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Carta ao Leitor
 Concurseiros de serviço social, você comprou nossa apostila dos
Fundamentos Históricos, Teóricos e Metodológicos do Serviço Social. Esse
material é atualizado (edição 2021), esquematizado e possuí conteúdo ,250
questões comentadas e 130 questões gabaritadas.
 Esperamos que essa apostila seja de grande valia para seus estudos e que
permita contribuir com sua aprovação.
 Concurseiro, caso queira conhecer os nossos demais materiais de serviço
social voltados para concurso você deve entrar em contato através de nossas
redes sociais. 
Agradecemos a confiança em nosso trabalho.
(24) 9 8805-0215 
(86) 9 9983-9453
concurseirosdeservicosocial@gmail.com
@concurseirosdeservicosocial
concurseiros de serviço social
Nossas Redes Sociais
concurseirosdeservicosocial.com
SUMÁRIO 
TESES SOBRE A GÊNESE DO SERVIÇO SOCIAL 5 
• Perspectiva Endogenista 5 
• Perspectiva Histórico-Crítica 6 
PRIMEIRA ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL 8 
SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NA AMERICA LATINA 9 
ENCÍCLICAS PAPAIS 10 
TRAJETÓRIA HISTÓRICA DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 11 
• O Contexto Histórico Do Brasil Na Década De 1930 12 
O PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL: PRIMEIRAS 
ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 
13 
MOTIVOS PARA O SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO BUSCAR INFLUÊNCIA NO SERVIÇO 
SOCIAL NORTE-AMERICANO 
18 
A DÉCADA DE 1940 PARA O SERVIÇO SOCIAL 19 
• A Evolução Do Serviço Social Brasileiro E Seus Ganhos 21 
• Grandes Instituições Assistenciais 21 
• Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade 25 
A INFLUÊNCIA DAS CORRENTES TEÓRICAS E FILOSÓFICAS NA CONSTRUÇÃO TÉÓRICA-
METODOLÓGICA DO SERVIÇO SOCIAL 
28 
• Positivismo 28 
• Fenomenologia 29 
• Neotomismo 30 
• O Materialismo Histórico-Dialético 30 
0 PROCESSO DE EROSÃO DO SERVIÇO SOCIAL TRADICIONAL 32 
• Outros Questionamentos Do Movimento De Reconceituação 34 
• Conquistas Do Movimento De Reconceituação 35 
• Equívocos Ou Descaminhos Do Movimento De Reconceituação 35 
PROCESSO DE RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 36 
• Perspectiva Modernizadora 38 
• Reatualização Do Conservadorismo 39 
• Intenção De Ruptura 39 
DOCUMENTOS IMPORTANTES PARA O SERVIÇO SOCIAL 40 
• Araxá 43 
• Teresópolis 43 
• Traço Comum Do Documento De Araxá E Teresópolis 46 
• Sumaré E Alto Da Boa Vista 46 
• Método De Belo Horizonte 47 
CONTRIBUIÇÕES DE IAMAMOTO SOBRE O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO 50 
• Período Do Movimento 50 
• Contexto Histórico 50 
• Adesão Ao Movimento 50 
• Abrangência E Resultados Do Movimento De Reconceituação 50 
• Participação Dos Intelectuais Ao Movimento 52 
CONGRESSO DA VIRADA 52 
CONTRIBUIÇÕES DE IAMAMOTO SOBRE O SERVIÇO SOCIAL 54 
SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE 55 
• Pressupostos Para Análise Do Serviço Social Nos Dias Atuais 55 
• Armadilhas Da Formação Profissional 56 
• Eixos Temáticos Do Debate Da Profissão Na Contemporaneidade 57 
• Serviço Social Como Trabalho 58 
TESES IMPORTANTES 60 
• Tese Do Sincretismo Da Prática Indiferenciada 60 
• Tese Da Identidade Alienada 61 
• Tese Da Correlação De Forças 62 
• Tese Da Assistência Social 62 
• Tese Da Proteção Social 63 
• Tese Da Função Pedagógica Do Assistente Social 63 
250 QUESTÕES COMENTADAS 65 
130 QUESTÕES GABARITADAS 214 
 
5 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS, TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL 
Contexto Histórico de surgimento do serviço social 
 
1.0 TESES SOBRE A GÊNESE DO SERVIÇO SOCIAL 
Carlos Montaño no livro “A natureza do Serviço Social”, apresenta duas teses sobre a gênese da 
natureza do Serviço Social: a perspectiva endogenista e a perspectiva histórico-crítica. Aprenda a seguir 
o que esse autor afirma sobre ambas. Essas teses são radicalmente opostas, alternativas e mutuamente 
excludentes. 
 
 
 
1.1 PERSPECTIVA ENDOGENISTA 
A perspectiva endogenista defende que a origem do Serviço Social decorre da “evolução, 
organização e profissionalização das formas ‘anteriores’ de ajuda, da caridade e da filantropia, 
vinculada agora à intervenção na ‘questão social’”. Sendo dessas primeiras formas de ajuda que datam 
as bases da profissão. Apresenta uma postura endogenista em que a profissão é vista a partir de si 
mesma, sem estabelecer correlação com o movimento mais amplo da sociedade. 
 
6 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 
 
1.2 PERSPECTIVA HISTÓRICO-CRÍTICA 
A perspectiva histórico-crítica, por sua vez, apresenta uma análise em oposição a perspectiva 
endogenista entendendo o surgimento da profissão “como um produto da síntese dos projetos 
político-econômicos que operam no desenvolvimento histórico, onde se reproduz material e 
ideologicamente a fração de classe hegemônica, quando, no contexto do capitalismo na sua idade 
monopolista, o Estado toma para si as respostas à ‘questão social’”. O assistente social, nesta 
7 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
perspectiva, é compreendido como um profissional que desempenha um papel claramente político, 
tendo uma função que não se explica por si mesmo, mas pela posição que o profissional ocupa na 
divisão sociotécnica do trabalho” 
 
 
8 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
Desse modo a perspectiva endogenista apresenta a gênese do Serviço Social a partir de uma visão 
interna, particular, enquanto a perspectiva histórico-crítica observa o movimento histórico-social como 
determinante/condicionante no processo de profissionalização do Serviço Social. 
 
2.0 PRIMEIRA ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL 
 
Conforme Estevão (1985) a primeira escola de Serviço Social no mundo nasce no ano de 1899, em 
Amsterdam na Holanda, para trabalhar com os operários. 
Netto afirma que a emergência do Serviço Social como profissão na Europa é possibilitada a partir 
de condições histórico-sociais que são gestadas no marco do capitalismo monopolista, conjunto de 
processos econômicos, sociopolíticos e teórico-culturais que ocorrem na ordem burguesa. 
Posicionando-se contrário a tese que compreende que a profissão seria resultante de um 
processo cumulativo, o autor afirma que o fundamento que legitima a profissionalidade é “a criação 
de um espaço sócio-ocupacional onde o agente técnico se movimenta – mais exatamente, o 
estabelecimento das condições histórico-sociais que demandam esse agente, configuradas na emersão 
do mercado de trabalho” (NETTO, 1995, p.66). 
O autor afirma que, de fato existe uma relação de continuidade “entre o Serviço Social 
profissional e as formas filantrópicas e assistenciais desenvolvidas desde a emergência da sociedade 
burguesa”, mas que a relação não é apenas de continuidade, há também uma relação de ruptura, com 
a qual coexiste. Para o autor a relação de ruptura, sim, é decisiva na constituição do Serviço Social 
como profissão. Tal ruptura se expressa na medida em que “pouco a pouco os agentes começarem a 
9 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
desempenhar papéis executivos em projetos de intervenção cuja funcionalidade real e efetiva está 
posta por uma lógica e uma estratégia objetivas que independem da sua intencionalidade” (NETTO, 
1995, p.68). 
A constituição do Serviço Social como profissão encontra-se decisivamente ligada a sua 
inserção no mercado de trabalho. A profissionalização do Serviço Social não está relacionada com a 
continuidade das protoformas ao Serviço Social. Para o autor “a profissionalização do Serviço Social 
não se relaciona decisivamente à ‘evolução da ajuda’, à ‘racionalização da filantropia’ nem à 
‘organização da caridade’; vincula-se à dinâmica da ordem monopólica” (NETTO, 1995, p.69-70). 
A relação de continuidade e ruptura pode ser compreendida a partir da constituição do espaço 
de trabalho do assistente social. No qual a continuidade se expressa pela reprodução das formas 
históricas de tratamento das pessoas vulneráveis pelas expressões da “questão social”. E de ruptura 
pela inserção nas políticas sociais movendo-se por mecanismos voltados para a preservação e controle 
daclasse trabalhadora 
Para Martinelli (2000, p.156) “a origem do Serviço Social como profissão tem a marca profunda 
do capitalismo e do conjunto de variáveis subjacentes - alienação, contradição e antagonismo”. Para 
autora a origem da profissão tem de ser pensada no bojo da sociedade capitalista, no seu projeto 
hegemônico, sendo a profissão uma estratégia de controle social. 
 
3.0 SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL NA AMERICA LATINA 
 Concurseiro, as informações aqui contidas foram retiradas do livro História do Serviço Social na 
América Latina do autor Manoel Manrique Castro. 
 Conforme Castro (2000) a primeira escola de serviço social na América Latina, fundou-se em 
Santiago, no Chile, no ano de 1925, essa escola foi fundada por Alejandro Del Rio. A fundação da escola 
por um médico determina uma das principais características da profissão de Serviço Social em seus 
primórdios que diz respeito a sua subordinação à profissão médica, aparecendo assim como uma sub-
profissão. As principais característica dessa escola foram: sua origem que está próxima da esfera das 
necessidades de expansão estatal, e pela imposição das demandas das classes operárias. 
É importante ressaltar que a fundação, no Chile, em 1925, de uma escola de Serviço Social 
pelo Dr. Alejandro Del Rio, inaugurou uma etapa nova dentro da profissão, tal como vinha sendo 
exercida, e representou um novo patamar de institucionalização que se produziu com a incorporação 
do Serviço Social as profissões de nível superior. 
 Outro ponto importante foi a criação, em 1929, da segunda escola de serviço social, que foi a 
Escola Elvira Matte de Cruchaga, sendo seu criador Miguel Cruchaga Tocornal. Essa escola atendia aos 
10 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
interesses da Igreja Católica. A escola visava à formação de visitadoras que, essas além de cuidar do 
aspecto material dos assistidos também tratassem de suas almas. Para a escola, essas primeiras 
iniciativas do que posteriormente seria o Serviço Social, era compreendido mais do que uma simples 
profissão, era antes uma vocação. Assim, essa escola foi a primeira escola católica de serviço social 
chilena. 
 Inicialmente o Serviço Social Latino Americano sofreu influência do Serviço Social europeu e dos 
pressupostos religiosos da Igreja Católica. No pós-Guerra, o Serviço Social norte-americano passou a 
influenciar o Serviço Social na América Latina, adequando à profissão a nova fase de desenvolvimento 
capitalista, no entanto, o modelo exportado dos Estados Unidos não conseguiu adequar-se às 
particularidades da realidade latino-americana, que se encontrava em um estágio diferente de 
desenvolvimento capitalista, esse modelo se manifestou através do desenvolvimentismo, o que não 
funcionou, principalmente, pelo fato de desconsiderar as lutas de classe e os interesses antagônicos 
presentes na sociedade. 
 
4.0 ENCÍCLICAS PAPAIS 
As encíclicas papais tiveram um papel fundamental no Serviço Social Brasileiro em seus 
primórdios, tendo em vista que o Serviço Social em meados da década de 1930 era diretamente ligado 
à Igreja Católica. As encíclicas vieram para tentar recuperar a hegemonia ideológica da Igreja. Essas 
encíclicas assumiam um posicionamento antiliberal e antissocialista. 
 Para facilitar seu entendimento, analise com atenção o quadro a seguir com as principais 
características das encíclicas, esse tema tem sido cobrado em concursos de serviço social com muita 
frequência, assim é necessário que você o aprenda. 
RERUM NOVARUM QUADRAGÉSIMO ANNO 
• Foi escrita na vigência do Papa Leão XIII em 
1891; 
• Essa encíclica buscava iniciar o magistério 
social da Igreja no contexto de busca de 
restauração de seu papel social sociedade 
moderna; 
• Essa encíclica foi publicada no momento 
marcado pelos movimentos operários e 
pela propagação das ideias comunistas; 
• Foi escrita na vigência do Papa Pio XI 
em 1931; 
• Essa encíclica vai tratar da questão 
social, apelando para a renovação 
moral da sociedade e a adesão à Ação 
Social da Igreja. 
• Essa encíclica confirma e atualiza o 
conteúdo da Rerum Novarum; 
• Nessa encíclica o Papa condena os 
11 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
• A “Rerum Novarum” procurou analisar os 
problemas enfrentados pelos 
trabalhadores e procura soluções para 
esses problemas; 
• Antes das encíclicas vários movimentos 
operários estavam ocorrendo, assim 
quando o Para Leão VIII publicou a 
encíclica Rerum Norarum, ele defendeu 
que o homem deveria aceitar com 
paciência a sua condição, pois não tinha 
como todos homem na sociedade civil 
terem o mesmo nível, sendo o papel da 
Igreja reconciliar os ricos e os pobres, 
lembrando as duas classes os seus 
deveres. 
males provocados pelo capitalismo e 
afirma que somente através da 
regulação das relações entre os 
homens pela justiça, pela caridade 
cristã e com uma generalização do 
cristianismo na vida econômica é que a 
humanidade se livrará desse mal; 
• O papa afirma que ninguém poderia 
ser católico e socialista ao mesmo 
tempo; 
• O Papa Pio XI propõe uma harmonia 
entre as diversas profissões, a pacífica 
colaboração das classes e a repressão 
das organizações socialistas. 
 
5.0 TRAJETÓRIA HISTÓRICA DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
5.1 O CONTEXTO HISTÓRICO DO BRASIL NA DÉCADA DE 1930 
 O Serviço Social surge no Brasil na década de 1930, no governo de Getúlio Vargas, período 
conhecido como “Era Vargas”. O serviço social também teve seu surgimento no Brasil ligado à Igreja 
Católica, assim como nos diversos países da América Latina e na Europa. Yazbek (2009, p.6) afirma que 
“particularidades desse processo no Brasil evidenciam que o Serviço Social se institucionaliza e legitima 
profissionalmente como um dos recursos mobilizados pelo Estado e pelo empresariado, com o 
suporte da Igreja Católica, na perspectiva do enfrentamento e regulação da Questão Social, a partir 
dos anos 30, quando a intensidade e extensão das suas manifestações no cotidiano da vida social 
adquirem expressão política”. 
 Concurseiro, é importante que você saiba de algumas informações que fomentaram o 
surgimento e institucionalização do serviço social brasileiro, que são: 
• Foi em meados na década de 1930 que o ESTADO passou a regular as tensões entre as classes sociais. 
Como ele fez isso? Bem, Yazbeck (2009) afirma que o Estado utilizou um conjunto de iniciativas: a 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Salário Mínimo. Essas iniciativas eram de cunho: 
controlador, assistencial e paternalista. 
• A questão social até meados da década de 1930 era tratada, conforme Frederico (2009,p.5) como 
caso de Polícia, no governo Vargas houve um reconhecimento da legitimidade dessa questão social 
no âmbito das relações entre capital e trabalho, assim ela foi ENQUADRADA JURIDICAMENTE, e 
passou a ser um Caso de política, pois era objeto de políticas. Concurseiro, conforme Yazbek (2009) 
apesar da questão social passar a ser caso de política, isso veio para desmobilizar a classe operaria e 
regular as tensões que ocorriam entre as classes naquele período. Yazbek (apud Ianni, 1990) afirma 
que “o Estado brasileiro transformou a questão social em problema de administração, desenvolvendo 
políticas e agências de poder estatal nos mais diversos setores da vida nacional”. 
• Nesse referido período a igreja Católica busca recuperar sua hegemonia, Iamamoto cita que “Como 
profissão inscrita na divisão do trabalho, o Serviço Social surge como parte de um movimento social 
mais amplo, de bases confessionais, articulado à necessidade de formação doutrinária e social do 
laicato, para uma presença mais ativa da Igreja Católica no ‘mundo temporal’, nos inícios da década 
de 30. Na tentativa de recuperar áreas de influências e privilégios perdidos, em face da crescente 
secularização da sociedade e das tensões presentes nasrelações entre Igreja e Estado, a Igreja 
procura superar a postura contemplativa (IAMAMOTO, 2011, p. 18)”. 
 Antes de passarmos para a explicação das primeiras escolas de serviço social, é importante que 
você saiba que conforme Netto (2005), é só a partir da concretização das possibilidades econômicos 
sociais e políticas segregadas no ESTÁGIO DOS MONOPÓLIOS que surge o serviço social. É através da 
13 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
política social que o Estado burguês no capitalismo monopolista, configura sua intervenção contínua e 
sistemática, estratégica sobre as sequelas da questão social, cujas possibilidades foram postas pelas 
lutas de classes, e da capacidade de mobilização e organização da classe trabalhadora. 
 
6.0 O PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL: PRIMEIRAS ESCOLAS DE 
SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 
A institucionalização do Serviço Social no Brasil se dá segundo Yazbek (2009, p.5) no período da 
consolidação do capitalismo monopolista “no contexto contraditório de um conjunto de processos 
sociais, políticos e econômicos, que caracterizam as relações entre as classes sociais”. Dessa forma, a 
autora afirma que nos países industrializados a institucionalização do serviço social como profissão 
deve-se à progressiva intervenção do Estado no processo de regulação social. 
 No Brasil, foram mobilizados recursos do Estado, do Empresariado com o auxílio da Igreja 
Católica para propiciar a institucionalização e legitimação profissional, tudo isso objetivava 
ENFRENTAR e REGULAR a questão social, como já mencionamos no tópico anterior. 
 No ano de 1932, entre 1° de Abril e 15 de Maio, foi organizado pelas Cônegas de Santo Agostinho 
um curso de Formação Social Para Moças, a direção desse curso era Melle Adelé de Loneux, ela era 
professora da Escola Católica de Serviço Social na Bélgica. Após esse curso foi inaugurado o Centro de 
Estudos e Ação Social - CEAS, no ano de 1932, ele foi a unidade fundadora e mantenedora da primeira 
escola de Serviço Social no Brasil que surgiu no ano de 1936, segundo Yazbek (2009, p.5) as “reuniões 
iniciais do grupo foram acompanhadas pela Arquidiocese de São Paulo, por intermédio do Monsenhor 
Gastão Liberal Pinto. Em 16 de setembro, é eleita a primeira diretoria do Centro tendo Dona Odila 
Cintra Ferreira como presidente”. 
 O CEAS era mantido através das mensalidades de suas sócias e ele objetivava difundir a 
doutrina e ação católica. É necessário compreender que nesse período a Igreja contava com as 
encíclicas as diretrizes da Rerum Novarum (1891) e do Quadragésimo Anno (1931) encíclicas papais 
que assumiam um posicionamento antiliberal e antissocialista para tentar conseguir seu objetivo de 
difundir a doutrina e a ação católica. 
 Segundo Yazbek (2009) eram ofertados no CEAS cursos de filosofia, moral, encíclicas etc. No ano 
de 1934 o CEAS objetivou implantar a Ação Católica no estado de São Paulo, organizando assim uma 
semana de ação católica. 
 O CEAS tinha como diretora Dona Odila Cintra Ferreira, ela era formada na Escola Normal Social 
de Paris. O CEAS decidiu enviar a Bruxelas na Bélgica Maria Kiehl e Albertina Ramos para realizarem o 
Curso de Serviço Social. No dia 15 de Fevereiro de 1936, no estado de São Paulo, nasce a primeira 
14 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
escola de Serviço Social do Brasil, essa escola mesclava a visão Francesa (que foi trazida ao Brasil por 
Dona Odila Cintra Ferreira) e a visão Belga (trazida por Maria Kiehl e Albertina Ramos), chama de visão 
Franco-Belga. 
 
15 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
Portanto em 1936 é criada a primeira escola de Serviço Social no Brasil no estado de São Paulo, 
mais tarde essa escola foi incorporada a PUC de São Paulo. No ano de 1937 foi criada a escola de 
Serviço Social no Rio de Janeiro e em 1945 a escola de Serviço Social de Porto Alegre, com o decorrer 
das décadas outras escolas foram criadas. 
 
Apesar da Questão Social nesse período ser tratada como Questão de Política, tendo em vista 
que o Estado criou inúmeras instituições para regular os problemas sociais, é necessário compreender 
que o pensamento da Igreja Católica estava presente em como era vista a questão social, que para 
época era tida como um problema moral, onde os indivíduos eram os responsáveis por suas 
situações. Dessa forma, compreende-se que o Serviço social inicial nasce vinculado a práticas religiosas 
da Igreja Católica, na função de auxiliar aos pobres e necessitados, tendo fortes marcas do 
voluntarismo, da filantropia, e da caridade. O Serviço Social apresenta no referido período, segundo 
Yazbek (2009) “um enfoque conservador, individualista, psicologizante e moralizador da questão, 
que necessita para seu enfrentamento de uma pedagogia psicossocial ” (p.6). 
16 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 
 
 Inicialmente, o Serviço Social exportou modelos teóricos e metodológicos de outros países, 
principalmente os que tinham fundamentos e princípios filosóficos e cristãos, com influências Belga e 
Francesa, países esses que estavam em grau de desenvolvimento diferente do Brasil. No referido 
período o Brasil estava ainda em uma realidade subdesenvolvida e as necessidades básicas não 
estavam sendo atendidas, com isso houve uma incompatibilidade dos modelos trazidos com a 
realidade brasileira. Devido a essa procura de referências fora do Brasil e que não se adaptavam a 
17 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
realidade brasileira, Iamamoto (1998, p.105) afirma que, o Serviço Social teve muitas “marcas 
confessionais”, que era entendido como uma “missão”, “vocação”. 
 Essa influência europeia estava fortemente marcada com um Serviço Social de base cristã, que 
tinha característica de benesse, onde predominava as damas de caridade, que participavam atos de 
“solidariedade” social. 
 Segundo Yazbeck (2009), os referenciais orientadores do pensamento e da ação do emergente 
Serviço Social brasileiro baseia-se nas seguintes fontes: Doutrina Social da Igreja, no ideário franco-
belga de ação social e no pensamento de São Tomás de Aquino (séc. XII): o tomismo e o neotomismo. 
 
A autora ainda explicita que “é na relação com a Igreja Católica, que o Serviço Social brasileiro 
vai fundamentar a formulação de seus primeiros objetivos político-sociais, orientando-se por 
posicionamentos de cunho humanista conservador contrário aos ideários liberal e marxista na busca 
de recuperação da hegemonia do pensamento social da Igreja em face da “questão social” (p.6). 
 Assim como foi visto, o Serviço Social brasileiro em seu início foi influenciado pelo Serviço Social 
Europeu, e era fortemente marcado pela base cristã, que tinha característica de benesse, onde 
predominava as damas de caridade, que participavam atos de “solidariedade” social. Esse modelo 
passa a se mostrar insuficiente e em meados da década de 1940 e a partir dessa incompatibilidade 
entre o Serviço Social de influência Franco-Belga e sua efetivação no Brasil, os profissionais de Serviço 
Social procuram se aprimorar técnico e metodologicamente, para isso buscaram no Serviço Social 
Norte Americano uma nova influência, por isso nesse período o Serviço Social Brasileiro recebe uma 
visão FUNCIONALISTA no Serviço Social brasileiro. 
18 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
Não esqueça dos detalhes mais cobrados sobre as primeiras escolas de Serviço Social no Brasil 
• Data do Curso de Formação Social Para 
Moças 
1° Abril a 15 de Maio de 1932 
• Quem era a diretora do curso? Melle. Adèle de Loneux, professora da 
Escola Católica de Serviço Social da Bélgica 
• Ano de Fundação do Centro de Estudo e 
Ação Social 
1932 
• Primeira diretora do CEAS Dona Odila Cintra Ferreira, formada na 
Escola Normal Social de Paris. 
• Quem foram as enviadas a Bélgica para 
estudar Serviço Social? 
Maria Kiehl e Albertina Ramos 
• Ano em que é instaurado a Ação Social em 
São Paulo 
1934 
• Qual a data da Fundaçãoda Primeira 
Escola de Serviço Social no Brasil? 
15 de Fevereiro de 1936 
• Em qual Estado foi fundado a primeira 
escola de serviço Social 
São Paulo 
• Em qual visão baseava-se essa escola? Visão Franco-Belga 
• Quais os referenciais orientadores do 
pensamento e da ação do emergente Serviço 
Social brasileiro ? 
Referenciais baseados na Doutrina Social da 
Igreja, no ideário franco-belga de ação 
social e no pensamento de São Tomás de 
Aquino (séc. XII): o tomismo e o 
neotomismo. 
 
7.0 MOTIVOS PARA O SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO BUSCAR INFLUÊNCIA NO SERVIÇO SOCIAL NORTE-
AMERICANO 
 A autora Marilda Iamamoto (1998), diz que o serviço social buscou inspiração no Serviço Social 
Norte Americano, por inúmeros motivos, e são eles: 
✓ Com a implantação do Estado Novo em 1937, o governo passa a buscar legitimidade para o que 
estava acontecendo, por isso passa a garantir um controle social, através de uma política de massa, 
que conseguia barrar os movimentos reivindicatórios. 
✓ Nesse período o Serviço Social passar a se LEGITIMAR e INSTITUCIONALIZAR, rompendo o Serviço 
Social com a noção de “benesse” oriundo da influência Católica e com isso começa a CRIAÇÃO de 
19 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
um mercado de trabalho para os assistentes sociais, sendo essa profissão agora participante de uma 
categoria ASSALARIADA, atrelada as políticas públicas e a intervenção do Estado. 
✓ Na década de 1940 o Serviço Social tinha que dar respostas a novas demandas que apareciam, por 
isso tinham que munir-se de um aparato técnico e teórico que os auxiliassem no seu fazer 
profissional. 
✓ Houve uma aliança entre o governo Vargas e o governo Norte-Americano de Roosevelt em 1942, 
essa aliança tinha por objetivo fortalecer o capitalismo e afastar a ameaça comunista do Brasil. 
✓ Com o fim da II Guerra Mundial, no pós 1945, os Estados Unidos ganhou mais poder, com isso 
estabeleceu-se uma relação mais forte entre ele e o Brasil. 
✓ Com a Guerra Fria, e com a expansão industrial existe um agravamento da Questão Social, não 
sendo o Serviço Social que era puramente cristão, que trabalhava com caridade, que não era munido 
de aparto técnico, capaz de dar conta das novas demandas que a ele foi apresentadas. 
✓ A partir de 1945/1947 é que se passa a ter a primeira preocupação do Serviço Social com a definição 
de uma elaboração teórica própria para a profissão, com elementos técnicos e científicos que 
imprimisse eficácia a suas ações. 
✓ Com aproximação entre os Estados Unidos e o Brasil, a relação entre os dois países foi ampliada e o 
Serviço Social brasileiro inspirou-se no norte América e isso foi muito facilitado, a exemplo disso 
cita-se os inúmeros intercâmbios de profissionais e estudantes brasileiros para os EUA, a fim de 
aprender com os Norte-americano sobre “seu Serviço Social”. Como reafirma Andrade (2008): “O 
surgimento e desenvolvimento das grandes instituições assistenciais na década de 1940 coincidiram 
com o momento de legitimação e institucionalização do Serviço Social. Esse período representou o 
momento em que a profissão pode romper o estreito quadro de sua origem no bloco católico e, a 
partir do e no mercado de trabalho que se abriu com essas instituições, instaurar-se como uma 
categoria assalariada, fortemente atrelada às políticas sociais implementadas pelo Estado. 
 Portanto conclui-se que foi na década de 1940 que no Brasil houve a criação de mercado de 
trabalho mais amplo para SERVIÇO SOCIAL e que foi nesse período que se deu de forma mais 
expressiva a institucionalização do serviço social. 
 
8.0 A DÉCADA DE 1940 PARA O SERVIÇO SOCIAL 
 Segundo Yazbek (2009, p.9) o “conservadorismo católico que caracterizou os anos iniciais do 
Serviço Social brasileiro começa, especialmente a partir dos anos 1940, a avançar tecnicamente ao 
entrar em contato com o Serviço Social norte-americano e suas propostas de trabalho permeadas pelo 
caráter conservador da teoria social positivista”. 
20 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 Nesse período o Estado passa a intervir no processo de reprodução das relações sociais de forma 
mais contundente, assumindo assim o papel de regular e fiador dessas relações tanto na viabilização 
do processo de acumulação capitalista, como no atendimento das necessidades sociais das classes 
subalternas. 
 Quando o Estado passa a incorporar parte das reivindicações dos trabalhadores, através do 
reconhecimento legal de sua cidadania através de leis sindicais, sociais e trabalhistas, ele está buscando 
sua própria legitimação, com isso abre-se também o mercado de trabalho para o Serviço Social, onde 
as possibilidades de intervenção são ampliadas. Como foi mencionado anteriormente, em meados da 
década de 1930 o trabalho dos assistentes sociais voltava-se mais ao âmbito privado, que era 
patrocinado pela Igreja Católica. Segundo Yazbek, já na década de 1940 o Serviço Social amplia a sua 
ação e “assume um lugar na execução das políticas sociais emanadas do Estado e, a partir desse 
momento, tem seu desenvolvimento relacionado com a complexidade dos aparelhos estatais na 
operacionalização de Políticas Sociais”. 
 Assim o próprio Estado é quem impulsiona a profissionalização do assistente social e também 
amplia seu campo de trabalho, em função das novas formas de enfrentamento da Questão Social. Ianni 
(1990) afirma que ao desenvolver políticas e agências de poder estatal nos mais diversos setores da 
vida nacional o Estado brasileiro transformou a questão social em problema de administração. 
 Na década de 1940 o público-alvo da ação que o Serviço Social realizava era os trabalhadores e 
com a vinculação do Serviço Social com as Políticas Sociais mais trabalhadores passam a ser 
alcançados. Nesse período a ação normativa e social do Estado, segundo Yazbek (2009, p.8) “apresenta 
fortes características paternalistas e repressivas, reforçadoras da ideia de um Estado humanitário e 
benemerente”. 
 De acordo com Yazbek (2009) as políticas sociais nesse período eram inoperantes, tinham pouca 
efetividade social e por sua crescente subordinação a interesses econômicos, elas também eram 
fragmentadas concebidas setorialmente como se o social fosse a simples somatória de setores da vida, 
sem articulação, numa apreensão parcializada da realidade social, dessa forma o trabalho dos 
assistentes sociais também era fragmentados, e tinham um caráter pontual e localizado. 
 É nesse contexto, que o assistente social se encontra em uma situação de assalariamento, 
inserido na divisão sócio-técnica do trabalho, que ele vai ter contato com a matriz positivista que 
segundo Yazbek, com isso o serviço social brasileiro buscava ampliar os referenciais técnicos para a 
profissão, Iamamoto (1992, p.21) chama isso de “arranjo teórico-doutrinário”, ele constitui-se por 
unir o discurso humanista cristão com o suporte técnico científico baseado na teoria positivista, 
reafirmando um caminho de pensamento conservador para a profissão. 
21 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 Dessa forma, Yazbek (2009) afirma que o primeiro suporte teórico metodológico voltado para 
a qualificação técnica de sua prática foi buscado na matriz positivista. Esse modelo passa a ser 
questionado em meados da década de 1960. 
8.1 A EVOLUÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO E SEUS GANHOS 
 Os anos a partir de 1940 são considerados os “anos de ouro” para o serviço social, embora a 
profissão estivesse intimamente ligada ao positivismo, com um viés de ajuste do indivíduo, inúmeras 
foram as conquistas que a profissão teve nesse referido período, entre elas destacam- se: 
✓ Em 1945 foi criado a Associação Brasileira das Escolas de Serviços Sociais-ABESS; 
✓ Em 1946 a criação da Associação Brasileira de Assistentes Social- ABAS; 
✓ Em 1947 Criação do 1º CÓDIGO DE ÉTICA; 
✓ Regulamentação por Getúlio Vargas em 1954 do ensino de Serviço Social no Brasil; 
O Serviço Social brasileiro influenciado peloNorte-Americano, passa a entrar em crise nos anos de 
1960. 
 
8.2 GRANDES INSTITUIÇÕES ASSISTÊNCIAIS 
Concurseiro, veja a seguir os esquemas das instituições que mais são cobradas em concursos. 
Legião Brasileira de Assistência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
FUNDAÇÃO LEÃO VIII 
 
 
23 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
SENAI 
 
 
 
24 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
SESI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
ABEPSS 
 
 
 
 
 
8.3 SERVIÇO SOCIAL DE CASO, GRUPO E COMUNIDADE 
Conforme Andrade (2008) serviço social institucionalizado no Brasil, em sua trajetória 
conservadora, possuía três grandes métodos de intervenção profissional: caso, grupo e comunidade. 
No desenvolvimentismo, a intervenção profissional, junto às políticas sociais, entendia que os 
problemas sociais deveriam ser enfrentados com estratégias sistemáticas, técnicas, metódicas e 
anômicas, sendo que nesse período ainda usávamos as metodologias de Caso, Grupo e Comunidade, 
influenciadas pelo SS norte-americano. 
O Serviço Social iniciou seu embasamento teórico com a influência norte-americana dos modelos 
de caso, grupo e comunidade, sob a influência do pensamento de Mary Elly Richmond. Assim: 
A Metodologia de Caso Social Individual consistia num conjunto de métodos que desenvolvia a 
personalidade, através de um diagnóstico social, que, ao ser sistematizado, proporcionaria o 
reajustando conscientemente e individual do homem ao seu meio social. Conforme Andrade (2008) “O 
Serviço Social de Caso ou Casework orientava-se pelas teorias de Mary Richmond, Porter Lee e Gordon Hamilton, 
cuja preocupação centrava-se na personalidade do cliente”. 
26 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 
O serviço social de grupo utiliza-se da abordagem grupal das situações sociais problema, 
identificando seus aspectos significativos. Essa abordagem está muito ligada à educação; Conforme 
Andrade (2008) “O Serviço Social de Grupo era utilizado em uma perspectiva educacional, na medida em que 
procurava fortalecer a personalidade individual, através da ênfase dada à capacidade de liderança, à tomada de 
decisão e ao aspecto psicossocial. Dentro dessa perspectiva, pode-se dizer que o Serviço Social de Grupo ajudava 
os indivíduos a se auto-desenvolverem e a se ajustarem aos valores e normas vigentes no contexto social em 
que estavam inseridos” (p.282). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
O desenvolvimento de comunidade (inicialmente chamado de organização de comunidade) foi 
o terceiro método de trabalho do Serviço Social. Penetrou no Brasil em decorrência do movimento 
provocado por organizações internacionais e de uma política nacional – ambos interessados na 
expansão do sistema capitalista e na modernização do meio rural. Os princípios com relação ao conceito 
de Serviço Social de Comunidade eram: a doutrina da pessoa humana, da comunidade e do bem-comum. 
Conforme Andrade (2008) “Durante a década de 1950 e início da década de 1960, o Serviço Social incorpora a 
política desenvolvimentista no ensino. Essa política enfatizava a aceleração econômica, incentivada pela 
industrialização e modernização capitaneada pelos Estados Unidos. Ao Serviço Social caberia contribuir para o 
aprimoramento do ser humano, mesmo que o país convivesse com a existência de setores subdesenvolvidos”. 
Andrade (2008) ainda ressalta que a preocupação do Serviço Social brasileiro com o Desenvolvimento de 
Comunidade está atrelada a um movimento de âmbito internacional, deflagrado oficialmente pelas Nações 
Unidas e referendado por inúmeros organismos interessados na expansão da ideologia e do modo de produção 
capitalista, principalmente o Estado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
9.0 A INFLUÊNCIA DAS CORRENTES TEÓRICAS E FILOSÓFICAS NA CONSTRUÇÃO TÉÓRICA-
METODOLÓGICA DO SERVIÇO SOCIAL 
 No Serviço Social quatro grandes correntes filosóficas destacam-se na formação do pensamento 
profissional bem como no desenvolvimento da sua metodologia de ação que são: neotomismo, 
positivismo, fenomenologia e marxismo. Concurseiro, vamos a aprender sobre elas, os pontos aqui 
colocados são os mais cobrados em concursos. 
 
9.1 POSITIVISMO: 
 O Positivismo foi criado pelo francês Augusto Comte, no século XIX, que buscava explicar os 
fenômenos sociais com a mesma objetividade das ciências naturais. O positivismo com sua clara defesa 
da ordem natural das coisas, afirmava que as coisas seguindo o seu percurso natural convergiriam para 
a perfeita orientação da vida social. É desse pensamento que se operacionaliza no Serviço Social a ideia 
de que os problemas sociais eram decorrentes de disfunções no indivíduo, onde esse profissional passa 
a atuar para corrigir os problemas individuais adequando-o a sociedade, ênfase essa dada 
principalmente pelo segmento funcionalista que deriva do positivismo. 
 De acordo com Yazbek (2009, p.6) o método positivista trabalha com as relações aparentes dos 
fatos, evolui dentro do já contido e busca a regularidade, as abstrações e as relações invariáveis. 
 Sua influência no Serviço Social veio com a busca da qualificação técnica para responder às 
exigências de modernização da sociedade e do Estado decorrentes da consolidação do capitalismo 
monopolista no Brasil. Assim, o serviço social vinha com clara defesa da ordem burguesa, marcada 
com uma prática profissional na perspectiva de reintegração dos indivíduos, de culpabilização dos 
mesmos pelos seus problemas. O Serviço Social, assim, colocava-se a serviço da manutenção da 
ordem, a partir do controle dos indivíduos. Sob a égide da influência positivista o Serviço Social 
realizava uma ação puramente assistencialista. 
 Simionatto (2009,p.4) explicita que é da matriz positivista que derivam as vertentes 
denominadas de: FUNCIONALISMO, ESTRUTURALISMO e ESTRUTURAL FUNCIONALISMO. Essas três 
vertentes estão na abordagem instrumental e manipuladora da realidade. Assim, Simionatto (2009, 
p.4) fala que “essa forma de conhecimento do real fundamental a chamada racionalidade formal-
abstrata ou razão instrumental, que nega a dimensão dialética, histórica e humana da práxis social”. 
 É importante ressaltar que o positivismo esteve presente em uma das vertentes do movimento 
de reconceituação, que foi na VERTENTE MODERNIZADORA. Conforme Yazbek (2009, p.6) é meado 
da década de 1960 que esse referencial passa a ser questionado. 
 
29 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
9.2 FENOMENOLOGIA 
A fenomenologia esteve presente na perspectiva de REATULIZAÇÃO DO CONSERVADORISMO. 
Yazbek (2009) afirma que a fenomenologia emerge como metodologia dialógica, que ela se dirige ao 
vivido humano, aos sujeitos em suas vivências. O Serviço Social com a fenomenologia tem o papel de 
“auxiliar na abertura do sujeito existente, singular, em relação aos outros, ao mundo de pessoas 
(Yazbek apud Almeida). Assim a fenomenologia prioriza o diálogo e transformação social. 
O Serviço Social tem contato inicial com a fenomenologia na década de1970. A fenomenologia 
traz a visão existencial no trabalho social, proporcionando ao mesmo a aplicação da teoria psicossocial. 
Na fenomenologia, o Serviço Social se realiza através da intervenção social ou tratamento social. Trata-
se de um procedimento sistemático onde se desenvolve um processo de ajuda psicossocial, o qual é 
realizado através de um diálogo que deve levar a mudanças, partindo das experiências da pessoa, 
grupo e comunidade (BRANDÃO, 2006). 
 Segundo Brandão (2006), a atitude do profissional, com base na fenomenologia não é a postura 
de ensinar e nem de deixar que o sujeito tome sozinho suas decisões, mas entende-se que deve ocorrer 
uma construção conjunta de algo novo,um conhecimento novo que deve ser construído a cada 
encontro, pois a relação vai se estreitando e essa aproximação mútua reforça novas descobertas. A 
relação entre assistente social e sujeito deve ser verdadeira, somente assim será oportunizado uma 
reflexão conjunta para uma ação transformadora. 
 Portanto, na perspectiva fenomenológica, a relação de ajuda se dá na junção da proximidade dos 
parceiros onde há um perguntar e um responder, numa situação de reciprocidade e horizontalidade 
criadora da atmosfera afetiva, humana, que leva à compreensão de si, do outro, de nós, para a 
possibilidade de uma transformação para a liberdade. Entre os pensadores que influenciaram o 
pensamento brasileiro e que foram fundamentais em toda fenomenologia, destacam-se Merleau 
Ponty e Hussel. 
 A fenomenologia é uma ciência que se ocupa da descrição e classificação dos fenômenos. O 
principal autor dessa teoria é Husserl (1859-1938), que exerceu grande influência na filosofia 
contemporânea. 
 A contribuição da fenomenologia consiste basicamente na fundamentação do conhecimento a 
partir da experiência do mundo vivido. A tarefa inicial para esta elaboração é a descrição do fenômeno 
como ele se mostra à consciência. A Segundo Capalbo (1985) visa então mostrar e descrever o 
fenômeno tais como foram vividos, tais como se apresentam, mostrando, explicitando, aclarando, 
desvelando as estruturas da experiência vivida e deixando transparecer na descrição da experiência as 
estruturas universais. 
30 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 A essência é única, por isso permite identificar um fenômeno, ou seja, há uma essência única 
para cada fenômeno. Neste sentido, o fenômeno não é simplesmente a aparição de alguma coisa, ele 
é o próprio ser, ele não representa alguma coisa, mas é essa mesma coisa dada à consciência. 
 A fenomenologia busca a essência do fenômeno, como já dissemos, sendo esta outra ideia 
importante de ser compreendida na concepção fenomenológica. A essência não tem uma existência 
fora do ato da consciência. A experiência é que leva à intuição da essência, ou seja, à descoberta do 
sentido ideal que é atribuído ao fato materialmente percebido. 
 Conclui-se, portanto, que a fenomenologia é uma ciência voltada para o vivido, as vivências ou 
seja, propõe-se a estudar a realidade social concreta, compreensiva e interpretativa. Sua característica 
fundamental é a de ser um método voltado para uma descrição mais próxima da realidade, através do 
fenômeno da experiência. A fenomenologia se caracteriza, também, pela exigência de rever as 
perspectivas sobre o sentido da existência humana. O pensamento fenomenológico se preocupa 
sempre com o fenômeno e não com o fato. 
 
9.3 NEOTOMISMO 
 O Serviço Social surge sob forte influência da Igreja Católica, carrega consigo a teoria que 
fundamenta-se no Neotomismo. O neotomismo corrente filosófica surgida no século XIX, trazia consigo 
a ideia de reviver os pressupostos teóricos de São Tomás de Aquino, o Tomismo. A retomada das ideias 
de Tomás de Aquino, foi estabelecida pela Encíclica Aeterni Patris pelo papa Leão XIII. O Serviço Social 
surgiu no Brasil em 1936, a partir da iniciativa de setores ligados à Igreja Católica fortemente 
influenciados pela sua Doutrina Social, o Neotomismo. 
 A influência do Neotomismo implica para o Serviço Social a realização de ações moralizantes sob 
a ótica da visão cristã, com ênfase nas classes trabalhadoras voltada para a conciliação das classes 
sociais, a recusa ao comunismo e ao liberalismo. O objetivo da sua ação voltava-se para a adequação 
e integração à sociedade a partir dos valores e costumes cristãos. 
 
9.4 O MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO: 
 O materialismo histórico e dialético é uma teoria que foi criada por Karl Marx e Engels e foi a 
criadora do que conhece por Marxismo. Segundo essa teoria pelo trabalho o ser humano transforma 
a natureza, produzindo bens para atender às suas necessidades. Nesse processo de produção de bens, 
as pessoas estabelecem relações entre si. As relações criadas entre trabalhadores (detentores da força 
de trabalho) e proprietários dos meios de produção (terra, matéria-prima, fábricas, máquinas e 
instrumentos de trabalho) são chamadas de relações sociais de produção. 
31 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 Essas relações de produção correspondem, em cada etapa da história, a um determinado estágio 
de desenvolvimento técnico e econômico, ou seja, a determinadas forças produtivas. O conjunto das 
relações de produção e das forças produtivas constitui a base econômica da sociedade, ou a 
infraestrutura. Para Marx, a infraestrutura de uma sociedade determina sua superestrutura, que 
corresponde à organização do Estado, às normas do Direito e à ideologia dominante dessa mesma 
sociedade. 
 Na análise marxista, os proprietários dos meios de produção, os donos do capital, exploram a 
maioria operária que é obrigada a vender sua força de trabalho em troca de salários. Este salário, 
porém, não corresponde ao que ele efetivamente produziu, sendo inferior, ao valor produzido pelo 
operário. Esta diferença, chamada mais-valia, é apropriada pelos donos do capital e constitui a base da 
acumulação capitalista. Estes interesses antagônicos de capitalistas e proletários geram 
continuamente a luta de classes. 
 Em 1848, Marx e Engels publicam o “Manifesto do Partido Comunista”, obra essa que é 
fundamental para a teoria Marxista, nesse livro encontra-se o primeiro esboço da teoria revolucionária. 
Neste trabalho, Marx e Engels apresentam os fundamentos de um movimento de luta contra o 
capitalismo e defendem a construção de uma sociedade sem classe e sem Estado. 
 O pensamento filosófico de Marx e Engels torna-se conhecido em meados do século XIX, em meio 
à efervescência dos movimentos operários pela libertação econômica e política, ou seja, surge sob a 
influência da luta dos proletários contra a exploração e a opressão. Desse modo, o Materialismo 
Histórico Dialético, de Marx e Engels, surge como uma nova interpretação do mundo, voltado para aos 
interesses de defesa da classe trabalhadora. 
 O materialismo dialético torna-se, então, um método de análise da realidade, de acordo com o 
qual tudo se desenvolve e se transforma, ou seja, nada é estático. Os homens não se limitam a 
contemplar o mundo, mas exercem influência sobre o mesmo e o modificam. O marxismo também não 
concorda com o pensamento filosófico que vê os fenômenos como se fossem imutáveis e fossilizados. 
 A presença do materialismo histórico dialético no Serviço Social se dá a partir do início da década 
de 1960, quando alguns grupos de Assistentes Sociais passam a questionar o Serviço Social quanto à 
sua natureza e operacionalidade e partem para uma análise crítica da sociedade. Estes grupos de 
profissionais começam a rever as posições tradicionais do Serviço Social, questionando a prática e o 
posicionamento político dos profissionais, tornando explícita a análise da dimensão política da prática 
profissional. Este grupo passa a se posicionar na defesa da classe trabalhadora, não considerando mais 
a sociedade como um todo harmônico, mas, sim, como uma realidade onde estão presentes interesses 
antagônicos. 
32 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 Os acontecimentos da década de 1960 constituem um campo fértil para a busca de uma corrente 
que se pautasse pela mudança, pela transformação, especialmente a crise das ciências sociais de 
origem norte-americana; a renovação da Igreja Católica, embalada pela Teologia da Libertação, onde 
se tem um diálogo entre marxistas e cristãos; o movimento estudantil, o Movimento da Cultura 
Popular, a contracultura etc. A efervescência contestatória da década de 1960, que se retrata na 
profissão através do Movimento de Reconceituação, traz no seu bojo as ideias marxistas. Somente a 
partir do amadurecimento intelectual e político experimentado pela profissão nos anos 1980foi 
possível ao Serviço Social dialogar com as fontes originais e, consequentemente, apreender o método 
marxista. 
 Netto (1995) afirma que a relação entre a tradição marxista e o Serviço Social tem que ser 
compreendida dentro de um quadro mais amplo de renovação profissional. A crise do Serviço Social 
tradicional passa primeiramente por um processo que o autor chama de “modernização 
conservadora”, implementada pela ditadura que se instala no Brasil a partir de 1964 e que investe em 
políticas sociais e força a laicização do Serviço Social. Na segunda metade da década de 1970, explicita-
se o que o autor chama de vertente alternativa, inspirada na fenomenologia, até o surgimento da 
vertente que, segundo o autor, buscará a real ruptura com a herança conservadora, dialogando 
efetivamente com o pensamento marxista. 
 O marxismo emerge nos anos 1970 na Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas 
Gerais, como projeto de formação, intervenção e extensão, mas é efetivamente na década de 1980 
que ganha maturidade teórica, quando alguns autores, que por força de suas posturas políticas 
estavam fora do país, retornam e passam a produzir teoricamente no país. Os escritos de Marilda 
Iamamoto e José Paulo Netto contribuem fortemente com este momento histórico do Serviço Social. 
 
10.0 PROCESSO DE EROSÃO DO SERVIÇO SOCIAL TRADICIONAL 
 
De acordo com Netto (2005), a segunda metade dos anos 1960, na maioria dos países em que 
o Serviço Social já se institucionalizara, é marcada por “uma conjuntura de profunda erosão de suas 
práticas tradicionais”. A passagem da década de 1960 para 1970 “foi, de fato, assinalada em todos os 
quadrantes por uma forte crítica ao que se pode denominar “Serviço Social tradicional”: a prática 
empirista, reiterativa, paliativa e burocratizada, orientada por uma ética liberal-burguesa, que, de um 
ponto de vista claramente funcionalista, visava enfrentar as incidências psicossociais da ‘questão 
social’ a indivíduos e grupos, sempre pressuposta a ordenação capitalista da vida social como um dado 
factual ineliminável”. 
33 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
A crise da ordem capitalista, expressa pelo esgotamento do seu padrão de desenvolvimento, 
forneceu as condições históricas para essa crítica. “O tensionamento das estruturas sociais do mundo 
capitalista, tanto nas suas áreas centrais quanto periféricas, ganhou uma nova dinâmica e gestou-se 
um quadro favorável para a mobilização das classes subalternas em defesa de seus interesses 
imediatos”. Ocasionando uma série de movimentos que, em variadas formas de expressões, “punham 
em questão a racionalidade do Estado burguês, suas instituições e no limite, negavam a ordem 
burguesa e seu estilo de vida [...]”. 
 
 
 
 
Segundo Netto a Reconceituação se inscreve num processo internacional de crítica ao 
tradicionalismo ligada ao circuito sociopolítico latino-americano da década de 1960. 
 
34 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 
 
 
10.1 OUTROS QUESTIONAMENTOS DO MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO 
O movimento de reconceituação teve vários questionamentos, eles serão elencados a seguir. 
• O papel da profissão em face de expressões concretamente situadas da ‘questão social’; 
• A adequação dos procedimentos profissionais tradicionais em face das nossas realidades 
regionais e nacionais 
• A eficácia das ações profissionais; 
35 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
• A pertinência de seus fundamentos pretensamente teóricos 
• O relacionamento da profissão com os novos protagonistas que surgiam na cena político social 
Inicialmente, a Reconceituação apresentou-se como uma frente ampla que consistia em dois 
segmentos, um apontava para a necessidade de atualização da profissão de modo a modernizá-la para 
o atendimento das demandas macrossocietárias, relacionado ao projeto desenvolvimentista de 
planejamento, o outro apontava para um processo de ruptura com o passado profissional, defendendo 
a superação das estruturas sociais de dominação e exploração. Entretanto, de acordo com Netto, essa 
frente única no início dos anos 1970 dividiu-se em dois grandes blocos, os reformistas-democratas, 
vinculados ao projeto desenvolvimentista, e os radical-democratas, que compreendiam o 
desenvolvimento como decorrente da superação do processo de exploração/dominação. Esses blocos, 
porém, não puderam se desenvolver, dada a emergências das ditaduras nos países latino-americanos 
que “derrotaram todas as alternativas democráticas, reformistas e revolucionárias” (NETTO, 2005) 
 
 
10.2 CONQUISTAS DO MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO 
Netto (2005) aponta quatro conquistas da Reconceituação que foram incorporadas pela 
profissão: 
• A articulação de uma nova concepção de unidade latino-americana 
• A explicitação da dimensão política da ação profissional; 
• A interlocução crítica com as Ciências Sociais; 
• A inauguração do Pluralismo Profissional. 
O autor afirma, no entanto, que a principal conquista seria a recusa do profissional de Serviço 
Social de Serviço Social de situar-se como um agente técnico puramente executivo. 
 
10.3 EQUÍVOCOS OU DESCAMINHOS DO MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO 
Netto (2005) aponta alguns equívocos ou descaminhos resultantes do Movimento de Reconceituação 
• “A correta denúncia do conservadorismo próprio do tradicionalismo disfarçado em ‘apoliticismo’ 
conduziu, muitas vezes, a um ativismo político que obscureceu as fronteiras entre a profissão e o 
militantismo – de onde, por vezes, a hipostasia das dimensões políticas do exercício profissional, 
posto então como um ofício heroico e/ou messiânico”; 
• “A recusa às ‘teorias importadas’ [...] derivou numa relativização da universalidade teórica que, no 
limite infirmava s validade da teorização produzida noutras latitudes, redundando na valorização 
36 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
da produção teórica ‘autóctone’, presumidamente mais ‘adequada’ às nossas particularidades 
histórico-sociais”. 
• “O confucionismo ideológico, que procurava ‘sintetizar’ as inquietudes da esquerda cristã e das 
novas gerações revolucionárias ‘não-ortoxas’ e ‘não-tradicionais’ [...] acabou por engendrar a 
eclética mistura de Camilo Torres, Guevara e Paulo Freire com Louis Althusser e Mao Tse-Tung. 
Curiosa e paradoxalmente, a Reconceituação, que abriu caminho o diálogo do Serviço Social com 
a tradição marxista, recolheu desta, quase sempre, o que nela havia de menos vivo e criativo”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De acordo com Netto (2005) a Reconceituação configura-se num processo inconcluso devido a 
emergência das ditaduras na América Latina, o autor argumenta que uma vez que “os espaços 
democráticos foram praticamente suprimidos em países-chave da nossa América, a Reconceituação 
não pode desenvolver suas possibilidades concretas e seus eventuais – nesse sentido manteve-se como 
capítulo inconcluso na nossa história profissional”. O autor afirma que o fato de não ter se concluído 
não implica afirmar que o processo foi intransitivo, ou seja, não ensejou mudanças no universo 
profissional para além do momento em si. Ao contrário, a Reconceituação foi transitiva, ou seja, 
abriu caminho para a ruptura com o que se pode denominar “Serviço Social Tradicional”. 
 
11.0 PROCESSO DE RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 
De acordo com Netto (2005, p. 128) até meados da década de 1960 a profissão “não apresentava 
polêmicas de grande relevo, mostrava uma relativa homogeneidade nas suas projeções interventivas, 
sugeria uma grande unidade nas suas propostas profissionais, sinalizava uma formal assepsia de 
37 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
participação político-partidária, carecia de uma elaboração teórica significativa e plasmava-se numa 
categoria profissional onde parecia imperar, sem disputas de vulto, uma consensual direção 
interventiva e cívica”. Para ou autor essa ruptura no cenário profissional tem sua base na laicização 
do ServiçoSocial, sendo esta “um dos elementos caracterizadores da renovação do Serviço Social sob 
a autocracia burguesa”. A partir de meados da década de 1970 tem-se a emergência elaborações 
teóricas em relação a profissão com importante debate teórico-metodológico possibilitado pela 
“inserção profissional no circuito universitário” (NETTO, 2005, p. 129). 
Netto conceitua a renovação do Serviço Social como “[...] O conjunto de características novas, 
que no marco das constrições da autocracia burguesa, o Serviço Social articula, a base do rearranjo de 
suas tradições e da assunção do contributo de tendência do pensamento social contemporâneo, 
procurando investir-se como instituição de natureza profissional dotada de legitimação pratica através 
de respostas a demandas e da sua sistematização, e de validação teórica, mediante a remissão as 
teorias e disciplinas sociais” (NETTO, 1996, p.131). 
O autor cita quatro aspectos que, no seu entendimento, sinalizam os nós mais decisivos do 
processo de renovação, bem como condensam os feixes de implicações que vão além do esforço de 
validação teórica, que serão transcritos a seguir: 
• A instauração do pluralismo teórico, ideológico e político no marco profissional, deslocando uma 
sólida tradição de monolitismo ideal; 
• A crescente diferenciação das concepções profissionais (natureza, função, objetivos) derivadas do 
recurso diversificado a matrizes teórico-metodológico alternativas, rompendo com o viés de que 
profissionalidade implicaria em homogeneidade (identidade) de visões e práticas; 
• A sintonia da polêmica teórico-metodológica profissional com as discussões em curso no conjunto 
das ciências sociais, inserindo o Serviço Social na interlocução acadêmica e cultural contemporânea 
como protagonista que tenta cortar a subalternidade (intelectual) posta por funções meramente 
executivas; 
• Constituição de segmento de vanguarda, sobretudo mas não exclusivamente inseridos na vida 
acadêmica, voltados para a pesquisa e a investigação. 
Com a crise das bases que fundamentavam o Serviço Social tradicional, ocorre o real 
MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO, que segundo Netto (1992), tem seu marco em 1965. Para o 
autor a reflexão do Serviço Social tendo em vista esse movimento, se dá em três direções, que serão 
abordadas a seguir. 
 
 
38 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
11.1 PERSPECTIVA MODERNIZADORA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 
Esse direcionamento do processo de renovação tratava-se de uma tentativa de compatibilizar o 
exercício profissional de Serviço Social, em sua intervenção com as demandas que lhe foram postas no 
pos-64, no bojo das estratégias do desenvolvimento capitalista. Tal direcionamento desenvolveu-se a 
partir da segunda metade da década de 1960. Sua materialização deu-se, principalmente, a partir dos 
textos dos Seminários de Araxá e Teresópolis. Esse direcionamento possui uma forte inspiração nas 
matrizes teóricas: estruturalista e funcionalista. 
 
11.2 REATUALIZAÇÃO DO CONSERVADORISMO 
Esse direcionamento traduz-se na retomada dos traços característicos da gênese do Serviço 
Social, no que concerne ao olhar para o mundo vinculado ao pensamento católico tradicional, no 
entanto confere um caráter modernizador que não se fazia presente nas suas bases tradicionais. Esse 
caráter modernizador se expressa, por exemplo, na aproximação de sua matriz teórico-metodológica 
com a fenomenologia. 
 
11.3 INTENÇÃO DE RUPTURA 
Esse direcionamento se propõe como intenção de ruptura com o Serviço Social “tradicional”. 
Esta se diferencia das demais, pois apresenta uma crítica as bases tradicionais do Serviço Social, como 
a herança teórico-metodológica do pensamento conservador, o pensamento positivista, quanto as 
formas de intervenção social, o reformismo conservador. De acordo com Netto (2005, p. 248) essa 
40 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
perspectiva confronta o projeto autocrático burguês em três dimensões: no plano teórico-cultural, 
uma vez que “os referenciais de que se socorria negavam as legitimações da autocracia “no plano 
profissional, pois os objetivos a que propunham chocavam-se com o perfil de assistente social 
requisitado pela ‘modernização conservadora’”, no plano político, pois “suas concepções de 
participação social e cidadania, bem como suas projeções societárias batiam contra a 
institucionalidade da ditadura”. 
Netto destaca três momentos diferenciáveis no desenvolvimento da perspectiva de Intenção de 
Ruptura, o da sua emersão, o da consolidação acadêmica e do espraiamento sobre a categoria 
profissional, destacando dois tempos fundamentais na construção de suas formulações: em um 
primeiro momento se expressa, principalmente, no denominado Método de Belo Horizonte, a partir 
da aproximação com a tradição marxista; em um segundo momento, destaca-se a contribuição de 
Marilda Iamamoto na leitura marxiana. Sua análise tem como característica fundamental a 
compreensão do Serviço Social imbricado na lógica de reprodução das relações sociais. A intenção de 
ruptura culminou na colocação do Serviço Social ao lado das demandas dos trabalhadores na medida 
em que se recusa a ser um agente legitimador do seu processo de exploração. 
 
 
12.0 DOCUMENTOS IMPORTANTES PARA O SERVIÇO SOCIAL 
Concurseiro, a seguir você terá acesso a síntese das principais características do Seminário de 
Araxá, Teresópolis, Sumaré, Alto do Boa Vista e Método de BH, esses documentos tem muita 
importância no movimento de reconceituação. 
41 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
12.1 ARAXÁ 
 
De acordo com Netto, o documento de Araxá simboliza uma afirmação da perspectiva 
modernizadora e toda sua construção é realizada a partir de um patamar consensual: “como pratica 
institucionalizada, o Serviço Social se caracteriza pela ação junto a indivíduos com desajustamentos 
familiares e sociais. Tais desajustamentos muitas vezes decorrem de estruturas sociais inadequadas” 
42 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
(NETTO, 2005, p. 167). Afirmando que as ações do Serviço Social possuem dimensões corretivas, 
preventivas e promocionais, onde esta última marca a forma de inserção do Serviço Social no processo 
de desenvolvimento. 
O discurso profissional é marcado pela tensão entre o “tradicional” e o “moderno”, ocorrendo a 
subsunção do primeiro ao segundo. Segundo Netto em todo o documento é enfatizado a ideia de 
“rompimento”, que é compreendido como a ruptura da exclusividade do tradicionalismo, porém Netto 
afirma que o documento não representa de fato um rompimento o que acontece é “a captura do 
‘tradicional’ sob novas bases”. (2005, 168). 
Os profissionais reunidos em Araxá afirmam que a peculiaridade do Serviço Social encontra-se 
no seu enfoque orientado para uma visão global de homem integrado ao seu sistema social. Para 
Netto tal afirmação quanto a perspectiva de atuação profissional constitui um deslocamento de 
postulados neotomistas para o estrutural funcionalismo, a noção de globalidade “é a perspectiva das 
relações sistêmico-integrativas de indivíduo e sociedade”. (NETTO, 2005, 170). A partir dessa noção é 
que se gesta a reflexão quanto a adequação da metodologia às funções do Serviço Social, tais funções, 
de acordo com o documento, realizam-se em dois níveis o da microatuação, que é mais operacional, 
volta-se para a administração e prestação de serviços diretos e da macroatuação, que diz respeito a 
integração das ações do Serviço Social ao nível de política e planejamento para o desenvolvimento. 
Nesse recorte, segundo o autor, evidencia-se a subsunção do “tradicional” ao “moderno” pela 
valorização dada ao nível de macroatução. A microatuação, por sua vez, teria sua ação validada desde 
que conectada a macroatução. O autor afirma que “a demanda da macroatuação revela-se o ponto 
arquimédico da sua dinâmica; efetivamente,é ela que comanda todas as reflexões substantivamente 
novas do documento em face do passado profissional” (NETTO, 2005, p.172). 
O documento registra um modus operandi para a profissão no nível de macroatuação: 
• Participar de todas as fases de programação para o macroplano; 
• Formular a metodologia e estratégia de ação para elaborar e implementar a política social; 
• Planejar e implementar a infraestrutura social. 
Tais requisições, para o autor, são irreais pois exigiriam uma superprofissão e expressam o anseio 
dos renovadores de que a profissão não se limite às funções executivas, não permanecendo como 
meros executores das políticas sociais, mas participantes da formulação e gestão, remetendo, ainda, 
para ”a demanda técnico funcional em curso na moldura da autocracia burguesa” (NETTO, 2005, p. 
172). 
De acordo com Netto: “O transformismo que parametra a reflexão de Araxá (vale dizer a 
recuperação sem rupturas do tradicionalismo, mas sob novas bases) se evidencia na sequência do 
43 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
documento. Posta a necessidade de combinar a micro e a macro atuação, seus autores veem-se 
compelidos a indicar a ‘utilização adequada’ – quer em face desta combinação quer em face da 
‘realidade brasileira’- dos ‘processos’ de serviço social. Nos passos em que operam esta indicação 
CBCISS, 1986:33-39), o que e notável e a sistemática recuperação do Caso, do Grupo e do 
Desenvolvimento de Comunidade desde que funcionais a mudança e ao desenvolvimento” (NETTO, 
2005, p.173). 
Nesse documento é nítido o interesse de alinhar o Serviço Social com a ideia de 
“desenvolvimento”. Onde segundo Netto “as mudanças devem ser induzidas via planejamento 
integrado, a priorização e econômica e tecnológica, e suas dimensões sociais e políticas são claramente 
associadas a cultura e a administração” (NETTO, 2005, p.173). 
Netto destaca ainda que apesar de o seminário do qual resulta o documento explicitar o interesse 
de realizar uma “teorização do Serviço Social”, o Documento de Araxá não expressa nitidamente essa 
“teorização”, que é reduzida a “uma abordagem técnica operacional em função do modelo básico de 
desenvolvimento” (CBCISS, apud NETTO, 1996). De acordo com o autor do ponto de vista teórico o 
documento é marcado pelo referencial estrutural-funcionalista. 
 
12.2 TERESÓPOLIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Netto caracteriza o Documento de Teresópolis como sendo a cristalização da perspectiva 
modernizadora. O Seminário de Teresópolis contou com a participação de 33 profissionais que é 
marcado por não obter um patamar consensual, havendo ao contrário a justaposição dos relatórios de 
dois grupos de estudo (A e B). 
44 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
De acordo com o autor no “texto de Teresópolis o que se tem é o coroamento do transformismo 
[...]: nele o ‘moderno’ triunfa completamente sobre o ‘tradicional’, cristalizando-se operativa e 
instrumentalmente e deixando na mais secundária zona de penumbra a tensão de fundo que subjazia 
no texto produzido em Araxá. No documento de Teresópolis, o dado relevante e que a perspectiva 
modernizadora se afirma não apenas como concepção profissional geral, mas sobretudo como pauta 
interventiva. Há mais que continuidade entre os dois documentos: no de Teresópolis o ‘moderno’ se 
revela como a consequente instrumentação da programática (desenvolvimentista) que o texto de 
1967 avançava” (NETTO, 2005, 178). 
As formulações do Documento de Teresópolis são influenciadas pelo pensamento de Lucena 
Dantas que foi apreciado pelos dois grupos. Para Netto, o estudioso filia-se teoricamente ao 
neopositivismo. Suas proposições, de acordo com o autor, oferecem respostas para duas requisições 
do processo renovador: a busca da cientificidade para a profissão e em relação redimensionamento 
das práticas metodológicas. 
Segundo Netto a perspectiva de modernização conservadora alcança no Documento de 
Teresópolis maturidade, onde em suas formulações é possível verificar avanços em relação ao 
Documento de Araxá: “se, neste, a ênfase na ‘teorização’ conseguiria atrelar as concepções 
profissionais ao projeto da ‘modernização conservadora’, a reflexão desenvolvida em Teresópolis 
configura, no privilegio a questão da ‘metodologia’, a exclusão de vieses tendentes a problematizar 
a inserção do Serviço Social nas fronteiras dos complexos institucional-organizacionais que 
promoviam o processo da ‘modernização conservadora’. 
Os valores ideoculturais que embasam a visão de Araxá não são ultrapassados, a noção de 
desenvolvimento permanece; mas a herança ‘tradicional’ e irremissivelmente dissolvida no cariz 
operativo que se concretiza em Teresópolis: o que está no centro das formulações, aqui, não são 
teorias, não são valores, fins e legitimidade (antes, esses componentes são dados como tácitos), mas 
sim a determinação de formas instrumentais capazes de garantir uma eficácia da ação profissional apta 
a ser reconhecida como tal pelos complexos institucional-organizacionais. 
Em Araxá, coroa-se uma indicação do sentido socioténico do Serviço Social; em Teresópolis, 
cristaliza-se a operacionalidade deste sentido: obtém-se evicção de qualquer tematização conducente 
a colocá-lo em questão consolida-se o seu trato como conjunto sistematizado de procedimento 
pratico-imediatos suscetíveis de administração tecnicoburocrática”. 
Netto destaca que o Documento de Teresópolis alcança um elevado nível de discriminação, 
categorização e classificação, tanto de “situações sociais problemas”, como dos procedimentos 
técnicos adequados para o seu enfrentamento. “O que nele se cristalizou [...] foi a determinação 
45 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
precisa do papel do profissional como a de um real funcionário do desenvolvimento, em detrimento 
da retórica que o situava como um ‘agente’ deste processo” (NETTO, 2005, p.191). 
Netto afirma que as formulações realizadas no Documento de Teresópolis apresentam três significados 
para o processo de renovação profissional: 
• Apontam para a requalificação do assistente social; 
• Definem nitidamente o perfil sociotécnico da profissão; 
• Inscrevem a profissão de modo conclusivo na “modernização conservadora”. 
O Documento de Teresópolis cristaliza uma tendência já apontada no Documento de Araxá, de 
redefinição do papel sociotécnico do assistente social. “Ao situa-lo como um ‘funcionário do 
desenvolvimento’, Teresópolis propõe tanto uma redução quanto uma verticalização do seu saber e 
do seu fazer. A redução está ligada a própria condição funcionaria do profissional: as tradicionais 
indagações valorativas são deslocadas pelo privilegio pela eficácia manipulativa, e o assistente social e 
investido de um estatuto básico e extensamente executivo (tal como aparece nas modernas teorias de 
gestão), mas longe de atribuições terminais e sem subalternidades. A verticalização compreende 
precisamente a apropriação ideal de um elenco mais operativo de técnicas de intervenção, com a 
consequente valorização da ação pratico-imediata” (NETTO, 2005, p. 192). 
Netto considera que o Documento de Teresópolis expressa “a plena adequação do Serviço Social 
a ambiência própria da ‘modernização conservadora’ conduzida pelo Estado ditatorial em benefício do 
grande capital e as características sócio-econômicas e político-institucionais do desenvolvimento 
capitalista ocorrente em seus limites” (NETTO, 2005, p.193). 
 
46 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
12.3 TRAÇO COMUM DO DOCUMENTO DE ARAXÁ E TERESÓPOLIS: 
Apresentam-se como “a consolidação modelar da tentativa de adequar as (auto)representações 
profissionais do Serviço Social às tendências sociopolíticas que a ditadura tornou dominantes e que 
não se punham como objeto de questionamento substantivo pelos protagonistas que concorreram na 
sua elaboração” (NETTO, 2005, p. 164-165). 
 
12.4 SUMARÉ E ALTO DA BOA VISTA 
Netto caracteriza os documentos de Sumaré (1978) e deBoa Vista (1984) como de deslocamento 
da perspectiva modernizadora, em contraposição aos Documentos de Araxá (1967) e de Teresópolis 
(1970) que representam o momento ascendente dessa perspectiva. Para o autor estes documentos 
são marcados por uma pobreza teórica onde as “elaborações e preocupações que tiveram curso nos 
dois colóquios possuíam traços tais que as tornavam muito pouco aptas para galvanizar a atenção das 
vanguardas profissionais emergentes” (NETTO, 2005, p. 196). 
O deslocamento da perspectiva modernizadora se expressa na medida em que “o exame dos 
resultantes do Sumaré e do Alto da Boa Vista patenteia que o processo de renovação profissional já 
transitava por outros condutos e envolvia outros protagonistas. Mas foi ainda no seu marco que se 
explicitou a segunda direção do processo renovador[...] Efetivamente é ainda no marco dos Seminários 
do Sumaré e do Alto da Boa Vista que ressoam as formulações da vertente renovadora a que 
denominamos reatualizaçao do conservadorismo” (NETTO, 2005, p. 201). 
De acordo com Netto (2005, p. 197) o Seminário de Sumaré deveria enfrentar três temas básicos: 
a relação do Serviço Social com a cientificidade, a fenomenologia e a dialética. 
 
47 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
 
Netto salienta que a tônica “moderna” da formulação do Seminário de Alto da Boa Vista refere-
se a sugestão do “Serviço Social como sistema cibernético” que corresponde a compreensão “de que 
a utilização alternativa de recursos tecnológicos enquanto meios no processo interventivo implica 
necessariamente redefinições dos princípios profissionais” (NETTO, 2005, 201). 
 
12.5 MÉTODO DE BELO HORIZONTE 
O período de emersão da perspectiva renovadora Intenção de Ruptura está contida no trabalho 
de um grupo de jovens profissionais da Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas 
Gerais, realizado no período de 1972 a 1975, que, mais tarde, formulou o Método de Belo Horizonte. 
O grupo de jovens profissionais, de acordo com Netto, eram direcionados intelectualmente por Leila 
Lima Santos e Ana Maria Quiroga. 
48 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
A partir da elaboração de uma crítica ao tradicionalismo propõe uma alternativa global que busca 
“romper com o tradicionalismo no plano teórico-metodológico, no plano da concepção e da 
intervenção profissional e no plano da formação” (NETTO, 2005, p. 263). 
Como passo inicial a formulação apresenta uma súmula crítica ao tradicionalismo, numa 
perspectiva ideopolítica (no que concerne a pretensa “neutralidade”), teórico-metodológica (diz 
respeito a departamentalização da realidade e a fragmentação dos fenômenos sociais) e operativo-
funcionais (diz respeito a ausência de clareza na definição da ação metódica, na definição unilateral do 
objeto). Netto sinaliza que a crítica não é reducionista. 
E, alternativamente, elaboram uma nova proposta profissional, definindo como objeto da 
atuação profissional a ação junto as classes oprimidas e os objetivos profissionais que se subdividem 
em objetivo-meta, que seria a transformação da sociedade e do homem e o objetivo-meio, que seria a 
conscientização, a capacitação e a organização. Netto afirma que as diferenças entre esta formulação 
e os procedimentos do tradicionalismo, bem como com as formulações da perspectiva modernizadora 
e a perspectiva de reatualização do conservadorismo evidenciam-se na tentativa de historicização do 
objeto e dos objetivos profissionais, no repúdio à assepsia ideológica e ao transclassimo. 
Em contrapartida, o autor salienta alguns problemas na formulação, quanto ao objeto da atuação 
profissional, uma vez que a noção de classe oprimida é política (implica a existência de uma classe que 
oprime) com a presença de um estrutura social contraditória, a atuação profissional nesse âmbito 
encontraria limites na orientação para a intervenção e na sua capacidade de desvelar o real, e quanto 
ao objetivo-meta, diz respeito ao equívoco de atribuir a uma profissão a responsabilidade pela 
transformação da sociedade, bem como a ausência de uma definição clara do que seria essa 
transformação. Quanto a estrutura teórico-metodológica, apropriam-se de um viés da tradição 
marxista, marxismo leninismo. 
A implementação das formulações, o Método de Belo Horizonte em si, “ foi sistematicamente 
testada em Itabira, numa experiência de extensão institucional que obedeceu a critérios e controles 
previamente explicitados” (NETTO, 2005, p. 285). Tendo o experimento enfrentado dificuldades 
quanto a defasagem das referências teóricas e a renovação teórica esperada pelos seus formuladores 
ao fim do processo. Netto situa a raiz dos problemas na limitação do viés da tradição marxista que 
incorporaram, com a contaminação de postulados positivistas, o “marxismo sem Marx”, 
principalmente em relação a “falta de uma sustentação ontológico-dialética e na escala em que deveria 
conectar teoria e intervenção, vai na direção da conjunção do fatalismo mecanicista e voluntarismo 
idealista” (NETTO, 2005, p. 287). 
49 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
No que diz respeito as proposições para a formação profissional há a identificação de três 
elementos nucleares no processo de aprendizagem, a realidade, a criatividade e a globalização. 
Quanto as proposições formativas, Netto destaca apontam para um quadro profissional cuja 
competência se expressa em três dimensões: política, teórica e interventivamente. 
Finalmente, o autor afirma que as formulações belo-horizontinas “explicitando uma alternativa 
global ao tradicionalismo ele inaugurou – enquanto formulação de um projeto profissional que, 
respondendo à particularidade da conjuntura brasileira, estava sintonizado com as vanguardas 
renovadoras mais críticas da América Latina – a perspectiva de intenção de ruptura enfrentando as 
questões mais candentes da configuração teórica, ideológica e operativa que constituem uma 
profissionalidade como a do Serviço Social” (NETTO, 2005, p. 289). As fragilidades da formulação 
relacionam-se a vertente marxista em que se inspirou. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 
 
13.0 CONTRIBUIÇÕES DE IAMAMOTO SOBRE O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO 
13.1 PERÍODO DO MOVIMENTO 
 Iamamoto afirma que o movimento de reconceituação do Serviço Social na América Latina teve 
lugar no período de 1965 a 1975. 
13.2 CONTEXTO HISTÓRICO 
 Concurseiro, para estudar o movimento de reconceituação é necessário que você conheça qual 
o contexto histórico que propiciou que ele ocorresse. Segundo Lopes (2016) foi um contexto de 
profunda agitação social, constituída pelos 
• movimentos progressistas e revolucionários do final da década de 50 e início da década de 60, 
animados, destacadamente, pela vitória da Revolução Cubana, em 19599; e também 
• pelos movimentos de resistência à contrarrevolução que se organizava e se impunha através 
das ditaduras militares. 
Esses movimentos impulsionaram e alimentou a crítica no Serviço Social. 
 Para Iamamoto (2016) o movimento de reconceituação do Serviço Social na América Latina teve 
lugar no período de 1965 a 1975, impulsionado pela intensificação das lutas sociais que se refratavam 
na Universidade, nas Ciências Sociais, na Igreja, nos movimentos estudantis, dentre outras 
expressões. Ele expressa um amplo questionamento da profissão (suas finalidades, fundamentos, 
compromissos éticos e políticos, procedimentos operativos e formação profissional), dotado de várias 
vertentes e com nítidas particularidades nacionais. 
 A autora destaca ainda que o movimento de reconceituação “desencadeia-se no I Seminário de 
Serviço Social face às mudanças sociais na América Latina, em 1965, em Porto Alegre (RS), primeiro 
marco público da busca de um Serviço Social latino-americano” (IAMAMOTO, 2019, p. 443). 
13.3 ADESÃO AO MOVIMENTO 
O movimento “foi construído por segmentos expressivos de profissionais intelectuais