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Introdução à Anatomia OS TIPOS DE ANATOMIA A anatomia (ciência) é o estudo da estrutura do corpo humano (de forma macroscópica- o que conseguimos enxergar a olho nu) Início da Anatomia: Mesopotâmia e Egito Antigo (prática de mumificação). Foi na Grécia que a anatomia passou a ser considerada ciência. Herófilo (335 a.C- 280 a.C) (Escola de Alexandria): primeiros estudos anatômicos relevantes (dissecações públicas); vasos contem sangue e não ar. Erasistrato (310 a.C- 250ª.C) (Escola de Alexandria): descobriu que o coração funcionava como bomba e distinguiu artérias de veias Mais feitos da Escola de Alexandria: sincronismo entre pulsação arterial e batimento cardíaco; prensa de Herófilo: confluência dos seios; diferenciação de cérebro e cerebelo; descreveu os nervos óticos e oculomotor e estruturas oculares; sede da inteligência: cérebro; descreveu: meninges etc. Idade Média: sacralidade do corpo: estagnação da anatomia; dissecação: considerada crime cujo castigo era a fogueira; Universidade de Bolonha (1315): dissecações de cadáveres humanos, com finalidade de ensino; obrigatório uso de cadáver para cirurgiões- Universidades. Cláudio Galeno: “A anatomia seria o fundamento da medicina”; aperfeiçoou seus estudos na escola de Alexandria; transposições ao homem de observações feitas em animais; médico da escola de esgrima de Pérgamo (gladiadores): observação da anatomia humana por meio dos ferimentos de gladiadores; conhecimentos perduraram até 1543: “De humani corporis fabrica”: Andreas Vesalius. Andreas Vesálius (1514-1654): Pai da Anatomia Moderna; publicou o primeiro livro de anatomia ilustrado: De humanis corpori fabrica em 1553); corrigiu erros da Anatomia Galênica; Grandes contribuições na osteologia e miologia. Leonardo da Vinci (1452- 1529): “arte e ciência caminham de mãos dadas”; o homem de Vitrúvio- 1492 (representa a simetria corporal) Michelangelo Buonarroti (1475- 1564): Michelangelo se dedicou à dissecação de corpos humanos apoiados nos estudos do médico italiano Realdo Colombo; obras famosas: escultura de Davi e “A criação de Adão”, no teto da Capela Sistina. Corpos de criminosos condenados à morte; a dissecação era vista como punição adicional. Lei da Anatomia de 1832: a lei visava a autorizar a dissecação de corpos não reclamados após 48 horas e também encerrou a prática de anatomização como parte da sentença de morte por assassinato. Gunther Von Hagens (1945): anatomista alemão; inventor da técnica de plastinação. ANATOMIA REGIONAL Contempla a organização do corpo humano. É o método de estudo da estrutura do corpo por concentração da atenção em uma parte (ex: cabeça), área (face) ou região (a região da órbita ou do olho) específica; Reconhece a organização do corpo em camadas: pele, tela subcutânea e fáscia profunda que cobre as estruturas mais profundas: músculos, o esqueleto e as cavidades, que contêm vísceras (órgãos internos) ANATOMIA DE SUPERFÍCIE: aborda sobre quais estruturas estão situadas sob a pele e quais são palpáveis no corpo. O exame físico é a aplicação clínica da anatomia de superfície (ex: palpação dos pulsos arteriais) ANATOMIA RADIOLÓGICA, SECCIONAL E ENDOSCÓPICA: abordada por meio de imagens radiológicas e seccionais. Permite observas as estruturas no indivíduo vivo, quando são afetadas pelo tônus muscular, líquidos e pressões do corpo. As técnicas de imagem mostram os efeitos do trauma, das doenças e do envelhecimento sobre as estruturas normais. ANATOMIA SISTÊMICA A anatomia sistêmica organiza o corpo em sistemas. Nenhum dos sistemas funcionam sozinhos. Os sistemas básicos são: Tegumento comum (dermatologia): pele e seus anexos (pelos, unhas e glândulas sudoríferas). Sistema esquelético (osteologia): ossos e cartilagem. Sistema articular (artrologia): formado por articulações e seus ligamentos associados que unem as partes ósseas do sistema esquelético e são os locais em que ocorrem os movimentos Sistema muscular (miologia): músculos esqueléticos (suas contrações movem ou posiciona as partes do corpo), músculo liso e cardíaco. Sistema nervoso (neurologia): parte central do sistema nervoso (encéfalo e medula espinal) e parte periférica do sistema nervoso. Os órgãos dos sentidos (olfato, visão, audição e paladar) costumam ser avaliados juntos com o sistema nervoso na anatomia sistêmica. Sistema circulatório (angiologia): sistemas cardiovascular e linfático. Sistema digestório (gastrenterologia) Sistema respiratório (pneumologia): vias respiratórias e pulmões Sistema urinário (urologia): rins, ureteres, bexiga urinária e uretra. Sistema genital (ginecologia e andrologia): gônadas (ovários e testículos), ductos e órgãos genitais. Sistema endócrino (endocrinologia): formado por estruturas especializadas que secretam hormônios. Os hormônios influenciam o metabolismo e outros processos, como o ciclo menstrual, a gravidez e o parto. ANATOMIA CLÍNICA Enfatiza aspectos da estruturas e da função do corpo importantes na prática da medicina. Inclui os métodos regional e sistêmico de estudo da anatomia e enfatiza a aplicação clínica. TERMINOLOGIA ANATÔMICA Termos anatômicos são descritivos: formato, tamanho, localização, função ou semelhança Origem dos termos: latim e grego. Ex: gaster (estômago) Epônimos: davam o nome de quem descobriu o órgão/membro (ângulo manúbio esternal- ângulo de Luí) A POSIÇÃO ANATÔMICA Posição do corpo como se a pessoa estivesse de pé, com: A cabeça, o olhar e os dedos voltados anteriormente (para frente) Os braços ao lado do corpo, com as palmas voltadas anteriormente e Os membros inferiores próximos, com os pés paralelos TERMOS DE POSIÇÃO Decúbito dorsal Decúbito ventral Decúbito lateral direito Decúbito lateral esquerdo PLANOS ANATÔMICOS Se baseiam em quatro planos imaginários (mediano, sagital, frontal e transverso) que cruzam o corpo na posição anatômica: Plano mediano (sagital mediano): plano vertical, divide o corpo nas metades direta e esquerda. Planos sagitais: planos verticais que atravessam o corpo paralelamente ao plano mediano. Planos frontais (coronais): dividem o corpo em partes anterior e posterior Planos transversos: planos horizontais, que dividem o corpo em partes superior e inferior. Também podem ser chamados de transaxiais (planos axiais). O principal uso dos planos anatômicos é descrever cortes: cortes longitudinais, cortes transversos e cortes oblíquos. TERMOS DE RELAÇÃO E COMPARAÇÃO Superior: refere-se a uma estrutura mais próxima ao ponto mais alto do crânio (vértice). Sinônimo: cranial (em direção ao crânio). Ex: as mão são superiores em relação aos pés, que por sua vez são inferiores. Inferior: refere-se a uma estrutura situada próxima ao ponto mais baixo dos pés (planta do pé). Sinônimo: caudal (em direção aos pés/cauda/ cóccix) Posterior (dorsal): mais próximo a estrutura posterior do corpo (“costas”/ dorso).ex: o calcanhar é posterior em relação aos dedos dos pés Anterior (ventral: mais próximo a estrutura anterior do corpo (frontal) frente. Obs! Rostral: sinônimo de anterior ao descrever partes do encéfalo. Significado em direção ao rostro. Em humanos: indica proximidade da parte anterior da cabeça. Medial: mais próximo ao plano mediano do corpo. Ex: o dedo mínimo é medial em relação ao polegar Lateral: indica que uma estrutura está mais distante do plano mediano. Ex: o polegar é considerado lateral em comparação ao dedo mínimo. Superficial, intermédio e profundo: o corpo é tridimensional. Levam em conta o quanto uma estrutura está mais próxima ou longe da superfície do corpo,como também a relação uma estrutura e outra subjacente/ sobrejacente. Proximal: indica que a estrutura está mais próxima da origem (inserção) do membro ou do tronco. Ex: o cotovelo é considerado proximal quando comparado ao punho Distal: indica que a estrutura está mais distante da origem do membro ou do tronco Dorso: refere-se à face superior de qualquer parte do corpo que se saliente anteriormente (ex: dorso da língua, nariz e pé). Também descreve a face posterior da mão, em posição à palma Planta: face interior/ base do pé. É a parte que fica em contato com o solo quando se está descalço. Face dorsal: superfície das mãos, pés e dedos que corresponde ao dorso Face palmar: superfície das mão e dedos que corresponde à palma Face plantar: superfície do pé e dos dedos que corresponde à planta. TERMOS DE LATERALIDADE Bilaterais: estruturas pares que têm elementos direito e esquerdo. Ex: os rins Unilaterais: quando uma estrutura está localizada em apenas um lado do corpo Ipsilateral: significa do mesmo lado. Ex: mão direita é ipsilateral ao pé esquerdo Contralateral: significa que está do lado do corpo oposto a outra estrutura. Ex: mão direita é contralateral à mão esquerda TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO Médio Mediano Distal TERMOS DE MOVIMENTO Os movimentos do corpo humano acontecem nos planos anatômicos (como se deslizassem nesses planos) e ao redor dos eixos NO PLANO FRONTAL E AO REDOR DO EIXO ANTERO-POSTERIOR Abdução: o movimento que faz com que o membro se afaste do plano sagital-mediano. Ex: ao “abrir” o membro superior, se está o afastando dessa linha que divide o corpo ao meio Adução: movimento que faz com que o membro se aproxime do plano sagital- mediano (plano que passa no meio do corpo, dividindo-o em lado direito e lado esquerdo). Ex: ao “fechar” o membro superior, o aproxima dessa linha que divide o corpo ao meio Esses movimentos ocorrem: na articulação do ombro e do quadril, assim como os dedos das mãos e os dedos dos pés Dedos das mãos e dos pés: Nesses casos, leva-se como referência o plano mediano da própria mão/pé: Abdução: quando os dedos se afastam Adução: quando os dedos se aproximam Eversão: afasta a planta do pé do plano mediano, girando-a lateralmente Inversão: move a planta do pé em direção ao plano mediano (girando a planta medialmente) NO PLANO SAGITAL E AO REDOR DO EIXO LÁTERO- LATERAL (PERPENDICULAR) Flexão: movimento que diminui o ângulo de uma articulação, aproximando os ossos. Extensão: aumenta o ângulo da articulação, afastando os ossos. Obs! Hiperextensão: extensão de um membro ou patê dele além do normal (pode causar danos). Ex: hiperextensão do pescoço durante uma colisão na traseira de um automóvel) Articulações que fazem esse movimento: Flexão e extensão de ombro Flexão e extensão do cotovelo (a flexão acontece com o antebraço se deslocando para frente, em direção ao braço) Flexão e extensão do punho Flexão e extensão do quadril Flexão e extensão do joelho (a flexão acontece com a perna se deslocando para trás, em direção à parte posterior da coxa) Obs! Na articulação do tornozelo: Dorsiflexão: quando o dorso do pé se desloca para cima, em direção aparte anterior da perna) (“pé de palhaço”) Flexão plantar: acontece quando a planta do pé (parte inferior dos pés) se desloca para baixo (pé de bailarina) Oposição: movimento no qual a polpa do polegar é aproximada da polpa de outro dedo Reposição: movimento de retorno do polegar da posição de oposição para sua posição anatômica Protusão: movimento anterior (para a frente) como na protusão da mandíbula, dos lábios ou da língua Retrusão: movimento posterior (para trás) como na retrusão da mandíbula Elevação: desloca uma parte para cima, como na elevação dos ombros (“dar de ombros”) Depressão: desloca uma parte para baixo, como na depressão dos ombros ou da pálpebra superior ao fechar os olhos Protração e retração: movimento anterior e posterior do ombro MOVIMENTOS DE ROTAÇÃO (PLANO TRANSVERSAL AO REDOR DO EIXO LONGITUDINAL) O plano transversal é o plano horizontal que separa o corpo em parte superior e parte inferior Rotação medial: acontece em direção ao plano mediano Rotação lateral: acontece se afastando do plano mediano Articulações que fazem esse movimento: -Ombro -Quadril -Cabeça Pronação: movimento de rotação do antebraço e da mão. Causa a rotação medial do rádio, de modo que a palma da mão fique voltada posteriormente e o dorso, anteriormente. Supinação: movimento inverso de rotação que guia o rádio lateralmente e o descruza em relação à ulna, recolocando o antebraço em pronação na posição anatômica. Movimento de circundução: combinação de vários movimentos (flexão+abdução+extensão+ adução). São movimentos circulares que acontecem em articulação como a do ombro e a do quadril. FÁSCIAS E COMPARTIMENTOS FASCIAIS As fáscias envolvem, acondicionam e isolam as estruturas profundas do corpo A fáscia profunda é um tecido conjuntivo denso, organizado e desprovido de gordura. Ela lubrifica e permite o deslizamento entre as fibras musculares e cobre a maior parte do corpo paralelamente (profundamente) à pele e à tela subcutânea. Não há camadas distintas de fáscia profunda Fáscia de revestimento: reveste estruturas profundas, como músculos individuais e feixes neurovasculares. Fáscia suberosa: possui tecido adiposo e se situa entre as faces internas das paredes musculoesqueléticas e as membranas serosas que revestem as cavidades do corpo A fáscia também pode servir como local de origem (fixação) dos músculos subjacentes (mas na maioria das áreas, os músculos são livres, contraindo-se e deslizando sob a fáscia) A fáscia nunca passa livremente sobre o osso, no lugar onde ela o toca, ela se funde firmemente ao periósteio (revestimento ósseo) A fáscia que reveste os músculos e aquela que circunda os compartimentos fasciais nos membros limita a expansão externa dos ventres dos músculos esqueléticos que se contraem. Assim, a fáscia profunda, os músculos que se contraem e as válvulas venosas atuam em conjunto como uma bomba musculovenosa para reconduzir o sangue ao coração, sobretudo nos membros inferiores, onde o sangue precisa fluir contra a força da gravidade Retináculo: quando a fáscia muscular sofre espessamento acentuado e forma um retináculo para manter no lugar os tendões na região em que cruzam a articulação durante a flexão e a extensão Compartimentos fasciais: onde ficam localizados nos membros grupos de músculos com funções semelhantes e que têm a mesma inervação, eles são separados por lâminas espessas de fáscia (septos intermusculares). Esses compartimentos podem refrear ou direcionar a disseminação de uma infecção ou tumor. Bolsas: são sacos ou envoltórios fechados de membrana serosa e normalmente encontram-se colapsadas. Geralmente são encontradas em locais sujeitos a atrito e permitem o movimento mais livre de uma estrutura sobre outra. Essas bolsas colapsadas circundam muitos órgãos (como coração, pulmões e vísceras abdominais) e estruturas (como os tendões) Bolsas subcutâneas: encontradas na tela subcutânea entre a pele e as proeminências ósseas (cotovelo ou joelho) Bolsas subfaciais: estão sob a fáscia profunda Bolsas subtendíneas: facilitam o movimento dos tendões sobre o osso Bainhas sinoviais dos tendões: envolvem os tendões