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Centro Universitário Leonardo da Vinci 
Curso Bacharelado em Serviço Social 
Centro Universitário Leonardo da Vinci 
Curso Bacharelado em Serviço Social 
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Curso Bacharelado em Serviço Social 
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Curso Bacharelado em Serviço Social 
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12 Centro Universitário Leonardo da Vinci 
 
 Janaina dos Santos 
 
(SES1659) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SERVIÇO SOCIAL NA ÚNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: 
O atendimento humanizado como estratégia de intervenção aos usuários 
tabagistas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ALVORADA 
 2023 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JANAINA DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SERVIÇO SOCIAL NA ÚNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: 
O atendimento humanizado como estratégia de intervenção aos usuários 
tabagistas 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
disciplina de TCC – do Curso de Serviço Social – 
do Centro Universitário Leonardo da Vinci – 
UNIASSELVI, como exigência parcial para a 
obtenção do título de Bacharel em Serviço 
Social. 
 
Nome do Tutor – Prof. Dr. Luis Paulo Arena 
 
 
 
 
 
 
 
ALVORADA 
 2023 
 
 
 
 
 
 
SERVIÇO SOCIAL NA ÚNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: 
O atendimento humanizado como estratégia de intervenção aos usuários 
tabagistas 
 
 
 
 
POR 
 
 
 
JANAINA DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso aprovado do 
grau de Bacharel em Serviço Social, sendo-lhe 
atribuída à nota ―______‖ 
(_____________________________), pela 
banca examinadora formada por: 
 
 
 
 
 ___________________________________________ 
Presidente: Prof. Dr Luis Paulo Arena Alves – Orientador Local 
 
 
 
 
 ____________________________________________ 
Membro: XXXXXXXXXXXXX - Supervisor de Campo 
 
 
 
 
 ____________________________________________ 
Membro: XXXXXXXXXXXXX - Profissional da área 
 
 
 
ALVORADA 
2023 
 
DEDICATÓRIA 
 Dedico a você, Rafael, meu filho, AMOR DA MINHA VIDA. 
 Quero que tenha em mim, eterna amizade e amor incondicional. 
 Por você voltei a sonhar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Á Deus, em primeiro lugar, a minha família pelo apoio e paciência nos 
momentos difíceis. 
Ao meu marido, que sempre esteve ao meu lado e que não deixou com que 
eu desistisse de realizar o sonho de concluir meus estudos. 
Ao querido tutor, Luiz Paulo Arena, que sempre com atenção e paciência se 
dedicou a nos transmitir seu conhecimento. 
À minha coordenadora de estágio de campo, Stela Dimitrof, pelas correções e 
ensinamentos. 
Agradeço ao meu pai e minha madrasta d. Maria do Carmo, se não fossem 
vocês, não teria chegado onde estou. 
 Aos meus colegas de estagio e turma, onde juntos superamos conflitos e 
obtivemos apoio emocional e acadêmico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ―Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena 
acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos 
nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém. 
Confie em si mesmo, quem acredita sempre alcança‘‘ 
(Renato Russo) 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
O tabagismo é um sério problema de saúde pública, visto que, compromete o estado 
físico e mental das pessoas, além de prejudicar o desenvolvimento econômico, 
social, educacional e ambiental. Dê acordo com a Organização Mundial de Saúde 
(OMS), aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 
milhões dessas mortes resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 
milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo. Na Unidade de 
Saúde PAM 8, município de Alvorada/RS, porta de entrada dos pacientes do SUS, é 
desenvolvido o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Sendo importante 
destacar, que, o trabalho de prevenção essa dependência química, e tendo em 
vista, o número de tabagistas e consequências disso para a sociedade, refletir sobre 
estratégias e possibilidades de atuação do profissional de Serviço Social é 
sumamente ‗importante e necessário já que, trata-se de um olhar ampliado dos 
usuários do Serviço Social de saúde, atendendo-os na sua integralidade e totalidade 
e respeitando-os enquanto cidadãos, capazes de serem sujeitos da transformação 
de sua própria história e interpretadores da sua situação de saúde-doença. Este 
Trabalho de Conclusão de Curso consiste em apresentar o Serviço Social e o 
exercício profissional das assistentes sociais no Programa de Controle do 
Tabagismo, pontos de concordância, da humanização nos atendimentos, 
caracterização da prática e particularidades destes profissionais do Serviço Social 
nestes espaços. Discutir a atuação do assistente social nesse embate contra o 
tabagismo na perspectiva da prevenção é uma iniciativa de defesa da saúde 
buscando a superação das ações eminentemente recuperadoras e curativas. Neste 
sentido, trazem reflexões e contribuições acerca do Serviço Social no enfrentamento 
ao tabagismo, tendo a perspectiva da prevenção como grande desafio, uma vez que 
socializa, insere indivíduos e famílias com articulação intersetorial das políticas 
sociais e da rede de serviços na perspectiva de qualidade de vida. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Tabagismo, humanização, assistente social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTAS DE SIGLAS 
 
CF- Conselho Federal 
CFESS- Conselho Federal de Serviço Social 
CNCT- Comissão Nacional Combate ao Tabagismo 
CONICQ- Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro 
CQCT – Convenção Quadro de Controle ao Tabagismo 
DPOC- Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica 
ECA- Enzima Conversora de Angiotensina 
EUA- Estados Unidos da America 
ILPIs- Instituições de Longa Permanência para Idosos 
INCA – Instituto Nacional do Câncer 
MAS- Associação Metropolitana de Serviços 
OMS – Organização Mundial da Saúde 
ONI- Orgão Negociador Intergovernamental 
PNCT – Programa Nacional de Controle do Tabagismo 
PNMAQ- Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção 
Básica 
SARS- Síndrome respiratória aguda grave 
SAS- Secretaria de Atenção a saúde 
SIN- Sistema Nervoso Central 
SUS – Sistema Único de Saúde 
UTI- Unidade de Terapia Intensiva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9 
2 APRESENTAÇÃO DO TEMA ................................................................................ 14 
2.1 O TABAGISMO EM RELAÇÃO DO COVID – 19 ................................................ 16 
3 O SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE ......................................................................... 19 
3.1 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ÁREA DA SAÚDE ........................ 21 
3.2 O ATENDIMENTO HUMANIZADO E SUA IMPORTÂNCIA NA ÁREA DA SAÚDE
 .................................................................................................................................. 26 
3.3 PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DO TABAGISMO (PNCT) ................ 29 
3.3.1 CONVENÇÃO QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO (CQCT) ........... 31 
4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA E A RELAÇÃO COM A QUESTÃO SOCIAL .. 33 
5 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................... 36 
6 OBJETIVOS ........................................................................................................... 37 
6.1 OBJETIVO GERAL .............................................................................................
37 
6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 37 
7 O PROCESSO METODOLÓGICO DE INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL 
JUNTO Á USUÁRIOS TABAGISTAS ...................................................................... 38 
8 ANALISE DE DADOS DA PESQUISA .................................................................. 42 
8.1 RESULTADOS .................................................................................................... 47 
CONCLUSÃO ........................................................................................................... 49 
REFERENCIAS ......................................................................................................... 53 
9 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 O trabalho de conclusão do curso objetiva-se sistematizar os conhecimentos 
em suas dimensões teórico-práticas, apreendidas durante o processo de formação. 
 Por meio desse estudo, busca-se compartilhar a experiência vivenciada pela 
acadêmica, durante sua formação profissional e, em especial durante o 
desenvolvimento do estágio curricular obrigatório em Serviço Social, junto aos 
usuários tabagistas. Esse processo se realizou na Unidade de Saúde PAM 8, 
município de Alvorada/RS. 
 Neste trabalho busca-se compreender a contradição que envolve a produção 
de tabaco no Brasil versus a proibição. A inserção da acadêmica se deu no 
Programa de Combate ao Tabagismo desenvolvido pela unidade de saúde, o qual 
possibilitou à convivência com os usuários tabagista. Por meio da inserção no 
espaço da unidade básica, foi possível compreender a atuação do assistente social 
na Política de Saúde, bem como no tratamento humanizado do usuário dependente 
químico. O Serviço Social intervém nessa perspectiva por meio do conceito ampliado 
de saúde, ao reconhecer os determinantes sociais que se encontram no processo 
saúde-doença, e que envolvem a vida dos usuários desse serviço. Procura-se ainda 
através desse trabalho, contribuir para dar visibilidade ao processo de usuários 
dependentes químicos de drogas lícitas, e sua constituição enquanto expressão da 
questão social. 
 Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, utiliza-se o termo ―droga‖ 
para definir qualquer substância não produzida pelo organismo, e, que possui a 
propriedade de agir sobre um ou mais de seus sistemas acusando alterações em 
seu funcionamento (OMS, 1981). O uso do álcool, tabaco e outras drogas 
psicoativas ou psicotrópicas, alteram o comportamento, a cognição e o humor, 
incidindo, assim, no Sistema Nervoso Central – SNC. 
 Na sociedade o consumo de drogas pode ser classificado por vários critérios, 
porém, o mais expressivo refere-se a sua legalidade. De acordo com Vila (2006), as 
drogas são classificadas como ilícitas (ilegais) e lícitas (legais). As drogas ilícitas 
referem-se àquelas as quais o consumo, a comercialização e a produção não são 
permitidas pela lei, como a maconha, a cocaína, o crack, entre outras. Nesse 
10 
 
 
 
sentido, compreende-se que aqueles que realizarem o consumo, produção ou 
comercialização de drogas ilícitas, estarão sujeitos a penalidades previstas em lei. 
As drogas lícitas, ao contrário das ilícitas, são àquelas as quais é permitido, por lei, o 
consumo, venda e a produção. Salienta-se que as drogas lícitas, tais como o álcool 
e o tabaco, possuem efeitos nocivos à saúde e também podem levar à dependência 
(VILLA, 2006). 
 O tabagismo é um sério problema de saúde pública, visto que, compromete o 
estado físico e mental das pessoas, além de prejudicar o desenvolvimento 
econômico, social, educacional e ambiental. Dê acordo com a Organização Mundial 
de Saúde (OMS), 5,4 milhões de óbitos por ano são causados por câncer de 
pulmão, doenças cardiovasculares e outras caudas associadas ao tabagismo, sendo 
o mesmo, o maior causador de mortes previsíveis. A tarefa de deter os avanços do 
hábito de fumar está hoje entre os maiores desafios da saúde pública mundial. A 
redução global do consumo do tabaco deve - se em parte, ao Programa Nacional de 
Controle do Tabagismo, considerado como um dos mais abrangentes entre os 
países em desenvolvimento e cujo foco está voltado para a proibição da 
propaganda, restrições ao fumo em ambientes fechados de uso coletivo, entre 
outras. 
O uso do tabaco continua a aumentar globalmente, em virtude do crescimento 
do consumo em países em desenvolvimento, apesar de todo conhecimento científico 
sobre o tabagismo como fator de risco de doenças crônicas não transmissíveis e 
sobre a sua própria condição de doença ligada à dependência da nicotina 
(CAVALCANTE, 2005). A quase totalidade dos fumantes adquiriu o hábito de fumar 
durante a adolescência. Sabe-se ainda que, devido ao uso regular e contínuo do 
cigarro, os jovens fumantes têm alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes. 
A tarefa de deter os avanços do hábito de fumar está hoje entre os maiores 
desafios da saúde pública mundial. Várias medidas legislativas e econômicas 
relacionadas ao controle têm sido implantadas no Brasil desde o ano de 1986 
(FIGUEIREDO, 2007). O tabagismo associa-se com enormes custos sociais e 
econômicos originários do aumento da morbidade e mortalidade prematuras do 
mundo, relacionadas com o fumo. Eles incluem custos gerados pelos fumantes (uso 
de recursos da saúde, ausência no trabalho, perda da produtividade, pagamento do 
auxílio doença). 
11 
 
 
 
 O presente trabalho apresenta o Serviço Social e o exercício profissional das 
assistentes sociais no Programa de Controle do Tabagismo, pontos de 
concordância, caracterização da prática e particularidades destes profissionais do 
Serviço Social nestes espaços e na equipe multidisciplinar. Discutir a atuação do 
assistente social, na busca do atendimento humanizado, e, nesse embate contra o 
tabagismo na perspectiva da prevenção é uma iniciativa de defesa da saúde 
buscando a superação das ações eminentemente recuperadoras e curativas. 
 Apesar dos avanços, vários desafios ainda permanecem; como limitar o 
acesso ao consumo, reduzir as desigualdades no alcance da efetividade das ações 
nos diferentes níveis socioeconômicos. A Unidade de Saúde PAM 8, é porta de 
entrada dos pacientes do SUS, onde é desenvolvido o Programa Nacional de 
Controle do Tabagismo, sendo importante destacar que, o trabalho de prevenção à 
essa dependência química que, atualmente se apresenta como um problema social 
de saúde pública, e tendo em vista, o número de tabagistas e consequências disso 
para a sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do 
profissional de serviço social é sumamente ‗importante e necessário, uma vez que 
se trata da expressão da questão social e portanto, objeto do Serviço Social. 
 Neste sentido, o trabalho traz reflexões e contribuições acerca do processo de 
trabalho, espaço ocupacional e atuação do assistente social no enfrentamento ao 
tabagismo, tendo a perspectiva da prevenção como grande desafio, uma vez que 
socializa, insere indivíduos e famílias com articulação intersetorial das políticas 
sociais e da rede de serviços na perspectiva de qualidade de vida. 
 Portanto, a cotidianidade no trabalho do Serviço Social na área da saúde, 
deve se mostrar como uma atuação pautada no princípio de liberdade voltado as 
demandas das classes pauperizadas. Dentro de suas ações identifica-se como um 
dos maiores desafios dos assistentes sociais, em relação da sua prática, atender as 
demandas institucionais com base no projeto ético-político da profissão. Este quadro 
se agrava quando há correlação de forças entre categorias profissionais nos 
espaços das equipes interdisciplinares, onde cada profissional buscará estabelecer 
sua área de competência. Cabe, por fim, a este profissional do Serviço Social utilizar 
todo o seu aparato teórico para consolidar sua prática em qualquer área ou 
instituição que atue. 
12 
 
 
 
 Para os assistentes
sociais será reservada, prioritariamente, a relação com os 
segmentos sociais com mais vulnerabilizados pelas sequelas da questão social e 
que buscam, especialmente nas políticas sociais, em seus programas e serviços, 
respostas às suas necessidades mais imediatas e permanentes (RAICHELLIS, 
2009). 
 A prática profissional no interior destes espaços torna-se um objeto de estudo 
valioso para a construção e localização do trabalho desenvolvido pela categoria, no 
caso específico do Programa de Controle do Tabagismo, a atuação dos assistentes 
sociais se insere em uma equipe multidisciplinar, onde os enfrentamentos entre os 
saberes profissionais se fazem presente cotidianamente. Inseridos nestas equipes 
multidisciplinares, o trabalho do profissional de Serviço Social perpassa também pelo 
trabalho de prevenção, pois esta atuação na área da prevenção é inerente ao 
exercício da profissão, entendendo que a melhor maneira de superar a ocorrência de 
situações de dependência do tabaco é através de ações permanentes e regulares 
envolvendo a participação de indivíduos, família, e grupos, motivações, atitudes e 
ações a partir de uma construção coletiva de novos propósitos que possam conjugar 
esforços e políticas públicas em direção a uma vida com mais qualidade. 
 Compreende-se que, para enfrentar o tabagismo requer um esforço 
multidisciplinar, onde o assistente social possa realizar suas ações interventivas 
dentro de suas competências e atribuições, onde socializa o indivíduo, articula a 
intersetoriedade da rede e instiga a comunidade a melhorar a qualidade de vida. 
Com o crescente aumento dos fumantes que buscam o SUS para deixar a 
dependência do tabaco, mais de 100 mil pessoas procuraram, em 2021, tratamento 
no Sistema Único de Saúde, SUS, para deixar de fumar, segundo a Secretaria de 
Vigilância de Saúde, entende-se que o tabagismo é uma doença de múltiplas faces 
que atinge o indivíduo, a família, a sociedade e que o assistente social, atuando nas 
políticas sociais para enfrentamento da questão social tem maior e mais fácil acesso 
às famílias, sobre tudo as menos favorecidas economicamente. Seja na saúde, na 
educação, na moradia, na assistência social, através da sua atuação profissional, 
poderá colaborar na prevenção, auxiliando esses sujeitos no desenvolvimento 
humano em todas as dimensões, pois nas últimas décadas, o tabagismo tornou-se 
um grave problema social e de gastos com a saúde pública. 
13 
 
 
 
Nesta conjuntura, o assistente social, busca compreender os aspectos 
socioeconômicos e culturais que possam interferir no processo saúde-doença, 
destacando a participação do usuário no conhecimento crítico da sua realidade a fim 
de potencializar junto aos sujeitos a construção de estratégias coletivas de 
enfrentamento da realidade. Em sua atuação são trabalhadas as questões 
relacionadas a humanização na saúde, como as expectativas com o tratamento, as 
relações sociais, fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e orientações a 
população atendida. Assim as ações desenvolvidas pela assistente social, da 
Unidade Básica de Saúde PAM 8, são baseadas nos Parâmetros para atuação do 
assistente social na saúde (CFESS, 2010), caracterizando-se em atendimento direto 
aos usuários (ações socioeducativas e interdisciplinar). 
Nestas ações, verifica-se o elo existente entre a humanização com a proposta 
da Reforma Sanitária Brasileira, bem como os princípios norteadores do Sistema 
Único de Saúde. Sabe-se que a Reforma Sanitária Brasileira nasce da defesa de 
valores como a democracia direta, o controle social, a universalização dos direitos, a 
humanização da assistência, tendo como concepção o fato de que o cidadão não é 
cliente, não é usuário, mas é sujeito de direito (BRASIL, 2006). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 
 
2 APRESENTAÇÃO DO TEMA 
 
As primeiras manifestações de tentativa de controle quanto ao uso do tabaco 
no Brasil seguiram duas vertentes: o campo jurídico e o da saúde. Estes dois 
campos são complementares já que legitimam as ações um do outro quando o tema 
é a luta antitabagista. Ambos foram endossados a partir da virada do século XX, 
segundo os novos preceitos de promoção à saúde decorrente produção científica 
que se concentrava em apresentar os malefícios do cigarro à saúde dos tabagistas. 
Os principais embates quanto à organização das concessões e restrições as 
indústrias se deram no campo político. Pode-se afirmar que o tabagismo somente é 
percebido como doença, no momento em que; os custos da área da saúde com 
doenças derivadas do uso do cigarro tornaram-se deveras onerosos. O tabagismo já 
é considerado uma patologia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Por compartilhar com o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas o 
entendimento de que ―O tabagismo contribui para o empobrecimento dos 
indivíduos e de suas famílias porque os consumidores de tabaco têm 
maiores chances de adoecerem, perderem produtividade e renda‖, o 
governo do Brasil incluiu na sua agenda de desenvolvimento ações para 
controle do tabagismo (INCA, 2008, p.6). 
 
Entende-se que o tabagismo se mostra como uma indústria extremamente 
lucrativa e que por sua forte representatividade social, cultural e política apresenta 
sérias dificuldades quanto ao seu enfrentamento. O Instituto Nacional do Câncer 
(INCA, 2008) aponta que cerca de 80% dos usuários de cigarros e outros derivados 
do tabaco estão presentes em países considerados pobres e, em sua maioria sem 
recursos para lidar com os problemas decorrentes de seu uso. Mas não somente os 
tabagistas enfrentam o mal causado pelo cigarro. Aqueles que estão a sua volta, os 
fumantes passivos, apresentam as mesmas mazelas se sua exposição às toxinas for 
cotidiana. 
Além de prejuízos à saúde, o tabaco causa impactos expressivos no 
orçamento doméstico, dado que essa renda poderia ser aplicada para atender a 
outras necessidades mais urgentes na unidade familiar. As evidências disponíveis 
demostram que os indivíduos mais pobres fumam mais e, para este, o dinheiro gasto 
com o tabaco representa um alto custo de oportunidade, deixando de ser investido 
em bens cruciais como alimentação, educação e saúde. 
15 
 
 
 
A chegada do mercado do tabaco no Brasil se deu devido a uma baixa no 
mercado das indústrias de cigarros norte americanos e europeu, que enfrentavam o 
crescimento do movimento antitabagista no último quarto do século XX. 
Para sanar seus problemas financeiros, essas multinacionais enxergaram nos 
países da América Latina um alvo em potencial por serem países populosos, onde o 
controle estatal viria a ser mais difícil. Assim, já nos anos 1980 o Brasil se 
encontraria no auge do consumo de cigarros. 
Nesse processo, houve uma abertura de concorrência interna, quando as 
indústrias brasileiras começaram a produzir cigarros. Mesmo com diversos alertas 
dos malefícios dessa droga, os incentivos fiscais e as ações de marketing sobre o 
uso do cigarro favoreceram o crescimento deste setor. Outro evento que corroborou 
para essa expansão foi diversas disputas ocorridas no campo da saúde, em que a 
medicina preventiva decaia pela falta de incentivos para a sua efetivação. Esse 
cenário somente vem mudar a partir do surgimento do Sistema único de Saúde – 
SUS, na década de 1990. 
Após a ditadura, o movimento antitabagista ganha força dentro do Ministério 
da Saúde que, agora contando com dirigentes advindos da sociedade civil, 
possuíam membros atuantes na luta contra o tabaco. Mesmo com esse avanço a 
falta de aparatos legais foi um problema pontual na implementação de medidas 
contra o cigarro. Assim, o foco maior passou a serem ações de cunho educativo com 
o advindo da Constituição Federal de 1988 (CF 88), o tabaco passou a ter uma 
restrição legal quanto a sua propaganda. No artigo n°220, mais precisamente no 
inciso n°4, a CF 88 sujeita a restrições legais por ser considerada uma substância
nociva à saúde humana. 
Em 1990, segundo Teixeira e Jaques (2011), percebeu-se a necessidade de 
se ter ações que fossem de comum acordo para todos os países em uma tentativa 
de se combater o crescimento exponencial do uso do tabaco. Com essa intenção foi 
convocada pelos países-membros das Nações Unidas uma Assembléia Mundial de 
Saúde (AMS), que previa questões como restrições do acesso de jovens ao tabaco, 
pesquisas sobe o tema, terapias de reposições de nicotina, restrição quanto a 
vinculação de propagandas, entre outras. 
Ainda na década de 1990, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), era um dos 
principais porta vozes do movimento antitabagista do Brasil. Uma das medidas de 
16 
 
 
 
grande importância realizada pelo instituto foi a análise encomendada em 1995, mas 
só divulgada em 1996, a uma instituição canadense que apontou que os níveis de 
produtos tóxicos nos cigarros brasileiros estavam bem acima do permitido. 
Este estudo teve como resposta, somente no ano de 2000, a lei n°10.167, que 
restringiu as propagandas de cigarro apenas para dentro dos espaços onde era 
comercializados, como a prática de propaganda indireta. Uma das metas nacionais 
propostas é reduzir a prevalência do uso de tabaco, não apenas nos adultos, mas 
também a necessidade de se aumentar os impostos com vista a diminuir o consumo 
de cigarros e a produção da venda a menores de 18 anos. 
Tal documento considera que essa medida preventiva, além de evitar 
doenças, também irá diminuir custos do Governo Federal com doenças derivadas do 
uso do tabaco. Um dos grandes avanços conquistados na atualidade pelo 
movimento antitabagista foi à lei n°12.546 de 14 de dezembro de 2011, a lei 
Antifumo, que visa combater o uso do cigarro proibindo o fumo em todos os locais de 
uso coletivo, público ou privado em todo o território nacional. Esta lei entrou em vigor 
no final de 2014 e prevê a punição por meio de pagamento de multas e, dependendo 
dos casos, até o fechamento dos estabelecimentos comerciais. 
Vale ressaltar que a liderança do Brasil no controle do tabagismo se 
contrapõe a posição do país no mercado mundial, uma vez que é o segundo maior 
produtor e o maior exportador mundial de fumo em folha, o que traz ao governo 
brasileiro uma responsabilidade a mais com as questões sociais decorrentes da 
histórica inserção econômica da produção de tabaco no país. 
Este cenário coloca o Brasil no grupo de países que, se por um lado não pode 
mais ignorar o controle do tabagismo como uma prioridade de saúde pública, social 
e econômica para atingir o desenvolvimento sustentável, por outro, necessita buscar 
caminhos para reverter sua dependência econômica do tabaco em função de sua 
posição no ranking mundial de produção e exportação de fumo em folha. 
 
2.1 O TABAGISMO EM RELAÇÃO DO COVID – 19 
 
O SARS – CoV-2 é um novo tipo de corona vírus, causador da COVID – 19, 
que emergiu na China no final de 2019 e alcançou status de pandemia rapidamente. 
17 
 
 
 
 Esse vírus tem tropismo pelo sistema respiratório, causando desde uma 
síndrome respiratória aguda, que na grande maioria dos casos se manifesta de 
forma leve, evoluindo em alguns casos para um tipo gravíssimo e célere de 
pneumonia com insuficiência respiratória importante, progredindo para óbito. 
 Entre os fatores de risco para desfechos mais graves como a necessidade de 
internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e/ou uso de ventilação mecânica e 
morte para o COVID – 19 estão: idade de 65 anos ou mais; pessoas internadas em 
instituições de longa permanência (ILPIs) pacientes com doença pulmonar obstrutiva 
crônica (DPOC), asma (moderada e grave) e dependentes de oxigênio; pessoas 
com problemas cardíacos graves ou descompensados; diabéticos; portadores de 
doenças cromossômicas ou estado de fragilidade renal crônica avançada; gestantes 
de alto risco; pessoas de qualquer idade com obesidade grave e condições médicas 
como doença hepáticas. É possível ainda que a COVID – 19 seja uma doença 
endotelial, podendo levar a quadros graves de coagulopatias e tromboses (WHO, 
2018). 
Entretanto, é possível que um importante fator de risco para o COVID – 19 não 
estar sendo incluído nas recomendações globais para o controle da pandemia, o 
tabagismo. Fumantes fazem parte do grupo de risco para a contaminação pela 
COVID – 19. É plausível interferir sobre o aumento do risco de contaminação desse 
grupo na medida em que fumantes levam os produtos de tabaco, quer sejam 
tradicionais ou dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) à boca, sem a adequada 
higienização das mãos (WUNSCH FILHO, 2010, P.175). 
Os narguilés, muito populares entre a população jovem, que geralmente 
compartilha os bocais, facilitam a transmissão da COVID – 19. A Organização 
Mundial da Saúde (OMS) demonstrou preocupação com o potencial para 
disseminação da doença por intermédio do uso dos produtos do tabaco. A literatura 
indica que doenças como influenza, herpes labial, e tuberculose são transmitidas por 
bocais do narguilé, por suas características que possibilitam seu compartilhamento, 
os DEFs também devem ser incluídos como produtos que contribuem para a 
contaminação pelo SARS – CoV -2. 
Outro fato relevante é o risco de o fumante sofrer queimaduras ao acender o 
cigarro ou manusear o narguilé pós-higienização das mãos com álcool em gel, haja 
vista ser este produto altamente inflamável. 
18 
 
 
 
Em relação aos danos causados pela infecção da COVID – 19, fumar aumenta 
o risco de danos pulmonares. O tabagismo está relacionado à bronquiolite 
respiratória (geralmente assintomática), com diversos tipos de pneumonias, além da 
bronquite crônica, enfisema pulmonar, tuberculose e câncer pulmonar, promovendo 
o declínio da função pulmonar (WHO, 2018). 
O tabagismo tem relação com a disfunção endotelial e a elevação da 
concentração dos radicais livres, da mesma forma que infecções microbianas como 
a COVID – 19 possam ocasionar danos ao endotélio previamente lesionado do 
fumante. Entretanto, a cessação do tabagismo melhora significativamente a função 
endotelial. 
Fumantes com COVID -19 têm 3,25 vezes mais chances de desenvolver 
quadros mais graves da doença do que não fumantes. Assim, as alterações e danos 
pulmonares causados pelo uso de produtos do tabaco, incluindo os DEFs, poderiam 
ser considerados fatores de risco para as manifestações e evoluções mais graves da 
COVID -19 (WUNSCH, 2010, P.178). 
Com chegada da pandemia, as incertezas futuras e as medidas de isolamento 
social se associam à preocupação com a doença. Nesse cenário, a população pode 
ter respostas emocionais que irão interferir de forma negativa na auto eficácia, por 
se sentir emocionalmente fragilizada diante de uma real ameaça, podendo recorrer 
às estratégias inadequadas, como fumar, na tentativa de reduzir o desequilíbrio 
emocional. 
No isolamento social e a indicação para que as pessoas fiquem em suas 
casas, os fumantes expõem os não fumantes às emissões destes produtos. O fumo 
pode causar danos semelhantes ao tabagismo ativo, incluindo aumentar a ECA2 
(um domínio definido de ligação ao receptor do pico de SARS – CoV reconhece 
especificamente a Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA2) que é expressa 
pelas células epiteliais do pulmão, intestino, rins e vasos sanguíneos, e assim, o 
vírus infecta a célula humana. 
Não se pode descartar a possibilidade da emissão de aerossóis contendo o 
vírus, em especial nos DEFs considerando sua menor temperatura de operação. 
Mais pesquisas são necessárias para responder à extensão dos impactos do fumo 
passivo na progressão de transmissão da COVID – 19 (WUNSCH FILHO, 2010, P. 
178 - 179). 
19 
 
 
 
3 O SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE 
 
De acordo com Iamamoto (1986), no Brasil, o Serviço Social surge a partir de 
demandas das classes dominantes, principalmente da Igreja Católica, para 
organização não só de obras de caridades, mas também das
Leis Sociais, essas já 
advindas de demandas e lutas das classes trabalhadoras e parcela da sociedade 
civil. Bravo e Matos (2006) apontam que, em seu surgimento, o Serviço Social 
brasileiro, tinha como base teórica os preceitos e teorias advindos de fontes 
europeias. 
Este cenário muda a partir do fim da 2° Guerra Mundial, mais precisamente em 
decorrência do Congresso Interamericano ocorrido em Atlantic City (EUA) onde, 
então, o Serviço Social passou a se referenciar nos estudos norte-americanos. 
Desde a chegada ao Brasil, o Serviço Social passou por diversas 
transformações que fizeram com que houvesse um fortalecimento do Serviço Social 
com uma categoria independente de preceitos religiosos e que lutassem por um 
projeto societário corroborado com as lutas da classe trabalhadora. Mas para chegar 
a tal patamar a categoria precisou, como qualquer outra, passar por diversos 
momentos que culminaram em uma perspectiva libertadora de luta pela classe 
trabalhadora. 
Um breve traçado histórico realizado por Silva (2002) relata que movimento de 
perspectiva modernizadora buscou - se aparatos científicos e técnicos para uma 
maior aproximação do Serviço Social com outras áreas do conhecimento. Esta 
interdisciplinaridade não significou de fato uma concordância do Serviço Social para 
com o sistema capitalista no qual estas áreas se baseavam. Ainda se tinha uma 
espécie de adequação ao sistema hegemônico estatal para que houvesse um maior 
reconhecimento do Serviço Social como ciência e área de atuação profissional. 
Posteriormente a perspectiva modernizadora, houve um movimento de 
reatualização do conservadorismo que teve como matriz teórica a fenomenologia, 
uma área que possuía três pilares construtivos: diálogo, pessoa e transformação 
social. Esta teoria foi extremamente criticada, pois retorna e reproduz toda a máxima 
da culpabilização do indivíduo e demais vertentes no pensamento conservador. 
Nasce nos anos de 1970 à defesa da classe trabalhadora e a quebra de 
qualquer relação com o tradicionalismo torna-se premissas do Serviço Social, 
prevalecentes até os dias atuais. Este acontecimento histórico tem como marco, em 
20 
 
 
 
1979, o 3° Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais. Mesmo com posição 
decisiva e com uma maior clareza do que seria o papel dos assistentes sociais, 
mostrou-se que isto não se refletiu de maneira majoritária dentro da categoria 
profissional, pois ainda houve resistência e não incorporação deste então novo 
movimento por uma parte dos profissionais de Serviço Social. 
Por tudo que foi exposto Silva (2002) afirma que não se pode dizer que existia 
total apropriação do projeto profissional pelos assistentes sociais no campo de 
trabalho. A ocorrência deste fenômeno se dá por haver um entendimento do 
pluralismo dentro da prática profissional o que pode culminar em um exercício 
profissional que perpasse por questões ideológicas próprias e pessoais dos 
assistentes sociais. 
De acordo com Vasconcelos (2009), o Serviço Social, após o movimento de 
intenção de ruptura buscou exercer uma prática profissional voltada para lutas contra 
- hegemônicas a favor da classe trabalhadora. Houve também a necessidade de 
realizar atividades que propiciassem uma formação continuada e que acolhessem, 
na fonte teórica, alternativas. Estas ações são necessárias para que possam atender 
as necessidades impostas pelas demandas deste profissional que se encontra em 
campo. A relação entre teoria e prática deve trazer mecanismos que possibilitem um 
novo olhar para os assistentes sociais sobre as expressões da questão social, 
contidas no cotidiano profissional. 
Segundo Neto (1996) os avanços alcançados com o movimento de intenção de 
ruptura com a categoria não chegaram aos que mais representam o trabalho prático 
do Serviço Social que são os profissionais que se encontram em campo. Além de 
outros determinantes, a ocorrência deste fenômeno se dá, pois não há uma eficácia 
quanto o compartilhamento de informações que atinjam todos os assistentes sociais. 
A baixa remuneração e a pouca valorização do profissional, justamente a 
precarização dos espaços de trabalho acometem uma desmotivação dos 
profissionais de Serviço Social. 
As transformações ocorridas nos anos de 1990 com a precarização do mundo 
do trabalho, principalmente a flexibilização de direitos trabalhistas refletiram 
diretamente na prática profissional do Serviço Social, Raichellis (2009) aponta que 
este quadro gerou a necessidade de uma regulação social a fim de realizar ações de 
combate a problemas não supridos de forma direta e automaticamente pelo Estado, 
21 
 
 
 
encontrando – se ai então um terreno fértil para a atuação dos assistentes sociais no 
campo estatal. 
Com as transformações societárias abre – se uma demanda diferenciada para 
o Serviço Social, principalmente, após os anos de 1990. Já com uma postura avessa 
ao conservadorismo, postura essa majoritária a categoria, gera trabalho voltado para 
a obtenção do conhecimento e técnicas específicas do Serviço Social para delimitar 
seu campo interventivo e a realidade social na qual está inserido. 
O Serviço Social na Saúde na atualidade tem como responsabilidade 
preencher as lacunas deixadas pela insuficiência na implantação do Sistema Único 
de Saúde – SUS. Por ter seu trabalho vinculado às necessidades de recursos da 
esfera federal para a sua intervenção, os assistentes sociais são os profissionais da 
saúde que mais sofrem com a falta de investimentos na área. 
 
3.1 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ÁREA DA SAÚDE 
 
 Segundo Silva (2013), o assistente social trabalha para combater as 
desigualdades sociais e promover a cidadania, visto que devido à precarização das 
condições de vida da grande parte da população, as expressões da questão social, 
como o desemprego, a violência e o envelhecimento se somam as dificuldades do 
acesso ao atendimento qualificado na área da saúde, exigindo dos profissionais que 
contribuam para a efetivação da lógica da integralidade nos sistemas de saúde. 
 O conceito de humanização enquanto uma estratégia que, em consonância com 
os princípios do SUS e com a atuação do assistente social, que por meio da 
compreensão da realidade social dos sujeitos pode contribuir para a construção de 
propostas de humanização no atendimento e nos ambientes de trabalho, ao qual se 
encontra inserida. O Serviço Social como uma das profissões que atuam na área da 
saúde, tem características e particularidades relativas que se dedicam a 
humanização do atendimento. 
O assistente social atua nas providências necessárias a facilitação do 
acesso, no provimento de condições institucionais para que o atendimento 
se realize, além de oferecer um suporte emocional ao usuário diante das 
dificuldades geradas pela fragilidade dos mesmos (TRINDADE, 2012, p.84). 
 
 Conforme Silva (2013), para lidar com a realidade atual da sociedade, o 
Serviço Social se encontra em um processo de construção e desconstrução, onde as 
22 
 
 
 
constantes transformações exigem respostas sociais para os problemas de saúde da 
população. Para Iamamoto (1997) a área da saúde constitui um dos grandes e 
complexos campos de atuação e intervenção do Serviço Social. 
 
Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas mais variadas 
expressões cotidianas, tais como os indivíduos as experimentam no 
trabalho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social 
pública, etc. Questão social que sendo desigualdade é também rebeldia, por 
envolver sujeitos que vivenciam as desigualdades e a ela resistem, se 
opõem. É nesta tensão entre produção da desigualdade e situados nesse 
terreno movido por interesses sociais distintos [...] a questão social, cujas 
múltiplas expressões são o objeto do trabalho cotidiano do assistente social 
(IAMAMOTO, 1997, p.14). 
 
 Na perspectiva de atuação dos assistentes sociais como profissionais
de saúde, 
conforme a resolução de n° 218 de 06demarço de 1997 do conselho Nacional de 
Saúde e a resolução CFESS n°383/99 de 29 de março de 1999, nos deparamos 
com as necessidades de instituir em suas práticas profissionais, formas interventivas 
que vão de encontro aos aspectos mais impactantes na política de saúde, tais como, 
às necessidades sociais, a garantia do direito a saúde e a promoção da saúde. 
Conforme definido na constituição de 1988: 
 
A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de 
outros agravos ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a 
sua promoção, proteção e recuperação (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 
art.196). 
 
 Nesse contexto, Alcântara e Vieira (2013) relatam que é importante lembrar que 
os assistentes sociais são chamados a participar ativamente na implementação das 
ações de humanização na saúde em conjunto com outras categorias profissionais, 
trabalhando e multidisciplinaridade. No diálogo entre assistente social e usuários e 
entre assistente social e equipe de saúde é onde se constroem os processos de 
efetivação e fortalecimento de uma política de humanização que atue diretamente no 
interesse coletivo e na vida cotidiana dos sujeitos. 
É importante que ações propiciem a aproximação com os usuários dos serviços 
prestados, bem como, das comunidades e áreas de abrangência em que os 
assistentes sociais se inserem como forma de galgar seus objetivos. Outro elemento 
caracterizador da ação profissional é forma como são utilizados e elaborados os 
23 
 
 
 
instrumentos durante o processo interventivo, estes possibilitam organizar, planejar e 
aperfeiçoar os serviços prestados. 
 De acordo com Bravo e Matos (2006) o Serviço Social se fez necessário 
transformando a saúde em uma de suas áreas de atuação mais amplas e ofertadas 
aos profissionais a partir do entendimento de saúde com uma perspectiva 
biopsicossocial. O principal fator desta nova abordagem foi à necessidade da criação 
de equipes multidisciplinares tanto para atendimento quanto para a gestão, 
implementação e construção de programas. Apesar deste avanço os assistentes 
sociais assumiram um papel educativo e com intenções normativas, tendo como 
campo quase que exclusivo de trabalho os espaços dos hospitais. 
Nogueira e Mioto colocam que: 
 
No cenário em que se encontram as políticas nacionais de saúde repõem-se 
e acentuam–se as exigências para o Serviço Social. Retoma-se aqui, a 
hipótese de que a ação profissional do assistente social se inscreve no 
campo da promoção da saúde, notadamente no eixo de intersetorialidade, 
tornando como evidência dessa afirmação as atividades e ações que vem 
desempenhando no sistema nacional de saúde. (NOGUEIRA; MIOTO, 
2006, p.238). 
 
Para Matos (2009), a área da saúde se configura, historicamente, como o 
campo de atuação onde há mais assistentes sociais. Apesar desta conjuntura o 
Serviço Social apresenta dificuldades de inserção no trabalho coletivo em saúde por 
falta do domínio sobre seu próprio trabalho. 
Outro aspecto significativo para a ocorrência desta prerrogativa é a 
característica do Serviço Social de atuar em várias esferas, jurídica, assistencial 
entre outros, acarreta em um possível não atendimento de outros profissionais a real 
competência dos assistentes sociais nas equipes. 
Como consequência desta trajetória de conflitos juntamente a não total 
aderência dos assistentes sociais em suas práticas profissionais ao projeto ético- 
político, o Serviço Social na saúde, na dinâmica atual, possui resquícios de uma 
ação de cunha conservador e que prioriza as demandas institucionais. 
Para Bravo e Matos (2006), isto eclode em uma prática voltada para uma perda 
do sentido profissional e uma aproximação perigosa ao papel de sanitarista, 
surgindo uma fragmentação do sentido do Serviço Social como uma unidade, mas 
sim, subdividindo-o em Serviço Social da Saúde, da assistência e outro como se 
fossem áreas indissociáveis. 
24 
 
 
 
Mioto e Nogueira (2006) esboçam como uma preocupação corriqueira tanto 
quanto ao exercício atual da profissão na área da saúde, quanto aos cursos e 
atividades de educação permanentes voltadas a programas e políticas específicas. 
As autoras justificam que estes cursos, ao priorizarem apenas uma área de 
conhecimento, podem delimitar a prática dos assistentes sociais fazendo com que 
estes não tenham espaço para uma atuação com base no projeto ético-político da 
profissão. 
Assim como em diversas áreas do âmbito estatal, onde há a presença dos 
profissionais do Serviço Social, os assistentes sociais que trabalham no campo da 
saúde têm sua articulação profissional nos espaços de participação social. Por seu 
caráter de libertação do conservadorismo estatal, estes profissionais tentem e 
devem buscar, o que as autoras colocam como prioridade para a atuação 
profissional ―a promoção da cidadania, da construção e do fortalecimento de redes 
sociais e da integração entre ações e serviços‖ (MIOTO; NOGUEIRA, 2006, p.280). 
Costa (2006) discorre que a inserção dos assistentes sociais, tanto no mercado 
de trabalho da saúde quanto dos processos de trabalho, no âmbito das equipes 
multiprofissionais da área da saúde perpassa sua ação profissional por sua 
legitimação como profissão socialmente reconhecida, bem como, o desenvolver da 
construção histórica do Brasil, CFESS (2010) aponta que seu trabalho em uma 
equipe multidisciplinar é necessário para que haja um olhar sobre as perspectivas 
sociais do usuário, movimento este que não é possível por demais categorias 
profissionais. 
Existe reconhecimento da prática das assistentes sociais sob uma ótica de 
protagonismo dessas profissionais no Programa de Controle do Tabagismo onde 
atuam, e dimensionam o entendimento de que, ―a maior cobertura e a satisfação do 
usuário dependem da eficiência e eficácia do modelo idealizado e, 
consequentemente, da capacidade de neutralizar e superar qualquer obstáculo‖ 
(COSTA, 2006, p.234). 
Este protagonismo está caracterizado pelo papel de liderança gerencial que 
esses profissionais apresentam, tendo sua prática profissional voltada para o ofício 
da gestão do programa. Em contrapartida há um claro redimensionamento das 
ações exercidas por elas, que, ―para vencer qualquer obstáculo‖ tem de realizar 
ações e práticas que não estão dentro de suas atribuições e competências. 
25 
 
 
 
De acordo com Matos (2009) onde coloca que, uma das grandes dificuldades 
enfrentadas pelos assistentes sociais quanto ao seu exercício profissional é que não 
há, de fato, uma intervenção focalizada ou exclusiva de atuação para cada setor 
onde o assistente social está inserido. Isto quer dizer que não se pode subdividir a 
ação profissional destes trabalhadores como ―Serviço Social da Saúde‖, por 
exemplo. Esta realidade pode fazer com que este profissional e os demais, de outras 
categorias não entendam o Serviço Social inserido neste campo. 
Entretanto o autor pontua que existem especificidades quanto ao trabalho dos 
assistentes sociais que está na área da saúde, sendo de extrema necessidade que 
este profissional tenha total entendimento da política de saúde e como esta se 
reflete na vida da comunidade e dos usuários dos serviços. 
 Diante do novo cenário de disputas de projetos societários e a dificuldade de 
implementação do SUS em sua íntegra, o Serviço Social tem um papel determinante 
diante das políticas públicas ligadas a saúde. Em se documento, ―Parâmetros para a 
atuação do Assistente Social na Saúde‖, CFESS (2010) aborda que: 
 
A nova configuração de política de saúde vai impactar o trabalho do 
assistente social em diversas dimensões nas condições de trabalho, na 
formação profissional, nas influências teóricas, na ampliação da demanda e 
na relação com os demais profissionais e movimentos sociais. Amplia-se
o 
trabalho precarizado e os profissionais são chamados a amenizar a situação 
da pobreza absoluta que a classe trabalhadora é submetida (CFESS, 2010, 
p.23). 
 
Segundo o documento, um problema observado na realidade cotidiana é o 
chamado ―possibilismo‖ (CFESS, 2010). Mostra-se que assistentes sociais tendem a 
abrir mão de determinados ganhos sociais e direitos em detrimento de ganhos 
outros que são irrisórios diante da luta travada todos os dias por uma efetivação da 
Reforma Sanitária. As diretrizes profissionais devem servir como um norte para os 
assistentes sociais em suas mais variadas áreas de atuação, principalmente no 
âmbito da saúde, onde o Serviço Social teve uma representatividade tardia na 
formulação do Sistema Único de Saúde – SUS – e em todo o Movimento da 
Reforma Sanitária. 
Diante destas dimensões próprias do Serviço Social e da sua historicidade e 
construção como categoria profissional, a interdisciplinaridade é outro fator 
recorrente no debate do trabalho do assistente social na saúde. Entende-se como 
conceito de interdisciplinaridade: 
26 
 
 
 
 
Uma relação horizontal entre profissionais de formações diferentes, 
partícipes conjuntamente de ações de trabalho que possuam diferentes 
objetivos político-profissionais convergentes, em que cada um desses 
sujeitos contribua com seus saberes através de relações democráticas, 
menos rígidas e limitadoras da expressão crítica e criativa entre 
profissionais (MOREIRA, 2010, p.121). 
 
Esta relação deve ser pautada pelo respeito de um profissional a formação, 
conhecimento e competência do outro, assim sendo, cada profissional deve ficar a 
cargo da sua especificidade. Pra além desta afirmativa é de suma importância que 
estes profissionais tenham total conhecimento sobre a conjuntura política, histórica e 
geográfica na qual estão inseridos para que, seja este de instituição privada ou 
estatal, realize uma prática voltada para as suas competências e atribuições 
privativas e emancipação dos indivíduos. Pois: 
 
A escolha de forma de abordagem, dos instrumentos e das técnicas a 
serem utilizadas vai depender dos objetivos propostos para ação dos 
destinatários das ações, e das características das instituições e dos 
profissionais. Portanto, todo o seu percurso necessita de planejamento e 
avaliação sistemática (MIOTO, 2009, p.12) 
 
O planejamento de ações que serão executadas por uma equipe interdisciplinar 
será exatamente para que não haja ruptura nem disputas de forças dentro deste 
grupo, pois é imprescindível que estes profissionais atuem de maneira consoante 
entre suas atribuições para que o trabalho seja realizado de forma mais eficaz 
possível. Este bom relacionamento é importante, pois mesmo uma ação sendo 
planejada, intercorrências poderá aparecer durante sua execução e para que isso 
não se transforme em algo irremediável, que todos os profissionais estejam em 
sintonia para que a melhor decisão a superação deste problema seja tomada. 
 
3.2 O ATENDIMENTO HUMANIZADO E SUA IMPORTÂNCIA NA ÁREA DA SAÚDE 
 
Observamos constantemente grande número de profissionais sem paciência 
em vários setores, não somente na saúde, mas em todo o lugar, a mídia nos mostra 
este assunto quase que todos os dias, tendo varias criticas quanto a qualidade no 
atendimento prestados no Sistema Único de Saúde. 
No cotidiano vemos usuários fragilizados e debilitados pela condição de saúde 
e dependência do tabaco por anos, recebendo criticas dos familiares por muito 
27 
 
 
 
tempo, desta forma o modo como o usuário é acolhido no atendimento faz toda a 
diferença e acolher é humanizar o atendimento, esta preocupação começa a surgir 
no final de 1990 e inicio de 2000 surge a Humanização, tendo legitimidade a partir da 
11a. Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília, em 2000" (CFESS, 
2009, p.30), e foi, 
 
Em 2003, no governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ―o programa 
transforma-se em Política Nacional de Humanização (PNH), ampliando sua 
área de ação, passando a contemplar a gestão e a atenção‖ (CFESS, 2009, 
p.30). 
 
Neste sentido temos o Sistema Único de Saúde a PNH (Política Nacional de 
Humanização) como forma de humanizar o atendimento a usuários do SUS, ficando 
claro que "todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de 
qualquer discriminação" (PINHO et al., 2012, p.7). Da mesma forma "todo paciente 
tem direito a um atendimento de qualidade e humanizado" (PINHO et al., 2012, 
p.36), devendo haver respeito ao seu corpo, sua intimidade e sua cultura. 
A Política Nacional de Humanização (PNH) existe desde 2003 para efetivar os 
princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando a 
saúde pública no Brasil e incentivando trocas solidárias entre gestores, 
trabalhadores e usuários. 
Conforme o ministério da saúde a PNH deve se fazer presente e estar inserida 
em todas as políticas e programas do SUS. Promover a comunicação entre estes 
três grupos pode provocar uma série de debates em direção a mudanças que 
proporcionem melhor forma de cuidar e novas formas de organizar o trabalho. 
O acolher é gerar vínculos, dar segurança para o usuário retornar e continuar o 
tratamento com confiança gerando um sentimento de pertencer e fazer parte de 
algo. Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a agasalhar, 
receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975). O acolhimento como ato ou efeito de 
acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um ―estar 
com‖ e um ―estar perto de‖, ou seja, uma atitude de inclusão (BRASIL, 2010). 
Conforme a cartilha Política Nacional de Humanização temos os Princípios 
Norteadores da Política de Humanização que são; 1) Valorização da dimensão 
subjetiva e social em todas as praticas de atenção e gestão, fortalecendo 
/estimulando processos integrados e promotores de compromisso/responsabilização 
28 
 
 
 
2) estimulo e processos comprometidos com a produção de saúde e com a 
produção de sujeitos. 
3) Fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional, estimulando a 
transdisciplinaridade e a grupalidade. 
4) Atuação em rede com alta conectividade, de modo cooperativo e solidário, 
em conformidade com as diretrizes do SUS. 
5) Utilização da formação, da comunicação, da educação permanente e dos 
espaços da gestão na construção de autonomia e protagonismo de sujeitos e 
coletivos. 
O atendimento humanizado dá qualidade ao profissional, dá voz aos usuários, 
fortalece e transforma vidas, assim como acolher [...] é dar acolhida, admitir, aceitar, 
dar ouvidos, dar credito a agasalhar, receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975, 
pg.6). O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas varias 
definições, ima ação de aproximação, um ―estar com‖ e um ―estar perto‖, ou seja, 
uma atitude de inclusão (BRASIL, 2010), o atendimento humanizado transforma 
vidas e fortalece quem está em tratamento ou em recuperação, transforma também 
o profissional que trabalha com o humano. 
Dentro do Setor de Controle de Tabagismo, percebemos que usuários 
atendidos com atenção humanizada voltaram ao setor de atendimento, mantendo 
vinculo visando o apoio e dando forças ao usuário para resolução do problema e 
vitória sobre a cessação do fumo. 
É importante contextualizar que temos visto absurdos na saúde em relação ao 
atendimento por parte de atendentes em vários setores e em varias categorias de 
profissionais, e foi pensando nisso que dentro da rotina no setor de tabagismo 
observamos o quanto faz a diferença o atendimento humanizado para o sucesso da 
cessação do fumo. Ao longo desta caminhada acadêmica escutamos muito falar de 
acolhimento, onde se valoriza o ouvir, criar vínculos para um atendimento 
humanizado. Tratar cada paciente de forma individualizada e única; dispensar 
atenção e empatia com o usuário, com o caso, com a situação; transmitir confiança, 
segurança e apoio
para que o usuário possa ter melhor adesão ao tratamento 
proposto, bem como esclarecer cada procedimento. 
―Se podemos ver o que está acontecendo, devemos buscar a reparação. Ver, 
conhecer, refletir sobre si mesmo, os outros e as situações que nos envolvem em 
29 
 
 
 
contexto particular e coletivo. É o princípio da ética, da cidadania, da humanização‖ 
(RIOS, 2009, pg.28). De tal modo sabe-se que a humanização está inteiramente 
ligada ao cuidar do próximo com os mesmos cuidados dos quais queremos a nós 
mesmos, do mesmo modo como tratamos nossos familiares e amigos (RIOS,2009, 
pg.6). 
A autora pressupõe que, a se ver algo de errado é necessário não apenas 
apontar o erro, mas sim buscar conhecer, entender e refletir de modo que se possa 
intervir para mudar a situação. Em termos de humanização, buscar por em prática 
tudo que se julga ser o correto quando necessita de atendimento digno.―...a 
produção de novas atitude por parte de trabalhadores, gestores e usuários de novas 
éticas no campo de trabalho incluindo ai o campo de gestão e da prática de saúde 
superando problemas e desafios do cotidiano de trabalho‖ (BRASIL, 2010, pg.6). 
 
3.3 PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DO TABAGISMO (PNCT) 
 
Em 1989, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Controle do 
Tabagismo (PNCT), que em 1990 passou a ser de responsabilidade do Instituto 
Nacional do Câncer (INCA). Anteriormente à Convenção Quadro para o Controle do 
Tabaco (CQCT), o PNCT tinha como principais modos de atuação ações de cunho 
educativo, muito desenvolvido em escolas e por meio de formadores de opinião. A 
finalidade desses trabalhos era diminuir a aceitação social do cigarro que, até então, 
era visto como elemento de status social. 
. O INCA, com o objetivo de diminuir o consumo de cigarro, elabora e promove 
ações de cunho educativo, tanto no setor público como no privado tais como 
seminários, campanha e atividades ligadas a deixar ambientes livres do tabaco, em 
especial o Ministério da Saúde, o INCA capacita e ajuda na implementação dos 
Programas de Controle do Tabagismo, que atua mais especificamente na cessação 
do tabaco. O INCA, por meio de parcerias com as Secretarias de Saúde dos estados 
e municípios, capacita os profissionais oferecendo cursos, que são obrigatórios para 
os profissionais que irão compor a equipe. 
O PNCT é voltado para o enfrentamento dos determinantes sociais que 
envolvem toda a questão do tabaco no Brasil. Assim visa não somente erradicar as 
questões das doenças, mas também toda a sua peculiaridade política 
30 
 
 
 
socioeconômica. Entre as diversas ações do PNTC, destaca-se a iniciativa de 
aumento e ampliação de acesso a serviços que tenham por objetivo a cessação do 
uso do cigarro. 
Sua base de organização se pauta sobre os princípios de integralidade, 
descentralização e articulação com os mais diversos setores da sociedade civil. 
Estas três premissas são alcançadas por meio de parcerias com estados e 
municípios, articulação com outras esferas do poder público e demais ministérios, 
bem como o apoio de categorias profissionais e associações pertencentes ao 
movimento antitabaco. 
Partindo de uma perspectiva de múltiplas vertentes de combate para um maior 
alcance do PNCT, foi-se utilizado o modelo de descentralização contido no Sistema 
Único de Saúde (SUS). No espaço do SUS, o PNCT se iniciou a partir da SAS 
(Secretaria de Atenção à Saúde) n°442/04, ambas implementando o Plano de 
Implantação da Abordagem e Tratamento do Tabagismo no SUS e o Protocolo 
Clínico e Diretrizes Terapêuticas, Dependência à Nicotina. Anterior a esta, é lançada 
a Portaria Ministeriais GM/MS n°1.035/04 que: 
 
Definiu, como papel do Ministério da Saúde, o repasse dos insumos 
(materiais educativos e medicamentos) para o atendimento nos municípios 
que já tenham unidades de saúde preparadas para essa atividade, o que 
implica em já terem profissionais capacitados para esse tipo de atendimento 
e uma política de restrição ao fumo nas suas dependências. O repasse dos 
insumos acontece mediante o envio para o Ministério da Saúde, pelas 
secretarias estaduais de saúde, de informações sobre o processo de 
capacitação e sobre estimativas de atendimento para um dado período. 
Trata-se de um processo em andamento, que busca inserir essa ação de 
forma organizada e cuidadosa a permitir uma avaliação da sua efetividade e 
de seu custo-benefício (CAVALCANTE, 2006, p.8). 
 
As parcerias com as entidades não governamentais também se mostraram 
bastantes expressivas na implementação do PNCT no SUS por meio de documento 
e manifestações de apoio. Em agosto de 2000 uma reunião intitulada Consenso 
sobre Abordagem e Tratamento do Fumante discutiu este tópico tendo como 
principais representantes as categorias profissionais vinculadas a área da saúde, 
como o Conselho Nacional de Medicina. 
O Programa de Controle do Tabagismo na rede SUS, nas unidades de saúde 
básica, seguem um método, e outro no momento de sua adesão. Para que haja a 
oferta do programa é preciso seguir um cronograma de ações que, primeiramente os 
31 
 
 
 
gestores municipais tenham a vontade de implementar o programa em sua 
localidade devem fazer um pedido por meio do Programa Nacional de Melhoria do 
Acesso e da Qualidade de Atenção Básica (PNMAQ). O gesto requerente fica 
responsável por todas as etapas do processo de adesão como, a escolha da equipe, 
o treinamento dos profissionais, a localização da população assistida, entre outros. 
Por se tratar de uma política de Estado e esta no âmbito do SUS, algumas 
questões de responsabilidade do Ministério da Saúde e do INCA, o repasse dos 
produtos medicamentosos utilizados pelos usuários é de responsabilidade do MS e 
das secretarias de saúde dos municípios e do Distrito Federal, bem como os 
manuais de condução do programa, por meio de Coordenação Nacional do 
PNCT/INCA. 
De acordo com o INCA, a implementação dos programas de controle do 
tabagismo no âmbito do SUS deve ser realizado de maneira a articular diversos 
setores. A iniciativa deve partir dos administradores locais onde quer se implementar 
o programa por meio das Secretarias de Saúde, após isto, o INCA/MS, irá fornecer a 
capacitação aos profissionais que irão compor as equipes. O PNCT tem como 
princípio ser uma política transversal dentro do SUS, assim é interessante que ele 
passe por todos os seus setores de atendimento como a saúde da mulher, do idoso 
e demais programas e iniciativas de atenção à saúde. 
 
3.3.1 CONVENÇÃO QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO (CQCT) 
 
De acordo com Cavalcante (2005), em 1996 foi organizada a 49º Assembleia 
Mundial da Saúde (AMS) onde foi estabelecido o primeiro tratado internacional sobre 
a questão do cigarro, a Convenção Quadro para o controle do Tabaco. A CQCT teve 
em seu corpo de membros 192 países que levaram cerca de cinco anos, de 1999 a 
2003, para organizar um documento que fosse de comum interesse, tendo o Brasil 
como pais a presidir o Órgão Negociador Intergovernamental da Convenção (ONI). 
Sua ratificação ocorreu na 56º AMS, apesar do cenário favorável, se deu 
conturbada mente no Senado brasileiro, onde a forte pressão das indústrias 
tabagistas, principalmente a empresa Souza Cruz, frente aos parlamentares com o 
auxílio da Associação dos Fumicultores do Brasil, gerou um intenso debate no 
Congresso com afirmações dos contrários ao CQCT de que estas sanções 
eclodiriam em um caos econômico. 
32 
 
 
 
A partir do decreto nº 3.136/1990, criou-se a Comissão Nacional de Combate 
ao Tabagismo (CNCT), com o intuito de prepara pesquisas e estudos que dessem 
ao Brasil subsídios no momento da discussão da Convenção-Quadro de Controle do 
Tabaco. A CNCT era formada por nove ministérios, sendo o Ministério da Saúde a 
liderança desta frente. Em 2003, a partir de um decreto, a CNCT é extinta e 
substituída pela Comissão Nacional de Implementação da Convenção Quadro 
(CONICQ),
esta já de caráter executivo. 
Atualmente CONICQ é composta por onze ministérios, dos quais o Ministério 
da Saúde permanece na liderança e o Instituto Nacional do Câncer (INCA) passou a 
ser a Secretaria Executiva desta comissão. 
De acordo com Cavalcante (2005), diversos setores da sociedade tiveram 
espaço na construção da CQCT, destes representantes da economia do tabaco a 
organizações não governamentais. Essa medida foi uma imposição da OMS, 
realizada de forma inédita, por entender que as ações ali decididas iriam infringir na 
vida de todos, fazendo-se mais do que necessário o envolvimento direto. 
Foi criado um Código de Práticas para Organização de Profissionais de Saúde 
para o controle do tabagismo no intuito de determinar ações que devem ser 
preconizadas no atendimento para com os tabagistas usuários do programa. São 
quinze ações, entre elas, destinar recursos para o programa, auxiliar na ratificação 
da CQCT, cooperar para espaços livre do tabaco, entre outras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
 
 
4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA E A RELAÇÃO COM A QUESTÃO SOCIAL 
 
 O Serviço Social, como profissão, tem a questão social como fundamento da 
especialização do seu trabalho. Sendo assim, trabalhar com as particularidades das 
múltiplas expressões da questão social que se apresentam na sociedade 
contemporânea é tarefa que se encontra no âmbito do exercício profissional do 
assistente social. Iamamoto (2004, p.27) sustenta que as expressões da questão 
social, como o tabagismo; que na sociedade tem um aumento significativo, o 
trabalho de prevenção, perpassa por parte dos profissionais que trabalham na área 
da saúde, dentre eles o assistente social, pois esta atuação na área da prevenção é 
inerente ao exercício da profissão, entendendo que a melhor maneira de superar a 
ocorrência de situações da dependência do tabaco é através de ações permanentes 
e regulares envolvendo a participação de indivíduos, família, e grupos, motivações, 
atitudes e ações a partir de uma construção coletiva de novos propósitos que 
possam conjugar esforços e políticas públicas em direção a uma vida com mais 
qualidade. 
Segundo a Secretaria de Vigilância de Saúde, entende-se que o tabagismo é 
uma doença de múltiplas faces que atinge o indivíduo, a família, a sociedade e que o 
assistente social, atuando nas políticas sociais para enfrentamento da questão social 
tem maior e mais fácil acesso às famílias, sobretudo as menos favorecidas 
economicamente. Seja na saúde, na educação, na moradia, na assistência social, 
através da sua atuação profissional, poderá colaborar na prevenção, auxiliando 
esses sujeitos no desenvolvimento humano em todas as dimensões, pois nas 
últimas décadas, o tabagismo tornou-se um grave problema social e de gastos com 
a saúde pública. Analises revelam que a epidemia do cigarro vem se caracterizando 
como uma doença da pobreza, atingindo grande parte da população de baixa renda, 
particularmente mulheres. No Brasil, apesar de constatada uma redução drástica no 
número de fumantes, há ainda, aproximadamente, 25 milhões de viciados, com mais 
de 15 anos são fumantes. A maioria é de homem, tem entre 25 e 44 anos, é de cor 
parda ou preta, vive em áreas rurais, predominantemente na Região Sul e não tem 
intenção de largar o hábito no curto prazo, além disso, o tabaco é responsável direto 
por cerca de 200 mil óbitos ao ano. As informações são da Pesquisa Especial do 
Tabagismo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008). 
34 
 
 
 
De acordo com o documento, os fumantes no país gastam, em média, R$78 
por mês com o vício, de acordo com uma das responsáveis pela pesquisa, Marcia 
Quintslr, o fumo está ligado a fatores socioeconômicos e não somente culturais. 
―Ficou claro na pesquisa que os fumantes se apresentam em maior percentual entre 
aqueles com menor escolaridade e rendimentos. 
 É importante destacar que o desconhecimento sobre os malefícios do tabaco 
tem um agravante perante usuários que iniciam a pratica do fumo, conforme estudos 
químicos, a queima do cigarro gera 2700 substancias tóxicas e cancerígenas 
presentes na fumaça, diante disso, é perceptível que muitas pessoas desconhecem 
os prejuízos causados pelo tabaco e as advertências presente nas embalagens de 
cigarro não são suficientes para conscientizar a comunidade, trazendo prejuízos 
psíquicos. O quadro de dependência resulta em tolerância, abstinência e 
comportamento compulsivo para consumir a droga, estabelecendo-se assim um 
padrão de autoadministração caracterizado pela necessidade tanto física quanto 
psicológica da substância, apesar do conhecimento de seus efeitos prejudiciais à 
saúde. 
Muitos são os fatores que podem levar a pessoa a experimentar essa droga 
(lícita), já que é histórica a tendência humana de buscar formas de alterar sua 
consciência de modo a produzir prazer e modificar seu humor. De maneira geral a 
possibilidade do encontro com o cigarro se dá na adolescência, fase caracterizada 
por muitas transformações físicas e emocionais, angustias e busca de respostas, 
(INCA) desta forma devemos ter um olhar atento nesta faze da vida, campanhas nas 
escolas, seria o ideal para a prevenção. 
 Dependendo da suscetibilidade individual, alguns fatores serão decisivos para 
estimular o individuo atender a essa tendência humana de buscar no tabaco o alivio 
para suas tensões, tais como a aceitação social de uma determinada substância, 
seu fácil acesso, uso do tabaco por pessoas que tenham papel de modelos de 
comportamento. A sociedade pode contribuir de maneira significativa para que o uso 
seja estimulado, causando adoecimentos em larga escala. 
Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA) a nicotina, presente em 
qualquer derivado do tabaco é considerada droga por possuir propriedades 
psicoativas, ou seja, ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central, 
35 
 
 
 
trazendo modificação no estado emocional e comportamental do usuário que pode 
induzir ao abuso e dependência. 
O uso do tabaco reflete uma desigualdade social brasileira, trazendo prejuízos 
à saúde pública, indivíduos com baixa escolaridade e menor poder aquisitivo, 
representam a maior prevalência de tabagismo, estando igualmente nesta classe 
aquelas pessoas que possuem menor acesso à informação e aos serviços de saúde. 
A associação entre pobres e o fumo é uma das relações mais consolidada no 
conhecimento sobre tabagismo, resume Tânia Cavalcante, médica do Instituto 
Nacional do Câncer (INCA) e secretária executiva da Comissão Nacional para 
Implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CONICQ). Essas 
pessoas têm menor acesso à informação, como sobre os malefícios do tabagismo, e 
as escolas, que hoje de uma forma ou de outra abordam o tema. Também têm 
menos acesso a tratamentos para deixar de fumar. 
A questão do acesso à informação é a principal explicação para o fato de hoje 
os mais pobres fumarem mais, globalmente. Pesquisadores avaliam que pessoas 
com mais vulnerabilidades têm níveis mais altos de dependência, são mais 
propensas a estar perto de outros, fumantes, normalizando o comportamento, e 
também pode ter que lidar com fatores de estresse, como instabilidade de renda e 
moradia precária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
 
5 JUSTIFICATIVA 
 
 O território de abrangência do PAM 8 Alvorada/RS possui pacientes em 
condições causadas ou agravadas pelo uso do tabaco, como enfisema pulmonar, 
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), hipertensão arterial e acidente vascular 
encefálico. 
 Jandira Torreiro de Carvalho em seu artigo ―O Tabagismo visto sob vários 
aspectos‖ aborda que o tabagismo é responsável por mais de quatro milhões de 
mortes anuais no mundo, determinadas pelo aumento da prevalência das doenças 
relacionadas ao hábito de fumar. Constitui a pior causa isolada de doença evitável 
que se conhece
entre as não imunizáveis. Agente mórbido introduzido e mantido 
pelo próprio homem, por razões tão diversas como as de ordem econômica, social, 
cultural e de droga-dependência, converte-se em uma das epidemias de mais difícil 
redução (TORREIRO DE CARVALHO, 2000). 
 Sendo assim, devido ao fato de o tabagismo ser uma condição de saúde 
passível de intervenção, é necessária a realização de ações de prevenção e 
tratamento, evitando novos casos e reduzindo complicações nos casos presentes. 
A nicotina do tabaco causa dependência química, pois o tabagismo é uma 
doença crônica e tratável, devendo fazer parte dos atendimentos nas unidades de 
saúde, pois, a atenção primária da saúde configura-se como um cenário oportuno 
para a execução das ações da saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a 
promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, 
reabilitação, redução de danos e prevenção da saúde. 
É importante destacar que, o trabalho de prevenção à essa dependência 
química que, atualmente se apresenta como um problema social de saúde pública, 
tendo em vista o crescente aumento do número de tabagistas, e consequências 
disso para a sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do 
profissional de serviço social, torna-se sumamente importante e necessário, uma vez 
que se trata da expressão da questão social e portanto, objeto de trabalho do 
assistente social. 
 
 
 
37 
 
 
 
6 OBJETIVOS 
 
 A pesquisa científica proporciona a resolução de problemáticas relevantes 
para a sociedade. Ou seja, os resultados de um estudo apresentados têm objetivo 
de melhorar algum processo. 
 
6.1 OBJETIVO GERAL 
 
 Resgatar usuários em desistência no Setor de Tabagismo e desenvolver 
ações socioeducativas de sensibilização a saúde. 
 
6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
 Levantar e caracterizar os usuários tabagistas cadastrados 
 Realizar ações de educação em saúde para prevenção do uso do tabaco, 
 Resgatar usuários inscritos, que desistiram do tratamento (evasão de 
usuário). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 
 
 
7 O PROCESSO METODOLÓGICO DE INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL 
JUNTO Á USUÁRIOS TABAGISTAS 
 
Este trabalho foi desenvolvido tendo como fundamentação teórica a Política 
Nacional de Atenção Básica, considerando as atribuições do assistente social no 
Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Percebemos que a partir do 
momento que o usuário não comparece mais ao grupo de tratamento de 
manutenção, perdemos o vínculo e ficamos na incerteza se ele está sem fumar ou 
não. Muitos usuários também não conhecem o grupo de tratamento do tabagista, 
por não frequentar a Unidade de Saúde ou por falta de informação. 
No exercício do estagio procuramos realizar pesquisas sobre o instrumental 
técnico-operativo do serviço social onde Guerra (2013) nos esclarece que [...] o 
instrumental técnico-operativo ultrapassa as técnicas e os instrumentos, pois inclui o 
conjunto de ações e procedimentos adotados pelo profissional, visando alcançar 
uma dada finalidade, bem como a avaliação sistemática sobre o alcance dessas 
finalidades e dos objetivos da ação. Para a autora, incluem-se como componentes 
do instrumental técnico-operativo ―as estratégias, táticas, instrumentos e técnicas, 
conhecimentos específicos, procedimentos, éticas, cultura profissional e institucional, 
particularidades dos contextos organizacionais‖ (2013, p. 26). 
Dentro deste contexto Sarmento (1994, p 245) conceitua que o instrumento 
como ―(...) sempre orientado por um determinado conhecimento, uma teoria social, 
ou seja, é sempre utilizado intencionalmente. É através do instrumento que vamos 
experimentando a teoria social, na medida em que permite que se vá objetivando as 
categorias da realidade‖. 
Yolanda Guerra nos coloca que... 
 
Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tomar o Serviço 
Social como totalidade constituída de múltiplas dimensões: técnico-
instrumental, teórico-intelectual, ética-política e formativa. (GUERRA, 
1997,p.12) 
 
O assistente social adquire seu instrumento na sua intenção e se reconstrói no 
cotidiano a cada novo caso, adaptando-se aos seus objetivos. 
A proposta do programa de Controle de Tabagismo é promover a cessação do 
tabaco e proporcionar melhores condições de vida a usuários tendo como base às 
39 
 
 
 
determinações da Politica de Saúde no âmbito da atenção básica sendo esta a porta 
de entrada do usuário no programa de controle de tabagismo. 
Os usuários chegam ao programa de diversas maneiras, muitos médicos 
indicam o tratamento aos seus pacientes por não poder fazer cirurgias, por 
agravamento da saúde, indicação de conhecidos ou parentes que já pararam de 
fumar ou por meio de campanhas em dias determinados como o dia mundial contra 
o tabaco. 
Foi realizado atendimento de acolhimento informativo sobre o tratamento e 
quais os primeiros passos, abertura de prontuários, leitura de 4 manuais informativo 
sobre o tabagismo, malefícios da fumaça e nicotina no organismo, quais sintomas 
poderiam surgir nas crises de abstinência, formas de parada e como agir em cada 
situação. 
Dentro deste contexto este trabalho foi desenvolvido tendo como 
fundamentação teórica a Política Nacional de Atenção Básica, considerando as 
atribuições do assistente social no Programa Nacional de Controle do Tabagismo. 
Percebemos que a partir do momento que o usuário não comparece mais ao grupo 
de tratamento de manutenção, perdemos o vínculo e ficamos na incerteza se ele 
está sem fumar ou não. 
Durante a realização das atividades em campo de estágio nos anos 2022 e 
2023 foi atendido 186 usuários, onde foram realizada entrevista com escuta ativa, 
abertura de prontuário, leitura dos manuais informativos sobre o tabaco (INCA), 
encaminhamento a consulta com clinico geral, psicóloga, e exames para avaliação e 
melhor decisão de qual melhor meio, se adesivos de nicotina sintética ou 
bupropriona. 
Em relação aos atendimentos aos usuários no período de estágio obrigatório 
que foram atendidos em 2020, 2021 e 2022, foram realizados 136 prontuários, foram 
realizadas 68 leituras dos manuais com esclarecimento sobre o tabagismo e 
abordagem informativa e formas de parada, 136 encaminhamentos para consulta 
medica com o clinico geral, e sugestão de psicóloga. 
Inicialmente foi realizada uma busca ativa nos grupos montados a partir de 
2021, começando pelo primeiro semestre, em sequência, segundo semestre. 
Realizadas ligações, juntamente com questionário elaborado previamente, 
convidando o usuário a retomar ao tratamento, incentivando o devido 
40 
 
 
 
prosseguimento, conforme protocolo do Programa de Controle do Tabagismo, sendo 
assim, um momento de encorajamento da proposta de cuidados permanente. 
Realizada pesquisa nos prontuários, separados em grupos, contendo de 13 a 
15 usuários. Foram pesquisados 180 grupos, obtivemos 53 usuários desistentes do 
tratamento. Efetuamos contatos através de ligações, sendo que a grande maioria 
não atendeu, ou desligava, e consequentemente bloqueava antes mesmo que 
pudéssemos explanar do que se tratava. 
Dentro dos quais que atenderam as ligações, 34 mulheres e 15 homens, onde 
eventualmente aceitaram retornar ao tratamento. Não conseguimos implantar grupos 
presencialmente, pois os usuários já vinham de grupos de WhastApp e pediram para 
continuar, devido ao tempo do trabalho, que teria sido esse o motivo da desistência. 
Relataram estar começando trabalhar e não poderiam faltar, havendo assim a 
necessidade de remanejamento de horários conforme disponibilidade de cada 
usuário em particular, alguns pela manhã, e outros com disponibilidade á tarde, e 
assim foi executado o atendimento. 
Para o enfrentamento desta demanda usamos intervenções diretas através do 
acolhimento, com escuta ativa, qualificada para uma melhor compreensão da 
realidade com o objetivo
de garantir a viabilização dos usuários ao seu direito a 
tratamento e direitos sociais. 
A dependência à nicotina conta com três componentes básicos: dependência 
física, responsável por sintomas da síndrome de abstinência quando se deixa de 
fumar; dependência psicológica, responsável pela sensação de ter no cigarro um 
apoio ou um mecanismo de adaptação para lidar com sentimentos de solidão, 
frustração, com as pressões sociais e condicionamentos, representado por 
associações habituais com o fumar (fumar e tomar café, fumar e trabalhar, fumar e 
dirigir, fumar e consumir bebidas alcoólicas, fumar após as refeições e outras). 
Dessa forma, o tratamento do fumante tem como eixo fundamental a 
abordagem cognitivo-comportamental, com a finalidade de informar o fumante sobre 
os riscos de fumar e benefícios de parar de fumar, motivá-lo a deixar de fumar e 
apoiá-lo no processo de cessação, fornecendo orientações para que possa lidar com 
síndrome de abstinência, com a dependência psicológica e os condicionamentos 
associados ao hábito de fumar. 
41 
 
 
 
Para o enfrentamento desta demanda usamos acolhimento humanizado e 
escuta sensível para uma melhor compreensão da realidade com o objetivo de 
garantir a viabilização dos usuários ao seu direito a tratamento e direitos sociais. 
A literatura cientifica aponta várias evidências de que o tabagismo é a causa de 
quase 50 doenças cardiovasculares, onde a doença é a primeira causa de 
morbidade e mortalidade no Brasil (MOTA, 2007). Sendo assim, o abandono do 
tabagismo é o melhor e mais econômico meio de prevençã0 de várias doenças, e 
precisa-se pensar em outras formas de melhorar a adesão dos tabagistas ao 
abandono do cigarro. 
Os profissionais que estão inseridos na saúde têm papel fundamental nesta 
etapa, e precisam discutir com os tabagistas sobre as dificuldades do abandono e 
como enfrenta-las, preparando-os para a tentativa de parar d Desde 1989, o 
Ministério da Saúde, por meio do INCA, desenvolve o Programa Nacional de 
Controle do Tabagismo (PNCT), que envolve ações na área da saúde, educação, 
legislação e economia, o desenvolvimento de ações educativas tem como objetivo a 
disseminação do conhecimento sobre o câncer e as possibilidades para sua 
prevenção que provoquem mudanças positivas de comportamento. 
Para atender a questão de cessação do tabagismo, foi incorporado ao PNCT o 
Programa de Controle do Tabagismo, que visa aumentar o acesso do fumante aos 
métodos eficazes para a cessação de fumar, atendendo a uma crescente demanda 
de tabagistas que procuram algum tipo de apoio para esse fim, (de acordo com 
literatura, a abordagem cognitivo-comportamental tem eficácia cientificamente 
comprovada para a cessação de fumar (CAVALCANTE, 2006). Este tipo de 
abordagem envolve o estímulo ao autocontrole para que o indivíduo possa aprender 
a escapar do ciclo vicioso da dependência, e a tornar-se um agente de mudança de 
seu próprio comportamento, através de intervenções cognitivas com o treinamento 
de habilidades comportamentais (BRASIL, 2001). 
Portanto este trabalho foi desenvolvido tendo como fundamentação teórica a 
Política Nacional de Atenção Básica, considerando as atribuições do assistente 
social no Programa Nacional de Controle do Tabagismo (BRASIL, 2001). 
 
 
 
42 
 
 
 
8 ANALISE DE DADOS DA PESQUISA 
 
Em campo foi constatado que 70 % dos usuários que procuraram tratamento 
tiveram sucesso em parar de fumar, tento em vista que os mesmos foram 
pessoalmente para leitura dos manuais do INCA, sento que receberam orientações 
de parada e esclarecido duvidas eminentes a cada situação em particular de cada 
um diferentemente dos usuários que alegavam não ter tempo e preferiram entrar 
direto para grupos de whatsApp, modelo de tratamento adquirido devido a 
pandemia, que seria referente à os 30 % que não obtêm êxito em parar de fumar já 
que não consegue aderir ao tratamento adequado. 
 
Gráfico 01: Resultados ao tratamento 
Fonte: Autora, 2023. 
 
Podemos observar que os percentuais de busca pelo tratamento são mais de 
mulheres, e contatamos que 69.4% são de mulheres e homens 30.6. 
 
 
 
 
 
 
 
70%
30%
RESULTADO AO TRATAMENTO
ÊXITO SEM ÊXITO
43 
 
 
 
Gráfico 02: Busca pelo tratamento 
 Fonte: Autora, 2023. 
 
Observamos que grande maioria de usuários a procurar auxilio para parar de 
fumar são na grande maioria pessoas de mais idades e que já apresenta sinais de 
morbidades relacionados ao fumo do tabaco, a porcentagem de pessoas com menos 
de 40 anos é de 26.4 % e pessoas com mais de 40 anos é de 73.6 %, sendo que 
tivemos 5 casos de pessoas que estavam acamadas em hospitais que vieram a 
óbito. 
 
Gráfico 03: Idade de busca pelo tratamento 
Fonte: Autora, 2023. 
 
69%
31%
BUSCA PELO TRATAMENTO
MULHERES HOMENS
26%
74%
IDADE DE BUSCA PELO TRATAMENTO
MENOS DE 40 ANOS MAIS DE 40 ANOS
44 
 
 
 
Dentro deste parâmetro, os atendimentos têm mais êxito quando o mais 
comprometimento por parte de quem quer parar realmente parar tivemos 
depoimentos de usuários que por motivo de doenças graves se obrigaram a parar 
com o tabaco, outros usuários relataram que não queriam parar mas por 
recomendações médicas tinham que parar de fumar, muitos dos usuários com 
morbidades psiquiátricas apresentam mais dificuldades que o normal, pois 
tabagistas deprimidos podem fumar mais para aliviar seus sintomas e, dessa forma 
reforçam o desejo de fumar, dentre estas, temos por exemplo depressão e 
ansiedade, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo, nestes casos o 
doutor do programa sempre indicava tratamento em conjunto com um psiquiatra 
para acompanhar o tratamento. 
O programa consiste de quatro sessões de uma hora e meia, uma vez por 
semana, por um período de quatro semanas. Num programa com essa duração, 
obtém-se tanto êxito quanto num programa mais longo. Contendo todos os 
elementos que são significativos para ajudar fumantes a pararem de fumar e a 
permanecerem sem cigarros, ele aborda os comportamentos, pensamentos e 
sentimentos dos fumantes. Cada sessão inclui quatro etapas; atenção individual; 
estratégias e informações; revisão e discussão e tarefas. As sessões tiveram 
duração de cerca de 25 minutos cada. Foi feito perguntas a cada usuário; 
1- A quanto tempo você fuma? 
2- O que faz você fumar mais? 
3- Qual o obstáculo mais difícil para você deixar de fumar? 
4- Quanto tempo depois de levantar você acende o deu primeiro cigarro? 
O objetivo dessa discussão é mostrar que a nicotina é considerada uma droga 
que causa dependência química, ou seja, a perda do controle sobre o seu uso, em 
razão da necessidade psicológica e/ou física da mesma. Ela faz com que as 
pessoas fumem apesar de saberem dos sérios riscos à saúde. Isso explica por que 
grande parte dos fumantes deseja parar de fumar, mas não consegue. 
Foi colocado aos usuários que; ―Muitos fumantes têm dependência da nicotina. 
Se você tem um desejo intenso por cigarro ―fissura‖ e não consegue ficar sem fumar, 
é provável que esteja dependente. Por isso é normal que os primeiros dias sem 
cigarros sejam os mais difíceis; depois, ficar sem fumar é tão fácil quanto para outros 
ex-fumantes. 
45 
 
 
 
A dependência psicológica refere-se ao significado ou a função que o ―fumar‖ 
parece ter para você. A forma mais comum de dependência psicológica é o uso do 
cigarro para lidar com o estresse. Muitas pessoas sentem que o cigarro proporciona 
relaxamento; então, elas fumam sempre que estão tensas. Se fumar ajuda você a 
relaxar, é porque o cigarro lhe é familiar, da mesma forma que um amigo próximo. 
Assim sendo, é uma fonte de conforto pra você. Outras pessoas usam o cigarro 
como uma forma de lidar com a solidão. Num sentido muito real, o cigarro se torna 
um companheiro. Alguns fumantes sentem que fumar os estimula a serem criativos. 
Ainda, outros fumam mais quando estão contentes ou se divertindo.
Para eles, o 
cigarro parece estender o prazer. 
Muitos fumantes estão condicionados a fumar sempre que tomam café. 
Inicialmente, você começou apenas acendendo um cigarro após o seu café, porque 
parecia um momento apropriado ou porque era uma atividade social comum. Depois 
de algumas repetições, no entanto, a associação entre tomar café e fumar se tornou 
mais frequente, de forma que, agora, cada vez que você pega uma xícara de café, 
tem desejo de fumar. Para a maioria dos fumantes, existem muitas associações 
como essa. Outras associações comuns são entre fumar e consumir bebidas 
alcoólicas, fumar e falar ao telefone, fumar e escrever um relatório, fumar e assistir à 
televisão, fumar depois de comer. 
Existem dois métodos para deixar de fumar: parada abrupta e parada gradual. 
Foi dito aos participantes que a maioria das pessoas que conseguiram se tornar ex-
fumantes parou abruptamente, mas que tanto o método abrupto quanto o gradual 
são bons. Defina-as como: 
1. Parada abrupta significa parar de fumar de uma hora para outra, cessando 
totalmente o uso de cigarro. Por exemplo, você fuma normalmente dois maços de 
cigarros por dia hoje e nenhum amanhã. 
2. Parada gradual é aquela em que o fumante escolhe parar de fumar em 
alguns dias 
Temos também a redução que significa que a pessoa conta os cigarros e fuma 
um número menor, predeterminado, a cada dia. 
Por exemplo, um fumante de 30 cigarros por dia pode decidir reduzir o número 
de cigarros em cinco a cada dia, por seis dias, até a data escolhida por ele para 
46 
 
 
 
deixar de fumar. No primeiro dia desse período, ele pode fumar seus 30 cigarros 
usuais; no segundo dia 25; no terceiro 20; no quarto 15; no quinto 10; e no sexto 5. 
O dia seguinte (o sétimo dia) seria a data para deixar de fumar e o primeiro dia 
sem cigarros. Aconselhamos os participantes a terem em mente que diminuir apenas 
um cigarro por dia é insuficiente, a menos que já fumem pouco. 
Também explicamos aos usuários sobre o adiamento, que significa que a 
pessoa adia à hora na qual começa a fumar por um número de horas 
predeterminado a cada dia. Uma vez que comece a fumar cada dia mais tarde, não 
há necessidade de contar cigarros nem de se preocupar em reduzir o número a ser 
fumado. Por exemplo, o fumante pode decidir adiar por duas horas, a cada dia, a 
hora na qual começa a fumar durante um período de seis dias, até a data por ele 
escolhida para deixar de fumar. 
No primeiro dia, ele pode começar a fumar às 9 horas; no segundo dia às 11 
horas; no terceiro às 13 horas; no quarto às 15 horas; no quinto às 17 horas; e no 
sexto às 19 horas. O dia seguinte (o sétimo dia) é a data escolhida para deixar de 
fumar e o primeiro dia sem cigarros. 
O método gradual é recomendado para indivíduos que estão especialmente 
ansiosos a respeito de parar de fumar, pois não têm confiança nas suas chances de 
sucesso. Perceber que conseguem suportar um menor número de cigarros 
(redução) ou períodos de tempo maiores sem fumar (adiamento) pode aumentar a 
sua confiança. No entanto, entre os indivíduos com dependência física da nicotina, 
parar gradualmente pode resultar em desejo intenso pelo cigarro ainda mais 
pronunciado do que na interrupção abrupta. Enfatize que, se um participante 
escolher se preparar para deixar de fumar pelo método gradual, ele deve levar 
apenas alguns dias nesse método. Diminuir o número de cigarros por um período de 
tempo mais longo, tal como várias semanas, pode ser contraproducente; geralmente 
indica que o fumante ainda não está suficientemente motivado para deixar de fumar. 
Assim, diminuir o número de cigarros pode se tornar uma maneira de protelar mais 
do que uma forma de se preparar para deixar de fumar. Além disso, abster-se do 
cigarro lentamente faz com que os sintomas de abstinência persistam por um 
período de tempo mais longo, propiciando maior risco de recaída. 
Foi perguntado a cada participante qual a data que escolheu para deixar de 
fumar. Pergunte quem usou o método da parada abrupta e quem está usando um 
47 
 
 
 
dos métodos graduais. Parabenize os que já tenham parado de fumar, utilizando 
algum tempo para saber como estão se sentindo e para responder às perguntas que 
tenham sobre suas experiências desde que pararam de fumar. Cumprimente 
também os participantes que não pararam ainda, porém que tenham superado 
alguma situação que esperava ser difícil. Peça um retorno de todos sobre o teste 
Aspectos do Tabagismo, incluído no Manual do Participante. 
 
8.1 RESULTADOS 
 
O assistente tem um papel importante no tratamento do tabagismo, dentre 
estes que foram realizados obtivemos alguns resultados. A princípio foi realizado 
acolhimento e abertura de prontuário individual, em uma sala preparada e reservada 
para que o usuário pudesse sentir-se a vontade para se expressar e colocar suas 
duvidas, dentro deste contexto, obtivemos ótimos resultados, tendo vários 
depoimentos por parte de usuários que se sentiam gratos por ter o apoio e incentivo 
e que sentiam – se encorajados e confiantes de conseguis êxito em parar de fumar. 
Foi por meio de uma abordagem humanizada de escuta qualificada e sensível 
que recebíamos agrados como um vazo de flor que o usuário tinha em casa, sem ter 
condições financeiras que veio ao programa nos presentear com este simbólico, mas 
de grande valor, que nos incentivava a continuar com nosso trabalho junto a 
comunidade tabagista. 
O tabagismo é uma doença crônica gerada pela dependência à nicotina, droga 
presente nos derivados de tabaco que muitos usuários tinham constrangimento em 
falar em publico, em seu relato o senhor X nos colocou que sua filha não o deixava 
aproximar-se de seu neto sem lavar as mãos ou tomar banho, depois do tratamento 
concluído, o usuário foi pessoalmente agradecer a equipe, por ter parado de fumar. 
O grupo de controle de tabagismo era famoso pelo atendimento humanizado e 
acolhedor em Alvorada. 
Foi realizado leituras dos manuais, que aconteciam em dois dias, sempre 
perguntando como cada um estava se sentindo, os usuários eram orientados a 
diminuir a quantidade de cigarro um a cada semana, se preparando para a parada. 
48 
 
 
 
Eram orientados também a escolher um dia para parar, poderia ser um dia 
comemorativo ou uma data importante, teve usuários que tinham um caderno onde 
colocava como estava se sentindo no dia. 
Tivemos usuários que se sentiam frustrados com a recaída, e recebiam a 
orientação de que as recaídas faziam parte do tratamento, esta situação os 
fortalecia mostrando onde erraram, os fortalecendo para nova batalha a favor da 
saúde. 
Parar de fumar, é fundamental compreender que o cigarro faz parte da vida do 
usuário e que é muito difícil, tivemos uma moça que nos ligou chorando muito, 
relatando que sentia falta de alguma coisa mas não sabia o que era, orientamos que 
algumas pessoas tem no cigarro um companheiro de anos, que lhe fazia companhia 
nos momentos mais difíceis e este momento de parada teria o sentimento de perda, 
a usuária foi encaminhada para uma consulta com a psicóloga do setor, obtendo 
sucesso na parada do tabaco. 
Outro relato foi de um usuário que tendo feito a retirada de parte do intestino 
devido ao surgimento de câncer e com colostomia, foi acolhido pela equipe, foi feito 
acolhimento e escuta sensível, concluído o processo de parada obtendo vitória 
sobre o tabaco, veio ao setor nos abraçando a todos e com grande alegria em seu 
semblante, relatou ter tirado a colostomia e que tinha parado de fumar, o nosso 
sentimento foi de dever cumprido e que estávamos no caminho certo, nosso trabalho 
modifica vidas. 
Os planos para elaborar uma abordagem para a conclusão de curso foi reunir 
um grupo de desistentes que não teriam chegado nem ao menos à consulta, mas 
encontramos resistência por parte dos usuários, devido a pandemia, devido este à 
este motivo foi criado a modalidade de grupos
de whatsApp, onde muitos gostaram 
devido a praticidade de comunicação entre componentes do setor e usuários, 
quando agendado o grupo, compareceram somente duas senhoras onde 
concluímos a reunião juntamente com a assistente social e estagiaria. 
Entramos em contato com mais usuários, mas não obtivemos resultados, 
porem, devemos destacar que a vitória mais importante neste período de estagio foi 
ver que muitos dos usuários saiam mais confiantes para vencer o tabaco, 70% 
conseguem parar, a alegria da vitória não era somente por parar de fumar, mas sim 
pelas dificuldades vencidas, pela superação de cada um e vitória da saúde. 
49 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
 O trabalho exposto representa o encerramento de uma etapa de formação em 
Serviço Social, na qual foi possível compreender os aspectos da realidade e seus 
movimentos, bem como identificar as contradições que a permeiam. Representa 
também a oportunidade de compartilhar o conhecimento produzido, principalmente 
sobre a experiência acadêmica, vivenciada durante o processo de formação, 
contribuindo para o avanço do saber acerca da temática abordada. 
 Buscou-se apresentar elementos que marcaram a trajetória do fenômeno do 
consumo do tabaco, na realidade o tabaco existe na sociedade há milhares de anos, 
porém, o que se reconfigura e o que ganha destaque são as novas formas de 
consumo e suas funções contraditórias nas sociedades. Enfatiza-se que o tabagismo 
influencia e traz impactos à sociedade, visto que gera acumulação de capital para as 
indústrias, assim como causam efeitos nocivos na saúde da população, aumentando 
os gastos do sistema público de saúde. Em razão do conhecimento dos impactos do 
tabagismo, droga lícita, vem sendo aumentada a tributação sobre as indústrias que 
produzem o tabaco, buscando-se, contraditoriamente, a erradicação desse hábito no 
país, por meio dos serviços de saúde. 
 A intervenção ocorreu com acolhimento humanizado, questionário conforme 
protocolo do setor e de acordo com o que é indicado pelo INCA, leitura de quatro 
manuais informativos e educativos, também conforme o regulamento do INCA, 
encaminhamento para consulta médica com o clinico geral e encaminhamento para 
grupos de WhatsApp. 
 Uma das abordagens utilizadas foi a entrevista e abertura de prontuário; a 
entrevista trata de um encontro entre assistente social e usuário, possibilitando um 
processo de desconstrução, construção e reconstrução da problemática vivenciada 
pelos usuários (WUNSCH e FELIZARDO, 2003, p.13). 
 Uma entrevista adequada deve começar com acolhimento do usuário e não 
com o problema que o traz até o assistente social. Isso valoriza e fortalece o 
individuo que procura o profissional, reforçando sua auto estima e sua confiança de 
que possui os recursos necessários para vencer a problemática apresentada. 
Conforme Benjamim (1969, p56) afirma que para se faça uma boa entrevista é 
necessário tomar cuidados com fatores externos e de atmosfera, como a preparação 
da sala e o cuidado com as interrupções, bem como com fatores internos do 
50 
 
 
 
entrevistador, a exemplo trazer-se a si mesmo e ter desejo de ajudar, conhecer a si 
mesmo, confiar nas próprias idéias e ser honesto, ouvir e absorver. 
 E juntamente da entrevista, a escuta; inicialmente, o ato de ―parar para ouvir‖ 
significa atender ao desejo do usuário: ser ouvido. Ao longo da história do Serviço 
Social como profissão e como área de construção de conhecimento teórico-
metodológico e técnico operacional, a escuta do usuário aparece como prática no 
relacionamento, passando inicialmente pela afetividade, mas que, no avanço do 
debate, adentra ao campo da mediação e passa a incluir a totalidade das relações 
sociais, na qual estão envolvidas dimensões políticas e problematizadoras. 
(CHUPEL e MIOTO, 2010). 
 Durante os acolhimentos e escuta sensíveis realizados, no Programa de 
Tratamento, foi possível acompanhar e avaliar o processo individual e o caminho 
percorrido para atingir o objetivo dos sujeitos, que era parar de fumar, 
acompanhamento em relação à manutenção do tratamento. 
 Na perspectiva da promoção de saúde, foi possível perceber que os usuários 
através do programa, compreenderam o tabagismo enquanto doença e como a 
dependência do tabaco é passível de tratamento. Considera-se, portanto, que a 
formação em Serviço Social proporcionou a superação das impressões superficiais 
da realidade, estimulando a buscar a essência das relações que se constituem na 
sociedade capitalista que, através dos tensionamentos entre o capital e o trabalho, 
produz e reproduz expressões da questão social. 
 A ampliação da visão de mundo, sociedade ser humano, possibilitou a 
acadêmica o desvendamento das contradições presentes na realidade, bem como 
―plantou‖ a inquietude em investigar e analisar possibilidades de transformação 
dessa realidade contraditória, através de ações norteadas pelo projeto ético-político 
da profissão. O processo de formação, portanto, agregou importantes contribuições 
não só sob o ponto de vista acadêmico, mas pessoalmente, ao transformar as 
percepções da acadêmica enquanto sujeito integrante da realidade, possibilitando o 
desenvolvimento de uma visão crítica sobre as possibilidades de atuação e o 
exercício de cidadania, dentro do contexto econômico e social vigente. 
 O hábito de fumar traz muitos malefícios a saúde dos pacientes tabagistas, o 
que representa um prejuízo financeiro de grande importância ao poder público e 
enorme problema na saúde, sendo que um número elevado de enfermidades 
51 
 
 
 
crônicas e respiratórias, câncer e outros, são consequência do uso do tabaco. Esse 
índice é bem elevado, mas pode ser evitado com programas de prevenção e ações 
simples de baixo custo e dessa forma diminuir a prevalência de doenças e 
patologias relacionadas ao tabagismo e consequentemente melhorando a qualidade 
de vida dessa população. 
 Diante dos problemas mencionados é importante é importante aumentar a 
adesão de usuários no PCNT no município de Alvorada/RS, intensificar a 
abordagem do usuário, bem como de seus familiares, redirecionando estratégias de 
educação em saúde, através de profissionais capacitados e envolvidos em ações de 
saúde, levando a população uma melhor qualidade de vida e cessão do tabagismo. 
 Os serviços de saúde são fundamentais para atuar no cuidado aos sujeitos 
dependentes do tabaco, com o objetivo de diminuir a incidência de doenças crônicas 
não transmissíveis, os diversos tipos de neoplasias associadas ao tabagismo, 
doenças respiratórias, ósseas e cardiovasculares. 
 É importante destacar que, o trabalho de prevenção à essa dependência 
química que, em 2003 , passou a ser considerado uma pandemia; e a partir desse 
momento, obrigou-se restrições ao plantio de tabaco, foram estabelecidas medidas 
de apoio à cessação deste vício, além de ser requerido uma legislação que 
garantisse ambientes livres da poluição da fumaça do cigarro; e tendo em vista o 
crescente aumento do número de tabagistas e consequências disso para a 
sociedade, refletir sobre estratégias e possibilidades de atuação do profissional de 
Serviço Social na saúde, é sumamente importante e necessário. 
 A prática profissional no interior desses espaços da saúde, torna-se um objeto 
de estudo valioso para a construção e localização do trabalho desenvolvido pela 
categoria, no caso específico do Programa de Controle do Tabagismo, a atuação do 
assistente social se insere em uma equipe multidisciplinar, onde o enfrentamento 
entre os saberes profissionais se fazem presente cotidianamente. 
 Inseridos nestas equipes multidisciplinares, o trabalho do profissional de 
Serviço Social perpassa também pelo trabalho de prevenção, pois esta atuação na 
área da prevenção é inerente ao exercício da profissão. 
 Entendemos que a melhor maneira de superar a ocorrência de situações de 
dependência do tabaco é através de ações permanentes
e regulares envolvendo a 
participação de indivíduos, família, e grupos, motivações, atitudes e ações a partir de 
52 
 
 
 
uma construção coletiva de novos propósitos que possam conjugar esforço e 
políticas públicas. 
 Nestas ações, verifica-se o elo existente entre a humanização com a proposta 
da Reforma Sanitária Brasileira, bem como os princípios norteadores do Sistema 
Único de Saúde. Compreende-se que, para enfrentar o tabagismo requer um esforço 
multidisciplinar, onde o assistente social possa realizar suas ações interventivas 
dentro de suas competências e atribuições, onde socializa o indivíduo, articula a 
intersetoriedade da rede e instiga a comunidade a melhorar a qualidade de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
 
 
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