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AULA 1 Adam Smith teria amado a UBER

Texto para reflexão sobre regulação de táxis e o impacto da Uber. Aborda controles de entrada e tarifas, funcionamento do aplicativo e preços dinâmicos, conveniência, efeitos sobre motoristas e consumidores e pesquisa de economistas sobre bem‑estar.

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Breno Souza

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Universidade Federal de Viçosa 
Centro de Ciências Humanas 
Departamento de Economia 
 
 
Texto para reflexão 
IDENTIFICAÇÃO 
Disciplina: Introdução à economia 
Código: ECO - 270 Créditos: 04 
Professora: Michelle Márcia Viana Martins (michelle.viana@ufv.br) 
 
Adam Smith teria amado a UBER? 
 
Se você nunca viveu em uma economia centralizada, mas já tentou chamar um táxi em uma 
cidade grande, provavelmente conheceu um mercado altamente regulado. Em muitas cidades, o 
governo local impõe controles rigorosos ao serviço de táxis. Geralmente, as regras vão muito 
além da regulação do seguro obrigatório e de itens de segurança. O governo pode, por exemplo, 
limitar a entrada no mercado, aprovando apenas um determinado número de permissões de táxi. 
Isso pode determinar os preços que os carros cobram. O governo utiliza seus poderes políticos – 
isto é, a ameaça de multa ou prisão – para manter motoristas não autorizados fora das ruas e 
para evitar que os motoristas cobrem valores acima dos permitidos. 
 
Recentemente, no entanto, esse mercado altamente controlado foi invadido por 
uma força perturbadora: a Uber. Lançada em 2009, essa companhia fornece um 
aplicativo para smartphones que conecta passageiros e motoristas. Como os 
veículos da Uber não andam pelas ruas procurando por pedestres que precisam 
de táxis, tecnicamente eles não são táxis e, portanto, não estão sujeitos às 
mesmas regulamentações. Só que oferecem o mesmo serviço. De fato, as corridas de Uber em 
geral são mais convenientes. Em um dia frio ou chuvoso, quem quer ficar na calçada esperando 
por um táxi vazio? É mais prazeroso aguardar internamente onde se está, usar seu smartphone 
para providenciar o automóvel (“carona remunerada”) e se manter quente e seco até o carro 
chegar. 
 
Os carros da Uber geralmente cobram menos do que os táxis, mas nem sempre. A Uber permite 
que os motoristas aumentem significativamente os preços quando houver um aumento de 
demanda, como durante uma tempestade repentina ou na noite de Ano‑Novo, quando inúmeros 
foliões embriagados estão procurando uma maneira segura para chegar em casa. Os táxis 
regulamentados, por sua vez, geralmente não podem sobrepujar as tarifas tabeladas. 
 
Nem todo mundo gosta da Uber. Motoristas de táxi tradicionais reclamam que a 
nova concorrência corrói sua fonte de renda. Isto não é surpresa: fornecedores 
de bens e serviços normalmente não gostam de novos concorrentes, mas uma 
concorrência vigorosa entre fornecedores torna o mercado melhor para os 
consumidores. 
 
É por isso que os economistas amam a Uber. Uma pesquisa de 2014 realizada com vários 
economistas renomados averiguou se os serviços de veículos, como a Uber, aumentavam o 
bem‑estar do consumidor. A resposta unânime foi sim. Os economistas também foram 
questionados se o chamado preço dinâmico (aquele que o altera conforme demanda) aumentava 
o bem‑estar do consumidor, e 85% deles concordou. O preço dinâmico faz os consumidores 
pagarem mais às vezes, mas, como os motoristas da Uber respondem a incentivos, isso também 
aumenta a quantidade de serviços prestados quando eles são mais necessários. O sobrepreço 
também ajuda a alocar os serviços aos consumidores que os valorizam mais e a reduzir os custos 
de busca e espera por um carro. 
 
Se Adam Smith estivesse vivo hoje, certamente teria o aplicativo da Uber em seu celular.

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