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ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA CATARINA MARTINS CERONI IVO FMSA - 2023 07/02/2023 PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE FRATURA • Definição: Ruptura parcial ou total do tecido ósseo com perda de sua continuidade ANAMNESE • Queixa e duração: o que aconteceu? Quando? • História moléstia atual: como? • Interrogatório sobre diversos aparelhos: investigar patologias associadas ou que necessitam de atenção no tratamento • Antecedentes: investigar patologias próprias ou familiares que podem comprometer ou justificar o quadro EXAME FÍS ICO • Exame físico geral -> paciente como um todo o Risco de vida por patologias associadas o Cardíacas o Respiratórias o Renais o Hepáticas o Cerebrais o Vasculares • Exame físico específico -> examinar ortopedicamente o Inspeção estática e dinâmica o Palpação de partes moles o Palpação óssea o Exame muscular o Exame neurológico o Testes especiais LESÕES FUNDAMENTAIS EM ORTOPEDIA • Contusão o Lesões causadas por trauma direto, sem ferimento da pele o Impacto -> deixa roxo • Lesão por esforço o São lesões causadas por fadiga do tecido muscular ou tendíneo por excesso de uso o Exemplo: tendinite, cotovelo do tenista ou epicondilite lateral • Entorse o Lesões parciais de ligamentos, geralmente causadas por traumas torcionais o Torceu e levou a lesão parcial do ligamento (entorse) • Lesão ligamentar o Lesões completas de ligamentos -> rompimento • Distensão/estiramento o Lesões parciais do músculo • Luxação o Lesões articulares com perda do afrontamento articular o Sinal da Dragona: acrômio exposto -> ombro quadrado • Fratura o Ruptura parcial ou total do tecido ósseo com perda da continuidade o Classificação -> padronização -> avaliar gravidade, orientar tratamento e diminuir complicações ▪ Quanto ao traço de fratura • Transversa • Oblíqua • Espiralada • Segmentar • Cominutiva ▪ Quanto ao mecanismo de trauma • Trauma direto: quebra o local do impacto • Trauma indireto: quebra outro local devido ao impacto ▪ Quanto à exposição • Fechada • Exposta: tem comunicação com o meio externo; não precisa necessariamente desviar o osso ▪ Tipo e presença desvio • Sem desvio • Com desvio: em adulto = cirurgia • Impactada • Subperiostal • Galho verde ▪ Presença de patologia associada • Traumática: impacto • Estresse: sobrecarga -> osso faz fissuras • Patológica: associada a alguma doença; ex: tumor ▪ Redutibilidade • Redutível: possível colocar de volta no lugar sem necessidade de procedimento invasivo • Irredutível: necessário cirurgia ▪ Estabilidade • Estável • Instável o Outros tipos de fratura ▪ Afundamento central ▪ Encunhamento ▪ Fratura avulsão ▪ Fratura luxação o Desvio/estabilidade/redutibilidade Sem desvio Estável Redutível Com desvio Instável Irredutível TRATAMENTO • Conservador o Sem desvio o Gesso, órtese, enfaixamento, tipóia, velpeau, tala metálica, esparadrapagem, repouso • Redução incruenta o Com desvio o Manipulação (estáveis), tração (cutânea ou esquelética), cirúrgica (instáveis; pode-se usar material de síntese), imobilizar após redução • Redução cruente o Com desvio o Fixação por material de síntese ▪ Amarria com fio de aço maleável ▪ Fixação por fios de aço semi ou rígidos ▪ Placas (compressão ou estabilização) ▪ Parafusos ▪ Hastes intramedulares ▪ Fixador externo ▪ Associação de dois ou mais tipos ▪ Próteses COMPLICAÇÕES • Pseudoartrose o Ausência de consolidação de uma fratura o Falha no processo de regeneração 14/02/2023 EXAMES DE IMAGEM APLICADOS NA ORTOPEDIA RADIOGRAFIA • Indicação o Avaliação de fraturas o Avaliação de lesões osteolísticas (perda), osteoblásticas (ganho) o Interferência de lesão ligamentar /tendinosa • Objetivo o Avaliação do arcabouço ósseo e/ou calcificações o Avaliação da variação de volume nos tecidos moles • Conceitos gerais o Utilização de duas incidências perpendiculares ▪ Frente (AP) e perfil • Tipos o Sem contrates ▪ Normalmente utilizado o Com contraste (injetado na articulação) ▪ Muito pouco utilizado ▪ Papel histórico importante ▪ Conhecido como artrografia Radiografia de coluna vertebral inteira; apresenta escoliose de frente, de perfil curvaturas fisiológicas normais Diminuição de L1 -> fratura Tomo mostrando a fratura de L1 presente na radiografia • Posição do paciente muda a radiografia Radiografia de quadril; fratura no trocanter menor -> idoso Fratura no colo do fêmur -> idoso Radiografia de joelho; sem fratura; presença de entesófito na patela; artrose no compartimento medial; paciente com artrose inicial do joelho Radiografia de tornozelo; normal Fratura na fíbula; normalmente mais facil de ver na imagem de perfil Fratura da maleola lateral da fíbula e luxação na maleola medial da tíbia Radiografia de ombro; processo coracoide = anterior Sinal da dragona -> acrômio exposto; luxação do ombro; anterior é mais comum; urgência ortopédica -> reduzir (colocar no lugar) Luxação de ombro para posterior; presença de sobreposição cabeça umeral adenoide Fratura do úmero proximal (distal; diafisária); C e D com placa; Fratura em radiodistal; mais comum em idoso Criança -> placa fisária (distância entre os ossos -> potencial de crescimento) Fratura em torce, com compressão no radio distal; criança Lesão com luxação fisária do joelho Luxação posterior TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA • Indicação o Avalição pormenorizada de fraturas, especialmente de acometimento articular o Planejamento de procedimentos cirúrgicos o Possibilidade de reconstrução em 3D • Objetivo o Avaliação do arcabouço ósseo • Conceitos gerais o Sem contrate ▪ Normalmente utilizado o Com contrate: injetado nas articulações ▪ Muito pouco utilizado ▪ Indicação restrita para verificação de lesão articular ▪ Conhecida como artrotomografia o Com contraste: venoso ▪ Avalição de lesão de lesão tumoral ▪ Extensão e acometimento • Cortes Ostiofito na imagem 10 e 11 -> corte coronal Ostiofito na imagem 8 e 9 -> corte axial RESSONÃNCIA NUCLEAR MAGNÉTICA • Indicação o Avaliação do tecido musculo esquelético ▪ Lesão ligamentar ▪ Lesão tendinosa ▪ Trauma raquimedular • Objetivo o Mensurar do acometimento e extensão na lesão de tecidos moles • Tecido sonar subcutâneo (gordura) = T1; líquido articular branco = T2 • Cortes corte coronal -> líquido ocupando espaço que seria para o tendo do m. supra espinhal -> lesão do manguito rotador corte sagital corte axial Ligamento cruzado posterior conecta fêmur e tíbia; menisco visualizado no corte coronal e sagital; corte sagital; T2 (liquor está branco); hernia de disco em L4-L5; trauma ou tumor em T10/T9 (não da para diferenciar) corte coronal e sagital; escafoide mais comum de fraturar; usando mais para visualizar fatura oculta do punho CINT ILOGRAFIA ÓSSEA • Indicação o Estimativa da extensão local do tumor o Demonstração de envolvimento em outras áreas do esqueleto (metástase) o Avaliação de fratura oculta e fratura de estresse o Osteomielite/infecção óssea o Doença óssea metabólica • Objetivo o Avaliação de topografias com metabolismo ósseo aumentado • Método o Infusão EV de contraste (tecnécio 99-m) o Marcação de qualquer região com osso em formação ou vascularização aumentada • Conceitos gerias o Eliminção do contraste por via renal/urinária o Marca qualquer região com metabolismo ósseo aumentado exame normal exame de criança normal focos assimétricos de captação -> possíveis metástases DENSITOMETRIA ÓSSEA • Mais utilizado no idoso -> densidade do osso -> maiorrisco de fraturas • Indicação o Fornecer diagnóstico de osteopenia ou osteoporose o Predizer risco de fratura o Permitir o acompanhamento de doenças ou medicações que afetem o metabolismo ósseo • Objetivo o Avaliar a densidade mineral óssea • Conceitos gerais o T score: qualificador de osteopenia/osteoporose ▪ Refere-se a população geral, do mesmo sexo, e etnia o Z score ▪ Ajustado para idade do paciente, sexo e etnia • Método o Emissão de feixes raio X, com diferentes comprimentos de onda, sendo aquilo que não for absorvido como cintilação o Resultado em g/cm2 negativo: muita gente com a massa óssea melhor que a sua; positivo: muita gente com massa óssea pior que a sua verde: normal; amarelo: osteopenico; vermelho: osteoporose OUTROS • Ultrassonografia o Baixo custo o Examinador dependente o Indicação ▪ Avaliação do tecido musculoesquelético ▪ Mensuração de volume e edema articular 28/02/2023 FRATURA EXPOSTA E INFECÇÕES OSTEOARTICULARES • Qualquer fratura que se comunica com o meio externo através de um ferimento • Perigo de infecção • Sempre deve ser tratada como urgência o Baixa energia o Alta energia (politrauma) • Classificação Gustillo Anderson* -> define a conduta e prognóstico o Energia do trauma o Comprometimento de partes moles o Contaminação de fratura • Conduta inicial ao atendimento o Atendimento sequencial do politraumatizado preconizado no ATLS (ABCDE) o Avaliação da ferida + limpeza e cobertura da ferida com curativo estéril + imobilização provisória (tala) o Estudo radiológico o ATB + profilaxia antitetânica ▪ Antibiótico profilaxia (48-72h) • Grau I e II: cefalosporina 1G • Grau III A, B e C: cefalosporina 1G + aminoglicosídeos • Área rural: cefalosporina 1G + aminoglicosídeos + outra penicilina o Analgesia e AINH o Centro cirúrgico -> tirar o risco de infecção ▪ Encaminhamento para o centro cirúrgico -> urgência em até 6h devido a colonização ▪ Desbridamento dos tecidos desvitalizados ▪ Lavagem mecânico-cirúrgica com pelo menos 10 litros de solução salina -> joga sob pressão e devagar ▪ Estabilização da fratura: fixador externo, haste, tala • Evitar placa por ter espaço morto (junta secreção); tipo I pode colocar • Normalmente utiliza fixador externo ▪ Sutura, retalho, fechar o ferimento • Incisão de alívio para conseguir fechar sem tensão • Osso ou tendão exposto = necrose • Complicações o Lesão arterial -> amputação o Lesão nervosa o Embolia gordurosa -> morte o Síndrome compartimental: aumenta o volume do compartimento ao ponto de não ser possível vascularizar o Osteomielite: infecção óssea o Pseudoartrose: não consolida ▪ Raspa a cartilagem e coloca enxerto ARTRITE SÉPT ICA • Infecção articular causada por bactérias patogênicas • Conhecida por artrite bacteriana, artrite piogênica e pioartrite • Importante por causar destruição irreversível da cartilagem e risco de choque séptico • Muito frequente em crianças -> dificuldade para colocar prótese • Líquido sinovial é produzido pela membrana sinovial -> quando há aumento da produção causa inflamação o Staphylo na membrana -> destruição da cartilagem • É uma urgência de início agudo • Se não tratada, pode causar destruição da cartilagem articular e sequela permanente com perda de função ou mesmo choque séptico • Diagnóstico e tratamento precoce, recuperação pode acontecer o Difícil em crianças por não apresentarem muitos sintomas • Mais frequentes o Staphylococcus aureus: em todas as faixas etária* o Estreptococos beta-hemolíticos do grupo A o Haemophilus influenzae: 20% + meningite o Streptococcus pneumoniae o Neisseria gonorrhoeae: vida sexual ativa o Salmonella: anemia falciforme o Pseudomonas aeruginosa: ferimentos puntiformes • Incidência o Qualquer faixa etária o Maior prevalência em crianças até a metade da 1ª década o Quadril é a articulação mais acometida, seguida por joelho, ombro e cotovelo • Vias de disseminação o Hematogênica ▪ Foco infeccioso à distância (bacteremia) ▪ Endocardite, amigdalite, otite o Inoculação direta ▪ Infiltração, cirurgia, trauma perfuro-penetrante o Contiguidade ▪ Osteomielite metafisária, celulite, abscesso • Fisiopatologia QUADRO CLÍNICO • Manifestações clínicas ocorrem de 4-7 dias antes da internação • Dor • Derrame articular • Aumento do volume local • Hiperemia • Impotência funcional: posição antálgica • Febre: dependendo da idade • Queda do estado geral EXAMES SUBSIDIÁRIOS • Hemograma: leucocitose e desvio à E • VHS • PCR • Hemocultura • Punção articular o Bacterioscópico (gram) o Cultura o Antibiograma EXAMES DE IMAGEM • Radiografia o Após 48h: aumento do espaço articular o Sinais de subluxação ou luxação • USG o Aumento do líquido intra-articular precocemente o Diferencia com osteomielite • Ressonância magnética o Presença de edema e líquido o Excelente para diagnóstico diferencial • Cintilografia o Reação inflamatória e infecciosa precocemente o Alta sensibilidade, baixa especificidade o Casos mais complexos TRATAMENTO • Drenagem cirúrgica o Retirar a secreção purulenta com o patógeno o Impedir a ação proteolítica das enzimas o Descomprimir a articulação o Facilitar a ação do antibiótico o Anestesia geral o Artrotomia o Lavagem abundante com soro fisiológico o Perfuração do colo (descartar osteomielite) o Instalação de sistema de irrigação e drenagem contínua por 24 a 48h o Cultura e antibiograma da secreção o Imobilização • Antibioticoterapia o Iniciar logo após a coleta do material o Recém-nascido: penicilina semi-sintética + aminoglicosideo o Até 5 anos: cefalosporina de 2ª ou 3ª geração o Acima de 5 anos: penicilina semi-sintética ou cefalosporina de 1ª geração COMPLICAÇÕES • Prevenidas por o Diagnóstico precoce o Tratamento de emergência • Degeneração articular • Subluxações / luxações • Encurtamento de membro por lesão da fise de crescimento • Desvios angulares • Septicemia OSTEOMIELITE HEMATOGÊNICA • Fise de crescimento separa a epífise da metáfise • Circulação lenta na região metafisária e capilares estreitos facilitam a proliferação bacteriana • Fisiopatologia Foco infeccioso a distância (amigdalite) -> formação de embolo séptico região metafisária -> infiltração leucocitária, abcessos intraósseos -> isquemia, necrose, sequestre e fístula • Quadro clínico o Dor o Edema o Hiperemia o Febre o Impotência funcional • Laboratório o Hemograma com leucocitose e desvio E o VHS aumentado o PCR aumentado o Cultura e antibiograma • Raio x simples o Inicialmente sem alterações -> diagnóstico tardio o Aumento de partes moles o Desmineralização óssea o Levantamento periostal o Casca de cebola o Sequestro ósseo • Outros exames de imagem o Tomografia o Ressonância o Cintilografia óssea: só depois de estar generalizado • Classificação o Aguda <10 dias ▪ QC de infecção sistêmica ▪ Dor local e sinais inflamatórios leves o Subaguda >10 dias <3 meses ▪ Processo inflamatório local exuberante ▪ Rx com início de levantamento periostal o Crônica >3 meses ▪ Sequestro ósseo e fístula • Tratamento o Internar paciente o Hidratação o Tratar infecção sistêmica o Antibioticoterapia o Analgesia o Coleta material para cultura e antibiograma o Drenagem e lavagem* o Desbridamento • Complicações o Osteomielite crônica o Septicemia o Óbito TRANSPORTE ÓSSEO 07/03/2023 DOENÇAS OSTEOMETABÓLICAS RAQUIT ISMO • Falta de mineralização -> osso amolecido • Todo o osso é ruim • Doença causada pela interrupção dos processos de mineralização da placa de crescimento • Ocorre retardo na maturação óssea e desorganização da arquitetura • Ossos mais fracos, suscetíveis a fraturas e deformidades• Manifestações dependem da idade de acometimento • Pacientes antes da maturação esquelética o Raquitismo: ao nível da placa de crescimento o Osteomalácia: regiões onde há osso cortical e esponjoso maduro • Pacientes esqueleticamente maduros: o Osteomalácia ET IOLOGIA • Mais de 50 doenças tem aspecto do raquitismo • Deficiência de vitamina D: tipos carencial e ligado a distúrbios gastrintestinais (doença gástrica, síndrome de má absorção e disfunções hepatobiliares) • Raquitismos vitamina D-dependentes (RVDD): ocasionadas por erro inato do metabolismo da vitamina D o Tipo 1: defeito na enzima 1 a hidroxilase (nível de 1,25 (OH)2 – vit D baixo) o Tipo II: resistência periférica à forma ativa da vitamina D (nível 1,25 (OH)2 – vit D alto) • Raquitismos vitamina D-resistentes hipofosfatêmicos: caracterizados pela Hipofosfatemia (defeitos de reabsorção tubular de fosfato) • Outras formas de raquitismo: outras formas como osteodistrofia renal (glomerular, pielonefrite, IRC) EPIDEMIOLOGIA • Negros • Baixa exposição solar • Dietas vegetarianas • Aleitamento materno prolongado ANATOMIA DA PLACA DE CRESC IMENTO • Constituída por tecido fibroso, cartilaginoso e ósseo • Apresentam 4 camadas dispostas em colunas (dentro para fora na imagem) • Zona de repouso: próxima à epífise, condrócitos esféricos e esparsos • Zona proliferativa: condrócitos achatados e dispostos em colunas • Zona hipertrófica: condrócitos aumentam de tamanho • Zona calcificada: barras de cartilagem parcial ou totalmente calcificadas, osteoblastos depositam tecido osteóide por ossificação endocondral ET IOPATOGENIA • Ocorre um distúrbio do metabolismo de cálcio e fosforo • Proliferação celular normal com falha na calcificação • Zona hipertrófica: crescimento desordenado • Zona de calcificação endocondral: mal definida F IS IOPATOLOGIA • Formação e crescimento ósseo o Produção da matriz óssea (colágeno) o Mineralização (deposição dos cristais de hidroxiapatita, cálcio e fosforo) • Atividade e produção de matriz está normal • Mineralização do tecido cartilaginoso e ósseo está deficiente (concentrações inadequadas de cálcio e fosfato extracelular) • Vit-D auxilia a absorção de Ca e P, mantendo essa concentração • Fosfato: absorvido no intestino e túbulos renais o Perda renal ▪ Tubulopatias ▪ Oncogênica o Diminuição da absorção ▪ Síndromes de má absorção ▪ Medicamentos: antiácidos (hidróxido de alumínio) • Cálcio: absorvido no intestino e túbulos renais o Baixa ingestão o Síndrome de má absorção QUADRO CLÍNICO GERAL • 1º sinais e sintomas podem surgir desde o 1º ano de vida e progredir com a idade • Crianças com baixa estatura • Deficit no desenvolvimento motor • Apatia, irritabilidade, hipotonia, fraqueza muscular e dores • Tetania e convulsões em hipocalcemia severa • Sinal de Chvostek: espasmos dos mm. faciais à percussão do n. facil • Sinal de Trousseau: espasmos da m. do corpo e de dos ao manter o esfigmomanômetro em 20mmHg/3min • Alopecia parcial ou total principalmente no raquitismo vitamina D- dependente tipo II CRÂNIO • Atraso no fechamento das fontanelas cranianas • Fronte olímpica: proeminência dos ossos frontais • Achatamento parietal DENTES • Retardo na erupção dos dentes • Maior propensão às infecções • Hipoplasia do esmalte TÓRAX • Sinal do rosário raquítico: proeminência da junção costo-condral • Prectus carinatum • Sulco de Harrison: causados pela tração do diafragma nas costelas • Maior incidência de infecções respiratórias OSSOS LONGOS • Apresentam extremidades alargadas • Deformidades angulares o Geno varo nos escolares (joelho abre) o Geno valgo nas crianças mais velhas (joelho fecha) • Coxa vara ARTICULAÇÕES • Alargadas • Punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos ABDOME • Distensão abdominal COLUNA VERTEBRAL • Deformidades cifoescolióticas • Acentuação da lordose lombar RADIOGRAFIA • Bem características • Aparência de osteopenia • Encurvamento dos ossos longos • Cortical adelgaçada com áreas de reabsorção; trabeculado ósseo diminuído • Alargamento da placa epifisária pela ausência da cartilagem calcificada Metáfises alargadas, “em taça”, com linhas de mineralização irregulares, sem contornos • Linhas de Looser: linhas radiotransparentes transversal ao eixo dos ossos EXAMES DE SANGUE • Depende do tipo • Calcio sérico normal ou diminuído • Fosforo diminuído • Fosfatase alcalina elevada • PTH aumentado EXAMES DE URINA • Cálcio urinário de 24h diminuído • Excesso de hidroxiprolina (aumento do turnover do colágeno) PREVENÇÃO • Ingestão de vitamina D: 200 UI/dia o Neonatos prematuros: 400-1000 UI/dia • Exposição solar • Dieta rica em vit D: ovos, manteiga, leite enriquecido, salmão, atum TRATAMENTO • Carencial: vit-D 1500-5000 UI/dia de 3-6 meses • Vit-D dependente: calcitriol (forma ativa da vitamina D) • Hipofosfatêmicos: calcitriol e fosfato TRATAMENTO OSTEOPORÓTICO • Tratar com osteotomias e hemiepifisiodese PROGNÓSTICO • Após tratamento: pode regredir • Regressão das deformidades dependem da gravidade e idade do acometimento • Baixa estatura raramente são revertidas OSTEOMALÁCIA • Doença causada pela interrupção do processo de mineralização do osso cortical ou esponjoso maduro • Ocorre acúmulo de tecido ósseo pouco mineralizado • Mesmo processo patológico que o raquitismo ET IOLOGIA • Dieta insuficiente de vitamina D e cálcio • Baixa exposição à luz solar • Baixa absorção de vitamina D no TGI • Patologias hepáticas • Patologias renais • Acidose QUADRO CLÍNICO • Dores ósseas • Fraqueza muscular • Espasmos musculares • Fragilidade óssea com risco de fraturas EXAMES COMPLEMENTARES RADIOGRAFIA • Afilamento cortical • Trabeculado ósseo diminuído • Aparência de osteopenia • Presença de fraturas EXAMES DE SANGUE • Hipocalcemia • Hipofosfatemia • Vitamina D baixa • Fosfatase alcalina elevada • PTH aumentado EXAMES DE URINA • Cálcio urinário de 24h diminuído BIÓPSIA • Exame confirmatório PREVENÇÃO • Vitamina D o Até 50 anos: 200UI o 51-65 anos: 400UI o >65 anos: 600UI TRATAMENTO • Vitamina D 10.000UI por 4-6 semanas • Complementação de cálcio e fósforo • Exposição colar: 15min/dia • Manutenção de vitamina D OSTEOPOROSE • Doença metabólica do tecido ósseo • Ocorre durante o envelhecimento • Perda gradual de massa óssea • Enfraquece os ossos por alteração da microarquitetura tecidual • Mais frágeis e suscetíveis a fraturas • Evolui de forma assintomática • Densitometria óssea: define a doença o Osteopenia: perda de 1-2,5 DP o Osteoporose: perda >2,5 DP • Classificação o Primária ▪ Tipo 1: pós-menopausa ▪ Tipo 2: senil o Secundária ▪ Anormalidades endócrinas ▪ Neoplasias EPIDEMIOLOGIA • Problema de saúde pública (aumento da longevidade) • EUA: causam 1.300.000 fraturas/ano • Punho, coluna e quadril • 1/3 das mulheres brancas acima de 65 anos • 50% das mulheres >75 anos terão alguma fratura • Tipo 1 o Predomina sexo feminino o 55-75 anos • Tipo 2 o 2M/1H o >70 anos M; >80 anos H • Fatores de risco: o Genéticos e biológicos ▪ História familiar ▪ Branco ▪ Escoliose ▪ Menopausa precoce ▪ Osteogênese imperfeita o Comportamentais e ambientais ▪ Alcoolismo ▪ Tabagismo ▪ Inatividade e sedentarismo ▪ Má nutrição ▪ Baixa ingestão de cálcio ▪ Amenorreia induzida por excesso de exercícios ▪ Dieta com alta ingestão de fibras, fosfatos e proteínas F IS IOPATOLOGIA • Tecido ósseo é metabolicamente ativo • Nos adultos há equilíbrio entre deposição e reabsorção óssea o Osteoblastos depositam o Osteoclastos absorvem • Na osteoporose prevalecem os osteoclastos QUADRO CLÍNICO• História: avaliar patologias e medicações • Doença insidiosa que evolui assintomática • Quadro clínico característico de fraturas traumáticas • Fratura patológica (1º sintoma) o Corpo vertebral o Punho o Quadril o Arcos costais o Úmero proximal o Bacia • Coluna o Dor ou ser assintomática o Deformidade cifótica o Diminuição da altura em 2-3cm • Colo do fêmur: mais grave EXAMES COMPLEMENTARES • Exames laboratoriais: normais o Descartar outra causa ▪ PTH ▪ Vit D ▪ Eletroforese de proteínas ▪ Função tireoidiana ▪ Calciúria 24h ▪ Creatinina de 24h ▪ Fosfatase alcalina (acompanhar tratamento) • Radiografia o Sem alterações até fraturas patológicas o Perda do trabeculado e afilamento cortical • Desintometria óssea o Confirma diagnóstico o Por Rx de dupla energia (DEXA): padrão-ouro o Coluna vertebral, quadril e rádio distal o Indicações: ▪ Mulheres pós-menopausa ▪ Mulheres ≥ 65 anos ▪ Mulheres com nível baixo de estrógeno e risco de osteoporose ▪ Homens ≥ 70 anos ▪ Homens entre 50-69 anos e risco de fratura ▪ Pacientes com fratura após 50 anos ▪ Pacientes com Rx com anormalidades vertebrais ▪ Tratamento prolongado com glicocorticoides ▪ Hiperparatireoidismo primário ▪ Controle terapêutico da osteoporose o Medida da densidade óssea por área (g/cm2) Categoria Score T Normal Até -1dp Osteopenia Entre -1 e -2,5dp Osteoporose ≤ -2,5dp DIAGNOSTICO DIFERENCIAL • Osteomalácia • Hiperparatiroidismo • Osteodistrofia renal • Mieloma múltiplo • Doença de Paget TRATAMENTO • Objetivo primário: prevenção • Crianças e adolescentes o Nutrição adequada o Prática constante de exercícios físico o Ingestão adequada de cálcio e vitamina D • Adultos e idosos o Exercícios para estimular formação óssea o Orientação quanto ao consumo de álcool, café e fumo o Prevenção de quedas (retirar tapetes, utilizar corrimão, elevação de vaso sanitário) • Suplementação de cálcio e vitamina D o Ingestão diária de ca 1.200-1.500mg o Ingestão diária de vitD 800-1.000UI • Tratamento medicamentoso o Reposição hormonal: para pós-menopausa e sem contraindicação ▪ Reduz 40-50% risco de fratura de quadril e 90% de coluna vertebral o Medicamentos estimuladores de formação óssea ▪ Agem aumentando a formação óssea ▪ Fluoreto de sódio ▪ PTH (intermitente e baixas doses) o Medicamentos anti-reabsorção óssea: inibem osteoclasto ▪ Estrógenos ▪ Calcitoninas ▪ Bifosfonatos: reduzem fraturas em 40-50% • Contraindicados em gastrite, esofagite, osteomalácia • Alendronato 10mg/dia ou 70mg/semana • Risedronato 35mg/semana ou 150mg/mês • Ibandronato 150 mg/mês • Zoledronato EV 5mg /ano OSTEOGÊNESE IMPERFEITA • Doença hereditária do tecido conjuntivo • Fragilidade óssea • Fraturas de repetição e deformidade óssea • Cursam com manifestações extraósseas: o Dentes, pele, tendões, ligamentos e outros órgãos (tecido conjuntivo) ET IOLOGIA • Causada por mutação nos genes: COL1A1 (cromossomo 17) e COL1A2 (cromossomo 7) que codificam as cadeias do colágeno tipo 1 F IS IOPATOLOGIA • Defeito quantitativo do colágeno 1: substituição do AA glicina por cisteína, alanina e serina (tipo 1) • Defeito qualitativo: anomalias estruturais das moléculas (tipos 2, 3 e 4) CLASSIF ICAÇÃO DE S ILLENCE • Tipo I: Herança autossômica dominante; escleras azuis, forma leve, início das fraturas após o nascimento, maioria na idade pré-escolar o Subtipo A: sem dentinogênese imperfeita o Subtipo B: com dentinogênese imperfeita • Tipo II: Herança autossômica recessiva; escleras azuis, forma letal no período perinatal • Tipo III: Herança autossômica recessiva; escleras normais, forma grave, fraturas ao nascimento, deformidade progressiva, audição normal, não anda • Tipo IV: Herança autossômica dominante; escleras normais, forma com gravidade moderada, fragilidade óssea, audição normal o Subtipo A: sem dentinogênese imperfeita o Subtipo B: com dentinogênese imperfeita QUADRO CLÍNICO • Manifestações esqueléticas o Fragilidade óssea: fraturas com traumas mínimos o Deformidades na coluna: cifoescoliose o Deformidades ósseas: 10% coxa vara o Baixa estatura • Manifestações extraósseas o Baixo tônus muscular o Escleras azuis o Perda auditiva o Dentinogênese imperfeita EXAMES COMPLEMENTARES • Radiografia o Quadro de osteoporose: cortical e trabéculas finas o Várias fraturas em diferentes estágios de consolidação o Deformidades ósseas em varo ou valgo o Luxações e subluxações • Biópsia o Análise do colágeno 1 e confirma o diagnóstico DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL • Síndrome da criança espancada • Osteoporose idiopática juvenil • Raquitismo hipofosfatêmico • Acondroplasia TRATAMENTO • Não se corrige mutação genética • Puberdade: diminuição das fraturas -> ação de hormônios sexuais • Muitos tratamentos foram tentados sem sucesso • Hormônios sexuais: efeitos colaterais (fechamento da fise, puberdade precoce) • Gh, fluoreto de sódio, calcitonina, cálcio, vit C e D • Transplante de medula óssea: melhora limitada • Tratamento medicamentoso o Bifosfonatos: pamidronato ▪ Melhoram a densidade óssea ▪ Reduzem número de fraturas • Tratamento ortopédico: o Uso de órteses leves o Reduzir tempo de imobilização nas fraturas -> evitar mais osteopenia o Fisioterapia: ganho de massa muscular o Osteotomias em desvios angulares não funcionais QUESTÕES 1. Aspectos radiográficos do raquitismo Cortical adelgaçada com áreas de reabsorção, trabeculado ósseo diminuído, encurvamento dos ossos longos, alargamento da placa epifisária, linhas de looser, metáfises alargadas (“em taça”) 2. Tratamento da osteoporose Objetivo primário: prevenção em crianças e adolescentes -> nutrição adequada, prática constante de exercício físico e ingestão adequada de cálcio e vitamina D Adultos e idosos: exercícios de impacto, cessar consumo de álcool, café e fumo, prevenir quedas Suplementação de cálcio (1.200-1.500mg/dia) e vitamina D (800- 1.000UI/dia) Tratamento medicamentoso: reposição hormonal, medicamentos estimuladores de formação óssea (fluoreto de sódio e PTH), medicamento anti reabsorção óssea (estrógenos, calcitoninas e bifosfonatos)