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Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos, são
produtos da imaginação do autor. Qualquer semelhança com nomes, datas e
acontecimentos reais é mera coincidência.
 
 
Revisão: Jefferson Azevedo
 
Capa e versão digital: Editora Motres
 
Todos os direitos reservados.
 
São proibidos o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte desta obra, através de
quaisquer meios ‒ tangível ou intangível ‒ sem o consentimento da autora.
 
 
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela lei n. 9.610/98, e punido pelo
artigo 184 do Código Penal.
 
Edição Digital / Criado no Brasil
PERDÃO, AMOR... EU NÃO SEI TE PERDOAR
 
Até onde a fama e o dinheiro podem mudar a vida de um homem?
Até onde uma traição pode afetar o amor de uma mulher?
 
Augusto e Veridiana viviam um casamento que todos invejavam, desde a
pobreza na favela até o auge do sucesso, quando "Guga" a traiu com a atriz
mais famosa do Brasil, o que culminou no término da relação.
Ele achou que seria fácil viver sem ela, mas não imaginou o quanto a dor da
separação e o desprezo da única mulher que realmente amou pudessem
machucar tanto, a ponto de rasgar sua alma.
Ela estava disposta a seguir em frente sem olhar para trás, e teria o apoio do
homem que sempre a desejou, só não esperava que seu ex-marido estivesse
tão disposto a conquistar o seu perdão.
 
Dizem que "quem ama perdoa", mas há quem afirme, que "quem ama não
trai". Se você tivesse que arriscar, qual seria a sua aposta?
 
Uma história que vai mostrar o outro lado do amor, aquele que a gente
só encontra na vida real.
 
 
 
CAPÍTULO 1 – GUGA
 
Dias Atuais...
 
Sentei desajeitado sentindo o joelho reclamar. Apoiei as muletas na
cadeira vazia ao meu lado e olhei pela centésima vez no relógio de pulso.
Ainda faltava meia hora até meu voo ser anunciado. 
Eram apenas trinta minutos, mas aquela espera estava torturando meus
miolos. Fechei os olhos e joguei a cabeça para trás, me sentia exausto pra
caralho, e a angústia de não saber se ela viria ao meu encontro tornava aquela
antessala do aeroporto muito menor do que realmente era. 
Um garotinho se aproximou com um pedaço de papel e uma caneta na
mão, parecia nervoso, o que me fez sorrir. Era sempre a mesma coisa quando
pegava voos comerciais, as pessoas pediam autógrafos, camisetas e bonés do
time de futebol em que eu jogava.
 
— E aí, amigão, quantos anos você tem? — perguntei enquanto
endireitava meu corpo na cadeira almofadada.
— Seis. — ele respondeu timidamente.
— Está na escola?
— Estou.
— Ótimo! — peguei os objetos da mão dele e fingi pensar — Pra que
time você torce?
— Pro Santos! — respondeu orgulhoso.
— Aí sim... ‒ levantei a mão para que ele batesse em cumprimento —
Qual seu nome?
— Patrick.
— Um bonito nome. — fiz uma pequena dedicatória e lhe devolvi o
papel — Só prometa que vai tirar notas boas e não vai fazer malcriação pros
seus pais, ok?
 
 Ele concordou com a cabeça, pegou o papel assinado, correu para o
colo da mãe que nos observava à distância e agradeceu com um aceno.
Retribuí o gesto e voltei a olhar para o relógio, apenas vinte minutos para o
embarque e nada de ela chegar.
 Peguei meu celular para confirmar que não havia nenhuma mensagem,
e como nos últimos seis meses, o aparelho permanecia silencioso, se
recusando a aliviar minha barra. Porra! Será que ela nunca me daria uma
nova chance? O que mais eu precisaria fazer para que ela acreditasse em
mim?
 
— Senhor! — uma mulher com o uniforme da empresa aérea chamou
com um sorriso forçado nos lábios — Achamos que gostaria de antecipar a
sua entrada para não pegar fila e nem precisar ficar muito tempo em pé.
— Não. Obrigado! — eu odiava me sentir daquele jeito, mas não
conseguia evitar. Todo mundo queria me agradar com pequenos privilégios,
menos minha esposa.
— Como quiser.
 
 A morena voltou para o portão de embarque com um rebolado
exagerado, jogando os cabelos de um lado para o outro, me irritando ainda
mais. Lembrar que há pouco tempo aquele tipo de insinuação me agradava e
excitava, era deprimente. Saber que uma mulher gostosa me desejava,
inflamava meu ego machista e burro. 
 "Idiota de merda"
 O voo com destino ao Rio de Janeiro foi anunciado, e logo uma fila
começou a se formar em frente ao portão que daria acesso ao avião, senti uma
dor profunda me tomar, e o ódio por ter feito tanta merda amargurava sem
dó. Eu estava completamente perdido sem a minha esposa, minha
companheira e única mulher que deveria estar desfrutando de todos os
benefícios que minha fama e meu dinheiro poderiam proporcionar. 
 Olhei pela última vez para o corredor, esperançoso de vê-la atravessar
a última porta correndo para os meus braços, mas aquilo não aconteceu. Ela
não foi ao meu encontro como eu achei que iria, e a mim, só restava me
conformar com a decisão dela, ou não. 
 Veridiana voltaria para mim, eu sabia que sim. Nosso amor era muito
maior do que todas as besteiras que fiz depois que voltamos para o Brasil e
assinei um contrato milionário com o time de futebol que meu pai amava e
me ensinou a amar também. 
 O divórcio não seria assinado, não por mim. Tínhamos uma história
juntos, uma vida toda para ser vivida e uma família para construir. Nossos
planos feitos desde a adolescência precisavam sair do papel. Eu faria minha
esposa feliz novamente, faria ela acreditar e confiar em mim, mesmo
que precisasse passar o resto da vida me redimindo.
 
— Obrigada, senhor! — a funcionária oferecida parecia uma boneca
pintada, sorrindo como o coringa numa tentativa chula de chamar minha
atenção.
 
 Não respondi, segui mancando, apoiado com dificuldade nas muletas e
me locomovendo com lerdeza. Após uma pancada durante um jogo nas finais
do Campeonato Paulista, fui obrigado a realizar uma cirurgia para recuperar o
ligamento cruzado da patela direita, e estava impossibilitado de jogar futebol
por três meses.
 A recomendação médica era de repouso absoluto, sem esforço de
qualquer tipo para que a recuperação se desse no prazo previsto pela
comissão técnica. O meu retorno aos gramados era aguardado por todos,
desde o alto escalão da direção do clube, até os torcedores que levavam
cartazes e mensagens de incentivo diariamente no centro de treinamento. O
Campeonato Brasileiro de Futebol iniciaria em breve e todos contavam com a
minha presença para a conquista de mais um título, além da Copa
Libertadores da América, que entraria na fase de mata-mata. 
 Entrei com muita dificuldade na aeronave e me acomodei sem muito
interesse em ser simpático com os passageiros que ocupavam os lugares ao
meu lado. Eu sabia que minha popularidade estava em alta por conta do título
conquistado diante do maior rival no último fim de semana, mas eu não me
sentia bem para ficar agradando a todo mundo. Peguei o celular para desligar
o aparelho, e um fio de esperança brilhou quando vi um alerta de mensagem
recebida piscar na tela.
 
 "Estarei esperando você para nossa conversa, não temos mais como
adiar. Boa viagem! Binho".
 
— Desgraçado! — rosnei enfurecido.
 
 Fabio Lopes, mais conhecido como Binho, era o cara mais fura-olho
que existia no mundo. Crescemos juntos, estudamos juntos, jogamos juntos
nas categorias de base da Portuguesa de Desportos em São Paulo, mas não
era tão bom como eu com a bola nos pés. Conseguiu um contrato com um
time da primeira divisão de São Paulo e estava se destacando como primeiro
volante, o tão conhecido, "roubador de bolas".
 Formávamos um trio inseparável, eu ele e Veridiana, e na primeira
oportunidade que teve, o filho da puta correu para consolar minha esposa e
declarar o seu amor. Traiçoeiro como uma cobra peçonhenta, meticuloso
como um felino do mal. Nada me tirava da cabeça que ele tinha sido o
responsável pelo flagrante da minha esposa no quarto de motel quando eu
estava transando com a mulher mais famosa do Brasil, a atriz Bella Campari.
 Só de lembrar o olhar de tristeza e decepção da Veri, a me ver
comendo a morena de quatro na beirada da cama, meu coração se apertava
mais um pouco. A dorque causei a ela, embora na época não tenha feito
muita diferença para mim, aos poucos foi minando minhas resistências e
acabando com a embriagues temporária que a fama de "pegador" causou no
meu dia a dia, depois que a imagem foi divulgada em todas as redes sociais.
"GUGA TRAI ESPOSA COM A MORENA MAIS DESEJADA DO
BRASIL! SAI QUE É TUA GUGAAAAA".
"VERIDIANA, ESPOSA DO MAIOR ARTILHEIRO DO BRASIL, PEGA
O BOLEIRO COM AS BOLAS ENTERRADAS NA ATRIZ BELLA
CAMPARI".
 Todas as notícias acompanhavam fotos tiradas na hora H, e além de
gerar muita polêmica, repercutiram de maneira desastrosa para minha esposa.
Veridiana era uma loira linda, com olhos azuis e um corpo escandalosamente
sexy. Nasceu e cresceu na favela, começou a trabalhar ainda menina
vendendo frutas na feira com a mãe, e teve sua infância roubada pela miséria.
 Pouquíssimas pessoas sabiam sobre o passado dela, minha esposa
nunca gostou de exposição e deixava para o marido famoso as honras de
alimentar a mídia. Pouquíssimas pessoas a conheciam, e quem nos via
casados e bem de vida, deduzia que Veri era mais uma loira interesseira que
tinha dado o "golpe do baú" no menino preto e pobre que fez fortuna se
tornando jogador de futebol.
 Balela especulação, nada mais. Veri foi minha inspiração, batalhou
cada centavo que ganhei junto comigo, ao meu lado, desde menina. Defendeu
a família todas as vezes em que o fracasso ameaçou bater à nossa porta, me
apoiou quando enfrentamos a fome, e não permitiu que eu desistisse do meu
sonho. Conseguimos proporcionar uma condição financeira mais digna aos
nossos pais, e nunca, nunca mesmo, se importou com o valor que entrava em
sua conta bancária.
 Eu a conhecia melhor do que qualquer um, e sabia mais do que
ninguém que a minha traição acabou com tudo de melhor que ela sentia por
mim. Pior que perder o amor da minha esposa, foi perder sua admiração, não
apenas pelo jogador que me tornei, mas pelo homem em que ela me
transformou. 
 Prova disso foi quando deixou o quarto de motel em silêncio, depois
de presenciar a cena que destruiu seu “castelo encantado”, como ela mesma
confessou à sua mãe. Minha esposa simplesmente sumiu, desapareceu, e
quando voltou, dez dias depois, estava completamente mudada, fria e
decidida a me excluir definitivamente da sua vida. 
 Enviou através do seu advogado uma carta, onde citava os bens dos
quais ela não abriria mão. Apenas dois, um deles era a casa onde seus pais
moravam em São Paulo, o outro era o imóvel que eles usavam como depósito
para armazenar as frutas que abasteciam o hortifruti da sua família. Veridiana
não exigiu nem um real do dinheiro que recebi durante os sete anos em que
permanecemos casados. Disse que era tudo fruto do meu trabalho, e nada que
viesse de mim faria bem a ela. 
 Em meio ao turbilhão de coisas acontecendo simultaneamente, outro
advogado entrou em contato, mas esse era o de Bella Campari, exigindo uma
quantia milionária para que ela não divulgasse em programas de televisão
detalhes íntimos dos nossos encontros sexuais que já aconteciam há
meses. Nos envolvemos bem antes de sermos descobertos, e aquele fato
quando veio a público, só diminuiu ainda mais as chances de ser perdoado
pela minha esposa.
 Eu queria matar a desgraçada com minhas próprias mãos, mas depois
de ouvir algumas verdades do meu pai, como sempre muito sincero e sábio,
decidi que o melhor seria cometer suicídio e dar um fim ao meu sofrimento,
em vez de ir para a cadeia por tirar a vida da cadela. 
 Nada amenizaria a culpa por ter sido tão idiota, burro e arrogante. Sem
falar em todas as outras "puladas de cerca", coisas pequenas e sem
importância, que antecederam as fodas frequentes com a atriz popular, que
era considerada o sonho de consumo da maioria dos homens que a viam
atuando na novela em horário nobre.
 Vaidade era o meu nome do meio, e junto com a ilusão de que
qualquer mulher poderia me fazer feliz, agi como um verdadeiro calhorda.
Ledo engano. Veridiana nunca poderia ser substituída, pelo único fato de não
ter nenhuma outra à sua altura. Comprovei da pior maneira que somente
valorizamos o que temos, quando perdemos, e nunca antes, qualquer outro
ditado popular tinha sido tão verdadeiro e cruel.
 No fundo eu sabia que não merecia uma nova chance, mas o egoísmo
também me acompanhava de perto, e por isso, estava decidido a lutar para ter
minha esposa de volta. Eu precisava dela comigo, meu mundo estava vazio,
sem cor e sem vida. Era ela quem dava o toque final, fazia qualquer coisa
valer a pena e enchia meus dias de alegria e felicidade. 
 Depois de quarenta minutos de voo, cheguei ao Rio de Janeiro para
acertar as contas com meu futuro ex-empresário. Abelardo Montanhês era o
mais foda do ramo, e foi o único responsável pela minha volta aos gramados
brasileiros, mas junto com toda a banca de empresário do ano, promessas de
grandes conquistas e aparição nas vitrines europeias, vieram também as
consequências de um contrato ilusório e mentiroso. 
 Ganhei muito dinheiro, fiquei famoso em poucos meses, e em troca
perdi o que eu tinha de mais precioso no mundo. Não valeu a pena,
definitivamente.
 
— E aí, como você está? — meu irmão, três anos mais velho que eu e
meu advogado perguntou quando me viu — Esse joelho tem que repousar
Guga, não é hora de ficar zanzando por aí.
— Eu sei, Marcelo, mas eu tinha que vir e acabar logo com essa porra
toda! — respondi irritado.
 
 Meu joelho estava doendo, minha cabeça não descansava, e não ter
notícias de Veridiana feria como flecha meu peito.
 
— Olha pra mim, cara. — Marcelo me puxou pelo braço, mostrando
que não gostava de ser tratado daquele jeito — É melhor parar com essa
infantilidade, as notícias não são nada boas e acho melhor te falar logo, pra
você decidir pra onde quer ir primeiro.
— Fala sério, cara! Não tem como ficar pior, acredite.
 
 Meu irmão pegou uma pasta e abriu, tirando várias folhas de dentro e
estendendo na minha direção.
 
— A Veri me entregou isso hoje cedo, ela está aqui desde ontem à noite
e não quer ver você. 
— Ela tá no Rio?
 —Tá na casa do Binho, veio com ele.
 
 Tudo à minha volta ficou escuro, senti um vulcão se formar no meu
estômago e a raiva tomou conta do meu corpo. Aquele desgraçado, filho da
puta trouxe a minha mulher para passear no Rio. Veridiana amava aquela
cidade e sempre que tinha uma oportunidade, ia visitar o Cristo Redentor. 
 
— O que é isso? — balancei as folhas no ar sem a menor paciência
para enrolação. Eu só queria saber o que ela pretendia fazer.
— É o pedido de divórcio, Guga, e a Veri me garantiu que não tem a
menor chance de vocês voltarem. — ele pegou as folhas e voltou a guardá-las
na pasta, prevendo que a qualquer momento eu poderia arremessá-las para
longe.
— Isso é o que nós vamos ver, meu irmão... — apoiei a muleta e fui em
direção à esteira para pegar minha mala — Ela ainda não sabe, mas nosso
casamento não vai acabar, eu não vou deixar.
— Guga, me ouve! — não parei de andar, meu irmão me seguiu
bufando — Dá um tempo pra ela, espera ela sentir tua falta.
— Na cama daquele idiota? É lá que ela vai sentir minha falta? Nunca!
Eu vou atrás dela e ela vai ter que me perdoar, eu não vou deixar que ela
termine nosso casamento!
— Seu casamento acabou quando você traiu a sua esposa, Guga...
 
 Parei ao ouvir as palavras de Marcelo, e um desânimo chegou como
um tsunami arrastando tudo de dentro pra fora, em forma de lágrimas. Muitas
lágrimas. Sentei e chorei.
 
CAPÍTULO 2 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Acordei tarde e demorei a levantar da cama. Meu corpo ainda pedia
por mais algumas horas de sono, mas eu não queria perder o domingo
ensolarado na cidade que me fazia tão bem.
 O Rio de Janeiro ainda me torturava com milhares de lembranças
marcantes ao lado do meu marido, e mesmo assim, conseguia trazer um
pouco de alegria para minha vida.
 Os últimos seis meses foram os piores e mais complicados da minha
vida. Nem mesmo os dias em que passei fome na favela onde morávamos em
São Paulo amarguraram tanto meu coração quanto a traição de Guga. Eleconseguiu me destruir por completo e nem se dava conta daquilo.
 Meu marido era a pessoa em quem eu mais confiava no mundo, e
encontrá-lo transando com Bella Campari, considerada pela mídia a mulher
mais bonita do Brasil, foi o meu fim. Eu nunca imaginei que chegaria ao
fundo do poço como cheguei, mas precisava reagir e tocar o barco, para o
meu próprio bem. Meu casamento tinha acabado, minha vida, não.
 Olhei pela janela do quarto e avistei o mar calmo, o céu azul sem
nuvens, e mais afastado, o Cristo Redentor. A paisagem era cinematográfica,
reconfortante. Fechei os olhos sem desejar reviver o sofrimento que aquela
noite me causou, mas a imagem de Guga e Bella juntos naquele quarto de
motel voltou a me assombrar.
 Nos primeiros dias depois do flagrante, meus sentimentos eram de
ciúme e revolta. Logo depois veio a culpa e a autodepreciação, para em
seguida, todos serem centrifugados e se transformarem em desprezo e raiva.
Eu não queria nada daquele homem, apenas distância.
 O Guga que eu amava e achava que conhecia, não existia mais, nem
uma vasta sombra dele. Nada. O homem que me traiu era apenas um jogador
de futebol como outro qualquer, esnobe, volúvel e arrogante. Meu marido se
perdeu ao longo de todo o caminho que percorremos, e se entregou aos
prazeres oferecidos por uma mulher gostosa que conheceu, em troca de
aparições na mídia e milhares de minutos de fama, me deixando para trás. 
 A única coisa que eu queria dele era o seu amor, e ao fim do nosso
relacionamento de nove anos, compreendi que ele nunca seria capaz de
oferecer o que tanto desejava. Meu marido nunca me amou de verdade. Fui
sua amiga confidente, sua ouvinte nos momentos de solidão, sua razão
quando tudo chegou perto de desmoronar, sua companheira de batalha... mas
nunca fui sua mulher, aquela que deveria ser amada loucamente, desejada
furiosamente e adorada como uma esposa deve ser, quando tem ao seu lado
um marido que a venera.
 Guga fez sua escolha, me abrigando a fazer a minha. Eu não queria
aquele tipo de vida, e não iria manter um casamento com uma pessoa que não
me amava, sequer me respeitava. Sempre batalhei pelas nossas coisas e não
ficaria à mercê de um homem que foi capaz de me trair, apenas para manter o
status de casada ou continuar usufruindo do seu dinheiro.
 Meu casamento teria seu fim como mandava o figurino, o divórcio
seria devidamente assinado e seu sobrenome deixaria de ser meu legalmente,
definitivamente. Seríamos livres para fazermos o que quiséssemos, onde e
com quem desejássemos, para a felicidade dele e pela minha reconstrução. Eu
saberia o que fazer e conquistaria minha independência, tanto econômica,
como afetiva.
 Vesti um short jeans, uma blusa de malha branca e calcei uma
sapatilha nude. Prendi o cabelo longo num rabo de cavalo e espalhei protetor
solar pelo corpo, nas partes descobertas. Minha pele clara sofria com a
temperatura elevada, mas eu amava o verão e não me incomodava de perder
alguns minutos a mais com aquele cuidado.
— Bom dia! — Binho falou sorridente quando me viu entrar na
cozinha — Achei que ia hibernar.
 
Sentei na cadeira branca que ficava na ponta da mesa e sorri para o meu
amigo de infância.
 
— Bem que eu queria dormir mais um pouco, mas desisti depois que vi
o sol de rachar lá fora.
 
 Ele colocou uma xícara de café na minha frente e sentou ao meu lado.
 
— Você vai sair?
 
 Fabio, assim como Guga, era jogador de futebol. Também nasceu na
favela Santa Terezinha e cresceu na pobreza. Os dois eram inseparáveis e só
se afastaram quando meu marido recebeu uma proposta para jogar na Grécia,
com quase vinte anos. Na época, éramos namorados, eu tinha acabado de
completar dezoito, e o casamento foi de comum acordo para que ficássemos
juntos. Binho conseguiu se firmar na Portuguesa de Desportos, e há alguns
anos jogava no São Caetano, time da primeira divisão do Campeonato
Paulista.
 
— Vou encontrar o Marcelo para entregar os documentos, pretendo
almoçar fora e depois dar uma caminhada no calçadão. Preciso distrair um
pouco, e quem sabe, conhecer lugares novos para arejar a cabeça.
— Quer que eu vá com você?
 
 Desde o fim do meu casamento Binho esteve ao meu lado. Enxugava
minhas lágrimas, ouvia meus lamentos e tentava a todo custo me colocar para
cima. Estava tudo indo bem, até que em uma noite de crise existencial e
muito álcool, ele se declarou. Foi um baita susto, nunca imaginei que meu
amigo nutrisse aquele tipo de sentimento há tantos anos em silêncio, e de lá
para cá, as coisas tinham ficado um pouco estranhas entre nós.
 
— Prefiro ir sozinha, — segurei sua mão por cima da mesa — você
sabe que eu te amo, mas não como você deseja. Preciso me reerguer e hoje
darei o primeiro passo pra isso acontecer.
 
 Binho beijou minha mão com os olhos fechados, sofridos e
angustiados.
 
— Ele não vai deixar você sair da vida dele, Veri. O Guga te ama e te
quer de volta...
— Eu também o amo, e talvez nunca deixe de amar, mas não tem a
menor chance de continuarmos casados e ele sabe disso melhor do que
ninguém.
— Eu sei que o que você viu foi foda, mas não está na hora de tentar
dar uma chance pra ele? — Binho levantou e depositou a xícara que segurava
na pia — Se o amor de vocês é tão grande e recíproco, qual o problema em
tentar de novo?
— Você me conhece bem, sabe que eu não vou confiar mais nele e me
recuso a passar o resto da vida correndo atrás de marido; mexendo no celular
escondido pra ver se tem alguma mulher na concentração; imaginando o que
ele está fazendo quando o time tiver que viajar por muito tempo; enfim... não
é esse tipo de relação que quero ter. E nós dois sabemos que será uma
questão de tempo, até ele cair de novo em tentação e acabar numa cama de
motel com uma modelo ou atriz famosa. — sorri sentindo meu coração ser
esmagado dentro do peito — Ele não me ama, Binho, eu apenas estive ao
lado dele quando ninguém mais ficou.
— Ele não vai vacilar de novo, Veri, e é claro que te ama! — Binho
encostou o quadril na mesa, mantendo uma distância segura para não correr o
risco de fazer uma besteira e estragar a amizade que tínhamos — Tenho
certeza que ele se arrependeu muito por ter feito aquilo, não vai repetir a dose
e correr o risco de te perder de novo.
 
 Claro que iria, e nada me tirava da cabeça que Bella Campari não tinha
sido o primeiro "deslize" do meu marido. A atriz morena, alta, cheia de
curvas, rica e famosa, foi a única a ser descoberta, mas eu poderia apostar que
não foi a primeira traição dele. 
 
— Eu sei que você quer o melhor pra mim, mas nós dois sabemos que a
Bella não foi a primeira, e com certeza não será a última. — repeti seu gesto e
deixei a xícara na pia — Homens assim precisam de espaço pra poder voar, e
eu não serei capaz de dar isso a ele... voltar com Guga será como pisar no
prego duas vezes, e eu ainda corro o risco de destruir o pouco de dignidade
que me sobrou. Não vai acontecer, não iremos mais nos encontrar e o tempo
vai fazer o que faz de melhor meu amigo... ele vai passar.
— Você não pode ir embora, Veri! — Binho falou alterado — Ele vai
ficar numa boa, é só dar uma chance! Por favor, pensa melhor...
 
 A súplica em sua voz me incomodava muito. No fundo eu sabia que a
preocupação dele comigo, não era pelo Guga ou pelo meu casamento, e sim,
por ele. Tentei ignorar o apelo e finalizar de vez aquela conversa que não
fazia sentido, aliás, nem deveria ter começado. Eu assinaria o divórcio,
consensual ou litigioso, tudo dependeria apenas do meu futuro ex-marido. 
 
— Quantas foram antes dela, Binho? — cruzei os braços e encarei meu
amigo.
— O quê? — sua pele escura ficou num tom avermelhado, entregando
o fato que meu amigo tentava esconder.
— Apenas me responda: — minha voz era baixa e tranquila — com
quantas mulheres ele saiu antes de se envolver com a Bella?
 
 Eu tinha tanto medo daquela resposta, que minhas mãos começaram a
transpirar.
 
— Veri...
— Responde, Binho! — falei mais firme — Vamos lá, você não quer
que eu volte com ele? Então me conta, quantas foram antes dela?
— Eu não sei... nãotenho ideia...
 
 Senti um embrulho se formar na garganta, e já reconhecia o choro
pedindo passagem. Puxei o ar pelo nariz e me forcei a ser forte. Guga não
merecia nenhuma lágrima, nenhum minuto a mais do meu tempo pensando
nele, ou tentando encontrar o MEU erro naquele casamento, que para mim,
era perfeito. Eu amei aquele homem durante todo o tempo em que estivemos
juntos, desde os dezesseis anos, quando nos beijamos pela primeira vez. Foi
tudo para ele: meu amor, minha devoção, minha fidelidade. Eu não daria
outra chance para que meu coração fosse traído e pisoteado de novo.
 
— Me fala as que você conheceu. — saber a verdade era adquirir mais
uma ferramenta que seria utilizada na minha reinvenção.
 
 Binho estava incomodado com aquele assunto. Se ele me amasse como
havia confessado, certamente não concordaria com as ações do amigo, mas
também não queria piorar a situação, por isso estava tão relutante em revelar.
 
— Por favor, Veri, me peça qualquer coisa, menos isso.
— Não estou pedindo nada demais, só preciso saber quando foi que ele
deixou de me amar.
— Ele te ama, Veri, de verdade!
— Se ele me ama desse jeito, por que me traiu?
— Sei lá, porra!
— Binho, nós voltamos pro Brasil há pouco mais de dois anos. Se você
não me contar, eu vou acabar descobrindo quando souberem sobre o pedido
de divórcio, então, me poupe de um constrangimento ainda maior. Apenas
me fale a verdade.
 
 Meu amigo não sabia o que fazer. A cozinha pequena e bem arrumada
não era capaz de absorver tanta tensão. Ele estava inquieto, mais agitado do
que o normal.
 
— A primeira vez foi na festa de apresentação dele no Santos... com a
garota que ia fazer a cobertura da festa pro jornal da cidade.
— Isso foi um mês depois que a gente chegou.
 
 Minha voz quase não saiu. Apoiei a mão na parede para manter o
equilíbrio e tentar não enlouquecer de vez com o que tinha acabado de ouvir.
Quando houve a apresentação dele na cidade de Santos, minha mãe tinha
acabado de passar por uma cirurgia para retirar a vesícula, estava internada e
acabei ficando com ela no hospital em São Paulo e não o acompanhei. Eu
estava certa, as traições começaram bem antes de Bella aparecer.
 
— Veri, sério... foi só essa mulher, mas você não pode levar isso em
conta. Acho que ela ficou na cola dele a noite toda e acabou rolando, não foi
nada demais.
— Nada demais? — perguntei irônica — Que bom... porque se é assim,
tenho certeza que no passeio que vou fazer agora, vou encontrar alguns
homens que vão "ficar na minha cola" e se "acabar rolando", ele também não
vai poder levar isso em conta, não é?
— Você não faria isso! — não foi uma pergunta.
— Vai pagar pra ver? — desafiei.
— Veridiana, eu só vou ficar na minha se vocês continuarem juntos,
mas eu te juro que se essa porra de divórcio sair, eu vou lutar por você!
 
 Binho deu um passo à frente, e eu, dois para trás. Minha vida não
precisava de mais problemas, e meu amigo não seria capaz de oferecer
qualquer outra coisa naquele momento. Sempre fui uma mulher centrada e
decidida, passei muito tempo em um relacionamento que eu jurava e desejava
ser para a vida toda. Não iria lamentar. Consegui estudar, tinha a minha
profissão, embora não a exercesse, e poderia encontrar no futuro alguém que
me amasse de verdade e estivesse disposto a ficar somente comigo, mas
definitivamente, essa pessoa não seria o meu amigo.
 
— Eu vou sair agora, e você não precisa me esperar. — fui em direção
ao banheiro para escovar os dentes — Não tenho hora pra voltar.
— Veri, me desculpa, por favor... — me seguiu e parou na porta
apreciando meu corpo — Eu prometo que não vou mais falar sobre os meus
sentimentos com você.
— Eu não estou brava com você, mas a minha decisão já está tomada, e
nem você nem ninguém vai fazer eu mudar de ideia! — sequei a boca na
toalha, ainda com seus olhos em mim descaradamente — Então... temos dois
assuntos que serão evitados: você e o divórcio, porque vai sair, e o Guga não
pode fazer nada para impedir.
— Ele te ama, Veri, e vai lutar por você.
 
 Peguei minha bolsa, a pasta com toda a documentação que iria entregar
para o meu cunhado, meu celular e fui em direção à porta.
 
— Isso já não é um problema meu, Binho. A única coisa que eu quero
dele é distância, e se você quiser continuar com a nossa amizade, não força a
barra comigo...
— Uma hora você vai ter que se apaixonar de novo.
— Eu realmente espero que sim.
— Espera mesmo? — ele já estava sorrindo de novo.
— Eu não vou me transformar em uma mulher amarga e achar que
todos os homens são iguais a ele, a minha vez vai chegar, e eu vou ter a
família que sempre sonhei.
 
 Eu era jovem, não tinha a beleza estonteante de Bella Campari, mas
tinha meus encantos. Sabia o que queria, de onde vinha e tudo o que poderia
fazer para recomeçar a minha vida longe de Guga. Era tudo uma questão de
tempo, nada mais.
 Meu telefone tocou e o nome de Marcelo apareceu brilhando na tela.
 
— Oi... — atendi um pouco nervosa.
— Oi, Veri, onde você está?
— Saindo da casa do Binho, e você? — o ouvi resmungar alguma
coisa, mas ignorei.
 
 Eu sabia que a família do meu marido já estava sabendo sobre a
declaração de amor que meu amigo havia feito meses antes, o que abalou a
relação entre eles, mas eu não iria permitir que ninguém desse palpite sobre o
meu relacionamento com ele. Binho sabia que não teríamos nada além do que
já tínhamos, e isso para mim, era o suficiente.
 
— Achei que estivesse na Tijuca e não em Santa Tereza. Quer que eu
vá até aí?
— Podemos nos encontrar onde achar melhor.
— Estou a caminho, me encontre naquele café que a gente foi da
última vez, lembra?
— Lembro, é perto daqui, irei a pé.
 
 Nos despedimos encerrando a ligação e segui para o meu destino
naquela manhã ensolarada. Cheguei primeiro, sentei em uma mesa do lado de
fora e pedi um cafezinho para esperar Marcelo. Meu cunhado chegou com a
cara nada boa, ele era muito parecido com Guga fisicamente, mas em quase
nada na personalidade. 
 
— Bom dia! Como você está? — ele sentou ao meu lado, com a cara
amarrada de sempre e um humor que nunca estava bom.
— Estou bem. — a garçonete anotou o pedido dele e se retirou.
— O que você tinha de tão importante para falar comigo que não podia
esperar até amanhã? 
 
 Meu cunhado estava assumindo a função de "advogado do jogador
mais famoso do Brasil", e somente por aquela razão fui obrigada a lhe
entregar pessoalmente o pedido de divórcio. Guga estava tentando uma
reaproximação, mas eu sabia que era apenas por causa da repercussão que o
caso teve e tudo que disseram a meu respeito. 
 
— Como você sabe, seu irmão quer conversar comigo, e eu não
pretendo falar com ele. — Marcelo me analisava com sua frieza habitual —
Como fui informada que o advogado do Abelardo não seria mais o
responsável pelas coisas dele e sim você, decidi te entregar pessoalmente para
não correr nenhum risco de ser extraviado.
 
 Peguei a pasta e entreguei para ele. Marcelo abriu e seus olhos se
estreitaram.
 
— Veridiana, acho que antes de qualquer coisa, você deveria conversar
com ele e tentar resolver as coisas entre vocês. — ele guardou as folhas
brancas na pasta e voltou a me encarar.
— Eu sei que ele chega hoje no Rio, e você vai pegar ele no aeroporto.
Apenas entregue e faça com que ele assine. — peguei minha bolsa e me
preparei para deixá-lo comer em paz — Já te falei uma vez e não pretendo
repetir: eu não vou conseguir esquecer o que vi naquele motel tão cedo, e até
que aquela imagem suma de vez da minha cabeça, não quero encontrar o seu
irmão.
— Você não deve levar em conta tudo o que falaram de você, Veri.
Quem te conhece sabe que nada daquilo é verdade.
 
 Marcelo tinha razão, eu não deveria ligar por me chamarem de
interesseira, aproveitadora, manipuladora e muitas outras coisas por eu ser
loira, ter olhos verdes e meu marido ser um homem negro que nasceu na
favela, mas ninguém conhecia a minha história de vida e também não se
preocuparam em saber quem eu era. O mais importante para a imprensa era
justificar a traição do melhorjogador de futebol do Brasil com a atriz que
elevava o índice de audiência da maior emissora de televisão do país, quando
aparecia de biquíni em horário nobre.
 
— Eu não levei em conta o que a mídia falou ao meu respeito Marcelo,
— enxuguei as primeiras lágrimas que caíram depois de semanas sem darem
as caras — o que eu levei em conta foi o que o Guga NÃO FALOU a meu
respeito para rebater as acusações de que eu, a esposa que ele conheceu na
favela com apenas dezesseis anos, passou fome e frio ao lado dele e nunca o
abandonou ou traiu, não era nada daquilo que eles estavam falando... mas
agora, isso não faz mais diferença. O telefone do meu advogado está anotado
na última página, e de hoje em diante, é tudo com ele.
 
 Virei as costas e segui meu caminho, dividindo meu coração em duas
partes: amor e ódio. Minha decisão estava tomada, e nada seria capaz de me
convencer a voltar atrás. Guga faria parte do passado, e dali em diante eu
cuidaria do meu futuro.
 
CAPÍTULO 3 – GUGA
 
Nove anos antes...
 
— Vem, Binho, tá na hora! 
— De novo, Guga? Por que você não fala logo com ela?
— Porque eu ainda não sei se ela vai aceitar sair comigo, e eu não
quero receber um "não" na cara...
— Claro que ela vai querer. Tu não viu como ela te olha?
— Não sei, essa mina não é muito de conversar e tá sempre com a cara
amarrada.
— Ela é linda, Guga, a mais bonita daqui. Se ela for dar "trela" pra todo
cara que ficar pagando sapo, tá fodida.
 
 Meu amigo tinha razão, Veridiana era a garota mais bonita de Santa
Terezinha, e todos os caras que a gente conhecia sonhavam em sair com ela.
Mas a filha da dona Amélia não dava moral para ninguém, era séria,
trabalhava com a mãe e sempre tinha um livro debaixo do braço. Eu não
sabia o que ela fazia com tanto livro, mas desde que seus pais perderam tudo
num incêndio onde moravam e vieram se instalar em um barraco aqui na
nossa favela, eu fiquei alucinado.
 Ela parecia um anjo, e de uns tempos pra cá nossa relação começou a
melhorar um pouco. A gente se encarava, depois sorríamos um para o outro e
passamos a nos cumprimentar. Primeiro um "bom dia", depois um "tudo
bem?", e na última semana eu a ajudei e a mãe dela a carregar as frutas para a
barraca que elas tinham na feira da favela.
 Veridiana era filha única, tinha dezesseis anos e parecia muito
preocupada com o pai, que vivia de cama por causa de uma doença que eu
não sabia bem o que acontecia com a pessoa, mas o pai dela sofria muito com
aquela tal de depressão. A mãe dela era aquela mulher que não parava quieta,
mas levava a filha para tudo que era lugar, e a menina ia sem reclamar.
Minha mãe também gostava delas e percebeu logo o meu interesse pela
loirinha marrenta.
 Naquele dia eu ia convidá-la para ir ao cinema, ou tomar um sorvete.
Eu não tinha grana para sair, mas um filminho dava para garantir. Chegamos
à esquina da rua onde ela morava e ficamos esperando a loira chegar da
escola. Veridiana estudava à noite, ao contrário da maioria das meninas da
nossa idade, e acordava de madrugada para ajudar a mãe na feira.
 
— Olha lá, ela tá vindo! — Binho sussurrou e bateu com o cotovelo no
meu braço.
— Tô vendo, porra, não precisa me bater! — reclamei.
— Vai lá, negão, e fala logo o que tu quer.
 
 Respirei fundo e fui em direção a ela. Eu estava um pouco nervoso.
Aquela coisa de conquista era nova para mim, as meninas que queriam ficar
comigo, normalmente chegavam junto e eu não precisava correr atrás. Na
favela eu era conhecido, já tinha pegado a maioria das garotas, mas nunca
tinha ficado só com uma. Cada baladinha era uma, dificilmente me amarrava
e ficava mais de três vezes com a mesma.
 
— Oi! Deixa eu te ajudar com isso. — cumprimentei e peguei a
mochila dela que parecia carregar pedra de tão pesada que estava.
— O que você está fazendo aqui a essa hora?
— Vim te ver...
 
 Veridiana ficou me encarando com aqueles olhos lindos e uma
expressão de quem duvidava de que fosse verdade o que tinha escutado. Ela
já devia conhecer a minha fama de "pegador" e devia achar que era só mais
um xaveco furado para dar uns beijos nela.
 
— Olha, Augusto...
— Guga! — corrigi. Eu não gostava do meu nome, preferia que me
chamassem pelo apelido.
— Guga, eu não quero ser grossa, mas eu não vou ficar com você, —
ela foi bem direta e eu acabei gostando daquilo — tenho dezesseis anos, e só
vou ficar com um menino quando for pra namorar direito, então, nem adianta
perder seu tempo comigo.
— E por que tu acha que eu não quero namorar direito contigo? — eu
estava sorrindo, mas não era dela, era para ela.
— Eu sei que você é jogador de futebol e fica com muitas garotas,
duvido que comigo vá ser diferente.
 
 Senti-me orgulhoso de ouvi-la falar que eu era jogador de futebol.
Desde pequeno, meu sonho era jogar no Santos Futebol Clube, meu time do
coração, e estava correndo atrás. Todos os dias ia para o treino na Portuguesa
de Desportos, um clube tradicional da cidade, mas com pouca
representatividade no futebol nacional. Ficava a manhã toda por lá e à tarde
fazia exercícios de fortalecimento muscular na sala de musculação. 
 
— Tu não gosta de jogador de futebol?
— Sei lá... — deu de ombros — Nunca conheci nenhum, mas acho que
não deve ser fácil conciliar os treinos, as viagens, e ainda manter um namoro
sério. 
— Eu só viajo quando tem campeonato, não é o tempo todo, e só não
namorei ainda porque não encontrei uma mina que gostasse de verdade.
— E você gosta de mim, Guga?
 
 Ela também estava sorrindo, e ver Veridiana sorrir, além de ser raro,
era a coisa mais linda de testemunhar. Alguma coisa estava mudando dentro
de mim, eu só não sabia o que era.
 
— Gosto muito, Veri. — afirmei com convicção para ela entender que
eu não estava mentindo ou brincando.
 
 Chegamos na frente da casa dela, ficamos nos olhando, sorrindo um
para o outro, e naquele dia demos o nosso primeiro beijo. Foi tão bom, tão
calmo e tão diferente, que parecia que a gente se conhecia há muito tempo.
Veridiana tinha uma boca deliciosa e seu corpo era o mais gostoso que eu já
tinha abraçado.
 
— Você quer ir ao cinema comigo?
— Quero, mas você vai ter que pedir pra minha mãe deixar eu ir. 
— Sério?
— Uhum. Ela não é brava, mas vai querer fazer um interrogatório
contigo antes de liberar.
— Tá bom, eu falo com ela amanhã.
— Eu vou entrar que já está tarde e eu preciso dormir um pouco.
— Que horas você levanta pra ir trabalhar?
— Às três e meia, senão atrasa tudo e a gente não consegue aprontar a
barraca.
— É muito cedo!
— Já estou acostumada...
— Posso te ver de novo amanhã?
— Pode, e quando for falar com a minha mãe fala com jeito, senão ela
não vai me deixar ir com você.
 
 Nos beijamos mais uma vez e esperei ela entrar. Encontrei Binho na
esquina com uma cara estranha, mas eu estava tão feliz, que nem me
preocupei em perguntar o que tinha acontecido com ele. 
 No dia seguinte saí mais cedo de casa e passei na barraca de frutas,
falei com a mãe dela e pedi para levar Veri ao cinema. Dona Amélia deixou,
avisou que a filha era especial e que eu estava proibido de fazê-la sofrer.
 Cheguei à casa de Binho em cima da hora e seguimos para o treino
como fazíamos todos os dias, mas naquela manhã, em especial, eu estava
diferente. Sentia-me bem, ansioso para ver Veridiana e doido para beijá-la de
novo. 
 
— Porra, Guga, hoje você merecia um prêmio, acabou com o jogo.
Parabéns, garoto! — o técnico do time elogiou quando o treino acabou.
Fizemos uma ótima partida amistosa contra um time do interior da nossa
categoria, marquei três gols e "comi a bola". 
— Valeu, "fessor"! Hoje eu tô me sentindo bem.
— Continua se dedicando que logo aparece uma oportunidade pra você
no time principal.
 
 Carlinhos era um cara sério, não gostava de perder e pegava no meu pé
todos os dias. Reclamava da minha falta de concentração durante os jogos,
dos passes errados que eu dava e das finalizações mal feitas com perna
direita. Eu era canhoto, e tinha muita dificuldade com a outra perna, mas ele
insistia que se eu treinasse mais, aquele fundamento poderiaser melhorado.
 
— Não vou parar, eu sei que vai aparecer e logo vou subir pro time
profissional... 
 
 Depois do almoço sentamos para assistir um pouco de televisão e meu
amigo continuava com a cara fechada. Eu não gostava de ser intrometido,
mas Binho não era daquele jeito e aquela mudança no comportamento dele
acabou me preocupando.
 
— Tá tudo bem contigo? 
— Tá.
— Aconteceu alguma coisa ontem à noite? Tu ficou meio bolado
depois que a gente saiu da casa da Veri...
— Veri? — riu debochado — Já tá íntimo da mina pra chamar ela
assim?
— E se tiver, qual o problema? — devolvi o deboche — Tá com
ciúme?
— Claro que não, mané! 
— Então fala aí, o que tá pegando?
— Nada, porra! Vai ficar me enchendo o saco agora?
— Claro! Alguma coisa aconteceu pra tu ficar assim, só fiquei
preocupado contigo. Mas se não quer falar o que é, beleza.
 
 Binho ficou olhando para a televisão em silêncio. Ele estava muito
diferente e podia até negar, mas eu sabia que alguma coisa estava
incomodando meu amigo.
 
— Não aconteceu nada, tá bom? Esquece tudo e me conta aí da mina.
Como foi com a mãe dela?
— Porra, aquela garota é demais, linda e gostosa pra caralho. Tô
pensando em namorar sério com ela...
— Namorar? Cê tá maluco, mano?
— Com ela vai valer a pena...
— E o futebol? E o teu sonho de jogar fora do Brasil?
— Ela vai comigo. Qual o problema?
— Eu não tô acreditando que tu tá falando isso. Tá apaixonado, cara?
 
 Pela primeira vez nos meus dezessete anos eu achava que a garota loira
de olhos verdes, que trabalhava na feira, era a responsável por eu sentir
aquelas coisas estranhas. 
 
— Sei lá, nunca me apaixonei antes, mas se ficar apaixonado for querer
chegar logo em casa só pra poder encontrar com ela, então... acho que eu tô
muito apaixonado.
— Não é possível que ficar com a mina só uma vez pode ter sido tão
bom assim. Fala sério, Guga!
 
 Deitei no sofá pequeno que mal suportava o peso do meu corpo e olhei
para o teto, sorrindo com cara de bobo.
 
— Não foi bom, Binho, foi muito melhor do que isso. A Veridiana
entrou na minha vida, e acho que não vai sair mais...
 
 Ele não respondeu. Aproveitei o silêncio e fechei os olhos para dar um
cochilo, antes de enfrentar a sala de musculação com o resto do time. A
loirinha povoou meus sonhos, e quando dei por mim, ela já tinha se tornado a
pessoa mais importante da minha vida, mas eu não soube dar valor, e quando
acordei, era tarde demais...
 
CAPÍTULO 4 – GUGA
 
Dias atuais...
 
Deixamos o aeroporto Santos Dumont na hora do almoço. Depois da
minha patética crise de choro perto das esteiras, meu irmão conseguiu me
arrastar para um restaurante pequeno e desconhecido. Eu só queria falar com
a minha esposa, matar o meu ex melhor amigo e processar o empresário
charlatão que me usou para enriquecer sua conta bancária em alguns milhões
de reais.
 
— Por aqui, senhores, — o homem engravatado todo metido a besta
nos acompanhou até uma mesa reservada — fiquem à vontade, o garçom virá
anotar o pedido.
— Caralho, Marcelo, você não vai mudar nunca? 
— Dinheiro foi feito pra isso, Guga, aproveitar as coisas boas da vida, e
comer num bom restaurante está nessa lista.
 
 Resmunguei. Aquele jeito dele de enxergar a vida me irritava muito.
Foi na Grécia, junto com Veri, que aprendi a economizar nosso dinheiro, não
gastar com besteiras e pensar no futuro. Minha esposa sabia bem o que dizia.
Seus pais ganhavam um bom salário quando eram novos e tinham uma
barraca de frutas na feira, mas não compraram imóveis, nem guardaram ou
investiram a grana. Quando a casa em que moravam de aluguel pegou fogo, e
eles perderam tudo, Amelia e Oscar precisaram começar do zero, como se
nunca tivessem trabalhado. Meu sogro caiu em depressão, e só melhorou
quando minha sogra, com a ajuda da filha, conseguiu se reerguer na favela.
Foram quase doze anos entre melhoras e recaídas, até se recuperar
totalmente.
 
— Como ela está? — perguntei olhando o cardápio, ansioso pela
resposta do meu único irmão — Não precisa mentir pra mim.
— Tá muito pior do que pensei. — ele apoiou os cotovelos na mesa e
esperou que eu o encarasse — O que eu vi hoje, Guga, foi uma mulher que
perdeu o brilho. A Veridiana que a gente conheceu não existe mais. Ela te
ama muito, e isso talvez não mude, mas o estrago que você fez foi tão grande,
irmão, sei lá... não sei se ela vai ser capaz de te perdoar e simplesmente
esquecer.
— Ela disse que ainda me ama? — meu coração acelerou em
expectativa.
— Não, mas só quem ama muito fica daquele jeito. Se ela não te
amasse, não teria tanto medo de falar com você pessoalmente. 
— Achei que ela fosse me encontrar ontem no aeroporto de Guarulhos
e viesse pro Rio comigo como eu pedi... nós nunca ficamos tanto tempo sem
nos falarmos. São quase seis meses, — meus olhos começavam a arder — eu
tô com muita saudade dela, tanta que chega a doer.
— Acho melhor ir se acostumando com a distância. — Marcelo deu de
ombros — Além de não esquecer a cena que ela viu, tem mais uma coisa que
tá acabando com a Veri.
— O quê? — eu tinha fodido tanto a vida dela que já nem sabia mais o
que poderia ser pior.
— Depois que ela pegou você com a Bella, a mídia caiu matando em
cima dela. Eu falei pra você que estavam pegando pesado, que era uma puta
injustiça o que estavam falando da Veri, mas como sempre, você não me deu
atenção, preferiu ir atrás do Abelardo e agir como se não fosse nada demais.
Eu te conheço bem, Guga, entendo que você casou cedo e não aproveitou a
vida como um cara da sua idade deveria aproveitar, mas foi uma escolha
SUA, ninguém te obrigou a casar e ir pra Grécia com ela. Foi VOCÊ quem
quis, já tinha quase vinte anos nas costas, namorava há quase três e isso não
pode ser uma justificativa pra todas as merdas que fez. — Marcelo estava
decepcionado comigo, e eu me sentia cada vez mais para baixo ouvindo
aquelas verdades. Meu irmão continuou o massacre, e parecia ter esperado
muito por aquela oportunidade de jogar na minha cara tudo de ruim que eu
tinha feito à minha esposa, e a toda minha família — Chegaram a falar que
ela era uma aproveitadora, que tinha tentado se dar bem em cima de você, o
"preto, pobre coitado" que saiu da favela de Santa Terezinha direto para os
gramados mundiais. Você imagina o quanto isso deve ter magoado a
Veridiana? E o que você fez? Fala pra mim Guga, QUE PORRA VOCÊ FEZ
PRA DEFENDER A SUA ESPOSA? Ela nunca fez questão de aparecer para
a imprensa, porque te respeitava e acreditava em tudo que dizia pra ela, e
VOCÊ nunca fez questão de falar que era casado. Desde que voltou pro
Brasil, evitava dar entrevistas e falar sobre a sua vida pessoal, pensa que eu
não sei? — não respondi. Senti o mal-estar voltar, e a vontade de sair
correndo só aumentava. Passei a mão na cabeça quase raspada, muito
envergonhado, e tive que me esforçar para segurar o choro. Podia jurar que se
meu irmão pudesse, me enchia de porrada ali mesmo. Ele estava puto
comigo, e com toda razão, eu também estava puto comigo por ter sido tão
burro e me deixado levar por pessoas que nunca se importaram comigo. —
Sabe o que me deixa mais fodido com tudo isso? — Marcelo continuou — É
ver tantas pessoas que eu amo sofrerem por sua causa, e o pior, saber que seu
casamento acabou, e você vai passar a vida toda se amargurando por ter
perdido a mulher que ama e que te amou, desde quando tu não tinha nada,
nem dinheiro pra pegar o ônibus pra ir treinar. Arrumar outra esposa agora
vai ser fácil, Guga, você tá famoso, milionário, e qualquer mulher vai querer
te chamar de marido, mas em quem você vai confiar? Na Bella Campari, que
te pediu uma grana preta pra não contar as putarias que fez contigo? Na
gostosinha do jornal, que você comeu dentro do vestiário no dia da tua
apresentação; que só queria se aparecer às tuas custas e ganhar os quinze
minutinhos de fama? Porra, Guga! Enquanto você cagava e esfregava a
bunda na merda, a mulher que te amava de verdade aguentou sozinha a barra
por quase dois meses, vendo a cara dela todos os dias nas revistas de fofoca,
porque você não teveo mínimo de vergonha na cara, e foi a público dar uma
declaração pra defender a SUA ESPOSA, quando todo mundo se virou contra
ela!
— Eu preciso muito falar com a Veri, me desculpar, olhar nos olhos
dela e pedir perdão por tudo que fiz. — sussurrei desesperado, aflito, me
dando conta do tamanho do estrago que tinha feito na vida da minha mulher.
— Ela não quer te ver, Guga, e acho que forçar a barra com ela agora
só vai piorar a situação de vocês.
— Mesmo que ela não fique comigo, eu preciso pedir perdão, ela tem
que me ouvir...
— Posso te fazer uma pergunta?
 
 Assenti com a cabeça, sentindo meu rosto molhar com as lágrimas que
desciam. Eu sabia que podia estar parecendo um pouco mariquinha, mas
estava doendo tanto ouvir tudo de forma tão direta, que minha consciência
finalmente assumiu a culpa por todo sofrimento que causei à minha esposa. E
aquilo era muito pior do que ficar longe dela. Veridiana não merecia passar
por tudo que passou por minha causa, eu precisaria pensar em várias coisas
para fazer e tentar conseguir o seu perdão.
 
— O que você faria se visse hoje a Veri com outro homem?
— Tá louco ou o quê? — fechei as mãos em punho e senti meus
músculos ficarem tensos.
— Isso mesmo que você ouviu, agora ela é uma mulher livre e pode
ficar com quem quiser. O que você faria se visse a Veridiana com outro
homem?
— Ela não vai ficar com quem quiser, Veridiana é minha mulher, e vai
continuar assim!
 
 Marcelo deu um sorriso de lado, que só aumentou o ódio mortal que eu
estava sentindo dele naquele momento. Cenas da minha esposa nua, na cama
com Binho, transando com ele, sorrindo pra ele, gozando com ele,
começaram a pipocar na minha cabeça e me enlouquecerem, me tirando
completamente do meu estado normal. FODA! Se algum homem encostasse
nela, eu seria capaz de fazer uma besteira muito maior do que todas que já
tinha feito.
 
— Então, agora você talvez consiga imaginar o que a Veridiana sentiu
quando te viu transando com uma mulher completamente diferente dela... e
ainda precisou ouvir de muitas pessoas que nem a conheciam, que se ela
fosse uma esposa de verdade, nunca teria sido traída.
— Eu já sei que fodi com tudo, tenho plena consciência que a vida dela
virou do avesso por minha causa, tá bom? Não precisa mais ficar jogando na
minha cara. — bufei tentando conter a enxurrada de emoções que gladiavam
no meu peito procurando uma solução para acabar com aquele sofrimento
todo — Agora eu preciso pensar num jeito de fazer minha esposa me ouvir,
me perdoar e voltar pra mim. Rápido. Porque eu não sei o que sou capaz de
fazer se algum outro homem encostar nela...
— Tenho pena de você nesse momento, Guga.
 
 Marcelo, meu irmão, era três anos mais velho do que eu. Sempre foi o
estudioso, o nerd, o equilibrado da família. Chato, metódico, organizado e
muito galinha. Desde novo reclamava que a vida de jogador de futebol era
curta, que eu não duraria muito se não estudasse, e foi por influência dele que
Veridiana fez vários cursos enquanto estávamos na Grécia. Ele acreditava
que só amamos uma vez na vida, e quando encontramos nossa cara-metade, é
besteira remar contra a maré. Como meus pais, Marcelo sempre gostou muito
da minha esposa, e nunca se opôs ao namoro que começou quando ainda
éramos adolescentes, mas eu podia apostar uma boa grana, que ali, na minha
frente, ele estava adorando me ver daquele jeito, na merda, fodido e
totalmente perdido, precisando da ajuda dele. Filho da puta!
 
— Pena de mim, por quê?
— Porque a essa hora o Binho deve estar fazendo uma macarronada
deliciosa pra Veridiana, — Marcelo olhou debochado para o relógio de pulso
dourado que enfeitava seu pulso — e como nós dois sabemos, aquele traíra
está contando com a sobremesa, que no caso, seria a sua esposa.
— Só por cima do meu cadáver! — levantei num pulo e arrastei a
cadeira para trás — Você vem comigo ou vai ficar aí?
— A gente nem comeu ainda. — o filho da puta falou sorrindo.
— A gente come lá, eu adoro macarronada!
 
 Deixamos o restaurante sem comer, e o garçom com cara de prego
ficou resmungando. Meu ex-amigo queria conversar comigo, talvez achando
que minha esposa estivesse livre para ele, mas eu iria mostrar para Fabio
Lopes que eu nunca iria desistir dela, e somente quando Veridiana olhasse em
meus olhos e dissesse que não me amava mais, eu cogitaria deixá-la. Do
contrário, ela iria me perdoar e eu passaria todo o resto da minha vida
tentando compensar meus erros.
 
CAPÍTULO 5 – VERIDIANA
 
Nove anos antes...
 
Entrei em casa com um sorriso que ia de orelha a orelha, encontrei
minha mãe na sala assistindo televisão, me esperando chegar da escola como
fazia todos os dias.
 
— Demorou. — falou comigo sem tirar os olhos da tela de catorze
polegadas.
— Desculpa, mãe. — beijei sua cabeça — Fiquei conversando com o
Guga na porta até agora.
— Eu sei, também vi ele quase te engolindo.
 
 Sentei ao lado dela sorrindo como uma boba. Apoiei minha cabeça em
seu ombro, com os olhos fechados, lembrando da boca deliciosa de Guga me
devorando. Minha mãe era minha única amiga, não tínhamos segredos.
 
— Foi muito melhor do que eu imaginava, mãe...
 
 Eu tinha apenas dezesseis anos, e Guga tinha sido o primeiro garoto
que havia me beijado. 
 
— Eu imagino, mas você não acha que esse menino é muito galinha?
Todos na feira falam que ele não costuma namorar e só pensa em ser jogador
de futebol.
— Ele disse que quer namorar sério comigo. E amanhã vai pedir pra
senhora deixar eu ir ao cinema com ele.
— Veri, não me incomodo que você namore, mas não entra de cabeça
logo de cara, filha, esses meninos não têm muita responsabilidade. E pelo que
te conheço, essa história de ficar com um e com outro não é o que você quer.
— Eu gosto dele, mãe, já tinha te falado isso. — Guga sempre mexeu
comigo, e quando começamos a nos olhar de maneira diferente, minha mãe
foi a primeira a saber sobre os meus sentimentos e dúvidas. — Se ele estiver
a fim de namorar comigo, eu quero tentar.
 
 Dona Amelia beijou meu rosto e sorriu.
 
— E eu posso saber por que você falou pra ele que precisava da minha
autorização pra ir ao cinema?
— Foi só um teste. — levantei e pisquei para ela — Se ele dissesse que
não ia falar com a senhora, eu não ia nem perder meu tempo saindo com ele;
já disse que não serei apenas mais uma na lista.
— Muito inteligente da sua parte. Gostei disso.
— Não sou boba, mãe, já sabia das meninas que ele ficava. E quero
mostrar que comigo vai ter que ser diferente, porque não sou como elas. Eu
tô começando a sentir coisas que nunca senti antes... 
— Isso é o amor, filha. A gente sente quando é especial. Agora vá
dormir! Daqui a pouco a gente tem que levantar. E eu preciso me preparar pra
enfrentar aquele garoto no meu pé logo cedo.
— Obrigada, mãe! Como o meu pai está? Melhorou?
— Tá na mesma, não sai da cama pra nada, nem pra tomar banho. E eu
não tenho tempo pra ficar em cima dele. Eu amo aquele velho, mas não posso
viver por ele, se seu pai não quer ajuda, ninguém vai conseguir ajudá-lo. —
beijou minha testa — Boa noite, filha! Não se preocupa com isso, deixa que a
gente vai encontrar um jeito de fazer ele voltar.
 
 Fui para o meu quarto feliz por ter beijado um garoto pela primeira
vez, e chateada por saber que meu pai ainda não havia se recuperado do
trauma. Estávamos morando na favela de Santa Terezinha desde que a nossa
casa pegou fogo e perdemos tudo. Minha mãe nunca se entregou, mas o
senhor Oscar seguia de mal a pior, o que tornava tudo mais complicado para
mim. 
 No dia seguinte logo cedo, Guga passou na barraca e conversou por
quase meia hora com a futura sogra, e prometeu que iria me esperar na porta
da escola à noite. Naquele mesmo dia engatamos um namoro que
surpreendeu muitas meninas da favela e gerou muita fofoca entre os jovens
na comunidade.
 Guga era um mulato lindo, tinha quase um metro e noventa de altura,
cabelo raspado e olhos negros alegres e divertidos. Seu sorriso era largo,
espontâneo, e seu corpo era esculpido por exercícios físicos diários. Muitas
mulheres desejavammeu namorado, mas ele sempre se mostrou um homem
sincero e fiel.
 Quando completamos seis meses de namoro, tivemos nossa primeira
noite de amor. Guga foi meu primeiro homem, e com todas as minhas forças
eu desejava que fosse o último também. Ele era maravilhoso na cama, sempre
se mostrava apaixonado, muito carinhoso e divertido. Nos dávamos bem,
conversávamos muito e sempre fazíamos planos para o futuro juntos. Binho
passou a ser nossa companhia mais constante, e também se tornou meu
grande amigo.
 Aprendi tudo sobre futebol, regras, times, campeonatos, e quando tinha
jogo aos finais de semana, lá estava eu na arquibancada, uniformizada e
torcendo como uma verdadeira fã. Meu namorado era meu ídolo, e meu amor
por ele crescia a cada dia que passávamos juntos.
 No ano seguinte Guga se machucou seriamente e precisou se afastar
dos gramados por quase oito meses, para se recuperar de uma lesão no púbis,
que impossibilitava a prática de qualquer atividade física, inclusive o sexo.
Meu namorado passou por uma cirurgia, e quase se rendeu ao desânimo,
pensando até em abandonar seu sonho de se tornar um atleta profissional,
mas não deixei. Sabia que era apenas uma fase ruim, e em pouco tempo ele
iria conseguir voltar a treinar e fazer o que mais amava.
 Acompanhei todos os processos, desde o diagnóstico da lesão, que se
deu pelo excesso de treinamento, até a opção pela cirurgia, quando o médico
ortopedista da Portuguesa de Desportos informou que a lesão era de grau três
e poderia ser agravada se não fosse tratada imediatamente.
 Durante o período da recuperação dele, meu pai foi obrigado a retornar
do mundo depressivo em que vivia. Depois de um ataque de fúria, exigindo
que ele retomasse seu lugar na família como o "homem da casa", consegui
fazê-lo enxergar que ele não era o único ser humano no mundo que tinha
problemas. Foram meses muito difíceis, sem grana, sem trabalho, e uma crise
no país que quase nos arrastou para o fracasso. Até fome chegamos a passar,
mas conseguimos superar aquela fase, e as coisas aos poucos foram voltando
ao normal.
 Quando Guga completou dezenove anos, o técnico da Portuguesa de
Desportos o inscreveu no campeonato paulista pelo time principal, e a boa
atuação do meu namorado nos jogos chamou a atenção de alguns
empresários. Ele recebeu uma proposta muito boa para jogar em um time da
primeira divisão da Grécia, iria receber um belo salário e teria uma casa para
morar, caso fosse casado. 
 Marcelo, irmão mais velho dele, levou o contrato para um dos seus
professores do colégio ler, meu cunhado fazia algumas matérias adicionais
para ajudá-lo a entrar na faculdade federal, e ele nos garantiu que ser
transferido para um clube europeu seria realmente muito bom
financeiramente, mas avisou que Guga teria sérias dificuldades com o idioma
e não poderia visitar a família com frequência, por causa da distância e do
valor altíssimo das passagens.
 Quando o campeonato paulista chegou ao fim, meu namorado foi
eleito o jogador "revelação" da competição, e seu nome foi ainda mais
valorizado, o que facilitou a tomada de decisão de mudar de país e tentar a
sorte no futebol grego.
 
— Eu quero que vá comigo, Veri, como minha esposa. Você aceita
casar comigo?
 
 Guga estava de joelhos, no meio da sala, segurando uma aliança
dourada, com um sorriso lindo nos lábios grossos.
 
— Você tem certeza, Guga?
— De tudo que tá acontecendo, a única certeza que eu tenho é que você
é a mulher da minha vida, e eu te amo demais.
 
 Fiquei emocionada. Sabia que meus pais tentariam me convencer a
ficar, devido à minha idade. Eles achavam que eu era muito nova para
namorar sério, mas eu não tinha dúvidas: Guga sempre seria o meu primeiro
e único amor, e era com ele que eu queria ficar, até a minha morte.
 
— Claro que eu quero. Vou com você pra onde quiser me levar...
— Eu te amo, Veri... desde o primeiro beijo.
— Eu também te amo, Guga... desde o primeiro beijo. — meu
namorado me abraçou e colou nossas bocas num beijo delicioso — Já contou
pros seus pais sobre o casamento?
— Claro, eles deram o maior apoio. — me encarou divertido — Será
que a sua mãe vai surtar?
— Acho que não. No fundo ela já imaginava que uma hora isso ia
acabar acontecendo. — sorri abraçando seu pescoço, sentindo nossos corpos
colarem ainda mais e o calor aumentar consideravelmente.
— Então podemos comemorar um pouquinho? — ele me pegou no colo
e me deitou na sua cama — Você é a mulher mais linda do mundo...
 
 Beijou meu corpo, arrancando minha roupa. Lambeu a parte interna
das minhas pernas, atiçando e provocando. Suas mãos apertavam minha
bunda, enquanto ele se aproximava lentamente da parte encharcada, pedinte,
desesperada por ele. Cheirou minha boceta para logo em seguida torturar meu
clitóris até me enlouquecer. Como um gato negro selvagem, apoiou as mãos
na cama e posicionou seu corpo sobre o meu.
 
— Abre as pernas pra mim... deixa eu me enterrar em você.
 
 Fiz o que ele mandou, recebendo beijos do pescoço até a orelha.
 
— Já te falei que você é gostosa demais? — perguntou segurando seu
pau, esfregando-o por toda minha extensão escorregadia.
— Hoje ainda não... — minha voz saiu arrastada, carregada de tesão.
— Essa bocetinha é deliciosa! — posicionou seu pau na minha entrada
e invadiu lentamente, me abrindo para recebê-lo por completo — Você é
gostosa demais, "baixinha", e essa boceta é a minha perdição.
 
 Gemi ao senti-lo dentro de mim. Guga era grande, e conhecia todos os
caminhos para me levar ao céu.
— Te amo, Veri! — sussurrou no meu ouvido antes de começar a me
foder com força.
— Te amo, Guga!
 
 As estocadas ficaram mais insanas, balançando a cama barulhenta.
Guga tomou posse do que já era seu, e depois de me ver gozar, se derreteu
dentro de mim, me marcando como sua.
 Aquela foi uma das últimas vezes em que transamos na favela,
semanas depois partimos para a Grécia, casados. Vivemos o real significado
do que chamam de casamento, e sem saber, aproveitei os melhores momentos
ao lado do meu marido.
 Foram quatro anos longe de casa, apenas nós dois, até que um
empresário famoso, através de um outro jogador brasileiro que eu odiava, o
Bruno, conheceu Guga e fez uma proposta milionária para que ele voltasse ao
Brasil para jogar no Santos, seu time do coração.
 Nós tínhamos vários e vários planos, e o mais importante deles era
aumentar a nossa família, mas não me atentei aos sinais deixados pelo
caminho, e quando dei por mim... meu castelo encantado desmoronou, e o
meu príncipe encantado, virou sapo.
 
CAPÍTULO 6 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 A vista do Cristo Redentor era a coisa mais linda do mundo, nada se
comparava a ela, mas naquele dia em especial, estava ainda mais bonita.
Talvez por que eu já estava um bagaço, com as emoções à flor da pele e uma
enorme vontade de chorar. Olhar aquele mundo colorido, cheio de vida e de
gente, me deixou muito envergonhada por desejar morrer.
 Sim, eu realmente quis morrer. Claro que nunca iria confessar uma
coisa daquelas, mas a verdade era que minha vida estava arruinada, e por
mais forte que eu tentasse ser, demoraria uma segunda vida para a minha
autoestima retornar.
 Sempre que fechava os olhos, a imagem de Guga transando com
aquela mulher invadia meus pensamentos. Parecia algum tipo de vingança do
universo por alguma coisa que eu tinha feito, e não sabia. Vê-lo em pé,
segurando sua cintura, investindo contra ela e gemendo de prazer foi a coisa
mais difícil de encarar. Doía demais lembrar, mesmo depois de seis meses.
 Minhas lágrimas voltaram a descer, enquanto eu pedia perdão por ser
tão fraca e amar tanto aquele homem. Eu sabia que ele não merecia o meu
amor, e já era dúvida na minha cabeça se algum dia ele mereceu. Guga
prometeu ser fiel, nunca mentir ou enganar, mas depois das minhas
descobertas, muitas lacunas ficaram em aberto.
 Eu me sentia um monte de merda, feia, gorda e velha. Como aquilo era
possível? Como uma traição podia ser tão perversa com uma mulher? Por que
eu me sentia culpada por uma coisa que ELE tinha decidido fazer?Não era
justo...
 Trair foi uma opção, meu marido não foi obrigado a transar com
aquela mulher ou com qualquer outra. Se fez, foi por vontade, desejo, e se
aconteceu, foi porque seu amor por mim não era o bastante. Então... por que
continuar casada? Havia uma grande diferença entre achar uma mulher bonita
e cobiçá-la a ponto de levá-la pra cama colocando em risco seu casamento.
Guga não se preocupou comigo, esposa dele, prova disso é que foi flagrado.
 Quando voltamos para o Brasil ele estava eufórico. Abelardo Martinês,
seu empresário, fez muitas promessas, entre elas, levar Guga ao topo do
ranking nacional. Meu marido chegou ao Santos Futebol Clube com status de
"craque", "super jogador", e seu comportamento mudou. No começo eu
estranhei um pouco certas atitudes suas, mas ele me garantiu que não era
nada demais, apenas impressão minha.
 Não tinha mais horário para chegar; sempre havia algum encontro
profissional, sessão de fotos ou entrevista; e em todos os compromissos,
minha presença era "dispensada". Muitas vezes me sentia excluída, mas eu
confiava tanto nele, que nunca na minha cabeça imaginaria que meu marido
pudesse estar mentindo para mim. Eu sei... fui uma besta quadrada.
 Comecei a descida do Corcovado, misturada à multidão de turistas que
vinham de vários países conhecer a grande estátua. O sol brilhante no céu
deixava tudo ainda mais encantador, e mesmo com o coração em frangalhos,
eu ainda conseguia me emocionar ali, naquele lugar mágico. 
 Quando cheguei ao fim da descida, senti meu braço ser puxado. Um
toque firme, quente. Olhei para trás um pouco assustada.
 
— Bruno? O que você está fazendo aqui? — encontrar aquele cara era
tudo que eu NÃO precisava.
— Estou de férias, esqueceu? E você, parece perdida... tava chorando?
— seu dedo limpou uma lágrima fujona.
— Nada demais, besteira. — sorri de lado tentando disfarçar, fugindo
do seu toque. 
— Cadê o negão? — Bruno olhou para os lados procurando o amigo,
com o mesmo jeito arrogante de sempre — Vai dizer que aquele mané te
deixou vir aqui sozinha? Ele não mudou nada mesmo, não é?
— Nós não estamos mais juntos, Bruno... vai dizer que não sabia?
 
 Bruno era jogador de futebol, ex-colega de Guga no time grego. Eles
ficaram amigos nos primeiros dias de treino, e logo passou a frequentar nossa
casa, em Atenas. Seu jeito arrogante, prepotente e irônico, me irritava
profundamente. Era metido a galã e vivia cercado de mulheres, na maioria
das vezes, putas. 
 
— Então, aquela fofoca não era fofoca? — seu olhar mudou, e o sorriso
sarcástico se desfez.
— Não. Aconteceu mesmo. — passei as costas da mão no rosto, numa
tentativa muito falha de secá-lo — Mas já passou, vou ficar bem.
— Já almoçou?
 
 Bruno me encarava diretamente. Seus olhos castanhos pareciam querer
me despir. Ele não era um homem lindo, mas era charmoso. Seu cabelo não
era loiro, também não era escuro, parecia um tom diferente de marrom. Seu
rosto era rústico, grosseiro, tinha cara de mau, e na soma final, combinava
perfeitamente com seu jeito "homem das cavernas". 
 
— Ainda não, eu estava indo emb...
— Vem comigo, vou te levar pra comer num lugar especial. — não
consegui terminar de falar. Puxou meu braço quase me arrastando — E nem
adianta pensar em recusar, de hoje você não escapa. 
— Eu não sei se é uma boa ideia, Bruno. E se algum paparazzo tirar
uma foto nossa? 
— Qual o problema, Veri? — ele parou no meio da calçada sem me
soltar — Nós somos amigos, não somos? Não devemos satisfação pra
ninguém, e se aquele babaca não soube dar valor à mulher linda que tinha,
azar o dele. Agora relaxa e vem se divertir um pouco, pelo jeito faz tempo
que você não sabe o que é isso.
 
 Bruno sorriu mostrando seus dentes brancos, me levando até seu carro
que estava no estacionamento. Abriu a porta do passageiro para que eu
entrasse, e sentou no banco do motorista. Eu não me sentia à vontade em
estar ali, a presença dele me incomodava. Seu jeito autossuficiente e
galanteador amedrontava, tornando-o um homem intimidador.
 
— Vocês já conversaram depois do que aconteceu? — ele perguntou
manobrando o carro.
— Não temos nada pra falar.
— Entendo.
— O que você entende? 
— Você ainda ama aquele idiota. Tem medo de encontrar com ele, não
resistir e acabar voltando.
— Não é isso.
— Não? — ergueu uma sobrancelha.
— Eu vi meu marido transando com aquela atriz. — olhei pela janela
inspirando o ar, juntando forças para afastar da minha cabeça as imagens do
meu marido com a amante — Dias depois descobri que o caso deles não era
tão recente como eu tinha imaginado, e hoje cedo... descobri que ela não foi a
primeira mulher que ele me traiu.
— Olha, Veri, seu marido é um cara muito burro por ter feito o que fez
com você, mas posso te garantir que na Grécia ele nunca esteve com outra
mulher.
— E você acha que eu devo agradecê-lo por isso?
— Claro que não... mas entendo um pouco o lado dele. — eu já me
preparava para retrucar quando ele segurou minha mão, e gargalhou —
Calma! Deixa terminar. Eu disse que entendo, e não que concordo, vamos
deixar isso bem claro. Só acho que ele possa ter deslumbrado um pouco e
acabou se deixando levar...
— Ele me enganou, Bruno, me traiu! Nós éramos casados e não apenas
namoradinhos.
— E qual a diferença, Veri? Compromisso é compromisso,
independente de qual nome você dá a ele. 
— Olha, vocês são homens e sempre vão dar desculpas para as traições
que fazem, mas comigo não vai funcionar. Guga fez uma escolha, que
resultou no fim do nosso casamento, acabou.
— E você acha que ele não se arrependeu?
— Não sei... — dei de ombros lembrando de todas as mensagens que
ele havia deixado, mas era tarde demais para uma reconciliação.
— Ele não te procurou?
— Procurou, mas...
— O quê?
 
 Meu sorriso era amargurado. Guga tinha conseguido acabar com tudo
de melhor que eu tinha. Meu sorriso, meu bom humor, minha vaidade, minha
alegria de viver...
 
— Ele não veio correndo atrás de mim, desesperado pra se desculpar,
sabe? Ele passou alguns dias negando que estava com ela, mas diariamente
eram fotografados juntos. Shopping, barzinhos, shows, até o dia que ela deve
ter aprontado alguma coisa, e ele caiu na real... — olhei para o homem
estranhamente familiar ao meu lado — Eu não sei o que houve entre eles,
mas acho que se ela o amasse, ele nem teria vindo atrás de mim.
— Veridiana, acho que a gente não tá falando do mesmo cara, porque o
Guga que eu conheci e convivi durante quatro anos, amava a esposa, aliás,
sempre deixou bem claro que não achava ruim comer a mesma boceta todos
os dias, mesmo eu afirmando o contrário.
— Nossa! Como você é escroto... — revirei os olhos e Bruno voltou a
gargalhar — Vocês falam como se só os homens enjoassem. Sabia que as
mulheres também enjoam do mesmo pau? Tá certo que a maioria aguenta, e
finge que tá tudo bem, mas não pense que é fácil.
— Isso é sério mesmo? Bom saber. Agora já vou ficar esperto.
— A diferença entre os homens e as mulheres é essa, sempre vamos
agir com a emoção, e mesmo que apareça um cara lindo, gostoso e atraente, a
gente vai pensar nos sentimentos e não no sexo. Enquanto vocês não
conseguem resistir a uma mulher bonita que se insinue... mesmo que depois
se arrependam amargamente.
— E você está falando tudo isso por causa de um casinho que seu
marido teve com uma atriz gostosa, depois de anos casado com você?
— Eu odeio essa sua ironia! — confessei irritada — E estou falando
isso porque se você me perguntar, não vou garantir que ele nunca me traiu,
muito pelo contrário, acho que ele já deve ter feito isso muitas vezes...
— E por que você chagou a essa conclusão?
— Porque toda a confiança que eu tinha nele acabou. Lembro de todas
as vezes que o Guga chegou em casa tarde e agiu como se eu não estivesse na
cama, esperando por ele. Quem me garante que não estava com outra mulher?
— Se você levar as coisas por esse caminho, sempre vai pensar o pior. 
— Não tem como ser diferente...
— Você pensa em perdoá-lo?
— Acabou a confiança, e só o amor não é suficiente pra voltar, não
nesse caso.
—Mesmo o amando do jeito que você ama?
— Eu vou superar, é só uma questão de tempo.
— Duvido muito, e se eu conheço bem meu amigo, agora mesmo ele
deve estar pensando em várias maneiras de te reconquistar, e uma hora você
vai ceder.
— Talvez eu nunca deixe de amá-lo. Guga foi meu primeiro namorado
e único homem, mas vai passar, ou diminuir, até que a falta dele não
machuque mais.
— E se outro homem aparecer na sua vida, você vai dar uma chance?
— Não pensei nisso, nem sei se quero outro relacionamento tão cedo...
— Eu tenho um mês de férias aqui no Brasil, cheguei ontem, e por
alguma razão muito esquisita, decidi ir até o Cristo quando acordei hoje pela
manhã. — Bruno falava sério olhando para a frente, concentrado no trânsito
— Te encontrei, e agora estamos aqui, indo almoçar como velhos amigos. 
 
 Ele encostou o carro na porta de um restaurante japonês, tirou o cinto
de segurança e me encarou. Seu semblante era duro, sua testa franzida;
segurou minha mão, que sumiu dentro da sua.
 
— Eu sempre acreditei no destino, Veridiana, e mais uma vez ele está
sorrindo pra mim.
— Bruno.
— Relaxa, mulher. Vamos almoçar e nos divertir! — levou minha mão
aos lábios e depositou um beijo rápido — Você pode me contar o que quiser,
eu vou te ouvir e prometo que não vou tentar te beijar... mesmo querendo
muito.
 
 Saiu do carro, me deixando sem palavras. Mas não podia negar que
ouvi-lo dizer aquelas coisas estava me fazendo bem, muito mais do que eu
gostaria.
CAPÍTULO 7 – GUGA
 
Dias atuais...
 
Chegamos à casa de Binho vinte minutos depois, a cidade do Rio
estava um caos por causa da Meia Maratona Internacional, que bloqueou o
acesso a várias ruas e avenidas. O carro dele estava na porta, nos dando a
certeza de que o paspalho estava em casa. Meu joelho operado reclamou por
ter ficado tanto tempo sentado, mas ignorei.
 Meu irmão tagarelou durante todo o caminho. Reclamou da demora,
das ruas cheias de pedestres que caminhavam lentamente, do percurso longo,
mas nada do que ele falava meu cérebro conseguia absorver. Eu só queria
chegar logo e tirar de uma vez da cabeça as imagens fantasiosas da Veri na
cama do meu ex-amigo. Porra! Eu só podia estar ficando louco mesmo.
 
— Vamos, ele tá em casa. — abri a porta do carro e desci enfurecido,
pronto para atacar o filha da puta.
— Guga, é melhor você se acalmar, cara!
— E por que você acha que eu quero me acalmar?
— Porque se a Veridiana estiver aí dentro com ele, você não pode falar
nada. Só por isso. Ou esqueceu que vocês estão separados há seis meses?
 Segui andando com dificuldade em direção à porta de entrada,
sentindo meu sangue esquentar ainda mais com as palavras do meu irmão.
— Nós estamos afastados há seis meses, não separados. Ainda não saiu
o divórcio!
— Se tu não fosse meu irmão, eu ia falar umas merdas agora. Você tá
pedindo pra ouvir...
— Faz o seguinte então: fica aqui fora e deixa que eu entro sozinho.
Vou resolver tudo do meu jeito, falou?
— Nem fodendo! Você não tá em condições de fazer nada sozinho.
 
 Toquei a campainha várias vezes, agoniado do lado de fora. 
 
— E aí? — Binho falou quando abriu a porta. Sua cara fechada não era
uma coisa comum. 
— Minha esposa tá aqui? — perguntei passando por ele, esquecendo a
dor latente na perna.
— A Veri não está, achei que estivesse com você...
 
 Se referir à minha esposa pelo nome dela não passou despercebido. Ele
sabia que não seria uma tarefa fácil reconquistá-la, mas alguma coisa não
estava bem entre eles, e a carranca de Binho não conseguia esconder sua
frustração.
 
— Ela ainda não voltou? — Marcelo questionou — Faz tempo que ela
esteve comigo.
— Ela disse se ia pra algum lugar? — perguntei vasculhando a casa
sem o menor constrangimento.
— Disse que ia até o Cristo e não era pra eu esperá-la pro almoço. Que
tanto você olha? Tá achando que a Veri ia se esconder de você se estivesse
comigo por acaso?
— Então é verdade que você tá louco pra comer minha mulher? —
rosnei me aproximando dele ameaçadoramente. Mais uma palavra torta e eu
arrebentaria ele todo.
— Não. Você come as mulheres, eu ia fazer amor com a Verid...
 
 Foi apenas um soco. Violento. Certeiro. Binho caiu no chão e pude
ouvir meu irmão bufar atrás de mim. Minha perna fraquejou com a força
exagerada.
 
— NUNCA MAIS FALA DA MINHA MULHER, SEU
DESGRAÇADO!
 
 Ele levantou do chão ainda zonzo e limpou o sangue que escorria da
sua boca.
 
— De qual mulher cê tá falando? Da Bella? Da Grazi? Da Fabi?
— CALA BOCA! Filho da puta! Traidor do caralho! — Marcelo estava
me segurando, impedindo que eu voasse em cima do desgraçado.
— Agora eu sou o traidor? Quem fez a merda? Quem achou que era o
dono do mundo e acabou com a vida dela? Você não tem ideia do mal que tá
fazendo pra Veridiana, seu egoísta do caralho! 
— Não se mete na minha vida!
— Eu tô falando DELA, DA VIDA DELA! A SUA vida, eu quero que
se foda! Só a Veridiana me interessa. Eu tô cagando pra você, vacilão do
caralho!
— Ela nunca vai ficar com você, seu bosta!
— Pode até não ficar comigo, mas vai continuar fazendo parte da
minha vida. — Binho cuspia as palavras junto com o sangue que escorria da
sua boca — Ao contrário de você, que nunca mais vai ter aquela mulher ao
seu lado, nem como amiga. Burro! Imbecil!
— Ela vai me perdoar e vai voltar pra mim... — eu queria ser mais
convincente do que fui, mas não consegui. Talvez por nem eu acreditar no
que estava falando.
— Me solta, Marcelo! — Binho se soltou, passou o antebraço na boca,
limpando o líquido vermelho, e apontou o dedo em riste na minha direção —
Ela não vai te perdoar, Guga! A Veridiana nunca esteve tão fria, tão triste, tão
mudada. Tu conseguiu acabar com aquela mulher, e só pra te deixar mais
fodido ainda, eu vou te contar um segredo... ela recebeu um convite pra sair
do país, e ela já aceitou. 
— Sair do país? Como assim? — aquilo não podia ser verdade, ela
nunca iria embora sem falar comigo. Porra! Veridiana era minha mulher,
como ela podia fazer uma coisa daquelas sem me consultar?
— Simples, meu amigo, enquanto você estava ocupado se divertindo
nas baladinhas em Santos com as tuas putinhas, A SUA ESPOSA estudava,
lembra?
— Eu não saía com puta! — eu vacilei demais, mantive por alguns
meses Bella Campari na minha vida, mas antes dela, foi apenas uma vez.
Uma única vez. E só de lembrar, sentia a náusea voltar para me atormentar.
— Claro que saía, podia até não comer, o que eu também duvido muito,
mas já não é mais segredo, que toda semana você batia cartão nas festinhas
do Aberlado, lá no Ilha Porchat, em São Vicente. E deixava a Veridiana
sozinha em casa, dizendo que tinha compromisso profissional. 
— A única mulher que eu fiquei foi a Bella, mais nenhuma! — a garota
que comi no dia da minha apresentação, nem dava para levar em conta. Foi
tudo tão rápido e tão sem razão, que depois de gozar na minha mão, senti a
culpa me consumir. Aquela foi a primeira vez que transei com outra mulher
desde que pedi Veridiana em namoro, quando tinha dezessete anos.
— Não precisa mentir, irmão, não pra mim. — Binho se largou no sofá
— Ela já sabe da Rita, aquela que você comeu no dia da tua apresentação, e
nem adianta negar. 
— Você contou pra ela? — Marcelo se postou novamente entre nós
dois, evitando mais confusão.
— Contei hoje cedo. — Binho me encarou com os olhos vermelhos. —
Ela decidiu ir embora, ia entregar o pedido de divórcio pro Marcelo e estava
irredutível. Pedi pra ela esperar, perdoar você, te dar uma chance... aí ela veio
com uma conversa de que se tivesse que te perdoar, precisava saber se a Bella
tinha sido a única mulher que você a traiu. Eu tava tão desesperado tentando
fazê-la mudar de ideia, que acabei falando, mas não menti. Falei que essa
tinha sido a única vez que você tinha me contado... e com certeza não havia
mais nenhuma.
— Porra! O que eu vou fazer agora? — eu andava de um lado para o
outro mancando, suado, preocupado, desesperado, sem saber o que fazer —
Que história é essa dela ir embora? Pra onde ela quer ir? 
— Ela não me contou pra onde vai, eu só seique tem a ver com o curso
de programação editorial que ela fez. Ela recebeu um convite pra trabalhar
em uma editora, como revisora e tradutora, mas não no Brasil. Veridiana vai
seguir a vida dela, Guga, longe daqui... até o passaporte ela já colocou em
dia.
— Não pode ser... — sentei na cadeira isolada no canto da sala, estiquei
a perna operada, desolado; apoiei a cabeça nas mãos e mais uma vez, como
um maricas, senti minhas lágrimas descerem pelo rosto.
— Pode, Guga. Claro que pode. — Marcelo falou ríspido — Eu te falei
que o estrago tinha sido grande, e agora ela tá mostrando que além de ser
uma mulher acima da média, é uma profissional competente. Aceita de uma
vez e decide o que vai fazer, só não continue fazendo merda, porque não vai
te levar a lugar nenhum. 
— Se ela for embora, fodeu tudo! Como eu vou ficar aqui sem ela?
Meu contrato é de cinco anos, ainda faltam três... — tinha que ter um jeito.
Veridiana não podia me deixar, não podia!
— Cai na real, mané! — ele falou debochando da minha cara — Ela
não quer ninguém na cola dela, não percebeu? 
 
 Surtado era uma boa definição para o meu estado naquele momento.
Meu ex melhor amigo sabia muito mais da vida da minha esposa do que eu.
Onde foi que eu errei a curva e me perdi daquele jeito? Por que aquela
mulher me fazia tanta falta? Em que momento eu me iludi tanto, que imaginei
ser capaz de viver sem ela na minha vida? 
 
— Já que você sabe tanto da vida da minha mulher, me fala quem foi
que contou pra ela onde me encontrar no dia que ela apareceu no motel e me
viu com a Bella?
— Olha aqui, seu filho da puta, eu amo aquela mulher mais do que
você imagina. Eu nunca faria ela sofrer. E mesmo querendo muito que ela
soubesse que o marido dela era um perfeito idiota, eu não iria expor a
Veridiana daquele jeito. A única coisa que eu sei é que mandaram uma foto
de vocês dois pra ela, e em seguida enviaram o endereço do motel. A Veri
não me contou nem pra onde ela vai...
— Mas pra mim ela vai falar. — afirmei — Eu não vou sair daqui antes
de conversar com a minha esposa. Onde estão as coisas dela?
— No quarto. Ela chegou ontem e levou tudo pra lá.
— Por que ela veio pra cá com você, se era pra sair sozinha? 
— Veridiana só veio pro Rio comigo por causa do seu irmão, Guga. A
única coisa que interessava pra ela era entregar esse maldito pedido de
divórcio pro Marcelo e deixar esse assunto encaminhado.
— Ela não veio pra passear com você?
— Claro que não! — Binho estava cabisbaixo — Desde que eu contei o
que sentia por ela, Veridiana manteve uma distância segura pra nós dois. Ela
disse que não ia deixar acabar com a nossa amizade por causa de uma loucura
da minha cabeça. A sua esposa nunca te traiu, pelo menos não comigo.
 
 Sorri vitorioso, mas minha felicidade logo evaporou. Ouvi um barulho
de carro do lado de fora da casa, acompanhado pelo som delicioso da risada
da minha esposa. Levantei com dificuldade para olhar pela janela, e a cena
que fui obrigado a presenciar me ofereceu um vislumbre do que Veridiana
sentiu no dia em que me encontrou num quarto de motel transando com a
atriz que só queria manter seu índice de audiência elevado.
 
— Mas que porra! 
 
 Afastei-me da janela e segui para a porta. Marcelo e Binho correram
como duas beatas fofoqueiras para descobrirem o motivo da minha fúria e
logo perceberam que a confusão dentro do apartamento tinha sido nada, se
comparada à que iria acontecer na calçada em poucos segundos.
 Bruno tinha Veridiana envolvida em seus braços. Minha esposa estava
com a cabeça acomodada em seu peito, e as mãos em volta da sua cintura.
Meu ex-companheiro de equipe tinha os olhos fechados, degustando da
sensação deliciosa que eu conhecia tão bem, que era tê-la sob seus cuidados.
Inveja, ódio, ciúme, medo. Eram tantas coisas sentidas ao mesmo tempo, que
unidas, me tornaram um homem muito, mas muito perigoso. 
 
— Tira essas patas sujas de cima da minha mulher, Bruno! 
 
 Minha voz num tom de cantor de ópera causou o primeiro impacto que
eu desejava. Veridiana olhou assustada, seus olhos verdes lindos estavam
bem maiores do que realmente eram. Sua boca carnuda que chupava meu pau
como nenhuma outra, estava aberta, e a vontade de me acabar naqueles lábios
quase me cegou. Ela estava com medo, ao contrário do jogador que lhe fazia
companhia. 
 
— E aí, negão!? — Bruno cumprimentou sem soltá-la. Saber que ele
ainda a tinha em seus braços agravou a situação dele — Já assinou o
divórcio? 
 
 Aproximei-me lentamente como um felino pronto para atacar, tentando
disfarçar o incômodo na perna. Minha esposa me conhecia bem, sabia que ia
dar merda, mas como muitas coisas estavam mudadas, ao contrário do que
imaginei, ela não recuou. 
 
— Não vai ter divórcio nenhum, Bruno. — falei sem tirar meus olhos
dela, e o que vi no verde sempre tão delicado e bondoso, foi uma frieza nunca
antes mostrada — Eu não vou assinar nada, e minha esposa não vai ser uma
mulher solteira, nunca!
 
 Veridiana sorriu sarcástica, me surpreendendo. Se afastou de Bruno, e
com dois passos se aproximou de mim, permitindo que seu cheiro
impregnasse minhas narinas. Que saudade eu estava daquela mulher...
 
— Não vai assinar? tsc, tsc, tsc! Acho que você deveria pensar melhor
sobre isso antes de decidir... — ficou na ponta dos pés e falou baixinho no
meu ouvido — Você está correndo um sério risco de ter sua vida sexual
exposta de uma maneira nada agradável, meu marido... 
 
 Veridiana, nervosa, pegou o celular e começou a mexer no aparelho.
Quando achou o que procurava, seus olhos estavam marejados, e algumas
lágrimas escorreram pelo seu rosto delicado. Entregou-me o aparelho, e pela
segunda vez em menos de dez minutos meu mundo parecia desmoronar
quando vi as imagens dançando na tela.
 
— Eu nunca vou perdoar você... — minha esposa falou com a voz
embargada, com o ódio embalando cada sílaba que saía da sua boca — E se
você não me deixar em paz, sua amante não vai precisar enviar essas fotos
pra imprensa, porque eu mesma vou cuidar de fazer isso. 
 
 Ela tirou o celular da minha mão, e sem se despedir de Bruno, entrou
furiosa. Eu demorei para fazer besteiras na minha vida, mas quando decidi
fazer, fiz tão bem, que consegui foder até o que já estava muito fodido.
 
CAPÍTULO 8 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
Meu casamento pré-divórcio estava igual ao comercial do chocolate
Kinder Ovo, a cada momento, uma surpresa diferente. Enquanto
aproveitávamos o maravilhoso almoço no restaurante japonês, onde por
vários minutos minha vida amorosa foi esquecida, meu celular vibrou, mas
decidi ignorar.
 Depois de tremer mais algumas vezes, acabei cedendo e peguei a
aparelho para ver o que tanto atiçava o pequeno objeto. Posso dizer que foi
mais uma das muitas besteiras que fiz. Uma sequência de fotos tiradas em
uma cama, todas de Guga e Bella Campari durante uma sessão de sexo
intenso e despudorado.
 Perdi o controle, me acabando de chorar. Vergonha? Raiva? Ciúme?
Nenhuma das alternativas anteriores, apenas... INVEJA! Sim, confesso. A
forma mais pura da inveja. Aquela mulher teve o meu marido como eu
imaginei, sonhei até, que somente eu tivesse. Meu. Inteiro. 
 Guga poderia até tentar negar, mas eu vi naquelas fotos o seu olhar de
desejo e total admiração pela atriz famosa que tinha um corpo escultural, de
fazer qualquer mulher lúcida querer se matar. Bella Campari era
extremamente linda, sexy e sabia que estava sendo fotografada.
 Fez caras e bocas, biquinhos sensuais, poses eróticas, além do exagero
na sensualidade. Mas não seria eu a falar que sua atuação era digna de um
óscar. Não mesmo. Se Guga se permitiu cair em uma armadilha tão barata,
ele iria pagar pela burrice, que era tão comum a homens iludidos, fracos e
deslumbrados pela fama e pelo dinheiro.
 
— O que tá acontecendo com você, "chaveirinho"? — Bruno tinha a
mesma altura que meu futuro ex-marido, e achava graça eu precisar ficar na
ponta dos pés para ficar mais alta perto dele.
— Nada... deixa pra lá — tentei guardar o celular, mas Bruno pegou o
aparelho da minhamão sem muita dificuldade.
— Deixa eu ver o que tem aí. — seus olhos percorreram as fotos que
eram apresentadas em forma de slides — Quem te mandou isso?
— O mesmo número que enviou o endereço do motel que ele estava
com a atriz.
— Então é alguém que quer vocês separados?
— Provavelmente.
— Estranho... você desconfia de alguém?
— Olha bem essas fotos, Bruno. — me sentia cansada demais. Aquele
assunto estava minando minhas forças pouco a pouco — Me fala o que você
vê.
— Desculpa, Veri, mas eu vejo uma cavala deliciosa se acabando de
trepar. — ele parecia se deliciar com as imagens que circulavam na tela, o
que só me deixou ainda pior. Insensível!
— Obrigada por lembrar que vocês adoram ver pornografia. Mas será
que não dá pra perceber que essa vaca sabia que alguém estava fotografando
eles dois?
 
 Bruno franziu a testa e parecia mais atento olhando as fotos.
 
— Porra! — gargalhou — Você tá certa. A potranca armou tudo! Tá
vendo, chaveirinho, por que eu gosto tanto de você?
 
 Revirei os olhos. O jogador deu uma piscada e beijou minha mão por
cima da mesa.
 
— Ela queria que eu soubesse sobre a traição, e agora, por algum
motivo que eu ainda não sei qual é, aquela vaca me mandou essas fotos. —
minhas lágrimas eram incansáveis, desciam com força pelo meu rosto — Pra
que me humilhar ainda mais?
 
 Bruno levantou e se acomodou na cadeira vazia ao meu lado,
envolveu-me num abraço solidário, como se embalasse uma criança para
dormir.
 
— Calma, Veri... pensa bem. Se ela mandou essas fotos agora, depois
de tanto tempo, as coisas com o Guga não estão boas. Talvez ela queira te
manter afastada dele. Há quantos meses vocês não conversam?
— A última vez que nos falamos foi no dia que eu flagrei os dois. Nós
almoçamos juntos e ele disse que iria demorar pra chegar em casa, por causa
de um compromisso no Santos depois do treino. — peguei um guardanapo de
papel que estava em cima da mesa e limpei o rosto — Isso foi há seis
meses... 
— É bem estranho mesmo, mas pode acreditar em mim, o Guga
terminou com ela e deve ter falado que iria voltar com você ou coisa desse
tipo, por isso ela mandou essas fotos. — Deu um beijo no topo da minha
cabeça e sorriu baixinho — Não chora, Veri... eu daria qualquer coisa pra te
ver cavalgando daquele jeito no meu pau.
 
 Tentei levantar a cabeça para me afastar, mas Bruno riu ainda mais
alto e me apertou com força, impedindo que eu saísse daquela posição. 
 
— Você é um grosso!
— E você é uma gostosa!
— Para com isso, Bruno, respeita o meu estado deprimente.
— Agora é sério, Veri, essa mulher pode até ser gostosona, morena,
famosa, linda, potranca...
— Cala a boca! — dei um tapinha no seu braço. Ele adorava me irritar,
mas estava conseguindo me fazer rir daquilo tudo, o que era bom. 
— Mas você é muito mais interessante do que ela, pode acreditar em
mim.
 
 Consegui encarar seus olhos castanhos escuros e fiz cara de brava.
 
— "Interessante" é um adjetivo que eu não gostaria de ouvir agora,
Bruno.
— Posso saber por quê?
— Enquanto a vaca é tudo o que todos os homens desejam na cama, eu
sou o quê? Desejada pra quê? 
— Você é desejada pra ser a primeira pessoa que eu queria ver todos os
dias quando abrisse os olhos. — colocou meu cabelo para o lado e limpou
meu rosto com a mão, com seus olhos fixos nos meus, intensos. — Já pensou,
acordar e poder ver essas bolas de gude verdes logo cedo? Poder te tocar sem
restrição, poder ouvir você resmungar que odeia o frio, poder ouvir tua risada
quando ouve um palavrão... você é muito mais do que ela, Veri, em tudo. Se
um dia o Guga imaginar quantas vezes eu sonhei com você, quantas vezes eu
quis ter você sentada no meu colo como ficava com ele, quantas vezes eu te
imaginei sem roupa em cima da cama... porra! É melhor eu parar, porque
meu pau já tá ficando duro só de lembrar essas merdas. 
 
 Ouvir aquelas palavras quentes, de uma forma tão carinhosa e gentil
daquele homem indecente e grosseirão, foi um chamego gostoso no meu ego.
Bruno sempre foi daquele jeito arrogante, e na Grécia parecia não gostar de
mim. Suas atitudes passavam a impressão de que ele não me achava boa o
suficiente para o amigo. Sempre tinha uma palavra de deboche, zombeteira,
que objetivava me desqualificar de alguma forma. Nunca imaginaria que ele
se sentia atraído por mim, muito pelo contrário, tinha certeza que o jogador
me achava uma "loira requenguela", como ele mesmo chamava.
 
— Eu não sabia disso. Eu... você...
— Não precisa falar nada, Veri. — colocou o indicador na minha boca,
me calando gentilmente — Eu nunca deixaria o Guga pensar em alguma
coisa desse tipo, e até mesmo um cego era capaz de ver o quanto vocês se
amavam, ou amam, sei lá. A amizade dele era muito importante pra mim.
— Não é mais?
— Agora, você é mais importante... mais do que qualquer outra coisa.
— Eu tô perdida, Bruno. Completamente sem direção. — confessei —
Eu amo o Guga, muito mais do que gostaria de amar, mas eu sei que nossa
história acabou e não vai ter volta, por isso eu...
 
 Respirei fundo em dúvida de contar sobre meus planos para o futuro.
Apenas meus pais sabiam, e falar sobre aquilo talvez fosse bom. Eu queria
uma opinião sincera, de alguém que realmente gostasse de mim, e quisesse
me ver bem novamente, feliz. 
 
— Por isso o que, Veri? Quer me contar alguma coisa?
— Quero, mas eu preciso que me prometa que em hipótese alguma vai
contar pra alguém. Posso confiar em você?
— Claro que pode, chaveirinho, eu prometo.
— Quando fomos pra a Grécia, nos primeiros meses eu ficava muito
tempo ociosa, e como não tinha nada pra fazer em casa, meu cunhado
aconselhou aprender inglês, e foi o que fiz. Matriculei-me em uma escola de
idiomas. Foi ótimo, além de aprender a ler e escrever, também tive aulas de
conversação, o que nos ajudou muito por lá. Quando voltamos pro Brasil, fiz
um curso de programação editorial, e comecei a fazer uns trabalhos de
revisão e tradução pra uma editora pequena, a Massam. 
— Eu conheço o dono dessa editora, o Maurício.
— Ele mesmo. Depois que ele soube da minha separação, o pessoal da
equipe de revisão me convidou pra trabalhar com ele, e eu aceitei. Vou
começar daqui a trinta dias...
— Parabéns, Veri! — Bruno ficou feliz com a notícia — Você merece
muito essa oportunidade! Mas qual o problema das pessoas saberem sobre
isso? Você não assinou um contrato?
— Assinei, o contrato é de dois anos, mas é aí que está o problema, eu
não vou trabalhar aqui.
— Não? Eles têm filial fora do Rio?
— Abriram uma há menos de um ano, mas não é fora do Rio, é fora do
Brasil. — ele ficou pálido — Eu vou me mudar para os Estados Unidos no
próximo mês.
— Veri, você não pode...
— Por que não? Eu não tenho nada que me prenda aqui, Bruno, e me
recuso a viver às custas do Guga. 
— E seus pais?
— Eu vou levar os dois comigo, já está tudo resolvido.
— Porra, Veri! Por essa eu não esperava. O Guga sabe?
— Não. Ninguém sabe. Depois que aconteceu a merda toda, o Maurício
me chamou pra conversar, disse que não tinha me convidado antes porque
sabia que eu não aceitaria a proposta. Mas diante de tudo que ele viu e ouviu,
pensou que a minha ida pra longe poderia ser muito boa pra editora e pra
mim.
— O Guga vai surtar quando souber disso, é capaz dele matar o
Maurício.
— Ele não vai saber de nada. Na verdade, descobri que o Guga nem
sabia que eu estava fazendo o curso, nunca se interessou pelas minhas coisas.
Desde que pisamos no Brasil, meu marido mudou muito, mas isso também
não importa mais. Fica feliz por mim, por favor!
— Eu quero ficar, mas é foda saber que vai ser difícil te ver. Queria ter
uma chance contigo...
— Desculpa, Bruno, mas eu ainda não tô pronta... ele ainda domina
uma parte muito grande do meu coração.
— Isso já me deixa feliz, porque antes você dizia que seu coração todo
era dele. Já diminuiu, né?
— Diminuiu muito... e eu sei que com o tempo, essa parte vai ser tão
pequena, que não vai doer mais.
 
 Conversamos mais um pouco e Bruno me deu carona até a casa de
Binho. Eu iria ficar até segunda no Rio para uma reuniãona editora, e
começaria a resolver todos os detalhes da minha viagem. Eu estava um caco,
triste, chateada, mas um pouco mais esperançosa. A conversa com Bruno
tinha me animado um pouco, e na despedida abracei meu amigo com carinho,
Tudo estaria perfeito se o homem que havia destruído grande parte da minha
vida não resolvesse fazer uma cena patética de ciúme em frente à casa.
 Depois de deixá-lo sem palavras com as fotos que a vaca mandou,
entrei furiosa, encontrando Marcelo e Binho nervosos, preocupados com o
que Guga pudesse fazer com Bruno. A cena era ridícula, ainda mais para um
homem que nunca havia demonstrado nenhum sintoma de insegurança
durante todo o tempo em que esteve casado comigo. Indignada, possessa. Eu
estava furiosa.
 
— Fala pro seu irmão sair daqui e me deixar em paz de uma vez! —
vociferei para meu cunhado — Hoje recebi mais fotos dele na cama com a
amante, e não quero usá-las pra fazer chantagem. Mas se ele não recuar, vai
ser pior... 
— Veri, conversa com ele, por favor... — Binho implorou.
— Eu não tenho nada pra falar, e não adianta pôr pilha porque EU
NÃO VOU VOLTAR PRA ELE. A-CA-BOU! Entenderam, ou querem que
eu desenhe?
 
 Fui para o quarto, e como uma adolescente contrariada e rebelde, me
joguei na cama, enfiei a cabeça no travesseiro e voltei a chorar, sentindo meu
coração diminuir um pouco mais o espaço que Guga ocupava. O tempo seria
meu maior aliado na tentativa de exterminar aquele amor que me machucava
tanto, e eu ia conseguir, nem que demorasse uma década, mas eu ia esquecer
para sempre o meu marido.
 
CAPÍTULO 9 – GUGA
 
Dias Atuais...
 
— O que você pensa que tá fazendo? — encarei Bruno com ódio
mortal, e o filho da puta apenas sorriu debochado.
— Estou ajudando uma mulher linda a voltar a ser o que era antes de
pegar o marido com uma puta interesseira na cama... e você? O que pensa
que tá fazendo?
— Estou tentando reconquistar a minha MULHER!
— Desse jeito? Desculpa, Guga, mas só tá piorando as coisas. 
— E quem é você pra falar sobre o meu casamento?
— Sou o cara que pode dar pra ela o que ela quer e você não conseguiu.
— Vou te dar um conselho, e acho bom você não esquecer. — me
aproximei espumando, olhando em seus olhos — Eu amo a minha esposa, e
mesmo sabendo que fiz a maior merda de todas, eu sei que ela também me
ama. Portanto, é bom se afastar dela, porque eu sou capaz de matar qualquer
um que fique no meu caminho.
— Para de falar besteira! Fica ridículo para um homem do seu
tamanho. A Veridiana pode até amar você, mas se continuar deixando aquela
atriz interferir no seu casamento, a única coisa que vai conseguir é perder sua
esposa pra sempre, e pode acreditar, Guga, é melhor se apressar, porque os
planos dela pro futuro não contam com a sua presença...
 
 Bruno começou a se afastar depois de jogar as palavras ao vento.
Segurei seu braço com força e vi seu rosto ficar vermelho, raivoso pelo meu
gesto repentino. Fiquei feliz por atingi-lo daquele jeito.
 
— O que você sabe sobre os planos dela? Do que está falando?
 
 Ele puxou o braço e se soltou com rapidez.
 
— Nunca mais encoste em mim! — falou com o maxilar trincado
depois de verificar meu joelho machucado — Se você quiser saber alguma
coisa sobre a vida dela, pergunte a ela. Só faça um favor pra você mesmo,
para de olhar pro seu umbigo e começa a correr atrás da sua esposa. A cada
minuto que perde comigo, é um a menos que tem pra reverter essa situação
de bosta que você mesmo criou.
— Ela vai embora mesmo? — senti meu peito doer, mas era uma dor
diferente, quase dilacerante.
 
 Bruno bufou entediado.
 
— Infelizmente sim... 
— Pra onde?
— Prometi não contar e vou cumprir minha promessa, mas... — ele
parecia em dúvida de falar — Ela te ama, cara, e acho que no fundo, por mais
que não queira admitir, o que ela mais deseja é saber que você se arrependeu
e a ama de verdade. Cabe a você fazê-la mudar de ideia.
— Eu vou fazer tudo o que puder pra ela voltar pra mim! — assegurei,
porque era o que eu queria. Veridiana não iria sair da minha vida, eu a amava
muito mais do que imaginava, e provaria para ela que o nosso casamento era
verdadeiro, real.
— Não, irmão, você não entendeu... fazer tudo o que puder ainda não
será o suficiente, porque ela está destruída. Vai ter que fazer milagre, Guga.
A tua amante está disposta a separar vocês, e a Veridiana não se sente capaz
de brigar pelo seu amor. Ela acredita que está apaixonado pela outra. Cuida
da tua esposa e afasta de vez a atriz, só assim você vai ter uma chance de tê-la
de volta na sua vida.
— Por que está falando tudo isso pra mim?
— Porque eu gosto muito dela e não vou recuar se você falhar. Estou te
dando uma chance. Aproveita, porque não terá a segunda.
— Desde quando você tem interesse pela minha mulher?
— Desde que a vi sentada no seu colo a primeira vez que fui na tua
casa em Atenas.
— Então, toda aquela história que comer a mesma boceta era mentira?
— filho da puta! Como eu nunca percebi seu desejo pela minha esposa?
— Não... de jeito nenhum, mas nós não estávamos falando da
Veridiana. Se você me perguntasse o que eu achava da SUA mulher, eu diria
que daria tudo pra tê-la como minha. Mas, arrogante como é, nunca achou
que ela chamaria a atenção de outros homens, não é mesmo?
— Você é muito folgado, Bruno, merecia levar uma surra por falar
desse jeito da minha esposa! — já estava ficando complicado ouvir todo
mundo jogando na minha cara o quanto eu tinha sido um péssimo marido
para Veridiana.
— Eu não estou falando da sua esposa, eu tô falando da mulher que
você traiu e do seu péssimo hábito de se achar melhor do que realmente é.
Você não merece perdão por ser burro demais, mas como te falei, aproveita a
chance porque vai ser a última. Depois disso, eu vou lutar por ela e vou te
mostrar como uma mulher como a Veridiana merece ser tratada.
— Sai da minha frente, antes que eu te mate — vociferei.
 
 Bruno entrou no carro com aquele sorriso cínico que eu conhecia tão
bem. Ele era um dos caras mais legais que eu tinha conhecido, sabia da fama
dele com as mulheres e como elas ficavam quando ele estava presente. Nunca
quis compromisso com ninguém, e sempre disse que quando se apaixonasse,
seria para a vida toda. Eu não estava com medo, estava apavorado. 
 Eu nem imaginava como eles tinham se encontrado no Rio, mas por
algum motivo, as vidas deles tinham se cruzado. Meu coração batia rápido,
amedrontado. Eu precisava falar com a minha esposa e tentar mostrar a ela o
quanto a amava e o quanto estava arrependido. 
 Saber que Veridiana estava a poucos metros de distância me deixava
ansioso, como há tempos não me sentia. A conversa não seria fácil, e
confessar tudo o que fiz poderia colocar tudo a perder, mas não haveria outro
jeito. Ela merecia a verdade, por mais dura que fosse. 
 Eu amava minha esposa, e não seria capaz de viver sem ela, mas antes
eu precisava saber o que Bella Campari estava querendo quando mandou as
fotos para Veridiana. Era outro problema que eu precisava resolver, e
também tinha que ser definitivamente. 
 
— Onde ela está? — perguntei aos dois marmanjos que tentavam
disfarçar a curiosidade sobre o embate com meu ex companheiro de equipe.
— No quarto. Acho que está arrumando as coisas pra dar o fora. —
meu irmão respondeu — O que vai fazer?
— Falar com ela...
 
 Segui pelo pequeno corredor em direção ao quarto onde ela estava.
Bati algumas vezes, mas não houve resposta. Girei a fechadura e empurrei a
porta devagar. As malas estavam abertas em cima da cama, com as roupas
espalhadas ao redor. Veridiana olhava pela janela, desligada do mudo. 
 Depois de meses sem vê-la, admirei sua beleza. Minha esposa era
linda, tinha um corpo perfeito, assim como seu rosto. Usava um short jeans
curto que deixava suas pernas torneadas à mostra, e uma blusinha justa que
salientava a cintura fina. Seu cabelo loiro natural estava mais comprido e
cobria parte das suas costas. Meu tesão por ela parecia um veneno se
espalhando lentamente pelas veias do corpo. 
 
— Veri... — me aproximei por trás, permitindoque seu aroma tão
familiar e saudoso atordoasse meus sentidos aguçados. — Precisamos
conversar, "baixinha".
 
 Ouvi sua respiração ofegante, acelerada, nervosa. Eu ainda mexia com
ela, do mesmo jeito que me sentia ao ficar tão próximo àquele corpo que me
pertencia com exclusividade.
 
— O que você quer, afinal? — sua voz fria, machucada, me feriu.
 
 Minha esposa ficou de frente para mim, seus olhos molhados,
vermelhos pelo choro recente que indicava a tristeza que ia em seu coração.
A culpa me invadiu de maneira cruel. A mágoa que abastecia seu coração era
consequência de tudo que fiz por ter sido fraco, influenciável e permissivo.
 
— Me ouve, por favor.
— Estou ouvindo, mas não tenho o dia todo. Fale tudo o que tiver para
falar e vamos acabar de vez com essa "lenga lenga".
— Antes de qualquer coisa, preciso que você me perdoe, Veri...
— Pelo que você quer que eu te perdoe, Guga? Me explique
exatamente.
— Por tudo!
— Por você ter me traído com duas mulheres, ou quem sabe mais? Por
ter mentido? Por ter me exposto? Por ter acabado com o meu amor? Por ter
me tratado como uma desconhecida? Sério que você acha que um pedido de
perdão vai resolver nossos problemas e eu vou voltar pra você como se nada
tivesse acontecido?
 
 A mulher à minha frente nem de longe se parecia com a minha esposa.
Cada palavra dita com ironia e sarcasmo equivalia a uma facada, mas eu
aguentaria calado. Por ela, pelo seu perdão.
 
— Eu sei que errei, mas estou muito arrependido e vou provar pra você
todos os dias da minha vida que o meu amor é seu. Eu nunca senti tanta falta
de alguém, Veri... não consigo fazer nada além de pensar em você, em como
te trazer de volta pra minha vida e fazer você acreditar que eu não quero outra
mulher, só você...
 
 Seu sorriso era sem vida, pequeno que nem chegava aos olhos como eu
lembrava ser antes de agir como um calhorda. Veridiana sempre foi
sorridente, simpática, alegre. Depois de tudo que viveu na infância, poderia
ter se entregado à tristeza, mas nunca se rendeu. Era forte, batalhadora. Eu a
admirava muito.
 
— Eu não acredito em você, Guga, não mais. — enxugou o rosto e
inspirou profundamente — Dizer que não te amo seria falsidade, mas não
existe a menor possibilidade de me fazer esquecer o que vi naquela noite...
você acabou com tudo de bom que havia em mim, e mesmo jurando que me
ama, nada tira da minha cabeça que se aquela mulher não tivesse aprontado,
vocês estariam juntos agora.
 
 Franzi a testa sem entender o que ela queria dizer. Desde o momento
em que ela apareceu no quarto, o inferno se instalou na minha vida. Eu queria
correr atrás dela, pedir perdão de joelhos e implorar para que ela não deixasse
de me amar. 
 
— Eu nunca quis outra coisa, apenas que você me perdoasse, Veri... 
— Não minta mais pra mim!
— Eu não estou mentindo, porra!
— Eu vi as fotos de vocês juntos, Guga!
— Que fotos? — eu não sabia do que ela estava falando.
— Vocês foram fotografados no shopping, em shows, em boates... —
Veridiana se afastou e começou a colocar as roupas na mala — você demorou
dois meses pra me ligar. Foi esse o tempo que levou pra descobrir o que ela
realmente queria?
— Não! Você não entendeu...
— Sério? — seu rosto contorcido pela dor avisava silenciosamente que
minha batalha seria muito mais difícil do que eu imaginei que fosse — Vai
me dizer que ela te obrigou a ficar com ela? 
— De certa forma sim. — respondi envergonhado e sabia que aquela
revelação seria o nosso divisor de águas. Todo o meu futuro ao lado da minha
mulher dependeria de como ela iria reagir ao saber do verdadeiro motivo que
me levou a acompanhar Bella durante aqueles dois meses.
— Você é muito pior do que eu imaginava... é isso que pensa a meu
respeito? Acha mesmo que sou burra?
 
 Veridiana estava com os braços cruzados à frente do corpo, olhos
semicerrados e irados, ombros tensos em sinal de defesa, sem nenhum sinal
da mulher com quem eu havia casado.
 
— Eu nunca te achei burra, Veri, mas você precisa acreditar em mim...
eu fui obrigado a ficar com ela como se fosse seu namorado durante aqueles
dois meses.
— Obrigado? Do que você está falando?
— Aquela mulher armou tudo pra você me pegar com ela no motel
aquela noite, e depois que conseguiu o que queria, ela me chantageou.
 
 Vi seu rosto mudar, se transformar. E o ódio que testemunhei em seu
olhar foi muito pior do que a dor evidente exposta minutos antes. Eu estava
muito fodido!
 
CAPÍTULO 10 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Eu queria ser dona da minha mente, dos meus pensamentos e das
minhas memórias, apenas para esquecer tudo que vi e poder me jogar em
seus braços. Ter meu marido tão abatido, tão triste, tão próximo... Guga
detinha os direitos autorais sobre meu corpo, meu desejo e meu amor.
Nenhum outro teria esse poder, nunca.
 Mas em contrapartida, olhar para ele me levava diretamente à noite em
que o vi na cama, sem roupa, entrando e saindo da mulher linda, de longos
cabelos negros cor de jambo, gemendo de prazer por estar com ela. Descobrir
que o seu prazer não era meu, destruía qualquer possibilidade de me permitir
recuar e dar-lhe uma chance. 
 Eu sabia que ele poderia me amar, claro que sim. Fomos casados,
éramos amigos, ele confiava em mim, mas a certeza que o seu desejo de ter
nosso casamento de volta, não era apenas por segurança e estabilidade, ainda
não me convencia, e talvez nunca convencesse.
 Uma mulher como eu, simples, comum, não o colocava em "situação
de risco". Bella Campari não precisava de um homem como ele para se
promover e não deveria ser fácil acompanhar a rotina da atriz em festas e
eventos, onde a todo o momento deveriam aparecer inúmeras oportunidades
para que ela o traísse. Ser casado comigo, no fim das contas, tinha seu lado
bom.
 
— Eu não quero saber... — inspirei o ar com força trabalhando meus
pulmões com afinco.
— Veri, eu me sinto envergonhado por ter chegado tão baixo e não ter
preservado nosso amor, mas eu me perdi, me deixei levar pelos holofotes. Fui
fraco, deslumbrado e fiz o que não deveria. — ele tentou se aproximar, mas
recuei. Eu não sabia se seria capaz de resistir caso Guga me tomasse à força
— Por favor, me dê apenas uma chance...
 
 Eu queria muito dar uma chance, era o que eu mais desejava no
mundo.
 
— Então me fale o motivo que te levou a ficar com ela.
— Por favor, esse assunto precisa ser esquecido, deixado de lado...
— Apenas me explique, Guga, o que você viu nela para me trair.
— Veri...
— FALA LOGO!
— Ela é linda, ok? Nos encontramos em uma festa e acabou rolando,
mas...
 
 Minhas lágrimas escorreram no momento da tão desejada confissão.
Guga ficou atordoado com a minha reação, passava as mãos pela cabeça
nervoso, agitado, culpado. Sim, eu via a sua culpa, e não era pouca. 
 
— Você se apaixonou por ela, não foi?
 
 Meu marido sentou na beirada da cama e afundou a cabeça entre as
mãos. Fazendo uma careta de dor, estendeu a perna que levava uma faixa
preta em volta do seu joelho.
 
— Não, Veridiana, eu não me apaixonei por ela...
 
 Bufei irritada. Será que era tão difícil assim admitir que o sentimento
dele por ela não era apenas desejo sexual?
 
— Por que não me fala a verdade?
— Você quer a verdade? É isso que você quer?
 
 Assenti, vendo sua expressão mudar e a dor dar lugar a raiva.
 
— Eu senti tesão por ela. TESÃO, entendeu? — ele estava furioso —
Ela é gostosa pra caralho e eu queria COMER ela, queria FODER ela, e foi
isso que eu fiz.
 
 Uma onda carregada com o mais profundo desprezo invadiu meu
coração. Meu choro cessou, minha mágoa evaporou, e aquelas palavras
jamais poderiam ser esquecidas. O homem que prometeu me amar, respeitar e
ser fiel, era apenas um homem comum, nem melhor e nem pior do que
qualquer outro, apenas... mais um homem fraco e desprovido de caráter
quando suas atitudes dependiam das vontades de seu corpo. 
 
— Obrigada por ter sido sincero, prometo que vou retribuir da mesma
forma. — caminhei em direção à mala aberta e voltei a guardar minhas
roupas com cuidado exagerado, sob seu olhar atento e ansioso— Espero que
você e a mulher que você tanto desejou, se entendam e fiquem juntos. Eu
estou indo embora e não teremos mais nenhuma chance. 
— Veri, por favor... você não entendeu...
— Eu entendi perfeitamente, e agora tenho certeza que se eu te perdoar,
outras atrizes GOSTOSAS PRA CARALHO irão aparecer na sua vida e você
vai querer COMER e FODER essas mulheres, mas EU NÃO SOU IDIOTA
COMO VOCÊ PENSA! 
— Para com isso! Será que não enxerga? Olha pra você! 
— Você pode não acreditar, mas me olhar no espelho tem sido uma das
coisas que mais faço nos últimos seis meses, e a cada espiada no meu reflexo,
entendo que nunca serei o suficiente pra você.
— Você é a mulher mais linda que eu já vi!
 
 Gargalhei ironicamente.
 
— Essa foi a melhor piada dos últimos tempos!
— Sabe o que é pior nessa merda toda, Veri? — não respondi, apenas
continuei meu trabalho minucioso nas roupas espalhadas — É eu saber que
sem você fazer esforço nenhum, sem se expor, sem se insinuar, todos os
homens te cobiçam, e não é apenas pra um foda, uma noite de sexo quente.
Eles te querem pra vida toda. Te desejam como namorada, esposa, e isso por
que nem te provaram ainda. — senti seu corpo quente atrás do meu, colado,
cheiroso, inquieto. — Se algum deles tiver você como eu tive, nunca mais vai
querer te soltar, e isso tá me matando por dentro, me apavorando, baixinha...
— suas mãos abraçaram minha cintura, sua boca percorreu meu pescoço
querendo autorização para continuar seu percurso até minha orelha — E só
de te imaginar com outro homem, meu peito dilacera e eu enlouqueço de
ciúme. Eu sei que te magoei, te feri, mas me dá uma chance de me redimir...
me deixa ficar...
 
 Meu marido me virou de frente para ele e nossos olhos se encontraram
depois de muitos meses. Guga tinha lágrimas descendo pelo seu belo rosto
másculo. Sua pele escura atingia um tom avermelhado, seus lábios carnudos e
bem desenhados eram um convite para o prazer. Ele vasculhava cada parte do
meu rosto à procura de uma resposta que eu sabia que não viria. 
 
— Não consigo...
 
 Ele colou nossas bocas suavemente, sua língua experiente pediu
passagem, e eu dei. Meu marido não imaginava, mas permiti naquele quarto,
um último beijo de despedida. Seria o adeus, o ponto final naquela história
que tinha tudo para ser perfeita e digna dos contos de fadas, mas não passou
de um sonho que uma jovem adolescente criou em sua cabecinha oca e cheia
de esperanças de viver um único e verdadeiro amor pelo resto da sua vida.
 Poderia escrever um livro, contando a trajetória do menino pobre que
nasceu e cresceu na favela, se tornou o maior jogador de futebol do Brasil
fazendo sucesso inesperado, casou cedo com a menina loira, e a traiu por não
amá-la verdadeiramente. Quem não gosta de um belo drama? Quem não
valoriza a dedicação e o trabalho de um "zé ninguém" que chegou ao topo, e
de brinde, ganhou a mulher mais linda e famosa do país?
 Guga me apertou com força contra seu corpo, implorando por revide,
mas não teve sucesso. Minha raiva ainda era o maior e mais verdadeiro
sentimento que imperava dentro de mim. Eu o amava e o odiava em iguais
proporções. Queria esganá-lo, dar-lhe um belo castigo e fazê-lo aprender que
nunca deveria ter chegado às vias de fato com outra mulher, para depois
esquecer eternamente o que danificava o lado bom, generoso e solidário que
eu tentava recuperar.
 Suas mãos habilmente buscavam o contato, sua boca faminta tentava
me devorar, sua ereção se esfregando no meu baixo ventre provocava minha
sanidade. Aquele era meu marido, lindo gostoso, amável e tão viril, mas
depois de quase uma década ao meu lado, não era apenas meu. Outras
mulheres já haviam provado o que deveria ser exclusivo, quebrando o
encanto, ferindo minha alma, traindo meu amor e minha devoção.
 Apoiei minhas mãos em seus braços fortes e o afastei com delicadeza.
Sua testa encostou na minha quando percebeu minha intenção.
 
— Não faz isso, Veri. Me deixa ter você... eu te amo tanto!
— Não posso.
— Claro que pode, você é minha esposa.
—Deixei de ser sua quando você esteve com outra mulher no meu
lugar. Você escolheu assim...
— Só uma chance, Veri, apenas uma, por favor, eu te imploro, não me
deixe...
 
 Sua voz era chorosa, magoada. Senti o gosto amargo da derrota,
aceitando meu fracasso como esposa daquele homem lindo, que tinha o
mundo todo aos seus pés e seguiria sua vida, sozinho, com uma, ou várias
outras mulheres. Bastaria sua escolha e poderia fazer o que bem quisesse.
Guga podia tudo, e eu não o queria infeliz ao meu lado. Polido, moldado,
castrado. Eu o amava demais para vê-lo daquele jeito.
 Ele não resistiu às tentações muito rapidamente quando elas
apareceram na sua vida, e não seria por mim ou pelo amor que dizia sentir,
que passaria vontade. Logo haveria novas oportunidades, novas atrizes, novas
gostosas, novas Bellas, e assim como nas primeiras vezes, me trairia de novo.
 
— Eu sei que ela não foi a primeira, então não tente me convencer que
você não sabia o que estava fazendo. — nos encaramos: eu séria, decidia; ele
envergonhado e sem palavras — Eu te amei muito antes do primeiro beijo, e
talvez ame pelo resto da minha vida, mas não consigo esquecer o que vi.
Você será livre pra fazer o que quiser e poderá seguir sem culpa.
— Eu não quero ser livre, será que não entende isso? Eu quero você, do
meu lado, como minha esposa. Não faz isso comigo, por favor, me perdoe...
minha vida sem você não tem o menor sentido. 
— Imagina se eu tivesse te traído com dois homens, e um deles você
tivesse visto o que eu vi. O que você faria Guga?
 
 Seu semblante mudou drasticamente. Uma nuvem espessa de raiva,
dor e frustração nublou seu rosto molhado pelas lágrimas.
 
— Nunca mais repita isso! Nenhum outro homem vai ter você!
— Todas as vezes que fecho meus olhos, é a sua imagem em pé ao lado
da cama, comendo aquela mulher como se sua vida dependesse daquilo que
vem à minha mente. Quando tomo banho me tocando pensando em você, são
as suas estocadas barulhentas NELA que me abatem sem dó. Quando deito
pra dormir, são os seus olhos fechados, gemendo de prazer segurando aquela
mulher com força que eu enxergo. Perdoe-me se sou fraca, mas não tenho
forças para deixá-lo na minha vida... 
— Eu te destruí e não sei mais o que fazer pra te convencer que nunca
deixei te amar.
— Não sei mais se um dia você me amou, Guga... 
— Nunca mais repita isso, Veridiana! — segurou meu rosto com as
mãos — Você é a única mulher que eu amei. Eu errei, fui um imbecil, um
bosta de marido. Te traí, te magoei, destruí seu sonho, mas eu sei que posso
me redimir. Por favor, não faz isso, não vai embora, me deixa mostrar o
quanto eu estou arrependido. 
 
 Eu sabia que o drama era sincero, Guga havia se convencido de que
me amava. Não por realmente amar, mas por se sentir culpado, sozinho e por
algum motivo que eu desconhecia, me queria de volta. Ok, se era uma chance
que ele queria, eu daria a ele, contanto que meu marido provasse a veracidade
de suas palavras.
 
— Tudo bem... eu vou te dar uma chance.
 
 Ele parecia não acreditar no que ouvia, seu sorriso lindo enfeitou seu
rosto, deixando-o ainda mais irresistível.
— Eu nem acredito! Você vai ver Veri, vou provar que o nosso amor é
a coisa mais importante pra mim.
— Que bom, porque eu tenho uma condição para isso.
 
 Guga me olhou desconfiado, abraçou minha cintura achando que era
apenas uma brincadeira. Mal ele sabia o que o esperava.
 
— Condição? Que condição, baixinha? Eu faço tudo que você quiser!
— Simples. — dei de ombros — Amanhã vou acertar os detalhes da
minha mudança para Nova York e você se mudará comigo. 
 
 Foram dois passos para trás. Olhos arregalados, testa franzida e uma
expressão incrédula que perguntava silenciosamente: "Você está mesmo
falando sério?". Pois é, meu bem... como eu previa, existiam muitas outras
coisas "mais importantes" do que o nosso amor.
 
— Nova York?
 
 Assenti, virei de costas e voltei a arrumar minhas roupas.
 
— É a minha vida, Guga, e se você quiser ficar nela... essa será a sua
únicachance.
 
 O silêncio que seguiu foi o suficiente para garantir que o divórcio
sairia sem muitas dificuldades e muito mais rápido do que imaginávamos.
Meu coração se quebrou em mais um pedaço.
 
CAPÍTULO 11 – GUGA
 
Dias atuais...
 
— Eu não posso ir agora, Veri! — falei exaltado. Ela impôs uma
condição que sabia não ser possível para mim — Eu tenho um contrato pra
cumprir, meu joelho tá fodido e se eu não me recuperar, nem jogar bola eu
vou poder.
— Como eu disse, essa é a minha condição e a sua chance. 
 
 Veridiana seguiu arrumando suas roupas dentro da mala, estava fria,
distante e parecia determinada a me excluir de vez de sua vida. Eu a amava
tanto, mas tanto, que comecei a pensar em muitas formas de fazer aquilo dar
certo, mas eram muitos empecilhos. 
 
— Eu vou dar um jeito. — senti seu corpo ficar tenso, segurei seu
braço e a forcei a olhar em meus olhos — Mas preciso saber se é isso que
você realmente quer. 
— Nós dois sabemos que você não irá sair do Brasil, sua carreira está
começando a deslanchar, seu nome se tornou uma marca do Santos Futebol
Clube, e talvez seja sua grande oportunidade de ser convocado pra a Seleção
Brasileira. Além, é claro, do dinheiro e da fama, que agora fazem parte da sua
rotina. 
— Você sabe que eu não ligo pra isso!
— Nós dois sabemos que isso também é uma grande mentira. — seus
olhos verdes voltaram a marejar — Desde que voltamos da Grécia você
mudou e não foi pouco. Não vou te julgar, nós casamos cedo e não viveu sua
juventude como deveria, o que não justifica suas atitudes egoístas, mas não
sou nenhuma idiota por não saber que se estivéssemos em uma condição
diferente, menos grana e sem todo esse alvoroço em cima de você, as coisas
não aconteceriam como aconteceram. 
— Eu aprendi a lição da pior forma, Veri, e te perder foi o meu grande
castigo.
— Mas não garante que não irá acontecer de novo. Como você mesmo
disse, aquela mulher te chantageou e duvido muito que irá aceitar facilmente
a sua recusa. 
— Eu não vou ficar com ela! — falei com convicção — Eu te juro que
depois daquela noite, nunca mais estivemos juntos.
— O que eu mais queria era acreditar nisso, Guga, mas é muito
difícil... 
— Veri, não tenho mais motivos pra esconder nada de você. Hoje
quando entrei nesse quarto, sabia que corria o risco de não ser perdoado, mas
estava decidido a não mentir ou te esconder mais nada. Eu confesso que até
aquela noite no motel saí com ela algumas vezes, mas acabou quando te vi
indo embora e você sumiu por quase duas semanas.
— Como ela te chantageou?
— Depois que você mandou aquele documento em que abria mão de
tudo e só queria os dois imóveis pros seus pais, falei com o Abelardo e pedi
pra ele contratar um bom advogado. Horas mais tarde um cara me procurou e
se apresentou como representante dos interesses dela. Ele me entregou
inúmeras fotos, iguais às que você recebeu hoje no seu "almocinho" com o
Bruno, e ameaçou vazar pra imprensa caso eu não saísse com ela para alguns
eventos como seu namorado. 
— A troco do que ela iria te forçar a fazer isso?
— Imagina o que aconteceria com a reputação dela se a imprensa
descobrisse que ela era minha amante?
— E pra salvar a pele dela, deixou que me acusassem de ser uma vadia
aproveitadora e interesseira?
 
 Senti toda a sua mágoa cuspida através das palavras. Ela estava certa,
mas na época em que tudo aconteceu, eu só queria poupá-la de ver aquelas
malditas fotos e deixá-la pior do que já estava. Veridiana não tinha redes
sociais, e na volta ao Brasil, eu a excluí dos eventos sociais para poder
aproveitá-los sozinho. Fui um grande filho da puta, eu sei, e isso só fodeu
ainda mais nosso casamento.
 
— Veri, a minha única preocupação era você; a minha decisão de
aceitar toda aquela imundície da Bella foi pra não te ferir ainda mais com
aquelas fotos. — minha esposa queria acreditar no que eu dizia, mas havia
muita mágoa e desconfiança. Eu teria que ter muita paciência com ela, até
que voltasse a acreditar em mim e no amor que sentia — Eu não queria
imaginar o quanto você me odiaria se visse as fotos estampadas nas revistas
de fofocas espalhadas pelo Brasil...
— Eu te odiei do mesmo jeito quando falaram que eu era uma
patricinha metida à besta que casou com você por interesse e estava
atrapalhando o seu tórrido caso de amor com a mulher da sua vida, sua cara-
metade.
— Ninguém sabe da nossa história baixinha, e a culpa é minha
também... — Porra! Eu era um fodido de merda! — Mas eu prometo que vou
consertar isso.
— Sabe, Guga, eu sinto que não me encaixo mais no seu mundo, não
faço mais parte dele — Veridiana estava chorando novamente, mais contida,
mais reprimida. — Você é um homem lindo, talentoso, famoso e rico... tudo
o que aconteceu me mostrou que nem sempre o amor que a gente sente é o
suficiente pra manter um relacionamento. Eu não te culpo, então, não se
culpe também. Eu vou embora, vou seguir minha vida, e você, apenas... viva
a sua e aproveite o momento maravilhoso que está vivendo na sua carreira.
— Qual a parte da frase "EU NÃO QUERO VIVER SEM VOCÊ", que
ainda não entendeu? — falei exasperado para que ela percebesse de vez que
eu a amava e a queria comigo — Eu te amo, Veri, quero continuar casado
com você, apenas aceite isso!
— Vou aceitar, Guga... quando embarcar comigo para Nova York e
deixar tudo pra trás pelo amor que você diz sentir por mim.
 
 Minha esposa estava me testando, e aquele seria o maior teste da
minha vida. Eu não tinha dúvidas, ela era a pessoa mais importante para mim.
Deixar tudo para trás não seria nenhum problema, mas precisava acertar tudo
de uma maneira que não nos prejudicasse futuramente.
 
— Janta comigo? — a cara de espanto dela foi impagável — Acho que
você me deve algumas explicações também, e eu já te garanti que vou com
você pra Nova York. Mereço um jantar com a minha esposa... ou não?
— Eu... eu...
 
 Aproximei-me dela, abraçando sua cintura. Abaixei a cabeça e
mordisquei o lóbulo da sua orelha, sentindo seu corpo todo tremer em meus
braços. Veridiana era linda, gostosa e sempre foi um furacão na cama. Mas
eu não poderia ser falso ao ponto de não admitir, que descobrir o desejo de
dois dos meus amigos por ela não tivesse me tornado ainda mais possessivo e
ciumento.
 
— Vou te esperar na sala, você tem meia hora pra ficar pronta, —
lambi toda a extensão do seu pescoço — se atrasar, eu invado esse quarto e
não vou responder pelas minhas atitudes, entendeu?
 
 Ela não respondeu. Soltei seu corpo mole tentando se equilibrar após a
excitação inesperada e saí, deixando-a sozinha. Senti meu coração acelerado,
vibrando de emoção e felicidade contida; ajeitei meu pau duro, latejando
dentro da calça, louco para se libertar e voltar para casa, dentro daquela
boceta deliciosa que minha esposa tinha. Lembrar de como me sentia depois
que transava com ela me acendeu ainda mais, e um sorriso bobo estampou
em meus lábios.
 Veridiana era a minha luz, minha ponte de salvação, minha inspiração
e minha esperança. Era com ela que eu queria ter filhos, era nela que eu me
abastecia e recarregava minha fé. Minha baixinha, além de ser a mulher
incrível que era, me amava sem interesse, sem segundas intenções e sempre
faria a coisa certa.
 A falta dela na minha vida poderia ser comparada a um homem
tetraplégico, que ficou sem os movimentos das pernas depois de anos
correndo longas distâncias. Não seria possível me readaptar sem ela, e se não
houvesse alternativas para readaptação, sempre haveria uma lacuna
representando a tristeza, a falta, a culpa e o inconformismo. 
 Eu apenas a amava. Admitia o quão tinha sido fraco e implorava seu
perdão. Ela me amava, tentava ser forte, e se esforçava para me perdoar.
Como sempre diziam, o sentimento soberano que deveria dominar o mundo,
infringir leis, quebrar regras e tabus, determinava o nosso futuro. Nosso amor
imperava e nos mostrava que seria mais forte do que a dor da traição e do
arrependimento avassalador. 
 Marcelo e Binho conversavam na sala, e quando me viram, logo
perceberam que as coisas estavammais calmas.
 
— E aí, convenceu ela a ficar? — a pergunta do meu ex-amigo acendeu
um sinal de alerta. Ele já tinha declarado o seu amor pela minha mulher, e eu
não daria nenhuma chance para que ele se reaproximasse dela. 
— Não, ela vai embora pra Nova York. — Vi seu rosto se contorcer,
mas não deixaria que ele acreditasse por muito tempo que meu casamento
não teria futuro. — E eu irei com ela...
— Como assim vai com ela? — Marcelo indagou com a testa franzida
— Você não pode sair do Brasil agora!
— Eu posso e vou. Minha esposa viveu todos esses anos em função do
meu trabalho. Não vejo motivo pra não ir com ela.
— Você tem um contrato com o Santos, Guga. Se você sair agora, vai
ter que pagar uma multa muito alta e todas as chances de ir pra Seleção irão
por água abaixo!
— Eu sei de tudo isso, mas vou dar um jeito. Posso arrumar um clube
pra jogar lá e refazer a minha vida.
— Olha o que você tá falando! Vai jogar toda sua carreira no lixo por
que ela não conseguiu te segurar castrado?
 
 As palavras do meu irmão continham raiva, desdém. Nem parecia o
cara centrado e amigo que sempre foi.
 
— Não vou discutir com você, Marcelo, esse assunto não diz respeito a
ninguém. Minha esposa vai trabalhar em Nova York, e eu não quero ficar
sem ela. A decisão é minha e já está tomada. 
— E o que vai acontecer quando você trepar com outra atriz gostosa lá?
Ela vai mudar pro Japão, pra China, ou o quê? — meu irmão se aproximou
demonstrando toda sua indignação — Será que você não percebe que o
problema não é o lugar, e sim o seu casamento? Nenhum homem apaixonado
pela esposa sai com outra mulher, e se você não conseguiu segurar seu pau
dentro das calças no Brasil, vai ser difícil se controlar em qualquer outro
lugar. 
— Vamos fazer um acordo: arruma uma mulher e vai cuidar dela,
aproveita e cuida da sua vida também, porque da minha, cuido eu. 
 
 O clima estava tenso, suas palavras de alguma forma mexeram
comigo. A dor que eu estava sentindo por não ter minha esposa ao meu lado
não era fruto da minha imaginação, era física, doía muito, era real. Claro que
minha imagem seria sempre vinculada aos meus erros, mas, quem era ele
para me julgar?
 
— Será que não percebe? O que você chama de amor, eu chamo de
dependência. A Veridiana está com você desde sempre, te ama, é leal, fiel e
quer o seu bem, mas você não está com ela por amor, Guga! Depois da
chantagem que a Bella fez, você caiu na real. Entendeu que as mulheres não
se aproximam apenas por quem você é, existe o interesse pelo que tem, e
nesse pacote está sua fama e seu dinheiro. Essa insegurança é normal, mas
manter um casamento apenas por comodidade e segurança é a maior de todas
as merdas que estará fazendo pra vocês dois. 
— E quem disse que eu quero ficar com ela apenas por comodidade e
segurança? De onde tirou isso? 
— Vai me dizer que se a Bella não tivesse feito a chantagem, e se
mostrasse realmente apaixonada, você voltaria pra sua esposa?
 
 Lembrei de tudo o que aconteceu, desde o momento em que Veri foi
embora depois de me encontrar naquela noite. Seu rosto triste, suas lágrimas,
sua decepção. Eu queria correr atrás dela, pedir perdão, me ajoelhar aos seus
pés, mas fui contido pela Bella, que alegava que seria pior no estado em que
ela estava. No dia seguinte fui até o apartamento e não encontrei ninguém,
parte das suas roupas estava jogada pelo chão, seus sapatos bagunçados, e só
então fui informado que a minha esposa tinha saído de casa, para não voltar
mais. Trancafiei-me, bebi, chorei, liguei milhares de vezes. Tudo em vão.
Veridiana havia deixado a cidade, meu coração e minha vida, e só então me
dei conta de que nada teria importância se ela não estivesse comigo. Eu a
amava, e nenhuma outra mulher mudaria aquilo.
 Antes que eu pudesse responder, um barulho atrás de mim chamou
nossa atenção, e a mulher que apareceu na sala, certamente seria capaz de
convencer qualquer um que duvidasse do meu amor.
 
CAPÍTULO 12 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Guga saiu do quarto, deixando o rastro do seu perfume e várias
dúvidas na minha cabeça. Sentei na cama deixando meu corpo relaxar,
tentando assimilar todos os sentimentos que se passavam no meu coração. Eu
o amava, muito mais do que gostaria; o desejava como sempre desejei e ainda
mais por tanto tempo sem ser tocada, mas uma parte de mim não o queria de
volta por ter me traído. Era uma batalha intensa entre meu corpo, meus
desejos, meu amor e tudo o que eu mais desprezava em um homem. Traição
sempre seria uma questão de caráter, e não de sentimento.
 Guga continuava o mesmo homem insistente, persistente e incansável,
apresentando alegações convincentes quando queria alguma coisa. Sempre
brinquei dizendo que daria um ótimo vendedor, pois conseguia convencer
qualquer pessoa a fazer o que ele quisesse, era apenas uma questão de tempo
e paciência.
 Encarei o teto com um tímido sorriso nos lábios, seria impossível
mentir e afirmar que todas as declarações do meu marido, feitas naquele
quarto, com tanta intensidade, não tinha sido uma coisa boa, ou melhor,
maravilhosa de se ouvir. Eu não duvidava do amor que ele dizia sentir, mas
não estava totalmente segura da sua capacidade de permanecer fiel e não se
envolver com outra mulher, ainda casado comigo.
 Decidi testá-lo discretamente, maliciosamente, para garantir que nosso
casamento não se afundaria em um rio de mágoas e feridas incuráveis,
manchado a ponto de permitir que os últimos acontecimentos apagassem
todas as coisas boas vividas durante quase uma década das nossas vidas. Eu
precisaria ter convicção, ou no mínimo, acreditar que Guga não cairia em
nova tentação, caso ela batesse à nossa porta.
 Tomei um banho rápido, escolhi um vestido preto colado ao corpo que
tinha uma abertura frontal que subia da barra até o meio das coxas,
sensualizando e expondo as pernas alternadamente conforme eu caminhava, e
um decote quadrado que deixava boa parte dos seios em evidência modesta,
sem mangas e completamente aberto nas costas. Prendi o cabelo em um
coque frouxo, deixando alguns fios soltos dando a impressão de um penteado
feito às pressas, calcei uma sandália verde escuro com tiras finas e salto alto
da mesma cor dos brincos pequenos que adornavam minhas orelhas. A
maquiagem foi simples, apenas lápis, batom e muitas camadas de rímel.
 Fazia algum tempo que não me arrumava daquele jeito, apesar de
sempre estar bem vestida. Eu não era uma mulher descuidada, nem com o
corpo, muito menos com a saúde. Mantinha-me sempre em atividade
constante, fazendo exercícios físicos regularmente e com o acompanhamento
de uma nutricionista que prescrevia uma dieta rigorosa, para que meu peso se
mantivesse e o percentual de massa gorda não aumentasse.
 Apesar de me considerar baixa quando ficava ao lado do meu marido,
minha altura era considerada normal para uma mulher mediana. Um metro e
sessenta e sete, muita bunda e pouco seio. Sabia que precisava me cuidar,
minha mãe era uma comilona e seu quadril aumentava gradativamente a cada
ano. Só de pensar em comer, a balança já aumentava e a guerra contra a
obesidade era uma das muitas que eu evitava travar. 
 Quando tomei coragem e segui até a sala, os olhares de admiração dos
três homens que conversavam de maneira nada amigável foi uma grata
indicação de que minha aparência era no mínimo agradável aos olhos
masculinos. 
 
— Você está linda, Veri! — Guga foi o primeiro a elogiar — Podemos
ir?
— Claro! Posso saber sobre o que estavam falando?
— Nossa conversa era basicamente sobre a merda que meu irmão está
disposto a fazer por se sentir culpado. — Marcelo respondeu de modo
grosseiro.
— Ignora ele, esse assunto não está em pauta de votação.
 
 Meu marido se aproximou, segurou minha mão e a levou até a boca.
Depositou um beijo sedutor e me presenteou com um sorriso lindo.
 
— Você não vai desistir dessa ideia ridícula de ir embora? — Binho
perguntou irritado.
 
 Encarei meu amigo de longa data, mas não consegui sorrir.
 
— Eu nunca falei que estava em dúvida, Binho, e ir comigo é uma
opçãodo Guga. Ele não é obrigado a se mudar para Nova York.
— Mas ele quer ir apenas pra você não continuar com essa ideia
ridícula de divórcio. Será que não vê que está fodendo a carreira dele? —
Marcelo de alguma forma estava tentando me intimidar e jogar a culpa de
tudo o que estava acontecendo na nossa vida, em mim.
— Eu não sei qual é o seu problema, Marcelo, mas seu irmão é bem
grandinho pra saber o que é melhor para ele. A minha ida não é negociável e
meu marido só irá se desejar. Ele sabe que tem a opção de ficar, assim como
optou por me trair e acabar com o nosso casamento. — olhei para Guga que
me encarava sério — Vamos? Estou com fome e também acho que a nossa
vida não é problema de ninguém.
 
 Meu marido assentiu e me conduziu até a porta, mas Marcelo estava
muito disposto a atrapalhar a nossa tentativa de reconciliação.
 
— Meu irmão não vai mudar, Veri, e você sabe disso. O que vai
acontecer quando a próxima gostosa conseguir levar ele pra cama? Vai mudar
de país de novo? Ou você acredita que o seu marido vai ser fiel a você pro
resto da vida?
 
 Senti o gosto amargo da realidade chegar, mas não deixaria que meu
cunhado soubesse que eu tinha plena consciência dos riscos que corria, aliás,
uma nova traição do meu marido talvez não demorasse a acontecer. 
 
— Eu amo seu irmão, Marcelo. Ele me traiu, jurou estar arrependido,
pediu uma nova chance e terá o que pediu. Tudo vai depender dele. Talvez
você tenha razão e meu coração seja quebrado novamente, mas se está
mesmo preocupado com ele, não sei por que não quer vê-lo feliz.
— Claro que eu quero ver meu irmão feliz, e é justamente por isso que
acho uma grande merda ele se mudar e largar a vida dele aqui por sua causa.
Duvido que ele não vá se lamentar pelo resto da vida por ter abandonado a
chance de ser convocado pra Seleção Brasileira e poder participar de uma
copa do mundo por causa de uma mulher que ele nem ama.
— Já te falei que a Veri é a única mulher que eu amo. Por que você
insiste em dizer o contrário? Será que não vê que só tá piorando a situação?
— meu marido praticamente suplicava o silêncio do irmão. 
— Guga, você tem vinte e seis anos, é novo pra caralho e nunca viveu
de verdade. Casou cedo, morou fora e eu entendo que criou um apego à sua
esposa, mas vamos e convenhamos, não é amor que você sente por ela, e foi
por isso que a Bella conseguiu te seduzir. Se você amasse de verdade a
Veridiana, jamais teria ido pra cama com outra, ou melhor, com outras, já que
a atriz gostosa não foi a única.
— Cala a porra dessa boca! — meu marido segurou meus braços,
forçando-me a olhá-lo. Meu coração batia freneticamente, desejando sair dali
o mais rápido possível — Eu amo você, baixinha, e tudo que importa é o que
conversamos naquele quarto. Vem, vamos embora daqui.
 
 Deixamos a casa de Binho em silêncio, caminhamos algumas quadras
e meu marido me convenceu a entrar em um barzinho aconchegante que
conhecíamos. Era um lugar agitado demais e não era o mais apropriado para
um jantar de reconciliação. Relutei, mas acabei cedendo, e foi o primeiro erro
que cometi naquela noite de domingo. 
 Logo meu marido foi reconhecido por um grupo de jovens que nos
cercaram pedindo autógrafos e fizeram várias perguntas sobre a lesão que ele
tinha sofrido. Mantive-me o tempo todo em silêncio, apenas observando o
quanto Guga gostava de toda atenção que recebia das pessoas encantadas
com o ídolo.
 Pedi licença e fui até o banheiro para acalmar um pouco a ansiedade
que me tomava de maneira brutal. Eu sabia que Marcelo estava certo em
todas as suas afirmações, mas precisava provar tanto para Guga, como para
mim, que não tínhamos mais nenhuma chance de ficarmos juntos. Quando
terminava de lavar as mãos, duas jovens entraram empolgadas conversando
sobre a beleza do meu marido e também o fato de ele não estar mais com a
atriz.
 Respirei fundo tentando ignorar o fato de nem saberem da minha
existência na vida dele. Voltei para o restaurante e de longe pude ver que o
número de fãs ao redor de Guga havia aumentado. Desisti de voltar para a
mesa, segui para o bar e pedi uma caipirinha, com a única intenção de
esquecer que nossa noite estava acabada antes mesmo de começar.
 
— Sozinha?
 
 Olhei para o lado e me deparei com Marcelo.
 
— Como sempre, desde que voltamos ao Brasil.
— Quero me desculpar por tudo que falei, Veri. Fui grosso, mal
educado e intrometido. Perdoe-me.
— Você estava certo, não precisa se sentir culpado.
— Eu não tinha o direito de meter na vida de vocês, sinto muito.
 
 O garçom colocou o copo no balcão e perguntou ao meu cunhado o
que ele iria beber. Marcelo pediu uma cerveja e voltou a me encarar.
 
— Eu sei que você ama o Guga e não fez nada errado. Mas... ele não te
ama e só vai te fazer sofrer.
 
 Apoiei os cotovelos no balcão de madeira rústica, mexi no copo à
minha frente e sorri sentindo meus olhos molharem pelas lágrimas não
derramadas.
 
— Sabe, Marcelo, seu irmão foi meu primeiro e único homem. O que
eu sinto por ele é verdadeiro, real. Eu podia facilmente fingir que as traições
dele não me atingiram, feriram e acabaram com tudo o que eu mais prezava,
que era o nosso casamento, o nosso amor. Mas me recuso a fazer isso e você
sabe por quê?
 
 Meu cunhado negou com a cabeça.
 
— Porque eu sei a mulher que sou pra ele, sei o meu valor e nunca irei
permitir que nenhum homem me desrespeite.
— Então, por que está insistindo nessa relação de vocês?
— Porque ele me pediu uma chance.
— E você acredita que ele vai conseguir?
— Não...
— É disso que eu estou falando, Veri... Guga não ama você como
merece, e a qualquer momento outra Bella Campari vai aparecer e ele não vai
resistir.
— Está me dizendo que não devo dar uma chance pra ele?
— Só se quiser se foder de novo.
— A impressão que eu tenho é que você não quer me ver com ele. Qual
é o seu problema comigo? Acha que não sou mulher o suficiente pra ele?
 
 Marcelo olhou para a mesa em que Guga estava cercado por uma
pequena multidão de fãs. Várias mulheres tiravam fotos com ele e recebiam a
atenção que deveria ser destinada a mim. Tomou um gole da sua bebida e
voltou a me encarar com seus olhos negros como a noite.
 
— Não, Veridiana. Eu acho que meu irmão não é homem suficiente pra
você, e não o contrário.
 
 Ficamos nos olhando, eu tentando assimilar o que tinha acabado de
ouvir e meu cunhado encarando minha boca descaradamente. Por um
momento achei que estava ficando louca, mas Marcelo confirmou com suas
palavras.
 
— Eu nunca deveria te falar isso, mas... você merece um homem ao seu
lado, e não um moleque que está no auge da fama e não consegue se segurar
quando vê uma mulher bonita. 
— Acho que já ouvi demais — levantei para ir embora, mas Marcelo
segurou meu braço.
— Não faz assim, Veri.
— Meu casamento está por um fio e você vem até aqui sem ser
chamado pra me falar que seu irmão não é digno de estar ao meu lado. Fala
uma coisa pra mim, se ele não é, quem seria esse homem?
 
 Marcelo ficou em pé e se colocou à minha frente. Assim como Guga,
meu cunhado era bem mais alto do que eu e seu corpo, apesar de ser mais
magro do que o do irmão, era forte. Sua pele negra um tom mais clara e seu
cabelo raspado lhe davam um ar mais sério, além da cara sempre fechada que
dificilmente esboçava um sorriso. Ele era um homem bonito, mas não
despertava nenhum tipo de reação em meu corpo, muito menos em meu
coração.
 
— Eu nunca deixaria Guga perceber o quanto sou apaixonado por você,
e sei que apesar de amá-lo e não nutrir qualquer tipo de sentimento por mim,
se você fosse minha esposa, nenhuma mulher seria capaz de me fazer perder
a cabeça.
 
 Meus pensamentos foram atropelados. A declaração de Marcelo
apenas me deixou mais confusa do que eu já estava. Olhei para meu marido
que se aproximava do bar, deslocando as pessoas que estavam em seu
caminho apressadamente. 
 
— Estou indo embora, Marcelo, e vou fingir que essa conversa nunca
aconteceu. 
 
 Consegui perceber a mudança brusca em seu olhar. Meu cunhado não
parecia arrependido por tentar me enganardaquela forma.
— Podemos continuar com a farsa, Veridiana, mas agora você já sabe o
que realmente me atormenta.
Guga nos alcançou percebendo o clima estranho e tenso entre nós.
— O que tá acontecendo aqui? Por que você veio atrás de nós?
 Marcelo olhou para o chão, calmo, controlado como sempre foi, ou
pelo menos eu achava que era.
— Eu vim porque sabia que a sua esposa estaria sozinha enquanto você
interpretava o seu melhor papel de galã internacional. 
 Marcelo foi embora e Guga segurou minha mão. 
— Desculpa, baixinha, eu não pretendia...
— Para com isso! — falei irritada — Você me convidou pra jantar, mas
a única coisa que aconteceu aqui foi que eu lembrei o motivo que te levava a
não me chamar pra sair. 
— Eu não tive culpa, Veri. O que você queria que eu fizesse?
— O que qualquer homem que deseja sua mulher de volta faria. Você
ligaria para o melhor restaurante do Rio de Janeiro e reservaria a melhor
mesa AFASTADA para ter um jantar "a sós" com a sua esposa. — respirei
fundo quando duas mulheres se aproximaram sorrindo e pediram autógrafos e
Guga prontamente atendeu.
 
 Peguei a comanda do bar e fui em direção ao caixa, não queria mais
ficar ali assistindo minha noite ser arruinada.
 
— Veri, por favor, baixinha... espera... 
— Estou cansada ,Guga, só me deixe em paz!
 
 Pedi um táxi que logo chegou, e ao contrário do que deveria fazer, dei
o nome de uma casa de shows ao motorista. Estava arrumada e pronta para
acabar de vez com todas as restrições que eu mesma havia imposto à minha
vida. Eu também era nova e bonita; como Guga, abdiquei da minha juventude
em nome do amor, então por que só meu marido tinha direito a se divertir um
pouco? Afinal de contas, que mal teria uma noite de balada e bebedeira?
 
CAPÍTULO 13 – GUGA
 
Dias atuais...
 
 
— O que você falou pra ela, caralho?
— Não falei nada! 
— Claro que falou! Ela foi embora puta da vida, Marcelo!
— E você acha que ela ficou puta por alguma coisa que eu falei? Será
que você não consegue enxergar nada além do seu próprio umbigo, Guga?
— Estava indo tudo bem até você chegar!
— E quando você percebeu que a sua esposa não estava na mesa com
você? Antes ou depois que ela sentou no bar?
— Eu estava atendendo algumas pessoas, porra! Essas coisas são
normais de acontecer, ela precisa entender isso!
— Não! Você precisa entender que ela já passou por muita coisa só por
ser sua esposa! 
— Eu estou tentando consertar tudo!
— Levando ela pra jantar naquele barzinho lotado, cheio de mulheres
loucas pra darem pra você? 
— Como você sabia que a gente ia pra lá?
— Eu não sabia! Depois que vocês saíram eu resolvi beber alguma
coisa pra esfriar a cabeça, e quando entrei, vi a Veridiana indo pro banheiro.
Estranhei ela estar por ali, mas logo te vi cercado por todas aquelas mulheres
e entendi. Quando ela foi pro bar, sentei do lado dela e começamos a
conversar. Foi isso que aconteceu.
— O que vocês falaram, Marcelo?
— Eu pedi desculpas por ter falado com ela daquele jeito, disse que
sentia muito e... só.
— Só isso mesmo?
— Claro! O que mais eu poderia ter falado pra ela, porra?
— Que você sempre foi apaixonado pela minha mulher, talvez?
— Quem te disse isso?
— Eu não sou cego, Marcelo, e te conheço muito melhor do que você
imagina. Você falou pra ela?
— Não com essas palavras...
— Seu filho da puta!
 
 Eram quase três horas da manhã e a conversa com Marcelo não saía da
minha cabeça. Em menos de uma semana minha mulher já tinha três
pretendentes na sua lista de espera, apenas aguardando o meu próximo
deslize para tentarem alguma coisa com ela. Eu estava muito fodido! Se os
caras que eu conhecia desde sempre e diziam que eram meus amigos já
estavam em cima dela, eu não queria nem pensar se ela aparecesse sozinha,
livre para ficar com quem bem entendesse. Merda!
 Eu era um idiota, na verdade, um verdadeiro idiota, e a falta de notícias
de Veridiana só confirmava isso. Ela foi embora do barzinho sem falar com
ninguém, pegou um táxi e simplesmente sumiu. Não voltou para a casa de
Binho, não estava com seus pais e ainda não tinha dado sinais de vida. Seu
celular estava desligado e seu carro continuava na garagem do prédio. 
 Veri não era uma mulher da noite, da balada e muito menos de encher
a cara, mas eu estava assustado, muito mesmo. Quando passamos pelo
barzinho agitado, tive vontade de entrar, mas não era a minha intenção
chamar a atenção de ninguém, muito menos ficar dando autógrafos. Tudo
bem, confesso que aquela euforia toda me seduzia e não era pouco. Eu
gostava de ser ovacionado, saber que os fãs gostavam de me ver fora do
campo, conhecer alguns que imitavam a minha maneira de vestir e até
compravam peças das mesmas marcas que usava. 
 Apesar de estar no Brasil há dois anos, ainda era uma situação que me
enchia os olhos, envaidecia e fazia bem ao meu ego infantil e machista. Claro
que algumas mulheres não tinham noção nenhuma e se atiravam
descaradamente em cima de mim, mas eu não tinha qualquer intenção de trair
minha esposa novamente, mesmo que algumas vezes me perdesse em um
corpo bonito ou em um sorriso sacana e insinuante. 
 Estava muito difícil de convencer Veridiana do meu amor, do meu
respeito e da minha fidelidade, mas eu jamais iria desistir. Eu não conseguiria
viver longe dela, sem poder vê-la, tocá-la ou fazer amor com ela, e só a ideia
de deixá-la partir já me causava náusea, dor e uma vontade de chorar que eu
desconhecia de onde vinha. 
 Meu celular tocou e vi o nome do meu irmão brilhar na tela, joguei o
aparelho no banco de couro do passageiro e ignorei. Mas Marcelo estava
mesmo disposto a me infernizar a vida. Mais ainda. Meu irmão era um cara
legal, bonito e muito cético. Dizia que nunca se apaixonaria, não entregaria
sua felicidade nas mãos de uma mulher, mas nunca conseguiu esconder o
amor platônico que sentia por Veridiana desde a época em que morávamos na
favela. 
 Eu só descobri ao ouvir sem querer uma conversa dele com minha
mãe, onde ele bêbado, chorava igual uma criança e pedia desculpas por
desejar tanto a namorada do irmão. Minha mãe o aconselhou a esquecê-la,
não somente por respeito a mim, mas por que todos sabiam que a minha
baixinha me amava demais. Marcelo jurou que nunca iria falar nada ou se
intrometer na nossa relação, e garantiu à nossa mãe que se pudesse, arrancaria
com as próprias mãos aquele sentimento de dentro do seu coração.
 Depois daquele dia, passei a observar o comportamento do meu irmão
quando Veridiana estava presente, e a única coisa que Marcelo não conseguia
disfarçar era o seu nervosismo quando a loirinha chegava perto dele.
 Entendi o motivo de Marcelo insistir em manter uma distância segura
entre eles, sempre sério, reservado e nunca demonstrava qualquer tipo de
intimidade com a minha mulher, mas meu irmão estava a todo o momento
observando discretamente minha baixinha. Olhares perdidos, admirando sua
beleza e provavelmente, seu cérebro produzindo cenas e imaginando
sacanagens com ela.
 Saber que meu irmão era apaixonado pela minha namorada, talvez
tenha sido um dos grandes motivos que me incentivaram a pedi-la em
casamento antes de irmos para a Grécia. O medo de deixá-la aqui, correndo o
risco de ela me esquecer ou cair nas graças dele me atormentou durante
incontáveis noites, e apenas uma mísera possibilidade de o meu irmão
conseguir seduzi-la na minha ausência, despertava o ciúme doentio dentro de
mim. O celular voltou a tocar, e mesmo irritado, atendi.
 
— Fala, Marcelo, o que você quer?
— Eu sei onde ela está.
 
 Eu sabia que meu irmão também estava preocupado com a Veri, mas
não iria mais me enganar e achar que ele ou Binho torciam por mim e pelo
meu casamento. O foco desses "fura-olhos" era a loira que conseguia me
enlouquecer.
 
— Onde ela tá e como você descobriu?
 
 Um silêncio se fez presente, e apenas a respiração de Marcelo podia
ser ouvida. Meu irmão deveria estar se corroendo por não poder extravasar
aquele sentimento reprimido durante anos, mas eu não facilitaria a vida dele.
Minha esposa era a mulher que eu amava, e se dependessede mim, nenhum
outro homem tocaria nela. Nunca!
 
— Ela está no show da Anita, no Pacific.
— Isso é sério? — o Pacific era uma das casas noturnas mais seletivas
do Rio, apenas celebridades frequentavam os shows.
 
 Tá certo que Marcelo não me daria uma informação errada, mas era
muito difícil de acreditar que Veridiana estivesse em um show da Anitta. Não
que fosse ruim, ou coisa do tipo, mas não era o estilo de música que ela
costumava ouvir ou dançar, e minha esposa não era o tipo de mulher que
usaria o meu nome para conseguir entrar em um lugar como aquele. 
 
— E não é só isso...
— Desembucha logo!
— Ela está no camarote premium com o Bruno.
 
 De repente meu coração parecia querer desesperadamente sair pela
boca, apenas por imaginar Veridiana com aquele vestido preto, toda linda e
gostosa, vulnerável, carente, com aquele filho da puta. Fiquei sem ar por
alguns milésimos de segundos, dei um soco no volante e rosnei:
 
— Arruma pra eu entrar direto. Tô indo pra lá!
— Não vai fazer merda, Guga!
— Claro que não, só vou buscar a minha mulher e mostrar pro vacilão
com quantos paus se faz uma canoa.
— Entra pelo portão dois.
— Já conseguiu? 
— Eu... eu já estou aqui...
— Caralho, Marcelo! E eu posso saber que porra tu tá fazendo aí?
— Eu não sabia se você estava procurando ela, então... resolvi fazer
umas ligações e a Roberta Canja me falou que tinha visto a Veri aqui, como
acompanhante do Bruno. 
— Eu tô dirigindo, Marcelo, é melhor você me contar tudo por telefone
e rezar pra eu chegar aí mais calmo, cara! Porque se eu pegar um de vocês do
jeito que eu tô agora, não vai sobrar nada pra contar história!
— Vai se foder! Ninguém tem culpa se você é um imbecil fodido que
não sabe cuidar da própria mulher, agora vem logo antes que ele leve a SUA
ESPOSA pra casa dele!
 
 A ligação foi encerrada e meu celular arremessado para o lado. O ódio
estava me consumindo, e eu tentei me lembrar qual tinha sido a última vez
que levei minha esposa para dançar, mas para a minha total frustração, não
lembrava. Segui costurando o trânsito calmo àquela hora para tentar chegar o
mais rápido possível à casa noturna.
 Entrei no estacionamento coberto e deixei as chaves com o manobrista.
Marcelo já me esperava na porta com dois seguranças colados nele. Não
houve sorriso nem cumprimento, e se dependesse de mim, ele já teria
apanhado ali mesmo. 
 
— Onde fica a porra do camarote? — passei por ele como um foguete.
— Calma aí, Guga! Tu não pode ir entrando assim direto sem a
autorização do cara!
 
 Parei, respirei e voltei a encará-lo. Meus olhos deveriam demonstrar
todos os sentimentos que habitavam no meu peito, ali, exatamente onde
estávamos, pro meu irmão ver e sentir o quanto eu estava disposto a ter
Veridiana de volta na minha vida, e não pensaria duas vezes em acabar com
qualquer amizade ou relacionamento com qualquer um que estivesse disposto
a interferir no meu casamento. 
 
— Eu vou entrar, pegar a minha mulher e sair daqui, Marcelo. E se eu
tiver que acabar com a raça dele pra tirar ela de lá, é isso que eu vou fazer,
então, eu sugiro que liberem a minha entrada antes que eu faça uma merda
ainda maior. 
 
 Meu irmão trocou alguns olhares com o troglodita uniformizado e
acenou com a cabeça para que eu o seguisse. Bufei irritado, nervoso,
frustrado. Inferno!
 
— Ela não fez nada demais, Guga. — ele desacelerou o passo — Na
verdade, acho que nunca a vi tão solta e descontraída como está hoje.
— Eu não quero a sua opinião sobre o estado de espírito da minha
esposa, Marcelo.
— Mas você precisa saber! 
— Eu não quero saber de nada, porra! — segurei seu braço e me
aproximei dele — Você tem ideia do que é saber que grande parte dos
homens que estão perto de você, convivem com você, frequentam a sua casa,
te chamam de amigo, querem foder a tua mulher? Esperaram só eu virar as
costas pra ir atrás dela? — me afastei para não socar a cara dele — Os meus
problemas com a minha mulher são meus e dela, de mais ninguém, e de agora
em diante, vocês estão proibidos de chegarem perto dela!
 
 Continuei meu caminho até chegar à porta que dava acesso ao fundo
do camarote do babaca. Vasculhei o ambiente que estava lotado de homens e
mulheres bonitas e bem vestidas. Não precisei de esforço para encontrá-la no
meio da pequena multidão formada. Veridiana se destacava no meio das
demais, estava encostada em uma mesa, em pé, dançando no lugar e segurava
um copo com um líquido vermelho. 
 Enquanto a grande maioria dançava no centro da pista, minha mulher
apenas apreciava o show, tímida, linda. Seu cabelo estava solto, caía liso
pelos ombros e costas, parecia alheia a tudo que acontecia à sua volta,
permitindo que seu corpo se movesse no ritmo da música pop e sensual.
 Seu corpo marcado pelo vestido preto e discreto era quase uma
discrepância naquele camarote, onde tudo era muito curto, muito vermelho e
muito vulgar. Veri estava se divertindo assistindo ao show e acabei me
perdendo naquela visão paradisíaca que era a minha mulher, mas o encanto
durou pouco. 
 Bruno se aproximou dela como se fosse íntimo, passou seu braço por
cima dos ombros da minha esposa e lhe beijou a face. Para quem assistia a
cena, parecia um casal apaixonado, sorridente, feliz. E como naqueles filmes
de cinema, nossos olhares se encontraram numa conversa silenciosa que há
muito tempo não tínhamos. Amor, ciúme, raiva, mágoa, dúvidas... muitas e
muitas dúvidas podiam ser vistas naquele olhar cristalino que minha esposa
tinha. 
 Fui andando em sua direção, furando o bloqueio de pessoas insistentes
em me atrapalhar, sem desviar meus olhos. A música parecia ter sido
silenciada, nada mais importava naquele lugar, apenas eu e Veridiana, mas no
meio do trajeto, tudo o que eu mais temia aconteceu. Senti duas mãos
cobrirem meus olhos.
 
— Adivinha quem é?
 
 Eu sabia que as coisas na minha vida não eram fáceis, mas sair para
buscar minha esposa e ouvir a voz da ex amante, era querer testar todas as
minhas resistências. Tentei soltar as mãos de Bella do meu rosto e só
consegui depois de usar força excessiva. Quando voltei a enxergar, Veridiana
não estava mais à minha frente, tão próxima do meu alcance. Desespero
tomou conta de mim.
 
— Que bom ver você por aqui... — a voz sensual da morena me tirou
dos devaneios — Eu já estava com saudade.
 
 Virei o corpo e a encarei por algum tempo. Bella Campari era uma
mulher linda, morena, um rosto exótico, cabelos negros, corpo cheio de
curvas, mas tinha um defeito que me aborrecia demais. Para ela, apenas as
pessoas que podiam lhe trazer benefícios, de qualquer tipo, eram bem-vindas
à sua vida. Suas amizades eram superficiais, seus relacionamentos sempre à
base de exposição na mídia, e o pior, ela sabia que podia contar com sua
beleza para conseguir privilégios e não se envergonhava daquilo, muito pelo
contrário, seria capaz de qualquer coisa para chegar onde queria. 
 
— Eu já estou de saída. — por um tempo, realmente pensei que
estivesse apaixonado por ela, me enfeiticei, deixei levar por sua beleza e
acabei perdendo Veridiana. Não era uma coisa que eu permitiria que
acontecesse novamente.
— Pra que a pressa? — alisou meu peitoral com a ponta da unha
pintada de rosa — Vamos beber alguma coisa enquanto conversamos um
pouco...
 
 Afastei suas mãos e respondi secamente:
— Não temos nada pra falar, Bella.
 
 Eu só queria encontrar minha esposa e levá-la para casa em segurança.
Saí apressado pelo corredor e me deparei com Veridiana encostada em uma
pilastra, cabeça apoiada para trás, olhos fechados, vermelhos e inchados por
causa do choro. 
 
— Veri... — minha voz quase não saiu, mas ela ouviu meu sussurro e
abriu seus olhos tristes.
— O que veio fazer aqui?
 
 Aproximei-me um pouco mais, doido para abraçá-la. Eu estava
morrendo de saudade dela, meu corpo a desejava, procurava, implorava pelo
dela. Algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto ao mesmo tempo em que
senti as minhas.
 
— Eu vim buscar você, Veri.
 
 Com mais dois passos parei a poucos centímetros dela.
 
— Por quê?
 Passei minha mãoentre os fios do seu cabelo, encaixando minha mão
em sua nuca num gesto de posse e domínio. Eu queria aquela boca na minha
com máxima urgência.
 
— Porque eu te amo e não quero mais ficar longe de você...
 
 Com a outra mão envolvi sua cintura, colei nossos corpos e tomei sua
boca para mim. Veridiana era a minha esposa e meu amor, eu sabia que não
seria fácil reconquistar sua confiança e ao mesmo tempo não fazer merda,
mas eu iria a todo custo tentar. Apenas por que eu a amava.
 
CAPÍTULO 14 – GUGA
 
Dois anos atrás...
 
 Voltar para o Brasil era tudo que eu queria, e ter a chance de jogar no
meu time do coração só aumentava a minha felicidade. Morar na Grécia não
foi ruim, quero dizer, tiveram mais coisas boas do que ruins, mas eu sentia
falta do meu país, da minha família e dos meus amigos.
 Eu e Veridiana conseguimos juntar um bom dinheiro, investimos parte
dele em ações e compramos alguns imóveis em São Paulo, o que nos rendia
um trocado com os aluguéis.
 Meu sonho estava se realizando: eu voltaria ao Brasil com status de
"jogador de ponta", jogaria em um time de expressão nacional e teria chance
de jogar pela primeira vez na Seleção Brasileira em uma copa do mundo.
Consegui um contrato milionário através de um empresário famoso no meio
futebolístico, e acertamos algumas coisas sem o conhecimento da minha
esposa.
 Abelardo Martinez era um homem sério, popular e tinha muita
importância no cenário esportivo mundial. Ele empresariava vários jogadores
que atuavam em grandes clubes do Brasil e da Europa, além de jovens
promessas que iniciavam suas carreiras em pequenos clubes espalhados pelo
mundo. Seu modo de agir nunca foi questionado por estar sempre entre os
mais cotados para as grandes transações entre os agenciadores do futebol.
Todos queriam estar em sua presença, desejavam ser convidados para suas
festas particulares regadas a muita bebida e mulheres bonitas e conseguir
alguns minutos de sua atenção.
 Logo que cheguei ao Brasil, fui convidado para ir a uma festa que seria
oferecida pelo empresário em sua mansão no Ilha Porchat, na cidade de São
Vicente. O único inconveniente era o impedimento da entrada de namoradas,
noivas, esposas e até mesmo amantes. Claro que aquela, digamos, orientação,
se dava ao fato da presença de inúmeras acompanhantes de luxo que estariam
disponíveis para satisfazerem todos os desejos de seus convidados durante a
noite.
 Foi a primeira de muitas vezes que menti para Veridiana. Eu não traí
minha esposa, mas dois fatos marcaram a minha vida desde então: o primeiro
foi a falsa sensação de liberdade que senti ao pisar naquele lugar rodeado por
homens e mulheres em busca de putaria barata. E o segundo foi a inflamação
do meu ego por ser bajulado por vários jogadores, ex-jogadores, técnicos e
empresários. Sim, havia muitos homens famosos presentes na festa, a grande
maioria era casado. 
 Admito que precisei me esforçar muito para não transar com outras
mulheres naquela noite, e me envergonho ao lembrar que minha esposa não
foi o principal motivo da minha negativa, e sim, o fato de ainda me sentir
inibido na presença de pessoas desconhecidas. Algumas garotas tentaram se
aproximar de maneira mais efetiva, mas me controlei e mantive a postura de
"homem sério".
 Durante o primeiro mês no Brasil, minha vida foi virada do avesso
pela mídia, e com muito esforço de Marcelo, o nome de Veridiana foi
preservado. Ela nunca gostou daquele tipo de exposição, mas sua maior
preocupação era o crime que se fazia presente na vida dos familiares de
vários atletas. Diariamente havia notícias de mães e esposas de jogadores
sequestradas, e Veri se preocupava muito com a segurança dos seus pais e
sogros.
 Todos os acontecimentos me direcionaram a agir de maneira egoísta e
imatura. Aproveitei as situações para curtir as noitadas e baladas sem a
companhia de minha esposa, e sempre arrumava uma desculpa esfarrapada
para conseguir estar presente nas constantes festas de Abelardo. Mas foi
durante a minha apresentação no Santos que meu empresário "pediu" o seu
primeiro favor.
 Seria um evento aberto para todos os jornalistas, eu iria acompanhado
por Veridiana naquela noite especial, mas minha sogra precisou fazer uma
cirurgia de emergência, o que impossibilitou Veri de ir comigo até o litoral
paulista. Ainda não estávamos morando na cidade, o que me forçava a ficar
afastado dela no mínimo três vezes por semana, dormindo em um flat cedido
pelo clube. Eu não achava ruim, e nem me dava conta do quanto estava me
afastando da minha esposa, ou melhor, afastando-a de mim. 
 Havia uma repórter de um jornal regional que por algum serviço que
prestou a Abelardo, pediu como "pagamento", algumas horas comigo. Eu
nunca havia imaginado um dia vivenciar uma merda como aquela. Meu
empresário apenas passou a mão por cima do meu ombro e, como se fizesse
um pedido, informou que a garota estava à minha espera no vestiário
feminino para uma "matéria exclusiva". 
 Senti-me um lixo, um prostituto e então entendi o verdadeiro motivo
de ele ter me apresentado seu mundo sujo durante os primeiros trinta dias da
minha volta ao país. Abelardo fez questão de mostrar o tamanho do seu poder
e da sua influência naquele negócio imundo, para assim, poder me usar como
e quando quisesse. No caminho até o vestiário pensei em desistir, e como se
lesse meus pensamentos, um dos seguranças mostrou algumas fotos tiradas
em uma das festas em que estive presente.
 Apesar de não ter chegado às vias de fato com nenhuma outra mulher
durante a festa, houve algumas que sentaram no meu colo, passaram as mãos
pelo meu corpo, acariciaram meu pau em inúmeras tentativas de me fazerem
perder a cabeça, e muitos desses momentos em que eu estava distraído me
achando o máximo, havia um fotógrafo muito bem posicionado registrando
tudo. Quem olhasse aquelas fotos nunca acreditaria que depois daquelas
preliminares não havia rolado sexo consensual entre um jogador de futebol
famoso e uma garota de programa em uma festa oferecida por empresário em
plena terça-feira.
 Apertei os olhos com força sentindo uma ânsia me tomar, e não era por
transar com alguma gostosa no vestiário feminino, mas por estar sendo
chantageado e obrigado a fazer aquilo. Minha revolta foi tão grande que meu
pau demorou a subir, mesmo com muita dedicação da repórter, que não era
nenhuma beldade, mas também não era de se jogar fora. Prestei um serviço
de merda naquela noite, e todas as vezes que passo na porta do maldito
vestiário, sou obrigado a lembrar que além de demorar para ficar duro, gozei
antes da garota, que no final ainda sorriu satisfeita, dizendo que havia sido
ótimo estar comigo pessoalmente.
 Sentia nojo de mim, asco, mas em vez de voltar para casa e me
aconchegar nos braços da mulher que esteve comigo durante anos, viveu para
mim, me amparou, me respeitou e me amou acima de qualquer outra coisa,
me refugiei em mais festas e mais baladas até conhecer Bella Campari, a atriz
mais famosa do Brasil. A morena era linda, gostosa e simpática. Ao contrário
de Veri, gostava de se exibir, sempre exuberante com roupas curtas, justas e
maquiagem exagerada. Sabia como seduzir um homem, mãos hábeis, frases
com duplo sentido e muita sensualidade ao se expressar.
 Quando a vi pela primeira vez, a achei muito atraente; estava com uma
calça jeans colada, regata preta e sapatilhas. Seu cabelo estava preso, seu
rosto parecia ter algumas manchas e seu corpo era tão atrativo quanto nas
fotos das revistas. Ela conseguia ser sexual. Bella exalava sexo, deixava claro
que gostava de foder, admirava um pau, e aquilo me enlouquecia. Todo
homem sonha com uma sacanagem, e mesmo que ame sua esposa, imaginar
outra boca chupando-o com vontade é sempre uma coisa boa.
 Bastaram algumas doses de uísque para acabarmos na cama de um
motel. Bella era experiente, fogosa, animada, mas estava sempre atrás dos
"flashs" e aquilo me incomodava muito. Fui claro quando saímos a primeira
vez que era casado e amava minha esposa, mas depois que fiz a merda de
transar com ela inúmeras vezespor quase dois meses, meu inferno na terra
começou e não teria data para acabar. 
 A atriz passou a insistir em um relacionamento sério, queria espalhar
aos quatro cantos do mundo que era a namorada do melhor jogador de futebol
do Brasil; se dizia apaixonada e passou a invadir minha privacidade de
maneira irritante. Eu não deixaria minha esposa por mulher nenhuma e a
relação com Bella ficou insuportável. Decidi romper definitivamente com a
morena e avisei que se ela não se afastasse, eu seria obrigado a agir de forma
mais incisiva, o que a amedrontou. 
 Veridiana havia notado a minha mudança depois que voltamos ao
Brasil, questionava com frequência o que estava acontecendo comigo, passou
a indagar sobre os "eventos" para os quais ela nunca fora convidada, vivia
cabisbaixa, sempre tentando me agradar sem ao menos entender os motivos
do meu afastamento. Até que de uma hora para outra, ela mudou. Seu sorriso
tão frequente já não era mais visto, não me esperava mais acordada e deixou
de cobrar minha presença na cama. Estava sempre ausente quando eu avisava
que chegaria mais cedo e não conversava mais comigo.
 Eu precisava reagir e recuperar o tempo que fiquei afastado dela, mas
me sentia um merda com a culpa dominando meu organismo de maneira
letal. Já tinha decidido acabar com toda aquela putaria e voltar à minha rotina
ao lado da minha esposa. Sentia falta das nossas conversas, do nosso sexo
gostoso que durante aquele meu período de ilusão deixei de lado, ignorei
como se fosse algo descartável, para no fim, me dar conta de que nada
substituiria os momentos de prazer que minha esposa me proporcionava. 
 Dois dias antes de toda a merda ser jogada no ventilador, recebi uma
ligação de Abelardo me convocando para uma reunião em seu escritório no
Rio de Janeiro. Ele aconselhou levar minha esposa para um fim de semana a
dois, e a ideia de retomar meu casamento de onde paramos pareceu excelente.
No fundo eu me sentia envergonhado por tê-la traído, e mal conseguia
encarar seus olhos sem ter vontade de abrir o jogo e contar tudo, desde o
começo.
 Veridiana aceitou meu convite para um fim de semana juntos, mas
alguma coisa nela gritava que ela não queria ir. Chegamos ao Rio na sexta-
feira, e enquanto a deixei no hotel no fim da tarde, fui até o escritório do
empresário para a tal reunião. Ao passar pela porta, fui recebido por
Abelardo, que estava sentado em sua cadeira imponente de couro preto ao
lado de ninguém menos que Bella Campari. 
 
— O que está fazendo aqui?
 
A morena estava linda, vestia um macacão branco colado, cabelos
soltos, maquiagem leve e um sorriso de tirar o fôlego.
 
— Vim ver você. — falou sorrindo e se aproximou caminhando
sensualmente — Abelardo me contou que estaria aqui hoje, então decidi fazer
uma surpresinha. Estava com saudade...
— Nós já conversamos sobre isso, Bella, não vai mais rolar. 
 
A morena envolveu meu pescoço com os braços e colou seu corpo ao
meu. Seu cheiro delicioso invadiu minhas narinas e meu pau deu sinal de
vida na hora. Claro que ela percebeu e não se fez de santa, acariciou por cima
da calça toda a minha extensão.
 
— Tomei a liberdade de pedir para Abelardo te liberar por uma hora,
podemos ir até o motel que fica aqui pertinho, matamos a "saudadinha" que
eu tô do seu pau delicioso e depois você volta pra reunião. Prometo que não
vou mais te encher o saco, só quero uma despedida... por favor... 
 
 Sua língua circulava pelo meu pescoço enquanto sua mão apertava
gostoso meu membro. Lembrei de que Veridiana estava no hotel e sabia que
a reunião iria demorar, e mais uma vez pensando com a cabeça de baixo,
inconsequente e egoísta, arrastei a atriz e a levei para a cama mais próxima.
 
— Não tenha pressa, Guga! Hoje você será presenteado com momentos
inesquecíveis!
 
 A voz de Abelardo atrás de mim tinha um tom de sarcasmo que na
hora eu não entendi, mas o significado das suas palavras ficou claro quando
Veridiana entrou como um furacão no quarto do motel em que estávamos e
me pegou transando com Bella. Minha vida que até então estava nos trilhos,
parecia um trem desenfreado, e de lá para cá, todos os acontecimentos
poderiam ser considerados inesquecíveis, só que a maioria deles, de uma
forma nada agradável. 
 Eu havia traído minha esposa, menti, enganei e fui a pior espécie de
marido para ela. Pedi perdão, mas ainda não havia conseguido fazê-la
acreditar em mim. O que antes parecia ser uma tarefa difícil, agora eu teria
que me empenhar muito mais para atingir a meta e fazer o gol da conquista
do título. 
 Veridiana não se considerava mais minha esposa, e eu não era o único
jogador de futebol fodido a desejá-la na minha vida, Bruno parecia
determinado a entrar na disputa e estava esperando apenas uma mísera
chance para afastá-la de vez de mim.
 A bola começou a rolar e não haveria desistência da minha parte até
que Veri apitasse o fim do jogo e decretasse a minha derrota. Eu jogaria até
meu último suspiro, e se dependesse do meu amor por ela, iríamos até as
cobranças de pênaltis e eu sairia vencedor.
 
CAPÍTULO 15 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
Sentir sua boca na minha depois de tantos meses, despertou o desejo
furioso que havia sido reprimido, proibido de se manifestar. Meu corpo
clamava por sexo e não estava disposto a esperar mais.
 O arrependimento viria certamente quando o orgasmo explodisse
dentro de mim, mas não dependia mais do meu cérebro. Era irracional. Uma
fusão de tesão, carência e desejo. Insanidade. Carnal. Físico.
 Rendi-me ao beijo tão conhecido e mais uma vez não contive as
lágrimas. A , de tristeza e mágoa, que logo deram lugar às de raiva e
decepção. Guga me apertou ainda mais percebendo o impasse.
 
— Não se afaste, me deixa cuidar de você, Veri...
 
 Não respondi, apenas fechei os olhos e contive a fúria que clamava
para extravasar. Era uma confusão de amor e ódio perturbadora em uma
batalha aparentemente infinita, assistida de perto pelo orgulho ferido, a
mágoa ressaltada e a dor da traição. Essa dor que rasgava, expandia e não
cessava nunca.
 
— Vem, vamos. — meu marido segurou minha mão e me conduziu
para o estacionamento.
 
 Caminhamos em silêncio pelo corredor ainda agitado àquela hora da
madrugada. Meu corpo estava leve, ao menos por fora, depois de dançar
durante alguns incontáveis minutos e conseguir esquecer momentaneamente
o quanto era ruim ter sido traída pela pessoa que amava.
 Ouvimos uma gritaria do lado de fora, Guga apertou minha mão com
força e me puxou para perto de seu corpo quente. Parecia irritado, seu
maxilar rígido e seus olhos semicerrados demonstravam o quanto estava
tenso.
 
— Você não tem nada a ver com a vida dela! — ouvi a voz de Marcelo,
ele estava exaltado — Deixa ela em paz!
— E quem é você pra me pedir isso? Vai dizer que toda essa
preocupação é por causa do teu irmão?
 
 Bruno apareceu no meu campo de visão, seu corpo forte impondo
presença à frente do meu cunhado.
 
— Ela é esposa dele, seu idiota!
— E você é louco por ela também, ou pensa que eu não sei?
— Não fala bosta!
— Eu já sei de tudo, brother, o Abelardo me contou!
 
 A discussão era intensa, calorosa, mas o assunto despertou meu
interesse. O que Bruno estava falando? Guga notou minha súbita atenção,
encarou seu irmão mais velho, e sem me soltar falou:
 
— É melhor ir embora. Marcelo, você não tem mais nada pra fazer
aqui!
 
 Meu cunhado virou a cabeça ao ouvir a voz de Guga e seus olhos
encontraram os meus. Pela primeira vez em muitos anos convivendo com ele
enxerguei alívio. Seu peito subia e descia ainda acelerado, mas sua expressão
suavizou quando me viu. Franzi a testa sem entender aquela reação de
Marcelo.
 
— Tá certo, já deu minha hora.
 
 Ao contrário de meu cunhado, Bruno se aproximou ignorando o
rosnado de Guga. Senti a mão de meu marido pressionar meu ombro com
uma pressão exagerada e desnecessária, como se com aquela atitude pudesse
impedir que eu me afastasse a qualquer minuto. Embora Guga não soubesse,
seu amigo jogador tinha sido um grande aliado no combate à minha tortura
duranteo show que assistimos naquela noite, e se não fosse por ele, talvez
não tivesse sobrevivido à sua ex-amante no mesmo ambiente.
 Bruno conseguiu dissipar minhas amarguras e frustrações, enxugou
minhas lágrimas e conseguiu me convencer de que era uma mulher bonita.
Brincamos, sorrimos, ele dançou comigo, foi gentil, e apontou vários motivos
que me convenceram de que, ao contrário do que pensava, eu podia sim, ser
mais atraente do que a atriz mais famosa e desejada do Brasil. De um jeito
único o jovem promissor alegrou minha vida em um momento em que
raríssimas pessoas conseguiam tal feito.
 Talvez meu marido merecesse ouvir que havia pelo menos um homem
no mundo que me desejasse como mulher, e diferente dele, Binho ou
Marcelo, conseguia enxergar dentro da minha alma muito além. Uma mulher
apaixonada, não submissa. Uma mulher dedicada, não dependente. Uma
mulher que casou por opção e não por necessidade. Bruno me fazia bem, e a
cada momento que estava ao meu lado, fazia minha vida um pouco mais feliz
do que estava sendo nos últimos meses. 
 
— Você está melhor? — a voz branda e acolhedora de Bruno causou
um reboliço no meu corpo.
— Estou...
 
 Encaramos-nos despretensiosamente por alguns segundos, mas o que
vi em seu olhar era pura luxúria, desejo, cobiça. Querer o que não lhe
pertence, desejar algo que não é seu; proibido, impossível, fora do seu
alcance. Será?
 
— Podemos ir? — Guga interveio percebendo o perigo.
— Obrigada por tudo. — sorri com carinho.
 
 Eu queria agradecer por tudo que ele havia feito por mim naquela
noite. A maneira como me tratou, a paciência, seu jeito cativante e engraçado
de falar sobre as coisas e as pessoas, seu bom humor, sua falta de paciência,
enfim... por ser ele. Mas preferi sorrir com sinceridade, e tentei através dos
meus olhos expressar tudo que sentia por ele naquela breve despedida. 
 Seria desnecessário fazer qualquer tipo de comentário que pudesse
ofender ou desrespeitar meu marido, não que ele não merecesse, mas eu não
precisava daquele tipo de atitude para mostrar o quanto Guga havia perdido
quando decidiu transar com outras mulheres enquanto era casado comigo.
 Bruno conseguiu abrir meus olhos, me fazendo enxergar que quando
decidi ser fiel ao homem que escolhi para partilhar minha vida, ser pai dos
meus filhos e envelhecer ao meu lado, não estava sendo cafona, careta ou
simplesmente uma "corna", como Bella Campari fez questão de me chamar
quando nos encontramos no camarote. Eu estava lhe respeitando, sendo fiel
ao amor que sentia por ele e provando que independente dos problemas que
pudéssemos enfrentar, ainda assim, eu enfrentaria ao seu lado e não o
abandonaria, muito menos o trairia. 
 
 Bruno estava me manipulando? Talvez. Eu estava gostando?
Definitivamente sim.
 
— Nosso almoço está de pé amanhã? 
 
Desviei os olhos e sorri com a provocação marota.
 
— Sim, está. — Guga estava sob forte tensão, mas fingi não notar. 
— Te ligo pra combinar melhor. — Bruno me beijou demoradamente
na testa, com a certeza de que o amigo estava prestes a lhe arrancar o
pescoço. — Até amanhã, "chaveirinho".
— Tchau, Bruno. — sorri divertida do modo que somente ele
conseguia fazer.
— Falô, negão! E vê se não faz muita merda...
 
Não houve tempo para réplicas ou tréplicas. Bruno virou nos
calcanhares e saiu pela direção contrária, deixando apenas seu perfume
masculino no ar. Inspirei algumas vezes para deixá-lo gravado em minha
memória.
 
— Que porra de almoço é esse?
 
Sério mesmo que àquela altura do campeonato Guga, meu marido
traidor, iria fazer uma cena de ciúme?
 
— Um almoço como outro qualquer, algum problema?
 
Meu marido era consideravelmente bem mais alto do que eu. Ele virou
seu corpo para me observar melhor e estava com uma expressão dura, diria
até que mortal. 
 
— Esse cara quer te levar pra cama, Veri! Eu não quero que você vá
almoçar com ele!
 
Pelo tom da sua voz, até poderia parecer que TODOS os homens do
mundo me desejavam, mas meu marido ainda não havia entendido que o
único verdadeiramente culpado ali era ele.
 
— E por acaso você vai deixar de dar autógrafos para todas as mulheres
que se aproximarem de você? — sua testa franziu estranhando o meu
posicionamento — Porque nós dois sabemos que todas elas querem apenas
uma oportunidade de engravidar do melhor jogador de futebol do Brasil,
então, se você não está preparado pra deixar sua carreira de lado, não me
cobre coisas desse tipo!
— É diferente, Veridiana! — esbravejou.
— Claro que é! — senti meu peito arder no peito novamente — VOCÊ
não conseguiu se controlar, VOCÊ não me respeitou! VOCÊ me traiu com a
primeira vagabunda que apareceu! Então, NÃO ME COMPARE A VOCÊ...
porque há uma enorme diferença entre nós. Eu te amei mais do que qualquer
outra mulher vai amar, e nunca te faria sofrer; mesmo que a minha felicidade
dependesse disso...
 
 Foi uma enxurrada de emoções extrapolando veias, poros e camadas
espessas de pele para encontrar o preto dos olhos que um dia fizeram meu
peito inflar de amor, mas que naquele estacionamento o faziam encher de dor,
mágoa e rancor. Tudo o que eu mais desejava era esquecer o que meu marido
havia feito, mas a cada minuto ao seu lado, sentindo seu cheiro e seu corpo
tão próximo ao meu, a única lembrança vívida em minha memória eram as
suas investidas na beirada da cama, faminto, esfomeado pela mulher que no
dia anterior ele havia confessado achar linda e gostosa. 
 Desabei novamente em prantos, lágrimas e sofrimento. Eu deveria
superar? Sim. Eu queria esquecer? Sim. Eu iria conseguir? Provavelmente
não!
 Fui amparada para não cair no chão, Guga me pegou no colo com certa
facilidade, me levou até o carro e me acomodou no banco ao seu lado.
Mesmo com os olhos encobertos por lágrimas, consegui enxergar o carro que
sempre achei desnecessário e concluí que há muito tempo — desde que
voltamos para o Brasil, mais precisamente — minha opinião não tinha muito
peso nas decisões do meu marido.
 Nunca fui uma mulher que gostasse de aparecer, sempre fiquei na
minha, permitindo que todos os holofotes se dirigissem a ele, e se pudesse
imaginar o quão longe ele iria, jamais teria permitido que suas atitudes
infantis e egocêntricas pudessem me atingir tanto. Guga era um negro lindo,
charmoso, viril e sabia daquilo, se perdeu para a vaidade e deixou que
pessoas interesseiras se infiltrassem no que tínhamos de mais sincero e
importante, nosso casamento. Sentia-me cansada, desgastada, humilhada por
tudo que me fez e mais uma vez, o desânimo me dominou.
 
— Eu vou te levar pra casa...
— Não tenho casa, meu bem. Pode me levar pro hotel. — abri a bolsa
pequena e entreguei o cartão de visitas. — Estou hospedada aqui. 
 
Meu marido olhou para o papel amassado com uma expressão de
dúvida.
 
— Fica comigo essa noite, Veri. — seus olhos procuraram os meus —
Vamos tentar mais uma vez, por favor, me dá essa chance.
 
 Olhei pela janela tentando encontrar uma saída, uma solução para tudo
o que estava sendo questionado dentro do meu coração. Ceder significaria
perdoar, e se o perdoasse corria o risco de passar por tudo novamente.
Acreditar que meu marido ainda me amava não era difícil, mas acreditar que
ele iria mudar e não me trairia mais, era um caminho que dificilmente eu
conseguiria percorrer em curto prazo, e talvez nem conseguisse completá-lo.
 
— Não estou preparada.
 
 Guga estacionou o carro, soltou o cinto de segurança e virou o corpo
para me encarar de frente.
 
— Mas você me quer, eu sei, senti isso quando te beijei. Você ainda me
ama. Por favor, só te peço uma chance... só uma.
— Eu te quero. Desde que nos separamos não tive ninguém na minha
cama, ao contrário de você. Não sou santa e nem tenho vocação pra
abstinência sexual, mas eu não consigo olhar pra você, te tocar, te sentir, sem
lembrar de você com ela. — respirei fundo — Se você quiser ficar comigo
hoje, vai ter que entender uma coisa.
— Eu faço tudo o que você quiser e vou entender também.
— A gente vai transar, trepar, foder e não fazer amor.
 
Seus olhos arregalaram, sua testaenrugou e sua voz não saiu. Eu não
iria mentir e fingir que estava tudo bem; se fôssemos para a cama não seria
porque o perdoei e nossa vida voltaria a ser como era antes dele acabar com
tudo. Meu marido teria que entender meus medos, minha desconfiança e
minha dor, caso contrário, seria melhor seguir seu caminho e me deixar livre
para seguir o meu, definitivamente.
 
— Desde quando você decidiu isso? — a tristeza embargou suas
palavras.
— Desde que você decidiu que sua esposa não era suficiente pra você.
— Então agora vai querer me dar o troco, é isso?
— Não, só não quero que você pense que porque transamos tudo será
esquecido e iremos retomar nosso casamento como se nada tivesse
acontecido. 
 
 Ele não respondeu, colocou o carro em movimento e se dirigiu a um
motel luxuoso. As luzes em neon aguçaram minha imaginação e meu corpo
voltou a esquentar em expectativa. Nunca havia ficado tanto tempo sem sexo
e definitivamente não aguentaria segurar mais. Se não transasse com meu
marido, provavelmente não me seguraria caso Bruno tentasse alguma coisa. 
 E mais uma vez Bruno invadiu meus pensamentos sem permissão,
aguçando minha curiosidade de experimentar seu gosto, sentir seu toque,
explorar seus beijos. Afastei aqueles pensamentos e foquei no homem que
conversava com a recepcionista pedindo o melhor quarto, e decidi que pelo
menos até estar satisfeita, eu permitiria que meu corpo fosse dele. Mas meu
coração se manteria protegido, resguardado e respeitaria o tempo do seu luto,
para só então se entregar novamente. 
 Se eu pudesse, esqueceria tudo, perdoaria e seguiria ao seu lado, mas
infelizmente eu não era uma mulher que acreditava quando diziam que, "por
amor eu faço tudo". Não, de jeito nenhum! Eu faria tudo por amor, mas não
por um homem que me traiu da maneira mais baixa e vulgar. Faria somente
por mim, e começaria naquela madrugada, naquela cama de motel, com o
mesmo homem que um dia jogou meu coração pela janela.
 
CAPÍTULO 16 – VERIDIANA
 
Dois anos antes...
 
 Eu estava muito feliz em voltar para o Brasil, sentia muito a falta dos
meus pais, principalmente da minha mãe. Ela sempre foi minha única e
melhor amiga, falávamos ao telefone quase toda semana, mas não era a
mesma coisa. Na Grécia minha vida se resumia aos cursos de inglês e
espanhol que eu cursava em uma escola próxima de onde morávamos, cuidar
da casa, das contas que tínhamos e acompanhar a carreira de Guga. 
 Pisar em solo brasileiro foi mágico. Depois de quatro anos, sentir o
calor escaldante do Rio de Janeiro renovou minha alma e eu tinha certeza de
que minha vida seria ainda melhor aqui, pois estava em casa, perto da minha
família, cheia de expectativas para ingressar no mercado de trabalho que
tanto desejava, ao lado do homem que durante nove anos havia sido o único
dono dos meus mais sinceros sorrisos, certo? Errado. 
 Nas primeiras semanas após nosso desembarque, percebi que Guga
estava diferente. Seu jeito de falar, de vestir e até mesmo de fazer amor. Nos
mudamos para São Paulo, onde ficaríamos até encontrarmos um lugar para
morar na cidade de Santos, litoral paulista. Seriam apenas dois meses, mas
minha mãe teve um sério problema de saúde e decidi ficar na capital para
cuidar dela. Nesse período meu marido se deslocava de duas a três vezes por
semana para os treinos e ficava hospedado em um flat cedido pelo clube.
 Fizemos nossa mudança depois de dez meses, mas nosso casamento já
não era o mesmo. Guga não ficava mais em casa quando estava de folga,
jantava quase todos os dias fora e chegava tarde da noite cheirando a álcool e
perfume barato. Minhas desconfianças aumentaram com o passar do tempo e
a situação foi ficando, para mim, insuportável. 
 Pensei em várias possibilidades, inclusive que ele estivesse usando
algum tipo de droga, maconha, cocaína, sei lá... mas nunca imaginei que ele
estivesse se esbaldando em festas produzidas pelo próprio empresário, onde
havia garotas de programa para atender seus clientes. 
 Guga nem imaginava que muito antes de pegá-lo no motel com a
amante fixa, eu já estava recebendo várias mensagens, fotos e até alguns
vídeos das "reuniões" e "eventos" que ele se recusava a me convidar. No
início minha vontade foi de jogar tudo na cara dele, fazer um escândalo e
colocá-lo para fora de casa, mas conversei com minha mãe e decidi ouvir
seus conselhos.
 
— Eu não consigo fingir, mãe...
— Não estou pedindo isso, Veridiana! — Dona Amelia ainda se
recuperava da cirurgia, não conseguia andar por muito tempo e ainda sentia
dores — Só quero que tenha paciência.
— Mãe... ele mente todos os dias, mal olha na minha cara, nem se
preocupa se eu tô bem. — minhas lágrimas desciam descontroladamente pelo
rosto — Hoje ele viajou com o time pro interior, vão emendar com outra
viagem e só voltam na próxima sexta-feira. Uma semana, mãe! Claro que ele
tá com outra mulher, ou com outras mulheres! Como eu posso ter paciência?
— Filha, olha pra sua mãe. — com toda calma do mundo e os olhos tão
vermelhos como os meus, segurou minhas mãos tentando absorver parte da
minha dor. Encarei aquela mulher que passou muitos anos trabalhando
sozinha para sustentar sua família sem reclamar de nada — Eu sei o quanto
você ama aquele homem, e imagino o tamanho da sua dor nesse exato
momento, mas tudo o que você não precisa na sua vida é se lamentar por não
saber até onde ele seria capaz de ir. 
— O que eu faço, mãe?
— Ele está mudado, deslumbrado com esse mundo de fama e dinheiro,
filha. Claro que não justifica nenhuma das coisas que ele está fazendo com
você, mas na minha idade e vivendo tudo o que já vivi, eu compreendo essa
necessidade de voar que seu marido está sentindo. Guga é novo, bonito e
agora, também é rico e famoso, o que atrai muitas pessoas interesseiras. Se
você forçar uma situação com ele agora, não vai ter certeza se ele realmente
te ama. 
— Eu não vou continuar casada, mãe! — levantei do sofá sentindo meu
corpo formigar em várias, parei em frente à janela e avistei o mar azul — Não
vou aceitar! Quero um homem que me ame de verdade, que me respeite e que
me ache suficiente...
— Filha, quem está mandando essas coisas pra você espera que aja com
a cabeça quente e faça uma besteira. Vai doer, vai machucar e ferir, mas
precisa deixar que ele pense que você não sabe de nada e pegar ele "no pulo".
— A senhora quer que eu veja ele com outra mulher? — só de imaginar
meu marido nos braços de outra meu coração moía no peito. 
— Se você usar essas fotos que recebeu, ele pode desmentir e dizer que
não fez nada, que foi apenas uma armação para prejudicá-lo. — minha mãe
se aproximou e segurou meu rosto com as mãos e beijou minha face com
muito carinho — Confia em mim, filha, a dúvida só vai te fazer ainda mais
infeliz.
— Meu pai já te traiu? 
— Não sei. Logo que você nasceu eu desconfiei que ele tivesse uma
amante, resolvi ir atrás e o vi entrando na casa de uma mulher. Meu coração
soube na hora que eles estavam tendo um caso, mas eu não soube agir, e
quando confrontei os dois, eles negaram. Alguns dias depois, uma amiga em
comum me procurou e contou que o caso deles já durava há anos. Seu pai
sempre negou, ainda mais por eu conhecer a mulher...
— Quem era a amante dele?
— Minha irmã, sua tia Ana.
— Por isso vocês pararam de se falar? — eu estava pasma com aquela
história. Nunca poderia imaginar que meu pai fosse capaz de trair minha mãe
com a própria cunhada. 
— Seu pai me proibiu de falar com ela, nos mudamos para outra casa e
acabamos perdendo contato. Mas o que eu quero que você entenda, filha, é
que mesmo meu coração afirmando que eles estavam juntos, vou morrer com
essa dúvida porque ele nunca irá confessar.
— A senhora tem razão, o Guga desmentiria essas fotos. Em nenhuma
delas ele beija outra mulher; claro que elas se esfregam nele e ele permite,
mas como a senhora falou, ele vai dizer que não fez nada. E nos vídeos elas
dançam sem roupa na frente dele, mas ele não encosta nelas.
— Fique atenta, vigie e quando ele vacilar, pega ele no flagra. Assim,
se você tiver que decidir perdoá-loou seguir em frente, não terá dúvida
alguma.
 
 Não foi preciso muito esforço para flagrar meu marido na cama com
Bella Campari. Logo que recebi novas fotos, enviei uma mensagem para o
número desconhecido confessando a minha dúvida e afirmei que só o
deixaria se tivesse certeza de que ele estava tendo um caso com outra mulher.
Depois de alguns dias, fui informada de que meu marido iria me convidar
para passar o fim de semana no Rio de Janeiro, com a desculpa de ir a uma
reunião com seu empresário, mas na verdade ele iria se encontrar com a
amante e pretendia ficar com ela definitivamente.
 Foram dias intensos de muita ansiedade. Eu ia à igreja e rezava para
que ele não me convidasse para viajar, e embora eu amasse o Rio, não era
daquele jeito que eu gostaria de lembrar a cidade maravilhosa. Mas na quinta-
feira, perto do meio-dia, Guga me ligou e disse que chegaria mais cedo para
jantar e gostaria de conversar comigo. Apesar de saber que meu casamento
estava por um triz, até o último minuto eu nutria esperança de que ele não
teria coragem de fazer aquilo comigo, com o nosso casamento, com a nossa
história... mas ele fez.
 Em uma tentativa frustrada de me enganar mais uma vez, meu marido
tentou parecer arrependido por ter me deixado do lado de fora da sua vida
desde que havíamos voltado ao Brasil. Foram quase vinte e quatro meses de
solidão e reclusão. Fechei-me para o mundo, e se não fosse minha mãe e
meus estudos, as coisas poderiam ter sido muito piores. Fingi acreditar em
suas palavras falsas e aceitei viajar com ele para tentarmos uma
reaproximação, passando um fim de semana a dois, com direito a passeios à
beira mar e jantar à luz de velas. 
 Meu marido não me levou para passear, nem mesmo esperou que eu
dormisse para se encontrar com a amante. Menos de uma hora depois de
chegar ao hotel, recebi uma ligação com o endereço do motel em que
assistiria de camarote a pior cena de toda a minha vida e senti na pele o gosto
amargo da traição.
 Fiquei escondida por quase duas semanas em uma casa em
Teresópolis. A propriedade pertencia a uma família italiana que a alugava
quando não estava no Brasil, uma amiga de infância da minha mãe trabalhava
lá como governanta, e conseguiu intermediar a locação sem usar meu nome,
o que impediu que Guga me encontrasse ou rastreasse minha localização. 
 Nos primeiros dias chorei rios de lágrimas, sofri como uma condenada
e fiquei na cama grande parte do tempo. O que me levou de volta à realidade
foram às manchetes de jornais e matérias em revistas de fofocas, onde parte
da imprensa me acusava de ser uma patricinha interesseira e manipuladora,
que havia se casado com o jovem negro nascido e criado na favela depois que
ele começou a fazer sucesso em sua profissão.
 Doeu demais ler tanta mentira a meu respeito, e mais ainda saber que o
Guga que conheci na favela, lindo, gentil, educado e apaixonado por mim, se
manteve em silêncio, aprovando e consentindo todas aquelas falsas
acusações. 
 Procurei um advogado, expliquei tudo o que havia acontecido, e contra
sua vontade abri mão de tudo a que tinha direito. Pedi apenas os dois imóveis
dos quais meus pais usufruíam e sairia daquele casamento apenas com o
dinheiro que havia ficado na minha conta bancária. Não era pouco, aliás,
seria mais do que o suficiente para recomeçar minha vida bem longe dele. 
 Voltei para São Paulo, aluguei um apartamento pequeno e
aconchegante perto da casa dos meus pais e passei a procurar emprego. Eu
não tinha muita experiência, mas sabia ler e falar fluentemente inglês e
espanhol; amava ler, o que foi fundamental para preencher a vaga de
tradutora em uma editora nacional que começava a expandir e abriria sua
primeira filial em Nova York. Iniciei meu treinamento em São Paulo e
algumas vezes participava de capacitações em Santa Catarina. 
 Meu amigo de infância, Binho, vivia ligando, querendo informações,
mas eu evitava contar detalhes sobre a minha vida. Decidi aceitar um convite
para jantar, e para minha surpresa, ele resolveu se declarar e confessou que
sempre foi apaixonado por mim. Quis saber se tínhamos uma chance de
ficarmos juntos, o que foi uma situação muito embaraçosa, mas consegui
esclarecer que a única coisa que sentia por ele era um carinho especial, e só.
 Conheci muita gente, trabalhava doze horas por dia, mantinha minha
rotina de exercícios e voltava para casa apenas na hora de dormir. Estava tudo
indo bem, até o dia em que meu telefone tocou e atendi sem verificar quem
estava ligando. Foi a primeira tentativa de reaproximação que meu marido
fez. Perguntou onde eu estava morando, o que estava fazendo e todas aquelas
merdas. Não respondi nada e pedi que não me telefonasse mais. 
Foram várias tentativas, e em todas consegui evitá-lo. Na última vez
Guga pediu para acompanhá-lo ao Rio, disse que precisava falar comigo com
urgência e precisávamos resolver as coisas de uma vez por todas. Na mesma
semana, recebi a notícia de que meu contrato para a nova empresa em Nova
York estava pronto e só faltava minha assinatura.
 Conversei com o advogado, peguei os documentos para dar entrada no
divórcio e liguei para o meu amigo, Binho, pedindo para ficar em sua casa no
Rio de Janeiro por uma semana, tempo suficiente para ajeitar tudo e poder
fazer minha mudança com calma. Ele se prontificou a ir comigo, garantindo
que poderia me ajudar com algumas coisas.
 Chegamos ao Rio sábado à noite, jantamos em casa e fiz a ligação que
iria definir o meu futuro.
 
— Alô. — Marcelo atendeu ao primeiro toque. 
— Marcelo, me perdoe te incomodar em pleno sábado, mas preciso
falar com você. Tem um minuto? — pelo silêncio, imaginei que ele tivesse
desligado ou que a ligação tivesse caído.
— Veridiana? — sua voz estava irregular, parecia emocionado —
Onde você está?
— Cheguei ao Rio agora há pouco e gostaria de saber se podemos nos
encontrar. 
— Claro. É alguma coisa urgente?
— Na verdade, é sim. 
— Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
— Estou bem, não se preocupe. Podemos marcar pra amanhã de
manhã?
— Se for antes das onze horas, sem problema.
— Ótimo! Prometo não tomar muito do seu tempo.
— Quer adiantar o assunto?
— Não... prefiro falar pessoalmente contigo.
— Tudo bem, eu te ligo e vou até você.
— Combinado. Obrigada, Marcelo. — eu estava pronta para finalizar a
ligação, quando ouvi sua voz aflita.
— Veri!
— Sim.
— Eu sinto muito por tudo que aconteceu... eu... tentei falar com você,
mas não sabia onde te encontrar. Você não merecia passar por tudo aquilo.
 
Senti um nó na garganta e lágrimas nos olhos. Será que um dia eu
conseguiria ouvir ou falar sobre Guga sem sofrer daquele jeito? 
 
— É verdade, Marcelo... eu não merecia.
 
Desliguei o celular e abri uma garrafa de vinho. Liguei a televisão do
quarto e foi uma questão de bem pouco tempo até a garrafa ficar vazia e o
sono me tomar.
 Eu seria feliz longe do Brasil, longe de Guga e de toda a dor que ele
me causou. Tudo começaria a se ajeitar quando meu cunhado entregasse os
documentos para que meu marido assinasse. Seríamos livres!
Era o início do fim de um caso de amor, o qual eu já não tinha certeza
se um dia todo amor declarado havia existido. 
 
CAPÍTULO 17 – BRUNO
 
Quatro anos antes...
 
— Parabéns, cara! Seja bem-vindo! — cumprimentei o novo
centroavante do Olimpyakus, time da Grécia que jogava depois do treino, um
brasileiro bom de bola — A gente tava precisando mesmo de um cara de
área.
— Valeu, mano! Você tá aqui há quanto tempo?
— Moro aqui há oito anos, cheguei às categorias de base e acabei
ficando. 
— Mas tu gosta de morar aqui?
— Eu me acostumei, a cidade é boa, a gente ganha bem e tem mulher
pra caralho! — brinquei, mas já tinha percebido a aliança no dedo dele. Pelo
jeito o cara tinha se amarrado antes de sair do Brasil.
— Pra mim, tirando a parte das mulheres, tá tudo bem...
 
Ele sorriu e pela primeira vez eu vi um homem feliz por estar casado.
Depois do meu pai, nunca mais havia conhecido outro. Era muito difícil para
um jogador de futebol manter um relacionamento sério. Muito dinheiro,muitas viagens, muitas mulheres fáceis. Eram muitas coisas que se não
houvesse amor de verdade, dificilmente o homem conseguia manter o pau
dentro das calças. 
— Então você é o único cara, além do meu pai, que adora estar
casado... parabéns, de novo!
— Eu amo minha esposa! — fez uma cara meio engraçada — Sinto
falta de um pouco de emoção, sacou? Mas não faria nada que fodesse meu
casamento.
— Quantos anos você tem?
— Vinte.
— Caralho! Você é mais novo do que eu! E a sua esposa?
— Vai fazer dezenove. — o cara tinha um sorriso de bobo no rosto.
Claro que ele era apaixonado, sem a menor dúvida.
— E por que vocês casaram tão cedo? Por que não esperou um pouco
mais? Talvez se viesse pra cá sozinho poderia aproveitar e curtir, depois
voltava pro Brasil e casava.
— Não dava pra deixar ela sozinha de jeito nenhum! A gente já tava
namorando há dois anos e eu não quis trazê-la pra cá sem a gente tá casado. 
— Então ela é a mulher da sua vida?
— Com certeza!
 
 Ouvir aquele cara afirmar com tanta convicção que já tinha encontrado
seu grande amor, me deixou com um pouco de inveja dele. Eu sempre fui um
cara romântico, mas depois de ter perdido a única mulher que amei, resolvi
viver a vida sem me apegar a ninguém. Eu não queria arriscar de novo e
correr o risco de passar tudo o que passei.
 
— Fico feliz por você. A minha vez ainda vai chegar. Espero ter a
mesma sorte, mas enquanto ela não chega eu vou aproveitando a vida do jeito
que posso. 
— Tá certo. O que vocês costumam fazer aqui nos fins de semana?
— Normalmente a gente se encontra pra fazer um almoço aos
domingos e matar a saudade da comida brasileira, tomar uma cervejinha,
essas coisas. 
— Legal! — ele seguiu a pé enquanto fui pegar meu carro.
— Quer uma carona? — ele ficou meio sem graça em responder.
— Não quero te dar trabalho.
— Relaxa, negão, não tenho nada pra fazer. Entra aí!
 
 Guga era um cara tranquilo, boa pinta e sorridente. Conversamos
durante o percurso até a casa dele que ficava no mesmo bairro que a minha.
Ele me contou que morava em São Paulo, numa favela barra pesada, e graças
ao contrato que assinou com o clube grego conseguiu tirar a família de lá e
pretendia juntar dinheiro para montar o próprio negócio quando se
aposentasse. 
 
— Quer carona pro treino amanhã? — perguntei quando estacionei na
porta da casa dele — Posso passar aqui umas oito horas.
— Quero, assim não preciso acordar tão cedo. 
 
 Nos despedimos e segui meu caminho. Nossa rotina era tranquila,
treinávamos com bola praticamente a manhã toda e almoçávamos no clube;
no início da tarde íamos para a academia e fazíamos os exercícios
complementares de fortalecimento e fisioterapia. Deixávamos o clube por
volta das quatro da tarde e ficávamos com o resto da noite livre. 
 Nosso grupo era pequeno, o time era compacto e havia apenas quatro
brasileiros, três jogadores e um auxiliar técnico. Apenas Guga era casado, os
outros não tinham compromisso, e sempre que podíamos saíamos para
alguma boate para nos divertir um pouco.
 Depois de quase um mês após a chegada de Guga, ele já estava
completamente à vontade entre nós. Resolvemos fazer um churrasco para
aproveitar o fim de semana de sol e combinamos que seria na casa do novato,
para formalizar a entrada dele no grupo. 
 O almoço seria no domingo, mas no sábado iríamos até uma baladinha
para relaxar e pegar algumas gostosas. A boate estava cheia, como sempre
quando chegávamos muitas mulheres se aproximavam para chamar nossa
atenção. Sidnei era o mais velho, tinha trinta anos e morava na Grécia há
quase quinze, Oscar e eu tínhamos a mesma idade, vinte e três, e como eu,
chegou ao clube com quinze anos para as categorias de base, e acabou
ficando por lá. Nos dávamos bem, estávamos sempre juntos e mantínhamos
uma amizade sincera.
 Sidnei e Oscar eram os únicos que sabiam tudo o que havia acontecido
comigo e estiveram ao meu lado o tempo todo em que precisei de ajuda e
apoio para não afundar e acabar com a minha carreira. Foram dois anos de
luta, até que enfim, consegui voltar ao normal e aceitar que as coisas são
como são, e nem tudo depende da nossa vontade. Coisas da vida e bola para
frente.
 Como de costume, escolhemos a "bola da vez" para passarmos a noite
e combinamos de nos encontrar no dia seguinte na casa de Guga. Eu, como
sempre, escolhi uma morena bonita que falava português muito bem, apesar
de ser francesa. Estava de férias e muito a fim de aproveitar seus dias sem
pensar no futuro, exatamente como eu gostava. Tivemos uma noite quente,
regada a muito sexo e pouca conversa íntima. Muitas vezes ela se mostrava
interessada em saber mais sobre a minha vida, mas eu disfarçava e mudava
de assunto. Na manhã de domingo deixei-a no hotel em que estava hospedada
e segui para casa. Tomei um banho, conversei com meus pais via Skype e
deitei para dormir mais um pouco. 
 Acordei um pouco atrasado, vesti uma bermuda jeans e uma camisa
preta, calcei um tênis adidas e liguei para o Guga. Ele me avisou que os caras
já estavam por lá e que a esposa dele tinha preparado alguns petiscos para
servir de aperitivo. Eu estava curioso para conhecer a tão famosa Veridiana,
só para entender o que havia de tão especial nela que deixava aquele homem
de quatro. Cheguei depois de meia hora, com um engradado de cerveja. 
 A casa não era grande, mas tinha um quintal espaçoso. O portão estava
aberto, então entrei sem avisar, o pagode que tocava no aparelho de som era
muito familiar e sorri ao pensar nas inúmeras vezes em que ouvíamos aquelas
músicas. Quando cheguei à área da piscina, avistei Sidnei e Oscar em frente à
churrasqueira mexendo na carne, me aproximei e brinquei com os dois
pedindo para que não estragassem a carne. Olhei em volta para procurar o
dono da casa, e quando avistei meu mais novo amigo, o mundo simplesmente
parou ao meu redor.
 Guga estava sentado em uma espreguiçadeira. Suas pernas compridas
abertas e relaxadas, seu sorriso sincero e olhos brilhantes não significavam
nada se comparados à deusa loira que estava sentada em seu colo. Ela era a
mulher mais linda que eu já tinha visto, suas mãos seguravam o rosto do
marido e sua boca depositava vários beijos rápidos em seus lábios,
arrancando pequenas gargalhadas do homem que parecia ter o dobro do seu
tamanho. 
 Devo ter ficado algum tempo parado olhando aquela cena, e só voltei à
Terra quando ouvi a voz de Sidnei no meu ouvido.
 
— Cara, acho melhor se recompor antes que o Guga perceba que você
tá babando em cima da mulher dele!
 
 Senti-me constrangido e não sabia o que fazer ou falar para justificar o
que estava sentindo. 
 
— Porra! Que merda, cara!
— Tudo bem, a gente também ficou impressionado. Ela é demais
mesmo!
 
 Tentei disfarçar meu nervosismo um tanto estranho e sem motivo
aparente, mas quando voltei a olhar para cumprimentá-los, fui novamente
surpreendido com o rosto mais perfeito que uma mulher poderia ter, os mais
belos olhos verdes do mundo inteiro e com a boca mais sensual, que
despertou instantaneamente a curiosidade de assisti-la me chupando rendida.
 A esposa do meu colega de time não era bonita, a mulher era um anjo
de tão perfeita. Seu sorriso tímido combinava com ela de um jeito
desconcertante, e quando Guga segurou sua cintura para afastá-la e poder
ficar em pé, imaginei como seria poder tocá-la daquela forma. A jovem
Veridiana havia me deixado confuso, estranhamente confuso.
 
— Que bom que chegou, Bruno! A gente só tava te esperando. — meu
amigo me cumprimentou e eu precisei me controlar demais para não ficar
encarando a mulher atrás dele.
— Demorei mas cheguei, agora o grupo está completo. — dei um
sorriso forçado; meu coração batia descompassado, quase sem controle.
— Essa é minha esposa, Veridiana. — Guga puxou a loira maravilhosa
que me cumprimentou com um aperto de mãos. Foi um contato de apenas
alguns segundos, mas que quase me enlouqueceu. E quando ela abriu um
pequeno sorriso, entendi que meu amigo era um cara muito privilegiado. 
— Como vai? O Guga fala sempre de você.
 
 Até a voz dela parecia uma cançãode ninar, daquelas que te embalam,
relaxam e confortam. Imaginei como seriam seus gemidos quando estava
sendo fodida, e por pouco não babei com a boca aberta.
 
— Estou bem, espero que ele fale bem de mim, senão vai começar a ir
a pé pro treino.
 
 Ela sorriu me desarmando facilmente. Veridiana olhou para o marido
com os olhos cheios de amor; o mais puro, verdadeiro e raro amor. Meus
olhos estavam presos nela, tentando encontrar alguma imperfeição naquele
rosto encantador. Durante o almoço tentei ficar à vontade, sorrir
naturalmente, fazer as brincadeiras idiotas de sempre, mas não consegui.
Estava inquieto, aflito, nervoso e aquele foi apenas nosso primeiro encontro,
dos inúmeros que ainda estavam por vir.
 Foram quatro anos de tortura cobiçando a mulher do meu amigo,
querendo, desejando, sonhando e batendo várias punhetas depois dos nossos
encontros esporádicos, imaginando como seria bom ter Veridiana nua,
espalhada numa cama pronta para ser devorada. Eu acabaria com ela e me
acabaria, nela, dentro dela.
 Guardei no peito um sentimento avassalador, mas eu já tinha me
conformado, e para evitar qualquer tipo de desconfiança sobre o que sentia
por ela, passei a tratá-la com indiferença. Aparecia sempre acompanhado nos
encontros e fazia questão de mostrar que me sentia feliz com o estilo de vida
que levava.
 Veri e Guga se amavam, formavam “o casal perfeito” e mesmo que
meu amigo diversas vezes tenha pisado na bola, ainda assim, ele a amava. Ela
era uma mulher incrível, e despertava não apenas em mim, mas em todos os
homens que a conheciam, um sentimento diferente. Veridiana era uma
mulher acima da média.
 Quando decidi voltar ao Brasil depois de quase quinze anos longe de
casa, eu poderia esperar qualquer coisa do destino, menos encontrar com ela
em plena manhã de domingo na descida do Cristo Redentor. O universo
estava conspirando a meu favor e eu começava a ter uma esperança que não
imaginava ser possível. Veri entrou no meu caminho sozinha, por conta
própria e a única coisa que eu poderia fazer era recebê-la com um tapete
vermelho, braços abertos e um convite para ser bem-vinda à minha vida. 
 Eu não tinha nenhum plano elaborado para conquistá-la, nenhuma
expectativa de que ela abandonasse Guga, a única coisa que eu desejava era
me aproximar dela o máximo possível, por todo tempo que ela permitisse.
Veridiana nem imaginava o quanto eu a queria, a desejava, a amava, mas eu
sabia que se ela tivesse que um dia ser minha, a vida daria um jeito de trazê-
la para mim. 
 Eu só precisava que ela me desse uma chance, uma única e miserável
chance de mostrar a ela quem era o verdadeiro Bruno.
 Meu amor por Veridiana crescia a cada encontro que tínhamos, a cada
palavra trocada, a cada sorriso recebido. Eu estava disposto a esperar por ela
o tempo que fosse, e quando meu telefone tocou quando cheguei em casa
com o dia amanhecendo, depois de rodar pelas ruas do Rio de Janeiro me
forçando a não imaginá-la na cama com Guga, um animal feroz despertou
dentro de mim.
 
— Veri? — atendi no primeiro toque. Ela estava muda, mas pude ouvir
sua respiração acelerada e ofegante. — Veri, fala comigo chaveirinho.
— Bruno... — foi um sussurro e meu corpo tenso nunca ficou tão
excitado — eu... eu preciso de você.
 
Apertei os olhos com força, me controlando para não rugir como o leão
enjaulado que eu me sentia.
 
— Onde você esta? Eu tô indo te buscar!
— Não precisa...
— Como não, porra?! Eu te pego e você vem ficar aqui na minha casa!
— Sério. Não precisa, Bruno. — ela deu uma risadinha que por muito
pouco não me fez perder o controle. Será que ela estava me testando?
— Veri, fala logo onde você tá! — peguei a chave o carro e a carteira
para sair — Em dois minutos eu chego, me passa o endereço!
— Bruno... — falou apreciando meu nervosismo — Não precisa vir me
buscar. É só abrir a porta.
 
 Eu sempre soube que aquela mulher era impressionante, mas nunca na
minha vida ela me impressionaria mais do que naquele momento. Caminhei
lentamente até a entrada de casa, sentia meu coração como um búfalo em
busca da sua única alimentação do dia, e quando finalmente alcancei a
fechadura, a visão dela, ali, na minha frente, foi como enxergar um
sinalizador depois de nadar perdido em mar aberto.
 Veridiana estava descalça, segurava seus sapatos em uma mão, o
celular em outra, seu cabelo bagunçado e seu rosto completamente borrado
pela maquiagem que foi lavada por suas lágrimas. Ela sorriu, e pude enxergar
em seus olhos verdes cristalinos o verdadeiro significado da palavra “desejo”.
 
— Oi. — falou tímida — Eu não quero te atrapalhar.
 
 Cruzei os braços à frente do peito e dei meu melhor sorriso cafajeste.
 
— Você disse que precisava de mim, — estendi o braço e ofereci
minha mão para que ela entrasse — Me diga como posso fazer isso, e eu juro
que não vai me atrapalhar em nada.
 
 E a resposta dela foi apenas o início de uma tempestade, que chegou
disposta a mudar minha vida para sempre. 
CAPÍTULO 18 – VERIDIANA
Dias atuais...
 Guga entrou com o carro na garagem privativa do motel, estávamos
em silêncio e eu não me sentia à vontade. Estar naquele lugar significava
muitas coisas, e algumas delas, talvez a grande maioria, não me agradavam.
A minha história não era como a de uma personagem dos livros românticos
que todos gostam de ler, e sim da minha vida, eu, Veridiana. 
 Será que não conseguir perdoar meu marido por ter me traído era tão
errado mesmo? Por que eu me sentia culpada por não ser capaz de esquecer
Guga e Bella transando? Por que eu preferia que meu marido realmente
tivesse se apaixonado pela amante e concordasse em assinar o divórcio sem
tentar desesperadamente uma reconciliação? Alguma coisa estava errada, e eu
me recusava a acreditar que o problema era comigo. 
 
— Vamos? — ele abriu a porta para descer do carro, e antes que o
fizesse, perguntei:
— Por que me trouxe aqui hoje?
 
 Ele bufou um pouco impaciente com a pergunta, talvez por se sentir
entediado, não sei. De repente eu desejei que houvesse uma explosão da parte
dele e como consequência um xingamento, um desabafo malcriado jogando
na minha cara que desistiu de tentar me convencer do seu arrependimento,
que não aguentava mais ficar atrás de mim implorando perdão... e um adeus
definitivo. Merda! Eu estava com sérios problemas.
 
— Como assim, Veri? 
— Por que esse motel, Guga? Por que hoje? Por que agora? — simples.
— Porque eu quero você, quero te ter de novo, de volta. — esfregou a
testa demonstrando impaciência — Nos últimos meses eu só penso nisso, só
quero ficar bem com você de novo, quero voltar pra casa e poder te encontrar
me esperando, conversar contigo, fazer amor com você em qualquer lugar
que a gente queira... eu quero o que a gente tinha antes de tudo que
aconteceu.
— Eu não vou subir...
 
 Meu marido virou o corpo e me encarou com o cenho franzido.
 
— Como assim não vai subir?
 
 Olhei em seus olhos e decidi que não faria com ele a mesma coisa que
fez comigo. Não mentiria, e diferente de todas as outras vezes, não ignoraria
as minhas vontades. 
 
— Você acabou de me dar a resposta pra essa pergunta, Guga, você
quer o que a gente "tinha". Passado. Mas eu não quero mais a mesma coisa
que você. Não posso simplesmente passar por cima de tudo que sinto porque
você decidiu que me quer de volta na sua vida. Não posso e não quero. 
— Isso tem a ver com o Bruno, Veridiana?
— Não. — dei de ombros — E mesmo que tivesse, não mudaria nada o
que sinto em relação a você.
— Você me ama, porra! Por que não quer tentar?
— PORQUE É MAIS FORTE DO QUE EU!
— O que é mais forte do que o amor que você sente, VERI?!
— Minha dor...
— Eu não sei mais o que fazer pra te convencer que eu te amo, que eu
tô arrependido e que eu posso mudar. Por você eu vou me esforçar.
 
 Minha incerteza era a garantia de que ficar com ele não era o melhor
caminho. Nunca tive dúvida dos meus sentimentos, mas ir além sem saber se
era aquilo que eu realmente queria, não seria justo com ele e muito menos
comigo. Jamais pensei que um dia pudesse acontecer,mas infelizmente o dia
havia chegado, e pela primeira vez em quase uma década, eu diria “não” ao
meu marido. 
 
— Eu não quero ficar com você, Guga.
 
 Ele parecia não acreditar no que ouvia, o desespero estampou seu
rosto. Segurou meu rosto e colou sua testa na minha, seus lábios estavam
próximos aos meus, sua respiração descompassada como a minha. Alguma
coisa havia mudado, estávamos diferentes, ou apenas eu estivesse me
sentindo diferente.
 
— Eu te amo, Veri... — seus lábios tocaram os meus, sua língua
pedindo passagem insistentemente até que conseguiu. O beijo calmo foi
acompanhado de mãos suaves explorando meu rosto, meus braços, meus
cabelos.
 
 Tentava me concentrar naquele beijo conhecido, gostoso, paciente.
Esforçava-me para permitir que a fúria não me domasse e que o amor ditasse
as regras, mas como eu pressentia que era indevido e mesmo assim insisti, o
celular do meu marido nos tirou do conforto e nos trouxe de volta à mais
cruel realidade. Era um sinal, um aviso de alerta para que eu tivesse
consciência de onde iria parar, caso decidisse retomar nosso casamento.
 
— Pode atender. — me afastei e olhei para o aparelho que brilhava no
escuro do console.
 
 Guga pegou o objeto, e pela sua expressão, entendi que a ligação não
era de uma pessoa que ele gostaria que estivesse ligando naquela hora. 
 
— Não vou atender, — devolveu o aparelho no lugar — deixa tocar.
 
 Antes que ele pudesse pensar, peguei o aparelho rapidamente e olhei
para ver o nome que dançava no visor. Em letras diferenciadas, "Bella Mia"
se exibiu como uma verdadeira pop star. Guga tomou o celular da minha mão
e se apavorou com a minha descoberta, mas já era tarde demais. 
 
— Pelo amor de Deus, Veri! Eu não ia falar com ela! 
 
 Respirei fundo, tentei limpar meu rosto borrado para retardar minha
resposta enfurecida e o encarei. 
 
— Você não ia falar por que não quer ou por que eu estou aqui?
 
 O telefone voltou a tocar, a música conhecida de uma banda de rock
nacional mais uma vez invadiu o ambiente.
 
— Atende. — não era uma ordem, apenas um pedido. 
— Não vou atender, porra!
— Atende, por favor. 
— Veri...
— Anda logo, e me mostra que você não conversa com ela
frequentemente. Coloca no viva-voz.
— Não vou fazer isso. — sua voz já não era tão firme, potente.
— Faça por mim, eu preciso disso.
 
 Guga desviou seus olhos e encarou os pés, parecia desolado, derrotado.
Pegou o aparelho e atendeu, colocando-o em seguida no modo para que eu
ouvisse sua conversa com a ex amante.
 
— Alô. 
— Oi, amor. Tô com "saudadinha", vem me ver? — a voz sussurrada
de uma mulher que estava se masturbando obrigou meu marido a colocar as
mãos no rosto, envergonhado. 
— Eu já pedi pra você não me ligar!
— Eu sempre ligo quando estou excitada assim e você sempre me
socorre... vem! Por favor...
 
 Para mim foi o suficiente. Abri a porta, desci do carro e saí
caminhando em direção à rua. Ouvi Guga gritar alguma coisa ao telefone,
mas nada mais me importava. Eu só queria sair dali, sozinha. 
 
— Veri! Espera, por favor!
 
 Ele me alcançou e segurou meu braço. Não resisti devido à exaustão
em que estava, apenas fechei os olhos e inspirei pesadamente demonstrando
toda minha frustração e impaciência com aquela situação ridícula e
humilhante.
 
— Eu falei que não queria atender! Eu não ia atender, caralho! Só
atendi porque você insistiu!
— Desde o começo eu avisei que não queria mais, eu sabia que não ia
aguentar, mas você insistiu, me ligou, foi atrás de mim, e de ontem pra hoje a
minha vida se transformou num inferno por sua causa! — cuspi as palavras
sem dó — Não é charme de mulher recalcada, não é manha e nem tô fazendo
birra, Guga! Eu não vou conseguir! Eu NÃO QUERO conseguir, entendeu?
Eu me recuso a viver correndo atrás de você, mexendo no seu celular,
vasculhando suas redes sociais, NÃO VOU! Eu não casei pra isso e não vou
ficar com alguém que eu não confie, e EU NÃO CONFIO EM VOCÊ! —
Estávamos no meio do estacionamento de um motel, minha voz poderia
facilmente ser ouvida de qualquer ponto dali devido ao horário. Meu marido
me encarava em silêncio tentando absorver o que havia acabado de ouvir.
Tirei meus sapatos e aproveitei o estado dele para acabar de vez com aquela
conversa. — Eu te amei, Guga, mais do que a mim mesma. Sempre foi você e
não preciso provar nada. Acho que vou te amar por toda minha vida, mas eu
não quero mais ficar com você. Estou magoada, triste, decepcionada e não
acho que tão cedo vá melhorar. Perdoa-me, mas eu não posso.
— Eu posso te esperar, Veri!
 
 Sorri, não por desdenhar dele, mas por saber que ele realmente
acreditava que iria conseguir ficar sem outra mulher.
 
— Vamos deixar o tempo passar, Guga, apenas siga em frente e me
permita seguir também...
 
 Saí e o deixei para trás, do jeito que meu coração mandava. Eu corria o
risco de me arrepender tarde demais, mas era um risco que valeria a pena
correr. Peguei um táxi e desci em frente à praia, ainda estava escuro e o
movimento era pequeno nas ruas do Rio, apesar de ser uma segunda-feira.
Sentei na areia fofa e olhei para o mar apreciando seu infinito, fazia tempo
que não ia à praia, não me divertia como havia feito no show da cantora
carioca na noite anterior e logo Bruno invadiu meus pensamentos com seu
jeito fácil, linguajar desbocado e bom humor cativante. 
 Quando nos conhecemos na Grécia, nunca tivemos contato além de
cumprimentos formais e conversas em grupo, mas desde a manhã do dia
anterior, a impressão de que o conhecia há muito tempo era impressionante.
Bruno me deixava à vontade, conseguia me fazer confessar meus sentimentos
sem vergonha ou constrangimento, mesmo quando me sentia uma fracassada.
Comecei a andar em direção ao endereço que ele me passou e disse que
ficaria até o fim da semana, eu não sabia ao certo o que estava fazendo, mas
decidi apenas seguir minha intuição e minha vontade. Era com ele que eu
queria conversar, era ele quem eu queria ver e contar o que havia acontecido.
Apenas segui meu coração, mais uma vez.
Cheguei à porta da casa ampla e protegida, branca com um muro alto e
portões de madeira. Peguei meu celular ignorando as várias chamadas
perdidas e mensagens de Guga e minha mãe, tomei coragem e liguei o
número que ele mesmo havia gravado.
 
— Veri? — sua voz preocupada me alegrou, mas não consegui
responder imediatamente com o coração acelerado. — Veri, fala comigo,
chaveirinho. — apertei os olhos e sorri com o apelido.
— Bruno... — minha voz não saiu, e uma emoção forte invadiu meu
peito — eu preciso de você. — não sabia de onde tinha saído aquela frase,
mas não deixava de ser verdade. 
— Onde você esta? Eu tô indo te buscar!
— Não precisa... — me adiantei em falar, ele estava mesmo
preocupado.
— Como não, porra?! Eu te pego e você vem ficar aqui na minha casa!
— mal ele sabia que eu já estava ali.
— Sério. Não precisa, Bruno. — eu ainda me recuperava da falta de ar
repentina.
— Veri, fala logo onde você tá! 
— Bruno... — respirei fundo e resolvi falar de uma vez — Não precisa
vir me buscar. É só abrir a porta.
 
 Ele desligou e a ansiedade tomou meu coração, afastando todos os
outros sentimentos. Lembrei de como estava meu rosto, meu cabelo e minha
roupa e quase desisti de esperá-lo. Eu estava horrível, cansada e esgotada.
Mas me sentia bem por estar ali, esperando por ele. Ouvi a chave fazendo seu
trabalho para abrir a porta e sorri timidamente quando Bruno apareceu na
porta vestido com a mesma roupa que estava no show.
 
— Oi. Eu não quero te atrapalhar. — falei com sinceridade.
— Você disse que precisava de mim. — estendeu seu braço e ofereceu
sua mão para que eu entrasse, seu sorriso era sacana e um tanto debochado —
Me diga como posso fazer isso e eu juro que não vai me atrapalhar em nada.
 
 Ele fechou a porta, me fitou aguardando a resposta, e sem ter palavras
para dizer o que queria ou precisava, apenas me joguei em seus braços e
deixei que me abraçasse com força. Bruno me apertou junto de si, uma mão
na minha cintura, a outra no meio dos meus cabelos, sua cabeçano meu
pescoço cheirando, me aconchegando, me acolhendo. Foram longos minutos
de apreciação mútua, até que ele se afastou um pouco e seus olhos
vasculharam meu rosto. 
 
— Que bom que veio...
— Que bom ter vindo...
— Você quer a minha ajuda?
— Se você estiver disposto a ter paciência comigo, sim, eu quero a sua
ajuda.
— Você pode não acreditar em nada do que eu disser, mas estou
esperando você há seis anos.
— Eu não sabia disso, me desculpe.
— Não faça isso. Nunca mais se desculpe por ser essa mulher
maravilhosa. — seu dedo escorregou pelo meu lábio inferior me obrigando a
fechar os olhos para apreciar seu toque — Eu vou beijar você, Veridiana, só
não me peça pra parar.
 
 Seus lábios colaram nos meus, com urgência, com fome e desespero.
Sua língua macia, quente, deliciosa me provava e devorava furiosamente; seu
quadril pressionava o meu fazendo-me sentir a ereção, aumentando meu tesão
desenfreado. Gemi baixo perdendo completamente o controle em seus braços,
em sua boca, em seu corpo. Bruno escorregou seus lábios passando sua
língua por toda a extensão do meu pescoço até morder meu queixo.
 Seus olhos encontraram os meus, refletindo todo desejo que eu estava
sentindo. 
 
— Vem, vamos tomar um banho pra eu te colocar na cama.
 
 Senti minhas bochechas esquentarem ao ouvir suas palavras. Ele
percebeu e me beijou novamente.
 
— Não se preocupe, chaveirinho, prometo que vou cuidar bem de você.
— sussurrou no meu ouvido antes de me puxar para dentro da sua casa. 
 
 Eu o segui como estava seguindo meu coração e percebi que o direito
de encontrar a felicidade também me pertencia. Não seria um mar de rosas
eterno, mas eu me daria a chance de ao menos tentar, e por tudo que tinha
passado nos últimos dois anos eu merecia uma nova oportunidade, um
recomeço, e quem sabe, um novo amor.
 
CAPÍTULO 19 - BRUNO
 
Dias atuais...
 
 Se fosse um sonho eu não queria acordar. Meu sorriso se recusava a
deixar meu rosto depois de experimentar uma pequena parte de Veridiana,
seus lábios macios e seu corpo gostoso grudado ao meu como uma segunda
pele. Não queria nem imaginar tudo que faria com ela quando a tivesse nua,
ao meu dispor. 
 Levei meu "chaveirinho" para tomar um banho, pois sabia que estava
exausta e não era apenas fisicamente. Seu semblante era de abatimento total e
ainda não tinha me contado o que havia acontecido com Guga para que ela o
deixasse sabe-se lá onde, e fosse até minha casa. Bendita hora que resolvi
falar para ela onde estava morando.
 
— Cansada? — perguntei quando abri a porta do banheiro e me afastei
para que pudesse ver a banheira grande e convidativa para uma sessão de
relaxamento.
— Muito. Nem sei te dizer o quanto. — ela olhou em volta e sorriu —
Vai me deixar usar sua banheira?
— É toda sua. Ou melhor, nossa. — abri a torneira e deixei que a água
morna fizesse a sua parte de encher a mini piscina. Voltei a ficar de frente
para Veridiana admirando sua beleza.
 
 Tomei sua boca num beijo desesperado, esperei sua reação para
confirmar se poderia ou não seguir adiante com as carícias, e quando senti
suas mãos passearem por dentro da minha camisa, não consegui me segurar.
Meu pau já estava latejando de tanto tesão por ela. Eu a queria como nunca
quis outra mulher, e durante todo o tempo em que estava casada, não me
permiti nutrir qualquer esperança em poder tem para mim daquele jeito, livre,
solta, a fim.
 Puxei seu cabelo para trás e explorei seu pescoço com a língua
sentindo sua textura suave. Abaixei um pouco e beijei seus seios por cima do
vestido preto que tanto aguçou minha imaginação na noite anterior. Veridiana
gemeu, levando consigo o pouco de juízo que ainda restava em mim. Abri o
zíper e a olhei nos olhos; abaixei a peça sem deixar de encará-la. Um misto
de vários sentimentos no verde intenso do seu olhar que refletia as mesmas
promessas feitas em silêncio pelos meus: desejo, fome, paixão... tudo ao
mesmo tempo. 
 Veridiana estava apenas de calcinha. Deslizei meus dedos por seus
cabelos, acariciei seu rosto, contornei seu pescoço, descendo suavemente até
os seios naturais. Ela fechou os olhos e abriu discretamente a boca enquanto
minhas mãos brincavam com os bicos duros, implorando para serem
chupados e degustados como mereciam. Apoiei um joelho no chão e
continuei descendo as mãos suavemente, meus dedos deslizaram para sua
bunda e minha língua passeou em sua barriga chapada. 
 Abaixei sua calcinha e me deparei com sua boceta coberta por uma
fina camada de pelos na minha cara. Oferecida. Deliciosa! Olhei para cima e
apreciei a mulher maravilhosa à minha frente, totalmente entregue. Veridiana
gemeu quando passei a ponta da língua na sua fenda molhada e afastei suas
pernas, inspirando seu cheiro íntimo, particular e único. 
 Passei a me alimentar dela com a única intenção de saciar minha fome.
Enfiei o dedo do meio na boceta completamente molhada até alcançar seu
ponto G, enquanto minha língua e dentes atormentavam seu grelinho
enrijecido. Passei a acariciar o alvo freneticamente, forçando-a a agarrar
meus cabelos numa tentativa desesperada de me empurrar para dentro de si,
afoita e necessitada. Eu queria que ela precisasse de mim. Sempre!
 Com a outra mão em sua bunda, comemorei orgulhoso quando
Veridiana gozou e alcancei meu único objetivo que era lhe dar prazer. Ela se
contorceu, gemeu, apertou, tremeu. Seu rosto corado, olhos brilhantes, pele
manchada pela maquiagem borrada, e mesmo assim, continuava linda, sexy,
excitada.
 Sem tirar minhas mãos de cima dela, fiquei em pé e tomei sua boca
para que experimentasse seu próprio gosto. Veridiana me ajudou a tirar a
calça e a cueca, liberando meu pau duro como uma rocha. Sua mão iniciou
uma massagem lenta, quase torturante, um vai e vem controlado desde a base
até a cabeça. Rosnei, gemi em sua boca e a empurrei para a borda da banheira
para ajudá-la a entrar.
A pouca quantidade de água ajudou quando Veridiana montou em meu
colo, de frente para mim com as pernas encaixadas ao lado do meu quadril.
Sua boceta se esfregava sem vergonha e procurava no meu pau o atrito que
ofereceria seu alívio, me provocando, estimulando, puxando cada vez mais
para ela. Minha boca em seus seios, mordendo, lambendo, sugando, enquanto
minhas mãos se revezavam em apertar, alisar e enlouquecer em sua bunda
empinada, ajudando no processo de esfregação desesperada da parte do seu
corpo que eu mais ansiava conhecer, a fundo, profundo, por completo. 
 
— Deixa eu ter você pra mim? — segurei seu rosto entre as minhas
mãos para que pudesse enxergar em meus olhos tudo o que despertava em
meu corpo — Vem ser minha!
 
 Veridiana me beijou, comprovando que palavras são dispensáveis em
momentos como aquele que vivíamos, ergueu seu quadril o suficiente para
encaixar meu pau na sua boceta, e lentamente, sem deixar de me encarar,
desceu, permitindo que eu a preenchesse completamente. Gemeu, sorriu e
chorou. Suas lágrimas desceram pelo rosto delicado, denunciando
sentimentos confusos que batalhavam dentro do seu coração; torci para que o
arrependimento não fosse um deles. 
 
— Oh... Deus... — seus gemidos contidos eram música para meus
ouvidos.
— Vem pra mim, Veridiana! Deixa eu te dar o que precisa...
 
 Ela veio. Subia e descia, engolia meu pau, gemia, rebolava, me
enlouquecia. Ensandecia, furiosa. Suas mãos inquietas buscavam apoio, ora
nos meus ombros, ora na borda da banheira. Ela queria aumentar a
velocidade, encontrar seu prazer, e eu faria questão de realizar seu desejo. 
 Segurei seu quadril e determinei o ritmo das engolidas caprichosas
daquela boceta deliciosa que acolhia meu pau com perfeição. Inclinou seu
corpo para frente oferecendo-me seus seios que me alimentaram enquanto a
água da banheira produzia pequenas marolas. Dobrei os joelhos, apoiei os pés
no chão e tomei a frente da foda mais cobiçada da minha vida.
 Meti com força, entregando tudo de mim e tomando tudo dela. Seus
sons, seus desejos, seu prazer, suas lágrimas. Veridiana gritou, agarrou ainda
mais forte meus cabelos, puxou, arrancou e gozou. Não parei,continuei duro,
e quando a vi recuperada, determinei:
 
— Apoia as mãos na banheira e fica de quatro. — sorriu timidamente
apreciando a ordem — Vou me acabar nesse rabo gostoso. — ela fez o que
mandei, me presenteando com a visão da sua bunda aberta num convite
erótico para que eu me esbaldasse dentro dela. Cheguei a babar quando me
posicionei atrás dela e enfiei minha língua na bocetinha inchada. Empinada,
gostosa, putinha. Tudo o que eu sempre sonhei, Veridiana sendo minha puta,
minha vagabunda, minha mulher. Porra! — Segura firme que eu não vou ter
pena de você. — agarrei seu cabelo com força, dei-lhe um tapa forte na bunda
branquinha e meti até o talo. Só deixei minhas bolas para fora dela — Agora
aguenta tudo e geme que eu quero te ouvir! — a cada estocada uma nova
sensação. Uma mão nos seus cabelos, a outra na lateral do quadril. Eu estava
domando minha potranca, metendo fundo, sem tirar os olhos do ponto de
encontro dos nossos corpos. Meu pau entrava, saía, judiava, metia, comia,
fodia, a amava e venerava. Puta que pariu! Puxei-a para cima, e metendo com
pressa, tomei sua boca. Seus olhos fechados, concentrados no prazer que
estava sentindo. Sua língua grogue, sem rumo, perdida, desnorteada. Seus
gemidos clamavam por mais, chorosos, manhosos. — Eu vou gozar,
Veridiana... — soquei ainda mais em sua boceta febril, belisquei seu clitóris
inchado e empurrei com grosseria — goza, minha putinha, goza também!
 
 Seus olhos apertaram, sua boca abriu e seu grito foi meu fim. Eu me
desfiz dentro dela, quente, grosso. Respirações aceleradas, corações
descompassados, corpos amolecidos, entregues ao cansaço.
 
— Me fala que eu não tô sonhando. — pediu com a cabeça encostada
no meu ombro.
— Se isso foi um sonho, acho que vamos viver dormindo.
— O que vai acontecer agora... com a gente?
— Nesse exato momento eu vou te levar pra minha cama, vou te
abraçar, te fazer dormir e cuidar de você. Quando a gente acordar eu vou te
comer de novo, te foder de novo e te amar de novo. — beijei sua testa
demoradamente prevendo um futuro turbulento e muitas barreiras a serem
derrubadas — E só depois que eu te mostrar o quanto eu posso te fazer feliz,
a gente vai conversar sobre o seu verdadeiro lugar nesse mundo. Tudo bem
pra você?
— Tudo bem pra mim... — seus olhos buscaram os meus, ainda
vermelhos, inchados, inseguros — só não me faça sofrer mais.
 
 Beijei seus lábios, a puxei para cima comigo e a abracei com cuidado.
 
— De agora em diante, toda sua dor será minha, mas todo seu prazer
também será só meu. — acariciei seu cabelo, beijei seus lábios — Confia em
mim, eu só quero você, muito mais do que possa imaginar.
 
 Saímos da banheira, fomos para o quarto com o sol começando a sua
apresentação do lado de fora. Seria uma típica segunda-feira, propícia para
inícios, recomeços e planejamentos. Deitamos abraçados, relaxados,
satisfeitos. Veridiana dormiu com a cabeça descansada no meu peito, sua
respiração acalmada, seu corpo enroscado ao meu, quente, encaixado,
complementar. 
 Fechei os olhos tentando não sorrir feito um idiota apaixonado, mas
quando dei por mim, já estava fazendo planos de acomodá-la na minha vida
de forma permanente. Eu queria aquela mulher, inteira como sempre foi, e
apesar de saber que seu amor ainda era de outro, minha certeza de que sua
felicidade seria ao meu lado, garantia que o tempo seria meu maior aliado,
como sempre foi.
 Depois de seis anos sem avistar nenhuma luz ao fim do túnel, a vida
me trouxe até ela, e com ela ali, em meus braços, nada seria capaz de tirá-la
de mim. Veridiana só iria embora se quisesse, caso contrário, eu iria lutar por
seu amor como há muito tempo não lutava por alguma coisa. Eu já havia
perdido uma vez e não iria perder novamente. Não daquela vez. Não aquela
mulher.
CAPÍTULO 20 - VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Um sono reparador e uma sensação que há algum tempo não sentia,
uma vontade enorme de sorrir sem nem abrir os olhos. Foi assim que acordei
naquela manhã. Feliz. Alonguei meus braços e pernas, espalhando meu corpo
sob o lençol fino à procura do corpo que havia me levado a outro patamar de
encantamento e prazer, mas não o encontrei, e por alguns segundos me
perguntei se não havia sido um sonho.
 Repassei em minha mente todos os acontecimentos do último fim de
semana. Apenas dois dias em que minha vida desandou, meu trem saiu dos
trilhos e finalmente parecia ter encontrado seu próprio caminho. O homem
que anos atrás me tratava com indiferença, sempre aparentando ser um
conquistador, mulherengo, galinha, me tomou de uma forma que ficaria
gravada como uma tatuagem em minha memória. 
 Seria muita injustiça afirmar que o sexo nunca havia sido tão bom, tão
prazeroso, mas também não poderia afirmar que algum dia foi tão intenso e
tão sublime ao mesmo tempo. Bruno conseguiu me conter com suas palavras
doces, seus gestos suaves, para em seguida despertar a leoa adormecida com
sua pegada bruta, suas ordens severas e investidas duras. Fiquei excitada ao
lembrar da banheira.
 Abri os olhos constatando a solidão na cama que parecia ter o dobro de
tamanho sem a presença dele, apoiei os cotovelos e apreciei o ambiente claro,
discreto, masculino. O quarto tinha a cara do seu dono, com algum charme
discreto que mascarava o verdadeiro "macho alfa", dominador e possessivo
que habitava por ali. Bruno tinha muitas facetas, mas nenhuma dela era fiel à
sua forma original.
 Levantei enrolada ao lençol e fui em direção à cozinha, ouvi barulho
de panelas e uma música suave ao fundo. Parei na porta de vidro que
separava os ambientes e apreciei o belo exemplar masculino, vestindo apenas
um short do time de futebol grego, preparando algum tipo de comida de
frente para o fogão. Seu corpo suado denunciava o exercício físico, suas
costas nuas com os músculos definidos sem qualquer exagero provocaram
certo "frisson" entre minhas pernas. Lembranças obscenas de uma transa
magnífica voltaram a me perturbar.
 Bruno cantava baixinho, mexia uma colher de pau dentro da frigideira,
enquanto gotas de suor desciam por seus cabelos e escorriam pelos ombros.
Em silêncio, larguei no chão o lençol que me cobria, caminhei até ele e
suavemente envolvi sua cintura com meus braços, encostando meus seios em
suas costas. Senti sua respiração acelerar, depositei beijos e lambidas na
direção da minha boca, apreciando seu gosto salgado e cheiro de homem;
suavemente acariciei seu pau, já acompanhando sua ereção por baixo do
tecido fino. Bruno gemeu com a cabeça jogada para trás.
 
— Você está me provocando, Veridiana? — sua voz grave e rouca
ecoou na cozinha silenciosa.
— Claro que não... estou me aproveitando de você enquanto cozinha.
Quer que eu pare?
 
 Sua mão cobriu a minha e mostrou como queria que o acariciasse. 
 
— Se parar agora, vou ser obrigado a te dar umas belas palmadas nessa
sua bunda branca deliciosa.
— Você não teria coragem. — sorri esfregando ainda mais os seios.
— Confesso que é um dos meus sonhos te colocar no meu colo e
estapear essa bunda.
— Estou começando a ficar curiosa...
 
 Bruno virou seu corpo até ficar de frente para mim. Nossos olhos se
encontraram pela primeira vez naquela manhã, demonstrando toda a
ansiedade pelo reencontro. Não tive tempo de reação, ele me pegou no colo e
me sentou na bancada de mármore frio, afastou os objetos que a enfeitavam e
me deitou com cuidado. Abriu minhas pernas, acariciando meu centro com o
dedão. Fechei os olhos e me entreguei ao prazer.
 
— Se você soubesse tudo o que pretendo fazer com esse seu corpo
delicioso, acho que sairia correndo e nunca mais voltaria.
 
 Um dedo me penetrou, sua língua acariciou meu clitóris, seus dentes
me enlouqueceram.
 
— Eu nunca vou fugir de você... — sussurrei cantarolando de tanto
tesão — tô louca pra descobrir tudo o que vai fazer comigo.
 
 Bruno parecia querer me devorar. Quanto mais tinha, mais queria,
mais me abria e mais conseguia. Levantei a cabeça e apreciei aquele homem
delicioso com a cabeça entre minhas pernas, de olhos fechados, enlouquecido
de tesão, com suasmãos agarradas às minhas pernas suspensas, arreganhadas
e amparadas em seus braços contraídos. Uma visão que representava o
quanto era másculo, viril, esfomeado por prazer. 
 
— Eu quero você, Veridiana! — sua boca deslizou subindo por minha
barriga, chupou e lambeu meus seios, contornou meu pescoço até morder
meu queixo — Você vai ser minha?
 
 Seu corpo pairou sobre o meu, deitado na bancada não tão fria, sua
ereção provocando minha entrada, uma mão massageando meus seios e a
outra acariciando meu rosto. Seus olhos nos meus, diretos, intensos,
perversos.
 
— Vou...
 
 Bruno segurou seu pau e o posicionou para iniciar uma nova aventura
dentro de mim. 
 
— Te quero inteira, Verdiana, não só uma parte. Entendeu? Quero toda,
só pra mim! — E quando me penetrou, uma miscelânea de sensações
explodiu em meu coração. O homem que me tomava, me encarava, me
dominava, me amava em silêncio. Minhas costas se chocando contra a pedra
preta representavam a força do seu amor. Suas investidas passaram a ser mais
profundas quando minhas pernas foram colocadas em seus ombros, igualando
nossa altura na linha do quadril, servindo de apoio para manter meu corpo
imóvel enquanto era invadido com tamanha força. — Consegue sentir,
Veridiana? — perguntou ofegante com o rosto contorcido de prazer e fúria —
Olha como eu te quero! 
— Não para, Bruno... não para!
 
 Em um movimento ágil, ele saiu de dentro de mim, me colocou de pé e
beijou meus lábios.
 
— Vira de costas. — ordenou, me excitando ainda mais. — Eu amo
essa bunda! — Bruno ajoelhou atrás de mim, e mais uma vez me devorou
enlouquecidamente. Rebolei me esfregando em seu rosto, sentindo sua língua
e dedos me invadirem com precisão. Senti a tensão e o formigamento
prevendo o orgasmo e explodi em sua boca na mais deliciosa extravagância
sexual. Gemi, choraminguei, chamei seu nome e relaxei. Olhei para trás e
pude admirar a mais sexy de todas as visões. Nada como um homem
apreciando o sexo feminino! Ele ficou em pé e me tomou em mais um beijo
quente, apaixonado. Desci minhas mãos e segurei com força seu membro
duro, acariciando, conhecendo, me deliciando. Empurrei o jogador e inverti
nossas posições para que encostasse na bancada, enquanto eu ajoelhava à sua
frente e admirava pela primeira vez minha mais nova aquisição luxuriosa.
Lindo, robusto, vascularizado, com a cabeça rosada e apetitosa. — Assim
você me mata, Veridiana... — a voz embalada pelo tesão aumentou meu
desejo por ele. 
— Eu quero você, Bruno! — encarei sua expressão de espanto ao me
ouvir repetir sua frase — Você vai ser meu?
 
 Ali ele também não teve tempo para reação. Abocanhei seu pau quase
inteiro. Chupei, lambi, babei, enquanto meus dedos suavemente acariciavam
suas bolas. Seus gemidos aumentaram, suas mãos seguraram com força meus
cabelos, empurrando e forçando seu quadril cada vez mais para frente para
dentro, para mim. 
 
— Que delícia de boca! 
 
 As investidas continuaram, e quando achei que ele gozaria na minha
boca, me colocou de pé e me puxou para sentar em seu colo na cadeira.
Segurou seu pau e esperou que eu o engolisse, senti seu volume por inteiro
dentro de mim somado a uma pontada de dor confortável e conveniente. 
 Suas mãos abraçaram minha cintura, sua boca tomou a minha,
enquanto eu subia e descia louca, desesperada, sentindo-o por completo,
inteiro, meu. Bruno chupou meus seios, meu pescoço, mordeu meu braço e
gozou lindamente. Ficamos unidos, suados, quietos, absorvendo mais um
momento íntimo de entrega e recebimento mútuo. Seu corpo me aquecia,
protegia, amparava.
 
— Você está bem? — sussurrou manso no meu ouvido.
— Eu estou muito mais do que bem, — busquei seus olhos — e você,
está bem?
— Eu nunca estive melhor. — tomou minha boca num beijo calmo —
Quer tomar um banho?
— Quero. Que horas são? — perguntei totalmente perdida no tempo. 
— Acho que passa um pouco da uma da tarde.
— Tudo isso? Tenho que me apressar.
— Onde você precisa ir? 
— Preciso ir até a editora, lembra? 
 
 Fomos para o banheiro em silêncio, Bruno ainda absorvia minha
informação. Provavelmente havia esquecido o meu compromisso.
 
— Posso ir com você? — perguntou contido.
— Claro que pode. — sorri e o puxei para dentro do box espaçoso —
Eu vou adorar ter a sua companhia.
— Ótimo! Eu tenho algumas coisas pra te contar, Veridiana. A gente
pode sair e comer alguma coisa, o que você acha?
 
 Bruno não era um homem sério, vivia brincando, fazendo piadas,
sempre sorrindo, mas estava pensativo, poderia dizer até, temeroso. Fiquei
um pouco preocupada com o assunto que ele queria abordar.
 
— É alguma coisa séria? O que aconteceu?
— Calma, chaveirinho! — sorriu, quebrando um pouco a tensão — O
assunto é sério sim, mas não é nada que vá te afetar diretamente. Confia em
mim.
— E eu posso saber do que se trata?
— Vamos fazer assim, — ele me beijou e ensaboou meu corpo com
sabonete líquido — a gente vai almoçar, porque você ainda não comeu nada,
e durante o almoço eu te conto tudo o que descobri, ok?
 
 Suas mãos pelo meu corpo não permitiam que eu pensasse com
clareza.
 
— Tudo bem, mas vamos sair logo daqui senão não vai dar tempo e eu
não quero me atrasar para a reunião.
 
 A conversa era leve, animada, descontraída. A todo momento nos
tocávamos, nos beijávamos, nos admirávamos. Era nítida a felicidade que
partilhávamos por estarmos juntos, e o quanto o início de uma relação
poderia ser renovador para uma mulher que havia vivido tudo o que vivi. 
 
— Preciso passar em casa, não tenho roupa.
— A gente passa lá e você se troca.
— Posso te confessar uma coisa? — estávamos saindo da casa de
Bruno, caminhando em direção à garagem para entrarmos no carro.
— Claro. Você pode me contar qualquer coisa que queira.
 
 Sorri e o abracei, colando nossos corpos.
 
— Foram as primeiras oito horas que eu fui extremamente feliz desde
que voltei ao Brasil.
 
 Bruno parecia surpreso e emocionado, fez um carinho no meu rosto e
me beijou com ternura.
 
— Prometo que essas horas serão prolongadas ao máximo, Veridiana. 
— Eu vou cobrar essa promessa...
 
 O beijo se intensificou e só foi interrompido quando o barulho do
interfone ecoou pela garagem.
 
— Deve ser a Zilá, eu pedi pra ela entrar mais tarde hoje. — abriu a
porta do carro e entrou.
— Ela te ajuda em casa? — repeti seu gesto do lado do passageiro.
— Não, chaveirinho, ela cuida da minha casa. Eu só moro aqui.
— Quer dizer então que você não sabe nem onde ficam as suas coisas?
— A única coisa que eu preciso saber onde está agora, é você!
 
 Sorrimos enquanto o portão automático abria lentamente e Zilá
apareceu em nosso campo de visão. Mas todo o riso morreu quando Guga
entrou logo atrás dela e nos viu juntos, dentro do carro.
 
— Que porra ele tá fazendo aqui? — Bruno rosnou.
 
 Meu futuro ex-marido parecia não acreditar no que via. Seu maxilar
trincado e olhar de fúria eram as provas de que se eu não soubesse agir com
cautela, corria o sério risco de mais uma vez, ser manchete nas revistas de
fofoca.
 
— Calma, Bruno, pelo amor de Deus. — apertei sua coxa, num pedido
de socorro — Eu não quero que vocês briguem...
— Sai desse carro agora, Veri! — Guga falou enquanto se aproximava
da porta, na intenção de abri-la.
— Ela não vai pra lugar nenhum com você!
 
 Bruno desceu do carro tão rápido, que nem consegui pensar em uma
forma de impedir que ficassem próximos um do outro. 
 
— Se afasta da minha mulher, seu filho da puta! — Guga apontou o
dedo para Bruno, que contornava o carro para impedi-lo de me tirar dele. 
— Faz tempo que ela não é sua mulher, Guga, e só você não se deu
conta disso.
— E vai me dizer que agora ela é sua mulher? — ele gargalhou
ironicamente, como se fosse impossível eu estar com outro homem.
 
 Senti meu estômago embrulhar. 
 
— Pergunta pra ela, acho que a Veridiana é bem grandinha pra
responder essa pergunta.
 
 Abri a porta e saltei, parando ao lado de Bruno. Só então Guga reparou
que eu ainda vestia a mesma roupa.
 
— Que porra você tá fazendo aqui com essa roupa? 
 
 Aquela pergunta merecia uma respostaà altura de tudo que ele me fez,
mas não valeria a pena. Quando Guga me traiu, ele acabou com o nosso laço
e com qualquer possibilidade de ficarmos juntos novamente. Meu amor por
ele era a única motivação para ficar ao seu lado, nada mais do que ele
pudesse ter me interessava, mas infelizmente meu marido não tinha entendido
aquilo ainda. 
 
— É melhor você ir embora daqui, Guga.
— Eu não vou sair daqui sem você, Veri! — tentou se aproximar, mas
o impedi com a mão — Você é minha esposa!
— Eu deixei de ser sua esposa quando você me traiu. Agora não torne
essa situação pior do que já está e vá embora. 
— Você vem comigo! — segurou meu braço.
— Não, eu não vou. — me soltei, mas não foi o suficiente para impedir
Bruno de partir para cima de Guga e acertar-lhe um soco.
— NUNCA MAIS ENCOSTA NELA!
 
 Bruno se colocou à minha frente, cobrindo meu corpo com o seu.
 
— Seu desgraçado! Você acha que vai ficar com a minha mulher?
— Eu já estou com a Veridiana e ela não é a sua mulher! Agora cai fora
antes que eu chame a polícia!
— Veri, eu sei que você me ama e você também sabe, me dá uma
chance, vamos tentar...
 
 Não respondi, apenas deixei que ele entendesse que minha decisão já
estava tomada.
 
— Sai, Guga! — Bruno falou mais calmo — E deixa ela em paz.
 
 Meu marido — legalmente falando — caminhou em direção ao portão
aberto, mas antes de sair olhou em nossa direção e me fuzilou com seu olhar
de ódio.
 
— Eu não vou assinar porra de divórcio nenhum, e se você quiser
seguir com isso eu vou acabar com a sua vida. 
 
 Bruno me abraçou e fechou o portão. Meu coração estava acelerado,
minhas mãos suadas e minha garganta seca.
 
— Vem, vamos entrar, é melhor ficarmos por aqui.
— Você acha que ele tava falando sério?
 
 Bruno segurou meu rosto, e beijou minha boca rapidamente.
 
— Eu não sei, Veridiana, mas não vou arriscar. Vamos conversar e
decidir o que fazer, com calma. — ele me abraçou com força e pude sentir
seu coração cavalgar dentro do peito, tão aflito quanto o meu — Confia em
mim, chaveirinho. Eu não vou deixar que ele se aproxime de você.
 
 Apeguei-me àquelas palavras e pensei em tudo o que havia acontecido.
Eu não queria mais sair dali, daquele abraço, daquela sensação de paz e
calmaria que estava sentindo. Guga escolheu me trair, e eu escolhi seguir em
frente, com Bruno.
 
CAPÍTULO 21 – BRUNO
 
Dias atuais...
 
A segunda-feira prometia. Consegui dormir com Veridiana em meus braços
depois do sexo incrível que tivemos pela primeira vez, desejando que quando
acordasse ela não tivesse mudado de ideia e se arrependesse de tudo que
fizemos. Eu sabia que não seria um começo fácil, principalmente para mim. 
 Guga não desistiria de reconquistar a confiança da esposa, e quem
sabe, voltar a despertar nela o amor encoberto pela mágoa e decepção. Eu
teria que ser paciente e acreditar no caráter da mulher que eu conhecia bem
há tanto tempo, caso contrário, iria pirar. 
 Minha experiência em relacionamentos não era vasta, muito pelo
contrário, eu poderia ser considerado praticamente virgem, já que a única vez
em que estive comprometido com alguém era apenas um garoto de dezoito
anos, e foi tão traumático, que ainda doía no peito lembrar como tudo havia
acontecido.
 Veridiana seria a minha primeira namorada, e quem sabe, esposa. Mas
ainda era cedo para pensar em alguma coisa em longo prazo, já que ela teria
que enfrentar um divórcio, pretendia mudar de país e iniciaria sua carreira
profissional. 
 Levantei com o barulho do celular, e como sempre, minha mãe tentava
cultivar nosso relacionamento abalado há anos. Muito contrariado tirei o
braço de Veridiana que descansava em meu peito, eu não queria levantar, mas
se não atendesse a ligação, minha mãe iria ficar enchendo o saco o dia todo.
 
— Oi, mãe.
— Bom dia, filho! Como está?
— Bem como sempre, e vocês?
— Seu irmão voltou. — falou diretamente, me pegando totalmente
desprevenido.
— Não tenho nada a ver com isso, mãe.
— Bruno, já está mais do que na hora de vocês...
— Não começa! — cortei sem deixá-la terminar de falar — Se está me
ligando pra tentar me convencer a esquecer, perdoar e agir como se nada
tivesse acontecido, perdeu seu tempo.
— Eu só me preocupo com você, Bruno.
— Pois deveria ter se preocupado quando ele me traiu, agora não
adianta mais.
— Ela está grávida.
 
 Ok, não era uma notícia que eu esperava receber, mas eu não iria
permitir que me abalasse. Aquele assunto estava morto, enterrado e não
merecia mais a minha atenção.
 
— Fico feliz por eles, espero que dê tudo certo e sejam muito felizes.
— Você não vem nos ver? Não tem saudade?
— Mãe, eu vou passar aí pra dar um beijo em vocês, mas não sei
quando.
— Quando estiver no Rio. Promete que vem mesmo?
 
 Esfreguei a testa decidindo se contava ou não que já estava na cidade.
 
— Eu já estou aqui, cheguei na quinta-feira passada.
— E nem avisou, Bruno?
— Mãe, aconteceram várias coisas e não deu tempo de avisar, ok? Mas
eu prometo que se der, essa semana eu vou fazer uma visita pra vocês.
— Promete? — sua voz tristonha acabava comigo — Vem mesmo?
— Vou, mãe. Eu prometo.
— Você ainda vai encontrar uma mulher especial, filho, e vai ter uma
família linda!
 Sorri com a ideia. Eu nunca escondi a vontade que tinha de casar e ser
pai. Pensar em Veridiana me trazia de volta a esperança de realizar esse
sonho.
— Acho que já encontrei, mas ainda é cedo pra afirmar.
— Você está namorando, filho?
— Acho que sim.
— Graças a Deus! Traz ela com você. Já estou louca pra conhecer a
mulher que fisgou seu coração.
— Calma, mãe... — sempre exagerada e ansiosa — se tudo der certo eu
a levo comigo. Agora preciso desligar, vou correr antes de almoçar.
— Fica com Deus, filho.
 
 Encerramos a ligação e nem parei para pensar no retorno de Luis, meu
irmão mais velho, que desde a nossa briga, se tornou um desconhecido para
mim. Não conversávamos mais, perdemos totalmente o contato, eu nem sabia
onde ele estava morando e tampouco fazia questão de saber, mas sabendo que
ele e a esposa estavam no Rio, provavelmente iríamos acabar nos
encontrando. Aquele seria mais um assunto a falar com Veridiana quando
acordasse, assim ela não correria o risco de ser pega de surpresa.
 Coloquei um short de treino, calcei o tênis e peguei o fone de ouvido,
fui até a pequena academia que havia montado no fundo da casa e subi na
esteira. Corri por quase uma hora, permiti relaxar a mente e deixar o corpo
extravasar a tensão que antecedia minha conversa com a loira deliciosa que
dormia na minha cama, nua. 
 Não seria fácil contar para Veridiana tudo que aconteceu entre Guga e
Bella Campari, mas eu precisava dar um jeito de não machucá-la, ainda mais
quando descobrisse que o próprio cunhado tinha sido o responsável pela
aproximação dos dois.
 O empresário de Guga, Abelardo Martines, era um escroto que só
pensava em dinheiro, e apesar de ser um cara influente no nosso meio, vivia
de falcatruas, subornos e apostas. Quando Marcelo soube que Guga estava se
perdendo e prejudicando sua carreira promissora, tratou de dar uma
"forcinha" para que a cunhada pegasse o casal na cama e contou com a ajuda
de Abelardo para conseguir armar tudo.
 Eram dois assuntos incômodos, mas eu não pretendia esconder nada
dela. Minha relação com Veridiana seria na base da verdade, mesmo que eu
corresse o risco de reaproximá-la de Guga. Saber que Marcelo nutria um
amor platônico pela cunhada há quase dez anos, me deixava com uma pulga
atrás da orelha. Se ele tinha sido capaz de foder a vida do irmão, poderia
facilmente tentar armar alguma coisa para afastar minha "chaveirinho".
 Terminei a corrida e fui direto para a cozinha preparar alguma coisa
para comer. Normalmente eu não fazia nada em casa, mas com a presença de
Veridiana, liguei para minha ajudante e pedi que chegasse apenas depois do
almoço. Peguei alguns ovos, tomate, cebola e comecei a preparar uma
omelete. A música suave ao fundo e a adrenalina depois do exercício intenso,
me deixaram mais disposto. Estava distraído quando senti duas mãos
pequenas, macias e quentesme abraçarem. Fechei os olhos absorvendo seu
toque, e para o meu deleite, Veridiana estava mais à vontade do que na noite
anterior.
 Fizemos amor gostoso na bancada da cozinha e na cadeira; conheci um
pouco mais do seu corpo, do seu gosto e descobri que se excitava quando eu
a dominava de maneira possessiva e autoritária. Tomei para mim mais uma
pequena parte daquela mulher, que me encantava a cada minuto que passava
ao seu lado, e tive certeza de que faria tudo o que estivesse ao meu alcance
para mantê-la comigo. Minha.
 Antes de sairmos para almoçar e ir até a editora que iria abrir as portas
do mercado de trabalho para Veridiana, Guga apareceu como se tivesse sido
avisado que ela estava comigo, agiu como um descontrolado, me deixando
preocupado pelo modo que a tratou e foi embora. Suas palavras ficaram
gravadas em minha memória: “Eu não vou assinar porra de divórcio
nenhum, e se você quiser seguir com isso eu vou acabar com a sua vida”.
 Desisti de sair e deixá-la exposta sem segurança. Voltamos para dentro
da casa, fomos para o escritório e encontramos Zilá preocupada.
 
— Tranque o portão e prepare alguma coisa leve pra gente comer. Me
chame quando estiver pronto! — pensei melhor e a levei para o quarto,
enquanto a senhora que cuidava de tudo corria para a cozinha apavorada —
Vem, senta aqui. — apontei para a cama ainda desarrumada — Se acalma, tá?
 
 Seus olhos estavam marejados e sua expressão era de tristeza
profunda.
 
— Por que ele tá fazendo isso, Bruno? Por que não me deixa seguir em
frente?
 
 Sentei ao seu lado e a acomodei no meu peito. Aspirei seu cheiro
gostoso, beijei sua cabeça e decidi abrir o jogo com ela.
 
— Ele ainda ama você, e mesmo que não admita, te perder é uma
questão de orgulho pra ele, mas eu preciso te contar algumas coisas,
Veridiana. — ela me encarou preocupada — Quero que me prometa que vai
ouvir tudo com atenção, e se decidir ir embora, seja sincera comigo.
— O que aconteceu? 
 
 Ela tentou se afastar, mas não permiti. Abracei seu corpo pequeno e
beijei sua cabeça, numa tentativa de acalmá-la.
 
— Ontem, depois que deixei você na casa do seu amigo, fui convidado
pra ir até a casa do Abelardo. Ele tá aqui no Rio e marcou uma daquelas
festinhas pra comemorar mais um contrato que fechou com o Real Madrid.
Como não tinha nada pra fazer, acabei indo até lá, e quando cheguei, ele veio
falar comigo pra saber como estavam as coisas entre você e o Guga.
— Por que ele perguntaria uma coisa dessas pra você? — Veridiana se
afastou e me encarou aguardando uma resposta.
— Foi exatamente isso que eu me perguntei, e ele me contou que foi o
Marcelo quem armou tudo pra você pegar o Guga transando com a Bella
naquele motel.
— Marcelo? — ela sussurrou franzindo a testa — Por quê?
— Abelardo me falou que o Guga estava se perdendo na noite, indo a
todas as baladas e... saindo com várias mulheres. — mesmo tentando
esconder, Veridiana ficou abalada ao ouvir aquilo — O técnico do Santos já
estava pensando em deixar o Guga no banco de reservas, e foi aí que o
Marcelo resolveu se meter. Ele procurou o empresário e ofereceu uma grana
pra contratar uma mulher que pudesse virar a cabeça do Guga, assim ele
deixaria de frequentar os lugares que ele estava frequentando. A princípio era
pra ser apenas um sossega-leão, mas ele realmente se interessou por ela, e já
pensava em ficar com ela, mas a Bella acabou aparecendo aos beijos com um
ator em uma revista, e o Guga acabou desistindo.
— Então... ele estava mentindo pra mim esse tempo todo? — Veridiana
levantou e foi até a janela, estava perdida em pensamentos, decepcionada ao
descobrir a verdade — Desde que ele começou a me ligar pra tentar se
reaproximar era sempre a mesma história. Disse que nunca quis nada com ela
e que só se sentiu atraído porque ela era linda e gostosa. Jurou que não tinha
transado com mais ninguém, além dela e uma repórter de Santos. Como eu
pude acreditar?
 
 Seus olhos permitiram que as lágrimas descessem, me desanimando
pra caralho. Ela ainda o amava, e ver sua tristeza estampada por causa dele,
me fez questionar se algum dia Veridiana iria esquecer o marido e ser capaz
de amar outra pessoa.
 
— Eu só estou te falando o que Abelardo me contou, — levantei
tentando não me abater por causa da reação dela, mas estava bem difícil,
muito mais do que eu achei que estaria — ele disse que depois que o Guga
viu a foto de Bella com o outro cara, decidiu te procurar e tentar te
reconquistar, mas o Marcelo não queria que isso acontecesse. Seu cunhado
achava que o melhor pro Guga era ficar sozinho, aproveitando a vida de
maneira moderada, e já estava planejando com o técnico do time um esquema
pra deixar o irmão mais solto em Santos, sem que as saídas dele
prejudicassem os treinos e os compromissos com o clube.
— Por que está me contando tudo isso? — ela se aproximou e segurou
minha mão com carinho.
 
 Discretamente me desvinculei e tentei me afastar. Ficar muito perto de
Veridiana me tornava incapaz de controlar minhas ações. Antes de tê-la para
mim era muito mais fácil, já que eu não conhecia seu gosto, mas depois de ter
provado o suficiente dela, seria impossível me conter e não agarrá-la todas as
vezes que me aproximasse demais.
 
— Porque você merece saber a verdade. — encarei seus olhos verdes
pidões — E eu também não queria que soubesse por outra pessoa e... ficasse
com raiva de mim por não ter te contado.
 
 Ela sorriu, me abraçou em silêncio e encostou a cabeça no meu peito,
me desarmando completamente. Veridiana levantou a cabeça procurando
minha boca e tomou a iniciativa de me beijar enlouquecidamente. Seus
braços envolveram meu pescoço, sua língua ansiosa à procura da minha, seus
seios se esfregando no meu peito e seu coração tão acelerado quanto o meu.
 
— Eu não quero voltar pra ele, Bruno. Achei que já soubesse disso.
 
 Seus olhos buscavam os meus a todo instante, tentando me provar que
suas palavras eram verdadeiras. 
 
— Te ver sofrendo por causa dele não é uma das coisas mais fáceis de
fazer, Veridiana.
— Eu não sofro por causa dele, Bruno. Eu sofro pelas atitudes dele e
pela falta de respeito que ele me tratou desde que voltamos ao Brasil. Eu já
tomei minha decisão e é com você que eu quero ficar, por isso vim pra cá
quando o deixei no motel essa madrugada.
— Vocês estavam no motel? — minha voz saiu mais alterada do que eu
pretendia que saísse, mas não consegui controlar.
— Ele me levou, mas eu não consegui. — deu de ombros — Fui até a
praia e senti vontade de ver você, falar com você e estar com você, por isso
cheguei até aqui. Eu segui meu coração e ele me trouxe até você, Bruno.
 
 Depois de ouvir sua declaração, meu corpo parecia um vulcão em
erupção. Agarrei Veridiana e a beijei sem a menor preocupação de machucá-
la. Queria que sentisse o quanto ela era importante para mim e o quanto eu a
queria na minha vida. O beijo era possessivo, autoritário e silenciosamente
gritava que ela era minha. O tesão transbordou, mas antes que eu pudesse
jogá-la na cama e a fodesse do jeito que eu tanto desejava, a porta do quarto
foi aberta e Zilá entrou branca como um fantasma.
 
— Mas que porra, Zilá! — xinguei me afastando de Veridiana — O
que aconteceu?
 
 Ela olhava para a loira esparramada na cama e parecia em dúvida de
falar.
 
— Fala, mulher! O que aconteceu?
— A Milena, ela tá lá embaixo e disse que só vai embora depois que o
senhor falar com ela.
 
 Puta que pariu! Era tudo o que me faltava, aquela mulher ter a cara-de-
pau de vir até a minha casa sem ser convidada e ainda achar que tinha direito
de exigir alguma coisa.
 
— Quem é Milena? — a pergunta de Veridiana me tirou do transe.
Encarei a mulher que estava dominando meu coração e voltei a olhar para
Zilá, que estava ainda mais pálida.
— É a mulher do meu irmão...
 
 Depois de tantos anos Milena resolveu dar as caras e ela não podia ter
escolhido um momento pior do que aquele. Não bastou foder a minha vida na
Grécia, agora queria me foder no Brasil também, mas eu não permitiria.
Veridiana era a minha prioridadee nada me afastaria dela, nem ninguém.
 
— E por que você não quer falar com ela?
— Porque antes dela se tornar esposa dele, ela era minha namorada. —
encarei minha chaveirinho — Eu peguei os dois transando na minha cama
quando voltei do treino, e depois disso, nunca mais falei com eles...
 
 Pela expressão de Veridiana, aquele era um fato que talvez nunca
imaginasse ouvir, e com certeza não era daquela forma que eu gostaria que
ela ficasse sabendo. Mas naquele momento eu tinha um problema ainda
maior pra resolver, que era acabar de vez com qualquer expectativa que
Milena tinha de voltar para a minha vida.
 
CAPÍTULO 22 - VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
— Ela traiu você com o seu irmão? — me ajeitei na cama e me
recompus. Zilá ainda estava parada com cara de assustada esperando uma
ordem do patrão.
— Era outra história que eu ia te contar... — Bruno estava nitidamente
nervoso — eu nunca imaginei que ela fosse capaz de aparecer aqui.
— E o que pretende fazer? — ele segurou minha mão e desceu da cama
me arrastando junto.
— Se ela quer falar comigo, então eu vou falar com ela, mas você vem
junto.
 
 Tentei raciocinar para decidir se eu realmente queria ouvir a conversa
entre eles, mas Bruno não me deu escolha.
 
— Veridiana, olha nos meus olhos. — segurou meu rosto com carinho
— A última coisa que eu quero é que você duvide de mim. A Milena foi
minha namorada quando eu tinha dezessete anos, já passou, acabou, e eu não
sinto mais nada por ela. Fiquei sabendo hoje de manhã pela minha mãe que
eles estavam no Rio e não tenho a menor ideia do que ela quer comigo.
Agora nós vamos descer e vamos ouvir o que ela tem pra falar, porque não
tem nada sobre a minha vida que você não possa ficar sabendo. 
— A única coisa que eu preciso saber é se há alguma chance dela se
meter entre nós.
 
 Bruno me beijou, e naquele beijo respondeu minha pergunta.
 
— Alguma dúvida ainda?
— Não. Nenhuma. 
— Então vamos.
 
 Descemos de mãos dadas seguidos por Zilá, passamos pelo corredor e
quando chegamos à sala encontramos uma mulher linda, aliás, perfeita. Ela
era loira, cabelos curtos, olhos cor de caramelo cobertos por longos cílios
claros, sua boca era lindamente desenhada e seu nariz fino moldava o
contorno perfeito de seu rosto. Seu corpo era magro, atlético e nada
masculino. 
 Assim que viu Bruno, seus olhos brilharam evidenciando seu
sentimento por ele, mas assim que fitou nossas mãos unidas, suas
sobrancelhas se uniram num gesto que demonstrava estranheza.
 
— Como vai Bruno? A Zilá não me falou que você estava
acompanhado.
— E por que ela falaria? — ele não parecia incomodado com a
presença da ex — O que aconteceu para vir até aqui?
 
 Bruno sentou no sofá e me puxou para sentar ao seu lado, apontou para
a poltrona que ficava do lado oposto, indicando que ela se sentasse. Milena
ignorou e se manteve em pé.
 
— Eu gostaria de falar com você em particular, se não se importa.
— Na verdade eu me importo sim, não tenho segredos com Veridiana.
Pode falar.
 
 Ela ficou incomodada, andou um pouco pela sala, acredito que
pensando se deveria ou não falar com ele na minha frente. Bruno se mantinha
calmo ao meu lado, com sua mão presa à minha, apenas observando os
movimentos da ex-namorada.
 
— Eu estou grávida. — Milena falou e encarou Bruno esperando uma
reação surpresa.
— Meus parabéns! Fico muito feliz por vocês.
 
 Ela franziu a testa mais uma vez estranhando a atitude dele.
 
— Seu irmão não quer o filho, Bruno, e mandou eu tirar a criança.
— Milena, se você veio até a minha casa para pedir que eu interfira em
alguma coisa, perdeu seu tempo.
— Não! — seus olhos procuraram os meus antes de falar — Eu quero
que me deixe ficar aqui até o meu filho nascer. 
— O quê? — Bruno quase deu um pulo do sofá e me perguntei se ela
estava mesmo falando sério. 
— Eu sei que parece loucura, mas é o único lugar que ele não vai me
procurar e eu vou poder levar essa gravidez até o final.
— Eu sinto muito por tudo isso, de verdade. Estamos falando do meu
sobrinho, e nunca pensei que seu marido fosse capaz de agir dessa forma,
mas eu não vou te ajudar, não dessa forma. Se você quiser, eu deixo uma
quantia em dinheiro com a minha mãe e ela vai te dando conforme as suas
necessidades, mas permitir que fique aqui na minha casa está fora de
cogitação. 
— Você nunca vai me perdoar, não é? — seus olhos marejaram e vi o
arrependimento estampado neles — Mas você está certo, e nada do que disser
agora consertará o meu erro...
— Acho que perdi alguma parte. — Bruno sorriu com ironia — Pelo
que me lembro, no dia em que cheguei mais cedo do treino e vi vocês dois
transando na minha cama, você foi bem categórica quando afirmou que
estava apaixonada por ele e que nunca tinha gostado de mim daquela forma.
 
 Eu estava me sentindo péssima ali, entre eles, ouvindo tudo e
descobrindo o que havia acontecido através de pequenos fragmentos da
história, mas entendia perfeitamente o Bruno. Quando vi Guga e Bella juntos
naquela cama de motel, senti o mundo inteiro desmoronar sobre a minha
cabeça, levando com ele todos os meus sonhos, minhas convicções e minha
autoestima. No caso dele era ainda pior, Bruno havia sido traído pelo próprio
irmão, em sua cama. Não tinha como esquecer ou perdoar.
 
— Eu era só uma menina tola, Bruno! — Milena tentou se justificar, e
eu quase gritei que quando conheci meu marido tinha apenas dezesseis anos e
nunca me imaginei com outro homem. Que ódio dela!
— E me fez de tolo também. — ele parecia mais agitado, mas se
mantinha firme, decidido — Depois que vocês foram embora, eu fiquei
sabendo que se encontravam todos os dias no dormitório desde que ele
chegou à Grécia. Você tinha a coragem de transar com ele à tarde e comigo à
noite, dizia me amar e ainda fazia cenas de ciúme por causa das meninas que
iam assistir aos treinos. — bufou impaciente — Olha, Milena, muito tempo
se passou e aquilo tudo ficou pra trás. Eu realmente não me importo mais e se
era somente isso que você queria falar comigo, acho que já pode ir embora
porque eu tenho muitas coisas pra resolver com a minha namorada agora.
— Deixa eu ficar aqui, Bruno, pelo menos por alguns meses... — ela
olhou para mim tentando me comover, mas nem imaginava o que eu pensava
a respeito de mulheres como ela. Coitada.
— Não tem a menor chance de isso acontecer, Milena. Procure minha
mãe, meu pai, sua família, mas aqui você não fica.
— Tudo bem. Espero que ele não me encontre e me leve à força para
fazer um aborto.
 
 Ela soltou a frase e saiu sem ao menos se despedir. Soltei o ar que nem
sabia que estava prendendo e relaxei me encostando no sofá. Bruno sentou ao
meu lado e me puxou para um abraço. Suas mãos passearam pelos meus
braços suavemente, tentando abrandar um pouco a tensão acumulada daquele
dia, que deveria ser tranquilo, gostoso e marcante pela nova fase que
estávamos vivendo juntos.
 
— Me perdoe por isso...
 
 Sorri e levantei a cabeça para encarar seus olhos.
 
— Estamos empatados agora, apesar de achar que ainda estou em
vantagem.
— Sabe o que é mais estranho nisso tudo? — neguei com a cabeça —
Minha mãe hoje me contou sobre a gravidez, e ela nunca iria permitir que
meu irmão agisse dessa forma. 
— Eu não conheço ele, Bruno, mas uma coisa é certa, essa mulher de
santa e boba não tem nada. Sua ex-namorada tentou te sensibilizar pra
conseguir se reaproximar de você, só não esperava me encontrar aqui
contigo.
— O lado bom do que aconteceu é que você acabou sabendo de tudo, e
agora não precisa ficar preocupada. A gente só precisa decidir o que fazer em
relação à ameaça do Guga. 
 
 Aquele sim, era um assunto incômodo de se conversar. Conhecia Guga
há muito tempo e nunca imaginei ouvir dele aquelas palavras ameaçadoras.
Lembrei de tudo que descobri durante o tempo que vivíamos na mesma casa,
o encontrei com outra mulher na cama e nunca fiz qualquer tipo de escândalo
que pudesse prejudicar sua carreira. Será que ele pensava que agindo daquela
forma comigo iria conseguir me reconquistar? Ou para ele era apenas uma
questãode "ego ferido", e no fundo só queria provar que poderia ter a esposa
de volta na hora que bem entendesse? 
 
— Você acha mesmo que ele estava falando sério quando me ameaçou
daquele jeito?
— Não sei, Veridiana, a gente escuta tanta coisa por aí que fica difícil
de duvidar, ainda mais um homem com ele, que tá acostumado a ter todas as
mulheres que quer tão fácil...
 
 Eu sabia que ele não tinha falado de propósito, mas mesmo assim,
doeu ouvir aquilo sobre o Guga e ele percebeu pela maneira que fiquei
desconcertada, tanto que logo se desculpou.
 
— Desculpa, chaveirinho! Não quis te ofender, e nem a ele, é só um
jeito de falar. — ele ficou em pé e me puxou para um abraço. Nos beijamos e
o clima esquentou. Bruno se afastou lentamente, seus olhos me devorando,
sua boca um pouco aberta, sua ereção quase evidente — Antes de a gente
começar e eu não conseguir te largar mais, vamos comer. Você acordou e
nem tomou café...
— Você me distraiu quando eu cheguei à cozinha, a culpa foi sua.
— Veridiana, eu estava cozinhando quando você me agarrou por trás e
começou a mexer no meu pau.
— Fala baixo, Bruno! — gargalhei — O que a Zilá vai pensar de mim
se ouvir você falando uma coisa dessas?
— Nada demais. Vai pensar que eu tenho um pau delicioso e a minha
namorada adora bater uma punheta pra mim enquanto eu faço uma omelete.
 
 Entramos na cozinha dando risada e com o clima mais leve. 
 
— Eu já ia chamar vocês, — Zilá estava colocando algumas travessas
em cima da mesa enquanto nos sentávamos — Fiz um feijão fresquinho, por
isso demorou um pouco, mas agora tá tudo pronto. Fiquem à vontade, eu vou
lá pra cima limpar o quarto enquanto vocês comem sossegados.
— Você não vai almoçar com a gente? — Bruno perguntou
preocupado.
— Hoje não. Como você falou pra eu entrar à tarde, aproveitei e
almocei com o marido.
— E como ele está? Melhorou?
— Pior do que tava não dá pra ficar, né, Bruno? Fazer o quê? Tem que
continuar vivendo e levar a vida da melhor maneira possível e não perder a
fé. Nunca!
 
 A senhora simples e simpática nos deixou sozinhos, e só de sentir o
cheiro da comida, meu estômago roncou. 
 
— Você ainda vai querer ir até a editora? — Bruno perguntou enquanto
se servia de salada.
— Sim. Podemos almoçar e ir, ainda dá tempo. Vou mandar uma
mensagem pra Dani e avisar que vou atrasar um pouco.
— Quais são seus planos pra viagem?
— A ideia é fazer a mudança em trinta dias, mas não sei como vou
fazer se o Guga não quiser assinar o divórcio.
 
 Bruno continuou comendo e de vez em quando seus olhos procuravam
os meus. Ele queria me falar ou perguntar alguma coisa, mas estava tentando
encontrar uma maneira de fazer sem parecer intrometido. Apenas de olhá-lo
eu já sabia que alguma coisa o estava incomodando.
 
— Pode perguntar. — ele me encarou e sorriu — Eu sei que quer me
falar alguma coisa. Vá em frente...
— Estou aqui pensando em como iremos administrar a distância entre
nós. Meu contrato acaba no fim do ano, e ainda não sei se vou continuar na
Grécia ou se vou ser transferido pra outro clube. 
— Vamos aos poucos, estamos começando um relacionamento que eu
quero muito que dê certo. Conforme os problemas forem aparecendo a gente
vai resolvendo, ok?
— Você está certa, eu é que fiquei grilado com isso... 
— Bruno. — chamei e ofereci minha mão por cima da mesa para que
ele a pegasse — Vai dar tudo certo, é só a gente não deixar ninguém
atrapalhar, vamos conseguir...
— Eu gosto tanto de você, Veridiana, que... sei lá... parece que eu tô
vivendo um sonho, sabe? E que a qualquer hora eu vou acordar e perceber
que você foi embora, porra! — passou a mão pelo cabelo, exasperado — Tô
parecendo um maricas, né? Pode tirar sarro...
— Não quero me gabar, mas a única coisa que eu vejo na minha frente
é um homem romântico que está com medo de ficar longe da namorada. Só
isso.
 
 Bruno inclinou o corpo à frente e beijou minha mão, olhou em meus
olhos e ali, diante dele, tive a certeza de que tudo que estava acontecendo
com a gente era só o começo de uma história de amor, que poderia sim, ser o
meu conto de fadas. 
 
— Eu te esperei esse tempo todo mesmo sem saber se você viria, e a
única coisa que me importa, Veridiana, é te ver feliz, nem que pra isso eu
tenha que pegar um avião uma vez por mês e atravessar o mundo pra ficar
algumas horas com você.
 
 Meus olhos se encheram de lágrimas, e depois de muitos anos, senti
uma emoção indescritível me tomar. Eu ainda amava Guga, mas um fato não
dava para questionar, era uma questão de tempo para que Bruno tomasse o
seu lugar no meu coração. Eu só esperava que meu marido não fizesse mais
besteiras e seguisse sua vida, do mesmo jeito que eu pretendia seguir a
minha.
 
CAPÍTULO 23 – BRUNO
 
Dias atuais...
 
 Eu estava nervoso, aflito e não conseguia aliviar aquela angústia que
sentia no meu peito. Eu não era mais um garoto, iria completar trinta anos e
sabia muito bem o que queria para minha vida. Estar com Veridiana do jeito
que estava era muito mais do que eu havia imaginado, mas de repente eu
queria muito mais do que ser apenas namorado dela, ou o cara que iria ajudá-
la a esquecer o marido que não soube lhe dar valor. Eu queria ser o homem
que a faria feliz e ficaria com ela até a velhice, ser o pai dos filhos dela e seu
companheiro de vida.
 Tentava a todo custo parecer seguro, maduro e confiante, mas por
dentro, nada daquilo era verdade. Eu estava com muito medo de perdê-la. 
 
— Pegou tudo o que precisa? — perguntei quando saímos do
apartamento dela com suas coisas.
— Peguei. Ainda faltam dois documentos, mas a contabilidade vai
mandar direto pro e-mail da Dani. — ela sorriu demonstrando toda sua
empolgação com o novo emprego — Estou um pouco nervosa, parece que é
uma entrevista.
— Você está linda, não tem como eles não te contratarem.
 
 Seguimos no meu carro até a editora e fomos recebidos por uma amiga
minha de longa data, Dani Canja. Era publicitária e estava trabalhando como
assessora de imprensa para os sócios da Massam, editora que iria contratar
Veridiana. Era uma mulher bonita, jovem e estava sempre bem vestida.
Quando nos viu, abriu um sorriso simpático e se aproximou para nos
cumprimentar.
 
— Que bom que veio, Veri! Achei que tivesse desistido. — ela olhou
para nossas mãos entrelaçadas e tentou disfarçar uma careta, certamente não
esperava aquilo — Pelo jeito as músicas da Anita serviram para muitas
coisas, hein?
 
 Veridiana ficou nitidamente incomodada com a reação de Dani. Seu
sorriso desapareceu do rosto, mas não perdeu a linha e se manteve educada.
 
— Coisas do destino. — minha namorada respondeu em tom de
descaso.
— Então vamos combinar que o seu destino não é nada bobo, hein
amiga? Primeiro o Guga e agora esse lindo aqui? — sem que eu esperasse, a
assessora me abraçou como se fosse íntima, e apesar de nos conhecermos há
muito tempo, nunca tivemos nenhum tipo de contato além de nos
encontrarmos em alguns eventos no Rio de Janeiro — Mas pelo que eu
soube, você e o Guga ainda estão casados. Não acha um pouco cedo pra
ficarem desfilando por aí?
 
 O rumo da conversa não estava me agradando em nada, e antes que eu
pudesse interferir, Veridiana tomou a frente.
 
— Vamos fazer o seguinte Dani: você cuida da sua vida, me entrega o
contrato que eu tenho que assinar e deixa que da minha vida, do meu ex-
marido e do meu namorado, cuido eu. 
— Desculpa, Veri! Não quis te ofender, mas sabe que as notícias rolam
e nem sempre os boatos conseguem ser detidos quando chegam às redes
sociais.
— O que menos me preocupa são os internautas de plantão querendo
desesperadamente denegrir a minha imagem, são as pessoas de má índole e
mau caráter que me incomodam. 
— Você está coberta de razão. As pessoas que estão próximas são as
mais perigosas. — Dani olhou para mim e seus olhos eram de pura safadeza.
Se não estivesse ao lado de Veridiana, poderia facilmente entender que estava
se insinuando — Que bom saber que encontrou uma mulher especial, Bruno.
Sempre te achei um cara muito "gente boa" pra ficar sozinho por aí dandosopa.
— Eu sou um homem muito sortudo em ter essa mulher maravilhosa ao
meu lado. — abracei Veridiana e sorri ao ver sua cara amarrada — Valeu a
pena esperar por ela. 
— Então, vocês já se conheciam? — eu não estava entendendo onde
Dani queria chegar, mas certamente demonstrava um súbito interesse em
saber sobre o meu envolvimento com a ex-esposa de Guga.
— É uma longa história, mas não temos tempo pra te contar tudo agora.
— Veridiana decidiu cortar de vez a conversa — Você pode me entregar os
documentos que eu preciso assinar?
— Claro. Venham comigo.
 
 A assessora caminhou para dentro da editora balançando seu cabelo
longo cor de caramelo e rebolando excessivamente, o que fez minha pequena
Barbie revirar os olhos. Meu sorriso se ampliou e acabei levando um tapa
discreto no braço.
 
— Não precisa ficar enciumada, chaveirinho, — sussurrei no seu
ouvido — ela não é páreo pra você. Nenhuma mulher é...
— Ela merece uma surra por ser tão oferecida, isso sim.
 
 Chegamos a uma ampla sala bem decorada, onde Dani abriu uma
gaveta da mesa branca que ficava no canto esquerdo e pegou uma pasta de
dentro dela. Tirou alguns documentos e entregou à Veridiana, que estava com
os olhos brilhando em expectativa.
 
— Aqui estão as duas vias do contrato e todos os documentos que
precisam ser assinados e entregues à editora. Como você já sabe, seu vínculo
será de três anos e irá trabalhar para a Massam com exclusividade nesse
período. Todos os arquivos que receber para traduzir e revisar são
confidenciais e inéditos, por isso não podem ser repassados pra ninguém. Seu
salário também está definido e haverá um bônus para os livros que forem
aprovados e aceitos para publicação. Alguma dúvida?
— Por enquanto não. Vou olhar tudo com calma quando chegar em
casa, e quando estiver tudo assinado eu trago.
— Ótimo. Haverá um coquetel para anunciar a inauguração da nossa
filial em Nova York e a sua presença é fundamental.
— Coquetel? — Veridiana parecia surpresa — Eu não sabia disso.
Quando será?
— Sábado. Achei que você soubesse. Será um grande evento para a
mídia.
 
 Minha namorada não tinha gostado da notícia e eu a entendia bem. Era
um péssimo momento para aparecer em público, ainda mais acompanhada
por outro homem. Se eu estivesse certo, Guga iria fazer questão de estar
presente e poderia causar problemas para ela. 
 
— Tudo bem, vamos ver o que iremos fazer.
— Se precisarem de ajuda, podem contar comigo. — Dani falou antes
de sairmos.
 
 Chegamos ao estacionamento em silêncio, Veridiana estava pensativa
como se tentasse encontrar uma solução para o problema. 
 
— Posso saber o que está te deixando assim, tão quieta?
— Não quero ir nesse coquetel. Só estou pensando em uma forma de
conseguir fugir dessa obrigação.
— Mas a sua ausência pode prejudicar você. Talvez seja melhor ir e
não deixar que sua carreira sofra interferência. 
— Eu não quero ir sem você, e se eu tiver que ir sozinha ou
acompanhada por outra pessoa, prefiro não ir.
 
 Abracei aquela mulher e senti toda a sua apreensão. Nós sabíamos que
seríamos testados de todas as formas e haveria muitas pessoas tentando nos
separar por vários motivos diferentes. Mas momentos como aquele me davam
esperança de que o meu amor por ela, e o que ela estava começando a sentir
por mim, seria mais forte que qualquer coisa e nos manteria unidos. 
 
— Vamos pra casa, eu quero te foder gostoso e te mostrar que não vai
ser nenhum coquetel de merda que vai atrapalhar a gente.
 
 Tomei sua boca e a apertei ainda mais, apertei sua bunda e dobrei um
pouco os joelhos pra encaixar meu pau duro na sua boceta por cima da roupa.
Veridiana gemeu e ofereceu seu pescoço para minha língua deslizar e chupar
com tesão desenfreado.
 
— Me tira daqui, Bruno... me leva logo pra casa...
— Vamos, — destravei o carro e entramos, encarei seus olhos lindos
que foram embaçados por uma nuvem luxuriosa — senão eu vou fazer você
sentar no meu colo e te comer aqui mesmo.
— Você não pode falar uma coisa dessas e simplesmente agir como se
não fosse nada demais...
— Juro que se essa merda de estacionamento fosse um pouco maior, eu
não ia pensar duas vezes em fazer o que eu tenho em mente, mas não se
preocupe, em dez minutos eu vou estar com a cara enfiada no meio das suas
pernas devorando essa boceta deliciosa. — deslizei a mão por sua perna até
chegar ao seu ponto quente que me deixava maluco — Já tá toda molhadinha
pra mim? — Veridiana abriu mais as pernas e fechou os olhos, sua língua
molhou os lábios soltando um gemido rouco, que piorou minha situação
dentro da calça. Meu pau latejava de tão duro que estava. Continuei
acariciando sua boceta por cima da roupa, enlouquecido de tesão. — Levanta
esse vestido e mostra essa bocetinha pra mim... — minha voz saiu arrastada.
Ela tirou um pouco a bunda do banco e subiu o vestido, deixando à mostra
todo seu corpo da cintura para baixo. Veridiana tirou o cinto de segurança,
encostou as costas na porta do carro e colocou a perna esquerda para cima,
seu pé apoiado no encosto do meu banco, enquanto sua perna direita
continuava à frente do seu banco no chão, ficando totalmente aberta para
mim. Sua mão esquerda afastou a calcinha e a direita passou a acariciar sua
carne molhada, tirando toda a minha atenção do trânsito. Segurei o volante
com a mão esquerda, e com o corpo inclinado em sua direção enfiei o dedo
da mão direita dentro dela, sentindo sua intimidade quente e escorregadia.
Veridiana gemeu e jogou sua cabeça para o lado, abriu os olhos e me encarou
sedenta por mais. Escorregou o quadril no banco de couro buscando mais
intensidade do toque com desespero, rebolou enquanto sua mão foi para o
seio, massageando o bico duro e arrepiado. — Tá doidinha pra meter, não é
mesmo, sua putinha?
— Ahh, Bruno... quero muito, não para! — rebolava, engolia meu
dedo, ofegava, gemia.
— Assim que a gente chegar em casa, eu quero que vá pro quarto, tire
toda roupa e me espere de quatro, em cima da cama. Entendeu bem,
Veridiana?
 
 Meus olhos se revezavam entre a mulher maravilhosa, totalmente
exposta e entregue ao meu lado, e as ruas movimentadas do Rio de Janeiro
em plena segunda-feira no fim de tarde. 
 
— Entendi... ah...
— Eu vou fazer o que eu quiser com você, porque agora essa boceta é
minha, — escorreguei meu dedo e o enfiei no seu buraquinho enrugado,
obrigando-a a gemer enlouquecida de tesão e prazer — esse cuzinho aqui
também é só meu e eu não vejo a hora de comer ele gostoso. 
— Isso! Isso!
— Sente meu dedo em você, Veridiana... sente como essa boceta me
engole desesperada pra gozar. É isso que você quer? Você quer gozar,
Veridiana? — sua mão deixou o seio e desceu para o meio das pernas
fazendo companhia à minha em uma busca implacável pelo orgasmo, que só
veio quando meus dedos torturaram seu clitóris com beliscões suaves e atritos
provocados com a palma da mão. Veridiana se contorceu, estremeceu e
relaxou com os olhos apertados e a boca aberta gemendo e chamando meu
nome. Uma deusa pálida, linda, feminina, sexy. Apreciei seu êxtase e me
apaixonei um pouco mais por ela. Esperei que se recompusesse, para enfim,
lamber meus dedos sob seu olhar atento. Passei a mão por cima do meu pau e
sorri meu sorriso mais safado. — Aproveita pra se recuperar agora,
Veridiana, porque hoje eu não vou te dar tempo pra descanso nenhum. 
— Só espero que minhas expectativas não sejam frustradas...
 
 Peguei sua mão e coloquei sobre o tecido grosso da calça jeans que
denunciava o volume dentro dela.
 
— Duvido muito que você vá se decepcionar com o que eu tenho aqui
pra você...
 
 Ela lambeu os lábios e se inclinou para abrir a calça, mas eu a impedi.
 
— Não! — falei firme — Você só vai me chupar quando estiver
ajoelhada na minha frente, com as unhas cravadas nas minhas pernas e eu
puder socar com força até a sua garganta. — finalmente fiz a última curva
que nos levaria até minha casa, entrei com o carro na garagem e quando o
portão se fechou, eu a encarei. — Já sabe o que fazer, não sabe?
— Sei. — sua voz sussurrada, carregada de desejo quasenão saiu —
Você vai demorar? — perguntou enquanto abria a porta, com seus olhos
verdes brilhantes, lindos, carentes, pedintes. Linda como nenhuma outra
mulher.
— Não... é só o tempo de dispensar a Zilá. — a puxei para perto e
tomei sua boca num beijo apaixonado — Não quero ninguém por perto
enquanto eu te fodo pela casa. Vou te comer em todas as superfícies que
encontrar pela frente, até não ter mais porra pra gozar. 
 
 Ela não respondeu, estava sem palavras tentando assimilar o que havia
acabado de ouvir. Saiu do carro e entrou em casa pela porta da frente,
deixando comigo seu perfume delicioso. Fui atrás da minha empregada para
avisar que poderia ir embora mais cedo, e finalmente estaria livre para
colocar em prática tudo o que tinha em mente. 
 Veridiana iria experimentar tudo o que eu tinha para lhe mostrar, e
com certeza, iria pedir mais. Eu a faria desejar ser fodida todos os dias, de
todas as formas, em todos os lugares, e nenhum outro homem seria capaz de
fazê-la se sentir tão completa, tão inteira, tão feliz como eu.
 
CAPÍTULO 24 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Meu Deus do céu! O que estava acontecendo comigo? Por que Bruno
despertava em mim aquela sensação desesperadora de querer a todo o
momento seu toque, sua atenção? Por que eu me senti tão perturbada com a
possibilidade de ele se interessar por aquela mulher oferecida e descarada se
insinuando na maior cara-de-pau na minha frente, mesmo sabendo que
estávamos juntos? E por que ficava tão excitada com seu jeito mandão,
autoritário e possessivo? 
 Eram muitas coisas novas dentro de mim, mas de uma forma muito
estranha e louca ele me fazia sentir acolhida, protegida. Bruno me passava
uma segurança que nunca senti com Guga depois que voltamos da Grécia.
Enquanto moramos no exterior, pouquíssimas vezes fiquei sozinha em casa,
ele raramente saía com os amigos e não lembrava de ter visto ou ficado
sabendo sobre alguma mulher com a qual ele tivesse se encontrado pelas
minhas costas, completamente diferente do que aconteceu depois que
retornamos ao Brasil.
 Subi as escadas correndo, ansiosa, excitada, louca para saber o que
Bruno pretendia fazer comigo naquele fim de tarde. Meu corpo estava
incendiando, esperando aflito pelo desconhecido, e a sensação era
maravilhosa. Tirei a roupa, arrumei o cabelo e tentei aparentar uma calma que
estava longe de sentir. Quando ouvi seus passos se aproximando, me
posicionei na beirada da cama, de quatro, com a bunda empinada na direção
da porta. 
 Meu coração parecia querer explodir de tão rápido que batia, sentia a
respiração acelerada e uma quentura no meio das pernas que fazia meu centro
latejar. A porta se abriu e uma tensão sexual entrou acompanhando o homem
que, sem perceber, se tornava o senhor do meu corpo, do meu desejo e da
minha depravação. Sim, eu me sentia uma depravada por desejar conhecer
com ele outro tipo do sexo, se é que aquilo poderia existir. 
 
— Que bom saber que aprendeu rápido, Veridiana. — sua voz rouca,
séria, ecoou no quarto — Assim vai ser mais fácil te mostrar o que eu
pretendo fazer com você todos os dias quando eu te encontrar. Quero ter seu
corpo à minha disposição, pra fazer o que eu bem entender. Suas palavras
alteraram ainda mais meus batimentos cardíacos, eu não sabia o que estava
por vir, só torcia para que ele não demorasse muito a me tocar, e para minha
sorte senti a ponta dos seus dedos percorrerem minhas costas até bunda,
suavemente, provocadoramente. — Espero que esteja molhada e pronta pra
mim, Veridiana. Você está? — a pergunta soava ameaçadoramente, e por um
momento desejei estar seca, apenas para descobrir o que faria comigo, mas
quando seu dedo percorreu a linha do meu anus até meu centro, Bruno pôde
constatar o quanto eu estava encharcada. Gemi, quando penetrou seu dedo,
massageando e atiçando meu ponto sensível. — Uhmmm... estou
impressionado, sua safada! — segurou meu quadril com a outra mão e passou
a molestar com mais força meu ponto fraco, usando seu dedo experiente —
Olha só como essa boceta tá molhada! Tem ideia de como meu pau fica,
sabendo que você tá doida pra ser fodida? — seu dedo batia com precisão e
força no ponto que estimulava meu prazer. Um frisson subia pelo meu ventre
proporcionando uma sensação impossível de ser descrita. Sua mão
pressionava com força a lateral da minha bunda, apertando a carne, deixando
sua marca tentando me manter parada. Impossível resistir àquilo! Eu
procurava por ele dentro de mim, desesperada, queria me esfregar, debater,
rebolar e acabar com aquela agonia que os movimentos impetuosos de seu
dedo maldoso causavam, como se a qualquer momento alguma coisa
desconhecida fosse explodir, expandir, libertar uma fúria contida. Meus
gemidos pareciam súplicas e eu me via implorando por um alívio que se
aproximava cada vez mais. — Você é deliciosa, Veridiana e essa bocetinha tá
me deixando maluco. — sua língua entrou na brincadeira de mau gosto que
tinha como propósito infernizar a minha lucidez. Seu alvo foi meu ânus, que
passou a ser lambido e chupado, me entorpecendo com o barulho similar ao
de beijos estalados no meio da minha bunda. Enlouqueci. Pirei. Surtei. —
Rebola, safada! Rebola esse cu na minha cara, o oferece pra mim... — eu não
sabia onde me concentrar, em qual lugar tocado, em qual das frentes
bombardeadas no meu corpo deveria focar. Seu dedo na minha boceta, sua
mão no meu quadril, sua língua e boca no meu ânus e na minha bunda. Uma
tortura frenética causando emoções conflitantes, desesperadoras. Eu
precisava gozar urgentemente, mas Bruno tinha outros planos para mim e
seguiu sua tortura por longos minutos, enquanto pontadas agudas, calafrios e
pequenos espasmos involuntários em diversos pontos espalhados dentro de
mim, deixavam meu cérebro atordoado, perdido. — Vou te comer agora, e
você vai gozar feito uma louca no meu pau. — não houve tempo para
reclamações ou lamentos. Bruno tirou o dedo da minha boceta, se posicionou
por trás, e de uma vez investiu com força dentro de mim, escorregando com
facilidade, me preenchendo com precisão e perfeição. Incrivelmente mágico,
impetuoso, arrogante, feroz, bruto, autoritário, e tão... dono de mim. Era um
vai e vem agressivo, batendo com força, empurrando meu corpo pra frente a
cada entrada, me segurando ainda mais exigente na saída. — Sente o quanto
eu te quero, Veridiana? — bateu forte na minha bunda, um tapa estalado e
ardido — Tua boceta tá engolindo meu pau, porra! Sente isso? Sou eu te
fodendo, Veridiana! Te comendo, minha safada! — outro tapa. Puxou meu
corpo para trás e inclinou o dele para frente nos unindo na metade do
caminho. Mordeu meu ombro, chupou meu pescoço, minha orelha, minha
nuca. Esfomeado. Sua mão alcançou meu clitóris, apertando, beliscando,
esfregando. Gritei. Gemi. E quando o orgasmo veio forte, intenso e
irreconhecível, chorei. — Vou gozar, caralho! — Bruno se derreteu dentro de
mim, senti seu pau latejar e seu corpo desabar na cama ao meu lado, exausto
e satisfeito. Ele me puxou para o seu peito, beijou minha testa e me encarou
emocionado. — Desculpa ter te levado ao limite, mas você me faz perder a
cabeça quando estou te fodendo.
— Foi uma experiência muito diferente, — encarei seus olhos e sorri
sem conseguir explicar exatamente o que estava sentindo naquele momento
— não imaginei que pudesse sentir tantas coisas ao mesmo tempo, mas não
peça desculpas, foi maravilhoso. Eu só não sei como falar...
— Não precisa. Eu senti cada reação do seu corpo aos meus toques.
Você é deliciosa, adora uma trepada gostosa e eu amo isso em você.
 
 Não consegui conter o sorriso e nem a vontade de tê-lo dentro de mim
novamente. Rolei na cama e deitei por cima dele, seu pau encaixado no meio
das minhas pernas reconhecendo seu lugar. Beijei sua boca num beijo
diferente, apaixonado. Suas mãos percorreram minha coluna, minha bunda,
meus seios, apertando com força as regiões mais sensíveis. 
 
— Eu amo seu cheiro... — sussurrei em seu ouvido — amo quando me
pega com força, quando me dá ordens, amo quando me faz sua...
— Eu sempre fuilouco por você. — segurou seu pau e encaixou em
mim quando levantei o quadril e desci sobre ele para senti-lo por inteiro —
Mas nunca imaginei que fosse deliciosa desse jeito. — agarrou meu cabelo e
tomou a frente, aumentando o ritmo das investidas — Essa boceta deliciosa
que você tem me tira do sério, me enlouquece, Veridiana! — tomou minha
boca sedento. Sua língua macia aumentava ainda mais a minha necessidade
de estar com ele, me invadindo, me tomando; proporcionando aquele prazer
desconhecido e ao mesmo tempo tão natural que me invadia quando
estávamos juntos. Eu vivia uma nova fase ao lado dele, um novo tipo de
relacionamento, aberto, franco, sincero, honesto. Desde a primeira vez em
que estivemos juntos, Guga não foi sequer lembrado, tampouco todo o
sofrimento que me causou. Ali, naquela cama com aquele homem lindo,
gentil, sexy e carinhoso eu estava me sentindo feliz, segura, amada e meu
corpo clamava por mais daquele homem. — Eu quero você pra mim,
Veridiana... seja minha...
 
 Seus olhos cravados nos meus, seu maxilar trincado de tesão, uma mão
agarrada ao meu cabelo, a outra apertando minha bunda e seu quadril... ah o
seu quadril, empurrando cada vez mais fundo, mais forte e mais gostoso seu
pau para dentro de mim.
 
— Eu sou sua, Bruno... — sussurrei perdida em excitação e luxúria,
mas não menti, eu me sentia dele.
— Eu te quero toda, Veridiana, por inteira, só pra mim... — mordeu o
lábio inferior e aumentou ainda mais a velocidade das estocadas violentas,
provocando uma pequena pontada de dor muito bem-vinda — tá sentindo
meu pau? Tá sentindo como ele ama essa boceta? É minha! Só minha,
caralho!
— Não para, Bruno! Eu vou gozar! — fechei os olhos e senti chegar a
explosão. Gemi como uma gata no cio.
— Isso, minha safada, goza gostoso pro teu homem! — meteu mais
algumas vezes e gozou também — Eu vou me acabar de tanto foder você...
 
 Meu corpo desabou sobre o dele, suas mãos faziam carinho nas minhas
costas e cabelo, enquanto seu membro latejava e deslizava para fora de mim.
Seu coração estava acelerado como o meu, sua respiração apressada e
barulhenta como a minha, numa sincronia perfeita e ensaiada.
 
— Promete que vai tentar? — sua voz no meu ouvido causando um
calafrio em todos os pelos do meu corpo. O encarei sem entender.
— Tentar o quê?
— Ser somente minha.
 
 Franzi a testa, olhando em seus olhos questionadores. Bruno entendeu
minha dúvida e voltou a falar:
 
— Você está magoada pela traição, ainda sente raiva, mas com o tempo
isso vai diminuir, e eu tenho medo de que seu amor por ele seja maior do que
o que sente por mim e... decida voltar para o seu casamento. 
 
 Sentei em seu colo e o puxei para sentar comigo. Minhas pernas
enroscadas em volta do seu quadril nos mantinham colados, meus braços em
volta do seu pescoço e suas mãos abraçando minha cintura permitiam que o
nosso calor aquecesse nossas almas e nossos corações. Beijei seus lábios
suavemente, sentindo seu gosto delicioso e falei baixinho no seu ouvido.
 
— Eu não sei até onde iremos, mas a única coisa que eu sei é que eu já
sou sua, e enquanto você estiver comigo, ao meu lado, me amando tão
enlouquecidamente e permitindo que eu ame você da mesma forma, não
haverá espaço para nenhum outro homem em meu coração.
— Mas você ainda o ama...
 
 Passei minha mão pelo seu rosto másculo, contornando-o com a ponta
dos dedos, sentindo-o, admirando-o, desejando-o mais uma vez.
 
— Guga faz parte do meu passado, Bruno. Temos uma história que não
será apagada, e em meu coração quero me lembrar dele como uma pessoa
importante na minha vida, porque realmente foi, — beijei seus olhos, seu
nariz e suas bochechas — mas você é o meu presente, e se depender de mim,
o meu futuro. É você que eu quero ao meu lado, na minha cama, no meu
coração. Não me importo de ficar longe de você até conseguirmos ajeitar
tudo entre nós, desde que eu tenha certeza de que essa distância será apenas
física, mas que eu estarei presente em cada coisa que fizer, que será em mim
que você vai pensar quando acordar e será em mim que vai pensar antes de
dormir. Eu já sou sua, estou aqui e não pretendo sair, a não ser que me mande
embora... 
 
 Ele me beijou e me virou na cama, cobrindo meu corpo com o seu.
Abri as pernas para que ele se encaixasse e mais uma vez me tomasse para si,
mas daquela vez foi suave, com beijos demorados, carinhosos e investidas
que me levaram a um patamar diferenciado de emoção e prazer. Bruno me
mostrou o quanto era bom ser cuidada e venerada. Gozamos novamente, e
num sussurro contido, carregado de emoção e sentimento, confessou ao pé do
ouvido:
 
— Eu estou perdidamente apaixonado por você, Veridiana. — apertei
meu abraço, emocionada ao ouvir aquela declaração.
— Acho que me apaixonei por você, Bruno... 
 
 Não saímos do quarto e nem da cama, passamos a noite toda em um
revezamento delicioso entre algumas horas de sono agarrados de conchinha,
muito sexo e muita conversa gostosa. Fizemos planos, sorrimos,
gargalhamos, planejamos nosso futuro juntos, nos desentendemos em alguns
momentos e quando percebemos, já estava amanhecendo. Bruno estava ali
comigo, e apesar de sabermos que o caminho seria longo e muito difícil, não
tínhamos dúvidas sobre o que sentíamos um pelo outro e prometemos que
nada nem ninguém seria capaz de nos afastar, mas não tínhamos ideia do que
uma pessoa com ódio seria capaz de fazer, e aquilo nós só iríamos descobrir
algum tempo depois.
 
CAPÍTULO 25 – GUGA
 
Dias Atuais...
 
 Acordei sentindo minha cabeça explodindo, parecia que um sino
badalava dentro dela indicando insistentemente o passar das horas. Minha
boca tinha gosto de sola de sapato, meu estômago embrulhado ameaçava pôr
para fora parte do álcool ingerido na noite anterior, claro, porque seria
impossível vomitar tudo o que eu tinha bebido. 
 Foram várias garrafas de cerveja de várias marcas diferentes, somadas
às incontáveis doses de uísque, tequila e vodka em um período de seis horas
aproximadamente. Ressaca não era uma coisa habitual na minha vida,
tampouco encher a cara do jeito que havia feito durante uma das festas de
Abelardo, em plena segunda-feira.
 Levantei cambaleante, mas fui obrigado a sentar na beirada da cama
para esperar a tontura que me abateu fortemente ceder e me dar uma trégua.
Nunca em toda porra da minha vida eu tinha me sentido tão mal como
naquela manhã, e o meu estado deplorável seria mais um fator negativo da
minha vida que eu atribuiria ao filho da puta, traidor, desgraçado do Bruno. 
 Ele era o responsável por Veridiana ter me deixado, foi por causa dele
que ela me largou sozinho naquele estacionamento de motel, determinada
como nunca havia sido. Se ele não tivesse aparecido na vida dela e se
declarado como fez, nada daquilo estaria acontecendo e minha esposa teria
me dado uma chance de provar que eu realmente tinha mudado e ficaria
somente com ela, sem deixar outras mulheres atrapalharem o nosso
casamento.
 Bruno sempre foi invejoso, cobiçava a minha esposa e esperou a
primeira oportunidade para me ver pelas costas. Aquele fodido de merda fez
a cabeça dela contra mim, provavelmente contou sobre as garotas de
programa que iam de vez em quando aos hotéis que nos hospedávamos
durante as viagens só para foder o meu casamento. 
 Aquele desgraçado sabia como atingir o coração de Veridiana, deve ter
contado que pegou a namoradinha trepando com o próprio irmão no seu
quarto do alojamento, se fez de pobre coitado e vítima para comover minha
esposa. Ele achava que eu não sabia sobre a história que ele tanto se
esforçava para esconder de todos, — nenhum homem gosta de admitir que já
foi corno — mas Sidnei havia me contado durante uma reunião que fizemos
na minha casa quando ainda morava na Grécia, e questionei sobre a
preferência que Bruno tinha por mulheres morenas. 
 O auxiliar técnico explicou que a ex-namorada do jogador era linda,
loira e parecia apaixonada por ele, mas quando seu irmão mais velho, Luis,
foi passar uma temporada com ele para tentar se recuperar do vício com as
drogas,a garota endoidou e os dois passaram a se encontrar todos os dias
enquanto Bruno estava treinando. Todos os colegas de time sabiam da
traição, mas não queriam colocar um irmão contra o outro, então armaram
para que Bruno chegasse mais cedo e flagrasse os dois. 
 Depois da descoberta e a expulsão dos dois do alojamento, Bruno
nunca mais havia saído com loiras, todas as mulheres que estiveram com ele
nos últimos anos eram morenas. Sidnei achava que era uma forma que ele
tinha encontrado de esquecer tudo o que havia acontecido, mas foi só ele
conhecer Veridiana que o filho da puta pirou.
 Eu ia acabar com aquele romance de merda. Até poderia aceitar que
minha esposa não me quisesse, mas Bruno também não ficaria com ela, não
mesmo. Pra mim era uma questão de orgulho separar aqueles dois. Eu nunca
iria permitir que as pessoas dissessem que eu tinha sido trocado por ele.
Nunca!
 
— Que porra, Guga! Você tá horrível, cara. Não aprendeu nada mesmo,
né?
 
 Tudo de que eu não precisava era um sermão de Marcelo naquele
momento. Meu irmão estava se tornando uma pessoa muito desagradável nos
últimos dias, sempre me criticando, jogando na minha cara que eu era o único
culpado por tudo que acontecia na minha vida, e eu não queria mais ouvir
suas acusações. Sentia-me humilhado com suas palavras sempre ofensivas e
acusatórias.
 
— Sai daqui, Marcelo. Não quero falar com ninguém agora!
— Quando você vai crescer e assumir as responsabilidades por tudo
que faz? 
— Eu já mandei você sair. O que ainda tá fazendo aqui, caralho?
— Não vou sair! Estou aqui pra colocar o mínimo de juízo nessa sua
cabeça oca e fodida, e nem adianta reclamar, você já fez merda demais e
passou da hora de agir como homem. Será que só você não enxerga isso?
— Porra, mano... dá um tempo! Não vê que eu tô mal e só quero ficar
sozinho?
— Ah... agora você tá mal? Engraçado, porque quando você decidiu
arruinar a sua vida e o seu casamento agindo como um adolescente imbecil,
tava tudo bem. Levanta dessa cama e vai tomar um banho, a gente precisa
conversar sobre a sua fisioterapia e como vai conduzir essa merda de
divórcio.
 
 Aquela última palavra piorou o meu estado, eu não iria facilitar a vida
da minha esposa. Se ela quisesse mesmo se separar, teria que se esforçar
muito para conseguir.
 
— Eu não vou assinar divórcio nenhum! 
— E vai fazer o quê? Deixar esse assunto virar conversa de bar e expor
sua vida mais do que ela já está exposta? 
— Já falei, não vou assinar porra nenhuma. Se a Veri quiser, que parta
para a porra do litigioso, caso contrário, nada feito.
— Você consegue se ouvir? Acha mesmo que ela não vai se separar? A
Veridiana tomou a decisão dela há muito tempo, Guga. Aceita e segue a tua
vida, cara... deixa essa mulher em paz pra seguir a dela também.
— Ela não vai ficar com ele, Marcelo.
 
 Apoiei as mãos no colchão e levantei lentamente me apoiando em
todos os móveis que se espalhavam pelo caminho até o banheiro. Minha
tentativa de fuga foi miserável pela lentidão com que me locomovia. Marcelo
seguiu atrás de mim tentando me convencer a mudar de ideia, ele ainda não
tinha entendido que nada me faria voltar atrás, nem mesmo suas alegações
plausíveis.
 
— Ela já está com ele, Guga; e mesmo que não fique com o Bruno,
duvido muito que queira voltar pra você. 
— Se ele não tivesse aparecido, ela estaria aqui comigo, na minha
cama, e não na dele.
 
 Eu não queria pensar neles dois juntos, transando, dormindo
abraçados, andando para cima e para baixo como namoradinhos felizes como
a assessora da editora falou que estavam quando foram pegar os documentos
da minha esposa. As imagens que minha imaginação criava para abalar
minha sanidade eram cruéis, e saber que aquele desgraçado estava
desfrutando do corpo que até meses atrás apenas eu conhecia intimamente,
amargava minha alma profundamente.
 
— Não seja ridículo! Veridiana deixou claro desde que pegou você
com a Bella que não iria te perdoar, mas ninguém acreditou, nem mesmo eu.
Mas ela foi sincera com você desde o início e não pode negar isso, nós é que
achamos impossível ela te rejeitar e optar pela separação. 
— Eu estava conseguindo trazer minha esposa de volta, ela foi comigo
pro motel...
— E por que ela não ficou com você? Ainda não me contou o que
aconteceu para ela ir embora e te largar lá sozinho.
— A Bella me ligou, e a Veri me obrigou a atender a ligação.
 
 Como eu iria imaginar que aquela louca iria me ligar de madrugada
enquanto se masturbava? Claro que Veri percebeu o que ela estava fazendo
pelo tom da sua voz e os gemidos que deixava escapar, além do barulho que
o vibrador fazia do outro lado da linha. Mas o que eu poderia ter feito? Era
sempre a mesma coisa, Bella era incansável e ainda não se conformava com a
ideia de reconciliação com minha esposa. Vivia me tentando com aquelas
provocações que me enlouqueciam. 
 
— E você ainda tem a cara-de-pau de acusar o Bruno? Como você
queria que sua mulher voltasse pra você se ainda recebe ligações da mulher
que foi o pivô de tudo isso?
 
 Entrei embaixo do chuveiro apoiando as mãos na parede e permiti que
a água gelada levasse um pouco do mal-estar para fora do meu corpo. Sentia
os músculos tensos, meu joelho começava a incomodar mais do que deveria e
a cabeça latejava com a mesma intensidade. Marcelo permanecia do lado de
fora, esperando por uma resposta que eu me negava a dar. 
 As coisas definitivamente saíram da porra do meu controle e eu estava
fodidamente irritado com aquilo tudo. Lembrar de Veridiana no carro de
Bruno, na garagem da casa dele, vestida com a mesma roupa que estava
quando saímos para jantar e com o cabelo molhado, aumentava a fúria
crescente dentro de mim. Eu não admitiria o fracasso, não no meu casamento,
não com Veridiana, ela sempre me amou, sempre foi minha e não seria Bruno
que a faria me esquecer tão facilmente. 
 
— Bella é uma mulher incontrolável, Marcelo, não tenho como pará-la.
— Eu nunca conheci uma pessoa tão boa em dar desculpas como você.
Por que não bloqueou o número dela? Ahhh... já sei, nem precisa responder.
Você gosta que ela te ligue, gosta da putaria com ela e não tem a intenção de
ignorá-la. Essa é a verdade!
— Sério, brother, já deu. Essa conversa está cansativa e eu não tô a fim
de ficar te ouvindo. Sai fora e me deixa em paz.
— Só vou te dar um aviso: não conte comigo pra fazer merda. Eu sou
seu irmão, mas não vou te apoiar em foder a vida dela só porque você é um
mimado idiota que não quer aceitar a culpa por tudo que está acontecendo. —
ele abriu a porta e achei que sairia, mas meu irmão queria mesmo me foder
quando continuou a falar — Eu já te falei isso antes e vou repetir: você vê a
Veridiana como a sua base, o seu pilar, mas não a ama. Até acho que no
começo do namoro amava, porque realmente era feliz ao lado dela, só que
quando experimentou outras mulheres, viu que não aguentaria ficar somente
com a sua esposa, e esse tipo de atitude, Guga, nada tem a ver com
casamento. Ela merece alguém que seja fiel, que a respeite e que a faça feliz,
e você, definitivamente, não é esse homem.
 
 Finalmente ele saiu, fechando a porta e me deixando sozinho pensando
em tudo que havia escutado quando uma dor invadiu meu peito. Eu tinha
medo de perder minha esposa, não seria capaz de continuar minha vida sem
ela. Veridiana sempre foi o meu porto seguro para onde eu voltava todas as
vezes depois de longas viagens e aventuras. Ela sempre esteve lá por mim, e
só de pensar que eu não a teria mais, o pavor me dominava. 
 Como eu ficaria sem ela por perto? Eu não iria conseguir.
 O jeito era trazê-la de volta e mostrar para ela que eu a amava e
precisava dela muito mais do que qualquer outra pessoa. Foda-se se com isso
seria considerado egoísta e mimado, ela só precisava estar comigo que o resto
eu aguentaria com facilidade. 
 Dani Caja, a assessora de imprensa da editora Massam, tinha me
convidado para um coquetel que seria oferecido para anunciar a inauguração
da filial em Nova York e informou que Veridiana estaria presente. Eu só
precisava dar umjeito de ficar sozinho com ela por alguns minutos, para que
minha esposa pudesse perceber o quanto ainda me amava. Conhecer seu
corpo tão bem era uma vantagem que poderia ser usada para mostrar a ela e
ao Bruno que o seu lugar era ao meu lado e somente eu poderia lhe fazer
feliz. 
 E com esse pensamento saí do banho com o humor um pouco melhor,
mas ainda teria que planejar como eu iria conseguir me aproximar dela e
fazer o babaca do Bruno assistir de camarote como Veridiana gostava de ser
fodida. 
 
CAPÍTULO 26 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Acordei na terça-feira um pouco atordoada com a enxurrada de
emoções extravasadas durante a noite e madrugada. Meu corpo estava
satisfeito como nunca, mas a mente ainda perturbada sem entender o que
estava acontecendo comigo. Bruno havia despertado sentimentos que eu
desconhecia e não era uma coisa fácil de lidar.
 Olhei para o lado e não o vi deitado, levantei sentindo um leve ardor
no meio das pernas e sorri. Tomei banho, troquei de roupa, desci para
encontrá-lo e me deparei com Zilá no meio da cozinha preparando o café
distraidamente.
 
— Bom dia, Zilá. 
— Oi, minha querida! Já estou terminando de passar o café, só um
minutinho e eu sirvo você.
— Não se apresse. Você sabe onde o Bruno está?
— Ele foi correr na esteira. Todo dia esse menino fica um tempão lá
atrás se matando naquela academia.
 
 Olhei para o quintal pela janela da cozinha sem saber onde ficava o
lugar que Bruno usava para se exercitar.
 
— Tem uma academia lá atrás?
— Ele reformou o quarto que tinha nos fundos e aumentou o espaço do
quintal. Vai até lá conhecer, já aproveita e manda ele vir comer alguma coisa.
 
 Abri a porta que dava acesso ao lado de fora e percorri alguns metros
até chegar à grande porta de vidro que separava os ambientes externos. Olhei
para dentro antes de abri-la e apreciei por alguns minutos o homem suado,
carregando vários pesos, intercalando os exercícios que faziam seus músculos
bem definidos deixá-lo ainda mais gostoso. 
 Bruno tinha um corpo maravilhoso, e só de lembrar a maneira como
me possuía, forte, bruto, agressivo, a excitação crescia, provocando um
frenesi delirante em meu baixo ventre. Eu praticamente salivei com a visão.
Ele usava apenas um short largo do time grego, que deixava parte da sua
cueca à mostra, assim como seu tronco nu, sem pelos e todo definido. O
cabelo preto curto e liso estava suado e a água salgada escorria por sua testa e
descia pelo pescoço até os ombros.
 Nem percebi que tinha sido descoberta. Seus estavam olhos cravados
em mim, divertidos por me ver literalmente babando por ele. Empurrei a
porta, entrei e o som de Aerosmith explodiu nos meus ouvidos. Aproximei-
me lentamente tentando disfarçar o tesão que parecia me conduzir até ele,
mas aquele homem já havia percebido minhas reais intenções e sorriu de
maneira perversa.
 
— Pelo jeito a senhora acordou com fome hoje... — sorriu, mas não
encostou-se em mim. Seus olhos fixos nos meus, sua boca levemente aberta
num sorriso cínico, enquanto suas mãos usavam a toalha para secar seu
abdome e peitoral — veio treinar comigo, chaveirinho? — não conseguia ser
indiferente aos movimentos circulares que o pedaço de pano sortudo fazia em
seu corpo na tentativa de deixá-lo seco. Suas mãos deslizaram até a parte da
frente do short vermelho e lentamente a toalha iniciou o trabalho de secá-lo,
por cima do membro que já evidenciava ter despertado do sono. Como um
movimento tão simples poderia ser tão sexy? — Está sem palavras,
Veridiana?
 
 A voz grave e rouca me tirou do transe, mas meus olhos não deixaram
de apreciar os movimentos propositais que Bruno fazia acariciando seu pau
por cima do fino tecido.
 
— Acho que está querendo me provocar logo cedo, Bruno...
 
 Ele deu um passo à frente e sorriu ainda mais. Largou a toalha em
cima de um banco e continuou a acariciar seu membro com lentidão, me
deixando com água na boca. 
 
— E estou conseguindo?
— Com muito sucesso.
 
 Bruno sentou ao lado da toalha, abaixou o elástico do short e tirou seu
membro rijo para fora, me dando o deslumbre de vê-lo se masturbando de
forma erótica e egocêntrica. Ele sabia o que provocava em mim, meu corpo
estava aceso e excitado de uma forma descontrolada. Eu o queria dentro de
mim, com urgência e aflição.
 
— Ele é todo seu, querida... faça o que quiser.
 
 Ajoelhei à sua frente e minha mão tomou o controle dos movimentos.
Um gemido escapou da minha garganta ao sentir aquele pau delicioso em
minha palma. Encarei seus olhos quase fechados, entregues ao prazer e sorri
antes de passar a língua entre os lábios e colocá-lo na boca como se fosse o
chocolate mais saboroso do mundo. Fechei os olhos para saboreá-lo como
merecia, a cabeça rosada foi beijada, chupada e engolida, enquanto minha
língua serpenteava por todo ele. Degustei, apreciei e me acabei de tanto
chupá-lo. Estava realmente faminta, por ele.
 Bruno me puxou para cima colando nossas bocas em um beijo
delicioso, envolvente. Suas mãos ágeis abriram o zíper do meu short,
enquanto eu arrancava o tecido úmido junto com a cueca do seu corpo. Ele
sentou e me virou para me foder de costas para ele. Afastei as pernas e
facilitei o encaixe, abaixando a bunda para que me preenchesse por inteiro.
Apoiei as mãos em seus joelhos e passei a subir e descer ensandecida,
desesperada, esfomeada. 
 Suas mãos na lateral do meu quadril ditavam o ritmo frenético das
engolidas, e estapeavam minha bunda vez ou outra enquanto sua boca falava
palavras baixas e obscenas que me enlouqueciam. O tesão era fora dos
padrões normais, pelo menos os estipulados anteriormente para mim. A
pontada de dor era a cereja do bolo a cada descida completa, incendiando
mais e mais meu corpo a cada segundo que passava.
 Bruno me agarrou pela cintura, levantou e me levou até a parede, ainda
de costas para ele. Colocou-me em pé, chupou meu pescoço, mordeu meus
ombros e acariciou meus seios. Apoiei minhas mãos acima da cabeça,
empinei ainda mais a bunda quando ele afastou minhas pernas com os joelhos
e implorei para que me fodesse forte e duro. Ele não negou e não
decepcionou.
 Uma mão em meu ombro, outra em minha cintura, apertando,
machucando, marcando. Eu gemia, choramingava, chamava seu nome num
mantra desesperador, esfomeado. O barulho dos nossos corpos se chocando a
cada estocada violenta parecia querer testar minha sanidade enquanto Bruno
me fodia com força desmedida. Inclinou o corpo para frente, uma mão
agarrou meus seios enquanto a outra mão desceu até meu clitóris. Seu
peitoral estava colado às minhas costas e sua língua atormentando minha
orelha.
 
— Tava doida pra ser fodida, né, sua putinha? — sua voz baixa
enquanto entrava e saía de mim, fez com que todos os pelos do meu corpo se
arrepiassem — Já acordou procurando meu pau, hein? — eu não conseguia
pensar, sequer responder. Bruno segurou meu clitóris entre o indicador e o
dedo médio, provocando e molestando sem pena meu pequeno ponto inchado
e sensível. — Eu quero gozar, Veridiana, goza comigo... 
 
 Seus dedos aceleraram os movimentos facilitando a explosão mágica
que fraquejou minhas pernas e me levou a um êxtase emocional incomum.
Bruno gemeu e cravou os dentes no vão do meu pescoço, provavelmente para
deixar a prova de que meu corpo pertencia a ele, sem a menor chance de
contestação ou dúvida. Seu pau seguiu pulsante dentro de mim enquanto seu
coração batia acelerado em minhas costas. 
 Deitei a cabeça em seu ombro e recebi um beijo calmo, tranquilo e
apaixonado que contrastava com a tempestade recém passada que foi a nossa
transa matinal. Mas todo o momento foi ofuscado pela imagem de Marcelo
parado do lado de fora da porta de vidro, hipnotizado, assistindo a tudo de
camarote. 
 
— Meu Deus! — falei assustada olhando para fora e chamando a
atenção de Bruno para o advogado negro que parecia em estado de choque.
— Mas que porra é essa? — ele me ajeitou e saiu de mim para ficar à
minha frente, em uma tentativa frustrada de me esconder com seu corpo.
 
 Marcelo não conseguia nos ouvir do lado defora, mas seu estado de
torpor acabou quando percebeu que o encarávamos, e sem saber o que fazer,
voltou para dentro da casa sem dizer uma única palavra.
 
— Será que ele estava ali há muito tempo? — senti meus olhos
lacrimejarem com uma sensação estranha de invasão me atormentar.
—Não me interessa o quanto esse desgraçado viu, só quero saber o que
ele fazia aqui sem ter sido convidado a entrar na minha casa. Filho da puta!
 
 Bruno recolheu nossas roupas do chão e voltou para me encarar.
 
— Se troque e fique aqui, eu vou até lá pra saber o que ele quer...
— Eu vou com você.
— Nem fodendo, Veridiana! Fica aqui e me espera. Não quero esse
cara perto de você, ainda mais agora depois de ter visto o que viu.
— Não vou esperar, se ele viu a gente transando é problema dele. Eu
vou com você e nem adianta reclamar.
 
 Bruno me abraçou de maneira desesperada.
 
— Eu nem quero imaginar o que aquela cabeça doentia está fantasiando
agora, Veridiana. Aquele desgraçado é louco por você e nem quero pensar
nele tendo pensamentos depravados com seu corpo. Você é minha, porra! Ele
não tem esse direito!
 
 Encolhi-me em seus braços fortes e protetores, apoiei a cabeça em seu
peito ouvindo seu coração acelerado, nervoso. Bruno me beijou com tanta
paixão que por pouco não me entreguei à luxúria de tê-lo novamente. Era
insano o tesão que despertava em mim.
 
— Não quero ficar aqui, eu vou com você e vamos resolver isso juntos.
 
 Não houve mais discussão, nos vestimos e seguimos de mãos dadas até
a sala onde Marcelo estava parado de frente para a grande janela. 
 
— O que pensa que está fazendo aqui, Marcelo? Quem te deixou
entrar?
 
 A voz do meu namorado demonstrava toda a irritação com a presença
do irmão de Guga. Marcelo virou para nos encarar e sua expressão não
demonstrava absolutamente nada. Suas mãos guardadas no bolso da calça
social e os ombros relaxados, davam a impressão de que nada do que pudesse
ter visto tinha sido suficiente para surpreendê-lo. 
 
— Bom dia! — o advogado sorriu com malícia — Eu vim falar com a
Veri. Sua empregada me avisou que estavam ocupados, mas eu não imaginei
que estivesse fodendo em sua academia, Bruno. Perdoe-me pela invasão...
 
 Seu sarcasmo com um tom pejorativo não passou despercebido, mas
eu sabia que ele tentava disfarçar o incômodo por ter nos visto em um
momento tão íntimo.
 
— Eu fodo a minha mulher onde e como quiser, e ninguém tem nada a
ver com isso!
— Tenho certeza que sim, — seu olhar recaiu sobre mim e um sorriso
sacana brincou em seus lábios — e compreendo que deve ser difícil não fodê-
la a toda hora.
 
 No mesmo instante Bruno soltou minha mão e foi para cima do
advogado que não teve tempo para se proteger do soco que levou. Sua cabeça
tombou para o lado e uma pequena quantidade de sangue jorrou de seu nariz.
 
— Nunca mais se atreva a falar dela desse jeito, seu filho da puta! 
 
 Marcelo se recompôs do susto e colocou a mão para proteger o nariz
ensanguentado. Seu olhar era de ódio.
 
— Falar dela como? — gargalhou se afastando de Bruno e olhando
mais uma vez para mim — Não posso negar que foi muito melhor de assistir
do que qualquer filme pornô que já vi, e sua MULHER daria uma ótima atriz,
mas infelizmente, cara, ela AINDA É CASADA COM O MEU IRMÃO!
 
 Bruno foi para cima dele atingindo-lhe no rosto com outro soco, mas
não se contentou até deixá-lo caído, todo machucado em cima do tapete
felpudo.
 
— Ela é a porra da minha mulher e você vai sair daqui agora, antes que
eu te mate!
 
 Meu corpo todo tremia, meus olhos estavam banhados em lágrimas ao
ver toda aquela cena à minha frente. Como Marcelo pôde ser capaz de falar
uma coisa daquelas? Logo ele que sabia tudo o que seu irmão tinha feito
comigo enquanto estávamos casados. 
 
— Ela ainda não tem o divórcio assinado, seu babaca! — Marcelo
rosnou tentando ficar em pé com dificuldade — Meu irmão não vai assinar
porra nenhuma e pretende foder vocês dois até não sobrar nada que possam
fazer pra recolher os cacos quebrados pelo chão quando tudo acabar.
— Eu não preciso que ele assine porra nenhuma! Esse divórcio vai sair
de qualquer jeito, ele querendo ou não. — me aproximei dele e encarei seus
olhos com todo o ódio que me consumia, não só por ele ter se aproveitado de
uma situação, mas pelo papel desprezível que estava se dispondo a prestar —
Eu fodo com quem eu quiser, e quanto mais tempo ele demorar para assinar,
mais corno ele vai ser. Agora saia daqui e nunca mais apareça!
 
 Bruno voltou a me abraçar possessivamente. Meu ex cunhado tirou
uma pasta transparente de dentro da bolsa de couro marrom que estava no
sofá e a jogou no chão, aos meus pés. Seu rosto estava machucado e
sangrando, mas não me arrependi de não ter impedido que fosse agredido.
Marcelo mereceu cada golpe, e depois de tentar se recompor, falou:
 
— Aí estão todas as condições para que ele assine e te deixe livre, caso
contrário, nos veremos diante de um Juiz.
 
 Ele saiu seguido por Bruno que fez questão de assegurar que a porta
ficaria trancada. Eu me joguei no sofá permitindo que meu corpo relaxasse
um pouco e meu coração voltasse a bater com mais calma. Peguei a pasta do
chão e abri. Olhando as folhas que especificavam cada item reivindicado por
Guga, senti meus lábios tremerem e novas lágrimas descerem pelo meu
rosto. 
 
— O que aconteceu? — Bruno perguntou preocupado ao me ver
chorando — O que ele quer, Veridiana?
 
 Entreguei a pasta para que ele pudesse ver com seus próprios olhos e
talvez me convencesse de que eu estava ficando louca e nada do que achei ter
visto era verdade. Guga estava se mostrando muito pior do que eu imaginava,
mas se ele achava que iria conseguir alguma coisa de mim agindo daquela
forma, estava enganado. 
 
— Eu não posso acreditar que ele está fazendo isso! — meu namorado
sentou ao meu lado, me abraçou novamente e beijou minha cabeça — Você
não vai fazer nada disso, Veridiana, está me ouvindo? Você está comigo
agora e eu não vou deixar que nada de ruim aconteça. Eu prometo!
 
 Eu acreditava em Bruno e sabia que estaria comigo, mas até quando?
Em breve ele partiria para a Grécia e eu ficaria no Brasil até poder mudar
para Nova York. Guga e Marcelo haviam se tornado dois estranhos e eu já
não sabia mais até onde seriam capazes de ir para me convencer a desistir do
divórcio.
 
— Estou com medo, Bruno. Muito medo...
CAPÍTULO 27 – BRUNO
 
Dias atuais...
 
 Uma dor latente no peito quase me fazia perder o ar, a sensação de
derrota havia se instalado dentro de mim desde que coloquei meus olhos
naqueles malditos papéis que o desgraçado do Marcelo se deu o trabalho de
trazer pessoalmente em minha casa pela manhã, e ainda de lambuja, assistiu
de camarote uma das melhores fodas de toda a minha vida. Eu queria matar
aquele cara, e o faria sem dúvida se Veridiana não estivesse naquela sala,
apavorada.
 Encarar seus olhos verdes em dúvida sobre o que fazer era o que mais
feria meu coração. Eu não iria deixá-la sucumbir aos desejos e caprichos
daquele moleque mimado e egoísta que havia me convencido de que não a
amava, apenas não admitia que Veridiana não o quisesse mais. Guga sempre
foi o tipo de homem que teve a esposa à sua disposição, e por mais que tenha
vacilado inúmeras vezes, como a maioria dos jogadores de futebol, imaginou
que a mulher que o esperava em casa, se dedicava e o amava explicitamente
não o deixaria, nem mesmo após ter descoberto que foi traída. 
 A recusa de Veridiana para a retomada do casamento afetou seu ego
inflado de maneira brutal, transformando-o em um homem completamente
obcecado, não por sua mulher, mas pela conquista do seu perdão. Guga
queria provar para todo mundo que no final das contas, sua esposa estava de
volta à sua vida, e tudo o que eu mais queria era que ela não permitisse que
ele conseguisse aquilo. Mas olhando para ela, sentada no sofá com seus olhos
vidrados nas folhas que Marcelo tinha trazido naquela mesma manhã, já não
tinha tanta certeza se Veridiana conseguiria deixar tudo para trás como eu
pensei que fossefazer.
 
— Eu não posso acreditar que você está pensando em aceitar essa
merda, Veridiana! — eu estava tentando controlar minha irritação, mas a
cada minuto que passava assistindo-a ceder mais e mais às chantagens do ex-
marido, aumentava o meu ódio por ele.
— Não é isso, mas... — ela inspirou profundamente pela décima vez,
tentando se convencer de que poderia sair ilesa, caso aceitasse fazer o que
Guga queria — acho que deveríamos reconsiderar e conversar sobre a
possibilidade de acabar logo com isso, definitivamente.
 
 Encarei-a incrédulo. Eu não iria permitir que ela entrasse naquela
roubada com o ex-marido, e não era por falta de confiança na mulher que eu
amava e que estava a um passo de me deixar, mas por medo mesmo. Eu sabia
que ainda era tudo muito recente para ela, e por mais que estivesse bem
comigo, feliz e sexualmente satisfeita, ela ainda tinha sentimentos por ele, e
talvez nunca fosse esquecê-lo. 
 
— Você sabe que ele não vai deixar isso pra lá, e mesmo que você
sobrevivia a essa proposta ridícula, Guga vai sempre arrumar um jeito de
entrar em seu caminho. Se você ceder agora, será uma porta aberta que nunca
mais se fechará. Entende o que eu tô falando?
— Você não confia em mim, não é?
— Veridiana, eu confio em você, no seu caráter, mas não acredito que
você irá conseguir se manter longe dele, e eu estou aqui morrendo de medo
de te perder. — sentei ao lado dela e a abracei com desespero, porque era
daquele jeito que me sentia, desesperado — Ele tem um passado inteiro com
você, enquanto eu tenho apenas alguns dias. Como acha que me sinto agora? 
— Eu não vou voltar pra ele, Bruno. O que eu sinto por você pode até
ser diferente e estranho, até novo pra mim, mas eu não trocaria por nada o
que a gente tem, e tudo o que você desperta em mim para viver com Guga
novamente. Eu só preciso que acredite em mim, confie em mim e fique me
esperando.
 
 Veridiana me beijou. Seus lábios macios eram minha perdição naquele
corpo que me forçava todo instante a ir além. Sentou em meu colo com as
pernas abertas ao lado do meu quadril; encostei no sofá e apertei sua bunda
deliciosa esfregando sua boceta no meu pau que já clamava por alívio dentro
da calça. O beijo se intensificou e ficou claro para mim que ela estava
tentando me mostrar o quanto me queria, o quanto era minha. Nossas bocas
se afastaram apenas para que sua blusa fosse retirada e depois para que seus
seios arredondados e durinhos substituíssem sua boca dentro da minha. Ela
apoiou as mãos nas costas do sofá e me ofereceu de bom grado cada um
deles. Chupei, lambi, mordi, enquanto minhas mãos invadiam seu short curto
arrancando-o junto com a pequena calcinha, à procura do meu mais recente
desafio. Eu queria fodê-la em todos os lugares e deixaria minha marca em seu
corpo para que sempre lembrasse que meu pau esteve lá.
 Dizer que apenas gostava de Veridiana seria mentiria, eu a amava
como nunca havia amado outra mulher, e perdê-la poderia me levar à ruína,
mas eu estava disposto a arriscar, porque sabia que quando estávamos juntos,
seu corpo era meu, rendido e dominado. Aquela mulher me tinha na palma
das mãos, mas na hora do sexo ela já sabia quem dava as cartas e as ordens. 
 Proporcionar a ela momentos de prazer inigualáveis era a minha nova
função, eu mostraria a ela o quanto era bom estar comigo, ter meu pau em
qualquer parte do seu corpo, assim como minhas mãos, minha boca e minha
língua. Eu iria foder Veridiana, comer, trepar com ela, mas iria amá-la e
venerá-la como merecia, porque era daquele jeito que eu a queria; uma puta
na minha cama, trepando comigo, fodendo gostoso e deixando que eu
dominasse seu corpo para o nosso prazer, e minha mulher durante todo o
restante do tempo, minha esposa e mãe dos meus filhos, para poder cuidar,
protegê-la e estar ao seu lado sempre que precisasse de apoio.
 
— Hoje eu vou comer esse rabo gostoso, Veridiana, e você vai se
comportar direitinho enquanto eu te fodo gostoso. — seus gemidos foram a
resposta que eu queria ouvir. Ela deslizava pela extensão do meu pau à
procura do atrito, suas mãos agarraram-se ao meu cabelo empurrando minha
boca em direção ao mamilo rosado. Levantei com ela no colo e a depositei no
braço largo do sofá suas pernas afastadas que me proporcionavam uma das
mais belas visões do mundo. Sua boceta aberta, brilhante, sua língua
deslizando entre os lábios e seus olhos quase fechados aguardando ansiosos o
meu toque. — Você quer isso tanto quanto eu, Veridiana? — ajoelhei à sua
frente sem tirar meus olhos dos seus. Segurando suas pernas com as mãos,
passei minha língua levemente em seu cuzinho apertado — Eu tô louco pra
foder esse rabo, Veridiana... — mais uma lambida demorada escorregando a
língua até sua boceta carnuda e ensopada — É isso o que você quer?
 
 Ela não sabia se olhava para mim, se gemia ou apenas se entregava ao
prazer. Tirei minha roupa lentamente para aproveitar seus olhos cheios de
tesão apreciando meu corpo. Quando meu pau saltou para fora da cueca seus
olhos brilharam, e para provocá-la ainda mais, comecei a me masturbar
lentamente, deixando-a estática olhando os movimentos suaves da minha
mão me oferecendo prazer. 
 Segurei sua perna direita e chupei cada dedo do seu pé, um a um,
lentamente, olhando-a nos olhos e repeti todo o processo com o outro.
Veridiana gemia, choramingava, enlouquecia. Minha boca e língua foram
subindo pela parte interna de suas coxas se revezando em carícias maliciosas
e perversas com o único intuito de enlouquecê-la, desestabilizá-la. Se ela
ainda não me amava, ao menos estaria ligada a mim pelo sexo que tínhamos. 
 Eu dominava seu corpo, seu prazer, e tinha total controle sobre os seus
desejos. Veridiana era uma mulher livre, gostava de se entregar e eu a
receberia de braços abertos, apenas para lhe colocar de quatro e meter
gostoso na boceta mais deliciosa que já havia passado pela minha cama.
Enfiei minha língua desesperada em seu cuzinho e passei a atormentá-lo com
movimentos contínuos e firmes, enquanto um dedo invadia sua boceta
molhada e quente. 
 Meu pau já estava aflito querendo foder aquele lugar desconhecido
para ele, e sem pensar duas vezes fiquei em pé e a encarei sedento por ela, me
posicionei entre suas pernas, e pressionando seu clitóris inchado posicionei
meu membro e comecei a entrar devagar para não machucá-la. Veridiana
apertou os olhos indicando o incômodo, mas não reclamou, o que me
incentivou a continuar.
 
— Se você não pedir pra parar, eu vou te arrombar do jeito que eu
quero, Veridiana... é melhor decidir o que quer agora.
— Sou sua pra fazer o que quiser comigo, meu amor...
 
 E então, numa mistura de sentimentos eu apenas meti com força dentro
dela. Um grito, uma lágrima e todo o tesão do mundo acumulado e enterrado
dentro dela. Minhas mãos apertaram suas pernas com força desmedida
enquanto eu estocava sem dó seu cuzinho quente e apertado. Investidas
certeiras, precisas e delirantes me arrebataram de tal forma que mal me
contive e desejei gozar em poucos minutos. 
— Você é minha SIM, PORRA! SÓ MINHA, CARALHO!
— Sim... sim... assim... sou sua, por favor...
 
 Esfreguei seu ponto mais sensível até que a ouvi gritar cada vez mais
alto, gemendo e chamando meu nome entre lágrimas que desciam pelo seu
rosto; contorcido de dor e prazer, gozando como nunca, me levando a rugir
como um leão faminto se deliciando com sua refeição mais apetitosa dos
últimos anos.
 
— Você está me levando à loucura, Veridiana... eu não sei o que está
acontecendo comigo.
— Eu já enlouqueci, Bruno, me perdi totalmente com você e nunca
mais quero me encontrar.
 
 Saí vagarosamente de dentro dela, extasiado com toda a diversidade de
emoções afloradas dentro de mim. Caí sobre ela, secando suas lágrimas com
beijos demorados e apaixonados para que ela entendesse que eu a amava e
estava morrendo de medo de perdê-la. 
 
— Fica comigo, Veridiana. Vamos embora, larga toda essa merda e
deixa eu cuidar de você. 
— Eu não vou te deixar, Bruno. A não ser que você não me queira. —
segurou meu rosto com as mãose fixou seus olhos nos meus, verdes,
hipnotizantes, sinceros, apaixonados — Mas eu vou resolver essa situação de
uma vez por todas com meu ex-marido e acabar com qualquer vínculo que
me deixe ligada a ele, de qualquer forma.
— Por favor, não me fala que você está pensando em fazer o que ele
quer, Veridiana.
 
 Minha voz não escondeu a irritação crescente dentro de mim em
expectativa à sua resposta. Eu não iria aguentar se ela cedesse ao que aquele
cafajeste havia imposto para assinar o divórcio. 
 
— Eu já decidi, Bruno. 
 
 Levantei seguido por ela, meu pau já tinha brochado àquela altura. Se
Veridiana concordasse com os termos daquele canalha, as chances de tê-la
em minha vida estariam fadadas ao fracasso. Guga teria sua esposa de volta
para mostrar ao mundo o quanto era bom e eu perderia a mulher que amava.
 
— Você não pode estar falando sério. Não vê que ele te quer só pra
provar que pode? Ele não te ama, porra! Como tem coragem de fazer isso
comigo, com a gente?
 
 Veridiana se aproximou calma como nunca, me deixando em dúvida se
realmente estava falando a verdade sobre a sua decisão.
 
— É por nós que eu vou fazer o que ele quer, e depois que acabar não
terá a menor chance de ele querer continuar com essa ideia de casamento. Eu
só preciso que você confie em mim, Bruno. 
— Como você quer que eu confie em você? Fala-me que durante uma
semana com ele, longe de tudo e principalmente de mim, sem qualquer
comunicação, não vai acontecer nada entre vocês. Então me garante que ele
não vai te tocar, que você não vai se entregar pra ele. — encarei seu rosto
lindo, apreciando e me derretendo de amor por cada pedacinho dele — Jura
pra mim que você não o ama mais e vai conseguir resistir a ele que eu
prometo que te apoio nessa merda. — ela não desviou os olhos, mas também
não respondeu. Encostei minha testa na sua e inspirei seu cheiro provocante,
característico de uma mulher que acabou de ser bem fodida. — Eu amo você,
Veridiana, mas não vou suportar ficar aqui imaginando a cada minuto do dia,
durante sete dias, o que vocês estão fazendo. Sinto muito, mas não posso e
não quero te dividir com ele, ou com qualquer outro.
 
 Segui para o banheiro sem olhar para trás, eu precisava ficar sozinho e
amargurar a merda empurrada goela à dentro de forma agressiva. Guga impôs
que para assinar o divórcio, Veridiana teria que passar uma semana com ele,
em algum lugar que ele escolheria, e durante esse período ela teria que se
manter afastada de qualquer meio de comunicação. Ninguém saberia onde
eles iriam ficar, e se quando retornasse ela ainda quisesse o divórcio, ele
assim o faria, sem questionamentos. 
 Eu sonhei durante anos em ter Veridiana para mim, e se imaginasse
que a teria por três dias apenas para conhecê-la da maneira que conheci e ter
que me afastar daquela forma, eu jamais teria permitido que entrasse na
minha vida. Eu não duvidava do que ela sentia por mim, mas não era tolo
para fingir que Guga era o homem que fez parte da sua vida durante muitos
anos, e estava disposto a convencê-la a voltar para ele. 
 Entrei no chuveiro e deixei que a água me lavasse e levasse também
minhas lágrimas que insistentemente desceram sem o meu consentimento.
Havia pessoas que nasceram para serem amadas e outras que nasceram
apenas para amar outras pessoas. Definitivamente eu me encontrava no
segundo grupo e não saberia dizer se conseguiria me reerguer depois da
rasteira que estava prestes a levar.
 
CAPÍTULO 28 – VERIDIANA
 
Dias Atuais...
 
Sentei no sofá nua, ainda extasiada depois do sexo que fizemos. Bruno
mais uma vez tirou e me deu tudo que pôde, me levou ao extremo do bom e
do prazer. Ele nem imaginava que eu amava sexo anal, mas que meu ex-
marido se recusava a manter aquele tipo de relação comigo por me achar uma
mulher especial. Eu sempre imaginei que Guga não gostasse de tal ato, mas
depois de descobrir todas as suas safadezas fora da nossa cama, sabia que
aquilo era apenas uma desculpa ridícula para procurar fora de casa o que ele
alegaria não ter com a sua esposa.
 Foi apenas uma vez, em nossa lua-de-mel, que meu ex-marido me
proporcionou tanto prazer ao me penetrar no ânus, e depois daquele dia,
nunca mais. Mesmo pedindo, explicando que o prazer que sentira havia sido
inenarrável, Guga se negava a fazer o que Bruno fez com maestria, me
levando à loucura e me apresentando a um orgasmo alucinante. Ele só queria
me fazer feliz, me dar prazer e me marcar de todas as formas possíveis. Mal
ele sabia que eu já pertencia a ele.
 Minha cabeça rodopiava em busca de resposta a várias perguntas, mas
a principal era a que Bruno tinha feito antes de me deixar sozinha naquela
imensa sala branca. Eu seria capaz de não me entregar a Guga? Claro,
repetindo meu gesto no estacionamento do motel, sem a interferência de
ninguém. Então, por que não respondi para deixa-lo tranquilo?
 Talvez porque quisesse ter certeza que o homem que dizia me amar e
tinha total poder sobre meu corpo e sentimentos seria capaz de confiar em
mim a ponto de me apoiar, quando aceitasse a ideia absurda de Guga, em me
levar para qualquer lugar distante de todos durante sete longos dias, com a
intenção de me convencer a voltar para o nosso casamento falso e fracassado.
 Guga certamente achava que eu não resistiria a ele. Se fosse meses
atrás talvez tivesse razão, mas depois de tudo que tinha experimentado ao
lado de um homem como Bruno, nada do que meu ex-marido fizesse seria
suficiente para me convencer a ficar ao seu lado. 
 O sexo era maravilhoso, Bruno era um homem lindo, gostoso, tinha
um corpo e uma pegada que me enlouqueciam, mas o que mais me atraía era
o seu jeito possessivo, mandão, protetor. Eu gostava de ser conduzida,
embora admirasse quando minha opinião era ouvida e respeitada, mas no
fundo eu sempre desejei um homem que me dominasse, direcionasse e me
fizesse sentir tudo o que estava sentindo com ele, na medida certa.
 Bruno me respeitava, me amava e por isso estava sofrendo. Eu o
entendia, mas precisava que ele me entendesse também. Se eu recusasse
àquela proposta ridícula e medíocre de Guga, passaria a impressão de que eu
pudesse ter medo de encará-lo sem sucumbir à sua presença, e aquele era o
ponto que menos me incomodava, mas que o manteria firme em sua decisão
de continuar tentando uma reconciliação que certamente não aconteceria.
 Subi as escadas em silêncio, entrei no quarto e ouvi o barulho do
chuveiro. Abri a porta do banheiro e vi através do box temperado a silhueta
de Bruno, sexy como o deus do sexo que era. Eu estava enlouquecendo com
aquele homem, e cada vez que ele me possuía, o desejava mais e mais dentro
de mim, arrancando cada lágrima de prazer e gemido de tesão que despertava
em cada célula viva do meu corpo.
 Só de olhar para ele já entrava em combustão espontânea, imaginando
seus dedos dentro de mim, enquanto sua boca tomava a minha e sua língua
garantia momentos extraordinários de prazer incondicional amaldiçoando
meu clitóris e levando-me ao orgasmo. Eu já estava excitada novamente.
Aproximei-me lentamente, abri porta sem pedir permissão e me juntei a ele
no banho. 
 Abracei sua cintura por trás encostando meus seios em suas costas e
beijei seus músculos contraídos, tensos. Um chiado saiu de sua boca
denunciando o quanto também estava excitado, além de irritado, chateado e
apreensivo pela minha decisão, que para ele, era equivocada.
 
— Preciso que confie em mim, Bruno. — pedi entre os beijos
molhados que espalhava em seus músculos definidos — Preciso saber que
estará me esperando quando eu voltar. — minhas mãos desceram até seu pau
que demonstrava interesse na brincadeira e passei a masturbá-lo calmamente,
como ele havia feito minutos antes de me penetrar na sala — Eu não quero
outro homem, meu amor, apenas você...
 
 Em um movimento rápido Bruno virou de frente para mim e sua boca
devorou a minha, apressada, aflita, necessitada, como se não me sentisse ou
tocasse há muito tempo. Suas mãos seguraram minha bunda e fui suspendida
e empurrada contra a parede de maneiraviolenta, sentindo o azulejo gelado
esfriar temporariamente meu corpo que ardia em calor.
 
— Presta bastante atenção no que eu vou te falar agora, Veridiana. —
sua voz era autoritária, potente. Posicionou seu pau enrijecido na minha
entrada — Essa boceta não vai ser fodida por outro pau. — empurrou com
força dentro de mim sem prévio aviso, apertou meu pescoço e chupou meu
queixo — Eu não vou admitir nenhum outro homem te tocando. Só eu posso
te foder desse jeito! — meteu mais forte causando uma pontada de dor, me
forçando a gemer e agarrar seus ombros em total falta de controle — Eu vou
te comer todos os dias, até você não aguentar mais dar essa boceta deliciosa
pra mim... mas eu não vou parar, porque depois eu vou foder teu cu e depois
a tua boca e não vai ter um único lugar desse seu corpo que não vai lembrar-
se de mim quando aquele filho da puta quiser encostar em você!
 
 Bruno metia, entrava e saía, forte, duro, intenso, bruto. Me fodendo,
me matando de tanto prazer, falando coisas obscenas, eróticas em meu
ouvido que aumentavam meu prazer e me obrigavam a gemer
desesperadamente sentindo o orgasmo se aproximar rapidamente.
 
— Ninguém vai me tocar, amor...
 
 Ao ouvir minhas palavras, sua raiva parecia ainda maior, as estocadas
seguiram mais rápidas, forçando meu corpo contra a parede molhada. Sua
mão direita puxou meu cabelo, quando ele rosnou e me fodeu até sentir uma
pontada de dor. Choraminguei, chamei seu nome como mantra, pedi,
implorei por mais, e Bruno não negou. Ele apenas deu o que pedi.
 
— Eu quero gozar... goza comigo.
 
 Abocanhou meu seio e mordeu com força. Gritei sentindo o calor virar
fogo, incendiando, queimando, entorpecendo, até que a mágica aconteceu e a
explosão contraiu todos os meus músculos em torno de seu corpo. Ele não
parou, seguiu enfurecido, obcecado na corrida pelo próprio prazer,
despejando segundos depois dentro de mim seu líquido quente.
 Corações acelerados, corpos colados, tensos, mesmo depois de uma
trepada que deveria servir como calmante, relaxante, terapia. Bruno amparou
minhas pernas até que meus pés tocassem o chão, encostou sua testa na
minha e sussurrou sem abrir os olhos:
 
— Esquece tudo que falei agora, ok?
— Por que quer que eu esqueça?
 
 Ele se afastou ainda sem me encarar e um tremor subiu pelo meu
corpo. 
 
— Eu não quero que deixe de ser feliz por minha causa, Veridiana. Sei
que ainda ama seu marido, e se quiser reatar seu casamento, apenas faça e
não se preocupe comigo, não se culpe ou tenha pena. 
— Eu não vou ficar com ele, Bruno. — queria que ele soubesse a
verdade. Nada me faria permitir que Guga encostasse em mim — Eu vou
mostrar pra ele que minha vida seguiu e que é você quem eu quero ao meu
lado. Você não consegue confiar em mim?
— Eu nunca duvidaria do seu caráter ou da sua índole, mas não posso
fingir que não sente nada por ele, e pode apostar, seu marido vai usar tudo o
que tiver para te convencer a voltar pra ele.
— Guga vai ter que aceitar minha decisão, e quando perceber que
nunca mais seremos felizes juntos, vai desistir de continuar com essa ideia
ridícula de manter nosso casamento. 
 
 Bruno fixou seus olhos nos meus. Estava triste, mas parecia decidido a
me deixar fazer o que desejava sem questionar.
 
— Ele não te ama, e tá pouco se fodendo para o que você sente. A
única coisa que ele quer é provar que no fim das contas, conseguiu sua esposa
de volta, nada mais.
— Preciso que acredite em mim...
— Eu acredito, mas quando a gente ama acaba fazendo merda. Eu vou
estar aqui, Veridiana, independente da decisão que tomar. Preciso que saiba
disso... eu sempre vou estar aqui pra você. 
 
 Ele seguiu para o quarto me forçando a focar em suas últimas palavras.
Guga precisava me deixar em paz, e só o faria quando soubesse que a mulher
que esteve ao seu lado nos últimos nove anos não voltaria mais para sua
vida. 
 Bruno tinha razão, eu ainda amava meu marido, mas estava disposta a
seguir em frente sem ele. Ser traída acabou com todas as minhas forças e não
havia mais como continuar casada. Talvez algumas pessoas me julgassem por
acreditarem que Guga merecia uma chance, e talvez tivessem razão, mas
aquele perdão que meu marido tanto esperava não iria chegar. 
 Terminei de me enxugar e me juntei a Bruno no quarto, ele estava
terminando de colocar sua roupa quando percebi que se preparava para sair.
 
— Vai sair? — perguntei um pouco sem jeito.
— Pensei em irmos jantar fora, o que acha?
— Eu vou adorar. — sorri e me aproximei dele — Quero te pedir um
favor, posso?
— Claro. 
— Vamos pra São Paulo amanhã?
— São Paulo?
— Quero ver minha mãe e falar com o meu advogado. Podemos ficar
por lá e voltar na quinta-feira, o que acha?
— Bom... não tenho nenhum compromisso por aqui, e posso dar uma
passadinha no escritório do Sidnei pra ver como andam minhas coisas
também.
— Sidnei tem um escritório?
— Tem, é uma contabilidade que o irmão dele administra e ele toma
conta de alguns imóveis que tenho alugados. Faz tempo que não passo por lá,
vai ser bom saber em que pé andam as coisas.
— Ótimo! Assim você já conhece meus pais...
 
 Bruno parou e ficou por um tempo esperando que eu dissesse que era
algum tipo de brincadeira, mas guardei a vontade de rir da cara dele e apenas
apreciei sua expressão de "tá falando sério, mulher?". Era bom de vez em
quando ter o Bruno descontraído e engraçado de volta. Os últimos dias
estavam sendo massacrantes com todas as situações acontecendo ao mesmo
tempo. Seria bom alguns dias afastados, em outros ambientes, até o início da
minha tortura ao lado de Guga.
 
— É... bom... — coçou a cabeça tentando disfarçar o constrangimento
— você acha uma boa ideia?
— Por que não seria? — encarei seus olhos escuros lindos, brilhantes e
pude ver todo amor que sentia por mim refletido neles — Você é meu
namorado, Bruno. Minha mãe vai ficar uma fera se souber que estamos
juntos pelas redes sociais.
— Se é assim, acho que tudo bem...
— Não precisa ficar nervoso, ela é uma pessoa muito especial e vai
adorar você, assim como eu adoro.
 
 Bruno sorriu pela primeira vez naquele dia mostrando seus dentes
brancos e perfeitamente alinhados. 
 
— Você me adora, é? — abraçou-me pela cintura e beijou minha boca
— Achei que estava apaixonada por mim...
— E estou apaixonada por você, mas nem por isso deixo de te adorar...
 
 Minha voz saiu fraca, suas mãos apertaram minha bunda e o beijo se
intensificou, mas ele logo se afastou e sorriu com malícia.
 
— Vamos sair logo daqui, senão a única coisa que eu vou comer vai ser
esse rabo delicioso que você tem.
— Eu não iria reclamar.
— Eu sei disso, sua safada. Pensa que eu não vi como ficou enquanto
eu fodia esse cuzinho apertado? 
— Sabe que uma das coisas que eu mais adoro em você é esse seu lado
romântico, não sabe?
 
 Bruno gargalhou e me abraçou por trás, sussurrando em meu ouvido:
 
— Eu sou a porra de um romântico, Veridiana, mas quando se trata de
você... eu só penso em coisas que não têm a menor condição de ser delicado.
— Pode me dar alguns exemplos? — joguei minha cabeça para trás e
rebolei na sua virilha, provocando-o.
— Eu amo foder essa boceta gulosa, adoro quando rebola no meu pau e
grita meu nome, fico louco quando monta em mim e engole meu pau, e agora
eu vou ficar fodidamente viciado em comer esse cuzinho gostoso que
estrangulou minha rola de tão apertadinho que é...
— Ai, meu Deus...
— Não, Veridiana... eu não seu Deus. Eu sou o homem que quer você
inteira, só pra mim. — se afastou e arrumou seu membro dentro da calça —
Agora deixa de ser oferecida e termina de se arrumar, antes que eu te jogue
nessa cama e te foda de novo. Tô te esperando lá embaixo.
 
 Como ele poderia duvidar do que eu sentia por ele? 
 Bruno me deixou em um estado deplorável de excitação. Minha boceta
pulsava molhada, e aquilo tudo apenas por causa de algumas palavras safadas
que ele havia dito em meu ouvido. Nada, nem ninguém me afastaria dele e eu
iria provar que não era uma mulher frágil, muito pelo contrário, eu não era
uma mulher de perdões.CAPÍTULO 29 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 Vestido azul marinho, frente única agarrado ao corpo até a altura dos
joelhos, sandálias pretas com salto alto, cabelo solto, maquiagem leve. Esse
foi o modo como saí com Bruno para jantar em uma cantina italiana onde ele
havia feito uma reserva de última hora.
 O clima entre nós estava bom, decidimos deixar o assunto "sete dias
com o seu marido" de lado e curtir os momentos juntos, apenas nós dois, sem
stress ou qualquer outro tipo de problema que pudesse nos aborrecer ou
afastar ainda mais.
 Fomos conduzidos pelo maître até a mesa afastada, e quando o garçom
anotou nossos pedidos, iniciamos uma conversa agradável sobre as coisas que
gostávamos de fazer. Bruno pediu um vinho delicioso. Nosso sorriso era fácil
e o homem que me acompanhava, além de lindo e inteligente, era engraçado
e divertido.
 Antes de começarmos a comer, ouvimos um burburinho entre as
pessoas que jantavam, e foi então que a imagem de Guga e Marcelo surgiu ao
nosso lado. Os irmãos olhavam sem acreditar no que viam, e ambos pareciam
muito putos da vida, mas nem me dei ao trabalho de me incomodar com
aquilo.
 Apesar do clima tenso, eu e Bruno continuamos a conversar, ignorando
a presença deles, mas como meu futuro ex-marido era um homem que amava
chamar a atenção para si por onde passava, fez questão de tornar as coisas
mais complicadas do que deveriam realmente ser.
 
— Não vai me convidar pra sentar com vocês, Veri?
 
 Guga estava lindo, vestia uma calça jeans clara, camisa preta e um
blazer preto, parecia mais magro, seu cabelo um pouco mais comprido que o
normal, e mesmo assim, conseguia ser um colírio aos olhos.
 
— Não acho uma boa ideia. — respondi apenas, encarando seus olhos
negros como a noite.
— E eu posso saber por quê?
 
 Segurei a mão de Bruno por cima da mesa, e sorri com toda
sinceridade para ele. Queria que soubesse o quanto estava feliz ao seu lado, e
que a presença de Guga não estava me afetando nada, ou talvez, quase nada.
 
— Porque esse é um jantar romântico a dois, Guga.
 
 Seu maxilar enrijeceu, ele encarou Bruno que lhe retribuiu o olhar da
mesma forma. Minha dúvida era quanto tempo iria demorar até que os dois se
atracassem, porque fatalmente iria acontecer, era apenas uma questão de
tempo, afinal.
 
— Já decidiu se vai passar a próxima semana comigo?
 
 Naquele momento tive vontade de desistir, apenas para não satisfazer
seu ego, mas seria uma grande bobeira já que a minha decisão estava tomada
e eu não pretendia deixar que seu egoísmo destruísse minha recente relação
amorosa.
 
— Claro que vou, aliás, amanhã mesmo estarei providenciando os
papeis para que assine.
— Você vai? — a voz de Marcelo atrás do irmão jogador nos chamou a
atenção.
— E por que ela não iria? — Bruno respondeu por mim. Sua mão
acariciando a minha, demonstrando toda a confiança depositada.
— De que papeis você está falando, Veri? — meu marido voltou a me
encarar, seus olhos analisando cada parte do meu corpo.
— Você me fez uma proposta que eu pretendo aceitar, então, nós
iremos oficializá-la. Apenas isso, ou você acha que eu vou confiar na sua
palavra?
— Eu não tava sabendo dessa parte...
— Seu irmão é advogado, deveria ter te avisado que tudo que
combinarmos daqui pra frente estará registrado em cartório, devidamente.
— Você sabe que não vai voltar pra ele, não sabe?
 
 Guga apoiou as mãos na mesa e inclinou o corpo na minha direção, seu
cheiro delicioso invadiu minhas narinas e me peguei pensando na falta que eu
senti dele, durante todo o tempo que fiquei sozinha desde que retornamos da
Grécia.
 Meu marido tinha uma esposa apaixonada esperando por ele todos os
dias e noites em casa, aguardando ansiosamente seu toque e sua atenção, mas
preferiu as baladas e noitadas regadas a bebidas, acompanhado de mulheres
que queriam apenas seu dinheiro e tudo o que sua fama poderia proporcionar
a elas.
 Ele acreditava que o amor que eu sentia por ele seria suficiente para
me fazer perdoá-lo, só não esperava que antes de ser a esposa apaixonada,
carente e iludida, eu era uma mulher orgulhosa que conhecia o meu valor.
Guga jogou meu amor por ele em um saco de lixo, sem o menor remorso, e
ainda se achava no direito de interferir na minha vida como se fosse meu
dono.
 
— Eu não vou voltar pra ele, Guga... — ele esboçou um sorriso que
logo se desfez — porque eu não vou deixá-lo. Esses sete dias com você é o
meu passaporte, e se acha que vai encostar um dedo em mim, é melhor se
preparar pra ter mais uma desilusão na sua vida.
— Eu sei que você me ama, Veri!
— Chega, Guga! — Bruno levantou — Nós estamos jantando, se ainda
não percebeu. Já basta seu irmão invadir minha casa hoje de manhã.
— Sua empregada abriu a porta pra mim! — Marcelo rebateu.
— E pediu pra você nos esperar na sala, e não ir até a academia e pegar
a gente transando! — Bruno apontou para o olho machucado do advogado —
Ou você acha que ele bateu o olho no armário?
 
 Sim, Bruno fez de propósito para que Guga soubesse do ocorrido.
Quase morri de vergonha quando o assunto veio à tona e meu até então,
marido, franziu a testa e me encarou esperando uma confirmação minha.
 
— Que porra ele ta falando, Veri? — Guga alternava seu olhar entre
seu irmão e eu — É verdade essa merda?
— Calma, Guga! — Marcelo tentou amenizar o estrago — Eu não
sabia, ok? Foi sem querer, ou você acha que eu ia querer ver tua mulher
sendo fodida contra a parede por outro homem?
 
 Pronto. Eu só queria uma mínima chance de me enfiar embaixo da
mesa e fugir dos olhares e ouvidos curiosos, atentos à movimentação em
torno da mesa onde estávamos em busca de qualquer informação. Será que
ninguém podia mais transar em paz?
 
— Seu filho da puta! — Guga partiu pra cima de Marcelo e Bruno se
posicionou ao meu lado — Por que não me contou?
 
 Um segurança foi chamado, mas Marcelo logo se soltou.
 
— Queria que eu te falasse o que, porra? — arrumou a jaqueta preta
rosnou — Que outro homem tava fodendo a tua mulher e ela estava
adorando? Vai se foder! Você está atirando na direção errada, brother!
 
 Guga estava suando, seus dentes trincados e o semblante carregado de
ódio.
 
— Eu vou acabar com você, Bruno! Seu desgraçado traidor!
 
 Fiquei em pé e me coloquei à frente de Bruno.
 
— Agora chega, Guga! — minha voz determinada impediu o seu
avanço — Eu já concordei com a sua loucura, nós vamos passar uma semana
juntos, e quando a gente voltar, espero que esteja tudo resolvido. Agora, pelo
amor de Deus, nos deixem em paz.
— Isso tudo é culpa sua, Veri! — Guga cuspiu as palavras — Você
ainda é casada comigo, e não podia fazer isso!
 
 Ele tentou se aproximar, mas com um movimento rápido Bruno tomou
a minha frente.
 
— Nem se atreva a encostar nela!
 
 Guga era poucos centímetros mais alto que Bruno, seu rosto estava
colado ao dele. Os punhos fechados preparados para o embate. Meu coração
saltava no peito, eu não queria que eles brigassem e machucassem um ao
outro. Vários celulares apontados em nossa direção com suas câmeras
ligadas, apreciando a cena entre os dois ex amigos que disputavam a mesma
mulher. Que grande merda eu havia arrumado para minha vida!
 
— Eu nunca vou machucar MINHA ESPOSA!
— Não, você não vai mesmo.
— Ela vai voltar pra mim, seu otário!
— Isso nós vamos ver.
— Eu vou acabar com a tua vida!
— Você já falou isso, Guga. Vira o disco que tá chato pra caralho!
— Sempre engraçadinho, né? Ela me ama, Bruno, e sempre vai amar.
— Mas é o meu nome que ela chama agora, e pra mim, basta.
— Seu filho da puta!
 
 E foi nesse exato momento que a confusão começou. Guga tentou dar
um soco em Bruno que conseguiu se esquivar e revidar. Eles se atracaram
derrubando mesas, cadeiras, pratos, copos, talheres e claro, eu.
 No meio da bagunça, alguém disparou um soco que acertou em cheio
meu rosto. A pancada forte me levou nocauteada ao chão, uma dor latente do
lado direito e o sangue escorrendo pelos lábios. Eu tentei, juro que tentei me
manter acordada, mas foi impossível. A última coisa que ouvi foi a voz de
Guga, longe...muito longe:
 
— Me perdoa, Veri... por favor, me perdoa! Eu não queria te machucar!
 
Será que um dia ele iria parar de me ferir? Fechei os olhos me
entregando à escuridão e ao sono, mas pude reconhecer as mãos quentes em
meu rosto, trêmulas, ansiosas. Relaxei, pois sabia que não estaria sozinha
quando acordasse, e não acordei. A luz do quarto era fraca, facilitando o meu
trabalho para acordar e sentar na cama. 
 
— Como você está se sentindo, chaveirinho? — Bruno levantou
rapidamente e se colocou ao meu lado — Tá com dor?
 
 Seu rosto também estava machucado.
 
— Onde estamos? 
— Na clínica de um amigo meu, achei melhor te trazer pra cá...
— Por quê?
— Porque em poucos minutos a imprensa estaria na porta do hospital
atrás de você, Veridiana, e eu não ia deixar ninguém te usar pra ganhar
ibope. 
— Acho que dessa vez a gente não vai conseguir escapar...
— Não pensa nisso agora. — beijou meus lábios com cuidado —
Comprei nossas passagens pra São Paulo, ok?
 
 Sorri e agradeci por ele ter pensado em tudo. Sair do Rio naquele
momento era a coisa mais sensata que poderíamos fazer. A briga entre ele e
Guga na cantina iria render muitas manchetes de jornais, além de muita
especulação.
 
— Ok. Você está se sentindo bem? — perguntei encarando seus olhos.
— Estou, não precisa se preocupar. 
— Bruno, vocês não podem ficar se agredindo todas as vezes que se
encontrarem.
— Eu sei, chaveirinho. Nós já acertamos tudo.
 
 Oi? Será que eu estava dormindo há tento tempo assim, para ter
perdido alguma coisa? 
— Acertaram o quê? Posso saber?
— Ontem quando você caiu quase desacordada, ele ajoelhou ao seu
lado pedindo perdão e falando um monte de merda, mas... — um sorriso bobo
enfeitou sua boca deliciosa — foi o meu nome que você chamou. Acho que a
ficha dele caiu, sei lá. 
— E o que vocês acertaram? Fala logo!
— O Guga vai ficar longe de você até o fim do coquetel, e no domingo
de manhã vocês viajam. 
 
 Bruno parecia sentir dor, e eu sabia bem como estava se sentindo. Não
havia nada pior do que a incerteza, e eu havia passado por aquilo quando
ainda estava casada. Se não fossem os conselhos da minha mãe, talvez eu
nunca tivesse pegado meu marido no flagra com Bella Campari. 
 
— Então será no domingo?
— Sim. Ele também concordou em assinar o tal documento que você
falou. Aliás, parabéns! Foi uma excelente ideia ter uma maneira oficial de
provar que houve um acordo entre vocês.
— Pra falar a verdade, não foi com o Guga que fiquei preocupada,
Bruno. 
— Não?
— Não... foi com o Marcelo. Ele sim me preocupa, e eu não quero
arriscar. 
— Acho que o Guga nem imagina que aquele idiota é apaixonado por
você.
— Não sei, mas se ele sabe, nunca mencionou. 
— Só de saber que ele viu a gente fodendo, cara... eu tenho vontade de
arrebentar a cara dele!
 
 Puxei Bruno para sentar ao meu lado na cama. Encostei a cabeça em
seu peito forte e inspirei seu cheiro. 
 
— Para de querer bater em todo mundo, ok? Daqui a pouco você vai
abandonar o futebol e começar a praticar MMA.
 
 Ele sorriu, me abraçou e me beijou na cabeça.
 
— Eu nunca vou permitir que ninguém te machuque, chaveirinho.
Ninguém. Agora descansa que daqui a pouco eu vou te levar pra casa.
— Você vai me esperar, Bruno?
 
 Ouvi sua respiração pesada, o coração batendo forte, mas no ritmo
normal. Seu corpo ficou tenso e logo relaxou um pouco. 
 
— Acho que eu nasci pra te esperar, Verdiana... 
 
 Fechei os olhos e adormeci com a certeza de que cada minuto de
espera valeria a pena, pelo resto das nossas vidas. 
 
CAPÍTULO 30 – GUGA
 
Dias atuais...
 
— Bruno...
 
 Puta que pariu! Ela chamou o nome dele, caralho! Eu não podia
acreditar naquela merda! Veridiana em um momento de delírio, praticamente
desacordada no chão, chamou por ele. Porra! Minha cabeça doía e só faltava
escorrer a baba pela boca para diagnosticar a raiva, como a doença causadora
de toda aquela ira dentro de mim, brigando violentamente para ser expulsa
antes que meu corpo entrasse em choque.
 Ela não podia estar apaixonada por ele, claro que não. Impossível!
Veridiana me amava, sempre amou e não iria deixar de amar por causa das
merdas que fiz. Ela estava magoada por ter sido enganada, e eu entendia, mas
o amor que sentia por mim ainda estava lá, eu vi em seus olhos. Minha
esposa ainda me amava, só estava usando Bruno para me punir.
 
— Você não vai ficar? — Marcelo perguntou quando Veri foi levada
para o quarto, depois de realizar alguns exames.
— Não. Preciso extravasar, e aqui não é o melhor lugar pra isso.
— É sério que você quer foder alguma puta?
— Não. Eu quero foder a única puta que consegue me fazer esquecer
toda a merda que é a minha vida, e para de atormentar a minha paciência. —
encarei meu irmão, sentindo o nó preso na garganta — Eu não engoli aquela
história, Marcelo. Ninguém mandou você levar documento nenhum pra ela.
Vamos sair daqui porque eu quero que me explique o que foi fazer na casa
daquele babaca sem a minha autorização.
 Deixamos a clínica e aproveitei para mandar uma mensagem para
Bella, se ela estivesse disponível eu iria fodê-la a noite toda, sem dar trégua,
até que todas as minhas frustrações fossem esquecidas. A morena sabia que a
única coisa que eu queria com ela era sexo, e já estava conformada. Quando
eu contei sobre a ideia de Marcelo para reconquistar minha esposa, ela
aceitou numa boa, o que de fato estranhei, mas Bella Campari parecia ter
entendido que nossa relação nunca passaria daquilo. Apenas fodas casuais. 
 
— Pode começar a falar...
 
 Marcelo bufou irritado, demorou alguns minutos para responder, me
fazendo acreditar que ele estava pensando se realmente deveria me contar a
verdade e os detalhes sobre o que viu. Tudo o que eu mais temia havia
acontecido. Veridiana tinha transado com outro homem, e imagens dela com
Bruno fatalmente iriam assombrar os meus sonhos por muito tempo. Eu tinha
sérias chances de enlouquecer.
 
— Eu estava preocupado com a sua esposa e fui até a casa dele pra
saber como ela estava. Os documentos foram apenas uma desculpa pra me
aproximar dela. Quando eu cheguei lá, a empregada abriu a porta e acho que
me reconheceu, porque deixou entrar e pediu pra que eu esperasse na sala.
Fiquei quase quinze minutos esperando, até que resolvi dar uma volta pelo
quintal e ver como a reforma tinha ficado. — Marcelo inspirou várias vezes
antes de voltar a falar e eu imaginei que ele pudesse estar sofrendo ao lembrar
do que tinha visto — Cara, cê tem certeza que quer mesmo saber? 
— Tenho. — querer eu não queria, mas precisava saber.
— Eu dei a volta pelo quintal, estava distraído e nunca imaginei que
assistiria a cena mais erótica da minha vida, e o pior, que a Veri iria
protagonizar a cena. Sério, brother... foi do caralho! O Bruno tava comendo
ela prensada na parede; cara... ele parecia enlouquecido com aquela mulher e
ela, porra... — Marcelo passava a mão pela cabeça nervoso, ele estava
excitado ao lembrar de ter visto minha esposa com outro homem. Eu sabia
que ele era a fim da Veri, e pelo jeito que estava ao falar dela, só um idiota
para não perceber que meu irmão era gamado nela. Enquanto eu a cada
minuto que passava ficava mais puto da vida. A minha vontade era de voltar
para a clínica onde ela estava internada e arrancá-la de lá, levá-la para minha
casa e tirar cada vestígio de Bruno de seu corpo, mas eu não podia forçar a
barra com ele. Eu teria meu tempo com Veri sem ninguém por perto para
atrapalhar. A ideia do meu irmão de afastar minha esposa do mundo foi
genial. — Não dava pra escutar nada de onde eu tava, mas posso te garantir
que ela gemia muito. A cara dela enquanto ele metia era a coisa mais...
porra... mais erótica, pornográfica, obscena e linda que eu já vi em toda
minha vida, Guga. Sério! Eu não sei como você pôde comer outra mulher
com a Veri em casa.
— Às vezes eu acho que se ela te desse mole, tu também pegava...
— Tá louco? Claro que não... nunca!
— Mesmo se você soubesse que a gente não ia mais voltar?
— Mesmo assim...
 
 Mentiroso! Marcelo só estava negando porque ele sabiaque eu ainda a
queria de volta. Ter Veridiana na minha vida era uma questão de
sobrevivência, eu já não sabia mais o que fazer sem ela. Nada fazia sentido e
a solidão começava a me abalar profundamente. 
 Era difícil chegar em casa e não ter minha esposa para conversar,
beijar, contar minhas neuras. Ela era a pessoa em quem eu mais confiava,
melhor dizendo, a única. Sabia que me amava sinceramente, torcia de
verdade por mim e pelo meu sucesso. Caralho! Eu me sentia um dependente
químico, que usava várias coisas ao mesmo tempo, mas precisava de apenas
uma para viver.
 
— Eu tô preocupado, Marcelo. E se ela não ceder durante a viagem?
— Por que tá falando isso? Você acha que ela realmente tá apaixonada
por ele?
— Apaixonada eu acho que não, mas que aquele desgraçado já fez um
estrago na cabeça dela, isso já fez. Porra, ela chamou o nome dele quando
estava caída no chão, isso quer dizer alguma coisa, certo?
— Eu sei um jeito que pode afastar os dois, mas você vai precisar ter
paciência e confiar em mim.
— Que jeito?
— Se você acha que ela pode realmente estar interessada no Bruno e se
mostrar relutante durante a viagem, a gente pode inverter o jogo e fazer com
que ele não queira mais ficar com ela...
— O que você tá pensando em fazer?
— Só confia em mim, eu conheço as pessoas certas pra ajudarem.
 
 Dei de ombros quando a mensagem de Bella chegou, confirmando que
estaria livre para ficar comigo. Pelo menos alguma coisa valeria a pena
naquela noite de merda. 
 
— Me deixa na casa da Bella.
— Guga, você tá arriscando muito, cara! Daqui a três dias a Veri vai
estar com você. Será que não dá pra esperar, porra?
— Cala a boca e só faz o que eu pedi e não, não dá pra esperar. Eu
preciso esquecer toda essa merda e só fodendo a Bela pra conseguir isso.
— Brother, eu te amo pra caralho, mas eu tô começando a achar que o
Bruno tem razão e você não ama a Veri. Tu só quer mesmo provar que ainda
pode reconquistar a tua esposa.
 
 Qual o problema desses caras? Porra! Eu amava a minha mulher pra
caralho, mas não via nenhum problema em foder uma gostosa de vez em
quando para sair da rotina. Veri era linda, meiga, deliciosa, mas uma mulher
como a Bella podia me levar à loucura com o seu "jeito puta" de ser. Eu
nunca pediria para Veri fazer as coisas que a atriz fazia comigo, de jeito
nenhum. 
 
— Amor não tem nada a ver com sexo, Marcelo. Confia em mim.
— Que bom. Então o fato da Veri ter transado com o Bruno não vai
fazer a menor diferença pra você, é isso?
— Cara, ela tá na casa dele desde segunda-feira. Eu conheço minha
mulher e posso te garantir que se você viu os dois, com certeza foi a primeira
vez que eles ficaram.
— Você escutou uma palavra do que eu te falei?
— Claro. Ouvi tudo.
— O que eu vi não foi uma transa comum, Guga. — meu irmão me
encarou — Eu não sei como era a relação de vocês, mas o casal que estava
fodendo naquela academia, não era nem de longe dois desconhecidos que se
encontraram pra uma foda casual. Tinha muito mais ali, acredita em mim...
— Marcelo, aquela mulher me ama, sempre foi apaixonada por mim.
Ela transou com o Bruno pra se vingar e eu vou relevar. Mas a Veri não gosta
dele, e quando eu ficar com ela durante esses sete dias, eu vou me acabar
naquele corpo delicioso e mostrar pra ela que nenhum homem vai ser tão
bom pra ela como eu sou. 
— Espero que você tenha razão, Guga...
 
 Marcelo me deixou na portaria do prédio em que Bella morava
sozinha. Seu apartamento era bonito, espaçoso e bem decorado. Como o
porteiro já me conhecia, subi sem nenhuma dificuldade. Toquei a campainha,
e para a minha surpresa, uma mulher loira vestida apenas com um conjunto
de renda preto abriu a porta. 
 
— A Bella tá ai? — perguntei fazendo uma avaliação minuciosa no
corpo da gostosa.
— Tá sim, — sorriu e deu passagem para que eu entrasse — ela foi
tomar um banho e pediu pra eu te distrair até ela chegar...
 
 Sentei no sofá me sentindo bem melhor. A loira se aproximou, e sem
se intimidar, sentou no meu colo passando as mãos pelo meu peito. 
 
— O que você quer que eu faça? A Bella pediu pra te deixar bem
satisfeito...
 
 Passou a língua na minha orelha, esfregando propositalmente seus
peitos siliconados em meu braço. Fechei os olhos inspirando seu cheiro
enjoativo e doce; minhas mãos ganharam vida e alisaram seu traseiro grande.
Sorri satisfeito imaginando o que Marcelo iria dizer quando soubesse que em
vez de uma, eu iria foder duas putas durante a noite. 
 Eu precisava aproveitar as últimas noites de liberdade que teria até
viajar com minha esposa. Depois que voltássemos e ela estivesse convencida
de que eu era o cara certo para ela, daria um jeito de dar as minhas saidinhas
de vez em quando. Claro que precisaria ser mais cuidadoso e talvez ficar um
tempo sem vacilar, mas aos poucos iria encontrar um jeito de comer uma
putinha para manter o fogo aceso. Eu só precisava fazer Veri confiar em mim
novamente. 
 
— Pode fazer o que quiser comigo, minha linda, e eu prometo que não
vai se arrepender...
 
 Ela sorriu de maneira safada, abriu o zíper da minha calça e ajoelhou
entre minhas pernas. Tirou meu pau pra fora e passou a fazer o que,
aparentemente, era a sua especialidade. Joguei a cabeça para trás, fechei os
olhos e aproveitei cada chupada. A loira não era minha esposa, mas para o
que eu queria, ela serviria. Pela menos naquela noite.
 
MARCELO (BÔNUS)
 Era impressionante o quanto meu irmão era burro. Sério, ele me
enervava como pouquíssimas pessoas conseguiam. Depois de tê-lo deixado
no prédio em que Bella morava, eu liguei para a atriz.
 
— Oi, bombom! Achei que tivesse esquecido de mim... — a morena que
só se interessava por grana e fama atendeu no primeiro toque.
— O Guga tá subindo. Acabei de deixar ele na tua porta.
— Eu sei. Pedi pra Ruth ficar com ele um tempo. O que você quer que
eu faça?
— Somente o que combinamos. Conseguiu o telefone do fotógrafo?
— Consegui, mas ele vai cobrar uma nota preta pra ficar à sua
disposição durante uma semana inteira, Marcelo. Tem certeza que vale a
pena pagar?
— Até umas horas atrás eu estava na dúvida, mas depois do que
aconteceu hoje, tenho certeza que a Veri está mesmo apaixonada pelo Bruno
e não vai ceder ao Guga. 
— E você acha que se o Bruno vir as fotos dela com o Guga durante a
viagem, ele vai sair fora?
— Não sei, mas com certeza vai abalar a relação deles e facilitar o seu
lado quando chegar a hora.
— Bom... se você está falando, eu acredito. 
— Segura meu irmão aí na tua casa até amanhã à noite, nem que tenha
que dopar ele de novo pra não se lembrar de nada. Vou agilizar as coisas e
providenciar tudo pra viagem deles e dar um jeito de embarcar o fotógrafo no
mesmo voo.
— Já sabe pra onde eles vão?
— Já, mas isso nem você vai saber. Não posso correr o risco de alguém
descobrir.
— Pode deixar, vamos dar uma canseira nele e depois eu apago ele. 
— Já sabe, Bella, nunca me viu, não me conhece e nem sabia que o
Guga tinha um irmão.
— Pode deixar, bombom. Se você prometer me dar aquele "trato" de
sempre, eu faço tudo o que quiser...
— Pode contar com isso, mas só quando eu estiver com tudo resolvido.
 
 Desliguei o telefone e parei o carro em frente à clínica onde Veridiana
estava internada. Faltava bem pouco para ter tudo do jeito que eu queria, e
depois que tudo tivesse finalmente terminado, eu faria minhas malas, partiria
para Nova York e longe de todo mundo, faria a mulher que deveria ser minha
há muito tempo enxergar o verdadeiro Marcelo.
 
CAPÍTULO 31 – VERIDIANA
 
Dias atuais...
 
 O avião pousou em São Paulo às três horas da tarde, fomos direto ao
hotel para deixarmos as malas pequenas e seguimos para a casa dos meus
pais. Eu estava com saudade da minha mãe e ansiosa para apresentá-la a
Bruno. Claro que ela iria gostar dele, mas a opinião dela era muito importante
para mim, então, queria ouvir dela.
 A casa era simples, ficava em um bairro de classe média e tinha um
bom espaço. Minha mãe vivia apenas com meu pai, eu não tinha irmãos.
Toda a sua família morava no interior e hámuito tempo não mantinham
contato. Dona Amélia era uma mulher reservada, trabalhava muito e não
tinha amigas. Sua vida foi muito sofrida desde que nossa casa foi totalmente
destruída por um incêndio e fomos obrigados a nos mudar para a favela Santa
Tereza. Meu pai caiu em depressão profunda e ficou acamado, forçando-a a
trabalhar no lugar dele na feira.
 Depois do meu casamento com Guga, a vida melhorou muito e
pudemos ajudá-los a reconstruir o negócio de que tanto gostavam.
Compramos um imóvel, que era praticamente um galpão, e construímos um
hortifruti, que meus pais administravam com muita eficiência e viviam com
os lucros do negócio.
 
— Tem certeza, Veridiana? — Bruno perguntou pela terceira vez
quando o táxi parou em frente à casa branca de muro alto.
— Não me diga que está com medo!
— Não é medo... apenas um pouco apreensivo. Não me lembro de ter
sido apresentado a nenhuma sogra antes.
— Que bom saber disso, pelo menos serei o seu “primeiro” em alguma
coisa...
— Você foi a primeira em várias coisas, chaveirinho. 
 
 Descemos do carro depois de pagar ao motorista e nos aproximamos
do portão grande e alto de ferro.
 
— Fui, é?
— Claro. Eu nunca tinha ficado com uma mulher casada, você foi a
primeira. Nunca tinha me interessado pela esposa de um amigo, você também
foi a primeira. Nunca me envolvi em nenhuma briga por causa de mulher,
você foi a primeira que me fez querer socar a cara de um homem... já são três
coisas que pode se gabar. 
 
 Sorri.
 
— Você acha que fico feliz por ter sido a primeira mulher a causar
tanta confusão na sua vida? 
— Deveria. — me abraçou e beijou minha boca — Isso tudo só
aconteceu porque eu me apaixonei por você, então, pode acrescentar mais um
fato inédito à lista, porque você foi a primeira mulher que eu realmente
gostei.
— Prefiro lembrar só disso, os outros itens a gente acrescenta como
consequências.
 
 Toquei a campainha e logo minha mãe abriu o portão com um sorriso
lindo no rosto. Ela era uma mulher jovem e muito bonita, embora tivesse
adquirido alguns quilos extras com o passar dos anos.
 
— Que saudade, minha filha! — ela me puxou para um abraço
daqueles de urso — Eu nem acreditei quando disse que já estava de volta.
Achei que iria ficar até sábado no Rio.
— E ia mesmo, mãe. Mas resolvi vim te ver e passar no Edu pra
mostrar pra ele alguns documentos. — me afastei um pouco e segurei a mão
de Bruno para fazer a apresentação — Eu também queria que conhecesse o
Bruno, mãe.
 
 Ela sorriu e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
 
— Meu namorado. — completei, vendo seu rosto ficar sério.
— Namorado? E desde quando vocês estão namorando?
— É uma longa história. A gente pode entrar?
— Ai, meu Deus... desculpa sua mãe, mas vocês me pegaram de
surpresa com essa notícia. Vem. Entrem que eu vou passar um café.
 
 Entramos de mãos dadas e fomos direto para a cozinha. Bruno estava
totalmente constrangido e minha mãe muito curiosa. Sentamos em volta da
mesa, enquanto ela pegava a chaleira para esquentar a água. Dona Amélia
tinha uma cafeteira de última geração, mas se recusava a preparar café nela.
Coisas de mulher...
 
— Você saiu daqui dizendo que iria pro Rio levar os documentos pro
Marcelo e assinar o contrato com a editora, agora volta namorando. Pode me
explicar?
— Vou resumir. O Guga conseguiu me tirar do sério, foi atrás de mim
na casa do Binho e só piorou a nossa situação. Reencontrei o Bruno por acaso
no Cristo e acabamos ficando juntos. Foi isso.
— Então você já conhecia a Veri, Bruno?
 
 Meu namorado até se assustou com a pergunta repentina.
 
— Conheci Veridiana na Grécia, eu jogava no mesmo clube que o
Guga.
— Outro jogador, minha filha? — minha mãe continuava de costas
preparando as coisas na pia — achei que dessa vez seria um advogado ou um
médico, talvez.
 
 Eu sabia que ela estava sorrindo pelo tom de brincadeira com que
falava, e embora Bruno não a conhecesse, também percebeu a diversão.
 
— Pois é, acho que não tenho muita sorte de qualquer forma...
 
 A conversa foi animada durante o café, e logo meu pai chegou nos
fazendo companhia e bombardeando Bruno com perguntas sobre futebol. Os
dois embalaram no assunto e minha mãe me chamou de canto para fazer o
que fazia de melhor, me dar conselhos.
 
— Você está certa em ficar com seu marido esses dias, filha, mas tenha
cuidado. Não tô acreditando que o Guga vai permitir que esse seu namoro se
torne fácil. 
— Eu sei... mas ele não pode fazer mais nada quanto a isso. Eu estou
muito feliz, mãe, como há muito tempo não estava. 
— Dá pra ver que vocês se gostam apenas pelo modo como se olham, e
eu fico muito feliz por você ter encontrado esse moço, Veri. Apenas fique
atenta e não deixe que ele estrague tudo.
 
 No início da noite de quinta-feira deixamos a casa de meus pais e
voltamos para o hotel, jantamos no quarto, fizemos amor e dormimos juntos,
agarrados até o dia amanhecer. Na sexta-feira, enquanto eu visitava meu
advogado e amigo para preparar toda a documentação do acordo, Bruno foi
até a empresa de Sidnei avaliar seus investimentos e nos encontramos para
voltar ao hotel no fim da tarde.
 No sábado de manhã pegamos o avião de volta ao Rio e fomos direto
para a casa de Bruno, onde iríamos nos arrumar para o coquetel da editora
Massam que seria naquela mesma noite. Vários sites de fofoca haviam
publicado vídeos e fotos da briga entre Guga e meu namorado, na cantina
onde nos encontramos, mas decidimos ignorar tudo e fomos juntos ao evento.
 Eu estava com um vestido preto, longo, bem decotado e justo. Meu
cabelo preso em um coque despojado destacava meu rosto maquiado, e
Bruno vestia um terno feito sob medida preto que o deixou ainda mais bonito
e gostoso. Chegamos à boate no horário marcado e fomos surpreendidos pela
enorme quantidade de convidados, entre eles vários empresários do ramo
editorial, artistas e alguns políticos.
 Música alta, bebida, gente bonita e um ambiente que não me era
familiar. Bruno não saiu do meu lado nem por um minuto, mas as coisas
acabaram mudando um pouco quando Guga chegou acompanhado da amiga
de Bruno, a assessora de imprensa da editora, Dani Canja. Assim que nos viu,
o casal se aproximou e logo o clima esquentou.
 
— Como vai, Bruno? — ela cumprimentou meu namorado de maneira
íntima, o que me causou certo incômodo, como da última vez em que
havíamos nos encontrado. — Está um gato hoje!
— Estou muito bem, Dani. Obrigado.
 
 A mulher alta e elegante fez questão de avaliar minha roupa
descaradamente, enquanto meu ex-marido mantinha seus olhos na mão de
Bruno que abraçava minha cintura.
 
— Linda como sempre, Veri! — segurou a mão de Guga sorridente —
Acho que não preciso apresentá-los, não é mesmo?
— Como vai, Veri? Sua cabeça melhorou? — ele perguntou com uma
timidez que não era uma de suas características marcantes.
— Estou. Só espero não ter que passar por uma situação como aquela
novamente.
— Não vai se repetir, eu prometo. — encarou Bruno em desafio
voltando à sua postura altiva e confiante de sempre — Nós já nos
entendemos. Certo Bruno?
— Eu já falei pra Veridiana sobre isso, ela não vai se machucar de
novo. 
 
 Certo, o clima estava tenso, eu estava nervosa e a tal de Dani Canja
apenas se divertia entre o fogo cruzado. Vaca!
 
— Por que não vem comigo até o camarote, Bruno? Gostaria de
apresentar alguns amigos pra você...
 
 Ela era mesmo uma vaca oferecida, mas eu era uma mulher de sorte e
meu acompanhante não lhe deu a atenção que achou que teria.
 
— Estou bem aqui, Dani. Quem sabe uma outra hora?
 
 Seus braços me apertaram ainda mais, deixando claro que ele não iria a
lugar algum sem a minha companhia.
 
— Então vamos deixá-los à vontade. Guga, vem comigo?
 
 Meu futuro ex-marido a seguiu contrariado, olhando para trás várias
vezes e muitas vezes depois quando já estava no camarote ao lado da
assessora de imprensa. Bruno foi cumprimentado por várias pessoas, homens
e mulheres, e me apresentou como sua namorada a todos. Vez ou outra foi
questionado sobre o seu contrato com o time grego e sua permanênciano
Brasil com uma possível transferência para um time nacional.
 O presidente da Editora Massam fez um pequeno discurso sobre a
primeira franquia que seria inaugurada em Nova York e agradeceu a todos os
seus colaboradores pelo empenho e dedicação nos últimos meses. Quando
decidimos deixar a boate, encontramos Marcelo, que sorriu de forma
amigável quando nos viu em frente ao bar.
 
— Que bom encontrar vocês aqui. Podemos falar por um minuto?
— Estamos de saída, melhor deixarmos pra outra hora.
 
 Bruno parecia muito incomodado com a abordagem do meu ex-
cunhado e não fez questão de esconder.
— Tudo bem. — Marcelo não perdeu a pose — Enviei pro seu e-mail
todos os detalhes da viagem. O motorista vai passar na sua casa amanhã ao
meio-dia.
— Mande ele passar na minha casa, Marcelo, a Veridiana estará lá
comigo.
 
 Bruno respondeu sem dar nenhuma chance de iniciarmos um diálogo,
me puxou e me conduzia para a saída quando o advogado tentou uma
provocação.
 
— Você agora faz tudo o que ele quer, Veri? — olhei em sua direção e
pude contemplar seu sorriso irônico — Nem responder a uma simples
pergunta você pode agora?
 
 Senti meu sangue ferver nas veias, e depois de muito tempo me
controlando para manter a educação, decidi dar um basta.
 
— E você, Marcelo, consegue fazer alguma coisa além de passar
metade do seu tempo tentando consertar as merdas do seu irmão? — dei o
meu melhor sorriso — Eu vou estar na casa do meu namorado até amanhã,
então, mande o motorista passar lá ao meio-dia pra me levar pra essa viagem
ridícula que vocês inventaram pra tentar me convencer a ficar com ele. Não
sei qual de vocês é mais patético: se ele por achar que eu vou perdoar e voltar
correndo para os braços dele, ou você por achar que é melhor do que ele...
 
 Puxei Bruno pelo braço e segui com ele até a saída da boate. 
 
— Apesar de ter adorado o que falou, você não precisava se expor
daquele jeito.
— Eu sei disso, mas não aguento mais essas acusações, ainda mais
feitas por um homem como Marcelo.
— Você não gosta dele?
— Não gosto e nem desgosto, mas depois de tudo o que me falou, acho
que tem o dedo dela nessa ideia da viagem.
— Ele quer você, Veridiana. Por que arrumaria um jeito de fazer o
Guga te reconquistar?
 
 Bruno parecia alheio a tudo, mas a minha intuição dizia muitas coisas. 
 
— Porque pra ele será mais fácil me controlar e estar presente em nossa
vida se eu estiver por perto e casada com o irmão dele.
— Olhando por esse lado você pode ter razão. — Bruno entendeu meu
ponto — Se você assinar o divórcio e se mudar para Nova York, ele não terá
mais motivos para se manter próximo.
— Eu realmente queria acreditar que Marcelo só está preocupado com
o Guga, mas a verdade é que não engoli essa história de viagem, e
conhecendo meu ex-marido como conheço, sei que ele não pensaria em
alguma coisa desse tipo para tentar me convencer a ficar. 
— Veridiana... eu confio em você e sei que se decidir voltar pra ele,
serei o primeiro a saber.
 
 Paramos em frente ao carro de Bruno e antes de entrar, abracei sua
cintura e encarei seus olhos lindos.
 
— Preciso que me prometa que vai esperar eu voltar antes de tomar
qualquer decisão, Bruno.
— Por que está me pedindo isso?
— Porque estou pressentindo que tem coisa por trás disso tudo e eles
vão aprontar alguma pra separar a gente. Promete pra mim que vai me
esperar, Bruno? Que não vai fazer nada até que eu volte e converse com
você?
 
 Bruno retribuiu o abraço, virou e pressionou meu corpo contra o carro.
Seu corpo me espremeu, sua boca saqueou a minha e sua língua iniciou uma
dança sensual com a minha enquanto suas mãos subiam a barra do meu
vestido.
 
— Eu prometo, chaveirinho.
 
 Foi apenas um sussurro em meu ouvido para que todo meu corpo
esquentasse como forno pronto para assar um bolo, e no estacionamento
vazio da boate, em plena madrugada de sábado na cidade do Rio de Janeiro,
vivi mais um momento que se tornaria inesquecível na minha vida. 
 
CAPÍTULO 32 - BRUNO
Dias atuais...
 
 Meu corpo pressionava Veridiana contra a porta do carro, minhas
mãos deslizaram até a barra do seu vestido justo trazendo-o para cima,
deixando à mostra sua boceta coberta por uma calcinha fio dental da mesma
cor. Ela afastou ainda mais as pernas, facilitando o acesso dos meus dedos no
meio da sua carne macia e quente. 
 
— Vou te foder aqui mesmo, Veridiana... não aguento esperar chegar
em casa. 
 
 Falei ao pé do ouvido quando enfiei um dedo dentro dela. Suas mãos
apoiaram em meus ombros, gemendo e rebolando.
 
— Me fode, Bruno... eu não ligo...
 
 Mordisquei sua orelha sentindo seu corpo totalmente entregue à
luxúria, mas havia algo mais. A mulher que desesperadamente procurava
meu dedo entre suas pernas estava querendo me mostrar que me desejava a
ponto de não se importar, caso alguém nos visse fodendo no meio de um
estacionamento escuro. 
 
— E se alguém aparecer? 
— Que se dane! Eu não dou a mínima pra isso, só você me importa!
 
 Tomei sua boca com mais força e me vi querendo dobrar seu corpo ao
meio. Porra! Ela estava apaixonada por mim também! Claro! Qual mulher em
sã consciência deixaria ser levada por um momento de excitação e correria o
risco de ser flagrada em um momento tão íntimo se não fosse com o homem a
quem pertencia? 
 Era aquilo que Veridiana queria me provar, que ela estava comigo e
pouco se importava se Guga, Marcelo ou qualquer outro infeliz visse ou
soubesse sobre nós, o que fazíamos ou como fazíamos. Ela era minha e tinha
se apaixonado por mim. 
 Meu coração acelerou como nunca havia acelerado, senti o suor
escorrer pela testa e descer pelo rosto. Esfreguei meu pau completamente
enrijecido em sua boceta quente por cima da calcinha, aumentando sua
aflição em busca do alívio. 
 
— Eu vou te mostrar como eu gosto de te foder, Veridiana!
— Mostra, por favor...
 
 Girei seu corpo e a coloquei apoiada no capô do carro, seus braços
estendidos, seu tronco inclinado e sua linda bunda branca completamente ao
meu dispor. Empinada, aberta e suculenta. Abaixei atrás dela e afastei sua
calcinha para o lado, enfiei minha língua em sua boceta e saboreei o melhor
sabor do mundo, do meu mundo particular. 
 Veridiana rebolava na minha cara, ensandecida, alucinada; gemia,
choramingava, pedia por mais. Minha mulher sempre queria mais.
Desabotoei o zíper da calça social e tirei meu pau para fora, duro e dolorido.
Agarrei seu cabelo e forcei sua cabeça para trás, tomando sua boca que não
conseguia se manter em silêncio. 
 Ela queria que nos ouvissem, nos flagrassem. Ela queria que
soubessem que estava sendo fodida pelo seu homem e se sentia feliz com
aquilo. Ela queria mostrar que era o meu pau que desejava ter dentro dela,
fora dela, para ela e também sabia que eu faria qualquer coisa para tê-la
comigo. 
 
— Empina. — ordenei e ela obedeceu instantaneamente.
 
 Posicionei meu pau e puxei seu cabelo com mais força, sentindo o
maxilar doer de tão tensionado que estava.
 
— Rebola. — ela rebolou e me presenteou com um gemido baixo
quando sentiu a cabeça do meu pau invadir miseramente sua boceta deliciosa.
— Segura com força, Veridiana, porque eu não vou ter pena dessa
boceta gulosa.
 
 Meti, mordi, apertei. Tudo ao mesmo tempo levando meu corpo ao
conhecimento de novos sentimentos e novas emoções dentro dela. Sua
lubrificação fora do normal me proporcionou um prazer que eu nunca havia
experimentado, sua boceta parecia ter sido lambuzada com mel e eu tinha
sido convidado para assumir o posto de abelha-rainha daquela colmeia
obscena. 
 Aquela mulher seria minha perdição e minha ruína. Mas, o que seria de
mim dali em diante sem ela ao meu lado, certo?
 
— Essa boceta parece que tem mel... — meti fundo, forte, gostoso.
— Eu vou gozar...
 
 Soquei com mais força empurrando o quadril; apertei seu grelinho
duro entre os dedos e mordi seu ombro próximo ao pescoço. Veridiana
gritou, se contorceu e gozou. Saí de dentro dela e a virei de frente, ajoelhei e
abocanhei seus lábios inchados e seu clitóris sensível com a ponta dos dentes,
saboreandoseu líquido e prolongando seu prazer. 
 Ela se assustou com a minha atitude, imaginei que não soubesse ser
possível aumentar ainda mais o gozo. Agarrou meu cabelo forçando minha
cabeça para o meio de suas pernas, esfregando sua boceta na minha cara.
Levantou um joelho e me ofereceu mais espaço, que recebi com muito prazer,
claro. Tê-la à minha disposição, entregue, arreganhada e louca para ser
devorada era tudo o que eu mais queria na minha vida. 
 
 Fiquei em pé e meti novamente em sua boceta quente.
 
— Agora toma meu pau minha putinha! — suas mãos envolveram meu
pescoço e sua perna levantada continuava apoiada em meu braço. Seus
gemidos evidenciavam uma pontada de dor, acredito que não só pela
intensidade das estocadas, mas pela forma como meu pau socava fundo sua
boceta, alcançando um ponto além do habitual. — Consegue sentir,
Veridiana?
— Sim... ahhh...
— Consegue sentir o quanto meu pau ama foder essa boceta?
— Não para, Bruno! Não para!
 
 Abaixei a parte da frente do seu vestido e me esbaldei em seus seios
pequenos e durinhos, um de cada vez, sem cessar as investidas brutais em sua
boceta. Tomei sua boca aniquilado por emoções fortes. Eu não queria que ela
viajasse com aquele idiota, mas como sua decisão estava tomada, resolvi que
faria com que ela não me esquecesse durante os sete dias que ficaria longe de
mim.
 
— Não quero ninguém no meu lugar. — soquei ainda mais possesso —
Não deixa ele tocar em você!
 
 Veridiana tentava manter seus olhos abertos, mas em meio ao prazer
que sentia, mal tinha forças para falar. Eram gemidos, palavras inacabadas e
gritinhos de dor quando meu pau atingia o seu limite. Dentro, fora, dentro,
fora, forte, fundo, constante, insistente. Chupei seu pescoço, deixei minha
marca arroxeada e gozei, sentindo meu corpo ceder ao esgotamento físico e
mental que a última semana havia trazido.
 
— Ninguém vai tocar em mim. Por favor, acredite.
 
 Ela me olhava fixamente, suas lágrimas desciam molhando seu rosto
avermelhado e suado. Saí de dentro dela e apoiei minha cabeça no vão do seu
pescoço, absorvendo seu cheiro, sentindo seu calor, acreditando em suas
palavras. Era tudo o que me restava, nada além daquilo poderia ser feito.
 
— Eu acredito, chaveirinho. Agora vamos embora descansar um pouco
que eu pretendo te comer até a hora de você me deixar.
— Não sei se vou conseguir dormir... já te quero de novo dentro de
mim.
— Você tá ficando insaciável, Veridiana... mas eu prometo que não vou
te decepcionar. Vamos?
 
 Ela arrumou o vestido e entrou no carro; dei a volta e fiz o mesmo.
Manobrando o carro para sair do estacionamento, uma luz vermelha chamou
minha atenção em uma das portas laterais da boate.
 
— Acho que fomos filmados. — comentei olhando pelo espelho
retrovisor.
— Eu sei. 
 
 Fingi não me abalar com sua afirmação.
 
— Sabe quem é?
— Não tenho certeza, mas imagino quem seja.
 
 Veridiana me olhava em sua calmaria, o que me deixava ainda mais
orgulhoso dela. Dentro da boate sua resposta para Marcelo poderia ser
considerada seu ponto máximo de descontrole. Desde que a conheci, nunca
presenciei rispidez ou agressividade em qualquer ocasião. Ela era uma
mulher inteligente, evitava confrontos e discussões desnecessárias, optava
sempre pelas ações e raramente pelas palavras. 
 
— Marcelo?
 
 Ela afirmou com a cabeça.
 
— Eu vi a luz vermelha na porta, e logo imaginei que era um celular.
— Deve ter ficado louco depois do que viu na academia, só pode.
 
 Coloquei o carro em movimento na direção da minha casa, passeando
pelas ruas que estavam com pouco movimento devido ao horário adiantado,
era quase duas horas da manhã.
 
— Eu nunca tive muito contato com ele, mesmo quando morávamos na
favela. Marcelo sempre foi um cara fechado, pelo menos comigo. — deu de
ombros — Já cheguei a pensar que o Guga só quis que eu fosse embora com
ele pra não me deixar perto do irmão, sei lá... não consigo mais olhar pra ele
e não sentir uma coisa estranha.
— Estranha como? 
— Não sei explicar. Medo, talvez?
— Medo dele fazer alguma coisa? 
— Não... medo de como ele me olha. Depois que a gente voltou pro
Brasil, eu pouco encontrei com o Marcelo, ele sempre ligava para
conversarmos, mas era o nosso único contato. Agora parece que ele está em
todos os lugares, não paro de trombar com ele, e não gosto de me sentir
assim. 
— Eu vou ficar de olho nele. O Marcelo parece que é o único que sabe
pra onde o Guga vai te levar, e eu também não gosto disso. 
— Pois é, eu também não gosto nada disso...
 
 Chegamos em casa e fomos direto para a cama, mas a conversa sobre o
irmão de Guga não saía da minha cabeça. Sem conseguir dormir, levantei e
fui ao banheiro. Quando voltava para deitar reparei que a cortina estava
aberta e poderia atrapalhar o sono de Veridiana quando o sol entrasse pela
manhã. 
 Havia um carro preto parado em frente à porta da minha casa que não
estava lá quando chegamos da boate. Estranhei e continuei observando para
tentar descobrir se havia alguém dentro, mas infelizmente não consegui ver
nada e voltei a dormir. 
 Horas mais tarde, Veridiana acordou cheia de tesão. Fizemos amor no
quarto e descemos para tomar café. Eu já havia notado que ela estava
comendo pouco e tinha perdido peso, conversamos a respeito e ela me
garantiu que não passava fome, mas era nítido que estava sob stress, e a falta
de apetite era apenas um dos sintomas.
 Conforme o tempo ia passando, meu coração ia se apertando e a
angústia começava a ficar evidente. Veridiana estava mais quieta, sua
expressão era de puro tormento, e mais uma vez, as lágrimas desceram pelo
seu lindo rosto. A vontade de matar Guga era monstruosa, e imaginar que os
próximos dias seriam ainda piores, tornava aquele desejo até justificável,
embora eu soubesse que o máximo que iria conseguir fazer era arrumar outra
briga e acerta-lhe mais alguns belos socos.
 
— Não vamos pensar que é uma despedida, ok? — falei abraçando-a
depois do banho.
— Eu só... estou com medo de você não estar aqui quando tudo isso
acabar.
— Claro que eu vou estar aqui, Veridiana. Prometemos, não foi? 
 
 Ela se jogou em meus braços e mais uma vez tive seu corpo sob meu
domínio e a fodi sentado na privada, enquanto ela quicava no meu pau com o
corpo virado para a pia do banheiro. Chupei suas costas e marquei sua pele
com meus dentes e lábios, só pra deixar Guga ciente de que aquela mulher
não era mais dele, e sim... minha.
 Ao meio-dia em ponto o interfone tocou, acompanhei Veridiana até a
porta e encontramos o motorista que a levaria embora. Nós não sabíamos
para onde Guga a levaria, e estava disposto a oferecer um rim ou outro órgão
qualquer em troca daquela informação. 
 
— Eu já volto... — sussurrou no meu ouvido ao se aproximar de mim
— me espera, tá bom?
— Não vou sair daqui. Eu prometo. — beijei sua boca suavemente para
guardar seu gosto — Se arrumar um jeito me liga. 
— Vai ser meu principal objetivo.
— Não. Seu objetivo principal é garantir a ele que não o ama mais e
que deseja seguir em frente, ser feliz e dar essa bocetinha pra mim todos os
dias. — pisquei um olho, sorri e beijei sua testa — Não demore, porque eu já
estou sentindo a sua falta.
 
 Ela entrou no banco de trás do carro e acompanhei com os olhos o
momento da sua partida. Bufei irritando me sentindo perdido, sem saber
muito bem para onde ir. Quando virei de costas para entrar em casa, ouvi
meu nome sendo chamado.
 
— Bruno!
 
 Travei na hora. Ouvir aquela voz parecia um revide da vida. Eu só
poderia estar delirando mesmo...
 
— O que você está fazendo aqui?
 
 Milena se aproximou para que eu enxergasse seu rosto ferido, e só
então notei que a porta do porta-malas do carro preto estacionado, era o dela.
 
— Eu sei que a esposa do Guga foi embora e provavelmente não vai
mais voltar, então resolvi vir até aqui e te implorar para que me deixe ficar
com você por alguns dias.
— A resposta é a mesma: não.
 
 Eu queria mandar ir se foder, só por ter falado aquelas merdas todas,
mas eu já estava puto demais para prolongar uma conversa com Milena.

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