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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA
Secretaria Nacional de Segurança Pública
Diretoria de Ensino e Pesquisa
Coordenação Geral de Ensino
Núcleo Pedagógico
Coordenação de Ensino a Distância
Reformulador
Mainar Feitosa da Silva Rocha
Revisão de Conteúdo
Felipe Oppenheimer Torres
Gustavo Henrique Lins Barreto
Revisão Pedagógica
Ardmon dos Santos Barbosa
Márcio Raphael Nascimento Maia
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
labSEAD
Comitê Gestor
Eleonora Milano Falcão Vieira
Luciano Patrício Souza de Castro
Financeiro
Fernando Machado Wolf
Consultoria Técnica EaD
Giovana Schuelter
Coordenação de Produção
Francielli Schuelter
Coordenação de AVEA
Andreia Mara Fiala
Design Instrucional
Carine Biscaro
Cíntia Costa Macedo (supervisão)
Clarissa Venturieri
Danrley Maurício Vieira
Dirce de Rossi Garcia Rafaelli
Marielly Agatha Machado
Design Gráfico
Aline Lima Ramalho
Sofia Zluhan de Amorim
Sonia Trois (supervisão)
Victor Liborio Barbosa
Linguagem e Memória
Cleusa Iracema Pereira Raimundo (supervisão)
Graziele Nack
Victor Rocha Freire Silva
Programação
Jonas Batista
Marco Aurélio Ludwig Moraes
Renan Pinho Assi
Salésio Eduardo Assi (supervisão)
Audiovisual
Rafael Poletto Dutra (supervisão)
Rodrigo Humaita Witte
Todo o conteúdo do Curso Uso da Informação em Gestão de 
Segurança Pública, da Secretaria Nacional de Segurança Pública 
(SENASP), Ministério da Justiça e Segurança Pública do Governo 
Federal - 2020, está licenciado sob a Licença Pública Creative 
Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 
Internacional.
Para visualizar uma cópia desta licença, acesse:
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
BY NC ND
Sumário
Apresentação do Curso ...............................................................................................7
MÓDULO 1 – O SABER CIENTÍFICO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO 
PÚBLICA ..............................................................................................................8
Apresentação ................................................................................................................9
Objetivos do módulo ............................................................................................................................. 9
Estrutura do módulo ............................................................................................................................. 9
Aula 1 — O Saber Racional e Empírico .....................................................................10
Contextualizando... ............................................................................................................................ 10
O conhecimento científico moderno ................................................................................................. 10
O Conhecimento científico e o empírico ........................................................................................... 11
Aula 2 — Positivismo e Ciências Humanas ...............................................................16
Contextualizando... ............................................................................................................................. 16
O positivismo ...................................................................................................................................... 16
As ciências humanas .......................................................................................................................... 19
Aula 3 — A Estatística como Ferramenta para Gestão Pública .........................22
Contextualizando... ............................................................................................................................ 22
A estatística na gestão de segurança pública .................................................................................. 22
Aula 4 — Gestão Pública Fundamentada na Perspectiva Científica ...................27
Contextualizando... ............................................................................................................................. 27
A gestão pública na perspectiva científica ....................................................................................... 27
Referências ..................................................................................................................32
MÓDULO 2 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA ........... 36
Apresentação ..............................................................................................................37
Objetivos do módulo ........................................................................................................................... 37
Estrutura do módulo ........................................................................................................................... 37
Aula 1 — Histórico da Adoção de Sistemas de Informações Criminais no Brasil e no 
Mundo ..........................................................................................................................................................38
Contextualizando... ............................................................................................................................. 38
Evolução dos sistemas de informações criminais no mundo ......................................................... 38
Aula 2 — Décadas de Atraso na Construção de Sistemas de Informações 
Criminais no Brasil .....................................................................................................53
Contextualizando... ............................................................................................................................. 53
Fatores que dificultam a construção dos sistemas de informação criminal no Brasil .................. 53
Busca pelo aprimoramento e uniformização de dados ................................................................... 55
Consequências causadas pelo atraso na construção de sistemas de informações criminais .... 56
Maneiras adequadas para medir fenômenos de criminalidade e violência ................................... 57
Aula 3 — Recentes Encaminhamentos Feitos pelo Brasil com Relação à 
Sistematização de Informações Criminais ..............................................................60
Contextualizando... ............................................................................................................................ 60
Série de ações que vêm sendo realizadas pelo SENASP ................................................................. 60
Articulação política do SINESP .......................................................................................................... 63
Articulação metodológica .................................................................................................................. 64
Articulação tecnológica ...................................................................................................................... 67
Referências ..................................................................................................................69
MÓDULO 3 – DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM 
SEGURANÇA PÚBLICA .................................................................................... 73
Apresentação ..............................................................................................................74
Objetivos do módulo ........................................................................................................................... 74
Estrutura do módulo ........................................................................................................................... 74
Aula 1 — Proposta das Organizações das Nações Unidas (ONU) ........................75
Contextualizando ................................................................................................................................ 75
Manualpara o desenvolvimento de um sistema de estatísticas .................................................... 75
Aula 2 — Indicadores Sociais da Criminalidade ..................................................82
Contextualizando... ............................................................................................................................. 82
Indicadores sociais ............................................................................................................................. 82
Aula 3 — Fontes de Informação de Segurança Pública e Justiça Criminal no 
Brasil ................................................................................................................... 91
Contextualizando ................................................................................................................................ 91
A pesquisa social e a incidência criminal ......................................................................................... 91
Aula 4 — Pesquisas de Vitimização ...........................................................................96
Contextualizando ................................................................................................................................ 96
Pesquisa de vitimização no contexto da segurança pública ........................................................... 96
Referências ............................................................................................................... 103
MÓDULO 4 – SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA 
PÚBLICA, PRISIONAIS, DE RASTREABILIDADE DE ARMAS E MUNIÇÕES, DE 
MATERIAL GENÉTICO, DE DIGITAIS E DE DROGAS – SINESP ..................... 106
Apresentação ........................................................................................................... 107
Objetivos do Módulo ......................................................................................................................... 107
Estrutura do Módulo ......................................................................................................................... 107
Aula 1 – Do Planejamento a Implantação do SINESP ...................................... 108
Contextualizando... ........................................................................................................................... 108
Criação do SINESP pela SENASP .................................................................................................... 108
Aula 2 – Finalidades do SINESP ............................................................................. 113
Contextualizando... .......................................................................................................................... 113
parametrização do Modelo Nacional de Coleta de Dados ............................................................113
Aula 3 – As Partes Interessadas: Stakeholders no SINESP ............................. 117
Contextualizando... ........................................................................................................................... 117
Stakeholders Mapeados na Formulação do SINESP ......................................................................117
Aula 4 – Dados Primários para a Implantação do SINESP ................................ 121
Contextualizando... .......................................................................................................................... 121
Estados que Decidiram Permanecer com seus Próprios Sistemas ..............................................121
Estados que Decidiram Usar o Sistema de Dados do SINESP ......................................................122
Aula 5 – As Soluções Geradas pelo SINESP ....................................................... 124
Contextualizando... .......................................................................................................................... 124
Configuração dos Módulos e Sistemas do SINESP .......................................................................124
Referências ............................................................................................................... 137
MÓDULO 5 – TÉCNICAS BÁSICAS DE ANÁLISE DE DADOS .......................... 139
Apresentação ........................................................................................................... 140
Objetivos ............................................................................................................................................ 140
Estrutura do módulo ......................................................................................................................... 140
Aula 1 – Cálculos para a Elaboração de Indicadores Sociais de Criminalidade .....141
Contextualizando... ........................................................................................................................... 141
Indicadores Sociais de Criminalidade .............................................................................................141
Cálculos para a Elaboração de Indicadores Criminais ...................................................................142
Aula 2 – Sugestões de Indicadores Sociais de Criminalidade ........................... 145
Contextualizando... ........................................................................................................................... 145
Medidas de Tendência Central ........................................................................................................ 145
Média Aritmética ............................................................................................................................... 146
Moda .................................................................................................................................................. 148
Mediana ............................................................................................................................................. 150
Aula 3 – Construção de Tabelas e Gráficos ........................................................ 153
Contextualizando... ........................................................................................................................... 153
Tabelas .............................................................................................................................................. 153
Gráficos.............................................................................................................................................. 155
Aula 4 – Elaboração de Mapas .............................................................................. 158
Contextualizando... .......................................................................................................................... 158
Elaboração de Mapas ....................................................................................................................... 158
Mapa de Pontos ................................................................................................................................ 159
Mapa Temático ................................................................................................................................. 160
Mapa de Kernel ................................................................................................................................. 161
Aula 5 – Elaboração de Relatórios ...................................................................... 163
Contextualizando... ........................................................................................................................... 163
Relatório............................................................................................................................................. 163
Referências ............................................................................................................... 168
Uso da Informação emGestão de Segurança Pública7 • Apresentação
Apresentação do Curso
Bem-vindo ao curso Uso da Informação em Gestão de 
Segurança Pública.
Nos últimos anos, o uso da informação tem se constituído 
como instrumento imprescindível para o planejamento 
governamental, formulação e avaliação de políticas públicas 
no Brasil. Isso deve-se às reformas gerenciais pelas quais o 
setor público tem gradualmente passado, desde o processo 
de democratização do aparato político brasileiro, o que implica 
a exigência de previsibilidade, planejamento e visibilidade das 
ações executadas e a existência de controles administrativos 
mais eficazes.
Desse modo, a Secretaria Nacional de Segurança Pública 
elaborou este curso com o compromisso de disseminar e 
implementar o uso da informação nos órgãos estaduais e 
municipais, com o propósito de difundir a sua importância 
no Brasil e dotar os profissionais de segurança pública com 
conhecimentos de instrumental técnico e conceituais para o 
desenvolvimento dessa ação.
Desejamos-lhe um excelente estudo!
Equipe do curso.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública8 • Módulo 1
O SABER CIENTÍFICO 
COMO FERRAMENTA 
DE GESTÃO PÚBLICA
MÓDULO 1
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública9 • Módulo 1
Apresentação
Durante o primeiro módulo, você irá entender como o 
desenvolvimento das ciências humanas renovou todos 
os campos do conhecimento humano. Também deverá 
compreender como a utilização da estatística se coloca como 
uma das principais ferramentas na solução dos desafios da 
gestão da segurança como gestor público. 
Desejamos que, ao final deste módulo, você compreenda a 
teoria que embasa o pensamento científico e a sua contribuição 
como metodologia para a investigação dos fenômenos sociais 
aplicados às atividades na gestão da segurança pública.
OBJETIVOS DO MÓDULO
Conhecer a contribuição do conhecimento científico como 
ferramenta de apoio à investigação de fenômenos sociais e à 
gestão pública. Para isso, vamos estudar como o pensamento 
científico moderno incorporou os preceitos científicos a fim de 
desenvolver as soluções para gestão das ações de segurança 
pública, além de identificar as características e a importância 
da ciência como instrumento para investigação.
ESTRUTURA DO MÓDULO
• Aula 1 – O Saber Racional e Empírico.
• Aula 2 – Positivismo e Ciências Humanas.
• Aula 3 – A Estatística como Ferramenta para Gestão Pública.
• Aula 4 – Gestão Pública Fundamentada na Perspectiva 
Científica.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública10 • Módulo 1
Aula 1 — O Saber Racional e Empírico
CONTEXTUALIZANDO... 
Na nossa primeira aula do curso Uso da Informação em 
Gestão de Segurança Pública, vamos refletir sobre a relação 
do ser humano com a construção do conhecimento. Essa 
relação percorre diferentes caminhos, desde as observações 
da realidade e suas experiências até a consolidação de uma 
forma de conhecer a realidade fundamentada racionalmente 
por meio do método científico. 
Desta forma, vamos conhecer como o saber racional foi se 
desenvolvendo ao longo da história, baseado nos fundamentos 
do método científico. 
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO MODERNO
Com a filosofia grega, inaugura-se a sistematização do uso 
da lógica e das ciências matemáticas para abordagem e 
interpretação das indagações sobre os problemas da condição 
do homem no convívio em sociedade.
O conhecimento filosófico, que nasce com Aristóteles, parte 
da dedução no processo de construção do conhecimento. 
Considera os dados como verdadeiros, denominados 
premissas que visam extrair conclusões em um processo 
racional-dedutivo de interpretação dos dados disponíveis.
O processo racional-dedutivo, ou método dedutivo, parte 
da compreensão da regra geral ou premissa para chegar 
a conclusão dos casos específicos, enquanto o método 
indutivo considera os casos específicos para tentar chegar 
a uma regra geral, levando à generalização de uma hipótese, 
conforme a figura a seguir. 
Significa a 
proposição, o 
conteúdo, as 
informações 
essenciais que 
servem de base 
para um raciocínio, 
para um estudo 
que levará a uma 
conclusão.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública11 • Módulo 1
Figura 1: Método 
dedutivo e indutivo. 
Fonte: Salmon 
(1978), adaptado 
por labSEAD-UFSC 
(2019).
Desta forma, é importante fazer uma distinção entre o 
conhecimento empírico e o conhecimento científico, visando 
sair do senso comum para chegar ao plano dos saberes 
racionais, os quais são aplicados atualmente em muitas 
práticas vivenciadas pela sociedade. 
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O 
EMPÍRICO
O conhecimento racional é exato e infalível, como a matemática, 
por exemplo. Contudo, este saber não pode ser testado ou 
experimentado no mundo físico, somente demonstrado. Para 
Popper (1973), esse aspecto é fundamental para a distinção 
entre o conhecimento filosófico e o científico. 
O conhecimento filos fico infal vel e imposs vel 
de ser testado, j o conhecimento cient fico deve 
necessariamente ser testado sempre, sendo, 
portanto, fal vel por defini o. 
Podemos dizer que o conhecimento científico compreende 
as informações e fatos que são comprovados por meio 
da ciência e o conhecimento filosófico nasce a partir das 
reflexões que o ser humano faz sobre questões subjetivas.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública12 • Módulo 1
Voc sabe a distin o entre o conhecimento cient fico e 
filos fico no contexto contempor neo? Convidamos voc 
a conhecer autores como Descartes, Bacon e Galileu, que 
discutem sobre esse tema no artigo: “A ci ncia como forma de 
conhecimento”, acessando o link: 
 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1806-58212006000200014
Importante destacar que, no século XVII, o pensamento 
científico moderno passa a se consolidar na medida em 
que a legitimidade dos saberes construídos vincula-se 
à observação da realidade (empirismo), colocando tal 
explicação à prova (experimentação).
Veja a seguir uma breve síntese conceitual sobre os 
diferentes tipos de conhecimento.

Saiba mais
CONHECIMENTO EMPÍRICO 
Baseado no senso comum e na intera o com o 
ambiente, ocorre por meio de simples dedu es e sem 
provas concretas. Exemplificando: o agricultor, pela sua 
observa o, sabe exatamente quando plantar e colher 
baseado no resultado de colheitas anteriores.
1
CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
Relacionado à l gica e ao pensamento cr tico, baseado 
em fatos analisados cientificamente, de modo que sua 
veracidade ou falsidade podem ser comprovadas. Como 
exemplo: a descoberta de outros planetas, por meio da 
observa o com telesc pios superdesenvolvidos.
2
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública13 • Módulo 1
CONHECIMENTO FILOSÓFICO 
Baseado na capacidade do ser humano de refletir no 
campo das ideias e conceitos; n o verific vel. Uma 
forma de reconhecer esse conhecimento pode ser 
sobre o pensamento de que as m quinas um dia ir o se 
sobrepor aos humanos.
Figura 2: S ntese conceitual de diferentes conhecimentos cient ficos. 
Fonte: labSEAD-UFSC (2019).
3
Assim, inicia-se o raciocínio hipotético-dedutivo, que, 
associado ao raciocínio matemático, utiliza-se da construção 
de novos instrumentos de medida (tempo, distância, calor, 
peso etc.) para a apreensão dos fenômenos. 
Karl Popper (1902-1994) foi o criador do m todo hipot tico-
dedutivo. Para ele o conhecimento cient fico n o possui o valor 
de verdade, mas de probabilidade. Em sua obra Conjecturas 
e refuta es, defende a exist ncia de diferentes graus de 
proximidade da verdade, ou seja, embora uma hip tese 
cient fica possa ser refutada, parte de seu conte do pode ser 
verdadeiro. A essa proximidade da verdade, ele chamou de 
verossimilhan a (POPPER, 1991).
Contudo, o conhecimento científico apresenta conceitos que 
fundamentam a ciência, conforme representado a seguir.
Palavra do Especialista

O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública14• Módulo 1
Figura 3: Teoria 
cient fica. 
Fonte: Shutterstock 
(2019), adaptado 
por labSEAD-UFSC 
(2019). 
Fundamenta-se numa metodologia definida como um conjunto 
de procedimentos que visa buscar explicações para os 
fenômenos sociais. De forma geral, os fundamentos do método 
científico, em sua forma experimental, partem da observação.
A observação é a etapa em que se observa determinado 
fenômeno ou fato social. Essa fase envolve o questionamento 
sobre a realidade a ser observada, buscando respostas pautadas 
no conhecimento prévio sobre os fenômenos semelhantes. 
Dessas respostas, nasce a elaboração das hipóteses, que é 
considerada o ponto de partida da experimentação. 
A experimentação se desenvolve de acordo com os 
conhecimentos e práticas necessários para o esclarecimento 
de cada hipótese levantada.
Após a experimentação, começa a mensuração dos resultados 
encontrados, que envolve a conclusão do experimento, 
verificando as hipóteses levantadas. Assim, as afirmações 
são validadas pela mensuração dos resultados, que passa 
a ser chamado de teoria. No caso da segurança pública, 
por exemplo, a análise da balística, que serve como prova 
documental para criminologia.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública15 • Módulo 1
Assim sendo, o método científico analisa dados particulares 
por meio de experiências controladas para concluir uma 
verdade geral, ou teoria. Contudo, podem vir a surgir outros 
fatos científicos, e uma nova teoria substituirá a anterior. 
Desta maneira, o conhecimento científico, ainda que 
experimentado, não é infalível.
A partir de então, o saber não repousa mais somente na 
especulação, ou seja, no simples exercício do pensamento, 
baseia-se igualmente na observação, experimentação e 
mensuração, fundamentos do método científico em sua 
forma experimental. Nesse sentido, podemos dizer que o 
método científico nasce do encontro da especulação com o 
empirismo (LAVILLE; DIONE, 1999).
Figura 4: An lise 
de bal stica como 
prova criminal. 
Fonte: Shutterstock 
(2019)
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública16 • Módulo 1
Aula 2 — Positivismo e Ciências Humanas
CONTEXTUALIZANDO...
Como vimos ao longo da história, o método científico passa a 
influenciar fortemente a construção do conhecimento científico. 
Assim, nasce a corrente positivista, que busca explicações 
sobre as leis do mundo social passando a investigar o homem 
na sociedade em que está inserido. Surgem então as ciências 
humanas, que influenciam o desenvolvimento da ciência 
conhecida como sociologia, que tem como prioridade a 
explicação da realidade em que o homem vive. 
O POSITIVISMO
No século XVIII, surgiram as ciências humanas, com o objetivo 
de trazer para as investigações sobre a condição do homem 
em sociedade – até então objeto restrito às especulações 
filosóficas – os mesmos preceitos e modelos aplicados nas 
ciências da natureza. As ciências humanas referem-se àquelas 
que têm o próprio ser humano como objeto de estudo.
Nesse sentido, o desenvolvimento inicial da área partiu dos 
preceitos de construção de um saber científico amparado no 
modelo positivista, idealizado pelo pensador francês Augusto 
Comte (1798-1857), que criou essa corrente filosófica que 
busca explicações sobre as leis do mundo social. 
Figura 5: Augusto 
Comte, o pai 
da sociologia. 
Fonte: Wikimedia 
Commons (2019).
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública17 • Módulo 1
Podemos dizer que o pensamento positivista coloca a ciência 
como o estudo da sociedade, determinado por uma legislação 
que possa ser útil para o progresso humano. Na verdade, o 
positivismo envolvia o desenvolvimento de um projeto político, 
em que a sociedade deveria ser gerida pela ciência. 
Augusto Comte entendia a sociedade sob a premissa 
fundamental da est tica social e da din mica social. 
Para ele, na lei da est tica social, o desenvolvimento 
ocorre quando a sociedade se organiza na sua 
din mica social de modo a evitar o caos e a 
confus o (LAGAR et al., 2013).
Encontramos, por exemplo, no lema “ordem e progresso”, a 
busca de uma organização, que explica os fenômenos sociais 
através da aplicação da metodologia científica, por meio de 
leis universais que são validadas para as dinâmicas humanas 
em todos os tempos e sociedades. 
Voc sabia que a corrente positivista influenciou obras 
importantes no mundo todo e suas ideias ganharam muitos 
seguidores no Brasil. Inclusive sua presen a foi not vel no 
movimento republicano e na elabora o da Constitui o de 1891. 
 
Para conhecer mais sobre a obra e seu criador, convidamos voc a 
ler: Comte, vida e obra, dispon vel em: 
 
http://www.ldaceliaoliveira.seed.pr.gov.br/redeescola/
escolas/18/1380/184/arquivos/File/materiais/2014/sociologia/
Colecao_Os_Pensadores_Auguste_Comte.pdf

Saiba mais
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública18 • Módulo 1
O modelo positivista apresenta, segundo Laville e Dione 
(1999), algumas características importantes, descritas na 
imagem a seguir.
Figura 6: Caracter sticas do modelo positivista. 
Fonte: labSEAD-UFSC (2019).
Empirismo:
conhecimento adquirido 
pela experiência e pelos 
sentidos, validado 
por meio do método 
científico.
Validade:
o resultado da 
experimentação 
é rigorosamente 
controlado por meio 
de mensurações 
precisas.
Leis e previsão:
as leis são 
estabelecidas pelo 
domínio físico, inscritas 
na natureza, à qual os 
seres humanos são 
submetidos.
Experimentação: 
a precisão da 
hipótese levantada 
é demonstrada por 
testes. 
Objetividade:
atitude intelectual 
que considera 
a realidade do 
objeto e a posição 
imparcial do 
pesquisador.
No inatismo, o 
conhecimento de 
um indivíduo nasce 
com ele. Um dos 
primeiros filósofos 
a defender a ideia 
de conhecimento 
inato foi Platão, 
que afirmava que 
a alma precede 
o corpo, ou 
seja, todo o ser 
humano já detém 
o conhecimento 
armazenado em 
sua alma das 
encarnações 
passadas. Considerando as características do modelo positivista, o 
conhecimento resultante de ideias inatas – como as crenças 
e valores morais – é, pelo ponto da validade científica, 
desqualificado, pois para o empirismo todo o conhecimento é 
capturado pelos sentidos e a partir da experiência.
Para o positivismo, os fenômenos sociais ou naturais devem ser 
tratados com imparcialidade, universalidade e isentos de todo 
o modo de distorção política, ideológica, espacial ou temporal. 
Como ciência positiva, faz uso da metodologia quantitativa, na 
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública19 • Módulo 1
qual o conhecimento é validado a partir do desenvolvimento 
de experiências que obedeçam às mesmas condições de 
realização, o que torna possível generalizar os resultados 
encontrados, conforme representado na imagem a seguir.
Figura 7: Coleta 
de informa es 
da cena do crime. 
Fonte: Shutterstock 
(2019).
Como podemos observar, o método positivista ainda reflete na 
ciência que fazemos na sociedade contemporânea. Podemos 
deduzir que o conhecimento positivista é determinista e 
que esse modelo permite a interferência humana sobre o 
mundo físico, pois o conhecimento das leis permite prever os 
comportamentos sociais e geri-los cientificamente.
AS CIÊNCIAS HUMANAS
O desenvolvimento das ciências humanas renovou todos os 
campos do conhecimento humano, desafiando o indivíduo 
a encontrar respostas para as grandes interrogações sobre 
a humanidade, sua identidade e as condições sociais e 
culturais de cada época.
No século XX, as ciências humanas passam a instituir novos 
fundamentos científicos para compreender as dimensões da 
história humana, colocando em questão algumas certezas 
da humanidade, como, por exemplo, a crença de que uma 
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública20 • Módulo 1
raça, etnia ou certas características físicas sejam superiores 
a outras, resultando no fato histórico da escravidão. Um 
outro exemplo é quando a ciênciacomprova a evolução 
humana pela análise científica dos crânios, conforme 
representado na imagem a seguir.
Evolução da Humanidade
Figura 8: Comprova o cient fica da evolu o da humanidade.
Fonte: Shutterstock (2019), adaptado por labSEAD-UFSC (2019).
Atualmente, o paradigma positivista já não é o único para 
abordagem dos fenômenos humanos. A sociologia, a psicologia e 
a história são exemplos de saberes científicos que se enquadram 
no campo das ciências humanas e não são necessariamente 
positivistas. Ainda que eventualmente possam lançar mão de 
ferramentas e métodos quantitativos, similares aos das ciências 
positivas, isto é, experimentais, observáveis, replicáveis e 
mensuráveis, sua adesão ao paradigma não é absoluta. 
 
Os fen menos humanos e sociais s o contextuais 
(variam no tempo e no espa o) e multideterminados 
(as rela es sociais, a gen tica e a conjuntura social 
influenciam os eventos), conforme apontaram 
Durkheim (2001) e Moscovici (2011).
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública21 • Módulo 1
Portanto, para Durkheim (2001), a ciência tem como prioridade 
a explicação da realidade em que o homem vive. Essa 
realidade, Durkheim chamava de fato social, que, além de 
ser explicado, pode ser quantificado, pois considerava que 
explicar um fenômeno social é identificar o fenômeno que o 
produz, normalmente para estabelecer a causa, a qual deve ser 
procurada no meio social.
O pensamento metodol gico da teoria sociol gica de 
Durkheim centra-se no fato social como espec fico 
e objeto da ci ncia, porque pode ser categorizado, 
dividido em conjuntos sociais e classificados em 
g neros e esp cies (DURKHEIM, 2001).
Dessa forma, podemos mensurar as causas dos fenômenos 
sociais por meio de recursos quantitativos, quando estes são 
replicáveis e mensuráveis (por exemplo, quando se lança mão 
de ferramentas de estatística), e recursos qualitativos, quando 
priorizam a narrativa e a interpretação conjuntural dos dados 
(como na utilização de entrevistas, por exemplo).
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública22 • Módulo 1
Aula 3 — A Estatística como Ferramenta 
para Gestão Pública
CONTEXTUALIZANDO... 
Atualmente a utilização da estatística no planejamento 
das atividades dos profissionais de segurança pública se 
coloca como um dos principais instrumentos para busca de 
resultados satisfatórios no controle social e democrático do 
crime e da violência. Dessa forma, abordaremos nesta aula o 
estudo da estatística e a sua aplicação como instrumento para 
a gestão da segurança pública.
 
A ESTATÍSTICA NA GESTÃO DE 
SEGURANÇA PÚBLICA
Antes de iniciarmos nosso estudo, vamos refletir sobre algumas 
questões sobre criminalidade e estatística, tais como:
• Você conhece algo da história da estatística como 
instrumento para gestão da segurança pública?
• Qual a importância de mensurar os registros criminais?
• Divulgar os índices de criminalidade assusta ou ajuda a 
prever o futuro?
Agora, vamos conhecer a construção histórica da estatística e 
seu surgimento no contexto do desenvolvimento de um saber 
científico de cunho positivista. É dessa concepção positivista 
que o conhecimento estatístico passa a ser assumido como uma 
ferramenta para a construção da objetividade na investigação 
dos fenômenos sociais e na gestão pública em muitos países.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública23 • Módulo 1
“
“
O uso da estatística remonta aos anos de 5.000 
a 2.000 a.C. e j se apresentava, em civiliza es 
antigas do Egito, Mesopot mia e China, como 
instrumento para “gest o e administra o do 
Estado, com nfase nos neg cios fiscais, militares e 
policiais” (LIMA, 2005, p. 19).
Historicamente, o conhecimento estatístico é voltado ao 
levantamento de informações para que o Estado possa governar 
e organizar o território. A partir do século XIX, o uso de registros 
estatísticos passa a servir a uma série de levantamentos e 
pesquisas sobre os mais diferenciados assuntos.
O século XIX viu florescer numerosas pesquisas 
estatísticas cobrindo domínios tão variados quanto a 
prostituição, as condições de vida dos operários, os 
traços antropométricos de conscritos ou criminosos, os 
sistemas industrial e agrícola. (MARTIN, 2001, p. 14)
Em outras palavras, segundo Lima (2005), os conhecimentos 
estatísticos permitem delimitar e controlar fenômenos sociais e, 
por meio dos registros, possibilitam intervir na realidade humana. 
Vamos lembrar do caso da chacina das Cajazeiras, ocorrida em 
janeiro de 2018, na cidade de Fortaleza, no Cear , em que homens 
armados invadem atirando numa festa, resultando em 14 pessoas 
mortas e outras 10 feridas. A pol cia chamada e, ao formalizar a 
ocorr ncia, quantos homic dios ter o sido registrados? 

Na Prática
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública24 • Módulo 1
No relato das ocorrências, foram registradas 14 vítimas e 
outras 10 tentativas de homicídio, totalizando 24 ocorrências 
na chacina das Cajazeiras. Dessa forma, com o uso da 
estatística, pode-se construir índices que representem a 
realidade, com a possibilidade de quantificação dos dados, 
e, a partir disso, realizar o planejamento das atividades dos 
profissionais da segurança pública. Portanto, é com essa 
perspectiva que a estatística, como ciência aplicada, passa a 
se incorporar ao trabalho do gestor público.
Segundo o autor da tese Contando crimes e criminosos em S o 
Paulo: uma sociologia das estat sticas produzidas e utilizadas 
entre 1871 e 2000, os dados estat sticos em si s o atribu dos às 
coisas, mas evocam a prerrogativa para coisificar as n o coisas, 
ou seja, conceitos como crime, criminalidade, criminosos e 
viol ncia n o s o reduz veis a objetos concretos no tempo e no 
espa o, mas traduzem situa es e comportamentos sociais que 
se sobressaem aos olhares e saberes. (LIMA, 2005).
Importante observar que, com os avanços dos conhecimentos 
estatísticos, países como Alemanha, Inglaterra e França 
prenunciaram algumas possibilidades de uso de dados 
quantificados, como instrumentos para gestão pública, de 
acordo com a figura a seguir.
Palavra do Especialista

O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública25 • Módulo 1
Figura 9: Modelos adotados em pa ses com avan os estat sticos. 
Fonte: Shutterstock (2019), labSEAD-UFSC (2019).
Alemanha
Inglaterra
França
Modelo focado em medições de 
fenômenos sociais, por intermédio da 
sistematização das informações sobre 
saúde, demografia e uso do espaço.
Modelo aritmético que priorizava as 
questões da mortalidade e os aspectos 
demográficos; seu ponto de partida 
era a coleta, o registro e o tratamento 
de fenômenos como os nascimentos, 
casamentos, batismos e mortes.
Modelo que adota parâmetros técnicos 
e metodológicos, desenvolvendo o 
recenseamento da população, visando ao 
controle social.
Desta forma, esses foram os percursores de algumas 
possibilidades de uso de dados quantificados. Observamos 
que, no período inicial, predominava a visão positivista. 
O desenvolvimento posterior das reflexões e parâmetros 
metodológicos a serem seguidos pelas ciências sociais 
demonstraram que o real não se configura como um ente dado 
e pronto à percepção a partir do emprego dos instrumentos 
adequados de quantificação.
 
De acordo com Lima (2005), o próprio processo de consolidação 
de informações e dados para aferição de uma dada realidade 
partem de percepções, construções, escolhas e limitações, 
bem como encontram-se submetidos, muitas vezes, ao sabor 
das disputas e conflitos de interesses de toda ordem. 
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública26 • Módulo 1
“
“
Nesse sentido, é interessante ressaltar a reflexão que pauta 
o estudo de Lima (2005) sobre o uso de estatísticas para a 
análise criminal em São Paulo. Ele defende que:
[...] mais do que isentos, os números e as formas como 
eles estão organizados respondem às dinâmicas das 
disputas de poder em torno das regras sobre comoe 
quem governa. (LIMA, 2005, p. 27).
Podemos dizer que os números para o gestor são 
instrumentos de um discurso que busca a verdade de uma 
dada realidade, com pressupostos de objetividade e de 
legitimidade, como resultado de múltiplos processos de 
contagem, medição e interpretação de fatos (LIMA, 2005), 
conforme podemos identificar na análise no laboratório de 
criminalística na imagem a seguir. 
Portanto, segundo Lima (2005), os dados quantificáveis 
passam a ter significação na medida em que são 
interpretados, tornando-se assim elementos de compreensão 
da produção e utilização de informações estatísticas na 
prática da gestão da segurança pública.
Figura 10: An lise de 
amostra de cabelos 
no laborat rio de 
criminal stica. 
Fonte: Shutterstock 
(2019).
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública27 • Módulo 1
Aula 4 — Gestão Pública Fundamentada 
na Perspectiva Cient fica
A necessidade 
de adquirir os 
conhecimentos 
por meio da 
experiência 
sensível.
O fato de 
buscar 
controlar ao 
máximo os 
preconceitos 
que deturpam 
a visão da 
realidade.
A fundamentação 
do conhecimento 
em experiências 
empíricas 
rigorosamente 
determinadas 
em termos 
metodológicos.
A busca pelo 
estabelecimento 
de previsões.
Figura 11: 
Estat stica aplicada 
na melhoria 
da gest o da 
seguran a p blica. 
Fonte: labSEAD-
UFSC (2019).
Palavra derivada 
de “método”, do 
latim “methodus”, 
cujo significado é 
“caminho ou a via 
para a realização de 
algo”. Metodologia é 
o campo em que se 
estuda os melhores 
métodos praticados 
em determinada área 
para a produção do 
conhecimento.
CONTEXTUALIZANDO...
A visão científica da realidade passa a fundamentar a gestão 
pública, a qual incorpora uma série de características do 
saber científico que envolve o processo de consolidação de 
informações e dados para aferição de uma dada realidade. 
Por isso, metodologias que possuem comprovação científica 
de efetividade e que superam “achismos” passam a 
fundamentar as ações da gestão pública.
A GESTÃO PÚBLICA NA PERSPECTIVA 
CIENTÍFICA
A visão científica da realidade visa fundamentar a gestão 
pública, a qual incorpora uma série de características do 
saber científico. O conhecimento científico tem como 
característica a busca pela rigorosidade e, para isso, faz o 
uso de uma metodologia específica. 
Assim, por meio de uma metodologia, a estatística aplicada 
visa prever os possíveis cenários para melhoria da gestão da 
segurança da informação, conforme representado a seguir.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública28 • Módulo 1
Um bom exemplo da aplicação dos princípios científicos à 
gestão de políticas públicas foi um estudo realizado pela Rand 
Corporation (Pesquisa e Desenvolvimento), em 1996, que 
avaliou os resultados de cinco ações diferentes realizadas nos 
Estados Unidos para retirar as crianças do mundo do crime, 
considerando o custos e benefícios das ações. 
Conhe a as pesquisas realizadas pela Rand Coporation na rea 
da gest o p blica em diversos pa ses, dispon vel em: https://
www.rand.org/research.html, e observe a an lise e objetividade 
rigorosa dos projetos da organiza o.
Com base nesse estudo destacado, ocorreu uma mudança 
significativa na ação do governo dos Estados Unidos em 
termos da gestão de políticas de segurança pública, que 
passou a contar com:

Saiba mais
1. Visitas a 
famílias em 
situação de 
risco.
4. Supervisão de 
delinquentes fora 
da prisão.
3. Programas 
nas escolas 
de incentivo 
à entrada na 
universidade.
2. Capacitação 
de pais 
cujos filhos 
apresentam 
problemas.
Figura 12: Aplica o dos princ pios cient ficos na seguran a p blica no 
governo dos Estados Unidos da Am rica. Fonte: labSEAD-UFSC (2019).
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública29 • Módulo 1
A ação do gestor público fundamentou-se em uma avaliação 
empírica e objetiva dos resultados de diferentes opções de 
respostas para um mesmo problema, possibilitando que se 
construísse uma projeção dos resultados futuros dessas ações.
Esse procedimento implica uma gestão de 
resultados, entendida por meio da experi ncia 
emp rica. Estabelece-se um conhecimento sobre 
quais s o as a es que levam ao alcance do melhor 
resultado poss vel e, partir da , a gest o passa a ser 
orientada por esse conhecimento.
Cabe destacar que essa classificação das ações em 
função dos seus resultados previstos sempre deverá ser 
contextualizada, levando em conta as características de 
inúmeros fatores externos intervenientes (chamados variáveis) 
na relação entre ação e resultado.
Ao discutir o processo de evolução das ciências, Popper 
(1973) aponta uma questão importante a ser observada: 
A teoria cient fica ser sempre conjectural e provis ria. N o 
 poss vel confirmar a veracidade de uma teoria pela simples 
constata o de que os resultados de uma previs o efetuada 
com base naquela teoria se verificaram. Essa teoria dever 
gozar apenas do estatuto de uma teoria n o (ou ainda n o) 
contrariada pelos fatos. A isto Popper (1973) deu o nome de 
“princípio da falseabilidade”. 
Conforme Santos (2015), o princípio proposto por Popper, em 
vez de buscar a verificação de experiências empíricas que 
confirmassem uma teoria, buscava fatos particulares que, 
depois de verificados, refutariam a hipótese. 
Palavra do Especialista

O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública30 • Módulo 1
Assim, em vez de se preocupar em provar que uma teoria era 
verdadeira, ele se preocupava em provar que ela era falsa. 
Quando a teoria resiste à refutação pela experiência, pode ser 
considerada comprovada. 
Muito mais do que uma pirotecnia tecnol gica, a 
revolu o da seguran a p blica ocorre com o uso 
de metodologias cada vez mais focadas, proativas 
e integradas, que possuem comprova o cient fica 
de efetividade, superando a era dos “achismos” 
(LIMA, 2018).
É importante, neste caso, eliminar a teoria que se provou 
falsa e procurar uma outra teoria para explicar o fenômeno 
em análise. Esse aspecto é fundamental para a definição da 
ciência, pois “científico” é apenas aquilo que se sujeita a este 
confronto com os fatos. Ou seja, só é científica a teoria que 
pode ser refutável. 
 
Uma afirma o que n o possa ser confrontada em 
sua veracidade pela compara o com a realidade 
n o cient fica. Para Popper (1973), a verdade 
inalcan vel, todavia devemos nos aproximar dela 
por tentativas.
Dessa forma, podemos concluir que o estado atual da 
ciência é sempre provisório. Essa evolução se caracteriza 
principalmente pela constante incerteza sobre o que é e pela 
certeza sobre o que não é. 
Assim, grandes achados científicos que durante décadas foram 
considerados como verdade absoluta podem, em decorrência 
desse princípio, ser invalidados em algum momento.
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública31 • Módulo 1
 
Conhe a a experi ncia de como a cidade Nova York se tornou 
exemplo ao usar a ci ncia para frear a criminalidade, na 
mat ria jornal stica: “É uma revolu o: a an lise de dados e o 
uso de evid ncias cient ficas mudaram a seguran a p blica”, 
acessando no link a seguir: https://gauchazh.clicrbs.com.
br/seguranca/noticia/2019/07/e-uma-revolucao-a-analise-
de-dados-e-o-uso-de-evidencias-cientificas-mudaram-a-
seguranca-publica-cjxnm8u7b057v01o9gsi0hp22.html.
Por essa razão, a gestão pública tem que submeter suas ações 
a testes contínuos, pois a constante mudança da realidade 
vivida pode trazer surpresas em relação aos resultados 
previstos para as ações executadas.

Saiba mais
O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública32 • Módulo 1
Referências
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O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública33 • Módulo 1
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O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública34 • Módulo 1
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O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública35 • Módulo 1
WIKIMEDIA COMMONS. [S.l.], 2019. Disponível em: https://
commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page. Acesso em: 27 
nov. 2019.
Sistema de Informação em Segurança Pública36 • Módulo 2
SISTEMA DE 
INFORMAÇÃO EM 
SEGURANÇA PÚBLICA
MÓDULO 2
Sistema de Informação em Segurança Pública37 • Módulo 2
Apresentação
Iniciaremos o estudo do segundo módulo com uma reflexão 
sobre a evolução histórica dos sistemas de informações 
criminais no mundo, com foco especial no Brasil. No decorrer 
deste módulo, você acompanhará os processos pelos quais 
o país passou em relação ao desenvolvimento de sistemas 
de informações criminais, e verificará que foram anos sem a 
devida integração e compilação desses dados, seja por falta 
de interesse político, seja por ausência de tecnologia, ou ainda 
por falta de profissionais capacitados na área. Isso gerou um 
enorme desencontro de informações e gastos públicos. Porém, 
atualmente, foram feitos alguns encaminhamentos para avanço 
e maior integração dos sistemas de informações, que você 
poderá acompanhar no decorrer deste módulo. Bons estudos!
OBJETIVOS DO MÓDULO
Desenvolver uma visão sobre a evolução dos sistemas de 
informações criminais no Brasil e no mundo, bem como 
conhecer as décadas de atraso pelas quais o Brasil passou e 
ainda passa com relação à construção de sistemas criminais 
e, por fim, compreender quais foram os encaminhamentos 
dados recentemente com relação aos sistemas de 
informações criminais no país.
ESTRUTURA DO MÓDULO
• Aula 1 – Histórico da Adoção de Sistemas de Informações 
Criminais no Brasil e no Mundo.
• Aula 2 – Décadas de Atraso na Construção de Sistemas de 
Informações Criminais no Brasil.
• Aula 3 – Recentes Encaminhamentos Feitos no Brasil com 
Relação à Sistematização de Informações Criminais.
Sistema de Informação em Segurança Pública38 • Módulo 2
Aula 1 — Histórico da Adoção de Sistemas de 
Informações Criminais no Brasil e no Mundo
Surveys é um termo 
usado para métodos 
de pesquisas 
quantitativas 
aplicadas a um 
determinado grupo 
de pessoas. 
CONTEXTUALIZANDO...
Você sabia que diversos países dão muito valor às informações e 
estatísticas criminais e que essas áreas são reconhecidas tanto 
como usuárias quanto como produtoras de informações? E, o 
mais importante, que têm o devido reconhecimento político por 
parte das autoridades com relação à importância da utilização dos 
dados gerados nesses setores de conhecimento? Pois é o que 
veremos agora nesta aula sobre o histórico de adoção de sistemas 
de informações criminais no Brasil e no mundo. Acompanhe!
EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE 
INFORMAÇÕES CRIMINAIS NO MUNDO
Diversos países, principalmente os mais desenvolvidos, 
dispõem de sistemas de informações criminais próprios, 
utilizando como fonte de informações e registros de 
ocorrências policiais, atividades judiciais e dados gerados 
a partir de questionários e surveys diversos. Este método 
é o mais indicado quando se deseja responder questões 
que expressem opiniões, costumes ou características de 
um determinado público-alvo. Exemplos de pesquisas do 
tipo survey são medições de audiência televisiva realizadas 
pelo IBOPE, censos, pesquisas Top of Mind, e de satisfação(INSTITUTO OPUS, 2019).
Nesses países, as áreas de informações em segurança pública 
são reconhecidas e valorizadas pelas autoridades políticas. 
Essas áreas atuam tanto como usuárias (usam os dados 
gerados) como produtoras (produzem os dados gerados) de 
dados estatísticos e têm enorme relevância para a sociedade.
39 • Módulo 2
Fontes primárias 
de informações 
são informações 
produzidas 
diretamente 
pelos autores 
da informação. 
Exemplificando: no 
cenário de crime, 
as informações 
primárias seriam 
os relatos de 
testemunhas, da 
vítima, de policiais 
e o inquérito 
policial.
1805
INGLATERRA
1830-1840
Monitoramento anual da situação 
carcerária do país.
Classificação dos crimes por categorias: 
crimes contra as pessoas; contra a 
propriedade com atos de violência e sem 
violência; contra a propriedade com a 
finalidade de destruição; contra a moeda, a 
segurança e tranquilidade públicas.
Sistema de Informação em Segurança Pública
Segundo Lima (2005), a França, em 1803 (quatorze 
anos ap s a deflagra o da Revolu o Francesa), 
foi pioneira na coleta regular de dados das 
cortes criminais como instrumento de auxílio 
à administração pública. Desde ent o, diversos 
pa ses passaram a criar formas de monitoramento e 
aprimoramento de seus dados criminais.
A recente utilização de tecnologias informacionais na 
sistematização de dados tem diminuído as desconfianças 
com relação à validade e legitimidade das fontes primárias 
de informações.
Sabendo da relevância da utilização de dados para as 
investigações criminais, você poderá conhecer mais adiante 
um pouco mais sobre a evolução desses sistemas de 
informações em países como Inglaterra, França, Portugal, 
Alemanha, Estados Unidos e Brasil.
Começaremos falando da Inglaterra, que, segundo Lima 
(2005), já em 1805 passou a monitorar a situação carcerária 
do país de modo sistematizado. Veja na figura a seguir.
Sistema de Informação em Segurança Pública40 • Módulo 2
1856
1857
1895-1899
Ato para Polícias Municipais (“Borough 
Police Act”); compilação de informações 
fornecidas pelo Ministério do Interior, pela 
Corte de Apelação Criminal, pelo Procurador 
Geral, pela Polícia e por outras fontes, tanto 
na Inglaterra como no País de Gales.
Publicação das estatísticas criminais, com 
uso de dados policiais, judiciais e prisionais 
referentes ao ano de 1856.
Produção de relatórios interministeriais, 
associando registros administrativos e 
“comprehensive surveys”, chamados por 
Lima de “embriões das pesquisas de 
vitimização recentes” (LIMA, 2005, p. 47).
Chancelaria de Paris publica o “Balanço Geral” (“Compte 
general”) de monitoramento das atividades básicas das 
instituições de justiça.
Período de coleta de estatísticas judiciárias pelo Ministério 
Público da França.
Publicação de ofícios circulares, a fim de discutir e padronizar 
as informações coletadas.
Publicação por parte da Chancelaria de Paris, de carta circular 
demandando a atualização do sistema desde 1826.
Atualmente são produzidos dois relatórios anuais na Inglaterra: 
o Relatório Anual dos Comissários das Prisões, com estatísticas 
sobre pessoas presas nos estabelecimentos prisionais e 
reformatórios; e o Relatório Anual da Polícia Metropolitana, com 
informações sobre crimes e estrutura de polícia.
Já na França, os sistemas de informações criminais começaram 
com a coleta de estatísticas judiciárias feitas pelo Ministério 
Público em 1825, passando por diversas adaptações até a 
adoção da tecnologia como uma posição de destaque na 
produção de estatísticas criminais. Veja na figura a seguir.
 
Figura 1: Evolu o 
de informa es 
criminais na 
Inglaterra. 
Fonte: labSEAD-
UFSC (2019).
FRANÇA
1825-1968
1825-1989
1826
1905
Sistema de Informação em Segurança Pública41 • Módulo 2
Instituto Nacional de Estatísticas da França (INSE) responsável 
pela produção de estatísticas criminais.
Tecnologia passa a ocupar uma posição de destaque na 
produção de estatísticas criminais na França.
Centro de Pesquisas Sociológicas sobre o Direito e Instituições 
Penais (CESDIP) constitui a base de estatísticas criminais 
de 1931 a 1981, com fontes e instituições diversas, incluindo 
contagens de crimes e de criminosos.
1949
1955
1989
Figura 2: Evolu o dos sistemas de informa es criminais da Fran a. 
Fonte: labSEAD-UFSC (2019). 
Você pôde observar que, no período de 1825 a 1968, 
a chancelaria de Paris publicou o Balanço Geral de 
monitoramento das atividades básicas das instituições de 
justiça, utilizando as estatísticas do Ministério Público francês 
como fonte para a geração de tabelas e quadros estatísticos 
nacionais, inclusive com estratificação por áreas geográficas.
É importante salientar que, em 1826, mesmo após iniciada 
a publicação recorrente de ofícios circulares com o objetivo 
de discutir e padronizar as informações coletadas, a falta 
de preocupação específica com as fontes de informação 
fez com que essas circulares e os dados coletados fossem 
questionados continuamente.
Segundo Lima (2005), é oportuno apontar que em 1949 
o Instituto Nacional de Estatísticas da França (INSE) 
começou a se responsabilizar pela produção de estatísticas 
criminais, incluindo o controle cadastral de antecedentes e 
impedimentos eleitorais dos condenados pela justiça. 
O INSE passou a utilizar a tecnologia dispon vel 
para padronizar documentos, categorias e regras de 
classifica o de fatos.
Sistema de Informação em Segurança Pública42 • Módulo 2
Após o ano de 1955, a tecnologia passou a ocupar posição 
de destaque na produção de estatísticas criminais na 
França e reforçou o debate sobre validade e legitimidade 
dos dados relativos à essa área.
Em 1989, o Centro de Pesquisas Sociológicas sobre o 
Direito e Instituições Penais (CESDIP) criou uma base de 
estatísticas criminais francesas, datadas de 1931 a 1981, 
incluindo a contagem de crimes e criminosos, porém 
distribuída em várias fontes e instituições.
Continuando a apresentação da evolução dos sistemas 
de informações criminais no mundo, vamos falar agora 
de Portugal, que passou a compilar suas informações 
criminais a partir de 1835, evoluindo para o monitoramento 
de dados em diversas regiões do país, conforme 
apresentado na linha do tempo a seguir.
PORTUGAL
Compilação de informações pelo Ministério dos Negócios 
Eclesiásticos e de Justiça (MNEJ) junto aos tribunais de 
apelação ou recursos referentes a diversas categorias criminais.
Escrivães de diferentes comarcas devem produzir mapas 
criminais (a serem compilados pelo MNEJ), a fim de simplificar 
o processo de coleta de informações.
Juízes de primeira instância passam a ser obrigados a produzir 
compilações anuais das causas em que atuam, categorizadas 
por ato judiciário realizado.
Criou-se a repartição de estatística ligada ao MNEJ, que reuniria 
dados sobre crimes, prisões e movimentos forenses.
1835
1839
1842
1859
Figura 3: Evolu o 
dos sistemas 
de informa es 
criminais em 
Portugal. 
Fonte: labSEAD-
UFSC (2019).
Observamos que em 1835 o Ministério dos Negócios 
Eclesiásticos e de Justiça (MNEJ) compilava informações 
junto aos tribunais de apelação ou recursos referentes às 
categorias criminais. É importante destacar, para quem 
desejar se aprofundar no assunto, que, segundo Lima (2005), 
essas categorias eram: 
Sistema de Informação em Segurança Pública43 • Módulo 2
Grupos sociais, 
ou seja, conjunto 
de pessoas que 
desempenham a 
mesma função 
social ou que 
possuem a 
capacidade de 
influenciar um 
determinado setor. 
• Delitos públicos por abuso de liberdade de imprensa. 
• Delitos públicos de qualquer outra natureza. 
• Crimes particulares por abuso de liberdade de imprensa. 
• Crimes particulares de qualquer natureza. 
• Ações ativas e passivas do Ministério Público. 
• Execuções da Fazenda Pública. 
• Causas ocorridas nos juízos de conciliação.
• Causas cíveis. 
Nessa época, eram também coletados mapas referentes às 
causas ocorridas em juízo e no Tribunalde Polícia Correcional 
de estamentos diversos (de Lisboa e Porto).
Também cabe destacar que, de acordo com a representação 
na figura anterior, em 1859, depois de um intenso debate sobre 
a validade, celeridade e confiabilidade dos dados coletados 
(iniciado no ano anterior), criou-se uma repartição de 
estatística ligada ao MNEJ, que reuniria dados sobre crimes, 
prisões e movimento forense. 
Segundo Lima (2005), as estatísticas previstas sobre 
movimento forense, crimes e criminosos, eram agregadas 
em seis grupos: crimes contra a religião e abuso de funções 
religiosas; crimes contra a segurança do Estado; crimes contra 
a ordem e a tranquilidade públicas; crimes contra as pessoas; 
crimes contra a propriedade; e provocação pública ao crime. 
Além disso, também havia interesse na observação das causas, 
meios e formas de execução dos crimes contra a vida.
O Gabinete do Minist rio da Justi a monitora e 
disponibiliza permanentemente dados sobre v rias 
regi es de Portugal, os quais ainda sofrem distor es 
devido à baixa cultura estat stica no pa s (LIMA, 2005).
Sistema de Informação em Segurança Pública44 • Módulo 2
Na Alemanha, em 1871, como as forças policiais já detinham 
poderes sobre todas as esferas da vida de seus cidadãos, 
foi implementado um sistema denominado Meldewesen, por 
meio do qual a polícia de Berlim gerenciava os dados de todas 
as dimensões da vida cotidiana de sua população, como 
demonstrado na linha do tempo a seguir.
ALEMANHA
Forças policiais implementam o sistema “Meldewesen”, que 
visava o controle da vida cotidiana da população.
Criado o escritório imperial de estatísticas, responsável 
por unificar os dados oficiais das estatísticas prisionais 
(condenados) e judiciais (atividades das cortes).
1871
1872
Figura 4: Evolu o dos sistemas de informa es criminais na Alemanha. 
Fonte: labSEAD-UFSC (2019). 
Atualmente, o sistema de produção e coleta de dados 
alemão já não está centralizado numa única agência, mas 
em ações de diferentes atores institucionais com dados 
integrados, que alimentam e passam por análise das forças 
policiais para a sua utilização.
Já nos Estados Unidos, a utilização de dados para as 
investigações criminais surge em 1880 com o primeiro censo 
que gerou informações confiáveis e completas sobre crimes e 
criminosos, conforme apresentado a seguir.
ESTADOS UNIDOS
Primeiro censo com informações mais completas sobre crimes e 
criminosos.
Bureau publica estatísticas de prisioneiros federais.
Surge dados do Bureau Federal de Prisões da Infância. 
O FBI (Federal Bureau of Investigation), ou Departamento Federal 
de Investigação, começa a computar os Registros Unificados de 
Criminalidade (UCR, em inglês).
1880
1929
1926
1930
Sistema de Informação em Segurança Pública45 • Módulo 2
Em parceria com o trabalho do FBI, duas divisões do governo 
federal atuam produzindo dados estatísticos sobre a 
criminalidade no país: o Bureau do Censo e o Bureau de Infância 
do Departamento do Trabalho.
Duas ferramentas de coleta de dados permitem visão mais 
ampla da criminalidade: o Survey Nacional de Vitimização pela 
Criminalidade e os UCRs.
1933
2000
Figura 5: Evolu o dos sistemas de informa es criminais nos Estados Unidos. 
Fonte: labSEAD-UFSC (2019).
 
Como visto, segundo Lima (2005), no ano de 1880, os Estados 
Unidos elaborou o primeiro censo que trouxe informações 
mais completas sobre crimes e criminosos e uma parte 
especial da pesquisa sobre “pauperismo e crime”.
Já em 1926, os dados do Bureau da Infância referentes a 
estatísticas sobre casos judiciais envolvendo jovens passam 
a compor um esforço federal de mensuração criminal, 
capitaneado pelo Bureau do Censo e agências estaduais. 
Em 1930, o FBI começou a computar os Registros Unificados 
de Criminalidade (UCR). Esses registros foram desenhados em 
1920 pela Associação Internacional de Chefes de Polícia, a fim 
de homogeneizar (uniformizar/padronizar) os dados coletados. 
Os UCR são produzidos pelas agências locais de segurança 
pública e compilados (reunidos/organizados) pelo FBI.
É importante esclarecer que, em 1933, além do trabalho do FBI 
com os UCRs, duas outras divisões do governo federal atuaram 
produzindo dados estatísticos sobre a criminalidade no país: o 
Bureau do Censo, com registros de prisões, e o Bureau de Infância 
do Departamento do Trabalho, com registros dos crimes juvenis. 
Importante ressaltar que, nesse per odo 56% 
dos estados norte-americanos, em raz o do 
modelo federativo do pa s, ainda n o produziam 
estat sticas criminais.
Pauperismo e crime 
significa o quanto 
e como a pobreza 
influencia na 
prática de crimes.
Sistema de Informação em Segurança Pública46 • Módulo 2
Após os anos 2000, duas ferramentas de coleta de dados 
passam a permitir uma visão mais ampla dos fenômenos 
criminais nos Estados Unidos. Essas duas ferramentas 
são: o Survey Nacional de Vitimização pela Criminalidade 
(NCVS), que, como nome indica, mapeia a vitimização da 
população com idade superior a 12 anos, e os UCRs, que 
registram e mapeiam as ofensas.
Agora, vamos conhecer sobre o processo evolutivo de como 
o Brasil passa incorporar em sua agenda os sistemas de 
informações criminais. 
Você sabia que o nosso país passou a adotar sistemas 
de informações criminais ainda no período imperial? Sim, 
foi com a publicação da Lei n.º 2.033, de 1871, que deu 
origem às instituições policiais separadas do Judiciário e 
também criou o inquérito policial, como parte do processo 
de burocratização do Império. Veja, a seguir, o processo 
evolutivo do sistema de informações criminais.
BRASIL
Período de dificuldades envolvidas nos processos de 
mensuração dos dados.
Instituído por decreto o Censo Geral do Império e o Registro 
Civil de Nascimento e Óbitos. 
Publicação da Lei n.º 2.033 de 1871. 
Publicação do Decreto n.º 7.001, que detalha variáveis 
e cruzamentos de informações a serem observadas no 
fornecimento de estatísticas ao Governo Imperial. 
Início da inserção dos boletins individuais (BIs) no Código de 
Processo Penal (CPP, art. 809).
Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) passa a 
fazer coleta mensal de estatísticas de ocorrências registradas 
pelas polícias civis.
Criado o Conselho Nacional de Estatística pelo o decreto n.º 1.200.
1822 - 1889
1851
1871
1878
1941
2001
1936
Sistema de Informação em Segurança Pública47 • Módulo 2
Coleta de dados mensais das polícias civis (iniciada em 2001) 
tem seu processo de envio informatizado através do Sistema 
Nacional de Estatísticas de Segurança Pública e Justiça 
Criminal (SINESPJC).
Instituída a Rede de Integração Nacional de Informações de 
Segurança Pública, Justiça e Fiscalização (Rede INFOSEG).
Promulgação da Lei n.º 12.681/2012, que institui o Sistema 
Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e 
sobre Drogas (SINESP).
Promulgação da Lei n.º 13.675/2018, que institui o Sistema 
Único de Segurança Pública (Susp), altera dispositivos da Lei nº 
12.681/2012 e renomeia o SINESP.
2004
2007
2012
2018
Figura 6: Evolu o dos sistemas de informa es criminais no Brasil.
Fonte: labSEAD-UFSC (2019).
Segundo Lima (2005), o período de 1822 a 1889 registra 
enormes dificuldades envolvidas nos processos de mensuração 
dos dados da realidade no período do Império, que vão desde a 
falta de legitimidade dos órgãos legalmente responsáveis até a 
inexistência de parâmetros de coleta primária e sistematização 
de dados. Depois, em 1989, o primeiro período Republicano 
(1889 a 1930) continuou passando por males semelhantes.
De acordo com a figura anterior, em 1851, foram instituídos, 
por decreto, o Censo Geral do Império e o Registro Civil de 
Nascimento e Óbitos, passando para o Estado incumbências 
que antes eram exercidas pela Igreja Católica, bem como 
agrupando escravos e cidadãos num mesmo registro.
Em 1871, com a publicação da Lei n.º 2.033, como parte do 
processo de burocratização do Império, foram criadas as 
instituiçõespoliciais separadas do Judiciário e também foi 
criado o inquérito policial, conforme dito anteriormente.
No ano de 1878 foi publicado o Decreto n.º 7.001, que detalhava 
variáveis e cruzamentos de informações a serem observadas no 
fornecimento de estatísticas ao Governo Imperial. 
Sistema de Informação em Segurança Pública48 • Módulo 2
O Decreto n.º 7.001 de 1978 diferenciava as 
estat sticas policiais das estat sticas judiciais.
O fluxo das informações que era anual iniciava nas chefaturas 
(chefias) de polícia e nos mapas gerais de estatística policial, e 
seguia para os secretários de justiça e presidentes de Província 
e destes, para o governo imperial. Estatísticas judiciais eram 
produzidas de maneira pulverizada por diversos atores.
Em 1936, conforme indicado na figura anterior, foi publicado 
o Decreto n.º 1.200 (já revogado), que criou o Conselho 
Nacional de Estatística e estabeleceu, segundo LIMA (2005), 
na assembleia geral, como atribuição, a proposta de se adotar 
medidas para otimizar e viabilizar a realização de estatísticas 
dentro do território brasileiro, bem como sua divulgação 
posterior, incluídas várias áreas de atuação do Estado. 
Dentre essas várias áreas de atuação, encontrava-se 
naturalmente a segurança pública, cuja gestão de estatísticas 
de crimes e contravenções cabia à Diretoria de Estatística 
Geral do Ministério da Justiça.
Em 1941 teve início a inserção dos boletins individuais (BIs) 
no Código de Processo Penal (CPP, Art. 809). Conforme Lima 
(2005), esses boletins individuais tinham o objetivo de integrar 
a apuração de estatísticas criminais, policiais e judiciais numa 
perspectiva longitudinal, ou seja, em mais de um momento ao 
longo do tempo. Foi uma tentativa de articular as instituições 
de segurança, justiça, estatística e identificação civil.
No ano de 2001, a Secretaria Nacional de Segurança Pública 
(SENASP), passa a coletar mensalmente estatísticas de 
ocorrências registradas pelas polícias civis, retroativas ao 
ano de 1999. 
Sistema de Informação em Segurança Pública49 • Módulo 2
Ainda no ano de 2001, ocorreu a primeira pesquisa Perfil das 
Instituições de Segurança Pública, com o objetivo de traçar 
o perfil organizacional das instituições de segurança pública, 
coletando dados como: orçamento, recursos materiais e 
humanos, gestão da informação, entre outros (BRASIL, 2013). 
Foram produzidas cinco edições da pesquisa entre os anos 
de 2004 e 2017.
As institui es que comp em o sistema de 
seguran a p blica do Brasil s o: Pol cias Civis, 
Pol cias Militares e Corpos de Bombeiros Militares. 
Essas institui es t m como principal objetivo 
subsidiar a elabora o e a execu o de pol ticas 
p blicas para a rea.
Em 2001, foi iniciada a coleta mensal de dados das polícias 
civis, que teve seu processo de envio de informações 
informatizado por meio do Sistema Nacional de Estatísticas 
de Segurança Pública e Justiça Criminal (SINESPJC), 
conforme demonstra a figura a seguir.
Figura 7: 
Informatiza o 
de envio de 
informa es das 
pol cias civis. 
Fonte: Shutterstock 
(2019), adaptado 
por labSEAD-UFSC 
(2019).
Em 2007, foi promulgado o Decreto n.º 6.138, revogado pelo 
Decreto n.º 9.489 em 2018, o qual criou a Rede de Integração 
Nacional de Informações de Segurança Pública, Justiça e 
Fiscalização (Rede INFOSEG), a fim de integrar nacionalmente 
Sistema de Informação em Segurança Pública50 • Módulo 2
as informações que se relacionam com segurança pública, 
identificação civil e criminal, controle e fiscalização, inteligência, 
justiça e defesa civil. 
O objetivo da Rede INFOSEG era disponibilizar essas 
informações para a formulação e a execução de ações 
governamentais e de políticas públicas federais, estaduais, 
distritais e municipais, porém o objetivo não foi alcançado.
Mesmo assim, foi fundamental para o compartilhamento 
em massa de informações entre os órgãos de segurança 
pública, sendo um dos sistemas mais conhecidos e 
utilizados no meio policial até hoje.
A Rede INFOSEG foi fundamental para o 
compartilhamento em massa de informa es entre 
os rg os de seguran a p blica e , ainda hoje, um dos 
sistemas mais conhecidos e utilizados no meio policial.
Em 2012, foi promulgada a Lei n.º 12.681/2012, que instituiu 
o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, 
Prisionais e sobre Drogas (SINESP), o qual tem a finalidade de 
armazenar, tratar e integrar dados e informações para auxiliar 
na formulação, implementação, execução, acompanhamento 
e avaliação das políticas relacionadas à segurança pública 
do sistema prisional, da execução penal e do enfrentamento 
do tráfico de drogas ilícitas. Você pode conhecê-lo na íntegra, 
acessando o link: https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-
seguranca/login.jsf
 
Sistema de Informação em Segurança Pública51 • Módulo 2
Já em 2018, com a evolução dos sistemas de informações 
criminais no Brasil, foi promulgada a Lei n.º 13.675/2018 
que criou o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) 
firmou o Sinesp como um dos meios e instrumento para a 
implementação da Política Nacional de Segurança Pública e 
Defesa Social (PNSPDS); anulou alguns dispositivos da Lei n.º 
12.681/2012; e renomeou o SINESP, que passou a significar 
Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, 
Prisionais e de Rastreabilidade de Armas e Munições, e sobre 
Material Genético, Digitais e Drogas. 
A Lei n.º 13.675/2018 anulou alguns dispositivos da 
Lei n.º 12.681/2012 e renomeou o SINESP, que passou 
a significar Sistema Nacional de Informa es de 
Seguran a P blica, Prisionais e de Rastreabilidade 
de Armas e Muni es, e sobre Material Gen tico, 
Digitais e Drogas. 
A Lei n.º 13.675/2018 colocou o SINESP como ferramenta 
de integração e padronização das informações e dados de 
segurança pública, além de estabelecer sanções em caso de 
não repasse das informações.
Figura 8: Identidade 
visual SINESP. 
Fonte: Brasil (2019), 
adaptado por 
labSEAD-UFSC 
(2019).
Sistema de Informação em Segurança Pública52 • Módulo 2
 
 
O Sistema Único de Segurança Pública (Susp) tem como rg o 
central o Minist rio da Seguran a P blica e integrado por 
civis e militares, pelas Pol cias Federal e Rodovi ria Federal; 
pela For a Nacional de Seguran a P blica e pelos Corpos de 
Bombeiros Militares. Al m desses, outros rg os fazem parte do 
Susp. Para saber ainda mais, acesse o link: https://www.justica.
gov.br/news/collective-nitf-content-1544705396.44.
Como você pôde ver, na evolução histórica de sistemas de 
informações criminais, o Brasil passou por várias tentativas 
de integração dos sistemas, e ainda passa por várias 
tentativas de melhorias e integração.

Saiba mais
Sistema de Informação em Segurança Pública53 • Módulo 2
Aula 2 — Décadas de Atraso na 
Construção de Sistemas de Informações 
Criminais no Brasil
CONTEXTUALIZANDO...
Segundo informações retiradas da matéria “O buraco negro 
da informação em segurança pública no Brasil” (2018), de 
Renato Sérgio de Lima e Samira Bueno (diretores do Fórum 
Brasileiro de Segurança Pública), mesmo após 30 anos, desde 
a redemocratização, o Brasil ainda não possui um padrão 
nacional único de classificação de homicídios, prejudicando 
muito as comparações entre os estados e entre Brasil e 
outros países. Essa situação é recorrente pela ausência de 
um sistema nacional de estatística criminal e pela falta de 
articulação dessas informações. 
FATORES QUE DIFICULTAM A 
CONSTRUÇÃO DOS SISTEMAS DE 
INFORMAÇÃO CRIMINAL NO BRASIL
A ausência de padronização, segundo Lima e Bueno (2018), 
é resultado da omissão histórica do governo federal em 
relação à segurança pública, que transferiu para as unidades 
da federação (estados) a responsabilidade pela gestão das 
polícias Civil e Militar. Ainda, segundo os autores, a falta de 
coordenação desses dados resultou também na ausência de 
um sistema nacional de estatísticas para monitorar fenômenos 
de criminalidade e violência. 
Além de inúmeros

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