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AO JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA DE CIVIL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO / RJ Proc.: nº 6001234-56.2023.7.89.0000 MARIA CAPITOLINA SANTIAGO, brasileira, casada, do lar, inscrita no CPF Nº XXX.XXX.XXX-XX, portadora do RG Nº XXXXXX, residente na Rua de Mata-Cavalos, centro da Cidade de Rio de Janeiro/RJ, por intermédio de seu Advogado subscrito, com endereço profissional à Av. 1º de Maio – Nº 3520 – Bairro Trem, com endereço eletrônico angelusgabriel@adv.com.br, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, propor a presente CONTESTAÇÃO C/C RECOVENÇÃO Em face da ‘AÇÃO DE DIVÓRCIO C/C PARTILHA DE BENS, DANOS MORAIS E OFERTA DE ALIMENTOS’, movida por BENTO DE ALBUQUERQUE SANTIAGO, já qualificado nos autos em epígrafe, pelos fatos e fundamentos a seguir: I. DAS ALEGAÇÕES DA EXORDIAL O Requerente, após conclusão do curso de direito, casou-se com a Requerida em março de 2014, no regime de comunhão universal de bens. O Requerente comprou uma casa no bairro da Glória, no Rio de Janeiro e, por suas condições financeiras favoráveis, era o mantedor de tudo, casa, carros e contas. Alega o Requerente que, devido o interesse em constituir uma família maior, o fato de não terem filhos causava discussões e desentendimentos entre o casal. Após dois anos de várias tentativas, a Requerida engravidou de Ezequiel, em 2017. O nome da criança foi oriunda de uma homenagem feita ao melhor amigo do Requerente, Ezequiel de Souza Escobar (falecido), o qual também era grande amigo da família junto com sua esposa Sancha, e assim mantinham uma relação harmônica, com jantares, programações juntos etc. Narra o Requerente em sua inicial, que percebeu mudanças drásticas da Requerida após a morte de Escobar, alegando que a mesma escondia lagrimas e aparentava estar mais abatida do que a própria viúva, que a Requerida não conseguia olhar para o filho Ezequiel que caia em prantos, dizendo inclusive que lembrava de Escobar. Alega ainda que após 1 ano da morte de Escobar passou a notar semelhanças entre a criança e o falecido, que o fizeram refletir sobre acontecimentos antes da Requerida engravidar, alegando que a esposa aparecia com dinheiro trocado e que a própria dizia ter segredos com Escobar, que o mesmo a visitava e nunca falava o motivo quando o Requerente a questionava. Segundo o Requerente, no dia em que havia comprado ingressos para uma peça de teatro, a Requerida afirmou estar doente e que não poderia acompanhá-lo. Ao voltar para casa, o Requerente avistou Escobar saindo de sua residência; alegando ainda que tanto a Requerida quanto o amigo estavam agindo de maneira anormal. Devido as situações ora narradas pelo Requerente, começou a ter problemas de insônia chegando ao ponto de tentar suicídio, alegando desconforto perto da criança por pensar nos constantes indícios de traição de sua cônjuge. Por fim, em 2022, após terem conversado sobre a separação do casal, decidiram por fazer, porém, o Requerente alega que a Requerida o importuna para reatar o casamento. Eis as alegações dos fatos. II. DAS PRELIMINARES A) DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA A Requerida requer o BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA, assegurado no Art. 5º, inciso LXXIV da CF/88, vez que a situação econômica não lhe permite pagar as custas processuais sem prejuízo de seu sustento próprio e de sua família, conforme declaração de hipossuficiência (em anexo). B) DA INCOMPETÊNCIA EM RELAÇÃO A MATÉRIA A presente demanda refere-se a uma AÇÃO DE DIVÓRCIO C/C PARTILHA DE BENS, DANOS MORAIS E OFERTA DE ALIMENTOS que foi proposta em foro incompetente. Segundo o Art. 337, II do CPC, incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar incompetência absoluta e relativa. O Art. 64, §1º do CPC nos diz que a incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição, devendo ser declarada de ofício. No caso em questão, compete exclusivamente ao Juízo da Vara de Família, Órfãos e Sucessões o julgamento de todas as questões relativas a ex-cônjuges. Neste sentido, faz favorável a análise do seguinte julgado: Compete ao Juízo da Vara de Família, Órfãos e Sucessões o julgamento de toda e qualquer matéria entre ex-cônjuges, inclusive partilha de bens não efetivada na ação de divórcio, vez que este pressupõe interesse da prole oriunda do casamento, o que extrapola os limites de um simples condomínio. 20050020068794CCP, Rel. Des. HERMENEGILDO GONÇALVES, Data do Julgamento 08/03/2006. Ressalta-se que este entendimento está baseado no fato de que a ação de divórcio pressupõe o interesse da prole oriunda do casamento. Portanto, é fundamental que a ação de família seja processada pelo juiz no limite de sua competência. Nesse sentido, considerando que o Juízo competente em processar e julgar a matéria em questão é o da Vara de Família, Órfãos e Sucessões, este Juízo tal qual foi inicialmente direcionada é ABSOLUTAMENTE incompetente, pois extrapola o limite de ações ordinárias cíveis. Dessa forma, a fim de que sejam garantidos os direitos das partes envolvidas e a observância das normas jurídicas aplicáveis no presente caso, é imprescindível que a demanda seja REMETIDA ao Juízo competente, qual seja AO JUÍZO DE DIREITO DA __ VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE RIO DE JANEIRO / RJ, nos termos do Art. 64, §3º do CPC ou, não sendo possível, devendo ser extinto o processo, sem resolução do mérito, nos termos dos Arts. 354 e 485 do CPC. C) DA SUSPENSÃO DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO / MEDIAÇÃO Inicialmente, a Requerida possui interesse em tentar a conciliação ou mediação, porém, com o recebimento da presente contestação, requer que seja SUSPENSA A AUDIÊNCIA designada para a data 24/04/2023 às 09:00, nos termos do Art. 340, §3º do CPC: §3º Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa a realização de audiência de conciliação ou mediação, se tiver sido designada. Portanto, faz-se a necessária a suspensão, a fim de resguardar o direito da Requerida de ampla defesa e contraditório, devido a falta de condições financeiras de exercê-los em Comarca distinta da sua, observando o princípio do contraditório e ampla defesa. III. DO MÉRITO A) DA VERDADE REAL DOS FATOS E DO DIVÓRCIO A realidade dos fatos é outra, a Requerida e o Requerente nunca discutiram ou brigaram em relação ao fato de não terem filhos na época, afinal, o interesse de constituir uma família maior era de ambas as partes, e não haveria motivo para discussões dessa natureza, como alegado na exordial. Em relação a morte de Escobar, amigo do casal, a Requerida agiu de forma como qualquer pessoa agiria ao perder um grande amigo, e que nesses casos não há medição de ‘sofrimento’, sendo, portanto, irrelevante o alegado na exordial, dando a entender que, pelo Requerente achar que a Requerida sofreu mais que a viúva, que tivesse algo a mais com o falecido. Ainda, a Requerida nunca disse que tinha segredos com Escobar, e que suas visitas eram feitas na presença do próprio Requerente, afinal ambas as partes já residiam juntos. E mais, no dia em que o Requerente comprou os ingressos para o teatro, o mesmo demonstrou não se importar com o estado de saúde da Requerida, que ao invés de ficar em ajudá-la, preferiu deixá-la sozinha em casa, tendo a Requerida que recorrer ao amigo Escobar para acompanhá-la no hospital por sua saúde ter piorado. Portanto, coincidência foi o Requerente chegar no momento em que a Requerida chegou do hospital com o amigo, ambos sérios devido a situação que envolvia saúde e o bem-estar de sua cônjuge. Cumpre ainda informar que o Requerente sempre apresentava crises de ciúmes na relação do casal, desde a juventude, tal qual relatava em suas anotações sobre os pensamentos agressivos e violentos que tinha ao se quer ver a Requerida cumprimentando alguém, o que claramente deve o feito a desenvolver problemas de insônia, muito devido a sua obsessão pela Requerida. Cabe salientar, o que demonstra sinais de algum distúrbio do Requerente foi por ter tentado suicídio e pensado em homicídio, visto que logo após cogitou envenenar o próprio filhojunto com a Requerida, tudo por achar que sua cônjuge o traia com seu amigo. Por fim, a alegação de que a Requerida o importunava para reatar o casamento é totalmente falsa, posto que a mesma entende que a abusividade, o ciúme obsessivo e acusações de traição do Requerente a fizeram não querer continuar com o mesmo, motivo pelo qual pleiteia a confirmação do divórcio, nos termos dos Arts. 1.572 do CC e 226, §3º da CF/88. B) DA PARTILHA DE BENS Por terem adotado o regime da comunhão universal de bens, expresso no Art. 1667 do Código Civil, a Requerida em nada se opõe em receber a metade do valor total dos bens os quais constituíram patrimônio, no valor de R$ 250,000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). IV. DA RECONVENÇÃO A) DA GUARDA Inicialmente, pode-se destacar que o direito, essencialmente, busca resguardar os direitos e interesses do menor. O Art. 1.583 do CC, prevê as condições que o genitor, minimamente, deve prover para que a guarda lhe seja atribuída, in verbis: Art. 1.583 A guarda será unilateral ou compartilhada. §1º Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (Art. 1584, §5º) e, por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. Visando a atenção aos interesses do menor, a definição da guarda compartilhada foi introduzida no direito brasileiro como a melhor forma de garantir o desenvolvimento da criança, conforme o Art. 1584, do CC: §2º Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor. É notório que apesar do Requerente manifestar não ter condições de cuidar da criança, inegável é a existência de seu interesse em ajudar em seu desenvolvimento, o que evidência seu afeto pela prole, visto que nos primeiros meses de vida demonstrava a felicidade e satisfação em ser pai e ter o sonho de constituir uma ‘família maior’. Portanto, sua responsabilidade como pai da criança deve ser indiscutível, devendo ser determinado a GUARDA COMPARTILHADA. B) DOS DANOS MORAIS Salienta-se que os danos morais são prejuízos imateriais atingidos por um fato ilícito os quais acarretam em dados psicológicos, cansando dor, sofrimento, angústia, constrangimento que vão além de mero aborrecimento e dos transtornos da vida. No caso em questão, o Requerente alega incessantemente a suposta traição cometida pela Requerida, desrespeitando deveres do casamento, a falta respeito, acusações infundadas sem qualquer embasamento, alegando inclusive que a mesma o manipulou psicologicamente, o que claramente jamais se confirmou. Todas as acusações feitas pelo Requerente causam uma forte decepção da Requerida, que se sente constrangida pois nunca faltou-lhe com respeito em toda a relação, o que pode ser comprovado por amigos e familiares. Está claro que a honra da Requerida foi abalada diante de tantas acusações de adultério, ferindo também sua dignidade. A carência de provas evidencia a clara tentativa de enriquecimento ilícito perante a Requerida, face de afirmações infundadas de adultério, neste sentido, já decidiu o Tribunal de Justiça de Minas Gerais: EMENTA: DANO MORAL – AFIRMAÇÃO INFUNDADA DE ADULTÉRIO – CONSTRANGIMENTOEXISTENTE. A acusação infundada de adultério, por si só, acarreta à acusada dano moral, por ser afrontosa à sua dignidade, probidade e retidão, ensejando a sua reparação, a teor do disposto nos artigos 186 e 927 do Código Civil (TJMG – Apelação Cível XXXXX-5/001, Relator (a): Des.(a) Maurílio Gabriel, 15º CÂMERA CÍVEL, julgamento em 16/07/2015, publicação da sumula em (24/07/2015) Portanto, de acordo com as situações vexatórias vividas pela Requerida, e de acordo com os Arts. 186 e 927 do Código Civil, requer a condenação do Requerente ao pagamento de danos morais no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais). C) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Requer a condenação do Requerente ao pagamento de honorários advocatícios nos parâmetros previstos no Art. 85, §2º do CPC. V. DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto, em sede de CONTESTAÇÃO, requer: a) O deferimento dos benefícios da Justiça Gratuita, nos termos do Art. 5º, inciso LXXIV da CF/88; b) O acolhimento da preliminar de incompetência absoluta em relação a matéria, devendo ser remetido ao juízo competente, qual seja ‘AO JUÍZO DE DIREITO DA __ VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE RIO DE JANEIRO / RJ’, nos termos do Art. Art. 64, §3º do CPC ou; c) não sendo possível, devendo ser extinto o processo, sem resolução do mérito, nos termos dos Arts. 354 e 485 do CPC. d) Seja SUSPENSA a audiência de conciliação/mediação agendada para o a data 24/04/2023 às 09:00, nos termos do Art. 340, §3º do CPC; e) No julgamento do mérito seja decretada o divórcio, nos termos dos Arts. 1.572 do CC e 226, §3º da CF/88; f) A partilha dos bens dos cônjuges no regime da comunhão universal de bens na proporção de 50% (cinquenta por cento), devendo ser receber o valor de R$ 250,000,00 (duzentos e cinquenta mil reais); Em sede de RECONVENÇÃO, requer: a) A total procedência da RECONVENÇÃO para determinar a guarda compartilhada, nos termos do Art. 1.583 do CC; b) Da condenação ao pagamento de danos morais, nos termos dos Arts. 186 e 927 do Código Civil; c) Do pagamento de honorários advocatícios, nos termos do Art. 85, §2º do CPC. Dá-se a causa o valor de R$ xxxxxxxxx (xxxxxxxxxxx). Termos em que, pede deferimento. Macapá/AP, em 11 de Abril de 2023 Dr. Angelus Gabriel Corrêa Vieira OAB/AP - 1220