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O GRUPO OPERATIVO DE PICHON-RIVIÈRE Psicologia Institucional - Profª Maria Nilde @grandesite Enrique Pichon Rivière Suíço , nascido em Genebra Nasceu em: 25 de junho de 1907 Faleceu em: 16 de julho de 1977 aos 70 anos Fundador da Associação Psicanalítica Argentina Instituto Argentino de Estudos Sociais (IADES) Membro titular da Associação Psicanalítica do Brasil “Em tempo de incertezas e desesperança é imprescindível desenvolver projetos coletivos para gerar a esperança uns nos outros” Seus pilares epistemológicos são a psicanálise e a psicologia social ORIGEM DO GRUPO OPERATIVO: Começou a ser sistematizado por Revière, a partir de uma experiência no hospital em Buenos Aires, devido a uma greve de enfermeiros. E como não tinham enfermeiros para os cuidados com os pacientes, Revière então propõe aos “menos comprometidos emocionalmente, auxílio aos mais comprometidos. Como a experiência foi muito produtiva, para ambos os pacientes, na medida de uma maior identificação e integração entre eles, Rivière começou a trabalhar com grupos ao observar a influência do grupo familiar em seus pacientes. Os grupos operativos DEFINIÇÃO: é um trabalho em grupos, cujo objetivo é promover um processo de aprendizagem para os sujeitos envolvidos. “Aprender em grupo significa uma leitura crítica da realidade, uma atitude investigadora, uma abertura para as dúvidas e para novas inquietações”. “Um grupo operativo é considerado como uma estrutura operativa que possibilita aos integrantes meios para que eles entendam como se relacionam com os outros”. Os grupos operativos Os grupos operativos apresentam-se como instrumento de transformação da realidade e seus integrantes passam a estabelecer relações grupais que vão se construindo na medida em que começam a partilhar objetivos comuns, ter uma participação criativa/crítica e perceber como interagem e se vinculam. Foi criado com o intuito de responder as duas angústias fundamentais da vida social: o medo da perda (perder o que já se tem) e o temor do ataque (temor frente ao desconhecido). O grupo operativo tem o objetivo de favorecer o protagonismo do grupo na produção de seu referencial conceitual para ser operativo na realidade e aprender. O conhecimento e a aprendizagem gerados no grupo consttuituem o processo e o produto da sua tarefa. O processo grupal, bem como o processo de aprendizagem se dá por meio de um permanente movimento de estruturação, desestruturação e reestruturação - Pichon-Rivière denominou esse movimento de aspiral dialética. Esta representa o movimento que acontece entre o desejo de mudança, de entrar em contato com o novo e os medos e ansiedade que levam à resistência como princípio básico do movimento pelo qual os seres existem. A contradição é conhecida pela dialética como princípio básico do movimento pelo qual os seres existem. • verticalidade - refere-se à história do individual de cada participante do grupo. • horizontalidade - refere-se ao campo grupal do partilhado. Ambas são afetadas e afetam a dinâmica do grupo. O grupo operativo é lugar da interação, da escuta, da comunicação. Trata-se de uma técnica não-diretiva, que transforma uma situação de grupo em um campo de investigação ativa. Desenvolve junto ao grupo a gestão do conhecimento, do pensamento crítico e de ações transformadoras, a partir da dimensão psicossocial do sujeito e de suas possibilidades de aprendizagem. Como técnica de intervenção, estabelece o sujeito no centro de seu processo de aprendizagem, como sujeito ativo e protagonista na produção de sua saúde, na construção de conhecimento e dos seus sentidos que dá significado à sua vida (transformação da realidade) . Neste sentido, podemos dizer que os grupos operativos têm caráter terapêutico, apesar de que nem todos os grupos terapêuticos são grupos operativos. O grupo se estabelece quando um conjunto de pessoas motivadas por necessidades semelhantes, se une em torno de uma atividade específica, em tempo e espaço determinado, estabelecidos entre elas. (Enquadre) A tarefa em grupo vai acionar o surgimento de uma série de outros elementos que não poderiam ser previstos inicialmente, aspectos inconscientes e/ou não ditos se farão presentes ora contribuindo ora dificultando o desenvolvimento do grupo. (dialética) A mudança, que é o objetivo primordial de todo Grupo Operativo, envolve um processo gradativo, no qual os integrantes do grupo possam assumir diferentes papéis e posições frente à tarefa grupal. O grupo é o principal instrumento de transformação da realidade. TEORIA DO VÍNCULO Pichon-Rivière define vínculo como uma estrutura complexa que inclui um sujeito, um objeto e sua mútua interrelação com processos de comunicação e aprendizagem. Na teoria do vínculo, há uma estrutura triangular (Eu - outro(s) - figuras internalizadas) - vínculo bi-corporal e tri-pessoal (presença sensorial corpórea + personagens internalizadas) TEORIA DO VÍNCULO Essas figuras internalizadas representam a contínua interação das figuras inconscientes, dos aspectos de vigilância, correção e crenças que perpassam a relação no grupo. Pré-tarefa Tarefa Projeto PRÉ-TAREFA A pré-tarefa é caracterizada pelas resistências dos integrantes do grupo ao contato com os outros e consigo mesmos. Na medida em que o novo gera ansiedade e medo de perder as certezas cômodas sobre si e o mundo. Compartilhar os objetivos comum do grupo pressupõe flexibilidade, descentramento e perspectiva de abertura para o novo. TAREFA A tarefa é a trajetória que o grupo percorre para atingir seus objetivos; relaciona-se ao modo como cada integrante interage a partir de suas próprias necessidades, ansiedade e fantasia. Quando o grupo aprende a problematizar suas dificuldades, pode-se dizer que ele entrou em tarefa e a elaboração de um projeto comum já é possível. PROJETO O projeto está relacionado ao planejamento e a execução dos objetivos inicialmente estabelecidos para o grupo. CARACTERÍTICAS: TAREFA EXPLICITA: corresponde ao objetivo do grupo, a aprendizagem propriamente dita. • Aprendizagem - Diagnóstico -tratamento TAREFA IMPLÍCITA: é a forma como cada membro vai vivenciar a sua experiência com o grupo. ENQUADRE: Elementos fixos (tempo, duração e frequência) VETORES Por meio do movimento dialético, os conteúdos manifestos vão dando lugar aos conteúdos latentes, permitindo a elaboração da tarefa e a mudança pretendida. Os vetores fundamentam as operações no interior do grupo, que visa a explicitação do implícito (resistências, ansiedades e medos devem ser desvelados rumo à tarefa do grupo). VETORES Pertença – sensação de sentir-se parte do grupo, ser importante para a realização da tarefa e participar efetivamente das atividades; Cooperação: ação com o outro no intuito de contribuir para a tarefa grupal; Pertinência: percepção sobre a eficácia das ações quanto aos objetivos do projeto; Comunicação: intercâmbio de informações; Aprendizagem: é resultante da boa comunicação no grupo. Aponta para a conscientização acerca da tarefa e a apropriação da realidade; Tele: empatia entre os participantes do grupo e a aceitação ou rejeição às tarefas. Pode se constituir como uma distância afetiva positiva ou negativa. ENQUADRE O enquadre são elementos fixos da integração como duração, frequência, local e os papéis de coordenador e de observador. O coordenador indaga, pontua, problematiza as falas para dar oportunidade para seus integrantes pensarem, falarem de si e poderem elaborar melhor suas próprias questões. O observador registra o que acontece no grupo, resgata a história do grupo e analisa junto com o coordenador os pontos emergentes, o movimento do grupo em torno da tarefa e os papéis desempenhados pelos integrantes. PAPÉIS NO GRUPO OPERATIVO Alguns papéis são comumente assumidos pelos membros do grupo e não são fixos, e sim extremamente dinâmicos. Não estão ligados à características de personalidade, mas às posições assumidas diante da tarefa do grupo, dasexpectativas dos outros e de suas próprias expectativas. PAPÉIS NO GRUPO OPERATIVO Os principais papéis analisados por Pichon-Rivière são: - Líder da mudança: busca mobilizar, motivar e estimular o grupo à execução da tarfa, biscando soluções; - Bode expiatório: é quem assume as característica negativas do grupo. - Porta-voz: “fala pelo grupo” expõe as tensões e conflitos do grupo, manifesta o que o grupo está sentindo e pensando. - Sabotador: representa a resistência do grupo à mudança. APLICAÇÃO: É uma possibildade de intervenção em qualquer campo da vida social. É composto por até 15 integrantes, havendo 2 peofissionais respinsáveis, podendo ser dois coordenadores ou um coordenador, o tempo de duração é de 1 hora ou 1 hora e meia (normalmente recomendada).