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1 Processo de lesão, degeneração e morte celular

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Processo de lesão, degeneração e
morte celular
Você vai conhecer os conceitos de saúde, doença e patologia, além dos mecanismos de agressão, defesa,
adaptação e lesão celular. Estudaremos os tipos e as características da degeneração celular, assim como
os princípios da necrose e apoptose. A compreensão desses processos possibilita uma análise adequada
das bases patológicas das doenças.
Profa. Gabriela Cardoso Caldas
1. Itens iniciais
Objetivos 
Descrever os conceitos de saúde, doença, patologia e as características dos processos de agressão,
defesa, adaptação e lesão celular
 
Identificar os principais tipos de degeneração celular, seus mecanismos e aspectos morfológicos.
 
Descrever as etapas de progressão da lesão celular e os princípios da morte celular por apoptose e
necrose.
Introdução
Entender a complexidade do processo saúde-doença tem que ser um dos objetivos iniciais básicos de todo
profissional da área da saúde, de modo que o organismo humano não seja visto como uma máquina, na qual
apenas os eventos de natureza biológica tenham relevância.
 
Dessa forma, iniciaremos nossa jornada pelos conceitos fundamentais em patologia básica: entenderemos os
processos de agressão e mecanismos de defesa do organismo e os tipos de adaptação e de lesão celular.
Vamos, ainda, nos aprofundar nas degenerações, lesões celulares reversíveis nas quais as células conseguem
retornar ao seu estado inicial, uma vez cessada a agressão.
 
Discutiremos também a evolução para a lesão irreversível, conhecendo as principais características e
diferenças entre a necrose e apoptose. São muitos conceitos interessantes que você aplicará em toda a sua
jornada acadêmica e profissional. Está pronto para começar?
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1. Saúde, doença e patologia
Patologia e conceitos de saúde e doença
Assista ao vídeo e entenda como os conceitos de saúde e doença evoluíram ao longo da história ― das
explicações sobrenaturais às bases científicas atuais. Entenda o processo saúde-doença como multifatorial e
dinâmico, e conheça a patologia, a ciência que investiga as causas, os mecanismos e os efeitos das doenças
no organismo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Ao lado do desemprego e da violência, questões relacionadas à saúde sempre se apresentaram como
destaque entre as preocupações ditas como prioritárias em debates político-sociais. Apesar de muito
importante, o processo saúde-doença é complexo e muitas vezes mal compreendido.
 
Para você, o que é ter saúde? O que é doença?
 
Durante séculos, o aparecimento de doenças foi atribuído a forças sobrenaturais e ao castigo de divindades,
sendo instituições religiosas e seus sacerdotes os promotores da cura. 
Representação medieval das doenças e saúde.
O Renascimento cultural e científico possibilitou uma maior compreensão sobre a constituição do corpo
humano e sobre o processo de adoecimento. O corpo humano, então, passou a ser enxergado como uma
máquina passível de falhas, que, quando compreendidas, poderiam ser corrigidas. Saúde era ausência de
doença e doença era ausência de saúde.
A lição de anatomia do dr. Tulp, Rembrandt, 1632.
Em 1947 esse conceito mudou e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde passou a ser
definida como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doença ou
enfermidade.
 
Essa definição é motivo de críticas e reflexões de muitos pesquisadores e profissionais, que dizem que essa é
mais uma declaração que propriamente uma definição. Apesar disso, continua sendo utilizada atualmente.
Kumar, Abbas e Aster (2016) definem assim a saúde:
Um estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, psíquico ou social em que vive, de modo que
o indivíduo se sente bem (saúde subjetiva) e não apresenta sinais ou alterações orgânicas (saúde
objetiva).
Kumar et al., 2016
Para compreender a saúde de forma mais ampla, é necessário ir além da experiência individual e considerar os
diversos fatores que influenciam o equilíbrio entre saúde e doença.
O processo saúde-doença é multifatorial.
Saúde e normalidade não são sinônimos:
A ideia de doença é historicamente anterior à concepção de saúde, estando presente de diversas formas em
todas as organizações sociais conhecidas. Sua definição pode ser entendida a partir do conceito biológico de
adaptação, que é uma propriedade geral dos seres vivos de serem sensíveis às variações do meio ambiente e
de produzir respostas adaptativas. 
 
Essa capacidade varia em diferentes indivíduos de uma mesma espécie, dependendo de inúmeros fatores
biológicos, ambientais e sociais.
A doença é um estado de falta de adaptação ao ambiente físico, psíquico ou social, no qual o
indivíduo se sente mal (tem sintomas) e/ou apresenta alterações orgânicas evidenciáveis
objetivamente (sinais clínicos).
O processo saúde-doença é dinâmico, complexo e multidimensional, abrangendo aspectos biológicos,
psicológicos, socioculturais, ambientais, econômicos e políticos. E o que é a patologia?
 
A patologia é a ciência que estuda as doenças, investigando suas causas (etiologia), como elas se
desenvolvem (patogênese), as alterações que provocam nos órgãos e sistemas, e as mudanças que ocorrem
nas células, nos tecidos (anatomia patológica) e no funcionamento do corpo (fisiopatologia). 
As vertentes de estudo da patologia.
É preciso compreender esses aspectos para termos uma visão completa das doenças. Isso nos ajuda a
entender como prevenir essas doenças, diagnosticá-las corretamente, reconhecer sinais e sintomas, escolher
o melhor tratamento, prever a evolução (prognóstico) e acompanhar o seu progresso.
 
Em resumo, a patologia nos fornece as bases necessárias para entender todo o processo relacionado às
doenças, desde sua origem até seu impacto no organismo.
Atividade 1
Saúde 
Refere-se ao indivíduo e envolve aspectos
biológicos, psicológicos, sociais, políticos,
ambientais, econômicos e culturais.
Normalidade 
Baseia-se em parâmetros
preestabelecidos (como batimentos
cardíacos e composição sanguínea),
definidos a partir da média de
observações dentro de populações
homogêneas.
A definição de saúde tem evoluído ao longo do tempo, incorporando diferentes dimensões além da mera
ausência de doença. Qual das seguintes alternativas mais bem representa uma visão contemporânea e
abrangente do conceito de saúde?
A Saúde é a ausência de sintomas físicos detectáveis.
B Saúde é um estado de completo bem-estar social.
C Saúde é a capacidade de adaptação do organismo ao ambiente em que se vive.
D Saúde é o equilíbrio dos humores corporais.
E Saúde é determinada exclusivamente por fatores genéticos.
A alternativa C está correta.
A visão contemporânea de saúde enfatiza a capacidade de adaptação e autogestão do indivíduo diante de
desafios físicos, mentais e sociais. Essa perspectiva reconhece que a saúde não é um estado estático de
completo bem-estar, mas um processo dinâmico de adaptação contínua às mudanças e demandas do
ambiente. Dessa forma, a saúde é entendida como a habilidade de manter o equilíbrio e o funcionamento
eficaz em face das adversidades, refletindo uma abordagem mais realista e prática do que a definição de
completo bem-estar.
Conceito de agressão, defesa, adaptação e lesão
Assista ao vídeo e entenda como agressões internas e externas impactam o organismo. Veja os mecanismos
de defesa, como a fagocitose e a resposta imune, e como as células e os sistemas se adaptam a esses
estímulos, desde alterações moleculares até processos patológicos como inflamação e doenças autoimunes.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Toda vez que recebe um estímulo, o corpo pode reagir de diferentes formas, dependendo da intensidade e do
tempo dessa exposição. Se for muito forte ou durar por muito tempo, o estímulo pode se tornar uma agressão 
ao organismo.
 
As agressões podem ser: 
De fora
Como substâncias químicas, calor, frio, vírus e
bactérias.
Do próprio corpo
Como alterações nos genes ou respostasativando o processo de morte celular.
 
Os principais receptores de morte são o TNF tipo 1 e o Fas, que contam com um domínio de morte em seu
interior, responsável por iniciar o sinal apoptótico. 
Exemplo
O FasL é uma molécula presente em algumas células do sistema imunológico, como linfócitos T
citotóxicos, que atacam células tumorais ou infectadas por vírus. Quando o FasL se liga ao Fas, proteínas
adaptadoras são ativadas, como FADD, que iniciam a ativação das caspases. 
A apoptose extrínseca pode ser bloqueada pela proteína FLIP, que impede a ativação da caspase 8,
interrompendo o processo antes que ele aconteça.
 
Independentemente da via (intrínseca ou extrínseca), ambas ativam caspases iniciadoras, que desencadeiam
um programa sequencial que leva à fragmentação da célula em corpos apoptóticos. Esses fragmentos são
rapidamente fagocitados, evitando inflamação e garantindo que os restos celulares sejam removidos de
maneira controlada.
Morfologia
As células apoptóticas apresentam algumas características morfológicas importantes:
1
Retração celular
Caracteriza-se pela redução do tamanho celular, com citoplasma denso e compactação de
organelas. É importante lembrar que a característica inicial de outras formas de lesão celular é a
tumefação, não a retração.
2
Condensação da cromatina
É o aspecto morfológico mais marcante da apoptose. Caracteriza-se pela agregação da cromatina
na periferia da membrana nuclear, formando massas densas de diversos formatos e tamanhos. O
núcleo se rompe, produzindo dois ou mais fragmentos.
3
Formação de bolhas citoplasmáticas e corpos apoptóticos
Caracteriza-se pela formação inicial de bolhas superficiais extensas e, em seguida, pela
fragmentação celular em corpos apoptóticos envoltos por membrana, compostos de restos de
citoplasma, organelas e possivelmente fragmentos nucleares.
Acredita-se que
as membranas
celulares
permaneçam
intactas até os
estágios finais do
processo
apoptótico,
quando se tornam
permeáveis.
 Na histologia (e coloração
por hematoxilina e eosina),
as células apoptóticas
aparecem como massas
ovais ou redondas de
citoplasma intensamente
eosinófilo com fragmentos
de cromatina nuclear
condensada. 
 Além disso,
como o
processo é
rápido, a
apoptose
precisa ser
extensa para
que se torne
evidente nos
cortes
histológicos. 
 A ausência
de
inflamação
também
dificulta a
identificação
microscópica.
Apoptose de uma célula epidérmica. Note
redução de tamanho, citoplasma
eosinófilo brilhante e um núcleo
condensado.
Outros tipos de morte celular
Assista ao vídeo e conheça outras formas de morte celular além da necrose e apoptose, que podem ser
reguladas por fármacos ou fazer parte de processos fisiológicos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 3
A apoptose é um importante processo de morte celular programada tanto em condições fisiológicas quanto
patológicas. Considerando os mecanismos envolvidos, qual das afirmações assim descreve mais
adequadamente a ativação das caspases durante a apoptose?
A As caspases são ativadas apenas por danos externos à membrana celular.
B A ativação das caspases ocorre exclusivamente por meio de sinais externos, sem envolvimento de
organelas celulares.
C A ativação das caspases depende de um equilíbrio entre proteínas pró e antiapoptóticas, podendo
iniciar por vias intrínsecas ou extrínsecas.
D As caspases são ativadas diretamente por radicais livres, sem necessidade de clivagem enzimática.
E A ativação das caspases é independente de danos ao DNA ou estresse celular.
A alternativa C está correta.
A ativação das caspases é um evento central na apoptose e ocorre por meio de um equilíbrio entre
proteínas pró e antiapoptóticas. Esse processo pode ser iniciado por duas vias principais: a intrínseca
(mitocondrial), que envolve a liberação de citocromo C e outras proteínas pró-apoptóticas da mitocôndria; e
a extrínseca (por receptor de morte), desencadeada pela união de ligantes a receptores de morte na
membrana celular. Ambas as vias culminam na ativação de caspases iniciadoras e executoras, que
promovem a fragmentação celular e a formação de corpos apoptóticos.
Aplicando o conhecimento
Carlos, 45 anos, trabalha como pedreiro e pratica musculação regularmente. Ele percebeu um aumento da
força e do tamanho dos músculos ao longo do tempo devido à prática intensa de exercícios, representando
um exemplo de hipertrofia muscular.
 
Recentemente, Carlos sofreu um acidente e precisou ficar imobilizado por seis semanas com a perna
engessada. Durante esse período, ele notou que a perna lesionada ficou mais fina em comparação com a
outra. Esse fenômeno, chamado de atrofia por desuso, ocorre porque os músculos não receberam estímulo
suficiente para manter seu tamanho.
 
Após a retirada do gesso, Carlos voltou gradualmente ao treino, permitindo que suas células musculares se
readaptassem ao esforço. Porém, além da musculatura reduzida, ele desenvolveu uma tosse persistente
devido ao tabagismo. O médico explicou que o epitélio dos brônquios estava sofrendo metaplasia, ou seja,
estava sendo substituído por outro tipo celular mais resistente às agressões do cigarro, mas com menos
função protetora.
 
Além disso, o médico alertou Carlos sobre os riscos do tabagismo prolongado, uma vez que a metaplasia pode
progredir para lesões irreversíveis, caso o agente agressor continue intervindo. 
 
Dessa forma, o caso de Carlos ilustra diferentes respostas celulares diante de mudanças no ambiente: a 
hipertrofia, como um mecanismo de adaptação ao aumento da demanda; a atrofia, resultante da redução do
estímulo; e a metaplasia, uma tentativa de o organismo se proteger contra um fator nocivo. Embora esses
processos possam ser reversíveis nos estágios iniciais, sua progressão pode levar a danos celulares
permanentes e a alterações na função dos tecidos afetados.
Questão 1
Carlos apresentou diferentes adaptações celulares ao longo do tempo, dependendo dos estímulos que
recebeu. Considerando os mecanismos celulares envolvidos, qual das alternativas explica corretamente a
diferença entre hipertrofia, atrofia e metaplasia?
A A hipertrofia ocorre por aumento do número de células e a metaplasia por mutação genética
espontânea.
B A hipertrofia ocorre devido à retenção de líquidos na célula e a metaplasia pela proliferação
desordenada de células cancerígenas.
C A hipertrofia está relacionada ao aumento da produção proteica e a metaplasia à substituição de um
tipo celular por outro mais resistente.
D A hipertrofia envolve apenas tecidos musculares, enquanto a metaplasia só ocorre em tecidos ósseos
e cartilaginosos.
E A hipertrofia é reversível e a metaplasia resulta em substituição irreversível do tecido afetado.
A alternativa C está correta.
A hipertrofia ocorre pelo aumento da produção de proteínas celulares, resultando em um aumento do
tamanho da célula, sem alteração no número total de células. A metaplasia ocorre quando um tipo celular é
substituído por outro mais resistente ao ambiente, geralmente como uma resposta adaptativa a estímulos
nocivos, como o cigarro no trato respiratório. As demais alternativas não procedem, pois apresentam
definições incorretas sobre os processos celulares.
Questão 2 
Carlos experimentou diferentes adaptações celulares ao longo do tempo, incluindo hipertrofia, atrofia e
metaplasia. Qual a importância da capacidade adaptativa das células e quais podem ser as consequências
quando essa adaptação falha ou se torna patológica?
Chave de resposta
Por conta da capacidade adaptativa das células, é possível que os tecidos sobrevivam e funcionem
adequadamente em resposta a diferentes estímulos. A hipertrofia permite que tecidos aumentem sua
função em situações de maior demanda, como no caso do treinamento muscular. A atrofia ocorre quando
há redução de estímulo, promovendo a economia de energia. A metaplasia protege tecidos contra
agressões contínuas, substituindo células mais sensíveis por células mais resistentes. No entanto,
adaptações descontroladaspodem levar a prejuízos funcionais. Se um estímulo nocivo persiste, a
metaplasia pode evoluir para processos patológicos, como displasias e câncer, demonstrando os limites da
adaptação celular.
Questão 3
Carlos passou por um período de imobilização que levou à atrofia muscular. Após a retirada do gesso, iniciou a
reabilitação para recuperar a força muscular. Como o organismo responde à retomada do estímulo e quais
fatores podem influenciar o sucesso dessa recuperação?
Chave de resposta
Após a remoção do gesso, os músculos de Carlos começam a se recuperar por meio da reversão da
atrofia, um processo que envolve aumento da síntese proteica, reativação das conexões neuromusculares
e restauração da força e do volume muscular. A regeneração depende da intensidade e da frequência dos
exercícios, do tempo de inatividade, da idade do paciente e do estado nutricional. A capacidade adaptativa
do músculo pode ser limitada caso a atrofia tenha sido muito prolongada. No entanto, com reabilitação
adequada, a hipertrofia pode ser estimulada novamente, permitindo que os músculos voltem ao seu
funcionamento normal.
Caso prático
Confira neste vídeo um case que explica como as células respondem a diferentes estímulos, ilustrando os
conceitos de hipertrofia, atrofia e metaplasia. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Um técnico de necropsia que analisou o rim de um paciente com tuberculose constatou a
aparência esbranquiçada do órgão. A lâmina histológica foi enviada a um médico patologista,
que identificou áreas de células rompidas, fragmentadas, com restos granulares amorfos
formando uma massa homogênea. A partir desses dados, qual é o melhor diagnóstico?
A Necrose gangrenosa
B Necrose de coagulação
C Necrose liquefativa
D Necrose caseosa
E Necrose fibrinoide
A alternativa D está correta.
A necrose caseosa é o tipo mais frequente em focos de infecção tuberculosa. A área do órgão acometido
apresenta aparência esbranquiçada. Na microscopia, é possível notar uma coleção de células rompidas ou
fragmentadas e restos granulares amorfos delimitados por uma borda inflamatória distinta.
Questão 2
A apoptose é uma via de morte celular rigidamente controlada na qual a célula é estimulada a
acionar mecanismos que resultam na sua morte. 
 
Assinale a seguir a alternativa que contém uma característica que não corresponde à
apoptose.
A Formação de corpos apoptóticos.
B Indução da inflamação.
C Ativação de caspases.
D Citoplasma acidófilo.
E Retração celular.
A alternativa B está correta.
Com a fragmentação celular em corpos apoptóticos, há o estímulo ativo para a fagocitose, de tal modo que
os resíduos celulares são removidos antes de sofrer necrose e iniciar um processo inflamatório.
4. Conclusão
Considerações finais
O que você aprendeu neste conteúdo? 
 
A saúde não é apenas a ausência de doença, mas um estado de bem-estar físico, mental e social. A
doença, por sua vez, é um estado de falta de adaptação ao ambiente, resultando em sintomas e
alterações orgânicas. 
 
A patologia estuda as causas (etiologia), os mecanismos (patogênese) e as alterações morfológicas e
funcionais das doenças, fornecendo bases para prevenção, diagnóstico, tratamento e prognóstico. 
 
As agressões podem ser externas (químicas, físicas, biológicas) ou internas (alterações gênicas), e o
organismo responde com mecanismos de defesa, como barreiras físicas, fagocitose, resposta imune e
reparo de DNA. 
 
As células se adaptam a estímulos por meio de hipertrofia (aumento do tamanho), hiperplasia (aumento
do número), atrofia (redução do tamanho) e metaplasia (substituição de um tipo celular por outro). 
 
A lesão reversível, como a degeneração hidrópica, ocorre quando as células acumulam água e
eletrólitos, mas podem retornar ao normal após a remoção do estímulo nocivo. 
 
As degenerações são acúmulos anormais de substâncias nas células, como gordura (esteatose),
proteínas (degeneração hialina) ou cálcio (degeneração cálcica), resultando em alterações funcionais e
morfológicas. 
 
Quando a lesão ultrapassa o ponto de não retorno, ocorre morte celular, que pode ser por necrose
(processo inflamatório) ou apoptose (morte programada sem inflamação). 
 
A necrose é caracterizada por autólise celular, liberação de enzimas lisossomais e inflamação. Os tipos
incluem necrose coagulativa, liquefativa e caseosa, cada uma com características morfológicas
distintas. 
 
A apoptose é um processo controlado de morte celular, mediado por caspases, que resulta na
formação de corpos apoptóticos e fagocitose sem induzir inflamação, sendo relevante em processos
fisiológicos e patológicos. 
 
Agressão, adaptação, lesão e morte celular como mecanismos basilares para diagnóstico, tratamento e
prevenção de doenças, além de fornecerem insumos para pesquisas e avanços na área da saúde. 
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Podcast
Antes de encerrar, ouça a especialista Gabriela Caldas respondendo a algumas perguntas sobre os
conceitos de saúde, doença e patologia, além dos mecanismos de agressão, defesa, adaptação e lesão
celular, as bases patológicas das doenças.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore+
Para saber mais sobre os assuntos tratados aqui, assista ao vídeo Necrose: morte celular, do canal
BioAulas.
 
Leia também o artigo História do conceito de saúde, de Moacyr Scliar (2007).
 
Procure, ainda, o artigo Morte celular por apoptose, de Ivana Grivicich e colaboradores (2007).
Referências
ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
 
BOGLIOLO, B. F. Patologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
 
KUMAR, V.; ABBAS, A.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran: patologia ‒ bases patológicas das doenças. 9. ed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
 
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Saúde mental depende de bem-estar físico e social, diz OMS em
dia mundial. Brasília: ONU, 2016.
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	Processo de lesão, degeneração e morte celular
	1. Itens iniciais
	Objetivos
	Introdução
	1. Saúde, doença e patologia
	Patologia e conceitos de saúde e doença
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Conceito de agressão, defesa, adaptação e lesão
	Conteúdo interativo
	De fora
	Do próprio corpo
	Fagocitose
	Resposta imune inata
	Resposta imune adaptativa
	Alterações morfológicas
	Alterações moleculares
	Alterações funcionais
	Atividade 2
	Classificação e nomenclatura das lesões
	Conteúdo interativo
	Lesões celulares
	Alterações do interstício
	Distúrbio da circulação
	Alterações da inervação
	Inflamação
	Gastrite
	Glomerulonefrite
	Atividade 3
	Verificando o aprendizado
	Aprendemos sobre os conceitos de saúde, doença e patologia. A seguir, estão listados alguns fatos históricos e algumas definições importantes para a consolidação desses conceitos.
	Dessa forma, assinale a alternativa que não faz a correlação correta.
	No início dos estudos em patologia, alguns conceitos são a base para o entendimento de causas, alterações e mecanismos relacionados às doenças. Assim, é importante para o profissional da área da saúde entender os processos de lesão, agressão, adaptação e defesa. Sobre esse assunto, analise as afirmações a seguir:
	É correto o que se afirma em
	2. Mecanismos e morfologia da degeneração celular
	Degeneração hidrópica
	Causas e consequências
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Degeneração hialina
	Acúmulo proteico e impacto celular
	Conteúdo interativo
	Atividade 2
	Degeneração gordurosa e cálcica
	Conteúdo interativo
	Causas da esteatose
	Etanol
	Menos NAD disponível
	Mais produção de gordura
	Falta de proteínas para transporte da gordura
	Transporte de gorduras comprometido
	Agentes tóxicos
	Hipóxia
	Obesidade e síndrome metabólica
	Desnutrição proteico-energética
	Falta de proteínas
	Dieta pobre em calorias
	Degeneração cálcica
	Atividade 3
	Aplicando o conhecimento
	Caso prático
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Um residente de patologia foi chamadopara analisar uma lâmina histológica, corada com hematoxilina e eosina, de um fígado de paciente com histórico de etilismo crônico. Ao microscópio de luz, ele observou um acúmulo de material proteico e acidófilo no interior dos hepatócitos, que tinham aparência rósea, vítrea e homogênea. Qual seria o melhor diagnóstico a ser dado pelo médico residente a esse tipo de lesão?
	Degenerações são lesões celulares, secundárias a alterações bioquímicas que resultam no acúmulo de substâncias no interior da célula. Sobre a degeneração hidrópica, analise as afirmativas a seguir:
	É correto o que se afirma em
	3. Etapas da lesão celular e morte
	Resposta celular ao estímulo/agressão
	Resposta celular ao estresse: adaptação, lesão e morte
	Conteúdo interativo
	Hipertrofia
	Hiperplasia
	Atrofia
	Metaplasia
	Atividade 1
	Necrose: morfologia e tipos
	Conteúdo interativo
	Proteases
	Lipases
	Ribonucleases
	Alterações nucleares
	Alterações citoplasmáticas
	Necrose coagulativa
	Necrose liquefativa
	Necrose caseosa
	Atividade 2
	Apoptose: causas, funções, mecanismos e morfologia
	Conteúdo interativo
	Fisiológicos
	Patológicos
	Pró-apoptóticas
	Antiapoptóticas
	Via intrínseca ou mitocondrial
	Via extrínseca (por receptor de morte)
	Exemplo
	Morfologia
	Retração celular
	Condensação da cromatina
	Formação de bolhas citoplasmáticas e corpos apoptóticos
	Outros tipos de morte celular
	Conteúdo interativo
	Atividade 3
	Aplicando o conhecimento
	Caso prático
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Um técnico de necropsia que analisou o rim de um paciente com tuberculose constatou a aparência esbranquiçada do órgão. A lâmina histológica foi enviada a um médico patologista, que identificou áreas de células rompidas, fragmentadas, com restos granulares amorfos formando uma massa homogênea. A partir desses dados, qual é o melhor diagnóstico?
	A apoptose é uma via de morte celular rigidamente controlada na qual a célula é estimulada a acionar mecanismos que resultam na sua morte.
	Assinale a seguir a alternativa que contém uma característica que não corresponde à apoptose.
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasexageradas do sistema de defesa.
Quando alguma coisa o agride, o organismo reage diretamente, causando mudanças nas células e nos
tecidos, ou indiretamente, ativando mecanismos de adaptação e defesa para tentar neutralizar o problema.
Mas mesmo essas respostas de defesa podem gerar mudanças na estrutura e no funcionamento das células. 
 
Ou seja, toda agressão provoca alguma modificação no organismo, seja pelo impacto direto no corpo, seja
pela forma como ele tenta se proteger.
Mecanismo de defesa do organismo.
Os mecanismos de defesa do organismo são muito variados. Contra os agentes externos, contamos com a
existência de barreiras mecânicas e químicas nos revestimentos interno e externo (pele e mucosas). 
 
Contra os agentes infecciosos, temos a fagocitose, a resposta imune inata e a resposta imune adaptativa, cujo
importante representante é a resposta inflamatória. Vamos conferi-las!
Fagocitose
É o processo de ingestão e destruição de partículas, como bactérias ou restos de células necróticas.
É realizada por células chamadas de fagócitos (monócitos, macrófagos, neutrófilos e células
dendríticas), que usam sua membrana plasmática para englobar essas partículas, dando origem a um
compartimento interno chamado fagossoma.
Resposta imune inata
É a primeira barreira contra infecções. Seus componentes incluem, além dos leucócitos de forma geral
e das proteínas do sistema complemento, células dendríticas e epiteliais. Juntos, eles também atuam
na eliminação de células danificadas do próprio organismo e de corpos estranhos.
Resposta imune adaptativa
É a defesa que o corpo desenvolve ao longo da vida, sendo ativada depois que a imunidade inata
entra em contato com um invasor, como vírus ou bactérias. Diferente da resposta inata, essa defesa é
específica, ou seja, reconhece e ataca um microrganismo de forma direcionada.
Além disso, ela tem uma memória, o que significa que, se o mesmo invasor aparecer novamente, o
corpo reage mais rápido e com mais força, protegendo contra reinfecções. As células principais dessa
defesa são os linfócitos B, que produzem anticorpos, e os linfócitos T, que ajudam a eliminar as
células infectadas.
Contra as agressões ao genoma, existe o sistema de reparo de DNA. Contra compostos químicos, como os
radicais livres, contamos com sistemas enzimáticos eficazes de detoxificação e antioxidantes.
São muitos os
mecanismos de
defesa, voltados a
vários tipos de
agressão. Porém, a
desregulação da
resposta imune, assim
como de outros
mecanismos de
defesa, pode se tornar
a origem da agressão,
como ocorre nas
doenças autoimunes.
Se a agressão
não for fatal,
ela gera
estímulos que
induzem
respostas
adaptativas nos
tecidos, de
modo que eles
se tornem mais
resistentes às
próximas
agressões. 
 Logo, o conceito de adaptação
diz respeito à capacidade que
as células, tecidos ou o próprio
organismo possuem de
modificar suas funções (dentro
de certos limites) para ajustar-
se às modificações induzidas
pelo estímulo. As respostas
adaptativas podem ocorrer
apenas em células e suas
organelas, ou no organismo
como um todo.
O lúpus eritematoso sistêmico, uma
doença crônica autoimune.
Dentre as respostas adaptativas que ocorrem nas células, temos o precondicionamento à hipóxia, hipertrofia
do retículo endoplasmático liso e hipertrofia muscular, por exemplo. Já a resposta adaptativa sistêmica do
organismo, frente a diferentes agressões, sejam elas de natureza física, química, biológica ou até emocional, é
conhecida como estresse.
Hipóxia
É uma condição de baixa concentração de oxigênio nos tecidos e órgãos.
O estresse é uma resposta adaptativa, que pode ser causada por agressões de
natureza emocional.
Quando uma célula ou um tecido sofre uma agressão, ocorrem alterações conhecidas como lesão. Essas
mudanças podem acontecer em três níveis:
Alterações morfológicas
São mudanças na estrutura das células e dos tecidos. Algumas podem ser vistas a olho nu
(macroscópicas), como um órgão inchado ou pálido. Outras só podem ser observadas com o uso de
microscópios (microscópicas e ultraestruturais).
Alterações moleculares
São mudanças que acontecem nas moléculas dentro da célula. Essas alterações podem ser
detectadas por exames bioquímicos e testes laboratoriais específicos.
Alterações funcionais
São mudanças que afetam o funcionamento das células, podendo impactar até mesmo sistemas
inteiros do corpo. Essas mudanças levam a sintomas e doenças, sendo chamadas de fenômenos
fisiopatológicos.
As lesões são dinâmicas: têm início, evoluem, e tendem para a cura, cronicidade ou para o óbito. Desse modo,
são conhecidas também como processos patológicos, indicando uma sucessão de eventos. O aspecto
morfológico de uma determinada lesão, por exemplo, pode variar de acordo com o momento no qual é
avaliado.
Evolução básica de uma doença.
Você já sabe que há uma grande diversidade de agentes lesivos existentes na natureza. Porém, a variedade
das lesões encontradas nas doenças não é muito grande. Isso porque os mecanismos de agressão às
moléculas são comuns a diferentes tipos de agressões.
 
Quando o corpo sofre uma agressão, como a falta de fluxo sanguíneo para um tecido, as células recebem
menos oxigênio e produzem menos energia, prejudicando seu funcionamento. Esse tipo de lesão pode
acontecer em situações como um infarto ou um AVC.
 
Por outro lado, o organismo tem mecanismos de defesa que, em geral, não diferenciam muito o tipo de
agressão. Ou seja, independentemente do que está causando o dano, a resposta do corpo é parecida. Um
bom exemplo disso é a inflamação, que ocorre sempre que o corpo tenta se proteger de lesões, sejam elas
causadas por necrose (morte celular), corpos estranhos ou infecções por microrganismos.
A inflamação é uma resposta comum dos tecidos vascularizados frente a agressões
de diversas naturezas.
As lesões possuem um componente que resulta tanto da ação do agente agressor quanto dos mecanismos de
defesa. Como já mencionamos, em muitas situações as respostas de defesa são os causadores das lesões,
como ocorre nas doenças autoimunes.
Atividade 2
Os mecanismos de defesa do organismo neutralizam agressões e mantêm a homeostase. Considerando esses
mecanismos, qual das alternativas a seguir é a mais correta sobre a resposta imune adaptativa?
A É ativada apenas por agentes químicos, como toxinas e radicais livres.
B É inespecífica e não gera memória imunológica após o primeiro contato com o antígeno.
C É desencadeada exclusivamente por danos ao DNA, sem relação com agentes infecciosos.
D É responsável apenas pela fagocitose de partículas estranhas, sem envolvimento de células
especializadas.
E É mediada por células como linfócitos B e T, que reconhecem antígenos específicos e geram memória
imunológica. 
A alternativa E está correta.
A resposta imune adaptativa é caracterizada pela ativação de linfócitos B e T, que reconhecem antígenos
específicos e geram uma resposta imune direcionada. É altamente específica e cria memória imunológica,
permitindo uma resposta mais rápida e eficaz em exposições futuras ao mesmo antígeno. Diferentemente
da resposta imune inata, que é inespecífica, a resposta adaptativa é importante para a defesa contra
patógenos e para a manutenção da homeostase.
Classificação e nomenclatura das lesões
Assista ao vídeo e entenda como as lesões em tecidos e órgãos são classificadas, desde lesões celulares até
inflamações e distúrbios circulatórios. Veja a importância da nomenclatura e da Classificação Internacional das
Doenças (CID) na padronização e no avanço do conhecimento em saúde.
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Os tecidos e órgãos do nosso corpo são formados por diferentes componentes, como as células do estroma
(que dão suporte estrutural) e do parênquima (que realizam a função principal do órgão), além de elementos
como a matriz extracelular, vasos sanguíneos e linfáticos e nervos.
 
Uma agressão, quando ocorre, pode atingir um ou mais desses componentes ao mesmo tempo. Por isso, as
lesões sãoclassificadas conforme a parte do tecido mais afetada. 
 
Contudo, é importante lembrar que os componentes do tecido estão interligados. Dessa forma, uma lesão
nunca acontece de maneira isolada. Quando um elemento do tecido é comprometido, isso pode afetar os
demais, causando uma reação em cadeia no organismo.
Lesões celulares
Podem ser letais ou não letais. A letalidade está relacionada à qualidade, intensidade e duração da lesão, bem
como ao estado funcional e ao tipo de célula atingida. 
 
Nas lesões não letais, as células continuam vivas e podem retornar ao estado de normalidade uma vez
cessada a lesão. Exemplos disso são agressões que alteram os mecanismos de regulação e proliferação
celular, gerando hipotrofias, hipertrofias, hiperplasias, hipoplasias, metaplasias, displasias e neoplasias. O
acúmulo de substâncias intracelulares, as degenerações, é resultado de agressões que modificam o
metabolismo celular. 
 
As lesões letais são representadas pela necrose (morte celular seguida de autólise), apoptose (morte celular
não seguida de autólise) e outros tipos de morte celular, temas que veremos mais adiante. 
Alterações do interstício
Envolvem modificações da substância fundamental amorfa, alterações estruturais de fibras elásticas,
colágenas e reticulares e depósito de substâncias formadas localmente ou vindas da circulação.
Substância fundamental amorfa
A substância fundamental amorfa é viscosa e muito hidrofílica, formada por glicosaminoglicanos,
proteoglicanos e glicoproteínas que se ligam a proteínas receptoras presentes na superfície celular
(integrinas) fornecendo força e rigidez à matriz.
Distúrbio da circulação
Incluem alterações do fluxo sanguíneo (hiperemia e isquemia), da coagulação (trombose) e da drenagem de
líquido intersticial (edema), além do aparecimento de substâncias que causam obstrução vascular (embolia) e
extravasamento de sangue da vasculatura (hemorragia).
Ruptura de um vaso, levando à hemorragia.
Alterações da inervação
Representam lesões importantes, por causa do papel integrador do sistema nervoso. Porém, as lesões locais
dessas estruturas ainda são pouco conhecidas.
Inflamação
É a lesão mais complexa, que envolve todos os componentes teciduais e se caracteriza por alterações da
microcirculação, migração de leucócitos, lesões celulares e intersticiais. A inflamação é o componente efetor
da resposta imune, acompanhando a maioria das lesões produzidas por diferentes agentes lesivos.
Na inflamação, temos alterações vasculares, migração de leucócitos e lesões
celulares/intersticiais.
Assim como as lesões, as doenças também precisam ser nomeadas e catalogadas. De maneira ideal, as
doenças devem receber um nome que traduza a principal característica da sua natureza, uma tarefa bem
complexa.
 
Os nomes das doenças, muitas vezes, seguem um padrão lógico para facilitar a identificação do problema.
Normalmente, o nome do órgão afetado é combinado com um sufixo ou prefixo que indica o tipo de alteração.
Por exemplo:
Gastrite
Gastro se refere ao estômago, e -ite indica
inflamação, ou seja, inflamação do estômago.
Glomerulonefrite
Glomérulo refere-se a uma estrutura dos rins, e 
-ite indica inflamação, ou seja, inflamação dos
glomérulos renais.
Em outros casos, o nome da doença descreve tanto a sua natureza quanto suas principais características. 
 
Um exemplo é a enteropatia perdedora de proteínas, que indica uma doença do intestino (entero) que leva à
perda de proteínas. Essa lógica ajuda a compreender melhor as doenças e facilita o diagnóstico e o
tratamento.
Em muitos casos,
somente o nome
não é suficiente
para indicar uma
doença. São os
chamados 
epônimos, em que a
doença leva o nome
de quem a
descreveu ou o local
em que foi descrita.
Nesses casos, o
nome pouco tem a
ver com a essência
das lesões e da
doença em si.
De modo a uniformizar a
nomenclatura, evitando que
as doenças recebam nomes
com base em critérios
diferentes em diferentes
países, a OMS criou a 
Classificação Internacional
das Doenças (CID). As
doenças são classificadas
de acordo com sinais,
sintomas e lesões que
caracterizam determinada
condição. A CID deve ser
mencionada e registrada
toda vez que o diagnóstico é
estabelecido.
 Tanto a nomenclatura
quanto a classificação
das doenças são
extremamente
importantes. Os
profissionais da saúde
precisam utilizar
termos e princípios
consensuais para que
as informações
obtidas em qualquer
parte do mundo
possam ser
comparadas,
possibilitando o
avanço do
conhecimento em
saúde.
Doença de Parkinson, um epônimo
médico.
Atividade 3
Na prática médica, a classificação das doenças permite a organização e a compreensão das diferentes
condições que podem afetar os seres humanos. Sobre a nomenclatura e a classificação, assinale a seguir a
alternativa correta.
A A nomenclatura das doenças é sempre precisa e autoexplicativa, descrevendo a natureza da doença de
forma completa e inequívoca. 
B
A Classificação Internacional de Doenças (CID) é um sistema de classificação que visa uniformizar a
nomenclatura das doenças, permitindo que informações obtidas em diferentes partes do mundo possam
ser comparadas. 
C Os epônimos, em que a doença recebe o nome de quem a descreveu ou do local em que foi descrita, são
a forma mais precisa e informativa de nomear as doenças. 
DA nomenclatura das doenças é um processo simples, que não exige a consideração de diferentes
critérios, como o órgão afetado, a natureza do processo e as características principais da doença. 
E
A classificação das doenças é um processo estático, que não se modifica ao longo do tempo, já que as
doenças permanecem as mesmas ao longo da história.
A alternativa B está correta.
A CID é um sistema de classificação criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a fim de uniformizar
a nomenclatura das doenças. Isso permite que profissionais de saúde de diferentes países utilizem termos
e princípios consensuais para que as informações obtidas em qualquer parte do mundo possam ser
comparadas, para o avanço do conhecimento em saúde. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
Aprendemos sobre os conceitos de saúde, doença e patologia. A seguir, estão listados alguns
fatos históricos e algumas definições importantes para a consolidação desses conceitos. 
 
Dessa forma, assinale a alternativa que não faz a correlação correta.
A O período do Renascimento cultural e científico possibilitou uma maior compreensão sobre a
constituição do corpo humano e o processo de adoecimento.
B Entende-se saúde como um estado de bem-estar físico do indivíduo, com ausência de infecções e
outras alterações orgânicas.
C Os termos saúde e normalidade não são sinônimos. Enquanto saúde se refere ao indivíduo, normalidade 
se refere a parâmetros preestabelecidos dentro de populações homogêneas.
D Em biologia, doença pode ser entendida sob a ótica do processo de adaptação, indicando a ausência de
respostas adaptativas diante de variações internas e do meio externo.
E A patologia é a ciência que estuda as causas e os mecanismos das doenças, bem como os órgãos e os
sistemas afetados e as alterações moleculares, morfológicas e funcionais que apresentam.
A alternativa B está correta.
Segundo a OMS, o conceito de saúde representa “um estado de completo bem-estar físico, mental e social,
não apenas a ausência de doença ou enfermidade” (ONU, 2016) e ainda é utilizado atualmente,
demonstrando a complexidade envolvida quando falamos de saúde.
Questão 2
No início dos estudos em patologia, alguns conceitos são a base para o entendimento de
causas, alterações e mecanismos relacionados às doenças. Assim, é importante para o
profissional da área da saúde entender os processos de lesão, agressão, adaptação e defesa.
Sobre esse assunto, analise as afirmações a seguir:
 
I. Independentemente do tipo ou da intensidade, a agressão gera estímulos que induzem respostas
adaptativas no organismo.
 
II. Qualquer estímulo da natureza pode representar uma agressão, e o mecanismo de ação dos agentes
agressores é agir diretamente sobreo organismo, gerando alterações.
 
III. O precondicionamento à hipóxia e à hipertrofia muscular é um exemplo de resposta adaptativa do
organismo.
 
IV. Embora exista uma variedade de agentes lesivos na natureza, a variedade de lesões encontradas nas
doenças não é muito grande.
 
É correto o que se afirma em
A III e IV 
B I e II 
C III apenas
D I e IV 
E II e III 
A alternativa A está correta.
As respostas adaptativas podem ocorrer apenas em células e suas organelas ou no organismo em si. Às
respostas adaptativas que ocorrem nas células, temos o precondicionamento à hipóxia, hipertrofia do
retículo endoplasmático liso e hipertrofia muscular, por exemplo. Existe uma grande diversidade de agentes
lesivos, de natureza interna e externa. Porém, a variedade das lesões encontradas nas doenças não é muito
grande, pois os mecanismos de agressão às moléculas são comuns a diferentes tipos de agressões.
2. Mecanismos e morfologia da degeneração celular
Degeneração hidrópica
Causas e consequências
Assista ao vídeo e entenda a degeneração hidrópica, uma lesão celular reversível causada pelo acúmulo de
água e eletrólitos. Veja como agressões físicas, químicas ou biológicas afetam as células e como a remoção da
causa pode reverter o processo.
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A degeneração hidrópica, também conhecida por tumefação celular, é a lesão celular reversível caracterizada
pelo acúmulo de água e eletrólitos no interior das células. Além disso, é a lesão não letal mais comum que
ocorre diante dos mais variados tipos de agressão, seja de natureza física, química ou biológica.
O transporte de eletrólitos através das membranas, tanto a plasmática quanto a das organelas, é realizado por
bombas eletrolíticas. Algumas membranas dependem de energia na forma de adenosina trifosfato (ATP),
enquanto outras dependem da estrutura da membrana e da integridade das proteínas que formam o complexo
enzimático da bomba. Esse transporte de água e eletrólitos ocorre contra um gradiente de concentração, para
o interior dos compartimentos celulares.
Transporte de moléculas pela membrana plasmática.
O organismo precisa manter um equilíbrio adequado entre água e eletrólitos dentro das células — o chamado
equilíbrio hidroeletrolítico. Quando esse equilíbrio é alterado, ocorre retenção de água e sais nas células, que
aumentam de volume (ficam tumefeitas). Esse processo é conhecido como degeneração hidrópica.
 
Diversos agentes lesivos podem causar essa alteração, como substâncias tóxicas que lesam a membrana
mitocondrial e reduzem a produção de ATP; agentes que provocam hipertermia, aumentando o consumo de
ATP; agressões que geram radicais livres, os quais danificam diretamente as membranas celulares; e
substâncias inibidoras da bomba sódio/potássio ATPase, como a ouabaína.
 
Embora as causas possam ser variadas, a consequência é a mesma: retenção de sódio, redução de potássio e
aumento da pressão osmótica intracelular, levando à entrada de água no citoplasma e à expansão isosmótica
da célula.
Mecanismo simplificado de atuação da bomba de Na+/K+ ATPase.
A degeneração hidrópica é a primeira manifestação em quase todas as formas de agressão às células. Em
geral, os órgãos apresentam aumento de peso e volume, embora seu aspecto macroscópico varie de acordo
com a intensidade da lesão. A coloração também muda, ficando mais pálida. Isso ocorre porque as células
tumefeitas comprimem os capilares sanguíneos, reduzindo a quantidade de sangue no órgão.
Ao observar uma
célula afetada pela
degeneração hidrópica
no microscópio,
notamos que ela está 
aumentada de volume.
Quando usamos a
coloração 
hematoxilina-eosina
(HE), um método
comum para análise de
tecidos, o citoplasma
apresenta um tom
rosado mais intenso.
 No início da lesão, o
citoplasma
apresenta um
aspecto granuloso e
mais acidófilo, isto
é, fica mais corado
com a eosina,
adquirindo um tom
avermelhado.
Conforme o dano
progride e a célula
caminha para a 
necrose, essa
acidofilia se torna
ainda mais
evidente.
 Com a evolução da lesão,
podemos ver pequenos 
vacúolos de água espalhados
pelo citoplasma da célula. Em
alguns casos, esses vacúolos
crescem e se tornam bem
grandes, como ocorre nos 
hepatócitos, células do
fígado, levando à chamada 
degeneração baloniforme.
Isso acontece porque a célula
não consegue eliminar o
excesso de líquido, ficando
inchada e cheia de vacúolos.
Degeneração hidrópica de hepatócitos
(baloniforme).
A degeneração hidrópica, assim como todas as outras degenerações que veremos a seguir, é um processo
reversível. Isto é, quando eliminamos a causa da lesão, as células tendem a voltar para seu aspecto normal.
Por isso, a tumefação celular quase sempre não está associada a consequências funcionais mais graves, a
menos que ela seja muito intensa. No fígado, a degeneração hidrópica intensa nos hepatócitos pode resultar
em alterações funcionais no órgão. Porém, raramente resultará em insuficiência hepática exclusivamente
degenerativa.
Atividade 1
As células podem sofrer diferentes tipos de lesões, dependendo da natureza e da intensidade da agressão.
Algumas dessas lesões são reversíveis, como a degeneração hidrópica. Isso permite a recuperação celular
quando a causa é eliminada. Assinale a seguir por que ocorre a degeneração hidrópica. 
A A alteração na permeabilidade da membrana plasmática promove a saída excessiva de água e
eletrólitos.
B
O acúmulo de sódio no meio extracelular leva à desidratação do citoplasma e à perda celular de
volume.
C A retenção de sódio no citoplasma causa entrada de água e inchaço celular devido ao aumento da
pressão osmótica.
D A redução da síntese de proteínas na mitocôndria impede a captação de eletrólitos, causando colapso
celular.
E A diminuição do transporte ativo de potássio para o meio extracelular possibilita a liberação de água da
célula para equilibrar o meio.
A alternativa C está correta.
A degeneração hidrópica ocorre devido a alterações no transporte de sódio e potássio, levando à retenção
de sódio dentro da célula. Esse processo causa um aumento da pressão osmótica intracelular, resultando
na entrada excessiva de água e no inchaço celular. O processo é reversível se a causa da lesão for
removida.
Degeneração hialina
Acúmulo proteico e impacto celular
Assista ao vídeo e entenda a degeneração hialina, um processo marcado pelo acúmulo de proteínas acidófilas
que conferem um aspecto vítreo e homogêneo às células e aos tecidos. Veja suas causas e implicações no
organismo.
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O termo hialina tem origem na palavra grega hyalos, que significa vítreo, homogêneo, translúcido. A
degeneração hialina é um tipo de lesão celular em que há acúmulo de proteínas dentro das células ou no
espaço ao redor delas. Esse acúmulo faz com que as estruturas fiquem com um aspecto rosado, brilhante e 
homogêneo quando observadas no microscópio com a coloração hematoxilina-eosina. Isso pode acontecer de
duas formas principais:
 
Quando as proteínas dentro da célula se juntam e formam aglomerados compactos, como ocorre com
filamentos intermediários do citoesqueleto.
 
Quando a célula acumula proteínas que vieram de fora, seja por meio da endocitose (processo de
absorção de moléculas), seja por infecções que levam ao depósito de material proteico.
 
A degeneração hialina pode ser um sinal de que a célula está sob estresse e tentando lidar com proteínas mal-
organizadas ou em excesso.
• 
• 
Um exemplo de
depósito hialino
celular é o chamado 
corpúsculo hialino de
Mallory-Denk,
normalmente
encontrado em
hepatócitos de
indivíduos alcoólatras
crônicos, mas também
em casos de
carcinoma
hepatocelular e
esteato-hepatite não
alcoólica. 
 Resumidamente,
esse corpúsculo é
formado pela ação
dos radicais livres
sobre as proteínas do
citoesqueleto,
induzindo sua
peroxidação e
formação de ligações
transversais,
resultando na
formação de
aglomerados
proteicos
precipitados. 
 Quando o
analisamos
por
microscopiaeletrônica,
em algumas
áreas vemos
um aspecto
filamentoso;
em outras, o
aspecto é
amorfo (sem
forma).
 Outro
exemplo são
os
corpúsculos
hialinos de
Councilman-
Rocha Lima,
encontrados
em
hepatócitos
nas hepatites
virais,
especialmente
na febre
amarela.
Corpúsculo hialino de Mallory-Denk em
hepatócitos de pacientes com esteato-
hepatite.
Em fibras musculares, tanto esqueléticas quanto cardíacas, a degeneração hialina é resultado da ação de
endotoxinas bacterianas e agressão por células imunes. 
 
As endotoxinas são componentes da parede celular de bactérias gram-negativas (lipopolissacarídeo) que
causam uma reação imune extremamente potente.
 
Acredita-se que o aspecto morfológico seja decorrente da desintegração de microfilamentos ― compostos
principalmente por polímeros de actina e constituem um dos tipos de filamentos proteicos encontrados no
citoplasma de células eucarióticas, compondo o citoesqueleto ―, relacionada à liberação e à ação de
citocinas. 
 
As citocinas são proteínas produzidas por muitos tipos celulares (principalmente linfócitos, células dendríticas
e macrófagos ativados, mas também células endoteliais, epiteliais e do tecido conjuntivo) cuja função é
mediar e regular as respostas imunológicas inflamatórias.
Em
indivíduos
com
proteinúria
― excesso
de proteína
na urina ―, a
degeneração
hialina no
epitélio
tubular renal
ocorre pela
endocitose
excessiva de
proteínas.
 Os corpúsculos
de Russell
caracterizam-se
pelo acúmulo
excessivo de
imunoglobulinas
em plasmócitos
e são frequentes
em inflamações
associadas a
infecções, como
na salmonelose e
leishmaniose
tegumentar.
 Os plasmócitos
são células
derivadas dos
linfócitos B que
sofreram
diferenciação
após respostas
imunitárias
exercidas por
algum antígeno,
responsável
pela produção
dos anticorpos
circulantes.
 As bases bioquímicas
que possam explicar a
degeneração hialina no
interstício ainda
permanecem em debate.
Em indivíduos com
hipertensão crônica ou
diabetes melito, as
paredes arteriolares
renais tornam-se hialinas
devido ao
extravasamento e ao
depósito de proteína
plasmática na membrana
basal.
Corpúsculos de Russell.
Atividade 2
A degeneração hialina é caracterizada pelo acúmulo de material no interior das células ou no espaço
extracelular, o que confere uma aparência rósea, vítrea e homogênea aos cortes histológicos corados com
hematoxilina e eosina. 
 
Com base na degeneração hialina, analise as seguintes afirmações:
 
I. A degeneração hialina é caracterizada pelo acúmulo de material proteico e acidófilo no interior das células
ou no espaço extracelular.
 
II. Os corpúsculos hialinos de Councilman-Rocha Lima são encontrados em hepatócitos nas hepatites virais.
 
III. Em indivíduos com proteinúria, a degeneração hialina ocorre no epitélio tubular renal devido à endocitose
excessiva de proteínas.
 
IV. As bases bioquímicas da degeneração hialina no interstício estão completamente esclarecidas.
 
Está correto o que se afirma em
A I, II e III 
B I, II e IV 
C II, III e IV 
D I e IV 
E Todas as afirmativas.
A alternativa A está correta.
I. Correta. A degeneração hialina é caracterizada pelo acúmulo de material proteico e acidófilo, que se cora
em rosa nos cortes histológicos, conferindo um aspecto vítreo e homogêneo. Esse material pode se
acumular tanto dentro das células (intracelular) quanto no espaço extracelular.
II. Correta. Os corpúsculos de Councilman-Rocha Lima são um exemplo de degeneração hialina intracelular,
encontrados em hepatócitos de pacientes com hepatites virais. Eles representam restos de células
necróticas fagocitadas pelos hepatócitos adjacentes.
III. Correta. Em indivíduos com proteinúria (presença de proteínas na urina), ocorre degeneração hialina no
epitélio tubular renal. Isso acontece porque as células tubulares renais reabsorvem uma quantidade
excessiva de proteínas que vazam dos glomérulos renais danificados. Essa sobrecarga de proteínas leva ao
acúmulo de material hialino dentro das células.
IV. Incorreta. Apesar de diversos estudos, as bases bioquímicas exatas da degeneração hialina no
interstício (espaço entre as células) ainda não estão completamente esclarecidas. Sabe-se que o acúmulo
de proteínas no interstício pode ocorrer em diversas condições, como hipertensão e diabetes, mas os
mecanismos precisos que levam a essa deposição de proteínas ainda são objeto de pesquisa.
Degeneração gordurosa e cálcica
Assista ao vídeo e entenda o processo de degeneração gordurosa, explorando a esteatose e a lipidose.
Confira suas causas e seus impactos morfológicos e funcionais no fígado, nos rins e no coração.
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A degeneração gordurosa refere-se ao acúmulo anormal de gordura no citoplasma celular. Os dois principais
tipos são a esteatose e a lipidose.
A esteatose ocorre mais frequentemente no fígado.
A esteatose é o acúmulo de gorduras neutras (mono, di ou triglicerídeos) em células parenquimatosas. De
maneira geral, a degeneração gordurosa ocorre mais frequentemente no fígado, pois é o principal órgão
envolvido na metabolização de gorduras, porém também pode acometer o epitélio tubular renal, o pâncreas e
os músculos esquelético e cardíaco.
Parenquimatosas
O parênquima, nos animais, refere-se ao tecido que forma a parte funcional de muitos órgãos, em
oposição ao estroma, que se refere aos tecidos de suporte.
A lesão gordurosa acontece quando a célula não consegue lidar corretamente com as gorduras, acumulando 
gotas de gordura no seu interior. Isso ocorre porque algum fator agressor interfere no metabolismo dos ácidos
graxos, que são os principais componentes das gorduras.
 
Essa interferência pode acontecer de três formas:
 
A célula absorve ou produz gordura em excesso, aumentando o acúmulo.
 
A gordura não é usada corretamente para gerar energia, ficando armazenada.
 
A eliminação ou o transporte da gordura fica prejudicado, fazendo com que ela se acumule ainda mais.
Causas da esteatose
São variadas e incluem o uso de substâncias tóxicas, como o álcool; hipóxia, desnutrição proteica e distúrbios
metabólicos, como diabetes e obesidade.
Etanol
O consumo excessivo de etanol é uma das principais causas da esteatose hepática, que é o acúmulo de
gordura no fígado. 
O etilismo é a causa mais conhecida e estudada da esteatose.
Isso acontece porque o álcool interfere no metabolismo das gorduras de várias formas:
Menos NAD disponível
O NAD é uma molécula importante para quebrar
gorduras e transformá-las em energia. O álcool
reduz sua quantidade, dificultando esse
processo.
Mais produção de gordura
O etanol aumenta os níveis de acetil-CoA, que
estimula a produção de ácidos graxos, levando
a um acúmulo de gordura no fígado.
Falta de proteínas para transporte da
gordura
Quando há desnutrição associada ao consumo
de álcool, o corpo produz menos proteínas que
ajudam a eliminar a gordura do fígado.
Transporte de gorduras comprometido
O álcool gera substâncias tóxicas, como o
acetaldeído e radicais livres, que prejudicam a
função das lipoproteínas, dificultando a
remoção da gordura do fígado.
Esses fatores reunidos fazem com que o fígado fique sobrecarregado e acumule cada vez mais gordura,
podendo evoluir para doenças mais graves, como hepatite alcoólica e cirrose.
Agentes tóxicos
1. 
2. 
3. 
Podem levar à esteatose pela lesão do retículo endoplasmático rugoso e pela redução de proteínas,
resultando na deficiência de lipoproteínas. Outros fatores incluem o bloqueio na utilização de triglicerídeos,
sem que a síntese proteica seja reduzida.
Hipóxia
Em estados de hipóxia, como anemia ou insuficiência cardíaca/respiratória, há uma menor disponibilidade de
oxigênio e, dessa forma, redução na síntese de ATP. Com isso, a síntese de lipídeos complexos fica dificultada
e há diminuição da utilização de ácidos graxos e triglicerídeos, que se acumulam. A esteatose também resulta,
em boa parte, do aumento da síntese de ácidos graxos, por causa do excesso de acetil-CoA gerado pela
diminuição da oxidaçãono ciclo de Krebs.
Obesidade e síndrome metabólica
Associada à síndrome metabólica, a obesidade é hoje um dos principais problemas de saúde pública global.
Deve-se principalmente à associação da ingestão excessiva de energia na forma de lipídeos e carboidratos e
do sedentarismo. 
 
O termo síndrome metabólica inclui uma série de fatores de risco metabólicos, como hipertensão arterial,
hiperglicemia, excesso de gordura corporal em torno da cintura e níveis de colesterol anormais. 
 
Na síndrome metabólica, ocorre esteatose visceral no fígado, nos músculos esqueléticos e no miocárdio. Isso
ocorre devido a fatores como aumento dos radicais livres, transporte dificultado de lipoproteínas e síntese
aumentada de triglicerídeos e de ceramida, potente indutora da apoptose.
Desnutrição proteico-energética 
Pode levar ao acúmulo de gordura no fígado porque afeta o metabolismo das gorduras de duas maneiras
principais:
Falta de proteínas
As proteínas são importantes para formar lipoproteínas, que transportam a gordura para fora do
fígado. Sem elas, a gordura fica acumulada dentro das células hepáticas.
Dieta pobre em calorias
Quando não recebe energia suficiente dos alimentos, o corpo começa a usar as reservas de gordura
como fonte de energia. Isso libera muitos ácidos graxos do tecido adiposo para o fígado, aumentando
ainda mais o acúmulo de gordura.
A combinação de falta de proteínas com dieta pobre em calorias faz com que o fígado fique sobrecarregado,
podendo resultar em esteatose hepática, um problema comum em pessoas com desnutrição severa.
 
Em crianças com desnutrição proteica grave, a esteatose pode acometer vários órgãos além do fígado, como
os rins, o coração, o músculo esquelético e o pâncreas.
A morfologia de um órgão com esteatose é variável. No fígado, podemos notar aumento de volume e peso,
diminuição da consistência, coloração amarelada e bordas arredondadas.
Evolução da esteatose hepática.
Os rins apresentam morfologia semelhante, com aumento de volume, peso e coloração amarelada. O coração
pode ter palidez e diminuição da consistência (na miocardite diftérica) ou apresentar faixas amareladas
visíveis no endocárdio, nos casos de hipóxia prolongada.
Se observarmos ao microscópio de luz, notaremos o acúmulo de triglicerídeos em pequenas vesículas
revestidas por membrana. Na esteatose em fase inicial, os vacúolos são de tamanhos variados e tendem a se
unir, formando vesículas cada vez maiores.
No fígado, podemos observar a esteatose microgoticular (quando pequenas vesículas de gordura se
distribuem na periferia celular) e a esteatose macrogoticular (quando há uma grande vesícula de gordura que
desloca o núcleo para a periferia).
Esteatose macrogoticular (à esquerda) e corpúsculos de Mallory-Denk (à direita).
Nos rins, podemos observar pequenas vesículas nas células tubulares, que raramente produzem deformidade
celular. No coração, os triglicerídeos se depositam em vesículas dispostas ao longo das células.
Devido à característica dos triglicerídeos de se dissolverem em álcool e xilol, substâncias utilizadas
na preparação de amostras para análise em microscópio de campo claro, os espaços vazios que
vemos podem ser confundidos com os vacúolos da degeneração hidrópica. Por isso, para ter
certeza da natureza lipídica da vesícula, precisamos de colorações especiais.
Embora a esteatose hepática seja uma lesão reversível, o acúmulo excessivo de ácidos graxos pode causar
problemas mais graves. Um dos motivos é a produção de ceramida, uma substância que pode induzir a
apoptose, ou seja, a morte programada das células do fígado.
Além disso, em casos mais
avançados, podem se
formar cistos gordurosos,
que são acúmulos de
gordura dentro do fígado. Se
esses cistos se rompem, a
gordura entra na corrente
sanguínea e causa uma
embolia gordurosa,
bloqueando o fluxo de
sangue em pequenos vasos.
 Quando a esteatose hepática se torna
muito extensa, o fígado pode começar a
falhar, levando à insuficiência hepática. Em
pessoas que consomem álcool
regularmente, esse quadro costuma ser
ainda mais grave, pois a gordura no fígado
costuma vir acompanhada de fibrose. Com
o tempo, a fibrose pode evoluir para 
cirrose, uma doença crônica e irreversível
que compromete gravemente a função do
fígado.
Fígado com cirrose.
Os acúmulos intracelulares de gorduras que não são triglicerídeos, como o colesterol e seus ésteres, são
chamados de lipidoses. Também podemos encontrar depósitos de lipídeos mais complexos, como
esfingolipídeos e gangliosídeos, embora sejam raros. As lipidoses podem ser localizadas ou sistêmicas.
 
A aterosclerose é uma doença de grande importância clínica, caracterizada por depósitos localizados de
colesterol e seus ésteres, principalmente, na camada íntima de artérias de grande e médio calibres. O
aumento de triglicerídeos e colesterol plasmáticos representa o principal fator de risco para o
desenvolvimento da aterosclerose, embora a hipertensão arterial, tabagismo e a síndrome metabólica também
estejam envolvidos.
Acúmulo de colesterol e seus ésteres na camada íntima arterial causando
aterosclerose.
Os xantomas são outro exemplo de lipidose, caracterizados por nódulos ou placas na pele formados por
aglomerados de macrófagos carregados de colesterol, com aspecto espumoso.
Xantoma no joelho de um paciente infantil.
Degeneração cálcica
Também conhecida como calcificação patológica, é a deposição anormal de sais de cálcio, com quantidades
menores de ferro e outros sais minerais nos tecidos. 
 
Quando se dá de forma local nos tecidos mortos, a deposição é chamada de calcificação distrófica. A 
calcificação metastática é a deposição de sais de cálcio em tecidos normais, quase sempre resultado de
hipercalcemia secundária devido a algum desequilíbrio no metabolismo do cálcio.
Atividade 3
A degeneração gordurosa é uma alteração celular específica pelo acúmulo excessivo de lipídeos no
citoplasma, sendo particularmente comum nos hepatócitos devido ao papel do fígado no metabolismo das
gorduras. Esse processo pode estar associado a diversas condições patológicas e fisiológicas. Quais fatores
contribuem para o desenvolvimento da degeneração gordurosa nos hepatócitos? 
A Excesso de proteínas na dieta.
B Atividade física regular.
C Baixo consumo de carboidratos.
D Consumo elevado de álcool.
E Hidratação excessiva.
A alternativa D está correta.
O consumo excessivo de álcool é uma das principais causas da degeneração gordurosa, especialmente no
fígado. O etanol interfere no metabolismo dos ácidos graxos, levando ao acúmulo de gorduras neutras nos
hepatócitos.
Aplicando o conhecimento
Paciente do sexo masculino, 55 anos, com histórico de hipertensão arterial e diabetes melito tipo 2, procurou
atendimento médico devido a cansaço progressivo, inchaço abdominal e icterícia leve. Relatou consumo diário
de álcool por mais de 20 anos. Ao exame físico, observou-se hepatomegalia com borda hepática palpável a 4
cm abaixo do rebordo costal direito. Os exames laboratoriais revelaram elevações nas transaminases
hepáticas e nos níveis de bilirrubina.
 
A ultrassonografia abdominal mostrou fígado aumentado, com ecotextura difusamente hiperecogênica,
sugerindo infiltração gordurosa. Foi realizada biópsia hepática, que revelou hepatócitos com grandes vacúolos
claros no citoplasma, deslocando o núcleo para a periferia, caracterizando esteatose macrogoticular. Além
disso, foram identificados corpúsculos hialinos de Mallory-Denk, indicando degeneração hialina.
 
O diagnóstico foi de esteato-hepatite alcoólica, evidenciando degeneração gordurosa e hialina. A
degeneração gordurosa resulta do acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, frequentemente devido ao
metabolismo alterado de lipídeos pelo consumo crônico de álcool. A degeneração hialina, representada pelos
corpúsculos de Mallory-Denk, consiste no acúmulo de material proteico eosinofílico no citoplasma, associado
a danos no citoesqueleto celular.
Questão 1
Com base no quadro clínico e nos achados laboratoriais do paciente, qual é oprincipal mecanismo
responsável pelo acúmulo de gordura no fígado em indivíduos com etilismo crônico?
A Aumento da síntese de proteínas no fígado, resultando em acúmulo de corpúsculos hialinos.
B Redução da exportação de triglicerídeos em decorrência de menor produção de lipoproteínas.
C Aumento do metabolismo hepático, resultando em maior oxidação de lipídeos e acúmulo intracelular.
D Estímulo à liberação de bilirrubina direta, promovendo a deposição de gordura nos hepatócitos.
E Redução da absorção intestinal de lipídeos, causando sobrecarga metabólica hepática.
A alternativa B está correta.
No etilismo crônico, o álcool interfere no metabolismo hepático, reduzindo a produção de lipoproteínas
responsáveis pelo transporte de triglicerídeos. Isso resulta no acúmulo de gordura dentro dos hepatócitos,
caracterizando a degeneração gordurosa. Além disso, o etanol gera radicais livres e induz danos ao
citoesqueleto celular, contribuindo para a formação de corpúsculos hialinos, como os de Mallory-Denk.
Questão 2
O consumo excessivo de álcool pode levar a danos progressivos no fígado. Um achado histológico relevante
nessa condição são os corpúsculos de Mallory-Denk, associados à disfunção do citoesqueleto celular.
Considerando essa patologia, como ocorre a formação desses corpúsculos nos hepatócitos de pacientes com
esteato-hepatite alcoólica e qual sua relevância clínica?
Chave de resposta
Os corpúsculos de Mallory-Denk são inclusões citoplasmáticas eosinofílicas encontradas nos hepatócitos
de pacientes com esteato-hepatite alcoólica. Eles resultam da agregação de filamentos intermediários do
citoesqueleto, principalmente as citoqueratinas 8 e 18, que sofrem modificações pós-traducionais devido
ao estresse oxidativo induzido pelo metabolismo do etanol. Essas alterações levam à ubiquitinação e
formação de agregados proteicos insolúveis. Clinicamente, a presença desses corpúsculos indica dano
hepatocelular significativo e está associada à progressão da doença hepática alcoólica, podendo evoluir
para fibrose e cirrose hepática.
Questão 3
O fígado é o principal órgão responsável pelo metabolismo do álcool, e seu consumo crônico pode causar
alterações metabólicas importantes nos hepatócitos. A degeneração hepática gordurosa (esteatose) é um dos
primeiros sinais de lesão hepática causada pelo álcool, podendo evoluir para fibrose. Considerando esse
processo patológico, qual é a relação entre o consumo crônico do álcool e a degeneração gordurosa hepática?
Chave de resposta
O consumo crônico de álcool leva ao acúmulo de gordura nos hepatócitos, caracterizando a degeneração
gordurosa hepática ou esteatose. Com a continuidade da agressão alcoólica, ocorre inflamação e morte
celular, resultando em fibrose hepática. A fibrose distorce a arquitetura vascular do fígado, aumentando a
resistência ao fluxo sanguíneo portal e culminando em hipertensão portal. 
Caso prático
Assista ao vídeo e acompanhe um case sobre a esteato-hepatite alcoólica e os efeitos do consumo crônico de
álcool no fígado.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
 
Um residente de patologia foi chamado para analisar uma lâmina histológica, corada com
hematoxilina e eosina, de um fígado de paciente com histórico de etilismo crônico. Ao
microscópio de luz, ele observou um acúmulo de material proteico e acidófilo no interior dos
hepatócitos, que tinham aparência rósea, vítrea e homogênea. Qual seria o melhor diagnóstico
a ser dado pelo médico residente a esse tipo de lesão?
A Degeneração hidrópica ― corpúsculos de Councilman-Rocha Lima.
B Apoptose de hepatócitos ― corpúsculos de Russell.
C Esteatose microgoticular ― cistos gordurosos.
D Esteatose macrogoticular ― cistos gordurosos.
E Degeneração hialina ― corpúsculo de Mallory-Denk.
A alternativa E está correta.
Na degeneração hialina, ocorre o acúmulo de material proteico e acidófilo no interior das células ou no
espaço extracelular, o que confere uma aparência rósea, vítrea e homogênea. A lesão pode ser
consequência da condensação de filamentos intermediários e proteínas associadas, formando corpúsculos
no interior das células; e do acúmulo de material decorrente de uma infecção ou da endocitose de
proteínas. Um exemplo de depósito hialino celular é o chamado corpúsculo hialino de Mallory-Denk,
encontrado normalmente em hepatócitos de indivíduos alcoólatras crônicos, em casos de carcinoma
hepatocelular e esteato-hepatite não alcoólica.
Questão 2
Degenerações são lesões celulares, secundárias a alterações bioquímicas que resultam no
acúmulo de substâncias no interior da célula. Sobre a degeneração hidrópica, analise as
afirmativas a seguir:
 
I. É a primeira manifestação em quase todas as formas de agressão às células, gerando o acúmulo de gordura
nos tecidos.
 
II. Também é conhecida como tumefação celular e consiste na lesão celular irreversível caracterizada pelo
acúmulo de água e eletrólitos no interior das células.
 
III. Em geral, nessa degeneração, os órgãos apresentam aumento de peso e volume, embora seu aspecto
macroscópico varie conforme a intensidade da lesão.
 
É correto o que se afirma em
A I apenas
B II apenas
C III apenas
D I e II
E I e III
A alternativa C está correta.
A degeneração hidrópica é uma lesão celular reversível, conhecida também como tumefação celular, onde
há o acúmulo de água e eletrólitos no interior das células. Esse é a primeira manifestação em quase todas
as formas de agressão às células, que leva a um aumento de tamanho e volume do órgão, mas o aspecto
macroscópico varia segundo a intensidade da lesão.
3. Etapas da lesão celular e morte
Resposta celular ao estímulo/agressão
Resposta celular ao estresse: adaptação, lesão e morte
Assista ao vídeo e entenda como as células respondem a estímulos e agressões, desde adaptações como
hipertrofia, hiperplasia, atrofia e metaplasia até lesões reversíveis e irreversíveis, com impacto na morfologia e
na função celular.
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Nosso organismo é uma orquestra perfeita que necessita que cada componente esteja ajustado para que seu
funcionamento ocorra de maneira correta. Nesse sentido, a homeostase caracteriza-se pela habilidade que o
nosso corpo tem de manter um equilíbrio fisiológico interno quase sempre constante, independentemente das
alterações que possam ocorrer no meio externo.
 
As adaptações são respostas celulares a alterações fisiológicas, como a gestação, ou a alguns estímulos
patológicos. Com isso, um novo estado de equilíbrio fisiológico é alcançado, permitindo a sobrevivência e a
atividade funcional celular. 
 
As adaptações englobam alterações reversíveis em tamanho, número, fenótipo, atividade ou funções
celulares. Quando o estímulo cessa, a célula pode retornar ao seu estado original.
 
Entre as principais formas de adaptação celular estão:
Hipertrofia
Refere-se ao aumento do tamanho das células e, consequentemente, ao
aumento do tamanho do órgão afetado. Está diretamente relacionada ao
aumento na produção de proteínas celulares. Pode ser fisiológica ou
patológica, causada pelo aumento da demanda funcional (aumento dos
músculos devido a exercícios físicos intensos) ou por estimulação de
hormônios e fatores de crescimento (crescimento do útero na gestação,
induzido por hormônios).
Hiperplasia
Refere-se ao aumento no número de células em um órgão ou tecido,
diante de determinado estímulo (fisiológico ou patológico). O que ocorre
é a proliferação de células maduras, induzida por fatores de crescimento.
Em alguns casos, o aumento pode ser resultado do surgimento de novas
células a partir de células-tronco teciduais. Um exemplo de hiperplasia
fisiológica ocorre na puberdade feminina e na gravidez, onde há
proliferação do epitélio glandular mamário. Já a hiperplasia patológica
pode ser exemplificada pela hiperplasia endometrial, induzida por
desequilíbrios hormonais.
Atrofia
Refere-se à redução do tamanho e do número de células,o que acarreta
a redução do tamanho de um órgão ou tecido. Ao contrário da hipertrofia,
a atrofia é resultado da diminuição da síntese proteica e do aumento da
degradação de proteínas celulares. A atrofia fisiológica pode ser
identificada no desenvolvimento fetal, no qual algumas estruturas
embrionárias (como a notocorda) se atrofiam. A atrofia patológica pode
ser causada, por exemplo, pelo desuso, perda de inervação, diminuição
do suprimento sanguíneo, compressão e nutrição inadequada.
Metaplasia
Refere-se à substituição de um tipo celular diferenciado (epitelial ou
mesenquimal) por outro de mesma linhagem, em geral em resposta à
irritação crônica. Com isso, as células tornam-se mais capazes de resistir
ao estímulo. Normalmente, é induzida por alterações na via de
diferenciação das células-tronco teciduais e resulta na redução de
função ou no aumento da probabilidade para a transformação maligna.
Um exemplo comum de metaplasia é a substituição do epitélio colunar
para epitélio escamoso, que ocorre no trato respiratório em resposta a
agressões crônicas, como o cigarro.
Embora hiperplasia e hipertrofia sejam processos distintos, frequentemente ocorrem juntas e podem ser
induzidas pelos mesmos estímulos.
 
Hiperplasia x hipertrofia.
Caso os limites das respostas adaptativas sejam excedidos, ou haja o comprometimento de nutrientes e
componentes celulares, ocorre uma série de eventos que caracterizam a lesão celular. 
 
A lesão é reversível até determinado ponto, mas se o estímulo persistir ou for intenso o suficiente desde o
início a lesão celular é irreversível e ocorre a morte celular. 
 
Dessa forma, resposta adaptativa, lesão reversível, lesão irreversível e morte celular podem ser etapas de um
dano progressivo.
Etapas da resposta celular ao estresse e estímulos lesivos.
Quando sofre uma lesão leve ou inicial, a célula ainda tem chances de se recuperar, desde que a causa do
dano seja removida. Esse tipo de lesão é chamado de reversível.
 
As principais mudanças que ocorrem na célula são:
 
Inchaço celular devido ao desequilíbrio de íons e à entrada excessiva de água.
 
Bolhas na membrana plasmática, indicando que a estrutura da célula está fragilizada.
 
Ribossomos se desprendem do retículo endoplasmático, o que prejudica a produção de proteínas.
 
Cromatina nuclear se agrupa, mostrando que o núcleo está sob estresse.
 
Além disso, a célula perde energia porque a produção de ATP diminui, já que a mitocôndria está funcionando
de forma inadequada. Se a agressão parar a tempo, a célula pode voltar ao normal. Caso contrário, a lesão
pode se tornar irreversível, levando à morte celular.
Até certo ponto, a célula ainda consegue reparar os danos. Porém, uma vez que a célula ultrapassa o
ponto de não retorno, que ainda é debatido, a lesão evolui para irreversibilidade e morte celular. A
morte celular representa um dos mais importantes eventos na evolução de qualquer doença, em
qualquer tecido ou órgão.
A morte celular também faz parte de processos fisiológicos, como a embriogênese, o desenvolvimento de
órgãos e a manutenção da homeostase. 
Atividade 1
As células podem responder a estímulos ou agressões de diferentes formas, adaptando-se e sofrendo lesões
reversíveis ou irreversíveis. Considerando esses processos, qual das seguintes afirmações é a correta?
A A lesão celular reversível é caracterizada pela perda irreversível da função celular e pela morte
imediata da célula.
B As adaptações celulares são sempre patológicas e não contribuem para a manutenção da
homeostase.
C A hipertrofia e a hiperplasia são processos que não ocorrem simultaneamente em resposta a um
mesmo estímulo.
D A metaplasia é um tipo de lesão irreversível que não envolve mudanças na diferenciação celular.
E A lesão celular irreversível ocorre quando a célula ultrapassa um ponto de não retorno, levando à
morte celular.
A alternativa E está correta.
A lesão celular irreversível ocorre quando a célula ultrapassa um ponto crítico de dano, no qual não é mais
possível reverter as alterações morfológicas e funcionais. Esse estágio leva à morte celular, seja por
necrose, seja por apoptose. Antes desse ponto, a lesão pode ser reversível, desde que o estímulo nocivo
seja removido e a célula consiga restaurar sua homeostase. As adaptações celulares, como hipertrofia,
• 
• 
• 
• 
hiperplasia, atrofia e metaplasia, são respostas fisiológicas ou patológicas que permitem à célula sobreviver
em um novo estado de equilíbrio.
Necrose: morfologia e tipos
Assista ao vídeo e explore os processos de necrose, morte celular e autólise, entendendo suas características
microscópicas, como as alterações nucleares e citoplasmáticas.
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A necrose é a morte celular que acontece dentro de um organismo vivo quando uma agressão é tão intensa
que a célula não consegue mais manter suas funções. Nesse processo, as enzimas digestivas dos lisossomos
(hidrolases) vazam para dentro da célula e começam a destruir suas estruturas internas. Isso ocorre porque o
cálcio se acumula no citoplasma, ativando essas enzimas. 
 
Cada tipo de enzima tem uma função: 
Proteases 
Quebram proteínas. 
Lipases 
Quebram gorduras.
Ribonucleases 
Degradam material genético. 
Além disso, a necrose libera alarminas, moléculas que alertam o sistema imunológico sobre o dano. Essas
substâncias ativam células de defesa e iniciam uma resposta inflamatória, tentando remover as células mortas
e reparar o tecido afetado.
 
As principais características microscópicas da necrose, quando observados os cortes histológicos, são:
Alterações nucleares
Podem se apresentar sob três aspectos: 
 
Intensa condensação e contração da cromatina, tornando o núcleo intensamente basófilo e bem menor
que o normal (picnose nuclear). 
 
Digestão da cromatina, que acarreta na indistinção dos núcleos na coloração histológica (cariólise). 
 
Fragmentação e dispersão do núcleo no citoplasma (cariorrexe). 
1. 
2. 
3. 
Indistinção dos núcleos em (cariólise) em corte histológico de miocárdio infartado.
Todos esses aspectos resultam da diminuição excessiva do pH celular, que condensa a cromatina, e da ação
das desoxirribonucleases e outras proteases que digerem a cromatina e destroem a membrana nuclear.
Alterações citoplasmáticas
Com o desacoplamento de ribossomos e desnaturação proteica, há o aumento da acidofilia, evidenciado pelo
aspecto eosinofílico ao microscópio de campo claro. 
 
Com a evolução da necrose, o citoplasma apresenta um aspecto granuloso, e a célula morta pode ser
visualizada como uma massa amorfa espiralada (originada pelas membranas danificadas), as chamadas 
figuras de mielina. 
 
Na microscopia eletrônica, ainda poderemos notar descontinuidade das membranas celulares, dilatação
anormal de mitocôndrias, figuras de mielina citoplasmáticas e proteínas desnaturadas.
Alterações celulares na necrose.
Agora que entendemos as características da necrose de uma forma geral, vamos ver os principais tipos e suas
causas:
Necrose coagulativa 
Uma vez que sua causa mais frequente é a isquemia, também pode ser
chamada de necrose isquêmica. Na macroscopia, a área necrótica é
esbranquiçada e protuberante, geralmente circundada por um halo
vermelho (que reflete a hiperemia compensatória). Microscopicamente,
podemos observar cariólise, citoplasma com aspecto de substância
coagulada (acidófico e gelificado). Com a progressão, perde-se toda a
arquitetura tecidual.
Necrose liquefativa
Caracterizada pela digestão das células mortas devido à abundância de
enzimas lisossomais liberada. A região necrosada apresenta consistência
mole ou liquefeita. É comum após a anóxia (ausência de oxigênio) do
tecido nervoso e da suprarrenal, sendo observada também em infecções
bacterianas e fúngicas focais. As bactérias estimulam a migração de
leucócitos e a liberação de suas enzimas lisossômicas. O resultado é uma
área necrótica amarelada de aspecto cremoso, que chamamos de pus.
Necrose caseosa
Caseososignifica semelhante a queijo e denomina a aparência da área
necrótica, que é fria e esbranquiçada. Comum na tuberculose, a necrose
caseosa apresenta uma área de células rompidas ou fragmentadas e
restos granulares amorfos formando uma massa homogênea. A aparência
é característica do granuloma, que ainda apresenta borda inflamatória.
A gangrena é uma forma de evolução da necrose, resultado da ação de agentes externos sobre a área
necrosada. A desidratação da região, especialmente em contato com o ar, origina a gangrena seca. 
 
A gangrena úmida é causada pela invasão de microrganismos anaeróbios na área necrosada, produzindo
enzimas que liquefazem o tecido morto e produzem gases de odor fétido. 
 
Já a gangrena gasosa é secundária à contaminação por bactérias do gênero clostridium, que produzem
enzimas proteolíticas e grande quantidade de gás, formando bolhas.
Atividade 2
A necrose é um tipo de morte celular que ocorre em organismos vivos e está associada a processos
inflamatórios e alterações morfológicas específicas. Considerando suas características, qual das afirmações a
seguir descreve de forma mais adequada o processo de necrose?
A A necrose resulta em autólise celular, liberação de enzimas lisossomais e indução de resposta
inflamatória.
B O processo de necrose envolve a ativação de caspases e formação de corpos apoptóticos.
C A necrose é caracterizada pela preservação da membrana celular e pela ausência de inflamação.
D Na necrose, as células mantêm sua integridade estrutural, e não há liberação de moléculas pró-
inflamatórias.
E A necrose é um processo controlado que não causa danos ao tecido circundante.
A alternativa A está correta.
A necrose é um processo de morte celular desencadeado por agressões severas que interrompem as
funções vitais da célula. Caracteriza-se pela autólise, que ocorre devido à liberação de enzimas lisossomais
no citoplasma, levando à digestão de componentes celulares. Além disso, a necrose induz a liberação de
moléculas chamadas alarminas, que desencadeiam uma resposta inflamatória. Essas alterações resultam
em perda da integridade da membrana celular e danos ao tecido circundante, diferentemente da apoptose,
que é um processo controlado e não inflamatório.
Apoptose: causas, funções, mecanismos e morfologia
Assista ao vídeo e entenda a apoptose, a morte celular programada que remove células danificadas sem
inflamação. Explore as vias intrínseca e extrínseca, a ativação das caspases e a formação de corpos
apoptóticos.
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A apoptose é uma via de morte celular na qual a célula é estimulada a acionar mecanismos, rigorosamente
controlados, que culminam na sua morte. 
Apoptose e formação dos corpos apoptóticos.
Diferentemente do que vimos na necrose, na apoptose não há autólise nem descontinuidade da membrana: a
célula é fragmentada, seus fragmentos são envolvidos pela membrana citoplasmática formando os corpos
apoptóticos e finalmente são endocitados por células vizinhas, sem induzir um processo inflamatório.
 
A apoptose ocorre a partir de dois tipos de processos:
Fisiológicos
A apoptose é um processo natural e controlado de morte celular que ocorre no organismo para
eliminar células que não são mais necessárias. Além disso, ajuda a regular a renovação e a
proliferação celular nos tecidos.
Algumas situações fisiológicas em que a apoptose ocorre incluem:
Desenvolvimento embrionário, ajudando na formação dos órgãos e tecidos.
Pós-natal e pós-lactação, quando certas células são eliminadas para adaptar o corpo às novas
necessidades.
Fim de uma inflamação, em que os leucócitos são removidos para evitar danos ao organismo.
Eliminação de linfócitos autorreativos, impedindo que o sistema imunológico ataque células
saudáveis do próprio corpo.
Patológicos
A apoptose pode ser desencadeada por diversos fatores, como infecções virais, hipóxia, radiação
ionizante e substâncias químicas que provocam danos irreversíveis ao DNA. A ação de radicais livres
também está entre as causas, pois, além de lesarem o material genético, podem causar acúmulo de
proteínas mal dobradas na célula.
Qualquer que seja sua causa, a apoptose resulta da ativação sequencial de enzimas chamadas caspases,
responsáveis pelas alterações morfológicas que comentaremos mais adiante.
 
As caspases são enzimas que controlam o processo de apoptose, mas inicialmente ficam inativas dentro das
células. Para que sejam ativadas, passam por um processo de clivagem, ou seja, precisam ser cortadas em
partes menores por outras enzimas.
 
A ativação das caspases depende do equilíbrio entre:
Caspases
São proteases que possuem cisteína no sítio ativo e clivam proteínas em sítios com resíduos de
aspartato.
Pró-apoptóticas
Proteínas que estimulam a apoptose.
Antiapoptóticas
Proteínas que impedem a apoptose.
Quando há um estímulo para a morte celular, as proteínas pró-apoptóticas se tornam mais ativas e iniciam a
clivagem das caspases.
 
Como as caspases clivadas são responsáveis por executar a apoptose, sua presença dentro da célula é um
marcador importante para identificar que esse processo está acontecendo.
• 
• 
• 
• 
Principais vias da apoptose: a mitocondrial (intrínseca) e do receptor de morte
(extrínseca).
O processo de apoptose pode ser resumido em uma fase de iniciação, na qual as caspases iniciadoras se
tornam ativas, e uma fase de execução, na qual tem início a degradação de componentes celulares críticos
pelas caspases executoras. A ativação de caspases, evento-chave da apoptose, pode ocorrer por duas vias
distintas. 
Via intrínseca ou mitocondrial
É também chamada de via mitocondrial, sendo a principal forma de morte celular programada nos mamíferos.
Ocorre quando há aumento da permeabilidade da membrana externa da mitocôndria, permitindo a liberação
de proteínas que ativam a apoptose.
 
Entre as proteínas liberadas estão: 
 
Citocromo C. 
 
Endonuclease G. 
 
Fator indutor de apoptose (AIF). 
 
Uma vez no citoplasma, essas moléculas iniciam a ativação das caspases, que promovem a destruição
organizada da célula.
 
Esse processo é rigorosamente controlado por proteínas da família Bcl-2. Vamos entender melhor essas
proteínas a seguir:
 
Algumas proteínas são antiapoptóticas, como Bcl-2 e Bcl-XL, e impedem a liberação das proteínas pró-
apoptóticas.
 
Outras são proteínas pró-apoptóticas, como as proteínas BAX, que favorecem a permeabilização da
membrana mitocondrial e a ativação da apoptose.
 
A via mitocondrial é ativada quando a célula sofre falta de sinais de sobrevivência, dano no DNA ou acúmulo
de proteínas defeituosas, causando estresse no retículo endoplasmático. Para equilibrar o processo, existem
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proteínas que bloqueiam a saída de proteínas pró-apoptóticas e inibidores fisiológicos da apoptose (IAP), que
impedem a ativação das caspases quando a célula ainda pode ser recuperada.
 
Esse sistema de controle faz com que a apoptose ocorra apenas quando necessário, evitando a destruição
descontrolada das células.
Esquema ilustrativo da via intrínseca da apoptose.
Quando são privadas de sinais de sobrevivência, as células têm seu DNA danificado. O acúmulo de proteínas
maldobradas provoca o estresse do retículo endoplasmático, e as proteínas sensores, percebendo a lesão,
são ativadas. Esses sensores ativam mecanismos que permitem que o citocromo C e outras proteínas
mitocondriais saiam do espaço intermembranar em direção ao citoplasma, iniciando a cascata de ativação das
caspases. 
 
Como o processo é finamente controlado, é importante comentarmos que existem proteínas mitocondriais que
impedem a saída das proteínas pró-apoptóticas pela membrana, como a Bcl-2 e outras proteínas que
funcionam como inibidores fisiológicos da apoptose (IAP), impedindo a ativação das caspases.
Via extrínseca (por receptor de morte)
É também chamada de via por receptor de morte e ocorre quando moléculas sinalizadoras se ligam a
receptores específicos na membrana da célula,

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