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PATOLOGIA I MARIA EDUARDA MATTOS 1 CONCEITOS GERAIS É a reação local dos tecidos vascularizados à agressão. O processo de inflamação é um mecanismo de reação dos tecidos para que haja uma eliminação, diluição, neutralização e destruição da causa de agressão. É uma cascata organizada de alterações químicas e celulares em tecidos vascularizados. A reação inflamatória e o processo reparativo podem ser causa por si mesmos de um dano importante. Pois possui uma resposta excessiva e prolongada, gerando um efeito nocivo. Muitas vezes a causa do problema tem dano menor do que a resposta do organismo à esse processo de injúria. Conjunto de fenômenos bioquímicos, morfológicos e fisiológicos, sucessivos, ativos e complexos pelos quais se exterioriza a reação vascular e tissular dos tecidos vivos a qualquer agressão. → CALOR: esquenta o local inflamado; → AVERMELHAMENTO: hiperêmico; → INCHAÇO: tumor ou edema; → DOR: comprometimento das terminações nervosas; → PERDA DA FUNÇÃO: consequência. Tudo que possa agredir o organismo pode ser considerado como eventual agente etiológico da inflamação, já que é uma resposta orgânica a qualquer agressão. ENDÓGENAS Derivadas de degenerações ou necroses tissulares e as derivadas de alterações na resposta imunológica (por imunocomplexo ou autoimune). EXÓGENAS → Agentes físicos: calor e frio, eletricidade, radiações, sons e ultrassons, magnetismo, gravidade, traumas mecânicos e atritos; → Agentes químicos: o Inorgânicos: cáusticos, metais pesados, ácidos e álcalis fortes, etc.; o Orgânicos: exo e endotoxinas bacterianas, micotoxinas, venenos vegetais e animais. → Agentes biológicos: o Infecciosos: vírus, bactérias, micoplasmas, fungos e protozoários; o Parasitários: helmintos e artrópodes. TEMPO → Superaguda: de horas a dias; → Aguda: de dias a semanas; → Subaguda: de semanas a meses; → Crônica: de meses. QUADRO HISTOLÓGICO → AGUDA: predomina fenômenos vasculares – exsudativos o Hiperemia ativa patológica, edema, infiltrado de células inflamatórias (neutrófilo) o Exceção: hepatite viral aguda (infiltrado é sempre mononucleares) → CRÔNICA: predomina fenômenos proliferativos o Proliferação fibroblástica e angioblástica; o Infiltrado de células mononucleares (linfócitos, plasmócitos e macrófagos) LADO NEGATIVO CONCEITO CINCO SINAIS CAUSAS CLASSIFICAÇÕES PATOLOGIA I MARIA EDUARDA MATTOS 2 o Exceção: osteomielite crônica (infiltrado sempre de células de polimorfonucleares) → Alterativa: o inicio da inflamação aguda, causa do processo inflamatório; → Exsudativa: sempre relacionado a uma inflamação aguda; → Proliferativa: processo crônico, quando o exsudativo já se estabeleceu. Quando a inflamação permanece. ALTERATIVA Fase da formação do processo inflamatório. → Erosiva: em epitélios de revestimento. o Com degeneração, necrose e descamação restritas ao epitélio; o Não atinge a submucosa. → Ulcerativa: epitélios de revestimento. o Com degeneração, descamação epitelial e NECROSE PROFUNDA; o Ocorrendo solução de continuidade da mucosa. Atingindo a submucosa e provocando frequentemente hemorragias. ♦ Caracterizada morfologicamente por: - Material necrótico exsudativo superficial.; - Infiltrado inflamatório; - Tecido conjuntivo frouxo como fenômenos flogógenos e reparativos; - Tecido cicatricial. → Atrofiante ou Hipotrofiante: inflamação crônica. o Mucosas e glândulas; o Com tendência a involução; o Com proliferação ou não de tecido conjuntivo fibroso e metaplasia escamosa. → Necrosante: necrose atinge grande parte do foco inflamatório. o Primária: por causa do agente agressor; o Secundária: em consequência da própria reação inflamatória. → Gangrenosa: tecidos inflamados e necrosados sofrem a ação de agentes exógenos. o Em consequência e agravamento de inflamações do tipo necrosante; o Em partes do organismo que se comunicam com o exterior (contato com ambiente contaminado. EXSUDATIVA Diretamente relacionado a uma inflamação aguda. → Serosa: Inflamação exsudativa circunscrita de epitélio de revestimento. O exsudato produzido é aquoso, límpido e pobre em células. o Vesícula: ▪ Elevação na superfície; ▪ Diâmetro igual ou inferior a 5 mm; ▪ Exsudato seroso; o Bolha: ▪ Elevação na superfície; ▪ Diâmetro superior à 5 mm; ▪ Com exsudato seroso. → Mucosa ou catarral: exsudato viscoso e com alto teor de mucina. Cor e celularidade variável. → Purulenta ou supurada ou apostematosa: o exsudato produzido é cremoso, amarelo-esverdeado, rico em PMN vivos (leucócitos) e mortos (piócitos) e em células necróticas. o Pústula: inflamação exsudativa circunscrita. (espinha) ▪ Pequena área; ▪ Camada superficial da derme ou da espessura da epiderme; ▪ Diâmetro inferior ou igual a 5 mm. CARÁTER DA INFLAMAÇÃO PATOLOGIA I MARIA EDUARDA MATTOS 3 o Furúnculo: inflamação exsudativa circunscrita. ▪ Derme ou hipoderme; ▪ Afeta o folículo piloso; ▪ Associado com infecções com Staphylococcus aureus. (da pele) o Antraz: conjunto de furúnculos (confluentes) ▪ Com necrose de superfície externa e de tecidos que o circunscreve; ▪ Processo grave; ▪ Infecção extensa. o Abcesso: inflamação circunscrita (apostematose ou abscedante) ▪ Cavidade neoformada que o organismo montou pra conter essa quantidade de pus; ▪ Grande coleção de pus; ▪ Membrana piogênica: parede interna da cápsula do abcesso (rica em PMN, fonte da exsudação); ▪ Membrana externa ou cápsula, constituída de tecido conjuntivo fibroso; ▪ Não ocorre em dente nem em osso e cartilagem; ▪ Pode evoluir para: fistulação, drenagem, drenagem e cicatrização ou para formação de cisto e calcificação. o Fleimão ou Flegmão: inflamação difusa e infiltrativa do tecido conjuntivo. ▪ Associada à infecção com estreptococos beta hemolíticos; ▪ Sem membrana piogênica; ▪ Exsudato fluido: muita digestão enzimática dos tecidos. o Coleção de Pus: acumulo de pus em cavidade naturais; ▪ Consequência de inflamações purulentas nas serosas ou mucosas que as revestem; ▪ Ou consequência de fistulação para dentro da cavidade de algum abcesso visceral. ▪ Nome: pio + termo da cavidade afetada = pioartro (cavidade articular). → Fibrinosa: exsudato produzido é filamentoso. o Rico em fibrina; o Celularidade variável. → Pseudomembranosa: formação de crostas, placas ou pseudomembranas a partir de exsudato fibrinoso. o Tipo especial de inflamação fibrinosa. → Hemorrágica: exsudato avermelhado e rico em hemácias. → Mista: predomínio de 2 ou mais tipos de exsudatos simultaneamente. o Sero mucoso; o Muco purulento; o Muco hemorrágico. PROLIFERATIVA → Hipertrofiante ou hiperplasiante: inflamação crônica. Só cresce para fora, sem obliteração. o Mucosas; o Com proliferação conjutiva, vascular e/ou parenquimatosa; o Pode evoluir para crescimentos papilares e poliposos; o Gastrite catarral crônica hipertrofiante; o Colite, gastrite e cistite poliposas; o Dermatite verrugosa; o Habronemose cutânea equina. PATOLOGIA I MARIA EDUARDA MATTOS 4 → Esclerosante: inflamação crônica. Obliteração, cresce pra dentro. o Parênquimas; o Produção excessiva de colágeno (fibroplasia); o Acontece antes da extinção do processo inflamatório em si. Reparação desencadeada. o Resulta em alterações profunda na morfologia e fisiologia do órgão. o Cirrose hepática; o Fibrose pulmonar. → Granulomatosa: inflamação crônica que se caracteriza pela formação de estruturas nodulares. o Reação de macrófagos à agentes inanimados e inertes. Ou animados de baixa virulência e grande resistência. o Formação de granuloma: formação de tecido conjuntivo tentando isolar um agente causador da inflamação. o Encapsulação do agente infeccioso para que ele não tenha atividade. DISTRIBUIÇÃO DO PROCESSOINFLAMATÓRIO → FOCAL: quando atinge um único ou poucos pontos. 1 mm a poucos centímetros de diâmetro; → MULTIFOCAL: atinge vários pequenos pontos esparsamente. o Pontos distribuídos pela rede vascular a partir de embolia séptica leve ou moderada. → LOCALMENTE EXTENSIVA: considerável área do órgão é atingida. o Por agravamento de lesões focais ou multifocais; ▪ Coalescência de focos. → DIFUSA: órgão todo é atingido. Todo o órgão exibe a lesão. o Pode apresentar variações localizadas na intensidade.