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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
CENTRO DE BIOCIÊNCIAS 
CURSO DE BIOMEDICINA 
 
 
 
MARÍLIA MELO DE MEDEIROS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COVID-19: VACINAÇÃO COMO CAMINHO PARA CONTROLAR A PANDEMIA: 
UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL 
DEZEMBRO DE 2022 
 
 
 
 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN 
Sistema de Bibliotecas - SISBI 
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Leopoldo Nelson 
 Centro de Biociências - CB 
 Medeiros, Marilia Melo de. 
 COVID-19: vacinação como caminho para controlar a pandemia: 
uma revisão narrativa da literatura / Marilia Melo de Medeiros. 
- 2023. 
 79 f.: il. 
 
 Monografia (graduação ) - Universidade Federal do Rio Grande 
do Norte, Centro de Biociências, Curso de Biomedicina. Natal, 
RN, 2022. 
 Orientadora: Profa. Dra. Janeusa Trindade de Souto. 
 
 
 1. COVID-19 - Monografia. 2. Vacinação - Monografia. 3. SARS-
CoV-2 - Monografia. I. Souto, Janeusa Trindade de. II. Título. 
 
RN/UF/BSCB CDU 616-036.21 
 
 
 
 
 
Elaborado por KATIA REJANE DA SILVA - CRB-15/351 
 
 
 
 
 
 
COVID-19: VACINAÇÃO COMO CAMINHO PARA CONTROLAR A PANDEMIA: 
UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA 
 
por 
 
 
Marília Melo de Medeiros 
 
 
 
 
Monografia Apresentada à Coordenação 
do Curso de Biomedicina da Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte, como 
Requisito Parcial à Obtenção do Título de 
Bacharel em Biomedicina. 
 
 
 
 
 
Orientadora: Profa . Dra . Janeusa Trindade de Souto 
 
 
 
 
 
 
 
Natal/RN 
DEZEMBRO de 2022 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
 
 
CENTRO DE BIOCIÊNCIAS 
CURSO DE BIOMEDICINA 
 
A monografia “COVID-19: VACINAÇÃO COMO CAMINHO PARA CONTROLAR A 
PANDEMIA: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA” elaborada por Marília 
Melo de Medeiros e aprovada por todos os membros da Banca examinadora foi aceita pelo 
Curso de Biomedicina e homologada pelos membros da banca, como requisito parcial à 
obtenção do título de BACHAREL EM BIOMEDICINA. 
 
 
Natal, 22 de dezembro de 2022 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
_________________________________________ 
Profª Drª. Janeusa Trindade de Souto – Orientadora 
Departamento de Microbiologia e Parasitologia - UFRN 
 
 
 
_________________________________________ 
Profª Drª. Fívia de Araújo Lopes 1º Examinador(a) 
Departamento de Fisiologia e Comportamento - UFRN 
 
 
 
_________________________________________ 
Profª Msc. Christiane Medeiros Bezerra 2º Examinador(a) 
Departamento de Microbiologia e Parasitologia - UFRN 
 
 
RESUMO 
 
 
O SARS-CoV-2 é um vírus que desencadeou uma pandemia decretada pela OMS em 2020, 
tendo infectado mais de 600 milhões de pessoas, causando a doença que foi chamada de 
COVID-19, que já vitimou mais de 6 milhões de pessoa ao redor do planeta. Diversas vacinas 
com tecnologias variadas foram desenvolvidas em tempo recorde para conter o avanço da 
pandemia. Este trabalho teve como objetivo identificar, analisar e comparar, por meio de 
revisão bibliográfica, as publicações científicas sobre as diferentes vacinas contra COVID-19 
administradas no Brasil. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica narrativa, utilizando 
artigos publicados entre 1992 e 2022, obtidos nas plataformas Pubmed, Scielo, Capes e Lilacs, 
assim como nos sites da Organização Mundial da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto 
Butantan e outras organizações de saúde confiáveis, buscando informações relevantes, sobre o 
desenvovimwnto das vacians ao longo da história, o surgimento da pandemia da COVID-19, o 
desenvolvimento, em tempo recorde, de vacinas com diferentes tipos de tecnologias, a 
segurança, eficácia e efetividade dessas vacinas e seu papel no controle da pandemia, a 
necessidade de uso de esquemas heterólogos de imunização, e a eficácia das vacinas frente às 
novas variante de preocupação do SARS-CoV-2. Esse estudo concluiu que os quatro 
imunizantes administrados no Brasil: CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen, se mostraram 
confiáveis, eficazes e com baixo risco de efeitos colaterais graves. Com o avanço da vacinação 
houve uma queda nos casos graves e óbitos causados pelo SARS-CoV-2 e a vacinação é a forma 
mais eficaz de frear o surgimento de novas variantes do novo coronavírus. 
 
 
Palavras-chaves: SARS-CoV-2. Pandemia. Vacinas contra COVID-19. Vacinação. 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
SARS-CoV-2 is a virus that triggered a WHO-declared pandemic in 2020, having infected more 
than 600 million people, causing the disease that has been called COVID-19, which has already 
killed more than 6 million people around the globe. Several vaccines with varied technologies 
were developed in record time to contain the pandemic's advance. This paper aimed to identify, 
analyse, and compare, by means of a literature review, the scientific publications on the 
different vaccines against COVID-19 administered in Brazil. For this, a narrative bibliographic 
review was carried out, using articles published between 1992 and 2022, obtained from the 
PubMed, Scielo, Capes and Lilacs platforms, as well as from the websites of the World Health 
Organization, Oswaldo Cruz Foundation, Butantan Institute, and other reliable health 
organizations, seeking relevant information, about the development of the vaccines throughout 
history, the emergence of the COVID-19 pandemic, the development, in record time, of 
vaccines with different types of technologies, the safety, efficacy, and effectiveness of these 
vaccines and their role in controlling the pandemic, the need to use heterologous immunization 
schemes, and the efficacy of vaccines against new variant SARS-CoV-2 concerns. This study 
concluded that the four immunizers administered in Brazil: CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer, 
and Janssen, have proven to be reliable, effective, and with low risk of serious side effects. With 
the advance of vaccination, there has been a decrease in severe cases and deaths caused by 
SARS-CoV-2, and vaccination is the most effective way to halt the emergence of new variants 
of the new coronavirus. 
 
Keywords: SARS-CoV-2. Pandemic. COVID-19 vaccines. Vaccination. 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
Figura 1. Charge de 1904 mostra o povo sangrando com os braços furados pela 
lanceta que representa a lei da vacina obrigatória. ................................................................... 19 
Figura 2. A charge da revista O Malho, de 29 de outubro de 1904, parecia prever a 
revolta que se instalaria na cidade poucos dias depois: nem com um exército, o “Napoleão da 
Seringa e Lanceta”, como muitos se referiam a Oswaldo Cruz na época, conseguia conter a 
fúria da população contra a vacinação compulsória. ................................................................ 20 
Figura 3. Estrutura do SARS-CoV-2. .......................................................................... 23 
Figura 4. Ilustração esquemática das etapas de infecção viral pelo SARS-CoV-2. .... 24 
Figura 5. Tipos de vacinas contra COVID-19. ............................................................ 38 
Figura 6. Etapas de desenvolvimento de vacinas. ....................................................... 39 
Figura 7. Vacina de vírus inativado. ............................................................................ 41 
Figura 8. Vacina de vetor viral. A informação genética para a produção da 
glicoproteína Spike é inserida em um adenovírus que infecta a célula hospedeira. O DNA é 
transcrito em um RNAm e posteriormente esse RNAm é traduzido pelos ribossomos e então a 
Spike é produzida e expressa na membrana da célula para estimular a resposta imunológica.46 
Figura 9. Vacina de RNA. Utilizando uma fita de RNA mensageiro, a vacina codifica 
um antígeno específico daquela doença (Spike). Quando o RNAm é inserido no organismo, ascélulas usam a informação genética para produzir esse antígeno. O antígeno se espalha pela 
superfície das células, pode também ser excretado e é reconhecido pelo sistema imunológico. 
A célula do sistema imune entende que aquela proteína não faz parte do organismo e passa a 
produzir anticorpos para combater aquela doença. Os anticorpos entram em ação quando o 
organismo é infectado pela doença. .......................................................................................... 47 
Figura 10. Concentração de anticorpos de ligação detectados no estudo de 
intercambialidade entre Pfizer e AstraZeneca. ......................................................................... 51 
Figura 11. Produção de anticorpos IgG anti-spike por dia e idade. Em (A) dia 0, (B) 
dia 28 e (C) respostas do dia 28 por faixa etária e alocação de vacina de reforço. A linha 
pontilhada mostra o limite superior do ensaio. Janssen (Ad26), Pfizer (BNT), ChAd 
(AstraZeneca), CoronaVac (CV). ............................................................................................. 52 
Figura 12. Títulos de neutralização de vírus vivos contra cepas variantes Delta e 
Omicron, antes e 28 dias após a vacinação de reforço homóloga e heteróloga. Janssen (Ad26), 
Pfizer (BNT), ChAd (AstraZeneca), CoronaVac (CV). ........................................................... 53 
 
 
Figura 13. Casos incidentes de infecção por SARS-CoV-2 e prevalência de vacinação 
BNT162b2 por faixa etária em Israel (1º de dezembro de 2020 a 3 de abril de 2021). ........... 55 
Figura 14. Representação gráfica do número de casos semanais de COVID-19 na 
cidade de São Paulo (SP) e entre profissionais de saúde (PS) do Hospital das Clínicas (HC) 
(Universidade de São Paulo). As setas marcam a administração das 2 doses da CoronaVac nos 
PS do HC. ................................................................................................................................. 58 
Figura 15. Efetividade das vacinas AstraZeneca e CoronaVac no Brasil por faixa 
etária. ........................................................................................................................................ 58 
Figura 16. Distribuição de Anticorpos 6 Meses após Recebimento da Segunda Dose 
da Vacina Pfizer em profissionais da saúde de Israel, por diferentes faixas etárias. ................ 59 
Figura 17. O painel A mostra a prevalência de anticorpos contra o SARS-CoV-2 antes 
e depois da vacinação na população do estudo. O painel B mostra os títulos de anticorpos 
anti–SARS-CoV-2 antes e depois da vacinação na população do estudo. ............................... 60 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1. Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas contra a COVID-19 
aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021. ........................ 40 
Tabela 2.Característica das vacinas atenuadas e inativadas......................................... 41 
Tabela 3. Efetividade estimada de duas doses da vacina da Pfizer (após 7 dias da 
segunda dose) contra resultados confirmados em laboratório de SARS-CoV-2 na faixa etária 
mais avançada. .......................................................................................................................... 56 
Tabela 4: Eficácia da vacina Coronavac na prevenção de resultados de COVID-19 na 
coorte geral do estudo, de acordo com o status de imunização. ............................................... 57 
Tabela 5. Esquema de vacinação para indivíduos a partir de 18 anos de idade, não 
gestantes ou puérperas. ............................................................................................................. 62 
Tabela 6. Esquema de vacinação para gestantes ou puérperas a partir de 18 anos de 
idade.......................................................................................................................................... 63 
Tabela 7. Esquema de vacinação para Adolescentes de 12 a 17 anos de idade, não 
gestantes ou puérperas. ............................................................................................................. 63 
Tabela 8. Esquema de vacinação para Adolescentes de 12 a 17 anos de idade, 
gestantes ou puérperas. ............................................................................................................. 63 
Tabela 9. Esquema de vacinação para idosos a partir de 60 anos, 
imunocomprometidos. .............................................................................................................. 64 
Tabela 10. Esquema de vacinação para idosos acima de 60 anos. .............................. 64 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS 
 
ANVISA Agencia Nacional de Vigilância Sanitária 
CDC Centro de Controle e Prevenção de Doenças 
CEV Campanha de Erradicação da Varíola 
COVID-19 Coronavirus disease 19 
CVST Trombose do Seio Venoso Cerebral 
DNA Ácido desoxirribonucleico 
ECA-2 Enzima conversora de Angiotensina 2 
FGF Básico Fator de crescimento Fibroblástico Básico 
GCSF Fator estimulador de colônias de granulócitos 
GMCSF Fator Estimulador de Colônias de Granulócitos e 
Macrófagos 
IFN- Interferon alfa 
IFN− Interferon beta 
IFN- Interferon gama 
IFN- Interferon lambda 
IL Interleucina 
MCP1 Proteína Quimioatraente de Monócitos 1 
MIP1 Proteínas Inflamatórias de Macrófagos Alpha 
MIP1 Proteínas Inflamatórias de Macrófagos Beta 
NETs Armadilhas extracelulares de neutrófilos 
NF-kB Fator nuclear kappa B 
OMS Organização Mundial da Saúde 
PDGF Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas 
PNI Plano Nacional de Imunização 
PNO Plano Nacional de Operalizacionação 
RNA Ácido ribonucleico 
RNAm RNA mensageiro 
ROS Espécies Reativas de Oxigênio 
SARS Síndrome Respiratória Aguda Grave 
SARS-CoV Vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 1 
SARS-CoV-2 Vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 
 
 
Serinoprotease Transmembrana 2 Humana (TMPRSS2). 
TNF-α Fator de Necrose Tumoral Alfa 
Treg Célula T Regulatória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................... 6 
LISTA DE TABELAS .................................................................................................... 8 
LISTA DE ABREVIATURAS ....................................................................................... 9 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 12 
2. MÉTODO ................................................................................................................. 14 
3. DESENVOLVIMENTO DAS VACINAS AO LONGO DA HISTÓRIA ............... 14 
4. VACINAÇÃO NO BRASIL E O PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO
 ...................................................................................................................................... 17 
5. A COVID-19 ............................................................................................................ 22 
5.1 LINHA DO TEMPO COVID-19 ............................................................................ 26 
6. VACINAS CONTRA COVID-19 E PLATAFORMAS VACINAIS ...................... 36 
7. CARACTERISTICAS DAS VACINAS CONTRA COVID-19 .............................. 39 
7.2 VACINA DE VÍRUS INATIVADO – CORONAVAC ......................................... 40 
7.3. VACINAS DE VETOR VIRAL – ASTRAZENECA E JANSSEN ..................... 43 
7.4. VACINA DE RNA MENSAGEIRO - PFIZER .................................................... 47 
8. INTERCAMBIALIDADE DE VACINAS E VARIANTES DE PREOCUPAÇÃO 
DO SARS-CoV-2 ......................................................................................................... 49 
9. CAMPANHA DE VACINAÇÃO............................................................................ 53 
10. CONCLUSÃO: O QUE O FUTURO NOS RESERVA? ....................................... 64 
11. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 66 
 
12 
 
1. INTRODUÇÃO 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada em no final de dezembro de 2019, 
sobre diversos casos de um tipo de pneumonia de etiologia desconhecida, e vários desses casos 
eram de pessoas que trabalhavam no Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, 
localizado no distrito de Jianghan, Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China 
(WOROBEY, 2021),. Descobiu-se posteriormente que essa pneumonia era causada por uma 
cepa nova de um coronavírus até então não identificado em seres humanos. No dia 07 de janeiro 
de 2020, foi confirmado pelas autoridades chinesas a identificação de um tipo novo coronavírus 
nas amostras dos pacientes com a pneumonia em estudo, denominado inicialmente de 2019-
nCoV (ZHOU et al., 2020). 
Em 12 de janeiro, a sequência genética do novo coronavírus identificado foi 
compartilhada com outros países para desenvolver kits de diagnóstico específicos. 
Posteriormente, devido a semelhança desse novo coronavírus com o vírus SARS, da epidemia 
de 2002-2003 que ocorreu em alguns países asiáticos, o Grupo de Estudo Coronaviridae do 
Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus o denominou SARS-Cov-2 (GORBALENYA et 
al., 2020) 
Com o número de casos da pneumonia aumentando rapidamente na China e em 21 
outros países pelo mundo, a OMS declarou, em 30 de janeiro de 2020, o surto do novo 
coronavírus como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), que 
consiste no nível mais alto de alerta da Organização, de acordo com o seu Regulamento 
Sanitário Internacional (WILDER-SMITH; OSMAN, 2020). 
Posteriormente, já em 11 de fevereiro de 2020, a OMS denominou a doença causada por 
esse novo vírus como "COVID-19", que é a sigla de "doença do coronavírus 2019". Um mês 
depois, em 11 de março, declarou a COVID-19 como uma pandemia (SINGH, 2020). 
Quando houve a declaração da pandemia, a doença já havia se espalhado por 114 países, 
alcançando a marca de 118.319 casos e 4.292 óbitos (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA 
SAÚDE, 2020). Nos três meses subsequentes, mais de sete milhões de pessoas no mundo foram 
diagnosticadas com COVID-19, tendo a doença vitimado mais de 408 mil pessoas nesse 
período, em 215 países ao redor do mundo (ORGANIZAÇÃO MUNCIAL DA SAÚDE, 2020).
13 
 
No Brasil, a primeira contaminação pelo SARS-CoV-2 foi confirmada em 26 de 
fevereiro de 2020, enquanto a Europa já registrava centenas de casos de covid-19. Poucas 
semanas depois, em 12 de março de 2020, foi registrada a primeira morte, em solo nacional, 
em decorrência da nova virose. Não demorou muito para que viesse a ser confirmada a 
transmissão comunitária em todo o Brasil, no dia 20 daquele mesmo mês, pelo Ministério da 
Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020). 
No Rio Grande do Norte (RN), o primeiro caso confirmado foi em 12 de março. O 
primeiro óbito ocorreu 14 dias depois, tendo 45 pessoas infectadas e 1.130 suspeitas em 6 
cidades do estado (RIO GRANDE DO NORTE, 2022) 
Até o momento desta revisão, foram notificados mundialmente 644.934.734 de casos 
confirmados de infecção por COVID-19, sendo os Estados Unidos o recordista no número de 
casos, com cerca de 98.6695.013 de casos. O número de óbitos até este momento é de 
6.640.260, tendo novamente os Estados Unidos como campeão no número de óbitos, com 
1.088.997 de mortes confirmadas (JOHN HOPKINS UNIVERSITY, 2022). 
O Brasil ocupa o 5º lugar no número de casos confirmados e o 2º com maior quantidade 
de mortes; até o momento dessa pesquisa, foram registrados 35.337.546 casos e 690.074 óbitos 
confirmados, tendo o Sudeste com a maior quantidade de casos, com cerca de 14.025.897 casos 
e 331.349 óbitos, onde São Paulo é a detentora do maior número de infectados, com 6.197.738 
casos e 176.356 mortes confirmadas. O Nordeste do Brasil registrou 7.022.968 casos com 
132.906 mortes, onde a Bahia registra a maior quantidade de infectados 1.724.041 e 30.877 
mortes. O Estado do Rio Grande do Norte registrou 566.874 casos, sendo 8.500 óbitos 
(PAINEL CONASS, 2022). 
Com a finalidade de reduzir a propagação desse vírus e acabar com a pandemia, 
pesquisadores ao redor do mundo trabalharam incansavelmente em busca do desenvolvimento 
de vacinas eficientes e seguras em tempo recorde para combater a covid-19. Em 2020, cerca de 
104 vacinas contra covid-19 estavam em desenvolvimento, sendo a primeira vacina aprovada 
no Reino Unido, por uma agência reguladora de reconhecimento internacional, em dezembro 
de 2020. Essa vacina ganhou dois lugares inéditos na história da vacinologia, foi a vacina mais 
rápida produzida até então e de uma plataforma inédita até o momento, uma vacina de RNA 
(KNOLL; WONODI, 2020). 
 
 
14 
 
2. MÉTODO 
Este trabalho configura-se como uma revisão narrativa de literatura baseada em pesquisa 
de artigos científicos sobre a COVID-19, com uma visão sobre o assunto da pandemia e o 
desenvolvimento de vacinas contra a doença. A pesquisa bibliográfica foi realizada, ao longo 
de, aproximadamente, 6 meses, seguindo diretrizes de revisões narrativas, reunindo 
informações coletadas de dados confiáveis, através de artigos científicos, notícias publicadas 
em portais de agências científicas e da grande mídia de circulação nacional, de pareceres e 
planos de organismos de saúde, totalizando 135 itens informativos, publicados de 1991 até 
dezembro de 2022, e esclarecendo a grande quantidade de informações sobre as vacinas contra 
COVID-19 utilizando palavras-chaves específicas (COVID-19; vacinação; pandemia; vacinas 
contra a COVID-19), baseadas na prevenção da doença. 
3. DESENVOLVIMENTO DAS VACINAS AO LONGO DA HISTÓRIA 
A história do desenvolvimento das vacinas começou no final século XVIII, com a ideia 
da inoculação em seres humanos de material da pústula da varíola bovina, desenvolvida pelo 
médico Edward Jenner, para combater a varíola humana (RIEDEL, 2005). É importante lembrar 
que ao final dos anos 1800, a Europa tentava lidar com frequentes episódios de surtos de varíola. 
Nesse período, a classe médica já se mostrava empenhada e mobilizada em combater essa 
doença. No entanto, apenas quando Jenner percebeu que pacientes acometidos pela variante 
humana da varíola (smallpox), que já haviam sido infectados pela variante bovina (cowpox), 
demonstravam quadro clínico notoriamente mais atenuados e bem menos grave, isso resultou 
em um grande avanço para o controle da varíola, pois Jenner fez um experimento que mudou a 
história da imunização. Ele resolveu inocular o material da pústula da varíola bovina em um 
garoto de 8 anos de idade, que era filho de seu jardineiro, e após algumas semanas, ele inoculou 
no garoto material da pústula da varíola humana. Jenner observou que o garoto, similar aos 
indivíduos que adquiriam a varíola bovina, apresentou alguns sintomas leves, mas não 
desenvolveu a varíola humana, ficou resistente aquela doença mortal. Ele repetiu esse 
procedimento em vários outros voluntários, obtendo o mesmo resultado. É importante ressaltar 
que a doença nos hospedeiros bovinos recebia o nome de vacínia, que acabou por influenciar 
posteriormente a nomenclatura da nova descoberta (LARROCA, CARRACO, 2000). 
A conclusão que Jenner chegou, permitiu a compreensão de pontos fundamentais: não 
só uma variação animal da patologia tinha capacidade de proteger seres humanos de infecções 
graves da variação que acometia humanos, assim como a inoculação controlada de material da 
15 
 
pústula da varíola bovina em humanos saudáveis poderia induzir proteção futura, de forma que 
não havia manifestação grave da doença (CONTI, 2021); essa última conclusão foi advinda do 
processo denominado de variolação.O processo de variolação consistia em coletar a secreção das feridas cutâneas de 
infectados e inocular em humanos saudáveis, com o objetivo de ativar a resposta protetiva 
(conhecida atualmente como resposta imunológica) (CONTI, 2021). O desenvolvimento dessa 
técnica foi essencial para o desenvolvimento e evolução das vacinas, mas quando Jenner 
publicou seu estudo intitulado “An Inquiry into the Causes and Effects of the Variolae 
Vaccinae” (Uma inquérito das causas e efeitos da Variolae Vaccinae - tradução livre), ele sofreu 
críticas e descrédito do corpo médico (RIEDEL, 2005). No entanto, com o tempo, a técnica de 
Jenner inegavelmente se mostrou efetiva, e em torno de dois anos após sua publicação, se tornou 
uma das maiores referências sobre o assunto na época (RIEDEL, 2005). 
Jenner percebeu que o uso de um agente infeccioso animal poderia, de alguma forma, 
prevenir a doença, baseando-se na compreensão de que um agente virulento externo ao 
indivíduo saudável poderia ser inoculado de forma enfraquecida e controlada em humanos 
(PLOTKIN, 2014), com a finalidade de se gerar resposta positiva contra o agravo e 
manifestação da doença. Nascia ali, portanto, o desenvolvimento de uma técnica que 
revolucionaria as práticas de saúde, o controle de epidemias e a saúde coletiva da Europa e, 
posteriormente, no mundo todo. 
No final do século XIX, Pasteur teve uma contribuição muito importante para o 
desenvolvimento de novas técnicas vacinais, mas sobretudo no campo da compreensão e 
desenvolvimento do processo de proteção contra patógenos externos (CONTI, 2021). Na 
realidade, a autora Tania M. Fernandes (2010) descreve que nesse ponto específico, havia uma 
diferença entre o entendimento de Jenner e Pasteur em que, na ideia central de Jenner, a vacina 
antivariólica produzia uma doença e essa ideia foi aceita por Pasteur, mas para ele, não era o 
vírus da varíola que estava presente na vacina e, sim, um vírus semelhante, que havia sido 
modificado pela disseminação no gado bovino (FERNANDES, 2010). 
A experiência de Pasteur com as vacinas aconteceu quando ele estudava a cólera aviária, 
doença causada pela Pasteurella multocida. Ele observou que culturas envelhecidas dessa bactéria 
perdiam sua virulência, pois quando inoculadas em galinhas não era mais eficaz em infectar as aves 
e que essas galinhas inoculadas com essas culturas envelhecidas ficavam protegidas contra uma 
cepa selvagem virulenta, para sua surpresa. Ele apresentou seus resultados à Academia de 
Ciência Francesa (Académie des Sciences), em um memorando intitulado “Sobre doenças 
virulentas e particularmente sobre a doença comumente chamada de cólera aviária” (“Sur les 
16 
 
maladies virulentes et en particulier sur la maladie appelée vulgairement choléra des poules”). 
Assim, Pasteur cunhou o termo vacinação, em homenagem a Edward Jenner, que realizou a 
primeira inoculação de varíola bovina para prevenir a varíola em 1796. Pasteur ainda trabalhou 
com sucesso no desenvolvimento de vacinas contra antraz bovino e raiva humana (BERCHE, 
2012). 
Com o avanço da tecnologia no século XIX, sobretudo com o desenvolvimento do 
estudo da microbiologia liderado por Pasteur, as vacinas começaram a ser desenvolvidas em 
laboratórios, permitindo a descoberta de que as características das bactérias eram mantidas se 
fossem cuidadosamente mortas por tratamento químico ou calor (PLOTKIN, 2014). É muito 
importante destacar que o desenvolvimento do trabalho de atenuação de agentes patológicos de 
Pasteur permitiu o caminho para criação da primeira vacina com organismos vivos atenuados e 
também das vacinas inativadas. A inativação foi aplicada pela primeira vez a patógenos que 
causam doenças como a febre tifóide, a peste e os bacilos da cólera (PLOTKIN, 2014). 
No início do século XX, o legado de Pasteur, evoluiu ainda mais com o trabalho de seus 
pupilos Albert Calmette e Camille Guérin, que juntos foram os responsáveis pela pesquisa, 
desenvolvimento e produção da Bacillus Calmette-Guerin Vaccine, também conhecida como 
BCG e foi decisiva no controle e combate da tuberculose (BARRETO; PEREIRA; FERREIRA, 
2006). 
Na metade do século XX, houve uma grande revolução com a descoberta de que células 
poderiam ser cultivadas in vitro e posteriormente usadas como substratos para o crescimento 
viral. Nesse sentido, Enders, Weller e Robbins, foram os responsáveis por evidenciar que vários 
vírus podiam ser cultivados em culturas de células in vitro (LEVI; KALLÁS, 2002), o que 
tornou possível o desenvolvimento e criação das vacinas contra sarampo, rubéola, caxumba e 
varicela (FEIJÓ; SÁFADI, 2006). 
Ainda durante esse período, com os avanços dos estudos em bacteriologia, descobriu-
se que muitos desses patógenos estavam envolvidos por uma cápsula de polissacarídeo e que 
os anticorpos contra a cápsula eram capazes de promover a fagocitose. Com essa informação 
foi possível o desenvolvimento e produção da vacina polissacarídica meningocócica por 
Artenstein, Gottschlich e colaboradores (PLOTKIN, 2014). 
No final do século XX, a revolução da engenharia genética teve um grande impacto no 
desenvolvimento de vacinas. O primeiro fruto dessa revolução foi a vacina contra a hepatite B 
(PLOTKIN, 2014), que é uma vacina de subunidade proteica. Outrossim, essa revolução deu 
origem a novas técnicas, que são muito mais eficazes na produção e econômicas na fabricação, 
como as técnicas de produção de subunidade proteica, proteína isolada, peptídeo, vetor viral e 
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/cholera
https://www.sciencedirect.com/topics/immunology-and-microbiology/cowpox
https://www.sciencedirect.com/topics/immunology-and-microbiology/smallpox
17 
 
abordagens de ácidos nucleicos (FRANCIS et al., 2018). Logo, é possível perceber como a 
evolução da engenharia genética foi importante para o desenvolvimento de vacinas, auxiliando 
no combate e prevenção de doenças infecciosas, visto que o princípio da vacinação é induzir 
proteção contra um patógeno, imitando sua interação natural com o sistema imunológico 
(CANOUI; LAUNAY, 2019). 
4. VACINAÇÃO NO BRASIL E O PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO 
A vacina antivariólica de Jenner foi introduzida no Brasil no início do século XIX, por 
Marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, o Marquês de Barbacena. Para 
isso, era necessário que o material vacinal fosse transportando em corpos humanos e nesse 
sentido, sob o patrocínio do Marquês de Barbacena, comerciantes locais custearam a viagem 
de escravos à Europa para serem inoculados com o pus vacínico e assim trazerem a vacina de 
Jenner para o Brasil (SANTOS-FILHO, 1991). A vacina chegou primeiramente à província da 
Bahia, indo para a Corte no Rio de Janeiro, em seguida. O Vice-Rei do Brasil e Marquês de 
Aguiar, Dom Fernando José de Portugal e Castro, determinou que as inoculações fossem 
realizadas nos membros da Corte. A princípio, houve uma boa aceitação da vacina na Corte. 
Esse contexto favorável foi decorrente da política absolutista do governo português e do apoio 
direto do rei Dom João VI, que perdera parentes próximos como seu irmão mais velho e príncipe 
herdeiro Dom José. Antes de sua transferência para o Brasil, inclusive, ele vacinou seus dois 
filhos restantes (Dom Pedro e Dom Miguel). Dom João também solicitou a tradução e 
divulgação de todos os textos de Jenner sobre a vacinação antivariólica. 
Através de um Decreto real em 1811, foi instaurada uma junta vacinal da instituição 
vacínia na intendência geral de polícia do Rio de Janeiro, que tinha como finalidade padronizar 
as práticas vacinais e promover a vacinação da corte, além de incentivar e difundir a vacinação 
para as outras províncias do Brasil. No entanto, seu sucesso foi relativo pois carecia de recursos 
humanos para administrar e fiscalizar todo o processo. (MACKENZIE, 2021). 
A chamada “vacinofobia” foi uma consequência do método empregado paraa 
vacinação, que consistia na técnica braço-a-braço, ou seja, o indivíduo vacinado deveria 
comparecer uma semana depois para que fosse retirado o pus de suas pústulas para ser utilizado 
em outro individuo a ser vacinado, no entanto, havia muita resistência para esse retorno, pois o 
procedimento era incômodo e relativamente demorado, isso acabou fomentando na população 
uma aversão à prática da vacinação e resultava em conflitos entre agentes de vacinação, a 
população e a polícia. Quando a vacinação se tornou compulsória em 1846 por meio de outro 
18 
 
decreto imperial, novos conflitos foram inflados entre a população e o governo, principalmente 
no Rio de Janeiro, intensas discussões acerca dos limites entre o respeito às liberdades 
individuais e à vida privada e as competências de intervenção sanitária do Estado. Todo esse 
ambiente conflituoso, iniciado no século XIX, alcançou o século XX, atingindo seu apogeu no 
movimento popular que ficou conhecido na história como a Revolta da Vacina (MACKENZIE, 
2021). 
A Revolta da Vacina ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, entre os dias 10 
e 16 de novembro de 1904. O povo contrariado e insatisfeito, protestou contra a Lei da 
Vacinação Obrigatória assim como contra os serviços públicos prestados. A anti-varíola foi a 
vacina que fomentou essa revolta. Se caracterizou como uma rebelião popular contra a 
campanha de vacinação obrigatória para todo brasileiro maior que seis meses de vida que 
ocorreu no começo do século XX. Foi o sanitarista Oswaldo Cruz (1872 – 1917) que colocou 
o projeto em prática (PORTAL FIOCRUZ, 2022). 
Uma das principais questões da Revolta está intimamente ligada às relações sociais 
construídas, modificadas e reconstruídas a partir dos anos 70 do século XIX. A ação de destruir 
o cortiço mais famoso do Rio de Janeiro, o “cabeça de porco” (1893), trouxeram para a 
população, diversos significados: entre elas encontra-se a sistemática perseguição destes tipos 
de moradias e a seus moradores pelas autoridades, iniciada desde 1873, e intensificada nos 
primeiros anos da República (SEVCENKO, 2003). O desagrado que estas moradias traziam às 
autoridades na última década do século XIX, tem aspectos variáveis. Primeiro quando 
abrigavam os defensores das causas abolicionistas e republicanas. Estes, encastelados 
tornavam-se inatingíveis pelas forças estatais. O segundo ponto, é a necessidade de se combater 
as doenças e as ações “compostas de todos os vícios” daqueles moradores. Tudo isto, perturbava 
as ideias ‘civilizantes’ adotadas a partir de 1870 com o projeto o projeto de “capitalização, 
aburguesamento e cosmopolitização” (CHALHOUB, 1996). 
O Rio de Janeiro não era uma cidade arquitetonicamente planejada, grande parte por 
causa do período do Brasil Colônia e do Império, não tendo mais condições de ser a capital do 
Brasil e grande centro econômico. A cidade possuía alarmantes problemas de saúde pública e 
também graves doenças que atingiam a população, como: a varíola, a febre amarela e a peste 
bubônica (BENCHIMOL, 1992). 
Com a lei da Vacinação Obrigatória foi imposto ao povo a obrigação de se vacinar 
contra a varíola e o povo se rebelou contra isso. O protesto também somou-se à insatisfação do 
povo com os serviços básicos de utilidade pública e contra as campanhas de saneamento básico 
comandadas pelo médico Oswaldo Cruz e também contra as obras de reformas urbanas do 
19 
 
prefeito da época, Pereira Passos, e algumas reformas como alargamento de ruas, destruição de 
cortiços e remoção da população pobre de suas moradias, foram algumas mudanças 
arquitetônicas provocadas pelo também engenheiro, Pereira Passos (CHALHOUB, 1996). 
Somente no ano de 1904, no Rio de Janeiro, cerca de 3.500 pessoas haviam morrido 
com varíola. Só o Hospital São Sebastião registrou em torno de 1.800 internações pela doença 
(BUTANTAN, 2021). Esse movimento popular que inflou e estourou com a nova lei de 
obrigatoriedade da vacinação possuía uma grande diversidade de fatores que podem ajudar a 
explicar tal rebelião (HOCHMAN, 2011). A lei nº 1.261, de 31 de outubro de 1904 que dava 
poderes às autoridades sanitárias para aplicar multas aos que se recusassem a tomar a vacina e 
exigir um atestado de vacinação para se matricular em escolas, realizar casamentos e viagens, 
e até para conseguir emprego, e havia um complexo e polêmico panorama social e político por 
trás da revolta (Figura 1), e diferentes fatores ajudam a explicar melhor os protestos 
(HOCHMAN,2011). 
 
Figura 1. Charge de 1904 mostra o povo sangrando com os braços furados pela lanceta que representa a lei da 
vacina obrigatória. 
 
 (Fonte: Acervo Fiocruz). 
 
Politicamente, a rejeição a essa lei vinha da oposição ao então presidente, Francisco de 
Paula Rodrigues Alves, lembrando que nesse período o Brasil vivia a política do café com leite 
em que São Paulo e Minas Gerais se alternavam na chefia da república e uma das manobras 
utilizadas para prejudicar a política da vacinação obrigatória foi a criação da Liga Contra 
20 
 
Vacina Obrigatória, criada pelo senador Lauro Sodré, em 5 de novembro de 1904, no Centro 
das Classes Operárias (BUTANTAN, 2011). 
Quando a revolta começou no dia 10 de novembro liderada pela recentemente criada 
Liga, a cidade vivenciou um momento caótico. Tiros, pânico generalizado, interrupção dos 
sistemas de trânsito, estabelecimentos comerciais, casas de show foram fechadas, assalto e 
depredação dos bondes que cortavam a cidade, além de invasão e destruição de edifícios 
públicos e particulares. A edição de 14 de novembro do jornal Gazeta de Notícias, descrevia o 
caos que havia se instaurado. Confrontos ocorreram entre as pessoas contrárias e pessoas a 
favor da lei (Figura 2) (CHALHOUB, 1996). 
Figura 2. A charge da revista O Malho, de 29 de outubro de 1904, parecia prever a revolta que se instalaria na 
cidade poucos dias depois: nem com um exército, o “Napoleão da Seringa e Lanceta”, como muitos se referiam a 
Oswaldo Cruz na época, conseguia conter a fúria da população contra a vacinação compulsória. 
 
 (Fonte: Acervo Fiocruz). 
 
Em contrapartida, o médico Oswaldo Cruz, que assumiu a Diretoria Geral de Saúde 
Pública em 1903, defendia nos países europeus que a vacina era a melhor forma de salvar vidas 
frente às epidemias, mas no Brasil, se mostravam contrários, levando a população a 
descredibilizar o seu trabalho. A falta de informação foi a principal aliada da oposição à lei, 
pois era difundido que a população teria suas casas invadidas por agentes de saúde para vacinar 
as pessoas, somando isso a falta de conhecimento sobre a ciência por trás da vacina da varíola 
que utilizava o vírus que causava varíola bovina, espalharam boatos de que o imunizante faria 
o cidadão se parecer com um boi (BUTANTAN, 2011). 
Com os confrontos escalando e se tornando mais intensos, no dia 16 de novembro, foi 
decretado estado de sítio e com essa determinação, os direitos dos cidadãos estavam 
temporariamente suspensos. Dessa forma, o governo conseguiu amenizar a situação até obter 
21 
 
novamente o controle, os movimentos foram perdendo forças e em seguida desarticulados 
(HOCHMAN, 2011). Nesse mesmo dia, o Presidente revogou a lei, mantendo Oswaldo Cruz, 
que foi o principal alvo das críticas e manifestações, como o diretor geral de saúde pública 
(FIOCRUZ, 2022). 
Apesar do pânico causado pela revolta, no ano de 1906, o número de pacientes mortos 
por varíola foi reduzido a apenas nove casos (BUTANTAN, 2011). No entanto, em 1908, uma 
nova epidemia elevou os casos para mais de 6.500 pessoas, a população assustada, com medo 
da volta da doença, passou a ir se vacinar de forma voluntária, após associar que a baixa do 
número de casos dos anos anteriores foi devido a vacinação ocorrida em 1904 (HOCHMAN, 
2011). 
Na década de 1960, a OMS instituiu uma campanha que tinha como objetivo controlar 
a disseminação e erradicar avaríola. Assim, o Brasil instituiu a Campanha de Erradicação da 
Varíola (CEV) em 1966, que destacava a importância de identificar e isolar os doentes e vacinar 
as pessoas que tiveram contato com o indivíduo contaminado como forma de impedir a 
propagação do vírus. A adoção dessas e de outras ações de controle da doença, resultou na 
diminuição dos casos da varíola e sua eliminação, em 1973 (HOCHMAN, 2011). Neste mesmo 
ano, foi declarado o fim da campanha de vacinação contra a varíola no país e o Brasil recebeu 
a certificação internacional de erradicação da varíola pela OMS. “A varíola está morta!” Essa 
foi a chamada de capa do Boletim da OMS, em maio de 1980, pondo um ponto final a uma 
doença que dizimara milhões ao longo de muitos séculos (OPAS, 2022). 
No ano 1973, foi formulado o Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil, a 
pedido do Ministério da Saúde e tinha o objetivo de coordenar as condutas de imunizações que 
se desenvolviam, até então, pelo caráter ocasional e pela reduzida área de cobertura (SILVA 
JUNIOR, 2013). A proposta inicial para o Programa, foi elaborada por técnicos do 
Departamento Nacional de Profilaxia e Controle de Doenças (Ministério da Saúde) e da Central 
de Medicamentos (CEME - Presidência da República), tendo sua aprovação em uma reunião 
que foi realizada em Brasília no dia 18 de setembro de 1973, tendo sido presidida pelo próprio 
secretário de saúde Mário Machado Lemos e contou com a participação de renomados 
pesquisadores, sanitaristas e infectologistas, assim como de representantes de diversas 
instituições (DOMINGUES et al., 2020). 
No ano de 1975 foi institucionalizado o PNI, sendo soma de diversos fatores, tanto de 
âmbito nacional e internacional, que convergiam para expandir a utilização de agentes 
imunizantes, buscando a integralidade das ações de vacinação realizadas no país 
(DOMINGUES et al., 2020). O PNI passou a administrar, assim, as atividades de imunizações 
22 
 
desenvolvidas como rotina na rede de serviços e, para que isso funcionasse, criou diretrizes 
pautadas na experiência da Fundação de Serviços de Saúde Pública (FSESP), com a prestação 
de serviços integrais de saúde através de uma rede própria. A legislação específica sobre 
imunizações e vigilância epidemiológica (Lei 6.259 de 30-10-1975 e Decreto 78.231 de 30-12-
76) enfatizou as atividades permanentes de vacinação e contribuiu para fortalecer 
institucionalmente o Programa (TEMPORÃO, 2003). 
O Programa Nacional de Imunizações do Brasil (PNI) avançou ano a ano para 
proporcionar melhor qualidade de vida para a população com prevenção de doenças. O 
Calendário Nacional de Vacinação do Brasil contempla não apenas as crianças, mas também 
adolescentes, jovens adultos, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas (DOMINGUES et 
al., 2020). 
O PNI do Brasil é um dos maiores e mais bem desenvolvidos programas de imunização 
do mundo, oferecendo 45 diferentes imunobiológicos para toda a população. Há vacinas 
destinadas a todas as faixas-etárias e diversas campanhas anuais para atualização da caderneta 
de vacinação são divulgadas durante todo o ano (DOMINGUES et al., 2020). O sucesso das 
Campanhas de Vacinação contra a varíola humana nos anos sessenta mostrou que a vacinação 
em massa tinha o poder de erradicar doenças, sendo o último caso dessa doença notificado no 
Brasil em 1971 (TEMPORÃO, 2003). 
5. A COVID-19 
As coronaviroses, são doenças causadas por vírus que pertencem a 4 famílias: 
Roniviridae, Moesoniviridae, Coronaviridae e Arteviridae. As espécies que pertencem à família 
dos Coronaviridae são do tipo RNA (Figura 3) que causam doenças do trato respiratório em 
animais e se tinha conhecimento de seis vírus dessa família que eram capazes de causar doenças 
em humanos. Então em 2019, foi descoberto o que foi chamado de SARS-CoV-2, um novo 
vírus dessa família que ocasionou a Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) (ZHOU et al., 
2020). 
23 
 
Figura 3. Estrutura do SARS-CoV-2. 
 
(Fonte: SHEREEN et al, 2020. Adaptado). 
 
Uma análise filogenética feita a partir do genoma de amostras obtidas de pacientes com 
SARS-CoV-2 sugere que os morcegos são o reservatório original do vírus, mas algum animal 
que era vendido no Mercado Huanan era o reservatório intermediário do vírus, facilitando assim 
o aparecimento do vírus em humanos (LU et al., 2020). As pesquisas sugeriram que os 
primeiros casos da COVID-19 foram transmitidos para seres humanos a partir da ingestão de 
morcegos, uma iguaria comumente presente em diversos mercados na China, sendo o primeiro 
caso visto numa feira na província de Wuhan (PHELAN; KATZ; GOSTIN, 2020). Apesar do 
primeiro caso ter sido passado de animais selvagens para humanos, sabe-se que o principal meio 
de transmissão do vírus se dá de pessoa a pessoa por via direta através do contato com as 
partículas virais presentes em gotículas de saliva ou em suspensão de aerossóis, foi visto 
também que é possível que a transmissão do vírus ocorra por outras secreções (sêmen e leite 
materno), em decorrência da translocação sistêmica pelas mucosas do organismo (FRANCO; 
LANDGRAF; PINTO, 2020). 
Os aerossóis contendo partículas virais se ligam, por meio da proteína spike (responsável 
pela aparência de coroa do vírus), às células (HOSSEINI, 2020). Como é comum nos vírus, os 
coronavírus são parasitas intracelulares, não possuindo um metabolismo próprio e se replicam 
dentro das células hospedeiras. A entrada nas células depende da ligação com seus receptores 
específicos presentes na superfície desses vírus, no caso do SARS-CoV-2, esse receptor é a 
proteína ECA-2 (Enzima Conversora de Angiotensina 2) das células do epitélio da cavidade 
nasal, da faringe e alvéolos pulmonares, assim como em diversos outros órgãos, como o 
coração, rins, cérebro, fígado, testículos e intestino (CHEN, 2020; ZHANG et al., 2020). A 
interação entre a proteína S com a ECA-2, resulta na entrada do vírus na célula, através da 
endocitose ou por fusão de membranas; é nessa etapa que o vírus conta com a ajuda da 
24 
 
serinoprotease transmembrana 2 humana (TMPRSS2). Após isso, ocorre a fusão de 
membranas, o material viral é solto no citosol da célula infectada, de forma que o material 
genético do vírus seja imediatamente reconhecido e traduzido nas proteínas, começando o 
processo de replicação e montagem da partícula viral (V’KOVSKI et al., 2021) (Figura 4). 
Além dessa enzima, outros receptores estão possivelmente envolvidos (GEMATTI et 
al., 2020). Estudos bioquímicos e análises cristalográficas mostram que a proteína S é 
responsável pela ligação das partículas virais aos receptores celulares, que, quando clivada pelas 
proteases celulares, resulta formando a subunidade S1, que reconhece o receptor a qual ele vai 
se ligar (reconhecimento do receptor) e a subunidade S2, que se mantém ancorada na membrana 
da célula a ser parasitada permitindo assim a entrada do vírus na célula (COUTARD et al., 
2020). Um exemplo de uma dessas proteases que clivam a proteína S é a furina, abundantes nos 
pulmões (JIN et al., 2020). O local de ação da furina é encontrado na proteína S do vírus que 
causa a COVID-19, mas não foi encontrado nos demais coronavírus, o que pode explicar a 
maior taxa de transmissibilidade e infectividade (XIA et al., 2020). Sabe-se que o período de 
incubação do vírus tem em média 5 dias. No entanto, este período pode se alongar até o 14° dia 
(DEL RIO; MALANI, 2020). 
 
Figura 4. Ilustração esquemática das etapas de infecção viral pelo SARS-CoV-2. 
(Fonte: MANTA, 2020). 
A ligação do SARS-CoV-2 à ECA-2 aumenta a sua expressão, resultando em lesão 
tecidual através de mediadores inflamatórios que levam a formação de edema, responsável pela 
25 
 
dificuldade respiratória devido à redução de absorção de oxigênio pelo paciente (ZHAO, et al., 
2020). Foi demonstrado em estudo que 98% dos pacientes apresentavam febre, dos quais 78% 
deles com temperaturaacima de 38ºC, 76% demonstraram tosse seca, resultado da dificuldade 
respiratória, 55% apresentaram dispneia, o que torna a atenção de necessidade de suporte 
hospitalar elevado. Mialgia foi demonstrada em 44% dos pacientes, além dores musculares, 
fadiga e astenia (HUANG et al., 2020; WANG; TANG; WEI, 2020). 
Estudos publicados sobre as características clínicas da COVID-19 relatam que 82,1% 
dos pacientes foram acometidos de linfopenia periférica, e 33,7% de leucopenia periférica 
(GUAN et al., 2020). Dados possivelmente relacionados à provável infiltração de células 
imunes na matriz pulmonar por modificações na permeabilidade vascular e/ ou 
apoptose/piroptose dessas células (GOMEZ, 2022; GUAN et al., 2020). 
A presença de elevadas concentrações de citocinas no soro de pacientes em estágio 
grave da COVID-19 e a presença de mediadores pró-inflamatórios, principalmente dímero-D 
(marcador de degradação de fibrina, indicativo de dano tecidual), Proteína C reativa, IL-6, IL1ꞵ, 
IL-1Rα, IL-7, IL-8, IL-9, IL-10, FGF básico, GCSF, GMCSF, IFNγ, IP10, MCP1, MIP1, 
MIP1, PDGF, TNF-α e VEGFR. A potente liberação desses mediadores inflamatórios está 
relacionada à intensa estimulação de monócitos/macrófagos e de diferentes subgrupos de 
células T (GOMEZ, 2022; SAGHAZADEH; REZAEI, 2020; MOORE; JUNE, 2020). 
Desse modo, observa-se que a resposta inflamatória desencadeada pela infecção pelo 
SARS-CoV-2 estimula a intensa produção de citocinas inflamatórias, recebendo o nome de 
“tempestade de citocinas” (do inglês cytokine storm). A liberação desses mediadores é 
responsável pelo grave dano tecidual, celular e pela inflamação pulmonar e sistêmica, 
resultando em quadros de pneumonia viral letal, sepse viral e síndrome respiratória aguda grave 
(SRAG), além de contribuir para incidência de prováveis complicações hepáticas, 
cardiovasculares e neurais (PROMPETCHARA; KETLOY; PALAGA, 2020). 
Com a finalidade de reduzir a propagação desse vírus e acabar com a pandemia, 
pesquisadores ao redor do mundo, a partir da decodificação do genoma do SARS-CoV-2, 
iniciaram uma corrida, nunca antes vista na história da vacinologia, para produzir uma vacina 
eficiente e segura em tempo recorde para combater a COVID-19. Diante disso, no final de 2020, 
cerca de 104 vacinas estavam em desenvolvimento no mundo, sendo 8 aprovadas pela 
Organização Mundial da Saúde para uso emergencial (KNOLL, WONODI, 2020), a primeira 
ainda em dezembro de 2020, e 4 aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA, 2021) do Brasil. 
26 
 
5.1 LINHA DO TEMPO COVID-19 
Esta linha do tempo expõe informações acerca de momentos relevantes da pandemia de 
COVID-19 no mundo, partindo de suas origens conhecidas até o surgimento da primeira vacina 
e sua administração no Brasil. 
• 12 de dezembro de 2019 
Um grupo de pacientes em Wuhan, província de Hubei, na China, começou a sentir falta 
de ar e febre. 
• 31 de dezembro de 2019 
O escritório da Organização Mundial da Saúde na China é informado de casos de uma 
pneumonia de origem ainda misteriosa na cidade de Wuhan, província de Hubei. É o primeiro 
relato oficial do que viria a ser chamado de COVID-19 pelas autoridades internacionais de 
saúde. 
• 7 de janeiro de 2020 
Autoridades chinesas identificam e isolam um novo coronavírus como agente causador 
do surto. 
• 10 de janeiro de 2020 
É informada a primeira morte provocada pelo surto da nova doença, ainda sob investigação, 
na China. Nesse mesmo mês, seriam anunciados os primeiros casos nos Estados Unidos e na 
Europa. 
• 22 de janeiro de 2020 
O Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional da Organização 
Mundial da Saúde se reúne e decide não declarar o novo coronavírus uma Emergência de Saúde 
Pública de Importância Internacional. O Comitê em vez disso, preferiu monitorar a situação e 
se reunir novamente em dez dias para rediscutir o tema. 
• 31 de janeiro de 2020 
O Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional da Organização 
Mundial da Saúde após reunião, declara o surto do novo coronavírus uma Emergência de Saúde 
Pública de Importância Internacional. 
• 7 de fevereiro de 2020 
Com a piora da situação na cidade de Wuhan, epicentro da contaminação pelo novo 
coronavírus até então e em lockdown desde o dia 23 de janeiro, 34 brasileiros e seus parentes 
estrangeiros vivendo na China são repatriados com o auxílio do Ministério da Defesa, em 
27 
 
missão conjunta com o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Saúde, na chamada 
de “Operação Regresso”. 
• 11 de fevereiro de 2020 
A Organização Mundial da Saúde anuncia o nome oficial da doença que está causando 
o novo surto de coronavírus de 2019: COVID-19, versão abreviada de doença de coronavírus 
2019. 
• 23 de fevereiro de 2020 
A Itália torna-se um hotspot global da COVID-19 e o governo italiano emite o Decreto-
Lei nº 6 de 23 de fevereiro de 2020, reunindo medidas urgentes para conter e gerenciar a 
emergência epidemiológica causada pelo SARS-CoV-2 e bloqueando o país. 
• 26 de fevereiro de 2020 
O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de COVID-19 no Brasil e na América 
Latina: um homem de 61 anos, morador da cidade de São Paulo e que anteriormente visitara da 
Itália. 
• 5 de março de 2020 
São registrados os primeiros casos de transmissão interna do novo coronavírus no Brasil. 
• 11 de março de 2020 
Após o número de casos de COVID-19 aumentar 13 vezes e o número de países afetados 
triplicar fora da China, chegando a todos os continentes do mundo, a OMS alterou o status de 
emergência de saúde pública de importância internacional para pandemia. 
• 12 de março de 2020 
A primeira morte causada por COVID-19 no Brasil é registrada pelo Ministério da 
Saúde. A vítima é uma mulher de 57 anos, moradora de São Paulo. 
• 17 de março de 2020 
As atividades presenciais na UFRN são interrompidas. 
• 18 de março de 2020 
A OMS emite um documento enfatizando a importância da preservação da saúde mental 
no periodo da pandemia de COVID-19. Em termos de saúde mental pública, o principal impacto 
psicológico até aquele momento são as taxas elevadas de estresse ou ansiedade. Mas, à medida 
que novas medidas e impactos são introduzidos – especialmente a quarentena e seus efeitos nas 
atividades, rotinas ou meios de subsistência habituais de muitas pessoas – os níveis de solidão, 
depressão, uso nocivo de álcool, drogas e comportamento suicida ou automutilação também 
tendem a aumentar. 
28 
 
• 20 de março de 2020 
O Ministério da Educação autoriza a implementação do ensino emergencial remoto. 
Trata-se de um conjunto de estratégias pedagógicas criadas para diminuir os impactos das 
medidas de isolamento social sobre a aprendizagem. 
O Ministério da Saúde pública portaria que regulamenta a telemedicina. O documento 
prevê o exercício da medicina por meio da utilização de metodologias interativas de 
comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de prestar assistência e educação e 
incentivar pesquisa em saúde. Com uma parcela da população em casa, o uso de tecnologias 
interativas – como vídeos e aplicativos – se impôs como um recurso fundamental e uma 
alternativa segura para proteger tanto a saúde dos médicos quanto a de pacientes. 
O Senado Federal do Brasil aprova por unanimidade um decreto presidencial declarando 
uma emergência nacional devido à pandemia do novo coronavírus, permitindo que o governo 
federal renuncie a metas fiscais e libere recursos orçamentários para combater o vírus. 
• 22 de março de 2020 
De acordo com a Inloco, o Brasil atingiu o seu máximo índice de isolamento social: 
62,2%. 
• 23 de março de 2020 
Em resposta aos relatos de profissionais sobre o estado crítico das condições de trabalho 
e falta de equipamentos de proteção individual, o Conselho Federal de Enfermagem publica um 
chamamento público para a compra de máscaras de proteção N95, que busca articular soluçõesjunto ao poder público e somar esforços para prover os equipamentos necessários. 
A discussão sobre o papel da enfermagem durante a pandemia, sobre a saúde mental dos 
trabalhadores de saúde e a precariedade do trabalho assumiram grande importância no debate 
público brasileiro. 
• 24 de março de 2020 
O Estado do Amazonas confirma a primeira morte causada por COVID-19. 
O presidente Jair Bolsonaro fez críticas às medidas de isolamento social adotadas pelos 
governadores – como o fechamento de escolas e serviços não essenciais – e culpou a imprensa 
por, na visão do político, espalhar pânico entre a população. 
Nessa mesma semana, foi criado o estudo Coalizão COVID-19 Brasil, que 
posteriormente comprovaria que o uso de hidroxicloquina, sozinha ou associada à azitromicina, 
não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes adultos hospitalizados com 
formas leves ou moderadas de COVID-19. A aliança para condução de pesquisas, formada por 
29 
 
Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, 
Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Brazilian 
Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva 
(BRICNet), avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes com COVID-
19. 
• 1 de abril de 2020 
A OMS recomenda a higienização das mãos como hábito extremamente importante para 
evitar a propagação do SARS-CoV-2. A entidade recomenda o uso de água e sabão, álcool em 
gel 70%. A prática também interrompe a transmissão de outros vírus e bactérias que causam 
resfriados comuns, gripes e pneumonias, reduzindo assim a carga geral da doença. 
• 9 de abril 2020 
Em uma declaração televisionada, o presidente Jair Bolsonaro defende o uso de 
cloroquina e hidroxicloroquina para combater a COVID-19, embora não haja eficácia científica 
comprovada. 
• 16 de abril de 2020 
Após protagonizar uma série de divergências com o presidente Jair Bolsonaro, o 
ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido. Entre os episódios conflituosos, o de 
maior destaque foi uma entrevista coletiva no sábado, 28 de março, na qual o ministro defendera 
a necessidade do isolamento social horizontal (em que o maior número possível de pessoas 
deve permanecer em casa), indo em direção contrária ao posicionamento do Planalto, que 
recomendava uma política de isolamento vertical (somente para idosos e pessoas classificadas 
como grupo de risco da COVID-19). 
• 23 de abril de 2020 
O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou o Parecer nº 04/2020 no qual 
estabelece critérios e condições para a prescrição de cloroquina e de hidroxicloroquina em 
pacientes com diagnóstico confirmado de COVID-19. Após analisar extensa literatura 
científica, a autarquia reforçou seu entendimento de que não há evidências sólidas de que essas 
drogas tenham efeito confirmado na prevenção e tratamento dessa doença. Porém, diante da 
excepcionalidade da situação e durante o período declarado da pandemia de COVID-19, o CFM 
entende ser possível a prescrição desses medicamentos a critério médico e consentimento do 
paciente. 
• 5 de maio de 2020 
30 
 
A OMS, em conjunto com governos e entidades privadas, lançou, em 24 de abril, uma 
plataforma de cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento de vacinas e remédios 
contra o coronavírus, chamada de ACT Accelerator (ou acelerador do acesso a instrumentos 
para a COVID-19, na sigla em inglês). O Brasil, entretanto, acompanhou o posicionamento dos 
Estados Unidos, ainda presidido pelo republicano Donald Trump, e rejeitou a proposta de 
cooperação, com a justificativa de que as ações da Organização Mundial da Saúde constituíam 
uma ameaça à soberania nacional. 
• 8 de maio de 2020 
Em menos de três meses desde o primeiro caso confirmado de infecção pelo novo 
coronavírus, o Brasil ultrapassa dez mil mortes por COVID-19 e se torna o sexto país com mais 
mortes pela doença, segundo levantamento das secretarias estaduais de saúde. 
• 12 de maio de 2020 
O Brasil ultrapassa a Alemanha e se torna o país com o sétimo maior número de casos 
de COVID0-19, segundo a Universidade Johns Hopkins. 
• 15 de maio de 2020 
Menos de um mês depois de assumir o posto, o ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou 
o cargo por discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro a respeito do estabelecimento de um 
protocolo para a administração da cloroquina e hidroxicloroquina — medicamentos sem 
eficácia comprovada — em pacientes com sintomas leves da COVID-19. E também com por 
conta de uma visão conflitante sobre a execução de medidas de distanciamento social. 
• 18 de maio de 2020 
Brasil ultrapassa o Reino Unido e se torna o país com o terceiro maior número de casos 
de COVID-19, segundo a Universidade Johns Hopkins. 
• 19 de maio de 2020 
Brasil chega a mais de mil mortes em um único dia pela primeira vez, segundo o 
Ministério da Saúde. 
• 2 de junho de 2020 
Brasil chega a 30 mil mortes por COVID-19, segundo dados do Ministério da Saúde. 
• 6 de junho de 2020 
O Ministério da Saúde remove meses de dados sobre o COVID-19 do site do governo. 
O portal do Ministério da Saúde deixou de divulgar informações sobre o histórico de infectados 
e mortos pelo novo coronavírus, passando a informar apenas os registros das últimas 24 horas. 
31 
 
A medida foi recebida sob críticas por parte de inúmeras instituições e especialistas em saúde, 
que defendem a transparência dos dados e o acesso à informação. 
A Organização Mundial da Saúde muda suas orientações sobre uso de máscaras e afirma 
que elas devem ser usadas em público para ajudar a impedir a propagação do novo coronavírus, 
no Brasil, já há recomendação ou exigência de que as pessoas usem máscaras em público para 
cobrir boca e nariz. 
• 19 de junho de 2020 
Brasil chega a 1 milhão de casos de COVID-19, segundo dados das secretarias estaduais 
de saúde. 
A vacina de Oxford/AstraZeneca, que teve o início dos seus testes no final de abril no 
Reino Unido, a Anvisa autorizou um estudo clínico com a vacina AstraZeneca AZD2816, uma 
nova versão do produto atualmente disponível no Brasil (AZD1222), modificada para também 
fornecer imunidade contra a recém-emergente cepa da variante B.1.351 do Sars-CoV-2, 
identificada primeiro na África do Sul. Os testes começaram a ser realizados em voluntários 
brasileiros, levando o país a ser o primeiro a experimentar o imunizante depois do Reino Unido. 
• 27 de junho de 2020 
O governo federal anunciou um acordo com a farmacêutica AstraZeneca, que 
desenvolvia uma vacina contra a COVID-19 com a universidade de Oxford, de transferência de 
tecnologia para produção local e autônoma do imunizante pela Fiocruz (Fundação Oswaldo 
Cruz). 
• 25 de julho de 2020 
Com a chegada do inverno e da conhecida temporada de gripe, o Brasil atingiu o pico 
da primeira onda de contaminação prenunciado por especialistas. Segundo dados do Ministério 
da Saúde, na semana de 19 e 25 de julho o país registrou o maior número de óbitos de toda a 
pandemia até então: 7.677 pessoas morreram em sete dias e, mais tarde, no dia 29 de julho, 
foram 1.595 mortes em apenas 24 horas. 
• 8 de agosto de 2020 
Batendo mais um recorde com 100 mil mortes e 3 milhões de infecções provocadas pela 
covid-19 desde o início da pandemia, o país passou a ocupar o segundo lugar no ranking 
internacional em número de casos e óbitos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com 4,9 
milhões de infectados e 161 mil mortos até então. 
• 11 de agosto de 2020 
32 
 
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o registro da primeira vacina contra o 
novo coronavírus, a Sputnik V, e garantiu que o imunizante estava pronto — tendo sido, 
inclusive, testado em uma de suas filhas. No entanto, a vacina não havia cumprido os testes da 
fase três até aquele momento, consequentemente, não recebeu aprovação da OMS e da 
comunidadeinternacional. No Brasil, o Instituto Butantan testava a Coronavac, vacina 
desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, em nove mil voluntários de seis 
estados do país. 
• 12 de agosto de 2020 
O estado do Paraná assina um acordo com a Rússia para produzir e distribuir a vacina 
Sputnik V contra a COVID-19. No mesmo dia, de acordo com informações do CNS (Conselho 
Nacional de Saúde), o Ministério da Saúde cancelou a operação Uruguai 2, que tinha por 
objetivo a compra de medicamentos do chamado kit entubação. Os motivos para o 
cancelamento não foram esclarecidos pelo ministério, apesar de alertas feitos pelo Conass 
(Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e pelo Conasems (Conselho Nacional de 
Secretarias Municipais de Saúde) em maio para um possível desabastecimento. 
• 14 de agosto de 2020 
A primeira proposta de venda de vacinas da Pfizer para o Brasil previa a entrega de 500 
mil doses em dezembro de 2020, totalizando 70 milhões até junho de 2021. Quatro dias depois, 
a oferta aumentou para 1,5 milhão de doses ainda em 2020, com possibilidade de mais 1,5 
milhão até fevereiro de 2021. Ainda, uma terceira proposta foi apresentada em 11 de novembro. 
Não houve sinalização positiva do governo federal para nenhuma das três propostas, e o Brasil 
acabou perdendo o lugar na negociação para outros países. 
• 31 de agosto de 2020 
Na contramão da recomendação de especialistas e da Organização Mundial da Saúde 
sobre a necessidade de vacinação em massa para a construção de imunidade coletiva da 
população, o presidente Jair Bolsonaro, afirmou, na noite de segunda-feira (31), em live no 
Facebook, um que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. 
• 2 de setembro de 2020 
Brasil ultrapassa 4 milhões de casos de COVID-19, segundo dados das secretarias 
estaduais de saúde. 
• 16 de setembro de 2020 
General Eduardo Pazuello torna-se o terceiro ministro da Saúde do Brasil durante a 
pandemia de covid-19, depois de quase quatro meses ocupando o cargo interinamente. 
33 
 
• 18 de setembro de 2020 
O Brasil confirmou a intenção em aderir ao plano Covax Facility, iniciativa coordenada 
pela OMS com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a 
COVID-19 a partir da alocação de recursos para que todos os países aderentes à iniciativa 
tivessem acesso igualitário à imunização. Com a liberação de R$ 2,5 bilhões pelo governo 
federal para integrar o programa, o país pôde garantir acesso a nove vacinas em 
desenvolvimento na época. 
• 3 de outubro de 2020 
O estado de São Paulo atinge um milhão de casos de COVID-19, segundo o governo do 
estado. 
• 5 de outubro de 2020 
As vacinas de Oxford/AstraZeneca, que estavam previstas para chegar no Brasil no mês 
de dezembro, tiveram sua entrega adiada para janeiro de 2021. Inicialmente, havia previsão de 
entrega de 30 milhões de doses. A vacina ainda deveria passar por aprovação pela Anvisa até 
que fosse liberada para a vacinação da população. 
• 10 de outubro de 2020 
Brasil chega a 150 mil mortes por COVID-19, segundo dados das secretarias estaduais 
de saúde. 
• 24 de outubro de 2020 
O governador de São Paulo, João Doria, assinou contrato com a Sinovac para o 
provimento de 46 milhões de doses da vacina Coronavac destinados ao estado e a transferência 
tecnológica da vacina ao Instituto Butantan, possibilitando a fabricação do imunizante em 
território brasileiro. No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro questionou o bilionário aporte 
financeiro no que chamou de “a vacina chinesa de João Doria” — que ainda não havia chegado 
à fase três de testagem. Bolsonaro também desautorizou a compra do imunizante pelo governo 
federal, diferentemente do anunciado pelo Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na terça-feira 
anterior, 20 de outubro. 
• 29 de outubro de 2020 
Dados do boletim epidemiológico para COVID-19 do Ministério da Saúde apontaram 
para uma queda de 25% na média de registros de óbitos no país. Na ocasião, com investimentos 
previstos no valor de R$ 1,5 bilhão, o Ministério da Saúde lançou o programa Vigiar SUS, que 
previa a adoção pelo país de uma estratégia nacional para a prevenção e controle de surtos e 
epidemias, bem como garantir o correto armazenamento e distribuição de vacinas. 
34 
 
• 26 de novembro de 2020 
Presidente Jair Bolsonaro diz que não tomará vacina contra o novo coronavírus. 
• 08 de dezembro. Dia histórico. Começa a vacinação contra COVID-19 no Reino Unido. 
Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos, tornou-se a primeira pessoa no mundo a 
receber a vacina da Pfizer contra a COVID-19 fora de um ensaio clínico. 
• 10 de dezembro de 2020 
O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de reinfecção de COVID-19 no Brasil. 
A Anvisa aprovou as regras para a autorização temporária de uso emergencial em caráter 
experimental de vacinas contra a COVID-19, de maneira restrita aos imunizantes que já 
estivessem em testes no Brasil. A decisão indicou que as vacinas aprovadas sob essa condição 
poderiam ser distribuídas pelo SUS (Sistema Público de Saúde), mas não comercializadas no 
país. A análise da Anvisa também considera a qualidade da vacina, boas práticas de fabricação, 
estratégias de monitoramento e controle, bem como resultados provisórios de ensaios clínicos. 
Wilson Lima (PSC), governador do estado do Amazonas, alerta sobre a possibilidade 
do colapso da rede de saúde do estado diante o aumento do número de casos. O presidente da 
República, no entanto, culpou a liderança local por “deixar acabar” os cilindros de oxigênio e 
pecar na gestão dos recursos. 
• 15 de dezembro de 2020 
A primeira quinzena de dezembro mostra um aumento mais sustentado no número de 
mortes por COVID-19, tendo as últimas 24 horas registrado 964 mortes, o número mais alto 
até então para o mês de dezembro. O Brasil ultrapassa a marca de 180 mil mortes por COVID-
19, com o número de 182.799 óbitos no total desde o início da pandemia. 
• 17 de dezembro de 2020 
Por dez votos a um, com exceção do ministro Nunes Marques, que votou para que só a 
União pudesse determinar a vacinação compulsória, o Supremo decidiu que a obrigatoriedade 
da vacinação contra o coronavírus e a implementação de sanções contra quem não se imunizasse 
poderiam ser estabelecidas no âmbito dos municípios, estados e Distrito Federal. A tese 
vencedora entendeu pela supremacia do interesse coletivo em detrimento ao interesse individual 
diante da emergência sanitária gerada pela pandemia. Foi descartada a exigência de 
consentimento prévio dos brasileiros para a imunização. 
A vacina passou por inúmeras desconfianças e informações falsas, gerando 
questionamentos e dúvidas em relação a autoridades e instituições sanitárias. 
• 23 de dezembro 
35 
 
Butantan divulga eficácia da CoronaVac. O Instituto Butantan afirma que a vacina 
CoronaVac conseguiu atingir o limiar de eficácia mínimo requerido pela OMS, que consiste 
em 50% de eficácia. O limiar é utilizado para permitir o pedido de autorização emergencial, o 
que deve ocorrer, portanto, para a CoronaVac. 
• 24 de dezembro de 2020 
Às vésperas do Natal, o Ministério da Economia aumentou a alíquota de importação 
sobre os cilindros de oxigênio, item indispensável para o tratamento da COVID-19. A partir de 
documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, o aumento do imposto foi 
causado pelo Ministério da Saúde, que havia excluído os cilindros da lista enviada para o 
Ministério da Economia de produtos contemplados com tarifa zero para importação. A 
revogação continuou valendo até a primeira quinzena de janeiro. 
• 31 de dezembro de 2020 
O laboratório de diagnóstico em São Paulo detecta dois primeiros casos da nova variante 
chamada de variante ALFA do SARS-CoV-2 do Reino Unido. 
• 4 de janeiro de 2021 
O governo de São Paulo confirma dois casos de pessoas infectadas pela nova variante 
da COVID-19, identificada no Reino Unido. 
• 11 de janeiro de 2021Durante visita a Manaus, alguns dias depois de o país atingir a marca de 200 mil mortos 
por COVID-19 e ao ser cobrado sobre os prazos previsto para o Plano Nacional de Imunização 
contra o SARS-CoV-2, o ministro Pazuello declarou que “a vacina vai começar no dia D, na 
hora H, no Brasil” e que a vacinação ocorreria “a partir do terceiro ou quarto dia” após 
autorização feita pela Anvisa. 
• 12 de janeiro de 2021 
Uma variante brasileira do coronavírus é encontrada no estado do Amazonas. A variante 
Gamma (P.1). Essa variante do SARS-CoV-2 foi detectada pela primeira vez pelo Instituto 
Nacional de Doenças Infecciosas do Japão, em 6 de janeiro de 2021, em quatro pessoas que 
chegaram a Tóquio após visitarem o Amazonas, Brasil, quatro dias antes. Durante a pandemia, 
observou-se que o SARS-CoV-2 sofre mutações, com certas combinações de mutações 
pontuais específicas provando ser mais preocupantes do que outras. Isso ocorreu principalmente 
por razões de transmissibilidade e virulência. 
• 14 de janeiro de 2021 
36 
 
O sistema hospitalar em Manaus, capital do estado do Amazonas, entra em colapso com 
a segunda onda de COVID-19, causado pela variante Gama, e começa a ficar sem oxigênio. 
O aumento progressivo no número de casos de COVID-19 e do grande volume de 
internações desde dezembro levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus e à falta de 
oxigênio para pacientes internados com a doença. Segundo defensores públicos que atuam em 
municípios do interior do Amazonas, entre os dias 15 e 19 de janeiro, foram registradas pelo 
menos 30 mortes de pacientes com COVID-19 e síndromes respiratórias por falta de oxigênio 
ou por falta de remoção para cidades com possibilidade de atendimento hospitalar. 
A falta de cilindros de oxigênio atingiu a rede, fato que foi denunciado pelo médico e 
presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Viana, em 14 de janeiro. A escassez 
do material causou a morte compulsória de vários pacientes que não conseguiram atendimento. 
Em meio ao colapso, equipes do Ministério da Saúde realizaram ronda em 13 unidades 
básicas de saúde do município para difundir a adoção de “tratamento precoce” de pacientes com 
COVID-19 com o uso de cloroquina, hidroxicloroquina e o antibiótico azitromicina, drogas que 
não têm eficácia comprovada contra a doença. 
• 17 de janeiro de 2021 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autoriza unanimemente o uso emergencial 
das vacinas CoronaVac e Oxford. 
O estado de São Paulo inicia a vacinação contra a COVID-19 para profissionais de saúde 
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Mônica 
Calazans, uma enfermeira negra de 54 anos e integrante do grupo de risco, torna-se a primeira 
pessoa a ser vacinada no Brasil, recebendo a vacina CoronaVac. Cento e doze profissionais de 
saúde são vacinados no primeiro dia. Vanuzia Costa Santos, técnica de enfermagem residente 
na cidade de Guarulhos, torna-se a primeira indígena do Brasil a ser vacinada contra a COVID-
19. 
6. VACINAS CONTRA COVID-19 E PLATAFORMAS VACINAIS 
Quando foi divulgado a sequência genética do SARS-CoV-2 em janeiro de 2020, 
ocorreram intensas atividades de pesquisa para o desenvolvimento das vacinas contra COVID-
19, considerando que até o momento não havia tratamento antiviral comprovadamente eficaz 
no tratamento da infecção (SANTOS et al., 2021). Com a urgência humanitária e econômica 
decorrente da pandemia, foi impulsionada a utilização de novas plataformas de tecnologia de 
desenvolvimento de vacinas para acelerar as pesquisas. Assim, em 16 de março de 2020, menos 
37 
 
de 10 semanas após a liberação das primeiras sequências genéticas do SARS-CoV-2, a 
farmacêutica Moderna inicia a fase I de testes de sua vacina, baseada em RNA mensageiro 
(RNAm), até então inédita, dando início a corrida entre várias farmacêuticas ao redor do 
planeta, para a produção daquela que seria a vacina mais rápida de toda história da humanidade 
(LURIE et al., 2020). 
Dessa forma o primeiro imunizante aprovado no mundo foi o da farmacêutica 
Pfizer/BioNTech, no início de dezembro. De acordo com informações divulgadas pela OMS, 
em 18 de fevereiro de 2021, haviam pelo menos oito vacinas diferentes aprovadas para uso 
emergencial em todo o mundo e mais de 200 vacinas estavam em desenvolvimento, entre fases 
pré-clinica e clínica. A primeira dose aplicada do imunizante para o COVID-19 ocorreu no 
Reino Unido, ainda em 2020 (OMS, 2021). 
As vacinas têm como objetivo principal gerar resposta imunológica de memória 
protetora para determinadas doenças infecciosas, tentando evitar sua transmissão, mas 
especialmente a sua forma grave. Durante a pandemia de COVID-19, as vacinas 
protagonizaram o centro das discussões. Alguns movimentos contrários à vacinação criaram 
pânico e insegurança na população, questionando a veracidade dos benefícios que a vacina 
traria ao imunizado. A disseminação de notícias falsas (fake news) andou de mãos dadas com a 
pandemia de COVID-19 e a massiva divulgação das notícias relacionadas a qualquer estudo (in 
vitro, pré-clínico ou clínico) sobre as opções vacinais ou de tratamento eram compartilhadas 
através de redes sociais da internet (QUEIROZ e SILVA, 2021). 
Atualmente, existe uma variedade de vacinas contra COVID-19 (Figura 5) desde as de 
1ª geração, com vírus inativado, como exemplo temos a CoronaVac/SinoVac, Bharat Biotech 
e Sinopharm; de 2ª geração, com o uso de vetor viral com tecnologia recombinante, como a 
AstraZeneca/Oxford, Janssen/Johnson&Johnson e Sputnik V; e as de 3ª geração, que são 
vacinas com ácidos nucléicos DNA ou RNA, como Pfizer/BioNTech e Moderna (ALMEIDA 
et al., 2021). Quatro vacinas contra a doença receberam autorização da Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil: CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen 
(ANVISA, 2021). 
38 
 
Figura 5. Tipos de vacinas contra COVID-19. 
 
(Fonte: CALLAWAY, 2020). 
 
São necessárias três fases (I, II, III) dentro do estudo clínico para o desenvolvimento 
seguro das vacinas, nas quais são coletadas informações sobre sua atividade, funcionamento e 
segurança (Figura 6). Somente dessa forma o produto pode ser liberado ao mercado e ser usado 
em pacientes. O consentimento de pesquisa clínica pela ANVISA é aplicável somente às 
pesquisas clínicas que possuem a finalidade de registro e pós-registro de medicamentos, por 
solicitações de empresas que irão custear as pesquisas ou pelos seus representantes legais 
(FIOCRUZ, 2021). 
A primeira fase (I) é caracterizada pelo estudo em pequenos grupos de indivíduos, 
geralmente adultos saudáveis que são avaliados para verificação da segurança e determinação 
do tipo de resposta imunológica provocada pela vacina. É nessa fase que também podem ser 
realizados estudos de desafio (ver se precisa de mais de uma dose), a fim de selecionar os 
melhores projetos de vacina para seguirem para a próxima fase (LURIE et al., 2020). Na fase 
II são inclusos grupos com maior número de indivíduos e a vacina já é administrada a indivíduos 
representativos da população-alvo da vacina como bebês, crianças, adolescentes, adultos, 
idosos e imunocomprometidos. Nessa fase é avaliada a segurança da vacina, sua 
imunogenicidade, posologia (doses) e modo de administração (oral, intramuscular 
intradérmica). Por fim, ao passar para a fase III (já com dose ou doses e modo de administração 
determinados) a vacina é administrada a uma grande quantidade de indivíduos, em torno 
milhares de pessoas, para que seja demonstrada a sua eficácia e segurança, ou seja, que é capaz 
de proteger os indivíduos com o mínimo possível de reações adversas (Figura 6) (MOTA; 
BATISTA; GONÇALVES, 2022). 
39 
 
Figura 6. Etapas de desenvolvimento de vacinas. 
 
 
(Fonte: adaptado de LURIE et al., 2020) 
7. CARACTERISTICAS DAS VACINAS CONTRA COVID-19 
De acordo com o gerente-geral da Gerência Geral de Medicamentos e ProdutosBiológicos (GGMED) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, 
é necessário destacar um aspecto que justifica a rápida aprovação das vacinas contra COVID-
19 que é o conhecimento científico na área de vacinas, que avançou muito e, já no ano de 2020, 
existia essa sabedoria relacionada a testes de outros imunizantes para outras doenças, tornando 
possível, dessa forma, que essa procura não começasse do zero (ANVISA, 2021). 
A tabela 1 mostra as características das vacinas que foram autorizadas no Brasil, como 
diferentes tipos de plataformas empregadas para o desenvolvimento das vacinas, composição, 
taxas de eficácia, prazo de validade, armazenamento, doses, administração, efeitos adversos e 
contraindicações de cada vacina contra a COVID-19. 
40 
 
Tabela 1. Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas contra a COVID-19 aprovadas pela Agência Nacional 
de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021. 
 
*É recomendada a administração de uma dose adicional de reforço em toda a população seguindo calendário de 
vacinação. 
(Fonte: PNO, 2021). 
 
7.2 VACINA DE VÍRUS INATIVADO – CORONAVAC 
A vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, utiliza a plataforma 
clássica de vírus inativado, na qual o vírus cresce em cultivo celular com posterior 
inativação (RANZANI et al., 2021). A tecnologia da vacina de vírus inativado já é bem 
41 
 
estabelecida no mundo das vacinas, além de ser comprovadamente eficaz, tendo sido utilizada 
em vacinas como da poliomielite (vacina Salk), da raiva e influenza (BRICKS, 2007). É um 
tipo de vacina em que o vírus é inativado e não é capaz de se multiplicar no organismo, no 
entanto consegue desencadear resposta imunológica (Figura 7). Possui alta performance de 
segurança por conta da tecnologia empregada na sua fabricação, é uma das mais estudadas 
mundialmente (BUTANTAN, 2021; RANZANI et al., 2021). 
 
Tabela 2.Característica das vacinas atenuadas e inativadas. 
 
(Fonte: Adaptado de BRAZ et al. (2014) 
 
Figura 7. Vacina de vírus inativado. 
 
(Fonte: Adaptado de CALLAWAY, 2020). 
No Brasil, a CoronaVac estabeleceu parceria com governo do Estado de São Paulo, 
através do Instituto Butantan, para que fosse testada em profissionais de saúde de 12 centros 
brasileiros (INSTITUTO BUTANTAN, 2021). A inativação ocorre através do uso de 
substâncias químicas, no caso da CoronaVac é utilizado betapropiolactona, que inibe o 
crescimento do virus e causa sua morte. Para preparar a vacina, o SARS-CoV-2 é propagado 
em células de rim de macaco verde africano (Células Vero). No final do período de incubação, 
42 
 
o vírus é colhido, inativado com β-propiolactona, concentrado, purificado e finalmente 
adsorvido em hidróxido de alumínio (alumen), que funciona como adjuvante vacinal. O 
complexo de hidróxido de alumínio é então diluído em solução salina tamponada com fosfato, 
antes de ser esterilizado e filtrado para injeção (ZHANG et al., 2020b). 
Aprovada no dia 19 de janeiro de 2021 pela ANVISA para uso emergencial no Brasil 
(ANVISA, 2021), a vacina CoronaVac demonstrou resultados em estudos de soroconversão em 
assintomáticos foi de 24,7% na primeira dose, entre 0-13 dias, acima de 90% nos participantes 
que tomaram as duas doses da vacina no intervalo de 14 dias e mais de 97% em participantes 
que tomaram as duas doses da vacina no intervalo de 28 dias, A eficácia da vacina contra 
internações hospitalares foi de 55,5% e contra mortes foi de 61,2% após 14 dias da 
administração da segunda dose (RANZANI et al., 2021). A eficácia desta vacina foi 
comprovada em um plano de 2 doses com intervalo de 2 a 4 semanas. Em casos sintomáticos 
de COVID-19 que precisaram de assistência ambulatorial ou hospitalar a eficácia foi de 59% e 
83,9% contra mortes (RANZANI et al., 2021; (HITCHINGS et al., 2022; OMS, 2022) 
Em relação as principais cepas de variantes que circularam pelo país, as vacinas 
apresentaram comportamentos diferentes isoladas e associadas a outras vacinas em forma de 
dose reforço. A neutralização por anticorpos contra as variantes Gama foi de 78%, Delta de 
65,9% e Omicron foi de 58,5% após uma média de 32 dias após a segunda dose por CoronaVac. 
Houve uma diminuição na frequência de anticorpos neutralizantes para 17,1% para a variante 
Gama, 24.4% para a Delta e 34,8% para Omicron após, em média 180 dias das duas doses da 
vacina CoronaVac. A dose reforço com a vacina Pfizer, após duas doses da CoronaVac, foi 
capaz de induzir a produção de anticorpos neutralizantes contra a variante Omicron em 87,2% 
dos indivíduos avaliados (DA SILVA et al., 2022; JANTARABENJAKUL et al, 2021 e LU et 
al., 2021b) 
As contraindicações a vacina CoronaVac são associadas a hipersensibilidade ao 
princípio ativo ou a outros dos excipientes da vacina. Reações adversas foram observadas a 
partir do estudo clínico de fase 3 em adultos até sete dias após a administração da segunda dose 
da vacina, em menos de 5% da população da vacinada. Os reações mais recorrentes foram dor 
de cabeça, cansaço, dor no local da aplicação da vacina que perdurava por alguns dias. Efeitos 
comuns (entre 1% e 10% dos pacientes), enjoo, diarreia, dor muscular, calafrios, perda de 
apetite, tosse, dor nas articulações, coceira, coriza, congestão nasal, vermelhidão, inchaço, 
coceira no local da aplicação da vacina. Efeitos incomuns (entre 0,1% e 1% dos pacientes) 
vômito, febre, vermelhidão, reação alérgica, dor de garganta, dor ao engolir, espirros, fraqueza 
43 
 
muscular, tontura, dor abdominal, sonolência, mal-estar, dor nas extremidades, vertigem, falta 
de ar, inchaço e hematoma no local da aplicação da vacina (YAVUZ et al., 2022) 
 Referente ao armazenamento, as vacinas de vírus inativado são armazenadas entre 2ºC 
e 8°C tendo vida útil da CoronaVac por cerca de 12 meses (LIMA; ALMEIDA; KFOURI, 
2021). Alguns vírus são mais sensíveis à degradação térmica, outro fator importante é a 
exposição a ciclos de congelamento-descongelamento, oxidação ocasionada por radical livre. 
Isso torna necessário um maior gerenciamento das condições ideais de armazenamento para a 
distribuição da vacina baseada em vírus inativado para manter sua eficácia (OLIVEIRA, et al, 
2009; INSTITUTO BUTANTAN, 2021). 
7.3. VACINAS DE VETOR VIRAL – ASTRAZENECA E JANSSEN 
As vacinas de vetor viral empregam as técnicas do próprio vírus, utilizando-se de suas 
capacidades de utilizar o maquinário da própria célula, porém, essa plataforma altera essa 
capacidade, tornando-a como um sistema de entrega de informação. Nesse sistema, são 
inseridas informações genéticas para que sejam produzidas partes específicas do vírus, ou seja, 
parte do DNA do agente infeccioso é inserido em um virus vetor que será encarregado de entrar 
na célula hospedeira e levar essa informação genética. Após isso, a célula que recebeu essa 
informação irá reproduzir não o vírus e sim apenas a proteina selecionada, a partir da 
informação genética contida no vetor viral, que no caso da vacina contra COVID-19 é a proteina 
Spike. Isso leva o organismo a gerar uma resposta imunológica eficaz e específica contra o 
agente, induzindo uma intensa resposta imune humoral e uma resposta robusta de células T 
citotóxicas (linfócitos CD8+) que são essenciais para eliminação de patógenos intracelulares. 
Cada tipo de vetor viral tem vantagens e desvantagens específicas, a escolha de qual utilizar 
dependerá dos objetivos que se pretende alcançar (SCHUELER, 2022; OLIVEIRA et al., 2018). 
 A classe dos adenovírus não replicantes se tornara um dos principais vetores virais 
utilizados nas tecnologias de desenvolvimento para as vacinas contra COVID-19. Essas vacinas 
conferem grande segurança devido à tecnologia de sua fabricação, ser de humanos (Ad5 e 
Ad26) ou de símios (Chipanzés ChAd). A vacina ChAdOx1 nCoV-19 foi desenvolvida na 
Universidade de Oxford, na Inglaterra, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca 
(FOLEGATTIet al., 2020). No território brasileiro, a vacina da AstraZeneca é fabricada em 
parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). 
Ela utiliza como vetor viral um adenovírus de chimpanzé não replicante que carrega no 
seu genoma a informação genética da proteína S do SARS-CoV-2. Logo, quando essa vacina é 
44 
 
inoculada no receptor, o adenovírus infecta a célula alvo, o DNA é liberado, transcrito em um 
RNA mensageiro, que é traduzido pelos ribossomos na proteína Spike, essa proteína será 
reconhecida como estranha pelas células do sistema imunológico, causando produção de 
anticorpos e ativação dos linfócitos T CD4 e T CD8 de memória, deixando o corpo preparado 
para combater o SARS-CoV-2 caso ele entre no organismos imunizado (ver Figura 8 abaixo). 
O imunizante AstraZeneca foi aprovado pela ANVISA em janeiro de 2021 para ser 
administrada à população brasileira de forma emergencial (ANVISA, 2021). A eficácia foi 
comprovada em um plano vacinal contendo 2 doses com intervalo de 12 semanas. O estudo de 
fase III realizado em três país de três diferentes continentes, mostrou eficácia contra infecção e 
70,4 após as duas doses recebidas (VOYSEY et al., 2021). Os indivíduos que apresentavam 
comorbidades tiveram uma eficácia da vacina de 73,43%, similar à eficácia da vacina 
AstraZeneca observada na população geral (OMS, 2021). 
A vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AstraZeneca) induz respostas específicas de anticorpos 
à glicoproteína Spike (glicoproteína da espícula do SARS-CoV-2) 28 dias após a primeira dose 
e tem um efeito maior e mais potente nos títulos de anticorpos a partir do dia 50, pois a segunda 
dose induz a elevação dos níveis de anticorpos neutralizantes e fornece proteção mais 
duradoura. As células T são importantes na imunidade contra SARS-CoV-2 porque geram alta 
imunidade celular, o que é desejável para vacinas; a vacinação com a vacina AstraZeneca 
induziu uma boa resposta dessas células T específicas, que atingiram o pico 14 dias após a 
primeira dose, sendo uma resposta de TCD4 do perfil T auxiliar de tipo 1 (Th1), uma 
característica preferencial de uma vacina para essse tipo de infecção, induzindo melhor proteção 
ao vírus. Além disso, as respostas de anticorpos anti-spike aumentaram após a vacina de reforço 
(RAMASAMY et al., 2020). 
O armazenamento e transporte das vacinas de vetor viral deve ser realizado em 
temperaturas de 2 a 8 ° C e sua vida útil é em torno de 6 meses desde que armazenadas de forma 
adequada (BERNIS et al., 2022). 
Através das informações presentes na bula da vacina produzida pela 
FioCruz/AstraZeneca, em sua maioria, os efeitos colaterais apresentados nos pacientes durante 
os estudos clínicos, foram leves ou moderados e apresentaram melhora em poucos dias. 
Efeitos muito comuns: sensibilidade, dor, sensação de calor, vermelhidão, coceira, inchaço ou 
hematoma no local da aplicação, cansaço, fadiga, calafrios e febre, além de enjoos ou náuseas, 
dores de cabeça, dores musculares e nas articulações. Efeitos comuns: enjoos e vômito, 
formação de edema no local da aplicação da vacina, febre alta, dor de garganta, coriza e tosse. 
45 
 
Efeitos incomuns: sensação de tontura, diminuição do apetite, dor abdominal, aumento dos 
linfonodos, suor excessivo, coceira e erupções na pele (FIOCRUZ, 2021). 
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) analisou 62 casos de trombose do seio 
venoso cerebral (CVST), ocasionados por coágulos nos seios da face que drenam o sangue do 
cérebro, e 24 casos de trombose da veia esplâncnica ou coagulação no abdômen. O órgão de 
saúde europeu concluiu que a vacina causou uma combinação incomum de coágulos sanguíneos 
em dezenas de pessoas com contagens baixas de plaquetas (EMA, 2021; SIQUEIRA et al., 
2021). Apesar desses casos, a vacinação não foi interrompida, visto que o risco de eventos de 
CVST relacionados a vacinação é menor que ao uso de anticoncepcionais e nicotina. O 
percentual de casos de trombose em pesoas vacinadas é de 0,0004-0,0006%, com uso de 
anticoncepcional é de 0,05 a 0,12% e de pessoas que fumam é de 0,18%. Além disso, testes 
laboratoriais de pacientes que contrairam o SARS-CoV-2 apresentaram dímero D elevado, além 
de fibrinogênio em quantidade reduzida, podendo levar a um caso de trombocitopenia, 
mostrando que a própria infecção pelo SARS-CoV-2 tem 16,5% mais riscos de causar um 
quadro de trombose. Isso nos ajuda a contextualizar riscos e benefícios dos imunizantes 
(SIQUEIRA et al., 2021; FIOCRUZ, 2021). 
Utilizando a mesma plataforma de desenvolvimento da vacina AstraZeneca, a vacina 
Janssen também faz uso da tecnologia recombinante dos adenovírus para sua produção (LIMA; 
ALMEIDA; KFOURI, 2021). A vacina da Janssen é composta por um vetor de adenovírus 
humano tipo 26 (Ad26), recombinante, não replicante, que codifica a glicoproteína Spike (S). 
Após a vacinação e a entrada do vetor vacinal na célula humana, esse gene que codifica a 
proteína S é transformado em um RNA mensageiro (RNAm), que contém instruções para a 
produção de proteínas Spike, o que ocorre fora do núcleo das nossas células, onde está o nosso 
genoma, dessa forma, ela não fica integrada ao nosso DNA. Essas proteínas produzidas se fixam 
na superfície celular (Figura 8). Ela induz a formação tanto dos anticorpos neutralizantes, que 
são aqueles que se ligam diretamente à Spike e assim evitar a infecção das células, quanto a 
anticorpos funcionais específicos, que ajudam as células do sistema imunológico a localizarem 
o vírus e destruí-lo. Também são acionadas respostas imunes celulares dirigidas contra a 
proteína Spike, contribuindo para a proteção contra a COVID-19 grave (STEPHENSON et al., 
2021; JANSSEN, 2021). 
 
 
 
46 
 
Figura 8. Vacina de vetor viral. A informação genética para a produção da glicoproteína Spike é inserida 
em um adenovírus que infecta a célula hospedeira. O DNA é transcrito em um RNAm e posteriormente esse 
RNAm é traduzido pelos ribossomos e então a Spike é produzida e expressa na membrana da célula para estimular 
a resposta imunológica. 
 
(Fonte: SADOFF et al., 2021) 
 
A ANVISA aprovou seu uso emergencial em abril de 2021 (ANVISA, 2021). A eficácia 
foi demonstrada em um plano vacinal de dose única. O estudo de fase III mostrou que essa 
vacina apresentou uma taxa de eficácia contra infecção de 66,9% após 14 dias de aplicação da 
dose única e de 66,1% após 28 dias do inóculo. A eficácia da vacina se mostrou mais robusta 
contra as formas de grave e crítica da COVID-19, apresentando 76,7% de eficácia após 14 dias 
e 85,4% após os 28 dias de inóculo (SADOFF et al., 2021). A vacina Janssen é inicialmente 
armazenada congelada pelo fabricante e, em seguida, enviada entre 2°C e 8°C. Após ser 
descongelado, não volta a ser congelada (Tabela 01). 
Através das informações da bula da vacina Janssen, as principais contraindicações são 
hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer dos excipientes da vacina. A maioria das 
reações adversas ocorreram até 2 dias após a vacinação. Efeitos muito comuns: dor no local da 
aplicação da vacina, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e fadiga. Efeitos comuns: 
vermelhidão e inchaço no local da aplicação da vacina, calafrios, dor nas articulações, tosse e 
febre. Já os efeitos incomuns foram: irritação na pele, fraqueza muscular, dores nos membros 
superiores e inferiores, fraqueza e indisposição, espirros, dor de garganta, tremores e suor 
excessivo (SADOFF et al., 2021). Assim como a vacina da AstraZeneca, relatos de formação 
47 
 
de coágulos também ocorreram em pessoas que fizeram uso as vacinas da Janssen, mas a vacina 
não foi suspensa, pelos motivos expostas acima. 
7.4. VACINA DE RNA MENSAGEIRO - PFIZER 
O imunizante produzido pelo laboratório Pfizer em parceria com a empresa de 
biotecnologia BioNTech, baseada em RNAm, que é uma plataforma baseadas em RNA 
modificado com nucleotídeos formulados com nanopartículas lipídicas, a vacinaBNT162b2 
codifica a proteína Spike de comprimento total ancorada na membrana do SARS-CoV-2, 
estabilizado na conformação de pré-fusão, ou seja, adquire o formado que teria momentos antes 
da fusão do vírus com a célula (KFOURI, 2021; WALSH et al., 2020; MULLIGAN et al., 2020 
e POLACK et al., 2020). O RNA mensageiro é uma molécuyla muito instável, para manter sua 
estabilidade, ele é acondicionado dentro de uma nanopartícula lipidica chamada molécula de 
lipossomo. Quando a vacina é administrada, os lipossomos se fundem com as membranas 
celulares, o RNA acessa o citoplasma, é lido pelos ribossomos, havendo assim a produção da 
proteína Spike do SARS-CoV-2, que é transpostada pelo Golgi e passa a ser expressa nas 
membrasn das células ou são escretados por exossomos, sendo assim reconhecidos pelas céluals 
do sistema imunológico (Figura 9) (TROUKAGOS et al., 2022). 
Figura 9. Vacina de RNA. Utilizando uma fita de RNA mensageiro, a vacina codifica um antígeno específico 
daquela doença (Spike). Quando o RNAm é inserido no organismo, as células usam a informação genética para 
produzir esse antígeno. O antígeno se espalha pela superfície das células, pode também ser excretado e é 
reconhecido pelo sistema imunológico. A célula do sistema imune entende que aquela proteína não faz parte do 
organismo e passa a produzir anticorpos para combater aquela doença. Os anticorpos entram em ação quando o 
organismo é infectado pela doença. 
 
 
(Fonte: TROUKAGOS et al., 2022). 
48 
 
As vacinas de RNA mensageiro têm demonstrado através de estudos um bom perfil de 
segurança, indicando excelente resposta imune. Por ser constituído de produtos sintéticos, 
possui a vantagem de ser produzida em grande escala. Demonstrou ótima resposta na indução 
de imunidade humoral e celular, produzindo níveis de anticorpos neutralizantes 2,8 vezes 
maiores quando comparados com soros humanos de indivíduos que tiveram COVID-19 (LIMA; 
ALMEIDA; KFOURI, 2021; STAMATATOS et al., 2021). 
A ANVISA aprovou essa vacina em fevereiro de 2021 (ANVISA, 2021). Sua eficácia 
foi demonstrada em um plano vacinal com 2 doses em intervalo de 4 semanas. Um regime de 
duas doses de BNT162b2 conferiu 95% de proteção contra infecção pelo SARS-CoV-2 em 
pessoas com 16 anos de idade ou mais (POLACK et al., 2020). A eficácia em trabalhadores de 
saúde da linha de frente de combate à COVID-19 foi de 80% após a primeira dose e 90% após 
a segunda contra infecção pelo SARS-CoV-2. Idosos acima de 70 anos tiveram redução do 
risco de internação hospitalar de cerca de 80% e de risco de óbito pela COVID-19 de 85%. Na 
população geral, a vacina Pfizer apresentou eficácia de 97% contra casos sintomáticos, 
necessidade de internação ou morte pela doença (CHAGLA, 2021; POLACK et al., 2020). Os 
participantes com idades de 18 a 55 anos que receberam duas doses da vacina BNT162b1 
apresentaram intensas respostas de anticorpos e respostas de linfócitos TCD4 e TCD8, como 
produção de IFN-, que é uma citocina importante para a proteção viral, o mesmo estudo 
mostrou que as células TCD4 e TCD8 provavelmente são responsáveis por um maior período 
de proteção contra o SARS-CoV-2, pois proporcionam memória imunológica mais duradoura 
(SAHIN et al., 2020; MULLIGAN et al., 2020). 
Outro estudo foi realizado com 42 voluntários saudáveis e 26 com Doença Inflamatória 
Crônica (CID), foram obtidos os dados necessários para analisar os efeitos da vacina de RNAm 
nos grupos descritos, dessa forma foi observado que todos os participantes apresentaram 
anticorpos anti-SARS-CoV-2 e atividades neutralizantes elevadas, porém os níveis de IgG 
foram mais baixos em pacientes com CID, no entanto, em ambos os grupos (controle e pacientes 
com CID) os valores de anticorpos neutralizantes acima do corte, demonstrando a eficácia nesse 
grupo com comorbidade (GEISEN et al., 2021). 
Os produtos de RNA são muito sensíveis à temperatura e devem sempre ser mantidos 
em temperaturas extremamente baixas (−80 ° C) durante o armazenamento e distribuição. 
Embora o armazenamento de curto prazo seja possível, em uma geladeira (2–8 ° C), o RNA 
acabará por se deteriorar em dias (Tabela 1) (OLIVEIRA, et al, 2009). 
As reações adversas mais comuns demonstradas nos estudos clínicos e relatados na bula 
da vacina Pfizer, que ocorrem em 10% dos pacientes que utilizam esta vacina, foram dor e 
49 
 
inchaço no local de injeção, cansaço, dor de cabeça, diarreia, dor muscular, dor nas articulações, 
calafrios e febre. Reações comuns (que ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam 
este medicamento) foram vermelhidão no local de injeção, náusea e vômito. Reações incomuns 
(que ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este imunizante) foram aumento 
dos gânglios linfáticos, reações de hipersensibilidade, erupção cutânea (lesão na pele), prurido, 
urticária, angioedema, diminuição de apetite, dor nos membros, insônia, letargia, hiperidrose, 
suor noturno, astenia, sensação de mal-estar e prurido no local de injeção. Reação rara (que 
ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes que utilizam este imunizante) como paralisia facial 
aguda, miocardite (inflamação do músculo cardíaco) e pericardite (inflamação do revestimento 
externo do coração) ocorreram em algumas pessoas que receberam a vacina. Em grande parte 
dessas pessoas, os sintomas começaram em poucos dias após o recebimento da segunda dose 
da vacina (PFIZER, 2021). 
 
Uma análise feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) demonstrou 
que a vacinas da Pfizer é altamente eficaz no controle da Covid-19 após 1ª dose e que o risco 
de infecção caiu 80% após a primeira dose em profissionais da linha de frente. Foram analisados 
3.950 profissionais de saúde, socorristas e outros trabalhadores essenciais e de linha de frente 
foram submetidos a testes semanais para detecção do SARS-CoV-2 por 13 semanas 
consecutivas. A eficácia da vacina mRNA em condições de vida real após imunização completa 
(≥14 dias após a segunda dose) foi de 90% contra infecções pelo SARS-CoV-2, 
independentemente do estado dos sintomas; a eficácia da vacina da imunização parcial (≥ 14 
dias após a primeira dose, mas antes da segunda dose) foi de 80% (THOMPSON, 2021). 
8. INTERCAMBIALIDADE DE VACINAS E VARIANTES DE PREOCUPAÇÃO DO 
SARS-CoV-2 
O processo chamado de intercambialidade de vacinas ou vacinação heteróloga, consiste 
no uso de vacinas para segunda dose ou para doses de reforço, desenvolvidas com diferentes 
plataformas daquela do esquema vacinal original (NGUYEN et al., 2009). 
Nguyen e colaboradores (2022) relatam que existem algumas razões para o uso do 
regime heterólogo na prática clínica: (1) escassez intermitente de vacinas devido à capacidade 
limitada na produção de vacinas e ao desafio logístico de distribuir as vacinas certas para as 
pessoas certas no momento certo; (2) eventos adversos raros, mas graves, de vacinas baseadas 
50 
 
em vetores (por exemplo, tromboembolismo na vacina Oxford-AstraZeneca); (3) variantes 
emergentes do SARS-Cov-2 levam à demanda por uma segunda vacinação alternativa. 
Como recomendação ideal, indivíduos que deram início a vacinação contra a COVID-
19 deverão completar o esquema com a mesma vacina. Esta recomendação se dá 
fundamentalmente considerando que ainda existem poucos estudos de eficácia/efetividade e 
segurança em larga escala de esquemas com vacinas de fabricantes diferentes. Porém, 
considerando que muitas vacinas contra COVID-19 objetivam a indução de resposta imune 
contra o mesmo antígeno, a proteína Spike (proteína S) do vírus SARS-CoV-2, é esperado que 
uma segunda dose de outra vacina seja capaz de induzir uma amplificação da resposta imune, 
uma vez que a intercambialidade, ou seja, a administração de dose de outra vacina contra a 
COVID-19 está fundamentada nos princípios básicos da imunologia e já é descrita com outras 
vacinas (SAGE, 2021a; BOROBIA et al., 2021) 
Um ensaioclínico randomizado realizado no Reino Unido comparou esquemas de 
vacinação heterólogos e homólogos das vacinas de RNAm e de vetor viral com intervalo de 4 
semanas entre as doses, demonstrando que esquemas heterólogos levavam a uma resposta 
imune superior aos esquemas homólogos em indivíduos que tomaram como primeira dose a 
vacina AstraZeneca (LIU et al., 2021). Com base nessas informações, a Organização Mundial 
da Saúde optou por atualizar as suas recomendações referentes ao plano de vacinação, 
orientando que, em situações na qual não seja possível administrar a segunda dose com o 
mesmo produto, seja por falta do mesmo produto ou por outras preocupações, seria possível a 
adoção de esquemas heterólogos (SAGE, 2021b). 
O esquema de reforço envolvendo Pfizer-BioNTech e Oxford-AstraZeneca geram uma 
forte resposta imunológica contra a proteína Spike de SARS-CoV2 com doses administradas 
com quatro semanas de intervalo. As respostas imunes diferiram de acordo com a ordem de 
imunização, com Oxford-AstraZeneca seguido por Pfizer-BioNTech gerando a melhor resposta 
imune fora dos dois esquemas mistos. Doses alternadas das vacinas Oxford-AstraZeneca e 
Pfizer-BioNTech geram respostas imunes robustas contra COVID-19, de acordo com 
pesquisadores que conduzem o estudo Com-COV conduzido pela Universidade de Oxford (LIU 
et al., 2021). 
Pesquisadores avaliaram a imunogenicidade e a reatogenicidade da vacina BNT162b2 
Pfizer administrada como segunda dose em participantes vacinados anteriormente com a vacina 
ChAdOx1-S AstraZeneca. Entre 24 e 30 de abril de 2021, 676 indivíduos foram avaliados e 
selecionados aleatoriamente para o grupo de intervenção (n = 450) ou grupo de controle (n = 
226) em cinco hospitais universitários na Espanha. Os níveis de anticorpos neutralizantes 
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/thromboembolism
51 
 
detectados no dia 14 após a vacinação com ambas as doses foram robustos. A IgG contra a 
proteína Spike trimérica aumentou de 98,40 BAU/mL para 3684,87 BAU/mL (Figura 10, 
comprar o aumento das barras azuis para as vermelhas), sendo BAU a quantidade de anticorpos 
de ligação detectados (Figura 10). Não foram relatados eventos adversos graves. A vacina da 
Pfizer administrada como uma segunda dose em indivíduos vacinados com a vacina 
AstraZeneca induziu uma resposta imune robusta, com um perfil de reatogenicidade aceitável 
e administrável (BOROBIA et al., 2021). 
 
Figura 10. Concentração de anticorpos de ligação detectados no estudo de intercambialidade entre Pfizer e 
AstraZeneca. 
 
(Fonte: BOROBIA et al., 2021) 
 
O aparecimento de variantes de preocupação (VOCs) do SARS-CoV-2, B.1.1.7 (Alfa, 
Reino Unido), B.1.351 (Beta, África do Sul) e P.1 (Gama, Brasil) piorou esse problema, já que 
os dois últimos são capazes de escapar do controle de anticorpos, através de mutação nas 
proteinas utilizadas para as vacinas. No entando, estudos mostraram a eficácia da combinação 
de vacinas para ampliar sua eficácia sobre as variantes. A imunoglobulina G (IgG) foi detectada 
contra o domínio de ligação de receptores da proteína Spike do SARS-CoV-2 no 14º dia após 
uma única vacinação, sendo a inibição da entrada da célula hospedeira da SRA-CoV-2 S fraca 
e particularmente baixa para a variante B.1.351 (Alfa). A segunda vacinação aumentou 
52 
 
significativamente as frequências das células T reativas para as variantes WT e B.1.1.7 (Alfa) 
e B.1.351 (Beta) (STANKOV et al., 2021). 
Um estudo mostrou que uma terceira dose de reforço de quatro vacinas testadas, Janssen 
(Ad26), Pfizer (BNT) e AstraZeneca (ChAd) e CoronaVac (CV), proporciona um aumento 
substancial nas respostas de anticorpos após duas doses da CoronaVac, quando administrada 
cerca de 6 meses após a segunda dose (Figura 11 A e B). Concentrações muito baixas de 
anticorpos neutralizantes foram detectadas 6 meses após duas doses da vacina inativada, 
CoronaVac, mas as vacinações de reforço homólogas e heterólogas foram seguras e 
aumentaram fortemente as respostas imunes humorais. A magnitude do reforço imunológico 
foi maior com as vacinas de vetores adenovirais da Janssen (Ad26) e AstraZeneca (ChAd) e 
vacina de RNAm (BNT) do que com o regime homólogo, com as respostas mais altas relatadas 
após um reforço de RNAm. Em adultos mais velhos, a diferença nos títulos de anticorpos 
neutralizantes foi 8 a 22 vezes maior para um reforço heterólogo do que para um reforço 
homólogo com CoronaVac (Figura 11 C). 
Figura 11. Produção de anticorpos IgG anti-spike por dia e idade. Em (A) dia 0, (B) dia 28 e (C) respostas do dia 
28 por faixa etária e alocação de vacina de reforço. A linha pontilhada mostra o limite superior do ensaio. Janssen 
(Ad26), Pfizer (BNT), ChAd (AstraZeneca), CoronaVac (CV). 
 
 
Fonte: CLEMENS et al., 2022 
53 
 
Esse estudo também avaliou o papel desse esquema heterólogo frente a variantes de 
preocuapção como a Delta e Omicron. É possível observar no teste de neutralização (Figura 
12), que os anticorpos produzidos após a dose de reforço, com esquema heterólogo, para 
aqueles indivíduos que haviam recebido previamente duas doses da CoronaVac, foi capaz de 
neutralizar as variantes Delta e Omicron de maneira mais eficiente do que o esquema homólogo. 
Portanto, o alto escape vacinal, especialmente da Omicron, sugere a adoção de um esquema 
heterólogo de reforço vacinal para o esquema primário da CoronaVac, para potencializar a 
resposta de proteção a essa variante. 
 
Figura 12. Títulos de neutralização de vírus vivos contra cepas variantes Delta e Omicron, antes e 28 dias após a 
vacinação de reforço homóloga e heteróloga. Janssen (Ad26), Pfizer (BNT), ChAd (AstraZeneca), CoronaVac 
(CV). 
 
 
Fonte: Clemens et al., 2022 
 
9. CAMPANHA DE VACINAÇÃO 
O Brasil iniciou a vacinação contra o COVID-19 em 17 de janeiro de 2021, quase um 
mês após outros países da América Latina, o que causou forte pressão social e do Congresso 
sobre a ANVISA e o Ministério da Saúde. Apesar do atraso, assim que a primeira vacina foi 
autorizada, o Brasil rapidamente alcançou outros países (FONSECA; SHADLEN; BASTOS, 
2021). 
54 
 
As vacinas demonstraram ser ferramentas seguras e eficazes na prevenção da covid- 19 
grave, reduziu o numero de hospitalizações e mortes, contra as variantes, vale ressaltar que a 
confiabilidade dos dados depende das vacinas aplicadas, suas condições, das doses reforço em 
casos de declinio de imunidade, e dos reforços com outras vacinas (intercambialidade). No 
entanto, os benefícios da vacinação contra a COVID-19 superam os riscos, que demonstraram 
ser raros (FIOLET et al., 2021). 
Dados de vida real, publicados em maio de 2021, na revista The Lancet (HAAS et al., 
2021), obtidos de Israel, que foi o país que inicialmente mais avançou no processo de 
imunização de sua população, mostram o papel da vacinação na proteção contra infecção, 
hospitalização e mortes, como pode ser observado pelas figura e tabela abaixo. Na Figura 13, a 
linha vermelha mostra a incidência de infecções, o sombreamento azul claro mostra de pessoas 
vacinadas com uma dose da vacina da Pfizer e o sombreamneto azul escuro, as pesssoas com 
duas doses das vacina da Pfizer. Fica efidente que com o avaçcar da vacinação, a incidência de 
infecção caiu na população, mostrando o potencial portetor dessa vacina. Os dados mostrados 
na Tabela 3, acompanham o que é mostrado no gráfico, pois mostra o percentual de proteção 
que a vacinação propocionou nos contextos de infecção, hospitalização e morte, mantendo altos 
percentuais de proteção, similares àqueles apresentados nos estudos de fase 3 da vacina. Esse 
foi o primeiro estudo de efetividade publicado com uma vacina contra COVID-19. 
55 
 
Figura 13. Casos incidentes de infecção por SARS-CoV-2 e prevalência de vacinação BNT162b2 por faixa etária 
em Israel (1º de dezembro de 2020 a 3 de abril de 2021). 
 
Fonte: Haas et al., 202156 
 
Tabela 3. Efetividade estimada de duas doses da vacina da Pfizer (após 7 dias da segunda dose) contra resultados 
confirmados em laboratório de SARS-CoV-2 na faixa etária mais avançada. 
 
 
Um estudo do Chile (Tabela 4), de Jara e colaboradores (2021), mostrou a efetividade 
da vacina CoronaVac em reduzir infecções, hospitalizações, admisões em UTIs e mortes, tendo 
sido o imunizante usado inicialmente Brasil, e que ajudou a reduzir drasticamnete os casos da 
doença em nosso país. Essa redução foi claramente observada entre os profissioanis da saúde 
que estavam atuando na linha de frente do combate à COVID-19, como pode ser visto pelo 
gráfico do estudo de de Faria e coloboradores, que ainda não foi revisado por pares (Figura 14). 
Na linha azul estão o número de casos de COVID-19 nos profissioanis da saúde do Hospital 
das Clínicas da USP, onde o estudo foi conduzido, e na linha preta o número de casos DE 
COVID-19 na cidade de São Paulo no mesmo período, as setas vermelhas indicam as aplicações 
das primeira e segunda doses da CoronaVac. Assim, fica muito evidente a redução no número 
de casos de COVID-19 após o início do processo de imunização nos profissionais de saúde (DE 
FARIA et al.). Um dado emblemático na história da imunização da COVID-19 no país, pois 
muitos profissinais da saúde já havia morrido por conta dessa doença até então. 
57 
 
 
 
 
 
 
Tabela 4: Eficácia da vacina Coronavac na prevenção de resultados de COVID-19 na coorte geral do estudo, de 
acordo com o status de imunização. 
 
Fote: Jara et al., 2021 
58 
 
Figura 14. Representação gráfica do número de casos semanais de COVID-19 na cidade de São Paulo (SP) e entre 
profissionais de saúde (PS) do Hospital das Clínicas (HC) (Universidade de São Paulo). As setas marcam a 
administração das 2 doses da CoronaVac nos PS do HC. 
 
Fonte: de Farias e colaborados (preprint) 
Dados recentes de efetividade das vacinas CoronaVac e Astrazeneca (que no Brasil se 
chama Vaxzevria) mostram a influência da idade na eficácia e duração da proteção dessas 
imunizantes, numa análise feita entre 18 de janeiro e 24 de julho de 2021, em indivíduos que 
haviam tomado duas doses dessas vacinas (CIQUEIRA-SILVA et al., 2022). Os dados 
apresentados no estudo e que podem ser observados na Figura 15, mostram que a efetividade 
da vacinação é progressivamente menor com a idade, tendo sido avaliado a capacidade das 
vacinas em protegerem contra infecção, hospitalização, admissão em UTI e morte. 
 
Figura 15. Efetividade das vacinas AstraZeneca e CoronaVac no Brasil por faixa etária. 
 
Fonte: Ciqueira-Silva et al., 2022 
59 
 
 
Com esses dados, pode-se concluir que a idade é um fator determinante na queda da 
proteção vacinal, o que já era esperado, devido ao processo de senescência (envelhecimento) 
do sistema imunológico, havendo para isso a necessidade de reforços vacinais para esse público. 
De fato, estudo realizado com profissionais de saúde em Israel, que receberam 2 doses da vacina 
da Pfizer, foi observada diminuição significativa da resposta de anticorpos neutralizantes dentro 
de 6 meses após a segunda dose, especialmente entre adultos com 65 anos ou mais, sendo assim 
sugerida doses de reforço para essa população (Figura 16) (LEVIN et al., 2021). 
Figura 16. Distribuição de Anticorpos 6 Meses após Recebimento da Segunda Dose da Vacina Pfizer em 
profissionais da saúde de Israel, por diferentes faixas etárias. 
 
Fonte: Levin et al., 2021 
Paralelo a isso, estudos com indivíduos com algum tipo de comprometimento do sistema 
imunológico também começaram a ser publicados, mostrando que esse grupo não fazia uma 
boa resposta ao esquema primário de duas doses estabelecido na fase 3 de teste da maioria das 
vacinas (KAMAR et al., 2021; LEE et al., 2022), sendo determinado para os grupos de pessoas 
com imunodeficiência um esquema primário de 3 doses (Figura 17). 
 
60 
 
Figura 17. O painel A mostra a prevalência de anticorpos contra o SARS-CoV-2 antes e depois da vacinação na 
população do estudo. O painel B mostra os títulos de anticorpos anti–SARS-CoV-2 antes e depois da vacinação 
na população do estudo. 
 
Fonte: Kamar et al., 2021 
 
No lançamento do primeiro Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra 
COVID-19 (PNO, 2020), ainda em dezembro de 2020, o Ministério da Saúde não havia incluído 
as mulheres grávidas entre os grupos prioritários, uma vez que esse grupo não havia sido 
incluído nos estudos de testes das vacinas contra COVID-19. No entanto, já se vinha 
observando à época que grávidas com COVID-19 corriam maior risco de doença grave e morte, 
em comparação com pessoas não grávidas em idade reprodutiva, além de poderem ter maior 
risco de resultados adversos da gravidez, como parto prematuro, em comparação com gestantes 
sem COVID-19 (ZAMBRANO et al., 2020; ALLOTEY et al., 2020). Diante disso, os Centros 
de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o Comitê Consultivo sobre Práticas de 
Imunização (ACIP) americanos, em colaboração com o Colégio Americano de Obstetras e 
Ginecologistas (ACOG) e a Academia Americana de Pediatria (AAP), emitiram orientações 
indicando que as vacinas COVID-19 para pessoas grávidas (Centers for Disease Control and 
Prevention, 2020; American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020; American 
Academy of Pediatrics, 2021). 
Diante disso, em janeiro de 2021, o Ministério da Saúde atualiza o PNO, incluído entre 
outros grupos, o de mulheres grávidas para serem atendidas no programa de vacinação (PNO, 
2021), mediante avaliação cautelosa e prescrição médica, uma vez que não havia estudos em 
humanos, que embasassem o uso das vacinas contra COVID-19 nesse grupo populacional, mas 
estudos em animais mostravam que não havia riscos de malformações (PNO, 2021a). 
61 
 
Inicialmente a vacina foi liberada apenas para mulheres grávidas com alguma comorbidade, 
posteriormente todas as grávidas foram incluídas, devido ao entendimento, que independente 
de comorbidades, a gravidez era fator de risco para infecção pelo SARS-CoV-2 e agravamento 
da doença (IACOBUCCI, 2022). 
Com a aplicação das vacinas na população de grávidas, um caso suspeito de evento 
adverso de natureza grave de acidente vascular hemorrágico com óbito da mãe e feto, seguido 
de aplicação da vacina de vetor viral da AstraZeneca em uma mulher grávida de 35 anos, foi 
reportado. Diante disso, o Ministério da Saúde interrompe em maio de 2021 a vacinação de 
gestantes com a vacina AstraZeneca, mantendo a vacinação desse grupo apenas com as vacinas 
da Pfizer e CoronaVac (PNO, 2021b). 
Uma revisão sistemática e meta-análise sobre eficácia e segurança das vacinas em 
mulheres grávidas foi publicada na revista Nature Communications (PRASAD et al., 2022), e 
mostrou que as vacinas contra COVID-19 são seguras e estão associadas a uma redução de 
natimortos, além de apresentar uma eficácia de 89,5% contra infecção pelo SARS-CoV-2 (a 
maioria dos estudos se baseou em vacinas de RNAm). Não se observou evidência de maior 
risco de desfechos adversos, incluindo aborto espontâneo, gestação precoce no nascimento, 
descolamento prematuro da placenta, embolia pulmonar, hemorragia pós-parto, morte materna, 
internação em unidade de terapia intensiva, ou internação em unidade de terapia intensiva 
neonatal. 
Por fim, a campanha de vacinação avançou para os grupos populacionais de 
adolescentes e crianças, que inicialmente não entraram na vacinação, primeiramente porque 
não estavam nos grupos de teste das vacinas, depois porque de início não se via tanta infecção 
ocorrendo nessa população, especialmente porque era uma população que estava muito 
protegida devido às medidas de restrições adotadas nos períodos mais críticos da pandemia. No 
entanto, com o avançar da vacinação dos grupos iniciais, do relaxamento das medidas de 
restrição, da volta às aulas, da maior circulação de pessoas e do surgirmento devariantes mais 
infeciosas do SARS-CoV-2, adoelescentes e criaças começaram a desenvolver COVID-19 e o 
mais preocupante, a forma grave dessa doença e também a chamada COVID longa. 
Nesse meio tempo, estudos de segurança e eficácia das vacinas de RNAm e de vírus 
inativado contra COVID-19 foram conduzidos para avaliar segurança e eficácia dessas vacinas 
em crianças e adolescentes (HAN et al, 2021; WALTER et al; 2021). Diante desses estudos, a 
ANVISA aprovou incialmente, para uso emergencial, as vacinas Pfizer e CoronaVac para 
crianças e adolescente a partir de 12 anos de de idade. Posteriormente, autorizou o uso da vacina 
da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. Importante frisar que a vacina da Pfizer para essa faixa 
62 
 
etária veio numa formulação diferentente, com dose de 10 g, sendo aplicado 0,2 ml por pessoa, 
enquanto que a dose para pessoas de 12 anos ou mais é de 30 g, sendo aplicado 0,3 ml por 
pessoa. A ANVISA também autorizou a CoronaVac para crianças de 3 a 4 anos, na mesma 
dosagem e volume de aplicação que os adultos (WALTER et al; 2021), e recentememente 
autorizou a vacina da Pfizer para crianças de 6 meses a 4 anos de idade, cujos dados 
apresentados pela Pfizer, mostram que a vacina é segura para essa faixa etária e estimula a 
resposta imunológica, similar aquela observada em adolescentes e adultos, mesmo sendo usada 
uma dose 3 vezes menor que aquela usada para o público adulto (WILLARD, 2022). 
Segue abaixo as orientações do PNO sobre os esquemas de vacinação de acordo com as 
faixas etárias. No próprio PNO existe a observação que esses esquemas podem ser alterados a 
depender do curso da pandemia e surgimento de novas vacinas, assim como novas variantes, 
que demandem novos reforços vacinais (PNO, 2022). 
 
Tabela 5. Esquema de vacinação para indivíduos a partir de 18 anos de idade, não gestantes ou puérperas. 
 
Fonte: PNO, 2022 
 
 
63 
 
Tabela 6. Esquema de vacinação para gestantes ou puérperas a partir de 18 anos de idade 
 
Fonte: PNO, 2022 
 
 
Tabela 7. Esquema de vacinação para Adolescentes de 12 a 17 anos de idade, não gestantes ou puérperas. 
 
Fonte: PNO, 2022 
 
Tabela 8. Esquema de vacinação para Adolescentes de 12 a 17 anos de idade, gestantes ou puérperas. 
 
Fonte: PNO, 2022 
 
64 
 
Tabela 9. Esquema de vacinação para idosos a partir de 60 anos, imunocomprometidos. 
 
Fonte: PNO, 2022 
 
 
Tabela 10. Esquema de vacinação para idosos acima de 60 anos. 
 
Fonte: PNO, 2022 
 
10. CONCLUSÃO: O QUE O FUTURO NOS RESERVA? 
A vacinação é considerada um dos grandes marcos na história da saúde por auxiliar na 
contenção e erradicação completa de diversas doenças que assolaram a história da humanidade, 
contribuindo diretamente com o aumento da expectativa de vida da população, do bem-estar 
social e do desenvolvimento social e cientifico. Nessa perspectiva, tem-se diferentes tipos de 
vacinas, as inativadas e atenuadas, derivadas de proteínas ou subunidades proteicas, e as vacinas 
gênicas, com maior enfoque no contexto da atual pandemia devido à relevância, diferentes 
tecnologias foram e continuam a ser aprimoradas de modo a fortificar tal estratégia terapêutica. 
65 
 
Independentemente da especificidade do preparado imunobiológico, as fases de 
desenvolvimento são padronizadas e precisam ser cumpridas minuciosamente a fim de 
possibilitar a aprovação e início da comercialização de uma nova vacina no mercado para dar 
início a um processo de imunização rápida, eficaz e com informação, dessa forma, destaca-se a 
necessidade de investimentos e apoio à ciência, principalmente com o objetivo de desasticular 
movimentos antivacina. 
O entendimento da patogênese do Coronavírus, foi crucial para o desenvolvimento 
de vacinas contra a COVID-19. Tendo um conhecimento geral da patologia do vírus, incluindo 
os principais órgãos-alvos infectados e a rota de transmissão, possibilitou o desenvolvimento 
das vacinas para frear a propagação viral e evitar infecções graves e morte. Dessa forma, novos 
estudos devem continuar sendo desenvolvidos para os casos de novas variantes do SARS-CoV-
2, e também para que seja possível controlar novos surtos que possam surgir futuramente, seja 
desse ou de outros novos vírus. Os quatro imunizantes administrados no Brasil: CoronaVac, 
AstraZeneca, Pfizer e Janssen, mostraram confiabilidade, eficácia e poucos efeitos adversos. 
Com o avanço da vacinação houve uma queda na média geral de mortes por COVID-19 no país. 
O número de internações e mortes, diminuiu nos últimos meses, principalmente no grupo dos 
idosos, dados que refletiram os resultados do plano de vacinação que foi colocado em prática 
em fevereiro de 2021 demonstrando na prática a importância da vacinação. Assim, para reduzir 
o número de pessoas com sintomas e internações e evitar casos graves e óbitos pela COVID-
19, é orientado que a população tome as duas doses das vacinas disponibilizadas nas Unidades 
de Saúde municipais e as doses de reforço que foram recomendadas. 
Optar pela imunização completa contra o Coronavírus é proteger não apenas a si próprio, 
mas também toda a sociedade. 
 
 
66 
 
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	LISTA DE FIGURAS
	LISTA DE TABELAS
	LISTA DE ABREVIATURAS
	1. INTRODUÇÃO
	2. MÉTODO
	3. DESENVOLVIMENTO DAS VACINAS AO LONGO DA HISTÓRIA
	4. VACINAÇÃO NO BRASIL E O PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO
	5. A COVID-19
	5.1 LINHA DO TEMPO COVID-19
	6. VACINAS CONTRA COVID-19 E PLATAFORMAS VACINAIS
	7. CARACTERISTICAS DAS VACINAS CONTRA COVID-19
	7.2 VACINA DE VÍRUS INATIVADO – CORONAVAC
	7.3. VACINAS DE VETOR VIRAL – ASTRAZENECA E JANSSEN
	7.4. VACINA DE RNA MENSAGEIRO - PFIZER
	8. INTERCAMBIALIDADE DE VACINAS E VARIANTES DE PREOCUPAÇÃO DO SARS-CoV-2
	9. CAMPANHA DE VACINAÇÃO
	10. CONCLUSÃO: O QUE O FUTURO NOS RESERVA?
	11. REFERÊNCIAS

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