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Epigenética → Fenômeno que envolve mudanças herdáveis e reversíveis da expressão gênica que não implicam em alterações da sequência de nucleotídeos → Epigenoma: complexas modificações associadas ao DNA genômico, gerando uma identidade celular e de desenvolvimento → Instrui o programa único de expressão gênica de cada tipo celular – definição da identidade funcional durante o desenvolvimento normal ou doenças → Pode ser transmitido às células descendentes, mantendo um padrão epigenótipo específico dentro de linhagens celulares durante gerações → Resposta dinâmica e flexível a estímulos intra e extracelulares, através do contato célula-célula, da fisiologia ou do ambiente ao qual o organismo é exposto – é um fenômeno reversível mais facilmente → Importância na genética humana e médica → Modificações epigenéticas: • Metilação do DNA; • Modificações de histonas; • Variantes de histonas; • Silenciamento por RNA → RNAs não- codificantes → As modificações de histonas vão se associar aos nucleossomos, a abrir e fechar a cromatina e isso influencia expressão gênica Regulação por mecanismos epigenéticos → Silenciamento de elementos repetitivos: em regiões repetitivas do DNA, é preciso que muitas estejam silenciadas para não causarem mutação. → Inativação do X: é necessária para a compensação de dose nas mulheres Erros epigenéticos → Células tumorais: hipermetilação de DNA (silenciando os genes supressores tumorais), hipometilação do DNA (ativando oncogenes), esse tipo de alteração se associa com a carcinogênese. → Pode também, ter alterações de metilação em outros genes que vão levar a expressões de maneira errada, ou um gene que era para estar silenciado e começa a se expressar porque ele perdeu metilação, ou vice-versa, um gene que era para estar expresso e ele está silenciado porque sofreu metilação. → Quando há problemas no imprinting tem doenças chamadas de doenças de perda de identidade parental. Mecanismos Epigenéticos → Adição enzimática de um grupo metil ao carbono 5 da citosina → dinucleotídeos CpG (citosina que vem seguida de uma guanina) → 5-metilcitosina → quinta base do DNA humano, identificada em 1948 → As citosinas metiladas correspondem a 1- 1,5% do total de bases do DNA → Essa metilação serve como marcador epigenético que identifica a fita molde na replicação do DNA e a origem parental de regiões imprintadas → Atua no desenvolvimento, no imprinting e na inativação do cromossomo X → Em mamíferos: 70% CpG metilados Metilação: Concentrada em sequências repetitivas Heterocromatina Transposons - sequência de DNA que tem a capacidade de serem silenciadas Região promotora Esporadicamente: íntrons, éxons, intergênico Ilhas CpG → Grupos de vários CpG → Geralmente na região promotora ou entre o promotor e o sítio de início da transcrição → Geralmente desmetiladas Repressão da expressão do gene quando estão metiladas → Ilha CpG desmetilada → gene pode se expressar → Ilha CpG metilada → gene não se expressa Alterações na metilação: → Indução de algumas doenças humanas, especialmente as envolvidas em defeitos do desenvolvimento e tumorigênese Repressão transcricional → Geralmente há uma correlação inversa entre níveis de metilação e expressão gênica • 5-metilcitosina: inibe a união de certos fatores de transcrição que possuem sequências CpG em seus sítios de reconhecimento (devido a metilação) • Proteínas/complexos proteicos: se ligam especificamente a CpG metilados, remodelando a cromatina, e bloqueiam indiretamente a união de fatores de transcrição, não transcreve gene Padrões de metilação → Estáveis, herdáveis, espécie-específicos e tecido-específicos → A distribuição genômica de DNA metilado é capaz de sofrer modificações em relação ao ambiente ou ao estágio de desenvolvimento → Células somáticas adultas → ilhas CpG suscetíveis à metilação progressiva em certos tecidos durante o envelhecimento (situação fisiológica) e nos processos neoplásicos → Reprogramação tanto no desenvolvimento embrionário quanto nas células germinais, sendo a metilação de novo particularmente ativa nestes estágios → Metilação de novo: adquire padrões específicos durante o desenvolvimento embrionário e se estabelece o padrão de metilação das células somáticas → Começa o desenvolvimento do zigoto, a partir daí a metilação diminui, até que ela deve ser reestabelecida (metilação de novo), e aí ocorre uma 2ª onda de apagamento, puxando apenas as células germinativas e vai ser reestabelecido novamente de acordo com o sexo do embrião (imprinting) Como se formam os padrões metilado/ desmetilado durante o desenvolvimento? Como se mantém as células diferenciadas? → Enzimas de metilar (metiltransferases de novo) e de manter os padrões de metilação (metiltransferases de manutenção) → Precisa manter pois cada vez que for replicar o DNA, tem que fazer a metilação na fita nova, senão não tem como passar essa metilação para a célula-filha. Metilação do DNA DNA metiltransferases: → DNMT1 (manutenção): Início da replicação Só a fita nova será metilada (padrão herdado semiconservativamente) - Substrato hemimetilado - olha fita molde para saber o que metilar na fita nova → DNMT2: Células-tronco embrionárias e possível metilação de RNA → DNMT3a e b (metilação de novo): Adicionam grupo metil à citosina do dinucleotídeo CpG não metilado - Substrato não-metilado A cada ciclo de replicação elas vão manter a metilação Desmetilação do DNA → Mecanismo passivo: ausência de metilação de manutenção durante vários ciclos de replicação → Mecanismo ativo: proteína de ligação do DNA metilado teria atividade de desmetilase Processo de reparo do DNA, onde uma 5-metilcitosina-DNA glicosilase realizaria a atividade de desmetilase → Genes metilados: mais sensíveis a sinais do meio ambiente Dieta, comportamento, toxinas, hormônios, etc. podem influenciar padrões de metilação Há momentos mais críticos no desenvolvimento Afetados: transcrição, tradução e alterações pós-traducionais de complexos remodeladores da cromatina Herança epigenética: alterações epigenéticas podem afetar até 3 gerações em uma mãe gestante → Alterações epigenéticas podem afetar até 3 gerações em gestante: mãe (1ª geração), feto (2ª geração), e esse feto já tem as células reprodutivas dele (3ª geração) → Eeitos de fatores epigenéticos podem se manifestar como uma mudança global na metilação, afetando múltiplos genes, ou modificar de expressão de genes específicos → Histonas são proteínas que usamos para formar os nucleossomos e compactar o DNA. → Modificação pós-traducional das histonas: influenciam a transcrição do DNA, com consequências diretas sobre a regulação da expressão gênica: → Caudas de histonas: onde podem ter modificações, por exemplo, acetilação, metilação, ubiquitinação, sumoilação e fosforilação → Mudanças na condensação da cromatina → A modificação de histonas não mexe com a sequência de DNA → Código das histonas: padrão de modificação das histonas Dita as interações nucleossomais e a associação com outras proteínas cromossômicas - regulação da expressão gênica (nucleossomos ficam mais perto, e a cromatina vai fechar) → Modificações na extremidade amino- terminal da lisina de H3 e H4: mudam a estrutura da cromatina, regulando a atividade gênica (configurações dos nucleossomos) – são as que parecem mais influenciar a estrutura da cromatina → Acetilação / desacetilação: histonas- acetitransferases (HATs) e histonas- desacetilases (HDACs) Se tem acetilação, separa os nucleossomos, quanto mais acetilação, mais separa, abre a cromatina e permite expressão gênica, se tirar aacetilação, possibilita que os nucleossomos se juntem novamente, então fechamos cromatina e silenciamos o gene Variantes de Histonas → Associadas a diferentes funções → Substituem as histonas principais para gerar estruturas de cromatina especializadas → Nos nucleossomos do centrômero em vez de ter a H3, há a variante de histona CENP-A → Variante CENP-A: Relacionada com a H3 Exclusivamente em centrômeros → contribui com características essenciais da cromatina centromérica → São substitutas das histonas principais para situações em que não precisamos ter a capacidade de abrir e fechar → Regulam a expressão do gene no nível transcricional e pós-transcricional → Formação de heterocromatina, modificação de histonas, direcionamento da metilação do DNA e silenciamento de genes → Existem vários RNAs não codificantes que regulam a expressão gênica, tanto em nível transcricional quanto em pós-transcricional, atuam em diferentes processos formação de cromatina, modificação de histonas, direcionam metilação e silenciam genes → Os curtos geralmente têm menos de 30 nucleotídeos, e longos mais de 200 nucleotídeos miRNA - Silenciamento por RNA → miRNA = 1% do genoma → alvo: 30% dos genes, ou seja, um miRNA consegue silenciar mais de um gene pois apesar de serem alvo- específicos, não são 100% específicos → Controlam a expressão gênica, supressão de tumores, apoptose, proliferação celular e movimentação celular → grande alvo para tratamentos de doenças epigenéticas → Mecanismo: se ligam ao mRNA alvo (específico), induzindo sua clivagem, degradação ou bloqueando a tradução → Silenciamento pós-transcricional → mRNA → ribossomo para fazer a tradução desse RNAm → se liga o miRNA por complementariedade → alvo-específico → não é 100% compatível → alvos diferentes → Uma vez que ele se liga, pode bloquear o ribossomo pois ele não vai conseguir passar fisicamente, ou iniciar a degradação, recrutar enzimas de degradação ou de clivagem, e com isso aqui nesse nível ele conseguiu silenciar o gene. Atuação da Epigenética Inativação do cromossomo X → Silenciamento de quase um cromossomo inteiro (15% dos genes do X não vão estar realmente inativados) → Genes Xist e Tsix (localizados no XIC – centro de inativação do X) → padrões de metilação e produção de lincRNA → O Xist faz um RNA que é o lincRNA, e o Tsix faz outro RNA, que são complementares, tem a tendencia de se complementar e grudar, e com isso, um anula o outro → Inativação do X é um fenômeno ao acaso → No X ativo, Xist está silenciado por metilação de DNA, e o Tsix continua sendo expresso, então, o Xist silenciou por metilação do DNA, Tsix continua fazendo o RNA que até onde a gente sabe não serve para nada. → No X inativo, silencia Tsix por metilação, Xist continua ativo, não foi metilado, e está fazendo outro RNA, responsável pela inativação. Então o que inativa o X é manter só o Xist ativo pois vai fazer o lincRNA → O lincRNA começa a se posicionar e grudar no X que está fazendo ele, e isso já começa a silenciar esse X, começa a recrutar outras proteínas que começam a condensar, a ajudar na condensação, outras histonas, hipoacetilação, vai condensando o X Imprinting genômico → Marca epigenética do genoma de um organismo diplóide de acordo com sua origem parental → ~ 1% dos genes não obedecem as leis de Mendel → expressos monoalelicamente → Genes imprintados – só se expressa em um cromossomo → Se localizam fisicamente ligados (em grupos com outros genes imprintados) → regulação coordenada → Relações funcionais entre alguns genes imprintados implicadas ao crescimento e desenvolvimento fetal → Imprinting: estabelecido durante a gametogênese, mantido durante o desenvolvimento embrionário e apagado nas células germinativas primordiais, para que possa ser estabelecido um novo imprinting de acordo com o sexo do embrião → O gene A está silenciado no masculino e expresso no feminino, gene B está silenciado no feminino e expresso no masculino. → Juntou isso no zigoto, o embrião tem que ter e esse padrão vai se manter em todas as células somáticas → Durante o desenvolvimento, deve apagar o imprinting nas células germinativas pois temos nas células somáticas tanto o padrão feminino quanto o padrão masculino, mas nos gametas tem que garantir que todos os óvulos tenham o padrão feminino, e os homens vão ter que garantir que todos os espermatozoides tenham padrão masculino → Falhas na reprogramação do imprinting → defeitos de desenvolvimento, doenças neurológicas e tumorigênese → Fertilização in vitro e clonagem = riscos para um desenvolvimento normal → imprinting não é feito, ou é feito incorretamente Epigenética e doenças → Alterações epigenéticas: influências ambientais ou de estilo de vida → Dinâmicas e reversíveis → adaptabilidade ou plasticidade → Relevante para as origens e tratamento potencial de doenças Doenças → Desordens neurogenéticas causadas por perda de função de genes imprintados de forma oposta → Região com pelo menos 7 genes imprintados → No cromossomo 15 (onde era a deleção), todos os genes em preto estão silenciados no materno e ativos no paterno, e o último, o UBE3A está ativo no materno e silenciado no paterno, esse é o padrão normal, é uma região que tem genes impringtados → Se deletar o fragmento do cromossomo 15 materno tudo já está silenciado, não vai fazer diferença, mas perde a expressão UBE3A – deleção no materno Angelman → Se deletar o mesmo pedaço no paterno, o UBE3A já está silenciado, mas perde todo o resto – Prader-Willi → Podem ocorrer também por defeitos de imprinting → Se tiver mutação no gene UBE3A pode também ter síndrome de Angelman – no cromossomo materno, se tiver mutação no paterno o gene já está silenciado, não vai fazer diferença nenhuma → Dissomia uniparental – consequência de uma trissomia pela não-disjunção, nosso organismo tende a tentar solucionar essa trissomia, tenta-se fazer um rescue, que é o resgate do trissômico, ou seja, dar um jeito de expulsar um cromossomo para voltar ao estado normal – podendo ficar com dois iguais (dois cromossomos 15 herdados da mãe e nenhum herdado do pai) → Se ficar com uma dissomia uniparental, perde a região que era para estar impringtada de maneira oposta → A não-disjunção ocorre mais na gametogênese feminina, então, vai ter mais casos de dissomia uniparental materna, e isso vai fazer com que Prader-Willi seja mais frequente do que Angelman Prader-Willi → Dois maternos – ausência de um pedaço do cromossomo herdado do pai → Mais comum → Hipotonia neonatal, dificuldade de alimentação, obesidade com compulsão alimentar, mãos e pés pequenos, baixa estatura, hipogonadismo e leve deficiência intelectual → 70% deleção no cromossomo 15 paterno → 20-30% dissomia uniparental materna → 2,5% mutações no centro de imprinting, não ocorre a conversão durante a gametogênese → Raras mutações gênicas → Não identificado: <1% Angelman → Dois paternos → Mais rara → Aspecto facial incomum, baixa estatura, ataxia, grave deficiência intelectual, espasticidade e convulsões. Fala limitada, personalidade distinta e impropriamente alegre → Movimentos repetitivos com as mãos e a epilepsia de difícil controle → 70% deleção no cromossomo 15 materno → 7% dissomia uniparental paterna → 3%: mutações no centro de imprinting, não ocorre a conversão durante a gametogênese → 10% de mutações em UBE3A → Não identificado ~10% Outras Associações → Idade: aumento/diminuição da metilação Mudanças dependente da idade estão associadas com o desenvolvimento de doenças neurológicas, auto-imunes e câncer Alguns tecidos sofrem desmetilação → instabilidade cromossômica e rearranjos; Outros tecidos sofrem hipermetilação → predispõe ao aumento do risco de câncer de colo → Influências maternas: Dieta, hábito tabagista (altera metilação do DNA e expressão dos miRNA), saúde mental e ambiente social (estresse na fase final da gestação está relacionado a doenças neurológicas devido ao período de desenvolvimento do cérebro do feto; violência doméstica engatilha o estresse que resulta em mudanças epigenéticas do receptor de cortisol na adolescência). → Influências paternas: Genes imprintados, metilação nos espermatozoides pode ser influenciada pelo consumo de álcool e exposição a alguns químicos, alterando o epigenoma da linhagem germinativa. → Cuidado materno: Cuidado, bonding, separação materna, violência doméstica e abuso, pobreza e negligência Prevenção e/ou reversão das modificações epigenéticas. → Dieta: Nutrientes extraídos da dieta entram nas vias metabólicas e são transformados em moléculas utilizáveis. Grupos metil são formados de nutrientes chave como ácido fólico, vitaminas B e s-adenosil metionina (SAMe) → Exercícios: Modificação do epigenoma a fim de preservar e prolongar a vida. Induz mudanças positivas na metilação do DNA no tecido adiposo e regulação do metabolismo. → Drogas farmacêuticas e abusivas: Cocaína, opiáceos, anfetaminas, álcool, nicotina podem alterar o epigenoma mudando o padrão de metilação em áreas relacionadas ao centro de prazer Tabaco altera a epigenética, causando a modificação da expressão gênica → Medicina alternativa: Pode atuar pela regulação epigenética da regeneração, ou apoptose celular nos casos de doenças degenerativas e injúrias → Químicos ambientais: Pesticidas, toxinas e compostos sintéticos podem metilar genes em adultos e também disseminar doenças décadas depois na prole, através da exposição in útero.