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Orientações sobre a Ceia 
 
Em Lucas 24:13-35 temos a história de dois discípulos que encontraram o Senhor a 
caminho da aldeia de Emaús. Diz a palavra que enquanto caminhavam e discutiam a 
respeito de tudo o que tinha acontecido em Jerusalém, o próprio Senhor Jesus se 
aproximou e ia com eles. 
 O Senhor então lhes pergunta a respeito do que estavam falando e eles relatam como 
Jesus tinha sido morto pelas autoridades. Eles, porém, não reconheceram o Senhor. 
Nesse ponto o Senhor Jesus começou a expor-lhes as escrituras mostrando tudo o 
que estava escrito a respeito dele. Quando eles chegaram em casa constrangeram o 
Senhor para que entrasse e quando o Senhor partiu o pão os olhos deles se abriram 
eles reconheceram que era Jesus. 
E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-
o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele 
desapareceu da presença deles. Lc. 24:30-31 
É interessante que a mesma expressão é usada para Adão e Eva quando comeram da 
árvore do conhecimento do bem e do mal. Ali se diz que os olhos deles se abriram 
(Gn. 3:7). Mas agora os olhos dos discípulos se abriram quando o pão foi partido. No 
Velho Testamento eles comeram da comida errada e tiveram os olhos abertos para o 
pecado. Mas no Novo Testamento eles comem da comida certa e os olhos são abertos 
para ver o autor da vida. 
Eu creio que nesses 21 dias os seus olhos serão abertos cada vez que o pão for partido. 
Cada vez que você comer do Senhor Jesus ao comer do pão você estará provando da 
árvore da vida e seus olhos serão abertos para receber mais revelação do Senhor. 
Nesses 21 dias de Jejum nós vamos partir o pão todos os dias. Isso certamente será 
algo novo para você, mas muito poderoso. Tenha expectativa de manifestações 
sobrenaturais de poder. Creio que o pão dos filhos está servido à mesa do Senhor. 
Em Marcos 7:26-28 Jesus disse para a mulher siro-fenícia: “não é bom tomar o pão 
dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. A mulher, porém, disse que uma migalha 
desse pão seria suficiente para curar a sua filha. Hoje nós temos todo o pão à nossa 
disposição porque somos filhos. O pão dos filhos é o pão que partiremos nesses 21 
dias. Somos participantes da mesa do Rei e podemos desfrutar do suprimento do céu. 
Talvez você não esteja familiarizado com a mesa do Senhor, por isso respondemos 
algumas questões básicas para ajudá-lo. 
 
O que é a Santa Ceia? 
A Santa Ceia, conhecida também como a Ceia do Senhor ou Santa Comunhão, 
representa a maior expressão do amor de Deus por Seu povo. 
Dois itens são usados na Santa Ceia – o pão que representa o corpo de Jesus que foi 
ferido e quebrado antes e durante a Sua crucificação, e o cálice que representa o Seu 
sangue derramado. 
Quando Jesus caminhou sobre a terra seu corpo estava cheio de vida e saúde. Ele 
nunca ficou doente. Mas antes de Jesus ir para a cruz, Ele foi duramente açoitado 
pelos soldados romanos, e Seu corpo foi ferido antes de ser pendurado na cruz. 
Na cruz, Deus tomou todas as nossas doenças e enfermidades e as colocou no corpo 
perfeito e saudável do Senhor Jesus, para que possamos hoje caminhar em perfeita 
saúde. É por isso que a Bíblia diz por Suas pisaduras nós somos sarados (Is. 53:5, I 
Pe. 2:24). 
Em Lucas 22:20, Jesus nos disse que o cálice é a “nova aliança em Meu sangue”, e o 
apóstolo Paulo nos diz que o sangue de Jesus traz o perdão dos nossos pecados (Cl. 
1:14, Ef. 1:7). 
 
Podemos acrescentar outros elementos à Ceia? 
A ceia deve ser celebrada apenas com o pão e o cálice. Podemos ter uma refeição farta 
antes ou depois da Ceia, como faziam os primeiros cristãos, mas o momento da Ceia 
não é uma refeição comum, por isso não participamos dela para desfrutar da comida, 
mas para desfrutar de Cristo no pão e no cálice. 
 
Por que participamos da Santa Ceia? 
Na noite em que foi traído, o Senhor Jesus comeu a ceia com os Seus discípulos. 
Então tomando um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: 
Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o 
deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue 
da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados (Mt. 26:26-
28, I Cor. 11: 24-25). 
A sua instrução amorosa é que devemos nos lembrar dele enquanto participamos da 
Santa Ceia. Jesus queria que fôssemos conscientes de como Seu corpo foi moído por 
causa de nossa iniquidade e Seu sangue foi derramado para o perdão de nossos 
pecados. E sempre que participamos tendo esse entendimento “proclamamos a morte 
do Senhor até que Ele venha” (I Cor. 11:26). 
Hoje, quando participamos do pão, estamos declarando que a saúde e a vida do 
Senhor fluem em nossos corpos mortais. E quando participamos do cálice, estamos 
declarando que somos perdoados e feitos justos. O sangue de Jesus nos dá uma 
posição correta diante de Deus, e podemos ir ousadamente à presença de Deus (Hb. 
4:16). Quando oramos, podemos ter certeza de que Deus nos ouve! 
 
Como faço para participar da Santa Ceia? 
Antes de participar, lembre-se que a Ceia não é um ritual a ser observado, mas uma 
bênção a ser recebida. 
Porque não é um ritual, não há pão prescrito ou bebida especial necessária. No dia da 
primeira Ceia certamente Jesus usou o pão sem fermento e o vinho tinto que tinham 
sobrado da refeição da Páscoa (Mateus 26:26-28). Nós seguimos o seu exemplo, mas 
ele não deu nenhuma direção sobre isso. 
Não há nenhuma prescrição dos apóstolos sobre os elementos da Ceia. Podemos usar 
o pão comum e o suco de uva. Creio que é mais bíblico usar o pão sem fermento e o 
vinho, mas não podemos fazer disso um dogma. 
Como o fermento é símbolo de pecado e corrupção na Bíblia. (Lc. 12:1; 1 Cor. 5:6-8; 
Gl. 5:7-9). É bem apropriado o pão sem fermento para servir como símbolo do corpo 
sem pecado de Cristo (1 Pe. 2:22). A maioria das igrejas prefere usar suco de uva em 
vez de vinho porque proíbem o consumo de álcool. 
 
Quem pode participar da Ceia? 
A Santa Ceia é o que chamamos de “pão dos filhos”, portanto não faz sentido 
convidar um incrédulo para fazer parte dela. Em I Coríntios 10:17 Paulo diz que 
participamos de um único pão porque somos membros do corpo de Cristo. Um 
descrente não faz parte do Corpo de Cristo e por isso não pode participar da mesa do 
Senhor. 
É verdade que não existe nenhuma orientação bíblica proibindo as pessoas de fora de 
participarem da Ceia, mas o Senhor nos deu instruções que nos levam a concluir que 
a Ceia vem depois de crer e ser batizado. 
Em Mateus 28 o Senhor disse aos seus discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de 
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt. 28:19-20). Veja 
a sequência: façam discípulos, batíze-os e depois os ensine a guardar o que lhes tenho 
ordenado. A Ceia foi algo que ele nos ordenou, portanto antes dela vem o ser feito 
discípulo e ser batizado. É uma questão de sensatez bíblica. 
 
Com que frequência deve ser feita? 
O Senhor ordenou que celebrássemos a Ceia, mas não disse quantas vezes isso deveria 
ser feito. Atos 2:46 parece indicar que a igreja primitiva a celebrava diariamente, mas 
Atos 20:7 diz que eles estavam reunidos no domingo para partir o pão indicando que 
o faziam semanalmente. Não devemos ser dogmáticos a esse respeito. Podemos partir 
o pão semanalmente ou mensalmente e nesse jejum o faremos diariamente por três 
semanas. 
 
Quem deve conduzir a celebração da Ceia? 
Muitas igrejas ensinam que somente um pastor ordenado pode celebrar a Ceia, mas 
isso é apenas clericalismo, algo que temos rejeitado em nosso meio. Sempre que 
houver dois ou três reunidos em nome do Senhor eles podem partir o pão. Precisamos 
crer no sacerdócio de todos os crentes. 
 
O pão e o vinho são apenas símbolos 
Alguns acreditam que o pão da Ceia é transformado literalmente no corpo de Cristo 
e o vinho em sangue no momento da Ceia.Isso é chamado de transubstanciação. Mas 
isso não tem base bíblica. O pão e o vinho servidos na Ceia são símbolos da carne e 
do sangue de Cristo. 
Jesus nunca mandaria que seus discípulos bebessem sangue pois isso era proibido pela 
Lei de Moisés (Gn. 9:4; At. 15:28, 29). Além disso quando o Senhor disse aos 
discípulos “esse é o meu corpo” segurando o pão eles entenderam que se tratava de 
um símbolo pois Jesus estava vivo diante deles. 
A Ceia é uma celebração e uma ordenança, mas não é um sacramento, ou seja, uma 
cerimônia religiosa que dá à pessoa o perdão de seus pecados. Nossos pecados 
somente podem ser perdoados pela fé no sangue de Jesus (Romanos 3:25; 1 João 2:1, 
2). 
Todavia, apesar do pão e do vinho serem símbolos precisamos entender que eles 
possuem poder espiritual no momento em que são tomados para representar o corpo 
e o sangue de Jesus. Há poder na Ceia, creis nisso. Nesses dias quando comer o pão 
e beber do vinho receba cura para o seu corpo e vida abundante em sua alma. À 
medida em que participamos da mesa do Senhor vez após vez, nós recebemos 
gradualmente vida, saúde e força. Não é um ato mágico, mas um alimento de fé. 
 
 
Primeiro Dia 
Alimente-se do Senhor na Ceia 
 
Deus é bom, ele o ama e deseja o melhor para você. A vontade dele é que você tenha 
um coração cheio de paixão e vida, um corpo saudável cheio de vitalidade, um espírito 
renovado para adorá-lo e ter comunhão com ele, uma mente clara cheia do 
conhecimento da glória de Deus. 
Nunca foi intenção de Deus que tivéssemos um corpo cheio de enfermidade e uma 
alma deprimida e angustiada incapaz de cumprir o seu propósito. Deus não nos criou 
para vivermos uma breve existência atribulada e pobre. Não fomos feitos nem mesmo 
para morrer. Todas essas coisas são inimigas de Deus. 
O Senhor Jesus veio para nos redimir da maldição que entrou no mundo pela queda 
do homem. O primeiro Adão, por causa da queda trouxe ao homem a condenação, a 
doença, a pobreza e a morte, mas o último Adão trouxe redenção, saúde, vitória e 
imortalidade. Como último Adão Jesus levou para a cruz toda a maldição do pecado 
e como segundo homem nos introduziu numa nova criação, sendo ele mesmo o 
cabeça de uma nova raça. 
Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último 
Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; 
depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo 
homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais 
homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. I Cor. 15:45-
48 
Existem 33 milagres do Senhor relatados nos evangelhos. Ele fez muito mais do que 
isso, mas João disse que esses foram registrados para que crêssemos que Jesus é o 
Filho de Deus (Jo. 20:30-31). 
Jesus fez 33 milagres nos evangelhos. Desses total 28 estão relacionados com o nosso 
corpo, incluindo comida, pão e peixes sendo multiplicados e água transformada em 
vinho. Mas 24 são curas físicas e aí incluímos expulsão de demônios e ressurreição 
dos mortos. 
Veja que o poder do Senhor está disponível para suprir todas as nossas necessidades 
físicas. O Senhor raramente repreendia seus discípulos, mas quando o fazia era por 
causa da pequenez da fé. Em outras palavras, ele lhes dizia: “por que vocês tomam 
tão pouco de mim? Meu poder pode lhes dar muito mais, por que vocês não 
recebem?” 
A maior bênção que podemos receber depois da salvação é a cura para o nosso corpo. 
Saúde é a maior riqueza. Fomos criados para viver eternamente, então a doença não 
faz parte do plano de Deus. 
Muitos acreditam que Deus lhes mandou uma enfermidade para lhes ensinar uma 
lição, no entanto elas vão ao médico para desfazer o que Deus mandou. 
Jesus nunca fez pessoa alguma adoecer para lhe ensinar uma lição espiritual, para 
trazê-la mais perto dEle, ou para ela aprender o quebrantamento. Ele também não 
castigou ninguém com enfermidades, em ocasião alguma. Ele é o mesmo ontem , hoje 
e eternamente. 
Existem crentes que têm medo que a ira de Deus os atinja nessa área. Mas o filho de 
Deus não está mais debaixo da sua ira, mas do seu favor. 
Hoje gostaria de ministrar sobre o plano de Deus de nos dar saúde e vitalidade através 
da santa ceia. Mas antes de tudo lembre-se de nunca tomar a ceia de forma 
supersticiosa. Não é o pão em si mesmo ou o vinho que tem poder, mas é a sua união 
com Cristo. Não tome a Ceia como uma tentativa de receber um milagre, mas tome 
a Ceia numa atitude de confiança e segurança na promessa infalível da palavra de 
Deus. 
Precisamos ter cuidado para que a Ceia não se torne apenas um ritual. 
Frequentemente encontro pessoas que ficam meses sem participar da ceia porque 
estavam doentes. Pergunto porque não pediram para alguém lhes levar o pão e o 
vinho, mas elas dizem que nem lhes ocorreu a ideia. Isso acontece porque para elas a 
Ceia é apenas um ritual. Não sentem que precisam comer do corpo do Senhor. 
 
A ceia nos dá saúde e vida 
Em I Coríntios 11 o Senhor diz que ele não deseja que sejamos condenados com o 
mundo. 
Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados 
com o mundo. I Cor. 11:32 
O Contexto desse capítulo é a Ceia do Senhor, portanto ser condenado aqui não 
significa ir para o inferno. Muito embora tomar a ceia de forma indigna seja errado, 
não pode condenar ninguém ao inferno. 
O Senhor está dizendo que a igreja deve receber os benefícios da Ceia para que não 
sofra o mesmo tipo de condenação que o mundo sofre. Baseado no contexto o que 
eles estavam sofrendo era fraqueza, doença e morte prematura. 
Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. 
I Cor. 11:30 
Desde que Adão caiu o mundo está debaixo da condenação e por isso sofre debaixo 
de doenças, fraquezas e morte antes da hora. A vontade de Deus é que não mais 
vivamos assim. O Senhor veio para remover tais coisas na vida dos que crêem. 
Paulo estava surpreso que houvesse tantos fracos, doentes e gente que morria jovem 
dentro da Igreja de Corinto. A razão desse problema era que eles não discerniam o 
corpo de Cristo na Ceia. 
Eles estavam tomando a ceia de forma irreverente e indigna. Não significa que eles 
eram indignos, mas estavam participando de forma indigna. Muitos interpretam de 
forma errada esse texto e dizem que se alguém participa da ceia em pecado sofrerá 
juízo. Mas não é isso que Paulo está dizendo. Não é a pessoa que é indigna, mas a 
maneira como ela está tomando a ceia. Jesus morreu por gente indigna e não existe 
ninguém digno na presença de Deus (Ap. 5:2-3). 
Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu 
do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, 
coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come 
e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não 
poucos que dormem. I Cor. 11:27-30 
O resultado disso era fraqueza e doença. Alguns interpretam que a fraqueza, doença 
e morte prematura eram a disciplina de Deus sobre eles por causa da irreverência com 
a Ceia. Mas eu creio que devemos entender isso como o resultado de não estarem 
participando dos efeitos maravilhosos da Ceia por não terem entendimento do seu 
significado. 
O ato de tomar a ceia indignamente é apenas o sinal de que eles não discerniam o 
corpo de Cristo. O verdadeiro problema é a falta de discernimento. 
Isso significa que quando tomamos a Ceia sem discernir o significado do Corpo de 
Cristo deixamos de usufruir da bênção de cura, força e vida longa. 
Paulo diz claramente: “eis a razão...” Ele diz que há somente uma razão porque os 
crentes de Corinto viviam doentes, era porque não discerniam o significado do corpo 
de Cristo. Quando eles pegavam o pão eles não entendiam porque o corpo tinha sido 
dado. 
 
É preciso discernir o corpo 
A palavra discernir é “diacrino” no grego. Essa palavra significa fazer diferença,separar, distinguir. Em primeiro lugar precisamos distinguir o pão da ceia dos outros 
pães comuns. Mas também devemos distinguir a diferença entre o sangue e o corpo. 
Precisamos saber para quê o sangue foi derramado e porque o corpo foi partido. 
Os irmãos entendem mais rapidamente o significado do sangue. Eles sabem que os 
seus pecados foram perdoados e eles agora participam da Nova Aliança. Muitos, 
porém, não entendem o significado do pão. 
É interessante que nos três evangelhos onde é descrita a última ceia (que na verdade 
é a primeira), o Senhor diz sobre o pão: “Tomai, comei; isto é o meu corpo”. Nada 
diz sobre o seu significado. Mas sobre o cálice ele diz: “este é o meu sangue, dado 
para a remissão dos pecados.” 
Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos 
discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, 
tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o 
meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão 
de pecados. Mt. 26:26-28 
Qual o significado do pão? Por que o corpo foi partido? Nós sabemos que o sangue 
é para a remissão de pecados, mas e o corpo partido? Creio que o corpo foi partido 
para cura de nosso corpo. 
Paulo não disse que o problema dos coríntios era porque não discerniam o sangue, 
ele disse que o problema era não discernir o corpo. Porque não discerniam o corpo 
estavam fracos e doentes (Vs. 29-30). 
Existem dois elementos na Ceia porque existem duas aplicações diferentes. O vinho 
é para o perdão, mas o pão é para cura. 
 
O sangue é para perdão 
Quanto ao sangue não há nenhuma confusão ou problema para entender o seu 
significado. O Senhor mesmo tornou o seu significado claro. 
Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu 
amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Cl. 1:13-14 
No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a 
riqueza da sua graça. Ef. 1:7 
Quando você tomar o vinho saiba que os seus pecados foram perdoados e você foi 
feito justo diante de Deus por causa do sangue de Jesus. 
 
O corpo é para cura 
Embora todo cristão tenha discernimento do vinho, nem todos entendem o sentido 
do pão. 
Quando o Senhor falou com a mulher siro-fenícia ele disse que não era bom tirar o 
pão dos filhos e dá-los aos cachorrinhos. O que significa o pão dos filhos? 
Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha 
o demônio. Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é 
bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, porém, lhe respondeu: 
Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das 
crianças. Mc. 7:26-28 
O pão dos filhos se refere à cura da filha da mulher. Os filhos são aqueles que 
participam da aliança e os cachorrinhos são os gentios que estavam fora da aliança. 
Assim a cura estava incluída na aliança de Deus com os seus filhos. 
Mas ali o texto fala de libertação e não de cura, como explicar isso? A verdade é que 
a Bíblia trata a doença e a possessão demoníaca como sendo a mesma coisa, pois 
ambas procedem do diabo. 
Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou 
por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus 
era com ele. At. 10:38 
A cura e a libertação é o pão dos filhos. A mulher creu no poder das migalhas e 
recebeu o milagre, mas hoje nós participamos do pão inteiro, então podemos 
desfrutar de muito maior poder. 
Portanto quando você comer do pão lembre-se que o corpo de Jesus foi partido para 
que o nosso corpo pudesse ser restaurado. Ele tomou as nossas doenças e pelas suas 
pisaduras fomos sarados. 
Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre 
si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado 
pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a 
paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Is. 53:4-5 
No dia da Páscoa no Egito o povo deveria matar o cordeiro e aplicar o sangue nos 
umbrais das portas. Isso é para nos livrar da condenação da morte. Pelo sangue somos 
salvos. 
Mas o cordeiro deveria ser comido dentro da casa. Esse ato de comer o cordeiro nada 
mais é que o pão que partimos na mesa do Senhor hoje (Ex. 12:8). 
O resultado disso foi que não havia nenhum inválido em Israel. Havia cerca de 2,5 
milhões de pessoas saindo do Egito e nenhum doente entre eles. Isso é um quadro 
do que a igreja pode experimentar hoje. 
Então, fez sair o seu povo, com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia um só 
inválido. Sl. 105:37 
No Salmo 103 Davi também coloca o perdão dos pecados junto com a cura das 
enfermidades. 
Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus 
benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas 
enfermidades. Sl. 103:2-3 
Na cruz o Senhor não apenas nos deu o perdão, mas também a cura para todas as 
enfermidades. Esse é o sentido de discernir o corpo. Uma vez que discernimos o 
significado do corpo, podemos desfrutar de força, saúde e vida longa, o exato oposto 
daqueles que não discernem. 
Não estou dizendo que as pessoas ficam doentes porque não discernem o corpo ou 
não participam da Ceia, estou dizendo que elas não precisam permanecer doentes se 
participarem da mesa do Senhor com discernimento. 
Infelizmente muitos não tomam a ceia do Senhor seriamente e não atribuem a ela 
saúde e vida. Mas estão errados. Quando comemos do Senhor através do pão, 
recebemos força, saúde e vida. 
Mas é apenas uma cerimônia, um ritual, dizem alguns. Não deveria ser assim, deveria 
ser um desfrutar genuíno de Cristo. 
Todo pecado, maldição, enfermidade, miséria e mesmo a morte vieram ao homem 
pelo único e simples de ato de comer. Comeram da comida errada. Deus então 
colocou-nos por meio do último Adão, um simples ato de comer para termos perdão, 
vida e saúde. Se você crê nas consequências do primeiro ato de comer precisa crer na 
poder do segundo também. 
 
O corpo é verdadeira comida 
O Senhor Jesus disse que ele é o pão que desceu do céu. Isso certamente está 
associado também à Ceia do Senhor. Nós comemos do Senhor na Ceia. 
Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, 
para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se 
alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a 
minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos 
a comer a sua própria carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos 
digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não 
tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem 
a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira 
comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o 
meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, 
e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. 
Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais 
comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. Jo. 6:49-
58 
Muitos ficam tão atemorizados de cair no erro da transubstanciação que preferem 
crer que se trata apenas de um símbolo. Mas precisamos crer que é algo espiritual. É 
o corpo do Senhor naquele pão. É claro que o pão continua sendo um pão, mas 
naquele momento adquire um poder espiritual. Pela fé você come de Cristo. 
Nesse texto de João, primeiramente o Senhor usa a palavra grega “phago” traduzida 
como comer. Mas o interessante é que a palavra usada no grego para comer a partir 
do verso 54 é “trogo” que significa mastigar, ruminar, triturar. Podemos até usar o 
verbo comer no sentido metafórico,mas mastigar nos fala de uma experiência bem 
física. Certamente o Senhor está aqui se referindo ao pão da Ceia. 
Jesus disse que a maneira de permanecermos nele é participando da sua carne e do 
seu sangue. Nisso vemos a importância de participarmos da ceia, não como um ritual, 
mas como uma experiência de vida. Nós comemos do Senhor ao comermos do pão 
pela fé. 
Em todo o texto de João o verbo comer está no tempo particípio presente ativo no 
grego. Isso significa que não é algo que fazemos uma única vez, mas é uma ação 
contínua. Nós devemos comer do Senhor continuamente. 
Isso significa que na medida em que participamos da mesa do Senhor vez após vez, 
nós recebemos gradualmente vida, saúde e força. Não é um ato mágico, mas um 
alimento de fé. 
Tudo isso me tem levado a concluir que precisamos ser mais sérios com a Ceia do 
Senhor. O melhor seria termos a Ceia semanalmente, mas como isso ainda não é 
possível, deveríamos ter a Ceia no prédio na primeira semana do mês e depois na 
célula, ou seja, pelo menos duas vezes por mês. 
Creio que todo irmão que for internado num hospital precisa receber a Ceia no seu 
leito de enfermidade. Essa é uma forma deles receberem cura. Isso não precisa 
obrigatoriamente ser feito por um pastor, qualquer membro pode compartilhar o pão 
e o Vinho. 
Na verdade a igreja acontece de forma prática quando dois ou três se reúnem no nome 
do Senhor. Eles não se reúnem para brincar e se divertir, mas se reúnem 
deliberadamente para adorar o Senhor. Quando isso acontece ele podem partir o pão 
e tomar o vinho. 
Na igreja de Atos eles partiam o pão de casa em casa diariamente (At. 2:46). Esse 
partir o pão nada mais é que participar da mesa do Senhor. 
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e 
tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. At. 2:46 
Muitos irmãos não sentem necessidade da Ceia porque ainda participam da mesa do 
Senhor de forma ritualística. Para eles não é uma experiência, mas apenas algo 
simbólico. 
Jesus disse: “esse pão é o meu corpo”. Ele não disse: “esse pão é um símbolo do meu 
corpo”. Ele disse: “esse é o sangue da nova aliança”. Ele não disse: “isso é o vinho 
simbólico da Nova Aliança”. Não exagere nessa questão de simbolização. Há uma 
grande realidade espiritual na Ceia do Senhor. Na verdade há poder na Ceia, poder de 
cura. 
O Senhor odeia a religião. Ele não iria nos mandar celebrar um ritual simbólico vazio. 
O Senhor ama o relacionamento. Se ele ordenou a Ceia é porque o seu poder e a sua 
vida estarão disponíveis cada vez que participarmos dela. 
 
Segundo Dia 
Não participe da Ceia indignamente 
 
Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu 
do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, 
coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come 
e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não 
poucos que dormem. I Cor. 11:27-30 
Infelizmente muitos acreditam que tomar a ceia indignamente é participar da ceia 
tendo pecado em sua vida. Por causa disso muitos temem ficar doentes e até 
morrerem. Pastores exortam seus membros a terem cuidado antes de participar da 
ceia e perguntam: “será que vocês são dignos de tomarem a ceia hoje?” Essa é uma 
situação problemática. Os irmãos ficam numa sinuca onde qualquer resposta que 
derem será ruim diante de Deus. 
Se avaliarem sua vida e concluírem que são dignos e que podem tomar a ceia, estarão 
confiando em sua justiça própria, o que os torna reprovados diante de Deus. Mas se, 
depois de se avaliarem, eles concluírem que são indignos, pois têm pecado, e por causa 
disso decidirem não participar da ceia, estarão negando a eficácia do sacrifício de 
Cristo na cruz. É uma situação ruim causada por um ensinamento errado. 
 
O que significa participar indignamente? 
Participar indignamente não se refere a você não ser digno de participar da ceia por 
causa dos seus pecados. Ninguém é digno de tomar a ceia. O Senhor morreu por 
pessoas indignas. Observe que Paulo diz: “aquele que comer o pão ou beber o cálice 
do Senhor, indignamente...” A palavra indignamente é um advérbio que se refere à 
forma como participamos da ceia. Se fosse a palavra indigno então se referiria a mim, 
mas não é esse o caso. 
Advérbio é uma qualidade da ação e indigno é uma qualidade da pessoa, essa é a 
diferença entre advérbio e adjetivo. A palavra usada por Paulo é um advérbio, ou seja, 
ele está dizendo que temos de ter cuidado com a forma como participamos da Ceia. 
No verso 21 Paulo diz que alguns tomam antecipadamente, a sua própria ceia; e há 
quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague. O problema deles 
era a falta de respeito e a irreverência com a mesa do Senhor. 
Participar indignamente é falhar em discernir que o pão representa o corpo de Cristo 
e o cálice representa o sangue de Jesus. Muitos irmãos na igreja de Corinto estavam 
comendo o pão apenas porque estavam com fome e outros bebiam o vinho até se 
embriagarem. O problema todo era o desrespeito e a falta de compreensão do sentido 
da ceia. 
Portando tomar de modo indigno não tem a ver com você falhar em examinar-se a si 
mesmo e confessar seus pecados antes da ceia, de modo a ter certeza de ser digno de 
participar. Tem a ver com o modo como a pessoa participa da mesa do Senhor. 
Eu creio que Paulo diz que muitos estão fracos e doentes e outros até já morreram 
simplesmente porque não puderam desfrutar da cura que há no corpo de Cristo. Se 
eles tivessem discernido o significado do pão que é o corpo de Cristo, eles teriam 
entendido que pelas suas pisaduras nós somos curados. Se tivessem entendido eles 
teriam tido fé para receber a cura. 
O grande problema desse conceito errado é que ele se estende para todas as áreas de 
nossa vida espiritual. Se pedimos para alguém liderar ele vai primeiro se examinar para 
ver se é digno. Se o mandamos orar com um enfermo ele vai primeiro sondar a si 
mesmo e ver se é digno. Se pedimos que ele ore para expulsar o demônio de alguém 
ele vai parar para ver se é digno. Se ele concluir que é digno estará confiando em sua 
justiça própria e não terá resultado algum. Se ele concluir que não é digno não terá fé 
para fazer o que foi pedido. Somente aqueles que creêm que foram justificados pelo 
sangue de Jesus são úteis a Deus. Eles sabem que nada é pela justiça deles e tudo 
procede da força de Deus que é residente em nós pelo Espírito Santo. 
 
Consciência de pecado ou consciência de perdão? 
Precisamos nos opor frontalmente ao ensino de que somos mudados quando 
olhamos a nós mesmos. Isso é uma mentira maligna disseminada no mundo e muitos 
caíram no engano de trazer a psicologia para dentro da igreja. 
O diabo quer desviar a nossa atenção de Cristo e colocá-la em nós mesmos. Pensamos 
que se nos olharmos, analisarmos e nos conhecermos poderemos ser mudados, mas 
não é essa a verdade do evangelho, somos mudados apenas se olharmos para Cristo. 
Olhar para si mesmo continuamente é chamado de introspecção. Quem vive se 
olhando e analisando acredita que pode mudar a si mesmo. Mas a verdade é que a 
instrospecção produz desânimo e condenação. 
Quanto mais você olha para si mesmo menos fé você tem. Quanto mais consciente 
você fica de si mesmo mais sentirá condenação e angústia. Nós só podemos ter fé 
quando olhamos para Cristo. 
Infelizmente há duas coisas mundanas que invadiram a igreja: a psicologia e a filosofia. 
Muitos crentes acreditam que a psicologia tem o poder de mudar o homem. De forma 
bem geral podemos dizer que a psicologia ensina que você é o que é hoje porque 
existe algo que aconteceu no passado que ainda o prende. Se você pudesse se lembrar 
então você seria mudado. Sendo assim vamos fazer uma regressão, uma terapia até 
lembrarmos de tudo a assim sermos transformados. 
Tudo isso é apenas obra humana. Se a psicologia pudesse mudar o homem não 
teríamos os presídios cheios e os manicômios superlotados.Se a psicologia pudesse 
mudar o homem o Senhor Jesus não precisava ter vindo. 
A máxima filosófica “conhece-te a ti mesmo” não é bíblica. Jesus disse que a vida 
eterna é essa: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem 
enviaste (Jo. 17:3). Só podemos ser mudados quando conhecemos a Cristo. Olhar 
para si mesmo só produz mais introspecção e a introspecção produz depressão e 
desespero em alguns e sentimento de justiça própria em outros. 
Psicologia é o homem tentando mudar o homem. Mas a verdadeira mudança só 
acontece pelo poder do evangelho. Paulo diz que o Evangelho é o poder de Deus 
para a salvação de todo o que crê (Rm. 1:16). A palavra salvação é sozo no grego e 
significa não apenas ser salvo do inferno, mas também ser transformado e restaurado. 
A introspecção nos paralisa pois estamos sempre nos olhando para ver se há algum 
pecado, se estamos na carne ou no espírito, se tudo está correto em nós, se oramos o 
suficiente, se estudamos o suficiente, se fizemos tudo o suficiente. 
Por que muitos não conseguem liderar? Porque estão o tempo inteiro se perguntando 
sobre si mesmos. Se eu ficar o tempo inteiro olhando para mim, não vou conseguir 
fazer nada. Uma das coisas mais terríveis é ficar consciente de si mesmo tempo inteiro. 
Quem vive assim está sempre com alma cansada. Ser crente assim é extenuante. Mas 
Jesus disse que para você herdar o reino tem que ser como criança. Criança nunca se 
olha, nunca está consciente de si. Por isso ser criança é ser sempre livre. Ela não está 
se olhando e vasculhando. 
Mas será que devemos ignorar quando algo está errado conosco? Claro que não. Mas 
nem precisamos nos preocupar pois o Espírito mesmo vai falar conosco quando algo 
precisar ser corrigido. O padrão bíblico é: “Senhor, Tu me sondas. Tu me conheces. 
Tu vês se há em mim algum caminho mau, e o Senhor me guia pelo caminho eterno” 
(Sl. 139:23-24). Mas alguns irmãos mudaram completamente o conceito bíblico. Veja 
como ele confessa o versículo. “Eu me sondo, Eu me conheço, Eu vejo se há em 
mim algum caminho mau, Eu me guio pelo caminho eterno”. Ele desvirtua a palavra 
de Deus para o seu próprio sofrimento. 
Mas a palavra de Deus não diz para examinarmos a nós mesmos antes de participar 
da Ceia? Sem dúvida I Corintios 11.28 diz: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, 
e, assim, coma do pão, e beba do cálice.” 
Todavia, para você entender esse “examine-se a si mesmo”, você precisa entender o 
contexto. Aqui os irmãos da igreja de corinto, tinham um problema, eles ficavam 
bêbados no dia da ceia. Consegue imaginar algo assim? Paulo então lhes diz nos versos 
26 e 27. 
Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte 
do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do 
Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. I Corintios 11.26-
27 
O que significa a expressão “indignamente”? É um adverbio de modo, é a maneira de 
como se faz algo. Não é a pessoa que é indigna, é a maneira como ela está agindo. 
Paulo não disse para eles observarem se eram dignos de participarem da Ceia. Ele 
disse que se você está fazendo de uma maneira errada, não faça. 
Mas nós interpretamos mal o versículo, e transformamos o dia da Ceia em uma 
reunião de introspecção. O pastor pega o pão e o cálice, entrega para cada um e diz: 
“fecha os seus olhos. Será que você é digno de comer deste pão e beber este cálice?” 
Qualquer pessoa minimamente honesta reconhecerá que não é digna de participar da 
mesa do Senhor. 
Quando eu era novo convertido o momento da ceia era tão sério que era feito a portas 
fechadas, só os membros da igreja podiam entrar. E era muito comum o diácono na 
hora de entregar o pão e o vinho, algumas pessoas mais velhas falarem: Hoje não! 
Hoje não! Eu olhava aquilo e achava tão elegante o “Hoje não”. Mas o que ele estava 
falando realmente era “Não sou digno”. 
Mas é obvio que ninguém é digno, não há um que seja digno. A Bíblia diz que não se 
achou nos céus, nem na terra e nem debaixo da terra alguém digno de abrir o livro e 
desatar-lhes o selo. João chorava, mas o ancião falou, não chore, porque o Cordeiro, 
o Leão da Tribo de Judá venceu e Ele vai abrir o livro, porque Ele é digno. Só Ele é 
digno. 
Esse desejo de merecer a benção é viver na lei do Velho Testamento. A introspecção 
mata, por isso a ceia é dia de morte para muitos. Minha esposa foi criada numa igreja 
pentecostal, e em certa ocasião os diáconos vieram distribuir a ceia. Hoje em dia o 
cálice é descartável, mas em algumas igrejas ele é de vidro e bem pequeno. Então 
quando foram entregar o cálice para uma irmã, ela com a mão suada e deixou cair o 
cálice no chão. Rapidamente o profeta falou, “O anjo bateu na mão dela”... Imagine 
aquela irmã tentando se justificar, dizer que estava com a mão suada, mas a 
condenação tinha sido lançada. Mas qual a consequência disso? Nos outros meses no 
dia da ceia o diácono entregava o cálice e os irmãos o agarravam com todos os dedos 
das mãos. “Quero ver se algum arcanjo consegue derrubar esse cálice!” Já tinham 
perdido o sentido da Ceia. Ficaram apenas com a condenação da introspecção. 
 
Convencidos da justiça 
O Espírito não precisa mais convencer o crente a respeito do seu pecado. Nós já 
nascemos de novo e o nosso espírito possui uma função chamada consciência. Todo 
crente possui uma consciência em seu espírito e imediatamente ele sabe quando fez 
algo fora da Palavra de Deus. Ninguém precisa de uma revelação especial para saber 
que pecou. 
O Espírito Santo na verdade está trabalhando hoje para convencer o crente que ele é 
justo em Cristo. Mesmo quando você falha ele está sempre presente para lembrá-lo 
que você é purificado pelo sangue do Cordeiro. O que realmente precisamos é que o 
Espírito Santo nos dê revelação de que Cristo é a nossa justiça. Quando falhamos 
precisamos ser lembrados que ainda somos justiça de Deus em Cristo. Crer que Deus 
ainda nos vê como justos mesmo quando erramos precisa de uma grande revelação 
do Espírito Santo. A justificação pela fé somente pode ser entendida pela revelação 
do Espírito. 
João 16:8 diz que o Espírito Santo veio para convencer o mundo do pecado, da justiça 
e do juízo. Observe que ele veio para convencer o mundo. E mesmo assim não é 
convencê-lo de cada pecado no plural, mas do pecado no singular. O pecado é a 
descrença na obra de Cristo. Esse versículo, portanto, não se refere aos crentes, mas 
aos incrédulos. Mas o verso seguinte complementa quando o Senhor diz aos 
discípulos: “da justiça, porque vou para o Pai, e vós não me vereis mais.” Observe 
que aqui ele estava falando com os discípulos. 
Porque precisamos ainda de sermos convencidos da justiça? Simplesmente porque 
pensamos que somos justos quando fazemos coisas corretas, mas o ser justo é 
permanecer justo diante de Deus por sustentar uma fé correta no sangue de Jesus. O 
que nos faz justos não é o nosso comportamento, mas a fé na obra de Cristo na Cruz. 
Somos justificados por fé e não por bom comportamento. 
O Espírito Santo é o ajudador. Ele foi enviado para ajudá-lo e não para importuná-
lo. Ele não é um sujeito implicante que veio para atormentá-lo o tempo todo. Ele veio 
para te dar a paz! 
 
Terceiro Dia 
Introspecção e culpa 
 
Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu 
do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, 
coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come 
e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não 
poucos que dormem. I Cor. 11:27-30 
Comumente associamos a expressão “indignamente” com santidade. Assim estamos 
sempre nos avaliando para ver se somos santos. O entendimento convencional diz 
que santidade é fazer a coisa certa. Mas a palavra santidade significa “separado” é 
“hagiasmos” no original. 
Isso significa que você foi diferenciado do resto do mundo de incrédulos. Lá no Egitoo povo de Israel foi separado das pragas do Egito. Isso significa que fomos separados 
da crise que está acontecendo lá fora. Fomos separados de toda praga e enfermidade 
que assola o mundo. 
Mas você se pergunta: “será que sou mesmo santo? Deus não manda você mesmo se 
sondar, mas o Salmo 139:23-24 diz que ele mesmo nos sonda. E quando ele nos sonda 
ele vê que temos a justiça de Cristo. Somos justos e inculpáveis. 
Você está mais consciente do seu pecado ou mais consciente da justiça e do sangue 
de Jesus? A tradição nos ensina a ficarmos ocupados conosco mesmo, mas o resultado 
disso é sempre culpa, condenação, depressão e opressão. Você se sente sempre mais 
indigno. 
Uma das coisas que me ensinaram é que deveria sondar o meu coração antes de adorar 
a Deus. O problema é que quando fazia isso o resultado era sempre condenação. 
Quanto mais eu me sondava, mais me sentia indigno de adorar. Dessa maneira no 
lugar de ficar mais consciente do meu salvador, eu ficava mais consciente de mim 
mesmo e dos meus pecados. 
A ideia de estar certo antes de adorar a Deus é uma tradição humana. Não tem sentido 
eu me lavar antes de tomar banho. Alguns dizem: “preciso consertar a minha vida 
antes de vir a Jesus!” Isso é dito por pessoas não convertidas e por crentes também. 
Depois de convertidos dizemos: “preciso consertar a minha vida antes de ser usado 
por Deus, antes de receber o milagre, antes de liderar, etc. 
Em Lucas 7:37 vemos uma mulher pecadora veio adorar o Senhor. Mas foi só no final 
que os seus pecados foram perdoados (verso 47). Não importa a sua condição, venha 
para Jesus! Ele é quem vai transformá-lo! Você não tem de procurar o pecado, pois 
está adorando o perdoador. Não tem de procurar a doença, pois está adorando o 
curador. 
Ficar se olhando e se analisando o tempo todo produz angústia e morte. A 
introspecção é um tipo de justiça própria. É a carne tentando se melhorar. É o homem 
pensando que pode se transformar pelo próprio braço. 
O diabo procura nos levar a ficar ocupados conosco mesmos, nos olhando e nos 
analisando o tempo todo. O resultado disso é sentimento de culpa, depressão, 
desânimo e incredulidade. Mas o alvo de Deus é que olhemos para Cristo. Quanto 
mais olhamos para Cristo e nos esquecemos de nós mesmos, mais somos cheios de 
vida e também somos transformados de glória em glória. Precisamos entender que é 
a justiça dele que nos faz justos e não o nosso próprio bom comportamento e boas 
obras. 
O diabo sempre nos dirá: “olhe para você. Você não obedeceu o suficiente. Como 
você pode crer em Deus para receber cura? Como você pode crer em Deus para 
prosperidade? Você desobedeceu. Você já não é mais justo diante dele”. É nesse 
momento que precisamos trazer todo pensamento à obediência de Cristo. 
Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para 
destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o 
conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo. II 
Cor. 10:4-5 
Não é que nós trazemos o nosso pensamento para obedecer a Cristo. Não é isso que 
o texto diz. É trazer todo pensamento à obediência de Cristo. A obediência é de Cristo 
e porque ele obedeceu eu fui feito justo pela fé. Agora toda fortaleza maligna é 
quebrada por causa da obediência de Cristo. 
 
A introspecção abre portas na mente 
Existe uma sequência terrível quando cedemos aos pensamentos do maligno. 
Podemos adquirir o que os médicos chamam de transtorno obsessivo compulsivo. 
Quando o inimigo fala em nossa mente que nós pecamos imediatamente sentimos 
condenação. Mas não sabemos realmente o que fizemos, então começamos a nos 
vasculhar compulsivamente procurando algo de errado. Mas quanto mais 
procuramos, mais culpados nos sentimos. Isso pode chegar ao ponto de ficarmos 
deprimidos. 
Certamente ficar se olhando introspectivamente é um tipo de zelo, mas é um zelo sem 
entendimento. É o que Paulo diz a respeito dos judeus em Romanos 10. 
Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com 
entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer 
a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para 
justiça de todo aquele que crê. Rm. 10:2-4 
Ficar procurando erros em si para corrigi-los e assim se sentir como justo diante de 
Deus é zelo da carne. É uma forma sutil de estabelecer a sua própria justiça. Quando 
tentamos encontrar nossa própria justiça nós perdemos aquela que vem de Deus e 
procede de Cristo. A justiça que vem de Deus é um dom, mas a que procede de nós 
é justiça própria, que na verdade nem é justiça diante de Deus. 
Em Cristo somos feitos justos. Por causa da obediência dele somos justificados 
quando cremos. É por isso que jamais podemos perder a salvação, porque não 
depende do que nós fazemos e de nossa própria justiça, mas depende exclusivamente 
da justiça de Cristo em nós. 
Lembre-se sempre que se não é a sua obediência que o faz justo, também não é a sua 
obediência que o mantém justo. Nada depende de nós, mas tudo procede de Cristo. 
 
Rejeite a introspecção 
Precisamos ser livres de nos ocurparmos conosco mesmos e passarmos a nos ocupar 
de Cristo. 
Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos 
confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. I Jo. 4:17 
A lógica da escritura é bem clara. Cristo é aceito por Deus? Também nós somos. 
Cristo é amado pelo Pai? Também nós somos. Cristo é saudável Deus? Também nós 
somos. Cristo é santo Deus? Também nós somos. Tudo o que diz respeito a ele 
também se aplica a nós, pois como ele é nós somos nesse mundo. 
Nós pensamos que tudo depende de nosso comportamento, nossa obediência, nossa 
justiça, mas na verdade tudo depende de Cristo. A obra consumada de Cristo foi 
completa e perfeita para sempre. O Senhor quer que tenhamos consciência do perdão 
e não consciência do pecado. 
Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo 
santificados. E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após 
ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei 
no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também 
de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades, para sempre. 
Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado. Hb. 10:14-17 
E no verso 22 lemos: 
Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração 
purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a 
confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Hb. 10:22-23 
Uma má consciência mencionada em Hebreus 10 é uma consciência que está sempre 
consciente do pecado e não do perdão. É a culpa e a condenação que impedem as 
pessoas de receberem a cura e toda sorte de bênção. As pessoas simplesmente 
concluem que não merecem. 
Elas não duvidam que Deus pode fazer, elas duvidam que ele queira fazer, porque 
pensam que tudo depende do próprio merecimento. 
 
Porque a condenação é tão perigosa 
Sempre que nos sentimos culpados instintivamente concluímos que alguém precisa 
pagar pelo pecado. Geralmente nós mesmos temos de pagar. 
Vou descrever o que acontece quando você é consciente do pecado: Seu corpo 
responde à necessidade de punição e você começa a desenvolver depressão e doenças. 
Muitos crentes não estão doentes por causa do pecado, mas por causa da culpa que 
vem pela condenação na mente. 
Mas em vez de se punir, você começa a punir a sua família porque alguém precisa ser 
culpado. Aí começa o abuso verbal e até físico. Inconscientemente você passa a 
acreditar que não merece o sucesso e começa se auto-sabotar para se punir e levar a 
si mesmo a falhar. Você simplesmente acha que não merece o sucesso. Você sabota 
também os relacionamentos. 
Você precisa entender que Jesus já foi punido em seu lugar. Pare de se condenar e se 
punir. A existência da culpa e da condenaçãona sua vida mostra que você não acredita 
realmente que foi perdoado. 
Evidentemente não estou falando de quem deseja viver no pecado. Estou falando de 
crentes nascidos de novo que vivem debaixo de condenação pensando com isso 
agradar a Deus. 
 
Medite no perdão 
Você tinha uma dívida com Deus, mas o Senhor Jesus pagou toda a sua dívida. Vamos 
imaginar a seguinte situação. Você deve ao João e não pagou, assim o seu 
relacionamento com ele fica prejudicado. O débito na consciência o impede de estar 
à vontade com ele. Mas José é seu amigo e fica sabendo da dívida. Ele paga o João 20 
vezes mais o que você devia. Ele deixa um empregado encarregado de lhe contar que 
a dívida foi paga, mas o empregado não lhe explica direito, por isso você fica em 
dúvida e ainda se sente constrangido com o João. Depois José lhe envia uma 
mensagem por meio de um amigo. Agora cabe a você crer ou não na mensagem. 
Sua descrença não muda o fato de que a dívida foi paga. Mas a descrença cria um 
sentimento de que algo mais precisava ser feito. Se você permite que a culpa continue 
em sua mente você está dizendo que o sacrifício de Jesus não foi suficiente. Isso é um 
insulto a Cristo! 
 
A raiz da condenação 
A base da condenação é a consciência de si mesmo. Não existe nada mais 
problemático do que ficar ocupado consigo mesmo em todo tempo. A introspecção 
é um problema grave porque nos deixa bloqueados. 
Gosto sempre de meditar em como um israelita oferecia o cordeiro como oferta pelo 
pecado. O ofertante trazia o cordeiro ao tabernáculo e o apresentava diante do 
sacerdote. O sacerdote então avaliava o cordeiro. Veja bem que ele não avaliava o 
ofertante, mas o cordeiro. Se o cordeiro fosse aceito o ofertante era aceito também. 
Depois disso o ofertante impunha as mãos sobre o animal. Nesse momento duas 
coisas aconteciam: os pecados do ofertante eram transferidos para o cordeiro e a 
justiça do cordeiro era transferida para ele. Logo em seguida o animal era morto. 
Quando o cordeiro era imolado todos os pecados do ofertante eram perdoados. Ele 
ia embora completamente perdoado diante de Deus. 
Foi exatamente isso o que aconteceu na cruz. O problema é que ainda pensamos que 
Deus está nos avaliando para ver se podemos ser aceitos. Nada pode estar mais 
distante da verdade. Ele sempre olha para o Cordeiro, Jesus, e se o Cordeiro é aceito 
nós somos aceitos também. 
Não é uma questão do quão bom você é, mas do quão bom é o Cordeiro. Os olhos 
de Deus estão sobre o Cordeiro e não sobre você. Se Jesus é o seu Cordeiro, então 
fique em paz, você está perdoado. 
Culpa, condenação e acusação são aspectos de uma mesma obra maligna. Esta é a 
obra do diabo. Ele virá diversas vezes para fazer você se sentir culpado por algo que 
pensou. Ele o fará se sentir culpado de seu papel de pai. Ele o fará se sentir culpado 
como provedor do lar, como membro do corpo de Cristo, como líder. Ele o fará se 
sentir culpado até por ficar doente. 
Mas o Senhor jamais nos condena. Em João 9 quando os discípulos encontraram um 
cego à beira do caminho, eles perguntaram ao Senhor: “quem pecou? Ele ou os seus 
pais?” O Senhor Jesus jamais age como condenador, por isso ele respondeu: “nenhum 
dos dois. Ele nasceu assim para que nele se manifeste a glória de Deus!” 
Quando houver um problema, simplesmente enfrente-o. Não pergunte de quem é a 
culpa! Gostamos de culpar nossos pais pelos mais diferentes problemas que 
enfrentamos. Culpamos até nossos antepassados. Precisamos aprender a lidar com os 
problemas da maneira de Jesus. Não interessa quem é o culpado, esse problema é uma 
oportunidade para Deus mostrar a sua glória. 
Como podemos vencer a acusação e a condenação? Nós vencemos pelo sangue do 
Cordeiro. A principal razão do sangue ter sido derramado foi o perdão dos nossos 
pecados. O sangue nos oferece proteção contra todo tipo de condenação. Quando 
você entende que o sangue o fez justo e que todos os seus pecados são perdoados, 
então você está protegido contra a acusação. 
A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei 
dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor 
de muitos, para remissão de pecados. Mt. 26:27-28 
Quando você ouvir a voz do acusador lembre-se que agora, não há mais nenhuma 
condenação para os que estão em Cristo Jesus. Não importa o que o diabo condena 
em você, pois o sangue de Jesus foi derramado para o perdão de todos os nossos 
pecados. 
O diabo está sempre levantando a sua língua contra nós em juízo, mas somos nós 
agora que o condenamos quando confessamos o sangue de Jesus. É por isso que 
Isaías 54 diz que nenhuma arma forjada contra nós prosperará. 
Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, 
tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR e o seu direito que de mim 
procede, diz o SENHOR. Is. 54:17 
 
 
Quarto Dia 
A dupla honra 
 
O grande problema da introspecção é que ela sempre produz sentimento de 
condenação e a condenação por sua vez vem sempre com um jugo de vergonha. A 
vergonha nos faz tímidos e remove a nossa fé. Ela é um grande impedimento para a 
nossa comunhão com Deus, por isso o Senhor Jesus levou na cruz toda a nossa 
vergonha para que possamos desfrutar hoje de dupla honra. 
Em lugar da vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta, exultareis na 
vossa herança; por isso, na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria. Is. 
61:7 
A promessa do Senhor é remover a vergonha nos dar dupla honra. Quando partimos 
opão devemos abandonar toda vergonha e rejeição e nos cobrirmos com vestes de 
louvor. 
Segundo o dicionário, vergonha é desonra que ultraja, humilha; opróbrio, é um 
sentimento penoso causado pela inferioridade, culpa ou indignidade, um sentimento 
de insegurança causado por medo do ridículo e do julgamento dos outros. É triste 
que muitos ainda participem da mesa do Senhor com tais sentimentos. 
 
A origem da vergonha é a culpa 
Basicamente a vergonha é a consciência da culpa. E o que produz no homem a 
consciência de culpa? Muitos pensam que é o pecado, mas na verdade é a lei. Antes 
da lei o pecado estava no mundo, mas o homem não tinha consciência do pecado 
porque não havia lei. A lei então foi dada para revelar o pecado que já estava lá. 
Quando Adão e Eva foram criados a Palavra de Deus diz que eles estavam nus e não 
se envergonhavam. Na verdade, eles estavam revestidos da glória de Deus. Essa glória 
é o que lhes permitia dominar sobre toda a criação. Mas no momento em que pecaram 
eles foram destituídos da glória de Deus (Rm. 3:23). 
Depois que caíram o Senhor veio ter com eles e lhes perguntou: “Adão onde está 
você?” É interessante que a primeira pergunta do Velho Testamento é “onde está o 
homem?” Mas a primeira pergunta do Novo Testamento é “Onde está o rei?” (Mt. 
2:2). É assim porque quando você descobre onde está Cristo então você entende onde 
você está. 
E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: 
Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Gn. 3:9-10 
Certa vez um pastor foi visitar um membro da igreja e depois de bater várias vezes na 
porta da casa ninguém abriu. Ele então deixou debaixo da porta um bilhete com 
Apocalipse 3.20 escrito nele: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha 
voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” No Domingo 
seguinte aquele membro veio à frente no momento da oferta e deixou dentro do 
gazofilácio um bilhete para o pastor com Gênesis 3:10 escrito nele: “Ouvi a tua voz 
no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi”. 
Gênesis 3:10 nos conta como o medo entrou nesse mundo. Essa é a primeira menção 
de medo na Palavra de Deus. O homem não foi criado para viver com medo. Hoje as 
pessoas têm medo de muitas coisas, mas a origem de todos os medos é o medo da 
morte. A pessoa diz, por exemplo, ter medo de voar de avião, mas o medo na verdade 
é da morte. Deus nãoquer que você viva com medo, medo do futuro, medo de 
envelhecer, medo de não ter o suficiente, medo de perder alguém, etc. 
Adão disse que teve medo porque percebeu que estava nu. Ele sentiu-se 
envergonhado, essa é a origem do medo. Adão ficou consciente do pecado e o 
resultado é a vergonha. Tudo começa com a consciência de culpa. 
Deus havia dito para Adão que se ele comesse do fruto da árvore do conhecimento 
do bem e do mal ele morreria. Ele tinha acabado de comer e não tinha morrido, então 
ele certamente concluiu que Deus o mataria. Essa é a origem de todo medo. 
De todas as pessoas que o Senhor diz em Apocalipse 21 que vão para o lago de fogo 
a lista começa com os covardes. A palavra covarde aqui seria melhor traduzida como 
medroso, cheio de medo. Ele vem antes de todos, mesmo antes que os incrédulos. 
Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos 
impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe 
será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte. Ap. 21:8 
Penso que deveríamos evitar fazer com que os nossos filhos ainda bebês se sintam 
envergonhados. Frequentemente gostamos de dizer-lhes: “que vergonha!” 
Especialmente com relação ao próprio corpo, precisamos mostrar que foram criados 
de forma assombrosa e maravilhosa. Creio que podemos educá-los e treiná-los sem 
que se sintam envergonhados. 
É interessante que a árvore do conhecimento do bem e do mal não é chamada de 
árvore do pecado ou de árvore do mal, mas apenas do conhecimento do bem e do 
mal. Ela é um tipo da lei, porque pela lei vem o pleno conhecimento do bem e do 
mal. Todas as vezes que nos sentimos culpados e envergonhados é porque comemos 
dessa árvore. Consciência de pecado e vergonha são coisas sinônimas. 
Mas agora a promessa do Senhor é que no lugar da vergonha haverá dupla honra. 
Essa é a mesma passagem que Jesus leu em Nazaré e disse que se cumpriu nele. 
 
O Senhor tomou a nossa vergonha 
Uma vez que a culpa e a vergonha vieram sobre nós, o Senhor Jesus veio para levar 
sobre si a nossa vergonha e desonra. 
Tanto Paulo quanto João e Pedro testificaram que nele não havia pecado (Hb. 4:15; I 
Jo. 3:5 e II Cor. 5:21). Até mesmo os inimigos como Pôncio Pilatos tiveram de 
reconhecer que nele não havia pecado (Mt. 27:24). Os soldados já tinham visto 
centenas e centenas de homens crucificados, mas diante da crucificação do Senhor 
testemunharam que ele era mesmo o filho de Deus (Mt. 27:54). Quando os demônios 
eram confrontados por Cristo eles sempre testificavam que o Senhor era mesmo o 
Santo de Deus (Lc. 4:34). 
No final até mesmo Judas teve que testificar que ele era inocente. Judas andou com 
Jesus diariamente por três anos e meio e viu o Senhor agindo em todo tipo de 
circunstância. Esse mesmo Judas atirou fora o dinheiro que tinha recebido e declarou 
que Jesus era inocente (Mt. 27:3-4). 
Nós costumamos dizer que o Senhor foi morto, mas isso não é correto, pois ele disse 
que ninguém poderia tirar a sua vida. 
Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém 
mais tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para 
tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai. Jo. 10:17-18 
Jesus disse que ninguém poderia tirar a sua vida. Houve muitas tentativas de matá-lo 
antes da hora, mas ninguém pode fazê-lo. Numa ocasião tentaram empurrá-lo de um 
precipício em Nazaré, mas ele passou no meio deles. A morte não tinha poder sobre 
ele porque ele não tinha pecado. A morte é o salário do pecado, mas onde não há 
pecado também não há morte. 
Mas o tempo chegou quando ele mesmo entregou a sua vida sem pecado como nosso 
substituto. Quando Jesus estava no Getsêmani e os soldados chegaram para prendê-
lo, eles perguntaram: “Quem é Jesus?” O Senhor apenas respondeu “Sou eu” e no 
mesmo instante todos os soldados caíram. Nunca poderiam prendê-lo. Foi o Senhor 
Jesus quem se entregou. 
Dali ele foi entregue a Caifás o sumo sacerdote. Antes de Cristo houve sucessivamente 
centenas de sumos sacerdotes, mas nenhum deles nunca tinha rasgado a sua roupa, 
porque era proibido pela lei ao sumo sacerdote rasgar a veste sacerdotal (Lv. 10:6). 
Mas agora Caifás rasgou sua roupa diante de Cristo. Isso aconteceu porque o 
sacerdócio levítico estava chegando ao fim diante do sacerdócio segundo a ordem de 
Melquisedeque. O sacerdócio segundo a lei estava sendo terminado, por isso tinha 
que ser rasgado (Mt 26:63-65). 
Depois de se revelar como o Filho de Deus Jesus sofreu a vergonha de ser cuspido e 
esbofeteado. 
Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte. Então, cuspiram-lhe 
no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, Cristo, 
quem é o que te bateu? Mt. 26:66-68 
Cuspir em nossa direção já é terrível, mas cuspir no rosto é grande vergonha. E não 
foi apenas um, mas todos eles, todos estavam cuspindo na face do Senhor. Deus 
permitiu que seu Filho fosse curspido de maneira vergonhosa para que tivéssemos 
honra dobrada. Ele tomou a nossa vergonha porque nele mesmo não havia pecado 
de que se envergonhar (Is. 50:6). 
Mas o Senhor não foi apenas esbofeteado e cuspido, ele foi também açoitado. Hoje 
pelas suas feridas nós somos curados. Os açoites foram tão violentos que os ossos da 
costela apareciam. 
Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para 
ser crucificado. Mt. 27:26 
Depois disso o Senhor foi levado ao pretório e toda coorte romana se reuniu ao redor 
dele. A coorte era um grupo de seiscentos a mil soldados. E eles então lhes despiram 
as roupas. Mais uma vez ele sofreu a vergonha, dessa vez a vergonha da nudez. 
Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram 
em torno dele toda a coorte. Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto 
escarlate; tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lhe na cabeça e, na mão direita, 
um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! 
E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. Mt. 27:27-30. 
Eles zombavam do Senhor ali desnudo diante deles. Alguns não conseguem ficar nus 
nem mesmo diante de seus cônjuges, imagine ficar nu diante dos inimigos, diante de 
mil soldados rindo e zombando de você. Ele sentiu vergonha. 
Eles fizeram uma coroa de espinhos e lhe bateram na cabeça. Ele suportou isso para 
que tivéssemos paz em nossa mente. É o castigo pelos nossos pensamentos sujos. Os 
espinhos são um símbolo da maldição do pecado lá no Éden. Ele levou a maldição 
que nos faz ficar depressivos e angustiados na mente. 
Então mais uma vez escarneceram dele, lhe cuspiram e deram na sua cabeça com um 
caniço. O caniço é algo parecido com um bambu. Não bateram apenas uma vez, mas 
bateram e continuaram batendo. 
Procure ter um quadro em sua mente. O Senhor está ali diante de mil soldados, 
inteiramente nu, com uma coroa de espinhos na cabeça, sendo cuspido, zombado e 
apanhando com pauladas na cabeça. É uma situação de extrema vergonha. Ele fez 
tudo isso por nós, para que tivéssemos hoje honra dobrada. 
 
A vergonha produz o medo 
Estudando o significado de vergonha no hebraico podemos ver o sentido completo 
no Salmo 69:19. 
Tu conheces a minha afronta, a minha vergonha e o meu vexame; todos os meus 
adversários estão à tua vista. Sl. 69:19 
Essas três palavras usadas nesse verso definem a vergonha como afronta e vexame. 
A palavra vergonha é “bosheth” no hebraico. Quando ouvimos essa palavra o nome 
que nos vem à cabeça é Mefibosete, que em hebraico é “mefibosheth” que significa a 
“vergonha dos lábios”. 
Mifibosete é aquele que era aleijado de ambos os pés e vivia em Lo-debar, um lugar 
sem pasto e sem vida (II Sm. 9). Ele se definia apenas como um cão morto, mas sua 
principal característica era o medo. Ele tinha medo de ser morto pelo rei, por isso 
vivia nos ermos da terra. É isso que a vergonha produz em nós, medo do rei. Muitos 
de nós ainda vivem cheiosde vergonha e medo, mas o Senhor já levou nossa vergonha 
para nos dar a dupla honra. 
Podemos dizer nessa história que Davi simboliza Deus Pai, Jônathas simboliza a 
Cristo e Mefibosete simboliza a todos nós. Davi e Jônatas fizeram aliança, assim como 
o Pai e o Filho. Deus não fez aliança diretamente conosco, pois ele pode cumprir a 
sua parte, mas nós não podemos, então essa aliança nos destruiria. Deus fez aliança 
com Cristo que nos representava. O Senhor se fez homem para nos representar na 
aliança com Deus Pai. 
Nós somos Mefibosete, somos como um cão morto, cheios de vergonha e medo 
vivendo em Lo-debar. Assim como Davi mostrou bondade para com Mefibosete por 
amor de Jônatas, hoje Deus Pai mostra sua bondade para conosco por amor de Cristo. 
O opróbrio partiu-me o coração, e desfaleci; esperei por piedade, mas debalde; por 
consoladores, e não os achei. Sl. 69:20 
Os estudiosos do corpo humano dizem que Jesus morreu literalmente por que seu 
coração se partiu. A prova disso é que quando os soldados lhe feriram o lado saiu 
água e sangue. 
Neste sangue e nesta água que saíram do flanco, os médicos concluíram que o 
pericárdio, (saco membranoso que envolve o coração), deve ter se rompido o que 
pôde ocasionar a perfuração do ventrículo direito ou talvez havia um hemopericárdio 
pós-traumático, ou representava fluido de pleura e pericárdio, de onde teria procedido 
a efusão de sangue. 
Mas o aquilo que partiu o coração do Senhor foi a vergonha e o vexame. Esqueça o 
seu passado que o envergonhava, o Senhor já levou a nossa vergonha para nos dar 
hoje a dupla honra. 
 
Quinto Dia 
Discernindo o pão 
 
Lendo o Novo Testamento parece-nos que a Igreja nos primeiros dias desfrutava de 
uma saúde divina. Raramente encontramos pessoas doentes na igreja primitiva, 
principalmente no livro de Atos. 
No livro de Tiago lemos a pergunta: “Está alguém entre vós doente? (Tg. 5:14). A 
pergunta traz o sentido implícito de que eles não deveriam estar doentes. 
Em I Coríntios 11:30 Paulo diz: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e 
doentes e não poucos que dormem.” Observe que ele diz que há apenas uma razão, 
não muitas, para que houvesse muitos doentes na igreja de Corinto. 
Paulo não diz que há muitos doentes na igreja porque não há mais imposição de mãos 
ou não se faz mais reuniões de cura e poder. Ele diz que há apenas uma razão para 
tantos doentes e fracos entre os irmãos. Qual é essa razão? 
Eu sei que muitos são curados por irmãos que possuem o dom da cura. Isso é bom, 
e Paulo mesmo diz aos coríntios que há dons de cura na Igreja, mas não creio que 
essa deve ser a norma. Eu creio que a cura está disponível a todos no corpo de Cristo 
por meio do pão e do vinho da Ceia. 
No verso 29 Paulo coloca a razão única porque havia tantos doentes e fracos na Igreja 
de Corinto. Ele diz: 
“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será 
réu do corpo e do sangue do Senhor. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, 
come e bebe juízo para si” (I Cor. 11:27 e 29). 
A razão porque há tantos enfermos, diz Paulo, era que eles comiam o pão e bebiam 
o vinho, mas faziam isso sem compreender o sentido espiritual. Comer indignamente 
é comer sem discernir o corpo de Cristo. Essa é a razão porque havia tantos doentes 
entre eles, não discerniam o corpo. 
 
A atitude correta 
Paulo não diz que aquele que é indigno não pode comer o pão e beber o cálice. Isso 
seria uma contradição, pois o Senhor morreu pelos indignos e só os que se consideram 
indignos podem receber a justiça de Cristo. Quem se acha digno não precisa de Cristo. 
Nós somos amados e preciosos, mas nunca podemos dizer que somos dignos. 
O apóstolo está falando da maneira como eles estavam participando da Ceia. 
Indignamente é o mesmo que dizer de uma forma indigna. O problema é a forma e 
não a pessoa. Indignamente é um advérbio. O advérbio é qualidade do verbo, da ação. 
Indigno é um adjetivo, uma qualidade do sujeito. Paulo não usou um adjetivo, mas 
um advérbio. 
Muitos porém compreendem mal o que Paulo disse e usam o momento da Ceia para 
trazer peso e condenação sobre os irmãos. Dizem que se participarem da mesa com 
algum pecado ficarão doentes e fracos. Mas quem pode dizer que não tem pecado? O 
resultado é que a Ceia torna-se instrumento de condenação e não de vida. 
Quando o Senhor instituiu a Ceia em nos evangelhos ele nos mostrou qual deve ser a 
nossa atitude diante do pão e do vinho. 
Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos 
discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, 
tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos. porque isto é o 
meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão 
de pecados. Mt. 26:26-28 
Veja que o Senhor fez duas coisas, primeiro ele abençoou o pão e depois ele deu 
graças pelo cálice. Essas duas atitudes, bênção e gratidão, devem permear a nossa 
comunhão com o Senhor, pois cremos que o centro é a remissão dos pecados e não 
a lebrança dos pecados. 
Em muitos lugares os irmãos ensinam que devemos nos lembrar do pecado no 
momento da Ceia, mas isso é exatamente o oposto de remissão. Quando algo é 
remido ele é esquecido. No Velho Testamento o sacrifício era para lembrar do 
pecado, mas a Ceia hoje é para celebrarmos a remissão. Deus não mais se lembra de 
nossos pecados. 
Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos. Hb. 10:3 
Não podemos trazer a atitude da adoração no Velho Testamento para a mesa do 
Senhor na Nova Aliança. A mesa do Senhor é lugar de bênção e gratidão porque 
fomos redimidos. O Senhor diz: “fazei isso em memória de mim” (I Cor. 11:24). Não 
devemos participar da mesa do Senhor para lembrarmos de nós mesmos de nossas 
falhas, mas temos de fazer isso em memória da vitória do Senhor na Cruz. 
 
Há cura no pão 
No verso 32 Paulo diz que não é da vontade de Deus que sejamos condenados com 
o mundo. Quando Deus criou o homem não havia doenças, mas com o pecado veio 
o juízo e a condenação de Deus. Toda a terra ficou debaixo de maldição e condenação, 
mas hoje não há mais nenhuma condenação sobre nós que estamos em Cristo. 
Gálatas 3:17 diz que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio 
maldição em nosso lugar”. Resgatar significa pagar o preço para libertar o escravo. 
Mas qual foi o preço do nosso resgate? Ele mesmo teve de se fazer maldição por nós. 
Você consegue imaginar isso? O próprio Cristo, o Filho de Deus, sofrendo a 
maldição. Não há dúvida que o Senhor não tem para os seus filhos enfermidades e 
fraquezas. 
Muitos hoje em dia querem dizer que a enfermidade cumpre um plano de Deus na 
vida das pessoas, mas Deuteronômio 28 é enfático em dizer que toda doença é 
maldição. Se Cristo já se fez maldição por nós, então não tem o menor sentido Deus 
agora enviar maldição sobre nós. 
Paulo diz que precisamos julgar a nós mesmos. Não para ver se temos pecado, mas 
para ver se entendemos o sentido do pão e do vinho. Quando entendemos o sentido 
da Ceia nós compreendemos que a nossa justiça é Cristo, entendemos que os nossos 
pecados foram removidos pelo sangue do Cordeiro, por isso não precisamos ser 
condenados com o mundo. Qual o sentido de ser condenado com o mundo nesse 
contexto? Enfermidades, fraqueza e morte prematura. Essas são coisas que o mundo 
sofre, mas a igreja não precisa ser condenada com o mundo, diz Paulo. O Senhor não 
quer que soframos a condenação do mundo, e pelo contexto sabemos que essa 
condenação são doenças. 
Mas será que os coríntios estavam doentes justamente porque comiam da Ceia do 
Senhor de forma errada? Certamente o desprezo e o desrespeito pelas coisas de Deus 
certamente traz consequências, mas eu creio que Paulo está dizendo algo diferente 
aqui. 
No verso 20 ele diz: “Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do 
Senhor que comeis.” Eles tinham o pão e o vinho, mas aquilo não era a Ceia do 
Senhor porque não havia fé envolvida.Faziam como se o objetivo fosse se embriagar 
ou comer para matar a fome. Paulo então diz que apesar de terem o pão e o vinho 
aquilo não era a Ceia. 
Se estamos doentes e tomamos um remédio ele pode nos curar, mas se tomamos o 
remédio misturado com algo diferente aquele mesmo remédio pode nos matar porque 
deixa de ter as propriedades de cura. O mesmo acontece com a Ceia, se a tomamos 
sem entendimento e fé ela deixa de ser a Ceia do Senhor e perde o seu poder de nos 
curar. É por isso que Paulo diz que “quem come e bebe sem discernir o corpo, come 
e bebe juízo para si.” 
Discernir significa separar. Precisar separar o significado do pão e do vinho. 
No meio cristão há duas visões sobre isso. A primeira é chamada de 
transubstanciação. Esses acreditam que o pão se torna literalmente o corpo de Cristo. 
Mas obviamente o Senhor se referia a algo simbólico quando disse aos discípulos: 
“este é o meu corpo...” Ele estava ali fisicamente diante deles, então ele entenderam 
que o pão era simbólico. Esse ensino é errado porque afirma que as pessoas são salvas 
quando comem do pão, mas o Senhor Jesus nunca disse isso. A verdade é que a Ceia 
é para pessoas salvas. 
Do outro lado há os que ensinam que a pão e o vinho são simbólicos e que não 
devemos esperar nada deles. Eu creio que isso é demais para o outro lado. É verdade 
que o pão e o vinho são simbólicos, mas eles lideraram poder espiritual quando 
tomados da forma correta, com discernimento e fé. 
A grande maioria dos evangélicos quando participam da mesa do Senhor o fazem para 
lembrar que seus pecados foram perdoados. Isso está correto, mas é apenas o sentido 
do cálice, do sangue de Jesus. Mas e quanto ao pão? Paulo diz que os coríntios estavam 
doentes porque não discerniam o corpo (I Cor. 11:29). O cálice nos fala do perdão, 
mas o pão nos lembra da cura. 
Pois foi no seu corpo que o Senhor levou as nossas enfermidades todas. No momento 
em que partimos o pão precisamos declarar que pelas suas pisaduras nós fomos 
sarados. 
Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que 
nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. 
I Pe. 2:24 
Essa é a razão porque há muitos doentes e fracos, diz Paulo. Não discernem o 
significado do pão. Tome o pão e dê graças pela cura disponível na Cruz. 
A igreja primitiva tinha o costume de ter uma refeição todas as vezes que se reuniam. 
Era chamada de festa do ágape. Eles tinham uma refeição normal como celebração 
da comunhão e depois disso eles celebravam a Ceia do Senhor. Na verdade, o objetivo 
principal da reunião era o partir do pão. 
No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, 
que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à 
meia-noite. At. 20:6 
Nesses dias estamos partindo o pão todos os dias. Isso certamente está de acordo 
com a Palavra de Deus que diz que os primeiros cristãos partiam o pão diariamente. 
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e 
tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. At. 2:46 
Esses serão dias de cura. Enquanto você comer do pão e beber do vinho saiba que 
não se trata de algo unicamente simbólico, certamente é um símbolo, mas também 
possui poder do Espírito envolvido. Coma cura ao comer do pão. 
 
Sexto Dia 
O poder do sangue de Jesus 
 
A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei 
dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor 
de muitos, para remissão de pecados. Mt. 26:27-28 
Quando nós celebramos a mesa do Senhor precisamos discernir o pão e o vinho. 
Quando comemos o pão precisamos nos lembrar que o corpo do Senhor nunca ficou 
doente. Quando comemos o pão devemos nos lembrar que há vida, cura e saúde no 
corpo de Cristo. Hoje nós somos membros do corpo de Cristo e se o corpo de Cristo 
não tem maldições e nem enfermidades nós também não precisamos sofrê-las. 
Infelizmente muitos tomam a ceia, mas não liberam fé para receber poder do céu. 
Mas hoje gostaria de falar um pouco mais sobre o cálice. A Palavra de Deus diz que 
quase todas as coisas segundo a lei se purificam com sangue. E sem derramamento 
de sangue não há perdão dos pecados (Hb. 9:22). 
Desde o Éden o cordeiro teve de morrer para que o homem pudesse ser salvo. 
Apocalipse 13:8 diz que o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo. Quando 
aconteceu isso? Depois que Adão e Eva pecaram eles perceberam que estavam nus e 
tentaram fazer roupas para si de folhas de figueira. Deus, então, mata o cordeiro e da 
sua pela fez roupas para Adão e Eva. Aquele cordeiro apontava para o Senhor Jesus 
e para que o homem se apresentasse diante de Deus o sangue foi derramado no Éden. 
Com isso Deus estava ensinando ao homem que sem derramamento de sangue não 
pode haver perdão dos pecados. O Senhor Jesus disse que o sangue era o sangue da 
nova Aliança derramado para o perdão dos pecados. 
Se você vem para a Ceia com consciência de pecado você não está se cobrindo com 
o sangue. Se alguém pagou a sua dívida e na presença dele você age como se a dívida 
não tivesse sido paga e você ainda se sente em débito, você está insultando aquele que 
pagou a sua dívida. O momento da Ceia não é hora de consciência de pecado, mas de 
consciência de perdão. 
 
A primeira menção do sangue 
Depois que saíram do Éden, Adão e Eva tiveram dois filhos, Caim e Abel. Mas por 
alguma razão Caim se recusou a se apresentar diante de Deus da maneira como ele 
havia preestabelecido, por meio do sangue. Hoje há muitos que andam pelo caminho 
de Caim e procuram ser aceitos por Deus com base em suas boas obras que nunca 
podem alcançar o padrão exigido por Deus. Eles querem que Deus aceite suas obras, 
seus sentimentos, sua obediência e sua adoração, mas a resposta de Deus é esta: “se 
você se chega diante de mim faça do meu modo e o meu modo é pelo sangue. Isso 
pode parecer estranho para você, mas o sangue é para lembrá-lo quão sério é o 
pecado. Ele demanda o sangue de um inocente para ser purificado. 
Quando nós aceitamos o modo de Deus nós reconhecemos que somos pecadores e 
que precisamos da cobertura do sangue. Caim, porém, não fez isso, mas ele trouxe ao 
Senhor uma oferta de cereais onde não havia sangue. Abel, por sua vez, trouxe um 
cordeiro que aponta para o Filho de Deus que derramou o seu sangue por nós. 
Todos aqueles sacrifícios do Velho Testamento apenas cobriam o pecado, não era o 
pagamento final. É como o nosso cartão de crédito. Quando pagamos as contas com 
o cartão não estamos realmente pagando ainda, o verdadeiro pagamento virá no dia 
em que a conta do cartão é debitada na sua conta bancária. No Velho Testamento o 
cartão de crédito foi usado com sangue de animais, até que veio o Filho de Deus e 
pagou a conta definitivamente na cruz. 
Deus aprovou a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim. Não sei como Caim percebeu 
que a oferta de Abel foi aceita, talvez caiu um fogo do céu e a consumiu. Há muitos 
lugares nas escrituras onde o fogo do juízo de Deus caiu sobre pessoas, mas quando 
há sangue o fogo cai sobre o sacrifício e não sobre nós. O juízo veio sobre o Cordeiro 
na Cruz para que hoje não soframos nenhuma condenação. 
Caim ficou com inveja do seu irmão e se encheu de amargura. Ele certamente pensou: 
“Abel não é melhor do eu. Eu ofereci do meu melhor para Deus. Por que ele foi 
aceito e eu não? Por fim ele matou o seu irmão. 
Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, 
sou eu tutor de meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão 
clama da terra a mim. Gn. 4:9-10 
Embora não seja a primeira menção de derramamento de sangue na Bíblia, essa é a 
primeira vez que o sangue é mencionado. Todas as vezes que algo é mencionado pela 
primeira vez nas escrituras nós temos o seu sentido em linhas gerais no resto da Bíblia. 
Isso é chamado de princípio da primeira menção. 
Na primeira menção do sangueficamos sabendo que ele tem uma voz. Ele fala diante 
de Deus. Embora seja algo físico, o sangue possui um componente espiritual. 
E a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas 
superiores ao que fala o próprio Abel. Hb. 12:24 
É interessante que em Hebreus o Senhor Jesus e o sangue são mencionados 
separadamente como se fossem dois elementos distintos. O sangue merece um lugar 
distinto. O sangue de Abel pede vingança e condenação, mas o sangue de Jesus fala 
de perdão e redenção dos pecados, fala de reconciliação e bênção, fala de vida e 
ressurreição, fala de cura e paz, libertação e salvação. A misericórdia é superior ao 
juízo. 
 
O sangue é proteção 
Uma vez que o sangue tenha sido aspergido sobre você já não haverá lugar para a 
maldição e a doença em sua vida. O inimigo não poderá tocá-lo como não pode entrar 
na casa com o sangue colocado nos portais. 
Nesse momento a sua casa está protegida pelo sangue de Jesus. Muitas pessoas dizem 
que não podemos clamar o sangue de Jesus sobre coisas, mas Paulo nos ensina de 
forma diferente. 
E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse 
consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. Cl. 1:20 
Veja que Paulo disse que o sangue reconciliou todas as coisas, não apenas as pessoas. 
É claro que as pessoas foram reconciliadas, mas agora vemos que até mesmo as coisas 
foram compradas e reconciliadas. Frequentemente tenho clamado o sangue sobre 
minha família e minha casa e tenho visto como o Senhor nos tem protegido. O diabo 
não pode tocar em nada coberto pelo sangue. O sangue cobre e reconcilia todas as 
coisas com Deus. 
É verdade que o sangue já foi derramado na Cruz, mas nós precisamos aplicá-lo pela 
fé sobre nós e nossa família. No Livro de Êxodo o Senhor disse que quando visse o 
sangue ele passaria por cima da casa e nela não haveria juízo. 
O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, 
passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do 
Egito. Ex. 12:13 
O sangue deveria ser aplicado com hissopo. I Reis 4:33 afirma que Salomão discorreu 
sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano, até o hissopo que brota do 
muro. Ou seja, desde a maior delas até a menor. O hissopo é a menor das plantas por 
isso ela simboliza a nossa fé que Jesus disse que mesmo sendo do tamanho de uma 
semente de mostarda, a menor das sementes, ainda assim tem poder de transportar 
montes. Você não precisa de uma grande fé apara aplicar o sangue. Apenas abra a sua 
boca e confesse o poder do sangue e a sua fé será liberada. Cubra a sua casa, seus 
filhos, sua esposa, seus bens com o sangue de Jesus. O diabo não poderá tocá-los. 
 
Quando o sangue foi derramado? 
 
Quando suou sangue 
O primeiro lugar onde o Senhor derramou o seu sangue foi no Getsêmani, quando 
em profunda agonia “o seu suor se tornou como gotas de sangue”. 
E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou 
como gotas de sangue caindo sobre a terra. Lc 22.44 
Não sabemos se o suor de Jesus transformou-se em sangue ou se apenas ficou com a 
aparência de sangue. Mas, do ponto de vista dos discípulos que o acompanhavam 
eram mesmo gotas de sangue. 
No Jardim do Getsêmani, Senhor orou: “Não a minha vontade, mas a tua.” Aquele 
sangue, derramado no jardim, fala-nos de uma redenção particular – a redenção da 
rebelião, ou seja: o exercício de nossa vontade contra a vontade de Deus. A partir de 
Adão, o homem caído teima em fazer sua própria vontade em detrimento da vontade 
de Deus. 
Quando o Senhor Jesus orou: “Não a minha vontade, mas a tua seja feita”, Ele orou 
como sacerdote em nosso lugar, ele estava representando todos nós diante de Deus. 
Ele derramou o seu sangue para redimir nossas vontades, para que pudéssemos 
também dizer: “Não a minha vontade, mas a tua seja feita” (Lc 22.42). 
Jesus se fez homem para nos reconciliar com Deus e, nessa condição, esvaziou-se de 
si mesmo, derramou por nós o seu próprio sangue e venceu completamente o espírito 
de rebelião. Portanto, o sangue de Jesus tem o poder de quebrar, em nós, toda cadeia 
de rebelião contra Deus. 
Por isso, hoje, quando cear, diga: “Senhor Jesus, ao tomar este cálice eu me coloco 
debaixo da ação do teu sangue. Que através dele, minha vontade, obstinação e rebeldia 
sejam subjugadas. Eu submeto a ti o meu desejo de seguir o meu próprio caminho 
em detrimento do caminho que trilhaste por mim. Eu submeto a Ti a minha vontade 
de agir segundo o meu entendimento, e não segundo o padrão que o Senhor 
estabeleceu para mim.” 
 
Quando foi açoitado 
Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para 
ser crucificado. Mt 27.26 
O Senhor Jesus foi açoitado pelos soldados romanos. Aqueles açoites eram feitos de 
tiras de couro cru, em cujas extremidades eram presas pequenas bolas de chumbo ou 
pedaços de osso. O corpo de Jesus ficou inteiramente lanhado e banhado em sangue. 
O profeta Isaías disse que pelas “suas pisaduras fomos sarados”. 
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; 
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Is 
53.5 
Essas pisaduras (feridas) foram produzidas pelos açoites. Ali Ele estava levando sobre 
si mesmo nossas feridas e enfermidades. Ele derramou a sua vida para que nós não 
andássemos mais doentes ou enfermos. O dia da Ceia do Senhor é um dia de cura. 
Você não tem que levar mais nenhuma enfermidade, porque Jesus já as carregou 
todas, na cruz. Confesse isso agora mesmo. 
 
Quando recebeu uma coroa de espinhos 
Num ato de zombaria, os soldados romanos puseram uma coroa de espinhos na 
cabeça de Jesus (Mt 27.29). O espinho é um símbolo da maldição de Deus sobre a 
terra. Em Gênesis 3.18 Deus disse para Adão: “maldita é a terra por tua causa; em 
fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também 
cardos e abrolhos”. Depois, um soldado bateu-lhe com um caniço na cabeça, 
provocando-lhe dor e sangramento. Esse foi o sangue derramado que trouxe 
libertação da maldição do pecado. 
Nos dias de Jesus a forma comum como os judeus executavam os criminosos era pelo 
apedrejamento. Muitas vezes os judeus quiseram apedrejá-lo, mas ele tinha que 
morrer na cruz. Se fosse apenas para perdoar os pecados ele poderia morrer de 
qualquer outra forma, mas em vez disso ele foi crucificado. Mil anos antes de existir 
a crucificação Moisés disse que aquele que fosse pendurado no madeiro seria 
amaldiçoado (Dt. 21:23). Os judeus nunca crucificavam, mas os romanos que 
surgiram bem depois de Moisés, fizeram da crucificação a sua forma habitual de 
execução para se cumprir a escritura. Isso significa que o Senhor não derramou seu 
sangue apenas para nos perdoar dos pecados, mas também para nos livrar da maldição 
fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar. 
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso 
lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gl. 
3:13 
Erga o cálice e declare: “Eu já fui liberto da maldição.” Toda maldição que deveria vir 
sobre mim foi anulada, quando Jesus derramou o seu sangue. 
 
Quando foi crucificado 
Na cruz, as mãos e os pés do Senhor Jesus foram traspassados por cravos (ou pregos) 
longos e pontiagudos (Mt 25.37). E sabe por que os pés de Jesus tinham que ser 
cravados? Porque os pés simbolizam o nosso caminhar. E o nosso caminhar era 
pecaminoso diante de Deus. O nosso caminhar tinha de ser julgado e condenado 
diante de Deus. Mas não apenas isso; as mãos também simbolizam o que fazemos, as 
nossas obras. E quando as mãos do Senhor foram cravadas na cruz, os nossos atos 
pecaminosos foram também cravados ali. 
O sangue que jorrou das feridas abertas no corpo de Jesus tem o poder de perdoar os 
nossos pecados. Nós estamos cobertos por esse sangue, por isso não andamos maisdebaixo de nenhuma condenação ou acusação do diabo. A Ceia é um memorial eterno 
de que não existe nenhum pecado, por maior e mais sujo que seja, que o sangue de 
Jesus não possa perdoar e purificar. 
Certo dia, fui pregar na penitenciária em nossa cidade. Foi uma experiência 
impressionante! Ali está cumprindo pena uma mulher acusada de sacrificar crianças 
durante rituais de magia negra, na cidade de Guapó. Essa mulher pegava a criança 
viva, serrava-a ao meio, arrancava-lhe o coração e repartia entre os participantes do 
ritual. Era uma coisa horrível! 
Naquele dia, eu a conheci. Durante a ministração da Palavra, ela chorou o tempo 
todo, sem parar. Ela havia se convertido há poucos dias e estava consciente de que 
todos os seus pecados haviam sido perdoados e esquecidos – já não havia memória 
deles diante de Deus. Mas sabe por que ela chorava tanto? Porque até aquele 
momento não entendera ainda tão grande amor capaz de perdoar alguém que não era 
simplesmente uma pecadora, mas uma criminosa indigna e desprezível. 
Em qualquer país do mundo, onde houvesse a pena de morte, aquela mulher teria 
recebido essa condenação. Entretanto, Jesus a perdoou. Jesus já foi condenado à 
morte no lugar dela. Agora, ela pode desfrutar o perdão de Deus. E, se existe perdão 
para ela, também existe para você, independente de sua culpa ou pecado. Por isso, se 
em sua alma há um sentimento de culpa, acusando-o, condenando-o e oprimindo-o 
por alguma coisa que você praticou, há boas novas para você: o seu pecado já foi 
lavado, purificado e perdoado. Nenhuma condenação mais pesa sobre a sua vida, 
porque os pés e as mãos de Jesus foram cravados na cruz do Calvário. Agora, você 
precisa apenas crer e receber o perdão. Todo homem na face da terra já foi perdoado, 
mesmo aqueles que ainda não sabem disso. Por isso, precisamos contar-lhes essa boa 
nova. 
Através do sangue de Jesus somos perdoados, purificados e libertos de nossos 
pecados. 
E da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o 
Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos 
nossos pecados. Ap 1.5 
O momento da Ceia é a hora de celebrarmos a nossa libertação. Por isso, não tome a 
Ceia de forma religiosa; antes, erga o cálice – pois o sangue é a sua carta de alforria – 
e diga: “Eu era escravo, mas agora fui liberto. Não podia sair do lamaçal, mas o Senhor 
me tirou de lá; eu não podia ficar em pé, mas o sangue de Jesus me libertou.” 
Mas, se você, como um liberto de Cristo, anda ainda como escravo, tropeçando e 
caindo, é porque você não creu na sua própria libertação. Preste atenção nisto: você 
é livre – as portas de sua prisão foram abertas. Há muito tempo, Jesus já quebrou as 
trancas da cela onde você era prisioneiro. 
Se você pensa que essa cela ainda está fechada, eu tenho boas novas para você: A sua 
cela já foi aberta. Agora, você pode dizer “Não!” para o pecado, para o diabo, e para 
a tentação. Você não é escravo do pecado. Agora, você pode ficar de pé diante do 
Senhor por causa do cálice. 
 
Quando foi traspassado por uma lança 
Diz o evangelho que um soldado romano abriu-lhe o lado com uma lança e jorrou 
sangue e água (Jo 19.34). 
Essa água que flui é vida. Jesus havia dito que, do interior daqueles que cressem nele, 
fluiriam rios de água viva. E do interior de Jesus saiu água – uma água viva – e, junto 
com a água, o sangue, para significar que o sangue também nos dá vida. 
Mas o fato de o sangue ter saído através da ferida aberta pela lança do soldado romano 
é muito significativo. Em Apocalipse 12.11 está escrito que o sangue de Jesus é que 
nos dá a vitória contra o diabo. Esta é a razão por que o sangue de Jesus tinha de ser 
derramado através de uma ferida aberta por lança: esse sangue é também uma arma. 
Portanto, erga o cálice e diga ao diabo: “O sangue de Jesus me garante a vitória e por 
meio dele eu piso na cabeça da serpente.” 
 
Sétimo Dia 
O sangue fala 
 
A palavra de Deus diz que o sangue fala. Isso não é algo surpreendente? Hebreus 12 
diz que o sangue de Jesus fala e que o sangue de Abel também fala. 
E a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas 
superiores ao que fala o próprio Abel. Hb. 12:24 
O que o sangue de Jesus e o sangue de Abel estão falando? Você certamente conhece 
a história e Caim e Abel. Houve um dia em que os dois foram ao culto adorar a Deus. 
Chegando lá Caim ofereceu a Deus do melhor da lavoura que representa o esforço 
próprio, mas Abel ofereceu das primícias do rebanho que aponta para Cristo. Deus 
se agradou de Abel, mas não de Caim. Percebendo isso Caim foi tomado de inveja e 
traiçoeiramente matou o seu irmão. Deus vem ter com Caim e lhe diz: “Onde está 
Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão? E disse 
Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim” (Gn. 4:9-10). 
O que você acha que o sangue de Abel estava clamando diante de Deus? Estava 
clamando por justiça e vingança. Clamar por justiça não é ruim, não é errado, mais 
diz a bíblia que o sangue de Jesus fala coisas superiores. 
O que o sangue de Jesus está clamando? Lá na cruz, quando o seu sangue foi 
derramando, quando lhe colocaram a coroa de espinhos, o açoitaram e colocaram os 
cravos nas mãos e nos pés, o que Jesus falou? “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o 
que fazem” (Lc. 23:34). O sangue de Jesus está falando de perdão, mesericórdia e 
graça. 
Agora preste atenção no que diz Hebreus 12:25: “tende cuidado, não recuseis ao que 
fala.” Quem está falando? O sangue de Jesus. Precisamos ouvir o sangue. O sangue 
nos diz que somos perdoados. O sangue proclama que somos justos pela fé. 
Precisamos ser cuidadosos para não recusar ao que fala. 
A Nova Aliança é sobre isso, o perdão dos pecados. Muitos acham que isso é algo 
muito básico na fé, mas é um erro. Muitos irmãos acham que o perdão dos pecados 
é um assunto muito banal e trivial. Pensam que é algo para novo convertido. Mas isso 
é um engano do diabo na mente. O inimigo quer enganá-lo para mantê-lo no cativeiro. 
Se você não se lembrar constantemente que já foi perdoado, a sua fé se torna fraca e 
sua mente se enche de acusações. O perdão dos pecados é o que nos permite 
experimentar coisas maiores em Deus. Ouça o que o sangue está falando. O sangue 
está dizendo que você está perdoado. 
Quando as pessoas não crêem no perdão dos pecados elas se colocam num terreno 
abalável. E se elas são abaladas elas vivem constantemente inseguras. Elas temem 
quando a tribulação vem porque não têm certeza de que todos os seus pecados são 
perdoados. Mas quando você tem uma consciência clara que é totalmente perdoado, 
então você não é abalado diante das circunstancias. Depois de ouvir o sangue você 
sabe que pode orar a Deus em nome de Jesus, por que não tem nada que pode impedir 
você de ter comunhão com Deus. O perdão dos pecados é o centro do evangelho. 
Não podemos recusar ouvir a voz que fala coisas superiores. Porque se recusarmos 
ouvir essa voz estaremos num terreno movediço e abalável. Quando você sabe que 
não há mais pecado entre você e Deus você tem um terreno sólido para embasar a 
sua fé. Sua fé se torna inabalável. 
Precisamos ter clareza que a Nova Aliança é sobre o perdão dos pecados. O Senhor 
nos mandou celebrar a ceia para nos lembrarmos dele e da nova Aliança, mas o que 
vemos são pessoas se lembrando do pecado. E quanto mais se lembram do pecado, 
mais abalados se sentem. 
Muitos acreditam que o perdão dos pecados é apenas a porta e que depois de entrar 
pela porta eles devem aprender coisas mais elevadas e profundas. O problema é que 
não existe nada maior que o perdão dos pecados. Não importa o nível de maturidade 
que alcancemos nós sempre precisaremos nos lembrar do perdão dos pecados. 
No qual (nEle) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo 
a riqueza da sua graça,. Ef. 1:7 
 
O Perdão dos pecados gera fé 
O perdão dos pecados não é somente o começo, mas é a fundaçãoe a fonte, ou seja, 
a origem de todas as bênçãos. Pense um pouco nisso. O que o impede de ser curado? 
É porque acha que tem pecado não perdoado na sua vida. Ainda pensa que a doença 
é um castigo divino. Porque não recebe resposta para aquele pedido de oração? 
Porque se sente indigno de receber, pois ainda pensa que há pecado na sua vida. Mas 
quando você tem consciência de perdão você se torna inabalável. 
Jesus mandou que seus discípulos fossem pelo mundo pregando arrependimento para 
remissão de pecados. Quando as pessoas crêem que seus pecados são perdoados elas 
ganham fé para serem curadas, libertas, restauradas, enriquecidas e tudo o mais que 
precisarem. Essa é a fonte da nossa fé, o perdão dos pecados. 
O evangelho de Marcos nos conta que numa certa ocasião Jesus estava numa casa em 
Cafarnaum e um grupo de amigos decidiram levar um paralítico para ser curado por 
Jesus. Mas quando eles chegaram na casa não podiam entrar por causa da grande 
aglomeração de pessoas ali para ouvi-lo. Eles então tiveram uma ideia: decidiram 
puxar o paralítico até o telhado, quebrar a laje e descer o paralítico diante de Jesus. 
Quando Jesus viu o para lítico descendo por cordas diante dele disse: “Filho, os teus 
pecados estão perdoados” (Mc. 2:5). 
Não era exatamente aqui que o paralítico esperava ouvir naquele dia. Ele queria ser 
curado. Então porque o Senhor resolveu perdoar os seus pecados antes de curá-lo? 
Eu creio que a resposta está na maldição da lei. 
Deuteronômio 28 diz que “se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo 
cuidado de guardar todos os seus mandamentos..., então virão sobre ti e te alcançarão 
todas estas bênçãos” (Dt. 28:1-2). A bênção era resultado da obediência. 
Mas se não ouvissem a voz de Deus então uma longa lista de maldições os alcançaria. 
As maldição podiam ser resumidas em pobreza, doença e morte. 
Aquele paralítico estava experimentando a maldição da lei. Ele estava enfermo e por 
causa dessa enfermidade ele tinha que mendigar. Doença e miséria era o sinal de que 
ele era muito pecador para ser tão amaldiçoado. Esse certamente era o seu 
pensamento. 
Mas no momento em que Jesus disse que os seus pecados estavam perdoados ele 
entendeu que não precisava mais estar debaixo de maldição. Se ele não tinha pecado 
ele então poderia desfrutar da bênção. 
Jesus percebeu que os fariseus pensavam com eles mesmos: “Por que arrazoais sobre 
estas coisas em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados 
os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que saibais 
que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados— disse 
ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mc. 2:8-
11) 
A lógica de Jesus eram bem simples. A maldição veio por causa do pecado. Se os 
pecados dele não estiverem perdoados, então ele não poderá andar, mas se o paralítico 
foi realmente perdoado eu vou mandá-lo andar e ele terá de andar pois já não há 
maldição do pecado na vida dele. Portanto a prova de que o paralítico estava mesmo 
perdoado foi a cura instantânea. 
Aquele homem teve fé para ser curado, porque primeiro ele creu que não tinha mais 
pecado. O perdão dos pecados foi o que lhe trouxe fé. O mesmo princípio se aplica 
hoje. Enquanto pensamos que ainda temos pecado diante de Deus não temos fé para 
receber coisa alguma. Enquanto achamos que o nosso pecado não foi perdoado não 
temos fé para pedir grandes coisas. Mas no momento em que cremos no perdão a fé 
e a ousadia invadem o nosso coração. 
O perdão dos pecados sempre vai gerar fé em nós. Nunca pense que se trata de um 
assunto pequeno, trata-se antes do ponto mais importante da Nova Aliança. 
O que você deve pregar? Qual é a mensagem vai transformar o mundo? Seria a visão 
de células? O discipulado? A mensagem que vai mudar o mundo é aquela que o 
Senhor mandou os discípulos pregarem. 
E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as 
nações, começando de Jerusalém. Lc. 24:47 
Essas são as boas novas. Os nossos pecados já foram perdoados. Jesus já levou todos 
eles na cruz. Se você crer que é perdoado você também vai ser curado, liberto, 
santificado, vai receber toda sorte de bênção. 
 
O Perdão dos pecados gera amor 
Mas não é apenas a nossa fé que depende do perdão dos pecados. O Senhor Jesus 
também disse que aquele que é mais perdoado esse ama mais. Nosso amor ao Senhor 
depende também do quanto entendemos que fomos perdoados. 
Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do 
fariseu, tomou lugar à mesa. E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que 
ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, 
estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os 
enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento. 
Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem 
saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. Dirigiu-se Jesus ao 
fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. 
Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, 
cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual 
deles, portanto, o amará mais? Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem 
mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a 
Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, 
porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me 
deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me 
ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. Por isso, te 
digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele 
a quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à mulher: Perdoados são os teus 
pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este 
que até perdoa pecados? Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. 
Lc. 7:36-50 
Jesus está dizendo aqui que o seu amor depende do quanto você foi perdoado. Todos 
nós fomos muito perdoados, o problema é que alguns não tem consciência do 
tamanho do perdão que receberam. O Senhor Jesus disse que aquele que é muito 
perdoado esse ama mais. 
Simão, o fariseu, pensava que não tinha pecado, por isso tratava Jesus de forma 
indiferente, mas aquela mulher era pecadora, na verdade Jesus disse que ela tinha 
muito pecado, mas ela sabia que estava perdoada. Ela já tinha sido perdoada pelo 
Senhor. Ela não estava ali para ser perdoada, mas porque tinha sido perdoada. Não 
sabemos quem era ela, podia ser Maria Madalena ou a mulher pega em adultério em 
João 8, mas o fato é que ela amou o Senhor porque tinha provado o perdão. E naquele 
dia ela estava ali para adorar o Senhor. 
Na sua adoração ela não tinha limites para o Senhor. Ela comprou um vaso de 
alabastro cheio de perfume. Nós sabemos que um vaso desse custava trezentos 
denários. Um denário era o salário de um dia de um trabalhador, portanto trezentos 
era o salário de quase um ano de trabalho. Mas ela não achou demais aquele 
investimento porque ela foi muito perdoada. Ela lavou os pés do Senhor com a suas 
lágrimas e os enxugou com o próprio cabelo. Aquele que é muito perdoado torna-se 
extravagante em sua relação com o Senhor. 
Por outro lado, Jesus disse que Simão não lhe deu nem água para lavar os pés quando 
chegou ali, o que era parte da etiqueta em Israel. Sempre que chegava um visitante o 
anfitrião lhe dava água para lavar os pés e as mãos. Simão não fez isso e nem recebeu 
a Jesus com um beijo que também era usual em Israel. Mas a mulher não se cansava 
de fazer muito mais. 
A explicação de Jesus para aquilo era muito simples, ela foi muito perdoada e quem é 
muito perdoado esse ama mais, tem mais compromisso. 
O seu nível de compromisso dependeda sua percepção do perdão. Quem é muito 
perdoado não fica discutindo a respeito de dízimo, porque ela ama tanto que não 
coloca limites em sua relação com o Senhor. 
Aquele que não tem consciência do quanto foi perdoado acha tudo difícil demais, a 
igreja cobra muito, o culto sempre passa da hora, a visão está destruindo a sua vida. 
Mas aquele que é muito perdoado, não e importa de servir. Ele quer encontrar mais 
ocasiões para expressão seu amor e gratidão. Para ele a igreja nunca pede demais, 
porque ele sempre está indo além. 
Quem acha que não pecou muito também não está disposto a servir muito, afinal não 
precisou de tanto perdão. Não está disposto a liderar muito, não está disposto a 
contribuir porque tudo é visto como um exagero. O fariseu não tinha noção do seu 
pecado por isso não valorizava o perdão. Infelizmente há muitos assim em nosso 
meio. 
Não adianta cobrar compromisso de gente que nem sabe que foi perdoada. Gente 
que nunca viu o próprio pecado. Se você soubesse o tamanho do seu pecado você 
ira valorizar o tamanho do amor que foi manifestado em você. 
Quem foi muito perdoado não tem receio de falar das boas novas do perdão. Para ele 
evangelizar não é um fardo que a igreja impõe. Ele quer que outros sejam abençoados 
como ele foi. 
Depois de muitos anos na vida da igreja, com o tempo nós nos esquecemos de quem 
nós éramos, de onde estávamos. Esquecemo-nos do preço que foi pago e do perdão 
que nos foi concedido. Mas é esse perdão que gera compromisso e amor. Sem a 
percepção do perdão fazemos tudo por causa de uma obrigação religiosa. 
 
O perdão dos pecados nos enche do Espírito 
Mas é importante ainda ressaltar que a maior bênção de todas, o Espírito Santo, nos 
é concedida quando cremos que nossos pecados são perdoados. O momento em que 
o Espírito veio sobre Cornélio foi justamente quando Pedro falou da remissão dos 
pecados. 
Por que existem irmão que são vazios apesar de terem a sua disposição todo manjar 
do céu e poderem se encher do vinho do espírito cotidianamente? Por que ainda há 
irmãos que tão secos? Não possuem vida fluindo. Sabemos que são filhos, que são 
salvos, mas não são cheio do Espírito. Existe uma relação entre o perdão dos pecados 
e o enchimento do Espírito. 
A Bblia diz que havia um homem chamado Cornélio. Ele era um prosélito sincero 
que queria servir a Deus com orações e esmolas. Num dia um anjo apareceu para ele 
e lhe disse: “Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: 
Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para 
memória diante de Deus. Agora, envia mensageiros a Jope e manda chamar Simão, 
que tem por sobrenome Pedro” (At. 10:4-5). 
Veja que o anjo não pregou para ele, antes mandou que buscasse a Pedro. Anjos não 
podem pregar as boas novas do perdão porque nunca foram perdoados. Somente 
aqueles que experimentaram a graça do perdão podem testemunhar aos outros. 
Pedro então veio, entrou na casa dele, e começou a expor o evangelho para toda a sua 
família. 
Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele 
que nele crê recebe remissão de pecados. Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu 
o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. At. 10:43-44 
Observe o momento em que o Espírito Santo foi derramado sobre eles, foi justamente 
quando Pedro falou que em Cristo nossos pecados são perdoados. Quando 
entenderam que não tinham mais pecado imediatamente o Espírito caiu sobre eles e 
foram cheios. 
O Espírito só pode entrar na casa que foi lavada pelo sangue. No momento em que 
foi lavada o Espírito entrou. Sabe por que muitos não são mais cheios? por que não 
tem consciência de perdão. Ainda pensam que o pecado os está separando de Deus. 
Mas no momento em que entendem que pelo sangue todos os nossos pecados são 
removidos podem ser imediatamente cheios. 
Essa é a base na qual você pode se firmar para nunca mais ser abalado. Você foi 
perdoado. Não há mais dívida. O favor de Deus o alcançou. 
 
Oitavo Dia 
A grande Ceia 
 
Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-
aventurado aquele que comer pão no reino de Deus. Ele, porém, respondeu: Certo 
homem deu uma grande ceia e convidou muitos. À hora da ceia, enviou o seu servo 
para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. Não obstante, 
todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e 
preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. Outro disse: Comprei cinco 
juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado. E outro 
disse: Casei-me e, por isso, não posso ir. Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. 
Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da 
cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Depois, lhe disse 
o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. Respondeu-lhe o senhor: 
Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha 
casa. Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados 
provará a minha ceia. Lc. 14:15-24 
 
A festa foi dada 
A primeira coisa que vemos nessa parábola é que um certo homem deu uma grande 
festa. Os convites não foram vendidos. Na posse do presidente dos Estados Unidos 
muitas festas acontecem, mas além de ser convidado você precisa pagar caro para 
participar. Mas não é assim na festa promovida pelo Senhor. 
Hoje em dia é comum nos convidarem para uma festa num restaurante e você paga a 
sua conta. Se você receber um convite assim certamente a pessoa não é sua amiga. 
Quando somos convidados para um jantar certamente não esperamos pagar por ele. 
Se somos convidados não precisamos levar a nossa própria comida e bebida. Se Deus 
nos convida ele providencia todas as coisas. 
 
Uma grande ceia 
A ceia é grande por causa do quanto ela custou. Se Deus disse que é uma grande ceia, 
pode ter certeza que será uma festa como nenhuma outra. O Senhor disse que aquele 
que viesse a ele nunca teria fome. 
Deus mesmo está dando a festa e então enviou os seus servos para chamar os 
convidados e dizer: “Vinde, porque tudo já está preparado.” 
 
O convite 
O convite é feito à hora da ceia (v. 17). A ceia certamente se refere à ceia do Senhor. 
Uma ceia é sempre servida a noite, assim é por meio dela que somos fortalecidos para 
enfrentarmos as horas mais escuras. 
Os servos saem para convidar porque tudo já está pronto para a festa. Ninguém é 
convidado para trazer coisa alguma, para dar nada, pois tudo já foi providenciado. 
Todos são convidados para vir e receber. Você não foi convidado para trazer algo 
para o Senhor, mas para receber e desfrutar da festa. Você não foi convidado para 
dar, mas para receber. Não foi convidado para trazer, mas para desfrutar. 
Todas as coisas estão prontas. A salvação está pronta. A justificação pela fé está 
pronta. A paz já está disponível. A saúde é apenas uma migalha, mas o pão inteiro 
está sobre a mesa à nossa disposição (Mt. 15:27-28). O vinho novo do deleite pode 
ser bebido e o óleo da alegria já está servido. Os servos dizem: “todas as coisas já 
estão prontas! Venham para a grande Ceia!” 
A ceia não ficará pronta no futuro, mas já está pronta hoje. A obra foi terminada e 
consumada. Hoje o Senhor nos convida, não nos força a coisa alguma. 
Talvez esse seja o quadro mais bonito do evangelismo no Novo Testamento. Não 
saímos para condenar a ninguém, mas para convidá-los para uma festa. Nós estamos 
felizes e empolgados com a festa e saímos para contar aos outros que eles também 
foram convidados. 
Mas os convidados começaram a se escusar e rejeitar o convite. O primeiro se 
desculpou dizendo que tinha comprado um campo e precisava vê-lo. Quem compra 
uma fazenda e só depois vai vê-la? É mentira. Estava apenas rejeitando a festa. 
O segundo convidado disse que tinha comprado cinco juntas de boi e precisava ir 
experimentá-las. Quem compra um carro e só faz o teste-drive depois?É uma 
desculpa esfarrapada. 
O terceiro disse: “acabei de me casar e por isso não posso ir”. Talvez você pense que 
a lua-de-mel seja uma boa desculpa, mas não é. Tudo depende de quem o está 
convidando. Dependendo de quem convida você até muda a data do casamento. 
 
A ira do Senhor 
Os servos voltaram e relataram ao Senhor todas as desculpas. Então o Senhor ficou 
irado. Você precisa entender o que deixa o Senhor irado. Na velha aliança o homem 
tinha de se relacionar com Deus por meio da obediência aos mandamentos. Naquele 
tempo ignorar a lei trazia a ira de Deus. Mas hoje no Novo Testamento o que desperta 
a ira é quando o homem rejeita toda a bondade de Deus. Quando as pessoas se 
recusam a receber o que Deus graciosamente está dando para elas. 
 
A casa cheia 
O Senhor então manda que os servos saiam para as ruas e becos da cidade e tragam 
os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos para a ceia. 
Os pobres sempre se empolgam quando são convidados para uma festa. Pode ter 
certeza que eles aceitam o convite. 
Os aleijados, cegos e coxos nunca são lembrados porque eles mesmos nunca achariam 
o caminho na sua cegueira e nunca chegariam à festa, pois são aleijados, mas eles têm 
um lugar na grande ceia. Quem são as pessoas que o Senhor mandou que 
convidássemos? Tenha isso em mente quando der o convite para alguém. 
Em termos espirituais todos nós éramos cegos ou aleijados e coxos, mas enquanto 
comemos do pão da festa somos sarados. Aquele, porém, que se acha rico não quer 
ir à festa. Aquele que pensa que seu andar é perfeito e sem pecado não aceita o convite. 
Aquele que presume que pode ver todas as coisas na sua sabedoria humana está 
perdendo a maior de todas as festas. 
Os servos dizem ao Senhor que a casa estava cheia, mas ainda tinha lugar. Claro que 
tinha lugar pois sempre há um lugar para aquele que aceita o convite e deseja participar 
da festa. 
O Senhor então manda que os servos saiam pelos caminhos e atalhos e obriguem a 
todos a entrar para que a casa fique cheia. Para aqueles que não têm visão de uma 
grande igreja saiba que a vontade do Senhor é que a casa esteja cheia. A vinda do reino 
depende da casa se encher. 
A palavra obrigar parece forte, mas na verdade a graça do Senhor nos constrange. 
Somos tão ricamente abençoados que não temos outra opção senão aceitar o seu 
convite. Seja lá como for que ele nos obriga isso é feito por meio do seu amor e graça. 
É um fato que alguns vêm pela dor enquanto outros vêm pelo amor. Mas no final não 
é o Senhor que produz a dor, todavia ele sempre envia os seus servos para curar a dor 
que outros causaram. Somente o amor é irresistível, não a dor. 
O prazer do pecado pode satisfazer por um momento, mas a ceia do Rei satisfaz para 
sempre. Aquele que vem a mim nunca terá fome e aquele que crê em mim nunca terá 
sede, disse Jesus. 
 
A mesa do Rei 
Um quadro maravilhoso da festa do Rei está descrito em II Samuel 9. Ali lemos da 
história de Davi e Mefibosete. 
Depois de anos como fugitivo sendo perseguido como um criminoso, agora Davi foi 
ungido rei sobre o trono de Israel. Saul, aquele que o havia perseguido, está agora 
morto. 
Davi tinha feito uma aliança de sangue com Jônatas, filho de Saul, o que significava 
que tudo o que pertencia a Davi era de Jônatas e tudo o que pertencia a Jônatas era 
de Davi. Eram parceiros de aliança. 
Num certo dia Davi disse: “Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que 
use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” (II Sm. 9:1). 
Hoje em dia em Israel os judeus cristãos messiânicos usam o Novo Testamento em 
hebraico. Nele a palavra graça é heced, a mesma palavra usada aqui por Davi. Davi se 
lembrou da aliança e por isso queria usar de bondade e graça. 
Nessa história Davi representa Deus, Jônatas aponta para Cristo e a casa de Saul 
aponta para a humanidade caída. Sempre que Deus Pai se lembra da aliança de Cristo 
ele quer usar de bondade para conosco. O nome Jônatas significa “dom de Deus” o 
que nos fala de Cristo que nos dado pelo Pai. 
Costumamos pensar que a aliança de Deus é conosco, mas não é bem assim, a aliança 
é entre o Pai e o Filho. Se fosse conosco nós a teríamos quebrado antes que acabasse 
o dia. A Nova Aliança é o cumprimento da Aliança Abraâmica e naquela aliança temos 
um quadro precioso. No dia em que fez a aliança com Abraão, Deus o fez dormir e 
no meio da noite um fogareiro e uma tocha firmavam uma aliança. Era o Pai e o Filho 
selando a aliança da redenção. 
E sucedeu que, posto o sol, houve densas trevas; e eis um fogareiro fumegante e uma 
tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços. Gn. 15:17 
Mas Deus não fez uma aliança com o homem? Sim, mas com o homem perfeito, 
Cristo. Todos nós estamos em aliança com Deus apenas em Cristo. 
Assim Davi representando o Pai e Jônatas, o dom de Deus, representando a casa de 
Saul, ou seja, o homem caído, estão aliança. Jônatas morreu e Davi vendo o sinal da 
aliança no seu punho decide usar de bondade para com a casa de Saul, a humanidade 
caída. 
Então, Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os 
pés. E onde está? Perguntou-lhe o rei. Ziba lhe respondeu: Está na casa de Maquir, 
filho de Amiel, em Lo-Debar. II Sm. 9:3-4 
Quando Saul morreu no monte Gilboa toda a sua família concluiu que agora Davi iria 
matá-los. A babá de Mefibosete decidiu correr com ele para fugir, mas ao correr ela o 
derrubou e com a queda ele se tornou aleijado de ambos os pés. 
Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado dos pés. Era da idade de cinco anos 
quando de Jezreel chegaram as notícias da morte de Saul e de Jônatas; então, sua ama 
o tomou e fugiu; sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu e ficou manco. Seu 
nome era Mefibosete. 2 Sm. 4:4 
Todos os homens caíram no pecado e hoje são aleijados incapazes de andar retamente 
diante de Deus. Mas o coração do Senhor é para usar de bondade para conosco. 
Mefibosete vivia em Lo-debar que significa “sem pasto”. Ele vivia no deserto num 
lugar sem alimento. Assim é o homem sem Deus, vive em sequidão sem provar do 
alimento da palavra de Deus, sem participar da mesa do Rei. 
Num dia os soldados de Davi vêm buscá-lo. Ele certamente estremeceu-se de medo 
e pensou que era o seu fim. Quando ele chegou diante do rei a primeira coisa que 
Davi lhe disse foi: “não temas!” Essa é a primeira palavra de Deus para o pecador: 
“você não precisa temer!” 
Davi diz a Mefibosete: “usarei de bondade para contigo, por amor de Jônatas”. Deus 
Pai libera a sua graça sobre nós por causa de Cristo. 
Depois ele acrescentou: “eu te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu comerás 
pão sempre à minha mesa. Mefibosete vivia num lugar sem pão em completa miséria. 
Mas Davi deu para ele tudo o que Saul possuía. Saul era rei, você tem ideia de quão 
rico ele era? Num instante toda a sua riqueza lhe foi restituída. 
E para completar Mefibosete vai agora comer o pão todos os dias na mesa do Rei. 
Mefibosete era aleijado, seu andar não era perfeito, mas assentado com o rei sua 
condição era coberta. Mesmo depois de salvo o seu andar com Deus ainda não é 
perfeito, mas você está assentado à mesa diante do rei. Estando à mesa o rei não vê o 
seu caminhar. Apenas coma do pão, pois enquanto você se alimenta você é 
transformado e fortalecido. Assentado com Cristo você se esquece do seu caminhar 
e pode desfrutar de perfeita comunhão. 
Mas será que não tenho de trazer minha obediência e santidade para o rei antes que 
ele me aceite na sua mesa? Você foi convidado para uma festa onde tudo já foi 
providenciado. Você não traz nada, você apenas recebe. O que Deus espera é que 
você aceite o convite. Essa é a sua parte, aceitar a imensa graça que lhe é oferecida. 
Quando estamos diante da mesa do Senhor a ordem é para que nos lembremos dele, 
a ceia é em memória dele e não para você se lembrar do seu passado. 
Qual foi a resposta de Mefibosete? “Quem é teu servo, para teres olhado para um cão 
morto tal como eu?” Antes talvez ele acalentasse a ideia deque era o verdadeiro 
herdeiro do trono. Ele é que merecia ter o lugar do rei. Talvez tenha planejado uma 
guerra contra Davi e deve ter falado muitas coisas ruins a respeito dele. Mas diante de 
tanta bondade do rei o seu coração foi quebrantado. É a bondade do rei que nos 
conduz ao arrependimento. 
Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que 
a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Rm.2:4 
 
Nono Dia 
Senhor e servo 
 
Uma verdade fundamental do evangelho é que Jesus é plenamente Deus (Jo. 1:1-3, 
14), mas Ele veio à terra como homem. Ele é filho de Deus e filho do homem. A 
Bíblia diz que “tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura 
humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” 
(Fp. 2:7-8). Ele deixou a sua glória e os poderes divinos e tornou-se homem. Isto 
significa que, como qualquer outro ser humano, ele tinha sentimentos, dores e 
tentações, mas nunca pecou. 
Se o Senhor Jesus tivesse vindo ao mundo como Deus, então Ele não teria sido capaz 
de morrer na cruz por nossos pecados, porque Deus não pode morrer. Mas fazendo-
se homem ele se fez mortal. Ele veio como homem e sofreu como homem. O sangue, 
o suor e as lágrimas eram reais. A dor era real. A morte foi real. 
No Getsêmani ele viveu um grande sofrimento e agonia quando orou dizendo: “Pai, 
se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a 
tua”. (Lc. 22:42) Mas há um sofrimento espiritual aqui que às vezes não percebemos. 
 
A separação do Pai 
Havia um cálice espiritual oferecido ao Senhor, e nele estavam todos os nossos 
pecados e maldições. Toda a nossa sujeira estava naquele cálice. E beber dele 
significava se separar de seu Pai, a quem amava. 
Até então, Jesus nunca tinha sido separado de Deus Pai. A razão pela qual Ele podia 
fazer todos os tipos de milagres quando andou a terra era porque o Pai estava com 
Ele. Jesus venceu a acusação dos fariseus e a traição dos homens porque ele sabia que 
era amado. 
“Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.... Em verdade, em verdade vos 
digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o 
Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz” (Jo. 5:17 
e 19) 
Então a Jesus foi dada uma escolha: beber o cálice de nossos pecados ou voltar para 
casa, para a glória. Se Ele rejeitasse o cálice, o Pai lhe traria para casa, e todo nós 
iríamos para o inferno, por causa do nosso pecado. 
Mas Jesus nos amou tanto que ficou. Ele bebeu o cálice de nossos pecados até o fim. 
Ele percorreu todo o caminho por nós, todo o caminho até a cruz. 
 
Deus pode sorrir para você hoje 
Como homem, Jesus definitivamente sentiu a dor física da flagelação, espinhos e 
pregos, mas certamente seu maior sofrimento foi a separação do Pai. 
Na cruz, Ele clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt. 27:46). 
Deus virou as costas para ele. No momento em que Ele mais precisava, seu pai teve 
que virar as costas para ele. Você sabe por quê? Porque se Deus não virasse as costas 
para Jesus, Ele teria que virar as costas para você! Jesus tomou o seu lugar para que 
você possa tomar o lugar dEle, onde a face de Deus está sempre sorrindo para você. 
Hoje, temos a face de Deus sorrindo para nós todo o tempo. O semblante de Deus 
está brilhando sobre você e sua família. É por isso que hoje temos verdadeiramente a 
bênção sacerdotal: “Que o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti... que o Senhor 
sobre ti levante o rosto e te dê a paz”” (Nm. 6:25). Jesus pagou o preço para que Deus 
possa sempre sorrir para você. 
 
O Pai chorou 
Deus virou as costas para seu filho, porque ele teve que puni-lo por nossos pecados. 
Ele é o juiz do universo. Mas, como Pai, eu creio que Ele chorou. É por isso que no 
filme, A Paixão de Cristo, há nesta parte uma lágrima que cai do céu. 
Paulo diz que o sacrifício de Jesus foi de aroma suave ao Pai (Ef. 5: 2). Sim, como 
Deus e juiz, Deus teve que virar as costas para seu filho, porque Seus olhos são muito 
puros para contemplar o mal e o pecado (Hc. 1:13). Mas, como Pai, Seu coração 
estava quebrado, porque Cristo nunca foi mais agradável a Ele do que naquele 
momento. 
 O Senhor Jesus sabia que o Pai o amava porque ele dava a sua vida. 
Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira 
de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar 
e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai. Jo. 10:17-18 
Aqueles que possuem crianças pequenas amam seus filhos o tempo todo, mas, às 
vezes, seu filho faz algo especial por amor a você, e aquilo toca tanto o seu coração 
que você quer apenas abraçá-lo. Deus sentiu o mesmo por Seu Filho quando Ele 
estava na cruz. Mas ele não podia abraçá-lo mesmo quando Jesus gritou por ele. Como 
o Juiz do universo, Ele teve que virar as costas e deixar o Seu Filho ser punido ao 
máximo pelos nossos pecados. 
Se você como pai vê seu filho sofrendo por algo que ele mesmo fez de errado, isso 
com certeza o faz sofrer também. Faz você querer ajudar seu filho. Quanto mais se o 
seu filho é inocente! Jesus era inocente. Ele não conheceu pecado. Ele não cometeu 
pecado. E Nele não havia pecado (II Cor. 5:21) No entanto, Ele sofreu e morreu 
pelos nossos pecados, porque Ele amava o Pai e também porque nos amou até o fim. 
 
Açoitado para nossa cura 
De acordo com historiadores os açoites romanos possuíam ganchos nas extremidades 
que entravam na carne da vítima e arrancam pedaços de carne do corpo! 
E provavelmente Jesus não recebeu 40 açoites menos um de acordo com a lei judaica. 
(Dt 25:3, II Co. 11:24) Os soldados romanos que executaram a flagelação odiavam os 
judeus e não teriam observado o seu direito. 
Não sei quantas vezes o Senhor Jesus foi chicoteado, mas foi o suficiente para expor 
os ossos em suas costas. O Salmo 129:3, diz: “Sobre o meu dorso lavraram os 
aradores; nele abriram longos sulcos.” 
O Salmo 22:17 diz: “Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e 
encarando em mim.” Muitos acusam o filme “A Paixão de Cristo” de ser muito 
violento, pois mostra o corpo de Jesus completamente dilacerado pelos açoites, mas 
se observamos o relato bíblico concluiremos que o filme nem foi tão violento assim. 
A Bíblia diz que “pelas suas pisaduras nós fomos sarados” (Is. 53: 5) Jesus tomou 
cada um desses açoites terríveis porque Ele teve que pagar o preço total para a nossa 
saúde. Por essas pisaduras o câncer morreu. Por essas pisaduras a asma do seu filho 
foi derrotada. Por essas chagas somos saudáveis e fortes! 
Algumas pessoas erroneamente presumem que Deus tem oscilações de humor. Se Ele 
está de bom humor hoje, Ele vai te curar; se está de mau humor, ele não vai curar. 
Como você pode colocar a sua fé em um Deus de humores? Mas isso não verdade. 
Deus é um Deus de Palavra. Ele vai curar você porque o Seu Filho pagou o preço 
para a sua cura. E a obra de Seu Filho é perfeita. 
 
Um sinal de amor 
No Getsêmani podemos ver a completa obediência do Senhor Jesus. Em Filipenses 
2:7-8 Paulo diz que “ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação 
o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, 
tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” É algo extraordinário ver que o 
Filho de Deus se fez escravo por nós. A palavra servo aqui é doulos que significa 
escravo. 
Há uma imagem muito bonita do que Jesus fez por nós escondida na lei do escravo 
hebreu. Depois que Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos em Êxodo 20, ele deu 
uma lei sobre os escravos em Israel. 
 Se comprares um escravo hebreu, seis anos servirá; mas, ao sétimo, sairá forro, de 
graça. Se entrou solteiro, sozinho sairá; se era homem casado, com ele sairá sua 
mulher. Se o seu senhor lhe der mulher, e ela der à luz filhos e filhas, a mulher e seus 
filhos serão do seu senhor, e ele sairá sozinho. Porém, se o escravo expressamente 
disser: Euamo meu senhor, minha mulher e meus filhos, não quero sair forro. Então, 
o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor 
lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre. Ex. 21:2-6 
Um escravo hebreu só podia servia seu senhor por seis anos, no sétimo anos ele saía 
livre. Se tivesse se casado e tido filhos nesses seis anos, ele não poderia levar a sua 
esposa e filhos junto quando ele saísse. Sua esposa e filhos pertenciam ao seu senhor. 
Essa era a lei então. 
Mas se o servo dissesse: “Eu não quero sair livre, mesmo que esse seja o meu direito, 
porque eu amo a meu senhor, minha esposa e meus filhos. Então o seu senhor o 
levava diante dos juízes de Israel e aquele escravo então tinha a sua orelha furada na 
porta da casa. Ao fazer isso seu sangue seria derramado na porta. 
Sua orelha furada serviria como um sinal para os outros que Ele era agora um escravo 
por opção. Ele poderia ter saído livre, mas preferiu ficar porque amava o seu senhor, 
esposa e filhos. Assim ele deveria ficar na casa e servir o seu senhor para sempre. 
Você acha que um servo hebreu iria desistir de sua chance de ser livre depois de seis 
anos de escravidão? Talvez, mas eu não creio que um servo diria: “Eu amo meu 
senhor” em primeiro lugar, antes de expressar seu amor por sua esposa e filhos. 
Obviamente, o Espírito Santo tinha alguém em mente quando Ele mencionou essa 
lei em Êxodo 21. Quem você pensa que é essa pessoa? É claro que se refere a Cristo. 
Normalmente aplicamos esse texto a nós mesmos, mas na verdade aponta para Cristo. 
A Lei se torna muito bonita quando conseguimos enxergar o Senhor Jesus nela. 
Dessa forma, no Jardim do Getsêmani, Jesus o Servo (escravo) perfeito optou por 
não sair livre, mas permanecer na terra, porque ele amava o seu Pai e a sua noiva, a 
igreja. Por causa disso ele foi açoitado e depois perfurado por uma coroa de espinhos, 
pregos e a lança de um soldado romano. O escravo hebreu guardava o buraco na 
orelha como sinal da sua escolha, mas o Senhor traz nas mãos os cravos da cruz. As 
únicas coisas feitas pelo homem no céu são as cicatrizes nas mãos, nos pés e no lado 
de Cristo. Elas permanecerão para sempre como um sinal de Seu amor por nós. E 
quando as virmos, seremos lembrados do quanto Ele nos ama. Ele não precisava, mas 
Ele escolheu. 
 
Se alegre com a plenitude do perdão 
Jesus o perfeito Servo disse: “Eu amo a meu senhor, e também amo minha esposa. 
Eu não vou sair livre”. Isso é o que Ele decidiu, no Jardim do Getsêmani. A sua 
decisão significava que ele tinha que pagar o preço. 
E o preço total foi pago. Por isso, é um erro você pensar que ainda possui algum 
pecado que não foi perdoado. Se você acredita nisso, está dizendo: “Jesus sofreu, sim, 
mas não é o suficiente. Eu sei que ele clamou “Está consumado”, mas no meu caso é 
diferente.” 
O maior insulto a Cristo é crer que seus pecados ainda não foram perdoados. Ele 
tomou a plenitude da punição para que você possa desfrutar a plenitude do perdão. 
Você está completamente perdoado de toda uma vida de pecados! 
 
Um homem que nos serve para sempre 
Quando Jesus optou por não ir embora livre, mas permanecer e ser trespassado na 
cruz, ele estava na verdade escolhendo permanecer um homem e um servo para 
sempre! 
Essa afirmação pode chocar algumas pessoas religiosas, mas no céu hoje, Jesus é 
sempre um homem e sempre o um Servo. Foi sua escolha. Ele disse: “Eu não vim 
para ser servido, mas para servir” (Mt. 20:28). 
Mas ele não é o Senhor? Sim, ele é Senhor e Deus, mas ele também é nosso servo. 
Quando Pedro se recusou a permitir que Jesus lhe lavasse os pés, O Senhor lhe disse: 
“Se eu não te lavar, não tens parte comigo” (Jo. 13:8). 
É preciso humildade para permitir que Jesus nos ministre. Queremos ministrar ao 
Senhor. Queremos dar ao Senhor. Queremos fazer as coisas para o Senhor. Queremos 
realizar grandes coisas para o Senhor. Queremos ser contribuir generosamente para o 
Senhor. Queremos edificar uma grande obra. Mas nós somos completamente 
impotentes em nossos recursos. Só podemos dar aquilo que temos recebido. 
Portanto, a melhor coisa que você pode fazer é receber Dele. 
Um dos criminosos que foi crucificado com Jesus disse de si mesmo e do outro ladrão: 
“Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos 
merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando 
vieres no teu reino” (Lc 23:40-42) 
Mesmo no meio de todo o Seu sofrimento, alguém lhe trouxe alegria ao coração. 
Alguém ainda pediu-lhe algo ali na cruz, ao que ele respondeu: “Em verdade te digo 
que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc. 23:43). O que alegra o Senhor é quando ele 
encontra um pecador disposto a receber dEle. Sua alegria é nos servir. Servir é a 
natureza do Seu coração de amor. E nós somos os objetos do seu amor. 
Eu não sei se houve algum escravo hebreu que optou por não sair livre nos tempos 
bíblicos. Mas vamos supor que houve um. Agora, imagine a sua esposa acordando no 
meio da noite. Ela olha para o marido e se lembra que, anos atrás, ele poderia ter saído 
livre, deixando a ela e os filhos para trás, mas ele não quis. E enquanto ele dorme ao 
seu lado, ela vê sua orelha perfurada como símbolo de seu amor por ela para sempre. 
Essa mulher deveria se sentir muito amada. 
No céu, um dia, nós vamos ver as feridas de Jesus. E vamos lembrar que Ele não 
tinha que ter permanecido aqui e ser ferido por nossos pecados, mas Ele escolheu 
ficar porque nos ama! 
 
 
Décimo Dia 
O favor pode ser multiplicado 
 
Primeiro nós vimos que um crente pode se separar do favor de Deus, depois 
aprendemos o que nos leva a decair desse favor imerecido. Aprofundando ainda mais, 
aprendemos que um crente além de perder o favor pode ainda viver debaixo da 
maldição Agora porém quero mostrar que não apenas podemos viver continuamente 
debaixo do favor como também podemos ter esse favor multiplicado em nossas vidas. 
Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, 
nosso Senhor. II Pe. 1:2 
A oração de Pedro é para que a graça e a paz nos sejam multiplicadas. O favor de 
Deus sobre nós pode ser aumentado e até multiplicado. Como isso acontece? A 
maneira como podemos multiplicar o favor de Deus sobre nós é conhecendo mais o 
Senhor Jesus e Deus Pai. Quanto mais conhecemos o seu amor e a sua obra, mais o 
favor é multiplicado. 
A paz de Deus é uma chave espiritual muito importante em nossas vidas. Quando 
temos essa paz a nossa casa é abençoada, nós prosperamos e experimentamos saúde 
em nosso corpo. Como podemos crescer nessa paz? A Palavra de Deus diz que o 
favor e a paz nos são multiplicadas no pleno conhecimento de Deus Pai e do Senhor 
Jesus. 
A maneira como multiplicamos a paz e o favor de Deus não é fazendo mais, orando 
mais ou contribuindo mais, mas vendo mais, conhecendo mais de Deus Pai e do 
Senhor Jesus. É uma questão de ver o Senhor Jesus. 
O favor é a coisa mais importante. José foi levantado primeiro ministro do Egito em 
apenas uma hora que ficou diante de Faraó. Tudo porque ele tinha o favor. E debaixo 
do favor ele pôde governar todo o Egito. 
Sobre Ester a escritura diz que ela achou favor diante do Rei, por isso foi levantada 
como rainha de toda a Pérsia (Et 2:17). Quando você está debaixo do favor, você 
realiza em uma hora mais do que em anos de trabalho. Não se contente com o favor 
que você tem tido porque ele pode ser multiplicado sobre a sua vida. 
Você pensa que precisa de mais dinheiro, mas Deus diz que você precisa de mais 
favor. Você pode pensar que precisa de romper, mas Deus diz que você precisa de 
mais favor. A graça é o favor de Deus e esse favor pode ser aumentado em nossas 
vidas. O favor é multiplicado quando o conhecimento de Cristo cresce. 
Mas o conhecimento não é em nossa mente, e sim em nosso coração. Se o 
conhecimento for apenas mental isso produzirá orgulho e soberba, mas quando 
recebemos revelação em nosso espírito somos cheios de gratidão e vida.O favor multiplicado 
Lembre-se de que o favor é sempre favor imerecido, caso contrário não é graça de 
Deus. Essa é a presente verdade onde precisamos estar firmados. O problema 
acontece quando somos distraídos por verdades bíblicas, mas que não são a verdade 
atual, a presente verdade. Pedro diz que ele está sempre pronto para lembrar os irmãos 
da verdade atual para que nela sejam confirmados. 
Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as 
saibais e estejais confirmados na presente verdade. II Pe. 1:12 RC 
O que é a presente verdade a que Pedro se refere? É a verdade atual referente à Nova 
Aliança. 
Em cada dispensação existe uma verdade atual para aquele tempo. Quando o homem 
foi criado e colocado no jardim do Éden havia uma verdade atual para aquele 
momento. O Senhor lhes tinha ordenado: “De toda árvore do jardim comerás 
livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, 
no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn. 2:16-17). 
Nós sabemos que Adão caiu e por causa da queda a doença veio, a miséria e a 
destruição vieram, o envelhecimento e a morte vieram. Todas essas coisas são 
inimigas de Deus. 
Deus então liberou a profecia de que da semente da mulher viria aquele que iria 
esmagar a cabeça da serpente (Gn. 3:15). Nós sabemos que a mulher não tem a 
semente e sim o homem, isso nos mostra, portanto, que o Messias nasceria da virgem. 
Os séculos passaram e chegamos a Moisés com o povo de Israel diante do monte 
Sinai. O povo diz a Moisés: “tudo o que o Senhor falou e nos ordenou nós faremos! 
(Ex. 19:8). Eles nem tinham ouvido os dez mandamentos ainda. A partir desse 
momento Deus diz a Moisés para ninguém se aproximar do monte e até o animal que 
tocasse no monte seria morto. 
Deus mudou o tom do tratamento com o povo. O Senhor não estava longe do povo 
em todo aquele tempo que os conduziu para fora do Egito, durante o dia ele era a 
nuvem e à noite a coluna de fogo guiando a nação. Em nenhum momento o Senhor 
lhes tinha dito para não se aproximar. Agora porém, aconteceu algo no monte Sinai. 
Diante da soberba do povo de pensar que poderia cumprir o mandamento do Senhor 
na própria força, diante da justiça própria que eles demonstravam, Deus resolveu dar 
a eles a lei com o objetivo de mostrar-lhes a sua condição pecaminosa. No momento 
em que a lei é dada ela se torna a verdade atual. Era a verdade presente naqueles dias. 
A verdade de não comer da árvore do conhecimento já era uma verdade antiga, a 
verdade atual agora era a lei. 
A lei foi dada por meio de Moisés, mas mil e quinhentos anos depois a graça e a 
verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Hoje a presente verdade é a nova Aliança. 
Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria 
sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm 
dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, 
não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para 
os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e 
eu não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa 
de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, 
também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu 
povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, 
dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até 
ao maior. Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados 
jamais me lembrarei. Hb. 8:7-12 
O próprio Deus diz que a Velha Aliança tinha defeito. Deus achou defeito num 
sistema perfeito porque o seu povo é imperfeito. Agora Deus faz uma nova aliança e 
ele mesmo diz que cumprirá todas as cláusulas dessa aliança e não há menção de 
condições impostas ao seu povo. 
Ele diz que vai escrever suas leis em nosso coração. Eu gostaria de poder colocar 
dentro do meu filho o desejo de comer brócolis, mas não tenho esse poder. Deus, 
porém, pode e é exatamente isso o que ele fez, ele colocou a sua lei dentro de nós. 
Hoje nós temos no nosso coração o desejo de fazer a sua vontade. 
Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Essa é uma afirmação poderosa, pois 
se estivermos doentes, ele será o nosso Deus e nós teremos cura. Se estivermos 
necessitados ele será o nosso Deus e nós teremos plena provisão. 
Todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o Senhor. O 
conhecimento de Deus hoje é intuitivo dentro de nós. Nós podemos ter comunhão 
com ele em nosso espírito. Não importa se somos crianças ou velhos, cultos ou 
iletrados, todos podemos conhecer a Deus. 
Por fim o Senhor diz: “para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus 
pecados jamais me lembrarei.” Essa é a cláusula que torna possível todas as outras. 
Debaixo da lei o Senhor disse que visitaria a iniquidade dos pais nos filhos até terceira 
e quarta geração, mas agora ele não se lembra mais de nossos pecados. Enquanto 
Deus se lembra ele julga, mas agora não há mais lembrança de nenhum dos nossos 
pecados. Isso significa que não há mais condenação sobre nós e nem sobre os nossos 
filhos e netos. 
Qual é a parte do homem na Nova Aliança? Ele não tem de fazer coisa alguma, apenas 
crer. O justo viverá pela fé. 
Por que muitos não conseguem crer que a lei foi escrita em nossos corações? Por que 
não conseguem crer que Deus é o seu Deus no meio da necessidade? Por que pensam 
que não podem conhecer o Senhor? Tudo isso é porque não crêem que o Senhor se 
esqueceu do seu pecado. Infelizmente muitos crentes ainda vivem debaixo de 
condenação acreditando que o seu pecado está sempre diante de Deus. Por causa 
disso vivem na expectativa do juízo e não na expectativa da bênção. 
 
A porção dobrada 
Pedro diz que uma vez que estamos firmados nessa presente verdade a graça pode ser 
multiplicada sobre nós. Creio que um grande exemplo de graça multiplicada é a 
experiência de Eliseu que recebeu uma porção dobrada da unção de Elias. 
Elias nos lembra João Batista e Eliseu tipifica o Senhor Jesus. Na verdade o nome 
Eliseu em hebraico é Eliysha que significa “Deus é salvação” um sentido semelhante 
ao do nome Jesus que significa “Jeovah é salvação”. Todos os milagres de Eliseu 
exceto um são milagres de graça. Também todos os milagres do Senhor são de graça 
exceto a maldição da figueira. 
Por outro lado todos os milagres de Elias são de juízo. Na primeira vez que ele aparece 
ele já decreta três anos de seca em Israel por causa do pecado do povo. Elias tipifica 
o juízo enquanto Eliseu tipifica a graça do Senhor. Assim como João Batista precedeu 
o Senhor, assim Elias veio antes de Eliseu. 
Elias viveu uma vida de ascetismo, isolado no deserto, vestido de pelos de camelo e 
com as cabelos longos. Eliseu, ao contrário, era um profeta acessível. Ele ministrou 
entre leprosos, viuvas, reis e soldados. 
A palavra de Deus declara que Eliseu teve a unção de Elias dobrada. Como Eliseu 
pôde experimentar essa bênção? Já ouvi todo tipo de interpretação sobre isso, mas 
hoje quero mostrar que esses dois profetas representam duas alianças e como Eliseu 
teve a porção dobrada hoje na Nova Aliança podemos ter a bênção, o favor e a unção 
dobrada. 
Então, Elias tomou o seu manto, enrolou-o e feriu as águas, as quais se dividiram para 
os dois lados; e passaram ambos em seco. Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: 
Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-
te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito. II Rs. 2:8-9 
O pedido de Eliseu foi para receber a porção dobrada do espírito de Elias. Nós 
sabemos que Elias fez 14 milagres (incluindo a sua subida ao céu) e Eliseu fez 28, 
exatamente o dobro. Como Eliseu recebeu a porção dobrada? 
Tornou-lhe Elias: Dura coisa pediste. Todavia, se me vires quando for tomado de ti, 
assim sete fará; porém, se não me vires, não se fará. Indo eles andando e falando, eis 
que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao 
céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel 
e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, tomando as suas vestes, rasgou-as em duas 
partes. II Rs. 2:10-12 
A primeira condição de Elias foi que Eliseu o visse: “se me vires quando for tomado 
de ti, assim se te fará”. Tudo é uma questão de ver a Cristo. Se os nossos olhos se 
abrem então podemos receber a sua bênção. Ver Cristo glorificado e receber a unção 
são coisas que caminham juntas. 
E qual foi o clamor de Eliseu quando viu Elias subindo? “Meu pai, meu pai...” Em 
hebraico ele gritou “aba, aba...” Esse é exatamente o clamor que o Espírito coloca 
hoje em nossos corações (Rm. 8:15-16). Esse é o segredo da porção dobrada. 
E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que 
clama: Aba, Pai! Gl. 4:6 
Existe muita bênção e riqueza em se estudar os nomes de Deus no Velho testamento, 
eu mesmo tenho feito isso muitas vezes. Mas o nome que o Senhor Jesus veio no 
revelar é “Pai” (Jo. 17:6 e 26). Essa é a verdade atual. A única vez que o Senhor Jesus 
chamou o seu Pai de meu Deus foi no calvário quando disse: “Deus meu, Deus meu 
porque me desamparaste?” É assim porque na cruz ele tomou os nossos pecados e 
provou por nós a separação do Pai. Esse foi o seu clamor na cruz para que hoje 
possamos clamar “Aba Pai”. 
Se você sempre vem diante do Pai dizendo Deus, Deus, não é de admirar que você 
não sinta o seu amor. A fé não é liberada no seu coração. Mas quando você diz Pai o 
Espírito Santo lhe enche do seu amor e de fé. 
O Senhor clamou na cruz: “Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?” Para 
que hoje possamos clamar: “Deus meu, Deus meu por que sou tão abençoado?” 
Quando você clama “Pai” você está assumindo a posição de herdeiro. Somente como 
herdeiro podemos entrar na posse da promessa. Foi isso o que o Senhor disse em 
Jeremias 3. Perdemos a mais formosa herança quando não o reconhecemos como 
Pai. 
Mas eu a mim me perguntava: como te porei entre os filhos e te darei a terra desejável, 
a mais formosa herança das nações? E respondi: Pai me chamarás e de mim não te 
desviarás. Jr. 3:19 
 
A verdade última 
A presente verdade é também a verdade última. As últimas palavras de alguém são 
muito importantes. Em Atos 20 estão registradas as últimas palavras de Paulo aos 
presbíteros da igreja em Éfeso. Ele diz que iriam se levantar muitos lobos que iriam 
perverter ou distorcer o ensino da palavra e depois eles os encomenda ao Senhor e à 
palavra da sua graça. 
Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu 
bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio 
sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que 
não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando 
coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-
vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada 
um. Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder 
para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. At. 20:28-32 
Muitos dizem que crêem na Palavra de Deus. Mas em qual palavra crêem? Na palavra 
da lei ou na palavra da graça? Isso é muito importante porque somente ela tem o 
poder de nos edificar e de nos dar herança. 
Herança é muito diferente de recompensa. A herança é algo que recebemos 
unicamente pela graça de termos sido feitos filhos. 
Edificar significa levantar e construir. Somente a palavra da graça pode realmente 
edificar a Casa de Deus. 
A presente verdade, a verdade atual é que a graça quando multiplicada resulta em 
porção dobrada. Não precisamos nos contentar com o que temos provado, há muito 
favor à nossa disposição, basta apenas andarmos na luz da palavra da sua graça. 
 
Décimo Primeiro Dia 
Um salvador feliz de nos salvar 
 
Deus realmente nos ama. Ele ama nos curar, restaurar e salvar. Ele não é um Deus 
que o deprime ou o coloca para baixo, mas ele é um Deus amoroso. 
Desde o princípio no jardim do Éden o inimigo tentou passar a imagem de Deus 
como sendo mal. Ele disse para Eva que Deus estava negando algo para ela. Deus 
havia proibido justamente o fruto que a faria semelhante a Ele. O diabo sempre 
procura convencer as pessoas que Deus não é generoso, que ele está retendo alguma 
coisa. Sempre parecendo que Deus não está interessado em nos abençoar 
Mas a cruz de Cristo destrói todas essas mentiras. Deus nos amou de tal maneira que, 
mesmo não tendo que nos dar coisa alguma, decidiu dar-nos seu próprio filho. 
Por isso Deus hoje é justo em nos justificar. Mas como pode o homem ser justo diante 
de Deus? Até mesmo os nossos pensamentos são pecaminosos. Como então pode o 
homem ser justo diante de um Deus com padrões perfeitos? 
Deus é um Deus santo. As escrituras declaram que Ele é justo em todos os seus 
caminhos. Se Deus negasse a sua santidade todo o universo se desintegraria. Deus é 
santo e justo, mas a sua essência é amor. 
Quando olhamos para a cruz vemos que o nosso Deus se entrega, se sacrifica e se dá 
por amor. Deus nos ama por causa dele mesmo e não por causa de algo bom que 
porventura houvesse em nós. Deus é bom para nós porque ele é bom e não porque 
nós somos bons. 
Na sua justiça Deus encontrou um meio de expressar seu amor. Sendo ele justo teve 
de punir nossos pecados, então ele enviou seu filho para ser punido em nosso lugar. 
Quando Cristo morreu pelos nossos pecados a justiça e a santidade de Deus foram 
satisfeitas. 
Desde o princípio quando Deus mesmo sacrificou o cordeiro no Éden para vestir a 
Adão e sua esposa, Deus pintou o quadro que sem sangue não há remissão de pecado. 
Durante séculos os judeus sacrificaram o cordeiro na páscoa e nos sacrifícios diários 
anunciando que o Cordeiro viria. Até que chegou o dia em que João Batista apontou 
para Jesus e declarou: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” 
Deus não pôde achar em lugar algum um homem que pudesse fazer a redenção, pois 
em todo o homem há pecado. Mas por fim a virgem engravidou. A semente de Deus 
foi colocada na mulher. 
O Senhor Jesus não tinha a natureza do pecado. Não houve sangue humano na 
geração de Cristo. A placenta no útero alimenta o bebê e elimina os dejetos, mas não 
participa do sangue do bebê. Nem Maria ou José tiveram qualquer participação na 
natureza de Cristo. Ele nasceu para ser o Cordeiro perfeito para o sacrifício pelos 
nossos pecados. 
Na cruz sua justiça foi satisfeita, de tal maneira que se hoje Deus rejeitasse um pecador 
ele estaria dizendo que o sacrifício de Cristo foi inútil. Ele teria de se desculpar com 
Cristo, mas Deus nunca pede desculpas pela simples razão de que ele nunca comete 
erros. 
Dessa forma pela Cruz a justiça de Deus é grandemente realçada. Como juiz Deus 
nunca poderia deixar o pecado impune, mas, em Cristo, ele mesmo pagou pelo pecado 
em nosso lugar. 
Quando o diabo questiona como um pecador pode adorar a Deus como um filho, o 
Pai simplesmente aponta para cruz. Se ele diz que todo pecador deve morrer, o Pai 
simplesmente lhe mostra a cruz. O diabo é um legalista que jamais poderá 
compreender a graça de Deus. 
Mas Deus não poderia simplesmente perdoar e esquecer o nosso pecado sem todo o 
sacrifício da Cruz. Deus não poderia fazer isso porque todo pecado deve ser punido. 
Graças a Deus porque a punição dos nossos pecados foi completa na Cruz. 
Na Cruz Deus nos fez justos. Se ele não nos tratar como justos quando vamos a ele 
hoje, ele seria injusto. Se ele fizesse isso estaria dizendo que o sacrifício de Cristo foi 
inválido. Por isso é tão sério tentar se justificar diante de Deus sem a cruz. Quando 
agimos assim estamos desprezando o imenso sacrifício do Senhor Jesus. Quando 
confiamos em algum tipo de justiça própriadesprezamos o Calvário e assim saímos 
de debaixo do favor de Deus. Decaímos da graça e a cruz se torna sem nenhum poder 
sobre nós. 
Deus não nos declara justo por misericórdia ou compaixão, mas por causa da sua 
justiça. Uma vez que a penalidade do pecado foi paga, então ele deve nos declarar 
justos. 
Mas a Cruz não mostra só a justiça de Deus, mostra também o seu amor, pois ele 
entregou seu próprio filho por nós. Na cruz a justiça e o amor se encontraram. O 
amor não negou a justiça e a justiça foi a prova do amor. Hoje Deus é justo ao nos 
declarar justos. 
Por outro lado a cruz mostra também o quão terrível é o pecado, pois foi necessária 
a vinda do próprio filho de Deus para pagar a sua pena. 
 
Ele não foi contrariado para a cruz 
Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas 
precisamente com este propósito vim para esta hora. Jo. 12:27 
Em João 12 o Senhor diz que a sua alma está angustiada, mas em momento algum ele 
pede para o Pai livrá-lo da cruz. Na verdade ele diz que foi precisamente para isso que 
ele veio. 
No entanto em Mateus 26:39 lemos que no Getsêmani novamente o Senhor se 
angustiou e orou para que o Pai passasse dele aquele cálice. 
Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, 
se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como 
tu queres. Mt. 26:39 
A interpretação aceita historicamente diz que o Senhor Jesus estava perguntando ao 
Pai se realmente não havia outro meio de salvar o homem. Creio que isso está correto. 
Mas muitos pensam que o Senhor não queria nos salvar e estava pedindo para não ir 
para a cruz. Eu realmente não creio nisso porque o Senhor disse que foi para aquele 
momento que ele veio. 
Em Hebreus 5:7 vemos uma percepção bem diferente do Getsêmani. O autor de 
Hebreus diz que o Senhor clamou com lágrimas e súplicas para ser livrado da morte 
e foi ouvido. 
Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, 
orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da 
sua piedade. Hb. 5:7 
Esse clamor certamente não foi para ser livrado da morte na cruz, pois nesse caso não 
teria sido ouvido. Foi então numa outra ocasião. A única outra ocasião foi no 
Getsêmani. Podemos concluir que naquele momento em que suava sangue o Senhor 
estava morrendo, ele então clamou ao Pai para livrá-lo da morte naquele instante, pois 
ele deveria morrer na cruz. Nesse caso faz sentido concluir que ele foi livrado daquela 
morte no Getsêmani para que pudesse cumprir sua missão morrendo por nós na cruz. 
Isso nos dá um quadro maravilhoso do nosso salvador. Ele não estava pedindo para 
ser poupado da cruz. Ele estava na verdade pedindo o contrário. Ele não queria 
morrer antes de chegar ao calvário. É como se ele dissesse: “eu vim para morrer na 
cruz. Não posso morrer aqui antes de cumprir minha missão. Livra-me dessa morte 
para que eu entregue na cruz a minha vida!” 
É importante também entendermos que quando o Senhor perguntou se era possível 
passar dele o cálice, estava na verdade perguntando se havia alguma outra 
possibilidade, alguma outra maneira de salvar o homem. A resposta do céu foi 
definitiva. O homem não pode ser salvo por sua boas obras, caráter ou esforço. Não 
há salvação em nada e nem em ninguém fora de Cristo e seu sacrifício na cruz. 
Eu sei que é precioso pensar que o Senhor era homem como nós e certamente ele 
sentia repugnância ao pecado por causa da sua natureza santa, daí ter pedido para que 
passasse dele o cálice. Mas nesse caso ele teria ido para a cruz apenas por obediência. 
Isso é ótimo, mas é maravilhoso também perceber que ele foi para a cruz porque tinha 
o mesmo amor que o Pai tem por nós. 
 
Salvos de uma maneira graciosa 
Quando os nossos problemas são o resultado de nossas próprias escolhas Deus ainda 
pode nos ajudar? Se ele fosse um salvador contrariado ele diria: “você entrou nesse 
buraco, agora você mesmo trate de sair dele!” Mas não é isso que o Senhor nos diz. 
No Velho Testamento tinha a figura do parente resgatador. Se um israelita ficasse 
pobre, e não importava a causa de sua pobreza, um parente próximo poderia redimi-
lo. Somente poderia redimi-lo alguém que fosse seu parente próximo, alguém que 
fosse rico e quisesse fazê-lo. 
Se teu irmão empobrecer e vender alguma parte das suas possessões, então, virá o seu 
resgatador, seu parente, e resgatará o que seu irmão vendeu. Lv. 25:25 
Talvez o parente estivesse disposto a resgatar aquele que se empobreceu por causa de 
uma crise ou acidente, mas ele não queria redimir um parente que administrou mal 
suas finanças. Mas esse texto diz respeito a Cristo. No Éden o homem foi feito rico 
com tudo o que ele precisava, mas por causa de um ato de pacto ele perdeu tudo. 
Adão não foi enganado, caiu porque quis. No entanto o Senhor se fez nosso parente 
próximo para nos resgatar. E ele não faz isso somente para aqueles que pecam 
involuntariamente. Ele nos resgatou a todos. 
Ele era rico para nos resgatar? 
Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre 
por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos. II Cor. 8:0 
Mas ele quer nos resgatar? 
Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por 
isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos Hb. 2:11 
Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se 
envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade. 
Hb. 11:16 
Mas o resgatador poderia resgatar mesmo aquele que se vendeu como escravo. 
Quando o estrangeiro ou peregrino que está contigo se tornar rico, e teu irmão junto 
dele empobrecer e vender-se ao estrangeiro, ou peregrino que está contigo, ou a 
alguém da família do estrangeiro, depois de haver-se vendido, haverá ainda resgate 
para ele; um de seus irmãos poderá resgatá-lo. Lv. 25:47-48 
Veja que esse que se vendeu estava debaixo da maldição da lei. Em Deuteronômio 28 
lemos que quando eles não guardava a lei o resultado seria pobreza e escravidão ao 
estrangeiro. Veja que ele não era bom e nem justo, não merecia ser resgatado, no 
entanto um irmão que se compadecesse dele poderia resgatá-lo, ou seja, pagar o preço 
pela sua liberdade. 
Nenhum de nós escolheu ser parente de ninguém, mas o Senhor escolheu ser o nosso 
parente próximo. 
 
Um bom pastor 
O Senhor não é apenas o salvador, mas um Salvador que nos salva com amor. Se o 
pastor da centésima ovelha fosse um salvador mal humorado o resgate da ovelha teria 
um sentido completamente diferente. 
No final do dia o pastor percebe que uma ovelha se perdeu. Muito contrariado sai 
para procurá-la. Quando a encontra qual a primeira palavra que ele diz: "olha o 
trabalhão que você me deu! Na hora de entrar para jantar tive de sair de casa no meio 
da escuridão para te encontrar. Que vergonha! Ele a pega nos ombros, mas muito 
contrariado lamenta como ela está pesada. No caminho vai lembrando a ovelha como 
está sendo difícil salvá-la. Quando chega em casa ele faz como diz um certo livro, ele 
quebra a perna da ovelha. Ele diz: isso vai doer mais em mim que em você, mas vou 
quebrar a sua perna para o seu bem. O difícil é a ovelha acreditar nisso. Ela vai declarar 
o salmo 23 dizendo: o Senhor é o meu pastor e ele vai quebrar a minha perna... 
O Senhor não é um salvador assim. Ele está feliz de encontrar a ovelha. Quando 
chega em casa ele dá uma festa por tê-la achado. Ele não fica todo o tempo lembrando 
como você é uma ovelha problemática, mas ele é um salvador feliz por salvá-lo. 
Nunca pense que Deus desistiu de você porque você caiu tantas vezes que ele perdeu 
a paciência. Não deixe que o maligno lance nenhuma dúvida sobre o quanto ele 
pacientemente ama você e o traz de volta para os braços dele. 
Foi mais trabalhoso salvar o homem do que criar o universo. Para criar todas as coisas 
bastou que Deus dissesse, liberasse a ordem, e todas as coisas se fizeram.Mas para 
salvar o homem foi preciso derramar o sangue sem pecado. 
Obter tal sangue foi muitíssimo mais difícil do que criar o universo. Para criar o 
universo, bastou ele dizer: "Haja luz!". E tudo veio a existir. Mas, para realizar a 
redenção, foram necessárias as riquezas da graça de Deus. Não seria possível apenas 
dizer: "Haja a redenção!". O caminho da redenção foi muito mais difícil. 
Foi necessário que o Espírito Santo gerasse o redentor. Mas, antes, Ele teve de 
encontrar a virgem apropriada para concebê-lo. Quanta graça foi necessária para que 
o Deus infinito ficasse nove meses no ventre de uma mulher! Quanta graça foi 
necessária para o próprio Deus, que é santo, vir habitar no meio de pecadores e se 
chamar Deus conosco, Emanuel! 
Foi necessária uma graça extraordinária para que o Emanuel aprendesse a obediência 
pelo sofrimento, sofresse a tentação do pecado e a presença de pecadores ao Seu 
redor. Foram trinta anos vivendo como carpinteiro, limitado pelo tempo e pelo corpo 
físico. Embora fosse chamado amigo de pecadores e os amasse, Ele sofreu todo tipo 
de oposição, foi perseguido e caluniado. Depois de três anos de ministério, foi traído 
por alguns e abandonado por todos. Pense quanta graça foi necessária para fazer tudo 
isso! 
Ele entregou-se aos que vieram prendê-Lo. Poderia ter pedido ao Pai que enviasse 
doze legiões de anjos para resgatá-Lo, mas absteve-se de fazê-lo (Mt 26.53). Quanta 
graça foi necessária para esse Deus ir para a cruz sofrer tanta humilhação e vergonha! 
Quanta graça precisou ao ouvir o povo dizendo que escolhia a Barrabás! Depois de 
preso, foi julgado diante do sumo sacerdote, de Pilatos e de Herodes. Foi, então, 
pregado na cruz e permaneceu dependurado lá por seis horas, das nove da manhã às 
três da tarde. Que grande graça foi necessária para tudo isso! 
Quanta graça foi necessária para entrar na morte, ser condenado no lugar do homem, 
ser levado ao inferno e depois ressuscitar! A redenção foi um trabalho mais penoso e 
mais difícil que a criação de todo o universo. Por causa das riquezas da graça de Deus, 
nós somos hoje feitos filhos de Deus pela redenção do Seu sangue. 
 
Somos a pérola preciosa 
A ostra é um animal impuro para um judeu, por isso eles não usam pérolas, porque 
procedem da impureza. Mas o Senhor Jesus se fez essa ostra enviada do céu. Nesse 
sentido ele se fez semelhante ao pecado, mas sem nunca pecar. 
Ele se fez essa ostra enviada do céu para o mar de morte desse mundo. Deus então 
pegou você, um simples grão de areia, e o inseriu na ostra. A ostra foi ferida e você 
foi enxertado nela como grão de areia. A vida da ostra começou a segregar uma 
substância de vida ao redor desse grão e depois de algum tempo o grão de areia é 
transformado numa pérola. Nós estamos nesse processo de transformação. Aquele 
que começou a boa obra vai completá-la. Nunca duvide do seu amor paciente que 
nunca desiste. 
 
Décimo Segundo Dia 
A vida pela fé ou pela obediência 
 
O Novo Testamento declara que o justo viverá pela fé. O nosso problema é que em 
vez de vivermos pela fé nós nos esforçamos para viver pela obediência. Em outras 
palavras, em vez de nos relacionarmos com Deus com base na fé, nos relacionamos 
com base em nossa obediência. 
Você não foi chamado para viver pela obediência, mas foi chamado para viver pela 
fé. Evidentemente a obediência é muito importante, mas é preciso esclarecer que a 
obediência não é a raiz, mas o fruto da vida cristã. A fé é a raiz. Aquele que vive pela 
fé pode manifestar obediência, mas aquele que vive com base em sua obediência 
nunca consegue ter fé, pelo simples motivo de que ele nunca pensa ter obedecido o 
suficiente, ou então hipocritamente presume que cumpre toda a lei e por isso merece 
a bênção de Deus. 
A maioria dos irmãos quando acorda pela manhã olha para si mesmo buscando ver 
as áreas onde precisa melhorar ou questionando se Deus está com ele mesmo depois 
de ter falhado. Em vez disso ele deveria acordar todos os dias e se perguntar: “qual a 
minha fé para esse dia?”. A pergunta fundamental a cada dia é “em que tenho crido?” 
e não “em que tenho obedecido?”. 
Quando um irmão está enfermo qual é o questionamento dele? Ele se pergunta onde 
ele tem errado ou se há pecado não confessado na sua vida. Ao fazer esses 
questionamentos ele está procurando descobrir se tem algum merecimento. E todas 
as vezes que procuramos algum merecimento nós caímos na justiça própria que 
procede da lei. O fato de questionarmos sobre a nossa obediência em vez de 
declararmos a nossa fé mostra que ainda estamos debaixo da lei. 
Não estou dizendo que a obediência não é importante. O que estou dizendo é que o 
justo vive pela fé. No momento em que o justo baseia sua vida na obediência que tem 
ou deixa de ter ele se apoia num terreno movediço e o resultado é a queda. 
A obediência não é lei quando provém de fé, mas quando confiamos em nossa 
obediência para nos relacionarmos com Deus, então a obediência se torna lei. Viver 
pela lei é viver pelo princípio da justiça própria e do merecimento. Sempre que nos 
relacionamos com Deus com base em nosso merecimento estamos tentando nos 
aproximar confiados na lei. Paulo diz que isso é muito grave porque a lei traz duas 
terríveis consequências: a maldição e a incredulidade. 
De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão. Todos quantos, pois, 
são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo 
aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. 
E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá 
pela fé. Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por 
eles viverá. Gl. 3:9-12 
 
Primeira consequência: maldição 
Em primeiro lugar, viver pela lei nos coloca debaixo de maldição. Paulo diz 
claramente em Gálatas 3:10 que “todos quantos, pois, são das obras da lei estão 
debaixo de maldição”. 
Pare com a introspecção, pare de tentar encontrar em si mesmo alguma virtude ou 
mérito para se apresentar diante de Deus e receber a bênção. Apenas creia que você 
é justiça de Deus em Cristo. Você não é justo porque obedece, mas porque crê na 
obra consuma do Senhor Jesus. 
Aqueles que vivem pela lei precisam entender que somente serão aceitos por Deus se 
cumprirem todos os mandamentos. Se quebrar apenas um será culpado de todos. 
Como nenhum homem consegue cumprir a lei o resultado é a maldição da 
desobediência descrita em Deuteronômio 28. 
Se você vive pela obediência da lei lembre-se que somente poderá ser abençoado se 
cumprir todos os mandamentos. Não adianta se esforçar para cumprir alguns ou se 
desculpar pela sua boa intenção. Se quebrar um único mandamento será amaldiçoado. 
Paulo diz claramente em Gálatas 3:10 que aquele que não permanece em todas as 
coisas escritas no Livro da lei para praticá-las será amaldiçoado. O resultado de quem 
tenta viver pela lei é sempre maldição. É triste, mas essa é a razão porque muitos 
crentes ainda padecem debaixo de maldição. 
Mas quando entendemos que o justo vive pela fé, já não olhamos para nós mesmos 
tentando achar mérito, mas confiamos que Cristo já cumpriu as justas exigências de 
Deus, então nós descansamos porque já somos justos pela fé em Cristo. 
Você é quem escolhe a forma como quer se relacionar com Deus. Você pode se 
relacionar baseado na lei, onde você terá de esforçar-se todo o tempo para merecer a 
bênção pela obediência ou você escolhe se relacionar pela fé. Pela fé nós declaramos 
que Cristo se tornou a nossa justiça e hoje nos achegamos ao Pai confiados 
unicamente na justiça dele e não na nossa. 
No início do seu ministério o Senhor foi a Nazaré. Ali ele entrou numa sinagoga e leu 
Isaías 61. Ao terminar o texto ele disse: 
“Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.” Todos ficaram surpresos 
perguntando se não era ele o filho de José. Mas eles ficaram furiosos quando o Senhor 
lhes disse: “havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céuse fechou 
por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas 
foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos 
leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão 
Naamã, o siro” (Lc. 4:25-27). 
Por que eles ficaram tão irados? Aquela viúva não era judia, era fenícia. Naamã 
também não era de Israel, mas da Síria. Eles não tinham participação nas promessas 
de Israel, mas mesmo assim foram os únicos abençoados. Eles não mereciam, mas 
mesmo assim receberam. 
O Senhor deu um exemplo de provisão e cura para duas pessoas que não eram de 
Israel. O que o Senhor queria dizer com isso? Ele estava dizendo ao povo: “não 
pensem que vocês merecem. Quando você reconhece que não merece, mas mesmo 
assim vem a Deus para receber, como Naamã e a viúva fizeram, então você obtém o 
que está pedindo. Nunca confie no quão bom ou obediente você é para merecer a 
bênção de Deus. 
Mas se estamos livres da lei será que podemos agora fazer o que quisermos? Claro 
que não. Fazer o que quer é também um tipo de escravidão. Fomos libertos da lei 
porque agora temos o Espírito habitando em nós para nos guiar. Quem vive pela lei 
se guia pelo certo e o errado, mas quem é guiado pelo Espírito segue a vida de Deus. 
O problema daqueles que vivem pela lei é a hipocrisia de pensarem que cumprem a 
lei. Eles podem na verdade cumprir alguns mandamentos, mas não cumprem todos. 
Veja o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo. Será que há entre nós 
alguma mãe que cuida dos filhos do vizinho como cuida dos seus próprios? É evidente 
que não. Todo pensamento de merecimento é hipocrisia e engano. 
Todo crente deveria estar debaixo da bênção, mas quando escolhe viver pela lei o 
resultado é maldição. O livro de Gálatas foi escrito para crentes, portanto, os crentes 
podem ainda padecer debaixo de maldição. Mas veja bem que o problema não é o 
pecado, mas sim a justiça própria, o desejo de se justificar diante de Deus para merecer 
a bênção. 
Para o pecado temos a provisão do sangue, mas se confiamos na justiça própria nossas 
obras são contadas como iniquidade. É isso o que Deus diz a respeito de Caim. 
Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos 
outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o 
assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. I Jo. 3:11-12 
João diz que Abel era justo e Caim era maligno. Mas o que Abel fez para ser chamado 
de justo? Ele apenas confiou no sangue para se apresentar diante de Deus. Se 
confiamos no sangue Deus nos vê como justos. 
Caim não ofereceu o sangue, mas o fruto da terra. Na Palavra de Deus a lavoura 
simboliza o trabalho e o esforço humano (Gn. 4:2). O fruto da terra é o fruto daquilo 
que está debaixo de maldição. Ao oferecer a Deus do melhor de sua lavoura Caim 
estava oferecendo a Deus as suas boas obras e a sua justiça própria. Sabemos que isto 
é inaceitável diante de Deus. 
Ao oferecer do fruto da terra Caim estava oferecendo algo a Deus sem derramamento 
de sangue, mas de acordo com o seu entendimento próprio. Isto significa que ele 
rejeitou o caminho da redenção de Deus que tinha aprendido de seus pais. 
Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem 
derramamento de sangue, não há remissão. Hb. 9:22. 
Caim inventou a sua própria religião com sua própria maneira de agradar a Deus. Ele 
seguiu o seu próprio conceito do que deve ser certo ou errado. Oferecendo algo sem 
derramamento de sangue estava se assumindo justo diante de Deus. Se a nossa justiça 
não é procedente da fé então não somos aceitáveis diante de Deus. 
E ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é 
mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. Fl. 3:9. 
Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, 
e justiça, e santificação, e redenção. I Cor. 1:30. 
João diz que Caim matou o seu irmão porque as suas obras já eram más. O que é ter 
obras malignas? É confiar na justiça própria. Quando confiamos na justiça própria 
inevitavelmente todas as obras da carne vão acabar se manifestando. 
Mas será que isso significa que basta assumir que sou pecador para receber a bênção 
de Deus? Reconhecer-se pecador é o primeiro passo, mas depois disso precisamos 
reconhecer que Cristo se fez pecado por nós para que agora possamos ser feitos justos 
diante de Deus. Dessa forma nos achegamos confiados que fomos feitos justos pelo 
sangue da Cruz. Confiamos no merecimento de Cristo e nunca em nosso próprio. 
 
Segunda consequência: incredulidade 
A segunda consequência de viver pelo merecimento da obediência aos mandamentos 
é a incredulidade. Paulo diz claramente em Gálatas 3:12 que “a lei não procede de fé”. 
Quem vive pela lei não tem base para exercer fé e sem fé é impossível agradar a Deus. 
Quem julga ter obedecido acha que agora merece receber a bênção e assim não precisa 
ter fé. Ele confia que Deus será justo para abençoá-lo. Tais pessoas desconhecem o 
alto critério da justiça de Deus e a impossibilidade de o alcançarmos. Mas quando 
reconhecemos que não temos justiça, mas mesmo assim cremos no Deus que justifica 
o ímpio, essa fé nos é atribuída como justiça (Rm.4:5). 
Todos os milagres do Senhor foram feitos exclusivamente pela fé. Em nenhum 
momento o Senhor exigiu das pessoas uma bom comportamento antes de fazer o 
milagre. As pessoas certamente tinham problemas conjugais, ressentimentos e 
intrigas, mas o Senhor nunca disse para eles primeiro cumprirem os mandamentos 
antes de curá-los. 
Em nenhum momento o Senhor faz os milagres com base no merecimento das 
pessoas, mas sempre com base na fé. Todos os enfermos que vieram a Jesus foram 
curados. Será que todas eles cumpriam a lei perfeitamente? Claro que não. Eles 
somente recebiam pela fé. A graça depende de fé, mas a lei é a confiança nas próprias 
obras e méritos. 
Aquelas pessoas não eram perfeitas. Elas certamente tinham pecados. Elas não 
receberam o milagre com base em quão santas elas eram. Infelizmente muitos ainda 
estão focados em sua obediência em vez de apenas crerem. Na verdade quanto mais 
olham para o que tem feito, menos fé conseguem ter. Mas quando entendemos que a 
justiça é pela fé, espontaneamente nos colocamos na posição de receber o favor de 
Deus. 
Que tipo de vida você deseja? Uma vida de esforço para merecer ou uma vida de fé? 
Não precisamos mais viver debaixo de maldição. No entanto existe uma condição 
para a bênção: crer na justiça que procede da fé. Quanto mais confiamos em nossa 
obediência aos mandamentos, mais maldição nós vemos e menos fé conseguimos ter. 
 
Creia no evangelho do Deus feliz 
Segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado. I Tm. 1:11 
Esse texto de I Timóteo é muito interessante. Ele faz uma descrição de Deus 
verdadeiramente peculiar. A palavra bendito no grego é makarios que significa feliz, 
Bem-aventurado. Paulo diz que ele prega o evangelho da glória do Deus feliz. A 
palavra usual para bendito é eulogia, mas aqui Paulo usa a palavra makarios, que 
significa feliz e até exultante, alguém que está pulando de alegria. 
Nós pregamos um Deus feliz e não um Deus irado sempre a ponto de perder a 
paciência e nos castigar a qualquer momento. Essa não é maneira como o mundo vê 
o Pai, mas a verdade é que ele é um Deus feliz. Como precisamos conhecer o Pai mais 
profundamente! Precisamos ter os nossos olhos constantemente abertos para ver 
mais dele em Cristo. 
Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua 
força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me 
conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; 
porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. Jr. 9:23-24. 
Por que Deus está feliz? Porque ele está satisfeito com a obra do seu Filho Jesus Cristo 
na cruz do Calvário.Ele é feliz quando assumimos que somos pecadores e nos 
achegamos unicamente confiados na obra de Cristo. 
Quando o Senhor estava na terra muitas pessoas vieram a ele. Alguns vieram para 
ouvi-lo como mestre. Eles o viam como superstar e talvez quisessem saber o seu 
segredo para fazer tantas curas e atrair tantas multidões. Se fosse hoje muitos viriam 
para pedir autógrafos ou tirar uma selfie ao seu lado. Eles o viam como mestre, mas 
não como salvador. 
Se você está se afogando no mar e vê alguém na praia você espera que ele seja o seu 
salvador, o salva-vidas. Mas talvez ele lhe diga: “você já leu meu livro? Como aprender 
a nadar em dez lições!” Isso obviamente não faz nenhum sentido. O Senhor não é 
resposta para aqueles que o buscam como um mestre ou como modelo. 
Evidentemente Cristo é o maior mestre e o mais perfeito modelo, mas vê-lo assim 
não irá salvá-lo. 
Para todos aqueles que vieram a ele como mestre o Senhor deu ensinos que eles jamais 
seriam capazes de cumprir, mas para aqueles pecadores que vieram não para aprender, 
mas para serem salvos, ele revelou o seu amor e profunda compaixão. 
Se você diz que não tem pecado, o Senhor não pode fazer coisa alguma na sua vida, 
pois ele é o salvador dos pecadores. Somente pecadores são recebidos pelo salvador. 
Se você diz que é completamente pecador ele lhe diz que é completamente salvador, 
mas se você diz que é apenas parcialmente pecador ele será apenas parcialmente 
salvador. Tudo depende de como você se apresenta. 
O que faz Deus feliz é quando os pecadores vêm a Ele. Quando ele pode perdoar os 
pecados pela obra da cruz, pelo sangue Jesus, então ele é feliz. Quando nos julgamos 
justos e merecedores nós entristecemos a Deus, mas quando nos achegamos 
confiados apenas nos méritos de Cristo nós podemos contemplar a glória do Deus 
feliz. 
 
Décimo Terceiro Dia 
Maldições em crentes 
 
Uma pergunta que as pessoas frequentemente fazem é se ainda existe maldições nesse 
tempo da graça. Obviamente nós somos abençoados com toda sorte de bênção 
espiritual, mas será que um crente ainda pode sofrer com maldições? 
Em Gálatas 1 Paulo diz claramente que qualquer um, inclusive ele mesmo, se vier a 
perverter o evangelho sofrerá maldição, anátema. No contexto de Gálatas, como as 
pessoas estavam pervertendo o evangelho? Introduzindo a lei com fim de se tornarem 
justos. 
 
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro 
evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho 
de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do 
que vos temos pregado, seja anátema. Gl. 1:6-8 
 
Essa maldição é claramente para pregadores, mas no momento em que você começa 
a compartilhar com outros um evangelho pervertido você se coloca debaixo de 
maldição, mesmo que seja apenas conversando, escrevendo num blog ou 
compartilhando numa página do Facebook. Sendo assim podemos afirmar que ainda 
existem maldições no Novo Testamento. 
Paulo diz que a maldição poderia vir sobre ele mesmo caso mudasse o evangelho. 
Paulo era um apóstolo, salvo, cheio do Espírito, mas ele diz que mesmo ele entraria 
na maldição se distorcesse o evangelho. A maldição mencionada em Gálatas é uma 
maldição que foi esquecida, mas que ainda é real. 
 
Como um crente sofre com a maldição? 
Paulo diz que a bênção é guardada exclusivamente para aqueles que possuem a mesma 
fé de Abraão. Quando Abraão creu em Deus ele foi justificado. Isso foi 
exclusivamente pela fé, sem nenhuma obra da lei. Foi por causa da fé que Abraão foi 
justificado. 
Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou 
o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da 
fé são abençoados com o crente Abraão. Gl. 3:8-9 
Os da fé é que são abençoados. Mas o que é ser da fé? No contexto de Gálatas ser da 
fé é crer que a justificação vem da fé. Quando cremos que somos justificados pela fé 
nós somos abençoados como foi Abraão. 
E como Abraão foi abençoado? Ele foi chamado amigo de Deus, era rico e próspero, 
viveu quase 150 anos e ainda teve mais filhos no segundo casamento com Quetura. 
Ter a bênção e o favor de Deus é a coisa mais importante na vida. Quando você é 
abençoado ninguém pode pará-lo ou resisti-lo. Talvez você não seja o mais esperto, 
inteligente e nem o mais bonito ou habilidoso, mas se a bênção está sobre você tudo 
ao seu derredor vai convergir para promovê-lo e colocá-lo numa posição de honra. 
Lembre-se que a mão de nenhum homem é grande o suficiente para parar a mão de 
Deus. 
Assim a vontade de Deus é que sejamos abençoados, mas se deliberadamente 
resolvemos ainda viver segundo o padrão da lei, então a maldição vem sobre nós. Não 
é que Deus nos amaldiçoa, mas se decidimos viver pela lei devemos cumprir todos os 
mandamentos, caso contrário a maldição virá. Tiago diz que aquele que quebrar um 
único mandamento da lei é culpado de todos eles (Tg. 2:10). 
Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está 
escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro 
da lei, para praticá-las. Gl. 3:10 
Assim os que são da fé são abençoados, mas os que são das obras da lei estão debaixo 
de maldição. Se você vive pelo favor imerecido você é abençoado, mas se decide viver 
pelas obras da lei, pelo favor merecido, pela justiça própria, você mesmo se coloca 
debaixo de maldição. No momento em que você tenta viver a santificação ou obter 
justiça baseado nas obras da lei você se coloca debaixo da maldição. 
A ordem de Deus é muito clara, se queremos viver pela lei devemos cumprir todos 
os mandamentos, caso contrário caímos em maldição. Para aqueles que decidem viver 
pela lei a única maneira de se livrar da maldição é cumprindo todos os mandamentos. 
O problema é que ninguém jamais conseguiu cumprir a lei. 
 
Fomos libertos da maldição 
Escolher viver pela graça ou pela lei é escolher viver debaixo da bênção ou debaixo 
de maldição. Se vivemos pela graça do Evangelho já não sofremos maldição, pois 
Cristo se fez maldição em nosso lugar. 
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso 
lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro). Gl. 
3:13 
Cristo nos resgatou da maldição da lei e nos deu todas as bênçãos da lei. Em 
Deuteronômio 28 temos a lista de bênçãos e maldições da lei. São 14 versículos para 
as bênçãos, mas são 54 para as maldições. Não temos como ver cada bênção, mas 
vamos ler algumas. 
Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo. Dt 28:3 
Isso significa que a bênção está sobre nós e não sobre o lugar onde estamos. 
Bendito o fruto do teu ventre... Dt. 28:4 
Todo o seu corpo é abençoado com saúde e fertilidade. A nossa bênção também se 
estende aos nossos filhos. Não importa o que digam sobre eles podemos declarar que 
são abençoados. 
O SENHOR fará que sejam derrotados na tua presença os inimigos que se levantarem 
contra ti... v. 7 
O SENHOR determinará que a bênção esteja ... em tudo o que colocares a mão. v. 8 
O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu..., emprestarás a muitas gentes, porém 
tu não tomarás emprestado. v. 12 
Ser abençoado é emprestar. Tomar emprestado é maldição. Fazer dívida não é pecado 
caso contrário emprestar também seria, pois nesse caso quem empresta estaria 
induzindo o outro ao pecado. 
O SENHOR te porá por cabeça e não por cauda. v. 13 
As maldições incluem áreas como a sua saúde, sua família, sua provisão e sua paz. 
O SENHOR te ferirá com a tísica, e a febre, e a inflamação, e com o calor ardente, e 
a secura, e com o crestamento, e a ferrugem; e isto te perseguirá até que pereças. v. 
22 
A tísica é tuberculose. Cristo nos resgatou de todas as maldições de enfermidade. 
O SENHOR te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, com sarna e com 
prurido de que não possas curar-te.. V. 27 
então, o SENHOR fará terríveisas tuas pragas e as pragas de tua descendência, 
grandes e duradouras pragas, e enfermidades graves e duradouras. v. 59 
Essa é a descrição de doenças crônicas que duram toda uma vida. Mas Cristo nos 
resgatou de todas essas maldições. Não estamos mais debaixo de nenhuma dessas 
maldições da lei. Mas aquele que escolhe viver pelas obras da lei estão ainda sujeitas a 
elas. 
A respeito dos filhos se diz que eles serão levados cativos. 
Gerarás filhos e filhas, porém não ficarão contigo, porque serão levados ao cativeiro. 
v. 41 
Ser levado cativo é estar preso por drogas, álcool e coisas assim. Tudo isso é maldição, 
mas nós fomos libertos delas. 
Com respeito a provisão também havia maldições na lei. 
O estrangeiro que está no meio de ti se elevará mais e mais, e tu mais e mais descerás. 
Ele te emprestará a ti, porém tu não lhe emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu 
serás por cauda. Dt. 28:43-44 
Certamente fomos redimidos da pobreza e da miséria. A graça do Senhor Jesus 
Cristo, é que, sendo rico, se fez pobre por amor de nós, para que, pela sua pobreza, 
nos tornássemos ricos ( II Cor. 8:9). 
O SENHOR te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse: Nunca 
jamais o verás; sereis ali oferecidos para venda como escravos e escravas aos vossos 
inimigos, mas não haverá quem vos compre. Dt 28:68 
Essa é a suprema humilhação. Além de serem vendidos como escravos não haveria 
ninguém interessado em comprá-los. A última palavra de maldição é que ninguém iria 
comprá-lo, mas Cristo veio justamente para nos redimir. A palavra resgatar significa 
comprar. Ninguém se interessou em pagar o preço por nós, mas Cristo veio e nos 
comprou. Ele nos resgatou e redimiu da maldição da lei (Gl. 3:13). 
A palavra usada em Gálatas 3:13 traduzida como resgatar é exagorazo. Ela vem de 
duas palavras gregas ex e ágora. Ex é um prefixo que designa algo para fora e ágora 
era o mercado de Atenas. Resgatar então significa comprar no mercado de escravos e 
levar para fora numa vida livre. 
Nos dias de Jesus a forma comum como os judeus executavam os criminosos era pelo 
apedrejamento. O Senhor Jesus poderia ter morrido dessa forma, mas em vez disso 
ele foi crucificado. Mil anos antes de existir a crucificação Moisés disse que aquele que 
fosse pendurado no madeiro seria amaldiçoado (Dt. 21:23). Isso significa que o 
Senhor não derramou seu sangue apenas para nos perdoar dos pecados, mas também 
para nos livrar da maldição fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar. 
Todas as vezes que resolvemos nos relacionar com Deus com base em nossa 
performance, em nosso mérito ou em nossas obras nós decaímos para a lei e nos 
separamos da graça de Deus. E uma vez que nos separamos da graça nos sujeitamos 
novamente às maldições da lei. 
Só existe duas possibilidades: ou vivemos pela graça ou confiamos na lei. Se não 
dependemos do favor imerecido nós caímos para a lei. 
Não podemos viver pela fé e pelas obras ao mesmo tempo. Esses dois princípios de 
vida são como água e óleo, não podem se misturar. 
E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá 
pela fé. Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por 
eles viverá. Gl. 3:11-12 
Essa é a razão porque muitos crentes não são abençoados, eles ainda vivem confiados 
no mérito da lei. Não dependem de fé, mas de obras de justiça. E pelo contexto de 
Gálatas nós sabemos que a fé aqui é a justificação por fé, é a confiança absoluta na 
obra de Cristo realizada na cruz. A minha justiça é apenas um dom que eu recebi e 
não uma virtude que eu conquistei pela minha obediência aos mandamentos. 
 
O justo vive pela fé 
Todos os milagres do Senhor foram feitos exclusivamente pela fé. Em nenhum 
momento o Senhor exigiu das pessoas um bom comportamento antes de fazer o 
milagre. As pessoas certamente tinham problemas conjugais, ressentimentos e 
intrigas, mas o Senhor nunca disse para eles primeiro cumprirem os mandamentos 
antes de curá-los. 
O Senhor também jamais enviou doenças sobre alguém como forma de discipliná-lo. 
Ele nunca impôs as mãos para dar lepra, só para curar. Em nenhum momento o 
Senhor faz os milagres com base no merecimento das pessoas, mas sempre com base 
na fé. 
Todas as pessoas que vieram a Jesus foram curadas. Será que todas elas cumpriam a 
lei perfeitamente? Claro que não. Eles somente recebiam pela fé. 
Em Mateus 9 temos o relato da cura de dois cegos. A única condição do Senhor foi a 
fé. 
Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando: Tem compaixão de nós, Filho 
de Davi! Tendo ele entrado em casa, aproximaram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou: 
Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: Sim, Senhor! Então, lhes tocou os 
olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé. Mt. 9:27-29 
O Senhor lhes perguntou: “vocês creem que eu posso fazer isso?” Ele não lhes 
exortou dizendo: “o que vocês têm olhado?” A graça depende de fé, mas a lei é a 
confiança nas próprias obras e méritos. 
Em Mateus 15 o Senhor falou a mesma coisa para a mulher siro-fenícia. Para que ela 
recebesse o milagre apenas a fé foi necessária. 
Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, 
desde aquele momento, sua filha ficou sã. Mt. 15:28 
Essas pessoas não eram perfeitas. Elas certamente tinham pecados. Elas não 
receberam o milagre com base em quão santas eram. É claro que a santidade glorifica 
o Senhor, mas não é a razão para a bênção. Na verdade a bênção é que produz 
santidade, pois é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm. 2:4). 
O Senhor nunca diz: “grande é o meu poder!” Mas ele disse para a mulher que a fé 
dela era grande. 
Em Lucas, falando do leproso curado que voltou para agradecer, mais uma vez o 
Senhor mostra que a única condição é fé. 
E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou. Lc. 17:19 
No evangelho de Marcos o Senhor também curou o paralítico unicamente por causa 
da sua fé. 
Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. Mc. 
2:5 
Dirigindo-se para a mulher hemorrágica o Senhor disse que foi a fé dela que a salvou. 
Então, lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz. Lc. 8:48 
Infelizmente muitos ainda estão focados em sua performance em vez de apenas 
crerem. Na verdade quanto mais olham para o que tem feito, menos fé conseguem 
ter. Mas quando entendemos que a nossa justiça é pela fé espontaneamente nos 
colocamos na posição de receber a bênção. 
Diante da importância da fé os discípulos pediram a Jesus que lhes aumentasse a fé. 
Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes o 
Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te 
e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá. Lc. 17:5-6 
O Senhor torna as coisas ainda mais fáceis para nós. Não precisamos de uma grande 
fé. Se tivermos fé como um grão de mostarda que é a menor das semente, isso será 
suficiente para recebermos o milagre de Deus. Precisamos apenas usar a fé que temos. 
Que tipo de vida você deseja? Uma vida de performance ou uma vida de fé? Não 
precisamos mais viver debaixo de maldição. No entanto existe uma condição para a 
bênção: crer na justiça que procede da fé. Quanto mais confiamos em nossa 
obediência aos mandamentos, mais maldição nós vemos. 
 
A justiça própria foi amaldiçoada 
Não escolha viver um tipo de vida que foi amaldiçoado pelo Senhor Jesus. 
No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira 
com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, 
nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: 
Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto. Mc. 11:12-14 
Deixe-me compartilhar algumas coisas sobre figueiras em Israel. Durante o inverno 
as figueiras perdem as suas folhas e então na primavera as folhas brotam novamente. 
Quando as folhas voltam todos sabem que dentro de mais seis semanas o tempodos 
filhos estará chegando. 
Mas no tempo quando as folhas brotam também brotam os figos temporãos. Era por 
esses figos que o Senhor estava procurando. Mas se uma figueira não tem esses 
primeiros figos temporãos, isso demonstrava que seis semanas depois não haveria 
figo nenhum. 
Mas o que representam as folhas de figueira? Para compreendermos isso precisamos 
recorrer ao princípio da primeira menção. As folhas da figueira foram mencionadas 
pela primeira vez quando Adão e Eva tentaram fazer cintas para si (Gn. 3:7). Elas 
simbolizam a obra humana procurando ter justiça própria diante de Deus. É um 
esforço humano para tentar cobrir o pecado sem o sangue. A figueira com folhas sem 
frutos foi amaldiçoada por Jesus. 
O Senhor fez muitos milagres, mas todos eles foram obras de graça e misericórdia, 
apenas um foi um milagre de maldição: o da figura com folhas sem frutos. Isso 
certamente tem uma grande importância para nós. Quando o Senhor amaldiçoou a 
figueira ele na verdade estava amaldiçoando a justiça própria, o tentar se justificar 
pelas obras da lei. 
Nós estamos debaixo da bênção, mas se decidirmos confiar em nossos méritos e 
obras da lei estaremos nos posicionando segundo um estilo de vida que foi 
amaldiçoado por Jesus. Não faça isso. Permaneça na posição da bênção. 
A bênção e a maldição estão relacionadas ao nosso entendimento da lei e da graça. 
Depois que somos justificados pela fé podemos viver como vencedores ou 
derrotados. Se pensamos que agora a vida cristã deve ser vivida no esforço e no 
merecimento da lei então viveremos como derrotados, mas se cremos que a 
santificação também é graça mediante a fé seremos vencedores. 
Apenas lembre-se disso: aqueles que querem viver pela justiça da lei precisam cumprir 
todos os mandamentos, se quebrarem apenas um serão amaldiçoados. Mas aquele que 
vive pela justiça de Cristo não pode mais viver debaixo de maldição, pois ele é 
abençoado por causa da obediência de Cristo e não por causa da sua justiça própria. 
 
 
Décimo Quarto Dia 
Não há mais maldição 
 
Fico triste quando vejo crente colocando ferradura atrás da porta ou trazendo para 
casa plantas como aquela chamada “comigo-ninguém-pode. Vivem assustados com 
medo de maldições, mal olhados e pragas de todo o tipo que possam vir sobre eles. 
Há aqueles que vivem quebrando maldições passadas, mas parece que a maldição 
nunca o deixa. Não vivem com a expectativa da bênção, mas com o temor do juízo. 
Certamente não essa a vida que o Senhor tem para nós. 
Gostaria de mostrar como três aspectos da maldição foram completamente eliminado 
por Cristo na Cruz. A maldição foi totalmente removida para que hoje você possa 
desfrutar da bênção completa por meio da obra consumada de Cristo na cruz. 
 
A maldição transformada em bênção 
Quando o povo de Israel peregrinava no deserto eles tiveram de passar pela terra de 
Moabe. Balaque, o rei de Moabe, estava com muito medo de Israel, então ele 
contratou um profeta chamado Balaão para amaldiçoar o povo de Deus. 
A primeira coisa que precisamos dizer a respeito de Balaão é que ele era um profeta 
profissional, ou seja, ele profetizava por dinheiro. Ele certamente também não tinha 
um coração para Deus pois Pedro diz que ele amou o prêmio da injustiça (II Pe. 2:15). 
Abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, 
filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça. II Pe. 2:15 
Primeiro Deus o proibiu de aceitar a proposta de Balaque, mas depois o Senhor 
permitiu que ele fosse, mas ele somente poderia falar as palavras que Deus colocasse 
na sua boca. 
Balaão então se coloca no cume do monte pronto para amaldiçoar o povo de Israel, 
mas Deus colocou palavras de bênção na boca dele. 
Então, proferiu a sua palavra e disse: Balaque me fez vir de Arã, o rei de Moabe, dos 
montes do Oriente; vem, amaldiçoa-me a Jacó, e vem, denuncia a Israel. Como posso 
amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem o 
SENHOR não denunciou? Nm. 23:7-8 
Apesar de todos os erros de Israel no deserto eles ainda eram povo de Deus e Deus 
não permitiu que Balaão os amaldiçoasse. 
Como Balaão não conseguia amaldiçoar, Balaque o levou a um outro monte, chamado 
Pisga, para que ele pudesse ter uma visão de Israel por outro ângulo. Mas mesmo 
assim somente foram proferidas palavras de bênção. 
Então, proferiu a sua palavra e disse: Levanta-te, Balaque, e ouve; escuta-me, filho de 
Zipor: Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se 
arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o 
cumprirá? Eis que para abençoar recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar. 
Não viu iniqüidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o SENHOR, seu 
Deus, está com ele, no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei. Deus os tirou do 
Egito; as forças deles são como as do boi selvagem. Pois contra Jacó não vale 
encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de 
Israel: Que coisas tem feito Deus! Nm. 23:18-23 
As afirmações feitas por Balaão são maravilhosas. Primeiro ele diz que Deus já 
abençoou a Israel e isso não pode ser revogado pois Deus não é homem para que 
minta e nem filho de homem para que se arrependa. Se isso era verdade na velha 
aliança, muito agora. Uma vez que Deus disse que somos perdoados e justificados em 
Cristo, isto não pode mais ser revogado. Alguns acreditam que suas muitas quedas e 
pecados podem fazer Deus mudar a sua aliança, mas isso é mentira do maligno. O 
Pai pode discipliná-lo, mas jamais irá mudar a aliança feita na cruz (Hb. 6:13-20). 
Essa afirmação de que Deus não é homem para que minta é frequentemente usada 
de forma negativa referindo-se ao julgamente de Deus. Há aqueles que gostam de 
dizer isso em relação ao nosso pecado, afirmando que se Deus não julgar essa geração 
terá de se desculpar com os moradores de Sodoma e Gomorra. Mas o contexto desse 
versículo é justamente o plano de Deus de nos abençoar. 
Depois Balaão diz no verso 20 que ninguém pode revogar a bênção que Deus liberou. 
A bênção de Deus sobre a sua vida não pode mais ser revertida. Ele decidiu nos 
abençoar, por isso toda língua que se levantar contra nós em juízo, nós a 
condenaremos. Já somos abençoados e isso não pode ser revogado (Tt. 1:2). 
Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, 
tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR e o seu direito que de mim 
procede, diz o SENHOR. Is. 54:17 
A palavra bênção no Novo Testamento é “eulogia” de onde vem a nossa palavra 
elogio. Significa falar bem, positivamente, levantando e nunca abatendo o outro. Fale 
bem a respeito de si mesmo, seu corpo e seu trabalho, pois fazendo assim você libera 
bênção. 
Por outro lado a palavra usada no Novo Testamento para maldição é “Katara”, que 
significa falar negativamente a respeito de algo. Nós podemos amaldiçoar algo ou 
alguém sem usar a palavra maldição. O Senhor amaldiçoou a figueira e ele não disse: 
“figueira eu te amaldiçoo!” Ele apenas disse: “Nunca jamais coma alguém fruto de ti!” 
e no outro dia a figueira secou completamente. 
 Por fim o verso 21 diz que o Senhor não viu iniquidade em Israel. Essa é uma 
afirmação realmente espantosa. Essa é a bênção de Deus sobre nós, pois ele disse: 
“das suas iniquidades jamais me lembrarei”. Deus não diz que não há pecado em nós, 
ele apenas diz que não vê. Não devemos nunca pensar que não há pecado em nós, 
mas devemos declarar ousadamente que o Senhor não vê iniquidade em Israel. 
Quando Ele nos olha ele não vê pecado em nós. Se ele não vê o pecado ele nunca 
poderá nos amaldiçoar. 
Essa é a maneira como devemos também amar o nosso irmão. Devemos vê-lo como 
Deus o vê. Veja o seu irmão sem culpa e sem condenação. Precisamos ser elevados 
como o nosso Pai se queremos caminhar nos lugares altos em Cristo. 
Em Números 24:2 Balaão tenta pela terceira vez amaldiçoar a Israel. A escritura diz 
que ele novamente subiu a um monte e viu a Israel acampado segundoas suas tribos. 
Quando ele viu o acampamento o Espírito veio sobre ele. 
Levantando Balaão os olhos e vendo Israel acampado segundo as suas tribos, veio 
sobre ele o Espírito de Deus. Nm. 24:2 
No acampamento de Israel no deserto as doze tribos, em grupos de três, eram 
colocadas ao redor do tabernáculo. Como a tribo de Judá era muito maior que as 
outras o lado em que ficava Judá era bem mais comprido dando ao acampamento o 
formato da cruz. Balaão viu a cruz no deserto. Na cruz Deus Pai não pode ver o nosso 
pecado. Quando vemos a cruz de um lugar elevado o Espírito vem sobre nós. 
Balaão não recebeu o Espírito de Deus, o Espírito veio sobre ele apenas naquele 
momento para colocar as palavras de bênção na sua boca. 
 
A maldição hereditária 
Um ensino que realmente produz problemas na vida do crente é o ensino da maldição 
hereditária. Eu creio que existe mesmo uma maldição hereditária na vida daqueles que 
não estão sem Cristo, mas para aqueles que estão em Cristo não há mais nenhum tipo 
de maldição. 
II Coríntios 5:17 diz que se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas 
já passaram; eis que se fizeram novas. Essas coisas antigas que passaram incluem as 
maldições hereditárias. Mas muitos crentes creem que ainda estão debaixo de 
maldição por isso vivem sob uma constante expectativa de castigo e tribulação porque 
nunca sabem quando o pecado de seus avós e pais vai alcançá-los. Eles sempre estão 
aguardando uma colheita de pecados que outros e eles mesmos cometeram no 
passado. 
Naqueles dias, já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é 
que se embotaram. Cada um, porém, será morto pela sua iniqüidade; de todo homem 
que comer uvas verdes os dentes se embotarão. Jr. 31:29-30 
Este era um ditado popular entre os judeus nos dias de Jeremias, os pais comem uvas 
verdes e os dentes dos filhos é que se embotam. Na verdade está baseado em algo 
que Deus havia dito no monte Sinai: “visitarei a iniqüidade dos pais nos filhos e nos 
filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! (Ex. 34:7). Essa era a condição na 
Velha Aliança, mas louvamos a Deus porque agora estamos sob a Nova Aliança. Mas 
alguns crentes ainda estão se baseando na Velha Aliança e por isso sofrem perda 
espiritual. Hoje nossos pecados e os pecados de nossos pais e os pecados dos pais de 
nossos pais foram todos cravados na cruz e por isso não sofremos mais nenhuma 
maldição. 
A principal cláusula da Nova Aliança é que Deus não se lembra mais de nossos 
pecados. Isso significa que Deus nãos nos trata mais com base em nossos pecados. 
Ele nos trata consoante a perfeição de Cristo e a sua obra na Cruz. 
Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais 
me lembrarei. Hb. 8:12 
No Velho Testamento ele não podia esquecer do pecado por isso castigava a 
iniquidade dos pais nos filhos, mas Novo Testamento ele não se lembra mais do 
pecado. Se ele não se lembra já não há condenação e nem punição. 
Há muitos crentes que vivem hoje na Nova Aliança com a mentalidade da Velha 
Aliança. Eles vivem com a expectativa de juízo e condenação, com medo da maldição 
por causa de seus pecados e dos de seus antepassados. 
A profecia de Jeremias era de que chegaria o dia em que não mais haveria aquele 
ditado em Israel, e esse dia já chegou, nós hoje vivemos os dias em que a maldição foi 
quebrada. Há dois mil anos o Senhor quebrou a maldição na cruz. 
Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: 
Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja 
e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca. Quando, pois, Jesus tomou 
o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. Jo. 19:28-
30 
Na Cruz do Calvário o Senhor viu que tudo já estava consumado, mas nesse momento 
ele disse que tinha sede. Deram-lhe então vinagre para beber. A profecia de Jeremias 
fala de uvas verdes que embotam os dentes e na cruz lhe deram o vinagre que também 
embota os dentes. Ao beber o vinagre ele estava cumprindo a profecia de Jeremias 
31. Quando ele bebeu do vinagre ele tomou sobre si a maldição que pertencia aos 
filhos por causa dos pecados dos pais. Ele tinha sede da nossa liberdade. Ele tinha 
sede de nos libertar da maldição de nossos antepassados. 
 
A maldição da lei 
A afirmação categórica da Palavra de Deus é que, quando vivemos pela fé no favor 
imerecido de Deus, nós somos resgatados da maldição da lei. Aqueles que vivem com 
base em seu merecimento e andam confiados em seu esforço próprio e na sua justiça 
própria inevitavelmente ainda sofrem debaixo da maldição da lei, mesmo sendo 
salvos. 
O que é a maldição da lei? A única maneira de descobrirmos é voltando à lei. Ela está 
descrita no capítulo 28 de Deuteronômio e envolve basicamente quatro aspectos: 
miséria, enfermidade, condenação e morte. Por causa da obra consumada da cruz, 
não precisamos mais viver sob essas maldições. 
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso 
lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para 
que a bênção Abrão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos 
pela fé o Espírito prometido”... “E se sois de Cristo, também sois descendentes de 
Abraão, e herdeiros segundo a promessa. Gl 3.13, 14, 29. 
Nos dias de Jesus a forma comum como os judeus executavam os criminosos era pelo 
apedrejamento. O Senhor Jesus poderia ter morrido dessa forma, mas em vez disso 
ele foi crucificado. Mil anos antes de existir a crucificação Moisés disse que aquele que 
fosse pendurado no madeiro seria amaldiçoado (Dt. 21:23). Isso significa que o 
Senhor não derramou seu sangue apenas para nos perdoar dos pecados, mas também 
para nos livrar da maldição fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar. 
Todas as vezes que resolvemos nos relacionar com Deus com base em nossa 
performance, em nosso mérito ou nossas obras nós decaímos para a lei e nos 
separamos da graça de Deus. E uma vez que nos separamos da graça nos sujeitamos 
novamente às maldições da lei. 
Só existe duas possibilidades: ou vivemos pela graça ou confiamos na lei. Se não 
dependemos do favor imerecido nós caímos para a lei. Você tem a liberdade de 
escolher como quer se relacionar com Deus. Se escolhemos nos relacionar com base 
em nossa obediência e merecimento o resultado e maldição. Mas se escolhemos nos 
relacionar pela graça mediante a fé o resultado é vida. Em Hebreus 4:16 Paulo nos 
convida a nos achegarmos diante do trono da graça. Isso significa que deve há 
também um trono de justiça. Você pode escolher diante de qual trono quer se achegar. 
Se for diante do trono da justiça esteja certo de ter obedecido completamente a lei, 
pois caso contrário será condenado. Mas se escolher se achegar diante do trono da 
graça saiba que estará diante daquele que justifica o ímpio (Rm. 4:5). 
Não podemos viver pela fé e pelas obras ao mesmo tempo. Esses dois princípios de 
vida são como água e óleo, não pode se misturar. 
E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá 
pela fé. Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por 
eles viverá. Gl. 3:11-12 
Essa é a razão porque muitos crentes não são abençoados, eles ainda vivem confiados 
no mérito da lei. Não dependem de fé, mas de obras de justiça. E pelo contexto de 
Gálatas nós sabemos que a fé aqui é a justificação por fé, é a confiança absoluta na 
obra de Cristo realizada na cruz. A minha justiça é apenas um dom que eu recebi e 
não uma virtude que eu conquistei pela minha obediência aos mandamentos. 
Um grande problema é que os crentes não reconhecem quando a maldição vem. É 
por isso que dizem que a doença é uma bênção, enquanto Deuteronômio 28 diz que 
ela é uma maldição. Dizem que a pobreza é uma bênção enquanto Deuteronômio 28 
diz que é resultado de maldição. Eles dizem que as doenças e a pobreza trazem glória 
ao nome de Deus. Oque não sabem é que a cura traz muito maior glória a Deus. Não 
precisamos sofrer debaixo de nenhuma maldição, basta que creiamos na justiça que 
vem pela fé. Jesus nunca disse “oh gente de fidelidade pequena!” “oh gente de 
santidade pequena”, ou “oh gente de obediência pequena”, mas ele disse “oh homens 
de pequena fé”. É tão somente pela fé que recebemos. Quando cremos a nossa fé nos 
é atribuída como justiça diante de Deus. A justiça é pela fé do filho de Deus. 
Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. Rm. 10:4 
Diante de tudo isso vemos que você é irreversivelmente abençoado em Cristo. As 
maldições e pragas que outros possam proferir contra você não podem mais atingi-
lo e as maldições que vieram sobre seus antepassados não têm mais nenhuma 
legalidade na sua vida. Aproprie-se dessa verdade e viva cheio de uma santa 
expectativa da bênção do Pai. 
 
 
Décimo Quinto Dia 
Os que decaem da graça 
 
Sempre que falamos a respeito da graça de Deus algumas pessoas gostam de 
mencionar o texto de Hebreus 12 que diz que sem santidade ninguém verá o Senhor. 
Mas essas pessoas não lêem todo o texto que na verdade exorta os irmãos a não se 
apartarem da graça de Deus. 
Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, 
diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem 
haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos 
sejam contaminados. Hb. 12:14-15 
A única maneira de seguirmos a paz com todos e termos santificação é tendo certeza 
de que não estamos nos separando da graça de Deus. Sem a graça de Deus a santidade 
é impossível. 
Algumas pessoas, porém, pensam que a salvação é uma questão de santidade, mas o 
Novo Testamento enfatiza todo o tempo que a salvação é somente pela graça 
mediante a fé no evangelho. 
São as boas novas do evangelho de que os nossos pecados foram cravados na cruz, é 
a revelação de que somos justificados pela fé e não por obras da lei, é a fé que Cristo 
já pagou por todas as nossas iniquidades que nos salva. A nossa santificação é apenas 
o resultado da nossa fé na obra da cruz. 
Quando pela fé nós contemplamos o Senhor o resultado é que andamos em santidade. 
Você precisa ter clareza de que santidade não é o tamanho do seu cabelo, o 
comprimento da sua saia e nem a maquiagem no seu rosto. A santidade é Cristo. 
Algumas pessoas fazem tudo isso, e no entanto, possuem o coração cheio de amargura 
e ressentimento como diz o texto de Hebreus. Tais pessoas não andam em santidade. 
 
O que acontece quando nos separamos da graça? 
A exortação do autor de Hebreus é para que não nos separemos da graça de Deus. 
Separar-se da graça é sair de debaixo do favor de Deus. Ele menciona algumas 
consequências de separação do favor. 
Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de 
Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio 
dela, muitos sejam contaminados; nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, 
o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também 
que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de 
arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado. Hb. 12:15-17 
Hebreus 12 nos mostra que sem a graça de Deus não podemos ter paz com os homens 
e nem seguir a santidade. Sem a graça de Deus inevitavelmente cairemos no 
ressentimento e na amargura. Qual a relação entre separar-se da graça e cair no 
ressentimento? Essa relação nem sempre é fácil de entender. Toda pessoa ressentida 
é cheia de justiça própria. Ela se julga merecedora de coisas boas e quando alguém 
erra com elas então pensam que têm o direito de cobrar justiça. Ressentimento é o 
maior sinal de justiça própria. 
A única coisa que nos separa da graça de Deus é a justiça própria. Quando nós 
confiamos em nossa justiça própria nós estamos dizendo que não precisamos da graça 
de Deus. Somente pode desfrutar da graça aquele que reconhece que não tem 
merecimento algum. E aquele que reconhece que não possui merecimento nenhum 
também não cobra justiça e perfeição dos outros. Uma vez que ele foi tão 
generosamente perdoado, ele está pronto a perdoar os outros também. Assim se 
estamos na graça não há lugar em nós para amargura. 
Jesus disse na oração do Pai nosso que se não perdoarmos aos homens as suas ofensas 
tão pouco o vosso pai celestial vos perdoará as vossas. Muitos equivocadamente 
enxergam aqui algum tipo de barganha com Deus: eu perdoo então o Senhor me 
perdoa. Não é nada disso. 
A pessoa que se recusa a perdoar está dizendo com a sua atitude que ela é boa e tem 
mérito o suficiente para exigir justiça do outro. Ela se acha boa e não pode admitir 
que outros errem com ela. Ela na verdade é cheia de justiça própria. 
Quem possui justiça própria está dizendo que não precisa da justiça que vem de 
Cristo. E se ele não precisa da justiça de Cristo então o seu pecado permanece. Então 
você não troca com Deus o perdão do seu pecado quando perdoa os outros, mas 
você admite precisar do perdão de Cristo quando reconhece que não possui justiça 
própria e por isso mesmo não exige justiça dos outros. 
O que o Senhor disse foi que não podemos receber favor e graça se permanecemos 
na justiça própria. Ficou claro então que nos separamos da graça quando confiamos 
em nossa justiça própria. Mas ainda não ficou completamente claro como a justiça 
própria produz em nós ressentimento. 
Para entendermos a relação entre amargura e justiça própria precisamos entender 
como surge a justiça própria. Será que aqueles que possuem justiça própria querem 
desagradar a Deus? Claro que não. Na verdade eles procuram cumprir todos os 
mandamentos para merecer o amor e a aprovação de Deus. A justiça própria surge 
do nosso desejo de conquistar o amor de Deus. 
Onde está o problema é se tentar conquistar o amor de Deus para merecer a sua 
bênção? Suponha que você fez tudo o que achava necessário para ter uma bênção de 
Deus e nos entanto o irmão do lado que nem é tão fiel recebeu a bênção e você não. 
O que você sente nessa hora? Amargura e ressentimento. Muitos não vão admitir, 
mas vivem ressentidos com o próprio Deus, pois afinal eles são fieis, mas não recebem 
o favor de Deus. 
Essa situação pode ser claramente percebida na vida do irmão do filho pródigo na 
parábola que Jesus contou em Lucas 15. O irmão do filho pródigo é um exemplo de 
como a amargura vem sobre aquele que é cheio de justiça própria. 
Jesus disse que um homem tinha dois filhos. Um dia o mais novo chegou ao seu pai 
e pediu a herança a que tinha direito. Pedir a herança com o pai em vida é o mesmo 
que desejar a sua morte, um grande desrespeito. Mas o pai lhe deu a herança e ele 
então saiu e foi para um país distante onde gastou todo o dinheiro na orgia e na 
bebedice. 
Quando acabou todo o dinheiro, não tendo como sobreviver, arrumou um trabalho 
de cuidador de porcos. Ali ele passava tanta fome que deseja comer a comida dos 
porcos. 
Um dia ele caiu em si e disse: “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: 
Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; 
trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha 
ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, 
e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno 
de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a 
melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também 
e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava 
morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se” (Lc. 15:18-
24). 
Se pararmos a história nesse ponto nos alegraremos com o pai que teve de volta o seu 
filho que estava perdido. Todos dirão o quanto o pai é amoro e perdoador para aceitar 
um filho como aquele. 
Mas a históriase complica quando o filho mais velho chega em casa. O filho mais 
velho estava tão longe de casa quanto seu irmão mais novo. Ele enxergava a si mesmo 
como um servo do seu pai e se julgava merecedor das bênçãos. 
Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da 
casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era 
aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, 
porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, 
o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo 
sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para 
alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os 
teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Lc. 15:25-30 
Vamos ser francos, as razões do filho mais velho parecem bem lógicas. Se ele fosse 
conversar com você e lhe contasse a história você certamente ficaria do lado dele. 
Tudo parece uma grande injustiça. Ele sempre foi um bom filho, fez tudo para agradar 
o pai e nunca ganhou dele nenhum cabritinho para fazer um churrasco com os 
amigos. 
Ele disse: “eu nunca desobedeci suas ordens”. O que talvez você não perceba é que 
ele era cheio de justiça própria. Eu fico pensando o quanto seria difícil para o irmão 
mais velho fazer o mesmo que fez o filho pródigo – cair de joelhos e dizer: “Pai, 
pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho”. 
Imaginem este homem que se achava tão responsável caindo de joelhos, enterrando 
a cabeça no peito de seu pai e dizendo que ele era indigno de ser chamado de filho. É 
quase impensável. Ele não tinha feito nada de errado. Ele não tinha pecado contra o 
céu ou contra o seu pai. Ele certamente não podia ver que ele não era digno de ser 
chamado filho de seu pai. Mas isso é exatamente o que ele precisava fazer, porque o 
seu coração não era um com o seu pai. 
O irmão do filho pródigo tentou ganhar o amor do Pai sem saber que já era amado. 
Ele tentou ganhar o amor do pai sendo um filho obediente e por isso ele achava que 
merecia pelo menos um cabrito assado. Mas em vez dele receber o seu irmão pecador 
é que tinha recebido o novilho cevado e uma festa. Por não se sentir amado ele caiu 
na amargura e ressentimento, pois do seu ponto de vista o pai era injusto. Essa é a 
maneira como surge a justiça própria, é quando tentamos conquistar o amor e o elogio 
do Pai. Do seu ponto de vista o pai não o amava ou pelo menos amava mais o irmão 
do que a ele. Isso o enchia de revolta e ressentimento. Tudo isso porque ele se achava 
bom e justo. Se ele se visse tão pecador quanto o irmão não haveria espaço para a 
amargura e ele estaria também festejando. 
Toda pessoa cheia de justiça própria vive cheia de amargura, pois ela pensa que tem 
praticado todos os mandamentos e mesmo assim não consegue ter a bênção ou o 
favor de Deus. 
A justiça própria é o resultado do nosso desejo de conquistar o amor e a aprovação 
de Deus. Para ter o seu amor nós nos esforçamos fazendo boas obras e tentando 
obedecer os mandamentos. Quando achamos que conseguimos cumprir o padrão nos 
enchemos de justiça e merecimento próprio. O problema é que perdemos o favor de 
Deus quando confiamos em nossa justiça e o resultado é que ficamos ressentidos 
porque outros notórios pecadores recebem o favor e nós não. 
Essa é a explicação para a amargura em todos os relacionamentos. Se o marido se 
esforça para agradar a sua esposa e percebe que ela não reconhece seus méritos, ele 
se encherá de ressentimento se ela, por exemplo não elogiá-lo e em vez disso elogiar 
o líder da célula. 
Qual o problema desse marido? Ele faz todas as suas obras para ter o amor da esposa 
e não porque sente que é amado por ela. Podemos aplicar esse princípio para todos 
os nossos relacionamentos. Você faz as boas obras para conquistar o amor ou porque 
sabe que é amado? A resposta a isso o coloca debaixo da lei ou da graça. Lei é amar a 
Deus, mas graça é ser amado por ele. 
Uma esposa procura de todas as formas agradar o seu marido, ela cozinha, lava, passa 
e faz sexo sempre que ele deseja, mas um dia o marido resolve elogiar uma outra 
mulher na frente dela. Nesse momento a mulher se encherá de amargura, porque se 
vê injustiçada. Se ela não tivesse justiça própria, mérito próprio, ela não ficaria 
ressentida. A justiça própria é a origem de todos os pecados. 
Isso também é muito comum na vida de pastores. Ele se esforça para ser um bom 
pastor, ele procura viver uma vida absolutamente íntegra e irrepreensível, mas a 
bênção parece que vem sempre para aquele pastor da congregação ao lado que ele 
acha que é muito pecador. Ele vive lutando com a finanças, mas aquele pastor 
comprou um grande prédio para se reunir. Ele se esforça para crescer, mas as 
multidões sempre vão para a igreja do outro. Ele não consegue entender por isso 
presume que aquela igreja não é de Deus, pois Deus não abençoaria alguém assim. A 
verdade porém, é que ele vive amargurado como o irmão do filho pródigo. Nunca 
quebrou nenhum mandamento, merecia muitas bênçãos, mas o outro pecador recebe 
maior graça. 
Creio que agora ficou fácil perceber como a amargura está relacionada com a justiça 
própria. Sempre que procuramos conquistar o amor de Deus em vez de crer que já 
somos amados caímos na justiça própria. 
O texto de Hebreus 12 diz que a amargura é contagiosa, uma vez que ela surge ela vai 
contaminar a muitos. Toda pessoa amargurada gosta de compartilhar com os outros 
as razões do seu ressentimento. A amargura simplesmente destrói a vida da igreja. 
O texto de Hebreus diz que uma vez que há amargura a próxima consequência é a 
impureza. Mas há alguma relação entre amargura e impureza? Tenho visto, por 
exemplo, em minha experiência que normalmente uma mulher só cai em adultério se 
estiver ressentida com o seu marido. Ela pensa que não é amada e por isso se permite 
pecar. Um crente está propenso ao pecado quando sente que não é amado por Deus. 
É triste, mas quando caem em pecado muitos presumem que Deus não os ama mais. 
Mal sabem que isso fará com que caiam ainda mais no pecado. 
A impureza sexual não é a raiz, ela é o fruto. Tudo começa quando a pessoa se separa 
da graça de Deus. Uma vez que ela sai da graça ela cai no ressentimento e do 
ressentimento vem a impureza sexual. 
O resultado final é que a pessoa pode se tornar como Esaú que não atribuiu valor às 
coisas espirituais, pois vendeu a bênção da primogenitura por um prato de comida. 
Quanto mais nos separamos da graça, mais nos tornamos naturais e indiferentes às 
bênçãos de Deus. 
No passado eu pensei que Esaú não podia se arrepender ou não teve um 
arrependimento genuíno. Mas lendo outras traduções percebi que isso é um erro. A 
tradução na linguagem de hoje diz que Esaú vendeu os seus direitos de filho mais 
velho por um prato de comida. E depois ele quis receber a bênção do seu pai. Mas 
foi rejeitado porque não encontrou um modo de mudar a mente de Isaque para 
receber a bênção, embora procurasse fazer isso até mesmo com lágrimas. Na verdade 
foi Isaque que não se arrependeu, ou mudou de mente, em relação à bênção da 
primogenitura. Isso está claro na versão da Bíblia na linguagem de hoje. 
 E tomem cuidado também para que ninguém se torne imoral ou perca o respeito 
pelas coisas sagradas, como Esaú, que, por causa de um prato de comida, vendeu os 
seus direitos de filho mais velho. Como vocês sabem, depois ele quis receber a bênção 
do seu pai. Mas foi rejeitado porque não encontrou um modo de mudar o que havia 
feito, embora procurasse fazer isso até mesmo com lágrimas. Hb. 12:16-17 
Esaú é colocado em Hebreus como exemplo de alguém que decaiu da graça. Mas 
decair da graça significa tentar se justificar cumprindo a lei e Esaú viveu muito antes 
da lei. Como então ele decaiu da graça? Creio que ele sempre tentou conquistar o 
amor do pai por meio de sua performance, suas boas obras. 
Isaqueamava a Esaú, porque se saboreava de sua caça; Rebeca, porém, amava a Jacó. 
Gn. 25:28 
Isaque amava a Esaú por causa de suas boas obras, mas Rebeca amava a Jacó, ponto 
final! Evidentemente Esaú percebia que o amor do seu pai era condicional. Esaú é o 
bom filho, Jacó e´que era o problemático. Esaú tentou de agradar o seu pai, mas no 
fim o seu irmão é que recebeu a bênção. Isso o deixou furioso, mas o problema é que 
seu pai não quis lhe dar a mesma bênção. Ele deve ter pensado: “de que adiantou eu 
ser um bom filho?” Certamente veio o ressentimento e a amargura. Todas as vezes 
que tentamos conquistar o amor de Deus por meio de nossas obras nós caímos na 
justiça própria e consequentemente decaímos da graça. 
Os pais devem ser cuidadosos para não condicionar o seu amor aos filhos à 
performance deles. Isso faz com que os filhos fiquem toda a vida buscando conquistar 
o amor dos pais. O garoto procurou ser um bom estudante, um filho obediente toda 
a sua vida, mas um dia seu pai elogia seu primo falando o quanto ele é motivo de 
orgulho. Ao ouvir isso o menino se enche de amargura, pois ele está cheio de méritos. 
Ele fez o melhor, se comportou bem e não adiantou nada. Depois disso ele pode vir 
a se tornar um filho muito problemático cheio de todo tipo de comportamento ruim. 
Essa é a origem de todos os distúrbios familiares. 
A Palavra de Deus diz que Esaú se casou com mulheres fora da vontade de seus pais 
e isso se tornou motivo de angústia para Rebeca e Isaque. Obedecer para ser amado 
é justiça própria, obedecer porque sabe que é amado é graça de Deus. Essa é a 
diferença entre o Novo e o Velho Testamento. 
É importante frisar que todas essas consequências como amargura, impureza e 
desprezo pelas coisas espirituais acontecem por uma única razão: porque nos 
separamos da graça de Deus. Essa é a raiz de onde procedem todos os nossos 
problemas. 
 
O que nos separa da graça? 
De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. 
Gl. 5:4 
Paulo diz aos gálatas que nos desligamos de Cristo, nos separamos dele, quando 
procuramos nos justificar pelas obras da lei. Estar desligado de Cristo é algo terrível. 
Há uma tradução que diz que Cristo não tem efeito em nossas vidas. Ele está em 
nossa vida, mas sem efeito prático. Desligar-se de Cristo significa que Cristo não tem 
efeito em nosso casamento, nossas finanças, nossos relacionamentos ou nosso 
trabalho. Quando você está doente você quer que Cristo tenha efeito, faça diferença 
em você. Se você precisa de direção você quer que Cristo tenha efeito em você. 
Desligar-se de Cristo aqui em Gálatas não significa perder a salvação. Desligar de 
Cristo é como ser casado e não se relacionar com a esposa. Ela está em casa, vive 
junto com você, mas você não desfruta das bênçãos do casamento. Paulo está dizendo 
exatamente isso, que embora sejamos salvos não desfrutamos de Cristo e seu favor. 
O que faz com que Cristo, que já faz parte de sua vida, não tenha efeito algum em seu 
corpo, sua alma, em sua vida ou seu casamento? Muitos dirão que o problema é o 
pecado, mas o pecado nunca foi impedimento para que as pessoas recebessem o 
milagre do Senhor Jesus. A maior acusação que os fariseus fizeram ao Senhor foi 
chamá-lo de amigo de pecadores. 
As prostitutas, os coletores e impostos e todos os pecadores receberam o Senhor com 
alegria. Todos eles quando tocaram no Senhor receberam o milagre. Para eles Cristo 
tinha um efeito poderoso. Quando eles receberam do Senhor eles não eram perfeitos, 
mas a imperfeição deles não foi impedimento para o milagre. 
Paulo diz que o aquilo que nos separa de Cristo e nos faz decair da graça é a justiça 
própria, nas palavras dele é tentar nos justificar na lei. Sempre que procuramos ser 
aceitos por Deus pela nossa performance, pela nossa obediência aos mandamentos, 
nós decaímos da graça. 
Os pecadores podiam receber os milagres do Senhor, mas os fariseus não receberam 
nada. Por que? Porque eles pensavam que mereciam receber os milagres uma vez que 
obedeciam os mandamentos. Na verdade não obedeciam, mas pensavam que sim. 
Precisamos ter muito cuidado para não receber a graça de Deus em vão. Receber a 
graça em vão é ter a graça de Deus em nossa vida e mesmo assim continuar tentando 
merecer a bênção de Deus. 
Se vivemos confiando em nossos méritos e nossa força própria estamos desprezando 
o suprimento perfeito da graça de Deus. O resultado é como ter uma esposa, mas 
viver sem desfrutar dela. 
Hebreus 4 diz que há um trono da graça. Se chegarmos a ele receberemos graça para 
socorro. 
Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de 
recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. Hb. 
4:16 
Qual a condição para nos achegarmos ao trono da graça? Simplesmente não merecer 
nada de Deus. Não possuir nenhuma justiça própria. Se você se acha merecedor, 
então esse trono não é para você. O problema é que somente a partir do trono da 
graça podemos receber misericórdia. Se alguém não vier a esse trono, para onde ele 
irá? 
 
Permanecer em Cristo é permanecer na graça 
Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir 
fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não 
permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, 
e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não 
permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, 
lançam no fogo e o queimam. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras 
permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Jo. 15:4-7 
Em João 15 o Senhor disse que devemos permanecer nele. Alguns pensam que 
permanecerão em Cristo se orarem bastante, jejuarem ou lerem a Bíblia. Todas essas 
coisas são boas, mas podemos fazer todas elas e ainda estarmos separados de Cristo. 
Como então permanecer nele? 
Creio que Paulo nos dá a resposta. Nós permanecemos em Cristo quando 
permanecemos na graça. Quando decaímos da graça nós nos separamos de Cristo. 
Isso evidentemente não significa perder a salvação como pensam alguns, mas significa 
que não desfrutamos do seu favor em nossas vidas. 
Se permanecer em Cristo é permanecer na graça, então fica fácil entendermos a 
promessa do verso 7 que diz: “pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” Eu penso 
que é a maior promessa de toda a palavra de Deus. Não há limites de bênção para 
quem permanece na graça. Debaixo do favor de Deus podemos pedir tudo o que 
quisermos. 
A justiça própria é a maior expressão da carne e do ego. Todas as vezes que confiamos 
em nossa própria justiça, em nosso próprio mérito ou em nossa força nós decaímos 
da graça. Muitos pensam que ser fiel implica em prometerem que farão o máximo 
para obedecer e não entendem que dar o máximo tem a confiança na carne envolvida. 
Isso significa que não podemos prometer fazer o melhor ou dar o máximo? Sim, mas 
devemos fazer isso segundo a graça de Deus. Devemos sempre dizer, pela graça de 
Deus vou fazer isso ou aquilo. 
Rejeite hoje toda tentação de merecimento próprio. Viva a sua vida como quem não 
tem mérito, isso vai afetar todos os seus relacionamentos e o livrará da amargura. O 
favor de Deus afeta todas as áreas de sua vida e quando você está debaixo do favor a 
glória do céu invade a terra. Não aceite viver nenhum dia sem a bênção do favor. 
 
Décimo Sexto Dia 
Desfrutando de Cristo como o Maná 
 
As pessoas são aquilo que comem. Os nutricionistas dizem-nos que somos o que 
comemos, porque a comida que ingerimos vem a fazer parte de nós mesmos. 
Ao dar ao seu povo maná para comer, Deus indicava que sua intenção era mudar-lhes 
a natureza. O povo já havia mudado de lugar. Antes, estava no Egito, agora, estava 
com o Senhor, no deserto. 
Mas não basta uma mudança de lugar, deve haver também uma mudança interior. A 
maneira de Deus produzir tal mudança em seu povo é mudando a nossa dieta. Por 
comer comida egípcia, o povo de Deusera constituído por elementos egípcios. 
A dieta egípcia torna as pessoas egípcias, alimenta a carne e no final causa morte. Mas 
a dieta celestial torna as pessoas celestiais e nos capacita a cumprir o propósito de 
Deus. 
Por que Deus deu o maná ao seu povo? Ele deu o maná com uma intenção específica. 
Deus queria alimentá-los com a comida do céu, a fim de enche-los com o elemento 
celestial. O seu desejo era preenchê-los, nutri-los, fortalecê-los por meio da comida 
espiritual. E através desse comer, transformá-los num povo celestial. 
O povo de Deus tem de ser transformado em pedras espirituais, a fim de poderem 
ser constituídos elementos da edificação da casa de Deus na terra. A intenção de Deus 
não é introduzir uma porção de egípcios redimidos no céu. A maneira como Deus faz 
esta transformação é mudando a nossa dieta. 
 
1. Qual o significado do comer? 
Comida é tudo o que introduzimos em nosso interior, visando a nossa satisfação. 
Comida é tudo aquilo que entra pelos cinco sentidos, visando o nosso prazer e 
satisfação. 
O conceito do comer é básico em toda a Bíblia. A primeira menção de algo na Bíblia 
governa o seu significado por toda a Escritura. Após criar o homem, Deus lhe deu 
uma ordem e aviso acerca do comer: “De toda árvore do jardim comerás livremente, 
mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás” (Gn 2:16-27). O 
comer é uma concepção básica porque diz respeito ao relacionamento do homem 
com Deus. 
Deus colocou o homem diante da árvore da vida (Gn 2:9), com a intenção de que este 
o tomasse para dentro de si como a sua própria vida. 
No quadro da redenção, em Êxodo 12, temos o sangue borrifado nas portas e dentro 
da casa se come o cordeiro com pães asmos e ervas amargas. 
Em João 6, o Senhor Jesus diz ser ele o verdadeiro maná que veio do céu para ser 
alimento do seu povo. Jesus disse: “Quem de mim se alimenta, por mim viverá” (Jo 
6:57). Para vivermos corretamente, precisamos comer corretamente. 
O homem caiu por comer incorretamente. No mesmo princípio, somos salvos e 
curados por comer de maneira correta. O homem caiu por comer do fruto da árvore 
do conhecimento, mas ele é salvo e transformado por comer da árvore da vida. 
 
2. O maná é um tipo de Cristo (Jo 6:31-35, 48-51, 57-58). 
Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu 
o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. Porque o pão de Deus 
é o que desce do céu e dá vida ao mundo. Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre 
desse pão. Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais 
terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede. Jo. 6:32-35 
Como verdadeiro maná, Cristo foi enviado ao seu povo para que esse vivesse por 
meio dele. Precisamos comer para viver. A única maneira de não ficarmos subnutridos 
espiritualmente, é comermos sempre do Senhor Jesus. 
O nosso espírito foi regenerado, mas a nossa alma está sendo transformada. A 
maneira de sermos transformados é pela nossa dieta. Se comermos da comida egípcia, 
nos tornamos pessoas egípcias, mas se comermos do maná celestial, que é o Senhor 
Jesus, nos tornamos cada vez mais semelhantes a ele e nos enchemos de vida. 
A maneira de Deus nos transformar é mudando a nossa dieta. Nós nos tornamos 
semelhantes àquilo que comemos. Quando comemos, estamos sendo fortificados e 
também transformados. O Senhor tinha também isso em mente quando instituiu a 
Ceia como memória da aliança. Ao comer da Ceia, estamos comendo dele próprio: 
ele é o maná que desceu do céu para a nossa satisfação. 
 
3. As características do Maná 
a. Do Céu - 16:4 
A palavra maná no hebraico significa: “o que é isso?” Eles não foram capazes de 
definir o que comiam e os supria, assim como não podemos definir a Cristo, mas 
sabemos que ele é o nosso suprimento de vida. 
A cada dia o inimigo tem preparado planos e ardis contra você, o Senhor porém tem 
preparado toda provisão, todo suprimento e toda graça no maná diário. Tudo o que 
você precisa diariamente é do maná e você deve recebê-lo pela manhã. Embora seja 
aparentemente pequeno ele carrega toda a provisão de Deus para você naquele dia. 
A primeira característica do maná é que ele é celestial (16:4). Não podemos explicar o 
maná, apenas desfrutar dele. Muito embora não possamos explicar Cristo em sua 
essência e composição ele é muito real. Apesar de ser invisível e intangível, é 
substancial e sustenta o seu povo. 
 
b. De manhã - 16:12 
O fato de o maná vir à cada manhã, nos mostra que devemos ter renovada a nossa 
fome por ele à cada novo dia. Cada dia é um novo começo para com Deus. 
Precisamos lembrar ainda que ninguém poderia guardar o maná para o dia seguinte, 
pois este se perdia. A experiência de ontem não serve para hoje. O mantimento de 
ontem não pode nos sustentar hoje. 
Não podemos guardar o maná para o dia seguinte. Quando o maná era guardado ele 
cheirava mal e dava bichos. Deus não quer que seu povo seja independente dele. Essa 
é a razão porque ele nos ensinou a orar dizendo: “o pão nosso de cada dia, dá-nos 
hoje”. Não é o pão para a semana ou para o mês, mas é o suprimento para cada dia. 
Um pai sábio nunca dá tudo para o filho senão o filho não volta a ele. Um pai sábio 
sempre dirá: “cada vez que você precisar de alguma coisa, venha até mim!” Dessa 
forma há comunhão e tempo juntos. Minhas filhas sabem que as amo 
incondicionalmente, mas às vezes era bom dizer: “se você precisa disso, então vem 
aqui dar um beijo no papai!” 
 
c. Com o orvalho - 16:13 e 14 
Em Êxodo 16:13,14, notamos que o maná veio com o orvalho. Se compararmos com 
o Salmo 133, iremos notar que o orvalho é a graça de Deus sobre nós. Em 
Lamentações 3:22-23, lemos que as misericórdias se renovam à cada manhã. Isso 
também nos lembra do orvalho. O maná sempre vem junto com a graça e o amor de 
Deus. 
O maná é o nosso suprimento diário da palavra de Deus liberada a nós. A maneira 
como o Senhor a libera sobre nós é como as gotas de chuva. Você sabia que numa 
nuvem pode haver milhões de litros de água? Se toda essa água fosse liberada de uma 
única vez poderia destruir quase tudo. Mas Deus é tão sábio que faz com que toda 
essa água se transforme em gotas na atmosfera de forma que até aquela flor mais 
delicada seja preservada. 
A Palavra de Deus é liberada sobre nós do mesmo modo, como gostas de chuva que 
traz refrigério. Em pequenas porções que são como bocados que nos suprem. Deus 
não nos dá toda a sua sabedoria de uma vez, mas ele a envia na forma de maná. 
 
d. Pequeno - 16:14 
Em Êxodo 16:14, percebemos que o maná era algo pequeno. Ser pequeno significa 
que ele pode ser ingerido com facilidade por qualquer um de nós. O Senhor é tão 
grande que o universo inteiro não o pode conter, mas é tão pequeno que pode ser 
assimilado por mim e habitar no meu espírito. 
O que colheu pouco tem o mesmo poder, provisão e graça daquele que colheu muito. 
Não se preocupe sobre o que você não entende na Palavra, mas deguste o que você 
já entende. 
O maná não podia ser guardado para o dia seguinte, isso significa que precisamos de 
uma revelação fresca da Palavra a cada dia. Não importa se é ouvindo a pregação num 
CD, lendo a Palavra ou meditando num livro cheio de Cristo, o importante é que seja 
diário. 
Muitos buscam grandes revelações de Cristo, mas o Senhor quer nos suprir a cada dia 
com pequenas revelações. O maná era pequeno e fino. Ainda que não há nada 
realmente pequeno quando se refere a Cristo. 
Muitos maridos acreditam que precisam fazer grandes coisas para a sua esposa para 
fortalecer seu casamento. Ficam meses esperando um grande evento para alimentar o 
seu casamento. Mas a verdade é que não são as grandes coisas, grandes demonstrações 
que fazem o casamento, mas as pequenas atitudes no dia a dia. 
Deixe-me dar-lhe alguns exemplos de maná que tenho recebido dia após dia. Pode 
parecer algo pequeno, mas é o maná do Senhor para me suprir. 
Estava em casa e me veio um desejo de comer doce de pêssego. Saí para comprar e 
quando estava pegandoa lata no supermercado alguém disse no microfone: “somente 
agora! Super promoção de doces enlatados! Duas latas pelo preço de uma!” Eu fiquei 
meditando no que é a graça e a provisão do Senhor. Parece algo pequeno, mas quando 
o povo colhia uma porção de maná aquilo era uma grande provisão. Mas perdemos 
isso quando procuramos pelas grandes revelações. 
Quando Jesus veio ninguém celebrou o nascimento do rei dos reis, apenas os anjos e 
alguns pastores estavam lá. Ele nasceu numa das menores vilas de Israel chama Casa 
do pão, Belém. Ele veio como um pequeno bebê. Quem imaginaria que esse bebê 
cresceria e purificaria leprosos, abriria os olhos dos cegos, ressuscitaria os mortos e 
andaria sobre o mar. Quem diria que abriria os braços e nos livraria de toda 
condenação e da escravidão do pecado. Naquele momento ter a revelação que Cristo 
seria o salvador talvez parecesse pequeno. Não despreze as pequenas revelações. 
Por que Jesus se curvou para escrever no chão em João 8?. Foi assim porque se ele 
nunca tivesse se curvado, se abaixado até nós nunca poderíamos ser salvos. É 
interessante que ele se curvou duas para escrever. Isso certamente denota que ele é o 
que escreveu as leis em pedras por duas vezes. Na primeira vez as pedras foram 
quebradas e o povo condenado, mas na segunda vez Deus mandou que elas fossem 
colocadas dentro da Arca, debaixo do sangue aplicado. Isso foi para mostrar que a lei 
não pode mais nos condenar quando somos perdoados pelo sangue. 
A Palavra de Jesus para a mulher foi: vai e não peques mais. Esse não peques mais é 
uma promessa e não um mandamento. A graça transformou os mandamentos em 
promessas. Antes era: “não matarás!” Agora é: “não matarás, eu te prometo!” 
A primeira coisa que o Senhor disse quando se levantou foi: “Eu sou a luz do mundo; 
quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (Jo. 8:12). A 
luz foi condenação para todos acusados na consciência, mas para nós ela é a graça que 
nos permite ver que a sua graça é maior que o nosso pecado. Onde não há mais 
condenação há verdadeira libertação do pecado. 
O Sermão do monte foi o sermão mais elevado e mais extraordinário jamais proferido. 
Não foi intenção do Senhor nos condenar ao proferi-lo, mas a perfeição de Cristo 
inevitavelmente nos confronta. Jogar bola com o Neymar é sempre humilhante para 
quem não sabe jogar como é o meu caso. Ele pode ser amável e sempre sorridente 
comigo, mas a perfeição dele vai me expor e condenar. Entretanto, depois que o 
Senhor desceu do monte ele purificou o leproso para mostrar por quê ele veio até nós 
(Mt. 8:1-3). 
Fé é ter uma boa opinião a respeito de Deus. Você só pode receber se crer que Deus 
´bom e quer lhe abençoar. Fico sempre pensando como as pessoas ficam indignadas 
quando dissemos que todas as coisas ruins procedem do diabo, mas acham lógico 
atribuir a Deus todos os males da terra. Não têm uma boa opinião sobre Deus, por 
isso não podem conhecê-lo. 
 
e. Fino - 16:14 
O maná era muito fino e uniforme. Por natureza, somos ásperos e desequilibrados, 
mas o Senhor é fino e suave. Qualquer um que tenha experiência com o Espírito há 
de notar o quanto ele é educado, cavalheiro e gentil. Quando comemos do Senhor, 
também nos tornamos finos e sóbrios. 
 
f. Redondo - 16:14 
O fato de o maná ser redondo (16:14) indica a eternidade de Cristo. O círculo é o 
símbolo da eternidade, sem começo e sem fim. Cristo é a comida eterna, com uma 
natureza eterna e para eterno suprimento do seu povo. Ao comermos dele também 
nos tornamos participante de sua vida eterna. 
 
g. Como geada - 16:14 
A geada é intermediária entre o orvalho e a neve. Tanto o orvalho como a geada são 
refrescantes, mas a geada tem a característica de matar os germes (16:14). Assim 
também, cada vez que comemos do Senhor em nosso espírito, somos refrescados e, 
ao mesmo tempo, há uma limpeza de todo germe lançado pelo Diabo. 
 
h. Branco - 16:31 
Ser branco significa ser limpo, puro, sem qualquer tipo de mistura. A nossa pureza 
também está em nos alimentarmos dele, comendo de sua Palavra. A sua Palavra é 
água que nos lava e santifica. Se comemos do Senhor diariamente, seremos cada vez 
mais puros e limpos. Ser branco significa ser sem mancha. Quando comemos do 
Senhor, as manchas dentro de nosso caráter vão sendo eliminadas. 
 
i. Sabor como bolos de mel - 16:31 
O óleo tem o aroma e o mel tem a doçura. Aroma e doçura são os dois aspectos mais 
importantes do paladar. A comida saborosa é sempre aromática e doce. Quando 
desfrutamos do Senhor, podemos sentir a sua fragrância e doçura. Desejável, doce, 
fragrante, amável e terno é o nosso amado, nosso alimento, nosso desfrute, nossa 
vida. 
Quando você veio para a Cristo você foi motivado pelo seu problema, enfermidade 
ou alguma necessidade. Mas quando você ouviu a Palavra você percebeu que havia 
algo tão doce e tão agradável. Era a presença e a vida de Cristo vindo a você. 
Precisamos ter muito cuidado para não perder essa sensação de prazer e alegria. 
 
j. O maná e as riquezas 
Deuteronômio 8:16-18 diz que o Senhor deu o maná para que tivéssemos forças para 
adquirir riquezas. Ele nos sustenta com o maná para que não pensemos que é o nosso 
braço que nos dá riquezas. O maná diretamente não dá a riqueza, mas dá força para 
adquiri-las. 
...que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheciam; para te 
humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem. Não digas, pois, no teu coração: A 
minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás 
do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para 
confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê. 
Dt. 8:16-18 
Em Mateus 6:33-34 Jesus disse para buscar em primeiro lugar a justiça do reino e, 
então as outras coisas nos seriam acrescentadas. O Senhor está falando aqui do 
princípio do maná, devemos buscar o suprimento de Deus a cada dia e quando 
fazemos isso receberemos forças para adquirir todo o resto. 
No final do capítulo 16 de Êxodo, o Senhor mandou que Arão guardasse um ômer. 
Essas era a décima parte do que o povo colhia a cada dia. Esse é o princípio do dízimo. 
Aquela porção era guardada como memorial diante do Senhor. A décima parte era 
sagrada separada ao Senhor. A décima parte era do Senhor e ninguém poderia tocar 
nela. 
Disse Moisés: Esta é a palavra que o SENHOR ordenou: Dele encherás um gômer e 
o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o pão com que vos sustentei no 
deserto, quando vos tirei do Egito. Disse também Moisés a Arão: Toma um vaso, 
mete nele um gômer cheio de maná e coloca-o diante do SENHOR, para guardar-se 
às vossas gerações. Como o SENHOR ordenara a Moisés, assim Arão o colocou 
diante do Testemunho para o guardar. E comeram os filhos de Israel maná quarenta 
anos, até que entraram em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos limites 
da terra de Canaã. Gômer é a décima parte do efa. Ex. 16:32-36 
O número dez é a forma mais simples de multiplicar. Mesmo na Palavra de Deus a 
multiplicação por dez é utilizada. O princípio do dez por cento é sempre para 
multiplicação. 
Aqui temos um décimo separado para o Senhor. A décima parte é sempre de Deus. 
Não é por acaso que os dez mandamentos são para o Senhor, pois nenhum de nós 
jamais poderia guardá-los. 
A décima parte são as primícias e quando as primícias são devolvidas ao Senhor toda 
a colheita é santificada. Romanos 11:16 diz que “se forem santas as primícias da 
massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o 
serão”. Precisamos lembrar que o dinheiro é sempre imundo. Nós simplesmente não 
sabemos de onde veio o dinheiro que estamos usando. O dinheiro está sempre 
circulando. Mas quando damos o dízimo ele é santificado em nossas mãos. Porque 
precisamos santificá-lo? Por que o diabo não pode tocar no que é santo. Ele toca 
apenas no que é imundo. 
Lembre-se que o maná deveria ser colhido cedo de manhã. Não se preocupeem 
definir que horas seria cedo o suficiente, apenas esteja certo de que o maná é a sua 
primeira prioridade a cada dia. Se ele é a prioridade ele será a primícia que vai santificar 
o seu dia. 
No hebraico a palavra rico e a palavra dez são a mesma palavra (ashar e asar). São 
escritas do mesmo modo com uma pequena mudança na pronúncia. Isso é para 
indicar como nossas riquezas são adquiridas e aguardadas. 
 
l. Os que não desejam o maná 
Em números 11 lemos que o populacho que estava no meio do povo se cansou do 
maná. Aquele populacho era constituído de egípcios que quiseram sair do Egito junto 
com o povo de Israel. Eles não eram de fato povo de Deus. 
E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos 
egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem 
nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; 
dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, 
seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná. Era o maná como 
semente de coentro, e a sua aparência, semelhante à de bedélio. Espalhava-se o povo, 
e o colhia, e em moinhos o moía ou num gral o pisava, e em panelas o cozia, e dele 
fazia bolos; o seu sabor era como o de bolos amassados com azeite. Nm. 11:4-8 
Deus deu o maná para ser alimento, mas eles diziam que a alma deles estava seca. Não 
tinham prazer em Cristo. O texto diz que eles tentavam produzir coisas com o maná. 
Moíam, cozinhavam em panelas, faziam bolos, mas não tinham satisfação. Isso 
simboliza aqueles que espremem a palavra buscando novas revelações porque não 
estão satisfeitos com Cristo. 
Há muitos que desejam aprender sobre coisas como milagres, prosperidade ou 
teologia. Eles moem a palavra e fazem bolos, mas no final essa comida perde a doçura 
do mel. 
 
m. O maná escondido 
O povo comeu do maná público, mas existe um maná escondido reservado para o 
vencedor. Há aqueles que perdem o interesse em comer o maná, mas para o crente 
faminto do Senhor há a promessa do maná escondido. 
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do 
maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha 
escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. Ap. 2:17 
O maná era o alimento para a edificação do tabernáculo. Sem o maná a igreja não 
pode ser edificada simplesmente porque não teremos forças para isso. 
A única coisa que o povo fez no deserto foi edificar o Tabernáculo e fizeram isso 
comendo apenas maná. 
Observe que depois de receber do maná escondido receberemos uma pedrinha 
branca. A pedra é para a edificação do tabernáculo de Deus entre os homens: a igreja. 
Mas certamente aponta para o fato de que quando comemos de Cristo somos também 
transformados em pedra para a edificação. 
 
Décimo Sétimo Dia 
A Páscoa 
 
A primeira Ceia de Cristo com os discípulos no cenáculo foi a última páscoa. Muitos 
não estão familiarizados com a Páscoa, mas ela é um tipo perfeito de Cristo. 
Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem 
fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. I Cor. 5:7 
Cada pormenor do capítulo doze de Êxodo é um retrato da redenção de Deus em 
Cristo Jesus. Em nenhum outro lugar das escrituras encontramos uma descrição tão 
detalhada da redenção de Cristo. 
No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, 
que tira o pecado do mundo! Jo. 1:29 
Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes 
resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo 
precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. I 
Pe. 1:18-19 
Leia atentamente o capítulo 12 de Êxodo e vamos juntos visualizar o quadro 
maravilhoso da nossa redenção retratada pela páscoa. 
 
1. O tempo da Páscoa - 13:4 
Êxodo 13:4 registra: “Hoje, mês de Abibe, estais saindo”. A palavra “Abibe” significa 
desabrochante, florescente, tenro e verde. Desabrochar e florescer significam o início 
da vida. No dia em que cremos no Senhor e fomos salvos, a vida começou a 
desabrochar dentro de nós. De fato, esse mês era agora o primeiro mês, pois é o 
começo de nossa vida. 
 
2. O Cordeiro Pascal 
Sem defeito - 12:5 
Êxodo 12:5 declara que o cordeiro deveria ser perfeito. Isso tipifica Cristo que é 
perfeito, sem falta (Jo 8:46). 
 
Macho de um ano - 12:5 
Êxodo 12:5 ainda menciona que o cordeiro deveria ser macho de um ano, podendo 
ser um cordeiro ou um cabrito. 
Ser de um ano é ser novo e não ter sido utilizado para nenhum outro fim. Jesus veio 
exclusivamente para ser o cordeiro de Deus. Ele nasceu para ser o sacrifício pelos 
nossos pecados. 
De acordo com Mateus 25, os cordeiros tipificam os bons e o cabrito, os maus. Cristo 
na cruz era bom ou mau? De fato, ele era ambos. À hora da crucificação, ele era tanto 
um cordeiro quanto um cabrito. Ele era o justo de Deus que se fez pecado por nós. 
Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por mim, para que nele eu fosse 
feito justiça de Deus. II Cor 5:21. 
 
Examinado por quatro dias - 12:5-6 
O cordeiro tinha de ser sem defeito, e, para isso, se deveria observá-lo durante quatro 
dias (12:5-6). Do mesmo modo, Jesus foi observado. 
Após ser aprisionado, o Senhor Jesus foi submetido a seis exames: 
Três nas mãos dos sacerdotes, que o examinaram de acordo com a lei de Deus (Mc 
11:27; 12:37; 14:53-65; Jo 18:13, 19-24), 
Três sob governantes romanos, que o testaram de acordo com a lei romana (Jo 18:28-
19:6). 
Pilatos repetiu três vezes que não achava nele falta alguma (Jo 18:38, 19:46). 
Ele passou por todos os testes e foi achado sem culpa. Por isso, no dia exato da 
Páscoa, Ele foi conduzido à morte como cordeiro pascal. Assim, a morte de Jesus foi 
o exato cumprimento do tipo. 
 
O cordeiro, depois de testado deveria ser morto 
A morte do cordeiro era substitutiva, ou seja, o cordeiro tomava o lugar do homem. 
Jesus também tomou o nosso lugar na cruz. 
O cordeiro deveria ser comido e do mesmo modo, hoje, nós nos alimentamos de 
Jesus. Em João 6, o Senhor diz que quem não come dele, não tem parte com ele, mas 
quem dele se alimenta, por ele viverá. 
 
O sangue deveria ser aplicado - 12:7 
Observe que o sangue que não fosse aplicado, não poderia livrar o israelita da 
condenação. O ato de aplicar nos fala de fé, quando eu creio no sangue, eu o estou 
aplicando, e o sangue assim aplicado tem poder para nos livrar da morte. 
O sangue era aplicado na porta pelo lado de fora, nos mostrando que o sangue não é 
para nós, mas para Deus e o Diabo. Deus, quando vê o sangue, fica satisfeito na sua 
justiça, e Satanás deve se calar de toda acusação. 
O fato de o sangue do cordeiro pascal ser posto na verga e nas ombreiras da porta 
implica que ele abre caminho para entrarmos em Cristo, que é tipificado pela casa. Os 
redimidos entram na casa, que é Cristo, pela porta borrifada com sangue. 
O mesmo sangue que abriu as portas para que os redimidos entrassem em Cristo, ou 
seja, na casa, também fechou as portas ao destruidor, guardando-os assim do 
julgamento. Todo aquele que for redimido pelo cordeiro será preservado e guardado 
pela casa. Tudo o que Cristo redime é por Ele guardado. 
 
O sangue era aplicado com o hissopo - 12:22 
I Rs.4:33 afirma que Salomão discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está 
no Líbano, até o hissopo que brota do muro. O hissopo era umas das menores plantas. 
De acordo com o Novo Testamento, o que há de menor em quantidade é a nossa fé 
(Mt.17:20). O hissopo, assim, tipifica a fé. Deus não exige que a nossa fé seja como o 
cedro do Líbano, Ele requer que tenhamos um pouquinho de fé. Se um pecador 
apenas disser de todo coração:”Senhor Jesus, obrigado por morreres por mim”,ele 
será salvo. Essa é a fé semelhante ao hissopo que brota do muro. É por meio dessa 
fé simples que o sangue é aplicado. 
O nosso ingresso em Cristose faz pela porta a que se aplicou o sangue. Quando 
utilizamos o hissopo para aplicar o sangue à porta, capacitamo-nos a entrar em Cristo. 
Após entrarmos nele, precisamos permanecer nele. Em João 15, o Senhor Jesus diz: 
“Permanecei em mim”. Permanecer nele é manter a nossa identificação e união com 
ele. 
 
Sua carne deveria ser comida - 12:8-10 
A carne do cordeiro pascal deveria ser comida para que servisse de suprimento, de 
força e de vida. O mesmo é verdade com relação ao Senhor Jesus. Em João 6, Jesus 
afirma que precisamos comer da sua carne e beber do seu sangue para viver a sua 
vida. A carne, aqui, significa a vida de Cristo. Não apenas somos salvos pelo cordeiro, 
mas vivemos cada dia por meio dele. “Quem de mim se alimenta, viverá por mim” 
(João 6:57). Com relação ao comer do cordeiro, temos de ressaltar a forma como ele 
deveria ser comido pelos filhos de Israel. 
 
3. A forma como o Cordeiro era comido 
Assado pelo fogo - 12:8 
Em primeiro lugar, o cordeiro era comido assado no fogo. O fogo, aqui, aponta para 
a ira do julgamento de Deus sobre o pecado. Quando Cristo estava na cruz, ele 
suportou o fogo da ira de Deus. 
“Meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim. Secou-se o meu vigor, 
como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca” (Sl.22:14-15). 
É por isso que Ele exclamou: “Tenho sede!” (Jo.19:28), porque estava sendo 
queimado pelo fogo do julgamento de Deus. 
 
Não cru - 12:9 
O cordeiro não podia ser comido cru. Hoje em dia, aqueles que não crêem na 
redenção de Cristo tentam comê-lo cru. Isso quer dizer que tais pessoas o consideram 
um bom exemplo de homem, mas não a redenção de Deus para nós. Isto é tentar 
comer o cordeiro cru. 
 
Não cozido com água - 12:9 
Além disso, o povo de Israel não poderia comer o cordeiro cozido em água. Comer 
Cristo assim é considerar a sua morte não como morte para redenção, mas como 
simples martírio pelas mãos dos homens. Muitos não crêem que Jesus morreu por 
nossos pecados, mas dizem apenas que Ele foi morto pelo sistema político da época. 
Tais pessoas também negam a sua divindade. 
 
Com pães sem fermento - 12:8 
Todo fermento deveria ser retirado. O fermento é sempre um tipo de pecado. O 
fermento dos fariseus (Mt.16:6). Lançai fora o velho fermento (I Cor.5:7).Se 
desejamos ter comunhão com Deus, devemos lançar fora todo fermento, ou seja, 
todo pecado conhecido e manifesto. 
 
Com ervas amargas - 12:8 
Ao mesmo tempo em que comemos o cordeiro com pão sem fermento, devemos 
comê-lo com ervas amargas. Isso simboliza que devemos arrepender-nos e 
experimentar o gosto amargo referente às coisas pecaminosas. Quando vamos ao 
Senhor como nossa Páscoa, não basta crer; é preciso também arrepender e abandonar 
o pecado. Isso nos fala de ervas amargas e fermento, respectivamente. 
 
Seus ossos não eram quebrados - 12:46 
Quando Cristo foi crucificado como nosso cordeiro pascal, suas pernas não foram 
quebradas (Jo.19:33,36). O fato de suas pernas não terem sido quebradas significa que 
no cordeiro existe algo indestrutível. Esse elemento indestrutível é a sua vida eterna. 
Podemos provar que os ossos de Cristo apontam para a sua vida. Segundo Gênesis 
2:21, o Senhor tomou um osso, uma costela de Adão e o transformou em Eva. O 
elemento do qual Eva foi feita era osso, ou seja, vida. A Igreja, a Eva verdadeira, 
também foi feita dos ossos de Jesus, ou seja, de sua vida. Essa vida que está no 
cordeiro foi transmitida para dentro de nós, quando nós comemos dele. 
 
4. Comer com lombos cingidos, com sandálias nos pés, 
com cajado na mão e às pressas - 12:11 
Esta era a maneira como o povo de Israel deveria comer o cordeiro. Enquanto 
comiam, eles estavam se constituindo em um exército. Poucos percebem logo ao se 
converterem, que entraram em uma guerra. 
Segundo Êx.12:1, eles comiam com os lombos cingidos. Antes éramos frouxos, mas 
ao nos convertermos, nos tornamos firmes e equipados, isto porque o soldado deve 
sempre estar pronto para o combate. 
Também foi dito ao povo que tivesse sandálias nos pés. Isto mostra que deviam estar 
prontos para uma jornada. Estar cingidos nos lombos é estar revestido da verdade e 
da justiça, segundo Efésios 6:14. Estar calçado é estar preparado com o Evangelho da 
paz. 
O povo também deveria estar com o cajado à mão. Esse cajado, como já dissemos, 
está estreitamente ligado com o Diabo; é para a guerra. Efésios 6:16 diz que devemos 
ter na mão o escudo da fé, para poder apagar os dardos inflamados do Diabo, e a 
espada do Espírito, para poder atacar e desfazer as obras malignas. O cajado aponta, 
então, para o ataque e a defesa espiritual: pelo escudo e pela espada (Ef.6:17). Nunca 
podemos nos esquecer que somos um exército. 
E, por fim, deveria comer às pressas. Isto nos fala que não devemos ser ligados ao 
mundo, mas estarmos sempre preparados para partir daqui. Estamos aqui de 
passagem. 
 
5. Os filhos de Israel deveriam estar dentro das casas - 
12:22 
A casa é um tipo de Cristo, assim como o cordeiro o é. Tanto a casa como o cordeiro 
apontam para Cristo, mas em aspectos diferentes. O sangue do cordeiro nos fala da 
substituição, enquanto a casa nos fala da identificação. A redenção é consumada pela 
substituição e pela identificação. É por isso que podemos dizer hoje que estamos nele, 
dentro dele. É por estarmos nele, que o Senhor vê o sangue. 
A arca construída por Noé também ilustra a identificação ou união. Noé e sua família 
entraram na arca, identificados com ela. Através desse entrar, eles foram salvos. No 
mesmo princípio, o ser redimido implica em estar na casa. Quando Cristo morreu, eu 
morri com ele, quando ele ressuscitou, eu ressuscitei com ele, e quando ele se assentou 
nos lugares celestiais, eu me assentei com ele. Eu estou nele e ele está em mim. Eu fui 
identificado com Cristo de modo que a sua morte foi também minha morte. Tudo o 
que é verdadeiro a respeito dele também o é a respeito de mim. 
E o que os filhos de Israel faziam dentro da casa? Comiam a carne do cordeiro pascal. 
Esse comer, entretanto, é chamado de festejar em 12:14. O que significa celebrar ao 
Senhor? Significa permanecer na casa e desfrutar de uma participação completa do 
Cordeiro. A alegria do Senhor é ver seu povo festejando e celebrando numa alegria 
completa. 
 
6. Os servos comprados e circuncidados podiam comê-la 
- 12:43 e 45 
Êxodo 12:43 e 45 dizem que o estrangeiro e o assalariado não podiam participar da 
Páscoa. Entretanto, os servos comprados e circuncidados estavam qualificados para 
comê-la (12:44,48). Ser comprado é ser redimido. Não somos servos contratados, mas 
fomos comprados pelo Senhor. Isso quer dizer que fomos comprados e recuperados 
pelo Senhor (I Cor 6:20). Assim, já não somos mais estrangeiros, mas redimidos. 
É fácil dizer, de maneira doutrinária, que fomos comprados. Mas, em nossa prática 
diária, podemos viver como se fôssemos contratados. O apóstolo Paulo sabia ser um 
escravo de Cristo Jesus (Rm 1:1). Ele não se considerava alguém contratado, a fim de 
trabalhar para o Senhor. Contrastando com muitos pastores e ministros, ele sabia não 
ter direito de demitir-se do serviço do Senhor. 
Em Êxodo 12:44, lemos: “Todo escravo comprado por dinheiro, depois de o teres 
circuncidado, comerá dela”. 
Todos os redimidos, comprados, devem ser circuncidados. Os circuncidados são os 
que crucificaram a carne com suas paixões e desejos. Os circuncidados não exercitam 
a força natural, a fim de trabalhar por Deus. Somos escravos comprados e 
circuncidados. 
 
7. A Páscoa era seguida pela festa dos pães asmos - 12:15-
20 
Os filhos de Israel deveriam observar a festa dos pães asmos como continuação da 
festa da Páscoa (12:15-20; 13:6-7). A festa da Páscoa durava apenas um dia, enquanto 
a festa dos pães asmos durava por sete dias. 
Durante esse período, nenhum fermento poderia ser achado entre os filhos de Israel. 
A festa dos pães asmos aponta para a nossa vida cristã depois de passarmos pela 
Páscoa. Em nossa vida cristã, nenhum fermento deveser visto. Isto significa que 
temos a responsabilidade de tratar com os pecados dos quais temos consciência. 
Sempre que descobrimos algo pecaminoso em nossas vidas, precisamos eliminá-lo. 
Isto não significa que não temos pecado. Certamente, em todos nós, há certos 
pecados dos quais não temos consciência. Tão logo, entretanto, nos conscientizamos 
dele, precisamos eliminá-lo. Devemos renunciar a todo pecado conhecido. 
Em 12:19, foi dada uma palavra forte aos filhos de Israel: 
“Por sete dias, não se ache nenhum fermento nas vossas casas, porque qualquer que 
comer pão levedado será eliminado da congregação de Israel...” 
Ser eliminado é ser cortado da comunhão. Essa palavra séria corresponde à palavra 
de Paulo em I Coríntios 5:13: “Expulsai pois, de entre vós o malfeitor”. Expulsar é 
cortar da comunhão da Igreja. 
Vemos, portanto, através desses seis pontos, um quadro completo da Páscoa segundo 
nos é apresentada em Êxodo, capítulo 12. Que o Senhor nos dê espírito de revelação, 
para termos pleno entendimento da nossa redenção em Cristo Jesus. 
 
Décimo Oitavo Dia 
A aliança de sangue 
 
Deus projetou criar na terra alguém que fosse uma expressão de si mesmo. Ele disse: 
“Façamos o homem conforme a nossa imagem e semelhança” (Gn 1:26). Deus então 
coloca esse homem na terra para expressar a sua autoridade e refletir a sua natureza e 
sua glória. 
Este homem, porém, comete alta traição contra Deus e vende-se à escravidão do 
pecado, tornando-se escravo de Satanás. Mas Deus, por causa do seu grande amor, 
não desiste do homem e declara o seu plano ao inimigo: “Tu fizeste uma aliança com 
o homem, usando a mulher e, pelo engano, entraste na Terra. Pois eu te digo: eu usarei 
a mulher e colocarei dentro dela a minha semente. Eu trarei à Terra um outro filho. 
Este filho será gerado da minha semente, não da semente do homem, porquanto a 
semente do homem foi corrompida; mas eu colocarei a minha semente dentro da 
mulher e esta semente virá, será um homem, porque eu dei a Terra aos filhos dos 
homens, esta semente vai destruir o seu poder” (Gn. 3:15). 
Dois mil anos se passam sobre a Terra, e Deus começa a pôr em operação o seu 
plano. É um plano que virá através de uma aliança de sangue. 
O primeiro sangue derramado na Bíblia foi no próprio jardim do Éden. Foi Deus 
mesmo quem imolou o primeiro cordeiro, e fez cair o seu sangue sobre a terra. Por 
quê? Existia uma aliança entre Deus e Adão. Como o homem quebrou a aliança ele 
deveria morrer, mas o cordeiro morreu no seu lugar. 
Muitas pessoas pensam que aliança é o mesmo que um contrato. Num contrato 
existem cláusulas de rescisão, mas uma aliança não pode ser quebrada. A pena para 
aquele que quebra a aliança é a morte. Adão, porém, não morreu, mas Deus matou o 
cordeiro no seu lugar e com a sua pele fez roupas para o homem e sua mulher. 
A marca daquele sangue no Éden percorre toda a Bíblia até ao Apocalipse; onde, por 
vinte e oito vezes Jesus Cristo é chamado o cordeiro de Deus. 
A vida está no sangue. Onde há derramamento de sangue, significa que houve 
derramamento de vida. A aliança de sangue que existia entre os povos antigos, nasceu 
no coração de Deus. 
 
O que é uma aliança de sangue? 
Uma Aliança de sangue é um contrato entre duas pessoas, tão sagrado que jamais 
poderá ser quebrado, sob pena de morte. Por esse contrato, todas as coisas se tornam 
em comum: o que é meu se torna seu; o que é seu se torna meu. Meus bens são seus, 
seus bens são meus; minhas dívidas são suas, suas dívidas são minhas. Eu não preciso 
lhe pedir coisa alguma, posso chegar e pegar, são minhas. 
Todos os povos da antiguidade conheciam a aliança de sangue e ainda hoje povos 
africanos e orientais ainda praticam a aliança de sangue. Satanás sabe do poder que 
existe atrás de uma aliança de sangue (ou pacto) e ele também faz alianças de sangue. 
A máfia, o ocultismo, a maçonaria conhece o poder que existe atrás desta aliança, pois 
sabem que é sagrada, por isso fazem pactos de sangue. Mas, aliança de sangue nasceu 
em Deus. 
Várias eram as cerimônias que os judeus, os hebreus, seguiam, quando faziam uma 
aliança com uma pessoa. A primeira delas era a troca da túnica. A túnica simboliza a 
vida e quando eu tiro a túnica e lhe dou, isso significa que estou lhe dando a minha 
vida. 
Outra forma era a troca do cinto, que servia para ajustar a arma e fala de segurança, 
e, quando trocavam o cinto, estavam dizendo: dou-lhe a minha defesa e a minha 
proteção. Quem luta contra você, luta contra mim. 
Uma terceira cerimônia era o sacrifício do cordeiro. O animal era morto e cortado em 
metades, então uma metade era colocada de frente a outra; e os dois parceiros de 
aliança caminhavam por entre as partes, formando a figura de um oito, que representa 
o infinito. O símbolo é este: eu morri e você também morreu; e agora começamos 
uma nova vida como parceiros de aliança; e esta aliança é eterna. 
Outra cerimônia era o corte da mão ou do pulso. As duas pessoas misturavam o 
sangue declarando que a vida de ambos agora estava misturada. 
Depois eles partiam o pão e bebiam do cálice. Ao comerem juntos estavam dizendo: 
a minha vida está entrando na sua e a sua vida está entrando na minha; somos irmãos 
de sangue, irmãos de aliança. 
Por fim eles trocavam os nomes. Eu recebo o seu nome e você passa a usar o meu, 
significando que eu tenho direito a tudo quanto o seu nome tem direito. Então, os 
termos da aliança eram escritos, e em todos eles existiam duas partes: as bênçãos da 
aliança e as maldições da aliança. 
 
Só um filho do homem pode agir legalmente na terra 
Quando Deus veio ao encontro do homem, ele não veio pelo engano, veio pela aliança 
de sangue. A palavra aliança em hebraico é “berite”, que significa cortar com 
derramamento de sangue e caminhar por entre as partes. 
Deus tinha um plano de trazer a sua semente à terra. O Salmo 115:16 diz que “Os 
céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.” Isso 
significa que somente o homem tem direito legal de agir na terra. 
Isso significa que sendo a terra dos homens, um homem teria de ser o instrumento 
da redenção. Mas este homem não poderia ser filho de Adão, porque a semente de 
Adão estava contaminada pelo pecado, e cada semente produz de acordo com a sua 
espécie. Mas tinha de ser homem. E é aqui que está a sabedoria de Deus, que não 
viola a sua palavra, de entrar legalmente no planeta Terra, pela porta. 
Em João 10:1, Jesus fala de duas portas. Ele diz que o ladrão não entra pela porta: “O 
que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é 
ladrão e salteador”. Jesus está falando de Satanás nesse versículo. O aprisco é a Terra, 
as ovelhas são os filhos dos homens e a porta de entrada na terra é o nascimento 
físico. Satanás não nasceu aqui. Ele não é filho do homem; entrou por outra porta, 
tomou emprestado o corpo da serpente. O Senhor, porém, diz no verso 3: “O Pastor, 
esse entra pela porta e o porteiro lhe abre a porta”. O porteiro é o Espírito Santo de 
Deus. Jesus entrou na terra pela porta. 
A partir de Gênesis 12 Deus chama Abraão com a intenção de fazer uma aliança com 
ele. Por meio dessa aliança Deus vai abrir uma avenida legal de entrada, pela porta, 
no planeta Terra. Deus tem em vista a sua semente. E, a partir de agora, tudo o quanto 
Deus fizer na terra, terá em vista a sua semente, o Cristo. 
 
A nova aliança procede da aliança abraâmica 
Em Gênesis 12 Deus chama a Abraão e lhe diz: 
Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; 
de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma 
bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em 
ti serão benditas todas as famílias da terra. 
Ao chamar Abrão, Deus não tem em vista a descendência física de Abrão, mas ele 
tem em vista a sua própria semente, que viria através da descendência de Abrão. É 
isto que Paulo afirma em Gálatas 3. 
“Irmãos, falo como homem.Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma 
vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. Ora, as promessas 
foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se 
falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo (Gl. 
3:15-16). 
Quando Deus olha para Abrão, ele está vendo a sua semente, que será homem e que 
esmagará a cabeça da serpente. 
Deus então faz uma aliança com Abrão e segue todos os rituais que mencionei 
anteriormente. Primeiro Deus chega para Abrão, e ao invés de dar-lhe a túnica, diz: 
“eu sou o teu escudo, quem luta contra ti, luta contra mim” (Gn 15:1). 
Depois Deus manda que Abraão sacrifique os animais. Ele manda que ele pegue três 
animais da terra e duas aves; a aliança é com o Pai, com o Filho e com o Espírito. 
Abraão parte os animais ao meio e coloca as metades, uma defronte a outra (Gn. 
15:9,10 e 17). 
Abraão espera que Deus comece a vir para caminhar por entre as partes. Enquanto 
espera aves de rapina começam a vir para comer as carnes. Esse é o símbolo de 
Satanás, que quer destruir a aliança, antes mesmo que ela aconteça. Mas, Deus diz: 
“Abrão, você vai dormir, porque esta aliança não tem nada a ver contigo. 
Enquanto Abrão dorme, Deus estabelece uma aliança. Quando Abrão acorda ele vê 
que há duas pessoas caminhando por entre as partes; mas o que ele vê? Um fogareiro 
fumegante e uma tocha de fogo. O fogareiro fumegante é Deus-Pai, é assim que Ele 
se apresenta no Sinai, e a tocha é Jesus. Jesus toma o lugar de Abrão, para fazer uma 
aliança com Deus. Por que Deus não poderia caminhar por entre as partes, com 
Abrão? Porque, numa aliança, tudo que é seu se torna meu; Abrão era pecador, e 
Deus não pode se misturar com o pecado. Mas o Senhor Jesus toma o lugar do 
homem e é assim que a aliança se torna entre Deus e o homem, mas, ao mesmo 
tempo, entre Deus e Deus. 
Deus também ordena que Abrão se circuncide na carne do seu prepúcio, como um 
sinal de aliança perpétua entre ele e suas gerações. E alguém pode perguntar: “Por 
que a cicatriz da aliança não foi na palma da mão, mas no órgão reprodutor?” Porque 
a aliança era com Abrão e a sua descendência, até chegar à semente; a quem as 
promessas foram feitas e em quem todas as nações da Terra seriam abençoadas. 
Deus também muda o nome de Abrão como sinal da aliança. Ele retira parte do seu 
próprio nome e acrescenta no nome de Abrão. No hebraico, o nome de Deus tem 
quatro consoantes – YHWH, é o impronunciável. Dentre estas quatro letras do nome 
de Deus, o “H” que corresponde ao “H” do nosso alfabeto, aparece duas vezes. É 
exatamente aquela letra aspirada “Ah”. E agora no meio de Abrão, Deus coloca o 
“Ah”. E Abrão passa a ser Abrahão. 
Tudo isso foi feito para que a bênção de Abrahão chegasse até aos gentios e 
recebêssemos o “Ah”, pela fé. Esse “Ah” é o sopro de Deus, o Espírito de Deus, a 
vida de Deus. Esse é o plano! Deus também acrescenta ao seu nome o nome de 
Abraão. Deus passa a assinar “Deus de Abraão”, esse é o seu sobrenome e significa 
que tudo o que é de Abraão é meu; e Abrahão significa: Tudo o que é de Deus é meu. 
Essa é a aliança de sangue! 
 
Deus nada negará a Abraão, mas será que Abraão nada 
negará a Deus? 
Os dois se tornam cabeça de aliança. Deus agora tem um homem na terra. Ele está 
entrando legalmente no planeta terra, via aliança de sangue. Os filhos de Abraão serão 
filhos de Deus. É a partir daí que a revelação de Deus começa a ser transmitida, 
porque Deus tem homens na Terra. É por isso que Deus, ao destruir Sodoma e 
Gomorra, diz: “Posso ocultar o que estou para fazer, a Abraão? De modo algum. 
Nada faço na terra sem antes conversar com o meu parceiro de aliança”. 
É por isso que, quando Deus avisa a Abraão que vai destruir Sodoma e Gomorra, 
quem estabeleceu limites foi Abraão, e não Deus. Abraão disse: “Tu não vais destruir 
o justo com o ímpio!? Se houver cinqüenta justos?” Deus disse: Tudo bem! Mas pode 
ser que faltem cinco, quarenta e cinco? Sim, Senhor – Mas e se houver quarenta? E 
se houver trinta? Oh! Só mais uma vez: dez!” Deus disse: “Tudo bem, dez”. Quem 
limitou? Foi Abraão (Gn 18:25-33). Quando você entender isso, não haverá limite 
para a intercessão. Quando Deus subverteu as cidades de Sodoma e Gomorra, diz a 
Palavra que “lembrou-se de Abraão e salvou a Ló”. Deus salvou a Ló por causa da 
sua aliança com Abraão (Gn 19:29). 
Está claro que Abraão terá tudo de Deus na Terra, mas perante o tribunal eterno, 
perante as cortes celestiais, perante Satanás, seus príncipes poderiam surgir uma 
dúvida para questionar a validade da aliança: será que Deus teria tudo de Abraão? Se 
Deus não pudesse ter tudo de Abraão, a aliança não seria válida. 
É aí que vem a tremenda prova da aliança, do capítulo 22 de Gênesis. Deus deu a 
Abraão um filho. Que filho foi esse? Um filho gerado da promessa – da Palavra viva. 
A palavra é a semente, e a Palavra produz exatamente o que ela diz. 
Quando Sara tinha oitenta e nove anos, e Abraão noventa e nove, o útero de Sara 
estava morto, envelhecido, mas o Anjo do Senhor libera a Palavra e diz: “dentro de 
um ano, tu darás à luz um filho” (Gn 18:70). E a Palavra, que é vida, penetra no útero 
morto de Sara, e o filho da promessa vem: Isaque. Ele é único. Ele é amado. Lembre-
se que tudo o que Deus faz tem em vista sua própria semente. Um dia, Deus mandará 
um anjo do céu a uma filha de Abraão; seu útero será virgem, mas o anjo trará a 
Palavra e dirá: “darás à luz um filho” (Is 7:14; Mt 1:23). E essa palavra vai entrar no 
útero da virgem e vai fazê-lo conceber, e o filho da promessa virá à Terra, a palavra 
se fará carne e habitará no meio de nós, será a semente de Deus na Terra. 
Jesus viria da semente da mulher, semente de Deus, não de Abraão, porque a semente 
de Abraão está corrompida. A aliança lhe permitirá fazer isso porque se Abraão 
recebeu alguma coisa, Deus também pode receber. 
De acordo com as regras da aliança Deus diz: “Abraão, dá-me teu filho. Teu único 
filho, a quem amas, em sacrifício”. Ele não hesita, porque é homem de aliança. E 
quem está em aliança, não precisa pedir; diz e está feito. Os céus estão em suspense, 
os anjos de Deus aguardam; é a ratificação da aliança. Terá Deus do homem tudo o 
que quiser, como o homem tem tudo de Deus? 
Abraão não hesita. Ele mesmo toma o seu filho, seu único filho e por três dias eles 
vão em direção ao monte do sacrifício (Gn 22:1-4). E durante aqueles três dias a 
sentença de morte está sobre a cabeça de Isaque. Cada vez que Abraão olha para ele, 
Abraão o vê no altar imolado. Mas, em chegando ao pé do monte, Abraão se dirige 
para os seus servos e diz: “ficai aqui, (Gn 22:5) enquanto eu e o rapaz iremos adorar 
e depois de termos adorado, voltaremos para vós”. Como voltará com ele? – Não sei, 
mas voltarei. Deus disse que “em Isaque será chamada a tua descendência. E Deus 
não mente. Eu vou fazer o que Deus me ordenou e Deus fará o que ele prometeu.” 
O autor aos Hebreus diz que, quando Abraão foi posto à prova, não hesitou em dar 
o seu único filho, porque sabia que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre 
os mortos, de onde, em figura, o recobrou, embora Abraão não tivesse um único 
testemunho da história de um morto ressuscitado (Hb 11:17-19). Diz a escritura que 
“Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça” (Rm 4:3). O sentido 
exato dessa Palavra no original é este: “Abraão se entregou a Deus com tudo o que 
era e o que viesse a ser”. 
Abraão levanta a mão, está pronto para imolar Isaque. Mas algo acontece antes desse 
momento cruciante; é a pergunta de Isaque: “Pai, onde está o cordeiro para o 
holocausto?” (Gn 22:7). Não tenho dúvidas de que a Trindade nos céus se inclinou. 
Os anjos, os querubins estavam todos voltados para o que estava acontecendo. 
Passará Abraão na prova? E quando Isaque diz “onde está o cordeiro?” A imagem do 
cordeiro sobe até o trono, pois Deus tem a visão do cordeiro que foi morto desde a 
fundação do mundo. “Onde está o cordeiro?” Abraãolevanta seus olhos para o céu. 
Como profeta, como parceiro de aliança, ele pode dizer agora o que quer de Deus. E 
Abraão então profetiza: “Deus proverá para si mesmo o cordeiro, meu filho” (Gn 
22:8). 
Soou a voz da Terra até o trono de Deus. O homem da aliança profetiza: “meu filho, 
chegará o momento em que Deus proverá o seu próprio cordeiro. O Filho de Deus 
será o seu cordeiro. Eu estou dando o meu filho e Deus dará o dele”. E coloca naquele 
monte o nome “Jeová Jireh”: o Senhor proverá. Proverá o quê? O cordeiro. 
Quando Abraão levanta a mão para imolar o cordeiro, brada a voz do Senhor, do céu 
dizendo: “Abraão, não faças nada ao menino, porque agora sei que temes a Deus” 
(Gn 22:12). No reino do Espírito, diante do tribunal eterno, perante as hostes 
celestiais está comprovado: Deus terá tudo o que quiser de Abraão. Deus tem tudo 
do homem, a aliança está selada. O homem terá tudo de Deus, mas Deus também 
terá tudo do homem. Os propósitos de Satanás serão frustrados. 
Satanás tentou discutir com Deus, dizendo que o homem seria incapaz de obedecê-
lo, e quando houve um homem justo na terra, Jó, Satanás disse: “pudera, tu o cercaste 
com sebe, tu o encheste de riquezas. Tira tudo isso e veja se ele não blasfema na tua 
cara” (Jó 1:9-10). Depois de tudo, quando já não tinha mais nada, nem bens, nem 
filhos, nem saúde, tinha apenas uma mulher ranzinza, que ficava ao pé do seu ouvido, 
como goteira irritante dizendo: “amaldiçoa ao seu Deus e morre”. Era a voz do Diabo 
(Jó 2:9). Jó, porém, se levanta e diz: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim 
se levantará sobre a terra e, ainda na minha carne, verei a Deus” (Jó 19:25-27). 
Está provado diante dos tribunais eternos que haverá na terra homens que darão tudo 
a Deus, a despeito de todas as coisas. Creio que cada um de nós hoje deve se sentir 
feliz. Adão estava no Éden, com a glória de Deus, e obedeceu a Satanás, nós nascemos 
da maldade, mas quando a voz do Todo-Poderoso chegou aos nossos ouvidos, nós, 
nascidos da escravidão do pecado, dissemos não a Satanás, renunciamos ao mundo, 
e corremos para o Senhor Jesus. 
Abraão olha e vê um carneiro (Gn 22:13). O carneiro foi o substituto para o filho de 
Abraão, mas Deus não teria um substituto para o seu. Bradou segunda vez a voz do 
Senhor e disse: “Jurei por mim mesmo, diz o Senhor”. Que é isso? O juramento da 
aliança. Numa aliança solene, havia um juramento, e os escritos aos hebreus declara 
que quando Deus quis confirmar a promessa com juramento, não havendo alguém 
maior do que ele, por quem jurar, jurou por si mesmo (Hb 6:13,14). O que isso 
significa? Cumpro a aliança ou morrerei. E como Deus não pode morrer, a aliança 
não pode ser quebrada. 
“Porquanto ouviste a minha voz e não me negaste teu filho, Abraão, teu único filho, 
porquanto, o que significa? Abraão, isto que acabas de fazer me coloca numa posição; 
eu posso fazer agora o que te vou dizer: vou te abençoar, multiplicarei a tua 
descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar. Quem é este 
descendente de quem Deus fala no monte Moriá? Cristo Jesus. E o teu descendente 
possuirá a porta do seu adversário (Gn 22:16,17). Essa é uma expressão idiomática. É 
a mesma bênção que Labão impetra sobre Raquel, quando a despede: Que a tua 
descendência possua a porta dos seus adversários. Significa que luto contra os meus 
adversários e os venço e me coloco à sua porta, como Senhor. 
Deus tem em vista o Cristo. Ele está vendo o Cristo sendo gerado através da 
descendência de Abraão. E diz, em outras palavras: “Abraão, porquanto tu não me 
negaste teu filho, o teu único filho a quem amas, eis que me colocas na posição de 
trazer à terra o meu filho amado, gerado das tuas entranhas, através de uma virgem 
que sairá dos teus lombos e esse meu filho esmagará Satanás, lutará contra ele e se 
colocará na porta do inferno como o Senhor da vida e da morte. E nele, todas as 
famílias da Terra serão abençoadas, porquanto ouviste a minha voz”. Está selada a 
aliança; está estabelecida no céu e na terra. Agora, Deus vai agir até o cumprimento 
dessa aliança. 
Quatrocentos anos se passam o os descendentes de Abraão descem ao Egito e ali se 
multiplicam. Deus levanta Moisés que os leva ao deserto e ali no monte Sinai Deus 
vem em pessoa, dá as tábuas da aliança escritas pelo seu dedo, e as entrega aos filhos 
de Israel. E partir dali os profetas começam a anunciar: “há um filho que vem, há um 
filho que vem”. 
Deus nada faz na Terra antes que seja falado pela boca de um homem; e o profeta 
declara: “Este será o sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será 
Emanuel, que significa Deus conosco (Is 7:14)”. “O governo, e o principado estarão 
sobre os seus ombros. Ele vai reinar sobre a terra. Um filho nos nasceu. Um menino 
se nos deu (Is 9:6). Sim! Um homem há de vir. 
Durante quase 1500 anos, todos os anos, fielmente, os judeus se reuniam para 
comerem o cordeiro. Era a comemoração da Páscoa, que significa “passar por cima”. 
No tempo em que o povo de Israel foi escravizado no Egito, Deus enviou seu juízo 
sobre aquela nação na forma de dez pragas. Por ocasião da última praga Deus ordena 
a Moisés: “cada família tome um cordeiro. O cordeiro seja sem defeito, macho, de 
um ano. Imolareis o cordeiro no crepúsculo da tarde; tomareis o sangue e o colocareis 
nos umbrais e nas vergas da porta, e esse será um sinal”, o sinal do sangue do cordeiro. 
Mas a carne será assada no fogo, para que seja comida. O sangue será vertido, para 
que o povo seja liberto da morte que virá sobre o Egito, e a casa de Israel não é 
inocente. Mas o sangue do cordeiro fará diferença. Na porta, onde estiver a presença 
do sangue, a morte não há de entrar. A carne, porém, será para benefícios físicos, é 
para comer. 
Aquilo que eu como se transforma no sangue que circula nas minhas veias, a vida está 
no sangue e o sangue é a vida. O alimento que eu como se transforma no sangue que 
me dá vida e energia. O cordeiro seria comido e entraria nas suas veias e, quando eles 
comessem o cordeiro, algo aconteceria. Por isso Deus ordenou “assim comereis: 
lombos cingidos, sandálias nos pés, cajado na mão, prontos para partir” (Ex. 12). 
No Egito, eles eram um grupo de escravos, pobres, doentes e oprimidos, mas quando 
comeram o cordeiro, a sua condição foi alterada. O Salmo 105:37 diz que quando eles 
saíram do Egito, partiram com prata e com ouro, com vestes e coisas preciosas, e 
entre as suas tribos não havia um só fraco, inválido ou doente. Quando sua sorte foi 
alterada? Quando comeram o cordeiro. E diz o Salmo 107:19-20: “clamaram ao 
Senhor e Deus enviou a sua Palavra e os livrou do que lhes era mortal”. A Palavra é 
o cordeiro, e o cordeiro é Jesus. 
Quando o anjo da morte passa, são libertos da destruição, mas, mais do que isso, eles 
são sarados; a carne do cordeiro entra em suas entranhas e se torna vida e saúde para 
eles. E eles partem, vão pedindo aos egípcios prata, ouro, vestes; encontram graça, 
saqueiam o Egito e partem – não mais como escravos, mas como homens livres, ricos 
e saudáveis. Com a força da carne do cordeiro, caminham rumo ao deserto, até que 
choveu maná do céu. 
 
A vinda do filho prometido 
Na plenitude dos tempos o anjo de Deus vem até à cidade de Nazaré, onde se 
encontra uma filha de Abraão. Lembra da aliança? “Tudo o que é de Abraão é de 
Deus”. Ele traz a semente. “Salve agraciada, o Senhor é contigo. Não temas, darás à 
luz um filho, seu nome será: Yeshua Ramashia – o Messias de Israel, o Redentor, o 
cordeiro, o filho da promessa, que será oferecido pelo Pai, segundo profetizou 
Abraão. 
“Como?” Pergunta Maria, “não conheço nenhum homem!?” “O Espírito te cobrirá 
com a sua sombra. Pelo que o ente santo que de ti há de nascer, não será chamado 
filho de Adão, mas será chamado filho de Deus, porque a semente de Deus está 
entrando pela porta, como homem” (Lc 1:28-35). 
O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, 
que o será para todo o povo:é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, 
que é Cristo, o Senhor. Lc 2:10,11. 
Anjos proclamam do céu. Magos do oriente correm até Jerusalém, perguntam a 
Herodes: onde nasceu o Rei dos judeus? O inferno se agita, pois por quatrocentos 
anos, nenhum profeta tinha se levantado. Os magos dizem: “nós vimos a sua estrela 
no oriente e viemos para adorá-lo”. 
Satanás entra em Herodes para matar a semente de Deus. Mas ele não entendeu o 
mistério da encarnação. Ele não podia matar Jesus. Por quê? O salário do pecado é a 
morte, e Jesus foi concebido sem pecado. Jesus jamais pecou. A morte não tinha 
poder sobre ele. Ele morreria, quando decidisse que ia morrer (Jo. 10:17-18). 
Herodes manda matar as crianças de Belém, mas Deus fala com José em sonho (Mt 
2:13) e ele foge com a semente para o Egito. Satanás acha que matou a semente. Ele 
não é onisciente e nem onipresente. Ele não viu o que Deus fez e nem sabia que a 
semente foi gerada de Deus. 
Anos depois se levanta uma voz no deserto dizendo: “arrependei-vos, porque está 
próximo o reino dos céus” (Mt 3:2) “Está no meio de vós um que é antes de mim. 
Eu não sou digno nem de desatar as correias das suas sandálias. Eu estou batizando 
aqui com água, para arrependimento, mas este que está vindo é maior do que eu, e ele 
batizará com o Espírito Santo e com fogo. Todo o inferno se colocou de prontidão 
às margens do Jordão. Quem é ele? 
Um dia, um homem de Nazaré vem no meio da multidão, misturado entre as pessoas, 
homem pacato que crescera em Nazaré, manifestando a vida de Deus; mas ninguém 
sabia quem ele era. 
Quando João olha para ele diz: Eu é quem devo ser batizado por ti, tu vens a mim? 
(Mt 3:14). Por que João disse isso? Ele era primo de Jesus e certamente conhecia sua 
vida santa. Naturalmente João admirava seu primo Jesus, e via nele uma vida linda. E 
quando Jesus chega, João diz: “estou pregando o batismo para arrependimento, me 
sinto nada diante de ti. Eu te conheço, primo. Eu não vou te batizar. Durante todos 
estes anos nunca vi nenhuma mancha em ti. Tu és alguém muito especial. Não vou te 
batizar, eu é que preciso de arrepender-me, mas, em ti não vejo mancha alguma. Jesus 
disse: “deixa por enquanto, porque a nós convém cumprir a justiça de Deus” (Mt 
3:15). 
João imerge Jesus e no momento em que ele o levanta das águas os céus se abrem e, 
se um dia um anjo, que assiste no trono de Deus, chegou a Maria para anunciar que 
o Filho vinha; se o coral de anjos veio para anunciar aos pastores que ele tinha 
chegado; Deus-Pai toma a si a missão sublime de anunciar à Terra o início da sua 
missão. Sua voz ecoa do trono da graça, enche os céus, a terra e as regiões celestes: 
“este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer. É ele o meu Filho” (Mt 3:17). E 
João vai à frente e grita: “É ele o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 
1:29,36). É ele! Eu vi o Espírito Santo descendo sobre ele! 
Satanás e seus anjos ouviram, é este o filho de Deus. O inimigo encontrou o primeiro 
homem, Adão, de estômago cheio; mas encontrou o último Adão de estômago vazio, 
no meio das feras, com fome (Mt 4:1-11). E Jesus olha para Satanás e diz: “Arreda, 
Satanás. Não estou aqui para fazer aliança contigo. Estou aqui para esmagar a tua 
cabeça. Eu estou aqui para brigar contigo, e pela violência do reino de Deus, que já 
chegou, tu serás expulso. 
Dali partiu Jesus, para a Galiléia, no poder do Espírito Santo. Onde ele viu um doente: 
sê sarado! Onde viu demônio: sai correndo! E os demônios lhe obedeciam. Onde ia 
Jesus, ele desfazia as obras do Diabo, anunciando: “o reino dos céus já chegou! (I Jo 
3:8). E o reino de Deus está dentro de vós. O governo de Deus começa a entrar 
dentro do coração do homem para transformá-lo (Lc 17:21). 
Mas o Senhor veio para ser o nosso cordeiro pascal. E para a Páscoa cada cordeiro 
tinha de ser inspecionado por quatro dias completos, antes de ser imolado. Três dias 
completos, no quarto dia era imolado. 
Havia um costume em Jerusalém, os levitas criavam cordeiros que já nasciam para 
morrer. Quando os peregrinos vinham, em cada época da Páscoa, eles entravam no 
décimo dia do mês pelo portão das ovelhas, trazendo os cordeirinhos, que eram 
vendidos para o sacrifício. Seguia-se o período de três dias completos, em que eles 
eram inspecionados; depois, então, eram apresentados ao sacerdote, para que o 
sacerdote declarasse se o cordeiro era próprio para o sacrifício. 
Jesus é o cordeiro de Deus que nasceu para morrer. E no mesmo dia, quando os 
cordeiros entravam pelo portão das ovelhas em Jerusalém, Jesus entrou também pelo 
portão dourado, para ser inspecionado. E assim como os cordeiros eram vendidos 
para o sacrifício, o cordeiro de Deus também foi vendido para a nossa redenção. 
 
O cumprimento da Aliança 
Todos os anos os judeus se reúnem para comemorarem a Páscoa. Dentro de um 
saquinho, com três compartimentos, são colocados três pães, cada um num dos 
compartimentos: um, no meio, outro, e um terceiro. Se alguém perguntar: o que isso 
significa? Eles dirão que é o pão de Abraão, o pão de Isaque e o pão de Jacó. Mas na 
hora de partir o pão eles pegam o pão do meio, o de Isaque, mas não sabem porquê. 
Isaque é o filho de Abraão. E é o Filho de Deus que será partido. Cada Páscoa, eles 
partem o pão do meio, sem saber o que o filho de Abraão foi oferecido para que o 
Filho de Deus também o seja. 
No dia da Páscoa Jesus entra no cenáculo para comer a refeição da nova aliança. Ele 
está com as suas vestes. É o filho de Deus que chega coberto com o manto da justiça 
de Deus. Ele chega, pega o pão do meio, e desvenda o mistério: “Isto é o meu corpo 
que é partido por vós” (Lc 22:14), dá de comer aos discípulos, e ele come do mesmo 
pão. Isso significa: “tua vida está entrando na minha”. Ele pega o cálice e diz: “este é 
o cálice da nova aliança no meu sangue (Mc 14:22-24)” e dá de beber ao homem e ele 
bebe do mesmo cálice. Nesta hora em que Jesus bebe do mesmo cálice há uma 
transferência, a vida do homem que está contaminada é transferida para Jesus. 
Na hora em que ele comeu o pão e bebeu o cálice, tudo o que era do homem (morte, 
pecado, doença, maldição), foi transferido para Jesus. Este é o cordeiro de Deus. É o 
bode expiatório sobre quem os pecados da humanidade cai. Nesta hora, Jesus se torna 
o que o homem é. Ele, agora, deve comparecer perante o sumo sacerdote. Quem vai 
ali? Não é o filho de Deus, é o homem pecador. Agora, ele pode morrer porque se 
fez pecado (II Cor 5:21). A comida do homem entrou em suas veias. E ele chega 
diante do sumo sacerdote, ele é o cordeiro, e o sumo sacerdote diz: “Réu de morte!” 
Em outras palavras: “o cordeiro é próprio para o sacrifício. Pode morrer”. 
Mas este cordeiro de Deus não será imolado apenas pela casa de Israel; seu sangue 
será vertido pela humanidade inteira, por todas as nações da Terra. Então é necessário 
que ele compareça perante o representante das nações gentílicas. E ele vai até Pilatos, 
autoridade romana. Pilatos olha para ele e diz: “não vejo nele crime algum (Lc 23:4). 
Em outras palavras: “o cordeiro é limpo, pode morrer”. 
Mas este cordeiro de Deus será oferecido pelos seus inimigos também; será oferecido 
pelos traidores e por todos os pecadores. E, então, vem Judas que o trairá. Judas então 
declara: “é sangue inocente!” (Mt 27:4). Em outras palavras: “o cordeiro é limpo, é 
próprio para o sacrifício; eu o conheço, ele pode morrer”. 
Quem vai ali? Não é outro senão eu e você. É o nosso pecado. Mas foi o Pai mesmo 
quem o entregou e, assim como Isaque, ele carrega sobre os seus ombros o lenho do 
sacrifício. Eis o filho de Deus carregando sobre os seus próprios ombros o lenho (a 
cruz), sobre o qual será sacrificado. 
Quando ele é suspenso entre os céus e a terra, e Deus olha para o calvário, quem vê 
lá? Não é o seu filho, é o homem pecador. Aquela é a oferta queimada no altar. Aquela 
é a oferta do pecado morrendo fora da porta (Ex 29:14). É o pecado da humanidade 
inteira, por isso Deus volta as costas e Jesus morre a nossamorte. Morre 
espiritualmente, é separado de Deus e brada: “Deus meu, Deus meu, porque me 
desamparaste? (Mt 27:46). É aí que as minhas doenças, minha maldição estão 
queimando sobre ele no Calvário. 
Isaías viu o que ninguém mais viu, lá no capítulo 53, ele estava desfigurado; nem 
parecia mais um homem, porque as dores se contorciam, as dores, as enfermidades, 
tudo o que era do homem caiu sobre ele na cruz. Ele se agoniza com horrores do 
inferno, como é descrito no Salmo 22. 
O Sol recusa-se a brilhar sobre o Calvário. Há trevas sobre a Terra. O pecado da 
humanidade inteira cai sobre aquele homem. Seis horas se passam. Deus deu a terra 
aos filhos dos homens por seis dias. Seu sacrifício cobre todos os homens por seis 
dias. São seis períodos durante os quais ele se agoniza naquela cruz. 
Mas vai chegando a hora do sacrifício no templo. Seis horas da tarde! E o ritual no 
templo é o mesmo do Calvário. O sumo sacerdote primeiro oferece a oferta 
queimada, e depois, por que é dia de expiação anual, ele leva o sangue da aliança até 
ao Santo dos Santos. Durante esse trajeto ninguém pode tocar nele, senão ficará 
imundo. Uma vez por ano, ele faz a mesma coisa, e entra no Santo dos Santos levando 
o sangue do cordeiro. Mas desta vez tudo é diferente no templo. Trevas cobrem a 
Terra. E, após oferecer a oferta queimada, há silêncio no templo. Todos os adoradores 
esperam lá fora silenciosos, para saberem se Deus vai aceitar o sacrifício. Quando 
começa a marchar para o santo dos Santos, brada a voz do cordeiro no Calvário: “Está 
consumado!” (Jo 19:30). Em outras palavras: “Terminou!” Terminou o quê? A velha 
aliança. O último sacrifício de Deus está sobre o altar, o Filho de Deus mesmo está 
sobre o altar. E na hora exata, em que o sumo sacerdote vai marchando, brada a sua 
voz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23:46). Nesta hora, a mão 
invisível do Todo-Poderoso pega o véu que separa o Santo dos Santos do lugar Santo 
e o rasga de alto a baixo. O caminho para o céu está aberto. O caminho do santuário 
está escancarado. Há um grito no templo: “Vamos morrer”. Mas ninguém morreu, 
todos viram o lugar santíssimo. Todos viram a arca da aliança, mas ninguém morreu. 
Por quê? Deus acabava de sair do santuário feito pelas mãos humanas, para mudar de 
residência; passaria a morar no coração de todo aquele que fosse lavado pelo sangue 
do cordeiro. 
Deus tinha dito a Abraão: “circundarás a carne do seu prepúcio” (Gn 17:11). Abraão 
derramou o sangue da aliança, mas Deus não havia derramado o seu. Mas este sangue 
agora está sendo derramado, e é por isso que Atos 20:28 fala do sangue de Deus, com 
o qual ele comprou a Igreja. O sangue que estava em Jesus era o sangue de Deus, 
porque a semente que o gerou na terra era a semente de Deus. 
Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu 
bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio 
sangue. At. 20:28 
Mas naquela hora Jesus vai à região dos mortos (Is 53:9). Ele tem o seu lugar na região 
dos ímpios. Satanás certamente não conseguiu entender o fato de Deus ter voltado as 
costas quando a morte veio sobre Jesus. Ele pensa que de alguma maneira, ele pecou. 
O Salmo 22 é a descrição de Jesus no hades. Mas quem estava ali era o nosso pecado 
sendo julgado. Satanás se regozija, os demônios festejam, eles pensam que destruíram 
o Filho de Deus. A verdade, porém, é que o pecado é que foi destruído. 
O filho de Abraão teve a sentença de morte por três dias. Ao fim do terceiro dia, disse 
Deus do seu trono de graça: “a dívida está paga, o pecado está destruído. E o Espírito 
de Deus – o autor da vida – vem descendo do trono para penetrar os portões do 
hades. A luz de Deus penetra no inferno e ouve-se o grito de Deus: “meu filho está 
aí ilegalmente. Basta!” E o espírito de vida se move em Jesus. O pecado está vencido. 
Jesus ressurge. Ele venceu! Ele morreu, seu calcanhar foi ferido, mas eis que vive – o 
calcanhar está sarado – e agora ele chega no trono de Satanás e esmaga a cabeça da 
serpente (Gn 3:15). Ele arranca de suas mãos as chaves da morte e do inferno e tira 
de sua cabeça a coroa de autoridade que ele tomou do homem. 
Depois disso ele passa para o outro lado; o seio de Abraão. Lá está Daniel, lá está 
Ezequiel, lá está Isaías, lá está Abraão, lá está Isaque, lá está Jacó, lá está Davi. Eu 
posso imaginar Davi à frente de todos declarando: “levantai, ó portas, as vossas 
cabeças, está entrando o Rei da Glória. Quem é este, o Rei da Glória? O Senhor dos 
Exércitos. Ele é o Rei da Glória (Sl 24:7). Eles ressurgem e entram em Jerusalém, para 
depois serem levados com Jesus para a presença do Pai. 
 
O unigênito se torna o primogênito 
Mas ainda é necessário que ele leve o sangue ao Santo dos Santos no céu. O santuário 
da Terra era apenas a figura do verdadeiro, que está nos céus. Ele foi o Cordeiro 
oferecido em holocausto, mas agora é a figura do sumo sacerdote que comparecerá 
perante Deus. 
Quando Jesus vai entrando pelos portais da glória, todos os anjos se levantam. Um 
homem está entrando no céu, um homem, pela primeira vez. Quando Jesus veio a 
esse mundo era apenas o espírito para tomar um corpo, mas quem entra agora na 
glória é um homem. Plenamente Deus e plenamente homem. 
Quem estava ali diante de Deus? Era eu e você! Quem estava na cruz? Eu e você! 
Quem foi ao hades? Eu e você! Quem está entrando no céu? Você e eu nele. E quando 
ele chega, o Pai lhe diz: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. Gerou a quem? O homem 
que estava em Jesus. Ele existe desde a eternidade, porque ele é Deus. Mas se tornou 
o que eu era. 
Depois de o Pai dizer “tu és meu filho, eu hoje te gerei”; vira-se para os anjos e diz: 
“adorem-no: é Deus! Jesus é Deus! Vocês estão vendo um homem, mas é Deus; ele 
tomou sobre si um corpo e uma natureza de homem, mas é Deus. E se volta para 
Jesus e diz: “Deus, o teu trono subsiste para sempre (Hb 1:8). 
Agora o unigênito, não é mais o unigênito, mas o primogênito. Ele já pagou a dívida 
do homem. O que era do homem eram só as dívidas. Eu não tinha bens, ele não tinha 
dívidas; mas ele levou minhas dívidas para me dar a sua riqueza. Eu não tinha do que 
viver, ele não tinha do que morrer; mas ele morreu a minha morte, para me dar a sua 
vida. Eu era todo pecado, ele era todo justiça; mas ele toma o meu pecado para me 
dar a sua justiça. 
No cenáculo ele sopra sobre os discípulos e diz: “recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). 
Quem está ali? O Filho de Deus. Nesta hora, o homem nasce de novo. O Pai olha e 
diz: “Eis os filhos que ele me gerou”. Satanás fica surpreso. Como!? Eu matei um, 
quantos são agora? Ele é a semente que desceu do céu. “Se o grão de trigo, caindo na 
terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12:24). Jesus é a 
semente de Deus que desceu do céu e morreu, e, ao ressurgir dentre os mortos, não 
ficou só, começou a produzir milhares de outros filhos de Deus. 
Esta é a realidade do Calvário: a vida de Jesus agora se torna a vida do homem. Hoje 
a minha vida entrou na dele. Ele é o cabeça de uma nova raça (Jo 6:54-57). 
I Coríntios 15:45 fala de dois homens: o primeiro homem é Adão; o segundo homem 
é Jesus. Jesus é chamado de o último Adão. O que isso significa? Como último Adão, 
ele tomou tudo o que pertencia à natureza de Adão e o levou à cruz. Aí, ele se torna 
o segundo homem, o cabeça de uma nova raça. 
Há dois cabeças de duas raças na Terra: Adão e Jesus. Paulo diz que o primeiro 
homem é terreno, é da terra; mas o segundo homem é do céu. O primeiro homem foi 
gerado de uma semente terrena, mas o segundo, de uma semente que desceu do céu. 
Os filhos do terreno são semelhantes ao terreno; mas os filhos do homem do céu são 
semelhantes ao homem celestial. Adão lança a sua semente na carne e tem filhos 
carnais. Jesus lança a sua semente no espírito e tem filhos espirituais. 
Como este segundo homem gera filhos espirituais? Muito simples: o primeiro homem 
era a imagem de Deus, porém,satanás veio com a semente do pecado; o homem abriu 
o coração para essa semente e dentro dele nasceu um outro homem: o filho do 
pecado. E ele passou da vida para a morte. Ainda é o mesmo homem, mas a natureza 
que nele está é a da semente de Satanás, por isso seus filhos nascem pecadores. 
Mas o que acontece em Cristo é o reverso do que acontece com Adão. Aquele homem 
que nasceu do pecado torna-se uma nova criação quando recebe no coração a semente 
de Deus que é a sua palavra. Se eu chego a este homem e digo: “Cristo Jesus se tornou 
o que você era para que você seja o que ele é. Ele nasceu como filho do homem para 
que você nasça como filho de Deus. Ele se tornou seu pecado, para que você seja 
justiça de Deus. Ele levou na cruz a sua maldição, para que você se sente no trono da 
glória. Ele morreu a sua morte, para que você viva a sua vida. Ele veio morar na terra, 
para que você possa morar no céu. Ele só era divino, você só era humano, mas ele 
tomou a sua natureza de homem para hoje lhe dar a sua natureza divina (II Pe 1:4). 
Ele lhe faz um convite para que você nasça como seu filho”. Qual é a sua resposta? 
Se o homem responde sim, nesta hora ele é transportado do reino das trevas para o 
reino do filho do amor de Deus (Cl 1:13). Dentro dele, nasce um novo homem, é 
filho de Deus, irmão de Jesus. 
A semente que gerou Jesus na terra foi a Palavra de Deus. Quem fez a semente 
germinar? Foi o Espírito de Deus. A semente que gera este novo homem é a Palavra 
de Deus. Quem faz a semente germinar e nascer como filho? É o Espírito de Deus. 
Logo este novo homem e Jesus têm a mesma origem. Você e Jesus têm a mesma 
natureza. 
Aliança é isto: tudo o que é meu tornou-se dele; tudo o que é dele tornou-se meu. Se 
alguém se une ao Senhor, é um só espírito com Ele (I Co 6:17). Deus não tem mais 
um filho unigênito; ele tem milhões de filhos que enchem a terra. E cada um carrega 
em si Jesus. 
Quando você estiver à mesa do Senhor, cada vez que pegar o pão, diga: “meu pecado, 
minha maldição, minha morte, minhas fraquezas, minha derrota, minha condenação, 
Jesus levou há dois mil anos, no Calvário. Essas coisas não têm o direito legal de 
existir na minha vida. Quando você comer o pão, veja a vida de Jesus em você. Apenas 
declare: “Eu morri. A minha vida está escondida com Cristo, em Deus” (Cl 3:3). E 
vivo a vida do filho de Deus em mim. Isso vai levá-lo a viver com dignidade na terra, 
rejeitando o pecado, a carne, o mundo e o Diabo. 
Você está doente hoje? Jesus levou sua doença há dois mil anos atrás. Paulo diz: “entre 
vós, há muitos fracos e doentes, e não poucos os que dormem, porque não sabem 
discernir o corpo” (I Cor 11:29,30). O corpo foi partido em benefício físico. É pelas 
suas chagas que somos sarados (I Pe 2:24). O sangue foi derramado para nos purificar 
do pecado, mas o pão aponta para as chagas pelas quais somos sarados. E quando 
você estiver participando da ceia, receba cura, receba libertação, receba perdão; tudo 
é seu. Tudo que é dele é seu. 
 
Décimo Nono dia 
Ele é digno 
 
No capítulo 4 de apocalipse, João foi arrebatado. Ele foi tirado da realidade natural 
da ilha de Patmos e levado para a dimensão do espírito. Ele ouviu alguém dizendo: 
sobe para aqui. Ele então saiu da realidade árida daquela ilha e foi levado para a 
dimensão das coisas celestiais. 
Nesta dimensão ele teve a visão do trono de Deus. Miríades de criaturas de uma outra 
criação estavam diante do trono, que é descrito como envolto num brilho e numa 
glória indescritíveis. 
De repente João percebe que aquele que estava sentado no trono tinha na sua mão 
um livro, um rolo, um pergaminho. Ele viu que aquele livro estava todo selado com 
sete selos. 
De repente ele ouviu uma voz de um anjo bradando: quem é digno de abrir o livro e 
desatar-lhe os selos? 
Vi, na mão direita daquele que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro e 
por fora, de todo selado com sete selos. Vi, também, um anjo forte, que proclamava 
em grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos? Ora, nem no 
céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro, nem mesmo 
olhar para ele. Ap. 5:1-3 
 
1. Que livro era esse? 
Para entender esse acontecimento precisamos de nos voltar para o Velho Testamento, 
no livro de Levítico. 
Na lei de Moisés havia uma lei específica que se relacionava com a terra, com a 
propriedade. Depois que o povo entrou na terra prometida, a terra foi dividida entre 
as tribos e, dentro de cada tribo, cada família recebeu um pedaço de terra. Aquela 
parte de terra de uma tribo deveria permanecer com aquela tribo no decorrer das 
gerações. Deus queria com isso impedir o empobrecimento e a excessiva 
concentração de riquezas e terras por uma pessoa ou por um grupo pequeno de 
pessoas. 
Todavia, quando alguém empobrecia em Israel e não tinha condições de se manter, 
ele poderia vender a sua terra, mas aquele que comprava sabia que não estava 
comprando uma posse definitiva. Ele estava como que arrendando a terra. A qualquer 
momento um membro daquela família poderia se levantar e teria o direito de comprar 
de volta aquela propriedade. Mas se no espaço de cinqüenta anos ninguém naquela 
família tivesse recursos para reaver o que seu antepassados perdera, no qüinquagésimo 
ano seria o ano do jubileu. Naquele ano todas as propriedades que haviam sido 
compradas voltavam automaticamente aos seus donos de origem. 
Quando alguém iria vender a sua propriedade, tomava-se um livro e nele eram escritas 
todas as características, as dimensões, as divisas, tudo o que havia naquela propriedade 
e as condições nas quais aquele negócio havia sido feito. Ele era todo selado na 
presença dos juizes e se um dia um membro daquela família quisesse reaver a terra, 
ele pagaria o valor e tomaria do juiz o livro selado. 
O que nós temos aqui em Apocalipse é exatamente isso. Nas mãos de Deus, o juiz de 
toda a terra, está o livro da posse da terra que foi perdida pelo homem. Será que existe 
um herdeiro legítimo ou um parente próximo que pode pagar o preço e tomar posse 
novamente da terra que fora perdida, cativa e dominada pelo diabo? 
Aquele livro contém toda a herança do povo de Deus e também tudo o que deve 
acontecer até que essa herança nos seja entregue definitivamente. É por isso que, na 
medida em que os selos são retirados, eventos políticos, sociais, espirituais e cósmicos 
vão se dando de acordo com o propósito de Deus até aquele ápice quando o vitorioso 
Jesus vem dos céus e domina definitivamente sobre toda a terra. 
Esse é o livro da redenção, da herança e da vitória final do Reino de Deus (versos 2 e 
3) Mas, o ambiente em que tudo isso acontece é de imensa tristeza. No verso 3 e 4 
João ouve o anjo dizendo: quem é digno de abrir o livro e lhe desatar os selos? É dito 
porém que nem no céu, nem na terra e nem debaixo da terra ninguém era digno de 
abrir o livro e nem de olhar para ele. 
João então chorava copiosamente. Vamos avaliar a dor e a angústia moral, existencial 
e espiritual de João. Ele entrou num desespero total. Ninguém era digno de abrir o 
livro. Ninguém tinha a dignidade de tomar o livro da herança e nem tão pouco de 
pagar o preço do resgate da terra. 
Isso nos mostra a indignidade de todo ser vivo. Não foi achado ninguém digno. Nem 
no céu: os querubins, os serafins, os arcanjos e a miríades de anjos. Nem na terra: nem 
Moisés ou Elias, nem Davi ou Enoque, nem maomé, nem Gandi, nem Kardec, nem 
Confúcio, nem Buda. Nem embaixo da terra: morto algum, nem demônios, nem 
Lúcifer. Ninguém é digno. 
Mas um ancião diz: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, 
venceu para abrir o livro e os seus sete selos. 
Nós vemos que o ponto central aqui é saber quem é digno. Jesus é digno. Porque ele 
é digno? 
 
2. Por que Ele é digno? 
a. Porque ele é poderoso 
Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a 
Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos. Ap. 5:5 
Ele é o Leão da tribo de Judá.I Pe. 5:8 diz que Satanás é como um leão procurando 
alguém para devorar, mas aqui lemos que Jesus é o verdadeiro Leão. Ele é o mais 
valente mencionado em Lucas 11. 
Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos 
os seus bens. Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a 
armadura em que confiava e lhe divide os despojos. Lc. 11:21-22 
O anjo falou do Leão, mas João viu o Cordeiro. Quando o Senhor é retratado como 
o Leão o alvo é mostra-lo como lutador forte contra o inimigo. 
Para o inimigo Ele é o Leão, mas para nós ele é o Cordeiro. Embora os anjos não 
precisem de redenção, precisam de alguém para derrotar o inimigo de Deus, pois um 
dentre eles tornou-se o inimigo de Deus. 
Há dois problemas no universo: o diabo e o pecado. Como Leão ele resolveu o 
problema do Diabo e como Cordeiro ele resolveu o problema do pecado. Jesus tinha 
de ser o Leão-Cordeiro. 
 
b. Porque Ele é da família 
O mesmo verso 5 diz que ele é da raiz de Davi. Nascido da mulher ele procede de 
Adão, procede da família humana e por isso está apto a fazer a redenção. Lembra que 
só um membro da família podia resgatar o livro selado da mão do juiz em Israle. 
Ele é de sangue nobre porque é da raiz de Davi, ele procede da realeza que Deus disse 
que nunca teria fim. 
 
c. Porque Ele pagou o preço e venceu 
E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, 
porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de 
toda tribo, língua, povo e nação. Ap. 5:9 
João o descreve como o cordeiro que havia sido morto. Na sua morte ele pagou o 
preço. Ele comprou para Deus os que procedem de toda tribo, língua povo e nação. 
Observe que por um lado ele é o Leão, mas por outro ele é o cordeiro. Ele é o Leão-
Cordeiro. Mas ele é um cordeiro poderoso com sete chifres e sete olhos. 
Os chifres simbolizam o poder e os olhos são os sete Espíritos de Deus. O seu 
sacrifício tem o poder completo e os sete Espíritos fazem a aplicação desse poder por 
toda a terra sobre todo homem que o invocar (Cl. 2:13-15). 
Esse Leão-Cordeiro foi então e tomou o livro da redenção da mão daquele que estava 
no trono. Tudo está nas mãos dele. Ele tem a redenção nas mãos. A redenção dos 
nossos corpos, das nossas almas, da terra e de toda a natureza. 
Sem a perspectiva de que Jesus tem a história nas suas mãos, a vida e esse mundo se 
tornam algo sem sentido e absurdo. Quando o homem tenta explicar a história e o 
mundo sem considerar a necessidade da redenção, o mundo é sem esperança e sem 
saída, sem ápice, sem conclusão, sem sentido. 
Tudo começou com o pecado, mas Jesus tomou a história da redenção nas suas mãos 
e nos garantiu um fim, uma conclusão, uma solução. 
 
3. Que impacto essa certeza pode produzir em nós hoje? 
Quando vemos irmãos que estão partindo tranqüilizamos o nosso coração, pois a 
história da nossa redenção está na sua mão. 
 
a. Devemos nos encher de oração 
E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos 
prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro 
cheias de incenso, que são as orações dos santos. Ap. 5:8 
Precisamos de orar pelo reino do Senhor e também precisamos orar com 
perseverança. 
Observe que se desejamos que o fogo do trono seja lançado na terra precisamos orar, 
pois o fogo somente pode ser enviado misturado com as orações dos santos. 
 
b. Devemos nos encher de proclamação 
E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, 
porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de 
toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; 
e reinarão sobre a terra. Ap. 5:9-10 
A única maneira da oração dos 24 anciãos se cumprir sobre a terra é se nós nos 
dispusermos a ir e evangelizar. 
O reino somente virá quando o evangelho do reino for pregado a toda criatura. 
Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e 
na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do 
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos 
tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. 
Mt. 28:18-20 
 
c. Devemos nos entregar completamente a Deus 
Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, 
cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em 
grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e 
sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Ap. 5:11-12 
A verdadeira adoração que acontece diante do trono de Deus envolve todos esses 
elementos: 
Poder - submeta a Ele todo mando, todo comando, toda autoridade. Ele é o dono. 
Ele tem o poder de decidir. 
Riqueza - entregue o seu dinheiro, os seus bens, os seus tesouros, as suas 
propriedades. 
Sabedoria - dê a ele todo recurso do seu intelecto, o seu entendimento, a sua 
capacidade. 
Força - é força física mesmo. Dê a ele a sua energia física, a sua atividade, sue a sua 
camisa e fique cansado para ele com toda a sua força. 
Honra - é o que ganha o primeiro pedaço de bolo, é aquele com quem gastamos as 
primeiras horas do dia, dê a ele a primazia 
Glória - descreva e exalte seus atributos e fique maravilhado com a beleza da sua 
santidade. 
Louvor - no grego a palavra é eulogia, que significa falar maravilhosamente dele. Seja 
criativo e poético e fale dele de forma esplendorosa. 
 
d. Devemos reconhecer que ele é o Senhor 
Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre 
o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao 
Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos. 
E os quatro seres viventes respondiam: Amém! Também os anciãos prostraram-se e 
adoraram. Ap. 5:13-14 
Esse redentor reinará sobre todas as inteligências no céu, na terra e debaixo da terra. 
Isto significa que não haverá nem anjo, nem homem e nem demônio que não 
confessará que dele é o reino. 
Já imaginaram Satanás de joelhos dizendo: “Teu é o reino!” 
Mao Tsé Tung: “Teu é o reino!” 
Hitler: “Teu é o reino!” 
Maomé: “Teu é o reino!” 
Aiatolá Kolmeine: “Teu é o reino!” 
Karl Marx: “Teu é o reino!” 
Todas as criaturas reconhecerão: “Teu é o reino!” 
Talvez haja alguém hoje chorando como João. Não há esperança e nem entendimento 
da própria história. A situação parece perdida e o que bate no coração é a angústia e 
o desespero. Você precisa saber que Jesus já tomou o livro da história da redenção 
nas mãos e também já tomou o livro da sua própria vida. Você foi comprado e a sua 
vida está oculta em Deus. 
 
Vigésimo Dia 
O pão, o vinho e o óleo 
 
Deus sempre usa coisas simples e comuns para revelar o seu poder. Uma queixada de 
jumento nas mãos de Sansão destruiu mil filisteus. Trombetas simples feitas de chifres 
de carneiros foram os instrumentos para a destruição das muralhas de Jericó. A 
maneira de Deus é usar o que podemos fazer no natural para alcançarmos o que nunca 
poderíamos fazer por nós mesmos. 
Se o Senhor nos mandou usar o óleo para orar com os enfermos, quem somos nós 
para questioná-lo? Sempre haverá pessoas dizendo que usar o óleo não passa de 
superstição evangélica, mas a verdade é que se trata de algo bíblico ordenado por 
Deus. A tolice de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens e a fraqueza de Deus 
é mais forte que a força dos homens ( I Cor. 1:25). 
Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração 
sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o 
enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão 
perdoados. Tg. 5:14-15 
A palavra de Deus não nos explica porque a necessidade de se ungir com o óleo, mas 
a direção de Deus é bem clara. O enfermo deve ser ungido com o óleo, mas parece 
bem claro que nãoé o óleo que opera o milagre, mas a oração da fé. A unção com 
óleo é algo feito em fé. O óleo é o meio por onde a fé a liberada. 
Todos sabemos que a fé é resultado de revelação da palavra de Deus. Quando 
compreendemos o que a palavra de Deus diz a respeito de um determinado assunto 
então temos fé para orar sobre aquilo. Temos visto muitos irmãos receberem o 
milagre depois da unção com óleo. 
Ungir com óleo não é misticismo e nem superstição, mas a maneira bíblica de lidar 
com certas situações. A provisão de Deus para nós envolve o pão, o vinho e o óleo. 
O nosso problema é que temos lidado com esses elementos de forma apenas 
simbólica. 
O Espírito Santo tem nos mostrado que a Ceia se tornou em muitos lugares apenas 
um símbolo sem poder. Não estamos dizendo que existe a transubstanciação, mas 
certamente há poder quando comemos o pão e bebemos o vinho durante a Ceia. 
Creio que o medo de ser supersticioso tem levado a igreja a tirar o poder da Ceia e 
também a desprezar a unção com óleo. Mas a verdade é que a Ceia e a unção com 
óleo são meios da graça. São formas que Deus mesmo estabeleceu para nos ministrar 
a sua graça e poder. 
A Ceia era algo tão importante para a igreja primitiva que eles a celebravam 
diariamente e de casa em casa. 
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e 
tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. At. 2:46 
Em I Coríntios 11 Paulo diz que ele recebeu diretamente do Senhor a revelação da 
Ceia. Ele diz que na noite em que foi traído o Senhor tomou o pão e o vinho. Ele 
adverte que o fato dos irmãos não entenderem o significado da Ceia era a razão por 
que havia entre eles muitos fracos e doentes e também muitos que morreram 
prematuramente ( I Cor. 11:30). 
Assim podemos dizer que quando discernimos o corpo de Cristo (não apenas o 
sangue), podemos desfrutar de saúde, força e uma vida longa. Agora precisamos ter 
também a revelação da importância do óleo da unção. 
Tudo aquilo que ensinamos e praticamos na vida da igreja deve estar baseado na 
Palavra de Deus e não em nossas experiências. Temos visto e ouvido testemunho de 
muitas pessoas que foram curadas depois de serem ungidas com óleo, no entanto não 
baseamos nisso o nosso ensino, mas na Palavra de Deus. 
Em muitos lugares das escrituras nós encontramos um grupo de três produtos 
reunidos: cereal (trigo), vinho e azeite. Esses três elementos representam a provisão 
de Deus para o seu povo. 
Ele te amará, e te abençoará, e te fará multiplicar; também abençoará os teus filhos, e 
o fruto da tua terra, e o teu cereal, e o teu vinho, e o teu azeite, e as crias das tuas 
vacas e das tuas ovelhas, na terra que, sob juramento a teus pais, prometeu dar-te. 
Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá entre ti nem homem, nem 
mulher estéril, nem entre os teus animais. O SENHOR afastará de ti toda 
enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das doenças malignas dos egípcios, que bem 
sabes; antes, as porá sobre todos os que te odeiam. Dt. 7:13-15 
 O trigo e o vinho representam os elementos da Ceia, mas o azeite aponta para o óleo 
da unção. Esses três elementos colocados juntos nos farão mais abençoados do que 
todos os povos. Isso nos mostra que precisamos ter revelação da importância da Ceia 
e da unção com óleo. 
Se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar 
o SENHOR, vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa 
alma, darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que 
recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite. Dt. 11:13-14 
Evidentemente a chuva fará com que todo tipo de lavoura e rebanho prospere, mas 
Deus resumiu todos os elementos a esses três: o cereal, o vinho e o azeite. 
A promessa de Deus é que teríamos abundância de pão, vinho e óleo, ou seja, temos 
desfrutado da cura do pão, do perdão do vinho, mas precisamos fluir mais nos 
benefícios da unção. 
Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no SENHOR, vosso Deus, porque ele 
vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a 
serôdia. As eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de óleo. 
JL. 2:23-24 
É interessante que a palavra chuva em hebraico é “moreh” que também significa 
professor. Isso mostra uma relação entre ensino e chuva do céu. Quando o céu chove 
sobre nós então temos plenitude de revelação e ensino da Palavra de Deus. 
 
O poder da unção com óleo 
É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e 
desce para a gola de suas vestes. Sl 133.2 
O óleo precioso do Espírito de Deus desce da cabeça. Evidentemente somente 
aqueles que estão conectados à cabeça desfrutam do óleo fresco da unção. Queremos 
experimentar esse óleo juntos, na comunhão dos santos. 
O Espírito Santo é o poder de Deus e este poder está em você. O Espírito Santo é a 
unção de Deus sobre nós. Mas, quando estamos juntos em comunhão, essa unção é 
potencializada e este poder pode ser liberado de forma explosiva sobre nós. 
O óleo representa a unção do Espírito na Palavra de Deus. O azeite era um elemento 
muito usado no mundo antigo, ele servia para muitas coisas e simboliza a provisão 
completa da unção do Espírito. O fato de o Salmo 133 nos dizer que a comunhão 
libera o óleo é algo muito precioso. Quando estamos unidos a nossos irmãos, esse 
óleo desce da cabeça, que é Cristo, e alcança todos os membros. 
O uso do óleo entre o povo de Israel é um retrato claro da provisão completa da 
unção para o povo de Deus hoje. 
 
a. O óleo é Alimento 
A primeira utilidade do azeite estava na preparação dos alimentos, sendo ele mesmo, 
na verdade, um alimento. No mesmo princípio, nós precisamos receber 
periodicamente uma porção da unção do azeite do céu como alimento. Quando 
deixamos de nos alimentar dessa unção, somos enfraquecidos e nos sentimos 
incapazes de fazer a vontade de Deus. A unção, portanto, é alimento. 
Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o óleo 
fresco. Os meus olhos vêem com alegria os inimigos que me espreitam, e os meus 
ouvidos se satisfazem em ouvir dos malfeitores que contra mim se levantam. Sl. 92.10-
11 
O óleo fresco derramado tem o poder de nos fortalecer. E quando somos assim 
ungidos podemos ver o inimigo e nos alegrar com a vitória. 
Assim como o Pão e o Vinho o óleo faz parte de nossa dieta espiritual. No Velho 
Testamento o sacerdote tinha de oferecer dois cordeiros como sacrifício todos os 
dias, um pela manhã e outro ao por do sol. 
Isto é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, 
continuamente. Um cordeiro oferecerás pela manhã e o outro, ao pôr-do-sol. Com 
um cordeiro, a décima parte de um efa de flor de farinha, amassada com a quarta parte 
de um him de azeite batido; e, para libação, a quarta parte de um him de vinho Ex. 
29:38-40 
Esses dois cordeiros apontam para o Senhor Jesus que foi colocado na cruz de manhã, 
à 9 horas e morreu a tarde, às 3 horas. Impressionante é que os cordeiros eram 
imolados exatamente nessas horas. 
Hoje não temos mais de oferecer o Cordeiro, pois o seu sacrifício é eterno, mas ainda 
trazemos a farinha para o pão, o vinho que representa o sangue e o óleo do azeite. 
Desfrutamos do pão e do vinho na Ceia, mas precisamos crer que há um lugar 
reservado para a unção com o óleo. 
A Palavra de Deus menciona muitas vezes o cereal, o vinho e o óleo. Todos esses 
elementos apontam para o Senhor Jesus. 
Antes de se obter o pão, o grão de trigo precisa ser amassado, batido e depois moído 
para se tornar a farinha. Depois disso ela deve ser passada no fogo para só então 
termos o pão. O Senhor Jesus se tornou para nós o pão do céu, mas primeiro ele se 
tornou o grão de trigo que passou por todo esse processo no Calvário. 
O vinho somente pode ser obtido depois que a uva é esmagada. O Senhor teve de ser 
esmagado pela ira de Deus para que pudesse ser o vinho novo da nossa alegria. 
O óleo, por sua vez,vem da azeitona. Depois que ela é esmagada ela libera o óleo 
para suprimento. O Senhor Jesus também se tornou o nosso óleo depois de ser 
esmagado na Cruz pelo juízo de Deus. 
O óleo sempre acompanha o trigo e o vinho. Depois que o Senhor Jesus partiu o pão 
e bebeu do vinho ele saiu e foi para o Getsêmani. A palavra Getsêmani significa 
“prensa de óleo”. Depois de repartir o pão e o vinho o Senhor foi prensado para 
liberar o óleo fresco sobre nós. 
 
b. O óleo nos limpa 
A segunda utilidade do azeite nos dias antigos era para fazer sabão. Assim a unção do 
azeite tem também a função de limpar e purificar as nossas vidas. Quando digo 
purificar, não me refiro propriamente à purificação do pecado, mas à libertação do 
jugo. O pecado é como um jugo que precisa ser quebrado na vida de muitos e é a 
unção que destrói esse jugo. 
Acontecerá, naquele dia, que o peso será tirado do teu ombro, e o seu jugo, do teu 
pescoço, jugo que será despedaçado por causa da gordura (unção com óleo). Is. 10:27 
Evidentemente a unção com óleo aqui aponta para o Espírito Santo, todavia o Senhor 
diz que o meio que essa unção fluirá será pela unção com óleo. Não estou dizendo 
que o óleo possui poder de si mesmo, mas quando esse óleo é ungido e santificado 
então ele passa a ter uma função espiritual do mesmo modo que o pão e o vinho na 
Ceia. 
 
c. O óleo é combustível 
No Tabernáculo o candelabro era mantido aceso usando o azeite como combustível. 
Nossa luz somente pode brilhar diante do mundo se houver o azeite do céu em 
combustão dentro do nosso espírito. Esse azeite vem sobre nós na comunhão dos 
irmãos. Cada vez que nos reunimos, devemos esperar uma medida do combustível 
celestial sobre nós. 
Diante do candelabro estava a mesa dos pães e também uma jarra com o vinho para 
a libação. Todo sábado os pães eram trocados, mas não porque envelheciam, pois 
estavam sempre frescos e mornos por causa da presença de Deus. Somente quando 
cultivamos a presença de Deus é que temos o frescor e o vigor renovados. 
Os sacerdotes comiam os pães da semana que havia passado e os rabinos dizem que 
eles não só permaneciam frescos como um pequeno pedaço era suficiente para 
sustentá-los. Isso mostra como somos alimentados pelo pão do céu, mas também 
pelo pão da Ceia. 
Nesse momento o vinho da libação era derramado diante do Senhor. Também todo 
sacrifício tinha o vinho que aponta para a alegria e satisfação do Senhor. O serviço a 
Deus precisa ser com frescor e alegria. 
Uma característica impressionante das oliveiras é a sua enorme longevidade. Quando 
vamos a Israel e visitamos o jardim do Getsêmani ficamos maravilhados de ver ali 
oliveiras com dois mil anos de idade. Algumas daquelas oliveiras viram Jesus suando 
sangue. 
Eu creio que isso é um sinal do que a unção faz por nós, ela prolonga a vida. Como 
o tronco da oliveira é oco as sementes caem ali e germinam no tronco antigo 
perpetuando a sua vida. É por isso que o Salmo 128:3 diz que nossos filhos são como 
rebentos da oliveira. Eles germinam em nós que somos o tronco e perpetuam a nossa 
vida. 
 
d. O óleo é para uso sacerdotal 
O azeite também era usado pelo sacerdote para ungir e consagrar pessoas e coisas a 
Deus. O óleo é usado sempre que consagramos pastores para o ministério. O 
propósito de Deus somente pode ser cumprido por meio da unção e o óleo 
derramado sela esse momento. 
Mas podemos também ungir objetos e coisas. Há um irmão entre nós que estava com 
a sua casa para vender há quase um ano e não conseguia. Muitas pessoas vinham ver 
a casa, mas nenhuma fazia uma proposta. Por fim ele resolveu orar no imóvel e ungir 
a sua porta com óleo. De maneira miraculosa alguns dias depois ele vendeu a sua 
propriedade. 
Eu sei que há muita coisa estranha sendo feita entre os evangélicos. Alguns dizem que 
é o próprio óleo que cura e até dizem que o óleo de Israel tem mais poder. Isso de 
fato é errado, o óleo não possui nenhum poder em si mesmo, assim como o pão e o 
vinho não têm nenhum poder. Não devemos atribuir a esses elementos algum poder 
mágico. Mas, isso nãomuda o fato de que eles foram instituídos por Deus para o 
nosso benefício. 
Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes 
na terra das vossas habitações, que eu vos hei de dar, e ao SENHOR fizerdes oferta 
queimada, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto ou em oferta 
voluntária, ou, nas vossas festas fixas, apresentardes ao SENHOR aroma agradável 
com o sacrifício de gado e ovelhas, então, aquele que apresentar a sua oferta ao 
SENHOR, por oferta de manjares, trará a décima parte de um efa de flor de farinha, 
misturada com a quarta parte de um him de azeite. E de vinho para libação prepararás 
a quarta parte de um him para cada cordeiro, além do holocausto ou do sacrifício. 
Nm. 15:1-5 
Hoje não apresentamos mais o cordeiro, pois Cristo já foi morto de uma vez por 
todas pelos nossos pecados, todavia ainda trazemos o pão (farinha), o vinho e o azeite. 
Essa é a maneira como anunciamos a morte do Senhor até que ele venha. 
 
e. O óleo cura 
O aspecto mais importante da unção com óleo está em Tiago 5.14, onde a escritura 
nos manda ungir os enfermos para serem curados. 
Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração 
sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o 
enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão 
perdoados. Tg. 5:14-15 
Há cura disponível para o povo de Deus pela unção com o óleo e a oração da fé. 
Lembre-se sempre que o óleo não tem nenhum podem nele mesmo, mas quando esse 
óleo é separado e ministrado numa oração de fé o enfermo é curado e até os seus 
pecados são perdoados. 
Alguns irmãos rejeitam a unção com óleo pensando que se trata de mera superstição 
e dizem não precisar do símbolo uma vez que já possuem a realidade do Espírito 
Santo dentro deles. Mas o próprio Senhor Jesus enviou seus discípulos para orar com 
enfermos ungindo-os com óleo. 
Expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo. 
Mc. 6:13 
É interessante que o Senhor também coloca a riqueza associada com a Ceia e o azeite. 
Creio que todo crente que tem a revelação do pão, do vinho e do azeite vai prosperar. 
Isso significa entender que na Cruz o Senhor foi prensando para liberar sua essência 
de vida sobre nós. Quando celebramos o pão, o vinho e o azeite declaramos que tudo 
procede do Senhor e nos é dado graciosamente. 
Ela, pois, não soube que eu é que lhe dei o trigo, e o vinho, e o óleo, e lhe multipliquei 
a prata e o ouro, que eles usaram para Baal. Os. 2:8 
Naquele dia, eu serei obsequioso, diz o SENHOR, obsequioso aos céus, e estes, à 
terra; a terra, obsequiosa ao trigo, e ao vinho, e ao óleo; e estes, a Jezreel. Os. 2:21-22 
Foi depois da Páscoa que as riquezas do Egito foram dadas a Israel. Só depois de 
participarmos do Cordeiro e termos o sangue aplicado é que a riqueza das nações nos 
é transferida. 
Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e 
eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como 
que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um 
denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho. 
Ap. 6:5-6 
O terceiro cavaleiro descrito em Apocalipse 6 simboliza a fome. Mas observe mais 
uma vez que os três elementos são mencionados. O trigo e a cevada são ambos usados 
para fazer o pão. O pão de trigo era para os mais ricos e o pão de cevada para os 
pobres. Mas a ordem do Senhor é que o vinho e o azeite não serão danificados e 
haverá provisão suficiente de pão. 
Assim podemos dizer que o Senhor garante provisão para o seu povo do pão, do 
vinho e do azeite. Mesmo que o mundo sofre com a fome espiritual, nós sempre 
teremos em abundância. O Senhor ordenou ao diabo que não toque na provisão 
espiritual. 
É interessante que todo o oriente médio tenha o óleo negro do petróleo, menos Israel.No entanto Deus liberou o óleo dourado da unção sobre o seu povo. O óleo negro 
move máquinas, mas o óleo dourado move pessoas e circunstâncias. Ele é a 
verdadeira riqueza da igreja. 
 
Vigésimo Primeiro dia 
O pão, o vinho e o dízimo 
 
Eu me converti numa pequena igreja tradicional há quarenta anos atrás. Naquela 
época não tínhamos o costume de entregar o dízimo em todos os cultos como 
fazemos hoje, mas os dízimos eram entregues somente no dia da Ceia, uma vez por 
mês. Eles não faziam isso porque eram excêntricos ou rejeitavam o dinheiro, mas 
porque tinha uma convicção espiritual de que o dízimo é algo que está intimamente 
ligado com o pão e o vinho. 
De onde eles receberam essa convicção? Certamente foi por causa da primeira 
menção do pão, do vinho e do dízimo. A primeira menção do pão e do vinho juntos 
está em Gênesis 14 quando Abraão é abençoado por Melquisedeque que lhe traz pão 
e vinho e ele como resposta entrega-lhe o dízimo de tudo. Assim na primeira menção 
do pão e do vinho também a primeira menção do dízimo. 
Após voltar Abrão de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe 
ao encontro o rei de Sodoma no vale de Savé, que é o vale do Rei. Melquisedeque, rei 
de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão 
e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito 
seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe 
deu Abrão o dízimo. Então, disse o rei de Sodoma a Abrão: Dá-me as pessoas, e os 
bens ficarão contigo. Mas Abrão lhe respondeu: Levanto a mão ao SENHOR, o Deus 
Altíssimo, o que possui os céus e a terra, e juro que nada tomarei de tudo o que te 
pertence, nem um fio, nem uma correia de sandália, para que não digas: Eu enriqueci 
a Abrão. Gn. 14:17-23 
A lei da primeira menção é um princípio da hermenêutica que determina que a 
primeira menção de qualquer assunto na Bíblia determina o seu sentido em linhas 
gerais no resto das escrituras. Assim a primeira menção do pão, do vinho e do dízimo 
juntos certamente é importante para nós. 
 
O rei de Sodoma e o Rei de Salém 
Quando Abraão voltou da batalha contra os quatro reis que tinham levado Ló cativo, 
ele trouxe todas as pessoas e todas as riquezas de Sodoma consigo. Foi nesse 
momento que o rei de Sodoma e também Melquisedeque rei de Salém lhe saíram ao 
encontro. Não é por acaso que esses dois reis foram encontrar Abraão ao mesmo 
tempo. 
Porque Melquisedeque apareceu a Abraão aqui e não em nenhum outro momento? 
Creio que a razão disso é porque esse foi o momento que o rei de Sodoma veio para 
tentar a Abraão. Assim era essa a hora que Abraão necessitava da ministração de 
Melquisedeque. Por isso Melquisedeque trouxe pão e vinho para nutrir a Abraão. 
Depois de uma grande batalha Abraão estava cansado e fraco. Esse é o momento em 
que somos mais propensos a cair na tentação. Mas o Senhor Jesus na pessoa de 
Melquisedeque trouxe pão e vinho para fortalecer a Abraão contra as tentações do rei 
de Sodoma. 
O rei de Sodoma disse a Abraão que ele poderia ficar com todas as riquezas, mas 
Melquisedeque abençoou a Abraão dizendo que o Deus altíssimo possui os céus e a 
terra. O diabo pode oferecer riquezas, mas apenas Deus possui todas as coisas. Nós 
servimos a esse Deus. 
Não é que Abraão não queria ser rico, ele apenas não queria se enriquecer da maneira 
do rei de Sodoma, ele preferiu entregar o dízimo de tudo o que possuía. Nós 
enriquecemos entregando o dízimo. 
A primeira razão da queda de Ló é que ele não tinha uma fé própria, mas seguia a fé 
de outro. Mas a segunda razão é que ele seguiu o rei de Sodoma em vez de seguir a 
Malquisedeque. Não se menciona que Melquisedeque tenha oferecido pão e vinho a 
Ló que também estava ali. Isso nos mostra que Ló não tinha a revelação da ceia do 
Senhor. 
A comunhão do Corpo não é oferecida a todos. É somente para aqueles que possuem 
a fé do tipo de Abraão. O dízimo não é para todos, é somente para os crentes do tipo 
de Abraão. 
Abraão trouxe de volta todos os bens do seu sobrinho, mas Ló não entregou o dízimo 
e, no final todos os seus bens foram destruídos em Sodoma. Ele certamente morreu 
pobre. 
Nem todos estão aptos para entregar o dízimo, mas somente para aqueles que têm 
experimentado a bondade de Deus e tem entendido que o Deus Altíssimo possui os 
céus e a terra. Os dez por cento são apenas a declaração de que Deus é a nossa fonte. 
Abraão teve a revelação de que ele não precisava seguir o rei de Sodoma para ficar 
rico. Ele sabia que servia a um Deus que possui todas as coisas. A mentalidade natural 
pensa que Deus tira de uns para dar a outros, mas a verdade é que Deus é tão rico 
que ele tem mais que o suficiente para abençoar a todos que o buscam. Infelizmente 
Ló não teve essa revelação e seguiu o rei de Sodoma. Por um momento teve riqueza 
e posição, mas no final perdeu tudo. 
Entregar o dízimo é a resposta espontânea daquele que entendeu o pão e o vinho. 
Tanto o pão quanto o vinho traduzem o amor de Deus demonstrado na cruz. Quando 
entendemos esse amor nós simplesmente entregamos o dízimo como resposta a esse 
amor. 
Essa é a razão porque Abraão podia dizer ao seu sobrinho: “pode escolher para onde 
ir.” Ele sabia que servia ao Deus Altíssimo que possui os céus e a terra. Não há o que 
temer nem o que reter quando conhecemos um Deus tão rico. 
Abraão repetiu ao rei de Sodoma a mesma frase que Mequisedeque lhe tinha dito. Ele 
venceu a tentação do rei de Sodoma porque foi primeiro ministrado por 
Melquisedeque. Ele não aceitou as riquezas de Sodoma. 
Abraão sabia que seria muito rico, por isso não queria que ninguém pensasse que sua 
riqueza procedia do rei de Sodoma. Ele queria que todos soubessem que sua riqueza 
procedia do Deus Altíssimo que possui os céus e a terra. 
Aquele que possui a fé do tipo de Abraão pode dizer confiantemente: “Bondade e 
misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa 
do Senhor para todo o sempre (Sl. 23:6). 
Mais tarde Deus mesmo vem para destruir a cidade de Sodoma. Ló tinha escolhido o 
rei errado. Depois disso Ló não é mais mencionado na Bíblia. Sua memória cessou e 
ele e sua esposa se tornaram apenas uma advertência para que não caiamos no mesmo 
erro (Lc. 17:32). 
 
A ordem de Melquisedeque 
Hoje o nosso sumo sacerdote é o Senhor Jesus. Mas as pessoas poderiam questionar, 
como ele poderia ser sumo sacerdote se ele era da tribo de Judá e o sacerdote deveria 
vir da tribo de Levi? A resposta é muito simples. Muito antes de haver sacerdotes em 
Israel havia um sumo sacerdote em Jerusalém chamado Melquisedeque. 
Como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de 
Melquisedeque. Hb. 5:6 
Tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. 
Hb. 5:10 
Alguns acreditam que esse Melquisedeque era uma teofania, uma manifestação de 
Cristo em forma humana no Velho Testamento, outros porém acreditam que era um 
homem comum escolhido para ser um tipo de Cristo. Para mim isso não faz muita 
diferença, o ponto central é saber qual o significado desse homem. 
Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao 
encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, para o qual 
também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, 
depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia; 
que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao 
Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente. Considerai, pois, como era 
grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos. 
Hb. 7:1-4 
Nesse tempo da graça nós ainda entregamos o dízimo. Abraão veio e entregou o 
dízimo de tudo o que possuía a Melquisedeque. Esse Melquisedeque que é um tipo 
de Cristo trouxe a Abraão pão e vinho representando a comunhão. 
Nós ainda hoje praticamos a comunhão como pão e o vinho porque estamos debaixo 
do sacerdócio de Melquisedeque. Não praticamos as coisas da lei representadas pelo 
sacerdócio levítico, mas como filhos de Abraão ainda estamos debaixo do sacerdócio 
de Melquisedeque. 
A Bíblia não diz que somos abençoados com a bênção de Davi ou com a bênção de 
Daniel, mas diz que somos abençoados com a bênção de Abraão. Nós somos filhos 
de Abraão e Abraão chegou diante de Melquisedeque com a mãos cheias. 
A salvação é chegar diante de Deus com as mãos vazias para receber, mas adoração é 
chegar com as mãos cheias para ofertar. Uma vez que você é salvo é uma vergonha 
chegar diante de Deus de mãos vazias como se ele não tivesse abençoado você. É um 
vexame chegar para adorar e não ter nada para dizer diante de Deus com mãos e 
coração vazios. 
Abraão estava voltando de uma vitória sobre quatro reis. Melquisedeque vem ao seu 
encontro e lhe dá pão e vinho para o fortalecer, restaurar o ânimo e trazer descanso; 
mas Abraão traz o dízimo de tudo como forma de dizer o quanto Deus o tinha 
abençoado. 
Muitos gostam de dizer que o dízimo é parte da lei, mas a verdade é que Abraão e 
Melquisedeque nunca estiveram debaixo da lei. Por que Abraão deu o dízimo? Por 
que dez? O que há de tão profundo a respeito da décima parte? Que revelação teve 
Abraão que o fez crer que se desse dez por cento a alguém estaria declarando a 
grandeza daquela pessoa? 
Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo 
tirado dos melhores despojos. Hb. 7:4 
O objetivo primário do dízimo não é nos fazer prosperar, ainda que certamente isso 
acontecerá, mas o alvo primário do dízimo é proclamar quão grande é o Senhor Jesus. 
Esta é uma parte importante da nossa adoração. Nós sabemos que Melquisedeque é 
Cristo e a maneira como demonstramos a grandeza do Senhor é lhe entregando o 
dízimo. 
Se o sacerdócio de Melquisedeque é eterno então o pão, o vinho e o dízimo também 
são perpétuos. Hebreus 7:8 diz que “aqui são homens mortais os que recebem 
dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive.” O pão e o vinho são para 
testemunhar da morte do Senhor, mas o dízimo é para testificar que ele vive 
eternamente. Quem recebe o dízimo de Abraão é o próprio Senhor Jesus, aquele que 
vive eternamente. 
Você sabe o que significa ter Jesus vivo em sua vida? Isso significa que Ele virá em 
sua circunstância negativa e irá transformá-la em algo bom! Isso significa que haverá 
sinais e maravilhas porque Ele está vivo em sua vida. As pessoas vão olhar para você 
e dizer: “Como ele consegue ser tão abençoado, apesar da crise econômica?”. 
 
O dízimo abençoará as gerações futuras 
É por isso que Hitler odiava tanto os judeus. Ele tinha inveja porque não importava 
aonde os judeus fossem eles sempre enriqueciam. A semente natural de Abraão 
sempre parece acabar com o dinheiro nas mãos. Eles ainda não entendem quem 
coloca o dinheiro em seus bolsos, mas nós sabemos, é Jesus quem os está abençoando 
por causa de Abraão. 
Abraão era um dizimista. Ele deu um décimo de tudo o que ele tinha a Melquisedeque, 
que era o próprio Senhor Jesus. Este ato afetou suas gerações futuras. Paulo disse que 
“também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. Porque aquele 
ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro 
deste” (Hebreus 7:9–10). 
Como isso era possível se Levi era bisneto de Abraão? Ele era uma dos filhos de Jacó, 
então como poderia ele ter pagado dízimos através de Abraão? 
O que o Senhor está nos dizendo é que o dízimo tem poder de afetar as futuras 
gerações. Quando Abraão dizimou, Deus contou como se seu bisneto Levi tivesse 
dizimado também, e por causa disso Levi foi abençoado. Quando eu participo da Ceia 
as minhas filhas, netas e bisnetas são abençoadas por causa da aliança, mas agora 
aprendemos que também quando eu dou o dízimo, as minhas gerações são 
abençoadas. Essa é a graça de Deus, sua bênção que percorre gerações. 
Muitos pastores jamis dirão isso, mas Deus abençoa nossas finanças, mesmo quando 
não damos o dízimo. O dízimo porém é um princípio que faz com que as bênçãos 
financeiras sejam ainda mais abundantes sobre nós. É o mesmo que ocorre quando 
uma pessoa aceita a Cristo em seu coração, porém, nunca estuda a Bíblia. Esta pessoa 
é salva e tem as bênçãos de Deus? Sim. Mas ela está perdendo muito de Jesus por não 
estudar a Bíblia. 
Abraão estava sob a graça de Deus e não sob a lei. Sua fé lhe foi imputada como 
justiça porque ele estava debaixo da graça. Hoje estamos debaixo da graça como ele 
estava, por isso o dízimo ainda se aplica a nós. O dizimo ainda é aplicável para todo 
aquele que tem o mesmo tipo de fé de Abraão para ser justo. 
Quando você tem a revelação de que o Senhor é a fonte de todas as suas bênçãos, 
então você dá o dízimo com um coração cheio de gratidão por Sua provisão. A 
gratidão é o resultado espontâneo daquele que entendeu o significado do pão e do 
vinho. Mas quanto mais entendemos o amor de Deus manifesto na cruz, mas nos 
dispomos a entregar o nosso dízimo. 
Melquisedeque é eterno, porque é o próprio Cristo. O pão e o Vinho são eternos 
porque são o corpo e o sangue do Senhor. Se todas essas coisas permanecem então o 
dízimo permanece também, pois todos eles são mencionados juntos. 
Nesse último dia de nosso jejum partindo o pão dos filhos, separe o seu dízimo e uma 
oferta especial de gratidão para aquele que possui os céus e a terra e que vai fazê-lo 
prosperar abundantemente.

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