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Prof. Felizardo Delgado Curso básico de gestão de riscos corporativos Unidade 1: Introdução: conceitos básicos em gestão de riscos corporativos aplicada ao setor público. CURSO BÁSICO DE GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Unidade 1: Introdução Olá! Seja bem-vinda(o) ao curso Básico de Gestão de Riscos Corporativos no Setor Público, concebido pelo Departamento de Integridade, Riscos e Controles Internos (DIRC), da UFSCar - Universidade Federal de São Carlos e adaptado, para ser ofertado na modalidade a distância. O curso é baseado no Manual de Gestão de Riscos do TCU – Tribunal de Contas da União, bem como na Metodologia de Gestão de Riscos da UFSCar – Universidade Federal de São Carlos. Fonte: Flaticon CURSO BÁSICO DE GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Unidade 1: Introdução No âmbito da Administração Pública, seja nas esferas municipal, estadual ou federal as técnicas de gestão de riscos estão sendo incorporadas com a finalidade de melhorar o controle interno e a governança. A Instrução Normativa Conjunta IN nº 01 de 10 de maio de 2016, do Ministério do Planejamento (MP) e Controladoria Geral da União (CGU), dispõe sobre controles internos, gestão de riscos e governança no âmbito do Poder Executivo Federal. Esta Instrução Normativa deve ser adotada para que as instituições nas várias esferas da Administração Pública implantem medidas sistêmicas e práticas de gestão de riscos, e possui em seu texto intensa ligação com as melhores práticas de mercado relacionadas às outras normas como: COSO II (ERM) e a ISO 31000 (veremos essas normas mais adiante). CURSO BÁSICO DE GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Unidade 1: Introdução Embora exista uma grande quantidade de metodologias e estruturas de gestão de riscos mundialmente reconhecidas, tais como: Orange Book - Management of Risk - Principles and Concepts, produzido e publicado pelo HM Treasury Britânico; o Acordo de Basileia II; a AS/NZS 4360:2004 dentre outras, esse curso Básico de Gestão de Riscos Corporativos está baseado nas três normas: IN (Instrução Normativa) MP/CGU nº 01 de 10 de maio de 2016; ISO 31000:2009 Risk Management – Principles and Guidelines; COSO-ERM 2004. REFERENCIAL TEÓRICO O ano de 2016 pode ser considerado um marco na Gestão Pública Federal com a Instrução Normativa Conjunta MPOG/CGU nº 01 de 10 de maio de 2016. A partir da publicação dessa Norma, o dirigente máximo de cada órgão ou entidade passa a ser o principal responsável pelo estabelecimento da estratégia de organização e da estrutura de gerenciamento de riscos. Dentro deste cenário, também será papel do dirigente máximo estabelecer, de forma continuada, o monitoramento e o aperfeiçoamento dos controles internos da gestão. Leia o artigo 19 da IN nº 01 disponível no link abaixo: https://www.dirc.ufscar.br/arquivos/in-01-mp-cgu-10-05-2016.pdf/view Art. 19. O dirigente máximo da organização é o principal responsável pelo estabelecimento da estratégia da organização e da estrutura de gerenciamento de riscos, incluindo o estabelecimento, a manutenção, o monitoramento e o aperfeiçoamento dos controles internos da gestão. Fonte: Tribunal de Contas da União. Referencial básico de gestão de riscos. Fo nte : F lat ico n https://www.dirc.ufscar.br/arquivos/in-01-mp-cgu-10-05-2016.pdf/view A sociedade anseia por uma administração pública ágil e eficiente, capaz de implementar políticas e programas de governo que entreguem o melhor valor para a população. Todavia, não raras vezes essas expectativas são frustradas e, ao se analisarem as causas por trás das dificuldades da administração pública em corresponder a esses anseios, depara-se não apenas com restrições orçamentárias e deficiências de diferentes naturezas, mas principalmente com a baixa capacidade para lidar com riscos. Fonte: Tribunal de Contas da União. Referencial básico de gestão de riscos. REFERENCIAL TEÓRICO Apesar de não ser nova a discussão sobre a necessidade de gerenciar riscos no setor público, isso ainda é um paradigma a ser atingido. Persiste a necessidade não apenas de estruturas e processos, mas também de uma cultura de gerenciamento de riscos, a fim de contribuir para que a organização obtenha resultados com desempenho otimizado. O RISCO ESTÁ PRESENTE EM NOSSA VIDA EM TUDO QUE FAZEMOS... Os riscos existem independentemente da atenção que damos a eles. Seja na nossa vida cotidiana, seja no mundo corporativo, estamos imersos em ambiente repleto de riscos, oportunidades e ameaças que, se não gerenciados, podem comprometer o alcance de objetivos almejados. Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/casca-de-banana-t%c3%aanis-usado-956629/ Fonte: PickPik. Disponível em: https://i2.pickpik.com/photos/752/817/292/girl-view-courageous-height-preview.jpg https://pixabay.com/pt/photos/casca-de-banana-t%c3%aanis-usado-956629/ https://i2.pickpik.com/photos/752/817/292/girl-view-courageous-height-preview.jpg AFINAL... QUAIS SÃO OS TIPOS DE RISCOS QUE VAMOS ABORDAR? RESPOSTA: VAMOS ESTUDAR OS RISCOS CORPORATIVOS! Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/encontro-o-neg%c3%b3cio-arquiteto-2284501/ https://pixabay.com/pt/photos/encontro-o-neg%c3%b3cio-arquiteto-2284501/ GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Na literatura, a denominação original e mais utilizada para um processo que tem a organização como escopo é “Gestão de Riscos Corporativos”, tradução mais conhecida do termo em inglês: “Enterprise Risk Management”. Para organizações que não tenham propósitos comerciais, como é o caso de órgãos governamentais, pode-se usar também o termo “Gestão Institucional de Riscos”, entretanto muitas preferem usar o termo original ou simplificam para “Gestão de Riscos”. Essa é a denominação que utilizamos neste curso. A premissa inerente à gestão de riscos corporativos é que toda organização existe para gerar valor às partes interessadas e, no caso do Poder Executivo Federal, à sociedade. Nesse sentido, a gestão de riscos corporativos auxilia os órgãos na tomada de decisão, no alcance de seus objetivos, e a evitar que perigos e surpresas ocorram em seu percurso, maximizando assim o valor entregue à sociedade. GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS A incerteza ou o risco é inerente a praticamente todas as atividades humanas. No mundo corporativo onde as empresas estão expostas a uma miríade de incertezas originadas de fatores econômicos, sociais, legais, tecnológicos e operacionais, a gestão de integridade, riscos e controles internos é crucial para que se alcancem os objetivos estratégicos. Algumas das funções da gestão de riscos são assegurar o alcance dos objetivos, por meio da identificação antecipada dos possíveis eventos que poderiam ameaçar o atingimento dos objetivos, o cumprimento de prazos, leis e regulamentos etc., implementar uma estratégia evitando o consumo intenso de recursos para solução de problemas quando esses surgem inesperadamente, bem como melhorar continuamente os processos organizacionais. Fonte: Flaticon Segundo a ISO 31000:2018, gestão de riscos é vista como central nos processos de gestão da organização, de tal forma que os riscos sejam considerados em termos do efeito da incerteza sobre os objetivos. O processo e a estrutura de governança são baseados na gestão de riscos. A gestão de riscos eficaz é considerada por gestores como sendo essencial para a realização dos objetivos da organização. CONCEITOS DE “RISCOS” Semelhante é a definição de gestão de riscos adotada no modelo COSO II – Gerenciamento de Riscos Corporativos A gestão de riscos corporativos é um processo conduzido em uma organização pelo conselho de administração, diretoria e demais empregados, aplicado no estabelecimento de estratégias, formuladas para identificar em toda a organização eventos em potencial, capazes de afetá-la, e administrar os riscos de modo a mantê-los compatível com o apetite a risco da organização e possibilitar garantia razoável do cumprimentodos seus objetivos (COSO, 2007). CONCEITOS DE “RISCOS” NAS TRÊS NORMAS ABORDADAS COSO II IN 01/2016 ISO 31000 Possibilidade de ocorrência de um evento que venha a ter impacto no cumprimento dos objetivos. Evento futuro e incerto que, caso ocorra, pode impactar negativamente o alcance dos objetivos da organização. Efeito da incerteza nos objetivos. Fonte : Flat icon A Gestão de Riscos é o conjunto de atividades coordenadas para dirigir e controlar a organização no que se refere a riscos e a oportunidades. Trata-se de um processo de trabalho de natureza permanente, estabelecido, direcionado e monitorado pela alta administração, aplicável em qualquer área da organização e que contempla as atividades identificar riscos, analisar riscos, avaliar riscos, decidir sobre estratégias de resposta a riscos, planejar e executar ações para modificar o risco, bem como monitorar e comunicar, com vistas ao efetivo alcance dos objetivos da instituição. O QUE É GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS ASSISTA AO VÍDEO: O que é Gestão de Risco – 2 min. Fonte vídeo: Tribunal de Contas da União. TCU. https://www.youtube.com/watch?v=S0KSrlOS__4 https://www.youtube.com/watch?v=S0KSrlOS__4 BREVE HISTÓRICO DA GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS A gestão de riscos pode ser rastreada à época em que os primeiros chefes de clãs decidiram fortificar muralhas, realizar alianças com outras tribos ou estocar provisões para o futuro. Práticas relacionadas com a mitigação de riscos existiam na antiga Babilônia, a exemplo de indenizações em caso de perdas por roubos e inundações, ou a seleção, feita pelos primordiais banqueiros, de devedores com maior capacidade de honrar seus empréstimos. A gestão de riscos com enfoque corporativo, institucional, constitui área de estudos relativamente nova, iniciando-se somente ao final do século XX. Marco importante foi a publicação do artigo “The Risk Management Revolution”, na revista Fortune, em 1975, o qual sugeria que se estabelecesse a coordenação das várias funções de riscos existentes em uma organização e a aceitação pela alta administração da responsabilidade por instituir políticas e manter supervisão sobre tal função coordenada. Fonte: Flaticon BREVE HISTÓRICO DA GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Somente no ano de 1992 a ideia de gestão de riscos corporativos volta a ganhar foco, quando o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission – COSO publica o guia Internal Control - integrated framework (COSO-IC ou COSO I). Em 1995, esforço conjunto das entidades padronizadoras Standards Australia e Standards New Zealand resulta na publicação do primeiro modelo padrão oficial para a gestão de riscos, a norma técnica Risk Management Standard, AS/NZS 4360:1995. Normas técnicas assemelhadas logo são publicadas também no Canadá, no Reino Unido e outros países. Em 2001, o colapso da empresa Enron revela um esquema gigantesco de manipulação de balanços, ocultação de dívidas, lucros artificialmente inflados e falhas de auditorias. Em 2004, o COSO publicou o Enterprise Risk Management - integrated framework (COSO-ERM ou COSO II), modelo de referência que estendeu o COSO I, tendo como foco a gestão de riscos corporativos (COSO, 2004). Fonte: Flaticon BREVE HISTÓRICO DA GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Em 2009 é publicada a norma técnica ISO 31000 Risk management – Principles and guidelines. Em 2013, é lançado o COSO III uma versão atualizada que permitirá às empresas desenvolver e manter sistemas de controle eficazes e eficientes papel interno no processo de adaptação às mudanças. Em 2017 houve o lançamento da nova edição COSO ERM -Integrating with Strategy and Performance. Em 2018 foi atualizada a ISO 31000 que fora originalmente publicada em 2009. A nova versão foi publicada em fevereiro de 2018. No entanto, a finalidade da ISO 31000 permanece a mesma – integrando a gestão do risco em um ambiente estratégico e operacional sistema de gestão. A versão 2018 é muito semelhante à versão original. Fonte: Flaticon REFERÊNCIAS ABNT NBR ISO-ISO 31000. Gestão de riscos - Princípios e diretrizes. Brasil, 2009. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Referencial básico de gestão de riscos. Brasília: TCU, Secretaria Geral de Controle Externo (Segecex), 2018. BRASILIANO, A. C. R. Gestão de Riscos Corporativos – GRC. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=39kYiHrhkBo>. Acesso em 03 dez. 2018, 14h00. Finalidade: acadêmica. COSO – COMMITTEE OF SPONSORING ORGANIZATIONS OF THE TREADWAY COMISSION. Controle interno – estrutura integrada. São Paulo: Tradução de PriceWaterHouseCoopers, 2013. COSO. Committee of Sponsoring Organizations of the Tradeway Commission. Enterprise Risk Management – Integrated Framework, 2004. CROUHY, M.; GALAI, D; MARK, R. Gerenciamento de risco: uma abordagem conceitual e prática. Rio de Janeiro: Qualitymark, São Paulo: SERASA, 2004. MIRANDA, R. F. A. Cinco mitos da Gestão de riscos. IIA Notícias. Ed. 69, São Paulo: IIA-Brasil, 2017. Disponível em: <http://www.iiabrasil.org.br/>. Acesso em 16 nov. 2017. SHERIQUE, J. Aprenda como fazer: programa de prevenção de riscos ambientais - PPRA, programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria de construção - PCMAT, mapas de riscos ambientais - MRA. 2. ed. São Paulo: LTr, 2004. 239 p. ISBN 85-361-0506-2. O material Introdução: conceitos básicos em gestão de riscos corporativos aplicada ao setor público de Felizardo Delgado está licenciado com uma licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. https://www.youtube.com/watch?v=39kYiHrhkBo http://www.iiabrasil.org.br/ http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/