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13/02 
Introdução a 
Farmacologia 
Farmacologia pode ser definida 
como a ciência que estuda a ação 
de substâncias químicas em um 
organismo vivo. 
▪ Conhecimento a respeito de 
origem, propriedade físico-
químicas, absorção, 
distribuição, mecanismo de ação, 
biotransformação e eliminação, 
bem como os usos e efeitos 
destas substâncias químicas no 
organismo. 
 
I. Conceitos básicos 
▪ Droga – substância dessecada, 
como, por exemplo, as plantas. 
Atualmente, o termo refere-se a 
qualquer substância química que, 
em quantidade suficiente, possa 
agir em um organismo vivo, 
produzindo alterações podendo 
ser benéficas ou não. 
o Uma droga não cria 
funções, apenas modifica 
aquelas já existentes. 
▪ Medicamento – qualquer 
substância química empregada em 
um organismo vivo, visando obter 
efeitos benéficos. São 
substâncias químicas destinadas 
a curar, diminuir, prevenir e/ou 
diagnosticar as enfermidades. 
o Todo medicamento é uma 
droga, mas nem toda droga 
é um medicamento. 
o A Anvisa define 
medicamento como “produto 
farmacêutico, tecnicamente 
obtido ou elaborado com 
finalidade profilática, 
curativa, paliativa ou 
para fins de diagnóstico. 
▪ Fármaco – designa uma substância 
química conhecida e de estrutura 
química definida dotada de 
propriedade farmacológica. 
▪ Remédio – tudo aquilo que cura, 
alivia ou evita uma 
enfermidade. Este termo abrange 
não só os agentes químicos (os 
medicamentos), como também os 
agentes físicos (duchas, 
massagens, etc.). 
▪ Placebo – qualquer substância 
sem propriedades farmacológicas, 
administrada ao individuo como 
se tivesse propriedades 
terapêuticas, com o intuito mais 
de agradar do que beneficiar. 
Atualmente, é empregado para o 
controle e a comparação da 
atividade de medicamentos. 
▪ Nutracêutico – produto 
nutricional que se alega ter 
valor terapêutico, além de seu 
valor nutricional 
cientificamente comprovado. 
▪ Princípio-ativo – componente 
farmacologicamente ativo, 
destinado ao emprego em 
medicamento. 
▪ Biodisponibilidade – é uma 
medida da extensão de uma droga 
terapeuticamente ativa que 
atinge a circulação sistêmica e 
está disponível no local de 
ação. 
 
 
 
 
 
 
 
» Via intravenosa não é 
absorvida, uma vez que já se 
encontra no sangue. 
▪ Meia-vida – é o tempo necessário 
para que metade de uma 
substância seja removida do 
organismo por um processo 
químico físico. 
 
▪ Especificidade – capacidade de 
um fármaco reconhecer apenas um 
receptor. 
▪ Eficácia – tendencia de um 
fármaco após ligado ao receptor, 
ativá-lo. 
▪ Agonista – substâncias que 
causam alterações na função 
celular, produzindo vários tipos 
de efeitos. 
▪ Antagonista – substância que se 
liga ao receptor sem causar 
ativação, impedindo a ligação do 
agonista. 
 
 
II. Ramos da Farmacologia 
▪ Farmacodinâmica – estuda os 
mecanismos de ação dos 
medicamentos. 
▪ Farmacocinética – estuda o 
caminho percorrido pelo 
medicamento no organismo animal; 
atualmente é dada ênfase na 
relação entre dose e as mudanças 
de concentração dos medicamentos 
nos vários tecidos do organismo, 
em função do tempo percorrido 
após sua administração. 
▪ Farmacotécnica – estuda o 
preparo, a purificação e a 
conservação dos medicamentos, 
visando ao melhor aproveitamento 
dos seus efeitos no organismo. 
▪ Farmacognosia – trata de 
obtenção, identificação e 
isolamento de princípios-ativos. 
▪ Farmacologia clínica – 
compatibiliza as informações 
obtidas no laboratório avaliados 
em animais saudáveis, com 
aquelas obtidas no animal-alvo 
enfermo. 
▪ Farmacoterapêutica – uso de 
medicamento para o tratamento 
das enfermidades, enquanto o 
termo terapêutica é mais 
abrangente, envolvendo não só o 
uso de medicamentos, como também 
outros meios para prevenção, 
tratamento ou diagnóstico. 
 
III. Farmacologia aplicada 
▪ Posologia é o estudo das 
dosagens do medicamento com fins 
terapêuticos. 
▪ Dose se refere à quantidade do 
medicamento necessária para 
promover a resposta terapêutica. 
▪ Dosagem inclui, além da dose, a 
frequência de administração e a 
duração do tratamento. 
 
Farmacocinética 
É o estudo do movimento de uma 
substância química, em particular 
de um medicamento no interior de 
um organismo vivo. É o estudo de 
absorção, distribuição, 
biotransformação e excreção. 
▪ Para que todos estes processos 
ocorram e para que um 
medicamento exerça seu efeito em 
um determinado local de ação no 
interior de um organismo vivo, é 
necessário que esse medicamento, 
após a dissolução da forma 
farmacêutica, consiga atravessar 
as barreiras celulares e alcance 
o seu local de ação. 
 
I. Fases da farmacocinética 
▪ Absorção – é a primeira etapa 
sendo definida como uma série de 
processos pelos quais uma 
substância externa a um ser vivo 
nele penetre sem lesão 
traumática, chegando até o 
sangue. 
o Vias intravenosa e 
intra-arterial pulam 
essa etapa. 
o O pH do meio pode 
interferir 
▪ Distribuição – etapa em que o 
medicamento é distribuído no 
corpo através da circulação. É 
definido como o fenômeno em que 
um medicamento, após ter chegado 
ao sangue, isto é, após sua 
absorção, sai deste 
compartimento e vai para o seu 
local de ação. 
▪ Biotransformação – o medicamento 
é transformado em um composto 
mais hidrossolúvel para poder 
ser excretado. Fase I – etapa de 
oxidação, redução e hidrólise; 
Fase II – conjugação com ácido 
glicurônico. 
 
 
▪ Excreção – os compostos são 
removidos do corpo para o meio 
externo; fármacos hidrossolúveis 
são filtrados nos glomérulos. Os 
sítios de excreção denominam-se 
emunctórios e, além do rim, 
incluem: pulmões, fezes, bile, 
suor, lágrimas, saliva, leite 
materno, fígado. 
 
II. Vias de administração de 
medicamentos 
▪ Oral – é bem mais segura do que 
por vias parenterais e evita que 
haja irritação tissular no local 
de injeção. No entanto, é muito 
marcante a variação interespécie 
na biodisponibilidade quando se 
administra o medicamento por 
esta via. 
▪ Retal – tem como desvantagem 
absorção irregular e incompleta 
e irritação da mucosa retal. 
▪ Ruminal – uso restrito a 
medicamentos com ação no rúmen. 
▪ Intravenosa – tem como vantagens 
a obtenção rápida de efeitos 
farmacológicos, a possibilidade 
da administração de grandes 
volumes. 
▪ Intramuscular – oferece a 
conveniência de ser de fácil 
emprego e pela considerável 
quantidade de preparações 
parenterais produzidas como 
formulação de longa duração. 
▪ Subcutânea – é apropriada para 
administração de medicamentos 
que necessitem ser absorvidos 
lenta e continuamente. 
▪ Intradermal – utilizada para 
diagnóstico e identificação de 
alergênicos. 
▪ Intraperitoneal – utilizada 
quando se necessita administrar 
grandes volumes de solução, isto 
porque esta via é constituída de 
grandes superfícies de absorção. 
▪ Intracardíaca – utilizada 
eventualmente para eutanásia. 
▪ Intratecal – envolve a 
penetração de membranas que 
revestem o SNC. 
▪ Epidural – utilizada para 
cirurgias abdominais em grandes 
animais. 
▪ Intra-articular – utilizada 
quando se necessita de efeito 
anti-inflamatório localizado em 
uma determinada articulação. 
▪ Transmucosa – efeitos 
terapêuticos não sistêmicos, 
isto é, locais. 
▪ Inalatória – utilizada quando o 
agente terapêutico é um gás. 
▪ Intramamária – utilizada 
normalmente para o tratamento de 
doenças nas glândulas mamárias. 
Farmacodinâmica 
Estuda os mecanismos pelos quais 
um medicamento atua nas funções 
bioquímicas ou fisiológicas de um 
organismo vivo. 
▪ Também realiza o estudo 
quantitativo, isto é, a relação 
dose-resposta dos efeitos 
biológicos e terapêuticos dos 
medicamentos; este conjunto de 
informações, aliadas aos dados 
oriundos da farmacocinética, 
proporciona o conhecimentocompleto do caminho percorrido 
pelos medicamentos e seus 
efeitos no organismo animal. 
A farmacodinâmica é importante 
para o entendimento dos efeitos 
farmacológicos e adversos causados 
pelos medicamentos e fornecem 
informações sobre a forma mais 
adequada de tratamento das 
intoxicações causadas por estes 
agentes. 
 
▪ Medicamentos estruturalmente 
inespecíficos – o efeito 
farmacológico não decorre 
diretamente da estrutura química 
da molécula agindo em um 
determinado receptor, mas sim 
provocando alterações nas 
propriedades físico-químicas 
(como grau de ionização, 
solubilidade, tensão superficial 
e atividade termodinâmica), 
acarretando mudanças em 
mecanismos importantes das 
funções celulares e levando à 
desorganização de uma série de 
processos metabólicos. 
o Os anestésicos gerais 
inalatórios e os 
desinfetantes são exemplos 
deste grupo. 
▪ Medicamentos estruturalmente 
específicos – cuja ação 
biológica decorre essencialmente 
de sua estrutura química. Eles 
se ligam a receptores, isto é, 
macromoléculas existentes no 
organismo, formando com eles um 
complexo, o que leva a uma 
determinada alteração na função 
celular. 
 
I. Alvo para ação dos 
medicamentos 
Basicamente, o alvo de ligação de 
um medicamento no organismo animal 
são macromoléculas proteicas com a 
função de: enzimas, moléculas 
transportadoras, canais iônicos, 
receptores de neurotransmissores e 
ácidos nucleicos. 
A ligação dos medicamentos aos 
receptores envolve todos os tipos 
de interação química conhecidos: 
iônicas polares, as de ponte de 
hidrogênio, as hidrofóbicas, as de 
van de Waals e as covalentes. 
 
i. Enzimas 
Vários medicamentos exercem seu 
efeito farmacológico por meio da 
interação com enzimas, atuando 
principalmente como inibidores 
destas. 
▪ Ex.: neostigmina inibindo 
reversivelmente a enzima 
acetilcolinesterase. 
Um medicamento também pode sofrer 
alterações em sua estrutura 
química provocadas pela interação 
com determinadas enzimas, 
transformando-se em produto 
anormal, que acarreta a 
desorganização de determinada via 
metabólica. 
▪ Ex.: agente anti-hipertensivo. 
 
 
ii. Moléculas transportadoras 
Alguns medicamentos exercem sua 
função farmacológica interferindo 
com as proteínas transportadoras, 
responsáveis pelo carreamento de 
várias substâncias para o interior 
das células, como por exemplo, 
glicose, aminoácidos, íons e 
neurotransmissores. 
Estas proteínas transportadoras 
contêm locais de reconhecimento 
que as torna específicas para 
identificar e transportar 
moléculas para o interior do 
citoplasma celular. Esses locais 
são alvo da ação de alguns 
medicamentos, cuja função é 
bloquear o sistema de transporte. 
 
 
iii. Canais iônicos 
São proteínas localizadas na 
membrana celular que atuam na 
passagem de íons, os quais podem 
se abrir ou fechar quando 
submetidos a estímulos 
específicos. 
 
iv. Receptores 
São proteínas que funcionam como 
elementos de percepção do sistema 
de comunicação química que 
coordenam a função de todas as 
diferentes células do corpo. 
 
II. Expressões farmacológicas 
 
 
 
 
 
 
27/02 
Farmacocinética 
Estuda a movimentação de uma 
substância química no interior de 
um organismo vivo 
I. Absorção 
A absorção é influenciada pelas 
seguintes propriedades das drogas: 
▪ Lipossolubilidade. 
▪ Hidrossolubilidade. 
▪ Estabilidade química. 
III. Janela terapêutica 
Pode ser conceituada como a faixa 
de concentração de medicamento no 
organismo capaz de produzir 
efeitos terapêuticos adequados sem 
causar efeitos tóxicos. 
É o intervalo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
▪ Peso molecular. 
▪ Carga elétrica. 
▪ Forma farmacêutica. 
▪ Velocidade de dissolução. 
▪ Concentração da droga no local 
de absorção. 
 
i. Membranas celulares 
São envoltórios constituídos de 
uma camada dupla de lipídios 
anfipáticos (uma extremidade 
definida como cabeça hidrofílica e 
na outra extremidade estruturas 
hidrofóbicas). 
 
Esta camada dupla de lipídios das 
membranas tem como característica 
a impermeabilidade à maioria das 
moléculas polares e ais íons sendo 
permeável às moléculas não 
polares. Por se dissolverem em 
gordura, tem a capacidade de 
atravessar a camada lipídica das 
membranas pelo processo de difusão 
simples. 
▪ Polar tem carga (ionizada) e 
apolar não possui polos 
(lipossolúvel). 
 
ii. Passagem de medicamentos 
Transporte passivo – movimento de 
moléculas a favor de seus 
gradientes de concentração. 
processo sem gasto de energia. 
▪ Transporte paracelular – 
mecanismo comum para 
transferência de substancias de 
tamanho pequeno, o medicamento 
atravessa as membranas celulares 
através dos espaços entre as 
células. 
▪ Difusão – as moléculas se 
distribuem da região em que 
estejam mais concentradas para 
as regiões em que haja menos 
concentração. 
 
 
 
 
 
 
Transporte mediado por carreador – 
componentes da membrana celular 
que tem a capacidade de 
transportar, para 
 
o interior da célula, moléculas ou 
íons. São saturáveis, tem 
especificidade pelo substrato, 
podem ser inibidos ou ativados por 
hormônios, podendo ou não 
necessitar de energia para sua 
ocorrência. 
Movimento de moléculas contra seus 
gradientes de concentração. 
Processo com gasto de energia. 
▪ Difusão facilitada – o substrato 
se move a favor do gradiente de 
concentração, passando pelo 
interior das células. 
▪ Transportadores de fármacos - a 
substância é movida através de 
carreadores contra o gradiente 
de concentração. Este processo 
exibe alto grau de 
especificidade estrutural, 
assim, durante o transporte, se 
duas substâncias físico-
quimicamente correlatas se 
oferecerem para o transporte ao 
mesmo tempo, uma poderá inibir o 
transporte dá outras. 
 
 
 
 
 
 
 
▪ Pinocitose e fagocitose – 
processos de absorção nos quais 
a membrana celular se invagina 
em torno de uma macromolécula ou 
de várias pequenas moléculas e 
as engloba junto com gotículas 
do meio extracelular. Formam-se 
vesículas intracelulares que se 
destacam da membrana, sendo 
fagocitose a absorção de 
partículas sólidas e pinocitose 
a absorção de partículas 
líquidas. O processo exige 
energia celular para a sua 
execução e não necessitam de 
transportadores específicos nas 
membranas celulares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
II. Influência do pH na 
polaridade de medicamentos 
Os medicamentos são compostos 
orgânicos com propriedade de 
ácidos fracos ou bases fracas, 
portanto, em solução aquosa se 
apresentam parcialmente ionizados. 
O pH do meio determina a porção 
ionizada e não ionizada. 
 
i. Polaridade molecular 
A polaridade da molécula está 
diretamente ligada a velocidade de 
absorção 
As substâncias terapêuticas são 
divididas em três categorias: 
▪ Substância química sem carga ou 
apolar – não sofrem influência 
do pH do meio em que estão 
dissolvidas, mantendo-se sempre 
apolares. Elas atravessam 
qualquer membrana biológica, 
tanto as da pele como as do 
estômago ou do intestino. 
▪ Ácidos orgânicos – o pH do meio 
determina a velocidade de 
absorção. Em pH ácido a 
concentração hidrogeniônica é 
alta, mantendo a molécula sem 
carga, mais lipossolúvel. Eles 
atravessam melhor a barreira do 
estômago do que do intestino. 
▪ Aminas orgânicas – podem ser 
classificadas como: primárias, 
secundárias, terciárias e 
quaternárias, sendo que as três 
primeiras variam a sua 
lipossolubilidade de acordo com 
o pH, já a última está sempre na 
forma pouco lipossolúvel. As 
aminas são mais bem absorvidas 
no intestino do que no estômago 
por serem bases fracas. 
 
III. Barreiras tissulares 
corporais 
▪ Mucosa gastrintestinal – o 
sistema gastrintestinal é 
revestido por células epiteliais 
muito unidas umas às outras, com 
bloqueio completodos espaços 
intercelulares, forçando as 
substâncias químicas a se 
difundir somente através das 
membranas celulares, em vez de 
passarem entre as células. 
o As substâncias químicas devem 
ser solúveis na membrana para 
ultrapassar a barreira 
gastrintestinal. 
▪ Barreiras epiteliais de pele, 
córnea e bexiga – também se 
apresentam muito unidas umas às 
outras, impedindo a passagem de 
substâncias químicas entre os 
espaços intercelulares. 
o A única forma de penetração é 
via celular, por difusão, 
exclusivamente para 
substâncias químicas 
apolares. 
▪ Hematencefálica – o sistema 
nervoso central apresenta uma 
barreira que mantém seu meio 
extracelular com características 
constantes, criando condições 
para atividade neuronal. É 
formada por paredes contínuas 
dos capilares, com poucas 
vesículas de pinocitose, 
associadas a células 
endoteliais, unidas por extensas 
junções intimas e pequenas 
expansões das células glia. 
o Impede que substâncias 
polares ou de peso molecular 
elevado penetrem no SNC. 
Barreias capilares, existem 
basicamente três tipos: 
▪ Capilares com máculas – 
apresentam zonas frouxas na 
junção entre as células que 
permitem que as substâncias 
químicas não ligadas a proteína 
plasmáticas possam sair de seu 
interior e alcançar o espaço 
extracelular. 
▪ Capilares fenestrados – 
característicos de órgãos 
excretores como dos glomérulos 
renais e glândulas salivares, 
pancreática e hipofisária. As 
fenestrações entre as células 
tornam possível o pronto acesso 
das substâncias químicas livres, 
ou seja, aquelas não ligadas a 
proteínas plasmáticas para os 
espaços intercelulares. 
▪ Capilares com bloqueio completo 
– tem os espaços intercelulares 
completamente ocluídos, e a 
travessia pelo interior das 
células epiteliais destes 
capilares é a única passagem de 
uma substância química para o 
espaço extracelular. Ex.: 
capilares da barreira 
hematencefálica. 
 
IV. Vias de administração de 
medicamentos 
Na escolha da via de administração 
de um medicamento, devem-se 
considerar: necessidade de efeito 
sistêmico ou localizado; latência 
para o efeito(curto, longo); 
características físico-químicas do 
medicamento (resistente a 
hidrolise em meio ácido). 
As principais vias utilizadas são: 
i. Vias digestivas 
Para que um medicamento seja 
absorvido e passe para circulação 
sistêmica, é necessário que ele 
seja liberado da sua forma 
farmacêutica (suspensões, 
comprimidos, capsulas, etc.), isto 
é, que ocorra a dissolução do 
mesmo, e que este tenha a 
capacidade de atravessar as 
barreiras celulares do sistema 
gastrintestinal. 
São vias digestivas: oral, 
sublingual, retal e ruminal. 
O intestino delgado é o principal 
local de absorção de todos os 
medicamentos administrados por via 
oral (ácidos fracos, bases fracas 
ou compostos neutros) por 
apresentar uma extensa área com 
rica vascularização. 
▪ Efeito de primeira passagem – se 
refere à passagem da substância 
química absorvida no sistema 
gastrintestinal pelo fígado 
através da veia porta, na qual é 
biotransformada, para 
posteriormente poder alcançar o 
restante do organismo. 
o Em geral, o efeito de 
primeira passagem é 
inconveniente, pois é 
necessária uma dose maior 
quando o medicamento é 
administrado por via oral, se 
comparada com outras vias. 
o Ocorre em todas as espécies 
animais, no entanto, 
considerando que os 
herbívoros apresentam maior 
capacidade de 
biotransformação de 
substâncias químicas, 
verifica-se que o efeito de 
primeira passagem nestas 
espécies é bem maior do que 
em onívoros ou carnívoros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
ii. Via oral 
É bem mais segura do que por vias 
parenterais e evita que haja 
irritação tissular no local de 
injeção. 
No entanto, é muito marcante a 
variação inter e intraespécie na 
biodisponibilidade quando se 
administra o medicamento por esta 
via. 
É fundamental considerar as 
particularidades da anatomia e 
fisiologia do sistema 
gastrintestinal das diferentes 
espécies animais e a quantidade 
total de medicamento a ser 
administrado. 
As formas farmacêuticas 
disponíveis são: 
▪ Soluções. 
▪ Líquidos. 
▪ Suspensões. 
▪ Géis. 
▪ Pastas. 
▪ Capsulas. 
▪ Tablets. 
▪ Bólus ruminal. 
▪ Pós e grânulos para adição no 
alimento. 
▪ Pós solúveis para adição na 
água. 
▪ Premix para adição no alimento. 
 
 
iii. Via retal 
O medicamento absorvido sofre 
parcialmente o efeito de primeira 
passagem, isto é, ao ser absorvido 
não penetra pela veia porta, 
escapando, portanto, em grande 
parte da biotransformação 
hepática, seguindo direto ao 
coração, onde é distribuído para 
os vários compartimentos do 
organismo. 
Tem como desvantagens absorção 
irregular e incompleta e irritação 
da mucosa retal. 
Como exemplo do uso desta via, 
tem-se a administração de Diazepam 
em gatos que apresentam mal 
epiléptico. 
 
iv. Via ruminal 
Uso restrito a medicamentos com 
ação no rúmen. Trânsito lento, 
outras medicações não são 
absorvidas da maneira adequada. 
 
v. Administração parenteral 
As vias de administração 
parenteral mais usuais são as 
intravenosas, as intramusculares e 
as subcutâneas; as vias restantes 
têm utilização restrita, visando a 
efeitos específicos. 
vi. Vias tópicas 
Utilizadas para obtenção de 
efeitos terapêuticos não 
sistêmicos, isto é, localizados. É 
considerada bastante segura, 
porém, em certos casos, pode 
ocorrer intoxicação, pois é 
possível que haja absorção mesmo 
através da pele integra. 
A existência de lesões na pele 
onde o medicamento é aplicado, 
deve ser levado em consideração, 
pois pode acarretar absorção de 
quantidades consideráveis do 
princípio ativo, levando a efeitos 
sistêmicos indesejáveis. 
 
vii. Via inalatória 
Pode ser utilizada quando o agente 
terapêutico é um gás. 
 
Biodisponibilidade de 
medicamentos 
Mede a quantidade de um 
medicamento, contido em uma 
determinada forma farmacêutica, 
que ao ser administrado a um 
organismo vivo atinge a circulação 
sanguínea de forma inalterada. 
Os dados da biodisponibilidade são 
utilizados para determinar: 
▪ A quantidade de um medicamento 
absorvido a partir de uma 
determinada forma farmacêutica. 
▪ A velocidade de absorção do 
medicamento. 
▪ A permanência do medicamento nos 
líquidos do organismo e sua 
correlação com as respostas 
farmacológicas e/ou tóxicas. 
 
06/03 
Distribuição de medicamentos 
É o fenômeno em que um 
medicamento, após sua absorção, 
sai deste compartimento e vai para 
seu local de ação. 
Após sua absorção um medicamento 
pode ficar sob a forma livre no 
sangue, ligar-se a proteínas 
plasmáticas ou, então, ser 
sequestrado para depósitos no 
organismo. Somente um medicamento 
na forma livre é distribuído para 
os tecidos. 
Os medicamentos abandonam a via 
circulatória para o espaço 
intercelular por processo de 
difusão através das membranas 
celulares dos capilares ou ainda 
por poros ou fenestrações 
presentes nas paredes dos 
capilares. 
A velocidade com que a 
concentração de um determinado 
medicamento livre demora para se 
equilibrar entre o plasma e 
líquido dos demais compartimentos 
depende basicamente do grau 
específico de vascularização de um 
determinado tecido. 
 
 
 
 
I. Volume aparente de 
distribuição de 
medicamentos 
É possível conhecer o volume de 
água contido em um frasco, uma vez 
que a concentração (C) de qualquer 
substância é dada pela relação 
massa (M) e volume (V). 
Fazendo-se uma analogia de um 
frasco com um animal e conhecendo 
a dose (massa) do medicamento 
administrado ao animal e a 
concentração plasmática do 
medicamento, é possível obter-se o 
volume de distribuição aparente 
(Vd). 
𝑉𝑑 = 
𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑚𝑒𝑑𝑖𝑐𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑛𝑜 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑚𝑠𝑜
𝑐𝑜𝑛𝑐𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎çã𝑜𝑑𝑒 𝑚𝑒𝑑𝑖𝑐𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑛𝑜 𝑝𝑙𝑎𝑠𝑚𝑎
 
O Vd não é um volume real; é um 
índice de como o medicamento irá 
se distribuir por todo o organismo 
de acordo com suas propriedades 
físico-químicas, se ele se 
dissolvesse homogeneamente no 
organismo e a sua concentração em 
todos os locais do organismo fosse 
igual àquela do plasma. 
 
II. Ligação de medicamentos às 
proteínas plasmáticas 
Uma quantidade significativa de 
medicamento absorvido por um 
organismo tende a ligar-se de 
forma reversível às proteínas 
plasmáticas. Entre a fração ligada 
a proteínas e a livre do 
medicamento existe um equilíbrio 
dinâmico. Quando a fração livre 
abandona a circulação, uma nova 
porção do medicamento ligado se 
libera das proteínas, refazendo 
este equilíbrio. 
Pode-se considerar a ligação com 
proteínas plasmáticas como um 
reservatório circulante do 
medicamento potencialmente ativo. 
Com a mudança nos níveis destas 
proteínas plasmáticas, como, por 
exemplo, nas hipoproteinemias, 
ocorre um aumento da toxicidade de 
medicamentos que apresentam alta 
afinidade a essas proteínas. 
A administração concomitante de 
dois medicamentos com alta 
porcentagem de ligação plasmática 
pode ocasionar um aumento da 
atividade ou da toxicidade de um 
deles. Isto ocorre porque estes 
dois medicamentos competem com os 
mesmos sítios de ligação dessas 
proteínas, havendo, portanto, o 
deslocamento de um deles para a 
forma livre, responsável pelos 
efeitos farmacológicos ou tóxicos. 
▪ A albumina plasmática é a mais 
importante proteína plasmática 
envolvida na ligação de 
medicamentos. 
 
i. Proteínas plasmáticas 
Alguns fármacos circulam na 
corrente sanguínea ligados às 
proteínas plasmáticas. A albumina 
é o principal carreador dos 
fármacos ácidos e a glicoproteína 
ácida α1 liga-se aos fármacos 
básicos. 
Alguns fármacos podem ligar-se às 
proteínas que atuam como proteínas 
carreadoras de hormônios 
específicos. A ligação de um 
fármaco às proteínas plasmáticas 
limita sua concentração nos 
tecidos e em seu local de ação. 
 
III. Fatores que alteram a 
distribuição 
▪ Dependentes da droga – 
lipossolubilidade; polarização e 
ionização; ligação a proteínas. 
▪ Dependentes do paciente – idade, 
peso, tamanho, hemodinâmica, 
concentração de proteínas 
plasmáticas, estados patológicos 
e genética. 
 
IV. Ligação tecidual 
Alguns fármacos acumulam-se nos 
tecidos em concentrações mais 
altas do que as detectadas nos 
líquidos extracelulares e no 
sangue. 
Essa ligação e acumulação 
teciduais também podem causar 
efeitos tóxicos locais. 
i. Tecido adiposo 
Muitos fármacos lipossolúveis são 
armazenados por solubilização 
física na gordura. 
A gordura é um reservatório muito 
estável, porque sua irrigação 
sanguínea é relativamente escassa. 
ii. SNC líquido 
cefalorraquidiano 
As células endoteliais dos 
capilares cerebrais têm junções 
estreitas; por esta razão, a 
penetração do fármaco no cérebro 
depende do transporte transcelular 
Quanto mais lipofílica for a 
substância, maior a probabilidade 
de que atravesse a barreira 
hematencefálica. 
iii. Transferência placentária 
A transferência dos fármacos pela 
placenta tem importância 
fundamental, porque alguns 
compostos podem causar anomalias 
no desenvolvimento do feto. 
 
V. Meia-vida do fármaco 
É a duração da ação após uma única 
dose. Isto é, o tempo necessário 
para a eliminação plasmática do 
medicamento. Tem relação direta 
com a frequência da dose e o tempo 
necessário para alcançar o 
equilíbrio dinâmico. 
 
 
 
 
 
 
 
Biotransformação de 
medicamentos 
Consiste na transformação química 
de substâncias, sejam elas 
medicamentos ou agentes tóxicos, 
dentro do organismo vivo, visando 
favorecer sua eliminação. 
Permite a formação de metabólitos 
que são habitualmente mais polares 
e menos lipossolúveis do que a 
molécula original, favorecendo a 
eliminação desta. 
Não favorece apenas a eliminação 
de um medicamento, como também, na 
inativação farmacológica deste. 
As enzimas metabolizadoras estão 
presentes na maioria dos tecidos 
do corpo: 
▪ Fígado – citocromo P450. 
▪ Intestino. 
▪ Sangue. 
▪ Rins. 
▪ Baço. 
Tosa substância química absorvida 
pelo sistema gastrintestinal vai 
obrigatoriamente até o fígado 
através da veia porta, no qual é 
biotransformada, para 
posteriormente poder alcançar o 
restante do organismo. 
 
i. Fatores que interferem na 
biotransformação 
▪ Espécie. 
▪ Idade. 
▪ Estado nutricional. 
▪ Temperatura corporal. 
▪ Estados patológicos. 
 
I. Reações de fase I 
O citocromo P-450 é o componente 
primordial para a biotransformação 
de substâncias químicas. 
As reações de fase I acontecem, 
normalmente, no sistema 
microssomal hepático no interior 
do reticulo endoplasmático liso. 
Estas reações em geral convertem o 
medicamento original em 
metabólitos mais polares por 
oxidação, redução ou hidrólise. Os 
metabólitos resultantes podem ser 
mais ativos do que a molécula 
original, menos ativos ou 
inativos. 
Um dos processos básicos é a 
hidroxilação que é catalisada pelo 
citocromo P-450. 
 
II. Reações de fase II 
Denominadas também de reações 
sintéticas ou de conjugação, 
envolvem o acoplamento entre o 
medicamento ou seu metabólito a um 
substrato endógeno, como ácido 
glicurônico, radicais sulfatos, 
acetatos ou ainda aminoácidos. 
Os produtos das oxidações 
originados da fase I pode, na fase 
II, sofrer reações mais profundas, 
que, em geral, inativam os 
medicamentos quando estes ainda 
apresentam atividade 
farmacológica, levando 
frequentemente a um aumento na sua 
hidrossolubilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Excreção de medicamentos 
Entende-se por excreção de 
fármacos sua saída do organismo. 
Um medicamento pode ser excretado 
após biotransformação ou mesmo na 
sua forma inalterada. 
Os três principais órgãos 
responsáveis pela excreção de 
medicamentos são: 
▪ Os rins – no quais os 
medicamentos hidrossolúveis são 
excretados. 
▪ O fígado – no qual, após 
biotransformação, os 
medicamentos são excretados pela 
bile. 
▪ Os pulmões – responsáveis pela 
excreção de medicamentos 
voláteis. 
Pequenas quantidades de 
medicamentos podem também ser 
excretadas pela saliva ou suor. 
Em animais de produção ganha 
importância também a excreção pelo 
leite e ovo. 
 
I. Excreção renal 
Constitui o principal processo de 
eliminação de medicamentos, 
principalmente os polares ou pouco 
lipossolúveis. 
Três processos fundamentais na 
excreção renal: 
▪ Filtração glomerular – processo 
físico, em que a pressão 
osmótica e sanguínea interfere 
na formação do filtrado. Ocorre 
a difusão de moléculas. A 
quantidade de fármacos no 
filtrados é determinada pela 
concentração de água plasmática 
e pela taxa de filtração 
glomerular. 
▪ Secreção tubular – processo 
ativo com gasto de energia, os 
túbulos proximais contêm pelo 
menos dois tipos de transporte 
ativo para transportar o 
medicamento do sangue para o 
túbulo renal. Os dois sistemas 
de transporte, um para ácidos 
fracos e outro bases fracas, que 
competem entre suas classes 
químicas (ácido ou base)pela 
excreção. 
▪ Reabsorção passiva da urina para 
o sangue ao longo do túbulo 
renal. 
 
II. Excreção biliar 
Alguns medicamentos e seus 
respectivos metabólitos são 
eliminados por via hepática por 
intermédio da bile. O peso 
molecular e a polaridade na 
molécula do medicamento determinam 
a excreção biliar. 
Algumas substâncias eliminadas na 
bile, ao alcançarem o intestino, 
podem ser reabsorvidas. Este fato 
dependerá da lipossolubilidade, ou 
ainda da conjugação destes 
medicamentos com glicuronídeos. 
Estes compostos podem sofrer 
hidrólise, sintetizada pela 
microbiota intestinal, e tornar a 
ser reabsorvido pelo organismo. 
Esta excreção hepática,seguida de 
reabsorção intestinal, é 
denominada ciclo êntero-hepático 
de um medicamento. É responsável 
muitas vezes pelo retardo na 
excreção total de determinados 
medicamentos, que muitas vezes 
serão encontrados na urina vários 
dias após a administração da 
última dose. 
 
III. Excreção pelo leite e ovo 
Podem atingir pessoas que consomem 
produtos com fármacos. 
Em ovos os fármacos podem se 
depositar tanto na gema como na 
clara. 
 
13/03 
Farmacodinâmica 
Estuda os mecanismos pelos quais 
um medicamento atua nas funções 
bioquímicas ou fisiológicas de um 
organismo vivo. 
Também realiza o estudo 
quantitativo, isto é, a relação 
dose-resposta dos efeitos 
biológicos e terapêuticos dos 
medicamentos. 
Proporciona o conhecimento 
completo do caminho percorrido 
pelos medicamentos e seus efeitos 
no organismo animal. Tem 
importância fundamental para os 
entendimentos dos efeitos 
farmacológicos e adversos causados 
pelos medicamentos e fornecem 
informações sobre a forma mais 
adequada de tratamento das 
intoxicações por estes agentes. 
 
i. Medicamentos estruturalmente 
inespecífico 
São aqueles cujo efeito 
farmacológico não decorre 
diretamente da estrutura química 
da molécula agindo em um 
determinado receptor, mas sim 
provocando alterações nas 
propriedades físico-químicas (como 
grau de ionização, solubilidade, 
tensão superficial e atividade 
termodinâmica), acarretando 
mudanças em mecanismos importantes 
das funções celulares levando à 
desorganização de uma série de 
processos metabólicos. 
Está relacionado a 
lipossolubilidade da substância. 
Os anestésicos gerais inalatórios 
e os desinfetantes são exemplos 
característicos deste grupo de 
medicamentos. 
ii. Medicamentos estruturalmente 
específicos 
Cuja ação biológica decorre 
essencialmente de sua estrutura 
química. Eles se ligam a 
receptores, isto é, macromoléculas 
existentes no organismo, formando 
com eles um complexo, o que leva a 
uma determinada alteração na 
função celular. 
Os vários medicamentos 
estruturalmente específicos 
apresentam cartas características 
estruturais em comum, sendo estas 
fundamentais; pequenas variações 
nestas estruturas químicas podem 
resultar em alterações 
substanciais na atividade 
farmacológica. 
Outra característica relevante é 
que ação farmacológica destes 
agentes ocorre com concentrações 
menores do que as necessárias 
pelos estruturalmente 
inespecíficos. 
 
I. Receptores 
O termo receptor for criado para 
indicar o componente do organismo 
com o qual o agente químico 
presumivelmente interagia. 
 
i. Alvo para ação de 
medicamentos 
O alvo de ligação de um 
medicamento no organismo animal 
são macromoléculas proteicas. 
▪ Enzimas – vários medicamentos 
exercem seu efeito farmacológico 
por meio da interação com 
enzimas, atuando principalmente 
como inibidores. 
o Ex.: neostigmina inibindo 
reversivelmente a enzima 
acetilcolinesterase. 
Um medicamento também pode sofrer 
alterações em sua estrutura 
química provocadas pela interação 
com determinadas enzimas, 
transformando-se em produto 
anormal, que acarreta a 
desorganização de determinada via 
metabólica. 
▪ Moléculas transportadoras – 
alguns medicamentos exercem sua 
ação farmacológica interferindo 
com as proteínas 
transportadoras, responsáveis 
pelo carreamento de várias 
substâncias para o interior das 
células. 
o Ex.: interferindo na 
entrada de glicose na 
célula. 
Estas proteínas transportadoras 
contêm locais de reconhecimento 
que as torna especificas para 
identificar e transportar 
moléculas para o interior do 
citoplasma celular. Esses locais 
de captação são alvo da ação de 
alguns medicamentos, cuja função é 
bloquear o sistema de transporte. 
 
ii. Receptores celulares 
São grupos de proteínas celulares 
que atuam como receptores de 
substâncias endógenas como 
hormônios, neurotransmissores e 
autacoides. 
A função desses receptores 
fisiológicos está ligada à 
transmissão de uma mensagem: 
▪ De forma direta – via canal 
iônico existente nas membranas 
plasmáticas. 
▪ Indireta – via um segundo 
mensageiro, que acarretará 
mudanças bioquímicas em células-
alvo. 
Os receptores estão associados a 
diferentes velocidades para a 
ocorrência de efeitos celulares. 
Estes podem ser: 
▪ Rápidos – como 
neurotransmissores. 
▪ Lentos – como os hormônios. 
Os receptores para 
neurotransmissores de efeito 
rápido estão acoplados diretamente 
a um canal iônico. Os canais 
iônicos se alteram quando da 
ligação do neurotransmissor ao 
receptor, o que provoca aumento de 
permeabilidade da membrana celular 
a íons específicos, levando, 
portanto, a uma mudança de 
potencial elétrico das membranas 
celulares e da composição iônica 
intracelular. 
 Os receptores com velocidade de 
efeito intermediária funcionam de 
forma mais complexa, pois 
necessitam de estímulo 
extracelular para desencadear o 
efeito. Estes receptores também 
são chamados de metabotrópicos. 
 
II. Receptores ligados à 
proteína G 
As proteínas G são os mensageiros 
entre os receptores e as enzimas 
responsáveis pelas mudanças no 
interior das células. 
Estas proteínas são compostas por 
três subunidades denominadas α, β 
e Υ, sendo que a porção β e Υ não 
se dissociam. Todas as três 
subunidades estão ancoradas na 
membrana citoplasmática, porém, 
podem deslocar-se livremente no 
plano da membrana. 
Para a ativação o receptor precisa 
ser ocupado por uma molécula 
agonista. 
1. Quando o receptor é ocupado por 
uma molécula agonista ocorre uma 
alteração conformacional no 
receptor, fazendo com que este 
adquira alta afinidade pelo 
complexo-αβΥ. 
2. A ligação do complexo αβΥ com o 
receptor provoca à dissociação 
do nucleotídeo difosfato de 
guanina (GDP) ligado à porção α. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
i. Tipos de proteína G 
▪ Gs – estimulante (stimulation) 
dos receptores da adenilato-
ciclase. 
▪ Gi – inibidora (inhibition) dos 
receptores da adenilato-ciclase. 
▪ Go – relacionada aos canais 
iônicos. 
▪ Gq – ativadora da fosfolipase C. 
 
 
 
3. A porção α-GTP ativada se 
desloca na membrana e pode atuar 
sobre várias enzimas e canais 
iônicos, causando o consequente 
efeito celular. 
4. O processo é concluído quando o 
GTP é hidrolisado a GDP, pela 
GTPase da subunidade α. 
5. O α-GDP resultante dissocia-se 
então da proteína efetora e une-
se novamente às subunidades βΥ 
completando o ciclo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ii. Sistema adenilato-
ciclase/cAMP 
Uma proteína denominada Gs é 
ativada após a ligação do 
neurotransmissor ao seu respectivo 
receptor e esta estimulará a 
enzima adenilato-ciclase a 
produzir, a partir do ATP, cAMP, 
que é considerado como um dos 
segundos mensageiros. 
Os efeitos reguladores do cAMP na 
função celular são muito variados, 
incluem enzimas que participam no 
metabolismo energético, divisão 
celular, diferenciação celular, 
etc. 
O mecanismo comum que acarreta 
esses efeitos celulares está 
associado à ativação de várias 
proteinoquinases dependentes do 
cAMP. 
▪ Proteinoquinases – são enzimas 
que catalisam a fosforilação de 
proteínas através do ATP dos 
resíduos de serina e treonina. A 
fosforilação controla a 
atividade da proteína. 
Os dois tipos de proteína G 
relacionados com esse sistema são 
Gs e Gi. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
iii. Sistema guanilato-
ciclase/cGMP 
Similar ao que ocorre no sistema 
anterior. 
O cGMP tem papel importante como 
segundo mensageiro em eventos 
celulares diversos ligados 
principalmente aos efeitos do 
óxido nítrico na contração de 
músculos lisos ou ainda na 
migração e adesão de macrófagos. 
 
iv. Sistema fosfolipase e fosfato 
de Inositol 
Este sistema de transmissão é 
multirregulador e envolve vários 
segundos mensageirosrelacionados 
com inúmeras alterações celulares 
determinadas pela ativação de 
diferentes receptores. 
▪ PIP2 – fosfatilinositol. 
▪ IP3 – Inositol. 
▪ DAG – diacilglicerol. 
▪ RE – retículo endoplasmático. 
Após a ligação do agonista ao 
receptor o PIP2 é hidrolisado pela 
fosfolipase C, e são formados dois 
compostos o IP3 e o DAG. 
▪ IP3 – é muito hidrossolúvel e 
alcança o citoplasma, agindo em 
receptores de membrana 
localizados no retículo 
endoplasmático, promovendo a 
liberação de íons de Ca. 
o Íons de cálcio – regulam a 
função de várias enzimas, 
proteínas e canais iônicos. 
A calmodulina media a ação do 
cálcio nas enzimas. 
 
▪ DAG – é lipossolúvel e permanece 
na membrana, ativando, neste 
local, a proteinoquinase C, por 
meio do aumento da afinidade 
desta por íons de cálcio. A 
proteinoquinases C ativada, por 
sua vez, causa a fosforilação de 
diferentes proteínas 
intracelulares, levando aos 
efeitos fisiológicos ou 
farmacológicos. 
Efeitos da ativação da 
proteinoquinases C: 
▪ Liberação de hormônios. 
▪ Liberação de neurotransmissores. 
▪ Excitabilidade neuronal. 
▪ Contração ou relaxamento de 
músculos lisos. 
 
 
v. Sistema fosfolipase A2 
A ativação da fosfolipase A2, 
mediada pela ligação do agonista 
com o receptor e a proteína G, 
leva a produção de eicosanoides 
(mediadores inflamatórios) a 
partir do ácido araquidônico. 
A função do ácido araquidônico e 
de seu metabolito nos eventos 
intracelulares é bastante 
complexa, incluindo alteração da 
abertura de canais iônicos ligados 
ao potássio, estabelecendo 
comunicação entre as células e 
também funcionando como hormônios 
locais. 
 
vi. Regulação de canais iônicos 
Receptores acoplados a proteína Go 
controlam a função de canais 
iônicos por mecanismos diretos, 
sem o envolvimento de segundos 
mensageiros. A proteína Go 
interage diretamente com o canal 
iônico, alterando a permeabilidade 
dele aos diferentes íons. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
III. Relação dose-resposta 
A intensidade de efeito produzido 
pelo medicamento em geral depende 
da quantidade administrada. 
A resposta farmacológica é 
diretamente proporcional ao número 
de receptores com os quais este 
agente efetivamente interage e que 
o efeito máximo é alcançado quando 
todos os receptores estão 
ocupados. 
O termo agonista indica que uma 
determinada substância, ao ligar-
se ao receptor, ativa-o, 
acarretando efeito farmacológico. 
O termo antagonista refere-se a 
uma substância que, ao combinar-se 
com o receptor, não o ativa. 
i. Potência 
Quanto menor a concentração ou 
dose do medicamento necessária 
para desencadear determinado 
efeito, mais potente é este 
medicamento. 
ii. Eficácia máxima 
Determinados por propriedade 
inerentes à ligação medicamento-
receptor. 
Os fatores que limitam a eficácia 
de um medicamento são normalmente 
os efeitos colaterais. 
iii. Variação biológica 
Indivíduos de uma mesma espécie ou 
grupo podem responder de formas 
diferentes frente aos fármacos. 
 
IV. Efeitos anormais aos 
medicamentos 
▪ Hiper-reativo – apresentam 
respostas a doses baixas que não 
causam efeitos na grande maioria 
da população. 
 
▪ Hiporreativo – necessitam de 
doses maiores do que as 
normalmente utilizadas para 
desencadear determinado efeito. 
 
▪ Tolerância – a baixa 
sensibilidade em questão resulta 
de uma exposição prévia ao 
medicamento, o qual causa 
alterações farmacocinéticas e/ou 
farmacodinâmicas. 
 
▪ Taquifilaxia ou 
dessensibilização – este 
fenômeno envolve diferentes 
mecanismos, como alteração de 
receptores acoplados diretamente 
aos canais iônicos. 
 
▪ Idiossincrasias ou efeito 
incomum – representam o 
aparecimento de um efeito não 
esperado após o uso de um 
medicamento e que ocorre em 
pequena porcentagem dos 
indivíduos. 
 
▪ Supersensibilidade – aumento do 
efeito de um medicamento, sendo 
este causado pela elevação da 
sensibilidade de receptores. 
 
▪ Hipersensibilidade – reações 
alérgicas que tem como 
explicação a ligação antígeno-
anticorpo, com consequente 
liberação de histamina. 
 
 
 
V. Interação medicamentosa 
Muitas vezes faz-se necessária a 
utilização concomitante de mais de 
um medicamento, podendo ocorrer 
modificação do efeito de ambos ou 
de um deles quando associados. 
i. Sinergismo 
Denomina-se sinergismo o efeito de 
dois medicamentos ocorrendo na 
mesma direção. 
a. Sinergismo por adição 
O efeito combinado de dois ou mais 
medicamentos é igual à soma dos 
efeitos isolados de cada um. 
 
b. Sinergismos por potenciação 
O efeito combinado de dois ou mais 
medicamentos é maior que a soma 
dos efeitos isolados. 
▪ É comum que as duas substâncias 
não atuem pelo mesmo mecanismo 
de ação. 
▪ Uma das substâncias potencializa 
a outra por interferir na sua 
biotransformação, distribuição 
ou excreção. 
 
ii. Antagonismo 
A interação de dois medicamentos 
pode levar também a diminuição ou 
anulação completa dos efeitos de 
um deles. 
 
 
a. Antagonismo farmacológico 
competitivo 
Ocorre quando há competição do 
agonista e do antagonista pelo 
mesmo receptor, e o antagonista 
impede ou dificulta a formação do 
complexo agonista-receptor. 
Pode ser classificado em: 
▪ Pleno reversível – o antagonista 
compete com o agonista pelos 
mesmos locais receptores, 
formando com o mesmo um complexo 
inativo. Aumentando a quantidade 
do agonista, na presença de um 
antagonista, o primeiro desloca 
o segundo do receptor. 
▪ Parcial reversível – os dois 
medicamentos utilizados são 
agonistas, porém com diferentes 
capacidades de desencadear 
efeitos farmacológicos, isto é, 
com diferentes atividades 
intrínsecas. O agonista menos 
eficaz nesta situação 
experimental atua como 
antagonista parcial do agonista 
principal. 
▪ Irreversível – ocorre quando o 
antagonista se dissocia muito 
lentamente ou não dissocia, dos 
receptores. Mesmo aumentando a 
concentração do agonista na 
presença do antagonista, não é 
possível alcançar o efeito 
máximo. 
 
 
 
 
 
b. Antagonismo farmacológico não 
competitivo 
O antagonista bloqueia algum ponto 
importante da cadeia de eventos 
que levaria à resposta 
desencadeada pelo agonista. 
Esta alteração ocorre por 
influência da atuação do 
antagonista não competitivo em um 
local alostérico diferente do 
local de ligação do agonista; 
portanto, não é possível desfazer 
o bloqueio quando se aumenta a 
concentração do agonista. 
É divido em: 
▪ Antagonismo não farmacológico – 
não há o envolvimento direto do 
antagonista com um receptor; 
pode ser classificado em: 
o Farmacocinético ou 
disposicional – uma 
substância química 
(medicamento) reduz 
efetivamente a concentração 
plasmática de outra 
administrada a um animal. 
o Fisiológico ou funcional – 
ocorre quando os dois 
agonistas interagem em 
sistemas de receptores 
independentes, porém 
produzindo efeitos opostos 
que se anulam. 
 
 
 
 
20/03 
Farmacologia dos 
quimioterápicos 
Agentes antineoplásicos são 
aqueles que visam tratar as 
neoplasias sistêmicas, 
localizadas, as metástases e 
aliviar os sintomas das síndromes 
paraneoplásicas. 
A cirurgia, bem como a 
radioterapia, a terapia 
fotodinâmica e a 
eletroquimioterapia, são indicadas 
para o controle de neoplasia 
localizadas. 
Já as doenças neoplásicas 
localizadas e/ou disseminadas 
podem ser tratadas por meio de 
terapias sistêmicas como a 
quimioterapia, a imunoterapia e 
por meio de terapias moleculares. 
O câncer é uma doença que pode ser 
diagnosticada na quase totalidade 
das espécies domesticas, 
silvestres e aquáticas. 
Inicialmente, deve-se proceder a 
um diagnóstico confiável do tipo 
de neoplasia, sempre que possível 
por meio de biopsia e exame 
histopatológico, geralmente 
associada a outrosexames 
complementares como radiografia, 
ultrassonografia, tomografia, 
exames hematológicos e 
bioquímicos. 
A condição física do animal é 
importante, particularmente em 
relação às alterações cardíacas, 
renais, e hepáticas em cães e 
gatos velhos e as condições 
hematológicas. 
Uma vez confirmado o diagnóstico 
de câncer, deve-se procurar a 
modalidade de tratamento mais 
indicada para cada caso. 
 
I. Principais conceitos em 
cancerologia 
▪ Neoplasia – significa novo 
crescimento, e o termo tem sido 
empregado quando esse novo 
crescimento tem características 
peculiares. 
▪ Tumor – apesar de indicar 
aumento de volume que pode ser 
de natureza não neoplásica, tem 
sido utilizado como sinônimo de 
neoplasia. 
▪ Câncer – uma neoplasia, ou 
tumor, que tem caráter maligno. 
Trata-se o fenômeno neoplásico da 
perda do controle da proliferação 
de células de um determinado 
tecido, ocasionado por alterações 
genéticas. 
O câncer é considerado um processo 
crônico, em que agentes físicos 
(raio X, UV), químicos (formol), 
ou vírus (FELV) podem ser 
responsáveis por mutações, que 
estão altamente associadas à 
transformação celular. 
As neoplasias malignas evoluem 
mais rapidamente e tendem a ser 
menos diferenciadas e mais 
anaplásicas. À medida que o 
neoplasma se expande, pode invadir 
tecidos adjacentes, adentrar a 
corrente sanguínea ou linfática e 
disseminar-se, gerando focos 
secundários de crescimento 
denominados metástases. 
As neoplasias benignas crescem 
mais lentamente, não invadem o 
tecido adjacente ne, ocasionam 
metástases. 
 
II. Crescimento neoplásico 
Pode-se verificar que os agentes 
etiológicos incidindo sobre 
células normais causam, em última 
análise, alterações genômicas. 
Estas alterações manifestam-se na 
forma de transformação celular 
quando multiplicações múltiplas se 
acumulam no material genético da 
célula. 
Sabe-se hoje em dia que as 
mutações facilitam a expressão de 
proto-oncogenes. Os proto-
oncogenes são sequências gênicas 
que ocorrem normalmente em todos 
os seres vivos e que estão 
envolvidos em vias de regulação do 
crescimento celular. 
Se um oncogene sofrer mutação 
pontual, rearranjo, translocação, 
amplificação ou outro tipo de 
lesão, seus efeitos serão 
alterados, promovendo a 
proliferação celular 
descontrolada. 
Mutações ou outras lesões ao DNA 
podem, ainda, prejudicar a 
expressão de genes supressores, 
que, quando normalmente expressos, 
controlar a proliferação celular. 
Além disso, grupos de genes que 
controlam o processo de apoptose 
também podem estar alterados em 
células neoplásicas, mas, quando 
expressos, não permitem que as 
células entrem em apoptose. 
 
 
 
 
 
 
 
Durante o processo de replicação 
neoplásica, entretanto, novas 
mutações poderão ocorrer, 
determinando heterogeneidade de 
fenótipos na massa tumoral. 
 
III. Quimioterapia 
antineoplásica 
A quimioterapia antineoplásica 
pode ser considerada uma ciência 
antiga, pois há relatos de que na 
Grécia antiga tratavam-se tumores 
por meio da aplicação direta de 
substâncias. Utilizavam-se 
substâncias causticas, alcaloides, 
metais e seus sais. 
Recomenda-se a quimioterapia 
quando o diagnóstico de neoplasia 
maligna tiver sido confirmado por 
meio de exame histopatológico e 
não existam indicações de outros 
tipos de procedimentos como 
cirurgia ou crioterapia, ou se a 
quimioterapia for um adjuvante a 
esses procedimentos, como no caso 
de osteossarcomas e 
hemangiossarcomas. É indicada para 
tumores com sensibilidade 
conhecida à quimioterapia como 
linfomas, mieloma múltiplo, tumor 
venéreo transmissível e como 
tratamento paliativo no caso de 
neoplasias metastáticas como 
carcinomas mamários. 
Como a maior parte dos 
agentes antineoplásicos atua nas 
células que estão sintetizando 
DNA, fica claro que um tumor que 
contenha 5% de todas as células em 
replicação crescerá mais 
lentamente, mas será refratário ao 
tratamento. Paradoxalmente, 
tumores agressivos que contêm 
grande proporção de células em 
divisão, regridem rapidamente com 
a quimioterapia, podendo 
permanecer em remissão por um 
longo período. 
Os medicamentos em geral 
utilizados na quimioterapia, de 
maneira geral, interferem na 
síntesepp de DNA, RNA, ou na 
replicação celular, levando à 
cessação da divisão ou à morte 
celular. Infelizmente, entretanto, 
estes efeitos não se restringem às 
células neoplásicas, sendo que 
maior parte doa agentes 
antineoplásicos também atua nas 
células normais, principalmente 
aquelas que se dividem 
constantemente, como as de medula 
óssea, epitélios, gônadas e 
folículos pilosos. 
Por isso, tem-se efeitos tóxicos 
característicos associados ao uso 
de agente antineoplásicos, como: 
▪ Alopecia em algumas raças 
caninas e queda das vibrissas 
dos gatos, devido a uma 
interferência na divisão das 
células do bulbo piloso. 
▪ Alterações gastrintestinais, 
devidas principalmente à lesão 
do epitélio do trato 
gastrintestinal, levando a 
náuseas, vômitos, anorexia, 
diarreia e ulcerações em 
mucosas. 
▪ Mielossupressão e supressão da 
resposta imune, podendo ocorrer 
sangramentos devido a 
trombocitopenia, anemia e 
infecções secundárias. 
▪ Necrose tecidual, causada pelo 
extravasamento de alguns agentes 
antineoplásicos durante a 
aplicação intravenosa. 
Considerando-se essas observações, 
para se indicar um tratamento 
quimioterápico adequado, alguns 
conceitos devem ser estabelecidos. 
São eles: 
▪ Índice terapêutico – é a relação 
entre a dose do medicamento que 
produz efeito tóxico e a dose 
necessária para agir 
efetivamente sobre o tumor. A 
dose efetiva é muito próxima da 
dose tóxica. 
▪ Fases do tratamento 
quimioterápico – para os tumores 
sólidos, geralmente com 
indicação de tratamento 
cirúrgico, a quimioterapia 
antineoplásica é feita com a 
aplicação de medicamentos em 
ciclos, com intervalo de 3 a 4 
semanas. Pode-se estabelecer as 
seguintes fases: 
o Fase de indução ou 
remissão – com o objetivo 
de se induzir completa 
remissão do tumor, usa-se 
combinação de medicamentos 
de maneira mais agressiva 
e intervalos curtos de 
tempo entre as aplicações, 
dando tempo apenas para a 
recuperação dos tecidos 
sensíveis. 
o Fase de manutenção da 
remissão – com o objetivo 
de manter o tumor em 
remissão, usa-se um 
tratamento menos 
agressivo, com maior 
intervalo de tempo. 
o Resgate – promover nova 
remissão em animais nos 
quais ocorreu a recidiva 
do tumor durante a fase de 
manutenção do tratamento. 
▪ Avaliação da resposta ao 
tratamento – considerar: 
o Remissão completa – 
ausência de tumor 
mesurável, após o início 
da quimioterapia, avaliado 
por exame de físico e de 
imagem. 
o Remissão parcial – redução 
maior que 50% e menor que 
100%. 
o Doença estável – redução 
do volume menor que 50% ou 
aumento da massa em até 
25%, sem aparecimento de 
novos focos. 
o Doença progressiva – 
aumento tumoral maior do 
que 25% ou surgimento de 
novos focos. 
▪ Quimioterapia adjuvante – 
iniciada após a cirurgia ou 
radioterapia, geralmente quando 
o risco de recorrência ou 
metástase é muito alto. 
▪ Quimioterapia neoadjuvante ou 
primária – indicada para 
tratamento inicial em alguns 
casos de doença localizada, 
seguida por outro tipo de 
tratamento local como cirurgia 
ou radioterapia. 
▪ Nadir leucocitário – é o 
momento, após a aplicação dos 
quimioterápicos, em que a 
contagem de leucócitos se 
encontra em seus níveis mais 
baixos. 
 
IV. Mecanismo de ação e 
posologia 
As doses dos agentes 
antineoplásicos são estabelecidas 
com base na área da superfície 
corpórea, isto é, em m2. 
Eles são basicamente divididos em 
dois grandes grupos: os que atuam 
em fases do ciclo celular e 
aqueles que atuam 
independentemente da fase em que acélula se encontra no ciclo 
celular. 
1. Alquilantes 
São medicamentos que atuam 
independentemente da fase do ciclo 
celular e que contêm grupos 
alquil, que se combinam 
prontamente com outras moléculas. 
Sua ação é dirigida ao DNA e, 
portanto, não tem ação seletiva 
sobre as células neoplásicas. 
a. Ciclofosfamida 
É o mais frequente, sendo indicado 
principalmente para o tratamento 
de neoplasias linfoides, sarcomas 
de tecidos moles e tumor venéreo 
transmissível. 
O medicamento é inativo e sofre 
hidroxilação no fígado pelas 
enzimas do citocromo P450, a 
metabólitos ativos. 
Leva a apoptose da célula. 
Cerca de 70% da ciclofosfamida é 
eliminada na urina sob forma de 
metabólitos inativos. Podendo 
causar cistite hemorrágica 
observados em alguns animais 
durante o tratamento 
antineoplásico. 
O efeito mielotóxico é considerado 
grave, com nadir leucocitário. 
As principais indicações para o 
uso são: neoplasias linfoides, 
tumor venéreo transmissível, 
sarcomas de tecidos moles e 
carcinomas, em combinação cima 
doxorrubicina. 
b. Clorambucila 
Após a administração oral, é 
rapidamente biotransformada à sua 
forma ativa e posteriormente 
eliminada soba forma de 
metabólitos inativos na urina e 
nas fezes. 
Utilizada para o tratamento de 
linfomas, leucemias linfocíticas 
crônicas e mastocitoma. 
Bem tolerada pela maioria dos 
pacientes, com efeitos tóxicos 
mínimos, os quais incluem 
Mielossupressão e vômitos 
ocasionais. Sendo indicada como 
substituta da ciclofosfamida 
naqueles animais com cistite 
hemorrágica ou que apresentam 
vômitos incoercíveis. 
c. Carmustina 
A característica principal é a 
lipossolubilidade e sua manutenção 
na forma essencialmente não 
ionizada em pH fisiológico, o que 
permite que esse medicamento cruze 
a barreira hematencefálica. 
Indicada principalmente em tumores 
cerebrais, como os gliomas e 
astrocitomas, e em metástases 
cerebrais de outros tipos de 
tumores. 
É moderadamente tóxica. A excreção 
é predominantemente renal, não 
sendo o seu uso indicado em 
nefropatas. 
Não deve ser administrada com 
outros medicamentos. 
A aplicação é feita intravenosa 
protegendo-se o medicamento da 
degradação da luz. Pode causar 
necrose tecidual se houver 
extravasamento. 
O uso em gatos não é relatado. 
d. Lomustina 
Mecanismo de ação similar ao da 
Carmustina. 
É utilizado por via oral, o que 
facilita a administração. É 
indicado para tumores cerebrais e 
é usada em protocolo de resgate de 
linfomas e no tratamento de 
mastocitoma. 
É notada Mielossupressão grave com 
nadir leucocitário. Deve-se 
realizar exames periódicos nos 
pacientes. 
 
2. Antimetabólitos 
Interferem na função do DNA e do 
RNA, incorporando-se a eles em 
lugar dos nucleotídeos ou 
bloqueando mecanismos de 
biossíntese. 
Sua ação é geralmente fase-
específica, ou seja, no período de 
síntese do DNA. 
a. Metotrexato 
Inibe a enzima di-hidrofolato 
redutase, impedindo a síntese de 
timidina e de certos aminoácidos. 
O agente adentra a célula tumoral 
pelo mesmo mecanismo de transporte 
ativo utilizado pelo folato 
reduzido. 
A eliminação ocorre por excreção 
renal. Animais com disfunção renal 
devem ser avaliados cuidadosamente 
e, se não houver possibilidade de 
substituição, a dose do 
medicamento deve ser reduzida. 
É usado mais frequente em doses 
baixas, como parte de um protocolo 
terapêutico combinado para o 
tratamento de linfomas caninos e 
felinos. Os principais efeitos 
colaterais são mielossupressão e 
toxicidade gastrintestinal, 
seguidos de alopecia temporária, 
febre e lesões em mucosas bucais. 
b. 5-Fluorouracila 
É inativa e depende de ativação 
intracelular para exercer os 
efeitos citotóxicos. A forma ativa 
é a fluorouridina trifosfato, que 
é incorporada ao RNA nuclear e 
citoplasmático e, por fim, ao DNA, 
resultando em alterações de 
síntese e funções. 
Pode ser administrada por via 
tópica, intralesional e 
intravenosa. 
É indicada em protocolos 
quimioterápicos combinados para o 
tratamento de carcinomas e 
sarcomas, com resultados 
limitados. Os efeitos tóxicos 
ocorrem principalmente em medula 
óssea e trato gastrintestinal e 
dependem da dose e via de 
administração. 
É neurotóxica para gatos, não 
devendo ser administrada nesses 
animais. 
 
 
c. Citarabina 
Adentra a célula usando os 
receptores de nucleosídeos e é 
biotransformada formando 
aracitidina trifosfato que, quando 
incorporado ao DNA, é um potente 
inibidor da DNA polimerase, o que 
em última análise interfere no 
alongamento da cadeia de DNA. Atua 
essencialmente na fase S do ciclo 
celular. 
Quando aplicada por via 
intramuscular ou subcutânea 
alcança níveis terapêuticos no 
liquor e sua eliminação se dá por 
via renal. 
Altas doses promove toxicidade 
neurológica. 
Os principais efeitos tóxicos 
estão relacionados a 
mielossupressão, toxicidade 
gastrintestinal, neurológica e 
reações anafiláticas. 
Indicada para algumas leucemias, 
linfomas, principalmente linfomas 
renais em gatos, que apresentam 
grande ocorrência de metástases 
cerebrais. 
 
3. Antimicrotúbulos 
Interrompem a divisão celular na 
metáfase, inferindo nos 
microtúbulos que formam os fusos, 
responsáveis pela mobilização dos 
cromossomos. 
Causam dissolução do fuso 
mitótico, sendo, portanto, agentes 
específicos da fase mitótica do 
ciclo celular. 
a. Vincristina 
É o agente antineoplásico mais 
utilizado. 
Após a aplicação intravenosa, o 
medicamento lega-se a proteínas e 
a outros elementos sanguíneos, o 
que impede que ocorra a passagem 
pela barreira hematencefálica. 
É biotransformada pelas enzimas 
CYP hepáticas e excretada pelas 
vias biliares, logo, doenças 
hepáticas graves contraindicam seu 
uso. 
Induz mielotoxicidade não 
cumulativa, com nadir 
leucocitário. Pode levar a 
alopecia e a alterações 
gastrintestinais causadas por 
disfunção autonômica. 
Tem sido usada em monoterapia ou 
protocolos combinados em 
neoplasias linfoides, leucemias, 
tumor venéreo transmissível, 
sarcomas de tecidos moles e também 
trombocitopenias de causa não 
determinada. 
b. Vimblastina 
Tem farmacologia similar à da 
vincristina. 
É biotransformada no fígado e 
excretada nas fezes, entretanto, 
parece induzir neutropenia mais 
grave. Indicada no tratamento de 
mastocitoma e em linfomas, em 
substituição à vincristina 
naqueles animais com neuropatia 
periférica. 
 
4. Antibióticos 
São produtos da fermentação 
natural de várias espécies do 
gênero Streptomyces. 
Alguns antibióticos têm atuação 
como citocidas (morte celular) ou 
citostáticos (interferência no 
crescimento celular) para 
microrganismos podem apresentar 
também alguma atuação como agentes 
antineoplásicos. 
a. Antraciclinas 
São medicamentos que atuam 
independente da fase do ciclo 
celular. A doxorrubicina é a mais 
utilizada. 
Elas intercalam-se entre pares de 
nucleotídeos da duplas fita de 
NDA; seguem-se alterações 
conformacionais do DNA e 
interferência na transcrição e na 
replicação da molécula. Produzem 
radicais livres altamente 
reativos, capazes de lesar 
membranas celulares e o DNA. 
Ligam-se às proteínas plasmáticas 
e entram na célula por difusão 
passiva. A depuração ocorre 
predominantemente por 
biotransformação hepática e 
excreção biliar, sendo a excreção 
renal muito baixa, por isso as 
doses devem ser reduzidas em 
animais com disfunções hepáticas. 
Com relação ao efeito tóxico, além 
da mielossupressão e da 
possibilidade de reação 
anafilática pela degranulação de 
mastócitos, o mais conhecido é a 
cardiotoxicidade induzida pela 
doxorrubicina em cães. 
Quando extravasadas durante a 
injeção intravenosa, causam grave 
necrose. 
b. Actinomicina D 
Atua formando complexos estáveis 
com o DNA, causando interferênciana transcrição do NDA. 
Afeta tumores com fração de 
crescimento alta. É eficaz contra 
vários tumores de partes moles, em 
linfomas mais resistentes a outros 
tratamentos. 
O maior efeito colateral é a 
mielossupressão, seguida de 
alterações gastrintestinais e 
alopecia. 
c. Mitoxantrona 
Desenvolvida sinteticamente com o 
objetivo de se produzir um 
composto similar às antraciclinas, 
porém sem a potencial 
cardiotoxicidade. 
Seu maior efeito colateral é a 
mielotoxicidade, mas, embora, seja 
muito menos tóxica do que a 
doxorrubicina, seu espectro de 
atividade antitumoral parece ser 
mais limitado. 
A depuração também é diminuída na 
presença de disfunções hepáticas. 
d. Bleomicina 
Liga-se ao DNA, resultando na 
quebra de uma ou ambas as fitas 
desta molécula, com as 
consequentes fragmentação 
cromossômica, deleções e fendas. 
Pode ser usada em aplicação 
intramuscular, subcutânea, 
intravenosa ou intralesional. Sua 
eliminação ocorre primariamente 
por via renal. 
Tem sido indicada no tratamento de 
carcinoma epidermoide em cães e 
gatos, sem grande sucesso e também 
como coadjuvante no tratamento de 
linfomas. Apresenta a vantagem de 
não ser tóxica para a medula 
óssea. 
 
5. Hormônios 
A terapia hormonal é provavelmente 
uma das mais antigas para o 
controle do câncer. 
Podem produzir remissão de certas 
neoplasias, aliviando também as 
síndromes paraneoplásicas 
consequentes a elas. 
Os glicocorticoides têm mostrado 
bons resultados no tratamento de 
neoplasias hematopoiéticas, 
linfoides e mastocitoma. 
a. Prednisona/prednisolona 
Ligam-se a receptores 
citoplasmáticos e inibem a síntese 
de DNA. 
São biotransformada no fígado e 
excretadas pela urina. A 
prednisona é biotransformada no 
fígado à sua forma ativa, a 
prednisolona. 
A dose é gradualmente reduzida. 
Podem ser usadas em neoplasias 
intracranianas, insulinoma, e para 
reduzir as manifestações de 
síndromes paraneoplásicas. 
Como efeitos tóxicos, podem levar 
ao hiperadrenocorticismo 
iatrogênico, além de ulceração 
gastrintestinal. Preferencialmente 
não devem ser usadas em combinação 
com anti-inflamatórios não 
esteroidais. 
No caso de gatos, recomenda-se o 
uso de prednisolona. 
 
V. Novos tratamentos 
Esse novo tipo de quimioterapia é 
chamado “terapia-alvo” ou “terapia 
genica” e tem como objetivo o uso 
de medicamentos mais específicos 
para atuar nas células tumorais, 
diminuindo a toxicidade ocasionada 
pelo tratamento nas células 
normais e, consequentemente, os 
efeitos adversos. 
 
i. Inibidores de 
tirosinoquinase 
Tirosinoquinases são proteínas que 
fosforilam outras proteínas nos 
resíduos de tirosina e representam 
papel-chave na sinalização 
celular, regulando a proliferação 
e a diferenciação. 
Esse processo inicia-se em 
resposta à sinalização externa 
gerada por fatores de crescimento 
ou outros estímulos que iniciam a 
cascata de fosforilação. Elas se 
localizam na superfície celular. 
 
ii. Anticorpos monoclonais 
São advindos de um único clono de 
linfócito B, que é selecionado e 
replicado inúmeras vezes. 
O princípio do tratamento com o 
uso de anticorpos pode ser divido 
em duas categorias: 
▪ O primeiro refere-se ao bloqueio 
de uma interação ligante-
receptor alterando um sinal de 
transdução e prevenindo a 
clivagem enzimática de proteínas 
da superfície celular ou 
desencadeamento de uma resposta 
imune contra a célula-alvo por 
meio da citotoxicidade anticorpo 
dependente ou por lise mediada 
por complemento. 
▪ A segunda seria a possibilidade 
de o anticorpo, após a ligação, 
liberar radionucleotídeos ou 
quimioterápicos para dentro da 
célula tumoral. 
 
VI. Resistência a medicamentos 
A resistência que as células 
apresentam aos medicamentos 
citotóxicos pode ser primaria (já 
presente no início do tratamento) 
ou adquirida (desenvolve-se 
durante o tratamento). 
Em medicina veterinária alguns 
genes responsáveis pela 
codificação dessas proteínas já 
foram descritos, como MDR1 e MRP. 
Vale ressaltar que animais da raça 
Collie e seus mestiços podem 
apresentar mutação no gene MDR1. 
Por isso são considerados bastante 
suscetíveis aos efeitos colaterais 
dos quimioterápicos. 
 
VII. Imunoterapia 
Também conhecida como terapia 
biológica ou modificação das 
respostas biológicas consiste no 
uso de agentes que modificam a 
relação entre o hospedeiro e a 
neoplasia, com os resultantes 
efeitos terapêuticos. 
Os principais mecanismos imunes de 
destruição das células tumorais 
envolvem as células NK (natural 
killer) e as células T 
citotóxicas, apesar de macrófagos 
ativados e anticorpos também 
participam do processo. 
As estratégias de controle do 
câncer pelo uso de substâncias 
imunomoduladoras podem ter como 
alvos: 
▪ Participação dos macrófagos. 
▪ Participação de linfócitos T. 
▪ Participação de linfócitos B. 
 
i. Classificação dos 
imunomoduladores 
Sabe-se que muitas substâncias são 
capazes de estimular ou suprimir a 
resposta imune em animais, tais 
substâncias tem mostrado alguma 
eficácia no controle de 
determinados tipos de neoplasias, 
porém, grande parte delas ainda se 
encontra em estudos. 
▪ Imunoestimulantes – são 
substâncias capazes de aumentar 
a resposta imune. Podem ser 
imunoestimulantes ativos 
específicos, ativos 
inespecíficos e passivos. 
o Ex.: vacinas constituídas 
por células tumorais 
viáveis, inativadas ou 
modificadas. 
▪ Imunossupressores – em algumas 
situações, há interesse em 
induzir a imunossupressão com 
finalidade terapêutica não só em 
determinados tipos de 
neoplasias, bem como pata tratar 
doenças não neoplásicas, como é 
o caso de doenças autoimunes, 
reações de hipersensibilidade, e 
para diminuir a rejeição em 
transplantes. 
o Ex.: os glicocorticoides, 
naturais ou sintéticos, 
proporcionam tanto efeito 
anti-inflamatório, como 
imunomodulador. 
VIII. Prevenção contra o câncer 
Uma linha de conduta relativamente 
recente visa buscar a redução da 
incidência de câncer em uma 
população mediante redução dos 
fatores de risco e da prevenção, e 
por meio do diagnóstico e do 
tratamento especializado das 
lesões malignas em fases iniciais. 
 
 
 
 
 
 
 
24/03 
Farmacologia dos 
antiparasitários 
As doenças ocasionadas pelos 
helmintos representam um grande 
problema socioeconômico. Muitos 
desses parasitos têm fundamental 
importância em saúde pública, uma 
vez que apresentam alto potencial 
zoonótico. 
Os prejuízos diretos e indiretos 
causados pelas helmintoses são 
traduzidos em perdas altíssimas 
para a pecuária. 
Os animais de companhia e 
silvestres também estão 
suscetíveis a um grande número de 
espécies de helmintos. 
A finalidade do tratamento é 
limitar a eliminação de ovos e 
larvas nas fezes e, 
consequentemente, reduzir o número 
de estágios infectantes no meio 
onde vivem os hospedeiros. 
Os antiparasitários são um dos 
principais produtos 
comercializados no país, com 25% 
de participação na indústria 
animal. 
 
I. Classificação e 
caracterização 
Os principais helmintos de 
interesse veterinário podem ser 
agrupados em dois filos, de acordo 
com sua etiologia: o filo 
Nemathelminthes, que compreende os 
nematódeos, e o filo 
Platyhelminthes, formado pelos 
cestódeos e trematódeos. 
▪ Os nematódeos apresentam corpo 
cilíndrico, alongado, não 
segmentado e constituem a classe 
de maior destaque entre os 
helmintos, por sua 
patogenicidade e ampla 
distribuição geográfica. 
▪ Os cestódeos apresentam corpo 
achatado e segmentado, 
semelhante a uma fita. 
Geralmente, esses agentes não 
causam graves lesões nos 
animais, mas alguns apresentam 
alto potencial zoonótico. 
▪ Trematódeos tem corpo achatado 
não segmentado, geralmente com 
aspecto de folha. 
 
i. Ação no hospedeiro 
Os prejuízos decorrentesdas 
helmintoses nos animais se 
traduzem, principalmente, por 
perda de peso, crescimento tardio 
e predisposição a outras doenças. 
As ações obstrutivas, compressiva, 
traumática, espoliadora e 
enzimática dos parasitos sobre o 
hospedeiro resultam, sobretudo, em 
menor absorção e digestão de 
nutrientes, interferência no fluxo 
dos alimentos, lesões teciduais, 
perda de sangue e de proteínas e 
bloqueio da passagem do ar, 
alterando, deste modo, as funções 
orgânicas do hospedeiro. 
 
II. Considerações sobre os 
anti-helmínticos 
O controle de helmintos foi sempre 
fundamentado na aplicação de 
medicamentos anti-helmínticos em 
esquemas curativo, tático, 
estratégico e seletivo. 
Os medicamentos classificados como 
anti-helmínticos são usados no 
controle de endoparasitos 
(nematódeos, cestódeos e 
trematódeos), localizados nos 
órgãos e tecidos dos animais, 
principalmente no sistema 
digestório. 
Alguns anti-helmínticos tem, 
também, atividade sobre 
ectoparasitos, sendo conhecidos 
como endectocidas. 
i. Propriedades dos anti-
helmínticos 
Um medicamento anti-helmíntico 
ideal caracteriza-se por: 
▪ Apresentar composição química 
estável. 
▪ Ação em estágios adultos e 
imaturos em desenvolvimento ou 
inibidos. 
▪ Ação em diversas espécies de 
helmintos. 
▪ Eficácia contra cepas 
resistentes a outros anti-
helmínticos. 
▪ Não interferir no 
estabelecimento da imunidade. 
▪ Fácil administração. 
▪ Uso em dose única ou esquemas de 
curta duração. 
▪ Boa tolerabilidade pelo 
hospedeiro. 
▪ Alta margem de segurança. 
▪ Boa palatabilidade. 
▪ Compatibilidade com outros 
compostos. 
▪ Ausência de resíduos no leite e 
nos tecidos que possam requerer 
um longo período de carência. 
▪ Favorável relação 
custo/benefício. 
A dose ótima de um anti-
helmíntico, determinada pelo 
fabricante, é aquela necessária à 
eliminação de alta proporção (mais 
de 95%) de parasitos adultos, com 
adequada segurança. 
 
ii. Formulação e administração 
Os anti-helmínticos são 
administrados nos animais pelas 
vias oral, parenteral ou cutânea 
(pour-on ou spot-on). 
Na administração oral são 
utilizadas preparações como: 
▪ Suspensões ou soluções. 
▪ Pasta, apresentada em seringas 
dosificadas graduadas. 
▪ Comprimidos. 
▪ Cubos ou grânulos. 
As preparações injetáveis são 
administradas pelas vias 
subcutânea ou intramuscular, 
dispensando-se facilmente a partir 
do sítio de aplicação, sendo um 
método prático para rebanhos 
numerosos. 
Na aplicação cutânea, o 
medicamento é aplicado na linha do 
dorso (pour-on) ou na região 
cervical (spot-on). 
iii. Absorção e distribuição 
Os parasitos entram em contato com 
o anti-helmíntico pela fração não 
absorvida da dose, que permanece 
no sistema gastrintestinal, e pela 
fração absorvida, que, através da 
corrente sanguínea, alcança o 
intestino e outros órgãos. 
Os anti-helmínticos são absorvidos 
no estômago e no intestino, pelos 
tecidos subcutâneo e muscular e 
pela pele, penetrando na 
circulação sistêmica, sendo 
transportados para diferentes 
tecidos e órgãos, particularmente 
para o fígado, no qual são 
biotransformado e, posteriormente, 
excretados nas fezes e urina. 
 
III. Fatores relacionados com a 
eficácia de medicamentos 
anti-helmínticos 
i. Fatores relacionados com o 
parasito 
▪ Espécies e estágios do parasito 
– o hospedeiro geralmente abriga 
várias espécies de helmintos e 
nem todos os parasitos têm a 
mesma sensibilidade aos diversos 
grupos químicos de anti-
helmínticos. 
▪ Carga parasitaria – o elevado 
número de parasitos no sistema 
gastrintestinal diminui 
significativamente a 
biodisponibilidade de alguns 
medicamentos. 
▪ Resistência de parasitos aos 
anti-helmínticos – o tratamento 
das helmintoses é frequentemente 
prejudicado pelo desenvolvimento 
da resistência dos helmintos aos 
medicamentos. 
 
ii. Fatores relacionados com o 
medicamento 
▪ Tamanho e solubilidade – a 
eficácia dos anti-helmínticos 
está na dependência do tamanho e 
da solubilidade da partícula do 
medicamento, por determinarem a 
taxa de absorção no sistema 
gastrintestinal. 
▪ Biotransformação – geralmente é 
aceito que a biotransformação 
reduz a potência do medicamento. 
▪ Dose – um dos principais 
problemas relacionados aos anti-
helmínticos é o uso de doses 
superiores ou inferiores às 
recomendadas pelos fabricantes. 
▪ Via de administração – a 
biotransformação e a excreção 
dos anti-helmínticos podem ser 
influenciadas pela via de 
administração utilizada. 
▪ Formulação – a farmacocinética e 
a eficácia de um produto estão 
estreitamente relacionadas com a 
sua formulação. 
 
iii. Fatores relacionados com o 
hospedeiro 
▪ Espécie animal e raças – 
utilização nas várias espécies 
animais e raças. 
▪ Condições fisiológicas – a 
condição corporal do animal pode 
ter influencia na distribuição 
tissular e na meia-vida de 
eliminação de medicamentos anti-
helmínticos, principalmente 
aqueles com grande afinidade por 
tecido adiposo. 
▪ /Tipo e qualidade dos alimentos 
– variações na dieta podem 
alterar a biodisponibilidade do 
medicamento, por interferência 
no trânsito gastrintestinal e no 
pH. 
 
IV. Modo de ação 
As bases farmacológicas empregadas 
no tratamento dos helmintos 
interferem, principalmente, na 
produção de energia, na 
coordenação neuromuscular e na 
dinâmica microtubular, causando a 
destruição dos parasitos por 
inanição, quando são esgotadas 
suas reservas energéticas, ou a 
sua morte e expulsão decorrente de 
paralisia. 
Os helmintos obtêm sua energia 
principalmente por meio da 
fermentação anaeróbica dos 
carboidratos. 
A glicose é o maior substrato para 
produção desta energia e a 
diminuição de sua absorção para o 
interior do parasito resulta na 
redução dos níveis de ATP e 
glicogênio, e, consequentemente, 
na morte do helminto. 
 
27/03 
Agentes anticestódeos e 
antitrematódeos 
I. Substitutos fenólicos 
Controlam infecções por 
trematódeos, cestódeos e 
nematódeos. Apresentam baixo 
índice de segurança. 
Seu metabolismo é gastrointestinal 
e hepático, sendo excretado pela 
via biliar e fezes. 
Interferem no metabolismo 
respiratório dos helmintos, 
bloqueando a produção de energia. 
Em doses altas, observa-se 
cegueira e sinais característicos 
de intoxicação como: 
hiperventilação, hipertermia, 
convulsões e taquicardia. 
 
II. Salicilanilidas 
Apresentam espectro de ação 
reduzido. 
Seu metabolismo é gastrointestinal 
e hepático, sendo excretado pela 
via biliar e fezes. 
Interfere na biotransformação 
enérgica do parasito. 
Em doses elevadas, observa-se 
cegueira e sinais característicos 
de intoxicação como: 
hiperventilação, hipertermia, 
convulsões e taquicardia. 
 
III. Pirazinoisoquilonas 
Medicamentos de escolha no 
tratamento de infecções por 
cestódeos em animais domésticos. 
Absorvido por difusão passiva, 
ultrapassa as barreiras 
gastrintestinal e hematencefálica, 
metabolização hepática e excreção 
renal e fezes. 
Efeito no parasito, sobre o 
potencial de membrana das células 
musculares (bomba de NaK). 
Perfeita tolerabilidade para todas 
as espécies animais. 
 
IV. Benzamidazóis 
Absorção gastrointestinal, 
metabolização hepática e excreção 
biliar. 
Interfere no metabolismo 
energético ou na coordenação 
neuromuscular do parasito. 
Doses altas do triclabendazol 
causam incoordenação, fraqueza dos 
membros pélvicos e anorexia. 
 
Agentes antinematódeos 
I. Organofosforados 
São absorvidos no trato 
intestinal, metabolizados no 
fígado e excreção renal. 
Bloqueiam a ação da 
acetilcolinesterase na 
acetilcolina. 
 
II. Imidazotiazóis 
Tem metabolismo hepático e 
excreção renal. 
Sua meia vida é de 6 a 8h. 
Causa contração muscular e 
paralisia espástica dos parasitos. 
 
 
III. PirimidinasTem absorção gastrointestinal, 
metabolização hepática e excreção 
nas fezes e urina. 
Causa contração muscular e 
paralisia espástica dos parasitos. 
 
IV. Avermectinas e 
milbemicinas 
Metabolização hepática, excreção 
pelas fezes, renal e leite. 
Paralisia motora do tipo flácida e 
consequente eliminação do 
parasito. 
Gene MDR1 (resistência a múltiplas 
drogas). Ter cuidado com a raça 
Collie. 
Em bezerros, apresentam margem de 
segurança restrita. 
 
V. Ciclodepsipeptídios 
Em gatos, atua principalmente no 
controle de nematódeos adultos e 
imaturos. 
Causa aumento intracelular dos 
níveis de cálcio e diacilglicerol 
(DAG), o que resulta em paralisia 
flácida e morte dos parasitos. 
 
Ectoparasiticidas 
I. Carbamatos 
Metabolismo hepático e por 
esterase plasmáticas. Tem excreção 
renal. 
Inibidor de colinesterase, leva a 
paralisia e morte do parasita. 
 
II. Piretroides 
Maior absorção pelas mucosas. 
Metabolismo hepático, excreção 
renal, fezes e leite. 
Nos insetos expostos observam-se 
hiperatividade, incoordenação e 
dificuldade de movimentos, 
tremores, podendo ou não morrer. 
Seu efeito tóxico é sobre o 
sistema nervoso, sendo dependente 
da dose e do intervalo entre as 
aplicações. 
 
III. Formamidinas 
Apresentam uma amplo espectro. 
Metabolismo hepático, excreção 
renal e biliar. 
Modo de ação ainda não foi 
totalmente esclarecido. 
Sinais de intoxicação: ataxia, 
incoordenação sonolência, 
bradicardia, hipotermia, midríase, 
êmese e diarreia. 
 
IV. Lactonas e macrocíclicas 
Metabolização hepática, excreção 
pelas fezes, renal e leite. 
Paralisia motora do tipo flácida e 
consequente eliminação do 
parasito. 
Gene MDR1, cuidado com raças 
Collie. 
Em bezerros, apresentam margem de 
segurança restrita. 
 
V. Imidacloprida 
É indicado como pulicida. 
Interfere na transmissão de 
impulsos no sistema nervoso do 
inseto. 
Intoxicação: apatia, dificuldade 
respiratória, queda de pressão 
arterial, tremores. 
 
VI. Nitempiram 
É indicado como pulicida. 
Administração oral, parte das 
moléculas não são metabolizadas e 
excreção renal. 
Atua bloqueando os receptores 
nicotínicos as acetilcolina. 
 
VII. Derivados dos 
fenilpirazóis 
Inibem não competitivamente o 
GABA, causando morte do parasito 
por hiperexcitação. 
Quando ingeridos, afetam o SNC 
provocando ataxia, hiper-
reatividade, tremores, contrações 
involuntárias dos músculos e 
convulsões. 
 
 
 
 
03/04 
Farmacologia dos 
agentes agonistas, 
antagonistas do 
sistema nervoso 
central 
O sistema nervoso é divido em 
sistema nervoso central, 
constituído pelo encéfalo e pela 
medula óssea; e pelo sistema 
nervoso periférico no qual se 
subdivide em sistema nervoso 
periférico somático e sistema 
nervoso periférico autônomo. 
O sistema nervoso somático é 
responsável pela inervação dos 
músculos esqueléticos. Não contém 
gânglios periféricos e as sinapses 
ocorrem no interior da medula 
espinal, de onde partem neurônios 
mielinizados até a junção 
neuromuscular (placa motora). 
O sistema nervoso autônomo 
denominado visceral, vegetativo ou 
involuntário, conduz todos os 
impulsos do SNC e apresenta ação 
integradora sobre a homeostase 
corporal, regulando a atividade de 
estruturas fisiológicas que não 
estão sob controle voluntário como 
o sistema musculoesquelético. A 
respiração, a circulação, a 
digestão, a temperatura corporal, 
o metabolismo, a sudorese e as 
secreções de determinadas 
glândulas endócrinas são reguladas 
em parte ou totalmente pelo SNA. 
 
I. Organização do SNA 
É composto por centros de controle 
localizados dentro do SNC e por 
uma rede periférica de fibras 
aferentes e eferentes. O 
hipotálamo é o principal núcleo de 
integração desse sistema. 
Estruturalmente e funcionalmente, 
o SNA é dividido em dois sistemas: 
simpático ou adrenérgico (liberam 
norepinefrina) e parassimpático ou 
colinérgico (liberam 
acetilcolina). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
i. Sistema nervoso simpático 
– toracolombar 
Os neurônios pré-ganglionares 
simpáticos têm seus corpos 
celulares localizados no corno 
lateral da substância cinzenta dos 
segmentos torácico e lombar da 
medula, e as fibras deixam a 
medula nos nervos espinais 
toracolombares na altura da 
primeira vértebra torácica até a 
terceira vértebra lombar. 
Os axônios dessas células atingem 
as raízes nervosas anteriores e 
fazem sinapse com neurônios 
situados nos gânglios simpáticos 
fora do eixo cerebrospinal. 
Uma fibra simpática pré-ganglionar 
pode percorrer uma considerável 
distância da cadeia simpática e 
atravessar diversos gânglios antes 
de finalmente fazes sinapse com um 
neurônio pós-ganglionar. Sua 
terminação faz contatos com um 
grande número de neurônios pós-
ganglionares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ii. Sistema nervoso 
parassimpático – 
craniossacral 
Compreende os neurônios pré-
ganglionares que se originam em 
três áreas do SNC e suas conexões 
pós-ganglionares. As regiões de 
origem central são o mesencéfalo, 
o bulbo e a porção sacral da 
medula espinal. 
As fibras pré-ganglionares de 
origem cranial estão contidas nos 
nervos cranianos oculomotor, 
fácil, glossofaríngeo, vago e 
espinal, estando o maior 
contingente dessas fibras contido 
no nervo vago. 
As fibras parassimpáticas 
destinadas às vísceras pélvicas e 
abdominais emergem na saída sacral 
da medula em um feixe de nervos 
conhecido como os nervos eretores. 
Tais fibras fazem sinapse em um 
grupo de gânglios pélvicos 
dispersos, de onde as fibras pós-
ganglionares se projetam para os 
tecidos-alvo como a bexiga, o reto 
e a genitália. 
A sinapse ganglionar ocorre muito 
próxima ou mesmo no interior do 
órgão-alvo, liberando 
acetilcolina, sendo os neurônios 
pós-ganglionares muito curtos em 
comparação àqueles do simpático. 
 
 
 
 
A ativação do sistema simpático, 
após situações de estresse, raiva 
ou medo, torna-se elevada e 
prepara o organismo para um estado 
de pronta ativação, característica 
de respostas tipo “luta ou fuga”. 
Por outro lado, o sistema nervoso 
parassimpático, produz descargas 
discretas e localizadas e, está 
associado a manutenção da energia 
e função orgânica durante períodos 
de atividade mínima. 
Embora o sistema nervoso 
parassimpático seja essencial para 
o organismo, o sistema nervoso 
simpático não é, pois animais 
completamente desprovidos do 
sistema nervoso simpático podem 
sobreviver, apesar da ausência de 
respostas, quando da ativação do 
fluxo simpático em situações de 
estresse. 
 
10/04 
Revisão da Fisiologia do 
Sistema nervoso autônomo 
I. Sistema nervoso simpático 
Possui receptores adrenérgicos, 
sendo eles: 
▪ α1 – localizado na parede do 
vaso sanguíneo. Quando há 
estimulação tem se a 
vasoconstrição, 
consequentemente, aumento da 
pressão. 
▪ α2 – localizado na membrana pré-
sináptica. Inibe a liberação de 
norepinefrina. 
▪ β1 – localizado no coração. 
Inotropismo e cronotropismo. 
▪ β2 – localiza-se no coração. 
Quando há estimulação causa a 
broncodilatação e a 
vasoconstrição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
II. Sistema nervoso 
parassimpático 
A acetilcolina (Ach) é o 
neurotransmissor principal nos 
gânglios autonômicos e nos 
terminais nervosos 
parassimpáticos, onde sua ação 
pode ser inibitória ou 
excitatória, lenta ou rápida, de 
acordo com o receptor envolvido. 
A ach possui ações duplas, a ação 
nicotínica e a ação muscarínica, 
pelo fato de se assemelharem às 
respostas farmacológicas 
desencadeadas por estas 
substâncias naturais. 
i. Receptores nicotínicos 
Pertencem à família de receptores 
acoplados a canais iônicos. São 
canais iônicos controlados por 
ligantes pelo mecanismo de 
portões, e sua ativação causa 
rápido aumento na permeabilidade 
celular ao Na e K,despolarização 
e excitação. São conhecidos dois 
tipos: 
▪ Nicotínico neuronal – Nn. 
▪ Nicotínico muscular – Nm. 
 
ii. Receptores muscarínicos 
Pertencem à família de receptores 
de receptores acoplado à proteína 
G. são conhecidos cinco tipos, 
sendo eles: 
▪ M1 – encontrados nos gânglios 
autonômicos e em neurônios do 
SNC, e nas células parietais 
gástricas. Medeiam os efeitos 
excitatórios da Ach. 
▪ M2 – predominam no miocárdio e 
também são encontrados no 
músculo liso e, nas terminações 
pré-sinápticas. Exercem efeitos 
inibitórios, aumentando a 
condutância ao K e pela inibição 
dos canais de cálcio. 
▪ M3 – localiza-se em glândulas 
secretoras, músculo liso e no 
SNC. Está envolvido com efeito 
excitatórios da Ach. 
▪ M4 – localizado em glândulas 
secretoras, músculo liso e no 
SNC. Está envolvido com efeitos 
inibitórios. 
▪ M5 – está localizado no SNC. 
Está envolvido com efeitos 
excitatórios e modula a 
liberação de dopamina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Drogas colinérgicas 
Os efeitos dos agonistas/drogas 
colinérgicos muscarínicos 
equivalem aos efeitos dos impulsos 
nervosos parassimpático pós-
ganglionares. 
No músculo liso tem-se o aumento 
da motilidade intestinal e a 
contração da vesícula biliar. 
Nas glândulas há o aumento da 
secreção. 
No sistema cardiovascular há a 
vasodilatação, redução da 
frequência cardíaca, diminuição da 
taxa de condução nos tecidos 
especializados dos nodos 
sinoatrial e redução da força de 
contração cardíaca. 
 
I. Drogas colinérgicas de 
ação direta 
Mimetizam os efeitos da 
estimulação dos neurônios 
colinérgicos, atuando diretamente 
em receptores da Ach. 
Podem ser classificados, segundo 
sua estrutura química em dois 
grupos: 
a. Alcaloides naturais e 
análogos sintéticos 
Pilocarpina – é um medicamento 
padrão usado no tratamento do 
glaucoma. 
A redução da pressão ocular ocorre 
dentro de poucos minutos e 
persiste por 4 a 8h. 
Deve-se ter cautela quando houver 
risco de descolamento da retina. 
Atua no músculo liso do olho, 
contraindo a pupila (miose), 
aumentando a drenagem do humor 
aquoso e reduzindo a pressão 
intraocular. 
b. Ésteres da colina 
Betanecol – é utilizado por via 
oral, para estimular a contração 
da bexiga e do sistema 
geniturinário. 
É indicado no tratamento da 
retenção urinária e esvaziamento 
incompleto da bexiga, quando não 
houver obstrução mecânica. 
Os efeitos colaterais das drogas 
colinérgicas de ação direta são 
essencialmente caracterizados pela 
exacerbação do SNA parassimpático. 
Observam-se mais frequentemente 
sudorese, cólicas abdominais, 
eructações, dificuldade de 
acomodação visual, aumento da 
secreção salivar e lacrimal. 
 
II. Drogas colinérgicas de 
ação indireta 
Não atuam em receptores 
colinérgicos, mas inibem a enzima 
que degrada Ach, permitindo que 
esse neurotransmissor permaneça 
ativo para atuar em receptores 
colinérgicos. 
Os anticolinesterásicos podem ser 
divididos em dois grupos: 
a. Inibidores reversíveis das 
colinesterases 
São antagonistas competitivos das 
colinesterases. 
▪ Neostigmina – tem ação 
anticolinesterásica, estimula o 
peristaltismo intestinal. 
 
b. Inibidores irreversíveis das 
colinesterases 
São denominados genericamente de 
organofosforados. 
São anticolinesterásicos 
irreversíveis, líquidos e 
altamente lipossolúveis, que podem 
ser voláteis; são rapidamente 
absorvidos por diferentes vias: 
pele, mucosas do sistema 
digestório e respiratório. 
Como são muito lipossolúveis, 
podem se depositar no tecido 
adiposo e retornar à circulação 
posteriormente. 
 
 
 
i. Efeitos farmacológicos 
Os efeitos farmacológicos dos 
anticolinesterásicos são 
consequência do acúmulo de Ach em 
todos os locais em que este 
neurotransmissor é liberado. 
Assim, têm-se os efeitos nas 
regiões a seguir: 
▪ Junção neuromuscular – produzem 
aumento da contração da 
musculatura esquelética. 
▪ Sistema gastrintestinal – 
promovem aumento das secreções 
do sistema gastrintestinal, 
contração da musculatura lisa e 
relaxamento dos esfíncteres. 
▪ Sistema respiratório – 
broncoconstrição e aumento das 
secreções, conduzindo a 
dispinéia e respiração ruidosa. 
▪ Sistema cardiovascular – 
bradicardia e vasodilatação. 
▪ Sistema nervoso central – 
excitação, que podem resultar em 
convulsões, depressão intensa 
com perda de consciência e 
insuficiência respiratória. 
▪ Neurônios periféricos – podem 
produzir desmielinização com 
fraqueza muscular e perda 
sensorial. 
▪ Olhos – causam hiperemia da 
conjuntiva e contração do 
músculo esfíncter pupilar, 
causando miose. 
▪ Glândulas exócrinas – produzem 
aumento nas respostas secretoras 
das glândulas brônquicas, 
lacrimais, sudoríparas, 
salivares, gástricas, 
intestinais e pancreáticas 
acinares. 
ii. Usos terapêuticos 
Os anticolinesterásicos que são 
rotineiramente utilizados são os 
organofosforados, enquanto os 
carbamatos tem emprego maior na 
espécie humana. 
▪ Antiparasitários – empregados 
como anti-helmínticos e como 
ectoparasiticidas. 
▪ Glaucoma – empregados como 
colírios para provocar a 
constrição da pupila e contração 
do músculo ciliar, resultando na 
drenagem do humor aquoso. 
▪ Reversão do bloqueio 
neuromuscular – revertem o 
bloqueio induzido por agentes 
bloqueadores competitivos da 
junção neuromuscular, devido ao 
antagonismo competitivo. 
▪ Íleo paralítico e atonia da 
bexiga – a neostigmina é o 
agente mais satisfatório, para 
aliviar a distensão abdominal. 
 
III. Drogas antagonistas 
colinérgicas 
São os agentes anticolinérgicos, 
que antagonizam competitivamente a 
Ach em seus receptores. 
Os principais compostos são a 
atropina e a escopolamina, que 
competem com a acetilcolina. 
 
 
 
 
 
i. Efeitos farmacológicos 
Os principais efeitos sistêmicos 
são: 
▪ SNC – podem provocar excitação, 
agitação, alucinações e 
delírios. 
▪ Sistema cardiovascular – aumento 
da frequência cardíaca. 
▪ Sistema gastrintestinal – 
diminui o peristaltismo 
intestinal. 
▪ Secreções – produzem diminuição 
das secreções das glândulas 
salivares, sudoríparas, 
lacrimais e brônquicas. 
▪ Sistema respiratório – inibem as 
secreções do nariz, boca, 
faringe e de brônquios. 
▪ Músculo liso – tanto a 
musculatura lisa bronquiolar 
quanto a das vias urinárias 
sofrem relaxamento. 
 
 
ii. Usos terapêuticos 
As drogas anticolinérgicas têm 
sido empregadas em diversas 
situações clínicas, com o objetivo 
de inibir os efeitos da atividade 
do SNA parassimpático. 
▪ Sistema gastrintestinal – 
empregados no tratamento da 
úlcera péptica. 
▪ Medicação pré-anestésica – 
usados para inibir a salivação e 
secreções excessivas. 
▪ Sistema cardiovascular – 
atropina usada como antidoto 
para colapso cardiovascular. 
Usados no tratamento inicial com 
infarto agudo do miocárdio. 
▪ Trato geniturinário – tratamento 
de cólica renal. 
▪ Sistema respiratório. 
 
Agonistas e antagonistas 
adrenérgicos 
A divisão simpática do SNA modula 
a atividade do músculo liso, do 
músculo cardíaco e das células 
glandulares. 
Agentes que facilitam ou mimetizam 
a ativação do SNA simpático são 
denominados simpatomiméticos ou 
agonistas adrenérgicos; enquanto 
os medicamentos que antagonizam os 
efeitos da ativação do simpático 
são designados como simpatolíticos 
ou antagonistas adrenérgicos. 
 
I. Agonistas adrenérgicos 
▪ Simpatomiméticos de ação direta 
– são todos os agentes que atuam 
diretamente nos receptores 
adrenérgicos. 
▪ Simpatomiméticos de ação 
indireta – são todos que atuam 
principalmente na liberação de 
NE. 
 
 
i. Agonistas mistos de ação 
direta 
▪ Norepinefrina – vasoconstrição e 
aumento da pressão. 
▪ Epinefrina – efeito inotrópico 
positivo (aumenta a força de 
contração cardíaca) e efeito 
cronotrópicopositivo (aumenta a 
frequência cardíaca). 
▪ Dopamina – produz ação 
inotrópica positiva. 
▪ Dobutamina – efeito inotrópico 
positivo. 
 
ii. Não catecolaminérgicos – 
agonistas de receptores 
α2-adrenérgicos 
Xilazina, detomidina e 
dexmedetomidina (não é um agonista 
α2 puro). 
Apresentam propriedade 
analgésicas, sedativa e relaxante 
muscular de ação central. 
 
iii. Agonistas de receptores 
β2-adrenérgicos 
Salbutamol e clembuterol. 
Produzem broncodilatação, além do 
relaxamento da musculatura lisa 
uterina de útero gravídico. 
 
iv. Simpatomiméticos de ação 
indireta 
Provocam a liberação de NE de 
neurônios simpáticos e podem ainda 
bloquear a captação de NE 
liberada. 
Efedrina – eleva a pressão 
sistólica e diastólica e, em 
geral, a frequência cardíaca não é 
aumentada. 
 
II. Efeitos farmacológicos 
▪ Coração – aumento da resistência 
vascular sistêmica e da pressão 
venosa central o ritmo pode ser 
alterado. 
▪ Pressão arterial - efeito 
inotrópico positivo, aumento da 
frequência cardíaca e 
vasoconstrição em muitos leitos 
vasculares. 
▪ Músculo liso vascular – 
vasoconstrição. 
▪ Músculo liso – broncodilatação e 
reduz peristaltismo. 
▪ Efeitos metabólicos – 
hiperglicemia e diminuição da 
liberação de insulina. 
 
III. Usos terapêuticos 
▪ Arritmias – pode ser realizada 
com a administração de EP. 
▪ Hipotensão – produzir amento da 
pressão. 
▪ Choque – é uma síndrome causada 
pela insuficiente perfusão dos 
tecidos. 
▪ Insuficiência cardíaca 
congestiva – estimulação de 
receptores β-adrenérgicos. 
▪ Hipertensão. 
▪ Asma e broncospasmo – agonistas 
β2 relaxam a musculatura. 
▪ Contensão animal – analgésicos e 
sedativos.