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Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 1 Conceitos e definições A palavra Patologia, se origina do grego “pathos”, que significa doença, e “logos”, que significa estudo, ou seja, o estudo da doença. Porém, esta ciência abrange também tudo o que está ligado às doenças, como por exemplo, a avaliação das modificações que elas interferem nas células, tecidos, órgãos e sistemas corporal humano. O conceito de patologia não compreende todos os aspectos das doenças, que são muito numerosos e poderiam confundir a patologia humana com a medicina. Esta, sim, aborda todos elementos ou componentes das doenças e sua relação com os doentes. Na verdade, a medicina é a arte e a ciência de promover a saúde e de prevenir, minorar ou curar os sofrimentos produzidos pelas doenças. De modo prático, a patologia pode ser conceituada como ciência que estuda as causas das doenças, os mecanismos que as produzem, as sedes e as alterações morfológicas e funcionais que apresentam. A patologia estuda alterações estruturais, bioquímicas e funcionais de células, tecidos, órgãos e sistemas, com o objetivo de explicar os mecanismos por meio dos quais surgem os sintomas e sinais das doenças. Os conceitos de patologia e de medicina convergem para um elemento comum, que é a doença. A definição de doença relaciona-se com o conceito biológico de adaptação. Adaptação é uma propriedade geral dos seres vivos que se traduz pela capacidade de ser sensível às variações do meio ambiente (irritabilidade) capazes de adaptá-los. Essa capacidade é variável em diferentes espécies animais e em diferentes indivíduos de uma mesma espécie, pois depende de mecanismos moleculares vinculados, direta ou indiretamente, ao patrimônio genético. Como acontece o processo de adaptação? A patologia é vista como a base científica da medicina com o objetivo de explicar os fatores que levam ao progresso de sintomas e sinais de uma doença. Saúde O termo “saúde” pode ser definido quando o organismo está adaptado ao ambiente físico, psíquico ou social no meio que se vive, sem alterações orgânicas evidentes. Portanto, saúde não significa apenas ausência de doenças. Pode-se considerar saúde também como um perfeito estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo humano e o ambiente em que se vive. Pode se entender saúde também, como um estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, psíquico ou social em que vive, de modo que o indivíduo se sinta bem (saúde subjetiva) e não apresenta sinais ou alterações orgânicas evidentes (saúde objetiva). Entenda que “saúde” e “normalidade” não possuem o mesmo significado. A palavra saúde é utilizada em relação ao indivíduo, enquanto o termo normalidade (normal) é utilizado em relação a parâmetros de parte estrutural ou funcional do organismo. O normal (ou a normalidade) é estabelecido a partir da média de várias observações de determinado parâmetro, utilizando-se para seu cálculo, métodos estatísticos. Os valores normais para descrever parâmetros do organismo (peso dos órgãos, número de batimentos cardíacos, pressão arterial sistólica e diastólica, etc.), são estabelecidos a partir de observações de populações homogêneas, de mesma raça, vivendo em ambientes. Doença Já o termo “doença”, pode ser definido quando ocorre a falta de adaptação ao ambiente físico, psíquico ou social, onde o individuo se sinta mal e mostre alterações orgânicas evidenciáveis. Diversos são os agentes que causam as doenças, como os microrganismos patogênicos, genética, hereditariedade, acidentes, o ambiente externo, dentre vários outros. Doença é um estado de falta de adaptação ao ambiente físico, psíquico ou social, no qual o individuo sente-se mal (sintomas) e/ou apresenta alterações orgânicas evidenciáveis (sinais). A patologia é dividida em Patologia Geral e Patologia Especial ou Sistêmica, abaixo, explico para você uma breve descrição de cada um dos ramos desta ciência: Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 2 Patologia Geral A patologia geral estuda aspectos comuns a todas as doenças, como as causas das doenças, assim como mecanismos que as produzem, suas características, lesões estruturais, e alterações nas funções, etc. A patologia geral está envolvida com as reações básicas das células e tecidos (como o epitelial) a estímulos provocados por doenças. Resumindo para você, é o estudo das reações aos estímulos anormais que ocorrem em todas as células e tecidos do seu corpo. Patologia Sistêmica Em contrapartida, a patologia especial, também chamada de sistêmica, tem como foco examinar respostas mais específicas de tecidos e órgãos (coração, por exemplo), especializados a uma agressão ou estímulos definidos. Ela estuda doenças específicas de cada órgão. A patologia é dividida em dois grandes grupos: a geral, que estuda os comuns aspectos às diferentes doenças (causas, mecanismos patogênicos, lesões estruturais e alterações da função), e a especial ou sistêmica se ocupa das doenças de um determinado órgão ou sistema ou doenças agrupadas por causas. Patologia anatômica Também chamada de anatomia patológica, realiza diagnósticos de diversas doenças, geralmente por meio do microscópio utilizando amostras de células ou tecido material obtido por aspirações, esfregaços, biopsias e cirurgias. Patologia clínica e molecular A patologia clínica se relaciona com a execução e interpretação de alguns exames que envolvem a análise laboratorial de líquidos do corpo (sangue, e urina, por exemplo). A patologia molecular estuda o diagnóstico de doenças, examinando moléculas de órgãos, tecidos e fluidos corporais. É uma área bem mais específica e nova, da patologia. Os elementos de uma doença proporcionam as divisões da Patologia Etiologia A etiologia estuda as causas das doenças, ou seja, é o estudo das causas presentes na patologia. Os agentes etiológicos, ou seja, que podem originar as doenças pode ser: Fatores intrínsecos ou genéticos; Fatores adquiridos (nutrição, agentes químicos ou agentes físicos, infecções) e combinação de ambos os fatores. Patogenia Patogenia é o processo do estímulo inicial até a expressão morfológica da doença. A patogenia é o estudo do desenvolvimento da doença, ou seja, a reação celular e tecidual frente ao agente etiológico, do estímulo inicial até a manifestação final da doença, ou seja, estuda os mecanismos de ação. Alterações morfológicas O conjunto de alterações morfológicas, moleculares e/ou funcionais que surgem de células e tecidos afetados após uma agressão é chamado de lesão ou processo patológico. Assim, as lesões podem ser classificadas como: Lesão celular (letal ou não letal / reversível ou irreversível); Lesão no intestino (matriz extracelular); lesão na circulação e lesão na inervação. Fisiopatologia A fisiopatologia tem como objetivo, estudar distúrbios na função, ou seja, funcionais, e seus significados clínicos das doenças. Saiba que as alterações morfológicas e sua distribuição nos diferentes tecidos vão influenciar o funcionamento normal do organismo e determinar algumas características, o curso e também o prognóstico de doença. Por isso, essa subárea é extremamente importante. Além destes, existem outros termos que são importantes quando se trata de doenças. Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 3 Propedêutica São nada mais do que alterações estruturais nas células, tecidos e órgãos, características da doença ou diagnósticas de processos etiológicos. Essas alterações morfológicas podem ser macroscópicas ou microscópicas. Desordens funcionais e manifestações clínicas. São os sinais e sintomas de uma doença. Mas qual a diferença entre sinal e sintoma? O sinalpode ser percebido por outra pessoa, sem o relato do paciente, por exemplo, um hematoma, um edema, uma macha. Já o sintoma não pode ser visto por outra pessoa, apenas se relatado pelo paciente, como por exemplo, um mal estar, uma dor, uma tontura. A origem e desenvolvimento das alterações morfológicas, assim como sua distribuição no organismo, influencia a função normal e determina as características clinica, o curso, o prognóstico de uma doença. Ferramentas e diagnóstico Na área da patologia, algumas ferramentas são utilizadas para se encontrar um diagnóstico específico ao paciente. Estas ferramentas podem ser macroscópicas, ou seja, sem a utilização de microscópio, ou macroscópicas, com utilização do microscópio. A macroscópica é feita no vivo (in vivo) por meio de biopsia, e pós-morte, por meio de necropsia. A microscópica no vivo é feia por meio de investigação histopatógica, e a pós-morte por meio de investigação imunohistoquímica e citopatológica. Exames citológicos ou citopatológicos realizam a análise de células individuais ou de pequenos grupos de células, descamadas, expelidas ou retiradas da superfície de órgãos de diferentes partes do organismo. É uma avaliação que não avalia a inter-relação entre as células. Através desse exame, é possível a detecção de atípicas celulares antes de seu aparecimento clínico, sendo considerado um exame complementar com possível detecção de tumores malignos, por exemplo. A amostra de um exame citológico, em comparação com a biópsia de um tecido, geralmente é mais fácil de ser realizado. Apresenta menos complicações, é menos desconfortável ao paciente, a resposta diagnóstica é mais rápida, e o melhor, possui menor custo. Porém, o exame citopatológico não define o tipo de lesão maligna, portanto não substitui a biópsia. Coleta de material: as amostras são oriundas de secreções, como escarro e abcesso, de tecidos raspados (boca, olhos, região cervicovaginal); de punções aspirativas por agulhas fina na mama, nos linfonodos, no pulmão etc; e de tecidos lavados em cavidades. O tipo de amostra, que pode ser sólida, líquida ou pastosa, irá definir a forma de coleta e também o preparo do material. Fixação das amostras: objetiva preservar composição química das células e também da morfologia celular. Esta fixação pode ser seca, por revestimento ou por líquidos fixadores. Processamento das amostras: aqui a amostra deve ser identificada e deve possuir ficha de solicitação médica, contendo informações como o nome do paciente, a idade, a natureza da amostra, a data da coleta, tipo de exame requerido e dados clínicos do médico. Colorações citológicas: para que a coloração citológica seja de qualidade, é necessário levar em consideração as características do corante e realizar de maneira precisa o processamento da amostra e fixação. A falta de cuidado pode gerar artefatos e prejudicar a análise da amostra. Exames anatomopatológicos Neste tipo de exame, tem-se como exemplo a biopsia e a necropsia. A biopsia é um exame feito como um fragmento de tecido retirado de um paciente vivo, portanto, é considerado um procedimento cirúrgico. Atente-se que ela é realizada apenas quando o diagnóstico clínico não é possível. O fragmento de tecido que foi retirado é submetido aos exames histopatológicos. A análise pode ser feita com fragmentos e, dependendo do caso, com peças cirúrgicas inteiras, desde que removidas do individuo vivo. A biopsia possui alguns tipos: Incisional: A biopsia remove apenas uma região da lesão. Esse tipo de biópsia é indicado quando a lesão é extensa e a retirada não é viável, necessária ou desejável. Este tipo de biópsia nunca é curativa. Excisional: A biopsia excisional remove toda a lesão. Quando a lesão é benigna, ela é curativa. No entanto, se a lesão for maligna, só é curativa quando não há metástase e a realização é feita com margem de segurança. Interna: É realizado por incisão, punção ou endoscopia. Externa: Realizado quando a lesão é superficial. Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 4 Perioperatória: são biopsias realizadas durante uma cirurgia. Aspiração: O material é aspirado utilizando uma seringa ou instrumento semelhante. A necropsia é realizada pós-morte, e tem como objetivo detectar a causa da morte. A necropsia busca relacionar dados morfológicos e clínicos para determinar as doenças e lesões do indivíduo. A temperatura, umidade e pressão atmosférica pode variar muito no ambiente, e isso nos afeta como seres humanos. Porém, o ambiente celular apresenta mínimas alterações. Devido à homeostase, mecanismos que tem o objetivo de proteger e regular as atividades necessárias à vida. Diante disso, as células do corpo humano permanecem em condições constantes em relação à irrigação sanguínea, temperatura, suprimento de energia para conseguir manter a homeostase, oxigenação, etc. Dependendo do tipo de célula atingido, alguns desvios são tolerados por tempo variável, sem prejudicar a função e morfologia da célula. Porém, se houver mudanças nas condições citadas acima, de caráter mais intenso ou duradouro, podem ocorrer alguns mecanismos de alterações adaptativas como hipertrofia, atrofia e hiperplasia. Quando as células são submetidas a estímulos diferentes os quais comprometem o desempenho de uma função celular ou sua própria viabilidade, temos uma agressão celular. E quando isso acontece, a célula pode responder de três maneiras diferentes: adaptação, lesão reversível e lesão irreversível. Alterações no desenvolvimento, crescimento e diferenciação celular Crescimento e diferenciação celular são processos essenciais para os seres vivos. O crescimento celular, aqui entendido como multiplicação celular, é responsável pela formação do conjunto de células que compõem os indivíduos. Ele é indispensável durante o desenvolvimento normal dos organismos e necessário para repor as células que morrem pelo processo natural de envelhecimento que ocorre durante toda a vida. A diferenciação, por sua vez, refere-se à especialização morfológica e funcional das células que permite o desenvolvimento do organismo como um todo integrado. Como esses dois processos – crescimento e diferenciação – recebem influência de grande número de agentes internos e externos às células, não é surpresa que, com certa frequência, surjam transtornos nos mecanismos que os controlam. Na prática dos profissionais de saúde, os distúrbios do crescimento e diferenciação assumem grande importância, de um lado por sua elevada frequência, de outro pelas graves repercussões que podem provocar. Do ponto de vista replicativo, as células podem ser agrupadas em três grandes categorias: lábeis, estáveis e perenes. As células lábeis são aquelas que estão em constante renovação e se dividem continuamente, durante toda a vida do indivíduo, para substituir as células destruídas fisiologicamente. Seus principais representantes são as células dos epitélios de revestimento, como as da epiderme, e as células hematopoiéticas, que se dividem regularmente para manter a população de células sanguíneas dentro dos níveis fisiológicos. As células estáveis têm baixo índice mitótico, mas são capazes de proliferar quando estimuladas. Pertencem a essa categoria as células parenquimatosas dos órgãos glandulares (fígado, pâncreas, etc), células mesenquimais (fibroblastos, células musculares lisas), astrócitos e células endoteliais. Células perenes, como são classicamente conhecidas, são as que atingiram o estágio de diferenciação terminal e não se dividem mais após o nascimento, pois perderam a capacidade replicativa. O exemplo mais notório é o dos neurônios. O controle da divisão e da diferenciação celular éfeito por um sistema integrado e complexo que mantém a população celular dentro de limites fisiológicos. Alterações nesse sistema regulatório Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 5 resultam em distúrbios ora de crescimento, ora da diferenciação, ora dos dois ao mesmo tempo. Embora uma classificação ideal não exista. Alterações do volume celular: quando uma célula sofre estímulo acima do normal, aumentando a síntese de seus constituintes básicos e seu volume, tem-se a hipertrofia. O aumento do volume é acompanhado de aumento das funções celulares. Ao contrário, se sofre agressão que resulta em diminuição da nutrição, do metabolismo e da síntese necessária para a renovação de suas estruturas, a célula fica com volume menor, fenômeno que recebe o nome de hipertrofia. Alterações da taxa de divisão celular: aumento da taxa de divisão celular acompanhado de diferenciação celular normal recebe o nome de hiperplasia. Ao contrário, diminuição da taxa de proliferação celular é chamada de hipoplasia. O termo aplasia é muito usado como sinônimo de hipoplasia, o que não é totalmente correto. Assim, fala-se comumente em anemia aplásica quando, na maioria das vezes, trata-se de anemia hipoplásica. Alterações do crescimento e da diferenciação celular: se há proliferação celular e redução ou perda de diferenciação, fala-se em displasia. A proliferação celular autônoma, geralmente acompanhada de perda de diferenciação, é chamada de neoplasia. Há diversas alterações de crescimento celular. Nelas, as modificações (alterações no peso ou volume) recebem as seguintes nomenclaturas: Atrofia Quando há diminuição do volume de um órgão ou de parte dele depois que estes já estão formados, temos uma atrofia. Essa redução volumétrica do órgão ou do tecido pode ser patológica ou fisiológica, cujas causas são: 1) Diminuição da carga de trabalho ou desuso do órgão. Um exemplo é atrofia que ocorre em pessoas que estão mobilizadas por tempo prolongado, utilizando tala ou gesso; 2) Diminuição do suprimento sanguíneo (isquemia), o que gera redução do volume do cérebro, por aterosclerose da artéria carótida, e redução do volume do rim, por aterosclerose das artérias renais; 3) Nutrição inadequada, por ausência, privação ou deficiência de nutrientes. Uma redução de nutrientes na alimentação pode causar inanição. A anorexia, que é um sério distúrbio alimentar, é um exemplo. 4) Perda ou diminuição da inervação; 5) Perda da estimulação endócrina; 6) Envelhecimento, com redução volumétrica orgânica de diversas células, tecidos e órgãos, como o cérebro, os ossos e as mucosas; 7) Compressão, como a compressão mecânica e vascular sobre um tecido ou órgão. A atrofia cerebral, por hidrocefalia, é um exemplo. Hipertrofia É o aumento do volume de um órgão ou tecido devido ao aumento individual do tamanho da célula, sem alteração no número. A hipertrofia tem diversas causas também, como o excesso de nutrição e aporte de oxigênio no tecido, e pode ser: patológica ou fisiológica. Um ótimo exemplo de hipertrofia fisiológica é o aumento do volume do útero durante a gestação. Exemplos de hipertrofia patológica são: Hipertrogia do miocárdio (ou hipertrofia cardíaca) – neste caso o coração se sobrecarrega funcionalmente; Hipertrofia da musculatura lisa, como da bexiga, e da uretra; Hipertrofia na musculatura esquelética; Hipertrofia de hepatócitos (fígado); Hipertrofia de células nervosas. Hipotrofia Consiste na redução quantitativa dos componentes estruturais e das funções celulares, resultando em diminuição do volume das células e dos órgãos atingidos, muitas vezes, há também diminuição do número de células. A redução do volume se da por diminuição do anabolismo e a redução do número se dá por apoptose. A hipotrofia pode ser fisiológica ou patológica. A primeira é a que ocorre na senescência, quanto todos os órgãos e sistemas do organismo reduzem suas atividades metabólicas e diminui o ritmo de proliferação celular. Como afeta todo o indivíduo, não há prejuízo funcional porque fica mantido um novo estado de equilíbrio. A hipotrofia patológica decorre de fatores diversos, sendo os mais importantes: (1) inanição. Deficiência nutricional, por qualquer causa, resulta Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 6 em hipotrofia mais ou menos generalizada; (2) desuso. Ocorre em órgãos ou tecidos que ficam sem uso por algum tempo. O exemplo clássico é dos músculos esqueléticos quando são imobilizados por aparelhos ortopédicos. Porém, como tumores, cistos, aneurismas, etc; (4) Obstrução vascular. Diminuição do fornecimento de oxigênio e nutrientes causa hipotrofia do órgão correspondente. Muitas doenças obstrutivas das artérias renais, por exemplo, causam hipotrofia do rim; (5) substâncias tóxicas que bloqueiam sistemas enzimáticos e a produção de energia pelas células. Um bom exemplo é a hipotrofia dos músculos do antebraço na intoxicação pelo chumbo; (6) Hormônios. A redução de certos hormônios leva à hipotrofia de células e órgãos-alvo. Deficiência dos hormônios somatotrófico tireoidianos causa hipotrofia generalizada; a carência de hormônios que possuem alvos específicos leva à hipotrofia localizada (como as das gônadas na deficiência de gonodastrofinas); (7) Inervação. Perda da estimulação nervosa resulta em hipotrofia muscular. O exemplo mais conhecido é o da hipotrofia dos músculos dos membros inferiores na poliomielite. Hiperplasia O aumento do número de células parenquimatosas, com manutenção do tamanho e das funções normais, é a hiperplasia. Porém, o tecido ou órgão com hiperplasia possui seu volume e função aumentados. A hiperplasia ocorre em órgãos com capacidade replicativa e é um processo reversível. Assim como a atrofia e hipertrofia, a hiperplasia também pode ser fisiológica, como o útero na gestação e mamas na lactação. Pode ser também patológica, que são secundárias à hiperestimulação hormonal, como na Síndrome de Cushing, produção excessiva de TSH, hipertireoidismo. Também pode ocorrer em papilomas, pólipos e inflamações. Hipoplasia É a diminuição do volume de um órgão ou tecido causado pela redução do número de células. São vários os motivos que podem causam a hipoplasia, como por exemplo, a má formação e o mau desenvolvimento do feto no útero. As ações também são patológicas ou fisiológicas. A patológica, temos como exemplo, durante a embriogênese, a hipoplasia que pode provocar algum defeito durante a embriogênese, a hipoplasia que pode provocar algum defeito na formação de um órgão ou parte dele. A hipoplasia patológica pode causar a redução dos órgãos linfoides na AIDS e anemias hipoplásicas. A hipoplasia fisiológica pode causar a involução do timo a partir da puberdade, das gônadas no climatério e da senilidade (envelhecimento patológico). Metaplasia É uma alteração, porém reversível, onde um tipo diferenciado de célula, que pode ser epitelial ou mesenquimal, é substituído por outro, só que da mesma linhagem. Ela representa substituição adaptativa das células sensíveis ao estresse por tipos celulares melhores preparados para suportar o ambiente adverso, já que o tecido metaplásico é mais resistente às agressões. Dentre os tipos mais comuns de metaplasia, tem-se o de epitélio colunar para epitélio escamoso. Displasia É considerado um problema de formação, e é o principal marcador biológico de evolução para adenocarcinoma, por exemplo. Diante disso, identificar e graduar a displasia são importantes na prática diagnóstica. A displasia pode afetar um órgão ou um tecido. Quando um órgão é afetado, há um envolvimento de distúrbios do desenvolvimento e crescimento. Geralmente, os processos são regressivos e estão ligados a condições genéticas.Quando a displasia afeta um tecido, ela tende a abranger erros locais do desenvolvimento. Anaplasia Por fim, temos a anaplasia, considerada como falta de diferenciação de células neoplásicas, ao retrocesso da formação. Por exemplo, a reversão de células adultas para a sua forma embrionária, com aumento da capacidade de multiplicação celular. A anaplasia celular possui algumas características, como o pleomorfismo, morfologia nuclear anormal, mitoses, perda da polaridade. Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 7 Diversos são os fatores que podem acarretar na agressão celular. Lesões celulares são causadas por fatores físicos externos (ou extrínsecos). Um exemplo seria o acidente automobilístico, um atropelamento, uma queda. Outra causa das lesões é a endógena (ou intrínseca) que irá resultar em alterações metabólica. Sendo assim, toda agressão gera estímulos que induzem nos tecidos, respostas adaptativas que visam torna-los mais resistentes às agressões subsequentes. As causas de lesões e doenças, denominadas agressões ou agentes lesivos, são muito numerosas. Qualquer estímulo da natureza, dependendo de sua intensidade, do tempo de ação e da constituição do organismo (capacidade de reagir), pode produzir lesão. Didaticamente, as causas de lesões e doenças são divididas em dois grandes grupos: exógenas (do meio ambiente – ou externos/extrínsecos como você estudou logo acima), e endógenas (do próprio organismo, intrínseca). Em geral, as lesões resultam da interação do agente lesivo com os mecanismos de defesa (respostas do organismo), sendo, portanto, frequente a associação de causas exógenas e endógenas na origem de uma lesão ou doença. Nem todas as doenças ou lesões têm causa conhecida, nesses casos, a doença ou lesão é denominada criptogenética (cripto = escondido), idiotática (idios = próprio ou essencial). São os tipos estímulos nocivos: Os agentes físicos são os traumas mecânicos (ex: queda, contusão), temperaturas extremas (frio ou calor extremo), mudanças bruscas e intensas na pressão atmosférica, choque térmico e elétrico, radiação, dentre outros. Os agentes químicos são as substancias químicas em concentrações hipertônicas, poluentes, venenos, drogas (não terapêuticas e terapêuticas). Alterações imunológicas, que incluem doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, o lúpus eritematoso sistêmico, a doença celíaca, dentre outros. Dentre os distúrbios genéticos, enquadram-se erros inatos do metabolismo, alterações gênicas, genômicas e cromossomais (ex: síndrome de down). As agressões oriundas de distúrbios nutricionais sendo considerada a maior causa de lesão celular. Dentre os principais distúrbios, temos aqueles provocados pela desnutrição, excesso de lipídeos (aterosclerose), anorexia, obesidade, deficiência de vitaminas. Outra lesão é a isquemia, que é uma obstrução arterial, e a hipóxia, considerada uma carência de oxigênio nos tecidos corporais, causando lesão celular, devido à redução da respiração aeróbica. É diferente da isquemia, pois na hipóxia ainda há suprimento nutritivo sanguíneo, com exceção do oxigênio. O próprio processo de envelhecimento é uma forma de agressão/lesão celular, pois a senescência celular acarreta em diminuição na habilidade de replicação e reparo celular tecidual. Um exemplo clássico de envelhecimento celular bem perceptível é o da pele. Os mecanismos de lesão podem ser avaliados por meio de três princípios: 1) A resposta celular depende do tipo de agressão, da duração e também da intensidade da agressão. 2) As consequências que resultam da agressão celular, depende do tipo de célula e do estado de adaptação da célula que foi agredida. 3) As lesões celulares causam alterações bioquímicas e funcionais em um ou mais componentes celulares. Quando uma célula sofre agressão ela pode responder de três maneiras diferentes: adaptação, lesão reversível e lesão irreversível. Adaptação celular: Algumas células podem ser modificadas, vítimas de algum tipo de estresse ou demanda física. Esse é o processo de adaptação celular. A adaptação celular ocorre quando as células sofrem metaplasia, ou seja, conversão do tipo celular. É capacidade das células, do tecido ou do próprio indivíduo de, frente a um estímulo, modificar suas funções dentro de certos limites para ajustar-se às modificações induzidas pelo estímulo. O processo de adaptação ocorre em resposta celular ao estresse fisiológico ou a um estímulo patológico, que ativam mecanismos moleculares que acabam alterando os genes que comandam a diferenciação celular. Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 8 Lesão: é a resposta celular ao estímulo nocivo depende do tipo de lesão, sua duração e sua gravidade. As consequências de um estímulo nocivo dependem do tipo, status, adaptabilidade e fenótipo genético da célula lesada. A lesão celular resulta de alterações bioquímicas e funcionais em um ou mais dos vários componentes celulares essenciais. Lesão reversível: quando uma célula é agredida por um estímulo nocivo e sofre algumas alterações funcionais e morfológicas, temos a lesão reversível. Porém, apesar dessas alterações, a célula consegue se manter viva e consequentemente se recuperar quando o estímulo nocivo cessa ou é retirado. Nessas fases, mesmo que surjam anomalias funcionais e estruturais graves, a lesão não avança a ponto de resultar em uma morte celular. Um exemplo é a tumefação celular (edema) e a degeneração de gordura. Lesão irreversível: a célula não se recupera, mesmo quando a agressão é retirada ou cessada, o que culmina em morte celular. A morte celular pode seguir por dois mecanismos possíveis: necrose e apoptose. Necrose e apoptose celular Agentes lesivos podem levar a uma lesão reversível ou a morte celular (lesão irreversível). Isto não dependerá do tipo de agente agressor, mas sim, da intensidade e duração da agressão. Alguns pontos indicam irreversibilidade são: grande tumefação mitocondrial; perda das cristas; depósitos floculares na matriz celular; bolhas; solução de continuidade da membrana. Nem sempre a morte celular é precedida de lesões degenerativas. Se a morte celular ocorre em um organismo vivo e é seguida autólise, o processo recebe o nome de necrose. Necrose celular O processo de morte celular, de um tecido ou parte dele em um organismo vivo seguida de autólise, é a necrose celular. É um processo desordenado, patológico, causado por fatores que levam à lesão celular de forma irreversível e a morte celular, consequentemente. Aqui temos a etapa final das alterações celulares, consequência das inflamações, processos infiltrativos e de diversas alterações circulatórias. É uma degradação progressiva das estruturas das células, sempre que existir enzimas dos componentes da célula por enzimas da própria célula liberada pelos lisossomos. Neste tipo de morte celular, há desaparecimento total do núcleo e, consequentemente, da própria célula. Isto é precedido de alterações na célula, que são consideradas graves. O processo de necrose pode culminar na cicatrização total, devido à proliferação do tecido conjuntivo vascular, ou pode gerar ulcerações recorrentes ou permanentes. Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 9 Processos de necrose maior podem se tornar encapsulados pelo tecido conjuntivo que os envolve. Existem vários tipos de necrose. São eles: Necrose de coagulação os isquemia: este tipo ocorre devido a uma isquemia ou hipóxia em tecidos corporais, exceto o nervoso. Ela é acarretada pela desnaturação das proteínas celulares autolíticas. A necrose de coagulação se caracteriza por perda de nitidez dos elementos do núcleo da célula e manutenção do contornocelular. Ex: infarto agudo do miocárdio. Necrose de liquefação: causado por isquemia, infecção por agentes biológicos, ou hipóxia no tecido cerebral. A lesão e morte celular têm como causas toxinas produzidas por micro- organismos infecciosos ou até mesmo por processo inflamatório. As células mortas sofrem fagocitose e são digeridas. A digestão do tecido necrosado resultado da transformação de uma massa amorfa, muitas vezes contendo pus. Necrose fibrinoide: o tecido adquire aspecto semelhante à fibrina, ou seja, róseo e vítreo. Ocorre em algumas doenças autoimunes e na hipertensão arterial maligna. Necrose gangrenosa: necrose isquêmica em que o tecido necrótico sofre modificações por agentes do ar ou bactérias. Um exemplo é o cordão umbilical que após o nascimento, torna-se negro e seco. Necrose hemorrágica: há hemorragia no tecido necrosado, o que pode complicar a eliminação do tecido necrótico pelo organismo. Necrose enzimática: ocorre a liberação de enzimas nos tecidos. A forma mais comum é a gordurosa, principalmente no pâncreas, quando pode ocorrer liberação de lipases, desintegrando gordura dos adipócitos desse órgão. Apoptose celular É conhecida como morte celular programada. É um tipo de autodestruição não acidental da célula. O apoptose celular requer energia e síntese proteica para que possa ocorrer, e está relacionada com a homeostase na regulação fisiológica dos tecidos. A morte celular ocorre individualmente, e a morte de uma célula não leva à morte de outras. É um processo controlado rigidamente por expressões genéticas decorrentes da interação célula e o meio externo, o que leva à produção de várias moléculas com atividades específicas, resultando em alterações celulares funcionais e fragmentação da cromatina e formação de protuberâncias na superfície celular. Esse tipo de morte celular (a apoptose), é regulada e eficiente. Para que ocorra, é requerido à interação de fatores diversos, como alterações morfológicas observadas em uma cascata de eventos moleculares e bioquímicos. A apoptose é considerada um mecanismo celular fundamental, e tem papel essencial na manutenção da homeostase tecidual. Ela ocorre nas mais diversas situações, como, exemplo, na organogênese e hematopoese normal e patológica, câncer, atrofia dos órgãos, resposta inflamatória, eliminação de células após danos. Enquanto a necrose é sempre considerada um processo patológico, a apoptose atua em diversas funções normais e não está necessariamente associada com o dano de uma célula.