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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS 
ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS E DA SAÚDE 
CURSO DE FONOAUDIOLOGIA 
 
 
 
KÉZIA YNGRID MONTELO DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DE DEGLUTIÇÃO EM IDOSOS COM E SEM 
ALZHEIMER: 
REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIÂNIA 
2021 
 
 
 
 
Título: Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado à coordenação do curso de 
Fonoaudiologia da Escola de Ciências Sociais e 
da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de 
Goiás, como requisito parcial à obtenção do 
título de Bacharel em Fonoaudiologia. 
Orientadora: Prof.ª. Me. Lílian de Moura Borges 
Cintra. 
 
 
 
KÉZIA YNGRID MONTELO DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
ALTERAÇÕES DE DEGLUTIÇÃO EM PACIENTES COM ALZHEIMER: 
REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIÂNIA - GO 
2021 
 
 
KÉZIA YNGRID MONTELO DE FREITAS 
 
 
 
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DE DEGLUTIÇÃO EM IDOSOS COM E SEM 
ALZHEIMER: 
REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à coordenação do curso de 
Fonoaudiologia da Escola de Ciências Sociais e da Saúde da Pontifícia 
Universidade Católica de Goiás, como requisito parcial à obtenção do título de 
Bacharel em Fonoaudiologia, em 13 de dezembro/2021. 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
Profª. Me. Lílian de Moura Borges Cintra 
Orientadora/ PUC Goiás 
 
 
 
Prof. Marcos Henrique Borges 
Fonoaudiólogo Mestre e Doutorando em Ciências da Saúde 
 
 
Profª. Hellen Priscila Gonçalves do Nascimento 
Pós-graduada em disfagia pelo Ceafi e em reabilitação cognitiva pelo Nepneuro 
 
Goiânia, novembro de 2021. 
 
 
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DE DEGLUTIÇÃO EM IDOSOS COM E SEM 
ALZHEIMER: 
REVISÃO DE LITERATURA 
 
Kézia Yngrid Montelo de Freitas1 
Prof.ª. Me. Lílian de Moura Borges Cintra2 
 
 
¹Acadêmica do 8º período do Curso de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
(PUC Goiás), Goiânia/GO, Brasil. 
² Fonoaudióloga, Professora do Curso de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de 
Goiás / PUC Goiás, Goiânia-GO, Brasil. 
 
 
Resumo: 
 
Introdução e Objetivo: A Doença de Alzheimer, é uma patologia neurodegenerativa 
progressiva, que afeta a memória de curto prazo, a atenção, a comunicação, e leva 
a uma total dependência para realizar as atividades de vida diária, mais 
especificamente na alimentação, causando dificuldade de deglutição, conhecida 
como disfagia. Demonstrar o impacto das alterações de deglutição causado na 
qualidade de vida de idosos com Alzheimer. Métodos: Foi realizada uma revisão de 
literatura, através de pesquisas bibliográficas, utilizando as bases de dados Google 
Acadêmico e Scielo. Foram incluídos neste estudo, artigos, trabalhos de dissertação 
e teses que discorressem sobre a temática abordada, sendo inseridos artigos 
publicados em português. Foram excluídos da pesquisa, artigos que abordassem 
outras temáticas, que estivessem disponíveis em outras línguas, artigos 
incompletos, e que tivessem ano de publicação diferente dos que foram 
supramencionados. Conclusão: De acordo com os resultados encontrados neste 
estudo é possível concluir que a maior frequência da Disfagia é em idosos, e os 
idosos com a doença de Alzheimer sofrem um impacto na qualidade de vida maior 
do que idosos sem a doença, devido à diminuição das funções motoras que são 
afetadas na presença da doença. 
 
Palavras-chave: “Disfagia”, “Envelhecimento”, “Doença de Alzheimer”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
Introduction and Purpose: Alzheimer's disease is a progressive neurodegenerative 
pathology that affects short-term memory, attention, communication, and leads to 
total dependence in performing activities of daily living, more specifically in eating, 
causing difficulty swallowing, known as dysphagia. Demonstrate the impact of 
swallowing changes on the quality of life of elderly people with Alzheimer's. 
Methods: A literature review was carried out, through bibliographic research, using 
the Google Academic and Scielo databases. In this study, articles, dissertations, and 
theses that discussed the topic addressed were included, with articles published in 
Portuguese being inserted. Articles that addressed other topics, that were available 
in other languages, incomplete articles, and that had a different year of publication 
from those mentioned above were excluded from the research. Conclusion: 
According to the results found in this study, it is possible to conclude that the highest 
frequency of dysphagia is in the elderly, and elderly people with Alzheimer's disease 
have a greater impact on quality of life than elderly people without the disease, due 
to reduced motor functions that are affected in the presence of the disease. 
 
Keywords: “Dysphagia”, “Aging”, “Alzheimer's disease”. 
5 
 
INTRODUÇÃO 
 
A Doença de Alzheimer (DA), é uma patologia neurodegenerativa 
progressiva, que afeta principalmente a memória de curto prazo, a atenção, a 
comunicação, e leva a uma total dependência para realizar as atividades de vida 
diária, sendo considerada a demência mais comum em idosos. Segundo a 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), sua incidência está entre 1 e 2 % na 
população mundial. Isso se dá devido ao aumento da longevidade da população, 
porém não associada à qualidade de vida. As funções motora e sensorial 
encontram-se preservadas na fase inicial, apresentando alterações somente nas 
fases mais avançadas da doença (PINHEIRO, 2017). 
Geralmente a DA afeta idosos na faixa etária igual ou superior a 65 anos, 
podendo surgir mais precocemente, pois os sintomas se manifestam antes mesmo 
do diagnóstico da doença, tendo uma piora lentamente progressiva. O primeiro 
sintoma apresentado pelo paciente com DA é o declínio da memória, principalmente 
em relação à memória de curto prazo (PINHEIRO, 2017). 
Inicialmente as alterações fonoaudiológicas estão mais ligadas à 
comunicação do indivíduo acometido pela doença de Alzheimer, progredindo 
posteriormente para alterações mais avançadas, interferindo na qualidade de vida e 
na realização das atividades de vida diária, mais especificamente na alimentação, 
causando dificuldade na mastigação e deglutição, também conhecida como disfagia 
(TAVARES et al, 2012). 
A disfagia é qualquer alteração no processo de deglutição, caracterizada 
pelo impedimento da realização dos movimentos dos músculos e das estruturas 
associadas à mastigação e deglutição (BENZECRY et al, 2020). 
 Em grande parte da população idosa, podemos observar alterações 
significativas que interferem de forma negativa na alimentação, contribuindo para a 
ocorrência da disfagia. As alterações encontradas com maior frequência são: perda 
dos dentes, diminuição da força muscular, mastigação lenta, diminuição do paladar e 
olfato, diminuição da capacidade para deglutir, entre outras. E com a presença de 
uma doença progressiva, essas alterações se agravam ainda mais. Causando uma 
preferência maior por alimentos pastosos e líquidos, justamente por não exigirem 
uma mastigação complexa (TAVARES et al, 2012). 
6 
 
Portanto, esse estudo tem como objetivo demonstrar as principais 
alterações de deglutição que impactam na qualidade de vida de idosos com e sem 
Alzheimer. 
METODOLOGIA 
O estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura que visa 
identificar, analisar e compreender os estudos relevantes que permitem combinar, e 
incluir diversos métodos de pesquisa baseados em evidências relacionados ao tema 
de interesse e a abordagem fonoaudiológica. 
Os artigos mencionados na revisão bibliográfica foram pesquisados na 
base de dados Google Acadêmico, Scielo, sendo realizadas as pesquisas no 
período compreendido entre agosto e setembro de 2021. Para a busca foram 
utilizados os seguintes descritores: “Disfagia”, “Envelhecimento”, “Doença de 
Alzheimer”. 
Buscou-se os seguintes passos: identificação do tema, estabelecimentode critérios de inclusão e exclusão, interpretação dos resultados do conhecimento 
evidenciado nos artigos analisados. 
A revisão teve a seguinte questão norteadora: Quais as principais 
alterações de deglutição que impactam na qualidade de vida de idosos com e sem 
Alzheimer? 
Foram incluídos neste estudo, artigos, trabalhos de dissertação e teses 
que discorressem sobre a temática abordada, sendo inseridos artigos publicados em 
português, e que estivessem de acordo com o período estabelecido entre os anos 
de 2011 e 2020. Foram selecionados 19 artigos, dos quais somente 10 estavam de 
acordo com a temática abordada. 
Foram excluídos da pesquisa, artigos que abordassem outras temáticas, 
que estivessem disponíveis em outras línguas, artigos incompletos, e que tivessem 
ano de publicação diferente dos que foram supramencionados. 
Por se tratar de uma pesquisa baseada na busca de dados pela literatura 
(Revisão Integrativa), não houve necessidade de inserir o Comitê de Ética e 
Pesquisa, nesse cenário. 
Após a seleção dos artigos, foi elaborado um quadro sinóptico no 
programa Microsoft Word for Windows, contendo as seguintes informações sobre os 
7 
 
artigos: autor, título, ano de publicação, objetivo e resultados, conforme constante na 
próxima página. 
7 
 
ESTUDO/ 
AUTORES/ANO 
OBJETIVO MEDIDA OU 
INSTRUMENTOS 
DE AVALIAÇÃO 
SUJEITOS RESULTADOS 
1. PETRY, 
Raquel et al. 
Alterações na 
deglutição de 
portadores da 
doença de 
Alzheimer. Revista 
Brasileira de 
Geriatria & 
Gerontologia, 2011. 
 
Identificar as 
alterações no 
processo de 
deglutição mais 
comumente 
encontradas em 
pacientes com 
doença de 
Alzheimer através 
do exame de 
vídeofluoroscopia. 
Exames de um 
banco de dados do 
setor de 
Fonoaudiologia do 
Hospital da Cidade 
de Passo Fundo 
(HCPF). 
Foram 
selecionados 
24 exames 
que 
apresentaram 
como 
patologia de 
base somente 
Alzheimer. 
18 pacientes 
realizaram o 
exame com 
ambas as 
consistências. 
Na fase oral da 
deglutição, 
apresentaram 
movimentos 
ondulatórios 
reduzidos da 
língua, para 
líquidos, 17 
pacientes, e 23 
pacientes, para 
pastosos. Na 
deglutição 
faríngea com 
líquidos, a 
alteração mais 
predominante 
foi a dos 
resíduos em 
recessos 
faríngeos nos 
18 pacientes, 
sendo que na 
deglutição com 
pastosos as 
alterações mais 
frequentes 
foram a reação 
de deglutição e 
resíduos em 
recessos 
faríngeos, com 
19 pacientes. 
2. TAVARES, 
Thaíza Estrela; 
CARVALHO, 
Cecília Maria 
Resende 
Gonçalves de. 
Características de 
mastigação e 
deglutição na 
doença de 
Alzheimer. Revista 
CEFAC, 2012. 
Comparar as 
características 
das funções de 
mastigação e 
deglutição em 
idosos com e sem 
a Doença de 
Alzheimer. 
Estudo Comparativo 
e descritivo: 
• Aplicação da 
Escala de Avaliação 
Clínica da 
Demência; 
• Protocolo 
adaptado da 
Avaliação 
Miofuncional 
Orofacial da 
UNIFESP 
43 idosos 
saudáveis; 
43 idosos com 
diagnóstico 
clínico de 
Doença de 
Alzheimer 
Houve diferença 
para 
movimentos 
mandibulares, 
reflexo de 
deglutição, 
deglutições 
múltiplas, 
presença de 
resíduos e 
dificuldade para 
ingerir 
comprimidos. 
3. ACOSTA, Caracterizar as Estudo realizado Idosos com A deglutição no 
8 
 
Nicole Bicca; 
CARDOSO, Maria 
Cristina de Almeida 
Freitas. 
Presbifagia: 
estado da arte da 
deglutição do 
idoso. Passo 
Fundo, Revista 
Brasileira de 
Ciências do 
Envelhecimento 
Humano, 2012. 
 
funções de 
deglutição em 
idosos e propor 
modificações que 
ocorrem no 
envelhecimento 
natural do idoso. 
através da revisão 
de dados em 
publicações de 
dissertações, teses, 
artigos científicos de 
periódicos e 
capítulos de livros 
disponíveis em 
bibliotecas de 
instituições de 
ensino superior e 
virtuais. 
 
idades entre 
60 e 98 anos. 
envelhecimento 
se caracteriza 
por mudanças 
em todo 
processo de 
deglutição. 
Devido ao 
envelhecimento 
sadio das fibras 
nervosas e 
musculares. Já 
a disfagia no 
idoso são 
alterações na 
realização da 
função da 
deglutição, 
sendo a disfagia 
orofaríngea um 
sintoma 
frequente. 
4. GUIMARÃES, 
Marcela Rodrigues 
Moreira; VIANNA, 
Lucia Marques 
Alves. Hiperfagia e 
Doença de 
Alzheimer. Revista 
Neurociências. 
Revista 
Neurocienc, 2013. 
Comportamentos 
neuropsicológicos 
e não cognitivos 
ocorrem com 
frequência em 
pacientes idosos 
com Alzheimer. 
Dentre eles, 
várias formas de 
distúrbios 
alimentares, 
incluindo a 
hiperfagia. O 
objetivo foi 
realizar uma 
revisão sobre os 
possíveis 
mecanismos 
responsáveis por 
essa mudança 
comportamental. 
Estudo 
observacional: 
• Foi realizada 
uma revisão de 
literatura, através de 
pesquisas 
bibliográficas na 
literatura, utilizando 
as bases eletrônicas 
no Lilacs e Medline 
via Pubmed para 
buscar artigos de 
revistas e jornais 
científicos 
indexados, na língua 
inglesa, que fossem 
referentes ao 
assunto. 
Grupo A, 
pessoas com a 
doença de 
Alzheimer e 
hiperfagia; 
Grupo B, 
pessoas com a 
doença, mas 
sem hiperfagia 
e Grupo C, 
idosos sem a 
doença de 
Alzheimer. 
Nessa revisão, 
podemos 
verificar que 
mudanças no 
comportamento 
alimentar são 
comuns em 
pacientes com 
Alzheimer, mas 
que o 
mecanismo 
exato para tal 
modificação 
ainda não está 
claro. 
5. OLIVEIRA, 
Bruna Silveira de et 
al. Alterações das 
funções de 
mastigação e 
deglutição no 
processo de 
alimentação de 
idosos 
institucionalizado
s. Rio de Janeiro, 
Revista Brasileira 
de Geriatria & 
Verificar as 
possíveis 
alterações 
estruturais do 
sistema 
estomatognático, 
das funções de 
mastigação e 
deglutição e 
constatar as 
dificuldades 
alimentares 
autorreferidas. 
Estudo do tipo 
quantitativo, 
descritivo, 
observacional, 
transversal, 
prospectivo e de 
grupo. 
• Protocolo de 
entrevista com 
questões 
sociodemográficas 
saúde, 
alimentação; 
27 pessoas do 
gênero 
feminino e 3 
do gênero 
masculino, 
com idades 
entre 65 e 93 
anos. 
 
Dificuldades de 
alimentação 
frequente. Há 
necessidade da 
atuação 
fonoaudiológica 
a fim de 
minimizar os 
efeitos do 
envelhecimento 
nessas funções, 
aumentando a 
qualidade de 
9 
 
Gerontologia, 2014. 
 
• Protocolo de 
Avaliação com 
aspectos de 
morfologia, 
postura, tonicidade 
e mobilidade das 
estruturas 
estomatognáticas. 
vida. 
6. CARDOSO, 
Sabrina Vilanova et 
al. O impacto das 
alterações de 
deglutição na 
qualidade de vida 
de idosos 
institucionalizado
s. São Paulo, 
Revista Kairós 
Gerontologia, 2014. 
 
Investigar o 
impacto das 
alterações de 
deglutição na 
qualidade de vida 
de idosos 
institucionalizados 
• Avaliação de 
motricidade 
Orofacial; 
• Miniexame 
de estado mental; 
• Questionário 
Quality of Life in 
Swallowing 
Disorders - SWAL-
QOL. 
84 idosos, os 
quais não 
estavam na 
enfermaria e 
dispunham de 
autonomia 
para 
responder aos 
questionários 
do estudo. 
• A 
alteração de 
deglutição mais 
prevalente foi a 
presbifagia, 
encontrada em 
82,6% dos 
idosos e 17,3% 
dos idosos 
apresentou 
disfagia 
orofaríngea 
neurogênica; 
• As 
alterações de 
deglutição 
causaram um 
importante 
impacto na 
qualidade de 
vida dos idosos. 
7. MEDEIROS, 
Safira Lince de et 
al. Autopercepção 
da capacidade 
mastigatória em 
indivíduos idosos. 
Rio de Janeiro, 
Revista Brasileira 
de Geriatria & 
Gerontologia, 2014. 
Estudar a 
capacidade de 
mastigação 
referida pelos 
idosos, elencando 
as dificuldades 
durante a 
mastigação. 
Estudo 
observacional, 
transversal: 
• Questionário 
com questões sobre 
alimentação e 
capacidade 
mastigatória; 
• Foi utilizado 
o teste Exato de 
Fisher, 
considerando o nível 
de significância de 
5%. 
30 pessoas, 
com idade 
média de 74 
anos. 
 
A capacidade 
mastigatória 
autorreferida foi 
satisfatória em 
sua maioria e os 
alimentos 
sólidos mais 
duros 
apresentaram 
maiores 
dificuldades na 
mastigação. 
10 
 
Quadro 1. Quadro representativo das pesquisas quanto ao: estudo/autores/ano/periódico, objetivo, tipo de 
estudo, medidas de avaliação, total de sujeitos e principais resultados.DISCUSSÃO 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de 
pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões de pessoas até 2050; 
representando um quinto da população mundial. 
8. MENDES, 
Letícia Paranaíba 
et al. Avaliação do 
estado nutricional 
e consumo 
alimentar em 
paciente com 
doença de 
Alzheimer. Três 
Corações, Revista 
da Universidade 
Vale do Rio Verde, 
2016. 
 
Avaliar o estado 
nutricional e 
consumo 
alimentar de 
pacientes com 
doença de 
Alzheimer em 
uma casa de 
repouso no 
município de São 
Paulo. 
Estudo transversal; 
• Para a coleta de 
dados foram 
realizadas 
entrevistas com os 
indivíduos que se 
adequaram aos 
critérios de 
inclusão. Quando 
na impossibilidade 
de responder, foi 
questionado aos 
cuidadores. 
30 pessoas 
com idade 
superior a 65 
anos. Sendo, 
14 com a 
doença de 
Alzheimer e 14 
sem o 
diagnóstico da 
doença. 
A perda de 
massa muscular 
salienta para 
um 
acompanhamen
to 
multidisciplinar 
visando o 
diagnóstico da 
doença, com o 
intuito de 
reverter ou 
prevenir 
agravos 
nutricionais no 
paciente com 
doença de 
Alzheimer. 
9. PINHEIRO, 
Deborah 
Rodrigues. 
Demência: 
aspectos da 
alimentação e 
deglutição e suas 
relações com 
cognição e 
sintomas 
neuropsiquiátrico
s. Campinas, 2017. 
Descrever em 
pacientes com 
doença de 
Alzheimer e 
demência, 
aspectos da 
deglutição, 
identificar risco de 
disfagia, e 
sintomas 
neuropsiquiátricos 
Estudo Transversal: 
• Avaliações 
clínico neurológica, 
laboratoriais, neuro 
cognitivas e 
comportamentais. 
35 idosos com 
diagnóstico de 
demência. 
• Presença de 
queixa de 
engasgos ou 
tosse em 25% 
dos casos; 
• Elevada 
ocorrência de 
sinais de 
disfagia, mas 
não houve 
relação 
comportamentai
s e 
neuropsiquiátric
os. 
10. BENZECRY
, Gabriela et al. 
Prevalência e 
fatores 
associados à 
disfagia em 
idosos: uma 
revisão. Santa 
Maria, 
Disciplinarum 
Scientia, 2020. 
Avaliar a 
prevalência e os 
fatores 
associados à 
disfagia em 
idosos. 
Estudo Teórica e 
exploratória: 
• Artigos 
publicados entre 
2012 e 2019. 
Indivíduos de 
idade superior 
a 60 anos e 
que 
possuíssem 
disfagia. 
Pelas 
observações 
dos aspectos 
analisados 
neste estudo, 
concluiu-se que 
a disfagia é 
prevalente na 
população 
idosa. 
11 
 
TAVARES et al (2012) definiram a doença de Alzheimer como “uma 
alteração neurodegenerativa e que causa alterações cognitivas que interferem na 
qualidade de vida do indivíduo, como a higiene pessoal, vestimenta e alimentação”. 
BENZECRY et al (2020), estudou a respeito da prevalência da Disfagia, 
chegando à conclusão de que “a maior frequência é em idosos”. Destacando que a 
disfagia está relacionada à idade, evoluindo conforme o tempo avança. Salientando, 
também, a prevalência da disfagia em indivíduos com perturbações cognitivas, como 
na evolução da demência, pois há um aumento da dificuldade para deglutir, devido a 
diminuição das funções motoras e a perda do interesse por se alimentar. 
Segundo PINHEIRO (2017) “o hipocampo e a amígdala, se estiverem 
afetados na Doença de Alzheimer, podem causar perda de peso e alterações no 
comportamento alimentar”. 
GUIMARÃES E VIANNA (2013) salientam que “pesquisadores verificaram 
que 23% dos pacientes com Alzheimer, apresentaram aumento na ingestão 
alimentar, conhecida como hiperfagia”. Foi observado então, em seu estudo, que a 
hiperfagia esteve presente em 36% dos pacientes. Uma possível explicação para 
essa mudança alimentar, pode ser a diferença dos níveis cerebrais de 5-
hidroxitriptofano (5-HT), que geralmente são níveis reduzidos na doença de 
Alzheimer. E estão associados com o aumento de ingestão de alimentos doces e 
carboidratos na doença de Alzheimer. 
PETRY et al (2011), em seu estudo observou que “as alterações de 
deglutição nos pacientes com a doença de Alzheimer são mais evidentes na fase 
oral”. 
ACOSTA E CARDOSO (2012) afirmam que “no idoso, as fases oral, 
faríngea e esofágica têm sua capacidade de deglutição diminuída devido à 
lentificação dos órgãos fonoarticulatórios e de todo o organismo”. Essas 
modificações caracterizam a presbifagia, quando isoladas não levam a um quadro 
de disfagia, mas deixa o indivíduo mais vulnerável a doenças que podem resultar em 
um quadro disfágico. 
Segundo CARDOSO et al (2014), em seu estudo “a alteração de 
deglutição com maior prevalência foi a presbifagia, a qual foi encontrada em 82,6% 
dos idosos, e 17,3% apresentaram disfagia orofaríngea neurogênica”. 
Este mesmo estudo avaliou estruturas do sistema miofuncional orofacial 
de 23 idosos, sendo 14 do sexo feminino. Com relação às bochechas, observou que 
12 
 
“14 dos idosos apresentavam bochechas assimétricas e diminuição do tônus, lábios 
superiores apresentaram hipotonicidade, lábios inferiores apresentaram hipotensão 
em 9 participantes”. 
TAVARES et al (2012), também constataram essa informação em seu 
estudo, verificando alteração de tônus muscular nas estruturas lábios, língua e 
bochechas, com redução maior no grupo com a doença de Alzheimer. 
Assim como no estudo de OLIVEIRA et al (2014), o qual apresentou 
alterações mais frequentes de postura, morfologia, tonicidade, e mobilidade de 
lábios, língua e bochechas. 
MEDEIROS et al (2014) analisou perda dentária elevada e o número de 
idosos com dentição funcional muito reduzido. Observou-se, no entanto, que entre 
os 16 participantes que referiram capacidade mastigatória satisfatória, 13 eram 
usuários de algum tipo de prótese. 
Em relação às funções de mastigação e deglutição, existe um maior 
comprometimento em idosos com a doença de Alzheimer quando comparados a 
idosos saudáveis, de acordo com o estudo de TAVARES et al (2012). Seu estudo 
evidenciou diferença significativa em relação à mudança de dieta, postura, 
mastigação, movimentos mandibulares, reflexo de deglutição, deglutições múltiplas, 
presença de resíduos alimentares e dificuldade para deglutir comprimidos, entre os 
dois grupos pesquisados. Concordando com MENDES et al (2016), que constataram 
dificuldade de deglutição em maior proporção no grupo com a doença de Alzheimer. 
Porém, em seu estudo verificou-se que na deglutição não ocorre grandes 
desconfortos para os indivíduos, pois eles fazem uso de espessantes, que facilitam 
a deglutição durante as refeições. 
Em relação à mastigação, o estudo de CARDOSO et al (2014), apontou 
que 14 dos idosos apresentaram mastigação unilateral. Foi observado, também, 
mastigação com movimentos verticais em 3 dos idosos, e amassamento do alimento 
em 3 deles. Diferentemente do estudo de MENDES et al (2016), onde afirma-se que 
os indivíduos estudados não sofrem problema com mastigação, somente com a 
deglutição. 
MEDEIROS et al (2014) observou 30 idosos sem a doença de Alzheimer 
em seu estudo, e 24 desses idosos referiram não sentir dor ou desconforto ao 
mastigar. Nesse estudo a preferência por alimentos sólidos foi predominante. A 
maioria dos idosos desse estudo referiram preferência por alimentos sólidos, porém 
13 
 
14 estavam impossibilitados de mastigar algum alimento que desejavam. Seria essa 
a maior queixa do indivíduo idoso, a perda da eficiência mastigatória, que pode levar 
a uma mudança da dieta, eliminando alimentos consistentes e saudáveis, por 
alimentos amassados e batidos que são pobres em nutrientes. 
Pode-se associar as alterações na deglutição com o aumento da duração 
do tempo de trânsito oral e o atraso no disparo do reflexo da deglutição, pois o 
indivíduo com a doença de Alzheimer esquece de mastigar o alimento ou não 
apresenta um bom controle motor oral. 
 
CONCLUSÃO 
De acordo com os resultados encontrados neste estudo é possível 
concluir que a maior frequência da Disfagia é na população idosa, e os idosos em 
quadro de Alzheimer sofrem um impacto na qualidade de vida maior do que idosos 
sem a doença, devido à diminuição das funções motoras que são afetadas na 
presença da doença. As dificuldadesde fase oral e faríngea também se encontram 
com maior comprometimento em idosos acometidos pela doença de Alzheimer. 
Ainda se faz necessário um estudo mais abrangente acerca dessas 
alterações de deglutição em cada fase da doença. É importante ressaltar a 
importância do trabalho fonoaudiológico no diagnóstico e na reabilitação desse 
distúrbio, para que possa ser promovida uma melhor qualidade de vida para idosos 
com Disfagia e a prevenção da desnutrição, desidratação e outras complicações. 
 
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https://observatorio3setor.org.br/carrossel/ate-2050-idosos-representarao-um-quinto-da-populacao-mundial/
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