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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – UFC PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFEMAGEM EM ESTOMATERAPIA MARCELO LEITE CAVALCANTE PAULO CORJESU BRITO ALVES FRANCISCA REGINA GADELHA DE QUEIROZ ÚLCERA HIPERTENSIVA DE MARTORELL – UM ESTIUDO DE CASO FORTALEZA, 2023 INTRODUÇÃO A úlcera de Martorell é uma condição que geralmente está relacionado ao baixo controle da hipertensão arterial, ocorre mais em público feminino que masculino e sua presença anatomicamente está localizado em sua grande maioria na parte inferior da perna acima do tendão de Aquiles (CALLE et al., 2020). A úlcera hipertensiva geralmente é caracterizada de forma arredondada, de dois a quatro centímetros de diâmetro, de base granulosa ou necrótica, extremamente dolorosa até desproporcional ao tamanho da lesão (FREIRE, 2006). METOLOGIA O presente estudo é uma pesquisa metodológica do tipo estudo de caso. A coleta de dados ocorreu no Hospital municipal João Elísio de Holanda, no município de Maracanaú – Ceará, no ambulatório de estomaterapia. Foram utilizadas informações secundárias com base nos prontuários e fotografias. Houve avaliação clínica da paciente bem como definição de conduta e anamnese. APRESENTAÇÃO DO CASO Paciente, A.V.F.L., feminina, 57anos, Hipertensão Arterial Sistêmica, com dificuldade de aderir ao tratamento. Deu entrada no ambulatório de estomaterapia dia 02/12/2022, apresentando úlcera na região inferior da perna, acima do tendão de aquiles. Relata inicio da lesão há sei anos, após diagnóstico de chikungunya e que, vem com processo de “melhora e piora do quadro até a presente data”. Antes do comparecimento no ambulatório, paciente refere ter tomado antibióticoterapia via oral (amoxicilina com clavulanato de potássio) por sete dias e curativo diário com colagenase com clorafenicol uma vez por dia. Realizado Ultrassom com doppler no membro, sem alterações. Coletado exames laboratoriais no qual não evidenciou leucocitose. Todas as condutas foram realizadas pelos profissionais da UABS de seu município/bairro. Lesão com 4x3,1cm, bordas regulares, arredondadas, ausência de maceração e exsudato. Necrose de coagulação em toda a ferida, odor característico. Refere dor intensa mesmo sem manuseio e piora da dor quando pressão arterial alterada. Conduta: Realizado limpeza com solução de poliexanida (PHMB). Técnica de square em necrose de coagulação, uso de creme barreira em bordas para evitar maceração e curativo com hidrogel uma vez ao dia para iniciar desbridamento autolítico. Orientado quanto aos riscos e impotência de aderir ao tratamento tanto da hipertensão arterial quanto dos cuidados com a ferida. Marcado retorno no ambulatório de estomaterapia com uma semana. Paciente retorna ao ambulatório dia 08/02/2022, sem melhora da dor e ainda com quadro de hipertensão arterial, referindo que continuava sem aderir ao tratamento da forma como foi orientada pelos profissionais. Ferida apresentando tecido necrótico pouco aderido ao leito, bordas com discreta maceração, odor característico e exsudato em pouca quantidade. Conduta: Realizado limpeza da ferida com solução de PHMB. Desbridamento instrumental de tecido necrótico parcial, de acordo com aceitação da paciente respeitado seus limites de dor. Uso de creme barreira em bordas para melhora e prevenção de maceração. Curativo com hidrogel e sulfadiazina de prata duas vezes ao dia sendo intercalados a cada dia. No dia 02/06/2023, realizado avaliação da paciente, no qual relata melhora significativa da dor, bem como controle eficaz da hipertensão associando a terapia medicamentosa com a nutricional. Orientado importância do exercício físico (acompanhado por um profissional especializado) para auxiliar no controle da hipertensão. Lesão 2,4x1,2cm, com tecido de granulação em maior área e um ponto discreto de esfacelo na região inferior da ferida. Exsudato em pouca quantidade, de aspecto seroso, odor característico. Bordas regulares com ausência de maceração. Área peri ferida, sem sinais flogísticos. Conduta: Realizado limpeza com solução de PHMB na ferida e peri lesão pra controle microbiano. Desbridamento instrumental de esfacelo, no intuito de manter apenas tecido viável. Uso de creme barreira em bordas para prevenção de maceração e curativo primário com hidrofibra com prata para tratar possível infecção tópica local. Troca a cada três dias por 15 dias. Paciente segue em acompanhamento no ambulatório de estomaterapia. DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM, INTERVENÇÕES E RESULTADOS ESPERADOS. · Mobilidade física prejudicada. Fator relacionado à dor, estilo de vida sedentário, conhecimento insuficiente sobre o valor da atividade física. Condições associadas à alteração no metabolismo, bem como hipertensão arterial sistêmica. Intervenções e resultados esperados: Cuidado com a lesão, controle da hipertensão arterial e dor. · Risco de infecção. Fator relacionado à alteração na integridade da pele. Condições associadas à doença crônica, procedimento invasivo e resposta inflamatória. Intervenção e resultados esperados: Tratamento de feridas, proteção contra infecções e controle da infeção. REFERÊNCIAS CALLE, Juan Francisco Jacome; MARÍN, Sebastián Gabriel Yumiseva; CARVAJAL, Carlos Alberto Suárez; MENA, Victoria Pamela Carrera. Ulcera de Martorell: diagnóstico. Reci Mundo: revista científica mundo de lainvestigación y el conocimiento, Quito, p. 55-62, 31 jan. 2020. FREIR, Bruna Malburg; FERNANDES, Nurimar Conceição; PIÑEIRO-MACEIRA, Juan. Úlcera hipertensiva de Martorell: relato de caso. Anais Brasileiro de Dermatologia: Sociedade Brasileira de Dermatologia, Rio de Janeiro, v. 81, p. 327-331, 22 dez. 2006. HERDMAN, Heather T.. Diagnósticos de enfermagem da nanda-I: definições e classificados 2018-2020.