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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO CIÊNCIAS ODONTOLÓGICAS NIZYARA COSTA DA SILVA OSTEOMIELITES DOS MAXILARES: ESTUDO CLINICOPATOLÓGICO NATAL/RN 2022 NIZYARA COSTA DA SILVA OSTEOMIELITES DOS MAXILARES: ESTUDO CLINICOPATOLÓGICO Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências Odontológicas, área de Concentração em Patologia Oral e Estomatologia. Orientador: Prof. Dr. Antônio de Lisboa Lopes Costa NATAL/RN 2022 A defesa deste trabalho foi realizada no dia 30 de Setembro de 2022, em Natal/RN, tendo sido aprovado (a). COMISSÃO EXAMINADORA Profa. Dra. Maria de Lourdes Silva de Arruda Morais Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, UERN 1º Examinador Prof. Dra. Hébel Cavalcanti Galvão Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN 2º Examinador Prof. Dr. Antônio de Lisboa Lopes Costa Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN 3º Examinador AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por ter me proporcionado a oportunidade de finalizar mais um ciclo na minha vida. Dedico também aos meu pais Marinaldo e Nilza e aos meus irmãos Maricleydson e Maylsom. Tudo o que tenho hoje, tudo o que sou e o que me transformei é devido a criação do senho e da senhora. Agradeço pelos incentivos nas horas difíceis, de desânimo e cansaço. Agradeço também a toda minha família e aos meus tios Tânia e Henrique que do jeitinho de cada um de vocês me ajudaram a seguir sempre em frente. Aos meus amigos que me seguem durante a minha trajetória Amanda, Laura e Rafaela e que me ajudaram quando estava precisando, me incentivando, aconselhando de todas as formas e mostrando o quanto sou capaz. Agradeço por todo apoio e incentivo, posso dizer com toda certeza que serão as minhas amigas que irei levar durante toda a minha vida. Agradeço a Deus por te colocado vocês no meu caminho. Ao meu namorado Jowerton, mesmo com sua vida corrida sempre me dava suporte, agradeço por todo carinho, pelos incentivos e por me ensinar tanto. Você chegou na minha vida para somar e com toda certeza pode contar sempre comigo, te admiro muito pelo homem que você é! E ter você ao meu lado me enche de alegria. Agradeço ao meu orientador Prof. Dr Antônio de Lisboa Lopes Costa. Obrigado mestre por me exigir mais do que eu acreditava que seria capaz de realizar. E aos meus professores pelos ensinamentos e por ter ajudado a cumprir mais uma etapa na minha vida. Aos meus amigos de turma do mestrado, Julliane, Danielle, Débora, Tatiane e Jabes A nossa turma foi em meio a uma pandemia, mas Deus formou a melhor turma, pessoas altamente fortes, guerreiras e humildes. Agradeço de todo coração o acolhimento, pelos conhecimentos, experiências e ensinamentos. Vocês fizeram toda diferença durante a minha caminhada. Aos meus amigos de Faculdade Leonardo, Milena e Joana e as minhas colegas do doutorado. Aos funcionários do Departamento de Odontologia que me ajudaram com a minha dissertação sempre me apoiando, agradeço de coração. Hoje nesse dia especial não tem mais nada prazeroso do que compartilhar com as pessoas que amamos. “Com muito amor, dedico este trabalho, assim como todas as vitórias na minha vida aos meu pais, Marinaldo e Nilza por sempre estarem sempre ao meu lado. Agradeço por toda força, carinho e dedicação.” Todo o meu amor. RESUMO A osteomielite é definida como um estado inflamatório do osso e sua etiopatogenia é multifatorial, incluindo traumas, doenças sistêmicas e infecções odontogênicas. Diante disso, essa pesquisa consistiu em um estudo de análise descritiva, retrospectiva e comparativa dos tipos de osteomielite, em que se propôs avaliar as características clínicopatológicas dessa lesão nos maxilares, diagnosticadas na Disciplina de Estomatologia e Patologia Oral, Departamento de Odontologia da UFRN, no período de janeiro de 1970 a dezembro de 2021. A amostra consistiu de 75 casos de osteomielite, sendo 9 casos de osteomielite aguda, 3 casos de osteomielite crônica primaria e 63 casos de osteomielite crônica secundária. Foi realizada a coleta dos dados clínicos, a partir do qual foram avaliados os dados demográficos, hábitos de etilismo e tabagismo, características das lesões e tratamentos utilizados. A análise radiográfica foi avaliada considerando a perda óssea, dimensão, reabsorção, fratura patológica, sequestro ósseo, osso reacional, localização e tamanho. O estudo morfológico avaliou os osteoblastos, osteoclastos, colônias bacterianas, osso necrótico e tecido de granulação. Para análise estatística foram utilizados os testes Exato de Fisher e o Qui-quadrado. Os resultados encontrados revelaram que o sexo feminino foi predominante com (n=67; 89,3%). A idade média foi de 42,68 anos com variação de 3 a 85 anos. A respeito da cor de pele, os pacientes autodeclarados brancos foram predominantes (n=37; 49,3%). Quanto aos tipos de osteomielite, a osteomielite crônica secundária foi predominante (n = 63, 84%), seguida pela osteomielite aguda (n = 9, 12%) e a osteomielite crônica primária (n = 3, 4%). Acerca da localização anatômica, a mandíbula foi predominante (n=70, 93,3%). Quanto às causas, a infeção odontogênica foi mais prevalente (n=41; 54,7%). O processo inflamatório esteve presente em todos os casos (n=75; 100%). Em relação aos neutrófilos, estiveram ausentes na maioria dos casos (n=51; 68%) e presentes discretamente em 24% (n=18). Diante dos resultados obtidos concluímos que a osteomielite é mais comum no sexo feminino com idade média de 42,68 anos, sendo o tipo mais comum a osteomielite crônica secundária, proveniente de infecção odontogênica e localizada em mandíbula. A associação entre o tipo de osteomielite e a presença ou ausência de colônias bacterianas mostrou associação estatisticamente significativa. O mesmo não aconteceu com as outras associações estatísticas realizadas nesta pesquisa. Palavras chaves: Infecção óssea, ossos maxilares, osteomielite. ABSTRACT Osteomyelitis is defined as an inflammatory state of the bone and its etiopathogenesis is multifactorial, including trauma, systemic diseases and odontogenic infections. Therefore, this research aimed to realize retrospective and comparative analyses of the types of osteomyelitis and their evaluations. Clinical and pathological characteristics of jaws’ osteomyelitis cases diagnosed in the Oral Pathology, Department of Dentistry of the UFRN, from January 1970 to December 2021, were retrieved. The sample consisted of 75 cases, with 9 cases of acute osteomyelitis, 3 of primary chronic osteomyelitis and 63 cases of secondary chronic osteomyelitis. A collection of clinical data was carried out, from which information about demographic data, drinking and smoking habits, disability resources and treatments used were collected. Radiographic analysis of location considered bone loss, dimension, pat fracture, bone sequencing, reactional, and size. The morphological study evaluated osteoblasts, osteoclasts, bacterial colonies, necrotic bone and granulation tissue. For statistical analysis, Fisher Exact Test and Chi-square teste were performed. In this study, osteomyelitis had a predilection for females (n=67; 89.3%). The average age was 42,68 years, with anamplitude between 3 and 85 years old and most patients self-reported as white (n=37; 49.3%). As for the types of osteomyelitis, secondary chronic osteomyelitis was predominant (n = 63; 84%), followed by acute osteomyelitis (n = 9, 12%) and primary chronic osteomyelitis (n = 3; 4%). Regarding the anatomical location, the mandible was predominant (n=70, 93.3%). As for the causes, odontogenic infection was more prevalent (n=41; 54.7%). The inflammatory process was present in all cases (n=75; 100%). Regarding neutrophils, absent in most cases (n=51;68%) and discreetly present in 24% (n=18). In view of the results obtained, we conclude that osteomyelitis is more common in females with a mean age of 42.68 years, with the most common type being secondary chronic osteomyelitis, originating from a common dental infection in the mandible. The association between the type of osteomyelitis and the presence or absence of bacterial colonies was significantly significant. The same did not happen with other associations disclosed in this research. Keywords: Bone infections; Jaws; Osteomyelitis. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Fisiopatologia da osteomielite 16 Figura 2 - Fisiopatologia da osteomielite nos pacientes diabéticos 18 Figura 3 - Processo da osteomielite no desenvolvimento do osso necrótico. 19 Figura 4 - Diferença do intervalo de tempo da osteomielite aguda e a osteomielite crônica secundária do osso maxilar 25 Figura 5 - Imagem radiográfica evidenciando sequestro ósseo em mandíbula direita e esquerda localizado em região de pré-molar a molar e osso reacional acometendo mais de um quadrante. 41 Figura 6 - Imagem radiográfica evidenciando perda óssea em maxila em região de molar, acometendo ˂50% do quadrante. 42 Figura 7 - Imagem radiográfica evidenciando área de osso reacional, sequestro e perda óssea em região de mandíbula direita, acometendo ˃50% do quadrante. 42 Figura 8 - Imagem radiográfica evidenciando áreas de osso reacional e sequestro ósseo em mandíbula. 42 Figura 9 - Representação da análise morfológica quanto ao infiltrado inflamatório linfocitário (200x). A) Presença discreta; B) Presença moderada; C) Presença intensa. 45 Figura 10- Aspectos morfológicos analisados nos casos de osteomielite. A) Presença discreta de osteoblastos (200x); B) Ausência de osteoclastos (200x); C) Presença de osso necrótico e neoformação óssea (40x). 46 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Classificação da osteomielite de acordo com Baltensperger, Eyrich,2009 21 Quadro 2 - Classificação dos critérios baseado na classificação de Zurique proposta por Hugo et al. (1993) 24 Quadro 3 - Fatores sistêmicos que alteram a imunidade do hospedeiro 26 Quadro 4 - Classificação clínica de Zurique 27 Quadro 5 - Penetração óssea dos antibióticos 30 Quadro 6 - Regime antimicrobiano sugeridos para a osteomielite 31 Quadro 7 - Critérios para análise morfológica 36 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com os dados demográficos e clínicos. Natal-RN/2022……………………… 37 Tabela 2 - Distribuição absoluta e relativa dos tipos de osteomielite. Natal- RN/2022..................................................................................................... 38 Tabela 3 - Associações entre a classificação e parâmetros clínicos dos casos de osteomielite. Natal/RN, 2022……………………………………………. 39 Tabela 4 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com os aspectos radiográficos analisados. Natal/RN, 2022…………….. 40 Tabela 5 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com a classificação de Zurique (Baltensperger, Eyrich, 2003). Natal- RN/2022…………………………………………………………………. 40 Tabela 6 - Associações entre a classificação e parâmetros radiográficos dos casos de osteomielite. Natal/RN, 2022………………………………………… 43 Tabela 7 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com os aspectos histopatológicos analisados. Natal/RN, 2022………………. 44 Tabela 8 - Associações entre a classificação e parâmetros morfológicos dos casos de osteomielite. Natal/RN, 2022………………………………………… 47 ABREVIATURAS E SIGLAS OCP: Osteomielite crônica primária OCS: Osteomielite crônica secundária OA: Osteomielite aguda ISRS: Inibidores seletivos de recaptação de serotonina SAPHO: Sinovite, Acne, Pustulose, Hiperostose e Osteíte OHB: Oxigenoterapia hiperbárica SA: Staphylococcus aureus MEC: Matriz extracelular SACs: Abscesso estafilocócico PMNs: Células Polimorfonucleares TNF: Fator de necrose tumoral DII: Doença inflamatória intestinal PPP: Pustulose palmoplantar OPP: Osteomielite com periostite proliferativa PET-CT: Tomografia por Emissão de Pósitrons DF: Doença Falciforme (DF) TC: Tomografia Computadorizada HbS:Hemoglobina S AF:Anemia falciforme Sumário 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 14 2.1 Osteomielite .......................................................................................................... 14 2.2 Sistema de Classificação ...................................................................................... 20 2.3 Características clínicas e radiográficas .............................................................. 26 2.4 Características Morfológicas e Tratamento ........................................................ 30 3 OBJETIVOS .............................................................................................................. 33 3.1 Objetivo Geral ...................................................................................................... 33 3.2 Objetivos Específicos ............................................................................................ 33 4 METODOLOGIA ...................................................................................................... 34 4.1 Considerações Éticas ........................................................................................... 34 4.2 Caracterização do estudo ..................................................................................... 34 4.3 População ............................................................................................................. 34 4.4 Amostra................................................................................................................. 34 4.5 Critérios ................................................................................................................ 35 4.5.1 Critérios de Inclusão ......................................................................................... 35 4.5.1 Critérios de exclusão ......................................................................................... 35 4.6 Estudo Clínico ...................................................................................................... 35 5 RESULTADOS .......................................................................................................... 38 5.1 Caracterização da amostra .................................................................................. 38 5.2 Análise Radiográfica............................................................................................ 40 5.3 Análise histopatológica ........................................................................................ 44 6 DISCUSSÃO .............................................................................................................. 49 7. CONCLUSÃO ...........................................................................................................54 APÊNDICE ................................................................................................................... 60 ANEXO .......................................................................................................................... 62 12 1 INTRODUÇÃO Alterações patológicas podem afetar o metabolismo ósseo e consequentemente, a deposição mineral da matriz óssea, causando a morte de células, como os osteoblastos e osteoclastos (BILEZIKIAN, RAISZ, MARTIN, 2008). O termo osteomielite surgiu no ano de 1844, originado da palavra grega osteon, myelo e itis que significam respectivamente osso, medula e inflamação. Essa lesão é definida como um estado inflamatório do osso, que se inicia na cavidade medular e termina no periósteo do sistema haversiano (ARANI et al., 2019; SAXENA et al., 2021). A etiopatogenia da osteomielite é multifatorial incluindo traumas, doenças sistêmicas, infecção odontogênicas e usuário de drogas. Dentre as causas mais prováveis, as infecções odontogênicas são as patologias mais propícias para desencadear o processo infecioso, resultando em destruição lítica expansiva do osso, apresentando supuração e sequestro ósseo. Os micro-organismos mais encontrados são os Staphilococcus aureus, podendo incluir outros como Streptococci, Enterococci, Pseudomonas, Enterobacter, Peptoestreptococci e Clostridium. Porém, fungos, parasitas e vírus podem participar da patogênese da lesão. No entanto, outras situações apresentam papel relevante tais como cirurgias mal realizadas, traumatismo de face, diabetes, depressão, cardiopatas, osteoporose e renal crônico (BAUR et al., 2015; URS et al., 2016; GONZÁLEZ et al., 2017; AMAND et al., 2017). Dentre as classificações para as osteomielites dos maxilares, o sistema de classificação de Zurique, proposta no ano de 1970 por Hugo primeiramente, na Universidade de Zurique, na Suíça (BALTENSPERGER, EYRICH, 2009), utiliza uma ordem hierárquica de critérios baseado na aparência clínica, curso da doença e características radiológicas. Classificada como Osteomielite aguda (OA), Osteomielite crônica secundária (OCS) e Osteomielite crônica primária (OCP). Vale salientar que na literatura existem diversas classificações da osteomielite, podendo ser classificada pela sua etiopatogenia, características clínicas, radiográficas ou morfológicas (AMAND et al., 2017; BALTENSPERGER, EYRICH, 2009). Osteomielite Aguda é definida com a persistência dos sintomas durante o tempo limite de 4 semanas. Osteomielite secundária pode ser chamada de osteomielite supurativa crônica caracterizada pela presença de pus, fístula e/ou sequestro ósseo, geralmente causado pela invasão bacteriana de uma etiologia bem identificada, como trauma ou cirurgia na mandíbula. A Osteomielite crônica primária, por sua vez, é uma inflamação não supurativa de etiologia desconhecida, caracterizada pela falta de pus e fístula (AMAND et al., 2017). 13 Histologicamente, nota-se um padrão fibro-ósseo benigno onde geralmente é encontrado trabéculas de tecido ósseo desvitalizado permeado por tecido conjuntivo denso, rico em infiltrado inflamatório. Pode ser observado ainda ausência de osteócitos no interior das lacunas, focos de reabsorção óssea na periferia, além de áreas de colônias bacterianas (SPERANDIO, GIUDICE, 2013; FERNANDES, 2012). Vale ressaltar que o histopatológico é lançado como suporte no diagnóstico quando as descobertas clínicas e radiográficas não são patognomônicas (BELLI, MATTEINI, ANDREANO, 2002). Em relação ao tratamento da osteomielite é apresentado como uma combinação de procedimentos independentemente da classificação, existe a possibilidade de tratar de forma mais conservadora (antibioticoterapia e curetagem) ou abordagens mais radicais (extração dentária, sequestrectomia e ressecção). O manejo envolve remoção de sequestros ósseos, drenagem de abscesso e oxigenoterapia hiperbárica como opção (ALLAL et al., 2021). Frente ao exposto, essa pesquisa visa embasar os cirurgiões-dentistas no diagnóstico e tratamento da osteomielite, visto que, no Brasil ainda existe poucos estudos acerca do tema. Nos últimos tempos parece haver uma mudança na apresentação clínica desta patologia, podendo ser atribuído principalmente à crescente incidência de doenças sistêmicas que comprometem os fatores imunológicos do hospedeiro, como diabetes mellitus, uso de drogas imunossupressoras e desnutrição. Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo analisar de forma descritiva, retrospectiva e comparativa dos tipos de osteomielites dos maxilares bem como suas causas, suas características clínicopatológicas e radiográficas dos pacientes do Departamento de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/hyperbaric-medicine 14 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Osteomielite O termo osteomielite vem do grego, osteon significa osso, myelo que significa medula e itis significa inflamação e o seu termo cunhou em 1844 por Nelaton. Definida como uma inflamação ossea, que se inicia na cavidade medular e extende-se ao periósteo do sistema haversiano (BALTENSPERGER et al.,2009, ARANI et al., 2019, SAXENA et al., 2021). Quanto ao processo infeccioso, a classificação no tecido ósseo é subdividida em dois grupos: 1) a osteíte, a qual refere-se a um processo infeccioso ósseo limitado, enquanto (2) a osteomielite que é um processo mais difuso (BALTENSPERGER, EYRICH, 2009, ANDRE et al., 2017). A etiopatogenia da osteomielite é multifatorial incluindo traumas, doenças sistêmicas, infecção odontogênicas e usuário de drogas. Dentre as causas mais prováveis, as infecções odontogênicas são as patologias mais propícias para desencadear o processo infecioso e a mais relativamente comum na região dos maxilares. A infecção começa localmente ou pode se espalhar para áreas adjacentes ou distantes. Porém na presença de um desequilíbrio entre o sistema imune do hospedeiro e a virulência microbiana predispõe-se a uma infecção severa, podendo evoluir para um comprometimento sistêmico, além do sítio de origem, a partir da destruição lítica expansiva do osso, apresentando supuração e sequestro ósseo (URS et al., 2016; CORDEIRO et al., 2022). Segundo Bascones et al (2004) infecções odontogênicas que atingem a cavidade oral pode ter como origem lesões periapicais proveniente de cáries que causam necrose pulpar e se disseminam para o tecido periapical, ou periodontal decorrente de infecção bacteriana de uma bolsa periodontal ou de um folículo pericoronário de um dente parcialmente erupcionado. As infecções não-odontogênicas são infecções da mucosa oral, das glândulas salivares, dentre outras. Dentre as causas principais das infecções odontogênicas são: cárie dentária, infecção dento alveolar (infecção da polpa e abscesso periapical), gengivites, periodontites, osteíte, oteomielites ou ainda infecções pós-cirúrgicas. Destaca-se que o curso da infecção depende da resistência da bactéria, do hospedeiro e da anatomia da região. A disseminação da infecção nos tecidos moles e nos ossos circundantes ocorre devido à dissiminação hematogênica ou a inserção direta ocasionado por organismos microbianos no osso, influenciando a escassez do sangue estagnado que atua como nicho para o desenvolvimento da infecção. A osteomielite sucede principalmente das infecções bacterianas, 15 como Bacteroides, Peptostreptococcus, Staphylococcus aureus e Estreptococos microaerofílico; no entretanto, parasitas, vírus e fungos também podem afetar o osso e a medula óssea resultando assim na origem da doença, contudo é uma apresentação rara (URS et al.,2016, ARANI et al.,2019). O Staphylococcus aureus (SA) pode aderir prontamente os tecidos moles, tecido ósseo ou implantes metálicos, através da ligação da proteínada matriz extracelular (MEC) e por meio de componentes da superfície microbiana, como proteína de ligação ao colágeno e proteína de ligação de sialoproteína óssea. O SA também emprega múltiplas estratégias de sobrevivência para não ser afetado por células imunes e terapias (Figura 1A). O SA pode formar microcolônias denominadas de comunidades de abscesso estafilocócico (SACs) (Figura 1B). Na maioria dos casos, os SACs formam o centro de uma estrutura de abscesso com depósitos de fibrina circundantes. Especificamente, SA pode formar fibrina promovendo a polimerização do fibrinogênio que protege as bactérias da invasão e eliminação por células imunes, como as células Polimorfonucleares (PMNs), fazendo com que as células imunes se reúnam em torno de ninhos bacterianos (Figura 1C) (HOFSTEE et al., 2020). O SA aderente a implantes ou sequestro ósseo pode formar uma estrutura ainda mais complexa conhecida como biofilme (Figura 1D). As bactérias em biofilmes são menos suscetíveis a antibióticos, devido a vários fatores, incluindo a redução do metabolismo e níveis baixos de oxigênio. Ademais, o SA residente em biofilme pode secretar polissacarídeos e proteínas auto-produzidos e possivelmente DNA extracelular de células bacterianas mortas formando uma matriz que funciona como uma barreira física para infiltração de células imunes. O SA também pode invadir a lacuna dos osteócitos e rede canalicular (Figura 1D). Esse mecanismo pode ser responsável pela persistência e infecção crônica, com potencial para limitar o acesso às células imunes (HOFSTEE et al.,2020). Além disso, SA pode invadir e sobreviver intracelularmente em fagócitos, desencadeando a internalização fagocítica, expressando proteínas de ligação à fibronectina (Figura 1A e 1B), aderindo à fibronectina e conectando-se às integrinas a em macrófagos ou neutrófilos. Após a internalização, as células escapam da morte celular persistindo dentro de vacúolos ou inibindo a fusão fagolisossomal, podendo ainda infectar e sobreviver dentro de fagócitos não profissionais. Essa persistência intracelular fornece ao patógeno a proteção crucial necessária contra o ataque do sistema imunológico e tratamentos com antibióticos. Osteoblastos humanos infectados por SA também podem amadurecer em osteócitos e permanecem infectados. Para sobreviver intracelularmente, SA frequentemente adota uma pequena colônia dormente de fenótipo variante, caracterizado por crescimento lento e atividade metabólica reduzida. Os numerosos mecanismos pelo qual a 16 SA é capaz de sobreviver intracelularmente dentro do nicho ósseo por longos períodos é a principal causa de e osteomielite recorrente (HOFSTEE et al.,2020). Figura 1 - Fisiopatologia da osteomielite. Fonte: Hofstee et al., 2020. Com relação às causas, é importante destacar que outra patologia pode estar associada a osteomielite, como exemplo o granuloma periapical. O granuloma periapical é uma lesão inflamatória crônica no ápice de um dente não vital, consistindo de tecido de granulação e cicatriz, infiltrado por número variável de células inflamatórias crônicas (linfócitos, plasmócitos, mastócitos, macrófagos). Durante um surto agudo de um granuloma periapical, há infiltração neutrófilos abundantemente, além de tecido de granulação e células inflamatórias crônicas. Estudo feito no Departamento de Cirurgia e Patologia Buco Maxilo Facial, Hospital Universitário da Universidade de Benin, Benin City, Nigéria, onde 136 participaram do estudo, no estudo observou que majoritariamente em adultos do sexo masculino (OMOREGIE et al., 2011). 17 A osteomielite também pode estar associada ao granuloma periapical, que é uma lesão inflamatória crônica associado ao ápice de um elemento dentário não vital. Também pode esta associado ao cisto periodontal apical faz parte de um grupo de lesões inflamatórias, origina-se dos restos epiteliais do ligamento periodontal. É encontrado junto ao ápice dentário, sua etiopatogenia é a contaminação do canal radicular, levando a necrose pulpar e conseqüentemente da região do periapice, que recebe estímulos inflamatórios que fazem as células epiteliais se proliferarem e podem desencadear a osteomielite (RIBEIRO et al., 2004, OMOREGIE et al., 2011). associada a Síndrome Sinovite Acne Pustulose Hiperostose Osteíte (SAPHO). Sendo caracterizada como uma patologia que engloba uma variedade de distúrbios osteoarticulares que são frequentemente acompanhados por dermatoses caracterizadas por pseudo abscessos neutrofílicos, mas também podem ocorrer isoladamente. Esta condição acomete mais frequentemente crianças. Ressalta-se que a descrição original da síndrome SAPHO e os critérios de inclusão propostos para essa entidade incluem especificamente casos de osteomielite multifocal crônica recorrente (OMC). Esta condição foi descrita pela primeira vez por Giedion et al. (1972) sob o nome de osteomielite, subclassificado como osteomielite simétrica subaguda e crônica, e acomete mais frequentemente crianças, mas tem sido relatada em adultos, enquanto manifestações típicas da síndrome SAPHO foram descritas em crianças. Ainda há algum debate sobre se OMC representa a forma pediátrica de SAPHO ou constitui uma entidade separada. No entanto, a OMC apresenta todas as características essenciais da síndrome SAPHO, incluindo osteíte; hiperostose; e a associação com doenças de pele como pustulose palmoplantar (PPP), acne grave, pioderma gangrenoso e, em casos raros, síndrome de Sweet, embora em menor proporção de casos. Além disso, a síndrome SAPHO tipo OMC está associada à doença inflamatória intestinal (DII) (NGUYEN et al., 2012). Os organismos fúngicos que geralmente causam osteomielite são Candida parapsilosis, Aspergillus e a Murcomicose. O segundo fungo mais frequentemente encontrado na osteomielite é o Aspergillus. É originado a partir de uma infecção que não foi tratada adequadamente, geralmente de extrações dentárias. O Aspergillus são organismos que se alimentam de matéria orgânica originária de processos de decomposição e obtém energia a partir de matérias orgânicas de outros seres vivos. Como consequência causa uma infecção oportunista em pacientes com um alto nível de glicose no sangue e há presença de cetoredutase, que é a enzima produzida pelo fungo (Figura 2).Contribuindo assim, para um ambiente mais adequado para o crescimento dos corpos cetônicos, facilitando infecções oportunistas em pacientes com imunossupressão, pacientes submetidos a tratamento quimioterápicos, 18 transplantados e usuários de drogas também são propensos para desencadear a osteomielite (ARANI et al.,2019). Figura 2 - Fisiopatologia da osteomielite nos pacientes diabéticos. Fonte: Adaptação de ARANI et al., 2019. Os estudos de Tarfa e colaboradores (2022) e Mooney, Dominick e Erickson (2019) sugerem que no contexto da utilização de inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) em longo prazo, aumenta o risco de osteomielite e falha em implantes dentários. Os ISRS é o tratamento medicamentoso mais comum para ansiedade e depressão, principalmente os adolescentes. Existe também relatos de casos de osteomielite resultante de falha na osseointegração de implante dentário (TARFA et al., 2022). Além disso, pacientes que levam um estilo de vida pouco saudável (abuso de substâncias psicoativas) são propensos a ter osteomielite. Estudo feito com 46 pacientes no departamento de cirurgia oral e maxilo facial do hospital clínico regional em Lviv, durante o período de 2013 a 2019, revelou que 60% das pessoas que apresentaram osteomielite dos maxilares ocorrem devido ao uso de drogas, sem comorbidades patológicas (FITKALO et al.,2021). https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/osseointegration 19 O uso de drogas acarretará um processo que danificara o tecido ósseo dos maxilares podendodurar meses ou anos, trazendo como consequência sequestros e perda de elementos dentários (FITKALO et al.,2021). Alguns cistos são raros para ocasionar a osteomielite, tendo como exemplo o Cisto Dentígero (CD) é o segundo mais comum entre os cistos odontogênicos representando cerca de 11,4 a 35,5% em diferentes populações mundiais. Sua ampla incidência é acompanhada por apresentações incomuns, como lesões múltiplas, associadas a outras lesões do sistema estomatognático, como cisto odontogênico calcificante, bem como processos infecciosos. A infecção desse cisto é rara, podendo apresentar diferentes evoluções, desde o aumento da reabsorção óssea local até quadros menos comuns, como mediastinite necrosante e Osteomielite com periostite proliferativa (OPP). OPP, também conhecida como osteomielite de Garrè, é uma condição rara associada abaixo potencial de infecção, na qual há uma reação periosteal com formação óssea sobrejacente ao osso local. Frequentemente afeta a mandíbula causando assimetria facial de crescimento lento e pode apresentar eritema e fístula (SANTOS et al.,2020). Acerca de todas as condições citadas o suprimento vascular está diminuído, predispondo a infecção, ocorrendo assim a entrada de micróbios no osso esponjoso causando a compressão dos vasos sanguíneos precedida pela inflamação e edema da medula (Figura 3A). A compressão severa da vascularização leva à isquemia e necrose do osso (Figura 3B). O sangue imóvel é estagnado formando nichos, desenvolvendo a infecção (ARANI et al.,2019). Figura 3 - Processo da osteomielite no desenvolvimento do osso necrótico. Fonte: Elaboração própria (2022). A B 20 2.2 Sistema de Classificação Existem na literatura uma ampla variedade de classificações da osteomielite (Quadro 1) podendo produzir conflitos nos estudos comparativos. O presente estudo seguirá a classificação proposta no ano de 1970, na Universidade de Zurique. O sistema de classificação de Zurique proposta por Hugo baseada principalmente nas características clínicas e radiográficas dessa patologia. O sistema de classificação baseia-se em alguns critérios (Quadro 2), onde se observa principalmente na aparência clínica e no curso da doença, bem como nas características radiológicas. O morfológico é considerado um critério de classificação secundário, sendo utilizado quando os achados clínicos e radiográficos são inespecíficos e inconclusivos e com aparência atípica. Sendo assim, o exame histopatológico é insubstituível para a confirmação do diagnóstico (BALTENSPERGER e EYRICH 2009). 21 Quadro 1 - Classificação da osteomielite de acordo com Baltensperger, Eyrich, 2009. Referência Classificação Critério de classificação Hudson JW Osteomielite dos maxilares: Retrospectiva de 50 anos J Oral Maxillofac Surg 1993dec:51(12):1294-301 Tipos Anatômicos Estágio I: Osteomielite medular: Osso medular envolvido sem envolvimento da cortical, usualmente hematogênico Estágio II: Osteomielite superficial: Defeito ósseo inferior a 2 cm sem osso esponjoso. Estágio III: Osteomielite localizada: Defeito ósseo menor que 2 cm na Estágio IV: Osteomielite difusa: defeito maior que 2 cm. Patológico envolve fratura, infecção e pseudoartrose. II. Classe fisiológica -Um hospedeiro: hospedeiro normal. -Hospedeiro B: hospedeiro comprometido sistemicamente ou hospedeiro comprometido no loca. -Hospedeiro C: tratamento pior que doença. Classificação baseada em patologia, anatomia e fisiopatologia De Vibhagool 1993 e Cierny 1985 Mittermayer CH Patologia Oral. Schattauer,Stutt gart-Nova York 1976 I. Osteomielite supurativa aguda (osteomielite efacional rara) II. Osteomielite supurativa crônica (osteomielite esclerosante) III. Osteomielite esclerosante focal crônica (Pseudo-paget, osteomielite condensante) 4. Osteomielite esclerosante difusa crônica V. Osteomielite crônica com periostite proliferativa (doença crônica de Garrè osteíte esclerosante não supurativa, periostite ossificante) Classificação baseada na aparecia clínica, radiológica, patológica e etiológica. 22 VI. Osteomielite específica 1. Osteomielite tuberculosa 2. Osteomielite sifilítica 3. Osteomielite actinomicótica Hjorting-Hansen E Decorticação no tratamento da osteomielite da mandíbula. Oral Surg Oral Med Oral Pathol 1970 Maio;29(5):641-55 I. Osteomielite aguda/subaguda II. Osteomielite crônica secundária III. Osteomielite crônica primária Classificação baseada na aparecia clínica e radiológica. Panders AK, Hadders HN Inflamações esclerosantes crônicas de a mandíbula. Osteomielite seca (Garre), osteomielite esclerosante crônica com estrutura trabecular de malha fina, e osteomielite esclerosante muito densa. Oral Surg Oral Med Oral Pathol 1970 Set;30(3):396-412 I. Principalmente inflamação crônica da mandíbula 1. Osteomielite seca (sinônimo osteomielite de Garrè, crônica esclerosante não supurativo osteomielite de Garrè, periostite ossificantes) 2. Osteomielite esclerosante crônica com trabecular de malha fina estrutura 3. Local e mais extenso muito osteomielite esclerosante densa II. Inflamação crônica secundária da mandíbula III. Inflamações crônicas específicas da mandíbula – Tuberculose – Sífilis – Lepra Classificação baseada no quadro clínico e radiológico 23 – Actinomicose Topazian RG Osteomielite dos Maxilares. Em Topizan RG, Goldberg MH (eds): Infecções Orais e Maxilofaciais. Filadélfia, WB Saunders 1994, Capítulo 7, pp 251-88 I. Osteomielite supurativa 1. Osteomielite supurativa aguda 2. Osteomielite supurativa crônica – Osteomielite supurativa crônica primária – Supurativa crônica secundária osteomielite 3. Osteomielite infantil II. Osteomielite não supurativa 1. Osteomielite esclerosante crônica - Osteomielite esclerosante focal - Osteomielite esclerosante difusa 2. Osteomielite esclerosante de Garrè 3. Osteomielite actinomicótica 4. Osteomielite por radiação e necrose Classificação baseada no quadro clínico, Radiologia e etiologia (formas específicas como sífilis, tuberculosa, brucelar, viral, química, Escherichia coli e Salmonella osteomielite não integrada na classificação) Bernier S, Clermont S, Maranda G, Turcotte JY Osteomielite dos maxilares. J Can Dent Assoc 1995 Maio;61(5):441-2, 445-8 I. Osteomielite supurativa 1. Osteomielite supurativa aguda 2. Osteomielite supurativa crônica II. Osteomielite não supurativa 1. Osteomielite esclerosante focal crônica 2. Osteomielite esclerosante difusa crônica 3. Osteomielite esclerosante crônica de Garrè (osteomielite proliferativa) III. Osteorradionecrose Classificação baseada no quadro clínico e radiológico Fonte: Baltensperger; Eyrich, 2009. 24 Quadro 2 - Classificação dos critérios baseado na classificação de Zurique proposta por Hugo et al. (1993). Ordem hierárquica dos critérios de classificação Critérios de Classificação Grupos de Classificação Primário Aparência clínica e o curso da doença Aspectos radiográficos Osteomielite crônica primaria (OP) Osteomielite crônica secundária (OPS) Osteomielite Aguda (AO) Secundário Patologia (macroscopia e histologia) Diferenciação de casos que não podem ser claramente distinguidos apenas na aparência clínica e no curso da doença. É de suma importante para exclusão de diagnóstico diferencial. Terciário Etiologia e patogênese Subgrupos de Osteomielite aguda, Osteomielite secundária e Osteomielite primária. Fonte: Baltensperger; Eyrich, 2009. A terminologia básica utilizada na classificação de Zurique da osteomielite dos maxilares foi promovida por Hugo Obwegeser, entre outros. No princípio foi descrito e publicado por E. Hjorting-Hanson,ex-funcionário do Departamento de Cirurgia Cranio- Maxilofacial Zurique, em 1970. Hjorting-Hanson, como muitos outros autores antes e depois dele, deu uma excelente descrição do quadro clínico e radiológico da osteomielite crônica secundaria e a osteomielite aguda, no entanto, não ficou claro como classificar uma osteomielite aguda/subaguda deve ser considerada crônica. Marx e Mercuri (1991) foram os primeiros e únicos autores a definir a duração de um quadro agudo de osteomielite. Eles estabeleceram um prazo arbitrário de 4 semanas após o início da doença. O início da invasão bacteriana profunda na medula e no osso cortical. Após o período de 4 semanas, uma infecção óssea persistente deve ser considerada como osteomielite crônica secundária (Figura 4). Embora o aparecimento da doença é um ponto discutível no tempo, ainda uma simples e claro o critério de classificação e, portanto, de uso prático para o 25 cirurgião dentista (CD). Esta mesma definição foi usada posteriormente por vários outros autores .Por sua simplicidade e clareza, este critério também é usado na classificação de Zurique proposta por Hugo para diferenciar osteomielite aguda de casos de osteomielite crônica secundária (BALTENSPERGER; EYRICH 2009). Figura 4 - Diferença do intervalo de tempo da osteomielite aguda e a osteomielite crônica secundária do osso maxilar. Fonte: Baltensperger; Eyrich 2009. O sistema de classificação de Zurique subclassifica a osteomielite em Osteomielite aguda (OA), Osteomielite crônica secundária (OCS) e Osteomielite crônica primária (OCP). OA é definida com a persistência dos sintomas durante o tempo limite de 4 semanas. Após o início dos sintomas e a persistência após este limite de tempo é então considerada como osteomielite crônica. A osteomielite crônica secundária frequentemente referida na literatura como osteomielite supurativa crônica, caracterizada pela presença de pus, fístula e/ou sequestro ósseo, geralmente causada por invasão bacteriana de etiologia bem identificada, como trauma ou cirurgia na mandíbula e a OCP é uma inflamação não supurativa de etiologia desconhecida, caracterizada pela falta de pus e fístula (AMAND et al.,2017, BALTENSPERGER; EYRICH 2009). Vale salientar que o termo osteomielite crônico deve ser usado para descrever “infecções verdadeiras nas quais microrganismos invadiram o osso e induziram um hospedeiro na tentativa 26 de uma resposta inflamatória à sua própria presença ou às suas toxinas”. E que a Osteomielite aguda e a osteomielite crônica secundária da mandíbula correspondem à mesma doença em um estágio diferente, compartilhando a mesma etiologia (AMAND et al.,2017). 2.3 Características clínicas e radiográficas Vários fatores estão envolvidos no desenvolvimento da doença, como trauma, terapia cirúrgica, bacteremia, infecção fúngica e doenças sistêmicas que diminuem o mecanismo de defesa do hospedeiro, como diabetes, doença de Paget e anemia falciforme, onde mostra as lesões mais detalhadas no Quadro 3 (ARANI et al.,2019). Quadro 3 - Fatores sistêmicos que alteram a imunidade do hospedeiro Diabetes Mellitus Quimioterapia Anemia Uso abusivo de drogas AIDS Etilismo ou tabagismo Desordens Autoimunes Desnutrição Leucemia Hepes simples Sífilis Cirurgias Fonte: ARANI et al.,2019 A Doença Falciforme (DF) é uma doença autossômica recessiva caracterizada pela presença da hemoglobina S (HbS). Isso ocorre por uma mutação no gene da beta globina na posição 6 da extremidade N - terminal no cromossomo 11, onde ocorre a substituição de um ácido glutâmico pela valina. A doença apresenta vários genótipos, sendo a forma mais grave encontrada nos indivíduos homozigóticos para a HbS, caracterizando a anemia falciforme (AF). Sendo assim, a doença é caracterizada pela anemia, por um estado de inflamação crônica, por um comprometimento da imunidade, principalmente pela autoesplenectomia, e por vaso- oclusões frequentes. Tudo isso predispõe as diversas complicações graves. Os indivíduos com AF apresentam maior risco de diversas infecções, entre elas as ortopédicas, como osteomielite, artrite séptica e osteonecrose. As complicações da osteomielite podem ser divididas em iniciais e tardias. As iniciais incluem bacteremia persistente, sepse e trombose venosa profunda. Já as tardias, são mais raras e compreendem o comprometimento da placa de crescimento do osso acometido e, consequentemente, diferença no tamanho dos membros, fraturas patológicas, perda de função, infecções recorrentes e osteomielite crônica. Adultos com AF possuem maior risco para desenvolver complicações tardias (SILVA, MIRANDA, DIAS, 2021). 27 Os sinais e sintomas clínicos associados a osteomielite inclui perfuração profunda, dor, drenagem purulenta intraoral ou extraoral, fístula intraoral e cutânea, fratura patológica, trismo e distúrbio neurossensorial. No quadro 4 está descrito com mais detalhes a classificação clínica (URS et al.,2016, QAISI; MONTAGUE, 2017). Quadro 4 - Classificação clínica de Zurique Osteomielite Aguda Osteomielite Secundária Osteomielite Primaria ˂4 semanas Presença de pús, fístula ou sequestro ósseo. Origem: Traumas, fraturas, corpo estranho, hematógenico ˃ 4 semanas Presença de pús, fístula ou sequestro ósseo. Origem: Traumas, fraturas, corpo estranho, hematógenico ˃ 4 semanas Ausência de pús, fístula ou sequestro ósseo. Origem: Desconhecida Síndrome associadas SAPHO (Sinovite, Acne, Pustulose, Hiperostose e Osteíte) Nunca passou por uma fase aguda apreciável e não possui um evento inicial definitivo. Fonte: URS et al.,2016, QAISI; MONTAGUE, 2017. Em relação ao local mais acometido envolvendo a cavidade oral a maxila é bastante rara quando comparado com a mandíbula. Isso é justificado pelo suprimento sanguíneo colateral, a natureza porosa e os córtices finos da maxila, reduzindo assim, a chance de osteomielite na maxila quando comparada à mandíbula (ARANI et al.,2019). Segundo Arani et al. (2019) a osteomielite é mais comum em homens (80,36%) que em mulheres (19,64%), com pico de incidência entre 30 e 39 anos de idade. O estudo de Andre et al. (2017) realizado no Departamento de Estomatologia e Cirurgia Maxilofacial da Piedade - Hospital Universitário Salpetriére em Paris, França (Assistência publique–Hôpitaux de Paris) com 40 pacientes, no período de janeiro de 2009 a dezembro 2015 demostrou na avaliação clínica inicial que todos os pacientes relataram dor e 34 pacientes apresentavam osteomielite. Uma limitação na abertura de boca foi observada em 19 pacientes, 35 dos pacientes que tiveram a mandíbula afetada pela a osteomielite. Entre os 40 pacientes com osteomielites, 3 foram agudas, 26 crônicas secundária, 11 foram osteomielite crônica primária, uma delas foi Sinovite- Acne-Pustulose-Hiperostose-Osteite (Síndrome SAPHO). Entre os 29 pacientes com osteomielites agudas e osteomielite crônica secundária 26 tinham etiologia alveolar-dentária. 28 Segundo Kremers et al. (2015) durante o período 41 anos identificaram 760 pacientes do condado de Olmsted. A média de idade foi de 52 ± 25 anos, e 58% dos pacientes eram do sexo masculino. A média de idade em incidência foi maior no sexo feminino do que no masculino (56 ± 26). A idade média de incidência aumentou significativamente ao longo das quatro décadas, de 38 ± 26 anos no período de 1969 a 1979 a 57 ± 23 anos no período de 2000 a 2009. Vale salientar que a diabetes foi o principal fator contribuinte em 27% dos pacientes, seguido em igual proporção por hematogênico (19%) e relacionado a trauma (19%). A proporção de casos relacionados ao diabetes dobrou de 13% na década de 1970 para 29% na década de 2000. O exame radiográfico é um procedimento simples e relativamente barato que pode auxiliar muito para a conclusãodo diagnóstico, vale acentuar que a ressonância é forte aliado também para o diagnóstico, pois pode detectar estágios iniciais da osteomielite. Nas imagens é possível observar uma aparência de “comido por traças”, erosão óssea, sequestro, destruição óssea, ou qualquer combinação destes recursos. A ressonância é forte aliado também para o diagnóstico, pois pode detectar estágios iniciais da osteomielite (QAISI, MONTAGUE, 2017). Na osteomielite aguda, a radiografia simples inicial não mostra quaisquer alterações. Após cerca de três a quatro dias, pode haver um aumento dos tecidos moles. As alterações ósseas aparecem após duas semanas, e lesões líticas mal delineadas também podem ser observadas, simulando uma lesão agressiva. Uma reação periosteal lamelar também é evidente. A ressonância magnética (RM) é considerada o principal tipo de imagem na avaliação de infecções ósseas, revelando alterações já nos primeiros dias da doença. O edema de medula óssea também é evidente na RM. À medida que a doença progride, surgem abcessos, com realce periférico típico na fase de contraste. A especificidade da ressonância magnética é superior à da cintilografia óssea no diagnóstico de infecção (LIMA et al.,2014). A tomografia computadorizada (TC) pode analisar sequestro ósseo em caso de infecções subagudas e crônicas, indicando o potencial de infecção. Com relação ao exame de ultrassom pode ser útil, especialmente em pacientes mais jovens, pois revela edema dos tecidos moles ao redor do osso, espessamento periosteal e coleções subperiosteais. Alterações radiográficas podem ainda estar presente, apesar do tratamento adequado. Nesses casos, métodos funcionais, especialmente tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-CT), desempenham um papel mais importante. A PET-CT é uma técnica que utiliza isótopos emissores de pósitrons para formar imagens, sendo a principal delas marcadas com flúor-18 fluorodesoxiglicose (LIMA et al.,2014). 29 30 2.4 Características Morfológicas e Tratamento Algumas patologias podem afetar o metabolismo ósseo, essa condição é caracterizada pela morte dos componentes celulares do osso, como os osteoblastos e osteoclastos, e pela deposição alterada de mineral na matriz óssea (BILEZIKIAN, RAISZ, MARTIN, 2008). Vale salientar também que as amostras de osso, tecido mole e sequestro ósseo devem ser enviadas para análise histológica após biópsia ou debridamento cirúrgico, pois podem confirmar o diagnóstico da osteomielite (LIMA et al.,2014). Morfologicamente na osteomielite aguda não é comum, devido ao conteúdo basicamente líquido, à falta de um componente de tecido mole , o material consiste predominantemente de um osso necrótico com infiltrado inflamatório agudo com leucócitos polimorfonucleares, exibindo perda de osteócitos de suas lacunas, reabsorção periférica e colonização bacteriana na periferia do osso e os canais haversianos contêm resíduos necróticos. E na osteomielite crônica secundária observa-se predominantemente os linfócitos, osteoblastos e osteoclastos. Em ambos os casos é comum sequestros ósseos dispersos e as bolsas de formação de abscesso (NEVILLE et al.,2016; LIMA et al.,2014). A terapia antimicrobiana direcionada, por definição, requer a identificação do microrganismo agressor por hemocultura. A cultura óssea pode não ser viável em todos os pacientes antes da administração de antibióticos empíricos. A correção da hiperglicemia e a melhora da doença vascular periférica são componentes críticos da terapia em pacientes com osteomielite relacionada a feridas crônicas (URISH, CASSAT, 2020). O tratamento para a osteomielite inclui uma drenagem adequada, desbridamento completo, proteção da ferida e cobertura antibiótica direcionada para a cultura de bactérias isoladas (PARSONS, STRAUSS, 2004; BALTENSPERGER, EYRICH, 2009). Vale salientar que a taxa e extensão da penetração do antibiótico nos tecidos ósseos são vistos como fatores determinantes para o sucesso terapêutico para a osteomielite. Por outro lado, a penetração de um antibiótico no tecido ósseo infectado depende de suas características, o grau de vascularização, boas condições de tecidos moles e a presença de corpos estranhos. Antibióticos com uma alta proporção de concentração de osso/soro e outros com baixa absorção (Quadro 5). É importante observar que o sucesso do tratamento da osteomielite, principalmente nos casos relacionada a implantes, depende de extenso desbridamento cirúrgico e antibioticoterapia adequada e eficaz. O antibiótico empírico também pode ser iniciado após a coleta da amostra de cultura em pacientes não sépticos. A duração da antibioticoterapia varia 31 de quatro semanas a seis meses, e o tratamento deve ser ajustado com base sobre os resultados das culturas coletadas, quando necessário (LIMA et al.,2014). As infecções agudas podem ser tratadas inicialmente com extensa limpeza cirúrgica associada à antibioticoterapia com duração de quatro a seis semanas. As infecções crônicas devem ser tratadas com desbridamento cirúrgico extensivo e remoção de qualquer material de síntese, que pode ser substituído durante o mesmo procedimento cirúrgico se indicação ortopédica. Devido à formação de biofilme, o tempo total de administração de antibióticos nessas infecções é três a seis meses (Quadro 6) (LIMA et al.,2014). Quadro 5 - Penetração óssea dos antibióticos. Antibiótico Intervalo de tempo desde a última dose(h) Osso/soro Razão de concentração Amoxicilina 2 0.17–0.31 Amoxicilina + Clavulonato 0.5–6 0.01–0.09 Ampicilina 0.25–4 0.11–0.71 Sulbactam 0.25–4 0.11–0.71 Piperacillin 1 0.18–0.23 Tazobactam 1 0.22–0.26 Oxacillin 1 0.11 Ertapenem 1.6–23.8 0.13–0.19 Ceftriaxon 0.2–8 0.07–0.17 Cefazoline 0.9 0.17 Cefepime 1–2 0.46–0.76 Ceftazidime 2 0.54 Eritromicina 0.25–2 0.18–0.28 Azitromicina 0.5–6.5 dias 2.5–6.3 Clindamicina 1–2 0.21–0.45 Rifampin 2–14 0.08–0.56 Rifampin (osteomyelitis) 3.5–4.5 0.57 Tigecycline 4–24 0.35–1.95 Teicoplanin 4–16 0.5–0.64 Daptomycin 2 1.08 Linezolid (osteomyelitis) 0.9 0.23 Linezolid 0.5–1.5 0.4–0.51 Vancomycin (osteomyelitis) 1–7 0.27 Vancomycin 0.7–6 0.05–0.67 Ciprofloxacin (osteomyelitis) 2–4.5 0.42 32 Levofloxacin 0.7–2 0.36–1.0 Ciprofloxacin 0.5–13 0.27–1.2 Fonte: LIMA et al.,2014. Quadro 6 - Regime antimicrobiano sugeridos para a osteomielite. Situação clínica Antimicrobiano Inicial Comunidade Agudo (crianças˂4 meses) Oxacilina, cefazolina ou clindamicina a + ceftazidima ou cefepima Em hospitais Agudo Adulto Oxacilina ou cefazolina a Hemoglobinopatia Crianças e adultos após trauma Oxacilina ou cefazolina a Fonte: LIMA et al.,2014 As terapias antibióticas constituem sendo um importante componente no tratamento da osteomielite, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) tem, talvez, a mais longa história de eficácia relatada no tratamento de casos refratários de osteomielite (PARSONS; STRAUSS, 2004). 33 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral Realizar análise comparativa, descritiva, retrospectiva e dos tipos de osteomielites dos maxilares e as características clínicopatológicas dos casos diagnosticados e arquivados na Disciplina de Patologia Oral, Departamento de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no período de janeiro de 1970 a dezembro de 2021. 3.2 Objetivos Específicos • Coletar informações clínicas tais como: sexo, faixa etária, idade e sintomatologia dos pacientes e avaliar a localização da lesão, etilismo, tabagismo, cor da pele, se toma bifosfonatos e tratamento; • Avaliar radiograficamente a perda óssea alveolar ou reabsorção, dimensão da extensão da perda óssea, espessamento da lâmina dura, diminuição do tamanho do espaço do ligamento periodontal, fratura patológica e sequestro ósseo; • Avaliaras causas da osteomielite: trauma, infecção odontogênica (abcesso, granuloma periapical e cisto) ou doença sistêmica (diabetes, cardiopatias, osteoporose e outras doenças); • Analisar as características histológicas sobre os tipos de infiltrado inflamatório, tipos celulares, vitalidade óssea e presença ou ausência de coleção bacteriana entre as lesões; • Investigar se há associação estatisticamente significativa entre as características clínicas, radiográficos e histológicos e os tipos de osteomielite. • Investigar se há associação estatisticamente significativa entre as causas e os tipos de osteomielite. 34 4 METODOLOGIA 4.1 Considerações Éticas O projeto foi cadastrado na Base de Registro de Pesquisa envolvendo seres Humanos, na plataforma Brasil. Assim, o projeto foi submetido ao Comitê Central de Ética em pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do acordo com a resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), tendo sido provado conforme parecer 5.315.578. 4.2 Caracterização do estudo Essa pesquisa consistiu em um estudo de análise descritiva, retrospectiva e comparativa dos tipos de osteomielite e das suas causas. Sendo uma análise clínico patológico visando analisar e correlacionar as características clínicas, radiográficas. O sistema de classificação seguindo a proposta por Hugo em 1970 e a análise morfológica definida por Reis 2014. A análise das lâminas sob a microscopia de luz foi realizada por meio de avaliação descritiva e semiquantitativa. 4.3 População A população desse estudo foi constituída pelos casos de osteomielite diagnosticados no período de janeiro de 1970 a dezembro de 2021, os quais se encontram armazenados no Laboratório de Anatomia Patológica da Disciplina de Estomatologia e Patologia Oral, Departamento de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 4.4 Amostra A presente pesquisa foi elaborada a partir de uma amostra de conveniência, intencional e não-probabilística, representada por 75 casos de osteomielite, sendo 9 casos de osteomielite aguda, 3 casos de osteomielite crônica primaria e 63 casos de osteomielite crônica secundária. 35 4.5 Critérios 4.5.1 Critérios de Inclusão Foram incluídos na pesquisa apenas casos que apresentassem diagnóstico histopatológico de osteomielite e material biológico suficiente para a análise morfológica. 4.5.1 Critérios de exclusão Foram excluídos da pesquisa os casos cujas fichas clínicas e/ou prontuários apresentassem dados insuficientes para a realização do estudo clínico-demográfico. 4.6 Estudo Clínico A partir das fichas de requisição de biopsia e das fichas clínicas arquivadas no serviço de anatomia patológica da Disciplina de Estomatologia e Patologia Oral do Departamento de odontologia da UFRN foram obtidos os dados referentes sexo, faixa etária, cor da pele, uso de bifosfonatos, histórico de cirurgia bucal prévia, doenças associadas, hábitos de tabagismo e/ou etilismo e tratamento. 4.7 Critérios para análise radiográfica A análise radiográfica foi feita através de imagens radiográficas em formato jpeg, feito a análise pelo programa Image J® (Java). Onde foi analisada a presença ou ausência de perda ossea alveolar, reabsorção óssea, fratura patológica, reabsorção do osso reacional e sequestro ósseo. A análise da dimensão da extensão da perda óssea foi analisada por quadrante onde é caracterizada como pequeno quando acomete ˂ 50% do quadrante, médio quando acomete ˃ 50% e grande quando acomete mais de um quadrante. A localização foi subdividida em quadrantes, categorizado como 1 (maxila direita), 2 (maxila esquerda), 3 (acomete os dois lados da maxila), 4 (mandíbula esquerda), 5 (mandíbula direita) e o 6 (acomete os dois lados da mandíbula). 4.8 Estudo morfológico 36 Do material incluído em parafina, foram realizados cortes histológicos de 5µm de espessura, dispostos em lâminas de vidro e corados pela técnica Hematoxilina/Eosina (HE) e em seguida analisados em microscopia de luz (Olympus BX41, Olympus Japan Co., Tokyo, Japão) nos aumentos de 40x, 100x e 400x. A sequência de coloração pela H/E consistiu nas seguintes etapas: • Xilol 1 (15 minutos ) • Xilol 2 (15 minutos ) • Álcool etílivo absoluto (3 minutos ) • Álcool etílivo 95 GL° (3 minutos ) • Álcool etílivo 70 GL ° (3 minutos ) • Lavagem em água corrente (5 minutos ) • Hematoxilian de Harris (5 minutos ) • Lavagem em água corrente(5 minutos ) • Rápida passagem em solução álcool-ácido. • Lavagem em água corrente (5 minutos ) • Eosina Orange (30 segundos ) • Álcool etílivo 70 GL ° (3 minutos ) • Álcool etílivo 95 GL° (3 minutos ) • Álcool etílivo absoluto (3 minutos ) • Xilol 1 (3 minutos) • Xilol 2 (3 minutos) • Xilol 3 (3 minutos) • Montagem da lamínula sobre as lâminas com o auxílio de resina. A intensidade do infiltrado inflamatório foi analisada sob o aumento de 400x e adaptada de acordo com a metodologia de Reis (2014), representada no quadro 7. A análise foi realizada observando a área mais significativa da lesão, sendo que o campo foi escolhido no aumento de 100x e avaliados no aumento de 400x, a partir disso foi analisando 1 campo microscópico se o infiltrado era ausente, discreto, moderado ou intenso. Sendo os mesmos critérios utilizados para observar os osteclastos e osteoblastos. Foi avaliado a presença e ausência colônia bacteriana, osso necrótico e tecido de granulação. 37 Quadro 7 - Critérios para a análise morfológica. PARÂMETROS/ CLASSIFICAÇÃO AUSENTE 0 DISCRETO 1 MODERADO 2 INTENSO 3 Inflamação Aguda Ausência de neutrófilos 0% Presença de neutrófilos em até 25 % da área observada. Presença de neutrófilos de 25 % a 50% da área observada. Presença de neutrófilos em mais de 50 % da área observada Inflamação Crônica Ausência de neutrófilos 0% Presença de linfócitos em até 25 % da área observada Presença de linfócitos de 25 % a 50 % da área observada. Presença de linfócitos em mais de 50 % da área observada Osteoclastos Ausência de osteoclastos 0% Presença de osteoclastos em até 25 % da área observada Presença de osteoclastos de 25 % a 50 % da área observada Presença de osteoclastos em mais de 50 % da área observada Osteoblastos (área de neoformação) Ausência de osteoblastos 0% Presença de osteoblastos em até 25 % da área observada Presença de osteoblastos de 25 % a 50 % da área observada Presença de osteoblastos em mais de 50 % da área observada Fonte: REIS,2014 4.9 Análise estatística A análise estatística foi realizada por intermédio do no Software Microsoft Excel® (Microsoft Corporation, USA) e posteriormente processados e transcritos pelo o programa estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences, Inc., Chicago, IL, EUA) na versão 20.0 para a análise estatistica e descritiva. Para todos os testes estatísticos aplicados nesta pesquisa, foi adotado nível de significância de 5% (p≤0,05). Os dados foram analisados descritivamente por meio de frequências absolutas e percentuais para as variáveis categóricas e das medidas: média, moda, desvio padrão (média ± DP) e mediana para as variáveis numéricas ou ordinais. Para avaliar a associação entre duas variáveis categóricas foram utilizados o teste qui-quadrado e o teste de fisher para comparar dois grupos e duas amostras. 38 5 RESULTADOS 5.1 Caracterização da amostra A amostra do estudo foi constituída de 75 casos de osteomielite, com maior número de indivíduos do sexo feminino (n = 67; 89,3%). A média da idade dos pacientes foi de 42,68 anos, com intervalo de 3 a 85 anos. A respeito da cor de pele predominaram as pessoas autodeclaradas como de pele branca (n=37;49,3%). No que diz respeito a progressão da patologia observou- se um maior número de lesão com o crescimento lento (n=69; 92%). Quanto ao tratamento, predominou o cirúrgico com (n= 49; 65,3%). Quanto à localização anatômica a maior prelavalência ocorreu em mandíbula (n=70; 93,3%). Considerando os tipos de biópsias dos casos de osteomielite (n=30; 40%) excisional, (n=24; 32%) incisional e 9% (n=14; 9%) curetagem (Tabela 1). Tabela 1 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com os dados demográficos e clínicos. Natal-RN/2022. Parâmetros n (%) Sexo Masculino 8 (10,7) Feminino 67 (89,3) Idade ≤ 43 anos 36 (48,0) > 43 anos 38 (50,7) Cor da pele*** Branco 37 (49,3) Pardo 9 (12,0) Negro 21 (28,0) Tabagismo* Sim 6 (8,0) Não 58 (77,3) Etilismo** Sim 1 (1,3) Não 51 (68,0) Uso de bifosfonatos Sim 3 (4,0) Não 72 (96,0) Localização anatômica Mandíbula 70 (93,3) Maxila 5 (6,7) Fator etiológico Doença sistêmica 12 (16,0) Infecção Odontogênica 41 (54,7) Trauma 22 (54,7) Crescimento Lento 69 (92,0) Rápido 3 (4,0) Tratamento**** 39 Medicamentoso 1 (1,3) Cirúrgico 49 (65,3) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. *Dados não disponíveis em 11 casos. **Dados não disponíveis em 23 casos. ***Dados não disponíveis em 8 casos. **** Dados não disponíveis em 68 casos. Quanto as causas descritas na literatura associadas à osteomielite a infeção odontogênica teve maior prevalência com (n=41; 54,7%), seguido de trauma com (n=22; 29,3%) e doença sistêmica com (n=12; 16%). (Tabela 2). Tabela 2 - Distribuição absoluta e relativa das causas da osteomielite. Natal-RN/2022. Causas da lesão n (%) Doença Sistêmica Diabetes 1 (1,3) Cardiopatias 1 (1,3) Osteoporose 2 (2,7) Doença Renal Crônica 1 (1,3) Outras doenças 8 (10,7) Ausência da doença 62 (82,7) Infecção Odontogênica Abcesso 37 (49,3) Granuloma Periapical 3 (4) Cisto Periapical 1 (1,3) Ausência da doença 34 (45,3) Trauma Ausente 22 (29,3) Presente 53 (70,6) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. As associações das características clínicas com os tipos de osteomielites foram realizadas pelos testes Qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher. Foi observado que não houve associação estatisticamente significativa entre as classificações da osteomielite (aguda, crônica primária e secundária) e a presença ou ausência de: Doenças sistêmicas (p=0,066a), infecção odontogênica (p= 0,110a), trauma (p=0,324), tabagismo (p=0,166a), sintomatologia (p=0,366a), uso dos bifosfonatos (p=0,743 a) e etilismo (p=0,173b ). Com relação ao tratamento (cirúrgico ou medicamentoso) (p=0,06b). Quanto à localização anatômica (maxila ou mandíbula) (p= 1,000b). (Tabela 3). 40 Tabela 3 - Associações entre a classificação e parâmetros clínicos dos casos de osteomielite. Natal/RN, 2022. Parâmetro Classificação das Osteomielites Aguda n (%) Crônica Primária n (%) Crônica Secundária n (%) p Doença Sistêmica 0,066a Ausente 8 (12,9) 1 (1,6) 53 (85,5) Presente 1 (7,7) 2 (15,4) 10 (76,9) Infecção Odontogênica 0,110a Ausente 1 (7,7) 3 (8,8) 26 (76,5) Presente 37 (58,7) 0 (0,0) 4 (9,8) Trauma 0,324a Ausente 6 (11,3) 1 (1,9) 46 (84,0) Presente 3 (33,3) 2 (9,1) 17 (77,3) Histórico de tabagismo 0,166a Sim 2 (33,3) 0 (0,0) 4 (66,7) Não 5 (8,6) 3 (5,2) 50 (86,2) Histórico de etilismo* 0,173b Sim 1 (100,0) 0 (0,0) 0 (0,0) Não 5 (9,8) 3 (5,9) 43 (84,3) Sintomatologia 0,366a Presente 4 (9,8) 3 (7,3) 34 (82,9) Ausente 3 (11,5) 0 (0,0) 23 (88,5) Tratamento 0,06b Medicamentoso 0 (0,0) 1 (100,0) 0 (0,0) Cirúrgico 7 (14,3) 2 (4,1) 40 (81,6) Localização 1,000b Maxila 0 (0,0) 0 (0,0) 5 (100,0) Mandíbula 9 (12,9) 3 (4,3) 58 (82,9) Uso de Bisfosfonatos 0,743a Sim 0 (0,0) 0 (0,0) 3 (100,0) Não 9 (12,5) 3 (4,2) 60 (83,3) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. *Dados não disponíveis em 23 casos. aQui-quadrado de Pearson (χ²); bExato de Fisher. 5.2 Análise Radiográfica A análise radiográfica só foi possível em 20 casos de osteomielite. Os outros 55 casos não tinham radiografias disponíveis para análise. A análise radiográfica concentrou-se em 20 casos de radiográficas iniciais. Foi observada uma maior predominância de osso reacional em (n=17; 22,7%) seguido de perda óssea (n=15, 20%), reabsorção (n=14; 18,7%), sequestro ósseo (n=8; 10,7%) e fraturas patológicas (n=4; 5,3%) (Tabela 4; Figuras 6,7,8,9). 41 Tabela 4 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com os aspectos radiográficos analisados. Natal/RN, 2022. Parâmetros* n (%) Perda óssea Presente 15 (20) Ausente 5 (6,7) Reabsorção Presente 14 (18,7) Ausente 6 (8) Dimensão da extensão da perda ossea Pequeno (˂50% do quadrante afetado) 0 (0) Médio (˃ 50% do quadrante afetado) 29 (38,7) Grande (Acomete mais de um quadrante) 19 (25,3) Fraturas patológicas Presente 4 (5,3) Ausente 16 (21,3) Sequestro Ósseo Presente 8 (10,7) Ausente 12 (16,0) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. *Dados não disponíveis em 55 casos. Com relação aos subtipos da osteomielite encontramos a seguinte distribuição: classificação crônica secundária (n=63; 84%), seguida da osteomielite aguda (n=9; 12%). (Tabela 5). Tabela 5 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com a classificação de Zurique (BALTENSPERGER, EYRICH, 2009). Natal-RN/2022. Subtipo n (%) Osteomielite Osteomielite Aguda 9 (12,0) Osteomielite Crônica Primária 3 (4,0) Osteomielite Crônica Secundária 63 (84,0) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. 42 Figura 5 – Imagem radiográfica evidenciando sequestro ósseo em mandíbula direita e esquerda localizado em região de pré-molar a molar e osso reacional acometendo mais de um quadrante. Fonte: Disciplina de Imaginologia, Departamento de Odontologia/ UFRN. Figura 6 – Imagem radiográfica evidenciando perda óssea em maxila em região de molar, acometendo ˂50% do quadrante. Fonte: Disciplina de Imaginologia, Departamento de Odontologia/ UFRN. Figura 7 – Imagem radiográfica evidenciando área de osso reacional, sequestro e perda óssea em região de mandíbula direita, acometendo ˃50% do quadrante. 43 Fonte: Disciplina de Imaginologia, Departamento de Odontologia/ UFRN. Figura 8. Imagem radiográfica evidenciando áreas de osso reacional e sequestro ósseo em mandíbula. Fonte: Disciplina de Imaginologia, Departamento de Odontologia/ UFRN. Foi observado que não houve associação estatisticamente significativa entre os tipos de osteomielite (aguda, crônica primária e crônica secundaria) com a presença ou ausência dos parâmetros radiológicos avaliados. Obtendo na perda óssea valor de p=0,182, reabsorção óssea p=0,075, fratura patológica p=0,112, sequestro ósseo p=0,417. A dimensão categorizada como (pequeno, médio e grande) p=1,000 e a localização anatômica (maxila e mandíbula) p=0,689 (Tabela 6). 44 Tabela 6 - Associações entre a classificação e parâmetros radiográficos dos casos de osteomielite. Natal/RN, 2022. Parâmetro* Classificação das Osteomielites Aguda n (%) Crônica Primária n (%) Crônica Secundária n (%) p Perda óssea 0,182a Presente 1 (6,7) 0 (0,0) 14 (93,3) Ausente 0 (0,0) 4(20,0)5(80,0) Reabsorção 0,075 a Presente 0 (0,0) 0 (0,0) 14 (100,0) Ausente 1 (16,7) 1 (16,7) 4 (66,7) Dimensão da extensão da perda óssea 1,000 b Pequeno 1 (12,5) 1 (12,5) 6 (33,3) Médio 0 (0,0) 0 (0,0) 5 (100,0) Grande 0 (0,0) 0 (0,0) 7 (100,0) Fraturas patológicas 0,112 a Presente 1(25,0) 0 (0,0) 3 (75,0) Ausente 0 (0,0) 1 (6,2) 15 (93,8) Sequestro Ósseo 0,477 a Presente 0 (0,0) 0 (0,0) 8 (100,0) Ausente 1 (8,3) 1 (8,3) 10 (83,3) Localização 0,689 b Mandíbula 9 (12,9) 3 (4,3) 58 (82,9) Maxila 0 (0,0) 0 (0,0) 5 (7,9) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. *Dados não disponíveis em 55 casos. aQui-quadrado de Pearson (χ²); bExato de Fisher. 5.3 Análise histopatológica Quanto à análise histopatológica, todos os casos apresentaram inflamação (n=75; 100%). Na pesquisa categorizada presente e ausente observou-se que o osso necrótico estava presente em (n=63; 84%), colônia bacteriana em (n=26; 34,7%). De acordo com a classificação do infiltrado como leve, moderado e intenso, na maioria dos casos os neutrófilos estavam ausentes em (n=51; 68%), os linfócitos apresentavam-se discretamente em (n=29; 38,7%), os osteoclastos ausentes em (n=50; 66,7%) e os osteoblastos discretamente com (n=36; 48%) (Tabela 7) (Figuras 10 e 11). 45 Tabela 7 - Distribuição absoluta e relativa dos casos de osteomielite de acordo com os aspectos histopatológicos analisados. Natal/RN, 2022. Parâmetros n (%) Inflamação Presente 75(100) Ausente 0(0) Neutrófilos Ausente 51(68) Discreto 18(24) Moderado 4(5,3) Intenso 2(2,7) Linfócitos Ausente 0(0) Discreto 29(38,7) Moderado 19(25,3) Intenso 27(36) Osteoclastos Ausente 50(66,7) Discreto 24(32) Moderado 1(1,3) Intenso 0(0) Osteoblastos Ausente 35(46,7) Discreto 36(48,0) Moderado 4(5,3) Intenso 0(0) Colônia Bacteriana Ausente 49(65,3) Presente 26(34,7) Osso Necrótico Presente 63 (84,0) Ausente 12 (16,0) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. 46 A B C Figura 09 - Representação da análise morfológica quanto ao infiltrado inflamatório linfocitário (200x). A) Presença discreta; B) Presença moderada; C) Presença intensa. Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas - Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia /UFRN. 4 5 47 A B C Figura 10 – Aspectos morfológicos analisados nos casos de osteomielite. A) Presença discreta de osteoblastos (200x); B) Ausência de osteoclastos (200x); C) Presença de osso necrótico e neoformação óssea (40x). Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas - Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia /UFRN. 4 6 48 Na associação da osteomielite categorizada como (aguda, crônica primara e crônica secundária) de acordo com os parâmetros morfológicos. Na variável categorizada como presente ou ausente teve significância estatisticamente significativa quanto à colônia bacteriana p=0,040 e osso necrótico com p=0,66 não houve associação estatisticamente significativa. De acordo com a classificação do infiltrado como leve, moderado e intenso não houve significância estatisticamente significativa, neutrófilos com o valor de p=0,686, linfócitos p=0,360, osteoclastos p=0,669 e osteoblastos p=0,908. (Tabela 8). Tabela 8 - Associações entre a classificação e parâmetros morfológicos dos casos de osteomielite. Natal/RN, 2022. Parâmetro Classificação das Osteomielites Aguda n (%) Crônica Primária n (%) Crônica Secundária n (%) pa Neutrófilos 0,686 Ausente/Discreto 9 (13,0) 3 (4,3) 57 (82,6) Moderado/Intenso 0 (0,0) 0 (0,0) 6 (100,0) Linfócitos 0,360 Ausente/Discreto 4 (13,8) 0 (0,0) 25 (86,2) Moderado/Intenso 5 (10,9) 3 (6,5) 38 (82,6) Osteoblastos 0,669 Ausente/Discreto 9 (12,7) 3 (4,2) 59 (83,1) Moderado/Intenso 0 (0,0) 0 (0,0) 4 (100,0) Osteoclastos 0,908 Ausente/Discreto 9 (12,2) 3 (4,1) 62 (83,8) Moderado/Intenso 0 (0,0) 0(0,0) 1 (100,0) Colônias Bacterianas 0,040 Presente 6 (23,1) 2 (7,7) 18 (69,2) Ausente 3 (6,1) 1 (2,0) 45 (91,8) Osso Necrótico 0,660 Presente 8 (12,7) 2 (3,2) 53 (84,1) Ausente 1 (8,3) 1 (8,3) 10 (83.3) Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas – Área de Concentração: Patologia Oral e Estomatologia/ UFRN. aQui-quadrado de Pearson (χ ²). Valores de p significativos (p < 0,05) encontram-se destacados em negrito. 49 6 DISCUSSÃO A osteomielite é definida como um estado inflamatório do osso, que se inicia na cavidade medular e termina no periósteo do sistema haversiano (BALTENSPERGER et al., 2009; ARANI et al., 2019; SAXENA et al.,2021). O presente trabalho teve como principal objetivo pesquisar as características clínicopatológicas, coletando informações clínicas tais como: sexo, faixa etária, cor da pele idade e sintomatologia dos pacientes. Avaliar a localização da lesão, os hábitos de etilismo e tabagismo, tratamento (cirúrgico ou medicamentoso) e radiograficamente foi avaliado a perda óssea alveolar ou reabsorção, extensão da perda óssea, espessamento da lâmina dura, diminuição do tamanho do espaço do ligamento periodontal, fratura patológica e sequestro ósseo.Foram analisadas concomitantemente as causas da osteomielite, tais como: trauma; infecção odontogênica (abscesso, granuloma periapical ou cisto) e doença sistêmica (diabetes, cardiopatias, osteoporose e outras doenças). Por fim, foram analisadas as características histopatológicas sobre o infiltrado inflamatório, tipos celulares, vitalidade óssea e presença ou ausência de coleção bacteriana entre as lesões. De acordo com os nossos resultados com 75 casos de osteomielite, observou-se um maior número de indivíduos do sexo feminino (n = 67; 89,3%) ao invés do masculino (n=8; 10,7%) e uma média da idade de 42,68 anos, com intervalo de 3 a 85 anos. Corroborando assim com o resultado de Eyrich et al. (2003) relataram poucos casos de osteomielite em crianças e adolescentes. Estudo feito por Andre et al.,2017 encontraram uma maior prevalência em pacientes do sexo feminino, sendo 55% (n=22) do sexo feminino e 45% (n=18) de sexo masculino. Entretanto, em contrapartida ao estudo de Arani et al.,(2019) que encontraram uma maior ocorrência da osteomielite nos homens (80,36%) do que em mulheres (19,64%), com pico de incidência entre 30 e 39 anos de idade. É possível evidenciar que os resultados encontrados em nosso estudo seja consequência de um viés de seleção, uma vez que se trata de um estudo monocêntrico em um serviço público de saúde. Assim relatado por Silva et al.,(2012) que o sistema de saúde no Brasil vem se organizando e revela que a maior parte do atendimento da atenção básica privilegia grupos populacionais considerados mais vulneráveis, por meio de ações programáticas voltadas para a saúde da mulher, da criança e do idoso, pouco favorecendo a atenção ao homem. 50 Em nosso estudo quanto à localização anatômica dos casos de osteomielite houve uma predileção importante pela mandíbula com 93,3% (n=70) dos casos e apenas 6,7% (n=5) em maxila. Resultado semelhante foi encontrado por Andre et al.,2017 em estudo realizado no Departamento de Estomatologia e Cirurgia Maxilofacial da Piedade - Hospital Universitário Salpetriére em Paris, com 40 pacientes que foram acometidos por osteomielite com 87,5% (n=35) das lesões localizadas em mandíbula e 12,5% (n=5) em maxila. Em pesquisa feita por Eyrich et al.,(2003) realizada com 11 pacientes demonstrou que 100% dos casos de osteomielite (n=11) ocorreu na mandíbula. Segundo Arani et al. (2019) a osteomielite em mandíbula ocorre em uma frequênciamaior do que a maxila na maioria dos estudos em virtude do suprimento sanguíneo colateral e a natureza porosa do osso da maxila, reduzindo, assim, a chance da osteomielite. Os resultados obtidos com relação a cor da pele indicaram que a osteomielite acomete mais a população branca com (n=37; 49,3%), seguido de negros (n=21; 28%) e pardo com (n=9; 12%). Resultado semelhante foi encontrado por Andre et al. (2017) que realizaram uma pesquisa com 40 pacientes, sendo (n=29; 72,5%) pessoas autodeclaradas brancas, (n=6; 15%) negros. A cor da pele é um viés de seleção relacionado ao caráter monocentrico de nossa série, pois não há na literatura sobre incidência étnica dos pacientes. Com relação ao tabagismo, evidenciou-se que (n=6; 8%) dos pacientes fumavam e (n=58; 77,3%) não fumavam. Em relação ao etilismo, (n=1; 1,3%) consumia álcool e (n=51; 68%) não consumiam. Os resultados do nosso trabalho demonstram que o hábito de fumar e consumir álcool não apresenta nenhuma relação com a ocorrência da osteomielite nos maxilares. Com relação ao tratamento o nosso estudo revelou que (n=3; 4%) pacientes faziam ingestão do bifosfonato e 96% não faziam ingestão. O tratamento cirúrgico dos pacientes foi predominante com (n=49; 65,3%) dos casos analisados. Segundo Parsons e Strauss (2004) e Baltensperger e Eyrich (2009) o tratamento para a osteomielite inclui uma drenagem adequada, debridamento completo, obliteração do espaço morto, proteção da ferida e cobertura antibiótica direcionada para a cultura de bactérias isoladas. Vale salientar que a duração da antibioticoterapia varia de quatro semanas a seis meses, e o tratamento deve ser ajustado com base sobre os resultados das culturas coletadas, quando necessário (LIMA et al., 2014). Vale salientar também que o uso de bifosfonatos parece ser um tratamento adjuvante útil e seguro para a osteomielite (SIMM, ALLEN, ZACHARIN, 2008). 51 Os bifosfonatos podem, ainda, atuar inibindo a reabsorção óssea, indiretamente, pelos osteoblastos, alterando a função dos osteoclastos, já que estas células gerenciam as unidades osteorremodeladoras, comandando o recrutamento de osteoclastos para as superfícies ósseas. Diversos estudos têm atribuído uma ação específica dos bifosfonatos sobre os osteoblastos, especialmente do clodronato, que em doses relativamente menores que as redutoras ou preventivas da reabsorção óssea podem apresentar um efeito na diferenciação de osteoblastos, estimulando a neoformação óssea. Os bifosfonatos promoveriam a secreção de fatores osteoblásticos que inibiriam a formação de osteoclastos e sua atividade (CONSOLARO, CONSOLARO, 2008). Na presente pesquisa observou-se que 54,7% dos pacientes relataram sintomatologia e 34,7% não relataram nenhuma sintomatologia. Com relação a formação de fistula, 26,7% relataram a formação e 61,3% não relataram formação de fístula. Os nossos achados estão de acordo com o trabalho Andre et al. (2017) que encontraram diferentes sintomatologias em 100% dos casos estudados. Os sinais e sintomas clínicos associados a osteomielite incluem perfuração profunda, dor, drenagem purulenta intraoral ou extraoral, fístula intraoral e cutânea, fratura patológica, trismo e distúrbio neurossensorial. (URS et al., 2016; QAISI, MONTAGUE, 2017). Quanto aos fatores etiológicos encontrados na presente pesquisa, observamos que (n=12; 16%) dos pacientes foi devido a existência de doença sistêmicas, (n=41; 54,7%) dos pacientes por infecção odontogênica, e (n=22; 54,7%) pacientes devido a trauma. O grupo predominante foi o da infecção odontogênica relacionada a abcesso com (n= 37; 49,3%) pacientes. Corroborando com os nossos resultados citamos os trabalhos de Urs et al. (2016) e Cordeiro et al. (2022), que descrevem a etiopatogenia da osteomielite como multifatorial incluindo traumas, doenças sistêmicas, infecção odontogênicas e usuários de drogas. Dentre as causas mais prováveis, as infecções odontogênicas são as patologias mais propícias para desencadear o processo infecioso e as mais comuns na região de cabeça e pescoço. Um estudo na Universidade de Zurique sobre a prevalência das osteomielites numa população de 290 pacientes, teve como resultado, 48 casos de osteomielite aguda, 203 casos de osteomielite crônica secundária e 30 casos de osteomielite crônica primária. (BALTENSPERGER, EYRICH, 2009). No subgrupo das doenças sistêmicas nossa pesquisa mostrou uma baixa prevalência das seguintes doenças: osteoporose 2,7%, diabetes 1,3% e cardiopatia 1,3%. Os nossos achados quanto às doenças sistêmicas foram discrepantes com relação ao estudo de Kremers et al. (2015) 52 que acompanhou 760 pacientes durante 41 anos. O autor supracitado encontrou a diabetes como um dos principais fatores para a ocorrência de ostemielites. É importante destacar que a análise radiográfica do presente trabalho só foi possível em 20 casos, considerando que os outros 55 casos de osteomielite não tinham radiografias disponíveis, ou seja, não foram encontradas as radiografias. A análise das 20 radiografias revelou que a variável perda óssea foi mais encontrada no tipo de osteomielite crônica secundária (n=14; 93,3%), seguida pela osteomielite aguda (n=1; 6,7%), osteomielite crônica primária (0%). A reabsorção óssea ocorreu em (n=14; 93,3%) dos casos de osteomielite crônica secundária, não estando presente nos outros tipos de osteomielite. Considerando a localização anatômica da lesão, a nossa pesquisa mostrou que os casos de osteomielite foram mais frequentes na mandíbula em comparação com a maxila. Os nossos achados estão de acordo com o estudo de Lima et al. (2014) que também encontraram a mandíbula como a localização anatômica mais afetada pelos casos de osteomielite. Quanto a análise morfológica dos casos, considerando os neutrófilos a presente pesquisa apresentou predominância na categoria de ausente/discreto na osteomielite crônica secundária (n=57; 82,6%). Os linfócitos foram predominantes também na osteomielite crônica secundária com (n=38; 82,6,) na categoria moderado/intenso. Os osteoblastos (n=59; 83,1%) e osteoclastos (n=62; 83,8%) foram predominantes na categoria ausente/discreto nos casos de osteomielite crônica secundária. As colônias bacterianas estavam presentes na osteomielite crônica secundária em torno de (n=18; 69,2%) e ausentes em (n=45; 91,8%). O osso necrótico estava presente na osteomielite crônica secundária em torno de (n=53; 84,1%) e ausente em (n=10; 83,3%). O trabalho de Lima et al. (2014) corrobora com os nossos achados, considerando que eles encontraram osso necrótico, infiltrado inflamatório agudo, perda de osteócitos das lacunas, reabsorção periférica e colonização bacteriana na periferia do osso. As associações realizadas com as diferentes variáveis desta pesquisa não demonstraram diferença estatística significante. A única associação significante observada foi com relação a presença (n=18; 69,2%) e ausência (n=45; 91,8%) das colônias bacterianas na osteomielite crônica secundária. Este resultado parece controverso considerando que o esperado seria encontrar uma presença significativa de colônias bacterianas nos casos de osteomielite aguda, fato este que não ocorreu. No entanto, um número maior de ausência (n=45; 91,8%) de colônias bacterianas na osteomielite crônica secundária parece coerente com o quadro infeccioso em análise. O estudo das osteomielites deve ser mais estimulado no sentido de uma maior 53 observação de todos esses fatores analisados como forma de um melhor entendimento clínico e patológico de uma patologia tão pouco pesquisada até o presente momento. 54 7. CONCLUSÃO Diante dos resultados obtidos, concluímos que: 1. A osteomielite acometeu mais o sexo feminino, a média da idade dos pacientes foi de42,68 anos num intervalo que variou de 3 a 85 anos, sendo a cor de pele branca a mais prevalente; 2. A localização anatômica mais acometida foi a mandíbula em comparação com a maxila e o tratamento cirúrgico foi a forma de tratamento predominante; 3. A infecção odontogênica (abscesso) foi a causa mais comum seguida por trauma e doença sistêmica; 4. A análise radiográfica revelou respectivamente uma maior predominância de osso reacional seguido por perda óssea, reabsorção óssea, sequestro ósseo e fratura patológica nos casos de osteomielite crônica secundária; 5. A associação entre o tipo de osteomielite e a presença ou ausência de colônias bacterianas mostrou associação estatisticamente significativa. O mesmo não aconteceu com todas as outras associações estatísticas realizadas nesta pesquisa. 55 REFERÊNCIAS 1. AMAND, M. Julien Saint; SIGAUX, N.; GLEIZAL, A.; BOULETREAU, P.; BRETON, P.. Chronic osteomyelitis of the mandible: a comparative study of 10 cases with primary chronic osteomyelitis and 12 cases with secondary chronic osteomyelitis. Journal Of Stomatology, Oral And Maxillofacial Surgery, v.118, n.6, p.342-348, 2017. 2. ALLAL, Sarah; RABUEL, Valentin; GENGLER, Charline; DOUCHET, Catherine; ALLAL, François; ZWETYENGA, Narcisse. Case report of osteomyelitis of the mandible in osteopetrosis and management considerations. International Journal Of Surgery Case Reports, v.81, p.105-13, abr. 2021. 3. ANDRE, C.-V.; KHONSARI, R.-H.; ERNENWEIN, D.; GOUDOT, P.; RUHIN, B. Osteomyelitis of the jaws: a retrospective series of 40 patients. 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Nebraska: Stat pearls Publishing , Treasure Island (Fl), 2022. 60 APÊNDICE FICHA PARA COLETA DE DADOS CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICOS, RADIOGRÁFICOS E MORFOLÓGICOS Nº do Prontuário:____________ Nº do caso na Pesquisa__________ Data de nascimento: ______/_______/________ Idade:_________ Cor da pele :1 (Branco) 2 (Negro) 3 (Pardo) 4 (Indígena) 5 (Falta de dados) Tabagismo: 1(Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Etilista:1 (Sim) 2(Não) 3 (Falta de dados) Hábito Parafuncional: 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Farmaco utilizado: 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Sofreu cirurgia ou trauma oral? 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Doença associada? 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Sintomas? 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Formação de fístula? 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Tratamento? 1 (Sim) 2 (Não) 3 (Falta de dados) Localização? 1 (mandibula) 2 (maxilla) Crescimento? 1 (lento) 2 (rápido)3 (falta de dados) Consistência?1 (Endurecida) 2 (Amolecida) 3 (Falta de dados) 4 Gelatinosa Coloração?1 (avermelhado) 2 (branca) 3 (Falta de dados) 4(azulada) 5 (Cor da mucosa) Tipo de Biopsia? 1 (excisional) 2 (Incisional) 3 (curetagem) 4 (Falta de dados) Tamanho da lesão? Desfecho?1 (sem doença ativa) 2 (com doença ativa) Dados Ragiográficos Perda óssea ?1 (Sim ) 2 (Não) 3 (falta de dados) Reabsorção no sitio mais proximo ? 1 (Sim ) 2 (Não) 3 (falta de dados) Fratura patologica? 1 (Sim ) 2 (Não) 3 (falta de dados) Sequestro? 1 (Sim ) 2 (Não) 3 (falta de dados) Reação do osso reacional perto da lesão? 1 (Sim ) 2 (Não) 3 (falta de dados) 61 Lozalização do quadrante : Tamanho: Dados Morfológicos: Inflamação?1 (sim ) 2 (não) Tipo da inflamação:1. Aguda (1.0Ausente, 1. 1moderado, 1.2 intenso) 2 Crônica (2.0Ausente, 2.1 moderado, 2.2 intenso) Osteoblastos? 3.0 Ausente, 3.1 moderado,3.2 intenso) Osteoclastos? 4.0 Ausente, 4.1 moderado, 4.2 intenso) Colônia bacteriana ?1 (sim) 2 (não) Tecido de Granulação? 1 (Sim) 2 (não) 62 ANEXO PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP 63 PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP 64 65 66 67 68 69