Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social 1 2 Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social 3 4 Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social 5 6 Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social 7 8 Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social 9 10 Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social 11 12 Centro Universitário Leonardo da Vinci Janaina dos Santos (SES1659) SERVIÇO SOCIAL NA ÚNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: O atendimento humanizado como estratégia de intervenção aos usuários tabagistas ALVORADA 2023 JANAINA DOS SANTOS SERVIÇO SOCIAL NA ÚNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: O atendimento humanizado como estratégia de intervenção aos usuários tabagistas Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina de TCC – do Curso de Serviço Social – do Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social. Nome do Tutor – Prof. Dr. Luis Paulo Arena ALVORADA 2023 SERVIÇO SOCIAL NA ÚNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: O atendimento humanizado como estratégia de intervenção aos usuários tabagistas POR JANAINA DOS SANTOS Trabalho de Conclusão de Curso aprovado do grau de Bacharel em Serviço Social, sendo-lhe atribuída à nota ―______‖ (_____________________________), pela banca examinadora formada por: ___________________________________________ Presidente: Prof. Dr Luis Paulo Arena Alves – Orientador Local ____________________________________________ Membro: XXXXXXXXXXXXX - Supervisor de Campo ____________________________________________ Membro: XXXXXXXXXXXXX - Profissional da área ALVORADA 2023 DEDICATÓRIA Dedico a você, Rafael, meu filho, AMOR DA MINHA VIDA. Quero que tenha em mim, eterna amizade e amor incondicional. Por você voltei a sonhar. AGRADECIMENTOS Á Deus, em primeiro lugar, a minha família pelo apoio e paciência nos momentos difíceis. Ao meu marido, que sempre esteve ao meu lado e que não deixou com que eu desistisse de realizar o sonho de concluir meus estudos. Ao querido tutor, Luiz Paulo Arena, que sempre com atenção e paciência se dedicou a nos transmitir seu conhecimento. À minha coordenadora de estágio de campo, Stela Dimitrof, pelas correções e ensinamentos. Agradeço ao meu pai e minha madrasta d. Maria do Carmo, se não fossem vocês, não teria chegado onde estou. Aos meus colegas de estagio e turma, onde juntos superamos conflitos e obtivemos apoio emocional e acadêmico. ―Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém. Confie em si mesmo, quem acredita sempre alcança‘‘ (Renato Russo) RESUMO O tabagismo é um sério problema de saúde pública, visto que, compromete o estado físico e mental das pessoas, além de prejudicar o desenvolvimento econômico, social, educacional e ambiental. Dê acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 milhões dessas mortes resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo. Na Unidade de Saúde PAM 8, município de Alvorada/RS, porta de entrada dos pacientes do SUS, é desenvolvido o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Sendo importante destacar, que, o trabalho de prevenção essa dependência química, e tendo em vista, o número de tabagistas e consequências disso para a sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do profissional de Serviço Social é sumamente ‗importante e necessário já que, trata-se de um olhar ampliado dos usuários do Serviço Social de saúde, atendendo-os na sua integralidade e totalidade e respeitando-os enquanto cidadãos, capazes de serem sujeitos da transformação de sua própria história e interpretadores da sua situação de saúde-doença. Este Trabalho de Conclusão de Curso consiste em apresentar o Serviço Social e o exercício profissional das assistentes sociais no Programa de Controle do Tabagismo, pontos de concordância, da humanização nos atendimentos, caracterização da prática e particularidades destes profissionais do Serviço Social nestes espaços. Discutir a atuação do assistente social nesse embate contra o tabagismo na perspectiva da prevenção é uma iniciativa de defesa da saúde buscando a superação das ações eminentemente recuperadoras e curativas. Neste sentido, trazem reflexões e contribuições acerca do Serviço Social no enfrentamento ao tabagismo, tendo a perspectiva da prevenção como grande desafio, uma vez que socializa, insere indivíduos e famílias com articulação intersetorial das políticas sociais e da rede de serviços na perspectiva de qualidade de vida. PALAVRAS-CHAVE: Tabagismo, humanização, assistente social. LISTAS DE SIGLAS CF- Conselho Federal CFESS- Conselho Federal de Serviço Social CNCT- Comissão Nacional Combate ao Tabagismo CONICQ- Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro CQCT – Convenção Quadro de Controle ao Tabagismo DPOC- Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica ECA- Enzima Conversora de Angiotensina EUA- Estados Unidos da America ILPIs- Instituições de Longa Permanência para Idosos INCA – Instituto Nacional do Câncer MAS- Associação Metropolitana de Serviços OMS – Organização Mundial da Saúde ONI- Orgão Negociador Intergovernamental PNCT – Programa Nacional de Controle do Tabagismo PNMAQ- Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica SARS- Síndrome respiratória aguda grave SAS- Secretaria de Atenção a saúde SIN- Sistema Nervoso Central SUS – Sistema Único de Saúde UTI- Unidade de Terapia Intensiva SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9 2 APRESENTAÇÃO DO TEMA ................................................................................ 14 2.1 O TABAGISMO EM RELAÇÃO DO COVID – 19 ................................................ 16 3 O SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE ......................................................................... 19 3.1 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ÁREA DA SAÚDE ........................ 21 3.2 O ATENDIMENTO HUMANIZADO E SUA IMPORTÂNCIA NA ÁREA DA SAÚDE .................................................................................................................................. 26 3.3 PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DO TABAGISMO (PNCT) ................ 29 3.3.1 CONVENÇÃO QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO (CQCT) ........... 31 4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA E A RELAÇÃO COM A QUESTÃO SOCIAL .. 33 5 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................... 36 6 OBJETIVOS ........................................................................................................... 37 6.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 37 6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 37 7 O PROCESSO METODOLÓGICO DE INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL JUNTO Á USUÁRIOS TABAGISTAS ...................................................................... 38 8 ANALISE DE DADOS DA PESQUISA .................................................................. 42 8.1 RESULTADOS .................................................................................................... 47 CONCLUSÃO ........................................................................................................... 49 REFERENCIAS ......................................................................................................... 53 9 1 INTRODUÇÃO O trabalho de conclusão do curso objetiva-se sistematizar os conhecimentos em suas dimensões teórico-práticas, apreendidas durante o processo de formação. Por meio desse estudo, busca-se compartilhar a experiência vivenciada pela acadêmica, durante sua formação profissional e, em especial durante o desenvolvimento do estágio curricular obrigatório em Serviço Social, junto aos usuários tabagistas. Esse processo se realizou na Unidade de Saúde PAM 8, município de Alvorada/RS. Neste trabalho busca-se compreender a contradição que envolve a produção de tabaco no Brasil versus a proibição. A inserção da acadêmica se deu no Programa de Combate ao Tabagismo desenvolvido pela unidade de saúde, o qual possibilitou à convivência com os usuários tabagista. Por meio da inserção no espaço da unidade básica, foi possível compreender a atuação do assistente social na Política de Saúde, bem como no tratamento humanizado do usuário dependente químico. O Serviço Social intervém nessa perspectiva por meio do conceito ampliado de saúde, ao reconhecer os determinantes sociais que se encontram no processo saúde-doença, e que envolvem a vida dos usuários desse serviço. Procura-se ainda através desse trabalho, contribuir para dar visibilidade ao processo de usuários dependentes químicos de drogas lícitas, e sua constituição enquanto expressão da questão social. Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, utiliza-se o termo ―droga‖ para definir qualquer substância não produzida pelo organismo, e, que possui a propriedade de agir sobre um ou mais de seus sistemas acusando alterações em seu funcionamento (OMS, 1981). O uso do álcool, tabaco e outras drogas psicoativas ou psicotrópicas, alteram o comportamento, a cognição e o humor, incidindo, assim, no Sistema Nervoso Central – SNC. Na sociedade o consumo de drogas pode ser classificado por vários critérios, porém, o mais expressivo refere-se a sua legalidade. De acordo com Vila (2006), as drogas são classificadas como ilícitas (ilegais) e lícitas (legais). As drogas ilícitas referem-se àquelas as quais o consumo, a comercialização e a produção não são permitidas pela lei, como a maconha, a cocaína, o crack, entre outras. Nesse 10 sentido, compreende-se que aqueles que realizarem o consumo, produção ou comercialização de drogas ilícitas, estarão sujeitos a penalidades previstas em lei. As drogas lícitas, ao contrário das ilícitas, são àquelas as quais é permitido, por lei, o consumo, venda e a produção. Salienta-se que as drogas lícitas, tais como o álcool e o tabaco, possuem efeitos nocivos à saúde e também podem levar à dependência (VILLA, 2006). O tabagismo é um sério problema de saúde pública, visto que, compromete o estado físico e mental das pessoas, além de prejudicar o desenvolvimento econômico, social, educacional e ambiental. Dê acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 5,4 milhões de óbitos por ano são causados por câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e outras caudas associadas ao tabagismo, sendo o mesmo, o maior causador de mortes previsíveis. A tarefa de deter os avanços do hábito de fumar está hoje entre os maiores desafios da saúde pública mundial. A redução global do consumo do tabaco deve - se em parte, ao Programa Nacional de Controle do Tabagismo, considerado como um dos mais abrangentes entre os países em desenvolvimento e cujo foco está voltado para a proibição da propaganda, restrições ao fumo em ambientes fechados de uso coletivo, entre outras. O uso do tabaco continua a aumentar globalmente, em virtude do crescimento do consumo em países em desenvolvimento, apesar de todo conhecimento científico sobre o tabagismo como fator de risco de doenças crônicas não transmissíveis e sobre a sua própria condição de doença ligada à dependência da nicotina (CAVALCANTE, 2005). A quase totalidade dos fumantes adquiriu o hábito de fumar durante a adolescência. Sabe-se ainda que, devido ao uso regular e contínuo do cigarro, os jovens fumantes têm alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes. A tarefa de deter os avanços do hábito de fumar está hoje entre os maiores desafios da saúde pública mundial. Várias medidas legislativas e econômicas relacionadas ao controle têm sido implantadas no Brasil desde o ano de 1986 (FIGUEIREDO, 2007). O tabagismo associa-se com enormes custos sociais e econômicos originários do aumento da morbidade e mortalidade prematuras do mundo, relacionadas com o fumo. Eles incluem custos gerados pelos fumantes (uso de recursos da saúde, ausência no trabalho, perda da produtividade, pagamento do auxílio doença). 11 O presente trabalho apresenta o Serviço Social e o exercício profissional das assistentes sociais no Programa de Controle do Tabagismo, pontos de concordância, caracterização da prática e particularidades destes profissionais do Serviço Social nestes espaços e na equipe multidisciplinar. Discutir a atuação do assistente social, na busca do atendimento humanizado, e, nesse embate contra o tabagismo na perspectiva da prevenção é uma iniciativa de defesa da saúde buscando a superação das ações eminentemente recuperadoras e curativas. Apesar dos avanços, vários desafios ainda permanecem; como limitar o acesso ao consumo, reduzir as desigualdades no alcance da efetividade das ações nos diferentes níveis socioeconômicos. A Unidade de Saúde PAM 8, é porta de entrada dos pacientes do SUS, onde é desenvolvido o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, sendo importante destacar que, o trabalho de prevenção à essa dependência química que, atualmente se apresenta como um problema social de saúde pública, e tendo em vista, o número de tabagistas e consequências disso para a sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do profissional de serviço social é sumamente ‗importante e necessário, uma vez que se trata da expressão da questão social e portanto, objeto do Serviço Social. Neste sentido, o trabalho traz reflexões e contribuições acerca do processo de trabalho, espaço ocupacional e atuação do assistente social no enfrentamento ao tabagismo, tendo a perspectiva da prevenção como grande desafio, uma vez que socializa, insere indivíduos e famílias com articulação intersetorial das políticas sociais e da rede de serviços na perspectiva de qualidade de vida. Portanto, a cotidianidade no trabalho do Serviço Social na área da saúde, deve se mostrar como uma atuação pautada no princípio de liberdade voltado as demandas das classes pauperizadas. Dentro de suas ações identifica-se como um dos maiores desafios dos assistentes sociais, em relação da sua prática, atender as demandas institucionais com base no projeto ético-político da profissão. Este quadro se agrava quando há correlação de forças entre categorias profissionais nos espaços das equipes interdisciplinares, onde cada profissional buscará estabelecer sua área de competência. Cabe, por fim, a este profissional do Serviço Social utilizar todo o seu aparato teórico para consolidar sua prática em qualquer área ou instituição que atue. 12 Para os assistentes sociais será reservada, prioritariamente, a relação com os segmentos sociais com mais vulnerabilizados pelas sequelas da questão social e que buscam, especialmente nas políticas sociais, em seus programas e serviços, respostas às suas necessidades mais imediatas e permanentes (RAICHELLIS, 2009). A prática profissional no interior destes espaços torna-se um objeto de estudo valioso para a construção e localização do trabalho desenvolvido pela categoria, no caso específico do Programa de Controle do Tabagismo, a atuação dos assistentes sociais se insere em uma equipe multidisciplinar, onde os enfrentamentos entre os saberes profissionais se fazem presente cotidianamente. Inseridos nestas equipes multidisciplinares, o trabalho do profissional de Serviço Social perpassa também pelo trabalho de prevenção, pois esta atuação na área da prevenção é inerente ao exercício da profissão, entendendo que a melhor maneira de superar a ocorrência de situações de dependência do tabaco é através de ações permanentes e regulares envolvendo a participação de indivíduos, família, e grupos, motivações, atitudes e ações a partir de uma construção coletiva de novos propósitos que possam conjugar esforços e políticas públicas em direção a uma vida com mais qualidade. Compreende-se que, para enfrentar o tabagismo requer um esforço multidisciplinar, onde o assistente social possa realizar suas ações interventivas dentro de suas competências e atribuições, onde socializa o indivíduo, articula a intersetoriedade da rede e instiga a comunidade a melhorar a qualidade de vida. Com o crescente aumento dos fumantes que buscam o SUS para deixar a dependência do tabaco, mais de 100 mil pessoas procuraram, em 2021, tratamento no Sistema Único de Saúde, SUS, para deixar de fumar, segundo a Secretaria de Vigilância de Saúde, entende-se que o tabagismo é uma doença de múltiplas faces que atinge o indivíduo, a família, a sociedade e que o assistente social, atuando nas políticas sociais para enfrentamento da questão social tem maior e mais fácil acesso às famílias, sobre tudo as menos favorecidas economicamente. Seja na saúde, na educação, na moradia, na assistência social, através da sua atuação profissional, poderá colaborar na prevenção, auxiliando esses sujeitos no desenvolvimento humano em todas as dimensões, pois nas últimas décadas, o tabagismo tornou-se um grave problema social e de gastos com a saúde pública. 13 Nesta conjuntura, o assistente social, busca compreender os aspectos socioeconômicos e culturais que possam interferir no processo saúde-doença, destacando a participação do usuário no conhecimento crítico da sua realidade a fim de potencializar junto aos sujeitos a construção de estratégias coletivas de enfrentamento da realidade. Em sua atuação são trabalhadas as questões relacionadas a humanização na saúde, como as expectativas com o tratamento, as relações sociais, fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e orientações a população atendida. Assim as ações desenvolvidas pela assistente social, da Unidade Básica de Saúde PAM 8, são baseadas nos Parâmetros para atuação do assistente social na saúde (CFESS, 2010), caracterizando-se em atendimento direto aos usuários (ações socioeducativas e interdisciplinar). Nestas ações, verifica-se o elo existente entre a humanização com a proposta da Reforma Sanitária Brasileira, bem como os princípios norteadores do Sistema Único de Saúde. Sabe-se que a Reforma Sanitária Brasileira nasce da defesa de valores como a democracia direta, o controle social, a universalização dos direitos, a humanização da assistência, tendo como concepção o fato de que o cidadão não é cliente, não é usuário, mas é sujeito de direito (BRASIL, 2006). 14 2 APRESENTAÇÃO DO TEMA As primeiras manifestações de tentativa de controle quanto ao uso do tabaco no Brasil seguiram duas vertentes: o campo jurídico e o da saúde. Estes dois campos são complementares já que legitimam as ações um do outro quando o tema é a luta antitabagista. Ambos foram endossados a partir da virada do século XX, segundo os novos preceitos de promoção à saúde decorrente produção científica que se concentrava em apresentar os malefícios do cigarro à saúde dos tabagistas. Os principais embates quanto à organização das concessões e restrições as indústrias se deram no campo político. Pode-se afirmar que o tabagismo somente é percebido como doença, no momento em que; os custos da área da saúde com doenças derivadas do uso do cigarro tornaram-se deveras onerosos. O tabagismo já é considerado uma patologia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por compartilhar com o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas o entendimento de que ―O tabagismo contribui para o empobrecimento dos indivíduos e de suas famílias porque os consumidores de tabaco têm maiores chances de adoecerem, perderem produtividade e renda‖, o governo do Brasil incluiu na sua agenda de desenvolvimento ações para controle do tabagismo (INCA, 2008, p.6). Entende-se que o tabagismo se mostra como uma indústria extremamente lucrativa e que por sua forte representatividade social, cultural e política apresenta sérias dificuldades quanto ao seu enfrentamento. O Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2008) aponta que cerca de 80% dos usuários de cigarros e outros derivados do tabaco estão presentes em países considerados pobres e, em sua maioria sem recursos para lidar com os problemas decorrentes de seu uso. Mas não somente os tabagistas enfrentam o mal causado pelo cigarro. Aqueles que estão a sua volta, os fumantes passivos, apresentam as mesmas mazelas se sua exposição às toxinas for cotidiana. Além de prejuízos à saúde, o tabaco causa impactos expressivos no orçamento doméstico, dado que essa renda poderia ser aplicada para atender a outras necessidades mais urgentes na unidade familiar. As evidências disponíveis demostram que os indivíduos mais pobres fumam mais e, para este, o dinheiro gasto com o tabaco representa um alto custo de oportunidade, deixando de ser investido em bens cruciais como alimentação, educação e saúde. 15 A chegada do mercado do tabaco no Brasil se deu devido a uma baixa no mercado das indústrias de cigarros norte americanos e europeu, que enfrentavam o crescimento do movimento antitabagista no último quarto do século XX. Para sanar seus problemas financeiros, essas multinacionais enxergaram nos países da América Latina um alvo em potencial por serem países populosos, onde o controle estatal viria a ser mais difícil. Assim, já nos anos 1980 o Brasil se encontraria no auge do consumo de cigarros. Nesse processo, houve uma abertura de concorrência interna, quando as indústrias brasileiras começaram a produzir cigarros. Mesmo com diversos alertas dos malefícios dessa droga, os incentivos fiscais e as ações de marketing sobre o uso do cigarro favoreceram o crescimento deste setor. Outro evento que corroborou para essa expansão foi diversas disputas ocorridas no campo da saúde, em que a medicina preventiva decaia pela falta de incentivos para a sua efetivação. Esse cenário somente vem mudar a partir do surgimento do Sistema único de Saúde – SUS, na década de 1990. Após a ditadura, o movimento antitabagista ganha força dentro do Ministério da Saúde que, agora contando com dirigentes advindos da sociedade civil, possuíam membros atuantes na luta contra o tabaco. Mesmo com esse avanço a falta de aparatos legais foi um problema pontual na implementação de medidas contra o cigarro. Assim, o foco maior passou a serem ações de cunho educativo com o advindo da Constituição Federal de 1988 (CF 88), o tabaco passou a ter uma restrição legal quanto a sua propaganda. No artigo n°220, mais precisamente no inciso n°4, a CF 88 sujeita a restrições legais por ser considerada uma substância nociva à saúde humana. Em 1990, segundo Teixeira e Jaques (2011), percebeu-se a necessidade de se ter ações que fossem de comum acordo para todos os países em uma tentativa de se combater o crescimento exponencial do uso do tabaco. Com essa intenção foi convocada pelos países-membros das Nações Unidas uma Assembléia Mundial de Saúde (AMS), que previa questões como restrições do acesso de jovens ao tabaco, pesquisas sobe o tema, terapias de reposições de nicotina, restrição quanto a vinculação de propagandas, entre outras. Ainda na década de 1990, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), era um dos principais porta vozes do movimento antitabagista do Brasil. Uma das medidas de 16 grande importância realizada pelo instituto foi a análise encomendada em 1995, mas só divulgada em 1996, a uma instituição canadense que apontou que os níveis de produtos tóxicos nos cigarros brasileiros estavam bem acima do permitido. Este estudo teve como resposta, somente no ano de 2000, a lei n°10.167, que restringiu as propagandas de cigarro apenas para dentro dos espaços onde era comercializados, como a prática de propaganda indireta. Uma das metas nacionais propostas é reduzir a prevalência do uso de tabaco, não apenas nos adultos, mas também a necessidade de se aumentar os impostos com vista a diminuir o consumo de cigarros e a produção da venda a menores de 18 anos. Tal documento considera que essa medida preventiva, além de evitar doenças, também irá diminuir custos do Governo Federal com doenças derivadas do uso do tabaco. Um dos grandes avanços conquistados na atualidade pelo movimento antitabagista foi à lei n°12.546 de 14 de dezembro de 2011, a lei Antifumo, que visa combater o uso do cigarro proibindo o fumo em todos os locais de uso coletivo, público ou privado em todo o território nacional. Esta lei entrou em vigor no final de 2014 e prevê a punição por meio de pagamento de multas e, dependendo dos casos, até o fechamento dos estabelecimentos comerciais. Vale ressaltar que a liderança do Brasil no controle do tabagismo se contrapõe a posição do país no mercado mundial, uma vez que é o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de fumo em folha, o que traz ao governo brasileiro uma responsabilidade a mais com as questões sociais decorrentes da histórica inserção econômica da produção de tabaco no país. Este cenário coloca o Brasil no grupo de países que, se por um lado não pode mais ignorar o controle do tabagismo como uma prioridade de saúde pública, social e econômica para atingir o desenvolvimento sustentável, por outro, necessita buscar caminhos para reverter sua dependência econômica do tabaco em função de sua posição no ranking mundial de produção e exportação de fumo em folha. 2.1 O TABAGISMO EM RELAÇÃO DO COVID – 19 O SARS – CoV-2 é um novo tipo de corona vírus, causador da COVID – 19, que emergiu na China no final de 2019 e alcançou status de pandemia rapidamente. 17 Esse vírus tem tropismo pelo sistema respiratório, causando desde uma síndrome respiratória aguda, que na grande maioria dos casos se manifesta de forma leve, evoluindo em alguns casos para um tipo gravíssimo e célere de pneumonia com insuficiência respiratória importante, progredindo para óbito. Entre os fatores de risco para desfechos mais graves como a necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e/ou uso de ventilação mecânica e morte para o COVID – 19 estão: idade de 65 anos ou mais; pessoas internadas em instituições de longa permanência (ILPIs) pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma (moderada e grave) e dependentes de oxigênio; pessoas com problemas cardíacos graves ou descompensados; diabéticos; portadores de doenças cromossômicas ou estado de fragilidade renal crônica avançada; gestantes de alto risco; pessoas de qualquer idade com obesidade grave e condições médicas como doença hepáticas. É possível ainda que a COVID – 19 seja uma doença endotelial, podendo levar a quadros graves de coagulopatias e tromboses (WHO, 2018). Entretanto, é possível que um importante fator de risco para o COVID – 19 não estar sendo incluído nas recomendações globais para o controle da pandemia, o tabagismo. Fumantes fazem parte do grupo de risco para a contaminação pela COVID – 19. É plausível interferir sobre o aumento do risco de contaminação desse grupo na medida em que fumantes levam os produtos de tabaco, quer sejam tradicionais ou dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) à boca, sem a adequada higienização das mãos (WUNSCH FILHO, 2010, P.175). Os narguilés, muito populares entre a população jovem, que geralmente compartilha os bocais, facilitam a transmissão da COVID – 19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou preocupação com o potencial para disseminação da doença por intermédio do uso dos produtos do tabaco. A literatura indica que doenças como influenza, herpes labial, e tuberculose são transmitidas por bocais do narguilé, por suas características que possibilitam seu compartilhamento, os DEFs também devem ser incluídos como produtos que contribuem para a contaminação pelo SARS – CoV -2. Outro fato relevante é o risco de o fumante sofrer queimaduras ao acender o cigarro ou manusear o narguilé pós-higienização das mãos com álcool em gel, haja vista ser este produto altamente inflamável. 18 Em relação aos danos causados pela infecção da COVID – 19, fumar aumenta o risco de danos pulmonares. O tabagismo está relacionado à bronquiolite respiratória (geralmente assintomática), com diversos tipos de pneumonias, além da bronquite crônica, enfisema pulmonar, tuberculose e câncer pulmonar, promovendo o declínio da função pulmonar (WHO, 2018). O tabagismo tem relação com a disfunção endotelial e a elevação da concentração dos radicais livres, da mesma forma que infecções microbianas como a COVID – 19 possam ocasionar danos ao endotélio previamente lesionado do fumante. Entretanto, a cessação do tabagismo melhora significativamente a função endotelial. Fumantes com COVID -19 têm 3,25 vezes mais chances de desenvolver quadros mais graves da doença do que não fumantes. Assim, as alterações e danos pulmonares causados pelo uso de produtos do tabaco, incluindo os DEFs, poderiam ser considerados fatores de risco para as manifestações e evoluções mais graves da COVID -19 (WUNSCH, 2010, P.178). Com chegada da pandemia, as incertezas futuras e as medidas de isolamento social se associam à preocupação com a doença. Nesse cenário, a população pode ter respostas emocionais que irão interferir de forma negativa na auto eficácia, por se sentir emocionalmente fragilizada diante de uma real ameaça, podendo recorrer às estratégias inadequadas, como fumar, na tentativa de reduzir o desequilíbrio emocional. No isolamento social e a indicação para que as pessoas fiquem em suas casas, os fumantes expõem os não fumantes às emissões destes produtos. O fumo pode causar danos semelhantes ao tabagismo ativo, incluindo aumentar a ECA2 (um domínio definido de ligação ao receptor do pico de SARS – CoV reconhece especificamente a Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA2) que é expressa pelas células epiteliais do pulmão, intestino, rins e vasos sanguíneos, e assim, o vírus infecta a célula humana. Não se pode descartar a possibilidade da emissão de aerossóis contendo o vírus, em especial nos DEFs considerando sua menor temperatura de operação. Mais pesquisas são necessárias para responder à extensão dos impactos do fumo passivo na progressão de transmissão da COVID – 19 (WUNSCH FILHO, 2010, P. 178 - 179). 19 3 O SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE De acordo com Iamamoto (1986), no Brasil, o Serviço Social surge a partir de demandas das classes dominantes, principalmente da Igreja Católica, para organização não só de obras de caridades, mas também das Leis Sociais, essas já advindas de demandas e lutas das classes trabalhadoras e parcela da sociedade civil. Bravo e Matos (2006) apontam que, em seu surgimento, o Serviço Social brasileiro, tinha como base teórica os preceitos e teorias advindos de fontes europeias. Este cenário muda a partir do fim da 2° Guerra Mundial, mais precisamente em decorrência do Congresso Interamericano ocorrido em Atlantic City (EUA) onde, então, o Serviço Social passou a se referenciar nos estudos norte-americanos. Desde a chegada ao Brasil, o Serviço Social passou por diversas transformações que fizeram com que houvesse um fortalecimento do Serviço Social com uma categoria independente de preceitos religiosos e que lutassem por um projeto societário corroborado com as lutas da classe trabalhadora. Mas para chegar a tal patamar a categoria precisou, como qualquer outra, passar por diversos momentos que culminaram em uma perspectiva libertadora de luta pela classe trabalhadora. Um breve traçado histórico realizado por Silva (2002) relata que movimento de perspectiva modernizadora buscou - se aparatos científicos e técnicos para uma maior aproximação do Serviço Social com outras áreas do conhecimento. Esta interdisciplinaridade não significou de fato uma concordância do Serviço Social para com o sistema capitalista no qual estas áreas se baseavam. Ainda se tinha uma espécie de adequação ao sistema hegemônico estatal para que houvesse um maior reconhecimento do Serviço Social como ciência e área de atuação profissional. Posteriormente a perspectiva modernizadora, houve um movimento de reatualização do conservadorismo que teve como matriz teórica a fenomenologia, uma área que possuía três pilares construtivos: diálogo, pessoa e transformação social. Esta teoria foi extremamente criticada, pois retorna e reproduz toda a máxima da culpabilização do indivíduo e demais vertentes no pensamento conservador. Nasce nos anos de 1970 à defesa da classe trabalhadora e a quebra de qualquer relação com o tradicionalismo torna-se premissas do Serviço Social, prevalecentes até os dias atuais. Este acontecimento histórico tem como marco, em 20 1979, o 3° Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais. Mesmo com posição decisiva e com uma maior clareza do que seria o papel dos assistentes sociais, mostrou-se que isto não se refletiu de maneira majoritária dentro da categoria profissional, pois ainda houve resistência e não incorporação deste então novo movimento por uma parte dos profissionais de Serviço Social. Por tudo que foi exposto Silva (2002) afirma que não se pode dizer que existia total apropriação do projeto profissional pelos assistentes sociais no campo de trabalho. A ocorrência deste fenômeno se dá por haver um entendimento do pluralismo dentro da prática profissional o que pode culminar em um exercício profissional que perpasse por questões ideológicas próprias e pessoais dos assistentes sociais. De acordo com Vasconcelos (2009), o Serviço Social, após o movimento de intenção de ruptura buscou exercer uma prática profissional voltada para lutas contra - hegemônicas a favor da classe trabalhadora. Houve também a necessidade de realizar atividades que propiciassem uma formação continuada e que acolhessem, na fonte teórica, alternativas. Estas ações são necessárias para que possam atender as necessidades impostas pelas demandas deste profissional que se encontra em campo. A relação entre teoria e prática deve trazer mecanismos que possibilitem um novo olhar para os assistentes sociais sobre as expressões da questão social, contidas no cotidiano profissional. Segundo Neto (1996) os avanços alcançados com o movimento de intenção de ruptura com a categoria não chegaram aos que mais representam o trabalho prático do Serviço Social que são os profissionais que se encontram em campo. Além de outros determinantes, a ocorrência deste fenômeno se dá, pois não há uma eficácia quanto o compartilhamento de informações que atinjam todos os assistentes sociais. A baixa remuneração e a pouca valorização do profissional, justamente a precarização dos espaços de trabalho acometem uma desmotivação dos profissionais de Serviço Social. As transformações ocorridas nos anos de 1990 com a precarização do mundo do trabalho, principalmente a flexibilização de direitos trabalhistas refletiram diretamente na prática profissional do Serviço Social, Raichellis (2009) aponta que este quadro gerou a necessidade de uma regulação social a fim de realizar ações de combate a problemas não supridos de forma direta e automaticamente pelo Estado, 21 encontrando – se ai então um terreno fértil para a atuação dos assistentes sociais no campo estatal. Com as transformações societárias abre – se uma demanda diferenciada para o Serviço Social, principalmente, após os anos de 1990. Já com uma postura avessa ao conservadorismo, postura essa majoritária a categoria, gera trabalho voltado para a obtenção do conhecimento e técnicas específicas do Serviço Social para delimitar seu campo interventivo e a realidade social na qual está inserido. O Serviço Social na Saúde na atualidade tem como responsabilidade preencher as lacunas deixadas pela insuficiência na implantação do Sistema Único de Saúde – SUS. Por ter seu trabalho vinculado às necessidades de recursos da esfera federal para a sua intervenção, os assistentes sociais são os profissionais da saúde que mais sofrem com a falta de investimentos na área. 3.1 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ÁREA DA SAÚDE Segundo Silva (2013), o assistente social trabalha para combater as desigualdades sociais e promover a cidadania, visto que devido à precarização das condições de vida da grande parte da população, as expressões da questão social, como o desemprego, a violência e o envelhecimento se somam as dificuldades do acesso ao atendimento qualificado na área da saúde, exigindo dos profissionais que contribuam para a efetivação da lógica da integralidade nos sistemas de saúde. O conceito de humanização enquanto uma estratégia que, em consonância com os princípios do SUS e com a atuação do assistente social, que por meio da compreensão da realidade social dos sujeitos pode contribuir para a construção de propostas de humanização no atendimento e nos ambientes de trabalho, ao qual se encontra inserida. O Serviço Social como uma das profissões que atuam na área da saúde, tem características e particularidades relativas que se dedicam a humanização do atendimento. O assistente social atua nas providências necessárias a facilitação do acesso, no provimento de condições institucionais para que o atendimento se realize, além de oferecer um suporte emocional ao usuário diante das dificuldades geradas pela fragilidade dos mesmos (TRINDADE, 2012, p.84). Conforme Silva (2013), para lidar com a realidade atual da sociedade, o Serviço Social se encontra em um processo de construção e desconstrução, onde as 22 constantes transformações exigem respostas sociais para os problemas de saúde da população. Para Iamamoto (1997) a área da saúde constitui um dos grandes e complexos campos de atuação e intervenção do Serviço Social. Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas mais variadas expressões cotidianas, tais como os indivíduos as experimentam no trabalho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social pública, etc. Questão social que sendo desigualdade é também rebeldia, por envolver sujeitos que vivenciam as desigualdades e a ela resistem, se opõem. É nesta tensão entre produção da desigualdade e situados nesse terreno movido por interesses sociais distintos [...] a questão social, cujas múltiplas expressões são o objeto do trabalho cotidiano do assistente social (IAMAMOTO, 1997, p.14). Na perspectiva de atuação dos assistentes sociais como profissionais de saúde, conforme a resolução de n° 218 de 06demarço de 1997 do conselho Nacional de Saúde e a resolução CFESS n°383/99 de 29 de março de 1999, nos deparamos com as necessidades de instituir em suas práticas profissionais, formas interventivas que vão de encontro aos aspectos mais impactantes na política de saúde, tais como, às necessidades sociais, a garantia do direito a saúde e a promoção da saúde. Conforme definido na constituição de 1988: A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, art.196). Nesse contexto, Alcântara e Vieira (2013) relatam que é importante lembrar que os assistentes sociais são chamados a participar ativamente na implementação das ações de humanização na saúde em conjunto com outras categorias profissionais, trabalhando e multidisciplinaridade. No diálogo entre assistente social e usuários e entre assistente social e equipe de saúde é onde se constroem os processos de efetivação e fortalecimento de uma política de humanização que atue diretamente no interesse coletivo e na vida cotidiana dos sujeitos. É importante que ações propiciem a aproximação com os usuários dos serviços prestados, bem como, das comunidades e áreas de abrangência em que os assistentes sociais se inserem como forma de galgar seus objetivos. Outro elemento caracterizador da ação profissional é forma como são utilizados e elaborados os 23 instrumentos durante o processo interventivo, estes possibilitam organizar, planejar e aperfeiçoar os serviços prestados. De acordo com Bravo e Matos (2006) o Serviço Social se fez necessário transformando a saúde em uma de suas áreas de atuação mais amplas e ofertadas aos profissionais a partir do entendimento de saúde com uma perspectiva biopsicossocial. O principal fator desta nova abordagem foi à necessidade da criação de equipes multidisciplinares tanto para atendimento quanto para a gestão, implementação e construção de programas. Apesar deste avanço os assistentes sociais assumiram um papel educativo e com intenções normativas, tendo como campo quase que exclusivo de trabalho os espaços dos hospitais. Nogueira e Mioto colocam que: No cenário em que se encontram as políticas nacionais de saúde repõem-se e acentuam–se as exigências para o Serviço Social. Retoma-se aqui, a hipótese de que a ação profissional do assistente social se inscreve no campo da promoção da saúde, notadamente no eixo de intersetorialidade, tornando como evidência dessa afirmação as atividades e ações que vem desempenhando no sistema nacional de saúde. (NOGUEIRA; MIOTO, 2006, p.238). Para Matos (2009), a área da saúde se configura, historicamente, como o campo de atuação onde há mais assistentes sociais. Apesar desta conjuntura o Serviço Social apresenta dificuldades de inserção no trabalho coletivo em saúde por falta do domínio sobre seu próprio trabalho. Outro aspecto significativo para a ocorrência desta prerrogativa é a característica do Serviço Social de atuar em várias esferas, jurídica, assistencial entre outros, acarreta em um possível não atendimento de outros profissionais a real competência dos assistentes sociais nas equipes. Como consequência desta trajetória de conflitos juntamente a não total aderência dos assistentes sociais em suas práticas profissionais ao projeto ético- político, o Serviço Social na saúde, na dinâmica atual, possui resquícios de uma ação de cunha conservador e que prioriza as demandas institucionais. Para Bravo e Matos (2006), isto eclode em uma prática voltada para uma perda do sentido profissional e uma aproximação perigosa ao papel de sanitarista, surgindo uma fragmentação do sentido do Serviço Social como uma unidade, mas sim, subdividindo-o em Serviço Social da Saúde, da assistência e outro como se fossem áreas indissociáveis. 24 Mioto e Nogueira (2006) esboçam como uma preocupação corriqueira tanto quanto ao exercício atual da profissão na área da saúde, quanto aos cursos e atividades de educação permanentes voltadas a programas e políticas específicas. As autoras justificam que estes cursos, ao priorizarem apenas uma área de conhecimento, podem delimitar a prática dos assistentes sociais fazendo com que estes não tenham espaço para uma atuação com base no projeto ético-político da profissão. Assim como em diversas áreas do âmbito estatal, onde há a presença dos profissionais do Serviço Social, os assistentes sociais que trabalham no campo da saúde têm sua articulação profissional nos espaços de participação social. Por seu caráter de libertação do conservadorismo estatal, estes profissionais tentem e devem buscar, o que as autoras colocam como prioridade para a atuação profissional ―a promoção da cidadania, da construção e do fortalecimento de redes sociais e da integração entre ações e serviços‖ (MIOTO; NOGUEIRA, 2006, p.280). Costa (2006) discorre que a inserção dos assistentes sociais, tanto no mercado de trabalho da saúde quanto dos processos de trabalho, no âmbito das equipes multiprofissionais da área da saúde perpassa sua ação profissional por sua legitimação como profissão socialmente reconhecida, bem como, o desenvolver da construção histórica do Brasil, CFESS (2010) aponta que seu trabalho em uma equipe multidisciplinar é necessário para que haja um olhar sobre as perspectivas sociais do usuário, movimento este que não é possível por demais categorias profissionais. Existe reconhecimento da prática das assistentes sociais sob uma ótica de protagonismo dessas profissionais no Programa de Controle do Tabagismo onde atuam, e dimensionam o entendimento de que, ―a maior cobertura e a satisfação do usuário dependem da eficiência e eficácia do modelo idealizado e, consequentemente, da capacidade de neutralizar e superar qualquer obstáculo‖ (COSTA, 2006, p.234). Este protagonismo está caracterizado pelo papel de liderança gerencial que esses profissionais apresentam, tendo sua prática profissional voltada para o ofício da gestão do programa. Em contrapartida há um claro redimensionamento das ações exercidas por elas, que, ―para vencer qualquer obstáculo‖ tem de realizar ações e práticas que não estão dentro de suas atribuições e competências. 25 De acordo com Matos (2009) onde coloca que, uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos assistentes sociais quanto ao seu exercício profissional é que não há, de fato, uma intervenção focalizada ou exclusiva de atuação para cada setor onde o assistente social está inserido. Isto quer dizer que não se pode subdividir a ação profissional destes trabalhadores como ―Serviço Social da Saúde‖, por exemplo. Esta realidade pode fazer com que este profissional e os demais, de outras categorias não entendam o Serviço Social inserido neste campo. Entretanto o autor pontua que existem especificidades quanto ao trabalho dos assistentes sociais que está na área da saúde, sendo de extrema necessidade que este profissional tenha total entendimento da política de saúde e como esta se reflete na vida da comunidade e dos usuários dos serviços. Diante do novo cenário de disputas de projetos societários e a dificuldade de implementação do SUS em sua íntegra, o Serviço Social tem um papel determinante diante das políticas públicas ligadas a saúde. Em se documento, ―Parâmetros para a atuação do Assistente Social na Saúde‖, CFESS (2010) aborda que: A nova configuração de política de saúde vai impactar o trabalho do assistente social em diversas dimensões nas condições de trabalho, na formação profissional, nas influências teóricas, na ampliação da demanda e na relação com os demais profissionais e movimentos sociais. Amplia-se o trabalho precarizado e os profissionais são chamados a amenizar a situação da pobreza absoluta que a classe trabalhadora é submetida (CFESS, 2010, p.23). Segundo o documento, um problema observado na realidade cotidiana é o chamado ―possibilismo‖ (CFESS, 2010). Mostra-se que assistentes sociais tendem a abrir mão de determinados ganhos sociais e direitos em detrimento de ganhos outros que são irrisórios diante da luta travada todos os dias por uma efetivação da Reforma Sanitária. As diretrizes profissionais devem servir como um norte para os assistentes sociais em suas mais variadas áreas de atuação, principalmente no âmbito da saúde, onde o Serviço Social teve uma representatividade tardia na formulação do Sistema Único de Saúde – SUS – e em todo o Movimento da Reforma Sanitária. Diante destas dimensões próprias do Serviço Social e da sua historicidade e construção como categoria profissional, a interdisciplinaridade é outro fator recorrente no debate do trabalho do assistente social na saúde. Entende-se como conceito de interdisciplinaridade: 26 Uma relação horizontal entre profissionais de formações diferentes, partícipes conjuntamente de ações de trabalho que possuam diferentes objetivos político-profissionais convergentes, em que cada um desses sujeitos contribua com seus saberes através de relações democráticas, menos rígidas e limitadoras da expressão crítica e criativa entre profissionais (MOREIRA, 2010, p.121). Esta relação deve ser pautada pelo respeito de um profissional a formação, conhecimento e competência do outro, assim sendo, cada profissional deve ficar a cargo da sua especificidade. Pra além desta afirmativa é de suma importância que estes profissionais tenham total conhecimento sobre a conjuntura política, histórica e geográfica na qual estão inseridos para que, seja este de instituição privada ou estatal, realize uma prática voltada para as suas competências e atribuições privativas e emancipação dos indivíduos. Pois: A escolha de forma de abordagem, dos instrumentos e das técnicas a serem utilizadas vai depender dos objetivos propostos para ação dos destinatários das ações, e das características das instituições e dos profissionais. Portanto, todo o seu percurso necessita de planejamento e avaliação sistemática (MIOTO, 2009, p.12) O planejamento de ações que serão executadas por uma equipe interdisciplinar será exatamente para que não haja ruptura nem disputas de forças dentro deste grupo, pois é imprescindível que estes profissionais atuem de maneira consoante entre suas atribuições para que o trabalho seja realizado de forma mais eficaz possível. Este bom relacionamento é importante, pois mesmo uma ação sendo planejada, intercorrências poderá aparecer durante sua execução e para que isso não se transforme em algo irremediável, que todos os profissionais estejam em sintonia para que a melhor decisão a superação deste problema seja tomada. 3.2 O ATENDIMENTO HUMANIZADO E SUA IMPORTÂNCIA NA ÁREA DA SAÚDE Observamos constantemente grande número de profissionais sem paciência em vários setores, não somente na saúde, mas em todo o lugar, a mídia nos mostra este assunto quase que todos os dias, tendo varias criticas quanto a qualidade no atendimento prestados no Sistema Único de Saúde. No cotidiano vemos usuários fragilizados e debilitados pela condição de saúde e dependência do tabaco por anos, recebendo criticas dos familiares por muito 27 tempo, desta forma o modo como o usuário é acolhido no atendimento faz toda a diferença e acolher é humanizar o atendimento, esta preocupação começa a surgir no final de 1990 e inicio de 2000 surge a Humanização, tendo legitimidade a partir da 11a. Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília, em 2000" (CFESS, 2009, p.30), e foi, Em 2003, no governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ―o programa transforma-se em Política Nacional de Humanização (PNH), ampliando sua área de ação, passando a contemplar a gestão e a atenção‖ (CFESS, 2009, p.30). Neste sentido temos o Sistema Único de Saúde a PNH (Política Nacional de Humanização) como forma de humanizar o atendimento a usuários do SUS, ficando claro que "todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação" (PINHO et al., 2012, p.7). Da mesma forma "todo paciente tem direito a um atendimento de qualidade e humanizado" (PINHO et al., 2012, p.36), devendo haver respeito ao seu corpo, sua intimidade e sua cultura. A Política Nacional de Humanização (PNH) existe desde 2003 para efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil e incentivando trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários. Conforme o ministério da saúde a PNH deve se fazer presente e estar inserida em todas as políticas e programas do SUS. Promover a comunicação entre estes três grupos pode provocar uma série de debates em direção a mudanças que proporcionem melhor forma de cuidar e novas formas de organizar o trabalho. O acolher é gerar vínculos, dar segurança para o usuário retornar e continuar o tratamento com confiança gerando um sentimento de pertencer e fazer parte de algo. Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a agasalhar, receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975). O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um ―estar com‖ e um ―estar perto de‖, ou seja, uma atitude de inclusão (BRASIL, 2010). Conforme a cartilha Política Nacional de Humanização temos os Princípios Norteadores da Política de Humanização que são; 1) Valorização da dimensão subjetiva e social em todas as praticas de atenção e gestão, fortalecendo /estimulando processos integrados e promotores de compromisso/responsabilização 28 2) estimulo e processos comprometidos com a produção de saúde e com a produção de sujeitos. 3) Fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional, estimulando a transdisciplinaridade e a grupalidade. 4) Atuação em rede com alta conectividade, de modo cooperativo e solidário, em conformidade com as diretrizes do SUS. 5) Utilização da formação, da comunicação, da educação permanente e dos espaços da gestão na construção de autonomia e protagonismo de sujeitos e coletivos. O atendimento humanizado dá qualidade ao profissional, dá voz aos usuários, fortalece e transforma vidas, assim como acolher [...] é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar credito a agasalhar, receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975, pg.6). O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas varias definições, ima ação de aproximação, um ―estar com‖ e um ―estar perto‖, ou seja, uma atitude de inclusão (BRASIL, 2010), o atendimento humanizado transforma vidas e fortalece quem está em tratamento ou em recuperação, transforma também o profissional que trabalha com o humano. Dentro do Setor de Controle de Tabagismo, percebemos que usuários atendidos com atenção humanizada voltaram ao setor de atendimento, mantendo vinculo visando o apoio e dando forças ao usuário para resolução do problema e vitória sobre a cessação do fumo. É importante contextualizar que temos visto absurdos na saúde em relação ao atendimento por parte de atendentes em vários setores e em varias categorias de profissionais, e foi pensando nisso que dentro da rotina no setor de tabagismo observamos o quanto faz a diferença o atendimento humanizado para o sucesso da cessação do fumo. Ao longo desta caminhada acadêmica escutamos muito falar de acolhimento, onde se valoriza o ouvir, criar vínculos para um atendimento humanizado. Tratar cada paciente de forma individualizada e única; dispensar atenção e empatia com o usuário, com o caso, com a situação; transmitir confiança, segurança e apoio para que o usuário possa ter melhor adesão ao tratamento proposto, bem como esclarecer cada procedimento. ―Se podemos ver o que está acontecendo, devemos buscar a reparação. Ver, conhecer, refletir sobre si mesmo, os outros e as situações que nos envolvem em 29 contexto particular e coletivo. É o princípio da ética, da cidadania, da humanização‖ (RIOS, 2009, pg.28). De tal modo sabe-se que a humanização está inteiramente ligada ao cuidar do próximo com os mesmos cuidados dos quais queremos a nós mesmos, do mesmo modo como tratamos nossos familiares e amigos (RIOS,2009, pg.6). A autora pressupõe que, a se ver algo de errado é necessário não apenas apontar o erro, mas sim buscar conhecer, entender e refletir de modo que se possa intervir para mudar a situação. Em termos de humanização, buscar por em prática tudo que se julga ser o correto quando necessita de atendimento digno.―...a produção de novas atitude por parte de trabalhadores, gestores e usuários de novas éticas no campo de trabalho incluindo ai o campo de gestão e da prática de saúde superando problemas e desafios do cotidiano de trabalho‖ (BRASIL, 2010, pg.6). 3.3 PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DO TABAGISMO (PNCT) Em 1989, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que em 1990 passou a ser de responsabilidade do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Anteriormente à Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), o PNCT tinha como principais modos de atuação ações de cunho educativo, muito desenvolvido em escolas e por meio de formadores de opinião. A finalidade desses trabalhos era diminuir a aceitação social do cigarro que, até então, era visto como elemento de status social. . O INCA, com o objetivo de diminuir o consumo de cigarro, elabora e promove ações de cunho educativo, tanto no setor público como no privado tais como seminários, campanha e atividades ligadas a deixar ambientes livres do tabaco, em especial o Ministério da Saúde, o INCA capacita e ajuda na implementação dos Programas de Controle do Tabagismo, que atua mais especificamente na cessação do tabaco. O INCA, por meio de parcerias com as Secretarias de Saúde dos estados e municípios, capacita os profissionais oferecendo cursos, que são obrigatórios para os profissionais que irão compor a equipe. O PNCT é voltado para o enfrentamento dos determinantes sociais que envolvem toda a questão do tabaco no Brasil. Assim visa não somente erradicar as questões das doenças, mas também toda a sua peculiaridade política 30 socioeconômica. Entre as diversas ações do PNTC, destaca-se a iniciativa de aumento e ampliação de acesso a serviços que tenham por objetivo a cessação do uso do cigarro. Sua base de organização se pauta sobre os princípios de integralidade, descentralização e articulação com os mais diversos setores da sociedade civil. Estas três premissas são alcançadas por meio de parcerias com estados e municípios, articulação com outras esferas do poder público e demais ministérios, bem como o apoio de categorias profissionais e associações pertencentes ao movimento antitabaco. Partindo de uma perspectiva de múltiplas vertentes de combate para um maior alcance do PNCT, foi-se utilizado o modelo de descentralização contido no Sistema Único de Saúde (SUS). No espaço do SUS, o PNCT se iniciou a partir da SAS (Secretaria de Atenção à Saúde) n°442/04, ambas implementando o Plano de Implantação da Abordagem e Tratamento do Tabagismo no SUS e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, Dependência à Nicotina. Anterior a esta, é lançada a Portaria Ministeriais GM/MS n°1.035/04 que: Definiu, como papel do Ministério da Saúde, o repasse dos insumos (materiais educativos e medicamentos) para o atendimento nos municípios que já tenham unidades de saúde preparadas para essa atividade, o que implica em já terem profissionais capacitados para esse tipo de atendimento e uma política de restrição ao fumo nas suas dependências. O repasse dos insumos acontece mediante o envio para o Ministério da Saúde, pelas secretarias estaduais de saúde, de informações sobre o processo de capacitação e sobre estimativas de atendimento para um dado período. Trata-se de um processo em andamento, que busca inserir essa ação de forma organizada e cuidadosa a permitir uma avaliação da sua efetividade e de seu custo-benefício (CAVALCANTE, 2006, p.8). As parcerias com as entidades não governamentais também se mostraram bastantes expressivas na implementação do PNCT no SUS por meio de documento e manifestações de apoio. Em agosto de 2000 uma reunião intitulada Consenso sobre Abordagem e Tratamento do Fumante discutiu este tópico tendo como principais representantes as categorias profissionais vinculadas a área da saúde, como o Conselho Nacional de Medicina. O Programa de Controle do Tabagismo na rede SUS, nas unidades de saúde básica, seguem um método, e outro no momento de sua adesão. Para que haja a oferta do programa é preciso seguir um cronograma de ações que, primeiramente os 31 gestores municipais tenham a vontade de implementar o programa em sua localidade devem fazer um pedido por meio do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade de Atenção Básica (PNMAQ). O gesto requerente fica responsável por todas as etapas do processo de adesão como, a escolha da equipe, o treinamento dos profissionais, a localização da população assistida, entre outros. Por se tratar de uma política de Estado e esta no âmbito do SUS, algumas questões de responsabilidade do Ministério da Saúde e do INCA, o repasse dos produtos medicamentosos utilizados pelos usuários é de responsabilidade do MS e das secretarias de saúde dos municípios e do Distrito Federal, bem como os manuais de condução do programa, por meio de Coordenação Nacional do PNCT/INCA. De acordo com o INCA, a implementação dos programas de controle do tabagismo no âmbito do SUS deve ser realizado de maneira a articular diversos setores. A iniciativa deve partir dos administradores locais onde quer se implementar o programa por meio das Secretarias de Saúde, após isto, o INCA/MS, irá fornecer a capacitação aos profissionais que irão compor as equipes. O PNCT tem como princípio ser uma política transversal dentro do SUS, assim é interessante que ele passe por todos os seus setores de atendimento como a saúde da mulher, do idoso e demais programas e iniciativas de atenção à saúde. 3.3.1 CONVENÇÃO QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO (CQCT) De acordo com Cavalcante (2005), em 1996 foi organizada a 49º Assembleia Mundial da Saúde (AMS) onde foi estabelecido o primeiro tratado internacional sobre a questão do cigarro, a Convenção Quadro para o controle do Tabaco. A CQCT teve em seu corpo de membros 192 países que levaram cerca de cinco anos, de 1999 a 2003, para organizar um documento que fosse de comum interesse, tendo o Brasil como pais a presidir o Órgão Negociador Intergovernamental da Convenção (ONI). Sua ratificação ocorreu na 56º AMS, apesar do cenário favorável, se deu conturbada mente no Senado brasileiro, onde a forte pressão das indústrias tabagistas, principalmente a empresa Souza Cruz, frente aos parlamentares com o auxílio da Associação dos Fumicultores do Brasil, gerou um intenso debate no Congresso com afirmações dos contrários ao CQCT de que estas sanções eclodiriam em um caos econômico. 32 A partir do decreto nº 3.136/1990, criou-se a Comissão Nacional de Combate ao Tabagismo (CNCT), com o intuito de prepara pesquisas e estudos que dessem ao Brasil subsídios no momento da discussão da Convenção-Quadro de Controle do Tabaco. A CNCT era formada por nove ministérios, sendo o Ministério da Saúde a liderança desta frente. Em 2003, a partir de um decreto, a CNCT é extinta e substituída pela Comissão Nacional de Implementação da Convenção Quadro (CONICQ), esta já de caráter executivo. Atualmente CONICQ é composta por onze ministérios, dos quais o Ministério da Saúde permanece na liderança e o Instituto Nacional do Câncer (INCA) passou a ser a Secretaria Executiva desta comissão. De acordo com Cavalcante (2005), diversos setores da sociedade tiveram espaço na construção da CQCT, destes representantes da economia do tabaco a organizações não governamentais. Essa medida foi uma imposição da OMS, realizada de forma inédita, por entender que as ações ali decididas iriam infringir na vida de todos, fazendo-se mais do que necessário o envolvimento direto. Foi criado um Código de Práticas para Organização de Profissionais de Saúde para o controle do tabagismo no intuito de determinar ações que devem ser preconizadas no atendimento para com os tabagistas usuários do programa. São quinze ações, entre elas, destinar recursos para o programa, auxiliar na ratificação da CQCT, cooperar para espaços livre do tabaco, entre outras. 33 4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA E A RELAÇÃO COM A QUESTÃO SOCIAL O Serviço Social, como profissão, tem a questão social como fundamento da especialização do seu trabalho. Sendo assim, trabalhar com as particularidades das múltiplas expressões da questão social que se apresentam na sociedade contemporânea é tarefa que se encontra no âmbito do exercício profissional do assistente social. Iamamoto (2004, p.27) sustenta que as expressões da questão social, como o tabagismo; que na sociedade tem um aumento significativo, o trabalho de prevenção, perpassa por parte dos profissionais que trabalham na área da saúde, dentre eles o assistente social, pois esta atuação na área da prevenção é inerente ao exercício da profissão, entendendo que a melhor maneira de superar a ocorrência de situações da dependência do tabaco é através de ações permanentes e regulares envolvendo a participação de indivíduos, família, e grupos, motivações, atitudes e ações a partir de uma construção coletiva de novos propósitos que possam conjugar esforços e políticas públicas em direção a uma vida com mais qualidade. Segundo a Secretaria de Vigilância de Saúde, entende-se que o tabagismo é uma doença de múltiplas faces que atinge o indivíduo, a família, a sociedade e que o assistente social, atuando nas políticas sociais para enfrentamento da questão social tem maior e mais fácil acesso às famílias, sobretudo as menos favorecidas economicamente. Seja na saúde, na educação, na moradia, na assistência social, através da sua atuação profissional, poderá colaborar na prevenção, auxiliando esses sujeitos no desenvolvimento humano em todas as dimensões, pois nas últimas décadas, o tabagismo tornou-se um grave problema social e de gastos com a saúde pública. Analises revelam que a epidemia do cigarro vem se caracterizando como uma doença da pobreza, atingindo grande parte da população de baixa renda, particularmente mulheres. No Brasil, apesar de constatada uma redução drástica no número de fumantes, há ainda, aproximadamente, 25 milhões de viciados, com mais de 15 anos são fumantes. A maioria é de homem, tem entre 25 e 44 anos, é de cor parda ou preta, vive em áreas rurais, predominantemente na Região Sul e não tem intenção de largar o hábito no curto prazo, além disso, o tabaco é responsável direto por cerca de 200 mil óbitos ao ano. As informações são da Pesquisa Especial do Tabagismo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008). 34 De acordo com o documento, os fumantes no país gastam, em média, R$78 por mês com o vício, de acordo com uma das responsáveis pela pesquisa, Marcia Quintslr, o fumo está ligado a fatores socioeconômicos e não somente culturais. ―Ficou claro na pesquisa que os fumantes se apresentam em maior percentual entre aqueles com menor escolaridade e rendimentos. É importante destacar que o desconhecimento sobre os malefícios do tabaco tem um agravante perante usuários que iniciam a pratica do fumo, conforme estudos químicos, a queima do cigarro gera 2700 substancias tóxicas e cancerígenas presentes na fumaça, diante disso, é perceptível que muitas pessoas desconhecem os prejuízos causados pelo tabaco e as advertências presente nas embalagens de cigarro não são suficientes para conscientizar a comunidade, trazendo prejuízos psíquicos. O quadro de dependência resulta em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo para consumir a droga, estabelecendo-se assim um padrão de autoadministração caracterizado pela necessidade tanto física quanto psicológica da substância, apesar do conhecimento de seus efeitos prejudiciais à saúde. Muitos são os fatores que podem levar a pessoa a experimentar essa droga (lícita), já que é histórica a tendência humana de buscar formas de alterar sua consciência de modo a produzir prazer e modificar seu humor. De maneira geral a possibilidade do encontro com o cigarro se dá na adolescência, fase caracterizada por muitas transformações físicas e emocionais, angustias e busca de respostas, (INCA) desta forma devemos ter um olhar atento nesta faze da vida, campanhas nas escolas, seria o ideal para a prevenção. Dependendo da suscetibilidade individual, alguns fatores serão decisivos para estimular o individuo atender a essa tendência humana de buscar no tabaco o alivio para suas tensões, tais como a aceitação social de uma determinada substância, seu fácil acesso, uso do tabaco por pessoas que tenham papel de modelos de comportamento. A sociedade pode contribuir de maneira significativa para que o uso seja estimulado, causando adoecimentos em larga escala. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA) a nicotina, presente em qualquer derivado do tabaco é considerada droga por possuir propriedades psicoativas, ou seja, ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central, 35 trazendo modificação no estado emocional e comportamental do usuário que pode induzir ao abuso e dependência. O uso do tabaco reflete uma desigualdade social brasileira, trazendo prejuízos à saúde pública, indivíduos com baixa escolaridade e menor poder aquisitivo, representam a maior prevalência de tabagismo, estando igualmente nesta classe aquelas pessoas que possuem menor acesso à informação e aos serviços de saúde. A associação entre pobres e o fumo é uma das relações mais consolidada no conhecimento sobre tabagismo, resume Tânia Cavalcante, médica do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e secretária executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CONICQ). Essas pessoas têm menor acesso à informação, como sobre os malefícios do tabagismo, e as escolas, que hoje de uma forma ou de outra abordam o tema. Também têm menos acesso a tratamentos para deixar de fumar. A questão do acesso à informação é a principal explicação para o fato de hoje os mais pobres fumarem mais, globalmente. Pesquisadores avaliam que pessoas com mais vulnerabilidades têm níveis mais altos de dependência, são mais propensas a estar perto de outros, fumantes, normalizando o comportamento, e também pode ter que lidar com fatores de estresse, como instabilidade de renda e moradia precária. 36 5 JUSTIFICATIVA O território de abrangência do PAM 8 Alvorada/RS possui pacientes em condições causadas ou agravadas pelo uso do tabaco, como enfisema pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), hipertensão arterial e acidente vascular encefálico. Jandira Torreiro de Carvalho em seu artigo ―O Tabagismo visto sob vários aspectos‖ aborda que o tabagismo é responsável por mais de quatro milhões de mortes anuais no mundo, determinadas pelo aumento da prevalência das doenças relacionadas ao hábito de fumar. Constitui a pior causa isolada de doença evitável que se conhece entre as não imunizáveis. Agente mórbido introduzido e mantido pelo próprio homem, por razões tão diversas como as de ordem econômica, social, cultural e de droga-dependência, converte-se em uma das epidemias de mais difícil redução (TORREIRO DE CARVALHO, 2000). Sendo assim, devido ao fato de o tabagismo ser uma condição de saúde passível de intervenção, é necessária a realização de ações de prevenção e tratamento, evitando novos casos e reduzindo complicações nos casos presentes. A nicotina do tabaco causa dependência química, pois o tabagismo é uma doença crônica e tratável, devendo fazer parte dos atendimentos nas unidades de saúde, pois, a atenção primária da saúde configura-se como um cenário oportuno para a execução das ações da saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e prevenção da saúde. É importante destacar que, o trabalho de prevenção à essa dependência química que, atualmente se apresenta como um problema social de saúde pública, tendo em vista o crescente aumento do número de tabagistas, e consequências disso para a sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do profissional de serviço social, torna-se sumamente importante e necessário, uma vez que se trata da expressão da questão social e portanto, objeto de trabalho do assistente social. 37 6 OBJETIVOS A pesquisa científica proporciona a resolução de problemáticas relevantes para a sociedade. Ou seja, os resultados de um estudo apresentados têm objetivo de melhorar algum processo. 6.1 OBJETIVO GERAL Resgatar usuários em desistência no Setor de Tabagismo e desenvolver ações socioeducativas de sensibilização a saúde. 6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Levantar e caracterizar os usuários tabagistas cadastrados Realizar ações de educação em saúde para prevenção do uso do tabaco, Resgatar usuários inscritos, que desistiram do tratamento (evasão de usuário). 38 7 O PROCESSO METODOLÓGICO DE INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL JUNTO Á USUÁRIOS TABAGISTAS Este trabalho foi desenvolvido tendo como fundamentação teórica a Política Nacional de Atenção Básica, considerando as atribuições do assistente social no Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Percebemos que a partir do momento que o usuário não comparece mais ao grupo de tratamento de manutenção, perdemos o vínculo e ficamos na incerteza se ele está sem fumar ou não. Muitos usuários também não conhecem o grupo de tratamento do tabagista, por não frequentar a Unidade de Saúde ou por falta de informação. No exercício do estagio procuramos realizar pesquisas sobre o instrumental técnico-operativo do serviço social onde Guerra (2013) nos esclarece que [...] o instrumental técnico-operativo ultrapassa as técnicas e os instrumentos, pois inclui o conjunto de ações e procedimentos adotados pelo profissional, visando alcançar uma dada finalidade, bem como a avaliação sistemática sobre o alcance dessas finalidades e dos objetivos da ação. Para a autora, incluem-se como componentes do instrumental técnico-operativo ―as estratégias, táticas, instrumentos e técnicas, conhecimentos específicos, procedimentos, éticas, cultura profissional e institucional, particularidades dos contextos organizacionais‖ (2013, p. 26). Dentro deste contexto Sarmento (1994, p 245) conceitua que o instrumento como ―(...) sempre orientado por um determinado conhecimento, uma teoria social, ou seja, é sempre utilizado intencionalmente. É através do instrumento que vamos experimentando a teoria social, na medida em que permite que se vá objetivando as categorias da realidade‖. Yolanda Guerra nos coloca que... Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tomar o Serviço Social como totalidade constituída de múltiplas dimensões: técnico- instrumental, teórico-intelectual, ética-política e formativa. (GUERRA, 1997,p.12) O assistente social adquire seu instrumento na sua intenção e se reconstrói no cotidiano a cada novo caso, adaptando-se aos seus objetivos. A proposta do programa de Controle de Tabagismo é promover a cessação do tabaco e proporcionar melhores condições de vida a usuários tendo como base às 39 determinações da Politica de Saúde no âmbito da atenção básica sendo esta a porta de entrada do usuário no programa de controle de tabagismo. Os usuários chegam ao programa de diversas maneiras, muitos médicos indicam o tratamento aos seus pacientes por não poder fazer cirurgias, por agravamento da saúde, indicação de conhecidos ou parentes que já pararam de fumar ou por meio de campanhas em dias determinados como o dia mundial contra o tabaco. Foi realizado atendimento de acolhimento informativo sobre o tratamento e quais os primeiros passos, abertura de prontuários, leitura de 4 manuais informativo sobre o tabagismo, malefícios da fumaça e nicotina no organismo, quais sintomas poderiam surgir nas crises de abstinência, formas de parada e como agir em cada situação. Dentro deste contexto este trabalho foi desenvolvido tendo como fundamentação teórica a Política Nacional de Atenção Básica, considerando as atribuições do assistente social no Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Percebemos que a partir do momento que o usuário não comparece mais ao grupo de tratamento de manutenção, perdemos o vínculo e ficamos na incerteza se ele está sem fumar ou não. Durante a realização das atividades em campo de estágio nos anos 2022 e 2023 foi atendido 186 usuários, onde foram realizada entrevista com escuta ativa, abertura de prontuário, leitura dos manuais informativos sobre o tabaco (INCA), encaminhamento a consulta com clinico geral, psicóloga, e exames para avaliação e melhor decisão de qual melhor meio, se adesivos de nicotina sintética ou bupropriona. Em relação aos atendimentos aos usuários no período de estágio obrigatório que foram atendidos em 2020, 2021 e 2022, foram realizados 136 prontuários, foram realizadas 68 leituras dos manuais com esclarecimento sobre o tabagismo e abordagem informativa e formas de parada, 136 encaminhamentos para consulta medica com o clinico geral, e sugestão de psicóloga. Inicialmente foi realizada uma busca ativa nos grupos montados a partir de 2021, começando pelo primeiro semestre, em sequência, segundo semestre. Realizadas ligações, juntamente com questionário elaborado previamente, convidando o usuário a retomar ao tratamento, incentivando o devido 40 prosseguimento, conforme protocolo do Programa de Controle do Tabagismo, sendo assim, um momento de encorajamento da proposta de cuidados permanente. Realizada pesquisa nos prontuários, separados em grupos, contendo de 13 a 15 usuários. Foram pesquisados 180 grupos, obtivemos 53 usuários desistentes do tratamento. Efetuamos contatos através de ligações, sendo que a grande maioria não atendeu, ou desligava, e consequentemente bloqueava antes mesmo que pudéssemos explanar do que se tratava. Dentro dos quais que atenderam as ligações, 34 mulheres e 15 homens, onde eventualmente aceitaram retornar ao tratamento. Não conseguimos implantar grupos presencialmente, pois os usuários já vinham de grupos de WhastApp e pediram para continuar, devido ao tempo do trabalho, que teria sido esse o motivo da desistência. Relataram estar começando trabalhar e não poderiam faltar, havendo assim a necessidade de remanejamento de horários conforme disponibilidade de cada usuário em particular, alguns pela manhã, e outros com disponibilidade á tarde, e assim foi executado o atendimento. Para o enfrentamento desta demanda usamos intervenções diretas através do acolhimento, com escuta ativa, qualificada para uma melhor compreensão da realidade com o objetivo de garantir a viabilização dos usuários ao seu direito a tratamento e direitos sociais. A dependência à nicotina conta com três componentes básicos: dependência física, responsável por sintomas da síndrome de abstinência quando se deixa de fumar; dependência psicológica, responsável pela sensação de ter no cigarro um apoio ou um mecanismo de adaptação para lidar com sentimentos de solidão, frustração, com as pressões sociais e condicionamentos, representado por associações habituais com o fumar (fumar e tomar café, fumar e trabalhar, fumar e dirigir, fumar e consumir bebidas alcoólicas, fumar após as refeições e outras). Dessa forma, o tratamento do fumante tem como eixo fundamental a abordagem cognitivo-comportamental, com a finalidade de informar o fumante sobre os riscos de fumar e benefícios de parar de fumar, motivá-lo a deixar de fumar e apoiá-lo no processo de cessação, fornecendo orientações para que possa lidar com síndrome de abstinência, com a dependência psicológica e os condicionamentos associados ao hábito de fumar. 41 Para o enfrentamento desta demanda usamos acolhimento humanizado e escuta sensível para uma melhor compreensão da realidade com o objetivo de garantir a viabilização dos usuários ao seu direito a tratamento e direitos sociais. A literatura cientifica aponta várias evidências de que o tabagismo é a causa de quase 50 doenças cardiovasculares, onde a doença é a primeira causa de morbidade e mortalidade no Brasil (MOTA, 2007). Sendo assim, o abandono do tabagismo é o melhor e mais econômico meio de prevençã0 de várias doenças, e precisa-se pensar em outras formas de melhorar a adesão dos tabagistas ao abandono do cigarro. Os profissionais que estão inseridos na saúde têm papel fundamental nesta etapa, e precisam discutir com os tabagistas sobre as dificuldades do abandono e como enfrenta-las, preparando-os para a tentativa de parar d Desde 1989, o Ministério da Saúde, por meio do INCA, desenvolve o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que envolve ações na área da saúde, educação, legislação e economia, o desenvolvimento de ações educativas tem como objetivo a disseminação do conhecimento sobre o câncer e as possibilidades para sua prevenção que provoquem mudanças positivas de comportamento. Para atender a questão de cessação do tabagismo, foi incorporado ao PNCT o Programa de Controle do Tabagismo, que visa aumentar o acesso do fumante aos métodos eficazes para a cessação de fumar, atendendo a uma crescente demanda de tabagistas que procuram algum tipo de apoio para esse fim, (de acordo com literatura, a abordagem cognitivo-comportamental tem eficácia cientificamente comprovada para a cessação de fumar (CAVALCANTE, 2006). Este tipo de abordagem envolve o estímulo ao autocontrole para que o indivíduo possa aprender a escapar do ciclo vicioso da dependência, e a tornar-se um agente de mudança de seu próprio comportamento, através de intervenções cognitivas com o treinamento de habilidades comportamentais (BRASIL, 2001). Portanto este trabalho foi desenvolvido tendo como fundamentação teórica a Política Nacional de Atenção Básica, considerando as atribuições do assistente social no Programa Nacional de Controle do Tabagismo (BRASIL, 2001). 42 8 ANALISE DE DADOS DA PESQUISA Em campo foi constatado que 70 % dos usuários que procuraram tratamento tiveram sucesso em parar de fumar, tento em vista que os mesmos foram pessoalmente para leitura dos manuais do INCA, sento que receberam orientações de parada e esclarecido duvidas eminentes a cada situação em particular de cada um diferentemente dos usuários que alegavam não ter tempo e preferiram entrar direto para grupos de whatsApp, modelo de tratamento adquirido devido a pandemia, que seria referente à os 30 % que não obtêm êxito em parar de fumar já que não consegue aderir ao tratamento adequado. Gráfico 01: Resultados ao tratamento Fonte: Autora, 2023. Podemos observar que os percentuais de busca pelo tratamento são mais de mulheres, e contatamos que 69.4% são de mulheres e homens 30.6. 70% 30% RESULTADO AO TRATAMENTO ÊXITO SEM ÊXITO 43 Gráfico 02: Busca pelo tratamento Fonte: Autora, 2023. Observamos que grande maioria de usuários a procurar auxilio para parar de fumar são na grande maioria pessoas de mais idades e que já apresenta sinais de morbidades relacionados ao fumo do tabaco, a porcentagem de pessoas com menos de 40 anos é de 26.4 % e pessoas com mais de 40 anos é de 73.6 %, sendo que tivemos 5 casos de pessoas que estavam acamadas em hospitais que vieram a óbito. Gráfico 03: Idade de busca pelo tratamento Fonte: Autora, 2023. 69% 31% BUSCA PELO TRATAMENTO MULHERES HOMENS 26% 74% IDADE DE BUSCA PELO TRATAMENTO MENOS DE 40 ANOS MAIS DE 40 ANOS 44 Dentro deste parâmetro, os atendimentos têm mais êxito quando o mais comprometimento por parte de quem quer parar realmente parar tivemos depoimentos de usuários que por motivo de doenças graves se obrigaram a parar com o tabaco, outros usuários relataram que não queriam parar mas por recomendações médicas tinham que parar de fumar, muitos dos usuários com morbidades psiquiátricas apresentam mais dificuldades que o normal, pois tabagistas deprimidos podem fumar mais para aliviar seus sintomas e, dessa forma reforçam o desejo de fumar, dentre estas, temos por exemplo depressão e ansiedade, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo, nestes casos o doutor do programa sempre indicava tratamento em conjunto com um psiquiatra para acompanhar o tratamento. O programa consiste de quatro sessões de uma hora e meia, uma vez por semana, por um período de quatro semanas. Num programa com essa duração, obtém-se tanto êxito quanto num programa mais longo. Contendo todos os elementos que são significativos para ajudar fumantes a pararem de fumar e a permanecerem sem cigarros, ele aborda os comportamentos, pensamentos e sentimentos dos fumantes. Cada sessão inclui quatro etapas; atenção individual; estratégias e informações; revisão e discussão e tarefas. As sessões tiveram duração de cerca de 25 minutos cada. Foi feito perguntas a cada usuário; 1- A quanto tempo você fuma? 2- O que faz você fumar mais? 3- Qual o obstáculo mais difícil para você deixar de fumar? 4- Quanto tempo depois de levantar você acende o deu primeiro cigarro? O objetivo dessa discussão é mostrar que a nicotina é considerada uma droga que causa dependência química, ou seja, a perda do controle sobre o seu uso, em razão da necessidade psicológica e/ou física da mesma. Ela faz com que as pessoas fumem apesar de saberem dos sérios riscos à saúde. Isso explica por que grande parte dos fumantes deseja parar de fumar, mas não consegue. Foi colocado aos usuários que; ―Muitos fumantes têm dependência da nicotina. Se você tem um desejo intenso por cigarro ―fissura‖ e não consegue ficar sem fumar, é provável que esteja dependente. Por isso é normal que os primeiros dias sem cigarros sejam os mais difíceis; depois, ficar sem fumar é tão fácil quanto para outros ex-fumantes. 45 A dependência psicológica refere-se ao significado ou a função que o ―fumar‖ parece ter para você. A forma mais comum de dependência psicológica é o uso do cigarro para lidar com o estresse. Muitas pessoas sentem que o cigarro proporciona relaxamento; então, elas fumam sempre que estão tensas. Se fumar ajuda você a relaxar, é porque o cigarro lhe é familiar, da mesma forma que um amigo próximo. Assim sendo, é uma fonte de conforto pra você. Outras pessoas usam o cigarro como uma forma de lidar com a solidão. Num sentido muito real, o cigarro se torna um companheiro. Alguns fumantes sentem que fumar os estimula a serem criativos. Ainda, outros fumam mais quando estão contentes ou se divertindo. Para eles, o cigarro parece estender o prazer. Muitos fumantes estão condicionados a fumar sempre que tomam café. Inicialmente, você começou apenas acendendo um cigarro após o seu café, porque parecia um momento apropriado ou porque era uma atividade social comum. Depois de algumas repetições, no entanto, a associação entre tomar café e fumar se tornou mais frequente, de forma que, agora, cada vez que você pega uma xícara de café, tem desejo de fumar. Para a maioria dos fumantes, existem muitas associações como essa. Outras associações comuns são entre fumar e consumir bebidas alcoólicas, fumar e falar ao telefone, fumar e escrever um relatório, fumar e assistir à televisão, fumar depois de comer. Existem dois métodos para deixar de fumar: parada abrupta e parada gradual. Foi dito aos participantes que a maioria das pessoas que conseguiram se tornar ex- fumantes parou abruptamente, mas que tanto o método abrupto quanto o gradual são bons. Defina-as como: 1. Parada abrupta significa parar de fumar de uma hora para outra, cessando totalmente o uso de cigarro. Por exemplo, você fuma normalmente dois maços de cigarros por dia hoje e nenhum amanhã. 2. Parada gradual é aquela em que o fumante escolhe parar de fumar em alguns dias Temos também a redução que significa que a pessoa conta os cigarros e fuma um número menor, predeterminado, a cada dia. Por exemplo, um fumante de 30 cigarros por dia pode decidir reduzir o número de cigarros em cinco a cada dia, por seis dias, até a data escolhida por ele para 46 deixar de fumar. No primeiro dia desse período, ele pode fumar seus 30 cigarros usuais; no segundo dia 25; no terceiro 20; no quarto 15; no quinto 10; e no sexto 5. O dia seguinte (o sétimo dia) seria a data para deixar de fumar e o primeiro dia sem cigarros. Aconselhamos os participantes a terem em mente que diminuir apenas um cigarro por dia é insuficiente, a menos que já fumem pouco. Também explicamos aos usuários sobre o adiamento, que significa que a pessoa adia à hora na qual começa a fumar por um número de horas predeterminado a cada dia. Uma vez que comece a fumar cada dia mais tarde, não há necessidade de contar cigarros nem de se preocupar em reduzir o número a ser fumado. Por exemplo, o fumante pode decidir adiar por duas horas, a cada dia, a hora na qual começa a fumar durante um período de seis dias, até a data por ele escolhida para deixar de fumar. No primeiro dia, ele pode começar a fumar às 9 horas; no segundo dia às 11 horas; no terceiro às 13 horas; no quarto às 15 horas; no quinto às 17 horas; e no sexto às 19 horas. O dia seguinte (o sétimo dia) é a data escolhida para deixar de fumar e o primeiro dia sem cigarros. O método gradual é recomendado para indivíduos que estão especialmente ansiosos a respeito de parar de fumar, pois não têm confiança nas suas chances de sucesso. Perceber que conseguem suportar um menor número de cigarros (redução) ou períodos de tempo maiores sem fumar (adiamento) pode aumentar a sua confiança. No entanto, entre os indivíduos com dependência física da nicotina, parar gradualmente pode resultar em desejo intenso pelo cigarro ainda mais pronunciado do que na interrupção abrupta. Enfatize que, se um participante escolher se preparar para deixar de fumar pelo método gradual, ele deve levar apenas alguns dias nesse método. Diminuir o número de cigarros por um período de tempo mais longo, tal como várias semanas, pode ser contraproducente; geralmente indica que o fumante ainda não está suficientemente motivado para deixar de fumar. Assim, diminuir o número de cigarros pode se tornar uma maneira de protelar mais do que uma forma de se preparar para deixar de fumar. Além disso, abster-se do cigarro lentamente faz com que os sintomas de abstinência persistam por um período de tempo mais longo, propiciando maior risco de recaída. Foi perguntado a cada participante qual a data que escolheu para deixar de fumar. Pergunte quem usou o método da parada abrupta e quem está usando um 47 dos métodos graduais. Parabenize os que já tenham parado de fumar, utilizando algum tempo para saber como estão se sentindo e para responder às perguntas que tenham sobre suas experiências desde que pararam de fumar. Cumprimente também os participantes que não pararam ainda, porém que tenham superado alguma situação que esperava ser difícil. Peça um retorno de todos sobre o teste Aspectos do Tabagismo, incluído no Manual do Participante. 8.1 RESULTADOS O assistente tem um papel importante no tratamento do tabagismo, dentre estes que foram realizados obtivemos alguns resultados. A princípio foi realizado acolhimento e abertura de prontuário individual, em uma sala preparada e reservada para que o usuário pudesse sentir-se a vontade para se expressar e colocar suas duvidas, dentro deste contexto, obtivemos ótimos resultados, tendo vários depoimentos por parte de usuários que se sentiam gratos por ter o apoio e incentivo e que sentiam – se encorajados e confiantes de conseguis êxito em parar de fumar. Foi por meio de uma abordagem humanizada de escuta qualificada e sensível que recebíamos agrados como um vazo de flor que o usuário tinha em casa, sem ter condições financeiras que veio ao programa nos presentear com este simbólico, mas de grande valor, que nos incentivava a continuar com nosso trabalho junto a comunidade tabagista. O tabagismo é uma doença crônica gerada pela dependência à nicotina, droga presente nos derivados de tabaco que muitos usuários tinham constrangimento em falar em publico, em seu relato o senhor X nos colocou que sua filha não o deixava aproximar-se de seu neto sem lavar as mãos ou tomar banho, depois do tratamento concluído, o usuário foi pessoalmente agradecer a equipe, por ter parado de fumar. O grupo de controle de tabagismo era famoso pelo atendimento humanizado e acolhedor em Alvorada. Foi realizado leituras dos manuais, que aconteciam em dois dias, sempre perguntando como cada um estava se sentindo, os usuários eram orientados a diminuir a quantidade de cigarro um a cada semana, se preparando para a parada. 48 Eram orientados também a escolher um dia para parar, poderia ser um dia comemorativo ou uma data importante, teve usuários que tinham um caderno onde colocava como estava se sentindo no dia. Tivemos usuários que se sentiam frustrados com a recaída, e recebiam a orientação de que as recaídas faziam parte do tratamento, esta situação os fortalecia mostrando onde erraram, os fortalecendo para nova batalha a favor da saúde. Parar de fumar, é fundamental compreender que o cigarro faz parte da vida do usuário e que é muito difícil, tivemos uma moça que nos ligou chorando muito, relatando que sentia falta de alguma coisa mas não sabia o que era, orientamos que algumas pessoas tem no cigarro um companheiro de anos, que lhe fazia companhia nos momentos mais difíceis e este momento de parada teria o sentimento de perda, a usuária foi encaminhada para uma consulta com a psicóloga do setor, obtendo sucesso na parada do tabaco. Outro relato foi de um usuário que tendo feito a retirada de parte do intestino devido ao surgimento de câncer e com colostomia, foi acolhido pela equipe, foi feito acolhimento e escuta sensível, concluído o processo de parada obtendo vitória sobre o tabaco, veio ao setor nos abraçando a todos e com grande alegria em seu semblante, relatou ter tirado a colostomia e que tinha parado de fumar, o nosso sentimento foi de dever cumprido e que estávamos no caminho certo, nosso trabalho modifica vidas. Os planos para elaborar uma abordagem para a conclusão de curso foi reunir um grupo de desistentes que não teriam chegado nem ao menos à consulta, mas encontramos resistência por parte dos usuários, devido a pandemia, devido este à este motivo foi criado a modalidade de grupos de whatsApp, onde muitos gostaram devido a praticidade de comunicação entre componentes do setor e usuários, quando agendado o grupo, compareceram somente duas senhoras onde concluímos a reunião juntamente com a assistente social e estagiaria. Entramos em contato com mais usuários, mas não obtivemos resultados, porem, devemos destacar que a vitória mais importante neste período de estagio foi ver que muitos dos usuários saiam mais confiantes para vencer o tabaco, 70% conseguem parar, a alegria da vitória não era somente por parar de fumar, mas sim pelas dificuldades vencidas, pela superação de cada um e vitória da saúde. 49 CONCLUSÃO O trabalho exposto representa o encerramento de uma etapa de formação em Serviço Social, na qual foi possível compreender os aspectos da realidade e seus movimentos, bem como identificar as contradições que a permeiam. Representa também a oportunidade de compartilhar o conhecimento produzido, principalmente sobre a experiência acadêmica, vivenciada durante o processo de formação, contribuindo para o avanço do saber acerca da temática abordada. Buscou-se apresentar elementos que marcaram a trajetória do fenômeno do consumo do tabaco, na realidade o tabaco existe na sociedade há milhares de anos, porém, o que se reconfigura e o que ganha destaque são as novas formas de consumo e suas funções contraditórias nas sociedades. Enfatiza-se que o tabagismo influencia e traz impactos à sociedade, visto que gera acumulação de capital para as indústrias, assim como causam efeitos nocivos na saúde da população, aumentando os gastos do sistema público de saúde. Em razão do conhecimento dos impactos do tabagismo, droga lícita, vem sendo aumentada a tributação sobre as indústrias que produzem o tabaco, buscando-se, contraditoriamente, a erradicação desse hábito no país, por meio dos serviços de saúde. A intervenção ocorreu com acolhimento humanizado, questionário conforme protocolo do setor e de acordo com o que é indicado pelo INCA, leitura de quatro manuais informativos e educativos, também conforme o regulamento do INCA, encaminhamento para consulta médica com o clinico geral e encaminhamento para grupos de WhatsApp. Uma das abordagens utilizadas foi a entrevista e abertura de prontuário; a entrevista trata de um encontro entre assistente social e usuário, possibilitando um processo de desconstrução, construção e reconstrução da problemática vivenciada pelos usuários (WUNSCH e FELIZARDO, 2003, p.13). Uma entrevista adequada deve começar com acolhimento do usuário e não com o problema que o traz até o assistente social. Isso valoriza e fortalece o individuo que procura o profissional, reforçando sua auto estima e sua confiança de que possui os recursos necessários para vencer a problemática apresentada. Conforme Benjamim (1969, p56) afirma que para se faça uma boa entrevista é necessário tomar cuidados com fatores externos e de atmosfera, como a preparação da sala e o cuidado com as interrupções, bem como com fatores internos do 50 entrevistador, a exemplo trazer-se a si mesmo e ter desejo de ajudar, conhecer a si mesmo, confiar nas próprias idéias e ser honesto, ouvir e absorver. E juntamente da entrevista, a escuta; inicialmente, o ato de ―parar para ouvir‖ significa atender ao desejo do usuário: ser ouvido. Ao longo da história do Serviço Social como profissão e como área de construção de conhecimento teórico- metodológico e técnico operacional, a escuta do usuário aparece como prática no relacionamento, passando inicialmente pela afetividade, mas que, no avanço do debate, adentra ao campo da mediação e passa a incluir a totalidade das relações sociais, na qual estão envolvidas dimensões políticas e problematizadoras. (CHUPEL e MIOTO, 2010). Durante os acolhimentos e escuta sensíveis realizados, no Programa de Tratamento, foi possível acompanhar e avaliar o processo individual e o caminho percorrido para atingir o objetivo dos sujeitos, que era parar de fumar, acompanhamento em relação à manutenção do tratamento. Na perspectiva da promoção de saúde, foi possível perceber que os usuários através do programa, compreenderam o tabagismo enquanto doença e como a dependência do tabaco é passível de tratamento. Considera-se, portanto, que a formação em Serviço Social proporcionou a superação das impressões superficiais da realidade, estimulando a buscar a essência das relações que se constituem na sociedade capitalista que, através dos tensionamentos entre o capital e o trabalho, produz e reproduz expressões da questão social. A ampliação da visão de mundo, sociedade ser humano, possibilitou a acadêmica o desvendamento das contradições presentes na realidade, bem como ―plantou‖ a inquietude em investigar e analisar possibilidades de transformação dessa realidade contraditória, através de ações norteadas pelo projeto ético-político da profissão. O processo de formação, portanto, agregou importantes contribuições não só sob o ponto de vista acadêmico, mas pessoalmente, ao transformar as percepções da acadêmica enquanto sujeito integrante da realidade, possibilitando o desenvolvimento de uma visão crítica sobre as possibilidades de atuação e o exercício de cidadania, dentro do contexto econômico e social vigente. O hábito de fumar traz muitos malefícios a saúde dos pacientes tabagistas, o que representa um prejuízo financeiro de grande importância ao poder público e enorme problema na saúde, sendo que um número elevado de enfermidades 51 crônicas e respiratórias, câncer e outros, são consequência do uso do tabaco. Esse índice é bem elevado, mas pode ser evitado com programas de prevenção e ações simples de baixo custo e dessa forma diminuir a prevalência de doenças e patologias relacionadas ao tabagismo e consequentemente melhorando a qualidade de vida dessa população. Diante dos problemas mencionados é importante é importante aumentar a adesão de usuários no PCNT no município de Alvorada/RS, intensificar a abordagem do usuário, bem como de seus familiares, redirecionando estratégias de educação em saúde, através de profissionais capacitados e envolvidos em ações de saúde, levando a população uma melhor qualidade de vida e cessão do tabagismo. Os serviços de saúde são fundamentais para atuar no cuidado aos sujeitos dependentes do tabaco, com o objetivo de diminuir a incidência de doenças crônicas não transmissíveis, os diversos tipos de neoplasias associadas ao tabagismo, doenças respiratórias, ósseas e cardiovasculares. É importante destacar que, o trabalho de prevenção à essa dependência química que, em 2003 , passou a ser considerado uma pandemia; e a partir desse momento, obrigou-se restrições ao plantio de tabaco, foram estabelecidas medidas de apoio à cessação deste vício, além de ser requerido uma legislação que garantisse ambientes livres da poluição da fumaça do cigarro; e tendo em vista o crescente aumento do número de tabagistas e consequências disso para a sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do profissional de Serviço Social na saúde, é sumamente importante e necessário. A prática profissional no interior desses espaços da saúde, torna-se um objeto de estudo valioso para a construção e localização do trabalho desenvolvido pela categoria, no caso específico do Programa de Controle do Tabagismo, a atuação do assistente social se insere em uma equipe multidisciplinar, onde o enfrentamento entre os saberes profissionais se fazem presente cotidianamente. Inseridos nestas equipes multidisciplinares, o trabalho do profissional de Serviço Social perpassa também pelo trabalho de prevenção, pois esta atuação na área da prevenção é inerente ao exercício da profissão. Entendemos que a melhor maneira de superar a ocorrência de situações de dependência do tabaco é através de ações permanentes e regulares envolvendo a participação de indivíduos, família, e grupos, motivações, atitudes e ações a partir de 52 uma construção coletiva de novos propósitos que possam conjugar esforço e políticas públicas. Nestas ações, verifica-se o elo existente entre a humanização com a proposta da Reforma Sanitária Brasileira, bem como os princípios norteadores do Sistema Único de Saúde. Compreende-se que, para enfrentar o tabagismo requer um esforço multidisciplinar, onde o assistente social possa realizar suas ações interventivas dentro de suas competências e atribuições, onde socializa o indivíduo, articula a intersetoriedade da rede e instiga a comunidade a melhorar a qualidade de vida. 53 REFERENCIAS ............Lei n° 10. 167 de 27 de dezembro de 2000. Altera dispositivos de Lei n° 9. 294, de 15 de julho de 1996 que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos. Bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas. Presidência da República, 2000. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10167.htm Acesso em 02/12/2022.Educação. São Paulo, 2009. ALCÂNTARA, Luciana da Silva; VIEIRA, João Marcos Weguelin, Serviço Social e Humanização na Saúde: limites e possibilidades. In; textos & contextos, Porto – Alegre. V.12, n°2, jul/dez. 2013. BENJAMIN, A. A entrevista de ajuda. São Paulo, Livraria Martins Fontes Ltda., 1969. BRASIL, Ministério da Saúde, Secretaria Executiva, Coordenação Nacional de DST/AIDS. A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e drogas. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. BRASIL, Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Consenso sobre Abordagem e Tratamento do Fumante, 1993. BRASIL. Instituto Nacional do Câncer. Ministério da Saúde. Dados e Números de Prevalência do Tabagismo, 2022. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do- tabaco/dados-e-numeros-prevalencia-tabagismo BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). Humaniza SUS: Documentos base para gestores e trabalhadores do SUS. Ed 3. Brasília, 2006. BRAVO, Maria Inês de Souza. Serviço Social e Reforma Sanitária: Lutas Sociais Profissionais e Práticas. São Paulo, p.10 Cortez, 2004. BRAVO, Maria Inês de Souza. Serviço Social e Reforma Sanitária: Lutas Sociais e P ráticas Profissionais. São Paulo. Cortez, 1996; _____________ Projeto ÉticoPolítico do Serviço Social e sua Relação com a Reforma Sanitária: elementos para debate. In: MOTA, Ana Elizabete et al (orgs.). S erviço Social e Saúde: formação e trabalho profissional. São Paulo: OPAS, OMS, Mi nistério da Saúde, 2006; Disponível em : http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/ceJ472Fic4P2HK6fVV92.pdf. Acessado em 20/04/2023 CAVALCANTE, T, M. O controle do tabagismo no Brasil: avanços e desafios. Rev. Psiq. Clín. 32(5): 283, 2005. CAVALCANTE, Tânia, M. Quais os indicadores epidemiológicos do tabagismo no Brasil e no mundo? Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. São Paulo: AC Farmacêutica P. 122, 2010. http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/ceJ472Fic4P2HK6fVV92.pdf 54 CFESS, Conselho Federal de Serviço Social. Parâmetros para a atuação de Assistentes Sociais na Política de Saúde. Brasília, 2010. Disponível em: http://www.cfess.org.br/arquivos/Parametros_para_a_Atuaçao_de_Assistent _Social CFESS. Código de Ética do assistente social, 1993. Ed.9 ver. E atual. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 2011. CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Código de Ética Profissional do Assistente Social e Lei 8662/93, que regulamenta a profissão de assistente social, 1993. COSTA, M, D, H. nos O trabalho serviços de saúde e a intervenção dos (as) assistentes sociais. Revista Serviço Social e Sociedade. São Paulo, n 62, p. 234, 2006. COSTA, Maria Dalva Horácio. Serviço Social e intersetorialidade: a contribuição dos assistentes sociais na construção da intersetorialidade no cotidiano do Sistema Único de Saúde. Recife. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Pernambuco, CCSA. Serviço Social, p.234, 2006. CHUPEL. Claudia R.; MIOTO, Regina Célia T. Acolhimento e serviço social: contribuição para a discussão das ações profissionais no campo da saúde. In: Revista Serviço Social & Saúde. Campinas: UNICAMP, v. IX, n. 10, dez. 2010. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975 FIGUEIREDO, V, C. Um panorama do tabagismo nas 16 capitais brasileiras e Distrito Federal: tendências e heterogeneidades [tese]. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 2007. GESCOLA. Rio de Janeiro: INCA, 2011. Pesquisado em 27/03/23 GUERRA, Yolanda. ―Ontologia do ser social: bases para a formação profissional‖ In: Revista Serviço Social e Sociedade n.54. São Paulo: Cortez, 1997. GUERRA, Y. A dimensão técnico-operativa do exercício profissional. In: SANTOS, C. M.; BACKX, S.; GUERRA, Y. (Orgs.). A dimensão técnicooperativa no Serviço Social: desafios contemporâneos. 2. ed. Juiz de Fora: UFJF, 2013a. p. 45-74. IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: dimensões históricas, teóricas e ético-políticas. Fortaleza, CRESS –CE, Debate n. 6, 1997 IAMAMOTO, M. Relações sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. Ed.2. São Paulo: Cortez, 1986. IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social na Contemporaniedade: trabalho e formação profissional. 3 ed. São Paulo. Cortez, 2013. IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2008). Pesquisa especial para controle do tabaco. Tendências na prevalência do uso do tabaco- 2000-2025, 4° ed.2008 INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Vigilância de Tabagismo em Escolares. Realizado no Brasil, entre 2002 e 2009. http://www.cfess.org.br/arquivos/Parametros_para_a_Atua�ao_de_Assistent 55 Disponivel em : http://www.uel.br/cesa/sersocial/pages/arquivos/GUERRA%20Yolanda.%20A%20. Manual básico de saúde pública : um guia prático para conhecer e garantir seus direitos / Adelmo Pinho [et al.]. – Penápolis :Edição dos autores, 2012 <http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Cartilhas/manual_basico_saude_publica. pdf>. Acesso em: 22/03/2023. Marcomim, Ivana Instrumental técnico-operativo do serviço social: livro didático / Ivana Marcomim, Walery Luci da Silva Maciel; design instrucional Marina Melhado Gomes da Silva . – Palhoça: UnisulVirtual, 2016. Disponível em : https://www.uaberta.unisul.br/repositorio/recurso/14690/pdf/instrumental_tecnico_o perativo_ss.pdf( pesquisado em (08/04/23) MATOS, Maurílio Castro. Assistente Social: Trabalhador(a) da Área da Saúde. Reflexões a Partir do Debate Brasileiro. In: Interacções nº 17. p. 4563. 2009; MINISTÉRIO DA SAÚDE (2001). Abordagem e tratamento do fumante: CONSENSO. Disponível via URL: www.inca.gov.br/tabagismo/parar/consenso.htm pesquisado em 01/11/22- MINISTERIO DA SAUDE https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e- prevencao-do-cancer/tabagismo/ pesquisado em 23/03/23 MIOTO, Regina Célia Tomaso. NOGUEIRA, Vera Maria Ribeiro. Desafios Atuais do Sistema Único de Saúde – SUS e as experiências para os Assistentes Sociais. In: Serviço Social e Saúde: Formação e Trabalho Profissional. São Paulo. OPAS. OMS, Ministério da Saúde. MIOTO, Regina Celia, T. Serviço Social e Saúde – desafios intelectuais e operativos— reforma sanitária e do projeto ético-político da profissão. Dessa forma, o debate sobre as competências e ações profissionais no https://periodicos.unb.br/index.php/SER_Social/article/download/12733/11135/23012 MOREIRA, Carlos Felipe Nunes. O trabalho com grupos em Serviço Social: A dinâmica de grupo como estratégia para reflexão crítica. São Paulo. Cortez, 2010 MOTA, A, E; AMARAL, A, S. O novo desenvolvimento e as políticas sociais na América Latina (Org.) As ideologias da contra reforma e o serviço social. Recife: UFPE, 2007 MOTA, A. E. As dimensões ético-políticas e teórico-metodológicas no Serviço Social Contemporâneo. In: MOTA, Ana Elizabete (Org.) Serviço Social e Saúde: Formação e Trabalho Profissional. São Paulo. OPAS, Ministério da Saúde, 2006. NETTO, J, P. Transformações societárias e Serviço Social: notas para uma análise perspectiva da profissão no Brasil. Revista Serviço Social e Sociedade. São Paulo, n 50, p, 87, 1996. https://www.uaberta.unisul.br/repositorio/recurso/14690/pdf/instrumental_tecnico_operativo_ss.pdf https://www.uaberta.unisul.br/repositorio/recurso/14690/pdf/instrumental_tecnico_operativo_ss.pdf http://www.inca.gov.br/tabagismo/parar/consenso.htm%20pesquisado%20em%2001/11/22 http://www.inca.gov.br/tabagismo/parar/consenso.htm%20pesquisado%20em%2001/11/22 http://www.inca.gov.br/tabagismo/parar/consenso.htm%20pesquisado%20em%2001/11/22 https://periodicos.unb.br/index.php/SER_Social/article/download/12733/11135/23012 56 OMS, Organização Mundial da Saúde. Código de Práticas para Organizações de Profissionais de Saúde para o Controle do Tabagismo. Reunião informal da OMS das Organizações do Profissional de Saúde e Controle do Tabagismo. Genebra, 2004 Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/04bedf0047eb054b8a67cf9ba9e4feat/Cod igo_de_praticas_saude.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=04bedf0047eb054b8a 67cf9ba9e4feaf. Acesso em 02/11/2022 PINHO. Adelmo et al. Manual Básico de Saúde Pública: Um guia prático para conhecer e garantir seus direitos. Penápolis: UNESP, 2012. 70 p. Disponível em: Política Nacional de Humanização – Humaniza SUS https://www.gov.br/saude/pt- br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/humanizasus RAICHELIS, Raquel. O assistente social como trabalhador assalariado: desafios frente às violações de seus direitos. Serv. Soc. Soc. São Paulo, n107, p.3, 2009. RIOS, I, C. Caminhada da Humanização na Saúde: prática e reflexão, São Paulo. Áurea, 2009. SILVA, M, O da. O Serviço Social e o popular: resgate teórico metodológico do projeto profissional de ruptura. Ed. 2. São Paulo. Cortez, 2002. SILVA, Talita Souza. A atuação do assistente social na saúde. Revista Eletrônica da Univar. N°10, vl2, agosto 2013. SILVA, Maria Ozanira da Silva e (orgs.). O serviço Social e o popular: resgate teóricometodológico do projeto profissional de ruptura. 2. Ed. São Paulo. Cortez, 2002; SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS e as experiências para os Assistentes Sociais. In: Serviço Social e Saúde: Formação e Trabalho Profissional. São Paulo. OPAS. OMS, Ministério da Saúde. SPINK, M, J, P. LISBOA, M, S; RIBEIRO, F, R, G. A construção do tabagismo como problema de saúde pública: uma confluência entre interesses políticos e processos de legitimação científica. In: Interface – Comunicação, Saúde e TEIXEIRA, Luís Antônio; JAQUES, Tiago Alves. Legislação e controle do Tabaco no Brasil entre o final do século XX e início do século XXI. Revista bras. De cancerologia, v. 57 (3). Rio de Janeiro. Brasil TORREIRO de C. Jandira. O tabagismo visto sob vários aspectos. Bol. Pneumol. Sanit. Rio de Janeiro, v.8, n°1, p.69, jun.2000. TRINDADE, Rosa Lúcia Prédes. Ações profissionais, procedimentos e instrumentos no trabalho dos assistentes sociais nas políticas sociais. In: SANTOS, Cláudia Mônica dos, BACKX, Sheila e GUERRA, Yolanda. A Dimensão técnico-operativa no Serviço Social: desafios contemporâneos. Juiz de Fora, CAPES/Editora UFRJ, 2012, p. 75-104. VASCONCELOS, Ana Maria. A prática do Serviço Social: cotidiano, formação e alternativas na área da saúde. 6º Ed, p. 26. São Paulo: Cortez. 2004 57 VILLA, Marcelo, E. Coca y cocaína: aspectos farmacotoxicológicos. In: TOUZÉ, Garaziela. Saberes y prácticas sobre drogas. Buenos Aires: Intecâmbios Asociación Civil: Ferderación Internacional de Universidades Católicas, 2006. WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Tobacco – Key facts. 2018. Disponível em: https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/tobacco. Acesso em 02/12/2022. WUNSCH FILHO, Victor et al. Tabagismo e Câncer no Brasil: evidências e perspectivas. Rev. Bras. Epidemiologia. São Paulo, v.13. n°2, p. 175-187. Jun 2010. https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/tobacco.%20Acesso%20em%2002/12/2022 https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/tobacco.%20Acesso%20em%2002/12/2022