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João Manuel – Medicina Nove de Julho Hemostasia: Série de processos regulados que mantêm o sangue em estado fluido, sem coágulos, nos vasos normais, formando ao mesmo tempo e rapidamente um tampão hemostático, localizado no sítio de lesão vascular. TROMBOSE Trombose: solidificação do sangue no leito vascular ou na câmara cardíaca de um individuo vivo. • Trombo (opaco): é opaco, friável e aderido a parede. 2 • Coágulo (brilhante): sangue solidificado após a aparada da circulação, ou seja, em indivíduos mortos. Ou quando, o sangue extravase para fora do compartimento. Etiopatogênese: tem três anormalidades que levam a formação do trombo: Tríade de Virchou. • Lesão endotelial • Fluxo sanguíneo anormal • Hipercoagulabilidade Lesão Endotelial Disfunção ou ativação do endotélio. As principais causam são: trauma-tismo (ex.: cirurgias, cateterismo), Hipertensão arterial sistêmica (HAS – pressão do sangue na parede, aumentado a força cisalhamento), Inflamação (IL-1 e TNF-alfa ativam as células endoteliais, assim, vai ter expressão dessas células endoteliais de proteína selectina P (plaqueta) – proteína que adere plaquetas na superfície do endotélio), Fluxo turbulento (o nosso fluxo sanguíneo é laminar (“normal”), significa que os elementos figurados não entra em contato com endotélio, pois ele fica no centro, já no turbulento fica batendo nas parede, levando ativação do endotélio – acostuma acontecer em locais que possuem valvas/válvulas, principalmente as venosas), Componentes químicos (ex.: cigarro), Endotoxinas bacterianas. Fluxo Sanguíneo Anormal Se dar pelo aumento ou diminuição do fluxo sanguíneo, as principais causam são: Fluxo turbulento, Estase sanguínea (imobilização leito, acamado, viagens longas sem deambulação), Anemia falciforme (pelas presenças dos depranócitos/hemácia formato de foice), Polictemia vera ( aumento das hemácias, assim, deixando o sangue mais viscoso), Aneurisma (porque no local do aneurisma terá uma turbulência). João Manuel – Medicina Nove de Julho Hipercoagulabilidade Pode ter duas situações, congênita ou adquirida. Congênita: mutações pontuais no gene do fator V (fator V de Leiden – condição genética que tem a dificuldade de inativar o fator V, com isso, junto com o fator X, começam a quebrar muito protrombina em trombina – quem desativar o fator V é proteína C), mutação no gene da protrombina (maior produção de protrombina, assim, leva mais quantidade de trombina, ou seja, maior produção de fibrina). Adquirida: uso oral de anticoncepcional (induz o fígado a produzir mais fatores de coagulação), imobilização, câncer (adenocarcinoma mucinoso), lesão tecidual (cirurgia e queimaduras), síndrome do anticorpo antifosfolípide (cria anticorpos contra estruturas importantes, principalmente células endoteliais e tronfoblásticas). OBS.: A gravidez é um fator de hipercoagulabilidade, por conta do excesso de estrógeno, ele estimula os hepatócitos a produzirem muitos fatores de coagulação. Morfologia Macroscopia: O trombo é opaco, friável e aderido; Linhas e estrias de Zahn (são áreas esbranquiçadas intercaladas por áreas avermelhadas – muitas plaquetas, trombo, hemácias), trombo vermelho (porque é mais rico em hemácias, comum em veias, por ter estase sanguínea ou turbilhonamento), trombo branco ou hialino (trombo formado por mais plaquetas e fibrina, observador em microcirculações), trombo misto (associação de plaquetas, fibrina e hemácias – ótimo para observar as linhas de Zahn, comum em artérias, por ter um fluxo sanguíneo laminar e de alta velocidade). Microscopia: na região do trombo vai observar áreas eosinofílica com a presença de hemácias, plaquetas e leucócitos. Tipos de Trombo Trombo mural: Trombo formado na aorta ou nas câmaras cardíacas. Trombo venoso: trombo nas veias Trombo arterial: trombo nas artérias, menos na artéria aorta. Vegetação: trombos na valvas cardíacas. Evolução do Trombo João Manuel – Medicina Nove de Julho Propagação: Quanto mais hemácias, mais plaquetas, mais fibrinas vão agregando-se ao trombo inicial, até fechar o lúmen, podendo ter uma isquemia/infarto. Resolução: Quando o trombo é desfeito, isso acontece pelos agentes fibrinolíticos (ativador de plasminogênio residual, transforma plasminogênio em plasmina, a qual degrada a fibrina). Embolização: o trombo pode embolizar, quando o fragmento desse trombo fica livre na circulação, até achar um vaso com lúmen menor. Incorporação: quando o trombo começa a se formar, o próprio organismo o organiza na parede, os macrófagos liberam quimiocinas e fatores de crescimento, assim, o corpo constrói um novo endotélio em cima do trombo. Recanalização: que é ao invés de formar novo endotélio, pode formar espécie de novos vasos sanguíneos (aberturas) no local, permitindo a passagem do sangue que estava sendo obstruído. Quem faz são as células endoteliais, musculares lisas e fibroblastos. Consequência do Trombo As consequências de trombo dependem do tamanho do tronco e do leito vascular que ela se desenvolveu. Se esse é trombo for grande suficiente para obstrui um vaso, leva a isquemia, a qual leva a necrose, que isso será um tipo de infarto. EMBOLIA A embolia é uma consequência de trombo, mas não só isso. Embolia é a presença de uma massa intravascular (êmbolo) solta, a qual é transportada pelo sangue. Esse embolo pode ser constituído por vários solutos, podendo ser sólido, líquido ou gasoso. • Sólido: fragmento de trombo (mais comum), pode ser também uma massa neoplásica, gordura (pode ser da medula óssea, pode vir dos hepatócitos com esteatose), fragmento de placa de ateroma (colesterol). • Líquido: líquido amniótico (células escamosas “pele do embrião”, lanugem “pelinhos”, muco do sistema respiratório – esse líquido amniótico pode cair na circulação pela laceração da membrana placentária e ruptura de veias umbilicais ou uterina). • Gasosa: excesso de ar na circulação (laparoscopia, cirurgias obstétricas, colocação de catete central e cirurgias as revascularização cardíaca “by pass”). Excesso de nitrogênio na circulação (doenças da descompressão “mergulhadores”). João Manuel – Medicina Nove de Julho Embolia Pulmonar A principal causa da embolia pulmonar é um trombo, tem origem na trombose venosa profunda (TVP), quando esse embolo cai na corrente sanguínea, as veias iram levar para o coração, como os vasos vão aumento quando chegam perto do coração não tem problema, o problema é quando passa do coração e vai para o pulmão, onde os vasos são menores, assim, causando Tromboembolia Pulmonar (TEP). TVP - Trombose Venosa Profunda: Estase sanguínea (imobilização/repouso), Tabagista (lesão endotelial), Anticoncepcional (hipercoagulabilidade). Principais veias são a poplítea, veia femoral e veia ilíaca (tem outro veias, mas essas as principais). Características: • Edema • Aumento de temperatura • Aumento de sensibilidade • Vasos colaterais dilatados • Eritema (avermelhado) Teste clínicos para TVP: Sinal de Homans (joelhos estendido irá fazer um dorsiflexão no tornozelo), Sinal de Bandeira (pega a panturrilha e vai balança) e Teste de Bancroft (apertar a panturrilha). Quando o embolo obstrui 60% ou mais da circulação pulmonar, normalmente esse paciente terá uma morte súbita (choque cardiogênico obstrutivo)ou uma insuficiência cardíaca direita. OBS.: O principal embolo que leva esse 60% é um que obstrui a bifurcação da traqueia, conhecido como “embolo em sela”. Êmbolos que obstruem terminações arteriolares, causam infarto vermelho ou hemorragia. Êmbolos pequenos múltiplos levam a obstrução pulmonar ao longo dos anos, pode causar hipertensão pulmonar. OBS.: Cor pulmonale (alteração pulmonar levando modificação do coração). OBS.: 80% dos êmbolos pulmonares são clinicamente silenciosos, de tão pequenos, eles são organizados e incorporados na parede pulmonar. Tromboembolismo sistêmico Quando um fragmento do trombo cai na circulação sistêmica. 80% dos casos têm uma origem em um Trombo mural (surge na aorta e nas câmaras cárdicas – 2/3 acontece pelo infarto da parede do ventrículo esquerdo, ¼ tem a dilatação ou fibrilação do átrio esquerdo). Os outros 20 % surgem de vegetações (trombos formados nas valvas cardíacas), trombo murais na aorta, placa de ateroma ou embolia paradoxal (quando tem por intermédio de comunicação interatrial ou interventricular, assim tendo de um tromboembolismo sistêmico a partir de uma embolia venoso). Consequência: 75% desse êmbolos iram obstruir extremidade inferior (podendo ter necrose coagulativa), 10% vão para no cérebro (necrose liquefativa), o restante pode parar em qual órgão. João Manuel – Medicina Nove de Julho Embolia Gordurosa A lesão por esmagamento de tecido mole ou a ruptura de sinusoides vasculares medulares (fratura de osso longo) libera na circulação glóbulos de gordura microscópicos. Causas: • Infusão inadequada de substâncias oleosas na circulação sanguıńea (injeções oleosas intramusculares). • Esmagamento do tecido adiposo ou da medula óssea amarela em indivıd́uos politraumatizados. • Lise de hepatócitos com esteatose acentuada, o que causa migração de gorduras para as veias hepáticas.