Prévia do material em texto
60 3. Fornecimento de Energia Elétrica em Média Tensão O fornecimento de energia a um consumidor primário de distribuição é feito através de um alimentador com tensão trifásica de 13,8 kV, onde o limite de potência instalada seja superior a 75 kW e igual ou inferior a 2500 kW, sendo necessária uma subestação abaixadora, instalada na propriedade do consumidor, que deverá ser montada em postes ou construída sobre alvenaria. Caso a potência instalada seja inferior a 75 kW, a concessionária fornecerá energia elétrica em tensão secundária de 380/220 V, através de transformadores instalados em postes e localizados nas ruas públicas. Critérios para a ligação em Média Tensão Ramal de ligação Ser sempre aéreo; Partir do poste da rede da concessionária; Ter comprimento máximo de 40 metros na área urbana e 80 metros na área rural; Não cruzar terrenos de terceiros ou passar sobre área construída; Entrar preferencialmente pela frente da unidade de consumo e ser perfeitamente visível e livre de obstáculos; Ser único para cada unidade de consumo; Não ser acessível através de janelas, sacadas, telhados, escadas, ou outros locais de acesso de pessoas; Respeitar as posturas municipais, estaduais e federais; especialmente quando atravessar logradouros públicos, rodovias e ferrovias; Altura mínima em relação ao solo de 12 metros para ferrovias, 8 metros para rodovias, 6 metros para ruas e avenidas e 5,5 metros para circulação de pedestres. Ponto de Entrega Quando o prédio da subestação ou estrutura com transformador estiver localizado em terreno situado em área urbana, o ponto de entrega será na primeira estrutura do consumidor localizada em sua propriedade, podendo ser na própria parede da edificação da subestação. Quando o ramal de entrada for subterrâneo partindo de poste de propriedade da concessionária, o ponto de entrega será nos terminais (muflas) instalados no referido poste. Ramal de Entrada Ser instalado pelo consumidor; Não cruzar terrenos de terceiros ou passar sobre área construída; 61 Não ser acessível através de janelas, sacadas, telhados, escadas, ou outros locais de acesso de pessoas; O dimensionamento dos condutores deve ser feito levando em consideração a carga instalada e a corrente de curto-circuito; Os condutores deverão ser instalados de forma a permitir as seguintes distâncias mínimas, medidas na vertical, entre o condutor inferior e o solo: 6 metros para locais de trânsito ou passagem de veículos e 5,5 metros para circulação de pedestres. Fig. 3.1.a – Ponto de Entrega Aéreo – Subestação Abrigada 62 Fig. 3.1.b – Ponto de Entrega Aéreo – Subestação Abrigada Fig. 3.2.a – Ponto de Entrega Aéreo – Subestação aérea 63 Fig. 3.2.b – Ponto de Entrega Aéreo – Subestação aérea Fig. 3.3 – Ramal de Entrada Subterrâneo 64 Subestação Elétrica A subestação tem como finalidade transformar a energia elétrica recebida, sob certas características e entregá-la, de forma conveniente, aos consumidores. Uma subestação compreende equipamentos de manobra, de transformação, de conversão (modificação de tensão, frequência e corrente) e de estrutura. Normalmente são subdivididas em três grupos principais: primárias ou de transformação, secundárias ou de distribuição e industrial. As primárias destinam- se apenas à transmissão de energia elétrica, enquanto que as secundárias são empregadas para transformar, converter ou subdividir a energia a ser distribuída. As industriais são utilizadas para transformar a energia do sistema de distribuição em energia sob condições de utilização direta pelo consumidor. Tipos de Subestações Elétricas Subestação Aérea (ao Tempo) Normalmente é montada em postes, ou plataformas ao ar livre, recebendo alimentação por ramal de entrada aérea. Possui os dispositivos de proteção e controle instalados na própria estrutura da subestação e sua limitação de potência é de até 225 kVA. Fig. 3.4 – Subestação aérea – Transformador de 75 a 225 kVA 65 Subestação Interna (Abrigada) Este tipo de subestação se localiza dentro de construção de alvenaria, de forma independente ou fazendo parte da estrutura, satisfazendo os seguintes critérios: Acesso fácil para a manutenção e operação dentro da segurança necessária a essas atividades; Proteção contra interferências externas; Proteção em tela metálica ou esquadria especial para as áreas de utilização; O ramal de alimentação para essa subestação é de entrada subterrânea, através de dutos e a sua limitação de potência é de 2500 kVA. Fig. 3.5 – Subestação Abrigada Fatores característicos da carga 1) Curva de carga ou demanda - É a associação de demanda com os tempos correspondentes, num período especificado. Se o período é um dia, obtemos a curva diária de carga. 66 Fig. 3.6 – Pontos importantes numa curva de carga Sobre essa conceituação derivam: a) Demanda Instantânea - É o valor da demanda quando o intervalo de demanda tende a zero. b) Demanda média - É a média aritmética das demandas em um intervalo de tempo especificado (diária, mensal, anual, etc.). c) Demanda máxima - É a maior demanda ocorrida num período especificado. É função do período especificado e do intervalo de demanda. d) Fator de demanda - É a relação entre a demanda máxima e a potência instalada. Indica a fração da instalação que está sendo utilizada. É um número 1. Tabela 3.1 – Fatores de demanda Número de motores em operação Fator de demanda em % 1 – 10 70 - 80 11 – 20 60 – 70 21 – 50 55 – 60 51 – 100 50 – 60 Acima de 100 45 – 55 Tabela 3.2 – Fatores de demanda para iluminação e tomadas Descrição Fator de demanda em % Auditório, salões para exposição e semelhantes 100 Bancos, lojas e semelhantes 100 Clubes e semelhantes 100 Escolas e semelhantes 100 para os primeiros 12 kW e 50 para o 67 que exceder Escritório (edifícios de) 100 para os primeiros 20 kW e 70 para o que exceder Garagens comerciais e semelhantes 100 Hospitais e semelhantes 40 para os primeiros 50 kW e 20 para o que exceder Hotéis e semelhantes 50 para os primeiros 20 kW - 40 para os seguintes 80 kW – 30 para o que exceder de 100 kW Igrejas e semelhantes 100 Residências (apartamentos residenciais) 100 para os primeiros 10 kW - 35 para os seguintes 110 kW e 25 para o que exceder de 120 kW Restaurante e semelhantes 100 e) Fator de carga - É a relação entre a demanda média e a demanda máxima. O fator de carga é sempre 1. f) Fator de simultaneidade - É a relação entre a demanda máxima de um conjunto de cargas e a soma das demandas máximas individuais do mesmo conjunto de cargas, no intervalo de tempo especificado. O fator de simultaneidade resulta da coincidência das demandas máximas de algumas cargas, devido à natureza de sua operação O fator de simultaneidade é sempre 1. Tabela 3.3 – Fatores de simultaneidade Aparelhos Número de Aparelhos (cv) 2 4 5 8 10 15 20 50 Motores: ¾ a 2,5 0,85 0,80 0,75 0,70 0,60 0,55 0,50 0,40 Motores: 3 a 15 0,85 0,80 0,75 0,75 0,70 0,65 0,55 0,45 Motores : 20 a 40 0,80 0,80 0,80 0,75 0,65 0,60 0,60 0,50 Acima de 40 cv 0,90 0,80 0,70 0,70 0,65 0,65 0,65 0,60 Retificadores 0,90 0,90 0,85 0,80 0,75 0,70 0,70 0,70 Soldadores 0,45 0,45 0,45 0,40 0,40 0,30 0,30 0,30 Fornos resistivos 1 1 - - - - - - Fornos de indução 1 1 - - - - - - g) Fator de utilização – É o fator pelo qual deve ser multiplicada a potência nominal do aparelho para se obter a potência média absorvida pelo mesmo, nas condições de utilização. 68 Tabela 3.4 – Fatores de utilização Aparelhos Fator de utilização Motores: ¾ a 2,5 0,70 Motores: 3 a 15 0,83 Motores : 20 a 40 0,85 Acima de 40 cv 0,87 Retificadores 1 Soldadores 1 Fornos resistivos 1 Fornos de indução 1 Secadores, caldeiras, etc. 1 Determinação da demanda de potência Cabe ao projetista a decisão sobre a previsão da demanda da instalação, a qual deve ser tomada em função das características dacarga e do tipo de operação da indústria. Como regra geral, a determinação da demanda pode ser assim obtida: a) Demanda dos aparelhos Determina-se a demanda dos aparelhos individuais multiplicando-se a sua potência nominal pelo fator de utilização. Deve-se, no entanto, considerar, no caso de motores, seus respectivos fatores de serviço e rendimento. b) Demanda dos quadros de distribuição parciais É obtida somando-se as demandas individuais dos aparelhos e multiplicando-se o resultado pelo respectivo fator de simultaneidade entre os aparelhos considerados. c) Demanda do quadro de distribuição geral É obtida somando-se as demandas concentradas nos quadros de distribuição e aplicando- se o fator de simultaneidade adequado. Quando não for conhecido o fator com certa precisão, adota-se o valor unitário. Exemplo 1 – Utilizando os quadros de carga 1 e 2, determine as demandas dos CCM’s, QDL’s , QGF’s , os fatores de demanda global e a potência dos transformadores, para cada grupo de carga. 69 Exemplo 1 – Observe o quadro de carga abaixo Quadro de Carga 1 N0 Tipo de carga Potência Rendimento Fator de potência Quantidade 1 Motor de indução 30 cv 0,92 0,83 10 2 Motor de indução 50 cv 0,90 0,86 5 3 Motor de indução 75 cv 0,92 0,86 10 4 Lâmpadas incandescentes 100 W 1 1 52 5 Lâmpadas fluorescentes 40 W 1 0,95 150 Exemplo 2 – Observe o quadro de carga abaixo Quadro de Carga 2 N0 Tipo de carga Potência Rendimento Fator de potência Quantidade 1 Iluminação fluorescente 40 W 1 0,5 100 2 Tomadas 100 VA - 0,9 200 3 Motor do elevador 10 cv 0,90 0,85 2 4 Motor na Cozinha 2,5 cv 0,92 0,83 1 5 Outras cargas na cozinha 8 kW - - - 6 Laboratório 2,5 cv 0,92 0,83 1 7 Bomba d’água 7,5 cv 0,96 0,80 1 8 Ar condicionado central - bombas 115 cv 0,96 0,86 - 9 Ar condicionado central - chiller 117,5 kW - - 1 Elementos de Entrada em Média Tensão O princípio de funcionamento de uma subestação pode ser resumido observando o diagrama unifilar da fig. 11.1, que mostra a esquematização de uma subestação abrigada. 70 Fig. 3.7 – Diagrama Unifilar de uma Subestação Abaixadora Pára-raios de linha São construídos para a proteção da instalação contra descargas atmosféricas nas linhas de distribuição. Os pára-raios de linha são instalados na estrutura mais próxima da subestação e operam com surtos de tensão acima da nominal da linha. Estes surtos devem ser descarregados para a terra. Os pára-raios comportam-se como se fosse constituído de dois eletrodos, isolados entre si, e uma resistência variável com a tensão, ligada a terra. Esta resistência possui um coeficiente negativo, diminuindo o seu valor com a tensão aplicada. Uma vez descarregado o surto, em milésimo de segundo, a corrente residual devido à tensão da linha, é bloqueada pelo rápido aumento da resistência. Fig. 3.8 – Pára-raios de Corpo Polimérico 71 Na especificação de um pára-raios é necessário que se indique os seguintes elementos: Tensão nominal eficaz, em kV; Freqüência nominal; Máxima tensão disruptiva de impulso, em kV; Máxima tensão disruptiva à freqüência nominal, em kV; Corrente de descarga, em A. Tabela 3.5 – Características dos para-raios Tensão nominal (kV) Tensão disruptiva a freqüência industrial (kV) Máxima tensão de descarga (kV de crista) Máxima tensão disruptiva por manobra (valor de crista) 5000A 10000A 3 4,4 18 13 8,25 6 9 31 22,6 15,5 9 13,5 46 32,5 23,5 12 18 54 43 31 15 22,5 64 54 39 27 40,5 99 97 70 39 58,5 141 141 101 Muflas Primárias A interligação entre o poste e a subestação abrigada com entrada subterrânea é feita através de três cabos elétricos. Estes cabos são conectados ao sistema de distribuição através de muflas, que são terminais de conexão que permitem ligações entre um cabo a um barramento, a uma chave ou a outro cabo, preservando os valores de tensão de isolamento de linha. Fig. 3.9 – Muflas com Isoladores 72 Fig. 3.10 – Vista Externa de uma Terminação Termocontrátil Na especificação de uma mufla é necessário que se indique os seguintes elementos: Tipo da mufla: corpo de porcelana ou termocontrátil; Condutor isolado a ser conectado, em mm2 ; Terminal do condutor externo, em A; Tensão nominal eficaz, em kV Corrente nominal, em A; Tensão máxima de operação em kV; Tensão suportável de impulso, em kV; Uso (interno ou externo). Chave Seccionadora Fusível São dispositivos eletromecânicos que tem como função básica, interromper o circuito elétrico quando da fusão do elo-fusível. Componentes da chave fusível: Elo fusível; Cartucho ou canela; Isolador; Base ou dispositivo de fixação. Na especificação de uma chave fusível é necessário que se indique os seguintes elementos: Tensão nominal eficaz, em kV; Frequência nominal; Máxima tensão de operação, em kV; Tensão suportável de impulso (NBI), em kV; Corrente nominal, em A; 73 Capacidade de ruptura, em kA. Fig. 3.11 – Chave Fusível Indicadora Elo-fusível É um componente da chave fusível que é sensível a um valor de corrente superior à sua corrente admissível, o qual atinge o ponto de fusão em uma temperatura da ordem de 2300 C, dando início ao processo de interrupção do circuito ao qual está ligado. Fig. 3.12 – Tipos de Elos Fusíveis Tabela 3.6 – Elos fusíveis para transformadores Potência do Transformador kVA Elo Fusível Chave Fusível (A) 15 1 H 50 30 2 H 50 45 3 H 50 75 5 H 50 112,5 6 K 50 150 8 K 50 225 10 K 50 74 300 15 K 100 500 25 K 100 750 40 K 100 1000 50 K 100 Cabo de Energia Isolado para 15 kV Atualmente, os cabos primários isolados mais comumente utilizados em instalações elétricas industriais são os de cobre com isolação à base de PVC, de polietileno reticulado ou ainda os de borracha etileno-propileno. Os cabos isolados da classe de tensão de 15 kV são constituídos de um condutor metálico revestido de uma camada de fita semicondutora por cima da qual é aplicada a isolação. Uma segunda camada de fita semicondutora é aplicada à blindagem metálica que pode ser composta de uma fita ou de fios elementares. Finalmente, o cabo é provido de uma capa externa de borracha, normalmente de PVC. Fig. 3.13 – Componentes de Cabo Unipolar da Classe de até 34 kV com Blindagem de Fios Metálicos Na especificação de um cabo de energia é necessário que se indique os seguintes elementos: Seção quadrática, em mm2; Tipo do condutor: cobre ou alumínio; Tipo da isolação: PVC (cloreto de polivinila), XLPE (polietileno reticulado) e EPR (etileno-propileno); Tensão nominal de isolação; Tensão suportável de impulso. 75 Tabela 3.7 – Ramal de entrada de alta tensão subterrâneo Potência Instalada (kVA) Bitola (mm2) Eletroduto - Diâmetro (polegada) Até 700 25 4” 701 a 1200 35 4” 1201 a 1700 50 4” 1701 a 2000 70 4” 2001 a 2500 120 4” Chave Seccionadora Primária Chave constituída de lâminas, unipolares ou tripolares, com possibilidade de desligamento externo, por haste de comando, e destinada a interromper, de modo visível, um determinado circuito. Devido a seu poder de interrupção ser praticamente nulo, devem ser operadas com o circuito em vazio (somente tensão). Podem ser seccionadora interruptora, do tipo manual ou automática, que são capazes de desconectar um circuito operando a plena carga. Fig. 3.14 – Chave Seccionadora Trifásica Na especificação de uma chave seccionadora primária é necessário que se indique os seguintes elementos: Corrente nominal, em A; Tensão nominal, em kV; Tensão suportável a seco, em kV; Tensão suportável sob chuva, em kV; Tensão suportável de impulso, em kV; Uso (interno ou externo); Corrente de curta duração para efeito térmico, valor eficaz, em kA; Corrente de curta duração para efeito dinâmico, valor de pico, em kA; Tipo de acionamento (manual ou automática). 76 Cubículo de Medição O cubículo de medição contém os medidores e dispositivosauxiliares, que controlam o consumo e desempenho da energia em alta e baixa tensão. Os dados do consumo utilizados pela concessionária, para efetuar a cobrança da energia por ela fornecida, são os seguintes: Potência ativa; Potência reativa; Fator de potência A medida desses parâmetros é feita de forma indireta, com auxílio de transformadores de potencial e de corrente, que evitam a conexão direta com alta tensão, isolando eletricamente da linha os seus dispositivos de medida. Os medidores de energia antigos eram constituídos de duas unidades: um medidor de kWh e outro de kVArh. Atualmente estas unidades estão sendo substituídas por único medidor, que registra não só apenas as energias ativa e reativa, como também outras variáveis de medida. Os medidores, transformadores de potencial e de corrente destinados à medição são fornecidos e instalados pela concessionária, que continuará como proprietária dos mesmos, cabendo ao consumidor sua guarda e responsabilidade pela conservação dos selos de segurança. Fig. 3.15 – Medidor de Energia Eletrônico Transformadores para Instrumentos Utilizados para baixar correntes ou tensões a valores usuais de medição por instrumentos normais. Transformadores de Corrente (TC) Os transformadores de corrente estão divididos em dois tipos fundamentais: transformadores de medição e transformadores para proteção. Os transformadores de corrente é 77 um equipamento capaz de reduzir a corrente que circula no seu primário para um valor inferior no secundário. Os transformadores de corrente são constituídos de um enrolamento primário, feito, normalmente de poucas espiras de cobre, um núcleo de ferro e um enrolamento secundário para corrente nominal padronizada normalmente de 5 A. Fig. 3.16 – Transformador de Corrente com chave de curto circuito no secundário Cuidados devem ser tomados para não deixar em aberto os terminais secundários do TC, quando da desconexão dos equipamentos de medida a eles ligados, pois, do contrário, surgirão tensões elevadas no secundário, que danificarão o transformador de corrente e, também, levando perigo as pessoas. Os TCs podem ser classificados nos seguintes tipos, de acordo com a disposição do enrolamento primário e a construção do núcleo. TC do tipo barra TC do tipo enrolado TC do tipo janela TC do tipo bucha Fig. 3.17 – Transformador de Corrente do Tipo Janela Potência Instalada (kVA) Relação de Transformação Até 150 5/5 151 a 300 10/5 301 a 450 15/5 451 a 600 20/5 601 a 900 30/5 901 a 1200 40/5 1201 a 1500 50/5 1501 a 2250 75/5 2251 a 2500 100/5 Tabela 3.8 – Transformadores de corrente para medição em alta tensão,classe de isolamento 15kV 78 Transformadores de Potencial (TP) É um equipamento capaz de reduzir a tensão do circuito para níveis compatíveis com a máxima suportável pelos aparelhos de medida. A tensão primária do TP é função da tensão nominal do sistema elétrico ao qual está ligado, enquanto a tensão secundária é padronizada e tem valor fixo de 115 V. Os TPs são construídos para serem ligados entre fases ou entre fase e neutro ou terra, devem suportar uma sobretensão permanente de até 10%, sem que lhes ocorra nenhum dano. São próprios para alimentar instrumentos como voltímetro, bobina de potencial de medidores de energia. Fig. 3.18 – Transformador de Potencial Bucha de Passagem São dispositivos constituídos de um isolador de louça e que servem para passar um circuito aéreo de um cubículo fechado ao seu vizinho. As buchas de passagem podem ser classificadas em: a) Bucha de passagem para uso interno – interno e externo - interno 79 Fig. 3.19 – Bucha de passagem para uso interno – interno Fig. 3.20 - Bucha de passagem para uso externo - interno Fig. 3.21 – Aplicação de Buchas de passagem para uso interno Os seguintes elementos podem especificar uma bucha de passagem: Corrente nominal, em A; Tensão nominal, em kV; Tensão suportável a seco, em kV; Tensão suportável sob chuva, em kV; Tensão suportável de impulso, em kV; Uso (interno – interno ou externo – interno). Disjuntor de Potência É um equipamento destinado à manobra e a proteção de circuitos primários, capaz de interromper grandes potências de curto-circuito durante a ocorrência de um defeito. Os disjuntores estão sempre associados a relés, sem os quais não passariam de simples chaves com alto poder de interrupção. Entre os tipos mais conhecidos de disjuntores podem ser citados: Disjuntores a grande volume de óleo (pouco utilizado); Disjuntores a pequeno volume de óleo; Disjuntores a hexafluoreto de enxofre (SF6). O princípio de interrupção dos disjuntores, em geral, está na absorção da energia que se forma durante a abertura dos seus contatos. Uma parte do óleo em torno do arco se transforma 80 em gases, provocando uma elevada pressão na câmara hermeticamente fechada, proporcional ao valor da corrente interrompida. Esta pressão gera um grande fluxo de óleo que é dirigido sobre o arco, extinguindo-o e devolvendo a rigidez dielétrica ao meio isolante. Os disjuntores a pequeno volume de óleo podem ser fabricados para montagem fixa ou extraível com operação de fechamento manual ou automática. Fig. 3.22 – Disjuntor a pequeno volume de óleo Fig. 3.23 – Disjuntor a pequeno volume de óleo No pedido de um disjuntor devem constar, no mínimo, as seguintes informações: Tensão nominal, em kV; Corrente nominal, em A; Capacidade de interrupção nominal, em kA; Freqüência nominal; Tempo de interrupção; Tipo de comando: manual ou motorizado; Tensão suportável de impulso, em kV; Acionamento frontal; Montagem: fixa ou extraível. Transformadores de Força O transformador de força se constitui no equipamento básico de uma subestação abaixadora. Ele é o responsável pela modificação do valor de tensão do ramal de alimentação (alta tensão) para os valores exigidos pela carga da subestação (baixa tensão). Nos transformadores trifásicos, usados nas subestações abaixadoras, os enrolamentos (primário e 81 secundário) são feitos para circuitos trifásicos com configuração delta para o primário e estrela aterrado para o secundário. Fig. 3.24 – Transformador de Força Devido aos valores de potência, que se desenvolvem nos enrolamentos, serem altos, o aquecimento por perdas no cobre e no ferro é grande, obrigando o arrefecimento forçado do transformador. Na maioria das vezes o arrefecimento nos transformadores de subestações industriais é feita pela imersão dos seus enrolamentos em óleo mineral. Neste tipo de arrefecimento, a circulação do óleo é feita pelo efeito de convecção e a troca de calor com o ar ambiente é feita por tubulações externas. As características específicas que permitem a classificação dos transformadores de força quanto ao uso e aplicação já se encontram normalizados pela ABNT, onde destacamos: Transformador de potência, geralmente usado para transmissão ou distribuição de alta potência (acima de 500 kVA). Transformador de Distribuição, usado para distribuição de potência das linhas de transmissão para redes de consumo local, com potência inferior a 500 kVA. A tabela abaixo mostra valores práticos de transformadores usados em subestações. Os valores de impedância percentual e rendimento são dados importantes para a operação em paralelo e para determinação das correntes de curto-circuito, usados no dimensionamento dos condutores e dispositivos e de proteção, do sistema alimentado. 82 Tabela 3.9 – Potência dos transformadores Características Elétricas de Transformadores Potências (kVA) 15/30/45/75/112,5/150/225/300/500/750/1000/1500/2000 Tensões Primárias (kV) 11,4/12/12,6/13,2/13,8/19,8/20,9/22/23,1/24,2 Tensões Secundárias (V) 380 Y/220 – 220 Y/127 Rendimento (%) 95 – 99,9% Impedância Percentual 15 a 150 kVA 225 a 300 kVA 500 a 2000 kVA 2,5 – 3,0% 3,0 – 4,5 % 5,0 – 5,75 % 2,0 – 3,0 % 4,5 – 5,0 % 5,0 – 5,75 % Condição dos Enrolamentos Imerso em Óleo Seco Fig. 3.25 – Partes de um Transformador 83 Quadro Geral de Cargas em Baixa Tensão O quadro de geral de carga dentro da subestação é alimentado pelo lado secundário do transformador da subestação. O quadro geral de carga é constituído de uma caixa metálica, onde abrigamos equipamentos de seccionamento, proteção, comando, sinalização e instrumentos de medida ou outros destinados ao controle e supervisão da instalação de baixa tensão. As dimensões dos quadros de carga dependem de dados de projeto das cargas instaladas dentro dos mesmos. Estes dados são importantes para o dimensionamento dos cabos que alimentam o quadro, como dos cabos que alimentam as cargas conectadas ao quadro, das proteções, como: fusíveis e disjuntores de baixa tensão e de chaves seccionadora ou disjuntores gerais que energizam o quadro. Fig. 3.26 – Quadro Geral de Força Modular Critérios para a ligação em Média Tensão Ramal de ligação Ponto de Entrega Ramal de Entrada Fig. 3.3 – Ramal de Entrada Subterrâneo Subestação Elétrica Tipos de Subestações Elétricas Subestação Aérea (ao Tempo) Subestação Interna (Abrigada) Fatores característicos da carga Tabela 3.3 – Fatores de simultaneidade Número de Aparelhos Tabela 3.4 – Fatores de utilização Determinação da demanda de potência Elementos de Entrada em Média Tensão Pára-raios de linha Muflas Primárias Chave Seccionadora Fusível Elo-fusível Elo Fusível Cabo de Energia Isolado para 15 kV Tabela 3.7 – Ramal de entrada de alta tensão subterrâneo Chave Seccionadora Primária Fig. 3.14 – Chave Seccionadora Trifásica Cubículo de Medição Transformadores para Instrumentos Transformadores de Corrente (TC) Tabela 3.8 – Transformadores de corrente para medição em alta tensão,classe de isolamento 15kV Transformadores de Potencial (TP) Bucha de Passagem Disjuntor de Potência Transformadores de Força Tabela 3.9 – Potência dos transformadores Características Elétricas de Transformadores 380 Y/220 – 220 Y/127 Impedância Percentual Condição dos Enrolamentos Imerso em Óleo Seco Quadro Geral de Cargas em Baixa Tensão