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Exame Neuro – EQUINO • Toda alteração neurológica pode ser RAIVA, até que se prove o contrário (se proteja e oriente as pessoas envolvidas) Objetivos: • Localizar a lesão • Elencar diagnósticos diferenciais • Solicitar exames complementares se eles beneficiarem o diagnóstico Locais possíveis – baseado nos sinais clínicos • Prosencéfalo – diencéfalo e telencéfalo • Tronco cerebral • Cerebelo • Vestibular – centrais ou periféricas • Medula espinhal NMS • Cauda equina • Nervos periféricos NMI • Junção neuromuscular • Músculos • SN autônomo 1. Anamnese • Histórico, queixa principal, alterações notadas, hiperagudo-agudo-crônico, número de animais acometidos, alimentação, vacinação, comorbidades, tratamentos realizados, evoluções e óbitos Estado mental – fonte de luz, ponta aguda (para realizar exames de tato e dor superficial) • Alerta • Deprimido: sonolento, mas responde a estímulos (prosencéfalo com certeza está acometido, pode haver mais áreas envolvidas • Estupor: sonolento e só responde a dor • Coma: inconsciente e não responde a dor Postura corporal Cabeça • Head tilt – síndromes vestibulares • Head turn – auto ausculta - prosencefálica • Cabeça baixa – prosencefálica ou cervical • Opistótono – prosencefálica ou cerebelar • Head pressing Posição de membros • Base ampla – paresia fraqueza espástica ou flácida / alterações de equilíbrio (vestibular ou cerebelar) • Membros anormais - cruzamento de membros • Espasticidade SNC – NMS / flacidez SNP-NMI • Paresia/plegia Posição do tronco – associados a dor • Cifose (dorso flexão) • Lordose (dorso extensão) • Escoliose DECÚBITOS (TETRAPLEGIA) Rigidez de decerebração – pensando no cérebro • Lesão em tronco encefálico • Tetraplegia espástica • Opistótono • Coma ou estupor Rigidez de decerebelação – pensando no cerebelo • Lesão em cerebelo • MTs espásticos • MPs flácidos • Opistótono • Consciência normal Schiff-Scherrington • Lesão tóraco-lombar medular T3-L3 onde MTs espásticos e MPs flácidos, da pra tentar flexionar pernas pra saber se estão flácidas mesmo • Consciência normal • Dor severa Lesão severa CERVICAL C1-C5 • 4 membros espásticos – não é possível flexionar • Consciência normal • Em decúbito ou não Lesão severa TORÁCICA C6-T5 Pode ser em um membro só • MTs flácidos • MPs espásticos • Consciência normal • Decúbito ou não Movimentos corporais anormais • Tremor: rítmico, localizado ou generalizado, fino • Discinesia: movimentos involuntários conscientes – alteração prosencefálica • Clônus: movimentos bruscos arrítmicos • Câimbra: contração involuntária de um músculo, ativada por exercício ou estresse Crise epiléptica FOCAL – região específica do telencéfalo (córtex) • Consciente – podendo mostrar qqr coisa dependendo da região do córtex que será hiperativada • Mov repetitivos • Grupo muscular • Alucinações – visual, auditiva, sensibilidade GENERALIZADAS – hiperatividade telencéfalo • Inconsciente • Mov aleatórios e repetitivos • Mov tonico-clônicos • Ativação parassimpática DISTÚRBIOS LIVRES DO MOVIMENTO Ataxias • Medulares ou proprioceptivas (andar de bêbado) Shivers: alteração de NMS de propriocepção • Vestibulares – labirintite, perda de equilíbrio pra algum dos lados, cai, não se mantem em pé • Cerebelares - hipermetria Claudicações • Ortopédicas • Neurogênicas – isquemia nervosa DISTÚRBIOS PROVOCADOS DO MOVIMENTO (caso não mostre sinais clínicos ao passo, sem intervenção) • Círculos, rampas, obstáculos (degrau), afastar, paradas bruscas, elevar a cabeça (Wobbler), puxar levemente a cauda (se suspeita de paresia de MPs) 2. Exame Físico Sequência de exame: individual Nervos cranianos Óptico: observar o animal andando ou passando por pequenos obstáculos / reflexo de ameaça (tampar um dos olhos e testar se animal vai fechar a pálpebra do outro, frente a ameaça que vamos fazer com as mãos) Reflexo pupilar: em ambiente escuro. Fonte de luz direto no olho e ver se vai realizar miose Reflexo palpebral: trigêmeo – pálpebra, lábio e narina com dedos ou caneta Massa dos músculos mastigatórios (masseter e temporal) Estrabismo: observar posição do globo (lesão em ponte) Nistagmo fisiológico: testa rodar o animal Reflexo de deglutição ânsia: se está se alimentando e/ou regurgitando (bulbo) Tônus de língua: bulbo SÍNDROME DA CAUDA EQUINA formada por nervos do SNP= alterações de flacidez • Atonia ou hipotonia de cauda • Atonia ou hipotonia de esfíncteres • Hipossensibilidade de períneo SÍNDROME LOMBOSSACRA - Lesão em L4-S2 Plexo lombossacro • NMI saindo para MPs • Paresia ou paralisia FLÁCIDA SOMENTE EM MPS • Déficit proprioceptivo somente em MPs – abduzir ou cruzar membros e ver se retorna imediatamente • Hipossensibilidade somente em MPs – Ponta de caneta bic ou agulha hipodérmica SÍNDROME TORACOLOMBAR T3-L3 • Paresia ou paralisia ESPÁSTICA SOMENTE EM MPS • NMS para NPs • Déficit proprioceptivo somente em MPs SÍNDROME CÉRVICOTORÁCICA C6-T2 pega o plexo braquial • NMS indo para MPs e NMI para MTs • Paresia ou paralisia ESPÁSTICA EM MPS e paresia ou paralisia FLÁCIDA EM MTS • Déficit proprioceptivo nos 4 membros SÍNDROME CERVICAL C1-C5 • NMS indo pra MPs e MTs • Tetraparesia ou tetraparalisia ESPÁSTICA • Déficit proprioceptivo nos 4 membros ou lateralizado SÍNDROME PERIFÉRICA • Nervos periféricos • Placa motora - Harpejamento: hiperflexão do membro pélvico (neurotoxidade da planta almeirão do campo Hypochaeris radicata) ou alteração neurológica periférica de origem ortopédica ou não. Geralmente se faz a miotenectomia mas não trata a causa principal 3. Localizar a lesão PROSENCÉFALO → Alterações de membros contralaterais a lesão Encefalites metabólicas e infecciosas, podem causar essa síndrome TRONCO ENCEFÁLICO → Pega NMS, então a alteração é ESPASTICIDADE ou reflexos normais CEREBELO → MEDULAR C1-C5 → ESPASTICIDADE e RETENÇÃO URINÁRIA MEDULAR C6-T2 → FLACIDEZ EM TORÁCICOS E ESPASTICIDADE EM PÉLVICOS MEDULAR T3 -L3 → MEDULAR L4-S2 → Cauda equina NERVOS PERIFÉRICOS → Auto mutilação importante 4. Elencar diagnósticos diferenciais Etiologia provável D - DEGENERATIVAS • Osteoartrite facetaria • Doença do disco intervertebral • Mieloencefalopatia degenerativa • Distrofia neuroaxonal equina • Shivers • Doença do neurônio motor equino A – ANOMALIAS CONGÊNITAS • Wobbler C5-C6 • Abiotrofia cerebelar - árabes • Hidrocefalia M – METABÓLICAS • Cushing • Síndrome metabólica • Encefalopatia hepática • Granulomas de colesterol N – NEOPLÁSICO • Melanomas (Fazer USG pra descartar metástases) • Adenomas de hipófise • Linfossarcomas • Linfoma multicêntrico N – NUTRICIONAL • Mieloencefalopatia degenerativa por VIT E • Distrofia neuroaxonal equina I – INFECCIOSAS/INFLAMATÓRIAS • Raiva • Discoespondilite • Encefalomielites virais • Mielite/encefalomielite protozoária equina (EPM) • Herpes vírus 1 • Migração de larvas de estrongilus • Neuroborreliose • Miíase • Aspergilose • Infecções bacterianas • Botulismo • Tétano • Micoses I – IMUNE • Polineuritis equi I – IATROGÊNICAS • Encefalopatias pós anestesia • Neuropraxias pós decúbito prolongado • Neuromas pós neurectomia T – TÓXICO • Organofosforados • Uréia • Leucoencefalomalácia - milho mofado • Aflatoxina • Chumbo T – TRAUMA • Fraturas • Luxações vertebrais • Harpejamento • Neuropraxias V – VASCULAR • Encefalopatia neonatal • Síndrome do mau ajustamento neonatal 5. Solicitar exames complementares Estratégias • Raio x: fraturas, luxações, discoespondilites, osteoartrite facetariacervical, osteófitos cervicais, Doença degenerativas intervertebrais cervicais, infecções cavitarias, de bolsa gutural, otite e compressões medulares (mielografia cervical) Wobbler → Compressão medular → • USG: osteoartrite facetaria, osteófitos, DDIV cervical, DDIV lombossacra, medula atlanto-axial • Mielografia – não muito comum → • Eletroencefalografia (se houver) é tendência mundial: crises epilépticas, distúrbios comportamentais, neuropatias periféricas • Eletroneuromiografia não tem grande importância: mais pra alterações periféricas • Tomografia: Alterações ósseas detalhadas, reconstrução 3D, grandes massas neoplásicas, cistos • Ressonância magnética: meningites, encefalites, neoplasias, DDIV, compressões, cistos, hidrocefalia Otite → 6. Tratamentos Bacterias: Sulfa + trimetropim Protozoarios: Diclauzuril AIE de ataque: Dexametasona (não usar em situações traumáticas, por conta do edema neurotóxico e vasogenico), os corticoides aumentam os níveis glicêmicos e pode causar síndrome metabólica e laminite AINE de ataque: para animais que sofreram trauma – DMSO + fenilbutazona seguido de firocoxibe + manitol Analgesia: opioide pra dor forte que inibem a despolarização, porque a dor é neuropatica amitriptilina, gabapentina, cetamina 1mg/kg. Células tronco: em lesões medulares aplicadas epidural, pq se não vai tudo pro pulmão 2-3milhoes por aplicação NÃO MISTURAR CORTICOIDE COM AINE