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INTERPRETAÇÃO TAT 1 - TEMAS EVOCADOS Prancha 1 (universal): O menino e o violino – é sempre a primeira prancha a ser aplicada, pois em geral, não representa uma situação muito ameaçadora. A personagem é uma criança, geralmente percebida como distante do próprio sujeito, e a situação é relativamente estruturada. A temática mais frequente refere-se à relação com a autoridade (pais, professor), atitude frente ao dever e também ideal de ego (capacidade de realização, de atingir objetivos proposto). (1) O menino é forçado, geralmente por seus pais, a praticar e estudar violino; comumente relatado por sujeitos dominados por seus pais. Diante da exigência, o menino reage com passividade, conformidade, oposição, rebelião ou fuga na fantasia; reação que corresponde em geral àquela do sujeito em condições semelhantes na realidade. (2) Outras histórias frequente referem-se às aspirações, objetivos, dificuldades e realizações do herói, que comumente são produzidas por sujeitos ambiciosos. Frequentemente o discurso reflete, ainda a atitude do indivíduo frente à situação do teste. Por ser o primeiro estímulo a ser apresentado, dá margem à investigação da capacidade de adaptação do sujeito a uma nova situação. É comum a introdução de outros personagens no relato. Distorções aperceptivas: vê-se o menino Dormindo ou cego; o violino com uma das cordas quebradas ou se percebe mal o violino. A maior frequência é em relação ao violino (visto com um livro, folha de papel ou brinquedo). O violino visto como quebrado pode se índice de uma problemática mais séria, a ser confirmada por outros dados do protocolo. Omissão significativas: não se vê o arco, o violino ou ambos (Murray, 1943). Simbolizações: (1) O herói está preocupado porque o violino, embora toque, tem uma corda quebrada: frequente em sujeitos que se sentem culpados por causa da masturbação ou que padecem de ansiedade de castração. (2) O herói fala sobre o mecanismo interno e funcionamento do violino: sujeitos preocupados (ansiedade de castração) ou curiosos sobre as questões sexuais. 2 TEMAS EVOCADOS Prancha 2 (universal): A estudante no campo – mostra as reações do herói (a jovem em primeiro plano e o homem no fundo) diante de uma ambiente pouco cordial ou que não o estimula, evoca a área das relações familiares, percepção do ambiente, nível de aspiração e atitude frente aos pais (favorecido ou limitado pelo ambiente circundante). Por apresentar três personagens, pode evocar ainda as relações heterossexuais. São frequentes também as associações referentes aos papéis femininos (maternidade versus realização profissional) e ao conflito razão versus emoção. Omissões: eventualmente ocorre a omissão da gravidez da figura feminina em segundo plano. Esse estímulo favorece utilização de afastamento temporal e espacial por representar uma situação bastante diferente da realidade urbana. Segundo pesquisa realizada por Silva (1983), essa prancha dá margem a respostas mais estereotipadas. 3 - RH 3 - MF TEMAS EVOCADOS Prancha 3 (masculina): Curvado/a sobre o divã – trata-se de estímulos de grande carga dramática. Não deve ser o primeiro a ser apresentado, pois o sujeito deve estar aquecido para enfrentá-lo. Evoca associações referente a tristeza, abandono, desespero, depressão, suicídio, Por ser mais produtiva que sua equivalente feminina (Murray, 1943) e por apresentar uma personagem de sexo indefinido (Eron, 1948), sugere-se que seja usada também para sujeitos do sexo feminino. Distorções: Arma percebida como brinquedo ou um objeto menos hostil. (Murray, 1943). Omissão: Arma (Murray, 1943) Prancha 3 (feminina): A jovem a porta – abarca também a área do desespero e da culpa. O sexo e a idade são mais definidos, o que interfere no grau de projeção. A prática tem demonstrado que a problemática evocada é mais superficial que a de sua correspondendo masculina. 4 5 TEMAS EVOCADOS Prancha 4 (universal): A mulher que retém o homem – refere-se a histórias de conflitos (drama do eterno triangulo amoroso, o homem, a mulher e a amante); portanto, áreas referentes aos conflitos nas relações heterossexuais (abandono, traição, ciúmes) e também aqueles relacionados aos controle versus impulso (a mulher representando a razão, o controle; o homem representando a ação e a impulsividade). Pode sugerir dificuldades do sujeito em sua vida matrimonial. O aspecto das personagens pode favorecer a utilização de placagem, transformando a história em enredo de um filme em Hollywood. Omissão: Eventualmente é omitida a mulher ao fundo. Prancha 5 (universal): A senhora na porta – mulher de meia idade descobriu uma ou mais pessoas em atitude que prefere ignorar. Pode evocar a imagem da mãe-esposa (protetora, vigilante, castradora) (Murray, 1943). Eventualmente são colocados conteúdos referentes a atitudes antissociais ou, ainda, reações frente ao inesperado. É frequente, nesta prancha, a introdução de personagens. Distorções: a mulher vista como homem; a mulher olhando para o exterior da casa, dois quartos em lugar de uma; a lâmpada como cortina. 6 RH 6 - MF TEMAS EVOCADOS Prancha 6 (masculina): O filho que parte – refere-se à relação com a figura materna (dependência-independência, abandono-culpa). O filho que solicita a mãe permissão para levar a cabo um projeto amplamente planejado; abandonas sua casa para ir trabalhar em outra cidade; casar-se ou alistar-se no exército. Seus desejos quase sempre estão em conflitos com a mãe. Prancha 6 (feminina): Mulher surpreendida – relação com a figura paterna; em geral, a filha surpreendida pelo pai, escondendo algo; a figura masculina pode também ser percebida como parceiro ou possibilidade de contato afetivo-sexual. Prancha 7 (masculina): Pai e filho – atitude frente à figura paterna; o pai pode ser visto como autoritário ou como fonte de apoio e orientação. O jovem procura o velho em busca de conselho ou ambos discutem um problema de mútuo interesse. Eventualmente, aparecem conteúdos homossexuais. Ainda de acordo com Murray, dá indícios das tendências antissociais e da atitude do sujeito frente à terapia. 7 - RH 7 - MF 8 - MF 8 - RH TEMAS EVOCADOS Prancha 7 (feminina): Menina e boneca – Evoca a área da relação com a figura materna (que pode ser vista como modelo, apoio ou obstáculo à satisfação das próprias necessidades). Possibilita ainda a investigação de problemática referente à maternidade, principalmente quando há distorção ou hesitação em relação à boneca. Prancha 8 (masculina): A intervenção cirúrgica – trata-se de estímulo desconcertante, na sequência. Em geral o adolescente é o herói. (1) A cena do fundo representa sua fantasia ou desejo de ser médico. (2) Atirou contra a pessoa que está sobre a mesa e agora espera o resultado da operação: histórias que revelam as tendências agressivas do sujeito. A imagem pode ser percebida como um sonho ou um segundo plano representando uma lembrança do passado ou um projeto futuro. Abarca a área da agressividade (hetero ou auto). Omissão: Eventualmente é omitido o rifle Simbolizações: Se amputa uma perna da pessoa que está sobre a mesa: frequentemente reflete ansiedade de castração Prancha 8 (feminina): Mulher pensativa – estímulo bastante estático, evoca associações referentes aos conflitos atuais e conteúdos de devaneios. Sua interpretação pode ser comparada à da prancha 14, que é sensível à busca de soluções 9 - RH 9 - MF 10 TEMAS EVOCADOS Prancha 9 (masculina): Grupo de vagabundos – refere-se às atitudes frente ao trabalho e ao ócio, sentimentos quanto à própria capacidade e possibilidades de atuação. Abrange ainda as áreas da relação com o próprio grupo e homossexualidade. Prancha 9 (feminina): Duas meninas na praia – competência feminina, espionagem, culpa, perseguição (Murray, 1943). Pode evocar também a atitude ao perigo, ao desconhecido, ao proibido(Silva, 1983). Esse estímulo presta- se ainda à investigação da relação entre ego real e ideal de ego, cada uma das figuras representando um aspecto do sujeito. Prancha 10 (universal): O abraço – segundo Murray (1943), a prancha evoca conflitos do casal e atitude frente à separação. Segundo Eron (1953) e Silva (1983), essa prancha favorece a projeção de relações hetoressexuais satisfatórias. O conteúdo tem-se mostrado mais rico quando há distorção de sexo das figuras. Quando não há distorção, é frequente a ocorrência de relatos sem a presença de conflitos (Silva, 1983). Distorções: idade e/ou sexo do homem e/ou da mulher. Sombras nos rostos interpretadas de outras formas. 11 TEMAS EVOCADOS Prancha 11 (universal): Paisagem primitiva de pedra – trata-se de estímulo de grande impacto, sendo um dos mais indefinidos de toda a série. A temática mais frequente refere-se a atitudes frente ao desconhecido, ao perigo, ao instintivo. Em geral, reflete a atitude do sujeito frente ao perigo e sua maneira de experimentar ansiedade. (1) As figuras escuras (animais e homens) são atacadas pelo dragão, e em geral descrevem suas técnicas de defesa: indica o temor do sujeito frente à agressão e seus meios para vencê-la. (2) O personagem masculino pode ser um homem de ciência ou um explorador, e expressa desejos de curiosidade e de ver coisas novas e perigosas. A presença elementos primitivos e fantásticos favorece uma análise simbólica, que pode revelar a atitude do sujeito frente aos conteúdos inconscientes. Por outro lado, pode levar a relatos descritivos mais distanciados (Silva, 1983). Em casos de aplicações em 2 sessões, não se deve começar pela prancha 11. É preferível modificar-se a sequência e apresentá-la em terceiro ou quarto lugar na 2ª sessão, ou deixa-la como a última prancha aplicada na 1ª sessão. Distorções: Segundo Murray (1943), esta é a prancha que mais favorece a ocorrência de distorções aperceptivas. Alguns exemplos sãos: dragão percebido como caminho; cabeça do dragão vista como cauda; fundo percebido como cascata; superfícies rochosas interpretadas como um castelo; rochas vistas como cabeças humanas. Interpretar o grupo de pessoas como um inseto é comum e não constitui um indicador especial. Omissão: Dragão Simbolizações: O monstro frequentemente constitui uma representação simbólica das exigências instintivas que ameaçam o interior. As histórias que se referem a dificuldades para dominar o animal e aquelas em que o herói é perseguido por animais somente refletem dificuldades de controlar ou adaptar-se aos impulsos e pulsões sexuais. 12 - H TEMAS EVOCADOS Prancha 12 (masculina – infantil): O hipnotizador – O herói (em geral o homem deitado) está dormindo e o velho vai despertá-lo, ou está hipnotizado por ele, ou está enfermo e o velho vai perguntar por sua saúde. Comumente revelam a atitude do examinando frente aos homens adultos e seu ambiente, o papel da passividade e da impotência em sua personalidade. Nesse sentido, pode revelar atitude frente a figuras de autoridade, à terapia e à própria situação de teste. Tendências homossexuais também podem revelar-se nesse estímulo (Murray, 1943). Distorções: Em relação ao dono da mão e, em casos raros, ao sexo dos homens: o jovem pode ser visto como uma mulher por sujeitos com fortes componentes femininos. Simbolização: As histórias nas quais o jovem deitado se deixa ou é forçado a ser hipnotizado pelo homem mais velho frequentemente revelam tendências homossexuais latentes ou experiências homossexuais encobertas. 12 - F 12 - RM 13 - HF TEMAS EVOCADOS Prancha 12 (feminina): Mulher jovem e velha – Proporciona oportunidades de expressar a atitude frente à figura da mãe ou da filha, ao envelhecimento e ao matrimônio. Portanto, revelam as relações mãe-filha, crítica ou aceitação do modelo materno. Ansiedade frente ao envelhecimento (Murray, 1943). Distorção: A jovem é vista como um homem Prancha 12 (infantil): Bote abandonado – segundo Murray, evoca fantasias desiderativas. Pranchas 13 (adultos): Mulher na cama – Quase sempre traduz a atitude dos sujeitos frente às mulheres e ao sexo, e às vezes sentimentos de culpa e atitude frente ao alcoolismo. (1) Histórias mais frequentes: temas sexuais. O homem contempla ou tem relações sexuais com sua mulher, noiva ou amante na cama. (2) A mulher, esposa de herói, está morta ou enferma e são descritos os sentimentos do jovem, comumente de hostilidade contra a esposa e as mulher em geral. É um estímulo dramático, evoca atitudes frente às relações heterossexuais e à sexualidade associada à agressividade. Distorções: Grande variedade, segundo Murray (1943), incluindo especulações sobre o fundo e os objetos que estão sobre a mesa. Omissão: Mulher deitada 13 - R 13 - M 14 TEMAS EVOCADOS Prancha 13 (rapazes): Menino sentado na soleira – segundo Murray, evoca carências, solidão, abandono e expectativas. Embora originariamente destinada a crianças, essa prancha pode ser útil em indivíduos imaturos ou muito defendidos. Prancha 13 (meninas): Menina subindo as escadas – em termos de temática mais frequente, é semelhante à dos meninos. Prancha 14 (universal): Homem na janela – os temas mais frequentes referem-se ao autoquestionamento, à contemplação e à aspiração (Silva, 1983). Se o homem é visto como entrando no quarto, pode haver conteúdos sexuais. Tendências suicidas podem se revelar frente a esse estímulo (Murray, 1943). Distorções: Homem percebido como mulher ou subindo. 15 16 – PRANCHA EM BRANCO 17 - RH TEMAS EVOCADOS Prancha 15 (universal): No cemitério – evoca relação com a morte, culpa, castigo. Segundo Murray, a pessoa morte representa a quem o sujeito dirige sua agressividade. Distorções: Homem percebido como mulher subindo. Prancha 16 (universal): Em branco – como o estímulo é branco, o sujeito é levado a projetar-se totalmente. A temática em geral refere-se às necessidades mais prementes do indivíduo ou será reflexo da relação transferencial na situação de teste (Murray, 1983). Prancha 17 (masculina): O acrobata – segundo Murray, não provoca nenhum tema significativo frequente. As histórias refletem mais situações em que o herói e o centro das atenções. Podem estar associadas a desejos de reconhecimento, narcisismo, exibicionismo. Reações frente a emergências também podem se revelar. Distorções: Do fundo; homem subindo em uma corda. 17 - MF 18 - RH TEMAS EVOCADOS Prancha 17 (feminina): A ponte – Com frequência provoca (1) Sentimentos forte de despedida e a tendência do sujeito em manter a esperança ou ceder ao suicídio. Os temas evocados são de frustração, depressão, suicídio (Murray, 1943). Distorções: Ponte vista sacada de uma casa; mulher percebida como homem; perspectivas equivocadas. Omissões: Mulher ou grupo de trabalhadores. Prancha 18 (masculina): Atacado por trás – trata-se da única prancha em que a figura masculina, explicitamente, sofre uma agressão. A temática referente a vícios ou males físicos também pode ser evocada. Distorções: Dono da mão (comum); expressão facial; posição e estado da pessoa ao fundo. Simbolizações: frequentemente denunciam tendências homossexuais latentes ou experiências encobertas do sujeito. 18 - MF 19 20 TEMAS EVOCADOS Prancha 18 (feminina): Mulher que estrangula – é a única em que a figura feminina é agente do comportamento agressivo. Abarca as relações entre figuras femininas, da filhas, irmã, mãe ou mulheres em geral (Murray, 1943). Aparecem sentimentos de inferioridade e reação à submissão. Distorções: Do cunho agressivo (transformado em ajuda, apoio); da perspectiva; mais raramente, do sexo dos personagens. Prancha 19 (universal): Cabana na neve – geralmente oferece dificuldade, os sujeitos a consideram fantasmagórica. O estímulo é desconcertante e convida à fantasia. Conteúdos referentes à necessidadede proteção e amparo a um ambiente inóspito são os mais frequente. Simbolizações: a preocupação com os olhos (janela da cabana), denunciam sentimentos de culpa do paciente. Prancha 20 (universal) : Só sob a luz – traduz um clima de expectativa. Pode-se considera-la como o fechamento do protocolo, indicando as principais aflições e perspectivas do sujeito. Neste sentido, é importante que seja a última prancha a ser apresentada. NORMAS APERCEPTIVAS E TEMÁTICAS Apesar da ambiguidade dos estímulos, há elementos objetivos como a faixa etária das personagens, alguns elementos do cenário, etc. As normas aperceptivas buscam verificar o contato do sujeito com a realidade. Aquilo que é frequentemente relatado na prancha. Quando há uma distorção significativa, chama nossa atenção para investigar o que pode ter levado o sujeito a “falsear” a realidade. As situações propostas pelas pranchas do TAT visam representar situações humanas clássicas. NORMAS APERCEPTIVAS E TEMÁTICAS Resposta clichê ou popular: quando o sujeito dá uma resposta de acordo com a norma, ou seja, ele foi sensível ao conflito evocado pela prancha. As resposta clichê indicam a capacidade de adaptação frente à tarefa proposta e a sensibilidade à área evocada. A ausência de resposta clichê não significa expressamente a presença de uma patologia! No protocolo normal, espera-se a presença dos dois tipos de resposta. Importante! A resposta clichê não significa ausência de projeção. O motivo da ação e o desenlace da história narrada sempre favorecem a projeção. Por isso é importante que a narração apresente o que está acontecendo, quem está na prancha, por que aconteceu e um desfecho. O motivo e o desfecho não são elementos dados pelo estímulo. INTERPRETAÇÃO DO TAT O que contou Como estruturou o relato Análise de conteúdo Análise formal Como se comportou ao longo do teste Análise de sequência ANÁLISE DE CONTEÚDO O tema levantado pelo indivíduo e o modo com desenvolve. O indivíduo se identifica com uma (ou mais de uma) personagem, atribuindo a esta suas próprias características e necessidades, além de configurar a situação e demais personagens do modo como configura sua percepção do ambiente e a relação com o mesmo. Investigar a dinâmica da personalidade do sujeito: como se percebe, suas principais necessidades e conflitos, como percebe o ambiente que o cerca, perspectivas de resolução de suas dificuldades. São 11 conteúdos para identificar a analisar 1. IDENTIFICAÇÃO DO HERÓI É a personagem principal. Em geral é a personagem que mais se aproxima do sujeito em termos de sexo e idade. É considerada a figura de identificação, aquela na qual o sujeito projeta suas próprias características, reais ou ideais . Características descritas pelo próprio sujeito e características observáveis pelo desempenho do sujeito na narrativa. Prancha 13 IDENTIFICAÇÃO DO HERÓI Exemplo: um médico que foi chamado às pressas para atender uma moça que não estava passando muito bem. Fez o possível, deu tudo de si, para que tentasse alguma coisa que fizesse que ela voltasse à vida. Mas ela já estava caminhando para a outra vida. E com o esforço que o médico teve, tentou de toda maneira possível trazê-la na nossa vida, mas ele chegou um pouco atrasado e de todo esforço que ele fez de nada adiantou. E com o esforço que ele teve ele ficou pensando, analisando o que poderia ter feito para trazê-la na nossa vida. Herói: adulto, sexo masculino, médico, disponível no ambiente (atende ao chamado), esforçado (nº de vezes que aparece a palavra esforço), ineficiente (a moça morre), reflexivo e autocrítico (ele pensa sobre o que fez e procura analisar. 2. NECESSIDADES DO HERÓI A identificação das necessidades se faz através das declarações explícitas do sujeito: Exemplo: “... ele quer...”, “ela procura...”, “eles desejam...” A identificação das necessidades também pode ser feita através daquilo que o Herói busca satisfazer, aquilo que determina suas ações. Exemplo: “Fez o possível, deu tudo de si...” – o herói esforça-se em salvar a pacientes; necessidade de eficiente. “ficou pensando, analisando...” – o herói revê seu procedimento, analisa; necessidade de ser melhor, se questionar. 3. FIGURAS, OBJETOS OU CIRCUNSTÂNCIAS INTRODUZIDAS A introdução de elementos ausentes na prancha pode indicar uma necessidade mais aflitiva do sujeito, principalmente se isto se dá com certa frequência ao longo do teste. Se o sujeito introduz situações de alimentação pode-se pensar em necessidade de gratificação oral. Se é a figura da mãe que aparece mesmo quando não personagens femininas, pode-se pensar em dependência. Parte-se do pressuposto de que tais introduções estão a serviço de uma necessidade, cuja identificação deverá ser confirmada pelo restante do protocolo. Exemplo: “Bom... aqui tem um homem, um camponês, trabalhando na lavoura. Trabalhando ao lado de um cavalo que puxava um arado. Ao lado havia uma senhora, uma mulher observando o trabalho do homem e olhando, admirando a natureza (...) que o terreno da região é muito acidentado. Então ele concluiu que só com a ajuda do animal poderia fazer com que o trabalho fosse mais fácil (...) E em primeiro plano aparece uma jovem com os livros, voltando da escola, onde ela tinha aprendido português, matemática e observava alguma coisa. Observava uma outra paisagem. Tava muito pensativa (...) pensava em alguma coisa que ela tinha aprendido na escola (...) ou as tarefas que ela tinha que fazer em casa (...) algum problema que ela não conseguiu resolver na classe e a professora falou que ela tentasse novamente (...) chegou em casa e tentou resolver o problema que a professora tinha ajudado.” Introdução da figura da professora. Personagens estáticas ou que precisam de ajuda Pode-se pensar na necessidade de se sentir auxiliado; quando solicitado a agir por si, teme fracassar. Prancha 2 4. FIGURAS, OBJETOS E CIRCUNSTÂNCIAS OMITIDAS OU DISTORCIDAS A omissão de elementos significativos da prancha pode ser interpretada como a necessidade de não entrar em contato com conteúdos a eles associados. A distorção pode ter a mesma interpretação ou ainda sugerir a predominância de outros impulsos que acabam por comprometer a sensibilidade à realidade objetiva. Tais hipóteses devem ser confirmadas a partir de outras evidências. Prancha 13: Omissão de alusão à sexualidade; da mesma forma o conteúdo é transformado em tentativa de auxílio. Pode-se inferir uma repressão da sexualidade ou negação da agressividade, ou até que a forte preocupação com a realização e a eficiência não deixa espaço para a exploração de outros aspectos pessoais. 5. CONCEPÇÃO DO AMBIENTE O modo como o sujeito configura o ambiente em seus relatos é uma complexa mistura de autopercepção e distorção aperceptiva de estímulos. Considera-se como ambiente todo o contexto que envolve o herói, incluindo-se as demais personagens evocadas. No nosso caso vemos que, na prancha 2, este ambiente é configurado como difícil, que exige esforço, mas que também oferece apoio e ajuda. 6. REAÇÃO DO HERÓI COMO AS FIGURAS SÃO PERCEBIDAS Como o sujeito percebe e se relaciona com outros indivíduos: pais, amigos, rivais, companheiros. Exemplo: “Um pai e um filho. Estavam conversando, dialogando sobre (...) um problema que o filho havia passado e tava pedindo a opinião do pai (...) que ele não sabia resolver. E, como o pai tem um pouco mais de experiência no tipo de problema que o filho vai passar, tentava aconselhá-lo da melhor maneira possível. E esse problema que o filho tava passando era sobre a dificuldade que ele encontrava no trabalho dele. Então, bom, com a experiência do pai ele mostrou o caminho que ele, o filho, poderia resolver mais fácil. O filho, mais preocupado e o pai mais calmo diante da situação (...) indicando alguma solução.” Prancha 7 7. CONFLITOSSIGNIFICATIVOS Os conflitos referem-se a desejos incompatíveis e concomitantes, revelados através das necessidade do herói, ou a impulsos que se opõem ao superego ou ao ambiente. É interessante identificar não só o conflito em si, como também as defesas que o indivíduo utiliza contra a ansiedade por ele provocada. Conflito: desejo de realização X sentimento de incapacidade Há uma oposição entre o que ele deseja ser e o modo como sente que é. Prancha 2: o terreno é acidentado e, por isso, o camponês precisa de auxílio – racionalização. Prancha 2: a aluna não conseguiu realizar os problemas em classe, vai tentar de novo – não há defesas significativas. Prancha 7: o filho tem problemas que não consegue resolver e uma pessoa mais experiente saberia – racionalização. Prancha 13: quando o médico chega, ela já está passando para outra vida. Ele fica pensando sobre o que poderia ter feito – racionalização, porém sem eficiência. 8. ANSIEDADE As ansiedades são aquilo que está por trás do conflito, aquilo de que realmente o sujeito se defende, o motivo último da configuração do conflito. Se pensarmos no nosso exemplo, o que é que incomoda o sujeito? O que ele gostaria de não perceber, não tomar consciência? O que ele está tentando preservar? Resposta: está tentado preservar sua autoimagem e amor próprio; não se sentir tão ineficiente e inábil frente ás demandas da realidade. Por isso as justificativas. Tais defesas não são muito eficientes, já que o fracasso e dependência de elementos externos permeiam o protocolo. As ansiedades mais frequentes: • Autoimagem, própria capacidade • Sexualidade • Abandono, perda do objeto de amor, solidão • Tristeza, desespero • Punição, desaprovação • Males ou danos físicos • Privação • Destruição, morte, loucura • Impotência, passividade, submissão • agressividade • perdas. 8. ANSIEDADE As principais defesas: Racionalização: uso de argumento lógico para justificar a atitude do herói ou uma ação sofrida por ele. Negação: negação de um conteúdo ansiogênico. Anulação: substituição de uma história por outra. Isolamento: atitude superficial do examinando; ausência de respostas ou comentários sobre a prancha; ou ausência de emoção no relato (ex.: “não me diz nada... duas mulheres, talvez, segurando a outra... só.”) Formação reativa: determinado conteúdo esperado apresenta-se sob a forma de seu oposto. Ex.: pranchas que sugerem agressividade apresentarem conteúdo de apoio, ajuda. 8. ANSIEDADE Projeção: conteúdos que se apresentam apenas no comportamento das personagens secundárias e não no do herói. É comum a introdução de personagens para receberem esse conteúdo (ex.: “...ele está desesperado, chegou em casa e sua mulher estava morta... alguém a matou, um ladrão talvez...”). Repressão: é o mais eficiente. Se manifesta pela ausência de qualquer referência ao conteúdo ansiogênico. Regressão: o comportamento do herói é inadequado à faixa etária a ele atribuída ou o próprio discurso do sujeito encontra-se infantilizado. 9. ADEQUAÇÃO DO EGO Análise da relação entre a manifestação do impulso e as consequências desta manifestação para o herói. Um superego rígido levará a relatos em que o herói é punido de forma drástica e definitiva pelo menor deslize. Um superego atuante leva a uma punição compatível com a ofensa. O flexível permite certos deslizes sem consequências maiores. O frágil não apresenta qualquer punição aos atos antissociais do herói. O rigor do superego pode evidenciar-se ainda pela própria censura que o sujeita utiliza frente a determinados conteúdos. 10. INTEGRAÇÃO DO EGO Verificamos o quanto o sujeito está consciente de seus conteúdos e sua capacidade para elaborá-los. Em termos gerais, considera-se aqui a qualidade do relato, a riqueza das histórias, a interferência da ansiedade, o uso e a eficiência das defesas e os desenlaces das tramas criadas pelo sujeito. O sujeito consegue manter um bom nível de vocabulário e de riqueza de conteúdo das histórias; há um uso adequado das defesas, que não impedem a emergência de aspectos pessoais; os desenlaces são realistas, apresentando soluções adequadas. 11. TEMA Identificar a essência do relato, a mensagem fundamental subjacente ao discurso. Após a leitura de todo o protocolo, a identificação do tema costuma ser o primeiro passo da análise prancha por prancha. Até adquirir experiência na análise, é interessante que esta seja a última etapa, pois será favorecida pela análise dos demais elementos da história. Inicia-se por um resumo do conteúdo manifesto, uma síntese da história (nível descritivo). Depois amplia-se o generaliza-se a mensagem do relato, não mais em termos do que é especificamente demonstrado pela prancha, mas sim já se visualizando o conteúdo latente (nível interpretativo). Após a identificação do nível interpretativo, busca-se o nível diagnóstico: o conteúdo latente e o modo como o indivíduo o elabora são explicitados em termos psicológicos. 11. TEMA Nível descritivo: um médico é chamado para atender uma moça, mas chega atrasado e por mais que se esforce não consegue salvá-la; fica pensando sobre o que poderia ter feito. Nível interpretativo: a situação, em termos mais gerais, é a de alguém que é chamado para auxiliar, prestar socorro. Entretanto, não consegue atender ao que lhe é solicitado, fracassando. Procura refletir sobre o que ocorreu: se sou chamado, atendo; se preciso ajudar, não consigo/ fracasso; se fracasso, procuro rever o que fiz. Nível diagnóstico: embora necessite realizar-se e corresponder às expectativas do ambiente, o sujeito sente-se incapaz de uma atuação eficiente. Slide 1: Interpretação TAT Slide 2: 1 - Slide 3: Temas evocados Slide 4: 2 Slide 5: Temas evocados Slide 6: 3 - RH Slide 7: 3 - MF Slide 8: Temas evocados Slide 9: 4 Slide 10: 5 Slide 11: Temas evocados Slide 12: 6 RH Slide 13: 6 - MF Slide 14: Temas evocados Slide 15: 7 - RH Slide 16: 7 - MF Slide 17: 8 - MF Slide 18: 8 - RH Slide 19: Temas evocados Slide 20: 9 - RH Slide 21: 9 - MF Slide 22: 10 Slide 23: Temas evocados Slide 24: 11 Slide 25: Temas evocados Slide 26: 12 - H Slide 27: Temas evocados Slide 28: 12 - F Slide 29: 12 - RM Slide 30: 13 - HF Slide 31: Temas evocados Slide 32: 13 - R Slide 33: 13 - M Slide 34: 14 Slide 35: Temas evocados Slide 36: 15 Slide 37: 16 – PRANCHA EM BRANCO Slide 38: 17 - RH Slide 39: Temas evocados Slide 40: 17 - MF Slide 41: 18 - RH Slide 42: Temas evocados Slide 43: 18 - MF Slide 44: 19 Slide 45: 20 Slide 46: Temas evocados Slide 47: Normas aperceptivas e temáticas Slide 48: Normas aperceptivas e temáticas Slide 49: Interpretação do TAT Slide 50: Análise de conteúdo Slide 51: Identificação do herói Slide 52 Slide 53: Identificação do Herói Slide 55: Necessidades do Herói Slide 57: Figuras, objetos ou circunstâncias introduzidas Slide 58 Slide 59: Figuras, objetos e circunstâncias omitidas ou distorcidas Slide 61: Concepção do ambiente Slide 62: Reação do herói como as figuras são percebidas Slide 63: Conflitos significativos Slide 64: Ansiedade Slide 65: Ansiedade Slide 66: 8. Ansiedade Slide 67: Adequação do ego Slide 68: Integração do Ego Slide 69: Tema Slide 70: Tema Slide 71