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Autor: Verim Hernandes Lourenço Junior TÉCNICO DE PERFURAÇÃO E POÇOS TÉCNICAS DE PERFURAÇÃO TÉCNICAS DE PERFURAÇÃO Autor: Verim Hernandes Lourenço Junior TÉCNICAS DE PERFURAÇÃO Programa Alta Competência Este material é o resultado do trabalho conjunto de muitos técnicos da área de Exploração & Produção da Petrobras. Ele se estende para além dessas páginas, uma vez que traduz, de forma estruturada, a experiência de anos de dedicação e aprendizado no exercício das atividades profissionais na Companhia. É com tal experiência, refletida nas competências do seu corpo de empregados, que a Petrobras conta para enfrentar os crescentes desafios com os quais ela se depara no Brasil e no mundo. Nesse contexto, o E&P criou o Programa Alta Competência, visando prover os meios para adequar quantitativa e qualitativamente a força de trabalho às estratégias do negócio E&P. Realizado em diferentes fases, o Alta Competência tem como premissa a participação ativa dos técnicos na estruturação e detalhamento das competências necessárias para explorar e produzir energia. O objetivo deste material é contribuir para a disseminação das competências, de modo a facilitar a formação de novos empregados e a reciclagem de antigos. Trabalhar com o bem mais precioso que temos – as pessoas – é algo que exige sabedoria e dedicação. Este material é um suporte para esse rico processo, que se concretiza no envolvimento de todos os que têm contribuído para tornar a Petrobras a empresa mundial de sucesso que ela é. Programa Alta Competência Esta seção tem o objetivo de apresentar como esta apostila está organizada e assim facilitar seu uso. No início deste material é apresentado o objetivo geral, o qual representa as metas de aprendizagem a serem atingidas. Autor Ao fi nal desse estudo, o treinando poderá: • Identifi car procedimentos adequados ao aterramento e à manutenção da segurança nas instalações elétricas; • Reconhecer os riscos de acidentes relacionados ao aterramento de segurança; • Relacionar os principais tipos de sistemas de aterramento de segurança e sua aplicabilidade nas instalações elétricas. ATERRAMENTO DE SEGURANÇA Como utilizar esta apostila Objetivo Geral O material está dividido em capítulos. No início de cada capítulo são apresentados os objetivos específi cos de aprendizagem, que devem ser utilizados como orientadores ao longo do estudo. No fi nal de cada capítulo encontram-se os exercícios, que visam avaliar o alcance dos objetivos de aprendizagem. Os gabaritos dos exercícios estão nas últimas páginas do capítulo em questão. Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas C ap ít u lo 1 Riscos elétricos e o aterramento de segurança Ao fi nal desse capítulo, o treinando poderá: • Estabelecer a relação entre aterramento de segurança e riscos elétricos; • Reconhecer os tipos de riscos elétricos decorrentes do uso de equipamentos e sistemas elétricos; • Relacionar os principais tipos de sistemas de aterramento de segurança e sua aplicabilidade nas instalações elétricas. 21 Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança 1.4. Exercícios 1) Que relação podemos estabelecer entre riscos elétricos e aterramento de segurança? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2) Apresentamos, a seguir, trechos de Normas Técnicas que abordam os cuidados e critérios relacionados a riscos elétricos. Correlacione-os aos tipos de riscos, marcando A ou B, conforme, o caso: A) Risco de incêndio e explosão B) Risco de contato ( ) “Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico e todos os outros tipos de acidentes.” ( ) “Nas instalações elétricas de áreas classificadas (...) devem ser adotados dispositivos de proteção, como alarme e seccionamento automático para prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas de isolamento, aquecimentos ou outras condições anormais de operação.” ( ) “Nas partes das instalações elétricas sob tensão, (...) durante os trabalhos de reparação, ou sempre que for julgado necessário à segurança, devem ser colocadas placas de aviso, inscrições de advertência, bandeirolas e demais meios de sinalização que chamem a atenção quanto ao risco.” ( ) “Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas (...) devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certifi cação.” 25 Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança 1) Que relação podemos estabelecer entre riscos elétricos e aterramento de segurança? O aterramento de segurança é uma das formas de minimizar os riscos decorrentes do uso de equipamentos e sistemas elétricos. 2) Apresentamos, a seguir, trechos de Normas Técnicas que abordam os cuidados e critérios relacionados a riscos elétricos. Correlacione-os aos tipos de riscos, marcando A ou B, conforme, o caso: A) Risco de incêndio e explosão B) Risco de contato ( B ) “Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico e todos os outros tipos de acidentes.” ( A ) “Nas instalações elétricas de áreas classifi cadas (...) devem ser adotados dispositivos de proteção, como alarme e seccionamento automático para prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas de isolamento, aquecimentos ou outras condições anormais de operação.” ( B ) “Nas partes das instalações elétricas sob tensão, (...) durante os trabalhos de reparação, ou sempre que for julgado necessário à segurança, devem ser colocadas placas de aviso, inscrições de advertência, bandeirolas e demais meios de sinalização que chamem a atenção quanto ao risco.” ( A ) “Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas (...) devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certifi cação.” 3) Marque V para verdadeiro e F para falso nas alternativas a seguir: ( V ) O contato direto ocorre quando a pessoa toca as partes normalmente energizadas da instalação elétrica. ( F ) Apenas as partes energizadas de um equipamento podem oferecer riscos de choques elétricos. ( V ) Se uma pessoa tocar a parte metálica, não energizada, de um equipamento não aterrado, poderá receber uma descarga elétrica, se houver falha no isolamento desse equipamento. ( V ) Em um choque elétrico, o corpo da pessoa pode atuar como um “fi o terra”. ( F ) A queimadura é o principal efeito fi siológico associado à passagem da corrente elétrica pelo corpo humano. 1.7. Gabarito Objetivo Específi co Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas defi nições estão disponíveis no glossário. Ao longo dos textos do capítulo, esses termos podem ser facilmente identifi cados, pois estão em destaque. Capítulo 3. Problemas operacionais, riscos e cuidados com aterramento de segurança 49 3. Problemas operacionais, riscos e cuidados com aterramento de segurança Todas as Unidades de Exploração e Produção possuem um plano de manutenção preventiva de equipamentos elétricos (motores, geradores, painéis elétricos, transformadores e outros). A cada intervenção nestes equipamentos e dispositivos, os mantenedores avaliam a necessidade ou não da realização de inspeção nos sistemas de aterramento envolvidos nestes equipamentos. Para que o aterramento de segurança possa cumprir corretamente o seu papel, precisa ser bem projetado e construído. Além disso, deve ser mantido em perfeitas condições de funcionamento. Nesse processo, o operador tem importante papel, pois, ao interagir diariamente com os equipamentos elétricos, pode detectar imediatamente alguns tipos de anormalidades, antecipando problemas e, principalmente,diminuindo os riscos de choque elétrico por contato indireto e de incêndio e explosão. 3.1. Problemas operacionais Os principais problemas operacionais verifi cados em qualquer tipo de aterramento são: • Falta de continuidade; e • Elevada resistência elétrica de contato. É importante lembrar que Norma Petrobras N-2222 defi ne o valor de 1Ohm, medido com multímetro DC (ohmímetro), como o máximo admissível para resistência de contato. Choque elétrico – conjunto de perturbações de natureza e efeitos diversos, que se manifesta no organismo humano ou animal, quando este é percorrido por uma corrente elétrica. Ohm – unidade de medida padronizada pelo SI para medir a resistência elétrica. Ohmímetro – instrumento que mede a resistência elétrica em Ohm. 3.4. Glossário Caso sinta necessidade de saber de onde foram retirados os insumos para o desenvolvimento do conteúdo desta apostila, ou tenha interesse em se aprofundar em determinados temas, basta consultar a Bibliografi a ao fi nal de cada capítulo. Ao longo de todo o material, caixas de destaque estão presentes. Cada uma delas tem objetivos distintos. A caixa “Você Sabia” traz curiosidades a respeito do conteúdo abordado de um determinado item do capítulo. “Importante” é um lembrete das questões essenciais do conteúdo tratado no capítulo. CARDOSO ALVES, Paulo Alberto e VIANA, Ronaldo Sá. Aterramento de sistemas elétricos - inspeção e medição da resistência de aterramento. UN-BC/ST/EMI – Elétrica, 2007. COELHO FILHO, Roberto Ferreira. Riscos em instalações e serviços com eletricidade. Curso técnico de segurança do trabalho, 2005. Norma Petrobras N-2222. Projeto de aterramento de segurança em unidades marítimas. Comissão de Normas Técnicas - CONTEC, 2005. Norma Brasileira ABNT NBR-5410. Instalações elétricas de baixa tensão. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2005. Norma Brasileira ABNT NBR-5419. Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2005. Norma Regulamentadora NR-10. Segurança em instalações e serviços em eletricidade. Ministério do Trabalho e Emprego, 2004. Disponível em: <http:// www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_10.pdf> - Acesso em: 14 mar. 2008. NFPA 780. Standard for the Installation of Lightining Protection Systems. National Fire Protection Association, 2004. Manuais de Cardiologia. Disponível em: <http://www.manuaisdecardiologia.med. br/Arritmia/Fibrilacaoatrial.htm> - Acesso em: 20 mai. 2008. Mundo Educação. Disponível em: <http://mundoeducacao.uol.com.br/doencas/ parada-cardiorespiratoria.htm> - Acesso em: 20 mai. 2008. Mundo Ciência. Disponível em: <http://www.mundociencia.com.br/fi sica/eletricidade/ choque.htm> - Acesso em: 20 mai. 2008. 1.6. Bibliografi a É atribuído a Tales de Mileto (624 - 556 a.C.) a primeira observação de um fenômeno relacionado com a eletricidade estática. Ele teria esfregado um fragmento de âmbar com um tecido seco e obtido um comportamento inusitado – o âmbar era capaz de atrair pequenos pedaços de palha. O âmbar é o nome dado à resina produzida por pinheiros que protege a árvore de agressões externas. Após sofrer um processo semelhante à fossilização, ela se torna um material duro e resistente. Os riscos elétricos de uma instalação são divididos em dois grupos principais: 1.1. Riscos de incêndio e explosão Podemos defi nir os riscos de incêndio e explosão da seguinte forma: Situações associadas à presença de sobretensões, sobrecorrentes, fogo no ambiente elétrico e possibilidade de ignição de atmosfera potencialmente explosiva por descarga descontrolada de eletricidade estática. Os riscos de incêndio e explosão estão presentes em qualquer instalação e seu descontrole se traduz principalmente em danos pessoais, materiais e de continuidade operacional. Uma das principais substâncias removidas em poços de petróleo pelo pig de limpeza é a parafi na. Devido às baixas temperaturas do oceano, a parafi na se acumula nas paredes da tubulação. Com o tempo, a massa pode vir a bloquear o fl uxo de óleo, em um processo similar ao da arteriosclerose. VOCÊ SABIA?? É muito importante que você conheça os tipos de pig de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na sua Unidade. Informe-se junto a ela! IMPORTANTE! ATENÇÃO É muito importante que você conheça os procedimentos específicos para passagem de pig em poços na sua Unidade. Informe-se e saiba quais são eles. Recomendações gerais • Antes do carregamento do pig, inspecione o interior do lançador; • Após a retirada de um pig, inspecione internamente o recebedor de pigs; • Lançadores e recebedores deverão ter suas RESUMINDO... Já a caixa de destaque “Resumindo” é uma versão compacta dos principais pontos abordados no capítulo. Em “Atenção” estão destacadas as informações que não devem ser esquecidas. Todos os recursos didáticos presentes nesta apostila têm como objetivo facilitar o aprendizado de seu conteúdo. Aproveite este material para o seu desenvolvimento profi ssional! Uma das principais substâncias removidas em poços de petróleo pelo pig de limpeza é a parafi na. Devido às baixas temperaturas do oceano, a parafi na se acumula nas paredes da tubulação. Com o tempo, a massa pode vir a bloquear o fl uxo de óleo, em um processo similar ao da arteriosclerose. VOCÊ SABIA?? É muito importante que você conheça os tipos de pig de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na sua Unidade. Informe-se junto a ela! IMPORTANTE! ATENÇÃO É muito importante que você conheça os procedimentos específicos para passagem de pig em poços na sua Unidade. Informe-se e saiba quais são eles. Recomendações gerais • Antes do carregamento do pig, inspecione o interior do lançador; • Após a retirada de um pig, inspecione internamente o recebedor de pigs; • Lançadores e recebedores deverão ter suas RESUMINDO... Uma das principais substâncias removidas em poços de petróleo pelo pig de limpeza é a parafi na. Devido às baixas temperaturas do oceano, a parafi na se acumula nas paredes da tubulação. Com o tempo, a massa pode vir a bloquear o fl uxo de óleo, em um processo similar ao da arteriosclerose. VOCÊ SABIA?? É muito importante que você conheça os tipos de pig de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na sua Unidade. Informe-se junto a ela! IMPORTANTE! ATENÇÃO É muito importante que você conheça os procedimentos específicos para passagem de pig em poços na sua Unidade. Informe-se e saiba quais são eles. Recomendações gerais • Antes do carregamento do pig, inspecione o interior do lançador; • Após a retirada de um pig, inspecione internamente o recebedor de pigs; • Lançadores e recebedores deverão ter suas RESUMINDO... SumárioSumário Introdução 19 Capítulo 1. Fluidos de Perfuração 1. Fluidos de Perfuração 23 1.1. Tipos de fluidos de perfuração 23 1.1.1. Fluido base água 23 1.1.2. Problemas de fluido (base água) 31 1.1.3. Fluidos não-aquosos 32 1.2. Aditivos 36 1.2.1. Aditivos para fluido base água 36 1.2.2. Aditivos para fluidos não-aquosos 38 1.3. Propriedades físico-químicas dos fluidos 39 1.3.1. Massa específica (peso do fluido) 39 1.3.2. Viscosidade funil (marsh) 40 1.3.3. Propriedades reológicas 41 1.3.4. Filtrado e reboco 43 1.3.5. Teor de sólidos 44 1.3.6. Salinidade 47 1.3.7. Alcalinidades: Pm, Pf e Ph 47 1.3.8. Problemas causados com os fluidos durante a perfuração 47 Capítulo 2. Classificação dos Poços 2. Classificação dos poços 55 2.1.1. Quanto à finalidade 55 2.1.2. Quanto à profundidade 58 2.1.3. Quanto à direção 58 2.1.4. Quanto ao diâmetro 60 Capítulo 3. Técnicas de Perfuração 3. Técnicas de perfuração 63 3.1. Perfuração no sistema balanceado (Near Balanced) 63 3.2. Perfuração sub-balanceada (Underbalanced Drilling) 67 3.2.1. Vantagens e limitações 74 3.2.2. Métodos de perfuração sub-balanceada 79 3.2.3. Equipamentos do sistema sub-balanceado 83 3.2.4. Segurança 100 3.2.5. Aplicações da perfuração sub-balanceadano Brasil 102 Capítulo 4. Perfuração Vertical e Direcional 4. Perfuração vertical e direcional 109 4.1. Definição de verticalidade de um poço 110 4.1.1. Valores de inclinação 111 4.1.2. Controle da verticalidade de poços 112 4.2. Perfuração direcional 113 4.2.1. Tipos de poços direcionais 114 4.2.2. Aplicação dos poços direcionais 117 4.2.3. Escolha do perfil do poço 125 4.2.4. Elementos e planejamento de um poço direcional 127 4.2.5. Equipamentos direcionais 128 4.2.6. Equipamentos de registros direcionais 138 4.2.7. Perfuração direcional com sistema steerable 142 4.2.8. Sistema rotary steerable 147 4.2.9. Sistema geosteering 149 4.2.10. Fases ou etapas da perfuração direcional 152 4.2.11. Coordenadas UTM da locação da sonda (base) e do objetivo 152 4.2.12. Coluna geológica prevista 153 4.2.13. Análise dos poços de correlação 154 4.2.14. Mapeamento dos poços da área 154 4.2.15. Softwares para cálculos de projetos 154 4.2.16. Definição das profundidades das sapatas dos revestimentos 155 4.2.17. Valores usuais para a definição de um projeto de perfuração direcional 155 4.2.18. Tolerância de aproximação do objetivo 157 4.2.19. Ângulo guia (lead) 157 4.2.20. Métodos de cálculo da trajetória realizada 157 4.2.21. Execução do projeto 160 4.2.22. Acompanhamento da perfuração direcional 188 4.2.23. Recomendações para projetos de poços direcionais 189 4.2.24. Recomendações relativas à trajetória 190 4.2.25. Recomendações para aumentar o afastamento 192 Capítulo5. Outras tecnologias baseadas na perfuração direcional 5. Outras tecnologias baseadas na perfuração direcional 195 5.1. Poços horizontais 195 5.2. Poços multilaterais 197 5.2.1. Por que poços multilaterais 200 5.2.2. Níveis de complexidade 202 5.2.3. Sequência da instalação da junção em um poço de nível 5 209 5.2.4. Aspectos de controle de poço 212 5.2.5. Utilização dessa tecnologia no Brasil 218 5.3. Poços ERW 219 5.3.1. Fatores que afetam a perfuração direcional em poços ERW 220 5.4. Slim-hole ou microperfuração 222 5.4.1. Tipos de perfuração delgada 223 5.4.2. Algumas considerações gerais 225 5.4.3. Considerações sobre segurança de poço durante a perfuração de poços delgados 227 5.4.4. Pistoneio durante as manobras 229 5.4.5. Prevenção de kicks durante as conexões 229 5.4.6. Controle de kicks em poços delgados 230 5.4.7. Problemas nos poços delgados 231 5.4.8. Efeitos da densidade equivalente de circulação (ECD) 231 5.4.9. Planejamento de controle do poço 231 5.4.10. Decidindo sobre o procedimento de controle do poço 232 5.4.11. Detecção do influxo 232 5.4.12. Procedimentos na conexão 233 5.4.13. Utilização no Brasil 234 5.5. Poços HPHT 235 5.5.1. Evolução Tecnológica 235 5.5.2. Principais Problemas com poços HPHT 237 5.5.3. Principais desafios de poços HPHT em águas profundas 238 5.5.4. Projetos de poço HPHT 239 5.5.5. Aspectos envolvendo controle de poço 240 5.5.6. Avaliação da temperatura 247 5.5.7. Avaliação das geopressões 249 5.5.8. Revestimento 252 5.5.9. Cimentação 255 5.5.10. Novas tecnologias envolvendo poços HPHT 256 Exercícios 257 Glossário 269 Bibliografia 271 Gabarito 274 19 INTRODUÇÃO Neste material iremos abordar a importância de conhecermos as principais técnicas de perfuração. Iremos explanar quais os tipos de perfuração em relação ao tipo de fluido usado, as funções do fluido de perfuração, quais os tipos de poços em relação à sua direção, o tipos de construção dos poços quanto ao revestimento, distanciamento do objetivo, quanto à temperatura das formações e características quanto às suas pressões de formação. Todo este conteúdo está sendo fornecido para fortalecer a sua atuação na execução da perfuração de um poço de petróleo. Orientações que serão passadas através da programação das fases de execução terão de ser conhecidas, interpretadas a fim de aplicar as melhores formas de aplicar as técnicas de perfuração. E, quando for executá-las, poder fornecer o retorno dos problemas que se está encontrando durante a perfuração, de modo a serem estudados meios para contorná-los. Para se falar a respeito de técnicas de perfuração, algumas informações básicas deverão ser relembradas. Exemplo os tipos de fluido, quais os equipamentos de uma sonda, quais os componentes de coluna e que tipos de poços desejamos executar. Começaremos, então, fazendo uma revisão sobre esses tópicos. C ap ít u lo 1 Fluidos de Perfuração 22 Alta Competência 23 Capítulo 1. Fluidos de perfuração 1. Fluidos de Perfuração As técnicas de perfuração em relação a Underbalanced, Balanced e Overbalanced estão diretamente ligadas ao peso específico do fluido ou ao tipo de fluido utilizado na perfuração do poço. 1.1. Tipos de fluidos de perfuração Os fluidos de perfuração são considerados a barreira primária de um poço. São classificados em: • Base água; • Base orgânica (não-aquoso); • Espuma; • Ar comprimido. 1.1.1. Fluido base água Os fluidos base água são mais utilizados por serem: • Mais baratos; • Mais abundantes na natureza; • Menos agressivos ao meio ambiente; Os tipos de fluidos à base água são os fluidos iniciais e os inibidos. a) Fluidos iniciais São fluidos não-inibidos, utilizados no início dos poços, no qual as exigências quanto as suas propriedades são mínimas, em função da não-interação do fluido com os minerais das rochas. 24 Alta Competência Principais fluidos iniciais: • Fluido convencional; • Fluido nativo; • Fluido de baixo teor de sólidos; • Água doce ou água do mar. Fluido convencional Composição Água doce QSP Argila ativada 12 a 15 lb/bbl Soda cáustica 0,5 lb/bbl Propriedades Peso específico 8,8 a 9,0 lb/gal Viscosidade 60 a 90 seg Aplicações: • Perfuração de poços de grandes diâmetros; • Perfuração de areias e calcários; • Confecção de tampões viscosos. 25 Capítulo 1. Fluidos de perfuração Recomendações: • Misturar os produtos na sequência indicada; • Utilizar água com salinidade de no máximo 5,000 mg/l; • Verificar dureza e teor de cálcio da água de preparo; • Verificar a validade da argila – prazo: 06 meses. Fluido nativo É o que utiliza a argila presente nas formações atravessadas pela broca, sendo necessária apenas a adição de água para manutenção da viscosidade e do peso. É um fluido de baixo custo, visto não ser necessária a adição de produtos químicos. Fluido de baixo teor de sólidos Composição Água doce QSP Polímero doador de viscosidade 0,5 a 1,0 lb/bbl Argila ativada 4,0 a 6,0 lb/bbl Soda cáustica 0,5 lb/bbl Propriedades Peso específico 8,5 a 8,7 lb/gal Viscosidade 45 a 60 seg Aplicações: • Perfuração em zonas de baixo gradiente de pressão (frágeis); • Perfuração em zonas com perda de circulação parcial. 26 Alta Competência Recomendação: • São semelhantes às do fluido convencional. Em função do custo desse tipo de fluido, utilizá-lo somente em situações nas quais o peso do fluido deva ser o mais baixo possível. IMPORTANTE! Água doce ou salgada • Água doce: perfuração na área terrestre; • Água salgada: perfuração na área marítima em função da abundância desse fluido. Aplicação: Perfuração em poços com ocorrência de perda total de circulação. Nesse caso, injeta-se fluido viscoso nas conexões para evitar sedimentação de detritos sobre a broca. b) fluidos inibidos São fluidos que têm pouca ou nenhuma interação com as argilas presentes nas formações atravessadas pela broca durante a perfuração. Essa inibição pode ser de natureza química ou física. Os fluidos inibidos são divididos em: • Fluidos base água; • Fluidos base orgânica. 27 Capítulo 1. Fluidos de perfuração A inibição dos fluidos base água é sempre menor do que a inibição dos fluidos base óleo. Quando se têm argilas muito sensíveis à presença de água, proble- mas na perfuração são frequentes, e a continuida- de da operação só será possível com a utilização dos fluidos base óleo. IMPORTANTE! Os tipos de argilas mais comuns são: • Esmectita – elevado grau de inchamento em presença de água; • Ilita;• Clorita; • Caolinita – pouca reatividade com água, porém desprende-se da rocha com facilidade, causando obstrução dos poros desta; • Camada mista. Estrutura da formação argilosa do grupo das montmorilonitas 28 Alta Competência Formações argilosas tornam-se instáveis na presen- ça de alguns tipos de fluidos de perfuração base água, causando sérios problemas durante a perfuração, principalmente quando essa argila é do grupo das montmorilonitas. IMPORTANTE! Os principais problemas são: • Enceramento da broca; • Anéis de obstrução no espaço anular; • Fechamento do poço; • Desmoronamento; • Prisão da coluna de perfuração; • Alargamentos do poço. Principais fluidos inibidos base água são: • Fluido base cloreto de sódio tratado com polímero; • Fluido base cloreto de potássio tratado com polímero; • Fluido base cloreto de potássio com poliacrilamida; • Fluido a base cloreto de potássio com polímero catiônico. 29 Capítulo 1. Fluidos de perfuração c) Fluidos salgados São fluidos cuja inibição é proveniente dos cátions fornecidos pelos sais. Classificação em função da salinidade: baixa salinidade de 10.000 até 40.000 ppm média salinidade de 40.000 até 70.000 ppm alta salinidade de 70.000 até 311.300 ppm saturado salinidade de 311.300 ppm Os sais mais utilizados na confecção dos fluidos salgados são: o cloreto de sódio (NaCl) e o cloreto de potássio ( KCl ). O cloreto de sódio, em função do seu preço mais baixo e da sua disponibilidade na natureza; e o cloreto de potássio, em função do grande poder de inibição apresentado por ele. • Fluido base cloreto de sódio tratado com polímero O sal comum (cloreto de sódio), de fórmula química NaCl, em presença de água, dissocia-se em: Na+ e Cl- O cátion Na+ é o responsável pela inibição das argilas presentes nas formações perfuradas. Aplicação: • Perfuração de formações argilosas; • Perfuração marítima, na qual o abastecimento de água industrial é difícil e oneroso; • Perfuração de formações com presença de sal. 30 Alta Competência Composição X Concentração: Composiçao básica Concentração Água doce QSP Argila ativada 5,0 a 8,0 lb/bbl Soda cáustica 1,0 a 1,5 lb/bbl Amido 6,0 a 8,0 lb/bbl Polímero de baixa viscosidade 2,0 a 2,5 lb/lbb Cloreto de sódio (NaCl – sal comum) 14,0 a 16 lb/lbb Bactericida 5,0 gal/ 100 bbl Baritina em função do peso desejado • Fluidos base cloreto de potássio tratado com polímero São fluidos não-dispersos, com inibição física fornecida pelos polímeros e inibição química fornecida pelo sal. O íon potássio atua como um eficiente inibidor de inchamento e dispersão de argilas. O sal de potássio, de fórmula química KCl, em presença de água, dissocia-se em: K+ e Cl- sendo o cátion Cl+ o principal responsável pela inibição das argilas presentes no poço. Composição X Concentração Composiçao básica Concentração Água doce QSP Óxido de magnésio 0,8 a 1,0 lb/bbl Amido 6,0 a 8,0 lb/bbl Polímero de baixa viscosidade 2,0 a 2,5 lb/lbb Polímero catiônico 6,0 a 8,0 lb/bbl Cloreto de potássio (KCl) 18,0 a 20,0 lb/lbb Bactericida 5,0 gal/ 100 bbl Calcário fino 10,0 a 15 lb/lbb Baritina em função do peso desejado 31 Capítulo 1. Fluidos de perfuração 1.1.2. Problemas de fluido (base água) Os principais problemas com fluidos base óleo são: • Conversão do fluido de polímeros; • Fluido não dimensionado para altas temperaturas; • Alto teor de sólidos; • Descontrole da reologia: • Gelificação; • Decantação de barita. • Separação de fases; • Descontrole do filtrado; • Qualidade de produtos. Sobrenadante Dispersão Baritina Separação de fases 32 Alta Competência 1.1.3. Fluidos não-aquosos Os fluidos não aquosos também são conhecidos como fluidos de emulsão inversa, e são classificados em: • Fluido base óleo diesel – fora de uso; • Fluido base parafina; • Fluido base éster; • Fluido a base glicol. a) Fluido base óleo Os fluidos são ditos base óleo quando a fase contínua ou dispersante é constituída por óleo e a fase dispersa, por água salgada adicionada sob forma de minúsculas gotículas, emulsionadas pela ação tensoativa de um surfactante específico. Esses fluidos são também conhecidos como fluidos de emulsão inversa. Os demais componentes dos fluidos base óleo são: emulsificantes (primário, secundário), saponificantes e alcalinizantes, redutores de filtrado, agentes de molhabilidade, dispersantes e gelificantes e adensantes. Composição básica: • Óleo sintético, óleo mineral ou parafina; • Emulsificante primário; • Emulsificante secundário; • Agente de molhabilidade; • Controlador de filtrado; • Óxido de cálcio; 33 Capítulo 1. Fluidos de perfuração • Salmoura (água + sal); • Argila organofílica; • Adensante. Principais características dos fluidos base óleo: • Baixíssima solubilidade das formações de sal, tais como halita, silvita, taquidrita, carnalita e anidrita; • Atividade química controlada pela natureza e pela concentração do eletrólito dissolvido na fase aquosa; • Alta capacidade de inibição em relação às formações argilosas hidratáveis; • Alto índice de lubricidade ou baixo coeficiente de atrito; • Resistência a temperaturas elevadas até 400 ºF; • Baixa taxa de corrosão; • Amplo intervalo para variação do peso específico, isto é: 7,0 lb/ gal até 18,0 lb/gal. Aplicação: • Poços profundos com elevados gradientes geotérmicos, cujas temperaturas superam 300 ºF; • Rochas solúveis em água, tais como os evaporitos e domos salinos; • Poços direcionas e horizontais; • Rochas hidratáveis e plásticas, como folhelhos e argilitos; 34 Alta Competência • Poços com baixa pressão de poros ou baixo gradiente de fratura; • Formações produtoras danificáveis por fluidos base água; • Poços que geram ambientes corrosivos; • Liberação de coluna. Limitações do uso: • Poço com perda de circulação; • Sondas que não possuam sistema de remoção de sólidos adequados; • Descarte dos cascalhos em locais projetados especificamente para esse fim. Principais contaminantes: • Água; • Sólidos. b) Fluidos Aerados É o fluido cujo ar atmosférico ou um gás inerte é utilizado em parte ou no todo como fluido de perfuração. Tipos de fluidos aerados: • Ar puro ou um gás tipo N2, CO2; • Espuma. 35 Capítulo 1. Fluidos de perfuração Principais características: • Baixo peso específico (0,3 lb/gal até 7 lb/gal); • Uso de ar ou gás como componente. O uso de equipamentos especiais, tais como: com- pressores, booster, medidores de vazão e outros tor- nam muito restrita a utilização desses fluidos, em função dos custos elevados desses equipamentos. IMPORTANTE! Composição: • Água; • Argila ativada; • KCl; • Soda cáustica; • Inibidor de corrosão espumante; • Polímero. Aplicação: • Perdas de circulação severas; • Minimização de danos à formação; • Aumento da taxa de penetração. 36 Alta Competência 1.2. Aditivos Há os aditivos para fluidos base água e para fluidos não-aquosos. 1.2.1. Aditivos para fluido base água a) Doadores de viscosidade • Argila ativada (nome comercial: bentonita); • Polímero de alto peso molecular (CMC – AVAS); • Goma xantana; b) Doadores de alcalinidade (Ph) • Soda cáustica; • Potassa cáustica; • Cal viva / cal hidratada. c) Redutores de filtrado • Amido de mandioca, amido de milho; • Polímero de baixo peso molecular (CMC - ADS); • Hidroxipropilamido (HPA). d) Inibidores de argila • Polímeros catiônicos; • Cloreto de sódio (NaCl); 37 Capítulo 1. Fluidos de perfuração • Cloreto de potássio (KCl); • Poliacrilamida. e) Adensantes • Sais diversos; • Baritina; • Hematita; • Calcário. f) Dispersantes • Lignossulfonato; • Polímeros de baixo peso molecular. g) Liberadores de coluna – ácidos graxos • Pipe lax; • Free pipe; • Ez-spot. h) Preventor de enceramento de broca • Detergente; • Antiespumante. 38 Alta Competência j) Bactericida • Triazina; • Guaternário de amônio. k) Sequestrador de gás sulfídrico • Esponja de ferro; • Óxido de zinco. l) Redutorde fricção • Lubrificante 1.2.2. Aditivos para fluidos não-aquosos • Parafina, biodiesel e óleo diesel (em desuso); • Ácidos graxos; • Surfactantes; • Redutores de filtrado; • Argila organofílica; • Baritina e hematita; • Cloreto de cálcio ou cloreto de sódio; • Calcários fino e médio; • Óxido de cálcio (cal viva). 39 Capítulo 1. Fluidos de perfuração 1.3. Propriedades físico-químicas dos fluidos Propriedades Típicas do Fluido Base Água HPHT são: Peso Específico 16,0 - 19,0 lb/gal Viscosidade Plástica 25 - 50 cP Limite de Escoamento 18 -30 lb/100 pes2 Géis 9/14 - 15/26 lb/100 pes2 Sólidos 30 a 38% Filtrando HPHTH < 15 ml pH 11-13 A seguir serão descritas algumas propriedades físico-químicas dos fluidos. 1.3.1. Massa específica (peso do fluido) Fisicamente, é a massa de fluido por unidade de volume No campo, é conhecida como peso do fluido. O equi- pamento utilizado para a sua medição é a balança densimétrica. ATENÇÃO Balança densimétrica Visor de nível 40 Alta Competência Escala de densidade em lb/gal Marcação para densidade da água É muito importante a verificação da calibração da balança. a) Problemas relacionados ao peso do fluido • Peso do fluido insuficiente: • Desmoronamento das paredes do poço; • Kick; • Fechamento do poço. Peso do fluido excessivo: • Prisão de coluna por diferencial de pressão; • Perda de circulação parcial ou total; • Redução na taxa de penetração. 1.3.2. Viscosidade funil (marsh) A viscosidade é a propriedade do fluido que sofre maior influência das variações de temperatura e pressão em um poço. A temperatura pode ultrapassar os 300 °F no fundo para em seguida ser bruscamente resfriado para menos de 70 °F ao passar pelo riser ou kill/choke em lâminas d’ água profundas. 41 Capítulo 1. Fluidos de perfuração A viscosidade do funil é uma medida prática da variação da viscosidade do fluido. Essa medida consiste na determinação do tempo gasto pelo fluido para escoar através de um orifício existente na parte inferior do funil e preencher um caneco até a marca de ¾ de galão (950 ml) ou 1000 ml. One quart line 6 12 2Measured orifice (3/16 ID) FUNNEL CUP Teste para viscosidade em funil (marsh) 1.3.3. Propriedades reológicas A reologia trata da deformação e do escoamento dos fluidos quando submetida à ação de uma força. Estuda as relações entre a tensão de cisalhamento e a razão de deformação, que definem as condições de escoamento de um fluido. Viscosímetro FANN - Modelo 35 A 42 Alta Competência Características do viscosímetro FANN modelo 35 A Classificação reológica dos fluidos: • Fluidos newtonianos: existe uma relação linear entre a tensão cisalhante e a taxa de deformação; • Fluidos não-newtonianos: são aqueles cuja viscosidade varia de acordo com a taxa de deformação. 43 Capítulo 1. Fluidos de perfuração No grupo dos fluidos não-newtonianos, destacam-se: • Fluidos plásticos: caracterizados pela existência de um limite de escoamento, isto é, torna-se necessário um mínimo de tensão de cisalhamento para que o escoamento seja iniciado; • Fluidos pseudo-plásticos: são aqueles cuja viscosidade aparente diminui à medida que aumenta a taxa de deformação; • Fluidos dilatantes: são aqueles cuja viscosidade aparente aumenta à medida que aumenta a taxa de deformação. 1.3.4. Filtrado e reboco O filtrado API é o volume de líquido (filtrado) coletado numa proveta durante 30 min, a uma pressão de 100 psi. Ele é recomendado para fluidos base água. O reboco é um material que fica depositado na parede do poço devido à perda do fluido em frente às formações permeáveis. Filtro Prensa API 44 Alta Competência O filtrado HPHT é o volume de líquido (filtrado) coletado numa proveta, durante 30 min, a uma pressão de 500 psi e a uma temperatura de 300 ºF. Filtrado prensa HTHP 1.3.5. Teor de sólidos O teste de retorta consiste na destilação de um volume de 10 ml de fluido, no período de 30 min, obtendo-se as frações de água, óleo e sólidos. Kit retorta 45 Capítulo 1. Fluidos de perfuração Kit para determinação do teor de areia • Teste do MBT (Methilene Blue Test) Esta é a técnica do azul de metileno (MBT), que tem como objetivo analisar volumetricamente, por adsorção, a quantidade de sólidos ativos ou bentoníticos presentes no fluido de perfuração. Sua vantagem é a rapidez e o baixo custo de execução, além de poder fornecer indiretamente informações sobre a superfície específica das rochas. Teste do BMT 46 Alta Competência Classificação dos sólidos perfurados: SÓLIDOS EXEMPLO Inertes de baixa densidade areiam, calcário, siltes Inertes da alta densidade baritina, hematita Ativos da baixa densidade argilas plásticas O teor de sólidos deve ser controlado de forma bas- tante rigorosa em sistemas de altas densidade sub- metido a altas temperaturas, pois a presença de par- tículas finas de baixa densidade dificulta o controle das propriedades reológicas. ATENÇÃO Alguns problemas causados pelos sólidos incorporados ao fluido de perduração durante a perfuração: • Baixas taxas de penetração; • Redução da potência hidráulica na broca; • Redução da vida útil da broca; • Redução da vida útil dos componentes do sistema de circulação; • Pouca eficiência dos tratamentos químicos do fluido; • Probabilidade de prisão por diferencial de pressão; • Probabilidade de perda de circulação por aumento da densidade do fluido; • Maior custo na manutenção das bombas. 47 Capítulo 1. Fluidos de perfuração 1.3.6. Salinidade Está diretamente relacionada à inibição do fluido. Ela serve de contraste entre zonas de água doce e zonas de óleo identificadas através do perfil de resistividade. 1.3.7. Alcalinidades: Pm, Pf e Ph Pm = alcalinidade do fluido; Pf = alcalinidade do filtrado; pH = potencial de hidrogênio. 1.3.8. Problemas causados com os fluidos durante a perfuração a) Perda de circulação ou perda de retorno É a perda do fluido de perfuração ou da pasta de cimento para os espaços porosos, fraturas ou cavernas da formação, durante as operações de perfuração. 48 Alta Competência Perda de circulação Os tipos de perda de circulação são: • Parcial – quando, em condições normais de bombeio, retorna somente uma parte do fluido de perfuração que foi injetado; • Total – quando, em condições normais de bombeio, não há retorno do fluido de perfuração que foi injetado. Existem diferentes causas das perdas de circulação, dentre elas destacam-se: 49 Capítulo 1. Fluidos de perfuração Naturais • Presença de cavernas; • Infiltração em rochas de alta permeabilidade; • Ocorrência de fraturas naturais. Induzidas • Peso do fluido superior ao gradiente de fratura da rocha; • Bloqueio do espaço anular por argilas . Os métodos utilizados ao combate das perda de circulação são: • Tampão de material de perda; • Tampão de cimento; • Tampão de cimento com bentonita; • Tampão de silicato com cloreto de cálcio; • Aumento da viscosidade do fluido; • Redução do peso do fluido. b) Prisão da coluna Durante a operação de perfuração, a coluna de perfuração pode ficar presa, ocasionalmente, o que impede o seu movimento para cima e/ ou para baixo. 50 Alta Competência A coluna de perfuração poderá ficar presa por : • Acunhamento; • Desmoronamento; • Prisão por diferencial de pressão; • Chaveta. A prisão da coluna ocorre: • Durante descida da coluna após troca de broca; • Durante queda de objetos estranhos no poço; • Quando há desmoronamento; • Durante o fechamento do poço; • Durante a retirada da coluna com arraste elevado (Drag); • Quando ocorre pressão hidrostática elevada. Desmoronamento – queda das paredes do poço. • Areia; • Folhelho. Fechamento – redução do diâmetro na parte superior do poço. • Inchamento de argila; • Presença de sal. 51 Capítulo 1. Fluidos de perfuração Diferencial de pressão – consiste na fixação da coluna à parede do poço devido a uma força causada pela diferença de pressão entre a coluna hidrostáticado fluido e a pressão de poros da formação. Ocorre geralmente em frente a formações porosas e permeáveis (arenitos) e em fluidos com alto filtrado e espessura de reboco. Aliado ao fluido nas perfurações nearbalance (ba- lanceada) underbalance é necessário o uso de equi- pamentos específicos para esta etapa do poço, além do uso de fluidos de perfurações com características próprias para este tipo de perfuração. IMPORTANTE! Classificação dos Poços C ap ít u lo 2 54 Alta Competência Capítulo 2. Classificação dos poços 55 2. Classificação dos poços Aqui serão apresentadas as formas como podem ser classificados os poços e como é definida a nomenclatura do poço. Os poços podem ser classificados quanto à finalidade, à profundidade e ao percurso. 2.1.1. Quanto à finalidade Quanto à finalidade, um poço de petróleo deve ser classificado conforme a tabela abaixo. Finalidade Categoria Número Exploração Pioneiro Estratigráfico Extensão Pioneiro adjacente Jazida mais rasa Jazida mais profunda 1 2 3 4 5 6 Explotação (lavra) Desenvolvimento Injeção 7 8 Especial 9 Tipos de poços quanto à finalidade Mais adiante, veremos que a numeração atribuída à categoria do poço será importante para definir a nomenclatura do poço. a) Poço exploratório É aquele que tem por objetivo a descoberta de novos campos ou novas jazidas de petróleo, a avaliação das reservas e sua extensão ou simplesmente a obtenção de novos dados para complementar as avaliações geológicas. Os poços exploratórios subdividem-se em nos poços descritos a seguir. 56 Alta Competência • Poço pioneiro (tipo 1) É o primeiro poço perfurado numa área (num futuro campo, caso seja descoberto óleo) em busca de jazida. A locação do poço é feita após análise dos dados obtidos por métodos geológicos e/ou geofísicos. Caso seja encontrada formação portadora de petróleo no poço, normalmente prossegue-se a perfuração até o embasamento, a procura de outras possíveis zonas produtoras. Normalmente, nesses poços, a geologia solicita mais amostras de calha do que nos poços de desenvolvimento, e essas amostras são de importância fundamental para a localização de possíveis zonas produtoras. • Poço estratigráfico (tipo 2) É um poço perfurado para estudo da coluna geológica e dos fluidos contidos nas formações de uma bacia sedimentar descoberta por mapeamento geológico. A perfuração pode ir até o embasamento (rocha sã que se encontra abaixo das rochas sedimentares). É perfurado visando à obtenção de informações sobre a disposição sequencial das rochas de subsuperfície. Esses dados serão utilizados para programações exploratórias posteriores ou estudos específicos. • Poço de extensão ou delimitatório (tipo 3) Tem por objetivo delimitar um campo ou um reservatório já descoberto. É perfurado com maior espaçamento entre um e outro que os de desenvolvimento. A perfuração desse tipo de poço ocorre fora dos limites provados de uma jazida, visando ampliá-la ou delimitá-la. Poderá resultar na descoberta de uma nova jazida, independente daquela para a qual foi locado. A delimitação pode ser feita antes, durante ou após o desenvolvimento do poço. Capítulo 2. Classificação dos poços 57 • Poço pioneiro adjacente (tipo 4) É perfurado após delimitação preliminar do campo, visando-se descobrir novas jazidas adjacentes. Caso se obtenha sucesso, esse poço implicará a descoberta de nova jazida. Se ficar provado que se trata da mesma jazida anterior, será reclassificado como poço de extensão. • Poço de jazida mais rasa ou mais profunda (tipo 5 ou 6) É perfurado dentro dos limites do campo quando há suspeita da existência de jazidas mais rasas ou mais profundas devido a novas informações obtidas pela sísmica ou pela experiência da área. b) Poço explotatório ou de lavra É perfurado com o objetivo de extrair o hidrocarboneto da rocha- reservatório. Classifica-se em: • Poços de desenvolvimento (tipo 7) É aquele perfurado dentro dos limites do campo para drenar racionalmente o petróleo a partir dos testes realizados nos poços pioneiro e pioneiros adjacentes. Caso haja petróleo, é estudada a viabilidade econômica do reservatório de óleo ou gás. Os poços de desenvolvimentos são perfurados de acordo com o mapeamento geológico da área e das informações dos poços postos em produção previamente. Os poços em desenvolvimento são normalmente perfurados pelo menos trinta metros abaixo da zona produtora ou do último indício de hidrocarboneto. Esses trinta metros permitem a perfilagem de toda a zona produtora e possibilitam deixar um “saco” no revestimento abaixo da zona produtora para a queda de eventuais “peixes” ou decantação de areia, sem prejudicar a produção. 58 Alta Competência • Poços de injeção (tipo 8) Poço perfurado com a intenção de injetar fluido na rocha-reservatório para ajudar na recuperação de petróleo. Após o início da produção de petróleo de um campo, o reservatório sofre uma queda de pressão, tornando-se necessário injetar água para manter a pressão desse reservatório. Outra situação na qual se faz necessário injetar um fluido é quando o petróleo encontrado é bastante viscoso e difícil de sair. Nesse caso, injeta-se vapor d’água. c) Poço especial Poço perfurado para outras finalidades que não a exploração ou a explotação, como, por exemplo, a produção de água, poço direcional para combate de blowout, também chamado poço de alívio etc. 2.1.2. Quanto à profundidade Quanto à profundidade final, os poços de petróleo são classificados em: • Raso – quando a profundidade final não ultrapassa os 1 000 metros; • Profundidade média – profundidade entre 1 000 metros e 2 500 metros; • Profundos – quando a profundidade total ultrapassa os 2 500 metros. 2.1.3. Quanto à direção Sabemos, desde o final da década de 20, que um poço de petróleo nunca é perfeitamente vertical. Capítulo 2. Classificação dos poços 59 São vários os fatores que influenciam a direção do poço: dureza das formações a serem atravessadas, inclinação e direção das camadas de rocha, bem como características da coluna que se está empregando na perfuração. O estudo desses fatores não nos interessa nesse momento; o importante é termos em mente que o poço descreve uma trajetória diferente da vertical que passa pela sonda de perfuração. Quanto à direção, os poços podem ser classificados em vertical, direcional, horizontal e radial. a) Vertical Vamos chamar de ALVO ou OBJETIVO de um poço o ponto resultante da intersecção da reta vertical que passa pela locação da Geologia na superfície com o plano que passa pela rocha-reservatório. Um poço é dito VERTICAL se a sonda e o alvo estão situados na mesma reta vertical. A inclinação e a direção devem ser controladas para que o poço atinja a rocha-reservatório dentro do limite tolerado pela Geologia. Essa tolerância é definida por um cilindro vertical de raio R. Como parâmetro, considera-se que o ângulo formado entre a linha imaginária que passa pelo início e o fim do poço e a vertical não ultrapassasse os 8º. Esse ângulo pode ser reduzido em campos maduros (com redução de malha) para não interferir em outros poços. b) Direcional Trata-se do poço que é desviado propositadamente da vertical com o objetivo de atingir um alvo situado distante da projeção do poço. Os poços direcionais podem ser naturais, quando as formações apresentam forte tendência de ganho de ângulo durante a perfuração. Aproveita-se a tendência da formação e desloca-se a base para que o poço seja atingido sem qualquer correção ou necessite apenas de pequenas correções. Quando a formação não apresenta tendência de ganho de ângulo, usam-se equipamentos e técnicas para desviar o poço, de acordo com o projeto. 60 Alta Competência c) Horizontal Trata-se de um caso particular de poço direcional. É aquele que permanece um longo trecho na horizontal ou muito próximo da horizontal. Na indústria do petróleo, esse poço é utilizado para maior drenagem do petróleopor um único poço, pois a parte horizontal fica dentro da zona produtora. d) Radial (Multilaterais) Constata-se quando, a partir de um único poço, partem vários ramos em diferentes direções para drenarem melhor o reservatório. Esses ramos (trechos de poços) podem inclusive ser horizontais para uma drenagem ainda melhor. 2.1.4. Quanto ao diâmetro Os poços podem ser classificados, quanto ao diâmetro, em convencional ou micropoço. a) Convencional Um poço é considerado convencional, quanto ao diâmetro, quando os diâmetros utilizados são aqueles que permitem a descida dos revestimentos que normalmente são usados na produção do poço. Os diâmetros mais comuns das brocas são 26”, 17 1/2”, 12 1/4”, 8 1/2” ou 8 3/4”. b) Micropoço É aquele em que são usados diâmetros inferiores aos convencionais e, muitas vezes, é usada a microperfuração apenas em poços pioneiros, barateando, com isso, a perfuração destes e permitindo assumir riscos C ap ít u lo 3 Técnicas de Perfuração 62 Alta Competência Capítulo 3. Técnicas de perfuração 63 3. Técnicas de perfuração A pressão hidrostática do fluido de perfuração no poço pode ser igual, maior ou menor do que a pressão da formação perfurada. Quando a coluna hidrostática de fluidos é igual à pressão da formação perfurada diz-se que o poço está balanceado (balanced). Quando ela é menor do que a pressão das formações, diz-se que o poço está sub-balanceado (underbalanced). E quando a coluna hidrostática de fluidos é maior do que a pressão da formação perfurada de forma a impedir que os fluidos da forma venham a invadir o poço, mesmo quando há uma parada da circulação do fluido, fala-se que o poço está sobrebalanceado (overbalanced). A técnica underbalanced é admitida em perfurações de poços, pois ela permite a penetração de fluidos da formação no interior do poço. A perfuração deve ser sempre conduzida por um fluido de peso/ densidade que propicie a pressão apropriada para manter os fluidos da formação distantes do poço, exceto nos casos em que a perfuração for underbalanced. Na Petrobras, a técnica mais utilizada na perfuração de poços é a over balance, ou seja, quando a pressão do fluido no poço é maior do que a das formações. Isto significa que todas as paredes do poço e a formação estarão sofrendo um sobre pressão. 3.1. Perfuração no sistema balanceado (Near Balanced) A Managed Pressure Drilling (MPD) é uma nova tecnologia para redução de tempos não produtivos e aumento da segurança operacional. Nos últimos cinco anos, o desenvolvimento e a utilização dos sistemas de gerenciamento de pressão de fundo (Managed Pressure Drilling – MPD) aumentaram consideravelmente no mundo. Essa tecnologia vem sendo utilizada por vários operadores tradicionais, como Shell e Chevron, para a identificação de problemas tradicionais de perfuração, como a perda de circulação, kicks, balooning, fechamento de poço, poços de alta temperatura etc. O objetivo dessa técnica é reduzir o número de paradas durante a fase de perfuração do poço, 64 Alta Competência ou, pelo menos, reduzir consideravelmente o tempo não produtivo (NPT). Atualmente, vários conceitos diferentes foram propostos e desenvolvidos, mas somente poucos foram testados no campo. Com o intuito de avaliar os benefícios potenciais da tecnologia e a identificação dos problemas relacionados a geopressões, quatro testes de campo foram programados para essa categoria de MPD, Micro- Flux Control method, que é derivada da perfuração sub-balanceada. Os três primeiros, realizados na UN-RNCE, nos campos Leste de Baixo do Juazeiro, Riacho da Forquilha e Marizeiro, sendo o primeiro o pioneiro desta tecnologia (MPD), com atuação automática, no mundo. Os poços foram selecionados com nível crescente de dificuldade, com o terceiro teste em um poço de gás, com 4 500 m de profundidade, considerado profundo para a área. Foram perfurados no total 7 000 metros nas fases de 12 1/4" e 8 1/2", com uso de fluido sintético e base água, intercalando com operações de testemunhagem e detectando e controlando na superfície, no terceiro poço, um influxo de gás, sem downtime. O quarto teste foi realizado em perfuração de poço exploratório em arenito fechado na UN-ES (1-ESS-185D), com foco na redução de dano à formação. Durante este teste foram detectados vários pacotes de gás, anteriormente indetectáveis, controlado por um kick automaticamente com atuação do sistema (com sistema de segurança atuando para não ultrapassar o limite máximo de operação), permitindo a otimização do peso de lama com aumento de peso somente quando efetivamente necessário e por fim o aprofundamento do poço, inicialmente previsto para 4 100 metros, até 4 850 metros. No total foram perfurados 1 800 metros com o sistema na fase de 8 1/2". Devido ao sucesso do uso do sistema, na fase de 8 1/2", decidiu-se aprofundar o poço, sem uso do sistema até 5 100 metros, profundidade nunca antes alcançada nesta área. Atualmente estão em execução os preparativos para utilização do sistema em poço exploratório, 1-SCS-13, a ser realizado pela SS-48. Esta será a primeira operação com o sistema adaptado para perfuração offshore em sonda flutuante na Petrobras. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 65 Esquema de planta de perfuração balance ou MPD Tela de controle do sistema de perfuração balanceada ou MPD 66 Alta Competência Planta de controle do retorno (chokes automáticos) Planta de controle do retorno (manifold e chokes automáticos) Capítulo 3. Técnicas de perfuração 67 Tela de controle do sistema de perfuração balanceada ou MPD 3.2. Perfuração sub-balanceada (Underbalanced Drilling) A perfuração no modo sub-balanceado ocorre (segundo definição do Alberta Energy and Utilities Board ID 94-3) quando a pressão hidrostática do fluido de perfuração no fundo do poço é intencionalmente menor do que a pressão de poros da formação perfurada. A pressão hidrostática do fluido de perfuração no fundo do poço pode ser naturalmente menor do que a pressão de poros da formação perfurada, ou isto pode ser induzido. O estado induzido pode ser obtido injetando gás natural, nitrogênio ou ar na fase líquida do fluido de perfuração. Natural ou induzida, a perfuração sub-balanceada causa a produção de fluidos das formações para o poço (minimizando as bem conhecidas e danosas consequências da invasão do fluido de perfuração nas formações, formando a chamada região de filtrado da lama de perfuração). As figuras a seguir mostram esquematicamente a perfuração convencional (sobrebalanceada) e a sub-balanceada respectivamente: 68 Alta Competência D rillin g Flu id Flo wFormation Oil & Gas Flow Oil & Gas Flow Fines Production Drilling Filter FluidFluid Fl ui d Leakoff Fracture Fines Migration Formation Fines Production Fracture D rillin g Flu id Flo w Perfuração Convencional (sobrebalanceada) Perfuração Sub-balanceada Talvez o maior desenvolvimento ocorrido na tecnologia de perfuração nos últimos anos tenha sido na área da técnica UBD – underbalanced drilling (perfuração sub-balanceada). Atualmente o estágio de evolução da perfuração sub-balanceada é comparável ao estágio no qual estava a tecnologia de poços multilaterais há 5 anos, e a de poços de longo alcance há 10 anos. O mercado para a técnica UBD está crescendo devido a processos e tecnologias desenvolvidas recentemente. A figura abaixo ilustra a evolução do número de poços perfurados nos EUA no modo sub- balanceado: Capítulo 3. Técnicas de perfuração 69 A razão para este crescimento talvez esteja ligado ao fato de que muitos campos produtores de gás e óleo pelo mundo afora estejam maduros. Desta forma, com a eliminação dos danos à formação provocados pela perfuração convencional, muitos destes campos tornam-se viáveis economicamente, já que a vazão de produção esperada é superior à vazão de um poço danificado (como ocorre na perfuração convencional), o que eleva o Valor Presente Líquido (VPL) dopoço devido a um fluxo de caixa mais vantajoso. Outros aspectos importantes a ser considerados: • Com a produção de fluidos das diferentes camadas estratigráficas atravessadas durante a perfuração, formações portadoras de óleo e não previstas (antes da perfuração) podem ser descobertas; • A produção de óleo durante a perfuração sub-balanceada pode pagar parcialmente os gastos com a própria etapa de perfuração; • Há a redução de gastos futuros com trabalhos de estimulação no poço, já que os danos as formações são reduzidos. Até 1997, a aplicação da técnica se restringia a poços em terra (mais de 10 mil poços foram perfurados no modo sub-balanceado na 70 Alta Competência América do Norte nos campos de Austin-Chalk nos EUA e Canadá). Nesta época, foram perfurados os primeiros poços no mar em águas rasas, a partir de sondas fixas (plataformas fixas e autoeleváveis ou jack-ups). Devido aos elevados custos de exploração e desenvolvimento de campos de óleo em águas profundas e ao crescente interesse das companhias produtoras neste tipo de campo graças a aspectos econômicos, é de se esperar que haja um crescimento acentuado da técnica UBD, já que os índices de produtividade (IP) alcançados em poços UBD tornariam economicamente viáveis vários projetos de desenvolvimento destes campos. O progresso no mercado para a perfuração UBD, no entanto, só tem sido possível graças aos avanços tecnológicos em equipamentos para o controle rotativo de pressão, projetos de fluidos leves, modelamento matemático da hidráulica do poço (a pressão de circulação no fundo do poço, BHCP – Bottom Hole Circulating Pressure, é um item de controle importantíssimo no processo, torna-se fundamental a previsibilidade da BHCP através da simulação computacional dos escoamentos multifásicos que ocorrem no poço), aquisição de dados de processo e redução no tamanho e peso dos separadores de superfície e unidades de compressão. A técnica UBD normalmente é utilizada juntamente com perfuração através de flexi-tubo (coiled tubing) para evitar-se conexões (de elementos da coluna de perfuração a ser descida) durante a perfuração. A ausência de paradas para a realização de trabalhos de conexão, além de aumentar a produtividade da perfuração (através da redução do tempo de sonda), torna-se essencial na perfuração UBD. Durante uma conexão, com a parada das bombas de lama, as componentes de perda de carga (originadas no escoamento do fluido de perfuração pelo interior da coluna de perfuração e o seu retorno pelo espaço anular entre a coluna e o revestimento ou poço juntamente com os fluidos produzidos) são eliminadas, o que provoca grandes variações nas pressões no fundo do poço, podendo comprometer o sucesso da perfuração. A técnica UBD pode resultar em ganhos substanciais, porém a integração entre as equipes de Engenharia envolvidas (estudos de Capítulo 3. Técnicas de perfuração 71 reservatório, projeto de perfuração, execução e logística) a fim de que a perfuração seja tratada como um processo (e não como etapas isoladas a serem implementadas) aumenta as chances de sucesso, garantindo os resultados previstos no EVTE (Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica). O sucesso na aplicação da técnica UBD está intimamente associado aos fatores diferenciadores e novas exigências tecnológicas relativas a esta. O controle de pressão cauteloso, o desempenho e a natureza dos fluidos injetados, controle e tratamento de fluidos produzidos durante a perfuração, diferentes equipamentos usados em superfície e no fundo, novos procedimentos operacionais, segurança e treinamento, podem representar dificuldades a sua aceitação entre os profissionais de perfuração. Os tipos de reservatórios especialmente beneficiados com essa técnica são: • Formações calcáreas fraturadas – na medida que estas apresentam maior tendência para a ocorrência de perda de circulação; • Reservatórios maduros e depletados – com a redução / eliminação dos danos à formação, as vazões de produção serão maiores; • Arenitos com argilosidade elevada – pelo motivo citado acima, especificamente, no que se refere ao inchamento das argilas e bloqueio dos poros. Antes de qualquer projeto de perfuração, deve-se analisar uma série de características das formações e os problemas associados a estas, de forma a se escolher adequadamente o modo de perfuração a ser utilizado. Dentre as características a serem analisadas, destacam-se: • Pressão de formação – reservatórios com pressão de poros alta são candidatos em potencial à ocorrência de kicks e blowouts (erupções). Nestes casos, a perfuração sobrebalanceada (overbalanced drilling) é recomendada. Baixas pressões de poros 72 Alta Competência (reservatórios depletados) são candidatas a danos de formação, perda de circulação e até mesmo redução da taxa de penetração. Nestas circunstâncias, é recomendado o uso de perfuração balanceada (nearbalanced drilling); • Permeabilidade da formação – altas permeabilidades podem causar perda de circulação, porém, podem também resultar num alto índice de produtividade (IP), assim, a perfuração balanceada pode ser a melhor solução. Formações com baixa permeabilidade têm baixos índices de produtividade. Além disto, a possibilidade de ocorrência de danos à formação aumenta. Neste caso, o modo mais recomendado é o da perfuração sub-balanceada; • Consolidação da formação – reservatórios consolidados têm baixa taxa de penetração, fazendo com que a perfuração sub- balanceada seja a melhor opção. Reservatórios inconsolidados são candidatos em potencial ao colapso do poço, mas também a danos à formação. Assim, a perfuração balanceada apresenta-se como a melhor alternativa; • Presença de argilas incháveis – neste tipo de formação, a escolha da salinidade do fluido de perfuração pode ser a solução mais simples. A perfuração sub-balanceada pode também ser escolhida como alternativa; • Reservatórios naturalmente fraturados – têm alta probabilidade de ocorrência de perda de circulação e danos, fazendo com que o modo sub-balanceado seja o mais adequado; • Reservatórios com presença de gás – são candidatos em potencial à ocorrência de kicks e de blowouts, assim, a perfuração sobrebalanceada é a recomendada; • Presença de H2S – pode causar corrosão e blowouts. A perfuração sobrebalanceada é a mais recomendada; • Poço de injeção – danos à formação podem reduzir em muito o índice de injetividade. A perfuração balanceada pode ser uma boa solução; Capítulo 3. Técnicas de perfuração 73 • Incompatibilidade de fluidos – pode haver várias incompatibilidades entre a formação (e os fluidos contidos nesta) e o fluido de perfuração. Tais incompatibilidades causam danos à formação. Se não for possível conhecer-se a natureza destas incompatibilidades antes de se perfurar, é recomendado que se perfure no modo sub-balanceado; • Perfuração de folhelho espesso – pode causar o colapso do poço. Perfuração sobrebalanceada deve ser escolhida; • Perfuração de domo espesso de sal – aumentam as possibilidades da ocorrência de invasão do sal na lama do poço. É recomendado que se use a perfuração sobrebalanceada; • Perfuração de formações muito duras – a perfuração sub- balanceada aumenta a taxa de penetração; • Perfuração de aquífero – se a pressão do aquífero for alta, a água do mesmo poderá diluir o fluido de perfuração. Neste caso a perfuração sobrebalanceada deve ser escolhida. No entanto, se a água do aquífero for usada para consumo, a melhor recomendação será a de não se perfurar nesta área. Se isto não for possível, a perfuração sub-balanceada será a solução; • Poço horizontal – são bons candidatos ao colapso. Assim, a perfuração sobrebalanceada deve ser a primeira opção. Entretanto, se houver um bom estudo de reservatório, conhecendo-se as direções principais das tensões tectônicas, pode-se optar pelo modo sub-balanceado no caso de completação a poço aberto, desde que estas direções principaisnão sejam ortogonais ao poço. A tabela a seguir apresenta um modo prático de se escolher a técnica de perfuração a ser utilizada. A soma dos pesos indica a potencialidade de cada modo de perfuração (OD para sobrebalanceada ou UD para sub-balanceada): 74 Alta Competência CARACTERÍSTICA OD UD Alta pressão de formação 2 0 Baixa pressão / reservatório depletado 0 2 Formação com alta permeabilidade 1 2 Formação com baixa permeabilidade 0 2 Reservatório consolidado 0 2 Reservatório inconsolidado 1 1 Arenito sujo (alto teor de argila ou intercalações de folhelho) 1 2 Reservatório fraturado 0 2 Reservatório de gás 1 0 Presença de H2S 1 0 Poço injetor 0 1 Incompatibilidade de fluidos 1 2 Espessa seção de folhelho no reservatório 2 1 Domo espesso de sal no reservatório 1 0 Rochas duras ao longo do reservatório 0 2 Aquífero para consumo 0 2 Aquífero com alta pressão 1 0 Poço horizontal com tensões tectônicas laterais 2 0 Poço horizontal com tensões tectônicas longitudinais 0 1 3.2.1. Vantagens e limitações Como mencionado anteriormente, a técnica UBD pode melhorar consideravelmente a produtividade e, consequentemente, a economicidade de poços em reservatórios maduros (depletados), com problemas de perda de circulação, sensíveis a fluidos e em formações com baixa permeabilidade. Também é vantajosa na perfuração de formações muito duras, aumentando a taxa de penetração e vida útil das brocas, bem como aliviando a pressão diferencial, o que reduz consideravelmente os riscos de prisão (da coluna) por diferencial de pressão. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 75 As vantagens da técnica UBD são descritas a seguir. a) Aumento da vazão de produção O índice de produtividade real de um poço (relação entre a vazão de produção e o diferencial de pressão a frente dos canhoneados) é calculado como segue: Onde: Q = Vazão de produção; Pe= Pressão estática do reservatório; Pwf= Pressão de fluxo a frente dos canhoneados; ΔPS= Diferença de pressão causada pelo dano à formação. Com a redução do dano causado pela infiltração do fluido de perfuração na formação, observa-se um aumento na vazão de produção (para uma mesma pressão de fluxo). A figura a seguir ilustra a sensibilidade da vazão de produção em função do fator de dano (quanto maior o “s”, ou fator de dano, maior o ΔPS): 76 Alta Competência Fatores de dano : 0 / 2 / 10 / 30 Exemplo do efeito do fator de dano na produtividade Pr o d u çã o , b b l/d ia V al o r ac u m u la d o d e p ro d u çã o , $ m ilh õ es 8.000 7.000 6.000 5.000 4.000 3.000 2.000 1.000 250 200 150 100 50 0 Tempo, anos Tempo, anos 0 0 5 10 15 20 0 5 10 15 20 b) Aumento do fator de recuperação O limite a ser praticado para a pressão de fluxo no fundo do poço é condicionado a fatores técnicos (capacidade de vazão e pressão de uma bomba centrífuga submersa, por exemplo) e econômicos (custos operacionais, preço do barril de petróleo etc). Com a eliminação dos danos à formação, mantido um determinado limite para a pressão de fluxo no fundo, a diferença efetiva de pressão sobre a formação (denominador da equação para cálculo do IP) no fim da vida produtiva de um poço sem dano será maior. Isso causa uma produção acumulada maior por ocasião do fechamento do poço, aumentando assim o fator de recuperação de um determinado reservatório de petróleo. c) Menores custos de estimulação Operações de estimulação (acidificação, fraturamento hidráulico etc) são realizadas objetivando o aumento do índice de produtividade do poço. Com a eliminação dos danos à formação, os serviços de estimulação podem ser postergados ao longo da vida produtiva Capítulo 3. Técnicas de perfuração 77 do poço. Além disto, a probabilidade de sucesso aumenta já que a complexidade do tratamento é reduzida (por exemplo, não há grandes riscos quanto à adequação do fluido do tratamento aos fluidos e partículas sólidas da zona de filtrado, pois ela praticamente não existe). d) Identificação imediata de hidrocarbonetos Durante a perfuração UBD, é possível a realização de testes com os fluidos produzidos, o que é uma grande vantagem em termos das estratégias de tomadas de decisão durante a perfuração. e) Aumento da taxa de penetração Na perfuração convencional, quanto maior o overbalance (diferença entre a pressão hidrostática no fundo do poço e a pressão de poros da formação), maior será a força que tende a manter o cascalho retido no fundo. No caso de brocas tricônicas, isso significa retrabalho devido à ineficiência na limpeza dos cascalhos. No caso de brocas integrais, esta força também aumenta a resistência da rocha, reduzindo a taxa de penetração. Na perfuração UBD, essa força tem sentido contrário (da formação para o poço), o que aumenta a taxa de perfuração. f) Reduz perdas de circulação A perda de circulação é a perda de fluido de perfuração para vazios ou fraturas abertas nas formações. Ela pode ser parcial ou total. Como a tendência é de que não haja invasão do fluido do poço na formação, não ocorrerá perda de circulação (exceto em caso de erros operacionais ou imprevistos, como avaliação incorreta de formações a serem perfuradas etc). Os prejuízos que isso causa (aumento do consumo de fluidos de perfuração e perda de produtividade operacional devido aos maiores tempos de sonda parada), indicam ganhos possíveis com a técnica UBD. g) Redução no torque, drag e prisão por diferencial de pressão A invasão de fluidos de perfuração (filtrado) em formações com folhelhos hidratáveis pode causar o inchamento excessivo das argilas Bárbara Destacar 78 Alta Competência da formação, aumentando o torque e o drag sobre a coluna de perfuração e até mesmo provocar a prisão da coluna. Quanto maior o filtrado, maior será a espessura da camada de reboco, o que aumenta a tendência de prisão por diferencial de pressão. Devido a todos estes fatos, um diferencial de pressão da formação para o poço eliminaria estes inconvenientes. h) Aumento da vida útil da broca Com a redução do retrabalho dos cascalhos devido à eficiência na limpeza dos mesmos e a maior facilidade em se quebrar as rochas perfuradas durante a perfuração sub-balanceada, é de se esperar que a perfuração UBD provoque menor desgaste (no caso de brocas tricônicas) ou aumente a vida útil (no caso das brocas integrais, que normalmente falham por fadiga na fixação dos seus elementos cortantes). À medida que as tensões durante a perfuração são reduzidas, o número de ciclos para falha por fadiga aumenta. A seguir, serão listadas as principais limitações da técnica UBD. Inexperiência com fluidos aerados As equipes de perfuração não estão familiarizadas com este tipo de fluido. Um bom treinamento é um fator essencial para o sucesso da técnica. Economia Os custos relativos aos equipamentos e fluidos empregados são bem maiores do que na perfuração convencional. c) Estabilidade do poço Algumas formações podem apresentar sensibilidade a condições de sub-balanceamento, podendo resultar em colapso do poço e perda do mesmo (até mesmo prisão e abandono da coluna de perfuração). Bárbara Destacar Capítulo 3. Técnicas de perfuração 79 d) Inexperiência do pessoal operacional A técnica UBD exige muita cautela na execução da perfuração e tomadas de decisão em tempo real. A falta de conhecimento das equipes envolvidas na execução de um projeto de perfuração sub- balanceada pode comprometer o sucesso do mesmo. 3.2.2. Métodos de perfuração sub-balanceada A seguir serão descritos alguns métodos de perfuração sub-balanceada. a) De acordo com o tipo de sonda Os métodos de perfuração podem ser realizados através de: • Sondas equipadas com tubos de perfuração; • Sondas equipadas com flexi-tubo. Na perfuração sub-balanceada com flexi-tubo, são possíveis operações contínuas sem as interrupções necessárias para a conexão de novos tubos de perfuração. Prevenindo, desta forma, os picos de pressão causadospelas constantes operações de ligar e desligar as bombas de lama. A circulação constante mantém a massa específica equivalente de circulação (ECD) próxima a um valor constante e resulta em uma pressão no fundo do poço mais uniforme. O contínuo movimento do fluido no fundo do poço minimiza a separação por gravidade do influxo de óleo da formação do fluido de perfuração base água e dos cascalhos mais pesados. Assim, o influxo de fluidos do reservatório se dá de maneira mais estabilizada. Outra característica da perfuração com flexi-tubo é a possibilidade de uma transmissão contínua de dados do fundo do poço, que é possível através de um cabo condutor que corre internamente ao flexi-tubo. Isso evita o problema comum em perfuração com fluidos aerados, que é a transmissão de dados por pulsos de pressão através de um fluido compressível. 80 Alta Competência A perfuração convencional com tubos de perfuração (drill pipes) continuará a ser usada na maioria dos serviços de perfuração sub- balanceada, pois a perfuração com flexi-tubo é quase sempre mais cara, porém espera-se que o flexi-tubo aumente sua participação no mercado. b) De acordo com o equipamento de superfície Dividem-se em: • Perfuração em terra ou plataforma fixa; • Perfuração com unidades flutuantes. Operações no mar geralmente podem acomodar muito menos equipamentos suplementares de superfície, comparativamente às operações em terra. O equipamento usado em operações de perfuração sub-balanceada em terra pode não ser adaptável para operações no mar. Geralmente, os principais componentes necessários para perfuração no mar incluem um BOP rotativo (preventor de erupções), um choke manifold adaptado, uma unidade de processamento de fluidos do poço, uma unidade de injeção de nitrogênio e equipamentos de monitoração. Componentes de logística, associados a certas locações, podem frequentemente influenciar o sistema de fluido a ser selecionado. As seguintes áreas necessitam de tratamentos diferenciados, quando se perfura com fluidos leves, em terra ou com plataformas fixas comparativamente à perfuração com unidades flutuantes: • Projeto do riser; • Projeto da coluna de perfuração; • Projeto da cabeça do poço e do revestimento; • Separadores; Capítulo 3. Técnicas de perfuração 81 • Sistema de direcionamento da broca; • Unidade de injeção de gás. De acordo com o sistema de injeção do gás Podem ser: • Através da coluna de perfuração; • Através de coluna parasita. Na maioria dos casos, o gás é injetado pela coluna de perfuração juntamente com a fase líquida. Existem algumas vantagens deste tipo de injeção, em comparação com o da coluna parasita: (1) menores massas específicas equivalentes de circulação (ECD) podem ser conseguidas, uma vez que o fluido aerado ocupa todo o comprimento do anular do poço; (2) a vazão de gás é adicionada à de líquido de forma a cumprir todos as necessidades de fluxo através do motor de fundo; e (3) a instalação e a implementação do sistema são muito mais simples. Todavia, este tipo de injeção apresenta algumas desvantagens: (1) não permite injeção contínua de gás durante as operações de conexão e movimentação da coluna; e (2) equipamentos de MWD- LWD (medição e registro durante a perfuração) não podem enviar sinais à superfície através de pulsos de pressão pelo fluido aerado dentro da coluna de perfuração. 82 Alta Competência Injeção através de coluna parasita n.º1 Injeção através da coluna de perfuração n.º2 Dependendo do cenário, é mais conveniente o uso de coluna parasita para a injeção de gás, especialmente quando: (1) sistemas de MWD e direcionamento são necessários e os equipamentos eletromagnéticos disponíveis não funcionam corretamente; (2) as instalações de produção já estão montadas e as colunas de produção já estão equipadas com válvulas de gas-lift. Em outras circunstâncias, não há geralmente custo efetivo no uso deste tipo de injeção, desde que: (1) a instalação da coluna parasita consuma muito tempo e por isso tenha um custo proibitivo; (2) a coluna parasita pode causar problemas operacionais, como vazamentos, quebra na linha, entupimento etc. Estes são os principais tipos de colunas parasitas: • Linha de injeção separada Uma linha de injeção lateral, conectada ao revestimento a uma certa profundidade, é descida com o revestimento para promover uma via de injeção de gás no ponto de conexão. A profundidade de injeção é baseada na ECD requerida no fundo do poço e na capacidade dos equipamentos de superfície. • Coluna de revestimento paralela Capítulo 3. Técnicas de perfuração 83 Esta é uma opção que deve ser considerada especialmente na reentrada em poços, onde um liner é assentado a uma certa profundidade. Um tie-back liner é descido no poço e o gás é injetado entre o liner e o revestimento pré existente. • Coluna de perfuração dupla Esta opção, que não é usual, permite a injeção do gás através do anular entre as paredes da coluna de perfuração dupla. A grande vantagem na utilização da injeção através de coluna parasita é a possibilidade de se enviar os sinais da ferramenta de monitoração do fundo em tempo real (MWD – Measure While Drilling) pelo interior da coluna de perfuração. Estes sinais são transmitidos por pulsos de pressão e o fluido no interior da coluna não pode ser aerado para não amortecer estes sinais. Uma desvantagem da injeção através de coluna parasita é que nem todo o anular fica com fluido aerado, fazendo com que a pressão hidrostática neste caso seja um pouco maior. 3.2.3. Equipamentos do sistema sub-balanceado 3.2.3.1. Compressores Compressores são utilizados em operações de perfuração sub- balanceada como uma alternativa ao bombeio de nitrogênio líquido. Os gases de uso mais frequente são: ar, metano, dióxido de carbono e o nitrogênio gerado por membrana. Suas propriedades são bem diferentes, uma vez escolhido o gás, o desempenho do compressor será afetado significativamente. A composição do gás natural tem grande variação a depender do reservatório de gás e as propriedades do gás são funções de sua composição. 84 Alta Competência a) Tipos de compressores Os compressores podem ser divididos em 2 grupos principais: deslocamento positivo e turbo máquinas (fluxo contínuo). Nos compressores de deslocamento positivo, a pressão do gás aumenta com a redução do seu volume; nos turbo compressores, o gás é acelerado e a pressão aumenta posteriormente com a redução da área de fluxo. Os compressores de deslocamento positivo são os mais utilizados nas operações em campos de petróleo, devido às altas pressões normalmente requeridas para essas aplicações. Eles podem ser divididos em 2 grupos: alternativos (pistão) e rotativos. Para compressão primária (pressão moderada e maior vazão) em poços rasos, os compressores rotativos são utilizados por terem custos menores. Para poços profundos ou como boosters, compressores alternativos são utilizados quando altas pressões são necessárias. Para razão de compressão alta (pressão absoluta da descarga dividida pela da admissão) são utilizados compressores de múltiplos estágios com resfriamento intermediário do gás (intercoolers), para evitar altas temperaturas na admissão do próximo estágio, o que reduziria a eficiência do compressor. A máxima razão de compressão foi estabelecida em 3,5 para cada estágio em compressores alternativos. 3.2.3.2. Unidade criogênica Em perfuração com ar/gás, o uso de um gás diferente do ar é requisitado quando a injeção de oxigênio no poço pode resultar numa corrosão severa dos revestimentos e da coluna de perfuração, e/ou aumentar o potencial de fogo ou explosão no fundo do poço. Ambos os problemas resultam do influxo do fluido da formação para o poço. Caso o oxigênio esteja presente, o influxo de água pode acentuar o problema da corrosão e fogo, ou explosões pode resultar do influxo de hidrocarbonetos. Geralmente, com o aumento da profundidade do poço, ele torna-se úmido. Isso é um problema quando se perfura com ar, pois os Capítulo 3. Técnicas de perfuração 85 cascalhos tendem a se aglomerar formando partículas maiores, o que potencialmente pode obstruir o poço e aumentar as chances de explosões, no fundo, se houver a presença de hidrocarbonetos. A perfuração com névoa pode elevar o potencial de fogo no fundo do poço, entretanto no caso de poços horizontais o longo tempo de exposição dos intervalos de produção pode aumentar a probabilidade de fogo no fundo do poço a níveis inaceitáveis. Se o nitrogênio for utilizado, devido às preocupações com fogo no fundo do poço, deve ser tomado cuidado para assegurar que a concentração de oxigênio no sistema esteja abaixo da requerida para combustão das formações de hidrocarbonetos. Em operações onde o nitrogênio é usado no fluido de perfuração, o conteúdo de oxigênio deve ser mantido abaixo de 5% como medida de precaução. Nas operações atuais, o conteúdo de oxigênio costuma ser a maior chegando a 8%. Isso significa que pelo menos 92-95% de puro nitrogênio é requerido. Se houver um potencial de contaminação por outros gases, as companhias fornecedoras de nitrogênio recomendarão um mínimo de 99,9% de pureza, o que as unidades de nitrogênio líquido conseguem facilmente. a) Equipamento Um típico caminhão de entrega de nitrogênio é capaz de bombear nitrogênio a 10 000 psi. As 3 partes principais do equipamento montado no caminhão de injeção de nitrogênio está mostrado, esquematicamente, abaixo: Equipamento de nitrogênio 86 Alta Competência O caminhão de injeção inclui uma unidade de vaporização, que aquece o nitrogênio de - 160 ºC (- 320 ºF) para aproximadamente 27 ºC (80 ºF). Isso converte o nitrogênio de líquido para gás. A vaporização com o controle de temperatura permite que qualquer vazão de bombeio seja mantida com acurácia. b) Metodologia Nitrogênio é tipicamente introduzido na coluna de perfuração a vazões de 250 a 3000 scf/min a pressões de 7 a 21 Mpa (1 000 – 3 000 psi). Deve ser tomado cuidados para assegurar que as conexões e manobras sejam feitas corretamente e com segurança. A coluna de perfuração deve ter válvulas flutuadoras (válvulas parecidas com uma flapper valve que impede o fluxo em sentido reverso) a cada 9 - 12 juntas. Quando perfurando com nitrogênio puro (sem a adição de lama de perfuração ou água ao sistema de circulação), a injeção de gás é desligada primeiro. A pressão no interior da coluna de perfuração acima da última válvula flutuadora é drenada (sangria na linha) e a conexão é feita. Quando perfurando com fluido nitrogenado, após a injeção do gás ser desligado, deve ser tomado cuidado de manter uma pressão positiva nas linhas de injeção de gás. A pressão positiva mantida nas linha de injeção previne um fluxo reverso de lama ou água para as linhas de injeção de nitrogênio quando elas são reabertas. 3.2.3.3. Membrana A tecnologia da membrana está sendo utilizada por mais de 40 anos. Ela foi inicialmente aplicada na separação entre líquidos e gases e também na purificação da água. A separação de gás usando membranas depende da concentração e é diretamente relacionada com a pressão na entrada da membrana e a vazão através dela, e inversamente relacionada com a pressão parcial dos componentes individuais do gás. A separação é afetada pela dissolução atual do gás na entrada da membrana e a sua difusão pela membrana polimérica. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 87 As membranas fibrosas individuais são agrupadas em forma modular. Os módulos são combinados em quantidade o suficiente para produzir qualquer volume de nitrogênio requerido. a) Equipamento O NPU (Nitrogen Production Unity) é um conjunto de módulos montados em uma carcaça de aço de aproximadamente 25 cm (10 pol.) de diâmetro por 1,83m (6 pés) de comprimento, onde cada uma contém milhões de membranas porosas e fibrosas agrupadas. Esses módulos podem operar a pressões até 200 psi e a temperaturas abaixo de 38 ºC (100 ºF). O ar de alimentação deve ser injetado por um compressor e tem de passar primeiro por uma série de filtros para remoção de partículas, mantendo seus níveis abaixo de 5 partes por bilhão. A figura seguinte mostra uma NPU. NPU Os NPU são montados em skids (trenós) contendo os módulos das membranas e o sistema de filtragem de ar. Ele também inclui um controlador para monitorar a filtragem e os módulos de separação. O controlador faz a aquisição da pressão, vazão e temperatura, continuamente. O sistema pode armazenar vários dias de informação e o equipamento pode ser operado remotamente por um modem telefônico. b) Metodologia Uma vez determinados o volume requisitado, o NPU tem de ser selecionado baseado na sua vazão de saída e na pureza desejada do nitrogênio. A figura a seguir mostra como o aumento da pressão no sistema metano-oxigênio-nitrogênio diminui a concentração necessária de oxigênio para a obtenção de uma mistura explosiva. 88 Alta Competência 13.00 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Pressure (psia) % O xy g en 12.00 11.00 10.00 9.00 8.00 A eficiência teórica (volume de nitrogênio entregue dividido pelo volume na entrada) do NPU é de 78%. Para o nitrogênio com pureza de 92% – 95%, a eficiência é de 67%. Note que dependendo do volume de nitrogênio a ser gerado e da capacidade da membrana, a unidade irá produzir nitrogênio com pureza entre 95% a 99,9%. O teor de oxigênio no nitrogênio gerado será maior com volumes maiores a serem gerados, próximo ao limite de capacidade da unidade, e menor com volumes gerados menores. Aproximadamente 4% de oxigênio é o típico em um sistema de separação por membranas. O que pode atingir limites explosivos em ambientes com presença de grande quantidade de H2S. A concentração de 4% de oxigênio pode gerar uma corrosão significativa. 3.2.3.4. Separadores Durante perfurações sub-balanceadas, em sistema de malha fechada, é necessário separar os fluidos que retornam do poço. Para ambas operações sub-balanceada ou quase-balanceada, o separador terá de separar as fases líquida e gasosa do fluido de perfuração e os cascalhos resultantes da perfuração. Adicionalmente, quando perfurando sub-balanceado através do reservatório, o óleo produzido e o gás natural também devem ser separados. A mistura dos gases injetados e produzidos são direcionados para o queimador. Enquanto o óleo é separado dos cascalhos e da fase líquida do fluido de perfuração e direcionado para os tanques de armazenagem. Para o bem da segurança operacional e produtividade, o sistema de separação deve ser projetado com cautela, e durante as operações de perfuração deve ser monitorado e controlado. Os principais parâmetros a serem monitorado são a pressão dentro do separador, nível de líquido, a concentração de gás na linha de liquido, as vazões de gás e líquidos nas linhas de entrada e saída. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 89 Os separadores podem ser classificados de acordo com seus propósitos, duas fases (líquido-gás), três fases (líquido-gás-sólido) ou quatro fases (líquido-óleo-gás-sólidos). Alternativamente podem ser classificados de acordo com sua forma e princípio de funcionamento, por exemplo vertical, horizontal ou esférico. a) Separador vertical Os separadores de três fases são os equipamentos mais comuns utilizados em plantas de produção. Ele é versátil e com partes internas apropriadas para produzir um nível aceitável de separação para certa variação de vazão e característica operacional. Adicionalmente, ele é capaz de suportar os típicos volumes de espuma e sólidos. Para operações de perfuração sub-balanceada, o separador descrito será modificado e testado para separação de cascalhos para uma gama representativa de taxas de penetração e diâmetros de poços. Os separadores de quatro fases para perfuração sub-balanceada requerem um mecanismo adicional para a separação da água do óleo. O sistema completo de separação projetado irá depender das característicasespecíficas, do tipo de fluido usado e das leis ambientais na região da perfuração. Veja na figura a seguir o interior de um separador de quatro fases. Partes internas do separador de quatro fases 90 Alta Competência No caso da perfuração com espuma, um quebrador de espuma tem de ser adicionado na mistura (espuma, água, óleo, gás e sólidos) que retorna do poço. Com isso, antes de entrar no sistema de separação, a espuma será quebrada, facilitando o processo de separação de todas as fases. No caso de fluidos aerados, um desespumante não é necessário, uma vez que, provavelmente, o sistema de separação pode separar água, óleo, gás e sólidos sem aditivos. Após a separação, o gás é queimado, o óleo é armazenado para comercialização, os sólidos são analisados e descartados, a fase líquida do fluido de perfuração pode ser tratada para reinjecção. Dependendo das características do fluido, a tarefa mais difícil será a separação das fases aquosa e o óleo especialmente quando se formar uma emulsão. No geral, os sólidos vem na forma de um fino pó, e é necessário instalar amostradores antes do sistema de separação, para coletar amostras dos cascalhos. Após a separação e o apropriado tratamento, os sólidos podem ser descartados. • Movimentação dos sólidos O equipamento usado para o controle dos sólidos pode ter grande variação com o tipo de fluido a ser utilizado, leis ambientais e governamentais. Os parâmetros considerados em cada sistema são: • Fluido de perfuração; • Volume dos cascalhos gerados; • Tamanho da locação; • Presença de H2S; • Requisitos da malha fechada; • Leis e restrições ambientais. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 91 Ar, névoa ou gás No caso de perfuração com ar, névoa ou gás, os fluidos de retorno e sólidos vão direto para linha de coleta, que os leva ao dique de queima, onde os cascalhos são acumulados. O tamanho dos cascalhos normalmente são bem pequenos. Os amostradores são colocados antes da saída na linha de coleta. Nesse tipo de perfuração nenhum sistema de controle de sólidos é necessário. No final da operação de perfuração o dique de queima é fechado como estipulado pela empresa ou regulamento governamental. Se uma quantidade anormal de líquido estiver presente no dique, a fase líquida deverá ser bombeada ou drenada para ser dado um destino adequado. Espuma No caso de perfuração com espuma, dependendo das restrições governamentais, o controle de sólidos podem variar amplamente. Se nada o impede de construir um dique reserva, e você não deseja reciclar a espuma, então os sólidos podem ser tratados de maneira similar ao caso de perfuração com ar. Com a quebra da espuma, os cascalhos vão se depositar no fundo do dique reserva para posterior soterramento ou retirada para tratamento ou alocação em um lugar apropriado. No entanto, geralmente, não se tem muito espaço disponível para acumular fluido e esperar a quebra da espuma. Outra restrição é que os órgãos reguladores não permitem o descarte de espuma com hidrocarbonetos. Com a presença de H2S a movimentação dos sólidos tem de ser feita de maneira bem diferente. Quando for necessário a remoção do sólido da corrente de espuma, apenas alguns métodos serão empregados. O principal problema a ser superado é a quebra da espuma para a remoção do sólido. 92 Alta Competência Fluidos aerados Quando perfurando com fluidos aerados, o método mais comumente utilizado para a separação dos sólidos, é permitir que a corrente de fluxo vá para um separador, onde o gás é enviado para o queimador e a fase líquida com sólidos flui através de uma série de tanques de decantação e flotação, onde os sólidos são separados por gravidade. Chicanes, as vezes, são colocadas nos tanques para acelerar esse processo. Veja na figura seguinte o sistema de controle de sólido de um fluido aerado. Planta de controle de sólidos de fluidos aerados Sistema de recirculação da espuma Um sistema químico de recirculação, patenteado por Clearwater, permite a separação das fases gasosa, líquida e sólida em um separador e a reutilização da maior parte da fase líquida. Todo o processo é controlado pela variação do pH através da adição de ácido ou base. O agente espumante é ativado em um meio com pH maior do que 10 e a espuma é quebrada quando o pH abaixa de 3,5. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 93 b) Separador horizontal Separadores horizontais têm sido usados extensivamente na indústria do petróleo. Entretanto, devido às restrições de espaço, separadores verticais são uma escolha mais apropriada para unidades flutuantes. Os seguintes aspectos ilustram as vantagens primárias de um separador horizontal comparado com um separador vertical equivalente com placas internas de deflecção: • A direção do fluxo é perpendicular à direção do campo de gravidade, o que promove a separação. Uma vez que a velocidade da fase continua não é oposta a velocidade de migração das partículas dispersas; • Ele facilita o controle de turbulências, uma vez que o distúrbio provocado pela alimentação só afeta uma pequena porcentagem da seção de decantação; • Para um mesmo volume de líquido, comparado com os separadores verticais, os separadores horizontais permitem uma superfície de contato maior entre os fluidos, o que favorece o equilíbrio termo dinâmico das fases e a sua separação. c) Separador esférico Os separadores esféricos são usados para remover líquidos das correntes de gás que estão sob altas pressões. A sua única vantagem deve-se ao fato de a construção ser mais econômica (menor quantidade de aço) para pressões maiores. 3.2.3.5. Linhas de retorno O fluxo de retorno vai diretamente para o queimador (no caso de perfuração com ar) ou para um separador no caso de perfuração com fluidos leves, névoa, nitrogênio ou espuma. É muito importante que o queimador esteja a pelo menos 45 m do poço. 94 Alta Competência A linha de retorno deve ter um diâmetro de pelo menos 7 polegadas para diminuir a perda de carga. Observe a figura seguinte para mais informações. Configuração de um BOP com sistema rotativo e com planta para controle do retorno de fluido do poço 3.2.3.6. BOP rotativo O BOP rotativo (RBOP - Rotative Blow Out Preventer) é usado em conjunto com o BOP convencional, e pode suportar uma pressão de até 1 500 psi no anular, na superfície, quando perfurando com ar, gás, névoa, ou fluidos leves. O RBOP incorpora packers (obturadores) atuados hidraulicamente, suportados por grandes mancais com rolamentos e isolados por selos mecânicos dentro de uma grande carcaça. A carcaça tem um flange para montar no BOP anular e um flange para a linha de retorno, no caso de perfuração em terra ou no mar em plataformas fixas/autoeleváveis (completação com árvore de natal seca). Na figura seguinte é apresentada a configuração de um RBOP. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 95 Configuração de uma cabeça de poço com o BOP comum instalado e na parte superior um anular rotativo (RBOP) Para o caso de unidades flutuantes, o RBOP é montado no topo do riser (e nesse caso o RBOP ganha o nome de riser cap blow out preventer), com isso os seguinte equipamentos do riser perderam as suas funções: a junta telescópica do riser é fechada e travada ou simplesmente removida, a junta esférica superior e o diverter também são removidos. O retorno da lama é feito por duas linhas flexíveis de alta pressão, ligando o riser a unidade flutuante, para compensar o efeito do heave. A figura abaixo mostra um RBOP em corte. Quick-change Packer Assembly Replaceable Packer Inner Packer Outer Packer Rotating Housing Assembly RBOP em corte 96 Alta Competência a) Atuação do packer Óleo hidráulico é utilizado para atuar os elementos do packer, os quais selaram contra o kelly ou os tubos de perfuração. A pressão do óleo hidráulico pode variar automaticamente com a mudança de pressão no poço. O packer interno (do tipo bolsa), a seção interna e externa, expandem contra o kellypacker, o qual sela o kelly. A pressão do fluido hidráulico é mantida a 200-300psi acima da pressão do poço, para manter o RBOP fechado. b) Rolamentos O mesmo fluido hidráulico que atua os packers, lubrifica os rolamentos. Estes rolamentos suportam os elementos de vedação e são colocados nas duas extremidades da área de selagem para evitar que as cargas de içamento sejam transmitidas para os selos. c) Selos Os selos mecânicos rotativos aumentam a vida dos elementos rotativos. O óleo hidráulico é confinado pelos dois selos mecânicos, o que isola os packers rotativos e os rolamentos do poço, uma vez que a pressão do fluido hidráulico é sempre maior do que a pressão do poço. Os selos e os rolamentos são lubrificados positivamente e não podem ser contaminados pelos fluidos do poço. d) Packer interno Este packer do tipo bolsa é feito de duas partes (seções), de tal maneira que um dano na seção interior não resulte na perda de pressão e de fluido hidráulico. A seção interna pode ser removida e substituída sem que a seção externa seja removida. Packer de troca rápida (QCP – Quick Change Packer) Esse conjunto de troca rápida assegura uma selagem positiva contra qualquer superfície sob máxima pressão de trabalho do RBOP e pode ser trocado pela simples liberação de um mecanismo de travamento, o packer é recuperado através da mesa rotativa. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 97 Guia do kelly Este dispositivo foi projetado para deslizar pelo kelly durante a perfuração, enquanto isso, é acoplado a parte rotativa do RBOP para reduzir o esforço torcional nos elastômeros. Unidade hidráulica A unidade de potência é composta por um reservatório de fluido (80 gal) e duas bombas (tipo deslocamento positivo) de 15 hp e vazão máxima de 6 gpm. O controle proporcional das bombas provê um controle automático e válvulas de bypass permitem a operação manual. Uma chave de baixa pressão para acionamento da bomba reserva, filtros na sucção e na descarga da bomba e um resfriador do óleo com um termostato para acionar o ventilador também faz parte da unidade. Uma válvula de controle de fluxo ajustável regula o fluxo de retorno do óleo hidráulico do RBOP e o conjunto também possui uma chave para controle manual da pressão. Considerações operacionais Os packers tipo bolsas amplamente expansivos, eliminando a necessidade de desconectar parte do RBOP, quando a broca é removida. Stripping Os RBOP têm excelente características quanto ao stripping (deslizamento forçado, da coluna de perfuração pelo packer do RBOP, quando este estiver fechado), pois duas câmaras acumuladoras, atrás dos packers tipo bolsa, absorvem o volume de óleo excedente, quando as juntas (tool-joints) expandem os packers, com facilidade, para sua passagem. 3.2.3.7. Válvulas que impem o fluxo do fluido Para evitar contaminação, o que poderia prender, travar ou entupir componentes internos dos motores de fundo, ferramentas etc., todos os componentes da coluna de perfuração devem ser inspecionados, 98 Alta Competência incluindo os tubos de perfuração, os tubos pesados, os comandos etc. Deve-se limpar todas as superfícies internas. Um fato que não pode ser esquecido é a diferença da flutuação (força de empuxo) entre a perfuração convencional e sub-balanceada, ou seja, as cargas de tração são maiores na perfuração sub-balanceada. Outro ponto a ser considerado é que as forças de vibração são maiores quando perfurando com fluidos leves, pois a capacidade de amortecimento desses fluidos são menores. Quando perfurando poços horizontais com fluidos leves, devem ser utilizados tubos de perfuração mais resistentes. Comandos espiralados, jars e estabilizadores devem ser evitados no caso de perfuração sub-balanceada, pois o RBOP não veda perfeitamente perante a superfície desses componentes. Caso a perfuração sub-balanceada seja feita com ar, e a preocupação e a possibilidade de corrosão sejam muito grandes, uma alternativa pode ser o uso de tubos de perfuração de alumínio. A figura a seguir mostra uma configuração de coluna de perfuração. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 99 Configuração de coluna de perfuração A seguir são descritas as válvulas que impedem o fluxo do fluido durante a perfuração. a) Float subs Float subs ou drill string floats são válvulas colocadas ao longo da coluna de perfuração para impedir o refluxo do fluido de perfuração durante uma manobra ou conexão, aumentando a segurança da operação. Dois tipos de válvulas são normalmente usados: a flapper e a plunger. A do tipo flapper é uma flapper valve pré-tensionada com uma mola, e permite a passagem de ferramentas descidas com arame ou esferas para acionar certas ferramentas ou dispositivos. A do tipo plunger é uma válvula do tipo poppet, também pré-tensionada com uma mola, e não permite a descida de ferramentas (wireline tools) ou esferas. Os floats subs do tipo plunger podem ser erodidos em curto período de tempo, ou entupir caso o fluido de perfuração possua sólido e/ou baritina. 100 Alta Competência Uma ferramenta especial é necessária para alivir a pressão aprisionada embaixo do float sub durante uma manobra. Essa ferramenta é instalada encima do float sub, um pino é rosqueado até atingir a vávula, abrindo-a e permitindo um alivio controlado da pressão aprisionada. A ferramenta de alivio de pressão possui uma saída lateral para que o fluido possa ser direcionado para um local apropriado e seguro. b) Fire float e fire stop Os fire float e fire stops são usados em perfuração com ar e são válvulas que fecham a coluna de perfuração, impedindo o fluxo do fluido de perfuração para o fundo do poço. Com isso o suprimento de oxigênio é cortado e o fogo se extinguirá, assim que o oxigênio no anular for consumido. Como a circulação é bloqueada, a pressão de bombeio na superfície aumenta, dando uma indicação/alerta ao pessoal da sonda sobre o problema. A atuação dessas válvulas são automáticas através do aumento da temperatura de fundo. Quando esta temperatura chega a um certo patamar, um anel composto por uma liga de zinco derrete, liberando o mecanismo de fechamento. Essas válvulas são instaladas logo acima da broca em sub ou em um comando. 3.2.4. Segurança As fontes de nitrogênio utilizadas, nitrogênio líquido ou NPU, fornecem nitrogênio com pureza de 92% – 99,9%. O nitrogênio não possui cor, odor e é um gás quimicamente inerte e pode ser definido como um gás asfixiante. O nitrogênio não é um gás tóxico, mas a sua liberação em grandes quantidades pode reduzir a concentração de oxigênio a níveis abaixo do necessário para suportar a vida. Deve ser tomado cuidado com o vazamento de nitrogênio em áreas não ventiladas. Os operadores devem evitar locais confinados até que seja provado por análise ou através da adição de ar respirável por uma fonte confiável (cilindro de ar, mangueira de ar etc.) que o nível de oxigênio está adequado ao suporte da vida. Os espaços confinados ou áreas de baixa ventilação incluem os seguintes locais: Capítulo 3. Técnicas de perfuração 101 • Diques, grande depressões e poços; • Locais confinados acima do solo – queimadores, câmaras de combustão, silos; • Tanques – mistura, armazenagem, transferência. Não deve ser permitida a exaustão do nitrogênio por qualquer tubulação, ou seja, tem de haver uma tubulação apropriada. Avisos devem ser colocados em áreas ou locais confinados onde pode haver uma potencial redução na concentração de oxigênio. Dever ser feita uma análise mais detalhada no caso de unidades flutuantes devido a grande quantidade de locais confinados. No caso de NPU, o ar residual da separação está rico em oxigênio e sua concentração pode chegar a 30% - 40%, esse ar rico deve ser descartado através de tubulações para fora da área da sonda. Pois o ar com concentração de oxigênio superior a 28% alimenta a combustão em outros tipos de materiais mais facilmente do que o ar normal. 3.2.4.1. Critério de seleção da fonte de nitrogênioVários aspectos devem ser considerados durante a escolha entre o nitrogênio líquido ou a unidade de produção do nitrogênio: • Locação; • Duração do trabalho; • Volume e pressão necessária do nitrogênio; • Presença dos contaminantes do gás natural; • Natureza da fase líquida do fluido de perfuração. 102 Alta Competência A locação do poço proposta tem um impacto significante na escolha. Se a locação estiver próxima a uma unidade convencional de produção de nitrogênio líquido, o custo de mobilização da NPU pode ultrapassar o custo do próprio nitrogênio. Se a locação for remota e de difícil acesso, a mobilização da NPU poderá alcançar custos proibitivos, se não for impossível. Trabalhos de curta duração podem ser atendidos por nitrogênio líquido e entregues a partir de caminhões. Grandes volumes ou altas vazões serão favorecidos pela geração no local. Trabalhos com altas pressões (>3 000 psi) eliminaria a geração no local como uma fonte potencial devido a limitações na disponibilidade de compressores e boosters. A presença de gás da formação pode necessitar em um aumento ou redução da quantidade de nitrogênio para perfurar o poço. Quando usando fluidos de perfuração aerados (ou nitrogênados) devem ser tomados cuidados para assegurar que o nível de oxigênio seja suficientemente reduzido para eliminar a corrosão. Se a concentração de nitrogênio não puder ser ajustadas a níveis satisfatórios, inibidores de corrosão devem ser adicionados a corrente de fluxo. Uma análise econômica determinará quando é menos custoso: o aumento na concentração do inibidor ou o ajuste na pureza do nitrogênio. 3.2.5. Aplicações da perfuração sub-balanceada no Brasil A perfuração sub-balanceada chegou ao Brasil no meio da década de 70 e foi utilizada, em um primeiro momento, para aumentar a taxa de penetração na região do Amazonas, em função dos altos custos de logística, visando a reduzir o tempo necessário à perfuração de cada poço, diminuindo o custo global. Entretanto, os poços RUC- 18D e RUC-7, que utilizaram a tecnologia sub-balanceada, não apresentaram resultados econômicos satisfatórios, dada uma série de problemas operacionais ocorridos nos equipamentos, além de outros equipamentos que necessitaram de serem adquiridos. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 103 Após esse primeiro aprendizado, a Petrobras partiu para a aplicação desta modalidade em campos antigos e depletados, como Candeias (Bahia), Carmópolis (Sergipe), Garoupa (Bacia de Campos) e na Bacia do Paraná, mais recentemente. A partir de 1994, devido à evolução da técnica e por resultados favoráveis indicados pela literatura da área, a Petrobras reiniciou a perfuração sub-balanceada em Carmópolis, cuja formação, já depletada, sofria danos significativos ao ser perfurada pelo método overbalanced. A utilização de espuma nitrogenada reduziu bastante o dano, sendo que a produtividade dos dois poços perfurados nesse campo foi aumentada em quatro vezes. Tal resultado motivou a aplicação da técnica UBD no campo de Candeias, para a reentrada no poço C-218. A formação, portadora de hidrocarbonetos, é fraturada naturalmente e possui baixa pressão de poros, na faixa de 3,5 lb/gal, ocasionando perda severa de circulação. Utilizando novamente espuma nitrogenada, a experiência pode ser considerada um sucesso, dado que as perdas de circulação foram zeradas, que houve um aumento na taxa de penetração de cerca de 4,0 m/h para 9,7 m/h, com consequente redução de custos e, além disso, produziu-se óleo com maior rapidez, uma vez que não foi necessário dispender tempo para recuperar o fluido que havia sido perdido para a formação. É importante salientar que não houve produção de fluido de perfuração além do necessário. Em 1995, a técnica UBD partiu para a Bacia do Paraná, no poço exploratório FR-1 em Alto de Três Pinheiros (Santa Catarina), visando a testar dois arenitos: Botucatu (3,7 lb/gal) e Rio do Rastro (4,2 lb/gal), muito sensíveis a dano. A grande novidade, em relação a Candeias, é que seria necessário perfurar uma camada de basalto com mais de 100 metros de comprimento, acima da formação Botucatu, utilizando espuma nitrogenada. A taxa de penetração subiu de 3,0 m/h, tirada de poços de correlação, para quase 6,0 m/h, além de minimizar os danos às formações de interesse. Um dado interessante desta operação é que a ECD, mesmo durante as conexões, não aumentou além da pressão de poros. Porém aqui aparece um indicador que aponta a necessidade de desenvolver esforços para a redução do custo da geração de N2. 104 Alta Competência Em meados de 1996 foi perfurado o poço 1-BB-1-PR, também na Bacia do Paraná, agora com fluido nitrogenado e ECD igual a 5,0 lb/gal. A opção por esse fluido deu-se por análise de problemas ocorridos anteriormente ao utilizar a espuma: decréscimo na eficiência do separador, além do sistema detector de hidrocarbonetos ser afetado pela presença da espuma. Entretanto, a espuma pode ser utilizada sem problemas ao se perfurar basalto, pois possui menor ECD do que o fluido nitrogenado e maximiza a taxa de penetração, sem prejuízo de outros aspectos. Ao final da perfuração, constatou-se, além dos benefícios já ditos anteriormente, que houve detecção de hidrocarbonetos em zonas não-previstas, o que seria impossível caso fosse utilizada perfuração convencional. Foi reportado o excessivo número de washouts (furos na coluna), causados basicamente pela abrasão do basalto, vibração da coluna devido à injeção do gás e um elemento corrosivo presente na formação, até então não identificado. Registrou-se também problemas logísticos relacionados ao suprimento de N2, principalmente pela impossibilidade dos caminhões supridores trafegarem pelas estradas em dias de chuva. Em 1998 foi perfurado o poço 3-BB-2D-PR, também com fluido nitrogenado, agora com ECD igual a 7,5 lb/gal, mais próximo à pressão de poros. Com características geológicas semelhantes ao poço pioneiro, atravessando uma camada muito dura de basalto, obteve-se uma taxa de penetração igual a 3,2 m/h, o dobro do valor utilizando perfuração convencional. Procurou-se também corrigir alguns problemas verificados anteriormente: utilização de motor de fundo, evitando washouts, e geração de nitrogênio com o uso de membrana, dispensando o tráfego excessivo de caminhões. Tentou- se a utilização do MWD convencional, sem sucesso, sendo necessário descê-lo a cabo (single shot) , o que ocasionou certa perda de tempo. Foram registrados também problemas de vazamento na cabeça rotativa, ocasionados por problemas na qualidade do composto das borrachas de vedação, que foi plenamente solucionado após a troca das borrachas. Capítulo 3. Técnicas de perfuração 105 A companhia de serviço fornecedora do motores de fundo reportou desgaste anormal do mesmos, atribuindo o fato ao uso de fluido nitrogenado. Foi apresentada uma inovação nesse poço: o sistema de separação, cujo separador gás-líquido foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPES) e pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O equipamento, também conhecido pelo apelido de “Bernardão” consiste de um vaso cilíndrico com 48 polegadas de diâmetro e 11 metros de altura, efetuando a separação pelo método centrífugo, sendo o fluido admitido na parte superior, de modo tangencial. O gás sai para o queimador por uma linha de 10 polegadas, de modo a minimizar as perdas de carga. O fluido sai pela parte inferior e possui um selo líquido, cujo nível é controlado automaticamente, impedindo que algum gás passe para as peneiras, aumentando a segurança do sistema. C ap ít u lo 4 Perfuração Vertical e Direcional 108 Alta Competência 109 Capítulo 4. Perfuração vertical 4. Perfuração vertical e direcional Sabemos, desde o final da década de 20, que um poço de petróleo nunca é perfeitamente vertical. São vários os fatores que influenciam na direção do poço: dureza das formações a serem atravessadas, inclinação edireção das camadas de rocha, bem como características da coluna que se está empregando na perfuração. O estudo desses fatores não nos interessa nesse momento; o importante é termos em mente que o poço descreve uma trajetória diferente da vertical que passa pela sonda de perfuração. Um poço é considerado direcional quando o objetivo a atingir não se encontra na mesma vertical da locação da sonda, sendo necessário utilizar técnicas especiais não empregadas na perfuração de poços verticais. Os procedimentos para uma perfuração direcional são bem específicos, desde a elaboração do projeto até a execução da perfuração propriamente dita. Poço direcional – vista espacial Diferentemente do poço direcional, o poço vertical possui apenas um ponto objetivo e percorre o reservatório verticalmente, independente da inclinação da zona produtora. Embora seja denominado vertical, podem ocorrer alguns desvios na trajetória do poço devido a ângulos das camadas de rocha reservatório. 110 Alta Competência Poços verticais e direcionais (imagem nova) 4.1. Definição de verticalidade de um poço Como parâmetro, considera-se que o ângulo formado entre a linha imaginária que passa pelo início e o fim do poço e a vertical não ultrapassasse os 8º. Quando um poço vertical ultrapassa os limites de inclinação pré- determinados, torna-se necessário proceder como na perfuração de poços desviados, sendo, em casos extremos, imprescindível a correção orientada da trajetória do poço ou até o abandono de parte do mesmo e posterior desvio de modo a mantê-lo próximo à vertical. Controle de trajetória de poços verticais 111 Capítulo 4. Perfuração vertical Comparado a outros poços, o poço vertical possui um custo mais baixo para ser perfurado. Além disso, para perfurá-lo não é necessário utilizar tecnologias direcionais e, por ser normalmente mais curto, utiliza-se um menor tempo de sonda. 4.1.1. Valores de inclinação No que se refere à verticalidade: • Se a inclinação for menor do que 3° será considerada ótima; • Se está entre 3° e 5°, é considerada boa, desde que não comprometa as condições mecânicas do poço ou o raio de tolerância do seu objetivo; • Normas da Petrobras definem como 3° o valor limite para início do controle da verticalidade, principalmente em poços profundos. O limite tolerável para a inclinação de um poço ver- tical é de 3º. Ao constatar qualquer inclinação supe- rior a esta, fazer o controle da verticalidade, inde- pendente da projeção do seu afastamento. ATENÇÃO As dificuldades advindas da inclinação excessiva são: • Imprecisão das informações geológicas; • Falha em atingir o objetivo proposto; • Possibilidade de se perfurar fora dos limites da concessão; • Problemas durante a perfuração do poço; • Problemas durante a vida produtiva do poço. 112 Alta Competência O instrumento que normalmente é utilizado para me- dição da inclinação é o inclinômetro, que é usado a cada retirada da broca (intervalos entre 100 e 150 m). IMPORTANTE! 4.1.2. Controle da verticalidade de poços Mergulhos, intercalações e falhas geológicas podem provocar desvios nos poços verticais, comprometendo a tolerância do objetivo, quando empregadas composições de fundo e parâmetros convencionais para poços verticais. No caso de ser constatado o desvio, ou tendo-se conhecimento desse problema em uma determinada área, devemos tomar as mesmas providências de controle necessárias na perfuração direcional, ou seja: • Acompanhar o desenvolvimento da trajetória do poço com registros direcionais; • Utilizar colunas pendulares ou empacadas compatíveis com a inclinação e diâmetro do poço; • Modificar os parâmetros de perfuração de acordo com a composição de fundo em uso; • Utilizar motor de fundo quando as alterações descritas não surtirem os efeitos desejados. Quando o desvio for constatado e quando as providências acima não forem suficientes para atingir o objetivo,deve-se abandonar um trecho do poço e efetuar a correção na sua trajetória. 113 Capítulo 4. Perfuração vertical Para estimar o afastamento máximo que terá um poço vertical desviado, calcular a projeção a cada re- gistro de inclinação utilizando uma mesma direção e fictícia. Se essa projeção ultrapassar o raio de tole- rância permitido, partir para o controle da verticali- dade do poço. IMPORTANTE! A composição de fundo mais recomendada para se perfurar um poço vertical é a empacada, com três estabilizadores. No caso de se registrar uma tendência de ganho de inclinação, pode-se usar um pêndulo que deverá ser mais forte ( até 60’ ) o quanto maior for a inclinação do poço e a necessidade de verticalização. Deve-se sempre levar em conta que, em alguns casos, pêndulos trabalhando com alto peso também podem ganhar inclinação. Exemplos: Broca 12 1/4” - SUB - 2DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DCs... (60’-90’-120’). Broca 8 1/2” - SUB - DC Curto 6 3/4” - DC 6 3/4” - STB 8 1/2” - DC 6 3/4” - STB 8 1/2” - DCs... (45’-75’). Broca 12 1/4” - NBSTB 12 1/4’ - STB 12 1/4” - DC Curto 8” - STB 12 1/4” - DC 8” - STB 12 1/4” - DCs... (0-6’-20’-50). 4.2. Perfuração direcional Um poço é caracterizado como direcional quando a linha vertical passando pelo objetivo (target) está localizada a certa distância horizontal da cabeça do poço. Esta distância horizontal é chamada de afastamento. O caminho percorrido pela broca partindo da cabeça do poço até atingir o objetivo (ou o final do poço) é chamado de trajetória direcional. Nesta trajetória, alguns importantes fatores podem afetar a perfuração direcional: 114 Alta Competência • Fraturamento hidráulico, gravel pack, formações fracas podem limitar a inclinação do poço; • Reservatórios com muitas camadas podem exigir poços inclinados ao invés de horizontais; • A existência de falhas ou a direção do reservatório pode afetar a trajetória do poço; • Formações rasas e inconsolidadas dificultam o ganho de ângulo resultando em um aprofundamento do KOP. A distância vertical passando através da cabeça do poço e qualquer ponto do poço é chamada profundidade vertical enquanto a distância percorrida pela broca para atingir esta profundidade é chamada de profundidade medida. 4.2.1. Tipos de poços direcionais A perfuração direcional ocorre sempre que o poço é desviado propositadamente da vertical, com o objetivo de atingir um alvo situado distante da projeção do poço. Tanto o poço direcional convencional quanto o horizontal e os radiais são direcionais. Os motivos para perfuração direcional são vários. Dentre eles, podemos citar: • Alvo em baixo de prédios, cidades; • Alvo no mar próximo à costa; • Alvo por baixo de domo salino; • Alvos com posições distintas para serem atingidas pelo mesmo poço; 115 Capítulo 4. Perfuração vertical • Alcance do maior trecho possível de zona produtora. Antes de nos aprofundarmos no assunto, é essencial destacarmos algumas definições importantes: KOP - O kickoff Point (KOP) é o começo da build section, build-up; Build-up é a seção onde o ganho de ângulo ocorre. Normalmente isto ocorre a uma taxa de ganho de ângulo constante chamada de Build-Up Rate (BUR) a qual é expressa em graus/30 m (ou graus/100 ft ); O final do build-up é chamado de EOB (End-Of-Build) e acontece quando um determinado ângulo é atingido; Tangent section ou Slant Section é a seção onde o ângulo é mantido até atingir o objetivo; A inclinação do poço é sempre em relação à verticalidade; O azimute exprime a direção do poço com relação ao norte verdadeiro quando rebatido no plano horizontal. Após destacar essas definições, vamos à classificação dos poços direcionais. a) Quanto ao raio de curvatura (ou Build-Rate) • Raio Longo; • Raio Médio; • Raio Curto. 116 Alta Competência Raio Curto Classificação Build Rate (/100ft) 2 - 8 2685 - 716 716 - 191 191 - 95 95 - 28 8 - 30 30 - 60 50 - 200 Raio (ft) Longo Médio Intermediário Curto Classificação quanto ao raioRaio Médio Diâmetro (in) BUR (º/ft) Raio (ft) 6 - 6 3/4" 12 - 55 478 - 229 8 1/2" 10 - 18 573 - 318 12 1/4" 8 - 14 716 - 409 Raio Curto Diâmetro (in) BUR (º/ft) Raio (ft) 8 1/2" 48 - 88 120 - 65 6" - 6 3/4" 57 - 115 100 - 50 4 3/4" 64 - 143 90 - 40 3 3/4" 72 - 191 80 - 30 O raio depende do diâmetro da coluna b) Quanto ao Afastamento • Convencional; • ERD (Extended Reach Well); • S-ERD (Severe Extended Reach Well); 117 Capítulo 4. Perfuração vertical Tipo de Poço Afast./TVD Convencional 2 ERW 2 - 3 S-ERW >3 TVD = Total Vertical Depth ERW = Extende Reach Well S-ERW = Severe Extended Reach Well Afast = Afastamento (Departure) 4.2.2. Aplicação dos poços direcionais A seguir serão descritas as aplicações dos poços direcionais. a) Objetivos afastados Algumas vezes, o posicionamento da plataforma sobre o objetivo não é possível ou a falta de uma plataforma apropriada requer a utilização de poços direcionais. b) Retorno a um poço por razões geológicas Muitas vezes, um objetivo não foi atingido durante a perfuração de um poço devido à presença de uma falha ou de um erro de interpretação da estrutura geológica. Neste caso, uma parte do poço original é aproveitada utilizando-se poços direcionais para se atingir o novo objetivo. c) Exploração complementar Algumas vezes, uma plataforma existente é utilizada para explorar novos horizontes através do uso de poços direcionais. 118 Alta Competência d) Poços direcionais para a exploração Quando se há dficuldade para instalação da sonda diretamente sobre o alvo (target). Quando o poço original foi abandonado e um sidetrack foi realizado de modo a se atingir novo objetivo. 119 Capítulo 4. Perfuração vertical Quando em campanha exploratória complementar. No exemplo anteriormente, é mostrado um poço direcional perfurado de uma estrutura (plataforma) existente. A seguir, um poço direcional é usado para delimitar a fronteira de um reservatório. 120 Alta Competência e) Poços direcionais para a explotação Utilização de clusters: redução de investimentos pela utilização de sondas de perfuração colocadas em plataformas fixas mais baratas. Utilização de clusters: otimização do cronograma pela possibilidade de se perfurar poços direcionais enquanto a plataforma final é construída. 121 Capítulo 4. Perfuração vertical No exemplo mostrado a seguir os poços foram agrupados e perfurados no interior de um prédio para reduzir ou eliminar a poluição auditiva causada pelos motores da sonda. O outro exemplo apresenta a utilização de cluster, permitindo a redução da área, o que é algo crítico quando se perfura em áreas de impacto ambiental. Poços direcionais para resolver problemas específicos: perfuração no topo de reservatórios altamente fraturados como uma alternativa para retardar a produção de água. 122 Alta Competência f) Aplicações especiais de poços direcionais Combate à blowouts: perfuração de alívio para controlar blowouts. Esta aplicação tende a crescer, pois é praticamente o único método de combate a blowouts em poços offshore. 123 Capítulo 4. Perfuração vertical Poços direcionais para otimizar layouts 124 Alta Competência Poços Multilaterias Poços Horizontais Aplicações especiais de poços direcionais Em operações sidetrack, um desvio feito em um poço já perfurado. Engloba várias aplicações que incluem a reperfurar poços perdidos e refazer um trecho do poço que sai de dentro do reservatório. 125 Capítulo 4. Perfuração vertical Em operações de pescaria, a fim de recuperar ferramentas que ficam presas ou objetos retidos no poço depois de uma queda. 4.2.3. Escolha do perfil do poço Gradientes de build up e de drop-off, tipos de equipamentos direcionais disponíveis, formações a serem atravessadas, programa de revestimento e fluido de perfuração, ângulo máximo de inclinação a ser atingido, afastamento e profundidade vertical do objetivo são alguns dos fatores que determinam o tipo do perfil direcional a ser empregado. Existem basicamente 3 tipos de perfil de poços direcionais, que serão mencionados a seguir. a) TIPO I (SLANT) Deve ser escolhido quando o afastamento horizontal for grande em relação à profundidade do poço, e o KOP deve ser feito próximo à superfície. Caracteriza-se por ter um trecho de crescimento de inclinação (build-up), com taxa constante, e termina com um trecho de inclinação constante (slant), passando pelo centro do alvo, prosseguindo até atingir a profundidade final. É o mais usado devido à maior facilidade de execução, por ter o KOP mais próximo da superfície, facilitando a orientação da ferramenta defletora e por possibilitar economia no tempo de manobra e no custo final do poço. TIPO I (SLANT) TIPO II – POÇO EM “S” 126 Alta Competência b) TIPO II (POÇO EM “S”) Pode ser escolhido sempre que o afastamento horizontal for pequeno em relação à profundidade do poço, e o KOP deve ser feito próximo à superfície. É preferido em substituição a um poço que, quando calculado para o tipo I, resulte em baixa inclinação final, portanto de difícil controle direcional. Caracteriza-se por ter, após os intervalos de build-up e inclinação constante, um intervalo de perda de inclinação à taxa constante (drop-off) até atingir a vertical ou uma inclinação próxima a esta. Como inconveniências, na execução deste tipo de perfil, destacamos: alto desgaste das colunas de perfuração e de revestimento; aumento da possibilidade de formação de chaveta e consequente prisão de coluna. Do ponto de vista econômico, pode implicar no uso de mais um revestimento para cobrir o trecho em drop-off. c) TIPO III Assemelha-se ao tipo I com a diferença de o Kop ser mais profundo. Caracteriza-se por terminar na fase de build-up, sem o trecho de inclinação constante. São utilizados em geral para aproveitamento de poços verticais secos. Como o KOP é profundo, pode ser necessária a utilização de ferramentas especiais na orientação da ferramenta defletora. TIPO III 127 Capítulo 4. Perfuração vertical 4.2.4. Elementos e planejamento de um poço direcional A profundidade do ponto de desvio (KOP) e a seção de crescimento da inclinação (build-up) devem ser determinadas dentro de formações de dureza e composição compatíveis com a utilização de ferramenta defletora e da taxa de ganho de inclinação desejada. As formações moles e médias são preferíveis. No entanto, devem ser evitadas formações muito moles, principalmente com sedimentos inconsolidados, devido à possibilidade de desmoronamento e dificuldade de ganho de inclinação mesmo usando motor de fundo. Por outro lado as formações duras deverão ser evitadas devido às limitações de parâmetros impostas pelo motor de fundo (baixo peso, alta rotação) diminuindo consideravelmente a taxa de penetração e a vida útil da broca. As formações plásticas também devem ser evitadas devido aos problemas de enceramento de broca e dificuldade para orientação do motor de fundo. Preferencialmente, devemos projetar o KOP o mais próximo possível da superfície. Esse procedimento é indicado devido às facilidades encontradas para orientar os motores de fundo ou colunas de jateamento e a menor dureza das formações. Deve-se evitar que KOP próximo à superfície resulte em poços de baixa inclinação (menor do que 20º), pois estes, de um modo geral, são de difícil controle direcional, podendo ser necessário executar várias correções de trajetória, causando problemas mecânicos ao poço, além de onerar seu custo. I Dependendo do perfil escolhido para o poço, haverá necessidade de provocar, durante a perfuração, per- da de inclinação do mesmo. Esta perda de inclinação provocada (drop-off) não deve ser programada em formações duras. IMPORTANTE! 128 Alta Competência 4.2.5. Equipamentos direcionais Antes do advento dos modernos equipamentos direcionais, o técnico conseguia perfurar poços direcionais através do posicionamento de comandos e estabilizadores na coluna de perfuração. Diferentes composiçõesde colunas permitiam ganhar, manter ou perder ângulo. Em alguns casos, a experiência adquirida em certa área permitia que a tendência natural das formações guiasse o poço em uma determinada direção. A figura a seguir mostra dois exemplos de composições para ganhar ou perder ângulo. Composição para Ganhar Ângulo Composição para Perder Ângulo Composições para perder e ganhar ângulo Outros exemplos de colunas de perfuração utilizadas em poços direcionais são mostrados adiante. A coluna acima, composta por uma série de estabilizadores tem a função de ganhar ângulo. A do meio, com dois estabilizadores afastados da broca, é chamada de pêndulo e é usada para perder ângulo. A figura mais abaixo, com apenas um estabilizador perto da broca é usada para ganhar ângulo. A perfuração direcional feita dessa maneira permite algum controle da inclinação do poço, mas pouco ou nenhum controle de sua direção. 129 Capítulo 4. Perfuração vertical Colunas de perfuração – imagem nova Abaixo descrevemos alguns dos componentes mais comuns dos sistemas de perfuração direcionais. a) Motor de Fundo O Motor de fundo é uma das mais importantes ferramentas da perfuração direcional atual. É um motor hidráulico, conectado logo acima da broca, que é movimentado pelo fluxo do fluido de perfuração que passa pelo seu interior. Como mostrado na figura a seguir, alguns motores de fundo já vem com um bent sub acoplado. O torque e a rotação transmitidos à broca irão depender da vazão. Enquanto a rotação é quase linearmente proporcional à vazão, a pressão na superfície indica a magnitude do torque, o qual por sua vez indica a magnitude do peso colocado sobre a broca. Se a pressão na superfície aumentar, o torque aumentará e vice-versa. Porém, existem situações em que o motor trava (stall), aumentando a pressão na superfície sem que o peso sobre a broca aumente. Portanto, a constante observação da pressão na superfície é de grande importância quando se opera com motores de fundo. 130 Alta Competência Vista de topo Válvula de “By Pass” (Dump Valve) Mancal de esferas Fluído Mancal de deslizamento Rotor Estator Seção do rotor e estator Mancal de esferas Eixo motor Estator Rotor Junta universal Haste de conexão Orifícios Motor de fundo Motor de fundo 131 Capítulo 4. Perfuração vertical Comparação entre os off-sets das diversas configurações de motores Dentre os tipos existentes, os mais utilizados atualmente são: Dyna Drill, Magna Drill, Drilex, BABES e Navi Drill. Na perfuração direcional os diâmetros nominais dos motores de fundo mais usuais são: • Para poços de 26” usa-se o motor de fundo de 12” ou 9 ½ “. • Para poços de 17 ½ “ ou 14 ¾ “ usa-se o motor de fundo de 9 ½ “ ou 7 ¾”. • Para poços de 12 ½ “ usa-se o motor de fundo de 7 ¾ “. • Para poços de 9 ½ “ ou 8 ½ “ usa-se o motor de fundo de 6 ½ “. • Para poços de 6 ½ “ ou 6 1/8” usa-se o motor de fundo de 4 ¾ ”. • Para poços de 5 7/8” ou 4 ¾ “ usa-se o motor de fundo de 3 ½ “. 132 Alta Competência Os motores com uma deflexão no corpo (bent housing) conhecidos como motores Steerable, podem ser utilizados para perfuração orientada ou rotativa. Dessa forma, evita-se fazer manobras para corrigir o poço. Quando associados a um conjunto de medição contínua sem cabo (MWD), formam o que chamamos de Steerable Systems. Devem ser utilizados para fazer afastamento inicial do poço (nudge), início do build-up, correção de trajetória e sidetracking, sempre que não houver a possibilidade de utilização de uma ferramenta ou método de desvio mais econômico. b) Sub Torto (Bent Sub) É um sub curto que possui uma deflexão entre os eixos do pino e do corpo. Esta deflexão pode ser de 10 a 30 e é chamada de ângulo do bent sub. Dessa forma, conectado ao motor do fundo, provoca um desalinhamento na coluna de perfuração, estabelecendo a face da ferramenta defletora (tool face). Existem motores de fundo que trazem uma deflexão no próprio corpo (bent housing) e isto elimina a necessidade de se usar um bent sub. Cada combinação de ângulo de bent sub, com diâmetro do motor de fundo e do poço, determina o dog leg da ferramenta, que vem a ser o dog leg severity esperado quando da utilização desse conjunto. c) Sub de Orientação (Orient Sub) É um sub curto que possui interiormente uma camisa móvel com uma chaveta que deve ser alinhada com a fase da ferramenta, possibilitando que os registros direcionais indiquem a direção para onde está apontada. É utilizado normalmente em operações de jateamento orientado quando não se faz uso do bent sub. Existem bent subs que já trazem a camisa de orientação e, nesse caso, são chamados de Bent Orienting Subs (BOS). 133 Capítulo 4. Perfuração vertical Orient sub e mule shoe d) Comando não Magnético (monel) É o comando de perfuração de liga metálica com característica não magnética, utilizado para alojar os equipamentos de registro direcional com sensores magnéticos e evitar interferência provocada pela coluna de perfuração. Há, em alguns casos, a necessidade de se utilizar mais de um comando não magnético na coluna de perfuração. Isso dependerá da zona magnética onde o poço estiver sendo perfurado, da inclinação e da direção do mesmo. 134 Alta Competência e) Estabilizadores São ferramentas que possuem a finalidade de centralizar a coluna de perfuração no poço. Em poços direcionais a posição e o diâmetro destes equipamentos na coluna são de fundamental importância para o controle da trajetória do poço, sendo necessário um acompanhamento rigoroso do desgaste das lâminas dos mesmos a cada manobra. Estabilizadores com diâmetros reduzidos em relação ao da broca têm efeitos diferentes daqueles com diâmetros originais. Usa-se com frequência estabilizadores caixa-caixa para serem conectados imediatamente na broca (near bit) e caixa-pino (string) para a coluna. f) Comando Curto (Short Drill Collar) É um comando de perfuração cujo comprimento varia de 3 a 5 metros e é utilizado para promover maior ou menor espaçamento entre os estabilizadores, possibilitando assim um maior número de combinações de colunas estabilizadas. Em alguns casos há a necessidade de se utilizar comandos curtos não magnéticos. Isto, em geral acontece quando se utiliza MWD acima de motores, para reduzir a influência magnética. g) Rebel Tool É uma ferramenta defletora utilizada na coluna durante a perfuração rotativa para provocar um desvio da trajetória do poço para a direita ou para a esquerda sem necessidade de interromper a perfuração, para que seja efetuada a correção. A rebel tool impele lateralmente a broca para a direita ou para a esquerda, uma vez em cada rotação da coluna, através de duas aletas opostas. Usando aletas pequenas, a ferramenta conduz o poço para a direita; usando aletas grandes, para a esquerda. Deve ser colocada imediatamente sobre a broca, podendo ser seguida de 1 a 3 comandos e a partir daí a estabilização da coluna. A principal vantagem da 135 Capítulo 4. Perfuração vertical utilização dessa ferramenta é o fato de não ser prejudicial ao poço, pois se ela não mudar a direção do poço como desejado, no mínimo evitará que o mesmo siga o caminho oposto. Para melhor eficiência deve ser usada em poços com inclinação superior a 7 1/2 graus e a formação deve ser de dureza média. Devido às incertezas quanto ao resultado, à fragilidade da haste que contém as duas paletas e o advento dos steerable systems, a rebel tool deixou de ser utilizada, mas permanece como uma opção. h) Percursor de Perfuração (Drilling Jar) É um equipamento auxiliar da perfuração que é utilizado na coluna para facilitar a retirada da mesma em casos de prisão, minimizando assim os problemas de pescaria. É aconselhável sua utilização em poços direcionais porque o arraste da coluna (drag) é sempre mais acentuado do que em poços verticais. O percursor possui dois sentidos de atuação, para cima e para baixo. i) Tubos Pesados de Perfuração (Heavy Weight DrillPipes - HWDP) São tubos de perfuração com paredes espessas e mais resistentes que podem ser utilizados em substituição a uma parte dos comandos visando a reduzir o torque e o risco de prisão, principalmente por diferencial. Podem ser utilizados a compressão em poços direcionais. A moderna técnica de perfuração de poços horizontais e de alta inclinação permite a utilização de tubos de perfuração (drill pipes) à compressão. O peso máximo aplicável, neste caso, depende do diâmetro e material dos tubos, da inclinação do poço, do anular entre os tubos e o poço, e do peso do fluído. 136 Alta Competência Onde : Fcrit = Força crítica de flambagem em libras(Lb) E = Módulo de elasticidade -Aço E=30x106 Lb/pol2 I = Momento de inércia do corpo do tubo = PF= peso flutuado do corpo do tubo por polegada = Lb/pol r=0,2818 Lb/pol3 para o aço FF = Fator de flutuação q = Inclinação do poço r = Espaço anular entre o poço e o tubo = DP = Diâmetro do poço OD = Diâmetro externo do tubo ID = Diâmetro interno do tubo 137 Capítulo 4. Perfuração vertical Deve-se usar os diâmetros interno e externo do tubo, o mais próximo da realidade, utilizando para isso as tabelas do RP7G da API, para tubos novos, premium ou classe 2, conforme for o caso. IMPORTANTE! j) Aranha (Baffle Plate) É uma ferramenta que tem como finalidade servir de batente e centralizador do barrilete do instrumento de registro direcional (running gear). Não é utilizado com motor de fundo ou coluna de jateamento porque nesses casos já se usa um sub de orientação que supre essas finalidades. No caso de estar sendo utilizado um comando não magnético, deve- se ter o cuidado de colocar a aranha em uma conexão abaixo do mesmo. O tamanho da aranha é em função do tipo de conexão onde ficará alojada. l) Sub com Válvula Flutuante (Float Sub) É um sub que tem no seu interior uma válvula que só permite o fluxo de perfuração de dentro da coluna para o anular. É usado para evitar que em caso de desbalanceamento de pressões entre o anular e o interior da coluna, haja um fluxo reverso que venha entupir os jatos da broca ou desalojar ferramentas especiais de registro direcional contínuo tais como steering tool e M.W.D. m) Barrilete de Registros Direcionais (Running Gear) É um conjunto de tubos e barras que tem como finalidade conduzir e isolar da pressão do fluido de perfuração os equipamentos de registros direcionais. 138 Alta Competência Existem basicamente dois tipos de barriletes de registros direcionais, um para registros que só forneçam inclinação e direção e outro para registros que forneçam também a orientação da face da ferramenta defletora. O que distingue o barrilete que permite registros com a orientação da face da ferramenta defletora é trazer na sua extremidade inferior uma sapata (mule shoe) para acoplamento no sub de orientação e um cabeçote (t-bar) alinhado com o mule shoe para o encaixe do equipamento de registro direcional. O comprimento do barrilete vai depender do espaçamento da unidade angular definida. 4.2.6. Equipamentos de registros direcionais Existem vários tipos disponíveis de equipamentos para efetuar os chamados registros direcionais. Em termos de número de medições, estes podem ser classificados como equipamentos de registros simples, múltiplos ou contínuos. Em termos de tipo de medição, os equipamentos podem ser classificados como giroscópicos ou magnéticos. A utilização de equipamentos magnéticos requer por sua vez o uso de “comandos não magnéticos” que tem como funções alojar sensores magnéticos de registro direcional. Esses comandos são construídos com uma liga não magnética chamada monel, cujo intuito é o de evitar a interferência magnética provocada pela coluna de perfuração. Os principais tipos de registros direcionais são: • Single shot; • Giroscópio single shot; • Multishot magnético; • Steering tools; • Measure While Drilling (MWD). 139 Capítulo 4. Perfuração vertical Estes equipamentos são selecionados com base no projeto do poço, levando em conta os vários diâmetros de perfuração e tipos de formações. a) Equipamento Magnético de Medição Simples (Magnetic Single Shot) Composto de uma bússola magnética, inclinômetro e uma câmara fotográfica. Como o registro direcional é dado por um equipamento magnético, é necessário que a foto seja tomada dentro de um comando (drill collar) não magnético (monel). A direção dos registros obtida por esse equipamento deverá ser corrigida da declinação do local de acordo com o mapa magnético local. Dentre os tipos de acionamento da câmera fotográfica destacam-se: • Relógio mecânico (Mechanic Timer); • Relógio eletrônico (Electronic Timer); • Sensor de Movimento (Motion Sensor); • Sensor de Monel (Monel Sensor). O registro simples magnético poderá conter também a orientação da fase da ferramenta defletora, desde que seja usado o mule shoe e t-bar. A direção dos registros obtidos com esse equipamento deverá ser corrigido da declinação magnética do local, conforme Mapa Magnético do Brasil. b) Equipamento Giroscópico de Registro Simples (Giroscópio Single Shot) A diferença básica do equipamento anterior está no fato de que o registro de direção é feito por uma bússola giroscópica ao invés de um equipamento magnético, sendo, portanto, indicado onde possa haver interferência magnética de revestimentos ou poços adjacentes. 140 Alta Competência Não é afetado pelo campo magnético ou materiais metálicos Deve ser usado sempre que houver interferência magnética do revestimento do poço ou de poços adjacentes, de jazidas de minerais ferrosos etc. durante a perfuração. Usado com o barrilete com mule shoe e t-bar pode fornecer a orientação da face da ferramenta defletora. O operador usa um ponto de referência do qual seja conhecido a direção com relação à boca do poço para fazer a orientação da ferramenta. Na maioria das vezes é usado o aproamento da unidade de perfuração. c) Equipamentos Giroscópico e Magnéticos de Registro Múltiplo (Multi Giro e Magnetic Multishot) Composto de uma bússola giroscópica ou magnética, inclinômetro e uma câmara fotográfica descida com filme de rolo que permite vários registros direcionais a cada corrida. Utilizados após o término da perfuração de cada fase com a finalidade se obter a trajetória com maior precisão. O equipamento giroscópico de registro múltiplo deve ser usado quando houver interferência magnética ou quando o poço já estiver revestido. O equipamento magnético só poderá ser utilizado em poço aberto, quando não houver interferência magnética. Nesse caso, o barrilete deverá estar no interior de um comando não magnético e os registros deverão ser corrigidos seguindo a declinação magnética local. d) Equipamento de Medição Contínua a Cabo (Steering Toll) Composto de um sensor magnético (ou giroscópico) de direção e um sensor gravitacional de inclinação (PROBE), cujos dados são transmitidos para a superfície através de um cabo elétrico. Utilizado com motor de fundo, fornece a cada instante a posição do poço (direção e inclinação) não podendo ser usado durante a perfuração rotativa, pois sua operação é feita através de cabo. 141 Capítulo 4. Perfuração vertical Esta ferramenta é específica para ser utilizada com motor de fundo, fornecendo a cada instante a posição da face da ferramenta em conjunto com a inclinação e a direção do poço e, em geral, não pode ser utilizada durante a perfuração rotativa por ser uma ferramenta operada com cabo. Alguns modelos desse equipamento oferecem dados adicionais, tais como: temperatura na profundidade do registro, intensidade do campo magnético e sua direção (dip angle) na profundidade do registro etc. Também existem equipamentos de medição contínua a cabo com sensores giroscópicos de direção. Existe no mercado um equipamento (Wet Connector) que permite se perfurar com rotação e steering tool. Ainda não foi testado no Brasil. Maiores informações podem ser obtidas a partir doscatálogos do fabricante. e) Equipamento de Medição Contínua Sem Cabo (Measure While Drilling) O MWD (Measure While Drilling) é similar ao steering tool, com a diferença de que a transmissão de dados é feita em forma de pulsos de pressão emitidos através da lama no interior da coluna, captados e transmitidos na superfície. O MWD é parte da coluna de perfuração, podendo ser usado tanto na perfuração rotativa quanto com motor de fundo, sendo que neste caso os registros são feitos continuamente e exibidos em um mostrador remoto. Pode ser utilizado com motor de fundo ou perfuração rotativa. Dentre as vantagens da utilização do MWD, destacam-se: • Redução do tempo de registro para 2 a 5 minutos por foto, evitando paradas prolongadas da coluna de perfuração; • Maior precisão na operação com motor de fundo devido ao acompanhamento contínuo da posição da face da ferramenta; • Registros mais confiáveis devido ao seu sistema de medição mais acurado; • Possibilidade de perfilar simultaneamente com a perfuração, caso de conjuntos MWD mais completos. Nestes casos, são chamados de LWD. Atualmente existem ferramentas que 142 Alta Competência fornecem leituras de raios gama, resistividade, indução, sônico e densidade neutrão. Os conjuntos mais simples que fornecem somente informações de resistividade, gamma ray e direcional, são conhecidos por RGD. Conjunto MWD 4.2.7. Perfuração direcional com sistema steerable A perfuração direcional feita com sistema steerable se divide em dois modos: orientado (sliding) e rotativo. No modo orientado (sliding), o steerable motor é orientado até que a direção desejada da ferramenta (tool face) seja obtida. Uma vez atingida essa direção, a coluna é simplesmente deslizada (ou escorregada) poço adentro sem girar a coluna e mantendo a direção escolhida. Uma vez que a direção e o ângulo final desejados são atingidos, o segundo modo, o rotativo é colocado em prática. No modo de perfuração rotativa, a coluna inteira gira da mesma maneira 143 Capítulo 4. Perfuração vertical do que no da perfuração comum e a perfuração prossegue avante. Os dog legs obtidos com esse tipo de perfuração variam tipicamente de 10 a 100/100 pés. As vantagens em relação à perfuração direcional convencional incluem: • Economia de manobras depois que um desvio é efetuado; • Longos intervalos podem ser perfurados sem a necessidade de manobras; • Redução de torque e drag. Um dos grandes desafios da perfuração orientada é minimizar os riscos de prisão da parte não giratória da coluna. Durante o período de perfuração orientada, o drill pipe fica o tempo todo encostado na parte baixa do poço favorecendo a prisão da coluna de perfuração. Esta, por sua vez, pode se dar de várias maneiras: por prisão diferencial, por desmoronamento do poço ou devido à deficiência na limpeza do poço, uma vez que existe uma grande tendência de acumular cascalho na parte baixa do poço. O modo orientado da perfuração com o sistema sterrable traz alguns outros inconvenientes. A potência disponível para girar a broca, a qual combinada com força de fricção para empurrar a coluna, diminui a taxa de penetração (ROP). Em poços com grande afastamento, essa força de fricção pode crescer de modo a inviabilizar a perfuração. Finalmente, a perfuração orientada (sliding) traz várias ineficiências típicas. A mudança do modo orientado para o rotatório na perfuração com sistema sterrable geralmente resulta em poços mais tortuosos, como mostrado na figura seguinte. As numerosas ondulações ou dog legs no poço aumentam a fricção total dificultando a perfuração e a descida de revestimentos. Apesar dos problemas mencionados acima, a perfuração com o sistema sterrable, devido ao seu custo benefício, ainda é largamente utilizada na indústria do petróleo. 144 Alta Competência Poço TortuosoTrajetória Teórica Perfuração Direcionais com Sistema Steerable 4.2.7.1. Equipamentos direcionais: sistema steerable O chamado sistema sterrable utiliza um BHA tipicamente composto por motor de fundo, bent housing, MWD e um ou mais estabilizadores. Como veremos, esse sistema permite a perfuração orientada ou através da mesa rotativa. A figura a seguir mostra de maneira esquemática um exemplo de BHA e alguns de seus componentes. Motor Bent Housing Estabilizador com rolamento BHA e alguns componentes 145 Capítulo 4. Perfuração vertical Os BHA são utilizados de diferentes maneiras, seja para corrigir ou para manter a verticalidade. a) BHA para ganhar inclinação: • Utiliza o princípio da alavanca; • O primeiro estabilizador no máximo a 4 pés da broca e o segundo no mínimo a 30 pés do primeiro; • O primeiro estabilizador deve ter o mesmo diâmetro da broca e o segundo pode ser undergauge; • Alto PSB e baixa rotação. BHA para ganhar inclinação b) BHA para manter inclinação: • Utiliza-se a coluna empacada; • No mínimo 3 estabilizadores (1 acima de broca e um segundo no máximo a 30 pés do primeiro). 146 Alta Competência 3 0 (1) Tendência a perder 3 30 30 30 30 30 U G 30 30 30 30 30 30 30 30 15 - 2 0 5 - 20 12 - 1 5 12 - 1 5 12 - 1 5 5 - 15 Tendência a ganhar (2) (3) (4) (5) (6) (7) BHA para manter inclinação c) BHA para perder inclinação: • Princípio do pêndulo; • Não utiliza estabilizadores acima da broca; • Baixo PSB e alta rotação. (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) Maior resposta 75 - 9 0 75 - 9 0 30 30 30 30 60 - 75 60 - 75 30 - 60 30 - 60 30 - 75 UG Menor resposta BHA para perder inclinação 147 Capítulo 4. Perfuração vertical 4.2.8. Sistema rotary steerable O Sistema rotary steerable é a evolução da perfuração direcional, depois do sistema sterrable descrito anteriormente. A grande vantagem esta no fato desse sistema permitir que a coluna de perfuração gire durante todo o tempo, inclusive durante o trecho de ganho de ângulo e direção. Atualmente, a indústria classifica os sistemas rotary steerable em dois grupos: point the bit e push the bit. No point the bit, mostrado na imagem seguinte, a broca é deslocada com relação ao resto da coluna para atingir a trajetória desejada. No push the bit, uma força é aplicada contra o poço para se conseguir levar a broca para a inclinação e direção desejadas. Point the Bit Push the Bit Sistema Rotary Steerable Serão mostrados a seguir alguns sistemas rotary steerable em uso atualmente. 148 Alta Competência Geopilot da Halliburton – point the bit Auto Trak da Baker – push the bit 149 Capítulo 4. Perfuração vertical Power Drive da Schlumberger – push the bit 4.2.9. Sistema geosteering Os sistemas descritos anteriormente fornecem somente informações geométricas, tais como direção e inclinação do poço. Por outro lado, a indústria do petróleo tem necessidade de perfurar dentro do reservatório onde se localizam as jazidas de óleo e gás, de modo a maximizar o intervalo produtor. Esses objetivos, por sua vez, não são geométricos, mas sim geologicamente definidos através dos chamados modelos geológicos. Geosteering é um tipo sterrable ou rotary steerable equipado com conjuntos de sensores e instrumentos localizados na coluna e perto da broca que permitem um grande controle do poço em tempo real. Como mostrado na figura a seguir, geosteering geralmente carregam um conjunto LWD (Logging While Drilling) composto tipicamente por sensores gamma ray, para identificar formações permeáveis de não permeáveis, e sensores de resistividade para permitir identificar o tipo de fluido contido nos poros das rochas. 150 Alta Competência Neutron 120 ft 100 ft 80 ft 60 ft 40 ft 20 ft 0 ft Density Direction Measurements GR GR Resistivity Inclination Button Resistivity Resistivity at Bit Feet from Bit Sistema geosteering Por se tratar de um sistema que coleta informações de várias áreas, a utilização do geosteering implica na formação de equipe multidisciplinar formada por engenheiros, geólogos, geofísicos etc. Nessecaso, não se trata somente de cumprir uma trajetória, mas sim de estar dentro da melhor parte do reservatório, pois os sensores que fazem parte do BHA permitem que a formação seja “avaliada” enquanto o poço é perfurado. O termo tipicamente usado pelas pessoas que trabalham com geosteering é “navegar” dentro do reservatório. 151 Capítulo 4. Perfuração vertical Kick-o� point First build (5.5 ft / 100 ft) Second build (10 ft / 100 ft) Tangent section Horizontal entry point Geosteering section Tangent tolerance Geosteering section Sistema geosteering A figura a seguir mostra uma típica utilização do sistema geosteering. O modelo geológico definido antes da perfuração do poço é comparado com os dados obtidos em tempo real. A atualização do modo geológico durante a perfuração do poço permite que a equipe multidisciplinar consiga melhorar o posicionamento do poço dentro da zona produtora. Trajetória e Perfis obtidos em tempo real plotada sobre a seção sísmica Trecho Slant Poço Multilateral Trecho Horizontal Trajetória e perfis obtidos em tempo real plotada sobre a seção sísmica 152 Alta Competência A seguir, um exemplo de poço direcional em que a utilização do geosteering pode ser muito útil. Note que as formações delgadas e com muitas intercalações de folhelhos de grande alcance (ERW) dificultam o posicionamento e a navegação dentro do reservatório. Aplicação do sistema geosteering 4.2.10. Fases ou etapas da perfuração direcional O projeto consiste na determinação da trajetória que o poço deverá seguir para atingir o objetivo. Para se elaborar o projeto do perfil de um poço direcional, devemos inicialmente coletar as informações necessárias ao cálculo e à adequação do perfil às diversas formações que serão atravessadas durante a perfuração. Como principais elementos para a definição do perfil direcional, podemos destacar os listados a seguir. 4.2.11. Coordenadas UTM da locação da sonda (base) e do objetivo Normalmente as coordenadas do objetivo são obtidas por intermédio do geólogo responsável pela área onde se situa o poço. Já as coordenadas da locação da sonda, no caso de poços em terra, são escolhidas tendo como critério a facilidade de acesso, proximidade com o alvo etc., sendo definidas conjuntamente pelos setores de engenharia e de perfuração direcional. As locações das sondas de mar são definidas após estudos que levam em conta a melhor vinculação dos poços, a existência de oleodutos e gasodutos na área, correntes marítimas, direção preferencial dos ventos, lâmina d’água etc. 153 Capítulo 4. Perfuração vertical De posse dessas coordenadas UTM (sondas e objetivo), calcula-se o afastamento horizontal da sonda ao objetivo e a direção deste afastamento, seguindo as fórmulas abaixo: Onde: D = Afastamento base – objetivo; Direção = Direção base - objetivo (rumo); x1 = Coordenada X do objetivo; y1 = Coordenada y do objetivo; x2 = Coordenada x da base; y2 = Coordenada y da base. Para: x1³x2 e y1>y2 - Azimute = Direção; x1>x2 e y2>y1 - Azimute = 360-Direção; x2>x1 e y1³y2 - Azimute = 180-Direção; x2>x1 e y2>y1 - Azimute = 180+Direção. 4.2.12. Coluna geológica prevista Além das profundidades verticais do objetivo e final, a exploração juntamente com reservatórios deverá fornecer a coluna geológica prevista, contendo as seguintes informações: composições de minerais, dip de camadas, falhas geológicas, topos de formações e pressões nos reservatórios. 154 Alta Competência De posse desses dados, podemos determinar a profundidade para o desvio orientado do poço (kick off point), a partir da qual será iniciada a seção de crescimento de inclinação (build-up). 4.2.13. Análise dos poços de correlação A partir dos poços de correlação, são coletadas informações que afetaram direta ou indiretamente a sua perfuração, tais como: tendência natural das formações, colunas utilizadas, parâmetros, melhores pontos para desvios, zonas de perda de circulação, zonas onde ocorreram prisões e outras limitações impostas pela área. 4.2.14. Mapeamento dos poços da área É necessário que se faça o levantamento de todos os poços já perfurados na área, mapeando-os com a finalidade de evitar, durante a execução do projeto, aproximação que possa levar à colisão com estes poços. Esse mapa de projeções dos poços no plano horizontal é conhecido como Spider. No caso de estruturas múltiplas, é necessário que se vincule cada guia a um objetivo, com a finalidade de minimizar as possibilidades de cruzamento de poços e os riscos de colisões. Essas guias deverão ser numeradas e relacionadas com suas coordenadas UTM. 4.2.15. Softwares para cálculos de projetos Para cálculos dos projetos de poços direcionais são utilizados softwares desenvolvidos localmente ou fornecidos por outras companhias de perfuração direcional. Atualmente estão disponíveis programas da Maurer Engineering (empresa que mantém um contrato multicliente com a Petrobras), o software Wellpath 5.0, versão mais recente de maio/1995, e algumas planilhas eletrônicas do Excell para os diversos tipos de projetos. A área de Perfuração Direcional da E&P da Bacia de Campos possui estas opções e outras mais que podem ser solicitadas a qualquer momento. 155 Capítulo 4. Perfuração vertical 4.2.16. Definição das profundidades das sapatas dos revestimentos As profundidades das sapatas e os diâmetros dos revestimentos são definidos obedecendo à segurança operacional na perfuração e pelos setores envolvidos com o poço. Para o setor de perfuração direcional interessa que os trechos curvos (build-up e drop-off) sejam revestidos logo que executados, visando a estabilidade e segurança do poço. 4.2.17. Valores usuais para a definição de um projeto de perfuração direcional Serão descritos, a seguir, os valores usuais para a definição de um projeto de perfuração direcional. a) Taxa de build-up A taxa de build-up mais comumente usada é de 1º/15 m, que implica em um raio de curvatura de 859,44 m. Essa taxa, normalmente, não apresenta problemas. Dependendo do caso, pode-se usar taxas mais suaves como 1º/20 m ou 1/º30 m que minimizam problemas de drag, torque e repasses. Taxas tão fortes como 1º/10 m ou superiores só deverão ser usadas quando ocorrer um crescimento mais rápido da inclinação. Esta taxa define o tipo de poço horizontal que se pretende perfurar. Para taxas entre 1º/30 m e 8º/30 m, os poços são considerados de raio longo, entre 8º/30 m e 30º/30 m, de raio médio. Os poços de raio curto necessitam de ferramentas especiais, mais flexíveis e as taxas são muito altas, na faixa de 3º/1 m. Ao se perfurar poços de raio médio, com ferramentas convencionais, cuidados redobrados devem ser tomados com relação ao controle da limpeza, do torque e do drag. Quanto maior a taxa de ganho de inclinação, menores serão os afastamentos possíveis de se alcançar. 156 Alta Competência b) Taxa de drop-off Para um mesmo projeto, a taxa de drop-off escolhida é normalmente menor do que a taxa de build-up utilizada. Exemplo: para taxa de build-up de 1º/15 m usar taxa de drop-off de 1º/30 m, ou menor. c) Dog leg e dog leg severity Dog leg é o resultado da variação da trajetória do poço detectada através de registros de inclinação e direção entre duas estações. Quando essa variação for muito brusca, pode acarretar problemas sérios para o poço. Por isso é necessário um acompanhamento, avaliando a cada registro a sua intensidade. Para proceder a essa avaliação, faz-se necessária uma unidade padrão (graus/100 pés ou graus/30 m) a partir da qual se pode estabelecer comparações com valores pré-estabelecidos de dog leg. O dog leg expresso nessa unidade é conhecido como Dog Leg Severity (DLS). Um limite seguro para o dog leg severity depende da formação que está sendo perfurada, diâmetro do poço, diâmetro dos componentes da coluna de perfuração, diâmetro do revestimento a ser descido etc. Deve-se evitar que sejam criados dog legs acima de 3º/100` em poços de 9 1/2”ou de diâmetros menores. Para poços com diâmetros de 12 ¼ “ ou maiores, evitar dog legs de 5º/30 m ou superiores. Estes limites não são definitivos e podem ser alterados dependendo da experiência registrada em cada área. O Dog Leg Severity (DLS) é calculado pela seguinte fórmula: Onde: DLS = Dog Leg Severity (graus/30 m); I1 = Inclinação do 1º registro em graus; I2 = Inclinação do 2º registro em graus; D1 = Azimute do 1º registro em graus; D2 = Azimute do 2º registro em graus; Pm= Intervalo entre os dois registros em metros. 157 Capítulo 4. Perfuração vertical 4.2.18. Tolerância de aproximação do objetivo O alvo a ser atingido por um poço é uma área em torno do objetivo, podendo esta ser circular ou não. Normalmente considera-se um círculo com um raio de tolerância pré-determinado. A tolerância de aproximação depende do tamanho da malha do campo a ser desenvolvido e das finalidades para as quais o poço está sendo perfurado. Tem-se usado mais comumente raios de tolerância de 50 m e 100 m para poços de desenvolvimento e exploratórios, respectivamente. Nos campos maduros, em função do estreitamento das malhas, a tolerância fica, em alguns casos, muito reduzida e a forma da área, em torno do objetivo em que é aceitável entrar com o poço, varia muito. 4.2.19. Ângulo guia (lead) De posse da direção do projeto do poço, deve-se definir a direção que se tomará no início da execução do desvio do poço. À diferença entre a direção do projeto e a direção que se deve tomar no desvio chamamos de ângulo guia (lead). Este é definido com base na experiência obtida na perfuração de outros poços direcionais do campo e se faz necessário para compensar o giro (side walk) que o poço naturalmente terá até atingir o alvo. Esse giro pode ocorrer tanto para a direita como para a esquerda, sendo que o giro para a direita predomina devido ao sentido de rotação da broca. Giros para a esquerda só ocorrem quando a tendência da formação se sobrepõe à tendência de giro da coluna de perfuração. Na determinação desse ângulo guia, deve-se escolher os poços de correlação cujos perfis e direções mais se aproximem do poço projeto. 4.2.20. Métodos de cálculo da trajetória realizada Durante a perfuração direcional, a inclinação e o azimute obtidos a cada registro definem um vetor tangente à trajetória nesse ponto. Os diferentes métodos de cálculo da trajetória do poço envolvem hipóteses relacionadas ao formato da trajetória esperada entre as duas “estações”, isto é, os pontos onde são feitos os registros 158 Alta Competência direcionais. Os métodos tradicionalmente usados na indústria de petróleo para a determinação da trajetória direcional são: • Tangente; • Ângulo médio; • Raio de curvatura; • Curvatura mínima. A ideia desse trabalho é apenas mostrar alguns aspectos relativos aos métodos empregados, uma vez que existem na indústria inúmeros softwares para serem usados na determinação da trajetória direcional. Hipótese básica utilizada nos métodos é de que o segmento AB é calculado assumindo que o ponto A (inclinação 1 e azimute A1) é conhecido e o ponto “B” deve ser posicionado. Métodos de cálculo a) Método da tangente • “L” distância perfurada. • Segmento AB é aproximada por AB` paralelo à tangente no ponto B. 159 Capítulo 4. Perfuração vertical • O ponto “B” é calculado com base na inclinação e no azimute medidos no ponto “B”. • Erro é muito grande. • Método pouco usado. Método da tangente b) Método do ângulo médio • “L” distância perfurada. • Inclinação e azimute no ponto “B” é igual à média da inclinação e azimutes em “A” e “B”. • As projeções dos pontos “A” e “B” são calculadas como as projeções obtidas dos ângulos médios das inclinações e dos azimutes. Método do ângulo médio 160 Alta Competência c) Método raio de curvatura • “L” distância perfurada. • A distância perfurada é tratada como uma curva inscrita sobre uma superfície cilíndrica com eixo vertical. • A projeção vertical e horizontal de cada ponto são assumidas como sendo arcos de círculos cujos raios serão função da taxa de ganho de ângulo e da taxa de variação do azimute. • Assim como os dois métodos apresentados, esse método fornece valores muito próximos. Método raio de curvatura( 4.2.21. Execução do projeto 4.2.21.1. Escolha do jogo de ferramentas por fase De posse do projeto de um poço direcional, o passo seguinte é a escolha do jogo de ferramentas por fase. A seguir apresentamos uma listagem básica contendo as ferramentas para cada fase. 161 Capítulo 4. Perfuração vertical a) Fase de 26” com afastamento inicial (nudge) • Estabilizadores de 25” a 26” – 3; • Sub de orientação – 2; • Bent sub de 2 1/20 e 30 – 1 de cada; • Motores de fundo de 9 5/8” (ou 12”) -2; • Monel de 9 1/2” – 1 ou 2; • Subs de cruzamento – os necessários; • Conjunto de jatos para jateamento – 2; • Equipamento giroscópico de registro simples – 1 kit e 1 • jogo de barriletes (running gears); • Equipamento magnético de registro simples – 1 kit e 1 • jogo de barriletes (running gears); • Equipamento giroscópico de registro múltiplo – 1 kit; • Caso o afastamento inicial desta fase tenha de ser feito com broca de 17 1/2” e posteriormente alargada, acrescentar ao jogo de ferramentas acima um alargador de 26” e o jogo de ferramentas da fase de 17 1/2”. b) Fase de 17 1/2” • Estabilizadores 17” a 17 1/2” – 5 (2 near bit); • Sub torto de orientação de 2º, 2 ½ º, 3º – 1 de cada; 162 Alta Competência • Motor de fundo de 9 5/8” – 2; • Monel de 8” – 2; • Comando curto de 8” – 1; • Subs de cruzamento – os necessários; • Tubos pesados de perfuração de 4 1/2” ou 5” - 10 a 15; • Drilling jar de 7 3/4” ou 8” – 1; • Equipamento magnético de registro simples - 1 kit e 1 • Jogo de barriletes (running gears); • Equipamento magnético de registro múltiplo - 1 kit; • Se houver necessidade devido à interferência magnética, incluir 1 kit e um jogo de barriletes para registros giroscópicos simples e múltiplos; • Conjunto MWD de 8”. c) Fase de 12 ¼ “ • Estabilizadores de 11 ½ “ a 12 ¼ “ – 6 (2 near bit); • Motor de fundo de 7 ¾ “ – 2; • Monel de 7 ¾ “ ou 8” – 2; • Subs tortos de orientação de 1 ½ º, 2º e 2 ½ º – 1 de cada; • Comando curto de 7 ¾ “ ou 8” – 1; • Subs de cruzamento – os necessários; 163 Capítulo 4. Perfuração vertical • Tubos pesados de perfuração 4 ½ “ ou 5” – 10 a 15; • Drilling jar de 7 ¾ “u 8” -1; • Equipamento Magnético de reg. simples – 1 kit + 1 jogo • de barriletes; • Equipamento magnético de reg. múltiplos – 1 kit; • Conjunto MWD de 8”. d) Fase de 8 ½ “ ou 9 ½ “ • Estabilizadores de 8” a 8 ½ “ ou 9” a 9 ½ “ – 8 (near bit); • Motor de fundo de 6 ½ “ – 2; • Monel de 6 1/4” ou 6 ½ “ – 2; • Subs tortos de orientação 1 ½ º e 2º – 1 de cada; • Comando curto de 6 ½ “ ou 6 ¾ “ -1; • Drilling jar de 6 ¼ “ ou 6 ½ “ – 1; • Subs de cruzamento – os necessários; • Equipamento magnético de registro simples – 1 kit e 1 jogo de running gears; • Conjunto MWD de 6 ½” (avaliar necessidade). Essas são as ferramentas que devem ser enviadas às sondas para a execução das fases nos diâmetros descritos acima. Cada poço é um caso e a lista acima pode ser alterada para se adequar ao programa de perfuração direcional. 164 Alta Competência 4.2.21.2. Sequência das operações Para um poço onde a primeira fase que inclua revestimento condutor, podemos executá-la de duas formas: perfuração com alargamento, ou não, e cravação orientada, ou não. O processo a ser utilizado dependerá do estudo da engenharia de fundo, da estrutura (jaqueta, template etc.) utilizada durante a perfuração dos poços, e das unidades de perfuração a serem empregadas. a) Perfuração com alargamento ou não Se as formações superficiais permitirem a perfuração da primeira fase sem comprometer a segurança e a estabilidade do poço e da unidade de perfuração, deve-se perfurar esta fase com broca de 26” (para condutor de 20”) ou broca de 26” e alargador de 36”(para condutor de 30”). No caso de estruturas múltiplas, após a cimentação do condutor fazer um multishot giroscópico. b) Gravação do condutor Quando não for possível a perfuração da 1ª fase do poço e as formações superficiais permitirem, deve-se proceder à cravação do condutor. No caso de estruturas múltiplas, concluída a cravação, se a sapata ficar além de 50 m do fundo do mar, deve-se fazer um multishot giroscópico, após a lavagem do condutor. Ficando aquém dos 50 m, fazer apenas um registro de inclinação na sapata. 6.5.14.3. Jateamento de tubulão Nos poços em lâminas d’água profunda, usa-se fazer o jateamento do tubulão de 30” e a perfuração da fase de 26” usando um motor de fundo. Nesses casos, usamos um motor de 12” ou 9 ½ “, no último caso verificar a vazão máxima e a estrutura do conjunto de rolamentos. O motor deve estar com a dump valve plugueada para poder trabalhar sob baixas vazões ( 50 a 60 gpm ) no início da operação. Normalmente se perfura a fase de 26”, após desconectar o mandril interno da running tool, com vazões entre 800 e 1 200 gpm. 165 Capítulo 4. Perfuração vertical 6.5.14. 4. Perfuração da fase de 26” Admitindo-se que o condutor de 30” já esteja assentado, a fase seguinte (26”) poderá ser feita verticalmente ou, em casos de estruturas múltiplas, com um afastamento inicial (nudge) para controle do spider. Esse afastamento inicial pode ser feito por jateamento ou com a utilização de motor de fundo. Antes de partir para a execução do nudge, fazer uma análise do spider e definir a direção preferencial para este afastamento, de forma a guiá-lo para a parte externa da estrutura e descongestionar a área sob a mesma, ou evitar que o poço se dirija em direção que o aproxime de um ou mais poços já perfurados. A distância mínima que se pode aproximar de um poço em produção está especificada na Norma N-1860C sobre Segurança nas Operações Simultâneas em Plataformas Marítimas. Uma boa taxa de ganho de inclinação para o nudge é de 10 para cada 30 metros perfurados, e a inclinação máxima do mesmo deve ficar em torno de 50. A depender do spider e da profundidade da fase, poderá ser conveniente ampliar a inclinação máxima. Sempre que possível, no final do afastamento inicial, deixar o poço na direção escolhida para o ângulo guia (lead). Por estarmos muito próximos dos outros poços perfurados a partir da estrutura múltipla, deve-se ter o cuidado de fazer um acompanhamento rigoroso da inclinação e direção do poço, efetuando registros direcionais a intervalos máximos de 30 m, plotando no spider cada estação registrada, analisando e fazendo projeções para a trajetória. Para isso, usar um equipamento giroscópico de fotos simples e, após descido o revestimento, fazer um registro giroscópico múltiplo. 6.5.14.5. Perfuração da fase de 17 1/2” Considerando que o nudge não tenha sido feito na fase de 26”, e seja necessário fazê-lo nesta fase, seguir as considerações do subitem anterior. 166 Alta Competência De maneira geral, o KOP e o build-up são feitos nesta fase com jateamento orientado e/ou motor de fundo, de acordo com o ângulo guia pré-determinado. Deverá ser concluída com coluna de perfuração estabilizada. O acompanhamento da fase será feito com registros direcionais no máximo a cada 3 ou 4 tubos (30 a 40 metros) no build-up. No trecho de inclinação constante não é recomendável perfurar mais de 100 m sem registro direcional. Esses registros serão feitos com equipamento magnético de foto simples ou giroscópico, caso haja interferência magnética. Ao concluir a fase, efetuar um registro múltiplo. 6.5.14.6. Perfuração da fase de 12 1/4” Poderemos ter em alguns casos, o KOP e o build-up na fase de 12 1/4”. Nesse caso, utiliza-se motor de fundo porque a dureza das formações perfuradas com este diâmetro, geralmente não permite jateamento. No trecho de inclinação constante, os registros direcionais simples deverão ser feitos a intervalos máximos de 100 metros. Pode ocorrer que o projeto contenha um trecho de queda de inclinação (drop-off) nesta fase. Quando não houver trechos de build-up ou drop-off, o registro múltiplo após a conclusão da fase não é necessário. Quando as fases, até aqui referidas, forem verticais, fazer acompanhamento da perfuração com registros simples, ou múltiplos se necessário. IMPORTANTE! 167 Capítulo 4. Perfuração vertical 6.5.14.7. Perfuração da fase de 9 1/2” ou 8 1/2” Normalmente esta fase tem inclinação constante. Somente em casos de poços de perfil III há trecho de crescimento de inclinação. Como um build-up, neste caso deverá ser profundo e executado em formações de dureza média a dura, fazer uso de motor de fundo, preferencialmente com equipamento de registros contínuos. Os registros direcionais, na fase de inclinação constante, deverão ser feitos a intervalos máximos de 100 metros. Em casos de queda ou aumento provocado de inclinação build-up ou drop-off, reduzir esses intervalos de registros para 50 m. Fazer registro múltiplo no caso de haver variação provocada de inclinação. Ao circular fluido de perfuração, em qualquer fase, não se deve conservar a coluna girando em um único ponto, para evitar o risco de desvio do poço. IMPORTANTE! 6.5.14.8. Roteiros para execução de cada operação direcional A seguir serão descritos roteiros para execução de cada operação direcional. a) Como fazer um jateamento 1º Preparar uma broca tricônica com jatos desbalanceados. Escolher uma das opções abaixo: • Um dos jatos tamponados (tool face estará no ponto médio entre os dois outros jatos). Ex.: • broca de 26” - 2 x 18/32” - 1 x 0 – 1 000 gpm • broca de 17 1/2” - 2 x 15/32” - 1 x 0 - 850 gpm • broca de 12 1/4” - 2 x 12/32” - 1 X 0 - 600 gpm 168 Alta Competência • Dois dos jatos tamponados (tool face estará no outro jato). Ex.: • broca de 26” - 2 x 0 - 1 x 24/32” - 900 gpm • broca de 17 1/2” - 2 x 0 - 1 x 24/32” - 800 gpm • broca de 12 1/4” - 2 x 0 - 1 x 20/32” - 500 gpm • Dois jatos com diâmetro reduzido e um jato com diâmetro maior (tool face estará no jato de diâmetro maior). Ex.: • broca de 26” - 2 x 12/32” - 1 x 24/32” – 1 000 gpm • broca de 17 1/2” - 2 x 11/32” - 1 x 20/32” - 850 gpm • broca de 12 1/4” - 2 x 11/32” - 1 x 18/32” - 600 gpm • Um jato com diâmetro reduzido e dois com diâmetro maior (tool face estará no ponto médio entre os dois jatos de diâmetro maior). Ex.: • broca de 26” - 2 x 18/32” - 1 x 13/32” - 1000 gpm • broca de 17 1/2” - 2 x 16/32” - 1 x 11/32” - 850 gpm • broca de 12 1/4” - 2 x 15/32” - 1 x 11/32” - 600 gpm 2º Montar coluna estabilizada incluindo um monel e um sub de orientação tendo este último a sua chaveta alinhada com a tool face da ferramenta.Ex.: • Poço de 26” – BR/sub/orient sub/monel 9 1/2”/ STB 26”/2DC 9 1/2”/ STB 26”/DC 9 1/2”/... • Poço de 17 1/2” – BR/NBSTB 17 1/2”/orient sub/monel 9 1/2”/DC 9” 1/2/STB 17 1/2”/DC 9 1/2”/STB 17 1/2”/DC 9 1/2” 169 Capítulo 4. Perfuração vertical • Poço de 12 1/4” – BR/NBSTB 12 1/4”/orient sub/monel 8”/2DC 8”/ STB 12 1/4” /DC 8”/STB 12 1/4”/... Deverá ser utilizada na composição uma float valve o mais próximo possível da broca, para evitar retor- no de lama com cascalhos para o interior da coluna e consequente entupimento dos jatos da broca. Na impossibilidade de utilizar um float valve, encher a coluna com lama viscosa antes de desconectar o kelly para foto ou adição de mais um tubo de perfuração. ATENÇÃO! 3º Descer a coluna até o fundo do poço. Se possível descê-la orientada, da superfície, chegando ao fundo verificar essa orientação. Caso a coluna não seja descida orientada, proceder a sua orientação. 4º Fazer um registro simples para saber a direção do poço e da face da ferramenta. 5º Girar a coluna de forma a orientar a tool face na direção desejada. Se houver dúvidas quanto a acúmulo de torque na coluna, reciprocá- la de maneira a garantir a chegada do giro à broca. 6º Fazer uma marca visível na coluna de perfuração, alinhada com um ponto fixo na sonda,a fim de ter uma referência quanto à posição da tool face. 7º Persistindo a dúvida quanto à orientação da ferramenta, fazer novo registro e se necessário repetir a orientação, até ter certeza de que a posição da tool face é a desejada. 8º Proceder o jateamento de forma a conseguir avanço, intercalando trechos jateados com trechos perfurados com rotação da mesa. Aconselha-se, quando não se conhece o efeito da ferramenta na formação sendo jateada, não jatear intervalos superiores a 4 metros por tubo, até que se possa fazer um registro para avaliar esse efeito. 170 Alta Competência 9º A cada início do jateamento de um intervalo, verificar através das marcas de referência na superfície se a tool face está na direção desejada. 10º A intervalos máximos de 30 m, alinhar as marcas de referência e fazer um registro direcional. 11º Prosseguir a operação de jateamento até conseguir a inclinação e direção esperadas, e prosseguir com a perfuração rotativa. É um mau procedimento usar como referência uma marca na superfície da bucha do kelly devido a folgas que normalmente existem entre a bucha e a haste do kelly. Usar uma marca na própria haste. Sempre que se passar do jateamento para a perfuração rota- tiva, deve-se baixar a vazão para valores apenas su- ficientes para a limpeza do poço e aumento do peso sobre a broca. Não trabalhar com rotações elevadas, superiores a 100 rpm. ATENÇÃO! b) Como operar com motor de fundo convencional como ferramenta defletora (usando simples foto magnética) 1º Escolher a combinação motor de fundo-sub torto de acordo com o dog leg programado. 171 Capítulo 4. Perfuração vertical Tabela 1 COMBINAÇÃO MOTOR DE FUNDO/SUB TORTO P/ CADA OD DE POÇO DYNA DRIL DE 3 7/8” DYNA DRILL DE 5” DYNA DRILL DE 6 1/2” DYNA DRILL DE 7 3/4” DYNA DRILL DE 9 5/8” ÂNGULO DO BENT SUB OD DO POÇO DLS ESPERADO OD DO POÇO DLS ESPERADO OD DO POÇO DLS ESPERADO OD DO POÇO DLS ESPERADO OD DO POÇO DLS ESPERADO 1º 1 ½ º 2º 4 ¼ “ 4,0º 4,5º 5,5º 6” 3,5º 4,75º 5,5º 8 ¾ “ 2,5º 3,5º 4,5º 9 7/8” 2,5º 3,75º 5,0º 13 ½ “ 2,0º 3,0º 4,5º 1º 1 ½ º 2º 2 ½ º 4 ¾ “ 3,0º 3,5º 4,0º 5,0º 6 ¾ “ 3,0º 4,25º 5,0º 5,75º 9 7/8” 1,75º 3,0º 3,75º 5,0º 10 3/8” 2,0º 3,5º 4,25º 5,5º 15” 1,75º 2,5º 3,75º 5,0º 1º 1 ½ º 2º 2 ½ º 5 7/8” 2,0º 2,5º 3,0º 3,5º 7 7/8” 2,5º 3,5º 4,5º 5,5º 10 5/8” 1,25º 2,0º 3,0º 4,0º 12 ¼ “ 1,75º 2,5º 3,5º 5,0º 17 ½ “ 1,25º 2,25º 3,0º 4,5º 2º Fazer uma inspeção visual no motor de fundo, verificando folga do sub de rotação e funcionamento da válvula de drenagem/enchimento (dump valve). 3º Conectar broca, motor de fundo e sub torto de orientação, verificando se a chaveta da camisa deste último está alinhada com a marca que indica a face da ferramenta (scribe-line). Continuar a montagem da coluna com comando não magnético e restante dos comandos. Descidas duas ou três seções, conectar o kelly e testar o funcionamento do motor de fundo com vazão. Caso esteja em perfeito funcionamento, concluir a descida da coluna até o fundo do poço. 4º Efetuar um registro para localizar a orientação da fase da ferramenta. 5º Girar a coluna de forma a orientar a tool face na direção desejada. Se houver dúvidas quanto ao acúmulo de torque na coluna, reciprocá- la de maneira a garantir a chegada do giro à broca. Observar que a posição onde a face da ferramenta vai trabalhar não é a mesma posta ao final da orientação. Considerar um torque reativo à esquerda que desloca a face da ferramenta e que depende da dureza da formação, 172 Alta Competência da profundidade do poço, do ângulo do bent sub, da inclinação do poço, do diâmetro do poço e da ferramenta e da direção de orientação da tool face. Em geral, é estimado em função da experiência do operador na área. 6º Fazer uma marca visível na coluna de perfuração alinhada com um ponto fixo na sonda, a fim de ter uma referência quanto à posição da tool face. 7º Com a mesa rotativa travada e as marcas de referência alinhadas, acionar as bombas e iniciar a perfuração. Deve-se ter cuidado de anotar as pressões do motor de fundo sem peso sobre a broca e com peso sobre a broca, muito cuidado para que esse diferencial de pressão esteja dentro da faixa aconselhada pelo fabricante. Aumentando- se o peso sobre a broca, aumenta-se esse diferencial de pressão e o torque reativo. Como exemplo ver tabela abaixo para dyna drill 6 ½ “ Delta 500. 6 ½ “ DELTA 500 VAZÃO GPM ROTAÇÃO RPM DP PSI TORQUE fTXlB POTÊNCIA HP 250 292 360 801 44,5 275 327 360 801 49,8 300 362 360 801 55,2 325 397 360 801 60,5 350 431 360 801 65,7 8º Concluída a perfuração de cada tubo, cuidar para que não se desencaixe a bucha do kelly da mesa com as bombas ainda ligadas. Esse procedimento é para que não se perca a orientação da tool face. Efetuar um registro direcional para verificação da orientação e inclinação do poço. 9º Caso a orientação da tool face não seja a desejada, reorientá-la segundo os procedimentos anteriormente descritos e prosseguir com a perfuração. 173 Capítulo 4. Perfuração vertical 10º Alcançados os objetivos da operação, retirar a coluna com motor de fundo, tendo o cuidado de não girar a coluna com a mesa rotativa. Chegando à superfície, fazer nova inspeção visual no motor de fundo e limpá-lo internamente, girando lentamente o sub de rotação com a mesa rotativa. • Deve-se travar o gancho da catarina sempre que se for reciprocar a coluna para distribuir torque com a finalidade de orientar a tool face. • Se estiver sendo utilizado equipamento de registro contínuo, a posição efetiva da face da ferramenta é mostrada a cada instante, facilitando a operação. • Os procedimentos descritos para operação com mo- tor de fundo são os mesmos para início de build-up, correção de trajetória e sidetracking. • Pode-se usar a régua de cálculo OUIJA para plane- jar o desvio e fazer o seu acompanhamento, compa- rando os resultados obtidos com os esperados teori- camente a cada registro. ATENÇÃO! c) Estabilização de colunas para perfuração direcional Na perfuração direcional as colunas são estabilizadas de acordo com as finalidades que deverão atender. Desta forma a composição de fundo (Bottom Hole Assembly - BHA) será montada para aumentar, manter ou perder a inclinação, bem como controlar a direção do poço. A experiência demonstra que o comportamento das colunas para poço de 26” não obedece às regras gerais de estabilização. d) Colunas para aumento da inclinação do poço (build-up assembly) O que caracteriza este tipo de composição de fundo, é ter um estabilizador no máximo 4 pés acima da broca e outro, no mínimo, a 30 pés do primeiro. Em geral, para cumprir suas finalidades com eficiência, esta composição exige a utilização de alto peso sobre a broca e baixa rotação. 174 Alta Competência Obedece ao princípio da alavanca conforme, ilustrado na figura a seguir. Princípio da alavanca Exemplos: Poço de 26” • Broca - SUB - STB 26” - Monel 9 1/2” - DC`s...(3`) • Broca - SUB - STB 26” - Monel 9 1/2” - 2 DC 9 1/2” - STB 26” - DCS... (3` -90`) • Broca - SUB - DC Curto 9 1/2” - STB 26” - Monel 9 1/2” - DC 9 1/2” - STB 25” - DC`s... (15`-75ÙG) Poço de 17 1/2” • Broca - NBSTB 17 1/2” - Monel 9 1/2” - DC`S... (0) • Broca - NBSTB 17 1/2” - Monel 9 1/2” - 2 DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (0-90’-120’) • Broca - SUB - STB 17 1/2” - 2 Monéis 9 1/2” - STB 17” - dc 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (3` -60`UG-90) 175 Capítulo 4. Perfuração vertical • Broca - NBSTB 17 1/2” - Monel 9 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (0-60`UG-90) • Broca - NBSTB 17 1/2” - Monel 9 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (0-60`-90`) Poço de 12 1/4” • Broca - NBSTB 12 1/4” - Monel 8” - DC`s...(0) • Broca - SUB - STB 12 1/4” - Monel 7 3/4” - 2DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s...(3`-90`) • Broca - NBSTB 12 1/4” - 2 Monéis 7 3/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 121/4” - DC`s... (0-90`-120) • Broca - NBSTB 12 1/4” - Monel 8” - DC 7 3/4” - STB 11 3/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s... (0-60`UG-90`) • Broca - SUB - STB 12 1/4” - Monel 8” - DC Curto 7 3/4” - STB 12” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/8” - DC`s... (3`-45`Ug-75’-105`) Poço de 8 1/2” • Broca - NBSTB 8 1/2” - Monel 6 1/4” - DC 6 1/2” - DC Curto 6 1/2” STB 8 1/2” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s... (0-75`-105`) • Broca - NBSTB 8 1/2” - Monel 6 1/4” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s... (0-60`-90) • Broca - NBSTB 8 1/2” - Monel 6 1/4” - DC Curto 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s... (0-45`-75) • Broca -SUB - STB 8 1/2” - Monel 6 1/4” - STB 8” - DC 6 1/4” - STB 8 1/2” - DC`s... (3`-30` UG-60) 176 Alta Competência • Broca - SUB - STB 8 1/2” - Monel 6 1/4” - STB 8 1/2” - DC 6 1/4” - STB 8 1/2” - DC`s... (3`-30`-60) • Broca - STB 8 1/2” - DC Curto 6 1/2” - STB 8” - Monel 6 1/4” - STB 8 1/2” - DC`s... (0-15` UG-45`) Entre parênteses estão indicadas as distâncias apro- ximadas de cada estabilizador à broca. UG significa calibre reduzido em relação à broca (under-gauge). ATENÇÃO As composições de fundo exemplificadas acima estão em ordem crescente de rigidez, consequentemente com tendência de ganho de inclinação decrescente. São inúmeras as combinações dos elementos da coluna a fim de se conseguir uma coluna de build-up e a sua escolha deverá ser feita de acordo com as experiências adquiridas em cada campo e a taxa de ganho de inclinação desejada. Da análise dos poços de correlação são escolhidos os parâmetros (peso e rotação) que poderão ser utilizados na perfuração. Estes parâmetros deverão ser modificados dependendo dos resultados conseguidos. Aconselha-se sempre que for descida uma nova composição, que seja feito um registro direcional após perfurar 30 m, para que se possa avaliar o efeito do BHA. De uma maneira geral, aumentando-se o peso e diminuindo-se a rotação espera-se um aumento na tendência de ganho de inclinação do BHA. Em formações moles e pouco consolidadas o aumento da pressão dos jatos da broca implica numa queda da eficiência da coluna de build- up. É importante observar que neste tipo de composição de fundo o 1º estabilizador, na maioria das vezes, é descido com o mesmo calibre da broca e o segundo pode estar abaixo deste calibre. Cabe ao operador fazer o controle do desgaste do calibre dos estabilizadores na entrada e na saída da coluna de perfuração. Colunas mais flexíveis implicam em maior probabilidade de giro na direção do poço. 177 Capítulo 4. Perfuração vertical e) Colunas para manter a inclinação do poço O que caracteriza esse tipo de composição de fundo é ter no mínimo três estabilizadores, o primeiro deles logo acima da broca, o segundo a no máximo 30 pés do primeiro, e o terceiro disposto de maneira tal que a rigidez do conjunto aja no sentido de evitar variações na trajetória do poço. Coluna emplacada Exemplos: Poço de 26” • Broca - SUB -STB 26” - Monel 9 1/2” - STB 26” - DC`s... (3`- 30`) • Broca - SUB - Monel 9 1/2” - STB 26” - DC 9 1/2” - STB 26” - DC`s... (33`-60`) • Poço de 17 1/2” • Broca - NBSTB 17 1/2” - Monel 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC 9 1/2” - DC`s... (0-30`-60`) • Broca -SUB - STB 17 1/2” - DC Curto 9 1/2” - STB 17” - Monel 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (3`-15` UG-45`) 178 Alta Competência Poço de 12 1/4” • Broca - NBSTB 12 1/4” - Monel 8” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s... (0-30`-60) • Broca - NBSTB 12 1/4” - DC Curto 7 3/4” - STB 12” - Monel 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s...(0-15`UG-45`) Poço de 8 1/2” • Broca - NBSTB 8 1/2” - Monel 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC 6 3/4” - STB 8 1/2” - DC`s... (0-30`-60`) • Broca - NBSTB 8 1/2” - DC Curto 6 1/2” - STB 8 1/4” - Monel 6 1/”4 - STB 8 1/2” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2 - DC`S... (0-15`UG-45`-75`) • Broca - NBSTB 8 1/2” - STB 8 1/2” - Monel 6 1/2” - stb 8 1/2” - DC 6 1/4” - STB 8 1/2” - dc`s...(0-6`-35`-65`) Apesar de serem usadas com o objetivo de não provocar variação de inclinação no poço, na maioria das vezes ocorrem quedas ou ganhos de inclinação muito lentos (ex.: 10/100 ou 200 m), independente desse fato, continuam sendo consideradas como colunas para manter a trajetória do poço. Outro efeito desse tipo de coluna é se colocar com mais intensidade a tendência de giro na trajetória do poço. Variando os parâmetros de perfuração, podemos melhorar o comportamento da coluna. f) Colunas para perda de inclinação do poço (drop-off assembly) O que caracteriza esse tipo de composição de fundo é não ter um estabilizador ou ter um estabilizador under-gauge sobre a broca. Para que o efeito de queda de inclinação seja eficiente, usa-se baixo peso sobre a broca e alta rotação. 179 Capítulo 4. Perfuração vertical Obedecem ao princípio do pêndulo como mostra a figura abaixo. Princípio do pêndulo As colunas muito empacadas também costumam ter tendência de drop-off, e são usadas em substituição a uma coluna pendular quando se deseja uma queda de inclinação mais lenta com controle da direção. Exemplos: Poço de 26” • Broca - SUB - Monel 9 1/2” - DC 9 1/2” - STB 26” - DC 9 1/2” STB 26” - DC`s... (60`-90`) • Broca - SUB - Monel 9 1/2” - STB 25” - DC 9 1/2” - STB 26” - DC`s... (33`UG-60`) • Poço de 17 1/2” • Broca - SUB - Monel 9 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (60`-90`) • Broca - NBSTB 17” - Monel 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC 9 1/2” - STB 17 1/2” - DC`s... (OUG-30`-60`) 180 Alta Competência Poço de 12 1/4” • Broca - SUB - Monel 7 3/4” - DC 7 3/4” - DC Curto 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s... (75`-105`) • Broca - SUB Monel 7 3/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s... (60`-90`) • Broca - SUB - Monel 7 3/4” - DC Curto 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC 7 3/4” - STB 12 1/4” - DC`s... (45`-75`) • Broca -NBSTB 12” - DC Curto 7 3/4” - STB 12 1/4” - Monel 8” - STB 12 1/4” - DC`s... (OUG-15`-45`) Poço de 8 1/2” • Broca - SUB - Monel 6 1/2” - DC 6 3/4” - STB 8 1/2” - DC 6 3/4” - STB 8 1/2” - DC`s... (60`-90`) • Broca - SUB - Monel 6 1/4” - DC Curto 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s...(45`-75`-105`) • Broca -SUB - Monel 6 1/2” - STB 8 1/4” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s... (30`UG-60`-90`) • Broca - NBSTB 8 1/4” - DC Curto 6 1/2” - STB 8 1/2” - Monel 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s... (OUG-15`-45`) • Broca - NBSTB 8 1/2” - STB 8 1/2” - DC Curto 6 1/2” - STB 8 1/2” - Monel 6 1/2” - STB 8 1/2” - DC`s... (0-6`-20`-50`) As composições de fundo exemplificadas acima estão em ordem decrescente de tendência de perda de inclinação, para cada diâmetro de poço. Deve-se observar que nos BHA acima, o primeiro estabilizador sobre a broca pode estar com calibre reduzido. 181 Capítulo 4. Perfuração vertical Caso o primeiro registro, feito logo após o início da perfuração com a coluna pendular, não indicar uma queda de inclinação tão efetiva quanto esperado, pode-se fazer um repasse a cada conexão para acentuar o efeito da coluna. Fazer controle de desgaste dos estabilizadores na descida e retirada da coluna. Na montagem de toda composição de fundo estabilizada e sem sub de orientação, não esquecer de colocar a aranha (baffle plate) na conexão abaixo do monel. 4.2.22. Como efetuar registros direcionais Os registros direcionais trazem informações de inclinação e direção obtidos através de equipamentos especiais, utilizados para determinar a trajetória do poço. Estes instrumentos também fornecem a orientação da face de ferramentas defletoras, no caso de operações de jateamento ou com motor de fundo. a) Registros magnéticos simples (magnetic single shots) 1º Parar a perfuração e circular para a limpeza do poço. Quanto mais rápida a perfuração, maior o tempo de circulação necessário para a limpeza. Pode-se usar como referência de 1/2 a 1 1/2 vezes o tempo de retorno da lama do fundo até a superfície. 2º Verificar a montagem e aperto dasconexões das partes que compõem o barrilete. Verificar também se o equipamento de registro simples está corretamente montado, com a unidade angular apropriada à inclinação do poço, com as baterias para o acionamento da câmara fotográfica e convenientemente carregado com disco de filme. Não esquecer de fazer um teste de disparo da câmara fotográfica e das lâmpadas. 3º Terminada a circulação, fazer a conexão de um tubo de perfuração, montar o equipamento de registro no barrilete e descê-lo através do interior da coluna de perfuração usando o cabo do tambor auxiliar ou unidade de arame (wireline), até o barrilete atingir a aranha ou sub de orientação, o que se reflete na superfície por folga no cabo ou arame. 182 Alta Competência 4º Manter a coluna parada (no caso de unidades flutuantes, suspensa pelo elevador com os compensadores atuando) e aguardar o tempo necessário para o acionamento da câmara, dando uma margem de segurança de um a dois minutos. 5º Retirar o barrilete, sacar o equipamento de registro e colocar o disco de filme para revelar. 6º Fazer a leitura da foto corrigindo a direção da declinação magnética local, baseando-se no Mapa Magnético do Brasil. Para profundidades além de 1 000 metros, durante a descida e retirada do barrilete, reciprocar a coluna. Para profundidades menores do que o limite acima, usar o mesmo procedimento se houver riscos de prisão. ATENÇÃO! Após a retirada do barrilete, aguardar a revelação da foto, reciprocando a coluna se necessário, antes de prosseguir à perfuração. Caso a foto seja falha ou apresente resultado incoerente com o previsto, repeti-la usando outro instrumento. b) Registro giroscópico simples (gyroscopic single shot) 1º Parar a perfuração e circular para a limpeza do poço. Quanto mais rápida a perfuração, maior será o tempo de circulação necessário para essa limpeza. Pode-se usar como referência de 1/2 a 1 1/2 vezes o tempo de retorno da lama do fundo até a superfície. 2º Durante a circulação, fazer um aquecimento do giroscópio de pelo menos 30 minutos e aproveitar o final desse tempo para fazer uma avaliação do drift, variação da posição do norte da bússola giroscópica com o tempo. Giroscópios com drifts superiores a 60/hora deverão ser substituídos e enviados para calibração. 183 Capítulo 4. Perfuração vertical 3º Verificar a montagem e aperto das conexões das partes que compõem o barrilete. Verificar também se o equipamento de registro simples está corretamente montado, com a unidade angular apropriada à inclinação do poço, com as baterias para o acionamento da câmara fotográfica e convenientemente carregado com o disco de filme. Se for o caso, certificar-se de que o obturador da câmera está fechado, antes do carregamento da mesma. Não esquecer-se de fazer um teste de disparo da câmera fotográfica e das lâmpadas. 4º Terminada a circulação, fazer a conexão de um tubo de perfuração, acoplar o giroscópio no topo do regulador de voltagem, fazer um teste de voltagem e corrente, e proceder à orientação do mesmo. 5º Para proceder à orientação da bússola do giroscópio deve-se ter um ponto fixo de referência na plataforma ou fora dela, cuja direção com relação à boca do poço seja conhecida. A orientação estará concluída quando for conhecida a direção do norte da bússola giroscópica com relação ao norte geográfico. 6º Acoplar a câmara, a unidade angular e o acionador ao giroscópio (se for o caso, após o acoplamento não esquecer-se de abrir o obturador), montar o barrilete e descê-lo no interior da coluna, usando o cabo do tambor auxiliar ou a unidade de arame (wireline) com um medidor de profundidade. 7º Manter a coluna parada (no caso de unidades flutuantes, suspensa pelo elevador e com os compensadores atuando) e aguardar o tempo necessário para o acionamento da câmera, dando uma margem de segurança de um a dois minutos. 8º Retirar o barrilete, desacoplar a parte do instrumento que contém a câmera e unidade angular, se for o caso. Fechar o obturador antes do desacoplamento, visar ao mesmo ponto de referência usado na orientação e ver o drift ocorrido no norte da bússola giroscópica, para posterior correção na direção da foto. 9º Revelar, ler a foto e proceder à correção da direção com relação ao drift e referência de orientação, se necessário. 184 Alta Competência Após a retirada do barrilete, aguardar a revelação da foto antes de prosseguir com a perfuração. Caso a foto esteja falha ou apresente resultado incoerente com o previsto, repeti-la, usando outro instrumento. IMPORTANTE! Por ser o giroscópio um aparelho muito delicado e sensível, a sua descida e retirada pelo interior da coluna de perfuração deve ser feita com muito cuidado, sem o uso de velocidades excessivas, evitando bater na aranha ou sub de orientação com muita força, para não provocar a perda da orientação e/ou drifts excessivos. Quando o registro simples (magnético ou giroscópico) for feito durante a operação com ferramenta defletora com sub de orientação, deve- se, antes da descida do barrilete, observar o alinhamento do t-bar com a mule shoe, renovar o pino de chumbo do mule shoe e, na saída do barrilete, verificar se este pino trouxe a marca do acoplamento. A ausência desta marca implica na repetição do registro direcional. A descida do equipamento de registro giroscópico simples só pode ser feita usando-se cabo ou arame; já o equipamento magnético só deve ser lançado em queda livre no interior da coluna caso não haja cabo ou arame suficiente para atingir a profundidade do registro. c) Registros magnéticos múltiplos (magnetic multishots) 1º Certificar-se de que já tenha sido feita circulação suficiente para limpar o poço. 2º Verificar a montagem e aperto das conexões das partes que compõem o barrilete. Verificar também se o equipamento de registro múltiplo está corretamente montado, com a unidade angular apropriada à inclinação do poço, com baterias novas para o acionamento da máquina fotográfica e avançador do filme, e se a câmera está carregada com a quantidade de filme suficiente para a operação. Não esquecer-se de fazer um teste de lâmpadas e do avançador do filme. 185 Capítulo 4. Perfuração vertical 3º Montar o equipamento no barrilete, e lançá-lo em queda livre no interior da coluna e esperar o tempo suficiente para que o mesmo atinja a aranha. Como base, pode-se estimar a velocidade de queda do barrilete em 300m/min. 4º Aguardar o tempo necessário para que instrumento registre algumas fotos (3 a 4) com a coluna parada e injetar o tampão para manobra. 5º Proceder a retirada da coluna de perfuração dando tempo suficiente, após a retirada de cada seção, para que seja feito um registro naquela profundidade com a coluna parada (no caso de unidades flutuantes, suspensa pelo elevador com os compensadores atuando). Dar uma tolerância de no mínimo 15 segundos para cada registro. Este procedimento deve ser seguido até que a broca atinja a superfície ou a sapata do último revestimento onde se pode pescar o barrilete. 6º Recuperado o equipamento na superfície, retirar e revelar o filme em câmara escura, proceder à leitura das fotos de cada estação, e fazer a correção da declinação magnética local nas direções lidas, de acordo com o Mapa Magnético do Brasil. A corrida do registro magnético múltiplo é feita na retirada da coluna, preferencialmente na manobra curta. Caso ocorra falha do equipamento, repetir a operação quando retirar a coluna para a descida do revestimento ou abandono do poço. IMPORTANTE! Em poços de alto gradiente geotérmico utilizar protetor de temperatura (heat shield) ou, na falta deste, aumentar o espaçamento entre as estações de registro. A identificação no filme, do início da série de fotos que serão lidas, é feita através das 3 a 4 fotos tiradas antes de injetar o tampão. Cada foto será identificada através da profundidade e do tempo em que foi tomada durante a manobra. 186 Alta Competência d) Registros giroscópicosmúltiplos (gyro multishots) 1º Na maioria dos casos essa operação é feita após o corte da sapata do revestimento da fase a ser registrada. Certificar-se primeiramente de que o poço esteja limpo antes da retirar a coluna de perfuração. 2º Colocar o giroscópio a ser usado para aquecer, por pelo menos meia hora antes de iniciar a operação. Verificar a montagem e aperto das conexões das partes que compõem o barrilete e também se o equipamento de registro múltiplo está corretamente montado com a unidade angular apropriada à inclinação do poço, com baterias novas para o acionamento da câmera fotográfica e avançador do filme, e se a câmera está carregada com a quantidade de filme suficiente para a operação. Não esquecer de fazer um teste das lâmpadas e do avançador do filme. 3º Concluída a retirada da coluna, instalar o tripé na mesa rotativa, introduzir no poço o tubo de baterias com o centralizador inferior e o regulador de voltagem, deixando-o suspenso pelo tripé. Encaixar o giroscópio no regulador de voltagem e efetuar teste de corrente e potencial elétrico. 4º Proceder à orientação da bússola giroscópica usando para isso um ponto fixo de referência na plataforma ou fora dela, cuja direção com relação à boca seja conhecida. A orientação estará concluída quando for conhecida a direção do norte da bússola giroscópica com relação ao norte geográfico. 5º Acoplar a câmera à unidade angular, e o avançador ao giroscópio. Montar o barrilete, retirar o tripé e descer no interior do poço revestido usando o cabo de guincho auxiliar ou unidade de arame com medidor de profundidade. No caso de plataformas flutuantes deverá ser feita a compensação do movimento da mesma. 6º Durante a descida, fazer as paradas a cada intervalo desejado, aguardar o tempo necessário para que seja feito o registro, dando uma margem de 15 segundos antes de prosseguir a descida para registrar a próxima estação. A cada meia hora de operação, parar em uma estação e fazer dois ou três registros (drift check) para a monitoração do comportamento do drift. 187 Capítulo 4. Perfuração vertical 7º Prosseguir com esse procedimento até atingir uma profundidade próxima da sapata do revestimento (o centralizador inferior não deve passar pela sapata) e iniciar a retirada do barrilete fazendo quantos drift checks forem necessários. 8º Alcançada a superfície, encaixar o barrilete no tripé, desacoplar a parte do instrumento que contém a câmera e a unidade angular, visar ao mesmo ponto usado na orientação e ler o drift ocorrido no norte da bússola giroscópica, para ser usado como sendo o drift final no traçado da curva de correção. 9º Retirar o filme, colocá-lo para revelar em câmara escura, proceder à leitura das fotos a cada estação, calcular e traçar a curva de correção do drift. Fazer a correção da direção de cada foto com relação ao drift e a referência de orientação. A operação só será dada como concluída quando for feita a revelação do filme, constatada a boa quali- dade do mesmo e houver coerência nos resultados lidos. ATENÇÃO! Essa é uma operação que deve ser feita com muito cuidado, evitando- se paradas bruscas e choques que venham causar a perda da orientação ou até mesmo danificar irreversivelmente o giroscópio. Somente em casos especiais, tais como inexistência de monel na sonda ou durante a perfuração quando se suspeita de interferência magnética nos registros magnéticos simples, pode-se correr o registro giroscópico múltiplo por dentro da coluna de perfuração. Não deve ser feito pelo interior do revestimento antes de ser cortada a sapata para evitar que o barrilete fique preso. 188 Alta Competência 4.2.22. Acompanhamento da perfuração direcional O acompanhamento direcional consiste em: • Obter registros de inclinação e direção a diferentes profundidades medidas; • Calcular a trajetória do poço; • Plotar nos mapas de acompanhamento, analisar os resultados e tomar decisões a partir destes. a) Cálculos Após cada registro direcional, são calculadas as projeções do poço (profundidade vertical, projeção do afastamento horizontal sobre o plano vertical de projeto, coordenadas no eixo norte-sul e leste- oeste, tendo como origem a boca do poço), possibilitando a sua representação gráfica para posterior análise. Existem vários métodos de cálculos, sendo os mais tradicionais os das médias e o do raio de curvatura. Atualmente está disponível um programa de cálculo, arquivo e acompanhamento de poços direcionais, o SIDIR, que pode ser acessado através de TSO do sistema IBM. da Petrobras. Fora este, outros programas fazem este acompanhamento e previsões para atingir o objetivo. Nos escritórios onde é coordenada a atividade de perfuração direcional, usa-se softwares desenvolvidos internamente. b) Análise dos resultados Da análise gráfica da trajetória do poço, juntamente com os dados dos poços de correlação, serão definidas as modificações a serem efetuadas nos prosseguimentos da perfuração, tais como: • Prosseguir a perfuração sem alteração dos parâmetros e estabilização da coluna de perfuração; 189 Capítulo 4. Perfuração vertical • Alterar os parâmetros de perfuração; • Alterar estabilização da coluna; • Fazer correção da trajetória do poço ferramenta defletora. O ideal é que se perfure o poço sem efetuar correções de trajetória. Ao perceber que o poço vai necessitar de uma intervenção com ferramenta defletora, fazê-la logo que possível (mesmo que a broca seja retirada prematuramente) para evitar uma correção mais forte no futuro, prejudicando as condições mecânicas do poço. Em alguns casos temos de abandonar trecho do poço para fazer a correção em um ponto mais favorável. ATENÇÃO! 4.2.23. Recomendações para projetos de poços direcionais Serão listadas, a seguir, algumas recomendações para projetos de poços direcionais, exploratórios e em desenvolvimento. Dados básicos para poços exploratórios: • Dados relativos a poços exploratórios: seção geológica, pressões esperadas, objetivos, fluidos etc.; • Dados relativos à trajetória direcional: afastamento, profundidade vertical do objetivo, azimute; • Dados relativos ao programa exploratório: testemunhagem, testes, perfilagem etc. 190 Alta Competência Dados básicos para poços de desenvolvimento: • Espaçamento entre os poços; • Seção geológica, tipos de fluidos a serem produzidos, pressões esperadas, contato óleo-água; • Tipo de completação (tubo rasgado, tela, gravel etc.); • Número total de poços, possibilidade de se perfurar e produzir simultaneamente etc. 4.2.24. Recomendações relativas à trajetória A seguir serão descritas algumas recomendações relativas à trajetória de poços direcionais, exploratórios e explotatórios. Poços exploratórios: • Observações gerais: procurar simplificar o projeto reduzindo perfilagens e testes. Procurar perfurar e revestir o poço o mais rápido possível; • Objetivo: tentar maximizar o raio de tolerância; • Perfil da trajetória: simplificar e evitar o uso de trajetória do tipo “S”; • KOP: evitar colocar o KOP em zonas difíceis de se perfurar; • BUR: tentar limitar em 3 graus/100 ft; • Máxima inclinação: tentar não exceder 45 graus. Poços explotatórios (desenvolvimento): • Observações gerais: a trajetória deve levar em conta tipo de 191 Capítulo 4. Perfuração vertical completação e equipamentos a serem descidos; • Objetivo: tentar maximizar o raio de tolerância; • Perfil da trajetória: simplificar sempre que possível. Entretanto, essa simplificação dependerá de vários fatores que incluem posicionamento da cabeça do poço e direção dos objetivos; • BUR: tentar limitar em 3 graus/100 ft, porém valores • Mais altas poderão ser necessários. Algumas vezes operações mais complexas tipo gravel pack exigem que a inclinação do poço junto ao objetivo seja limitada a um certo ângulo. Neste caso, a utilização de trajetória tipo “S” pode ser necessária. ATENÇÃO! Trajetória tipos “S” 192 Alta Competência 4.2.25. Recomendaçõespara aumentar o afastamento No que se refere ao aumento do afastamento, utiliza-se um condutor inclinado. Este equipamento é utilizado para poços offshore com objetivos rasos (400 a 2 000 metros de profundidade) e lâminas d’água pequena (30 a 50 metros). Neste método o condutor é inclinado (30 graus) através de uma sonda inclinada (slant rig). O KOP, portanto, é posicionado em um trecho já inclinado, permitindo um aumento substancial do afastamento do poço. Condutor inclinado Neste método o condutor é curvado atingindo um ângulo de 20 graus no fundo do mar e 30 graus na sapata. Sonda e cabeça utilizadas são convencionais. A experiência tem mostrado que as dificuldades de cravação deste condutor são semelhantes à de um condutor reto. C ap ít u lo 5 Outras tecnologias baseadas na perfuração direcional 194 Alta Competência Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 195 5. Outras tecnologias baseadas na perfuração direcional 5.1. Poços horizontais Esta é uma técnica antiga (1929), mas que tem tido um grande desenvolvimento recente, depois do desenvolvimento de conjuntos orientáveis (steerable systems) de motores de fundo com deflexão no corpo (steerable motors w / bent housings). Tem uma aplicação muito grande na perfuração de calcários fraturados verticalmente (Ex.: austin chaulk), em zonas produtoras de pequena espessura ou de baixa permeabilidade com o intuito de aumentar a área exposta à produção, para evitar a formação de cones de água e algumas outras aplicações. Sua vantagem é ter uma maior área exposta no reservatório. Tipos de poços horizontais 196 Alta Competência Pontos importantes a serem considerados na perfuração de poços horizontais: • Imprescindível uso de motor de fundo / LWD / MWD; • Utilizar brocas com lug pads / proteção de calibre; • Cuidado no dimensionamento do BHA; • Formação de leito de cascalhos; • Back reaming nas manobras; • Perfuração de poço piloto (pode ser direcional ou vertical); • Não é possível perfilar a cabo. Projeto KOP raso Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 197 Projeto KOP profundo O poço piloto serve para determinar profundidade do topo e da base do reservatório para permitir que o poço horizontal seja perfurado dentro do mesmo. Entretanto, não existe a garantia de que mais adiante o reservatório esteja na mesma profundidade do que a do poço piloto. Após a perfilagem, o poço piloto é abandonado com tampão de cimento e é feito o sidetrack para a perfuração do poço horizontal. 5.2. Poços multilaterais Um poço multilateral é um poço principal com um ou mais poços secundários ramificados a partir deste poço principal. Ele pode ser um poço exploratório, de desenvolvimento ou de reentrada. Das centenas de poços multilaterais perfurados até hoje, a maioria tem sido simplesmente de poços abertos na rocha reservatório (sem revestimento). Muitos têm sido realizados com o intuito de reentrar em poços ou aumentar a produção em poços depletados. Mas um número cada vez maior representa novas tentativas de maximizar a drenagem de reservatórios. 198 Alta Competência A perfuração, completação e posterior reentrada em poços multilaterais com o intuito de aumentar a produção – ao mesmo tempo em que se reduz o tempo e o dinheiro despendido, está se tornando cada vez mais comum. Porém complicações ainda persistem, bem como os riscos e possibilidades de falha. Na perfuração multilateral têm sido aplicadas as tecnologias existentes, com o auxílio de adaptações. No entanto novas abordagens estão sendo desenvolvidas para superar dificuldades técnicas, estabelecendo padrões e um vocabulário especializado para esse tipo de poço e suas aplicações. Lateral drilling Poço multilateral Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 199 Basicamente este tipo de técnica de perfuração começou a ser utilizada em 1953, quando um único poço foi perfurado com motor de fundo na antiga União Soviética. Este poço tinha 9 saídas laterais através do poço principal, que aumentava a área exposta na região de interesse em 5 vezes e meia, e a produção em 17 vezes, embora o custo tenha aumentado apenas uma vez em relação ao poço convencional. Este foi o primeiro poço verdadeiramente multilateral perfurado no mundo, embora outras tentativas tenham sido feitas desde a década de 30. Após este, 810 poços foram perfurados na União Soviética nos 27 anos seguintes. No Ocidente a primeira tentativa foi feita em um campo no Novo México em 1980, pois as operadoras evitavam este tipo de poço devido às dificuldades técnicas e ao grande risco envolvido. Independente do nível de complexidade, poços multilaterais são atualmente perfurados com as tecnologias direcionais existentes. Apesar disto, a perfuração de poços multilaterais envolve certo riscos, principalmente devido à instabilidade das paredes, à questão da descida do revestimento e problemas relacionados com zonas de elevada pressão, bem como problemas de cimentação e ramificação. Outro fator de preocupação é o alto risco de danificar as formações durante a perfuração e/ou completação e a dificuldade de localizar e permanecer na zona de interesse enquanto perfurando poços laterais. A perfuração de poços multilaterais aumentou 50% nos últimos 5 anos. Este rápido crescimento pode ser atribuído à percepção de que as vantagens têm superado as dificuldades associadas a este tipo de poço. O posicionamento correto é fundamental na tecnologia multilateral. A determinação da melhor trajetória dependerá das propriedades do reservatório, das tensões das rochas e da geometria das zonas a serem produzidas. A produtividade poderá ser substancialmente aumentada se as laterais forem orientadas perpendicularmente a regiões naturalmente fraturadas, por exemplo. Por outro lado a 200 Alta Competência produção poderá diminuir drasticamente por gradientes de pressão associados a fluxos convergentes nas formações. É mais recomendável que a perfuração e a completação sejam feitas a partir dos poços laterais situados a maiores profundidades, ou seja, no sentido ascendente. Esta prática isola os riscos nos pontos mais profundos e garante que eventuais problemas não prejudicarão os poros a serem perfurados acima. 5.2.1. Por que poços multilaterais Por muitos anos, devido à pequena quantidade de poços multilaterias perfurados com sucesso, as operadoras tinham receio de adotar este tipo de perfuração; não havia dados suficientes que indicassem ser o poço multilateral o mais apropriado. A crescente conscientização sobre a heterogeneidade dos reservatórios como, por exemplo, permeabilidades vertical e horizontal diferentes, acelerou o desenvolvimento do multilateral. À medida que esta técnica se consolida, as vantagens deste tipo de poço começam a se tornar mais evidentes. A possibilidade de explorar um reservatório a partir de um único ponto na superfície e com aproveitamento e uma instalação única é muito atraente sob o aspecto econômico. A perfuração multilateral aumenta apreciavelmente a produtividade. A produção de reservatórios isolados pode ser feita através de uma coluna única ou separadamente, utilizando-se colunas de produção múltiplas. A perfuração multilateral é especificamente indicada nos seguintes casos: a) Pequenos reservatórios isolados; b) Reservatórios com óleo acima dos canhoneados já existentes; c) Reservatórios empilhados comunicados por regiões de baixa permeabilidade vertical; d) Reservatórios com fraturas naturais e/ou alta permeabilidade em uma única direção; Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 201 e) Necessidade de injeção de água; f) Na perfuração offshore há problemas de espaço disponível na plataforma para chegada de um novo poço. Para convencer as operadoras de que esta tecnologia é viável, deve- se provar que o aumento das reservas e/ou a aceleração da produção irão superaro investimento em equipamentos e tempo de sonda. O questionamento sobre a viabilidade econômica da perfuração multilateral limitou essa tecnologia aos casos em que ela era a única forma de viabilizar a produção do campo. Por exemplo, formações areníticas no Colorado e Venezuela, que devido a características geomorfológicas, somente seriam econômicas utilizando-se a técnica multilateral. Também podem ser citados os arenitos lenticulares no oeste da África, onde um poço horizontal foi perfurado em uma formação mais competente acima do objetivo. Outra aplicação é a perfuração de ramificações em sentidos opostos para interceptar grupos de fraturas. Essas aplicações têm uma configuração de reservatório ideal para poços multilaterais. Para essa definição, é fundamental a completa caracterização do reservatório. A tecnologia de poços laterais oferece maior área exposta ao fluxo, reduz o risco de incerteza econômica e o número de poços necessários para drenar um reservatório, além de acelerar a produção. No caso de formações anisotrópicas em que tenha havido erro na determinação da direção ideal do poço, é possível aumentar a produção por meio dessa técnica. Com isso aumenta-se o valor presente líquido em comparação com os poços horizontais simples. Os poços multilaterais aumentam a fração recuperada em 20 a 30% quando comparados a poços horizontais, principalmente devido à maior exposição ao fluxo. 202 Alta Competência Nesse tipo de perfuração se reduz a quantidade requerida de slots para se atingir os objetivos de reservatórios, bem como as dimensões e o custo das plataformas e equipamentos submarinos. O uso comum da parte superior do poço contribui para reduzir os custos de descarte de fluido de perfuração e os cascalhos são gerados em menor quantidade, reduzindo-se além disso os custos de revestimentos de superfície e intermediário. Os custos de desenvolvimento são menores devido à redução do número de poços necessários à drenagem do reservatório. Com isso, a eficiência de varrido, principalmente em projetos EOR, aumenta. Mas a maior justificativa parece ser o aumento na produtividade. Apesar dos poços multilaterais muitas vezes serem viáveis economicamente, é necessário analisar o seu desempenho em termos de produção e comportamento de reservatórios. Atualmente estão sendo realizados estudos para se avaliar o desempenho dos poços multilaterais perfurados, em relação aos poços horizontais. Além disso estão sendo desenvolvidos modelos de previsão do comportamento dos reservatórios drenados com esse tipo de tecnologia. Tecnicamente os poços multilaterais permitem uma drenagem mais rápida e eficiente dos reservatórios, possibilitando ainda a diminuição dos cones de gás e água. O aumento da fração recuperada muitas vezes elimina a necessidade de perfuração ou adaptação de poços para a recuperação secundária. Outra vantagem é a obtenção de maiores informações sobre o reservatório, as quais permitirão um planejamento mais eficiente para a exploração do mesmo. 5.2.2. Níveis de complexidade Para unificar a nomenclatura e a classificação, decidiu-se classificar os poços multilaterais em níveis no que concerne à conectividade, isolamento e acesso. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 203 A seguir é apresentada a classificação de poços multilaterais de acordo com a TAML (Technology Advancement Of Multilaterals Group): a) Nível 1 A junta de nível 1 consiste essencialmente no poço principal e lateral sem revestimento, possuindo limitações no acesso lateral e no controle da produção. • Poço principal e lateral abertos. • Não há isolamento hidráulico nem integridade mecânica na junção. • Não há garantia de acesso a cada um dos poços. Poço multilateral Nível 1 b) Nível 2 No nível 2 o poço principal é revestido e cimentado, porém os laterais permanecem a poço aberto ou com um liner, sem cimentação ou conexão mecânica, cujo objetivo é promover acesso integral aos laterais aumentando as possibilidades de reentrada. 204 Alta Competência Este nível requer a abertura de uma janela no revestimento do poço principal, embora sejam utilizados com frequência revestimentos com janelas pré-abertas. A abertura dos poços laterais é geralmente feita com o auxílio de whipstock. • Poço principal revestido e cimentado e lateral aberto. • Não há isolamento hidráulico nem integridade mecânica na junção. • Não há garantia de acesso a cada um dos poços. Poço multilateral Nível 2 c) Nível 3 No nível 3 têm-se tanto conectividade quanto acesso. O poço principal e os laterais são revestidos, porém só o poço principal é cimentado. Os liners dos poços laterais são ancorados no poço principal com o auxílio de linear hangers ou outros dispositivos de ancoragem. Não se garante a integridade hidráulica na junção, porém o acesso é garantido. Este nível garante conexões efetivas durante toda a vida do poço, sendo especialmente recomendado para utilização em formações instáveis. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 205 • Poço principal revestido e cimentado, e lateral revestido mas não cimentado. • Não há isolamento hidráulico na junção, mas há integridade mecânica. • Há garantia de acesso somente ao poço lateral. Poço multilateral Nível 3 d) Nível 4 Os poços nível 4 possuem tanto o poço principal quanto os laterais revestidos e cimentados na junção, o que garante a integridade mecânica, porém não a hidráulica. O liner lateral é cimentado no revestimento principal. Não há selos de pressão na interface da junção entre o revestimento principal e o liner lateral. • Tanto o poço principal quanto o lateral são revestidos e cimentados. • Não há isolamento hidráulico na junção (cimento não é considerado isolamento hidráulico), mas há integridade mecânica. • Há garantia de acesso a cada um dos poços. 206 Alta Competência Poço multilateral Nível 4 e) Nível 5 Os poços nível 5 possuem conexão igual ao dos tipos 3 e 4, contando ainda com a utilização de equipamentos adicionais de completação para garantir um selo de pressão na junção entre o revestimento principal e o liner lateral. O poço principal é totalmente revestido e a junção é isolada hidraulicamente, com o emprego de equipamentos auxiliares como packers, luvas e outros dispositivos. • Tanto o poço principal quanto o lateral são revestidos e cimentados. • Há integridade mecânica na junção, e o isolamento hidráulico é obtido através da coluna de produção. • Há garantia de acesso a cada um dos poços. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 207 Poço multilateral Nível 5 Configuração para o Nível 5 f) Nível 6 Nos poços de nível, 6 utiliza-se um selo hidráulico integral na junção liner – revestimento principal. 208 Alta Competência • Não há abertura de janela no revestimento do poço principal para a perfuração do lateral, eliminando assim a geração de detritos que pode ocasionar problemas. • O revestimento do poço principal é cimentado e tem uma espécie de “y” na sua extremidade e, em cada perna deste “y” é perfurado um poço. • O “y” é descido achatado e, para sua expansão, é preciso descer uma ferramenta especial. • O poço tem de ser alargado previamente à descida do “y”. • Fornece integridade mecânica na junção, e o isolamento hidráulico é fornecido pelo próprio revestimento. • Há garantia de acesso a cada um dos poços. Poço multilateral Nível 6 Nível 6S • O revestimento de 20” é descido com um downhole splitter na sua extremidade que permite a ancoragem de 2 liners de 9 5/8”. • É preciso um tubing hanger que receba as duas colunas de produção. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 209 Poço multilateral Nível 6S 5.2.3. Sequência da instalação da junção em um poço de nível 5 Após a completação do poço principal, conecta-se ao obturador de sacrifício um conjunto composto do obturador multilateral, coletor dedetritos e disco de vidro. a) Assentamento do obturador multilateral O obturador multilateral tem a função de prover orientação permanente e ponto de ancoragem para as operações multilaterais que permitam a abertura e acesso ao poço lateral. Sendo assim, a determinação precisa da profundidade de assentamento deste obturador é de fundamental importância. O coletor de detritos será instalado abaixo do obturador multilateral em um sub de ancoragem que será usado em conjunto com o obturador multilateral para recolher os detritos mais pesados que não sejam circulados para fora do poço durante as futuras operações de corte necessárias à construção da junção. O disco de vidro será utilizado para prover o completo isolamento do poço principal durante as operações no poço lateral e também para ser uma barreira aos detritos que não forem recolhidos pelo coletor. 210 Alta Competência Este conjunto será descido no poço com coluna de trabalho e o obturador será assentado com a conjunção dos esforços de tração e pressão interna à coluna. O obturador será testado com pressão no anular e a ferramenta de assentamento será liberada com rotação à direita e retirada do poço. b) Abertura da janela Com o objetivo de direcionar a janela conforme definido no projeto do direcional, primeiro obteremos uma leitura da orientação do perfil do obturador multilateral, nesta oportunidade já instalado no poço. Como a âncora possui um perfil complementar ao perfil do obturador, e a mesma é a parte inferior do conjunto ferramenta de desvio (whipstock) a ser descido no poço, ainda na superfície será feito o direcionamento relativo entre a âncora e a face do whipstock e o travamento das partes. Também fazem parte do conjunto ferramenta de desvio dois “subs” de exclusão, um “sub” equalizador, um “sub” de controle e uma junta de separação de emergência. Todos instalados entre a âncora e o whipstock, e a broca inicial, que é pinada na parte superior do whipstock. Acima da broca inicial serão descidos comandos e acima desses, um “sub” de orientação. Este “sub” de orientação é utilizado para se conferir à direção que a face do whipstock tomará após o assentamento da âncora Confirmando-se a orientação da face do whipstock, o pino de ligação entre o whipstock e a broca inicial é cisalhado com peso, liberando a broca para iniciar o ataque ao revestimento. Estima-se que serão necessários 45 minutos de operação com a broca para se abrir o furo inicial no revestimento. A broca inicial então será retirada do poço e em seguida será descido o conjunto da broca para abertura da janela, com o tempo estimado de operação de aproximadamente 4 horas. Da mesma forma, a broca para abertura da janela será substituída por um conjunto com função de alargar e trabalhar as bordas da janela. Estima-se um tempo de 2 horas de operação. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 211 c) Construção do poço lateral Na sequência, deverá ser perfurado o build-up do poço lateral, revestido com liner e cimentado até o poço principal. O liner terá todas as características básicas de um liner convencional. Características adicionais serão necessárias a fim de garantir o sucesso de operações posteriores; neste caso, alguns equipamento serão diferentes dos normalmente utilizados. A camisa de assentamento será mais curta e, assim como as três primeiras juntas de liner, terá conexão integral. A finalidade desta mudança é reduzir o volume de material a ser cortado e garantir que dentro do revestimento ficará um pedaço do liner que não apresentará maiores dificuldades para ser encamisado durante a operação de lavagem. Uma boa cimentação no intervalo do trecho principal e nos primeiros metros do poço lateral tem o objetivo de garantir uma adequada evolução do corte do liner, que fica dentro do poço principal. É necessário que o cimento tenha alta resistência ao impacto, com a finalidade de minimizar os efeitos das vibrações do liner, decorrentes desta operação de corte. É importante recordar que a qualidade da cimentação não tem a finalidade de assegurar a vedação da junção, dado que o nível (isolamento hidráulico da junção) é obtido através de equipamentos de completação. Após esta operação, perfura-se a seção horizontal e completa-se o poço com telas para a retenção de areia e um obturador de sacrifício. Este último obturador será utilizado com a finalidade de isolar a área sujeita a corrosão galvânica. d) Construção da junção Dando continuidade às operações será descido um conjunto para o corte da parte superior do liner cimentado dentro do revestimento, assegurando que serão deixados no poço somente 1,5 metros de liner dentro do revestimento. 212 Alta Competência Isto porque na operação seguinte será feito o encamisamento (washover) do pedaço remanescente de liner e do conjunto ferramenta de desvio (whipstock), até a altura do “sub” de controle. Neste ponto ocorrerá o travamento da ferramenta de lavagem com a seção lavada, possibilitando a recuperação de todo o conjunto instalado acima do obturador multilateral. A seguir será descida uma cesta reversa cuja finalidade será a de limpar todo o interior do obturador multilateral do poço principal, garantindo assim a instalação subsequente do desviador guia no obturador multilateral, que terá a função de possibilitar o acesso de uma nova ferramenta de limpeza no poço lateral. Com a retirada do desviador guia do poço, será possível proceder com a retirada também do coletor de detritos do poço principal. Desta forma, a limpeza de ambos os poços estará assegurada. Com a retirada do coletor de detritos, o poço receberá a instalação do conjunto scoophead-diverter no obturador multilateral, sob o qual será assentada a SRT (Selective Re-entry Tool). A SRT foi projetada para permitir a reentrada dentro de cada braço do poço multilateral. Juntamente com o conjunto scoophead-diverter e o conjunto de selos do obturador lateral, este sistema proverá o isolamento hidráulico da junção. É a SRT que age como o ponto de mudança da completação simples acima deste ponto até a superfície e a completação dupla abaixo da mesma. Um obturador de produção será instalado acima da SRT para gerar o ponto de ancoragem da completação superior. A rampa direcionadora, que pode ser descida a cabo ou tubo flexível, será assentada na SRT. Esta rampa é que irá direcionar o cabo ou o tubo flexível para o poço principal ou lateral durante as operações de intervenção sem retirada da coluna. Desta forma estará concluída a construção da junção. 5.2.4. Aspectos de controle de poço Para poços multilaterais, métodos de controle de kicks requerem algumas precauções e medidas adicionais quando comparadas com os métodos de controle usados em poços convencionais. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 213 Tolerância ao kick é um importante critério na definição da profundidade de assentamento das sapatas de revestimento durante o planejamento do poço e um importante parâmetro a ser monitorado durante a perfuração. O critério tradicionalmente adotado no controle e prevenção de kicks é o influxo máximo que permitirá o fechamento do poço sem que ocorra a fratura no ponto mais fraco (usualmente próximo à sapata do último revestimento descido). Nos poços multilaterais, se o isolamento hidráulico na junção for garantido, o método poderá ser aplicado a cada um dos poços a serem perfurados. Caso o isolamento não seja garantido, a máxima pressão no anular (medida na superfície) deve ser calculada, tendo como referência a formação mais fraca encontrada nos poços. Outra particularidade que deve ser considerada é a possibilidade dos influxos serem provenientes de diversos poços (inclusive os poços estáticos já perfurados). a) Prevenção de kicks Basicamente todas as técnicas utilizadas na perfuração de poços convencionais podem ser empregadas. Entretanto, deve-se estaratento para o fato de a perfuração multilateral frequentemene ser realizada com ângulos elevados e ser do tipo delgada, o que implica nas seguintes características: O potencial para influxo pode ser elevado se for considerada uma seção inclinada e longa em regiões de hidrocarboneto. A densidade equivalente de circulação é relativamente alta nos poços laterais, devido ao ângulo elevado e pequeno diâmetro. Quando a circulação for interrompida, a queda de pressão no fundo será acentuada. Por este motivo é importante a realização de flow check nestas ocasiões. Quando a coluna é retirada da lateral o efeito de pistoneio pode ser apreciável, devido ao diâmetro reduzido, por esta razão, a reologia do fluido de perfuração deve ser ajustada cuidadosamente antes da retirada da coluna, que deve ser efetuada com velocidade controlada. 214 Alta Competência b) Detecção de kicks Como no caso de poços convencionais, os indícios mais importantes são aumento de vazão de retorno e o aumento de volume de lama nos tanques. Nos poços multilaterais deve-se ter cuidado redobrado se existir uma tendência de perda de circulação em qualquer um dos poços, pois poderá ocorrer um influxo simultâneo em outro poço e o kick não será facilmente reconhecido. Neste caso deve ser efetuado um controle contínuo e rigoroso das taxas de perda de circulação, procedendo-se uma pronta investigação, caso haja mudança nas tendências monitoradas. Caso um kick seja detectado é importante definir se o mesmo é proveniente do poço sendo perfurado; em muitos casos isto pode ser feito com base nas circunstâncias e no conhecimento das características do reservatório. Outros sinais podem indicar que o influxo é proveniente do poço sendo perfurado, dentre os quais se destacam: • Aumento simultâneo na taxa de penetração; • A pressão no choke (SICP) é maior do que a dos drill pipes (SIDPP), quando o poço sendo perfurado é inclinado (válido somente quando o kick está abaixo da junção); • Alguns sinais podem indicar que o kick é proveniente do poço estático (considerando-se o influxo abaixo da junção); • SIDPP é igual ou próximo a SICP (quando o poço sendo perfurado não é horizontal); • Tanto SICP quanto SIDPP crescem durante a migração do gás, até que o mesmo atinja a região de junção. c) Procedimentos de fechamento de poço Como os poços multilaterais frequentemente têm ângulos elevados ou são horizontais, algumas questões devem ser ressaltadas: Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 215 • Deve ser adotado o fechamento rápido para minimizar o volume do kick; • A pressão no choke (SICP) será próxima ou igual à pressão no bengala (SIDPP), caso o influxo ocorra em uma seção com ângulo elevado ou horizontal. Tal comportamento é decorrente da pequena ou praticamente inexistente redução na pressão hidrostática do anular provocada pelo kick; • Pressões de fechamento (SIDPP e SICP) iguais a zero não significa que ausência de kick. Em conjunto com o aumento de lama nos tanques, pode indicar que o influxo ainda está na parte horizontal do poço; • O método convencional para determinar o tipo de fluido do influxo (através da estimativa de sua densidade) não deve ser aplicado caso o kick seja oriundo de uma seção com forte inclinação ou horizontal. No entanto um influxo de gás pode ser reconhecido pelo aumento contínuo da pressão no revestimento provocado pela expansão do gás quando o mesmo estiver acima da seção horizontal; • Durante o período de fechamento do poço, a taxa de migração do gás não deve ser calculada com base no aumento de SICP, pois a mesma poderá ser subestimada; • O gás não migrará caso o ângulo seja igual ou maior do que 90°. d) Procedimento de controle de kicks A escolha do método de combate ao kick é similar à realizada para poços convencionais. Uma diferença fundamental é que se deve levar em conta os efeitos da pressão sobre o poço estático durante as operações de fechamento do poço. No caso de perfuração de poços multilaterais, se o influxo for proveniente do poço estático (sem coluna de perfuração) não será possível realizar a troca de lama entre a junção e o ponto onde ocorreu 216 Alta Competência o influxo. Como conseqüência, existirá uma pressão remanescente na superfície após o amortecimento. Neste caso devem ser realizadas operações não convencionais (como bull-heading por exemplo) ou a coluna de perfuração deve ser deslocada até o poço estático para realizar a circulação e matar o poço. Uma alternativa mais simples é trocar a lama para uma de peso maior do que teria uma nova lama no método convencional. Após o término da circulação, a pressão na superfície deve retornar a zero, o que permitirá a inserção da coluna no poço estático. O procedimento envolve as seguintes etapas: • Calcular a massa específica da primeira lama (e as pressões de bomba adequadas); • Fazer a circulação até que esta lama retorne à superfície, ocasião em que as pressões SICP e SIDPP deverão ser zero; • Retirar a coluna do poço que está sendo perfurado e inseri- la cuidadosamente no poço onde ocorreu o influxo. À medida que a coluna for sendo inserida, este influxo passará pela broca gerando pressões na superfície. Deste modo as pressões na superfície deverão ser monitoradas e o poço fechado e circulado caso este aumento ocorra. Uma vez que o influxo acima da broca tenha sido circulado, o BOP pode ser aberto novamente e a inserção da coluna deve continuar. Este procedimento pode ser repetido diversas vezes até que a broca atinja o fundo do poço; • Quando a coluna atingir o fundo do poço onde ocorreu o kick, o poço deve ser fechado e deve ser feita a circulação para trocar a lama por uma de menor peso específico; • Voltar a coluna para o poço ativo e circular para trocar a lama para uma lama de menor peso específico (com adição de uma margem de segurança). • Como nas operações descritas anteriormente, os poços ficam sujeitos a pressões elevadas e deve ser feita uma checagem Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 217 quanto aos eventuais riscos de fratura das formações. Caso seja necessário, a massa específica da primeira lama deve ser reduzida para o valor mínimo de segurança e haverá pressões remanescentes na superfície, quando do retorno da lama. Neste caso, deverão ser utilizadas técnicas especiais para completar o controle do kick. IMPORTANTE! Em alguns poços multilaterais, o revestimento tem uma janela pré-usinada para facilitar a posterior abertura lateral. Esta junta, por ter uma menor resistência, é um ponto fraco a ser considerado em um eventual kick durante a descida do revestimento. A resistência ao colapso desta junta será um parâmetro utilizado no cálculo do influxo máximo a ser admitido, que ainda permitirá o fechamento seguro do poço. Kick em poço ativo 218 Alta Competência Kick em poço estático 5.2.5. Utilização dessa tecnologia no Brasil A perfuração de poços multilaterais, no Brasil, ainda não se encontra tão difundida quanto em outras regiões produtoras. Na Petrobras têm sido efetuados esforços no sentido de se aplicar essa tecnologia, identificando-se poços que possam ser substituídos por poços multilaterais que efetivamente, além de servir de sítio de aprendizagem, produzam dentro de condições técnico-econômicas aceitáveis. As primeiras tentativas no sentido de utilizar essa técnica foram realizadas em 1998, em um poço injetor de água no campo de Voador e em um poço produtor no campo de Bonito. A experiência no campo de Voador, localizado na Bacia de Campos, foi pioneira em sonda flutuante com lâmina d’água profunda (563 m). O poço multilateral planejado, de junção nível 5, foi perfurado como alternativa à execução de poços horizontais. O campo de Bonito, localizado na Bacia de Campos e com lâmina d’água em torno de 200 m, possui baixa permeabilidade associada a outras heterogeneidades, resultando em baixofator de recuperação. Um estudo realizado evidenciou uma possibilidade de reentrada em Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 219 um poço já existente, em substituição a dois poços horizontais que seriam perfurados para exploração do campo. As juntas realizadas são classificadas como nível 4. Além dessas experiências: Campo de Congro (nível 5 – exploratório/98); Campo de Barracuda (nível 5 – injetor/99); Campo de Albacora (nível 5 –produtor/99); Campo de Xaréu (produtor/99). 5.3. Poços ERW O poço de longo alcance (ERW - Extended Reach Well) tem como característica um grande afastamento entre a locação da sonda e o alvo. Normalmente um poço é considerado ERW quando a relação entre o afastamento e a profundidade vertical final é maior do que 2. Poço ERW A figura a seguir mostra o esquema de dois poços, um localizado em águas rasas e outro em água profunda. Em geral, o KOP de um poço direcional deve ser estrategicamente colocado o mais perto da superfície ou do fundo do mar para reduzir a inclinação do poço, minimizando problemas de estabilidade e limpeza do poço. Desde que as formações rasas de poços de água profunda são basicamente 220 Alta Competência compostas de sedimentos fracos e inconsolidados, o posicionamento do KOP será mais profundo com relação ao fundo do mar para poços posicionados em águas mais profundas. Poços em águas rasas e em água profunda Outra característica encontrada em muitos reservatórios da Bacia de Campos está relacionada à suas profundidades que variam pouco com a profundidade de água. Essa característica particular da Bacia de Campos, juntamente com o que foi discutido anteriormente, significa que a inclinação do poço crescerá com aumento da lâmina de água. 5.3.1. Fatores que afetam a perfuração direcional em poços ERW Dentre os principais fatores que afetam a perfuração direcional em poços ERW, citamos: • Gradiente de pressão de poros versus gradiente de fratura; • Gradiente de colapse versus gradiente de fratura; • Limpeza do poço (hidráulica de perfuração); • ECD versus gradiente de fratura; • Torque, drag e buckling. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 221 Neste estudo, focaremos apenas no gradiente de pressão de poros versus gradiente de fratura e ECD versus gradiente de fratura. a) Gradiente de pressão de poros versus gradiente de fratura Desde que a densidade da água seja bem menor do que a densidade das rochas, é simples entender que o gradiente de sobrecarga diminui com o aumento da profundidade de água. Neste caso, é razoável assumir que o gradiente de fratura diminuirá com o aumento da profundidade de água e se moverá na direção do gradiente de poros, reduzindo a janela operacional formada por esses gradientes. Essa pequena tolerância entre esses dois gradientes é um sério limitante para perfuração direcional em águas profundas. Gradiente de pressão de poros versus gradiente de fratura b) ECD versus gradiente de fratura As perdas de carga que ocorrem no espaço anular, expresso por um peso de lama equivalente (ECD), podem ser um limitante para perfuração direcional offshore. Note que o ECD aumenta com a profundidade medida, enquanto o gradiente de fratura aumenta com a profundidade vertical. Assim, para poços com grandes afastamentos e em reservatórios rasos, o ECD pode se aproximar do gradiente, tornando-se dessa forma um limitante para o poço. 222 Alta Competência ECD versus gradiente de fratura 5.4. Slim-hole ou microperfuração O termo “perfuração de poços delgados” (slim-hole drilling) pode adquirir significados diferentes dependendo do tipo de atividade realizada. Algumas companhias de petróleo usam a expressão poços delgados quando estão projetando poços com um número reduzido de revestimentos. Com isto, elimina-se a necessidade de utilização de um segundo conjunto de BOP, reduz-se o volume de rocha (cascalhos) perfurada e necessita-se de uma quantidade menor de fluido de perfuração e cimento. Outras definições para poços delgados incluem poços com pequenos diâmetros ao final da perfuração de poços convencionais. Isto pode acontecer como resultado de problemas operacionais, os quais necessitam de um conjunto extra de revestimentos; ou na reentrada em poços que serão perfurados lateralmente (frequentemente, poços horizontais). A perfuração de poços delgados tem sido desenvolvida por companhias de petróleo que estão a procura de obter, predominantemente, redução de custos na perfuração. Os usuários do método de perfuração de poços delgados esperam conseguir uma economia em torno de 40% a 60% na perfuração exploratória. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 223 Como exemplo da economia que pode ser obtida na perfuração de poços delgados, podemos citar a companhia sueca Olijeprospektering que perfurou 93 poços delgados. Estes poços tinham o diâmetro de aproximadamente 2 ½” e registraram uma economia de 75% em relação aos métodos convencionais de perfuração. Esta economia se deve, principalmente, ao menor tempo para preparar a locação do poço, movimentação mais fácil de equipamento, redução da quantidade de consumíveis, menor quantidade de rejeitos e equipamentos menores. A economia obtida como resultado da redução de consumíveis, tais como brocas, fluido de perfuração, cimento e óleo combustível também podem ser significantes. O volume do anular de um poço delgado pode ser da ordem de 6 bbl por 1 000 pés (3 litros/metro), o qual é um volume bem menor do que aqueles existentes na perfuração convencional. A perfuração de poços delgados se adapta muito bem em locações que necessitem de um baixo impacto ambiental. As sondas de perfuração de poços delgados são ideais para perfuração em áreas remotas pois necessitam de uma menor movimentação de materiais e equipamentos. 5.4.1. Tipos de perfuração delgada Atualmente, existem basicamente duas categorias distintas de perfuração de poços delgados, cada qual com suas particularidades. Na primeira categoria estão os poços que são perfurados usando brocas pequenas. Estes poços podem ter diâmetros variando de 4 ½” a 6”, sendo que ambos os diâmetros podem ser usados tanto em poços de exploração quanto em poços de produção. A sonda usada neste tipo de perfuração é uma versão reduzida de uma sonda convencional. Na segunda categoria de poços delgados estão os poços perfurados no sistema de testemunhagem contínua, o qual é muito utilizado na indústria de mineração. Poços perfurados desta forma são quase que exclusivamente utilizados em exploração, e o diâmetro do poço pode chegar a 3”. 224 Alta Competência Os poços perfurados na primeira categoria utilizam uma sonda em tamanho reduzido de uma sonda convencional. Algumas diferenças em relação à perfuração convencional podem ser citados, como por exemplo, o tubo de perfuração utilizado em poços delgados tem comprimento variando de 1 a 6 metros (no método convencional os tubos tem 9 metros) e possuem externamente conexões planas, as quais reduzem o arraste, principalmente em poços desviados. A redução do peso dos tubos de perfuração utilizados em poços delgados pode diminuir a abrasão na parede do poço, mas pode também fazer com que o tubo de perfuração tenha sua resistência mecânica diminuída (comparando com o similar usado no método convencional). A flambagem de tubos de pequeno diâmetro é parcialmente reduzida pela utilização de suportes apoiados na parede do poço. O conjunto de fundo (BHA) é muito sensível ao peso sobre broca, tanto que a broca pode ser danificada. Isto pode ser um problema quando se está perfurando de uma plataforma flutuante, onde o heave pode fazer variar o peso sobre a broca. Por causa disso, os compesadores de movimento e os absorvedores de choque dos BHA requerem uma atenção especial. Na perfuração de poços delgados, as ferramentas com cortadores fixos são geralmente preferidas por que podem suportaraltas velocidades de rotação (até 1 000 rpm comparada com o máximo de 200 rpm usada no método convencional). A segunda técnica de perfuração de poços delgados, testemunhagem contínua, apresenta um grande potencial para obtenção de informação geológica a partir de testemunhos. Na indústria de mineração esta técnica é aplicada para verificar se uma descoberta contém minerais em escala suficiente para justificar sua mineração. Em meados da década de 50, a testemunhagem contínua começou a ser adaptada para a indústria do petróleo. A testemunhagem contínua difere da testemunhagem convencional nos campos de petróleo. O testemunho passa através da coroa/arranha da ferramenta de testemunhagem para dentro de um barrilete de aproximadamente 27 metros de comprimento. Uma vez que o barrilete esteja cheio, Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 225 uma ferramenta a cabo (wireline) é lançada da superfície através dos tubos de perfuração. A ferramenta se conecta com o barrilete, o qual é então puxado através dos tubos até a superfície. Outro barrilete é descido por dentro do tubo. Embora o testemunho gere uma grande quantidade de informações litológicas, a perfilagem a cabo também pode ser realizada. Mesmo com os pequenos diâmetros do poço, algumas ferramentas de perfilagem desenvolvidas para a indústria da mineração podem ser utilizadas em serviços em poços delgados. 5.4.2. Algumas considerações gerais O pequeno diâmetro do poço também pode reduzir a utilização da tecnologia de MWD (Measurement While Drilling). Atualmente já existem ferramentas de MWD, com diâmetro externo de 2”, e mais recentemente com diâmetro de 1 ¼”. A chave para o desenvolvimento da área de perfuração de poços delgados está no fluido de perfuração. Poços delgados geralmente têm uma folga no anular de ½”, muito pequena quando comparada com a folga de 1 ½” a 9” em poços convencionais. Por causa do pequeno espaço anular, altas velocidades do fluido de perfuração são desenvolvidas no espaço anular, mesmo para baixas velocidades da bomba. Devido a esse fato, necessita-se da utilização de aditivos que ajustem a viscosidade do fluido para que as perdas de cargas sejam as menores possíveis. Outra consideração a se fazer está relacionada com a rotação do conjunto. Quando um pequeno diâmetro de tubo é girado a 1 000 rpm, ele age como uma centrífuga, fazendo com que os sólidos fiquem aderidos à superfície interna do tubo de perfuração. A camada de sólidos cresce gradualmente e impede o fluxo do fluído de perfuração. Uma solução recente para o problema da deposição de sólidos é a utilização de polímeros catiônicos altamente inibidos. Na perfuração de poços delgados, o controle do peso de lama é fundamental para a prevenção de kicks. Estudos mostram que 2 bbl de fluido invadindo o poço durante um kick podem ocupar 114 226 Alta Competência metros de comprimento em um poço delgado, enquanto que o mesmo volume ocuparia apenas 12 metros em poço convencional. Assim, apenas uma pequena quantidade de fluido é necessária para causar altas pressões no poço. Este fato torna muito difícil a sua detecção e também o tempo de reação fica muito reduzido. Na perfuração de poços delgados, o aumento no nível de fluido nos tanques pode ser muito pequeno, mesmo para o detector mais sensível. Assim uma nova tecnologia é necessária para aumentar a acurácia da detecção. Por exemplo, medidores de fluxo eletromagnéticos têm sido aplicados com a finalidade de detectar kicks. Um medidor acústico de fluxo também já está disponível no mercado. Em plataformas flutuantes a detecção de kicks é muito mais difícil devido ao movimento da plataforma. Uma vez detectado o kick, o mesmo deve ser controlado rapidamente. Isto requer um conhecimento preciso da pressão no fundo do poço. Quando o fluido de perfuração circula dentro do poço, a pressão na cabeça aumenta por causa das perda de carga geradas pelo movimento do fluido dentro do espaço anular. O aumento aparente da densidade do fluido é chamado de densidade equivalente de circulação. Este não é normalmente um fator importante na perfuração convencional porque os diâmetros são grandes e as velocidades pequenas, porém em poços delgados a densidade equivalente de circulação se torna muito significante. O controle da densidade equivalente de circulação através da taxa de bombeamento pode ajudar no controle de kicks, pois com velocidades menores as perdas de carga também serão menores. Embora a perfuração de poços delgados esteja em crescimento, a preocupação com a segurança é um fator que inibe um rápido aumento dos projetos desse tipo de poço. A perfuração no mar e em poços muito profundos ainda não é realizada facilmente. A maior utilização dessa técnica dependerá do sucesso dos poços perfurados nos próximos anos, dos avanços obtidos nas pesquisas e no desenvolvimento de equipamentos e procedimentos operacionais. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 227 5.4.3. Considerações sobre segurança de poço durante a perfuração de poços delgados Existem basicamente três tópicos de relevância no controle de pressão em poços delgados que devem ser analisados e discutidos: perda de carga por fricção excessiva no espaço anular durante a perfuração e a circulação de um kick de gás para fora do poço; o efeito de espaço anular estreito nas pressões de fechamento e de circulação de um kick, bem como na magnitude do pistoneio em manobras; e a prevenção de influxos durante conexões. a) Perda de carga por fricção no espaço anular Devido aos anulares estreitos encontrados em poços delgados, perdas de carga por fricção excessivas poderão se desenvolver durante a circulação do fluido de perfuração. Este efeito poderá causar perdas do fluido de perfuração ou até mesmo fratura de formações fracas expostas no poço durante a circulação de um influxo ou mesmo durante a circulação normal do poço. Quando houver o risco de perda de fluido devido às pressões elevadas no espaço anular, o método de controle de kick deverá ser modificado para evitar que este excesso de pressão seja aplicado no poço. Utilizando-se um programa de microcomputador para o cálculo de pressões de circulação aplicando o modelo reológico de potência. Foram utilizados os dados do poço 1-JOB-1-AM. Assim, o peso do fluido de perfuração foi de 9,2 ib/gal, a profundidade do poço de 3 499 m, a profundidade da sapata do revestimento de 5” era de 3 082 m, o diâmetro externo do espaço anular foi considerado como sendo 4,41”, 261 metros de comandos com diâmetro externo de 3 875” (interno de 2 559”) e 3 238 metros de tubos de perfuração com diâmetro externo de 3,5” (interno de 2 953”). b) Perda de carga por fricção no espaço anular em função da vazão de circulação. No método convencional de controle de kick, no início da circulação do influxo, a pressão no choke deve ser mantida em SICP. Este procedimento faz com que a pressão do fundo do poço seja igual 228 Alta Competência à pressão da formação geradora do influxo acrescida das perdas de carga no espaço anular. Caso estas pressões sejam excessivas quando considerando o estado de pressões de fratura existente do poço, o método de controle de kick deve ser modificado para evitar perdas de circulação durante a remoção do influxo. Assim, o método modificado propõe que a pressão a ser mantida no choke no início da circulação seja (SICP-Apr), onde AP, é uma redução de pressão a ser imposta no choke no momento em que a bomba é ligada e a velocidade reduzida de circulação é estabelecida. Se Apan for maior do que SICP, Ap, deverá ser igual a SICP, ou seja, o choke estará todo aberto no início da circulação. Se Apan for menor do que SICP, então o valor de AP, deverá ser de no máximo Apan. Após o estabelecimento da velocidade reduzida de circulação com a pressão no choke indicando (SICP-Apr), a pressão lida no manômetro do tubo bengala (PIC) deveráser mantida até a completa remoção do gás do poço. c) Densidade equivalente de circulação na sapata como uma função da vazão de circulação. Observa-se que mesmo em condições simuladas mais críticas, a densidade equivalente não ultrapassa 12 bl/gal. Este valor está bem abaixo da pressão de absorção medida no poço de correlação que foi de 18,6 bl/gal na profundidade de 2 421 m. Baseando-se nestes resultados, pode-se concluir que, apesar das altas perdas de cargas calculadas para o espaço anular, um método convencional de controle de kick pode ser implementado no poço-exemplo, pois a formação tem resistência suficiente para resistir. Entretanto, durante a circulação do influxo, deve-se monitorar com precisão qualquer perda de circulação, pois sempre existe a possibilidade da existência de zonas abaixo da sapata com pressões de fraturas menores do que as do teste de absorção realizado na sapata. Caso seja confirmada uma perda de circulação durante o processo de circulação do influxo, deve-se implementar o método modificado acima descrito. Devido à pequena área da seção transversal do espaço anular nos poços delgados, o influxo irá se distribuir ao longo de uma grande altura no interior do poço resultando em altas pressões no sistema no instante do fechamento e durante a circulação desse influxo. Assim, o volume de kick em poços delgados deve ser o mínimo possível. Conforme descrito por Prince e Cowell, o sistema de detecção de kicks da sonda deve ser capaz de detectar influxos de até 1 bbl. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 229 Esta pressão será a máxima obtida no choke se a pressão no fundo do poço for mantida constante e igual à pressão da formação geradora do kick mais as perdas de carga por fricção que ocorrem no espaço anular. Para este instante, a máxima pressão no choke deve ser comparada com a resistência à pressão interna do revestimento de 5”, que é de 9 120 psi (Pmáx,) após um fator de segurança de 80% ter sido aplicado ao valor tabelado. Para um kick inicial de 10 bbl, a máxima esperada é de 2 305 psi, que está bem abaixo da pressão limite de 9 120 psi. Se o volume de um possível influxo for inferior a 10 bbl, não haverá problemas de fratura da formação ou dano ao revestimento durante o fechamento do poço e posteriormente durante a circulação desse kick. Convém destacar que volumes superiores a 10 bbl são inaceitáveis em poços delgados. A sonda deve estar equipada e a equipe de perfuração treinada para tornar o volume do kick o menor possível. 5.4.4. Pistoneio durante as manobras Durante as manobras para retirada da coluna de perfuração ou de testemunhagem, deve-se exercer atenção especial quanto à geração de um kick devido ao pistoneio. Devido às dimensões reduzidas do espaço anular em poços delgados, a perda de pressão no fundo do poço pode ser excessiva durante a retirada da coluna. Recomenda-se assim acondicionar o fluido de perfuração mantendo-o com a menor reologia possível no instante da retirada da coluna, e manobrar a coluna com uma velocidade adequada. A manobra deve seguir um programa de enchimento do poço com a utilização do tanque de manobra. Deve-se fazer flow checks preventivos no início da manobra, na passagem da broca ou coroa pela sapata e outro antes dos comandos passarem pelo BOP. 5.4.5. Prevenção de kicks durante as conexões Como as perdas de carga no anular são excessivas durante a perfuração, é muito provável que o kick aconteça no momento em que a circulação for interrompida para a conexão. Isto porque a formação sendo perfurada poderá estar amortecida dinamicamente, mas não estaticamente. Assim, torna-se imperativa uma observação atenta ao poço durante este período onde não há controle adequado do nível dos tanques. 230 Alta Competência 5.4.6. Controle de kicks em poços delgados O controle de kicks em poços delgados é um dos principais problemas nestes poços. Isto ocorre devido à baixa tolerância aos influxos em anulares com pequena capacidade volumétrica e, portanto, a sonda deve ter capacidade de detectar influxos de aproximadamente um barril. Por outro lado as técnicas convencionais de circulação do kick são baseadas no fato de as perdas de carga por fricção no anular serem uma pequena fração da pressão total do sistema, de tal maneira que não sejam induzidas perdas de fluido e/ou fratura das formações expostas, fato que não ocorre nos poços delgados. Como exemplo, podemos citar que, em poços convencionais, torno de 90% das perdas de carga por fricção ocorrem no espaço anular e, portanto, deve-se usar outras técnicas para o controle de kicks em poços delgados. Algumas considerações gerais sobre os kicks: • No caso da ocorrência de um influxo no poço em questão, um método convencional para a circulação do influxo pode ser implementado, pois a pressão de fratura na sapata é elevada. Entretanto, durante a circulação do kick, deve-se monitorar com precisão qualquer perda de circulação pois sempre existe a possibilidade da existência de zonas frágeis abaixo da sapata. Se confirmada uma perda de circulação, deve-se implementar o método modificado apresentado; • Com base nas pressões de poros e de fratura reportadas, é pouco provável que venha ocorrer fratura da sapata ou dano ao revestimento durante o fechamento do poço e, posteriormente, durante a circulação de um influxo com volume inicial menor do que 10 bbl. É importante destacar que a sonda deve estar equipada e a equipe de perfuração treinada para tornar o volume inicial do kick o menor possível; • Se um kick ocorrer, é muito provável que isto aconteça no momento em que a circulação for interrompida para a conexão. Assim, uma observação atenta ao poço durante este período é imperativa. Caso seja observado fluxo vindo poço durante a conexão, deve-se fechar o poço, registrar as pressões de fechamento e usar um procedimento de controle de poço; Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 231 • No caso da ocorrência de um influxo, sugere-se a utilização do método do sondador principalmente pela sua simplicidade e circulação imediata do influxo para fora do poço; • Deve-se exercer cautela durante a retirada da coluna de perfuração ou testemunhagem do poço, pois o efeito do pistoneio pode ser grande em poços delgados. 5.4.7. Problemas nos poços delgados O principal problema na circulação de um influxo em um poço delgado é o fato de que as perdas de carga por fricção no anular são grandes, mesmo nas baixas vazões de circulação usadas. Portanto, as simplificações feitas no método convencional que implicam em um acréscimo de pressão igual a Fa, podem provocar perdas de fluido e/ ou fraturas nas formações expostas. Se esta pressão adicional não for suficiente para gerar estes problemas, o método convencional pode ser usado; por outro lado, se esta for excessiva, deve-se adotar outra técnica para o controle do poço. 5.4.8. Efeitos da densidade equivalente de circulação (ECD) Como as altas perdas de carga por fricção no anular durante a perfuração geram um sobrebalanceio substancial em adição ao sobrebalanceio estático, a ocasião mais propícia para a ocorrência de um influxo é quando as bombas são paradas, como no caso de uma conexão, onde a detecção do influxo é complicada, pois o nível de lama e as taxas de fluxo não serão constantes. Portanto, a equipe da sonda deve estar vigilante nestas ocasiões e o sistema de detecção de influxos deve ser capaz de analisar as condições do poço nestes períodos críticos. 5.4.9. Planejamento de controle do poço O principal fator para o controle adequado do poço é a escolha da lama correta, o uso de lamas convencionais pode ocasionar: • Perda de carga por fricção elevada no anular e, consequentemente, alta ECD, acima dos limites aceitáveis; 232 Alta Competência • Os sólidos do fluido podem ser centrifugados, no interior da coluna de perfuração, reduzindo o diâmetro interno dacoluna e impedindo a recuperação dos testemunhos. Assim novos fluidos e modelos hidráulicos mais acurados devem ser desenvolvidos e usados para a efetiva implementação deste método alternativo de controle de poço. 5.4.10. Decidindo sobre o procedimento de controle do poço No caso convencional as perdas de carga por fricção no anular servem como um pequeno fator de segurança aplicado à formação, entretanto se estas forem altas, a contrapressão adicional pode induzir a perdas de circulação. Esta é a primeira decisão a ser tomada para a implementação do procedimento de controle de poço. As perdas de carga por fricção no anular são significativas. Do ponto de vista do controle de poço, um poço será considerado como delgado se perdas de carga por fricção no anular forem críticas, assim o método alternativo não precisa ser usado em todas as seções do poço e dependendo da resistência das formações perfuradas não precisa ser usado em poços com geometria similar, mas em regiões diferentes. O método alternativo só será utilizado se houver a possibilidade de perdas de circulação. Caso contrário, deve-se usar o método convencional. 5.4.11. Detecção do influxo Devido à reduzida tolerância ao influxo em poços delgados, a capacidade de detecção destes deve ser bem acurada. Os dois principais parâmetros de detecção são o aumento do nível de lama e da vazão. Usualmente há quatro sistemas separados de monitoração: • Medidores de vazão; • Sensor do nível de lama; • Sensor do nível de lama da equipe de mud logger; Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 233 • Tanque de manobra. a) Sensor do nível de lama É um sistema capaz de detectar variações de 1bbl no nível de lama. b) Sensor do nível de lama da equipe de mud logger É um sistema capaz de detectar variações de 1bbl no nível de lama c) Tanque de manobra É um sistema capaz de detectar variações de 1 bbl no nível de lama. A variação da vazão e a flutuação do nível de lama naturais podem ser maiores do que o nível de detecção de influxo requerida, isto pode mascarar um influxo principalmente durante as conexões. 5.4.12. Procedimentos na conexão Devido aos problemas que podem surgir durante as conexões, citados anteriormente, sugere-se um procedimento para a execução das conexões: • Quando a rotação for parada (remove-se as perdas friccionais devido à rotação), deverão ser observados a vazão e o nível dos tanques; • Dirija a circulação diretamente para o sistema ativo da sonda (remove-se as perdas friccionais devido à circulação) e observe a vazão e o nível dos tanques; • Pare a circulação e observe o fluxo do poço; • Se o fluxo do poço for zero e o nível dos tanques move-se como esperado, poderá ser feita a conexão. 234 Alta Competência 5.4.13. Utilização no Brasil Buscando a redução de custo em projetos de perfuração exploratórios, especialmente em regiões remotas, surgiu a perfuração de poços delgados. Na Amazônia, Brasil, esta técnica foi aplicada a partir de 1993, com redução de materiais, de transportes por helicópteros e ganhos nos tempos de perfuração. Após a perfuração de mais de 20 poços delgados, na Amazônia, e a comparação dos resultados com a perfuração convencional, a conclusão é pela aplicabilidade desta técnica na área, e em área similares, com redução no tempo e economia de até 20% no custo. Na região amazônica, onde se emprega sondas helitransportáveis em prospectos exploratórios pioneiros, e onde o custo de poços de diâmetros convencionais chega a US$ 6 milhões, essa linha de projeto se mostrou aplicável. Chegou-se à conclusão de que o rendimento de perfuração é melhor nos poços delgados até 2 700 m, em até 13%, mas é praticamente o mesmo nos poços mais profundos, de mais de 3 000 metros. O consumo de materiais de fluidos de perfuração tem grande redução nos poços delgados, tanto em peso quanto em custo, chegando até cerca de 50% Não há redução de consumo de revestimento nos poços delgados, mas há grande acréscimo no custo, pelo uso de conexões delgadas mais caras. Há grande redução também de consumo de materiais de cimentação nos poços delgados, que não chega a ser muito significativa no custo, mas tem um grande significado no transporte aéreo. Nos poços delgados há redução do transporte aéreo que chega em torno de 20%. Há redução de custos entre 6 a 21% Portanto chega-se a conclusão que a perfuração de poços delgados em áreas remotas, na Amazônia, possibilita melhorias de rendimento, que juntamente com reduções no consumo de materiais e no transporte aéreo leva a redução de custos. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 235 5.5. Poços HPHT Poços de alta pressão e alta temperatura (HPHT) são definidos como aqueles cuja temperatura estática no fundo do poço é maior do que 300 °F e que a máxima pressão esperada na superfície é maior do que 10 000 psi, ou que o máximo gradiente de pressão esperado seja de 0,8 psi/pé (lb/gal). Observe as características dos poços HP/HT. HP P > 10 000 psi • Gradiente Hidrostático 8,9 ppg (100 000 ppm NaCl) • Poço cheio de gás r ~ 2 ppg • D = 10000/[(8,9-2)*0,1706] ~ 8 495 m • D ~ 8 500 m (profundidade) HT T > 300 0F ou 150 0C • Gradiente Geotérmico Normal ~300C/km • Dmar = (150-20)/30 ~ 4 300 m (esp. de sedimentos) • Dterra (150-4)/30 ~ 4 860 m (esp. de sedimentos) 5.5.1. Evolução Tecnológica Poços com as características HPHT vêm sendo perfurados desde o final dos anos 70 no GM, e inicio dos 80 no MN. Em setembro de 1988, ocorreu um blowout na SS Ocean Odissey, causando mortes e a perda da sonda. Devido a isso o UK Department of Energy baniu o teste e a perfuração desses poços no MN. Como resultado, o Offshore Operators Association e o Institute of Petroleum (UK) foram encarregados de consolidar a experiência e regulamentar a perfuração e teste desses 236 Alta Competência poços. A publicação dessa regulamentação criou a classificação HTHP e a perfuração desses poços foi reiniciada em 1992. Áreas HPHT no mundo Experiências HPHT no mundo Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 237 Comparando-se um poço HPHT com um poço normal temos: • Tempo de perfuração 30% maior; • Tempo perdido 3 vezes maior; • Frequência maior de kicks (2 por poço); • Prisão de coluna 30% maior. ATENÇÃO Um poço HPHT requer: projeto específico, procedimentos específicos e equipamentos especiais. 5.5.2. Principais Problemas com poços HPHT Os principais problemas envolvendo poços HPHT são: • Identificação da zona de transição; • Quantificação das PP e PF e das temperaturas; • Posicionamento das sapatas; • Revestimentos: • Maior número de revestimentos para atingir objetivos; • Descida de diâmetros não convencionais; • Critérios de dimensionamento. 238 Alta Competência • Diversos alargamentos; • Cimentação: • Pastas pesadas; • Anular restrito; • Poços profundos. • Previsão de fluidos produzidos (H2S, CO2, gás); • Projeto dos fluidos de perfuração e avaliação; • Ballooning Effect / Breathing Formation. 5.5.3. Principais desafios de poços HPHT em águas profundas A imagem seguinte apresenta os principais desafios a serem superados por poço HPHT em águas profundas. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 239 Principais desafios de poços HPHT em águas profundas 5.5.4. Projetos de poço HPHT A determinação das profundidades de assentamento das sapatas das colunas de revestimento é um item importante do projeto de um poço de petróleo. Muitos aspectos, tais como, litologia, presença de zonas de pressão anormal de poros e de perda de circulação, ocorrência de gases rasos, perfis de poços direcionais e regulamentações são considerados nesta determinação. Recentemente, aspectos envolvendo controle de poço foram também incluídos nesse processo de determinação através da utilização de conceitos, como o de 240 Alta Competência tolerância ao kick, principalmente,em poços críticos como os HPHT. A introdução destes conceitos no projeto de poço torna a perfuração mais segura. Na imagem seguinte pode ser observado um fluxograma básico de um projeto de poço HPHT. Fluxograma básico de um projeto de poço HPHT 5.5.5. Aspectos envolvendo controle de poço A seguir serão listados os aspectos envolvendo controle de poço. a) Critério de segurança • Kick tolerance (10/20 Bbl); • Margem de over pull; • Overbalance (0.2/0.5 ppg > PP) • Controle de Kick; Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 241 • KT permite • Método do Sondador • KT não permite • Bullheading • Stripping b)Tolerância ao Kick O conceito de tolerância de kick pode ser entendido como a capacidade do poço de resistir ao estado de pressão gerado no seu interior, no momento do fechamento, sem fraturar a formação mais fraca exposta. Normalmente é considerado que a formação logo abaixo da sapata é o ponto mais frágil do poço. Existem muitas definições de tolerância de kick disponíveis na indústria de petróleo. A Petrobras adotou a seguinte: Tolerância ao Kick é a máxima pressão de poros, expressa em massa específica equivalene (pkt), tal que, ocorrendo um kick com determinado volume (comprimento Lk), a certa profundidade (D), e com a lama existente (pm), o poço poderá ser fechado sem fraturar a sapata. Ela é matematicamente expressa pela equação: Onde D e Dcs são expressos em metros e são respectivamente a profundidade do poço e a profundidade da sapata do revestimento. Pf e pm são respectivamente a massa específica equivalente à pressão de fratura da formação na profundidade Dcs e a massa específica do fluido de perfuração, ambas em lb/gal. 242 Alta Competência O comprimento do kick “lk”, em metros, é calculado dividindo o seu volume pela capacidade do anular no qual o kick está contido. Pk é a massa específica do kick em lb/gal. Em situações nas quais o topo do influxo está acima da sapata do revestimento no instante do fechamento do poço, a tolerância do kick é dada por: b) Margem de pressão de poros Outro conceito adotado pela Petrobras é a margem de pressão de poros. A sua definição é mostrada abaixo: Margem de Pressão de Poros (∆ρkt ) é a diferença entre a tolerância de kick (pkt) e a pressão de poros (pp), ambas calculadas ou avaliadas na profundidade D. A margem de pressão de poros é útil no acompanhamento da perfuração do poço para estabelecer se ela está segura. Quando esta margem cair abaixo do valor mínimo (0,5 lb/gal é o mais aceito na indústria do petróleo), pode-se considerar a descida de uma coluna de revestimento. Abaixo é apresentado um exemplo de aplicação desses dois conceitos. Para cada um dos quatro cenários de pressões de poros de formação produtora, que poderão ser encontrados na tabela mostrada abaixo, pode-se determinar se haverá kick ou não. Havendo kick, determinar Pkt = Dcs. (pf-pk)+ pk --------- D Fórmula: ∆ρkt = ρkt - ρp Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 243 se o poço pode ser fechado sem fraturar a formação na sapata do revestimento. A tolerância ao kick, calculada na profundidade da formação produtora, é 11,9 lb/Gal, e a massa específica do fluido utilizado é de 9,9 lb/gal. Solução: Cenários Pressão de poros Haverá Kick (?) Haverá fra- tura (?) pkt I 9,0 NÃO NÃO 2,9 II 10,0 SIM NÃO 1,9 III 11,0 SIM NÃO 0,9 IV 12,0 SIM SIM -0,1 c) margem de segurança ao kick O último conceito adotado foi a margem de segurança ao kick. A sua definição é a seguinte: Margem de Segurança ao kick é a diferença entre a massa específica equivalente estimada para a fratura ou absorção na sapata (pt) e a máxima massa específica equivalente nela atuante (peq, es) no fechamento do poço. d) Metodologia para determinação da profundidade de assentamento da sapata usando conceitos de tolerância ao kick Fórmula: ∆ρksm = ρf - ρeq, cs 244 Alta Competência Aqui será apresentada uma metodologia de cálculo para determinação da profundidade de assentamento da sapata, baseada no estado de pressões no poço após o seu fechamento na ocorrência de um kick. Esta metodologia considera a seleção das profundidades de assentamento partindo do fundo do poço para a superfície. A metodologia usa equações para definir a pressão equivalente na sapata como função da sua profundidade de assentamento, utilizando-se a pressão de poros ao término da fase. Através da manipulação algébrica, esta pressão equivalente pode ser expressa em termos de massa específica equivalente. Para situações em que o topo do kick está abaixo da sapata, utiliza-se a seguinte equação: Fórmula 1: A rearrumação dessa equação produz a fórmula para a pressão equivalente na sapata a ser usada quando o topo do kick está acima da sapata, isto é, no interior do revestimento. Ela é expressa por: Fórmula 2: Uma vez que o projeto é executado de baixo para cima, D representa a profundidade final de certa fase do poço; pp é a massa específica equivalente à pressão de poros nessa profundidade; pm é a massa específica do fluido de perfuração ao final da fase; Lk é a altura do kick definida pelo projetista; e pk é a massa específica do kick assumida estar entre 1 e 3 lb/gal. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 245 Estas equações permitem estabelecer a pressão equivalente (em termos de massa específica equivalente) como função da profundidade de assentamento da sapata, Dcs, para cada fase do poço. Uma margem mínima de segurança ao kick é adicionada a estes valores para compará-los com a curva de massa específica equivalente à pressão de fratura. A interseção destas duas curvas define a profundidade mais rasa para o assentamento da sapata a uma determinada fase do poço. Esta metodologia está mostrada de forma resumida no seguinte procedimento sequencial: • Para a profundidade final de certa fase do poço (D), encontrar a pressão de poros nessa profundidade e definir a massa específica do fluido de perfuração e a altura e a massa específica do kick; • Adicionar ao valor calculado, na fórmula 2, uma margem de segurança do kick mínima; • Encontrar pf na profundidade Dcs da curva de massa específica equivalente à pressão de fratura; • Comparar os dois valores de massa específica equivalente calculados nas fórmulas 1 e 2. Se eles forem iguais, o valor assumido de Dcs é a profundidade mais rasa para o assentamento da sapata. Se não forem, assumir outro valor para Dcs e repetir o processo até as duas massas específicas convergirem. Este procedimento foi implementado em um programa de microcomputador para utilização em ambiente Windows. O programa lê os dados de pressão de poros e pressão de fratura de um arquivo chamado tolkick1.txt 246 Alta Competência A figura abaixo ilustra o uso deste aplicativo no projeto de um poço. A imagem mostra os dados de projeto apresentados por duas curvas (a curva da esquerda é a de pressão de poros e a da direita é a de pressão de fratura), as curvas de pressão equivalente com a margem de segurança do kick mínima incluída para as três fases em consideração e as profundidades de assentamento das sapatas dos revestimentos de 7”, 9 5/8” e 13 3/8” calculadas para os parâmetros mostrados na tabela dos dados de entrada mostrada a seguir. É importante notar que as curvas de pressão equivalente possuem duas inclinações devido a utilização de duas equações diferentes. Leitura de dados de pressão de poros e pressão de fratura feita por programa de microcomputador Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 247 Tabela de parâmetros 5.5.6. Avaliação da temperatura SIGEO LDA < 70 m Profundidade < 5 000 m 126 Poços 329 Temperaturas Extrapoladas 248 Alta Competência Gradiente geotérmico – bacia potiguar Os efeitos das altas temperaturas são: • Altera propriedades da lama: • Viscosidade = f (DT); • Densidadeexpansão térmica x compressibilidade.• Formação de hidratos; • Crescimento da Pressão no Anular (APB); • Projeto da cimentação; • Movimentos e tensões na tubulação; • Flambagem na coluna; • Redução da resistência da tubulação; Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 249 • Limite de Escoamento = f (DT); • Limita disponibilidade de equipamentos; • Eletrônicos e elastômeros; • Dificulta a detecção de kicks. 5.5.7. Avaliação das geopressões Geopressões são pressões e tensões atuantes na matriz rocha. Gradiente de Sobrecarga αov) é a pressão total das camadas sobrepostas + fluidos. σov = ∫ρf*dz = ∑ ρf*Dz*0,1706. ρf obtido do perfil densidade ou indiretamente do sônico. Gradiente de sobrecarga 250 Alta Competência Gradiente de sobrecarga a) Pressão nos poros Pressão de poros é a pressão do fluido contido nos poros da rocha. Pressão nos poros Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 251 A pressão nos poros pode ser prevenida com métodos tradicionais: • A partir de perfis sônicos, resistividade, ou sísmica; • Pressões anormais obtidas a partir de desvios dos dados em relação a um trend de compactação normal. Esses métodos: • São aplicáveis apenas a folhelho; • Identificam apenas sobrepressões ligadas ao aumento da porosidade; • Não identificam mecanismos como arenitos inclinados, transferência lateral de pressão ou efeito bouyancy. b) Sobrepressão ou pressão anormalmente alta São pressões anormalmente altas, mais elevadas do que a pressão hidrostática. Sobrepressão ou pressão anormalmente alta 252 Alta Competência c) Pressão de fratura A pressão de fratura é a que leva à falha da rocha por tração. Gradiente de fratura A avaliação das geopressões é fundamentas para perfurar um poço com segurança: • Sem causar instabilidades das formações (colapso, fratura, ballooning); • Sem permitir influxo de fluidos da formação (água, óleo e gás); • Otimização do projeto do poço. 5.5.8. Revestimento a) Revestimento de produção Considera-se que o poço irá produzir através de uma coluna de tubings no seu interior. Este poço será considerado cheio de fluido produzido com um furo no tubing junto à cabeça do poço, permitindo que com isso a pressão da formação seja transmitida para o topo do fluido de completação, exceto a hidrostática do fluido produzido no poço. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 253 Em poços com H2S, dependendo da concentração desse gás e da temperatura, devem ser tomados cuidados para evitar corrosão sob tensão. Nos poços com H2S & CO2, devem ser seguidos os parâmetros de poço necessários para simulação: • Temperatura estática do reservatório; • Pressão estática do reservatório; • Pressões de fluxo; • Teor de H2S; • Teor de CO2; • Análise da água da formação ou da água que será produzida ou conduzida junto com os HC contendo pelo menos: • Teor de cloretos (cl-); • Teor de bicarbonatos; • Teor de acetatos. Após definidas as colunas de revestimentos que irão compor o poço, efetuar a verificação do efeito do aquecimento de fluidos em anulares confinados, admitindo que os esforços de colapso ou pressão interna, em cada coluna de revestimento poderão aumentar devido à dilatação térmica dos fluidos entre os revestimentos. Em poços profundos, com temperatura estática de fundo superior a 350 °F, deve-se considerar o efeito da redução do limite de escoamento na resistência dos tubos 254 Alta Competência De posse da temperatura do poço e do grau do aço definido no dimensionamento, consultar o CENPES/PDEP/TEMEC para saber qual o valor da redução de resistência que o material sob análise irá sofrer, e assim, avaliar a necessidade de revisar o dimensionamento para compensar a perda de resistência mecânica com a temperatura Resistência dos tubos ATENÇÃO Poços de gás requerem tubulações com conexões que providas vedação metal-metal. O controle do torque de aperto também é essencial para não ocasionar danos às conexões. Por isso, deve-se ter uma maior garantia de aplicação do torque recomendado pelo fabricante. Capítulo 5. Outras Tecnologias Baseadas na Perfuração Direcional 255 Controle do torque de aperto 5.5.9. Cimentação Em geral, Zonas HTHP são profundas, necessitando de pastas de alta densidade e alta viscosidade. Nesse sentido, a cimentação tem como objetivo: • Garantir isolamento das zonas HTHP para facilitar a avaliação das zonas; • Desenvolver boas práticas de cimentação e um projeto cuidadoso da pasta de cimento; • Garantir uma boa aderência entre formação/cimento/ revestimento, removendo a lama. Para isso é fundamental: • Ter conhecimento da BHCT e do perfil de temperatura; • Obter propriedades reológicas HT da pasta (lab test); • Usar simuladores para avaliar densidade equivalente de circulação (DEC). Ex.: CemCADE / Dowell; 256 Alta Competência • Garantir uma boa cimentação primária do revestimento de produção. 5.5.10. Novas tecnologias envolvendo poços HPHT As novas tecnologias para HPHT são: • Mud Cooler; • MPD; • Turbina + broca impregnada; • Fluido à base de acetal; • Continuum Circulation System (CCV); • Continuum Circulation Valve (CSV); • Expandable Casing / Liner. Exercicios 257 1. Quais são os tipos de fluidos de perfuração existentes? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 2. Quais são os dois tipos de aditivos existentes? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3. Quando um poço é considerado direcional? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 4. Quando um poço é considerado vertical? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 5. Quando uma inclinação é considerada ótima e boa? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ________________________________________________________________ Exercícios 258 Alta Competência 6. Liste as aplicações dos poços direcionais. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 7. Quais são os 3 tipos de perfil de poços direcionais? ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 8. Defina sistema rotary steerable. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 9. Quais são os métodos utilizados para calcular a trajetória direcio- nal? ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 10. Marque a alternativa incorreta: a) Os fluidos base água são mais utilizados por serem: ( ) Mais baratos. ( ) Mais abundantes na natureza. ( ) Menos agressivos ao meio ambiente. ( ) Fluido base éster. Exercicios 259 b) Os fluidos não-aquosos também são conhecidos como fluidos de emulsão inversa. Fazem parte da classificação desses fluidos os men- cionados baixo, exceto: ( ) Fluido base óleo diesel – fora de uso; ( ) Fluido base clorita; ( ) Fluido base éster; ( ) Fluido a base glicol. c) São problemas causados com os fluidos durante a perfuração, exceto: ( ) Perda de circulação ou perda de retorno. ( ) Prisão da coluna. ( ) Perda de circulação parcial ou total. ( ) Viscosidade. d) Quanto à finalidade, um poço de petróleo não pode ser classifica- do em: ( ) Poço exploratório, explotatório e poço especial. ( ) Poço profundo, poço raso e poço de profundidade média. ( ) Poço explotatório, poço exploratório e poço especial. ( ) Poço especial, poço explotatório e poço exploratório. e) Quanto à profundidade final, os poços de petróleo não podem ser classificados em: ( ) Poço raso, poço de profundidade média e poço profundo. ( ) Poço profundo, poço raso e poço de profundidade média. ( ) Poço de profundidade média, poço raso e poço profundo. ( ) Poço convencional e micropoço. 260 Alta Competência f) Quanto à direção, os poços não podem ser classificados em: ( ) Poço raso, poço de profundidade média e poço profundo. ( ) Poço vertical, direcional, horizontal e radial. ( ) Poço radial, direcional, horizontal e vertical. ( ) Poço horizontal, vertical, radial e direcional. g) Quanto ao diâmetro, os poços não podem ser classificados em: ( ) Convencional e micropoço. ( ) Poço vertical, direcional, horizontal e radial. ( ) Micropoço e convencional. ( ) NDA. h) São vantagens da técnica UBD, exceto: ( ) Aumento do fator de recuperação. ( ) Diminuição da vazão de produção. ( ) Menores custos de estimulação. ( ) Identificação imediata de hidrocarbonetos. i) Os métodos de perfuração sub-balanceada podem ser realizados: ( ) De acordo com o tipo de sonda. ( ) De acordo com o equipamento de superfície. ( ) De acordo com o sistema de injeção do gás. ( ) De acordo com a verticalidade do poço. Exercicios 261 j) São tipos de separadores, exceto: ( ) Separador esférico. ( ) Separador horizontal. ( ) Separador oval. ( ) Separador vertical. k) Quanto ao raio de curvatura, os poços direcionais não podem ser classificados em: ( ) Raio convencional, ERD e S-ERD. ( ) Raio curto, raio longo e raio médio. ( ) Raio médio, raio curto e raio longo. ( ) Raio longo, raio médio e raio curto. l) Quanto ao afastamento, os poços direcionais não podem ser clas- sificados em: ( ) Convencional, ERD e S-ERD. ( ) ERD, S-ERD e convencional. ( ) Raio médio, raio curto e raio longo. ( ) S-ERD, ERD e convencional. m) Dentre os fatores citados abaixo, qual é o que não afeta a perfu- ração direcional em poços ERW: ( ) Gradiente de pressão de poros versus gradiente de fratura. ( ) Salinidade. ( ) Limpeza do poço (hidráulica de perfuração). ( ) ECD versus gradiente de fratura. 262 Alta Competência 11. Complete as lacunas com os termos disponíveis. sub-balanceado (underbalanced) – massa específica – fire float e fire stops – filtrado – mud logger – salinidade – reologia – separa- dores – sensor do nível de lama – tanque de manobra – balance- ado (balanced) – compressores – sobrebalanceado (overbalanced) – BOP rotativo – reboco – selos mecânicos rotativos – Float subs – mud logger – viscosidade a) A __________________________ é usualmente expressa em lb/gal (li- bra por galão). b) A propriedade do fluido que sofre maior influência das va- riações de temperatura e pressão em um poço é denominada __________________________. c) A __________________________ trata da deformação e do escoa- mento dos fluidos quando submetida à ação de uma força. d) O __________________________ é o volume de líquido (filtrado) co- letado numa proveta durante 30 min, a uma pressão de 100 psi. e) O material que fica depositado na parede do poço devido à per- da do fluido em frente às formações permeáveis é chamado de __________________________ . f) A __________________________ está diretamente relacionada à ini- bição do fluido. g) Quando a coluna hidrostática de fluidos é igual à pressão da for- mação perfurada diz-se que o poço está __________________________. h) Quando a coluna hidrostática de fluidos é menor do que a pressão das formações, diz-se que o poço está __________________________. i) Fala-se que o poço está __________________________ quando a co- luna hidrostática de fluidos é maior do que a pressão da formação perfurada de forma a impedir que os fluidos da forma venham a in- vadir o poço, mesmo quando há uma parada da circulação do fluido, Exercicios 263 j) Os __________________________ são utilizados em operações de per- furação sub-balanceada como uma alternativa ao bombeio de nitro- gênio líquido. k) Eles são classificados de acordo com seus propósitos, duas fases (líquido-gás), três fases (líquido-gás-sólido) ou quatro fases (líquido- óleo-gás-sólidos). São os chamados __________________________. l) O __________________________ é usado em conjunto com o BOP convencional, e pode suportar uma pressão de até 1 500 psi no anu- lar, na superfície, quando perfurando com ar, gás, névoa, ou fluidos leves. m) Eles aumentam a vida dos elementos rotativos. São os chamados __________________________. n) __________________________ ou drill string floats são válvulas co- locadas ao longo da coluna de perfuração para impedir o refluxo do fluido de perfuração durante uma manobra ou conexão, aumentan- do a segurança da operação. o) As válvulas usadas em perfuração com ar e que fecham a coluna de perfuração, impedindo o fluxo do fluido de perfuração para o fundo do poço são chamadas __________________________. p) O sistema capaz de detectar variações de 1bbl no nível de lama é denominado __________________________. q) O sensor do nível de lama da equipe de __________________________ é um sistema capaz de detectar variações de 1bbl no nível de lama. r) O sistema capaz de detectar variações de 1 bbl no nível de lama é chamado de __________________________. 264 Alta Competência 12. Identifique as técnicas de perfuração nas imagens abaixo: D rillin g Flu id Flo wFormation Oil & Gas Flow Oil & Gas Flow Fines Production Drilling Filter FluidFluid Fl u id Leakoff Fracture Fines Migration Formation Fines Production Fracture D rillin g Flu id Flo w _______________________ D rillin g Flu id Flo wFormation Oil & Gas Flow Oil & Gas Flow Fines Production Drilling Filter FluidFluid Fl u id Leakoff Fracture Fines Migration Formation Fines Production Fracture D rillin g Flu id Flo w _______________________ 13. Relacione as características apresentadas na primeira coluna com as técnicas de perfuração direcional: ( 1 ) São poços com pequenos diâme- tros ao final da perfuração de poços convencionais. ( ) Poços HPHT ( 2 ) Tem uma aplicação muito gran- de na perfuração de calcários fraturados, em zonas produto- ras de pequena espessura ou de baixa permeabilidadecom o intuito de aumentar a área ex- posta à produção, para evitar a formação de cones de água e algumas outras aplicações. Sua vantagem é ter uma maior área exposta no reservatório. ( ) Poços multilaterais Exercicios 265 ( 3 ) São definidos como aqueles cuja temperatura estática no fundo do poço é maior do que 300 °F e que a máxima pressão esperada na superfície é maior do que 10 000 psi, ou que o máximo gra- diente de pressão esperado seja de 0,8 psi/pé (lb/gal). ( ) Poços horizontais ( 4) É um poço principal com um ou mais poços secundários ramifica- dos a partir deste poço principal. Ele pode ser um poço explorató- rio, de desenvolvimento ou re- entrada. ( ) Slim-hole ou micro- perfuração ( 5 ) Tem como característica um grande afastamento entre a lo- cação da sonda e o alvo. Nor- malmente um poço é considera- do desse tipo quando a relação entre o afastamento e a profun- didade vertical final é maior do que 2. ( ) Poços ERW 266 Alta Competência 14. Identifique os níveis de complexidade dos poços multilaterais abaixo. ________________________________ ________________________________ ________________________________ Exercicios 267 ________________________________ ________________________________ ________________________________ 268 Alta Competência ________________________________ Glossário 269 Baffle plate – aranha; Batente e centralizador para o barrilete do instrumento de registro direcional. Bent housing – corpo de motor de fundo, que tem uma pequena deflexão, na altura da junta universal, diminuindo ou eliminando a necessidade de usar um bent sub. Bent sub – é um sub torto usado na operação com motor de fundo. BHA – Botton Hole Assembly, composição de fundo. Build-up – seção de crescimento de inclinação do poço com o aumento da profundidade. Chaveta – batente no orient-sub ou no bent orient sub em que encaixa o mule shoe, alinhado o barrilete com fase da ferramenta de forma a podermos orientá-la. Também chamamos de chaveta o rasgo causado na parede do poço, pela coluna de perfuração, em um trecho com dog leg alto. Dip angle – valor que indica a intensidade da interferência magnética da coluna de perfuração sobre o campo magnético terrestre. Dog leg – resultado de uma mudança na trajetória do poço. Dog leg severity – é a medida do dog leg, calculada para espaçamento padrão de 100 pés ou 30 metros. Drag – arraste da coluna de perfuração devido ao atrito desta contra a ferramenta defletora. Ferramenta defletora – ferramenta utilizada para desvio do poço. Heat shield – protetor térmico dos instrumentos de registros direcionais, utilizados para trabalhos em poços de temperaturas altas. Jateamento – perfuração orientada, usando-se íma broca com jatos desbalanceados. Lead – ângulo guia. MWD – Measure While Drilling, equipamento de medição contínua sem cabo. Nudge – afastamento inicial de um poço. Probe – sensor magnético e gravitacional, componente do steering tool ou MWD. Running gear – barrilete protetor dos instrumentos de registros direcionais. Glossário 270 Alta Competência Scribe line – linha indicativa da face da ferramenta, gravada no elemento defletor e nos equipamentos de registro direcional utilizada na orientação dos motores de fundo ou jateamento. Torque reativo – torque que se opõe à rotação da broca, quando da utilização de motor de fundo. Bibliografia 271 “An Integrated Approach to Underbalanced Drilling” – A Supplement to Hart’s E&P (March/2000) 1986. 2004, SPE 87218, SPE, USA. AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE. API 7G - Recommended Practice for Drill Stem Design and Operating Anadrill/Shclumberger, “Directional Drilling Uniform Operationg Procedure Manual”, 1989. ARABIA, Hussain. Oilweel Drilling Engineering: principles & practice. 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Pesquisa ao site da Tesco Co.: http://www.tesco.com Pesquisa ao site da Weatherford: http://www.weatherford.com Site da Halliurton: www.halliburton.com Site da Schlumberger: www.schlumberger.com Apresentação PPT - Aspectos Gerais Relativos à Perfuração Direcional, Luiz Alberto Santos Rocha, Ph.D. Rio de Janeiro, Março de 2004. Apresentação PPT – Introdução a Projeto de Poços HPHT, José Luiz Falcão. Apresentação PPT - Equipe de manuseio e poços HPHT. Apresentação PPT - Consideração sobre Controle de Pressões em Poços Multilaterais, de Otto Luiz Alcântara Santos. Apresentação PPT - Curso Básico de Perfuração, de José Eugenio de Almeida Campos. 274 Alta Competência 1. Quais são os tipos de fluidos de perfuração existentes? Base água; Base orgânica (não-aquoso); Espuma; Ar comprimido. 2. Quais são os dois tipos de aditivos existentes? Há os aditivos para fluidos base água e para fluidos não-aquosos. 3. Quando um poço é considerado direcional? Um poço é considerado direcional quando o objetivo a atingir não se encontra na mesma vertical da locação da sonda, sendo necessário utilizar técnicas especiais não empregadas na perfuração de poços verticais. 4. Quando um poço é considerado vertical? Quando possui apenas um ponto objetivo e percorre o reservatório verticalmente, independente da inclinação da zona produtora. 5. Quando uma inclinação é considerada ótima e boa? Se a inclinação for menor do que 3° será considerada ótima. Se está entre 3° e 5°, é considerada boa, desde que não comprometa as condições mecânicas do poço ou o raio de tolerância do seu objetivo. 6. Liste as aplicações dos poços direcionais. Objetivos afastados Retorno a um poço por razões geológicas Exploração complementar Poços direcionais para a exploração Poços direcionais para a explotação Aplicações especiais 7. Quais são os 3 tipos de perfil de poços direcionais? TIPO I (SLANT), TIPO II (POÇO EM "S") e TIPO III. 8. Defina sistema rotary steerable. É um sistema que permite que a coluna de perfuração gire durante todo o tempo, inclusive durante o trecho de ganho de ângulo e direção. Gabarito Gabarito 275 9. Quais são os métodos utilizados para calcular a trajetória direcional? Tangente; Ângulo médio; Raio de curvatura; Curvatura mínima. 10. Marque a alternativa incorreta: a) Os fluidos base água são mais utilizados por serem: ( ) Mais baratos. ( ) Mais abundantes na natureza. ( ) Menos agressivos ao meio ambiente. ( X ) Fluido base éster. b) Os fluidos não-aquosos também são conhecidos como fluidos de emulsão inversa. Fazem parte da classificação desses fluidos os mencionados baixo, exceto: ( ) Fluido base óleo diesel – fora de uso; ( X ) Fluido base clorita; ( ) Fluido base éster; ( ) Fluido a base glicol. c) São problemas causados com os fluidos durante a perfuração, exceto: ( ) Perda de circulação ou perda de retorno. ( ) Prisão da coluna. ( ) Perda de circulação parcial ou total. ( X ) Viscosidade. d) Quanto à finalidade, um poço de petróleo não pode ser classificado em: ( ) Poço exploratório, explotatório e poço especial. ( X ) Poço profundo, poço raso e poço de profundidade média. ( ) Poço explotatório, poço exploratório e poço especial. ( ) Poço especial, poço explotatório e poço exploratório. e) Quanto à profundidade final, os poços de petróleo não podem ser classificados em: ( ) Poço raso, poço de profundidade média e poço profundo. ( ) Poço profundo, poço raso e poço de profundidade média. ( ) Poço de profundidade média, poço raso e poço profundo. ( X ) Poço convencional e micropoço. 276 Alta Competência f) Quanto à direção, os poços não podem ser classificados em: ( X ) Poço raso, poço de profundidade média e poço profundo. ( ) Poço vertical, direcional, horizontal e radial. ( ) Poço radial, direcional, horizontal e vertical. ( ) Poço horizontal, vertical, radial e direcional. g) Quanto ao diâmetro, os poços não podem ser classificados em: ( ) Convencional e micropoço. ( X ) Poço vertical, direcional, horizontal e radial. ( ) Micropoço e convencional. ( ) NDA. h) São vantagens da técnica UBD, exceto: ( ) Aumento do fator de recuperação. ( X ) Diminuição da vazão de produção. ( ) Menores custos de estimulação. ( ) Identificação imediata de hidrocarbonetos. i) Os métodos de perfuração sub-balanceada podem ser realizados: ( ) De acordo com o tipo de sonda. ( ) De acordo com o equipamento de superfície. ( ) De acordo com o sistema de injeção do gás. ( X ) De acordo com a verticalidade do poço. j) São tipos de separadores, exceto: ( ) Separador esférico. ( ) Separador horizontal. ( X ) Separador oval. ( ) Separador vertical. k) Quanto ao raio de curvatura, os poços direcionais não podem ser classificados em: ( X ) Raio convencional, ERD e S-ERD. ( ) Raio curto, raio longo e raio médio. ( ) Raio médio, raio curto e raio longo. ( ) Raio longo, raio médio e raio curto. Gabarito 277 l) Quanto ao afastamento, os poços direcionais não podem ser classificados em: ( ) Convencional, ERD e S-ERD. ( ) ERD, S-ERD e convencional. ( X ) Raio médio, raio curto e raio longo. ( ) S-ERD, ERD e convencional. m) Dentre os fatores citados abaixo, qual é o que não afeta a perfuração direcional em poços ERW: ( ) Gradiente de pressão de poros versus gradiente de fratura. ( X ) Salinidade. ( ) Limpeza do poço (hidráulica de perfuração). ( ) ECD versus gradiente de fratura. 11. Complete as lacunas com os termos disponíveis. a) A massa específica é usualmente expressa em lb/gal (libra por galão). b) A propriedade do fluido que sofre maior influência das variações de temperatura e pressão em um poço é denominada viscosidade. c) A reologia trata da deformação e do escoamento dos fluidos quando submetida à ação de uma força. d) O filtrado é o volume de líquido (filtrado) coletado numa proveta durante 30 min, a uma pressão de 100 psi. e) O material que fica depositado na parede do poço devido à perda do fluido em frente às formações permeáveis é chamado de reboco. f) A salinidade está diretamente relacionada à inibição do fluido. g) Quando a coluna hidrostática de fluidos é igual à pressão da formação perfurada diz-se que o poço está balanceado (balanced). h) Quando a coluna hidrostática de fluidos é menor do que a pressão das formações, diz-se que o poço está sub-balanceado (underbalanced). i) Fala-se que o poço está sobrebalanceado (overbalanced) quando a coluna hidrostática de fluidos é maior do que a pressão da formação perfurada de forma a impedir que os fluidos da forma venham a invadir o poço, mesmo quando há uma parada da circulação do fluido, j) Os compressores são utilizados em operações de perfuração sub-balanceada como uma alternativa ao bombeio de nitrogênio líquido. k) Eles são classificados de acordo com seus propósitos, duas fases (líquido-gás), três fases (líquido-gás-sólido) ou quatro fases (líquido-óleo-gás-sólidos). São os chamados separadores. l) O BOP rotativo é usado em conjunto com o BOP convencional, e pode suportar uma pressão de até 1 500 psi no anular, na superfície, quando perfurando com ar, gás, névoa, ou fluidos leves. 278 Alta Competência m) Eles aumentam a vida dos elementos rotativos. São os chamados selos mecânicos rotativos. n) Float subs ou drill string floats são válvulas colocadas ao longo da coluna de perfuração para impedir o refluxo do fluidode perfuração durante uma manobra ou conexão, aumentando a segurança da operação. o) As válvulas usadas em perfuração com ar e que fecham a coluna de perfuração, impedindo o fluxo do fluido de perfuração para o fundo do poço são chamadas fire float e fire stops. p) O sistema capaz de detectar variações de 1bbl no nível de lama é denominado sensor do nível de lama. q) O sensor do nível de lama da equipe de mud logger é um sistema capaz de detectar variações de 1bbl no nível de lama. r) O sistema capaz de detectar variações de 1 bbl no nível de lama é chamado de tanque de manobra. 12. Identifique as técnicas de perfuração nas imagens abaixo: D rillin g Flu id Flo wFormation Oil & Gas Flow Oil & Gas Flow Fines Production Drilling Filter FluidFluid Fl u id Leakoff Fracture Fines Migration Formation Fines Production Fracture D rillin g Flu id Flo w Perfuração Sub-balanceada obrebalanceada) D rillin g Flu id Flo wFormation Oil & Gas Flow Oil & Gas Flow Fines Production Drilling Filter FluidFluid Fl u id Leakoff Fracture Fines Migration Formation Fines Production Fracture D rillin g Flu id Flo w Perfuração Convencional (sobre- balanceada) Gabarito 279 13. Relacione as características apresentadas na primeira coluna com as técnicas de perfuração direcional: ( 1 ) São poços com pequenos diâme- tros ao final da perfuração de po- ços convencionais. ( 3 ) Poços HPHT ( 2 ) Tem uma aplicação muito grande na perfuração de calcários fratu- rados, em zonas produtoras de pequena espessura ou de baixa permeabilidade com o intuito de aumentar a área exposta à pro- dução, para evitar a formação de cones de água e algumas outras aplicações. Sua vantagem é ter uma maior área exposta no reser- vatório. ( 4 ) Poços multilaterais ( 3 ) São definidos como aqueles cuja temperatura estática no fundo do poço é maior do que 300 °F e que a máxima pressão esperada na su- perfície é maior do que 10 000 psi, ou que o máximo gradiente de pressão esperado seja de 0,8 psi/pé (lb/gal). ( 2 ) Poços horizontais ( 4) É um poço principal com um ou mais poços secundários ramifica- dos a partir deste poço principal. Ele pode ser um poço exploratório, de desenvolvimento ou reentrada. ( 1 ) Slim-hole ou microperfura- ção ( 5 ) Tem como característica um gran- de afastamento entre a locação da sonda e o alvo. Normalmente um poço é considerado desse tipo quando a relação entre o afasta- mento e a profundidade vertical final é maior do que 2. ( 5 ) Poços ERW 280 Alta Competência 14. Identifique os níveis de complexidade dos poços multilaterais abaixo. Poço multilateral Nível 1 Poço multilateral Nível 2 Poço multilateral Nível 3 Gabarito 281 Poço multilateral Nível 4 Poço multilateral Nível 5 Poço multilateral Nível 6 282 Alta Competência Poço multilateral Nível 6S