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Colagens e técnicas diversas Livro

Capítulo sobre colagens, monotipia e guache lavado. Contém objetivos de aprendizagem; explica a monotipia (origem em Castiglione, impressão única e ressurgimento com Degas), situa a colagem no cubismo de Braque e cita artistas atuais como Carlos Vergara e Beatriz Milhazes.

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DESENHO 
ARTÍSTICO
Juliana Wagner
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147
W133d Wagner, Juliana.
 Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes
 Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos; 
 [revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre: 
 SAGAH, 2017.
 168 p. il. ; 22,5 cm
 ISBN 978-85-9502-241-6
 1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea
 Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva. 
 III.Título.
CDU 744.43
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta e Urbanista 
Mestra em Ambiente e Desenvolvimento 
com ênfase em Planejamento Urbano
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Colagens e técnicas diversas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Distinguir as técnicas artísticas de colagem, monotipia e guache lavado.
 � Identificar os artistas plásticos que utilizam essas técnicas, ampliando 
seu universo artístico.
 � Diferenciar os efeitos pictóricos de cada técnica para possíveis apli-
cações futuras.
Introdução
Neste capítulo, você irá estudar três técnicas artísticas: a colagem, a mo-
notipia e o guache lavado. 
A monotipia, provavelmente de origem italiana, remonta ao século 
XVIII, mas reaparece no século XIX com o pintor francês Edgar Degas. 
A colagem inicia seu trajeto como técnica de arte no século XX, com a 
chegada da Arte Moderna, mais especificamente do movimento cubista 
de Georges Braque. Ambas as técnicas são empregadas na arte contem-
porânea por artistas brasileiros como Carlos Vergara e Beatriz Milhazes. Já 
sobre a técnica de guache lavada, não se encontram muitas informações 
disponíveis, portanto, não se consegue traçar uma linha do tempo de sua 
existência no universo artístico, embora seja uma técnica ensinada em 
faculdades de arte e empregada por diversos artistas contemporâneos. 
Monotipia
A monotipia é um tipo de gravura que se obtém por meio de desenho ou pintura 
sobre uma superfície lisa, por exemplo, uma placa de vidro ou acrílico. Depois 
de feito o desenho ou a pintura sobre a superfície, ele é transferido para uma 
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folha de papel utilizando uma técnica de pressão do papel sobre o desenho, 
manual ou mecanicamente.
Monotipo é uma impressão única, devido à maior parte da tinta ser removida 
durante a prensagem inicial, daí o seu nome. Porém, uma segunda cópia pode 
ser obtida, por meio de uma segunda prensagem da mesma matriz.
O processo de monotipia foi, provavelmente, criado no século XVII, por Giovanni 
Benedetto Castiglione (1609-1664), um pintor italiano, que também foi o primeiro 
artista a produzir esboços como obras acabadas em vez de estudos para trabalho.
Figura 1. Cabeça de um Oriental Barbudo, monotipia com retoques em tinta e velatura (The 
Royal Collection, Londres) de Giovanni Benedetto Castiglione.
Fonte: Wikipédia (2016). 
Regina Helena Shrimpton (2012), em sua dissertação de mestrado, descreve 
que, na época, a gravura Cabeça de um Oriental Barbudo não era vista como 
arte e não tinha qualquer valor estético. Seu valor como arte só veio a ocorrer 
no século XIX, depois da invenção dos processos litográficos e fotomecânicos. 
Poucos artistas usaram essa técnica até que o pintor impressionista Edgar 
Degas, dois séculos depois, resgatou a monotipia do anonimato ao qual tinha 
sido relegada desde a época de Castiglione.
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A partir de 1874, data de sua primeira monotipia, A Lição de Dança, o 
Mestre de Balé, Degas realizou entre 300 e 500 monotipias (entre 1874 e 
1893), representando paisagens, bailarinas, cenas de café, cafés-concertos e 
nus. Entre elas, aproximadamente 100 são monotipias puras, isto é, em preto 
e branco com variações de tom, feitas com tinta tipográfica. Outras 100 são 
monotipias retocadas com pastéis. As Figura 2 e 3 apresentam exemplos das 
monotipias de Degas.
Figura 2. Ao Lado da Lareira, monotipia em tinta preta, 1876-77.
Fonte: Wikimedia Commons (2017). 
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Figura 3. Balé - A Estrela, 1876-77, pastel sobre monotipia.
Fonte: Wikimedia Commons (2009). 
Na atualidade, o gaúcho Carlos Vergara (1941-) utiliza matérias-primas 
naturais, como terra e pigmentos, para encapsular, por meio da técnica de 
monotipia, coisas que foram feitas em um lugar específico, mas que podem 
ir para outro lugar, por exemplo, um museu, e adquirir uma outra instância, 
conforme relatado no trabalho de mestrado de Regina Helena Shrimpton (2012). 
Nas Figuras 4 e 5 você pode observar trabalhos de Vergara.
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Figura 4. Monotipia, década de 1990.
Fonte: Wikipédia (2017).
Figura 5. Imagem da exposição “Sudários”, 2014.
Fonte: Wikipédia (2014b). 
A monotipia, como você pode observar, tem características pictóricas 
bem marcantes, comumente executada com tinta preta, que faz a figura se 
sobressai no branco do papel. A composição fica carimbada pelo gesto do 
artista quando faz o desenho, utilizando uma ponta seca ou uma bucha de 
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papel, e pela pressão colocada na transferência da superfície para o suporte. 
O acaso, o gesto espontâneo e a imprecisão do desenho obtido são efeitos que 
conferem riqueza e beleza a essa técnica.
Colagem
Colagem é uma composição elaborada com diversos materiais (papel, madeira, 
metal e formas), superfícies, volumes, cores e texturas coladas sobrepostas ou 
lado a lado, a fim de formar uma imagem figurativa ou abstrata.
Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), a 
colagem é um procedimento técnico antigo, porém, apenas a partir do movimento 
de arte moderna Cubismo, no século XX, ela passa a ser empregada como técnica 
artística. Você pode observar um exemplo de obra do Cubismo na Figura 6.
Figura 6. Fruteira e Copo (1912), de Georges Braque (1882-1963). Esta obra é considerada 
uma das primeiras colagens da arte moderna.
Fonte: The Metropolitan Museum of Art (c2017).
Na Figura 7, você pode observar a obra de Amadeo Souza Cardozo, con-
feccionada com a técnica de colagem.
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Figura 7. Obra cubista Cozinha da Casa de Manhufe (1913), óleo sobre madeira.
Fonte: Wikimedia Commons (c2017a).
O uso de papéis colados levou as pesquisas cubistas para novas direções, 
e a utilização, cada vez mais livre de materiais heterogêneos, não só papel, 
deu origem a objetos tridimensionais e relevos. Nessa direção, Juan Gris 
(1887-1927), outro grande nome do cubismo, trabalhou exaustivamente com 
colagens e definiu a pintura como uma “[...] espécie de arquitetura plana com 
cor.” Observe uma obra de Gris na Figura 8.
Figura 8. Obra cubista do espanhol Juan Gris, Bodegón con botella de Burdeos (1919).
Fonte: Wikipédia (2002).
Os princípios de composição inaugurados pelas colagens encontraram 
seguidores em todo o mundo, e com interpretações distintas de um mesmo 
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procedimento. Na Rússia, as colagens aderiram às tendências construtivas da 
época e ganharam destaque nos princípios de composição propriamente ditos 
e no poder expressivo dos materiais, conforme exemplo da Figura 9.
Figura 9. Técnica mista com colagem, Composição com Mona Lisa, do russo Kazimir Malevich 
(1878-1935). 
Fonte: Wikimedia Commons (2016).
No movimento moderno Surrealismo, você pode notar uma articulação 
imprevista dos elementos da colagem com o irracional, que leva ao limite a 
ideia de associação de elementos díspares e de construção de uma “realidade 
irreal”, conforme demonstrado na Figura 10.
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Figura 10. Obra surrealistade Salvador Dalí, Rosto de Mae West Podendo Ser Utilizado como Apar-
tamento Surrealista, de 1934-35, que utiliza guache, grafite e colagem sobre página de revista.
Fonte: VÍRUS DA ARTE & CIA., 2014
Nas artes plásticas brasileiras, as colagens foram testadas por diferentes 
artistas, por exemplo, Carlos Scliar (1920-2001), Piza (1928), Guignard (1896-
1962), Jorge de Lima (1893-1953) e Athos Bulcão (1918-2008).
Atualmente, a colagem contempla os trabalhos da artista plástica brasileira 
Beatriz Milhazes, que você pode observar na Figura 11. Pintora, gravadora e 
ilustradora, a carioca destaca-se em mostras internacionais e integra acervos 
de museus como o Museum of Modern Art (MoMa), Solomon R. Guggenheim 
Museum, The Metropolitan Musem of Art (Met), em Nova York, e o Museo 
Reina Sofia, em Madrid.
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Figura 11. Painel Samambaia (2009), de Beatriz Milhazes, confeccionado para a Fundação 
Cartier, em Paris.
Fonte: Dalbéra (2009).
A colagem é uma técnica com bastante controle na sua execução. Em geral, 
você consegue obter resultados pictóricos precisos, com elementos composi-
tivos bem-definidos pelas bordas e cores. A colagem é uma técnica rica, pois 
aceita diversos materiais com a possibilidade de tridimensionalização da obra, 
além de permitir que se trabalhe com exatidão os elementos compositivos, 
suas relações formais e espaço-formais.
Guache lavado
A técnica de guache lavado consiste em utilizar tinta guache e tinta nanquim 
em duas etapas, no mesmo suporte, que pode ser o papel. Segundo o dicionário 
Priberam da Língua Portuguesa “[...] o nanquim é um material corante preto 
originário da China e é preparada com negro-de-fumo, substância oriunda 
do carvão.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013b). Já o guache “[...] é uma 
preparação feita com substâncias corantes, goma arábica e mel, diluídas em 
água.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013a).
No guache lavado, o desenho é feito sobre o suporte de papel, preferencial-
mente adaptado para técnicas a úmido; depois, é passado sobre o desenho a 
tinta guache, comumente branca. Após breve secagem, o papel é todo coberto 
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com nanquim, geralmente preto. Então, o suporte é “lavado” em água corrente, 
daí o nome da técnica. 
Depois de lavado, as partes do desenho que foram cobertas com guache 
aparecem normalmente descobrindo o papel e revelando sua cor. Aquelas 
partes do suporte que não receberam guache permanecem com a cor do 
nanquim usado. Veja exemplos da técnica guache lavado nas Figura 12 e 13.
Figura 12. Folheto para divulgação de casa noturna usando a técnica de guache lavado, 
criado pelo aluno Deimerson Motta do curso de Design Gráfico.
Fonte: Imagem cedida por Deimerson Motta
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Figura 13. Trabalho desenvolvido durante o curso de Desenho e Plástica, utilizando a técnica 
de guache lavado sobre papelão, de Carla Allegretti (1998), 45x65 cm.
Conforme a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), 
o artista baiano Raimundo de Oliveira, gravador, escultor e desenhista, utilizou 
a técnica de guache lavado na primeira fase de sua produção artística. A obra de 
Raimundo de Oliveira se desenrolou no universo religioso, com santos, imagens 
e cenas bíblicas. Nas décadas de 1950 e 1960 predominaram as composições 
com cores sombrias e caráter expressionista. Suas figuras são marcadas por 
traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros, 
como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960.
O guache lavado é uma técnica de efeitos pictóricos inconfundíveis. O 
preto quase sempre presente em função do uso do nanquim, a mescla da cor do 
papel com o residual do guache branco, as bordas pouco delimitadas e a marca 
deixada do sentido que a água escorre, são características únicas. O guache 
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lavado tem um processo de maior controle que a monotipia, por exemplo, mas 
sua riqueza ainda é maior com as imprecisões e os felizes acasos da técnica.
1. Qual das alternativas a seguir 
apresenta um exemplo de artista 
plástico que trabalha com a 
técnica de colagem? 
a) Beatriz Milhazes. 
b) Juan Gris. 
c) Pablo Picasso. 
d) Salvador Dali. 
e) Tarsila do Amaral. 
2. É um tipo de gravura que se 
obtém por meio do desenho ou 
pintura sobre uma superfície lisa 
e transferido para uma folha de 
papel com o uso da pressão do 
papel sobre o desenho, manual ou 
mecanicamente. Esta definição se 
refere a qual técnica? 
a) Monotipia. 
b) Guache lavado. 
c) Colagem.
d) Desenho de observação.
e) Pintura. 
3. Quem é considerado o 
inventor da monotipia?
a) O italiano Giovanni 
Benedetto Castiglione. 
b) O francês Edgar Degas.
c) O brasileiro Carlos Vergara. 
d) O espanhol Juan Gris. 
e) O russo Kazimir Malevich. 
4. Pelas características pictóricas de 
mistura entre desenho e pintura com 
resultados imprecisos e gestuais, 
manchas negras e figura em 
branco, a imagem correspondente 
a uma monotipia está em qual 
das seguintes alternativas?
a) 
Fonte: Wikimedia Commons (c2017b). 
b) 
Fonte: Imagem cedida por Vinícius Müller Becker
c) 
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d) 
Fonte: Wikipédia (2014a). 
e) 
Fonte: Yury Shchipakin/Shutterstock.com. 
5. É característica marcante 
da técnica de colagem:
a) a definição dos elementos 
compositivos. 
b) a imprecisão técnica.
c) o gestual marcado. 
d) a cor preto de fundo ou figura. 
e) a possibilidade de revelar 
a cor do suporte. 
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tps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sud%C3%A1rios_-_vista_da_exposicao.jpg>. 
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Leituras recomendadas
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sos gráficos e fotográficos do século XIX. Rio de Janeiro: IMS, 2014. Disponível em: 
<https://ims.com.br/por-dentro-acervos/glossario-de-tecnicas-e-processos-graficos-
-e-fotograficos-do-seculo-xix/>. Acesso em: 13 nov. 2017.
MACIEL, N. D. G. O universo poético-mítico de Raimundo de Oliveira. 2009. Dissertação 
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Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9845/1/Macielparte1.pdf>. 
Acesso em: 30 out. 2017.
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MARTINS, L. R. Colagem: investigações em torno de uma técnica moderna. ARS, São 
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