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Direitos Humanos

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Código Logístico
44397
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6159-4
9 788538 761594
Gisele Echterhoff
Curitiba
2016
DIREITOS
HUMANOS
© 2016 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem 
autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
________________________________________________________________________
E21
Echterhoff, Gisele
Direitos humanos / Gisele Echterhoff. - 1. ed. - Curitiba, PR : IESDE Brasil, 2016.
202 p. : il. ; 28 cm.
ISBN 978-85-387-6159-4
1. Direitos humanos. I. Título.
16-32464 CDU: 342.7
________________________________________________________________________
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
Capa: IESDE BRASIL S/A.
Imagem da capa: Shutterstock
Apresentação
Você está iniciando a leitura de um material que é muito importante para o seu curso, 
para sua formação acadêmica e para a construção de sua condição de cidadão. Estudar o 
assunto de Direitos Humanos não deveria se restringir ao curso de Direito, mas a todos os 
demais cursos, para não dizer que tal disciplina deveria ser obrigatória no ensino médio, pois 
é de extrema relevância para a formação de um verdadeiro cidadão.
O objetivo da disciplina é desmistificar e fornecer ao aluno uma noção geral sobre o 
tema, aprofundando-se em alguns temas específicos e indispensáveis, como os Direitos das 
Crianças e Adolescentes, dos Idosos, das Pessoas com Deficiência, entre outros assuntos. 
Os conteúdos foram selecionados com muito cuidado e escritos com linguagem mais 
simples possível para dar maior autonomia aos seus estudos.
Sobre a autora
Gisele Echterhoff
Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Especialista 
em Direito Civil pelo Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar. Graduada em Direito pela 
PUCPR. Professora e autora de vários artigos e do livro: O Direito à Privacidade dos Dados 
Genéticos.
1
Aula
 NOÇÕES GERAIS DE DIREITOS HUMANOS 9
PARTE 1: A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS 10
PARTE 2: A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS E OS ORGANISMOS INTERNACIONAIS DE 
PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS 19
PARTE 3: OS DIREITOS HUMANOS NO ÂMBITO NACIONAL: DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 AOS 
SISTEMAS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS 26
2
Aula
 DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES 41
PARTE 1: A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE EM ÂMBITO INTERNACIONAL 42
PARTE 2: ECA – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 47
PARTE 3: COMBATE AO TRABALHO INFANTIL E À PEDOFILIA 54
3
Aula
 DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E DOS IDOSOS 77
PARTE 1: PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: INCLUSÃO SOCIAL, ACESSIBILIDADE, PLANOS E PROGRAMAS 78
PARTE 2: PESSOAS IDOSAS: O ESTATUTO DO IDOSO, QUALIDADE DE VIDA E PROTEÇÃO 84
PARTE 3: CUIDADOS ESPECIAIS E COMBATE A VIOLÊNCIA 91
Sumário
4
Aula
 DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL, RELIGIOSA, DE GÊNERO E LGBT 109
PARTE 1: PRECONCEITO, RACISMO E DESIGUALDADES NO BRASIL – QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS 110
PARTE 2: DIVERSIDADE RELIGIOSA: O DIREITO À LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E RELIGIÃO 119
PARTE 3: EQUIDADE DE GÊNERO, DIREITOS DA MULHER E LEI MARIA DA PENHA 125
PARTE 4: DIREITOS LGBT, ENFRENTAMENTO E COMBATE AO PRECONCEITO, 
À DISCRIMINAÇÃO E À VIOLÊNCIA 134
5
Aula
 DIREITOS PARA TODOS E COMBATE ÀS VIOLAÇÕES E AO TRABALHO ESCRAVO 151
PARTE 1: DIREITOS PARA TODOS E POLÍTICAS PÚBLICAS 152
PARTE 2: DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS E COMBATE ÀS VIOLAÇÕES 159
PARTE 3: COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO 164
6
Aula
 DIREITOS HUMANOS E SUA CORRELAÇÃO COM A BIOÉTICA 177
PARTE 1: CONCEITOS ELEMENTARES: BIOTECNOLOGIA, BIOÉTICA E BIODIREITO 178
PARTE 2: REPRODUÇÃO ARTIFICIAL E ALGUNS ASPECTOS POLÊMICOS 182
PARTE 3: O CÓDIGO GENÉTICO HUMANO 187
Sumário
Aula 1
9Direitos Humanos
DIREITOS HUMANOS 
NOÇÕES GERAIS DE 
Não raro, ao iniciar uma disciplina que não seja diretamente 
relacionada ao curso, os alunos ouvem de seus professores a importância 
da interdisciplinariedade. Isso não será diferente na disciplina de Direitos 
Humanos, tendo em vista a importância do conhecimento de noções gerais de 
direitos humanos que vai muito além da necessidade decorrente do exercício 
profissional, pois está diretamente relacionada ao exercício da cidadania. 
A disciplina examinará noções gerais sobre o tema e esta primeira 
aula adentrará em aspectos históricos de maior relevância, analisará alguns 
diplomas e organismos internacionais que visam à proteção destes direitos 
para, ao final, analisar a legislação nacional.
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
10 Direitos Humanos
Parte
1 A evolução histórica dos 
Direitos Humanos
 Qualquer estudo sobre a concepção de direitos se inicia pela ideia central da ori-
gem da sociedade e da consequente necessidade de se estabelecer regras de conduta para 
convivência.
Por diversas vezes ouvimos a afirmação de que o ser humano é, por natureza, um ser 
social e, como tal, sente a necessidade de viver em grupos. A vida em sociedade se torna 
cada vez mais necessária quando se constata que é mais fácil dividir tarefas e congregar 
esforços para conquistar uma melhor qualidade de vida.
Porém, a vida em sociedade, por menores que sejam estes grupos sociais, gera conflitos. Nas civilizações 
mais antigas e rudimentares, estes conflitos, em regra, eram solucionados por meio da força bruta, gerando 
ainda mais desavenças e violência. Aos poucos, até mesmo em razão da complexidade da vida em sociedade, o 
ser humano percebeu a necessidade de se estabelecer regras de conduta para uma melhor convivência.
Por esta breve contextualização se visualiza o nascedouro do direito, aqui tomando a palavra pelo seu 
sentido mais leigo, como sinônimo de leis, regras e normas de conduta.
Continuando, como que criando uma história em quadrinhos, podemos imaginar que, certamente, al-
guém tomou as rédeas da criação destas normas e, de forma justa ou injusta, correta ou não, legítima ou não, 
passou a estabelecer as regras de convivência de determinada sociedade. 
Ainda, como não é impossível de acontecer, sendo quase sempre da natureza do ser humano, este al-
guém, um soberano, um imperador, um governante, etc., passou a inevitavelmente atender aos seus próprios 
interesses e aos de seus semelhantes, provocando situações de exploração dos demais “cidadãos”, suscitan-
do revolta e podendo ocasionar situações de violência e opressão. 
Esta historinha, aparentemente simples, demonstra com clareza situações de abuso de poder que são a 
primeira fonte dos direitos humanos ou os chamados direitos humanos de primeira geração, que surgem exa-
tamente como forma de limitar o poder dos soberanos e garantir direitos mínimos ao restante da população. 
Passemos a uma análise mais técnica após esta contextualização.
Iniciar o estudo sobre os direitos humanos exige uma conceituação do instituto. De acordo com a ONU 
Brasil1: “Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, 
1 (Disponível em: <https://nacoesunidas.org/acao/direitos-humanos/>. Acesso em: 2 fev. 2016.)
Vídeo
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
11Direitos Humanos
sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.” Incluem-se “o direito à vida e à 
liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. 
Todos merecem estes direitos, sem discriminação.” 
Os direitos humanos são considerados aqueles essenciais ao ser humano, os quais o seu titular possui 
exatamente em razão da natureza humana.
João Baptista Herkenhoff (1994, p. 30) assim conceitua Direitos Humanos: 
Por direitos humanos ou direitos do homem são, modernamente, entendidos aqueles direitos fundamen-
tais que o homem possui pelo fato deser homem, por sua própria natureza humana, pela dignidade que 
a ela é inerente. São direitos que não resultam de uma concessão da sociedade política. Pelo contrário, 
são direitos que a sociedade política tem o dever de consagrar e garantir. 
Embora a expressão “Direitos Humanos” seja a mais utilizada, é necessário observar que há outras deno-
minações, é comum usar expressões como “direitos naturais”, “direitos públicos subjetivos”, “liberdades pú-
blicas”, “direitos morais”, “direitos dos povos”, “direitos do homem”, “direitos fundamentais”, dentre outros.
As terminologias mais utilizadas são direitos humanos e direitos fundamentais. Todavia, mesmo que a 
distinção não seja tão relevante na atualidade, estas expressões não são consideradas, em si, como sinôni-
mas. A expressão direitos humanos se refere àqueles direitos no âmbito da ordem internacional, independen-
temente do reconhecimento por um ordenamento jurídico específico, possuindo caráter supranacional. A par 
disso, a denominação direitos fundamentais “se aplica para aqueles direitos do ser humano reconhecidos e 
positivados na esfera do direito constitucional positivo2 de determinado Estado”. (SARLET, 2005, p.35-36).
Partindo para a evolução histórica dos direitos humanos, como direitos essenciais à proteção do ser 
humano por evidência que estes não surgiram todos somente em um momento da história, sendo fruto da 
evolução da civilização humana e, em especial, em razão da limitação do poder político.
Da mesma forma, não se pode afirmar que a teoria dos direitos humanos já era concebida na antigui-
dade, pelo contrário, a sua concepção tal qual conhecemos na atualidade é muito mais produto dos aconte-
cimentos decorrentes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Todavia, a proteção da pessoa humana já era conhecida na antiguidade, sendo, em especial, tratada por filó-
sofos como Zaratustra na Pérsia, Buda na Índia, Confúcio na China, o Dêutero-Isaías em Israel, além de Platão e 
Aristóteles na Grécia. Também, no âmbito normativo, é possível apontar várias legislações que já demonstravam 
preocupação com a proteção destes direitos, dentre eles, por exemplo, o Código de Hammurabi (1792-1750 a.C.), 
considerado o primeiro código de normas de condutas, preceituando esboços de direitos como o direito à vida, 
à propriedade e à honra. Além da Lei das Doze Tábuas na República Romana, que veio estipular uma lei escrita 
2 De forma simples podemos afirmar que “o direito constitucional positivo é o conjunto de leis, regras, convenções, costumes que regu-
lam a forma do Estado, de governo, e os direitos públicos individuais.” (LEITE, 2007).
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
12 Direitos Humanos
como regente das condutas. Também o direito romano consagrou vários direitos, como o da propriedade, liberda-
de, personalidade jurídica, entre outros. (RAMOS, 2015, p. 32-34). 
O Cristianismo teve grande influência na proteção da pessoa humana, em especial ao apregoar que o 
homem é criado à imagem e semelhança de Deus. Necessário lembrar também os filósofos católicos, como 
São Tomás de Aquino, que defendia a igualdade dos seres humanos e a aplicação justa da lei. (RAMOS, 
2015)
Foi na Idade Média que se iniciou a luta pela limitação do poder político, pois na Europa o poder dos 
governantes ainda era ilimitado e fundado na vontade divina. Foi nesta época que surgiram os primeiros 
movimentos de reivindicação de liberdades, dos quais provêm a Declaração das Cortes de Leão adotada na 
Península Ibérica, em 1188, e a Magna Carta inglesa, de 1215.
André de Carvalho Ramos ressalva que a Magna Carta continha um ingrediente “essencial ao futuro 
do regime jurídico dos direitos humanos: o catálogo de direitos dos indivíduos contra o Estado” (op. cit., p. 
36-37), claro que possuía um caráter elitista, pois protegia o Baronato inglês contra os abusos do monarca 
João Sem Terra, mas já era o início da luta pela limitação do poder político. Salienta o autor que, embora 
seu foco seja a elite fundiária, este documento já traz a ideia de governo representativo, além de reconhecer 
direitos como o de ir e vir em situação de paz, de ser julgado pelos seus pares, de acesso à Justiça e propor-
cionalidade entre o crime a pena. 
Após a Crise da Idade Média e o questionamento dos Estados Absolutistas, cada vez mais se passou a 
limitar o poder soberano do rei. Exemplo disso é a Petition of Right (Petição de Direitos), de 1628, em que 
o Baronato Inglês novamente impõe limites ao poder do rei em relação à cobrança de impostos, tornando-o 
dependente de autorização do Parlamento. Este documento ainda estabeleceu que “nenhum homem livre 
podia ser detido ou preso ou privado dos seus bens, das suas liberdades e franquias, ou posto fora da lei e 
exilado ou de qualquer modo molestado, a não se por virtude de sentença legal dos seus pares ou da lei do 
país” (RAMOS, 2015, p. 37-38), sendo o embrião do devido processo legal. Também na Inglaterra, surge 
a Declaração de Direitos, a Bill of Rights, de 1689, da Revolução Gloriosa, que reduziu o poder dos reis 
ingleses de forma definitiva. Esta declaração estabelece a necessidade de respeito à vontade da lei, sendo 
superior em relação à vontade do soberano, bem como reafirmou o poder do Parlamento, cujos membros 
eram livremente eleitos.
Entre os filósofos mais importantes sobre o tema, Ramos cita Hobbes, Grócio, John Locke, Rousseau e, 
em especial, Kant, já no final do século XVIII, que defendeu a existência da dignidade intrínseca a todo ser 
racional, que não tem preço ou equivalente, não podendo o ser humano ser tratado como um meio, mas sim 
como um fim em si mesmo, concepção atualmente importante para o regime jurídico dos direitos humanos.
Foram as revoluções liberais, inglesa, americana e francesa, e as suas respectivas declarações de 
Direitos, que trouxeram a afirmação histórica dos direitos humanos. 
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
13Direitos Humanos
Já falamos da Revolução Inglesa e do Bill of Rights de 1689. A Revolução Americana deu origem ao 
processo de independência das colônias britânicas na América do Norte, com a Declaração de Independência 
dos Estados Unidos de 04 de julho de 1776, estipulando que “todos os homens são criados iguais, sendo-lhes 
conferidos pelo seu Criador certos Direitos inalienáveis. Que para garantir estes Direitos, são instituídos 
Governos entre os Homens, derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados”. (RAMOS, 
2015, p. 42).
Foi a partir da independência dos Estados Unidos da América que surgiu a primeira constituição do 
mundo, a Constituição norte-americana de 1787, e com ela a era do Constitucionalismo liberal.
A Revolução Francesa fez surgir a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, adotada 
pela Assembleia Nacional Constituinte francesa, em 27 de agosto de 1789, sendo considerada o marco para 
a proteção dos direitos humanos no plano nacional. A realidade social de desigualdade, o privilégio das cas-
tas e a insensibilidade das elites fizeram surgir os motins populares que resultaram na tomada da Bastilha em 
14 de junho de 1789. A Assembleia Nacional Constituinte formada por representantes dos três estamentos, 
sendo de um lado as elites religiosas (clero) e a nobreza e, de outro, o chamado “terceiro estado” (a grande 
e pequena burguesia além da camada urbana sem posses), adotaram a referida Declaração em 27 de agosto 
de 1789, que consagrou a igualdade e liberdade como direitos inatos de todos os indivíduos. Aboliram-se 
privilégios, direitos feudais e imunidades de várias castas, em especial da aristocracia de terras. (RAMOS, 
op. cit., p. 42-43).
A principal premissa da Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, influen-
ciou a Constituição Francesa de 1791, bem como várias constituições e tratados de direitos humanos pos-
teriores, sendo ela: todos os homens nascem livres e com direitos iguais. Esta premissa consagra a ideia de 
universalidade dos direitos humanos, a qual seriadefinitivamente estabelecida pela Declaração Universal 
dos Direitos Humanos.
As revoluções liberais fizeram surgir uma categoria própria de direitos humanos, aqueles exercidos 
contra o poder do estado. Esta visão é própria do momento histórico vivido, da necessidade da classe bur-
guesa detentora do poder econômico, mas desprestigiada em relação ao reconhecimento de direitos na esfera 
jurídica. Demonstrou a pretensão de limitação do poder estatal em relação ao poder econômico, consagran-
do direitos como a liberdade e a igualdade, sempre no enfoque voltado a proteção do patrimônio.
Obviamente, tais movimentos somente agradaram a parcela da população que não possuía os privilé-
gios da elite, ou seja, somente aqueles detentores do poder econômico, a burguesia. Consequentemente, pas-
saram a surgir movimentos sociais visando à ampliação do rol de direitos humanos para abarcar os direitos 
sociais, como o direito à educação e assistência social. 
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
14 Direitos Humanos
Assim afirma Giuseppe Tosi [s.d.]:
A tradição liberal dos direitos do homem domina o período que vai do Século XVII até a metade do 
Século. XIX, quando termina a era das revoluções burguesas. Nesta época, irrompe na cena política o 
socialismo, que encontra suas raízes naqueles movimentos mais radicais da Revolução Francesa que 
queriam não somente a realização da liberdade, mas também da igualdade.
O socialismo, sobretudo a partir dos movimentos revolucionários de 1848 (ano em que foi publicado o 
Manifesto da Partido Comunista de Marx e Engels), reivindica uma série de direitos novos e diversos 
daqueles da tradição liberal. A egalité da Revolução Francesa era somente (e parcialmente) a igualdade 
dos cidadãos frente à lei, mas o capitalismo estava criando novas grandes desigualdades econômicas e 
sociais e o Estado não intervinha para pôr remédio a esta situação.
Os movimentos revolucionários de 1848 constituem um acontecimento chave na história dos direitos 
humanos, porque conseguem que, pela primeira vez, o conceito de “direitos sociais” seja acolhido na 
Constituição Francesa, ainda que de forma incipiente e ambígua. [...] Estava assim aberto o longo e 
tortuoso caminho que levaria progressivamente à inclusão de uma serie de direitos novos e estranhos 
à tradição liberal: direito à educação, ao trabalho, à segurança social, à saúde, etc. que modificam a 
relação do indivíduo com o Estado.
Na sua longa luta contra o absolutismo, o liberalismo considerava o Estado como um mal necessário 
e mantinha um relação de intrínseca desconfiança: a questão central era a garantia das liberdades in-
dividuais contra a intervenção do Estado nos assuntos particulares. Agora, ao contrário, tratava-se de 
obrigar o Estado a fornecer um certo número de serviços para diminuir as desigualdades econômicas e 
sociais e permitir a efetiva participação de todos os cidadãos à vida e ao “bem estar” social.
Surge o chamado “Estado do Bem-Estar Social” passando a ser consagrado nas Cartas Constitucionais 
(Constitucionalismo Social) por meio de diversos direitos sociais ao lado dos direitos políticos e civis.
George Sarmento ensina que:
Muitos foram os textos precursores dos direitos sociais, econômicos e culturais. Entre eles, a 
Constituição Francesa de 1848, a Constituição Mexicana de 1917, a Declaração Russa dos Direitos do 
Povo Trabalhador e Explorado (1918) e o Tratado de Versailles, de 1919. Mas foi a Constituição alemã 
de 1919, mais conhecida como Constituição de Weimar, que primeiro os sistematizou, criando um catá-
logo de direitos que exerceu forte influência sobre os países democráticos. (2011, p. 5-6).
A par disso, claro que não de forma uniforme e/ou linear, mas tentando se estabelecer uma breve noção 
histórica dos pontos mais marcantes da história dos direitos humanos, não se pode esquecer a relevância da 
Segunda Guerra Mundial para a internacionalização desta categoria de direitos.
Somente após as barbáries ocorridas na Segunda Guerra Mundial é que o discurso de proteção dos 
direitos humanos tomou uma dimensão universal e passou a ser alvo de preocupação internacional.
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
15Direitos Humanos
Por isso Fábio Konder Comparato sustenta:
após três lustros de massacres e atrocidades de toda sorte, iniciados com o fortalecimento do totalitaris-
mo estatal nos anos 30, a humanidade compreendeu, mais do que em qualquer outra época da história, 
o valor supremo da dignidade humana. O sofrimento como matriz da compreensão do mundo e dos 
homens, segundo a lição luminosa da sabedoria grega, veio a aprofundar a afirmação histórica dos 
direitos humanos. (2005, p. 54)
Poderíamos ficar aqui por diversas páginas analisando a influência dos acontecimentos decorrentes da 
Segunda Guerra Mundial na evolução dos Direitos Humanos, mas apenas recordar as atrocidades praticadas 
pelo nazismo durante aquele período já faz lembrar o total desrespeito à condição do ser humano pelos re-
gimes totalitaristas, que tiveram a capacidade de, legalmente, transformar as pessoas em displaced persons 
– seres supérfluos3.
3 “Objetivando demonstrar como os campos de concentração se tornaram a verdadeira instituição, constitutiva do cerne do poder organi-
zacional do regime nazista, Hannah Arendt descreve as três etapas por meios das quais os campos de concentração alcançam o objetivo 
do regime de dominação total dos indivíduos. 
 A primeira etapa para o domínio total é matar a pessoa jurídica, destituir o ser humano de sua capacidade para ser titular de direito e 
obrigações. 
 Hannah Arendt aponta o início deste processo através da desnacionalização maciça ocorrida na Europa no primeiro pós-guerra, criando 
assim pessoas destituídas do status civitatis, pessoas fora da lei, seres destituídos de qualquer proteção jurídica, e paradoxalmente (pois 
eram totalmente inocentes), em situação pior do que a de um criminoso, que ainda tem a proteção legal durante todo o procedimento 
criminal. 
 Ressalta Hannah Arendt que a inocência dos internados nos campos de concentração era essencial para o regime, pois somente assim 
seria possível se manter a continuidade dos campos que eram indispensáveis, juntamente com o sistema arbitrário de escolha do “ini-
migo objetivo”, para a destruição dos direitos civis de toda a população na busca do domínio total. 
 O próximo passo decisivo de preparo de “cadáveres vivos” é matar a pessoa moral do homem, que se obtém através do anonimato 
imposto pelo silêncio que cerca os campos de concentração. “O silêncio faz desaparecer a palavra escrita e falada, a dor e a recordação, 
até mesmo na memória da família dos internados.” 
 Os campos de concentração roubaram dos internados até mesmo a sua morte, fazendo os mesmos crer que a morte apenas estampava 
o fato de que ele jamais havia existido. Os campos de concentração, tornando anônima a própria morte e tornando impossível saber se 
um prisioneiro estava vivo ou morto, “roubaram da morte o significado de desfecho de uma vida realizada”.
 Após a morte da pessoa moral a única coisa que ainda impede que os homens se transformem em mortos vivos é a sua singularidade, 
sendo esta a parte da pessoa humana mais difícil de se destruir. 
 Hannah Arendt descreve a perda da singularidade através de alguns exemplos, demonstrando que começava com “as monstruosas con-
dições dos transportes a caminho do campo, onde centenas de seres humanos” amontoavam-se “num vagão de gado, completamente 
nus, colados uns aos outros, e são transportados de uma estação para outra, de desvio a desvio, dia após dia”; continuava quando chega-
vam ao campo: “o choque bem organizado das primeiras horas, a raspagem dos cabelos, as grotescas roupas do campo”; e terminavam 
“nas torturas inteiramente inimagináveis, dosadas de modo a não matar o corpo ou, pelo menos, não matá-lo rapidamente.” 
 Destruída a individualidade, a espontaneidade está destruída, “morta a individualidade, nada resta senão horríveis marionetes com 
rostosde homem, ... todas reagindo com perfeita previsibilidade mesmo quando marcham para a morte.” A vítima se deixa levar a 
morte sem protestos, sem sequer tentar afirmar a sua individualidade. 
 Demonstra finalmente Hannah Arendt que tais consequências não eram inúteis, os campos de concentração eram necessários ao obje-
tivo de domínio total, sendo que para isso era indispensável se liquidar no homem toda a sua espontaneidade, produto da existência da 
individualidade.” (ECHTERHOFF, 2006. p. 37-39).
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
16 Direitos Humanos
Como ensina Flávia Piovesan (2015, p. 196), “o legado do nazismo foi condicionar a titularidade de direitos, 
ou seja, a condição de sujeito de direitos, à pertinência de determinada raça – a raça pura ariana”. Portanto, funda-
do numa legalidade estrita, o Estado Nazista conseguiu restringir a condição de sujeito de direitos apenas àqueles 
sujeitos da raça pura ariana, negando o valor da pessoa humana como valor fonte do direito.
Com o término da guerra surgiu uma necessidade de reconstrução dos direitos humanos, por isso 
Piovesan afirma que “se a Segunda Guerra significou a ruptura com os direitos humanos, o pós-guerra 
deveria significar sua reconstrução” (op. cit., p. 196-197), mas agora num âmbito internacional, não se res-
tringindo ao âmbito reservado do Estado.
Neste contexto, a autora (op.cit.) afirma que o Tribunal de Nuremberg, em 1945-1946, foi um significativo 
impulso ao movimento de internacionalização dos direitos humanos, diante da criação de um Tribunal Militar 
Internacional com o fim de julgar os criminosos de guerra, bem como consolidando a ideia de limitação da sobe-
rania nacional, reconhecendo-se que os indivíduos têm direitos protegidos pelo Direito Internacional.
A vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial introduziu uma nova ordem com importantes trans-
formações no Direito Internacional, diante da criação das Nações Unidas em 1945, com a assinatura da 
Carta das Nações Unidas em 26 de junho de 1945, em São Francisco.
As Nações Unidas (chamada de Organização das Nações Unidas – ONU4) são organizadas em diversos 
órgãos, sendo que os seis principais são a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, a Corte Internacional 
de Justiça, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela e o Secretariado. 
É a Carta das Nações Unidas de 1945 que “consolida, assim, o movimento de internacionalização dos 
direitos humanos, a partir do consenso de Estados que elevam a promoção desses direitos a propósito e 
finalidade das Nações Unidas”. (PIOVESAN, op. cit., p. 209).
A carta das Nações Unidas faz expressa referência aos Direitos Humanos nos arts. 1.º (3), 13 (1 e 2), 
55, 56 e 62 (2 e 3).
Num exame detido da Carta das Nações Unidas se constata que este documento, embora faça expressa 
referência aos direitos humanos, não define o seu conteúdo, o que somente veio a ser feito três anos depois, 
com o advento da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
Por óbvio que esta breve análise histórica dos direitos humanos não foi capaz de abranger todos os 
fatos históricos, mas os mais relevantes até o advento da DUDH foram examinados, o que é suficiente para 
o objetivo proposto. A partir deste exame histórico constata-se que os direitos humanos surgem de acordo 
com a necessidade de sua consagração, primeiro surgiram direitos civis e políticos vinculados à necessidade 
de limitação do poder do estado, em seguida surgem direitos econômicos, sociais e culturais, decorrentes da 
noção do Estado do Bem-estar Social. 
4 Mais informações em: <https://nacoesunidas.org/>. Acesso em: 02 fev. 2016.
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
17Direitos Humanos
Como bem adverte Norberto Bobbio (1992, p. 6):
Os direitos humanos não nascem todos de uma só vez, nascem quando devem ou podem nascer. 
Nascem quando o aumento do poder do homem sobre o homem – que acompanha inevitavel-
mente o progresso técnico, isto é, o progresso da capacidade do homem de dominar a natureza e 
os outros homens – ou cria novas ameaças à liberdade do indivíduo, ou permite novos remédios 
para as suas indigências: ameaças que são enfrentadas através de demandas de limitações de 
poder; remédios que são providenciados através da exigência de que o mesmo poder intervenha 
de modo protetor.
Assim surge a Teoria das Gerações ou Dimensões dos Direitos Humanos, lançada pelo jurista francês 
de origem tcheca, Karel Vasak, que, em 1979, classificou os direitos humanos em três gerações, cada uma 
com características próprias, sendo que atualmente outros autores defendem a ampliação destas categorias 
para quatro e até cinco gerações: (RAMOS, op. cit., p. 55). 
Karel Vasak vinculou cada uma das três gerações a um dos componentes do dístico da Revolução 
Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade (RAMOS, op. cit., p. 55). São considerados direitos de pri-
meira geração os direitos de liberdade, os direitos vinculados às liberdades públicas e direitos políticos, 
referindo-se aqueles direitos às prestações negativas, nas quais o Estado deve proteger a esfera de autonomia 
do indivíduo, limitando a esfera de poder do Estado.
Dentre estes direitos, George Sarmento (op. cit., p. 3-4) cita a liberdade de expressão, a presunção de 
inocência, a inviolabilidade de domicílio, a proteção à vida privada, a liberdade de locomoção, os direitos da 
pessoa privada de liberdade, o devido processo legal, entre outros. No campo dos direitos políticos podem 
ser indicados: o direito ao voto (tanto de votar, como de ser votado), o direito de ocupar cargos públicos, o 
direito à filiação partidária, entre outros.
Os direitos humanos de segunda geração são aqueles que passam a exigir um papel ativo do Estado, 
visando garantir os chamados direitos sociais, econômicos e culturais, nascidos do chamado Estado do Bem-
estar Social. Dentre estes direitos, George Sarmento (op. cit., p. 7.) cita:
a) Direitos Sociais: educação, saúde, trabalho, moradia, lazer segurança, previdência social, assistência 
aos desamparados, proteção à maternidade e à infância [...].
b) Direitos Econômicos: valorização do trabalho, livre iniciativa, função social da propriedade, livre 
concorrência, defesa do consumidor, redução das desigualdades regionais e sociais etc. [...].
c) Direitos Culturais: acesso às fontes da cultura nacional, valorização e difusão das manifestações 
culturais, proteção às culturas populares, indígenas e afro-brasileiras; proteção ao patrimônio cultural 
brasileiro, que são os bens de natureza material e imaterial portadores de referência à identidade, à ação, 
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira [...].
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
18 Direitos Humanos
Os direitos de terceira geração, conhecidos como direitos de fraternidade ou de solidariedade, têm 
como pressuposto a proteção da coletividade ou de um grupo social vulnerável. George Sarmento menciona 
entre estes direitos, o direito ao desenvolvimento, à paz, à propriedade sobre o patrimônio comum da hu-
manidade, o direito de comunicação, o de autodeterminação dos povos, à defesa de ameaça de purificação 
racial e genocídio, à proteção contra as manifestações de discriminação racial, à proteção em tempos de 
guerra ou qualquer outro conflito armado. No âmbito nacional, o autor cita os direitos decorrentes da pro-
teção ambiental, do direito do consumidor, da criança e adolescente, idosos, portadores de deficiência, bem 
como a proteção dos bens que integram o patrimônio artístico, histórico, cultural, paisagístico, estético e 
turístico (SARMENTO, op. cit., p. 8-9). 
Atualmente, alguns autores afirmam que há uma quarta geração de direitos humanos decorrentes das 
inovações das ciências biomédicas “referentes aos efeitos cada vez mais traumáticos da pesquisa biológica, 
que permitirá manipulações do patrimônio genético de cada indivíduo.” (BOBBIO, op. cit., p. 6) 
Neste sentido, Salvador Darío expõe:
Toda uma série de novos direitos – alguns já consolidadose outros em processo de se consolidarem 
como o direito à proteção do genoma humano contra práticas contrárias à dignidade do indivíduo, à 
autodeterminação genética, à privacidade genética, à não discriminação por razoes genéticas, ao con-
sentimento livre e informado para a realização de estudos genéticos, etc., configuram uma nova di-
mensão dos Direitos Humanos, categoria histórica que permanentemente em seu caminho se adapta às 
exigências e às necessidades do momento, para proteger o homem em sua dignidade e em sua liberdade. 
(BERGEL, 2002, p. 329 – tradução nossa5).
George Sarmento (op. cit., p. 12), advertindo que não existe consenso na existência desta geração, 
quem dirá nas espécies de direitos que estariam inclusas nesta categoria, entende que dentre os direitos da 
quarta geração estariam, também, os direitos de informática, produto da Sociedade de Informação.
Embora não haja concordância em relação às dimensões dos direitos humanos ou a forma de sua clas-
sificação, há consenso em relação ao seu fundamento axiológico (referente a um conceito de valor), sendo 
que, seja doutrinariamente, seja normativamente, os direitos humanos são extraídos, em essência, da noção 
de dignidade da pessoa humana, das exigências consideradas imprescindíveis e inescusáveis a uma vida 
digna, da proteção do ser humano.
5 Tradução livre da autora, referente ao trecho original: 
 Toda una seria de nuevos derechos – algunos ya consolidados y otros en proceso de serlo-tales como el derecho a la protección del 
genoma humano contra prácticas contrarias a la dignidad del individuo, a la autodeterminación genética, a la privacidad genética, a la 
no-discriminación por razones genéticas, al consentimento libre e informado para la realización de estudios genéticos, etc., conforman 
uma nueva dimensión de los Derechos Humanos, categoría histórica que permanentemente en su camino fue adaptándose a los reque-
rimientos y a las necesidades del momento, para proteger al hombre en su dignidad y en su libertad. (BERGEL, 2002. p. 329).
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
19Direitos Humanos
Conceituar a dignidade da pessoa humana é uma tarefa difícil, sendo mais fácil se constatar no caso 
concreto a ofensa à dignidade do que definir o que é viver com dignidade. Porém, é inegável que a dignidade 
é um conceito a priori, anterior a própria existência do ordenamento jurídico, é um dado prévio, uma quali-
dade integrante e irrenunciável da própria condição humana e que está em constante processo de desenvol-
vimento de acordo com o momento histórico e cultural da sociedade (SARLET, 2002, p. 40).
Parte
2 A Declaração Universal dos Direitos 
Humanos e os organismos internacionais 
de proteção aos Direitos Humanos
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é considerada um marco na 
proteção dos direitos humanos, tendo sido aprovada de forma unanime6 pela Assembleia 
Geral das Nações Unidas em Paris, no dia 10 de Dezembro de 1948. 
Ela foi elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas 
as regiões do mundo, tendo sido a primeira organização internacional que abrangeu a quase 
totalidade dos povos da Terra.
A declaração é composta por 30 artigos, sendo que no seu primeiro artigo, o documento já demonstrou 
a que veio:
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. 
São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos 
outros com espírito de fraternidade.” (DUDH, ONU, 1948)
Flavia Piovesan (op. cit., p. 215) ressalva que “a Declaração consolida a afirmação de uma ética uni-
versal ao consagrar um consenso sobre valores de cunho universal a serem seguidos pelos Estados”, o que 
é observado desde o seu preâmbulo ao afirmar a consagração da dignidade humana como valor universal.
A autora demonstra com clareza as razões históricas da necessidade da Declaração ressalvar expressa-
mente a característica de universalidade destes direitos:
A Declaração Universal de 1948 objetiva delinear uma ordem pública mundial fundada no respeito à 
dignidade humana, ao consagrar valores básicos universais. Desde seu preâmbulo, é afirmada a dignidade 
6 Foi aprovada por 48 Estados, com 8 abstenções (não houve votos contrários), da Bielorrússia, Checoslováquia, Polônia, Arábia 
Saudita, Ucrânia, URSS, África do Sul e Iuguslávia. Contudo, em 1975, no Ato Final da Conferência de Helsinki sobre Segurança e 
Cooperação na Europa, os Estados comunistas da Europa aderiram expressamente à DUDH. (PIOVESAN, op. cit., p. 215).
Vídeo
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
20 Direitos Humanos
inerente a toda pessoa humana, titular de direitos iguais e inalienáveis. Vale dizer, para a Declaração 
Universal a condição de pessoa é o requisito único e exclusivo para a titularidade de direitos. A universali-
dade dos direitos humanos traduz a absoluta ruptura com o legado nazista, que condicionava a titularidade 
de direitos à pertinência à determinada raça (a raça pura ariana). A dignidade humana como fundamento 
dos direitos humanos e valor intrínseco à condição humana é concepção que, posteriormente, viria a ser 
incorporada por todos os tratados e declarações de direitos humanos, que passaram a integrar o chamado 
Direito Internacional dos Direitos Humanos. (PIOVESAN, op. cit., p. 216)
Entre os direitos que disciplinam a declaração, alguns fazem expressa referência aos direitos civis (exem-
plos, art. XVII e XVIII7) e políticos (exemplo, o artigo XXI8), além dos direitos econômicos (exemplo, art. XXIII9, 
também exemplo de direito social), sociais (exemplo, artigo XXV10) e culturais (exemplo, artigo XXVII11)12.
7 “Artigo XVII 
 1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 
 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. 
 Artigo XVIII 
 Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou 
crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em 
particular.”
8 “Artigo XXI 
 1. Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente 
escolhidos. 
 2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 
 3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio 
universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.”
9 “Artigo XXIII 
 1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra 
o desemprego. 
 2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 
 3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma 
existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.”
10 “Artigo XXV 
 1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, 
vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, 
invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circuns tâncias fora de seu controle. 
 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio 
gozarão da mesma proteção social.”
11 “Artigo XXVII 
 1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso 
científico e de seus benefícios. 
 2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou 
artística da qualseja autor.”
12 Para ter acesso à íntegra da Declaração, acesse: <www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf>.
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
21Direitos Humanos
O que demonstra com clareza a adequação dos momentos históricos decorrentes do discurso liberal e 
social, evidenciando as diferentes gerações de direitos humanos e demonstrando a sua inter-relação e inter-
dependência, sem que uma geração venha a substituir a outra.
A doutrina jurídica muito discutiu sobre a eficácia da DUDH diante do fato de ter sido adotada sob a 
forma de uma Resolução, que, no âmbito do ordenamento jurídico, não possui força de lei em sentido estrito. 
A posição majoritária é que a Declaração possui sim força jurídica vinculante13, como fonte de direito, seja 
por integrar o direito costumeiro internacional e/ou os princípios gerais de direito. 
Assim, leciona Flávia Piovesan:
Para este estudo, a Declaração Universal de 1948, ainda que não assuma a forma de tratado interna-
cional, apresenta força jurídica obrigatória e vinculante, na medida em que constitui a interpretação 
autorizada da expressão “direitos humanos” constante dos arts. 1.º (3) e 55 da Carta das Nações Unidas. 
Ressalta-se que, à luz da Carta, os Estados assumem o compromisso de assegurar o respeito universal 
e efetivo aos direitos humanos. 
Ademais, a natureza jurídica vinculante da Declaração Universal é reforçada pelo fato de – na qualida-
de de um dos mais influentes instrumentos jurídicos e políticos do século XX – ter-se transformado, ao 
longo dos mais de cinquenta anos de sua adoção, em direito costumeiro internacional e principio geral 
do Direito Internacional. (PIOVESAN, op. cit., p. 225-226).
É inegável a força vinculante da DUDH quando se examina diversos outros textos de tratados e 
documentos internacionais relacionados aos direitos humanos, bem como e, em essência, ao se pesquisar as 
Constituições Nacionais e se constatar que aqueles mesmos direitos humanos foram incorporados no âmbito 
nacional, inclusive em decisões judiciais de tribunais locais. 
Em razão desta discussão sobre a força vinculante da DUDH, iniciou-se uma ampla discussão interna-
cional com o objetivo de juridicização14 da Declaração em forma de tratado internacional. Este processo foi 
concluído em 1966 com a elaboração de dois tratados internacionais – o Pacto Internacional dos Direitos 
Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – que incorporaram 
os direitos constantes na DUDH (PIOVESAN, op. cit., p. 238).
A união destes pactos e da DUDH forma a Carta Internacional dos Direitos Humanos, International 
Bill of Rights, formando assim o sistema global de proteção dos direitos humanos que vem sendo ampliado 
constantemente com tratados multilaterais de direitos humanos, pertinentes a determinadas e específicas 
violações de direitos, como, por exemplo, a violação dos direitos das crianças, das mulheres, discriminação 
racial, entre outras (PIOVESAN, op. cit., p. 238-239).
13 Quando se fala em força jurídica vinculante, está se tratando da ideia de força de lei, de conteúdo de observância obrigatória, que 
possui coercibilidade.
14 Juridicização significa o ingresso de determinado documento, no caso a DUDH, no mundo jurídico, deixando de ser mera carta de 
intenções e passando a ter conteúdo de norma jurídica, de lei em sentido estrito.
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
22 Direitos Humanos
Portanto, além da DUDH e dos Pactos já indicados, podemos citar, dentre outras: 
• Convenção para Prevenção e Repressão ao Crime de Genocídio;
• Convenção Internacional contra a Tortura; 
• Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial; 
• Convenção sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher; 
• Convenção sobre os Direitos da Criança; 
• Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
À ONU, através de seus diversos órgãos, cabe também a proteção aos direitos humanos, conforme já 
examinamos antes. Por isso, em 1946, foi criada a Comissão de Direitos Humanos da ONU, a qual, após 
mais de 50 anos de trabalho, em 24 de março de 2006 teve sua última sessão, sendo abolida em 16 de junho 
de 2006 e substituída pelo Conselho de Direitos Humanos. 
A criação do Conselho de Direitos Humanos objetivou dar maior credibilidade à temática no âmbito 
da ONU, pois, ao contrário da comissão anterior, este não se submete ao conselho de direito econômico e 
social, sendo subsidiário da Assembleia Geral. O Conselho passa a gozar de uma natureza semipermanen-
te, possuindo reuniões várias vezes ao ano e não somente uma, como ocorria anteriormente (VIEGAS E 
SILVA, 2013, p. 104).
O conselho é formado por 47 Estados-membros, eleitos diretamente pela Assembleia Geral da ONU 
com base no princípio do escrutínio universal15 e da não seletividade política16, observando-se a distribuição 
geográfica equitativa dentre os grupos regionais, sendo 13 membros dos Estados africanos; 13 membros dos 
Estados asiáticos; 6 membros dos Estados do Leste europeu; 8 membros dos Estados da América Latina e 
Caribe; e 7 membros dos Estados da Europa ocidental e demais Estados. 
Conforme afirma Flávia Piovesan (op. cit., p. 212), a composição do Conselho aponta novo critério 
para a formação das maiorias, pois os países com reduzido e médio graus de desenvolvimento contarão com 
expressiva maioria de 40 membros.
Dentre as suas principais atribuições, o Conselho tem como vocação institucional “promover o respeito 
universal pela proteção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais de todas as pessoas, sem 
distinções de nenhum tipo e de forma justa e equitativa” (Assembleia Geral, Resolução 60/251, parágrafo 2 
apud BORGES, 2011). 
15 Escrutínio significa a forma como o exercício do direito ao voto se realiza. Ao se falar em escrutínio universal se dá a ideia que o direito 
ao voto será exercido por todos, sem restrições como as advindas de raça, credo ou sexo, por exemplo.
16 Ao afirmar que a eleição dos Estados-membros tem como base o princípio da não seletividade política se pretende demonstrar que os 
critérios não são políticos.
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
23Direitos Humanos
E, ainda, o Conselho se ocupará de: 
[...] situações em que se violem os direitos humanos, incluídas as violações graves e sistemáticas; coordenar 
e incorporar os direitos humanos à atividade geral do sistema da ONU; impulsionar a promoção e a proteção 
de todos os direitos humanos, incluído o direito ao desenvolvimento; promover a educação em direitos hu-
manos e prestar serviços de assessoria técnica por solicitação e de acordo com os Estados interessados; servir 
de fórum para o diálogo sobre questões temáticas referentes a todos os direitos humanos; contribuir para o 
desenvolvimento do Direito Internacional dos Direitos Humanos; promover o pleno cumprimento das obri-
gações em matéria de direitos humanos contraídas pelos Estados; facilitar o acompanhamento dos objetivos 
e compromissos sobre direitos humanos emanados das conferências e cúpulas das Nações Unidas; realizar 
um exame periódico universal, baseado em informação objetiva e fidedigna, sobre o cumprimento por cada 
Estado de suas obrigações e compromissos em matéria de direitos humanos, de uma forma que garanta a 
universalidade do exame e a igualdade de tratamento em relação a todos os Estados, baseado num diálogo 
interativo, com a plena participação do país de que se trate e levará em consideração suas necessidades em 
relação ao fomento da capacidade; prevenir as violações de direitos humanos e responder com prontidão 
às situações de emergência em matéria de direitos humanos; cooperar estreitamente em matéria de direitos 
humanos com os governos, as organizações regionais, as instituições nacionais de direitos humanos e a so-
ciedade civil ; e assumir as funções e atribuições da Comissão de Direitos Humanos em relação ao Escritório 
do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.( AssembleiaGeral, Resolução 60/251, 
parágrafo 2-5 apud BORGES, 2011).
A grande novidade trazida com o Conselho de Direitos Humanos foi a Revisão Periódica Universal 
(RPU) que é um mecanismo em que se realiza um exame da situação de direitos humanos da totalidade dos 
Estados membros da ONU em ciclos de quatro anos (no primeiro ciclo) e quatro anos e meio (a partir do 
segundo ciclo). 
Ressalta Marisa Viegas e Silva (op. cit., p. 113): 
Observe-se que o objetivo da RPU não é de duplicar o trabalho já exercido pelos órgãos para fiscalizar 
a aplicação dos tratados de direitos humanos e os procedimentos especiais, mas complementá-lo. Neste 
sentido, a RPU distingue-se desses outros mecanismos por algumas características, como seu caráter 
essencialmente interestatal, o fato de que as recomendações emanam do Estado individualmente e não 
do Conselho como órgão; a possibilidade de aceitação ou rejeição da recomendação por parte do Estado 
examinado, com a consequência de que somente as recomendações aceitas devem ser implementadas; 
a universalidade da revisão e dos direitos objetos da revisão. Ainda a este respeito, durante os primeiros 
anos de atividade há registros de intercâmbio positivo de informação entre a RPU e os demais mecanis-
mos – por exemplo, algumas recomendações formuladas durante o RPU foram utilizadas pelos órgãos 
encarregados de verificar o cumprimento dos tratados de direitos humanos ou pelos procedimentos 
especiais e, por outro lado, muitos Estados utilizaram sua participação na RPU para comentar suas 
atividades perante aqueles mecanismos, ou para realizar recomendações a terceiros países relativas a 
tais mecanismos. Podemos afirmar, inclusive, que em certo sentido a Revisão Periódica Universal tem 
funcionado como ferramenta de estímulo à implementação das obrigações dos procedimentos especiais 
e dos órgãos estabelecidos em virtude dos tratados.
Portanto, o Estado-membro que passa pela revisão periódica universal participa da avaliação e assume 
compromissos voluntários relacionados às recomendações decorrente da RPU.
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
24 Direitos Humanos
A par do Conselho de Direitos Humanos, o Pacto de Direitos Civis e Políticos determinou a constitui-
ção do Comitê de Direitos Humanos, que é integrado por 18 membros que exercem a sua função a título 
pessoal. Estes membros são indicados pelos Estados Partes do Pacto e devem ser pessoas de elevada repu-
tação moral e reconhecida competência em matéria de direitos humanos. Cada Estado Parte pode indicar 
duas pessoas que devem ser nacionais do país que as indicou, passando-se por eleição que se dá mediante 
votação secreta entre os Estados Partes em reunião convocada pelo Secretário-Geral da ONU, não podendo 
ser eleito mais de um nacional do mesmo Estado (RAMOS, op. cit., p. 288).
O Comitê tem competência de examinar os relatórios sobre as medidas adotadas para tornar efetivos os 
direitos reconhecidos no Pacto, emitir recomendações aos Estados Partes, receber e examinar comunicações 
em que um Estado Parte alegue que outro não vem cumprindo as obrigações previstas no Pacto, bem como 
comunicações de indivíduos que aleguem ser vítimas de violação de qualquer dos direitos previstos no 
Pacto17 (RAMOS, op. cit., p. 289-290).
Podemos citar, ainda, entre organismos vinculados à proteção dos direitos humanos, o Conselho 
Econômico e Social, órgão das Nações Unidas responsável por coordenar assuntos internacionais de ca-
ráter econômico, social, cultural, educacional, de saúde e conexos; e o seu respectivo Comitê de Direitos 
Econômicos, Sociais e Culturais (RAMOS, op. cit., p. 291-292).
Mencionamos, ainda, o Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial, o Comitê para a Eliminação 
da Discriminação contra a Mulher, Comitê contra a Tortura, Comitê para os Direitos da Criança, Comitê 
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Comitê contra Desaparecimentos Forçados.
Finalmente, não podemos esquecer do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, 
criado por meio da Resolução 48/141 da Assembleia Geral da ONU, de 20 de dezembro de1993, cujo ob-
jetivo é unir todos os esforços das Nações Unidas no que tange a proteção dos direitos humanos. O Alto 
Comissário é alguém de elevada idoneidade moral e integridade pessoal, devendo ser expert no campo dos 
direitos humanos, sendo indicado pelo Secretário-Geral da ONU e aprovado pela Assembleia Geral, tendo 
em conta uma alternância geográfica (RAMOS, op. cit., p. 317-319).
Ao lado destes organismos vinculados à ONU, temos órgãos regionais, decorrentes de um sistema regional de 
proteção aos direitos humanos. Entre eles, podemos citar o sistema regional americano da OEA Organização dos 
Estados Americanos (OEA), que é o mais antigo organismo regional do mundo, tendo sido fundado em 1948, com 
a aprovação da Carta da OEA e a Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem.
A Declaração Americana anterior, inclusive, à Declaração Universal, já reconhecia a universalidade 
dos direitos humanos e, juntamente com a Carta da OEA, trazia disposições sobre direitos humanos.
Dentre os saltos de desenvolvimento do sistema interamericano de proteção de direitos humanos, deve ser ci-
tada a aprovação do texto da Convenção Americana de Direitos Humanos (assinada na Conferência Especializada 
17 Aqui nos referimos especificamente aos direitos civis e políticos previstos no Pacto, como, por exemplo, o direito à vida (art. 6.º, item 
1), proteção contra à tortura e à pena ou a tratamentos cruéis, inumanos ou degradantes (art. 7.º), proteção contra à escravidão (art. 8.º), 
direito à liberdade e à segurança (art. 9.º), entre outros. Texto integral no link: </www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/doc/pacto2.htm> 
(PACTO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS, ONU, 1966).
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
25Direitos Humanos
Interamericana sobre Direitos Humanos, em San José – Costa Rica, em 22 de novembro de 1969), que criou 
órgãos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
A Convenção Americana veio aprofundar a redação dos direitos enunciados na Declaração Americana dos 
Direitos e Deveres do Homem, mas vinculando os Estados membros da OEA e trazendo um extenso rol de direi-
tos protegidos, dentre eles direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais (RAMOS, op. cit., p. 251-262).
Finalmente, somente para esclarecer a adoção pelo Brasil dos principais documentos internacionais de 
proteção dos direitos humanos, trazemos abaixo uma relação destes com a correspondente data de adoção e 
ratificação pelo nosso país:
Quadro 1 – Os instrumentos Globais de Direitos Humanos Ratificados pelo Estado Brasileiro:
Instrumento
internacional
Data de adoção Data da ratificação
Carta das Nações Unidas Adotada e aberta à assinatura pela Conf. de São Francisco em 26.05.1945 21.09.1945
Declaração Universal dos Direitos 
Humanos
Adotada e proclamada pela Res. 217 A (III) da 
Assembleia Geral das Nações Unidas em 10.12.48
Assinada em 
10.12.1948
Pacto Internacional dos Direitos Civis 
e Políticos
Adotado pela Res. 2.200-A (XXI) da Assembleia 
Geral das Nações Unidas em 16.12.1966 24.01.1992
Pacto Internacional dos Direitos 
Econômicos, Sociais e Culturais
Adotado pela Res. 2.200-A (XXI) da Assembleia 
Geral das Nações Unidas em 16.12.1966 24.01.1992
Convenção contra a Tortura e outros 
Tratamentos ou Penas Cruéis, 
Desumanos ou Degradantes
Adotado pela Res. 39/46 da Assembleia Geral das 
Nações Unidas em 10.12.1984 28.09.1989
Convenção sobre a Eliminação de 
Todas as formas de Discriminação 
contra a Mulher
Adotada pela Res. 34/180 da Assembleia Geral das 
Nações Unidas em 18.12.1979 01.02.1984
Convenção sobre a Eliminação de 
Todas as Formas de Discriminação 
Racial
Adotada pela Res. 2.106-A (XX) da Assembleia 
Geral das Nações Unidas em 21.12.1965 27.03.1968
Convenção sobre os Direitos da 
Criança
Adotada pela Res. L.44 (XLIV) da Assembleia 
Geral das NaçõesUnidas em 20.11.1989 24.09.1990
(PIOVESAN, 1997. p. 335-337, apud DHNET, s.d.)
Com relação aos documentos regionais, podemos citar:
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
26 Direitos Humanos
Quadro 2 – Os instrumentos regionais de Direitos Humanos ratificados pelo Estado Brasileiro. 
Instrumento 
internacional Data de adoção Data da ratificação
Convenção Americana de 
Direitos Humanos
Adotada e aberta à assinatura na Conf. 
Especializada Interamericana sobre 
Direitos Humanos, em São José Costa 
rica, em 22.11.1969
25.09.1992
Convenção Interamericana para 
Prevenir e Punir a Tortura
Adotada pela Assembleia geral da OEA 
em 09.12.1985 20.07.1989
Convenção Interamericana para 
Prevenir, Punir e Erradicar a 
Violência contra a Mulher
Adotada pela Assembleia Geral da 
Organização dos Estados Americanos em 
06.06.1994
27.11.1995
(PIOVESAN, 1997, p. 337, apud DHNET, 2016)
Parte
3 Os Direitos Humanos no âmbito 
nacional: da Constituição Federal 
de 1988 aos sistemas de proteção 
aos Direitos Humanos
É claro que a Constituição Federal de 1988 é o marco na legislação brasileira quando 
se fala em Direitos Humanos, no respeito à pessoa humana e na restauração do ser humano 
como o centro do ordenamento jurídico, ainda mais quando se examina em que momento 
e condições históricas a nossa Carta Magna surgiu, logo após mais de 20 anos de Ditadura 
Militar.
Todavia, é necessário observamos que as Constituições anteriores já previam, mesmo 
que formalmente, um rol de direitos a serem assegurados pelo Estado, embora não se reconhecia aplicabili-
dade imediata da norma constitucional.
Inclusive, a Constituição de 1967, em plena Ditadura Militar, trazia em seu artigo 150 um rol de di-
reitos e garantias individuais, fazendo referência a outros direitos decorrentes do regime e dos princípios 
Vídeo
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
27Direitos Humanos
constitucionais no artigo 150, §35. Contudo, o artigo 151 da Constituição de 1967 trazia uma ameaça explí-
cita aos inimigos do regime, determinando que aquele que abusar dos direitos individuais previstos nos §§ 
8.º, 23, 27 e 28 do artigo anterior e dos direitos políticos, para atentar contra a ordem democrática ou praticar 
a corrupção, incorrerá na suspensão destes últimos direitos pelo prazo de dois a dez anos. A Emenda 1 de 
1969 seguia o mesmo caminho da Constituição de 1967 (RAMOS, op. cit., p. 366).
Com o fim da Ditadura Militar, o surgimento da “Constituição Cidadã” foi uma reação a mais de vinte anos 
do regime ditatorial, com uma forte inserção de direitos e garantias no texto constitucional, além da mudança do 
perfil do Ministério Público que deixou de ser vinculado ao Poder Executivo e ganhou autonomia, independência 
funcional e a missão de defesa de direitos humanos, ao lado da Defensoria Pública que foi mencionada pela pri-
meira vez na norma constitucional também comprometida com a defesa destes direitos (RAMOS, op. cit., p. 366).
A Constituição Federal de 1988 traz em seu bojo, como fundamento do Estado Democrático de Direito, o 
princípio da dignidade da pessoa humana (artigo 1.º, III), reestabelecendo o ser humano como o centro do orde-
namento jurídico. 
Flademir Jerônimo Belinati Martins (2003, p. 47-51) ressalta que a primeira Constituição brasileira a 
tratar o princípio da dignidade da pessoa humana como fundamento da República e do Estado Democrático 
de Direito foi a de 1988, sob influência das Constituições Alemã, Espanhola e Portuguesa.
Há certa unanimidade acadêmica ao afirmar que este princípio é um “valor-guia”18 de toda a ordem jurí-
dica, social, política e cultural, sendo substrato axiológico (valor base) de todo o nosso sistema jurídico, razão 
pela qual assinala Martins que “os conceitos de Estado, República e Democracia são funcionalizados a um 
objetivo, a uma finalidade, qual seja, a proteção e promoção da dignidade da pessoa humana” (op. cit., p. 63).
Lembrando que o princípio da dignidade da pessoa humana é o fundamento dos direitos humanos, vislumbra-se a 
importância de sua consagração na Constituição Federal de 1988 como fundamento da República Federativa do Brasil. 
E, antes mesmo de iniciar a apresentação do rol de direitos humanos e/ou fundamentais, a Constituição brasileira traz 
em seu artigo 3.º quais são os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
Art. 3.º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação. (BRASIL, 1988.)
18 Expressão utilizada por Ingo Wolfgang SARLET. (SARLET, op. cit., p. 72).
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28 Direitos Humanos
E no artigo 4.º - inciso II, faz, pela primeira vez, expressa referência aos direitos humanos: “prevalência 
dos direitos humanos” (BRASIL, 1988).
Quanto ao rol de direitos humanos, a Constituição de 1988 é considerada um marco na história consti-
tucional brasileira, pois “introduziu o mais extenso e abrangente rol de direitos das mais diversas espécies, 
incluindo os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, além de prever várias garantias consti-
tucionais, algumas inéditas, como o mandado de injunção e o habeas data” (RAMOS, op. cit., 369).
Entre os direitos expressamente reconhecidos no texto constitucional, há uma extensa relação de direi-
tos individuais e coletivos (Capítulo I, art. 5.°), de direitos sociais (Capítulo II, art. 6.° a 11), de direitos de 
nacionalidade (Capítulo III, art. 12 e 13) e de direitos políticos (Capítulo IV, art. 14 a 16).
E se não bastasse, a Constituição brasileira estabelece expressamente que o rol nela existente não é 
exaustivo: “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime 
e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil 
seja parte”. (BRASIL, 1988, art. 5.º, §2.º)
Não se pode, em hipótese alguma, deixar de ressaltar que as normas que estabelecem direitos e ga-
rantias individuais são cláusulas pétreas (art. 60, §4.º, IV da CF), ou seja, não podem ser objeto de emenda 
constitucional, não podendo sofrer qualquer espécie de alteração legislativa.
Buscando a implementação de todas as espécies de direitos humanos, a Conferência Mundial de Viena 
de 1993, organizada pela Organização das Nações Unidas, promulgou a Declaração e o Programa de Ação, 
estabelecendo, inclusive, o dever dos Estados de adotar planos nacionais de direitos humanos. (RAMOS, 
op. cit., p. 420).
Em 13 de maio de 1996, foi editado pela Presidência da República o Decreto 1.904, que criou o 
Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) cuja meta era realizar um diagnóstico da situação desses 
direitos no País e medidas para a sua defesa e promoção. Este PNDH foi denominado de PNDH-1 e estava 
voltado a garantia de proteção dos direitos civis, com especial foco no combate à impunidade e à violência 
policial (RAMOS, op. cit., p. 421-422). 
O PNDH-2, aprovado pelo Decreto 4.229/2002, possuía como ênfase os direitos sociais em sentido 
amplo e de grupos vulneráveis, como os direitos dos afrodescendentes, dos povos indígenas, de orientação 
sexual, consagrando o multiculturalismo. (RAMOS, op. cit., p. 422) 
Já o PNDH-3, aprovado em 2009, adotou eixos orientadores: 
I – Interação democrática entre Estado e Sociedade Civil; 
II – Desenvolvimento e Direitos Humanos; 
III – Universalizar Direitos em um Contexto de Desigualdades; 
IV – Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência; 
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29Direitos Humanos
V – Educação e Cultura em Direitos Humanos; 
VI – Direito à Memória e à Verdade. (RAMOS, op. cit., p. 423). 
O PNDH-3 propõe a atuação conjunta do governo federal, governos estaduais,municipais e da so-
ciedade civil para a proteção dos direitos humanos. Para sua implementação foi criado o “Comitê de 
Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3” integrado por 21 representantes de órgãos do Poder 
Executivo, presidido pelo Secretário de Direitos Humanos, que designará os demais representantes.
(RAMOS, op. cit., p. 424-425).
Com o objetivo de intensificar a proteção dos direitos humanos e levando em consideração a diversidade 
regional e cultural, vários Estados brasileiros adotaram programas estaduais de direitos humanos, sendo o 
primeiro deles o Estado de São Paulo, pelo Decreto 42.209/97 que criou o PEDH, designando a Secretaria da 
Justiça e da Defesa da Cidadania para coordenar as iniciativas governamentais ligadas ao PEDH.
Dentre as principais instituições de defesa dos direitos humanos na esfera do executivo federal temos: 
a) Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; 
b) Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos; 
c) Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Secretaria de Políticas para as Mulheres; 
d) Conselho de Direitos Humanos; 
e) Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescentes – CONANDA; 
f) Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência – CONADE; 
g) Conselho Nacional dos Direitos do Idoso – CNDI; 
h) Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, 
Bissexuais, Travestis e Transexuais – CNCD-LGBT; 
i) Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – CEMDP; 
j) Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo – CONATRAE; 
k) Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos – CNEDH; 
l) Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR; 
m) Conselho Nacional dos Direitos da Mulher – CNDM. (RAMOS, op. cit., p. 429-459).
No âmbito do Poder Legislativo Federal temos a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara 
dos Deputados (CDHM). Necessário citar ainda o Ministério Público Federal e a Procuradoria Federal dos 
Direitos do Cidadão, que também possuem como função a proteção dos direitos humanos (art. 127 da CF), 
além da Defensoria Pública da União (art. 134 da CF).
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30 Direitos Humanos
No plano estadual, temos o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública do Estado, além dos 
Conselhos Estaduais de Direitos Humanos. Alguns Estados possuem secretarias próprias de defesa e promo-
ção dos direitos humanos, da mesma forma que existem municípios que criam secretarias municipais com 
tais objetivos (exemplo: em Recife-PE, Porto Alegre-RS).
No âmbito do Estado do Paraná temos a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, 
que tem por finalidade a definição de diretrizes para a política governamental focada no respeito à dignidade hu-
mana, bem como a coordenação de sua execução. Dentro da estrutura da Secretaria foi criado o Departamento 
de Direitos Humanos e Cidadania (DEDIHC)19 que “responde pela promoção, proteção, defesa e implementa-
ção dos direitos humanos, em consonância com os ordenamentos e documentos nacionais e internacionais que 
regem o tema” e tem como competência (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, [s.d.]):
• a formulação, articulação e divulgação de políticas públicas assecuratórias dos direitos humanos;
• o recebimento de representações que evidenciem a violação dos direitos humanos e a adoção das 
providências necessárias;
• a proposição, ao poder executivo estadual de medidas destinadas à preservação dos direitos humanos;
• a elaboração de planos, programas e projetos relacionados as questões de direitos humanos e 
cidadania;
• a implementação de ações e projetos que visem o desenvolvimento integrado com respeito aos 
direitos humanos e cidadania.
O Estado conta ainda com o COPED - Conselho Permanente dos Direitos Humanos do Estado do 
Paraná, “um órgão de caráter permanente, autônomo, deliberativo e paritário, que conta com a participação 
de representantes do Governo do Estado e de Organizações não Governamentais - ligadas a defesa dos 
Direitos Humanos” (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2016).
Além do COPED, também integra a estrutura do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania – 
DEDIHC os seguintes conselhos (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2016):
• Conselho Estadual de Proteção às Vítimas de Abuso Sexual – COPEAS
• Conselho Estadual de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Estado do Paraná – CPICT/PR
• Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial – CONSEPIR
• Conselho Gestor do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte 
– PPCAAM/PR
• Conselho Deliberativo do Programa Estadual de Assistência à Vítimas e Testemunhas Ameaçadas 
– PROVITA/PR
19 Para maiores informações sobre a atuação do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania – DEDIHC, acesse o seu portal: 
<www.dedihc.pr.gov.br/>. Acesso em: 06 abr. 2016.
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31Direitos Humanos
Citamos, também, o Estado do Rio de Janeiro, o qual conta com a Secretaria de Estado de Assistência 
Social e Direitos Humanos (SEASDH), “responsável pela gestão e coordenação da Política de Assistência 
Social, Segurança Alimentar, Transferência de Renda e Promoção da Cidadania e Direitos Humanos no 
Estado” (GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, [s.d.]).
Entre os Estados que possuem secretarias especificas de proteção dos direitos humanos, também po-
demos indicar o Estado da Bahia que possui a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento 
Social (SJDHDS), responsável por executar políticas públicas voltadas à proteção e promoção dos direitos 
humanos e ao desenvolvimento social (GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, [s.d.]).
Integram a estrutura da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) 
do Estado da Bahia: Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS); Conselho Estadual dos Direitos da 
Criança e do Adolescente (CECA); Conselho Estadual de Defesa do Consumidor (CEDC/BA); Conselho 
Estadual de Entorpecentes (CONEN/BA); Conselho Estadual dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, 
Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT; Conselho Estadual dos Direitos dos Povos Indígenas do Estado 
da Bahia (COPIBA); Conselho Estadual de Proteção dos Direitos Humanos (CEPDH); Conselho Estadual 
do Idoso (CEI); Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COEDE/BA); Conselho Gestor 
do Fundo Estadual de Proteção ao Consumidor (CGFEPC/BA); Conselho Estadual da Juventude (CEJUVE); 
Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado da Bahia (CONSEA/BA).
Sem adentrar ainda mais no âmbito estadual e municipal, percebemos, não só pelas dimensões de nosso 
país, mas em especial pela relevância da proteção destes direitos, que há a necessidade de uma ação conjunta 
entre os diversos entes federados para a promoção dos direitos humanos.
Extra
O princípio fundamental da Dignidade Humana 
e sua concretização judicial
André Gustavo Corrêa de Andrade
1 – A pessoa humana como fundamento, medida e fim do direito
No centro do direito encontra-se o ser humano. O fundamento e o fim de todo o direito é o ho-
mem, em qualquer de suas representações: homo sapiens ou, mesmo, homo demens; homo faber ou 
homo ludens; homo socialis, politicus, œconomicus, tecnologicus, mediaticus. Vale dizer que todo o 
direito é feito pelo homem e para o homem, que constitui o valor mais alto de todo o ordenamento 
jurídico. Sujeito primário e indefectível do direito, ele é o destinatário final tanto da mais prosaica 
quanto da mais elevada norma jurídica.
[...]
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
32 Direitos Humanos
2 – A dignidade da pessoa humana
Um indivíduo, pelo só fato de integrar o gênero humano, já é detentor de dignidade. Esta é qua-
lidade ou atributo inerente a todos os homens, decorrente da própria condição humana, que o torna 
credor de igual consideração e respeito por parte de seus semelhantes.
Constitui a dignidade um valor universal, não obstante as diversidades sócio-culturais dospovos. 
A despeito de todas as suas diferenças físicas, intelectuais, psicológicas, as pessoas são detentoras de 
igual dignidade. Embora diferentes em sua individualidade, apresentam, pela sua humana condição, as 
mesmas necessidades e faculdades vitais. 
A dignidade é composta por um conjunto de direitos existenciais compartilhados por todos os 
homens, em igual proporção. Partindo dessa premissa, contesta-se aqui toda e qualquer idéia de que 
a dignidade humana encontre seu fundamento na autonomia da vontade. A titularidade dos direitos 
existenciais, porque decorre da própria condição humana, independe até da capacidade da pessoa de 
se relacionar, expressar, comunicar, criar, sentir. Dispensa a autoconsciência ou a compreensão da 
própria existência, porque “um homem continua sendo homem mesmo quando cessa de funcionar 
normalmente. “Como observa Ingo Wolfgang Sarlet: “mesmo aquele que já perdeu a consciência da 
própria dignidade merece tê-la (sua dignidade) considerada e respeitada.”
Dentro dessa linha de pensamento, há que reconhecer que o conjunto de direitos existenciais que 
compõem a dignidade pertence aos homens em igual proporção. Daí não ser possível falar em maior 
ou menor dignidade, pelo menos no sentido aqui atribuído à expressão, de conjunto aberto de direitos 
existenciais. O homem – apenas por sê-lo – não perde a sua dignidade, por mais indigna ou infame 
que seja a sua conduta. 
Quando se atribui a alguém a pecha de indigno ou quando se afirma que alguém não tem ou perdeu a 
dignidade a expressão está a ser utilizada com sentido diverso, para fazer referência ao conceito desfrutado 
por alguém no meio social, à sua respeitabilidade. A qualificação de indigno não pode, portanto, ser tomada 
como referente a alguém privado de direitos existenciais, mas a alguém merecedor de censura, castigo ou 
pena, em razão de algum comportamento contrário às regras de decoro, moral ou direito. 
A dignidade pressupõe, portanto, a igualdade entre os seres humanos. Este é um de seus pilares. 
É da ética que se extrai o princípio de que os homens devem ter os seus interesses igualmente con-
siderados, independentemente de raça, gênero, capacidade ou outras características individuais. Os 
interesses em evitar a dor, manter relações afetivas, obter uma moradia, satisfazer a necessidade básica 
de alimentação e tantos outros são comuns a todos os homens, independentemente da inteligência, da 
força física ou de outras aptidões que o indivíduo possa ter.
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
33Direitos Humanos
O princípio da igual consideração de interesses consiste em atribuir aos interesses alheios peso 
igual ao que atribuímos ao nosso. Não por generosidade – que consiste em doar, em atender ao in-
teresse alheio, sem o sentimento de que, com isso, se esteja a atender a algum interesse próprio –, 
mas por solidariedade, que é uma necessidade imposta pela própria vida em sociedade. O solidário é 
aquele que defende os interesses alheios porque, direta ou indiretamente, eles são interesses próprios. 
A solidariedade, como bem sintetizado por André Comte-Sponville, “é uma maneira de se defender 
coletivamente”. 
O respeito à dignidade humana, por esse prisma, não constitui ato de generosidade, mas dever de 
solidariedade. Dever que a todos é imposto pela ética, antes que pelo direito ou pela religião. 
A igual consideração de interesses, é importante frisar, constitui não um princípio de igualda-
de absoluta, já que esta é virtualmente inalcançável, mas um “princípio mínimo de igualdade”, que 
pode impor até um tratamento desigual entre as pessoas, se necessário for para a diminuição de uma 
desigualdade.
O outro pilar da dignidade é a liberdade. É a liberdade, em sua concepção mais ampla, que 
permite ao homem exercer plenamente os seus direitos existenciais. O homem necessita de liberda-
de interior, para sonhar, realizar suas escolhas, elaborar planos e projetos de vida, refletir, ponderar, 
manifestar suas opiniões. Por isso, a censura constitui um grave ataque à dignidade humana. Isso não 
quer dizer que o homem seja livre para ofender a honra alheia, expor a vida privada de outrem ou para 
incitar abertamente à prática de crime. A liberdade encontra limites em outros direitos integrantes da 
personalidade humana, tais como a honra, a intimidade, a imagem. Liberdade exige responsabilidade 
social, porque sem ela constitui simples capricho. 
O exercício da liberdade em toda a sua plenitude pressupõe a existência de condições materiais 
mínimas. Não é verdadeiramente livre aquele que não tem acesso à educação e à informação, à saúde, 
à alimentação, ao trabalho, ao lazer. 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, já em seu artigo 1.º, põe em destaque os dois 
pilares da dignidade humana: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São 
dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.” 
Sempre que se cuida do tema da dignidade humana é lembrada a afirmação kantiana de que: “o ho-
mem – e, de uma maneira geral, todo o ser racional – existe como fim em si mesmo, e não apenas como 
meio para o uso arbitrário desta ou daquela vontade.” Dessa contraposição entre meio e fim, Kant extraiu o 
princípio fundamental de sua ética: “age de tal maneira que tu possas usar a humanidade, tanto em tua pes-
soa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente, como fim e nunca simplesmente como 
meio.” Tratar o outro como fim significa reconhecer a sua inerente humanidade, pois “o homem não é uma 
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
34 Direitos Humanos
coisa; não é, portanto, um objeto passível de ser utilizado como simples meio, mas, pelo contrário, deve ser 
considerado sempre e em todas as suas ações como fim em si mesmo.” 
A dignidade constitui, na moral kantiana, um valor incondicional e incomparável, em relação ao 
qual só a palavra respeito constitui a expressão conveniente da estima que um ser racional lhe deve 
prestar. Para ilustrar o caráter único e insubstituível da dignidade, Kant a contrapõe ao preço: “Quando 
uma coisa tem preço, pode ser substituída por algo equivalente; por outro lado, a coisa que se acha 
acima de todo preço, e por isso não admite qualquer equivalência, compreende uma dignidade.” 
[...]
O dado cultural é indissociável da noção de dignidade. Comportamentos considerados degradan-
tes ou inaceitáveis em uma determinada cultura podem ser considerados normais em ambiente cultural 
diverso. Essas diferenças tendem a ser salientes em se tratando de culturas marcadamente diversas, 
como, por exemplo, as de países ocidentais em contraste com as de alguns países orientais. Mas até em 
sociedades supostamente menos distanciadas culturalmente as divergências aparecem. 
Além do elemento cultural, há que considerar, ainda, que o conceito de dignidade tende a ser 
ampliado ou restringido por outros fatores, dentre os quais o econômico. Assim, em uma sociedade 
economicamente mais desenvolvida o conceito de dignidade – e, conseqüentemente, daquilo que a 
ofende – tende a ser mais alargado do que em outra menos desenvolvida. Trata-se apenas de uma 
tendência, que, em casos pontuais, pode não se confirmar, porque outros fatores sociais podem apre-
sentar maior peso. Mas, a princípio, constitui fenômeno observável o de que certos atos considerados 
ofensivos à dignidade de uma pessoa em uma sociedade economicamente desenvolvida são aceitáveis 
ou indiferentes em uma sociedade menos desenvolvida. 
Essas diferenças, porém, não eliminam o caráter universal da idéia de respeito à dignidade huma-
na ou da existência de um direito inato da pessoa de ser tratada dignamente. 
Embora reconheça a dificuldade na definição do conceito de dignidade, Ingo Sarlet enfatiza que: 
“a dignidade é algo real, já que não se verifica maior dificuldade em identificar as situações em que é 
espezinhada e agredida”. Com efeito, a dignidade parece revelar-se com clareza em algumas situações 
concretasde violação. Todavia, a complexidade das relações sociais desafia constantemente o juízo, 
apresentando situações diante das quais o intérprete hesita. 
[...]
(ANDRADE, André Gustavo Corrêa de. O Princípio Fundamental da Dignidade Humana e sua concretização 
judicial. Banco do Conhecimento. 18 ago. 2008. Disponível em: <http://portaltj.tjrj.jus.br/c/document_library/
get_file?uuid=5005d7e7-eb21-4fbb-bc4d-12affde2dbbe&groupId=10136>. Acesso em: 6 abr. 2016.)
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
35Direitos Humanos
Atividades 
1. Leia o texto abaixo
Consciência Ambiental e os Catadores de Lixo do Lixão da Cidade do Carpina –– PE
Analisando o texto de Manuel Bandeira, “Vi ontem um bicho Na imundície do pátio / 
Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem 
cheirava / Engolia com voracidade. / O bicho não era um cão, Não era um gato / Não 
era um rato. / O bicho, meu Deus, era um homem.”, onde, de maneira poética, o autor 
traz à discussão os problemas sociais, podemos imaginar o grau de exclusão que ora 
assola uma parcela significativa da sociedade brasileira. 
O desemprego é um sério problema que afeta grande parcela da população, uma vez 
que atinge de forma especial àqueles que possuem baixa escolaridade, pouca ou ne-
nhuma qualificação técnica, mulheres, negros, idosos e deficientes físicos. A resposta 
encontrada por esses atores, por não terem condições de competir por vagas no mer-
cado formal, é o subemprego, a ocupação precária do espaço urbano resultando no 
‘inchaço’ da economia informal. 
O que se encontra na coleta do lixo é uma alternativa de sobrevivência encontrada por 
alguns desses grupos. Como não atingem a qualificação exigida pelo mercado, vêem 
nessa função uma estratégia de sobrevivência. Nesse sentido, Gonçalves (2001) afirma 
que o lixo é uma questão a ser abordada de forma complexa, pois envolvem, além de 
aspectos econômicos, políticos e ambientais, também aspectos sociais e psicológicos. 
Os catadores dos lixões são pessoas que se encontram marginalizadas por desenvolve-
rem uma atividade inferior no conceito da sociedade. Isso resulta em indivíduos com a 
auto-estima baixa, e com conceito de cidadania distorcido. O lixo, matéria prima das 
quais estes catadores sobrevivem é definida por Lima (1995, p. 9) como “todo e qual-
quer resíduo que resulte das atividades diárias do homem na sociedade.” A disposição 
final de lixo sem qualquer tratamento chama-se lixão. O lixo depositado a céu aberto 
em vários cenários das cidades brasileiras representa uma das principais fontes causa-
doras do desequilíbrio do ambiente. Uma das consequências marcantes é a produção 
de chorume, líquido escuro resultante da decomposição de material orgânico presente 
no lixo, e que ao ser absorvido pelo solo atinge diretamente os lençóis freáticos, conta-
minando-os com os mais variados microorganismos patológicos. Outra consequência é 
o surgimento de vetores tais como: moscas, ratos, urubus e bichos peçonhentos que se 
instalam no local e se espalham pelas residências, depósitos e comunidades cercanias 
aos lixões, além dos riscos constantes de incêndios e pequenas explosões provocadas 
pelos gases expelidos constantemente, dos aterros. Todavia, ainda que represente uma 
Aula 1 Noções gerais de Direitos Humanos 
36 Direitos Humanos
forma de trabalho vista como degradante pela sociedade, os catadores fizeram do lixo 
uma maneira de obter a renda para o próprio sustento. 
No entanto, estes catadores à medida que estão buscando seu sustento e ao mesmo 
tempo lutando contra a exclusão social, estão desenvolvendo uma atividade de grande 
importância ao meio ambiente e consequentemente à sociedade. Nesse sentido cabe 
destacar o papel do catador como agente disseminador de uma cultura ambientalista 
e analisar a sua própria consciência como importante agente ambiental. Neste contex-
to, e analisando a relação desses “trabalhadores” com o ambiente, pressupõe-se que 
estes catadores apresentam uma consciência ambiental. 
(Rev. eletrônica Mestre. Educ. Ambiental. 
ISSN 1517-1256, v.19, jul. e dez. 2007.)
A partir da análise do texto acima, reflita quais gerações de direitos humanos, em especial, 
estão sendo violadas com a descrição retratada no texto.
2. DIREITOS HUMANOS EM QUESTÃO (ENADE, 2008, p. 5, adaptado): 
O caráter universalizante dos direitos do homem [...] não é da ordem do saber teórico, 
mas do operatório ou prático: eles são invocados para agir, desde o princípio, em qualquer 
situação dada.
(François JULIEN, filósofo e sociólogo)
No ano (2008) em que são comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, novas perspectivas e concepções incorporam-se à agenda pública brasileira. Uma 
das novas perspectivas em foco é a visão mais integrada dos direitos econômicos, sociais, 
civis, políticos e, mais recentemente, ambientais, ou seja, trata-se da integralidade ou 
indivisibilidade dos direitos humanos. Dentre as novas concepções de direitos, destacam-se:
• a habitação como moradia digna e não apenas como necessidade de abrigo e proteção;
• a segurança como bem-estar e não apenas como necessidade de vigilância e punição;
• o trabalho como ação para a vida e não apenas como necessidade de emprego e renda.
Tendo em vista o exposto acima, selecione uma das concepções destacadas e esclareça 
por que ela representa um avanço para o exercício pleno da cidadania, na perspectiva da 
integralidade dos direitos humanos. 
Seu texto deve ter entre 8 e 10 linhas. 
3. Escolha um dos direitos humanos e disserte sobre o tema, analisando-o a partir da DUDH e 
da Constituição Federal. Seu texto deve ter entre 10 e 15 linhas. 
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
37Direitos Humanos
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Resolução
1. Da análise do texto em questão verifica-se que o fato descrito traz em seu âmago a violação aos 
chamados direitos humanos de segunda geração, os chamados direitos sociais, econômicos e 
culturais, nascidos do chamado Estado do Bem-estar Social.
Estes direitos exigem uma atuação positiva do Estado visando assegurar aos seus cidadãos qua-
lidade de vida, educação, saúde, acesso a um trabalho digno, à assistência social, dentre outros 
direitos.
2. Nesta questão do ENADE, é possível explorar qualquer um dos temas chaves: 
• a habitação como moradia digna e não apenas como necessidade de abrigo e proteção; 
Aula 1Noções gerais de Direitos Humanos 
39Direitos Humanos
• a segurança como bem-estar e não apenas como necessidade de vigilância e punição; 
• o trabalho como ação para a vida e não apenas como necessidade de emprego e renda.
Partindo do próprio princípio da dignidade da pessoa humana ao iniciar qualquer um dos temas, 
examinando, inclusive a Constituição Federal de 1988.
O conceito de moradia digna, para a Agenda Habitat, 
[.../ é aquela que oferece condições de vida sadia, com segurança, apresentando infraestrutura 
básica, como suprimento de água, saneamento básico e energia, e contando com a prestação 
eficiente de serviços públicos urbanos, tais como saúde, educação, transporte coletivo, coleta 
de lixo. Ainda, pressupõe a segurança da habitação: é possível ir e vir em segurança e o local 
não é suscetível a desastres naturais. Quanto à acessibilidade, é preciso que a infraestrutura 
viária permita o acesso decente e seguro à habitação. (DIAS, 2012).
Este direito é expressamente previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, 
garante que “toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família 
saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação ...” (artigo XXV, item 1).
E está consagrado na Constituição Federal de 1988, no seu artigo 6.º, como direito social, defi-
nindo, também, como competência de todos os entes da Federação a promoção de programas de 
construção de moradias e de melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico (CF, 
art. 23, IX). 
3. Deve-se escolher um dos direitos humanos e realizar uma breve dissertação sobre o mesmo, exa-
minando-o a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal. 
Escolhemos o Direito à Privacidade. 
O núcleo do direito à privacidade é 
a faculdade concedida ao indivíduo, a todos oponível, de subtrair à intromissão alheia e ao 
conhecimento de terceiros certos aspectos da sua vida que não deseja participar a estranhos, 
ou seja, de decidir o que vai desnudar aos outros, de que forma e em que circunstâncias 
(CARVALHO, 2003).
O primeiro texto internacional a proteger a intimidade foi a Declaração Americana dos Direitos 
e Deveres do Homem, aprovada em Bogotá, no dia 2 de maio de 1948, no seu artigo 5.º (FARIAS, 
1996, p. 111).
A nossa Constituição Federal prevê, expressamente, em consonância com os valores por ela con-
sagrados, a proteção do direito à privacidade (incluindo o direito à intimidade e à vida privada) 
no seu artigo 5.º, inciso X, 71, bem como em diversos outros dispositivos que buscam resguardar 
aspectos particulares da vida dos indivíduos, assegurando a inviolabilidade da casa (inciso XI), 
do sigilo de dados, da correspondência e das comunicações (inciso XII), entre outros dispositivos, 
alguns dos quais preveem instrumentos processuais para assegurar o direito à privacidade.
Aula 2
CRIANÇAS E DOS 
DOS DIREITOS DAS 
ADOLESCENTES
41Direitos Humanos
Nesta aula analisaremos especificamente os direitos humanos das 
crianças e dos adolescentes. Na atualidade, falar na proteção das crianças 
e adolescentes é algo extremamente comum, embora seja também bastante 
corriqueira a ocorrência de violações dos direitos desta categoria de sujeitos.
Todavia, no desenvolvimento da aula se verificará que a preocupação 
internacional com a proteção das crianças e adolescente é recente, advinda 
dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.
No exame da legislação nacional se perceberá que somente na 
década de 1990 o legislador deixou de se preocupar apenas com o menor 
abandonado e infrator para passar a proteger todas as crianças e adolescentes, 
reconhecendo-lhes direitos a serem garantidos.
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
42 Direitos Humanos
Parte
1 A proteção dos direitos da criança e do 
adolescente em âmbito internacional
O reconhecimento da criança e do adolescente como um sujeito de direitos, ou seja, 
como pessoa na acepção de ser titular de direitos a serem protegidos pela família, pelo 
Estado e pela sociedade, tal como concebemos na atualidade, é algo recente na história de 
nossa sociedade.
Na leitura de autores, seja da área jurídica, seja historiadores e/ou da área de ciências 
sociais, constatamos que a infância era tratada, antes do século XVI, como apenas uma fase 
transitória para que se alcançasse a fase adulta, sendo que esta visão atual de preocupação e proteção da 
criança e do adolescente não estava presente (MATTIOLI, OLIVEIRA, 2013. FUZIWARA 2013.
No decorrer da história se verifica que no âmbito internacional a preocupaçãolegislativa com a prote-
ção das crianças e adolescentes somente surgiu incipientemente com a Declaração de Genebra, no ano de 
1924, após a Primeira Guerra Mundial. “Este documento, resultado da luta travada pela união Internacional 
Salve as Crianças pelos direitos da infância, vislumbra que a proteção à infância deve abranger todos os 
aspectos da vida da criança.” (MATTIOLI; OLIVEIRA, 2013, p. 16).
Contudo, salientam os autores (op. cit.) que este documento, que não possuía força de lei, trazia uma 
concepção de infância passiva, carecedora de cuidados, na condição, ainda, de objeto de proteção, estabe-
lecendo os deveres dos adultos para com esta infância. E advertem que “esta concepção de vulnerabilidade 
da infância que precisava ser protegida e socorrida era reflexo de uma época pós-guerra em que o grande 
número de crianças abandonadas constituía-se uma realidade” (MATTIOLI; OLIVEIRA, 2013, p. 16-17).
Foi após a Segunda Guerra Mundial que surgiu uma preocupação efetiva com a proteção das crianças 
e adolescentes. Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), em 1948, as Nações Unidas 
fizeram menção expressa a esta proteção, no artigo XXV, item 2: “A maternidade e a infância têm direito 
a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão 
da mesma proteção social.” (DUDH, ONU, 1948, grifo nosso).
Porém, antes mesmo desta expressa referência pela DUDH, em 11 de dezembro de 1946 foi criado, 
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cujos 
primeiros programas “forneceram assistência emergencial a milhões de crianças no período pós-guerra na 
Europa, no Oriente Médio e na China” (UNICEF no Mundo, 2016).
Vídeo
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
43Direitos Humanos
Alguns países entenderam que a missão do UNICEF teria sido alcançada com a reconstrução da Europa 
no pós-guerra, mas algumas nações mais pobres argumentaram que a ONU não poderia ignorar as condições 
das crianças ameaças pela fome e pela doença em outros países, o que fez com que o UNICEF se tornasse 
órgão permanente do sistema das Nações Unidas em 1953, passando a ter como objetivo atender as crianças 
de todo o mundo em desenvolvimento (UNICEF no mundo, 2016).
Em 20 de novembro de 1959, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclama a Declaração dos 
Direitos da Criança, mudando por completo a ideia que se tinha com a Declaração de Genebra, passando de 
um discurso de proteção para um de reconhecimento da criança como sujeito titular de direitos e não mais 
como objeto de proteção (MATTIOLI; OLIVEIRA, 2013).
Embora a Declaração de Direitos da Criança tenha demonstrado um significativo avanço ao assegurar 
rol de direitos às crianças, esta declaração, da mesma forma que a Declaração de Genebra, não possuindo 
força obrigatória e não tendo qualquer coercibilidade, não passou de uma carta de intenções (MATTIOLI; 
OLIVEIRA, 2013, p. 17).
Em 20 de novembro de 1989 foi adotada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas a 
Convenção sobre os Direitos da Criança, destacando-se como o tratado internacional de proteção de direitos 
humanos com o mais elevado número de ratificações, contando, até o ano de 2014, com 193 Estados-partes 
(PIOVESAN, 2015).
Somente no ano de 1990 este documento foi oficializado como lei internacional, passando a vigo-
rar obrigatoriamente e possuindo força coercitiva (UNICEF BRASIL, 2016). No seu primeiro artigo, a 
Convenção define quem é criança: “Para efeitos da presente convenção considera-se como criança todo ser 
humano com menos de 18 anos de idade, a não ser que, em conformidade com a lei aplicável à criança, a 
maioridade seja alcançada antes” (CDC, ONU, 1989).
Flávia Piovesan (2015) ressalta que a convenção adota um elenco extenso de direitos às crianças, in-
cluindo dentro das categorias de direitos, os civis, os políticos, os econômicos, os sociais e os culturais, aco-
lhendo e dando ênfase especial ao desenvolvimento integral da criança como verdadeiro sujeito de direitos.
Por isso se afirma que, com esta convenção, adota-se a doutrina da proteção integral à criança e ao 
adolescente, reconhecendo, a partir da concepção do princípio da dignidade da pessoa humana, que a criança 
e o adolescente são como sujeitos titulares de direitos fundamentais e que precisam de proteção especial e 
com prioridade, diante de sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Dentro desta concepção, o artigo 3.º, item 1, da Convenção estabelece: “Todas as ações relativas às 
crianças, levadas a efeito por instituições públicas ou privadas de bem-estar social, tribunais, autoridades 
administrativas ou órgãos legislativos, devem considerar, primordialmente, o melhor interesse da crian-
ça.” (CDC, ONU, 1989).
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
44 Direitos Humanos
A partir disso começou a se estabelecer aqui as bases do Princípio The Best Interest (o melhor interesse, 
em inglês) como padrão quando se trata de questões relacionadas à proteção da criança e do adolescente. 
Este princípio estabelece que, no caso concreto, devem sempre ser considerados os interesses da criança em 
detrimento dos interesses dos pais, interpretando-se a circunstância concreta a partir da visão do princípio da 
dignidade da pessoa humana como fundamento dos direitos humanos (AZAMBUJA, 2016).
A Convenção de 1989 estabeleceu um rol de direitos, dentre eles: direito à vida (art. 6.º), direito ao 
nome, à nacionalidade e a conhecer aos seus pais e a ser cuidada por eles (art. 7.º), direito à identidade (art. 
8.º), proteção ante a separação dos pais (art. 9.º), à liberdade de expressão (art. 13), pensamento, consciência 
e crença (art. 14); proteção contra exploração e abuso sexual (art. 19); acesso a serviços de saúde e previ-
dência social (art. 24, 25 e 26); direito à educação (art. 28); direito ao descanso e ao lazer (art. 31); proteção 
contra a exploração econômica, com a fixação de idade mínima para admissão em emprego (art. 32), entre 
outros.
A par da Convenção sobre os Direitos da Criança, visando fortalecer o rol de medidas protetivas “no 
tocante à exploração econômica e sexual de crianças e no tocante à participação de crianças em conflitos 
armados, foram adotados, em 25 de maio de 2000, dois Protocolos Facultativos à Convenção” (PIOVESAN 
e PIROTTA, 2015, p. 462), através da Resolução A/RES/54/263 da Assembleia Geral das Nações Unidas:
• Protocolo Facultativo sobre a Venda de Crianças, Prostituição e Pornografia Infantis;
• Protocolo Facultativo sobre o Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados.
Com o objetivo de controlar e fiscalizar os direitos enunciados na Convenção e visando cumprir o 
disposto no seu artigo 43, foi instituído o Comitê sobre os Direitos da Criança, ao qual “cabe monitorar a 
implementação da Convenção, por meio do exame de relatórios periódicos encaminhados pelos Estados-
partes” (PIOVESAN e PIROTTA, 2015, p. 462).
O Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança em 24 de setembro de 1990 e promulgou-a 
no âmbito interno através do Decreto 99.710 de 21 de novembro de 1990, bem como ratificou os Protocolos 
Facultativos em 27 de janeiro de 2004.
Em 19 de dezembro de 2011 foi adotado o Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da 
Criança relativo ao procedimento de comunicações1, com o objetivo de instituir os “child-sensitive proce-
dures” (procedimentos sensíveis à criança, em tradução livre), este protocolo habilita o Comitê de Direitos 
da Criança a:
apreciar petições individuais (inclusive no caso de violação a direitos econômicos, sociais e culturais); 
a adotar “interim meassures” quando houver urgência, e, situações excepcionais e para evitar danos 
1 Para acesso ao texto do protocolo: <www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1187>.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
45Direitos Humanos
irreparáveis à(s) vítima(s) de violação; a apreciar comunicaçõesinterestatais; e a realizar investiga-
ções in loco, nas hipóteses de graves ou sistemáticas violações aos direitos humanos das crianças. 
(PIOVESAN, 2015, p. 297).
Este protocolo entrou em vigor em 14 de abril de 20142, contando com 11 Estados-partes em 2 de julho 
de 2014 (PIOVESAN, 2015, p. 297).
A importância deste Protocolo de Comunicação foi atestada pela Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos da OEA (COMUNICADO DE IMPRENSA, 2014):
A implementação do Protocolo Facultativo amplia as possibilidades de proteção internacional dos di-
reitos da infância, já que permite às crianças ou a seus representantes apresentar queixas ao Comitê dos 
Direitos da Criança das Nações Unidas, ante eventuais violações de seus direitos, quando não tenham 
obtido justiça e reparação em âmbito nacional. O Comitê dos Direitos da Criança será o órgão que 
analisará as comunicações que as crianças apresentem para determinar se foram violados seus direitos 
reconhecidos na Convenção sobre os Direitos da Criança e seus dois protocolos adicionais sobre a 
participação de crianças em conflitos armados, e sobre a venda de crianças, prostituição infantil e uti-
lização de crianças na pornografia. O Comitê também pode solicitar medidas provisórias aos Estados 
para proteger as crianças.
O Protocolo prevê também a possibilidade de que o Comitê dos Direitos da Criança, por iniciativa 
própria e sem necessidade da mediação de uma queixa, inicie um procedimento de investigação sobre 
supostas violações graves ou sistemáticas dos direitos enunciados na Convenção e em seus protocolos 
por um Estado parte.
Esse instrumento internacional leva em especial consideração a importância da adaptação dos pro-
cedimentos para o acesso à proteção internacional das crianças, de modo que se garanta sua efetiva 
participação na defesa de seus direitos.
O Brasil assinou este protocolo em 28 de fevereiro de 2012 pela Ministra da Secretaria de Direitos 
Humanos da Presidência da República, na sede das Nações Unidas, em Genebra, onde se realizava a 19.ª 
Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU (SDH, 2012).
Após analisar algumas questões relacionadas à normativa internacional, é interessante indicarmos al-
gumas atuações do UNICEF para demonstrar a importância de sua missão.
O UNICEF atua em 191 países com o objetivo de ajudar a assegurar o respeito e proteção dos direitos 
da criança e do adolescente, trabalhando para (Atuação do UNICEF no mundo, 2016):
• Garantir que cada criança tenha um início de vida com saúde, proteção e educação, pois é nessa 
fase que se desenvolvem as habilidades essenciais para o futuro.
2 O artigo 19 do Protocolo estabelece que ele entraria em vigor (produziria efeitos) somente três meses após o depósito do décimo ins-
trumento de ratificação ou adesão, por isso a diferença de datas entre a data da sua adoção pela Assembleia Geral das Nações Unidas 
(2011) e a sua vigência (2014).
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
46 Direitos Humanos
• Promover a educação de garotas e assegurar a conclusão, pelo menos, da educação primária.
• Assegurar que todas as crianças sejam vacinadas e estejam bem-nutridas.
• Prevenir o avanço do HIV/aids entre crianças e adolescentes, oferecendo as ferramentas neces-
sárias para que se protejam e protejam os outros, além de tratamento e cuidados adequados para 
aqueles afetados pelo vírus.
• Envolver toda a sociedade na construção de ambientes seguros para as crianças e os adolescentes.
• Estar presente nas ações emergenciais sempre que a infância estiver ameaçada.
• Garantir o cumprimento da Convenção sobre os Direitos da Criança.
• Combater qualquer tipo de discriminação, especialmente, as sofridas por meninas e mulheres.
• Ajudar os países para que alcancem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)3
• Assegurar a paz e a segurança.
• Estimular a participação dos adolescentes nos processos de decisão em sua comunidade, em sua 
cidade, em seu estado e em seu país.
Especificamente na América Latina e no Caribe, a UNICEF concentra os seus esforços na resposta a 
seis ameaças significativas à infância: disparidades, exclusão, desnutrição crônica, violência, HIV/aids 
e situações emergenciais decorrentes de desastres naturais (UNICEF em ação na América Latina e no 
Caribe, 2016). A atuação no Brasil acontece desde 1950 e é de extrema relevância, sendo que já ajudou o 
nosso país a (UNICEF no Brasil, 2016):
• reduzir a mortalidade infantil em municípios do Semi-árido brasileiro em 14,4%, entre 2003 e 
2005 (quando a redução em média nacional foi de 6,2%). Na mesma região, reduzir de 9,2% para 
6,2% o número de crianças de até 2 anos de idade com desnutrição, aumentar em 10% o número 
de crianças na pré-escola, criar 170 conselhos municipais de direitos da criança e do adolescente 
e mobilizar 1,8 milhão de crianças em torno de projetos de educação ambiental. Tudo isso a partir 
da mobilização do Selo UNICEF Município Aprovado, desenvolvido entre 2005 e 2006, e da qual 
participaram 1.179 municípios dos 11 Estados do Semi-árido, a região mais pobre e mais vulnerá-
vel do Brasil, onde vivem 13 milhões de meninas e meninos;
• treinar mais de 22 mil agentes comunitários de saúde, educadores de creches e pré-escolas para 
assegurar sobrevivência, desenvolvimento, participação e proteção das crianças desde o período 
pré-natal até os 6 anos de idade, alcançando 2,4 milhões de famílias em 718 municípios de 14 
Estados brasileiros;
3 Saiba mais em: <www.unicef.org/brazil/pt/overview_9540.htm>. Acesso em: 7 abr. 2016.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
47Direitos Humanos
• reduzir de 24,8%, em 1997, para 12,7%, em 2006, o número de crianças de até 1 ano de idade sem 
registro civil de nascimento;
• melhorar o aprendizado das crianças, principalmente as mais vulneráveis à repetência e à evasão 
escolar, como as indígenas, as quilombolas, as que trabalhavam na região do sisal, nos lixões e em 
outros bolsões de pobreza, garantindo a produção e disseminação de materiais paradidáticos para 
as crianças do Semi-árido e a inclusão das crianças com deficiências nas escolas;
• melhorar a gestão democrática e os mecanismos de controle social em 3.292 municípios, além de 
contribuir com 1.618 municípios para que criassem e gerenciassem os Conselhos Escolares;
• adquirir no mercado internacional, em parceria com o governo brasileiro, 110 mil testes rápidos de 
HIV para distribuir entre mulheres grávidas no Norte e Nordeste, a fim de prevenir a transmissão 
vertical (a infecção durante a gravidez, parto e aleitamento materno) do HIV/aids;
• mapear 2,5 mil grupos organizados de adolescentes, envolvidos na melhoria das condições de 
vida de suas comunidades, na oferta de atividades de esporte, cultura, educação, na prevenção da 
violência e da gravidez na adolescência;
• ajudar outros sete países (Bolívia, Cabo Verde, Guiné Bissau, Nicarágua, Paraguai, São Tomé e 
Príncipe, Timor Leste) a oferecer acesso universal à prevenção, cuidados e tratamento do HIV/
aids, com especial ênfase em crianças, adolescentes e mulheres grávidas;
• elaborar a criação de 1.072 centros de referência especializados no atendimento de crianças víti-
mas de violência física e sexual;
• publicar dados contundentes sobre como a iniquidade racial e étnica no Brasil afeta sobremaneira 
as crianças e adolescentes.
Parte
2 ECA – Estatuto da Criança 
e do Adolescente
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei 8.069/90, é a consagração do 
disposto no artigo 227 da Constituição Federal de 1988:
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, 
com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissio-
nalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além 
de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e 
opressão. (BRASIL, CF/88, grifo nosso).
VídeoAula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
48 Direitos Humanos
Foi a Constituição Federal de 1988 que consolidou os ideais da Convenção sobre os Direitos da Criança, sendo 
que a proteção estabelecida nos artigos do Capítulo VII da nossa Constituição foi regulamentada pela Lei 8.069/90.
O ECA foi sancionado em 13 de julho de 1990 e dispõe sobre a proteção integral à criança e ao ado-
lescente, ou seja, consagrada no âmbito do Direito Brasileiro o princípio da proteção do melhor interesse da 
criança, estabelecendo expressamente, no seu artigo 3.º, que a criança e o adolescente gozam de todos os 
direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral, assegurando-lhe, por 
lei ou por outros meios, todas as oportunidades e as facilidades, a fim de facultar-lhes o desenvolvimento 
físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
O ECA afasta (revoga) a ideia do Código de Menores (Lei 6.697/79) e também do Código Civil de 
1916, que protegia a criança e o adolescente em situação irregular, ou seja, aqueles que eram privados das 
condições essenciais para o seu desenvolvimento.
A partir da CF/1988 e da sua regulamentação pela legislação estatutária, a criança deixa de ser objeto a 
ser protegido e passa a ser sujeito de direitos, detentora de dignidade a ser assegurada pelos pais, pela famí-
lia, pelo Estado e por toda a Sociedade. Reconhecendo esta mudança de perspectiva, Ana Carolina Figueiro 
Longo explica (2015, p. 416):
É relevante destacar que apenas a partir da promulgação da constituição vigente que se assegurou, na 
condição de direito subjetivo, a proteção da infância e juventude. Foi criado, pois, um micro-sistema de 
atenção especial, que assegura a proteção integral.
Esta é uma mudança de perspectiva importante, que viabiliza a mobilização das ações estatais para 
as condições especiais desta população de pessoas em desenvolvimento. Veja-se que, antes, crianças 
e adolescentes que não estavam integrados na proteção de um núcleo familiar eram vistos como um 
problema social e a política estatal estabelecida se voltava apenas para a proteção da sociedade.
Positivado um extenso rol de direitos fundamentais destinados a essa parcela da população a partir de 
1988, elas passaram a ser reconhecidas como sujeitos de direitos e, portanto, objetos de políticas pú-
blicas especificamente voltadas para a proteção de seus interesses. Esta compreensão é uma conquista 
recente, visto que os primeiros atos normativos brasileiros que cuidavam da infância e juventude ocu-
pavam-se ora com uma concepção assistencialista aos “desamparados”, ora com o aspecto criminal de 
seu comportamento.
A autora continua esclarecendo como passou a ser a atuação do Estado a partir desta nova visão:
Vale destacar a grande mudança que a nova Constituição causou para a proteção da criança e do adoles-
cente, visto que deixam de ser objeto da atenção do Estado apenas quando destituídos de suas famílias 
ou em situação de delinquência. A partir do reconhecimento constante do art. 227 da Constituição, pas-
sam as ser objetos de políticas públicas específicas, observando a responsabilidade do Estado de zelar 
pela integridade de toda criança e adolescente, com máxima prioridade.
Assim, se abre espaço para uma série de readequações do Direito à sociedade brasileira em transforma-
ção, viabilizando a modificação desde o reconhecimento da criança e do adolescente, como sujeitos de 
direitos, como dito, até o reconhecimento que o próprio conceito de família se modifica sensivelmente.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
49Direitos Humanos
Antes em uma situação de desamparo, e objeto de uma política assistencialista e de necessidade de con-
trole social, a criança e o adolescente que estão fora de seu contexto familiar, agora, merecem proteção 
no texto constitucional como sujeitos de direitos.
Ao Poder Público se imbuiu o dever de zelar para que toda a criança e o adolescente possa se desen-
volver no âmbito familiar, ainda que se trate de família substituta na ausência ou impossibilidade da 
família biológica acolhê-los. (LONGO, 2015, p. 429).
Portanto, a partir da vigência do ECA esta legislação passa a regular a situação jurídica de todos as 
crianças e adolescente até 18 anos de idade, independentemente da sua condição, não havendo mais a distin-
ção ocorrida pelo Código de Menores, o qual somente era aplicável aos menores em condições irregulares.
Assim as crianças e adolescentes gozam de todos os direitos fundamentais garantidos à pessoa huma-
na, tanto aqueles reconhecidos de forma expressa pela legislação nacional, quanto os previstos em tratados 
internacionais (PIOVESAN e PIROTTA, 2015).
Passemos a um exame superficial de alguns dos dispositivos do ECA. Primeiramente, ele define quem 
é criança e quem é adolescente, estabelecendo que se considera criança a pessoa de até doze anos de idade 
incompletos, e adolescente aquela compreendida entre doze e dezoito anos. Porém, ressalva a legislação 
estatutária que pode ser aplicada, excepcionalmente, às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade, 
nos casos expressos em lei, conforme o artigo 2.º e parágrafo único.
O Estatuto da Criança e do Adolescente se estrutura em Parte Geral e Parte Especial. A primeira esta-
belece os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes no Título II (art. 7.º ao art. 69), dentre eles, 
o direito à vida e à saúde, à liberdade, ao respeito e à dignidade, à convivência familiar e comunitária, à 
educação, à cultura, ao esporte e ao lazer, à profissionalização e à proteção no trabalho.
No artigo 7.º expressamente, além de garantir o direito à vida e à saúde, estabelece que cabe ao Estado 
a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em 
condições dignas de existência. Ou seja, determina ações positivas do Estado para assegurar aqueles direitos.
A legislação estatutária também assegura atendimento integral à saúde pelo Sistema Único de Saúde – 
SUS, não somente à criança e ao adolescente (art. 11 do ECA), mas também às gestantes (arts. 8.º e 9.º do 
ECA), demonstrando a preocupação da legislação com a criança desde antes do seu nascimento.
Outra garantia, que dificilmente é de conhecimento da população, é a previsão do artigo 12 que estabe-
lece que “os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a permanência 
em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente”.
Para casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, o artigo 13 do ECA estabelece a obrigatoriedade 
de comunicação ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, inclusive cominando penalidade adminis-
trativa, conforme sustenta o Titulo VII, Capítulo II do ECA, para quem deixar de comunicar à autoridade 
competente estas circunstâncias:
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
50 Direitos Humanos
Art. 245 - Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de en-
sino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha 
conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente:
Pena – multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. 
(BRASIL, ECA/1990)
No artigo 15 o ECA expressamente reconhece a condição de sujeito de direitos da criança e do adoles-
cente, atribuindo-lhe direito à liberdade, ao respeito e à dignidade:
Art. 15 - A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas hu-
manas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos 
na Constituição e nas leis. (BRASIL, ECA/1990)
O artigo 16 especifica os aspectos do direito à liberdade, incluindo a liberdade de ir e vir, de opinião e 
expressão, de crença e culto religioso, de brincar, praticar esportes e divertir-se, departicipar da vida fami-
liar e comunitária, sem discriminação, de participar da vida política e de buscar refúgio, auxílio e orientação.
O artigo 17 aponta o que abrange o direito ao respeito, esclarecendo que consiste “na inviolabilidade 
da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, 
da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.” (BRASIL, 
ECA/1990)
O ECA ainda cumpre alguns aspectos que vieram à tona pela Lei 13.010/2014, conhecida vulgarmente 
por “Lei da Palmada” e nascida como “Lei Menino Bernardo”, que incluiu os artigos 18-A e 18-B na legis-
lação estatutária:
Art. 18-A. - A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo 
físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer 
outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes 
públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, 
tratá-los, educá-los ou protegê-los.
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se:
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a 
criança ou o adolescente que resulte em:
a) sofrimento físico; ou
b) lesão;
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao 
adolescente que:
a) humilhe; ou
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
51Direitos Humanos
b) ameace gravemente; ou
c) ridicularize.
Art. 18-B - Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos executores 
de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças e de adolescentes, 
tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como 
formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de 
outras sanções cabíveis, às seguintes medidas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso:
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado;
V - advertência.
Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo 
de outras providências legais. (BRASIL, ECA/1990, incluído em 2014)
Em regra, a interpretação conferida aos referidos dispositivos é que, a partir de sua vigência, é vedado 
qualquer tipo de castigo físico (uso da força física que resulte em sofrimento ou lesão física), ou tratamento 
cruel e/ou degradante (conduta que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize), embora também se criti-
que o fato de não haver qualquer medida penal a ser imposta ao agressor, apenas medidas socioeducativas 
(encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; encaminhamento a tratamento 
psicológico ou psiquiátrico; encaminhamento a cursos ou programas de orientação; obrigação de encami-
nhar a criança a tratamento especializado; advertência).
Além destas medidas incluídas pela referida lei, já poderiam ser impostas a perda da guarda, a desti-
tuição da tutela e a suspensão ou destituição do poder familiar (art. 129 do ECA). Contudo, não se pode es-
quecer que as medidas na esfera penal não dependem de qualquer alteração legislativa, sendo que o Código 
Penal, de 1940, já previa o crime de maus tratos no seu art. 136:
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de 
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer 
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena – detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§1.º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de um a quatro anos.
§2.º - Se resulta a morte:
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
52 Direitos Humanos
Pena – reclusão, de quatro a doze anos.
§3.º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. 
(BRASIL, CP/1940)
Sem analisar o mérito da questão, cumpre ressaltar que alguns autores afirmam que a alteração legis-
lativa não impede o castigo disciplinar, aquele que tem como objetivo disciplinar a criança e o adolescente 
sem lhe infringir um mal grave. Pois, a mudança da lei, ao afirmar que castigo físico é a ação de natureza 
disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em 
sofrimento físico, acaba por abrir ao subjetivismo do intérprete a análise do caso concreto se o castigo im-
posto extrapolou os limites do aceitável e do objetivo disciplinar.
Na sequência da análise do ECA cumpre ressaltar que, em consonância com o artigo 227, §6.º da 
CF/1988, o artigo 20 da legislação estatutária reconhece a igualdade entre todos os filhos, havidos ou não da 
relação de casamento ou por adoção, proibindo qualquer designação discriminatória.
Ainda no Capítulo III do Título II (arts. 19 a 52-D), o ECA vai tratar da adoção como medida excepcional, 
quando não há mais possibilidade de convivência da criança ou do adolescente com a família natural ou extensa4. 
Dispõe também sobre a guarda5 , a tutela6 e sobre o exercício, suspensão e perda do poder familiar7. 
No Capítulo IV (do Título II), entre os artigos 53 a 59, o Estatuto regula os direitos à Educação, à 
Cultura, ao Esporte e ao Lazer, regulamentando os artigos 205 a 217 da CF/1988. Na sequência, entre os 
artigos 60 a 69 o ECA regulamenta os direitos à profissionalização e à proteção no trabalho.
O objetivo proposto para esta aula era traçar um perfil dos direitos e garantias asseguradas pelo ECA, 
evidentemente esta legislação não trata apenas de prever direitos, mas também de estabelecer formas de pre-
venção e medidas de proteção e fiscalização destes direitos (exemplos, arts. 70 a 73 e arts. 95 a 97). Regula, 
por exemplo, a proibição de venda à criança e ao adolescente de alguns produtos prejudiciais a sua formação 
e sua educação, tais como armas, munições e explosivos, bebidas alcoólicas ou produtos cujos componentes 
possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida (art. 81 do ECA).
4 Família extensa ou ampliada vem conceituada no parágrafo único do artigo 25 do ECA é: “aquela que se estende para além da unidade 
pais e filho ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculo 
de afinidade ou afetividade” (BRASIL, ECA/1990).
5 Guarda é “locução indicativa, seja do direito ou do dever, que compete aos pais ou a um dos cônjuges, de ter em sua companhia ou de 
protegê-los, nas diversas circunstâncias indicadas na lei civil. E ‘guarda’ neste sentido, tanto significa custódia como a proteção que é 
devida aos filhos pelos pais” (PLÁCIDO e SILVA, 2000, p. 365-366).
6 Tutela é o encargo legal ou judicial atribuído a alguém, que deverá administrar os bens ou a conduta do tutelado. De acordo com o 
artigo 1.728, do Código Civil será instituída a tutela a favor dos filhos menores nas seguintes hipóteses: “I - com o falecimento dos 
pais, ou sendo estes julgados ausentes; II - em caso de os pais decaírem do poder familiar.”
7 Paulo Nader (2009, p. 401-402) afirma que o poder familiar “é o instituto de ordem pública que atribui aos pais a função de criar, 
prover a educação de filhos menores não emancipados e administrar eventuais bens. [...]. O poder familiar, modernamente, é concebido 
como instituto de proteção e assistência à criança e ao adolescente e não como fórmula autoritária de mando para benefício pessoal”.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
53DireitosHumanos
Por outro lado, o Estatuto também trata dos atos infracionais, condutas definidas como crime ou con-
travenção penal, praticadas por crianças ou adolescentes (art. 103 do ECA), bem como regula as correspon-
dentes medidas socioeducativas a serem aplicadas aos respectivos infratores (art. 112 do ECA)8.
Apesar de várias críticas, em especial, da parcela da população mais leiga, esta legislação é reconhe-
cida internacionalmente e foi elaborada por juristas de renome nacional e internacional. Ao completar 25 
anos de sua promulgação, em 13 de julho de 2015, a UNICEF apresentou um relatório sobre os 25 anos da 
aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, visando identificar os resultados obtidos no período, 
bem como apontar a necessidade de criação de políticas diferenciadas, capazes de promover a inclusão de 
meninos e meninas que ainda têm seus direitos violados (UNICEF, 2015).
O relatório indica que o Brasil é uma das nações que têm se destacado por reduzir a mortalidade infantil, 
superando a meta de redução da mortalidade infantil prevista nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 
(ODM) antes mesmo do prazo estabelecido. De 1990 a 2012, a taxa de óbito entre crianças menores de 1 ano foi 
reduzida em 68,4%, atingindo a marca de 14,9 mortes para cada 1.000 nascidos vivos (UNICEF, 2015, p. 14).
Aponta, também, que todos os indicadores sobre educação avançaram: de 1990 a 2013, o percentual 
de crianças com idade escolar obrigatória fora da escola caiu 64%, passando de 19,6% para 7% (Pnad). 
Outro indicador a ser celebrado é a queda na taxa média de analfabetismo entre brasileiros de 10 a 18 anos 
de idade. Essa taxa caiu 88,8%, passando de 12,5%, em 1990, para 1,4%, em 2013. A queda foi ainda mais 
significativa entre os adolescentes negros, com redução de 17,8% para 1,5%, e pardos, caindo de 19,4% 
para 1,7% no mesmo período. A queda foi de aproximadamente 91% em ambos os casos (Pnad). (UNICEF, 
2015, p. 16).
O relatório acrescenta ainda que o Brasil é um “exemplo para outros países na estruturação e imple-
mentação de uma vigorosa rede de proteção social, com políticas de referência como o Sistema Único de 
Assistência Social (SUS) e o Bolsa Família” (UNICEF, 2015, p. 5).
A partir do ECA o direito ao registro civil de nascimento é garantido a 95% das crianças brasileiras, 
sendo que “de 1990 a 2013, o percentual de crianças registradas no mesmo ano de nascimento subiu de 66% 
para 95% (Pnad)” (UNICEF, 2015, p. 20).
Todavia, embora tenham sido muitos os avanços, sendo somente alguns os citados acima, o Brasil tem 
muito a melhorar e o relatório indica como um retrocesso a possibilidade de redução da maioridade penal e como 
alarmante o fato de terem dobrado o número de homicídios de crianças e adolescentes (UNICEF, 2015, p. 28-34), 
entre tantos outros pontos que ainda o ECA, embora existente e vigente, ainda continua a ser desrespeitado.
8 Para uma breve introdução sobre os atos infracionais e as medidas socioeducativas recomendamos o seguinte autor: AQUINO, 
Leonardo Gomes de. Criança e adolescente: o ato infracional e as medidas sócio-educativas. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV, n. 
99, abr 2012. Disponível em: <www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11414>. Acesso em: 18 
fev. 2016.
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
54 Direitos Humanos
Parte
3 Combate ao trabalho infantil e à pedofilia
Combate ao trabalho infantil 
Nesta parte iremos passar ao exame de dois temas de extrema relevância à proteção das 
crianças e adolescentes: a questão do trabalho infantil e do combate à pedofilia, sendo que am-
bos são uma realidade nacional.
No que tange ao trabalho infantil, houve uma evolução positiva em nosso país, sendo 
que a redução deste tipo de trabalho foi uma das grandes conquistas dos 25 anos do ECA, segundo o relató-
rio da UNICEF feito na ocasião. Estes foram os resultados:
Mais crianças e adolescentes protegidos
A incidência do trabalho infantil entre a população de 5 a 15 anos reduziu-se consideravelmente 
nos últimos 20 anos. Entre os mais novos, de 5 a 9 anos, o trabalho infantil está próximo de zero.
30%
22,5%
15%
7,5%
0%
1992 2001 2011
5 a 9 anos 10 a 15 anos
2013
Trabalho infantil: evolução do percentual de pessoas ocupadas entre 5 e 15 anos de idade
(UNICEF, p. 24, 2015.)
Vídeo
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
55Direitos Humanos
Região Nordeste foi a que mais avançou
Redução aconteceu em todas as regiões. Na Região Nordeste, a queda foi de 75%.
18%
13,5%
9%
4,5%
0%
1992 2001 2011
SulNordeste Centro-OesteSudesteNorte
2013
Trabalho infantil: evolução do percentual de pessoas ocupadas entre 5 e 15 anos de idade por região
(UNICEF, p. 24, 2015.)
O relatório da UNICEF aponta a situação econômica das como uma das principais causas do proble-
ma do trabalho infantil famílias, o que levou a criação, em 1996, do Programa de Erradicação do Trabalho 
Infantil (Peti), objetivando a complementação de renda e apoio aos pais de crianças e adolescentes que 
trabalhavam (UNICEF, 2015).
O trabalho infantil atinge diretamente a relação da criança e do adolescente com a escola, tirando-as da 
escola ou afetando o rendimento escolar. O referido relatório indica que 
em 2013, 3 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estavam fora da escola no Brasil (Pnad, 
2013). Outros 8 milhões de meninos e meninas dos ensinos fundamental e médio encontravam-se em 
atraso escolar, correndo o risco de evadir (Censo Escolar, 2014). (UNICEF, 2015, p. 23).
Outro ponto de relevância, apontado pelo relatório, é o trabalho doméstico que acaba sendo aceito 
culturalmente. Este documento indica que, entre 2008 e 2011, o número de casos de crianças e adolescentes 
ocupados no trabalho infantil doméstico diminuiu de 325 mil para 258 mil – uma redução de apenas 0,2 pon-
to percentual. Acrescenta-se a isso as crianças e adolescentes que ajudam seus pais e familiares no comercio 
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
56 Direitos Humanos
informal, porém ambas as situações acabam sendo resultado, muitas vezes, da falta de opções diante da 
ausência de creches e escolas em período integral (UNICEF, 2015, p. 23).
O artigo 7.º, inciso XXXIII, da Constituição Federal, dispõe sobre a questão do trabalho infantil nos 
seguintes termos:
Art. 7.º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua 
condição social:
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer tra-
balho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (BRASIL, 
CF/88)
O ECA regulamenta a matéria entre seus artigos 60 a 69. Numa interpretação sistemática da CF/1988 e 
do ECA, pode ser entendido como o limite de idade os 16 anos, sendo que entre 14 e 16 anos somente seria 
possível o trabalho na condição de aprendiz.
O artigo 67 proíbe ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de esco-
la técnica, assistido em entidade governamental ou não governamental, o trabalho:
I. Noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte, 
visando garantir o bom desenvolvimento físico dos adolescentes diante da necessidade de garantia 
de uma boa noite de sono;
II. Perigoso, insalubre ou penoso. Perigoso é o trabalho que ameaça a integridade física da pessoa, 
podendo gerar risco de morte, como aqueles que colocam a pessoa em contato com produtos 
químicos, inflamáveis, equipamentos cortantes e explosivos. Insalubre é o trabalho que traz risco 
à saúde, como aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os 
empregados a agentes nocivos à saúde. Trabalho penoso é o que gera desgaste físico ou psíquico. 
Todos são proibidos visando evitar prejuízo ao desenvolvimento físico do adolescente.
III. Realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, 
moral e social, como,por exemplo, os vinculados a jogos, sexo, violência ou drogas.
IV. Realizado em horários e locais que não permitam a frequência à escola, o que demonstra que 
a preocupação da legislação é maior com a educação do que com o trabalho.
A legislação estatutária estabelece, também, entre os artigos 62 e 65, a aprendizagem profissional vin-
culada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – 9394/96) e a garantia de bolsa-aprendizagem ao 
adolescente de até 14 anos, além dos direitos trabalhistas e previdenciários ao adolescente aprendiz, maior 
de 14 anos.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
57Direitos Humanos
O ECA introduz também a modalidade de trabalho educativo no artigo 68, estabelecendo que se enten-
de como “trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvi-
mento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo” (BRASIL, ECA/1990).
Ensina Oris de Oliveira sobre o trabalho educativo:
Não uma atividade laborativa qualquer, mas a que se insere em projeto pedagógico que vise ao desen-
volvimento pessoal e social do educando. Portanto o ritmo, desenrolar das atividades deverá ser ditado, 
sob pena de inversão de meios e fins, por um programa preestabelecido. Não uma produção qualquer, 
mas aquela cujo produto possa ser vendido dentro das exigências de qualidade e competitividade. Uma 
produção, pois, que implique custo e benefícios, capaz de remunerar quem a executa. (OLIVEIRA, 
2009, p. 222)
A ideia é aliar um trabalho remunerado (§2.º do art. 68 do ECA) ao desenvolvimento pessoal e social 
do adolescente, devendo sempre prevalecer o lado pedagógico9.
Não raro vemos situações de trabalho dito educativo em que nada mais são do que a exploração de mão 
de obra barata, infelizmente, não dando efetividade ao objetivo da norma inserida na legislação estatutária, 
demonstrando a necessidade de uma fiscalização efetiva nesta área.
Todavia, Oliveira (2009) cita como exemplo de trabalho educativo que dá cumprimento à norma do 
ECA o “Projeto Escola de Fábrica”10, aprovado pela Lei 11.180, de 2005, e executado pelo Ministério da 
Educação, com a finalidade de ampliar as possibilidades de formação profissional básica, favorecendo o 
ingresso de estudantes de baixa renda no mercado de trabalho. Dentre os projetos citados pelo autor temos 
o Projeto Pescar11, o Integrar12 e o Formare13.
Outro exemplo seria o Projovem, destinado a jovens de 15 a 29 anos de idade e que visa promover sua 
reintegração ao processo educacional, sua qualificação profissional e seu desenvolvimento humano (Lei 
11.692/2008), através da criação de políticas públicas para garantir direitos sociais, em especial voltadas à 
manutenção do adolescente no sistema educacional.
No entanto, embora a ideia principal do trabalho como aprendiz ou do trabalho educativo seja dar ên-
fase ao conteúdo pedagógico, sabe-se os evidentes prejuízos que uma má condução deste ideal pode trazer 
9 Para melhores informações sobre o trabalho educativo, além da bibliografia apresentada, indicamos também o seguinte texto: DINALI, 
Danielle de Jesus. Trabalho educativo de criança e adolescente: exploração de mão de obra de baixo custo?. Revista Jus Navigandi, 
Teresina, ano 18, n. 3808, 4 dez. 2013. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/26057>. Acesso em: 12 fev. 2016.
10 Sobre o Projeto Escola de Fábrica indica-se o seguinte artigo: RUMMERT, Sonia Maria. Projeto escola de fábrica – atendendo a “po-
bres e desvalidos da sorte” do século XXI. Perspectiva, Florianópolis, v. 23, n. 02, p. 303-322, jul./dez. 2005. Disponível em: <http://
www.uff.br/ejatrabalhadores/artigos/projeto-escola-fabrica.pdf>. Acesso em: 12 Fev. 2016.
11 Site do projeto: <http://site.projetopescar.org.br/?page_id=141>.
12 Site do projeto: <www.integrar.org.br/paginas/manchete.asp?71>.
13 Site do projeto: <www.formare.org.br/formare/>.
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
58 Direitos Humanos
à vida de uma criança ou adolescente, afetando seu desenvolvimento físico, social, psicológico e moral. A 
inserção precoce de adolescente e até de crianças no mercado de trabalho afasta-os da escola, atinge direta-
mente a sua formação pedagógica e seu futuro profissional.
Por isso, existe uma preocupação nacional e internacional com a prevenção e erradicação do trabalho 
infantil, criando-se programas com este objetivo, como, por exemplo, o IPEC – o Programa Internacional 
para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) implementado mundialmente pela OIT, em 1992, e no Brasil. 
Envolve a atuação conjunta dos governos federal, estaduais e municipais, além das demais entidades do 
Poder Público, Organizações de Trabalhadores e Empregadores, Entidades da Sociedade Civil Organizada, 
Movimentos Sociais e Organizações Internacionais, o que contribuiu para a retirada de mais de 800 000 
crianças do trabalho desde então, tornando o Brasil referência na redução do trabalho infantil (OIT, 2016). 
O programa está presente em todo o Brasil:
Figura 1 – Atuação do IPEC
Exploração sexual
Canaviais
Agrícola
Calçados
Sisal
Mineração
Tráfico de pessoas
Fumageiro
Trabalho doméstico
Narcotráfico
Tecelagem
Construção Civil
Horti-fruti
Erva-mate
Carvão
Olarias
Garimpo
Legenda:
(OIT, 2016.)
Ações de intervenção direta
Presença do IPEC
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
59Direitos Humanos
A OIT assim descreve o desenvolvimento e a atuação do IPEC no Brasil:
Com mais de 100 programas de ação financiados pela OIT, mostrou-se que é possível não somente 
implementar políticas integradas de retirada e proteção da criança e do adolescente do trabalho precoce, 
como também desenhar ações preventivas junto a família, a escola, comunidade e a própria criança.
O sucesso do IPEC no Brasil em introduzir a questão da erradicação do trabalho infantil na agenda das 
políticas nacionais se traduz nos maiores índices de redução do numero absoluto de crianças exploradas 
no trabalho formal que se te notícia. Entretanto, a OIT/IPEC continuará cooperando com a sociedade 
brasileira para progressivamente retirar 5 milhões de crianças e adolescentes restantes [...]. Essas en-
contram-se no trabalho informal, perigoso ilícito e oculto, cujos desafios não são menores do que eram 
quando o IPEC se estabeleceu no Brasil há mais de 10 anos. (OIT [2004?])
A par do IPEC podemos citar o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil 
(FNPETI) criado em 1994 com o apoio da OIT e da UNICEF, é uma instância autônoma de controle social, 
tornando-se “uma estratégia da sociedade brasileira de articulação e aglutinação de atores sociais institu-
cionais, envolvidos com políticas e programas de prevenção e erradicação do trabalho infantil no Brasil” 
(FNPETI, 2016).
Menciona-se ainda o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do Governo Federal, que 
tem como objetivo retirar crianças e adolescentes menores de 16 anos do trabalho precoce, exceto na condi-
ção de aprendiz a partir de 14 anos, assegurando transferência direta de renda às famílias e oferecendo a in-
clusão das crianças e dos jovens em serviços de orientação e acompanhamento, além de exigir a frequência 
à escola (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME, 2016).
Por fim, criou-se a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (CONAETI), criada por in-
termédio da Portaria 365, de 12 de setembro de 2002 e coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 
Esta comissão visa implementar a aplicação das disposições das Convenções n.ºs 138 e 182 da OIT e possui, 
como uma de suas principais atribuições, o acompanhamento da execução do Plano Nacional de Erradicação 
do Trabalho Infantil, por ela elaborado em 2003.
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
60 Direitos Humanos
Mão de obra14
Mohamed Ashraf não vai à escola.
Desde o nascer do Sol até quando a lua surge, ele corta, recorta, perfura, monta e costura bolas 
de futebol, que saem rolando da aldeia paquistanesa deUmar Kot para o resto do mundo.
Mohamed tem onze anos. Ele faz isso desde os cinco. Se ele soubesse ler, e ler em inglês, 
poderia entender a inscrição que coloca em cada uma de suas obras: esta bola não foi fabricada por 
crianças.
(Eduardo Galeano, 2004, p. 23 – tradução livre)
Combate à Pedofilia
Passemos ao segundo tema a ser analisado em relação aos direitos humanos da criança e do adolescen-
te: o combate à pedofilia.
A pedofilia é tratada como transtorno de personalidade, transtornos de preferência sexual pelo Código 
Internacional de Doenças (CID 10 – F65.4), que a define como sendo uma “preferência sexual por crianças, 
meninos ou meninas ou ambos, geralmente na idade pré-puberal ou no início da puberdade” (DATASUS, 
2016).
A pedofilia inclui tanto a prática sexual do adulto com crianças como com adolescentes, sendo que esta 
última hipótese é também chamada de pederastia. Inclui-se, também, não só a prática da relação sexual, em 
sentido amplo, mas também a captura de imagens envolvendo crianças e adolescente em atos sexuais, o que 
se chama de pornografia infantil ou pedopornografia (CARDIN e BARRETO, 2009).
O pedófilo, em regra, age às escondidas, na surdina, e normalmente é uma pessoa que, aparentemente, 
não levanta suspeitas, muitas vezes é uma pessoa conhecida, inclusive da família, aproxima-se da criança ou 
do adolescente, ganha confiança desta e dos familiares, com o objetivo de evitar que seja considerado suspei-
to. Age de forma a atribuir a responsabilidade do abuso à própria criança ou, ainda, invoca “consequências 
14 Mano de obra 
Mohammed Ashraf no va a la escuela. Desde que sale el Sol hasta que asoma la luna, él corta, recorta, perfora, arma y cose pelotas de 
fútbol, que salen rodando de la aldea paquistaní de Umar Kot hacia los estadios del mundo. 
Mohammed tiene once años. Hace esto desde los cinco. Si supiera leer, y leer en inglés, podría entender la inscripción que él pega en 
cada una de sus obras: Esta pelota no ha sido fabricada por niños.
(Eduardo Galeano, de su libro “Bocas del Tiempo”, 2004, p. 23. Disponível em: <http://static.telesurtv.net/filesOnRFS/news/2015/04/13/bocasdeltiempo.pdf>. Acesso 
em: 7 abr. 2016). 
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
61Direitos Humanos
prejudiciais à família (decepcionar a mãe, provocar a separação na família), ou a ele (ser preso) ou a ela 
própria (sofrer agressões físicas, ou ser morta por ele), caso revele o abuso” (TRINDADE, 2007, p. 25).
As consequências desta prática para o desenvolvimento da criança e do adolescente são imensas e po-
dem variar de criança para criança, de família para família, seja pelo apoio recebido ou não. O abuso pode 
afetar a aprendizagem da criança, criar fobias, rejeições a carinhos, tornar a criança mais retraída, agressiva, 
tímida, deprimida, causar pesadelos ou insônia, podendo, inclusive, gerar transtornos psicológicos mais 
graves, etc.
Estatisticamente, o maior centro de atendimento de vítimas de violência sexual da América Latina, 
Hospital Pérola Byington em São Paulo/SP, apresenta números que demonstram um aumento significativo 
dos atendimentos relativos a caso de violência sexual contra crianças e adolescentes:
Hospital Pérola Byington
Núcleo AVS. Principais estatísticas de atendimento
18.740 casos de violência e abuso sexual entre 1994 e 2008
6.350
crianças (33,9%)
5.616
adolescentes (29,9%)
11.966 casos (63,8%)
6.774 mulheres adultas (36,2%)
(MPMG, 2012, p. 8.)
1200
1000
800
600
400
200
0
Distribuição anual dos casos novos de violência sexual
Grupo etário
Crianças
Adolescentes
Adultos
19
94
19
95
19
96
19
97
19
98
19
99
20
00
20
01
20
02
20
03
20
04
20
05
20
06
20
07
(MPMG, 2012, p. 8.)
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
62 Direitos Humanos
Todos os dias são noticiados casos de violência sexual contra crianças e adolescentes demonstrando a 
importância da análise do tema, da efetivação de medidas de combate a tal prática.
A legislação brasileira não é omissa, desde a nossa Constituição Federal há expressa disposição sobre 
o assunto, no seu artigo 227, parágrafo 4.º: “A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração 
sexual da criança e do adolescente”. (BRASIL, CF/1988)
A legislação penal também dispõe sobre o tema nos seguintes artigos, dentre outros:
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar 
ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:
Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
§1.º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou 
maior de 14 (catorze) anos: 
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
§2.º Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos
[...]
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§1.º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade 
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer 
outra causa, não pode oferecer resistência.
§2.º (VETADO)
§3.º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
§4.º Se da conduta resulta morte:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.15
(BRASIL, CP/1940)
O ECA também vem regulamentar a matéria a partir das alterações produzidas pela Lei 11.829/2008:
15 O crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) foi incluído no rol de crimes hediondos previstos na Lei nº 8.072/90.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
63Direitos Humanos
Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo 
explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
[...]
Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explí-
cito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer 
meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro 
que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
[...]
Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de 
registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
[...]
Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica 
por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de 
representação visual:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publica ou 
divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido na forma do caput deste artigo.
Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com 
o fim de com ela praticar ato libidinoso:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I – facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com 
o fim de com ela praticar ato libidinoso;
II – pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a se exibir de forma 
pornográfica ou sexualmente explícita.
Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de sexo explícito ou por-
nográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividadessexuais 
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
64 Direitos Humanos
explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins 
primordialmente sexuais. (BRASIL, ECA/1990)
Outra inovação surgida, por assim dizer, recentemente, é a chamada Lei Joanna Maranhão16 (Lei 
12.650/2012), que alterou o artigo 111 do Código Penal, incluindo o inciso V:
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr:
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em le-
gislação especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver 
sido proposta a ação penal.
A partir da vigência desta alteração legislativa (18/05/2012) o prazo de prescrição da pretensão pu-
nitiva17 do réu nos crimes sexuais contra crianças e adolescentes somente começam a correr após a vítima 
completar 18 anos de idade.
Assim, Eduardo Luiz Santos Cabette exemplifica a contagem do prazo
A regra do inicio da contagem apenas após o completar dos 18 anos da vítima não é, contudo, absoluta. 
O novo inciso V do artigo 111, CP faz uma ressalva ao determinar que a contagem inicie somente aos 
18 anos da vítima, “salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal”.
Então, há duas situações distintas dispostas na legislação:
a) Se, por exemplo, uma criança de 5 anos sofre abuso sexual e nunca narra o fato, de modo que não é 
instaurado processo para apuração, então o prazo prescricional somente correrá quando ela completar 
18 anos;
b) Se a mesma criança de 5 anos é abusada, mas entre o lapso temporal de seus 5 anos de idade até os 18 
ocorre a instauração de processo acerca do caso, o prazo prescricional passa a correr dessa instauração 
e não mais da data em que a vítima completa a maioridade.
De qualquer forma a lei adita o início da contagem do prazo prescricional, que não mais se contará 
pela regra geral da consumação (artigo 111, I, CP), mas pelo atingimento dos 18 anos da vítima ou pelo 
início do processo criminal. (CABETTE, 2013, p. 4)
O propósito da legislação é dificultar a prescrição do crime e proteger a vítima, pois esta muitas vezes 
não possui consciência suficiente do fato criminoso ou até que esteja preparada psicologicamente para en-
frentar toda a consequência advinda da comunicação do fato.
16 A lei é conhecida como “Lei Joanna Maranhão” em referência à esportista brasileira, integrante da equipe olímpica de natação, Joanna 
Maranhão, a qual noticiou perante a imprensa, em fevereiro de 2008, que teria sido vítima de crime sexual quando contava com nove 
anos de idade, crimes que teriam sido praticados por seu então treinador da modalidade desportiva. Considerando o decurso do tempo 
entre o fato e a eventual iniciativa da vítima para “punir” o agressor (não foi o caso da Joanna Maranhão, pois ela somente noticiou os 
fatos perante a imprensa), o crime já teria prescrito, ou seja, já não poderia ser punido pelo Estado.
17 Fernando Capez define prescrição como a “perda do direito-poder-dever de punir pelo Estado em face do não exercício da pretensão 
punitiva (interesse em aplicar a pena) ou da pretensão executória (interesse de executá-la) durante certo tempo” (2007, p. 572).
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
65Direitos Humanos
Como bem ressalvou Talita Ferreira Alves Machado, a maioria destas inovações legislativas foi resul-
tado da CPI da pedofilia:
Comissão Parlamentar de Inquérito criada nos termos do Requerimento 200, de 2008, conforme pará-
grafo 4.º do artigo 145 do Regimento Interno do Senado Federal, para, no prazo de cento e vinte dias, 
apurar a utilização da internet na prática de crimes de ‘pedofilia’ (MACHADO, 2013 p. 50).
Em dezembro de 2010 foi aprovado o relatório final da CPI da pedofilia, e neste período de investiga-
ção a comissão logrou a aprovação de leis que
tornaram mais rígidas a punição de pessoas envolvidas em práticas pedofílicas, a exemplo dos crimes 
de estupro de vulnerável e de produção de material pornográfico envolvendo criança e adolescentes, 
bem como a inclusão do abuso sexual de menores no rol dos crimes hediondos. (MACHADO, 2013 
p. 50).
Extra
Trabalho infantil em atividades artísticas: 
Direitos Humanos violados?
Adriana Gomes Medeiros de Macedo
Tereza Joziene Alves da Costa Aciole
[...] 
2 TRABALHO INFANTIL ARTÍSTICO NO BRASIL
O trabalho infantil artístico configura-se entre as formas de trabalho classificada assim, em razão 
da natureza da atividade, desenvolvida muitas vezes em circos, teatros, publicidade de um modo geral 
e na televisão.
Observando a atual disposição do artigo 7, inciso XXXIII, da Constituição Federal de 1988, ve-
rifica-se que o legislador apresentou apenas uma exceção ao labor com idade inferior a 16 anos, qual 
seja na condição de aprendiz. 
[...]
Segundo Xisto Thiago de Medeiros Neto, em Trabalho Infantil: atuação do Ministério Público, a 
referida norma é essencial de natureza proibitiva, com visível escopo protetivo e tutelar, estabelecendo 
o direito fundamental ao não trabalho em certa época da vida do ser humano, e ao trabalho protegido, 
no período seguinte do seu desenvolvimento (MEDEIROS NETO, 2011).
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
66 Direitos Humanos
Todavia, essa proibição comporta exceções à regra geral do limite de 16 anos para o trabalho, 
como por exemplo, o trabalho infantil em atividades artísticas. Embora a Constituição traga ape-
nas uma exceção quanto ao trabalho dos menores de dezesseis anos de idade, qual seja, o aprendiz, 
a Convenção da OIT n.º 138 de 1978, ratificada pelo Brasil em 15.02.2002, por meio do Decreto 
Presidencial 4.134, introduziu a possibilidade do trabalho infantil artístico.
Diante dessa perspectiva, Oris de Oliveira, em Trabalho Infantil Artístico, afirma que o artigo 8.º 
da Convenção 138 da OIT prevê a permissão de trabalho em representações artísticas “em casos indi-
viduais” com limitação de horas de trabalho e fixação de condições. Já no plano infraconstitucional, 
Oliva (2010) ressalta que o artigo 149, II, do ECA exige que as decisões sejam fundamentadas e que 
as autorizações sejam concedidas de forma individual.
[...]
3. EXPLORAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL POR TRÁS DO GLAMOUR: VIOLAÇÃO 
DOS DIREITOS HUMANOS
A exploração do trabalho infantil artístico, assim como todas as formas de trabalho infantil, repre-
senta uma violação dos direitos humanos da criança e adolescente.
[...]
Todavia, essa proteção especial e absoluta prioridade são deixadas de lado quando estamos frente a 
frente com o trabalho infantil, cercado de mitos por parte de toda a sociedade, mesmo sendo “perverso, vi-
cioso e negativo” conforme as considerações elencadas pelos organizadores da obra Criança, Adolescente, 
Trabalho:
Uma das piores formas de exploração do trabalho do homem é a que envolve crianças e adolescentes. 
[...] constituindo um ciclo negativo, vicioso e perverso. Perverso, porque abstrai da criança e do jovem 
parcela irreversível de sua formação pessoal, apagando tempos de brinquedos, aprendizado e gozo, 
e escrevendo no lugar a tortura – tripalium – do corpo e da alma. Exigir responsabilidades de adulto, 
força de adulto, submissão de adulto, maturidade de adulto, para o cultivo dos primeiros trabalhos, é 
crime fatal contra a constituição individual de cada cidadão. Irreversível. Irretratável. Irrecuperável. 
[...] Vicioso, porque estabelece uma rota infinita em si mesmo, fazendo com que o jovem-criança que 
inicia sua vida profissional a destempo, não se forme adequadamente, não tenha acesso à educação 
mínima, convertendo-se em mão de obra desqualificada, que ao formar sua família, transferirá para 
seus sucessores a ideia capenga de que o mundo do trabalho é mesmo um constante conformar-se com 
a miséria que está no quotidiano, sem saída. [...] Negativo, porque impõe á sociedade a mitigação de 
valores supremos e inalienáveis, como a autoestima, a dignidadepessoal, o valor social do trabalho, 
a imprescindibilidade da educação, o prazer da brincadeira, em tempos de brinquedo, a crueldade da 
rotina de obrigações prematuras e exigentes para além da conta física. (NOCCHI; VELLOSO; FAVA, 
2010, p.11).
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
67Direitos Humanos
Coadunam-se com essas reflexões, Piovesan e Luca (2010, p. 362), quando afirmam que o tra-
balho infantil simboliza uma grave violação aos direitos humanos, “[...] nega o direito fundamental à 
infância, em afronta ao direito da criança e a ser criança, na qualidade de sujeito de direito em peculiar 
condição de desenvolvimento, a merecer absoluta prioridade e primazia.”
Assim, entendemos que o trabalho infantil viola não só o direito de não trabalhar antes da idade mí-
nima estabelecida pela Constituição ou normas que proíbem o trabalho noturno, perigoso e insalubre, mas 
funciona como que uma cachoeira de direitos violados, em detrimento a característica da indivisibilidade 
dos direitos humanos.
Embora, a regra seja a proibição do trabalho infantil, esse é fato na nossa sociedade. Na maior 
parte resulta das condições econômicas da família, de forma que essa depende para sobreviver do es-
forço conjunto de todos os seus membros, inclusive as crianças e adolescentes que ingressam no mun-
do adulto do trabalho em troca, muitas das vezes, apenas de um prato de comida (RIBEIRO, 2009).
Não há dúvidas de que a pobreza é um dos grandes motivadores do ingresso de crianças e adoles-
centes no mundo do trabalho. Todavia, em relação ao trabalho artístico, esse nem sempre predomina. 
Foi o que respondeu a ministra do Tribunal Superior do Trabalho Kátia Magalhães Arruda em entre-
vista concedida ao TV Justiça em 7 de outubro de 2012, ao ser feita a seguinte indagação:
O fator econômico é condicionante do trabalho infantil. A senhora acha que ele influencia, tam-
bém, o trabalho artístico infantil? 
Kátia Arruda – O fator econômico é predominante, mas não é o único. Sem dúvida a má distribui-
ção de renda e a pobreza enfrentada nas famílias faz crescer o número de crianças trabalhadoras 
no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Existem, entretanto outros fatores que também podem 
interferir, tais como: a falta de oportunidades na comunidade onde residem essas crianças, a 
ausência ou má qualidade da educação escolar e a falta de outros estímulos favoráveis ao desen-
volvimento da infância. Quando se trata do trabalho artístico, o fato econômico nem sempre é o 
predominante. (NOTÍCIAS TST, 2012).
Desta forma, é fácil perceber que existem outros motivos que influenciam o labor infantil no meio 
artístico. É o que afirma Vila Nova (2005), citada por Cavalcante (2011),
Além de ser um trabalho mais bem remunerado do que o “clássico” trabalho infantil, o trabalho artís-
tico tem outras motivações não financeiras, como a vaidade dos pais e a ideia de que “se dar bem na 
vida é conseguir sucesso e fama”. (VILA NOVA, 2005 apud CAVALCANTE, 2011, p. 48).
É nesse contexto que a exploração do trabalho infantil acontece e passa, por muitas vezes, des-
percebida por todos. “Afinal, ninguém pensa, ao ver a leveza da bailarina, que seus pés doem muito 
[...] que os ombros do pianista latejam de dor ao executar aquela linda música [...]” (CAVALCANTE, 
2011, p. 48).
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
68 Direitos Humanos
O trabalho artístico de um modo geral requer muito treinamento e dedicação, assim como todas 
as profissões tidas como intelectuais, cujo esforço não é visto por aqueles que apenas veem o produto 
final. Em relação ao trabalho realizado por crianças e adolescentes, esse esforço dobra, já que trata-se 
de um sujeito mais frágil que se cansa e se irrita com mais facilidade (CAVALCANTE, 2011). 
[...]
Tal exploração foi constatada por Sandra Regina Cavalcante ao realizar entrevistas para escrever 
o seu livro Trabalho Infantil em atividades artísticas: do deslumbramento à Ilegalidade, constatando a 
realidade desse ambiente de trabalho.
[...] ouviu relatos de crianças cansadas, perdendo aulas, mães cobrando dos filhos desempenho, 
esforço, jornadas de trabalho dignas de um adulto. Sem acompanhamento psicológico, fiscali-
zação do Ministério Público ou autorização judicial, crianças ficam 12 horas a disposição da 
produtora/emissora, às vezes com alimentação, outras não, às vezes de madrugada, às vezes com 
gente bem humorada outras não. (CAVALCANTE, 2011, p. 49).
Nesse contexto, a experiência vivida pela psicóloga Renata Lacombe (2004) que resultou em sua 
dissertação de mestrado para o Programa de Pós-Graduação em psicologia da PUC – A infância dos 
bastidores e os bastidores da infância: uma experiência com crianças que trabalham na televisão – traz 
grandes reflexões sobre o tema, o que o torna um material riquíssimo para o presente trabalho.
A psicóloga foi contratada pela empresa Rede Globo de Televisão que enfrentava certos proble-
mas quanto a atuação de seus artistas mirins, que se encontravam com um elevado índice de estresse 
e não conseguiam realizar o trabalho desejado pelo diretor geral do programa. A equipe mirim era 
composta de 20 crianças entre 4 e 14 anos. Dessas, 2 de classe média alta e 18 de classe média baixa 
ou classe C. O trabalho durou 3 anos, e ao final a psicóloga constatou:
Meu diagnóstico, chegando ao programa foi detectar a existência de uma contradição: esperava-
se um comportamento espontâneo das crianças durante as gravações, mas elas eram obrigadas a 
usar “um ponto” (aparelho usado no ouvido, através do qual o diretor se comunica com os artistas 
em cena) [...] A situação criava na verdade, uma “espontaneidade fabricada”, e não um ambiente 
com as condições que favorecem uma espontaneidade de fato. (LACOMBE, 2004, p. 15).
De tal diagnóstico é possível afirmar que nesse contexto não há liberdade de expressão artística, di-
reito fundamental consagrado tanto no âmbito nacional como internacional. As crianças são limitadas aos 
comandos do diretor, pois o que está em jogo é o fim econômico daquela produção, e, portanto, nada pode 
dar errado.
Outra constatação da psicóloga foi justamente o fato de que as crianças não se preocupam em 
desenvolver uma atividade artística, mas de ser um “artista famoso”. Vejamos:
Elas não tem, portanto, o hábito de frequentar teatro infantil ou de ler, por exemplo. Em seus 
contextos familiares esses também não são, em geral hábitos difundidos. O desejo de entrar para 
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
69Direitos Humanos
a TV estaria muito mais relacionado à possibilidade de se tornar “artista famoso” do que exercer 
qualquer tipo de atividade artista. (LACOMBE, 2004, p.16).
Outro fator constatado pela psicóloga foi o nível de estresse daquelas crianças, resultante de jor-
nadas de trabalho exageradas, onde muitas saiam da escola diretamente para os estúdios de gravação, 
sem falar nas viagens, e o tratamento das equipes de produção.
Outro diagnóstico apontava um quadro de “estresse infantil” [...] A partir desse diagnóstico, me-
didas foram tomadas no sentido de diminuir a carga horária de trabalho de crianças, ainda que 
isso significasse um atraso em já tão apertado cronograma de produção. [...] Ao longo dessa ex-
periência, encontrei, conheci e fiz vínculos com muitas crianças habitantes desse estranho mundo 
dos bastidores. Algumas, ainda bem novas, já são veteranas e circulam por esse mundo com uma 
desenvoltura surpreendente. São capazes de trabalhar muito duro, viajar todas as semanas de 
suas cidades para os estúdios e suportar, muitas vezes, a incompreensão e a insensibilidade dos 
adultos que os cercam. Mesmo assim, permanecem com uma obstinação “de adulto”. Em alguns 
casos, o desejo que sustenta esta obstinação estava claramente na mãe e no pai. Em outros casos, 
na própria criança. (LACOMBE, 2004, p. 15).
Diante desses diagnósticos, Lacombe (2004) conclui pela existência sim de labor infantil, e não 
apenas de manifestação artística:
além de manifestação artística,esta atividade também se caracteriza como trabalho. Enquanto 
tal, a experiência dos bastidores se apresenta como um lugar que depende de alguns requisitos 
para que se garanta o que está previsto no ECA: trabalho que se justifica por seu caráter de apren-
dizagem, no caso dos menores de 14 anos. Para além do respeito a horários especiais; garantia 
de tempo de brincar, de se expressar artisticamente e da aprendizagem de uma atividade que se 
adeque ao mercado de trabalho; é preciso haver a exigência formal aos adultos envolvidos com 
a criança, dessa premissa de aprendizagem e desenvolvimento que justifique a presença dela 
naquele contexto. (LACOMBE, 2004, p. 125).
Assim, o trabalho infantil artístico afronta os princípios consagrados pelas normas internacionais 
dos direitos humanos, como por exemplo, o artigo 9.º da Declaração dos Direitos da Criança, qual 
seja, o direito da criança de ser protegida contra a exploração no trabalho, citado por Piovesan e Luca 
(2010, p. 365) “em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer 
ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde, sua educação, ou impedir seu desenvolvimento 
físico, mental ou moral”.
Nesse norte, a proibição desse trabalho dar-se-á quando a atividade laboral afetar a saúde da 
criança, seu normal desenvolvimento físico, psicológico e moral, quando resultar em alguma forma 
de interferência negativa a atividade escolar da criança e que esse trabalho sirva de obstáculo para que 
crianças e adolescentes tenham adequado acesso às atividades relacionadas ao uso criativo e constru-
tivo do seu tempo livre, esporte, cultura e lazer (COSTA, 2006). 
[...]
(Disponível em: <www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=cf43a9e6874c5afb>. Acesso em: 7 abr. 2016.)
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
70 Direitos Humanos
Atividades
1. Analise o caso internacional abaixo:
1. Caso Villagrán Morales e outros vs. Guatemala
[...] também conhecido como “Meninos de Rua contra Guatemala”: “refere-se ao sequestro, a tortura e o as-
sassinato de jovens que viviam nas ruas, sendo que dois deles eram menores de idade. Neste caso, a discussão 
central é a omissão por parte dos mecanismos do Estado para enfrentar judicialmente essas violações e con-
denar os responsáveis. O processo demonstrou que quatro das vítimas foram enfiadas no porta-malas de um 
veículo. Diante deste fato, a Corte declarou que: ainda que não houvesse existido outros maus-tratos físicos ou 
de outra índole, essa ação por si só deve ser considerada claramente contrária ao respeito devido à dignidade 
inerente ao ser humano.
Em um detalhamento dos fatos, as vítimas foram sequestradas por policiais em 1999. Após sequestrados e tor-
turados, os cinco jovens foram mortos e tiveram seus corpos abandonados em um parque da cidade. Quando os 
corpos foram encontrados houve descaso das autoridades em identificá-los, assim como em notificar à família.
O caso foi levado à Comissão Interamericana e a mesma alegou que os crimes cometidos contra as cinco víti-
mas constituiu um exemplo das graves violações dos direitos humanos de que crianças de rua guatemaltecas 
foram vítimas durante o período coberto na petição relativas a este caso. Acrescentou que, embora seis anos 
se passaram desde o assassinato desses jovens, o Estado não “fez qualquer esforço sério para tomar ação em 
relação a tais crimes”.
O Estado da Guatemala alegou que o Tribunal não tem poderes jurisdicionais para conhecer o presente caso, 
pois implica a criação de uma “quarta instância” de jurisdição de revisão. Apresentou uma exceção preliminar 
que alega falta de jurisdição deste Tribunal para examinar o julgamento proferido pelo Supremo Tribunal 
de Justiça daquele país em 21 de julho de 1993, que confirmou a decisão do Tribunal Distrital do Estado 
da Guatemala, de 26 de dezembro de 1991, absolvendo o acusado do assassinato das vítimas indicadas pela 
Comissão, com uma decisão no mais alto nível judicial, que adquiriu a autoridade de um final julgamento.
A Comissão sustentou que estes argumentos não foram levantadas in limine litis e que, portanto, a objeção não 
deve ser autorizado a ser levantada nesta fase adiantada do processo. Além disso, a Comissão sublinhou que o 
Estado nunca contestou a competência da Comissão. A Comissão salientou a importância da Corte em avaliar, 
à luz da Convenção, os atos de sequestro , tortura e assassinato, as deficiências da resposta àqueles atua e a 
impunidade resultante.
A Comissão afirmou que estava claramente demonstrado que o Estado violou a Convenção Americana, em 
relação ao sequestro, tortura e assassinato de crianças de rua e que a justiça foi negada no processo interno. A 
Comissão afirmou que a investigação e o processo judicial interno realizado neste caso eram tão deficientes 
com a negativa às famílias das vítimas, do devido processo e da justiça . Assim, solicitou á Corte a rejeição da 
referida preliminar.
A Corte considerou que a petição apresentada pela Comissão Interamericana não pretendia rever a sentença 
do Supremo Tribunal de Guatemala, mas sim um pronunciamento que o Estado violou vários preceitos da 
Convenção Americana através da morte das pessoas mencionadas acima e que atribui a responsabilidade aos 
membros do polícia daquele Estado, e que o Estado é, portanto, responsável.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
71Direitos Humanos
O Tribunal considerou que esta exceção preliminar deve ser descartada como inadmissível, julgando por unani-
midade a inadmissibilidade da exceção preliminar trazida pelo Estado da Guatemala. Observa-se que durante o 
julgamento os responsáveis pelos fatos ainda se encontravam impunes. A Corte IDH observou que houve omis-
são da investigação dos delitos de sequestro e tortura e deixou de ordenar, praticar e valorar as provas necessá-
rias para o devido esclarecimento dos homicídios. O tribunal, ao decidir pelas reparações ordenou a realização 
de uma investigação efetiva para individualizar e sancionar as pessoas responsáveis pelas violações dos direitos 
humanos. O Estado da Guatemala informou que os acusados já tinham sido julgados, mas o Ministério Público 
comprometeu-se em continuar a investigação até determinar os responsáveis pelo fato.
Em sua última resolução de 2009, a Corte IDH decidiu manter em aberto o procedimento de supervisão de 
cumprimento de sentença até que o Estado encontre os responsáveis das torturas e sequestro das vítimas e 
identificasse todos os responsáveis pelos homicídios perpetrados, adequasse seu direito interno aos padrões 
internacionais e informasse também sobre as diligências que tem realizado para corrigir ou remediar as defi-
ciências apontadas. O Estado cumpriu com o pagamento de indenizações por dano material, emergente e moral 
aos familiares das vítimas, além do pagamento das custas e despesas em favor dos representantes dos familiares 
das vítimas.”
(STIVAL, Mariane Morato. Análise da jurisprudência internacional sobre casos de violação de direitos de crianças 
e mulheres no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Jus Navigandi. Disponível em: <https://jus.
com.br/artigos/40883/analise-da-jurisprudencia-internacional-sobre-casos-de-violacao-de-direitos-de-criancas-e-
mulheres-no-ambito-da-corte-interamericana-de-direitos-humanos#_ftn10>. Acesso em: 0 fev. 2016.)
A partir da análise do caso acima descrito estabeleça as suas semelhanças com o conhecido 
caso da Chacina da Candelária.
2. Você é diretor de uma Escola Municipal e tem acompanhado a história de João Pedro, garoto 
de 10 anos, que reside com sua mãe, padrasto e três irmãos provenientes desta união. A 
família parece ser harmoniosa, João Pedro é bom aluno, frequenta regularmente as aulas, 
é participativo e tem boas notas. Porém há um ano você notou que João Pedro passou a agir 
de forma estranha, não participa mais das atividades escolares e apresenta hematomas nos 
membros inferiores. Como diretor chamou a mãe de João Pedro, para uma conversa e elaalega que está tudo bem com o filho e sua família. Mediante o exposto e tendo o ECA como 
referencial o que você deveria fazer?
3. Um dos temas de maior embate no meio jurídico e leigo relacionada à proteção das crian-
ças e adolescentes é a questão da redução da maioridade penal. Todavia, constata-se que 
muitas vezes a opinião externada pela maioria da população leiga se dá em razão de fatos 
criminosos divulgados pela mídia, sem qualquer análise mais abrangente e científica do 
tema. Sem a pretensão de impor uma posição ou outra em relação ao assunto, propõe-se 
uma análise, no mínimo, dos textos e notícias indicados abaixo e disserte sobre o tema in-
dicando as razões expostas como favoráveis e as contrárias à redução da maioridade penal. 
Ao final exponha sua opinião fundamentada sobre o assunto.
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
72 Direitos Humanos
Material Autor Link para acesso
OAB é contra a redução da 
maioridade penal
Ordem dos Advogados do 
Brasil. Conselho Federal
<www.oab.org.br/noticia/28231/
oab-e-contra-a-reducao-da-maioridade-penal>.
Veja cinco motivos a favor 
e cinco contra a redução da 
maioridade penal
Leandro Prazeres
<http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noti-
cias/2015/03/31/veja-cinco-motivos-a-favor-e-cinco-
contra-a-reducao-da-maioridade-penal.htm>.
Reflexões sobre a redução 
da maioridade penal.
Rogério Greco <www.rogeriogreco.com.br/?p=2910>.
PEC da redução da maiori-
dade penal é inconstitucional
Dalmo Dallari -Entrevista 
a Anna Beatriz Anjos
<www.revistaforum.com.br/2015/04/02/dalmo-dalla-
ri-pec-da-reducao-da-maioridade-penal-e-inconstitu-
cional/>.
Redução da maioridade 
penal: Por que não?
Cláudio da Silva Leiria
<www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteu-
do.php?conteudo=276>.
Referências
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Jurídico, Rio Grande, XV, n. 99, abr 2012. Disponível em: <www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_
artigos_leitura&artigo_id=11414>. Acesso em: 18 fev. 2016.
AZAMBUJA, Maria Regina Fay de. A criança, o adolescente: aspectos históricos. Disponível em: <www.mprs.
mp.br/infancia/doutrina/id737.htm>. Acesso em: 2 fev. 2016.
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5/10/1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 18 fev. 2016.
______. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Publicado no Diário Oficial da União de 
31/12/1940. Disponível em: <www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Decreto-Lei/Del2848.htm>. Acesso em: 18 fev. 2016.
______. Lei nº 12.650, de 17 de maio de 2012. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código 
Penal [...] Publicada no Diário Oficial da União de 18/5/2012. Disponível em:<www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_
Ato2011-2014/2012/Lei/L12650.htm>. Acesso em: 18 fev. 2016.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
73Direitos Humanos
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Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1970-1979/L6697.htm >. Acesso em: 18 fev. 2016.
______. Lei nº 8.069, de 13 de Julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras 
providências. Publicada no Diário Oficial da União de 16/7/1990. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/
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importacao/2012/02/28-fev-2012-brasil-assina-protocolo-facultativo-da-convencao-dos-direitos-da-crianca>. Acesso 
em: 6 fev. 2016.
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Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
74 Direitos Humanos
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estado brasileiro ao longo do tempo para efetivá-los. História do Direito. In: ANDREUCCI, Álvaro Gonçalves Antunes; 
MAGALHÃES, Juliana Neuenschwander; SIQUEIRA. Gustavo Silveira. Florianópolis: CONPEDI, 2015. Disponível em: 
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Infantil – IPEC. Disponível em: <www.oit.org.br/sites/all/ipec/apresentacao.php>. Acesso em: 12 fev. 2016.
PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. 15. ed., rev. e atual. São Paulo: 
Saraiva, 2015.
Aula 2Dos direitos das crianças e dos adolescentes
75Direitos Humanos
PIOVESAN, Flávia; PIROTTA, Wilson Ricardo Buquetti. Os direitos humanos das crianças e dos adolescentes no 
direitos internacional e no direito interno. In: PIOVESAN, Flávia. Temas de Direitos Humanos. 8. ed.. São Paulo: 
Saraiva, 2015.
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 2. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2015.
RUMMERT, Sonia Maria. Projeto escola de fábrica – atendendo a “pobres e desvalidos da sorte” do século XXI. 
Perspectiva, Florianópolis, v. 23, n. 02, p. 303-322, jul./dez. 2005. Disponível em: <www.uff.br/ejatrabalhadores/
artigos/projeto-escola-fabrica.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2016.
TRINDADE, Jorge; BREIER, Ricardo. Pedofilia: aspectos psicológicos e penais. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2007.
Resolução
1. “Cerca de 50 meninos e meninas de rua, com idades entre 11 e 19 anos, dormem em frente à 
Igreja da Candelária, no centro do Rio, quando são atacados por seis policiais que abrem fogo 
contra o grupo. Oito morrem e muitos ficam feridos. O episódio teve grande impacto e forte re-
percussão internacional” (INSTITUTO LULA, Memorial da Democracia, 2016). Assim podemos 
descrever como ocorreu a Chacina da Candelária, na madrugada do dia 23 de julho de 1993.
De igual forma que no caso Villagrán Morales e outros vs. Guatemala, a chacina foi praticada 
por policiais, o que gera ainda mais insegurança e desafia o mecanismo estatal. Todavia, ao 
contrário do caso Villagrán Morales em que foi necessária a intervenção da Corte Internacional, 
pois o Estado da Guatemala não tenha tomado medidas judiciais para investigar os fatos e punir 
os autores do crime, no Brasil isso ocorreu, muito mais pela pressão da opinião pública e de or-
ganizações brasileiras e estrangeiras.
As investigações apontaram que “seis policiais militares planejaram friamente o massacre. Três 
deles foram condenados, dois absolvidos e um morreu durante as investigações. Os policiais 
Marcus Vinícius Borges Emmanuel e Marcos Aurélio Dias Alcântara foram condenados a mais 
de 200 anos de prisão; Nélson Oliveira dos Santos Cunha, a 45.” Todos cumpriram parte da pena 
em regime fechado e foram posteriormente beneficiados por indultos ou liberdade condicional.
2. Como diretor, por expressa previsão do ECA (art. 13) você deverá obrigatoriamente comunicar o 
caso de suspeita de maus-tratos ao Conselho Tutelar da localidade, sob pena de responder admi-
nistrativamente pela omissão, nos termos do art. 245 do ECA.
3. Analisando primeiramente os textos, apontamos as seguintes razões contrárias a redução da 
maioridade penal:
Aula 2 Dos direitos das crianças e dos adolescentes
76 Direitos Humanos
a. o dispositivo constitucional que prevê a maioridade aos 18 anos (art. 228 da CF) é uma cláusula 
pétrea (art. 60, §4.º da CF) e, como tal, não pode ser modificada por emenda constitucional;
b. os crimes cometidos por adolescentes estão ligados a uma questão social, a qual deve ser primei-
ramente solucionada pelo Estado, devendo este assumir o seu papel ativo no cumprimento das 
políticas públicas e na garantia dos direitos fundamentais assegurados pela CF/1988;
c. “o simples aumento do número de encarcerados, e a consequente ampliação da lotação dos pre-
sídios, em nada irá diminuir a violência” (OAB, 2016);
d. o sistema carcerário brasileiro não recupera sequer os adultos, quem dirá os adolescentes;
e. “segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, jovens entre 16 e 18 anos são responsá-
veis por menos de 0,9% dos crimes praticados no país. Se forem considerados os homicídios e 
tentativas de homicídio, esse número cai para 0,5%” (PRAZERES, 2015);
f. deve ser investido em educação e no combate ao trabalho infantil como solução para a 
criminalidade;
g. ao invés de reduzir a maioridade penal devemos dar efetividade ao ECA em relação as medidas 
socioeducativas e não tratar os jovens como meros delinquentes, sem lhes garantir a reeducação 
e reinserção social;
Da análise dos argumentos favoráveis podemos citar os seguintes:
a. a alteração da maioridade penal não acabariam com direitos e garantias individuais, apenas iria 
impor novas regras, o que não geraria a ofensa ao art. 60, §4.º da CF, que estabelece as cláusulas 
pétreas;
b. a impunidade dos jovens gera mais violência, por terem consciência de que não serão punidos 
continuam a cometer crimes;
c. a redução da maioridade iria proteger os jovens do aliciamento pelo crime organizado;
d. o Brasil precisa alinhar a sua legislação ao dos países desenvolvidos, como os “EUA, onde, na 
maioria dos Estados, adolescentes acima de 12 anos de idade podem ser submetidos a processos 
judiciais da mesma forma que adultos” (PRAZERES, 2015);
e. a maioria da população brasileira é favorável à redução da maioridade penal, pesquisa do insti-
tuto CNT/MDA indicou que 92,7% dos brasileiros são favoráveis a medida.
f. se o jovem tem consciência aos 16 anos para votar, tem consciência para responder por seus atos 
criminosos;
Aula 3
DAS PESSOA COM 
DOS DIREITOS DAS 
DEFICIÊNCIA E DOS
IDOSOS
77Direitos Humanos
Nesta aula passaremos a uma análise dos direitos humanos 
das pessoas com deficiência, examinando desde a legislação 
internacional até a legislação interna, bem como os programas de 
acessibilidade existentes. Na sequência, o estudo se restringirá aos 
direitos humanos das pessoas idosas, demonstrando a importância 
do Estatuto do Idoso, sua abrangência e aplicabilidade. Ao final se 
examinará a questão da violência contra os idosos e dos programas 
de combate à violência.
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
78 Direitos Humanos
Parte
1 Pessoas com deficiência: inclusão social, acessibilidade, planos e programas
Ao examinarmos a forma como a pessoa com deficiência foi tratada ao longo da história, 
constatamos que passamos por várias fases, desde a de eliminação, a do assistencialismo, a da 
integração e, finalmente, a da inclusão.
Na Antiguidade e na Idade Média predominava a ideia da eliminação, tendo como 
base a aversão social a tudo que não fosse considerado normal. O problema físico ou mental 
muitas vezes era ligado a um castigo divino ou era sinal de impureza, sendo perfeitamente 
normal a segregação e até mesmo a eliminação destas pessoas (TISESCU; SANTOS, 2014).
Tisescu e Santos (2014) citam como exemplo a Lei das XII Tábuas, instituída pelos Romanos, na qualhavia previsão de que o filho monstruoso fosse morto de forma imediata. A eliminação era defendida por 
filósofos como Platão e Aristóteles.
Tal prática o esteve presente nos primeiros anos da Idade Moderna, sendo comum estas pessoas serem 
jogadas ao mar. No século XIX surgem movimentos eugênicos, inclusive com práticas de esterilização nos 
EUA e em alguns países da Europa. E, não podemos ignorar que a eugenia1 foi defendida pelo nazismo du-
rante a Segunda Guerra Mundial. Na busca da raça pura ariana, várias pessoas foram exterminadas, seja por 
questões religiosas, físicas ou culturais (TISESCU; SANTOS, 2014).
Embora ainda vivenciemos situações de exclusão, claro que muito mais social, econômica e educacio-
nal, esta fase extrema se esmaeceu. Sob a influência da doutrina cristã surge a fase do assistencialismo, em 
que o deficiente era visto como uma pessoa inferior, carente de favores, reconhecendo-se a necessidade de 
auxílio para diminuir o sofrimento destas pessoas.
Flávia Piovesan2 ressalta que esta fase assistencialista era pautada por uma “perspectiva médica e bio-
lógica de que a deficiência era uma “doença a ser curada”, sendo o foco centrado no indivíduo “portador da 
enfermidade’” (2015, p. 302).
1 O termo Eugenia foi criado por Francis Galton (1822-1911), que o definiu como: “O estudo dos agentes sob o controle social que 
podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja fisica ou mentalmente.” (Fonte; Goldim, 1998)
2 Cumpre destacar que a autora, embora indique também a existência de quatro fases na historia de construção dos direitos das pessoas 
com deficiência, estabelece uma distinção entre as citadas durante a aula. Afirma a autora que a primeira fase é a da intolerância, em 
que a deficiência representava impureza, pecado ou castigo divino. Já a segunda fase estaria marcada pela invisibilidade das pessoas 
com deficiência, enquanto a terceira seria a fase assistencialista e a quarta estaria marcada pelo paradigma dos direitos humanos na 
busca da inclusão social destas pessoas (PIOVESAN, 2015, p. 302).
Vídeo
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
79Direitos Humanos
Esta fase acaba por manter a ótica da exclusão, mas mudando a sua forma de física para visual:
Os membros da sociedade, por ter piedade das pessoas com deficiência e, em razão da caridade apre-
goada pelo cristianismo como virtude a ser perseguida, prestam assistência a essas pessoas, desde que 
em locais reservados, longe dos olhos da sociedade em geral. (TISESCU; SANTOS, 2014, p. 373).
Com o avanço nas ciências biomédicas dissociou-se a deficiência da punição religiosa, proporcionando 
uma transformação na sociedade, pois esta passou a enfrentar o problema e buscar a integração destas pes-
soas (TISESCU; SANTOS, 2014). Passa-se a conceber o portador de deficiência como parte da sociedade, 
devendo, por isso, ser integrado a ela, o que gerou um avanço com o reconhecimento de direitos e garantias 
a estas pessoas.
Todavia, a ideia central era “normalizar” primeiro para depois integrar, ou seja, não era a sociedade 
que deveria se adaptar ao deficiente, mas sim estes que deveriam se adaptar para integrar o grupo social. 
A sociedade permanecia numa postura de tolerância em relação àquela circunstância, o que não permitia a 
concretização efetiva da noção de dignidade destas pessoas (TISESCU, SANTOS, 2014).
A entrada na quarta fase da história de evolução dos direitos humanos das pessoas com deficiência – 
fase da inclusão – foi resultado, em especial, dos efeitos das duas Grandes Guerras Mundiais, em virtude 
do grande número de mutilados advindos do combate e da necessidade de sua reabilitação (TISESCU, 
SANTOS, 2014). Esta nova realidade mudou a mentalidade social não somente em relação às pessoas 
mutiladas pela guerra, mas também em relação aos deficientes, “a diversidade social passa a ser objeto de 
aceitação social. Não se busca mais a ‘cura’ para as deficiências nem se imputa o ônus da adaptação apenas 
ao com deficiência” (op. cit. p. 377).
Aqui se inicia a elaboração de normas internacionais e nacionais voltadas à proteção dos deficientes. 
Flávia Piovesan (2015, p. 303) ressalta que “de ‘objeto’ de políticas assistencialistas e de tratamentos mé-
dicos, as pessoas com deficiência passam a ser concebidas como verdadeiros sujeitos, titulares de direitos”.
Na década de 1950 vários foram os documentos internacionais aprovados que visavam à proteção 
das pessoas com deficiência. Dentre eles, DAMASCENO (2014) cita a Recomendação 99 da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), de 1955, que trata da “Reabilitação das Pessoas Deficientes” e a Convenção 
nº 111, de 1958, acerca da “Discriminação em Matéria de Emprego e Profissão”.
Na década de 1970 a ONU inicia a aprovação da Declaração dos Direitos do Retardado Mental (1971), que
trouxe a importante afirmação de que as pessoas com deficiência intelectual devem gozar dos mesmos 
direitos que os demais seres humanos, advertindo ainda que a mera incapacidade para o exercício pleno 
dos direitos não pode servir de mote para supressão completa de seus direitos (DAMASCENO, 2014).
Em 1975 a ONU promulgou a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes e, posteriormente, em 
1976, foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU uma resolução que proclamou o ano de 1981 como o 
Ano Internacional da Pessoa Deficiente pela ONU. Luiz Rogério da Silva Damasceno (2014) afirma que a 
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
80 Direitos Humanos
ONU, visando à preparação para o referido ano, criou um Comitê Consultivo “formado por 23 países que 
tinha por finalidade preparar uma minuta de um plano de ação mundial sobre este tema para atuação das 
nações”.
Acrescenta o autor que este Comitê elaborou um Relatório que indicou entre os principais obstáculos 
enfrentados pelas pessoas com deficiência as barreiras físicas, os preconceitos e as atitudes discriminatórias.
Na sequência, o decênio 1983 a 1992 foi declarado pela ONU a Década das Nações Unidas para as 
Pessoas com Deficiência, com a finalidade de executar ações do Programa de Ação Mundial relativo a 
Pessoas com Deficiência, baseado no seguinte tripé: prevenção, reabilitação e equiparação de oportunidades 
(DAMASCENO, 2014).
Em 1999 a Organização dos Estados Americanos (OEA) editou a Convenção Interamericana para a 
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, a chamada 
Convenção da Guatemala que se caracterizou “por sua originalidade na definição de pessoa com deficiência 
com base no modelo social de direitos humanos e foi o primeiro documento regional que assumiu o caráter 
vinculante no tocante aos direitos das pessoas com deficiência” (DAMASCENO, 2014).
O autor ainda cita que em 2001 passa-se a mudar a concepção de deficiente, deixando de lado uma vi-
são meramente biomédica, para expressar “um fenômeno multidimensional resultante da interação entre as 
pessoas e seus ambientes físicos e sociais, ou seja, adota de forma explícita o modelo social de deficiência” 
(ibidem).
Podemos visualizar esta mudança conceitual ao examinar a definição de deficiente para a Declaração 
dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, de 1975, bem como a que surge com a Convenção sobre 
os Direitos das Pessoas com Deficiência, de 2006.
A Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, de 1975, assim conceitua deficiente:
1 - O termo “pessoas deficientes” refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total 
ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma de-
ficiência, congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais. (ONU, 19753).
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas de 
2006, também chamada de Convenção de Nova York sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, surge 
com o objetivo de mudar esta perspectiva meramente biomédica.
De acordo com o artigo1.º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência4 da Organização 
das Nações Unidas “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza 
3 Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dec_def.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2016.
4 Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm>. Acesso em: 20 fev. 2016.
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
81Direitos Humanos
física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua 
participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas” (ONU, 2006).
Ou seja, como bem observa Débora Diniz (2009), pessoa com deficiência vai muito além do problema 
médico, passa por barreiras sociais impostas em razão da desigualdade.
Lais de Figueirêdo Lopes esclarece que este conceito5 adotado pela convenção teve participação direta 
de uma proposta brasileira:
A partir dessa nova visão, e com base nos direitos humanos, foi que se elaborou no tratado a conceitua-
ção de pessoa com deficiência. A maior preocupação era garantir, por meio do acordo em torno de uma 
definição geral, a identificação dos sujeitos de direitos da Convenção. Para chegar ao consenso final, 
os países tiveram que ser flexíveis.
[...]
A proposta levada pelo Brasil era de definir pessoa com deficiência como aquela cujas limitações físi-
cas, mentais ou sensoriais, associadas a variáveis ambientais, sociais, econômicas e culturais, tem sua 
autonomia, inclusão e participação plena e efetiva na sociedade impedidas ou restringidas. A ideia era 
enfatizar a combinação entre os aspectos descritivos da deficiência, com os efeitos das características 
sociais, culturais e econômicas encontradas em cada indivíduo.
“O correto equacionamento dessas variáveis e combinações pode proporcionar, restringir ou impedir o 
exercício e o gozo de direitos. Daí a importância da opção por definir pessoa com deficiência ao invés 
de focar a definição na deficiência em suas características”, era o que dizia o relatório oficial emitido 
pela Câmara Técnica do Brasil, quando da elaboração de propostas para a última sessão, na ONU. 
(LOPES, 2014, p. 27)
Flávia Piovesan afirma que esta definição é inovadora porque reconhece explicitamente que o meio eco-
nômico e social pode ser causa ou fator de agravamento da deficiência. E destaca que “a própria Convenção 
reconhece ser a deficiência um conceito em construção, que resulta da interação de pessoas com restrições 
5 A partir desta concepção a autora afirma que se desenvolveu uma fórmula matemática para demonstrar a importância do impacto do ambiente 
em relação à funcionalidade do indivíduo, a qual pode ser assim representada: Deficiência = Limitação Funcional X Ambiente,
 Ou seja, atribuindo-se valor zero ao ambiente por ele não oferecer obstáculos ao exercício de direitos pela pessoa com deficiente, independente-
mente das limitações funcionais, o resultado sempre será zero. Cabe ressaltar que com isso não se quer “dizer que a deficiência desaparece, mas 
sim que deixa de ser uma questão problema, e a recoloca como uma questão resultante da diversidade humana” (LOPES, 2014, p. 28). O obje-
tivo é demonstrar que “a limitação do indivíduo é agravada ou atenuada de acordo com o meio onde está inserido, sendo nula quando o entorno 
for totalmente acessível e não apresentar nenhuma barreira ou obstáculo”(ibidem). E ressalta ainda que se o ambiente oferecer obstáculos, o 
valor atribuído ao ambiente multiplicado pelo valor da limitação funcional acarretará no aumento progressivo da deficiência, “sendo tanto mais 
potencializado quanto mais severa for a limitação funcional e quanto mais barreiras apresentar o ambiente onde ele estiver inserido” (ibidem).
Assim exemplifica a fórmula:
1 Deficiência = 1 Limitação X 1 Ambiente
25 Deficiência = 5 Limitação X 5 Ambiente
Portanto, se não há como interferir na limitação funcional, devemos atuar na remoção dos obstáculos do ambiente, na redução das desigualdades 
e barreiras sociais.
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
82 Direitos Humanos
e barreiras que impedem a plena e efetiva participação na sociedade em igualdade com os demais” (2015, 
p. 303).
A Convenção enuncia direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, dentre eles, cita-se o 
direito à igualdade e não discriminação (art. 5.º), há expressa referência aos direitos da mulher (art. 6.º) e 
da criança com deficiência (art. 7.º), direito à vida (art. 10), ao igual reconhecimento perante à lei (art. 12), 
de acesso à justiça (art. 13), à liberdade e segurança da pessoa (art. 14), a não ser submetido à tortura ou a 
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes (art. 15), à liberdade de movimentação e nacionalidade (art. 
18), à vida independente e inclusão na comunidade (art. 19), à liberdade de expressão e de opinião e acesso 
à informação (art. 21), ao respeito à privacidade (art. 22), ao respeito pelo lar e pela família (art. 23), à edu-
cação (art. 24), à saúde (art. 25), ao trabalho e emprego (art. 27), à participação na vida política e pública 
(art. 29) e na vida cultural e em recreação, lazer e esporte (art. 30).
Flávia Piovesan afirma que “o propósito maior da Convenção é promover, proteger e assegurar o pleno 
exercício dos direitos humanos das pessoas com deficiência” (2015, p. 304), o que exige “dos Estados-
Partes medidas legislativas, administrativas e de outra natureza para a implementação dos direitos nela 
previstos” (ibidem).
E ressalta a autora que a Convenção garante a oportunidade de participação ativa das pessoas com de-
ficiência nos “processos decisórios relacionados a políticas e programas que a afetem” (PIOVESAN, 2015, 
p. 304).
A Convenção institui o Comitê para os Direitos das Pessoas com Deficiência (art. 34) visando moni-
torar os direitos previstos na Convenção, por meio de relatórios a serem elaborados periodicamente pelos 
Estados-partes (art. 35). O Comitê deve ser integrado por 12 experts que devem atuar a título pessoal e não 
governamental, devendo ser observada a representação geográfica equitativa, a representação dos distintos 
sistemas jurídicos, e também o equilíbrio de gênero e a participação de peritos em deficiência (item 2 a 4 
do art. 34).
Até 18 de dezembro de 2012 a Convenção já tinha sido ratificada por 126 países e 155 países são signa-
tários6. O Brasil assinou a Convenção em 30 de março de 2007, sendo que o Congresso Nacional a ratificou 
pelo Decreto Legislativo nº 186/2008, tendo sido promulgado através do Decreto 6.949, de 25 de agosto de 
2009 (DAMASCENO, 2014).
Importante ressaltar que esta Convenção foi a primeira sobre direitos humanos a ser incorporada 
com status de Emenda Constitucional, por ter cumprido o disposto no §3.º do artigo 5.º da Constituição 
Federal/88 (DAMASCENO, 2014).
6 Informação disponível no site da ONU BRASIL (Disponível em: <https://nacoesunidas.org/126-paises-ratificaram-convencao-sobre-
os-direitos-das-pessoas-com-deficiencia/>. Acesso em: 20 fev. 2016).
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
83Direitos Humanos
No âmbito nacional, a nossa própria Constituição Federal trata expressamente da proteção das pessoas 
com deficiência, dentre outros artigos:
Art. 7.º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua 
condição social:
[...]
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador 
portador de deficiência;
[...]
Art. 37. [...]
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiên-
cia e definirá os critérios de sua admissão;
(BRASIL, CF/88)
Podemos apontar, ainda, dentre as medidas legislativas já tomadas pelo Brasil, as seguintes, além de 
outras indicadas no site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República:
• Lei 7.853/89 – Dispõe sobre o apoioàs pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, 
sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE, 
institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação 
do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências.
• Lei 8.899/94 – Concede passe livre às pessoas portadoras de deficiência no sistema de transporte 
coletivo interestadual.
• Lei 10.226/01 – Acrescenta parágrafos ao art. 135 da Lei 4.737, de 15 de julho de 1965, que 
institui o Código Eleitoral, determinando a expedição de instruções sobre a escolha dos locais de 
votação de mais fácil acesso para o eleitor deficiente físico.
• Lei 11.133/05 – Institui o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.
O Governo Federal lançou em 17 de novembro de 2011 (Decreto 7.612) “o Viver sem Limite – Plano 
Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, como resultado do firme compromisso político com a 
plena cidadania das pessoas com deficiência no Brasil.” (Secretaria de Diretos Humanos, sd.). Este é um 
programa do Governo Federal voltado à efetivação dos direitos das pessoas com deficiência, consistente 
num “conjunto de políticas públicas estruturadas em quatro eixos: Acesso à Educação; Inclusão social; 
Atenção à Saúde e Acessibilidade.” (ibidem).
Em 06 de janeiro de 2016 entrou em vigor o chamado Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei 
13.146/2015, que adotou o mesmo conceito de deficiência da Convenção da ONU:
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
84 Direitos Humanos
Art. 2.º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza 
física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obs-
truir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. 
(BRASIL, 2015).
O Estatuto estabelece conceitos elementares, como o de acessibilidade, o de barreiras, o de pessoa com 
mobilidade reduzida, entre outros (art. 3.º da Lei 13.146/2015). Institui dentre os direitos fundamentais, o 
direito à vida (arts. 10 a 13), à habilitação e à reabilitação (arts. 14 a 17), à saúde (arts. 18 a 26), à educação 
(arts. 27 a 30), à moradia (arts. 31 a 33), ao trabalho (arts. 34 a 38), à assistência social (arts. 39 e 40), à 
previdência social (arts. 41), à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer (arts. 42 a 45), ao transporte e à 
mobilidade (arts. 46 a 52), à informação e à comunicação (arts. 63 a 73), à participação na vida pública e 
política (arts. 76). O Estatuto também prevê um rol de crimes relacionados à ofensa aos direitos das pessoas 
com deficiência (arts. 88 a 91).
Em 2010, conforme Censo do IBGE (publicado no Portal da Saúde, 2015), 23,9% da população brasi-
leira era portadora de deficiência, o que demonstra a importância da adoção de políticas públicas voltadas 
na proteção e promoção destas pessoas, sem esquecer de um ponto de extrema importância que é a proteção 
das pessoas com deficiência em relação a atos de violência.
Parte
2 Pessoas idosas: o estatuto do idoso, 
qualidade de vida e proteção
A preocupação com a pessoa idosa, como objetivo legislativo, é algo muito recente, 
pois até então se entendia que a moral e os bons costumes dariam conta desta proteção.
Não é incomum ouvirmos os mais velhos afirmarem que antigamente havia mais res-
peito ao idoso, que, por exemplo, eram os mais velhos os primeiros a se sentarem a mesa 
para comer, enquanto hoje nos preocupamos em primeiro alimentar as crianças. Claro que 
este é um exemplo banal, quem dirá sem significação, mas não. A sociedade mudou a sua 
visão da velhice: se antes os mais idosos eram tratados com respeito por uma questão moral, por se entender 
que a sua experiência e os anos de vida eram importantes para a nova geração7, aos poucos a velhice passou 
a ser, um fardo, pois os mais jovens não precisaria mais de sua experiência, tendo em vista toda a evolução 
tecnológica que permita o acesso a uma amplitude de conhecimentos e informações.
7 Roberta Terezinha Uvo Bodnar e Jose Isaac Pilati ao estabelecer uma breve análise histórica citam que na Sociedade Romana o respei-
to aos mais velhos fazia parte dos rigores da educação. Argumentam que nas sociedades primitivas as decisões em relações a conflitos 
sociais eram colocadas nas mãos dos chefes ou anciãos daquelas comunidades. (2015, p. 111-113).
Vídeo
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
85Direitos Humanos
Portanto, constatou-se que a moral e os bons costumes se tornaram insuficientes para garantir o respeito 
e a proteção dos mais idosos, passou a ser necessária a intervenção do ordenamento jurídico.
Tal preocupação não poderia ser diferente diante da constatação de que o envelhecimento da população 
mundial é um fato. Estatisticamente, em 2012 existiam
aproximadamente 810 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos em todo o mundo e 
a tendência é ultrapassar a cifra de 2 bilhões em 2050, quando as pessoas mais velhas irão ultrapassar 
o número dos mais jovens (menores de 14 anos), pela primeira vez na história (MAIO, 2013, p. 33).
No âmbito internacional, embora as normas relacionadas aos direitos humanos em geral sejam perfei-
tamente aplicáveis, como a própria Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, Iadya Maio (2013) 
afirma ter sido somente em 1998, por meio do Protocolo de San Salvador (Protocolo Adicional à Convenção 
Americana referente aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais) (Pacto de San José da Costa Rica, de 
1969) o surgimento de uma preocupação internacional na adoção de normas especiais sobre o tema.
Este Protocolo dedicou o artigo 17 à Proteção de pessoas idosas:
Toda pessoa tem direito à proteção especial na velhice. Nesse sentido os Estados Partes comprome-
tem-se a adotar de maneira progressiva as medidas necessárias a fim de pôr em prática este direito e, 
especialmente, a:
a) Proporcionar instalações adequadas, bem como alimentação e assistência médica especializada, as pes-
soas de idade avançada que careçam dela e não estejam em condições de provê-las por meios próprios;
b) Executar programas trabalhistas específicos destinados a dar a pessoas idosas a possibilidade de 
realizar atividade produtiva adequada às suas capacidades, respeitando sua vocação ou desejos;
c) Promover a formação de organizações sociais destinadas a melhorar a qualidade da vida das pessoas 
idosas. (PROTOCOLO DE SAN SALVADOR, 1998)
Este Protocolo é o único instrumento internacional vinculativo, de conteúdo obrigatório, que trata do 
tema dos direitos dos idosos (MAIO, 2013).
Numa análise da atuação da ONU em relação ao tema percebe-se que não há uma Convenção 
Internacional dos Direitos das Pessoas Idosas, porém mesmo assim há uma atuação efetiva na consolidação 
de direitos e garantias dos seus direitos.
Em 1982, a Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento aprovou o Plano de Ação Internacional de 
Viena sobre o Envelhecimento, contendo 62 recomendações, muitas das quais têm uma relevância direta 
para o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais8, sendo a base da política para a 
pessoa idosa, no plano internacional (ONU, 2002).
8 “O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais não faz uma referência explícita aos direitos das pessoas 
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
86 Direitos Humanos
Este Plano de Ação Internacional de Viena sobre o Envelhecimento, de 1982, estabelece como objeti-
vos concretos9:
a) Fomentar a compreensão nacional e internacional das consequências econômicas, sociais e culturais 
que o envelhecimento da população tem no processo de desenvolvimento;
b) Promover a compreensão nacional e internacional das questões humanitárias e de desenvolvimento 
relacionadas com o envelhecimento;
c) Propor e estimular políticas e programas orientados à ação e destinados a garantir a segurança social 
e econômicaàs pessoas de idade, assim como lhes dar oportunidades de contribuir para o desenvolvi-
mento e compartilhar de seus benefícios;
d) Apresentar alternativas e opções de política que sejam compatíveis com os valores e metas nacionais 
e com os princípios reconhecidos internacionalmente em relação ao envelhecimento da população e às 
necessidades das próprias pessoas de idade;
e) Estimular o desenvolvimento de ensino, capacitação e pesquisa que respondam adequadamente ao 
envelhecimento da população mundial e fomentar o intercâmbio internacional de aptidões e conheci-
mento nesta esfera. (ONU, 1982)
Em 1991 a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 46/91, “instituiu carta con-
tendo alguns princípios aplicáveis à proteção e promoção dos direitos das pessoas idosas: independência, 
participação, cuidados especiais e dignidade” (MAIO, 2013, p. 35). Por meio deste mesmo instrumento foi 
instituído o dia 1.° de outubro como o Dia Internacional do Idoso e o ano de 1999, como o Ano Internacional 
das Pessoas Idosas.
Assim a publicação da ONU descreve os princípios acima indicados:
• “Independência” inclui o acesso à alimentação, à água, à habitação, ao vestuário e aos cuidados de 
saúde adequados. Direitos básicos a que se acrescentam a oportunidade de um trabalho remunerado e 
o acesso à educação e à formação.
• Por “Participação” entende-se que as pessoas idosas deveriam participar activamente na formulação e 
aplicação das políticas que afectem directamente o seu bem-estar e poder partilhar os seus conhecimen-
tos e capacidades com as gerações mais novas bem como poder formar movimentos ou associações.
• A secção intitulada “Cuidados” afirma que as pessoas idosas deveriam poder beneficiar dos cuidados 
da família, ter acesso aos serviços de saúde e gozar os seus direitos humanos e liberdades fundamentais, 
quando residam em lares ou instituições onde lhes prestem cuidados ou tratamento.
idosas, embora o artigo 9º, que trata do “direito de todos à segurança social, incluindo o seguro social”, reconheça implicita-
mente o direito aos subsídios de velhice. [...] Outra questão importante é esclarecer se o Pacto proíbe a discriminação com base 
na idade. Nem o referido Pacto, nem sequer a Declaração Universal dos Direitos Humanos, fazem referência explícita à idade, 
nesse sentido.” (ONU, 2002, p. 4).
9 Texto integral em português disponível em: <www.ufrgs.br/e-psico/publicas/humanizacao/prologo.html>. Acesso em: 27 fev. 2016.
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
87Direitos Humanos
• No que se refere à “Auto-realização”, os “Princípios” afirmam que as pessoas de idade deveriam 
poder aproveitar as oportunidades de desenvolver plenamente o seu potencial, mediante o acesso aos 
recursos educativos, culturais, espirituais e recreativos da sociedade.
• Por fim, a secção intitulada “Dignidade” afirma que as pessoas de idade deveriam poder viver com 
dignidade e segurança, e libertas da exploração e maus tratos físicos ou mentais, ser tratadas dig-
namente, independentemente da idade, sexo, raça ou origem étnica, deficiência, situação econômi-
ca ou qualquer outra condição, e ser valorizadas independentemente do seu contributo econômico. 
(ONU, 2002, p. 2-3)
Segundo informações da ONU Brasil, no ano de, 1992 a Conferência Internacional sobre o Envelhecimento 
reuniu-se para dar seguimento ao Plano de Ação, adotando a Proclamação do Envelhecimento. No ano de 
2002, a Segunda Assembleia Mundial das Nações Unidas sobre o Envelhecimento foi realizada em Madrid 
e com objetivo de desenvolver uma política internacional para o envelhecimento para o século XXI, a 
Assembleia adotou uma Declaração Política e o Plano de Ação Internacional sobre o Envelhecimento de 
Madrid, chamado de Segundo Plano de Ação Internacional sobre o Envelhecimento (PIAE)10.
Este plano foi adotado por todos os países membros das Nações Unidas presentes na Assembleia 
Mundial de Madrid, representando “compromisso internacional em resposta a um dos maiores desafios 
sociais do século XXI: o rápido envelhecimento populacional ora em curso em quase todos os países” 
(DHNET, [s.d.]). Três são as áreas prioritárias de atuação deste segundo plano de ação:
1) como colocar envelhecimento populacional na agenda do desenvolvimento; 2) importância singular e 
global da saúde e 3) como desenvolver políticas de meio ambiente (tanto do ponto de vista físico quanto 
social) que atendam às necessidades de indivíduos e às sociedades que envelhecem. Em cada uma dessas 
áreas de ação, o PIAE prioriza as questões de gênero e de desigualdade social. (DHNET, [s.d.])
Dentre as metas, objetivos e compromissos do plano de ação são relacionados os seguintes:
a) Plena realização de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais de todos os idosos;
b) Envelhecimento em condições de segurança, o que implica reafirmar o objetivo da eliminação da 
pobreza na velhice com base os Princípios das Nações Unidas em favor dos idosos;
c) Capacitação de idosos para que participem plena e eficazmente na vida econômica, política e social 
de suas sociedades, inclusive com trabalho remunerado ou voluntário;
d) As oportunidades de desenvolvimento, realização pessoal e bem-estar do indivíduo em todo curso 
de sua vida, inclusive numa idade avançada, por exemplo, mediante a possibilidade de acesso à apren-
dizagem durante toda a vida e a participação na comunidade, ao tempo que se reconhece que os idosos 
não constituem um grupo homogêneo;
10 Texto integral em português disponível em: <www.observatorionacionaldoidoso.fiocruz.br/biblioteca/_manual/5.pdf>. Acesso em: 27 
fev. 2016.
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
88 Direitos Humanos
e) Garantia dos direitos econômicos, sociais e culturais dos idosos assim como de seus direitos civis e 
políticos, e a eliminação de todas as formas de violência e discriminação contra idosos;
f) Compromisso de reafirmar a igualdade dos sexos para as pessoas idosas, entre outras coisas mediante 
a eliminação da discriminação por motivos de sexo;
g) Reconhecimento da importância decisiva que têm as famílias para o desenvolvimento social e a 
interdependência, a solidariedade e a reciprocidade entre as gerações;
h) Assistência à saúde, apoio e proteção social dos idosos, inclusive os cuidados com a saúde preventiva 
e de reabilitação;
i) Promoção de associação entre governo, em todos os seus níveis, sociedade civil, setor privado e os 
próprios idosos no processo de transformar o Plano de Ação em medidas práticas;
j) Utilização das pesquisas e dos conhecimentos científicos e aproveitamento do potencial da tecnologia 
para considerar, entre outras coisas, as consequências individuais, sociais e sanitárias do envelhecimen-
to, particularmente nos países em desenvolvimento;
k) Reconhecimento da situação dos idosos pertencentes a populações indígenas, suas circunstâncias 
singulares e a necessidade de encontrar meios de terem voz ativa nas decisões que diretamente lhes 
dizem respeito.
(ONU, 2002 - BRASIL, 2003, p. 30)
No âmbito nacional o Brasil prevê expressamente na Constituição Federal a proteção dos direitos do idoso:
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua 
participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.
§1.º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.
§2.º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. 
(BRASIL, CF/88).
Em vários outros dispositivos constitucionais se constata a preocupação do texto constitucional com 
os direitos dos idosos, por exemplo, o artigo 3.º, inciso IV, que determina a não discriminação em razão da 
idade e o artigo 5.°, inciso XLVIII, que determina que a pena seja cumprida em estabelecimentos distintos, 
sendo a idade um dos critérios de distinção. Verifica-se também a proteção no âmbito das relações de traba-
lho dianteda previsão do artigo 7.º, inciso XXX, que proíbe a diferença de salários, exercícios de funções 
e de critério de admissão por motivo de idade. Cita-se, ainda, os dispositivos relacionados ao exercício do 
direito ao voto (art. 14, §1.º, inciso II, alínea “b”) e os que se referem à previdência e assistência social (art. 
201, inciso I e 203, inciso V).
Em 1994 foi sancionada a Lei Federal 8.842 que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso e cria o 
Conselho Nacional do Idoso, estabelecendo que se considera idoso a pessoa maior de 60 anos de idade. Esta 
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
89Direitos Humanos
lei foi regulamentada pelo Decreto 1.948/96, dispondo sobre a Política Nacional dos Direitos da Pessoa 
Idosa (PNDPI).
Iadya Gama Maio (2013, p. 38) afirma que esta legislação tinha como objetivo assegurar os direitos 
sociais essa classe de pessoas, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação 
efetiva na sociedade, mas que ainda não a protegia de forma integral.
Podemos indicar ainda, conforme relaciona Modena (2009), dentre as legislações que tratam da matéria:
• Lei n° 8.742, de 07 de dezembro de 1993, a LOAS, que dispõe sobre a Organização da Assistência 
Social e que configura a garantia de percebimento de um salário mínimo ao idoso com 70 anos ou 
mais, desde que o mesmo comprove que não possui meios de prover a própria subsistência e não 
encontra na família esse amparo.
• Lei n° 10.048, de 08 de novembro de 2000, que dispõe sobre a prioridade no atendimento do ido-
so, maior de 60 anos, em todos os bancos, órgãos públicos e concessionários de serviço público.
• Lei n° 10.173, de 08 de janeiro de 2001, que promoveu significativa mudança no Código de 
Processo Civil permitindo a prioridade na tramitação de processos judiciais de idosos, maiores de 
65 anos, em qualquer instância ou tribunal.
Finalmente, o marco legislativo no âmbito nacional foi o Estatuto do Idoso, por meio da sanção da Lei 
10.741, de 2 de outubro de 2003. “O Estatuto do Idoso, não só foi um marco jurídico e político importante, 
como também mostrou ser uma lei amplamente inovadora, ousada e avançada, além de protetiva deste grupo 
vulnerável” (MAIO, 2013, p. 38), que assegurando, com absoluta prioridade, vários direitos humanos a eles.
Dentre os direitos assegurados, cumpre citar o direito à vida (arts. 8.º e 9.º), à liberdade, ao respeito e 
à dignidade (art. 10), a alimentos (arts. 11 a 14), à saúde (arts. 15 a 19), à educação, cultura, esporte e lazer 
(arts. 20 a 25), à profissionalização e ao trabalho (arts. 26 a 28), à previdência social (arts. 29 a 32), à assis-
tência social (arts. 33 a 36), à habitação (arts. 37 a 38), ao transporte (arts. 39 a 42).
Destaca-se o artigo 8.º o qual estabelece que o envelhecimento é um direito personalíssimo e sua 
proteção é um direito social. Personalíssimo porque é inerente à condição de ser humano, todas as pessoas 
tem este direito em razão somente de sua natureza. Esse termo também nos remete à condição de direito 
irrenunciável, indisponível, absoluto, entre outras características.
Sobressai, também, o direito à saúde, por exemplo, onde é possível verificar as seguintes previsões:
No que tange à saúde, o artigo 15 e seguintes do Estatuto do Idoso estabelecem o acesso universal do 
idoso à saúde plena, garantida pelo Sistema Único de Saúde mediante prevenção, promoção, proteção 
e recuperação da saúde. Prevê que planos de saúde não poderão tarifar valores diferenciados em razão 
da idade. Na rede hospitalar, os idosos internados poderão exigir a permanência de acompanhantes em 
tempo integral, podendo o idoso optar pelo tratamento mais favorável a sua saúde. Deverá o Estado 
fornecer a todos medicação gratuita, especialmente as de uso continuado, assim como próteses, órteses 
e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação. Dá-se prioridade ao atendimento 
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
90 Direitos Humanos
para os idosos portadores de deficiência ou limitação incapacitante, prevendo critérios mínimos de 
atendimento às necessidades do idoso, bem como a obrigatoriedade de treinamento e capacitação dos 
profissionais da saúde para tratarem com este segmento da população. (SANTIN, 2009, p. 521)
A par de estabelecer um extenso rol de direitos à população idosa, o Estatuto do Idoso também instituiu 
medidas de proteção destes direitos quando estes forem violados ou ameaçados por ação ou omissão da so-
ciedade, do Estado, da família, do curador ou entidade de atendimento, ou, até mesmo, em razão da condição 
pessoal do idoso (artigo 43 do Estatuto).
Dentre as medidas específicas que podem ser aplicadas, isolada ou cumulativamente, a legislação prevê 
em seu art. 45:
I - encaminhamento à família ou curador, mediante termo de responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III - requisição para tratamento de sua saúde, em regime ambulatorial, hospitalar ou domiciliar;
IV - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a usuários de-
pendentes de drogas lícitas ou ilícitas, ao próprio idoso ou à pessoa de sua convivência que lhe cause 
perturbação;
V - abrigo em entidade;
VI - abrigo temporário.
(BRASIL, 2003).
O Estatuto também se ocupa da política de atendimento por meio da regulação e do controle das 
entidades de atendimento ao idoso (arts. 46 a 68), do direito de acesso à justiça (arts. 69 a 71), de estabe-
lecer expressamente a competência do Ministério Público no âmbito da proteção dos direitos dos idosos 
(arts. 73 a 77), bem como dos crimes vinculados à violação dos direitos dos idosos (arts. 93 a 108).
Parte
3 Cuidados especiais e combate à violência
Estatisticamente já se sabe que o número de pessoas idosas cresce de forma exponencial:
De acordo com projeções das Nações Unidas (Fundo de Populações) “uma em cada 9 pessoas no 
mundo tem 60 anos ou mais, e estima-se um crescimento para 1 em cada 5 por volta de 2050”. [...] Em 
2050 pela primeira vez haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos. Em 2012, 810 milhões 
de pessoas têm 60 anos ou mais, constituindo 11,5% da população global. Projeta-se que esse número 
Vídeo
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
91Direitos Humanos
alcance 1 bilhão em menos de dez anos e mais que duplique em 2050, alcançando 2 bilhões de pessoas 
ou 22% da população global”. (BRASIL, SDH, [s.d.] p. 1).
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (apud FRASÃO, 2015), 
houve aumento da expectativa de vida da população, que passou de 71,2 anos para 74,9 anos, entre 2003 e 
2013. Indicadores da Agência da Saúde definem que
esse crescimento se deve às medidas de combate à desnutrição, redução da mortalidade materna e 
infantil, ampliação do acesso a vacinas e medicamentos gratuitos, melhoria do atendimento às mães e 
bebês, enfrentamento das doenças crônico-degenerativas e das chamadas mortes violentas, entre outras 
medidas promovidas pelo governo federal em parceria com estados e municípios. Segundo a Pesquisa 
Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD 2013), do IBGE, o Brasil possui hoje aproximadamente 
26,1 milhões de pessoas idosas, número que corresponde a 13% da população total. (FRASÃO, 2015).
O estudo sobre o Envelhecimento no Brasil realizado pela Secretaria Nacional de Promoção Defesa dos 
Direitos Humanos indica que há uma feminilização da velhice:
Tabela 1 – Feminilização da velhice.
2000 2010 2020
Masculina Feminina Masculina Feminina Masculina Feminina
Porporção de população 
idosa (60 ou mais) 7,8% 9,3% 8,4% 10,5% 11,1% 14,0%
Proporção de população
Grupos de idades
60-64 46,8% 53,2% 46,4% 53,6% 45,6% 54,4%
65-69 45,8% 54,2% 45,2% 54,8% 44,5% 55,5%
70-74 44,8% 55,2% 43,2% 56,8% 42,8 57,2%
75-79 43,9% 56,1% 40,2% 59,8% 39,9% 60,1%
80 ou mais 39,9% 60,1% 34,7% 65,3% 33,8% 66,2%
População Idosa 6.533.784 8.002.245 7.952.773 10.271.470 11.328.144 15.005.250
(SDH [s.d.] p.1).
Este mesmo estudo indica que em 20 anos o número de idosos dobrou segundo dados do IBGE, en-
quanto a quantidade de crianças até quatro anos caiu nos últimos 10 anos:
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
92 Direitos Humanos
Crianças de até 4 anos Idosos com 60 anos ou mais
milhões de pessoas
1999 2011
16
12
8
4
0
milhões de pessoas
1990 1999 2011
Pnad/IBGE
Fonte: Pnad/IBGE Observação: Dados de 1990
 não disponíveis
24
20
16
12
8
4
0
(Apud SDH [s.d.] p. 2)
Estes dados só comprovam a necessidade de efetivação dos direitos já estabelecidos através de políticas 
públicas a serem engendradas pelo Estado a fim de garantir cuidados especiais com esta parcela da população.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República [s.d.] aponta as seguintes políticas pú-
blicas e planos setoriais propostas de forma conjunta com a sociedade neste tema:
• Política Nacional de Prevenção a Morbi-mortalidade por Acidentes e Violência (2001);
• Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa (2004);
• Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (2006);
• II Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa (2007).
O Governo Federal implantou em 2011 o módulo Idoso, do Disque Direitos Humanos (DDH – 100), 
sendo que os dados demonstram um crescimento vertiginoso no uso deste instrumento entre os anos de 2011 
e 2012 no que tange ao tema relacionado aos direitos dos idosos:
Módulo Temático Janeiro a novembro de 2011
Janeiro a novembro 
de 2012 % de aumento
Idoso 7.160 21.404 199%
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
93Direitos Humanos
LGBT 2.537 7.527 197%
Pessoa com deficiência 997 2.830 184%
Outros 1218 2.742 125%
Criança e Adolescente 75.464 120.344 59%
População em Situação de Rua 388 489 26%
Total 87.764 153.336 77%
Fonte: SDH (s.d., p. 4)
Dentre os tipos de violações registradas pelo DDH – 100 em relação aos idosos, a negligência, a vio-
lência psicológica, o abuso econômico e financeiro e a violência física são as situações mais corriqueiras:
NEGLIGÊNCIA
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
ABUSO FINANCEIRO E ECONÔMICO / VIOLÊNCIA PATRIMONIAL
VIOLÊNCIA FÍSICA
VIOLÊNCIA SEXUAL
VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL
DISCRIMINAÇÃO
OUTRAS VIOLAÇÕES
68,7%
59,3%
40,1%
34,0%
1,1%
0,9%
0,8%
0,4%
0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 0,0% 60,0% 70,0% 80,0%
(SDH [s.d.] p. 4)
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República elaborou, em 2014, o Manual de 
Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa11. Este Manual apresenta dados estatísticos alarmantes 
Aponta, por exemplo, que em 2011 morreram 24.669 pessoas idosas por acidentes e violências no país, 
significando por dia 68 óbitos:
11 Acesso ao documento na íntegra:<www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/publicacoes/violencia-contra-a-pessoa-idosa>. Acesso em: 
8 Abr. 2016.. 
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
94 Direitos Humanos
Entre as pessoas acima de 60 anos, as seis primeiras causas gerais de morte hoje no Brasil são: em pri-
meiro lugar, as doenças do aparelho circulatório (35,6%); em segundo lugar, as neoplasias ou tumores 
cancerosos (16,7%); em terceiro, as enfermidades respiratórias (14,0%); em quarto, as doenças endó-
crinas, metabólicas e nutricionais, particularmente as diabetes (7,9%); em quinto, as enfermidades do 
aparelho digestivo (4,7%) e em sexto, as causas externas (3,4%). (SDH/PR, 2014, p. 45)
Por causas externas o Manual enquadra as “agressões físicas, psicológicas, acidentes e maus-tratos 
que provocam adoecimento ou levam à morte de uma pessoa” (SDH/PR, 2014, p. 39). O Manual também 
apresenta as proporções de óbitos por causas externas:
Gráfico 1
Proporções de óbitos por causas externas relativas aos ao óbito geral, 2011, Brasil.
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
%
2,7 2,8 2,6 2,6 2,6 2,7 2,7 2,7 2,8 3,0 2,9 3,0
3,2 3,2 3,4 3,4
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
ANO
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
(SDH/PR, 2014, p. 45)
O gráfico apresentado a seguir indica predominância de mortes violentas entre os homens:
Gráfico 3
Taxa de mortalidade por causas externas em idosos segundo sexo, Brasil – 1995 a 2001.
180,0
160,0
140,0
120,0
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
Ta
xa
 p
or
 1
00
.0
00
 h
ab
. 153 154 151 154
136
147 147 152 160 164 162 148 155 154 162 166
105 105 104 105
92
98 101
105 110 113 114
104
110 110 115 119
64 64 64 63 57 59 63
66 70 71 74 69 73 75 77 81
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
ANO
TOTAL
MASCULINO
FEMININO
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
(SDH/PR, 2014, p. 47)
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
95Direitos Humanos
O Manual aponta também uma mudança das principais causas de mortes violentas (SDH/PR, 2016):
Gráfico 4
Taxa de mortalidade por causas externas específicas em idosos, Brasil – 1996 a 2011.
40,0
35,0
30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
Ta
xa
 p
or
 1
00
.0
00
 h
ab
.
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
ANO
1 - Acidentes de transporte
2 - Agressões
3 - Quedas
4 - Demais causas
5 - Lesões autoprovocadas voluntariamente
6 - Eventos cuja intenção é indeterminada
7 - Afogamento e submersão acidentais
6
5
7
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
3
1
4
2
O Manual ainda cita:
Em 2012, foram realizadas 169.673 internações de pessoas idosas por violências e acidentes, sendo que 
50,9% se deveram a quedas; 19,2% a acidentes de trânsito; 6,5% a agressões e 0,3% a lesões autopro-
vocadas, além de outros agravos. (SDH/PR, 2014, p. 57).
Destes dados, foram apontados aqueles que utilizaram serviços públicos, sendo que 51 902 eram mulheres 
e 34 517 eram homens. Indica o documento que dentre as internações femininas, das causas de internamento,
o fator mais importante foram as quedas, cujos percentuais foram maiores em todos os grupos de ida-
de, quando comparados aos homens: nos de 60 a 69 anos os percentuais quase se assemelham (50,6% 
contra 49,4%) e a partir daí se distanciam: de 70 a 79 anos (56,0% contra 44,0%) e de 80 anos ou mais 
(63,4% contra 36,6%). (SDH/PR, 2014, p. 57).
A partir destes dados o Plano de Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa pela Secretaria de 
Direitos Humanos da Presidência da República mapeou vários tipos de violência em face dos idosos:
As violências contra a pessoa idosa podem ser visíveis ou invisíveis: as visíveis são as mortes e lesões; 
as invisíveis são aquelas que ocorrem sem machucar o corpo, mas provocam sofrimento, desesperança, 
depressão e medo. A maioria dessas últimas é incontável. (BRASIL/SDH, 2014, p. 37)
Entre os tipos de violência a que estão expostos os idosos, considera-se o abuso econômico-financeiro 
e patrimonial, que vai desde as disputas familiares em relação aos bens dos idosos até dificuldades dos 
próprios familiares em arcar com as despesas geradas com a manutenção do idoso. São citadas situações 
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
96 Direitos Humanos
corriqueiras de familiares forçando os idosos a assinarem procurações para que lhes deem acesso aos bens 
patrimoniais, incluindo aqui o confinamento do idoso em um cômodo ínfimo enquanto o restante da família 
usufrui do imóvel de sua propriedade, ou ainda obrigando-o à alienação dos bens. Também é de conheci-
mento público e notório as situações em que os benefícios previdenciários são apropriados indevidamente 
pelos familiares. Por evidente que estas circunstâncias estão associados a outras violências, como a psicoló-
gica, podendo ainda gerar situações de maus-tratos e violência física, quando não causar a morte.
Podemos citar ainda abusos físicos, que se constituem a forma mais visível de violência, podendo 
se caracterizar por “meio de empurrões, beliscões, tapas, ou por outros meios mais letais como agressões 
com cintos, objetos caseiros, armas brancas e armas de fogo” (SDH/PR, 2014, 39-40). Ao lado dos abusos 
físicos, temos abusos psicológicos,que correspondem “a todas as formas de menosprezo, de desprezo e de 
preconceito e discriminação que trazem como consequência tristeza, isolamento, solidão, sofrimento mental 
e, frequentemente, depressão” (ibidem, p. 40).
O Manual ainda aponta atos de violência relacionados à violência sexual, aqui enquadrando tanto 
aqueles voltados ao abuso sexual, como aqueles que impedem os idosos de relações amorosas. A par destas 
temos o abandono e a negligência, o abandono pode ser gerado pelos familiares, pelos cuidadores e até 
órgãos públicos. Dentre os atos de negligência, o manual cita ainda os praticados na área da saúde, como o 
desleixo e a inoperância dos órgãos de vigilância sanitária em relação aos abrigos e clínicas.
Podemos indicar também a violência autoinfligida e a autonegligência, nestes casos não é o outro que 
abusa, mas a própria pessoa que se maltrata. O Manual cita, como exemplo de autonegligência, a atitude 
de se isolar, de não sair de casa e de se recusar a tomar banho, de não se alimentar direito e de não tomar os 
medicamentos, manifestando clara ou indiretamente a vontade de morrer.
Os idosos também estão sujeitos aos abusos econômicos praticados pelo Estado, por entidades parti-
culares e até por criminosos. No primeiro caso quando são frustrados os benefícios previdenciários a que 
tem direito, no segundo quando são obrigados a arcar com valores vultosos em planos de saúde ou, ainda, 
quando há negativa do plano na cobertura de determinado tratamento. A fragilidade dos idosos os tornam 
vítimas frequentes de crimes, desde os mais sorrateiros (estelionato e furto), até os violentos (roubo). Estão 
sujeitos também ao péssimo atendimento nas agencias bancárias, lojas, caixas eletrônicos etc.
Há também outro problema que vitimiza os idosos: a desigualdade social, que resulta na chama violência 
estrutural. Apenas 25% dos idosos vivem com três salários mínimos ou mais (SHD, 2014), mesmo sendo as suas 
necessidades básicas ainda maiores diante da fragilidade de sua condição de saúde e de dependência.
A violência estrutural reúne os aspectos resultantes da desigualdade social, da penúria provocada pela 
pobreza e pela miséria e das discriminações que os desprovidos de bens materiais mais sentem. A desi-
gualdade não é privilégio da população idosa, pois em geral, os mais pobres o foram durante a vida toda. 
Mas nessa etapa da vida, a indigência ou a falta de recursos materiais castiga mais. (SHD, 2014, p. 59).
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
97Direitos Humanos
Ao lado de tudo isso os idosos também enfrentam o abandono familiar, passam a viver em abrigos ou 
instituições de longa permanência, onde também são vítimas de abusos, maus-tratos e negligências.
E, finalmente, está entre as principais causas de violência, aquela sofrida no ambiente familiar, a cha-
mada violência intrafamiliar.
Pesquisas revelam que cerca de 2/3 dos agressores são filhos, parentes e cônjuges. São particularmente 
relevantes os abusos e negligências que se perpetuam por choque de gerações, por problemas de aglo-
meração de pessoas nas residências ou por falta condições e de disponibilidade para cuidá-los. A isso se 
soma, em muitas famílias, o peso do imaginário social preconceituoso que concebe as pessoas idosas 
como seres humanos decadentes e descartáveis. (MINAYO, 2005; DEBERT, 1999). (SHD, 2014, p. 64)
E as conclusões em relação à violência familiar são aterrorizantes:
Mas é no ponto de vista relacional que a falta de preparação ou os preconceitos e as negligências tor-
nam-se mais gritantes. Hoje, já se tem um perfil do abusador de idosos. Por ordem de frequência estão 
em primeiro lugar, os filhos homens mais que as filhas; em segundo lugar, as noras e os genros e, em 
terceiro, o cônjuge. A caracterização do agressor revela alguns perfis e circunstâncias: (1) ele vive na 
mesma casa que a vítima; (2) é um filho(a) dependente financeiramente de seus pais de idade avan-
çada; (3) é um familiar que responde pela manutenção do idoso sem renda própria e suficiente; (4) é 
um abusador de álcool e drogas, ou alguém que pune o idoso usuário dessas substâncias; (5) é alguém 
que se vinga do idoso que com ele mantinha vínculos afetivos frouxos, que abandonou a família ou foi 
muito agressivo e violento no passado; (6) é um cuidador com problema de isolamento social ou de 
transtornos mentais. (SDH, 2005, p. 18).
Lembrando que estes dados estatísticos decorrem de notícias ou informações que chegam aos agentes 
públicos (hospitais, redes de saúde, delegacias especializadas, Ministério Público etc.), sendo evidente que 
o número deve ser muito maior, pois boa parte das situações de violência sequer é levada ao conhecimento 
da autoridade competente, em especial por medo do abusador.
A violência contra a pessoa idosa pode assumir várias formas e ocorrer em diferentes situações. Por 
diferentes motivos, entretanto, é impossível dimensioná-la em toda a sua abrangência: ela é subdiag-
nosticada e subnotificada. A Lei 12.461 de 26 de julho de 2011 que reformula o artigo 19 do Estatuto do 
Idoso (Lei 10.741, de 1 de outubro de 2003) ressaltou a obrigatoriedade da notificação dos profissionais 
de saúde, de instituições públicas ou privadas, às autoridades sanitárias quando constatarem casos de 
suspeita ou confirmação de violência contra pessoas idosas, bem como a sua comunicação aos seguin-
tes órgãos: Autoridade Policial; Ministério Público; Conselho Municipal do Idoso; Conselho Estadual 
do Idoso; Conselho Nacional do Idoso. Falamos, pois, de violências visíveis e invisíveis.(BRASIL/
SDH, 2014, p. 37).
O Estatuto do Idoso trouxe 14 tipos penais, ou seja, crimes visando à tutela dos direitos dos idosos, 
sendo alguns novos e algumas adaptações de crimes já existentes. Abaixo os crimes novos relacionados:
• ao combate à discriminação (art. 96);
• a punir a negativa por entidades em realizar o acolhimento na tentativa de obrigar a outorga de 
procuração (art. 103);
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
98 Direitos Humanos
• a retenção do cartão magnético de conta bancária com o objetivo de recebimento ou ressarcimento 
de dívida (art. 104);
• a penalizar a exibição ou veiculação de informações ou imagens depreciativas ou injuriosas em 
relação à pessoa do idoso (art. 105);
• a indução da pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de ad-
ministração de bens ou disposição (art. 106)
• ao ato de lavrar ato notarial (ex.: escritura pública de compra e venda de imóvel) que envolva 
pessoa idosa sem discernimento de seus atos, sem a devida representação legal (art. 108).
Como mencionado, o Estatuto adaptou outros crimes já existentes para a condição de vítima idosa, por 
exemplo, no caso de omissão de socorro prevendo no artigo 97:
Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em situação 
de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não 
pedir, nesses casos, o socorro de autoridade pública. (BRASIL, 2003)
Outro exemplo é o disposto no artigo 98 que penaliza a prática do abandono do idoso em hospitais, 
casas de saúde, entidades de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, 
quando obrigado por lei ou mandado. E cria figura típica de maus-tratos contra os idosos no artigo 99:
Art. 99 - Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições 
desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a 
fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa.
§1.° Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§2.° Se resulta a morte: Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. (BRASIL, 2003)
Além de outros crimes previstos, mas de menor relevância, aponta-se a criação de tipo específico deapropriação indébita cuja vítima é idoso: “Art. 102. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão ou 
qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade: Pena – reclusão de 
1 (um) a 4 (quatro) anos e multa” (BRASIL, 2003).
Cita-se, ainda, uma variante do crime de constrangimento ilegal que visa coibir as disputas familiares, 
em especial, em relação ao patrimônio dos idosos: “Art. 107. Coagir, de qualquer modo, o idoso a doar, 
contratar, testar ou outorgar procuração: Pena – reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.” (BRASIL, 2003)
O Estatuto procedeu a outras alterações de relevância no Código Penal para o combate à violência 
contra o idoso, segundo apontam Souza e Carboni (2013):
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
99Direitos Humanos
• A substituição da palavra “velho” por “maior de 60 (sessenta) anos” nas circunstâncias agravantes 
da parte geral. (art. 61, II, “h”, do Código Penal);
• No homicídio doloso, a pena foi aumentada de 1/3 quando for praticado contra pessoa maior de 
sessenta anos (art. 121, §4.º, do Código Penal);
• No crime de abandono de incapaz, criou-se uma causa especial de aumento de pena quando a 
vítima for maior de sessenta anos (art. 133, §3.º, III, do Código Penal);
• No crime de injúria, a utilização de elementos referentes à condição de pessoa idosa ou portadora 
de deficiência, passou a ser incluída dentre aquelas previstas como qualificadoras (art. 140, §3.º, 
do Código Penal);
• Os crimes de calúnia e difamação passam a ser aumentados de 1/3 quando cometidos contra pes-
soa maior de sessenta anos ou portadora de deficiência (art. 141, IV, do Código Penal);
• O crime de sequestro e cárcere privado, quando praticado contra pessoa maior de sessenta, fica 
apenado com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos (art. 148, §1.º, I, do Código Penal);
• O crime de extorsão mediante sequestro fica apenado com reclusão de 12 (doze) a 20 (vinte) anos, 
também quando o sequestrado for maior de sessenta anos (art. 159, §1.º, do Código Penal);
• Os crimes praticados nas circunstâncias do artigo 182, do Código Penal, passaram a ser de ação 
penal pública incondicionada, sempre que, praticado sem violência ou grave ameaça, for em detri-
mento de pessoa com idade igual ou superior a sessenta (artigo 183, III, do Código Penal);
• Passa a ser considerado crime deixar de prover a subsistência de pessoa maior de sessenta anos 
(art. 244, do Código Penal);
• Aumenta-se a pena de 1/3 até metade quando a vítima for maior de sessenta anos, nas hipóteses de 
contravenções penais (art. 21, parágrafo único, da Lei de Contravenções Penais);
• A pena no crime de tortura fica aumentada de 1/6 até 1/3, se for praticado contra pessoa maior de 
sessenta anos (art. 1.º, §4.º, II, da Lei 9.455/97).
Por evidente que o combate à violência contra o idoso não passa somente pelo âmbito da penalização 
das condutas, muito menos pela efetivação destas penas pelo agente público. Vai muito além!
São necessárias políticas públicas de atendimento aos direitos humanos dos idosos para evitar que 
eles fiquem em situação de risco, assegurando os direitos básicos. São indispensáveis ações educacionais 
voltadas à conscientização da população em relação a estes direitos, inclusive dos próprios idosos e de seus 
familiares. Capacitação dos agentes públicos, seja no âmbito da saúde pública, assistência social, como de 
todo o funcionalismo público.
É possível passar horas e horas a tecer comentários em relação às práticas necessárias para a efetivação 
das medidas de respeito aos direitos dos idosos, mas ao que parece tudo passa por uma reviravolta moral, no 
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
100 Direitos Humanos
restabelecimento de valores morais de proteção da pessoa humana, naquela visão de proteção do mais fraco, 
em especial, de respeito ao próximo e àquele que eventualmente já cuidou de você.
Extras
Abandono afetivo inverso pode gerar indenização
Especialista diz que a falta do cuidar, por parte dos filhos, é premissa para indenização.
“Amar é faculdade, cuidar é dever”. A ministra Fátima Nancy Andrighi, da 3.ª Turma do Superior 
Tribunal de Justiça (STJ), em julgado de 2012, afirma, desta forma, ser possível exigir indenização por dano 
moral decorrente de abandono afetivo pelos pais. [...]
Contudo, questiona-se: e o abandono afetivo inverso? E se os males advindos da falta de amor, cuidado 
e atenção vitimizam os pais? Diz-se abandono afetivo inverso, segundo o desembargador Jones Figueirêdo 
Alves (PE), diretor nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), “a inação de afeto 
ou, mais precisamente, a não permanência do cuidar, dos filhos para com os genitores, de regra idosos”. 
Segundo o diretor, esta falta do cuidar serve de premissa de base para a indenização. [...]
Na China, desde o último dia 1 de julho, vigora lei que obriga os filhos a visitarem os pais idosos, 
prevê multa e até prisão. E no Brasil? Qual o preço do abandono afetivo inverso? Existe Lei que regu-
lamente a matéria? Confira na entrevista:
IBDFAM – O que é abandono afetivo inverso?
JF – Diz-se abandono afetivo inverso a inação de afeto, ou mais precisamente, a não permanência 
do cuidar, dos filhos para com os genitores, de regra idosos, quando o cuidado tem o seu valor jurídico 
imaterial servindo de base fundante para o estabelecimento da solidariedade familiar e da segurança 
afetiva da família.
O vocábulo “inverso” da expressão do abandono corresponde a uma equação às avessas do binô-
mio da relação paterno-filial, dado que ao dever de cuidado repercussivo da paternidade responsável, 
coincide valor jurídico idêntico atribuído aos deveres filiais, extraídos estes deveres do preceito consti-
tucional do artigo 229 da Constituição Federal de 1988, segundo o qual “os filhos maiores tem o dever 
de ajudar e amparar os pais na velhice, carência e enfermidade”.
Aliás, o princípio da solidariedade, “marco paradigmático que caracteriza a transformação do 
Estado liberal e individualista em Estado democrático e social” (Paulo Luiz Netto Lobo, 2007), tem 
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
101Direitos Humanos
servido como questão de direito de fundo na diretiva de sua aplicação nas relações familiares, nomea-
damente quando perante os mais vulneráveis (crianças, adolescentes, idosos, carentes alimentares etc.).
Assim, não há negar que, axiologicamente, o abandono constitui um desvio desconcertante do 
valor jurídico estabilidade familiar, recebendo aquele uma modelagem jurídica e jurisdicional capaz, 
agora, de defini-lo para os fins de responsabilização civil. O abandono afetivo afeta, sensivelmente, o 
perfil da família, cuja unidade é a representação melhor do sistema.
Efetivamente, recentes decisões judiciais cuidam de inibir, impedir ou punir a “negligência into-
lerável” como conduta inaceitável à luz do ordenamento jurídico. A mais significativa delas, resultou 
da 3.ª Turma do STJ, que obrigou um pai a indenizar o filho, na quantia de R$200 mil, por abandono 
moral. A relatora ministra Fátima Nancy Andrighi acentuou que “amar é faculdade, cuidar é dever”.
IBDFAM – No primeiro semestre de 2013, a Secretaria Especial do Idoso do Distrito Federal 
registrou 60 denúncias de violência contra a pessoa idosa, sendo abandono 20 casos (33%). Como 
o senhor avalia esse número?
JF – No Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, instituído desde 2007 pela 
ONU e celebrado em 15 de junho passado, foram revelados novos dados significativos da violência 
ocorrente. Na composição dos dados, o abandono afetivo inverso se constitui, de fato, como a violên-
cia mais gravosa.
Mais do que a violência física ou financeira, a negligência pelo abandono impõe ao idoso uma 
negação de vida, quando lhe é subtraída a oportunidade de viver com qualidade. Pior ainda é que as 
maiores violências contra os idosos assumem o território próprio da família, nela acontecendo as maisseveras agressões.
Sabido e consabido que dos 22,3 milhões de idosos, atualmente no país, apenas 2,7 milhões com 
mais de 60 anos, moram sozinhos (1,8 milhão de mulheres e 938 mil homens) enquanto que na com-
posição familiar 15,5 milhões daqueles ainda chefiam suas famílias, a geração de idosos sob abandono 
inverso assume índice preocupante. É um contingente ancião da recente tendência de menor prole que 
por isso mesmo fica a depender, uma vez alcançada a faixa etária provecta, de menos guardiões.
Lado outro, o abandono mais se perfaz dentro da família; ou seja, nada obstante esteja o idoso 
na companhia familiar falta-lhe a assistência material e moral dos devidos cuidados, importando o 
déficit afetivo em sério comprometimento de vida. Esse tipo de violência não tem maior visibilidade. 
Enquanto isso, dados da Secretaria de Saúde paulista indicam (15.06.13) que nove pessoas com 60 
anos ou mais, em São Paulo, “são internadas por semana em hospitais públicos em razão de agressões 
físicas”.
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
102 Direitos Humanos
Não há dúvida, portanto, que essa estatística revela, com maior visibilidade, severa realidade in-
fratora dos direitos humanos contra o idoso e que deve ser combatida por urgente compromisso social.
No considerar o idoso como “pessoa em situação especial”, suscetível de cuidados compatíveis ao 
elevado espectro de sua dignidade e ante realidades fáticas diversas, reclamam-se novas tutelas jurídicas 
especificas.
IBDFAM – Desde que o afeto foi considerado valor jurídico, abandono afetivo pode gerar 
indenização. E o abandono afetivo inverso?
JF – Sim. Desde quando o afeto juridicamente passou a ter a sua valoração, no efeito de ser 
reconhecido como vinculo familiar (João Baptista Vilela, 1980), em significado amplo de proteção e 
cuidado, no melhor interesse da família, a sua falta constitui, em contraponto, gravame odioso e deter-
minante de responsabilidade por omissão ou negligência.
A autonomia da pessoa idosa, enquanto patriarca, chefe de família e pai, exige a assistência filial, 
moral e afetiva, como imprescindível instrumento de respeito aos seus direitos existenciais de consolidação 
de vida.
No ponto, o abandono afetivo como falta grave ao dever de cuidar, para além de constituir ilícito 
civil, será caracterizado como crime, nos termos do Projeto do Senado, de 700/2007, já aprovado, 
dezembro passado, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, daquela casa parlamentar. 
Entretanto, o projeto apenas cuida de modificar a Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da 
Criança e do Adolescente) para caracterizar o abandono (moral) como ilícito civil e penal; não cogi-
tando, todavia, do abandono inverso, no pólo contrário do composto da relação (filhos/pais), o que 
reclama alteração legislativa pontual do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003). Aquele projeto está 
pronto, exatamente há um ano (desde 11.07.2012), para a pauta da Comissão de Direitos Humanos e 
Legislação Participativa do Senado.
Como abandono afetivo inverso, na mesma dimensão jurídico-axiológica que reclama os cuida-
dos de proteção na relação paterno-filial, devemos considerar que a falta do cuidar serve de premissa 
de base para a indenização.
[...]
IBDFAM – Embora não haja lei específica que regulamente a matéria, é possível invocar 
uma interpretação principiológica para tal pretensão?
JF – Sim. O princípio do “neminem laedere” (“não causar dano a ninguém”) que serve de fun-
damento para toda a doutrina da responsabilidade civil. Demais disso, cuidando-se de ilicitude civil 
de conduta, exorta-se a regra geral do artigo 186 do Código Civil, onde ínsito o princípio, segundo a 
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
103Direitos Humanos
qual “aquele que por, ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência violar direito e causar 
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.” Segue-se, então, a aplicação do 
artigo 927 do mesmo estatuto civilista, indicando que aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, 
fica obrigado a repará-lo; sendo certo que dita reparação pela via da indenização, deve medir-se pela 
extensão do dano, na forma do artigo 944 do Código Civil.
(ALVES, Jones Figueirêdo. Abandono afetivo inverso pode gerar indenização. Publicado em 15 jul. 2013. 
IBDFAM – Instituto Brasileiro de Direito de Família. Disponível em: <www.ibdfam.org.br/noticias/5086/+
Abandono+afetivo+inverso+pode+gerar+indeniza%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 27 fev. 2016).
Atividades
1. Com base no texto extra indicado e em pesquisas que devem ser realizadas, disserte sobre 
a questão do abandono afetivo do idoso, a necessidade de previsão legal de obrigações de 
cuidado dos familiares em relação aos idosos, a imposição de punições civis e penais em 
caso de descumprimento.
2. O Brasil já foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por violação dos 
direitos das pessoas com deficiência, tendo este fato ocorrido em 2006, no caso Damião 
Ximenes Lopes (acesse em: <www.conectas.org/pt/acoes/sur/edicao/15/1000169-caso-
-damiao-ximenes-lopes-mudancas-e-desafios-apos-a-primeira-condenacao-do-brasil-pela-
-corte-interamericana-de-direitos-humanos>.). Após pesquisa sobre a questão, relate o 
caso e descreva quais os direitos que foram violados.
3. Disserte sobre um dos direitos humanos dos idosos consagrados no Estatuto do Idoso.
Referências
ALVES, Jones Figueirêdo. Abandono afetivo inverso pode gerar indenização. 15 jul. 2013. IBDFAM 
– Instituto Brasileiro de Direito de Família. Publicado em: disponível em: <www.ibdfam.org.br/
noticias/5086/+Abandono+afetivo+inverso+pode+gerar+indeniza%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 27 fev. 2016
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31.12.1940. Disponível em: <www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Decreto-Lei/Del2848.htm. Acesso em: 18 fev. 2016.
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leis/2003/L10.741.htm>. Acesso em: 22 fev. 2016.
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Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
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em: 19 fev. 2016.
Resolução
1. No decorrer do texto e das pesquisas se constatou que as violências contra os idosos têm como 
principal agente causador os familiares. E quando se fala em violência, não se está a indicar ape-
nas a violência física, mas também a psicológica, aquela resultante do abandono do idoso pelos 
entes familiares, o que gera consequências maléficas para a saúde física e mental destas pessoas.
Não há razões para não admitir que o abandono afetivo por parte dos familiares, em especial os 
filhos, pode gerar responsabilização penal (exemplos, são os arts. 98 e 99 do Estatuto do Idoso) 
e civil, com a condenação dos agentes pelos danos morais sofridos pelos idosos, nos termos dos 
arts. 186 e 927 do Código Civil.
Já que não é possível obrigar o amor, critério subjetivo, é possível obrigar os cuidados mínimos, 
este sim critério objetivo. Em caso de descumprimento,devem sim ser reparados todos os danos 
sofridos pelo idoso.
2. Damião Ximenes Lopes tinha 30 anos quando em outubro de 1999 foi internado por sua mãe 
Albertina Viana Lopes na única clínica psiquiátrica do município de Sobral, no Ceará, em razão 
de um quadro de sofrimento mental. Quatro dias depois a sua genitora ao tentar realizar visita 
foi impedida, porém mesmo assim conseguiu adentrar na clínica quando encontrou seu filho com 
as mãos amarradas para trás, sangrando pelo nariz, com a cabeça toda inchada e com os olhos 
quase fechados, além de vários machucados pelo corpo e cheirando a excrementos e urina. Após 
exigir que o desamarrassem a mãe pediu ajuda dos profissionais da clínica para limpá-lo, sendo 
Aula 3Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
107Direitos Humanos
que o único médico ali existente lhe teria receitado remédios sem sequer realizar exames. Após 
a mãe deixar a clínica, quando chegou em casa já havia recado da clínica e ao retornar teve a 
notícia que seu filho havia morrido.
Após realizar exame no IML pelo mesmo médico da Clínica, este conclui por “morte real de causa 
indeterminada”, mesmo havendo sinais de prática de tortura (ROSATO e CORREIA, 2011).
Além de ajuizar ação criminal e ação civil indenizatória contra o proprietário da Clínica, a 
família peticionou contra o Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos (CIDH). Após as conclusões da Comissão, diante do não cumprimento integral por 
parte do Brasil as recomendações (foi recomendado que o Estado brasileiro fizesse “uma inves-
tigação completa imparcial e efetiva dos fatos relacionados com a morte de Damião Ximenes 
Lopes e reparasse adequadamente seus familiares pelas violações [...] incluído o pagamento 
de uma indenização”), tanto a família como a própria Comissão encaminhou o caso a Corte 
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Em 2006 a Corte Interamericana de Direitos Humanos apresentou sua sentença, condenando o 
Brasil pela primeira vez em um caso de violação de direitos humanos, “pela violação dos direitos 
consagrados nos artigos 4 (direito à vida); 5 (direito à integridade pessoal); 8 (direito às garan-
tias judiciais) e 25 (direito à proteção judicial) da Convenção Americana, em relação à obrigação 
estabelecida no artigo 1.1 (obrigação de respeitar os direitos) da mesma, em prejuízo de Damião 
Ximenes, pelas condições inumanas e degradantes de sua hospitalização, em um clínica psiquiá-
trica que operava dentro do marco legislativo do SUS no Brasil” (ROSATO e CORREIA, 2011).
A Corte condenou, ainda, o Brasil a reparar moralmente e materialmente a família Ximenes, atra-
vés do pagamento de uma indenização e outras medidas não pecuniárias. “Dentre elas, o Brasil 
foi instado a investigar e identificar os culpados da morte de Damião em tempo razoável e tam-
bém promover programas de formação e capacitação para profissionais de saúde, especialmen-
te médicos/as psiquiatras, psicólogos/as, enfermeiros/as e auxiliares de enfermagem, bem como 
para todas as pessoas vinculadas ao campo da saúde mental” (ROSATO e CORREIA, 2011).
3. Não raro as pessoas passam a vida lutando pela aquisição da casa própria, chegam a velhice sem ao 
menos estar garantido o direito à moradia, submetendo-se à ajuda de familiares ou até mesmo tendo 
que continuar a trabalhar mesmo após a aposentadoria, pois o valor do benefício não é suficiente para 
as despesas básicas e ainda um aluguel de uma moradia digna.
O Estatuto do Idoso, dentre os diversos direitos consagrados, também prevê, pelo menos em tese, 
o direito à moradia, estabelecendo no seu artigo 37 que “o idoso tem direito a moradia digna, 
no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o 
desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada”.
Aula 3 Dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos
108 Direitos Humanos
A regra é o exercício deste direito junto de sua família natural ou substituta e, excepcionalmen-
te, quando inexistente grupo familiar, casa-lar, em casos de abandono ou carência de recursos 
financeiros próprios ou da família, este direito será exercido no âmbito de entidades de longa 
permanência (§1.º do art. 37). Estas entidades devem manter padrões de habitação compatíveis 
com as necessidades dos idosos, provendo-os de alimentação regular e higiene (§3.º do art. 37).
O Estatuto também prevê a obrigatoriedade do governo criar programas habitacionais para dar 
prioridade aos idosos na aquisição da casa própria:
Art. 38. Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, o idoso goza de 
prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, observado o seguinte:
I - reserva de pelo menos 3% (três por cento) das unidades habitacionais residenciais para atendimento 
aos idosos;
II - implantação de equipamentos urbanos comunitários voltados ao idoso;
III - eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas, para garantia de acessibilidade ao idoso;
IV - critérios de financiamento compatíveis com os rendimentos de aposentadoria e pensão.
Parágrafo único. As unidades residenciais reservadas para atendimento a idosos devem situar-se, prefe-
rencialmente, no pavimento térreo.
Aula 4
-RACIAL, RELIGIOSA, 
DIVERSIDADE ÉTNICO- 
DE GÊNERO E LGBT
Nesta aula iremos abordar a questão do preconceito étnico-racial, 
de gênero e os direitos LGBT. O estudo será iniciado a partir da noção 
de igualdade, da extensão e dimensões deste direito, da análise do direito 
internacional e do direito brasileiro para, posteriormente, examinar 
especificamente os temas indicados. 
O objetivo não é esgotar os assuntos, até porque seria impossível, mas 
apenas repassar uma noção geral sobre cada um deles e despertar no aluno o 
interesse em relação ao debate sobre a discriminação.
109Direitos Humanos
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
110 Direitos Humanos
Parte
1 Preconceito, racismo e desigualdades 
no Brasil – questões étnico-raciais
Antes de começar qualquer análise sobre temas como preconceito, racismo, desigual-
dades, diversidade étnico-racial etc., devemos iniciar o estudo a partir do conceito do di-
reito à igualdade.
“A igualdade consiste em um atributo de comparação do tratamento dado a to-
dos os seres humanos, visando assegurar uma vida digna a todos, sem privilégios 
odiosos” (RAMOS, 2015, p. 479).
A busca pela igualdade foi o principal objetivo das primeiras declarações de Direitos Humanos do 
século XVIII, como uma resposta aos privilégios de determinada casta ou categoria social (nobreza, castas 
religiosas etc.). 
No entanto, a pretensão de igualdade era meramente formal, ou seja, igualdade perante a lei (isonomia) 
exigindo-se um tratamento idêntico para todas as pessoas submetidas à lei, não se reconhecendo a existência 
de condições desiguais que precisam ser supridas por medidas públicas para superar a desigualdade.
Além do mais, o objetivo não era um reconhecimento efetivo de igualdade para todos, pois parcela da 
população ainda se encontrava em condições de desigualdade, sem reconhecimento de direitos, como é o 
caso de mulheres e escravos.
André de Carvalho Ramos cita os seguintes exemplos de declarações desta época:
A primeira Declaração de Direitos dessa época, a Declaração de Virgínia, de 12 de junho de 1776, 
reconheceu que todos os homens são, pela sua natureza, iguais e todos possuem direitos inatos. A 
Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, aprovada no Congresso Continental de 
4 de julho de 1776 (data da comemoração da independência dos Estados Unidos), enfatizou que ‘todos 
os homens são criados iguais’. A Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 26 de 
agosto de 1789, foi na mesma direção, proclamando que ‘os homens nascem e são livres e iguais em 
direitos’ (art. 1º). A Constituição americana de 1787 não contava com um rol de direitos (entenden-
do-os como de competência dos Estados da Federação), e a igualdade não constouda lista de direitos 
incluídos nas emendas de 1791. A escravidão nos Estados Unidos só foi completamente abolida após 
a Guerra de Secessão (1861-1865), conflito no qual morreram quase 620 mil soldados. Em 1868, foi 
incluído o direito de ‘igual proteção da lei’ a todos (Emenda XIV). (RAMOS, 2015, p. 480)
Com a ascensão do Estado Social, a noção de igualdade ganha uma nova concepção, a de igualdade 
material em complementação à formal, que “busca ainda a erradicação da pobreza e de outros fatores de 
Vídeo
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
111Direitos Humanos
inferiorização que impedem a plena realização das potencialidades do indivíduo. A igualdade, nessa fase, 
vincula-se à vida digna” (RAMOS, 2015, p. 480).
André de Carvalho Ramos (2015) afirma que atualmente o fundamento do direito à igualdade é a 
universalidade dos direitos humanos, pois esta reconhece a todos os seres humanos a titularidade desses 
direitos, tal qual concebe o artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: “Todos os seres 
humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”1 (DUDH, 1948).
A partir desta noção histórica básica podemos passar ao exame das três vertentes do direito à igualdade: 
a) a igualdade formal, reduzida à fórmula “todos são iguais perante a lei” (que, ao seu tempo, foi crucial 
para abolição de privilégios); b) a igualdade material, correspondente ao ideal de justiça social e dis-
tributiva (igualdade orientada pelo critério socioeconômico); e c) a igualdade material, correspondente 
ao ideal de justiça enquanto reconhecimento de identidades (igualdade orientada pelos critérios gênero, 
orientação sexual, idade, raça, etnia e outros). (PIOVESAN, 2015, p. 328)
De outro lado, André de Carvalho Ramos (2015) cita a existência de duas dimensões da igualdade, a 
primeira que visa à proibição de discriminação indevida, chamada de vedação da discriminação negativa, e 
a segunda que prevê o dever de impor uma determinada discriminação para a obtenção da igualdade efetiva, 
chamada de discriminação positiva (ou ação afirmativa).
Flávia Piovesan (2015) demonstra nitidamente que estas duas dimensões são complementares, res-
saltando que a estratégia repressiva-punitiva, que visa proibir, punir e eliminar a discriminação, é medida 
de urgência, porém insuficiente, devendo ser complementada pela estratégia promocional, a qual tem por 
objetivo promover, fomentar e avançar a igualdade.
Assim exemplifica seu entendimento a autora:
Faz-se necessário combinar a proibição de discriminação com políticas compensatórias que acelerem a 
igualdade enquanto processo. Isto é, para assegurar a igualdade não basta apenas proibir a discrimina-
ção, mediante legislação repressiva. São essenciais as estratégias promocionais capazes de estimular a 
inserção e inclusão de grupos socialmente vulneráveis nos espaços sociais. Com efeitos, a igualdade e 
a discriminação pairam sob o binômio inclusão-exclusão. Enquanto a igualdade pressupõe formas de 
inclusão social, a discriminação implica a violenta exclusão e intolerância à diferença e à diversidade. 
O que se percebe é que a proibição da exclusão, em si mesma, não resulta automaticamente na inclu-
são. Logo, não é suficiente proibir a exclusão, quando o que se pretende é garantir a igualdade de fato, 
com a efetiva inclusão social de grupos que sofreram e sofrem um consistente padrão de violência e 
discriminação.
As ações afirmativas devem ser compreendidas não somente pelo prisma retrospectivo – no sentido de 
aliviar a carga de um passado discriminatório -, mas também prospectivo – no sentido de fomentar a 
transformação social, criando uma nova realidade. (PIOVESAN, 2015, p. 331)
1 Acesso ao documento na íntegra: <www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2016.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
112 Direitos Humanos
Em relação à previsão internacional do direito à igualdade, temos, além do disposto no artigo I da 
Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, já citado, temos ainda os artigos II e VII:
Artigo II 
1 - Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta 
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política 
ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. 
2 - Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional 
do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, 
sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
Artigo VII 
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm 
direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qual-
quer incitamento a tal discriminação. (DUDH, 1948)
Comentando estes artigos Flávia Piovesan afirma (2015, p. 312):
Portanto, se o primeiro artigo da Declaração afirma o direito à igualdade, o segundo artigo adiciona a 
cláusula da proibição da discriminação de qualquer espécie, como corolário e consequência do princi-
pio da igualdade. O binômio da igualdade e da não discriminação, assegurado pela Declaração, sob a 
inspiração da concepção formal de igualdade, impactará a feição de todo sistema normativo global de 
proteção dos direitos humanos.
A par da DUDH, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1966 também faz expressa re-
ferência ao direito à igualdade2:
Artigo 2.º 
1. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar e a garantir a todos os indivíduos 
que se achem em seu território e que estejam sujeito a sua jurisdição os direitos reconhecidos no pre-
sente Pacto, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, religião, opinião política ou outra 
natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra condição. 
[...]
Artigo 4.º 
1. Quando situações excepcionais ameacem a existência da nação e sejam proclamadas oficialmente, 
os Estados partes do presente Pacto podem adotar, na estrita medida exigida pela situação, medidas que 
suspendam as obrigações decorrentes do presente Pacto, desde que tais medidas não sejam incompatíveis 
2 Acesso ao documento na íntegra: <http://acnudh.org/pt-br/pacto-internacional-sobre-direitos-civis-e-politicos/>. Acesso em: 23 mar. 2016.
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
113Direitos Humanos
com as demais obrigações que lhes sejam impostas pelo Direito Internacional e não acarretem discrimina-
ção alguma apenas por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião ou origem social. (Grifo nosso.)
Artigo 26 
Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito, sem discriminação alguma, a igual proteção da 
lei. A este respeito, a lei deverá proibir qualquer forma de discriminação e garantir a todas as pessoas 
proteção igual e eficaz contra qualquer discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, 
opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou 
qualquer outra situação. 
Flávia Piovesan ressalta que o Comitê de Direitos Humanos, em sua Recomendação Geral 18, a respei-
to do artigo 26 do Pacto, “entende que o princípio da não discriminação é um princípio fundamental previsto 
no próprio Pacto, condição e pressuposto para o pleno exercício dos direitos humanos nele enunciados”. 
Afirma a autora que “no entender do Comitê, ‘A não discriminação, assim como a igualdade perante a lei e 
a igual proteção da lei sem nenhuma discriminação, constituem em princípio básico e geral, relacionado à 
proteção dos direitos humanos’.” (2015, p. 312-313).
De forma bastante semelhante é a previsão do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais de 1966 no seu artigo 2.º:
2.º Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a garantirque os direitos nele enunciados 
e exercerão em discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política 
ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra 
situação.
No âmbito da legislação interna, novamente numa análise dos dispositivos gerais em relação ao direito 
à igualdade, verificamos que já no preâmbulo da Constituição Federal há expressa referência a este direito:
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um 
Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, 
a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma 
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na or-
dem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de 
Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. (BRASIL, CF/88 
– grifo nosso.)
O artigo 3.º da Constituição Federal estabelece, dentre os diversos objetivos do Estado Brasileiro:
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação. (BRASIL, CF/88).
No artigo 5.º, caput da Constituição Federal, há o reconhecimento da igualdade como direito funda-
mental (“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e 
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
114 Direitos Humanos
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança 
e à propriedade”), além de em vários incisos estabelecer direitos relacionados à igualdade, como o inciso I 
(“homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”), inciso XLI (“a lei punirá qualquer discriminação 
atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”) e inciso XLII (“a prática do racismo constitui crime 
inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão”) (BRASIL, CF/88).
Além destes dispositivos gerais, há também outros específicos em relação ao racismo, à discriminação 
contra a mulher, deficientes, entre outros, porém estes serão examinados quando falarmos especificamente 
de cada um destes assuntos.
A partir desta análise geral sobre o direito à igualdade, passemos ao exame das questões étnicos-raciais, 
do preconceito racial.
A sociedade brasileira é bastante plural, sendo constituída de diversos grupos étnicos-raciais, este fator 
é de extrema relevância para a nossa riqueza cultural, porém este também é um fator que nos caracteriza 
como uma sociedade marcada por grandes desigualdades e discriminações em razão desta diversidade, em 
especial em relação aos negros e indígenas.
De acordo com o CENSO de 2010, o Brasil 
contava com uma população de 191 milhões de habitantes, dos quais 91 milhões se classificaram como 
brancos (47,7%), 15 milhões como pretos (7,6%), 82 milhões como pardos3 (43,1%), 2 milhões como 
amarelos (1,1%) e 817 mil indígenas (0,4%). (IBGE, 2011, p. 75-76).
Constatou-se uma diferença em relação ao censo de 2000, pois houve uma redução da proporção de 
pessoas que se declararam brancas e crescimento das que se declararam pretas, pardas ou amarelas (IBGE, 
2011).
3 “A categoria parda é a dos mestiços, de qualquer tipo resultante da miscigenação das outras quatro categorias raciais “puras” da 
classificação. Todavia, em virtude das características da composição da população brasileira e da imigração ao longo da história, é 
lícito assumir que praticamente todos os pardos devem ter ao menos o branco e o preto como ascendentes, pois os índios foram siste-
maticamente exterminados e empurrados para as fronteiras do território nacional e a imigração asiática foi extremamente concentrada 
em determinadas áreas. Obviamente, não se exclui a possibilidade de que possam existir mestiços só de brancos com amarelos e/ou 
indígenas, ou só de negros com esses dois últimos grupos. No entanto, essa é uma probabilidade muito pequena: a esmagadora maioria 
dos mestiços brasileiros muito provavelmente tem ao menos um preto e um branco entre os seus ascendentes.” (OSORIO, 2003, p. 30).
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
115Direitos Humanos
Gráfico 1 – Distribuição percentual da população residente, segundo cor ou raça. Brasil, 2000/2010
53,7
%
Branca Preta Parda Amarela Indígena Sem
declaração
47,7
2000
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.
Nota: Em 2010, foram considerados os resultados da amostra.
6,2 7,6
38,5
43,1
0,5 1,1 0,4 0,4 0,7
0,0
2010
(IBGE, 2011, p. 76.) 
Considerando alguns dados mais recentes, a Síntese de Indicadores Sociais de 20154, também do IBGE, 
apresenta os seguintes dados: 
Uma característica relevante para se analisar na população é sua distribuição por cor ou raça. No País, 
em 2014, mais da metade (53,6%) das pessoas se declaravam como de cor ou raça preta ou parda, 
enquanto as que se declaravam como brancas foi 45,5%. Em 2004, o cenário era diferente, pouco mais 
da metade se declarava como branca (51,2%), enquanto a proporção de pretos ou pardos era 48,2% 
(IBGE, 2015, p. 12). 
Embora, muitas vezes de forma mascarada, o racismo é algo presente em nosso dia a dia, sendo que a 
condição racial ligada à condição socioeconômica fazem com que a desigualdade seja ainda mais surpreen-
dente e gere constantes violações de direitos humanos.
4 Síntese de indicadores sociais : uma análise das condições de vida da população brasileira : 2015 / IBGE, Coordenação de População 
e Indicadores Sociais. - Rio de Janeiro : IBGE, 2015. p. 12. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv95011.
pdf>. Acesso em: 5 abr. 2016.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
116 Direitos Humanos
O brasileiro tem um problema em aceitar a sua condição de racista, mas os números não enganam:
Nesse contexto de racismo institucional, que se nutre de uma ideologia persistente e velada em sua 
origem, mas explícita em seus efeitos, a melhor estratégia há de ser o enfrentamento dos indicadores 
socioeconômicos, quando o racismo institucional aparece bem evidenciado: 
Finalmente, o levantamento da presença das pessoas negras nos cargos de direção e gerência das 500 
maiores empresas do país reforça todas as análises anteriores. Em 2003, no nível mais elevado das hie-
rarquias dessas companhias, apenas 1,8% dos funcionários era negro. Na esfera intermediária, as pes-
soas negras representavam 13,5% dos supervisores e, em todo o quadro funcional, 23,4%.Como essas 
organizações são as que oferecem maiores possibilidades de progressão na carreira, pode-se concluir 
que as mulheres e os homens negros não só têm dificuldade de acesso a cargos de decisão no merca-
do de trabalho como enfrentam obstáculos para simplesmente trabalhar nessas companhias, que fre-
quentemente oferecem melhores empregos em termos de remuneração, proteção e benefícios. (PNDU 
BRASIL, s.d., p. 51). (SILVA e SOARES FILHO, 2011, p. 12).
Não é por outra razão que existem tratados internacionais que visam eliminar todas as formas de dis-
criminação para esta minoria étnico-racial. 
Cita-se a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial de 1965 que, já 
no preâmbulo, prescreve 
que qualquer doutrina de superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moral-
mente condenável, socialmente injusta e perigosa, em que, não existe justificação para a discriminação 
racial, em teoria ou na prática, em lugar algum (ONU, 1965).5
O art. 1.º desta Convenção define expressamente discriminação racial:
1. Nesta Convenção, a expressão “discriminação racial” significará qualquer distinção, exclusão res-
trição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnicaque tem por 
objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano, (em 
igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político econômico, 
social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública. (ONU, 1965)
Flávia Piovesan (2015), comentando este dispositivo, afirma que a discriminação significa sempre de-
sigualdade. E ressalta a autora que a própria Convenção estabelece a possibilidade de ações afirmativas com 
vistas a promover sua ascensão na sociedade até um nível de equiparação com os demais:
4. Não serão consideradas discriminação racial as medidas especiais tomadas com o único objetivo de 
assegurar progresso adequado de certos grupos raciais ou étnicos ou de indivíduos que necessitem da 
proteção que possa ser necessária para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual gozo ou exercício 
de direitos humanos e liberdades fundamentais, contando que, tais medidas não conduzam, em conse-
quência, à manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após terem 
sidos alcançados os seus objetivos. (ONU, 1965)
5 Acesso ao documento na íntegra: <http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=94836>. Acesso em: 23 mar. 2016. 
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
117Direitos Humanos
De forma sintética, Silva e Soares Filho (2011), a Convenção Internacional sobre a Eliminação de 
todas as formas de Discriminação Racial foi subscrita pelo Brasil em 7 de março de 1966 e aprovada pelo 
Congresso Nacional em 21 de julho de 1967, através do Decreto Legislativo 23/67. Todavia, a declaração 
facultativa prevista no artigo 14 da convenção somente veio a ser aprovada pelo Brasil em 26 de abril de 
2002, com o Decreto Legislativo 57/2002, sendo depois promulgada em 12 de junho de 2003, por meio do 
Decreto 4.783/2003.
No âmbito interno, especificamente sobre a questão étnica-racial, há expressa previsão constitucional 
estabelecendo o racismo como crime inafiançável6 e imprescritível7 (art. 5.º, inciso XLII).
Porém, a legislação nacional não passou de práticas legislativas repressivas até bem pouco tempo atrás, 
deixando de lado as políticas promocionais, como bem ressaltam Eliezer Gomes da Silva e Almiro Sena 
Soares Filho:
Nesse longo interregno, de décadas de indiferença do Brasil aos sistemas regional e internacional de 
direitos humanos (mesmo após a superação do período ditatorial), recusou-se o Brasil (pela demora 
em firmar as declarações de aceitação de competência) em submeter seu sistema nacional de garantia e 
proteção de direitos humanos aos mecanismos formais de accountability dos fóruns internacionais. Em 
tema de promoção da igualdade racial, o Brasil contabilizava, até a edição da Lei 12288, em 20 de julho 
de 2010 (Estatuto da Igualdade Racial), apenas respostas legislativas simbólicas (ainda que o simbo-
lismo tenha lá sua importância), mais voltadas à censura e à punição, em tese, da discriminação racial 
explícita, do que a um eficaz engajamento jurídico e político da superação da desigualdade racial. [...]
Essas deficiências formais e operacionais do sistema jurídico brasileiro, no que tange ao reconhecimen-
to e combate à discriminação racial, já foram minudentemente apontadas pela Comissão Interamericana 
de Direitos Humanos (doravante CIDH) da OEA, ao aprovar, em 21 de outubro de 2006, o Relatório 
n. 66/06, no caso Simone André Diniz [...]. No relatório da Comissão são citados [...] entre outros, um 
estudo –[...]sobre as crônicas imperfeições técnicas das sucessivas leis antirraciais brasileiras - e um es-
tudo –[...] sobre os não menos crônicos despreparo e insensibilidade dos operadores do sistema jurídico 
brasileiro em lidar com casos envolvendo alegações de discriminação racial.
[...] ao aprovar o relatório, a CIDH reiterou recomendações ao governo brasileiro, [...] das quais mere-
cem destaque, para os propósitos do presente artigo, as Recomendações de n. 5, 7, 8, 10 e 11, relacio-
nadas ao aperfeiçoamentos no sistema jurídico-penal: 
5. Realizar as modificações legislativas e administrativas necessárias para que a legislação anti-racis-
mo seja efetiva, com o fim de sanar os obstáculos demonstrados nos parágrafos 78 e 94 do presente 
relatório; 
6 Insuscetível de concessão de fiança. “A fiança é um direito subjetivo constitucional do acusado, que lhe permite, mediante caução e 
cumprimento de certas obrigações, conservar sua liberdade até a sentença condenatória irrecorrível” (MIRABETE, 2008, p. 415).
7 Que não submete a prazo prescricional.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
118 Direitos Humanos
7. Adotar e instrumentalizar medidas de educação dos funcionários de justiça e da polícia a fim de evitar 
ações que impliquem discriminação nas investigações, no processo ou na condenação civil ou penal das 
denúncias de discriminação racial e racismo; 
8. Organizar Seminários estaduais com representantes do Poder Judiciário, Ministério Público e 
Secretarias de Segurança Pública locais com o objetivo de fortalecer a proteção contra a discriminação 
racial e o racismo; 
10. Solicitar aos governos estaduais a criação de delegacias especializadas na investigação de crimes 
de racismo e discriminação racial; 
11. Solicitar aos Ministérios Públicos Estaduais a criação de Promotorias Públicas Estaduais Especializadas 
no combate ao racismo e a discriminação racial; [...] (SILVA; SOARES FILHO, 2011, p. 4)
Esta perspectiva mudou com a edição da Lei nº 12.288 de 20 de julho de 2010, conhecida como 
Estatuto da Igualdade Racial, que tem por “objetivo garantir à população negra a efetivação da igualdade 
de oportunidades, a defesa de direitos étnicos e o combate à discriminação” (PIOVESAN, 2015, p. 335).
O Estatuto estabelece a possibilidade de adoção de ações afirmativas consistentes em “políticas públi-
cas destinadas a reparar as distorções e desigualdades sociais e demais práticas discriminatórias adotadas, 
nas esferas pública e privada, durante o processo de formação social do País” (parágrafo único do art. 4.º).
O artigo 42, por exemplo, indica a possibilidade de adoção de critérios para o provimento de cargos da 
administração pública federal e estadual destinados a ampliar a participação de negros. Conduta de promo-
ção semelhante a da Lei 10.558/2002, chamada Lei das Cotas para o ingresso no ensino superior8.
O Estatuto assegura vários direitos fundamentais, como saúde, educação, cultura, esporte, lazer, liber-
dade de consciência e de crença, livre exercício dos cultos religiosos, acesso à terra e à moradia adequada e 
ao trabalho. Traz também algumas previsões bem especificas, como: 
• valorização da herança cultural afrodescendentes na história nacional; 
• estímulo à participação de afrodescendentes em propagandas, filmes e programas; 
• estímulo à adoção de programas de ações afirmativas pelo setor privado; 
• programas de ações afirmativas para afrodescendentes e povos indígenas em universidades 
federais.
Além disso, institui o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) como forma de 
organização e de articulação voltadas à implementação do conjunto de políticas e serviços destinados a su-
perar as desigualdades étnicas existentes no País, prestados pelo poder público federal (art. 47).
8 Em 26 de abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou constitucional o sistema de cotas raciais nas univer-
sidades públicas (ADPF 186 e RE 597.285/RS).
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
119Direitos Humanos
Parte
2 Diversidade religiosa: o direito à liberdade 
de consciência, crença e religião
A liberdade de consciência, conforme André de Carvalho Ramos (2015, p. 530-531), 
“consiste no direito de possuir, inovar, expressar ou até desistir de opiniões e convicções, 
assegurando-se o direito de agir em consonância com tais valores”. A liberdade de pensa-
mento inclui a liberdade de consciência, porémo fato de a Constituição expressamente se 
referir à liberdade de consciência “realça a importância de se assegurar a livre formação e 
exteriorização de convicção e valores” (ibidem).
E diretamente correlacionada à liberdade de consciência encontramos a liberdade de crença e religião, 
como uma de suas facetas. A liberdade de crença e religião consiste “no direito de adotar qualquer crença 
religiosa ou abandoná-la livremente, bem como praticar seus ritos, cultos e manifestar sua fé, sem interfe-
rências abusivas” (RAMOS, op. cit., p. 532).
Explicando a correlação entre ambos, Ingo Wolfgang Sarlet afirma :
A liberdade de consciência assume, de plano, uma dimensão mais ampla, considerando que as hipóte-
ses de objeção de consciência, apenas para ilustrar com um exemplo, abarcam hipóteses que não têm 
relação direta com opções religiosas, de crença e de culto. Bastaria aqui citar o exemplo daqueles que 
se recusam a prestar serviço militar em virtude de sua convicção (não necessariamente fundada em 
razões religiosas) de participar de conflitos armados e eventualmente vir a matar alguém. Outro caso, 
aliás, relativamente frequente, diz com a recusa de médicos a praticarem a interrupção da gravidez e 
determinados procedimentos, igualmente nem sempre por força de motivação religiosa. Assim, ampa-
rados na lição de Konrad Hesse, é possível afirmar que a liberdade de crença e de confissão religiosa e 
ideológica aparece como uma manifestação particular do direito fundamental mais geral da liberdade 
de consciência, que, por sua vez, não se restringe à liberdade de “formação” da consciência (o foro 
interno), mas abarca a liberdade de “atuação” da consciência, protegendo de tal sorte para efeitos ex-
ternos a decisão fundada na consciência, inclusive quando não motivada religiosa ou ideologicamente. 
(SARLET, 2015, p. 92-93)
Os direitos à liberdade de crença e religião estão enquadrados entre os direitos de 1.ª geração, demandan-
do uma prestação negativa do Estado, um abster-se de qualquer violação (BREGA FILHO; ALVES, 2008).
Mas devemos ressaltar que a liberdade religiosa também exige ações positivas do estado a fim de ga-
rantir o exercício deste direito, como, por exemplo, o previsto no inciso VII do artigo 5.º da Constituição 
Federal, em que se assegura, “nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e 
militares de internação coletiva”.
E mais, a liberdade religiosa engloba não somente direitos individuais como os coletivos:
Vídeo
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
120 Direitos Humanos
pois além dos direitos individuais de ter, não ter, deixar de ter, escolher uma religião (entre outras mani-
festações de caráter individual), existem direitos coletivos, cuja titularidade é das Igrejas e organizações 
religiosas, direitos que dizem com a auto-organização, autodeterminação, direito de prestar o ensino e 
a assistência religiosa, entre outros, aspectos que, por sua vez, são relacionados ao problema da titula-
ridade e dos destinatários do direito fundamental. (SARLET, 2015, p. 96-97)
Embora seja comum usarmos as expressões liberdade de crença e religiosa como sinônimas, José 
Afonso da Silva indica que existem diferenças entre ambas, embora sejam correlatas. Sustenta que na liber-
dade de crença se inclui “a liberdade de escolha da religião, a liberdade de aderir a qualquer seita religiosa, 
a liberdade (ou o direito) de mudar de religião, mas também compreende a liberdade de não aderir a religião 
alguma” (2000, p. 251-256 apud BREGA FILHO; ALVES, 2008, p. 3573-3574). Afirma o autor que 
a religião não é apenas sentimento sagrado puro. Não se realiza na simples adoração a Deus. Ao con-
trário, ao lado de um corpo de doutrina, sua característica básica se exterioriza na prática dos ritos, no 
culto, com suas cerimônias, manifestações, reuniões, fidelidades aos hábitos, às tradições, na forma 
indicada pela religião escolhida (ibidem).
Ingo Wolfgang Sarlet afirma que a liberdade religiosa desdobra-se numa liberdade de crença, “facul-
dade individual de optar por uma religião ou de mudar de religião ou de crença, ao passo que a liberdade de 
culto, que guarda relação com a exteriorização da crença” (2015, p. 96) e na liberdade de culto, guardando 
relação com a exteriorização da crença, através dos “ritos, cerimônias, locais e outros aspectos essenciais ao 
exercício da liberdade de religião e de crença” (ibidem).
A violação a liberdade religiosa tem origens muito remotas, não é de hoje que a intolerância religiosa 
é motivo para preocupação da sociedade, já passamos por situações em que a religião se tornou fundamento 
para atrocidades, como na época da inquisição. Infelizmente, em razão de questões religiosas ainda vemos 
guerras e conflitos civis em várias regiões do mundo, em especial os conflitos entre cristãos e muçulmanos.
Embora o Brasil seja um país com grande variedade cultural e étnica, consequentemente, religiosa, tal 
circunstância, por si só, não é capaz de afastar as graves violações à liberdade religiosa. Conforme um arti-
go publicado pelo Jornal do Senado, de Juliana Steck, o número de denúncias no Disque 100 da Secretaria 
de Direitos Humanos da Presidência da República cresceu mais de sete vezes em 2012 em relação a 2011, 
um aumento de 626%. E, não se deve esquecer, que estes números não representam a real dimensão do 
problema, fato este reconhecido pela própria Secretaria de Direitos Humanos, pois “o serviço telefônico 
gratuito da secretaria não possui um módulo específico para receber esse tipo de queixa” (STECK, 2013). 
Consequentemente,
muitos casos não chegam ao conhecimento do poder público. A maior parte das denúncias é apresen-
tada às polícias ou órgãos estaduais de proteção dos direitos humanos e não há nenhuma instituição 
responsável por contabilizar os dados nacionais. (STECK, 2013).
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
121Direitos Humanos
A associação SaferNet demonstra em números que a maioria das agressões são cometidas via internet:
Muitas agressões são cometidas pela internet. Segundo a associação SaferNet, em 2012, a Central 
Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu 494 denúncias de intolerância religiosa prati-
cadas em perfis do Facebook. O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, foram 
247.554 denúncias anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância 
religiosa. (STECK, 2013)
E o artigo do Jornal do Senado ainda divulga dados estatísticos relacionados às restrições religiosas no 
mundo:
Uma pesquisa mundial feita em 2009 e 2010 indicou o aumento da intolerância religiosa. Segundo o 
Instituto Pew Research Center, com sede nos Estados Unidos, 5,2 bilhões de pessoas (75% da popula-
ção mundial ) vivem em locais com restrições a crenças.
No período, passou de 31% para 37% a proporção de países com nível elevado ou muito alto de res-
trições. Entre os países com as maiores restrições governamentais (leis, políticas e ações para limitar 
práticas religiosas), estavam Egito, Indonésia, Arábia Saudita, Afeganistão, China, Rússia e outros que 
somaram 6,6 pontos ou mais em um índice de máximo 10. O Brasil aparece, junto com Austrália, Japão 
e Argentina, em nível baixo, entre os países com 0 a 2,3 pontos.
Mesmo nos países com nível moderado ou baixo de restrições, houve aumento da intolerância. Nos 
Estados Unidos, por exemplo, houve uma proposta – rejeitada pela Justiça – de declarar ilegal a lei 
islâmica. Na Suíça, foi proibida a construção de novos minaretes (torres em mesquitas). O aumento 
dessas restrições foi atribuído a fatores como crescimento de crimes e violência motivada por ódio 
religioso. (STECK, 2013)
Existem casos emblemáticos dentro do território nacional que demonstram a que nível chega a into-
lerância religiosa. O Mapa da Intolerância Religiosa, de Marcio Alexandre M. Gualberto (2011), cita, por 
exemplo, casos como o do cartunista Glauco Villas-Boas e seu filho,Roani, em que o assassino, Eduardo 
Sundfeld Nunes, o Cadu, afirma expressamente que praticou o crime cumprindo um chamado de Deus, 
referindo-se a Crença do Santo Daime9, seita esta adotada pelo cartunista, que era fundador da Igreja Céu 
de Maria.
Este documento cita, ainda, os ataques comuns às imagens sacras das Igreja Católica, como o praticado 
pelo Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Von Helder que, em 12 de outubro de 1995, em rede na-
cional, chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Dentre vários outros casos, o documento cita também o suicídio, em novembro de 2010, da jovem 
Larissa Rafaela Kondo de Lima, de 15 anos, em (Cafelândia/SP), que havia sido agredida pelos pais, evan-
gélicos, para que obedecesse as “regras da igreja e do respeito à família” (op. cit., p. 64-65).
9 “Trata-se de uma religião que mistura o xamanismo com espiritismo e cristianismo” (GUALBERTO, 2011. Disponível em: <www.
defensoria.sp.gov.br/dpesp/Repositorio/39/Documentos/Mapa_da_intolerancia_religiosa[1].pdf>.. Acesso em: 6 abr. 2016).
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
122 Direitos Humanos
Necessário, ainda, apontar o caso da Mãe Gilda, que faleceu logo após ter sua “foto estampada no 
Jornal Folha Universal em matéria extremamente desrespeitosa às religiões de matriz afro” (op. cit., p. 111-
112). O dia da morte da Mãe Gilda, 21 de janeiro, passou a ser considerado o Dia Nacional do Combate à 
Intolerância Religiosa, pela Lei 11.635/2007.
Sem dúvida, os números e as histórias de violação são assustadores, demonstrando a necessidade de 
atuações de toda a sociedade em prol da garantia da liberdade religiosa, tanto em âmbito internacional como 
no direito interno.
Em termos internacionais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos consagra expressamente a 
liberdade religiosa:
Art. 18. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito 
implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a 
religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela 
prática, pelo culto e pelos ritos. 
Este documento foi seguido pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966):
Artigo 18
1. Toda pessoa terá direito a liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Esse direito implica-
rá a liberdade de ter ou adotar uma religião ou uma crença de sua escolha e a liberdade de professar sua 
religião ou crença, individual ou coletivamente, tanto pública como privadamente, por meio do culto, 
da celebração de ritos, de práticas e do ensino.
2. Ninguém poderá ser submetido a medidas coercitivas que possam restringir sua liberdade de ter ou 
de adotar uma religião ou crença de sua escolha.
3. A liberdade de manifestar a própria religião ou crença estará sujeita apenas à limitações previstas em 
lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os 
direitos e as liberdades das demais pessoas.
4. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a liberdade dos países e, quando 
for o caso, dos tutores legais de assegurar a educação religiosa e moral dos filhos que esteja de acordo 
com suas próprias convicções.
No âmbito interamericano temos a Convenção Americana sobre os Direitos Humanos (Pacto São José 
da Costa Rica), de 1969:
Artigo 12 – Liberdade de consciência e de religião
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de 
conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de 
professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como 
em privado.
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
123Direitos Humanos
2. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua 
religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças.
3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita apenas às limitações 
previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral 
públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.
4. Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação 
religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.
E, em razão de necessidade evidente, a Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Intolerância e Discriminação fundadas na Religião ou nas Convicções de 1981 veio dispor especificamente 
sobre o assunto:
Artigo 1.º
§1.º Toda pessoa tem o direito de liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito 
inclui a liberdade de ter uma religião ou qualquer convicção a sua escolha, assim como a liberdade de 
manifestar sua religião ou suas convicções individuais ou coletivamente, tanto em público como em 
privado, mediante o culto, a observância, a prática e o ensino.
§2.º Ninguém será objeto de coação capaz de limitar a sua liberdade de ter uma religião ou convicções 
de sua escolha.
§3.º A liberdade de manifestar a própria religião ou as próprias convicções estará sujeita unicamente 
às limitações prescritas na lei e que sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a 
moral pública ou os direitos e liberdades fundamentais dos demais.
A Declaração de 1981 exemplifica quais liberdades estariam incluídas no direito à liberdade de pensa-
mento, de consciência, de religião ou de convicções (art. 6.º):
a) A de praticar o culto e o de celebrar reuniões sobre a religião ou as convicções, e de fundar e manter 
lugares para esses fins.
b) A de fundar e manter instituições de beneficência ou humanitárias adequadas.
c) A de confeccionar, adquirir e utilizar em quantidade suficiente os artigos e materiais necessários para 
os ritos e costumes de uma religião ou convicção.
d) A de escrever, publicar e difundir publicações pertinentes a essas esferas.
e) A de ensinar a religião ou as convicções em lugares aptos para esses fins.
f) A de solicitar e receber contribuições voluntárias financeiras e de outro tipo de particulares e 
instituições;
g) A de capacitar, nomear, eleger e designar por sucessão os dirigentes que correspondam segundo as 
necessidades e normas de qualquer religião ou convicção.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
124 Direitos Humanos
h) A de observar dias de descanso e de comemorar festividades e cerimônias de acordo com os preceitos 
de uma religião ou convicção.
i) A de estabelecer e manter comunicações com indivíduos e comunidades sobre questões de religião ou 
convicções no âmbito nacional ou internacional.
Na legislação nacional, a liberdade de consciência, de crença e de religião está expressamente prevista 
na Constituição Federal:
Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei-
ros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares 
de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou 
política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir 
prestação alternativa, fixada em lei;
Dentre as legislações infraconstitucionais voltadas à garantia da liberdade religiosa, em sentido amplo, 
podemos citar:
• Lei 7.716/89, modificada pela Lei 9.459/97 que penaliza a prática de crimes resultantes de discri-
minação ou preconceitode raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional (art. 20);
• Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, que reconhece que o 
ensino terá como base a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensa-
mento, a arte e o saber, bem como garantir o respeito à liberdade e apreço à tolerância (art. 3.º, 
inciso IV e II). Esta lei também reconhece o ensino religioso, de matrícula facultativa, como parte 
integrante da formação básica do cidadão, assegurando à diversidade cultural religiosa do Brasil, 
vedadas quaisquer formas de proselitismo;
• Lei 11.635/07 que instituiu o dia 21 de janeiro como o “Dia Nacional de Combate à Intolerância 
Religiosa”;
• Lei 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial) que, em seus arts. 24 e 26, assegura o direito à 
liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz africana, 
exigindo atuação estatal para combate à intolerância e à discriminação em relação às religiões de 
matriz africana;
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
125Direitos Humanos
Necessário acrescentar, mesmo que de forma breve, a existência de conflitos entre o direito à liberdade 
religiosa e outros direitos humanos. Podemos citar como exemplo o conflito entre a liberdade de expressão e 
a liberdade religiosa, quando se discute a possibilidade de, fundamentado na liberdade de expressão, realizar 
críticas às religiões e crenças. Claro que a própria Constituição Federal reconhece a liberdade de expressão 
como direito fundamental, porém não é possível que, fundamentado em tal garantia, se incorra em manifes-
tações preconceituosas que venham a ofender à honra ou imagem de alguém.
Outro exemplo bastante comum nas discussões relacionadas à liberdade religiosa é o seu conflito com 
o direito à vida e à saúde, no caso das Testemunhas de Jeová, cujo credo proíbe transfusões de sangue10. 
Várias outras questões podem ser levantadas, como a questão do ensino religioso em escolas públicas, 
as discussões relacionadas às religiões que guardam o sábado e as consequências em relação à realização de 
provas de concurso público, à frequência escolar e ao trabalho. 
Parte
3 Equidade de gênero, direitos da 
mulher e Lei Maria da Penha
Nesta parte da aula trataremos de outro assunto inquietante quando se fala sobre ofen-
sa ao direito à igualdade, que é a questão da discriminação de gênero, da afronta aos direitos 
das mulheres.
Somente para demonstrar a importância da questão, é necessário trazer a tona alguns 
números: “Até o primeiro semestre de 2012, foram feitos 47.555 registros de atendimento 
na Central de Atendimento à Mulher. Durante todo o ano de 2011, foram 74.984 registros, 
bem inferior aos 108.491 de 2010” (IBGE, 2012). Estes números foram somente os registrados pela Central 
de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que é “um serviço de atendimento telefônico que recebe denúncias 
de maus-tratos contra as mulheres oferecido pela a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência 
da República” (IBGE, 2012).
10 Sobre o assunto Ingo Wolfgang Sarlet (2015, p. 100) leciona: “Se para o caso de menores de idade se revela legítima a intervenção 
estatal para, em havendo manifestação contrária dos pais ou responsáveis, determinar o procedimento médico quando tido como in-
dispensável, no que se verifica substancial consenso, é pelo menos questionável que se queira impor a pessoas maiores e capazes algo 
que seja profundamente contrário às suas convicções, por mais que tais convicções sejam resultado de um processo de formação que 
se inicia na mais tenra idade. De qualquer sorte, quanto ao caso das pessoas maiores e capazes, não existe uma orientação definida, 
havendo entendimentos em ambos os sentidos.”
Vídeo
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
126 Direitos Humanos
Especificamente estes registros se referem a vários tipos de violência:
Tabela 1 – Registros de atendimentos da Central de Atendimento à mulher, segundo o tipo de 
relato. Brasil, 2009 - 2012 
Tipo de Relato
Registros de atendimentos da Central de 
Atendimento à Mulher
2009 2010 2011 2012
Total 40857 108 491 74 984 47 555
Violência física - lesão corporal leve, grave e 
gravíssima, tentativa de homicídio e homicídio
22 006 63 838 45 953 26 939
Violência psicológica - ameaça, dano emocional, 
perseguições, assédio moral no trabalho
13 555 27 440 17 987 12 941
Violência moral - difamação, calúnia e injúria 3 595 12 608 8 176 5 797
Violência patrimonial 807 1 840 1 227 750
Violência sexual - estupro, exploração sexual e 
assédio no trabalho
576 2 318 1 298 915
Outros tipos de violência 308 447 343 213
(IBGE, 2012.) 
Em relação à taxa de homicídios femininos verificamos números assustadores apresentados no Mapa 
da Violência 2015 – Homicídio de Mulheres no Brasil, do autor Julio Jacobo Waiselfisz. O número de 
vítimas passou de 1.353 mulheres em 1980, para 4.762 em 2013, um aumento de 252%. A taxa, que em 
1980 era de 2,3 vítimas por 100 mil, passa para 4,8 em 2013, um aumento de 111,1% Estes são os números 
apresentados pelo Mapa:
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
127Direitos Humanos
Tabela 2 – Número e taxas (por 100 mil) de homicídio de mulheres. Brasil, 1980-2013
Ano n. Taxas Ano n. Taxas
1980 1.353 2,3 2001 3.851 4,4
1981 1.487 2,4 2002 3.867 4,4
1982 1.497 2,4 2003 3.937 4,4
1983 1.700 2,7 2004 3.830 4,2
1984 1.736 2,7 2005 3.884 4,2
1985 1.766 2,7 2006 4.022 4,2
1986 1.799 2,7 2007 3.772 3,9
1987 1.935 2,8 2008 4.023 4,2
1988 2.025 2,9 2009 4.260 4,4
1989 2.344 3,3 2010 4.465 4,6
1990 2.585 3,5 2011 4.512 4,6
1991 2.727 3,7 2012 4.719 4,8
1992 2.399 3,2 2013 4.762 4,8
1993 2.622 3,4 1980/2013 106.093 
1994 2.838 3,6 Δ% 1980/2006 197,3 87,7
1995 3.325 4,2 Δ% 2006/2013 18,4 12,5
1996 3.682 4,6 Δ% 1980/2013 252,0 111,1
1997 3.587 4,4 Δ% aa. 1980/2006 7,6 2,5
1998 3.503 4,3 Δ% aa. 2006/2013 2,6 1,7
1999 3.536 4,3 Δ% aa. 1980/2013 7,6 2,3
2000 3.743 4,3
(WAISELFISZ, 2015, p. 11.) 
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
128 Direitos Humanos
Gráfico 2 – Evolução das taxas de homicídios de mulheres (por 100 mil). Brasil. 1980/2013. 
1980, 2,3 
1996, 4,6 
2003, 4,4
2006, 4,2
2007, 3,9 
2010, 4,6 
2013, 4,8 
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
4,5
5,0
1980 1983 1986 1989 1992 1995 1998 2001 2004 2007 2010 2013
Ta
xa
s 
de
 h
om
ic
íd
io
 (
po
r 1
00
 m
il)
 
(Waiselfisz, 2015, p. 12.)
Importante ressaltar a queda do número de homicídios após a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei 
11.340/2006), “no período anterior à Lei o crescimento do número de homicídios de mulheres foi de 7,6% ao 
ano; quando ponderado segundo a população feminina, o crescimento das taxas no mesmo período foi de 2,5% 
ao ano” (WAISELFISZ, 2015, p. 11). Examinando o período após a lei, entre 2006 e 2013, “o crescimento do 
número desses homicídios cai para 2,6% ao ano e o crescimento das taxas cai para 1,7% ao ano” (ibidem).
Este estudo apresenta uma comparação em relação a outros países que se apresenta alarmante:
Com sua taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, o Brasil, num grupo de 83 países com dados 
homogêneos, fornecidos pela Organização Mundial da Saúde, ocupa uma pouco recomendável 5ª posi-
ção, evidenciando que os índices locais excedem, em muito, os encontrados na maior parte dos países 
do mundo. 
Efetivamente, só El Salvador, Colômbia, Guatemala (três países latino-americanos) e a Federação 
Russa evidenciam taxas superiores às do Brasil. Mas as taxas do Brasil são muito superiores às de 
vários países tidos como civilizados: 
• 48 vezes mais homicídios femininos que o Reino Unido; 
• 24 vezes mais homicídios femininos que Irlanda ou Dinamarca; 
• 16 vezes mais homicídios femininos que Japão ou Escócia. 
Esse é um claro indicador que os índices do País são excessivamente elevados. (WAISELFISZ, 2015, p. 27).
E não para por aí, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan),do Ministério da Saúde, 
que registra os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) no campo das violências, aponta que, em 
2014, foram atendidas 223.796 vítimas de diversos tipos de violência, sendo que 
duas em cada três dessas vítimas de violência (147.691) foram mulheres que precisaram de atenção mé-
dica por violências domésticas, sexuais e/ou outras. Isto é: a cada dia de 2014, 405 mulheres demanda-
ram atendimento em uma unidade de saúde, por alguma violência sofrida (WAISELFISZ, 2015, p. 42).
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129Direitos Humanos
Ao se identificar quem foi o agressor se constata que:
• 82% das agressões a crianças do sexo feminino, de <1 a 11 anos de idade, que demandaram atendi-
mento pelo SUS, partiram dos pais – principalmente da mãe, que concentra 42,4% das agressões.
• Para as adolescentes, de 12 a 17 anos de idade, o peso das agressões divide-se entre os pais (26,5%) e 
os parceiros ou ex-parceiros (23,2%). 
• Para as jovens e as adultas, de 18 a 59 anos de idade, o agressor principal é o parceiro ou ex-parceiro, 
concentrando a metade do todos os casos registrados. 
• Já para as idosas, o principal agressor foi um filho (34,9%).
• No conjunto de todas as faixas, vemos que prepondera largamente a violência doméstica. Parentes ime-
diatos ou parceiros e ex-parceiros [...] são responsáveis por 67,2% do total de atendimentos. (op cit, p. 48)
E o estudo ainda indica os tipos de violência, apontando que a violência física é mais frequente, a par 
da psicológica e sexual:
Tabela 3 – Número e estrutura (%) de atendimentos de mulheres pelo SUS, segundo de violência 
e etapa do ciclo de vida. Brasil, 2014
Tipo de 
violência
 Número %
Criança Adoles-cente Jovem Adulta Idosa Total Criança
Adoles-
cente Jovem Adulta Idosa Total
Física 6.020 15.611 30.461 40.653 3.684 96.429 22,0 40,9 58,9 57,1 38,2 48,7
Psicológica 4.242 7.190 12.701 18.968 2.384 45.485 15,5 18,9 24,5 26,6 24,7 23,0
Tortura 402 779 1.177 1.704 202 4.264 1,5 2,0 2,3 2,4 2,1 2,2
Sexual 7.920 9.256 3.183 3.044 227 23.630 29,0 24,3 6,2 4,3 2,4 11,9
Tráfico 
seres
20 16 28 30 3 97 0,1 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0
Econômica 115 122 477 1.118 601 2.433 0,4 0,3 0,9 1,6 6,2 1,2
Neglig./
abandono
7.732 2.577 436 593 1.837 13.175 28,3 6,8 0,8 0,8 19,0 6,7
Trabalho 
Infantil
140 133 273 0,5 0,3 0,0 0,0 0,0 0,1
Interv. 
Legal
75 94 64 90 29 352 0,3 0,2 0,1 0,1 0,3 0,2
Outras 649 2.359 3.228 4.978 684 11.898 2,4 6,2 6,2 7,0 7,1 6,0
Total 27.315 38.137 51.755 71.178 9.651 198.036 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: WAISELFISZ, 2015 p. 50)
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
130 Direitos Humanos
Não restam dúvidas da necessidade de combate ao preconceito de gênero e da adoção de medidas de 
promoção dos direitos das mulheres.
No âmbito internacional, as Nações Unidas aprovaram em 1979 a Convenção sobre a Eliminação de 
todas as Formas de Discriminação contra a Mulher11, impulsionada pela proclamação de 1975 como o Ano 
Internacional da Mulher, no México (PIOVESAN, 2015).
Já no artigo 1.º a Convenção estabelece o que significa discriminação contra a mulher:
Artigo 1.º Para fins da presente Convenção, a expressão “discriminação contra a mulher” significará 
toda distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou 
anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente de seu estado civil, com 
base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos 
político, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo.
Flávia Piovesan (2015) ressalta que a Convenção se fundamenta na dupla obrigação de eliminar a 
discriminação e de assegurar a igualdade, tratando o princípio da igualdade tanto como uma obrigação vin-
culante, como um objetivo a ser atingido.
A autora ressalva ainda que, da mesma forma que a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas 
de Discriminação Racial, esta Convenção também permite a discriminação positiva, ou seja, através da ado-
ção de medidas promocionais, além das repressivas, “com vistas a acelerar o processo de igualização de sta-
tus entre homens e mulheres” (PIOVESAN, 2015, p. 366). Salienta que estas medidas são “compensatórias 
para remediar as desvantagens históricas, aliviando as condições resultantes de um passado discriminatório” 
(ibidem) 
O artigo 18 da Convenção cria a sistemática de relatórios como forma de exame da implementação 
pelos Estados-partes dos direitos ali assegurados, o que será realizado pelo Comitê sobre a Eliminação da 
Discriminação contra a Mulher (art. 17).
No entanto, ressalta Flávia Piovesan que esta Convenção foi o instrumento internacional que mais rece-
beu reservas dentre as convenções de direitos humanos, “pois ao menos 23 dos 100 Estados-partes fizeram, 
no total, 88 reservas substanciais” (2015, p. 367). Destaca a autora que a maioria das reservas concentrou-se 
na cláusula relativa à igualdade entre homens e mulheres na família, estando justificada em argumentos de 
ordem religiosa, cultural ou mesmo legal.
E explica:
Isso reforça o quanto a implementação dos direitos humanos das mulheres está condicionada à di-
cotomia entre os espaços público e privado, que, em muitas sociedades, confina a mulher ao espaço 
exclusivamente doméstico da casa e da família. Vale dizer, ainda que se constate, crescentemente, a 
11 Acesso ao documento na íntegra: <www.unicef.org/brazil/pt/resources_10233.htm>. Acesso em: 23 mar. 2016. 
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
131Direitos Humanos
democratização do espaço público, com a participação ativa de mulheres nas mais diversas arenas so-
ciais, resta o desafio da democratização do espaço privado – cabendo ponderar que tal democratização 
é fundamental para a própria democratização do espaço público. (PIOVESAN, 2015, p. 367)
E por fim a autora afirma que a Conferência de Direitos Humanos de Viena de 1993 “reafirmou a im-
portância do reconhecimento universal do direito à igualdade relativa ao gênero, clamando pela ratificação 
universal da Convenção” (PIOVESAN, 2015, p. 368), cabendo ao Comitê continuar a revisar as reservas 
à Convenção, convidando os Estados-partes a eliminar reservas que sejam contrárias aos propósitos da 
convenção. 
O Brasil ratificou a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a 
Mulher em 1.º de fevereiro de 1984. Ratificou em 1995, em âmbito regional, a Convenção Interamericana 
para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (“Convenção de Belém do Pará”), editada no 
âmbito da OEA (Organização dos Estados Americanos), em 1994.
Flávia Piovesan ressalta que a Convenção de Belém do Pará é o primeiro tratado internacional a reco-
nhecer “a violência contra a mulher como um fenômeno generalizado, que alcança, sem distinção de raça, 
classe, religião, idade ou qualquer outra condição, um elevado numero de mulheres” (2015, p. 371).
Já no seu preâmbulo, a Convenção destaca que a violência contra a mulher constitui ofensa contra 
a dignidade humana e é manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e 
homens. 
A Convenção define que violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que 
cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na 
esfera privada” (art. 1.º).
De acordo com Flávia Piovesan, é a partir desta convenção que surgem valiosas estratégias para a 
proteção internacional dos direitos humanos das mulheres, destacando especificamente o mecanismo das 
petições à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, prevista no artigo 12 da Convenção.
Na legislação nacional, além das previsões constitucionais, que asseguram a igualdade de gênero, tanto 
como direito fundamental (art. 5.º, inciso I), como no âmbito familiar (art. 226, §5.º), temos previsões espe-
cíficas como às relacionadas
• à proibição de discriminaçãono mercado de trabalho (art. 7.º, XXX, regulamentado pela Lei 
9.029/95); 
• a proteção da mulher no mercado de trabalho mediante incentivos específicos (art. 7.º, XX, regu-
lamentado pela Lei 9.799/1999); e 
• o dever do estado de coibir a violência no âmbito das relações familiares (art. 226, §8.º da CF/88).
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
132 Direitos Humanos
Contudo, até 2006 o Brasil ainda não contava com uma legislação específica a respeito da violência 
contra a mulher, tendo sido necessário a ocorrência de um caso emblemático para a promulgação da Lei 
11.340 de 7 de agosto de 2006, também denominada de Lei “Maria da Penha”.
Maria da Penha foi vítima de duas tentativas de homicídio praticadas pelo seu companheiro, em seu pró-
prio domicílio, em Fortaleza, em 1983, tendo ficado paraplégica aos 38 anos. E detalhe, após 15 anos o réu 
ainda permanecia em liberdade, em razão da interposição de vários recursos da decisão condenatória profe-
rida pelo Tribunal do Júri. Esta situação foi levada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), 
por meio de petição conjunta das entidades CEJIL-Brasil (Centro para a Justiça e o Direito Internacional) e 
CLADEM-Brasil (Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher), sendo que 
em 2001 a Comissão Interamericana condenou o Estado brasileiro por negligencia e omissão em relação à 
violência doméstica (PIOVESAN, 2015, p. 384-385).
Flávia Piovesan ressalta que esta foi “a primeira vez que um caso de violência doméstica leva à conde-
nação de um país, no âmbito do sistema interamericano de proteção dos direitos humanos” (2015, p. 388). 
Cumprindo as recomendações da decisão da Comissão Interamericana, em 31 de outubro de 2002, houve a 
prisão do réu. 
Este caso emblemático deu origem a Lei 11.340/2006 que criou mecanismos para coibir a violência do-
mestica e familiar contra a mulher, estabelecendo medidas de prevenção, assistência e proteção às mulheres 
em situação de violência.
Flávia Piovesan destaca sete inovações introduzidas pela Lei “Maria da Penha”:
1. Mudança de paradigma de enfrentamento da violência contra a mulher, pois deixam de ser crimes 
de menor potencial ofensivo, tratados pela Lei nº 9.099/95, passando a ser concebida como uma 
violação a direitos humanos, sendo expressamente vedada a aplicação da Lei 9.099/95;
2. Incorporação da perspectiva de gênero para tratar da violência contra a mulher, exigindo o re-
conhecimento da especial condição das mulheres, com, por exemplo, a criação dos Juizados de 
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e de Delegacias de Atendimento à Mulher;
3. Incorporação da ótica preventiva, integrada e multidisciplinar, com a criação de medidas de pre-
venção a serem adotadas pela União, Estados, Distrito Federal, Municípios e entidades não gover-
namentais. A legislação também prevê medidas multidisciplinares nas áreas de segurança pública, 
assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação, além de realçar a importância da pro-
moção e realização de campanhas educativas para a prevenção da violência domestica e familiar;
4. Fortalecimento da ótica repressiva ao proibir a aplicação de penas de cesta básica ou outras de 
prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique no pagamento isolado de 
multa;
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
133Direitos Humanos
5. Harmonização com a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência con-
tra a Mulher de Belém do Pará, criando mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar, 
ampliando o conceito de violência contra a mulher, compreendendo tal violência como “qualquer 
ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psico-
lógico e dano moral ou patrimonial” (art. 5.ª da Lei 11340/2006), que ocorra no âmbito da unidade 
doméstica, no âmbito da família ou em qualquer relação íntima de afeto;
6. Consolidação de um conceito ampliado de família e visibilidade ao direito à livre orientação 
sexual, reiterando que não importa a orientação sexual, classe, raça, etnia, renda, cultura, nível 
educacional, idade e religião, todas as mulheres tem o direito de viver sem violência;
7. Estímulo à criação de bancos de dados e estatísticas com informações relevantes, com a perspecti-
va de gênero, raça e etnia, indicando a causa, as consequências e a frequência da violência.
E conclui a autora que a adoção da Lei Maria da Penha12 rompeu o silêncio legislativo do Estado bra-
sileiro ao reconhecer a violência contra a mulher como um crime, deixando assim de violar as obrigações 
jurídicas contraídas quando da ratificação de tratados internacionais.
Outra modificação legislativa adveio da Lei 11.106, de 28 de março de 2005, que revogou o inciso 
VII, do artigo 109 do Código Penal, que previa como causa da extinção da punibilidade o casamento do 
agente com a vítima, nos crimes contra os costumes, definidos nos Capítulos I, II e III do Título VI da Parte 
Especial daquele Diploma.
Recentemente foi sancionada a Lei 13.104/2015 (Lei do Feminicídio13) que altera o artigo 121 do 
Código Penal14, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 
1.º da Lei 8.072/90, para incluir o feminicídio no rol de crimes hediondos.
12 Em 9 de fevereiro de 2012 o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da Lei Maria da Penha (ADI 4.424 E ADC 
19).
13 “O feminicídio pode ser definido como uma qualificadora do crime de homicídio motivada pelo ódio contra as mulheres, caracterizado 
por circunstâncias específicas em que o pertencimento da mulher ao sexo feminino é central na prática do delito.
 Entre essas circunstâncias estão incluídos: os assassinatos em contexto de violência doméstica/familiar, e o menosprezo ou discrimi-
nação à condição de mulher. Os crimes que caracterizam a qualificadora do feminicídio reportam, no campo simbólico, a destruição 
da identidade da vítima e de sua condição de mulher.”
14 Art. 121. Matar alguém:
[...]
Feminicídio 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força 
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente con-
sanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
134 Direitos Humanos
Parte
4 Direitos LGBT, enfrentamento e combate ao 
preconceito, à discriminação e à violência
Dentro da noção do direito à igualdade, da análise das diversas violações sofridas 
por minorias sociais em razão da ofensa a este direito, não se pode deixar de analisar a 
questão dos LGBT ou ainda LGBTTT, é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, 
Transexuais e Transgêneros.
Citamos anteriormente o posicionamento de André de Carvalho Ramos (2015) que 
afirma que atualmente o fundamento do direito à igualdade é a universalidade dos direitos 
humanos, pois esta reconhece a todos os seres humanos a titularidade desses direitos, tal qual concebe o 
artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: “Todos os seres humanos nascem livres e 
iguais em dignidade e direitos”15 (DUDH, 1948).
Portanto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 veio “inovar a gramática dos direitos 
humanos, ao introduzir a concepção contemporânea de direitos humanos, marcada pela universalidade e 
indivisibilidade desses direitos” (PIOVESAN, 2015, p. 442), sob o pressuposto de que a condição de ser 
humano é o único requisito para a titularidade dos mesmos.
O direito à igualdade e a proibição da discriminação foram consagrados não só pela Declaração 
Universal de Direitos Humanos, mas também pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e pelo 
Pacto Internacional dos DireitosEconômicos, Sociais e Culturais. Assim dispõe o artigo II da Declaração 
Universal dos Direitos Humanos de 1948:
Artigo II 
1.º Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta 
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política 
ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. 
2.º Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional 
do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, 
sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. (DUDH, 1948, grifo nosso)
§2.º -A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: 
I - violência doméstica e familiar; 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
15 Acesso ao documento na íntegra: <www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2016. 
Vídeo
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
135Direitos Humanos
No mesmo sentido o artigo 2.º do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1966:
Artigo 2.º 
1. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar e a garantir a todos os indivíduos 
que se achem em seu território e que estejam sujeito a sua jurisdição os direitos reconhecidos no pre-
sente Pacto, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, religião, opinião política ou 
outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra condi-
ção. (grifo nosso).
E também o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966 no seu artigo 2.º:
2. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a garantir que os direitos nele enunciados e 
exercerão em discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política 
ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra 
situação. (grifo nosso).
Embora não haja expressa referência a orientação sexual nestes documentos, há consenso que a não 
discriminação e a igualdade decorrente da orientação sexual podem ser extraídas das cláusulas gerais, em 
especial pelas expressões: “ou qualquer outra condição” e “ou qualquer outra situação”
Essa foi a posição adotada pelo Comitê dos Direitos Humanos, em 1994, no caso Toonen versus 
Austrália16, quando sustentou que os estados estão obrigados a proteger os indivíduos da discriminação 
baseada em orientação sexual (PIOVESAN, 2015).
E também é posição adotada pelo Comitê dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturas, através da 
Recomendação Geral 20, quando observou que a expressão “outra situação” constante do artigo 2.º do Pacto 
inclui orientação sexual e “realçou o dever dos Estados-partes de assegurar que a orientação sexual de uma 
pessoa não signifique um obstáculo para a realização dos direitos enunciados no Pacto” (PIOVESAN, 2015, 
p. 445).
Em 26 de setembro de 2014 o Conselho de Direitos Humanos da ONU adotou uma resolução em rela-
ção ao tema da orientação sexual e identidade de gênero 
com 25 votos a favor, 14 contra e sete abstenções – na qual expressou “grave preocupação” com atos 
de violência e discriminação, em todas as regiões do mundo, cometidos contra indivíduos por causa de 
sua orientação sexual e identidade de gênero (ONU-BRASIL, 2014).
Esta resolução, que teve o Brasil como um dos países que apresentou seu projeto, “pede ao Alto 
Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) que atualize seu relatório sobre as ‘leis e 
16 Sobre o caso Toonen versus Austrália assita o vídeo da ONU “ONU prepara estudo inédito sobre violações de direitos humanos da 
comunidade LGBT”. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=NUqPo5Oa7Hs>. Acesso em: 2 abr. 2016.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
136 Direitos Humanos
práticas discriminatórias e atos de violência contra indivíduos com base em sua orientação sexual e gênero 
identidade’” (ONU-BRASIL, 2014).
O objetivo da resolução é “ ‘compartilhar boas práticas e maneiras de superar a violência e a discri-
minação’ na aplicação do direito internacional dos direitos humanos e das normas existentes”, visando 
“apresentá-lo ao Conselho de Direitos Humanos durante sua vigésima nona sessão” (ONU-BRASIL, 2014).
Ainda no âmbito internacional, Flávia Piovesan (2015) cita um vasto repertório jurisprudencial da 
Corte Europeia de Direitos Humanos envolvendo a livre orientação sexual. A autora indica casos relativos à 
proibição da criminalização de prática homossexuais consensuais no final da década de 1980. Depois passa 
para o exame de casos de discriminação baseados em orientação sexual no final da década de 1990, em que 
cita demissões de oficiais das forças armadas do Reino Unido em razão das suas orientações sexuais, de-
monstrando que a Corte Europeia reconheceu a violação ao direito e ao respeito à vida privada e à proibição 
de discriminação da Convenção Europeia.
Em seguida a autora (op cit) menciona ainda casos relativos a reconhecimentos de direitos de transe-
xuais no âmbito da Corte Europeia de Direitos Humanos, como direito à mudança de sexo após a realização 
de cirurgia, tratamento diferenciado na esfera trabalhista, seguridade social, pensão e casamento no Reino 
Unido. Examina também os casos submetidos à corte em relação à adoção por homossexuais, reconhecendo 
a possibilidade de adoção por uma homossexual solteira no caso E. B. versus France17.
No âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos, a autora cita o leading case Atala Riffo y 
niñas versus Chile18, decidido em 24 de fevereiro de 2012, como sendo o primeiro caso julgado pela corte 
concernente à violação aos direitos da diversidade sexual. Após intenso litigio judicial no Chile, a Sra. Atala 
perdeu a custódia das três filhas para o pai, sob o argumento de que a não poderia manter a custódia por con-
viver com pessoa do mesmo sexo após o divórcio. “No entender unanime da Corte Interamericana, o Chile 
violou os artigos 1.º, parágrafo 1.º e 14 da Convenção Americana, por afrontar o princípio da igualdade e da 
proibição da discriminação” (PIOVESAN, 2015, p. 454).
E conclui sobre este precedente:
À luz de uma interpretação dinâmica e evolutiva compreendendo a Convenção como um “living ins-
trument”, ressaltou a Corte que a cláusula do art. 1.º, parágrafo 1.º, é caraterizada por ser uma cláusula 
aberta de forma a incluir a categoria da orientação sexual, impondo aos Estados a obrigação geral de 
assegurar o exercício de direitos, sem qualquer discriminação. (PIOVESAN, 2015, p. 454).
17 Sobre o caso E. B. vs França, consulte o item 6.2 do material disponível no link: <https://eces.revues.org/1658#tocto2n13>. Acesso 
em: 11 abr. 2016
18 Sobre o caso Atala Riffo y niñas versus Chile indico o seguinte texto: AVELINO, Juliana de Britto. Proteção internacional dos 
direitos humanos e a promoção dos princípios da igualdade e não discriminação. Disponível em: <www.defensoria.ce.gov.br/
wp-content/uploads/downloads/2015/08/artigo-final-prote----o-internacional-dos-direitos-humanos-e-principios-da-igualdade-e-nao-
-discrimina--ao.pdf>. Acesso em: 2 abr. 2016. p. 10.
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
137Direitos Humanos
Após examinar os casos jurisprudenciais no âmbito da Corte Europeia e Interamericana de Direitos 
Humanos, Flavia Piovesan ressalta que a evolução histórica do combate à discriminação fundada em orien-
tação sexual tem como marco a década de 1990 e seus avanços estão centrados na arena jurisprudencial 
tanto no âmbito global como regional, o que revela “a ausência de um consenso normativo global e regional 
concernente aos direitos da diversidade sexual” (2015, p. 456).
Por outro lado, a autora (op cit) salienta a importância de se expandir, otimizar e densificar a força 
catalisadora da jurisprudência protetiva global e regional,em especial no que toca ao reconhecimento de 
que a igualdade e a proibição da discriminação constituem cláusulas gerais a abarcar o critério de orientação 
sexual.
Passemos a analisar a questão no Brasil, iniciando pela análise da realidade vivida por esta minoria 
social.
No Relatório de Violência Homofóbica no Brasil19, relativo ao ano de 2013, a Secretaria Especial de 
Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos em sua apre-
sentação inicial relata:
O Brasil vive, atualmente, um movimento contraditório em relação aos direitos humanos da população 
de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis – LGBT. Se por um lado conquistamos direitos 
historicamente resguardados e aprofundamos o debate público sobre a existência de outras formas de 
ser e se relacionar, por outro acompanhamos o continuo quadro de violência e discriminação que a 
população LGBT vive cotidianamente. 
Vemos que ser LGBT, infelizmente, ainda configura uma situação de risco. Violações de direitos são 
cometidas com frequência e por motivações diversas. Porém, frear essas progressões de modo que um 
LGBT possa sentir cada vez mais segurança em ser quem é, é um compromisso a ser firmado. Só será 
possível fazer algo frente a essa situação por meio de informações que sejam capazes de traduzir essa 
realidade. Informações estas que este relatório esperar prover e, cada vez mais, aprimorar. (BRASIL/
SEDH, 2016, p. 4)
De acordo com dados colhidas na Ouvidoria do SUS entre 2013 e 2014, dos 40.852 questionários 
respondidos, 952 pessoas indicaram sua orientação sexual como diferente de heterossexual e desses a distri-
buição por identidade sexual foi a seguinte:
19 Consulta ao documento: <www.sdh.gov.br/assuntos/lgbt/dados-estatisticos/Relatorio2013.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2015. 
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
138 Direitos Humanos
Gráfico 3 – Identidade sexual ou identidade de gênero dos usuários da Ouvidoria SUS, 2013-2014
44,0%
21,0%
18,0%
13,0%
3,0%
1,0%
Gay Outros Bissexual Lésbica Transexual Trans-bi
(BRASIL/SEDH, 2016, p. 4)
Este relatório indica que em 2013 foram registrados 1965 denúncias pelo Disque Direitos Humanos, 
“de 3.398 violações relacionadas à população LGBT, envolvendo 1.906 vítimas e 2.461 suspeitos. Em rela-
ção a 2012, houve uma queda dos registros ao Disque 100 de 44,1%” (BRASIL/SEDH, 2016, p. 11).
Gráfico 4 – denúncias, por mês, 2013
11,6%
9,6
13,1%
9,6% 9,9%
7,7% 7,8%
6,8% 6,5%
7,1%
5,6%
4,7%
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
( BRASIL/SEDH, 2016, p. 11)
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
139Direitos Humanos
E ressalta que a
redução das denúncias não necessariamente tenha como única variável explicativa a não ligação. 
Variáveis como a falta de manutenção de campanhas de divulgação pelos entes federativos e o alcance 
restrito desse meio de denúncia que possui dificuldades de acessar municípios de menor porte são cau-
sas possíveis de flutuação na taxa de denúncia” (BRASIL/SEDH, 2016, p. 10).
O perfil das violações demonstra que a maioria decorre de violência psicológica, de discriminação ou 
violência física:
Gráfico 05: distribuição das violações, por tipo, 2013 
40,1%
36,4%
14,4%
3,6%
5,5%
Violência
Psicológica
Discriminação Violência
Física
Negligência Outros
(BRASIL/SEDH, 2016, p. 24)
Conforme o relatório, dentro do tipo violência psicológica se enquadram as humilhações (36,4%), as 
hostilizações (32,3%) e as ameaças (16,2%). Já no caso da discriminação, como seria de se esperar, 77,1% 
decorrem de orientação sexual e 15,1% por identidade de gênero. No caso da violência física, 52, 5% do 
total das ocorrências reportadas são lesões corporais, seguido de 36,6% de casos de maus tratos. São citadas 
também as tentativas de homicídios totalizando “4,1%, com 28 ocorrências, enquanto homicídios reporta-
dos ao poder público federal contabilizaram 3,8% do total de violências físicas denunciadas, com 26 ocor-
rências” (BRASIL/SEDH, 2016, p. 26).
O Relatório também traz dados retirados de relatos da mídia sobre violações de direitos humanos 
contra a população LGBT. “Em 2013, foram divulgadas nos principais canais midiáticos brasileiros 317 
violações contra a população LGBT. Entre as violações noticiadas encontram-se 251 homicídios” (BRASIL/
SEDH, 2016, p. 30).
Analisando estes dados, porém lembrando inicialmente que eles indicam apenas os que são efetiva-
mente formalizados, havendo inúmeros outros casos de violência que sequer são registrados e outros tantos 
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
140 Direitos Humanos
que são registrados, mas não como caso de violência homofóbica, constata-se que a violência contra a co-
munidade LGBT é uma realidade a ser combatida.
Passando para um exame de nossa legislação interna, primeiramente vislumbra-se que a nossa 
Constituição Federal, embora não contenha expressa referência a não discriminação por orientação sexual, 
prevê expressamente o direito à igualdade (art. 5.º, caput) e a proibição de qualquer forma de discriminação 
(art. 3.º, inciso IV e art. 5.º, inciso XLI).
Considerando o princípio da dignidade da pessoa humana e as previsões acima indicadas, não há como 
negar que, numa interpretação principiológica e sistêmica, a nossa Constituição Federal proíbe qualquer 
conduta discriminatória em razão da orientação sexual, assegurando os mesmos direitos humanos previstos 
em seu corpo à toda comunidade LGBT.
Não é por outra razão que tanto o STF (ADIn20 4277 e ADPF21 132) como o STJ (Resp22 1.183.348) 
reconheceram a união homoafetiva como entidade familiar, atribuindo-lhes direitos decorrentes ou da união 
estável ou do casamento, dependendo do caso.
A evolução no reconhecimento de direitos aos homossexuais tem sido mais frequente no âmbito ju-
risprudencial, seguindo a ótica internacional, como já vimos. Por exemplo, no que tange à adoção não há 
previsão legislativa reconhecendo esta possibilidade, embora uma interpretação principiológica e sistêmica 
permita tal conclusão, mesmo assim já verificamos posições jurisprudenciais favoráveis a esta hipótese de 
adoção (exemplo de jurisprudência no STJ: REsp 1.281.093/SP e REsp 889.852/RS)
Com relação às legislações infraconstitucionais podemos citar: 
20 ADIn significa Ação Direta de Inconstitucionalidade, “ação que tem por finalidade declarar que uma lei ou parte dela é inconstitucio-
nal, ou seja, contraria a Constituição Federal. A ADI é um dos instrumentos daquilo que os juristas chamam de “controle concentrado 
de constitucionalidade das leis”. Em outras palavras, é a contestação direta da própria norma em tese”. (STF, Glossário jurídico. 
Disponível em: <www.stf.jus.br/portal/glossario/verVerbete.asp?letra=A&id=124>. Acesso em: 5 abr. 2016).
21 ADPF significa Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, “é um tipo de ação, ajuizada exclusivamente no STF, que tem 
por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Neste caso, diz-se que a ADPF é uma ação 
autônoma. Entretanto, esse tipo de ação também pode ter natureza equivalente às ADIs, podendo questionar a constitucionalidade de 
uma norma perante a Constituição Federal, mas tal norma deve ser municipal ou anterior à Constituição vigente (no caso, anterior à de 
1988). A ADPF é disciplinada pela Lei Federal 9.882/99”. (STF, Glossário jurídico. Disponível em: <www.stf.jus.br/portal/glossario/
verVerbete.asp?letra=A&id=481>. Acesso em: 5 abr. 2016).
22 Resp significa Recurso Especial, é “recurso ao Superior Tribunal de Justiça, de caráter excepcional, contra decisões de outros tribu-
nais, em única ou última instância, quando houver ofensa à lei federal. Também é usado para pacificar a jurisprudência, ou seja, para 
unificar interpretações divergentes feitas por diferentes tribunais sobre o mesmo assunto. Uma decisão judicial poderá ser objeto de 
recurso especial quando: 1- contrariar tratado ou leifederal, ou negar-lhes vigência; 2- julgar válida lei ou ato de governo local con-
testado em face de lei federal; 3- der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal”. (STF, Glossário 
jurídico. Disponível em: <www.stf.jus.br/portal/glossario/verVerbete.asp?letra=R&id=206>. Acesso em: 5 abr. 2016).
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
141Direitos Humanos
• Lei 9612/98 – define no seu artigo 4.º que as emissoras deverão atender em sua programação al-
guns princípios, entre eles no inciso IV conta o da não discriminação por raça, sexo, preferências 
sexuais etc.;
• Lei 10.2016/2001 - assegura direitos e proteção às pessoas acometidas de transtorno mental sem 
qualquer discriminação, inclusive por orientação sexual; 
• Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) – faz referência expressa a orientação sexual no artigo 2.º;
• Decreto 4/2010 – institui o dia 17 de maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia;
• Lei 12.414/2011 - disciplina a formação e consulta a bancos de dados com informações de adim-
plemento, de pessoas naturais ou de pessoas jurídicas, para formação de histórico de crédito, 
proibindo, expressamente, no artigo 3.º, §3.º, inciso II, anotações de informações sensíveis, assim 
consideradas aquelas pertinentes à origem social e étnica, à saúde, à informação genética, à orien-
tação sexual e às convicções políticas, religiosas e filosóficas;
• Resolução n.º 1223 do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoções dos Direitos 
de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais – visa garantir pela instituições e redes de ensino o 
reconhecimento e adoção do nome social àqueles e àquelas pessoas cuja identificação civil não 
reflita adequadamente sua identidade de gênero, mediante solicitação do interessado;
• Resolução do Conselho Federal de Medicina 1.955/201024 que dispõe sobre a cirurgia de 
transgenitalismo. 
As ações do Poder Executivo em relação ao desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento ao 
preconceito e à discriminação contra à comunidade LGBT são de responsabilidade da Secretaria de Direitos 
Humanos da Presidência da República (SDH/PR), através da Coordenação Geral de Promoção dos Direitos 
LGBT e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, 
Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT).
Em maio de 2009 a SDH/PR apresentou o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos 
Humanos de LGBT25, como resultado da 1.ª Conferência Nacional LGBT, ocorrida em Brasília entre 5 e 8 
de junho de 2008.
Este plano tem como objetivo geral “orientar a construção de políticas públicas de inclusão social e de 
combate às desigualdades para a população LGBT, primando pela intersetorialidade e transversalidade na 
proposição e implementação dessas políticas” (BRASIL/SEDH, 2009, p.10).
23 Acesso ao documento na íntegra: <www.sdh.gov.br/sobre/participacao-social/cncd-lgbt/resolucoes/resolucao-012>. Acesso em: 23 
mar. 2016. 
24 Acesso ao documento na íntegra: <www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2010/1955_2010.htm>. Acesso em: 23 mar. 2016
25 Acesso ao documento na integra: <www.arco-iris.org.br/wp-content/uploads/2010/07/planolgbt.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2016
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
142 Direitos Humanos
E com objetivos específicos:
3.2.1. Promover os direitos fundamentais da população LGBT brasileira, de inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, dispostos no art. 5.º da Constituição Federal; 
3.2.2. Promover os direitos sociais da população LGBT brasileira, especialmente das pessoas em situa-
ção de risco social e exposição à violência; 
3.2.3. Combater o estigma e a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. (ibidem)
Embora existam no Brasil vários projetos de leis que visam regulamentar os direitos da comunidade 
LGBT, o objetivo da aula era somente examinar os principais aspectos normativos relacionados ao assunto, 
demonstrando que embora obrigatório o reconhecimento da proteção destes direitos, por uma interpretação 
constitucional, ainda estamos muito aquém do necessário em relação a medidas legislativas, repressivas e 
promocionais.
Extra
Um, olhar indígena sobre a Declaração das Nações Unidas
Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas adotada em 13 de Setembro 
de 2007 pela Assembleia Geral da ONU. 
Natureza e Princípos Fundamentais da Declaração
Azelene Kaingáng 
* Socióloga, do Povo Indígena Kaingáng, participou ativamente das discussões e negociações 
do texto da Declaração na ONU em Genebra/Suíça. Membro do Warã Instituto Indígena Brasileiro.
A DECLARAÇÃO É, EM PRIMEIRO LUGAR, UM INSTRUMENTO NÃO VINCULANTE 
AOS PAÍSES, OU SEJA, ELA É UMA DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS, ASPIRAÇÕES E DE 
COMPROMISSOS POLÍTICOS CUJOS PAÍSES SIGNATÁRIOS DEVEM ENVIDAR TODOS OS 
ESFORÇOS PARA SUA IMPLEMENTAÇÃO. 
A obrigatoriedade é muito relativa quando se trata de instrumento aceito de forma voluntária. 
Nenhum país é pressionado a aceitar, portanto, conclui-se que haja um compromisso e uma disposição 
de determinado país em implementar a Declaração ainda que não exista obrigatoriedade legal de sua 
aplicação. Esta é, por exemplo, a situação do Brasil diante da recém adotada Declaração das Nações 
Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. 
A Declaração é o primeiro e até agora o único instrumento internacional que trata exclusivamente 
dos direitos dos Povos Indígenas no direito internacional. Ela foi redigida com a participação histórica 
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
143Direitos Humanos
dos Povos Indígenas de todo o mundo, que também foram parte ativa de todo o processo político de 
sua adoção. 
Este instrumento traz em seu bojo grandes avanços, especialmente conceituais, no que diz respei-
to aos direitos dos Povos Indígenas. Um bom exemplo disso é o conceito do direito à livre-determina-
ção. Muitas vezes os membros do Caucus Indígena Mundial foram indagados no sentido de responder 
por que livre-determinação e não autodeterminação. Os representantes indígenas declararam sempre 
de forma transparente que os Povos Indígenas não pretendem constituir Estados independentes, que é 
o grande temor dos Estados nacionais. O Caucus Indígena entende que o direito à livre-determinação 
está estritamente ligado ao conceito de fronteiras, enquanto o conceito de autodeterminação traz im-
plícita a informação de que o exercício desse direito deva se dar em âmbito interno, ou seja, ele deverá 
ser exercido dentro das fronteiras nacionais. O exercício do direito à livre-determinação, por sua vez, 
não está limitado pelas fronteiras nacionais já que elas são limites impostos pelos Estados que nunca 
reconheceram efetivamente a existência dos Povos Indígenas. Nesse sentido, o conceito de livre-de-
terminação tem o objetivo de garantir o exercício do direito da livre circulação dos povos através das 
fronteiras. O que se pretende, na verdade, é que os Estados reconheçam que os Povos Indígenas já 
exercem esse direito cotidianamente em suas áreas, especialmente na América Latina onde transitam 
de um país a outro sem ter que passar pelo controle de passaportes e pela alfândega, ou seja, sem ter 
que se submeter às leis fronteiriças. 
O texto, de modo geral, reconhece um amplo espectro dos direitos humanos e das liberdades 
fundamentais dos Povos Indígenas. Dentre eles, podemos citar o direito a ter controle sobre os as-
suntos que os afetem, ressaltando aí o direito à livre determinação acima citado – um dos pilares da 
Declaração. Este direito, bem como o seu conceito, é transversal a todo o texto, sobressai em relação 
aos demais, e determina a importância do consentimento livre, prévio e informado, por parte dos 
Povos Indígenas com relação a todas e quaisquer decisões que lhes digam respeito.
A Declaração estabelece também o requisito de uma justa e adequada compensação das violações 
dos direitosreconhecidos pela Declaração e estabelece garantias contra o genocídio. 
Além disso, enfatiza a importância e a necessidade dos Estados reconhecerem a igualdade de 
direitos e a proibição da discriminação. A este, segue-se o direito de ser diferente e de viver como tal, 
bem como o de proteger e manter características e atributos, considerados especiais e próprios desses 
povos; aspectos que vão desde a cultura até suas instituições sociais. 
O texto enfatiza ainda a necessidade de se estabelecer relações democráticas entre os Povos 
Indígenas e os governos, partindo do princípio de que a igualdade e a dignidade de todos são 
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
144 Direitos Humanos
fundamentos do Estado de direito e de que a legitimidade de um governo deriva da aceitação dos po-
vos muito mais do que da sua imposição pela força. 
A Declaração institui que o consentimento e o acordo de vontades sejam o referencial para todo 
o relacionamento entre Povos Indígenas e Estados, conclamando tanto a própria ONU quanto seus 
Estados membros a promoverem ações efetivas de proteção aos direitos desses Povos. 
O reconhecimento do direito à autonomia e ao autogoverno é uma conquista dos Povos Indígenas 
que, em muitos países, presenciam serem tomadas decisões que afetam diretamente suas vidas sem 
que possam sequer opinar, como se não tivessem vontade própria. O direito à autonomia e ao auto-
governo dá aos Povos Indígenas o direito de decidir sobre suas vidas, destinos, terras, territórios e 
recursos. É uma condição para o exercício do direito à livre-determinação. 
Outro grande avanço trazido pela Declaração é o direito sobre terras, territórios e recursos natu-
rais. A maioria das constituições traz a terminologia “terras”. Os Povos Indígenas inseriram o conceito 
de território, no qual a terra é apenas uma parte do todo que é o território. Os Povos Indígenas enten-
deram que o conceito de terra não abrange todos os “lugares” ocupados pelos mesmos, que quando 
se fala em terra não se fala de fauna, flora, rios, lagos, mares, ar etc., mas o conceito de território sim, 
traz o conceito integral dos “lugares” ocupados pelos Povos Indígenas; por isso a expressão: “os Povos 
Indígenas têm direito às suas terras, territórios e recursos naturais”. 
A aplicação do princípio do consentimento prévio, livre e informado que vem reforçar o dis-
posto na convenção 169 da OIT, é um avanço que merece destaque. Da forma como esse direito está 
relatado na Declaração, é concedido aos Povos Indígenas o direito ao veto sobre qualquer ação ou 
medida que os afete. O consentimento prévio, livre e informado é transversal a toda a Declaração e 
condiciona qualquer interferência em seus territórios à consulta e à obtenção do consentimento dos 
Povos Indígenas, o que deve ser precedido de consultas realizadas de forma transparente e de boa-fé. 
A Organização das Nações Unidas adota, num processo histórico de negociações, uma 
Declaração que é um marco no direito internacional dos direitos humanos, um instrumento que 
reconhece não só a existência de mais de 370 milhões de indígenas no mundo, mas que eles e seus 
povos são sujeitos de direitos específicos que devem ser reconhecidos, protegidos e promovidos, 
e que no ato de proteger e promover tais direitos eles devem ser escutados e consultados. Suas 
decisões devem prevalecer porque são povos com autonomia e autogoverno, que querem e devem 
exercer plenamente o seu direito à livre-determinação.
[texto integrante da obra Um olhar Indígena sobre a Declaração das Nações Unidas. Paginas 21-24. 
Janeiro/2008. Disponível em: <www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/indios/um_olhar_indigena_versao_final.pdf>. 
Acesso em: 11 abr. 2016.] 
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
145Direitos Humanos
Atividades
1. (ENADE-2015) A paquistanesa Malala Yousafzai, de dezessete anos de idade, ganhou o 
Prêmio Nobel da Paz de 2014, pela defesa do direito de todas as meninas e mulheres de 
estudar.“Nossos livros e nossos lápis são nossas melhores armas. A educação é a única solução, 
a educação em primeiro lugar”, afirmou a jovem em seu primeiro pronunciamento público na 
Assembleia de Jovens, na Organização das Nações Unidas (ONU), após o atentado em que foi 
atingida por um tiro ao sair da escola, em 2012. Recuperada, Malala mudou-se para o Reino 
Unido, onde estuda e mantém o ativismo em favor da paz e da igualdade de gêneros.
Disponível em: <http://mdemulher.abril.com.br>.
Acesso em: 18 ago. 2015. Adaptado.)
A partir destas informações, redija um texto dissertativo sobre o significado da premiação 
de Malala Yousafzai na luta pela igualdade de gêneros. 
2. (ENADE-2006) Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção de 
“sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional, leia 
os dois textos a seguir.
Texto I
“Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem no Congresso um mani-
festo contra a votação dos projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros 
em Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial. As duas propostas 
estão prontas para serem votadas na Câmara, mas o movimento quer que os projetos sejam 
retirados da pauta. [...] Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de 
Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne Maggie. ‘É preciso fazer o 
debate. Por isso ter vindo aqui já foi um avanço’, disse.” (Folha de S.Paulo – Cotidiano, 30 
jun. 2006, com adaptação.)
Texto II
“Desde a última quinta-feira, quando um grupo de intelectuais entregou ao Congresso Nacional 
um manifesto contrário à adoção de cotas raciais no Brasil, a polêmica foi reacesa. [...] O dire-
tor executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), frei David 
Raimundo dos Santos, acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e defende a 
adoção do sistema de cotas.” (Agência Estado-Brasil, 3 jul. 2006.)
Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas afirmativas, há também os que 
adotam a posição de que o critério para cotas nas Universidades Públicas não deva ser res-
tritivo, mas que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso.
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
146 Direitos Humanos
Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”, identifique, no atual debate social
a) um argumento coerente utilizado por aqueles que o criticam; 
b) um argumento coerente utilizado por aqueles que o defendem.
3. Disserte sobre o direito à orientação sexual e a adoção por homossexuais. 
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de adimplemento, de pessoas naturais ou de pessoas jurídicas, para formação de histórico de crédito. Publicada no 
Diário Oficial da União de 10.6.2011. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/
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Disponível em: <www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/2013/04/16/intolerancia-religiosa-e-crime-de-odio-e-fere-a-
dignidade>. Acesso em: 6 abr. 2016.
WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da violência 2015: Homicídio de mulheres no Brasil. 1.ed. Brasília: Flacso, 2015. 
Disponível em: <www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf>. Acesso em: 23 mar. 
2016. 
Resolução
1. Chega a ser inacreditável que em pleno ano de 2012 uma menina seja alvo de um ataque covarde 
em razão de sua pretensão de estudar e alcançar um mesmo patamar de educação igual ao dos 
homens. 
Mas, infelizmente, esta é a realidade de alguns países do Oriente em razão de sua cultura e da sua 
religião, as mulheres são relegadas ao espaço privado e destinadas exclusivamente aos afazeres 
domésticos, sem que se reconheça o direito à igualdade e a possibilidade de inclusão social.
Malala Yousafzai não precisou pegar em armas para mostrar a sua luta contra um regime terro-
rista e desigual, apenas continuou a lutar pelo exercício de um direito, o direito à educação, o que 
foi suficiente para ser quase assassinada pelo talibã e hoje ser obrigada a morar fora de seu país 
para poder conquistar seus sonhos e viver em paz.
No entanto, mesmo tendopassado por tudo o que passou, Malala ainda defende o exercício de 
seu direito e pretende lutar para que outras jovens e mulheres também o alcancem, inclusive tem 
a pretensão de se tornar uma política para retornar ao seu país e lutar pela igualdade de gêneros.
Aula 4Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
149Direitos Humanos
2. 
a. Estão entre os argumentos utilizados pelos que criticam o sistema de cotas:
• que a previsão do sistema de cotas feriria o principio constitucional da igualdade, sendo que 
diferença baseada tão somente na cor da pele não é um critério razoável e um fim legítimo para 
um tratamento desigual;
• políticas instituídas com base no critério de raça em nome da justiça social não elimina o racis-
mo, podendo produzir efeito contrário, acirrando a intolerância;
• há dificuldade para se definir quem é negro no Brasil devido à miscigenação;
• o acesso à universidade deve se basear num único critério, o mérito, sob pena de ameaçar a 
qualidade acadêmica.
b. Entre os argumentos utilizados pelos que defendem o sistema de cotas, podemos citar:
• o sistema de cotas é a concretização do princípio da igualdade material, promovendo a igual-
dade através da desigualdade como forma de reparar décadas de exclusão desta parcela da 
população do reconhecimento e efetivação de direitos;
• a adoção do sistema de cotas reconhece as diferenças decorrentes de décadas de exclusão social 
e não significa a inferiorização de determinado grupo social;
• a alegação de que é difícil se definir quem é negro não procede, pois não faltam agentes sociais 
versados em identificar os negros e discriminá-los;
• pesquisas revelam que, dentre as universidades que adotaram os sistemas de cotas, não há di-
ferença de rendimentos entre os alunos cotistas e os não cotistas, inclusive verificando-se que os 
cotistas são mais assíduos. 
3. Quando se fala em orientação sexual no âmbito da legislação brasileira, verifica-se que a nossa 
Constituição Federal, embora não venha a expressamente abordar a questão, traz em seu âmago 
princípios e valores que não permitem negar o reconhecimento ao direito da comunidade LGBT, 
em especial quando examinamos o princípio da dignidade da pessoa humana, o direito à igual-
dade e à liberdade sexual.
Analisando a legislação civil em relação à adoção também não se vislumbra nenhum dispositivo 
legal relacionado ao tema, porém, também não há qualquer proibição da adoção por casais 
homossexuais ou até mesmo pessoas solteiras com orientação sexual diversa de heterossexual.
Num exame atento da jurisprudência sobre o assunto, embora ainda exista posicionamento con-
trário, verifica-se uma tendência à permissão da adoção por homossexuais, em especial ao se 
verificar que o pressuposto da adoção é o melhor interesse da criança, sendo que estando este 
Aula 4 Diversidade étnico-racial, religiosa, de gênero e LGBT
150 Direitos Humanos
assegurado na companhia do homossexual, o qual lhe atende as necessidades básicas, seja eco-
nômicas, seja em relação à educação e carinho, não haveria motivos para a não permissão.
Ademais, considerando que a quantidade de crianças disponíveis para adoção sem oportunidade 
de alcançar um lar e uma família, porque os pretendentes heterossexuais à adoção em regra tem 
preferências em relação à idade ou se negam à aceitar crianças deficientes, não vislumbra razões 
em se preferir deixar que estas crianças permaneçam até a maioridade em entidades de acolhi-
mento ao invés de lhes dar um lar e uma família, mesmo que de orientação homossexual.
Aula 5
151Direitos Humanos
COMBATE ÀS VIOLAÇÕES E 
DIREITO PARA TODOS E 
AO TRABALHO ESCRAVO
No decorrer do estudo dos direitos humanos constatamos que a 
característica mais significativa é a universalidade, que demonstra que, na 
atualidade, o único requisito para ser titular de direitos humanos é a condição 
de ser humano. 
Por outro lado, foi possível também se verificar que dentre as medidas 
previstas para proteger estes direitos, a legislação internacional e nacional 
prevê não somente medidas repressivas, mas também medidas de promoção 
social. A partir desta aula vamos analisar exatamente estas medidas de 
proteção dos direitos humanos e, por fim, passaremos a examinar a questão 
do trabalho escravo.
Aula 5 Direito para todos e combate às violações e ao trabalho escravo
152 Direitos Humanos
Parte
1 Direitos para todos e políticas públicas 
Importante ressaltar, mesmo que de forma repetitiva, a condição universal dos direitos 
humanos, a qual foi expressa e consagrada a partir da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos e da internacionalização destes direitos.
Os direitos humanos são universais, ou seja, são garantidos a todos os seres humanos, 
independentemente de qualquer condição ou qualidade, seja ela decorrente de nacionalida-
de, raça, orientação sexual, religião etc. 
Não se reconhece direitos a uma categoria específica, excluindo outra, como já foi possível verificar 
em outros tempos, quando era autorizada a escravidão ou, muito mais recentemente, quando os nazistas só 
reconheciam como sujeitos de direitos àqueles que tinham origem racial ariana.
Sobre a universalização André de Carvalho Ramos leciona:
A universalidade dos direitos humanos consiste na atribuição desses direitos a todos os seres humanos, 
não importando nenhuma outra qualidade adicional, como nacionalidade, opção politica, orientação 
sexual, credo, entre outras. 
A universalidade possui vinculo indissociável com o processo de internacionalização dos direitos hu-
manos. Até a consolidação da internacionalização em sentido estrito dos direitos humanos, com a for-
mação do Direito Internacional dos Direitos Humanos, os direitos dependiam da positivação e proteção 
do Estado Nacional.
Por isso, eram direitos locais.
A barbárie do totalitarismo nazista gerou a ruptura do paradigma da proteção nacional dos direitos 
humanos, cuja insuficiência levou à negação do valor do ser humano como fonte essencial do Direito. 
Para o nazismo, a titularidade de direitos dependia da origem racial ariana. Os demais indivíduos não 
mereciam a proteção do Estado. Os direitos humanos, então, não eram universais nem ofertados a 
todos.
Os números dessa ruptura dos direitos humanos são significativos: foram enviados aproximadamente 
18 milhões de indivíduos a campos de concentração, gerando a morte de 11 milhões deles, sendo 6 
milhões de judeus, além de inimigos políticos do regime, comunistas, homossexuais, pessoas com defi-
ciência, ciganos e outros considerados descartáveis pela máquina de ódio nazista. Como sustenta Lafer, 
a ruptura trazida pela experiência totalitária do nazismo levou a inauguração do tudo é possível. Esse 
“tudo é possível” levou as pessoas a serem tratadas, de jure e de facto como supérfluas e descartáveis.
Este legado nazista de exclusão exigiu a reconstrução dos direitos humanos após a Segunda Guerra 
Mundial, sob uma ótima diferenciada: a ótica da proteção universal, garantida, subsidiariamente e 
Vídeo
Aula 5Direito para todos e combate às violações e ao trabalho escravo
153Direitos Humanos
na falha do Estado, pelo próprio Direito Internacional dos Direitos Humanos. Ficou evidente para 
os Estados que organizaram uma nova sociedade internacional ao redor da ONU – Organização das 
Nações Unidas – que a proteção dos direitos humanos não pode ser tida como parte do domínio reser-
vado de um Estado, pois as falhas na proteção local tinham possibilitado o terror nazista. A soberania 
dos Estados foi, lentamente, sendo reconfigurada, aceitando-se que a proteção de direitos humanos 
era um tema internacional e não meramente um tema da jurisdição local.( (RAMOS, 2015, p. 89-90)
E foi com a edição da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, que a universalidade dos 
direitos humanos se consagrou. “Para a Declaração Universal a condição de pessoa é o requisito único e 
exclusivo para a titularidade de direitos” (PIOVESAN, 2015, p. 215-216). Esta declaração “consolidaa afir-
mação de uma ética universal ao consagrar um consenso sobre valores de cunho universal a serem seguidos 
pelos Estados” (ibidem), o que é observado desde o seu preambulo ao afirmar a consagração da dignidade 
humana como valor universal. 
A proteção desses direitos se dá de duas formas: por meio de medidas repressivas, que visam combater 
às violações dos direitos humanos, e/ou por meio de medidas de promoção destes direitos, as chamadas 
ações afirmativas, que têm como medida garantir o amplo acesso e a efetivação dos direitos humanos.
A partir deste momento iremos abordar alguns programas de políticas públicas adotados pelo Governo 
Federal, em especial, com o objetivo de gerar a concretização dos direitos humanos. Mas o que são políticas 
públicas?
Segundo Eduardo Appio, ‘as políticas públicas podem ser conceituadas como instrumentos de execu-
ção de programas políticos baseados na intervenção estatal na sociedade com a finalidade de assegurar 
igualdade de oportunidades aos cidadãos, tendo por escopo assegurar as condições materiais de uma 
existência digna a todos os cidadãos’. Continuando, Appio esclarece que ‘as políticas públicas no Brasil 
se desenvolvem em duas frentes, quais sejam, políticas públicas de natureza social e de natureza eco-
nômica, ambas com um sentido complementar e uma finalidade comum, qual seja, de impulsionar o 
desenvolvimento da Nação, através da melhoria das condições gerais de vida de todos os cidadãos’. 
(apud GONÇALVES, s.d., p. 5)
Podemos então, partir de um conceito básico de políticas públicas como programa de ação governa-
mental que visa à concretização dos direitos humanos.
Nunca é demais ressaltar que a garantia constitucional ou internacional dos direitos humanos de forma 
expressa, mas apenas representada pela letra fria da lei é insuficiente enquanto não se dá voz e garantia efe-
tiva a estes direitos através de ação por parte da administração pública.
De acordo com Ramos (2015), não há como se falar em política pública de promoção dos direitos 
humanos sem relembrar o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), adotado pela Presidência 
da República em cumprimento às proposições da Conferência Mundial de Viena de 1993, organizada pela 
Organização das Nações Unidas, que promulgou a Declaração e o Programa de Ação, e estabeleceu, inclu-
sive, o dever dos Estados de adotar planos nacionais de direitos humanos.
Aula 5 Direito para todos e combate às violações e ao trabalho escravo
154 Direitos Humanos
O autor (op. cit.) ainda menciona que em 13 de maio de 1996, foi editado pela Presidência da República 
o Decreto 1.904, que criou o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) que tinha como meta reali-
zar um diagnóstico da situação desses direitos no país e medidas para a sua defesa e promoção. Este PNDH 
foi denominado de PNDH-1 e estava voltado a garantia de proteção dos direitos civis, com especial foco no 
combate à impunidade e à violência policial. 
O PNDH-2, aprovado pelo Decreto 4.229/2002, possuía como ênfase os direitos sociais em sentido 
amplo e de grupos vulneráveis, como os direitos dos afrodescendentes, dos povos indígenas, de orientação 
sexual, consagrando o multiculturalismo (RAMOS, 2015). 
Ramos (2015) menciona também o PNDH-3, que foi aprovado em 2009 e adotou eixos orientadores: 
I. Interação democrática entre Estado e Sociedade Civil; 
II. Desenvolvimento e Direitos Humanos; 
III. Universalizar Direitos em um Contexto de Desigualdades; 
IV. Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência; 
V. Educação e Cultura em Direitos Humanos; 
VI. Direito à Memória e à Verdade. 
O primeiro eixo voltado à integração democrática entre Estado e sociedade civil, visa fortalecer a de-
mocracia participativa, trazendo para a elaboração das políticas públicas a sociedade civil como um todo. O 
Programa assim ressalta a importância deste eixo:
Aperfeiçoar a interlocução entre Estado e sociedade civil depende da implementação de medidas que 
garantam à sociedade maior participação no acompanhamento e monitoramento das políticas públicas 
em Direitos Humanos, num diálogo plural e transversal entre os vários atores sociais e deles com o 
Estado. (PNDH-3, p. 27)
No eixo denominado “Desenvolvimento e Direitos Humanos” se desenvolve o objetivo de correlacio-
nar a ideia de desenvolvimento sustentável com a proteção dos direitos humanos:
O tema “desenvolvimento” tem sido amplamente debatido por ser um conceito complexo e multidis-
ciplinar. Não existe modelo único e preestabelecido de desenvolvimento, porém, pressupõe-se que 
ele deva garantir a livre determinação dos povos, o reconhecimento de soberania sobre seus recursos 
e riquezas naturais, respeito pleno à sua identidade cultural e a busca de equidade na distribuição das 
riquezas.
[...]
Alcançar o desenvolvimento com direitos humanos é capacitar as pessoas e as comunidades a exer-
cerem a cidadania, com direitos e responsabilidades. É incorporar, nos projetos, a própria população 
brasileira, por meio de participação ativa nas decisões que afetam diretamente suas vidas. É assegurar a 
transparência dos grandes projetos de desenvolvimento econômico e mecanismos de compensação para 
a garantia dos Direitos Humanos das populações diretamente atingidas. (PNDH-3, p. 41-43)
Aula 5Direito para todos e combate às violações e ao trabalho escravo
155Direitos Humanos
Em relação ao terceiro eixo “Universalizar Direitos em um Contexto de Desigualdades” tem como 
principal objetivo garantir a universalidade dos direitos humanos, assegurando a cidadania plena, comba-
tendo às desigualdades estruturais:
O acesso aos direitos fundamentais continua enfrentando barreiras estruturais, resquícios de um proces-
so histórico, até secular, marcado pelo genocídio indígena, pela escravidão e por períodos ditatoriais, 
práticas que continuam a ecoar em comportamentos, leis e na realidade social.
[...]
Definem-se, neste capítulo, medidas e políticas que devem ser efetivadas para reconhecer e proteger os 
indivíduos como iguais na diferença, ou seja, valorizar a diversidade presente na população brasileira 
para estabelecer acesso igualitário aos direitos fundamentais. Trata-se de reforçar os programas de go-
verno e as resoluções pactuadas nas diversas conferências nacionais temáticas, sempre sob o foco dos 
Direitos Humanos, com a preocupação de assegurar o respeito às diferenças e o combate às desigualda-
des, para o efetivo acesso aos direitos. (PNDH-3, p. 63-64).
O quarto eixo – Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência – pretende incentivar a 
democratização e modernização do sistema de segurança pública, garantir o acesso à justiça com a garantia 
e a defesa de direitos, além de, por exemplo, garantir os direitos das vítimas de crimes e a proteção das 
pessoas ameaçadas:
O PNDH-3 apresenta neste eixo, fundamentalmente, propostas para que o Poder Público se aperfeiçoe 
no desenvolvimento de políticas públicas de prevenção ao crime e à violência, reforçando a noção de 
acesso universal à Justiça como direito fundamental, e sustentando que a democracia, os processos de 
participação e transparência, aliados ao uso de ferramentas científicas e à profissionalização das insti-
tuições e trabalhadores da segurança, assinalam os roteiros mais promissores para que o Brasil possa 
avançar no caminho da paz pública. (PNDH-3, p. 129-130).
O quinto eixo orientador do PNDH-3 está voltado à Educação e Cultura em Direitos Humanos, pre-
tende garantir a promoção da educação em direitos humanos, o acesso à informação para a consolidação de 
uma cultura em direitos humanos:
A educação e a cultura em direitos humanos visam à formação de nova mentalidade coletiva para o 
exercício da solidariedade, do respeito às diversidades e da tolerância. Como processo sistemático e 
multidimensional que orienta a formação do sujeito de direitos, seu objetivo é combater o preconceito, 
a discriminação e a violência, promovendo a adoção de novos valores de liberdade, justiça e igualdade.

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