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1 Disciplina: Constelação Familiar e Empresarial I Autora: Esp. Debora Ereno da Silva Revisão de Conteúdos: Esp. Murillo Hochuli Castex Revisão Ortográfica: Esp. Alexandre Kramer Mongenterm Ano: 2019 Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de Marketing da Faculdade São Braz (FSB). O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança de direitos autorais. 2 Debora Ereno da Silva Constelação Familiar e Empresarial I 1ª Edição 2019 Curitiba, PR Editora São Braz 3 Editora São Braz Rua Cláudio Chatagnier, 112 Curitiba – Paraná – 82520-590 Fone: (41) 3123-9000 Coordenador Técnico Editorial Marcelo Alvino da Silva Revisão de Conteúdos Murillo Hochuli Castex Revisão Ortográfica Alexandre Kramer Mongenterm Desenvolvimento Iconográfico Juliana Emy Akiyoshi Eleutério FICHA CATALOGRÁFICA SILVA, Debora Ereno da. Constelação Familiar e Empresarial I / Debora Ereno da Silva. – Curitiba: Editora São Braz, 2019. 62 p. ISBN: 978-85-5475-423-5 1.Constelações. 2. Família. 3. Empresa. Material didático da disciplina de Constelação Familiar e Empresarial I – Faculdade São Braz (FSB), 2019. Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 4 PALAVRA DA INSTITUIÇÃO Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) à Faculdade São Braz! Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão Universitária. A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas também brasileiros conscientes de sua cidadania. Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e grupos de estudos, o que proporciona excelente integração entre professores e estudantes. Bons estudos e conte sempre conosco! Faculdade São Braz 5 Sumário Prefácio ................................................................................................................. 06 Aula 1 – Histórico e evolução das Constelações .................................................... 07 Apresentação da aula 1 ......................................................................................... 07 1.1 Conceitos e terminologias ....................................................................... 08 Conclusão da aula 1 .............................................................................................. 19 Aula 2 – Postura sistêmica e papel do facilitador ................................................... 19 Apresentação da aula 2 ......................................................................................... 19 2.1 Postura sistêmica ..................................................................................... 20 2.2 Ordens da Ajuda ....................................................................................... 24 Conclusão da aula 2 .............................................................................................. 32 Aula 3 – As ordens do Amor e o sistema familiar ................................................... 33 Apresentação da aula 3 ......................................................................................... 33 3.1 As Ordens do Amor ................................................................................... 34 3.2 Pertencimento .......................................................................................... 36 3.3 Hierarquia ................................................................................................. 39 3.4 Equilíbrio na Troca .................................................................................... 41 3.5 Vínculo e destino ...................................................................................... 44 Conclusão da aula 3 .............................................................................................. 45 Aula 4 – Diferenciação, consciência pessoal e coletiva ......................................... 46 Apresentação da aula 4 ......................................................................................... 46 4.1 Diferenciação ............................................................................................ 47 Conclusão da aula 4 .............................................................................................. 58 Conclusão da disciplina ......................................................................................... 60 Índice Remissivo ................................................................................................... 61 Referências ........................................................................................................... 62 6 Prefácio Esta disciplina tem por objetivo apresentar os principais conceitos sobre a Constelação Familiar e Empresarial, colocando luz sobre dinâmicas familiares e empresariais de acordo com a ótica sistêmica. Dentro desse âmbito, iremos discorrer sobre conceitos e terminologias, bem como serão abordados os principais elementos que compõem esta técnica terapêutica, mostrando sua estrutura e funcionamento básico. As dinâmicas familiares e empresariais, vistas sob a ótica das constelações, podem ter suas causas e efeitos demonstrados com mais clareza para além dos julgamentos e preceitos morais e legais que norteiam aquilo que temos formado como senso comum. Portanto, trata-se de uma abordagem com diretrizes próprias, e que objetivam delinear o trabalho do facilitador, seus limites e posturas, proporcionando ajuda efetiva a quem busca solução para questões que estejam interferindo em sua vida, saúde e profissão. Serão abordados na disciplina diversos âmbitos e contextos de questões familiares e empresariais, nos quais as dinâmicas sistêmicas podem ser observadas e que servem para elucidar o que está causando o desequilíbrio, fornecendo, assim, informações de quais intervenções podem vir a restabelecer o equilíbrio. Como elementos interdependentes e inter-relacionados, a visão sistêmica propõe este olhar amplo, ainda que a manifestação da questão abordada se dê pelo indivíduo que a apresentou. Dessa forma, as contribuições que se alcançam por meio das constelações são muito significativas, quando são respeitados os seus preceitos e a postura de atuação, e quando há abertura e permissão para que o movimento de solução se faça. Problemas habitualmente complexos podem ter sua origem em dinâmicas simples, que demonstram os possíveis emaranhamentos entre os integrantes daquele sistema e que podem, com relativa facilidade, se mostrar dentro de um contexto que permita a solução com efetividade. Desfazer os emaranhamentos, restabelecer a ordem, incluir quem estava esquecido, reconciliar e aproximar são movimentos amorosos que se dão mediante as constelações e permitem que destinos melhores possam ser experimentados. 7 Aula 1 – Histórico e evolução das Constelações Apresentação da aula 1 Nesta aula daremos início aos nossos estudos, passando pelo histórico e evoluçãodas Constelações, seus principais conceitos e terminologias, assim como as ordens que regem os sistemas e considerações iniciais que permitam compor uma base primeira para o entendimento desta técnica e seus âmbitos de atuação. As Constelações tiveram seu maior desenvolvimento e impulso por meio dos trabalhos feitos por Bert Hellinger, teórico que se dedica ao tema há mais de 30 anos, com base em suas experiências, abordagens e formações anteriores. Abordagens como Psicodrama, Esculturas Familiares, Pensamento Sistêmico, além da Psicoterapia, contribuíram para o caminhar e a estruturação das Constelações. Com formação religiosa, anos de trabalho missionário na África do Sul e dedicação à psicoterapia e às dinâmicas de grupo desde o início dos anos 70, Hellinger sempre enfatizou a importância do crescimento interno. Cada indivíduo e questão são tratados de forma única, e a sua imagem interna de família é que é trabalhada. Seus livros já foram lidos por milhões de pessoas ao redor do mundo, em 19 diferentes idiomas, e o método das constelações familiares é utilizado no mundo todo, da Alemanha ao Brasil e China, por exemplo, que têm culturas e histórias distintas. Saiba Mais Bert Hellinger (1925) é um psicoterapeuta alemão, inventor do conceito de Constelações familiares, método aplicado às pessoas para descobrir os antecedentes relacionados ao fracasso, doenças, desorientação, dependência e experiências semelhantes. A metodologia das Constelações Familiares foi a base para as Constelações organizacionais, pois observou-se que os princípios e ordens atuam tanto em uma quanto na outra. Hellinger dedicou-se com mais interesse às Constelações Familiares, e Gunthard Weber, com quem atuou em conjunto, 8 foi quem seguiu os estudos e experimentos com maior ênfase nas Constelações Organizacionais, e é considerado o “pai” delas. Temos, ainda, como nomes muito relevantes nesse âmbito, Matthias Varga von Kibéd e Insa Sparrer, que definem o que se passa nas constelações como uma “linguagem transverbal” utilizada pelo grupo, e o grande desafio é desvendar sua gramática. Embora regidas por princípios e ordens similares e obedecendo as recomendações de postura em ambas as situações, o ambiente das Constelações organizacionais tende a ser menos emocional, embora não menos convincente naquilo que demonstra e nas soluções que pode alcançar. Os facilitadores no ambiente empresarial eram, a princípio, terapeutas, e, com isso, havia uma atenção maior às dinâmicas sociais e psicológicas por conta deste viés, trazendo uma observação que partia de uma ótica mais familiar. As principais diferenças em relação a cada uma delas são: Pertencemos desde o nascimento a uma família e somente a esta, já nas organizações, pertencemos por escolha, e em caráter temporário; Há uma carga emocional menor nas organizações se comparadas às famílias; Nas organizações, as constelações funcionam mais como um impulso à solução, trazendo clareza para a ação, mostrando caminhos do que como solução propriamente; Ao contrário das famílias, nas organizações é possível o teste de diferentes soluções, a simulação de hipóteses construindo a visualização de caminhos possíveis; Em uma família, ocupamos um único lugar e papel, e nas organizações isso pode mudar com o tempo, o que traz um maior grau de complexidade para estes sistemas. 1.1 Conceitos e terminologias A começar pelo próprio nome, Constelações, é comum que haja confusão no entendimento desta abordagem e técnica terapêutica. Por ser Bert Hellinger alemão, a denominação desta técnica terapêutica originou-se neste idioma como 9 aufstellung e, por conta de traduções para o inglês e depois para o português, chegou até nós como “constelações”. O significado atribuído, começando pela tradução literal de aufstellung que quer dizer lista, objetiva trazer a ideia de um todo, de que a lista, por assim dizer, contemple todos os integrantes daquele sistema. Portanto, não há relação com astronomia ou astrologia, zodíaco e afins. Trata-se apenas de uma forma de nominar o arranjo de um sistema com os seus integrantes. Temos então como Sistema uma composição de elementos inter- relacionados e interdependentes que formam um todo. Dessa forma, tanto podemos estar tratando de um sistema familiar quanto empresarial, desde que contemple os elementos de cada um. Outro conceito importante para adentrarmos nesta abordagem é o de campo sistêmico. Usualmente, é comum que esta terminologia seja utilizada referindo-se ao espaço de trabalho em que a constelação será realizada. Daí surgirem falas como: “formar o campo”, “preservar o campo”, entre outros. Entretanto, o significado mais relevante atribuído a este conceito é o de representar todo o conjunto de pessoas que pertencem ao sistema do indivíduo (ele mesmo, seus pais, cônjuges, filhos, entre outros) ou da empresa. O campo sistêmico vem a ser então este todo que contém seus integrantes e o registro das informações do que se passou com cada um individualmente e em suas relações. Nada, nenhuma explicação se aproxima tanto do entendimento do que vem a ser o campo sistêmico quanto participar efetivamente. Assim, é possível compreender ao mesmo tempo a simplicidade e a profundidade do que se passa, e como isso se passa. Segundo Hellinger, a experiência que mais se aproxima de explicar o que acontece no campo sistêmico é a do biólogo inglês Rupert Sheldrake. Seu experimento com animais, submetendo-os a determinadas condições para a obtenção de alimentos ou para encontrar a saída em labirintos, verificou que as informações são transmitidas aos sucessores em locais fisicamente distantes e sem nenhuma forma de comunicação direta. Observou-se que os comportamentos daqueles que eram submetidos à mesma experiência, posteriormente aos primeiros, agiam como se já tivessem uma informação prévia do que funcionava ou não, e seguiam, a partir daí, sem cometer as mesmas falhas iniciais ou sem repetir os comportamentos que foram punidos em relação aos primeiros da espécie submetidos à mesma experiência. 10 Campos sistêmicos Fonte: https://constelarflorianopolis.com.br/wp-content/uploads/2012/04/constelar. florianopolis.000555555.jpg Importante Segundo Rupert Sheldrake, o campo morfogenético ou mórfico é uma espécie de memória da natureza, que se transmite pela ressonância mórfica. De acordo com ele, são campos coletivos de informação, que têm registro de acontecimentos, pensamentos e sentimentos, e esta informação circula e se transmite entre seus integrantes como um éter invisível. Trata-se de campos não físicos, que transmitem informações e não energia. Dessa forma, Rupert conclui que as informações que são transmitidas por meio do campo mórfico definem a organização das atividades cerebrais e mentais, definindo também os padrões de organização dentro do grupo. Como exemplo, cita que acredita ser esta informação a que faz com que pássaros de determinada espécie façam voos organizados em formações perfeitas. Assim como, determinados comportamentos são percebidos a distância, como estar vendado e, ainda assim, perceber se está sendo ou não observado. Esta constatação leva à proposição de que nossas mentes funcionam por extensão de campos alongados muito além das nossas cabeças, conectando pessoas e ambientes. 11 Com base nisso, ao montar o campo sistêmico para a realização das constelações, é possível observar as dinâmicas que se desenrolam, como se esta informação fosse da mesma forma transmitida aos integrantes do sistema. Esta informação, que se transmite através do campo, pode estar absolutamente inconsciente para aquele que apresenta a questão a ser trabalhada, mesmo que pertença ao campo e esteja em contato com isso, exercendo e recebendo suas influências. O desenrolar das constelações, apartir da montagem do campo, se dá por meio do que Hellinger chama de observação fenomenológica, que é caracterizada por uma contemplação que surge a partir de um recolhimento interno, um estado em que o facilitador se coloca para apenas perceber o que ali vai se mostrar. Esta contemplação, sem pressa, é o que permite que algo que poderia estar ali oculto se mostre, mesmo que inicialmente não apareça. Esse olhar é interior, voltado para o que é essencial. Portanto, como observação fenomenológica, é importante ter em mente que cabe o olhar para movimentos, expressões, distanciamentos ou proximidades, posicionamentos, sinais físicos que expressam intenções e direções, todas estas sutilezas compõem o conjunto de sinais segundo os quais é possível fazer a leitura das dinâmicas que se passam dentro de um sistema. Simples olhares, ou a recusa a olhar, posicionar-se de frente, ao lado, atrás de outro integrante, tudo isso são indícios das dinâmicas presentes. Por convenção do longo período e incidência de observações, por exemplo, quando algum integrante permanece consistentemente olhando para o chão é um sinal de que olha para alguém que morreu, está fortemente vinculado a algum integrante morto. Atenção: todos estes sinais são sutis, estamos tratando de um campo de informações transmitidas por movimentos sutis. Se algo muito intenso se apresentar, seja na expressão corporal ou, principalmente, na manifestação verbalizada de um representante, o mais recomendado pode ser substituí-lo para verificar se não há um exagero que possa ser fruto de sensações e histórias pessoais. Se a informação procede, a manifestação se dá independentemente de quem esteja representando. 12 Ao observar estas dinâmicas, segundo Hellinger, tem-se em mente o que rege o funcionamento dos sistemas familiares e empresariais, que são as Ordens do Amor. De acordo com suas incontáveis observações de inúmeros grupos familiares, há algumas ordens que definem o desenrolar de movimentos dentro desses grupos, como uma estrutura de causa e consequência. Da mesma forma, observa-se que os sistemas empresariais obedecem também a estas ordens, dentro das suas dinâmicas específicas, que se desenrolam neste âmbito. As ordens do Amor são apenas três, de acordo com esta linha de conhecimento. Apesar de serem apenas três, em quase todas as dinâmicas a questão que é trazida, com maior ou menor grau de complexidade, é a relação com a quebra de uma ou mais destas ordens. Portanto, isso nos dá um espectro de observação bastante específico, o que torna a atuação dentro da abordagem das constelações bastante efetiva. Uma vez tendo em mente com profundidade e clareza estas três ordens, além de ter também a clareza de que não há que se buscar pela complexidade diante das questões apresentadas, isso permite focar a atuação e evitar que as emoções e manifestações roubem a clareza do que é importante. Há inclusive um livro de Bert Hellinger, enfatizando o quanto isso é relevante, cujo título reforça que “O essencial é simples”. Portanto, para Hellinger, os sistemas familiares são regidos pelas leis, chamadas ordens do Amor, que, de acordo com ele, são: pertencimento, hierarquia e equilíbrio na troca. [...] ajudará muitas famílias a encontrar a solução para os problemas que sempre lhes pareceram insolúveis. Então o amor poderá unir de novo todos os membros da família. O dia-a-dia de muitas famílias mostra que não basta que nos amemos reciprocamente. O amor também precisa de uma ordem, para que possa de desenvolver. Essa ordem nos é preestabelecida. Somente quando sabemos algo sobre as ordens do amor é que podemos superar os obstáculos que, apesar da boa vontade de todos os envolvidos, muitas vezes se colocam no nosso caminho (HELLINGER, 2007, p. 7). Vê-se, portanto, que as ordens do amor são preceitos próprios dentro da abordagem das constelações, cuja identificação aconteceu por continuada observação de inúmeros sistemas e seus acontecimentos e dinâmicas, e não se submetem ao desejo ou a regras morais, culturais, sociais ou religiosos. O que não significa dizer que o indivíduo prescinde do cumprimento dos regramentos, 13 quais sejam, no ambiente a que pertença, por escolha própria, escolhas coletivas ou tradições. Significa sim dizer que, ao buscar tratar questões cotidianas sob a ótica das constelações e os preceitos da visão sistêmica, inúmeras vezes as dinâmicas e as soluções que se apresentarão podem contrariar a moral vigente, bem como estas outras regras. E que, para usufruir das soluções e liberações propostas por este método, há que se respeitar e seguir ao que dizem as ordens do amor. Penetrar as Ordens do Amor é sabedoria. Segui-las com amor é humildade (HELLINGER, 2006). A primeira das ordens trata do pertencimento, sendo esta a ordem que diz que todo aquele que um dia pertenceu, tem direito ao seu lugar acolhido no sistema e o reconhecimento devido deste pertencimento. Aparentemente simples de ser seguida, grande parte das dificuldades vividas e dos problemas experimentados podem estar relacionados ao descumprimento deste preceito. Uma vez que diz que todos aqueles que pertenceram têm seu lugar, pressupõe uma igualdade neste direito, tendo todos o mesmo valor, independentemente de julgamentos morais e sociais e de suas ações. Ainda, mesmo que tenha feito parte por um lapso de tempo curto, o lugar é de direito. Para ilustrar isso, temos situações como bebês natimortos, bebês abortados de forma natural ou provocada, ex-companheiros, independentemente da duração do casamento, meio-irmãos, familiares que tenham cometido crimes, entre outros. O pertencimento também vai para além da morte física, todos fazem parte. Pode que algum familiar tenha o seu direito de pertencer recusado, por razões diversas, ou simplesmente que seja esquecido pelos demais, ou tenha sua história silenciada, e isso então é o suficiente para que o senso de completude do sistema seja afetado. Com isso, o sistema naturalmente vai buscar seu equilíbrio, pois há um impulso irresistível de respeitar o pertencimento, e é provável que haja um processo de identificação, em que este integrante possa ser revivido ou representado por outro familiar mais jovem, afetando principalmente as crianças. 14 Um homem casado conhece uma outra mulher e diz à esposa: “Não quero mais viver com você”. Se vier a ter filhos com a nova parceira, um deles irá representar a esposa abandonada, talvez dirigindo ao pai o mesmo sentimento de ódio, rejeição e sofrimento dela ou então afastando-se dele com a mesma tristeza. Essa criança, porém, não sabe que está tornando presente a pessoa excluída e fazendo-a valer. E nem seus pais têm consciência disso (HELLINGER, 2015). O mesmo processo se dá com aqueles que são excluídos por julgamentos morais, ou inadequações sociais. O filho ilegítimo, tido fora do casamento, o tio que tem forte dependência do álcool, um familiar que sofra de insanidade mental, todos aqueles que representam, do ponto de vista do senso comum moral e social, uma vergonha para a família e sejam excluídos, pelo vínculo impactarão o sistema e o destino de outro ou de vários. Seja pela identificação, como já exposto, seja por outros comportamentos e escolhas que afetam a vida de outro integrante para compensar esta exclusão. Lembrando que é comum que as crianças sejam as primeiras a serem afetadas e a servirem a este papel, seguindo destinos que, por amor, pretendem restabelecer a completude no sistema. A abordagem de acordo com as constelações permite trazer à luz questões assim, possibilitando que a compensação ocorra de forma curativa por meio das intervenções durante o trabalho, reconhecendo o lugar de todos e encerrando ciclos que perpetuam destinos difíceis. A compensação que acontece pelo amor que busca compensar cegamente, de forma inconsciente,gera novos desequilíbrios a serem compensados continuamente, perpetuando dificuldades. Para Refletir O reconhecimento ao direito de pertencer não significa eximir possíveis responsabilidades, somente reconhecer que todos pertencem, têm o seu lugar, e este direito independe das suas ações. Saber sobre as histórias da sua família, fazer perguntas e incentivar a partilha pode ser curativo e ajudar a sanar exclusões inconscientes. No âmbito empresarial, os desafios comuns que se apresentam em relação ao pertencimento mostram situações relativas a ex-sócios, ex- colaboradores e até mesmo em relação a produtos e serviços que já tenham feito 15 parte e contribuído com a história e resultados da organização. Esquecer ou deixar de reconhecer as contribuições de quem veio antes traz desafios e dificuldades no âmbito empresarial, em que é comum que se atribuam à economia, mercado, concorrência e outros fatores, quando em uma constelação esta dinâmica pode vir à luz e encontrar caminhos de solução. Já a segunda ordem, a da hierarquia, traz o entendimento de que todos que fazem parte pertencem ao sistema na ordem e na posição em que passaram a integrá-lo. Sendo assim, aquele que veio antes tem precedência sobre quem veio depois, como uma observância à lei do tempo, que nos dá noção de sequência e tem efeito estruturante para o ser. Isto se aplica aos pais sobre os filhos, ao primeiro filho sobre o segundo, a este sobre o terceiro e assim por diante. Da mesma forma, à primeira esposa ou marido sobre a segunda(o), no caso de um segundo casamento. Portanto, o respeito dos filhos para com os pais, dentro da visão sistêmica, é devido também por estes integrarem o sistema antes dos filhos. Situações que vemos comumente no nosso convívio, como não reconhecer o devido lugar à primeira esposa, ou marido, é um comportamento gerador de desequilíbrio e, atuando mesmo que inconsciente, provoca o movimento em busca da compensação. Da mesma forma, filhos que assumem postura de cuidadores dos pais, sentindo-se na obrigação de retribuir o que deles receberam, acabam por exercer um papel de pais dos próprios pais, e estes de filhos. O irmão mais novo, que toma para si responsabilidades e atuação como se fosse o mais velho, igualmente coloca em desordem a hierarquia do sistema. Situações assim violam a ordem da hierarquia, gerando desequilíbrios no sistema. Quando estamos tratando de questões empresariais, a hierarquia é um termo utilizado habitualmente para denominar a posição funcional, estabelecer as relações de autoridade e responsabilidade. Entretanto, no que toca às constelações empresariais, vai além disso, tratando da precedência de quem veio antes, seja naquela posição, seja na empresa como um todo. Sendo assim, quando se deixa de ouvir as contribuições de quem veio antes, de reconhecer as contribuições e o papel que exerceram, isso dá espaço para que dinâmicas de desequilíbrio se apresentem, e problemas nos negócios ou entre colaboradores sejam desencadeados. 16 A terceira das ordens do Amor diz respeito ao equilíbrio na troca dentro das relações. Equilíbrio na troca trata de dar e receber em equivalência. Esta ordem atua em todas as relações, com exceção da relação entre pais e filhos, onde estes necessariamente tomam muito mais do que recebem, já que só a vida, por si só, é algo impossível de ser compensado em igual medida. De acordo com o que foi observado ao longo dos anos em inúmeros sistemas e dinâmicas, a forma de compensar, por assim dizer, a vida que se recebe dos pais é fazer algo de bom com a vida que se recebe, e passá-la adiante aos seus filhos, perpetuando a existência daquele sistema. Toda relação em que uma das partes dá mais do que recebe, ou alguém recebe mais do que dá, gera um desequilíbrio. Entretanto, contrariando o que diria o senso comum, receber mais do que se dá gera um peso, e com isso o indivíduo tende a buscar um caminho para sair da relação. Do ponto de vista organizacional, o equilíbrio na troca abrange a relação entre clientes e a organização, observando o dar e receber entre produtos e serviços oferecidos e o que se recebe, assim como as relações com fornecedores e colaboradores. A relação entre colaboradores também é regulada por esta ordem, entre departamentos e também para serviços prestados x remuneração recebida. Estamos tratando de movimentos que não são lineares na sua manifestação, e que são abrangentes pois observam o cumprimento das ordens em todo o sistema, portanto, salvo por meio do método das constelações, nem sempre é tão simples identificar onde há o desequilíbrio e o que este pode estar causando como consequência. Todas estas ordens se manifestam pelo vínculo, que é a ligação, o relacionamento existente entre cada elemento do sistema, e há uma reação a tudo que possa promover ou ameaçar o vínculo, seja na família, seja nas organizações. Por meio do vínculo os destinos se cruzam e as compensações acontecem no movimento maior do sistema como um todo, visando manter o equilíbrio e o respeito. Quando há uma quebra das ordens de hierarquia e/ou pertencimento, um acontecimento ou comportamento que as violem, e um indivíduo toma para si, pelo vínculo, um lugar ou destino que não é o seu, a este movimento de compensação, pelo vínculo, é o que chamamos de emaranhamento. Significa dizer que outro integrante, por amor, fará movimentos de compensação a esta 17 violação no sentido de evitar o sucesso, contrair uma doença, ter dificuldades em seus relacionamentos ou outras manifestações que visam expiar a culpa pela violação. É importante entender que esta culpa habitualmente não é direta deste indivíduo, e sim este coloca-se a serviço do sistema, por isso, a denominação de emaranhamento. Alguém ou algum acontecimento violou alguma das ordens, e outro indivíduo se coloca a serviço para recobrar o equilíbrio do sistema. Uma das principais atitudes que atribuem ao indivíduo sucesso na vida, saúde e nos relacionamentos, que se caracteriza por um movimento interno, é tomar a vida. Por óbvio que pareça, pois estar vivo parece o movimento natural de tomar a vida, trata-se de uma atitude interna, cuja manifestação se observa pelos resultados exteriores. Tomar a vida é um movimento de gratidão e, acima de tudo, tomar a vida tal qual lhe é dada, sem ressalvas, sem requerimentos adicionais, sem emendas. O maior valor que se pode receber é a vida, tudo o mais que lhe for concedido, em cuidados e facilidades, será por acréscimo. Muitas vezes, por emaranhamentos, é possível que inconscientemente a pessoa siga em direção à morte, ao insucesso ou às doenças. Todas as vezes em que falamos do Amor no âmbito das constelações, estamos nos referindo a uma força maior, que movimenta todo o sistema e que permeia todos os seus integrantes. Muito distante da concepção do amor romântico, este Amor é a força maior, que guarda o sistema como um todo, e zela pela observância das Ordens do Amor e pelo equilíbrio do sistema, como Hellinger muitas vezes nomina, a Grande Alma. Embora esta observância às leis que regem os sistemas possa trazer a impressão de submissão, o que de fato conquista-se com isso é o amparo real e consistente para a vida e a liberdade. Quando nos associamos ao mistério do mundo, conseguimos esquecer o que se aplicava aos relacionamentos conhecidos, assim como, ao nadar no oceano, esquecemos os rios que o alimentam e, quando alcançamos um fim, esquecemos os meios (HELLINGER, 2006). A consciência, no âmbito das constelações, representa o saber, o registro das informações, ações e entendimentos de cada indivíduo, assim como, da coletividade dentro daquele sistema e, de acordo com isso, padrões de comportamento são definidos e muitas vezes destinos são designados pelos vínculos e pela necessidade, por amor, de manter o equilíbrio do sistema.Este 18 processo de compensação é contínuo, principalmente quanto menor for o nível de consciência dos integrantes daquele sistema. Além de sermos filhos, parceiros e talvez pais, partilhamos de um destino comum com relacionamentos mais distantes – o que quer que aconteça a um membro de nosso grupo familiar, para bem ou para mal, nos afeta e afeta também os outros. Junto com a nossa família, formamos uma associação cujo destino é comum (HELLINGER, 2006). A consciência vincula de forma poderosa os integrantes de um sistema familiar, e é o que faz gerar o sentimento de obrigação, ainda que de maneira inconsciente, gerando os emaranhamentos nos quais por amor são envolvidos com vistas a fazer compensações dentro do sistema. Todas estas dinâmicas do sistema, suas leis e vínculos, assim como os emaranhamentos, compõem o campo de informações que se verifica durante o trabalho com as constelações, sejam familiares ou empresariais. E tudo isso se dá por meio de representantes, ou seja, os participantes que, voluntariamente, aceitam adentrar ao campo e representar o que lá se passa. Aos representantes, cabe ocupar o lugar de integrantes do sistema, e são posicionados dentro do campo, nesse caso, o espaço físico onde o trabalho será realizado pelo integrante que trouxe a questão a ser trabalhada ou pelo facilitador. Os representantes, em número e papéis definidos pelo facilitador, são posicionados e então essa imagem inicial já é possivelmente uma rica fonte inicial de informações do que se passa, de acordo com as inter-relações, ou a ausência delas, observada pela posição e postura que cada um demonstra. A representação em si, nada tem a ver com a representação artística e teatral de papéis que estamos acostumados a ver, e sim com a manifestação sutil de sinais físicos e expressões que chegarão ao representante de forma natural, sem que este precise de orientações e/ou informações, e muito menos de qualquer conhecimento sobre quem está sendo representado. É possível afirmar que quanto menos informação houver a respeito, melhores informações e indícios das dinâmicas poderão ser transmitidas por meio da representação. 19 Conclusão da aula 1 Nesta aula vimos conceitos iniciais fundamentais para o entendimento básico da abordagem das constelações familiares e empresariais. Assim, entender que se trata de um sistema de inter-relações e interdependência que obedece a leis próprias e específicas, que vinculam seus integrantes por meio da consciência e buscam o equilíbrio constante, fazendo compensações e afetando destinos, é a base para todo o processo e estruturação do olhar sistêmico nesta abordagem. Este método tem como principal referência Bert Hellinger, que, há mais de 30 anos, segue em estudo e constante movimento, promovendo imensos benefícios, reconciliações e soluções que outras abordagens podem não alcançar, de forma simples e contundente. Contrariando muitas das referências e entendimentos que compõem o senso comum de acordo com a moral e preceitos sociais, a visão sistêmica nos apresenta o Amor como força motriz, e tudo a que possamos atribuir valor como certo ou errado, bom ou ruim, ganha outra perspectiva e pode mudar de forma contundente, não só o entendimento, como afetar destinos, se observado de acordo com esta abordagem. Atividade de Aprendizagem Discorra sobre as 3 Ordens do Amor, e dê exemplos de como isso interfere na dinâmica da vida familiar. Aula 2 – Postura sistêmica e papel do facilitador Apresentação da aula 2 Nesta aula daremos sequência aos entendimentos e aprendizados sobre as constelações, abordando com mais ênfase, nesta etapa, a postura, o papel do facilitador, as ordens da ajuda e elementos importantes que são considerados fundamentais para que este trabalho possa ser realizado de maneira a 20 representar contribuição relevante para quem o busca, e para o sistema que é trabalhado como um todo. Atenção a detalhes e recomendações, e a indispensável postura de respeito diante do que se apresenta são fundamentais. 2.1 Postura Sistêmica A postura sistêmica é elemento essencial para o sucesso deste trabalho. Podemos falar de postura sob a ótica do indivíduo, já que temos toda a base e entendimento das dinâmicas de acordo com os preceitos das Ordens do Amor. Sob essa ótica, a postura que pode ser dita como saudável para o indivíduo é a de tomar a vida tal qual lhe foi dada, e atuar nela de modo que suas ações e sua consciência sejam guiadas, venham ao encontro do respeito e observância das ordens do Amor, que regem o sistema. Dito assim, pode parecer simples, entretanto, ao longo da disciplina e do aprofundamento dos conceitos, vemos que o olhar sistêmico nos desafia em muitos aspectos no que tange aos preceitos e entendimentos que são basilares em nossa vida. Justiça, moral, religiosidade, certo e errado, bom e ruim são perspectivas que podem ser colocadas em xeque ao se observar o que se passa dentro de um sistema, ao perceber as dinâmicas presentes e os emaranhamentos gerados pelo vínculo que une a todos e traça um destino comum. O sistema de compensações, a partir do Amor, muitas vezes pode se mostrar dentro de um ciclo interminável de dores e doenças e mortes, destinos difíceis e acontecimentos trágicos ou contundentes que, a priori, podem ter tido seu início em comportamentos que obedeceram a regramentos morais ou preceitos sociais que consideramos adequados pelo senso comum. O desafio proposto, portanto, pela abordagem sistêmica é este ajuste ao olhar, guiado pelo Amor que é a força maior, que não admite exclusões, dá a todos, sem exceção, o mesmo valor, independentemente de sua história e realizações, e não se submete à moral e à religião. 21 Curiosidade O olhar sistêmico proposto nesta abordagem entra em choque com outras abordagens e até mesmo com questões históricas e geracionais. Mundialmente reconhecido hoje por seu trabalho e trajetória, e pelas incontáveis contribuições que o método das constelações já trouxe a tantas famílias e empresas, Hellinger já foi muito atacado, acusado de ofender vítimas ao defender a inclusão dos perpetradores e até mesmo de zombar do sofrimento experimentado por muitos. As Ordens do Amor provocam distintas reações, quando fugimos ao simples e óbvio. Seguindo com o entendimento sobre a postura sistêmica, passamos agora a observar esta questão sob a perspectiva do facilitador. Aqui é onde temos a especial atenção e cuidado, visto que o facilitador é aquele elemento externo ao sistema, que se propõe a realizar um trabalho de ajuda terapêutico e, portanto, deve atender criteriosamente a alguns aspectos. O primeiro deles, antes de toda e qualquer outra questão, é o absoluto respeito a tudo e a todos, sabendo que adentrará a um sistema ao qual não pertence e que, por mais experiência e conhecimento que tenha, será sempre menor do que a força que move e a consciência de qualquer sistema, e como esta humildade deve colocar-se. Não há força maior do que o Amor, que move e zela por todo sistema, como já vimos anteriormente, e ao facilitador cabe colocar-se com profundo respeito e humildade diante desta imensidão que responde pela vida de tantos integrantes, por gerações e gerações. Há um livro específico de Hellinger que trata das Ordens da Ajuda, e, já no seu início, nos presenteia com uma fala poética sobre a sabedoria, que segue abaixo: Sabedoria O sábio concorda com o mundo tal como é, sem temor e sem intenção. Está reconciliado com a efemeridade e não almeja além daquilo que se dissipa com a morte. Conserva a orientação, porque está em harmonia, e somente interfere o quanto a corrente da vida o exige. 22 Pode diferenciar entre: é possível ou não, porque não tem intenções. A sabedoria é o fruto de uma longa disciplinae exercício, mas aquele que a possui, a possui sem esforço. Ela está sempre no caminho e chega à meta, não porque procura. Mas porque cresce (HELLINGER, 2013). E assim, tanto é ensinado em tão poucas linhas, porém, entre entender o que está dito, e apreender o conhecimento que aqui se apresenta, há a distância da experiência, no sentido de experimentar, estar presente e vivenciar o que é dito. Dessa forma, o respeito e humildade com que se deve colocar-se como facilitador tornam-se ainda mais evidentes. Diante disso, cabe olhar para a postura do facilitador de forma objetiva, para a qual há 3 recomendações essenciais, que dizem que este deve atuar: Sem intenção; Sem medo; Sem conhecimento. É natural que estas recomendações provoquem estranheza ao que é habitualmente entendido e esperado dentro de um trabalho de ajuda e de atuação terapêutica. E, por essa razão, é necessário debruçar-se mais detalhadamente sobre cada uma delas. A atuação sem intenção tem por objetivo que a postura do facilitador tenha respeito por tudo aquilo que se mostrar, principalmente, sem ter qualquer solução ou desejo de solução pré-estabelecida. Isso implica em dizer que há de se respeitar o limite de atuação que a própria dinâmica sistêmica pode demonstrar, e em que muitas vezes, isso pode desafiar o facilitador a encerrar a constelação diante de uma imagem que nem de longe seja aquela idealizada de um final feliz. Toda e qualquer concepção que possamos ter do que é final feliz, aquela que de um modo geral vem idealizada e permeada por imagens de alegria e harmonia total, sequer se aproxima da dimensão do que a consciência de um sistema pode conceber como pertinente, tendo o registro de tudo a qualquer tempo, e movendo-se pelo amor incondicional a tudo e todos, sem admitir a 23 exclusão. Impõe ao facilitador, muitas vezes, frustrar a expectativa daquele que traz a questão a ser trabalhada, e que possa ter essa expectativa balizada por um desejo de solução que contemple a sua consciência individual, talvez sem considerar o que o sistema como um todo entenda e aceite como melhor solução. Como integrante do sistema, a solução que considera o todo, mesmo à revelia da expectativa e consciência pessoal, o beneficiará, reverberará positivamente em sua vida, entretanto, talvez esta percepção seja mais sutil e tome um tempo um pouco maior para acontecer, e o primeiro sentimento possa ser o de incompreensão ou até mesmo de frustração. E o facilitador, com o desafio de respeitar muito mais a consciência do todo, a solução que o sistema acolhe, pode significar que tenha que encarar reações mais imediatas de insatisfação, contrariedade a até mesmo certa revolta. Portanto, a missão de colocar-se a serviço de algo maior, de facilitar intervenções e a busca por soluções de forma a serem realmente contribuições para o todo, guarda uma dose de desafio pessoal e de segurança que ultrapassa a executar um método e obedecer a um contrato de resultados específicos. A partir deste cenário, podemos entender com mais facilidade a segunda das recomendações sobre a postura do facilitador: a de atuar sem medo. Isso nos leva para muito além da relação cliente/prestador, e nos demanda principalmente que estejamos livres e centrados em nossas próprias questões, de modo a ser possível seguir ou interromper movimentos, única e exclusivamente, pelo que se mostra no sistema que está sendo trabalhado. Manter-se centrado e seguir sem que suas questões e emoções pessoais possam interferir no trabalho é essencial para colocar-se a serviço de maneira íntegra como facilitador. As questões que se apresentam em trabalhos sistêmicos são pertinentes e comuns a praticamente todos os sistemas, portanto, não raro, o que se apresenta para ser trabalhado também tem conteúdo e relação com o que se passa no sistema do próprio facilitador. Manter-se centrado, livre das influências e emoções pessoais do seu próprio sistema, é o que permite a liberdade de atuar em acordo e alinhado ao sistema do cliente. Certamente, estar livre das expectativas de solução que o cliente possa ter, sem medo de frustrá-las e sem compromisso de atuar atrelado a elas, é também parte importante desta recomendação. 24 Finalizando as principais recomendações em relação à postura como facilitador de constelações, a terceira delas diz que a atuação deve ser sem conhecimento. Antes que você desista de ler e entender sobre as constelações por conta disso, entenda que isso se refere ao conhecimento detalhado da questão que é trazida para ser trabalhada. Ao facilitador, interessa saber do que se trata, sem tantos detalhes e evitando que possa vir a interferir ou impactar, mesmo que inconscientemente, a postura do facilitador e também dos representantes. É comum que os relatos mais longos entrem em análises, emoções e julgamentos, o que não acrescenta informações relevantes e pode ainda gerar algum tipo de interferência. Portanto, quanto menos conhecimento, quanto menos detalhes além das informações primárias, mais fácil será conduzir a constelação a partir do chamado “vazio interior”. Este vazio interior é caracterizado justamente por não se ter intenção de algum resultado, não agir a partir do medo e nem a partir de informações que possam conter análises, interpretações ou julgamentos acerca do que se está tratando, mantendo a clareza e a liberdade para atuar. 2.2 Ordens da Ajuda Para além das recomendações de postura para o facilitador de constelações, há também as Ordens da Ajuda, proposições oriundas das observações e dinâmicas que se mostraram na atuação sistêmica, e segundo as quais a ajuda, para ser efetiva, obedece a alguns aspectos específicos. Há muitas dimensões da ajuda na existência e nas relações humanas, a começar pelo fato de a nossa espécie necessitar de muita ajuda desde o seu nascimento. Este aspecto pode gerar distorções no processo da ajuda profissional, como facilitador, trazendo-a quase que como uma obrigação, um compromisso inato entre todos os seres humanos e criando expectativas indevidas. A ajuda, nesse âmbito, consiste em que se alcance o próprio destino, o que muitas vezes estará relacionado a aspectos como vida x morte, saúde x doença, e tudo isso está além daquilo que o manejo do facilitador pode, e talvez nem mesmo deva, alcançar. E menos ainda colocar-se como responsável em relação àquilo que cabe a forças maiores, instâncias de consciência infinitamente mais amplas. 25 Ajudar é uma arte. Como toda arte, faz parte dela uma faculdade que pode ser aprendida e praticada. Também faz parte dela uma sensibilidade para compreender aquele que procura ajuda; portanto, a compreensão daquilo que lhe é adequado e, simultaneamente, daquilo que o ergue, acima de si mesmo, para algo mais abrangente (HELLINGER, 2013). Na abordagem das constelações, diante de dificuldades relatadas em treinamentos para facilitadores, é que foi tomando forma o olhar estruturado sobre o processo da ajuda. Com base nisso, observar a possibilidade e a permissão de atuar para a ajuda em determinados sistemas, assim como ter maior clareza sobre quais seriam os passos adequados e necessários, eram aspectos fundamentais a serem tratados no que tange a ajuda profissional. A primeira destas ordens, então, trata de dar somente o que se tem e somente ter expectativa e tomar aquilo que se necessita. Diante disso, desordens podem ser geradas com posturas que estariam alinhadas a ideias conhecidas e habituais de como um processo de ajuda deve ocorrer. Há que se haver uma exigência em mesmas bases, do facilitador para consigo mesmo e para com aquele que busca ajuda. Com isso, reforça-se a visão de que a ajuda resulta não de movimento externo, e sim interno, uma vez que buscar por ajuda não prescinde em dar passos e fazer movimentos por si mesmo. Emalgumas circunstâncias, alguém não pode dar o que lhe é solicitado, pois isso poderia significar tirar de outra pessoa algo que só ela poderia fazer ou carregar, assim como não é possível dar aquilo que não se tem. Estas são ações que geram desordem, ao invés de restabelecer o equilíbrio do sistema. A segunda ordem diz que a ajuda deve, antes de qualquer coisa, submeter-se às dinâmicas que se mostram, seja pelas circunstâncias internas ou externas ao indivíduo, intervindo somente até o limite em que o apoio é permitido. Por estar, por um lado, a serviço da sobrevivência e por outro do crescimento e da evolução daquele sistema, a ajuda fica condicionada e dependente destas circunstâncias. A ajuda que se submete às circunstâncias internas e externas, com discrição, é forte para promover movimentos efetivos. 26 Importante Os emaranhamentos e os vínculos de destino, impulsionados pelo amor cego e pelo pensamento mágico, que faz crer que há um poder de expiar algo pelo sofrimento autoimposto e que isso possa desvincular a culpa dos demais integrantes do sistema, são circunstâncias internas que, se desconsideradas, condenam a ajuda à ineficiência. A terceira ordem da ajuda trata de um aspecto que muitas vezes pode escapar aos olhos por uma falsa obviedade: nem todo aquele que busca ajuda está de fato aberto para isso, e nem mesmo pronto a engajar-se em qualquer solução proposta. A ajuda pressupõe que há uma relação entre dois adultos, e cabe ao facilitador reforçar ainda mais este aspecto, evitando situações que possam enfraquecer o processo ou engendrar a ambos em um ciclo de dependência e expectativa de cuidado que o cliente possa ter, em lugar e proporção ao que esperaria dos seus próprios pais. Por duro que possa parecer, colocar-se como um adulto diante de outro adulto, a ajuda em alguns casos deve ser recusada, sob a pena de envolver ambos em um modelo de transferência e contratransferência da criança para com os pais, o que faz sucumbir o desenvolvimento pessoal e a maturidade a ser alcançada. O foco da empatia do facilitador, de acordo com a quarta ordem da ajuda, deve ser majoritariamente dirigido ao sistema como um todo, pois este trabalho não se trata de uma terapia individual, todos pertencem a um sistema familiar ou empresarial e outros integrantes, vinculados à questão, devem ser incluídos na dinâmica. Ao olhar para o indivíduo como integrante de uma família, o facilitador pode de fato percebê-lo, e esse é o ponto focal de solução dentro desta abordagem e metodologia, já vimos que, tanto o sistema, como sua consciência e destinos antecedem e são maiores do que qualquer dos seus integrantes individualmente. Já a quinta das ordens da ajuda caminha em sintonia com a ordem do Amor que trata do pertencimento, ampliando a sua dimensão ao definir que o amor não seja medido pela diferença que a pessoa pode ter do facilitador. O amor a cada um dos participantes, tal como é e independente de seus feitos e consequências, é essencial. Em absoluto, não cabem julgamentos e nem 27 mesmo diferenciação entre bons e maus, uma vez que, em última análise, as constelações cumprem o papel de unir e reconciliar, especialmente pais e filhos, com amor a cada um como é. Isso deve se preservar e estar além de qualquer influência da consciência pessoal ou de análises e julgamentos públicos com opinião baseada no senso comum de justiça e correção moral. Inúmeras são as situações e incalculáveis os prejuízos gerados pela diferenciação e exclusão, que acabam vinculando destinos difíceis a muitas pessoas. A ajuda prescinde da lástima, e seguir em harmonia com os destinos difíceis, deve ser segura, sem julgamento, de igual para igual e dedicar-se ao sistema como um todo. Dentro da abordagem das constelações, nada é absoluto ou deve ser aplicado de maneira puramente rigorosa e metódica, abdicando da presença e conexão que prevê cada situação como única, devendo ser tratada com o cuidado de não pressupor nem antecipar soluções por comparação ou semelhança. Todas as orientações de postura, as Ordens do Amor e da Ajuda, os preceitos, exemplos e descrições servem ao papel de norteadores, sem prescindir da presença e conexão do facilitador. Para isso, duas ações distintas se apresentam como recurso. A percepção, que é distanciada, permite a visão ampla, captando a ocorrência de várias dinâmicas simultaneamente, cumpre um papel diferente da observação. Esta, por sua vez, é próxima, assertiva e precisa, direcionada aos detalhes, e, portanto, lhe escapa o que está ao redor. Com estes dois recursos é que a compreensão pode ser possível, na composição do todo e estabelecendo relação entre o que foi percebido e o que foi observado. Isso nasce a partir de um centramento interno e vazio interior, que vem da atuação sem intenção, sem medo e sem conhecimento. Este centramento interno, que permite o olhar abrangente a uma pessoa, se propõe a não agir a partir de reflexões, do pensamento e recorrendo a experiências anteriores, e sim da observação e percepção de forma produtiva e não a reproduzir algo. Essa ajuda pela compreensão vem de apreender o essencial, aquilo que é crucial para o próximo passo a ser dado, que vem da percepção e da observação combinadas, surgindo por uma indicação breve, que de passagem provê a ajuda e se retira para o movimento seguir seu fluxo. Um outro recurso que pode surgir é a intuição, aqui tida como a súbita compreensão de algo, que dá a indicação do próximo passo. A compreensão 28 habitualmente chega pelo processo de observação e percepção; já a intuição é a compreensão súbita. Inerente à postura sistêmica para facilitar constelações é a sintonia, que significa colocar-me em um contato profundo com a pessoa, entrando na mesma vibração, o que permite então o seu entendimento. Essa sintonia também é que esvazia o facilitador de si mesmo, que permite deixar suas próprias intenções, diferenciações e julgamentos de lado, numa espécie de despedida do superego e daquilo que poderia gerar desejos e expectativas. Assim, a mesma sintonia com o outro é a sintonia comigo mesmo, que permite que o outro também se aproxime e entre em sintonia, e, dessa maneira, é que o contato permite a sintonia com a origem da pessoa, seus pais e seu destino. É sempre importante lembrar que o respeito aos limites de atuação, atendendo às possibilidades acolhidas e permitidas pelo sistema, verificando-se pelas dinâmicas a adequação ou não da intervenção proposta é a ajuda humilde que cabe ao facilitador. Quando falamos em representantes, representação, papéis e lugares, a mente é permeada pelo universo fantasioso das tramas da literatura e das artes, nas quais o final feliz é considerado o mais adequado. O ambiente das constelações busca soluções que atendem a algo maior, e que não se submetem ao nosso desejo, expectativa e julgamento. As constelações trazem a imagem do sistema, a partir de um breve relato da questão e da identificação de alguns integrantes essenciais para compor a dinâmica. Ao se colocarem os representantes, forma-se a imagem inicial, que mostra muitas das dinâmicas presentes atuando no sistema. Por esta razão, não há a necessidade de tantas perguntas ou de um relato detalhado, como na terapia convencional, assim como também não há um processo investigativo do que houve antes, no passado. Como a linguagem do inconsciente é imagética, prescinde da interpretação, a pessoa, ao deter o olhar para a constelação, apreende muitas das informações que aquela imagem transmite, mesmo que inconscientemente, sem necessidade da fala interpretativa ou de que alguém lhe conduza detalhadamente o entendimento. Dessa forma, as recomendações mais recentes da Hellinger Sciencia, que é a escola oficial que reúne e transmite os saberes de acordo com a experiência e conhecimento de BertHellinger, vão no sentido de atuar com muito respeito à imagem que se forma, com o menor 29 número possível de representantes e intervenções para a questão, evitando falas desnecessárias e a teatralização das representações. Os representantes atuam de forma simples, guiados por sensações físicas e movimentos sutis, que ao facilitador atento transmitem sinais e informações importantes. E então, o respeito à imagem final que se forma, após as intervenções, deve ser ainda mais cuidadoso, pois aquela é a imagem da solução a que se chegou. Interpretações, questionamentos, a busca de entendimento cognitivo, a especulação e a curiosidade, podem desfazer essa solução ou destituí-la de força, o que pode afetar o cliente e desfocar suas ações posteriores, assim como interferir na reverberação positiva e curativa que esta imagem pode promover no sistema e nas pessoas envolvidas. Portanto, a postura de recolhimento e respeito, silêncio e mergulho interior é adequada ao lidar com algo tão grandioso como um sistema familiar. Para Refletir Por ser habitualmente realizado em grupos, com muitas pessoas que nem se conhecem entre si, o trabalho com as constelações pode levar a uma ideia de que se trata de algo público e totalmente aberto. Entretanto, o sigilo sobre tudo o que se passa, pessoas, fatos demonstrados, o que é dito e as implicações da solução merecem cuidado e atenção irrestrita. Este é um trabalho iminentemente interior, embora realizado em grupo, do qual o recolhimento, a calma e o respeito são partes integrantes. Para além de especulações e curiosidades, o trabalho com as constelações trata de delicadezas e histórias pessoais, de famílias inteiras e envolve muitas vezes gerações. Majoritariamente, trata dos destinos difíceis, que são os que normalmente se mostram, visto que ao que está fluido em harmonia ninguém busca modificar. A postura do facilitador, portanto, de respeito e humildade diante disso tudo, é crucial para que a condução do grupo, e não somente da constelação em si, se desenrole de modo que a grandeza do que se busca se manifeste sem atribulações, sem julgamentos e com centramento interno, mesmo por parte dos participantes. 30 Uma breve orientação sobre a representação, que muitas vezes gera expectativa e ansiedade nos participantes, pode ser importante para guiar as pessoas à melhor contribuição que possa ser dada. Os gestos são simples, sutis, e mesmo situações impactantes e graves costumam ser assim representadas, com pequenos movimentos, os olhares e os posicionamentos são importantes elementos para se perceber as relações entre os integrantes e as dinâmicas presentes. Importante A postura corporal, firme e com energia, ou prostrada e sem energia, traz informações relevantes, a proximidade ou a distância, a posição relativa dentro do sistema, tudo isso compõe o rol de elementos por meio dos quais se apreende o que ali é demonstrado. Tendo como guia as ordens do Amor e a leitura de alguns tipos de movimento para os quais há um entendimento validado pela frequência das observações, com sutileza e simplicidade, é possível captar o que está por trás de acontecimentos difíceis, muitas vezes trágicos, e buscar por uma solução que possa trazer reconciliação, unir o que estava separado e trazer um equilíbrio maior para o sistema. Como exemplos de movimentos e sinais corporais para os quais há uma leitura comum, temos: Olhar para o chão: este é um indício de que a pessoa olha para alguém que já morreu, assim como demonstra que está vinculada a esta pessoa. Muitas vezes este alguém é conhecido, muitas vezes é um fato desconhecido até mesmo para quem apresentou a questão, como, por exemplo, um aborto. É comum que seja a forma de identificar excluídos do sistema; Mãos nos bolsos: costumam sinalizar a existência de algum segredo. Por trás dos segredos, normalmente encontramos temas relacionados a sexo, dinheiro, vida e morte. Portanto, destes 31 segredos, possivelmente têm-se informações que levam a exclusões, culpas, fatos graves que podem revelar a dinâmica que está gerando emaranhamentos; Movimentos de uma dança suave entre participantes: mostram que aqueles integrantes do sistema estão ressonando entre si; Olhos fechados, representante em pé: possivelmente o representante está em contato com conteúdos seus, e não de quem ele representa. As pessoas devem permanecer de olhos abertos durante a constelação, evitando que entrem em contato com conteúdos pessoais e também que entrem em contato com imagens e cenas internas. O objetivo é permanecer conectado ao que se passa na constelação, no presente. Em especial, com a imagem final que se forma, para que esta informação, esta solução mostrada, ganhe força de reverberação interna, no integrante e no sistema; Movimentos rápidos ou falas rápidas: pode estar ocultando algo, mesmo que inconscientemente. No ambiente das constelações, nada se passa rápido, estamos tratando de movimentos da alma, lentos e profundos. Em suma, as constelações servem a duas finalidades: fazer um diagnóstico identificando o que de fato está se passando, o que está por trás do problema apresentado, ou para fazer uma intervenção propriamente, propondo movimentos e buscando soluções. A postura do facilitador é de extrema relevância para o desenvolvimento de um bom trabalho, e para que a ajuda possa dar certo. 32 Nas constelações, soluções não representam necessariamente finais felizes, nos quais tudo fica bem para todos e todos se abraçam festivamente. As soluções que se apresentam são as que incluem o que estava excluído, restabelecem a hierarquia no tempo, sempre respeitando o limite de atuação que o sistema acolhe e concordando em harmonia com os destinos possíveis. Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA No livro Ordens Da Ajuda, Bert Hellinger descreve as ordens da ajuda básicas e suas respectivas desordens. A obra é destinada a todos aqueles que se interessam pelo conceito de “ajuda”, podendo ser aplicado nas diversas relações sociais, de acordo com exemplos de terapias de diversos tipos. Conclusão da aula 2 Nesta aula vimos que há um olhar de postura sistêmica quando estamos falando do integrante de um sistema, e outro olhar para quando se refere ao facilitador. Importantes recomendações à postura foram detalhadas, essencialmente para que a atuação seja sem intenção, sem medo e sem conhecimento, a partir de um centramento interno e do vazio interior. Deste ponto, passa-se então à observância das ordens da ajuda, no âmbito da ajuda profissional e não da ajuda habitual entre as pessoas, dentro de seus relacionamentos. Estas ordens trazem preceitos sobre dar e receber, de modo que a ajuda acontece dentro do que é possível dar e tomando somente o necessário, e depende de circunstâncias internas e externas que se mostram e devem ser respeitadas. A ajuda é possível a partir do fato de considerar que temos um adulto diante de outro adulto, evitando que haja uma postura identificada com a criança ao buscar ajuda e esperando dedicação como seria dos pais para com os filhos. As constelações não atuam como uma terapia individual, embora aconteçam a partir de quem busca a ajuda. O facilitador deve sempre considerar que quem traz a questão pertence a um sistema, familiar ou 33 empresarial, e outros integrantes devem ser considerados. Além disso, as constelações estão a serviço de unir, o que estava separado, e reconciliar, especialmente pais e filhos, e a ajuda deve então partir do amor a cada um dos integrantes do sistema tal como é, sem julgamentos ou diferenciação. A compreensão das dinâmicas que se mostram e do próximo passo a ser dado, nasce da combinação de dois recursos: a observação, mais precisa e detalhada, e da percepção que é mais ampla epercebe as várias dinâmicas. Com isso, observando as recomendações de postura, é possível apreender o essencial para que o movimento siga e o equilíbrio seja alcançado. Já a intuição, que pode acontecer sem ser um requisito para a atuação, é a compreensão súbita de algo, sem passar pelo processo da observação e da percepção para ser alcançada. Tudo isso em sintonia com quem traz a questão, entrando na mesma vibração para alcançar entendimento e entrar em sintonia também com sua origem, destino e possibilidades, além de identificar igualmente os limites. A postura do facilitador, orientando os representantes, conduzindo o grupo e facilitando o trabalho das constelações a partir de uma postura que respeite as recomendações, é essencial para o trabalho e para que a ajuda aconteça. Atividade de Aprendizagem Na postura do facilitador, quais são os maiores desafios para que se possa prestar uma ajuda que dá certo, por meio da constelação? Aula 3 – As Ordens do Amor e o sistema familiar Apresentação da aula 3 Nesta aula vamos aprofundar o olhar sobre as 3 Ordens do Amor, entendendo ainda mais como os integrantes de um sistema familiar ou empresarial passam a seguir destinos, ou a manifestar questões em razão de 34 acontecimentos no seu sistema, mesmo que eles não estejam diretamente envolvido. 3.1 As Ordens do Amor De certa maneira, tendo o Amor como força motriz do sistema, os movimentos tendem naturalmente para a harmonia, para a experiência plena da vida e dos negócios. Quando algo se manifesta diferente disso, é um sinal de que pode haver alguma desordem naquele sistema. Como já falamos, as questões das quais tratamos na abordagem sistêmica, são as mesmas com as quais lidamos cotidianamente, na rotina das famílias e das empresas. Trata-se de abordar a partir do olhar sistêmico, que é uma abordagem relativamente nova se comparada historicamente à psicologia, medicina, disciplinas de negócios, em geral. Portanto, não se tratam de novas questões, e sim, de uma nova forma de abordar as mesmas questões, com propostas de solução a partir deste método. Sempre que estamos abordando alguma questão a partir da visão sistêmica, por mais complexo, grave ou doloroso que possa ser o tema, é importante mantermos em mente que nesta abordagem seguimos e olhamos para as questões a partir das 3 Ordens que regem os sistemas. Pode parecer simples, entretanto, tanto nas famílias como nas organizações, estamos falando de pessoas, de emoções, de dificuldades e é natural, se não houver uma atenção estrita, que possa haver influência das emoções e dos impactos das questões na vida das pessoas ou nos negócios. Diante disso, cada vez mais ficará clara a perspectiva de que cada problema será apresentado por quem o traz como parecendo sempre muito particular e específico, todos acreditam que seu problema é de certa forma exclusivo, seja nas características específicas, seja no grau de dificuldade. Outro aspecto interessante é que há uma tendência a descrever e olhar para as questões a partir da complexidade, e, dessa forma, parecer natural que a solução também só possa ser algo muito complexo, dada a complexidade do problema. Isso é da natureza humana, dado que pertencemos a organizações sociais complexas, influenciadas por diversos fatores, e nosso próprio corpo guarda uma complexidade de funcionamento que 35 engloba inúmeras funções, que ocorrem simultaneamente, com maior ou menor grau de consciência. Desta ótica, tratar as questões a partir da abordagem sistêmica permite trazer uma boa dose de simplicidade, ao mesmo tempo que traz profundidade e intensidade de atuação e efeitos. Temos somente três ordens a observar no sistema, e algumas recomendações e ordens a seguir para que a ajuda possa ser efetiva. Perceba, quanto mais simples é a dinâmica de um sistema, mais amplo e relevante passa a ser o papel e o impacto de cada um dos seus elementos e aspectos. Por esta razão, apesar de termos apenas três ordens simples a reger os sistemas, temos tantos emaranhamentos e questões geradas que têm apenas isso como causa raiz. Portanto, o olhar atento, a sintonia, os detalhes e sutilezas são tão importantes, dado que, apesar de simples, cada caso é específico e deve ser abordado sem replicar soluções prontas ou pré-concebidas. Ao trabalhar com as famílias e seus sistemas, em várias das abordagens terapêuticas disponíveis e aqui, em especial, pela abordagem sistêmica, vamos nos dando conta da proximidade geracional que temos de muitos aspectos danosos, como guerras, lutas por direitos civis, dentre eles a igualdade de gênero e racial em âmbitos diversos, e assim por diante. Ao trabalhar com as pessoas, as histórias vão surgindo e, não raro, acabam mostrando que ainda estamos vivenciando as consequências destes desequilíbrios, seja do ponto de vista social, psicológico, econômico ou financeiro. Agora que muitos princípios e conceitos foram vistos, já é mais fácil perceber o quanto estas questões sociais são recentes, pois, do ponto de vista histórico, 100 anos é pouco tempo. Nesse sentido, temos emaranhamentos por amor cego e lealdades, a serviço de compensar as dores, sofrimentos, prejuízos e mortes causadas por estes fatos. Quando falamos de uma pessoa, sempre temos em mente que o acontecimento reverbera e provoca efeitos em todo o sistema, que são vividos através de insucessos, doenças, dificuldades de relacionamento, desafios profissionais e financeiros por integrantes que se 36 colocaram a serviço, por amor, de compensar ou de se assemelhar às histórias de quem veio antes. Sendo assim, todo perpetrador de violência, preconceito, exclusão, falta de reconhecimento, gerou vítimas das suas ações. Tanto o perpetrador quanto a vítima pertencem a uma família, sendo assim, a cada evento, temos dois sistemas familiares afetados e movimentos de compensação acontecendo através dos vínculos, gerando emaranhamentos e destinos difíceis com os quais lidamos. Isto quando falamos somente das questões relacionadas a eventos mais relevantes, e que afetam uma coletividade. E quando nos direcionamos particularmente para as famílias, temos mais outra série de eventos com os quais lidamos cotidianamente, como: relações extraconjungais, filhos tidos fora do casamento, divórcios, desentendimentos em padrões morais que geram brigas e separações entre familiares, negócios conjuntos em família que não prosperam ou em que há desfavorecimento de uma das partes, brigas por heranças, e uma série de outros. Estes eventos, que rapidamente surgem à medida que se trabalha com as famílias, e muitos deles com as organizações, são eventos em que se verifica com relativa facilidade a perspectiva de que tenha havido a violação a uma ou mais das ordens que regem os sistemas e que, portanto, são geradores de emaranhamentos nos processos de compensação e identificação por semelhança. Este cenário nos dá a dimensão das possibilidades de atuação com as constelações, e quantas pessoas podem se beneficiar do que se reconcilia em cada sistema, interrompendo o ciclo contínuo de emaranhamentos para compensação pelo amor cego. 3.2 Pertencimento Diante de tudo o que já vimos, já não é tão simples entregar-se à inocência de acreditar que é simples cumprir e atender os requisitos das ordens do Amor diante dos fatos da vida real. Quando tratamos especificamente do Pertencimento, do direito que é de todos de pertencer, é simples imaginar dar lugar a todos aqueles que amamos e com os quais concordamos. O desafio tem início justamente nas situações que nos confrontam com nossos julgamentos e 37 expectativas, especialmente diante de normas morais, legais e dos desentendimentos nos relacionamentos pessoais. Ainda mais desafiante é tratar do pertencimento em relação àqueles que sequer sabemosque fazem parte, pois muitas das histórias familiares contêm elementos como os que descrevemos há pouco, que geram exclusões por brigas, afastamento, esquecimento por histórias que se deseja “silenciar” na família e assim por diante. Atendi, certa vez, a uma questão de relacionamento de casal trazida por uma cliente, e ao verificar sistemicamente nos deparamos com a história familiar em que a avó desta, uma índia que havia sido roubada e trazida para a cidade, casou-se com quem a tirou de seu ambiente e sua família. Tiveram 9 filhos, e alguns tantos netos, portanto, não há como saber quem neste sistema viveria consequências de como esta história se iniciou, a quem se estende e o que se mostraria para ser compensado. Ainda, o perpetrador da agressão é o pai de tantos filhos, que devem a ele sua vida. Vimos que o Amor não se submete às definições e preceitos dos arranjos sociais e das leis que criamos, simplesmente não admite exclusões sob nenhuma justificativa, não julga e não faz juízo de valor. Enfim, destinos que tornam difícil, diante de sentimentos confusos, liberar- se do julgamento e simplesmente acolher e dar a todos o direito de pertencer. Assim como, há todo um sistema familiar anterior, da avó, que nunca foi considerado anteriormente, ninguém tinha nada a dizer, nenhum conhecimento ou informação. Perceba que as dimensões que as leis do Amor alcançam vão para muito além do que podemos pensar, até mesmo pela falta de informações ou por histórias que são deixadas para trás, interrompidas bruscamente, e a exclusão acontece, inconscientemente todos se vinculam no sistema a este fato. Alguém ou alguns poderão experimentar, por amor e lealdade, destinos difíceis em função de que a consciência coletiva tem o registro, mesmo que ninguém na família tenha a memória. Nos sistemas empresariais, há menos emoção envolvida, os assuntos são menos traumáticos e dramáticos, entretanto, chamo a atenção para dois aspectos: no Brasil, em especial, a imensa maioria das empresas são familiares, portanto, estão em alguma medida com seus destinos ligados a tantas histórias também. E outro aspecto é o de que as pessoas que atuam nas empresas vivem seus emaranhamentos pessoais, que muitas vezes acabam por afetar, mesmo 38 que indiretamente, as empresas. Diante disso, a atuação com as constelações tem um grande serviço a prestar, não só para as famílias, como também para as organizações de forma direta e indireta. Quando tratamos do pertencimento nas organizações, estamos adentrando a aspectos tais como: O conhecimento e o reconhecimento de seus fundadores: nem sempre se tem a clareza sobre isso e, não raro, quando se coloca luz sobre isso vem à tona histórias de exclusão, onde se reconhece como fundador outro que não aquele que de fato deu início ao negócio; Proprietários, acionistas majoritários, diretores: o sentimento é de fato o de que pertencem às organizações? Ou dela retiram somente os lucros e dividendos? De que forma os empregados sentem isso? São perguntas que podem nos mostrar que nem sempre o pertencimento real é tão simples de ser alcançado; Ex-funcionários: há o reconhecimento a quem veio antes e às suas contribuições? É necessário que pertençam, sejam reconhecidos e, na consciência, sempre farão parte. Inclusive a forma respeitosa ou não com que se refere a eles demonstra como está sendo observado o pertencimento; Lealdade: em situações de crise, gestores e funcionários se mostram leais, e seguem prestando seu melhor serviço? A lealdade só vai existir se o pertencimento e reconhecimento envolver todos. Estes são apenas alguns exemplos de situações para elucidar do que trata a observância ao Pertencimento nas empresas. E todos que contribuíram devem pertencer e ser reconhecidos, pois, muitas vezes, se esquecem as contribuições bem iniciais, como um empréstimo de recurso financeiro para começar o negócio, e então esta pessoa também pertence. 39 Curiosidade Uma violação ao Pertencimento pode ser a causa de uma empresa começar a ter resultados piores, negativos, mesmo que viesse em franco crescimento. O que se costuma atribuir a questões do contexto econômico, concorrência e outros fatores, pode se tratar de uma questão sistêmica, que pode ser reconciliada e evitar o destino difícil para a empresa como um todo. 3.3 Hierarquia Como já vimos, a ordem que trata da Hierarquia segue a ordem cronológica, o que significa dizer que quem chega primeiro tem precedência sobre quem chega depois, e isso se aplica de forma ampla, se estendendo, por exemplo a irmãos, onde o mais velho tem precedência sobre o mais novo e assim por diante. Esta precedência também significa dizer que os assuntos dos mais velhos pertencem aos mais velhos, e não devem e nem podem ser resolvidos pelos mais novos. Dito assim, parece até que estamos voltando no tempo, em alguns aspectos quase que arcaicos, porém, este é o funcionamento observado diante desta ordem, portanto, assim o é. Diante da consciência coletiva, não se admite que os mais novos, ou sucessores, intervenham em lugar ou em nome dos mais velhos ou antecessores, nem mesmo para reivindicar direitos ou para compensar suas ações, liberando-os da culpa. Nas famílias, não cabe aos filhos intervir em questões entre seus pais, este é um assunto maior do que ele possa dar conta, mesmo sendo adulto e vivendo já a experiência de seu próprio relacionamento de casamento. É comum que um filho tome as dores de um dos pais, ou tome partido em alguma questão, e passe a agir a partir disso. Isso viola a ordem da hierarquia, ao interferir em assuntos de seus antecessores, e, o que pareceria uma ação em nome do amor, só que do amor cego, leva-o ao insucesso, ao declínio. Nem sempre isto se observa de maneira tão direta e linear, ou menos ainda, se tem a consciência de que esta dinâmica esteja por trás de problemas e questões apresentadas como insucesso pessoal trazidas pelas pessoas para trabalhar nas constelações. Entretanto, ao observar o que se passa no campo 40 sistêmico, quando os representantes se colocam, posturas corporais e posicionamentos revelam o que de fato está atuando e gerando o desequilíbrio ou o insucesso pessoal. Nas empresas, quando novos gestores chegam de fora, especialmente, utilizar a experiência dos funcionários mais antigos muitas vezes é algo não observado, principalmente porque entendem que foram contratados para agregar suas experiências e trazer novidades. Com consciência e cuidado, se observarmos, vemos que muitos novos gestores fazem as duas coisas, sem entrar em conflito entre elas. Conseguem aproveitar o que a experiência dos mais antigos pode contribuir, o que lhes atribui certo status, e agregar seus conhecimentos e experiências, renovando ações e aspectos importantes dentro da organização sem romper ou violar a precedência dos que vieram antes. Quando se observa como trabalham os mais antigos, em casos de mudanças organizacionais, se atuam de forma construtiva e cooperam com os novos movimentos, possivelmente está sendo respeitada e reconhecida a hierarquia, sua precedência. Até mesmo quando falamos de produtos e serviços, que no contexto atual exigem constante atualização e até a substituição por novos, ao reconhecer o papel e as contribuições que os antigos produtos trouxeram, se abre o caminho para o sucesso dos novos. E isso não significa dizer que devem ser mantidos em linha produtos ou serviços desatualizados, que não atendem mais ao que o mercado consumidor precisa e espera. Significa dizer que a forma como são retirados de linha e o reconhecimento que recebem pelas contribuições já feitas é que define o sucesso que se abre ou não para o que vem depois. Isso é feito por muitas empresas, de maneira às vezes bastante simples e talvez até sem saber o tamanho do impactoque isso tem. Em algumas empresas que se visita, encontramos uma espécie de “museu interno”, onde ficam expostos por fotos ou exemplares os produtos antigos. São formas simples, e existem tantas outras de se fazer, que reconhecem a contribuição e respeitam à precedência. Os novos produtos e serviços que chegam usufruem de uma estrutura empresarial, mercado e clientes que foram conquistados a partir dos antigos, por mais que em algum momento seus resultados tenham entrado em declínio. Reconhecer o valor disso pode ser uma ação simples, que abre o caminho para o sucesso e a vida plena de novos produtos e serviços. Da mesma forma, 41 funcionários, fotos, placas e outros tantos símbolos podem servir a este fim, histórias contadas nos veículos de comunicação interna, difundindo e perpetuando a presença e o reconhecimento a tudo e todos que contribuíram anteriormente, cumprem este papel. No âmbito dos relacionamentos de casal, no caso de haver um divórcio, o novo relacionamento possível deve ter a clareza de que vem em segundo lugar, sucede o primeiro. Quando é possível reconhecer esta precedência, e de fato compreender que há um débito para com o primeiro, pois o marido ou esposa que lhe chega é aquele(a) que o primeiro companheiro ajudou a construir. Perceba a importância de manter-se distanciado dos julgamentos morais e de valor, pois as ordens do Amor, como já vimos em inúmeros exemplos, prescindem destes e a eles não se submetem. Portanto, por curioso que possa parecer, a chave para o sucesso de um novo relacionamento pode ser reconhecer o valor e contribuição do parceiro(a) anterior. Isto ainda é, temos que admitir, algo que social e culturalmente causa muita estranheza e traz em si um grau de dificuldade relativo, uma vez que no segundo relacionamento há um ressentimento dos vínculos anteriores da outra parte. Importante Desde o início dos estudos sobre a visão e abordagem sistêmica, em vários momentos há o alerta para a ampliação de consciência, a abertura necessária para que se crie este novo olhar a partir desta nova perspectiva. Muitas vezes, a observância das ordens do Amor parecerá contraditória a valores morais, sociais, culturais e religiosos, porém, é o que se mostrou como preceito diante dos mais de 30 anos de estudos e aplicações práticas. Isso não poupou nem mesmo Bert Hellinger de ser criticado e atacado até que fosse possível reconhecer, pelos resultados, a validade e aplicabilidade do que trazia. 3.4 Equilíbrio na Troca Como já vimos, esta é uma medida de equivalência que traz o sentimento de peso ou leveza nas relações e que, em caso de desequilíbrio, o peso sentido leva quem o carrega a buscar sair daquela relação. Entretanto, há uma relação 42 que prescinde deste equilíbrio, que é a relação entre pais e filhos. De alguma forma, a relação entre professor e aluno também guarda alguns aspectos disso, pois é dado algo pelo professor em uma medida que torna difícil para o aluno retribuir. Caracteristicamente, pais e professores dão, e filhos e alunos recebem. Dessa maneira, uma das fontes para compensar isso é o contentamento pelo que se faz, isso em parte traz alguma compensação. As relações precisam ter equilíbrio entre o dar e o receber, isso se concretiza quando há a passagem à próxima geração daquilo que foi recebido, ou seja, o filho que, quando adulto também tem filhos, e o conhecimento que é aplicado e passado adiante beneficiando as gerações seguintes. Equilíbrio Fonte: https://www.carreirax.com.br/wp-content/uploads/2019/02/equilibrio-vida- pessoal-profissional-1080x628.jpg Já nos relacionamentos íntimos, o dar e o receber precisam se equilibrar, é uma relação entre dois adultos, por livre escolha, e, portanto, este equilíbrio é importante e contínuo. Contínuo porque não há equivalência exata entre o que é dado e recebido, portanto é como caminhar, em que há um desequilíbrio momentâneo ao tirar o pé do chão para dar um passo, e o equilíbrio é retomado em seguida para então seguir ao passo seguinte. Em trocas financeiras e objetivas, a medida de equivalência é mais clara, dentro dos relacionamentos não há como medir desta forma, algo mais valioso pode ser retribuído por uma série de pequenas ações. Também há um lapso de tempo em que é possível 43 que se receba mais do que se dá, muitas vezes, circunstâncias podem requerer que se receba mais cuidado da outra parte, em um contexto em que uma das partes temporariamente assuma mais tarefas e responsabilidades e outras situações similares. O importante é que se recupere o equilíbrio, dentro de um ritmo que alimenta novas trocas. Se um recebe sem dar, o outro logo perde o desejo de dar mais. Se um dá sem receber, o outro logo perde o desejo de receber mais. As parcerias também se rompem quando um dá mais do que o outro pode ou quer retribuir. O amor limita o dar segundo a capacidade de receber, assim como limita o receber segundo a capacidade de dar. Isso significa que a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber limita, ao mesmo tempo, o amor e a parceria. (HELLINGER, 2006). Interessante ponto de vista é o que se coloca, neste âmbito, sobre uma situação desafiante, embora comum, que são os casos extraconjugais. A reconciliação torna-se uma possibilidade, segundo a visão sistêmica, se houver uma retribuição de parte do dano causado por parte de quem foi ferido, pois é o que traria novamente um movimento possível que aproxima do equilíbrio o dar e o receber. O tema é controverso diante dos aspectos morais e das convenções sociais, entretanto, é o que se observou ao longo dos anos de experiência dentro da abordagem sistêmica. Quando nos dirigimos ao ambiente organizacional, o equilíbrio entre o dar e o receber se dá e é observado em muitos e diferentes aspectos. Desde a distribuição da carga de trabalho entre as diferentes áreas, se é proporcional e justa, passando pelo reconhecimento dos funcionários, pelo sucesso da empresa, o reinvestimento de parte dos lucros, o reconhecimento dos clientes como parceiros e até mesmo a relação justa entre o preço dos produtos ou serviços e o que é entregue aos clientes. Estes e tantos outros aspectos são os que podemos observar como possíveis indícios de que há ou não uma violação ao equilíbrio na troca, e que, como vimos, as manifestações das violações de qualquer das ordens costumam se dar através de perdas, dificuldades e desafios comuns aos negócios, afetando a lucratividade, o desempenho e as relações entre colaboradores. 44 3.5 Vínculo e Destino O que interliga os integrantes de um sistema é o vínculo, e, através da consciência, nos vinculamos aos grupos que são considerados necessários, importantes à nossa sobrevivência. A consciência está a serviço do sistema, e atua reagindo aos eventos, sejam eles os que representam ameaça ou tragam reforço aos vínculos. Com isso, a consciência atua nos incentivando a determinados movimentos ou nos restringindo em relação a outros. Dentro de cada sistema há uma consciência, que é diferente em diferentes sistemas. Como pertencemos a vários sistemas (família, profissional, amigos, sistema religioso, entre outros), atuamos de acordo com diferentes consciências, de acordo com o sistema no qual estamos interagindo. Dentro de cada sistema há um entendimento de que os padrões de comportamento que estão em acordo com o que está estabelecido compõem a “boa consciência”, e tudo o que é diferente disso é a “má consciência”. Isso vai desde questões muito simples, como o hábito de se comemorar aniversários, até as mais complexas e que ditam normas e regras de comportamento dentro daquele sistema. Por exemplo, pode ser comum na família “A” fazer festas para comemorar os aniversários, enquanto na família “B”, o hábito é de não se fazer nenhuma comemoração. Em cada uma delas, a “boa consciência”leva a repetir o padrão vigente, ou seja, os indivíduos irão agir de acordo, comemorando os aniversários no caso da família “A”, e não comemorando no caso da família “B”, e isso trará um sentimento de conformidade para todos. Tudo isso movido pelo desejo inconsciente de pertencer ao grupo. Dessa forma, se percebe que ações contrárias pertencem à “boa consciência” quando observadas dentro de cada sistema, dependendo dos hábitos vigentes. Agora, se um indivíduo da família “A” casa-se com alguém da família “B”, e resolve comemorar o aniversário do seu cônjuge, promovendo uma festa no ambiente da família “B”, essa reagirá contrariamente a isso, pois não é o hábito vigente. Então, a família “B” perceberá esta comemoração como uma “má consciência”. Embora traga contrariedades aos padrões de comportamento vigentes, a chegada da “má consciência”, normalmente por novos integrantes, é o que traz a possibilidade de evolução para o sistema, trazendo a oportunidade de novos padrões de comportamento. 45 Portanto, nesse contexto, a boa consciência significa apenas: “Posso estar seguro de que ainda pertenço ao meu grupo.” E a má consciência significa: “Receio não fazer mais parte do grupo”. Assim, a consciência pouco tem a ver com leis e verdades universais, mas é relativa e varia de um grupo para outro (HELLINGER, 2007). Já o destino pode ser estabelecido dentro do sistema, muitas vezes antes mesmo do nascimento, por questões que tenham acontecido anteriormente. Especialmente nos casos em que exista na consciência a culpa por benefícios recebidos ou prejuízos causados a alguém, há no sistema uma necessidade de compensação, que pode vincular um integrante ao destino de expiar esta culpa. Para elucidar, veja no caso prático onde um empresário europeu mudou-se, com o objetivo de fugir da guerra, e com os recursos da empresa que lá possuía, abriu um banco no seu novo país. Acontece que, na empresa anterior, de onde vieram os recursos para abrir o banco, alguns funcionários haviam morrido em uma situação de guerra que atingiu as instalações da empresa. Muitos anos depois, este empresário já havia falecido e seu filho era quem dirigia o banco, que havia prosperado e seguia muito bem. O filho, já casado e com família estabelecida, sem razão aparente, suicidou-se. Mais tarde, em um trabalho com um de seus familiares, foi possível verificar que ele se colocou a serviço do sistema, para expiar a culpa que carregava pelas mortes acontecidas na empresa que gerou os recursos para a abertura do banco. Este é um exemplo de um destino, que, pelo vínculo ao sistema, foi definido por questões anteriores ao nascimento de quem o cumpriu. Situações extremas, como a morte da mãe no parto, podem gerar culpa que permeia a consciência deste filho, como se a vida lhe tivesse chegado por um preço muito alto. Assim, por amor cego, movido pelo vínculo, ele pode buscar a morte, para se juntar à mãe, seguindo um destino difícil diante da impotência de poder compensar a morte da mãe. Com essa consciência, que de alguma forma diz “agora me junto a você, sou como você”, o amor cego traz uma falsa sensação de inocência. Conclusão da aula 3 Aprofundando o entendimento das Ordens do Amor, é possível perceber como os movimentos acontecem dentro do sistema, seja ele familiar ou 46 empresarial. Questões aparentemente complexas, quando examinadas sob a ótica das constelações, podem revelar as dinâmicas que estão atuando e manifestando o desequilíbrio gerado pelas violações, conscientes ou não, a uma ou mais destas ordens. O Amor que move o sistema não se submete às questões morais, aos preceitos religiosos, aos regramentos sociais e ao conceito de justiça estabelecido, e atua de acordo com uma consciência própria, visando a estrita observância das ordens do pertencimento, hierarquia e equilíbrio na troca. Muitas vezes, diante do senso comum, parecerão injustas ou inadequadas as direções que este movimento toma, as leis do sistema são simples e sensatas, e atuam de uma forma poderosa e invisível. Vinculam seus integrantes, que, pelo desejo inconsciente de pertencer, seguem a consciência do sistema, e definem destinos dentro do processo de compensação que visa restabelecer o equilíbrio. Portanto, para entender e atuar de acordo com a abordagem sistêmica, se faz necessária uma nova visão, ajustada aos preceitos próprios das Ordens do Amor, livre de julgamentos e juízos de valor baseados em outras normas. Atividade de Aprendizagem Com base na visão sistêmica, e tendo em vista as ordens do Amor, discorra sobre como o vínculo pode definir destinos dos indivíduos, e dê exemplos práticos. Aula 4 – Diferenciação, consciência pessoal e coletiva Apresentação da aula 4 Seguindo com o estudo, nesta aula passaremos por conceitos importantes que detalham a consciência e a sua atuação, estendendo o olhar para os movimentos de solução e tendo o entendimento de como esta abordagem atua diante de questões cotidianas, trazendo reconciliação e união, assim como, os caminhos e a visão que são propostos, pois atua de acordo com 47 seus próprios preceitos. Diferenciação, bom e mau, consciência pessoal e coletiva e frases de solução são alguns dos principais pontos abordados. 4.1 Diferenciação A abordagem das constelações propõe uma perspectiva de atuação que considera o Amor como grande força atuante nos movimentos dentro dos sistemas. Ao mesmo tempo, para além de não se tratar do amor romântico, nos coloca diante de uma revisão cuidadosa de algumas expectativas e ideias que temos do amor e que limitam a consciência. Por muitas vezes, se torna desconfortável rever estes posicionamentos internos e, principalmente, confrontá-los com o senso de bondade e compaixão dominante, pois se deparar com situações extremas, como a morte, e entender que este seja um movimento guiado pelo amor, no seu mais profundo sentido, ainda é desafiante. Este olhar profundo e a compreensão essencial do que trata a abordagem sistêmica só é possível se admitida a atuação ampla dos âmbitos da consciência, em dois níveis trazidos pela Hellinger Sciencia: a consciência pessoal e a consciência coletiva. A quem não seja possível assumir a clara percepção de que a ação humana é permeada pela influência destas duas consciências, lhe escapa o essencial para o entendimento e a atuação pela abordagem sistêmica. A consciência pessoal, individual, se assemelha a um sentido como o do equilíbrio físico, em que há internamente um sensor que traz sensações desagradáveis imediatas ao perder o equilíbrio, como a tontura, de forma que o corpo busca no instante seguinte retomar o equilíbrio no próximo passo. Assim atua a consciência pessoal, que reúne as informações da família, do grupo ao qual pertencemos sobre os padrões de morais e de comportamento, as formas de agir e lidar com as situações. 48 Consciência pessoal Fonte: https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/03/consci%C3%AAncia _326869622.jpg Importante Então, quando o indivíduo age em desacordo com isso, sua consciência pessoal, tal qual na situação do desequilíbrio do corpo, traz sensações incômodas, de inadequação, o que usualmente se costuma chamar de consciência pesada. Diante deste incômodo, a pessoa é levada a ajustar sua ação, pelo desejo inconsciente de pertencer ao grupo, agindo então de acordo com os padrões vigentes. Portanto, a consciência pessoal é sentida, e é a que traz a sensação consciente, mais próxima, de culpa ou inocência, justiça ou injustiça diante do que é feito, e da qual resulta a percepção de pertencer ou não ao grupo. Enquanto que a consciência coletiva atua no nível inconsciente, e atua coletivamente, abrangendo a todos que pertencem àquele sistema, incluindo filhos, pais, irmãos dos pais, avós e eventualmente algum dos bisavós,assim como todos os que, por sua desvantagem, favoreceram outros do sistema. É, portanto, muito anterior ao indivíduo, e somente pelos seus efeitos é que se pode reconhecê-la, e se direciona por um ordenamento próprio, diferente do que atua na consciência pessoal. https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/03/consci%C3%AAncia 49 A consciência consciente é, na tragédia grega, a pessoa – a consciência coletiva inconsciente, os deuses. Aquilo que é atribuído aos deuses é o que atua na consciência coletiva inconsciente. Da atuação conjunta dessas duas consciências é que se origina o destino e de um modo que não podemos controlar, se não entendermos a atuação dessa consciência inconsciente (HELLINGER, 2012). Eis então a clareza com que se coloca como essencial para a abordagem sistêmica, e a atuação com as constelações, assumir por completo o fato de que a atuação humana é permeada por influência destas duas consciências, pois o que se vai buscar na representação é justamente entender o que atua para além do óbvio relatado e percebido por quem traz a questão. Portanto, a consciência coletiva é a que zela pelas ordens do Amor, e que não admite a exclusão, a quebra da hierarquia no tempo, portanto, zelando pela precedência e pelo equilíbrio no todo. Havendo alguma exclusão, que pode ser por não reconhecer, esquecer ou difamar alguém, um outro será tomado a serviço para representar este que foi excluído, lembrando que quem se coloca com mais abertura para isso, com desejo inconsciente de servir, são os mais novos, as crianças. Ser tomado a serviço, embora de forma inconsciente, traz internamente um sentimento de concordância, de estar de acordo, de uma realização importante que serve a algo maior, um senso de responsabilidade. Por esta razão, o movimento é seguido com uma força que o conduz, que faz parecer natural o destino que se desenrola. É preciso força e coragem para olhar para as questões sob a luz do que trazem as constelações, e muitas vezes concordar com destinos que não podem ser mudados, e, ao mesmo tempo, abrir mão do amor cego pelo vínculo ao abdicar de um destino difícil. O amor maduro é o que concorda com as coisas como foram e permite manter o vínculo, libertando para a vida plena, às custas de deixar com cada um o destino que lhe pertence e sem tomar para si a culpa de outros. Reconhecer o destino de cada um é uma maneira profunda de honrar sua existência, pois ao tomar a responsabilidade de compensar a culpa de terceiros significa dizer que este não seria capaz de suportar o próprio destino, enfraquecendo-o. 50 Importante É possível compensar os prejuízos, dores e sofrimentos causados através da reconciliação. Com o trabalho sistêmico há recursos que possibilitam examinar a situação, atentando aos limites e permissões que se mostrarão, e propor a reconciliação por intervenções pontuais, que reverberam no sistema e libertam destinos difíceis. Por tantas razões, o cuidado na atuação como facilitador deve ser extremo, se lida com algo definitivamente muito maior do que sua própria consciência pessoal possa alcançar, envolvendo as mais profundas questões que podem ser vivenciadas dentro de um sistema familiar. Isso tem impacto sobre vidas e destinos, e somente é possível com muita humildade em se reconhecer que quem atua é a consciência coletiva, simplesmente se está a serviço dela, não há poder pessoal algum diante de um sistema, por mais que das intervenções propostas e realizadas através do facilitador possam resultar benefícios e soluções imensuráveis em valor para todos. Diante das constelações, a contradição vivenciada em relação ao que se tem como verdade em consonância com preceitos morais, culturais, religiosos, sociais e até mesmo econômicos é constante, uma vez que as dinâmicas se mostram sem influência disso. Ao trazer à luz a imagem que visualmente traduz como estão os integrantes, e reagindo às intervenções propostas, onde tudo se guia estritamente pelas ordens do Amor, é contraditório e ao mesmo tempo incontestável, pois é inegável a percepção do que é acolhido como possível e do que é rejeitado. A essência da experiência de alguém na família é condensada e projetada em uma imagem visual. Essa imagem vale, literalmente, mil palavras, revelando aspectos da vida interior da família que se mantinham escondidos. Impressões vagas e sentimentos confusos na periferia da consciência tomam forma por meio da expressão física espacial (Papp, Silverstein e Carter, 1973, apud Franke-Bryson, 2012). Diante das constelações, a contradição vivenciada em relação ao que se tem como verdade em consonância com preceitos morais, culturais, religiosos, sociais e até mesmo econômicos é constante, uma vez que as dinâmicas se mostram sem influência disso. Ao trazer à luz a imagem que visualmente traduz 51 como estão os integrantes, e reagindo às intervenções propostas, onde tudo se guia estritamente pelas ordens do Amor, é contraditório e ao mesmo tempo incontestável, pois é inegável a percepção do que é acolhido como possível e do que é rejeitado. Com esta perspectiva, é possível avançar para o quanto de violações ocorrem às ordens do Amor, que constituem a diretiva dominante da consciência coletiva, ao atender aos critérios definidos pela consciência pessoal e que se embasam em conceitos e definições da vida e das relações por meio de preceitos morais, religiosos, entre outros, que atribuem valor ao que é bom e mau, justo e injusto, correto ou incorreto a partir disso. Os conjuntos de regras morais, religiosas, o próprio ordenamento jurídico vigente em cada país, guardam em si muitas complexidades, e se alteram de acordo com o passar do tempo, com a cultura local, e com vários outros aspectos da atuação humana. Já as ordens do Amor se mostram atemporais, simples e sensatas, não se alterando em sua essência ao se trabalhar em diferentes culturas ou em diferentes lapsos temporais representados nas constelações. Na prática, as dinâmicas mostram que, por exemplo, o pertencimento atua na mesma medida, e reage ao que lhe afeta da mesma maneira, quer se esteja atuando em uma situação presente na constelação, quer se esteja atuando em uma situação de duas ou três gerações anteriores. Senso assim, o que é justo ou injusto, o que atribui culpa ou inocência, o que acolhe moralmente ou não, se modifica ao longo do tempo nos regramentos humanos e nas diferentes culturas. Já as ordens do Amor demonstram permanecer inalteradas, atuando guiadas pela mesma medida e na mesma direção, e compondo o conteúdo da consciência coletiva de forma consistente no tempo e nas diversas dimensões das relações humanas, transgeracionais e transculturais. Dado que tudo isso é experimentado por meio de situações correntes e cotidianas da vida, e que a consciência coletiva atua no inconsciente e de forma invisível, muitas violações são perpetradas às ordens do Amor, e geram necessidade de compensação dentro dos sistemas. Assim é, portanto, que o amor cego, guiado pelo inconsciente desejo de pertencer e da inocência de colocar-se a serviço, assume destinos difíceis e os cumpre sem questionar. E, ao se trazer à luz da consciência pessoal através das constelações a dinâmica 52 que está atuando, demonstrando os desequilíbrios e as culpas assumidas, se torna possível então reconciliar, unir e compensar de formas amorosas e respeitosas, de acordo com as ordens do Amor, libertando muitas pessoas de destinos assumidos pelo amor cego. Um outro aspecto que se soma à complexidade aparente de atuar de acordo com as ordens do Amor é o fato de que pertencemos a vários sistemas simultaneamente, e, muitas vezes, o que torna a ação adequada a um dos sistemas pode colocar em risco o pertencimento a outro, e, portanto, agindo de acordo com um estamos em desacordo em outro.Assim, configura-se uma oposição das consciências, pois cada uma tem objetivos opostos, e esta oposição gera pressão no indivíduo. Por exemplo, ao atender ao vínculo de um sistema profissional, se pode atuar em desacordo com o vínculo do sistema familiar, ou ao atender ao vínculo de um sistema religioso, se pode contrariar o que pede um vínculo do sistema profissional. Um exemplo prático disso pode ser observado no Brasil, em que os vestibulares e outros exames que envolvem uma grande coletividade como o Enem, por se tratarem de provas extensas e que demandam tempo para serem realizadas, precisam acontecer em momentos de disponibilidade para a grande maioria da população, sendo realizados habitualmente aos sábados e domingos. Ocorre, por exemplo, que alguns estudantes pertencem a grupos religiosos cujos preceitos consideram impróprio realizar qualquer atividade em benefício pessoal aos sábados. Nesse caso, temos claramente que, ao atender o que pede o vínculo a um grupo ou sistema, neste caso estudantil/profissional, se pode colocar em xeque o que demanda o vínculo ao grupo religioso. Da mesma forma que, para atuar profissionalmente em posições que demandam trabalho aos sábados, o mesmo conflito se mostra. E a escolha muitas vezes implicará em renunciar o pertencimento a um dos grupos, ou então atuar em desacordo com o que pede o vínculo a ele, gerando culpa e peso e, em muitos casos, em ser excluído do grupo. Mais um aspecto importante a ser abordado é o conflito que pode ser gerado pelos sistemas verticais e horizontais aos quais se pertence. Ou seja, a família é o vínculo estabelecido verticalmente, transgeracional, e, ao longo da vida, se estabelecem relações horizontais, intergeracionais, como, por exemplo, o relacionamento de casal, os grupos de amigos, profissionais e universitários. 53 Assim, em muitas situações, o que pede a boa consciência de um grupo pode entrar em conflito com o que pede a boa consciência do outro. Usos e costumes, o consumo de bebidas alcoólicas, as definições que abordam e limitam as relações sexuais, as regras de vestuário, entre outros, tudo isso pertence à vida cotidiana, e pode colocar em conflito a boa consciência de grupos distintos a que se pertence. Diante de diferentes consciências e da contrariedade muitas vezes possível entre isso e preceitos morais, religiosos, sociais e culturais, é que são gerados os desequilíbrios, as necessidades constantes de compensação e os emaranhamentos ao seguir sem trazer à luz da consciência pessoal para qual a dinâmica que está operando por trás de uma situação em que se enfrente dificuldades. Movimentos sistêmicos podem possibilitar a reconciliação, a união e ter o efeito de libertar desta pressão gerada pela oposição das consciências entre diferentes grupos, e também da atuação inconsciente e invisível da consciência coletiva. A separação, a distinção entre bom e mau é um exemplo comum disso, que cria uma divisão e consequente exclusão de uns, pelo julgamento inconsciente de outros. Inconsciente em termos das ordens do Amor, da consciência coletiva, pois o julgamento normalmente acontece pela consciência pessoal, presente. Ao bom atribuem-se todas as características do que é leve, feliz, saudável, e, portanto, deseja-se e incentiva-se o seu pertencimento. Ao mau é atribuído o que é pesado, difícil e por vezes agressivo, pode causar vergonha e gerar mal-estar e, diante disso, deseja-se a sua exclusão, o esquecimento, a difamação ou o não reconhecimento. Certo e errado, bom e mau, justo e injusto são julgamentos que podem tomar uma direção totalmente distinta do que é observado pelo senso comum, ao se atuar com as constelações e em observância às ordens do Amor que norteiam a consciência coletiva dentro dos sistemas. Como já visto, as constelações trazem a informação por uma linguagem majoritariamente imagética, que é a linguagem do inconsciente, e, por esta razão, as artes plásticas, o cinema e outras que se valem da linguagem imagética mobilizam tanto as pessoas. Portanto, através da imagem formada 54 pelos representantes, e da sua observação e percepção atentas e cuidadosas, que as informações chegam para a compreensão das dinâmicas que atuam, e quais os movimentos que são acolhidos ou repelidos pelo sistema na busca de solução. Debruçar-se com calma e centramento, sem receio de demorar-se com isso e sem a ansiedade do movimento para o próximo passo é o que permite perceber onde está a força capaz de mover em direção a uma possível solução. Nem sempre os elementos centrais, a partir dos quais se inicia o exame da questão, estão diretamente envolvidos na dinâmica que pode estar concentrando a força para o movimento, lembrando que a percepção é justamente o recurso do olhar amplo, que nos permite perceber simultaneamente as diversas dinâmicas que podem estar se mostrando no mesmo momento. É desta percepção cuidadosa, aguçada pela observação precisa, que permite identificar onde está a força para o passo seguinte, e muitas vezes pode estar em uma dinâmica que se passa entre elementos que inicialmente poderiam parecer secundários à análise da questão. Por exemplo, ao analisar uma questão jurídica de uma disputa entre sócios, onde estes estejam diretamente representados, e outros elementos sejam acrescentados para elucidar a questão, como a empresa, clientes, empregados, fundadores e o terreno onde a empresa está instalada, pode vir à luz que há uma dinâmica entre a empresa e o terreno, em que este não esteja sendo reconhecido pela contribuição que pode ter sido essencial ao início das atividades da empresa, e que esteja ali localizada a força para o próximo passo que permitirá a reconciliação entre os sócios. Da mesma forma, ao examinar uma questão trazida de uma dificuldade experimentada em um relacionamento de casal, pode-se verificar, por exemplo, que um dos cônjuges não está totalmente disponível para esta relação, por estar fortemente vinculado ao destino de compensar a exclusão ocorrida em seu sistema familiar pelo aborto não reconhecido de um irmão. Seu vínculo com o irmão, mesmo que este não tenha nascido, o coloca no movimento pelo amor cego de compensar esta exclusão com a sua infelicidade, sendo incapaz de experimentar a felicidade no relacionamento, como se dissesse “ao não viver esta felicidade, me aproximo de você que também não pode experimentá-la”, e através da semelhança pretende esta compensação. Portanto, a dinâmica que parecia ser central, entre os cônjuges, perde a força em relação ao 55 emaranhamento vivido no sistema de origem, e lá é onde é possível, através do reconhecimento dos pais pelo irmão abortado, um movimento que venha a possibilitar a reconciliação do casal. Estas reconciliações, na busca de trazer o equilíbrio para o sistema de acordo com um movimento pelo impulso do amor maduro, as frases de solução são falas propostas aos representantes, na perspectiva de que haja o reconhecimento, a inclusão, o retorno à posição da hierarquia, enfim, o reestabelecimento do equilíbrio pelas ordens do Amor. Somente em contato, em sintonia com o cliente e seu sistema, é possível alcançar as frases possíveis para gerar movimentos de solução. Há uma ansiedade comum aos facilitadores, de se saber a frase certa, e por meio dela promover a intervenção que impacte os integrantes e gere o movimento na direção da solução. Entretanto, não há um script específico, que define a frase exata que gerará o impacto e o movimento necessários. São conhecidas, até mesmo pelos tantos livros e transcrições de constelações realizadas por Hellinger, várias frases que se aplicam a propósitos específicos que visam reconhecer o vínculo, realinhar posicionamentos de acordo com a hierarquia, e tudo isso em distintas situações. Entretanto, isso não significa dizer que está ali contidauma orientação, um procedimento a ser aplicado com rigor processual, agindo orientado pelo pensamento. As frases de soluções adequadas seguirão o que as dinâmicas mostram, o que requer conexão e presença do facilitador em sintonia com o cliente e seu sistema, podendo ser idêntica às frases habitualmente utilizadas e vistas nos livros, entretanto, há que se apurar o olhar para dois aspectos: se a frase é possível de ser dita pelo representante de forma verdadeira, e não uma repetição mecânica, o que pode ser verificado pelas sensações físicas que este percebe ao repetir a frase proposta. E o outro aspecto é a atenta observação de como o sistema reage à frase que foi dita, como reage o representante a quem ela foi dita, o que igualmente pode ser consultado pelas suas sensações físicas e sentimentos ao ouvir a frase e como a dinâmica se mostra em possíveis movimentos realizados pelos representantes a partir da frase dita. Nestas situações, também é que se percebe se a solução, impulsionada pela frase, é acolhida ou não pelo sistema, onde a consciência coletiva também estabelece por estas demonstrações onde 56 se encontram os possíveis limites da atuação, diante do humilde respeito requerido a algo que transcende expectativas e julgamentos pessoais. Dessa forma, ficam ainda mais claras as razões pelas quais cada questão deve ser examinada a partir do vazio interior, sem pré-concepções e em acordo com as recomendações da postura sistêmica de atuação, que indica que esta deve ser sem intenção, sem medo e sem conhecimento. A imagem interna do sistema do cliente, que será representada, é única e somente pode vir à luz em cada caso específico. Hellinger diz: “só compreendo onde estão as soluções quando encontro um acesso para o campo de força e para as dimensões da alma que ultrapassam o indivíduo e a sua família” deixando claro que somente a cada caso específico, diante da constelação, é que a solução possível se mostra. Importante Nas constelações, não se trabalha a partir de hipóteses formuladas teoricamente, menos ainda da especulação de situações semelhantes ou da projeção de solução ideal que não seja aquela experimentada no caso específico, na prática da representação e com a atenta observação e ampla percepção do que se mostra nas dinâmicas. Uma questão polêmica ao se tomar contato com a abordagem sistêmica é a questão do perdão. Nesta busca pela reconciliação e união do que estava separado, é natural pensar, pelo senso comum, que pedir perdão é um bom caminho para isso. Entretanto, quando isso é examinado pela consciência das ordens do Amor, pedir perdão traz uma perspectiva de que se retire a responsabilidade de quem cometeu o ato, e muitas vezes estará pedindo que o outro lhe dê o que está além do seu alcance, transcende seu direito e dever de dar. E isto, diante do estrito e sensato crivo da consciência coletiva, não é aceito. A reconciliação não significa eximir da responsabilidade, assim como esta também não deve ser ultrapassada, impondo julgamentos morais e atribuindo juízo de valor ao fato e à pessoa, sob pena de gerar exclusão e ferindo o pertencimento. Por tratar-se de questão controversa, segue uma fala de Hellinger que nos permite alcançar um melhor entendimento diante disso, ao tratar de um caso real de incesto, cometido pelo pai com a filha: 57 [...] o pai não pode pedir perdão à filha depois de cometer incesto com ela. Se o fizer, estará pedindo alguma coisa além do que a filha tem o direito e dever de dar. Implorando a ela que limite as consequências de suas ações, na verdade ele está de novo praticando abuso. Deverá dizer algo assim: “Lamento o que fiz” ou “Reconheço que lhe fiz um grande mal”. Mas nem por isso deixará de arcar plenamente com a responsabilidade pelos seus atos e sofrer plenamente as consequências. Porém, que não vá além disso, do contrário imporá um fardo adicional à criança (HELLINGER, 2007). Pode ser chocante colocar-se diante desta perspectiva, por isso a abordagem sistêmica requer um minucioso cuidado e uma compreensão profunda dos seus princípios, pois contrariam muito do que as expectativas de justiça e correção pelo senso comum poderiam estabelecer. Além disso, atuar de acordo com esta abordagem pede um exame atento de quem a isso se propõe, tendo o seu próprio trabalho de desenvolvimento pessoal, indo de encontro ao que Hellinger postula ao dizer que “o importante para mim foi sempre o crescimento interno”. Também quando mostra, de diversas formas e com muitos exemplos pessoais inclusive, que para o crescimento há dores, não é um processo que se dá de forma sempre suave, só que é crucial para permitir que se atue de fato sem medo, com centramento interno e provendo a ajuda sem se emaranhar aos processos que facilitam ou geram novos emaranhamentos nos sistemas ao não respeitar seus próprios limites ao atuar. Desta perspectiva controversa do perdão, seguimos para uma fala que é muito dita e ouvida no trabalho com as constelações, justamente por atender em melhor medida a busca pela reconciliação de acordo com as ordens do Amor. A expressão “Sinto muito” permite ao mesmo tempo reconhecer o que foi feito, sem eximir a responsabilidade de quem fez e, a partir daí, abrir um caminho possível para a reconciliação ao adentrar em um âmbito em que, para isso, não se pede ao outro o que esteja além do limite que possa dar. A estrita atuação dentro do que requerem as ordens do Amor pede também respeito à dignidade do culpado e do agressor, pois eximi-los de suas responsabilidades significa considerá-los incapazes de assumi-las e responder por elas. Os limites de tudo isso são muito tênues, por esta razão é que a todo o tempo há um reforço e um chamado constante para a sintonia, a observação atenta e a percepção ampla. Somente com isso é possível compreender o que está ou não de acordo, o que pode ou não gerar movimento em direção à solução 58 e o que tem força ou não para reverberar e então promover o movimento na alma e na consciência coletiva. No trabalho com as constelações, é possível se deparar muitas vezes com situações extremas, onde a culpa e os danos tornam-se muito grandes, e, nestes casos, muitas vezes o que se mostrará possível pode ser a renúncia à expiação da culpa. Em situações assim pode ser a única forma de reconciliação, onde há uma rendição à impotência diante dos fatos. Ao mesmo tempo em que, ao facilitador, muitas vezes, a única possibilidade de ação possível é não tomar mais nenhuma ação, concordar com o que está e encerrar a constelação. Submeter-se ao destino que a consciência coletiva limita é a humildade requerida tanto por parte do facilitador quanto por parte do cliente, de quem traz a questão para ser abordada. A densidade dos conteúdos trabalhados nas constelações, mesmo que as empresariais contenham menos drama e emoção, interligam destinos, afetam as vidas de muitas pessoas para além daquela que se apresenta como cliente. A integridade em atender o que é melhor para o sistema, em detrimento do que possa ser melhor para um indivíduo isoladamente, está na essência da abordagem sistêmica, que não é uma proposta de terapia individual e deve considerar sempre, para atuar alinhada a isso, que há um sistema ao qual pertence o indivíduo e um campo sistêmico onde se desenrolam as dinâmicas. Nada é isolado e nem deve ser tratado como tal. Para Refletir Em linha com o que está sendo estudado, perceba-se interiormente ao assistir às aulas e ao estudar o material. Observe com atenção suas sensações diante dos conceitos, suas reações diante dos casos específicos apresentados. Esta sintonia consigo mesmo, este centramento interno transcende a teoria, e pode e deve ser praticado já a partir dos estudos. Só há contribuição ao aderir a esta prática, mesmo que ninguém esteja lhe observando ou exigindo isso.59 Conclusão da aula 4 Nesta aula foram abordados conceitos importantes que detalharam a consciência e a sua atuação, estendendo o olhar para os movimentos de solução e ter então o entendimento de como esta abordagem atua diante de questões cotidianas, trazendo reconciliação e união. Atividade de Aprendizagem Há uma controvérsia com o perdão na abordagem proposta pelas constelações, e o “sinto muito” se apresenta como melhor caminho. Discorra sobre isso, explicando as consequências e razões pelas quais isso ocorre. 60 Conclusão da disciplina Finalizando esta primeira etapa, tomamos contato ainda mais profundamente com conceitos e situações reais, assim como com a controvérsia que pode haver entre a visão sistêmica e demais abordagens e regramentos morais, legais, culturais e religiosos. O reconhecimento de que a ação é permeada pela atuação da consciência pessoal e ao mesmo tempo consciência coletiva do sistema a que se está vinculado, sofrendo influências e direcionando destinos, é condição base para a compreensão necessária e o trabalho com as constelações. A consciência coletiva atua de forma inconsciente e invisível, o que não significa que tenha menos efeito, pois, muitas vezes, as mais duras e difíceis situações que as pessoas experimentam são justamente impostas por esta atuação imperceptível desta consciência. Os sentimentos de culpa e inocência, mais presentes pela consciência pessoal, trazem leveza ou peso, e o indivíduo busca adaptar-se pelo desejo de pertencer ao sistema. A boa e a má consciência, que incluem os modos de agir, os padrões de comportamento e formas de lidar são particulares de cada sistema, e como pertencemos a diferentes sistemas, muitas vezes se está diante de uma oposição de consciências, que traz uma pressão para o agir. É possível conciliar isso à luz das constelações, e libertar-se desta pressão através de movimentos sistêmicos que promovam isso. A solução, através das frases e movimentos, só é verdadeira e útil se validada e observada com atenção estrita e percepção ampla em cada caso específico. Não há receitas prontas, não se atua por hipóteses elaboradas teoricamente e não se alcança solução por meio de situações semelhantes, replicando ou projetando o que funcionou em outro caso. Só o que é visto e validado em cada caso específico promoverá a solução viável. Por fim, o perdão é controverso, e o “sinto muito” é um caminho sistemicamente mais viável e adequado, diante das dores e dificuldades experimentadas. A abordagem sistêmica das constelações é profunda, embora simples e humilde, e pode oferecer um caminho para a reconciliação e união que evite perpetuar o ciclo de dores, prejuízos e sofrimentos que os emaranhamentos geram. 61 Índice Remissivo As Ordens do Amor .................................................................................... (Amor; harmonia; movimentos) 33 As Ordens do Amor e o sistema familiar ..................................................... (Natureza; sistema; vida) 34 Conceitos e terminologias ......................................................................... (Campo; experiência; profundidade) 08 Diferenciação ............................................................................................. (Coletiva; consciência; pessoal) 47 Diferenciação, consciência pessoal e coletiva ........................................... (Equilíbrio; força; sistemas) 47 Equilíbrio na troca ..................................................................................... (Equivalência; relações; troca) 42 Hierarquia .................................................................................................. (Família; filhos; organização) 39 Histórico e evolução das Constelações ...................................................... (Abordagens; crescimento; indivíduo) 07 Ordens da ajuda ........................................................................................ (Ajuda; nascimento; saúde) 24 Pertencimento ........................................................................................... (Desafio; direito; lugar) 36 Postura sistêmica ...................................................................................... (Compensações; indivíduo; sistema) 20 Postura sistêmica e papel do facilitador ..................................................... (Aprendizados; facilitador; postura) 19 Vínculo e destino ....................................................................................... (Evolução; grupos; vínculo) 44 62 Referências FRANKE, U. Quando fecho os olhos vejo você. 2º Edição. Goiânia: Atman, 2012. HELLINGER, B. A fonte não precisa perguntar pelo caminho. 3º Edição. Goiânia: Atman, 2012. _______, B. A Simetria Oculta do Amor. 6º Edição. São Paulo: Cultrix, 2006. _______, B. Leis sistêmicas na assessoria empresarial. 1º Edição. Belo Horizonte: Atman, 2014. _______, B. Liberados somos concluídos. 2º Edição. Goiânia: Atman, 2012. _______, B. O amor do espírito na Hellinger. Sciencia. 3º Edição. Belo Horizonte: Atman, 2015. _______, B. Ordens da Ajuda. 3º Edição. Goiás: Atman, 2013. _______, B. Ordens do Amor.1º Edição. São Paulo: Cultrix, 2007. _______, B. Um lugar para os excluídos: conversas sobre os caminhos de uma vida. 3º Edição. Belo Horizonte: Atman, 2014. Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de Marketing da Faculdade São Braz (FSB). O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança de direitos autorais.