 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 89 
 
os objetivos da pesquisa, entregava para cada participante uma cópia do projeto e duas do TCLE 
para conhecimento e assinatura. Dois prescritores recusaram-se a participar da pesquisa, 
argumentando falta de tempo, assim, foi realizado o sorteio de outra UBS do mesmo distrito 
sanitário. Participaram do estudo 10 profissionais médicos. 
Para coleta de dados foi utilizado um instrumento composto por duas partes: a primeira 
era um questionário sociodemográfico contendo as seguintes variáveis: idade, sexo, formação, 
nível de escolaridade e tempo de atuação na APS; a segunda parte era um roteiro de entrevista 
semiestruturado construído a partir dos objetivos da pesquisa que parte da reflexão acerca do 
cuidado ao idoso na APS, contendo questões que abordavam a prática prescritiva e os desafios 
para a prescrição de medicamentos para idosos. 
Foi realizado um estudo piloto com dois médicos em duas UBS sorteadas para avaliar o 
instrumento, duração da entrevista, dificuldades e a viabilidade da pesquisa. Os participantes 
do estudo piloto foram excluídos do estudo final. O roteiro de entrevista sofreu ajustes nas 
perguntas de forma a minimizar a indução das respostas e responder os objetivos da pesquisa. 
As entrevistas foram gravadas utilizando gravador digital, em espaço restrito, nos consultórios 
médicos com presença apenas do pesquisador e do participante da pesquisa, a fim de evitar 
constrangimento e garantir a confidencialidade. Foram realizadas 10 entrevistas que tiveram 
duração de 10 a 24 minutos, com média de 14min. Em cada visita às UBS, o pesquisador 
registrou em um diário de campo as impressões e observações sobre as entrevistas. O 
encerramento da coleta de dados ocorreu quando da saturação dos dados que consiste na 
suspensão de inclusão de novos participantes quando os dados obtidos passam a apresentar, na 
avaliação do pesquisador, certa redundância ou repetição18. 
As entrevistas com os participantes foram transcritas para o Microsoft Word (versão 
Windows 10). A análise dos dados utilizou o método de análise de conteúdo de Bardin19, na 
modalidade temática e foi realizada considerando três etapas: primeiramente foi feita a leitura 
flutuante, constituição do corpus e elaboração de indicadores; a segunda etapa abrangeu a 
exploração do material, com a definição de categorias, a identificação das unidades de registro 
e de contexto nos documentos; e, a terceira consistiu na interpretação dos resultados culminando 
nas interpretações inferenciais e análise reflexiva e crítica19. 
As categorias para análise foram definidas, considerando os objetivos da pesquisa, o 
referencial teórico e as entrevistas com os participantes, que são: a) a abordagem dos 
prescritores no atendimento aos idosos na APS e b) prescrição de medicamentos para idosos: o 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 90 
 
olhar dos médicos. A interpretação e análise dos dados foram realizadas a partir da literatura 
pertinente no que concerne à temática. 
Os participantes foram orientados quanto aos objetivos da pesquisa e assinaram o Termo 
de Consentimento Livre e Esclarecido, tendo sido garantida a confidencialidade. Para garantir 
o anonimato dos participantes, os médicos entrevistados foram identificados como M1, M2, e 
assim por diante. A pesquisa foi submetida e aprovada por Comitê de Ética e Pesquisa, 
conforme legislação, sob Parecer 3.130.100/2019. 
 
Resultados 
Foram entrevistados 10 médicos que estavam realizando atendimento nas UBS, dos 
quais oito eram mulheres e dois homens, com idades entre 23 e 60 anos (Md 28 anos). A média 
de tempo de formado foi de 4,6 anos, no entanto, metade dos prescritores tinha menos de um 
ano de conclusão da graduação e com tempo semelhante de atuação na APS. Quatro médicos 
tinham especializações concluídas (1 Saúde da Família e Comunidade, 2 Dermatologia e 1 
Psiquiatria), três não possuíam pós-graduações e os demais estavam em formação. 
A análise proveniente das entrevistas com os médicos resultou em duas categorias 
principais que foram divididas em subcategorias (quadro 1). 
 
1) Abordagem dos prescritores no atendimento aos idosos na APS 
Essa categoria descreve aspectos que os prescritores relataram abordar na realização de 
consulta dos idosos na APS. 
1.1.Promoção de hábitos saudáveis e enfoque no diagnóstico, controle e tratamento de 
doenças e agravos não transmissíveis prevalentes em idosos: 
Os prescritores relataram buscar prevenir doenças através da vacinação, promoção de 
mudanças de hábitos e realização de exames para diagnóstico e acompanhamento de doenças 
crônicas (hipertensão arterial, diabetes mellitus, câncer). 
(...) tem muito cuidado com a vacinação anual, pra gripe, a gente sabe 
que o idoso é acometido por isso... muito cuidado com a alimentação 
também (...), ao sal em relação a hipertensão, açúcar em relação a 
diabetes, e também muito cuidado em relação a gordura, massa, esse 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 91 
 
tipo de coisa pra também por conta das taxas. E a gente tem cuidados 
de fazer exames anualmente de rotina, principalmente mulheres, é... 
fazer a mamografia, em homens até fazer também o PSA, alguma coisa, 
pra fazer o rastreamento de doenças também relacionadas a próstata, 
a mama, de doenças mais graves como o câncer, ne? (M1). 
 
Foi contundente a abordagem dos prescritores em relação aos idosos como portadores 
de doenças crônicase usuários de vários medicamentos: 
o idoso basicamente, eles são prevalentes de doenças crônicas, 
principalmente aqui na minha unidade. Então, a gente tem esse cuidado 
voltado pra o controle dessas doenças crônicas, diabetes, hipertensão” 
(M8). 
 
Com relação aos protocolos para a atenção à saúde do idosos, os entrevistados relataram 
em sua maioria os Cadernos de Atenção Básica, sem especificação, e a Caderneta de Saúde da 
Pessoa Idosa foi considerada como o principal instrumento norteador para o acompanhamento 
do idoso na APS. 
“A gente usa a caderneta do idoso que é disponibilizada... chegou faz 
pouco tempo na unidade, todo idoso tem sua caderneta onde a gente 
anota as medicações que eles usam, as doenças crônicas de base, então 
é um instrumento muito bom que permite a gente acompanhar esse 
idoso” (M8). 
As diretrizes das doenças e agravos não transmissíveis também foram apontadas como 
norteadoras: “existem protocolos pra pressão alta, porque assim, falando mais da população 
de idoso, é muito pressão alta e diabetes, pressão alta e diabetes...” (M1). 
 
1.2. Além da consulta médica: a importância do trabalho em equipe e a relevância do 
suporte familiar 
Essa subcategoria aborda o que os prescritores descreveram sobre o cuidado ao idoso 
além da consulta médica. Poucos prescritores relataram a importância do trabalho da equipe de 
Saúde da Família e do NASF-AB (Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica), 
além do suporte familiar na atenção aos idosos, respectivamente: 
“a gente tenta fazer com que ele seja inter e multidisciplinar, nós temos 
como encaminhá-los pra algumas especialidades, (...), mas sempre o 
cuidado é feito na atenção primária juntamente com a atenção 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 92 
 
especializada”. (...) Esse cuidado é sempre feito, aqui, na equipe, a 
gente tem enfermeira, eu, o núcleo de saúde da família, que também dá 
esse suporte” (M4). 
 
“o idoso necessita de uma pessoa que o acompanhe, ele necessita de 
um suporte familiar, essa questão na atenção básica é muito difícil, 
porque as vezes os filhos trabalham, às vezes, não tem condição de 
acompanhar o pai, não tem condição de faltar o trabalho, então muitas 
vezes a gente faz o atendimento domiciliar com os agentes comunitários 
de saúde.” (M9) 
 
Apenas um médico abordou os direitos da pessoa idosa: 
“a gente explica pra eles a questão dos direitos da pessoa idosa, essa 
parte fica mais voltada com a assistente social que a gente tem aqui na 
nossa equipe, (...) mas ela explica os diretos e deveres da pessoa idosa, 
fala da, da importância dos cuidados, dos direitos que tem assegurados 
pelo governo, pelas leis, e a gente também utiliza assim” (M7). 
 
2) Uso de medicamentos por idosos: o olhar dos prescritores 
Essa categoria engloba aspectos que os médicos consideraram como relevantes para a 
realização da prescrição para os idosos. 
2.1. A problemática da polifarmácia e a importância da orientação sobre o uso de 
medicamentos 
Os prescritores destacaram a polifarmácia e suas consequências, como o risco de cascata 
iatrogênica e dificuldade de adesão. Foi relatada a dificuldade de diminuição do uso de 
medicamentos através do desmame ou retirada de itens. 
“por exemplo, muitos idosos fazem uso polifarmácia, eles utilizam o 
remédio da pressão, o remédio da diabetes, o remédio da dislipidemia 
e aí fica aquela receita grande, tem muita gente que tem assim, tem 
receita de 5 itens (...) tem aquela dificuldade da depressão, do 
problema de ansiedade, do problema também da polifarmácia, que ele 
se medica muito, sem saber o horário, sem saber os remédios, ele não 
toma o remédio no horário certo, tudo isso é dificuldade pra gente em 
relação ao tratamento com os idosos.” (M9). 
 
Parte dos prescritores apresentaram preocupação sobre a necessidade de realizar 
orientação aos idosos sobre a forma de uso dos medicamentos prescritos, através de imagens e 
cores, mas a maioria não identificou isto como problema: 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 93 
 
Muitos não sabem nem ler, aí é difícil você entregar uma receita pra 
explicar e pra saber, pra eles entenderem direitinho como tomar, tanto 
é que aqui eu fiz essa tabelinha (mostra a tabela), quando eu vejo que 
é um idoso que tem dificuldade, aí eu anoto o nome da medicação, se 
ele não sabe ler, eu peço pra ele trazer a caixa, ai pinto o quadradinho 
e pinto a caixa também, entendeu? (M1). 
 
A baixa escolaridade dos idosos atendidos na APS foi relatada pelos prescritores como 
uma dificuldade para a prescrição e adesão ao tratamento pelos idosos: 
Ah, é difícil para eles, eles lerem, entenderem, ou então se lembrarem 
de tomar o remédio do dia e principalmente eles são muito resistentes. 
(...) (M5). 
 
2.2.O uso de benzodiazepínicos como principais medicamentos inapropriados utilizados 
por idosos 
Os prescritores, em sua maioria, relataram como inapropriado o uso de 
benzodiazepínicos pelos idosos, porém desconheciam as listas de medicamentos inapropriados. 
Um médico explicitou o não uso das listas: “A lista em si, eu vou ser sincera a você, eu nunca 
acessei, o que eu tenho de conhecimento de medicação inapropriada ou apropriada foi o que 
eu aprendi na geriatria, na prática” (M8). Outro prescritor relatou que se baseia “no Ministério 
da Saúde e... os laboratórios” (M6) para a prescrição de medicamentos para idosos, observando 
as indicações e contraindicações. 
Houve ênfase no uso e abuso de benzodiazepínicos pelos idosos atendidos: 
Os únicos medicamentos que realmente eu vejo que tem muita adicção 
e até mesmo abuso aqui na unidade são os ansiolíticos, 
benzodiazepínicos, porque já acostumou, entendeu? ‘Ah! o meu 
remédio para dormir!’ (M3) 
 
São muitos, são muitos medicamentos que a gente tem que ter cuidado 
nos idosos, principalmente os benzodiazepínicos, que são aquelas 
medicações que os idosos gosta de tomar pra dormir, o familiar gosta 
de dá ao idoso pra dormir, pra ele não dá trabalho, então faz lá um 
Diazepam, faz um Clonazepam que o idoso dorme a noite toda e não 
dá trabalho ao familiar. Mas é muito perigosa essas medicações, por 
conta do risco de queda, o risco de sonolência, o risco de dependência, 
o risco de apresentar outras doenças como demência, como Alzheimer 
(M9). 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 94 
 
2.3.Desafios para a prescrição de medicamentos para idosos: da medicalização à lista de 
medicamentos 
Um dos grandes desafios para os prescritores se dá devido ao processo de medicalização 
dos idosos, pois estes consideram o medicamento como centro da terapia, como solução para o 
problema de saúde. 
Mas a maioria [ênfase] a gente conversa, a gente dialoga, explica, mas 
no final “eu quero meu remédio”, então assim realmente é complicado 
retirar algumas medicações (...). Eu tenho sempre conversado muito, 
porque hoje em dia a gente ta muito acostumado ‘ah, eu tenho isso’, 
toma isso’, e ‘isso dá isso de efeito’(...). A população ta muito 
acostumada a se medicalizar, a achar que a medicação é o melhor 
remédio, quando na verdade não é, muitas vezes não é, ne? (M4) 
A gente vê que já tem pacientes que faz o uso muito arrastado que assim 
começou o uso de benzodiazepínico que eles mesmo perdem as contas 
de quantos anos já faz, e assim é uma resistência e uma dificuldade pra 
gente tirar esses medicamentos, às vezes a gente tenta fazer o desmame 
mas tem pacientes que continua utilizando, por que? Porque eles já 
entendem que a medicação é o que dá o sono a eles (..), e também é 
porque uma medicação que é disponibilizada gratuitamente, então às 
vezes a gente tem muita dificuldade pra retirar esses medicamentos 
apesarda gente saber e deixar claro para o paciente também que não 
é o mais adequado para ele. (M7). 
 
Quando questionados sobre o elenco de medicamentos disponíveis na APS para uso por 
idosos, ocorreram divergências. Alguns médicos consideraram o elenco suficiente para o 
tratamento das principais doenças crônicas, enquanto outros enfatizaram limitações, como a 
necessidade de antidepressivos mais adequados para idosos: 
“Os básicos, as medicações básicas o SUS ele disponibiliza, eu acho 
que nos postos de saúde, eu acho que tem as medicações básicas, que 
são de um custo baixo, eficazes e que tem condições da gente controlar 
o diabetes e a hipertensão nos idosos”. (M9) 
 
“A dificuldade assim tem medicações que seriam mais adequadas pra 
eles, mas que o SUS não fornece, então eles não têm condições de 
comprar, entendeu? Aí isso é o que mais pesa... Eu sinto assim, algum 
antidepressivo que eu quero passar para o idoso por exemplo, eu sei 
que o escitalopram é mais seguro para usar em idoso, não tem... as 
medicações que eu me sinto mais segura em passar para o idoso, a 
RENAME não me dispõe” (M8) 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 95 
 
Discussão 
 
A compreensão da prática prescritiva para idosos na percepção dos médicos mostrou 
predomínio do tratamento de doenças crônicas e uma preocupação com a prevalência da 
polifarmácia e, principalmente, com o uso de benzodiazepínicos como medicamentos 
inapropriados por essa população. 
Nesse sentido, evidenciam o paradigma biomédico, focado no tratamento de doenças 
prevalentes em idosos e contribui para a fragmentação e fragilização da integralidade da saúde 
do idoso na Atenção Primária à Saúde (APS). Esse aspecto foi observado na não alusão à uma 
abordagem multidimensional do idoso e nas poucas narrativas sobre a importância do trabalho 
em equipe e do NASF-AB (Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica) e do 
suporte familiar, tendo sido relacionado de forma pontual à Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa 
e de maneira geral sobre ações de prevenção, como vacinação e orientação sobre hábitos 
saudáveis. As estratégias preventivas e o cuidado integral são consenso no discurso dos 
profissionais de saúde, porém na prática o que acaba ocorrendo é a ênfase nos serviços 
assistenciais tradicionais em detrimento da prevenção20,21. 
É papel da Estratégia Saúde da Família (ESF) juntamente com o NASF-AB realizar o 
reconhecimento, cadastramento e acolhimento da população idosa adscrita no território a fim 
de identificar suas necessidades através da avaliação multidimensional e assim estabelecer as 
possíveis organizações do cuidado na Rede de Atenção à Saúde (RAS) a partir da APS7. Um 
importante aliado nesse papel é a família, com quem os profissionais de saúde devem 
aprofundar as relações e compartilhar as demandas, apoiando-a de forma a construir o cuidado 
integral7,20. É pertinente apontar que a revisão da Política Nacional de Atenção Básica, em 2017, 
priorizou a relativização da cobertura universal, segmentação do acesso, flexibilidade da 
composição da equipe e do processo de trabalho, contribuindo para a presença de profissionais 
com orientação para o modelo biomédico, expandindo a atenção básica tradicional e 
fortalecendo o binômio-queixa conduta21. 
A fragmentação do cuidado também pôde ser encontrada nas afirmações da utilização 
de diferentes protocolos e diretrizes, como hipertensão arterial e diabetes mellitus, expondo 
assim o gerenciamento com foco nas doenças e de modo segmentado, especializado. A 
Organização Mundial da Saúde (OMS) e alguns países europeus, como Alemanha e Escócia, 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 96 
 
desenvolveram guidelines voltados para multimorbidades e gerenciamento da 
polifarmácia1,22,23, com o intuito de fornecer recomendações para o monitoramento e revisão do 
uso dos vários medicamentos, sendo essa uma tarefa para profissionais generalistas, como 
deveria ocorrer na ESF. 
O modelo assistencial vigente possui foco exclusivo na doença e há uma priorização da 
fragmentação do cuidado, através do excesso de consultas e exames clínicos realizadas por 
especialistas, informação não compartilhada e utilização de vários medicamentos, o que 
sobrecarrega o sistema com gastos sem benefícios significativos para a qualidade de vida dos 
idosos. Atualmente, é proposto um modelo de atenção à saúde que deve basear-se na 
identificação precoce dos riscos de fragilização, voltado para ações promoção da saúde, 
prevenção e postergação de doenças, cuidado precoce e reabilitação, buscando o 
envelhecimento saudável24. A ESF possui o desafio de romper com a lógica tradicional da 
assistência, através de uma atenção interdisciplinar e interprofissional, no entanto, a 
segmentação na formação compromete uma visão ampliada do processo saúde-doença e a 
capacidade de trabalho em equipe, favorecendo a fragmentação do cuidado. A prática 
interprofissional possibilitaria o desenvolvimento do trabalho em equipe de saúde, articulando 
diferentes campos de práticas e fortalecendo a centralidade no usuário25. 
Assim como outros estudos10,26, um dos principais aspectos levantados pelos médicos 
sobre o uso de medicamentos foi a polifarmácia e suas consequências, como dificuldade da 
adesão ao tratamento. A polifarmácia é uma realidade para idosos, associada ao uso de 
medicamentos considerados inapropriados, busca de urgência e emergência, internação 
hospitalar, pior funcionalidade e qualidade de vida2. Estudo que buscou compreender a 
percepção dos idosos sobre a adesão ao tratamento mostrou que o consumo de vários 
medicamentos de uso contínuo atrapalha a rotina25, o que é consonante com o que os médicos 
abordaram. Também foi descrito que a baixa escolaridade dos idosos dificulta a compreensão 
sobre a utilização dos múltiplos medicamentos e demanda a necessidade de orientação. A 
adesão ao tratamento é determinada por vários aspectos, sendo a baixa escolaridade um dos 
fatores do idoso que prejudicam o cumprimento do regime terapêutico principalmente nos 
polimedicados27,28. 
Ainda sobre o uso de medicamentos, os médicos enfatizaram o problema do uso de 
benzodiazepínicos, sendo estes os principais medicamentos potencialmente inapropriados 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 97 
 
(MPI) relatados. Esses medicamentos são frequentemente prescritos para idosos para controle 
da insônia e tratamento da ansiedade e depressão, contudo, são os mais listados como 
inapropriados29, pois seu uso está associado a eventos adversos (quedas, perda cognitiva, 
admissão em emergências e maior morbimortalidade), desenvolvimento de tolerância e 
dependência30. Outros estudos apontaram aspectos que contribuem para a prescrição de 
benzodiazepínicos por idosos, alguns a) relacionados aos médicos, como desconhecimento dos 
eventos adversos, falta da habilidade sobre o manejo das mudanças associadas ao 
envelhecimento, tempo limitado para consultas, receio de comprometer a relação médico-
paciente e não utilização de alternativas terapêuticas; b) externos aos médicos, como a própria 
resistência dos pacientes a mudanças e dificuldade de acesso a especialistas como 
psiquiatras30,31. 
Os participantes do estudo descreveram a ampla utilização e o conhecimento dos riscos 
para os idosos, assim como ressaltaram a dificuldade e resistência para a racionalização do uso. 
Esta foi descrita como um desafio, pois ocorre a exigência pelos idosos da prescrição 
principalmente desses medicamentos, mesmo embora o médico fizesse a orientação para a 
diminuição (o chamado ‘desmame’) ou sobre a necessidade de mudança comportamental. 
Veras, Caldas e Cordeiro20 expõem a importância da negociação entre osaber científico (no 
caso, dos médicos sobre os riscos dos benzodiazepínicos) e a história, cultura e valores dos 
idosos como uma estratégia para alcançar as mudanças necessárias. 
A exigência pela prescrição de benzodiazepínicos e a resistência a mudanças no 
tratamento relatadas pelos médicos podem ser uma evidência do processo de medicalização, 
que é um processo complexo, em que problemas não médicos são definidos e tratados como 
problemas médicos32, e da medicamentalização, quando ocorre o uso excessivo e inadequado 
de medicamentos32. Muitas vezes, a medicamentalização, um dos seus principais expoentes da 
medicalização, é relacionada a distintas situações: uso off label, marketing da indústria 
farmacêutica, uso prolongado ou desnecessário de medicamentos, a própria simbologia do 
medicamento como solução mágica para problemas de saúde e a fragilização da relação 
médico-paciente32. 
Em relação aos MPI, chama a atenção que não houve menção às listas de critérios, 
expondo assim a não utilização das mesmas na rotina médica ou, mesmo como evidenciado por 
um prescritor, o desconhecimento. As listas de MPI tem como objetivo relacionar 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 98 
 
medicamentos que tem o potencial de causar mais prejuízos do que benefícios entre idosos, 
havendo estratégias terapêuticas mais seguras, farmacológicas ou não33. Embora com distintas 
metodologias, outros estudos também mostraram o não conhecimento dessas listas pelos 
médicos10,26,34. Dessa forma, observando tal aspecto aliado ao não relato de avaliação 
multidimensional, considera-se pertinente refletir se seria um indicativo de falhas na formação 
em gerontologia. Alguns estudos problematizaram a falta de conteúdo em gerontologia na 
graduação em saúde, não apenas medicina, evidenciando um descompasso entre formação e o 
processo de transição demográfica, o que pode contribuir para a visão hegemônica do modelo 
biomédico, padronizando condutas terapêuticas em um processo tão heterogêneo como o 
envelhecimento humano, expondo os idosos a iatrogenias evitáveis35. 
Um aspecto que emergiu como desafio para os médicos foi a suficiência da lista de 
medicamentos essenciais, no entanto, não houve consenso, pois alguns prescritores 
consideraram adequadas para o tratamento em idosos, enquanto outros não. As listas de 
medicamentos essenciais têm como objetivo promover acesso e uso racional de medicamentos 
para tratar os problemas de saúde prioritários da população36. No nosso estudo, esse discurso 
de inadequação foi mais apresentado por médicos com atuação recente na APS, enquanto os 
médicos experientes a consideraram adequada para a demanda dos idosos, o que pode ser 
resultado da formação hospitalocêntrica em que é mais comum a prescrição de medicamentos 
específicos ou ainda do não conhecimento dos itens disponíveis. Em estudo nacional que 
buscou conhecer o papel das listas de medicamentos essenciais na prática clínica de médicos, 
Magarino-Torres e colaboradores36 apontaram que a maioria dos médicos não conheciam a 
Relação Nacional de Medicamentos Essenciais e/ou a consideraram inadequada. 
Ressalta-se que alguns participantes do nosso estudo declararam prescrever aqueles 
medicamentos que estavam disponíveis na farmácia no momento da consulta como forma de 
promover o acesso pelos idosos, em virtude da baixa renda destes. Também é importante 
comentar que existem MPI elencados na lista de medicamentos essenciais (por exemplo, 
Diazepam, Clonazepam, Glibenclamida) e escassez de alternativas mais seguras para idosos, o 
que pode dificultar a restrição do uso de MPI, exigindo dos médicos ainda mais conhecimento 
e avaliação da utilização desses medicamentos. Essa é uma questão relacionada à articulação 
entre a política de medicamentos e a de Saúde do Idoso, expondo a necessidade de 
intersetorialidade a fim de selecionar medicamentos mais adequados para as demandas dos 
idosos, favorecendo prescrições mais seguras e riscos evitáveis. 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 99 
 
Como ponto forte, consideramos que nosso estudo buscou de forma pioneira evidenciar 
a compreensão dos médicos da APS sobre a prática prescritiva para os idosos e seus desafios, 
buscando conhecer essa perspectiva como estratégia para gerar soluções viáveis e orientadas 
para os aspectos que emergiram. Destacamos como limitação a dificuldade de comparação com 
outros trabalhos, em virtude da utilização de diferentes métodos, pois alguns usaram casos 
clínicos como estratégia para a avaliação do conhecimento dos prescritores sobre as listas de 
MPI. 
 
 
Considerações finais 
 
O estudo mostrou que os médicos percebem a problemática do uso de medicamentos 
pelos idosos, principalmente relacionada à polifarmácia e ao uso inapropriado de 
benzodiazepínicos. Evidenciou-se que o modelo biomédico permeia a conduta prescritiva dos 
médicos para os idosos. A APS é considerada porta de entrada para o sistema de saúde e deveria 
pautar-se no princípio da integralidade, ainda mais quando se trata de idosos, um grupo 
fortemente heterogêneo. Embora os médicos percebam as necessidades das pessoas mais 
velhas, há um modus operandi relacionado à medicalização e medicamentalização. Portanto, 
sugere-se a educação permanente em Gerontologia das equipes multidisciplinares da ESF, 
principalmente dos médicos, sujeitos do nosso estudo, como uma forma de buscar desconstruir 
o foco no tratamento de doenças e estabelecer uma linha de cuidado que busque promover o 
envelhecimento saudável, como preconizado pela OMS7. Especificamente em relação à 
prescrição de medicamentos, considera-se importante a realização de estudos qualitativos 
específicos e capacitação voltados para o conhecimento e utilização das listas de MPI como 
estratégia para minimizar a exposição dos idosos a riscos advindos do uso indiscriminado de 
medicamentos. 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 103 
 
6 CONCLUSÕES 
 
O estudo identificou uma ampla utilização de medicamentos potencialmente 
inapropriados para idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde, porta de entrada para o 
cuidado à Saúde dos Idosos no sistema de saúde, e identificou fatores associados, o que pode 
contribuir para o desenvolvimento e melhoria de ações da Assistência Farmacêutica prestada a 
essa população. Também observou uma alta ocorrência de prescrição desses medicamentos em 
conformidade com as listas de medicamentos essenciais e a escassez de alternativas terapêuticas 
mais seguras disponíveis. Evidenciou-se que os médicos percebem a problemática do uso de 
medicamentos pelos idosos, principalmente relacionada à polifarmácia e à utilização 
inapropriada de benzodiazepínicos, porém há uma predominância do caráter biomédico e 
medicalizante da prática prescritiva. 
A tese contribui ao abordar elementos anteriores ao uso propriamente dito de 
medicamentos potencialmente inapropriados, evidenciando que a seleção de medicamentos 
essenciais e a prescrição médica apresentam fragilidades, pois além da presença na RENAME, 
expôs a necessidade de opções terapêuticas seguras e problematizou aspectos presentes na 
prática prescritiva de médicos que podem afetar a atenção integral à pessoa idosa. 
Portanto, sugerimos a elaboração de uma lista de medicamentos essenciais específica 
para essa faixa etária, como já desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde para crianças, 
com inclusões, restrições e/ou recomendações de itens mais seguros que contribuam para o uso 
racional de medicamentos por idosos. Também propomos a realização de estudos longitudinais 
que avaliem os riscos de eventos adversos a partir do uso de MPI na APS e de pesquisas 
nacionais que avaliem o impacto de intervenções que buscam reduzir sua utilização, como o 
processo de desprescrição e implantação de ferramentas que apoiam a prescrição. Aponta-se a 
importância de ações que busquem reduzir a fragmentação do cuidado e o uso dos 
benzodiazepínicos, como a educação permanente dos profissionais médicos em gerontologia e 
o acompanhamento de idosos a fim de identificar, monitorar e prevenir os problemas causadospela utilização de medicamentos potencialmente inapropriados para os idosos. 
A partir dos achados do estudo, pretende-se redigir um relatório destinado à Gerência 
de Saúde do Idoso da Secretaria Municipal de Saúde como uma forma de possibilitar o 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 104 
 
desenvolvimento de estratégias que visem reduzir o uso de medicamentos potencialmente 
inapropriados, como a capacitação dos médicos da Atenção Primária à Saúde sobre a prescrição 
para idosos. Outro retorno social da tese apresentada é que por ser docente do ensino superior, 
será possível contribuir na formação de graduandos sobre as questões de Saúde do Idoso e o 
uso de medicamentos, capacitando futuros profissionais de saúde para um olhar mais sensível 
diante do processo de envelhecimento populacional da sociedade. 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 105 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 113 
 
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO COM OS IDOSOS 
Data da coleta: ___/ ____/ 2019 UBS: Código entrevista: 
Informações sobre o idoso Respondente: ( )Idoso ( )Responsável 
Data de nascimento: / / Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 
Estado civil: ( ) Solteiro ( )Casado ( )Viúvo ( )Divorciado 
Cor: ( )Branca ( )Parda ( )Negra ( )Caucasiana ( )Outra 
Escolaridade (em anos completos de estudo): _______ Não informado: ( ) 
Renda mensal*: ( ) 1SM ( )Entre 1 e 3SM ( )Entre 3 a 5SM ( )Acima de 5SM 
( ) Não informado 
Doenças autorreferidas: 
( )Hipertensão ( ) Diabetes ( ) Doenças do coração _____________ 
( )Colesterol alto ( ) AVC ( ) Doença pulmonar crônica 
( )Artrite/ reumatismo ( ) Depressão ( ) Outras ___________________ 
Em geral, comparando com as outras pessoas da sua idade, você diria que sua saúde é: 
( )Muito boa ( )Boa ( ) Regular ( )Ruim ( )Muito ruim ( )Não informado 
 
Informações presentes na prescrição médica 
Dados do usuário: Sigla do nome: ________ Presença do endereço: ( )Sim ( )Não 
Dados do prescritor: Sigla do nome: _____________ _________ 
Presença do carimbo: ( )Sim ( )Não Presença da assinatura: ( )Sim ( )Não 
Registro da data: ( )Sim ( )Não Especialidade: 
 
Nome do medicamento Conc. Qtde Frequência Duração Recebido 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Toma outros medicamentos além desses? ( )Sim ( )Não 
Se sim, quais? _________________________________________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________ 
 
Quando não recebe na farmácia pública, onde o(a) senhor(a) adquire seus medicamentos? 
( ) Farmácia popular ( ) Farmácia privada ( )CMX – CedMex 
( ) Outro ___________________ 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 114 
 
APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA 
Idade: ______ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 
Formação/Especialização: ____________________________ Pós-graduação: ____________ 
Tempo de formado: _______ Tempo de trabalho na APS: ________ 
Tempo de trabalho no município: ________ 
 
1. Fale sobre os aspectos que orientam o cuidado à Saúde do Idoso na atenção básica. 
 
2. Fale sobre os aspectos que orientam sua prática prescritiva para os idosos. 
 
3. Comente sobre as dificuldades para a prescrição de medicamentos para idosos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 115 
 
APÊNDICE C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E 
ESCLARECIDO – TCLE 
 
Esclarecimentos 
Este é um convite para você participar da pesquisa: 
Envelhecimento populacional e o uso apropriado de medicamentos: 
uma análise da incorporação à prescrição na Atenção Básica, que tem 
como pesquisador responsável Andrezza Duarte Farias. 
Esta pesquisa pretende analisar a escolha de medicamentos 
essenciais no SUS e a prescrição de medicamentos para idosos na 
Atenção Básica. O motivo que nos leva a fazer este estudo é a 
necessidade de se discutir o uso de medicamentos por idosos desde a 
escolha e disponibilidade no SUS à prescrição e também pela pequena 
quantidade de estudos sobre medicamentos potencialmente 
inapropriados para idosos realizados na atenção básica e no Nordeste. 
Caso você decida participar, você deverá permitir que o 
pesquisador analise sua prescrição médica através da transcrição das 
informações da sua prescrição em um formulário (dados do emissor 
[nome, assinatura, carimbo], dados dos medicamentos [nome do 
medicamento, concentração, quantidade, frequência, duração do 
tratamento, forma de uso] dados do usuário [sigla do nome, presença 
do endereço], local e data. Durante a transcrição, a previsão de riscos 
é mínima, ou seja, o risco que você corre é semelhante àquele ao 
apresentar um documento a alguém. 
Pode acontecer um desconforto, caso você se sinta constrangido 
ao disponibilizar a prescrição médica, a qual será minimizado através 
da utilização de um espaço reservado, deixando a seu critério para em 
qualquer momento recusar da participação. 
 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 116 
 
Você terá como benefício a análise da prescrição no momento da 
dispensação e a orientação sobre o uso, além de contribuir para uma 
possível qualificação do cuidado ao idoso, por proporcionar a discussão 
acerca da prescrição e utilização de medicamentos por esse grupo 
populacional. 
Em caso de algum problema que você possa ter relacionado com 
a pesquisa, você terá direito a assistência gratuita que será prestada pelo 
pesquisador responsável, Andrezza Duarte Farias, a qual tomará todas 
as providências necessárias para minimizar o problema reclamado. 
Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas 
ligando para Andrezza Duarte Farias, (83) 9606 9977, 
andrezzadfarias@gmail.com. Você tem o direito de se recusar a 
participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, 
sem nenhum prejuízo para você. 
Os dados que você irá nos fornecer serão confidenciais e serão 
divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não 
havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar. Esses 
dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa 
em local seguro e por um período de 5 anos. 
Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, 
ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você. Se você 
sofrer algum dano decorrente desta pesquisa, você será indenizado. 
Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá entrar 
em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital 
Universitário Onofre Lopes, telefone: 3342-5003, endereço: Av. Nilo 
Peçanha, 620 – Petrópolis – Espaço João Machado – 1° Andar – Prédio 
Administrativo - CEP 59.012-300 - Nata/RN, e-mail: 
cep_huol@yahoo.com.br. 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 117 
 
Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você 
e a outra com o pesquisador responsável Andrezza Duarte Farias. 
Consentimento Livre e Esclarecido 
Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o 
modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer 
os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará para mim e ter ficado 
ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa 
Envelhecimento populacional e o uso apropriado de medicamentos: 
uma análise da incorporação à prescrição na Atenção Básica, e autorizo 
a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou 
publicações científicas desde que nenhum dado possa me identificar. 
Campina Grande, _____/ __________/ ______. 
 __________________________________ 
Assinatura do participante da pesquisa 
 
 Declaração do pesquisador responsável 
Como pesquisador responsável pelo estudo Envelhecimento 
populacional e o uso apropriado de medicamentos: uma análise da 
incorporação à prescrição na Atenção Básica, declaro que assumo a 
inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos 
metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao 
participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade 
sobre a identidade do mesmo. 
Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso 
ora assumido estarei infringindo as normas e diretrizes propostas pela 
Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que 
regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano. 
 
Impressão datiloscópica 
do participante 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 118 
 
Campina Grande, ______/ _____________/ ______. 
 
Assinatura do(a) Pesquisador(a) Responsável 
_______________________________________________ 
Andrezza Duarte Farias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 119 
 
Apêndice D - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
– TCLE 
 
Esclarecimentos 
Este é um convite para você participar da pesquisa: Envelhecimento populacional e o uso 
apropriado de medicamentos: uma análise da incorporação à prescrição na Atenção Básica, que tem 
como pesquisador responsável Andrezza Duarte Farias. 
Esta pesquisa pretende analisar a relação entre a seleção de medicamentos essenciais no SUS e 
a prescrição de medicamentos para idosos na Atenção Básica. O motivo que nos leva a fazer este estudo 
é a necessidade de se discutir o uso de medicamentos por idosos desde a seleção no SUS à prescrição e 
a escassez de estudos sobre medicamentos potencialmente inapropriados para idosos realizados na 
atenção básica e no Nordeste. 
Caso você decida participar, você deverá responder à entrevista, a qual terá sua voz gravada, 
porém sem utilização de imagem, caso você autorize sua participação na pesquisa. Durante a realização 
das entrevistas a previsão de riscos é mínima,ou seja, o risco que você corre é semelhante àquele sentido 
num exame físico ou psicológico de rotina. 
Pode acontecer um desconforto caso você se sinta constrangido ao responder o roteiro de 
entrevista, porém este será minimizado através da realização em espaço reservado, deixando a seu 
critério para em qualquer momento da entrevista sua recusa da participação. 
Você terá como benefício a possibilidade de descrição e reflexão sobre sua prática de prescrição 
para idosos, assim como a contribuição para o conhecimento científico que pode trazer melhorias para 
o cuidado à população idosa atendida na Atenção Básica. 
Em caso de algum problema que você possa ter relacionado com a pesquisa, você terá direito a 
assistência gratuita que será prestada pelo pesquisador responsável, Andrezza Duarte Farias, a qual 
tomará todas as providências necessárias para minimizar o problema reclamado. 
Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para Andrezza Duarte 
Farias, (83) 9606 9977, andrezzadfarias@gmail.com. 
Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da 
pesquisa, sem nenhum prejuízo para você. Os dados que você irá nos fornecer serão confidenciais e 
serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não havendo divulgação de nenhum 
dado que possa lhe identificar. 
Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e 
por um período de 5 anos. 
Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, ele será assumido pelo 
pesquisador e reembolsado para você. Se você sofrer algum dano decorrente desta pesquisa, 
você será indenizado. 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 120 
 
Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá entrar em contato com o Comitê de 
Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes, telefone: 3342-5003, endereço: Av. Nilo 
Peçanha, 620 – Petrópolis – Espaço João Machado – 1° Andar – Prédio Administrativo - CEP 59.012-
300 - Nata/Rn, e-mail: cep_huol@yahoo.com.br. 
Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você e a outra com o pesquisador 
responsável Andrezza Duarte Farias. 
 
Consentimento Livre e Esclarecido 
Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão 
coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará para mim 
e ter ficado ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa : Envelhecimento 
populacional e o uso apropriado de medicamentos: uma análise da incorporação à prescrição na Atenção 
Básica, e autorizo a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou publicações 
científicas desde que nenhum dado possa me identificar. 
Campina Grande, ______/ _____________/ ______. 
 
_______________________________________________ 
Assinatura do participante da pesquisa 
 
 Declaração do pesquisador responsável 
Como pesquisador responsável pelo estudo: Envelhecimento populacional e o uso apropriado 
de medicamentos: uma análise da incorporação à prescrição na Atenção Básica, declaro que assumo a 
inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram 
esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade 
sobre a identidade do mesmo. 
Impressão datiloscópica 
do participante 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 121 
 
Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido estarei 
infringindo as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – 
CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano. 
 
Campina Grande, ______/ _____________/ ______. 
 
Assinatura do(a) Pesquisador(a) Responsável 
_______________________________________________ 
Andrezza Duarte Farias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 122 
 
APÊNDICE E - TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA GRAVAÇÃO DE 
VOZ 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA 
 
 
TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA GRAVAÇÃO DE VOZ 
 
 
Eu, ___________________________, depois de entender os riscos e benefícios que a pesquisa 
intitulada “Envelhecimento populacional e uso apropriado de medicamentos: uma análise da 
incorporação à prescrição na Atenção Básica” poderá trazer e, entender especialmente os métodos 
que serão usados para a coleta de dados, assim como, estar ciente da necessidade da gravação de minha 
entrevista, AUTORIZO, por meio deste termo, a pesquisadora Andrezza Duarte Farias a realizar a 
gravação de minha entrevista sem custos financeiros a nenhuma parte. Esta AUTORIZAÇÃO foi 
concedida mediante o compromisso da pesquisadora acima citada em garantir-me os seguintes direitos: 
1. poderei ler a transcrição de minha gravação; 
2. os dados coletados serão usados exclusivamente para gerar informações para a pesquisa aqui 
relatada e outras publicações dela decorrentes, quais sejam: revistas científicas, congressos e jornais; 
3. minha identificação não será revelada em nenhuma das vias de publicação das informações 
geradas; 
4. qualquer outra forma de utilização dessas informações somente poderá ser feita mediante 
minha autorização; 
5. os dados coletados serão guardados por 5 anos, sob a responsabilidade da pesquisadora 
Andrezza Duarte Farias e após esse período, serão destruídos e, 
6. serei livre para interromper minha participação na pesquisa a qualquer momento e/ou solicitar 
a posse da gravação e transcrição de minha entrevista. 
 
 
 
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Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 123 
 
 
Campina Grande, ___ / __________/ ______ 
 
______________________________________ 
Assinatura do participante da pesquisa 
________________________________________ 
Assinatura e carimbo do pesquisador responsável 
 
Este documento deverá ser elaborado em duas vias; uma ficará com o participante e outra com o 
pesquisador responsável. 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 124 
 
ANEXO A – APROVAÇÃO COMITÉ DE ÉTICA EM PESQUISA 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 125 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 126 
 
ANEXO B – SUBMISSÃO ARTIGO 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: 
da seleção à prescrição na Atenção Primária à Saúde 127 
 
ANEXO C – PUBLICAÇÃO DO ARTIGO 2

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