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Etapa Ensino Fundamental Anos Finais Revolução Liberal do Porto – Corte de volta a Portugal 8º ANO Aula 8 – 2º Bimestre História Período Joanino: a Revolução Liberal do Porto Permanência de Dom Pedro I, o Dia do “Fico” Caracterizar a organização política e social no Brasil desde a chegada da Corte portuguesa, em 1808, até 1822 e seus desdobramentos para a história política brasileira. Identificar os motivos, as ações e os desdobramentos políticos da Revolução Liberal do Porto. Conteúdo Objetivos (EF08HI12) Caracterizar a organização política e social no Brasil desde a chegada da Corte portuguesa, em 1808, até 1822 e seus desdobramentos para a história política brasileira. PORTUGAL Mapa da Revolução Liberal do Porto, que eclodiu no dia 24 de agosto de 1820 e se alastrou rapidamente – do norte de Portugal a Lisboa. In: O Comuneiro, revista nº 22, março de 2016. Para começar Você já viu essa mala nas aulas de História? Qual é o seu destino agora? Quanto tempo a Família Real ficou no Brasil? O que mudou com a estada da corte portuguesa em nosso país? Imagens Pixabay: Disponíveis em: https://cutt.ly/W4synua; https://cutt.ly/b4syRdN e https://cutt.ly/N4syAMF Acesso em: 16 marc. 2023. Levante a mão. PNGWING. Disponível em: https://cutt.ly/g4c330M Acesso em: 16 mar. 2023. Mapa. Disponível em: https://cutt.ly/24srGEC Acesso em 16 mar. 2023. Quem foi para Portugal perdeu o lugar! – Vai o pai, fica o filho!* Há 200 anos, Dom João VI retornou a Portugal. Será que seu retorno abriu caminhos para a Independência do Brasil? Virem e conversem sobre suas hipóteses, pensando na nomeação de Dom Pedro I como príncipe regente – da parte brasileira, evidentemente, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Partida de Dom João VI, em 21 de abril de 1821. In: Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, v. 3, 1834-1839 Para começar *Quem foi para Portugal, perdeu o lugar! - Vai o pai, fica o filho! Título do capítulo 8 da obra: SCHWARCZ, L.M. e STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 200. Iconografia: Partida da rainha de volta a Portugal em 21 de abril de 1821. Reprodução do livro Rio De Janeiro Cidade Mestiça/Jean-Baptiste Debret. Revista Pesquisa FAPESP. Uma corte na história do Brasil: bicentenário da vinda da família real exige reflexão historiográfica.Por Carlos Haag. Edição 143, jan. 2008.Disponível em: https://cutt.ly/E4t2lsp Acesso em: 15 mar. 2023. “Vire e converse”. PNGWING. Disponível em: https://cutt.ly/F4saZAl Acesso em: 09 fev. 2023. "Aceitação provisória da Constituição de Lisboa", litografia de Jean-Baptiste Debret (1839), que retrata o momento após o motim das tropas portuguesas no Largo do Rossio (atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro) e o juramento de Dom Pedro I, em nome de seu pai, Dom João VI, de obedecer à Constituição em elaboração em Portugal. Acervo da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. Revolução Liberal do Porto (Vintismo) A permanência da Família Real portuguesa e sua Corte no Brasil, mesmo depois de as tropas francesas terem deixado Portugal, em 1815, desagradou os portugueses. Foco no conteúdo Contexto pré-revolucionário: Iconografia: Aceitação provisória da constituição de Lisboa, no Rio de Janeiro, em 1821. Litografia de Jean-Baptiste Debret de 1839. Disponível em: https://cutt.ly/g4a8PKG 16 mar. 2023. A insatisfação era reforçada pela crise econômica que o país vivia em face da abertura dos portos, não permitindo à burguesia lusa concorrer com os produtos industrializados dos britânicos. Foco no conteúdo "Aceitação provisória da Constituição de Lisboa", litografia de Jean-Baptiste Debret (1839), que retrata o momento após o motim das tropas portuguesas no Largo do Rossio (atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro) e o juramento de Dom Pedro I, em nome de seu pai, Dom João VI, de obedecer à Constituição em elaboração em Portugal. Acervo da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. Revolução Liberal do Porto (Vintismo) Iconografia: Aceitação provisória da constituição de Lisboa, no Rio de Janeiro, em 1821. Litografia de Jean-Baptiste Debret de 1839. Disponível em: https://cutt.ly/g4a8PKG 16 mar. 2023. Caráter liberal: A Revolução do Porto foi fortemente influenciada pelo liberalismo disseminado pela Europa à época. Os revolucionários portugueses exigiam a criação de uma Constituição que limitasse o poder absoluto do rei e que garantisse a liberdade individual e a igualdade perante a lei. Características Retrato de Dom João VI de Portugal. Jean-Baptiste Debret, 1817 Foco no conteúdo Retrato de João VI de Portugal. Jean-Baptiste Debret, 1817. D. João VI. Disponível em: https://cutt.ly/x4sfx95 Acesso em: 16 mar. 2023. A denominada Revolução Liberal do Porto foi influenciada pelo pensamento iluminista. Opunham-se ao absolutismo, aos privilégios da nobreza e do clero, à intolerância religiosa e à falta de liberdade. A burguesia portuguesa, com apoio popular, reuniu as Cortes de todo Império, exigindo a criação de uma Constituição a fim de limitar o poder do rei. Foco no conteúdo Características Retrato de Dom João VI de Portugal. Jean-Baptiste Debret, 1817 Retrato de João VI de Portugal. Jean-Baptiste Debret, 1817. D. João VI. Disponível em: https://cutt.ly/x4sfx95 Acesso em: 16 mar. 2023. Militarismo: A Revolução do Porto foi liderada por oficiais do exército português, que se uniram em torno de um manifesto conhecido como “Proclamação do Porto”. Esse manifesto exigia a convocação de Cortes (Assembleias Legislativas) para elaborar uma nova Constituição e afirmava que o exército defenderia a soberania nacional e a liberdade dos cidadãos. Alegoria à Revolução de 24 de agosto de 1820 no Porto, gravura de António Maria da Fonseca, 1820, Sociedade Martins Sarmento Foco no conteúdo Iconografia: Alegoria à Revolução de 24 de agosto de 1820 no Porto, gravura de António Maria da Fonseca, 1820. Sociedade Martins Sarmento. Disponível em: https://cutt.ly/k4lT8ds Acesso em: 20 mar. 2023. Nacionalismo: O movimento também foi marcado pelo nacionalismo, com os revolucionários defendendo a ideia de que Portugal deveria ser governado por portugueses, e não por estrangeiros, como era o caso do rei Dom João VI, que estava vivendo no Brasil desde 1808. Documento em que as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa efetivam o fim da regência em 1821 devido ao retorno de Dom João VI de Portugal. Foco no conteúdo Fonte: Documento em que as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa efetivam o fim da regência em 1821 devido ao retorno de D. João VI de Portugal. Disponível em: https://cutt.ly/W4lItMH Acesso em: 20 mar. 2023. Mudança de regime: A Revolução do Porto marcou o fim do Antigo Regime em Portugal e o início de uma nova era política. Em 1822, foi promulgada a Primeira Constituição Portuguesa, que estabeleceu uma monarquia constitucional e limitou os poderes do rei. Foco no conteúdo Documento em que as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa efetivam o fim da regência em 1821 devido ao retorno de Dom João VI de Portugal. Fonte: Documento em que as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa efetivam o fim da regência em 1821 devido ao retorno de D. João VI de Portugal. Disponível em: https://cutt.ly/W4lItMH Acesso em: 20 mar. 2023. Vamos analisar e identificar os pontos de vista de Portugal e Brasil sobre o contexto com a ajuda da historiografia? Vire, converse e registre na tabela! Desembarque d'EI Rei Dom João VI, acompanhado por uma deputação das Cortes na magnífica praça do Terreiro do Paço em 4 de julho de 1821, regressando do Brazil [sic], gravura a buril ponteado de Constantino Fontes, 1821. Museu da Cidade, Lisboa, Portugal Portugal Brasil Na prática Iconografia: Desembarque d'EI Rei Dom João VI, acompanhado por uma deputação das Cortes na magnífica praça do Terreiro do Paço em 4 de julho de 1821, regressando do Brazil, gravura a buril ponteado de Constantino Fontes, 1821. Disponível em: https://cutt.ly/G4zbmFEAcesso em: 20 mar. 2023. ”Por escrito”, criado especialmente para este material/Canva. TEXTO I. Revolução do Porto: liberal para Portugal, restauradora para o Brasil [...] as antigas demonstrações de fidelidade irrestrita ao monarca por parte da população portuguesa deram lugar à indignação geral. Para piorar a situação, uma grande crise se abateu sobre o Estado português. A produção agrícola escasseava, o numerário esgotava-se, o papel-moeda perdia seu valor, assim como sumia o crédito conferido pelos demais países europeus. Segundo as elites locais, para reerguer Portugal seria preciso deter o processo de autonomia do Brasil, ao qual atribuíam a responsabilidade pelo estado lamentável das finanças e do comércio no reino. [...] Na prática TEXTO I. Revolução do Porto: liberal para Portugal, restauradora para o Brasil [...] O fato é que, privado dos recursos de suas possessões ultramarinas, sem os lucros do comércio colonial e humilhado pela dependência em relação à Inglaterra, Portugal se descobriu ocupando um lugar periférico dentro do seu próprio sistema imperial. E até mesmo o rei parecia desapegado. A crise era, pois, econômica, política e simbólica. E somente um gesto de grande poder simbólico – a volta do rei por tantos anos ausente – seria capaz, acreditavam as elites locais, de impedir uma radicalização de grandes proporções. Na prática Foi animada por esse espírito que estourou a Revolução Liberal do Porto, em 1820, erguendo duas grandes bandeiras de luta. De um lado, o constitucionalismo, a proposta de criação do conjunto de leis fundamentais do Estado, incluindo a definição do sistema geral de governo e a regulação dos direitos e deveres dos cidadãos – “Cortes e Constituição” eram as palavras de ordem que reuniam politicamente os portugueses, em 1820. De outro, a defesa da soberania nacional monárquica que, nesse caso, significava o retorno imediato de Dom João VI, ou, ainda melhor, de toda a Família Real. Continuação Na prática [...] Para os brasileiros, como era de esperar, o movimento caiu muito mal: indicava que a metrópole não dava sinais de ultrapassar os laços coloniais, que insistia em garantir seus próprios interesses, e que o sonho de um Império luso-brasileiro estava prestes a se desfazer. (SCHWARCZ; STARLING, 2015, p. 201-202). Na prática PORTUGAL Caráter liberal com convocação das Cortes (Assembleia bicameral formada pela câmara de deputados – eleitos por sufrágio – e pela câmara dos Pares do Reino – nomeados pelo monarca. As Cortes detinham o poder legislativo e era o órgão máximo da estrutura política, detendo a supremacia sobre todos os demais órgãos), e elaboração de uma constituição que estabelecesse os limites do poder do rei, rompendo com o Antigo Regime, tendo como objetivo a reorganização administrativa do Estado português. Para o Brasil, haveria a necessidade da manutenção dos laços coloniais, detendo o processo de autonomia. Dom João VI contrariou as determinações das Cortes, deixando Dom Pedro I como Príncipe Regente, o que permitiu uma continuidade no Brasil, ainda que não necessariamente tenha auxiliado no processo de Independência. Na prática Correção BRASIL Considerou a ação conservadora e recolonizadora, já que pretendia anular medidas concedidas por Dom João VI, exigindo a subordinação da economia e administração brasileiras a Portugal. Na prática Correção Crises econômica e financeira, agravadas pelo fato de Dom João VI ter levado consigo as reservas do Banco do Brasil e da não aceitação das províncias, sobretudo as do Norte e do Nordeste, em acatar a autoridade de Pedro I. Lembrando: Eram diferentes. O Brasil era bastante diverso. Em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I recebe um requerimento de 8 mil assinaturas, solicitando sua permanência no Brasil: O “Dia do Fico”. “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto; Diga ao povo que fico”. Ainda que, na verdade, a frase tenha sido bem menos “heroica”: “Convencido de que a presença de minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa e conhecendo que a vontade de algumas províncias o requer, demorarei minha saída até que as Cortes e meu augusto pai e senhor deliberem a este respeito com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido”. Foco no conteúdo https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/Pedro_I_of_Brazil_and_Avilez.jpg Permanência de Dom Pedro I Defesa da elite liberal brasileira da época a favor de interesses econômicos e sociais que estavam sob ameaça. Havia duas perspectivas que não eram favoráveis: (1) a decisão das Cortes em recolonizar/retomar o controle direto do Brasil (as províncias passariam a responder diretamente a Lisboa até que uma junta escolhida por Portugal fosse designada para governar o país); e (2) a possibilidade de o país ter uma experiência emancipacionista similar às que vinham ocorrendo na América do Sul, com guerras sangrentas e fragmentação territorial. Foco no conteúdo https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/Pedro_I_of_Brazil_and_Avilez.jpg Permanência de Dom Pedro I Comerciantes e donos de terras e escravos: manutenção da ordem e a unidade interna. Ao preservar a monarquia, evitam-se a fragmentação do Brasil e uma revolução social que cooptasse os escravos – caso da Revolução Haitiana (1791-1804), que causava temor entre a elite escravocrata brasileira. Preocupação das elites em preservar seus privilégios e a ordem no país. Foco no conteúdo https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/Pedro_I_of_Brazil_and_Avilez.jpg Resgatando a pergunta inicial: Será que o retorno de Dom João VI a Portugal e a permanência de Pedro I abriram caminhos para a Independência do Brasil ou foram apenas uma reação diante das determinações das Cortes? Após as conclusões da turma, registre em seu caderno! Pense a respeito: Não se pode pensar a história com a visão de quem sabe o que aconteceu depois! Aplicando Levante a mão. PNGWING. Disponível em: https://cutt.ly/g4c330M Acesso em: 16 mar. 2023. O que aprendemos hoje? Estudantes, nesta aula, caracterizamos alguns aspectos da organização política e social no Brasil que ocorreram com a chegada da Corte portuguesa, em 1808, até 1822 e, também, seus desdobramentos para a história política brasileira. Identificamos e analisamos os motivos, as ações e os desdobramentos políticos da Revolução Liberal do Porto. Capelo. PNGWING. Disponível em: https://cutt.ly/Q4c6qtx Acesso em: 09 fev. 2023. DIAS, Maria Odila Leite da Silva. A interiorização da metrópole e outros estudos. São Paulo: Alameda, 2005. LIMA, Oliveira. O movimento da independência (1821-1822). Brasília: FUNAG, 2019 (edição fac-similar). SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação. Currículo Paulista: Etapas Educação Infantil e Ensino Fundamental./Secretaria da Educação – São Paulo: SEE, 2019. São Paulo (Estado). Secretaria de Estado da Educação. Coordenadoria Pedagógica – COPED, 2023. Currículo em Ação. SCHWARCZ, L.M. e STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Referências SILVA, Alberto. Crise colonial e independência: 1808-1830. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. LEMOV, Doug. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2023. LIMA, Oliveira. O movimento da independência (1821-1822). Brasília: FUNAG, 2019 (edição fac-similar). Disponível em: https://cutt.ly/24c5J9Y. Acesso em: 21 mar. 2023. NEVES, Lúcia Maria Bastos Pereira das. Dia do Fico. In VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. Referências Lista de imagens e vídeos Slide 3 – Pixabay: Disponíveis em: https://cutt.ly/W4synua; https://cutt.ly/b4syRdN e https://cutt.ly/N4syAMF. Acesso em: 16 mar. 2023; Levante a mão. PNGWING. Disponível em: https://cutt.ly/g4c330M. Acesso em: 16 mar. 2023; Mapa. Disponível em: https://cutt.ly/24srGEC. Acesso em 16 mar. 2023. Slide 4 – Disponível em: https://cutt.ly/E4t2lsp. Acesso em:15 mar. 2023. Slides 5 e 6 – Debret. Disponível em: https://cutt.ly/g4a8PKG. Acesso em: 6 mar. 2023. Slides 7 e 8 – D. João VI. Disponível em: https://cutt.ly/x4sfx95. Acesso em: 16 mar. 2023. Referências Lista de imagens e vídeos Slide 9 – Alegoria. Disponível em: https://cutt.ly/k4lT8ds. Acesso em: 20 mar. 2023. Slides 10 e 11 – Disponível em: https://cutt.ly/W4lItMH. Acesso em: 20 mar. 2023. Slide 12 – Disponível em: https://cutt.ly/G4zbmFE. Acesso em: 20 mar. 2023. Slide 22 – Disponível em: https://cutt.ly/g4c330M. Acesso em: 16 mar. 2023. Slide 23 – Disponível em: https://cutt.ly/Q4c6qtx. Acesso em: 9 fev. 2023. Referências Material Digital