Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

1 
 
Disciplina: Constelação Familiar e Empresarial I 
Autora: Esp. Debora Ereno da Silva 
Revisão de Conteúdos: Esp. Murillo Hochuli Castex 
Revisão Ortográfica: Esp. Alexandre Kramer Mongenterm 
Ano: 2019 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas 
páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de 
Marketing da Faculdade São Braz (FSB). O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em 
cobrança de direitos autorais. 
 
 
2 
 
Debora Ereno da Silva 
 
 
 
 
 
Constelação Familiar e Empresarial I 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2019 
Curitiba, PR 
Editora São Braz 
 
3 
 
Editora São Braz 
Rua Cláudio Chatagnier, 112 
Curitiba – Paraná – 82520-590 
Fone: (41) 3123-9000 
 
 
 
 
 
Coordenador Técnico Editorial 
Marcelo Alvino da Silva 
 
Revisão de Conteúdos 
Murillo Hochuli Castex 
 
Revisão Ortográfica 
Alexandre Kramer Mongenterm 
 
Desenvolvimento Iconográfico 
Juliana Emy Akiyoshi Eleutério 
 
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 
 
SILVA, Debora Ereno da. 
Constelação Familiar e Empresarial I / Debora Ereno da Silva. – Curitiba: Editora 
São Braz, 2019. 
62 p. 
ISBN: 978-85-5475-423-5 
1.Constelações. 2. Família. 3. Empresa. 
Material didático da disciplina de Constelação Familiar e Empresarial I – 
Faculdade São Braz (FSB), 2019. 
Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 
 
4 
 
PALAVRA DA INSTITUIÇÃO 
 
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à Faculdade São Braz! 
 
 Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, 
nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de 
dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão 
Universitária. 
 A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e 
comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do 
desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas 
também brasileiros conscientes de sua cidadania. 
 Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar 
comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as 
ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão 
de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e 
grupos de estudos, o que proporciona excelente integração entre professores e 
estudantes. 
 
 
 Bons estudos e conte sempre conosco! 
 Faculdade São Braz 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Sumário 
Prefácio ................................................................................................................. 06 
Aula 1 – Histórico e evolução das Constelações .................................................... 07 
Apresentação da aula 1 ......................................................................................... 07 
 1.1 Conceitos e terminologias ....................................................................... 08 
Conclusão da aula 1 .............................................................................................. 19 
Aula 2 – Postura sistêmica e papel do facilitador ................................................... 19 
Apresentação da aula 2 ......................................................................................... 19 
 2.1 Postura sistêmica ..................................................................................... 20 
 2.2 Ordens da Ajuda ....................................................................................... 24 
Conclusão da aula 2 .............................................................................................. 32 
Aula 3 – As ordens do Amor e o sistema familiar ................................................... 33 
Apresentação da aula 3 ......................................................................................... 33 
 3.1 As Ordens do Amor ................................................................................... 34 
 3.2 Pertencimento .......................................................................................... 36 
 3.3 Hierarquia ................................................................................................. 39 
 3.4 Equilíbrio na Troca .................................................................................... 41 
 3.5 Vínculo e destino ...................................................................................... 44 
Conclusão da aula 3 .............................................................................................. 45 
Aula 4 – Diferenciação, consciência pessoal e coletiva ......................................... 46 
Apresentação da aula 4 ......................................................................................... 46 
 4.1 Diferenciação ............................................................................................ 47 
Conclusão da aula 4 .............................................................................................. 58 
Conclusão da disciplina ......................................................................................... 60 
Índice Remissivo ................................................................................................... 61 
Referências ........................................................................................................... 62 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Prefácio 
Esta disciplina tem por objetivo apresentar os principais conceitos sobre 
a Constelação Familiar e Empresarial, colocando luz sobre dinâmicas familiares 
e empresariais de acordo com a ótica sistêmica. Dentro desse âmbito, iremos 
discorrer sobre conceitos e terminologias, bem como serão abordados os 
principais elementos que compõem esta técnica terapêutica, mostrando sua 
estrutura e funcionamento básico. As dinâmicas familiares e empresariais, vistas 
sob a ótica das constelações, podem ter suas causas e efeitos demonstrados 
com mais clareza para além dos julgamentos e preceitos morais e legais que 
norteiam aquilo que temos formado como senso comum. Portanto, trata-se de 
uma abordagem com diretrizes próprias, e que objetivam delinear o trabalho do 
facilitador, seus limites e posturas, proporcionando ajuda efetiva a quem busca 
solução para questões que estejam interferindo em sua vida, saúde e profissão. 
Serão abordados na disciplina diversos âmbitos e contextos de questões 
familiares e empresariais, nos quais as dinâmicas sistêmicas podem ser 
observadas e que servem para elucidar o que está causando o desequilíbrio, 
fornecendo, assim, informações de quais intervenções podem vir a restabelecer 
o equilíbrio. Como elementos interdependentes e inter-relacionados, a visão 
sistêmica propõe este olhar amplo, ainda que a manifestação da questão 
abordada se dê pelo indivíduo que a apresentou. Dessa forma, as contribuições 
que se alcançam por meio das constelações são muito significativas, quando são 
respeitados os seus preceitos e a postura de atuação, e quando há abertura e 
permissão para que o movimento de solução se faça. Problemas habitualmente 
complexos podem ter sua origem em dinâmicas simples, que demonstram os 
possíveis emaranhamentos entre os integrantes daquele sistema e que podem, 
com relativa facilidade, se mostrar dentro de um contexto que permita a solução 
com efetividade. Desfazer os emaranhamentos, restabelecer a ordem, incluir 
quem estava esquecido, reconciliar e aproximar são movimentos amorosos que 
se dão mediante as constelações e permitem que destinos melhores possam ser 
experimentados. 
 
 
 
 
 
7 
 
Aula 1 – Histórico e evolução das Constelações 
 
Apresentação da aula 1 
 
Nesta aula daremos início aos nossos estudos, passando pelo histórico e 
evoluçãodas Constelações, seus principais conceitos e terminologias, assim 
como as ordens que regem os sistemas e considerações iniciais que permitam 
compor uma base primeira para o entendimento desta técnica e seus âmbitos de 
atuação. 
As Constelações tiveram seu maior desenvolvimento e impulso por meio 
dos trabalhos feitos por Bert Hellinger, teórico que se dedica ao tema há mais 
de 30 anos, com base em suas experiências, abordagens e formações 
anteriores. Abordagens como Psicodrama, Esculturas Familiares, Pensamento 
Sistêmico, além da Psicoterapia, contribuíram para o caminhar e a estruturação 
das Constelações. Com formação religiosa, anos de trabalho missionário na 
África do Sul e dedicação à psicoterapia e às dinâmicas de grupo desde o início 
dos anos 70, Hellinger sempre enfatizou a importância do crescimento interno. 
Cada indivíduo e questão são tratados de forma única, e a sua imagem interna 
de família é que é trabalhada. Seus livros já foram lidos por milhões de pessoas 
ao redor do mundo, em 19 diferentes idiomas, e o método das constelações 
familiares é utilizado no mundo todo, da Alemanha ao Brasil e China, por 
exemplo, que têm culturas e histórias distintas. 
Saiba Mais 
Bert Hellinger (1925) é um psicoterapeuta 
alemão, inventor do conceito de Constelações 
familiares, método aplicado às pessoas para 
descobrir os antecedentes relacionados ao 
fracasso, doenças, desorientação, dependência 
e experiências semelhantes. 
 
A metodologia das Constelações Familiares foi a base para as 
Constelações organizacionais, pois observou-se que os princípios e ordens 
atuam tanto em uma quanto na outra. Hellinger dedicou-se com mais interesse 
às Constelações Familiares, e Gunthard Weber, com quem atuou em conjunto, 
 
8 
 
foi quem seguiu os estudos e experimentos com maior ênfase nas Constelações 
Organizacionais, e é considerado o “pai” delas. Temos, ainda, como nomes 
muito relevantes nesse âmbito, Matthias Varga von Kibéd e Insa Sparrer, que 
definem o que se passa nas constelações como uma “linguagem transverbal” 
utilizada pelo grupo, e o grande desafio é desvendar sua gramática. 
Embora regidas por princípios e ordens similares e obedecendo as 
recomendações de postura em ambas as situações, o ambiente das 
Constelações organizacionais tende a ser menos emocional, embora não menos 
convincente naquilo que demonstra e nas soluções que pode alcançar. Os 
facilitadores no ambiente empresarial eram, a princípio, terapeutas, e, com isso, 
havia uma atenção maior às dinâmicas sociais e psicológicas por conta deste 
viés, trazendo uma observação que partia de uma ótica mais familiar. As 
principais diferenças em relação a cada uma delas são: 
 
 Pertencemos desde o nascimento a uma família e somente a esta, 
já nas organizações, pertencemos por escolha, e em caráter 
temporário; 
 Há uma carga emocional menor nas organizações se comparadas 
às famílias; 
 Nas organizações, as constelações funcionam mais como um 
impulso à solução, trazendo clareza para a ação, mostrando 
caminhos do que como solução propriamente; 
 Ao contrário das famílias, nas organizações é possível o teste de 
diferentes soluções, a simulação de hipóteses construindo a 
visualização de caminhos possíveis; 
 Em uma família, ocupamos um único lugar e papel, e nas 
organizações isso pode mudar com o tempo, o que traz um maior 
grau de complexidade para estes sistemas. 
 
1.1 Conceitos e terminologias 
 
A começar pelo próprio nome, Constelações, é comum que haja confusão 
no entendimento desta abordagem e técnica terapêutica. Por ser Bert Hellinger 
alemão, a denominação desta técnica terapêutica originou-se neste idioma como 
 
9 
 
aufstellung e, por conta de traduções para o inglês e depois para o português, 
chegou até nós como “constelações”. O significado atribuído, começando pela 
tradução literal de aufstellung que quer dizer lista, objetiva trazer a ideia de um 
todo, de que a lista, por assim dizer, contemple todos os integrantes daquele 
sistema. Portanto, não há relação com astronomia ou astrologia, zodíaco e afins. 
Trata-se apenas de uma forma de nominar o arranjo de um sistema com os seus 
integrantes. Temos então como Sistema uma composição de elementos inter-
relacionados e interdependentes que formam um todo. Dessa forma, tanto 
podemos estar tratando de um sistema familiar quanto empresarial, desde que 
contemple os elementos de cada um. 
Outro conceito importante para adentrarmos nesta abordagem é o de 
campo sistêmico. Usualmente, é comum que esta terminologia seja utilizada 
referindo-se ao espaço de trabalho em que a constelação será realizada. Daí 
surgirem falas como: “formar o campo”, “preservar o campo”, entre outros. 
Entretanto, o significado mais relevante atribuído a este conceito é o de 
representar todo o conjunto de pessoas que pertencem ao sistema do indivíduo 
(ele mesmo, seus pais, cônjuges, filhos, entre outros) ou da empresa. O campo 
sistêmico vem a ser então este todo que contém seus integrantes e o registro 
das informações do que se passou com cada um individualmente e em suas 
relações. Nada, nenhuma explicação se aproxima tanto do entendimento do que 
vem a ser o campo sistêmico quanto participar efetivamente. Assim, é possível 
compreender ao mesmo tempo a simplicidade e a profundidade do que se passa, 
e como isso se passa. 
Segundo Hellinger, a experiência que mais se aproxima de explicar o que 
acontece no campo sistêmico é a do biólogo inglês Rupert Sheldrake. Seu 
experimento com animais, submetendo-os a determinadas condições para a 
obtenção de alimentos ou para encontrar a saída em labirintos, verificou que as 
informações são transmitidas aos sucessores em locais fisicamente distantes e 
sem nenhuma forma de comunicação direta. Observou-se que os 
comportamentos daqueles que eram submetidos à mesma experiência, 
posteriormente aos primeiros, agiam como se já tivessem uma informação prévia 
do que funcionava ou não, e seguiam, a partir daí, sem cometer as mesmas 
falhas iniciais ou sem repetir os comportamentos que foram punidos em relação 
aos primeiros da espécie submetidos à mesma experiência. 
 
10 
 
 
Campos sistêmicos 
Fonte: https://constelarflorianopolis.com.br/wp-content/uploads/2012/04/constelar. 
florianopolis.000555555.jpg 
Importante 
Segundo Rupert Sheldrake, o campo morfogenético ou 
mórfico é uma espécie de memória da natureza, que se 
transmite pela ressonância mórfica. De acordo com ele, são 
campos coletivos de informação, que têm registro de 
acontecimentos, pensamentos e sentimentos, e esta 
informação circula e se transmite entre seus integrantes como 
um éter invisível. Trata-se de campos não físicos, que 
transmitem informações e não energia. 
 
Dessa forma, Rupert conclui que as informações que são transmitidas por 
meio do campo mórfico definem a organização das atividades cerebrais e 
mentais, definindo também os padrões de organização dentro do grupo. Como 
exemplo, cita que acredita ser esta informação a que faz com que pássaros de 
determinada espécie façam voos organizados em formações perfeitas. Assim 
como, determinados comportamentos são percebidos a distância, como estar 
vendado e, ainda assim, perceber se está sendo ou não observado. Esta 
constatação leva à proposição de que nossas mentes funcionam por extensão 
de campos alongados muito além das nossas cabeças, conectando pessoas e 
ambientes. 
 
11 
 
Com base nisso, ao montar o campo sistêmico para a realização das 
constelações, é possível observar as dinâmicas que se desenrolam, como se 
esta informação fosse da mesma forma transmitida aos integrantes do sistema. 
Esta informação, que se transmite através do campo, pode estar absolutamente 
inconsciente para aquele que apresenta a questão a ser trabalhada, mesmo que 
pertença ao campo e esteja em contato com isso, exercendo e recebendo suas 
influências. 
O desenrolar das constelações, apartir da montagem do campo, se dá 
por meio do que Hellinger chama de observação fenomenológica, que é 
caracterizada por uma contemplação que surge a partir de um recolhimento 
interno, um estado em que o facilitador se coloca para apenas perceber o que 
ali vai se mostrar. Esta contemplação, sem pressa, é o que permite que algo que 
poderia estar ali oculto se mostre, mesmo que inicialmente não apareça. Esse 
olhar é interior, voltado para o que é essencial. 
Portanto, como observação fenomenológica, é importante ter em mente 
que cabe o olhar para movimentos, expressões, distanciamentos ou 
proximidades, posicionamentos, sinais físicos que expressam intenções e 
direções, todas estas sutilezas compõem o conjunto de sinais segundo os quais 
é possível fazer a leitura das dinâmicas que se passam dentro de um sistema. 
Simples olhares, ou a recusa a olhar, posicionar-se de frente, ao lado, atrás de 
outro integrante, tudo isso são indícios das dinâmicas presentes. Por convenção 
do longo período e incidência de observações, por exemplo, quando algum 
integrante permanece consistentemente olhando para o chão é um sinal de que 
olha para alguém que morreu, está fortemente vinculado a algum integrante 
morto. 
 
Atenção: todos estes sinais são sutis, estamos tratando de um 
campo de informações transmitidas por movimentos sutis. Se 
algo muito intenso se apresentar, seja na expressão corporal ou, 
principalmente, na manifestação verbalizada de um 
representante, o mais recomendado pode ser substituí-lo para 
verificar se não há um exagero que possa ser fruto de sensações 
e histórias pessoais. Se a informação procede, a manifestação se 
dá independentemente de quem esteja representando. 
 
 
12 
 
Ao observar estas dinâmicas, segundo Hellinger, tem-se em mente o que 
rege o funcionamento dos sistemas familiares e empresariais, que são as 
Ordens do Amor. De acordo com suas incontáveis observações de inúmeros 
grupos familiares, há algumas ordens que definem o desenrolar de movimentos 
dentro desses grupos, como uma estrutura de causa e consequência. Da mesma 
forma, observa-se que os sistemas empresariais obedecem também a estas 
ordens, dentro das suas dinâmicas específicas, que se desenrolam neste 
âmbito. 
As ordens do Amor são apenas três, de acordo com esta linha de 
conhecimento. Apesar de serem apenas três, em quase todas as dinâmicas a 
questão que é trazida, com maior ou menor grau de complexidade, é a relação 
com a quebra de uma ou mais destas ordens. Portanto, isso nos dá um espectro 
de observação bastante específico, o que torna a atuação dentro da abordagem 
das constelações bastante efetiva. Uma vez tendo em mente com profundidade 
e clareza estas três ordens, além de ter também a clareza de que não há que se 
buscar pela complexidade diante das questões apresentadas, isso permite focar 
a atuação e evitar que as emoções e manifestações roubem a clareza do que é 
importante. Há inclusive um livro de Bert Hellinger, enfatizando o quanto isso é 
relevante, cujo título reforça que “O essencial é simples”. 
Portanto, para Hellinger, os sistemas familiares são regidos pelas leis, 
chamadas ordens do Amor, que, de acordo com ele, são: pertencimento, 
hierarquia e equilíbrio na troca. 
 
[...] ajudará muitas famílias a encontrar a solução para os problemas 
que sempre lhes pareceram insolúveis. Então o amor poderá unir de 
novo todos os membros da família. O dia-a-dia de muitas famílias 
mostra que não basta que nos amemos reciprocamente. O amor 
também precisa de uma ordem, para que possa de desenvolver. Essa 
ordem nos é preestabelecida. Somente quando sabemos algo sobre 
as ordens do amor é que podemos superar os obstáculos que, apesar 
da boa vontade de todos os envolvidos, muitas vezes se colocam no 
nosso caminho (HELLINGER, 2007, p. 7). 
 
Vê-se, portanto, que as ordens do amor são preceitos próprios dentro da 
abordagem das constelações, cuja identificação aconteceu por continuada 
observação de inúmeros sistemas e seus acontecimentos e dinâmicas, e não se 
submetem ao desejo ou a regras morais, culturais, sociais ou religiosos. O que 
não significa dizer que o indivíduo prescinde do cumprimento dos regramentos, 
 
13 
 
quais sejam, no ambiente a que pertença, por escolha própria, escolhas coletivas 
ou tradições. Significa sim dizer que, ao buscar tratar questões cotidianas sob a 
ótica das constelações e os preceitos da visão sistêmica, inúmeras vezes as 
dinâmicas e as soluções que se apresentarão podem contrariar a moral vigente, 
bem como estas outras regras. E que, para usufruir das soluções e liberações 
propostas por este método, há que se respeitar e seguir ao que dizem as ordens 
do amor. 
 
Penetrar as Ordens do Amor é sabedoria. Segui-las com amor é 
humildade (HELLINGER, 2006). 
 
A primeira das ordens trata do pertencimento, sendo esta a ordem que diz 
que todo aquele que um dia pertenceu, tem direito ao seu lugar acolhido no 
sistema e o reconhecimento devido deste pertencimento. Aparentemente 
simples de ser seguida, grande parte das dificuldades vividas e dos problemas 
experimentados podem estar relacionados ao descumprimento deste preceito. 
Uma vez que diz que todos aqueles que pertenceram têm seu lugar, pressupõe 
uma igualdade neste direito, tendo todos o mesmo valor, independentemente de 
julgamentos morais e sociais e de suas ações. Ainda, mesmo que tenha feito 
parte por um lapso de tempo curto, o lugar é de direito. Para ilustrar isso, temos 
situações como bebês natimortos, bebês abortados de forma natural ou 
provocada, ex-companheiros, independentemente da duração do casamento, 
meio-irmãos, familiares que tenham cometido crimes, entre outros. O 
pertencimento também vai para além da morte física, todos fazem parte. Pode 
que algum familiar tenha o seu direito de pertencer recusado, por razões 
diversas, ou simplesmente que seja esquecido pelos demais, ou tenha sua 
história silenciada, e isso então é o suficiente para que o senso de completude 
do sistema seja afetado. Com isso, o sistema naturalmente vai buscar seu 
equilíbrio, pois há um impulso irresistível de respeitar o pertencimento, e é 
provável que haja um processo de identificação, em que este integrante possa 
ser revivido ou representado por outro familiar mais jovem, afetando 
principalmente as crianças. 
 
14 
 
Um homem casado conhece uma outra mulher e diz à esposa: “Não 
quero mais viver com você”. Se vier a ter filhos com a nova parceira, 
um deles irá representar a esposa abandonada, talvez dirigindo ao pai 
o mesmo sentimento de ódio, rejeição e sofrimento dela ou então 
afastando-se dele com a mesma tristeza. Essa criança, porém, não 
sabe que está tornando presente a pessoa excluída e fazendo-a valer. 
E nem seus pais têm consciência disso (HELLINGER, 2015). 
 
O mesmo processo se dá com aqueles que são excluídos por julgamentos 
morais, ou inadequações sociais. O filho ilegítimo, tido fora do casamento, o tio 
que tem forte dependência do álcool, um familiar que sofra de insanidade mental, 
todos aqueles que representam, do ponto de vista do senso comum moral e 
social, uma vergonha para a família e sejam excluídos, pelo vínculo impactarão 
o sistema e o destino de outro ou de vários. Seja pela identificação, como já 
exposto, seja por outros comportamentos e escolhas que afetam a vida de outro 
integrante para compensar esta exclusão. Lembrando que é comum que as 
crianças sejam as primeiras a serem afetadas e a servirem a este papel, 
seguindo destinos que, por amor, pretendem restabelecer a completude no 
sistema. 
A abordagem de acordo com as constelações permite trazer à luz 
questões assim, possibilitando que a compensação ocorra de forma curativa por 
meio das intervenções durante o trabalho, reconhecendo o lugar de todos e 
encerrando ciclos que perpetuam destinos difíceis. A compensação que 
acontece pelo amor que busca compensar cegamente, de forma inconsciente,gera novos desequilíbrios a serem compensados continuamente, perpetuando 
dificuldades. 
Para Refletir 
O reconhecimento ao direito de pertencer não significa eximir 
possíveis responsabilidades, somente reconhecer que todos 
pertencem, têm o seu lugar, e este direito independe das 
suas ações. Saber sobre as histórias da sua família, fazer 
perguntas e incentivar a partilha pode ser curativo e ajudar a 
sanar exclusões inconscientes. 
 
No âmbito empresarial, os desafios comuns que se apresentam em 
relação ao pertencimento mostram situações relativas a ex-sócios, ex-
colaboradores e até mesmo em relação a produtos e serviços que já tenham feito 
 
15 
 
parte e contribuído com a história e resultados da organização. Esquecer ou 
deixar de reconhecer as contribuições de quem veio antes traz desafios e 
dificuldades no âmbito empresarial, em que é comum que se atribuam à 
economia, mercado, concorrência e outros fatores, quando em uma constelação 
esta dinâmica pode vir à luz e encontrar caminhos de solução. 
Já a segunda ordem, a da hierarquia, traz o entendimento de que todos 
que fazem parte pertencem ao sistema na ordem e na posição em que passaram 
a integrá-lo. Sendo assim, aquele que veio antes tem precedência sobre quem 
veio depois, como uma observância à lei do tempo, que nos dá noção de 
sequência e tem efeito estruturante para o ser. Isto se aplica aos pais sobre os 
filhos, ao primeiro filho sobre o segundo, a este sobre o terceiro e assim por 
diante. Da mesma forma, à primeira esposa ou marido sobre a segunda(o), no 
caso de um segundo casamento. Portanto, o respeito dos filhos para com os 
pais, dentro da visão sistêmica, é devido também por estes integrarem o sistema 
antes dos filhos. 
Situações que vemos comumente no nosso convívio, como não 
reconhecer o devido lugar à primeira esposa, ou marido, é um comportamento 
gerador de desequilíbrio e, atuando mesmo que inconsciente, provoca o 
movimento em busca da compensação. Da mesma forma, filhos que assumem 
postura de cuidadores dos pais, sentindo-se na obrigação de retribuir o que deles 
receberam, acabam por exercer um papel de pais dos próprios pais, e estes de 
filhos. O irmão mais novo, que toma para si responsabilidades e atuação como 
se fosse o mais velho, igualmente coloca em desordem a hierarquia do sistema. 
Situações assim violam a ordem da hierarquia, gerando desequilíbrios no 
sistema. 
Quando estamos tratando de questões empresariais, a hierarquia é um 
termo utilizado habitualmente para denominar a posição funcional, estabelecer 
as relações de autoridade e responsabilidade. Entretanto, no que toca às 
constelações empresariais, vai além disso, tratando da precedência de quem 
veio antes, seja naquela posição, seja na empresa como um todo. Sendo assim, 
quando se deixa de ouvir as contribuições de quem veio antes, de reconhecer 
as contribuições e o papel que exerceram, isso dá espaço para que dinâmicas 
de desequilíbrio se apresentem, e problemas nos negócios ou entre 
colaboradores sejam desencadeados. 
 
16 
 
A terceira das ordens do Amor diz respeito ao equilíbrio na troca dentro 
das relações. Equilíbrio na troca trata de dar e receber em equivalência. Esta 
ordem atua em todas as relações, com exceção da relação entre pais e filhos, 
onde estes necessariamente tomam muito mais do que recebem, já que só a 
vida, por si só, é algo impossível de ser compensado em igual medida. De acordo 
com o que foi observado ao longo dos anos em inúmeros sistemas e dinâmicas, 
a forma de compensar, por assim dizer, a vida que se recebe dos pais é fazer 
algo de bom com a vida que se recebe, e passá-la adiante aos seus filhos, 
perpetuando a existência daquele sistema. Toda relação em que uma das partes 
dá mais do que recebe, ou alguém recebe mais do que dá, gera um desequilíbrio. 
Entretanto, contrariando o que diria o senso comum, receber mais do que se dá 
gera um peso, e com isso o indivíduo tende a buscar um caminho para sair da 
relação. 
Do ponto de vista organizacional, o equilíbrio na troca abrange a relação 
entre clientes e a organização, observando o dar e receber entre produtos e 
serviços oferecidos e o que se recebe, assim como as relações com 
fornecedores e colaboradores. A relação entre colaboradores também é 
regulada por esta ordem, entre departamentos e também para serviços 
prestados x remuneração recebida. Estamos tratando de movimentos que não 
são lineares na sua manifestação, e que são abrangentes pois observam o 
cumprimento das ordens em todo o sistema, portanto, salvo por meio do método 
das constelações, nem sempre é tão simples identificar onde há o desequilíbrio 
e o que este pode estar causando como consequência. 
Todas estas ordens se manifestam pelo vínculo, que é a ligação, o 
relacionamento existente entre cada elemento do sistema, e há uma reação a 
tudo que possa promover ou ameaçar o vínculo, seja na família, seja nas 
organizações. Por meio do vínculo os destinos se cruzam e as compensações 
acontecem no movimento maior do sistema como um todo, visando manter o 
equilíbrio e o respeito. 
Quando há uma quebra das ordens de hierarquia e/ou pertencimento, um 
acontecimento ou comportamento que as violem, e um indivíduo toma para si, 
pelo vínculo, um lugar ou destino que não é o seu, a este movimento de 
compensação, pelo vínculo, é o que chamamos de emaranhamento. Significa 
dizer que outro integrante, por amor, fará movimentos de compensação a esta 
 
17 
 
violação no sentido de evitar o sucesso, contrair uma doença, ter dificuldades 
em seus relacionamentos ou outras manifestações que visam expiar a culpa pela 
violação. É importante entender que esta culpa habitualmente não é direta deste 
indivíduo, e sim este coloca-se a serviço do sistema, por isso, a denominação de 
emaranhamento. Alguém ou algum acontecimento violou alguma das ordens, e 
outro indivíduo se coloca a serviço para recobrar o equilíbrio do sistema. 
Uma das principais atitudes que atribuem ao indivíduo sucesso na vida, 
saúde e nos relacionamentos, que se caracteriza por um movimento interno, é 
tomar a vida. Por óbvio que pareça, pois estar vivo parece o movimento natural 
de tomar a vida, trata-se de uma atitude interna, cuja manifestação se observa 
pelos resultados exteriores. Tomar a vida é um movimento de gratidão e, acima 
de tudo, tomar a vida tal qual lhe é dada, sem ressalvas, sem requerimentos 
adicionais, sem emendas. O maior valor que se pode receber é a vida, tudo o 
mais que lhe for concedido, em cuidados e facilidades, será por acréscimo. 
Muitas vezes, por emaranhamentos, é possível que inconscientemente a pessoa 
siga em direção à morte, ao insucesso ou às doenças. 
Todas as vezes em que falamos do Amor no âmbito das constelações, 
estamos nos referindo a uma força maior, que movimenta todo o sistema e que 
permeia todos os seus integrantes. Muito distante da concepção do amor 
romântico, este Amor é a força maior, que guarda o sistema como um todo, e 
zela pela observância das Ordens do Amor e pelo equilíbrio do sistema, como 
Hellinger muitas vezes nomina, a Grande Alma. Embora esta observância às leis 
que regem os sistemas possa trazer a impressão de submissão, o que de fato 
conquista-se com isso é o amparo real e consistente para a vida e a liberdade. 
 
Quando nos associamos ao mistério do mundo, conseguimos 
esquecer o que se aplicava aos relacionamentos conhecidos, assim 
como, ao nadar no oceano, esquecemos os rios que o alimentam e, 
quando alcançamos um fim, esquecemos os meios (HELLINGER, 
2006). 
 
A consciência, no âmbito das constelações, representa o saber, o registro 
das informações, ações e entendimentos de cada indivíduo, assim como, da 
coletividade dentro daquele sistema e, de acordo com isso, padrões de 
comportamento são definidos e muitas vezes destinos são designados pelos 
vínculos e pela necessidade, por amor, de manter o equilíbrio do sistema.Este 
 
18 
 
processo de compensação é contínuo, principalmente quanto menor for o nível 
de consciência dos integrantes daquele sistema. 
 
Além de sermos filhos, parceiros e talvez pais, partilhamos de um 
destino comum com relacionamentos mais distantes – o que quer que 
aconteça a um membro de nosso grupo familiar, para bem ou para mal, 
nos afeta e afeta também os outros. Junto com a nossa família, 
formamos uma associação cujo destino é comum (HELLINGER, 2006). 
 
A consciência vincula de forma poderosa os integrantes de um sistema 
familiar, e é o que faz gerar o sentimento de obrigação, ainda que de maneira 
inconsciente, gerando os emaranhamentos nos quais por amor são envolvidos 
com vistas a fazer compensações dentro do sistema. 
Todas estas dinâmicas do sistema, suas leis e vínculos, assim como os 
emaranhamentos, compõem o campo de informações que se verifica durante o 
trabalho com as constelações, sejam familiares ou empresariais. E tudo isso se 
dá por meio de representantes, ou seja, os participantes que, voluntariamente, 
aceitam adentrar ao campo e representar o que lá se passa. Aos representantes, 
cabe ocupar o lugar de integrantes do sistema, e são posicionados dentro do 
campo, nesse caso, o espaço físico onde o trabalho será realizado pelo 
integrante que trouxe a questão a ser trabalhada ou pelo facilitador. Os 
representantes, em número e papéis definidos pelo facilitador, são posicionados 
e então essa imagem inicial já é possivelmente uma rica fonte inicial de 
informações do que se passa, de acordo com as inter-relações, ou a ausência 
delas, observada pela posição e postura que cada um demonstra. 
A representação em si, nada tem a ver com a representação artística e 
teatral de papéis que estamos acostumados a ver, e sim com a manifestação 
sutil de sinais físicos e expressões que chegarão ao representante de forma 
natural, sem que este precise de orientações e/ou informações, e muito menos 
de qualquer conhecimento sobre quem está sendo representado. É possível 
afirmar que quanto menos informação houver a respeito, melhores informações 
e indícios das dinâmicas poderão ser transmitidas por meio da representação. 
 
 
 
 
 
19 
 
Conclusão da aula 1 
 
Nesta aula vimos conceitos iniciais fundamentais para o entendimento 
básico da abordagem das constelações familiares e empresariais. Assim, 
entender que se trata de um sistema de inter-relações e interdependência que 
obedece a leis próprias e específicas, que vinculam seus integrantes por meio 
da consciência e buscam o equilíbrio constante, fazendo compensações e 
afetando destinos, é a base para todo o processo e estruturação do olhar 
sistêmico nesta abordagem. Este método tem como principal referência Bert 
Hellinger, que, há mais de 30 anos, segue em estudo e constante movimento, 
promovendo imensos benefícios, reconciliações e soluções que outras 
abordagens podem não alcançar, de forma simples e contundente. Contrariando 
muitas das referências e entendimentos que compõem o senso comum de 
acordo com a moral e preceitos sociais, a visão sistêmica nos apresenta o Amor 
como força motriz, e tudo a que possamos atribuir valor como certo ou errado, 
bom ou ruim, ganha outra perspectiva e pode mudar de forma contundente, não 
só o entendimento, como afetar destinos, se observado de acordo com esta 
abordagem. 
Atividade de Aprendizagem 
Discorra sobre as 3 Ordens do Amor, e dê exemplos de como 
isso interfere na dinâmica da vida familiar. 
 
 
 
Aula 2 – Postura sistêmica e papel do facilitador 
 
Apresentação da aula 2 
 
Nesta aula daremos sequência aos entendimentos e aprendizados sobre 
as constelações, abordando com mais ênfase, nesta etapa, a postura, o papel 
do facilitador, as ordens da ajuda e elementos importantes que são considerados 
fundamentais para que este trabalho possa ser realizado de maneira a 
 
20 
 
representar contribuição relevante para quem o busca, e para o sistema que é 
trabalhado como um todo. Atenção a detalhes e recomendações, e a 
indispensável postura de respeito diante do que se apresenta são fundamentais. 
 
2.1 Postura Sistêmica 
 
A postura sistêmica é elemento essencial para o sucesso deste trabalho. 
Podemos falar de postura sob a ótica do indivíduo, já que temos toda a base e 
entendimento das dinâmicas de acordo com os preceitos das Ordens do Amor. 
Sob essa ótica, a postura que pode ser dita como saudável para o indivíduo é a 
de tomar a vida tal qual lhe foi dada, e atuar nela de modo que suas ações e sua 
consciência sejam guiadas, venham ao encontro do respeito e observância das 
ordens do Amor, que regem o sistema. Dito assim, pode parecer simples, 
entretanto, ao longo da disciplina e do aprofundamento dos conceitos, vemos 
que o olhar sistêmico nos desafia em muitos aspectos no que tange aos 
preceitos e entendimentos que são basilares em nossa vida. Justiça, moral, 
religiosidade, certo e errado, bom e ruim são perspectivas que podem ser 
colocadas em xeque ao se observar o que se passa dentro de um sistema, ao 
perceber as dinâmicas presentes e os emaranhamentos gerados pelo vínculo 
que une a todos e traça um destino comum. 
O sistema de compensações, a partir do Amor, muitas vezes pode se 
mostrar dentro de um ciclo interminável de dores e doenças e mortes, destinos 
difíceis e acontecimentos trágicos ou contundentes que, a priori, podem ter tido 
seu início em comportamentos que obedeceram a regramentos morais ou 
preceitos sociais que consideramos adequados pelo senso comum. O desafio 
proposto, portanto, pela abordagem sistêmica é este ajuste ao olhar, guiado pelo 
Amor que é a força maior, que não admite exclusões, dá a todos, sem exceção, 
o mesmo valor, independentemente de sua história e realizações, e não se 
submete à moral e à religião. 
 
 
 
 
21 
 
Curiosidade 
O olhar sistêmico proposto nesta abordagem entra em 
choque com outras abordagens e até mesmo com questões 
históricas e geracionais. 
Mundialmente reconhecido hoje por seu trabalho e trajetória, 
e pelas incontáveis contribuições que o método das 
constelações já trouxe a tantas famílias e empresas, 
Hellinger já foi muito atacado, acusado de ofender vítimas ao 
defender a inclusão dos perpetradores e até mesmo de 
zombar do sofrimento experimentado por muitos. As Ordens 
do Amor provocam distintas reações, quando fugimos ao 
simples e óbvio. 
 
Seguindo com o entendimento sobre a postura sistêmica, passamos 
agora a observar esta questão sob a perspectiva do facilitador. Aqui é onde 
temos a especial atenção e cuidado, visto que o facilitador é aquele elemento 
externo ao sistema, que se propõe a realizar um trabalho de ajuda terapêutico e, 
portanto, deve atender criteriosamente a alguns aspectos. 
O primeiro deles, antes de toda e qualquer outra questão, é o absoluto 
respeito a tudo e a todos, sabendo que adentrará a um sistema ao qual não 
pertence e que, por mais experiência e conhecimento que tenha, será sempre 
menor do que a força que move e a consciência de qualquer sistema, e como 
esta humildade deve colocar-se. Não há força maior do que o Amor, que move 
e zela por todo sistema, como já vimos anteriormente, e ao facilitador cabe 
colocar-se com profundo respeito e humildade diante desta imensidão que 
responde pela vida de tantos integrantes, por gerações e gerações. 
Há um livro específico de Hellinger que trata das Ordens da Ajuda, e, já 
no seu início, nos presenteia com uma fala poética sobre a sabedoria, que segue 
abaixo: 
 
Sabedoria 
 
O sábio concorda com o mundo tal como é, 
sem temor e sem intenção. 
 
Está reconciliado com a efemeridade 
e não almeja além daquilo que se dissipa com a morte. 
 
Conserva a orientação, porque está em harmonia, 
e somente interfere o quanto a corrente da vida o exige. 
 
22 
 
 
Pode diferenciar entre: 
é possível ou não, porque não tem intenções. 
 
A sabedoria é o fruto de uma longa disciplinae exercício, 
mas aquele que a possui, a possui sem esforço. 
 
Ela está sempre no caminho e chega à meta, 
não porque procura. 
Mas porque cresce (HELLINGER, 2013). 
 
E assim, tanto é ensinado em tão poucas linhas, porém, entre entender o 
que está dito, e apreender o conhecimento que aqui se apresenta, há a distância 
da experiência, no sentido de experimentar, estar presente e vivenciar o que é 
dito. Dessa forma, o respeito e humildade com que se deve colocar-se como 
facilitador tornam-se ainda mais evidentes. 
Diante disso, cabe olhar para a postura do facilitador de forma objetiva, 
para a qual há 3 recomendações essenciais, que dizem que este deve atuar: 
 
 Sem intenção; 
 Sem medo; 
 Sem conhecimento. 
 
É natural que estas recomendações provoquem estranheza ao que é 
habitualmente entendido e esperado dentro de um trabalho de ajuda e de 
atuação terapêutica. E, por essa razão, é necessário debruçar-se mais 
detalhadamente sobre cada uma delas. 
A atuação sem intenção tem por objetivo que a postura do facilitador tenha 
respeito por tudo aquilo que se mostrar, principalmente, sem ter qualquer 
solução ou desejo de solução pré-estabelecida. Isso implica em dizer que há de 
se respeitar o limite de atuação que a própria dinâmica sistêmica pode 
demonstrar, e em que muitas vezes, isso pode desafiar o facilitador a encerrar a 
constelação diante de uma imagem que nem de longe seja aquela idealizada de 
um final feliz. Toda e qualquer concepção que possamos ter do que é final feliz, 
aquela que de um modo geral vem idealizada e permeada por imagens de alegria 
e harmonia total, sequer se aproxima da dimensão do que a consciência de um 
sistema pode conceber como pertinente, tendo o registro de tudo a qualquer 
tempo, e movendo-se pelo amor incondicional a tudo e todos, sem admitir a 
 
23 
 
exclusão. Impõe ao facilitador, muitas vezes, frustrar a expectativa daquele que 
traz a questão a ser trabalhada, e que possa ter essa expectativa balizada por 
um desejo de solução que contemple a sua consciência individual, talvez sem 
considerar o que o sistema como um todo entenda e aceite como melhor 
solução. 
Como integrante do sistema, a solução que considera o todo, mesmo à 
revelia da expectativa e consciência pessoal, o beneficiará, reverberará 
positivamente em sua vida, entretanto, talvez esta percepção seja mais sutil e 
tome um tempo um pouco maior para acontecer, e o primeiro sentimento possa 
ser o de incompreensão ou até mesmo de frustração. E o facilitador, com o 
desafio de respeitar muito mais a consciência do todo, a solução que o sistema 
acolhe, pode significar que tenha que encarar reações mais imediatas de 
insatisfação, contrariedade a até mesmo certa revolta. Portanto, a missão de 
colocar-se a serviço de algo maior, de facilitar intervenções e a busca por 
soluções de forma a serem realmente contribuições para o todo, guarda uma 
dose de desafio pessoal e de segurança que ultrapassa a executar um método 
e obedecer a um contrato de resultados específicos. 
A partir deste cenário, podemos entender com mais facilidade a segunda 
das recomendações sobre a postura do facilitador: a de atuar sem medo. Isso 
nos leva para muito além da relação cliente/prestador, e nos demanda 
principalmente que estejamos livres e centrados em nossas próprias questões, 
de modo a ser possível seguir ou interromper movimentos, única e 
exclusivamente, pelo que se mostra no sistema que está sendo trabalhado. 
Manter-se centrado e seguir sem que suas questões e emoções pessoais 
possam interferir no trabalho é essencial para colocar-se a serviço de maneira 
íntegra como facilitador. As questões que se apresentam em trabalhos 
sistêmicos são pertinentes e comuns a praticamente todos os sistemas, portanto, 
não raro, o que se apresenta para ser trabalhado também tem conteúdo e 
relação com o que se passa no sistema do próprio facilitador. Manter-se 
centrado, livre das influências e emoções pessoais do seu próprio sistema, é o 
que permite a liberdade de atuar em acordo e alinhado ao sistema do cliente. 
Certamente, estar livre das expectativas de solução que o cliente possa ter, sem 
medo de frustrá-las e sem compromisso de atuar atrelado a elas, é também parte 
importante desta recomendação. 
 
24 
 
Finalizando as principais recomendações em relação à postura como 
facilitador de constelações, a terceira delas diz que a atuação deve ser sem 
conhecimento. Antes que você desista de ler e entender sobre as constelações 
por conta disso, entenda que isso se refere ao conhecimento detalhado da 
questão que é trazida para ser trabalhada. Ao facilitador, interessa saber do que 
se trata, sem tantos detalhes e evitando que possa vir a interferir ou impactar, 
mesmo que inconscientemente, a postura do facilitador e também dos 
representantes. É comum que os relatos mais longos entrem em análises, 
emoções e julgamentos, o que não acrescenta informações relevantes e pode 
ainda gerar algum tipo de interferência. Portanto, quanto menos conhecimento, 
quanto menos detalhes além das informações primárias, mais fácil será conduzir 
a constelação a partir do chamado “vazio interior”. Este vazio interior é 
caracterizado justamente por não se ter intenção de algum resultado, não agir a 
partir do medo e nem a partir de informações que possam conter análises, 
interpretações ou julgamentos acerca do que se está tratando, mantendo a 
clareza e a liberdade para atuar. 
 
2.2 Ordens da Ajuda 
 
Para além das recomendações de postura para o facilitador de 
constelações, há também as Ordens da Ajuda, proposições oriundas das 
observações e dinâmicas que se mostraram na atuação sistêmica, e segundo as 
quais a ajuda, para ser efetiva, obedece a alguns aspectos específicos. Há 
muitas dimensões da ajuda na existência e nas relações humanas, a começar 
pelo fato de a nossa espécie necessitar de muita ajuda desde o seu nascimento. 
Este aspecto pode gerar distorções no processo da ajuda profissional, como 
facilitador, trazendo-a quase que como uma obrigação, um compromisso inato 
entre todos os seres humanos e criando expectativas indevidas. A ajuda, nesse 
âmbito, consiste em que se alcance o próprio destino, o que muitas vezes estará 
relacionado a aspectos como vida x morte, saúde x doença, e tudo isso está 
além daquilo que o manejo do facilitador pode, e talvez nem mesmo deva, 
alcançar. E menos ainda colocar-se como responsável em relação àquilo que 
cabe a forças maiores, instâncias de consciência infinitamente mais amplas. 
 
25 
 
Ajudar é uma arte. Como toda arte, faz parte dela uma faculdade que 
pode ser aprendida e praticada. Também faz parte dela uma 
sensibilidade para compreender aquele que procura ajuda; portanto, a 
compreensão daquilo que lhe é adequado e, simultaneamente, daquilo 
que o ergue, acima de si mesmo, para algo mais abrangente 
(HELLINGER, 2013). 
 
Na abordagem das constelações, diante de dificuldades relatadas em 
treinamentos para facilitadores, é que foi tomando forma o olhar estruturado 
sobre o processo da ajuda. Com base nisso, observar a possibilidade e a 
permissão de atuar para a ajuda em determinados sistemas, assim como ter 
maior clareza sobre quais seriam os passos adequados e necessários, eram 
aspectos fundamentais a serem tratados no que tange a ajuda profissional. 
A primeira destas ordens, então, trata de dar somente o que se tem e 
somente ter expectativa e tomar aquilo que se necessita. Diante disso, 
desordens podem ser geradas com posturas que estariam alinhadas a ideias 
conhecidas e habituais de como um processo de ajuda deve ocorrer. Há que se 
haver uma exigência em mesmas bases, do facilitador para consigo mesmo e 
para com aquele que busca ajuda. Com isso, reforça-se a visão de que a ajuda 
resulta não de movimento externo, e sim interno, uma vez que buscar por ajuda 
não prescinde em dar passos e fazer movimentos por si mesmo. Emalgumas 
circunstâncias, alguém não pode dar o que lhe é solicitado, pois isso poderia 
significar tirar de outra pessoa algo que só ela poderia fazer ou carregar, assim 
como não é possível dar aquilo que não se tem. Estas são ações que geram 
desordem, ao invés de restabelecer o equilíbrio do sistema. A segunda ordem 
diz que a ajuda deve, antes de qualquer coisa, submeter-se às dinâmicas que 
se mostram, seja pelas circunstâncias internas ou externas ao indivíduo, 
intervindo somente até o limite em que o apoio é permitido. Por estar, por um 
lado, a serviço da sobrevivência e por outro do crescimento e da evolução 
daquele sistema, a ajuda fica condicionada e dependente destas circunstâncias. 
A ajuda que se submete às circunstâncias internas e externas, com 
discrição, é forte para promover movimentos efetivos. 
 
 
 
 
26 
 
Importante 
Os emaranhamentos e os vínculos de destino, impulsionados 
pelo amor cego e pelo pensamento mágico, que faz crer que há 
um poder de expiar algo pelo sofrimento autoimposto e que isso 
possa desvincular a culpa dos demais integrantes do sistema, 
são circunstâncias internas que, se desconsideradas, 
condenam a ajuda à ineficiência. 
 
A terceira ordem da ajuda trata de um aspecto que muitas vezes pode 
escapar aos olhos por uma falsa obviedade: nem todo aquele que busca ajuda 
está de fato aberto para isso, e nem mesmo pronto a engajar-se em qualquer 
solução proposta. A ajuda pressupõe que há uma relação entre dois adultos, e 
cabe ao facilitador reforçar ainda mais este aspecto, evitando situações que 
possam enfraquecer o processo ou engendrar a ambos em um ciclo de 
dependência e expectativa de cuidado que o cliente possa ter, em lugar e 
proporção ao que esperaria dos seus próprios pais. Por duro que possa parecer, 
colocar-se como um adulto diante de outro adulto, a ajuda em alguns casos deve 
ser recusada, sob a pena de envolver ambos em um modelo de transferência e 
contratransferência da criança para com os pais, o que faz sucumbir o 
desenvolvimento pessoal e a maturidade a ser alcançada. 
O foco da empatia do facilitador, de acordo com a quarta ordem da ajuda, 
deve ser majoritariamente dirigido ao sistema como um todo, pois este trabalho 
não se trata de uma terapia individual, todos pertencem a um sistema familiar ou 
empresarial e outros integrantes, vinculados à questão, devem ser incluídos na 
dinâmica. Ao olhar para o indivíduo como integrante de uma família, o facilitador 
pode de fato percebê-lo, e esse é o ponto focal de solução dentro desta 
abordagem e metodologia, já vimos que, tanto o sistema, como sua consciência 
e destinos antecedem e são maiores do que qualquer dos seus integrantes 
individualmente. 
Já a quinta das ordens da ajuda caminha em sintonia com a ordem do 
Amor que trata do pertencimento, ampliando a sua dimensão ao definir que o 
amor não seja medido pela diferença que a pessoa pode ter do facilitador. O 
amor a cada um dos participantes, tal como é e independente de seus feitos e 
consequências, é essencial. Em absoluto, não cabem julgamentos e nem 
 
27 
 
mesmo diferenciação entre bons e maus, uma vez que, em última análise, as 
constelações cumprem o papel de unir e reconciliar, especialmente pais e filhos, 
com amor a cada um como é. Isso deve se preservar e estar além de qualquer 
influência da consciência pessoal ou de análises e julgamentos públicos com 
opinião baseada no senso comum de justiça e correção moral. Inúmeras são as 
situações e incalculáveis os prejuízos gerados pela diferenciação e exclusão, 
que acabam vinculando destinos difíceis a muitas pessoas. A ajuda prescinde 
da lástima, e seguir em harmonia com os destinos difíceis, deve ser segura, sem 
julgamento, de igual para igual e dedicar-se ao sistema como um todo. 
Dentro da abordagem das constelações, nada é absoluto ou deve ser 
aplicado de maneira puramente rigorosa e metódica, abdicando da presença e 
conexão que prevê cada situação como única, devendo ser tratada com o 
cuidado de não pressupor nem antecipar soluções por comparação ou 
semelhança. Todas as orientações de postura, as Ordens do Amor e da Ajuda, 
os preceitos, exemplos e descrições servem ao papel de norteadores, sem 
prescindir da presença e conexão do facilitador. 
Para isso, duas ações distintas se apresentam como recurso. A 
percepção, que é distanciada, permite a visão ampla, captando a ocorrência de 
várias dinâmicas simultaneamente, cumpre um papel diferente da observação. 
Esta, por sua vez, é próxima, assertiva e precisa, direcionada aos detalhes, e, 
portanto, lhe escapa o que está ao redor. Com estes dois recursos é que a 
compreensão pode ser possível, na composição do todo e estabelecendo 
relação entre o que foi percebido e o que foi observado. Isso nasce a partir de 
um centramento interno e vazio interior, que vem da atuação sem intenção, sem 
medo e sem conhecimento. Este centramento interno, que permite o olhar 
abrangente a uma pessoa, se propõe a não agir a partir de reflexões, do 
pensamento e recorrendo a experiências anteriores, e sim da observação e 
percepção de forma produtiva e não a reproduzir algo. Essa ajuda pela 
compreensão vem de apreender o essencial, aquilo que é crucial para o próximo 
passo a ser dado, que vem da percepção e da observação combinadas, surgindo 
por uma indicação breve, que de passagem provê a ajuda e se retira para o 
movimento seguir seu fluxo. 
Um outro recurso que pode surgir é a intuição, aqui tida como a súbita 
compreensão de algo, que dá a indicação do próximo passo. A compreensão 
 
28 
 
habitualmente chega pelo processo de observação e percepção; já a intuição é 
a compreensão súbita. 
Inerente à postura sistêmica para facilitar constelações é a sintonia, que 
significa colocar-me em um contato profundo com a pessoa, entrando na mesma 
vibração, o que permite então o seu entendimento. Essa sintonia também é que 
esvazia o facilitador de si mesmo, que permite deixar suas próprias intenções, 
diferenciações e julgamentos de lado, numa espécie de despedida do superego 
e daquilo que poderia gerar desejos e expectativas. Assim, a mesma sintonia 
com o outro é a sintonia comigo mesmo, que permite que o outro também se 
aproxime e entre em sintonia, e, dessa maneira, é que o contato permite a 
sintonia com a origem da pessoa, seus pais e seu destino. 
É sempre importante lembrar que o respeito aos limites de atuação, 
atendendo às possibilidades acolhidas e permitidas pelo sistema, verificando-se 
pelas dinâmicas a adequação ou não da intervenção proposta é a ajuda humilde 
que cabe ao facilitador. Quando falamos em representantes, representação, 
papéis e lugares, a mente é permeada pelo universo fantasioso das tramas da 
literatura e das artes, nas quais o final feliz é considerado o mais adequado. O 
ambiente das constelações busca soluções que atendem a algo maior, e que 
não se submetem ao nosso desejo, expectativa e julgamento. 
As constelações trazem a imagem do sistema, a partir de um breve relato 
da questão e da identificação de alguns integrantes essenciais para compor a 
dinâmica. Ao se colocarem os representantes, forma-se a imagem inicial, que 
mostra muitas das dinâmicas presentes atuando no sistema. Por esta razão, não 
há a necessidade de tantas perguntas ou de um relato detalhado, como na 
terapia convencional, assim como também não há um processo investigativo do 
que houve antes, no passado. 
Como a linguagem do inconsciente é imagética, prescinde da 
interpretação, a pessoa, ao deter o olhar para a constelação, apreende muitas 
das informações que aquela imagem transmite, mesmo que inconscientemente, 
sem necessidade da fala interpretativa ou de que alguém lhe conduza 
detalhadamente o entendimento. Dessa forma, as recomendações mais 
recentes da Hellinger Sciencia, que é a escola oficial que reúne e transmite os 
saberes de acordo com a experiência e conhecimento de BertHellinger, vão no 
sentido de atuar com muito respeito à imagem que se forma, com o menor 
 
29 
 
número possível de representantes e intervenções para a questão, evitando 
falas desnecessárias e a teatralização das representações. Os representantes 
atuam de forma simples, guiados por sensações físicas e movimentos sutis, que 
ao facilitador atento transmitem sinais e informações importantes. E então, o 
respeito à imagem final que se forma, após as intervenções, deve ser ainda mais 
cuidadoso, pois aquela é a imagem da solução a que se chegou. Interpretações, 
questionamentos, a busca de entendimento cognitivo, a especulação e a 
curiosidade, podem desfazer essa solução ou destituí-la de força, o que pode 
afetar o cliente e desfocar suas ações posteriores, assim como interferir na 
reverberação positiva e curativa que esta imagem pode promover no sistema e 
nas pessoas envolvidas. Portanto, a postura de recolhimento e respeito, silêncio 
e mergulho interior é adequada ao lidar com algo tão grandioso como um sistema 
familiar. 
Para Refletir 
Por ser habitualmente realizado em grupos, com muitas 
pessoas que nem se conhecem entre si, o trabalho com as 
constelações pode levar a uma ideia de que se trata de algo 
público e totalmente aberto. Entretanto, o sigilo sobre tudo o 
que se passa, pessoas, fatos demonstrados, o que é dito e 
as implicações da solução merecem cuidado e atenção 
irrestrita. Este é um trabalho iminentemente interior, embora 
realizado em grupo, do qual o recolhimento, a calma e o 
respeito são partes integrantes. 
 
Para além de especulações e curiosidades, o trabalho com as 
constelações trata de delicadezas e histórias pessoais, de famílias inteiras e 
envolve muitas vezes gerações. Majoritariamente, trata dos destinos difíceis, que 
são os que normalmente se mostram, visto que ao que está fluido em harmonia 
ninguém busca modificar. A postura do facilitador, portanto, de respeito e 
humildade diante disso tudo, é crucial para que a condução do grupo, e não 
somente da constelação em si, se desenrole de modo que a grandeza do que se 
busca se manifeste sem atribulações, sem julgamentos e com centramento 
interno, mesmo por parte dos participantes. 
 
30 
 
Uma breve orientação sobre a representação, que muitas vezes gera 
expectativa e ansiedade nos participantes, pode ser importante para guiar as 
pessoas à melhor contribuição que possa ser dada. Os gestos são simples, sutis, 
e mesmo situações impactantes e graves costumam ser assim representadas, 
com pequenos movimentos, os olhares e os posicionamentos são importantes 
elementos para se perceber as relações entre os integrantes e as dinâmicas 
presentes. 
Importante 
A postura corporal, firme e com energia, ou prostrada e sem 
energia, traz informações relevantes, a proximidade ou a 
distância, a posição relativa dentro do sistema, tudo isso 
compõe o rol de elementos por meio dos quais se apreende o 
que ali é demonstrado. 
 
Tendo como guia as ordens do Amor e a leitura de alguns tipos de 
movimento para os quais há um entendimento validado pela frequência das 
observações, com sutileza e simplicidade, é possível captar o que está por trás 
de acontecimentos difíceis, muitas vezes trágicos, e buscar por uma solução que 
possa trazer reconciliação, unir o que estava separado e trazer um equilíbrio 
maior para o sistema. 
Como exemplos de movimentos e sinais corporais para os quais há uma 
leitura comum, temos: 
 
 Olhar para o chão: este é um indício de que a pessoa olha para 
alguém que já morreu, assim como demonstra que está vinculada 
a esta pessoa. Muitas vezes este alguém é conhecido, muitas 
vezes é um fato desconhecido até mesmo para quem apresentou 
a questão, como, por exemplo, um aborto. É comum que seja a 
forma de identificar excluídos do sistema; 
 
 Mãos nos bolsos: costumam sinalizar a existência de algum 
segredo. Por trás dos segredos, normalmente encontramos temas 
relacionados a sexo, dinheiro, vida e morte. Portanto, destes 
 
31 
 
segredos, possivelmente têm-se informações que levam a 
exclusões, culpas, fatos graves que podem revelar a dinâmica que 
está gerando emaranhamentos; 
 
 Movimentos de uma dança suave entre participantes: mostram 
que aqueles integrantes do sistema estão ressonando entre si; 
 
 Olhos fechados, representante em pé: possivelmente o 
representante está em contato com conteúdos seus, e não de 
quem ele representa. As pessoas devem permanecer de olhos 
abertos durante a constelação, evitando que entrem em contato 
com conteúdos pessoais e também que entrem em contato com 
imagens e cenas internas. O objetivo é permanecer conectado ao 
que se passa na constelação, no presente. Em especial, com a 
imagem final que se forma, para que esta informação, esta solução 
mostrada, ganhe força de reverberação interna, no integrante e no 
sistema; 
 
 Movimentos rápidos ou falas rápidas: pode estar ocultando algo, 
mesmo que inconscientemente. No ambiente das constelações, 
nada se passa rápido, estamos tratando de movimentos da alma, 
lentos e profundos. 
 
Em suma, as constelações servem a duas finalidades: fazer um 
diagnóstico identificando o que de fato está se passando, o que está por trás do 
problema apresentado, ou para fazer uma intervenção propriamente, propondo 
movimentos e buscando soluções. A postura do facilitador é de extrema 
relevância para o desenvolvimento de um bom trabalho, e para que a ajuda 
possa dar certo. 
 
 
 
 
 
32 
 
Nas constelações, soluções não representam necessariamente 
finais felizes, nos quais tudo fica bem para todos e todos se 
abraçam festivamente. As soluções que se apresentam são as 
que incluem o que estava excluído, restabelecem a hierarquia no 
tempo, sempre respeitando o limite de atuação que o sistema 
acolhe e concordando em harmonia com os destinos possíveis. 
 
Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITURA 
 
No livro Ordens Da Ajuda, Bert Hellinger 
descreve as ordens da ajuda básicas e suas 
respectivas desordens. A obra é destinada a 
todos aqueles que se interessam pelo 
conceito de “ajuda”, podendo ser aplicado nas 
diversas relações sociais, de acordo com 
exemplos de terapias de diversos tipos. 
 
 
Conclusão da aula 2 
 
Nesta aula vimos que há um olhar de postura sistêmica quando estamos 
falando do integrante de um sistema, e outro olhar para quando se refere ao 
facilitador. Importantes recomendações à postura foram detalhadas, 
essencialmente para que a atuação seja sem intenção, sem medo e sem 
conhecimento, a partir de um centramento interno e do vazio interior. Deste 
ponto, passa-se então à observância das ordens da ajuda, no âmbito da ajuda 
profissional e não da ajuda habitual entre as pessoas, dentro de seus 
relacionamentos. Estas ordens trazem preceitos sobre dar e receber, de modo 
que a ajuda acontece dentro do que é possível dar e tomando somente o 
necessário, e depende de circunstâncias internas e externas que se mostram e 
devem ser respeitadas. A ajuda é possível a partir do fato de considerar que 
temos um adulto diante de outro adulto, evitando que haja uma postura 
identificada com a criança ao buscar ajuda e esperando dedicação como seria 
dos pais para com os filhos. As constelações não atuam como uma terapia 
individual, embora aconteçam a partir de quem busca a ajuda. O facilitador deve 
sempre considerar que quem traz a questão pertence a um sistema, familiar ou 
 
33 
 
empresarial, e outros integrantes devem ser considerados. Além disso, as 
constelações estão a serviço de unir, o que estava separado, e reconciliar, 
especialmente pais e filhos, e a ajuda deve então partir do amor a cada um dos 
integrantes do sistema tal como é, sem julgamentos ou diferenciação. 
A compreensão das dinâmicas que se mostram e do próximo passo a ser 
dado, nasce da combinação de dois recursos: a observação, mais precisa e 
detalhada, e da percepção que é mais ampla epercebe as várias dinâmicas. 
Com isso, observando as recomendações de postura, é possível apreender o 
essencial para que o movimento siga e o equilíbrio seja alcançado. Já a intuição, 
que pode acontecer sem ser um requisito para a atuação, é a compreensão 
súbita de algo, sem passar pelo processo da observação e da percepção para 
ser alcançada. Tudo isso em sintonia com quem traz a questão, entrando na 
mesma vibração para alcançar entendimento e entrar em sintonia também com 
sua origem, destino e possibilidades, além de identificar igualmente os limites. 
A postura do facilitador, orientando os representantes, conduzindo o 
grupo e facilitando o trabalho das constelações a partir de uma postura que 
respeite as recomendações, é essencial para o trabalho e para que a ajuda 
aconteça. 
Atividade de Aprendizagem 
Na postura do facilitador, quais são os maiores desafios para 
que se possa prestar uma ajuda que dá certo, por meio da 
constelação? 
 
 
 
Aula 3 – As Ordens do Amor e o sistema familiar 
 
Apresentação da aula 3 
 
Nesta aula vamos aprofundar o olhar sobre as 3 Ordens do Amor, 
entendendo ainda mais como os integrantes de um sistema familiar ou 
empresarial passam a seguir destinos, ou a manifestar questões em razão de 
 
34 
 
acontecimentos no seu sistema, mesmo que eles não estejam diretamente 
envolvido. 
 
3.1 As Ordens do Amor 
 
De certa maneira, tendo o Amor como força motriz do sistema, os 
movimentos tendem naturalmente para a harmonia, para a experiência plena da 
vida e dos negócios. Quando algo se manifesta diferente disso, é um sinal de 
que pode haver alguma desordem naquele sistema. 
Como já falamos, as questões das quais tratamos na abordagem 
sistêmica, são as mesmas com as quais lidamos cotidianamente, na rotina das 
famílias e das empresas. Trata-se de abordar a partir do olhar sistêmico, que é 
uma abordagem relativamente nova se comparada historicamente à psicologia, 
medicina, disciplinas de negócios, em geral. Portanto, não se tratam de novas 
questões, e sim, de uma nova forma de abordar as mesmas questões, com 
propostas de solução a partir deste método. 
Sempre que estamos abordando alguma questão a partir da visão 
sistêmica, por mais complexo, grave ou doloroso que possa ser o tema, é 
importante mantermos em mente que nesta abordagem seguimos e olhamos 
para as questões a partir das 3 Ordens que regem os sistemas. Pode parecer 
simples, entretanto, tanto nas famílias como nas organizações, estamos falando 
de pessoas, de emoções, de dificuldades e é natural, se não houver uma atenção 
estrita, que possa haver influência das emoções e dos impactos das questões 
na vida das pessoas ou nos negócios. Diante disso, cada vez mais ficará clara a 
perspectiva de que cada problema será apresentado por quem o traz como 
parecendo sempre muito particular e específico, todos acreditam que seu 
problema é de certa forma exclusivo, seja nas características específicas, seja 
no grau de dificuldade. Outro aspecto interessante é que há uma tendência a 
descrever e olhar para as questões a partir da complexidade, e, dessa forma, 
parecer natural que a solução também só possa ser algo muito complexo, dada 
a complexidade do problema. Isso é da natureza humana, dado que 
pertencemos a organizações sociais complexas, influenciadas por diversos 
fatores, e nosso próprio corpo guarda uma complexidade de funcionamento que 
 
35 
 
engloba inúmeras funções, que ocorrem simultaneamente, com maior ou menor 
grau de consciência. 
Desta ótica, tratar as questões a partir da abordagem sistêmica permite 
trazer uma boa dose de simplicidade, ao mesmo tempo que traz profundidade e 
intensidade de atuação e efeitos. Temos somente três ordens a observar no 
sistema, e algumas recomendações e ordens a seguir para que a ajuda possa 
ser efetiva. 
 
Perceba, quanto mais simples é a dinâmica de um sistema, mais 
amplo e relevante passa a ser o papel e o impacto de cada um 
dos seus elementos e aspectos. 
 
Por esta razão, apesar de termos apenas três ordens simples a reger os 
sistemas, temos tantos emaranhamentos e questões geradas que têm apenas 
isso como causa raiz. Portanto, o olhar atento, a sintonia, os detalhes e sutilezas 
são tão importantes, dado que, apesar de simples, cada caso é específico e deve 
ser abordado sem replicar soluções prontas ou pré-concebidas. 
Ao trabalhar com as famílias e seus sistemas, em várias das abordagens 
terapêuticas disponíveis e aqui, em especial, pela abordagem sistêmica, vamos 
nos dando conta da proximidade geracional que temos de muitos aspectos 
danosos, como guerras, lutas por direitos civis, dentre eles a igualdade de 
gênero e racial em âmbitos diversos, e assim por diante. Ao trabalhar com as 
pessoas, as histórias vão surgindo e, não raro, acabam mostrando que ainda 
estamos vivenciando as consequências destes desequilíbrios, seja do ponto de 
vista social, psicológico, econômico ou financeiro. 
Agora que muitos princípios e conceitos foram vistos, já é mais fácil 
perceber o quanto estas questões sociais são recentes, pois, do ponto de vista 
histórico, 100 anos é pouco tempo. Nesse sentido, temos emaranhamentos por 
amor cego e lealdades, a serviço de compensar as dores, sofrimentos, prejuízos 
e mortes causadas por estes fatos. Quando falamos de uma pessoa, sempre 
temos em mente que o acontecimento reverbera e provoca efeitos em todo o 
sistema, que são vividos através de insucessos, doenças, dificuldades de 
relacionamento, desafios profissionais e financeiros por integrantes que se 
 
36 
 
colocaram a serviço, por amor, de compensar ou de se assemelhar às histórias 
de quem veio antes. 
Sendo assim, todo perpetrador de violência, preconceito, exclusão, falta 
de reconhecimento, gerou vítimas das suas ações. Tanto o perpetrador quanto 
a vítima pertencem a uma família, sendo assim, a cada evento, temos dois 
sistemas familiares afetados e movimentos de compensação acontecendo 
através dos vínculos, gerando emaranhamentos e destinos difíceis com os quais 
lidamos. 
Isto quando falamos somente das questões relacionadas a eventos mais 
relevantes, e que afetam uma coletividade. E quando nos direcionamos 
particularmente para as famílias, temos mais outra série de eventos com os quais 
lidamos cotidianamente, como: relações extraconjungais, filhos tidos fora do 
casamento, divórcios, desentendimentos em padrões morais que geram brigas 
e separações entre familiares, negócios conjuntos em família que não prosperam 
ou em que há desfavorecimento de uma das partes, brigas por heranças, e uma 
série de outros. Estes eventos, que rapidamente surgem à medida que se 
trabalha com as famílias, e muitos deles com as organizações, são eventos em 
que se verifica com relativa facilidade a perspectiva de que tenha havido a 
violação a uma ou mais das ordens que regem os sistemas e que, portanto, são 
geradores de emaranhamentos nos processos de compensação e identificação 
por semelhança. 
Este cenário nos dá a dimensão das possibilidades de atuação com as 
constelações, e quantas pessoas podem se beneficiar do que se reconcilia em 
cada sistema, interrompendo o ciclo contínuo de emaranhamentos para 
compensação pelo amor cego. 
 
3.2 Pertencimento 
 
Diante de tudo o que já vimos, já não é tão simples entregar-se à inocência 
de acreditar que é simples cumprir e atender os requisitos das ordens do Amor 
diante dos fatos da vida real. Quando tratamos especificamente do 
Pertencimento, do direito que é de todos de pertencer, é simples imaginar dar 
lugar a todos aqueles que amamos e com os quais concordamos. O desafio tem 
início justamente nas situações que nos confrontam com nossos julgamentos e 
 
37 
 
expectativas, especialmente diante de normas morais, legais e dos 
desentendimentos nos relacionamentos pessoais. Ainda mais desafiante é tratar 
do pertencimento em relação àqueles que sequer sabemosque fazem parte, 
pois muitas das histórias familiares contêm elementos como os que 
descrevemos há pouco, que geram exclusões por brigas, afastamento, 
esquecimento por histórias que se deseja “silenciar” na família e assim por 
diante. 
Atendi, certa vez, a uma questão de relacionamento de casal trazida por 
uma cliente, e ao verificar sistemicamente nos deparamos com a história familiar 
em que a avó desta, uma índia que havia sido roubada e trazida para a cidade, 
casou-se com quem a tirou de seu ambiente e sua família. Tiveram 9 filhos, e 
alguns tantos netos, portanto, não há como saber quem neste sistema viveria 
consequências de como esta história se iniciou, a quem se estende e o que se 
mostraria para ser compensado. Ainda, o perpetrador da agressão é o pai de 
tantos filhos, que devem a ele sua vida. Vimos que o Amor não se submete às 
definições e preceitos dos arranjos sociais e das leis que criamos, simplesmente 
não admite exclusões sob nenhuma justificativa, não julga e não faz juízo de 
valor. Enfim, destinos que tornam difícil, diante de sentimentos confusos, liberar-
se do julgamento e simplesmente acolher e dar a todos o direito de pertencer. 
Assim como, há todo um sistema familiar anterior, da avó, que nunca foi 
considerado anteriormente, ninguém tinha nada a dizer, nenhum conhecimento 
ou informação. Perceba que as dimensões que as leis do Amor alcançam vão 
para muito além do que podemos pensar, até mesmo pela falta de informações 
ou por histórias que são deixadas para trás, interrompidas bruscamente, e a 
exclusão acontece, inconscientemente todos se vinculam no sistema a este fato. 
Alguém ou alguns poderão experimentar, por amor e lealdade, destinos difíceis 
em função de que a consciência coletiva tem o registro, mesmo que ninguém na 
família tenha a memória. 
Nos sistemas empresariais, há menos emoção envolvida, os assuntos são 
menos traumáticos e dramáticos, entretanto, chamo a atenção para dois 
aspectos: no Brasil, em especial, a imensa maioria das empresas são familiares, 
portanto, estão em alguma medida com seus destinos ligados a tantas histórias 
também. E outro aspecto é o de que as pessoas que atuam nas empresas vivem 
seus emaranhamentos pessoais, que muitas vezes acabam por afetar, mesmo 
 
38 
 
que indiretamente, as empresas. Diante disso, a atuação com as constelações 
tem um grande serviço a prestar, não só para as famílias, como também para as 
organizações de forma direta e indireta. 
Quando tratamos do pertencimento nas organizações, estamos 
adentrando a aspectos tais como: 
 
 O conhecimento e o reconhecimento de seus fundadores: nem 
sempre se tem a clareza sobre isso e, não raro, quando se coloca 
luz sobre isso vem à tona histórias de exclusão, onde se 
reconhece como fundador outro que não aquele que de fato deu 
início ao negócio; 
 
 Proprietários, acionistas majoritários, diretores: o sentimento é de 
fato o de que pertencem às organizações? Ou dela retiram 
somente os lucros e dividendos? De que forma os empregados 
sentem isso? São perguntas que podem nos mostrar que nem 
sempre o pertencimento real é tão simples de ser alcançado; 
 
 Ex-funcionários: há o reconhecimento a quem veio antes e às suas 
contribuições? É necessário que pertençam, sejam reconhecidos 
e, na consciência, sempre farão parte. Inclusive a forma respeitosa 
ou não com que se refere a eles demonstra como está sendo 
observado o pertencimento; 
 
 Lealdade: em situações de crise, gestores e funcionários se 
mostram leais, e seguem prestando seu melhor serviço? A 
lealdade só vai existir se o pertencimento e reconhecimento 
envolver todos. 
Estes são apenas alguns exemplos de situações para elucidar do que 
trata a observância ao Pertencimento nas empresas. E todos que contribuíram 
devem pertencer e ser reconhecidos, pois, muitas vezes, se esquecem as 
contribuições bem iniciais, como um empréstimo de recurso financeiro para 
começar o negócio, e então esta pessoa também pertence. 
 
39 
 
Curiosidade 
Uma violação ao Pertencimento pode ser a causa de uma 
empresa começar a ter resultados piores, negativos, mesmo 
que viesse em franco crescimento. O que se costuma atribuir 
a questões do contexto econômico, concorrência e outros 
fatores, pode se tratar de uma questão sistêmica, que pode 
ser reconciliada e evitar o destino difícil para a empresa 
como um todo. 
 
3.3 Hierarquia 
 
Como já vimos, a ordem que trata da Hierarquia segue a ordem 
cronológica, o que significa dizer que quem chega primeiro tem precedência 
sobre quem chega depois, e isso se aplica de forma ampla, se estendendo, por 
exemplo a irmãos, onde o mais velho tem precedência sobre o mais novo e 
assim por diante. Esta precedência também significa dizer que os assuntos dos 
mais velhos pertencem aos mais velhos, e não devem e nem podem ser 
resolvidos pelos mais novos. Dito assim, parece até que estamos voltando no 
tempo, em alguns aspectos quase que arcaicos, porém, este é o funcionamento 
observado diante desta ordem, portanto, assim o é. Diante da consciência 
coletiva, não se admite que os mais novos, ou sucessores, intervenham em lugar 
ou em nome dos mais velhos ou antecessores, nem mesmo para reivindicar 
direitos ou para compensar suas ações, liberando-os da culpa. 
Nas famílias, não cabe aos filhos intervir em questões entre seus pais, 
este é um assunto maior do que ele possa dar conta, mesmo sendo adulto e 
vivendo já a experiência de seu próprio relacionamento de casamento. É comum 
que um filho tome as dores de um dos pais, ou tome partido em alguma questão, 
e passe a agir a partir disso. Isso viola a ordem da hierarquia, ao interferir em 
assuntos de seus antecessores, e, o que pareceria uma ação em nome do amor, 
só que do amor cego, leva-o ao insucesso, ao declínio. 
Nem sempre isto se observa de maneira tão direta e linear, ou menos 
ainda, se tem a consciência de que esta dinâmica esteja por trás de problemas 
e questões apresentadas como insucesso pessoal trazidas pelas pessoas para 
trabalhar nas constelações. Entretanto, ao observar o que se passa no campo 
 
40 
 
sistêmico, quando os representantes se colocam, posturas corporais e 
posicionamentos revelam o que de fato está atuando e gerando o desequilíbrio 
ou o insucesso pessoal. 
Nas empresas, quando novos gestores chegam de fora, especialmente, 
utilizar a experiência dos funcionários mais antigos muitas vezes é algo não 
observado, principalmente porque entendem que foram contratados para 
agregar suas experiências e trazer novidades. 
Com consciência e cuidado, se observarmos, vemos que muitos novos 
gestores fazem as duas coisas, sem entrar em conflito entre elas. Conseguem 
aproveitar o que a experiência dos mais antigos pode contribuir, o que lhes atribui 
certo status, e agregar seus conhecimentos e experiências, renovando ações e 
aspectos importantes dentro da organização sem romper ou violar a precedência 
dos que vieram antes. Quando se observa como trabalham os mais antigos, em 
casos de mudanças organizacionais, se atuam de forma construtiva e cooperam 
com os novos movimentos, possivelmente está sendo respeitada e reconhecida 
a hierarquia, sua precedência. 
Até mesmo quando falamos de produtos e serviços, que no contexto atual 
exigem constante atualização e até a substituição por novos, ao reconhecer o 
papel e as contribuições que os antigos produtos trouxeram, se abre o caminho 
para o sucesso dos novos. E isso não significa dizer que devem ser mantidos 
em linha produtos ou serviços desatualizados, que não atendem mais ao que o 
mercado consumidor precisa e espera. Significa dizer que a forma como são 
retirados de linha e o reconhecimento que recebem pelas contribuições já feitas 
é que define o sucesso que se abre ou não para o que vem depois. Isso é feito 
por muitas empresas, de maneira às vezes bastante simples e talvez até sem 
saber o tamanho do impactoque isso tem. Em algumas empresas que se visita, 
encontramos uma espécie de “museu interno”, onde ficam expostos por fotos ou 
exemplares os produtos antigos. São formas simples, e existem tantas outras de 
se fazer, que reconhecem a contribuição e respeitam à precedência. 
Os novos produtos e serviços que chegam usufruem de uma estrutura 
empresarial, mercado e clientes que foram conquistados a partir dos antigos, por 
mais que em algum momento seus resultados tenham entrado em declínio. 
Reconhecer o valor disso pode ser uma ação simples, que abre o caminho para 
o sucesso e a vida plena de novos produtos e serviços. Da mesma forma, 
 
41 
 
funcionários, fotos, placas e outros tantos símbolos podem servir a este fim, 
histórias contadas nos veículos de comunicação interna, difundindo e 
perpetuando a presença e o reconhecimento a tudo e todos que contribuíram 
anteriormente, cumprem este papel. 
No âmbito dos relacionamentos de casal, no caso de haver um divórcio, 
o novo relacionamento possível deve ter a clareza de que vem em segundo 
lugar, sucede o primeiro. Quando é possível reconhecer esta precedência, e de 
fato compreender que há um débito para com o primeiro, pois o marido ou 
esposa que lhe chega é aquele(a) que o primeiro companheiro ajudou a 
construir. Perceba a importância de manter-se distanciado dos julgamentos 
morais e de valor, pois as ordens do Amor, como já vimos em inúmeros 
exemplos, prescindem destes e a eles não se submetem. Portanto, por curioso 
que possa parecer, a chave para o sucesso de um novo relacionamento pode 
ser reconhecer o valor e contribuição do parceiro(a) anterior. Isto ainda é, temos 
que admitir, algo que social e culturalmente causa muita estranheza e traz em si 
um grau de dificuldade relativo, uma vez que no segundo relacionamento há um 
ressentimento dos vínculos anteriores da outra parte. 
Importante 
Desde o início dos estudos sobre a visão e abordagem 
sistêmica, em vários momentos há o alerta para a ampliação de 
consciência, a abertura necessária para que se crie este novo 
olhar a partir desta nova perspectiva. 
Muitas vezes, a observância das ordens do Amor parecerá 
contraditória a valores morais, sociais, culturais e religiosos, 
porém, é o que se mostrou como preceito diante dos mais de 
30 anos de estudos e aplicações práticas. Isso não poupou nem 
mesmo Bert Hellinger de ser criticado e atacado até que fosse 
possível reconhecer, pelos resultados, a validade e 
aplicabilidade do que trazia. 
 
3.4 Equilíbrio na Troca 
 
Como já vimos, esta é uma medida de equivalência que traz o sentimento 
de peso ou leveza nas relações e que, em caso de desequilíbrio, o peso sentido 
leva quem o carrega a buscar sair daquela relação. Entretanto, há uma relação 
 
42 
 
que prescinde deste equilíbrio, que é a relação entre pais e filhos. De alguma 
forma, a relação entre professor e aluno também guarda alguns aspectos disso, 
pois é dado algo pelo professor em uma medida que torna difícil para o aluno 
retribuir. Caracteristicamente, pais e professores dão, e filhos e alunos recebem. 
Dessa maneira, uma das fontes para compensar isso é o contentamento pelo 
que se faz, isso em parte traz alguma compensação. As relações precisam ter 
equilíbrio entre o dar e o receber, isso se concretiza quando há a passagem à 
próxima geração daquilo que foi recebido, ou seja, o filho que, quando adulto 
também tem filhos, e o conhecimento que é aplicado e passado adiante 
beneficiando as gerações seguintes. 
 
 
Equilíbrio 
Fonte: https://www.carreirax.com.br/wp-content/uploads/2019/02/equilibrio-vida-
pessoal-profissional-1080x628.jpg 
 
Já nos relacionamentos íntimos, o dar e o receber precisam se equilibrar, 
é uma relação entre dois adultos, por livre escolha, e, portanto, este equilíbrio é 
importante e contínuo. Contínuo porque não há equivalência exata entre o que 
é dado e recebido, portanto é como caminhar, em que há um desequilíbrio 
momentâneo ao tirar o pé do chão para dar um passo, e o equilíbrio é retomado 
em seguida para então seguir ao passo seguinte. Em trocas financeiras e 
objetivas, a medida de equivalência é mais clara, dentro dos relacionamentos 
não há como medir desta forma, algo mais valioso pode ser retribuído por uma 
série de pequenas ações. Também há um lapso de tempo em que é possível 
 
43 
 
que se receba mais do que se dá, muitas vezes, circunstâncias podem requerer 
que se receba mais cuidado da outra parte, em um contexto em que uma das 
partes temporariamente assuma mais tarefas e responsabilidades e outras 
situações similares. O importante é que se recupere o equilíbrio, dentro de um 
ritmo que alimenta novas trocas. 
Se um recebe sem dar, o outro logo perde o desejo de dar mais. Se um 
dá sem receber, o outro logo perde o desejo de receber mais. As parcerias 
também se rompem quando um dá mais do que o outro pode ou quer retribuir. 
O amor limita o dar segundo a capacidade de receber, assim como limita o 
receber segundo a capacidade de dar. Isso significa que a necessidade de 
equilíbrio entre o dar e o receber limita, ao mesmo tempo, o amor e a parceria. 
(HELLINGER, 2006). 
Interessante ponto de vista é o que se coloca, neste âmbito, sobre uma 
situação desafiante, embora comum, que são os casos extraconjugais. A 
reconciliação torna-se uma possibilidade, segundo a visão sistêmica, se houver 
uma retribuição de parte do dano causado por parte de quem foi ferido, pois é o 
que traria novamente um movimento possível que aproxima do equilíbrio o dar e 
o receber. O tema é controverso diante dos aspectos morais e das convenções 
sociais, entretanto, é o que se observou ao longo dos anos de experiência dentro 
da abordagem sistêmica. 
Quando nos dirigimos ao ambiente organizacional, o equilíbrio entre o dar 
e o receber se dá e é observado em muitos e diferentes aspectos. Desde a 
distribuição da carga de trabalho entre as diferentes áreas, se é proporcional e 
justa, passando pelo reconhecimento dos funcionários, pelo sucesso da 
empresa, o reinvestimento de parte dos lucros, o reconhecimento dos clientes 
como parceiros e até mesmo a relação justa entre o preço dos produtos ou 
serviços e o que é entregue aos clientes. Estes e tantos outros aspectos são os 
que podemos observar como possíveis indícios de que há ou não uma violação 
ao equilíbrio na troca, e que, como vimos, as manifestações das violações de 
qualquer das ordens costumam se dar através de perdas, dificuldades e desafios 
comuns aos negócios, afetando a lucratividade, o desempenho e as relações 
entre colaboradores. 
 
 
 
44 
 
3.5 Vínculo e Destino 
 
O que interliga os integrantes de um sistema é o vínculo, e, através da 
consciência, nos vinculamos aos grupos que são considerados necessários, 
importantes à nossa sobrevivência. A consciência está a serviço do sistema, e 
atua reagindo aos eventos, sejam eles os que representam ameaça ou tragam 
reforço aos vínculos. Com isso, a consciência atua nos incentivando a 
determinados movimentos ou nos restringindo em relação a outros. Dentro de 
cada sistema há uma consciência, que é diferente em diferentes sistemas. Como 
pertencemos a vários sistemas (família, profissional, amigos, sistema religioso, 
entre outros), atuamos de acordo com diferentes consciências, de acordo com o 
sistema no qual estamos interagindo. 
Dentro de cada sistema há um entendimento de que os padrões de 
comportamento que estão em acordo com o que está estabelecido compõem a 
“boa consciência”, e tudo o que é diferente disso é a “má consciência”. Isso vai 
desde questões muito simples, como o hábito de se comemorar aniversários, até 
as mais complexas e que ditam normas e regras de comportamento dentro 
daquele sistema. Por exemplo, pode ser comum na família “A” fazer festas para 
comemorar os aniversários, enquanto na família “B”, o hábito é de não se fazer 
nenhuma comemoração. Em cada uma delas, a “boa consciência”leva a repetir 
o padrão vigente, ou seja, os indivíduos irão agir de acordo, comemorando os 
aniversários no caso da família “A”, e não comemorando no caso da família “B”, 
e isso trará um sentimento de conformidade para todos. Tudo isso movido pelo 
desejo inconsciente de pertencer ao grupo. 
Dessa forma, se percebe que ações contrárias pertencem à “boa 
consciência” quando observadas dentro de cada sistema, dependendo dos 
hábitos vigentes. Agora, se um indivíduo da família “A” casa-se com alguém da 
família “B”, e resolve comemorar o aniversário do seu cônjuge, promovendo uma 
festa no ambiente da família “B”, essa reagirá contrariamente a isso, pois não é 
o hábito vigente. Então, a família “B” perceberá esta comemoração como uma 
“má consciência”. Embora traga contrariedades aos padrões de comportamento 
vigentes, a chegada da “má consciência”, normalmente por novos integrantes, é 
o que traz a possibilidade de evolução para o sistema, trazendo a oportunidade 
de novos padrões de comportamento. 
 
45 
 
Portanto, nesse contexto, a boa consciência significa apenas: “Posso 
estar seguro de que ainda pertenço ao meu grupo.” E a má consciência 
significa: “Receio não fazer mais parte do grupo”. Assim, a consciência 
pouco tem a ver com leis e verdades universais, mas é relativa e varia 
de um grupo para outro (HELLINGER, 2007). 
 
Já o destino pode ser estabelecido dentro do sistema, muitas vezes antes 
mesmo do nascimento, por questões que tenham acontecido anteriormente. 
Especialmente nos casos em que exista na consciência a culpa por benefícios 
recebidos ou prejuízos causados a alguém, há no sistema uma necessidade de 
compensação, que pode vincular um integrante ao destino de expiar esta culpa. 
Para elucidar, veja no caso prático onde um empresário europeu mudou-se, com 
o objetivo de fugir da guerra, e com os recursos da empresa que lá possuía, abriu 
um banco no seu novo país. Acontece que, na empresa anterior, de onde vieram 
os recursos para abrir o banco, alguns funcionários haviam morrido em uma 
situação de guerra que atingiu as instalações da empresa. Muitos anos depois, 
este empresário já havia falecido e seu filho era quem dirigia o banco, que havia 
prosperado e seguia muito bem. O filho, já casado e com família estabelecida, 
sem razão aparente, suicidou-se. Mais tarde, em um trabalho com um de seus 
familiares, foi possível verificar que ele se colocou a serviço do sistema, para 
expiar a culpa que carregava pelas mortes acontecidas na empresa que gerou 
os recursos para a abertura do banco. Este é um exemplo de um destino, que, 
pelo vínculo ao sistema, foi definido por questões anteriores ao nascimento de 
quem o cumpriu. 
Situações extremas, como a morte da mãe no parto, podem gerar culpa 
que permeia a consciência deste filho, como se a vida lhe tivesse chegado por 
um preço muito alto. Assim, por amor cego, movido pelo vínculo, ele pode buscar 
a morte, para se juntar à mãe, seguindo um destino difícil diante da impotência 
de poder compensar a morte da mãe. Com essa consciência, que de alguma 
forma diz “agora me junto a você, sou como você”, o amor cego traz uma falsa 
sensação de inocência. 
 
Conclusão da aula 3 
 
Aprofundando o entendimento das Ordens do Amor, é possível perceber 
como os movimentos acontecem dentro do sistema, seja ele familiar ou 
 
46 
 
empresarial. Questões aparentemente complexas, quando examinadas sob a 
ótica das constelações, podem revelar as dinâmicas que estão atuando e 
manifestando o desequilíbrio gerado pelas violações, conscientes ou não, a uma 
ou mais destas ordens. 
O Amor que move o sistema não se submete às questões morais, aos 
preceitos religiosos, aos regramentos sociais e ao conceito de justiça 
estabelecido, e atua de acordo com uma consciência própria, visando a estrita 
observância das ordens do pertencimento, hierarquia e equilíbrio na troca. 
Muitas vezes, diante do senso comum, parecerão injustas ou inadequadas as 
direções que este movimento toma, as leis do sistema são simples e sensatas, 
e atuam de uma forma poderosa e invisível. Vinculam seus integrantes, que, pelo 
desejo inconsciente de pertencer, seguem a consciência do sistema, e definem 
destinos dentro do processo de compensação que visa restabelecer o equilíbrio. 
Portanto, para entender e atuar de acordo com a abordagem sistêmica, 
se faz necessária uma nova visão, ajustada aos preceitos próprios das Ordens 
do Amor, livre de julgamentos e juízos de valor baseados em outras normas. 
 
Atividade de Aprendizagem 
Com base na visão sistêmica, e tendo em vista as ordens do 
Amor, discorra sobre como o vínculo pode definir destinos dos 
indivíduos, e dê exemplos práticos. 
 
 
 
Aula 4 – Diferenciação, consciência pessoal e coletiva 
 
Apresentação da aula 4 
 
Seguindo com o estudo, nesta aula passaremos por conceitos 
importantes que detalham a consciência e a sua atuação, estendendo o olhar 
para os movimentos de solução e tendo o entendimento de como esta 
abordagem atua diante de questões cotidianas, trazendo reconciliação e união, 
assim como, os caminhos e a visão que são propostos, pois atua de acordo com 
 
47 
 
seus próprios preceitos. Diferenciação, bom e mau, consciência pessoal e 
coletiva e frases de solução são alguns dos principais pontos abordados. 
 
4.1 Diferenciação 
 
A abordagem das constelações propõe uma perspectiva de atuação que 
considera o Amor como grande força atuante nos movimentos dentro dos 
sistemas. Ao mesmo tempo, para além de não se tratar do amor romântico, nos 
coloca diante de uma revisão cuidadosa de algumas expectativas e ideias que 
temos do amor e que limitam a consciência. Por muitas vezes, se torna 
desconfortável rever estes posicionamentos internos e, principalmente, 
confrontá-los com o senso de bondade e compaixão dominante, pois se deparar 
com situações extremas, como a morte, e entender que este seja um movimento 
guiado pelo amor, no seu mais profundo sentido, ainda é desafiante. 
Este olhar profundo e a compreensão essencial do que trata a abordagem 
sistêmica só é possível se admitida a atuação ampla dos âmbitos da consciência, 
em dois níveis trazidos pela Hellinger Sciencia: a consciência pessoal e a 
consciência coletiva. A quem não seja possível assumir a clara percepção de 
que a ação humana é permeada pela influência destas duas consciências, lhe 
escapa o essencial para o entendimento e a atuação pela abordagem sistêmica. 
A consciência pessoal, individual, se assemelha a um sentido como o do 
equilíbrio físico, em que há internamente um sensor que traz sensações 
desagradáveis imediatas ao perder o equilíbrio, como a tontura, de forma que o 
corpo busca no instante seguinte retomar o equilíbrio no próximo passo. Assim 
atua a consciência pessoal, que reúne as informações da família, do grupo ao 
qual pertencemos sobre os padrões de morais e de comportamento, as formas 
de agir e lidar com as situações. 
 
 
48 
 
 
Consciência pessoal 
Fonte: https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/03/consci%C3%AAncia 
_326869622.jpg 
Importante 
Então, quando o indivíduo age em desacordo com isso, sua 
consciência pessoal, tal qual na situação do desequilíbrio do 
corpo, traz sensações incômodas, de inadequação, o que 
usualmente se costuma chamar de consciência pesada. 
 
Diante deste incômodo, a pessoa é levada a ajustar sua ação, pelo desejo 
inconsciente de pertencer ao grupo, agindo então de acordo com os padrões 
vigentes. Portanto, a consciência pessoal é sentida, e é a que traz a sensação 
consciente, mais próxima, de culpa ou inocência, justiça ou injustiça diante do 
que é feito, e da qual resulta a percepção de pertencer ou não ao grupo. 
Enquanto que a consciência coletiva atua no nível inconsciente, e atua 
coletivamente, abrangendo a todos que pertencem àquele sistema, incluindo 
filhos, pais, irmãos dos pais, avós e eventualmente algum dos bisavós,assim 
como todos os que, por sua desvantagem, favoreceram outros do sistema. É, 
portanto, muito anterior ao indivíduo, e somente pelos seus efeitos é que se pode 
reconhecê-la, e se direciona por um ordenamento próprio, diferente do que atua 
na consciência pessoal. 
 
https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/03/consci%C3%AAncia
 
49 
 
A consciência consciente é, na tragédia grega, a pessoa – a 
consciência coletiva inconsciente, os deuses. Aquilo que é atribuído 
aos deuses é o que atua na consciência coletiva inconsciente. Da 
atuação conjunta dessas duas consciências é que se origina o destino 
e de um modo que não podemos controlar, se não entendermos a 
atuação dessa consciência inconsciente (HELLINGER, 2012). 
 
Eis então a clareza com que se coloca como essencial para a abordagem 
sistêmica, e a atuação com as constelações, assumir por completo o fato de que 
a atuação humana é permeada por influência destas duas consciências, pois o 
que se vai buscar na representação é justamente entender o que atua para além 
do óbvio relatado e percebido por quem traz a questão. 
Portanto, a consciência coletiva é a que zela pelas ordens do Amor, e que 
não admite a exclusão, a quebra da hierarquia no tempo, portanto, zelando pela 
precedência e pelo equilíbrio no todo. Havendo alguma exclusão, que pode ser 
por não reconhecer, esquecer ou difamar alguém, um outro será tomado a 
serviço para representar este que foi excluído, lembrando que quem se coloca 
com mais abertura para isso, com desejo inconsciente de servir, são os mais 
novos, as crianças. 
Ser tomado a serviço, embora de forma inconsciente, traz internamente 
um sentimento de concordância, de estar de acordo, de uma realização 
importante que serve a algo maior, um senso de responsabilidade. Por esta 
razão, o movimento é seguido com uma força que o conduz, que faz parecer 
natural o destino que se desenrola. É preciso força e coragem para olhar para 
as questões sob a luz do que trazem as constelações, e muitas vezes concordar 
com destinos que não podem ser mudados, e, ao mesmo tempo, abrir mão do 
amor cego pelo vínculo ao abdicar de um destino difícil. O amor maduro é o que 
concorda com as coisas como foram e permite manter o vínculo, libertando para 
a vida plena, às custas de deixar com cada um o destino que lhe pertence e sem 
tomar para si a culpa de outros. Reconhecer o destino de cada um é uma 
maneira profunda de honrar sua existência, pois ao tomar a responsabilidade de 
compensar a culpa de terceiros significa dizer que este não seria capaz de 
suportar o próprio destino, enfraquecendo-o. 
 
 
 
50 
 
Importante 
É possível compensar os prejuízos, dores e sofrimentos 
causados através da reconciliação. Com o trabalho sistêmico 
há recursos que possibilitam examinar a situação, atentando 
aos limites e permissões que se mostrarão, e propor a 
reconciliação por intervenções pontuais, que reverberam no 
sistema e libertam destinos difíceis. 
 
Por tantas razões, o cuidado na atuação como facilitador deve ser 
extremo, se lida com algo definitivamente muito maior do que sua própria 
consciência pessoal possa alcançar, envolvendo as mais profundas questões 
que podem ser vivenciadas dentro de um sistema familiar. Isso tem impacto 
sobre vidas e destinos, e somente é possível com muita humildade em se 
reconhecer que quem atua é a consciência coletiva, simplesmente se está a 
serviço dela, não há poder pessoal algum diante de um sistema, por mais que 
das intervenções propostas e realizadas através do facilitador possam resultar 
benefícios e soluções imensuráveis em valor para todos. 
Diante das constelações, a contradição vivenciada em relação ao que se 
tem como verdade em consonância com preceitos morais, culturais, religiosos, 
sociais e até mesmo econômicos é constante, uma vez que as dinâmicas se 
mostram sem influência disso. Ao trazer à luz a imagem que visualmente traduz 
como estão os integrantes, e reagindo às intervenções propostas, onde tudo se 
guia estritamente pelas ordens do Amor, é contraditório e ao mesmo tempo 
incontestável, pois é inegável a percepção do que é acolhido como possível e do 
que é rejeitado. 
 
A essência da experiência de alguém na família é condensada e 
projetada em uma imagem visual. Essa imagem vale, literalmente, mil 
palavras, revelando aspectos da vida interior da família que se 
mantinham escondidos. Impressões vagas e sentimentos confusos na 
periferia da consciência tomam forma por meio da expressão física 
espacial (Papp, Silverstein e Carter, 1973, apud Franke-Bryson, 2012). 
 
Diante das constelações, a contradição vivenciada em relação ao que se 
tem como verdade em consonância com preceitos morais, culturais, religiosos, 
sociais e até mesmo econômicos é constante, uma vez que as dinâmicas se 
mostram sem influência disso. Ao trazer à luz a imagem que visualmente traduz 
 
51 
 
como estão os integrantes, e reagindo às intervenções propostas, onde tudo se 
guia estritamente pelas ordens do Amor, é contraditório e ao mesmo tempo 
incontestável, pois é inegável a percepção do que é acolhido como possível e do 
que é rejeitado. 
Com esta perspectiva, é possível avançar para o quanto de violações 
ocorrem às ordens do Amor, que constituem a diretiva dominante da consciência 
coletiva, ao atender aos critérios definidos pela consciência pessoal e que se 
embasam em conceitos e definições da vida e das relações por meio de 
preceitos morais, religiosos, entre outros, que atribuem valor ao que é bom e 
mau, justo e injusto, correto ou incorreto a partir disso. Os conjuntos de regras 
morais, religiosas, o próprio ordenamento jurídico vigente em cada país, 
guardam em si muitas complexidades, e se alteram de acordo com o passar do 
tempo, com a cultura local, e com vários outros aspectos da atuação humana. 
Já as ordens do Amor se mostram atemporais, simples e sensatas, não se 
alterando em sua essência ao se trabalhar em diferentes culturas ou em 
diferentes lapsos temporais representados nas constelações. Na prática, as 
dinâmicas mostram que, por exemplo, o pertencimento atua na mesma medida, 
e reage ao que lhe afeta da mesma maneira, quer se esteja atuando em uma 
situação presente na constelação, quer se esteja atuando em uma situação de 
duas ou três gerações anteriores. 
Senso assim, o que é justo ou injusto, o que atribui culpa ou inocência, o 
que acolhe moralmente ou não, se modifica ao longo do tempo nos regramentos 
humanos e nas diferentes culturas. Já as ordens do Amor demonstram 
permanecer inalteradas, atuando guiadas pela mesma medida e na mesma 
direção, e compondo o conteúdo da consciência coletiva de forma consistente 
no tempo e nas diversas dimensões das relações humanas, transgeracionais e 
transculturais. 
Dado que tudo isso é experimentado por meio de situações correntes e 
cotidianas da vida, e que a consciência coletiva atua no inconsciente e de forma 
invisível, muitas violações são perpetradas às ordens do Amor, e geram 
necessidade de compensação dentro dos sistemas. Assim é, portanto, que o 
amor cego, guiado pelo inconsciente desejo de pertencer e da inocência de 
colocar-se a serviço, assume destinos difíceis e os cumpre sem questionar. E, 
ao se trazer à luz da consciência pessoal através das constelações a dinâmica 
 
52 
 
que está atuando, demonstrando os desequilíbrios e as culpas assumidas, se 
torna possível então reconciliar, unir e compensar de formas amorosas e 
respeitosas, de acordo com as ordens do Amor, libertando muitas pessoas de 
destinos assumidos pelo amor cego. 
Um outro aspecto que se soma à complexidade aparente de atuar de 
acordo com as ordens do Amor é o fato de que pertencemos a vários sistemas 
simultaneamente, e, muitas vezes, o que torna a ação adequada a um dos 
sistemas pode colocar em risco o pertencimento a outro, e, portanto, agindo de 
acordo com um estamos em desacordo em outro.Assim, configura-se uma 
oposição das consciências, pois cada uma tem objetivos opostos, e esta 
oposição gera pressão no indivíduo. Por exemplo, ao atender ao vínculo de um 
sistema profissional, se pode atuar em desacordo com o vínculo do sistema 
familiar, ou ao atender ao vínculo de um sistema religioso, se pode contrariar o 
que pede um vínculo do sistema profissional. 
Um exemplo prático disso pode ser observado no Brasil, em que os 
vestibulares e outros exames que envolvem uma grande coletividade como o 
Enem, por se tratarem de provas extensas e que demandam tempo para serem 
realizadas, precisam acontecer em momentos de disponibilidade para a grande 
maioria da população, sendo realizados habitualmente aos sábados e domingos. 
Ocorre, por exemplo, que alguns estudantes pertencem a grupos religiosos cujos 
preceitos consideram impróprio realizar qualquer atividade em benefício pessoal 
aos sábados. Nesse caso, temos claramente que, ao atender o que pede o 
vínculo a um grupo ou sistema, neste caso estudantil/profissional, se pode 
colocar em xeque o que demanda o vínculo ao grupo religioso. Da mesma forma 
que, para atuar profissionalmente em posições que demandam trabalho aos 
sábados, o mesmo conflito se mostra. E a escolha muitas vezes implicará em 
renunciar o pertencimento a um dos grupos, ou então atuar em desacordo com 
o que pede o vínculo a ele, gerando culpa e peso e, em muitos casos, em ser 
excluído do grupo. 
Mais um aspecto importante a ser abordado é o conflito que pode ser 
gerado pelos sistemas verticais e horizontais aos quais se pertence. Ou seja, a 
família é o vínculo estabelecido verticalmente, transgeracional, e, ao longo da 
vida, se estabelecem relações horizontais, intergeracionais, como, por exemplo, 
o relacionamento de casal, os grupos de amigos, profissionais e universitários. 
 
53 
 
Assim, em muitas situações, o que pede a boa consciência de um grupo pode 
entrar em conflito com o que pede a boa consciência do outro. Usos e costumes, 
o consumo de bebidas alcoólicas, as definições que abordam e limitam as 
relações sexuais, as regras de vestuário, entre outros, tudo isso pertence à vida 
cotidiana, e pode colocar em conflito a boa consciência de grupos distintos a que 
se pertence. 
Diante de diferentes consciências e da contrariedade muitas vezes 
possível entre isso e preceitos morais, religiosos, sociais e culturais, é que são 
gerados os desequilíbrios, as necessidades constantes de compensação e os 
emaranhamentos ao seguir sem trazer à luz da consciência pessoal para qual a 
dinâmica que está operando por trás de uma situação em que se enfrente 
dificuldades. Movimentos sistêmicos podem possibilitar a reconciliação, a união 
e ter o efeito de libertar desta pressão gerada pela oposição das consciências 
entre diferentes grupos, e também da atuação inconsciente e invisível da 
consciência coletiva. 
A separação, a distinção entre bom e mau é um exemplo comum disso, 
que cria uma divisão e consequente exclusão de uns, pelo julgamento 
inconsciente de outros. Inconsciente em termos das ordens do Amor, da 
consciência coletiva, pois o julgamento normalmente acontece pela consciência 
pessoal, presente. Ao bom atribuem-se todas as características do que é leve, 
feliz, saudável, e, portanto, deseja-se e incentiva-se o seu pertencimento. Ao 
mau é atribuído o que é pesado, difícil e por vezes agressivo, pode causar 
vergonha e gerar mal-estar e, diante disso, deseja-se a sua exclusão, o 
esquecimento, a difamação ou o não reconhecimento. 
 
Certo e errado, bom e mau, justo e injusto são julgamentos que 
podem tomar uma direção totalmente distinta do que é observado 
pelo senso comum, ao se atuar com as constelações e em 
observância às ordens do Amor que norteiam a consciência 
coletiva dentro dos sistemas. 
 
Como já visto, as constelações trazem a informação por uma linguagem 
majoritariamente imagética, que é a linguagem do inconsciente, e, por esta 
razão, as artes plásticas, o cinema e outras que se valem da linguagem 
imagética mobilizam tanto as pessoas. Portanto, através da imagem formada 
 
54 
 
pelos representantes, e da sua observação e percepção atentas e cuidadosas, 
que as informações chegam para a compreensão das dinâmicas que atuam, e 
quais os movimentos que são acolhidos ou repelidos pelo sistema na busca de 
solução. Debruçar-se com calma e centramento, sem receio de demorar-se com 
isso e sem a ansiedade do movimento para o próximo passo é o que permite 
perceber onde está a força capaz de mover em direção a uma possível solução. 
Nem sempre os elementos centrais, a partir dos quais se inicia o exame da 
questão, estão diretamente envolvidos na dinâmica que pode estar 
concentrando a força para o movimento, lembrando que a percepção é 
justamente o recurso do olhar amplo, que nos permite perceber simultaneamente 
as diversas dinâmicas que podem estar se mostrando no mesmo momento. É 
desta percepção cuidadosa, aguçada pela observação precisa, que permite 
identificar onde está a força para o passo seguinte, e muitas vezes pode estar 
em uma dinâmica que se passa entre elementos que inicialmente poderiam 
parecer secundários à análise da questão. 
Por exemplo, ao analisar uma questão jurídica de uma disputa entre 
sócios, onde estes estejam diretamente representados, e outros elementos 
sejam acrescentados para elucidar a questão, como a empresa, clientes, 
empregados, fundadores e o terreno onde a empresa está instalada, pode vir à 
luz que há uma dinâmica entre a empresa e o terreno, em que este não esteja 
sendo reconhecido pela contribuição que pode ter sido essencial ao início das 
atividades da empresa, e que esteja ali localizada a força para o próximo passo 
que permitirá a reconciliação entre os sócios. 
Da mesma forma, ao examinar uma questão trazida de uma dificuldade 
experimentada em um relacionamento de casal, pode-se verificar, por exemplo, 
que um dos cônjuges não está totalmente disponível para esta relação, por estar 
fortemente vinculado ao destino de compensar a exclusão ocorrida em seu 
sistema familiar pelo aborto não reconhecido de um irmão. Seu vínculo com o 
irmão, mesmo que este não tenha nascido, o coloca no movimento pelo amor 
cego de compensar esta exclusão com a sua infelicidade, sendo incapaz de 
experimentar a felicidade no relacionamento, como se dissesse “ao não viver 
esta felicidade, me aproximo de você que também não pode experimentá-la”, e 
através da semelhança pretende esta compensação. Portanto, a dinâmica que 
parecia ser central, entre os cônjuges, perde a força em relação ao 
 
55 
 
emaranhamento vivido no sistema de origem, e lá é onde é possível, através do 
reconhecimento dos pais pelo irmão abortado, um movimento que venha a 
possibilitar a reconciliação do casal. 
Estas reconciliações, na busca de trazer o equilíbrio para o sistema de 
acordo com um movimento pelo impulso do amor maduro, as frases de solução 
são falas propostas aos representantes, na perspectiva de que haja o 
reconhecimento, a inclusão, o retorno à posição da hierarquia, enfim, o 
reestabelecimento do equilíbrio pelas ordens do Amor. 
Somente em contato, em sintonia com o cliente e seu sistema, é possível 
alcançar as frases possíveis para gerar movimentos de solução. Há uma 
ansiedade comum aos facilitadores, de se saber a frase certa, e por meio dela 
promover a intervenção que impacte os integrantes e gere o movimento na 
direção da solução. Entretanto, não há um script específico, que define a frase 
exata que gerará o impacto e o movimento necessários. 
São conhecidas, até mesmo pelos tantos livros e transcrições de 
constelações realizadas por Hellinger, várias frases que se aplicam a propósitos 
específicos que visam reconhecer o vínculo, realinhar posicionamentos de 
acordo com a hierarquia, e tudo isso em distintas situações. Entretanto, isso não 
significa dizer que está ali contidauma orientação, um procedimento a ser 
aplicado com rigor processual, agindo orientado pelo pensamento. As frases de 
soluções adequadas seguirão o que as dinâmicas mostram, o que requer 
conexão e presença do facilitador em sintonia com o cliente e seu sistema, 
podendo ser idêntica às frases habitualmente utilizadas e vistas nos livros, 
entretanto, há que se apurar o olhar para dois aspectos: se a frase é possível de 
ser dita pelo representante de forma verdadeira, e não uma repetição mecânica, 
o que pode ser verificado pelas sensações físicas que este percebe ao repetir a 
frase proposta. E o outro aspecto é a atenta observação de como o sistema 
reage à frase que foi dita, como reage o representante a quem ela foi dita, o que 
igualmente pode ser consultado pelas suas sensações físicas e sentimentos ao 
ouvir a frase e como a dinâmica se mostra em possíveis movimentos realizados 
pelos representantes a partir da frase dita. Nestas situações, também é que se 
percebe se a solução, impulsionada pela frase, é acolhida ou não pelo sistema, 
onde a consciência coletiva também estabelece por estas demonstrações onde 
 
56 
 
se encontram os possíveis limites da atuação, diante do humilde respeito 
requerido a algo que transcende expectativas e julgamentos pessoais. 
Dessa forma, ficam ainda mais claras as razões pelas quais cada questão 
deve ser examinada a partir do vazio interior, sem pré-concepções e em acordo 
com as recomendações da postura sistêmica de atuação, que indica que esta 
deve ser sem intenção, sem medo e sem conhecimento. A imagem interna do 
sistema do cliente, que será representada, é única e somente pode vir à luz em 
cada caso específico. Hellinger diz: “só compreendo onde estão as soluções 
quando encontro um acesso para o campo de força e para as dimensões da 
alma que ultrapassam o indivíduo e a sua família” deixando claro que somente 
a cada caso específico, diante da constelação, é que a solução possível se 
mostra. 
Importante 
Nas constelações, não se trabalha a partir de hipóteses 
formuladas teoricamente, menos ainda da especulação de 
situações semelhantes ou da projeção de solução ideal que não 
seja aquela experimentada no caso específico, na prática da 
representação e com a atenta observação e ampla percepção 
do que se mostra nas dinâmicas. 
 
Uma questão polêmica ao se tomar contato com a abordagem sistêmica 
é a questão do perdão. Nesta busca pela reconciliação e união do que estava 
separado, é natural pensar, pelo senso comum, que pedir perdão é um bom 
caminho para isso. Entretanto, quando isso é examinado pela consciência das 
ordens do Amor, pedir perdão traz uma perspectiva de que se retire a 
responsabilidade de quem cometeu o ato, e muitas vezes estará pedindo que o 
outro lhe dê o que está além do seu alcance, transcende seu direito e dever de 
dar. E isto, diante do estrito e sensato crivo da consciência coletiva, não é aceito. 
A reconciliação não significa eximir da responsabilidade, assim como esta 
também não deve ser ultrapassada, impondo julgamentos morais e atribuindo 
juízo de valor ao fato e à pessoa, sob pena de gerar exclusão e ferindo o 
pertencimento. Por tratar-se de questão controversa, segue uma fala de 
Hellinger que nos permite alcançar um melhor entendimento diante disso, ao 
tratar de um caso real de incesto, cometido pelo pai com a filha: 
 
57 
 
[...] o pai não pode pedir perdão à filha depois de cometer incesto com 
ela. Se o fizer, estará pedindo alguma coisa além do que a filha tem o 
direito e dever de dar. Implorando a ela que limite as consequências 
de suas ações, na verdade ele está de novo praticando abuso. Deverá 
dizer algo assim: “Lamento o que fiz” ou “Reconheço que lhe fiz um 
grande mal”. Mas nem por isso deixará de arcar plenamente com a 
responsabilidade pelos seus atos e sofrer plenamente as 
consequências. Porém, que não vá além disso, do contrário imporá um 
fardo adicional à criança (HELLINGER, 2007). 
 
Pode ser chocante colocar-se diante desta perspectiva, por isso a 
abordagem sistêmica requer um minucioso cuidado e uma compreensão 
profunda dos seus princípios, pois contrariam muito do que as expectativas de 
justiça e correção pelo senso comum poderiam estabelecer. Além disso, atuar 
de acordo com esta abordagem pede um exame atento de quem a isso se 
propõe, tendo o seu próprio trabalho de desenvolvimento pessoal, indo de 
encontro ao que Hellinger postula ao dizer que “o importante para mim foi sempre 
o crescimento interno”. Também quando mostra, de diversas formas e com 
muitos exemplos pessoais inclusive, que para o crescimento há dores, não é um 
processo que se dá de forma sempre suave, só que é crucial para permitir que 
se atue de fato sem medo, com centramento interno e provendo a ajuda sem se 
emaranhar aos processos que facilitam ou geram novos emaranhamentos nos 
sistemas ao não respeitar seus próprios limites ao atuar. 
Desta perspectiva controversa do perdão, seguimos para uma fala que é 
muito dita e ouvida no trabalho com as constelações, justamente por atender em 
melhor medida a busca pela reconciliação de acordo com as ordens do Amor. A 
expressão “Sinto muito” permite ao mesmo tempo reconhecer o que foi feito, sem 
eximir a responsabilidade de quem fez e, a partir daí, abrir um caminho possível 
para a reconciliação ao adentrar em um âmbito em que, para isso, não se pede 
ao outro o que esteja além do limite que possa dar. A estrita atuação dentro do 
que requerem as ordens do Amor pede também respeito à dignidade do culpado 
e do agressor, pois eximi-los de suas responsabilidades significa considerá-los 
incapazes de assumi-las e responder por elas. 
Os limites de tudo isso são muito tênues, por esta razão é que a todo o 
tempo há um reforço e um chamado constante para a sintonia, a observação 
atenta e a percepção ampla. Somente com isso é possível compreender o que 
está ou não de acordo, o que pode ou não gerar movimento em direção à solução 
 
58 
 
e o que tem força ou não para reverberar e então promover o movimento na alma 
e na consciência coletiva. 
No trabalho com as constelações, é possível se deparar muitas vezes com 
situações extremas, onde a culpa e os danos tornam-se muito grandes, e, nestes 
casos, muitas vezes o que se mostrará possível pode ser a renúncia à expiação 
da culpa. Em situações assim pode ser a única forma de reconciliação, onde há 
uma rendição à impotência diante dos fatos. Ao mesmo tempo em que, ao 
facilitador, muitas vezes, a única possibilidade de ação possível é não tomar 
mais nenhuma ação, concordar com o que está e encerrar a constelação. 
Submeter-se ao destino que a consciência coletiva limita é a humildade 
requerida tanto por parte do facilitador quanto por parte do cliente, de quem traz 
a questão para ser abordada. 
A densidade dos conteúdos trabalhados nas constelações, mesmo que 
as empresariais contenham menos drama e emoção, interligam destinos, afetam 
as vidas de muitas pessoas para além daquela que se apresenta como cliente. 
A integridade em atender o que é melhor para o sistema, em detrimento do que 
possa ser melhor para um indivíduo isoladamente, está na essência da 
abordagem sistêmica, que não é uma proposta de terapia individual e deve 
considerar sempre, para atuar alinhada a isso, que há um sistema ao qual 
pertence o indivíduo e um campo sistêmico onde se desenrolam as dinâmicas. 
Nada é isolado e nem deve ser tratado como tal. 
Para Refletir 
Em linha com o que está sendo estudado, perceba-se 
interiormente ao assistir às aulas e ao estudar o material. 
Observe com atenção suas sensações diante dos conceitos, 
suas reações diante dos casos específicos apresentados. 
Esta sintonia consigo mesmo, este centramento interno 
transcende a teoria, e pode e deve ser praticado já a partir 
dos estudos. Só há contribuição ao aderir a esta prática, 
mesmo que ninguém esteja lhe observando ou exigindo isso.59 
 
Conclusão da aula 4 
 
Nesta aula foram abordados conceitos importantes que detalharam a 
consciência e a sua atuação, estendendo o olhar para os movimentos de solução 
e ter então o entendimento de como esta abordagem atua diante de questões 
cotidianas, trazendo reconciliação e união. 
 
Atividade de Aprendizagem 
Há uma controvérsia com o perdão na abordagem proposta 
pelas constelações, e o “sinto muito” se apresenta como 
melhor caminho. Discorra sobre isso, explicando as 
consequências e razões pelas quais isso ocorre. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
Conclusão da disciplina 
 
Finalizando esta primeira etapa, tomamos contato ainda mais 
profundamente com conceitos e situações reais, assim como com a controvérsia 
que pode haver entre a visão sistêmica e demais abordagens e regramentos 
morais, legais, culturais e religiosos. 
O reconhecimento de que a ação é permeada pela atuação da 
consciência pessoal e ao mesmo tempo consciência coletiva do sistema a que 
se está vinculado, sofrendo influências e direcionando destinos, é condição base 
para a compreensão necessária e o trabalho com as constelações. A consciência 
coletiva atua de forma inconsciente e invisível, o que não significa que tenha 
menos efeito, pois, muitas vezes, as mais duras e difíceis situações que as 
pessoas experimentam são justamente impostas por esta atuação imperceptível 
desta consciência. Os sentimentos de culpa e inocência, mais presentes pela 
consciência pessoal, trazem leveza ou peso, e o indivíduo busca adaptar-se pelo 
desejo de pertencer ao sistema. 
A boa e a má consciência, que incluem os modos de agir, os padrões de 
comportamento e formas de lidar são particulares de cada sistema, e como 
pertencemos a diferentes sistemas, muitas vezes se está diante de uma 
oposição de consciências, que traz uma pressão para o agir. É possível conciliar 
isso à luz das constelações, e libertar-se desta pressão através de movimentos 
sistêmicos que promovam isso. 
A solução, através das frases e movimentos, só é verdadeira e útil se 
validada e observada com atenção estrita e percepção ampla em cada caso 
específico. Não há receitas prontas, não se atua por hipóteses elaboradas 
teoricamente e não se alcança solução por meio de situações semelhantes, 
replicando ou projetando o que funcionou em outro caso. Só o que é visto e 
validado em cada caso específico promoverá a solução viável. 
Por fim, o perdão é controverso, e o “sinto muito” é um caminho 
sistemicamente mais viável e adequado, diante das dores e dificuldades 
experimentadas. A abordagem sistêmica das constelações é profunda, embora 
simples e humilde, e pode oferecer um caminho para a reconciliação e união que 
evite perpetuar o ciclo de dores, prejuízos e sofrimentos que os emaranhamentos 
geram. 
 
61 
 
Índice Remissivo 
As Ordens do Amor .................................................................................... 
(Amor; harmonia; movimentos) 
 
33 
As Ordens do Amor e o sistema familiar ..................................................... 
(Natureza; sistema; vida) 
 
34 
Conceitos e terminologias ......................................................................... 
(Campo; experiência; profundidade) 
 
08 
Diferenciação ............................................................................................. 
(Coletiva; consciência; pessoal) 
 
47 
Diferenciação, consciência pessoal e coletiva ........................................... 
(Equilíbrio; força; sistemas) 
 
47 
Equilíbrio na troca ..................................................................................... 
(Equivalência; relações; troca) 
 
42 
Hierarquia .................................................................................................. 
(Família; filhos; organização) 
 
39 
Histórico e evolução das Constelações ...................................................... 
(Abordagens; crescimento; indivíduo) 
 
07 
Ordens da ajuda ........................................................................................ 
(Ajuda; nascimento; saúde) 
 
24 
Pertencimento ........................................................................................... 
(Desafio; direito; lugar) 
 
36 
Postura sistêmica ...................................................................................... 
(Compensações; indivíduo; sistema) 
 
20 
Postura sistêmica e papel do facilitador ..................................................... 
(Aprendizados; facilitador; postura) 
 
19 
Vínculo e destino ....................................................................................... 
(Evolução; grupos; vínculo) 
 
44 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
 
Referências 
 
FRANKE, U. Quando fecho os olhos vejo você. 2º Edição. Goiânia: Atman, 
2012. 
 
HELLINGER, B. A fonte não precisa perguntar pelo caminho. 3º Edição. 
Goiânia: Atman, 2012. 
 
_______, B. A Simetria Oculta do Amor. 6º Edição. São Paulo: Cultrix, 2006. 
 
_______, B. Leis sistêmicas na assessoria empresarial. 1º Edição. Belo 
Horizonte: Atman, 2014. 
 
_______, B. Liberados somos concluídos. 2º Edição. Goiânia: Atman, 2012. 
 
_______, B. O amor do espírito na Hellinger. Sciencia. 3º Edição. Belo 
Horizonte: Atman, 2015. 
 
_______, B. Ordens da Ajuda. 3º Edição. Goiás: Atman, 2013. 
 
_______, B. Ordens do Amor.1º Edição. São Paulo: Cultrix, 2007. 
 
_______, B. Um lugar para os excluídos: conversas sobre os caminhos de uma 
vida. 3º Edição. Belo Horizonte: Atman, 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas 
páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de 
Marketing da Faculdade São Braz (FSB). O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em 
cobrança de direitos autorais.

Mais conteúdos dessa disciplina