Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Análise comparativa das políticas de educação em Moçambique e no Brasil: semelhanças e diferença
Sistema educativo moçambicano
As actuais políticas educativas, seus sucessos e desafios, têm uma longa história, as suas raízes estão na experiência educativa da época colonial e nas escolhas políticas da Frente de Libertação de Moçambique desde a Luta de Libertação. 1983 foi aprovada a Lei n°4/83 de 23 de Março que regulou o primeiro Sistema Nacional de Educação (SNE) moçambicano, com o objectivo de consolidar os ganhos obtidos até então. Na Constituição de 1990 (e a sua versão revista de 2004), a educação é ainda vista como um “direito e um dever de todos os cidadãos”. No artigo 113 da Constituição consta que é responsabilidade do Estado “promover uma estratégia de educação visando à unidade nacional, a erradicação do analfabetismo, o domínio da ciência e da técnica, bem como a formação moral e cívica dos cidadãos”. O Estado organiza e desenvolve a educação através de um Sistema Nacional de Educação. A Lei n°6/92, reafirma a “educação como um direito e um dever de todos os cidadãos", e, ao mesmo tempo, o papel central do Governo, abre espaço para actuação de actores não estatais no sistema de ensino. Nos anos 1990, vários documentos preparatórios conduziram à adopção do primeiro Plano Estratégico da Educação (PEE-I), que foi publicado em 1997 e implementado entre 1999 e 2005. Propiciou construção de novas instalações nas escolas primárias e secundárias e a reabilitação daquelas que tinham sido destruídas durante o conflito armado, aumento no número de professores, melhor distribuição da rede escolar, e redução nos níveis de analfabetismo. Em 2006, foi publicado o segundo Plano Estratégico da Educação e Cultura (PEEC-II) para o período 2006-2010/11. O PEEC-II deixa claro que a principal prioridade do Governo é a educação básica, e que o Governo estaria comprometido em garantir a educação primária universal para todos em 2015. O Plano Estratégico da Educação 2012-2016 apresenta como objectivo geral para a alfabetização de adultos o "aumento das oportunidades para que mais jovens e adultos, com especial atenção a mulher e a rapariga, sejam alfabetizados, com vista à redução do analfabetismo para a promoção da cidadania e da participação no processo de desenvolvimento político, social, econômico e cultural do país
Sistema educativo brasileiro
O sistema de ensino brasileiro apresenta uma estrutura complexa, no Título IV da Nova LDB/96, que trata da organização da educação nacional, está previsto: Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. No artigo 9º da referida lei, que trata das incumbências da União, prevê-se no parágrafo primeiro que: § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções normativas e de supervisão e de atividade permanente, criado por lei. Podemos compreender que, há duas instâncias administrativas no sistema de ensino brasileiro: a Executiva, exercida pelo Ministério da Educação (MEC), e a Legislativa, exercida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Assim, o CNE, é um órgão que assessora o MEC.Desde a promulgação da LDB o CNE vem se dedicando à elaboração das directrizes curriculares da educação básica, dentro do princípio da flexibilidade contemplado pela lei. No artigo 22 da LDB/96 , a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Esta educação básica está subdividida em educação pré-escolar (0 aos 5 anos); ensino fundamental (com a duração de 8 anos); ensino médio (com a duração de 3 anos). A educação superior tem dois níveis de formação: a graduação e a pósgraduação. A LDB é que introduz no país uma política mais inclusiva e clara sobre a educação brasileira e sobre a educação de jovens e adultos em particular, no seu 6º artigo a educação é um direito social, cabendo ao Estado efectivá-lo. Complementando, a Constituição Federal de 1988 no seu artigo 208, inciso I afirma que a “educação básica obrigatória é gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria”. No seu artigo 208, afirma a educação como direito de todos, inclusive para os jovens e adultos que não puderam se beneficiar da educação básica obrigatória na idade própria. Para além da Constituição, a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional ( LDB, Lei n° 9.394/96), reafirma o direito à educação consagrado na Constituição Federal de 1988. A Emenda Constitucional n°14/96 é outro instrumento legal que, modifica os artigos 34, 208 e 212 da Constituição Federal de 1988, e dá uma nova redação ao artigo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. No artigo 2 , reafirma-se, igualmente a obrigatoriedade do ensino fundamental para todos.
Semelhanças
Ao analisar os instrumentos já citadas LDB/96 no Brasil e a Lei 6/92 em Moçambique, constatei que há semelhanças
· No que se refere aos princípios e finalidades da educação nacional. No capítulo II da LDB, “a educação deve ser oferecida mediante os princípios de igualdade de condições de acesso, liberdade, gratuidade, garantia de padrão de qualidade” entre outros. A educação tem como finalidade “desenvolver o educando, prepará-lo para o exercício pleno da cidadania e qualificá-lo para o trabalho. No caso da lei do SNE moçambicano, o capitulo I, prevê “a educação como direito e dever de todos, e que esta deve ser oferecida gratuitamente a todos os moçambicanos, respeitando se os princípios de igualdade de oportunidades, liberdade de acesso ao ensino, garantia de padrões mínimos de qualidade. A educação deve qualificar o cidadão para o trabalho e para o livre exercício da cidadania.
· A educação é vista como um direito de todo cidadão, direito este que deve ser provido pelo Estado, embora seja de destacar a intervenção do sector privado nesta área, sob a regulamentação e monitoria das instituições Estatais implicadas.
· No que se refere à educação de jovens e adultos, a lei 6/92 do Sistema Nacional de Educação de Moçambique, na secção IV, prevê a educação de adultos como uma "modalidade da educação básica". O Artigo 31 define o ensino de adultos como “aquele que é organizado para indivíduos que já não se encontram na idade normal de freqüência dos ensinos geral e técnico-profissional. No Brasil, a educação de jovens e adultos é definida pela LDB (artigo 37) como sendo uma modalidade de educação básica, à semelhança de Moçambique, destinada a “aqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
Diferenças
· No Brasil, o Plano Nacional da Educação (com duração de 10 anos) é o principal instrumento que apresenta as estratégias para orientar os diversos subsectores da educação na concretização dos objectivos. Nele estão as estratégias e metas a atingir para cada subsector enquanto parte das metas globais. No caso moçambicano, apesar de à semelhança do Brasil, existir um plano estratégico da educação, este vigora por um período de 5 anos.
· A universalização do acesso ao ensino básico, enquanto meta internacionalmente proposta, na qual o Brasil se encontra relativamente melhor situado que Moçambique, visto que os dados do IBGE de 2011 a taxa de alfabetização da população brasileira é de 90,17%, e a de analfabetismo é 9,83% enquanto que em Moçambique, segundo os dados apresentados no último Plano Estratégico da Educação (2012: p.12) a taxa de alfabetização ronda em torno dos 46,9% e a de analfabetismo 48,1%.
Referência	
Abu. C. T. Análise comparativa das políticasde educação em Moçambique e no Brasil: semelhanças e diferenças, Beira, p. 122-139.

Mais conteúdos dessa disciplina