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Prévia do material em texto

Indaial – 2019
Projeto Arquitetônico
Prof.ª Bruna Soares
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Prof.ª Bruna Soares
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
SO676p
 Soares, Bruna
 Projeto arquitetônico. / Bruna Soares. – Indaial: UNIASSELVI, 
2019.
 200 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0407-9
1. Projeto arquitetônico. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da 
Vinci.
CDD 721
III
APresentAção
Prezado acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático da disciplina de 
Projeto Arquitetônico. Este livro abarca os conceitos fundamentais para o desen-
volvimento dos projetos arquitetônicos e princípios básicos para a caracteriza-
ção das obras arquitetônicas
Para a construção de uma obra arquitetônica de excelência, necessaria-
mente é fundamental a elaboração de divergentes plantas técnicas, por exemplo: 
projeto arquitetônico, projeto hidrossanitário, projeto elétrico e projeto estrutu-
ral. O desenvolvimento de um projeto arquitetônico parte de variáveis distintas. 
Desde as legais, as funcionais, as estéticas, as econômicas, as psicológicas, as tec-
nológicas e o conforto ambiental. Um projeto arquitetônico eficaz, que satisfaça 
as necessidades dos usuários, é o maior investimento em uma obra. 
Na Unidade 1, você encontrará temas que abordam e apresentam as 
transformações espaciais, decorrente da materialização por meio das ações an-
trópicas; a produção do espaço e o surgimento das cidades; as principais expres-
sões artísticas e a história da arquitetura e do urbanismo, além do entendimento 
dos conceitos de estética, funcionalidade e ética aplicada às construções.
Na Unidade 2, você encontrará temas que abordam e apresentam a de-
composição e a articulação de seus elementos primários; os fundamentos arqui-
tetônicos na produção do espaço; a diferença do contexto natural versus contexto 
cultural nos projetos arquitetônicos; as variáveis fundamentais para desenvolver 
um projeto arquitetônico; a interpretação do projeto arquitetônico, com enfoque 
na programação arquitetônica projetual, além das etapas do projeto arquitetôni-
co (pré-projeto, projeto e pós-projeto) seus elementos e normas. 
Na Unidade 3, você encontrará temas relacionados que apresentam um 
estudo referente à leitura dos ambientes, a percepção e descrição do projeto ar-
quitetônico e a padronização dos elementos na hora de desenvolver um projeto. 
Essas temáticas estão relacionadas às informações necessárias para o entendi-
mento das principais características de um projeto arquitetônico. 
Espera-se que esses estudos contribuam para a sua formação profissio-
nal, e que os conteúdos apresentados neste livro didático possibilitem a apren-
dizagem e o desenvolvimento do projeto arquitetônico.
Prof.ª Bruna Soares
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos 
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais 
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, que é um código 
que permite que você acesse um conteúdo interativo 
relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos 
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar 
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNI
V
VI
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
VII
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À ARQUITETURA E URBANISMO ............................................1
TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA E URBANISMO ...............3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 A ARQUITETURA NOS PRIMÓRDIOS DA HUMANIDADE ....................................................4
2.1 AS TRANSFORMAÇÕES ESPACIAIS ............................................................................................4
2.2 A PRODUÇÃO DA CIDADE ...........................................................................................................6
2.3 AS CIDADES PÓS-REVOLUÇÃO INDUSTRIAL .........................................................................9
2.4 A RELEVÂNCIA DA ARQUITETURA E URBANISMO ...........................................................13
 2.4.1 O início da arquitetura ...........................................................................................................13
 2.4.2 Conceitos de Arquitetura ......................................................................................................15
 2.4.3 Conceitos de Urbanismo ........................................................................................................17
2.5 AS PRIMEIRAS CONSTRUÇÕES ................................................................................................19
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................22
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................24
TÓPICO 2 – A HISTÓRIA DA ARQUITETURA ..............................................................................27
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................27
2 PRÉ-HISTÓRIA .....................................................................................................................................28
2.1 INÍCIO DA PRÉ-HISTÓRIA ..........................................................................................................28
 2.1.1 Nuragues e Dolmens .............................................................................................................31
2.2 ANTIGUIDADE ...............................................................................................................................332.2.1 As Pirâmides ............................................................................................................................35
 2.2.2 Antiguidade Clássica ..............................................................................................................36
2.3 IDADE MÉDIA .................................................................................................................................39
 2.3.1 Arquitetura Paleocristã e Arquitetura Bizantina ................................................................40
 2.3.2 Arquitetura Românica ...........................................................................................................42
2.4 IDADE MODERNA .........................................................................................................................44
 2.4.1 Fundamentos da Arquitetura Moderna ...............................................................................44
 2.4.2 Arquitetura Renascentista ......................................................................................................44
 2.4.3 Arquitetura Barroca e o Rococó ............................................................................................46
2.5 IDADE CONTEMPORÂNEA ........................................................................................................48
 2.5.1 Fundamentos da Arquitetura Contemporânea ..................................................................49
 2.5.2 Construções que remetem à Arquitetura Contemporânea ...............................................49
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................52
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................54
TÓPICO 3 – ESTÉTICA ..........................................................................................................................57
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................57
2 SOBRE A ESTÉTICA E A ÉTICA .......................................................................................................58
2.1 A ORIGEM ETIMOLÓGICA DA ESTÉTICA...............................................................................58
2.2 A ESTÉTICA NA ARQUITETURA ...............................................................................................59
2.3 A RELAÇÃO ESTÉTICA X ÉTICA NA ARQUITETURA ..........................................................60
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................62
sumário
VIII
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................65
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................66
UNIDADE 2 – TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS 
 ARQUITETÔNICOS ...................................................................................................67
TÓPICO 1 – A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS 
PRIMÁRIOS .............................................................................................................................................69
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................69
2 ELEMENTOS PRIMÁRIOS ................................................................................................................70
2.1 O PONTO ..........................................................................................................................................70
2.2 A RETA ..............................................................................................................................................72
 2.2.1 O plano ....................................................................................................................................73
 2.2.2 O volume ..................................................................................................................................74
2.3 FUNDAMENTOS ARQUITETÔNICOS ......................................................................................77
 2.3.1 Forma ........................................................................................................................................78
 2.3.2 Espaço .......................................................................................................................................79
 2.3.3 Ordem .......................................................................................................................................80
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................85
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................86
TÓPICO 2 – O ESPAÇO E O HOMEM
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................87
2 CONTEXTOS: NATURAL E CULTURAL ........................................................................................87
2.1 VARIÁVEIS FUNDAMENTAIS DO PROJETO ARQUITETÔNICO........................................90
 2.1.1 Fundamento da responsabilidade legal ...............................................................................90
 2.1.2 Exercício profissional ..............................................................................................................91
 2.1.3 Função do projeto arquitetônico ...........................................................................................93
 2.1.4 Função estética .........................................................................................................................93
 2.1.5 Função econômica ...................................................................................................................94
 2.1.6 Função psicológica ..................................................................................................................96
 2.1.7 Função tecnológica ..................................................................................................................96
 2.1.8 Conforto ambiental .................................................................................................................97
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................99
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................101
TÓPICO 3 – INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO .........................................103
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................103
2 ESTUDOS PRELIMINARES ............................................................................................................105
2.1 LEVANTAMENTO (LV)................................................................................................................106
2.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES (PN) ...................................................................................108
2.3 ESTUDO DE VIABILIDADE (EV) ...............................................................................................108
3 ANTEPROJETO (AP) .........................................................................................................................109
4 PROJETOS COMPLEMENTARES .................................................................................................1134.1 PROJETO LEGAL (PL) ..................................................................................................................114
4.2 PROJETO ARQUITETÔNICO EXECUTIVO (PE) .....................................................................115
4.3 MEMORIAL DESCRITIVO E PLANILHA QUANTITATIVA DE MATERIAIS ...................119
4.4 ASSISTÊNCIA À EXECUÇÃO DA OBRA .................................................................................120
5 O PÓS-PROJETO (ALVARÁ DE USO E OCUPAÇÃO DA EDIFICAÇÃO)............................121
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................122
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................128
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................129
IX
UNIDADE 3 – O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR .....................................................................131
TÓPICO 1 – A LEITURA DO AMBIENTE........................................................................................133
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................133
2 A COMPREENSÃO DO AMBIENTE .............................................................................................134
2.1 CIRCULAÇÃO NOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS ...........................................................134
 2.1.1 Circulação vertical .................................................................................................................135
 2.1.2 Circulação horizontal ...........................................................................................................141
3 SETORIZAÇÃO NOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS...........................................................142
3.1 ÁREA ÍNTIMA ...............................................................................................................................144
3.2 ÁREA SOCIAL ...............................................................................................................................144
3.3 ÁREA SERVIÇO .............................................................................................................................145
4 FLUXOGRAMA ..................................................................................................................................146
5 O HOMEM COMO UNIDADE DE MEDIDA ..............................................................................147
6 ERGONOMIA .....................................................................................................................................150
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................151
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................153
TÓPICO 2 – A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO ..................155
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................155
2 A REPRESENTAÇÃO DA PLANTA BAIXA .................................................................................156
2.1 O GRAFISMO .................................................................................................................................158
3 CORTES OU SECÇÕES .....................................................................................................................160
4 ELEVAÇÕES/FACHADAS ................................................................................................................162
5 PLANTA DE SITUAÇÃO ..................................................................................................................163
6 PLANTA DE LOCALIZAÇÃO/IMPLANTAÇÃO ........................................................................165
7 PLANTA DE COBERTURA ..............................................................................................................166
7.1 COBERTURA ..................................................................................................................................167
8 PROJETOS COMPLEMENTARES ..................................................................................................169
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................171
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................172
TÓPICO 3 – REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES .............................................................175
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................175
2 NORMAS TÉCNICAS .......................................................................................................................175
2.1 TRAÇOS ..........................................................................................................................................176
2.2 LEGENDA.......................................................................................................................................178
2.3 CALIGRAFIA TÉCNICA (NBR 8402) .........................................................................................179
2.4 FORMATO DO PAPEL (NBR 10068) ..........................................................................................180
3 ESCALAS ..............................................................................................................................................181
3.1 ESCALA GRÁFICA .......................................................................................................................182
4 LINHAS DE COTAS ..........................................................................................................................182
5 COTAS DE NÍVEL ..............................................................................................................................183
6 MATERIAIS DE DESENHO .............................................................................................................183
6.1 DESENHO À MÃO LIVRE ...........................................................................................................183
6.2 DESENHO AUXILIADO POR COMPUTADOR .......................................................................184
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................186
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................190
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................192
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................193
X
1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
E URBANISMO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• analisar as transformações espaciais, decorrentes da materialização por meio 
das ações antrópicas;
• entender a produção do espaço e o surgimento das cidades;
• estudar as principais expressões artísticas e a história da arquitetura e do ur-
banismo;
• estudar os conceitos: estética, funcionalidade e ética aplicada às construções;
• realizar atividades básicas a partir dos conceitos estudados.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar oconteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUITETURA 
 E URBANISMO
TÓPICO 2 – A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
TÓPICO 3 – ESTÉTICA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
ARQUITETURA E URBANISMO
1 INTRODUÇÃO
O Tópico 1 aborda os conceitos-base para melhor entendimento da Arquite-
tura e do Urbanismo, com enfoque na compreensão das transformações espaciais, na 
produção da cidade e nas reproduções espaciais das cidades – pós-período Revolu-
ção Industrial. Neste tópico, também abordaremos o início da história da Arquitetura 
e do Urbanismo. 
A Arquitetura e o Urbanismo remontam a materialização das divergentes 
ações antrópicas. A partir da leitura das transformações espaciais, decorrentes da 
evolução da civilização, percebe-se que as modificações dos espaços físicos foram de 
fato consequências das relações entre o homem e a natureza. Na medida em que a 
história vai se fazendo, a configuração da paisagem natural é fragmentada devido à 
indução de objetos artificiais. 
A arquitetura é considerada uma das principais expressões artísticas na Me-
sopotâmia – vista como o berço da arquitetura antiga. Outros elementos também 
foram de extrema importância na era mesopotâmica, como por exemplo: a pintura, 
as esculturas e os tecidos. Estes, geralmente, apareciam no interior das construções, 
como forma de homenagear os deuses. O surgimento da construção dos palácios, 
templos e muralhas também são decorrentes dessa época, expressando a cultura de 
uma determinada sociedade.
A arquitetura é o espelho da nossa sociedade. Os materiais têm influência 
no caráter da arquitetura nos diferentes “cantos do mundo”. Cada modelo de casa 
obedece às circunstâncias regionais e culturais. Na Pré-História, a arquitetura era 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
4
usada apenas como função, como forma de abrigar o homem, protegendo das más 
condições climáticas (SALVADORI, 2006). Contudo, com as conquistas humanas, a 
arquitetura funda-se como arte, perante as mudanças advindas da evolução das ci-
vilizações. 
2 A ARQUITETURA NOS PRIMÓRDIOS DA HUMANIDADE
Comparada a outras atividades humanas, a arquitetura é uma arte recen-
te. Sua origem remonta a 10.000 anos, quando os primórdios iniciaram a modifi-
cação do meio natural (SALVADORI, 2006). Inicialmente, o espaço físico da vida 
humana era formado pelo sistema ecológico, delimitado pelas paisagens natu-
rais, que ao longo da história foram fragmentadas pelos homens para a produção 
do sistema socioecológico (SOARES, 2019). A partir destas, o sistema socioecoló-
gico se designa num conjunto de sistemas sociais, com os quais o homem realiza 
sua vida, produz e ao mesmo tempo cria os espaços da vida humana (SANTOS, 
1998). 
2.1 AS TRANSFORMAÇÕES ESPACIAIS
Os primeiros anais históricos datam que as transformações dos espaços natu-
rais tiveram início no período Pré-Histórico Paleolítico (BENEVOLO, 1993), no qual, 
diante da necessidade de sobrevivência, os nômades, superficialmente, modificavam 
o meio natural para lhe servir de abrigo e coletavam alimentos apenas para subsis-
tência (SANTOS, 1998). “Até então, os homens viviam expostos aos rigores do tempo, 
precariamente protegidos por tendas feitas com peles de animais. Sempre em movi-
mento, cozinhavam em fogueira de acampamento e reuniam-se em pequenas tribos” 
(SALVADORI, 2006, p. 1). 
Anos mais tarde, no período Pré-Histórico Neolítico, os homens deixaram 
de ser nômades e criaram raízes (LE CORBUSIER, 1992). “As tendas foram substitu-
ídas por moradias mais sólidas e uma lareira fixa passou a ocupar o lugar central da 
casa” (SALVADORI, 2006, p. 1). Esse período foi marcado pela transição de hábitos e 
pelo enraizamento humano sobre o espaço físico. Logo, as primeiras mudanças ocor-
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
5
FIGURA 1 – A RELAÇÃO HOMEM-NATUREZA NA TRANSFORMAÇÃO DO SISTEMA NATURAL
FONTE: Adaptado de Groth (2004).
reram por meio da apropriação dos terrenos para a criação de animais domésticos 
e com a organização de estabelecimentos nas proximidades dos locais de trabalho. 
Os primeiros assentamentos humanos se originaram de pequenos núcleos familiares 
(BENEVOLO, 1993). Na Figura 1, a partir da relação homem x natureza, consta uma 
linha do tempo com fases de transformações do espaço natural em artificial.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
6
FIGURA 2 – A INTERAÇÃO DOS SUBSISTEMAS: SOCIAIS (SS) E ECOLÓGICOS (SE) 
FONTE: Adaptado de Groth (2004)
A partir da leitura das imagens de Groth (2004), percebe-se que as modifica-
ções espaciais estão em constantes transformações. Esse fato é consequência das rela-
ções entre o homem e a natureza, ou seja, os espaços geográficos são transformados 
e produzidos pelas relações sociais (LEFEBVRE, 2008). À medida que a história vai 
se fazendo, a configuração territorial natural é reproduzida e induzida por meio das 
técnicas sociais. Desse modo, através da presença desses objetos técnicos, os homens 
desenvolvem as cidades.
2.2 A PRODUÇÃO DA CIDADE
“Na antiguidade, os ambientes naturais foram sendo transformados pelos 
homens a partir das suas necessidades, ou seja, perante a dominação do sistema eco-
lógico para a produção do sistema social” (SOARES, 2019, p. 38). Nessas condições, o 
conceito de cidade é designado na relação dos fatores antrópicos – sociais (econômi-
co, cultural, político, entre outros) e biofísicos – ecológicos (biodiversidade, geologia, 
água entre outros) (MACHLIS; FORCE; BURCH, 1997). Na Figura 2, após termos 
entendido o padrão conceitual, podemos caracterizar as cidades como um SSE, visto 
que são reconhecidas como um sistema acoplado de interesses sociais e ecológicos.
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
7
A cidade é o produto mais complexo da mente humana e representa mais 
do que simples estruturas de pedras e concreto (GIRARDET, 1989). Elas nasceram 
do desenvolvimento e do crescimento populacional de pequenas aldeias, a partir do 
momento que os “homens tornam-se sedentários” e trocam a “vida nômade” pela 
produção de cabanas como espaços físicos fixos a serem habitados. Nessas condi-
ções, surgem os primeiros traçados urbanos. 
Um grande número de cabanas brotou em regiões férteis; o contato 
entre as famílias tornou-se mais frequente e íntimo; surgiram vilarejos, 
que passaram a ser ligados por uma rede de trilhas. Às vezes, as trilhas 
tinham de atravessar rios, o que exigiu a construção de pontes para pe-
destres, feitas de troncos de árvores e presas por cordas de fibras de 
vegetais (SALVADORI, 2006, p. 1).
A cidade não é algo pronto, ela é produzida pelas interações humanas. Pode-
-se caracterizar as cidades como os palcos geográficos da interação social, dos confli-
tos, dos direitos e deveres (SOARES, 2019). Há muitos anos, elas vêm sendo estuda-
das, pesquisadas e projetadas por arquitetos, urbanistas, sociólogos, geógrafos, entre 
outros pensadores de grandes áreas divergentes. O motivo se resume no reflexo da 
complexidade da vida cotidiana das sociedades atuais, na criação dos espaços e, con-
secutivamente, da arquitetura expressada nelas (LYNCH, 1980; DELFANTE, 1997). 
As cidades fascinam. Realidade muito antiga, elas se encontram na ori-
gem daquilo que remetem os indícios do florescer de uma civilização: a 
agricultura, a roda, a escrita, os primeiros assentamentos urbanos. Nessa 
aurora do tempo, milênios atrás, elas lá estavam, demarcando um traça-
do, em formato quadrado ou circular (PESAVENTO, 2007, p. 11).
Uma cidade é objeto de muitos discursos. Para o arquiteto Leonardo Bene-
volo (1993), o conceito de cidade caracteriza-se em dois sentidos. O primeiro se en-
quadra na definição de um sistema organizacional da sociedade civil que se iniciou 
no período da Antiguidade. Logo, o segundo sentido se resume na cidade como in-
dicação de uma situação física e de uma determinadasociedade. Corroborando, o 
urbanista Lewis Mumford (1965, p. 433) “conceitua a cidade como plexo geográfico, 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
8
uma organização econômica, um processo institucional, um teatro de ação social e 
um símbolo estético de unidade coletiva”. 
Segundo a ciência, as cidades surgiram na Mesopotâmia (atual Iraque) e a 
primeira civilização recebeu o nome de Siméria, responsável pelos primeiros templos 
e palácios monumentais. Na época, grandes construções foram erguidas, como: tem-
plos religiosos, ruas, zonas residenciais, edifícios públicos, pontes e palácios. Essas 
cidades foram produzidas entre os rios Tigre e Eufrates, fato que ocorreu por volta de 
3.750 a 4.500 a.C. A economia era diretamente atrelada à produção de materiais arte-
sanais e às atividades no campo. Os produtos obtidos transformavam-se em moeda 
de troca (BENEVOLO, 1993). 
Na história das civilizações, as margens dos rios tiveram presença marcan-
te na formação e no crescimento das cidades (PORATH, 2004). Eles integram sítios 
atraentes para assentamentos de curta permanência e servem como fonte de recursos 
e meio de circulação (GORSKI, 2010). Além de delimitar a configuração urbana, tor-
nam-se muitas vezes eixos de desenvolvimento do desenho da cidade. “O desenho 
urbano ocasiona as transformações na paisagem, na morfologia urbana e nas áreas 
adjacentes aos rios” (PORATH, 2004, p. 13).
A arquitetura desponta como uma das principais expressões artísticas na Me-
sopotâmia que é vista como o berço da arquitetura antiga. Os mesopotâmicos pla-
nejavam cidades complexas, com palácios, templo, muralhas e torres de vigilância. 
A escultura e a pintura também faziam parte da decoração do interior das grandes 
construções e geralmente representavam seus deuses, reis e guerreiros. Para a pro-
dução da arte, os materiais mais utilizados eram: argila, adobe, terracota, cerâmica, 
bronze, prata e diversas pedras preciosas (BENEVOLO, 1993). 
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
9
2.3 AS CIDADES PÓS-REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A dinâmica da vida continuada desencadeou o fascínio urbano em escala 
global. A modernização social intensificou o fluxo populacional das cidades, tornan-
do-se um processo irreversível. Corroborando, o arquiteto Carlos Leite (2012), em 
seu livro Cidades sustentáveis, Cidades inteligentes ressalta que desde 2007 o mundo 
presencia uma nova realidade, digamos que historicamente radical: o número habi-
tacional urbano ultrapassou o número habitacional rural. Em 2016, 54% da popula-
ção mundial vivia em cidades, uma proporção que se espera aumentar cada vez mais 
(ONU-HABITAT, 2016).
O processo de urbanização, responsável pela reprodução espacial, teve início 
no século XVIII nos países desenvolvidos da América do Norte e da Europa. Fomen-
tada pelas induções técnicas, em 1850, a Inglaterra, pioneira no processo, se concreti-
zava por um território industrializado com 50% da população residindo em áreas ur-
banas. Anos mais tarde, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, o processo 
expande-se aceleradamente nos países subdesenvolvidos da América Latina, África 
e Ásia (SANTOS, 1980). 
As divergentes dinâmicas da urbanização nos países desenvolvidos e subde-
senvolvidos estão associadas a dois principais processos: ao (1) Processo da Revolu-
ção Industrial e ao (2) Processo do Êxodo Rural. Neste sentido, globalmente, a crise 
agrária e o avanço tecnológico estimularam a modernização social, o acúmulo das 
atividades industriais e a concentração populacional nas grandes cidades. Por efeito 
do advento urbano, ocorreu a demanda pela mão de obra nas indústrias e nos comér-
cios, fato atrativo da migração habitacional dos camponeses para as áreas urbanas 
(SANTOS, 1980).
A ciência e a tecnologia, no que têm de melhor, são motivadas para 
satisfazer as necessidades humanas legítimas. Embora nunca tenha 
apresentado grandes mudanças em seus aspectos funcionais, a arqui-
tetura passou por uma revolução técnica fantástica. As necessidades 
da cidade devem ser satisfeitas, e a tecnologia, estimulada pelas des-
cobertas e invenções das revoluções industrial e científica, veio ajudar 
(SALVADORI, 2006, p. 3).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
10
“O crescimento das grandes cidades ultrapassou todas as previsões. Cresci-
mento vertiginoso e perturbação. Vida industrial e a vida comercial que se adaptam 
a elas são fenômenos novos de amplitude assombrosa. Os meios de transporte são 
base da atividade moderna” (LE CORBUSIER, 1992, p. 77).
Na Figura 3, percebe-se que espaços infinitos de divergentes formas urbanas 
substituíram as paisagens naturais. A cidade tradicional explorou todos os limites do 
campo.
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
11
FIGURA 3 – AS CIDADES PÓS-REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FONTE: <http://bit.ly/37YfhcS>. Acesso em: 24 set. 2019. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
12
FIGURA 4 – CURIOSIDADES URBANAS
FONTE: <http://bit.ly/2syKQcX>. Acesso em: 25 set. 2019.
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
13
Caro acadêmico, você sabe como ocorreu o processo de urbanização? O pro-
cesso de urbanização, responsável pela reprodução espacial, teve início no século 
XVIII nos países desenvolvidos da América do Norte e da Europa. Fomentada pelas 
induções técnicas, em 1850, a Inglaterra, pioneira no processo, se concretizava por 
um território industrializado com 50% da população residindo em áreas urbanas. 
Anos mais tarde, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, o processo de 
urbanização expande-se aceleradamente nos países subdesenvolvidos da América 
Latina, África e Ásia.
 
2.4 A RELEVÂNCIA DA ARQUITETURA E URBANISMO
	 Não	existe	dúvida	alguma	sobre	a	influência	da	arquitetura	e	da	
estrutura sobre o caráter e as atividades do homem. Criamos nossas construções, e depois 
são	elas	que	nos	criam.	Elas	determinam	os	caminhos	de	nossas	vidas	
(Winston Churchill) 
2.4.1 O início da arquitetura
Para Oscar Niemeyer, o arquiteto é um cidadão como outro qualquer; man-
tendo-se sempre livre para atender os mais diversos programas a ele apresentados, 
deve permanecer atento à necessidade de mudarmos a sociedade, fazer emergir um 
mundo mais justo e solidário (HEML, 2011).
A arquitetura está presente em nosso entorno e tem suas origens na Pré-His-
tória, introduzida na literatura ocidental a partir da Grécia quando a humanidade 
começou a dominar a técnica de trabalhar a pedra. “Sua organização como ciência co-
meçou com o arquiteto romano Marco Vitrúvio Polião, no século I a.C.” (CAU, 2015, 
p. 26). “Vitrúvio não foi o primeiro que escreveu sobre arquitetura, mas todos os ou-
tros escritos se perderam”, no qual se tratava de tratados gregos e romanos (KRUFT, 
2016, p. 23). A identificação foi possível através dos títulos sobre construções.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
14
Natural de Latium, de origem respeitável, Vitrúvio viveu no período repu-
blicano da Roma Antiga. Ele trabalhou como engenheiro militar, designando a sua 
carreira como supervisor de máquinas. Sua obra de maior relevância foi a Basílica Fa-
num Fortunae (não mais existente), localizada na cidade de Roma (BORGES, 2005).
Vitrúvio escreveu o tratado De Architectura Libri Decem, conhecido como Os 
Dez	Livros	da	Arquitetura, dedicado ao Imperador Augusto, aproximadamente no ano 
27 a.C. (BORGES, 2005). Nos dez livros da obra, o arquiteto Vitrúvio descreve apenas 
um único projeto: a basílica de Fanum Fortunae descrita no quinto livro, do qual 
nada resta e cuja localização ainda é incerta, embora saibamos olhar no buraco. Ele 
não foi um arquiteto de grande importância da sua época, mas a sua obra se tornou a 
fundamentação teórica da arquitetura ocidental, desde a Renascença até o final do sé-
culo XIX (BORGES, 2005). 
Para Vitrúvio, um projeto arquitetônico deve haver um equilíbrio entre: for-
ma, função e estrutura. Nessas condições, o arquiteto desenvolve e apresenta a teoria 
da Tríade Vitruviana (consta no terceiro capítulo de seu livro), como os três compo-nentes fundamentais da arquitetura: (1) Venustas – relacionada à apreciação estética 
e à beleza, (2) Firmitas – referente à estrutura e ao caráter construtivo da arquitetura 
e (3) Utilitas – originalmente relacionada à função e ao utilitarismo (BORGES, 2005). 
Para Vitrúvio, deve haver equilíbrio entre esses três princípios de ordem projetual. A 
partir do momento que não há um desses elementos, não há Arquitetura. Na Figura 
5 constam os três compositivos conforme critérios do arquiteto Vitrúvio para a proje-
ção, com enfoque na dimensão estética, funcional e técnica.
FIGURA 5 – AS CIDADES PÓS-REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FONTE: A autora
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
15
2.4.2 Conceitos de Arquitetura 
A realização de um projeto de arquitetura, como qualquer outro trabalho, 
tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser atendido, há 
um lugar em que se implantará o edifício, e há um modo de construir a 
ser determinado. Esse conjunto de premissas é elaborado graficamente 
em um desenho que opera como mediador entre a ideia do projeto e sua 
realização concreta (MACIEL, 2003, p. 1).
A arquitetura está relacionada ao planejamento, à organização e à construção 
de uma obra arquitetônica, com enfoque na resolução estética e funcional da obra. 
Esta, por sua vez, se dispõe à criação de espaços com a finalidade de abrigar os hu-
manos obedecendo aos critérios de: funcionalidade, sustentabilidade, ergonomia, 
estética, entre outros conceitos envolvidos no processo de criação de um projeto. Ao 
longo da história da civilização, os humanos construíram edifícios em função de suas 
necessidades, mas também em relação a sua expertise técnica, levando em conta o 
contexto social que o projeto está inserido.
Arquitetura é abrigo, evidentemente, mas pode ser muito mais. A expres-
são “música congelada” é usada com frequência, embora pareça sugerir 
que a arquitetura possui somente um componente estético. A expressão 
“configuração de espaço para uso humano” parece ser mais útil, mas difi-
cilmente conseguirá explicar o fascínio exercido pelas pirâmides egípcias 
ou o simbolismo de um edifício de capitólio (FAZIO, 2011, p. 20).
“Toda arquitetura reflete tais valores – e a melhor arquitetura expressa os 
gostos e as aspirações da sociedade como um todo” (FAZIO, 2011, p. 20). A arqui-
tetura é espelho da nossa sociedade. As linhas, formas, texturas ou cores refletem 
as mais variadas características e necessidades do mundo ao nosso redor e dos seus 
indivíduos (NACCACHE, 2006). Os materiais têm influência no caráter da arquite-
tura. Ao estudar as edificações de uso cotidiano do passado, um dos aspectos mais 
fascinantes é perceber como os materiais mais simples – como madeira, argila, sapé 
e pedra – são utilizados para criar arquitetura (FAZIO, 2011).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
16
Quando havia apenas argila disponível em abundância, as pessoas utili-
zavam taipa de pilão ou faziam tijolos. Quem vivia em áreas com grandes 
florestas construía com madeira. Os antigos gregos eram escultores de 
pedra extremamente habilidosos, mas dificilmente ocupariam este posto 
se não fosse pelo mármore abundante no local (FAZIO, 2011, p. 20).
Em outras palavras, a arquitetura é a primeira manifestação do homem 
em relação à criação do universo por meio de ações antrópicas. Ele cria a partir da 
natureza, aceitando as leis da gravidade, da estática e da dinâmica para estabele-
cer a estrutura de uma construção. Na Figura 6 é possível observar a construção 
de uma casa projetada pelos arquitetos Le Corbusier e Pierra Jeanneret. 
FIGURA 6 – CASA DO SENHOR OZENFANT (1923)
FONTE: <https://es.wikiarquitectura.com/edificio/maison-ozenfant/>. Acesso em: 22 ago. 2019.
A arquitetura é uma das mais urgentes necessidades do homem, visto 
que a casa sempre foi o indispensável e primeiro instrumento que ele 
forjou. Os instrumentos do homem marcam as etapas da civilização, a 
idade da pedra, a idade do bronze, a idade do ferro. Os instrumentos 
procedem de aperfeiçoamento sucessivo; neles se acumula o trabalho 
de gerações. O instrumento é a expressão direta, imediata do progresso. 
O instrumento é o colaborador obrigatório; ele é jogado ao ferro velho: 
a escopeta, a colubrina, o fiacre e a velha locomotiva. Este gesto é uma 
manifestação de saúde, de saúde moral, também de moral; não temos o 
direito de produzir mal por causa de um mau instrumento; joga-se fora, 
substitui-se (LE CORBUSIER, 2004, p. 1).
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
17
2.4.3 Conceitos de Urbanismo
A história do urbanismo teve início com o surgimento das cidades e com seus 
planejamentos. A expressão está relacionada ao estudo, à regulação e ao desenvolvi-
mento humano das áreas urbanas. Portando, em relação à ciência, mostra-se humana 
de caráter multidisciplinar, necessitando da contribuição de áreas do conhecimento 
divergentes, como a Ecologia, a Geologia, a Arquitetura, as Ciências Sociais, a Geo-
grafia e outras ciências. O urbanista dialoga principalmente com o arquiteto, o paisa-
gista, o engenheiro e com o designer.
O termo “urbanismo” tem várias conotações. A priori pode-se afirmar 
apenas que ele trata das cidades e, como estas existem desde a aurora da 
civilização, também é razoável supor que ele exista desde então. A pala-
vra “civilização” vem do latim civitas e civis, cidade e cidadão. Também 
a raiz latina urbs remete à cidade, mas ao governo da cidade e à polidez 
civilizada dos antigos romanos. Dela derivam “urbano”, “urbanizado” e 
a presunção nem sempre procedente de civilidade no ambiente da cidade 
(NOVAK, 2006, p. 129).
O urbanismo é um campo do conhecimento quase que empregado exclusi-
vamente nas situações que têm por objetivo criar condições satisfatórias ao desen-
volvimento de vida nos centros urbanos. Partindo desse ponto de vista, o urbanista 
desenhará ou projetará uma cidade a partir dos espaços vazios, com o objetivo de 
criar condições satisfatórias de vida nos centros urbanos. A palavra deriva-se dos es-
tudos do engenheiro catalão Ildefonso Cerdá, responsável pelo projeto de ampliação 
de Barcelona na década de 1850, utilizando o termo “urbe” para designar os diver-
gentes assentamentos humanos e o termo “urbanização” designando a ação sobre a 
urbe. Nas figuras 7 e 8 percebe-se a evolução humana perante a natureza em relação 
às construções das grandes cidades.
Leopoldo Mazzaroli, citado por Mukai, definiu o urbanismo como “a ciência 
que se preocupa com a sistematização e o desenvolvimento da cidade, buscando de-
terminar a melhor posição das ruas, dos edifícios e obras públicas, de habitação pri-
vada, de modo que a população possa gozar de uma situação sã, cômoda e estimada” 
(MUKAI, 1988, s. p.).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
18
FIGURA 7 – CIVILIZAÇÃO ROMANA: VISTA AÉREA DE TIMGAD
FONTE: <https://slideplayer.com.br/slide/3770497/>. Acesso em: 22 ago. 2019.
FIGURA 8 – PALMANOVA: A CIDADE MILITAR DO RENASCIMENTO
FONTE: <https://historiablog.files.wordpress.com/2017/02/depositphotos_13290860-stock-
photo-palmanova-old-map.jpg?w=840>. Acesso em: 22 ago. 2019.
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
19
2.5 AS PRIMEIRAS CONSTRUÇÕES 
“Cabanas, domus, castelos, villas, palazzos são denominações históricas 
do espaço unifamiliar. Cada modelo de lar obedece a certas circunstâncias regio-
nais, culturais e climáticas. São representativas da arquitetura mais elementar, 
mais próxima e utilizável pelo ser humano, considerada a sua real terceira pele” 
(MIGUEL, 2002, p.1). As primeiras construções advindas do homem não resul-
tam das habitações e sim da produção de espaços que contemplavam cultos, ado-
rações e também as câmaras mortuárias. Nessa época, os homens geravam seus 
próprios abrigos e habitavam as cavernas, troncos de árvores e grutas.
Caro acadêmico, o abrigo é considerado primitivo em relação às necessidades 
humanas. A cabana foi o primeiro abrigo artificial desenvolvido pelo homem. No início, as 
construções eram de origem simples, compostas por pedrase ossos sobrepostos. 
IMPORTANT
E
Na Pré-História, o homem via a arquitetura apenas de maneira funcional, 
como uma forma de proteção contra as más condições climáticas (SALVADORI, 
2006). Algumas dessas construções arcaicas podem ser ainda hoje observadas em 
tribos e outros povos.
FIGURA 9 – CABANA PRIMITIVA ARTIFICIAL POR CHAMBERS
FONTE: Chambers (1862, p. 79)
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
20
No princípio o mais provável é que se retiraram em cavernas 
formadas pela natureza na rocha, em troncos de árvores ocos, 
ou covas que eles mesmos cavaram na terra. Porém, imediata-
mente descontentes com a humidade e a escuridão destas habi-
tações, começaram a procura por um alojamento mais salubre 
e confortável. As construções animais indicaram tanto os mate-
riais como métodos construtivos: andorinhas, corvos, abelhas e 
cegonhas foram os primeiros construtores. O homem observou 
as suas operações instintivas (CHAMBERS, 1862, p. 87-88).
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
21
FIGURA 10 – CABANA PRIMITIVA ARTIFICIAL POR FILARETE
FONTE: <https://i.pinimg.com/736x/d6/c2/d5/d6c2d5d41de43c7b03bb8b1ddfd99b48.jpg>. 
Acesso em: 24 set. 2019. 
22
Neste tópico, você aprendeu que:
• No início, o espaço físico da vida humana era formado pelo sistema natural. 
• Ao longo da história, com as necessidades dos homens, o sistema é reproduzido a 
partir das induções técnicas sociais.
• As primeiras cidades surgiram na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. Nas-
ceram do desenvolvimento e do crescimento populacional de pequenas aldeias.
• A dinâmica da vida continuada desencadeou o fascínio urbano em escala global. A 
modernização social intensificou o fluxo populacional das cidades, tornando-se um 
processo irreversível.
• A arquitetura tem suas origens no período pré-histórico, induzido pela literatura 
ocidental da Grécia, a partir do momento que a humanidade começou a dominar a 
técnica de trabalhar a pedra.
• A arquitetura está relacionada ao planejamento, à organização e à construção de 
uma obra arquitetônica, com enfoque na resolução estética e funcional da obra. 
• A arquitetura é espelho da nossa sociedade. As linhas, formas, texturas ou cores re-
fletem as mais variadas características e necessidades do mundo ao nosso redor e 
dos seus indivíduos.
• O urbanismo é um campo do conhecimento empregado ao desenvolvimento e pla-
nejamento das cidades.
• O urbanista dialoga principalmente com o arquiteto, o paisagista, o engenheiro e 
com o designer.
• Cabanas, domus, castelos, villas e palazzos são denominações históricas do espaço 
unifamiliar. Cada modelo de lar obedece a certas circunstâncias regionais, culturais 
e climáticas.
• A cabana foi o primeiro abrigo artificial desenvolvido pelo homem.
• Para Vitrúvio, o arquiteto deveria ser um profissional multidisciplinar, que conhe-
cesse todas as ciências fundamentais e as artes. Em sua concepção de um projeto 
arquitetônico deve haver um equilíbrio entre: forma, função e estrutura.
RESUMO DO TÓPICO 1
23
• O arquiteto Vitrúvio desenvolveu a teoria da Tríade Vitruviana (consta no terceiro 
capítulo de seu livro), como os três componentes fundamentais da arquitetura: (1) 
Venustas – relacionada à apreciação estética e a beleza, (2) Firmitas – referente à es-
trutura e ao caráter construtivo da arquitetura e (3) Utilitas – originalmente relacio-
nada à função e ao utilitarismo.
24
1 A dinâmica da vida continuada desencadeou o fascínio urbano em escala 
global. Atualmente, mais de 50% da população em nível mundial reside em 
áreas urbanizadas e a tendência é aumentar. A modernização social intensi-
ficou o fluxo operacional das cidades, tornando-se um processo irreversível. 
A partir desses pressupostos, quais os dois principais processos ligados à 
dinâmica da urbanização nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos? 
a) ( ) Revolução Industrial e Êxodo Rural.
b) ( ) Revolução Industrial e Revolução Técnica.
c) ( ) Êxodo Rural e Densidade Demográfica.
d) ( ) Êxodo Rural, Revolução Industrial e Revolução Científica.
2 A história do Urbanismo remete ao surgimento das cidades e à demanda 
pelo planejamento delas. Partindo desse ponto de vista, o urbanista dese-
nhará ou projetará uma cidade a partir dos espaços vazios, com o objetivo 
de criar condições satisfatórias de vida nos centros urbanos. Com base no 
estudo das origens do urbanismo, quem foi o engenheiro responsável pela 
ampliação de Barcelona? 
a) ( ) Toshio Mukai.
b) ( ) Le Corbusier.
c) ( ) Oscar Niemeyer.
d) ( ) Ildefonso Cerdá.
3 Cabanas, domus, castelos, villas e palazzos são denominações históricas do es-
paço unifamiliar. Cada modelo de lar obedece a certas circunstâncias regionais, 
culturais e climáticas. São representativas da arquitetura mais elementar, mais 
próxima e utilizável pelo ser humano, considerada a sua real terceira pele. Nes-
se contexto, quais as primeiras construções advindas do homem? 
AUTOATIVIDADE
25
a) ( ) Espaços que contemplavam cultos, adorações e câmaras mortuárias.
b) ( ) Habitações sociais.
c) ( ) Cidades romanas. 
d) ( ) Cidades industriais
4 Descreva como ocorreram as transformações dos espaços naturais até o desen-
volvimento das cidades.
26
27
TÓPICO 2
A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A partir das abordagens conceituais, para entender a base da arquitetura con-
temporânea é preciso voltar ao tempo e estudar a História da Arte. Nessas condições, 
o Tópico 2 visa à análise cronológica e cultural das grandes obras arquitetônicas. A 
ordem cronológica a ser estudada será a arquitetura na: Pré-História, Antiguidade, 
Antiguidade Clássica, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. 
Como estudado no tópico anterior, a história da Arquitetura e do Urbanis-
mo está diretamente relacionada à evolução humana sobre os espaços naturais. A 
arquitetura passou a existir a partir do momento em que os homens deixaram de ser 
nômades e construíram os espaços de contemplação e moradia. Esses espaços atual-
mente estão associados às cidades contemporâneas, contudo, a evolução arquitetôni-
ca, seus princípios, ideais e realizações estão sujeitos a diversos períodos históricos. 
Existem diversas maneiras de entender e explicar a história da Arquitetura e 
do Urbanismo, podendo partir da materialização da fixação do homem no território, 
com enfoque no espaço e no tempo ou também pode-se estudar por meio dos diver-
sos monumentos históricos (PEREIRA, 2010). Se considerarmos todos esses aspectos, 
as primeiras grandes obras da arquitetura remontam a Antiguidade, podendo ser 
subdivisões da História da Arte. 
Da caverna à cabana, as primeiras expressões arquitetônicas surgiram no 
período Neolítico, quando ocorreu o foco efetivo de desenvolvimento da atividade 
arquitetônica. Em outro momento histórico surge a pirâmide, o obelisco egípcio e os 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
28
monumentos funerários e religiosos. Esses monumentos históricos representam im-
portantes questões relacionadas à sociedade contemporânea. As edificações, quadras 
urbanas, muralhas e outros sistemas construtivos surgem com o aumento populacio-
nal num longo processo da civilização (PEREIRA, 2010). 
2 PRÉ-HISTÓRIA
A história é a maneira necessária para a abordagem da arquitetura. É nela 
que podemos encontrar o sentido da ação e da reflexão arquitetônica. A arquitetura 
pré-história tem grande importância no período Neolítico, tempo em que se desen-
volveram as primeiras construções e os primeiros assentamentos humanos. 
2.1 INÍCIO DA PRÉ-HISTÓRIA 
A pré-história começa por volta de 3.5000 a.C. e se encerra aproximada-
mente em 3.000 a.C., nas terras do leste mediterrâneo e depois, por volta de 2.000 
a.C., em partes da Europa Ocidental. Na escala temporal, essas datas correspon-
dem aos primeiros anos de evolução humana (FAZIO, 2011). Na Figura 11, consta 
a cronologia dos primórdios da arquitetura.
FIGURA 11 – CRONOLOGIA DOS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA
i z
FONTE: Fazio (2011,p. 30)
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
29
Durante a Pré-História surgiram os primeiros monumentos arquitetônicos. Na 
Era Paleolítica (também chamada de Idade da Pedra Lascada), fundou-se a atividade 
projetual. Nessa época, como descritos nas páginas anteriores, o homem começou a 
dominar a técnica de trabalhar a pedra. Dentre as construções antigas foram encontra-
das cabanas em sítios arqueológicos, no planalto central da Rússia (atual Ucrânia). “A 
maior casa encontrada foi construída de ossadas de mamutes e toras de pinheiro, com 
revestimento de peles de animais e uma fogueira central, tinha forma de cúpula e in-
cluía partes de esqueleto de quase 100 mamutes em sua estrutura” (FAZIO, 2011, p. 30). 
Na Figura 12 observa-se que as edificações tocavam umas nas outras. Çatal Hüyük foi 
uma pequena vila na Turquia. Observa-se também, na perspectiva do interior da casa, 
a sala com o altar. A figura central no lado esquerdo da parede representa uma mulher 
dando à luz – os chifres sugerem elementos masculinos.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
30
FIGURA 12 – PERSPECTIVA ARTÍSTICA DAS EDIFICAÇÕES DE ÇATAL HÜYÜK E DA SALA DO 
ALTAR
FONTE: <http://www.fgv.br/network/tcchandler.axd?TCCID=5254>. Acesso em: 24 set. 2019. 
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
31
FIGURA 13 – NURAGUES, ALDEIA DE BARUMINI NA SARDENHA
FONTE: <http://bit.ly/2BzvOFe>. Acesso em: 22 ago. 2019. 
2.1.1 Nuragues e Dolmens 
“As mais significativas conquistas na era da arquitetura pré-histórica foram 
as construções megalíticas, compostas por grandes pedras” (FAZIO, 2011 p. 30). A 
capacidade de trabalhar com pedras de grande porte foi utilizada nas mais famosas 
construções megalíticas. Com o intuito de abandonar as cavernas, o homem neolítico 
desenvolveu a sua moradia, surgindo um novo cenário. Os Dolmens (santuário) e os 
Nuragues (moradia) são os tipos de construções que fazem parte do período Pré-his-
tórico, ambas possuíam características diferentes. 
Quando os homens iniciaram o processo do abandono das cavernas, ocorre-
ram as primeiras construções das Nuragues. Estas eram de pedras e tinham tipolo-
gias em forma de um cone “incompleto” – sem nenhum tipo de mistura para uni-las 
ou revesti-las (como podemos observar na Figura 13). Nuragues significa constru-
ções edificadas em pedra (FAZIO, 2011). 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
32
Os Dolmens eram formados por pedras fincadas no chão, com a finalidade 
no levantamento de paredes. As pedras que eram encaixadas na horizontal tinham 
a finalidade de teto. Essa técnica foi utilizada na construção do Stonehenge, o maior 
monumento pré-histórico. Além de santuário, o Stonehenge, foi utilizado pelos pri-
mitivos para divergentes cerimônias, com intuído de reunião as civilizações. 
O Stonehenge é um monumento Megalítico da idade do Bronze, formado 
por círculos de pedra (algumas com cinco toneladas e cinco metros de altura). Na 
Figura 14 observa-se uma imagem em vista e o processo de desenvolvimento do 
Santuário de Stonehenge.
FIGURA 14 – STONEHENGE, PLANÍCIE DE SALISBURY – INGLATERRA - 2900-1400 A.C.
FONTE: <http://bit.ly/32IFR6Y>. Acesso em: 22 ago. 2019.
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
33
2.2 ANTIGUIDADE
O ponto chave que distingue a Pré-História das eras históricas se baseia no 
surgimento da escrita, desenvolvidos pelos Sumérios (descritos como os responsá-
veis por criar a primeira civilização do planeta) no Oriente Médio. “Há um espaço de 
tempo de pelo menos 30.000 anos entre as primeiras cabanas de caça paleolíticas e as 
primeiras representações artísticas da arquitetura” (FAZIO, 2011), ocorrendo de acor-
do com a evolução das comunidades humanas (FAZIO, 2011). Nas figuras a seguir, 
compare as duas obras sumérias. A primeira é uma Estatueta – Tell Asmar, de gesso 
revestido com conchas de calcário preto. A segunda corresponde a uma cabeça de 
ovelha em arenito. A ovelha foi representada por madeira realista, o devoto sumério 
estilizado. 
FIGURA 15 – ESTATUETA SUMÉRIA E CABEÇA DE OVELHA
FONTE: <http://bit.ly/33P4Sxl>. Acesso em: 24 set. 2019. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
34
Na Antiguidade, a figura do arquiteto era associada aos sacerdotes e go-
vernantes, pelo fato de a execução das obras arquitetônicas serem acompanhadas 
por rituais que simbolizam o contato do homem com a natureza. As divisões na 
era da arquitetura antiga se resumem em: Egípcia, Assíria, Babilônia, Etrusca, 
Minoica, Micênica, Persa e Sumérica (FAZIO, 2011). Das majestosas montanhas 
artificiais que se elevaram sobre as cidades, apenas o Zigurate conserva seus de-
talhes arquitetônicos (Figura 16).
A maioria das edificações sumérias foi construída com tijolos secos 
ao sol (adoba), um material obtido facilmente colocando-se lama 
em moldes e deixando secar ao sol por várias semanas, porém, os 
tijolos resultantes não resistem bem ao intemperismo. O resultado 
é que grande parte da arquitetura suméria que conhecemos se 
resume a fundações e partes interiores das paredes. As coberturas 
eram feitas com elementos leves de madeira ou junco, incapazes de 
vencer grandes vãos: por isso, os espaços internos eram pequenos. 
Na arquitetura suméria e posteriormente na mesopotâmica, as 
edificações importantes tinham mais durabilidade, uma vez que 
seus tijolos recebiam revestimentos resistentes a intempéries, e 
maior formalidade, sendo elevadas sobre plataformas artificiais 
(FAZIO, 2011, p. 36).
FIGURA 16 – ZIGURATE DE UR, MESOPOTÂMIA (IRAQUE), CERCA DE 2100 A.C.
FONTE: <http://bit.ly/33P4Sxl> . Acesso em: 24 set. 2019.
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
35
2.2.1 As Pirâmides
“A história do Egito começa por volta de 3000 a.C., quando Menes, faraó do 
Alto Egito, uniu o Alto e o Baixo Egito e estabeleceu sua capital em Mênfiz, perto da 
junção dos dois territórios” (FAZIO, 2011, p. 41). As pirâmides arqueológicas tiveram 
início à medida que ocorriam os rituais religiosos. As construções exigiram conheci-
mento avançado em matemática em relação à quantidade de pedras utilizadas. Das 
dezenas de pirâmides do Egito, a mais conhecida é a Quéops, a única que resistiu ao 
tempo.
“A primeira construção em pedra em escala monumental no Egito foi a pirâ-
mide escalonada Saqqara, cerca de 2630 a.C. Esse túmulo desencadeou precedentes 
para as futuras construções. Seu arquiteto, Imhotep, foi designado como um deus” 
(FAZIO, 2011, p. 44).
FIGURA 17 – PIRÂMIDE SAGGARA
FONTE: <http://bit.ly/33P4Sxl>. Acesso em: 24 set. 2019. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
36
2.2.2 Antiguidade Clássica
A arquitetura na Antiguidade Clássica remete aos gregos e romanos. A ci-
dade torna-se o elemento principal da vida política e social desses dois povos. “As 
obras construídas no estilo que denominamos ‘clássico’ foram responsáveis pela 
consolidação de uma linguagem arquitetônica que dominou o cenário ocidental 
por pelo menos 5 séculos” (GLANCEY, 2001, p. 25). 
O Parthenon talvez seja o maior e mais influente edifício de todos 
os tempos. É de uma beleza imensa, tão atemporal em seu encanto 
quanto o poder de um edifício. Templo dedicado a Atena, deusa 
grega da sabedoria e guardiã da cidade-estado de Atenas, que lhe 
deve o nome, o Parthenon assinou o zênite da arquitetura grega 
antiga (GLANCEY, 2001, p. 26).
FIGURA 18 – PARTHENON, ATENAS, 447-436 A.C. 
FONTE: <http://fotos.sapo.pt/4AZ0fTp5nn02zbg6YaK0/s320x240>. Acesso em: 22 ago. 2019.
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
37
Enquanto os outros povos investiam em construções relacionadas à arqui-
tetura militar, religiosa e residencial, os gregos e romanos foram responsáveis por 
obras arquitetônicas com enfoque aos espaços de manifestações e cidadania (SUM-
MERSON, 2006). A maioria das construções foi desenvolvida dos materiais: már-
mores, madeiras e telhas para coberturas. As edificações mais marcantes foram os 
templos.
Os gregos também desenvolveram colunas de base estilizadas por eles. No 
século XVI d.C., esses sistemas deram nome às ordens da arquitetura com os nomesque conhecemos hoje como linguagem da arquitetura clássica. Os três tipos de coluna 
Dórica, Jônica e Coríntia davam aos templos os principais edifícios cívicos da Grécia. 
Mais tarde passou a ser inserida nas construções de Roma. 
Das três ordens gregas, a dória é a mais antiga e sólida: a coluna 
não tem base, tem corpo canelado e um capitel simples. A coluna 
jônica é um desenvolvimento mais leve da dórica; o corpo cane-
lado da coluna tem uma base e um capitel com volutas. A corín-
tia, com seu plinto e corpo canelado, é variação da jônica e tem 
um capitel ornamentado característico (GLANCEY, 2001, p. 28).
FIGURA 19 – AS TRÊS ORDENS CLÁSSICAS
FONTE: <http://bit.ly/2W49v3P>. Acesso em: 22 ago. 2019.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
38
FIGURA 20 – COLUNA DE TRAJANO, 112 D.C.
FONTE: <http://bit.ly/2PbOYsz>. Acesso em: 22 ago. 2019.
A coluna de Trajano (112 d.C.) foi construída para comemorar as vitórias do 
imperador de Dácia. Trajano era um soldado bem-sucedido da época. A coluna tem 
trinta e cinco metros de altura. O Arco de Triunfo em Paris (Figura 21) encontra-se no 
coração de Paris (GLANCEY, 2001). 
FIGURA 21 – ARCO MONUMENTAL DE NAPOLEÃO (1806)
FONTE: <https://cdn.pariscityvision.com/library/image/1697.jpg>. Acesso em: 22 ago. 2019.
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
39
2.3 IDADE MÉDIA
No final da Idade Média, ocorreu o renascer do mundo urbano depois de 
séculos de ruralidade. A arquitetura na Antiguidade Média remete à arquitetura me-
dieval. A Era Medieval possui diversos estilos arquitetônicos, como: Paleocristã, Vi-
sigótica, Moçárabe, Bizantina, Mourisca, Românica e Gótica. A cidade tornou-se um 
farol de civilização e um centro de cristianismo o que se tornara um mundo bárbaro 
(GLANCEY, 2001). 
Nessa época, por muito tempo, a figura do arquiteto reclinou. As grandes 
constrições, principalmente as grandes catedrais, foram desenvolvidas e executadas 
pela população e pelos mestres-obreiros. Os arquitetos da época foram Antêmio e 
Isidoro de Miletto, eles eram habilidosos engenheiros e matemáticos. 
Certamente, em relação às artes medievais, a arquitetura religiosa foi a mais 
expressiva das manifestações artísticas desse período, uma arquitetura com enfoque 
para a construção de edifícios religiosos, como a construção de templos, igrejas, mos-
teiros e palácios. A pintura e a escultura apresentam outras histórias de riquezas e 
conhecimentos. Estas foram usadas para complementar a arquitetura na decoração 
dos edifícios (BRACONS, 1992)
 
No início da Era Medieval, as edificações religiosas eram quase sempre feitas 
de madeira. À medida que novas técnicas de construção foram surgindo por meio 
de ações antrópicas, a figura da igreja se tornava mais poderosa. A partir de então, 
as catedrais passaram a ser construídas por meio de materiais com maior resistência, 
como por exemplo: a pedra e o carvalho. 
O período da Era Medieval inclui conquistas culturais e científicas, vistas 
nos próprios monumentos bizantinos. A partir do século X, igrejas começaram a ser 
construídas, substituindo as antigas basílicas romanas. Essas construções utilizavam 
elementos de construções romanas, por isso esse estilo arquitetônico ficou conhecido 
como estilo românico (RAMALLO, 1992).
IMPORTANT
E
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
40
2.3.1 Arquitetura Paleocristã e Arquitetura Bizantina
As edificações paleocristãs e bizantinas remetem a alguns aspectos da arqui-
tetura da Antiguidade Clássica, ou seja, a arquitetura cristã derivou em grande parte 
dos precedentes romanos. A primeira fase da arquitetura paleocristã reporta-se às 
construções das catacumbas e dos cemitérios subterrâneos. Contudo, com as mani-
festações de crenças e com a legislação do Cristianismo pelo Imperador Constantino 
deu-se a segunda fase da arte paleocristã, a Era Bizantina (FAZIO, 2011).
Gregos e romanos adotam o modelo do edifício denominado como “Basíli-
ca”. As basílicas podiam acomodar grandes multidões, uma importante consideração 
para uma religião que atraía números cada vez maiores de convertidos. No início, as 
construções das basílicas eram vistas como lugares civis aos comércios e a assuntos 
judiciais. A destinação como local de celebrações aconteceu mais tarde. Com o passar 
dos anos, ocorreram modificações nas basílicas para adaptar-se aos rituais cristãos 
(FAZIO, 2011). A Figura 22 mostra o interior da Basílica de São Marcos, reconstruída 
entre 1063 e 1089. O modelo projetual seguiu o modelo da Igreja dos Santos Apósto-
los de Justiniano em Constantinopla.
FIGURA 22 – INTERIOR DA BASÍLICA DE SÃO MARCOS
FONTE: <http://bit.ly/33PYxBG>. Acesso em: 22 ago. 2019.
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
41
A Basílica de São Pedro surgiu como uma martyrium, uma capela desen-
volvida ao redor do túmulo do apóstolo Pedro. Observe na Figura 23 como as 
coberturas mais baixas da nave lateral permitem que a luz direta entre na nave 
central através das altas janelas do clerestório (FAZIO, 2011). 
FIGURA 23 – PROJETO E CORTE PERSPCTIVADO INTERIOR DA ANTIGA BASÍLICA DE SÃO 
PEDRO – ROMA, CERCA DE 318-22
FONTE: Fazio (2011, p. 159)
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
42
2.3.2 Arquitetura Românica 
O desenvolvimento do estilo romântico na Europa Ocidental surgiu das 
profundas Era das Trevas. Durante muitos séculos, tribos de godos e de 
outros povos do norte vieram à Europa, destruindo cidades, aquedutos 
e qualquer sinal do saber clássico; em 800, porém, o papa coroou Car-
los Magno como chefe do Sacro Império Romano. Esse rei franco, um 
guerreiro, anteriormente analfabeto, fora educado por monges ingleses 
de York. Aprendeu sobre o mundo antigo e seu maior desejo tornou-se 
recriar o Império Romano (GLANCEY, 2001, p. 44).
Com relação aos marcos da construção, a arquitetura românica pode ser 
exemplificada no surgimento de elementos estruturais maciços e abóbadas e arcos 
romanos. Um dos maiores edifícios românicos é a Catedral de Durham (1093-1133), 
localizada na Inglaterra. “O seu interior é espetacularmente cavernoso: as nervuras 
agudas, quase góticas, que sustentam as abóbadas são, por sua vez, sustentadas por 
fileiras de colunas maciças, alternadamente redondas e compostas” (GLANCEY, 
2001, p. 44).
FIGURA 24 – CATEDRAL DE DURHAM, INGLATERRA, 1093-1133
FONTE: <http://bit.ly/31BQDuf>. Acesso em: 22 ago. 2019.
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
43
FIGURA 25 – PLANTA BAIXA CATEDRAL DE DURHAM, INGLATERRA, 1093-1133
FONTE: <http://bit.ly/33RjpbO>. Acesso em: 22 ago. 2019. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
44
2.4 IDADE MODERNA
Diversos são os movimentos sobre a arquitetura que surgiram no século XX, 
formando a arquitetura moderna, particularmente entre as décadas de 20 e 60. Existe 
uma pluralidade de ideias de cunho individual e coletivo no período, tendo diversas 
origens como a Bauhaus, na Alemanha; Le Corbusier, na França e Frank Loyd Right 
nos Estados Unidos (BENEVOLO, 2004).
Sistema construtivo constituído por lajes, planas, pilares e fundações em 
concreto armado, que propõe uma ordem racional entre seus elementos 
e sua construção, através de subsistemas de organização, visando dotar 
os edifícios que a empregam de atributos formais modernos, concretos 
(pisos em balanço, planta e fachadas livres, pilotis etc.) e abstratos (como 
economia de meios, rapidez, rigor e precisão na construção, universalida-
de) (PALERMO, 2006, p. 13).
2.4.1 Fundamentos da Arquitetura Moderna
A arquitetura na Antiguidade Moderna remete ao surgimento dos estados 
nacionais. A era é dividida nos seguintes estilos arquitetônicos: Renascimento, Ma-
neirismo, Barroco, Rococó e Neoclássico. Os arquitetos descobrem antigos tratados 
arquitetônicos influenciando uma nova arquitetura. A liberdade científica possibi-
litou o avanço nas técnicas construtivas, permitindo novas experiências nas obras 
arquitetônicas.
2.4.2 Arquitetura Renascentista
O Renascimento marca o início da Idade Moderna. O desenvolvi-
mento comercial e a agitada atividade cultural no Ocidente,sobre-
tudo, no século XV, faz surgir o movimento intelectual centrado 
no Homem. Essa mudança de mentalidade pode ser percebida 
nos humanistas, os quais buscaram na Antiguidade recuperar a 
cultura greco-romana, a qual representava – para eles – o ideário 
perfeito de civilização (GIOVANAZZI, 2014, p. 6-7).
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
45
O Renascimento foi um divisor de águas na história da arquitetura. “O Re-
nascimento marcou a abertura de rotas de comércio e de bancos e a assimilação de 
conhecimentos novos e redescobertos” (GLANCEY, 2001, p. 68). Os arquitetos voltaram a 
ter renome perante a sociedade. O homem renascentista tem por característica a cultura 
ao conhecimento. 
IMPORTANT
E
Outro fator que ocorreu na arquitetura renascentista é a reedição das antigas 
construções. O Maneirismo, por sua vez, foi um movimento que desencadeou, 
por parte dos arquitetos e artistas da época, a utilização de elementos clássicos. 
FIGURA 26 – ARQUITETURA RENASCENTISTA: BIBLIOTECA, MOSTEIRO DE MELK, ÁUSTRIA
FONTE: <http://bit.ly/2LhciCs>. Acesso em: 22 ago. 2019.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
46
2.4.3 Arquitetura Barroca e o Rococó
 
A Arquitetura Barroca, precedida pelo Renascimento e Maneirismo, inicia-se 
a partir do século XVII. “Suas formas curvilíneas, ousadas, floresceram principal-
mente na Europa católica e notavelmente no Sul da Alemanha e na Áustria, onde 
assumiria algumas de duas formas mais fantásticas” (GLANCEY, 2001, p. 82). Com 
a arquitetura Barroca, praticada no século XVII até a metade do século XVIII, tinha 
por intensão a contrarreforma dentro das igrejas católicas. Os objetos decorativos 
barrocos eram mais acessíveis às emoções visíveis da riqueza e ao poder da igreja. 
Certamente, em relação à arquitetura religiosa, foi a mais expressiva no pe-
ríodo Barroco, construídas de maneira acelerada durante o Movimento de Contrar-
reforma (programas que envolviam reformas no interior das igrejas). Os elementos 
relacionados à arquitetura que marcaram a Era Barroca foram: a curvatura das fa-
chadas e dos interiores das construções, contorcidos e aspirais, possibilitando novos 
estilos arquitetônicos.
 
O Rococó, movimento artístico europeu, se destacou devido aos edifícios 
com amplas aberturas – “estilo de luz”. A arquitetura Neoclássica, movimento cul-
tural do fim do século XVIII, surgiu do Neoclassicismo. Teve início na Europa, na 
qual, com a Revolução Industrial, ocorreu a indução de novas técnicas construtivas 
possibilitando inovações nas construções (GIOVANAZZI, 2014). 
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
47
FIGURA 27 – CAPPELA CORNARO, ROMA, 1645-1652
FONTE: <http://bit.ly/32EYKaS>. Acesso em: 22 ago. 2019.
FIGURA 28 – PLANTA BAIXA: SAN CARLO ALLE QUATTRO FONTANE, ROMA, 1634-1682
FONTE: <http://bit.ly/360VAQT>. Acesso em: 22 ago. 2019. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
48
FIGURA 29 – FACHADA: SAN CARLO ALLE QUATTRO FONTANE, ROMA, 1634-1682
FONTE: <http://bit.ly/360VAQT>. Acesso em: 22 ago. 2019.
2.5 IDADE CONTEMPORÂNEA
A Arquitetura Moderna está relacionada por um forte discurso social e esté-
tico de transformação do espaço da vida do homem contemporâneo. Com base no 
crescimento e no desenvolvimento das cidades, devido ao fascínio urbano, levou o 
Urbanismo como disciplina acadêmica – com enfoque nos estudos de mudar as for-
mas das cidades.
A História da Arquitetura Contemporânea tem suas principais bases nas 
mudanças ocorridas devido à Revolução Industrial (1750-1830), que foi 
marcada pelo conjunto de transformações econômicas, políticas, sociais, 
culturais e tecnológicas, que se processaram desde finais do século XVIII e 
culminaram na primeira metade do século XIX (CASTELNOU, 2015, p. 5). 
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
49
2.5.1 Fundamentos da Arquitetura Contemporânea
As principais características da arquitetura contemporânea se resumem no 
uso da iluminação natural, na integração dos espaços interiores, na personalização 
e na funcionalidade dos projetos arquitetônicos. Materiais derivados da indústria 
tiveram início com o concreto e o aço. Os movimentos decorrentes da arquitetura 
contemporânea se enquadram: Art decó, Arquitetura Pós-Moderna, Bauhaus, Arqui-
tetura construtivas, Arquitetura orgânica, Internacional style, Arquitetura brutalista, 
Arquitetura pós-moderna, Arquitetura desconstrutivista e Arquitetura high-tech.
No discurso modernista o espaço é visto como algo neutro, genérico, 
abstrato, constituído por uma relação funcional, matemática e quan-
titativa entre suas partes e elementos resultando em uma arquitetura 
autônoma, ideal, dissociada de qualquer sensibilidade – em relação ao 
contexto ou aos seus usuários (MONTANER, 2001, p. 31). 
2.5.2 Construções que remetem à Arquitetura Contemporânea
A Arquitetura Contemporânea foi inserida no cenário mundial através da 
indução tecnológica. Com o passar do tempo, os arquitetos, por meio da evolução 
técnica e científica, puderam incorporar em suas obras o uso da diversificação de 
materiais, contribuindo com um novo conjunto de tendências. Pode-se destacar as 
construções com formatos irregulares, pisos abertos, grandes vãos além a inserção 
da sustentabilidade.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
50
FIGURA 30 – ARQUITETURA DESCONSTRUTIVISTA: FRANK GEHRY – CLEVELAND CLINIC 
FONTE: <http://bit.ly/2N0ThVe>. Acesso em: 22 ago. 2019.
FIGURA 31 – ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA: CAPELA BOSJES – ÁFRICA DO SUL
FONTE: <http://bit.ly/31zWHTZ>. Acesso em: 22 ago. 2019. 
TÓPICO 2 | A HISTÓRIA DA ARQUITETURA
51
FIGURA 32 – ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA: RUY OHTAKE – HOTEL UNIQUE
FONTE: <http://bit.ly/2pHbn6F>. Acesso em: 22 ago. 2019.
FIGURA 33 – PERSPECTIVA RUY OHTAKE – HOTEL UNIQUE
FONTE: <http://bit.ly/2qAJaPk>. Acesso em: 22 ago. 2019.
52
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• No início, o espaço físico da vida humana era formado pelo sistema natural. Ao lon-
go da história, com as necessidades dos homens, o sistema é reproduzido a partir 
das induções técnicas sociais.
• As primeiras cidades surgiram na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. Nas-
ceram do desenvolvimento e do crescimento populacional de pequenas aldeias.
• A dinâmica da vida continuada desencadeou o fascínio urbano em escala global. A 
modernização social intensificou o fluxo populacional das cidades, tornando-se um 
processo irreversível.
• A arquitetura tem suas origens no período Pré-histórico, induzido pela literatura 
ocidental da Grécia, a partir do momento que a humanidade começou a dominar a 
técnica de trabalhar a pedra.
• A arquitetura está relacionada ao planejamento, à organização e à construção de 
uma obra arquitetônica, com enfoque na resolução estética e funcional da obra. O 
urbanismo é um campo do conhecimento empregado ao desenvolvimento e plane-
jamento das cidades.
• A História da Arquitetura é dividida em diferentes fases, passando por várias épocas 
e estilos. Como destaque: Arquitetura Pré-Histórica, Antiga, Antiga Clássica, Medie-
val, Moderna e Contemporânea. 
• A arquitetura na Antiguidade Clássica remete aos gregos e aos romanos. A cidade 
torna-se o elemento principal da vida política e social desses dois povos. “As obras 
construídas no estilo que denominamos ‘clássico' foram responsáveis pela consoli-
dação de uma linguagem arquitetônica que dominou o cenário ocidental por pelo 
menos 5 séculos” (GLANCEY, 2001, p. 25).
• Os gregos também desenvolveram colunas de base estilizadas por eles. No século 
XVI d.C., esses sistemas deram nome às ordens da arquitetura com os nomes que 
conhecemos hoje como linguagem da arquitetura clássica. Os três tipos de coluna 
– Dórica, Jônica e Coríntia – davam aos templos os principais edifícios cívicos da 
Grécia.
• Certamente, em relação às artes medievais, a arquitetura religiosa foi a mais expres-
siva das manifestações artísticas desse período. Uma arquitetura com enfoque para 
a construção de edifícios religiosos, como a construção de templos, igrejas, mosteirose palácios.
53
• A arquitetura na Antiguidade Moderna remete ao surgimento dos estados nacio-
nais. A era é dividida nos seguintes estilos arquitetônicos: Renascimento, Maneiris-
mo, Barroco, Rococó e Neoclássico.
• A arquitetura moderna está relacionada por um forte discurso social e estético de 
transformação do espaço da vida do homem contemporâneo. Com base no cresci-
mento e no desenvolvimento das cidades, devido ao fascínio urbano, levou o Urba-
nismo como disciplina acadêmica – com enfoque nos estudos de mudar as formas 
das cidades.
54
1 A arquitetura na Idade Média remete à Arquitetura Medieval. Quais os esti-
los arquitetônicos advindos da Idade Média? 
a) ( ) Barroco, Rococó, Neoclássico, Renascimento e Maneirismo.
b) ( ) Paleocristã, Visigótica, Moçárabe, Bizantina, Mourisca, Romântica e Gótica.
c) ( ) Arquitetura Orgânica, Arquitetura Desconstrutivista, Arquitetura High-te-
ch e Arquitetura Construtiva.
d) ( ) Paleolítica e Idade da Pedra Lascada.
2 Enquanto os outros povos investiam em construções relacionadas à Arquite-
tura Militar, Religiosa e Residencial, os gregos e romanos foram responsáveis 
por obras arquitetônicas com enfoque aos espaços de manifestações e cidadania. 
Quais os materiais que predominaram nas construções da Antiguidade Clássica?
a) ( ) Mármores, madeiras e telhas para coberturas. 
b) ( ) Vidros, cobres e metais.
c) ( ) Porcelanato, pedras e mármores.
d) ( ) Madeiras, metais e telhas para coberturas.
3 No século XVI d.C., os gregos desenvolveram colunas de base estilizadas por 
eles. Quais os nomes das ordens clássicas?
a) ( ) Capitel, Jônica e Dórica.
b) ( ) Dórica, Jônica e Coríntia.
c) ( ) Função prática, Elementos decorativos e Coríntia. 
d) ( ) Coluna, Base e Jônica.
4 Na Antiguidade, a figura do arquiteto era associada aos sacerdotes e aos go-
vernantes, pelo fato de a execução das obras arquitetônicas serem acompa-
nhadas por rituais que simbolizavam o contato do homem com a natureza. 
Quais as divisões na era da arquitetura na Antiguidade?
AUTOATIVIDADE
55
a) ( ) Arquitetura Orgânica, Arquitetura Desconstrutivista, Arquitetura High-te-
ch e Arquitetura Construtiva.
b) ( ) Egípcia, Assíria, Babilônia, Etrusca, Minoica, Micênica, Persa e Suméria.
c) ( ) Paleocristã, Visigótica, Moçárabe, Bizantina, Mourisca, Romântica e Gótica.
d) ( ) Paleolítica e Idade da Pedra Lascada.
5 Com base nas informações, figuras e características projetuais, descreva os 
maiores aspectos referentes à Arquitetura Contemporânea.
56
57
TÓPICO 3
ESTÉTICA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Ao longo da história, a estética esteve presente em diferentes épocas e cul-
turas. A origem do termo está relacionada à apreciação do belo, o juízo do gosto 
e as perfeições geométricas advindas da natureza. Para isso, se torna fundamental 
as investigações filosóficas que tratam das percepções arquitetônicas e suas relações 
entre os homens. “É essencial que se entenda a Arquitetura a partir do princípio de 
que ela seja tanto como uma obra de arte, quanto lugar das relações existentes entre 
os homens” (RODRIGUEZ, 2011, p. 50).
Na elaboração dos projetos arquitetônicos, é necessário levar em considera-
ção a vida humana, proporcionando a harmonia entre beleza e funcionalidade. A 
relação entre a arquitetura e os homens se enquadra na produção do espaço com 
o propósito principal na produção da habitação da sociedade civil. A partir desses 
pressupostos, entende-se que para atender às necessidades humanas precisa-se pen-
sar no ambiente a partir de um conjunto de valores, ou seja, com ética.
A arquitetura não é completa sem os valores éticos e estéticos. A ética está 
diretamente ligada ao funcionalismo da arquitetura e do urbanismo. Quando se fala 
em ética, pensa-se de maneira coletiva e individual, tanto na projeção de uma casa 
quanto de uma cidade. A expressão “funcionalidade aplicada”, na arquitetura, desig-
na-se do conceito de forma e sua adequação a função, de modo a permitir o desenvol-
vimento eficaz das atividades que nela processam. Já a função parte da teoria de que 
as características obedeçam à disposição da planta baixa dos ambientes. 
 
58
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
Nessas condições, com enfoque nos termos estética e função, o Tópico 3 visa 
ao estudo dos conceitos: estética, funcionalidade e ética aplicada à arquitetura. Desse 
modo, o tópico ficou dividido da seguinte maneira: a origem etimológica da estética; 
a estética na arquitetura; a relação estética x ética na arquitetura e, por último, a fun-
ção da arquitetura. 
2 SOBRE A ESTÉTICA E A ÉTICA
A estética apresenta-se dentre as diferentes culturas e épocas. Desde a an-
tiguidade, se estuda a estética com intuito de estudar a beleza da natureza e dos 
fundamentos da arte. “A arte é a atividade humana que consiste em um homem 
comunicar conscientemente a outros, por certos sinais exteriores, os sentimentos 
que vivenciou, e os outros serem contaminados desses sentimentos e também os 
experimentar” (TOLSTOI, 2003, p. 15).
A beleza torna sempre a virtude mais amável 
(Virgílio, A Eneida)
2.1 A ORIGEM ETIMOLÓGICA DA ESTÉTICA
O termo “estética” vem do grego aisthésis que se refere à percepção atra-
vés dos sentidos, ou seja, à sensação. Desde a antiguidade, então, se estu-
da a estética como uma ciência filosófica que trata dos sentidos. Porém, 
só em 1750, o alemão e professor de filosofia, Alexandre Baumgarten no-
meia a estética como ciência que trata do conhecimento sensorial ligado à 
percepção do belo. Embora estética já fosse estudada, anteriormente, com 
o intuito de investigar a existência da beleza, só em 1750 foi oficialmen-
te nomeada como ciência do sensível, da percepção e do belo (RODRI-
GUEZ, 2011, p. 11). 
A estética é o campo da filosofia que estuda o belo, ocupando-se às questões 
de beleza e aos assuntos ligados a ela. Como por exemplo: arte, sensação, percepção 
e o gênio criador (RODRIGUEZ, 2011). De acordo com Rodriguez (2011), estética é 
TÓPICO 3 | ESTÉTICA
59
a ciência da beleza, se resume no conjunto de ideias filosóficas dedicadas a buscar 
sentidos para a dimensão da vida na qual o homem vivência a beleza (maneira dos 
humanos se relacionarem com o mundo)
[...] a função estética não surge repentinamente, sem transição, como algo 
acrescentado e suplementar, antes está sempre presente em potência, à 
espera da mínima ocasião para se mostrar. […] a função estética pode 
estar presente em qualquer gênero de arquitetura, a começar por edifícios 
de finalidade tão prática como um celeiro, um armazém ou uma fábrica; 
em alguns gêneros arquitetônicos a função estética constitui mesmo uma 
componente indispensável do efeito geral (MUKAROVSKY, 1988, p. 160).
2.2 A ESTÉTICA NA ARQUITETURA
A arquitetura, no papel de criadora de lugares, é considerada por muitos 
arquitetos, filósofos, urbanistas como uma obra de arte, “pelo fato de conseguir pro-
vocar reações, em quem a contempla, em quem a vive, pois é capaz de conversar com 
as percepções” (RODRIGUEZ, 2011, p. 11). Segundo o arquiteto Frank Lloyd Wright 
(2004), a arquitetura é a arte científica de fazer as estruturas expressarem ideias. 
A arquitetura é fruto do desenvolvimento técnico e criativo. Desde os pri-
mórdios, observa-se a produção de espaços significativos para o homem. No início, 
como descrito nas páginas anteriores, as construções eram pensadas e estruturadas 
com enfoque na função de subsistência. Porém, com as evoluções sociais, o arquiteto, 
por meio da arquitetura, passou a representar em suas obras os sentimentos de dese-
jo e sonhos da sociedade.
A arquitetura de uma cidade, assim como o seu planejamento urbano, 
deve estar baseada em conceitos importantes, não só relacionados à esté-
tica e à beleza, como também ao de felicidade e bem-estar, por exemplo. 
Se por um lado a arquitetura exerce influências e produz diferentes sen-
sações nos seres humanos, por outro lado o próprio homem influencia os 
estilos arquitetônicos, baseando-se em seus costumes, suas crenças,suas 
percepções e sua cultura, questões estas relacionadas à moral e à ética 
(MULLER et al., 2016, p. 1).
60
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
Segundo Reis (2010), a qualidade estética de uma cidade precisa estar re-
lacionada à melhoria de vida da sociedade. Dentre muitas variações que cercam o 
conceito de estética na vida humana, a relação do bem-estar humano com a obra 
reproduzida no espaço físico precisa estar atrelada à organização da intensão plás-
tica, ou seja, a obra tem por objetivo central dar sentido à sociedade civil. Para 
Benevolo (2014), a palavra “cidade” pode ser empregada tanto no sentido de orga-
nização de uma sociedade, a qual começa há cinco mil anos, no Oriente Próximo, e 
que então se identifica com a humanidade, como no sentido de indicar a situação 
física dessa sociedade. A figura a seguir apresenta croquis das obras arquitetônicas 
e a inserção de elementos com âmbito estético.
FIGURA 34 – A ESTÉTICA PRESENTE NAS OBRAS ARQUITETÔNICAS DE OSCAR NIEMEYER
FONTE: <http://bit.ly/2W2ihPQ>. Acesso em: 22 ago. 2019. 
2.3 A RELAÇÃO ESTÉTICA X ÉTICA NA ARQUITETURA
Enquanto os autores conceituam a estética como ciência da sensibilidade 
e beleza, a ética está relacionada à ciência moral. “O Arquiteto Luc Schuiten diz 
que a estética é uma maneira de tornar a arquitetura ética, de uma forma bela. 
Assim, é importante que se pense em estética, ética e arquitetura, juntas para que 
TÓPICO 3 | ESTÉTICA
61
se possa construir o belo e o bem” (RODRIGUEZ, 2011, p. 29). Ética é “um con-
junto de valores e padrões de conduta, auto assumidos ou autoproclamados, que 
constituem auto referência para a vida em sociedade e que expressa formas de ver 
e sentir o mundo” (CORDIOLLI, 2005, p. 1).
Projetar uma construção, independentemente de sua proporção é muito mais 
que um simples desenho no papel. Precisa-se pensar no âmbito individual, coletivo, 
programa de necessidades, bem-estar, conforto e na funcionalidade que proporcio-
nará à sociedade civil. 
Homem e ambiente convivem num processo de interdependência, crian-
do uma ligação íntima entre os processos psicológicos de percepção do 
espaço e os processos de criação desse espaço. Ainda, a maneira pela qual 
o homem modifica o ambiente é hoje um tema de muita relevância, pois 
os espaços são expressões culturais do homem ao mesmo tempo em que 
são suportes espaciais para a construção de sua identidade. Assim, é de 
extrema importância que o arquiteto ou o profissional que atua no am-
biente compreenda como os materiais que participam desse ambiente 
têm influência na percepção do conforto (ZALESKI, 2006, p. 19).
A ética também está relacionada ao funcionalismo da arquitetura. A arquite-
tura, além da utilidade prática, tende a proporcionar função às pessoas que desfru-
tam da construção inserida no espaço físico. O projeto deve ser dirigido à satisfação 
de uma necessidade. A funcionalidade em arquitetura quer dizer forma adequada à 
função. A função parte da teoria de que as características arquitetônicas obedeçam à 
disposição da planta baixa dos ambientes (STROETER, 1986).
A função na arquitetura está relacionada a um programa de necessidades que 
o profissional precisa seguir. A arquitetura, transformadora de paisagem e produtora 
de espaço, deve atender de maneira social e esteticamente às necessidades humanas. 
62
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
LEITURA COMPLEMENTAR
A RELAÇÃO ESTÉTICA EM MEIO À PRODUÇÃO ARQUITETÔNICA E O 
RELATIVO DA BELEZA PASSAGEIRA
Jessie Alves
O ambiente é uma extensão do ser humano na sua forma de habitar, traba-
lhar, conviver e viver. Elaborar e projetar forma, conceituar locais e elementos traz à 
vista uma identidade necessária e eficaz no seu propósito. Mas, a que quantidade se 
tem colocado o estético nesses momentos tão efêmeros, mas de alternâncias cíclicas?
Estética é o estudo que determina o caráter da beleza nas produções naturais 
e artísticas. É a filosofia das belas artes, e harmonia das formas e coloridos (ou não). 
O entendimento de conceitos estéticos presentes na produção do mesmo, ajuda a 
elaborar e a compreender melhor a arquitetura e a cultura de uma maneira geral. A 
discussão é decisiva nos processos de escolha e de quando certas considerações espe-
cíficas devem ser observadas, como a relação beleza e funcionalidade.
É tempo de repensar sobre os locais de convívio do homem em função de 
valores sociais e culturais, necessidades e hábitos específicos. Uma grande parte das 
grandes personalidades passadas, defendem a ideia de que a humanização do de-
sign tem de ser a missão fundamental da Arquitetura no século XXI. Sob esta ótica, 
não totalmente estética, pessoa e os ambientes são um e não podem ser pensados 
separadamente. Tem de se pensar no social além do físico. Os projetos arquitetônicos 
e de design de interiores precisam levar em consideração a vida humana sim. Estes 
projetos devem propor simultaneamente noções de funcionalidade, estética e é claro, 
conforto.
A estética contemporânea ou pós-moderna vem tentando misturar; ao mes-
mo tempo que cultiva a ambiguidade, a indefinição, as mais diversas formas visuais. 
Busca-se ampliar ao máximo as suas possibilidades conotativas, e procura a partici-
pação ativa do espectador de interpretação, ao manifestar visualidades passageiras e 
descartáveis. 
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE 
63
Percebe-se ao mesmo tempo, no imaginário visual do pós-moderno, que a 
divisão entre cultura de elite e cultura popular, não tem mais sentido, uma vez que a 
obra híbrida é combinatória e desconstrucionista, alimentada pelo imaginário (BAU-
MAN, O mal-estar da pós-modernidade, 1998).
A partir daí podemos “brincar” com a estética e a criação de novos parâ-
metros visuais dentro de um contexto, cultura ou relações. Definir uma identida-
de estética definida pela história e aplicada com funcionalidade. Se o homem do 
contemporâneo tudo aceita em nome desta mestiçagem de estilos, podemos dizer 
que o lógico está cada vez mais unido ao sentimento, às crenças, às percepções, às 
emoções de um imaginário cultural que nos rege, recriando antigos rituais. Mas 
a estética e a arte já não são mais objeto ou local, hoje tudo e todos pode tornar-se 
arte, estético e em destaque.
Kant já dizia que na representação sensível das coisas fora de mim, a qualida-
de do espaço no qual nós as instituímos, é aquilo que é simplesmente subjetivo “[...] o 
espaço é uma parte do conhecimento das coisas como fenômeno. A sensação externa, 
assim, exprime precisamente o que é subjetivo; a sensação é também utilizada para o 
conhecimento dos objetos fora de nós” (KANT, 1995, p. 33).
Neste mundo complexo e pleno de velocidade, de espetáculos espetaculiza-
ções, de novas tecnologias, em que o imaginário humano volta-se para novas cultu-
ras de massa, como a televisão, as imagens do cinema repletas de efeitos especiais, 
isso tudo se reflete também na estética interior interferindo e, por vezes, confundin-
do nossas percepções de uma macroestética, transformando-a e tornando-a parte do 
nosso cotidiano social e cultural. Entretanto, há a necessidade de uma compreensão 
maior deste momento contemporâneo, no sentido de valorizarmos o tecnicismo e o 
sensível estético para pensarmos simultaneamente tanto o prazer de beleza quanto o 
produto cultural.
Mais que uma simples opção estilística, essas novas tendências mostram que 
o sujeito pós-moderno é instável, contraditório, flexível, assim como suas representa-
ções, e que a nova visualidade das imagens que representam é tão complexa quanto 
sua própria subjetividade. Para Kant, a beleza não se configurava apenas na simetria, 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ARQUITETURA 
64
nas proporções harmônicas. Desse modo procuremos levar a arte e estética de modo 
relativo, já que não mais existe um padrão, mas também ter um caráter, um sentido 
e um espaço e não entrar muito nesse mundo de relatividade onde parâmetros se 
perdem a cada momento.
FONTE: ALVES, J. A relação estética em meio à produçãoarquitetônica e o relativo da beleza 
passageira. 2016. Disponível em: http://bit.ly/2Yf1aLT. Acesso em: 22 ago. 2019. 
65
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• “O termo ‘estética’ vem do grego aisthésis que se refere à percepção através dos 
sentidos, ou seja, à sensação. Desde a antiguidade, então, se estuda a estética como 
uma ciência filosófica que trata dos sentidos” (RODRIGUEZ, 2011, p. 11).
• A estética se apresenta dentre as diferentes culturas e épocas. Desde a Antiguidade 
se estuda a estética com o intuito de compreender a beleza da natureza e dos fun-
damentos da arte.
• A qualidade estética de uma cidade precisa estar relacionada à melhoria de vida 
da sociedade.
• É importante que se pense em estética, ética e arquitetura, juntas, para que se possa 
construir o belo e o bem.
• A ética está relacionada ao funcionalismo da arquitetura. 
• A arquitetura, além da utilidade prática, tende a proporcionar função às pessoas 
que desfrutam da construção inserida no espaço físico.
• A funcionalidade em arquitetura quer dizer “forma adequada à função”.
• A função na arquitetura está relacionada a um programa de necessidades que o 
profissional precisa seguir.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
66
1 Qual é o papel da estética no âmbito arquitetônico? 
a) ( ) A estética está diretamente ligada ao funcionalismo da Arquitetura e do 
Urbanismo.
b) ( ) A estética está relacionada à funcionalidade, em arquitetura quer dizer: for-
ma adequada à função.
c) ( ) A estética está relacionada aos padrões de beleza e aos fundamentos da arte 
das obras arquitetônicas.
d) ( ) A estética está relacionada à função das características arquitetônicas. 
2 Escreva a importância da ética e da estética na arquitetura.
3 Escreva a função da arquitetura para a sociedade civil. 
AUTOATIVIDADE
67
UNIDADE 2
TÉCNICAS, LEITURA E 
INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS 
ARQUITETÔNICOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender a decomposição e a articulação de seus elementos primários;
• estudar os fundamentos arquitetônicos na produção do espaço;
• entender a diferença do contexto natural versus contexto cultural nos pro-
jetos arquitetônicos;
• reconhecer as variáveis fundamentais para desenvolver um projeto arqui-
tetônico; 
• compreender a representação e a interpretação do projeto arquitetônico, 
com enfoque na programação arquitetônica projetual;
• elucidar todas as etapas do projeto arquitetônico (pré-projeto, projeto e 
pós-projeto), seus elementos e normas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE 
 SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
TÓPICO 2 – O ESPAÇO E O HOMEM
TÓPICO 3 – INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
68
69
TÓPICO 1
A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO 
DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Para projetar e criar soluções diferenciadas no campo arquitetônico é neces-
sário abrir o horizonte de conhecimentos. Como ponto de partida, num estudo mi-
nucioso, leva-se em conta o aprendizado da representação dos desenhos técnicos. 
Nessas condições, o conteúdo apresentado no Tópico 1 partem de um panorama dos 
elementos básicos que compõem uma obra arquitetônica, por exemplo: elementos 
primários, forma, espaço e ordem. 
 
Por meio de uma rápida retrospectiva histórica sobre a arquitetura e as cons-
truções, denota-se que as civilizações sempre utilizaram técnicas para a comunicação 
e criações de ideias. A partir desses pressupostos, objetiva-se o desenho como a forma 
de comunicação mais antiga utilizada entre as civilizações. “O desenho é um meio 
pelo qual o homem pode expressar seus sentimentos, sendo capaz de comunicar-se” 
(JUNQUEIRA FILHO, 2005, p. 5). 
No campo da engenharia e da arquitetura, o papel do desenho técnico se en-
quadra na função unificadora entre o projetista e aquele a que é destinado o projeto. 
O desenvolvimento do projeto arquitetônico é complexo, pois envolve soluções téc-
nicas e artísticas. Este inicia-se com a produção do croqui (desenho livre), auxiliando 
a criação das primeiras ideias. Já a linguagem técnica estrutura as ideias e formas por 
meio da representação, objetivando a materialização do projeto. 
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
70
Em termos bastante simplificados, neste tópico encontra-se o estudo dos 
primeiros traços arquitetônicos. A pesquisa aqui apresentada destaca as questões 
primárias no desenvolvimento do desenho, com o propósito do acúmulo de infor-
mações e o entendimento das questões teóricas. Esse é o passo inicial para definir os 
princípios dos procedimentos de um projeto arquitetônico. 
2 ELEMENTOS PRIMÁRIOS
Toda forma pictórica começa com o ponto que se põe em movimento [...]. 
O ponto se move [...] e nasce a reta – a primeira dimensão. Quando a reta 
se desloca para formar um plano, obtemos um elemento bidimensional. 
No movimento do plano para os espaços, o encontro de planos dá surgi-
mento ao corpo (tridimensional). Uma síntese de energias cinéticas que 
movem o ponto convertendo-o em reta, a reta que se converte em plano 
e o plano que se converte em uma dimensão espacial (KLEE; SPILLER, 
1961, p. 205). 
A fase inicial de qualquer processo de projeto é o reconhecimento de uma 
condição problemática e a decisão de encontrar uma solução para ela. “O projeto é 
resultado de várias interações sociais, sendo definido não só pela atuação de cada 
projetista, mas também pelas influências mútuas com os clientes, usuários e demais 
projetistas particulares” (FABRÍCIO; MELHADO, 2011, p. 57). 
“Cada elemento é considerado como um desenho conceitual. Desde o ponto 
até uma reta unidimensional, de uma reta a um plano bidimensional e de um plano a 
um volume tridimensional” (CHING, 2013, p. 2). Visíveis apenas em nossas mentes, 
os elementos geradores da forma são: ponto, reta, plano e volume. 
“Qualquer desenho, quando visíveis aos olhos no papel ou no espaço tridi-
mensional, esses elementos se tornam forma com características de matéria, formato, 
tamanho, cor e textura” (CHING, 2013, p. 2).
2.1 O PONTO
“Um ponto marca uma posição no espaço. Conceitualmente, não tem com-
primento, largura ou profundidade e é, portanto, estático, centralizado e sem dire-
ção” (CHING, 2013, p. 4). Segundo Ching (2013), um ponto pode servir para marcar:
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
71
FIGURA 1 – PONTO 
FONTE: Ching (2013, p. 4) 
• As duas extremidades de uma reta.
• A interseção de duas retas.
• O encontro de retas na quina de um plano ou volume.
• O centro de um campo.
Um ponto não tem dimensão, contudo, a ligação de dois pontos pode es-
tabelecer no espaço um eixo, recurso de organização no desenvolvimento para a 
criação de formas e espaços na construção.
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
72
FIGURA 2 – ELEMENTOS RETILÍNEOS 
FONTE: Ching (2013, p. 8) 
Segundo Ching (2013), dois pontos unificados produzem uma linha. Um 
ponto estendido se torna uma reta.
2.2 A RETA
Uma reta é um elemento essencial na formação de qualquer construção 
visual. Esta pode servir para: 
• unir;
• conectar;
• sustentar;
• circular;
• interseccionar outros elementos;
• descrever as arestas dos planos e dar formato a elas;
• destacar as superfícies dos planos.
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
73
2.2.1 O plano 
O plano basicamente forma-se a partir de retas estendidas e é desenvolvido a 
partirde traços, ou seja, de linhas que formam os limites de planos. “Na composição 
de uma construção visual, um plano serve para definir os limites ou fronteiras de um 
volume” (CHING, 2013, p. 18).
Nos projetos arquitetônicos, os planos compõem elementos tridimensio-
nais: volume de massa ou espaço. As propriedades de cada plano – tama-
nho, formato, cor, textura –, bem como a relação espacial dos planos entre 
si, em última análise determinam os atributos visuais da forma que defi-
nem e as características do espaço que delimitam (CHING, 2013, p. 19). 
FIGURA 3 – PLANO
FONTE: <http://bit.ly/31ASYpj>. Acesso em: 23 ago. 2019. 
Ainda, segundo Ching (2013), no projeto arquitetônico podemos encontrar 
três tipos de planos: plano de cobertura, plano de paredes e plano de base. 
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
74
QUADRO 1 – PLANOS: COBERTURA, PAREDES E BASE
PLANO DE COBERTURA
O plano de cobertura pode ser o plano do te-
lhado ou cobertura plana, que fecha e protege 
os espaços internos de uma edificação contra o 
clima, ou o plano do teto, que forma a vedação 
horizontal superior de um cômodo.
PLANO DAS PAREDES
O plano das paredes, devido a sua orienta-
ção vertical, delimita nosso campo de visão 
normal e é crucial para a delimitação e o 
fechamento do espaço da arquitetura.
PLANO-BASE
O plano-base pode ser tanto o plano do solo, 
que serve como a fundação física e visual 
para as formas edificadas, ou o plano do piso, 
que forma a superfície de vedação inferior do 
cômodo sobre a qual caminhamos.
FONTE: Adaptado de Ching (2013)
O formato constitui a principal característica identificadora de um plano. 
Ele é determinado pelo traçado da linha que forma os limites do plano. 
Uma vez que nossa percepção dos formatos é distorcida pelo esforço da 
perspectiva, somente vemos o formato verdadeiro de um plano quando 
observamos de frente (CHING, 2013, p. 19). 
2.2.2 O volume
Um volume possui três dimensões: comprimento, largura e profundi-
dade. O volume segundo se enquadra nos seguintes quesitos: na ex-
tensão de um plano quando se torna uma propriedade de: 
• comprimento, largura e profundidade;
• forma e espaço;
• superfície; 
• orientação;
• posição (CHING, 2013, p. 3). 
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
75
FIGURA 4 – O VOLUME NAS FORMAS EDIFICADAS
FONTE: Ching (2013, p. 31)
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
76
FIGURA 5 – RESUMO DOS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
FONTE: Ching (2013, p. 3) 
Caro acadêmico, o estudo dos elementos primários é de grande importância 
para o entendimento do espaço e também para mostrar como ele se forma. O espaço é 
construído e planejado pelo homem. Antes de buscar referências básicas para os estudos 
de caso é essencial o entendimento da formação espacial. Até o exato momento do 
estudo, percebe-se que os elementos primários são formados pelo: ponto, reta, plano e 
volume. Caso você tenha mais curiosidades, busque novas referências no livro: Arquitetura 
– forma, espaço e ordem, do autor Francis D. K. Ching, 2013, terceira edição. 
DICAS
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
77
2.3 FUNDAMENTOS ARQUITETÔNICOS
É comum ver as obras arquitetônicas como síntese entre os elementos: 
forma, espaço e ordem.
Um dos elementos fundamentais das obras arquitetônicas é o espaço. 
Além de projetar uma edificação, o profissional deve configurar seus es-
paços internos, de modo que possam ser utilizados para uma função es-
pecífica. O projeto de espaços exige que o projetista tenha conhecimentos 
de proporções e organização (CHING, 2013, p. 2).
FIGURA 6 – CASA DA CASCATA (CASA KAUFMANN)
Caro Acadêmico, A Casa Kaufamann, conhecida como a Casa da Cascata foi 
projetada em 1936-1937 pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, local: Bear Run, Pensilvânia, 
Estados Unidos. Esta obra arquitetônica tem como propósito estabelecer conexão entre 
forma, espaço, ordem (fundamentos da arquitetura) integrada à natureza.
DICAS
FONTE: Ching (2014, p. 7)
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
78
FIGURA 7 – CARACTERÍSTICAS DA FORMA
FONTE: Adaptado de Ching (2014)
2.3.1 Forma
Uma obra arquitetônica passa a ser perceptível no local a partir do momento 
em que os elementos materiais passam a organizar o espaço físico. Os espaços são 
produzidos por meio de forma que influenciam as condições físicas e psicológicas 
das pessoas que utilizam o espaço. Nessas condições, a forma necessariamente preci-
sa estar relacionada às necessidades impostas pelos usuários. 
A forma é um termo abrangente que pode ter divergentes significados. Ela 
pode estar relacionada à qualidade estética e à beleza, ou seja, interligada com as 
características perceptíveis aos olhos. A forma se refere aos limites exteriores da ma-
téria de que é constituído um corpo, em que se conferem a este feitio uma configura-
ção, um aspecto particular (FERREIRA, 2004).
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
79
Segundo Ching (2014, p. 53), “em arte e projeto, frequentemente utilizamos o 
termo para denotar a estrutura formal de uma obra – a maneira de dispor e coorde-
nar os elementos e as partes de uma composição para produzir uma imagem coeren-
te”. Ou seja, “forma se refere tanto à estrutura interna e ao perfil externo quanto ao 
princípio que confere unidade ao todo”. 
2.3.2 Espaço
Embora o espaço seja o principal meio da arquitetura, ele também é defini-
do e contido pelas formas. Assim, manipula-se a forma de modo a determinar suas 
características em termos de organização, programa de necessidades e experiências.
O espaço é o meio a ser habitado com o propósito de cuidadosamente acomo-
dar várias funções. Este é configurado a partir de um programa de necessidades de 
uma obra arquitetônica e é de responsabilidade do profissional (arquiteto ou enge-
nheiro) destinar os espaços, objetivando a acomodação de diversas funções de uma 
edificação (CHING, 2002). A função do espaço é designada por diferentes variáveis. 
QUADRO 2 – VARIÁVEL DA FUNÇÃO DO ESPAÇO
Tamanho e 
proporção
O tamanho e a proporção de um espaço determinam as 
funções que ele pode acomodar ou não.
Organização Sua organização em relação aos demais espaços de uma 
edificação determina o grau de acesso e as relações com as 
outras funções da edificação.
Materiais Materiais, proporções, iluminação e temperatura deter-
minam a maneira pela qual o espaço é percebido e pode 
ser utilizado para encorajar um usuário a se comportar de 
uma ou outra maneira.
FONTE: Adaptado de Ching (2014)
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
80
Para Ching (2002, p. 94), a relação entre a forma e espaço se resume a: 
O espaço constantemente engloba nosso ser. Por meio do espaço, nos mo-
vemos, vemos as formas, ouvimos os sons, sentimos as brisas, cheiramos 
as fragrâncias de um jardim florido. Ele é uma substância material, assim 
como a madeira ou a pedra. Ainda assim, é como um vapor, amorfo por 
natureza. Sua forma visual, suas dimensões e sua escala, o tipo de sua 
luz – todas essas características dependem de nossa percepção dos limites 
espaciais definidos pelos elementos da forma. À medida que o espaço co-
meça a ser apreendido, fechado, modelado e organizado pelos elementos 
da massa, a arquitetura começa a surgir.
2.3.3 Ordem
A ordem está relacionada à organização do espaço. “Os vários espaços e 
funções de uma edificação se relacionam entre si por meio de princípios de organi-
zação e ordenamento” (CHING, 2014, p. 125).
Os princípios de organização determinam que cômodos ficam contí-
guos entre si e quais ficam separados. Eles determinam o caráter públi-
co ou privado de um espaço. Os princípios de ordenação determinam a 
sequência na qual as áreas são encontradas. Eles definem a lógica pela 
qual as características espaciais ou as funções são distribuídas por meio 
da composição de uma edificação(CHING, 2014, p. 125).
Para Ching (2002), as organizações espaciais podem ser: centralizada, line-
ar, radial, aglomerada e em malha. Veremos cada uma na sequência.
• Organização centralizada
Representada por uma organização de caráter geométrico, a organização re-
mete à centralização. O espaço central, unificador da organização, geralmente possui 
forma regular e apresenta dimensões para reunir elementos secundários. A organiza-
ção centralizadora possibilita uma série de variações e complexidades (CHING, 2002).
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
81
FIGURA 8 – CARACTERÍSTICAS DA FORMA
FONTE: Ching (2014, p. 191) 
• Organização linear
“Uma organização linear consiste essencialmente em uma série de espa-
ços. Tais espaços podem estar diretamente relacionados entre si ou conectados 
por meio de um espaço linear separado e distinto” (CHING, 2014, p. 138). 
FIGURA 9 – ORGANIZAÇÃO LINEAR
FONTE: Ching (2014, p. 198)
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
82
Uma organização linear geralmente é composta de espaços repetitivos 
similares em tamanho, forma e função. Ela também pode consistir em 
apenas um espaço linear que organiza, ao longo de sua extensão, uma 
série de espaços que diferem em tamanho, forma ou função. Em ambos 
os casos, cada espaço ao longo da sequência tem uma lateral voltada para 
fora (CHING, 2014, p. 138).
• Organização radial
Este tipo de organização, assim como a organização centralizadora, con-
siste em um espaço central com característica regular (CHING, 2002).
Uma organização de espaço radial combina elementos de organizações 
centralizadas e lineares. Ela consiste em um espaço central dominante, 
do qual uma série de organizações lineares se estende de maneira ra-
dial. Enquanto uma organização centralizada é um esquema introver-
tido, por se voltar para o espaço central, uma organização radial é uma 
planta extrovertida voltada para seu contexto. Por meio de seus braços 
lineares, ela consegue se estender e se conectar a características ou ele-
mentos específicos do terreno (CHING, 2014, p. 140).
FIGURA 10 – ORGANIZAÇÃO RADIAL PENITENCIÁRIA DE MOABIT, BERLIM, ALEMANHA (1869-
1879)
FONTE: Ching (2014, p. 209)
TÓPICO 1 | A DECOMPOSIÇÃO E A ARTICULAÇÃO DE SEUS ELEMENTOS PRIMÁRIOS
83
• Organização aglomerada
 
Baseia-se na organização de espaços agrupados pela proximidade. Po-
dem apresentar diferenças em termos de tamanho, forma e função, porém são 
relacionados um ao outro pela proximidade (CHING, 2002).
FIGURA 11 – ORGANIZAÇÃO AGLOMERADA
FONTE: Ching (2014, p. 214)
• Organização em malha 
Na construção civil, uma malha geralmente representa um sistema estrutural 
composto por vigas e colunas. É caracterizada pela regularidade e continuidade es-
tabelecendo um padrão. 
Como uma malha tridimensional consiste em módulos espaciais 
repetitivos, esses podem ser subtraídos, adicionados ou sobre-
postos sem afetar a identidade da malha como uma estrutura de 
organização de espaços. Tais manipulações na forma podem ser 
utilizadas para adaptar uma malha ao seu terreno, definir uma 
entrada ou um espaço externo ou mesmo permitir o crescimento e 
a expansão da malha (CHING, 2014, p. 145).
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
84
FIGURA 12 – ORGANIZAÇÃO EM MALHA
FONTE: Ching (2014, p. 221)
85
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Para projetar e criar soluções diferenciadas no campo arquitetônico é necessário 
abrir o horizonte de conhecimentos. Como ponto de partida, em um estudo minu-
cioso, leva-se em conta o aprendizado da representação dos desenhos técnicos.
• O desenho é um meio pelo qual o homem pode expressar seus sentimentos, sendo 
capaz de comunicar-se.
• Os elementos geradores da forma são: ponto, reta, plano e volume.
• Um ponto não tem dimensão, contudo, a ligação de dois pontos pode estabelecer 
no espaço um eixo, recurso de organização no desenvolvimento para a criação de 
formas e espaços na construção.
• Uma reta é um elemento essencial na formação de qualquer construção visual.
• Na composição de uma construção visual, um plano serve para definir os limites 
ou fronteiras de um volume.
• Um volume possui três dimensões: comprimento, largura e profundidade.
• A forma é um termo abrangente que pode ter divergentes significados. Ela pode 
estar relacionada à qualidade estética, à beleza, ou seja, interligada com as caracte-
rísticas perceptíveis aos olhos.
• O espaço é o meio a ser habitado com o propósito de cuidadosamente acomodar 
várias funções.
• A ordem está relacionada à organização do espaço. Os vários espaços e funções 
de uma edificação se relacionam entre si por meio de princípios de organização e 
ordenamento.
86
AUTOATIVIDADE
1 No campo da engenharia e da arquitetura, o papel do desenho técnico se 
enquadra na função unificadora entre o projetista e aquele a que é destina-
do o projeto. O desenvolvimento do projeto arquitetônico é complexo, pois 
envolve soluções técnicas e artísticas. A partir de um breve texto, descreva 
as principais teorias dos elementos primários.
2 A forma é um termo abrangente que pode apresentar divergentes signi-
ficados. Ela pode estar relacionada à qualidade estética, à beleza, ou seja, 
interligada com as características perceptíveis aos olhos. A seguir, cite ca-
racterísticas da forma:
a) Formato:
b) Cor:
c) Tamanho:
d) Textura: 
3 A ordem está relacionada à organização do espaço. Os vários espaços e 
funções de uma edificação se relacionam entre si por meio de princípios de 
organização e ordenamento. Em relação aos fundamentos da ordem, quais 
são as suas subdivisões?
a) ( ) Organização centralizada, organização linear, organização radial, organiza-
ção aglomerada e organização em malha. 
b) ( ) Organização normalizadora, organização linear e organização radial.
c) ( ) Organização linear, organização radial e organização em malha. 
d) ( ) Organização radial, organização aglomerada e organização normalizadora. 
87
TÓPICO 2
O ESPAÇO E O HOMEM
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Os projetos arquitetônicos são inseridos no espaço por meio da construção 
humana. Estes podem ser integrados tanto no contexto natural e/ou contexto cultural 
(COLIN, 2000). O contexto natural se resume no ambiente pouco transformado via 
ações antrópicas, já o contexto cultural foi intensamente modificado para atender às 
necessidades humanas.
Os conceitos, como aqueles que elaboramos durante a produção de um 
projeto, não surgem do nada, mas da reflexão sobre nossa própria experi-
ência dos espaços e daquilo que nos fornece a tradição que lhes concerne. 
Assim, [...] cumpre elaborar a reflexão sobre nossa experiência desses espa-
ços, sobre a imagem, os significados e sentidos que a tradição nos transmite 
e que depositou como repertório da cultura (BRANDÃO, 2000, p. 48).
2 CONTEXTOS: NATURAL E CULTURAL
Os projetos arquitetônicos inseridos no contexto natural são aqueles que res-
peitam o meio natural. Para Colin (2000), a relação entre os projetos arquitetônicos e 
o meio natural pode ocorrem por meio da contrastação e pela harmonização. 
A contrastação tem por objetividade a inserção do projeto arquitetônico di-
ferenciado do seu contexto, demonstrando suas qualidades próprias, sem qualquer 
concessão às formas naturais. Esse princípio parte do aparecimento intelectual como 
produto humano, em oposição à natureza. Esse tipo de contexto corresponde aos 
projetos da Era Iluminista (dominação da natureza pelo homem) (COLIN, 2000).
A harmonização tem como característica predominante as preexistências ge-
ográficas, integrando os projetos arquitetônicos à natureza, acompanhando e respei-
tando a forma (COLIN, 2000). A escolha da construção ou cidade a ser construída 
parte da Era Clássica. 
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
88
FIGURA 13 – CASA MALAPARTE (VILA MALAPARTE)
FONTE: <http://bit.ly/2DH7EK3>. Acesso em: 17 set.2019.
TÓPICO 2 | O ESPAÇO E O HOMEM
89
Caro acadêmico, a Casa Villa Malaparte nasceu do encontro entre o arquiteto 
Adalberto Libera e o escritor Curzio Malaparte. A casa tinha a difícil relação entre a natureza 
e a arquitetura num lugar inóspito, mas maravilhoso. O projeto foi construído em 1938. A 
realização da casa desencadeou diversas fases de construção. O projeto foi desenvolvido 
sem a presença de um profissional no acompanhamento de obras, apenas sob orientação 
do próprio Malaparte.
IMPORTANT
E
Em relação ao contexto cultural, os projetos arquitetônicos devem ocorrer 
em continuidade com o espaço urbano existente, fortalecendo os espaços signifi-
cativos e a cultura do ambiente no qual foi inserido. A cultura do espaço se pro-
duz através das atividades desenvolvidas pelos homens. 
Uma edificação não é o fim por si só; ela emoldura, articula, estrutura, dá 
importância, relaciona, separa e une, facilita e proíbe. Assim, experiências 
autênticas de arquitetura consistem, por exemplo, em abordar ou con-
frontar uma edificação, envie se apropriar formalmente de uma fachada; 
em olhar para dentro para fora de uma janela, em vez de olhar a janela 
em si só como um objeto material; ou de se ocupar o espaço aquecido, 
em vez de olhar a lareira como um objeto de projeto visual. O espaço 
arquitetônico é um espaço vivenciado, e não um mero espaço físico, es-
paços vivenciados sempre transcendem a geometria e a mensurabilidade 
(PALLASMAA, 2011, p. 60).
O principal objetivo do projeto arquitetônico no conceito cultural é respeitar 
a coletividade. O projeto arquitetônico é visto como um produto de caráter cultural, 
sendo o homem o maior protagonista em relação ao uso da obra. Nessas condições, 
uma construção não deve ser isolada, mas a obra precisa “conversar” com o seu en-
torno urbano, sempre com intuito de reforçar a identidade cultural local.
Como apontou Harvey (2000), sobre a produção coletiva do ser humano, as 
obras arquitetônicas e a cidade se transformaram em uma extensão do que uma so-
ciedade necessita ou quer: 
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
90
Do mesmo modo como produzimos coletivamente as nossas cidades, tam-
bém produzimos coletivamente a nós mesmos. Projetos que prefigurem a 
cidade que queremos são, portanto, projetos sobre (nossas) possibilidades 
humanas, sobre quem queremos vir a ser – ou, talvez de modo mais per-
tinente, em que não queremos nos transformar (HARVEY, 2000, p. 159). 
2.1 VARIÁVEIS FUNDAMENTAIS DO PROJETO ARQUITETÔNICO
O desenvolvimento de um projeto arquitetônico parte de variáveis 
distintas, desde legais, funcionais, estéticas, econômicas, psicológicas, tecnológicas 
e conforto ambiental. A partir desses pressupostos estudaremos o conceito de 
cada uma delas a seguir. 
2.1.1 Fundamento da responsabilidade legal
Com relação às responsabilidades técnicas e legais, o profissional que assume 
as atividades específicas designadas a uma obra arquitetônica responde por técnicas 
civis, penais, administrativas, objetivas e éticas. Vejamos algumas normas: 
• Responsabilidade civil: responsabilidade pelo projeto, execução da obra, soli-
dez e segurança, escolha na utilização dos materiais e pelos danos causados a 
terceiros. Segundo Königsberger e Almeida (2003), o profissional, por ser um 
técnico responsável pela obra, responderá civilmente caso:
ᵒ Não tomar todas as cautelas em relação às observações das leis, pos-
turas e normas técnicas e ser imprudente nos serviços.
ᵒ Deixar de executar ou não ter os cuidados necessários no desenvol-
vimento do projeto ou na execução da obra. 
• Responsabilidade ética: estabelecido na Resolução nº 1.002, de 26/11/2002 do 
CONFEA: 
ᵒ Profissional que propõe serviços com redução de preços, após ter co-
nhecido propostas de outros profissionais.
ᵒ “Profissional que, como diretor de uma empresa, nomeia pessoa que 
não possui necessária habitação profissional para o exercício de cargo 
rigorosamente técnico” (MACEDO, 1998, p. 78).
TÓPICO 2 | O ESPAÇO E O HOMEM
91
• Responsabilidade objetiva: baseia-se na teoria do risco. Assim, é fundamental o 
conhecimento das Normas Técnicas destinadas aos profissionais.
• Responsabilidade trabalhista: relacionada à eventual contratação de terceiros 
como empregados (mestres de obras, operários ou até mesmo a indicação de ser-
viços na obra). 
• Responsabilidade administrativa: “restrições impostas pelos órgãos públicos. 
Exemplos: Códigos de Obras, Código de Água e Esgoto, Plano Diretor e as Nor-
mas Técnicas” (MAFFEI, 1990, p. 74). Esses códigos são de responsabilidade ao 
profissional, cabendo a ele o comprometimento as leis.
• Responsabilidade penal: resulta nas infrações que podem ocorrer na obra, por 
exemplo: desmoronamentos ou até mesmo desabamento da obra.
• Responsabilidade técnica: o profissional precisa garantir a qualidade e a segu-
rança dos serviços desempenhados, além de reconhecer as normas técnicas e suas 
responsabilidades.
2.1.2 Exercício profissional
Caro acadêmico, segue a descrição do artigo 1º e 2º da Resolução nº 218. 
Lembrando que é de grande importância o conhecimento dos critérios estabelecidos no 
desempenho das atividades descritas. Para mais informações referentes às normas téc-
nicas, acesse o link disposto a seguir: http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.
asp?idEmenta=266. 
ATENCAO
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
92
Art. 1º Para efeito da fiscalização do exercício profissional correspondente 
às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em 
nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades:
Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica; 
Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação; 
Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica; 
Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria; 
Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico; 
Atividade 06 - Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; 
Atividade 07 - Desempenho de cargo e função técnica; 
Atividade 08 - Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulga-
ção técnica, extensão; 
Atividade 09 - Elaboração de orçamento; 
Atividade 10 - Padronização, mensuração e controle de qualidade; 
Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico; 
Atividade 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico; 
Atividade 13 - Produção técnica e especializada; 
Atividade 14 - Condução de trabalho técnico; 
Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, 
reparo ou manutenção; 
Atividade 16 - Execução de instalação, montagem e reparo; 
Atividade 17 - Operação e manutenção de equipamento e instalação; 
Atividade 18 - Execução de desenho técnico.
Art. 2º Compete ao arquiteto ou engenheiro: o desempenho das atividades 01 a 
18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, conjuntos arquitetôni-
cos e monumentos, arquitetura paisagística e de interiores; planejamento físico, 
local, urbano e regional; seus serviços afins e correlatos.
FONTE: <http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=266>. Acesso 
em: 17 set. 2019. 
TÓPICO 2 | O ESPAÇO E O HOMEM
93
Caro acadêmico, esteticamente, o projeto arquitetônico deve ser visivelmente 
agradável e harmonioso com seu entorno. Quanto à funcionalidade, ele deve atender ao 
programa de necessidades específicas dos usuários. A obra precisa atender aos quesitos 
de conforto térmico, acústico, sustentabilidade, entre outros. 
IMPORTANT
E
2.1.3 Função do projeto arquitetônico
Segundo Hasse e Weber (2010, p. 1), a “composição arquitetônica pode ser 
vista como arte de balancear partes arquitetônicas individuais dentro de todo um 
conjunto de uma edificação”. O projeto arquitetônico remete à materialização de 
uma ideia. A partir de uma concepção projetual pode-se estudar a maneira mais viá-
vel de atender às necessidades dos usuários. Assim, o projeto arquitetônico tem por 
finalidade preverpossíveis problemas futuros de execução do projeto proposto. 
O projeto arquitetônico é a principal maneira de desenvolver construções 
que remetem à forma e à função. Através de um projeto arquitetônico obtém-se a 
ligação entre o planejamento da ideia do cliente e a realidade do que realmente se 
deseja construir. A partir de um projeto devem-se aliar aspectos técnicos, de estética, 
conforto, segurança, beleza, custos e aspectos legais. Além de propor otimização aos 
espaços, atendendo a todas as necessidades do cliente.
2.1.4 Função estética
A concepção arquitetônica aborda diversas dimensões teóricas, que podem ser 
as variáveis do projeto. A função estética foi tratada com mais explicações no Tópico 3 
da Unidade 1. Contudo, ficou evidente, a partir dos estudos já vistos, que a função da 
estética nos projetos arquitetônicos está relacionada aos conceitos da beleza. 
A estética em uma obra arquitetônica pode ser determinada pela percepção 
visual e pelo seu avaliador. A importância do fator estético nas construções está rela-
cionada à aparência atraente para um ambiente satisfatório e com bom desempenho 
para seus usuários (COOPER MARCUS; SARKISSIAN, 1986; ISAACS, 2000; JACOBS, 
2000).
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
94
2.1.5 Função econômica
Para o desenvolvimento de uma obra arquitetônica de excelência, é funda-
mental a elaboração de plantas técnicas complementares, por exemplo: projeto ar-
quitetônico, projeto hidrossanitário, projeto elétrico e projeto estrutural. O valor eco-
nômico do projeto arquitetônico é de extrema importância, pois os custos das obras 
devem estar dentro das possibilidades financeiras do cliente. 
A contração de um profissional (arquiteto ou engenheiro) para o desenvolvi-
mento de um projeto e para a execução da obra torna-se mais segura e contribui para 
a redução dos riscos e dos custos. Dispensar o trabalho de um profissional qualifi-
cado na construção civil pode fazer com que a obra demore mais do que o previsto, 
podendo ter um aumento de 30% nos custos, além de:
• Evitar embargo da obra.
• Diminuição dos desperdícios de material no canteiro de obras.
• Diminuição dos riscos das patologias.
TÓPICO 2 | O ESPAÇO E O HOMEM
95
FIGURA 14 – DESPERDÍCIO DE MATERIAIS NO CANTEIRO DE OBRAS
FONTE: <http://bit.ly/33Qfn3p>. Acesso em: 30 set. 2019. 
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
96
2.1.6 Função psicológica
Como em qualquer meio de comunicação estética, as obras arquitetônicas 
podem transmitir sensações/emoções positivas e/ou negativas aos seus usuários. O 
estudo da psicologia nas construções pode proporcionar melhores sensações aos in-
divíduos, influenciando a clareza do que o ambiente pretende transmitir. 
 
Ao projetar uma construção, o planejamento adequado dos ambientes tam-
bém se torna essencial na organização do espaço, indo além do gosto pessoal. Para 
fazer isso, é preciso criatividade e sensibilidade na distribuição dos ambientes. O pro-
jeto arquitetônico tem a função de gerar bem-estar, tanto funcional quanto psicológi-
co, pessoal ou coletivo, garantindo a qualidade do espaço aos usuários da edificação. 
2.1.7 Função tecnológica
O uso tecnológico nos projetos arquitetônicos surgiu no período pós-Segun-
da Guerra Mundial. A tecnologia consiste em um conjunto aplicado à produção de 
bens, incluindo as técnicas que permitem a organização e eficiência espacial. Esta 
pode ser entendida como um doutrinário para a organização e a transformação do 
hábitat do homem (MASCARO, 1990).
Com relação à tecnologia na área da construção civil, percebe-se a inserção da 
transformação artificial, a respeito da indução das técnicas construtivas no meio físico 
natural. A tecnologia dos materiais surgiu como grande auxílio às transformações e à 
evolução das obras arquitetônicas, aprimorando e inovando as técnicas construtivas. 
Como inovações construtivas da era tecnológica têm-se os seguintes exemplos:
• Aço: material obtido do carvão mineral com característica resistente. As obras com 
estruturas metálicas baseiam-se na qualidade homogênea e precisão na montagem.
• Concreto: material obtido da mistura de aglomerante com água e agregados (areia 
e pedra). O concreto armado se tornou o material mais utilizado em divergentes 
construções civis em nível mundial. Este tem por características: alta resistência a 
choques e vibrações, durabilidade e ótimos condutos de calor e som. 
TÓPICO 2 | O ESPAÇO E O HOMEM
97
Caro acadêmico, com a era tecnológica também ocorreu a interação da 
construção civil com a construção digital. A  transformação digital  é uma realidade em 
praticamente todos os setores comerciais do mundo. Cada vez mais, novas tecnologias na 
construção civil são implantadas com o objetivo de atender às expectativas do mercado e, 
principalmente, estar inserido no contexto da nova era digital. Para os profissionais dessa 
área está fora de cogitação não acompanhar o crescimento e buscar adequar a sua prática 
às novas modalidades proporcionadas pela transformação digital. Mais informações: 
https://oikosconstrucoes.com.br/a-tecnologia-e-a-construcao-civil/. 
DICAS
2.1.8 Conforto ambiental
O conforto ambiental no estudo do projeto arquitetônico sempre fez parte 
das preocupações às necessidades humanas. Podendo considerar os seguintes exem-
plos de conforto nos ambientes construídos:
• Conforto térmico: alcançado através do posicionamento do edifício no lote e do 
partido arquitetônico. É possível recorrer a elementos como: brises, fachadas ven-
tiladas e ventilação cruzada para auxiliar no conforto térmico de uma edificação. 
A orientação solar é uma questão específica nesse processo.
• Conforto acústico: de extrema importância à saúde e à produtividade humana, 
o tratamento acústico de uma edificação deve ser realizado ainda na fase do de-
senvolvimento projetual. Auxiliando a qualidade dos ambientes contra os ruídos 
externos, busca-se soluções com a utilização de barreiras sonoras com o posiciona-
mento das aberturas e a utilização de materiais isolantes. Aos ruídos internos de-
ve-se buscar tratamentos da fonte através de barreiras absorventes e o zoneamento 
das atividades. 
• Conforto luminotécnico: adequação das atividades visuais nos ambientes inter-
nos sem risco de prejuízos à visão, reduzindo os riscos de trabalho. Soluções como: 
dimensionamento das aberturas, tipos de fechamento e o uso de sistemas artifi-
ciais de iluminação. 
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
98
FIGURA 15 – ESQUEMA DE ORIENTAÇÃO SOLAR
FONTE: <http://bit.ly/32Jtmbi>. Acesso em: 17 set. 2019.
99
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os projetos arquitetônicos são inseridos no espaço por meio da construção huma-
na. Estes podem ser integrados tanto no contexto natural quanto contexto cultural.
• O contexto natural se resume ao ambiente pouco transformado via ações antrópi-
cas, já o contexto cultural foi intensamente modificado para atender às necessida-
des humanas.
• O desenvolvimento de um projeto arquitetônico parte de variáveis distintas, desde 
legais, funcionais, estéticas, econômicas, psicológicas, tecnológicas e conforto am-
biental. A partir desses pressupostos estuda-se o conceito de cada uma delas. 
• Com relação às responsabilidades técnicas e legais, o profissional que assume as 
atividades específicas designadas a uma obra arquitetônica responde por técnicas 
civis, penais, administrativas, objetivas e éticas.
• O projeto arquitetônico remete à materialização de uma ideia. A partir de uma 
concepção projetual pode-se estudar a maneira mais viável de atender às necessi-
dades dos usuários.
• A estética em uma obra arquitetônica pode ser determinada pela percepção visual 
e pelo seu avaliador. A importância do fator estético nas construções está relacio-
nada à aparência atraente para um ambiente satisfatório e com bom desempenho 
para seus usuários.
• Para o desenvolvimentode uma obra arquitetônica de excelência, é fundamental 
a elaboração de divergentes plantas técnicas, por exemplo: projeto arquitetônico, 
projeto hidrossanitário, projeto elétrico e projeto estrutural. O valor econômico do 
projeto arquitetônico é de extrema importância, pois os custos das obras devem 
estar dentro das possibilidades financeiras do cliente. 
• O estudo da psicologia nas construções pode proporcionar melhores sensações aos 
indivíduos, influenciando a clareza do que o ambiente pretende transmitir.
100
• Com relação à tecnologia na área da construção civil, percebe-se a inserção da 
transformação artificial, a respeito da indução das técnicas construtivas no meio 
físico natural. 
• O conforto ambiental no estudo do projeto arquitetônico sempre fez parte das pre-
ocupações às necessidades humanas. Pode-se considerar os seguintes exemplos de 
conforto nos ambientes construídos: acústico, luminotécnico e térmico.
101
AUTOATIVIDADE
1 Os projetos arquitetônicos são inseridos no espaço por meio da construção 
humana. Estes podem ser integrados tanto no contexto natural quanto 
contexto cultural. Descreva a diferença entre os dois contextos.
 
2 Assinale a alternativa que contenha as responsabilidades que um profissional, 
ao assumir as atividades específicas designadas a uma obra arquitetônica, 
deve responder:
a) ( ) Civil, ética, objetiva, trabalhista, administrativa, penal e técnica.
a) ( ) Civil, ética, objetiva e trabalhista.
a) ( ) Administrativa, penal e técnica.
a) ( ) Civil, ética, objetiva, administrativa, penal e técnica.
3 O conforto ambiental no estudo do projeto arquitetônico sempre fez parte 
das preocupações às necessidades humanas. Podendo considerar os seguin-
tes exemplos de conforto nos ambientes construídos:
a) ( ) Conforto térmico, acústico e luminotécnico. 
b) ( ) Conforto estético e funcional. 
c) ( ) Conforto solar, acústico e funcional.
d) ( ) Conforto acústico, luminotécnico e funcional.
102
103
TÓPICO 3
INTERPRETAÇÃO DO PROJETO 
ARQUITETÔNICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O Tópico 3 introduz a representação e a interpretação do projeto arquite-
tônico, com enfoque na programação arquitetônica projetual. Busca-se, de forma 
sucinta, elucidar todas as etapas do projeto arquitetônico (pré-projeto, projeto e 
pós-projeto), seus elementos e normas. As definições de cada elemento integrante 
das etapas projetuais também serão contempladas. Este tópico parte da compreen-
são de que um projeto deve ser realizado de forma clara e organizada, facilitando 
sua interpretação e, consequentemente, sua execução. 
A palavra projeto significa, genericamente, intento, desígnio, empreendi-
mento e, em acepção, um conjunto de ações, caracterizadas e quantificadas, neces-
sárias à concretização de um objetivo (IAB, 2015). O projeto arquitetônico resulta da 
relação entre o terreno, o programa de necessidades e a construção que responda 
melhor às condições próprias do meio ambiente (GUEDES, 1981). 
Basicamente, o projeto arquitetônico estuda a arte de registrar o projeto das 
edificações por meio de linguagem gráfica (GOMES, 2012). O objetivo principal do 
projeto de arquitetura de uma edificação é a execução da obra idealizada pelo enge-
nheiro/arquiteto (IAB, 2015). Este projeto é composto por vários estágios e demanda 
pesquisas e discussões. 
O processo projetual, de maneira geral, origina-se do cliente, motivado por 
referências e imagens arquitetônicas, contrata um profissional que deve atender aos 
seus requisitos básicos (SCHIMIDT, 2009). Para atender a esses requisitos é necessá-
rio pensar em um processo de programação arquitetônica (Figura 16). 
104
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
A programação arquitetônica é compreendida como o instrumento de conexão 
entre a expectativa e a concretização do ambiente desejado, que busca formular o pro-
blema do projeto, estabelecer as metas e ajustá-los entre si (PATTERSON; ABRAHÃO, 
2010). Para Blyth e Worthington (2007), a programação projetual arquitetônica pode ser 
dividida em três etapas: (a) o pré-projeto; (b) o projeto e (c) pós-projeto, na qual:
A etapa de pré-projeto caracteriza-se pela estratégia a ser utilizada no aten-
dimento da demanda inicial do projeto. O produto da programação nessa 
etapa é o programa estratégico, que contempla as necessidades, os objeti-
vos e as intenções do cliente e da organização. Na etapa de projeto, a pro-
gramação acompanha o desenvolvimento do estudo preliminar, do ante-
projeto, do projeto e do detalhamento. Seu produto apresenta os requisitos 
funcionais e operacionais do projeto, com o dimensionamento e a previsão 
de gastos de sua implementação (PATTERSON; ABRAHÃO, 2011, p. 181).
Em contexto, a programação arquitetônica numa primeira fase (pré-projeto) 
deve conter os estudos preliminares (EP) e o anteprojeto (AP) (Figura 16). O estudo 
preliminar é a primeira etapa projetual, no qual será desenvolvido o levantamento 
técnico (LT), o programa de necessidades (PN) e o estudo de viabilidade (EV). Nesse 
sentido, o estudo preliminar surge como o elemento principal da compreensão dos 
desejos e aspirações do cliente. Ele servirá como um roteiro para projetista no desen-
volvimento da programação arquitetônica. O anteprojeto (AP), por sua vez, constitui 
a configuração final da solução arquitetônica proposta para a obra, considerando to-
das as exigências contidas no programa de necessidades. Essa etapa também abarca 
o projeto legal (PL) para aprovação.
FIGURA 16 – PROCESSO DE PROGRAMAÇÃO ARQUITETÔNICA (PATTERSON; ABRAHÃO, 2010)
FONTE: <http://www.scielo.br/img/revistas/ac/v11n3/a13fig02.jpg>. Acesso em: 17 set. 2019.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
105
A segunda etapa (projeto) consiste na compatibilização do anteprojeto ar-
quitetônico com os projetos complementares, culminando no projeto arquitetônico 
executivo (PE) (Figura 16). O projeto arquitetônico executivo é a proposta final, re-
presentada de forma que possibilite a execução da obra. Os projetos complementares 
(PC) são, na maioria dos casos, elaborados por engenheiros como projeto estrutural, 
instalações hidrossanitárias e instalações elétricas. 
Essa etapa compreende o memorial descritivo e a planilha quantitativa de ma-
teriais. O objetivo é descrever as informações técnicas não contempladas no projeto 
arquitetônico. Por fim, a assistência à execução da obra. O pós-projeto pode ser repre-
sentado pelo término da construção, com as devidas regularizações para a moradia.
Os estudos preliminares, o anteprojeto, o projeto executivo e complementa-
res são elementos fundamentais para uma boa gestão projetual e de suma importân-
cia para a organização da obra. A seguir, uma descrição dessas etapas.
2 ESTUDOS PRELIMINARES
O estudo preliminar representa o estágio inicial da solução arquitetônica pro-
posta para a obra (partido), ou seja, o estágio inicial do processo projetual. O estudo 
preliminar é uma ferramenta para viabilizar ou mesmo visualizar uma edificação an-
tes de avançar com o projeto arquitetônico definitivo em suas fases (SANTOS, 2014). 
Esse estudo objetiva, além de familiarizar o projetista com o tema e o progra-
ma de necessidades, identificar o escopo (o que se pretende atingir) inicial do projeto 
a ser desenvolvido (SANTOS, 2014). O resultado é a produção de um cronograma de 
trabalho e de requisitos básicos para o melhor desenvolvimento do projeto. 
O estudo preliminar é um processo realizado em conjunto com o cliente e 
deve receber a sua aprovação. A organização é fundamental para o bom andamento 
desse estudo. Junto ao cliente, o profissional deve fazer o levantamento de algumas 
informações fundamentais para o processo projetual. Nesse contexto, ele pode ser 
desenvolvido por meio de um roteiro básico que contém diversos processos e atri-
buições. 
106
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
De acordo com a NBR 13.531/95, que regula a elaboração dos projetos deedificações, o estudo preliminar está disposto em três processos: 1) Levantamento de 
dados (LV); 2) Programa de necessidade (PN) e; 3) Estudo de viabilidade (EV). 
 
2.1 LEVANTAMENTO (LV)
Esta etapa é destinada à coleta de informações e referências que represen-
tam as condições preexistentes, de interesse para instruir a elaboração do projeto 
(ABNT, 1995). Com base no documento aprovado na 77ª Reunião do Conselho 
Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB, 2015), nos levantamentos do 
estudo preliminar deve constar: 
a) Aspectos físicos e técnicos:
• Levantamento topográfico planialtimétrico: em escala adequada, indicando os li-
mites do terreno (dimensões lineares e angulares), as construções vizinhas e inter-
nas ao terreno, o arruamento e as calçadas limítrofes, os acidentes naturais (rochas, 
cursos d’água etc.), a vegetação existente.
• Levantamento arquitetônico: esse levantamento prevê as construções porventura 
existentes no interior do terreno.
• Sondagem geológica: em caso de situação geológica suscetível a deslizamento de 
terra, e dados sobre drenagem visando subsidiar a concepção estrutural.
• Documentos cadastrais: projetos de alinhamento e loteamento, levantamentos ae-
rofotogramétricos, entre outros.
• Dados geoclimáticos e ambientais locais: temperaturas, pluviosidades, insolação, 
regime de ventos e marés (para terrenos à beira-mar) e níveis de população sonora, 
do ar, do solo e das águas. 
• Dados urbanísticos do entorno do terreno: uso e ocupação do solo, padrões arqui-
tetônicos e urbanísticos, infraestrutura disponível, tendências de desenvolvimento 
e planos governamentais para a área, e condições de tráfego e estacionamento. 
b) Aspectos jurídicos e legais:
• Escritura/matrícula do imóvel: é um instrumento jurídico público. O 
documento obrigatório que garantirá a transferência de propriedade de um 
imóvel e para posterior aprovação.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
107
O profissional deve estar atento à legislação arquitetônica e urbanística (mu-
nicipal, estadual e federal) pertinente, em especial: restrições de uso, taxas de ocu-
pação e coeficientes de aproveitamento, gabaritos, alinhamentos, recuos e afasta-
mentos, número de vagas de garagem, exigências relativas a tipos específicos de 
edificação e outras exigências arquitetônicas das Prefeituras Municipais, Corpo de 
Bombeiros, Concessionárias de Serviços Públicos, Órgãos de Proteção ao Meio Am-
biente e Patrimônio Histórico, entre outros.
c) Aspectos sociais:
• Objetivo do cliente e finalidades da obra: essa é a primeira abordagem do 
profissional com o cliente. O projetista deve compreender as finalidades da 
construção quanto ao seu uso, ocupação e função.
• Prazos e recursos disponíveis para o projeto e a execução: definição dos pra-
zos e preço de venda do projeto (PV) junto ao cliente. O profissional e o contra-
tante do projeto devem estabelecer prazos e recursos em comum acordo.
Acadêmico, o documento aprovado na 77ª Reunião do Conselho Superior do 
Instituto de Arquitetos do Brasil refere-se ao roteiro para desenvolvimento do projeto de 
arquitetura da edificação. Documento aprovado na 77ª Reunião do Conselho Superior do 
Instituto de Arquitetos do Brasil, realizada em Salvador, Bahia.
NOTA
108
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
2.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES (PN)
 
A segunda etapa do estudo preliminar é o desenvolvimento do programa 
de necessidades. O programa de necessidades é o conjunto sistematizado de neces-
sidades para um determinado uso de uma construção. Etapa que tem a função de 
determinar as exigências de caráter prescritivo ou de desempenho (necessidades e 
expectativas dos usuários) a serem satisfeitas pela construção a ser concebida (ABNT, 
1995). O programa de necessidades é a expressão das metas do cliente e das neces-
sidades dos futuros usuários da obra e descreve as funções que serão abrigadas, os 
pré-dimensionamentos, padrões de qualidade desejados, recursos disponíveis e pra-
zos desejados (CDA, 2014). De acordo com IAB (2015), o programa de necessidades 
deve conter:
• Características funcionais da obra: a atividade que abrigará (comércio, indústria, 
residência etc.) conforme os desejos do cliente. 
• Compartimentação e dimensionamento preliminares: disposição dos espaços in-
ternos e externos.
• População fixa e variável: número de pessoas que ocuparão os espaços projetados. 
Fluxos de pessoas, veículos e materiais.
• Mobiliário, instalações e equipamentos básicos (por compartimento): disposição 
do mobiliário e equipamentos elétricos (ar condicionado) nos espaços em projeto.
• Padrões de construção e acabamento e recursos técnicos disponíveis para a exe-
cução: materiais, mão de obra, sistemas construtivos.
2.3 ESTUDO DE VIABILIDADE (EV)
 
Esta etapa é destinada à elaboração de análise e avaliação para a seleção e 
recomendação de alternativas para a concepção da edificação e seus elementos, ins-
talação e componentes (ABNT, 1995). O estudo de viabilidade em projetos é uma 
ferramenta que auxilia o incorporador no momento de tomadas de decisões, como 
consulta às normas técnicas, os regulamentos, as leis e o estudo do mercado.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
109
FIGURA 17 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA POR MEIO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR
FONTE: <http://bit.ly/2Jfu9sB>. Acesso em: 17 set. 2019.
Essas etapas são importantes para a organização e gerenciamento do projeto, 
e consequentemente, fundamentais para a sua evolução. Quando concluídos os es-
tudos preliminares, após aprovação do cliente, o arquiteto/engenheiro utiliza-se de 
formas gráficas para a representação do objeto arquitetônico (implantação, plantas, 
cortes, elevações, perspectivas em forma de “croqui”). 
Atualmente, essas representações gráficas se dão por meio de programas de 
computador ou desenhos feitos à mão (Figura 17). Após o estudo preliminar aprova-
do pelo cliente, dá-se início a uma nova fase, denominada anteprojeto.
3 ANTEPROJETO (AP)
Anteprojeto (AP) é a etapa intermediária do projeto arquitetônico que con-
siste em uma configuração definitiva da construção proposta, ainda podendo haver 
mudanças. É formado por um conjunto de desenhos que representam o projeto com 
maior clareza e personalidade (CDA, 2014). Todas as considerações realizadas no 
estudo preliminar aprovado pelo cliente devem ser aplicadas no anteprojeto. É no 
anteprojeto que o profissional expressa suas ideias, caracterizando assim a concepção 
do objeto arquitetônico. De acordo com a NBR n° 13.531/95, o anteprojeto está: 
110
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
Destinado à concepção e a representação das informações técnicas pro-
visórias de detalhamento de edificação e seus elementos, instalações e 
componentes, necessárias ao inter-relacionamento das atividades técni-
cas de projeto e suficientes à elaboração de estimativas aproximadas de 
custos e prazos dos serviços de obra implicados (ABNT, 1995, p. 4).
O projetista deve apresentar, no anteprojeto, algumas ideias para entendi-
mento do cliente por meio dos seguintes projetos dispostos no Quadro 3.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
111
QUADRO 3 – PROJETOS ARQUITETÔNICOS APRESENTADOS NO ANTEPROJETO E SUAS 
DEFINIÇÕES
Projetos Definições
Plantas de situação Definem a implantação da obra no terreno locando e di-
mensionado em especial, a(s) edificação(ões), acessos, áreas 
livres e demais elementos arquitetônicos. Indicam afasta-
mentos, recuos, investiduras, área “non aedificandi” e servi-
dões, cotas gerais e níveis de assentamento, áreas totais e/ou 
parcial, úteis e/ou construídas, conforme a necessidade.
Plantas baixas Definem, no plano horizontal, a compartimentação indi-
cando a designação, localização, inter-relacionamento e 
dimensionamento finais (cotas, níveis acabados e áreas) 
de todos os pavimentos, ambientes, circulações e acessos. 
Representam a estrutura, alvenarias, tetos rebaixados,revestimentos, esquadrias (com sistema de abertura), 
conjuntos sanitários e equipamentos fixos.
Planta(s) de cober-
tura
Define(m) sua configuração arquitetônica indicando a 
localização e dimensionamento finais (cotas e níveis aca-
bados) de todos os seus elementos. Representa(m), con-
forme o caso, telhados, lajes, terraços, lanternins, domus, 
calhas, caixas d’água e equipamentos fixos. 
Cortes gerais Definem, no plano vertical, a compartimentação interna da 
obra e a configuração arquitetônica da cobertura indicando 
a designação, localização, inter-relacionamento e dimensio-
namento finais (alturas e níveis acabados) de pavimentos, 
ambientes, circulações e elementos arquitetônicos significa-
tivos. Representam a estrutura, alvenarias, tetos rebaixados, 
revestimentos, esquadrias (com sistema de abertura) e, con-
forme o caso, telhados, lanternins, “sheds”, domus, calhas, 
caixas d’água e equipamentos fixos.
Fachadas Definem a configuração externa da obra indicando todos 
os seus elementos, em especial, os acessos. Representam a 
estrutura, alvenarias, revestimentos externos, esquadrias 
(com sistema de abertura) e conforme o caso, muros, gra-
des, telhados, marquises, toldos, letreiros e outros com-
ponentes arquitetônico significativos.
Especificações Definem os principais materiais e acabamentos, em espe-
cial, revestimentos de fachadas e pisos, paredes e tetos de 
todos compartimentos. 
112
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
Para a realização de uma construção estruturada é de fundamental importân-
cia possuir um planejamento correto através de um projeto bem definido e aplicável 
(CDA, 2014). De acordo com Santaella (2001, p. 162), o anteprojeto é importante para 
as etapas seguintes da obra, pois ele é a “proposta de sistematização para ser testada, 
modificada e aperfeiçoada na medida em que o projeto for amadurecendo”. 
Um anteprojeto bem representado facilita a interpretação do profissional e 
do cliente quanto ao objeto arquitetônico projetado. A próxima etapa é aprovação do 
projeto junto aos órgãos públicos, competentes ao planejamento local. 
FIGURA 18 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PROJETO ARQUITETÔNICO EM UM 
ANTEPROJETO
FONTE: <http://bit.ly/2p3P3nH>. Acesso em: 17 set. 2019.
FONTE: Adaptado de IAB (2015)
Perspectivas Maquete física e/ou digital.
Anteprojetos com-
plementares
Estrutura, Instalações, Paisagismo e/ou Arquitetura de 
Interiores.
Orçamento estima-
tivo
Baseado nos Anteprojetos de Arquitetura e complemen-
tares, pré-dimensiona quantidades e custos de materiais e 
serviços (mão de obra) necessários à realização da obra.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
113
4 PROJETOS COMPLEMENTARES 
São conhecidos como projetos complementares, os projetos técnicos que se 
integram ao projeto arquitetônico e que o completam. Estes devem ser realizados por 
profissionais especialistas em cada área. Os projetos complementares principais são: 
• Estrutural: representa a distribuição de pilares, vigas e fundações. 
• Hidrossanitário: instalações, abastecimento, distribuição, sistemas de aquecimen-
to de água, reservatórios, captação de água pluvial, tanques sépticos, esgotos e gás. 
• Elétrico: instalações elétricas, sistemas de energia, cargas, circuitos, pontos elétri-
cos, fiação, potencias, correntes, distribuição e aterramento (Figura 19). 
Existem inúmeros projetos complementares para um projeto arquitetônico 
como: o luminotécnico, a automação, a climatização, a segurança, o preventivo de 
incêndio. Cada projeto deverá ser executado a partir da necessidade de detalhamen-
to, conforme as legislações municipais, estaduais e federais. Os projetos complemen-
tares são um guia para execução da obra e importante para que as necessidades do 
cliente ou usuário sejam transformadas na melhor solução.
FIGURA 19 – ESQUEMA DE UM PROJETO COMPLEMENTAR DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
FONTE: <http://bit.ly/2JeGiOv>. Acesso em: 17 set. 2019.
114
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
4.1 PROJETO LEGAL (PL)
O Projeto Legal (PL) ou projeto para a aprovação é uma subfase ao antepro-
jeto, desenvolvida, conforme o caso anterior, concomitante ou posteriormente a ele. 
Constitui a configuração técnico-jurídica da solução arquitetônica proposta para a 
obra considerando as exigências contidas no Anteprojeto aprovado pelo cliente (IAB, 
2015). Segundo a NBR n° 13.531/95, o projeto legal está:
Destinado à representação das informações técnicas necessárias à análise e 
aprovação, pelas autoridades competentes, da concepção da edificação e de 
seus elementos e instalações com base nas exigências legais (municipal, es-
tadual, federal) e a obtenção do alvará e das licenças e demais documentos 
indispensáveis para as atividades da construção (ABNT, 1995, p. 4).
Para a aprovação é muito importante que as normas técnicas de apresenta-
ção e representação gráfica emanadas dos órgãos públicos estejam contempladas no 
projeto, conforme o código de obras do município. “Nos casos especiais em que não 
haja necessidade de aprovação do projeto pelos poderes públicos esta subfase deixa 
de existir” (IAB, 2015, p. 4). 
Os itens necessários para a aprovação de projetos são variáveis por municí-
pio, conforme as exigências dos órgãos públicos e concessionárias envolvidos. Nor-
malmente, consiste em planta de situação, plantas baixas, cortes e fachadas, estes po-
dendo ser aprovados junto à prefeitura municipal. Dependendo do uso e ocupação 
ou do tamanho do projeto e das exigências ambientais, alguns órgãos, como patrimô-
nio histórico, concessionárias de serviços públicos e Corpo de Bombeiros exigem os 
projetos complementares (estrutural, elétrico e hidrossanitário). 
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
115
FIGURA 20 – EXEMPLO DE DESENHO ARQUITETÔNICO RESIDENCIAL PARA APROVAÇÃO
FONTE: <http://bit.ly/361EUbZ>. Acesso em:17 set. 2019.
4.2 PROJETO ARQUITETÔNICO EXECUTIVO (PE)
O Projeto Arquitetônico Executivo (PE) envolve elementos detalhados sobre 
uma construção. É a etapa posterior à aprovação do anteprojeto pelo cliente, nos casos 
especiais em que não haja necessidade de aprovação de projetos pelos poderes públi-
cos (IAB, 2015). O projeto executivo é o produto final do processo projetual, que cabe ao 
projetista. De acordo com a NBR n° 13.531/95, o projeto executivo é processo de:
Executar o detalhamento de todos os elementos do empreendimento, de 
modo a gerar um conjunto de informações suficientes para a perfeita ca-
racterização da obra/serviços a serem executadas, bem como a avaliação 
dos custos, métodos construtivos, e prazos e execução. Executar o deta-
lhamento de todos os elementos do empreendimento e incorporar os de-
talhes necessários de produção dependendo do sistema construtivo. O 
resultado deve ser um conjunto de informações técnicas claras e objetivas 
sobre todos os elementos, sistemas e componentes do empreendimento. 
Essa fase se denomina: PE – projeto executivo (ABNT, 1995, p. 4).
116
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
O projeto arquitetônico executivo, após aprovado, servirá de instrumento 
para os construtores para a realização da obra. Um projeto arquitetônico executivo, 
mal representado, dificulta a interpretação dos profissionais da construção e é bem 
provável que o resultado de sua execução não seja satisfatório (GOMES, 2012). 
Além do anteprojeto aprovado, para o projeto executivo são necessários 
diversos itens, detalhados e representados (Quadro 4).
QUADRO 4 – ITENS PARA O PROJETO ARQUITETÔNICO EXECUTIVO E SUAS DEFINIÇÕES
Projetos Definições
Planta de situação/locação Define detalhadamente a implantação da obra no 
terreno locando e dimensionando todos os elemen-
tos arquitetônicos, em especial edificação(ões), aces-
sos, vias, áreas livres, muros, piscinas, quadras e/ou 
outros, variáveis caso a caso. Indica afastamentos, 
cotas gerais e parciais e níveis de assentamento.
Plantas baixas (ou dealvenaria)
Definem detalhadamente, no plano horizontal, a 
compartimentação interna da obra indicando a 
designação, localização, inter-relacionamento e 
dimensionamento (cotas e níveis acabados e/ou em 
osso) de todos os pavimentos, ambientes, circula-
ções, acessos e vãos (em especial, de esquadrias). 
Representam a estrutura, alvenarias (em osso ou 
acabadas), tetos rebaixados, forros, enchimentos e, 
conforme o caso, revestimentos, esquadrias (com 
sistema de abertura), conjuntos sanitários, equipa-
mentos fixos, de elementos dos projetos comple-
mentares, em especial, de instalações (tomadas, 
pontos de luz, shafts, prumadas etc.)
Planta(s) de cobertura Define(m) detalhadamente sua configuração 
arquitetônica indicando a localização e dimensio-
namento (cotas e níveis acabados e/ou em osso) 
de todos os seus elementos. Representa(m), con-
forme o caso, telhados, lajes, terraços, lanternins, 
domus, calhas, caixas d’água e equipamentos fi-
xos. Indicam todos os elementos especificados e/
ou detalhados em outros documentos/desenhos.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
117
Cortes gerais e/ou parciais Definem detalhadamente, no plano vertical, a 
compartimentação interna da obra e a configura-
ção arquitetônica da cobertura indicando a desig-
nação, localização, inter-relacionamento e dimen-
sionamento (alturas e níveis acabados e/ou em 
osso) de todos os pavimentos, ambientes, circula-
ções, vãos e outros elementos arquitetônicos sig-
nificativos. Representam a estrutura, alvenarias 
(em osso ou acabados), tetos rebaixados, forros, 
enchimentos e, conforme o caso, revestimentos, 
esquadrias (com sistema de abertura), conjuntos 
sanitários, telhados, lanternins, “sheds”, domus, 
calhas, caixas d’água, equipamentos fixos e ele-
mentos dos projetos complementares (ar-condi-
cionado e exaustão, por exemplo). Indicam todos 
os elementos especificados e/ou detalhados em 
outros documentos/desenhos.
Fachadas Definem detalhadamente a configuração exter-
na da obra indicando todos os seus elementos. 
Representam a estrutura, alvenarias, revestimen-
tos externos (com paginação), esquadrias (com 
sistemas de abertura) e, conforme o caso, muros, 
grades, telhados, marquises, toldos, letreiros e 
outros componentes arquitetônicos significativos. 
Indicam todos os elementos especificados e/ou 
detalhados em outros documentos/desenhos.
Plantas de teto refletido Quando necessárias, definem detalhadamente a 
paginação de tetos rebaixados e forros indicados 
os seus elementos. Representam, conforme o 
caso, a estrutura (pilares e vigamento) alvenarias 
e elementos dos projetos complementares (lumi-
nárias, aerofusos e “sprinklers”, por exemplo).
Plantas de piso Quando necessárias, definem detalhadamente 
a paginação de pavimentações e pisos eleva-
dos indicando os seus elementos. Representam, 
conforme o caso, a estrutura (pilares), alvenarias 
e elementos dos projetos complementares (toma-
das de piso e raios, por exemplo.
118
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
Normalmente, os detalhamentos são divididos conforme o tipo dos materiais 
especificados (IAB, 2015, p. 6). Em geral, compreendem:
Detalhes gerais (em concreto, alvenaria, argamassa, mármores e gra-
nitos, materiais cerâmicos, plásticos e borrachas, produtos sintéticos, 
entre outros).
• Detalhes de carpintaria e marcenaria (madeira).
• Detalhes de serralheria (ferro, alumínio e outros metais).
• Detalhes de vidraçaria. 
FIGURA 21 – PROJETO EXECUTIVO DE DETALHAMENTO DE BANHEIRO SOCIAL
FONTE: <http://bit.ly/2BxK29t>. Acesso em: 17 set. 2019.
FONTE: Adaptado de IAB (2015)
Elevações Quando necessárias, definem detalhadamente 
a paginação de revestimentos de paredes indi-
cando todos os seus elementos. Representam, 
conforme o caso, a estrutura (vigas e lajes), 
alvenarias, esquadrias e elementos dos projetos 
complementares (quadros de luz, por exemplo).
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
119
Segundo o IAB (2015), os detalhamentos setoriais no projeto arquitetônico 
executivo podem ser: ampliações de compartimentos, em especial, banheiros, cozi-
nhas, lavanderias, saunas, áreas molhadas; detalhes de construção, fabricação e/ou 
montagem de: 
Quadras, pistas e campos de esportes; piscinas, lagos e fontes; muros, 
jardineiras, bancos e outros elementos paisagísticos; escadas e rampas; 
painéis de elementos vazados (cobogós), tijolos de vidros e alvenarias 
especiais; revestimentos e pavimentações; impermeabilizações e pro-
teções (térmicas, acústicas etc.); bancas e bancadas; soleiras, peitoris, 
chapins, rodapés e outros arremates; telhados (estrutura e telhamen-
to); domus, lanternis e “sheds”; esquadrias; balcões, armários, estan-
tes, prateleiras, guichês e vitrines; forros, lambris e divisórias; grades, 
gradis e portões e; guardas-corpos e corrimãos (IAB, 2015, p. 6).
O projeto arquitetônico executivo é de fundamental importância para a 
conclusão de uma obra. Quanto mais detalhamentos o profissional desenvolver, 
maior o grau de satisfação da obra. Porém, nem todos os elementos arquitetôni-
cos podem ser expressos em formas gráficas ou de escrito nas pranchas do projeto 
arquitetônico executivo. Nesse caso, faz-se necessário o desenvolvimento do me-
morial descritivo e a planilha quantitativa de materiais.
 
 
4.3 MEMORIAL DESCRITIVO E PLANILHA QUANTITATIVA DE 
MATERIAIS
O bom gerenciamento dos materiais da obra evita o desperdício e os gastos 
excessivos. O objetivo do memorial é complementar as informações projetuais que 
não podem ser representadas graficamente e apresentar as especificações qualitativas 
e quantitativas, no que diz respeito aos materiais e aos procedimentos construtivos. 
O memorial descritivo é um documento que descreve e detalha os materiais 
que serão aplicados ao imóvel, como tijolos, lajes, madeira etc. Esse memorial tam-
bém contempla todo o material que será aplicado no acabamento da obra, como 
piso, esquadrias, revestimentos, metais etc.
120
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
FIGURA 22 – PLANILHA QUANTITATIVA DE MATERIAIS POR MEIO DE COMPUTADOR
FONTE: <http://bit.ly/2MDcdug>. Acesso em: 17 set. 2019.
A planilha quantitativa de materiais (Figura 22) é, basicamente, um ins-
trumento para o dimensionamento da quantidade e o cálculo orçamentário dos 
materiais que serão necessários para a conclusão da obra. Essa etapa diz respeito 
aos estudos preliminares quando as questões financeiras da obra são levantadas. 
Essa tabela pode ser dividida em vários itens, como a instalação do canteiro de 
obras (quantidade de madeira, pregos, impostos etc.), materiais utilizados para 
a construção (quantidade de tijolos, concreto, ferragem etc.) até o acabamento 
(quantidade de esquadrias, louças, pisos cerâmicos).
4.4 ASSISTÊNCIA À EXECUÇÃO DA OBRA
A assistência à execução da obra é fase complementar ao projeto desen-
volvido, gestão técnica e administrativa da implantação do projeto diretamente 
na obra. Consiste na vistoria periódica do andamento da obra para assegurar a 
fidelidade à proposta arquitetônica e suprir possíveis dúvidas na obra. De acordo 
o IAB (2015, p. 7), as etapas de assistência à execução são:
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
121
a) Visitas ao canteiro de obras e/ou participação em reuniões técnicas vi-
sando ao esclarecimento de dúvidas sobre o projeto e/ou sua eventual 
complementação; 
b) Exame, para aprovação, de componentes manufaturados; 
c) Substituição de desenhos e especificações, em caso de necessidade: falta 
de produtos no mercado, falência de fabricantes, retirada de produtos de 
linha ou outras situações excepcionais; 
d) Revisão do projeto de execução (apenas os desenhos gerais – plantas 
de situação, baixas e de cobertura, cortes e fachadas, excluído o detalha-
mento) conforme o executado (“as buit” executivo), objetivando sua atu-
alização arquitetônica para fins de cadastro e manutenção, ao término da 
construção ou montagem da obra.Essa assistência auxilia o andamento da obra, contribuindo com os profis-
sionais construtores na execução da construção. Após a finalização completa da 
edificação, parte-se para o último processo, as regularizações prediais para seu 
uso, ocupação e habitação.
Apresentação sobre assistência de execução à obra de Fujita. Na íntegra em: 
http://afujita.com.br/execucao-da-obra.php. 
DICAS
5 O PÓS-PROJETO (ALVARÁ DE USO E OCUPAÇÃO DA 
EDIFICAÇÃO)
 
Após a construção pronta, na maioria dos casos, um agente do serviço público 
faz a vistoria da edificação e, afirmando as boas condições da obra, expede o alvará de 
ocupação, o chamado “Habite-se” ou “Certificado de Conclusão”. No Brasil, o “Habi-
te-se” ou “Certificado de Conclusão” é o ato administrativo emanado de autoridade 
competente que autoriza o início da utilização efetiva de construções ou edificações 
destinadas à habitação (CUSTÓDIO, 1977). Esse documento comprova que um imóvel 
foi construído sob as exigências da legislação local, estabelecidas pela prefeitura do 
município. Apesar de os processos burocráticos para a expedição, o certificado de con-
clusão é a comprovação que o imóvel oferece toda a segurança para a ocupação.
122
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
LEITURA COMPLEMENTAR
REFLEXÃO SOBRE METODOLOGIAS DE PROJETO ARQUITETÔNICO
Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski 
Maria Gabriela Caffarena Celani 
Daniel de Carvalho Moreira Silvia 
Aparecida Mikami G. Pina 
Regina Coeli Ruschel 
Vanessa Gomes da Silva 
Lucila Chebel Labaki 
João Roberto D. Petreche
INTRODUÇÃO 
É objetivo deste trabalho, por meio de uma breve revisão do estado da arte 
em metodologia de projeto, apresentar uma discussão sobre o processo de projeto 
em arquitetura. As investigações em metodologias de projeto arquitetônico situam-se 
na transversalidade de várias áreas, tais como: qualidade do ambiente construído, 
conforto ambiental, psicologia ambiental, processo de projeto, informática aplicada e 
avaliações de projetos e obras em pós-ocupação. 
Os avanços tecnológicos e as mudanças globais das relações sociais e econô-
micas influenciam os trabalhos em arquitetura. Nos últimos anos, a complexidade 
do projeto e a exigência da qualidade ambiental das construções de grande porte 
têm aumentado. Cinco razões podem ser citadas em relação a esse aumento: avan-
ço rápido da tecnologia; mudança de percepção e de demanda dos proprietários de 
edificações; aumento da importância do prédio como facilitador da produtividade; 
aumento da troca de informações e do controle humano; e a necessidade de criação 
de ambientes sustentáveis, com eficiência energética. Evidenciam-se também uma 
intensificação competitiva e a necessidade crescente de colaboração dos agentes de 
um projeto para produzir com eficiência e qualidade. Essas exigências sobre o tra-
balho do arquiteto demandam um aprimoramento dos procedimentos adotados e a 
aplicação de metodologias mais sistemáticas de pesquisa e projeto.
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
123
PROCESSO DE PROJETO 
Em arquitetura, o processo de criação não possui métodos rígidos ou uni-
versais entre profissionais, muito embora possam ser atestados alguns procedi-
mentos comuns entre projetistas. O processo é complexo e pouco externado pelo 
profissional. O campo projetivo arquitetônico situa-se numa área intermediária 
entre ciência e arte, tendo que responder a questões não perfeitamente definidas 
e permitindo múltiplas abordagens (DÜLGEROGLU, 1999; JUTLA, 1996). Há su-
báreas (representação da forma, história e teoria de construções e estudo das es-
truturas, entre outras) que se desenvolvem de maneira independente, cada uma 
com um tipo de dialeto, sendo necessário integrá-las na concepção do projeto. O 
campo também possui o conhecimento universal para fazer normas e padroni-
zações e o conhecimento específico para cada caso. Assim sendo, todo problema 
é único e, portanto, cada solução está baseada em um conjunto diferente de cri-
térios. São grandes as dificuldades de enquadrar as características do processo 
projetivo em metodologias de projeto, uma vez que o processo de criar formas 
em arquitetura é, na maioria das vezes, informal, individual ou simplesmente 
pertence a escolas de regras estéticas (KOWALTOWSKI; LABAKI, 1993). Estudos 
do processo criativo indicam pelo menos cinco tipos de heurísticas aplicadas na 
solução de projetos (ROWE, 1992; LAWSON, 1997; HEARN, 2003): 
(a) analogias antropométricas: baseiam-se no corpo humano e nos limites dimensio-
nais; 
(b) analogias literais: uso de elementos da natureza como inspiração da forma;
(c) relações ambientais: aplicação com maior rigor de princípios científicos ou empí-
ricos da relação entre homem e ambiente, tais como clima da região, tecnologia e 
recursos disponíveis;
(d) tipologias: aplicação de conhecimento de soluções anteriores a problemas relacio-
nados, podendo-se dividir em modelos de tipos de construção, tipologias organi-
zacionais e tipos de elementos ou protótipos; e 
(e) linguagens formais: estilos adotados por grupos ou escolas de projetistas. 
Pode-se considerar o processo de projeto como um conjunto de atividades 
intelectuais básicas, organizadas em fases de características e resultados distintos. 
Essas atividades são análise, síntese, previsão, avaliação e decisão. Na prática, algu-
mas atividades podem ser realizadas através da intuição, algumas de forma cons-
ciente e outras a partir de padrões ou normas (LANG, 1974). O projeto arquitetônico 
124
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
faz parte da família de processos de decisão. O processo de decisão em um projeto 
pode utilizar a descrição verbal, gráfica ou simbólica, isto é, vários mecanismos de 
informação, para antecipar analiticamente um modelo e seu comportamento (ROS-
SO, 1980). Podem-se ainda considerar as principais fases do modelo geral da toma-
da de decisão, que, traduzidas pela prática profissional dos projetistas, dividem-se 
em programa, projeto, avaliação e decisão, construção e avaliação pós-ocupação. Em 
cada fase, pode ser realizada uma série de atividades (LANG, 1974). Na rotina dos 
escritórios de arquitetura, observa-se ainda a divisão da fase de projeto em croquis, 
anteprojeto e projeto. 
De acordo com Mumford et al. (1994), o pensamento criativo representa 
uma forma de solução de problemas. Os estudos da capacidade humana de 
buscar soluções de problemas enfocam elementos cognitivos (TORRANCE, 
1962; STEMBERG, 1988; BODEN, 1991). Podem existir barreiras que impeçam o 
florescimento da criatividade no indivíduo, que podem ser perceptivas, culturais, 
ambientais, emocionais e intelectuais. De outro lado, há meios de estimular as 
atividades criativas, como, por exemplo, os métodos chamados de brainstorming 
(HYMAN, 1998). Há ainda a Theory of Inventive Problem Solving, conhecida 
por “TRIZ”, criada por Altshuller em 1946 e recentemente aplicada ao projeto 
arquitetônico (ALTSHULLER, 1984; MANN, 2001; KIATAKE, 2004). Esse método 
consiste essencialmente na reestruturação de um problema de projeto específico 
em um problema genérico cuja solução tenha princípios referenciais consolidados. 
 
A complexidade do processo de projeto pode ser suportada mediante a utili-
zação de métodos de controle e planejamento do processo cognitivo. É sabido que em 
arquitetura existem muitos aspectos conflitantes que necessitam de resolução. A ma-
neira criativa de solucionar esses conflitos é aquela que encontra no próprio conflito 
impulso para gerar inovações e descobertas (KIATAKE, 2004). Métodos que auxiliam 
esse processo buscam restringir o espaço ou escopo do problema para reduzir o tem-
po no desenvolvimento do projeto e aumentar a sua qualidade. Nessa linha foram 
criados outros métodos, como, por exemplo, a “Metodologia Axiomática de Tomada 
de Decisão” desenvolvida por Suh (1990, 1998, 2001). Esse método apoia a busca de 
solução de problemas de projetocom aplicação de lógica. A teoria baseou-se na afir-
mação de Suh que projetar é um procedimento considerado solitário e que engloba 
conhecimento multidisciplinar, o que faz do projeto uma área em que a experiência é 
tão importante quanto uma educação formal. 
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
125
No projeto de edificações, é papel do projetista apresentar não um universo 
de soluções, mas aquelas que, em princípio, atendam ao programa do cliente nos 
aspectos funcionais e técnicos e ao enfoque econômico que o mesmo cliente propõe 
(ROSSO, 1980). É característica dessas soluções respeitar uma das verdades absolu-
tas no desenvolvimento do processo mental de criação do projeto: as ideias normal-
mente estão em diferentes estágios de definição e não seguem uma ordem linear de 
sequência de decisão (BROADBENT, 1970). Os diferentes estágios de definição dos 
elementos que compõem o projeto obrigam o autor a trabalhar em ciclos simultâne-
os de decisão, de acordo com a parte do sistema analisada, o que particularmente 
estimula o desenvolvimento de estudos para a utilização de métodos racionais no 
campo do projeto arquitetônico. 
A metodologia de projeto, como um procedimento organizado para trans-
portar o processo de criação a certo resultado, procura racionalizar as atividades cria-
tivas e apoiar o projetista para a solução de problemas cada vez mais complexos, 
uma vez que a tomada de decisão significa escolher um curso de ação entre muitas 
possibilidades. As metodologias de projeto que auxiliam o processo criativo podem 
ser vistas como abstrações e reduções utilizadas para compreender o fenômeno pro-
jetivo. Existe um consenso entre os teóricos de que a intuição é parte importante do 
processo e de que o modelo de projeto não é uma sequência linear de atividades 
exatas, uma vez que o projetista não possui a priori amplo conhecimento da natureza 
do objeto de projeto, e seu processo de pensamento não pode ser considerado total-
mente racional (LANG, 1974). 
Durante o processo de criação são efetuadas avaliações constantes de vários 
tipos. Existem sistemas de avaliação abertos, os chamados métodos de argumenta-
ção, que enfocam e privilegiam certas soluções de projeto. O debate é influenciado 
por características pessoais, pela experiência do projetista em relação ao problema, 
bem como pelo enfoque de sua formação diante do projeto. Todos esses fatores, ago-
ra externados, moldam o partido do projeto. É valioso e útil para arquitetos explo-
rar várias maneiras de obter soluções de projeto de um aspecto específico, adotando 
diferentes ênfases durante o processo de concepção da solução. Muitas vezes são 
aplicadas três abordagens para um projeto com o enfoque dirigido na avaliação por 
arguição. O fator imagem é aplicado quando a ênfase na abordagem é o visual, o 
intuitivo. O programa do projeto pode assumir ênfase na abordagem através do ra-
cional, do funcional, e o sítio tem ênfase na abordagem através do seu meio ambiente.
126
UNIDADE 2 | TÉCNICAS, LEITURA E INTERPRETAÇÕES DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS
AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO E A RELAÇÃO ENTRE AMBIENTE E 
COMPORTAMENTO HUMANO 
Admitindo-se a falta de conhecimento total do problema a ser resolvido pelo 
projetista, as metodologias de projeto com participação do cliente/usuário são vistas 
como uma maneira de reduzir os erros de trajetória do processo. A inclusão da diversi-
dade de opiniões e percepções amplia a base de conhecimento da natureza do objeto de 
projeto. Esse procedimento de projeto cria a necessidade de documentação profunda e 
comunicação clara das decisões projetuais para um entendimento dos diversos atores 
do processo.
Surgem métodos participativos de projeto, como os jogos, modelos em escala 
real (mock-ups) e a aplicação de recursos visuais mais realistas, como maquetes vir-
tuais com passeios programados (SANOFF, 1991). Surgem também visitas a edifícios 
tipo, para a documentação de opiniões e satisfações, tendo as avaliações pós-ocupação 
(APO) um papel fundamental no processo de projeto. 
Assim, as avaliações pós-ocupação de edificações devem fazer parte das me-
todologias de projeto, pois colaboram com as fases de síntese e correção das falhas de 
projeto. Métodos e técnicas de avaliação do ambiente construído são utilizados por 
pesquisadores vindos de diferentes áreas. A avaliação pelo próprio usuário de uma 
edificação é considerada importante no levantamento da complexidade do uso e da 
satisfação do ambiente construído. 
A existência de diferentes pontos de vista entre pesquisadores, especialistas e 
usuários leigos levou os métodos APO a considerar que ambientes construídos sejam 
submetidos não só às avaliações comportamentais, mas também a avaliações físicas. 
Estas últimas utilizam instrumentos técnicos de medição, ensaios de componentes, 
protótipos em laboratórios e observações técnicas gerais. Podem ser feitos ainda cálcu-
los e simulações, quando necessário, como balanço térmico e aferição de consumo de 
energia elétrica, entre outros (PREISER, 1988). 
Destacam-se ainda os métodos e técnicas visuais, que permitem associar as in-
formações obtidas por meio de diários ou listas de atividades, mapas comportamen-
TÓPICO 3 | INTERPRETAÇÃO DO PROJETO ARQUITETÔNICO
127
tais, registros fotográficos, registros em videoteipe, percepção visual e simulações (SA-
NOFF, 1991; ITTELSON et al., 1970). Nesses métodos, são aplicadas muitas vezes as 
escalas de diferencial semântico, criadas por Osgood, Suci e Tannenbaum (1957), em 
que se trabalha com extremos opostos, como interessante e cansativo, por exemplo, ou 
difícil e fácil. 
A relação entre o ambiente construído e o comportamento humano está es-
treitamente ligada às estruturas sociais e culturais e às tecnologias de uma época. As 
condições geradas no ambiente alteram o modo de vida das pessoas, renovando-se 
com as próprias transformações, ante as necessidades do usuário (ORNSTEIN, 1995). 
O projeto arquitetônico deve responder mediante a criação das formas e do deta-
lhamento de uma edificação para abrigar a relação entre ambiente e comportamen-
to humano e contribuir com melhorias estéticas. É dentro desse universo que age a 
psicologia ambiental, definida como interação entre indivíduos e as suas condições 
físicas (GIFFORD, 1997).
FONTE: KOWALTOWSK, D. C. C. K. et al. Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico. 
Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 7-19, abr./jun. 2006. Disponível em: 
https://www.academia.edu/1625886/Reflex%C3%A3o_sobre_metodologias_de_projeto_
arquitet%C3%B4nico. Acesso em: 17 set. 2019. 
128
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A compreensão dos processos e etapas do projeto é fundamental para formação de 
um profissional da construção civil. 
• A organização proporcionada pelo programa projetual, uma boa representação do 
desenho arquitetônico, facilita os processos de interpretação das ideias e, conse-
quentemente, a execução da obra. 
• Realizar a obra conforme a legislação vigente em cada município, respeitando o 
meio ambiente físico, e seguindo o programa de necessidades do cliente evita pro-
blemas com o gerenciamento da obra e garante a segurança do imóvel. 
• Em suma, um bom gerenciamento do projeto passa pelas etapas descritas neste 
tópico e, cabe ao projetista, seguir a normas e desenvolver o projeto de forma orga-
nizada e de fácil interpretação.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
129
1 Descreva as etapas do processo de programação arquitetônica baseada na 
figura a seguir.
AUTOATIVIDADE
FIGURA – PROCESSO DE PROGRAMAÇÃO ARQUITETÔNICA (PATTERSON; ABRAHÃO, 2010)
FONTE: <http://www.scielo.br/img/revistas/ac/v11n3/a13fig02.jpg>. Acesso em: 17 set. 2019.
2 São conhecidos como projetos complementares, os projetos técnicos que se 
integram ao projeto arquitetônico e que ocompletam. De maneira sucinta, 
descreva os tipos de projetos complementares existentes.
3 Assinale a alternativa que contenha os projetos que o projetista deve apre-
sentar no anteprojeto. 
a) ( ) Planta de situação, plantas baixas, cortes gerais, fachadas, perspectivas, an-
teprojetos complementares, orçamento estimativo.
b) ( ) Plantas baixas, plantas de cobertura, cortes gerais, fachadas, especificações, 
perspectivas, anteprojetos complementares.
c) ( ) Planta de situação, plantas baixas, plantas de cobertura, cortes gerais, fa-
chadas, especificações, perspectivas, anteprojetos complementares, orçamento 
estimativo.
d) ( ) Planta de situação, plantas baixas, plantas de cobertura, fachadas, especifi-
cações, perspectivas, orçamento estimativo.
130
131
UNIDADE 3
O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir dos estudos desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os processos que antecedem o projeto arquitetônico;
• estudar questões projetuais de circulação, setorização, ergonomia e fluxo-
gramas;
• estudar as principais descrições do projeto arquitetônico e suas represen-
tações com enfoque a facilitar o desenho e a execução da obra;
• conhecer as principais categorias projetuais;
• conhecer as normatizações e as representações técnicas;
• realizar atividades básicas a partir dos conceitos estudados.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – A LEITURA DO AMBIENTE
TÓPICO 2 – A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO DO PROJETO 
 ARQUITETÔNICO
TÓPICO 3 – REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
132
133
TÓPICO 1
A LEITURA DO AMBIENTE
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Legendas, convenções gráficas, escala, simbologias, tipologias e estilos arqui-
tetônicos, cortes, fachadas, conjunto de plantas (baixas, localização, situação, huma-
nizadas e/ou de coberturas), locação de obra, conforto ambiental (térmico, acústico e 
luminotécnico) são elementos e/ou representações básicas que compõem um projeto 
arquitetônico. 
A realização de um projeto de arquitetura, como qualquer outro traba-
lho, tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser aten-
dido, há um lugar em que se implantará o edifício, e há um modo de 
construir a ser determinado. Esse conjunto de premissas é elaborado 
graficamente em um desenho que opera como mediador entre a ideia 
do projeto e sua realização concreta (MACIEL, 2003, p. 1).
A compreensão dos ambientes no alcance da eficiência das atividades em 
uma obra é de extrema importância. No desenvolvimento do projeto arquitetônico 
deve-se levar em consideração como se planeja o espaço físico, sendo que uma das 
melhores maneiras de trazer funcionalidade aos espaços é o conhecimento das rela-
ções dos ambientes internos e externos de uma construção.
 
A composição formal de uma edificação parte da visualização pessoal dos 
elementos. Além dos passos normativos, voltados ao planejamento, existem leis e 
princípios na engenharia que contribuem para o ordenamento formal. Esses estudos 
demonstram evidências em relação às necessidades de ordem para o ser humano na 
composição arquitetônica satisfatória. 
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
134
No Tópico 1, com enfoque na leitura dos ambientes internos e externos, encon-
tra-se um estudo referente à percepção e descrição projetual, definições e técnicas de 
circulação, planejamento da setorização, ergonomia e fluxogramas, além da padroni-
zação dos elementos utilizados no desenvolvimento de um projeto arquitetônico. 
Essas temáticas estão relacionadas às informações necessárias para o en-
tendimento das principais características de um projeto arquitetônico. 
2 A COMPREENSÃO DO AMBIENTE
“A boa arquitetura ‘se caminha’ e ‘se percorre’ pelo interior e exterior. É a 
arquitetura viva” (CORBUSIER, 2005, p. 43). Contribuindo com a sua real materiali-
zação, numa situação de complexidade, o profissional capacitado necessita, além do 
conhecimento do projeto técnico, compreender os processos que o antecedem, como, 
por exemplo: 
• Estudo da circulação.
• Planejamento da setorização. 
• Princípios da ergonomia.
• Fluxogramas. 
Neste subtópico, conheceremos os métodos de organização projetual, além 
das técnicas de leitura com enfoque no entendimento das conexões espaciais, visto 
que para o desenvolvimento dos projetos arquitetônicos necessita-se de conhecimen-
tos sobre vários aspectos, desde os elementos primários para a formação de volumes 
como também as formas de expressão e representação gráfica.
2.1 CIRCULAÇÃO NOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS
Como visto anteriormente, o programa de necessidades implica questões 
projetuais, lembrando que um projeto arquitetônico é projetado no âmbito de aten-
der às necessidades de um indivíduo específico ou de uma sociedade, ocorrendo a 
circulação de pessoas entre os espaços de uma construção, visto que as circulações 
são todas as áreas que permitem a comunicação entre os espaços.
 
Um bom projeto arquitetônico necessariamente tem uma boa circulação 
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
135
resolvida, envolvendo os edifícios, pessoas, acessos, percursos internos e externos. 
Nessas condições, a circulação de pessoas deve ocorrer facilmente de dentro para 
fora da obra projetada, respeitando os espaços de fluxos, ou seja, os caminhos a se-
rem percorridos pelo indivíduo entre os ambientes. 
A organização do espaço se torna mais desafiante à medida que o programa 
de necessidades cresce, aumentando a complexidade da obra a ser projetada. Para 
Ching (2015), a circulação é parte de um sistema arquitetônico que envolve espaço, 
estrutura, ambientes internos e externos, movimento no espaço-tempo, tecnologia, 
programa e um contexto.
“As áreas de qualquer espaço ou edificação de uso público ou coletivo devem 
ser servidas de uma ou mais rotas acessíveis” (NBR 9050:2015). “A circulação pode ser 
horizontal e vertical. A circulação vertical pode ser realizada por escadas, rampas ou 
equipamentos eletromecânicos e é considerada acessível quando atender no mínimo a 
duas formas de deslocamento vertical” (NBR 9050:2015). As circulações devem obedecer 
às dimensões propostas no Código de Obras do Município e os regulamentos contra 
incêndio propostos no Código do Corpo de Bombeiros. Suas funções se enquadram em:
• Facilitar a transição aos edifícios.
• Diminuir as áreas comuns.
As normas a seguir são:
• ABNT 9077 – Saídas de emergências em edifícios.
• ABNT NBR 9050 – Acessibilidade em edifícios.
• ABNT NBR 13997 – Elevadores de passageiros.
2.1.1 Circulação vertical
As circulações verticais devem atender às normas técnicas da ABNT, aos có-
digos de edificações municipais e ao Decreto Estadual nº 46.076 do Corpo de Bom-
beiros. Estas estão relacionadas à interligação dos espaços que correspondem a níveis 
diferentes, com escadas, rampas, saídas de emergências, elevadores, halls de acesso 
aos elevadores, dentre outros. 
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
136
FIGURA 1 – CIRCULAÇÃO VERTICAL
FONTE: <http://bit.ly/34Qf3CI>. Acesso em: 10 out. 2019.
Escadas: com relação aos elementos de circulação vertical, a escada é uma 
construção projetada para interligar divergentes pavimentos, proporcionando a cir-
culação. É dividida em distâncias verticais menores, denominada degraus (NEU-
FERT, 2013). Na maioria dos casos, as formas mais utilizadas são escadas: retas, flu-
tuantes, em formato de L, em formato de U, caracol, circular, dentre outros modelos. 
Na projeção de uma escada deve-se levar em consideração os seguintes 
elementos construtivos:
• piso;
• espelho;
• corrimão;
• guarda corpo;
• patamar.
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
137
As definições estruturais geralmente são: aço, madeira e concreto armado, 
havendo a possibilidade da “misturados componentes”, utilizados com frequência 
nos projetos contemporâneos. 
FIGURA 2 – CIRCULAÇÃO VERTICAL: ESCADA RETA
FONTE: <http://bit.ly/2Rl0TW4>. Acesso em: 27 nov. 2019.
Rampas: a rampa é um elemento arquitetônico com enfoque em proporcio-
nar a possibilidade de circulação vertical entre níveis diferentes (NEUFERT, 2013). 
De acordo com as normas da ABNT NBR 9070, NBR 9050 e ABNT NBR 13994, as es-
cadas e as rampas devem ter largura mínima de 90 centímetros e passagem mínima 
de 2 metros. Lembrando que ambas são de utilidade coletiva. 
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
138
Conceito de capacidade da unidade de passagem: unidade de passagem é 
a largura mínima para a passagem de uma fila de pessoas (tal valor é fixado em 0,55 m). 
Capacidade da unidade de passagem é o número de pessoas que passam pela unidade de 
passagem em 1 minuto. 
FONTE: <http://fireprotection.com.br/saidas-de-emergencia-como-dimensionar/>. 
Acesso em: 27 nov. 2019. 
NOTA
FIGURA 3 – PROJETO RAMPA
FONTE: <http://bit.ly/2LmG5cZ>. Acesso em: 27 nov. 2019.
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
139
Elevadores: os elevadores são um conjunto de equipamentos com aciona-
mento eletromecânico ou sistema hidráulico, com enfoque em realizar transporte 
vertical de passageiros em edifícios (SCHINDLER, 2015). Além dos elevadores de 
passageiros existem outros equipamentos de transporte vertical, como:
• elevadores de cargas;
• elevadores de carga-automóveis; 
• elevadores de macas;
• elevadores de residências unifamiliares;
• elevadores panorâmicos de passageiros.
Para o dimensionamento desses elevadores, diferentes cálculos e estudos de-
verão ser realizados sempre em função das características específicas de cada projeto. 
Durante o desenvolvimento do projeto, atender restritamente às Normas Técnicas 
ABNT, em especial NM 207:2007, NBR 9050:2004 e NBR 13994:2000. A caixa de cor-
rida, casa de máquinas e instalações elétricas também devem atender às normas téc-
nicas (SCHINDLER, 2015). 
FIGURA 4 – VISTA SUPERIOR DO ELEVADOR
FONTE: Schindler (2015, p. 21)
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
140
FIGURA 5 – DETALHAMENTO ELEVADOR
FONTE: Schindler (2015, p. 5)
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
141
Acadêmico, vale ressaltar que as circulações verticais devem ser projetadas 
com ênfase em atender e respeitar as diretrizes de saídas de emergências, iluminação, 
casa de máquinas e hall de entrada dos elevadores, sinalização e suas respectivas 
instalações. Com base nisso, apresentamos um link que contém mais informações: http://
apoiodidatico.iau.usp.br/projeto3/FDE1/html/amb/circ-vert.htm. 
DICAS
2.1.2 Circulação horizontal 
As circulações horizontais interligam espaços que correspondem ao mesmo 
nível, exemplo: hall de entrada, corredores de passagem, galerias entre outros (NEU-
FERT, 2013). As saídas de emergências (instrução técnica no 11/01 – Corpo de Bom-
beiros) devem atender às Normas Técnicas da ABNT, aos Códigos Municipais e ao 
Decreto Estadual nº 46.076 do Corpo de Bombeiros. 
FIGURA 6 – CIRCULAÇÃO HORIZONTAL
FONTE: <http://bit.ly/2Pdfu3j>. Acesso em: 27 nov. 2019.
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
142
3 SETORIZAÇÃO NOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS
O princípio da setorização é a simplificação. A setorização pode ser denomi-
nada como uma ferramenta de projeto arquitetônico que auxilia a minimização dos 
problemas de fluxo ou/e de hierarquia, permitindo que o usuário utilize a construção 
de maneira adequada (ODEBRECHT, 2006). Para auxiliar o planejamento e o desen-
volvimento da setorização, os engenheiros e arquitetos dimensionaram os espaços 
residenciais em três setores: 
• setor social;
• setor íntimo;
• setor de serviço.
FIGURA 7 – CIRCULAÇÃO EXTERNA E INTERNA
FONTE: <http://bit.ly/2RieVb1>. Acesso em: 27 nov. 2019.
As circulações em um mesmo nível, em áreas privativas, devem seguir a uni-
dade de passagem de 80 centímetros, não havendo limitações de comprimento. As 
circulações de uso comum seguem a unidade de passagem mínima de 1,20 metro, 
contudo, para as distâncias maiores de 10 metros, acrescentar 2 centímetros na lar-
gura por cada metro excedente. Com relação às circulações residenciais, desenvolver 
o planejamento dos ambientes com enfoque em evitar a maior circulação de pessoas 
no setor íntimo da casa. Uma circulação adequada significa poder caminhar “livre-
mente” entre os ambientes. Além das circulações verticais e horizontais é de extrema 
importância a consideração e o estudo das circulações externas versus internas das 
edificações, sempre pensando no entorno e na relação edifício e cidade. 
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
143
FIGURA 8 – SETORIZAÇÃO RESIDENCIAL
FONTE: <http://bit.ly/2Rl2pYg>. Acesso em: 27 nov. 2019.
Com enfoque em agrupar as atividades com características similares, facili-
tando a rotina dos usuários no espaço, a casa é setorizada seguindo uma organização. 
Para desenvolver a setorização é essencial que o profissional utilize cores e legendas 
com as especificações necessárias para o entendimento do processo. Esta pode ser 
desenvolvida através de esquemas ou a partir da planta baixa. Segue um exemplo de 
setorização residencial. A cor verde representa a área de serviço, a cor rosa representa 
a área íntima e a cor roxa a área social. 
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
144
3.1 ÁREA ÍNTIMA
As áreas íntimas estão relacionadas aos ambientes de privacidade e higiene 
dos moradores da residência, com enfoque no relaxamento e conforto dos usuários. 
“Além da área de descanso, pode ser incorporada a área de estar, TV e leitura, ou seja, 
de uso eventual, e a área de serviços que, por sua vez, divide-se em área de rouparia 
e vestir e do banheiro” (ODEBRECHT, 2006, p. 41). Os espaços íntimos se enquadram 
nos seguintes ambientes: 
• dormitórios ou suítes;
• closet;
• banheiros;
• sala de estar íntima.
3.2 ÁREA SOCIAL
São as áreas destinadas à socialização dos moradores e visitantes. “Neste se-
tor de uma residência, a complexidade da circulação se torna mais na medida em 
que são acrescentados mais ambientes e funções ao espaço, como estar, jantar, bar, 
lareira entre outros” (ODEBRECHT, 2006, p. 37). Os espaços sociais se enquadram 
nos seguintes ambientes:
• hall de entrada;
• lavabo;
• sala de estar;
• sala de jantar;
• home-theater;
• escritórios home-office;
• varanda;
• sacada e terraços.
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
145
3.3 ÁREA SERVIÇO
Com enfoque em dar suporte aos trabalhos de manutenção diária da resi-
dência, as áreas de serviços precisam ser projetadas de maneira funcional e práti-
ca, na qual a distribuição dos ambientes precisa seguir o fluxo de pessoas (ODE-
BRECHT, 2006). Os espaços de serviços se enquadram nos seguintes ambientes:
• cozinha;
• copa;
• lavanderia;
• despensa;
• rouparia;
• depósito.
Para um bom funcionamento de um projeto arquitetônico necessita-se de um 
estudo complexo do espaço a ser projetado e do programa de necessidades a ser 
cumprido. Atualmente, com a busca constante por habitações situadas em áreas ur-
banas, os ambientes estão cada vez menores, com isso podem ocorrer mudanças nas 
setorizações em relação à integração dos ambientes. Contudo, é papel do profissional 
criar setorização e manter a privacidade em cada ambiente unificado.
Não existem regras rígidas que determinem a disposição de algum equipa-
mento, mas existem conceitos aplicáveis ao uso dos espaços. Esses conceitos são sem-
pre guiados pelo bom senso e personalidade de cada um. “Cada dependência possui 
áreas de utilização diversas, que se interligam entre si através de uma sequência de 
atividades, que pode ser determinada pelo fluxograma” (ODEBRECHT, 2006, p. 36). 
Acadêmico, para mais informações sobre setorizações, funcionalidades, 
planejamento dos espaços e circulação recomenda-se um estudo aprofundado do livro: 
Projeto Arquitetônico – conteúdos técnicos básicos, da autora Silvia Odebrecht, 2006.
DICAS
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
146
FIGURA 9 – EXEMPLO DE FLUXOGRAMA EM UMPROJETO ARQUITETÔNICO
FONTE: <http://bit.ly/34QxVS6>. Acesso em: 12 out. 2019.
O fluxograma aplica-se também às cidades, áreas comerciais, edifícios, en-
tre outras obras arquitetônicas. 
4 FLUXOGRAMA
O fluxograma “é um esquema gráfico que organiza a sequência de fluxo de 
determinada atividade ou de uma rotina de trabalho. Vide Metodologia do Projeto” 
(ODEBRECHT, 2006, p. 36). Ou seja, pode ser entendido como uma representação 
esquemática de um processo, podendo ser desenvolvido por meio de gráficos que 
ilustram os diversos compartimentos de uma edificação.
 
O fluxograma ou organograma é a síntese gráfica do programa de ne-
cessidades representada por um esquema da distribuição, organização 
e relação entre os diversos compartimentos e setores com afinidade fun-
cional. Tem o objetivo de auxiliar na elaboração do projeto de arquitetura 
pela compreensão da estrutura funcional e não pelo posicionamento nele 
esquematizado. Convenciona-se o uso de retângulos para os comparti-
mentos; círculos para os agrupamentos (setores) e traços para as conexões 
entre eles (ODEBRECHT, 2006, p. 23).
O fluxograma se resume em um esquema que mostra as ligações entre os 
ambientes a serem projetados, podendo ser desenvolvido a partir de uma planta 
baixa na qual são destacadas as circulações. A noção de espaço entre os ambien-
tes e a circulação de pessoas e objetos é essencial para um bom funcionamento e 
planejamento dos espaços arquitetônicos. 
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
147
FIGURA 10 – FLUXOGRAMA CIDADE
FONTE: <http://bit.ly/33P1Rwz>. Acesso em: 27 nov. 2019.
5 O HOMEM COMO UNIDADE DE MEDIDA
“Tudo o que o homem cria é destinado ao seu uso pessoal. As dimensões do 
que fabrica devem, por isso, estar intimamente relacionadas com as do seu corpo” 
(NEUFERT, 1978, p. 18). 
Assim, escolheram-se durante muito tempo os membros do corpo 
humano para unidades de medida. Quando queremos dar ideia 
de dimensões de um objeto, servimo-nos de frases como estas: 
tem a altura de um homem, tem o comprimento de tantos braços, 
tem tantos pés de largura etc. São conceitos que não necessitam de 
definição para serem perfeitamente compreendidas, visto que, no 
fundo, fazem parte de nós mesmos (NEUFERT, 1978, p.18).
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
148
Acadêmico, o mais antigo cânon de proporções humanas conhecidas 
encontrou-se num túmulo das pirâmides de Menfis (aproximadamente 3000 anos antes 
de Cristo). Sabemos que pelo menos desde então até hoje o estudo das relações métricas 
do corpo humano tem interessado tanto artistas como cientistas. 
FONTE: NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura. 18. ed. totalmente renovada e atual. 
São Paulo: Gustavo Gili, 2013. xi, 567 p, il.
NOTA
FIGURA 11 – PROPORÇÕES DO CORPO HUMANO
FONTE: <http://bit.ly/2Loe4BR>. Acesso em 29 nov. 2019 
TÓPICO 1 | A LEITURA DO AMBIENTE
149
FIGURA 12 – DIMENSÕES NECESSÁRIAS
FONTE: Neufert (1978 p. 260)
A adoção do metro acabou com todas estas unidades e hoje temos que 
comparar a nova unidade com o nosso corpo para obtermos uma noção 
viva das dimensões [...]. Todos os que pretendem dominar a constru-
ção devem começar por praticar para adquirir a noção da escala e pro-
porções do que tenham que projetar; sejam móveis, salas, edifícios etc. 
(NEUFERT, 1978, p. 18). 
O profissional adquire maior referência de escala quando visualiza “qual-
quer coisa próximo a um homem”. Essa ideia auxilia o desenvolvimento do projeto 
arquitetônico atribuindo às escalas de comparação arbitrária. Todos que projetam ne-
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
150
cessitam conhecer as divergentes medidas para entender as relações entre o homem 
x espaço (NEUFERT, 1978).
 
Nessas condições, vale ressaltar que o espaço é o protagonista das obras 
arquitetônicas, é ele a essência de um edifício ou de uma construção, é o ambiente, 
é o cenário onde ocorre a nossa vida (ZEVI, 1978). Entretanto, é o homem 
circulando e se movimentando no interior da construção que dá ao espaço a sua 
realidade integral. Tudo o que o ser humano é e faz vincula-se à experiência e a 
vivência do espaço (HAAL, 1977).
6 ERGONOMIA
Na concepção do espaço arquitetônico, cabe ao profissional (arquiteto, desig-
ner ou engenheiro) traduzir os sentimentos, imagens, sensações do habitante, reve-
lando os possíveis significados e valores que os sustentam e, a partir deles, conceber 
os espaços (PATTERSON; ABRAHÃO, 2011). “A ergonomia e os projetos arquitetô-
nicos unem-se pelo planejamento e pela investigação das atividades, considerando 
tanto a visão sistêmica do espaço de trabalho como o processo de concepção arquite-
tônica desse sistema” (PATTERSON; ABRAHÃO, 2011, p. 181).
A ergonomia é a ciência que estuda as relações homem versus ambiente, seja 
no quesito trabalho, lazer ou moradia. Essa ciência tem como enfoque a otimização e 
melhor desempenho das atividades realizadas, proporcionando conforto e qualida-
de de vida. A definição parte do propósito das proporções e dimensões específicas 
dentro de um trabalho. 
Nos projetos arquitetônicos, objetiva-se a planta baixa ou layout de um am-
biente o início dos estudos ergonômicos, por exemplo, o enquadramento dos espaços 
mínimos de circulação, deslocamento, necessidades e limitações físicas. O estudo do 
desenvolvimento projetual deve descobrir quem são os usuários, qual função eles 
exercem e na sequência aplicar as questões ergonômicas. A técnica deve ser aplicada 
também no que diz respeito à luminotécnica, design de móveis, conforto térmico e 
acústico.
151
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• No desenvolvimento do projeto arquitetônico devemos levar em consideração que 
é essencial entender como se planeja um espaço.
• Pode-se compreender os processos que antecedem o projeto arquitetônico, como, 
por exemplo: o estudo da circulação, setorização, ergonomia e fluxogramas.
• As circulações são todas as áreas que permitem a comunicação entre os espaços. A 
circulação de pessoas deve ocorrer facilmente de dentro para fora da obra projeta-
da, respeitando os fluxos, ou seja, os caminhos a serem percorridos pelo indivíduo 
entre os ambientes.
• As circulações verticais interligam os espaços que correspondem a níveis diferen-
tes, por exemplo: escadas, rampas, elevadores, dentre outros. 
• As circulações horizontais interligam os espaços que correspondem ao mesmo ní-
vel, por exemplo: hall de entrada, corredores de passagem, galerias, dentre outros.
• O fluxograma é um esquema gráfico que organiza a sequência de fluxo de deter-
minada atividade ou de uma rotina de trabalho.
• Tudo o que o homem cria é destinado ao seu uso pessoal. As dimensões do que 
fabrica devem, por isso, estar intimamente relacionadas às do seu corpo. 
• O profissional adquire maior referência de escala quando visualiza “qualquer coi-
sa próximo a um homem”. Essa ideia auxilia o desenvolvimento do projeto arqui-
tetônico atribuindo as escalas de comparação arbitrária. 
152
• A ergonomia é a ciência que estuda as relações homem x ambiente, seja no quesito 
trabalho, lazer ou moradia. Essa ciência tem como enfoque a otimização e melhor 
desempenho das atividades realizadas, proporcionando conforto e qualidade de 
vida. A definição parte do proposito das proporções e dimensões específicas den-
tro de um trabalho.
153
1 As áreas são destinadas à socialização dos moradores e visitantes. Nesse setor 
de uma residência, a complexidade da circulação se torna mais na medida em 
que são acrescentados mais ambientes e funções ao espaço. Quais os ambientes 
que compõem as áreas sociais? Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Hall de entrada, lavabo, sala de estar, sala de jantar, home-theater, escritó-
rios home-office, varanda, sacada e terraços.
b) ( ) Cozinha, dormitórios, sala de jantar, sala de estar e banheiros.
c) ( ) Dormitórios, sala íntima e banheiros.
d) ( ) Cozinha, área de serviços e garagem.
2 O fluxograma é um esquema gráfico que organizaa sequência de fluxo de de-
terminada atividade ou de uma rotina de trabalho. Descreva a importância do 
fluxograma em um projeto arquitetônico.
3 Na concepção do espaço arquitetônico cabe ao profissional (arquiteto, designer 
ou engenheiro) traduzir os sentimentos, imagens e sensações do habitante, re-
velando os possíveis significados e valores que os sustentam e, a partir deles, 
conceber os espaços. Explique a importância da ergonomia nos projetos arqui-
tetônicos.
AUTOATIVIDADE
154
155
TÓPICO 2
A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
DO PROJETO ARQUITETÔNICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Os desenhos arquitetônicos têm sua linguagem própria, e cada situação 
requer o dialeto certo. A linguagem da representação gráfica é variada, 
mas seu vocabulário é básico. As ideias são expressas por meio de li-
nhas, e todas as linhas ou os traços de uma página devem ser feitos com 
cuidado e atenção. O que toma a representação em arquitetura atraente 
é o uso da linguagem do desenho e de como esta pode ser aperfeiçoada 
e desenvolvida para comunicar a ideia de arquitetura proposta e trans-
formá-la em uma experiência real e única (FARRELLY, 2011, p. 6).
Na unidade anterior, foram apresentadas as fases de interpretação de um 
projeto arquitetônico. Desde os estudos preliminares (estudo da viabilidade de um 
programa ou partido arquitetônico a ser adotado), anteprojeto (definição do partido 
arquitetônico e suas especificações construtivas), assistência à execução da obra (in-
formações necessárias para a execução da obra) e também o processo pós-projeto (o 
acompanhamento e a supervisão após a conclusão da obra). Essas são fases constitu-
ídas por meio da representação gráfica e, consequentemente, pelo processo criativo 
do profissional.
Como já observado, o desenho arquitetônico é um desenho técnico normati-
zado, com enfoque para a execução e representação de projetos arquitetônicos. Este 
manifesta-se como um código para uma linguagem, estabelecida entre o desenhista 
e o leitor do projeto. Assim, o desenho arquitetônico é a forma de comunicação dos 
engenheiros, arquitetos e designers de interiores. 
Cabe notar que para a realidade de um projeto arquitetônico bem represen-
156
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
tado se faz o uso de representações que buscam facilitar a leitura do desenho e a 
execução da obra. Do modo convencional, as principais categorias das projeções se 
resumem em:
• plantas;
• elevações/fachadas;
• cortes;
• detalhamentos técnicos.
2 A REPRESENTAÇÃO DA PLANTA BAIXA
A planta baixa é o nome que se dá ao desenho de uma construção, feito a 
partir de corte horizontal à altura de 1,5 metro a partir da base do edifício. Por meio 
dessa representação é possível visualizar a dimensão da área construída, além da 
largura x comprimento dos elementos internos e externos. A planta é um desenho 
em escala e mostra a relação com os ambientes da obra arquitetônica. As plantas 
baixas auxiliam a visualização se o espaço é adequado para sua finalidade. 
Quando secionamos uma edificação com um plano horizontal, 
paralelo ao plano piso, a uma altura variável entre 120 cm e 180 
cm deste plano, de maneira que corte janelas, portas, paredes, en-
tre outros e que fiquem demarcadas todas as particularidades da 
construção, temos como resultante uma planta baixa (ODEBRE-
CHT, 2006, p. 59).
FIGURA 13 – PLANTA BAIXA PERSPECTIVADA
FONTE: Sarapka et al. (2009, p. 25)
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
157
A partir da planta baixa é necessário lançar informações dos demais projetos 
complementares de instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, telefônicas, preven-
ção e combate a incêndio, sistema de proteção a descargas atmosféricas, sonorização 
e segurança, não esquecendo principalmente do cálculo estrutural e de fundações de 
uma obra (CHING, 1998). 
FIGURA 14 – PLANTA BAIXA
FONTE: <http://bit.ly/2OQg1cu>. Acesso em: 27 nov. 2019.
Segundo Odebrecht (2006, p. 32), o desenho técnico da planta baixa deve 
conter:
• nomes dos pavimentos;
• cotas horizontais, parciais e gerais;
• dimensões das aberturas (portas e janelas) – opcional quadro de es-
quadrias, especificando, além das dimensões, o funcionamento, os 
materiais, acabamentos, espessura do vidro, veneziana e outras ca-
racterísticas especiais;
158
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
• marcação dos cortes;
• equipamentos fixos de banheiro;
• equipamentos de cozinha e área de serviço;
• nome de cada dependência;
• área e especificação do tipo de piso e, eventualmente, de forro e pa-
redes de cada compartimento.
• níveis;
• projeção da cobertura e/ou pavimento superior (tracejado);
• calçada externa;
• área construída de cada pavimento (área aberta e área fechada) e 
área construída;
• escala: normalmente 1:50.
2.1 O GRAFISMO
O grafismo são as linhas principais, ou seja, tudo que é cortado em planta. 
São linhas secundárias médias, como:
• parede;
• pilares;
• parapeitos;
• pisos;
• bancada de cozinha, dentre outros.
A base de quase todo desenho arquitetônico é a linha e a sua essência é a 
sua continuidade. Num desenho de linhas puras, a informação arquitetô-
nica nela contida (volumetria do espaço; definição dos elementos planos, 
sólidos e vazios; profundidade) depende, em grande parte, das diferenças 
discerníveis do peso visual dos tipos de linhas (CHING, 1998, p. 11).
A seguir são apresentados desenhos esquemáticos que representam a se-
quência do desenvolvimento da representação de uma planta baixa.
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
159
FIGURA 15 – SEQUÊNCIA DE DESENHO DE PLANTA
FONTE: Ching (1992, p. 28)
Caro acadêmico, conforme se aumenta a escala do desenho, aumenta o 
nível de detalhes indispensável para garantir a credibilidade da representação gráfica. “A 
atenção devida ao detalhe se acentua quando se desenham as espessuras dos materiais. 
Para elaborar desenhos em planta em escalas maiores é necessário, por consequência, ter 
conhecimentos gerais de construção” (CHING, 1992, p. 24).
ATENCAO
160
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
FIGURA 17 – CORTE LONGITUDINAL E TRANSVERSAL
01 (Transversal) 02 (Longitudinal)
FONTE: Adaptado de <http://bit.ly/2RiscQT>. Acesso em: 27 nov. 2019.
FIGURA 16 – REPRESENTAÇÃO CORTE OU SECÇÕES
FONTE: Montenegro (2001, p. 17)
3 CORTES OU SECÇÕES
Os cortes ou secções são resultados de divisão de uma edificação com um 
plano frontal ou um de perfil, que mostra todos os elementos e detalhes possíveis 
com mais clareza que o projeto está proporcionando. O corte é conhecido como trans-
versal ou longitudinal (ODEBRECHT, 2006).
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
161
FIGURA 18 – SECÇÃO DE DESENHO
FONTE: Ching (1992, p. 47)
162
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
Os cortes ou secções ajudam a ilustrar o entorno e o contexto físico de 
um edifício e as relações entre o espaço construído e espaços exteriores. 
As secções de desenho dão ênfase na forma e na definição do espaço, 
enquanto que a secção de construção enfatiza os detalhes de construção 
do edifício, onde os materiais de construção e o sistema construtivo se 
apresentam de forma mais clara (CHING, 1992, p. 47).
Segundo Odebrecht (2006, p. 33), os cortes são representados por:
• nomes;
• cotas verticais, gerais e parciais;
• definição da estrutura (tipo e materiais); 
• tipo da telha;
• inclinação do telhado;
• dimensões da estrutura do telhado;
• níveis;
• perfil original do terreno (tracejado);
• detalhes construtivos compatíveis com a escala;
• utilizar a mesma linguagem da planta baixa;
• escala 1:50. 
4 ELEVAÇÕES/FACHADAS
As elevações ou fachadas são elementos de representação gráfica que com-
põem um projeto arquitetônico. Elas são representadas por vistas principais: frontal, 
posterior e laterais. Possuem a finalidade de fornecer informações e representações 
necessárias para a execução, antecipando a visualização externa da edificação/cons-
trução projetada.
Segundo Odebrecht (2006, p. 33), as elevações ou fachadas, basicamente, res-
saltam tudo o que terá na construção/edifícios,em que aparecem: 
• nomes;
• tratamento das fachadas;
• destacar volumes, observado profundidade e proximidade 
através da hierarquia de traços e de sombras;
• não deixar o prédio voando (dar um chão observando a topografia 
corrigida);
• diferenciação de materiais de texturas;
• as fachadas podem ser humanizadas (céu, vegetação, veículo, 
figura humana);
• escala 1:50.
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
163
FIGURA 19 – ELEVAÇÕES E FACHADAS
FONTE: <http://bit.ly/3647V5W>. Acesso em: 27 nov. 2019.
FIGURA 20 – ELEVAÇÕES E FACHADAS (2)
FONTE: <http://bit.ly/2ON27Ia>. Acesso em: 27 nov. 2019.
5 PLANTA DE SITUAÇÃO
A planta de situação é um documento que identifica a localização e dimen-
sões do terreno, obtendo também informações de: 
• lotes;
• quadras vizinhas;
• ruas de acesso dentro de uma área.
164
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
Segundo Odebrecht (2006, p. 31), as caraterísticas da planta de situação do 
lote na quadra são: 
• quadro resumo
• dimensões do terreno
• área do terreno
• distância do terreno à rua mais próxima
• nome das ruas
• gabarito das ruas e calçadas
• orientação solar (indicação do norte)
• escala 1:500 ou 1:250.
“Na planta de situação, consta, no canto superior direito, uma tabela deno-
minada Quadro de Resumo. O objetivo deste quadro é apresentar os índices urbanís-
ticos do terreno e as áreas permitidas e projetadas da edificação” (PEIXER; BUDAG, 
2009, p. 112).
FIGURA 21 – EXEMPLO DE PLANTA DE SITUAÇÃO
FONTE: <http://bit.ly/2ONIgbG>. Acesso em: 27 nov. 2019.
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
165
FIGURA 22 – QUADRO DE RESUMO
FONTE: <http://bit.ly/2RqUysx>. Acesso em: 27 nov. 2019.
6 PLANTA DE LOCALIZAÇÃO/IMPLANTAÇÃO
De acordo com Odebrecht (2006), a função da planta de localização é apre-
sentar a vista superior do terreno com o objetivo de mostrar como acontece a ocupa-
ção do projeto no lote, fornecendo informações mais detalhadas sobre:
• desenho do terreno com suas curvas de níveis;
• dimensões do prédio;
• cotas de recuo (frente, fundos e laterais);
• vista superior da cobertura (linha contínua) e das paredes sob a cobertura, 
quando da existência de beiral (linha tracejada);
• muros;
• acessos;
• área construída;
• locação da fossa e do filtro anaeróbico;
• orientação solar;
• escala 1:250 ou 1:100 ou outra mais adequada.
166
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
FIGURA 23 – PLANTA DE LOCALIZAÇÃO/IMPLANTAÇÃO
FONTE: <http://bit.ly/2rSsbbQ>. Acesso em: 27 nov. 2019.
7 PLANTA DE COBERTURA
Segundo Odebrecht (2006), a planta de cobertura representa a projeção supe-
rior da edificação, visualizando no projeto o telhado de cima para baixo e as informa-
ções necessárias como:
• forma geral da cobertura;
• suas massas;
• inclinações; 
• caimento.
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
167
FIGURA 24 – PLANTA DE COBERTURA
FONTE: <http://bit.ly/33L8NLf>. Acesso em: 27 nov. 2019.
7.1 COBERTURA
As coberturas têm como função proteger as edificações contra a ação das in-
tempéries (chuva, neve, vento e sol). Segundo Odebrecht (2006, p. 63), a cobertura 
deve satisfazer às seguintes condições:
• impermeabilidade à chuva (e à neve, em clima frio);
• resistência aos choques de granizo;
• resistência mecânica suficiente para suportar as aberturas;
• resistência contra o vento;
• dimensionada para não sobrecarregar a estrutura;
• não ser combustível (fagulhas de chaminé);
• isolamento térmico;
• não apresentar fragilidade;
• resistência aos vapores ácidos (em cidades industriais ou usinas 
químicas).
168
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
FIGURA 25 – ELEMENTOS DO TELHADO EM VISTA
FONTE: Sarapka et al. (2009, p. 51)
Segundo Sarapka et al. (2009, p. 51), os elementos do telhado são:
• Beiral: elemento que limita o telhado.
• Águas: cada um dos panos (superfícies) inclinados do telhado.
• Cumeeira: elemento que divide horizontalmente duas águas do 
telhado em seu ponto mais alto.
• Espigões: elementos inclinados que dividem duas águas.
• Rincões: elementos inclinados que dividem duas águas atuando 
como “calha”, recolhendo e conduzindo a água da chuva na dire-
ção do escoamento. 
TÓPICO 2 | A PERCEPÇÃO E DESCRIÇÃO 
169
É um sistema de apoio de cobertura e revestida com telhas. É também um 
dos principais detalhes do projeto de uma casa, influenciando diretamente o conceito 
arquitetônico da edificação (ODEBRECHT, 2006). Existem dois tipos mais utilizados 
em residências: os convencionais, que ficam aparentes, visualizando a fachada; e os 
embutidos, que possuem platibandas, que são molduras na parte superior de um 
edifício que esconde o telhado (ODEBRECHT, 2006).
FIGURA 26 – TELHADO
FONTE: <http://bit.ly/3891sIw>. Acesso em: 27 nov. 2019.
8 PROJETOS COMPLEMENTARES
São conhecidos como projetos técnicos, os quais são elaborados a partir 
do projeto arquitetônico executivo, ou seja, devem ser realizados por engenheiros 
especialistas em cada área, os projetos em questão possuem mais símbolos que 
os demais, mas todos legendados (ODEBRECHT, 2006). Para a execução de uma 
residência existem alguns projetos, como:
• Projeto Estrutural.
• Projeto Hidrossanitário.
• Projeto Elétrico.
170
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
Os projetos complementares são dependentes das soluções adotadas no 
projeto arquitetônico, do tipo de construção, da estrutura, dos aspectos exi-
gidos para determinado uso ou função. Portanto, não são autônomos e não 
existem separados do projeto arquitetônico. Os projetos: estrutural, hidros-
sanitários e elétrico são complementares de qualquer projeto arquitetônico. 
Já os projetos de incêndio, aquecimento, refrigeração, sonorização, telefo-
nia, instalações especiais (gás, oxigênio, umidificação), tratamento térmico 
e acústico, tratamento paisagístico, entre outros dependem da natureza e 
da complexidade da obra projetada e ainda das exigências dos órgãos de 
aprovação dos projetos (ODEBRECHT, 2006, p. 34). 
171
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A planta baixa é o nome que se dá ao desenho de uma construção feito a partir de 
corte horizontal à altura de 1,5 metro a partir da base do edifício. Por meio dessa 
representação é possível visualizar a dimensão da área construída, além da largura 
x comprimento dos elementos internos e externos.
• A partir da planta baixa é necessário lançar informações dos demais projetos com-
plementares.
• O grafismo são as linhas principais, ou seja, tudo o que é cortado em planta. São 
linhas secundárias médias.
• Os cortes ou secções são resultados de divisão de uma edificação com um plano 
frontal ou um de perfil, que mostra todos os elementos e detalhes possíveis com 
mais clareza que o projeto está proporcionando. O corte é conhecido como trans-
versal ou longitudinal.
• As elevações ou fachadas são elementos de representação gráfica que compõem 
um projeto arquitetônico. Estas são representadas por vistas principais: frontal, 
posterior e laterais.
• A planta de situação é um documento que identifica a localização e dimensões do 
terreno, obtendo também informações de: lotes, quadras vizinhas e ruas de acesso 
dentro de uma área.
• A função da planta de localização é apresentar a vista superior do terreno com o 
objetivo de mostrar como acontece a ocupação do projeto no lote.
• A planta de cobertura representa a projeção superior da edificação, visualizando 
no projeto o telhado de cima para baixo.
172
AUTOATIVIDADE
1 A planta baixa é um desenho técnico em escala que auxilia a visualização 
do espaço. A partir da planta baixa é necessário lançar informações dos de-
mais projetos complementares, como: elétrico, hidráulico, sanitário, dentre 
outros. A partir desses pressupostos, descreva o que deve conter no dese-
nho técnico da planta baixa. 
2 As elevações ou fachadas são elementos de representação gráfica que com-
põem um projeto arquitetônico. As fachadas podem ser humanizadas e com 
enfoque em destacar volumes, representando as profundidade e proximi-
dade por meio da hierarquia de traços e desombras. Assinale a alternativa 
CORRETA que contém a função das fachadas:
a) ( ) Fornecer as informações e representações necessárias para a execução, 
antecipando a visualização externa da edificação/construção projetada.
b) ( ) Documento que identifica a localização e dimensões do terreno, obten-
do informações dos lotes, das quadras vizinhas e das ruas de acesso dentro 
de uma área.
c) ( ) Apresentar a vista superior do terreno com o objetivo de mostrar como 
acontece a ocupação do projeto no lote.
d) ( ) Sistema de apoio de cobertura.
3 Conhecidos como projetos técnicos que são elaborados a partir do projeto 
arquitetônico executivo, ou seja, que devem ser realizados por engenheiros 
especialistas em cada área, os projetos em questão possuem mais símbo-
los que os demais, mas todos legendados. Assinale a alternativa CORRETA 
que contém os principais projetos complementares para a construção de 
uma residência:
173
a) ( ) Quadro de resumo, dimensões do terreno e gabarito das ruas e calçadas.
b) ( ) Grafismo, planta baixa e cortes.
c) ( ) Fachadas, planta de cobertura e planta de situação.
d) ( ) Projeto estrutural, hidrossanitário e elétrico.
174
175
TÓPICO 3
REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
No Tópico 2, foram apresentados os elementos que compõem um projeto 
arquitetônico, como: plantas, cortes, elevações e os detalhamentos técnicos. Cabe no-
tar que em um projeto arquitetônico, além da necessidade das informações gráficas 
como cortes e perspectivas, precisa ocorrer a aplicação das normas técnicas, visto que 
a padronização tem como objetivo uniformizar o desenho técnico por meio de um 
conjunto de regras. Agora, no Tópico 3, estudaremos elementos de padronização na 
hora de desenvolver um projeto:
• Normas técnicas.
• Legendas.
• Formato do papel.
• Escalas.
• Cotas de nível.
• Desenho a mão livre.
• Desenho auxiliado por computador.
 
2 NORMAS TÉCNICAS
A normatização (simbologia, cotas e textos) possui a função de estabelecer 
regras gráficas para melhor entendimento de um projeto arquitetônico. A represen-
tação gráfica do desenho corresponde a uma norma internacional (sob a supervisão 
da ISO – Internacional Organization for Standardization). Porém, cada país possui 
suas próprias versões. 
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
176
No Brasil, fundada em 1948, as normas técnicas com enfoque na classificação 
dos desenhos são editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 
2011). As principais normas técnicas em relação às representações gráficas são: 
• NBR 6492 – Representação de projetos de arquitetura.
• NBR 10067 – Princípios gerais de representação em desenho técnico.
• NBR 8196 – Emprego de escalas em desenho técnico.
• NBR 8402 – Execução de caráter para escrita em desenho técnico.
• NBR 8403 – Aplicação de linhas em desenhos – tipos de linhas – largura de linhas. 
• NBR 10068 – Folha de desenho – leiaute e dimensões.
• NBR 10647 – Desenho técnico – norma geral. 
• NBR 13142 – Dobragem das pranchas.
2.1 TRAÇOS
 
Os traços de um desenho normatizado devem ser regulares, legíveis (visí-
veis) e devem possuir contrastes uns com os outros, ocorrendo uma hierarquização 
destes (ABNT, 2011). As linhas são caracterizadas como elemento principal do proje-
to arquitetônico. As linhas definem o formato, dimensão e posicionamento de:
• portas;
• janelas;
• vigas;
• pilares;
• objetos.
Quanto ao tipo de traços, podemos caracterizá-los em:
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
177
QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS QUANTO AO TIPO DE TRAÇOS
TIPO DE TRAÇOS CARACTERIZAÇÃO
Traço contínuo São as linhas comuns.
Traço interrompido
Representa um elemento de desenho “in-
visível” (ou seja, que esteja além do plano 
de corte).
Traço ponto Usado para indicar eixos de simetria ou linhas indicativas de planos de corte.
FONTE: Adaptado de NBR 6492 (1994)
FIGURA 27 – ESPESSURA DE TRAÇOS
FONTE: NBR 8403 (1984, p. 2)
Segundo as normas da ABNT (2011), normalmente, ocorre uma hierarqui-
zação das linhas, obtida através do diâmetro da pena (ou do grafite) utilizados para 
executá-la. Tradicionalmente, usam-se quatro espessuras de pena.
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
178
QUADRO 2 – NORMATIZAÇÃO DE LINHAS
LINHAS PENA NORMATIZAÇÃO
Complementares 0,1 Usada basicamente para regis-
trar elementos complementa-
res do desenho, como linhas 
de cota, setas, linhas indicati-
vas, linhas de projeção etc.
Fina 0,2 ou 0,3 Usada para representar os 
elementos que se encontram 
imediatamente a frente da 
linha de corte.
Média 0,4 ou 0,5 Usada para representar os 
elementos que se encontram 
imediatamente à frente da 
linha de corte.
Grossa 0,6 ou 0,7 Usada para representar elemen-
tos especiais, como as linhas 
indicativas de corte (eventual-
mente é usada para representar 
também elementos em corte, 
como a pena anterior).
FONTE: Adaptado de NBR 6492 (1994)
2.2 LEGENDA
A legenda deve apresentar em seu desenho as informações, indicações e 
identificações necessárias para uma boa execução do projeto, como designação da 
firma, projetista, local, data, assinatura, conteúdo do desenho, escala, símbolo do pro-
jeto, logotipo da firma etc.
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
179
FIGURA 28 – EXEMPO DE LEGENDA
FONTE: <http://bit.ly/2DKv3dt>. Acesso em: 20 nov. 2019.
A legenda terá que medir 178 mm de comprimento nos formatos A2, A3 e 
A4, e 175 mm nos formatos A0 e A1.
TABELA 1 – FORMATOS
DESIGNAÇÃO DIMENSÕES
A0 841 X 1189
A1 594 X 841
A2 420 X 594
A3 295 X 420
A4 210 X 297
FONTE: Adaptado de NBR 10582 (1988)
2.3 CALIGRAFIA TÉCNICA (NBR 8402)
Segundo a padronização estabelecida pela norma da NBR 8402, as letras 
devem ser sempre maiúsculas e não inclinadas e os números não devem ser incli-
nados, assim, atendem às exigências nas escritas como: legibilidade, uniformida-
de e adequação à microfilmagem.
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
180
FIGURA 29 – EXEMPLO DE CALIGRAFIA TÉCNICA
FONTE: Adaptado de NBR 8402
2.4 FORMATO DO PAPEL (NBR 10068)
O formato do papel deve ser conforme as regras da ABNT, identificado em 
um retângulo de área igual a 1 m² (formato A0), entende-se assim um formato básico 
no qual são obtidos os demais formatos da série A: A1, A2, A3 e A4, conforme pode-
mos ver a seguir:
QUADRO 3 – FORMATO DE PAPEL E MARGENS
FONTE: Adaptado de NBR 10068 (ABNT, 1987)
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
181
3 ESCALAS
Significa graficamente uma representatividade exatamente das medidas 
em um espaço. Toda escala é expressa por uma fração, em um projeto arquitetônico 
é essencialmente usada a escala numérica e uma representação gráfica (NEUFERT, 
2013). As escalas mais usadas são:
• Escala de redução: para o objeto representado em formato grande é usada a escala 
de redução para melhor representar dentro do projeto.
• Escala real (natural): o objeto está na mesma medida natural, chamado de escala 
natural.
• Escala de ampliação: o objeto está em um formato pequeno, em que é usada a 
escala de ampliação.
FIGURA 30 – EXEMPLO DE ESCALA
FONTE: <http://bit.ly/369CQNZ>. Acesso em: 27 nov. 2019.
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
182
4 LINHAS DE COTAS
É a linha que denomina a marcação dos pontos que limitam uma parede, 
especificando o valor expresso em metros. O projeto cotado tem a necessidade de 
apresentar todas as cotas para a sua execução (NEUFERT, 2013). 
FIGURA 32 – EXEMPLO DE LINHAS DE COTAS
FONTE: <http://bit.ly/2DPX4R4>. Acesso em: 27 nov. 2019.
3.1 ESCALA GRÁFICA
Escala gráfica é outro tipo de escala usada em publicações, em que as es-
calas de redução e ampliação acompanham proporcionalmente para a execução 
da escala gráfica.
FIGURA 31 – ESCALA GRÁFICA
FONTE: Sarapka et al. (2010, p. 36)
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
183
5 COTAS DE NÍVEL
As cotas de nível têm a função de informar o nível do piso, compreenden-
do assim a diferença do piso antes e depois do revestimento aplicado.
FIGURA 33 – COTAS DE NÍVEL
EM CORTE EM PLANTA
FONTE: <http://bit.ly/2YqU8DW>.Acesso em: 27 nov. 2019.
6 MATERIAIS DE DESENHO
O projeto arquitetônico pode ser desenvolvido à mão livre, com auxílio de 
materiais de desenho (pranchetas, lápis e réguas para executar bons projetos) ou com 
o uso da tecnologia, ou seja, auxiliado por computador. É automático vincular a pro-
fissão do engenheiro, arquiteto ou projetista a um profissional com habilidades téc-
nicas ao desenho. 
6.1 DESENHO À MÃO LIVRE
Materiais utilizados no desenho à mão livre:
• Lapiseira: grafite de espessura 0,3 mm, 0,5 mm e 0,7 mm ou 0,9 mm.
• Grafite com dureza HB, B e 2B.
• Borracha branca.
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
184
• Papel (o formato dependerá da necessidade).
• Régua paralela, régua "T" ou prancheta (A3 ou A2).
• Jogo de esquadros de acrílico, sem graduação.
• Escala plana de 30 cm. 
• Escala triangular (com escalas 1/20, 1/25, 1/50, 1/75, 1/100 e 1/125).
• Compasso de precisão.
FIGURA 34 – DESENHO ARQUITETÔNICO À MÃO LIVRE
FONTE: <http://bit.ly/2r81W1c>. Acesso em: 27 nov. 2019.
6.2 DESENHO AUXILIADO POR COMPUTADOR
Em 1982, a empresa Autodesk lançou o primeiro programa de CAD para 
PCs, o AutoCAD Release 1. A partir de suas atualizações quase que anuais, a Auto-
desk introduziu melhorias e novas funcionalidades ao software, que possibilitam a 
prática da criação. “O AutoCAD é um programa de modelagem 2D e 3D cujas apli-
cações são diversificadas, tais como: projetos de engenharia mecânica, civil, elétrica, 
urbana, arquitetura; uso em fabricação industrial, entre outros” (AMARAL; PINA 
FILHO, 2010).
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
185
FIGURA 35 – PLANTA BAIXA DESENVOLVIDA NO AUTOCAD (2D)
FONTE: <https://www.projete.info/cursos-oferecidos/autocad-2d/>. Acesso em: 27 nov. 2019.
FIGURA 36 – PROJETO DESENVOLVIDO NO AUTOCAD (3D)
FONTE: <http://bit.ly/2r78nBH>. Acesso em: 27 nov. 2019. 
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
186
LEITURA COMPLEMENTAR
RESUMO NORMAS TÉCNICAS SOBRE DESENHO TÉCNICO E 
REPRESENTAÇÃO DE PROJETOS DE ARQUITETURA
Francine Aidie Rossi
As ESCALAS (NBR 8196/1999) utilizadas em desenho de arquitetura ge-
ralmente são as escalas de redução (1:X, com X > 1), isto é, o objeto é representado 
em dimensão menor que a dimensão real. Em algumas situações, como na repre-
sentação de detalhes, pode-se utilizar a escala real (1:1) ou escala de ampliação 
(X:1, com X > 1). A escolha da escala deve ter em vista o tamanho do objeto a ser 
representado, as dimensões do papel e a clareza do desenho. As escalas mais 
utilizadas em desenho de arquitetura são: 1:50, 1:75, 1:100, 1:200, 1:250 e 1:500, 
podendo também ser utilizadas as escalas: 1:5, 1:10, 1:20 e 1:25.
As regras de ESCRITA TÉCNICA são fixadas pela NBR 8402/1994, porém 
a NBR 6492/1994 apresenta no anexo os tipos de letras e números para o desenho 
de arquitetura. A escrita deve ser sempre com letras em caixa alta (maiúsculas) 
e não inclinadas. Os números também devem ser grafados sem inclinação. Di-
mensão entrelinhas não deve ser inferior a 2 mm. As alturas das letras e números 
devem ser definidas em função da escala do desenho, sendo adotadas as alturas 
de; - 2 mm – régua 80 CL – pena 0,2 mm; - 2,5 mm – régua 100 CL – pena 0,3 mm; 
- 3,5 mm – régua 140 CL- pena 0,4 mm; - 4,5 mm – régua 175 CL – pena 0,8 mm.
Em relação aos TIPOS DE LINHAS, a norma NBR 8403/1984 dispões so-
bre a aplicação de linhas, sendo que na NBR 6492/1994 estão apresentados às 
aplicações e os tipos de linhas mais utilizados em desenho de arquitetura: As es-
pessuras das linhas variam em função da escala; usualmente adota-se: - LINHAS 
CONTÍNUAS GROSSAS: 0,6 ou 0,7 mm, linhas de contorno; - LINHAS CONTÍ-
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
187
NUAS MÉDIAS: 0,4 ou 0,5 mm, linhas internas, linhas de indicação e chamada; 
- LINHAS CONTÍNUAS FINAS: 0,2 ou 0,3 mm, linhas internas, linhas de cota, 
linhas auxiliares; - LINHAS TRACEJADAS: 0,4 ou 0,5 mm, linhas situadas além 
do plano do desenho.
• LINHAS TRAÇO E PONTO: 0,2 ou 0,3 mm, linhas de eixo ou coordenadas.
REPRESENTAÇÃO NORTE
INDICAÇÃO DOS ACESSOS
INDICAÇÃO INCLINAÇÃO DE TELHADOS E PISOS
UNIDADE 3 | O ESPAÇO INTERIOR E EXTERIOR
188
COTAS
• Linhas de cota devem estar sempre fora do desenho, salvo em casos de impossi-
bilidades;
• Linhas de chamada devem parar 2 mm a 3 mm do ponto dimensionado; 
• Os números devem ter 3 mm de altura e espaço entre número de linha de cota 
deve ser de no mínimo 1,5 mm; 
• Quando não for possível escrever o valor da cota dentro das linhas de chamada, 
coloca-se a cota logo ao lado; - nos cortes são indicadas somente cotas verticais;
• Evitar a duplicação de cotas; 
• A indicação dos limites da linha de cota deve ter o mesmo tamanho num mesmo 
desenho e é feita por meio de pontos ou traços oblíquos desenhados com uma 
linha curta e inclinados a 45°. 
As cotas de nível são sempre em metro, sendo representadas em planta e 
em corte da seguinte maneira:
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES E NORMATIZAÇÕES
189
INDICAÇÃO E MARCAÇÃO DE CORTES
A marcação do corte deve ser feita de forma clara e com traçado forte para 
evitar dúvidas sobre sua localização. A linha de corte termina com traço do tipo 
traço e ponto grosso e com a indicação do corte.
INDICAÇÃO DE FACHADAS E ELEVAÇÕES
FONTE: <http://paginapessoal.utfpr.edu.br/luizpepplow/desenho-eletrico/apresentacoes-das-
aulas/desenho-auxiliado-por-instrumentos/Resumo_NBRs.pdf/at_download/file>. Acesso em: 
27 nov. 2019. 
190
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A normatização (simbologia, cotas e textos) possui a função de estabelecer regras 
gráficas para melhor entendimento de um projeto arquitetônico.
• Os traços de um desenho normatizado devem ser regulares, legíveis (visíveis) e 
devem possuir contrastes uns com os outros, ocorrendo uma hierarquização.
• A legenda deve apresentar no desenho as informações, indicações e identificações 
necessárias para uma boa execução do projeto, como designação da firma, pro-
jetista, local, data, assinatura, conteúdo do desenho, escala, símbolo do projeto, 
logotipo da firma etc.
• Na padronização estabelecida pela norma da NBR 8402, as letras devem ser sem-
pre maiúsculas e não inclinadas e os números não devem ser inclinados, assim 
atendem às exigências nas escritas como: legibilidade, uniformidade e adequação 
à microfilmagem.
• O formato de papel deve ser conforme as regras da ABNT, identificando em um 
retângulo de área igual a 1 m² (formato A0), entende-se assim um formato básico 
em que são obtidos os demais formatos da série A: A1, A2, A3 e A4.
• Toda escala é expressa por uma fração, e em um projeto arquitetônico é essencial-
mente usada escala numérica e uma representação gráfica.
• As linhas de cotas denominam a marcação os pontos que limitam uma parede, 
especificando o valor expresso em metros. O projeto cotado tem a necessidade de 
apresentar todas as cotas para a sua execução.
191
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pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
• As cotas de nível têm a função de informar o nível do piso, compreendendo assim 
a diferença do piso antes e depois do revestimento aplicado.
• O projeto arquitetônico pode ser desenvolvido à mão livre, com auxílio de mate-
riais de desenho (pranchetas, lápis e réguas para executar bons projetos) ou com o 
uso da tecnologia, ou seja, auxiliado por computador.
192
AUTOATIVIDADE
1 A normatização (simbologia, cotas e textos) possui a função de estabelecer re-
gras gráficas para melhor entendimento de um projeto arquitetônico. A repre-
sentação gráfica do desenho corresponde a uma norma internacional (sob a 
supervisão da ISO – Internacional Organization for Standardization). Sabendo 
que cada país possui suas próprias versões, descreva em forma de tópicos as 
principais normas técnicas em relação às representações técnicas.
2 As escalas significam graficamente uma representatividade exatamente me-didas em um espaço. Toda escala é expressa por uma fração, e em um projeto 
arquitetônico é essencialmente usada a escala numérica e uma representação 
gráfica. A partir desses pressupostos, assinale a alternativa CORRETA que con-
tém os tipos de escalas mais usadas: 
a) ( ) Escala de redução; Escala real e Escala de ampliação.
b) ( ) Escala de redução; Escala gráfica e Escala de ampliação.
c) ( ) Escala gráfica; Escala de redução e Escala real.
d) ( ) Escala real; Escala técnica e Escala de redução.
3 O projeto arquitetônico pode ser desenvolvido à mão livre, com auxílio de 
materiais de desenho (pranchetas, lápis e réguas para executar bons projetos) 
ou com o uso da tecnologia, ou seja, auxiliado por computador. É automático 
vincular a profissão do engenheiro, arquiteto ou projetista a um profissional 
com habilidades técnicas ao desenho. Descreva em forma de tópicos os prin-
cipais materiais utilizados para desenvolver os desenhos à mão livre.
193
REFERÊNCIAS
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194
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8402: Execução de 
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