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Agressão e defesa na infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) MAD 2 Conhecimentos - Estudar enfaticamente a infecção pelo vírus de imunodeficiência humana (HIV), abordando as características morfológicas, metabólicas, mecanismos de invasão e evasão do sistema imune e formas de transmissão. Habilidades - Reconhecer a interação HIV-sistema imunológico, bem como o diagnóstico, quadro clínico e implicações da doença. Adquirir noções de epidemiologia. Atitudes - Pró atividade, Trabalho em equipe, Autonomia. Conhecimentos - Habilidades - Atitudes Caso clínico ativador "Uma mulher de 63 anos manifestou quadro de tuberculose e grave infecção oral causada por Candida. Na ocasião, essa paciente apresentava somente 50 células T CD4 por microlitro de sangue, e foram detectadas, pela contagem da carga viral do vírus da imunodeficiência humana (HIV), em torno de 200.000 cópias de genomas virais por mililitro de sangue. Embora fosse monogâmica, ela descobriu que seu marido não era. 1. Quais são os tipos de células que o HIV infecta e por que isso tem impacto tão grande na resposta imune do paciente? 2. Como o vírus se replica? 3. A que outras infecções oportunistas essa mulher está suscetível? 4. Quais são os fatores de risco para a infecção? 5. Como deve ser tratada a infecção?" Microbiologia Médica, Capítulo 54: Retrovírus| Patrick R. Murray, Ken S. Rosenthal and Michael A. Pfaller,https://www.evolution.com.br/epubreader/9788535286458 Bibliografia https://www.evolution. com.br/epubreader/97 88535286458 https://integrada.minh abiblioteca.com.br/#/b ooks/9788595157057/c fi/6/74!/4/454/2@0:86.6 https://integrada.minh abiblioteca.com.br/#/b ooks/9788582713549/c fi/555!/4/4@0.00:0.00 http://www.aids.gov.b r/pt-br/node/57787 https://www.evolution.com.br/epubreader/9788535286458 https://www.evolution.com.br/epubreader/9788535286458 https://www.evolution.com.br/epubreader/9788535286458 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595157057/cfi/6/74!/4/454/2@0:86.6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595157057/cfi/6/74!/4/454/2@0:86.6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595157057/cfi/6/74!/4/454/2@0:86.6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595157057/cfi/6/74!/4/454/2@0:86.6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582713549/cfi/555!/4/4@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582713549/cfi/555!/4/4@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582713549/cfi/555!/4/4@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582713549/cfi/555!/4/4@0.00:0.00 http://www.aids.gov.br/pt-br/node/57787 http://www.aids.gov.br/pt-br/node/57787 O início Em 1981, o Communicable Disease Center, em Atlanta, nos EUA, notou um aumento na requisição do uso de pentamidina para a infecção por Pneumocystis carinii (atualmente P. jirovecii) em indivíduos anteriormente saudáveis que também sofriam de infecções graves por outros microrganismos geralmente não patogênicos. Essas infecções incluíam esofagite por C. albicans, HSV mucocutâneo, infecção do SNC ou pneumonia por toxoplasma e enterite pelo protozoário Cryptosporidium; o sarcoma de Kaposi também era frequente. Os pacientes tinham evidências de depressão imunológica, [...] depleção dos linfócitos T auxiliares (Th) CD4+. Essa síndrome de imunodeficiência aparecendo em um indivíduo sem nenhuma causa conhecida, como o tratamento com drogas imunossupressoras, foi referida como “síndrome da imunodeficiência adquirida” (AIDS). Na época em que foram iniciados os esforços para entender essa nova doença, a taxa de mortalidade da AIDS chegava a alarmantes 39%. O estado atual http://www.youtube.com/watch?v=fKhealvQ_zI Tipos de HIV Por meio de reações sorológicas foram evidenciados, até o momento, 2 tipos antigênicos: HIV-1 e HIV-2. O HIV-1 é o tipo mais virulento e mais disseminado pelo mundo, enquanto o HIV-2 parece ser menos patogênico. O HIV ... é uma partícula esférica de 100 - 120nm de diâmetro, pertencente ao gênero Lentivirus e à família Retroviridae, que apresenta em seu núcleo duas cópias de RNA de cadeia simples (com polaridade positiva), encapsuladas por uma camada proteica ou nucleocapsídeo, um capsídeo e um envelope externo com glicoproteínas virais (adquirido pelo brotamento da membrana plasmática). O núcleo do vírion do HIV se assemelha a um cone seccionado. Micrografia eletrônica do vírus da imunodeficiência humana. Note-se que o nucleocapsídeo apresenta formato de cone em muitos vírions. O HIV Enzimas virais: Transcriptase reversa - DNA polimerase: síntese da fita de DNA complementar a partir do RNA viral; degradação do molde de RNA quando associado ao DNA (atividade de RNAse H); e síntese da fita positiva de DNA utilizando o DNAc como molde. Integrase - integração do DNA viral. Protease - quebra de unidades protéicas em pequenas moléculas, permitindo a montagem viral - essencial na replicação e maturação viral. (p) é proteína e (gp) é glicoproteína + nº indica o peso molecular em kilodaltons (kd) moléculas do grande complexo principal de histocompatibilidade estão presentes no envelope. gp120 - extremamente glicosilada: antigenicidade pode ser alterada - evasão O HIV A invasão - adsorção, fusão e penetração A invasão - adsorção, fusão e penetração 1. Interação da proteína de superfície viral gp120 com a molécula CD4, que é o principal receptor para lentivírus de primatas, na superfície das células suscetíveis (T CD4+ ≌ 65 mil desses receptores, principal alvo da infecção pelo HIV). 2. Essa ligação não é suficiente para a penetração. 3. Segunda ligação entre a gp120 e um receptor de quimiocina (ligado à proteína G com sete domínios transmembrana), em geral CCR5 ou CXCR4. A ligação ao receptor é o determinante inicial e principal do tropismo. Indivíduos com deleção do gene CCR5 são resistentes à infecção. 4. Essa segunda interação dispara uma mudança conformacional da proteína transmembrana gp41, que leva à justaposição do envelope viral com a membrana da célula - fazendo assim uma ponte entre o envelope do vírus e a membrana da célula infectada. Células CD4+ Macrófagos e células dendríticas também carreiam moléculas CD4. O HIV é frequentemente disseminado pelas células dendríticas, as quais capturam o vírus e o conduzem aos órgãos linfoides. Monócitos, macrófagos, células de Langerhans e células dendríticas são infectadas, mas em geral não são destruídas = reservatório. As células de Langerhans, como as células dendríticas na pele e na mucosa genital, podem ser as primeiras células infectadas. Células microgliais. Secção confocal de macrófago infectado com HIV-1, em co-cultura com linfócito T CD4. Estão marcados: proteína Gag do HIV-1 (verde), CD3 (linfócito T, vermelho), núcleos celulares (azul). Projeção de diversas secções confocais de uma célula dendrítica (centro) pulsada com HIV-1, em contato com linfócitos T CD4. Foram marcadas: a proteína Env do HIV-1 (verde), CD3 (linfócitos T, vermelho), CD81 (linfócitos e célula dendrítica, rosa) e os núcleos celulares (azul). Muitas células que não expressam CD4 também podem se tornar infectadas, uma indicação de que outros receptores também podem servir para a infecção pelo HIV. Etapas 1. Adsorção - ligação ao receptor 2. Fusão 3. Desnudamento 4. Ação da RT 5. Importação do cDNA 6. Integração ao DNA 7. Transcrição 8. Exportação mRNA 9. Tradução 10. Montagem 11. Brotamento 12. Liberação 13. Maturação Etapas Após o reconhecimento e ligação do receptor (CD4) e correceptor (CCR5/CXCR4) pela proteína de superfície viral (gp120) (1), o envelope viral se funde com a membrana da célula (2) pela atividade da proteína transmembrana (gp41). Após a fusão o nucleocapsídeo é levado para o citoplasma celular e tem início o processo de desnudamento (3), em que a matriz e o capsídeo virais se dissociam gradativamente. Concomitantemente, se inicia a transcriçãoreversa (enzima RT) (4). O DNA de fita dupla recém-sintetizado é translocado pela membrana nuclear por meio de proteínas virais e celulares, e é então integrado ao genoma da célula hospedeira pela integrase viral (5 e 6). (7) A transcrição dos RNAm virais é realizada pela maquinaria celular. No início do ciclo essa transcrição é pouco eficiente, dando origem a apenas poucos (RNAm) que sofrem múltiplos eventos de splicing e dão origem às proteínas acessórias que permitem o aumento da eficiência da transcrição, e rev medeia o transporte dos RNAm recém-sintetizados para fora do núcleo, impedindo novos eventos de splicing e permitindo a síntese das poliproteínas virais estruturais e enzimas, do envelope viral e demais proteínas acessórias virais, além de novas cópias de RNA genômico (8 e 9). Os componentes virais se acumulam nos locais de brotamento, se automontam (10) e recrutam proteínas celulares que separam o envelope da partícula recém-montada da membrana celular (11), liberando assim novas partículas (12). Durante ou logo após o brotamento, a protease viral é ativada e cliva as poliproteínas estruturais e enzimas. Esse processo causa uma reorganização espacial das proteínas virais, o capsídeo assume o formato cônico e a partícula se torna infecciosa (13), pronta para reiniciar um novo ciclo . Infecção latente Uma vez que o HIV estabelece um conjunto de células T CD4+ infectadas de forma latente, se torna muito difícil eliminar a infecção completamente - desafio para qualquer vacina. Invasão e replicação http://www.youtube.com/watch?v=7O21WoS4wMI&t=60 Mecanismos de evasão RT - não tem atividade revisora. Cerca de 109 partículas de HIV-1/ dia no pico da infecção, e esse fato, aliado à baixa fidelidade da RT, significa que novas variantes do vírus estarão sempre aparecendo. Mutações são observadas principalmente em genes env e nef. Qualquer paciente apresenta muitas variantes, surgindo mutantes resistentes a drogas e às respostas imunológicas. Sincícios - células gigantes, multinucleares que resultam da fusão de várias células CD4+ não infectadas com uma única célula CD4+ infectada. Formas de transmissão Transmite: Não transmite: Formas de transmissão Relações sexuais desprotegidas. Exposição retal > vaginal > oral. Doenças inflamatórias e outras infecções e maior número de parceiros sexuais também estão associados a maior probabilidade de contaminação. AZT = azidotímidina. Os bebês mais gravemente infectados sobrevida < 18 meses. ? HIV e sexo entre mulheres O HIV e sistema imune A infecção pelo HIV gera uma doença persistente crônica caracterizada pela depleção de linfócitos TCD4+ e disfunção imunológica, tornando o indivíduo suscetível a infecções oportunistas e maior morbidade e mortalidade pelas mais distintas infecções. Os mecanismos envolvidos na geração de imunodeficiência ainda não estão totalmente esclarecidos: além da depleção das células TCD4+, há também disfunção de células apresentadoras de antígeno, ativação exacerbada da resposta imunológica, exaustão de linfócitos T e B, e perda da arquitetura dos diversos tecidos linfóides, incapacitando o SI de montar uma resposta adequada para o controle dessa e de outras infecções que acometam o indivíduo. O diagnóstico precoce da infecção por HIV é essencial para a saúde pública, pois a fase aguda da infecção representa o período de maior infecciosidade e consequente transmissão viral. 50% das novas infecções por HIV são transmitidas por pessoas recentemente infectadas. A infecção aguda e os estágios tardios da infecção pelo HIV estão associados a maior transmissibilidade viral, independentemente da carga viral no indivíduo transmissor. De acordo com um modelo de estimativas, 25% dos indivíduos que não têm conhecimento de estarem infectados pelo HIV são responsáveis pela transmissão de 54% das novas infecções. A maioria dos profissionais de saúde que lida com indivíduos infectados pelo HIV acredita que o conhecimento da própria infecção seja uma intervenção preventiva eficaz. O HIV e sistema imune Suspeitando de HIV, o que pesquisar primeiro - antígenos ou anticorpos? Após a transmissão do vírus, há um período de aproximadamente dez dias, denominado fase eclipse, antes que o RNA viral seja detectável no plasma. A resposta imunológica inata que se estabelece no foco da infecção atrai uma quantidade adicional de células T, o que, por sua vez, aumenta a replicação viral. O que o Ministério da Saúde preconiza? “detecção combinada de antígeno e anticorpo, permitindo reduzir o período de janela diagnóstica do HIV” Diagnóstico 4ª geração - antígeno p24 + anticorpos específicos anti-HIV. Tipo “sanduíche” = detecta todas as classes de Ig contra proteínas recombinantes ou peptídeos sintéticos derivados das glicoproteínas gp41 e gp120/160. Em média, a janela diagnóstica dos ensaios de quarta geração é de aproximadamente 15 dias. Testes rápidos Os testes rápidos são imunoensaios simples (aglutinação de partículas - não precisa de um reagente de cor), com resultados em até 30 minutos (ELISA - 4h). Não precisa de um ambiente laboratorial (ampliação do diagnóstico) - punção digital ou saliva. Usos - acidentes ocupacionais (amostra), parturiente. Estágios de infecção pelo HIV 1 - Grande produção de moléculas de RNA viral. Bilhões de células T CD4+ podem ser infectadas em algumas semanas. As respostas imunes depletam bruscamente os números virais no plasma sanguíneo dentro de semanas. A infecção pode ser assintomática ou causar linfadenopatia. 2 - O número de células T CD4+ diminui de forma constante. A replicação em nível baixo. Apenas uma quantidade pequena de células infectadas libera o HIV (muitas com o vírus nas formas latente ou proviral). Alguns sintomas graves da doença são observados, surgimento de infecções persistentes por Candida albicans (boca, garganta ou vagina). Febre e diarreia persistente. A leucoplaquia oral (manchas esbranquiçadas na mucosa oral), ocasionada pela reativação dos vírus Epstein-Barr latentes, herpes-zóster. 3 - Aids refere-se apenas à fase final = contagem de T CD4+ é abaixo de 200 células/μL (indivíduo saudável é de 800 a 1.000 células T CD4+/μL). Importantes condições clínicas: infecção dos brônquios, da traqueia ou dos pulmões, aparecem por C. albicans; infecções dos olhos por citomegalovírus; tuberculose; pneumonia por Pneumocystis; toxoplasmose no cérebro; e sarcoma de Kaposi. A progressão até a Aids leva cerca de 10 anos nos países industrializados; países sub-desenvolvidos - metade desse tempo. Infecções oportunistas e comorbidades Tratamento Tratamento Tratamento http://www.youtube.com/watch?v=7O21WoS4wMI&t=238 Estatísticas https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/11/ 2015_11_20_UNAIDS_TRATAMENTO_META_PT_v4_G B.pdf https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/11/2015_11_20_UNAIDS_TRATAMENTO_META_PT_v4_GB.pdf https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/11/2015_11_20_UNAIDS_TRATAMENTO_META_PT_v4_GB.pdf https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/11/2015_11_20_UNAIDS_TRATAMENTO_META_PT_v4_GB.pdf Prevenção A prevenção combinada: oito formas de prevenção, que devem ser escolhidas e combinadas por cada pessoa, de acordo com cada situação vivida. São elas: * Preservativo Masculino e Feminino * Redução de Danos (não compartilhamento de objetos perfuro cortantes) * Testagem regular de HIV * Exame de HIV e outras ISTs no pré-natal * Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) * Profilaxia Pós-Exposição (PEP) * Diagnosticar e tratar outras IST * Tratamento para todas as pessoas https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/03/140306_camisinha_feminina_novos_modelos_lgb PrEP PEP 18/03/22 PrEP injetável http://www.aids.gov.br/pt-br/acesso_a_informacao/servicos-de-saude/prep?province=SP&city=S%C3%A3o+Paulo http://www.aids.gov.br/pt-br/pep-profilaxia-pos-exposicao-ao-hiv-0?fbclid=IwAR12CxZ0j3NAN0bpcyLN5YWiKl9-KE1V5KCqVRfxyP4yABLwENgkMdRYju0https://portal.fiocruz.br/noticia/unitaid-e-fiocruz-vao-implementar-prep-injetavel-contra-o-hiv-no-brasil Nova abordagem de tratamento Revista da Fapesp https://revistapesquisa.fapesp.br/tratamento-experimental-controlou-o-hiv-por-seis-meses-apos-suspensao-de-antirretrovirais/?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=Ed314 Terminologia HIV/AIDS https://unaids.org.br/terminologia/ https://unaids.org.br/terminologia/ Para saber mais... https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2017/10/WEB_2017_07_12_GuiaTerminologia_UNAIDS.pdf?=e7c8b3c974 https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2017/10/WEB_2017_07_12_GuiaTerminologia_UNAIDS.pdf?=e7c8b3c974 Para se divertir no Carnaval… http://www.youtube.com/watch?v=EbRpK70kf4c