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CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL CURSO DE BACHARELADO EM ENFERMAGEM Milena de Quadros Neto - UL23109655 RELATÓRIO DO ESTÁGIO II: ENFERMAGEM EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA ALTAMIRA – PA 2026 Milena de Quadros Neto RELATÓRIO DO ESTÁGIO II: ENFERMAGEM EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Relatório apresentado ao Curso de Bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Polo Altamira – PA, como requisito de avaliaçãao, sob orientação da Enf.ª Joelma Santos de Oliveira Souza. ALTAMIRA – PA 2026 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................4 2 OBJETIVOS..........................................................................................................................5 2.1 Objetivo geral...............................................................................................................5 2.2 Objetivos específicos..................................................................................................5 3 DESENVOLVIMENTO........................................................................................................ 6 3.1 Organização da atenção e trabalho da enfermagem............................................6 3.2 Acolhimento e classificação de risco....................................................................... 7 3.3 Avaliação inicial e vigilância clínica..........................................................................8 3.4 Dor torácica e condições cardiovasculares agudas.............................................. 9 3.5 Reconhecimento da sepse e cuidado organizado...............................................10 3.6 Parada cardiorrespiratória e atuação em equipe.................................................11 3.7 Atendimento ao trauma e necessidades de cuidado.......................................... 13 3.8 Acidente vascular cerebral e atenção à pessoa idosa........................................14 3.9 Processo de Enfermagem e documentação clínica............................................15 3.10 Segurança no uso de medicamentos..................................................................16 3.11 Comunicação e passagem de plantão................................................................17 3.12 Humanização e participação do paciente e da família.....................................18 3.13 Gestão do cuidado e saúde dos trabalhadores.................................................19 3.14 Educação permanente e aprendizagem no Estágio II......................................20 4 METODOLOGIA................................................................................................................ 22 5 CONCLUSÃO.....................................................................................................................23 REFERÊNCIAS.....................................................................................................................24 4 1 INTRODUÇÃO A enfermagem em urgência e emergência envolve decisões que precisam considerar a gravidade clínica, o sofrimento da pessoa e a capacidade de resposta do serviço. Nesse cenário, o cuidado exige reconhecimento de prioridades, acompanhamento contínuo e articulação entre profissionais. Rabelo et al. (2020) identificam que a atuação do enfermeiro reúne dimensões assistenciais e gerenciais, mostrando que a organização do trabalho integra a própria assistência. Assim, compreender esse campo requer analisar tanto o atendimento direto quanto as condições que permitem realizá-lo com segurança. O presente Relatório do Estágio II aborda os fundamentos da assistência de enfermagem em urgência e emergência, com base em publicações disponíveis na Scientific Electronic Library Online (SciELO). O texto foi organizado como estudo teórico relacionado à formação no estágio, sem apresentar dados de pacientes ou atribuir à estudante procedimentos não documentados. Seu eixo é a relação entre conhecimento clínico, responsabilidade profissional e organização do cuidado, tomando como referência a discussão de competências realizada por Ferreira, Balsanelli e Santos (2023). A chegada ao serviço representa apenas o início de um percurso assistencial. O usuário pode necessitar de intervenção imediata, permanecer em observação ou ser encaminhado a outro ponto de atenção. Cada mudança exige comunicação clara e definição de responsabilidades. A literatura sobre acolhimento destaca que a priorização precisa estar vinculada a processos de trabalho organizados e à continuidade do atendimento; a simples adoção de uma classificação não resolve, isoladamente, as dificuldades do serviço (Hermida et al., 2018). A relevância do tema para a formação em enfermagem também está na necessidade de conciliar rapidez e cuidado individualizado. Situações críticas não eliminam a importância da escuta, da privacidade e da informação à família. Sousa et al. (2019) relacionam a humanização à organização da rede, à estrutura dos serviços e ao trabalho multiprofissional. Essa compreensão orienta a análise desenvolvida neste relatório: a qualidade depende de decisões clínicas fundamentadas e de relações de cuidado que reconheçam o usuário como sujeito. 5 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Analisar a assistência de enfermagem em urgência e emergência, relacionando prioridades clínicas, organização do cuidado, segurança e humanização à formação no Estágio II. O objetivo parte da compreensão de que competência profissional envolve mobilizar conhecimentos e habilidades diante de situações concretas, considerando também as relações de trabalho e a necessidade de atualização (Ferreira; Balsanelli; Santos, 2023). 2.2 Objetivos específicos Compreender o acolhimento com classificação de risco e discutir como a avaliação inicial, a reavaliação e os fluxos assistenciais contribuem para organizar o atendimento. Pretende-se diferenciar a atribuição de uma prioridade da responsabilidade de acompanhar a pessoa durante sua permanência no serviço, à luz da avaliação de estrutura, processo e resultado apresentada por Hermida et al. (2018). Examinar aspectos do cuidado relacionados a dor torácica, sepse, parada cardiorrespiratória, trauma e acidente vascular cerebral, com foco no reconhecimento de necessidades e na articulação da resposta assistencial. A proposta é discutir a participação da enfermagem sem transformar este relatório em protocolo de prescrição ou substituir rotinas institucionais e avaliação clínica individualizada (Barros e Silva et al., 2025; Goulart et al., 2019). Discutir o papel da documentação, da identificação de prioridades e da comunicação na continuidade da assistência. Busca-se compreender de que modo instrumentos de organização e passagens de plantão estruturadas podem apoiar o acompanhamento do paciente e a definição de responsabilidades entre os profissionais (Rabelo et al., 2021; Schorr et al., 2020). Refletir sobre humanização, condições de trabalho e educação permanente, articulando esses elementos à aprendizagem supervisionada e ao reconhecimento de necessidades de atualização profissional (Sousa et al., 2019; Turra et al., 2024). 6 3 DESENVOLVIMENTO 3.1 Organização da atenção e trabalho da enfermagem Rabelo et al. (2020), em pesquisa qualitativa com enfermeiros de um serviço hospitalar de emergência, organizaram a análise em características do ambiente, dimensão assistencial, dimensão gerencial e gerenciamento do cuidado. A contribuição central desse estudo está em aproximar atividades frequentemente tratadas como separadas. Avaliar um paciente, organizar recursos e acompanhar a distribuição das tarefas são partes de um mesmo trabalho quando influenciam a possibilidade de responder às necessidades identificadas. A discussão de Santos et al. (2013) acrescenta que superlotação, manutenção da qualidade e exercício da liderança constituem desafios para o gerenciamento. Osresultados se referem a um contexto específico e não devem ser usados para descrever automaticamente qualquer unidade. Ainda assim, ajudam a formular uma pergunta útil à formação: quais condições do serviço favorecem ou dificultam que uma prioridade reconhecida seja efetivamente atendida? Essa pergunta desloca a análise da execução isolada de procedimentos para o percurso completo do cuidado. Neste relatório, propõe-se examinar esse percurso em três momentos articulados: entrada, permanência e saída. Na entrada, interessa compreender como a necessidade é reconhecida e a quem a informação é transmitida. Durante a permanência, é necessário identificar quem acompanha alterações, exames pendentes e respostas às intervenções. Na saída, a análise deve considerar a comunicação com o paciente e com o serviço que dará continuidade à assistência. Trata-se de uma organização didática elaborada para o estudo, e não de resultado observado em uma instituição. Outro eixo de reflexão é distinguir demanda de capacidade assistencial. O número de pessoas presentes não explica sozinho o trabalho exigido: dependência, instabilidade, necessidade de observação e dificuldades de comunicação modificam a carga de cuidado. Para discutir um cenário com a supervisão, a estudante pode descrever essas necessidades sem expor identificadores pessoais. A finalidade dessa descrição é compreender por que determinadas tarefas foram priorizadas e quais cuidados precisaram ser reorganizados diante de mudanças no setor. 7 A leitura conjunta dos estudos permite interpretar a gestão como responsabilidade vinculada ao paciente, e não apenas ao funcionamento administrativo. Como aplicação formativa, convém analisar uma decisão pelo problema que buscava resolver, pelos recursos disponíveis e pela forma de verificar seu resultado. Essa proposta favorece uma apreciação mais rigorosa do trabalho: cumprir uma tarefa não significa, necessariamente, ter respondido à necessidade que a originou (Rabelo et al., 2020; Santos et al., 2013). 3.2 Acolhimento e classificação de risco Hermida et al. (2018) avaliaram o acolhimento com classificação de risco na perspectiva de médicos e enfermeiros de uma Unidade de Pronto Atendimento. Embora a priorização dos casos graves tenha recebido avaliações relativamente favoráveis, as dimensões de estrutura, processo e resultado apresentaram fragilidades. O achado evidencia que reconhecer a gravidade e organizar todo o atendimento são problemas relacionados, mas distintos. A qualidade do acolhimento precisa ser examinada para além da existência de um protocolo ou de uma sala destinada à classificação. No plano conceitual, acolher envolve receber a demanda, escutar e encaminhar uma resposta responsável. A classificação organiza a prioridade clínica segundo critérios do protocolo adotado. O usuário não deixa de necessitar de orientação porque recebeu uma categoria de menor prioridade. Essa diferença é relevante para evitar que a classificação seja percebida apenas como autorização para entrar ou permanecer esperando. A discussão de Sousa et al. (2019) permite relacionar acolhimento, humanização e organização do atendimento. Como exercício de análise proposto neste trabalho, pode-se acompanhar uma situação hipotética em que a queixa inicial parece estável, mas se modifica durante a espera. A pergunta principal não seria apenas qual categoria foi atribuída, mas como a mudança seria comunicada e reavaliada. O exercício não pressupõe erro na avaliação anterior: ele evidencia que decisões clínicas se apoiam nas informações disponíveis em determinado momento e precisam ser revistas quando surgem novos elementos. Para a formação, também é útil distinguir o relato do paciente da interpretação profissional. Registrar a queixa com clareza preserva informações que podem perder 8 significado quando substituídas por rótulos genéricos. Uma discussão supervisionada pode comparar o que foi informado, o que foi observado e a justificativa da prioridade, sempre sem reproduzir dados identificáveis. Esse modo de estudar permite reconhecer lacunas na coleta de informações e dúvidas que merecem aprofundamento teórico. A partir das limitações apontadas por Hermida et al. (2018), a proposta deste relatório é que a avaliação do acolhimento inclua perguntas sobre acesso à reavaliação, clareza das orientações e continuidade do percurso. Não se trata de medir a qualidade somente pela velocidade. Um atendimento pode ser rápido e ainda deixar dúvidas importantes sem resposta. O compromisso formativo consiste em examinar se a organização permite que o paciente seja acompanhado de acordo com suas necessidades. 3.3 Avaliação inicial e vigilância clínica A avaliação inicial precisa produzir informações úteis à decisão e não apenas preencher campos. Em situações agudas, o interesse está em reconhecer alterações relevantes, relacioná-las à queixa e comunicar a necessidade de resposta. A diretriz de dor torácica exemplifica essa relação ao vincular a identificação de sintomas suspeitos à investigação oportuna. Sua aplicação exige considerar o contexto clínico e não transformar um achado isolado em conclusão diagnóstica definitiva (Barros e Silva et al., 2025). Na discussão sobre sepse, Goulart et al. (2019) identificaram lacunas no conhecimento de enfermeiros de enfermarias sobre reconhecimento e manejo. Embora o cenário investigado não seja uma unidade de emergência, o estudo é pertinente à reflexão sobre vigilância: a proximidade com o paciente só se converte em oportunidade assistencial quando os sinais percebidos são interpretados e comunicados. O artigo sustenta a necessidade de capacitação e de organização institucional, sem permitir inferir a competência de uma equipe não avaliada. Como recurso didático, este relatório propõe analisar a observação clínica em quatro perguntas: o que mudou, em relação a qual condição anterior, em que momento e qual providência foi tomada? Esse encadeamento ajuda a diferenciar um registro descritivo de uma comunicação capaz de orientar decisões. Um valor numérico pode ser relevante, mas sua interpretação exige contexto; do mesmo 9 modo, uma alteração relatada pelo paciente merece investigação mesmo quando ainda não existe uma medida que a explique. A estudante pode utilizar essas perguntas em discussões de casos simulados, verificando se a informação transmitida permite ao interlocutor compreender a prioridade. Expressões vagas, como afirmar apenas que alguém está pior, não explicitam a alteração observada nem sua evolução. A proposta é aprender a apresentar dados objetivos, reconhecer incertezas e indicar o motivo da preocupação. Esse treino deve ocorrer com supervisão e não autoriza atuação independente além das competências previstas na formação. A vigilância também pressupõe retorno à situação após a primeira providência. Para fins de análise acadêmica, interessa perguntar se houve nova avaliação e como a resposta foi registrada. Esse fechamento permite compreender o cuidado como processo, e não como sequência de ações desconectadas. A reflexão dialoga com a importância dos instrumentos de acompanhamento descritos por Rabelo et al. (2021), mas constitui uma proposta de organização do raciocínio para este relatório, sem representar validação de um instrumento clínico. 3.4 Dor torácica e condições cardiovasculares agudas A dor torácica exige avaliação orientada à identificação de condições potencialmente graves. A Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência de 2025 recomenda eletrocardiograma em até dez minutos nos pacientes com indicação de abertura do protocolo, com acionamento médico em paralelo. Também ressalta que a avaliação não se encerra em um único exame. Para a enfermagem, a contribuição está no reconhecimento da demanda e na organização do fluxo previsto pelo serviço (Barros e Silva et al., 2025). A mesma diretriz discute sintomas equivalentes e diagnósticosdiferenciais, o que impede reduzir o atendimento à busca de uma apresentação considerada típica. A leitura acadêmica deve preservar essa amplitude sem atribuir ao relatório a função de estabelecer condutas individuais. A interpretação de exames e a definição terapêutica dependem de avaliação clínica e protocolos pertinentes. O ponto de aprendizagem é reconhecer que uma hipótese inicial precisa ser examinada, e não assumida como diagnóstico confirmado (Barros e Silva et al., 2025). 10 Como aplicação didática, propõe-se construir uma linha do tempo de um caso fictício, contendo chegada, reconhecimento da queixa, comunicação, realização do exame e reavaliação. O objetivo não é inventar indicadores de desempenho, mas identificar onde uma informação pode se perder. Se o exame foi realizado, mas não chegou a quem precisava avaliá-lo, a tarefa técnica foi concluída sem que o processo assistencial estivesse completo. Essa distinção oferece um critério concreto para analisar a organização do trabalho. Outra questão formativa é a comunicação com quem apresenta dor e medo. Explicar de modo breve o que está sendo feito pode favorecer a participação do paciente sem atrasar o atendimento. No exercício proposto, a estudante deve elaborar uma explicação compreensível e compatível com seu papel, evitando promessas de desfecho ou afirmações diagnósticas não confirmadas. Em seguida, a supervisão pode discutir se a linguagem utilizada esclarece o procedimento e respeita a incerteza presente naquele momento. A análise desse tema permite integrar prontidão e continuidade. A primeira avaliação não elimina a necessidade de observar mudanças durante a permanência no serviço. Como reflexão autoral, considera-se que o registro de horários só adquire utilidade quando permite reconstruir o percurso e localizar dificuldades passíveis de melhoria. A revisão de um caso deve, portanto, investigar a relação entre informação, decisão e resposta, sem limitar a qualidade ao cumprimento formal de uma etapa. 3.5 Reconhecimento da sepse e cuidado organizado Goulart et al. (2019) investigaram conhecimentos de enfermeiros sobre sepse e identificaram fragilidades de atualização e treinamento. Os autores destacaram a necessidade de educação permanente e de protocolos institucionais. O estudo não permite extrapolar seus resultados para todos os profissionais, mas demonstra que experiência de trabalho e segurança subjetiva não substituem verificação do conhecimento. Na formação, esse achado reforça a importância de reconhecer dúvidas antes que sejam incorporadas à rotina como certezas. A sepse envolve disfunção orgânica ameaçadora à vida associada a uma resposta desregulada à infecção. Para a discussão acadêmica, interessa relacionar suspeita de infecção e alterações clínicas que demandem avaliação imediata. O 11 relatório não estabelece critérios isolados de diagnóstico, doses ou esquemas terapêuticos. Seu foco é compreender a participação da enfermagem no reconhecimento, na comunicação e na execução acompanhada das medidas definidas pela equipe e pelo protocolo institucional (Goulart et al., 2019). Como proposta de estudo, pode-se organizar uma situação fictícia em três registros: informações disponíveis na chegada, alterações percebidas durante a observação e comunicação realizada. A comparação entre esses registros ajuda a identificar dados que ficaram incompletos. Se a mudança foi reconhecida, mas não houve definição de quem receberia a informação, o problema situa-se na continuidade da resposta. Esse exercício deve ser discutido com a orientação acadêmica e não constitui ferramenta validada de rastreamento. Outro ponto é diferenciar a existência de um protocolo de sua utilização efetiva. Uma análise formativa pode perguntar onde o documento está disponível, quem precisa conhecê-lo e como dúvidas de aplicação são resolvidas. Essas perguntas são propostas deste relatório para examinar a organização do serviço; não representam diagnóstico de falhas em um campo de estágio específico. O interesse está em compreender que conhecimento institucional precisa ser acessível no momento em que orienta uma decisão. O acompanhamento posterior às medidas iniciais também deve fazer parte da discussão. Em uma simulação, a estudante pode ser convidada a explicar quais informações gostaria de verificar novamente e por quê, sempre com validação da supervisão. Assim, o aprendizado ultrapassa a memorização de uma sequência e passa a considerar a resposta do paciente. A contribuição educacional do tema está na construção de um raciocínio que reconheça urgência, comunique incerteza e mantenha a responsabilidade pelo seguimento. 3.6 Parada cardiorrespiratória e atuação em equipe Turra et al. (2024) avaliaram conhecimentos e percepções da equipe de enfermagem antes e depois de simulação realizada em uma Unidade de Pronto Atendimento. A intervenção não produziu mudança estatisticamente significativa no conhecimento avaliado, e os relatos apontaram dificuldades de organização, experiência e treinamento. O resultado é relevante porque impede tratar qualquer 12 atividade de capacitação como prova automática de competência. É necessário examinar o que foi aprendido e quais fragilidades permaneceram após a atividade. O estudo também reforça a pertinência de discutir o preparo coletivo para situações de ressuscitação. O atendimento depende de ações coordenadas e de profissionais capazes de compreender sua participação no conjunto. Neste relatório, a abordagem permanece voltada à organização e à formação, sem reproduzir algoritmos clínicos ou esquemas de medicamentos. Os procedimentos devem seguir recomendações atualizadas, treinamento específico e protocolo institucional, respeitando a condição do paciente e a competência de cada integrante (Turra et al., 2024). Como proposta didática, uma simulação pode ser examinada em três tempos: preparação, execução e discussão posterior. Na preparação, definem-se os objetivos de aprendizagem e os limites da atividade. Durante a execução, observam- se reconhecimento de prioridades, comunicação e coordenação. Na discussão posterior, cada participante descreve as razões de suas decisões e recebe retorno. Esse roteiro é uma sugestão de análise acadêmica e não um protocolo de atendimento ou um instrumento validado de avaliação. A revisão do desempenho pode diferenciar falta de conhecimento, dificuldade técnica e falha de comunicação. Essas situações não exigem necessariamente a mesma resposta educacional. A dúvida conceitual pode demandar leitura dirigida; a habilidade prática, repetição supervisionada; e a comunicação, treino específico. O valor dessa distinção está em evitar que uma orientação genérica para estudar mais substitua a identificação do problema concreto que precisa ser trabalhado. Por fim, convém discutir a diferença entre sentir confiança e demonstrar desempenho. Uma atividade bem recebida pode ser relevante, mas a satisfação não informa, sozinha, se as competências foram consolidadas. Araújo et al. (2021) avaliaram retenção de conhecimento em outro contexto formativo, oferecendo um exemplo de acompanhamento para além do momento imediato. A leitura conjunta permite propor avaliações sucessivas e feedback direcionado, preservando as diferenças entre populações e métodos dos estudos. 13 3.7 Atendimento ao trauma e necessidades de cuidado Sallum e Sousa (2012) investigaram diagnósticos de enfermagem em vítimas de trauma nas primeiras horas após o evento. Entre as necessidades identificadas estavam alterações de integridade cutânea e tissular, dor, desconforto e risco de infecção. O estudo contribui para reconhecer que o cuidado não se limita ao mecanismo da lesão. A avaliação precisa considerar as respostas humanas e sua evolução, sem presumir que os diagnósticos encontrados em uma amostra se apliquem indistintamente a cada paciente. A utilidade acadêmica desses resultados está na articulação entre avaliaçãoe planejamento. Identificar uma necessidade permite justificar o cuidado e definir o que será acompanhado posteriormente. Entretanto, o nome de um diagnóstico não substitui a descrição dos dados que o sustentam. Também não autoriza reproduzir classificações antigas sem consultar a terminologia utilizada pelo serviço. O artigo é empregado neste relatório como evidência da diversidade de necessidades no trauma e do potencial do raciocínio de enfermagem (Sallum; Sousa, 2012). Para o estudo supervisionado, propõe-se comparar duas descrições de um mesmo caso fictício: uma restrita à lesão e outra que inclua dor, mobilidade, comunicação, conforto e dependência. A comparação pode revelar o que permanece invisível quando a atenção se concentra em um único aspecto. Não se pretende colocar todas as necessidades no mesmo nível de prioridade, mas compreender como elas voltam a ser consideradas à medida que o quadro permite ampliar a avaliação. Outro exercício possível é examinar a coerência entre problema identificado, ação proposta e resultado esperado. Se há uma necessidade registrada sem uma forma de acompanhamento, o planejamento está incompleto do ponto de vista didático. A estudante pode explicar à supervisão qual mudança gostaria de observar para reconhecer melhora ou necessidade de revisão. Essa atividade torna o raciocínio explícito e favorece a discussão de alternativas, sem pressupor prescrição autônoma de cuidados em situação real. A abordagem do trauma também permite refletir sobre privacidade e comunicação em ambientes movimentados. Como proposta deste relatório, o caso simulado deve incluir não apenas a condição física, mas a maneira como a pessoa é informada e protegida da exposição desnecessária. A integralidade pode, então, ser 14 discutida por escolhas concretas. O cuidado urgente continua orientado por prioridades, mas a existência de prioridades não elimina a necessidade de reconsiderar aspectos inicialmente adiados. 3.8 Acidente vascular cerebral e atenção à pessoa idosa Moura et al. (2018) desenvolveram pesquisa-ação com profissionais de enfermagem para elaborar estratégias de atendimento a idosos com suspeita ou diagnóstico de acidente vascular cerebral. A intervenção envolveu identificação de dificuldades e construção de ações com diferentes prazos de implementação. A contribuição do estudo está em mostrar que qualificação assistencial pode ser trabalhada coletivamente, relacionando necessidades do serviço, responsabilidades e possibilidades de mudança, sem reduzir a educação a transmissão de conteúdos. O artigo ressalta a importância do reconhecimento e encaminhamento oportunos, assim como das particularidades do cuidado à pessoa idosa. Neste relatório, não são reproduzidas janelas terapêuticas ou critérios de tratamento, pois essas decisões exigem protocolos atuais e avaliação individual. O enfoque é a participação da enfermagem na obtenção de informações relevantes, no acompanhamento e na comunicação com a equipe e os familiares, preservando a autonomia possível do paciente (Moura et al., 2018). Como situação didática, pode-se discutir uma pessoa que apresenta dificuldade para relatar o início de seus sintomas. A proposta é examinar como buscar informações complementares sem desconsiderar sua participação. A família pode contribuir, mas a comunicação não deve transformar o paciente em alguém ausente da conversa. A estudante pode elaborar perguntas simples e discutir com a supervisão quais informações precisam ser confirmadas, quais permanecem desconhecidas e como registrar essa incerteza. Outra possibilidade é analisar necessidades que persistem após a avaliação inicial. Um caso fictício pode incluir limitação funcional, dificuldade de compreensão e preocupação do acompanhante com os cuidados posteriores. O objetivo é perceber que a estabilização de uma condição não encerra o planejamento. As decisões de continuidade precisam considerar quem receberá orientações, como será verificada a compreensão e quais responsabilidades serão transmitidas à equipe seguinte. 15 A proposta formativa derivada dessa discussão é construir um plano de aprendizagem com metas verificáveis: compreender o fluxo institucional, praticar comunicação supervisionada e revisar o registro de mudanças clínicas. Essas metas pertencem ao processo educacional e não indicam que tais atividades já ocorreram no estágio. O estudo de Moura et al. (2018) oferece uma referência para pensar melhorias participativas, enquanto o relatório explicita aplicações possíveis sem apresentar dados locais inexistentes. 3.9 Processo de Enfermagem e documentação clínica Os diagnósticos discutidos por Sallum e Sousa (2012) mostram como as necessidades de cuidado podem ser organizadas a partir da avaliação. O interesse formativo está em manter a ligação entre dados, julgamento e acompanhamento. Utilizar linguagem profissional não deve ocultar o raciocínio: o registro precisa permitir compreender o que foi identificado e por que determinada prioridade foi estabelecida. O estudo é utilizado como exemplo clínico, sem assumir que suas categorias substituam a terminologia vigente do serviço. Rabelo et al. (2021) descrevem instrumentos empregados para apoiar a gestão do cuidado, incluindo registros de passagem de plantão, mapas de cuidados e identificação. Esses recursos ajudam a organizar informações em um ambiente dinâmico. Sua presença, entretanto, não garante qualidade por si só. Para fins de análise acadêmica, importa verificar se o conteúdo permanece atualizado e se auxilia a equipe a reconhecer necessidades e pendências, em vez de se tornar apenas uma lista de tarefas cumpridas. Este relatório propõe examinar um registro fictício por três critérios: clareza, pertinência e continuidade. Clareza significa que a informação pode ser compreendida sem depender de explicações posteriores de quem a escreveu. Pertinência indica relação com a condição e o cuidado. Continuidade corresponde à possibilidade de o profissional seguinte reconhecer o que foi feito e o que ainda precisa ser acompanhado. Esses critérios são uma proposta didática e não equivalem a uma escala formal de auditoria. Uma atividade de aprendizagem pode consistir em reescrever anotações simuladas que contenham termos vagos, ausência de horário ou julgamentos sobre o comportamento do paciente. A revisão não deve inventar os dados faltantes; deve 16 indicar que eles precisariam ser obtidos ou esclarecidos. Esse limite é importante porque melhorar a linguagem de um registro não significa completar retrospectivamente acontecimentos desconhecidos. O exercício ajuda a separar precisão documental de aparência de completude. A documentação também pode ser discutida como memória compartilhada da assistência. Quando uma informação relevante permanece apenas com uma pessoa, torna-se mais difícil utilizá-la na decisão seguinte. A proposta deste trabalho é que a estudante justifique o conteúdo de suas anotações simuladas pelo cuidado que elas ajudam a sustentar. Assim, escrever deixa de ser atividade desligada da clínica e passa a integrar o raciocínio sobre acompanhamento, responsabilidade e avaliação da resposta assistencial. 3.10 Segurança no uso de medicamentos Santos e Padilha (2005) estudaram condutas e sentimentos de enfermeiros diante de uma situação fictícia de erro de medicação em serviços de emergência. O trabalho mostrou preocupação com comunicação, acompanhamento do paciente e registro do ocorrido. Por se tratar de pesquisa antiga e baseada em respostas a uma situação hipotética, seus resultados não estimam a frequência atual de erros nem comprovam comportamento real. Sua contribuição é abrir a discussão sobre responsabilidade e resposta profissional diante de incidentes. No contexto deste relatório, segurança medicamentosa é abordada como problema de organização e atenção ao processo. A formação precisa discutir como dúvidas são esclarecidas, como as informaçõescirculam e como se reconhece a necessidade de interromper uma ação para verificação. O artigo de Santos e Padilha (2005) também permite considerar a dimensão emocional: medo e insegurança podem acompanhar essas situações, mas não devem substituir a assistência ao paciente e a comunicação pertinente. Como atividade didática, propõe-se analisar um cenário fictício em que a prescrição apresenta uma informação ambígua. O objetivo é identificar o que ainda precisa ser confirmado antes de prosseguir e quem pode esclarecer a dúvida. Não são utilizados nomes de medicamentos ou doses, pois o foco está no processo decisório. A estudante deve conseguir explicar por que uma suposição não equivale 17 a uma confirmação e como documentaria o esclarecimento de acordo com a orientação do serviço. Outro exercício pode examinar uma interrupção durante uma tarefa. Em vez de apenas recomendar maior atenção individual, a discussão pode perguntar como a atividade seria retomada e quais informações precisariam ser verificadas novamente. Essa análise é proposta pelo relatório para tornar visíveis pontos de vulnerabilidade do processo. Não se trata de atribuir culpa a um trabalhador nem de presumir que determinada falha ocorreu em uma instituição específica. Ao estudar segurança, convém diferenciar o reconhecimento de um problema da avaliação de suas causas. A resposta imediata ao paciente e a revisão posterior do processo são momentos com objetivos distintos. Uma discussão supervisionada pode explorar ambos, preservando sigilo e respeito. O aprendizado esperado é desenvolver capacidade de comunicar incertezas e reconhecer limites, compreendendo que a pressa do ambiente não torna aceitável agir com base em informações que ainda necessitam de esclarecimento. 3.11 Comunicação e passagem de plantão Schorr et al. (2020) investigaram a passagem de plantão em um serviço de emergência e identificaram desafios de participação multiprofissional e padronização das informações. Os resultados sugerem que compartilhar um espaço não significa construir comunicação efetiva. A contribuição de cada profissão depende de oportunidade para falar, esclarecer dúvidas e relacionar informações ao plano de cuidado. A cultura do serviço também influencia se a troca é percebida como colaboração ou como interrupção da rotina. A passagem de plantão deve ser examinada como transferência de informações e responsabilidades. Para a formação, interessa distinguir uma narrativa extensa de uma comunicação útil. O problema não se resolve apenas reduzindo ou aumentando o tempo: é preciso selecionar o que o próximo profissional necessita compreender para continuar a assistência. O estudo de Schorr et al. (2020) fundamenta essa discussão, sem comprovar que um único modelo de passagem produza o mesmo resultado em todos os contextos. Como proposta didática, este relatório sugere construir uma passagem de plantão de um caso inteiramente fictício contendo situação atual, mudanças recentes, 18 cuidados realizados e pendências. Depois, outro estudante pode reconstruir o plano de acompanhamento com base apenas na informação recebida. A diferença entre o que se pretendia comunicar e o que foi compreendido oferece material para discussão com a supervisão. A atividade avalia a clareza da mensagem, não a capacidade de memorizar um texto. Uma segunda etapa pode introduzir uma dúvida ou informação contraditória. O exercício deve valorizar a pergunta esclarecedora, em vez de premiar uma resposta rápida baseada em suposição. Essa escolha pedagógica explicita que reconhecer incerteza faz parte do cuidado responsável. Também permite discutir como nomear a pessoa ou equipe responsável por uma pendência, evitando que algo importante seja mencionado sem que ninguém assuma seu acompanhamento. A reflexão sobre comunicação ultrapassa a mudança de turno. Exames, transferências, alterações clínicas e orientações ao paciente também exigem transmissão e confirmação de informações. Como síntese autoral, propõe-se avaliar uma mensagem pelo efeito esperado: o interlocutor conseguiu compreender a situação e identificar o próximo passo? Esse critério aproxima a comunicação de sua finalidade assistencial e oferece à estudante uma forma concreta de rever seu desempenho sem depender apenas da impressão de ter falado com clareza. 3.12 Humanização e participação do paciente e da família Sousa et al. (2019) discutem a humanização na urgência e emergência e relacionam seus obstáculos à organização da rede, às condições estruturais e ao trabalho multiprofissional. A revisão permite compreender que humanizar não se resume à cordialidade individual. Embora a postura profissional tenha importância, as condições de atendimento influenciam a possibilidade de ouvir, informar e proteger a privacidade. O tema exige, portanto, olhar simultâneo para a relação com o usuário e para o funcionamento do serviço. Como proposta de reflexão deste relatório, uma situação assistencial pode ser examinada a partir do que a pessoa consegue compreender sobre seu atendimento. Saber que está aguardando não significa saber por que aguarda, quem pode procurar ou como comunicar uma mudança. A estudante pode elaborar orientações breves para um caso simulado e submetê-las à avaliação da supervisão. O objetivo 19 é verificar se a linguagem esclarece a situação sem prometer prazos ou resultados que não podem ser garantidos. A participação familiar também deve ser analisada com cuidado. Em uma discussão fictícia, pode haver divergência entre o que o acompanhante solicita e o que o paciente deseja. O exercício formativo consiste em reconhecer essa diferença e buscar orientação, sem assumir que a presença de um familiar autoriza compartilhar qualquer informação. O relatório não descreve um conflito real; utiliza a situação para discutir respeito, escuta e limites da comunicação no ambiente assistencial. Outro eixo é a preservação da identidade da pessoa diante de rotinas intensas. Referir-se a alguém apenas pelo leito ou pela condição clínica pode facilitar uma conversa operacional, mas empobrece a relação quando se torna a única forma de reconhecimento. Como aplicação acadêmica, propõe-se observar a linguagem usada em casos simulados e discutir alternativas que mantenham precisão profissional sem reduzir o paciente à doença. Essa reflexão é coerente com a abordagem de humanização de Sousa et al. (2019). A humanização pode ainda ser discutida por pequenas decisões verificáveis: explicar antes de iniciar uma atividade, confirmar compreensão e preservar exposição corporal desnecessária. Neste trabalho, esses exemplos compõem uma proposta de análise do cuidado e não uma lista de práticas observadas no estágio. A finalidade é aproximar valores gerais de situações concretas, permitindo perguntar de que maneira o respeito foi preservado e quais condições do serviço precisariam ser modificadas para sustentá-lo. 3.13 Gestão do cuidado e saúde dos trabalhadores Santos et al. (2013) apontaram a superlotação e a manutenção da qualidade como desafios gerenciais. A análise ajuda a reconhecer que o trabalho não pode ser avaliado apenas pelo esforço individual. Quando necessidades excedem a capacidade disponível, torna-se necessário discutir fluxos, recursos e prioridades. A identificação dessas dificuldades não dispensa responsabilidade profissional; ela amplia a investigação das condições em que as decisões são tomadas e dos limites que precisam ser enfrentados institucionalmente. 20 Viana e Kawagoe (2023) examinaram burnout e empatia em um pronto- socorro durante a pandemia de COVID-19. O estudo se refere a uma circunstância específica e não deve ser generalizado para qualquer período ou equipe. Sua inclusão permite discutir a relação entre experiência de trabalho, percepção profissional e cuidado recebido. Também demonstra a importância de considerar diferentes perspectivas, evitando presumir que aquilo que o trabalhador relatacoincide integralmente com o que o paciente percebe. Como proposta autoral, a análise das condições de trabalho pode distinguir problemas imediatos, necessidades de organização e questões que dependem da gestão institucional. Essa distinção ajuda a formular encaminhamentos mais precisos. Uma dificuldade de comunicação entre tarefas não é idêntica à insuficiência persistente de recursos. No estudo supervisionado, a estudante pode descrever um problema hipotético e explicar a quem recorreria, quais informações apresentaria e que resposta seria necessária para acompanhar sua resolução. O cuidado ao trabalhador também pode integrar discussões posteriores a situações emocionalmente exigentes. A proposta formativa é criar espaço de reflexão orientado, sem expor pacientes ou transformar colegas em objeto de julgamento. Reconhecer uma dificuldade permite buscar suporte e aprendizado. Contudo, uma conversa isolada não substitui mudanças estruturais quando o problema decorre da organização do trabalho. Essa diferenciação evita atribuir ao indivíduo a solução de questões que ultrapassam sua capacidade de ação. A gestão, portanto, pode ser analisada pela relação entre necessidades reconhecidas e condições de resposta. Como síntese deste relatório, sugere-se que a discussão acadêmica pergunte quais cuidados ficaram ameaçados, qual decisão foi adotada e como seus efeitos seriam acompanhados. O objetivo não é produzir avaliação de um serviço sem dados, mas desenvolver capacidade de formular problemas de maneira responsável. Essa postura favorece uma leitura crítica que reconhece tanto a agência profissional quanto os limites institucionais. 3.14 Educação permanente e aprendizagem no Estágio II Ferreira, Balsanelli e Santos (2023) relacionam competências em urgência e emergência a conhecimento, experiência prática e relações de trabalho, apontando fragilidades na educação permanente. O estudo permite discutir que tempo de 21 atuação, autoconfiança e qualificação não são conceitos equivalentes. Na formação, é necessário explicitar o que se espera aprender, como o desempenho será observado e quais necessidades exigem acompanhamento. Sem esses critérios, a avaliação pode ficar restrita à impressão de familiaridade com o setor. Araújo et al. (2021) observaram maior retenção de conhecimento no grupo submetido à simulação em comparação à estratégia utilizada no grupo controle, em estudantes de curso técnico. Esse resultado não deve ser transferido automaticamente para qualquer estudante ou modalidade de treinamento. Em contraste, Turra et al. (2024) não encontraram melhora significativa no conhecimento após a intervenção avaliada. A leitura conjunta reforça que o valor de uma estratégia depende de planejamento, contexto e avaliação dos resultados. Como proposta para o Estágio II, este relatório organiza a aprendizagem em perguntas progressivas: o que é necessário compreender, o que pode ser praticado com supervisão e que evidência demonstrará progresso? Essas perguntas podem orientar um plano individual sem inventar carga horária ou atividades realizadas. A estudante pode selecionar um tema, registrar suas dúvidas e discutir com a orientação acadêmica como aprofundá-lo. O plano permanece uma proposta até que seja validado no contexto formativo real. A reflexão escrita pode apoiar esse processo quando descreve a relação entre informação, decisão e aprendizado. Não é necessário reproduzir dados de pacientes para construir uma análise relevante. Casos simulados e situações desidentificadas, quando autorizadas e adequadamente tratadas, permitem discutir raciocínio e comunicação. O ponto central é não confundir elaboração acadêmica com documentação clínica e não apresentar como experiência vivida aquilo que foi construído apenas para ilustrar um problema. Por fim, o aprendizado pode ser acompanhado por revisão de objetivos e feedback específico. Em vez de afirmar genericamente que houve evolução, convém identificar qual aspecto foi aprimorado e o que ainda precisa de atenção. Essa proposta de avaliação é uma elaboração do presente relatório. Ela busca transformar a leitura dos artigos em perguntas úteis à formação, mantendo abertura para correções e reconhecendo que o desenvolvimento profissional exige estudo contínuo, prática supervisionada e responsabilidade com os limites do próprio conhecimento. 22 4 METODOLOGIA Este relatório foi elaborado como estudo teórico de caráter descritivo e reflexivo, vinculado ao tema do Estágio II. Utilizou-se levantamento narrativo de publicações disponíveis na SciELO, com consulta em outubro de 2026. Não se trata de revisão sistemática: não foi aplicado protocolo de busca exaustiva, não houve avaliação formal de risco de viés e não se pretende apresentar toda a produção científica existente sobre urgência e emergência. A seleção foi orientada por pertinência temática. Foram consultados trabalhos sobre enfermagem em emergência, classificação de risco, gerenciamento do cuidado, comunicação, segurança medicamentosa, humanização, sepse, parada cardiorrespiratória, trauma, acidente vascular cerebral e simulação. Os termos foram combinados em buscas na web direcionadas ao domínio SciELO, seguidas de consulta às páginas dos artigos. A confirmação de autoria, título e dados editoriais orientou a composição das referências. Foram incluídas quinze publicações, entre 2005 e 2025, selecionadas por sua contribuição aos eixos de discussão. Artigos mais antigos foram usados para contextualizar problemas de trabalho e formação, sem apresentá-los como protocolos clínicos atuais. Para dor torácica, foi consultada a diretriz de 2025 publicada em periódico disponível na SciELO. Os resultados de estudos realizados em outros cenários foram contextualizados, indicando limites de transferência para a urgência e emergência. A análise consistiu em identificar o objetivo e o contexto de cada publicação, sintetizar suas contribuições e formular reflexões educacionais relacionadas ao estágio. As sínteses dos autores foram acompanhadas de citações indiretas. Propostas de exercícios e perguntas de aprendizagem foram apresentadas como elaborações deste relatório, evitando atribuir aos artigos instrumentos que não foram por eles desenvolvidos. Não foram utilizadas citações diretas extensas, prontuários, entrevistas ou informações identificáveis de pacientes. O PDF fornecido orientou a estrutura e a identificação institucional. Não foram disponibilizados registros de campo ou carga horária. As limitações incluem seleção não exaustiva, heterogeneidade dos estudos e ausência de dados do estágio. As conclusões restringem-se à discussão bibliográfica. 23 5 CONCLUSÃO A análise desenvolvida permite compreender a enfermagem em urgência e emergência como prática que articula reconhecimento de necessidades, organização da resposta e acompanhamento. A qualidade não se esgota na execução de procedimentos ou na rapidez de uma etapa. Também depende de continuidade, comunicação e condições para que as prioridades sejam efetivamente atendidas. Essa conclusão é uma síntese interpretativa do relatório, construída a partir de temas convergentes e dos limites identificados nas publicações selecionadas. A discussão sobre segurança e humanização mostrou que ambos os temas podem ser examinados por escolhas concretas: qualidade das informações, clareza das responsabilidades, respeito à pessoa e atenção às mudanças durante a permanência no serviço. As propostas didáticas apresentadas procuram transformar esses princípios em questões de análise. Sua utilidade depende de adaptação e validação pela supervisão, sem que sejam confundidas com instrumentos clínicos formalmente testados. Outro resultado da reflexão é a necessidade de avaliar a aprendizagem para além da presença em treinamentos. Estudos sobre simulação apresentaram resultados distintos, o que recomenda cautela ao associar uma atividade educacional à aquisição automáticade competência. O plano formativo deve explicitar objetivos, oferecer feedback e reconhecer necessidades persistentes. Assim, o Estágio II pode ser compreendido como oportunidade de construir raciocínio e responsabilidade, respeitando a progressão e os limites da atuação discente. Conclui-se que o relatório reúne fundamentos para a análise crítica da assistência e a discussão supervisionada no Estágio II. Sua continuidade poderá incorporar registros reais das atividades, quando disponíveis e autorizados, preservando a distinção entre conhecimento bibliográfico e experiência de campo. 24 REFERÊNCIAS ARAÚJO, Marília Souto de et al. Efeito da simulação clínica na retenção do conhecimento de estudantes de enfermagem. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 34, eAO000955, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta- ape/2021AO000955. Acesso em: 8 out. 2026. BARROS E SILVA, Pedro Gabriel Melo de et al. Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 122, n. 9, e20250620, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.36660/abc.20250620. Acesso em: 8 out. 2026. FERREIRA, Kemilys Marine; BALSANELLI, Alexandre Pazetto; SANTOS, José Luís Guedes dos. Competências profissionais dos enfermeiros de unidades de urgência e emergência: estudo de método misto. 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Acesso em: 8 out. 2026. 1 INTRODUÇÃO 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral 2.2 Objetivos específicos 3 DESENVOLVIMENTO 3.1 Organização da atenção e trabalho da enfermage 3.2 Acolhimento e classificação de risco 3.3 Avaliação inicial e vigilância clínica 3.4 Dor torácica e condições cardiovasculares agud 3.5 Reconhecimento da sepse e cuidado organizado 3.6 Parada cardiorrespiratória e atuação em equipe 3.7 Atendimento ao trauma e necessidades de cuidad 3.8 Acidente vascular cerebral e atenção à pessoa 3.9 Processo de Enfermagem e documentação clínica 3.10 Segurança no uso de medicamentos 3.11 Comunicação e passagem de plantão 3.12 Humanização e participação do paciente e da f 3.13 Gestão do cuidado e saúde dos trabalhadores 3.14 Educação permanente e aprendizagem no Estágio 4 METODOLOGIA 5 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS