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CIÊNCIAS SOCIAIS
PROF. ME. MARCOS EDUARDO PINTINHA
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-Reitoria Acadêmica
Maria Albertina Ferreira do 
Nascimento
Diretoria EAD:
Prof.a Dra. Gisele Caroline
Novakowski
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Diagramação:
Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Revisão Textual:
Camila Adão barbosa 
Camila Cristiane Moreschi
Fernando Sachetti Bomfim
Patrícia Garcia Costa
Produção Audiovisual:
Adriano Vieira Marques
Márcio Alexandre Júnior Lara
Osmar da Conceição Calisto
Gestão de Produção: 
Cristiane Alves
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de 
Sócrates para reflexão: “a vida sem desafios 
não vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande 
responsabilidade sobre as escolhas que 
fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida 
acadêmica e profissional, refletindo diretamente 
em nossa vida pessoal e em nossas relações 
com a sociedade. Hoje em dia, essa sociedade 
é exigente e busca por tecnologia, informação 
e conhecimento advindos de profissionais que 
possuam novas habilidades para liderança e 
sobrevivência no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a 
Distância, a proporcionar um ensino de qualidade, 
capaz de formar cidadãos integrantes de uma 
sociedade justa, preparados para o mercado de 
trabalho, como planejadores e líderes atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
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UNIDADE
01
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................4
1 - CONTEXTO HISTÓRICO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS ............................................................................................5
1.1. PARA COMPREENDER AS CIÊNCIAS SOCIAIS ...............................................................................................8
2 - ÉMILE DURKHEIM E O SUICÍDIO .................................................................................................................... 10
3 - NÃO SOMOS IGUAIS: DIVERSIDADE CULTURAL ............................................................................................ 16
3.1. METODOLOGIA: IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA ............................................................................................... 17
3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................................................. 21
FUNDAMENTOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
PROF. ME. MARCOS EDUARDO PINTINHA
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CIÊNCIAS SOCIAIS
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ENSINO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
“De tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas, 
com suas mudanças, sua extraordinária irracionalidade” (Virginia 
Woolf). 
As “Ciências Sociais” revelam-se em toda parte, principalmente nas relações sociais que 
estabelecemos com os outros seres humanos para garantir nossa sobrevivência. A� rmamos que 
cada ser humano é produto e produtor da sua vida social, está inserido em uma determinada 
realidade, in� uenciado por ela. E, embora não aceite, deve reconhecer que não é tão livre como 
gostaria de ser.
As Ciências Sociais promovem a solidariedade e o entendimento entre todos os seres 
humanos, baseada na compreensão, no respeito às diferenças e na liberdade de todas as pessoas. 
Funciona como uma ferramenta re� exiva, que pode ser aplicada em nossa vida, representa um 
corpo de conhecimentos e de práticas de investigação sobre as ações humanas, bem como revela 
as evidências históricas e busca interpretá-las. 
Assim, o exercício em pensar socialmente nos faz entender a vida de um modo mais 
completo, in� uencia e oferece soluções para os problemas e con� itos sociais. O estudo das Ciências 
Sociais é um bom guia na luta contra os preconceitos, contra o racismo e falta de diálogo entre 
os grupos culturais, en� m, pode ajudar a resgatar nossa humanidade e promover a construção de 
uma sociedade ética e cidadã.
O objetivo da primeira unidade é aproximar os acadêmicos do estudo das Ciências Sociais 
e dos primeiros pensadores, a � m de perceber suas contribuições para o entendimento das ações 
humanas sobre o planeta terra...
A casa onde todos os seres humanos devem aprender a conviver de forma pací� ca e 
fraterna. 
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1 - CONTEXTO HISTÓRICO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
A arte de pensar sociologicamente consiste em ampliar o alcance e a efetividade 
prática da liberdade. Quanto mais disso aprender, mais o indivíduo será � exível 
diante da opressão e do controle, e, portanto, menos sujeito a manipulação 
(BAUMAN; MAY, 2010, p. 27).
As Ciências Sociais surgem no momento de transformação e ebulição dos acontecimentos 
políticos, econômicos e culturais. No � nal do século XVIII e segunda metade do século XIX, 
período histórico da crise do Feudalismo, o � m do Antigo Regime e nascimento do modo de 
produção Capitalista. 
Para entender os aspectos principais desse processo histórico é preciso contextualizar 
e diferenciar os dois modelos: as comunidades antigas, em que a posse da terra era coletiva e o 
senhor da terra estabelecia uma relação de suserania e vassalagem, característica dos códigos 
de honra medievais, ou seja, pela coerção jurídica ou pela pura violência satisfazia seus desejos 
e necessidades econômicas. O outro modelo é o modo de produção capitalista, que todos nós 
conhecemos: voltado para o trabalho, a produção de mercadorias, a comercialização e o consumo 
de bens.
O Feudalismo pode ser entendido como um regime de servidão, que resultava na 
satisfação das exigências econômicas do senhor feudal: 
[...] uma obrigação, imposta ao produtor pela força e independentemente de 
um seu ato de vontade, de satisfazer determinadas exigências econômicas de 
um dominus, quer essas exigências assumam a forma de serviços a prestar, quer 
de tributos a pagar em dinheiro ou em géneros [..] A força mediante a qual tem 
lugar a coerção poderá ser a do domínio militar do senhor feudal, a da tradição, 
apoiada num processo jurídico de qualquer tipo, ou � nalmente, a força da lei 
(CONTE, 1984, p. 15-16). 
As mudanças na vida socioeconômica e a contribuição de alguns pensadores foram 
fundamentais para a formação das Ciências Sociais, sobretudo na França, nos séculos XVII e 
XVIII, que diante das péssimas condições de vida ocasionaram a Revolução Francesa, em 1789. 
A sociedade francesa era fortemente aristocrática e hierarquizada, o poder gravitava em torno 
da � gura do rei, o “rei-sol”, mas com o agravamento da miséria da população, o con� ito político 
multiplicou o número de manifestações e de pan� etos e livros contra o absolutismo monárquico.
O choque provocado por essas novas concepções foi ainda mais forte quando sua difusão 
encontrou na Enciclopédia, um veículo adequado e revolucionário, ela teve início em 1751 e 
alcançou “[...] 36 volumes, dos quais oito de ilustrações, num total de 71.818 verbetes, até o ano 
de sua conclusão, em 1772” (GRESPAN, 2014, p. 49). Os pensadores da Enciclopédia propunham 
um espaço de produção do saber, através do debate e da crítica e defendiam que todos deveriam 
possuir os direitos básicos em igualdade de condições. 
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Figura 1 - Revolução Francesa. Fonte: Ferdinand Victor Eugène Delacroix (1830).
O mundo, em 1789, era muito diferente,a Europa era essencialmente rural, existia uma 
linha divisória que separava as pessoas, separava o campo da cidade. A aparência das pessoas 
que moravam nas cidades era � sicamente diferente dos homens do campo. Esses vestiam roupas 
diferentes, as atividades eram bem marcadas e as pessoas do campo eram ridicularizadas pelos 
moradores das cidades e tratadas como “caipiras da roça”.
Figura 2 - Pensadores do iluminismo. Fonte: Simple � eme (2018).
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O Iluminismo foi uma ideologia revolucionária, a convicção no progresso do conhecimento 
humano, na racionalidade, na riqueza e no controle sobre a natureza. Denominado de “séculos das 
luzes”, o Iluminismo visava a luta da razão contra o absolutismo monárquico. Foi um movimento 
eclético, interpretado de forma prática e utilitarista, em que o sucesso das ciências experimentais 
alimentava a ideia de que o método racional analítico poderia desenvolver o progresso em todas 
as outras áreas da vida. Assim, o iluminista podia ser considerado como uma pessoa “esclarecida”, 
um racionalista, um progressista que tinha con� ança na capacidade do homem em progredir 
para uma era melhor, um verdadeiro apaixonado pela 
[...] crença no progresso que professava o típico pensador do iluminismo re� etia 
os aumentos visíveis no conhecimento e na técnica, na riqueza, no bem-estar e 
na civilização que podia ver em toda a sua volta e que, com certa justiça, atribuía 
ao avanço crescente de suas ideias. No começo do século, as bruxas ainda eram 
queimadas; no � nal, os governos do iluminismo, como o austríaco, já tinham 
abolido não só a tortura judicial, mas também a escravidão (HOBSBAWM, 
2003, p. 37-38). 
Observe que o pensamento liberal e o lema da Revolução Francesa – “liberdade, 
igualdade e fraternidade” – está presente na Declaração dos Direitos Humanos e, hoje, é aceito 
em muitos países como direitos pertencentes à natureza humana. O que signi� ca que a felicidade 
só deveria ser pensada como um projeto de sociedade para todos. Assim, “liberdade, igualdade 
e fraternidade”, passaram a ser considerados como direitos do novo cidadão, frutos da revolução 
que promoveu profundas transformações e nos permite ler, no primeiro artigo da Declaração dos 
Direitos dos Homens e Cidadãos, que todos os homens nascem livres e iguais em direitos.
A sociedade passou por um processo de transformação em todos os níveis em um curto 
período de tempo, afetando toda organização social e provocando mudanças que nos colocaram 
em um mundo extremamente tecnológico e interligado pelos meios de comunicação e redes sociais. 
Diversos acontecimentos que marcaram a vida política e econômica mudaram profundamente 
as relações sociais e o modo como produzimos a nossa sobrevivência. Segundo Martins (2010, 
p. 10) “[...] as ciências sociais não são somente produto da re� exão de alguns pensadores, mas o 
resultado de certas circunstâncias históricas e de algumas necessidades materiais e sociais”.
Após o período do Renascimento e da Revolução Francesa, a ciência foi dominando cada 
vez mais a cultura e a história da humanidade, surgiu uma verdadeira Revolução Cientí� ca e a 
sociedade se tornou cada vez mais racionalista e empirista, o que signi� cou que a ciência passou 
a ter “[...] com critérios a objetividade e a cienti� cidade, nos moldes da matemática, e não mais 
da � loso� a [...] a ciência buscou novos modelos e métodos” (CHINAZZO, 2013, p. 166). 
Figura 3 - Charlie Chaplin: Tempos Modernos. Fonte: CineVest (2018).
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A Revolução Industrial não é um acontecimento histórico que podemos determinar 
que tivesse princípio e � m, ela ainda prossegue, mas, com certeza, esse foi o acontecimento 
mais importante na história do mundo. Na década de 1780, pela primeira vez na história da 
humanidade foi intensi� cado o poder produtivo, agora os seres humanos eram capazes de 
multiplicação rápida, constante e ilimitada, capazes de produzir mercadorias e serviços para toda 
a sociedade, foi o salto para “o crescimento autossustentável”.
A ciência, hoje, tem um olhar mais especí� co para cada cultura, cada grupo e 
cada indivíduo, rejeitando a antiga concepção de universalidade da história da 
humanidade. Consequentemente, as soluções não serão as mesmas, nem mesmo 
as soluções técnicas. Surge uma nova visão da história, um novo discurso 
que origina outras formas de códigos e de mundo, admitindo uma grande 
heterogeneidade (CHINAZZO, 2013, p. 170). 
No início, todos os estudos e descobertas feitas pelas Ciências Sociais estavam concentrados 
na Sociologia. Naquela época, era considerada uma “ciência enciclopédica, evolucionista e 
positiva”, que se ocupava da totalidade da vida social e buscava formular as leis gerais da evolução 
social da humanidade. Mas com o passar do tempo e devido à complexidade da sociedade 
moderna, a Sociologia, Antropologia, Economia e Política vão desenvolvendo metodologias 
próprias e estudos cada vez mais especí� cos (MARCELINO, 2013). 
1.1. Para Compreender as Ciências Sociais
Existem vários elementos que compõem a sociedade, estudar as Ciências Sociais é fazer 
uma bricolagem (conjunto de teorias e conceitos para formatar uma ideia) de várias áreas para, 
assim, termos condições de compreendê-las. Dentre as rami� cações desta ciência apontamos 
alguns conceitos e autores principais:
• ANTROPOLOGIA: a terminologia surgida no século XVIII e consolidada no século 
XIX como ciência tem como estudo o comportamento do homem. Dentre esses estudos estão: 
crenças, costumes, hábitos, aspectos físicos, ou seja, a cultura, de modo geral, de diferentes povos. 
Os principais Antropólogos são:
➢ Bronislaw Malinowski (1884-1942).
➢ Franz Boas (1858-1942).
➢ Claude Levi-Strauss (1908-2009).
• CIÊNCIAS POLÍTICAS: a ideia de política está presente desde a Grécia Antiga, porém, 
estaremos conceituando no viés da História Moderna. Podemos dizer que as Ciências Políticas 
têm como prerrogativa se dedicar às ações políticas presentes nas organizações sociais, ou seja, ver 
a política como poder, Estado, gestão pública, formas de governo, processos eleitorais, partidos 
políticos, entre outros. Dentre os clássicos das políticas estão:
➢ Nicolau Maquiavel (1469-1527).
➢ � omas Hobbes (1588-1679).
➢ John Locke (1632-1704).
➢ Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).
➢ Immanuel Kant (1724-1804).
➢ Georg Wihlm Friedrich Hegel (1770-1831).
➢ Karl Marx (1818-1883).
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• CIÊNCIAS ECONÔMICAS: entendemos este conceito como processo do homem 
inserido nos meios e modos de produção, consumo, bens e serviços, mercado, sistemas econômicos, 
trocas ou escolhas, ou seja, toda e qualquer forma de relações sociais que condicionam � ns e 
meios de algum bem ou serviço. Principais pensadores das Ciências Econômicas:
➢ Adam Smith (1766-1834).
➢ � omas Malthus (1766-1834).
➢ David Ricardo (1772-1823).
➢ John Stuart Mill (1806-1873).
➢ Alfred Marshall (1842-1924).
➢ John Maynard Keynes (1883-1946).
• SOCIOLOGIA: está relacionada a uma ciência que aprofunda os conceitos da vida 
humana, grupos sociais, sociedades, indivíduos, relações sociais e estruturas sociais. Principais 
pensadores da Sociologia:
➢ Augusto Comte (1798-1857).
➢ Émile Durkheim (1858-1917).
➢ Karl Marx (1818-1883).
➢ Max Weber (1864-1920).
➢ Zigmunt Bauman (1925-2017).
É comum no campo das Ciências Sociais um mesmo pensador estar em categorias 
diferentes, já que suas teorias podem ser utilizadas tanto em uma linha teórica como em outra. 
Essas linhas que constituem as Ciências Sociais são fundamentais para compreender e analisar 
a sociedade como um todo, ou seja, utilizar de todos os conceitos possíveis para chegar a uma 
possível explicação.
A Sociologia pode ser considerada uma ciência da modernidade, uma resposta 
intelectual às condições geradas pela Revolução Industrial,como a renúncia da visão sobrenatural 
e aplicação da observação e experimentação, o emprego sistemático da razão, estabelecendo um 
método cientí� co para a explicação dos fenômenos da natureza e da cultura (MARTINS, 2010). 
As consequências da rápida industrialização e urbanização levadas a cabo pelo 
sistema capitalista foram tão visíveis quanto trágicas: aumento assustador da 
prostituição, do suicídio, da criminalidade, da violência, de surtos de epidemia de 
tifo e cólera que dizimaram parte da população etc. É evidente que a situação de 
miséria também atingia o campo, principalmente os trabalhadores assalariados, 
mas o seu epicentro � cava, sem dúvida, nas cidades industriais (MARTINS, 
2010, p. 13-14). 
O primeiro pensador, Claude Henri de Rouvroy, mais conhecido como o Conde de 
Saint-Simon (1760-1825), era oriundo da nobreza francesa. Ele descobriu muito tarde a carreira 
de estudioso da física e da política, só aos 40 anos, dedicando os seus esforços na criação da 
sociedade que ele chamou de “sistema industrial”. 
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Figura 4 – Saint-Simon (1760-1825) Fonte: 123RF Royal Free (2019).
Saint-Simon (1760-1825) é considerado o iniciador do positivismo e o 
verdadeiro pai da Sociologia, tendo sido altamente in� uenciado pelas ideias 
revolucionárias, principalmente dos � lósofos iluministas. Vivenciou a sociedade 
francesa pós-revolucionária, que se encontrava em estado de desorganização 
geral, e acreditava que o industrialismo trazia consigo a possibilidade de 
satisfazer as necessidades da população, e que a ordem e a paz, na nova 
sociedade poderiam ser proporcionadas pelo progresso econômico. Para Saint-
Simon a elite, formada pelos industriais e cientistas, deveria fornecer melhores 
condições de vida à classe trabalhadora, elaborar normas de comportamento 
para atenuação dos con� itos existentes entre as classes sociais e propiciar a 
“ordem, paz e progresso”, através de um processo de acomodação (MARCELNO, 
2013, p. 28, grifo nosso). 
Saint-Simon desenvolveu os estudos sobre a lei dos três estados e defendeu que o objetivo 
político do Estado deveria garantir o desenvolvimento da industrialização. Para ele, a sociedade 
era um sistema de elementos interdependentes, ideias que irão aparecer nos trabalhos dos seus 
discípulos, em especial nas obras de Augusto Comte. 
2 - ÉMILE DURKHEIM E O SUICÍDIO
“O maior obstáculo à descoberta não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento” 
(Daniel Boorstin).
Émile Durkheim nasceu em Épinal, Departamento de Vosges, que � ca exatamente entre 
a Alsácia e a Lorena, a 15 de abril de 1858, e morreu em 1917. Ele foi indicado para ministrar 
aulas de Pedagogia e Ciência Social na Faculdade de Letras de Bordeaux, de 1887 a 1902, onde 
organizou o primeiro curso de Sociologia em uma universidade francesa. Mas foi só em 1910 
que consegue transformá-la em cátedra de Sociologia. As suas aulas na Sorbonne exigiam um 
grande an� teatro para atender o grande número de alunos. Ele foi o primeiro sociólogo moderno 
a explicar o comportamento humano baseado no contexto social das pessoas. 
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Figura 5 - Émile Durkheim. Fonte: Abril Cultural (s/d).
Para Durkheim, os fatos sociais devem ser estudados como coisas. Eles são fenômenos, 
propriedades, são acessíveis pela observação e externos, que podem ser medidos de forma 
objetiva. 
A proposição segundo a qual os fatos sociais devem ser tratados como coisas – 
proposição que está na base de nosso método – é das que mais têm provocado 
contradições. Consideraram paradoxal e escandaloso que assimilássemos 
às realidades do mundo exterior as do mundo social. Era equivocar-se 
singularmente sobre o sentido e o alcance dessa assimilação, cujo objeto não 
é rebaixar as formas superiores do ser às formas inferiores, mas, ao contrário, 
reivindicar para as primeiras um grau de realidade pelo menos igual ao que 
todos reconhecem nas segundas. Não dizemos, com efeito, que os fatos sociais 
são coisas materiais, e sim que são coisas tanto quanto as coisas materiais, 
embora de outra maneira (DURKHEIM, 2007, p. 27).
Os fatos sociais são maneiras de agir, pensar e sentir, com as três características seguintes: 
exterioridade, coercitividade e generalidade.
• EXTERIORIDADE: são exteriores às consciências individuais, existe independente da 
vontade do indivíduo.
• COERCITIVIDADE: os indivíduos são obrigados a seguir um comportamento pré-
determinado, independentemente de sua vontade. Há uma força coercitiva que faz com 
que ele siga determinadas regras e que ele deve fazer se submeter.
 • GENERALIDADE: é comum a todos os membros de um grupo ou a sua maioria. É o 
consenso social e a vontade coletiva.
Em relação às condições de vida de cada grupo apresentar diferenças culturais, elas não 
são de qualidade nem de nível, mas são próprias das condições de vida de cada sociedade. Ou seja, 
não podem ser comparadas como superiores ou inferiores, todas são igualmente importantes, 
Se certas sociedades não criaram o alfabeto e a linguagem grá� ca, é porque o 
modo de vida de tais indivíduos não lhes despertou tal necessidade, não porque 
sua capacidade mental fosse “inferior”. A capacidade simbólica e os padrões 
de todas as culturas humanas são igualmente abstratos, signi� cativos e dão 
respostas úteis aos problemas de compreensão do mundo (COSTA, 2005, p. 5).
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Durkheim era discípulo do pensador francês Auguste Comte (1798-1857), que inventou 
a palavra sociologia, na perspectiva de desenvolver o estudo da sociedade sobre bases cientí� cas. 
Comte nasceu na França, era � lho de uma família católica monarquista. Viveu a infância na época 
da França napoleônica, estudou na Escola Politécnica e tornou-se discípulo de Saint-Simon, 
sofrendo grande in� uência desse pensador. Desenvolveu os estudos da � loso� a positivista, 
considerada por ele uma religião e, segundo sua � loso� a política, a� rmava que a história do 
desenvolvimento da humanidade passou por apenas três estágios.
Figura 6 – Augusto Comte. Fonte: Lapham’s Quarterly (s/d).
A lei dos três estágios de Comte assinala que as tentativas humanas de entender 
o mundo passam por estágios teológicos, metafísicos e positivos. No estágio 
teológico, o pensamento era guiado por ideias religiosas e pela crença de que 
a sociedade era expressão da vontade divina. No estágio metafísico, que tomou 
frente por volta da época da Renascença, a sociedade passou a ser vista em termos 
naturais, e não sobrenaturais. O estágio positivo, anunciado pelas descobertas e 
realizações de Copérnico, Galileu e Newton, estimulou a aplicação de técnicas 
cientí� cas ao mundo social. De acordo com essa visão, Comte considerava a 
sociologia como a última ciência a se desenvolver – com base na física, na química 
e na biologia – mas também como a mais signi� cativa e complexa de todas as 
ciências. Comte queria desenvolver uma ciência da sociedade que pudesse 
explicar as leis do mundo social, controlar e prever os acontecimentos sociais, e 
assim, ajudar a moldar o nosso destino e melhorar o bem-estar da humanidade. 
A visão de Comte para a sociologia era de que ela se tornasse uma “ciência 
positiva”. Ele queria que a sociologia aplicasse os mesmos métodos cientí� cos 
rigorosos ao estudo da sociedade que os físicos e químicos usam para estudar 
o mundo físico. O positivismo sustenta que a ciência deve se preocupar apenas 
com entidades observáveis que sejam conhecidas pela experiência direta. Com 
base em observações cuidadosas, pode-se inferir leis que expliquem a relação 
entre os fenômenos observados. Compreendendo as relações causais entre os 
fatos, os cientistas podem então prever como serão os acontecimentos futuros. 
Uma abordagem positivista à sociologia visa a produção de conhecimento 
sobre a sociedade com base em evidênciasempíricas obtidas com observação, 
comparação e experimentação (GIDDENS, 2012, p. 24). 
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Entretanto, apesar de Comte defender a aplicação de um método cientí� co para o estudo da 
sociedade, foi Durkheim que desenvolveu e aplicou em suas obras essa metodologia, defendendo 
o princípio de avaliar os fatos sociais como coisas, utilizando o mesmo rigor cientí� co aplicado 
pelas outras ciências na sociologia.
A obra de Durkheim, Regras para o método sociológico (1895), foi à primeira obra 
exclusivamente metodológica e voltada para a investigação sistemática. E foi na obra O Suicídio: 
estudo de sociologia que Durkheim manipulou as variáveis e dados empíricos utilizando a 
estatística como instrumento de análise, tornando sua obra um modelo no campo das ciências 
sociais e uma demonstração cientí� ca de como fazer um estudo sociológico. 
 Para Durkheim, a principal preocupação intelectual da sociologia é o estudo dos 
fatos sociais, os aspectos da vida social que moldam nossas ações como indivíduos, sendo que 
cada sociedade têm uma realidade própria, um modo de agir, pensar ou sentir. Os fatos sociais 
exercem um caráter condicionante sobre as pessoas, elas seguem os fatos sociais livremente e 
acreditando que, desse modo, estão agindo por escolha própria. 
O fato social é reconhecível pelo poder de coerção externa que exerce ou é 
suscetível de exercer sobre os indivíduos; e a presença deste poder é reconhecível, 
por sua vez, seja pela existência de alguma sanção determinada, seja pela 
resistência que o fato opõe a qualquer empreendimento individual que tenda 
a violenta-lo. Todavia, podemos de� ni-lo também pela difusão que apresenta 
no interior do grupo, desde que, de acordo com as precedentes observações, 
se tenha o cuidado de acrescentar como característica segunda e essencial que 
ele existe independentemente das formas individuais que toma ao se difundir. 
Nalguns casos, este último critério é até mesmo mais fácil de aplicar do que 
o anterior. Com efeito, a coerção é fácil de constatar quando ela se traduz no 
exterior por qualquer reação direta da sociedade, como é o caso em se tratando 
do direito, da moral, das crenças, dos usos, e até das modas. Mas, quando não 
é senão direta, como a que exerce uma organização econômica, não se deixa 
observar com tanta facilidade (RODRIGUES, 2002, p. 49).
Para Durkheim os fatos sociais são difíceis de estudar, para tanto, é preciso abandonar os 
preconceitos e ideologias, ter uma mente aberta às evidências e livre das ideias preconcebidas. 
Para ele, deveríamos observar os fatos como eles realmente são, e buscar desenvolver os conceitos 
e valores que expressam a natureza da vida social. 
A obra de Durkheim, O suicídio: estudo de sociologia (1952), de� ne o suicídio como 
um fato social que só poderia ser explicado por outros fatos sociais. E, embora essas pessoas 
sejam consideradas como indivíduos que estão exercendo o livre arbítrio, elas são in� uenciadas 
e seguem os modelos e padrões sociais da sociedade em que estão inseridas. 
O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo, com um milhão de óbitos por 
ano, cerca de 16 óbitos por 100.000 habitantes, tornando-se um importante problema de saúde 
pública. Desde 1960, as taxas de suicídio no Brasil têm contribuído com a situação epidemiológica, 
sendo registrada como a terceira causa de óbito por fatores externos identi� cados: homicídio 
(36,4%), óbitos relacionados ao trânsito (29,3%) e suicídio (6,8%) (MACHADO; SANTOS, 2015). 
No Brasil, o suicídio é um problema de saúde pública, as maiores causas de suicídio são 
enforcamento, lesão por armas de fogo e autointoxicação intencional por pesticidas, equivalente 
a 80% dos casos aproximadamente. A mortalidade mais elevada se encontra na região Sul e o 
maior crescimento percentual da taxa se encontra na região Nordeste, seguindo a tendência 
mundial de que os homens são três vezes mais propensos do que as mulheres a cometer suicídio 
(MACHADO; SANTOS, 2015). 
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Figura 7 – Suicídio no Brasil. Fonte: Fiocruz/MS (2016).
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TEORIA DO DESVIO DE DURKHEIM
Durkheim, nos seus estudos, argumentou que não existe nada inerentemente des-
viante ou criminoso em qualquer ato. Para entender como a sociedade responde 
ao ato praticado: “Não podemos dizer que uma ação abala a consciência comum 
porque é criminosa, e sim que é criminosa porque abala a consciência comum”. 
Ou seja, nada é criminoso ou digno de condenação, a menos que decidamos que 
é. 
pre haverá alguns que cruzam os limites e sofrerão sanções dentro do grupo, para 
o bem da sociedade. Entretanto, Durkheim introduziu um novo conceito: anomia, 
um estado de ausência de normas, que pode ocorrer em momentos de revolução 
ou desordens sociais.
Anomia leia o texto e assista ao vídeo do professor das Neves Bodart, dou-
O estudo de Durkheim sobre as taxas de suicídio
certas categorias de pessoas eram mais prováveis de cometer suicídio do que 
outras. Ele descobriu, por exemplo, que havia mais suicídios entre os homens do 
que entre as mulheres, mais protestantes do que católicos, mais ricos do que po-
bres e mais pessoas solteiras do que casadas. Durkheim também observou que 
as taxas de suicídio tendiam a ser mais baixas em tempos de guerra e mais altas 
em épocas de mudança ou instabilidade econômica. Por que isso ocorre?
A visão de Durkheim
Essas observações levaram Durkheim a concluir que existem forças sociais exter-
nas ao indivíduo que afetam as taxas de suicídio. Ele relacionou a sua explicação 
à ideia de solidariedade social e a dois tipos de vínculos dentro da sociedade 
– integração social e regulação social. Durkheim argumentava que as pessoas 
que eram bastante integradas em grupos sociais e cujos desejos e aspirações 
eram regulados por normas sociais, eram menos prováveis de cometer suicídio. 
de integração e regulação.
Os suicídios egoístas são marcados por pouca integração na sociedade e ocor-
rem quando o indivíduo está isolado ou quando seus laços com o grupo estão 
enfraquecidos ou rompidos. Por exemplo, as baixas taxas de suicídio entre os 
católicos podem ser explicadas pela força da sua comunidade social, ao passo 
perante Deus. 
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O casamento protege contra o suicídio, integrando o indivíduo em uma relação so-
cial estável, enquanto as pessoas solteiras permanecem mais isoladas na socie-
dade. A baixa taxa de suicídio durante os períodos de guerra, segundo Durkheim, 
pode ser considerada um sinal de maior integração social ante um inimigo exter-
no.
O suicídio anômico é causado pela falta de regulação social. Com isso, Durkheim 
“sem normas” como resultado de mudanças rápidas ou instabilidade na socie-
épocas de turbulência econômica ou em disputas pessoais, como o divórcio – 
pode desestabilizar todo o equilíbrio entre as circunstâncias das pessoas e seus 
desejos.
O suicídio altruísta ocorre quando um indivíduo está “integrado demais” – os la-
ços sociais são fortes demais – e valoriza a sociedade mais do que a si mesmo. 
Nesse caso, o suicídio se torna um sacrifício pelo “bem-maior”. Os pilotos kami-
kazes japoneses ou “homens-bomba” islâmicos são exemplos de suicídios altru-
ístas. Durkheim considerava isso característico de sociedades tradicionais, onde 
prevalece a solidariedade mecânica.
O último tipo de suicídio é o suicídio fatalista. Embora Durkheim considerasse 
esse tipo de pouca relevância contemporânea, ele acreditava que resulta quando 
o indivíduo é regulado excessivamente pela sociedade. A opressão do indivíduo 
resulta em um sentimento de impotência ante o destino ou a sociedade. As taxas 
de suicídio variam entre as sociedades, mas apresentam padrões regulares den-
tro das sociedades ao longodo tempo. Durkheim entendia isso como evidência 
3 - NÃO SOMOS IGUAIS: DIVERSIDADE CULTURAL
“Sempre que você estiver no lado da maioria, é hora de parar e re� etir” (Mark 
Twain).
Você já parou para observar as pessoas que estão ao nosso redor? Na sala de aula ou 
andando nas ruas, qual a primeira ideia que vem à cabeça? “Como elas são diferentes”. Cada 
pessoa tem uma aparência única, um modo de falar, os seus gestos próprios, uma maneira de 
vestir e andar, é um “tipo diferente de ser”.
Para entender a sociedade e as pessoas com quem convivemos, temos que estudar 
Sociologia, uma ciência que pode fornecer preciosas informações, ajudar a desenvolver um novo 
entendimento sobre a sociedade e as pessoas. Esta ciência tem por objetivo estudar a interação 
social dos seres vivos e diferentes níveis de organização da vida.
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Para todos aqueles que acham que viver a vida de maneira mais consciente vale a 
pena, a sociologia é um guia bem-vindo. Embora repouse em constante e intima 
conversação com o senso comum, ela procura ultrapassar suas limitações abrindo 
possibilidades que poderiam facilmente ser ignoradas. Quando aborda e desa� a 
nosso conhecimento partilhado, a sociologia nos incita e encoraja a reacessar 
nossas experiências, a descobrir novas possibilidades e a nos tornar, a� nal, mais 
abertos e menos acomodados à ideia de que aprender sobre nós mesmos e os 
outros leva a um ponto � nal, em lugar de constituir um processo dinâmico e 
estimulante cujo objetivo é a maior compreensão. Pensar sociologicamente pode 
nos tornar mais sensíveis e tolerantes em relação à diversidade, daí decorrendo 
sentidos a� ados e olhos abertos para novos horizontes além das experiências 
imediatas, a � m de que possamos explorar condições humanas até então 
relativamente invisíveis (BAUMANN; MAY, 2010, p. 25). 
O primeiro passo é o mais desa� ador: olhar as pessoas sem estabelecer rótulos, 
preconceitos ou criar estereótipos. Para isso, a sociologia desenvolveu formas de investigação, 
um guia para a imaginação sociológica que pode promover uma maior compreensão dos outros. 
“Praticar a sociologia” é fazer um exercício de observação, uma re� exão sobre a vida, que pode 
transformar as pessoas e torná-las mais sensíveis e tolerantes em relação à diversidade cultural. 
3.1. Metodologia: Imaginação Sociológica
Como utilizar a imaginação sociológica? A imaginação sociológica é uma maneira de 
analisar a sociedade, foi desenvolvido pelo sociólogo norte americano Charles Wright Mills 
(1916-1962). O ponto de partida desta “imaginação” é a ideia que o indivíduo só pode entender 
sua própria experiência e avaliar o seu destino quando consegue se localizar no seu contexto 
histórico e cultural. Isto signi� ca desenvolver uma visão total da sociedade e de todos os elementos 
que fazem parte do cotidiano. 
Desta maneira, a imaginação sociológica obriga a olhar para as pessoas ou situações do 
dia a dia de uma maneira diferente daquela sair do habitual e observar, precisamos constituir um 
novo olhar, uma perspectiva mais ampla. Aprender a pensar de maneira sociológica, segundo 
Giddens (2012), é se libertar das circunstâncias pessoais, o que exige o afastamento dos nossos 
pensamentos e rotinas.
A imaginação sociológica nos permite ver que muitos fatos que parecem dizer 
respeito apenas ao indivíduo na verdade re� etem questões mais amplas. O 
divórcio, por exemplo, pode ser um processo muito difícil para alguém que 
passa por um - o que Mills chama de um “problema pessoal”. Porém, o divórcio 
também é uma “questão pública” importante em muitas sociedades ao redor do 
mundo. Na Grã-Bretanha, mais de um terço de todos os casamentos acaba em 
divórcio dentro de 10 anos. O desemprego, para usar mais um exemplo, pode 
ser uma tragédia pessoal para alguém que perde o emprego e não consegue 
encontrar outro. Ainda assim, ele vai muito além da questão do desemprego 
privado quando milhões de pessoas em uma sociedade se encontram na 
mesma situação: é uma questão pública que expressa grandes tendências sociais 
(GIDDENS, 2012, p. 21).
Conforme os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geogra� a e Estatística 
(IBGE, 2014), o divórcio cresceu mais de 160% em 10 anos no Brasil. Isto gera uma temática de 
investigação em que os sociólogos buscam entender e dar respostas sobre esse fenômeno social, 
que atinge as famílias e a organização social brasileira.
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Figura 8 – Divórcio no Brasil. Fonte: IBGE (2010).
Os casamentos diminuem e os divórcios aumentam, o que acaba contribuindo para a 
redução nacional de nascimentos. Os dados do censo do IBGE informam que os registros de 
nascimento caíram pela primeira vez desde 2010.
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Figura 9 – Nascimentos no Brasil. Fonte: AGÊNCIAIBGE (2017).
Mills (1975) alerta que as nossas escolhas são moldadas pela nossa vivência cotidiana 
com os familiares e amigos. Somos in� uenciados pelas nossas rotinas e, muitas vezes, temos 
a sensação de estarmos aprisionados a elas. Por isso utilizarmos as ferramentas das Ciências 
Sociais, a sociologia para entendermos as transformações sociais e responder às perguntas sobre 
a sociedade em que vivemos. A partir dos questionamentos e investigações propostas pelas 
Ciências Sociais desenvolveremos uma re� exão crítica e um olhar plural em relação à sociedade 
em que vivemos. Não temos todas as respostas, nos faltam muitas informações e, conforme 
os resultados apresentados pelos sociólogos, somos in� uenciados por nossa cultura e valores 
pessoais, como a� rma Mills:
É por isso, em suma, que por meio da imaginação sociológica os homens 
esperam, hoje, perceber o que está acontecendo no mundo, e compreender o que 
está acontecendo com eles, como minúsculos pontos de cruzamento da biogra� a 
e da história, dentro da sociedade. Em grande parte, a visão autoconsciente 
que o homem contemporâneo tem de si, considerando-se pelo menos um 
forasteiro, quando não um estrangeiro permanente, baseia-se na compreensão 
da relatividade social e da capacidade transformadora da história. A imaginação 
sociológica é a forma mais frutífera dessa consciência. Usando-a, homens cujas 
mentalidades descreviam apenas uma série de órbitas limitadas passam a sentir-
se como se subitamente acordassem numa casa que apenas aparentemente 
conheciam. Certo ou não, com frequência passam a sentir que não podem 
proporcionar-se súmulas adequadas, análises coesas, orientações gerais. As 
decisões anteriores, que pareciam sólidas, passam a ser, então, como produtos de 
uma mente inexplicavelmente fechada. Sua capacidade de surpresa volta a existir. 
Adquirem uma nova forma de pensar, experimentam uma transavaliação de 
valores: numa palavra, pela sua re� exão e pela sua sensibilidade, compreendem 
o sentido cultural das Ciências Sociais (MILLS, 1975, p. 14). 
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A compreensão da realidade social e dos con� itos que enfrentamos é a condição necessária 
para se situar e entender também a humanidade. Para isso, precisamos estudar a história do 
desenvolvimento do pensamento sociológico, desde o seu início e, assim, conferir sentido aos 
fatos sociais que observamos. Na prática, é aplicar a imaginação sociológica, perguntando: quais 
foram às primeiras perguntas e temas investigados pelos sociólogos? O que eles descobriram e 
qual foi o impacto social das suas investigações na transformação ou melhorias alcançadas pela 
sociedade?
A VIDA É MUITO MAIS QUE A CIÊNCIA
E perguntou “O que é isso?”. A meninada respondeu, ansiosa por mostrar o que 
sabia: “É água”. Aí o professor escreveu a mesma fórmula numa folha de papel, 
colocou dentro de um copo e lhes ofereceu, dizendo: “Então bebam...”.
só lida com coisas faladas e escritas, hipóteses,teorias, modelos, que a nossa ra-
sobre elas.
A vida é muito mais que a ciência. Ciência é uma coisa entre outras, que empre-
gamos na aventura de viver, que é a única coisa que importa. É por isso que, além 
da ciência, é preciso a sapiência, ciência saborosa, sabedoria, que tem a ver com 
a arte de viver. Porque toda ciência seria inútil se, por detrás de tudo aquilo que 
faz os homens conhecerem, eles não se tornassem mais sábios, mais tolerantes, 
mais mansos, mais felizes, mais bonitos... Ciência: brincadeira que pode dar pra-
zer, que pode dar saber, que pode dar poder. 
SOCIOLOGIA CLÍNICA
A sociologia aplicada visa produzir mudanças práticas na organização social e 
no comportamento humano, ela busca encontrar soluções para os problemas so-
ciais, como a violência urbana e a criminalidade. O que levou os sociólogos a cria-
siderando as dimensões afetiva e existencial, se propõe a intervir em situações 
para promover melhorias na qualidade de vida e transformar a maneira como os 
sujeitos se relacionam com as condições objetivas e com o peso de suas histórias 
pessoais.
Para saber mais acesse o artigo: A sociologia clínica no Brasil
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faz uma crítica aos modos de produção da socie-
dade industrial, em que as máquinas começam 
trabalho ou com a mercadoria que ele produzia, 
fazendo que os homens tivessem que se ajustar 
ao novo ritmo, trabalhando mais horas a uma ve-
locidade cada vez maior.
O personagem de Carlitos vive a condição do ope-
rário que tenta se adaptar, ele se depara com a 
esteira de produção que aumenta o ritmo de pro-
relação de produção entre homem-máquina, ele 
acaba sendo engolido pela máquina e, quando 
volta, é na condição de insanidade, sabotando a 
produção e insurgindo contra o patrão, até ser in-
ternado e considerado um louco.
Figura 10
Fonte: Adorocine-
3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
As Ciências Socias precisam continuar a serem éticas e desenvolverem pesquisas voltadas 
às necessidades da humanidade, privilegiando o diálogo e a comunicação. Nossa responsabilidade 
moral é não fechar os olhos para as situações con� ituosas, mas, sim, buscar soluções para todos os 
con� itos. Por isso, o estudo das Ciências Sociais é fundamental para o entendimento e a solução 
de todas as contendas.
Ela é uma contribuição à civilização, oferecendo orientação nas nossas escolhas, na 
nossa jornada. Para isso, precisamos estar prontos para o diálogo permanente, saber aplicar a 
imaginação sociológica com as experiências e contatos que estabelecemos no nosso cotidiano, 
sempre olhar os “outros” de forma respeitosa e amigável. A sua função principal é continuar 
estabelecendo o diálogo, manter o intercâmbio contínuo entre as experiências humanas, o senso 
comum e as pesquisas desenvolvidas. Temas que serão melhor abordados na próxima unidade.
Bons estudos!
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UNIDADE
02
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................23
1 - SOCIEDADE E CULTURA ....................................................................................................................................24
2 - O ETNOCENTRISMO ..........................................................................................................................................26
2.1. PRECONCEITO E RACISMO NO BRASIL ........................................................................................................27
3 - OS DIREITOS HUMANOS ..................................................................................................................................30
4 - CONSIDERAÇÕES .............................................................................................................................................35
SOCIEDADE E CULTURA
PROF. ME. MARCOS EDUARDO PINTINHA
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CIÊNCIAS SOCIAIS
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INTRODUÇÃO
“A função da sociologia, como de todas as ciências, é revelar o que está oculto” 
(Pierre Bourdieu).
Hoje, existem vários signi� cados e conceitos sobre cultura, a nossa re� exão principal, 
nesta unidade, é entender a diversidade cultural, algo que não passa só pela aparência. Ao 
olharmos para a cultura do “outro”, o que identi� co como diferente pode chamar a minha atenção 
e causar “estranhamento”, não possibilitando a compreensão da cultura do “outro” que aparenta 
ser tão diferente da minha!
Quando questionamos os elementos culturais de uma determinada sociedade, 
descobrimos que não existe um padrão único que de� ne o que é certo ou errado, melhor ou pior 
para cada grupo, como Rocha (1993) esclarece: a verdade está mais no olhar de quem observa, 
do que a cultura que está sendo observada. 
Isso porque cada grupo tem elementos intrínsecos à sua formação, escolhendo e 
organizando variados formatos para a vida social. Assim, a cultura pode ser apresentada como 
“[...] uma lente através da qual o homem vê o mundo. Homens de culturas diferentes usam lentes 
diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas” (LARAIA, 2015, p. 67). 
Dependendo da cultura na qual estamos inseridos, aprendendo e nos adaptando, essa 
será a maneira de nos comportarmos, o modo de vida, a forma de comunicação, os alimentos 
que utilizamos no dia a dia e até a forma que expressamos os nossos sentimentos e valores, tudo 
será normal e natural. 
Pouco a pouco, passamos por um processo de socialização, ajustando cada vez mais o 
nosso comportamento aos padrões culturais da sociedade em que estamos inseridos. Desde a 
nossa origem e por toda a vida, incorporamos os elementos culturais do nosso grupo e assumindo 
como válidos para nossa sobrevivência. 
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1 - SOCIEDADE E CULTURA
“Não pode haver paz enquanto houver pobreza opressiva, injustiça social, 
desigualdade, opressão, degradação ambiental e enquanto os fracos e os 
pequenos continuam a ser pisoteados pelos fortes e poderosos” (Dalai Lama).
Quando nascemos, não somos nós que escolhemos os valores culturais que incorporamos. 
A partir do momento que crescemos, aprendemos o idioma, a alimentação e, sozinhos, tomamos 
conta da nossa higiene. Estamos agindo conforme as regras e valores estabelecidos como válidos 
para nosso grupo. A criança recebe a educação dos pais, ela é moldada conforme as características 
culturais do grupo que vive, na família, na escola, e acontece o processo de endoculturação, que 
pode ser muito lento, mas se estende por toda a vida (MELLO, 2000). 
Pensar o nosso dia a dia, a nossa atitude mais simples, é descobrir que desde o momento 
em que acordamos, os nossos gestos e comportamentos são os re� exos, a verdade do nosso 
grupo: nós tomamos banho e escovamos os dentes, nos vestimos e tomamos o café e saímos para 
trabalhar ou estudar... Todos esses elementos culturais fazem parte da nossa vida, mas podem ser 
considerados muito estranhos para o grupo dos “outros”. 
Ocorre um processo de aprendizagem, desde o nascimento sofremos os impactos da 
endoculturação, veja o exemplo:
Tomemos um bebê francês, nascido na França, de pais franceses, descendentes 
estes, através de numerosas gerações, de ancestrais que falavam francês. 
Con� emos esse bebê, imediatamente depois de nascer, a uma pajem muda, com 
instruções para que não permita que ninguém fale com a criança ou mesmo veja 
durante a viagem que a levará pelo caminho mais direto ao interior da China, Lá 
chegando, entrega ela o bebê a um casal de chineses, que o adotam legalmente, 
e o criam como seu próprio � lho. Suponhamos agora que se passem três, dez ou 
trinta anos. Será necessário debater sobre que língua falará o jovem ou adulto 
francês? Nem uma só palavra de francês, mas o puro chinês, sem um vestígio de 
sotaque, e com � uência chinesae nada mais (KROEBER, 1949, apud LARAIA, 
2015, p. 43).
 Ao re� etir sobre a diversidade cultural, Laraia (2015) chama a nossa atenção para o 
determinismo biológico (ou genético) e o determinismo geográ� co (ou ambiental). Ainda hoje é 
comum encontrar, na sociedade, pessoas que atribuem capacidades inatas aos grupos humanos, 
sendo que, o que descobrimos é que qualquer criança normal pode ser educada em qualquer 
sociedade, se for colocada desde o início, como o exemplo que foi apresentado, no caso da criança 
francesa.
Sobre o determinismo biológico (ou genético) ele a� rma que “[...] um menino e uma 
menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma 
educação diferenciada” (LARAIA, 2015, p. 20). Isso é perceptível logo no início da vida, no caso 
dos brinquedos já separados entre aqueles que são de meninas, como bonecas e casinhas, e 
aqueles que são para os meninos, como a bola e o carrinho.
No período das grandes navegações e conquista das Américas, foi o determinismo 
geográ� co (ou ambiental) que fundamentou as observações sobre a diversidade cultural, eles 
explicavam que as diferenças do ambiente físico condicionavam a semelhança ou diversidade 
cultural. Teoria esta que foi abandonada a partir do trabalho de campo dos estudiosos, pois 
descobriram que era possível existir diferenças culturais entre grupos, os quais compartilhavam 
o mesmo ambiente físico.
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O exemplo de diferença cultural existe entre os grupos humanos dos esquimós e dos 
lapões, os dois vivem na calota polar e enfrentam o inverno rigoroso. Entretanto, cada grupo vive 
de forma distinta, enquanto os esquimós constroem suas casas com iglus, cortando blocos de neve 
em formato de colmeia, os lapões vivem em tendas de peles de rena e quando desejam mudar, 
levam todos seus pertences junto com suas casas. E os esquimós quando mudam abandonam 
suas casas, os iglus, levando apenas os seus pertences pessoais (LARAIA, 2015). 
uns dos outros, para elaborar costumes, línguas, modos de conhecimento, 
instituições, jogos profundamente diversos: pois se há algo natural nessa 
espécie particular que é a espécie humana, é sua aptidão à variação cultural 
(LAPLANTINE, 2005, p. 22).
Outra característica importante dos seres humanos é a capacidade de adaptação nas mais 
diversas regiões, o que podemos chamar de aptidão a variação cultural, ou seja, qualquer pessoa 
pode mudar de uma região para outra e conseguir se adaptar a outra cultura, diferente da sua, 
passando por um processo de socialização. 
Nós precisamos da cultura para sobreviver. É a cultura compartilhada que faz a mediação 
entre os indivíduos e a natureza e nos permite trabalhar juntos, 
[...] consiste em tudo o que nós, seres humanos, criamos ao estabelecer nossas 
relações com a natureza e os outros. Ela inclui linguagem, conhecimento, 
criações materiais e regras de comportamento. Em outras palavras, ela engloba 
tudo o que dizemos, sabemos, produzimos e fazemos em nossos esforços para 
sobreviver e prosperar (WITT, 2016, p. 48).
É importante destacar que a sociedade normalmente estabelece um padrão de 
comportamento e interação social, o que signi� ca que ela restringe o tipo de cultura que 
construímos. Na prática, veri� camos que algumas maneiras de agir são mais aceitáveis do que 
outras, a sociedade estabelece uma regra como válida, a ponto de ser aceita por uma maioria e 
poder ser imposta como uma lei, uma regra válida para todos os membros do grupo social. 
Outra forma de perceber a diversidade cultural é quando viajamos e nos defrontamos 
com a cultura de outro país. Pode ser considerada exótica e muito diferente da nossa. O que nos 
leva a perceber que as escolhas culturais variam muito, entre cada sociedade.
Métodos de ensino, cerimônias de casamento, doutrinas religiosas e outros 
aspectos da cultura são aprendidos e transmitidos pela interação humana 
dentro de sociedades especí� cas. Na Índia, os pais estão acostumados a arranjar 
o casamento para seus � lhos; no Brasil, eles normalmente deixam as decisões 
conjugais para os � lhos. Quem morou a vida inteira no Cairo considera natural 
falar árabe; quem morou em Bueno Aires se sente da mesma forma com relação 
ao espanhol (WITT, 2016, p. 49). 
Devemos valorizar a diversidade, respeitar e interagir com as outras culturas abertamente, 
para que todas as pessoas na sociedade tenham os seus direitos respeitados. O que só será possível 
se garantirmos o debate e o diálogo aberto, entre todos os diferentes grupos culturais, evitando, 
assim, a atitude etnocêntrica, o agir de forma intolerante e preconceituosa. 
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diferente, sobre todas as coisas e o seu próprio futuro. Não é mais aceita uma 
explicação única ou “verdade acabada” sobre os acontecimentos e fatos sociais. 
Agora, o que existe são várias formas de representação ou tentativas de explicar 
sobre cada cultura, cada grupo e cada indivíduo, e obriga todos nós a questionar-
mos cada vez mais aquela “explicação universal e europeia” que aprendemos na 
escola sobre à história da humanidade. 
2 - O ETNOCENTRISMO
“Você nunca entende realmente uma pessoa até considerar as coisas do ponto de 
vista dela... até entrar na pele dela e andar por aí nessa pele” (Harper Lee).
Para Everardo Rocha (1993), o etnocentrismo é uma visão de mundo em que o nosso 
próprio grupo, o grupo do “EU”, é tomado como centro de tudo, e todos os outros, que são 
diferentes do nosso grupo, acabam sendo pensados e sentidos através dos nossos valores, modelos 
e de� nições do que valorizamos para a nossa existência. 
A atitude etnocêntrica é uma constatação da nossa di� culdade, tanto emocional como 
intelectual, de pensarmos as nossas diferenças, causando uma reação de estranheza, medo e 
hostilidade entre os grupos que possuem culturas e valores muitos diferentes. 
Como uma espécie de pano de fundo da questão etnocêntrica temos a experiência 
de um choque cultural. De um lado, conhecemos um grupo do “eu”, o “nosso” 
grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, conhece problemas 
do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses, casa igual, mora no mesmo estilo, 
distribui o poder da mesma forma, empresta à vida signi� cados em comum e 
procede, por muitas maneiras, semelhantemente. Aí, então de repente, nos 
deparamos com um “outro”, o grupo do “diferente” que, às vezes, nem sequer faz 
coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos 
como possíveis. E, mais grave ainda, este “outro” também sobrevive à sua maneira, 
gosta dela, também está no mundo e, ainda que diferente, também existe. Este 
choque gerador do etnocentrismo nasce, talvez, na constatação das diferenças. 
Grosso modo, um mal-entendido sociológico. A diferença é ameaçadora porque 
fere nossa própria identidade cultural (ROCHA, 1993, p. 8-9). 
Ocorre um julgamento pré-concebido do valor da cultura do “outro” nos termos da cultura 
do grupo do “eu”, o que signi� ca que o “outro” é humilhado e ridicularizado por ser diferente. 
Apesar das grandes diferenças culturais entre os grupos humanos, hoje em dia, a maioria dos 
cientistas defendem a existência de uma única espécie humana, em que estão agrupados todos 
os seres humanos. 
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Figura 1 – O olhar etnocêntrico do “outro”. Fonte: Learning Journal (2012).
Apesar dos con� itos que separam as pessoas, nós devemos optar sempre por buscar 
elementos que possam contribuir para a tolerância, respeitar os outros e evitar julgar e rotular as 
pessoas. Para contrapor a atitude etnocêntrica podemos utilizar a ideia da relativização, signi� ca 
compreender a cultura do outro a partir dos seus próprios valores e não os nossos. “Relativizar 
é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores ou em bem e mal, mas 
vê-la nasua dimensão de riqueza por ser diferença” (ROCHA, 1993, p. 20).
Estas mudanças começam através do nosso modo de olhar o mundo e as outras pessoas, 
enxergar os outros de forma respeitosa, eliminando todas as rixas e preconceitos. Não podemos 
acreditar que a nossa cultura é o centro do universo, o único pensamento válido. Essa crença 
impede o contato e afasta os outros, para entendermos a nossa cultura precisamos nos espiar, 
fazer o exercício de enxergar os nossos gestos mais comuns.
 
Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós 
mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa cultura passa 
inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente 
reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única 
(LAPLANTINE, 1988, p. 21).
O que signi� ca que não existe uma cultura melhor ou pior que a outra, uma superior e 
outra inferior, mas simplesmente que elas são diferentes umas das outras. Essa “revolução do 
olhar” (LAPLANTINE, 1988, p. 22) nos faz entender que as diferenças não são apenas diferenças, 
mas uma escolha de viver de certa maneira.
2.1. Preconceito e Racismo no Brasil
Como diz o provérbio popular: “há um pouco de navio negreiro em cada camburão”. É 
só lembrar a história do Brasil e resgatar as informações sobre as formas de violência e punições 
aplicadas no tratamento aos indígenas e negros, a partir do século XV na época da colonização 
portuguesa, isso deveria nos fazer re� etir sobre o preconceito e o racismo no Brasil.
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Entretanto, ainda hoje, muitos acreditam que “não existe racismo no Brasil”. A temática 
racial, no Brasil, apresenta uma grande complexidade, ocorre de forma velada, onde os indígenas 
e os negros aparecem de forma delimitada na história, apenas no período colonial da conquista 
portuguesa e escravidão do Brasil.
Figura 2 - Atlas da violência 2018. Fonte: SOS Corpo (2018).
Não é possível imaginar que ainda existem pessoas que acreditam que o lugar de negro 
é só no samba e no futebol. Isso é uma atitude etnocêntrica, quando desquali� camos o grupo 
dos “outros” por causa da sua aparência ou das diferenças culturais. O racismo “à brasileira” está 
repleto de ambiguidades, podemos veri� car que ele se a� rma na negação. “Em outras palavras: 
uma estratégia de dominação racial que foi hegemônica no Brasil era a a� rmação de que não 
existiria racismo no país” (SILVA; ARAÚJO, 2011, p. 489). 
As representações sobre a formação cultural brasileira se cristalizaram no imaginário 
popular, reproduzindo imagens falsas sobre os grupos humanos, atribuindo valores a alguns e 
desquali� cando outros.
São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades especí� cas inatas a 
“raças” ou a outros grupos humanos. Muita gente ainda acredita que os nórdicos 
são mais inteligentes do que os negros; que os alemães têm mais habilidade para 
a mecânica; que os judeus são avarentos e negociantes; que os norte-americanos 
são empreendedores e interesseiros; que os portugueses são muito trabalhadores 
e pouco inteligentes; que os japoneses são trabalhadores, traiçoeiros e cruéis; que 
os ciganos são nômades por instinto; e, � nalmente, que os brasileiros herdaram 
a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxúria dos portugueses 
(LARAIA, 2015, p. 17).
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Esse pensamento já foi superado pela ciência há muito tempo. Os pesquisadores a� rmam 
que o comportamento dos indivíduos depende do aprendizado, de um processo que podemos 
chamar de endoculturação. Não é pela cor da pele ou pela cor do cabelo que podemos explicar 
as diferenças de comportamento ou a capacidade intelectual das pessoas. Como exemplo, na 
televisão é comum as piadas e quadros humorísticos que apresentam o estereótipo da mulher 
como “loira burra”. 
As diferenças existentes entre os homens, portanto, não podem ser explicadas em 
termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo 
seu meio ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper com 
suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insigni� cante força física, 
dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. 
Sem asas, dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias, conquistou os 
mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui 
cultura (LARAIA, 2015, p. 24). 
Quando usamos o termo “raça” para de� nir grupos de indivíduos que são diferentes entre 
si, estamos partindo da tradição cientí� ca in� uenciada pela biologia e não pelas ciências sociais. 
Foi no século XIX que os cientistas começaram investigar a ideia de que haveria deferentes “raças 
humanas” por causa das aparências diferentes: da corda pele, do tipo de cabelo, cor dos olhos e 
da estatura. Entretanto, essa teoria evolucionista foi sendo questionada e desconstruída com o 
passar do tempo,
Tais traços só têm signi� cado no interior de uma ideologia preexistente (para 
ser preciso: de uma ideologia que cria os fatos, ao relacioná-los uns aos outros), 
e apenas por causa disso funcionam como critérios e marcas classi� catórios. Em 
suma, alguém só pode ter cor e ser classi� cada num grupo de cor se existir uma 
ideologia em que a cor das pessoas tenha algum signi� cado. Isto é, as pessoas 
têm cor apenas no interior das ideologias raciais (GUIMARÃES, 2009, p. 47. 
Grifo nosso).
No Brasil, essa construção ideológica � cou conhecida como o “mito da democracia 
racial”, transmitida nas salas de aula e que faz parte da educação brasileira, prática que procura 
amenizar e ocultar a violência do preconceito e das desigualdades sociais. Passando à ideia que 
os três grupos étnico-raciais (indígenas, negros e brancos) se miscigenaram e convivem de forma 
pací� ca e harmoniosa, desde a época da colonização até hoje.
O princípio que embasa os Direitos Humanos é aquele em que todos os indivíduos nascem 
livres e iguais em dignidade e em direitos. O contrário é a discriminação e perseguição pautadas 
na raça ou na etnia, que são violações desse princípio. Cada indivíduo é único e exclusivo, não 
possui valor de substituição ou preço, o que signi� ca que a noção de igualdade construída pela 
sociedade brasileira é abstrata e deve ser superada. 
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SER NEGRO NO BRASIL: ALCANCES E LIMITES
O artigo apresenta breves considerações sobre os conceitos de raça e de etnia 
no Brasil. Esclarece que ser negro é quem se autodeclara preto ou pardo e, para 
Ser negro no Brasil
3 - OS DIREITOS HUMANOS
“Não quero que a minha casa seja cercada de muros por todos os lados, nem que 
as minhas janelas sejam tapadas. Quero que as culturas de todas as terras sejam 
sopradas para dentro da minha casa, o mais livremente possível. Mas recuso-me 
a ser desapossado da minha por qualquer outra” (Mahatma Gandhi).
Como veri� camos anteriormente, as relações entre os grupos sociais podem ser de 
aceitação e tolerância ou de con� ito e rejeição. Vivemos em um mundo marcado por uma 
globalização excludente, resultado não de uma fatalidade econômica, mas de uma política 
consciente e proposital que busca liberar os determinismos econômicos de todo controle e 
submeter governos e cidadãos às forças assim liberadas. Esse processo constitui 
[...] a máscara justi� cadora de uma política que visa universalizar os interesses 
e a tradição particulares das potências econômicas e politicamente dominantes, 
sobretudo os Estados Unidos, e estender ao conjunto do mundo o modelo 
econômico e cultural mais favorável a essas potências, apresentando-o ao mesmo 
tempo como norma, um tem-que ser e um fatalismo, destino universal, de modo 
a obter adesão ou, pelo menos resignação universais (BOURDIEU, 2001, p. 90).
Para Bobbio (2004) pode haver direito sem democracia, mas não há democraciasem 
direito. Os homens não nascem livres nem iguais, a liberdade e a igualdade não são um dado de 
fato, mas um ideal a conquistar. Por isso, ele alerta que o problema dos direitos humanos
[...] não é � losó� co, mas jurídico e, num sentido mais amplo, político. Não se 
trata de saber quais e quantos são esses direitos, qual é a sua natureza e seu 
fundamento, se são direitos naturais ou históricos, absolutos ou relativos, mas 
sim qual é o modo mais seguro para garanti-los, para impedir que, apesar das 
solenes declarações, eles sejam continuamente violados (BOBBIO, 2004, p. 25). 
Os direitos humanos pertencem a todos os seres humanos, não importa se mulher ou 
homem. Na lei brasileira existe o princípio da igualdade, garantindo os direitos das mulheres, 
não permitindo que ocorra qualquer tipo de diferenciação entre as mulheres e os homens. 
Entretanto não é o que acontece no dia a dia, existe uma discriminação oculta contra as mulheres. 
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Na história da humanidade, em várias partes do mundo, as mulheres chegaram a ser vista 
como coisa e instrumento de deleite masculino. No Brasil, em passado não muito distante,
[...] a mulher não possuía sequer capacidade jurídica plena, tampouco o 
reconhecimento da igualdade para com os homens. Isso porque, até pouco 
tempo atrás, a ordem jurídica brasileira não reconhecia a mulher como sujeito 
de direito plenamente capaz, fato que somente ocorreu com a Lei n. 4.121, de 27 
de agosto de 1962. O “Estatuto da Mulher Casada” estabeleceu na época algumas 
conquistas para a mulher, tais como: a determinação de que ela não precisava 
mais de autorização do marido para trabalhar fora de casa; que poderia receber 
herança; comprar ou vender imóveis; assinar documentos e mesmo viajar 
(GUERRA, 2013, p. 228).
Pensar os Direitos Humanos e dizer que tudo gira, assim, em torno do homem e sua 
eminente posição no mundo. O que foi fundamentado pela justi� cativa cientí� ca da dignidade 
humana, ela sobreveio com a descoberta do processo de evolução dos seres vivos, na obra de 
Charles Darwin,
Figura 4 - Direitos Humanos. Fonte: Ziraldo (2008).
O primeiro regime de seguro social surgiu no � nal do século XIX, na Alemanha do 
período Bismark, para proteger os funcionários do Estado, porém, contava com a participação 
contributiva de trabalhadores, empregadores e do próprio Estado. Já na primeira metade do 
século XX, a reforma social inglesa, baseada no Relatório Beveridge de 1942, “[...] estabeleceu 
políticas integradas de proteção sociais públicas e universais, isto é, � nanciadas pelo Estado 
e aplicáveis a todos os cidadãos, independentemente da sua inserção pro� ssional ou laboral” 
(CASTRO; RIBEIRO, 2006, p. 21). 
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Em A Era Dos Direitos, Bobbio (2004, p. 25) assinala a importância de se tratar os direitos 
humanos como construções históricas, que nascem em determinadas circunstâncias e, por isso, 
não surgem “todos de uma vez e nem de uma vez por todas”. Coadunando-se às ideias de Silva 
(2009, p. 6), também é necessário que haja um equilíbrio entre o estudo dos direitos humanos nos 
âmbitos nacional e internacional, ao invés de dar primazia à ótica do direito internacional, “[...] 
porque o sistema internacional de proteção carece de sistemas nacionais e� cazes e adequados, até 
como uma das estratégias de prevenção de violação destes direitos”. Logo, os direitos humanos 
necessitam reformular suas teorias e conceitos, constantemente, para acompanhar as mudanças 
que a sociedade impõe. Bobbio (2004, p. 88-89) a� rma que 
[...] a doutrina dos direitos do homem nasceu da � loso� a jusnaturalista, a qual 
– para justi� car a existência de direitos pertencentes ao homem enquanto tal, 
independente do Estado – partira da hipótese de um estado de natureza, onde os 
direitos do homem são poucos e essenciais: o direito à vida e à sobrevivência, que 
inclui também o direito à propriedade; e o direito à liberdade, que compreende 
algumas liberdades essencialmente negativas. [...] A hipótese do estado de 
natureza era uma tentativa de justi� car racionalmente, ou de racionalizar, 
determinadas exigências que se iam ampliando cada vez mais; num primeiro 
momento, durante as guerras de religião, surgiu a exigência da liberdade de 
consciência contra toda forma de imposição de uma crença; e, num segundo 
momento, na época que vai da Revolução Inglesa à Norte Americana e à 
Francesa, houve a demanda de liberdades civis contra toda forma de despotismo. 
O estado de natureza era uma � cção doutrinária, que devia servir para justi� car, 
como direitos inerentes à própria natureza do homem, exigências de liberdade 
provenientes dos que lutavam contra o dogmatismo das Igrejas e contra o 
autoritarismo dos Estados.
 Os direitos sociais, na categoria de direitos humanos, é ideia que se desenvolveu em torno 
da noção de responsabilidade do Estado, somado ao princípio de solidariedade, que resulta nas 
políticas públicas, entre elas as políticas sociais. Desta forma, os Direitos Humanos são criações 
humanas e históricas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos trouxe para o âmbito o� cial 
a necessidade de se pensar sempre nos menos afortunados, o que in� uenciou a legislação de 
vários países.
O Welfare State, ou Estado de Bem-Estar Social, foi o modelo econômico que mais expandiu 
no momento pós Segunda Guerra Mundial (pós-1945) sendo, porém, mais efetivo em países 
desenvolvidos. Incentivado pela industrialização, marcado pela forte capacidade redistributiva 
e compensatória, capacidade esta que possibilitou o Estado a responder às demandas da classe 
trabalhadora. O número de políticas sociais neste período aumentou, porém, eram mais voltadas 
para a “proteção” dos trabalhadores, de forma que estes estivessem adequados para corresponder 
às exigências do mercado emergente (CARINHATO, 2008).
[...] Estado de bem-estar signi� caria, então, uma proposta institucional nova de 
um Estado que pudesse implementar e � nanciar programas e planos de ação 
destinados a promover os interesses sociais coletivos dos membros de uma 
determinada sociedade (GOMES, 2006, p. 204).
Bauman (1998, p. 51) diz que o Estado de Bem-Estar foi criado como instrumento do 
Estado para arcar com as responsabilidades que o sistema capitalista não assumia durante sua 
corrida pelo lucro e “[...] não era concebido como uma caridade, mas como um direito do cidadão, 
e não como o fornecimento de donativos individuais, mas como uma forma de seguro coletivo”. 
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Com a crise do capital, iniciada nos anos 1970, este modelo econômico entrou em declínio 
com a reação burguesa que fazia pressões para recon� gurar o papel do Estado capitalista, nos 
anos 1980 e 1990, tendo impacto direto nas políticas sociais.
O sistema brasileiro de proteção social foi radicalmente redesenhado com a Constituição 
de 1988. No campo das políticas sociais, a nova Constituição trouxe, no Art. 194, o conceito 
de Seguridade Social, oferecendo uma rede de proteção aos riscos sociais referentes ao ciclo 
da vida, à trajetória laboral e à insu� ciência de renda. Tendo como base o tripé das políticas de 
saúde, previdência e assistência social com amplas bases de � nanciamento (CASTRO; RIBEIRO, 
2006, p. 28). 
Porém, não basta constar na Constituição para que um direito seja efetivado de fato, mas 
é necessário a sua regulamentação por meio de leis que possibilitem o acesso a tais direitos. Em 
um contexto de crise econômica, agravamento do quadro de pobreza e desigualdade, e propostas 
no cenário internacional hegemonicamente contrárias ao “[…] formato social-democrata com 
mais de 40 anos de atraso […]”, a Constituição Cidadã enfrentou e ainda enfrenta várias barreiras 
para sua efetivação. (BEHRING; BOSCHETTI, 2011, p. 147).
GARANTIR OS DIREITOS DE CADA CRIANÇA E ADOLESCENTEmissão assegurar que cada criança e cada adolescente tenham seus direitos cum-
assegurar que cada criança e cada adolescente negro e indígena tenham todos 
os seus direitos protegidos e garantidos nas políticas públicas. Esse objetivo tem 
como referência nacional e internacional os marcos jurídico-legais do Estatuto da 
Criança e do Adolescente, da Convenção sobre os Direitos da Criança, da Conven-
ração e do Programa de Ação de Durban. 
No setor educacional, crianças negras, na idade de frequentar o ensino fundamen-
crianças brancas e quatro vezes mais de não estudar que as crianças indígenas. 
Adolescentes indígenas e negros também estão vulneráveis à violência. No caso 
dos indígenas, a tragédia vem com o suicídio. Entre os adolescentes negros com o 
são negros e um, branco.
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movimentos negro e indígena e setor privado, para dar voz a essas crianças e visi-
e de gênero em todas as áreas programáticas da cooperação; produzir conheci-
bola, gerando produtos concretos, como os programas de educação bilíngue para 
crianças indígenas; e contribuir para alterar práticas e comportamentos discrimi-
natórios na escola e na mídia que tenham impacto na autoestima e na identidade 
da criança.
GARANTIR OS DI-
REITOS DE CADA CRIANÇA E ADOLESCENTE
Figura 5 Fonte: Adoro 
DISTRITO 9
A história é simples. Os alienígenas vivem 
metrópole e é objeto de profundo preconcei-
to. Diante da situação, os humanos que de-
têm o poder resolvem promover uma ação 
de despejo em massa para uma região mais 
distante. Contudo, um acidente durante a 
operação provoca uma reviravolta, transfor-
mando o algoz em vítima do próprio siste-
com uma narrativa em tom de documentá-
tos de personalidades sobre a presença de 
alienígenas no planeta Terra. Daí em diante 
você entra em contato com uma realidade 
há anos imaginada pelo homem, mas nunca 
vivenciada, diga-se de passagem, com se-
res de outro planeta. Porque com humanos, 
a experiência já existiu, existe e – infeliz-
mente – continuará existindo.
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O Que É Racismo?
“A raça negra tem comportamento psico-
lógico instável e, por isso, não cria civiliza-
ção”. Alguns tentam provar que as diferen-
ças sociais são determinadas por fatores 
biológicos. Outros explicam que o racismo 
da natureza humana? Neste livro, os pri-
meiros passos para a compreensão deste 
fenômeno universal, suas modalidades e 
suas implicações sociais.
Figura 6 Fonte: 
4 - CONSIDERAÇÕES 
Essa unidade procurou desenvolver a re� exão crítica sobre “sociedade e cultura”. Para isso, 
aplicou-se a desnaturalização do olhar, acompanhada pela atitude do estranhamento desenvolvida 
pela Antropologia Cultural. Foram apresentados os principais enfoques nas Ciências Sociais 
sobre as relações étnico raciais e os fenômenos do preconceito e racismo no Brasil 
A partir dessa re� exão podemos perceber o papel de destaque da Sociologia e 
Antropologia, como permite desenvolver um novo olhar sobre o racismo e as desigualdades 
sociais, considerando que nossas opiniões e ações. Nossos hábitos e costumes são construções 
sociais, que nos fazem enxergar que tudo depende do nosso “lugar de fala”, da nossa educação, da 
cultura que nós assumimos como válida do nosso grupo. 
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UNIDADE
03
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................37
1. KARL MARX E A TEORIA DO CONFLITO ............................................................................................................38
2. MAX WEBER E A CIÊNCIA INTERPRETATIVA ..................................................................................................43
3. POLÍTICAS PÚBLICAS.........................................................................................................................................47
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................................................49
SOCIEDADE DO TRABALHO E 
POLÍTICAS PÚBLICAS
PROF. ME. MARCOS EDUARDO PINTINHA
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DISCIPLINA:
CIÊNCIAS SOCIAIS
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INTRODUÇÃO
A mudança do pensamento teocêntrico para o antropocêntrico provocou transformações 
na � loso� a, na política e na economia do mundo moderno. Os pesquisadores das Ciências 
Sociais discutem, cada vez mais, temas sobre a exclusão social, violência, desemprego e todos os 
fenômenos presentes na sociedade capitalista.
Entre os pensadores, Karl Marx (1818-1883), pensador revolucionário da Teoria do 
Con� ito, critica o trabalho humano produtor das mercadorias, resultado de uma relação 
coisi� cada, de luta pela sobrevivência que se esconde sobre a aparência das coisas. Na sua análise, 
ele utilizou o método do materialismo histórico e dialético. Leva os trabalhadores a perderem o 
controle sobre o processo de produção, que vivem alienados, não produzem para si, mas para o 
capital. Assim, as relações sociais são marcadas pelos antagonismos das classes, pela dominação 
e interesses divergentes.
Para Max Weber (1864-1920), os con� itos nascem da contraposição dos interesses 
econômicos, das relações estabelecidas no mercado e na dinâmica da oferta e demanda das 
mercadorias. Entretanto, as explicações dos con� itos sociais e da luta de classe não se esgotam 
apenas pela análise econômica, sendo necessário tratar dos temas ligados à política, ao direito, à 
religião. Para ele, o estudo dos con� itos e classes sociais é complexo e caótico e foge ao controle. A 
Sociologia é uma ciência interpretativa da sociedade, por isso propõe o método da compreensão.
Os resultados obtidos pelas investigações das Ciências Sociais balizam as ações propostas 
pelos governos, as políticas públicas procuram modi� car os efeitos nocivos da sociedade 
capitalista, preservando os direitos e promovendo o diálogo entre as populações em situação de 
vulnerabilidade social e que precisa das ações estatais para amenizar os seus sofrimentos.
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1. KARL MARX E A TEORIA DO CONFLITO
“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a 
fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam 
diretamente, legadas e transmitidas pelo passado” (Karl Marx).
A sociedade capitalista está assentada na propriedade privada dos meios de produção, 
como algumas classes sociais se apropriam e geram riquezas, e outras não, e são atingidas pela 
desigualdade social. Indivíduos que acabam � cando à margem da sociedade e do consumo dos 
bens, serviços e direitos oferecidos pela sociedade capitalista.
Na segunda metade do século XVIII, na Grã-Bretanha temos o início de uma grande 
transformação social e econômica que atingiu toda a humanidade, ela � cou conhecida como 
Revolução Industrial. Diversas mudanças foram ocorrendo, inclusive na própria sociologia.
À medida que a sociedade se complexi� ca, o campo de conhecimento da 
sociologia se amplia e novos objetivos de estudos vão se delineando. São frutos 
da multiplicação de paradigmas e das diversas abordagens metodológicas; eis 
algumas sociologias: do consumo, do desenvolvimento, do trabalho, política, 
das organizações, urbana, rural, do meio ambiente, do gênero, do direito, da 
educação, do lazer, da saúde, da religião, do conhecimento, da comunicação, 
da cultura, econômica, da linguagem, das relações étnicas e raciais. Essa 
fragmentação em sociologias não as impede de terem sua autonomia e sua 
própria história e ainda se manterem entrelaçados (ARAÚJO; BRIDI; MOTIM, 
2009, p. 38).
Karl Marx (1818-1883) nasceu em Trier na Renânia, região da Alemanha. Sua família 
era de origem judaica convertidaao protestantismo, o pai era advogado e Marx estudou direito, 
� loso� a e história em Berlim, tornou-se jornalista e depois foi redator chefe da Gazeta Renana. 
Emigrou para Paris, onde frequentou os círculos operários socialistas, era considerado militante 
e erudito, sendo um dos fundadores, em 1864, da Associação Internacional dos Trabalhadores.
Figura 1 - Karl Marx (1818-1883). Fonte: Burke (2000).
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Na sua obra o trabalho humano é um dos temas principais, que depois vai dar origem 
ao campo da sociologia do trabalho, signi� ca a mediação entre o homem e a natureza, em 
que, por meio do trabalho, o homem domestica e domina a natureza para, assim, garantir sua 
sobrevivência. 
Em sua busca por dominar a natureza, os homens se organizam, encetam 
relações particulares. Essa organização do trabalho para a dominação da 
natureza baseia-se fundamentalmente na divisão do trabalho. Historicamente, 
esta foi antes técnica (caça, pesca, colheita...), depois social, com o lento 
surgimento da propriedade privada. Na história, a divisão do trabalho, o 
recurso a novas técnicas e a evolução das formas de propriedade se consolida. 
A divisão do trabalho participa da desagregação e da constituição dos grupos 
sociais, das classes e frações de classes. Em outras palavras, sendo o trabalho 
mediação entre os homens e natureza, os homens se organizam e se constituem 
em classes em sua tentativa de dominar a natureza. Assim, o trabalho humano, 
além de produzir efeitos sobre a natureza (e sobre o desenvolvimento do próprio 
homem), também está no cerne das transformações do social (DURAND, 2016, 
p. 48).
Na sociedade capitalista o trabalhador, agora, é livre para vender a sua força de trabalho 
e estabelecer uma relação mercantil considerada legal e legítima. Uma relação de compra e 
venda, ou de troca, em que uns compram a força de trabalho e outros vendem, o que passa a ser 
considerado necessário e “natural” na produção capitalista. Marx procurou explicar as mudanças 
que aconteceram na Revolução Industrial, ele foi testemunha direta tanto do crescimento das 
fábricas, como do empobrecimento dos trabalhadores assalariados. 
Marx argumentava que aqueles que possuem o capital – capitalistas – formam 
uma classe dominante, ao passo que a massa da população forma uma classe 
de trabalhadores assalariados – uma classe trabalhadora. À medida que 
a industrialização avançava, grandes quantidades de camponeses que se 
sustentavam trabalhando na terra se mudaram para as cidades em processo de 
expansão ajudaram a formar uma classe trabalhadora industrial urbana. Essa 
classe trabalhadora também costumava ser chamada de proletariado. Marx 
acreditava que o capitalismo era um sistema inerentemente classista, no qual 
as relações de classe se caracterizavam pelo con� ito. Embora os donos do 
capital e trabalhadores dependam uns dos outros – os capitalistas precisam da 
mão de obra e os trabalhadores precisam do salário – a dependência é muito 
desequilibrada. A relação entre as classes é de exploração, pois os trabalhadores 
têm pouco ou nenhum controle sobre o seu trabalho, e os empregadores podem 
obter lucro apropriando-se do produto da mão de obra dos trabalhadores. Marx 
enxergou que o con� ito de classe quanto aos recursos econômicos se tornaria 
mais agudo com o passar do tempo (GIDDENS, 2012, p. 26).
A sociedade capitalista foi o campo de lutas e investigações mais frutífero da Sociologia. 
Buscou respostas para as perguntas sobre as causas da desigualdade social, das tensões e con� itos 
sociais. Para Marx estava claro que as desigualdades sociais sempre existiram ao longo da 
história, entretanto, ele não aceitava a justi� cativa dos iluministas, que defendiam que a pobreza 
era resultado das ações humanas e não uma vontade de Deus.
A Sociologia contribuiu para desnaturalizar os fenômenos da sociedade, a desigualdade 
social até aquele período histórico era concebida pelos homens como algo tão natural quanto os 
fenômenos da natureza – chuva, calor, terremotos. “Ela mostrou a existência de uma natureza 
social produzida no convívio entre os homens, ao explicar que as condições sociais, econômicas 
e políticas estão na origem das diferenças entre os indivíduos e grupos” (ARAÚJO, BRIDI; 
MOTIM, 2009, p. 83). 
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 Para a Sociologia, os indivíduos ocupam lugares distintos na sociedade, conforme os 
critérios sociais desenvolvidos em cada época, sendo a desigualdade uma característica estrutural 
da sociedade. 
Uma estrutura social é justamente a manifestação de relações entre os homens, 
uma estrutura é o efeito das relações entre as partes. Mesmo uma moderna 
estrutura de uma edi� cação feita em concreto armado (ferro, cimento, brita, areia) 
é mais uma relação de sustentação entre as partes calculadas proporcionalmente 
em termos de vigas, lajes, pilares, do que a rigidez que aparenta. A estrutura das 
classes é essa relação de dependência das classes entre si, é o fundamento oculto 
da estrutura social do capitalismo. E estrutura social de classes emerge com a 
propriedade privada, a divisão social do trabalho e o Estado moderno, e só neste 
contexto pode ser compreendida (ARAÚJO, BRIDI; MOTIM, 2009, p. 84). 
Marx e Engels (2001) escrevem o “Manifesto Comunista”, em 1848. Neste, a� rmavam que 
os con� itos entre as classes é o que move a história da humanidade e causam as mudanças sociais. 
Propôs uma teoria revolucionária. Para ele, os trabalhadores iriam derrubar o sistema capitalista 
e iniciariam uma nova forma de governo, em que não haveria mais classes sociais e divisão entre 
ricos e pobres. 
Figura 2 - Manife sto do partido comunista. Fonte: Martinclaret (2014).
Na tradição teórica da sociologia a obra de Marx inaugura a Teoria do Con� ito. Utilizando 
o método dialético ele defende que o capitalismo é o produtor da miséria e da desigualdade social. 
E somente os trabalhadores unidos poderiam tomar o poder do Estado e criar uma sociedade 
sem classes, voltada à produção para as necessidades humanas e não mais para a busca incessante 
do lucro.
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A teoria do con� ito mostra como os principais padrões de desigualdade na 
sociedade produzem estabilidade social em certas circunstâncias e mudanças 
sociais em outras. A teoria do con� ito enfatiza como os membros de grupos 
privilegiados tentam manter suas vantagens, enquanto grupos subordinados 
lutam para aumentar as suas. Desse ponto de vista, as condições sociais em um 
dado período de tempo são a expressão de uma luta de poder contínua entre 
grupos privilegiados e grupos subordinados. A teoria do con� ito tipicamente 
sugere que a eliminação dos privilégios diminuirá o grau de con� ito e aumentará 
o bem-estar humano total (BRYM, et. al., 2015, p. 16).
A palavra em destaque na linguagem política de Marx é ideologia, como uma falsa 
representação, uma crença que encobre e mascara os interesses dos detentores do poder, 
conservando as vantagens e privilégios, impedindo as transformações e mantendo as relações entre 
os agentes sociais como estáveis e permanentes. Sendo a ideologia a expressão da dominação, em 
outras palavras, os homens encontram “[...] na ideologia representações prontas, já constituídas, 
de sua relação com o mundo real. Ora, essas representações, enquanto construções imaginárias 
são deformadas e aceitas (como verdadeiras)” (DURAND, 2016, p. 115).
A alienação no pensamento marxista aparece relacionada ao mundo do trabalho, na 
manipulação através dos meios de comunicação, da publicidade, que despersonaliza o trabalhador 
e produz a alienação. O trabalho que aliena é um trabalho de sacrifício, de morti� cação de si 
mesmo, como um mero meio de sobrevivência e estranho a sua natureza.
O trabalhador depende da venda da força de trabalho e do desenvolvimento das forçasprodutivas, considerada como parte natural do processo de produção. Assim, é a força de 
trabalho que transforma matéria prima em mercadoria. Para o trabalhador, a riqueza produzida 
é proveniente do capital e não do trabalho. É essa alienação que Marx quer denunciar, o valor da 
força de trabalho e o valor que ela cria no processo de trabalho são duas equações distintas, sendo 
a parte do trabalhador ín� ma.
Figura 3 - O Capit al. Fonte: Geopoliticaleconomy (2017).
A obra mais signi� cativa de Marx, sem dúvida nenhuma, é O Capital, dividida em três 
volumes. No primeiro volume apresenta o processo de produção do capital, publicado em 1867; 
no segundo volume versa sobre o processo de circulação do capital, publicado em 1885; e o 
terceiro livro versa sobre o processo global da produção capitalista, publicado em 1894.
Marx viveu apenas para ver o primeiro livro publicado, os outros dois foram publicados 
por Friedrich Engels, seu amigo e colaborador, publicação que inaugurou uma nova compreensão 
do ciclo histórico.Considerada uma obra cientí� ca, mas ao mesmo tempo revolucionária, ela foi 
escrita para a classe trabalhadora como suporte teórico da luta do proletariado contra a ordem 
burguesa.
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A ALIENAÇÃO
O trabalho não produz apenas mercadorias; produz a si mesmo e produz o operá-
rio como mercadoria, e isso na medida em que produz mercadorias em geral.
Esse fato nada mais expressa do que o seguinte: o objeto que o trabalho produz, 
seu produto, afronta-o como um ser estranho, como um poder independente do 
jeto, é a objetivação do trabalho. A atualização do trabalho é sua objetivação. No 
nível da economia, essa atualização do trabalho aparece como uma perda, para o 
operário, de sua realidade; a objetivação como a perda do objeto ou a subordina-
ção a ele; a apropriação como alienação, o desapossamento. 
[...] Tanto a objetivação revela-se perda do objeto que o operário é espoliado, não 
apenas dos objetos mais necessários à vida, mas também dos objetos do traba-
lho [...]. Tanto a apropriação revela-se uma alienação que, quando mais objetos o 
operário produz, menos ele pode possuir e mais ele cai sob a dominação de seu 
produto, o capital. 
Todas essas consequências encontram-se nessa determinação: o operário tem 
com o produto do seu trabalho a mesma relação que com um objeto estranho. [...] 
objeto. Portanto, quanto maior a atividade, mais desprovido de objeto é o operário. 
Ele não é o que é o produto de seu trabalho. Portanto, quanto maior é esse produ-
apenas que seu trabalho se torna um objeto, uma existência exterior, mas que seu 
trabalho existe fora dele, independentemente dele, estranho nele, e torna-se um 
poder autônomo com relação a ele, que a vida que ele deu ao objeto opõe-se a ele, 
O Emprego
sobre o destino do trabalho sob o Capitalismo. Ele apresenta uma sociedade que, 
para criar novos “empregos”, se canibaliza em absurdas ofertas novas de servi-
surreais serviços – cabides de roupas, carros, abajur, sinal de trânsito, capachos 
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Para Marx, a classe proletária é a classe dos verdadeiros revolucionários, pois as classes 
restantes vão se degenerando e afundam sob a indústria, sendo o proletariado o seu produto mais 
genuíno. Para o autor, toda a sociedade, até hoje, viveu no antagonismo de classes opressoras versus 
oprimidas. A sociedade antiga explorava os escravos, no feudalismo os senhores exploravam os 
servos, e na sociedade capitalista a classe trabalhadora é explorada.
No pensamento marxista a luta de classes, o con� ito, é um aspecto normal e desejável 
da transformação social, e é só assim que a desigualdade social poderá ser eliminada. Para que 
isso aconteça as pessoas precisariam assumir o controle do processo histórico e conquistar a sua 
liberdade.
2. MAX WEBER E A CI ÊNCIA INTERPRETATIVA
“O homem é um animal amarrado a teias de signi� cados que ele mesmo teceu” 
(Max Weber).
Max Weber nasceu em Erfurt na Alemanha, numa família de burgueses liberais. Estudou 
direito, história e sociologia, iniciando sua carreira de professor em Berlim, e em 1895, tornou-se 
catedrático na Universidade de Heidelberg. Na política, defendeu fortemente seu ponto de vista 
liberal e parlamentarista e participou da comissão redatora da República de Weimar. Sua grande 
in� uência na Sociologia se deu nos estudos das religiões, estabelecendo ligações entre formações 
políticas e crenças religiosas. Suas principais obras são: Artigos reunidos de teoria da ciência: 
economia e sociedade (obra póstuma) e A ética protestante e o espírito do capitalismo.
A obra de Weber se baseia em artigos publicados em diversas revistas, a maioria reunida 
depois de sua morte, grande parte da obra weberiana é constituída por uma sociologia das 
religiões, “[...] gênero pouco em voga durante as décadas de 1960-1980 (onde a concepção 
dominante era de que as religiões haviam de� nitivamente deixado de ser um agente histórico)” 
(COLLIOT-THÉLÈNE, 2016, p. 8). 
IDEIA DA FELIDADE
mas como uma meta a ser alcançada pela coletividade. O homem só pode pensar 
na felicidade como um projeto de sociedade, isto é, como uma possibilidade para 
produção de alimentos, a fabricação das coisas que precisava – tecidos, roupas, 
máquinas etc. – aumentassem a tal nível que deixassem de ser um privilégio de 
da sociedade construída tendo por alicerce esse desejo. A ideia de felicidade 
representa uma grande conquista humana e, ainda hoje, orienta todo esforço da 
humanidade de construir uma sociedade mais justa e igualitária. 
Fonte: História da cidadania
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Para Weber a realidade social é complexa, caótica e foge ao controle humano, as 
construções conceituais Weber denomina de tipos ideais.
Entre os tipos ideais que elaborou estão a burocracia, típica dos Estados 
modernos; a dominação, como um fenômeno social complexo e berço do poder; 
o capitalismo ocidental, que se distingue por sua racionalidade presente nas ações 
sociais mais simples. A construção de tipos ideais é um recurso metodológico 
weberiano e está em referência ao conjunto de valores signi� cativos de uma 
cultura em determinado tempo, captado pelo cientista, em seu traço de 
individualidade histórica, isto é, aquilo que o fenômeno tem de particular, de 
singular, que lhe é próprio. Weber concede a Sociologia como uma ciência 
interpretativa, cujo objetivo é a ação social, a qual deve ser compreendida pelo 
sentido que lhe atribuem os atores sociais (ARAÚJO; BRIDI; MOTIM, 2009, p. 
24-25).
Figura 4 - Max Weber (1864-1920). Fonte: Roteiros Literários (2015).
Weber acreditava que para que o sociólogo analise uma determinada situação social, 
tratando-se de generalizações, é necessário criar um “tipo ideal”, um instrumento orientador 
da investigação da ação do ator, uma espécie de parâmetro. A ação social é entendida por 
Weber como qualquer ação realizada por um sujeito em um meio social que possua um sentido 
determinado por seu autor. Ela constitui-se como ação a partir da intenção de seu autor quanto à 
resposta que deseja de seu interlocutor.
A ação social (inclu indo tolerância ou omissão) orienta-se pelas ações de outros, 
que podem ser passadas, presentes ou esperadas como futuras (vingança por 
ataques anteriores, réplica a ataques presentes, medidas de defesa diante de 
ataques futuros). Os “outros” podem ser individualizados e conhecidos ou então 
uma pluralidade de indivíduos indeterminados e completamente desconhecidos 
(o “dinheiro”, por exemplo, signi� ca um bem – de troca – que o agente admite no 
comércio porque sua ação está orientada pela expectativa de que outros muitos, 
embora determinados e desconhecidos, estarão dispostos também a aceitá-lo, 
por sua vez, numa troca futura) (WEBER, 1977, p. 139).
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Weber estipula quatr o tipos de ações sociais:
• Ação tradicional: tem por base a tradição familiar, � rmadas em hábitos e costumes 
arraigados do sujeito. Age-se de determinada forma, pois sempre se agiu assim. É um 
tipo de ação que se adota quase automaticamente, pela força do hábito. A maior parte das 
ações no nosso cotidiano é desse tipo, ao dar bom-dia ao acordar ou pedir a benção aos 
pais, pode ser exemplo dessa ação.
• Ação afetiva: é uma ação realizada com base nas emoções do indivíduo, em seus 
sentimentos. “[...] O afeto dirigido a uma pessoa que se quer bem e a ira direcionada a 
um agressor são exemplos de ação efetiva” (LIMA; SILVA, 2012, p. 94). 
• Ação racional com relação a valores: fundamenta-se em convicções e valores pessoais 
(éticos, estéticos, religiosos, políticos etc.). O indivíduo age de acordo com aquilo que 
acredita ser correto, independentemente de suas consequências. Como exemplo dessa 
ação, o paci� sta que se coloca diante de um tanque de guerra, em comparação aos outros 
tipos de ações anteriores, esse apresenta “[...] um grau de racionalidade maior no que 
se refere à forma como o indivíduo orienta sua ação, embora seja marcado por uma 
irracionalidade no que se refere às consequências do agir” (LIMA; SILVA, 2012, p. 95). 
• Ação racional com relação a � ns: é uma ação orientada, tendo um objetivo 
racionalmente estabelecido, em que o indivíduo age de acordo com suas metas e utiliza os 
meios necessários para que sejam alcançadas. Um exemplo é o general que precisa vencer 
“[...] o inimigo na guerra, calculando os meios necessários para tal � m, age racionalmente 
com relação àquele objetivo” (LIMA; SILVA, 2012, p. 96). 
Um dos trabalhos mais importantes de Max Weber é A ética protestante e o espírito do 
capitalismo, em que ele relaciona o papel do protestantismo na formação comportamental do 
capitalismo ocidental moderno típico. 
Figura 5 - A ética pr otestante e o espírito do Capitalismo. Fonte: Martinclaret (2016).
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Weber, utilizando os dados estatísticos, percebe que grande parte dos homens de negócios 
bem-sucedidos é protestante e, a partir disto, procura estabelecer conexões entre a prática 
protestante e a sua in� uência sobre o capitalismo ocidental. 
Para Weber, o poder é a capacidade de alguém exercer sua vontade sobre os outros, 
mesmo que estes resistam, de modo que as relações de poder podem estar presentes em diversos 
ambientes, nas grandes empresas, nos pequenos grupos sociais ou nas relações intimas dos casais. 
Diferenças metodológicas entre Marx e Weber sobre a realidade social apresentada no 
quadro abaixo: 
KARL MARX MAX WEBER
Método dialético Método compreensivo
É concebido como o método de apreensão 
que permite ir à raiz da realidade. Ao mesmo 
tempo em que procura entendê-la, o método 
procede a transformação da realidade social.
A compreensão da realidade passa pelas 
condições materiais da vida da época 
analisada. O seu pressuposto é que o modo 
de produção da vida material condiciona o 
processo da vida social, política e espiritual 
em geral. 
Busca na história, enquanto processo de fatos 
concatenados, a chave para o desvelamento 
das relações sociais, sua relação recíproca 
e a interação existente entre os fatos, as 
estruturas e os acontecimentos.
e ampliá-las para categorias mais gerais. 
Noções simples, como trabalho, divisão do 
trabalho, valor de troca, se elevam a categorias 
como Estado, trocas internacionais, mercado 
mundial.
ação social. Essa compreensão ocorre por 
valores de quem investiga. Dessa forma, os 
valores devem ser incorporados e fazer parte 
da investigação social. Não há recomendação 
para suprimir toda prenoção e juízos de valor, 
e sim integrá-los de modo consciente na 
pesquisa.
O método é comparativo, porque busca, 
na história, valores e culturas explicativas 
das ações sociais. É também um método 
compreensivo, por permitir a apreensão 
sentido da ação social.
Quadro 1 - Métodos de investigação da realidade social nos clássicos. Fonte: adaptado de Araújo, Bridi e Motim 
(2009, p. 30).
O Estado aparece na história com o papel de estabelecer um contrato social entre os 
membros da sociedade, para evitar a desagregação e promover a prosperidade de todos, vai regular 
as relações impondo como custo aos homens cederem parte de sua liberdade submetendo-se as 
leis e pagando os impostos.
O Estado moderno, que teve início no século XVI, trouxe a organização em torno 
da racionalidade, do “Estado de direito”, que são as leis nacionais negociadas num 
grande acordo social, a Constituição. O Estado é uma estrutura que se “destaca” 
da sociedade: os cidadãos dão o voto para a formação de uma superestrutura 
política; o Estado moderno é uma grande máquina política que se estrutura com 
base na sociedade, com o objetivo de gerenciá-la dentro de uma estrutura legal 
(QUEIROZ, 2012, p. 28). 
A partir da década de 70, o Estado de bem-estar social passa por uma reforma. O Estado 
estava em crise e deixam a produção direta de bens e serviços para a sociedade, e se “[...] fortalecem 
como reguladores e indutores do processo de desenvolvimento nacional por meio de políticas 
governamentais compensatórias para determinados segmentos sociais” (QUEIROZ, 2012, p. 31).
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3. POLÍTICAS PÚBLICAS
“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo 
motivo” (Eça de Queirós).
O estudo das Políticas Públicas faz parte das pesquisas relacionadas às Ciências Sociais, 
elas são ações e programas desenvolvidos pelo Estado para garantir os direitos e buscar soluções 
para os problemas sociais, garantir a segurança e a ordem, que estão previstos na Constituição 
Federal de 1988 (CF1988) e em outras leis brasileiras. O estudo das políticas públicas revela 
como acontecem as relações entre o Estado e a sociedade civil organizada. A CF1988 indica 
como princípio normatizador a participação direta da sociedade na elaboração e � scalização das 
políticas por meio dos conselhos.
O artigo 1º da Constituição a� rma que todo poder emana do povo e ele deve ser exercido 
por meio de representantes eleitos ou diretamente, o que signi� ca que cabe a todo cidadão 
despertar a consciência e incentivar a participação de todos, fazer valer o modelo da Democracia 
Representativa e a atuação dos atores sociais no controle social do Estado e das ações políticas. 
Agir como protagonista das políticas públicas é escutar as demandas da população e executar a 
solução dos problemas, aplicando os recursos do modo mais e� caz. 
Para isso, os representantes dos setores sociais precisam participar das audiências públicas, 
para negociar e planejar as ações/projetos de intervenção, dialogar com os representantes das 
forças sociais, ter acesso e voto nos Conselhos Municipais dos Idosos, da saúde, da habitação, da 
mulher, das crianças e adolescentes. 
Existem formas regulares ou não de in� uência e participação na tomada de 
decisão sobre política pública, desde modalidades institucionalizadas em 
grupos de interesse, lobby, conferências e conselhos, passando por mecanismos 
institucionais ou não de participação de organizações da sociedade civil, 
como sindicatos e federações empresariais e trabalhistas, organizações não 
governamentais e grupos de pressão, até a sociedade civil organizada em 
movimentos sociais e assemelhados. De qualquer maneira, isso denota 
capacidade para mobilizar recursos de organização, riqueza, prestígio, coerção 
ou sanção, entre outros (KAUCHAKJE; SCHEFFER, 2017, p. 31). 
O objetivo principal das ações governamentais é criar uma rede de proteção social 
assegurando os grupos em situação de maior vulnerabilidade social. A legislação social prevê 
que as políticas públicas devem ser universais e focalizadas, priorizando os grupos baseados 
em critérios etários (as crianças, adolescentes e jovense os idosos), em situações de de� ciência, 
pobreza, gênero e discriminação étnica. Não existem políticas públicas isoladas, elas são resultado 
de interação dos agentes políticos e diversos atores sociais, do Estado, da sociedade civil e do 
mercado, fruto do esforço conjunto de todos os setores da sociedade na construção da cidadania 
e de uma sociedade melhor e mais justa. 
É necessário organizar redes de proteção social e promover as práticas inclusivas, fazer 
a junção dos diferentes programas sociais para aplicar os recursos em projetos que melhorem as 
condições de vida dos brasileiros, principalmente dos mais pobres. Articular os diversos setores 
envolvidos nas políticas públicas, desde o planejamento, execução e avaliação, para garantir o 
atendimento das necessidades dos usuários na sua integridade, organizado como um guarda-
chuva que abriga as três políticas de proteção social: a saúde, a previdência e a assistência social.
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O Sistema Único de Assistência Social (SUAS), implantado em 2005, é um sistema 
constituído com direção única, caracterizado pela gestão compartilhada e co� nanciamento das 
ações pelos três entes federados e pelo controle social exercido pelos Conselhos de Assistência 
Social dos municípios, Estados e União. 
O SUAS permite, especialmente, a articulação de serviços, programas, projetos 
e benefícios socioassistenciais, a universalização de acessos territorializados e a 
hierarquização de serviços por níveis de complexidade e porte de município, com 
repactuação de responsabilidades entre os entes federados. Sua regulamentação, 
por meio de base legal, [...] jurídico-normativos necessários para a uni� cação 
pretendida, tem impulsionado o reordenamento das redes socioassistenciais 
para os atendimentos dos sujeitos de direitos, na direção da superação de 
ações segmentadas, fragmentadas, pontuais, sobrepostas e assistencialistas, 
para a garantia de um sistema uni� cado, continuado e a� ançador de direitos, 
no enfrentamento das perversas formas de opressão, violência e pauperização 
vivenciadas pela maioria da população (SILVEIRA, 2007, p. 61-62). 
Desenvolver uma cultura política participativa, em que todos sejam protagonistas e 
possam intervir nas tarefas governamentais exercendo a cidadania ativa em prol do bem de todos. 
o limite de sua visão para enxergar toda a paisagem em seus detalhes; a mu-
dança, mesmo que sutil, na tonalidade das cores da paisagem vista conforme a 
alteração da luminosidade do local que observa – a luz solar muda de intensidade 
te reproduzirão na íntegra as cores que observa. Portanto, por mais perspicaz e 
observada; será apenas a seleção do que lhe foi mais captado pela sensibilidade 
de sua retina, de seu olhar, e pelo material que tinha disponível para realizar a sua 
arte. O quadro pintado será uma síntese do que conseguiu perceber daquela reali-
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ESCRITORES DA LIBERDADE
cola de um bairro pobre, que está corrompida pela 
agressividade e violência. Os alunos se mostram 
rebeldes e sem vontade de aprender e há entre 
eles uma constante tensão racial. Assim, para 
fazer com que os alunos aprendam, a professora 
lança mão de métodos diferentes de ensino. 
das metodologias utilizadas pela professora, im-
pactando os alunos com histórias que eles se 
escreverem suas próprias histórias de vida. 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ética constitui o conjunto de valores ou princípios morais que de� nem o que é certo 
ou errado para uma pessoa, grupo ou organização. Ser cidadão signi� ca ter direitos e deveres, 
a cidadania só existe se houver a prática da reivindicação, da apropriação de espaços. Por isso a 
cidadania e a felicidade precisam ser construídas coletivamente, não só em termos do atendimento 
às necessidades básicas, mas de acesso a todos os níveis de existência. 
Viver em sociedade faz com que as pessoas sofram um processo de massi� cação, os seres 
humanos são tratados como meras mercadorias, manipulados e controlados, estimulados ao 
consumismo. A cultura atual é uma criação e não um produto que se adquire, por isso, o Estado 
precisa desenvolver políticas públicas e� cazes como forma de garantir a “proteção social” aos 
“fracos” do sistema.
As pessoas tendem a pensar a cidadania apenas em termos dos direitos a receber, 
negligenciando o fato de que elas próprias podem ser o agente da existência desses direitos, elas 
podem adotar políticas e assumir decisões e ações que bene� ciam a sociedade. 
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Como dizem Ivan Lins e Vitor Martins (2007), “depende de nós...”
Depende de nós
Quem já foi ou ainda é criança
Que acredita ou tem esperança
Quem faz tudo pra um mundo melhor
Depende de nós
Que o circo esteja armado
Que o palhaço esteja engraçado
Que o riso esteja no ar
Sem que a gente precise sonhar
Que os ventos cantem nos galhos
Que as folhas bebam orvalho
Que o sol descortine mais as manhãs
Depende de nós
Se esse mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá. 
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UNIDADE
04
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................52
1. INDÚSTRIA CULTURAL E GLOBALIZAÇÃO.........................................................................................................53
2. ZYGMUNT BAUMAN E A MODERNIDADE LÍQUIDA .........................................................................................58
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................................................63
O CAPITALISMO PARASITÁRIO
PROF. ME. MARCOS EDUARDO PINTINHA
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CIÊNCIAS SOCIAIS
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INTRODUÇÃO
A globalização exige um melhor entendimento entre os diversos povos. Quando as 
pessoas se entendem melhor, elas se tornam mais tolerantes diminuindo o con� ito e a luta.
A globalização possui aspectos positivos e negativos que in� uenciam na vida humana, 
trouxe o progresso e eliminou as barreiras físicas, rompeu as fronteiras, possibilitou a expansão 
dos meios de comunicação, melhorou a formação e a tecnologia em todo o mundo. As fronteiras 
entre as pessoas também estão mais próximas devido às facilidades dos meios de transporte e 
comunicação, além da difusão da cultura que se espalha entre as sociedades e grupos. 
Na sociedade globalizada temos acesso a elementos culturais diferentes dos nossos. 
Contudo a mídia deturpa as informações para garantir o próprio sistema, manter o poder do 
capital e a cultura do consumo. Nesta sociedade de consumo o consumidor é manipulado, 
consome muito mais do que necessário, levando a humanidade ao esgotamento dos recursos 
naturais. 
Gera consequências extremamente prejudiciais nas esferas econômica, social e ambiental 
e � ca cada vez mais endividado. 
Fig ura 1 - 8 jeitos de mudar o mundo. Fonte: Google imagens (2019).
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1. INDÚSTRIA CULTURAL E GLOBALIZAÇÃO
“Vivemos num mundo globalizado. Isso signi� ca que todos nós, conscientemente 
ou não, dependemos uns dos outros. O que quer que façamos ou nos abstenhamos 
de fazer afeta a vida das pessoas que vivem em lugares que nunca iremos visitar” 
(Zygmunt Bauman).
O termo indústria cultural foi empregado pela primeira vez em 1947, por Max Horkheimer 
(1895-1973) e � eodor Adorno (1903-1969), como resultado da oportunidade de expansão e 
lógica do capitalismo sobre a cultura. Signi� cou o poder de dominação e difusão de uma cultura 
de subserviência e transformou os indivíduos da sociedade em objetos. Na hierarquia das culturas, 
hoje nãose pode mais “[...] estabelecer a distinção entre a elite cultural e aqueles que estão abaixo 
dela a partir dos antigos signos, por aquilo que é visto como ‘grande arte’” (BAUMAN, 2013, p. 7). 
Figu ra 2 - Pierre Félix Bourdieu (1930-2002). Fonte: Lo Inborrable (2013).
O sociólogo Pierre Félix Bourdieu nasceu na França, na cidade de Denguin, em primeiro 
de agosto de 1930. Formou-se em Filoso� a em 1954, e em 1960 tornou-se membro do Centro de 
Sociologia Europeia, contribuindo signi� cativamente para as pesquisas da Sociologia. Durante 
a década de 1970, publicou dois dos seus principais livros: A reprodução (1970) e A distinção 
(1979). Faleceu no dia 23 de janeiro de 2002, aos 71 anos, em Paris, mas sua obra permanece viva. 
Bourdieu introduziu o conceito de capital cultural, a� rmando que as pessoas de classes 
sociais diferentes, possuem diferentes tipos de capital cultural. Ou seja, o capital cultural está 
enraizado na percepção da realidade, são os gostos, conhecimentos, atitudes, linguagens e formas 
de pensar, que trocamos quando interagimos com os outros, sendo valorizado de forma diferente 
por cada grupo ou classe social.
Ao interagirmos com os outros, nos baseamos nos recursos de capital cultural 
que possuímos. Essa interação é bastante fácil com pessoas que compartilham 
o mesmo conjunto básico e recursos. No caso da interação com outras pessoas 
que possuem um estoque diferente de capital cultural, no entanto, isso é mais 
complexo. Vemos esse tipo de di� culdade quando os executivos tentam interagir 
informalmente com os trabalhadores nas fábricas ou quando nos encontramos 
jantando em um lugar onde não temos certeza de quais são as regras. 
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Se fosse apenas uma questão de diferença social entre várias subculturas, poderia 
não ser muito importante, mas o capital cultural da elite também está ligado a 
seu controle sobre os recursos econômicos e sociais. Como resultado, o capital 
cultural pode ser usado como forma de exclusão em relação a postos de trabalho, 
organizações e oportunidades (WITT, 2016, p. 246).
A indústria cultural é fruto da sociedade industrializada, do período marcado pelo 
consumismo, acumulação � exível e sociedade globalizada. Entre as consequências imediatamente 
visíveis da globalização, pode-se mencionar: o aumento das desigualdades econômicas entre os 
países e, no interior de cada um deles, o desemprego crescente, o desaparecimento progressivo 
de universos autônomos de produção cultural pela imposição de valores comerciais, assim como 
a destruição das instâncias coletivas, capazes de fazer frente aos efeitos do que Bourdieu (2001) 
denomina de máquina infernal.
Ao publicar La distinction, em 1979, Bourdieu virou de cabeça para baixo o conceito 
iluminista de cultura, ela funcionava como um dispositivo útil, destinado conscientemente 
para assinalar as diferenças entre as classes e salvaguardá-las, uma tecnologia inventada para a 
proteção e criação das hierarquias e divisões de classes sociais.
Segundo o conceito original, a “cultura” seria um agente de mudança do 
status quo, e não de sua preservação; ou, mais precisamente, um instrumento 
de navegação para orientar a evolução social rumo a uma condição humana 
universal. O propósito inicial do conceito de “cultura” não era servir como 
registro de descrições, inventários e codi� cações da situação corrente, mas 
apontar um objetivo e uma direção para futuros esforços. O nome “cultura” foi 
atribuído a uma missão proselitista, planejada e empreendida sob a forma de 
tentativas de educar as massas a re� nar os seus costumes, e assim melhorar na 
sociedade e aproximar “o povo”, ou seja, os que estão na “base da sociedade”, 
daqueles quer estão no topo. A “cultura” era associada a um “feixe de luz” capaz 
de “ultrapassar os telhados” das residências rurais e urbanas para atingir os 
recessos sombrios do preconceito e da superstição que, como tantos vampiros 
(acreditava-se), não sobreviveriam quando expostos à luz do sol (BAUMAN, 
2013, p. 12). 
Fig ura 3 - La Distinction: Bourdieu – 1979. Fonte: Rakuten (2019).
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O conceito de cultura passou a ser visto como uma declaração de intenções, uma 
missão a ser cumprida, ela deveria moldar uma nova ordem social e, por meio da educação, 
forjar o “esclarecimento do povo” e construir um novo Estado-nação. Em suma, “[...] a cultura 
foi transformada de estimulante em tranquilizante; de arsenal de uma revolução moderna em 
repositório para a conservação de produtos” (BAUMAN, 2013, p. 15). 
Para Bourdieu, hoje, a cultura consiste em ofertas e não em proibições; em proposições, 
não em normas, em semear e plantar novos desejos e necessidades, ela não está mais relacionada 
ao cumprimento do dever, “[...] a cultura agora está engajada em � xar tentações e estabelecer 
estímulos, em atrair e seduzir, não em produzir uma regulamentação normativa” (BAUMAN, 
2013, p. 18). Na sociedade de consumidores, a cultura assemelha-se a uma gigantesca loja de 
departamentos, sua função básica não é satisfazer as necessidades dos consumidores, mas criar 
outras.
Tal como nas outras seções desse megastore, as prateleiras estão lotadas de atrações 
trocadas todos os dias, e os balcões são enfeitados com as últimas promoções, as 
quais irão desaparecer tão instantaneamente quando as novidades em processo 
de envelhecimento que eles anunciam. Esses produtos exibidos nas prateleiras, 
assim como os anúncios nos balcões, são calculados para despertar fantasias 
irreprimíveis, embora, por sua própria natureza, momentâneas (BAUMAN, 
2013, p. 20-21). 
A partir dos anos 70 houve uma aceleração do processo de internacionalização da 
economia ou globalização, as grandes empresas dos países desenvolvidos se espalharam pelo 
mundo, fenômeno que pode ser caracterizado como o processo de mundialização do capital. 
Desde os anos 1980 o capital � nanceiro, internacional e internacionalizado, 
tem marcado o capitalismo, em decorrência das políticas de liberalização e de 
desregulamentação das forças de trabalho e das � nanças, adotadas principalmente 
pelos governos dos países industriais. Novos países industrializados ganham 
importância como centros de acumulação e outros são considerados emergentes, 
como o Brasil, por se inserirem na lógica de mundialização do capital, neste 
início de milênio. É grande o contraste entre os países (ARAÚJO; BRIDI; 
MOTIM, 2009, p. 71). 
A globalização está associada à evolução tecnológica, o acesso ao computador e internet 
tornou-se universal. O começo da internet está ligado ao interesse dos militares. Foi em 1962, 
período da Guerra Fria pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em manterem a 
comunicação e evitar ataques dos inimigos. E, hoje, a internet é uma rede global de redes 
interconectadas, é como “[...] uma fonte de água para os seres humanos. Buscamos acesso fácil, 
barato e rápido às informações digitais e entretenimento, e ela, por sua vez, transforma indivíduos, 
empresas, economias e sociedades” (STRAUSS; FROST, 2012, p. 5).
O processo de globalização reforçou a crescente homogeneização das experiências 
culturais a partir das redes de televisão e os novos padrões de conduta e consumo. 
Com o uso de um computador e uma conexão com a rede (internet), é 
possível viajar a qualquer parte do planeta, realizar negócios virtuais, descobrir 
novidades. Tudo isso ainda é muito novo, mas já permite questionamentos: se as 
novelas contribuem para a alienação dos indivíduos, porque permitem uma fuga 
passageira da vida real, a vivência de maneira interativa num mundo imaginário 
e idealizado pode provocar alterações nas relações entre os homens, nas maneiras 
de aprender e ensinar. Qual é o alcance social e político desse fenômeno? 
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A revolução das tecnologias da informaçãoe da comunicação transformou-nos 
numa sociedade da informação – a partir da Terceira Revolução Tecnológica, 
com a disseminação do uso do computador, que ampliou extraordinariamente 
a capacidade de armazenamento e processamento de informação, estamos 
vivendo a era da sociedade da informação (ARAÚJO; BRIDI; MOTIM, 2009, 
p. 124). 
Entre as consequências sociais das transformações da informação, segundo Araújo, Bridi e 
Motim (2009, p. 125), esta dei� cação do mercado signi� ca que o mercado tornou-se um deus e os 
homens foram substituídos pelas máquinas, “[...] o que era considerado essencialmente humano: 
a capacidade de armazenar, produzir e transmitir conhecimento”. A mídia não é neutra, ela afeta 
o comportamento e a consciência, produzindo manifestações culturais, artísticas e modelando a 
linguagem da comunicação social.
O termo “rede social” começou a ser usado para designar um conjunto complexo de 
relações entre membros de um sistema social. Como um novo paradigma das ciências sociais 
ele surgiu na Sociologia e Antropologia Social, no � nal do século XX, as redes são compostas 
por pessoas e organizações, reunidas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e 
objetivos comuns.
As Redes Sociais Virtuais são grupos ou espaços especí� cos na internet, que 
permitem os indivíduos partilhem dados e informações de caráter geral ou 
especí� co nas mais diversas formas (textos, arquivos, imagens fotos, vídeos, etc.). 
Existe também a formação de grupos por a� nidade e a formação de comunidades 
virtuais para socialização que se conectam para possíveis discussões, debates, 
divulgações e apresentação de temas variados (KING; NARDI; CARDOSO, 
2014, p. 180). 
As redes sociais são como vitrines de exposições e estão promovendo mudanças no 
comportamento da sociedade, todos estão sempre conectados e buscando atualizações de 
conteúdo, para aproveitar todas as possibilidades para postar as experiências pro� ssionais que 
deram certo, a� nal, ninguém posta o que não deu certo, só as vitórias e fotos que � caram boas. 
Mudanças signi� cativas nos comportamentos e costumes das pessoas aconteceram 
com a utilização dos computadores e telefones celulares, ocorrem ganhos e perdas com uso e 
abuso das novas tecnologias. Uma convivência abusiva pode produzir um comportamento de 
apego patológico ao computador ou ao telefone celular, dando origem ao termo nomofobia, para 
designar o desconforto ou angústias causadas pelo medo de não conseguir acessar os meios de 
comunicação e � car o� -line. 
Os nomofóbios são os indivíduos que não conseguem se conectar ou fazer ligações pelo 
telefone celular. Sem dúvida, as novas tecnologias facilitam o nosso dia a dia, contudo é preciso 
ter cuidado com o uso abusivo. Os benefícios e prejuízos dessas tecnologias permanecem sendo 
foco de atenção de todos os pro� ssionais que lidam com as questões da saúde e urgem novas 
legislações a respeito.
A nomofobia segue o mesmo princípio de qualquer outra fobia. O indivíduo 
com um transtorno ansioso como diagnóstico primário costuma desenvolver 
dependência patológica de uma tecnologia (computador ou telefone celular) 
como forma de minimizar as suas di� culdades. Esses dispositivos costumam 
trazer a sensação de segurança, bem-estar e con� ança, e, sendo assim, reduzem 
o estresse. No caso da nomofobia, o indivíduo, quando se vê impossibilitado de 
se comunicar por algum desses veículos, ao invés da segurança e con� ança que 
poderia adquirir, sente-se ameaçado como se estivesse em perigo, mesmo não 
estando. 
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Essa interpretação equivocada do sujeito faz com que a impossibilidade de 
se comunicar seja considerada ameaçadora, e isso é o bastante para disparar 
os sintomas indesejados. Geralmente as pessoas que tendem a desenvolver 
nomofobia são aquelas que apresentam um per� l ansioso, dependente, inseguro 
e com uma predisposição característica aos transtornos de ansiedade. Indivíduos 
com esse per� l costumam, em função das próprias condições do seu quadro 
original, nunca desligar o telefone celular, seja em que local for. E, quando não 
é possível permanecer com o aparelho ligado, o transferem para o módulo 
vibrador, deixando-o sempre por perto, visível e disponível. Chegam a dormir 
com o telefone ligado ao lado da cama. A insegurança e a baixa autoestima 
contribuem para que se sintam rejeitados quando não recebem ligações ou 
quando veri� cam que seus amigos recebem mais ligações do que eles (KING; 
NARDI; CARDOSO, 2014, p. 8). 
O processo de globalização dos mercados tem contribuído para intensi� car as mudanças 
no setor microempresarial, provocado muitas alterações nas políticas econômicas, diminuição 
das barreiras comerciais e acelerado os processos de fusões e de aquisições de empresas. 
[...] a globalização dos mercados, que estreitou as relações entre empresas 
e contribuiu para aumentar a concorrência em nível internacional, [...] e o 
desenvolvimento da Tecnologia da Informação (TI), que alterou as relações de 
mercado, promoveu modi� cações no processo produtivo e colocou a informação 
como essencial na elaboração de políticas gerenciais e mercadológicas para as 
empresas (PREVIDELLI; MEURER, 2005, p. 30).
Os consumidores estão cada vez mais exigentes e se interessam mais do que apenas 
no preço dos produtos, fazendo perguntas sobre as práticas corporativas, o que existe por trás 
dos produtos e das marcas que consomem. Devido a essa mudança de comportamento dos 
consumidores, muitas corporações se preocupam com estas questões e procuram fazer a coisa 
certa. Nos anos 70, a responsabilidade social era considerada algo secundário e marginal e, hoje, 
a cidadania corporativa tem permeado as salas de conselhos e os chãos de fábricas.
A cidadania corporativa diz respeito ao relacionamento entre empresas e 
sociedade – tanto a comunidade local que cerca uma empresa e cujos membros 
interagem com seus funcionários, quanto à comunidade mundial mais 
ampla, que atinge todas as empresas através de seus produtos, sua cadeia de 
suprimentos, sua rede de revendedores, sua propaganda e assim por diante. [...] 
Ao falarmos de cidadania corporativa estamos desenhando um paralelo entre 
o cidadão individual e suas responsabilidades e direitos como membro de uma 
comunidade e uma empresa que, embora seja constituída de muitas pessoas, age 
como se fosse um indivíduo (MCINTOSH, 2001, p. 16). 
O interesse na cidadania corporativa e na responsabilidade social está crescendo, 
considerando que as piores falhas noticiadas nos últimos anos envolveram estas questões 
de cidadania corporativa, bem como os desastres ambientais e os escândalos de corrupções, 
obrigando as empresas e o Estado a mudarem suas práticas e transformando-se em organizações 
que aprendem. Não se aceita que estas empresas e o Estado não tenham uma política e senso de 
responsabilidade social para lidarem com as situações e tragédias enfrentadas nos dias atuais. 
Como parte do resultado da globalização dos mercados, em muitos países existe uma lista 
de tarefas a ser cumprida, entre elas, a de promover a desregulamentação e privatização contínua, 
profunda e aparentemente irreversível. Excluindo, assim, os governos da responsabilidade de 
serviços essenciais na área da educação, saúde e assistência social, entre outras, transferindo ou 
terceirizando para a sociedade civil e o setor produtivo essas obrigações.
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O mercado de trabalho é um dos muitos mercados de produtos em que se 
inscrevem as vidas dos indivíduos; o preço de mercado da mão-de-obra é apenas 
um dos muitos que precisam ser acompanhados, observados e calculados nas 
atividades da vida individual. Mas em todos os mercados valem as mesmas 
regras. Primeira: o destino � nal de toda mercadoria colocada à venda é ser 
consumida por compradores. Segunda: os compradores desejarão obter 
mercadorias paraconsumo se, e apenas se, consumi-las for algo que prometa 
satisfazer seus desejos. Terceira: o preço que o potencial consumidor em busca 
de satisfação está preparado para pagar pelas mercadorias em oferta dependerá 
da credibilidade dessa promessa e da intensidade desses desejos (BAUMAN, 
2008, p. 18). 
Para Bauman (2008, p. 22) quando estamos em uma sociedade de consumidores, “[...] 
tornar-se uma mercadoria desejável e desejada é a matéria de que são feitos os sonhos e os 
contos de fada”. Ter fama é a meta a ser atingida, ou seja, na era da informação a invisibilidade, 
para muitos, equivale à morte, ser notado pelos outros é essencial para manter a autoestima e 
sobreviver.
2. ZYGMUNT BAUMAN E A MODERNIDADE LÍQUIDA
“Bulimia e anorexia são as reações patológicas mais comuns para as contradições 
e os desa� os típicos de nosso modo de vida, em particular, dos aspectos 
egocêntricos e consumistas” (Zygmunt Bauman).
Para Bauman (2009), o consumismo é uma economia do logro, do excesso e do lixo, o 
caminho da loja à lata de lixo deve ser curto e a passagem, muito rápida. O que signi� ca que todos 
os seres humanos são consumidores e entre as preocupações humanas a política da vida pode 
ser caracterizada por uma constante “síndrome consumista”. A sociedade de consumo consegue 
tornar permanente a insatisfação, ou seja, toda promessa deve ser enganosa, “[...] sem a repetida 
frustação dos desejos, a demanda pelo consumo se esvaziaria rapidamente, e a economia voltada 
para o consumidor perderia o gás” (BAUMAN, 2009, p. 107).
[...] em linguagem simples, é que os líquidos, diferentemente dos sólidos, não 
mantêm sua forma com facilidade. Os � uidos, por assim dizer, não � xam o 
espaço nem prendem o tempo. Enquanto os sólidos têm dimensões espaciais 
claras, mas neutralizam o impacto e, portanto, diminuem a signi� cação do 
tempo (resistem efetivamente a seu � uxo ou o tornam irrelevante), os � uidos não 
se atêm muito a qualquer forma e estão constantemente prontos (e propensos) a 
mudá-la; assim, para eles, o que conta é o tempo, mais do que o espaço que lhes 
toca ocupar; espaço que, a� nal, preenchem apenas “por um momento”. Em certo 
sentido, os sólidos suprimem o tempo; para os líquidos, ao contrário, o tempo é 
o que importa. Ao descrever os sólidos, podemos ignorar inteiramente o tempo; 
ao descrever os � uidos, deixar o tempo de fora seria um grave erro. Descrições 
de líquidos são fotos instantâneas, que precisam ser datadas (BAUMAN, 2001, 
p. 8).
De acordo com Bauman, a sociedade está em um ritmo que não se permite viver de forma 
estática. Fixar conceitos e rotinas, não estando passiveis as mudanças, prejudica os indivíduos. 
Estar presente neste meio social é viver sem garantias, em constantes incertezas, reiniciar a todo 
o momento é uma forma de manter-se vivo nos dias de hoje.
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Bauman, em suas pesquisas, não vê com bons olhos essas incertezas, em que os sujeitos, 
para sobreviverem e pertencerem dentro do sistema globalizado tem que estar constantemente 
passíveis às mudanças. Isso faz com que uma pequena parcela da população consiga acompanhar. 
Quanto mais rápido você mudar suas ideias e comportamentos e eles estiverem aptos às mudanças 
do mercado, maior a sobrevivência, já que a “[...] velocidade e não duração, é o que importa. Com 
a velocidade certa, pode-se consumir toda a eternidade do presente contínuo da vida terrena” 
(BAUMAN, 2009, p.15).
Em suma: a vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza 
constante. As preocupações mais intensas e obstinadas que assombram esse 
tipo de vida são os temores de ser pego tirando uma soneca, não conseguir 
acompanhar a rapidez dos eventos, � car para trás, deixar passar as datas de 
vencimento, � car sobrecarregado de bens agora indesejáveis, perder o momento 
que pede mudança e mudar de rumo antes de tomar um caminho sem volta. 
A vida líquida é uma sucessão de reinícios, e precisamente por isso é que os 
� nais rápidos e indolores, sem os quais reiniciar seria inimaginável, tendem a 
ser os momentos mais desa� adores e as dores de cabeça mais inquietantes. Entre 
as artes da vida líquido-moderna e as habilidades necessárias para praticá-las, 
livrar-se das coisas tem prioridade sobre adquiri-las (BAUMAN, 2009, p. 8). 
Figu ra 4 - Zygmunt Bauman (1925-2017). Fonte: Terra Notícias Mundo (2017).
A FLUIDEZ DO ‘MUNDO LÍQUIDO’ DO ZYGMUNT BAUMAN
que os laços de uma sociedade se dão em rede, não mais em comunidade. Dessa 
forma, os relacionamentos passam a ser chamados de conexões, que podem ser 
feitas, desfeitas e refeitas.
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Zygmunt Bauman nasceu na Polônia, (1925-2017) sociólogo, � lósofo e escritor. Sofreu a 
perseguição nazista e sua familia foi obrigada a emigrar para a União Soviética, em 1939, depois 
que a Polônia foi invadida pelo exército de Hitler. Tornou-se vítima dos expurgos antisemitas. Em 
1968 ele emigrou para Grã-Bretanha, onde foi professor das universidades de Varsóvia e Leeds. 
Dono de uma vasta obra sobre as transformações socioculturais em nosso tempo, dedicava-
se a diagnosticar os males da sociedade, mostrando a enfermidade das relações sociais e das 
coisas. Entre os livros mais lidos no mundo: Modernidade Líquida, Amor Líquido, Vida Líquida e 
Capitalismo Parasitário. 
O “derretimento dos sólidos” signi� ca eliminar as obrigações irrelevantes que impediam 
libertar a empresa de negócios dos grilhões dos deveres para com a família, com o lar e das 
obrigações éticas, deixar apenas o “nexo dinheiro”.
O derretimento dos sólidos levou à progressiva libertação da economia de 
seus tradicionais embaraços políticos, éticos e culturais. Sedimentou uma nova 
ordem, de� nida principalmente em termos económicos. Essa nova ordem 
deveria ser mais “sólida” que as ordens que substituía, porque, diferentemente 
delas, era imune a desa� os por qualquer ação que não fosse econômica. A 
maioria das alavancas políticas ou morais capazes de mudar ou reformar a nova 
ordem foram quebradas ou feitas curtas ou fracas demais, ou de alguma outra 
forma inadequadas para a tarefa (BAUMAN, 2001, p. 10-11). 
Figur a 5 - Modernidade Líquida. Fonte: Livraria Martinsfontes (2019).
Por � m, devemos levar em consideração que Zygmunt Bauman tem por prerrogativa 
apresentar como a sociedade “pós-moderna” está sempre em construção e em busca de algo 
que, tudo indica, nunca iremos alcançar. Trazer o autor para a Introdução das Ciências Sociais 
e comprovar que as mudanças aconteceram, acontecem e acontecerão. Os grupos sociais estão 
agindo e se comportando de várias formas e por todo o mundo, com o rompimento dos limites 
territoriais que a globalização nos trouxe, as mudanças continuarão acontecendo com mais 
frequência, possibilitando, assim, o � m do enraizamento das relações sociais.
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Viver em sociedade, trabalhar e estudar é viver sempre estressado. Miyamoto et. al. 
(1999) de� nem o estresse como um conjunto de reações e modi� cações do organismo de caráter 
adaptativo químico e � siológico, com objetivo de manter a homeostase. Quando os estímulos 
estressantes, internos e externos, ultrapassarem os limites de adaptação e defesa do organismo, 
torna-se suscetível a danos na saúde física e psicológica. Referindo-se ainda à denominação do 
termo estresse, o autor Andrews (2003) traz a de� nição do nome estresse vindo transportado 
da física, utilizado para denominar a movimentação de uma mola ao ser pressionada e esticada. 
Associando às mudanças aceleradas no mundo do trabalho e aos grandes avanços na automação 
e na informática. Isso não diminuiu o “estado de estresse” na vida do trabalhador, ele trabalha 
cada vez mais, � cando mais estressado, pressionado a esticar e aproveitar melhor o tempo, tal 
qual uma mola. 
[...] estar estressado é um estadodo organismo, após o esforço de adaptação, 
que pode produzir deformações na capacidade de resposta atingindo o 
comportamento mental e afetivo, o estado físico e o relacionamento com as 
pessoas (FRANÇA; RODRIGUES, 2005, p. 30). 
França e Rodrigues (2005) citam que a todo momento estamos em movimentos de 
adaptação, uma tentativa de ajustamento diante das diversas exigências impostas por este mundo 
de ideias, estamos vivendo em um ambiente vasto de sentimentos, desejos, expectativas, imagens, 
exigências internas e externas, e que cada atividade ocupacional acaba por tornar um agente 
estressor, pois o indivíduo tem prazos a cumprir, resultados a serem apresentados, estando em 
meio à adaptação para tantas reações.
SOCIOLOGIA DOS SENTIDOS
desenvolvimento e tomada de consciência 
individual. Teria, assim, uma função positiva 
para a sociedade, principalmente à medida 
da superação das divergências por meio dos 
acordos e diálogos. 
olhar que dirijo inadvertidamente a outra 
pessoa revela meu próprio eu. O olhar que 
dirijo na esperança de obter um lampejo de 
de a ser expressivo, e as emoções mais ínti-
mas mostradas dessa maneira não podem 
bastante treinado. 
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areia e desviar ou baixar os olhos. Não olhando o outro nos olhos, torno meu eu 
sível, inescrutável... Agora, na era dos desktops, laptops, dispositivos eletrônicos 
e celulares que cabem na palma da mão, a maioria de nós tem uma quantidade 
Ao longo da história a cidadania foi sendo ampliada e estimulada pela própria luta por 
direitos e pelo exercício dos direitos já conquistados. Na atualidade, o conceito de cidadania 
se traduz na expressão de “ter direito a ter direitos”. Que, na interpretação clássica de Marshall 
(1967), poderiam ser representados como os direitos civis e políticos ou considerados direitos 
de primeira geração, conquistados no século XVIII, que se referem ao direito à vida, à liberdade, 
igualdade, propriedade, a participação política e o direito ao voto, entre outros. 
Os direitos sociais e econômicos ou direitos de segunda geração conquistados nas lutas do 
movimento operário e sindical, como o direito ao trabalho, à educação, à saúde, à aposentadoria 
e ao seguro desemprego. E os direitos considerados de terceira geração, voltados não ao direito 
do indivíduo, mas de forma ampla, direcionado às coletividades étnicas e à própria humanidade.
Marshall (1967) destaca que a cidadania exige um elo de natureza diferente do parentesco 
ou descendência, requer um sentimento direto de participação numa comunidade baseada na 
lealdade a uma determinada civilização. Assim, a cidadania na sua proposta mais funda a� rma 
que todos os homens são iguais perante a lei, sem discriminação de raça, credo ou cor. Devem ter 
o domínio sobre seu corpo e sua vida, o direito à educação, à saúde, à habitação, ao lazer. En� m, 
o direito de ter uma vida digna como ser humano.
O que podemos fazer para os direitos humanos e políticas públicas serem efeti-
vados?
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CAPITALISMO UMA HISTÓRIA DE AMOR
queiros, corretores e as práticas parasitárias dos 
econômica desde o Crack
do colapso da economia, o diretor conversa com 
pais de família afundados em hipotecas, questiona 
os congressistas, persegue executivos das gran-
des corporações em Wall Street e, com seu estilo 
rocambolesco e o humor cáustico de sempre, até 
tenta dar voz de prisão aos diretores da empresa 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Agradeço o contato e a participação ao longo deste componente curricular do seu curso, 
as Ciências Sociais. E espero que você tenha exercitado seu senso crítico sobre estas grandes 
ciências que buscam entender cada vez mais a humanidade, tenha re� etido sobre os fenômenos 
sociais, a desigualdade e a exclusão social. 
Espero que todo esforço possa ter contribuído para o seu crescimento pessoal e 
pro� ssional, desenvolvendo uma nova percepção da sociedade vigente e promovendo uma nova 
atitude na busca contínua de conquistarmos uma sociedade voltada para a cidadania e justiça 
social. 
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REFERÊNCIAS
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