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1LINGUAGENS, CÓDIGOSe suas tecnologias
Estudo da Escrita - Redação
Cora de Andrade Ramos, Emil
y Cristina dos Ouros e Murilo
 de Almeida Gonçalves
L
ENTRE FRASES
C
3ª edição • São Paulo
2018
© Hexag Sistema de Ensino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino. São Paulo, 2018
Todos os direitos reservados.
Autores
Cora de Andrade Ramos
Emily Cristina dos Ouros
Murilo de Almeida Gonçalves
Diretor geral
Herlan Fellini
Coordenador geral
Raphael de Souza Motta
Responsabilidade editorial
Hexag Sistema de Ensino
Diretor editorial
Pedro Tadeu Batista
Revisora
Maria Cristina Lopes Araújo
Pesquisa iconográfica
Raphael Campos Silva
Programação visual
Hexag Sistema de Ensino
Editoração eletrônica
Claudio Guilherme da Silva
Eder Carlos Bastos de Lima
Fernando Cruz Botelho de Souza
Matheus de Oliveira Ferretti
Raphael de Souza Motta
Raphael Campos Silva
Stephanie Lippi Antonio
Projeto gráfico e capa
Raphael Campos Silva
Foto da capa
pixabay (http://pixabay.com)
Impressão e acabamento
Meta Solutions
ISBN: 978-85-9542-015-1
Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o 
ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição 
para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre 
as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo usado apenas para fins didáticos, não represen-
tando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
2018
Todos os direitos reservados por Hexag Sistema de Ensino.
Rua Luís Góis, 853 – Jd. Mirandópolis – São Paulo – SP
CEP: 04043-300
Telefone: (11) 3259-5005
www.hexag.com.br
contato@hexag.com.br
CARO ALUNO
O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações nos princi-
pais vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e em todo Brasil. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu conteúdo 
enriquecido, inclusive com questões recentes dos relevantes vestibulares de 2018. 
Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens, criação de novas seções e também na utilização de cores.
No total, são 105 livros e 6 cadernos de aula.
O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva e clara o que o aluno 
realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares do Brasil e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar.
As aulas estão divididas da seguinte forma:
INFOGRÁFICO
Esta seção, de forma simples, resumida e dinâmica, foi desenvolvida para indicação dos assuntos mais abordados nos principais vestibulares, 
voltados para o curso de medicina em todo território nacional.
TEORIA
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos, de cada coleção, tem como principal objetivo apoiar o estudante na resolução de questões 
propostas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam 
as explicações dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados, e compõem um conjunto abrangente de 
informações para o estudante, que vai dedicar-se à rotina intensa de estudos.
TEORIA NA PRÁTICA (EXEMPLOS)
Desenvolvida pensando nas disciplinas que fazem parte das Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Nesses 
compilados nos deparamos com modelos de exercícios resolvidos e comentados, aquilo que parece abstrato e de difícil compreensão torna-se mais aces-
sível e de bom entendimento aos olhos do estudante.
Através dessas resoluções é possível rever a qualquer momento as explicações dadas em sala de aula.
INTERATIVIDADE
Trata-se do complemento às aulas abordadas. É desenvolvida uma seção que oferece uma cuidadosa seleção de conteúdos para complementar 
o repertório do estudante. É dividido em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas e livros para o aprendizado do 
aluno. Tudo isso é encontrado em subcategorias que facilitam o aprofundamento nos temas estudados. Há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até 
sugestões de aplicativos que facilitam os estudos, sendo conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica. Tudo é selecionado 
com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso estudante.
INTERDISCIPLINARIDADE
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula, a seção interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares 
de hoje não exigem mais dos candidatos apenas o puro conhecimento dos conteúdos de cada área, de cada matéria.
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abrangem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como biologia e 
química, história e geografia, biologia e matemática, entre outros. Neste espaço, o estudante inicia o contato com essa realidade por meio de explicações 
que relacionam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o estudante 
consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas sim, fazendo parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive.
APLICAÇÃO NO COTIDIANO
Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana no desenvolver do dia a dia, dificultando 
o contato daqueles que tentam apreender determinados conceitos e aprofundamento dos assuntos, para além da superficial memorização ou “decorebas” 
de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios de aprendizagem com os conteúdos, foi desenvolvida a seção "Aplicação no Cotidiano". Como o próprio 
nome já aponta, há uma preocupação em levar aos nossos estudantes a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo que eles têm 
contato em seu dia a dia.
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES
Elaborada pensando no Enem, e sabendo que a prova tem o objetivo de avaliar o desempenho ao fim da escolaridade básica, o estudante deve 
conhecer as diversas habilidades e competências abordadas nas provas. Os livros da “Coleção vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas 
dessas habilidades. No compilado “Construção de Habilidades”, há o modelo de exercício que não é apenas resolvido, mas sim feito uma análise expo-
sitiva, descrevendo passo a passo e analisado à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a 
apurá-las na sua prática, identificá-las na prova e resolver cada questão com tranquilidade.
ESTRUTURA CONCEITUAL
Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Geramos aos estudantes o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um 
deles é a estrutura conceitual, para aqueles que aprendem visualmente a entender os conteúdos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas 
mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos 
principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita sua organização de estudos e até a resolução dos exercícios.
A edição 2018 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para 
o seu sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina.
Herlan Fellini
ENTRE FRASES
 
 
ENTRE FRASES
Estudo da escrita - REDAÇÃO
Aula 1: Dissertação Argumentativa 7
Aula 2: Planejamento do texto 21
Aula 3: Introdução - O primeiro parágrafo 33
Aula 4: Parágrafo padrão e tópico frasal 45
Aula 5: Estratégias argumentativas I: causae efeito / exemplificação / 
 dados estatísticos / narração / oposição 59
Redações extras 73
Exercícios 83
Prontuário 93
ENTRE FRASES
 
 
ENTRE FRASES
Estudo da escrita - REDAÇÃO
Aula 1: Dissertação Argumentativa 7
Aula 2: Planejamento do texto 21
Aula 3: Introdução - O primeiro parágrafo 33
Aula 4: Parágrafo padrão e tópico frasal 45
Aula 5: Estratégias arguementativas I: causa e efeito / exemplificação / 
 dados estatísticos / narração / oposição 59
Redações extras 73
Exercícios 83
Prontuário 93
Proposta 2
Projeto de texto modelo Enem
Dissertação Argumentativa
Aula 1
Proposta 2
Projeto de texto modelo Enem
Dissertação Argumentativa
Aula 1
Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para 
sua vida.
H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.
Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras 
culturas e grupos sociais.
H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.
Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da 
identidade.
H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
H11
Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para 
diferentes indivíduos.
Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e 
da própria identidade.
H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.
Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante 
a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da 
realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional
Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.
H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
H24
Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, 
chantagem, entre outras.
Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização 
do mundo e da própria identidade.
H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida 
pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, 
às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem
9
Dissertação argumentativa
A dissertação é um gênero textual caracterizado por apresentar, analisar e explicar um determinado assunto. Em 
outras palavras, ela propõe a discussão de um tema a partir da análise e questionamento dos elementos de um 
todo. A dissertação argumentativa também segue essa linha, no entanto, além da exposição, ela exige a defesa 
um ponto de vista claro e coerente, sustentado por argumentos convincentes.
É esse o modelo de texto exigido na maior parte dos vestibulares do país. E embora muitos alunos tenham 
dificuldade para encará-lo – já que há pouco tempo na prova para a reflexão, planejamento e escrita – é preciso 
lembrar que a base de sua composição está presente o tempo todo em nossas vidas. Seja nas redes sociais, no 
encontro com amigos, ou nos jantares em família, passamos boa parte do tempo tentando defender nossos pontos 
de vista sobre diferentes temas e buscando convencer os interlocutores a respeito de nossas ideias.
A grande diferença entre essas discussões e a prova de redação reside no modo e no cuidado com que 
defendemos nossas perspectivas. No vestibular, é preciso expor ideias ancoradas em argumentos realmente sólidos, 
capazes de convencer qualquer leitor genérico interessado no assunto. Tudo com uma boa dose de reflexão crítica 
e de clareza; e com um pouquinho de criatividade. 
Nessa aula, apresentaremos os principais elementos da dissertação argumentativa esperada nos vestibula-
res. Conhecer de perto as características de cada um deles ajuda a tornar a escrita da redação um processo mais 
fácil, menos doloroso e muito mais estimulante. 
Tese
É formulação da ideia principal a ser defendida no texto. Dito de outro modo, trata-se do julgamento do autor a 
respeito do tema abordado. Geralmente apresentada no primeiro parágrafo, ela deve ser clara e muito objetiva, 
pois será o fio condutor de todo o desenvolvimento da redação. Exemplo:
 Na era das selfies, os outros se tornaram mera audiência para a reafirmaçãoda individualidade. 
A democracia brasileira é um sistema contraditório baseado na confusão entre direitos e privilégios. 
No exemplo abaixo, tese encerra o primeiro parágrafo.
A igreja diz: “o vício e o luxo são capazes de arruinar uma vida”. A sociedade contemporânea entrou em 
um momento em que o consumo ou tornou-se vício e luxo. Ascende socialmente aquele que aumenta a renda e o 
consumismo. Diante dessa ideia, contudo, a sociologia interpõe: o vício e o luxo são consequências de uma 
vida arruinada e frustrada na qual a insatisfação é curada por curta duração pelo consumo. (Trecho 
estraído de redação modelo de axame FUVEST 20013).
Uma boa dica para garantir a objetividade na formulação de tese, é redigi-la no presente do indicativo e na 
voz ativa, pois assim demonstra-se mais segurança em relação ao posicionamento adotado. Observe a diferença 
entre as orações abaixo:
a) A institucionalização da meritocracia acentua ainda mais a desigualdade social.
b) É possível que a desigualdade social seja acentuada pela institucionalização da meritocracia. 
Em b, o uso do subjuntivo e a voz passiva revelam a incerteza do autor diante do tema.
10
Argumento
São elementos que servem para comprovar e sustentar a tese ou o desdobramento de tese e que devem ser 
reconhecidos como verdadeiros na discussão do tema. Caso os argumentos sejam falsos ou pouco prováveis, o 
desenvolvimento da argumentação estará comprometido.
Em geral, os argumentos apresentam exemplos, comparações, relações de causa e consequência, analogias 
e citações destinados a comprovar a ideia a ser defendida. Observe os exemplos de argumentos no parágrafo 
abaixo: 
Não se pode aprimorar a educação sem reconhecer que boa parte de sua organização está superada. Vivemos no 
século XXI com uma estrutura escolar concebida no século XIII, e ainda nos perguntamos por quais razões os alu-
nos estão cada vez mais dispersos e distantes da relação com o aprendizado. É preciso refletir esse dado para poder 
agir de modo coerente, como algumas escolas brasileiras, que já aboliram o sistema seriado de ensino e, portanto, 
observaram um aumento considerável no nível de aprendizado de seus estudantes.
Reflexão crítica
A construção da redação exige um momento de reflexão especial do candidato. Na maioria das vezes, é mais pro-
dutivo dedicar um tempo maior para a análise do tema e para a seleção dos argumentos que para a própria escrita, 
já que a construção de um ponto de vista claro e objetivo é a principal finalidade do texto.
Uma das formas de refletir criticamente sobre um assunto é separar o “joio do trigo”. No caso das disser-
tações, a reflexão pode ser iniciada separando o senso comum do senso crítico. Enquanto este se encarrega de 
analisar a fundo as problemáticas discutidas, observando seu surgimento, suas causas e seus principais agentes; 
aquele apenas reflete uma opinião superficial baseada em hábitos, crenças e preconceitos. O esquema abaixo pode 
ajudar a compreender essa diferença:
 
 § Clichês, chavões, frases feitas e ge-
neralizações.
Ex: A educação é o principal pilar da 
formação do indivíduo.
SENSO COMUM
 § Compreensão dos agentes causadores do problema;
 § Análise de razões históricas do problema;
 § Confronto entre a imagem do problema na teoria e na vida real.
 § Apresentação de dados, exemplos da vida real e fundamentos teóricos.
Ex: Embora muitos considerem a educação o principal pilar formador 
dos cidadãos, a realidade das escolas brasileiras nem sempre segue essa pre-
missa. Em muitas delas, os professores possuem baixos salários e, por conta 
disso, precisam atribuir um número elevado de aulas, o que prejudica seu de-
sempenho em sala de aula e, consequentemente, a formação do aluno. Além 
disso, a escola também reproduz formas de preconceito e discriminação capa-
zes de afetar diretamente a vida social e afetiva dos alunos. 
SENSO CRÍTICO
11
Linguagem 
A linguagem empregada na redação deve respeitar a norma padrão da língua portuguesa e deve prezar pela 
clareza e pela objetividade. Os termos que atribuem incerteza e imprecisão às afirmações devem ser deixados de 
lado. Além disso, é importante evitar palavras pouco usadas na língua e com nível muito alto de erudição. Às vezes, 
empregar uma palavra rebuscada para “impressionar” o corretor pode ser um grande equívoco.
Do mesmo modo, é importante lembrar que a linguagem do texto dissertativo-argumentativo é basicamen-
te denotativa, e portanto, não pode estar recheada de clichês, ironias, frases de efeito ou recursos de estilo. De 
modo geral, as figuras de linguagem são ferramentas para explorar os sentidos das palavras em textos literários, 
quadrinhos, ou canções e, consequentemente, atrapalham a objetividade da redação. A criatividade é bem-vinda 
quando está no título do texto ou na apresentação de alguma ideia, mas para empregá-la, é preciso ter um domínio 
considerável dos elementos básicos do texto dissertativo. 
Aspectos esperados na dissertação (principais critérios)
1. Adequação entre o tema proposto e o texto do candidato;
2. Adequação ao tipo de texto solicitado (dissertação, carta, artigo de opinião);
3. Coesão textual – emprego correto de conjunções, pronomes e preposições entre os períodos;
4. Coerência dos argumentos;
5. Correção gramatical e seleção vocabular adequada.
Aspectos INDESEJADOS na dissertação 
1. Emprego de vocabulário rebuscado ou excessivamente expressivo.
2. Composição de parágrafos isolados.
3. Ausência de posicionamento crítico diante do tema proposto.
4. Desconexão entre exemplos, citações e análises críticas.
5. Repetição meramente descritiva das problemáticas apresentadas na coletânea (paráfrase).
6.Conclusão contraditória em relação aos argumentos e posicionamentos apresentados.
esPeCiFiCiDaDes enem 
Como ponto de partida para iniciarmos a produção das redações, trataremos agora das especificidades da prova 
do ENEM. Embora ela seja um pouco diferente dos demais vestibulares, já que exige uma proposta de intervenção 
para um problema apresentado, sua estrutura é muito similar a dos outros vestibulares. Tese, argumento e reflexão 
crítica – como vimos – são itens INDISPENSÁVEIS para a realização do exame.
Com o objetivo de esclarecer os principais pontos exigidos na prova, realizamos uma apresentação dos 
principais critérios de correção do ENEM baseada no “Cartilha do participante 2017”, que pode ser acessada no 
endereço 
http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/guia_participante/2017/manual_de_redacao_do_enem_2017.
pdf. Nessa página, o aluno pode encontrar outros detalhes a respeito das competências de avaliação.
De modo geral, o ENEM exige que o aluno produza um texto em prosa, do tipo dissertativo-argu-
mentativo, a respeito de um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Por isso, é importan-
te estar sempre antenado com as principais discussões de cada uma dessas naturezas no país. Lembre-se, o ENEM 
é uma prova NACIONAL, e, portanto, exige que as reflexões propostas abordem o âmbito brasileiro.
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A cartilha do ENEM também propõe que o aluno defenda uma tese apoiada em argumentos consisten-
tes, estruturados com coerência e coesão. Além disso, o aluno deve apresentar proposta de intervenção social 
para o problema apresentado no desenvolvimento do texto. Isso significa que o aluno precisa: expor 
seu posicionamento sobre a problemática adotada, apresentar argumentos que comprovem sua 
visão sobre o tema e sugerir uma intervenção social para o problema abordado. 
Até 2017, a proposta de intervenção não poderia ferir os direitos humanos. No entanto, como essa exigên-
cia passou a ser discutida na justiça, é possível que haja mudanças em tal critério a partir do exame de 2018. De 
qualquer modo, como não há nenhuma modificação já determinada pelo Ministério da educação, recomenda-se 
que o aluno mantenha a regra de 2017, e, portanto, respeite os direitos humanos em sua proposta. Nossa equipe 
ficará atenta àsmudanças de 2017 para manter as aulas sempre atualizadas.
entenDenDo as ComPetÊnCias enem
Competência 1 - Demonstrar domínio da modalidade 
escrita formal da língua portuguesa
A primeira competência do ENEM verifica se o aluno é capaz de compor um texto sem problemas de construção 
sintática e sem desvios (gramaticais, de convenções da escrita, de escolha de registro e de escolha 
vocabular). Em outras palavras, é preciso cuidar tanto dos aspectos fonológicos e morfossintáticos da escrita – 
como acentuação, ortografia, pontuação, concordância e regência – como dos aspectos de adequação vocabular 
à norma padrão da língua portuguesa, o que significa evitar gírias, marcas da oralidade, vocabulário impreciso, 
entre outros.
Competência 2 - Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias 
áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do 
texto dissertativo-argumentativo em prosa
Essa competência avalia se o aluno é capaz de construir um texto dissertativo-argumentativo cujo recorte escolhido 
esteja adequado ao tema proposto. É preciso estar atento ao limite temático a fim de evitar possíveis tangencia-
mentos ou fuga do tema. 
Nesse sentido, a cartilha do ENEM recomenda que aluno reflita sobre o tema apresentado pela coletânea 
e apresente um ponto de vista baseado nessa reflexão. É importante não se prender às ideias desenvolvidas nos 
textos apresentados, e muito menos copiar trechos desses textos. 
Para sair desse ponto inicial, o aluno deve buscar informações de várias áreas do conhecimento 
na composição de sua dissertação. Isso demostra que ele possui repertório e que sabe interpretar corretamente 
um problema apresentado pela proposta. Entretanto, é preciso ter cuidado: todas as informações devem estar li-
gadas à construção do ponto de vista. Qualquer dado desconectado da argumentação, ainda que seja importante, 
não tem relevância nenhuma para a dissertação, pois não ajuda a convencer o leitor a respeito do posicionamento 
do autor.
13
Competência 3 - Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, 
opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista
De modo geral, a terceira competência do ENEM avalia se a redação do aluno possui uma sequência lógica que 
corresponda à organização de seu raciocínio, e se os argumentos apresentados realmente comprovam a tese de-
fendida. Segunda a cartilha, trata-se da “forma como você, em seu texto, seleciona, relaciona, organiza e 
interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do ponto de vista escolhido como 
tese.” 
 Muitas vezes, no projeto de redação, os alunos possuem um posicionamento e também argumentos 
correspondentes ao seu ponto de vista. No entanto, na hora de compor o texto, muitos deles têm dificuldade de 
organizar os parágrafos e explicar as informações que sustentam a tese. Nesse caso, a má seleção, explicação e 
distribuição dessas informações entre os parágrafos – e também dentro deles – prejudica a compreensão geral da 
dissertação, ou seja, o corretor não consegue entender o raciocínio que o aluno desejou apresentar. 
Para atender plenamente às expectativas em relação à Competência, a cartilha do ENEM apresenta as 
seguintes recomendações:
 § Reunir todas as ideias sobre o tema e depois selecione as que forem pertinentes para a defesa do seu ponto 
de vista, procurando organizá-las em uma estrutura coerente para usá-las no desenvolvimento do seu texto.
 § Verifique se informações, fatos, opiniões e argumentos selecionados são pertinentes para a defesa do seu 
ponto de vista. 
 § Na organização das ideias selecionadas para serem abordadas em seu texto, procure definir uma ordem que 
possibilite ao leitor acompanhar o seu raciocínio facilmente, o que significa que a progressão textual deve 
ser fluente e articulada com o projeto do texto. 
 § Examine, com atenção, a introdução e a conclusão para ver se há coerência entre o início e o fim e observe 
se o desenvolvimento de seu texto apresenta argumentos que convergem para o ponto de vista que você 
está defendendo.
Competência 4 - Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários 
para a construção da argumentação
A quarta competência do ENEM avalia os mecanismos de coesão do texto. Em outras palavras, trata-se da forma 
como o aluno realiza as conexões entre as partes de sua redação a fim de garantir uma sequenciação coerente do 
seu raciocínio. 
Nesse sentido, o aluno é avaliado pela forma como ele realiza o encadeamento de suas ideias, seja por 
meio do uso conjunções, pronomes, preposições, advérbios e locuções adverbiais; seja pela articulação da própria 
estrutura textual. O grande objetivo é observar se o aluno conhece os mecanismos de coesão “que garantem a 
conexão de ideias tanto entre os parágrafos quanto dentro deles”.
Para atender plenamente às expectativas em relação à Competência 4, a cartilha do ENEM recomenda 
evitar:
 § sequência justaposta de palavras e períodos sem articulação;
 § ausência total de parágrafos na construção do texto;
 § emprego de conector (preposição, conjunção, pronome relativo, alguns advérbios e locuções adverbiais) 
que não estabeleça relação lógica entre dois trechos do texto e prejudique a compreensão da mensagem;
 § repetição ou substituição inadequada de palavras, sem se valer dos recursos oferecidos pela língua (prono-
me, advérbio, artigo, sinônimo).
14
Competência 5 - Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respei-
tando os direitos humanos
A quinta competência do ENEM avalia se o texto do aluno apresenta uma proposta de intervenção para o problema 
levantado. Por isso, é fundamental que esse problema esteja discutido na tese e nos argumentos, a fim de que a 
intervenção a ser proposta esteja coerente com o assunto abordado e realmente apresente uma solução para o 
problema exposto no texto.
 Além disso, é imprescindível que a proposta de intervenção seja completa. Isso significa dizer que ela deve 
contemplar quem serão os atores sociais responsáveis pela solução de acordo com o âmbito que ela demanda: 
individual, familiar, comunitário, social, político, governamental e mundial. Do mesmo modo, é preciso detalhar qual 
será essa intervenção e como ela será executada, incluindo também quais são os benefícios que ela pode gerar com 
relação ao problema discutido.
 Nesse sentido, recomenda-se que o aluno apresente intervenções mais concretas, mais factíveis e mais 
próximas da realidade brasileira. As generalizações acerca dos “verdadeiros responsáveis” pelos problemas ou as 
soluções muito gerais, como “é preciso investir na educação...” devem ser evitadas.
RECOMENDAÇÕES GERAIS DO INEP
a) ler com bastante atenção o tema proposto e observar a tipologia textual exigida (texto dissertativo-argu-
mentativo);
b) ler os textos motivadores, observando as palavras ou os fragmentos que indicam o posicionamento dos 
autores;
c) identificar, em cada texto motivador, se for o caso, a tese e os argumentos apresentados pelos autores e 
utilizá-los para defender o ponto de vista da redação;
d) refletir sobre o posicionamento dos autores dos textos motivadores e definir com muita clareza qual será o 
seu posicionamento;
e) ler atentamente as instruções apresentadas após os textos motivadores;
f) definir um projeto de texto em que planeje a organização estratégica da sua redação, a fim de defender o 
ponto de vista por você escolhido, e apresentar uma proposta de intervenção ao problema abordado.
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Caminhos Para Combater a intolerânCia 
religiosa no brasil.
ACERVO
Grupos do Brasil inteiro lançam texto denunciando acordos re-
ligiosos que podem impor retrocesso político ao País.
Bloco do Estado laico – em defesa da laicidade nas eleições 2014
Causa-nos profunda preocupação, nessas eleições presidenciais de 2014, a corrida das principais candidaturas 
para conseguir votos de líderes religiosos que negociam a fé de fiéis no período eleitoral. O diálogo privilegiadocom um setor religioso compromete qualquer futuro governo e ameaça a laicidade que marca o Estado brasileiro.
Entendemos que o Estado laico é uma conquista de muitas mulheres e homens que sacrificaram suas 
vidas defendendo seus cultos em cenários de imposição religiosa que marcaram a história do mundo – como a 
Inquisição. Assim, foi para garantir a liberdade de crença a todas as demais religiosidades que o Estado tomou 
para si o ideal da laicidade, furtando-se da adoção de um sistema religioso oficial.
A forma como essa disputa tem sido feita soa para nós como um sinal de retrocesso do ponto de vista 
deste princípio republicano, nos acende um sinal de alerta. Entendemos que a pauta que abarca as religiões é a 
da liberdade de culto e credos e da diversidade religiosa. Reafirmá-las não pode tornar-se antagônico à garantia 
dos direitos sexuais e reprodutivos, da igualdade racial e de gênero, da luta antimanicomial e da reforma psiqui-
átrica, da redução de danos e de uma nova política sobre drogas que não sirva ao encarceramento e extermínio 
da população jovem, pobre e negra. A religiosidade não pode ser elemento obstrutor do processo democrático, 
histórico, afirmativo e reparatório em curso no Brasil.
Entendemos que a busca pelo poder ou a sua manutenção não deve ser justificativa para ações e/ou 
alianças não republicanas, que envolvam candidaturas baseadas em lógicas rasas e meramente eleitoreiras, não 
contribuindo para as mudanças profundas e as reparações tão necessárias que necessitam o povo brasileiro. 
Acreditamos na conquista de corações e mentes e que é preciso respeitar as heranças culturais que marcam a 
historicidade e religiosidade da nossa nação, repudiando, assim, alianças que venham marcadas por atitudes 
contrárias aos princípios democráticos e às liberdades de expressão e manifestação, sejam de crenças ou afetos, 
em nome de uma desesperada corrida eleitoral.
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Estado laico: uma separação de interesse público
Desde 1889, lê-se na Constituição que a questão religiosa concerne à esfera 
privada, importando a neutralidade do poder político com relação às crenças.
por Edilsom Farias
Observa-se no País um crescente interesse do público em geral pela discussão sobre o princípio do Estado laico e 
a preservação da liberdade religiosa. A última polêmica surgida envolve, especificamente, o caso da ostentação 
de símbolos religiosos nas repartições públicas por todo o Brasil.
Uma evidência desse interesse social pela temática tem sido as constantes solicitações endereçadas a 
órgãos do Poder Judiciário e ao Ministério Público, requerendo a retirada dessas insígnias exibidas nos prédios 
dos governos federal, estaduais e municipais. Por exemplo: o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi recentemente 
demandado a se manifestar sobre o assunto; o Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Regional dos 
Direitos do Cidadão de São Paulo, moveu ação judicial para obrigar a União a retirar todos os símbolos religiosos 
fixados em repartições públicas federais no Estado; e o Ministério Público do Piauí (MP-PI) está celebrando acor-
dos com órgãos estaduais e municipais sobre a questão.
Como surgiu a ideia de Estado laico no mundo ocidental
Como é sabido, em seus primórdios o poder político era absoluto. As funções estatais, executiva, legislativa e 
judiciária eram concentradas nas mãos do governante. Consequentemente, o soberano detinha o monopólio dos 
poderes temporal e religioso. Vale ressaltar que, além de exigir obediência sem contestação à sua autoridade, 
obrigava os governados a prestar culto ao seu deus, bem como a adotar a sua fé. Ai daqueles que ousassem mani-
festar crenças diferentes das práticas religiosas dos donos do poder. Normalmente, custava muito caro: pagavam 
até mesmo com a própria vida. Um famoso exemplo dessa triste história é o caso de Sócrates. O filósofo grego foi 
condenado à morte justamente porque foi acusado de desobedecer ao deus da cidade.
Além disso, convém evocar que o fundamento do próprio poder político era divino. Os governantes sim-
plesmente argumentavam que eram escolhidos por Deus e que, portanto, detinham o direito natural de mandar.
Essa modalidade de despotismo político dominou por muito tempo a história das sociedades humanas. 
Entretanto, sobretudo a partir do século XVI, na Europa ocidental, começaram a surgir diversos tipos de contesta-
ção, pelo que se convencionou denominar de renascimento, iluminismo, humanismo, liberalismo político, consti-
tucionalismo etc. Precedente paradigmático dos conflitos e tensões oriundos desses movimentos transformadores 
foi o caso de Galileu, o pai da ciência moderna. Ao reavaliar as posições da Igreja a respeito da situação da Terra 
em relação ao Sol, iniciou a revolução científica.
O epílogo desse período histórico é conhecido: as ideias revolucionárias vão culminar com a derrubada 
do absolutismo político. Os Estados Unidos e a França serão os pioneiros desse processo, pondo em prática a 
democratização do poder político.
17
Com efeito, após a proclamação da independência, a Constituição dos Estados Unidos da América foi a 
primeira Carta moderna a consagrar a soberania popular, não tendo mais, o poder, origem sobrenatural (“Nós, o 
povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma união mais perfeita, estabelecer a justiça, assegurar a tranquili-
dade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar geral, e garantir para nós e para os nossos descen-
dentes os benefícios da liberdade, promulgamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da 
América”). A partir daí, passa a ser natural o reconhecimento da separação entre os poderes estatal e religioso, 
institucionalizada na primeira emenda do texto constitucional dos EUA: “O Congresso não legislará no sentido de 
estabelecer uma religião ou proibindo o livre exercício dos cultos”.
Tais princípios foram proclamados também pela Revolução Francesa e ficaram imortalizados na famosa 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, e nas Constituições posteriores daquele País.
Por seu turno, uma fundamental conquista da cidadania resultante desse processo histórico será o reco-
nhecimento da liberdade religiosa. Doravante, as Constituições modernas irão prescrever a separação entre Esta-
do e religião, bem como garantir a liberdade de crença e consciência. E esta liberdade poderia muito bem ser con-
siderada como a primeira de todas, porquanto, junto com a liberdade de crença, se obteve também a de opinião, 
de crítica, de ciência etc. Portanto, a liberdade religiosa inspirou o surgimento dos direitos humanos modernos.
Por outro lado, é importante frisar que a liberdade religiosa fará parte da vida privada do cidadão, impli-
cando que, no âmbito da esfera pública, o Estado não mais terá religião. Por conseguinte, o governo deve respei-
tar as manifestações religiosas dos cidadãos, bem como tratar com imparcialidade e igualdade todos os credos.
Convém esclarecer no que a forma de Estado laico que se vem descrevendo na sua evolução histórica 
difere das formas de Estado teocrático: neste último caso, há união entre Estado e religião, com a instituição de 
religião oficial. É igualmente divergente do Estado ateu, em que a doutrina oficial é a de que Deus não existe, 
impondo-se obstáculos ao funcionamento das religiões.
Em suma, desse escorço histórico infere-se que uma das grandes conquistas da cultura ocidental nos úl-
timos séculos foi o reconhecimento da separação entre Estado e religião. Ademais, pode-se até mesmo asseverar 
que a cultura laica emancipada desse distanciamento seja responsável por inúmeras e importantes conquistas 
que se mantêm nos dias atuais, tais como o respeito aos outros, inviolabilidade dos direitos fundamentais, liber-
dade da ciência, aceitação do pluralismo religioso e democracia política.
Vale registrar que o princípio do Estado laico foi introduzido no Brasil a partir da proclamação da Repú-
blica, em 1889. Antesdisso, vigorava a união entre Estado e religião. Essa junção vai perdurar por todo o período 
colonial e se estender até após a independência, em 1822, porquanto a Constituição imperial brasileira de 1824 
consagrou a religião católica como oficial – o que implicava, por exemplo, que crentes de outras religiões só 
podiam professar a sua fé em ambiente doméstico.
Le Monde Diplomatique
Entendemos a importância de todas as religiões como uma decisão de foro íntimo. Não pertencemos a um 
Estado religioso. Convocamos todas para somarem-se no próximo período a uma ampla mobilização e defesa da 
laicidade nas eleições 2014. Conclamamos a organizações e pessoas, candidaturas e plataformas, democratas, 
republicanos e progressistas, a igualmente somarem-se na constituição de um grande bloco histórico e plural que 
defenda o Estado laico.
Somos diversidade! Lutamos por uma democracia que respeite nossa pluralidade, sem privilégios ou so-
breposições de nenhum grupo ou setor em relação às agendas e necessidades dos demais. Somos umbanda, 
espiritismo, candomblé, catolicismo, budismo, islamismo, protestantes, de tradições indígenas, judaísmo, ateís-
mo, hinduístas, agnósticos! Somos lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais! Somos quilombolas! Somos 
cidadãs e cidadãos! Somos povo brasileiro – a verdadeira aliança capaz de refletir a democracia que queremos.
http://www.revistaforum.com.br/2014/09/01/entidades-lancam-manifesto-pelo-estado-laico/
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Paz, justiça e instituições eficazes
Metas: reduzir significativamente todas as formas de violência e as taxas de mortalidade relacionada em todos 
os lugares; acabar com abuso, exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura contra crianças; promo-
ver o Estado de Direito, em nível nacional e internacional, e garantir a igualdade de acesso à justiça para todos; 
reduzir significativamente os fluxos financeiros e de armas ilegais, reforçar a recuperação e devolução de recursos 
roubados e combater todas as formas de crime organizado; reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em 
todas as suas formas; desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes em todos os níveis; garantir 
a tomada de decisão responsiva, inclusiva, participativa e representativa em todos os níveis; ampliar e fortalecer 
a participação dos países em desenvolvimento nas instituições de governança global; fornecer identidade legal 
para todos, incluindo o registro de nascimento; assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades 
fundamentais, em conformidade com a legislação nacional e os acordos internacionais.
Combate à intolerância
A Lei 12.288/2010, que instituiu o Estatuto da 
Igualdade Racial, estabelece, em seu artigo 26, 
que “o poder público adotará as medidas neces-
sárias para o combate à intolerância com as reli-
giões de matrizes africanas e à discriminação de 
seus seguidores, especialmente com o objetivo de: 
I – coibir a utilização dos meios de comunicação 
social para a difusão de proposições, imagens ou 
abordagens que exponham pessoa ou grupo ao 
ódio ou ao desprezo por motivos fundados na reli-
giosidade de matrizes africanas”.
http://coral.ufsm.br/congressodireito/anais/2015/6-21.pdf
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ProPosta 1
 
 
Planejamento do texto
Aula 2
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Planejamento do texto
O projeto de um texto é uma espécie de esquema conceitual no qual o aluno deve inserir os principais pontos a 
serem desenvolvidos no texto. Ele tem função primordial de organizar as ideias e determinar a ordem de apareci-
mento dos argumentos, obedecendo sempre a uma sequência lógica de exposição. 
Nessa aula, apresentaremos alguns passos importantes para a construção de um projeto de texto bom e 
completo. Um planejamento bem feito contribui para a clareza das ideias e fornece segurança ao aluno no momen-
to da escrita. Sendo assim, vale a pena dedicar um tempo maior para tal elaboração.
1. Leitura da coletânea
A primeira leitura da coletânea tem como objetivo compreender mais atentamente o tema abordado no exame. 
É por meio dessa primeira leitura que o aluno começa a definir seu posicionamento a respeito do tema e o que 
pode vir a ser a sua tese principal. Nesse momento, cabe fazer uma leitura atenta, destacando as informações 
principais e a analisando a fonte de cada um dos excertos.
Após a primeira impressão do assunto, é fundamental que o aluno relacione as informações lidas com a 
oração-tema orientadora do exame, habitualmente apresentada na maior parte dos vestibulares do país. Caso 
essa oração seja uma pergunta – como a FUVEST e a UNESP têm adotado nos últimos exames –, é imprescindível 
que a redação forneça uma resposta. 
2. Brainstorm
O segundo passo da elaboração consiste na realização de um Brainstorm, isto é, uma tempestade de ideias acerca 
do tema, que pode ser feita após ou durante uma segunda leitura da coletânea. Nesse momento, é preciso anotar 
tudo aquilo que vier na cabeça: exemplos, analogias, comparações, citações, definições, ilustrações, etc. Essas ideias 
embaralhadas podem ser organizadas em pequenas orações que ajudarão o aluno a ter uma visão mais clara do 
conjunto. 
Tomando como base o tema exigido pela ENEM no exame de 2014, segue um exemplo da organização das 
ideias surgidas ao longo do processo:
 § Tema: Publicidade infantil em questão no Brasil
 § Objetivo/possível posicionamento: Discutir como a publicidade deve poupar a infância
 § Ideias: Crianças não tem maturidade para compreender o funcionamento da publicidade/ Os meios de co-
municação têm poder maior para convencê-las/ A publicidade atribui um juízo de felicidade para a criança 
portadora do produto, e consequentemente, excluí aqueles que não podem tê-lo./ Alguns países, como a 
Inglaterra e a Noruega, já criaram regras para regular e até mesmo coibir a publicidade infantil/As escolas 
podem criar projetos para a valorização da diversão desconectada da ideia de consumo, como oficinas de 
confecção de brinquedos.
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3. Pergunta-catapulta
Algumas vezes, o aluno apresenta muita dificuldade para realizar uma tempestade de ideias acerca de determinado 
tema. Seja porque não há intimidade com o assunto, seja porque há um nível de abstração diferente do que ele 
está habituado, torna-se difícil sair do lugar. 
 Para isso, apresentamos abaixo um conjunto de perguntas que podem auxiliar o estudante 
a refletir criticamente sobre e o assunto, e desse modo, alcançar um nível mais elevado de profun-
didade em sua discussão. Tendo em vista que as propostas de redação sempre apresentam alguma 
questão ou algum problema a ser debatido, esses elementos podem ser explorados a partir das 
perguntas abaixo:
a. Qual é essa questão?
b. Em que espaços essa questão é observada?
c. Como essa questão está presente na sociedade? Há exemplos dela?
d. Qual é o senso comum a respeito dessa questão?
e. Há razões históricas para o surgimento dessa questão?
f. Essa questão é discutida em algum livro/filme/canção?
g. Como essa questão aparece na mídia? Essa abordagem condiz com a realidade?
h. Quais as principais causas dessa questão? E as principais consequências?
i. Há um grupo social beneficiado por essa questão? Há algum grupo prejudicado por ela?
j. De que maneira essa questão pode ser resolvida? (ENEM)
4. Seleção
Realizadas as etapas acima, o aluno já dispõe de muitos elementos para determinar seu projeto. 
Agora, a tarefa é aparar as arestas, isto é, selecionar apenas aquilo que entrará no corpo do texto 
e organizá-lo em parágrafos. O critério de seleção também é simples: fica o que estiver mais bem 
sustentado pelos argumentos e/ou o que for mais fácil e mais seguro de redigir. Caso o aluno não 
tenha certeza de algum exemplo ou citação, e não esteja confiante em relação a uma das ideias 
desenvolvidas, é melhor não arriscar: esses elementos podem ficar de fora da redação. 
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ProPosta Para discussão: desafios Para a formação 
educacional de surdos no Brasil.
ACERVO
Entender a realidadedos surdos ajuda tanto no Enem como na vida
JAIRO MARQUES 
DE SÃO PAULO
06/11/2017 02h00
Para quem labuta por mais inclusão no país, principalmente a inclusão na escola, o tema da redação do Enem foi motivo para festa 
com banquete, uma vez que coloca os desafios da deficiência, com ênfase na sensorial, no centro das atenções de milhares de jovens 
postulantes a uma vaga nas principais universidades brasileiras. 
Isso sem falar que arrasta o assunto por pelo menos um ano para holofotes de cursinhos, reuniões familiares e discussões 
entre amigos.
Por outro lado, a empreitada de escrever sobre um assunto cheio de nuances e tão pouco presente nos calorosos embates 
da atualidade pode ter exposto candidatos a riscos de cometerem uma série de impropriedades, como a de achar que todo surdo 
precisa aprender libras, que escolas "só para eles" seriam solução, que a língua de sinais é uma reles transformação da língua por-
tuguesa em sinais, entre outros.
O universo da deficiência é plural. Surdos, assim como qualquer "serumano", têm suas peculiaridades, capacidades, inclina-
ções. Há o que precisa de legendas (domina a língua portuguesa, faz leitura labial e é chamado oralizado), há o que para compreen-
der uma mensagem precisa de janela de tradução para a língua de sinais – e, mais que tudo isso, não há apenas uma língua de sinais.
A solução que pode ter salvado o estudante de um vexame é o amparo nos textos de apoio, a extração e ampliação de suas 
ideias. A nota dez, porém, deve ser reservada ao postulante que conseguir desenhar a necessidade de uma escola para todos, que 
vislumbre o amparo tecnológico como mecanismo de apoio em sala de aula, que defenda a ampliação maciça do ensino de libras 
como instrumento de acolhimento sociocultural legítimo de pessoas com deficiência auditiva.
A questão aqui ultrapassa o debate dos direitos humanos e imagino ser um tanto arriscado ao candidato que defendeu que 
esse público precisa "se virar" para ser gente. Surdos são amplamente amparados pela Lei Brasileira de Inclusão em suas demandas 
diversas, com ênfase à educação digna.
O papel dos corretores da redação, neste ano, poderá ser tão tenso quanto aos dos concorrentes, pois a eles vai caber não 
só dominar conceitos da diversidade surda, como saber até onde cobrar de jovens estudantes o entendimento de realidades tão 
apartadas do convívio social pleno. Ganhará zero quem usar o termo surdo-mudo, uma vez que ele é incorreto?
Se algum professor "acertou" o tema da redação deste ano com precisão, uma vez que até 2016 o próprio Inep, organiza-
dor das provas, desconhecia a necessidade de provas com o devido amparo para surdos, ele deve ser ovacionado.
Mas ante o possível desespero de "não saber nada sobre o assunto" e ter dançado na prova, vale pensar que quem exercita 
a prática de tentar compreender a realidade do outro, tentando entendê-lo e auxiliá-lo, poderá se dar bem não só no Enem, mas em 
todos os exames que pretendam abrir portas de oportunidades durante toda a vida.
Endereço da página:
http://www1.folha.uol.com.br/educacao/ 
2017/11/1933099-entender-a-realidade-dos-surdos-ajuda-tanto-noenem-como-na-vida.shtml
Surdos são tratados como incapazes de aprender, diz professora-doutora
Silvia Andreis Witkoski perdeu a audição depois que ficou grávida. Tese na UFPR revela preconceito contra alunos em escolas para 
surdos.
A professora Sílvia Andreis Witkoski viveu na tarde desta quinta-feira (2) uma emoção especial. Ela defendeu sua tese de 
doutorado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) concluindo uma importante pesquisa sobre a educação de pessoas surdas e 
o preconceito que quem não ouve é vítima no ambiente escolar e acadêmico. Há seis anos Sílvia perdeu completamente a audição 
durante a gestação de sua segunda filha. Com diagnóstico de surdez acentuada bilateral neurossensorial atribuída à otosclerose, a 
agora professora-doutora mostrou em seu trabalho os surdos no Brasil não têm acesso a uma educação realmente voltada às suas 
condições especiais. A pessoa que não ouve é tratada como se não tivesse condições de aprender. O resultado é a formação de 
iletrados funcionais.
Na produção de sua tese, Sílvia acompanhou o estudo bilíngue (em português na Linguagem Brasileira de Sinais – Libras) 
em uma turma de sétima série de uma escola especializada na educação para surdos. “A conclusão foi uma absoluta ausência de 
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um ensino qualificado e diferenciado para os surdos”, afirma a professora Sílvia, em entrevista ao G1 por e-mail. A tese foi aprovada 
com louvor e distinção pela originalidade, relevância social e metodologia de pesquisa.
Gaúcha de Erechim (RS), Sílvia levou uma vida como ouvinte até os 35 anos. Era professora de artes plásticas, tinha feito 
mestrado, trabalhava em uma universidade em Santa Catarina e vivia um casamento consolidado. Quando ficou grávida pela pri-
meira vez, ela perdeu boa parte da audição. Dois anos depois, uma nova gestação comprometeu de vez sua capacidade de ouvir. A 
otosclerose é uma doença do ouvido médio que causa surdez progressiva, acentuada principalmente durante a gravidez.
Com a doença, Sílvia perdeu a audição, o casamento, o emprego como professora universitária. “Fui considerada inabilita-
da", disse. Mas ela não perdeu a dignidade e a garra de continuar aprendendo e de fazer valer os seus direitos. Se dedicou à criação 
das filhas e ao seu projeto de doutorado. E quer mais. “Pretendo reconquistar minha posição como professora do ensino superior, 
rompendo com o preconceito em relação aos surdos”, destaca.
No trabalho que contou com a orientação da professora Tânia Maria Baibich-Faria, Silvia defende a educação para surdos em 
escola especial e é contra a inclusão de quem não ouve nas escolas regulares. Segundo o Ministério da Educação, de 2002 a 2010, a 
inclusão de estudantes surdos em turmas regulares passou de 110.704 (25%) matrículas para 484.332 (69%) e o número de escolas 
inclusivas cresceu de 17.164 (8%) para 85.090 (44%), nesse período. Veja a entrevista com a professora-doutora:
Quais foram as consequências que a perda de audição provocou na sua vida?
 Desde que me tornei surda, há seis anos, vivo a duplicidade de culturas bem como a condição de “estrangeira” nas duas situações. 
Para os surdos, ao mesmo tempo em que sou surda, sou uma ex-ouvinte; para os ouvintes ao mesmo tempo em que sou surda, causo 
“estranhamento” por ser uma ex-ouvinte, e ter domínio total da Língua Portuguesa oral e escrita e de ambas as culturas, de ouvinte 
e surda. Perdi a imagem de professora para receber, como um carimbo ou uma colagem, outra imagem que não reconhecia: a da 
deficiente auditiva. Da “normalidade” passei para a “anormalidade”, e como tal, tudo o que eu era, o que fazia, e o que tinha con-
quistado deixou de ser meu por direito, aos olhos dos outros, por causa dos imensos preconceitos e estigmas associados às pessoas 
com deficiência, entre essas as pessoas surdas.
Quais foram as reações das pessoas que a conheciam como ouvinte depois que a senhora ficou surda?
 Desde o início do processo de ensurdecimento enfrentei inúmeras situações de preconceito, seja de forma sutil 
tais como: “Você nem parece deficiente, se não contasse ninguém precisaria saber”; “Nossa, você usa aparelho 
(referindo-se a prótese auditiva)”, “Mas você é tão jovem!” Quando fui aprovada no processo de seleção do curso de 
Doutorado em Educação na Universidade Federal do Paraná (UFPR), as pessoas me perguntavam por que iria cursá-lo, 
o que faria depois, se com o curso poderia trabalhar em algum lugar e fazendo o quê. Essa reação que foi completa-
mente diferente da recebida quando eu escutava e fui aprovada na seleção do mestrado, na Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul (UFRGS), a priori um processo mais fácil, que foi parabenizado e festejado. E quando me inscrevi 
para uma seleção para dar aulas em uma universidade de Florianópolis, não fui nem chamada para entrevista. O co-
lega que havia levado meu currículo e trabalhava lá disse: “Infelizmenteas instituições não estão preparadas para as 
diferenças!”. Numa reação automática perguntei-lhe: “Para o que estão preparadas então?”
Na sua tese a senhora afirma que o ensino bilíngue oferecido aos surdos tem produzido iletrados funcionais 
devido ao preconceito. O que acontece, na prática?
 A pesquisa de campo evidenciou que, de fato, o ensino público oficialmente denominado bilíngue oferecido aos 
alunos surdos, em escola específica, produz iletrados funcionais. A análise dos dados empíricos aponta para o precon-
ceito contra os alunos surdos que os estigmatiza como sendo deficientes e sem condições efetivas de desenvolvimento 
semelhante aos ouvintes; a não formação ou formação deficitária dos professores; às tentativas de normalização do 
surdo à cultura hegemônica, que repercutem negativamente na sua formação como indivíduo. Os surdos, por ser 
estigmatizados como deficientes usuários de uma língua de categoria inferior, uma linguagem, por sua vez também 
deficiente, são tratados no espaço institucional como tal.
 O problema não está nos alunos, mas na carência de qualidade dos conteúdos trabalhados em sala de aula. 
Os surdos são tratados preconceituosamente como incapazes de apreender."
Qual é a situação dos alunos surdos no país?
 A situação educacional dos alunos surdos é alarmante, sendo que sequer o direito linguístico é respeitado em es-
cola para surdos, com a permanência inclusive de professores absolutamente leigos em seus quadros funcionais. O 
problema não está nos alunos, mas na carência de qualidade dos conteúdos trabalhados em sala de aula, bem como 
a ausência de uma metodologia que promova a aprendizagem. Os surdos são tratados preconceituosamente como 
incapazes de apreender. Os recursos visuais, caminho quase que óbvio para o ensino de quem não ouve, não recebe 
a devida atenção de parte dos professores observados.
Quais seriam os caminhos para uma boa educação dos surdos?
 O caminho para a educação dos surdos é uma educação bilíngue de qualidade. Um direito conquistado em lei. A 
escola deve ensinar e considerar a Língua de Sinais como primeira língua para os alunos surdos e a Língua Portuguesa, 
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de fundamental importância, como segunda língua. É fundamental uma boa qualificação dos professores das escolas 
para surdos e uma pedagogia do antipreconceito que não mais os congele como protagonistas de um roteiro de final 
previsível, na condição de iletrados funcionais. Também é preciso a transformação radical da escola para surdos para 
alcançarmos os resultados almejados e não transferir os alunos para o ensino regular. É fundamental que a escola 
contribua significativamente para a construção de uma identidade surda positiva, preparando-os para a assumirem a 
diferença e enfrentar a discriminação que invariavelmente irão encontrar.
Por que o surdo não gosta de ser chamado de deficiente auditivo?
O termo deficiente auditivo aloca-se dentro da perspectiva patológica da surdez, que na busca de adequar os surdos 
ao padrão estabelecido da normalidade. Os surdos são sujeitos culturais, com experiências visuais e identidades pró-
prias: as identidades surdas. Assim, defende-se a concepção de que a Língua de Sinais, para mais além do que uma 
forma de comunicação dos surdos constitui-se como seiva identitária. Eu assumo minha híbrida identidade surda e 
recuso o rótulo de deficiente.
Redação do Enem: especialistas em educação de surdos sugerem argumentos para o texto 
Tema é motivo de comemoração por estudiosos do tema. Professores ouvintes e surdos expõem suas ideias.
O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017, “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, 
acompanhou a importância que a prova passou a dar aos alunos surdos – pela primeira vez, há a versão em vídeo para os candidatos 
que não são ouvintes.
"Ser o tema do Enem é uma forma de expandir a discussão para todos os alunos. Os surdos devem fazer parte da sociedade 
e ter consciência disso é parte importante do processo", afirma Cyntia Teixeira, doutoranda da PUC-SP e professora no Instituto 
Federal de São Paulo.
O G1 entrevistou especialistas no assunto para entender quais os tópicos que poderiam ser abordados no texto.
Carência de intérpretes
O primeiro ponto ressaltado é o diagnóstico do sistema educacional do Brasil. “Existe a carência de intérpretes capacitados para atuar 
em escolas e universidades, por exemplo. A formação costuma ser generalista”, afirma Carla Sparano, intérprete da Língua Brasileira 
de Sinais (Libras) e doutoranda em Linguística Aplicada e Estudos de Linguagem na PUC-SP.
O professor Everton Pessôa de Oliveira, tradutor-intérprete de Libras-português, explica que a formação desses profissionais 
costuma ocorrer em ambientes informais, como em espaços religiosos e familiares.
Resistência à inclusão
Everton reforça que, apesar de a legislação proibir, há escolas particulares que negam a matrícula de crianças surdas ou cobram taxas 
extras da família para que seja contratado um professor bilíngue ou intérprete.
Compreensão equivocada do conceito de incluir
É importante ressaltar que incluir vai muito além de aceitar a matrícula do aluno com deficiência. A mera presença da criança surda 
na escola não garante que ela esteja incluída. É preciso adaptar atividades e investir na formação de docentes, por exemplo, além de 
reforçar a relação entre escola, família e comunidade.
“O professor necessita compreender as necessidades do aluno surdo, entender que é preciso investir em uma pedagogia 
mais visual. Não dá para aplicar uma atividade separada para o aluno com deficiência. É preciso adaptar as tarefas para a sala inteira”, 
diz Carla Sparano.
A importância do coletivo
Cyntia Teixeira diz que a educação dos surdos não deve ser uma preocupação apenas da comunidade deles. É preciso que o coletivo 
se mobilize para aprender a dominar Libras. “Se fosse uma preocupação de todos desde a infância, a inclusão no mercado de traba-
lho deixaria de ser um obstáculo, por exemplo”, afirma.
Uma das propostas de intervenção na redação poderia ser essa, inclusive: a disciplina de Libras só existe nas licenciaturas 
e nos cursos de pedagogia e de fonoaudiologia, segundo o decreto nº 5626, de 2005. “Mesmo nesses casos, é mais uma reflexão 
sobre o assunto que um aprendizado”, diz o professor Everton. “Deveria existir uma formação desde a escola e em todas as gradu-
ações.”
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Escolas inclusivas x escolas bilíngues
Existem especialistas que defendem a importância das escolas bilíngues (Libras-português) exclusivas para surdos – em vez de apos-
tarem na inclusão em colégios regulares.
“A política de inclusão vale para cegos, cadeirantes ou pessoas com deficiência intelectual, que compartilham a mesma 
língua: o português. Eles necessitam de adaptações de conteúdo ou arquitetônicas no prédio, por exemplo. No caso dos surdos, a 
grosso modo, o que deve ser oferecido é a educação na língua em que eles falam: Libras”, explica Daniela Takara, professora em 
uma escola municipal bilíngue em São Paulo.
“O que é necessário para um surdo obter sucesso escolar é um lugar onde as pessoas consigam de fato se comunicar com 
ele e, a partir da discussão, trocar informação, construir conhecimento. O português está para o surdo assim como inglês está para 
nós. É a segunda língua”, completa.
Karin Strobel é surda, professora de Libras-Letras na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autora do livro "As 
imagens do outro sobre a cultura surda". Ela concorda com a importância da criação de escolas bilíngues para a primeira etapa de 
ensino – só depois de dominarem Libras é que os alunos deveriam ser incluídos nas escolas regulares. “A contratação dos intérpretes 
em escolas regulares é importante para os adolescentes, no ensino médio, por exemplo. Mas em ensino infantil e fundamental, é 
preciso introduzir Libras, investir na pedagogia visual, nos materiais didáticos próprios para eles”, explica.
“Tenho um filho surdo que estudou em escolas inclusivasda prefeitura e do Estado, mas os professores eram despreparados. 
Aos 11 anos, ele está agora com professores bilíngues e colegas surdos, aprendendo de verdade”, conta.
(Fonte: Site G1 - https://g1.globo.com/educacao/enem/2017/noticia/redacao-do-enem-
-especialistas-em-educacao-de-surdos-sugerem-argumentos-para-o-texto.ghtml)
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Mãos que Falam - a inclusão surda (2011)
Fonte: Youtube
No documentário “Mãos que falam – a inclusão 
surda”, dirigido por José Santana e Marcela 
Pimenta, temas como educação e inclusão dos sujeitos surdos são trazidos à baila. 
Depoimentos de profissionais, especialistas, professores, autoridades do governo e 
alunos, surdos e ouvintes, do estado de Pernambuco são apresentados, contribuindo 
para as discussões sobre a importância (ou não, de acordo com as posições que 
se afirmam) das escolas bilíngues-biculturais e das práticas de acessibilidade e 
inclusão.
“O país dos surdos” (1993) 
O diretor Nicolas Philibert retrata as curiosidades, sensibilidades, 
dificuldades e alegrias de ser surdo, oferecendo através de pessoas 
de várias idades a superação diária e os desafios de se comunicar 
através de um sistema específico que envolve o olhar e o tato.
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ProPosta 2
Introdução – O primeiro parágrafo
Aula 3
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Introdução – o prImeIro parágrafo
De modo geral, o primeiro parágrafo da redação possui uma tarefa importante: situar o leitor a respeito do assunto 
e da problemática a serem tratados, e anunciar o percurso analítico escolhido para a abordagem do tema. Geral-
mente, a tese do autor também vem expressa nesse momento.
No entanto, a introdução também é responsável por atrair os olhos do leitor por meio da empatia. Embora 
não seja uma exigência específica dos critérios de correção, um parágrafo introdutório mais sedutor ou até mesmo 
criativo influencia positivamente a leitura do restante da redação, e ainda, em alguns casos, demonstra personali-
dade do autor.
Para isso, apresentaremos nessa aula diferentes maneiras de iniciar a redação, acompanhadas de excertos 
das melhores redações do ENEM 2016 e da FUVEST 2012 em sua maioria. Para os iniciantes, algumas mais simples, 
cujo objetivo seja garantir uma apresentação adequada da abordagem a ser feita. Para os que desejam aprimorar a 
empatia no parágrafo introdutório, algumas mais elaboradas, que exigem maior repertório e criatividade. A escolha 
– a critério do aluno – dependerá de sua própria segurança em relação ao desenvolvimento de toda a redação.
1. Apresentação da questão
Esse modelo de introdução, usado por muitos alunos, é um dos mais seguros para os que possuem mais dificuldade 
de iniciar a redação. Ele pode ser iniciado por afirmações ou declarações gerais a respeito do assunto, seguida de 
exposição da problemática que envolve o tema e, finalmente, a tese do autor. Observe os exemplos:
(Redação sem título)
"O Brasil é um país com uma das maiores diversidades do mundo. Os colonizadores, escravos e imigran-
tes foram essenciais na construção da identidade nacional, e também, trouxeram consigo suas religiões. Porém, a 
diversidade religiosa que existe hoje no país entra em conflito com a intolerância de grande parte da população e, 
para combater esse preconceito, é necessário identificar suas causas, que estão relacionadas à criação de estereó-
tipos feita pela mídia e à herança do pensamento desenvolvido ao longo da história brasileira.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
No meio do caminho tinha uma pedra
No limiar do século XXI, a intolerância religiosa é um dos principais problemas que o Brasil foi 
convidado a administrar, combater e resolver. Por um lado, o país é laico e defende a liberdade ao culto e à 
crença religiosa. Por outros, as minorias que se distanciam do convencional se afundam em abismos cada vez mais 
profundos, cavados diariamente por opressores intolerantes.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
2. Uso de imagens
Esse modelo consiste em apropriar-se de uma imagem/metáfora que, de alguma forma, relacione-se com o assunto 
em questão. Trata-se de selecionar uma imagem (dentro de um universo simbólico) que conduzirá o raciocínio a 
ser construído. 
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Essa imagem pode ser uma história, uma anedota, um dito-popular, isto é: algo que aparentemente não se 
relaciona com o tema, mas que é usado como forma de construir uma analogia. Observe os exemplos:
O regresso social reside na alienação política
Certa vez, quando questionado sobre seu posicionamento político, o diplomata e escritor, Guima-
rães Rosa respondeu ser apolítico. Tal declaração vinda de um gênio da literatura causou espanto em muitos, 
eis que desde a Grécia antiga até hodiernamente a participação política de cidadãos mostrou-se fundamental à 
constituição de um estado, uma vez que ela acarretará num plano piloto que designará quais serão os interesses 
estatais a serem buscados em prol de um dado povo e conforme as peculiaridades de uma dada nação.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2012)
Política: nossa imagem lá fora
Passamos a dar mais valor a algo quando o perdemos. Este conhecimento popular, muitas vezes aplicado a 
relacionamentos pessoais, pode certamente também ser aplicado a nossos direitos políticos. Na época da ditadura 
militar no Brasil, quando a repressão e a censura reinavam, havia luta armada pela liberdade de expressão e de 
voto. Hoje, porém, em plena democracia e com o direito de voto universal, são muito poucos os realmente engaja-
dos na política. Será, então, mesmo necessária a participação do povo na gestão do país? E se sim, como fazer com 
que as pessoas entendam a real importância da política?
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2012)
A proposta de redação da FUVEST 2008 propôs a discussão sobre o mundo digital e a circulação de 
informações nas redes. O exemplo abaixo, extraído de umas das melhores redações da proposta, 
usa a metáfora de uma brincadeira para iniciar o texto:
Telefone sem fio
A maioria das pessoas conhecem uma brincadeira chamada “telefone sem fio”, em que uma pessoa 
diz para outra uma frase, que vai sendo repassada até chegar ao último participante. Quando compa-
ramos a frase inicial com a final, normalmente notamos uma grande diferença. Algo parecido com essa brincadeira 
têm acontecido com as informações. Através da televisão, da internet e de muitos outros meios, temos acesso às 
informações finais, no entanto, é difícil sabermos o quão diferente elas estão em relação às iniciais. 
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2008)
3. Dados históricos
O uso de dados históricos é um dos modelos mais usados na redação, justamente por ser uma forma segura de 
iniciar o período. No entanto, é preciso ter cuidado: a informação deve estar diretamente relacionada com o tema 
e deve ser usada apenas para introduzir a questão. Muitas vezes, alguns alunos exageram nos detalhes históricos 
e esquecem o objetivo principal, deixando a introdução longa e tediosa. 
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Veja os exemplos:
(Redação sem título)
"O Período Colonial do Brasil, ao longo dos séculos XVI e XIX, foi marcado pela tentativa de con-
verter os índios ao catolicismo, em função do pensamento português de soberania. Embora date de 
séculos atrás, a intolerância religiosa no país, em pleno século XXI, sugere as mesmas conotações de sua origem: 
imposições de dogmas e violência. No entanto, a lenta mudança de mentalidade social e o receio de denunciar 
dificultam a resolução dessa problemática, o que configura um grave problema social.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
A participação política na dinâmica pós-moderna: 
comodismo e descaso
O surgimento da ciência política remonta à época da Antiguidade, ainda quando os gregos se orga-
nizavam em torno da pólis e começavam a definir os primeiros conceitos de cidadania que, poste-
riormente, difundir-se-iampelo mundo. É indiscutível a importância da política para a, então, formação da so-
ciedade tal como ela é conhecida na contemporaneidade. A partir dela, foram definidos direitos e deveres e, ainda 
mais relevante, tornou-se possível a participação do povo nas decisões que dizem respeito à vida em comunidade.
 (Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2012)
4. Uso de citações 
Esse é um dos modelos de introdução mais presentes nas melhores redações do ENEM e da FUVEST. No entanto, 
a recomendação é a mesma do uso de dados históricos: a citação só deve entrar se estiver diretamente conectada 
ao tema. É fundamental evitar as velhas citações que podem servir aos mais variados assuntos, já que – por 
serem usadas tantas vezes – não despertam nenhum interesse no leitor da redação. 
No entanto, não é preciso se prender aos maiores nomes da filosofia e da sociologia para garantir o sucesso 
na introdução. A citação pode ser de um personagem da literatura, de uma canção popular, de um poema, e até 
mesmo, de um artigo de lei. A única restrição é selecionar essas fontes por meio do bom senso. 
Veja abaixo os diferentes modelos de introdução a partir de citações:
a) Uso de citações referências da literatura/cinema/poesia
"Orgulho Machadiano"
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teve 
filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acer-
tada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente a intolerância religiosa é uma das faces mais perversas de 
uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito religioso que persiste intrinse-
camente ligado à realidade do país, seja pela insuficiência de leis, seja pela lenta mudança de mentalidade social.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
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A difícil tarefa do ser 
Tyler Durden, concretização de uma série de desejos secretos e de frustrações do personagem 
principal de “O clube da luta”, abre uma discussão acerca do ser e do sentir numa era em que o 
consumo é imperativo. O filme, baseado no livro homônimo, levantou polêmicas ao retratar um indivíduo des-
conectado de sua identidade que buscou satisfazer no consumo suas faltas. Esse consumo, no entanto, não evitou 
a criação de Durden por camadas mais profundas de sua mente, não evitou a criação de um rapaz plenamente 
consciente de suas vontades e de seu corpo. O longa metragem aponta a metáfora: vivemos sufocando Tyler Dur-
den, aquele que sabe quem é e o que quer, já que há uma ideologia circundante pregando que tudo aquilo de que 
precisamos ou que queremos está à venda e que, se está à venda, é uma necessidade ou um desejo.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2013)
O cortiço consumista
No livro “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, retrata-se o grande poderio com que o espaço massi-
fica as pessoas, exercendo forte influência sobre seus comportamentos e relações. Analogamente, em 
muitos anúncios publicitários, nota-se a força que a propaganda tem de estimular os indivíduos a uma determinada 
mentalidade como se fossem frutos de espaços ideológicos e físicos, principalmente quando se trata dos templos 
de consumo, os “shoppings centers”.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2013)
b) Uso de leis
(Redação sem título)
"A Constituição nacional prevê a liberdade de credo e de expressão religiosa, sendo crimes de into-
lerância considerados graves e de pena imprescritível. No entanto, é comum ouvir piadas sobre "macum-
beiros" e, em alguns casos, violência física contra praticantes do candomblé. O combate dessas atitudes pressupõe 
uma análise histórica e educacional.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
(Redação sem título)
Segundo a atual Constituição Federal, o Brasil é um país de Estado laico, ou seja, a sociedade possui 
o direito de exercer qualquer religião, crença ou culto. Entretanto, essa liberdade religiosa encontra-se 
afetada, uma vez que é notório o crescimento da taxa de violência com relação à falta de tolerância às diferentes 
crenças. Assim, diversas medidas precisam ser tomadas para tentar combater esse problema, incitando uma maior 
atenção do Poder Público, juntamente com os setores socialmente engajados, e das instituições formadoras de 
opinião.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
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c) Uso de citações da filosofia e da sociologia
(Redação sem título)
“Se houver duas religiões, cortar-se-ão os preços. Se houver trinta, viverão em paz. Na Idade Mo-
derna, o filósofo iluminista Voltaire foi um importante defensor da liberdade de culto e da harmo-
nia entre as diversas crenças. Já no Brasil do século XXI existe um retrocesso: embora haja muita diversidade 
religiosa, ainda há a necessidade de ser comemorar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa – a qual é 
um crime vergonhoso cuja persistência é uma mácula.
(Trecho extraído de redação com nota 1.000 do ENEM 2016)
Participação política em prol do bem comum
É notória a transferência de Poder da esfera política para a Econômica como observou Zygmunt 
Bauman, uma vez que a globalização Econômica ultrapassou Barreiras políticas. Não obstante, em 
Oposição a Bauman, que defende que há uma crescente diminuição do papel da política nas questões relevantes e 
de seu papel na propulsão de doutrinas, a economia não é totalmente autônoma, mesmo em cenário de liberalismo 
econômico, o que confere a não dispensabilidade da participação política.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2012)
O fim das utopias pede engajamento 
“O problema da sociedade é que ela parou de se questionar”, diagnostica o sociólogo polonês 
Zygmunt Bauman em seu livro modernidade líquida. Pode-se, a partir do diagnóstico, fazer uma analogia 
com a situação da questão política no mundo: dado nível de acomodação das pessoas, elas raramente questionam 
o modo como a política é feita, ao menos que este dia seja danoso. Porém, sendo o homem um ser político – criou 
a política quase que naturalmente – cabe a ele a responsabilidade pela mesma: é indispensável a sua participação 
nela.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2012)
5. Desconstrução do senso comum
A redação também pode ser introduzida com a contestação de conceitos generalizantes a respeito do tema. Nesse 
modelo, apresenta-se um discurso próprio do senso comum que, em seguida, é invalidado pelos argumentos do 
autor. Em outros termos, trata-se de apresentar de uma questão que parece ser coerente, e na sequência, exibir as 
razões que a tornam equivocada. Observe os exemplos:
(Redação sem título)
É muito comum ouvir da boca de jovens hoje em dia que são apolíticos ou que a política não os diz 
respeito. Ainda assim, o Brasil possui um gigante movimento estudantil que participa das mais variadas discus-
sões e lutas. É possível não ser engajado – seja por preguiça ou acomodação – mas apolítico, nunca. A política está 
presente em toda e qualquer detalhe da vida econômica e social, ela é indispensável e ser apolítico é uma ilusão.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2012)
40
Política: visão do indivíduo sobre a sociedade
Quando se pensa em participação política, a primeira ideia que se tem em mente é o interesse 
das pessoas pelo que acontece na sociedade, as decisões dos governantes e demais autoridades, 
eleições, partidos políticos e possíveis melhorias que deveriam ser feitas. Mas, o que muitas vezes não 
é percebido é que a crescente campanha de reavivamento do interesse pela política que poderia ser considerada 
como mais uma artimanha para introduzir e absorver cada vez mais os indivíduos para o senso de pseudo-coleti-
vismo, uma falsa sensação de estar contribuindo para a ordem e o progresso da sociedade, mascarada pela ideia 
ilusória de democracia, resultando em uma consequente perda de sua identidade natural.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST2012)
41
proposta para dIscussão: a ImportâncIa do voto para 
a socIedade brasIleIra.
ACERVO
O partido dos que não votam
Até onde vai o desencanto e onde começa o protesto daqueles que preferem não votar?
Juan Arias - El Pais - 25/10/2016
Preocupa cada vez mais o chamado partido dos “sem 
voto”, que nas últimas eleições chegou, em algumas ci-
dades, a superar os votos recebidos pelo vencedor soma-
dos às abstenções, aos votos nulos e em branco.
É apenas um gesto de desgosto com a política ou 
algo mais?
Até onde vai o desencanto e onde começa o pro-
testo?
É democrático porque está previsto em lei. É tam-
bém um voto útil? Talvez não. Ou melhor, é útil para os 
candidatos que disputam a eleição, especialmente para o 
que lidera a disputa.
Segundo o jurista formado em Harvard Joaquim Falcão, é ilusório acreditar que existe o não voto. “Quem não 
participa, aceita, contribui, se resigna com o resultado provável”. E acrescenta: “No fundo, vota em quem vai ganhar”, 
diz ele num artigo em O Globo.
Não existe, portanto, segundo ele, a possibilidade de lavar as mãos, porque quem não vota também está votando.
É só isso ou existe algo mais profundo no atual abandono do voto por parte de milhões de brasileiros?
De quem é a culpa por esse paradoxo de que não votar é votar em quem vai ganhar? É um problema grave para 
a democracia. Sem dúvida, a culpa não é do eleitor desiludido com a política, mas do sistema de democracia represen-
tativa atual.
A solução seria uma mudança radical na lei eleitoral, começando para que o voto, no Brasil e na grande maioria 
das democracias do planeta, seja livre e não obrigatório.
As leis deveriam permitir que viessem para a política aqueles que realmente querem se empenhar no bem da 
sociedade e não em chegar ao poder com todos os privilégios que isso implica.
Hoje existe quase uma casta de candidatos, às vezes 
clãs familiares, que são aqueles que acabam disputando e 
vencendo as eleições.
No final, a chave da corrupção política está aí, pois hoje 
em dia as campanhas eleitorais são caríssimas. Ninguém 
se elege sem muito dinheiro à disposição. Como mudar 
isso?
É verdade que segundo a lei, como afirma o jurista 
brasileiro, o eleitor acaba sendo culpado pelo resultado 
da eleição votando ou não.
No entanto, neste momento acredito que o protesto 
que implica não votar ou anular o voto vai mais longe. É 
tão grande que, mesmo ainda não influenciando o resultado final, é um aviso para a classe política.
O que aconteceria se num país como este, em que o voto é obrigatório, 80% dos eleitores deixassem de votar? E 
se ninguém votasse?
O interesse em participar da vida pública é sinal de uma democracia viva e consciente.
Da mesma forma, o desprezo pelo voto, o desinteresse pela coisa pública, a rejeição daqueles que se candidatam 
para serem eleitos, são o pior alerta de que algo não funciona.
Uma democracia que aparece sequestrada por interesses bastardos de políticos cada vez mais comprometidos 
com o crime e mais distantes da realidade viva das pessoas carrega em seu seio os germes do fascismo.
O partido do não voto parece querer lançar um alerta no Brasil que os políticos deveriam ouvir.
E 2018 está aí. Uma data que poderia decidir e comprometer o futuro do país. Serão as presidenciais do pós-
-impeachment e do pós-Lava Jato. Os brasileiros terão um candidato realmente ficha limpa a quem confiar a esperança 
e o bem-estar deles e de seus filhos?
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/25/opinion/1477430164_717014.html
"Segundo o jurista formado em Harvard 
Joaquim Falcão, é ilusório acreditar que 
existe o não voto. “Quem não participa, 
aceita, contribui, se resigna com o 
resultado provável”. E acrescenta: “No 
fundo, vota em quem vai ganhar”, diz 
ele.
"No final, a chave da corrupção política 
está aí, pois hoje em dia as campanhas 
eleitorais são caríssimas. Ninguém se 
elege sem muito dinheiro à disposição."
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1985 - 30 anos de democracia 
Fonte: Youtube
Revista de história - Biblioteca Nacional
www.revistadehistoria.com.br/revista/edicao/114 
Ensaio sobre a lucidez - José Saramago 
Numa manhã de votação, na capital de um país imaginário, 
os funcionários de uma das seções eleitorais se deparam com 
uma situação insólita, que mais tarde, durante as apurações, se 
confirmaria de maneira espantosa.
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proposta 3
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema O direito 
de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o 
Brasil necessita?, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize 
e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Para que existam hoje os direitos políticos, o direito de votar e ser votado, de escolher seus governantes e 
representantes, a sociedade lutou muito.
www.iarabernardi.gov.br. 01/03/02.
A política foi inventada pelos humanos como o modo pelo qual pudessem expressar suas diferenças e con-
flitos sem transformá-los em guerra total, em uso da força e extermínio recíproco. (…)
A política foi inventada como o modo pelo qual a sociedade, internamente dividida, discute, delibera e de-
cide em comum para aprovar ou reiterar ações que dizem respeito a todos os seus membros.
Marilena Chauí. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
A democracia é subversiva. … subversiva no sentido mais radical da palavra.
Em relação à perspectiva política, a razão da preferência pela democracia reside no fato de ser ela o princi-
pal remédio contra o abuso do poder. Uma das formas (não a única) é o controle pelo voto popular que o método 
democrático permite pôr em prática. Vox populi vox dei.
Norberto Bobbio. Qual socialismo? Discussõo de uma alternativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Texto adaptado.
Se você tem mais de 18 anos, vai ter de votar nas próximas eleições.
Se você tem 16 ou 17 anos, pode votar ou não. O mundo exige dos jovens que se arrisquem. Que alucinem. 
Que se metam onde não são chamados. Que sejam encrenqueiros e barulhentos. Que, enfim, exijam o impossível.
Resta construir o mundo do amanhã. Parte desse trabalho é votar. Não só cumprir uma obrigação. Tem 
de votar com hormônios, com ambição, com sangue fervendo nas veias. Para impor aos vitoriosos suas exigên-
cias – antes e principalmente depois das 
eleições.
André Forastieri. Muito além do voto. Época. 6 de 
maio de 2002. Texto adaptado
Comício pelas Diretas Já, em São Paulo, 1984.
Parágrafo padrão e tópico frasal
Aula 4
47
Parágrafo Padrão e tóPico frasal
Na dissertação argumentativa, parágrafo padrão é a unidade composta por vários períodos na qual se de-
senvolve uma ideia central. Ele deve conter apenas um assunto, pois é justamente a centralidade da ideia que 
garante sua unidade. A maior parte dos parágrafos confusos são aqueles que se propõem a discutir – num mesmo 
espaço – dois ou três assuntos diferentes, prejudicando a compreensão geral do texto.
Além disso, vale ressaltar que um parágrafo bem escrito deve rigorosamente obedecer a uma lógica sequen-
cial, isto é, as informações precisam estar apresentadas de acordo com o raciocínio que o autor deseja mostrar. 
Muitas vezes, seja pelo nervosismo ou pela falta de experiência com a escrita, muitos alunos acumulam informa-
ções no parágrafo, tornando-o incoerente e até mesmo incompreensível. Nesses casos, uma boa dica é escrever 
períodos curtos e realizar uma leitura atenta do parágrafo após terminar de redigi-lo.
A forma mais segura para a construção do parágrafo padrão chama-se tópico frasal. Ela é utilizada com 
frequência por garantir organização e unidade na redação. No entanto, ela não é a única forma de estruturá-lo:alguns temas mais filosóficos ou sociológicos, como os da FUVEST, podem ser estruturados de outro modo.
TÓPICO FRASAL
Chama-se tópico frasal o período-síntese que anuncia a ideia a ser desenvolvida no parágrafo. Ele deve ser curto 
e conciso, e deve sempre pressupor explicações. Outro detalhe importante: em boa parte dos empregos eles estão 
acompanhados de conjunções que fazem a conexão com o parágrafo anterior. Abaixo seguem alguns exemplos 
extraídos das melhores redações do ENEM e da FUVEST.
O uso da afirmação/declaração é o principal modo de empregar tópico frasal. Trata-se de uma ideia do 
autor que orientará o parágrafo. Por se tratar de uma declaração geral, está geralmente redigida no presente do 
indicativo.
Ex 1: As habilidades publicitárias são poderosas. O uso de ídolos infantis, desenhos animados e 
trilhas sonoras induzem a criança a relacionar seus gostos a vários produtos. Dessa maneira, as indústrias acabam 
compartilhando seus espaços; como exemplo as bonecas "Monster High" fazendo propaganda para o "fast food" 
"Mc Donalds." A falta de discussão sobre o assunto é evidenciada pelas opiniões distintas dos países. Conforme 
a OMS, no Reino Unido há leis que limitam a publicidade para crianças como a que proíbe parcialmente – em que 
comerciais são proibidos em certos horários –, e a que personagens famosos não podem aparecer em propagandas 
de alimentos infantis. Já no Brasil há a autorregulamentação, na qual o setor publicitário cria normas e as acorda 
com o governo, sem legislação específica.
(Trecho extraído de redação modelo do exame ENEM 2014)
No exemplo abaixo, há dois parágrafos extraídos da mesma redação. Além de cada um deles desenvolver uma ideia 
diferente – reforçando a opinião da autora – eles estão muito bem conectados por uma conjunção.
Ex 2: Os indivíduos com idade pouco avançada, em sua maioria, ainda não possuem condições 
emocionais para avaliar a necessidade de compra ou não de determinado brinquedo ou jogo. Isso 
porque eles não desenvolveram o senso crítico que possibilita uma escolha consciente e não impulsiva por um 
produto, como já observou Freud em seus estudos sobre os desejos e impulsos do homem. Consequentemente, os 
pais, principais responsáveis pela educação dos filhos, devem ter o controle sobre o que é divulgado para eles, pois 
possuem maior capacidade para enxergar vantagens e desvantagens do que é anunciado.
48
Além disso, pela pouca maturidade, as crianças são facilmente manipuláveis pela mídia. Isso ocorre por 
uma crença inocente em imagens meramente ilustrativas, que despertam a imaginação e promovem o deslocamen-
to da realidade, deixando a sensação de admiração pelo produto. Como consequência, empresas interessadas na 
venda em larga escala e no lucro aproveitam esse quadro para divulgar propagandas enganosas, em muitos casos.
(Trecho extraído de redação modelo do exame ENEM 2014)
Ex 3: Além disso, a maioria das escolas brasileiras não incluem os surdos, assim como os demais 
portadores de necessidades especiais, em seus programas, estimulando a diferença e o preconcei-
to. Por mais que a legislação brasileira garanta o ensino inclusivo, a maioria das escolas brasileiras não possuem 
estrutura para atender aos deficientes auditivos, principalmente por conta da falta de profissionais qualificados. 
A pouca inclusão dos jovens deficientes e não deficientes valoriza a diferença entre eles, gerando discriminação 
e uma sociedade dividida. O renomado geógrafo Milton Santos dizia que uma sociedade alienada é aquela que 
enxerga o que separa, mas não o que une seus membros, algo que se evidencia na exclusão de surdos em todos 
os níveis de ensino.
(Trecho extraído de redação modelo do exame ENEM 2014)
Às vezes, o tópico frasal pode estar acompanhado de referências:
Ex 4: A crescente valorização do consumo é preocupante se uma economia de mercado transforma-
-se em uma sociedade de mercado, como define Michael Sandel. Nesse tipo de sociedade, tudo pode ser 
comprado e tem um preço. São exemplos dessa possível transformação a venda da virgindade pela jovem brasileira 
em 2012 e a compra de votos no chamado Mensalão. Nesses casos, a virgindade e o dever cívico do voto, a prin-
cípio sem preço, foram vendidos como simples mercadorias. Desvirtua-se, portanto, os valores da sociedade e, de 
fato, cartões de credito e dinheiro poderão comprar felicidade e tudo o que o mundo oferece. 
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2013)
Ex 5: Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não seja uma reprodução da casa colonial, 
como disserta Gilberto Freyre em “Casa-Grande Senzala”. O autor ensina que a realidade do Brasil até o 
século XIX estava compactada no interior da casa-grande, cuja religião era católica, e as demais crenças – sobretu-
do africanas – eram marginalizadas e se mantiveram vivas porque os negros lhe deram aparência cristã, conhecida 
hoje por sincretismo religioso. No entanto, não é razoável que ainda haja uma religião que subjugue as outras, o 
que deve, pois, ser repudiado em um estado laico, a fim de que se combata a intolerância de crença.
(Trecho extraído de redação modelo do exame ENEM 2016)
Em alguns casos, o tópico pode estar estruturado com uma oração concessiva. Ela serve para conduzir um raciocí-
nio por meio de ressalvas e é introduzida pelas conjunções embora, ainda que, mesmo que, por mais que.
Ex 6: Em uma primeira abordagem, é importante sinalizar que, ainda que leis como a “Maria da 
Penha” tenham contribuído bastante para o crescimento do número de denúncias relacionadas à 
violência – física, moral, psicológica, sexual – contra a mulher, ainda se faz presente uma limita-
ção. A questão emocional, ou seja, o medo, é uma causa que desencoraja inúmeras denúncias. Muitas vezes, a 
49
suposta submissão econômica da figura feminina agrava o desconforto. Em outros casos, fora do âmbito familiar, 
são instrumentos da perpetuação da violência o medo de uma retaliação do agressor e a “vergonha social”, o que 
desestimula a busca por justiça e por direitos, peças-chave na manutenção de qualquer democracia.
(Trecho extraído de redação modelo do exame ENEM 2015)
Ex 7: Contudo, ainda que o mundo esteja enfrentando essa situação caótica, há uma esperança (por 
sorte pandora não a deixou escapar): basta o homem se conscientizar de que a felicidade não é comprável, de que 
não devemos permutar nossa individualidade por um padrão social e de que satisfazer-se através de uma “tarde de 
compras no shopping” é um indício de um intelecto infantil, já que o consumo não traz nenhum avanço a ninguém. 
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2013)
Outro modo de construir o tópico frasal é por meio de comparações:
Ex 8: O shopping center funciona exatamente como a montanha russa. Bombardeados por anúncios, 
luzes e lojas, os consumidores entram em um estado de frenesi, que os induz a comprar mais. A perda de referên-
cias se dá pela ausência de marcadores de tempo (relógios ou entradas de luz natural) e pela rapidez com que os 
produtos se renovam. Absolutamente tudo é novo e melhor. Com a inovação constante, o velho se torna obsoleto 
e a felicidade se encontra em obter as novidades, dispensando até mesmo o seu aproveitamento.
(Trecho extraído de redação modelo do exame FUVEST 2013)
50
ProPosta Para discussão: a condição da PoPulação 
carcerária no Brasil.
ACERVO
O que é o Auxílio-reclusão Publicado: 14/11/2012 
Última modificação: 02/12/2016
www.previdencia.gov.br
O Auxílio-reclusão é um benefício devido apenas aos dependentes do segurado do INSS (ou seja, que contribui 
regularmente) preso em regime fechado ou semiaberto, durante o período de reclusão ou detenção. O segurado 
não pode estar recebendo salário de empresa nem benefício do INSS.
Para que os dependentes tenham direito, é necessário que o último salário recebido pelo segurado esteja 
dentro do limite previsto pela legislação (atualmente, R$ 1.212,64). Caso o último salário do segurado estejaacima deste valor, não há direito ao benefício.
Para que o detento tenha acesso ao benefício, ele deve:
 § Possuir qualidade de segurado na data da prisão;
 § Estar recluso em regime fechado ou semiaberto (desde que a execução da pena seja em colônia 
agrícola, industrial ou similar);
 § Possuir o último salário-de-contribuição abaixo do valor previsto na legislação, conforme a época da 
prisão.
Em relação aos dependentes:
 § Para cônjuge ou companheira: comprovar casamento ou união estável na data em que o segurado 
foi preso;
 § Para filho, pessoa a ele equiparada ou irmão (desde que comprove a dependência), de ambos os 
sexos: possuir menos de 21 anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência;
Duração do benefício
O auxílio-reclusão tem duração variável conforme a idade e o tipo de beneficiário. Além disso, caso o segu-
rado seja posto em liberdade, fuja da prisão ou passe a cumprir pena em regime aberto, o benefício é encerrado.
http://www.previdencia.gov.br/servicos-ao-cidadao/informacoes-gerais/valor-pensao-morte-auxilio-reclusao/
Ninguém é a favor de bandidos
Algumas expressões vêm se propagando por gerações. Como uma espécie de roteador que só replica o sinal: a 
nova geração repete os discursos da geração anterior. Jovens dão continuidade às falácias mal estruturadas dos 
mais velhos.
Ninguém é a favor de bandido. Ninguém mesmo. Muito menos os Direitos Humanos. Ninguém quer que 
assalto, assassinato, furto e outros crimes sejam perdoados ou descriminalizados. Por que alguém, em sã consci-
ência, seria a favor de assaltos, homicídios, latrocínios e furtos?
51
Construir mais penitenciárias e prender mais gente diminui a criminalidade?
Penitenciando e punindo, apenas, não se resolve o problema. Isso posterga a questão principal, enquanto 
se gasta o dinheiro público.
Assim como todo fumante sabe dos males do cigarro, todos que entram para o mundo do crime sabem o ris-
co envolvido. Todo dia no noticiário vemos corpos estirados ao chão, seja do cidadão, do criminoso ou do policial. 
Não adianta termos penas mais severas: o brasileiro que se torna assaltante já não tem nada a perder, sabe que 
tem grandes chances de morrer de forma cruel.
Os criminosos brasileiros, depois de presos, ficam ainda mais propensos a 
perpetuar sua vida marginal. São três os principais motivos: (I) poucas empresas se 
propõem a contratar ex-presidiários, (II) o trauma vivido dentro da cadeia — como 
ela é aqui no Brasil — agrava as problemáticas psicológicas do indivíduo e, por fim, 
(III) não há um programa grande e estruturado de reabilitação de criminosos para 
que deixem a vida do crime.
Ninguém quer que criminosos não se-
jam punidos. Eles devem pagar suas penas 
conforme previsto em lei. O único problema 
é que a pessoa só vai presa depois de come-
ter o crime, isto é, depois que alguém já foi 
lesado. Não seria muito melhor se ao invés 
de precisar prender as pessoas depois do crime consumado, houvesse me-
nos bandidos? Não seria melhor se os criminosos, após cumprirem suas 
penas, se reintegrassem à sociedade como parte da massa trabalhadora?
Nils Öberg, responsável pelo sistema prisional da Suécia, disse sobre o 
fechamento presídios no país por falta de condenados:
“Nós certamente esperamos que nossos esfor-
ços em reabilitação e prevenção de reincidên-
cia tenham tido um impacto, mas nós achamos 
que isso sozinho não pode explicar a queda de 
6%” — reafirmando que a Suécia precisa se es-
forçar ainda mais em reabilitar os prisioneiros 
para que eles possam retornar a sociedade.
Os criminosos 
brasileiros, 
depois de presos, 
ficam ainda 
mais propensos 
a perpetuar sua 
vida marginal. Não seria muito 
melhor se ao invés 
de precisar prender 
as pessoas depois do 
crime consumado, 
houvesse menos 
bandidos?
52
E os Direitos Humanos são para quem?
O artigo 3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que:
“Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e 
à segurança pessoal.”
Todas as leis do código penal são pensadas para tentar garantir este e outros direitos comuns a todos os 
seres humanos. Ninguém quer que os bandidos sejam especiais: o que o “pessoal dos Direitos Humanos” quer é 
que a sociedade não crie mais marginais e que a quantidade dos existentes diminua. E é aí que está: infringindo 
os Direitos Humanos, não se alcança este objetivo. O trecho “Toda pessoa (…)” do artigo 3 também inclui o 
marginal. Tortura, homicídio e ameaça são crimes, mesmo que sejam contra um condenado.
Para uma sociedade com menos criminosos, conforme discutido no começo deste texto, entenda o papel dos 
Direitos Humanos. O artigo 5 diz:
“Ninguém será submetido à tortura, nem a 
tratamento ou castigo cruel, desumano ou de-
gradante.”
Ninguém nega às vítimas o direito a sentir dor, raiva e/ou tristeza após ter sido vítima de um crime. A culpa 
não é dela. Só quem é vítima sabe da própria dor. Mas o fato é que o olho por olho não trará paz, não trará um 
ente querido de volta, não removerá traumas. O dente por dente só nos levará para mais perto de uma sociedade 
violenta, onde o crime se perpetua e as vítimas se repetem.
https://awebic.com/democracia/ninguem-e-a-favor-de-bandidos-e-voce-que-nao-entendeu-nada/
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INTERATIVIAA DADE
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(A.H.F) Justiça
Fonte: Youtube
Tortura e Encarceramento em Massa no Brasil
Fonte: Youtube
Pelo Direito de Recomeçar
Fonte: Youtube
Justiça restaurativa – Aliviar as vítimas sem banir os culpados
diplomatique.org.br/existe-o-processo-a-condenacao-e-depois-mais-nada/
54
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56
ProPosta 4 
Texto I
Preso desde julho de 2010, o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes já passou por duas das maiores penitenci-
árias do país. Há um ano e quatro meses, ele foi transferido para um presídio diferente, em Santa Luzia, região me-
tropolitana de Belo Horizonte. Lá, ele faz cursos, trabalha vigiando os colegas e carrega as chaves da própria cela. 
Em entrevista com a Revista Veja, o outrora ídolo de uma das maiores torcidas do país diz que, no novo presídio, 
administrado por uma organização não governamental, pôde “voltar a sonhar”. Bruno não sabe quando ganhará 
de novo a liberdade – diz até que ainda não está preparado para voltar ao convívio social –, mas tem certeza de 
uma coisa: o sistema convencional, em vez de recuperar os presos, acaba por torná-los ainda mais violentos. O 
sistema convencional não recupera ninguém”
http://veja.abril.com.br/brasil/presidios-comuns-sao-escolas-do-crime-diz-goleiro-bruno/
Texto II
O público alvo central do sistema de justiça criminal abrange um conjunto de características que constitui o perfil 
socialmente identificável como sendo o do criminoso. Pessoas jovens, com baixa escolaridade, negras ou pardas, 
moradoras de periferias e de baixa renda que, por não apresentarem as imunidades institucionais da classe média 
e da classe alta, possuem mais chances de serem detidas, processadas e condenadas. O sistema de justiça criminal 
reforça um perfil já socialmente estigmatizado.
http://diplomatique.org.br/35455-2/
Texto III
Há estabelecimentos nos quais os órgãos do Estado não apresentam qualquer gerência sobre o seu funcionamento. 
Os agentes da administração penitenciária permanecem apenas em uma ou outra área da unidade, quase sem-
pre na seção administrativa, não chegando a manter contato direto com as pessoas presas. Assim, são os presos 
quem literalmente abrem e fecham as grades da prisão. Eles se autorregulam, criando regras comportamentais 
extralegais, senão, ilegais, que ocasionam situações de extrema violência. A opinião pública, induzida e reforçada 
por ações midiáticas, é enfática em responsabilizá-los, como se os presos fossem “seres animalescos” que pautam 
todas as suas relações pela força. No entanto, torna-se fundamental apontar que os órgãos do Estado são os res-
ponsáveis diretos pelo o que ocorre nas prisões, tendo a obrigação de administrar osestabelecimentos e averiguar 
todas as circunstâncias relacionadas às pessoas sob sua custódia.
Nos locais em que não é diretamente omisso, o Estado é presente, sobretudo, através da truculência. Faz 
parte do dia a dia das prisões agentes penitenciários e diretores que humilham, agridem e extorquem as pessoas 
presas, gerando situações de tortura. Mais grave, não são raros os lugares nos quais os próprios agentes da admi-
nistração carcerária incitam situações de violência entre os presos, como rebeliões, por exemplo.
http://diplomatique.org.br/35455-2/
57
Crise no sistema prisional brasileiro
TEXTO IV
A legislação brasileira apregoa a recuperação do condenado, primando pelo respeito à dignidade humana, funda-
mento do estado democrático de direito. O espírito da lei, portanto, é sempre no sentido de apostar na recuperação 
da pessoa, dar oportunidade ao preso de reintegração à sociedade. Mas como criar condições efetivas para que 
isso ocorra? A lei parece carregar em si um paradoxo: como esperar que indivíduos se adequem mais às regras 
sociais segregando-os completamente da sociedade e inserindo-os em um microcosmo prisional com suas próprias 
regras e cultura? (...)
Em meio à grave questão social da criminalidade, a reincidência penal permanece como um problema cru-
cial. Às críticas ao sistema carcerário enquanto “escola do crime”, soma-se o fato de que os programas voltados 
para reintegração social surtem um efeito muito limitado sobre a vida dos detentos. Além disso, tais ações não 
alcançam os egressos do sistema, que deveriam ser um público primordial de programas dessa natureza.
(http://www.ipea.gov.br/participacao/images/pdfs/boletim_analisepolitico_06.pdf)
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema Crise 
no sistema prisional brasileiro e os desafios para a restauração da dignidade humana apresentando 
proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e 
coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Estratégias argumentativas I:
causa e efeito / exemplificação/
dados estatísticos / narração /
oposição
Aula 5
61
Estratégias argumEntativas i: 
causa E EfEito / ExEmplificação/ dados Estatísticos / 
narração / oposição
O objetivo principal desta e do próxima aula é oferecer um conjunto organizado de estratégias e técnicas que 
facilitem a composição de um parágrafo de argumentação, levando em conta a existência de um tópico frasal. É 
importante lembrarmos que, como foi dito na aula anterior, o tópico frasal não é o único modelo de introdução de 
parágrafos, mas ainda assim é um modelo cujos recursos precisam ser praticados para que, em momento posterior, 
o estudante possa fazer uso de técnicas mais elaboradas.
1. Causa e efeito
A estratégia argumentativa de causa e efeito consiste em duas etapas sequenciais. A primeira vale-se do tópico 
frasal para fazer uma declaração (em geral, trata-se de uma consequência de uma ação realizada no mundo). Em 
seguida, durante o desenvolvimento, é necessário complementar a informação, explicando o motivo dos fatos 
anteriormente apresentados. 
Exemplo:
A propaganda é a principal arma das grandes empresas. Disseminada em todos os meios de comunicação, 
a ampla visibilidade publicitária atinge seu principal objetivo: expor um produto e explicar sua respectiva função. 
No entanto, essa mesma função é distorcida por anúncios apelativos, que transformam em sinônimos o prazer e a 
compra, atingindo principalmente as crianças.
(Trecho de redação de Giovana Lazzaretti Segati – ENEM 2014 – Redação nota 1000)
O tópico frasal apresentado pela candidata (que colocamos em destaque) afirma que a propaganda é a principal 
arma das grandes empresas. A sequência do período em destaque (desenvolvimento) delineia os porquês. 
2. Exemplificação
Outra estratégia interessante de desenvolvimento do tópico frasal é a exemplificação. O movimento consiste em 
apresentar uma afirmação geral mais simples para, na sequência, realizar uma prova dessa afirmação por meio de 
exemplos que sustentem o tópico.
Exemplo:
Em primeiro lugar, é notória a dificuldade que há no homem em aceitar o diferente, principalmente ao se tratar 
de algo tão pessoal como a religião. Prova disso é a presença da não aceitação das crenças alheias em 
diferentes regiões e momentos históricos, como no Império Romano antigo, com as perseguições 
aos cristãos, na Europa medieval, com as Cruzadas e no atual Oriente Médio, com os conflitos en-
volvendo o Estado Islâmico.
(Trecho de redação de João Vitor Vasconcelos Ponte - ENEM 2016 – Redação nota 1000).
62
Podemos perceber que o trecho destacado apresenta um tópico frasal bastante claro (é notória a dificuldade 
que há no homem em aceitar o diferente, principalmente ao se tratar de algo tão pessoal como a religião). 
Na sequência, o candidato se vale do recurso de exemplificação (o trecho em destaque) para elencar alguns casos 
que ratifiquem a informação contida no tópico.
3. Dados estatísticos / científicos
O desenvolvimento do tópico frasal também pode ser realizado por meio de dados estatísticos / científicos. Essa 
estratégia requer um pouco de cautela, pois não se recomenda que o estudante forneça dados estatísticos de sua 
memória, principalmente se não há certeza sobre as fontes de obtenção. A principal recomendação é que o texto 
replique dados fornecidos pela própria coletânea de textos que acompanha a proposta de redação. 
Exemplo
Além dessa visão segregacionista, a lentidão e a burocracia do sistema punitivo colaboram com a permanência das 
inúmeras formas de agressão. No país, os processos são demorados e as medidas coercitivas acabam não sendo to-
madas no devido momento. Isso ocorre também com a Lei Maria da Penha, que entre 2006 e 2011 teve 
apenas 33,4% dos casos julgados. Nessa perspectiva, muitos indivíduos ao verem essa ineficiência continuam 
violentando as mulheres e não são punidos. Assim, essas são alvos de torturas psicológicas e abusos sexuais em 
diversos locais, como em casa e no trabalho. 
(Trecho da redação da estudante Anna Beatriz Wreden – ENEM 2015 – Redação nota 1000)
O trecho destacado evidencia que a candidata recorre a dados numéricos presentes na coletânea oferecida pelo 
ENEM para ratificar o tópico frasal de seu parágrafo. E também a partir desses dados, são encadeados argumentos 
conclusivos que estabelecem relação com o tema.
4. Narração
Os processos argumentativos também podem ser encadeados por meio da construção de uma narrativa. Em termos 
mais claros, ocorre quando recuperamos uma história / um caso, com seus personagens, localidades e vínculos tem-
porais. Para que não haja confusões entre o entendimento do que é uma narração e, por exemplo, uma descrição 
ou exemplificação, é necessário lembrar desses três pontos:
I. O processo narrativo configura um conjunto de alterações de situações referentes a personagens deter-
minadas. Essas personagens podem ser unitárias ou coletivas (podemos ter um indivíduo sobre o qual se 
conta algo, como o prefeito de São Paulo, ou podemos ter uma personagem coletiva, como a sociedade ou 
os jovens da geração 2000). 
II. Não podemos nos esquecer de que a história dessa(s) personagem(ns) precisa(m) estar vinculada(s) a 
uma temporalidade precisa, e a também a um espaço bem configurado. A narrativa é um texto figurativo 
que irá compor um argumento concreto de seu texto.
III. Toda história possui uma progressão temporal (temos eventos anteriores, concomitantes e posteriores). 
Aqui, é essencial saber manipular os elementos verbais, inclusive para que possamos organizar a disposição 
desses eventos em ordens variadas, de acordo com a necessidade imposta pelo tema.
63
Exemplo
O contexto histórico brasileiro indubitavelmente influencia essa questão.A colonização portuguesa buscou cate-
quizar os nativos de acordo com a religião europeia da época: a católica. Com a chegada dos negros africanos, 
décadas depois, houve repressão cultural e, consequentemente, religiosa que, infelizmente, perpetua até os dias de 
hoje. Prova disso é o caso de uma menina carioca praticante do candomblé que, em junho de 2015, 
foi ferida com pedradas, e seus acompanhantes, alvos de provocações e xingamentos. Ainda que 
a violência verbal, assim como a física, vá contra a Constituição Federal, os agressores fugiram e, 
como em outras ocorrências, não foram punidos.
(Trecho de redação da estudante Jordana Bottin Ecco – ENEM 2016 – Redação nota 1000)
Para ratificar a ideia central de seu argumento, a candidata complementa o parágrafo com a narrativa de um fato 
concreto que está vinculado ao tema. As personagens dessa narrativa foram uma menina carioca, seus acom-
panhantes e os agressores. Os fatos foram devidamente encadeados a partir de um dado de temporalidade (em 
junho de 2015) que exigia colocações verbais em pretérito perfeito.
5. Oposição
A argumentação por oposição envolve, naturalmente, a apresentação de dois objetos, dois fatos, ou duas pessoas 
que possam ser contrapostos durante a exposição das ideias. É um recurso simples de ser usado, mas que deve 
estar vinculado a temas em que realmente existam contraposições a serem discutidas.
Exemplo
No limiar do século XXI, a intolerância religiosa é um dos principais problemas que o Brasil foi convidado a adminis-
trar, combater e resolver. Por um lado, o país é laico e defende a liberdade ao culto e à crença religiosa. 
Por outro, as minorias que se distanciam do convencional se afundam em abismos cada vez mais 
profundos, cavados diariamente por opressores intolerantes.
(Trecho de redação de Marcela Sousa Araújo – ENEM 2015 – Redação nota 1000)
No trecho apresentado a candidata articula uma contradição em relação à intolerância religiosa, exibindo dois 
pontos de vista sobre o tema, os quais serão articulados em parágrafo posterior.
64
proposta para discussão: Bullying 
Bullying é violÊncia E vai além 
dos muros da Escola
ACERVO
Vítimas podem ter vida social comprometida e sofrer distúrbios de saúde severos
Por Patricia Piacentini - 23/9/15
Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde foram entrevistados 598 adolescentes en-
tre 14 e 17 anos, revelou dados preocupantes: 26% dos jovens relataram já ter sido vítima de bullying. A frequên-
cia encontrada nos meninos (28%) foi um pouco maior quando comparada com a das meninas (24%). A pesquisa 
mostrou ainda que, na maioria das vezes, os abusos ocorrerem no ambiente escolar: 66,8% dos entrevistados (no 
âmbito da pesquisa “Saúde em Beagá”, realizada pelo Observatório da Saúde Urbana de Belo Horizonte) apontou 
a escola ou o percurso casa/escola como local onde sofreram bullying, caracterizado como um tipo de violência 
que aparece em brincadeiras humilhantes, intimidações e até agressões físicas.
“O bullying é uma forma de comportamento agressivo em que indivíduos em posição dominante têm inten-
ção de causar sofrimento mental e/ou físico a outros”, descreve a psicóloga e professora da Faculdade de Medici-
na da UFMG, Michelle Ralil Costa. “O que o difere das demais formas de violência é a repetição, pois não se trata 
de um ato isolado, mas decorre de atitudes repetidas contra uma mesma vítima. Outro diferencial é a intencio-
nalidade de causar dano ou prejudicar alguém que normalmente é percebido como mais frágil”, complementa. A 
pesquisa mostrou ainda que o relato de bullying estava associado com envolvimento em brigas, insatisfação com 
a vida, dificuldades de relacionamento com os pais e insegurança na vizinhança. “Características individuais são 
relevantes quando se trata de bullying, mas são principalmente as características do contexto – como a relação 
com a família – que podem interferir na vitimização por este tipo de violência”, explica Costa.
O termo bullying vem do inglês bully e quer dizer valentão. Apesar de ser mais difundido de uns tempos pra 
cá, principalmente por conta do destaque dado pela mídia, esse tipo de violência sempre existiu. “A divulgação 
do termo se tornou mais constante quando tragédias ocorridas em escolas norte-americanas foram relacionadas 
à prática de bullying”, lembra a pedagoga Ivone Pingoello, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Um dos 
efeitos da divulgação mais intensa foi o crescimento no número de denúncias. “Por outro lado, ocorre certa ba-
nalização do termo. Muitas agressões que não têm o caráter de repetição acabam sendo consideradas bullying”, 
afirma Costa.
Pesquisando o fenômeno
O fenômeno está presente em todo o mundo e os números no Brasil são semelhantes à média dos outros países. 
“A prevalência de bullying no mundo varia de 8 a 46%. Essa variação acontece tanto por diferenças culturais, 
quanto pelo tipo de estudos realizados”, aponta a pesquisadora da UFMG.
As pesquisas sobre o fenômeno não são recentes. “A Noruega foi pioneira. Em 1982, o país realizou uma 
ampla pesquisa logo após o suicídio de três adolescentes que teve larga repercussão na imprensa. Uma das 
hipóteses levantadas na época foi que os estudantes teriam sofrido bullying”, conta Deborah Carvalho Malta, 
professora e pesquisadora da Escola de Enfermagem da UFMG e diretora da Secretaria de Vigilância em Saúde 
65
do Ministério da Saúde. “Os resultados da pesquisa apontaram que 15% dos alunos estavam envolvidos em 
problemas de bullying, como vítimas ou agressores. Aproximadamente 9% eram vítimas, 7% eram agressores ou 
bullies e 1,6% eram vítimas e agressores”, detalha.
Duas edições da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE), que aborda, entre outros temas, o bullying, possibilitaram dimensionar sua ocorrência entre 
adolescentes nas escolas das capitais brasileiras. A primeira, realizada em 2009, em uma amostra com 60.973 es-
tudantes do 9º ano do ensino fundamental de 1.453 escolas públicas e privadas, das 26 capitais dos Estados bra-
sileiros e do Distrito Federal, apontou que 5,4% dos estudantes relataram ter sofrido bullying. Em 2012, uma nova 
edição da PeNSE, com uma amostra bem mais ampliada (109.104 estudantes do 9º ano do ensino fundamental de 
2.842 escolas públicas e privadas) mostrou o aumento da prevalência do bullying em adolescentes escolares nas 
capitais (6,8%), o que atesta crescimento do problema no país. “Esses resultados mostram que o contexto escolar 
brasileiro também tem se constituído em um espaço de reprodução da violência”, comenta Malta.
Consequências
O bullying é um problema de saúde e pode acar-
retar às vítimas distúrbios comportamentais e 
emocionais que refletem na vida escolar e pessoal. 
“Pode acarretar estresse, ansiedade, diminuição e 
perda da autoestima e, em casos mais graves, levar 
ao suicídio. Na escola, as consequências podem ser 
a baixa do rendimento escolar, brigas e até o aban-
dono da escola”, salienta Costa.
O fenômeno tem um forte impacto negativo 
na vida social e pessoal, visto que afeta ou inter-
rompe as relações e os vínculos entre os pares. “Há 
relatos de crianças e adolescentes que sofreram 
bullying durante anos e que, posteriormente, desenvolveram resiliência e superaram o conflito de forma positiva. 
Entretanto, há relatos de indivíduos que desenvolveram distúrbios emocionais e de saúde severos, alguns com 
desfechos trágicos. Constantemente, assistimos matérias veiculadas na mídia indicando que muitas vítimas de 
bullying se tornaram pessoas potencialmente agressivas, suicidas e até mesmo assassinas”, alerta Débora Malta.
Pingoello destaca as consequências dessa violência na aprendizagem, como queda na concentração e dis-
persão em pensamentos de expectativas de um novo ataque, estratégias de defesa ou de vingança, seguido pelo 
desinteresse pelos estudos e queda no rendimento escolar, absentismo eevasão. “O aluno vítima do bullying 
sendo tímido, em decorrência dos sucessivos ataques torna-se mais introvertido e no caso de restar dúvidas 
quanto ao conteúdo da aula, teme questionar com medo de novos insultos. Não conseguindo acompanhar a 
turma e sendo a escola um ambiente que lhe proporciona infelicidade, o aluno começa a inventar desculpas para 
faltar à aula”. A vítima tende a se isolar ou por vergonha de si mesmo ou por medo de chamar a atenção dos seus 
agressores. “Comprometem com esta atitude a oportunidade de novos relacionamentos, comportamento que 
pode persistir no decorrer da vida acadêmica e no local de trabalho”, completa a pedagoga.
Como lidar?
O bullying é um fenômeno complexo. “As pesquisas e a prática têm mostrado que o enfrentamento do problema 
só terá efetividade numa perspectiva intersetorial. Especialmente as áreas da saúde e da educação precisam 
estar integradas neste enfrentamento. E é na escola que essas redes sociais de proteção devem ser estabelecidas, 
"O bullying é um problema de saúde 
e pode acarretar às vítimas distúrbios 
comportamentais e emocionais que 
refletem na vida escolar e pessoal. 
“Pode acarretar estresse, ansiedade, 
diminuição e perda da autoestima e, em 
casos mais graves, levar ao suicídio."
66
numa perspectiva da promoção da saúde, uma vez 
que o bullying e a violência escolar precisam ser 
reconhecidos como problemas não somente edu-
cacionais, mas de saúde e, sobretudo, como uma 
questão social”, defende Malta. Neste contexto, 
gestores, educadores, pais e profissionais da saúde 
têm papel fundamental na prevenção e na inter-
rupção deste tipo de violência escolar, acolhendo 
e dando suporte profissional e afetivo às vítimas e 
intervindo de forma efetiva, junto aos agressores.
Pingoello alerta ainda que as intervenções di-
retas sobre a vítima e o agressor devem ser feitas 
em particular. Os únicos procedimentos envolven-
do a classe, ou a escola como um todo são os procedimentos preventivos. “O aconselhamento é que o diálogo 
seja feito por alguém neutro na situação, um professor ou pedagogo que não tenha envolvimento emocional 
com nenhum dos envolvidos. O agressor, muito mais do que ouvir, precisa falar, ele tem que se expressar para 
promover a reflexão e consequentemente as mudanças desejadas”. Ela explica que a escuta ativa promovida 
pelo professor ou equipe pedagógica é muito eficaz como estratégia antibullying. “Escutar ativamente o agressor 
permite entender as causas do comportamento bully, promovendo autorreflexão e responsabilização dos atos 
praticados. No aluno vítima, a escuta ativa proporciona uma sensação de acolhimento, respeito aos seus anseios 
e dificuldades, promove uma exteriorização dos seus pensamentos possibilitando uma reorganização e melhor 
percepção do problema enfrentado”, complementa.
As instituições de educação e seus profissionais devem reconhecer a extensão e o impacto gerado pela 
prática de bullying entre estudantes e desenvolver medidas para reduzi-la rapidamente. “É recomendável que 
sejam competentes para prevenir, investigar, diagnosticar e adotar as condutas adequadas diante de situações 
de violências que envolvam crianças e adolescentes, tanto na figura de autor, como na de alvo ou testemunha. 
Esse tipo agressão precisa ser identificado o quanto antes para que suas consequências não sejam agravadas. Um 
canal de comunicação dos jovens tanto com a família quanto com a escola pode propiciar a confiança daqueles 
que sofrem violência em relatar os seus incômodos”, afirma Costa.
Algumas iniciativas preventivas no âmbito federal já existem como a cartilha Justiça na Escola, do Conselho 
Nacional de Justiça, de 2010. “São diretrizes sobre o bullying para professores e profissionais da escola reconhe-
cer e identificar situações características na escola para poder intervir”, esclarece Malta.
Para Michelle Costa, a grande questão é a educação: as crianças precisam aprender a respeitar a todos e, 
principalmente, as diferenças. “Talvez o maior desafio da contemporaneidade seja educar os filhos. Aos pais cabe 
transmitir valores e também exigir que sejam cumpridos. Cabe o resgate da gentileza, do saber ouvir, dar a vez 
e principalmente, respeitar as regras que a própria vida impõe. O corre-corre como modo de viva imperativo nos 
dias atuais não deve sobrepor a aplicação de limites e de afeto”, aconselha.
Revista Pré-Univesp N. 61 - Jan/16-Dez/17
http://pre.univesp.br/bullying-e-violencia#.WG8YMRsrLIV
“O aconselhamento é que o diálogo seja 
feito por alguém neutro na situação, um 
professor ou pedagogo que não tenha 
envolvimento emocional com nenhum 
dos envolvidos. O agressor, muito mais 
do que ouvir, precisa falar, ele tem que 
se expressar para promover a reflexão 
e consequentemente as mudanças 
desejadas."
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Bullying virtual
Uma adolescente ganha um computador de presente de aniversário e 
cria um perfil em uma rede social. Vítima de cyberbullying, ela passa a 
ser rejeitada e tenta superar o drama trocando experiências com pessoas 
que sofreram o mesmo tipo de humilhação.
Blog “Chega de bullying"
www.chegadebullying.com.br/ 
Bullying e suas implicações no ambiente escolar - Sonia Maria 
de Souza Pereira 
A obra pretende funcionar como suporte teórico para discutir e apresentar 
alternativas ao enfrentamento do problema do bullying, analisando por que 
é tão difícil para escolas detectarem o bullying e quais suas consequências 
no desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicológico dos envolvidos.
68
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70
proposta 5
TEXTO1
TEXTO 2
Art. 1º Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional.
§ 1º No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de vio-
lência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou 
grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, 
em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
§ 2º O Programa instituído no caput poderá fundamentar as ações do Ministério da Educação e das Secre-
tarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como de outros órgãos, aos quais a matéria diz respeito.
LEI Nº 13.185, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2015. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13185.htm 
TEXTO 3
A escola é o segundo grupo mais relevante na jornada à vida adulta da criança, é o espaço onde ela experimen-
tará as primeiras tensões, dificuldades, desafios que a convivência coletiva acarretará. Por esse motivo, embora 
saibamos que o bullying não esteja circunscrito a um lugar, por estarmos trabalhando com crianças em processo 
de formação, será na escola que as crianças, provavelmente, conhecerão o significado desta ação. Por isso, quanto 
mais a escola estiver preparada para enfrentá-la, mais eficiente será no seu combate.
Bullying não é brincadeira de criança! - Estadão - 17/09/2015
http://educacao.estadao.com.br/blogs/colegio-playpen/bullying-nao-e-brincadeira-de-crianca 
71
TEXTO 4
A prevenção ao suicídio se assemelha de certa forma com o combate ao bullying: não é suficiente falar nesses dois 
fenômenos sem que as motivações e causas por trás dos mesmos sejam analisadas com seriedade e combatidas. 
Em muitos casos, o bullying é também uma manifestação de racismo, homofobia e machismo. E quando o assunto 
é suicídio, o sofrimento agudo também é efervescido pelos preconceitos da sociedade.
Suicídios induzidos pelo preconceito - Jarid Arraes - 11/09/2015
http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/09/11/suicidios-induzidos-pelo-preconceito/
TEXTO 5
 O bullying parece ser uma forma de violência mais indiferenciada do que a presente no preconceito mais arraigado, 
que tem alvos definidos e justificativapara sua existência, e corresponder a uma maior fragilidade do indivíduo que 
o pratica; nesse sentido, o preconceito menos delineado pode ser a atitude que pode levar à ação do bullying; esse 
também parece expressar melhor uma cultura homogênea, que, pela (falsa) formação, constitui indivíduos frios, 
insensíveis e com dificuldades de formular seus desejos e os reconhecer o que pode direcioná-los a uma forma de 
violência difusa, ao contrário do preconceito, que se fixa em necessidades mais bem delimitadas. Isso não significa 
que ambas as formas de violência não possam, por vezes, ocorrer conjuntamente – uma vítima do bullying o ser 
devido ao preconceito –, mas que, se podem corresponder a diversas necessidades psíquicas, devem ser combati-
das de modos distintos.
CROCHÍK, José Leon. “Formas de violência escolar: preconceito e bullying”. 
Revista Movimento N. 3. Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 2015.
proposta EnEm:
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema Cami-
nhos para combater o Bullying nas escolas brasileiras, apresentando proposta de intervenção, que respeite 
os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa 
de seu ponto de vista.
Redações Extras
Pratique mais
75
ProPosta extra 1
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ProPosta extra 2
Texto 1
Ninguém tem o direito de estuprar ou roubar, ninguém “merece” passar por isso, e a vítima não pode ser transformada em 
culpado; mas que, feita essa ressalva importante, seria bom manter o realismo e compreender que, nem por isso, devemos 
dar tantas chances ao azar. Há estudos e pesquisas mostrando correlação entre a revolução sexual e o aumento nos casos de 
estupro. E não é um fenômeno brasileiro, mas mundial.
Sexualidade cada vez mais precoce, funk estimulando a vulgaridade, mulheres provocativas rebolando se-
minuas até o chão, tudo isso atrai estupradores como moscas ao mel. Reconhecer essa obviedade não é o mesmo 
que culpar a mulher pelo estupro. Claro que não. É apenas ser realista a ponto de atestar que tudo isso acaba 
estimulando o crime. Enquanto a cultura do machismo não desaparece, e a punição exemplar não vem, seria 
recomendável, sim, que as moças apresentassem um pouco mais de cautela, mostrassem-se um tiquinho só mais 
recatadas, e preservassem ligeiramente mais as partes íntimas de seus corpos. Não tenho dúvidas de que “garotas 
direitas” correm menos risco de abuso sexual.
(Rodrigo Constantino. “O estupro é culpa da mulher seminua? Não! Mas...”. www.veja.abril.com.br, 28.03.2014. Adaptado.)
Texto 2
Uma jovem foi estuprada na madrugada de domingo no Rio de Janeiro. O crime ainda está em investigação, mas as primeiras 
notícias diziam que ela havia sido atacada ao sair de um baile funk (depois, soube-se que na verdade era um bar). Os comen-
tários nas reportagens são sempre escabrosos. Nenhuma novidade até aí. O curioso é um tipo de comentário que se repete em 
todos os portais – e que sempre vemos em qualquer caso de violência contra a mulher ocorrido fora do ambiente doméstico: 
“Se estivesse em casa estudando, nada disso teria acontecido.” Tal discurso tem problemas bastante óbvios, como, por exem-
plo, a culpabilização da vítima. Assim como em qualquer outro crime, a culpa é do criminoso; deveria ser óbvio. Nos casos de 
violência sexual, sempre se questiona a veracidade do relato e se a vítima não tem intenções não reveladas com a denúncia.
Justamente por nos ensinarem que o estupro é um crime que acontece na rua e com garotas que “não se 
comportaram”, fica mais difícil reconhecer quando o crime acontece dentro de casa. Infelizmente, as estatísticas 
apontam parentes e conhecidos como os agressores. Segundo o Dossiê Mulher, do Instituto de Segurança Pública 
(ISP) do Rio de Janeiro, somente 27% dos estupros registrados no estado em 2012 foram cometidos por desco-
nhecidos. Enquanto isso, pais e padrastos são responsáveis por 18,4% dos crimes. Ex-companheiros respondem 
por 10% dos casos, e parentes foram apontados como estupradores em 11,3% dos registros. Logo, “estar em casa 
estudando” não garante a segurança de ninguém. Porém, repetir isso como mantra traz uma consequência perver-
sa e não tão óbvia: a mulher passa a se sentir estuprável na rua. O recado é bem óbvio: fique em casa, não ocupe 
espaços, não fale, ande na linha, não dance, não cante, não beba. Para resumir: não exista.
(Nádia Lapa. “‘Ande na linha ou aguente as consequências’, um recado da cultura do estupro”.
 www.cartacapital.com.br. 21.08.2013. Adaptado.)
Proposta 1: Com base nas informações e reflexões dos textos apresentados – ou, ainda, agregando a eles outros elementos 
que você julgar pertinentes –, redija uma dissertação em prosa e em norma padrão sobre o seguinte tema:
CONTROLE DO COMPORTAMENTO DAS MULHERES:
CULPABILIZAÇÃO DAS VÍTIMAS DE ESTUPRO OU MANEIRA EFICAZ DE COMBATER ESSE CRIME?
77
ProPosta extra 3
Texto 1
Medicina alternativa
O pai da medicina ocidental, o médico e filósofo grego Hipócrates, gostava de repetir enquanto cuidava de seus pacientes que 
“o homem é uma parte integral do cosmo e só a natureza pode tratar seus males”. Com isso, ele queria mostrar que as causas 
da doença eram naturais – e não punições divinas como se acreditava até então – e lembrar que o equilíbrio e a saúde do 
corpo estão diretamente ligados ao ambiente em que vivemos. Essa mesma frase voltou a soar atual nos últimos anos, ao mes-
mo tempo em que ocorre uma popularização dos métodos alternativos à mesma medicina ocidental que Hipócrates fundou.
Esses métodos são bem diferentes uns dos outros – inclusive nos resultados. Mas há algo mais ou menos em co-
mum entre quase todos: eles enxergam o corpo como Hipócrates. Não somos máquinas, somos organismos vivos, cheios de 
partes interdependentes. Ao mesmo tempo, adeptos de práticas alternativas têm incorporado aspectos imprescindíveis da 
medicina oficial, como a necessidade de apresentar resultados eficientes. Em contrapartida, a medicina incorporou a parte da 
acupuntura cujos resultados foram comprovados. Hoje, as faculdades de medicina ensinam a espetar, os hospitais contratam 
acupunturistas, os conselhos médicos reconhecem e regulamentam a técnica e alguns planos de saúde pagam o tratamento.
Como regra geral, vale dizer que nenhuma das terapias alternativas deve ser usada em todas as circunstâncias. Se houver 
qualquer razão para suspeitar de uma doença mais séria, como um câncer ou uma infecção que não passa, um médico con-
vencional certamente vai estar mais equipado para fazer o diagnóstico.
As terapias alternativas podem ser boas maneiras de se manter saudável – já que muitas delas pregam o “equilíbrio” 
nos vários aspectos da vida, um jeito bem razoável de se prevenir de doenças. Elas também são uma saída para problemas 
causados por males “subjetivos” – as várias doenças ligadas à tensão, por exemplo, podem se beneficiar muito de métodos 
holísticos, que incluam conversas com o terapeuta, música tranquila e massagens. Pacientes com doenças misteriosas, como 
as alergias, ainda mal compreendidas pela medicina do Ocidente, igualmente parecem se beneficiar de tratamentos como 
a acupuntura e a homeopatia. E dores musculares ou torções, para as quais a medicina convencional receita quase sempre 
atenuantes de sintomas, parecem se beneficiar muito mais nas mãos de um quiropraxista ou acupunturista.
Na verdade, as abordagens alternativas não existem para curar doenças, mas para preveni-las e para complementar 
um tratamento convencional.
(www.super.abril.com.br. Adaptado.) 
Texto 2
Medicina alternativa é tratada como “intocável” 
Um dos criadores de uma vacina contra rotavírus (causador de diarreia e mortes em crianças pequenas), o 
pediatra americano Paul Offit vem reunindo inimigos ao longo de sua vida profissional, em especial entresegui-
dores do movimento antivacinação nos EUA. Conhecidos por culparem as imunizações por transtornos como o 
autismo, eles já foram alvo de dois livros anteriores de Offit, que agora volta seu foco aos praticantes da medicina 
alternativa e à indústria por trás dela. Para Offit, essa indústria é colocada como intocável, e as pessoas acham 
que esses fabricantes são empresas familiares, que os produtos são feitos por elfos em montanhas. E acrescenta: 
“Gostaria que tivéssemos o mesmo ceticismo com a medicina alternativa que temos com a medicina moderna. Se 
acupuntura é bom, vamos descobrir como!” Segundo o pediatra, a questão é que a medicina moderna é fria, dis-
tante, sem espiritualidade. A medicina alternativa não é nada disso. Ela é praticada por pessoas que parecem mais 
sensíveis, que passam mais tempo com o paciente, que trazem espiritualidade ao tratamento. Ainda que manifeste 
um ponto de vista cético, ele mesmo defende a homeopatia, em certas circunstâncias, argumentando que, se os 
pais tratam seus filhos com homeopatia, ao menos eles não estão tomando remédios contra tosse e resfriado, com 
ingredientes como pseudoefedrina, que podem causar mal a crianças, como alucinações e até a morte. O problema 
é quando se usa placebo em vez de um remédio que funcionaria.
(Folha de S.Paulo, 24.08.2013. Adaptado.)
Com base nas informações apresentadas pelos textos e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, de acordo 
com a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o seguinte tema:
A MEDICINA ALTERNATIVA TRAZ MAIS CONTRIBUIÇÕES OU MAIS EMPECILHOS 
PARA A MEDICINA CONVENCIONAL?
78
ProPosta extra 4
Texto 1
Texto 2
Texto
79
ProPosta extra 5
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema o limite entre a 
liberdade de expressão e o discurso de ódio, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. 
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Texto I
As frases que ilustram esta imagem foram coletadas nas redes sociais e em declarações prestadas à imprensa. Nelas, o grupo 
social atingido pelas falas de incitação ao ódio foi substituído por xxx.
Texto II
O que é Discurso do Ódio?
É o discurso que visa à promoção do ódio e incitação a discriminação, hostilidade e violência contra uma pessoa ou grupo em vir-
tude de raça, religião, nacionalidade, orientação sexual, gênero, condição física ou outra característica de um determinado grupo.
A discriminação seria atitude de marginalização e desqualificação que insufle o desrespeito pelo diferente e reduza o 
ser humano à condição de objeto, além de causar efeitos deletérios em suas vítimas.
Adaptado de: http://artigo19.org/centro/files/discurso_odio.pdf
Texto III
O exercício abusivo da liberdade de expressão é potencializado com a generalização do acesso à internet que permite às 
pessoas assumir uma posição ativa na relação comunicacional ao saírem da posição de receptores da informação e passarem 
à posição de criadoras de conteúdos, os quais podem ser divulgados de maneira instantânea, sobretudo nas mídias sociais 
como Facebook, Twitter e Instagram, com acentuada velocidade de propagação e uma aparente possibilidade de anonimato.
Com isso, os discursos discriminatórios (hate speech) ganharam sua versão cibernética e, nesse contexto, a reflexão 
prática a respeito dos limites do direito de expressão em razão da veiculação de mensagens altamente preconceituosas que 
atingem as pessoas e grupos vulneráveis também precisa ser feita tendo como base as redes sociais.
http://coral.ufsm.br/congressodireito/anais/2015/6-21.pdf
80
Texto IV
MOVIMENTO CONTRA O DISCURSO DE ÓDIO
Tem como principal objetivo o combate ao discurso de ódio e à discriminação na sua expressão on-line. O Discurso de Ódio 
engloba “todas as formas de expressão que propagam, incitam, promovem ou justificam o ódio racial, a xenofobia, a homo-
fobia, o antissemitismo e outras formas de ódio baseadas na intolerância”.
A internet dá-nos a possibilidade de criar, publicar, distribuir e consumir conteúdos fornecendo assim um espaço de 
completa participação, empenho e livre expressão pessoal. Com o desenvolvimento das Redes Sociais, todos podemos parti-
cipar no ciberespaço de formas muito diversas, desde o contato permanente com os nossos amigos e o desenvolvimento de 
novos contactos até à partilha de conteúdos e à exploração da nossa capacidade de nos exprimirmos. Este espaço on-line 
dá-nos novas oportunidades tais como aderir com outros a causas em que nos queremos empenhar e que nos preocupam.
Mas também podemos igualmente ser vítimas e agentes de abusos e violações dos Direitos Humanos, entre as quais, 
o discurso de ódio em diversos formatos e o ciberbullying. O mundo on-line não deixa de ter valores. O discurso de ódio, como 
tal, não é um assunto novo na internet, nem no debate sobre direitos humanos. A sua dimensão on-line e o dano potencial 
que pode provocar em processos democráticos dá-nos novas razões para agir!
http://www.odionao.com.pt/
81
Exercícios
82
Exercícios
85
exercício 1
1) Explique por que algumas ativistas feministas são chamadas de feminazis. Desenvolva o raciocínio 
explicando, também, por que as mulheres que se consideram feministas não se identificam com o termo e 
ainda consideram-no ofensivo.
2) Estabeleça um ponto de vista sobre campanhas como a #carnavalsemassédio. Explique a necessidade 
da criação desse tipo de publicidade em 2016.
3) Conceitue a palavra periguete. Explique por que ela é considerada ofensiva e por que é carregada de 
preconceitos. Aponte e demonstre os problemas sociais que a repetição desses conceitos pode gerar.
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exercício 2
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A imagem ao lado, comum nas redes so-
ciais, traz, evidentemente, um ponto de vis-
ta. Textualize-o e defenda-o. Para isso, expli-
que cada uma das frases com dados, fatos, 
evidências concretas.
87
exercício 3
a. Assuma o ponto de vista da cliente do salão. Explique e demonstre por que é tão opressor o uso de burcas.
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b. Claramente, a charge expressa uma ironia. Explicite-a e faça dela a sua tese. Defenda-a.
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exercício 4
As histórias de Kalamy e Elena estão no livro infantil de Gang Gyeongsu, intitulado Estas Histórias Não Deveriam 
Ser Verdadeiras, 2011. O título da obra é uma tese, e expressa a opinião do autor sobre os fatos que ele vai contar 
para seus pequenos leitores.
Assuma um posicionamento diante da tese de Gyeongsu e, a partir do seu próprio conceito de justiça e 
injustiça, argumente em função dele, usando as histórias de Kalamy e Elena para respaldar, com fatos, as suas 
ideias. Lembre-se que seu leitor não os conhece.
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89
critérios de correção das 
Provas de redação dos 
vestibulares de Medicina
Fuvest, Vunesp e Uerj
Metodologia de avalia-
ção das redações
A redação deverá ser, obrigatoriamente, uma disserta-
ção de caráter argumentativo, na qual se espera que o 
candidato, visando a sustentar um ponto de vista sobre 
o tema proposto ou sugerido, demonstre capacidade 
de mobilizar conhecimentos e opiniões; argumentar de 
forma coerente e pertinente; articular eficientemente 
as partes do texto e expressar-se de modo claro, corre-
to e adequado.
Os textos elaborados pelos candidatos serão 
avaliados quanto a três aspectos ou quesitos:
I. Desenvolvimento do tema e organização do 
texto dissertativo-argumentativo
Verifica-se se o texto configura-se como uma disser-
tação argumentativa e se atende ao tema proposto 
ou sugerido. Pressupõe-se, então, que o candidato de-
monstre a habilidade de compreender a proposta de 
redação e, quando esta contiver uma coletânea, que 
ele se revele capaz de ler e de relacionar adequada-
mente os textos que a integram. A paráfrase de ele-
mentos que compõem a proposta de redação não é 
um recurso recomendável para o desenvolvimento 
adequado do tema. Não se recomenda, também, que 
o texto produzido se configure como uma dissertação 
meramente expositiva, isto é, que se limite a expor 
dados ou informações relativos ao tema, sem que se 
explicite um ponto de vista devidamente sustentado 
por uma argumentação consistente. No que diz respei-
to ao desenvolvimento do tema, verifica-se, além da 
pertinência das informações e da efetiva progressão 
temática, também a capacidade crítico-argumentativa 
que a redação venha a revelar.
II. Coerência dos argumentos e articulação das 
partes do texto
Avaliam-se, conjuntamente, a coerência dos argu-
mentos e das opiniões e a coesão textual, ou seja, a 
correta articulação das palavras, frases e parágrafos. 
A coerência reflete a capacidade do candidato de 
relacionar os argumentos e organizá-los de forma a 
deles extrair conclusões apropriadas e, também, sua 
habilidade para o planejamento e a construção signifi-
cativa do texto. Serão considerados de forma negativa 
a presença de contradições entre frases ou parágra-
fos, a falta de encadeamento das ideias, a circularida-
de ou quebra da progressão argumentativa, o uso de 
argumentação baseada apenas no senso comum e a 
falta de conclusão ou conclusões que não decorram 
do que foi previamente exposto. Serão tidos também 
como fatos negativos referentes à coesão, entre outros, 
o estabelecimento de relações semânticas imprópriasentre partes do texto, assim como o uso inadequado 
de conectivos.
III. Correção gramatical e adequação vocabular
Avaliam-se, neste aspecto, o domínio da norma-padrão 
escrita da língua portuguesa e a clareza na expressão 
das ideias. Serão examinados aspectos gramaticais 
como ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação, e o 
emprego adequado e expressivo do vocabulário. Espe-
ra-se que o candidato revele competência para expor 
com precisão e concisão os argumentos selecionados 
para a defesa do ponto de vista adotado, evitando o 
uso de clichês ou frases feitas. Avalia-se, também, a 
seleção adequada do vocabulário, tendo em vista as 
peculiaridades do tipo de texto exigido.
Para cada um dos três aspectos, será atribuída 
pontuação de 1 a 5, dependendo do desempenho do 
candidato no respectivo aspecto.
Quando os pontos atribuídos pelos dois ava-
liadores a um determinado aspecto divergirem em 1 
ponto, valerá a média das duas notas. Nos casos em 
que a discrepância entre os dois avaliadores exceder 
1 ponto em qualquer dos três aspectos, as redações 
serão objeto de uma terceira avaliação por uma ban-
ca previamente designada para esse fim. Caberá a 
essa banca decidir qual das duas notas é a mais ade-
90
quada ou se cabe atribuir uma terceira nota, diversa 
das que foram atribuídas. Se isso ocorrer, prevalecerá 
a terceira nota.
Os pontos atribuídos a cada aspecto serão mul-
tiplicados, respectivamente, por 4, 3 e 3, obtendo-se, 
assim, uma nota ponderada para a redação, que varia-
rá entre 10 e 50 pontos.
Receberão nota zero, além das redações em 
branco, textos que desenvolverem tema diverso do 
que foi proposto ou sugerido, ou que não atenderem 
à modalidade discursiva indicada. Serão passíveis de 
receber nota zero também os textos com extensão cla-
ramente abaixo do limite estabelecido nas instruções 
da prova ou que apresentarem elementos verbais ou 
visuais não relacionados com o tema proposto.
Caso a redação receba nota zero de um dos 
avaliadores e nota diferente de zero de outro avaliador, 
ela será objeto de uma terceira avaliação, seguindo os 
mesmos critérios estabelecidos para os casos de dis-
crepância submetidos a terceira avaliação.
Unicamp
A prova de Redação, composta de duas tarefas obri-
gatórias, busca avaliar a habilidade do candidato no 
emprego de recursos que são necessários à produção 
de textos pertencentes a diferentes gêneros discursivos. 
Cada tarefa é acompanhada de um ou mais textos que 
irão subsidiar o seu desenvolvimento, além de instru-
ções que indicarão os interlocutores envolvidos, bem 
como o gênero e o propósito do texto a ser elaborado 
pelo candidato. A prova procura, desta forma, reprodu-
zir o funcionamento do discurso no mundo real. Para 
que um texto seja bem-sucedido em seus propósitos, o 
autor deve ter experiência de leitura e delinear um pro-
jeto em função de um ou mais objetivos específicos, que 
deverão ser atingidos por meio da formulação escrita.
A avaliação dos textos produzidos levará em 
conta as condições propostas na atividade: as proprie-
dades do gênero, os participantes da interlocução, o 
propósito (tendo em vista o tema, a situação de intera- 
ção proposta e as instruções), a leitura e a articulação 
entre as partes do texto. Assim, o candidato deve, no 
desenvolvimento das duas tarefas, atender a requeri-
mentos relacionados:
1. ao gênero: o texto elaborado pelo candi-
dato em cada uma das tarefas deve ser repre-
sentativo do gênero solicitado e considerar os 
interlocutores nele implicados.
2. ao propósito: o candidato deve cumprir o 
propósito da tarefa que está sendo solicitada, 
observando o tema, a situação de interação 
proposta e as instruções de elaboração do tex-
to.
3. à leitura: é esperado que o candidato es-
tabeleça pontos de contato com o(s) texto(s) 
fornecido(s) em cada tarefa. Ele deve mostrar 
a relevância desses pontos para o seu projeto 
de escrita e não simplesmente reproduzir o(s) 
texto(s) ou partes do(s) mesmo(s) em forma 
de colagem.
4. à articulação escrita: os textos produzi-
dos pelo candidato devem propiciar uma leitura 
fluida e envolvente, mostrando uma articulação 
sintático-semântica ancorada no emprego ade-
quado de elementos coesivos e de outros recur-
sos necessários à organização dos enunciados. 
O candidato também deve demonstrar ter habi-
lidade na seleção de itens lexicais apropriados 
ao estilo dos gêneros solicitados e no emprego 
de regras gramaticais e ortográficas que aten-
dem à modalidade culta da língua.
Enem
Cada avaliador atribuirá uma nota entre 0 (zero) e 200 
(duzentos) pontos para cada uma das cinco competên-
cias, e a soma desses pontos comporá a nota total de 
cada avaliador, que pode chegar a 1000 (mil) pontos. A 
nota final do participante será a média aritmética das 
notas totais atribuídas pelos dois avaliadores.
91
Competência 1
Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.
200 pontos
Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa e de escolha de registro. 
Desvios gramaticais ou de convenções da escrita serão aceitos somente como excepcionalidade e quando não 
caracterizem reincidência.
160 pontos
Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa e de escolha de registro, com poucos 
desvios gramaticais e de convenções da escrita.
120 pontos
Demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa e de escolha de registro, com alguns 
desvios gramaticais e de convenções da escrita.
80 pontos
Demonstra domínio insuficiente da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, com muitos desvios gramaticais, de 
escolha de registro e de convenções da escrita.
40 pontos
Demonstra domínio precário da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, de forma sistemática, com diversifica-
dos e frequentes desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita.
0 ponto Demonstra desconhecimento da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.
Competência 2
Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para 
desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
200 pontos
Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo, e apresenta 
excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo.
160 pontos
Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumenta-
tivo, com proposição, argumentação e conclusão.
120 pontos
Desenvolve o tema por meio de argumentação previsível e apresenta domínio mediano do texto dissertativo-argumen-
tativo, com proposição, argumentação e conclusão.
80 pontos
Desenvolve o tema recorrendo à cópia de trechos dos textos motivadores ou apresenta domínio insuficiente do texto 
dissertativo-argumentativo, não atendendo à estrutura com proposição, argumentação e conclusão.
40 pontos
Apresenta o assunto, tangenciando o tema, ou demonstra domínio precário do texto dissertativo-argumentativo, com 
traços constantes de outros tipos textuais.
0 ponto Fuga ao tema/não atendimento à estrutura dissertativo-argumentativa.
Competência 3
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, 
opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
200 pontos
Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configuran-
do autoria, em defesa de um ponto de vista.
160 pontos
Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa 
de um ponto de vista.
120 pontos
Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, limitados aos argumentos dos textos motivadores e 
pouco organizados, em defesa de um ponto de vista.
80 pontos
Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, mas desorganizados ou contraditóriose limitados aos 
argumentos dos textos motivadores, em defesa de um ponto de vista.
40 pontos Apresenta informações, fatos e opiniões pouco relacionados ao tema ou incoerentes e sem defesa de um ponto de vista.
0 ponto Apresenta informações, fatos e opiniões não relacionados ao tema e sem defesa de um ponto de vista.
Competência 4
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
200 pontos Articula bem as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
160 pontos Articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
120 pontos Articula as partes do texto com algumas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
92
Prontuário
Competência 4
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
80 pontos
Articula as partes do texto, de forma insuficiente, com muitas inadequações e apresenta repertório limitado de recur-
sos coesivos.
40 pontos Articula as partes do texto de forma precária.
0 ponto Ausência de marcas de articulação, resultando em fragmentação das ideias.
Competência 5
Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
200 pontos
Elabora muito bem a proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida 
no texto.
160 pontos Elabora bem a proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.
120 pontos
Elabora, de forma mediana, a proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida 
no texto.
80 pontos
Elabora, de forma insuficiente, a proposta de intervenção relacionada ao tema ou não articulada com a discussão de-
senvolvida no texto.
40 pontos Apresenta proposta de intervenção vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto.
0 ponto Não apresenta proposta de intervenção ou apresenta proposta não relacionada ao tema ou ao assunto.
PUC – São Paulo, Campinas e vestibulares externos
A redação tem por objetivo, a partir de conhecimentos da realidade atual, verificar as habilidades de:
 § entender as orientações dadas para a elaboração da redação;
 § selecionar um tema a partir das propostas dadas para o desenvolvimento do texto; e
 § organizar o texto de forma clara, coesa, coerente e crítica, seguindo os padrões da norma culta escrita da 
Língua Portuguesa.
Prontuário
95
Prontuário
Meta 2018:
 Conquistar uma vaga no curso de Medicina.
Para conquistar a sua meta, divida-a em objetivos menores. Assim, fica mais fácil acompanhar a sua evolução:
Escrever redações nota dez.
Para atingir esse objetivo:
Escrever _____ redações por semana.
Minhas Notas
Semana 1 2 3 4 5
Check
Redações Extras
Extras 1 2 3 4 5
Original
Reescrita
LEMBRE-SE: 
As notas fazem parte de um processo. Cada uma representa uma avaliação pontual. 
É importante olhar para elas e autoavaliar-se para desenhar estratégias que 
ajudem a melhorar seus textos.
Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Data: ____/____/2018
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Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
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Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
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Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
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Principais dificuldades: 
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Caminhos para solucioná-las:
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Meta de curto prazo: 
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Data: ____/____/2018
Plantonista____________________
Principais dificuldades: 
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