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Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 
 
1 
 
Conceitos e definições 
 A palavra Patologia, se origina do grego 
“pathos”, que significa doença, e “logos”, que 
significa estudo, ou seja, o estudo da doença. Porém, 
esta ciência abrange também tudo o que está ligado às 
doenças, como por exemplo, a avaliação das 
modificações que elas interferem nas células, tecidos, 
órgãos e sistemas corporal humano. 
 O conceito de patologia não compreende todos 
os aspectos das doenças, que são muito numerosos e 
poderiam confundir a patologia humana com a 
medicina. Esta, sim, aborda todos elementos ou 
componentes das doenças e sua relação com os 
doentes. Na verdade, a medicina é a arte e a ciência 
de promover a saúde e de prevenir, minorar ou curar 
os sofrimentos produzidos pelas doenças. 
 De modo prático, a patologia pode ser 
conceituada como ciência que estuda as causas das 
doenças, os mecanismos que as produzem, as sedes 
e as alterações morfológicas e funcionais que 
apresentam. A patologia estuda alterações 
estruturais, bioquímicas e funcionais de células, 
tecidos, órgãos e sistemas, com o objetivo de 
explicar os mecanismos por meio dos quais surgem 
os sintomas e sinais das doenças. 
 Os conceitos de patologia e de medicina 
convergem para um elemento comum, que é a doença. 
A definição de doença relaciona-se com o conceito 
biológico de adaptação. Adaptação é uma 
propriedade geral dos seres vivos que se traduz pela 
capacidade de ser sensível às variações do meio 
ambiente (irritabilidade) capazes de adaptá-los. 
Essa capacidade é variável em diferentes espécies 
animais e em diferentes indivíduos de uma mesma 
espécie, pois depende de mecanismos moleculares 
vinculados, direta ou indiretamente, ao patrimônio 
genético. Como acontece o processo de adaptação? 
 
 A patologia é vista como a base científica da 
medicina com o objetivo de explicar os fatores que 
levam ao progresso de sintomas e sinais de uma 
doença. 
 
Saúde 
 O termo “saúde” pode ser definido quando o 
organismo está adaptado ao ambiente físico, 
psíquico ou social no meio que se vive, sem 
alterações orgânicas evidentes. Portanto, saúde não 
significa apenas ausência de doenças. Pode-se 
considerar saúde também como um perfeito estado 
de equilíbrio dinâmico entre o organismo humano e 
o ambiente em que se vive. 
 Pode se entender saúde também, como um 
estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, 
psíquico ou social em que vive, de modo que o 
indivíduo se sinta bem (saúde subjetiva) e não 
apresenta sinais ou alterações orgânicas evidentes 
(saúde objetiva). 
 Entenda que “saúde” e “normalidade” não 
possuem o mesmo significado. A palavra saúde é 
utilizada em relação ao indivíduo, enquanto o termo 
normalidade (normal) é utilizado em relação a 
parâmetros de parte estrutural ou funcional do 
organismo. O normal (ou a normalidade) é 
estabelecido a partir da média de várias observações 
de determinado parâmetro, utilizando-se para seu 
cálculo, métodos estatísticos. Os valores normais para 
descrever parâmetros do organismo (peso dos órgãos, 
número de batimentos cardíacos, pressão arterial 
sistólica e diastólica, etc.), são estabelecidos a partir 
de observações de populações homogêneas, de mesma 
raça, vivendo em ambientes. 
 
Doença 
 Já o termo “doença”, pode ser definido 
quando ocorre a falta de adaptação ao ambiente 
físico, psíquico ou social, onde o individuo se sinta 
mal e mostre alterações orgânicas evidenciáveis. 
Diversos são os agentes que causam as doenças, como 
os microrganismos patogênicos, genética, 
hereditariedade, acidentes, o ambiente externo, dentre 
vários outros. 
 Doença é um estado de falta de adaptação ao 
ambiente físico, psíquico ou social, no qual o 
individuo sente-se mal (sintomas) e/ou apresenta 
alterações orgânicas evidenciáveis (sinais). 
 A patologia é dividida em Patologia Geral e 
Patologia Especial ou Sistêmica, abaixo, explico 
para você uma breve descrição de cada um dos ramos 
desta ciência: 
Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 
 
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Patologia Geral 
 A patologia geral estuda aspectos comuns a 
todas as doenças, como as causas das doenças, 
assim como mecanismos que as produzem, suas 
características, lesões estruturais, e alterações nas 
funções, etc. A patologia geral está envolvida com as 
reações básicas das células e tecidos (como o 
epitelial) a estímulos provocados por doenças. 
Resumindo para você, é o estudo das reações aos 
estímulos anormais que ocorrem em todas as células e 
tecidos do seu corpo. 
 
Patologia Sistêmica 
 Em contrapartida, a patologia especial, 
também chamada de sistêmica, tem como foco 
examinar respostas mais específicas de tecidos e 
órgãos (coração, por exemplo), especializados a uma 
agressão ou estímulos definidos. Ela estuda doenças 
específicas de cada órgão. A patologia é dividida em 
dois grandes grupos: a geral, que estuda os comuns 
aspectos às diferentes doenças (causas, mecanismos 
patogênicos, lesões estruturais e alterações da função), 
e a especial ou sistêmica se ocupa das doenças de um 
determinado órgão ou sistema ou doenças agrupadas 
por causas. 
 
Patologia anatômica 
 Também chamada de anatomia patológica, 
realiza diagnósticos de diversas doenças, geralmente 
por meio do microscópio utilizando amostras de 
células ou tecido material obtido por aspirações, 
esfregaços, biopsias e cirurgias. 
 
Patologia clínica e molecular 
 A patologia clínica se relaciona com a 
execução e interpretação de alguns exames que 
envolvem a análise laboratorial de líquidos do 
corpo (sangue, e urina, por exemplo). A patologia 
molecular estuda o diagnóstico de doenças, 
examinando moléculas de órgãos, tecidos e fluidos 
corporais. É uma área bem mais específica e nova, da 
patologia. 
 
Os elementos de uma doença proporcionam as divisões 
da Patologia 
 
 
 
Etiologia 
 A etiologia estuda as causas das doenças, ou 
seja, é o estudo das causas presentes na patologia. 
Os agentes etiológicos, ou seja, que podem originar 
as doenças pode ser: Fatores intrínsecos ou 
genéticos; Fatores adquiridos (nutrição, agentes 
químicos ou agentes físicos, infecções) e combinação 
de ambos os fatores. 
 
Patogenia 
 Patogenia é o processo do estímulo inicial até 
a expressão morfológica da doença. A patogenia é o 
estudo do desenvolvimento da doença, ou seja, a 
reação celular e tecidual frente ao agente etiológico, 
do estímulo inicial até a manifestação final da 
doença, ou seja, estuda os mecanismos de ação. 
 
Alterações morfológicas 
O conjunto de alterações morfológicas, moleculares 
e/ou funcionais que surgem de células e tecidos 
afetados após uma agressão é chamado de lesão ou 
processo patológico. Assim, as lesões podem ser 
classificadas como: Lesão celular (letal ou não letal / 
reversível ou irreversível); Lesão no intestino (matriz 
extracelular); lesão na circulação e lesão na 
inervação. 
 
Fisiopatologia 
 A fisiopatologia tem como objetivo, estudar 
distúrbios na função, ou seja, funcionais, e seus 
significados clínicos das doenças. Saiba que as 
alterações morfológicas e sua distribuição nos 
diferentes tecidos vão influenciar o funcionamento 
normal do organismo e determinar algumas 
características, o curso e também o prognóstico de 
doença. Por isso, essa subárea é extremamente 
importante. Além destes, existem outros termos que 
são importantes quando se trata de doenças. 
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Propedêutica 
 São nada mais do que alterações estruturais 
nas células, tecidos e órgãos, características da 
doença ou diagnósticas de processos etiológicos. 
Essas alterações morfológicas podem ser 
macroscópicas ou microscópicas. Desordens 
funcionais e manifestações clínicas. São os sinais e 
sintomas de uma doença. Mas qual a diferença entre 
sinal e sintoma? O sinalpode ser percebido por 
outra pessoa, sem o relato do paciente, por exemplo, 
um hematoma, um edema, uma macha. Já o sintoma 
não pode ser visto por outra pessoa, apenas se 
relatado pelo paciente, como por exemplo, um mal 
estar, uma dor, uma tontura. 
 A origem e desenvolvimento das alterações 
morfológicas, assim como sua distribuição no 
organismo, influencia a função normal e determina as 
características clinica, o curso, o prognóstico de uma 
doença. 
 
Ferramentas e diagnóstico 
 Na área da patologia, algumas ferramentas são 
utilizadas para se encontrar um diagnóstico específico 
ao paciente. Estas ferramentas podem ser 
macroscópicas, ou seja, sem a utilização de 
microscópio, ou macroscópicas, com utilização do 
microscópio. A macroscópica é feita no vivo (in 
vivo) por meio de biopsia, e pós-morte, por meio de 
necropsia. A microscópica no vivo é feia por meio 
de investigação histopatógica, e a pós-morte por 
meio de investigação imunohistoquímica e 
citopatológica. 
 Exames citológicos ou citopatológicos 
realizam a análise de células individuais ou de 
pequenos grupos de células, descamadas, expelidas ou 
retiradas da superfície de órgãos de diferentes partes 
do organismo. É uma avaliação que não avalia a 
inter-relação entre as células. Através desse exame, 
é possível a detecção de atípicas celulares antes de 
seu aparecimento clínico, sendo considerado um 
exame complementar com possível detecção de 
tumores malignos, por exemplo. A amostra de um 
exame citológico, em comparação com a biópsia de 
um tecido, geralmente é mais fácil de ser realizado. 
Apresenta menos complicações, é menos 
desconfortável ao paciente, a resposta diagnóstica é 
mais rápida, e o melhor, possui menor custo. Porém, o 
exame citopatológico não define o tipo de lesão 
maligna, portanto não substitui a biópsia. 
 Coleta de material: as amostras são oriundas 
de secreções, como escarro e abcesso, de tecidos 
raspados (boca, olhos, região cervicovaginal); de 
punções aspirativas por agulhas fina na mama, nos 
linfonodos, no pulmão etc; e de tecidos lavados em 
cavidades. O tipo de amostra, que pode ser sólida, 
líquida ou pastosa, irá definir a forma de coleta e 
também o preparo do material. 
 Fixação das amostras: objetiva preservar 
composição química das células e também da 
morfologia celular. Esta fixação pode ser seca, por 
revestimento ou por líquidos fixadores. 
 Processamento das amostras: aqui a amostra 
deve ser identificada e deve possuir ficha de 
solicitação médica, contendo informações como o 
nome do paciente, a idade, a natureza da amostra, a 
data da coleta, tipo de exame requerido e dados 
clínicos do médico. 
 Colorações citológicas: para que a coloração 
citológica seja de qualidade, é necessário levar em 
consideração as características do corante e 
realizar de maneira precisa o processamento da 
amostra e fixação. A falta de cuidado pode gerar 
artefatos e prejudicar a análise da amostra. 
 
Exames anatomopatológicos 
 Neste tipo de exame, tem-se como exemplo a 
biopsia e a necropsia. A biopsia é um exame feito 
como um fragmento de tecido retirado de um 
paciente vivo, portanto, é considerado um 
procedimento cirúrgico. Atente-se que ela é 
realizada apenas quando o diagnóstico clínico não 
é possível. O fragmento de tecido que foi retirado é 
submetido aos exames histopatológicos. A análise 
pode ser feita com fragmentos e, dependendo do caso, 
com peças cirúrgicas inteiras, desde que removidas do 
individuo vivo. A biopsia possui alguns tipos: 
 Incisional: A biopsia remove apenas uma 
região da lesão. Esse tipo de biópsia é indicado 
quando a lesão é extensa e a retirada não é viável, 
necessária ou desejável. Este tipo de biópsia nunca é 
curativa. 
 Excisional: A biopsia excisional remove toda 
a lesão. Quando a lesão é benigna, ela é curativa. 
No entanto, se a lesão for maligna, só é curativa 
quando não há metástase e a realização é feita com 
margem de segurança. 
 Interna: É realizado por incisão, punção ou 
endoscopia. 
 Externa: Realizado quando a lesão é 
superficial. 
Unidade I - Patologia 3º período - Farmácia 
 
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 Perioperatória: são biopsias realizadas 
durante uma cirurgia. 
 Aspiração: O material é aspirado utilizando 
uma seringa ou instrumento semelhante. 
 A necropsia é realizada pós-morte, e tem 
como objetivo detectar a causa da morte. A 
necropsia busca relacionar dados morfológicos e 
clínicos para determinar as doenças e lesões do 
indivíduo. 
 
 A temperatura, umidade e pressão atmosférica 
pode variar muito no ambiente, e isso nos afeta como 
seres humanos. Porém, o ambiente celular apresenta 
mínimas alterações. Devido à homeostase, 
mecanismos que tem o objetivo de proteger e regular 
as atividades necessárias à vida. Diante disso, as 
células do corpo humano permanecem em condições 
constantes em relação à irrigação sanguínea, 
temperatura, suprimento de energia para conseguir 
manter a homeostase, oxigenação, etc. 
 Dependendo do tipo de célula atingido, alguns 
desvios são tolerados por tempo variável, sem 
prejudicar a função e morfologia da célula. Porém, se 
houver mudanças nas condições citadas acima, de 
caráter mais intenso ou duradouro, podem ocorrer 
alguns mecanismos de alterações adaptativas como 
hipertrofia, atrofia e hiperplasia. Quando as células 
são submetidas a estímulos diferentes os quais 
comprometem o desempenho de uma função 
celular ou sua própria viabilidade, temos uma 
agressão celular. E quando isso acontece, a célula 
pode responder de três maneiras diferentes: 
adaptação, lesão reversível e lesão irreversível. 
 
 
 
 
Alterações no desenvolvimento, crescimento 
e diferenciação celular 
 Crescimento e diferenciação celular são 
processos essenciais para os seres vivos. O 
crescimento celular, aqui entendido como 
multiplicação celular, é responsável pela formação 
do conjunto de células que compõem os indivíduos. 
Ele é indispensável durante o desenvolvimento 
normal dos organismos e necessário para repor as 
células que morrem pelo processo natural de 
envelhecimento que ocorre durante toda a vida. A 
diferenciação, por sua vez, refere-se à especialização 
morfológica e funcional das células que permite o 
desenvolvimento do organismo como um todo 
integrado. Como esses dois processos – crescimento e 
diferenciação – recebem influência de grande número 
de agentes internos e externos às células, não é 
surpresa que, com certa frequência, surjam transtornos 
nos mecanismos que os controlam. Na prática dos 
profissionais de saúde, os distúrbios do crescimento e 
diferenciação assumem grande importância, de um 
lado por sua elevada frequência, de outro pelas graves 
repercussões que podem provocar. 
 Do ponto de vista replicativo, as células 
podem ser agrupadas em três grandes categorias: 
lábeis, estáveis e perenes. As células lábeis são 
aquelas que estão em constante renovação e se 
dividem continuamente, durante toda a vida do 
indivíduo, para substituir as células destruídas 
fisiologicamente. Seus principais representantes são 
as células dos epitélios de revestimento, como as da 
epiderme, e as células hematopoiéticas, que se 
dividem regularmente para manter a população de 
células sanguíneas dentro dos níveis fisiológicos. 
 As células estáveis têm baixo índice mitótico, 
mas são capazes de proliferar quando estimuladas. 
Pertencem a essa categoria as células 
parenquimatosas dos órgãos glandulares (fígado, 
pâncreas, etc), células mesenquimais (fibroblastos, 
células musculares lisas), astrócitos e células 
endoteliais. Células perenes, como são 
classicamente conhecidas, são as que atingiram o 
estágio de diferenciação terminal e não se dividem 
mais após o nascimento, pois perderam a capacidade 
replicativa. O exemplo mais notório é o dos 
neurônios. 
 O controle da divisão e da diferenciação 
celular éfeito por um sistema integrado e complexo 
que mantém a população celular dentro de limites 
fisiológicos. Alterações nesse sistema regulatório 
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resultam em distúrbios ora de crescimento, ora da 
diferenciação, ora dos dois ao mesmo tempo. Embora 
uma classificação ideal não exista. 
 Alterações do volume celular: quando uma 
célula sofre estímulo acima do normal, aumentando a 
síntese de seus constituintes básicos e seu volume, 
tem-se a hipertrofia. O aumento do volume é 
acompanhado de aumento das funções celulares. 
Ao contrário, se sofre agressão que resulta em 
diminuição da nutrição, do metabolismo e da síntese 
necessária para a renovação de suas estruturas, a 
célula fica com volume menor, fenômeno que recebe 
o nome de hipertrofia. 
 Alterações da taxa de divisão celular: 
aumento da taxa de divisão celular acompanhado de 
diferenciação celular normal recebe o nome de 
hiperplasia. Ao contrário, diminuição da taxa de 
proliferação celular é chamada de hipoplasia. O termo 
aplasia é muito usado como sinônimo de hipoplasia, o 
que não é totalmente correto. Assim, fala-se 
comumente em anemia aplásica quando, na maioria 
das vezes, trata-se de anemia hipoplásica. 
 Alterações do crescimento e da 
diferenciação celular: se há proliferação celular e 
redução ou perda de diferenciação, fala-se em 
displasia. A proliferação celular autônoma, 
geralmente acompanhada de perda de diferenciação, é 
chamada de neoplasia. Há diversas alterações de 
crescimento celular. Nelas, as modificações 
(alterações no peso ou volume) recebem as seguintes 
nomenclaturas: 
 
Atrofia 
 Quando há diminuição do volume de um 
órgão ou de parte dele depois que estes já estão 
formados, temos uma atrofia. Essa redução 
volumétrica do órgão ou do tecido pode ser 
patológica ou fisiológica, cujas causas são: 
1) Diminuição da carga de trabalho ou desuso 
do órgão. Um exemplo é atrofia que ocorre em 
pessoas que estão mobilizadas por tempo prolongado, 
utilizando tala ou gesso; 
2) Diminuição do suprimento sanguíneo 
(isquemia), o que gera redução do volume do cérebro, 
por aterosclerose da artéria carótida, e redução do 
volume do rim, por aterosclerose das artérias renais; 
3) Nutrição inadequada, por ausência, 
privação ou deficiência de nutrientes. Uma redução 
de nutrientes na alimentação pode causar inanição. A 
anorexia, que é um sério distúrbio alimentar, é um 
exemplo. 
4) Perda ou diminuição da inervação; 
5) Perda da estimulação endócrina; 
6) Envelhecimento, com redução volumétrica 
orgânica de diversas células, tecidos e órgãos, como 
o cérebro, os ossos e as mucosas; 
7) Compressão, como a compressão mecânica e 
vascular sobre um tecido ou órgão. A atrofia cerebral, 
por hidrocefalia, é um exemplo. 
 
Hipertrofia 
 É o aumento do volume de um órgão ou 
tecido devido ao aumento individual do tamanho 
da célula, sem alteração no número. A hipertrofia tem 
diversas causas também, como o excesso de nutrição 
e aporte de oxigênio no tecido, e pode ser: 
patológica ou fisiológica. Um ótimo exemplo de 
hipertrofia fisiológica é o aumento do volume do 
útero durante a gestação. Exemplos de hipertrofia 
patológica são: Hipertrogia do miocárdio (ou 
hipertrofia cardíaca) – neste caso o coração se 
sobrecarrega funcionalmente; Hipertrofia da 
musculatura lisa, como da bexiga, e da uretra; 
Hipertrofia na musculatura esquelética; Hipertrofia de 
hepatócitos (fígado); Hipertrofia de células nervosas. 
 
 
Hipotrofia 
 Consiste na redução quantitativa dos 
componentes estruturais e das funções celulares, 
resultando em diminuição do volume das células e dos 
órgãos atingidos, muitas vezes, há também 
diminuição do número de células. A redução do 
volume se da por diminuição do anabolismo e a 
redução do número se dá por apoptose. A hipotrofia 
pode ser fisiológica ou patológica. A primeira é a 
que ocorre na senescência, quanto todos os órgãos e 
sistemas do organismo reduzem suas atividades 
metabólicas e diminui o ritmo de proliferação 
celular. Como afeta todo o indivíduo, não há prejuízo 
funcional porque fica mantido um novo estado de 
equilíbrio. A hipotrofia patológica decorre de fatores 
diversos, sendo os mais importantes: (1) inanição. 
Deficiência nutricional, por qualquer causa, resulta 
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em hipotrofia mais ou menos generalizada; (2) 
desuso. Ocorre em órgãos ou tecidos que ficam sem 
uso por algum tempo. O exemplo clássico é dos 
músculos esqueléticos quando são imobilizados por 
aparelhos ortopédicos. Porém, como tumores, cistos, 
aneurismas, etc; (4) Obstrução vascular. Diminuição 
do fornecimento de oxigênio e nutrientes causa 
hipotrofia do órgão correspondente. Muitas doenças 
obstrutivas das artérias renais, por exemplo, causam 
hipotrofia do rim; (5) substâncias tóxicas que 
bloqueiam sistemas enzimáticos e a produção de 
energia pelas células. Um bom exemplo é a 
hipotrofia dos músculos do antebraço na intoxicação 
pelo chumbo; (6) Hormônios. A redução de certos 
hormônios leva à hipotrofia de células e órgãos-alvo. 
Deficiência dos hormônios somatotrófico tireoidianos 
causa hipotrofia generalizada; a carência de 
hormônios que possuem alvos específicos leva à 
hipotrofia localizada (como as das gônadas na 
deficiência de gonodastrofinas); (7) Inervação. Perda 
da estimulação nervosa resulta em hipotrofia 
muscular. O exemplo mais conhecido é o da 
hipotrofia dos músculos dos membros inferiores na 
poliomielite. 
 
Hiperplasia 
 O aumento do número de células 
parenquimatosas, com manutenção do tamanho e 
das funções normais, é a hiperplasia. Porém, o tecido 
ou órgão com hiperplasia possui seu volume e função 
aumentados. A hiperplasia ocorre em órgãos com 
capacidade replicativa e é um processo reversível. 
Assim como a atrofia e hipertrofia, a hiperplasia 
também pode ser fisiológica, como o útero na 
gestação e mamas na lactação. Pode ser também 
patológica, que são secundárias à hiperestimulação 
hormonal, como na Síndrome de Cushing, 
produção excessiva de TSH, hipertireoidismo. 
Também pode ocorrer em papilomas, pólipos e 
inflamações. 
 
Hipoplasia 
 É a diminuição do volume de um órgão ou 
tecido causado pela redução do número de células. 
São vários os motivos que podem causam a 
hipoplasia, como por exemplo, a má formação e o 
mau desenvolvimento do feto no útero. As ações 
também são patológicas ou fisiológicas. A patológica, 
temos como exemplo, durante a embriogênese, a 
hipoplasia que pode provocar algum defeito durante a 
embriogênese, a hipoplasia que pode provocar algum 
defeito na formação de um órgão ou parte dele. A 
hipoplasia patológica pode causar a redução dos 
órgãos linfoides na AIDS e anemias hipoplásicas. A 
hipoplasia fisiológica pode causar a involução do 
timo a partir da puberdade, das gônadas no 
climatério e da senilidade (envelhecimento 
patológico). 
 
Metaplasia 
 É uma alteração, porém reversível, onde um 
tipo diferenciado de célula, que pode ser epitelial ou 
mesenquimal, é substituído por outro, só que da 
mesma linhagem. Ela representa substituição 
adaptativa das células sensíveis ao estresse por 
tipos celulares melhores preparados para suportar 
o ambiente adverso, já que o tecido metaplásico é 
mais resistente às agressões. Dentre os tipos mais 
comuns de metaplasia, tem-se o de epitélio colunar 
para epitélio escamoso. 
 
Displasia 
 É considerado um problema de formação, e é 
o principal marcador biológico de evolução para 
adenocarcinoma, por exemplo. Diante disso, 
identificar e graduar a displasia são importantes na 
prática diagnóstica. A displasia pode afetar um 
órgão ou um tecido. Quando um órgão é afetado, há 
um envolvimento de distúrbios do desenvolvimento 
e crescimento. Geralmente, os processos são 
regressivos e estão ligados a condições genéticas.Quando a displasia afeta um tecido, ela tende a 
abranger erros locais do desenvolvimento. 
 
Anaplasia 
 Por fim, temos a anaplasia, considerada como 
falta de diferenciação de células neoplásicas, ao 
retrocesso da formação. Por exemplo, a reversão de 
células adultas para a sua forma embrionária, com 
aumento da capacidade de multiplicação celular. A 
anaplasia celular possui algumas características, 
como o pleomorfismo, morfologia nuclear 
anormal, mitoses, perda da polaridade. 
 
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 Diversos são os fatores que podem acarretar na 
agressão celular. Lesões celulares são causadas por 
fatores físicos externos (ou extrínsecos). Um 
exemplo seria o acidente automobilístico, um 
atropelamento, uma queda. Outra causa das lesões é a 
endógena (ou intrínseca) que irá resultar em 
alterações metabólica. Sendo assim, toda agressão 
gera estímulos que induzem nos tecidos, respostas 
adaptativas que visam torna-los mais resistentes às 
agressões subsequentes. 
 As causas de lesões e doenças, denominadas 
agressões ou agentes lesivos, são muito numerosas. 
Qualquer estímulo da natureza, dependendo de sua 
intensidade, do tempo de ação e da constituição do 
organismo (capacidade de reagir), pode produzir 
lesão. Didaticamente, as causas de lesões e doenças 
são divididas em dois grandes grupos: exógenas (do 
meio ambiente – ou externos/extrínsecos como você 
estudou logo acima), e endógenas (do próprio 
organismo, intrínseca). 
 Em geral, as lesões resultam da interação do 
agente lesivo com os mecanismos de defesa 
(respostas do organismo), sendo, portanto, frequente a 
associação de causas exógenas e endógenas na origem 
de uma lesão ou doença. Nem todas as doenças ou 
lesões têm causa conhecida, nesses casos, a doença 
ou lesão é denominada criptogenética (cripto = 
escondido), idiotática (idios = próprio ou essencial). 
São os tipos estímulos nocivos: 
 Os agentes físicos são os traumas mecânicos 
(ex: queda, contusão), temperaturas extremas (frio ou 
calor extremo), mudanças bruscas e intensas na 
pressão atmosférica, choque térmico e elétrico, 
radiação, dentre outros. 
 Os agentes químicos são as substancias 
químicas em concentrações hipertônicas, poluentes, 
venenos, drogas (não terapêuticas e terapêuticas). 
 Alterações imunológicas, que incluem 
doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, o 
lúpus eritematoso sistêmico, a doença celíaca, dentre 
outros. 
 Dentre os distúrbios genéticos, enquadram-se 
erros inatos do metabolismo, alterações gênicas, 
genômicas e cromossomais (ex: síndrome de down). 
 As agressões oriundas de distúrbios 
nutricionais sendo considerada a maior causa de 
lesão celular. Dentre os principais distúrbios, temos 
aqueles provocados pela desnutrição, excesso de 
lipídeos (aterosclerose), anorexia, obesidade, 
deficiência de vitaminas. 
 Outra lesão é a isquemia, que é uma 
obstrução arterial, e a hipóxia, considerada uma 
carência de oxigênio nos tecidos corporais, 
causando lesão celular, devido à redução da 
respiração aeróbica. É diferente da isquemia, pois na 
hipóxia ainda há suprimento nutritivo sanguíneo, com 
exceção do oxigênio. O próprio processo de 
envelhecimento é uma forma de agressão/lesão 
celular, pois a senescência celular acarreta em 
diminuição na habilidade de replicação e reparo 
celular tecidual. Um exemplo clássico de 
envelhecimento celular bem perceptível é o da pele. 
 Os mecanismos de lesão podem ser avaliados 
por meio de três princípios: 1) A resposta celular 
depende do tipo de agressão, da duração e também 
da intensidade da agressão. 2) As consequências que 
resultam da agressão celular, depende do tipo de 
célula e do estado de adaptação da célula que foi 
agredida. 3) As lesões celulares causam alterações 
bioquímicas e funcionais em um ou mais 
componentes celulares. 
 Quando uma célula sofre agressão ela pode 
responder de três maneiras diferentes: adaptação, 
lesão reversível e lesão irreversível. 
 Adaptação celular: Algumas células podem 
ser modificadas, vítimas de algum tipo de estresse ou 
demanda física. Esse é o processo de adaptação 
celular. A adaptação celular ocorre quando as células 
sofrem metaplasia, ou seja, conversão do tipo 
celular. É capacidade das células, do tecido ou do 
próprio indivíduo de, frente a um estímulo, 
modificar suas funções dentro de certos limites para 
ajustar-se às modificações induzidas pelo estímulo. 
O processo de adaptação ocorre em resposta celular 
ao estresse fisiológico ou a um estímulo patológico, 
que ativam mecanismos moleculares que acabam 
alterando os genes que comandam a diferenciação 
celular. 
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 Lesão: é a resposta celular ao estímulo nocivo 
depende do tipo de lesão, sua duração e sua 
gravidade. As consequências de um estímulo nocivo 
dependem do tipo, status, adaptabilidade e fenótipo 
genético da célula lesada. A lesão celular resulta de 
alterações bioquímicas e funcionais em um ou mais 
dos vários componentes celulares essenciais. 
 
 Lesão reversível: quando uma célula é 
agredida por um estímulo nocivo e sofre algumas 
alterações funcionais e morfológicas, temos a lesão 
reversível. Porém, apesar dessas alterações, a célula 
consegue se manter viva e consequentemente se 
recuperar quando o estímulo nocivo cessa ou é 
retirado. Nessas fases, mesmo que surjam anomalias 
funcionais e estruturais graves, a lesão não avança a 
ponto de resultar em uma morte celular. Um 
exemplo é a tumefação celular (edema) e a 
degeneração de gordura. 
 
 Lesão irreversível: a célula não se recupera, 
mesmo quando a agressão é retirada ou cessada, o que 
culmina em morte celular. A morte celular pode 
seguir por dois mecanismos possíveis: necrose e 
apoptose. 
 
 
Necrose e apoptose celular 
 Agentes lesivos podem levar a uma lesão 
reversível ou a morte celular (lesão irreversível). Isto 
não dependerá do tipo de agente agressor, mas sim, da 
intensidade e duração da agressão. Alguns pontos 
indicam irreversibilidade são: grande tumefação 
mitocondrial; perda das cristas; depósitos 
floculares na matriz celular; bolhas; solução de 
continuidade da membrana. Nem sempre a morte 
celular é precedida de lesões degenerativas. Se a 
morte celular ocorre em um organismo vivo e é 
seguida autólise, o processo recebe o nome de 
necrose. 
 
Necrose celular 
 O processo de morte celular, de um tecido ou 
parte dele em um organismo vivo seguida de 
autólise, é a necrose celular. É um processo 
desordenado, patológico, causado por fatores que 
levam à lesão celular de forma irreversível e a morte 
celular, consequentemente. Aqui temos a etapa final 
das alterações celulares, consequência das 
inflamações, processos infiltrativos e de diversas 
alterações circulatórias. É uma degradação 
progressiva das estruturas das células, sempre que 
existir enzimas dos componentes da célula por 
enzimas da própria célula liberada pelos lisossomos. 
 Neste tipo de morte celular, há 
desaparecimento total do núcleo e, 
consequentemente, da própria célula. Isto é 
precedido de alterações na célula, que são 
consideradas graves. O processo de necrose pode 
culminar na cicatrização total, devido à 
proliferação do tecido conjuntivo vascular, ou pode 
gerar ulcerações recorrentes ou permanentes. 
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Processos de necrose maior podem se tornar 
encapsulados pelo tecido conjuntivo que os envolve. 
 Existem vários tipos de necrose. São eles: 
 Necrose de coagulação os isquemia: este tipo 
ocorre devido a uma isquemia ou hipóxia em tecidos 
corporais, exceto o nervoso. Ela é acarretada pela 
desnaturação das proteínas celulares autolíticas. A 
necrose de coagulação se caracteriza por perda de 
nitidez dos elementos do núcleo da célula e 
manutenção do contornocelular. Ex: infarto agudo 
do miocárdio. 
 Necrose de liquefação: causado por 
isquemia, infecção por agentes biológicos, ou 
hipóxia no tecido cerebral. A lesão e morte celular 
têm como causas toxinas produzidas por micro-
organismos infecciosos ou até mesmo por processo 
inflamatório. As células mortas sofrem fagocitose e 
são digeridas. A digestão do tecido necrosado 
resultado da transformação de uma massa amorfa, 
muitas vezes contendo pus. 
 Necrose fibrinoide: o tecido adquire aspecto 
semelhante à fibrina, ou seja, róseo e vítreo. Ocorre 
em algumas doenças autoimunes e na hipertensão 
arterial maligna. 
 Necrose gangrenosa: necrose isquêmica em 
que o tecido necrótico sofre modificações por 
agentes do ar ou bactérias. Um exemplo é o cordão 
umbilical que após o nascimento, torna-se negro e 
seco. 
 Necrose hemorrágica: há hemorragia no 
tecido necrosado, o que pode complicar a eliminação 
do tecido necrótico pelo organismo. 
 Necrose enzimática: ocorre a liberação de 
enzimas nos tecidos. A forma mais comum é a 
gordurosa, principalmente no pâncreas, quando pode 
ocorrer liberação de lipases, desintegrando gordura 
dos adipócitos desse órgão. 
 
Apoptose celular 
 É conhecida como morte celular 
programada. É um tipo de autodestruição não 
acidental da célula. O apoptose celular requer 
energia e síntese proteica para que possa ocorrer, e 
está relacionada com a homeostase na regulação 
fisiológica dos tecidos. A morte celular ocorre 
individualmente, e a morte de uma célula não leva à 
morte de outras. É um processo controlado 
rigidamente por expressões genéticas decorrentes da 
interação célula e o meio externo, o que leva à 
produção de várias moléculas com atividades 
específicas, resultando em alterações celulares 
funcionais e fragmentação da cromatina e formação 
de protuberâncias na superfície celular. 
 Esse tipo de morte celular (a apoptose), é 
regulada e eficiente. Para que ocorra, é requerido à 
interação de fatores diversos, como alterações 
morfológicas observadas em uma cascata de 
eventos moleculares e bioquímicos. 
 A apoptose é considerada um mecanismo 
celular fundamental, e tem papel essencial na 
manutenção da homeostase tecidual. Ela ocorre nas 
mais diversas situações, como, exemplo, na 
organogênese e hematopoese normal e patológica, 
câncer, atrofia dos órgãos, resposta inflamatória, 
eliminação de células após danos. Enquanto a 
necrose é sempre considerada um processo 
patológico, a apoptose atua em diversas funções 
normais e não está necessariamente associada com o 
dano de uma célula.

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